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Numero do processo: 16682.721752/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.737
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721752/201519 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.737 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto MULTA ISOLADA Recorrente PETROLEO BRASILEIRO SA PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 75 2/ 20 15 -1 9 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16682.721752/201519 Resolução nº 3201001.737 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16682.721752/201519 Resolução nº 3201001.737 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002814/2003-05
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/2002
PRELIMINAR. CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior.
CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO 10 71/2005, DO SENADO
DA REPÚBLICA.
O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-Lei n 21.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde 30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1º, § 22, do Decreto-Lei nº 1.658, de 24/01/1979. O crédito prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. A declaração de inconstitucionalidade do art.1º do Decreto-Lei nº 1.724, de 07/12/1979, e do inciso Ido art. 32 do Decreto-Lei nº 1.894, de 16/12/1981, não impediu que o Decreto-Lei nº 1.658, de 24/01/1979, revogasse o art. 1 do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. A Resolução nº 2 71, de 27/12/2005, do Senado Federal, ao preservar a vigência do que remanesceu do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, alcança os fatos ocorridos até 30/06/1983, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência do crédito-prêmio à exportação a partir desta data.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.209
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/2002 PRELIMINAR. CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior. CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO 10 71/2005, DO SENADO DA REPÚBLICA. O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-Lei n 21.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde 30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1º, § 22, do Decreto-Lei nº 1.658, de 24/01/1979. O crédito prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. A declaração de inconstitucionalidade do art.1º do Decreto-Lei nº 1.724, de 07/12/1979, e do inciso Ido art. 32 do Decreto-Lei nº 1.894, de 16/12/1981, não impediu que o Decreto-Lei nº 1.658, de 24/01/1979, revogasse o art. 1 do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. A Resolução nº 2 71, de 27/12/2005, do Senado Federal, ao preservar a vigência do que remanesceu do art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 05/03/1969, alcança os fatos ocorridos até 30/06/1983, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência do crédito-prêmio à exportação a partir desta data. Recurso negado.
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Recorrida DRJ-Porto Alegre/RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/2002 PRELIMINAR. CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A teor do Decreto n2 20.910/32, o direito de aproveitamento do crédito- prêmio à exportação prescreve em cinco anos, contados do embarque da mercadoria para o exterior. CRÉDITO-PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO 10 71/2005, DO SENADO DA REPÚBLICA. O crédito-prêmio à exportação não foi reinstituído pelo Decreto-Lei n21.894, de 16/12/1981, encontrando-se revogado desde 30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. O crédito- prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/1988. A declaração de inconstitucionalidade do art. r do Decreto-Lei if 1.724, de 07/12/1979, e do inciso Ido art. 32 do Decreto-Lei n' 1.894, de 16/12/1981, não impediu que o Decreto-Lei ri2 1.658, de 24/01/1979, revogasse o art. 1 do Decreto-Lei n' 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. A Resolução ri 2 71, de 27/12/2005, do '- Senado Federal, ao preservar a vigência do que remanesceu do art. 1' do Decreto-Lei ri2 491, de 05/03/1969, alcança os fatos ocorridos até 30/06/1983, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência do crédito-prêmio à exportação a partir desta data. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. cl o • Processo n° 10980.00281412003-05 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00109 Fl. 265 ACORDAM os Membros da 1 1 CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA da • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimais •• de votos, em negar provimento ao recurso. • / dr • •1 MARCOS CÂNDIDO PA • 440 A 40, 'kW 1/411FNIII 'MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito-prêmio de IPI, acrescido de juros calculados com base na taxa Selic, relativo ao período de 01/04/1997 a 30/11/2002, apresentado em 28/03/2003, com fundamento no art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, c/c o art. 1 2, inciso II, do Decreto-Lei n2 1.894/81. A autoridade fiscal indeferiu o pleito, tendo em vista que o crédito-prêmio instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69 foi completamente extinto em 30/06/1983. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, defendendo o direito ao beneficio, que não considera revogado, citando em seu auxílio decisões do Conselho de Contribuintes, STI e STF. A DRJ em Porto Alegre/RS também julgou extinto o crédito-prêmio em 30/06/1983, mantendo o indeferimento do pleito, com base nas Instruções Normativas SRF n2s 210 e 226, de 2002, e 600, de 2005. No recurso voluntário, a empresa reedita o seu arrazoado, acrescentando que a Resolução n2 71/2005, do Senado Federal, veio a confirmar a sua tese de que o crédito- prêmio continua em vigor até hoje. É o Relatório. 2 • Processo n° 10980.002814/2003-05 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 266 Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. A questão posta em julgamento não é nova perante esta Câmara, já tendo sido apreciada por inúmeras vezes. Antes de entrar no mérito das razões recursais, porém, deve ser analisada a questão do prazo prescricional para o aproveitamento do crédito-prêmio à exportação. A este incentivo não podem ser aplicadas as disposições do CTN, uma vez que a natureza jurídica do beneficio era financeira e não tributária. Contudo, isto não significa dizer que o crédito-prêmio estivesse sujeito à prescrição vintenária prevista no Código Civil. Tratando-se de quantia em dinheiro que era devida pela União, o Código Civil cede passo à norma especifica do art. 1 2 do Decreto n2 20.910, de 06/01/1932, que estabelece, verbis: "... As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem." Esta questão já foi enfrentada pelo STJ, que se posicionou no sentido de que a prescrição ao aproveitamento do crédito-prêmio é regulada pelo supracitado decreto, conforme ementas dos julgados abaixo transcritas: "TRIBUTÁRIO. IN. CRÉDITO-PRÉMIO. RESSARCIMENTO. DECRETO-LEI N°491, DE 5-3-69. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VARIAÇÃO CAMBIAL. JUROS MORA TÓRIOS. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. 1- A ação de ressarcimento de créditos-prêmio relativos ao IPI prescreve em 5 (cinco) anos (Decreto-lei n° 20.910/32), aplicando-se-lhe, no que couber, os princípios relativos à repetição de indébito tributário. Ofensa aos arts. 173 e 174 do CPC não caracterizada. II - A correção monetária é devida a partir da conversão dos créditos questionados em moeda nacional, na forma do art. 2° do Decreto-lei n°491, de 1969, aplicando-se, desde então, a Súmula n°46 - TER, segundo a qual aquela correção 'incide até o efetivo recebimento da importância reclamada III - Os juros moratórios são devidos, à taxa de 12% ao ano, a partir do trânsito em julgado da sentença. Aplicação dos arts. 161, tf 1° e 167, parágrafo único, CPC. Inaplicação dos arts. 58, 59 e 60 do Código Civil e do art. I° da Lei n° 4.414/64. IV - Salvo limite legal, afixação da verba advocatícia depende das circunstâncias da causa, não ensejando recurso especial. Súmula n°389 - STF. Aplicação. V - Recurso especial não conhecido." (REsp n2 40.213-I/DF, DJde 12/0811996). 3 • Processo n• 10980.00281412003-05 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 267 "TRIBUTÁRIO. IPL CRÉDITO-PRÊMIO. PRAZO PRESCRICIONAL. DECRETO N° 20.910/32. 1. Nas ações em que se busca o aproveitamento de crédito do In, o prazo prescricional é de cinco anos, nos termos do Decreto n° 20.910/32, por não se tratar de compensação ou de repetição. 2. Agravo regimental improvido." (AGÁ n2 556.896/SC, 21' Turma do STJ, ReI. MM. Castro Meira. DJ de 31/5/2004). "PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL - RECURSO ESPECIAL -TRIBUTÁRIO - IPI - CRÉDITO - PRESCRIÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA - CRÉDITOS ESCRITURAIS - PRECEDENTES. I. O direito à postulação do crédito-prêmio do IPI prescreve em cinco anos, nos termos do Decreto n.° 20.910/32. 2. A correção monetária não incide sobre o crédito escriturai, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos. 3. Agravo regimental desprovido." (AGREsp n2 396.537/RS, 12 Turma do STJ, Rel. MM. Denise Arruda, DJ 15/3/2004, p. 153). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - ACOLHIMENTO DE QUESTÃO DE ORDEM - COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS DEMAIS QUESTÕES - IPI — CRÉ'DITOPRÉMIO - PRESCRIÇÃO. Acolhida questão de ordem para submeter à apreciação da Primeira Seção a matéria atinente à contagem do prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do crédito-prêmio do IPL fica mantida a competência da Turma originária para o julgamento das demais questões suscitadas no recurso especial. A Egrégia Primeira Seção firmou entendimento no sentido de que são atingidas pela prescrição as parcelas anteriores ao prazo de cinco anos a contar da propositura da ação. Incidência das Súmulas n".s 443 do STF e 85 do STJ. Embargos parcialmente acolhidos." (EResp n1-1 260.096/DF, DJU de 13/08/2001, pág. 42). Considerando que o fato que dava origem ao direito ao crédito-prêmio era a exportação dos produtos, a prescrição ao seu aproveitamento ocorria em cinco anos, contados do efetivo embarque da mercadoria para o exterior. -No presente caso, o pedido foi protocolado em 28/03/2003 (fl. 01) e os valores pleiteados referem-se às exportações que teriam sido efetuadas no período de 01/04/1997 a 30/11/2002. Sendo assim, neste processo, estão prescritos todos os valores do crédito-prêmio gerados por exportações ocorridas até 27/03/1998. No que diz respeito às questões de mérito, adoto como forma de decidir, e abaixo transcrevo, excerto do voto proferido pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim no julgamento do Recurso n2 126.367 (Acórdão n2 201-16.203): "Inicialmente enfrento as alegações opostas quanto ao o indeferimento liminar do pedido. Os Atos Normativos baixados pela Secretaria da Receita Federal gozam da presunção de legitimidade e têm eficácia erga omnes, por se tratarem de normas complementares à legislação tributária, conforme previsto no art. 100 do CIN. 4 • Processo na 10980.002814/2003-05 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 268 As determinações de indeferimento liminar e de inaplicabilidade do procedimento administrativo de ressarcimento ao crédito- prêmio à exportação, comidas nas IN SRF n2 22 6 e 210, de 2002, respectivamente, não violaram nenhuma garantia da recorrente, uma vez que não impedem e nem nunca impediram o acesso do contribuinte ao devido processo legal e o processamento dos recursos administrativos garantidos em lei. Tanto é assim, que a recorrente trouxe a discussão até a última instância administrativa ordinária. O art. 42 da IN SRF n2 210, de 30/09/2002 estabelece que: 'Art. 42. Não se enquadram nas hipóteses de restituição, de compensação ou de ressarcimento de que trata esta Instrução Normativa os créditos relativos ao extinto 'crédito-prêmio' instituído pelo art. 1 o do Decreto-lei no 491, de 5 de março de 1969.' (gnfes) Ao fazer referência apressa 1... ao extinto crédito-prêmio ...' o Secretário da " Receita Federal já disse o motivo pelo qual é inaplicável o procedimento estabelecido por aquele ato administrativo, carecendo de suporte a alegação de violação do princípio da motivação. A decisão da DRF Ponta Grossa não pode ser considerada nula e nem ser anulada, uma vez que foi proferida em total conformidade com as normas legais e infralegais. A autoridade fundamentou o indeferimento do pleito não só nas IN SRF n 2 210 e 226, de 2002, mas também no Parecer JCF 08, de 09/11/1992, não havendo que se falar em falta de motivação e cerceamento de defesa. Do mesmo modo, reparo algum merece o acórdão da DRJ em Porto Alegre, que além de ter invocado aqueles atos administrativos, fundamentou o indeferimento com mais dois argumentos, quais sejam: a revogação do crédito-presumido pelo art. 12, ,Ç 22 do Decreto-lei n2 1.658, de 24/01/1979 e a falta de competência da SRF para análise do pedido. As interpretações antagônicas sobre a questão da vigência do crédito-prémio à exportação A questão que se coloca não é nova nas instâncias de julgamento. Não serão aqui utilizadas como razões de decidir nenhuma das portarias baixadas pelo Ministro da Fazenda, o que dispensa a análise de eventuais argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade formuladas no recurso, mesmo porque a extinção do crédito-prêmio não se deu por efeito de nenhum ato administrativo. Sob a égide da Constituição de 1969 foram editados diversos diplomas legais que trataram de incentivos fiscais, entre eles o instituído pelo art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, regulamentado por meio do Decreto n2 64.833, de 1969, que em 5 • Processo e 10980.002814/2003-05 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 269 seu art. 12, §§ P e 22, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a titulo de estímulo fiscal, créditos sobre suas vendas para o exterior para serem deduzidos do valor do IPI incidente sobre as operações realizadas no mercado interno, resultando, assim, que os estabelecimentos exportadores de produtos nacionais manufaturados, lançavam em sua escrita fiscal uma determinada quantia a titulo de crédito do IPL calculado como se devido fosse, sobre a venda de produtos ao exterior. Decorridos cerca de 10 anos da instituição do crédito-prêmio à exportação, o Poder Executivo baixou o Decreto-Lei e 1.658, de 24/01/1979, que previa a redução gradual do referido beneficio, a partir de janeiro daquele ano, até a sua extinção total, em 30 de junho 1983, verbis: 'Art. 1°- O estimulo fiscal de que trata o artigo 1° do Decreto- Lei n°491, de 5 de março de 1969, será reduzido gradualmente, até sua definitiva extinção. § 1° - Durante o exercício financeiro de 1979, o estimulo será reduzido: a)a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento); b)a 31 de março, em 5% (cinco por cento); c)a 30 de junho, em 5% (cinco por cento); d)a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento); e)a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento). § 2° - A partir de 1980, o estimulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março, a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até sua total extinção a 30 de junho de 1983.' )f.Ainda naquele mesmo ano, o governo baixou o Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, que deu nova redação ao art. 1 2, ,f 21', do Decreto-Lei n2 I.658, de 24/01/1979, verbis: 'Artigo 3°- O § 2° do artigo 1°, do Decreto-Lei n°1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: § 2° - O estimulo será reduzido de 20% (vinte por cento) em 1980, 20% (vinte por cento) em 1981, 20% (vinte por cento) em 1982 e de 10% (dez por cento) até 30 de junho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.' (grifei) Antes da expiração do prazo fixado no § 2 2 do art. 12 do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 3 2 do Decreto-Lei n2 1.72 2, de 03/1 2/1979, o Governo Federal baixou o Decreto-Lei e 1.894, de 16/12/1981, que estendeu o beneficio fucel instituído pelo art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, às empresas que exportavam produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, 6 • Processo n°10980.002814/2003-05 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 270 contra pagamento em moeda estrangeira, ficando assegurado o crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados que havia incidido na sua aquisição. O art. 52 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, revogou os §§ 12 e 22 do art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. A conseqüência prática desta revogação foi a desvinculação do crédito-prêmio da escrita fiscal do IPI, uma vez que tendo sido suprimida a autorização legal para escriturar o beneficio no livro de apuração do IPI, o valor do crédito- prémio passou a ser creditado em estabelecimento bancário indicado pelo beneficiário. A tese da revogação Com o advento do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/0111979, foram introduzidas normas que estabeleceram a redução gradual do beneficio, até sua extinção por completo em 30/06/1983. O Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não pretendeu restabelecer o estímulo fiscal criado no Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, e, tampouco, interferir na escala gradual de extinção já existente. Seu objetivo teria sido apenas o de estender o beneficio às empresas exportadoras de produtos nacionais, independentemente de serem as fabricantes, enquanto vigorasse o art. P do Decreto-Lei n 2 491, de 05/03/1969. Segundo esta tese, a revogação tácita do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria ocorrido somente se o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tivesse regulado inteiramente a matéria ou fosse incompatível com a norma anterior (art. 2 2, § Is, da LICC). Entretanto, nenhuma destas duas hipóteses teria se verificado, pois o Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, não regulou inteiramente a matéria e nem era incompatível com os DL n2s 491/69, 1.658/79 e 1.722/79, mas apenas e tão-somente estendera o beneficio fiscal às empresas exportadoras, enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, como a Lei nova (DL n 2 1.894/81) limitou- se a estabelecer disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não houve revogação tácita do DL n 2 1.658/79, a teor do disposto no art. 2'2, § 21', da LICC. A interpretação e -sistemática, portanto, não levaria a outra conclusão que não a da extinção do beneficio fiscal a partir de 30 de junho de 1983. A tese da vigência por prazo indeterminado Na esteira da declaração de inconstitucionalidade do art. 1 2 do Decreto-Lei tre 1.724, de 07/12/1979, surgiu tese antagônica à anterior, onde se sustenta que se o legislador, por meio do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, criou uma nova situação de gozo do beneficio previsto no art. 1 2 do Decreto-Lei ra2 491, de 05/03/1969, é porque este dispositivo não foi revogado. O art. 12, II, do Decreto-Lei ns 1.894, de 16/12/1981, teria, portanto, restabelecido o crédito-prêmio à exportação, sem prazo de vigência. Por esta razão, a situação disciplinada de forma diftrente pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, antes de implementado o termo final para a extinção do incentivo, li 7 • Processo n° 10980.002814/2003-05 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 271 conforme o disposto no Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, teria reinstituído o crédito-prêmio por prazo indeterminado. A tese adotada pela Administração e a análise da argumentação da recorrente No DJ de 10/05/2003, pág. 53, encontra-se a ementa do acórdão prolatado pelo STF no julgamento do RE n 2 186.359-5/RS, cuja transcrição é a seguinte: 'TRIBUTO - BENEFICIO - PRINCIPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo 1' do Decreto-lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o inciso Ido artigo 3 do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que implicaram a autorizado ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender, aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais previstos nos artigos I° e 5° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969.' (811.li0 Neste julgamento o STF limitou-se a declarar a inconstitucionalidade das delegações de competência ao Ministro da Fazenda veiculadas no art. 1 2 do Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, e o no art. 3 2, I, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981. A declaração de inconstitucionalidade destes dois dispositivos não interferiu na vigência do art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, quer na sua redação original, quer na redação introduzida pelo art. 32 do Decreto-Lei n2 1.722, de 03/12/1979, uma vez que este último dispositivo legal nunca foi formalmente declarado inconstitucional. Porém, como a nova • redação introduzida pelo art. 32 do Decreto-Lei ne 1.722, de 03/12/1979, também encerrava uma delegação de competência ao Ministro da Fazenda, pode-se considerar que também era inconstitucional a expressão (...) de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda. (...), contida na sua parte final, o que, de qualquer forma, não impediu que o dispositivo produzisse o efeito de revogar o art. 12 do Decreto-Lei ns 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. Entretanto, caso se considere que o art. 32 do Decreto-Lei ris 1.722, de 03/12/1979, seja todo inconstitucional, - inconstitucionalidade esta que — repito — não foi formalmente declarada até hoje, passaria a prevalecer a redação original do art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, que também estabelecia como data fatal o dia 30/06/1983. Desse modo, por qualquer ângulo que se examine a questão, a declaração de inconstitucionalidade proferida no R.E. n2186.359- 5/RS não teve nenhuma influência sobre a revogação do art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. Por outro lado, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça em inúmeros julgados, adotou a segunda tese supramencionado, tendo se manifestado sobre a aplicabilidade do Decreto-Lei n2 elliç 8 Processo no 10980.002814/2003-05 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 272 491, de 05/03/1969, em razão de o Decreto-Lei n 2 1.894, de 16/12/1981, ter restaurado o beneficio do crédito-prêmio à exportação sem definição de prazo. Eis a transcrição da ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP n2 329.271/RS, I° Turma, Rel. Min. José Delgado, publicado no DJ de 08/10/2001, pág. 00182, que resume o entendimento do tribunal sobre a questão: 'TRIBUTÁRIO CRÉDITO-PRÉMIO. IPL DECRETOS-LEIS N°5 491/69, 1.724/79, 1.722/79, 1.658/79 E 1.894/81. PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. 1.Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual o crédito-prémio previsto no Decreto-Lei n° 491/69 se extinguiu em junho de 1983, por força do Decreto-Lei n° 1.658/79. 2. Tendo sido declarada a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n° 1.724/79, conseqüentemente ficaram sem efeito os Decretos- Leis n° 1.722/79 e 1.658/79, aos quais o primeiro diploma se referia. 3. É aplicável o Decreto-Lei n° 491/69, expressamente mencionado no Decreto-Lei n° 1.894/81, que restaurou o beneficio do crédito-prêmio do IPL sem definição de prazo. 4.Precedentes desta Corte Superior. 5.Recurso provido.' (grifei) Esta ementa foi colhida aleatoriamente entre muitas outras existentes na página de pesquisa do STJ na internet e a mesma interpretação repete-se em centenas de acórdãos proferidos pelo tribunaL Entretanto, após a leitura do inteiro teor de vários votos condutores dos acórdãos do STJ é dificil para o leitor mais exigente ficar convencido das conclusões a que chegou o tribunal. et' A primeira delas é quanto à 'perda dos efeitos' dos Decretos- Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, em face da inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724, de 07/12/1979. É que o Decreto-Lei n2 1.724, de 07/12/1979, só tratou de delegação de competência ao Ministro da Fazenda e em momento algum fez qualquer referência aos Decretos-Leis n2s 1.658, de 24/01/1979, e 1.722, de 03/12/1979, conforme se pode conferir na transcrição de seu inteiro teor feita a seguir: 'DECRETO-LEI N°1.724, DE 3 DE DEZEMBRO DE 1979 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: 9 Processo n° 10980.002814/2003-05 S2-CITI Acórdão o.° 2101-00.209 Fl. 273 Art 1° O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos I° e 5° do Decreto- lei n°491, de 5 de março de 1969. Art 2° Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Brasília, 07 de dezembro de 1979; 158° da Independência e 910 da República. JOÃO FIGUEIREDO Karlos Rischbieter' Outra conclusão que causa estranheza foi a do restabelecimento do crédito-prêmio por prazo indeterminado pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981. O primeiro obstáculo a esta tese é de que o art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, nunca foi declarado inconstitucional e nem revogado por nenhuma norma jurídica, o que conduz à conclusão de que produziu o efeito de revogar o art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, em 30/06/1983. O Decreto-Lei ns 1.894, de 16/12/1981, mencionou o crédito- prêmio (art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969) nos arts, 12, II, 22 e 42. Vejamos cada uma destas referências. O art. 12, II, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, ao estabelecer que '(..) Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: I - o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; II - o crédito de que trata o artigo 1' do Decreto-lei te 491, de 5 de março de 1969 limitou-se apenas a estender o crédito- prêmio a qualquer empresa nacional que efetuasse exportações. Tendo em vista que os demais artigos do Decreto-Lei n s 1.894, de 16/12/1981, não fizeram nenhuma referência ao art. 1 2, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, ficou claro que a extensão do crédito-prêmio às demais empresas nacionais só ocorreria enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Já o art. 22 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, foi vazado nos seguintes termos: 'Art 2°- O artigo 3° do Decreto-lei n°1.248, de 29 de novembro de 1972, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 3° - São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo I° deste Decreto-lei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo I° do Decreto-lei n° 491, de 05 de março de j. 10 • Processo e 10980.00281412003-05 S2-CIT1 Acórdão o.° 2101-00.209 Fl. 274 1969, ao qual fará fia apenas a empresa comercial exportadora'. O referido dispositivo legal regulou o caso das chamadas exportações indiretas, ou seja, quando a exportação fosse feita por empresa comercial exportadora. Nestes casos, caberia à empresa comercial exportadora o direito ao crédito-prêmio à exportação. Como este artigo também não fez referência ao Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, obviamente que este direito da comercial exportadora estava condicionado à vigência do art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que expirou em 30/06/1983, por força do art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979. Por seu turno, o art. 42 do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, tratou de exportações efetuadas por comercial exportadora antes de sua vigência e revogou o art. 4 2 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969. Portanto, este artigo também não teve nenhuma influência no art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, e nem fez qualquer menção à reinstituição do crédito-prêmio à exportação. À luz destas considerações, e tendo em conta que não há lógica em afirmar que uma lei tenha sido editada para reinstituir ou restaurar uma outra que ainda está vigorando, conclui-se que não há fundamento para a tese da reinstituição do crédito- prêmio pelo Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981. No Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra• do Consultor da União, Dr. Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, foi adotada a tese de que o crédito-prêmio à exportação foi revogado em 30/06/1983 pelo art. 1 2, § 21', do Decreto-Lei n2 1.658, de 24/01/1979, e que a fruição deste incentivo após aquela data só seria possível no âmbito de Programas Befiex, que tivessem a cláusula de garantia referida no art. 16 do Decreto-Lei n2 1.219/72, conforme se pode conferir na ementa do referido parecer que vai a seguir transcrita: 'EMENTA: Crédito-prêmio do 'PI — subvenção às exportações. No contexto dos arts. 1° e 2° do Decreto-lei n° 491, de 5.3.69, que dispõe sobre estímulos de natureza financeira (não tributária) à exportação de manufaturados, a expressão 'vendas para o exterior' não signijica venda contratada, ato formal do contrato de compra-e-venda, mas a venda efetivada, algo realizado, a exportação das mercadorias e a aceitação delas por parte do comprador. O simples contrato de compra-e-venda de produtos industrializados para o exterior, que, aliás, pode ser desfeito, com ou sem o pagamento de multa, embora elemento necessário, representa uma simples expectativa de direito, não sendo suficiente para gerar, em favor das empresas exportadoras, o direito adquirido ao regime do crédito-prêmio, tampouco o direito adquirido de creditar-se do valor correspondente ao beneficio, nem para obrigar o Erário Federal a acatar o respectivo crédito fiscal. Considera-se que o fato gerador do referido crédito-prêmio consuma-se quando da j, 11 • Processo n° 10980.002814/2003-05 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00209 FL 275 exportação efetiva da mercadoria, ou seja, a saída (embarque) dos manufaturados para o exterior. Em rerra, as empresas sabiam que o ajuste do contrato de compra-e-venda lhe representava, apenas, uma expectativa de direito e que,taa que pudessem adquirir o direito ao rerime favorecido do art 1' do Dec.-lei 491/69 e ao respectivo creditamento, teriam que realizar a exportacão dos manufaturados, enquanto virente a norma letal de cunho geral que previa o subsídio-prêmio, ou, na hipótese do contrato ter sido celebrado após a previsão legal de extinção do incentivo de natureza financeira (Acordo no GA Ti'; Dec.-lei L658/79. art. 1'. t? 2": e Dec.-lei 1.722/79. art. 31, antes da extinção total dos mesmos. Há, entretanto, uma situação especial: as empresas beneficiárias da denominada cláusula de garantia de manutenção de estímulos fiscais à exportação de manufaturados vigentes na data de aprovação dos seus respectivos Programas Especiais de Exportação, no âmbito da BEFIEX (art. 16 do Dec.-lei 1.219/72) teriam direito adquirido a exportar com os beneficios do regime do crédito- prêmio do IPI, sob a condição suspensiva de que o direito à fruição do valor correspondente aos benefícios só poderia ser exercido com a efetiva exportação antes do termo final dos respectivos PEEX's.' A íntegra deste parecer encontra-se anexa ao Parecer GQ- 172/98 do Advogado Geral da União que tem o seguinte teor: 'Despacho do Presidente da República sobre o Parecer n° GQ- 172: 'Aprovo'. Em 13-X-98. Publicado no Diário Oficial de 21.10.98. Parecer n° GQ -172 Adoto, para os fins do art. 41 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER N"AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, da lavra do Consultor da União, Dr. OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIVA FILHO, e submeto- o ao EXCELEIVTISSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40 da referida Lei Complementar, 2Brasília, 13 de outubro de 1998. GERALDO MÁ GELA DA CRUZ QUINTÃO' Isto significa que, nos termos dos arts. 40 e 41 da LC n 2 73/93, o Parecer AGU/SF-01/98, emitido pelo Dr. Oswaldo Othon, tornou-se vinculante para toda a Administração Pública Federal, uma vez que adotado pelo Advogado Geral da União e aprovado pelo Presidente da República, foi publicado no Diário Oficial de 21/10/1998, pág. 23. Justificada, portanto, a razão pela qual a IN SRF n2 210, de 30/09/2002, considerou extinto o crédito-prêmio à exportação. 12 • • Processo n°10980.002814/2003-05 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 276 No mesmo sentido desta interpretação já se manifestou o • Tribunal Regional Federal da 42 Região, conforme se verifica nas ementas a seguir transcritas: 'Crédito-prêmio do IPL Decreto-lei n° 491/69 e Alterações Posteriores. Extinção do Beneficio. A partir de I° de julho de 1983, o beneficio instituído pelo Decreto-lei 491/69 restou extinto. (Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.71.00.040996-4/RS, Relatora a Desembargadora Federal Maria Lúcia Luz Leiria, DJU de 24/2/2003) Tributário. IPLCrédito-prêmio.Termo final. Iligência.Beneficio.Let Inexistência. 1. A inconstitucionalidade das Portarias, editadas com base na delegação prevista nos Decretos-leis n°1.724/79 e 1.894/81, não levou a alteração da data limite do crédito-prêmio instituído pelo Decreto-lei n°469/69. 2. Na hipótese, os fatos geradores, consoante documentos trazidos com a petição inicial, ocorreram em 1984. lnexiste qualquer verba a ser restituída, eis que ausente norma legal autorizativa da fruição do beneficio. 3. Nenhum dos textos legais, editados após o Decreto-lei n° 1.658/79, disciplinou acerca da extinção do crédito-prêmio previsto no Decreto-lei n° 491/69, pelo que, se manteve, para todos os efeitos, a data de 30 de junho de 1983 como termo final de vigência do beneficio em tela.' (TRF da 42 Região, 22 Turma, AC n2 96.04.22981-8/12S, Relator Juiz Hermes da Conceição Júnior, unânime, D..1 27/10/99, p. 641). Também o Tribunal Regional Federal da 32 Região já chancelou o entendimento de que o crédito-prêmio foi extinto em 30/06/1983 no julgamento do AG n 2 2002.03.00.027537-8, publicado no DJ II de 18/09/2002, p. 292 e no AG. n2 2003.03.00.004595-0, DJ H de 24/02/2003, p. 469. Estando o crédito-prêmio à exportação revogado desde 1983, perdeu sentido definir se o incentivo tinha ou não natureza setorial, para os fins do art. 41 do ADCT da CF/1 988, uma vez que o citado artigo só autorizava a reavaliação de incentivos fiscais que estivessem vigentes na data da promulgação da CF/I988. Entretanto, vale frisar que o crédito-prêmio também não foi mencionado pela Lei n2 8.402, de 08/01/1992, uma vez que não era incentivo fiscal de natureza setorial e já estava revogado quando do advento da CF/88. Com efeito, o art. 41 do ADCT estabelece que 'Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor (.)'. Pelo 'ora em vigor', verifica-se que a 13 • Processo n° 10980.002814/20034)5 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 277 A Constituição apenas tratou de incentivos setoriais que estivessem • em vigor na data da sua promulgação. Logo, a contrario sensu, não poderiam ser reavaliados incentivos que não fossem de caráter setorial e os que estivessem revogados ao tempo da promulgação da Carta Magna. Ora, o crédito-prêmio já estava revogado desde 1983, conforme o entendimento vertido no Parecer AGU 172/98, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor do disposto na LC n2 73/93, art. 40, § 12. Ademais, o crédito-prémio à exportação não era incentivo de natureza setorial, uma vez que podia ser usufruído por empresas de quaisquer setores da economia, desde que efetuassem vendas para o exterior. A Lei n2 8.402, de 08/01/1992, realmente restabeleceu alguns incentivos à exportação no seu art. 12, I, II, III e § Is, mas nenhum deles tratava do crédito-prémio à exportação. Vejamos. O art. 12, I, nada tem a ver com o crédito-prêmio, pois se refere a regimes aduaneiros especiais. O art. 12, II, restabeleceu o direito de manter e utilizar créditos de IPI referido no art. 52 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, que nada tem a ver com o crédito-prêmio, instituído pelo art. 12 deste Decreto-Lei. O art. 12, HL restabeleceu o incentivo previsto no art. 1 2, I, do Decreto-Lei n2 1.894, de 16/12/1981, que se referia ao crédito de IPI nas aquisições de produtos no mercado interno destinados a futura exportação. Por seu turno, o art. 1 2, § 12, apenas restabeleceu ao produtor- vendedor, que viesse a efetuar vendas para comercial exportadora, a garantia dos incentivos fiscais à exportação de que trata o art. 32 do DL n2 1.248/72. O referido art. 32 regulou a hipótese de exportações indiretas, mas vedou ao produtor- vendedor a utilização do crédito-prêmio, 'ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora.' Acrescente-se que o art. 12, § 12; da Lei n2 8.402, de 08/01/1992, só pode ter restabelecido os incentivos fiscais previstos no DL n 2 1.248/72 que estavam vigentes ao tempo da promulgação da Constituição, o que não é o caso do DL n2 491/69, art. 12, revogado desde 30/06/83. Por tal razão é que também as empresas comerciais exportadoras não fazem jus ao crédito-prémio à exportação. Portanto, é inequívoco que a Lei n2 8.402, de 08/01/1992, não restabeleceu e não reinstituiu o crédito-prêmio à exportação. Estando o art. 12 do Decreto-Lei n2 491, de 05/03/1969, revogado desde 1983, é óbvio que o Decreto n 2 64.833/69, que o regulamentou, não pode mais ser aplicado, uma vez que perdeu seu fardamento de validade. Foi por esta razão que o Presidente da República o revogou ou, corno prefere a recorrente, o 'declarou revogado' por meio do Decreto s./n 2 de 25/04/1990. 14 . Processo n° 10980.002814/2003-05 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.209 Fl. 278 4 Somente para esgotar a argumentação em relação ao Decreto n2 64.833/69, acrescento que o Parecer n2 AGU/SF-01/98, de 15 de julho de 1998, em momento algum reconheceu a vigência deste decreto. Pelo contrário, o Dr. Oswaldo Othon referiu-se ao Decreto n2 64.833/69 porque estava analisando questões relativas à cláusula de garantia prevista no art. 16 do Decreto- Lei n2 1.219/72. Em outras palavras, as empresas beneficiárias de Programas Befiex com a cláusula de garantia do art. 16, tinham direito adquirido de usufruir do crédito-prêmio até o final do prazo dos respectivos PPEX, razão pela qual o Decreto n2 64.833/69 teria que continuar sendo aplicado somente para aquelas empresas até o fim dos respectivos programas. Isto não significa reconhecer que o Decreto n2 64.833/69 estivesse vigorando em caráter geral. Considerando a inexistência do direito material ao crédito- prémio à exportação, torna-se desnecessária a análise dos demais argumentos apresentados no recurso." (destaques do original) Relativamente ao fato superveniente alegado pela recorrente, é certo que a Resolução n2 71, de 27/12/2005, do Senado Federal, produz efeitos erga omnes e que suspendeu a eficácia dos dispositivos que permitiam ao Ministro da Fazenda regular o crédito- prêmio à exportação por meio de atos administrativos. Sob este aspecto, seu cumprimento é obrigatório, pois estendeu o efeito da declaração do STF aos demais interessados que não participaram das ações que culminaram nos recursos extraordinários em questão. Entretanto, ao contrário do alegado, em momento algum a Resolução afirmou taxativamente que o art. 1 2 do DL n2 491/69 está vigorando, pois, se isto fosse verdade, o Senado não teria utilizado a expressão "(..)preservada a vigência do que remanesce do art do Decreto-Lei ng 491, de 5 de março de 1969." Ao preservar apenas a vigência da parte remanescente do art. 1 2 do Decreto- Lei n2 491/69 o Senado apenas garantiu a aplicação do crédito-prêmio até o término de sua vigência, em 30/06/83, pois os dispositivos inconstitucionais eram anteriores a esta data. Com efeito, o STF não emitiu nenhum juizo acerca da subsistência ou não do crédito-prêmio à exportação a partir de 30/06/83, apenas declarou a inconstitucionalidade do art. 1 2 do Decreto- Lei n2 1.724/79 e do inciso I do art. 3 2 do Decreto-Lei 112 1.894/81. Assim, a vigência da parte remanescente do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69 expirou exatamente em 30/06/83. Esta conclusão é reforçada pela interpretação dada pelo STJ aos efeitos da Resolução n2 71/2005 no julgamento do REsp ri2 643.5361PE, cujo Acórdão recebeu a seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. IPL CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI N° 491/69 (ART. 19. EXTINÇÃO. JUNHO DE 1983. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N° 71/05. NÃO- AFETAÇÃO À SUBSISTÊNCIA DO ALUDIDO BENEFICIO. I - O crédito-prémio nasceu com o Decreto-lei n° 491/69 para incentivar as exportações, enfitando dotar o exportador de instrumento privilegiado para competir no mercado j, 15 • • Processo n°10980.002814/2003-05 S2-C1T1 Acórdão n.°2101-00.209 Fl. 279 a internacionaL O Decreto-Lei n° 1.658/79 determinou a extinção do beneficio para 30 de junho de 1983 e o Decreto-Lei n° 1.722/79 alterou os percentuais do estimulo, no entanto, ratificou a extinção na data acima prevista. 11- O Decreto-Lei n°1.894/81 dilatou o âmbito de incidência do incentivo às empresas ali mencionadas, permanecendo intacta a data de extinção para junho de 1983. - Sobre as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo STF, delimita-se sua incidência a dirigir-se para erronia consistente na extrapolação da delegação implementado pelos Decretos-Leis n° 1.722/79, 1.724/79 e 1.894/81, não emitindo, aquela Suprema Corte, qualquer pronunciamento afeito à subsistência ou não do crédito-prêmio. Precedentes: REsp n° 591.708/RS, ReL Min. TEOR! ALBINO 14 VASCKL DJ de 09/08/04, REsp n° 541.239/DF, Rd Min. LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção em 09/11/05 e REsp n° 762.989/PR, de minha relatoria, julgado pela Primeira Turma em 06/12/05. IV - Recurso especial improvido." (REsp n2 643.536/PE; RECURSO ESPECIAL ri2 2004/0031117-5. Relator(a) Ministro JOSÉ DELGADO (1105) Relator(a) p/Acórdão: Ministro FRANCISCO FALCÃO (1116) órgão Julgador TI - PRIMEIRA TURMA. Data do Julgamento: 17/11/2005. Data da Publicação/Fonte DJ de 17/04/2006, p. 169) De todo o exposto, podem ser extraídas as seguintes conclusões: 1 — o crédito-prêmio à exportação, instituído pelo art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, foi, a partir de 1979, reduzido gradualmente até ser extinto em junho de 1983, conforme determinado pelo Decreto-Lei n2 1.658/79, com a redação dada pelo Decreto-Lei n2 1.722/79; 2 — o direito material ao crédito-prêmio somente existiu em caráter geral até 30/06/1983, quando expirou a validade do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, por força do art. 12, § 22, do Decreto-Lei n2 1.658/79; 3 — os Decretos-Leis n2s 1.724/79 e 1.894/81 não modificaram o prazo extintivo anteriormente fixado, pois não dispuseram sobre o termo final do incentivo debatido, nem contiveram referência expressa aos Decretos-Leis n2s 1.658/79 e 1.722/79; 4 — o Decreto-Lei n2 1.894/81 limitou-se a estender o crédito-prêmio para as -) demais empresas nacionais e, no caso de exportações indiretas, a restringir sua fruição às comerciais exportadoras, enquanto não expirasse a vigência do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69; e 5 — o crédito-prêmio à exportação não foi reavaliado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/I988 porque não era incentivo de natureza setorial e não estava vigente em 05/10/1988; 6 — inexistindo o direito ao crédito, prejudicada resta a apreciação do pedido de atualização com base na taxa de juros Selic. 16 • Processo n° 10980.002814/2003-05 S2-CIT1 Acórdão n.° 210140109 19. 280 • Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de junho de 2009. A' • b IO e ER e 17 Page 1 _0078600.PDF Page 1 _0078700.PDF Page 1 _0078800.PDF Page 1 _0078900.PDF Page 1 _0079000.PDF Page 1 _0079100.PDF Page 1 _0079200.PDF Page 1 _0079300.PDF Page 1 _0079400.PDF Page 1 _0079500.PDF Page 1 _0079600.PDF Page 1 _0079700.PDF Page 1 _0079800.PDF Page 1 _0079900.PDF Page 1 _0080000.PDF Page 1 _0080100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10850.000710/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA.
A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original.
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
Numero da decisão: 1402-003.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.000709/2009-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.000710/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.761 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente FRIGORIFICO OUROESTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.000709/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 07 10 /2 00 9- 29 Fl. 47DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Impugnação apresentado pelo Contribuinte, mantendo integralmente o Auto de Infração referente ao lançamento de multa por entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação. Ciente do lançamento, o contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/6) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que não houve intimação prévia ao lançamento, nos termos da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7o, ocorreu a denúncia espontânea da infração, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, e o atraso se deu por motivo de força maior, qual seja, o atraso no fornecimento da chave eletrônica pela Serasa. Inconformado com a decisão da Instância a quo, a Recorrente impetrou Recurso Voluntário, no qual repisa as razões de fato e de direitos trazidas em sua impugnação. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.760, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10850.000709/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.760): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. O presente processo trata da cobrança de multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao anocalendário de 2007. O Recorrente alega que não houve intimação prévia ao lançamento, nos termos da Lei nº 10.426, de 2002, art. 7o, que ocorreu denúncia espontânea, nos termos do CTN, art. 138, e que o atraso se deu por motivo de força maior. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10850.000710/200929 Acórdão n.º 1402003.761 S1C4T2 Fl. 3 3 O lançamento teve como, dentre seus fundamentos legais, o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, , in verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Notase que pela leitura do artigo não são excludentes a aplicação de multa e a intimação para apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal. Percebese com clareza que não há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário no caso de entrega de declaração após o prazo. Quanto à alegação de denúncia espontânea, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que as obrigações acessórias não tem relação alguma com o fato gerador do tributo e, sendo assim, não estão alcançadas pelo artigo 138 do CTN. Da mesma forma, a jurisprudência deste Conselho já se encontra pacificada quanto a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea às hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias. É que se constata da Súmula CARF nº 49 abaixo transcrita: Fl. 49DF CARF MF 4 Súmula CARF nº 49 (Vinculante): A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração Por fim, não compete a este conselho a análise do eventual caráter confiscatório da multa aplicada. Isso porque, conforme disposto na súmula CARF nº 2 "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Quanto à alegação de atraso por motivo de força maior, ressaltase que o recorrente não logrou comprovar o suposto motivo (atraso no fornecimento de chave eletrônico pelo Serasa) nem que o atraso nessa certificação tenha ocorrido por motivos alheios a sua vontade, para que ele pudesse ser julgado como bastante para afastar a penalidade. Dessa forma, não assiste razão ao Recorrente quando afirma inaplicável a multa por atraso na entrega da DCTF em função da ocorrência de denúncia espontânea. Quanto à solicitação da Recorrente para a redução da multa em 50%, observase que já foi aplicada pela Autoridade Fiscal na lavratura do auto de infração (fls. 23), tendo o seu valor reduzido de R$ 8.851,67 para R$ 4.425,88. Ressaltase que o valor de R$ 500,00 é o valor mínimo e não o valor máximo da multa, não havendo previsão legal para redução ao valor mínimo, quando após a redução em 50%, o valor da multa foi superior a R$ 500,00. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.] Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.939164/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10058.398. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 39 16 4/ 20 15 -1 7 Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 10880.939164/201517 Resolução nº 3402001.731 S3C4T2 Fl. 3 2 i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país; ii) direito ao crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.720, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907821/201559, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.720): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS Fl. 5957DF CARF MF Processo nº 10880.939164/201517 Resolução nº 3402001.731 S3C4T2 Fl. 4 3 e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais; (iv) Crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 10880.939164/201517 Resolução nº 3402001.731 S3C4T2 Fl. 5 4 bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova Fl. 5959DF CARF MF Processo nº 10880.939164/201517 Resolução nº 3402001.731 S3C4T2 Fl. 6 5 interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 5960DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720568/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) confirme, com a anexação dos extratos comprobatórios dos sistemas da RFB, a inclusão dos débitos veiculados nos processos 10980.720568/2015-01 e 10980.720569/2015-47 no PERT; (ii) intime os responsáveis solidários Risotolândia Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. e Risotolândia Administradora de Bens Ltda., para fins de que informem se formalizaram desistência dos respectivos recursos voluntários face à adesão do sujeito passivo principal ao parcelamento em referência. Na sequência, deve o processo retornar ao CARF, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) confirme, com a anexação dos extratos comprobatórios dos sistemas da RFB, a inclusão dos débitos veiculados nos processos 10980.720568/201501 e 10980.720569/201547 no PERT; (ii) intime os responsáveis solidários Risotolândia Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. e Risotolândia Administradora de Bens Ltda., para fins de que informem se formalizaram desistência dos respectivos recursos voluntários face à adesão do sujeito passivo principal ao parcelamento em referência. Na sequência, deve o processo retornar ao CARF, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de DEBCAD nº 51.064.5224, atinente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2010 e 31/12/2013, e às contribuições devidas pela empresa (sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (sobre a remuneração dos segurados empregados). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 56 8/ 20 15 -0 1 Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10980.720568/201501 Resolução nº 2202000.840 S2C2T2 Fl. 1.511 2 Cumpre alertar desde já que em processo apartado de nº 10980.720569/201547 foi efetuado o lançamento do auto de infração DEBCAD nº 51.064.5232, referente às contribuições patronais destinadas a terceiros. Tal processo tramita a este apensado, por força de decisão judicial, que será abordada oportunamente. Prosseguindo, temse que a decisão de piso assim resumiu (fls. 1079/1082) os termos do lançamento (fls. 3/67) e da impugnação (fls. 854/866): A autoridade lançadora verificou que os "departamentos" da empresa RISA ora estão sob responsabilidade de empregados dela mesma e ora na responsabilidade de empregados da empresa Risotolândia Indústria e Comércio de Alimentos LTDA (CNPJ 76.900.463/000171), evidenciando o comando unificado das empresas. Assim, somandose a essas constatações o fato das duas empresas atuarem no mesmo endereço e serem gerenciadas pelos mesmos administradores, podese afirmar que elas possuem atuação conjunta. Observouse, ainda, que o imóvel, parque industrial, em que funcionam as empresas RISA e Risotolândia pertencem a uma terceira empresa do Grupo Risotolândia: Risotolândia Administradora de Bens Ltda, CNPJ 84.798.800/000190, sede na Rua Luiz Francheschi, 697 Araucária PR, da qual a Risotolândia Industria e Comercio de Alimentos Ltda é proprietária de 96,98% das quotas do capital social. O restante das quotas, 3,02%, pertence a uma quarta empresa do grupo, Buffet Risotolândia Ltda, CNPJ 78.436.482/000114. Todas as empresas supracitadas pertencem aos mesmos sócios quotistas, são administradas pelos mesmos gestores e funcionam no Parque Industrial da Risotolândia, localizado na Rua Francisco Francheschi, 697, Bairro Thomaz Coelho, na cidade de Araucária PR. Outrossim, os fatos apresentados conduzem à caracterização de que as três empresas RISOTOLÂNDIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, RISA ADMINISTRAÇÃO DE RESTAURANTES LTDA e RISOTOLÂNDIA ADMINISTRADORA DE BENS LTDA formam o que se considera "grupo econômico" onde interesses, administração, bens e empregados se fundem, surgindo a responsabilidade tributária solidária entre essas empresas. Também a autoridade lançadora concluiu que, com intuito de planejamento tributário abusivo e fraudulento, os administradores da Risa Administração de Restaurantes Ltda criaram cinco empresas para distribuição de remuneração a eles próprios à margem da folha de pagamento, deixando de recolher as contribuições previdenciárias patronais. Consoante relatado pela autoridade fiscal, nas contas contábil n° 3402070157 CONSULTORIA E ASSESSORIA, no período 01/2010 à 12/2011 e n° 3402070145 SERVIÇOS CONTRATADOS PJ, no período 01/2012 até 12/2013, ambas do grupo contábil de DESPESAS ADMINISTRATIVAS (3402) e subgrupo UTILIDADES E SERVIÇOS (340207), os pagamentos para as empresas Métodos Assessoria Ltda, BGS Assessoria Empresarial Ltda, AC&C Representações Comerciais Ltda, Campodoro Participações e Empreendimentos Ltda e Claire Maria Gusso, foram realizados com notas fiscais com numeração seqüencial, totalizando RS 28.680.870,74 no período fiscalizado, montante equivalente a 13,3 % da Receita Operacional Líquida, 46% do Lucro Bruto e aproximadamente 81 % de todas as despesas operacionais do período. Observouse que, com exceção da BGS Assessoria, as empresas citadas possuem sede no mesmo endereço, ou seja, rua Luiz Franceschi, 657 – Araucária/PR e prestaram serviços de assessoria e consultoria exclusivamente à RISA. A BGS Assessoria tem sede na Rua Elias Stainsack, 171 Bairro Porto Laranjeiras, Araucária, porém ela funcionava de fato no mesmo endereço das demais empresas citadas. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10980.720568/201501 Resolução nº 2202000.840 S2C2T2 Fl. 1.512 3 Todos os sócios das empresas Métodos, BGS Assessoria, AC&C Representações, Campodoro e Claire Maria Gusso possuem ou já possuíram alguma atividade de gestão remunerada nas empresas RISA ou RISOTOLÂNDIA no período fiscalizado, como sócios, como administradores não sócios ou diretores e gestores empregados. Em resposta dada ao segundo Termo de Intimação, a RISA esclarece que todos os serviços foram prestados, exclusivamente, pelos próprios sócios das empresas contratadas e relaciona uma série de atividades desenvolvidas pelos contratados em suas assessorias e consultorias, os quais, consoante a autoridade fiscal, são atos de administração dos negócios sociais e atos necessários ao regular funcionamento da RISA ou da RISOTOLÂNDIA, serviços que já deveriam ser feitos em atos normais de gestão da empresa pelos contratados, cada qual em seu cargo ou função, ficando a esdrúxula situação de que os administradores da RISA contrataram "eles mesmos" para assessorar e dar consultorias a si próprios. Assim, a Auditoria Fiscal considerou o valor pago nas notas fiscais como remuneração aos administradores e gestores da RISA Administração de Restaurantes Ltda. Em razão da conclusão de existência de planejamento tributário abusivo por parte da Risa Administração de Restaurantes Ltda caracterizandose sonegação, fraude e conluio, a multa aplicada é a prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/91, artigo 35A (combinado com o art 44, inciso I e § Io da Lei n° 9.430, de 27/12/96), ambos com redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, de 75% (setenta e cinco por cento), aplicada em dobro. Portanto, a multa aplicada foi de 150% sobre os tributos apurados na ação fiscal. Noticia ainda a autoridade fiscal a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP pela identificação da ocorrência de fatos que, EM TESE, configuram o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III, do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000. Impugnação: A empresa autuada, bem como as solidárias Risotolândia Indústria e Comércio de Alimentos Ltda e Risotolândia Administradora de Bens Ltda apresentaram impugnação única tempestivamente contendo, em síntese, os seguintes argumentos: Da inexistência de evasão fiscal Quanto à alegada remuneração de dirigentes por empresas interpostas, temse a existência de alguns equívocos. Primeiramente, as empresas prestadoras de serviço e seus respectivos sócios, justamente pela expertise desenvolvida, prestam serviço de assessoramento e aconselhamento da atividade desenvolvida pela impugnante, que conta com centenas de pontos de atendimento e, por natural, carece de suporte de pessoas de confiança e habilitadas tecnicamente para supervisão, controle e consultoria em ramo de elevada complexidade, com o fornecimento de alimentos. O art. 129 da Lei n° 11.196/05 estabeleceu regramento específico na contratação de pessoas jurídicas para prestação de serviços intelectuais, incluindo a atribuição de atividades em caráter personalíssimo, impondo ao Fisco, a observância do regime legal das pessoas jurídicas. E na presente demanda, a autoridade fiscal, fundada unicamente nas relações de parentesco existentes e nos valores, em sua percepção, incompatíveis, concluiu por uma aparente ilicitude na organização do empreendimento econômico da impugnante. Ora, em momento algum a lei permite que, com base em tais premissas, a organização de prestadores de serviço por pessoas jurídicas seja descaracterizada, salvo na fraude à relação de emprego. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10980.720568/201501 Resolução nº 2202000.840 S2C2T2 Fl. 1.513 4 A conduta fiscal incorre em evidente violação ao art. 129 da Lei n° 11.196/05, e ao criticar os valores elevados pagos às empresas prestadoras de serviço incorre em contradição, pois se são verdadeiramente desproporcionais ao serviço prestado, não poderiam ser considerados como remuneração e, muito menos, como saláriode contribuição. Aduz a impugnante que suposições não bastam para a comprovação de fraude e ainda que se considerasse que os dados apresentados pela Fazenda compunham indícios, o que sequer é o caso, seriam necessárias evidencias cabais que comprovassem a máfé da impugnante. Cita jurisprudência do CARF. Os administradores não empregados espécie de contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social também podem, sem qualquer restrição legal ou regulamentar, atuar por meio de pessoas jurídicas. Cita item 8 da Solução de Consulta COSIT n° 52, de 12 de dezembro de 2013 e art. 1.060 do Código Civil Brasileiro, alegando que a exigência de que tal contratação seja feita, unicamente, com pessoas físicas, como parece impor a fiscalização, carece de fundamento legal. Em síntese, o débito que a autoridade fiscal pretende lançar não deve subsistir, uma vez que não houve, por parte da impugnante, qualquer tentativa de evasão fiscal, sendo que o planejamento fiscal realizado traduz uma opção adstrita a discricionariedade empresarial do grupo, que se utiliza da prestação de serviços por pessoas jurídicas, não havendo qualquer ilegalidade nisso, como parece pretender o Fisco. Da inaplicabilidade da multa majorada de 150% Alega a impugnante que a multa aplicada ultrapassa qualquer tipo de parâmetro legal estabelecido, sendo que como reconhece a própria autoridade fiscal, todos os valores apontados no autode infração foram extraídos de registros regulares da contabilidade. A simples adoção de forma econômica além de não implicar evasão fiscal, muito menos poderia ser considerado como ilícito penal, sendo indevida a majoração da multa aplicada. O Fisco pressupõe a máfé da impugnante sem qualquer prova nesse sentido, demonstrando seu descompromisso com a razoabilidade. Cita a súmula 14 do CARF, aduzindo a ausência de dolo, sendo perfeitamente comprovada pela apresentação dos registros demonstrados, em sintonia com o que é exigido do contribuinte. Mesmo na hipótese de rendimentos (remunerações) omitidos, tal fato de modo algum implicaria majoração da multa moratória. Da ausência de grupo econômico A impugnante refuta a existência de grupo econômico entre as empresas, aduzindo que não obstante eventual coincidência de sócios aspecto de todo irrelevante para a configuração legal de um grupo econômico a afirmativa de mesma atividade contratual é inverídica. Aliás, como reconhece o próprio Relatório Fiscal, as impugnantes possuem focos de atuação complementares, mas diversos. Enquanto uma é responsável pela parte comercial, captando clientes e apresentando os serviços, a outra gerencia a clientela existente, prestando o efetivo serviço de gestão de restaurantes. Também contesta a existência de "comando unificado das empresas" como alegado pela fiscalização. Ora, a eventual troca de experiências e informações entre as empresas, visando adequar os objetivos autônomos de venda do produto e efetiva gestão de restaurantes, de modo algum permite inferir comando unificado. Tanto é assim que a autoridade fiscal sequer aponta de quem seria tal "comando unificado". Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10980.720568/201501 Resolução nº 2202000.840 S2C2T2 Fl. 1.514 5 Mesmo no âmbito trabalhista, a simples existência de sócios em comum não produz a existência de grupo econômico. Como prevê a CLT em preceito reproduzido pela IN 971 é necessário configurar a administração de uma empresa sobre as demais. O conteúdo hierárquico é parte inerente de um grupo econômico. No presente caso, em momento algum, demonstrou a autoridade fiscal unicidade de controle e gestão, até pelas finalidades diversas das impugnantes. Neste sentido, além da própria Receita Federal do Brasil, o CARF somente admite a existência de grupo econômico quando demonstrado o controle de uma empresa sobre as demais, citando Acórdão. Em suma, não há solidariedade entre as empresas autuadas, ainda que houvesse a manutenção do débito, o que não se espera, vale dizer. A exigência foi mantida pela instância a quo (fls. 1078/1094), em decisão cientificada aos interessados em 17/05/2016 (fls. 1127/1129), dando ensejo à interposição de recurso voluntário pelo contribuinte, em conjunto com as responsáveis solidárias, em 02/06/2016 (fls. 1131/1145), no qual foram repisados os argumentos da impugnação, e arguído, ainda, a decadência parcial do crédito tributário, a inexistência de evasão fiscal dada a ausência de economia fiscal, e a desproporção de fixação da remuneração com base nas notas fiscais. Em 15/12/2016 foi juntada decisão em MS nº 505444958.2016.4.04.7000/PR (fls. 1159/1162), interposto contra o Delegado da DRF/Curitiba, na qual foi concedida liminar determinando, além da expedição de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, fosse o já mencionado processo 10980.720569/201547 enviado junto com o presente para o CARF. Em 31/03/2017 foi exarada a sentença desse mandamus (fls. 1291/1294), confirmando os termos da liminar, asseverandose, relativamente ao processo 10980.720569/201547, que no CARF "deverá ser apreciada, conjuntamente, a admissibilidade do recurso voluntário já interposto no PAF 10980.720568/201501". Por meio de consulta processual ao sítio na internet do TRF da 4ª Região, pode ser constatado que a sentença em tela foi confirmada em segunda instância no dia 12/09/2017, a qual, em 10/09/2018, face à decisão que denegou conhecimento ao REsp nº 1.725.201 (fls. 1300/1304), transitou em julgado. Na data de 28/12/2018, foi anexado ao processo informação da unidade de origem (fls. 1208/1209), dando conta de que os débitos constantes do presente processo, bem como do apenso, teriam sido parcelados no âmbito do PERT (IN RFB 1711/2017), o que implicaria em desistência tácita do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Conforme relatado, a despeito da interposição de recurso voluntário, consta nos autos informação da unidade de origem de que o contribuinte teria aderido ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT (Lei nº 13.496/17), e nele incluído os débitos relativos aos presentes autos (contribuição patronal) e ao processo apensado de nº Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10980.720568/201501 Resolução nº 2202000.840 S2C2T2 Fl. 1.515 6 10980.720569/201547 (contribuições a terceiros), o que implicaria em desistência tácita do recurso, a teor do art. 78 do Anexo II do RICARF. Não obstante, não constam telas dos sistemas da RFB circunstanciando de maneira adequada tal adesão, apenas trocas de emails referindose a tal situação (fls. 1208/1209). Além disso, no presente caso constatase a existência de responsáveis solidários Risotolândia Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ nº 76.900.463/000171, e Risotolândia Administradora de Bens Ltda., CNPJ nº 84.798.800/000190 então, em tese, poderia a lide persistir relativamente a esse vínculo de solidariedade, posto não constar que esses responsáveis teriam formalizado desistência do recurso. Importa salientar, contudo, que os recursos voluntários, em ambos os processos em referência, foram interpostos conjuntamente pelo sujeito passivo e pelos solidários, em uma única peça processual, representados pelos mesmos patronos. Desse modo, sobressai dúvida relevante quanto à persistência do litígio face aos responsáveis solidários, e mesmo em relação ao ujeito passivo, a qual deve ser sanada previamente ao julgamento do feito. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem; (i) confirme, com a anexação dos extratos comprobatórios dos sistemas da RFB, a inclusão dos débitos veiculados nos processos 10980.720568/201501 e 10980.720569/201547 no PERT; (ii) intime os responsáveis solidários Risotolândia Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. e Risotolândia Administradora de Bens Ltda., para fins de que informem se formalizaram desistência dos respectivos recursos voluntários face à adesão do sujeito passivo principal ao parcelamento em referência. Na sequência, deve o processo retornar ao CARF, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1315DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.000023/2010-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
SUMULA CARF N.40
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 2003-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. SUMULA CARF N.40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T3 Fl. 141 1 140 S2C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000023/201064 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2003000.025 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 28 de março de 2019 Matéria IRPF DESPESAS MÉDICAS Recorrente ANDERSON CRISTO PISKE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. SUMULA CARF N.40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 23 /2 01 0- 64 Fl. 142DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Autuação Tratase de lançamento decorrente de procedimento fiscal, referente aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a apuração de deduções de despesas médicas consideradas como indevidas (fls.69 a 74). De forma sucinta, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades, conforme Termo de Encerramento fls 75 a 81: O contribuinte pleiteou dedução de despesas de tratamento odontológico com base em três recibos emitidos por JOÃO EVANGELISTA DE MELLO NETO, CPF 410.152.66991, no valor total de R$8.700,00. Além dos valores acima, o contribuinte pleiteou, nos anos calendário 2005 e 2006, as deduções abaixo: · PAULO R. R.DE OLIVEIRA CPF: 519.434.92972 AC 2005: R$ 16.200,00 e AC 2006: R$ 3.696,00 · ASS.BEN.CASA DE MIS.DE CAMBARÁ CNPJ: 78.297.090/0001 AC 2006: R$ 8.799,00 O contribuinte Anderson Cristo Piske, por ter declarado pagamentos no anocalendário 2004, no valor de R$5.050,00, a JOÃO EVANGELISTA DE MELLO NETO, foi intimado em 22/08/2007, a apresentar recibos e comprovantes do efetivo pagamento das despesas com serviços odontológicos (fls. 11/15). Respondeu que "os valores foram pagos em dinheiro, repassados diretamente no consultório do profissional, sendo pago diretamente a ele" e que "quanto a origem dos valores, não foram localizados extratos bancários". O fiscalizado afirma, ainda que os valores utilizados para os pagamentos resultam de seu salário, sendo que no início de cada mês fazia saques para pagamentos de contas diversas (fls. 16/17). Entregou os recibos de fls. 18, em cópia. Em 11 de setembro de 2007, o fiscalizado foi intimado a especificar os tratamentos efetuados por João Evangelista de Mello Neto e a apresentar os comprovantes bancários para demonstrar os pagamentos efetuados ao profissional (fls. 19/22). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 142 3 O contribuinte relacionou, então, as intervenções que teriam sido realizadas pelo odontólogo, fl. 23/25, e apresentou extratos bancários (fls. 26/34). Em 27 de novembro de 2009 (flsz 33/38), o fiscalizado foi intimado a comprovar o efetivo pagamento de despesas médicas efetuadas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 com os profissionais relacionados no item 2 do presente Termo de Encerramento. Essa intimação deu ao contribuinte mais uma oportunidade de comprovar a efetividade dos dispêndios relativos ao ano calendário 2004 com João Evangelista de Mello Neto. O fiscalizado respondeu à intimação, fls. 39/45, ratificando as informações já prestadas às fls. 23/25 e 16/17, relativamente a João Evangelista de Mello Neto, acrescentando que os recibos eram emitidos "assim que o montante pago alcançava o valor devido pelo intimado e seus dependentes..." "...motivo de não haver os saques nos valores específicos". Quanto aos dispêndios declarados nos anoscalendário 2005 e 2006, afirma que o pagamento ao odontólogo PAULO ROBERTO RAMOS DE OLIVEIRA foi "feito em dinheiro, ao longo daquele ano e do ano seguinte" (2005 e 2006) "os pagamentos foram feitos em dinheiro ao próprio profissional, em seu consultório, motivo de não haver os saques específicos". Da mesma forma, o contribuinte alega que os pagamentos feitos à ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE CASA DE MISERICÓRDIA DE CAMBARÁ, "deramse ao longo daquele ano, em diversos pagamentos em dinheiro, junto ao setor financeiro daquela casa de saúde" e que solicitou o prontuário "para fins de resposta ao Fisco, porém não foi fornecido, visto que naquela Casa de Misericórdia, p or norma interna não é fornecido tal documento salvo por ordem judicial". Solicitou dilação do prazo para apresentar extratos do Banco Itaú S/A, no dia 2l/12/2009, sem comprovar ter tomado providencias atinentes ao caso, como consta da intimação fiscal (fl. 37). Observese, apenas a título de esclarecimento, que os extratos do anocalendário de 2004 do banco em questão já foram entregues pelo fiscalizado, como se vê às fls. 26/34 e que, em novembro de 2005, o contribuinte já recebia os proventos pelo Banco do Brasil S/A (fl. 51). Apresentou os documentos de fls. 46/66. ' As atividades do profissional João Evangelista de Mello Neto foram objeto de verificação pela.Fiscalização desta Delegacia, visando confirmar a efetividade da prestação de serviços odontológicos a diversos contribuintes declarantes do imposto de renda da pessoa física. Os levantamentos fiscais efetuados levaram à conclusão de que os recibos firmados pelo profissional são inidôneos. Fl. 144DF CARF MF 4 Foi, por isso, editado o Ato Declaratório Executivo n° 60, em 13 de outubro de 2008, declarando tais documentos imprestáveis e ineficazes. O fiscalizado não logrou comprovar a efetividade dos pagamentos aos profissional e empresa constantes das declarações de ajuste apresentadas para os exercícios de 2005, 2006 e 2007. Os valores tributáveis são R$5.050,00, R$16.200,00 e R$12.495,00, para os anoscalendário 2004, 2005 e 2006 respectivamente. O contribuinte Anderson Cristo Piske, ao utilizar os recibos de fl. 18 para respaldar deduções de despesas médicas, para reduzir artificial e indevidamente, o montante do imposto devido no anocalendário 2004, praticou, em tese, crime contra a ordem tributária, definido pelo artigo 1°, inciso IV, da Lei n° 8.137/90. Assim, em cumprimento ao determinado pela Portaria SRF n° 665, de 24/04/2008, será formalizada a devida Representação Fiscal para Fins Penais relativamente à utilização de recibos emitidos por JOÃO EVANGELISTA DE MELLO NETO, no ano calendário 2004 (...) e multa de ofício de 150%. Impugnação Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 21/01/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 22/02/2010 (fls. 87 a 93). Por bem descrever os argumentos trazidos na impugnação, transcrevo o relatório da decisão recorrida: a) no ano de 2004, teve gasto com honorários odontológicos no valor de R$ 5.050,00, em favor do odontólogo João Evangelista de Mello Neto, CPF n° 410.152.669 91, com diversos pagamentos, conforme saques bancários que se fizeram ao longo do ano; b) os pagamentos foram feitos em dinheiro ao próprio profissional, em seu consultório, sendo emitidos os recibos de pagamento assim que o montante pago alcançava o valor devido pelo Impugnante e seus dependentes, motivo pelo qual não há saques nos valores específicos, bem como ressalta que os pagamentos se deram com base nos proventos mensais do Impugnante e de sua esposa, aliado à economia do lar; c) junta cópias de recibos autenticadas por servidor, fls. 95, no valor de R$ 1.350,00, referente ao tratamento de sua mãe, dependente à época, no valor de R$ 2.050,00 referente a tratamento do Impugnante, bem como informa que extraviou o recibo no valor de R$ 1.650,00, referente ao tratamento de seu pai, dependente à época, observando que a orientação da Receita Federal do Brasil é de que os documentos devem ser guardados por cinco anos, mas que pode ser confirmado nos livros de registro fiscais do aludido profissional; d) no ano de 2005, teve gasto com honorários odontológicos no valor de R$ 16.200,00, conforme cópias de recibos autenticadas Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 143 5 por servidor, fls. 92/94, em favor do odontólogo Paulo Roberto de Oliveira, sendo pago o valor em diversos pagamentos, em dinheiro, ao longo daquele ano e do ano seguinte, motivo pelo qual não há saques nos valores específicos; e) os tratamentos ocorreram em virtude de acidente motociclístico ano de 2005, em meados do mês de maio, fato que pode ser confirmado junto ao Pronto Socorro de Cambará e Casa de Misericórdia de Jacarezinho, com graves ferimentos e, principalmente, a quebra de quatro dentes, o que gerou os gastos com o implante dos dentes fraturados; f) no ano de 2006, houve um gasto de R$ 3.696,00 para reaperto de cada um dos dentes implantados, em :favor do odontólogo Paulo Roberto Ramos de Oliveira, cujo pagamento foi realizado ao longo daquele ano, em seu consultório, em dinheiro, motivo pelo qual não há saques nos valores específicos; g) no ano de 2006, também sofreu uma disfunção renal, sendo internado junto à Associação Beneficente Casa de Misericórdia de Cambará, inclusive com intervenção cirúrgica, o que pode ser confirmado junto ao prontuário do Impugnante, cujo gasto foi de R$ 8.799,00, referente à internação, honorários médicos e hospitalares, medicamentos, etc., não sendo especificado o valor unitário de cada serviço ou item, apenas constando que houve a devida internação e intervenção cirúrgica, conforme copia de recibo autenticado por servidor, fls. 96; h) pode ser comprovado com os extratos bancários, considerando que os pagamentos deramse ao longo do ano, em dinheiro, junto ao setor financeiro daquela Casa de Saúde, observando que, como os valores :foram elevados, parte dos valores foram pagos no ano seguinte, mas o recibo foi emitido naquele ano fatídico, mesmo com pendência de pagamento de parte do montante, visto que a Casa de Saúde não visa a fins lucrativos, não procurando outros hospitais por causa do corpo clínico de alto gabarito, realizando de maneira particular a intervenção cirúrgica, mesmo com dificuldades financeiras; i) em relação aos pagamentos, agiu dentro das regras comerciais do Brasil, cumprindo com suas obrigações financeiras, não podendo ser penalizado por erros por parte dos profissionais de saúde, ressaltando que o pagamento em dinheiro é perfeitamente possível e que, no ordenamento jurídico brasileiro, não há restrição em fazer saques bancários em quantidades ou valores, ou seja, estão sendo criadas outras regras comerciais, nas quais os saques bancários devem ser coincidentes aos gastos médicos/hospitalares, o que é um abuso da Administração Pública; j) requer que fique isento de qualquer pagamento referente ao Auto de infração arquivandoo, tornandoo nulo, bem corno, a critério da Receita Federal do Brasil, na busca da verdade, faça a devida verificação dos documentos fiscais dos profissionais e nos prontuários da A. B. Casa de Misericórdia de Cambará, visto que não foram fornecidos ao impugnante, somente sendo Fl. 146DF CARF MF 6 fornecidos no interesse da Administração Pública ou por via judicial, bem como aceita passar por perícia médica e odontológica por Corpo Clinico Oficial, às expensas da União, a fim de demonstrar que houve os referidos tratamentos. Acórdão de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), em votação unânime, julgou a impugnação improcedente (fls.115 a 121) e manteve as glosas, conforme ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DESPESAS MEDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. ` A legislação tributária prevê que a prova das despesas médicas dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual seja feita por meio de documentos originais que demonstrem a efetiva prestação dos serviços e o efetivo pagamento. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. É lícito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas médicas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. PROVAS DOCUMENTAIS. IMPUGNAÇÃO. FASE INSTRUTÓRIA. PRAZO. PRECLUSÃO TEMPORAL. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a sua impugnação, inexistindo fase instrutória específica, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas em lei e mediante requerimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 17/05/2010 (fl.124), o contribuinte interpôs em 10/06/2010 recurso voluntário (fls. 125 a 131), no qual repisa os argumentos da impugnação, e acrescenta: Que foram realizados todos os tratamentos odontológicos no recursante e seus dependentes, à época, sendo feita as devidas prestações de conta junto ao fisco, e, este recursante não pode assumir uma carga de responsabilização em virtude de uma ação de má fé por parte do Sr. João E. M. Netto, o qual deixou de cumprir com suas obrigações fazendárias, devendo o Sr. João ser responsabilizado, não o recursante, que foi submetido aos cuidados do profissional, e cumpriu com os devidos pagamentos pecuniários, e fez todas as declarações de ganhos e despesas junto ao fisco. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 144 7 Pugnase pelo principio da boa fé deste contribuinte, o qual em nenhum momento faltou com suas obrigações fiscais, e de pronto confirmou os devidos gastos odontológicos, portanto, não há que se falar em responsabilizações fiscais , quando o recursante agiu dentro do que emana as leis, os costumes, etc. Finalmente, o contribuinte, ora recursante figura como um elemento infinitamente inferior á superioridade da Administração Pública Federal, a qual, arbitrariamente, busca recursos financeiros, o que é perfeitamente possível e aceitável, porém, que essa captação se de em relação aos contribuintes que sonegam ao Fisco, como grandes empresas por exemplo, e não, de um mero contribuinte, que arca com seus compromissos fiscais, e, sofre a retenção de. valores ao Fisco diretamente na fonte da renda, que é o caso em tela. Destarte, reforçase que nos anos seguintes de 2005 e 2006, houve o efetivo gasto com honorários junto ao Profissional Paulo Roberto Ramos de Oliveira, bem como junto a Casa de Misericórdia de Cambará, de modo que, pode ser feita a comprovação de A ganhos de capitais, junto ao profissional e a Casa de Saúde, pois, ambos prezam pela probidade, logo, têm em seus livros fiscais todos os ganhos auferidos, inclusive, os ganhos efetuados por este recursante, e, a Receita Federal do Brasil tem meios legais de realizar tais verificações, comprovando a idoneidade deste mero contribuinte. Que haja a efetiva nulidade do Acórdão, visto a inconformidade do mesmo, pois o recursante cumpriu com os seus deveres fiscais. Que o recursante fique isento de qualquer pagamento referente ao Auto de Infração, confirmado através do Acórdão que manteve o credito tributário exigido, de forma a não incidir em qualquer divida a União. . para com a União. Que o Auto de Infração, bem como o Acórdão supramencionado sejam arquivados, mediante este recurso voluntário, tornandoos nulos. Que seja desconsiderado quaisquer crimes, conforme citado no Acórdão, visto que em nenhum momento este recursante utilizou recibos de maneira escusa, e sim, foram apresentados os recibos emitidos pelo profissional em tela, após os devidos tratamentos, sendo pago em dinheiro, o que foi confirmado com os vários saques bancários. Que exista o bom senso por parte de Vossas Senhorias, do Conselho de Contribuintes, entendendo que este recursante agiu com a mais clara lisura em suas ações, .evitandose assim litígios judiciais, onde este recursante afirma, veementemente, que foi submetido a tratamentos odontológicos, bem como nos dependentes a época, inclusive com as devidas confirmações através dos extratos bancários e recibos de prestações de serviços, e, de outro lado a Administração Pública Federal, na Fl. 148DF CARF MF 8 pessoa dos Auditores Fiscais que não aceitaram as provas contundentes apresentadas anteriormente. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Não foram levantadas questões preliminares no recurso voluntário. Mérito Cuida o presente auto de infração de lançamentos de glosas de despesas de saúde que não tiveram o efetivo pagamento comprovado pelo contribuinte. O recorrente alega que as referidas deduções foram devidamente comprovadas pela apresentação de recibos; que os pagamentos foram efetuados em espécie dentro das regras comerciais do Brasil, que não pode ser penalizado por erros por parte dos profissionais de saúde, que não há restrição em fazer saques bancários em quantidades ou valores, e que estão sendo criadas outras regras comerciais nas quais os saques bancários devem ser coincidentes aos gastos médicos/hospitalares. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 145 9 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Seção I Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 150DF CARF MF 10 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). De acordo com o art. 835 do Decreto n° 3.000/1999 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda RIR, assevera que todas as deduções declaradas pelos contribuintes estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora, na forma preconizada no art. 73 do mesmo diploma legal, como segue: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.(grifei) Quando não comprovadas da forma solicitada as deduções informadas nas declarações, cabe à autoridade lançadora efetuar o lançamento de oficio com base nas infrações apuradas, de acordo com o art. 841 do Decreto acima citado, in verbis: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (...) II ~.deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 146 11 Relativamente às despesas médicas, o art. 8°, inc. II, alínea “a” da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o § 2° do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome. endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Verifica se, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. A lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. ll, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o` ônus da prova cabe a quem a alega. O art. 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe: “I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Filio me a esse entendimento, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Assim, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o dever de comprovação e justificação das deduções, e não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais decorrentes. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. No caso em apreço, temos que, o recorrente, ao ser devidamente intimado, apresentou documentos sem os requisitos exigidos pelos dispositivos legais supra mencionados. Ademais, foi expedido Ato Declaratório Executivo n° 60, que considerou inidôneos todos os recibos de tratamento odontológico emitidos por JOÃO EVANGELISTA DE MELLO NETO. Tais fatos lançaram dúvidas à fiscalização quanto à idoneidade das despesas médicas declaradas pelo recorrente, razão pela qual solicitou por diversas vezes as comprovações dos serviços prestados e do efetivo pagamento realizado. Fl. 152DF CARF MF 12 Desta forma, a autoridade fiscal agiu de forma correta e motivada ao exigir a comprovação dos efetivos pagamentos pelos serviços médicos contratados pelo recorrente. Sobre o assunto já se manifestou este conselho em diversos julgados. Cito aqui a título de exemplo a ementa dos acórdãos 2101001.842 e 2802001.988 transcritos respectivamente: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, em regra, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.(grifei) Recurso Voluntário Provido em Parte. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. DEPENDENTE. Somente são dedutíveis as despesas com dependentes informados na própria declaração de ajuste anual. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poder dever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 147 13 permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou e em que data e sem rasuras, e os requisitos legais. (grifei) IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO. O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem. Vejamos, então, cada uma das glosas de forma individualizada: JOÃO EVANGELISTA DE MELLO NETO CPF 410.152.66991 AC 2004 R$8.700,00. Em 13 de outubro de 2008 foi editada Ato Declaratório Executivo DRF/LON no 60, que declarou inidôneos todos os recibos de tratamentos odontológicos deste profissional para efeitos tributários. O recorrente apresentou recibos de fl. 20 sem as formalidades legais (sem a descrição dos serviços prestados, sem o endereço do profissional e nome do beneficiário). Instado a comprovar o efetivo pagamento o recorrente apenas apresenta extratos (fls. 28 a 36), sem que houvessem valores de saques conexos aos valores pagos pelos serviços prestados. Descreve o contribuinte, em resposta às intimações, diversos serviços prestados pelo profissional a ele próprio e seus dependentes, sem,contudo, apresentar provas, tais como, fichas clínicas, cartões de marcação de consultas, exames de diagnóstico por Fl. 154DF CARF MF 14 imagem, prontuário, dentre outras. Cabe destacar que também não foram apresentados documentação comprobatória dos dependentes do recorrente. A glosa das despesas odontológicas, no caso de existência de Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz, só pode ser afastada caso o contribuinte comprove a efetividade dos dispêndios, por meio, por exemplo, de cópias de cheques, transferências bancárias, onde haja coincidência de datas e valores com os recibos, bem como comprovasse a efetividade da prestação de serviços, nos termos do art. 2o do Ato declaratório 60. Se em circunstancias normais basta a mera apresentação do recibo para comprovar a efetiva prestação do serviço profissional e o recebimento/pagamento dos honorários respectivos, em casos como o que se analisa nos presentes autos, em que os recibos são objetos de fundadas suspeitas de irregularidades, competia ao impugnante produzir outras provas que demonstrassem a efetividade dos serviços prestados e respectivos pagamentos. Contudo, verificase que o recorrente não o fez. A documentação por ele apresentada não restou suficiente para comprovar o desembolso efetuado, bem como a real prestação do serviço. Destaco também, que o assunto encontrase sumulado nesta corte, senão vejamos: Súmula CARF nº 40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10247881, de 20/09/2006 Acórdão nº 10422316, de 29/03/2007 Acórdão nº 10615679, de 23/06/2006 Acórdão nº 10616701, de 22/01/2008 Acórdão nº 380400.063, de 28/05/2009 Diante do exposto voto por manter os lançamentos de glosa e de multa qualificada referentes às deduções de despesa médica em nome do profissional João Evangelista de Mello Neto. PAULO ROBERTO RAMOS. DE OLIVEIRA CPF: 519.434.92972 AC 2005: R$ 16.200,00 e AC 2006: R$ 3.696,00 O recorrente apresenta às fls 49 a 51 recibos, sem as formalidades legais (sem a descrição dos serviços prestados, sem o endereço do profissional e nome do beneficiário). Descreve o contribuinte, em resposta às intimações, diversos serviços prestados pelo profissional a ele próprio e dependentes. Instado a comprovar o efetivo pagamento apenas apresenta extratos (fls. 56 a 68) sem que houvessem valores de saques conexos aos valores pagos pelos serviços prestados. O recorrente, para fazer prova dos serviços prestados poderia ter apresentado cópias das fichas clínicas, exames radiológicos, prontuário, cartão de marcação de consultas, atestados, declaração de comparecimento, dentre outras provas existentes. Contudo, não o fez, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11634.000023/201064 Acórdão n.º 2003000.025 S2C0T3 Fl. 148 15 e em razão do exposto voto por manter a glosa referente a esse profissional e a multa de ofício de 75%. ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SAMBARÁ CNPJ: 78.297.090/000111 AC 2006 R$ 8.799,00 O recorrente apresenta à fl 52 recibo em nome do hospital. Instado a comprovar o efetivo pagamento apenas apresenta extratos (fls. 56 a 68) sem que houvessem valores de saques conexos aos valores pagos pelos serviços prestados. O contribuinte alega em recurso que sofreu de uma disfunção renal, de modo que em dada ocasião veio a ser internado junto a Associação Beneficente Casa de Misericórdia de Cambará CNPJ 78.297.090/000111, necessitando de cuidados específicos, inclusive com intervenção cirúrgica. Ocorre que o recorrente somente apresenta um recibo para provar os serviços prestados, e alega que pagou em espécie a elevada quantia de R$ 8.799,00. Causa estranheza pagar valor tão alto em espécie e a ausência de emissão de nota fiscal pelo hospital, tendo em vista que se trata de uma pessoa jurídica. Caberia ao recorrente, para fazer prova dos serviços prestados apresentar relatório dos serviços e materiais utilizados pelo hospital quando do fechamento da conta, relatório médico, exames de diagnóstico, prontuário, atestado, declaração de comparecimento, dentre outros elementos de prova existentes. Entretanto, não o fez, e em razão do exposto voto por manter a glosa referente às despesas pagas ao hospital e a multa de ofício de 75%. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe total provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.921787/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÀO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa.
Numero da decisão: 3302-006.759
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente)
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Recorrente VIX LOGÍSTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÀO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 17 87 /2 00 9- 85 Fl. 265DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente) Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório n° rastreamento 854478325 emitido eletronicamente em 10/12/2009, referente ao PER/DCOMP n° 20174.32896.130309.1.3.043210. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$38.241,54, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 19/09/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 30/12/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 30/12/2009, cujo texto pode ser assim reproduzido: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10783.921787/200985 Acórdão n.º 3302006.759 S3C3T2 Fl. 3 3 DO DETALHAMENTO DO CRÉDITO O crédito de COFINS apurado no periodo 31/08/2008 constante no PER/DCOMP n.° 20174.32896.130309.1.3.043210 apresentado no dia 13/03/2009. DA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO Em decorrência da análise efetivada pelo contribuinte supramencionado após a transmissão da PER/DCOMP n.° 20174.32396.130309.1.3.043210 no dia 13/03/2009, venficouse que por um equivoco foi informado como débito a ser compensado o código n.° 115002 relativo a IOF quando deveriase informar o código 115003. Verificando o equivoco ocorrido, o contribuinte tentou efetivar a retificação da PER/DCOMP n.° 20174.32896.130309.1.3.043210 por meio eletrônico. Entretanto, ao efetuar o procedimento de transmissão da PER/DCOMP retificadora o programa transmissor demonstra a mensagem de erro informando que; O PERDCOMP QUE SE PRETENDE RETIFICAR JÂ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA, impossibilitando assim, que o contribuinte conclua a transmissão do PER/DCOMP retificador. Cabe ressaltar que o contribuinte foi cientificado por escrito através do despacho decisório n° 854473325, relativo a PER/DCOMP n.° 20174.32896.130309.1.3 04 3210, ao qual encontrase com fator impeditivo para transmissão do PER/DCOMP retificador. DO DÉBITO VINCULADO Diante do equivoco ocorrido na apresentação da PER/DCOMP n.° 20174.32896.130309.1.3.043210 transmitida no dia 13/03/2009 e da impossibilidade de apresentação da declaração retificadora pelos fatos expostos anteriormente, verificouse a origem do débito de R$ 676,50 relativo ao imposto IOF constante na base de dados da RFB, imposto este, que está impedido a liberação de certidão negativa de débitos ao contribuinte Ademais, entendese que a cobrança do respectivo débito não pode prevalecer, haja vista que está sendo impedido ac contribuinte c direito de retificação da respectiva declaração por meios eletrônicos, cujo objeto versa sobre o débito informado no PER/DCOMP. DO PEDIDO Diante do exposto, tendo sido demonstrado todos os fatos ocorridos, vem o contribuinte, respeitosamente, a presença de VSa, requerer a “RETIFICAÇÃO POR OFICIO” da PER/DCOMP n.° 20174.32896.130309.1.3.043210, mencionando para tanto, que segue em anexo os seguintes documentos: Em 10 de setembro de 2013, através do Acórdão n° 0248.221, a 2a Turma de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Entendeu a Turma que: O art. 87 da Instrução Normativa RFB n° 1300, de 20 de novembro de 2012, determina que a retificação da DComp deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a Fl. 267DF CARF MF 4 apresentação de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Segundo dispõe o art. 88 da referida IN, a DCOMP somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observadas ainda as disposições do art. 89, que prescrevem que será admitida a retificação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, verificada a inocorrência de inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado, consoante dispõe o art. 90. Esse disciplinamento legal consta ainda das instruções normativas anteriormente vigentes, que trataram do mesmo assunto. Nestas condições, a DCOMP, ao tempo que traz garantias ao contribuinte no que diz respeito à consumação da compensação prevista na legislação tributária, inclusive estipulando que a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, também impõe obrigações e limites para a atuação do contribuinte, visando à correta operacionalização do procedimento nos sistemas da Receita Federal, no que tange ao processamento das informações, à verificação da consistência do crédito e aos controles de sua utilização, além da cobrança de eventuais débitos indevidamente compensados. Ocorre também que, de acordo com os incisos IX e XI do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da RFB aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, é competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF: IX desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; [...] XI controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários; Assim, na impossibilidade de retificação de ofício da DCOMP por meio de manifestação de inconformidade, qualquer questionamento que o contribuinte tiver sobre o débito por ele confessado deve ser dirigido à DRF de sua jurisdição. Finalmente, cumpre registrar que, ainda que fosse possível levar a efeito o pedido do contribuinte (o que não é, conforme acima explicitado), não há sequer documentos comprobatórios do erro propalado. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, na data 07/11/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (efolhas 79). Recurso Voluntário foi apresentado em 02/12/20013, de efolhas 81 a 91. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10783.921787/200985 Acórdão n.º 3302006.759 S3C3T2 Fl. 4 5 Foi alegado: Nas competências de 07/2008 e 08/2008 a contribuinte apurou COFINS não cumulativo código de arrecadação 5356 devido no importo de RS 154.249.17 e RS 129.471.82. respectivamente, tendo recolhido os valores em DARF, já juntado aos autos. Todavia, posteriormente verificou equívoco em sua apuração e procedeu a retificação da DCTF o DACON na data de 29/07/2009. alterando para o valor devido correto de RS 118.007.63 na competência 07/2008 e RS 96.548.37 em 08/2008. Nesse contexto, e amparada pela previsão do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. a Contribuinte procedeu à compensação dos referidos saldos pagos a maior com os débitos próprios via PER/DCOMP). submetendo a homologação de referidas compensações ao crivo da Receita Federal do Brasil (RFB). De ver se, portanto, que a origem do crédito declarado no PER/DCOMP transmitido pela Contribuinte é, exclusivamente. de valores pagos a indevidamente ou a maior. Ocorre que a RFB homologou apenas parcialmente as compensações efetuadas pela Contribuinte, alegando que o saldo do crédito decorrente do pagamento indevido não seria suficiente para tanto. Assim, de acordo com o referido despacho decisório. não haveria créditos suficientes para liquidação dos débitos compensados via PER/DCOMP. Em análise do indeferimento verificouse a ocorrência de confusão entre as duas compensações em que apesar de legítimas, foi informada a mesma guia DARF de pagamento geradora do crédito. Irresignada. a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade face aos débitos não homologados, explicando o fato ocorrido e requerendo a retificação de ofício da PERDCOMP não homologada. Entretanto, a 2o Turma de Julgamento julgou improcedente a defesa sob argumento de que a autoridade julgadora de primeira instância não feria competência para a apreciação de questões que impliquem na alteração de débito confessado em Dcomp. No entanto, conforme será a seguir demonstrado, a decisão denegatória não merece prevalecer, na medida em que a Contribuinte efetivamente recolheu a maior ou indevidamente o tributo COFINS nas competências de 07/2003 e 03/2008 em montante suficiente para fazer frente às compensações declaradas, não havendo justo motivo na manutenção da decisão por aspectos. DA CONCESSÃO DO EFEITO SUSPENSIVO Consoante o artigo 74, §11° da Lei n° 9.430/96 c/c artigo 33 do Decreto 70.235/72, apresentado recurso contra decisão administrativa que denega direito creditório em manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, a mesma terá seus efeitos suspensos. Dessa forma, os valores compensados pela Contribuinte, ainda que as compensações não tenham sido homologadas, não podem ser exigidos enquanto não definitivamente julgado o presente recurso voluntário, vez que suspensa a exigibilidade dos débitos, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. DO CONHECIMENTO DAS MATÉRIAS Fl. 269DF CARF MF 6 Consoante se depreende do artigo 145, inciso III do Código Tributário Nacional, o lançamento do crédito tributário, ainda que regularmente notificado, poderá ser revisto por iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos elencados no artigo 149 do mesmo diploma legal. Observase, da simples leitura do dispositivo, que deve a autoridade administrativa tomar conhecimento e rever o lançamento de ofício na ocorrência de fatos não conhecidos ou não apreciados por ocasião do lançamento do crédito tributário. Deste modo, na remota hipótese de entendimento pela preclusão quanto aos fatos, argumentos e documentos exposto no presente Recurso Administrativo, o que somente se admite por mero apreço ao debate, deve a autoridade administrativa conhecêlos por força do artigo 149 do CTN, uma vez que se encontram devidamente comprovados todos os argumentos trazidos pelos documentos colacionados ao presente recurso. DOS VALORES INFORMADOS EM DCTF E DACON Na resumida fundamentação do Acórdão, verificase que a improcedência da manifestação de inconformidade se baseia na falta de comprovação de pagamento indevido ou a maior, o que não corresponde à realidade. Conforme dito alhures, a Contribuinte verificou equívoco na apuração da COFINS nas competências 07/2008 e 08/2008. Assim, após efetuar o recálculo dos tributos utilizando os valores corretos, apurou um crédito passível de compensação, por conta do pagamento indevido ou a maior. Para tanto, procedeu a retificação das declarações DCTF e DACON das referidas competências, gerando, assim, um saldo em aberto a ser utilizado em futuras compensações. Deste modo, uma vez que as retificações foram devidamente realizadas conforme a apuração correta, e ainda, que houve pagamento a maior nas respectivas competências, gerouse um crédito passível de compensação pela Contribuinte, o que foi feito através dos PERDCOMP’s iniciais n° 05137.28562.120209.1.3.044489 e 20174.32896.133309.1.3.043210, respectivamente. DAS COMPENSAÇÕES REALIZADAS Consoante se depreende dos documentos apresentados, por conta do equívoco na apuração da COFINS nas competências 07/2008 e 08/2008, foram realizadas duas declarações PER/DCOMP, uma para cada competência. Apesar de constar duas declarações iniciais para o mesmo DARF gerador do crédito, ao processar as declarações de pedido de compensação, a RFB considerou apenas um crédito inicial e todas as declarações subsequentes como compensação deste único crédito, apesar de claramente indicar duas declarações como compensação inicial. Ressaltase que, não obstante o equívoco nas declarações, todos demais campos foram corretamente preenchidos e deveríam ter sido analisados com maior cautela antes de se pronunciar pelo indeferimento das compensações, inclusive através das manifestações de inconformidade. Do exame das declarações informadas acima, verificase que não se considerou o crédito da compensação inicial n° 20174.32896.130309.1.3.043210 (R$ Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10783.921787/200985 Acórdão n.º 3302006.759 S3C3T2 Fl. 5 7 38.241,54), bem como crédito a maior na compensação inicial n° 05137.28562.120209.1.3.04 4489 (correto é R$ 32.923,25), o que culminou na suposta inexistência de crédito para as compensações declaradas. Dos despachos decisórios n° 854478351 e 854478325 que realizaram a análise das DCOMP's n° 31857.38112.110809.1.7.044506 e 20174.32896.130309.1.3.043210 respectivamente, concluise, ainda, que todas declarações estão sendo consideradas no pedido inicial de compensação n° 05137.28562.120209.1.3.044489, desconsiderando se que a DCOMP n° 20174.32896.130309.1.3.043210 se refere a um pedido inicial, o que causa toda a confusão. Destarte, para regularização do imbróglio, portanto, basta apenas que sejam considerados os DARF's conforme descrito acima, considerandose a origem do crédito na compensação inicial n° 05137.28562.120209.1.3.044489 para o DARF da competência de 31/07/2008. Por fim, ressaltase que o que se requer não é ilegal ou imoral, pois apresentandose comprovadamente os fatos ocorridos, nada mais justo do que permitir o crédito e as compensações decorrentes, direito legítimo da Recorrente. DO ERRO DE FATO CORREÇÃO DE OFÍCIO Consoante determina o artigo 147, §2° do Código Tributário Nacional1, eventuais erros podem ser corrigidos de ofício pela autoridade administrativa que realizar a revisão da declaração. Desta feita, não cabe outra medida senão a consideração dos DARF's nas competências 31/07/2008 e 31/08/2008, mais especificamente quanto a correção do DARF vinculado ao crédito na PERDCOMP n° 05137.28562.120209.1.3.044489, qual seja, DARF código 5856, competência 31/07/2008, valor pago de R$ 129.471,62 (doc. em anexo), para corrigir o equívoco da informação prestada na mesma. DOS PEDIDOS Por todo exposto, requer o recebimento e total provimento do presente recurso voluntário, reformandose a decisão ora recorrida, para os fins de reconhecer a existência de crédito suficiente para a homologação da totalidade das compensações declaradas no presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Fl. 271DF CARF MF 8 A Empresa VIX LOGÍSTICA S.A. foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, por via eletrônica, em 01/11/2013, às efolhas 91. A Empresa VIX LOGÍSTICA S.A. ingressou com Recurso Voluntário em 02/12/2013, efolhas 94. O recurso voluntário é tempestivo. Da controvérsia. ü Da concessão do efeito suspensivo; ü Dos valores informados em DCTF e DACON; ü Das compensações realizadas; ü Do erro de fato correção de ofício. Passase à análise. O contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade, pretendeu que fosse feita a retificação de ofício da DCOMP para fins de alterar informação acerca de débito confessado. Na sua peça recursal, a recorrente alega os pontos sintetizados acima. Tratase, portanto, de argumento novo, não apresentado pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas, verbis: (grifos não constam do original) “Art. 16. A impugnação mencionará: a autoridade julgadora a quem é dirigida: a qualificação do impugnante; os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n0 8.748, de 1993) se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei n0 11.196, de 2005) Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10783.921787/200985 Acórdão n.º 3302006.759 S3C3T2 Fl. 6 9 £ 1O Considerarseá não formulado O pedido de diligência OU perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei no 8.748, de 1993) £ 2o É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei no 8.748, de 1993) £ 3o Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei no 8.748, de 1993) £ 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) £ 5o A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) £ 6o Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei no 9.532, de 1997).” (destacado) A preclusão se verifica pela não dedução de todos os argumentos de defesa no recurso inaugural, isto é, as matérias de direito que pretendia questionar, decorrendo daí a perda da oportunidade processual de contestação, valendo acentuar que o recurso voluntário, como dito, é totalmente distinto da impugnação, chegando mesmo, em alguns pontos, a serem mutuamente contraditórios. Fl. 273DF CARF MF 10 Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11a edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Quanto à concessão do efeito suspensivo, tratase de aplicação do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional. Desta forma, sob pena de inovação recursal, entendo que não é mais possível conhecer destas alegações nesta fase processual. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 13900.720199/2011-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para restabelecer despesas médicas efetuadas com Claudio Arantes (R$12.870,00), Carolina Ru (R$3.600,00) e Cleonice Souza (R$1.800,00), e o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que lhe deu provimento parcial em menor extensão, para acatar somente as despesas com Claudio Arantes (R$12.870,00) e Carolina Ru (R$3.600,00). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para restabelecer despesas médicas efetuadas com Claudio Arantes (R$12.870,00), Carolina Ru (R$3.600,00) e Cleonice Souza (R$1.800,00), e o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que lhe deu provimento parcial em menor extensão, para acatar somente as despesas com Claudio Arantes (R$12.870,00) e Carolina Ru (R$3.600,00). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 0. 72 01 99 /2 01 1- 55 Fl. 142DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 09 a 14), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.975,75, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 32 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: que a alegação de falta de juntada dos extratos bancários e de outros comprovantes das instituições financeiras fizeram com que os recibos fossem glosados, mas em nenhum momento foi afirmado que os pagamentos foram realizados em cheques. Pelo contrário, foi informado que os pagamentos foram realizados em dinheiro e cheques de terceiros; que tempestivamente em 12/09/2011 apresentou em sua defesa os esclarecimentos quanto a forma de pagamento, ou seja, em dinheiro e/ou cheque recebidos de terceiros; que o inciso III da lei exige a apresentação do extrato bancário como forma alternativa para os casos em que o contribuinte não tenha os devidos comprovantes. Acrescenta que não é o caso, tendo em vista que apresentou os comprovantes; que os recibos são provas suficientes, sendo a exigência do Fiscal um ato abusivo; que diante de tal nulidade e do cerceamento de defesa, requer a inépcia da Notificação com a anulação do seu lançamento; que ocorre a bitributação, pois alega que estaria pagando novamente imposto sobre os rendimentos auferidos pelos profissionais que emitiram os recibos, os quais também levaram à tributação nas suas Declarações de imposto de renda; que as despesas médicas com a nutricionista Cician Cristina Bernucci Arantes no valor de R$ 3.460,00 não tem amparo Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13900.720199/201155 Acórdão n.º 2002000.788 S2C0T2 Fl. 143 3 legal para a dedução. Acrescenta que foi efetuado o pagamento do imposto devido; que de acordo com o art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, solicita a realização de perícia nos recibos apresentados e nas declarações de efetiva prestação dos serviços, bem como nas Declarações do imposto de renda dos profissionais que executaram os serviços para verificar nas Declarações dos profissionais a tributação de tais rendimentos, pois caso não seja admitido tal procedimento, fica cerceado o seu direito de defesa; que os extratos bancários são apresentados de forma alternativa quando o contribuinte não tenha os devidos recibos para demonstrar o pagamento realizado aos profissionais; que a glosa atribuída aos comprovantes afronta a lei adjetiva civil no seu artigo 315; que não há amparo legal para a exigência de apresentação dos documentos bancários; que fica a cargo da própria Receita Federal do Brasil verificar a legitimidade dos documentos junto aos profissionais emissores; que a validade dos recibos de pagamentos quando colocado em dúvida, deve submeterse a exame pericial, não podendo subtrair a sua validade de forma arbitrária; que não pode efetuar a glosa das despesas médicas sem qualquer suporte fático de sua idoneidade; que os recibos de pagamento são documentos contábeis aptos a certificarem a quitação de determinado valor, prescindindo absolutamente de qualquer outro documento que o acompanhe para que adquira validade jurídica ou força comprobatória; que nomeia o perito Hamilton Roberto de Souza (contador) e apresenta os seguintes quesitos: 1 Os recibos apresentados constam os nomes dos profissionais com identificação do CPF? 2 Os recibos apresentados constam os valores das prestações dos serviços? 3 Os recibos apresentados constam os nomes dos beneficiários? 4 Nas declarações apresentadas, está presentes a efetividade das prestações dos serviços? 5 Todos os documentos estão datados e assinados pelos profissionais? Traz à colação jurisprudência judicial a seu favor. Fl. 144DF CARF MF 4 Houve a alocação do pagamento de fl. 31, conforme extrato de fl. 85. Requer acolhida a presente impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 15/12/2014, no acórdão 0365.354, às efls. 88 a 96, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 102 a 134 alegando, em síntese: · preliminarmente, deixa de recolher o depósito prévio de 30%por ser declarado inconstitucional pela "EMENTA ADI 1976"; · que o auto de infração é nulo por cerceamento do direito de defesa; · que as despesas estão embasadas nos recibos emitidos pelos profissionais, que por si são provas da contratação dos serviços médicos, vez que tem costume de arcar com os valores contratados em espécie. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 13/01/2015, efls. 100, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/02/2015, efls. 102, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · CLÁUDIO LOBO ARANTES R$ 12.870,00; · CLEONICE MARIA DE FARIA SOUZA R$ 1.800,00; · CAROLINA DE OLIVEIRA LENGYEL RU R$ 3.600,00; · CICIAN CRISTINA BERNUCCI ARANES R3.460,00. Preliminarmente alega que deixou de recolher o depósito prévio de 30% por ser declarado inconstitucional pela "EMENTA ADI 1976, argumento este que, em sede recursal, não está acompanhado de qualquer fundamentação. Além do mais, o processo administrativo fiscal é garantia constitucional do contribuinte, de forma que não é exigido qualquer valor pecuniário para discutir matéria no âmbito do Poder Público. Como reza a CRFB/88: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13900.720199/201155 Acórdão n.º 2002000.788 S2C0T2 Fl. 144 5 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) Ainda, sustenta que a notificação de lançamento é nula por cerceamento de defesa, argumento este que não se sustenta. Conforme artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. O auto de infração lavrado em face do contribuinte não infringe qualquer disposição do supracitado artigo. Ainda, o recorrente fora intimado a prestar informações antes mesmo da lavratura do auto de infração. Inconformado, apresentou impugnação à DRJ e mais, recorreu a este Tribunal Administrativo, sendo intimado para assim fazêlo nos prazos legais. Portanto, respeitado o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, de forma que afasto as preliminares suscitadas. Passase ao mérito. Fl. 146DF CARF MF 6 Com exceção da última despesa glosada, acima elencada, cujo fundamento é a falta de previsão legal, as demais glosas com os profissionais mencionados foram mantidas pela falta de efetivo pagamento, conforme decisão da DRJ: Acrescentase que é equivocado entenderse que o inciso II do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Porém, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13900.720199/201155 Acórdão n.º 2002000.788 S2C0T2 Fl. 145 7 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. Fl. 148DF CARF MF 8 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13900.720199/201155 Acórdão n.º 2002000.788 S2C0T2 Fl. 146 9 valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Fl. 150DF CARF MF 10 Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 17 a 20 há recibos emitidos por Cláudio Lobo Arantes no importe de R$ 12.870,00. Às efls. 21 há a lista de procedimentos pelos quais o contribuinte passou. Às efls. 22 a 23 há recibos emitidos por Carolina De Oliveira Lengyel Ru no valor de R$ 3.600,00. Ainda, às efls. 24 há declaração da profissional ratificando a prestação de serviços. Às efls. 25 e 26 constam recibo e declaração emitida por Cleonice Maria De Faria Souza, no valor de R$ 1.800,00. Quanto as despesas com a nutricionista Cician Cristina Bernucci, como bem apontou o auto de infração e a decisão de DRJ, estas não tem previsão legal para dedução. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário, afasto as preliminares suscitatas para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa das despesas médicas com Cláudio Lobo Arantes no importe de R$ 12.870,00, Carolina De Oliveira Lengyel Ru no valor de R$ 3.600,00 e Cleonice Maria De Faria Souza, no valor de R$ 1.800,00 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas com Cláudio Lobo Arantes, Carolina De Oliveira Lengyel Ru e Cleonice Maria de Faria Souza. Extraise dos autos que a autoridade fiscal procedeu à glosa dos valores declarados para os referidos profissionais por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento através de cópias de cheques, transferências bancárias, ou extratos bancários indicando os saques das importâncias correspondentes, com datas e valores compatíveis (efls. 11/12, 81/82). A decisão de primeira instância manteve a glosa efetuada, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 88/96). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13900.720199/201155 Acórdão n.º 2002000.788 S2C0T2 Fl. 147 11 Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos Fl. 152DF CARF MF 12 termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha efetuado parte seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que este não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000122/2010-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendo-se a dedutibilidade de parte das despesas médicas por exclusão da glosa no valor de R$ 16.456,36, mantendo-se, porém, somente a glosa no valor de R$ 1.150,00, pelas razões expostas.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedutibilidade de parte das despesas médicas por exclusão da glosa no valor de R$ 16.456,36, mantendose, porém, somente a glosa no valor de R$ 1.150,00, pelas razões expostas. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 01 22 /2 01 0- 11 Fl. 112DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na DAA. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pelo Contribuinte de R$ 4.841,78 para R$ 0,03, de imposto de renda pessoa física a restituir, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado os comprovantes de despesas médicas utilizados para abatimento do imposto na temporalidade definida na intimação. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de parte da comprovação da despesa e parte na falta de cumprimento de formalidades que entende justificável não aceitação da despesa como dedutível do imposto, como segue: Contra o Contribuinte acima identificado foi emitida, em 28/12/2009, a Notificação de Lançamento de fls. 06 a 10, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício 2008, anocalendário 2007, tendo sido ajustado o imposto a restituir para R$ 0,03. O lançamento teve origem na constatação da dedução indevida de todas as despesas médicas declaradas, no valor de R$ 17.606,36, abaixo discriminadas, por falta de comprovação, em virtude de o Contribuinte não ter atendido a intimação. Cumpre informar, inicialmente, que, compulsando os autos, constata se que a intimação que o Interessado não atendeu foi o Termo de Reintimação Fiscal de fls. 74 e 75, que solicitou a comprovação do efetivo pagamento e da efetividade da prestação dos serviços prestados por Tatiana Macedo dos Santos, no valor de R$ 9.750,00, que o Impugnante deduziu como despesas médicas. Em relação às despesas médicas, o art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99, assim dispõe: (...) Quanto às despesas médicas relativas à Sul América Cia. de Seguro Saúde, no valor de R$ 7.706,36, o Contribuinte apresentou os comprovantes de fls. 58 e 60. O comprovante de fls. 58 atesta o recolhimento de R$ 1.398,67, sendo que os comprovantes anexados às fls. 60 demonstram que os pagamento se referem ao Contribuinte como beneficiário. Quanto à diferença, correspondente a R$ 6.307,69, não foram apresentados documentos comprovando o direito Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13893.000122/201011 Acórdão n.º 2001001.209 S2C0T1 Fl. 113 3 à sua dedutibilidade como despesas médicas. Por conseguinte, deve ser restabelecida como dedução de despesa médica a quantia de R$ 1.398,67. Acerca da despesa no valor de R$ 150,00, declarada como paga ao Centro Mogiano de Endoc. Integrado, o Impugnante apresentou o documento de fls. 50, em que consta que o respectivo valor lhe foi reembolsado por seu plano de saúde, não podendo, portanto, ser deduzido como despesas médicas, conforme disposto no inciso IV do § 1º do art. 80 acima reproduzido, razão pela qual deve ser mantida a glosa. No que diz respeito às despesas referentes à profissional Tatiana Macedo dos Santos, no montante de R$ 9.750,00, glosadas por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetividade dos serviços, convém ressaltar que, em princípio, admitese como prova idônea da dedução a título de despesas médicas os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, que contenham todas as indicações indispensáveis à identificação de quem efetuou o pagamento, em que data, referente ao tratamento de qual paciente, bem como a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ do emitente. Todavia, a apresentação dos recibos não impede o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada. Foi a lei, mais precisamente o DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, que expressamente determinou que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório, sendo que o § 4º daquele mesmo artigo previu a glosa das deduções, sem a audiência do contribuinte, quando forem exageradas ou não forem cabíveis. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: (...) Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, entre eles a comprovação do efetivo pagamento e da efetiva realização dos serviços, se assim for exigido pela autoridade lançadora, como neste caso (Termo de Reintimação de fls. 74 e 75). Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia o interessado deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que haja correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas, assim como a correspondência entre as datas contidas nos recibos e as datas das retiradas bancárias. Compulsando os recibos apresentados (fls. 61 a 66) e os extratos bancários anexados (fls. 16 a 25), constatase que para os recibos emitidos em 27/04/2007, 30/05/2007, 30/07/2007, cada qual no valor Fl. 114DF CARF MF 4 de R$ 1.000,00, consta a existência de saques bancários nas respectivas datas em valores iguais ou superiores aos informados nos recibos. Por conseguinte, resta comprovado o efetivo pagamento de R$ 3.000,00. Quanto aos recibos emitidos em 27/03/2007 e 28/09/2007, ambos no montante de R$ 1.000,00 cada, há saques efetuados em 26/03/207 e 25/09/2007 no valor de R$ 1.000,00 cada. Nessa situação, o restante desta Turma entende que os pagamentos relativo a tais recibos em questão restam comprovados. Embora discorde desse entendimento, haja vista que os saques não foram efetuados no mesmo dia da emissão dos recibos, curvome a ele, por ser maioria. Quanto à comprovação da efetividade dos serviços prestados, considero que os documentos juntados às fls. 22 constituem prova suficiente desse fato. Por tais razões, das despesas relativas à Tatiana Macedo dos Santos, no montante de R$ 9.750,00, deve ser restabelecida a quantia de R$ 5.000,00. Diante do exposto, deve ser restabelecido a título de dedução de despesa médica o valor de R$ 6.398,67. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer parte das despesas médicas glosadas, no valor de R$ 6.398,67, o que resulta no reconhecimento em parte do direito creditório, correspondente a um imposto a restituir de R$ 1.759,64. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para restabelecer parte das despesas médicas no valor de R$ 6.398,67, o que resulta no reconhecimento de um valor a restituir de R$ 1.759,64. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Vêse que o referido Acórdão, em fls. 82 (4) (por mim Grifado), reconheceu apenas a última parcela de um total de doze (12), pagas mensalmente, no ano de 2007 à Sul América Companhia de Seguro Saúde, a título de plano de saúde, desconsiderando os demais pagamentos de janeiro a novembro, que implicam em mais R$ 6.307,69, sob a alegação de que não foram apresentados documentos comprovando o direito à sua dedutibilidade como despesas médicas (sic). Isso causa estranheza e não é verdadeiro, pois quando da apresentação da Impugnação, este recorrente também anexou o comprovante, emitido pela Sul América Companhia de Seguro Saúde, na forma de processamento eletrônico de dados, obtido em 29/04/2008, utilizado para suportar a Declaração IRPF Ano Calendário 2007, conforme anexo, que aponta o pagamento total de R$ 7.706,36. Deduzse que a análise valeuse do referido comprovante, mas apenas interessou a última parcela paga, ou seja, R$ 1.398,67, pois não seria possível adivinhar tal valor, anão ser obtido do referido comprovante. Se dúvidas ainda persistirem, faço juntado, novamente, de cópia do referido comprovante. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13893.000122/201011 Acórdão n.º 2001001.209 S2C0T1 Fl. 114 5 Sobre a despesa de R$ 150,00, declarada como paga no Centro Mogiano de Endocrinologia, realmente ela deve ser desconsiderada, uma vez que fora reembolsada pelo plano de saúde (Sul América), o que por desatenção minha foi lançada como gasto em despesas médicas, haja vista, que de boa fé, o Recorrente anexou esse comprovante, quando da apresentação da Impugnação. Concernente aos pagamentos efetuados à profissional liberal, no valor R$ 9.750,00, o Recorrente, por solicitação da Receita Federal, apresentou documentos (Recibos, Fichas de atendimento clínico odontológico e Extratos de Conta bancária), que comprovam a prestação do serviço e o efetivo pagamento, já que o ônus probatório compete ao Contribuinte. Assim, após análise, foram considerados como pertinentes e restando comprovados os valores lançados em recibos referentes aos meses de abril, maio e julho de 2007, totalizando R$ 3.000,00. Também restaram procedentes e comprovados os pagamentos, conforme recibos, efetuados nos meses de março e setembro de 2007, no valor de R$ 2.000,00, considerandose o digno Relator (neste quesito) “voto vencido”, perante o parecer dos demais integrantes da Turma Julgadora. Assim a Receita Federal dos R$ 9.750,00 pagos apenas considerou o pagamento de R$ 5.000,00, fazendo a glosa de R$ 4.750,00. Sobre essa glosa de R$ 4.750,00 o Recorrente insiste que seja revisto e considerados adequados os pagamentos referentes aos recibos dos meses de agosto e novembro, somando R$ 2.00,00, uma vez que embora contenham a data de 30/08 e 29/11 eles foram amortizados com saques havidos e pagos no dia seguinte, ou seja 31/08 e 30/11 de 2007, respectivamente, demonstrando assim estreita correspondência entre esses pagamentos e retiradas bancárias, em que essa mínima diferença temporal não ensejaria multa e juros de mora, mas sim a plena satisfação imediata do comprimento programado, assumido e honrado junto à credora. Vide documentos anexos – “iluminados”. Da mesma forma solicito a análise dos recibos pagos em 27/02 e 30/10, ambos no valor de R$ 1.000,00, cada, sob a justificativa de que embora não se vislumbre correspondência temporal entre as datas de recibos e retiradas bancárias, em mesma data, este Recorrente teve previamente em sua posse numerário suficiente para pagálos, independentemente das retiradas comprovadas em 08/02 e 16/02 (R$ 700,00 e R$ 1.000,00) e 03/10,0 8/10, 17/10 e 22/10 (R$ 1.000,00, R$ 1.000,00, R$ 300,00, R$ 1.000,00), o que lhe deu condições para ter sob sua guarda os valores, que suportaram os pagamentos (vide Recibos e Extratos Bancários – iluminados anexos). Cabe desconsiderar o Recibo de R$ 1.000,00 pago em junho de 2007, por imprecisão no lançamento da data. Destarte as despesas relativas à profissional Tatiana Macedo dos Santos, originariamente no montante de R$ 9.750,00 deve ser restabelecido o valor de R$ 8.750,00, procedendose à glosa de R$ 1.000,00 e não como aponta o Acórdão em questão, devido a Fl. 116DF CARF MF 6 efetividade dos serviços prestados, comprovados pelo documento juntados à Impugnação e nesta ocasião. Ás fls. 80, item “c”, do Acórdão (cópia anexa – grifo meu) o emitente Relator cita que est Contribuinte deixara de se beneficiar do valor dedutível de R$ 2.799,30, a título de despesas médicas, quando da entrega da Declaração, ficando a critério do Auditor Fiscal reconsiderálo para fins de abatimento na tributação (sic). Vejase que essa solicitação de reconsideração ocorreu quando da apresentação da Impugnação, em 21/01/2010, tendo sido juntado, naquela ocasião, documento expedido por Órgão Oficial, constando tais pagamentos, através do Informe Anual de Rendimentos Pessoa Física, ano 2007, conjuntamente elaborado pela Secretaria de Segurança Pública – SP e São Paulo Previdência – SPPREV ( cópia anexa). Assim, sem que tenha havido qualquer manifestação sobre esta questão no referido Acórdão, reitero a solicitação de reconsideração, para fins de abatimento na tributação, anexando, novamente, cópia do mesmo documento, em que aparecem como beneficiários da Cruz Azul de São Paulo CNPJ 62.106.505/000192 e a APAS (Associação Policial de Assistência à Saúde) – Mogi da Cruzes – CNPJ 59.642.009/000149, par se considerar como efetivamente pago o valor de R$ 2.799,30, a título de despesas médicas, pagas mensalmente, ao longo do ano de 2007, com desconto em folha de pagamento. De todo o exposto, vêse que este Recorrente tem a sua argumentação em consonância com a farta legislação acostada ao Acórdão, ora recorrido, e pleiteia o acolhimento das suas razões, estribadas em provas apresentadas, par que seja então considerada a somatória dos valores pagos, a título de despesas médicas, a saber: R$ 8.750,00 + R$ 7.706,36 + R$ 2.799,30, que perfaz o total de R$ 19.255,66 e não apenas R$ 6.398,67, como o que foi apresentado. Com o acolhimento, o Recorrente solicita que se proceda ao novo Cálculo do Imposto, bem como às alterações decorrentes no lançamento, dandose ciência ao signatário. Termos em que como medida de justiça e imparcialidade aguarda acolhimento e providências, dentro de um prazo razoável, já que o caso se arrasta há muito tempo. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13893.000122/201011 Acórdão n.º 2001001.209 S2C0T1 Fl. 115 7 Antes do exame da DRJ o processo foi baixado em diligência para exame de documentações juntadas aos autos e não considerada no exame fiscal que resultou no Lançamento em contestação, conforme despacho nos termos seguinte: Por intermédio da Resolução nº 3000.514, de 20/01/2015, os autos foram baixados em diligência para que fosse anexado o dossiêfiscal (fls. 42 e 43). Em atendimento, foram juntados os documentos de fls. 45 a 76 e devolvidos os autos para prosseguimento do julgamento. A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda do Contribuinte ao restabelecer parte das despesas médicas glosadas, no valor de R$ 6.398,67, o que resultou no correspondente a um imposto a restituir de R$ 1.759,64, em razão da aceitação de parte dos recibos, pela comparação de periodicidade com os saques das disponibilidades bancárias em que ficou constatada a proximidade entre as retiradas e a data dos recibos, motivo da aceitação pelo critério de análise adotado pelo Relator do Acórdão vergastado. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Fl. 118DF CARF MF 8 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13893.000122/201011 Acórdão n.º 2001001.209 S2C0T1 Fl. 116 9 do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez Fl. 120DF CARF MF 10 que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. No presente caso, a questão esgotase na apresentação da comprovação das despesas médicas para efeito de dedução do imposto, concluindo pelo entendimento de que o recibo idôneo é documento hábil para satisfação dos requisitos legais pertinentes, restando aqui o exame da questão fática dos documentos apresentados pela Recorrente. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. Quanto às despesas médicas relativas a Sul América Cia. de Seguro Saúde, no valor de R$ 7.706,36, o Contribuinte apresentou os comprovantes de fl. 58 em sede de impugnação e fl. 101 por ocasião do Recurso Voluntário, que consta discriminadamente o pagamento do valor de R$ 566,78 no período de janeiro a outubro/2007, R$ 639,89 no mês de novembro/2007 e R$ 1.398,67 no mês de dezembro/2007. Portanto, a soma dos valores para o Plano de Saúde é de R$ 7.706,36, e não como constou no Lançamento. Assim que, fica excluída a glosa de R$ 6.307,69 conforme demonstra o comprovante anexado aos autos que evidencia os pagamentos realizados pelo Contribuinte como beneficiário do Plano de Saúde. Por isso, deve ser restabelecida como dedução de despesa médica a quantia de R$ 7.706,36, conforme informado na DAA. No que se refere aos recibos fornecidos pela profissional Tatiana Macedo dos Santos, constatase serem documentos hábeis para comprovação até mesmo porque a decisão da DRJ aceita como prova alguns dos recibos da mesma profissional, a seu critério de compatibilidade de datas de recibos com saques bancários. Se alguns dos recibos preenchem Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13893.000122/201011 Acórdão n.º 2001001.209 S2C0T1 Fl. 117 11 aos requisitos legais quanto à formalidade e veracidade então todos estão aptos a serem recepcionados como bons. Ressaltese que o critério adotado de compatibilizar datas de recibos com saques bancários não tem lastro legal, além do que os valores podem ter outra origem como a existência de numerários em caixa e recebimentos em espécie de outras pessoas físicas ou jurídicas. Como se observa no recurso, o valor de R$ 1.000,00 é reconhecido como dedução indevida pelo próprio Recorrente, fl. 91 dos autos, conforme seus termos: Cabe desconsiderar o Recibo de R$ 1.000,00 pago em junho de 2007, por imprecisão no lançamento da data. Portanto, mantida a glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.000,00, em razão de comprovação incompatível e reconhecimento da impropriedade pelo Contribuinte. O Recorrente também concorda com a glosa no valor de R$ 150,00 porque se refere a despesa reembolsada pelo Plano de Saúde, indevidamente utilizada como dedutível na Declaração: Sobre a despesa de R$ 150,00, declarada como paga no Centro Mogiano de Endocrinologia, realmente ela deve ser desconsiderada, uma vez que fora reembolsada pelo plano de saúde (Sul América), o que por desatenção minha foi lançada como gasto em despesas médicas, haja vista, que de boa fé, o Recorrente anexou esse comprovante, quando da apresentação da Impugnação. Portanto, mantida a glosa de despesas médicas no valor de R$ 150,00, em razão de seu reembolso pelo Plano de Saúde. Finalmente, no que se refere à possibilidade de inclusão de despesas dedutíveis que não foram informadas pelo Contribuinte no momento próprio que foi a DAA original, somente o Agente Fiscal Autuador poderia de oficio examinar a questão de aceitação e, como não o fez por ocasião da Diligência havida e como não foi apresentada pelo Recorrente Declaração Retificadora tendente a corrigir erro ou omissão de procedimento por parte do Contribuinte, antes de qualquer ação fiscal, nada há que se fazer sobre esta particularidade em sede de Recurso Voluntário. Portanto, não considerada a demanda do Recorrente para aproveitamento de despesas médica como dedutível no valor de R$ 2.799,30 por não constar na DAA original. Destaquese que o critério mais benéfico ao contribuinte é aquele disposto em lei e a obrigação de os saques bancários coincidirem com a data da emissão do recibo não está respaldado na legislação. Além disso, a data da emissão do recibo não garante que o pagamento tenha ocorrido naquele exato momento. Por isso, o critério adotado é subjetivo e inconsistente pelos motivos expostos. Assim, considerando que o Contribuinte apresentou os recibos e documentos, prova exigida legalmente e ainda disponibilizou extratos bancários de forma a verificação de sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, fica constatada a providência de atendimento da exigência da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto na DAA no valor de R$ 16.456,36. Mantida, porém, a glosa de R$ 1.150,00. Fl. 122DF CARF MF 12 No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedutibilidade de parte das despesas médicas por exclusão da glosa no valor de R$ 16.456,36, mantendose, porém, somente a glosa no valor de R$ 1.150,00, pelas razões expostas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.902066/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1402-003.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.902062/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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ONUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.902062/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 20 66 /2 00 9- 51 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13830.902066/200951 Acórdão n.º 1402003.726 S1C4T2 Fl. 3 2 Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de COFINS (código de receita: 2172) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ:2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcornp (...), ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 11/12, acompanhada dos documentos de fls. 13/18 na qual alega, em síntese, que: a) na DIPJ anobase de 2003, a Recorrente apurou crédito fiscal suficiente a embasar os pedidos de compensação; b) os créditos originaram recolhimento a maior, já que as estimativas recolhidas com base em balancetes de suspensão e redução do imposto superaram o valor devido do exercício, no montante de (...), no ano calendário de 2003; c) a utilização do saldo recolhido a maior para compensação com outros tributos administrados pela RFB é legitima. Ao final, requer a homologação da declaração de compensação apresentada por embasarse em crédito legitimo. A DRJ, decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade por dois motivos, sendo o primeiro com base na impossibilidade de se compensar crédito originado de pagamento indevido ou a maior de estimativa no próprio mês e o segundo fundamento é pautado na falta de documentação para comprovar a liquidez e certeza do crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as mesmas alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou a alegação de que o direito a restituição deve seguir o entendimento que aplica cumulativamente o artigo 165 e o artigo 150, parágrafo quarto do CTN (ou seja a tese dos 5 + 5). É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13830.902066/200951 Acórdão n.º 1402003.726 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.720, de 24/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13830.902062/2009 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.720): Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, o que for decidido no presente litígio será aplicado aos demais processos vinculados. Segundo o r. Despacho Decisório proferido nos autos do processo em epigrafe, o crédito que a Recorrente pretende compensar não foi homologado nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Apesar de um dos fundamentos do v. acórdão para manutenção do indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação ter sido pautado na impossibilidade de se compensar o valor pago a maior da estimativa no próprio mês, contrariando a Súmula CARF 84, o principal motivo utilizado para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi a falta de provas para comprovar a liquidez e certeza do crédito. A Recorrente, inconformada com o v. acórdão, interpôs Recurso Voluntário rebatendo o primeiro fundamento do v. acórdão que não integra a motivação do r. Despacho Decisório e acostou o Livro Razão que demonstra apenas a escrituração das Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13830.902066/200951 Acórdão n.º 1402003.726 S1C4T2 Fl. 5 4 antecipações, para tentar comprovar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, apenas o Livro Razão não é suficiente para comprovar a existência e regularidade do crédito em discussão nos autos, conforme muito bem explicado na decisão "a quo", que demandou a demonstração da apuração da base de cálculo e do tributo devido. Desta forma, como o r. Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação por ter considerado que tal montante relativo a pagamento a maior da estimativa teria sido utilizado para extinguir outros débitos da própria Recorrente e como não foi apresentado nos autos documentos contábeis e fiscais para comprovar a certeza e liquidez do crédito, não resta alternativa senão manter o v. acórdão, deixando de reconhecer o crédito e não homologar a compensação requerida. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
