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Numero do processo: 10940.905579/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 79 /2 01 1- 01 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 545 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 546 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 31203.33965.270407.1.1.088458, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep não cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2007; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 024 2012, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 547 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.976, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 548 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 549 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 550 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 551 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 552 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 553 10 A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fl. 325) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados no processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 554 11 Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 555 12 Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901181/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ.
Deve ser indeferido o pedido de restituição de crédito que não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, pois estes são atributos imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1201-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ. Deve ser indeferido o pedido de restituição de crédito que não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, pois estes são atributos imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 11 81 /2 00 8- 09 Fl. 76DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 26/30, de n. 9266.04382.040304.1.3.048116, de 04/03/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos referente a DARF com as seguintes características: de CSLL 6012 (1° trimestre de 2003), recolhimento em 30/05/2003, no valor de R$ 13.169,76. O pedido foi deferido parcialmente, conforme Despacho Decisório 757727789 (efl. 04), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava parcialmente utilizado, bem como determinou a não homologação (em parte) da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0225.310 4ª Turma da DRJ/BHE, efls. 55/58). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Em 16/05/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, da qual se reproduz o trecho que se segue: De conformidade com a DIPJ/2004 —Ano Calendário/2003, foi apurado contribuição Social s/ Lucro no valor de R$ 13.784,45 (treze mil, setecentos e oitenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos) entregue em 17/06/2004, recibo de n 267.837 (xérox anexo) e DCTF do 1° trimestre de 2003 entregue em 11/11/2003 (xérox anexo). Por erro do funcionário que trabalhava naquela ocasião foram pagos DARFS com valores superiores aos devidos. • DARFS I. RENDA PAGOS 30/04/2003 R$ 13.169, 75 (xérox anexo) 30/05/2003 R$ 13.169, 75 (xérox anexo) 30/06/2003 R$ 13.169, 75 (xérox anexo) TOTAL R$ 40.032,11 VALOR CORRETO DA CONTRIB SOCIAL R$ 13.784, 45 VALOR PAGO R$ 40.032, 11 CRÉDITO A NOSSO FAVOR R$ 26.247,66 Utilizamos este crédito conforme PERD/COMP 1.2 entregue em 04/03/2004 de n. 192660438204030413048116 (xérox anexo) no valor de R$ 8.296,31 (o Darf utilizado foi correto, só que o valor de compensação é que foi errado). Foi lançado a importância de R$ 12.144,73. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.901181/200809 Acórdão n.º 1201002.844 S1C2T1 Fl. 77 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 01/06/2010 (efl. 64) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 30/06/2010 (efl. 65), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade, requer junção de processos conexos, requer a apreciação das provas juntadas nos autos e protesta pelo afastamento de eventual "prescrição intercorrente". Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Este processo está sendo apreciado em conjunto com o processo 10680.901177/200832, tendose em vista tratarem dos mesmos elementos de prova. Tratase de compensação declarada e não homologada totalmente porque o pagamento de CSLL 6012 (1° trimestre de 2003), recolhimento em 30/05/2003, no valor de R$ 13.169,76— foi utilizado para quitar débito, declarado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Conforme já resumido no acórdão recorrido, a recorrente indicou na DCTF retificadora relativa ao 1° trimestre de 2003, entregue em 11/11/2003, o valor de R$ 13.784,45 a título de débito apurado de CSLL, a ser pago em cotas. Entretanto, nessa mesma data, também retificou a DCTF relativa ao 2° trimestre de 2003, indicando, dessa vez, a título de débitos correspondentes às quotas da CSLL apurada, não o valor total de R$ 13.784,45, mas sim o valor total de R$ 39.509,26,. Verificase ainda que tais valores a título de quotas (no total de R$ 39.509,26) foram mantidos nas DCTF retificadoras entregues em 27/03/2008 e 02/09/2008. Novas DCTF retificadoras foram entregues em 30/01/2009 e 04/02/2009. Mas, nenhuma quota de CSLL foi informada. Observo que tais retificadoras foram entregues fora do prazo permitido para alterção dos valores de tributos declarados para o ano calendário 2003. Assim asseverou a decisão de primeira instância: Todavia, não devem ser admitidas as retificações pretendidas por meio destas duas últimas declarações, pois entregues quando já expirado o prazo para retificação da DCTF, que é de cinco anos, a contar — no caso de ter havido pagamento — da ocorrência do fato gerador. Ou seja, em 24/04/2008, data da prolatação do Despacho Decisório 757727789 (efl. 04), prevalecia como valor confessado, para efeitos fiscais (DCTF), o total de R$ 39.509,26 de CSLL para o 1° trimestre de 2003. Eventual retificação deste valor em DCTF, se não impedida pela decadência tributária, deveria estar acompanhada de documentos fiscais e contábeis conforme defendido a seguir. E tal comprovação não se deu nestes autos quando da apresentação do primeiro recurso (à DRJ). Cumpre lembrar, conforme já asseverado na Súmula CARF nº 92, que a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Fl. 78DF CARF MF 4 Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efl. 02) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Por fim cabe ressaltar o que já está sumulado (Súmula CARF nº 11), de que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mas tal instituto não se confunde com a vigente previsão legal do art. 16 do Decreto 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905426/2016-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.737
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 42 6/ 20 16 -1 2 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.905426/201612 Resolução nº 3401001.737 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10880.905426/201612 Resolução nº 3401001.737 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10880.905426/201612 Resolução nº 3401001.737 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.905426/201612 Resolução nº 3401001.737 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.905426/201612 Resolução nº 3401001.737 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901950/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 50 /2 01 5- 29 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.901950/201529 Acórdão n.º 3401005.655 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.115, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.901950/201529 Acórdão n.º 3401005.655 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901950/201529 Acórdão n.º 3401005.655 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901950/201529 Acórdão n.º 3401005.655 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901950/201529 Acórdão n.º 3401005.655 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915951/2008-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
63 - COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 63 - COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
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ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 63 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 51 /2 00 8- 36 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10880.915951/200836 Acórdão n.º 9303007.762 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.404, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente ao reconhecimento de direito creditório de 63 COFINS, negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.744, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10880.915951/200836 Acórdão n.º 9303007.762 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.744): "O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10880.915951/200836 Acórdão n.º 9303007.762 CSRFT3 Fl. 5 4 O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 488DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004687/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO JULGADO. CABIMENTO.
Os embargos de declaração têm por finalidade a eliminação de obscuridade, contradição e omissão existentes no julgado, e, ainda, por construção pretoriana, a correção do erro material, sendo certo que a atribuição de efeitos infringentes constitui medida excepcional apenas para atender à necessidade de solucionar tais defeitos. Verificada a omissão no julgado, acolhem-se os embargos para sanar a omissão constatada.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento se refere a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
Numero da decisão: 2401-006.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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OMISSÃO NO JULGADO. CABIMENTO. Os embargos de declaração têm por finalidade a eliminação de obscuridade, contradição e omissão existentes no julgado, e, ainda, por construção pretoriana, a correção do erro material, sendo certo que a atribuição de efeitos infringentes constitui medida excepcional apenas para atender à necessidade de solucionar tais defeitos. Verificada a omissão no julgado, acolhemse os embargos para sanar a omissão constatada. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento se refere a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 87 /2 01 0- 61 Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 19515.004687/201061 Acórdão n.º 2401006.055 S2C4T1 Fl. 1.350 2 (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão n° 2401003.735 (fls. 1329/1335), de 09/10/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, conforme a ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARTE DOS SEGURADOS. ALEGADA ISENÇÃO PELA CONDIÇÃO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA E BENEFICÊNCIA SOCIAL. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. LANÇAMENTO. MANUTENÇÃO. A isenção ao recolhimento das contribuições previdenciárias, benesse garantida à entidades que atendam ao disposto no art. 55 da Lei 8.212/91, não se aplica ao lançamento de contribuições parte dos segurados empregados e contribuintes individuais. (sic) A Ilma. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, admitiu os embargos, a fim de que a turma aprecie a omissão alegada, uma vez que a decisão embargada não se manifestou quanto à aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, mesmo indicando falta de antecipação de pagamento. Em seguida, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para apreciação e julgamento dos Embargos de Declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 19515.004687/201061 Acórdão n.º 2401006.055 S2C4T1 Fl. 1.351 3 1. Juízo de Admissibilidade. Considerando que a ciência presumida da PGFN ocorreu em 29/12/2017, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 79, § 2º, temse pela tempestividade dos embargos, segundo previsto no Anexo II, art. 65, § 1º, do mesmo Regimento Interno, tendo em vista que foram apresentados em 01/12/2017. Dessa forma, CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Mérito. Segundo a Embargante, a Turma Julgadora teria se omitido ao deixar de se manifestar sobre a aplicação do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), em relação a algumas competências para as quais, aparentemente, não houve antecipação de pagamento e, sequer, declaração em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Primeiramente, vejamos o que restou consignado no voto condutor da decisão de primeira instância, fls. 1.262 a 1.272: 4.11. No caso em questão, foram lançados valores referentes à contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais, não descontados pela empresa das remunerações pagas aos mesmos, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005. Referidas remunerações não constam nas Folhas de Pagamentos e não foram informadas nas GFIP apresentadas pela empresa. Foram contabilizadas na conta contábil nº 32111 Serviços Prestados por Terceiros e confirmadas por meio dos comprovante/recibos de prestação de serviços apresentados pela empresa, durante a ação fiscal. Obviamente, como os valores da referida contribuição não foram descontados das remunerações pagas e, tampouco, considerados como devidos pelo contribuinte, que não os declarou em GFIP, não tem cabimento alegar que houve recolhimento parcial correspondente aos mesmos, razão pela qual a contagem do quinquênio decadencial deve ser efetuada nos termos do artigo 173, I, do CTN. Conforme se observa, a decisão de primeiro grau apontou o não recolhimento das contribuições, bem como a sua não declaração em GFIP, e manteve a contagem do prazo decadencial com base no art. 173, inciso I, do CTN. No caso da decisão ora embargada, o voto condutor até trouxe um trecho do Relatório Fiscal, no qual é informado o não recolhimento das contribuições e a sua não declaração em GFIP, nos seguintes termos: No caso dos autos, sobre a existência de pagamentos, assim apontou o ilustre fiscal autuante: 9.3 — No presente levantamento não houve recolhimento das contribuições apuradas, no entanto o relatório de documentos apresentados (RDA) e relatório de apropriação de documentos apresentados (RADA) são anexados para comprovação dos pagamentos e parcelamentos da empresa e para demonstrar a forma como foram apropriados aos levantamentos feitos nesta Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 19515.004687/201061 Acórdão n.º 2401006.055 S2C4T1 Fl. 1.352 4 fiscalização. A ordem utilizada para apropriação dos pagamentos/parcelamentos foi a seguinte: primeiramente os valores informados em GFIP (descontos dos empregados e contribuintes individuais) e posteriormente aos valores não informados (parcela devida pela empresa). Todavia, apesar da aparente falta de antecipação de pagamento, a decisão embargada aplicou a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN, concluindo pela ocorrência da decadência até a competência 11/2005. Vejamos: Logo, vejo que no lançamento foram considerados recolhimentos efetuados pela contribuinte no levantamento relativo aos contribuintes individuais. Assim, considerando que o lançamento se reporta às competência de 01/2004 a 12/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/12/2010, encontramse fulminadas pela decadência as competências até 11/2005, com base no art. 150, §4º do CTN. (sic) (Grifo no original) Sendo assim, temse por demonstrada a omissão alegada nos embargos, uma vez que a decisão embargada não se manifestou quanto à aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, mesmo indicando falta de antecipação de pagamento. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos representativos de controvérsia (art. 543C, do CPC/73), fixou o entendimento no sentido de que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase: a) Do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas ele inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; b) A partir da ocorrência do fato gerador, nos casos em que ocorre o pagamento antecipado previsto em lei. Dessa forma, a regra contida no artigo 150, § 4°, do CTN, é regra especial, aplicável apenas nos casos em que se trata de lançamento por homologação, com antecipação de pagamento, de modo que, nos demais casos, estando ausente a antecipação de pagamento ou mesmo havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, a regra aplicável é a prevista no artigo 173, I, do CTN. No caso dos autos, o trabalho fiscal se reporta aos fatos geradores de Contribuições Previdenciárias, relativo ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2006, tendo o contribuinte sido intimado acerca do lançamento, por via postal, no dia 22/12/2010, conforme Aviso de Recebimento de fls. 691. Para aplicar o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ao caso em questão, que trata da exigência de Contribuições Previdenciárias, é de extrema relevância, a constatação da existência ou não de antecipação de pagamento, o que, influencia, decisivamente, na contagem do prazo decadencial, seja pelo artigo 150, § 4°, ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN. Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 19515.004687/201061 Acórdão n.º 2401006.055 S2C4T1 Fl. 1.353 5 Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 367/385), a autoridade fiscal afirmou que no presente levantamento não houve recolhimento das contribuições apuradas, no entanto, o relatório de documentos apresentados (RDA) e o relatório de apropriação de documentos apresentados (RADA), foram anexados para comprovação dos pagamentos e parcelamentos da empresa e para demonstrar a forma como foram apropriados aos levantamentos feitos nesta fiscalização. Segundo relata a autoridade fiscal, a ordem utilizada para apropriação dos pagamentos/parcelamentos foi a seguinte: primeiramente os valores informados em GFIP (descontos dos empregados e contribuintes individuais) e posteriormente aos valores não informados (parcela devida pela empresa). Compulsando os autos, notadamente o Relatório de Documentos Apresentados (fls. 249/329), verifico que constam GPS apresentadas para as seguintes competências: 01/2004; 02/2004; 03/2004; 04/2004; 05/2004; 06/2004; 07/2004; 08/2004; 09/2004; 10/2004; 11/2004; 12/2004; 13/2004; 01/2005; 02/2005; 03/2005; 04/2005; 05/2005; 06/2005; 07/2005; 08/2005; 09/2005; 10/2005; 11/2005; 12/2005; 13/2005; 01/2006; 02/2006; 03/2006; 04/2006; 05/2006; 06/2006; 07/2006; 08/2006; 09/2006; 10/2006; 11/2006; 12/2006; 13/2006. No Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 331/357), por sua vez, verifico que constam valores apropriados para as seguintes competências: 01/2005; 02/2005; 03/2005; 04/2005; 05/2005; 06/2005; 07/2005; 08/2005; 09/2005; 10/2005; 11/2005; 12/2005. A começar, todo o período de 2004 está decaído, seja pela aplicação do art. 173, I, ou do art. 150, § 4°, ambos do CTN. Ademais, constato que houve GPS apresentadas para todo o período de 2004, conforme consta no Relatório de Documentos Apresentados (fls. 249/329). Para o período de 2005, notadamente até a competência 11/2005, prazo máximo atingido pelo art. 150, § 4°, do CTN, eis que o contribuinte foi cientificado em 22/12/2010, cabe destacar que, além das GPS apresentadas, há também valores apropriados para as respectivas competências, conforme se extrai do Relatório de Documentos Apresentados (fls. 249/329) e do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 331/357). Cabe pontuar, ainda, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF n° 99). Ante o exposto, entendo que as três condições legais aclaradas pela jurisprudência do STJ para a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, na contagem do lustro decadencial, foram clara e plenamente atendidas no caso concreto: (i) O caso trata de Contribuições Previdenciárias, tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação (art. 150, § 4°, do CTN); (ii) O contribuinte recolheu o valor que entendia devido; (iii) A ocorrência de dolo, fraude ou simulação não foi sequer alegada pelo Fisco, não havendo nos autos qualquer prova ou indício de condutas dessa natureza. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 19515.004687/201061 Acórdão n.º 2401006.055 S2C4T1 Fl. 1.354 6 Cabe esclarecer que, quando o Relatório Fiscal (fls. 367/385) afirma, categoricamente, que não houve recolhimento das contribuições apuradas, a afirmação diz respeito apenas às contribuições apuradas no vertente lançamento e não a toda e qualquer contribuição previdenciária a que está sujeita o contribuinte. Nesse sentido, não há reparos a serem feitos na decisão embargada, eis que, devese aplicar o art. 150, § 4º do CTN, quando verificado que o lançamento se refere a descumprimento de obrigação tributária principal, e que houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado, além de não ter ocorrido fraude, dolo ou simulação. Ante o exposto, cabe acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para, sanar a omissão apontada, conforme os fundamentos aqui exarados, e que passam a integrar a fundamentação exposta anteriormente, que concluiu por declarar extinto o lançamento até a competência 11/2005. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para, sanar a omissão apontada, ratificando a decisão proferida no acórdão embargado que declarou extinto o lançamento até a competência 11/2005. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 1354DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.720084/2013-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Recurso voluntário interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, aduzindo ser tempestivo deverá ser conhecido apenas parcialmente, para análise da preliminar suscitada.
Rejeitada a preliminar, porquanto ausente prova da ocorrência de supostos fatos impeditivos para a sua interposição no prazo legal estipulado, há se manter irretocável a decisão recorrida.
Numero da decisão: 2003-000.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para fins de analisar a preliminar de tempestividade, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Recurso voluntário interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão recorrida, aduzindo ser tempestivo deverá ser conhecido apenas parcialmente, para análise da preliminar suscitada. Rejeitada a preliminar, porquanto ausente prova da ocorrência de supostos fatos impeditivos para a sua interposição no prazo legal estipulado, há se manter irretocável a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para fins de analisar a preliminar de tempestividade, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 84 /2 01 3- 93 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 6.611,18, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2010, anobase de 2009, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de dedução indevida com pensão alimentícia no valor de R$ 11.939,75, por falta de apresentação da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (fls. 17/22). Impugnação Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando que juntou os documentos solicitados, mas carecia de 30 (trinta) dias de prorrogação do prazo para desarquivamento do processo junto à Vara de Família da cidade de Niterói/RJ (fls. 02/06). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob o fundamento de que o Acordo apresentado não se prestava para provar a dedutibilidade pretendida, porque não estava homologado judicialmente (fls. 37/39). Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 50/69): 1. que, tempestivamente, juntou os documentos solicitados e protocolou pedido de prorrogação de prazo, tempo necessário para o desarquivamento de processo junto à Vara de Família da cidade de Niterói/RJ, o que foi deferido; 2. que, desarquivado o processo judicial, juntou toda documentação requerida e a apresentou na RFB em 28/03/2013, mas a autuação foi mantida sob o fundamento de que o acordo não estava homologado judicialmente; 3. Por fim, alega que o Recurso é tempestivo e, no mérito, pede seu provimento integral, tornando o lançamento improcedente. Pertinente registrar que, embora reportada contestação se apresente com o título de "impugnação" no eprocesso, tratase, realmente, de Peça recursal, dirigida a este Conselho CARF, restando razoável a efetivação da respectiva correção. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10735.720084/201393 Acórdão n.º 2003000.008 S2C0T3 Fl. 74 3 Admissibilidade O presente Recurso Voluntário foi interposto após o prazo legal de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, mas aduz ser tempestivo, razão por que deverá ser conhecido apenas parcialmente, para análise da preliminar suscitada. Preliminar de tempestividade Como se pode notar, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. De igual relevância, cumpre aferir a data de ocorrência de ciência do Acórdão recorrido, momento em que se considerou intimado o Contribuinte, com fins à abertura da contagem de prazo para a interposição do Recurso em análise. Assim considerado, o citado Decreto determina que a ciência da intimação feita por via postal se dará no dia do seu recebimento (art. 23). Ademais, na reportada contagem, os prazos são contínuos, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento (art. 5.º, caput), bem como só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na Repartição Fiscal (art. 5.º, parágrafo único). Confirase: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (grifo nosso) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. [...] Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 75DF CARF MF 4 Superado o formato legal atinente ao lapso temporal estabelecido para a interposição do Recurso Voluntário aí se incluindo o momento de ocorrência da ciência, assim como o prazo em si e sua forma de contagem passo a enfrentar o caso em debate. Consta, nos autos, que o Contribuinte foi intimado da decisão recorrida (Intimação de Resultado de Julgamento nº 0487/2014 fls. 47), por via postal, com recebimento datado de 18/08/2014, segundafeira (Aviso de Recebimento fls. 48). Logo, o início da contagem do prazo ora questionado se deu no dia 19/08/2014, terçafeira, restando seu termo no dia 17/09/2014, quartafeira. Contudo, mencionado Recurso somente foi interposto no dia 18/08/2014, revelandose notoriamente extemporâneo. Por oportuno, convém ressaltar que a peça Recursal nada justificou quanto a sua alegação de tempestividade, inclusive, se fosse o caso, trazendo provas que afastassem a preclusão temporal revelada pela prática de ato processual fora do prazo legalmente previsto (feriado local, greve, etc.). Portanto, restou afastada a capacidade processual, porque declinada dentro do prazo peremptório estabelecido em lei (preclusão temporal). Assinale, ainda, que os feriados da cidade de Nilópolis/RS não interferiram na fluência do interregno para a interposição do supracitado Recurso informação disponível no sítio eletrônico "http://www.feriados.com.br/2015". Confirase Feriados NILÓPOLIS 2014 19/06/2014 Corpus Christi 21/08/2014 Feriado Municipal 07/09/2014 Independência do Brasil 12/10/2014 Nossa Senhora Aparecida Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo Sujeito Passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confirase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Arrematando o que está posto, conforme se ver na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciandose o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10735.720084/201393 Acórdão n.º 2003000.008 S2C0T3 Fl. 75 5 [...] § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Como visto, o Contribuinte declinou do direito de interpor sua pretensão em prazo hábil, razão por que a decisão recorrida alcançou todos os requisitos de definitividade na esfera administrativa. Pensar diferente implicaria afastar a aplicação de prescrição legal vigente a caso específico, ainda que atendidos os pressupostos de fato e de direito que lhes são próprios, competência que não dispõe a autoridade judicante administrativa. Nessa compreensão, conforme o art. 2º, § único, incisos I e VII, c/c com o art. 50, inciso V, da Lei nº 9.784/1999 de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal os atos que resultem decisão de recursos administrativos carecem, além da conformidade com a lei e o Direito, de motivação explicitando seus pressupostos de fato e de Direito. Confirmase: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (grifos nosso) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] V decidam recursos administrativos; Por fim, vale arrematar que os ditames do citado art. 42 tratam dos limites estabelecidos para a prática dos atos processuais, caracterizandose a preclusão com a perda do direito de exercício da pretensão em si, por ter se esgotado o prazo legal a isso definido. Por conseguinte, o eixo mandamental consignado em aludido artigo não contempla o afastamento da preclusão temporal de decisão definitiva de primeira instância, restabelecendo o contencioso, em virtude da interposição extemporânea de recurso. Fl. 77DF CARF MF 6 Conclusão Diante das razões de fato e de Direito ora expendidas, rejeito a preliminar fomentada, porquanto afastada a tempestividade ali requestada, já que ausente prova da ocorrência de supostos fatos impeditivos para a interposição do presente Apelo no prazo legal estipulado. Por conseguinte, mantémse irretocável a decisão recorrida. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.909590/2016-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. PALETES. ESTRADOS. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, estrados e semelhantes encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esses insumos, quais sejam: i) a importância para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito.
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga e resíduos, passíveis de serem enquadrados como custos de produção.
PIS/COFINS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA.
A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa.
PIS/COFINS. FRETE. LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO CARGA.
Os serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo da agroindústria geram direito ao crédito.
PIS/COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA- PRIMA. POSSIBILIDADE.
Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria-prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda.
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA.
Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.
Numero da decisão: 3201-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos sobre (da tabela final do voto condutor do acórdão).
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos sobre (da tabela final do voto condutor do acórdão). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. PALETES. ESTRADOS. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, estrados e semelhantes encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esses insumos, quais sejam: i) a importância para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga e resíduos, passíveis de serem enquadrados como custos de produção. PIS/COFINS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. PIS/COFINS. FRETE. LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO CARGA. Os serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo da agroindústria geram direito ao crédito. PIS/COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA- PRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria-prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. PALETES. ESTRADOS. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, estrados e semelhantes encontrandose preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esses insumos, quais sejam: i) a importância para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 95 90 /2 01 6- 83 Fl. 9420DF CARF MF 2 preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga e resíduos, passíveis de serem enquadrados como custos de produção. PIS/COFINS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. PIS/COFINS. FRETE. LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO CARGA. Os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo da agroindústria geram direito ao crédito. PIS/COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA PRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matériaprima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as Fl. 9421DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.421 3 receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer os créditos sobre (da tabela final do voto condutor do acórdão). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 8806/9004, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1475.693 14ª Turma da DRJ/RPO, efls. 8749/8799, que julgou parcialmente procedente (combustíveis e lubrificantes) a manifestação de inconformidade. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado por meio do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 00271.20906.300414.1.1.088359, relativo a crédito de PIS Não Cumulativo vinculado à receita de Exportação, apurado no 1º trimestre de 2013 no montante de R$ 4.086.160,53, bem como não homologou as compensações que a ele foram vinculadas. Tendo em vista o pleito formalizado pela interessada, foi iniciado procedimento fiscal com o objetivo de analisar a legitimidade do crédito objeto do PER. No curso dos trabalhos, constatou a auditoria que a contribuinte descontou créditos não cumulativos em valores superiores aos legítimos acarretando, assim, a inexistência de valores a ressarcir além da insuficiência de recolhimento da contribuição, o que motivou a lavratura de auto de infração controlado no Fl. 9422DF CARF MF 4 processo administrativo nº 10580.726032/201765, também examinado nessa sessão de julgamento. As constatações resultantes do procedimento de auditoria estão descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 7.827/7857. No documento, a autuada é identificada como fabricante de celulose e outras pastas para a fabricação de papel que está submetida à apuração do imposto de renda pelo lucro real e à sistemática não cumulativa de incidência do PIS e da Cofins. Informa a auditoria que os mencionados pedidos de ressarcimento cuja necessidade de análise iniciou a ação fiscal têm por objeto saldos credores vinculados à receita de exportação, referentes aos primeiro e segundo trimestres de 2013. A hipótese de utilização desses créditos, por meio de pedido de ressarcimento, estaria prevista nos artigos 3º e 5º, §2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS), e artigos 3º e 6º, §2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (Cofins). O Termo de Verificação passa então a detalhar o resultado da auditoria executada nas diversas rubricas relacionadas à apuração das contribuições não cumulativas. As irregularidades podem ser assim resumidas: diferença no percentual de rateio para fins de repartição dos custos e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno; apropriação de créditos não cumulativos sobre serviços e bens que não se classificam no conceito de insumo formatado pela legislação tributária; apropriação de créditos não cumulativos sobre bens e serviços destinados à formação e manutenção de recursos florestais, por falta de previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão; apropriação de créditos sobre insumos utilizados na fabricação própria do Dióxido de Cloro, utilizado na fase de branqueamento da celulose (insumo do insumo); apropriação de créditos calculados sobre fretes tendo em vista a falta de apresentação de documentação indicativa da modalidade de frete contratada (aquisição de insumos, transferência interna ou operação de venda); apropriação de créditos sobre combustíveis tendo em vista a falta de apresentação de documentação indicativa da alocação dos dispêndios com combustíveis na cadeia produtiva; apropriação de créditos sobre despesas com transporte de pessoal, lanches e refeições, itens que não se enquadram no conceito de insumo; apropriação de créditos sobre locação de veículos, porque não se vinculam diretamente a processos de produção, seja porque veículos automotores utilizados em transporte de pessoas, nas Fl. 9423DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.422 5 atividades administrativas da empresa e na venda de bens não se confundem com máquinas ou com equipamentos; apropriação de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição; inclusão, no pedido de ressarcimento, de créditos de PIS/CofinsImportação vinculados a receitas de exportação, uma vez que o aproveitamento desses créditos se dá exclusivamente por meio de desconto da contribuição apurada. Finalizando, o relatório destaca alguns pontos do resultado da auditoria: • Os valores consolidados dos pagamentos efetuados relativos a Pis/CofinsImportação referentes ao mês de fevereiro de 2012, extraídos do DW Arrecadação (Anexo VII), foram inferiores àqueles apurados no DACON relativo às importações (fichas 06B e 16B). Nos termos do art. 15 da Lei n° 10.865, de 2004, já transcrito acima, as pessoas jurídicas sujeitas à apuração nãocumulativa do Pis e da Cofins passaram a descontar crédito, relativo às importações de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda sujeitas ao pagamento do Pis e da CofinsImportação, a partir do momento em que esta for efetivamente paga. Desta forma, os valores de pagamentos não confirmados foram glosados por essa auditoria; Os valores de Pis/Cofins arrecadados na importação, confirmados conforme transcrito no item anterior, foram apropriados através do rateio proporcional demonstrado no anexo IV; • Após efetuadas as glosas e ajustes nos valores de créditos descontados no DACON (Fichas 13A e 23A), constatouse que os Pedidos de Ressarcimento analisados por essa auditora, devem ser integralmente indeferidos, restando ainda valores de PIS e COFINS a descoberto, que serão lançados mediante lavratura de Auto de Infração, conforme demonstrado no Anexo V Demonstrativo de Saldo de Crédito passível de desconto. Diante desse contexto, a unidade local emitiu o mencionado Despacho Decisório de fls. 7.824, não reconhecendo o direito de crédito e não homologando as compensações que lhe foram atadas. Cientificada do teor do despacho em 15/09/2017, em 16/10/2017 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 06/132 em que contesta o decidido no despacho em foco. Refere que o direito creditório discutido é o mesmo dos autos do Processo Administrativo nº 10580.726032/201765. Citado processo recebeu o auto de infração de exigência de crédito tributário decorrente das constatações a que chegou a auditoria ao fim do procedimento aberto para verificar a legitimidade do presente PER. O crédito lançado no referido auto de infração, Fl. 9424DF CARF MF 6 prossegue, estaria com sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, pela apresentação de impugnação. Nesse contexto, requer a suspensão do julgamento do presente processo administrativo até o julgamento definitivo da discussão travada nos autos do citado Processo Administrativo nº 10580.726032/201765. Na seqüência, a manifestação de inconformidade, invocando o princípio da eventualidade, reproduz integralmente a impugnação apresentada nos autos do processo administrativo nº 10580.726032/201765. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente (combustíveis e lubrificantes) a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 1475.693 14ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica que efetivamente sejam aplicados ou diretamente consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. GLOSA. MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Combustíveis e lubrificantes podem gerar créditos da não cumulatividade se empregados como insumos da produção ou dos serviços prestados. Cancelase a glosa que a fiscalização operou sobre todos os créditos calculados sobre combustíveis e lubrificantes indicados como insumo sob o único fundamento de falta de apresentação de laudo técnico específico do emprego desses itens no processo produtivo, quando o memorial descritivo do processo fabril entregue à auditoria no curso da fiscalização já indicava em que etapas os combustíveis e lubrificantes são utilizados. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Correta a glosa quando a contribuinte não faz a comprovação da modalidade dos fretes sobre os quais pretendeu apurar créditos. Fl. 9425DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.423 7 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÕES VINCULADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Constatada a inexistência de saldo de créditos não cumulativos passível de aproveitamento por ressarcimento/compensação adicionada à constatação de indevido aproveitamento de créditos resultando em falta de pagamento de contribuição devida, objeto de auto de infração, correto o despacho decisório que não reconhece o direito de crédito e não homologa as compensações vinculadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: II – DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DA ANÁLISE E JULGAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO E OS A ELE VINCULADOS ATÉ O JULGAMENTO DEFINITIVO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10580.726032/201765 18. Como já salientado anteriormente, o pedido de ressarcimento e as compensações apresentadas pela Manifestante por meio das PER/DCOMPs indicados no documento “PER/DCOMP Despacho Decisório PER/DCOMP Vinculados ao Processo”, que é parte integrante do despacho decisório ora combatido, estão intrinsicamente vinculados à discussão travada nos autos do Processo Administrativo nº 10580.726032/201765. III – DA DISCUSSÃO TRAVADA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10580.726032/201765 – DO DIREITO CREDITÓRIO DA MANIFESTANTE A TÍTULO DE PIS APURADO NO 1º TRIMESTRE DE 2013 26. Em atendimento ao princípio da eventualidade, de modo que a Recorrente não corra qualquer risco de prejuízo ao seu direito Fl. 9426DF CARF MF 8 à ampla defesa e ao contraditório, a Recorrente reproduz a seguir os argumentos invocados em face do Auto de Infração consubstanciado no Processo Administrativo nº 10580.726032/201765, no qual se discute o seu direito creditório ao PIS e à COFINS nãocumulativa apurados no 1º e 2º trimestre de 2013, que foram utilizados para as compensações sob questionamento. III.1 – DA NÃO APLICAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO ADOTADO PELOS TRIBUNAIS PÁTRIOS A recorrente alega que a Fiscalização não tomou como base o conceito de insumos fixado de forma unânime pelos Tribunais Superiores III.2 – DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DO PROCESSO PRODUTIVO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE PARA A GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS A recorrente argumenta que a fiscalização deveria ter obedecido aos parâmetros e limites do art. 142 do CTN para a atividade de lançamento. Discorre sobre o princípio da verdade material. III.3 – DAS INCONSISTÊNCIAS DO TRABALHO FISCAL A recorrente discorre sobre supostas inconsistências do trabalho fiscal. IV – DO MÉRITO IV.1 DO CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO DE PIS E COFINS No mérito a recorrente contesta o trabalho da fiscalização que glosou diversos créditos de PIS e COFINS e defende seu direito. Argumenta que a fiscalização utilizou o conceito equivocado de insumo constante nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Cita legislação e jurisprudência do STJ que trata da interpretação do conceito de insumo. Sustenta que “o conceito de insumo abrange todo bem e serviço que represente custo de produção, aquisição ou despesas de venda e/ou que, sem sua presença, interfira na qualidade do produto final.” IV.2 BREVE RESUMO DO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Em continuação, a recorrente faz um resumo do seu processo produtivo citando, dentre outros, os seguintes processos: a) produção de mudas; b) silvicultura; c) fabricação da celulose; e d) venda de dos produtos. IV.3 – DAS INDEVIDAS GLOSAS DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS APROPRIADOS PELA RECORRENTE A recorrente defende quanto a total improcedência das glosas dos créditos de PIS e COFINS apropriados, em vista do conceito de insumos e da legislação aplicável. IV.3.1 DOS BENS E SERVIÇOS TIDOS COMO AUXILIARES Fl. 9427DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.424 9 A recorrente discorre sobre diversos bens e serviços que seriam essenciais a sua atividade. Cita como exemplo o almoxarifado. IV.3.2 BENS DE USO E CONSUMO (CFOPS 1556 E 2566) A recorrente argumenta que os bens de uso e consumo, classificados no CFOPs 1556 e 2566, são considerados insumos, no contexto da legislação vigente. IV.3.3 – SERVIÇOS TIDOS COMO NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE INSUMOS Ao contrário da fiscalização, a recorrente entende que peças de reposição de automóveis, lavagens de automóveis, serviços de tratamento de resíduos, serviços de construção civil, manutenção de elevadores, ar condicionados, serviços de despachante e serviços de vigilância, entre outros deveriam ser considerados dentro do conceito de insumos. IV.3.4 – SERVIÇOS COM DESCRIÇÃO NÃO IDENTIFICÁVEL A recorrente argumenta que mesmo os serviços prestados por empresas (participantes) com CNAE não relacionados com o processo produtivo do contribuinte, como construção civil, informática, locação/reparo de automóveis, movimentação de cargas devem ser considerados dentro do conceito de insumo. IV.3.5 – GASTOS COM COMISSÃO DE AGENTES A recorrente defende que os gastos incorridos com a comissão de agentes na venda de produtos, ocorridos em momento posterior à fabricação dos produtos, são indispensáveis para a consecução de suas atividades, e estão em sintonia com o conceito de insumos. IV.3.6 – DESPESAS UTILIZADAS PARA TRANSPORTE DE MERCADORIAS A recorrente entende que as despesas relacionadas ao transporte de mercadorias, dentre os quais os gastos com embalagens, pallets, caixas de papelão e outros seriam essenciais e, portanto, dentro do conceito de insumos. IV.3.7 – DESPESAS COM CONSULTORIA E PLANEJAMENTO A recorrente alega que as despesas com consultoria e planejamento, mesmo que executadas anteriormente a fabricação de celulose, seriam insumos e ensejariam os créditos de PIS/COFINS. IV.3.8 – GASTOS COM LIMPEZA, EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA E EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO (EPI´S) A recorrente defende que os gastos incorridos com limpeza, equipamentos de segurança e de proteção, por enquadraremse dentro do conceito de insumo, dariam direito ao crédito de PIS/COFINS. IV.3.9 – DOS INSUMOS VINCULADOS À SILVICULTURA Fl. 9428DF CARF MF 10 A recorrente argumenta que os gastos com insumos empregados na primeira etapa do seu processo produtivo, ou seja, na formação das florestas de eucalipto (silvicultura), dariam direito ao crédito de PIS/COFINS. IV.3.10 – DOS INSUMOS PARA FABRICAÇÃO DO DIÓXIDO DE CLORO A recorrente defende que os insumos adquiridos para a fabricação do dióxido de cloro também dariam direito aos créditos de PIS/COFINS. IV.3.11 – DOS FRETES A recorrente sustenta que os fretes nas modalidades de: a) aquisição de insumos e pago pelo adquirente na compra de mercadorias destinadas à revenda; b) venda de mercadorias produzidas; e c) fretes de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo; todos dariam direito aos créditos de PIS/COFINS. IV. 3.12 – DOS COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMOS A glosa já foi revertida na decisão de primeira instância. A argumentação da recorrente é apenas para evitar qualquer reversão. IV.3.13 – ALIMENTAÇÃO, TRANSPORTE E FARDAMENTO A recorrente defende que, considerando o conceito de insumo aplicado pelos Tribunais Pátrios, é evidente que os gastos incorridos com transporte de pessoa, alimentação e fardamento seriam insumos. IV.3.14 – LOCAÇÃO E ARRENDAMENTO DE BENS A recorrente entende que mesmo nos casos de locação e arrendamento de bens para a execução do seu processo produtivo teria direito aos créditos de PIS/COFINS. IV.3.15 – DOS BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES A recorrente defende que a aquisição de insumos sujeitos a alíquota zero dariam direito aos créditos de PIS/COFINS. IV.3.16 – DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE A IMPORTAÇÃO VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO A recorrente entende ter direito ao desconto dos créditos de PIS/COFINS Importação da apuração das bases de cálculos das Contribuições de PIS e COFINS apuradas nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. IV.4 – DA INDEVIDA REVISÃO DO RATEIO PROPORCIONAL A recorrente alega que a fiscalização entendeu de forma indevida que estariam incorretos os índices de rateio da receita bruta para fins de determinação do crédito objeto de pedido de ressarcimento de PIS/COFINS para posterior compensação com outros tributos federais. A recorrente utilizou no cálculo apenas receitas que compõem a receita bruta, enquanto a fiscalização considerou outras receitas, que não compõem a receita bruta. Fl. 9429DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.425 11 V DA NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA EFETIVA ANÁLISE DOS INSUMOS CORRELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE A recorrente sustenta quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de que se busque no caso resguardar o princípio da verdade material. VI – DO PEDIDO A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 32. Ante todo o exposto, requer a Recorrente que seja determinada a suspensão da análise e julgamento do presente processo até o julgamento definitivo do Auto de Infração consubstanciados no Processo Administrativo nº 10580.726032/201765 uma vez que ambos os processos tratam do mesmo crédito de PIS, apurado pela Manifestante no 1º trimestre de 2013, utilizado para as compensações ora questionadas. 33. Outrossim, caso assim não entendam V.Sas., requer a Recorrente o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, objetivando a reforma parcial da decisão em comento, de forma que seja reconhecido integralmente o seu direito creditório pleiteado por meio do PER/DCOMP 00271.20906.300414.1.1.088359 e, consequentemente, sejam integralmente homologadas as compensações vinculadas a este crédito, objeto deste processo administrativo, relacionadas no documento “PER/DCOMP Despacho Decisório – PER/DCOMP Vinculados ao Processo” anexo ao despacho decisório em questão. 34. Ainda, a Recorrente requer, de forma antecipada, que lhe seja concedido o direito de sustentação oral, nos termos do art. 58 do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. I. Preliminares Conexão dos Processos Fl. 9430DF CARF MF 12 Conforme solicitação da recorrente houve o reconhecimento da identidade fática dos processos e foi feita a conexão aplicandose o disposto no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), que assim dispõe: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. (...) Assim, considerando o disposto no RICARF e que os processos tratam de exigência de crédito tributário ou de pedido de ressarcimento do sujeito passivo, fundamentados em fatos idênticos, os processos foram distribuídos para a mesma relatoria com julgamento na mesma data. Da Nulidade A recorrente pugna pela nulidade do lançamento tendo em vista a inconsistência do trabalho fiscal. No entanto, a alegação de nulidade é desprovida de fundamento tendo em vista que não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Decreto n.º 70.235/1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, cito jurisprudência que trata dos pressuposto da nulidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as Fl. 9431DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.426 13 acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 1402001.756 – 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento – Sessão de 29 de julho de 2014) Tendo em vista a falta de fundamento do pedido, negase provimento a alegação de nulidade. II. Mérito No mérito, em apertada síntese, a recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo; c) realizou um levantamento fiscal precário; e d) revisou o método de rateio proporcional em desconformidade com a legislação. De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Para fins didáticos passaremos a análise das exclusões/glosas seguindo a mesma estrutura utilizada pela fiscalização. Análise das Exclusões/Glosas 1) bens e serviços tidos como auxiliares (exemplo: almoxarifado, hospedagem, despesas com viagens, conserto de ferramentas elétricas) Serviços complementares: serviços de almoxarifado, custos com programas de formação profissional, conserto de ferramentas elétricas, despesas com agências de viagem, hospedagem de empregados, mensalidade de órgãos de classe, propaganda e publicidade dos produtos e serviços e despesas. 1.1) Serviços de almoxarifado: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. Fl. 9432DF CARF MF 14 1.2) Custos com programas de formação profissional: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 1.3) Conserto de ferramentas elétricas: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 1.4) Despesas com agências de viagem: faltam elementos para provar que os serviços foram prestados como insumos de produção/fabricação da agroindústria. No presente caso, restam dúvidas quanto ao momento das despesas. Também restam dúvidas quanto a essencialidade das despesas. Manter a glosa. 1.5) Hospedagem de empregados: faltam elementos para provar que os serviços foram prestados como insumos de produção/fabricação da agroindústria. No presente caso, restam dúvidas quanto ao momento das despesas. Também restam dúvidas quanto a essencialidade das despesas. Manter a glosa. 1.6) Mensalidade de órgãos de classe: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Manter a glosa. 1.7) Propaganda e publicidade dos produtos e serviços e despesas: os serviços com propaganda e publicidade não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 2) bens de uso e consumo (CFOPs 1556 e 2566) Bens adquiridos para uso e consumo: bens adquiridos pela Impugnante e classificados nos Códigos Fiscais de Operações e Prestação – CFOPs 1556 e 2566. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime nãocumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Os bens de uso e consumo listados nos autos me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Nesse sentido, cito como exemplo dos autos: ponta de eixo, engate, pino fusível, suporte enxada e pneu. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Voto por reverter a glosa dos bens de uso e consumo (apenas das fases produtiva e industrial ferramentas.) 3) serviços tidos como não enquadrados no conceito de insumos (serviço de tratamento de resíduos dentre outros) Bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo: peças de reposição de automóveis, lavagens de automóveis, serviços de tratamento de resíduos, serviços de construção civil, manutenção de elevadores, ar condicionados ou outros equipamentos, serviços de despachante e serviços de vigilância. Fl. 9433DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.427 15 3.1) peças de reposição de automóveis: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 3.2) lavagens de automóveis: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (apenas os veículos integrados no processo produtivo, excluídos os veículos da área administrativa). 3.3) serviços de tratamento de resíduos: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 3.4) serviços de construção civil: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 3.5) manutenção de elevadores: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação). 3.6) ar condicionados ou outros equipamentos: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação). 3.7) serviços de despachante: os serviços não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 3.8) serviços de vigilância: os serviços não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 4) serviços com descrição não identificável (construção civil, informática, locação/reparo de automóveis e movimentação de cargas dentre outros) Serviços com descrição não identificável: serviços prestados por empresas (participantes) com CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) não relacionados com o processo produtivo do contribuinte, como construção civil, informática, locação/reparo de automóveis, montagem e desmontagem de andaimes, limpeza de prédios, movimentação de cargas. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime nãocumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Devese considerar a natureza do serviço e não o CNAE do prestador, de modo que o serviço vinculado ao processo produtivo e industrial gera direito ao crédito, nos termos da análise aqui efetuada. Os serviços listados nos autos nessa categoria que parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria são os de montagem e desmontagem de andaimes e Fl. 9434DF CARF MF 16 movimentação de cargas. Assim, entendo que tais serviços atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa para montagem e desmontagem de andaimes e movimentação de cargas. 5) gastos com comissão de agentes na venda de produtos Comissão de agentes: gastos com comissão de agentes de venda e produtos Da mesma forma que a propaganda e publicidade, entendo que os gastos com comissão de agentes na venda de produtos não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 6) despesas utilizadas para transporte de mercadorias (embalagens, pallets e outros); Embalagens para transporte: despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias. Sob essa categoria foram glosados valores referentes a aquisições de embalagens, pallets e outros, cuja utilização destes, é servir de acessório para o transporte de produtos, na acomodação ou manuseio da carga. Neste caso, os requisitos para a tomada do crédito do PIS/COFINS são atendidos tendo em vista: i) a importância dos mesmos para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar os produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; e ii) o consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte. As despesas listadas nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa das despesas utilizadas para transporte de mercadorias. 7) despesas com consultoria e planejamento Serviços de Consultoria: despesas com consultoria e planejamento Da mesma forma que as despesas com propaganda e publicidade, entendo que os serviços de consultoria e planejamento que podem ser ocorrer de previamente ou posteriormente a produção/fabricação, não são essenciais. Manter a glosa. 8) gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamento de proteção (EPI´s); Serviços de limpeza e equipamentos de segurança e de proteção individuais (EPI`s) A glosa dessa trata de itens que possuem relação com equipamentos de E.P.I, envolvendo a segurança individual dos funcionários envolvidos na produção. A utilização de E.P.I. é indispensável, sendo uma imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da Fl. 9435DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.428 17 empresa. Tratase de insumos de fácil identificação de essencialidade ou relevância para a produção. Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa dos gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamentos de proteção individual (EPIs). 9) dos insumos vinculados à silvicultura (agroindústria florestas como ativos biológicos) Insumos empregados na silvicultura: calcário, fertilizantes, formicidas, fungicidas, herbicidas, adubos, além dos respectivos custos de fretes destes bens, assim como os serviços silviculturais, como de adubação, controle de formiga, irrigação, limpeza inicial do terreno, plantio, vigia florestal, de terraplanagem e manutenção de estradas, todos relacionados com a formação e manutenção de plantas florestais As glosas dessa categoria referemse a insumos vinculados à silvicultura. Ou seja, tratase de insumos diretamente relacionadas com o cultivo de mudas de eucalipto, cujo destino dessa madeira é servir de insumo (matéria prima) para a produção de papel e celulose, que é o objeto principal da recorrente. Por cultivo de eucalipto, entendase como todo o processo produtivo da mesma, desde o plantio até o corte. O CARF tem jurisprudência onde entende que tais dispêndios integram o processo produtivo de uma agroindústria. Assim, no caso da agroindústria, admitese o creditamento não só dos bens e serviços qualificados como insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede. Ver acórdãos: CARF Acórdão nº 3402002.811; CARF Acórdão nº 3302.003.155; CARF Acórdão nº 3301002.270; CSRF Acórdão nº 9303002.630; CSRF Acórdão nº 9303002.630; CSRF Acórdão nº 9303003.069; CARF Acórdão nº 3301 002.270; CARF Acórdão nº 3402002.811; CARF Acórdão nº 3403002.8244; CARF Acórdão nº 3302003.155; CARF Acórdão nº 3402.003.076; CARF Acórdão nº 3402.003.041; CARF Acórdão nº 3403.002.319; e CARF Acórdão nº 3403.002.318. Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa dos insumos vinculados à silvicultura. 10) dos insumos para fabricação do dióxido de cloro (produzido pela própria empresa a partir de insumos de terceiros) Insumos para fabricação do dióxido de cloro: insumos para fabricação de dióxido de cloro (Peroxido de Hidrogênio (H2O2), Clorato de Sódio (NaClO3) e o Ácido Sulfúrico (H2SO4)) Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. Fl. 9436DF CARF MF 18 11) fretes (diversos tipos – transferência de insumos, madeira, produto acabado, transporte coletivo, transporte produtos para clientes e outros) Fretes: fretes contratados para aquisição de insumos, para a venda de mercadorias e transferências de insumos e produtos acabados entre os estabelecimentos da Impugnante A glosa referese a prestações de serviços de diversos tipos como transferência de insumos, madeira, produto acabado, transporte coletivo, transporte produtos para clientes e outros. O CARF tem jurisprudência onde entende que as atividades de logística e movimentação interna integram o processo produtivo de uma agroindústria. Ver acórdãos: CARF Acórdão nº 3403001.597; CARF Acórdão nº 3302003.097; e CARF Acórdão nº 3402002.881. Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa dos fretes (com exceção do transporte de pessoal). 12) combustíveis utilizados como insumos (reversão da glosa na DRJ); Combustíveis: GLP utilizado em empilhadeiras, GLP a granel, óleo diesel, álcool, gasolina, óleo lubrificante, óleo biodiesel marítimo e óleo biodiesel A glosa já havia sido revertida no julgamento de primeira instância. Mantida a decisão da DRJ. 13) alimentação, transporte e fardamento Gastos com alimentação, transporte e fardamento Os gastos com valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por agroindústria não parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa, sendo que os fardamentos especiais caracterizados como EPI dão direito a crédito conforme o item de EPI. 14) locação e arrendamento de bens Locação e arrendamento de bens Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 15) bens do ativo imobilizado Bens do ativo imobilizado Os gastos listados nos autos nessa categoria incluem diversos bens incorporados ao ativo imobilizado, tais como cabo elétrico, lâmpada vapor metalizado alta pressão, tubo flexível utilizado em máquinas e outros. Fl. 9437DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.429 19 Tais gastos me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação). 16) bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero) Bens e serviços não sujeitos às contribuições do PIS e da COFINS É vedada a apropriação de créditos de PIS/COFINS em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. Manter a glosa. Outros Dos créditos de PIS/COFINS sobre a importação vinculados à receita de exportação. Créditos PIS e COFINSImportação vinculados às receitas de exportação Sobre o assunto, adoto a mesma linha da decisão de primeira instância, cujo trecho reproduzo a seguir: Ao contrário do que afirma a interessada, não houve "glosa" dos mencionados créditos de PIS CofinsImportação. A fiscalização barrou apenas sua utilização por meio de pedido de ressarcimento ou compensação a partir da interpretação da legislação que trata da possibilidade de utilização de créditos da não cumulatividade. (DRJ Acórdão) (...) Dessa forma, a possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em dinheiro, dos créditos de PIS ou Cofins apurados em decorrência de operações de importação restringe se aos custos, despesas e encargos vinculados às vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, não se estendendo aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. No caso dos autos, como visto, compunham o saldo de crédito decorrente de exportação veiculado no PER os valores da contribuição paga sobre importações. Como visto, tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou de compensação, mas apenas de desconto da contribuição apurada. Portanto, correto o ajuste promovido pela autoridade fiscal. Dou provimento para permitir o ressarcimento dos créditos de PIS/Cofins sobre a importação vinculados à receita de exportação. Fl. 9438DF CARF MF 20 Do rateio proporcional A recorrente contesta a revisão do rateio proporcional efetuado pela fiscalização. 378. Como já salientado anteriormente, além de glosas indevidamente créditos apropriados pela Recorrente de acordo com a legislação aplicável, a D. Autoridade Fazendária, sem indicar qualquer base legal, entendeu por revisar o cálculo do rateio proporcional aplicado pela Recorrente. Após tal revisão, a D. Autoridade entendeu por rever os percentuais aplicados pela Recorrente. 379. Isso porque, por meio do Termo de Verificação Fiscal, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência n° 05.1.01.002106005479, a D. Autoridade Fiscalizadora concluiu que estariam incorretos os índices de rateio da receita bruta para fins de determinação do crédito objeto de pedido de ressarcimento de PIS e COFINS para posterior compensação com outros tributos federais. Alega que a fiscalização utilizou para fins de rateio valores de Receitas Isentas e demais Receitas sem Incidência da Contribuição apresentados no DACON, o que não é permitido pela legislação. Defende os percentuais de rateio que eram utilizados. Sobre o assunto, adoto a mesma linha da decisão de primeira instância, cujo trecho reproduzo a seguir: Entretanto, a interessada não faz a comprovação de que os valores de RECEITAS ISENTAS E DEMAIS RECEITAS SEM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO por ela empregados nos seus cálculos sejam de fato diversos dos utilizados pela fiscalização e que por sua vez foram retirados do DACON. A alegação de que as diferenças entre os valores preenchidos naquele Demonstrativo de Contribuições e os empregados no cálculo seriam explicados pelos dados constantes dos registros M400 e M800 da EFD não é suficiente, por si só, para que se acolham seus números em desprestígio ao informado na DACON, na medida em que os citados registros M400 e M800 são registros não automáticos preenchidos pela própria contribuinte segundo sua interpretação da legislação. Haveria de ser, no caso, apresentada documentação que comprovasse a existência e a dimensão dos valores excluídos da receita bruta. Desse modo, mantémse os índices de rateio fixados pela auditoria. De forma conclusiva, voto por negar provimento para manter os índices de rateio fixados pela fiscalização. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário na forma da tabela a seguir: Item Categoria/Natureza dos Créditos Voto 1 Bens e serviços tidos como auxiliares # 1.1 Serviços de almoxarifado Reverter a glosa Fl. 9439DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.430 21 1.2 Custos com programas de formação profissional Manter a glosa 1.3 Conserto de ferramentas elétricas Reverter a glosa 1.4 Despesas com agências de viagem Manter a glosa 1.5 Hospedagem de empregados Manter a glosa 1.6 Mensalidade de órgãos de classe Manter a glosa 1.7 Propaganda e publicidade dos produtos e serviços e despesas Manter a glosa 2 Bens de uso e consumo Reverter a glosa parcialmente (apenas das fases produtivas e industrial – ferramentas) 3 Serviços tidos como não enquadrados no conceito de insumos # 3.1 Peças de reposição de automóveis Reverter a glosa 3.2 Lavagens de automóveis Reverter a glosa parcialmente (apenas os veículos integrados no processo produtivo, excluídos os veículos da área administrativa) 3.3 Serviços de tratamento de resíduos Reverter a glosa 3.4 Serviços de construção civil Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação) 3.5 Manutenção de elevadores Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação) Inciso VII do Art. 3. 3.6 Ar condicionados ou outros equipamentos Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação) Inciso VII do Art. 3. 3.7 Serviços de despachante Manter a glosa 3.8 Serviços de vigilância Manter a glosa (maioria) A divergência (perdedora) foi em relação aos serviços de vigilância de floresta. 4 Serviços com descrição não identificável Devese considerar a natureza do serviço e não do CNAE do prestador de serviço, desse modo o serviço vinculado ao Fl. 9440DF CARF MF 22 processo produtivo e industrial, geram direito ao credito. Nos termos da análise efetuadas no voto. 4.1 Informática Manter a glosa 4.2 Limpeza de prédios Manter a glosa 4.3 Montagem e desmontagem de andaimes Reverter a glosa 4.4 Movimentação de cargas Reverter a glosa 5 Gastos com comissão de agentes na venda de produtos Manter a glosa 6 Despesas utilizadas para transporte de mercadorias Reverter a glosa 7 Despesas com consultoria e planejamento Manter a glosa. 8 Gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamento de proteção (EPI´s) Reverter a glosa 9 Dos insumos vinculados à silvicultura Reverter a glosa 10 Dos insumos para fabricação do dióxido de cloro Reverter a glosa 11 Fretes Reverter a glosa, com exceção do transporte de pessoal. 12 Combustíveis utilizados como insumos Mantida decisão DRJ 13 Alimentação, transporte e fardamento Manter a glosa. Sendo que os fardamentos especiais caracterizados como EPI dão direito a crédito conforme o item de EPI. 14 Locação e arrendamento de bens Reverter a glosa. Inciso IV, Art. 3 15 Bens do ativo imobilizado Reverter a glosa. Limitados aos encargos de depreciação. 16 Bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições Manter a glosa Outros Dos créditos de PIS/COFINS sobre a importação vinculados à receita de exportação Dar provimento ao RV para autorizar o ressarcimento conforme o Art. 16, inciso II, da Lei 11.116/2005 (Acórdão 3302 004 599 / Solução de Consulta COSIT 70 14/06/2018) Outros Do rateio proporcional Negar provimento ao RV É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 9441DF CARF MF Processo nº 10580.909590/201683 Acórdão n.º 3201005.063 S3C2T1 Fl. 9.431 23 Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 9442DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.725005/2016-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO. NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O lançamento atendeu aos preceitos legais e contém a descrição dos fatos, a fundamentação ou a motivação da infração e a capitulação legal, entre outros requisitos, que permitiram que o contribuinte exercesse o contraditório e o direito de defesa. Somente a ausência dessas formalidades implicaria a nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa.
LANÇAMENTO. NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA.
Há de se rejeitar as arguições de nulidade suscitadas quando a autoridade fiscal fundamentou a autuação em documentos carreados nos autos e permitiu que o contribuinte também apresentasse provas. A valoração das provas é questão de mérito, que não pode ser avaliada em sede de preliminar.
LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO PELO MÉTODO DO LUCRO ARBITRADO. INOCORRÊNCIA.
Descabe a nulidade do lançamento quando verificado que a base de cálculo do tributo exigido foi correta e regularmente apurada pelas autoridades fiscais, obedecendo às normas aplicáveis do lucro arbitrado e consoante o regime de competência.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. GANHO DE CAPITAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Tanto do ponto de vista formal, quanto material, restou comprovado que a pessoa jurídica era a proprietária das ações objeto de alienação.
Apurada a omissão de ganho de capital na alienação de participação acionária e demonstrado que o contribuinte constitui o sujeito passivo da relação tributária decorrente dessa operação de compra e venda, é de se efetuar a sua tributação na pessoa jurídica.
APURAÇÃO DO IRPJ. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
A apuração do imposto de renda pessoa jurídica se dá, em regra, pelo regime de competência. Logo, incluem-se as parcelas ainda não pagas do valor negociado no Contrato de Compra e Venda.
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICABILIDADE PARA O FISCO. TRIBUTO EXIGIDO CONFORME A LEI. SÚMULA CARF N.02.
O princípio da vedação da utilização do tributo como instrumento confiscatório é dirigido ao legislador e, eventualmente, ao poder judiciário, no controle de constitucionalidade. Não cabe ao CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Numero da decisão: 1301-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O lançamento atendeu aos preceitos legais e contém a descrição dos fatos, a fundamentação ou a motivação da infração e a capitulação legal, entre outros requisitos, que permitiram que o contribuinte exercesse o contraditório e o direito de defesa. Somente a ausência dessas formalidades implicaria a nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO. NULIDADE POR AFRONTA AO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA. Há de se rejeitar as arguições de nulidade suscitadas quando a autoridade fiscal fundamentou a autuação em documentos carreados nos autos e permitiu que o contribuinte também apresentasse provas. A valoração das provas é questão de mérito, que não pode ser avaliada em sede de preliminar. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO PELO MÉTODO DO LUCRO ARBITRADO. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando verificado que a base de cálculo do tributo exigido foi correta e regularmente apurada pelas autoridades fiscais, obedecendo às normas aplicáveis do lucro arbitrado e consoante o regime de competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. GANHO DE CAPITAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 50 05 /2 01 6- 12 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 667 2 Tanto do ponto de vista formal, quanto material, restou comprovado que a pessoa jurídica era a proprietária das ações objeto de alienação. Apurada a omissão de ganho de capital na alienação de participação acionária e demonstrado que o contribuinte constitui o sujeito passivo da relação tributária decorrente dessa operação de compra e venda, é de se efetuar a sua tributação na pessoa jurídica. APURAÇÃO DO IRPJ. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A apuração do imposto de renda pessoa jurídica se dá, em regra, pelo regime de competência. Logo, incluemse as parcelas ainda não pagas do valor negociado no Contrato de Compra e Venda. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICABILIDADE PARA O FISCO. TRIBUTO EXIGIDO CONFORME A LEI. SÚMULA CARF N.02. O princípio da vedação da utilização do tributo como instrumento confiscatório é dirigido ao legislador e, eventualmente, ao poder judiciário, no controle de constitucionalidade. Não cabe ao CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N.108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 668 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de lançamento de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário 2011 em razão de omissão de receita não operacional (ganho de capital), acrescido de multa de ofício 75% e juros moratórios. Os tributos foram apurados com base no lucro arbitrado, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, embora notificada a fazêlo. Da Autuação A omissão de ganho de capital decorreu de operação de alienação de participação societária (50%) que a autuada detinha na NPAP Alimentos S.A., conhecida como PILAR, para Industria de Alimentos Bomgosto Ltda (VITARELLA). A operação de venda da participação societária se deu pela transferência, via redução do capital social, da referida participação acionária para os seus sócios José Leonardo Turton (16.990.731 ações), Artur Reis Peixoto Filho (2.623 ações) e Isadora Turton Peixoto (2.623 ações) e sua subsequente venda para a Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda., acarretando o deslocamento da tributação do ganho de capital da pessoa jurídica (alíquotas de 25%, no IRPJ, e de 9%, na CSLL) para as pessoas físicas dos sócios (alíquota de 15%). Para compreender a autuação, transcrevo trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1434): I DOS PROCEDIMENTOS GERAIS 1. Tratase de empresa com natureza jurídica de sociedade empresária limitada, com objeto social “participação em outras empresas como sócia, quotista ou acionista, podendo prestar consultoria na gestão de empresas industriais e comerciais” (CNAE fiscal 6463800); constituída desde 05/11/2001, com estabelecimento sede na cidade de Recife (PE). (...) 3. Tendo em vista que o Termo de Início encaminhado ao domicílio fiscal da empresa retornou; em 30/03/2016, a empresa foi cientificada, por meio de envio do referido termo ao domicílio fiscal do Sr. JOSÉ LEONARDO TURTON, CPF nº 135.152.25404, na qualidade de sócio administrador da empresa e responsável legal perante esta Secretariada Receita Federal do Brasil, do início dos trabalhos de fiscalização, oportunidade em que foram solicitados os elementos e documentos necessários à sua execução. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 669 4 (...) 5. Em 10/05/2016, a fiscalizada prestou novos esclarecimentos, apresentou Balanço Patrimonial findo em 31/12/2011, DRE sem qualquer atividade operacional, não operacional e financeira; e informa ter transmitido em 09/05/2016 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa 2012. 6. Com vistas a subsidiar os trabalhos da fiscalização, foi aberto TDPF de Diligência (nº 04.0.01.00 2016000078) na empresa M DIAS BRANCO S/A INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS (“M DIAS”), CNPJ Nº 07.206.816/000115, para obtenção de informações a respeito da operação de compra de 100% do capital social da empresa NPAP ALIMENTOS LTDA. (“PILAR”) pela INDÚSTRIA DE ALIMENTOS BOMGOSTO LTDA. “VITARELLA” (empresa pertencente ao grupo M DIAS); tendo em vista que a referida empresa (PILAR), no período da fiscalização, tratavase de investida da ora fiscalizada. 7. As análises da documentação contábil e fiscal da empresa e dos demais elementos e justificativas apresentados resultaram na identificação das infrações fiscais que a seguir passamos a relatar. II – DOS FATOS (...) II.1.1 Das análises nos documentos apresentados pela M DIAS Cópia do Contrato de Compra e Venda e 1º Aditivo ao Contrato 12.Analisando o documento intitulado “Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças”, datado de 26 de abril 2011, observamos ali dito que: os vendedores vendem aos compradores a totalidade das ações representativas de 100% do capital social da NPAP ALIMENTOS S.A., cujo quadro abaixo resume a operação: (...) III DO RESULTADO DA AUDITORIA DO IRPJ / CSLL PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10480725.005/201612 ANOCALENDÁRIO DE 2011 III.1 – OPERAÇÃO DE VENDA DISSIMULADA Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 670 5 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA 35.No ano de 2011, a fiscalizada era detentora de participação na empresa NPAP ALIMENTOS S.A., e apresentou em 09/05/2016 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa 2012. 36. Conforme o Boletim de Subscrição anexo à Ata da Assembleia Geral de Transformação da sociedade NPAP ALIMENTOS S.A. (“PILAR”), realizada em 30/11/2010 e com registro na Jucepe em 10/01/2011, o número de ações subscritas e integralizadas de 33.991.954, por conversão de igual número de cotas da sociedade transformada, eram distribuídas da seguinte forma: 37. Identificamos que a fiscalizada, em 26/04/2011, alienou sua participação societária que detinha na empresa NPAP Alimentos S.A. (16.995.977 ações) para a empresa Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda. pelo preço de R$ 34.961.000,00 (50% de 69.922.000,00; sendo: 50% de R$ 48.922.000,00, referente à Parcela Livre e 50% de R$ 21.000.000,00, referente à Parcela Retida). 38. No entanto, com intuito de se beneficiar da redução de pagamentos de tributos, dissimulou essa operação de venda de ações como se fora efetuada pelas pessoas físicas de seus sócios, formalizando, de forma antedatada, a “transferência” da referida participação societária para os seus sócios José Leonardo Turton (16.990.731 ações), Artur Reis Peixoto Filho (2.623 ações) e Isadora Turton Peixoto (2.623 ações); e subsequente venda “pelos sócios” para a empresa Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda. 39. A fiscalizada formalizou essa transferência através da 5ª alteração do seu Contrato Social, registrada na Jucepe em 12/03/2012, porém com data de 29/12/2010. Nessa transferência, as 19.995.977 ações foram avaliadas pelo seu valor contábil de R$ 8.079.776,00 (R$ 8.077.282,00 para o sócio José Leonardo Turton; R$ 1.247,00 para o sócio Artur Reis Peixoto Filho; R$ 1.247,00 para o sócio Isadora Turton Peixoto). 40. O processo de venda da participação societária na empresa NPAP Alimentos S.A. envolveu as seguintes pessoas jurídicas: A) EMPRESA VENDEDORA– (A Fiscalizada) – TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. a) A fiscalizada (Turtonpar Participações Ltda.) apresentou no ano calendário de 2011 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Inativa 2012 (transmitida à RFB em 09/05/2016). b) Não apresentou livros contábeis e declara não possuir livros fiscais e contas bancárias no anocalendário de 2011. c) Antes da redução de capital, a composição societária era a seguinte: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 671 6 B) EMPRESA COMPRADORA DA PARTICIPAÇÃO – INDÚSTRIA DE ALIMENTOS BOMGOSTO LTDA (“VITARELLA”) a) À época dos fatos, a VITARELLA era uma sociedade empresária limitada, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ sob o número 35.603.679/000198, com sede na cidade de RecifePE, com atividade de fabricação de biscoitos e bolachas; b) Em 27/12/2013, foi baixada por incorporação pela empresa M DIAS BRANCO S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS, CNPJ nº 07.206.816/000115; c) Em 26/04/2011, a VITARELLA adquiriu, por contrato de “Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças”, a totalidade das ações representativas do capital social da empresa NPAP ALIMENTOS S.A., CNPJ 04.723.759/000153, pelo valor de R$ 69.922.000,00; d) Esta operação foi formalizada como sendo adquirida dos sócios das empresas: RNR Negócios e Representações Ltda. e Turtonpar Participações Ltda., quando na realidade o foi dessas empresas, que, então, eram os reais detentores da participação. C) EMPRESA NEGOCIADA – NPAP ALIMENTOS S.A (“PILAR”) a) A NPAP ALIMENTOS S.A (“PILAR”) era uma sociedade empresária limitada, inscrita no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ sob o número 04.723.759/000153, com sede na cidade de Recife/PE, transformada em sociedade anônima em 10/01/2011 e baixada por incorporação em 30/03/2012 pela empresa VITARELLA. b) Na época da venda, o quadro societário da PILAR estava dividido em iguais partes entre as empresas TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., cujo sóciogerente era José Leonardo Turton e a RNR – NEGÓCIOS E REPRESENTAÇÕES LTDA., cujo sóciogerente era Ítalo Brasil Renda Filho. c) A operação consistiu na compra de 100% do capital social da empresa PILAR pela VITARELLA, empresa pertencente ao grupo M DIAS BRANCO. 41. A forma como a Fiscalizada (TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA.) vendeu sua participação para a empresa INDÚSTRIA DE ALIMENTOS BOMGOSTO LTDA., transferindo a tributação para ocorrer nas Pessoas Físicas dos seus sócios, pode assim ser resumida, conforme a cronologia dos fatos: a) No documento datado em 30/11/2010 (com entrada na Jucepe em 04/01/2011 e registrado em 10/01/2011) a sociedade NPAP Alimentos Ltda. foi transformada de LTDA para S/A, com capital social de 33.9991.954 ações subscritas e integralizadas em 50% pela TURTONPAR e em 50% pela RNR; b) No documento datado em 16/12/2010 (com entrada na Jucepe em 25/04/2011 e registrado em 26/04/2011) o capital social da empresa TURTONPAR é aumentado de R$ 10.000,00 para R$ 8.100.000,00, ali dito, Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 672 7 com a utilização de créditos que o sócio José Leonardo Turton possuía perante a sociedade; c) No documento datado em 29/12/2010 (com entrada na Jucepe em 07/03/2012 e registrado em 12/03/2012) o capital social da TURTONPAR de 8.100.000,00 é reduzido para R$ 20.000,00 com devolução de bens e direitos aos sócios: José Leonardo Turton, Artur Reis Peixoto Filho e Isadora Turton Peixoto, avaliados pelo valor contábil, com o consequente cancelamento de 8.080.000 quotas no valor nominal de R$ 1,00; d) Nesse documento, José Leonardo Turton recebe 16.990.731 ações ordinárias nominativas de emissão de NPAP ALIMENTOS S.A (“PILAR”) – pelo valor contábil R$ 8.077.282,00 e R$ 224,00 em dinheiro, totalizando R$ 8.077.506,00; Artur Reis Peixoto Filho recebe 2.623 ações ordinárias nominativas de emissão de NPAP ALIMENTOS S.A ("PILAR") – pelo valor contábil R$ 1.247,00; e Isadora Turton Peixoto recebe 2.623 ações ordinárias nominativas de emissão de NPAP ALIMENTOS S.A ("PILAR") – pelo valor contábil R$ 1.247,00; e) Em 12/04/2011 foram registrados na Jucepe os livros de Registros de Ações Nominativas (livro nº 001 de 2011) e de Registro de Transferência de Ações Nominativas (livro nº 001 de 2011) da sociedade NPAP ALIMENTOS S.A.; f) Em 26/04/2011 é efetuada a operação de compra de 100% do capital social da empresa NPAP Alimentos S/A (“PILAR”) pela empresa Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda., tendo como vendedores, não as empresas RNR e TURTONPAR e sim as pessoas físicas sócias dessas empresas. A compra está formalizada por contrato de compra e venda de ações pelo valor total de R$ 69.922.000,00. A parte que caberia à TURTONPAR (50% desse valor) foi destinada aos sócios desta fiscalizada. g) Também em 26/04/2011 (com entrada na Jucepe em 10/05/2011 e registrado em 11/05/2011), conforme ata de Assembleia, foram destituídos os diretores da sociedade "PILAR" e eleito novos componentes para a diretoria. (...) SOMATÓRIA AOS ARGUMENTOS E PROVAS QUE DEMONSTRAM A EXISTÊNCIA DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO (OPERAÇÃO DISSIMULADA) (...) 49. Observemos que, a alteração contratual na TURTONPAR datada de 16/12/2010 (registrada na Junta em 26/04/2011) onde está afirmado ter havido aumento de capital social de R$ 10.000,00 para R$ 8.100.000,00, com a utilização de “créditos que o sócio José Leonardo Turton detinha na sociedade”, além de não apresentar qualquer motivação, aparentemente, foi feita apenas para justificar o ato seguinte de “redução de capital” de R$ 8.100.000,00 para R$ 20.000,00, através da transferência da participação societária que a TURTONPAR detinha na PILAR, para os seus sócios. Essa alteração está datada de 29/12/2010, somente treze dias após o “aumento anterior”, porém, registrada em 12/03/2012. (...) Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 673 8 53. A PILAR, pouco antes da sua alienação, foi transformada de sociedade por quotas de responsabilidade limitada (NPAP ALIMENTOS LTDA.) para sociedade anônima (NPAP ALIMENTOS S.A.). A transformação ocorreu através de Assembleia Geral de Transformação datada de 30/11/2010, porém, com registro na JUCEPE apenas em 10/01/2011. Ação preparativa para facilitar o alcance dos objetivos da venda desta. 54. Em 29/12/2010, data em que TURTONPAR assina o documento que transfere o seu investimento na PILAR para os seus sócios (registrado na JUCEPE em 12/03/2012), os livros de registros de ações nominativas e registro de transferências de ações nominativas sequer haviam sidos autenticados na Jucepe, os quais os foram apenas em 12/04/2011. Apenas nessa data é que houve os registros referentes a datas anteriores. (...) 56. Conforme os registros junto à esta Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em nenhum momento consta que os sócios da fiscalizada tenham adquirido participação acionária na empresa PILAR. Todos os registros contêm informações vinculadas ora aos (antigos) sócios: RNR e TURTONPAR, ora ao novo sócio: VITARELLA. 57. Por fim, ressaltamos que as empresas RNR – Negócios e Representações Ltda. e Turtonpar Participações Ltda. constam do contrato de compra e venda das ações como intervenientes anuentes, participando e concordando com a negociação. Lembramos que a eficácia dos atos que transferiram a participação societária na empresa NPAP Alimentos S.A. de propriedade da fiscalizada (TURTONPAR) e da outra sócia (RNR) para os seus sócios pessoas físicas se deram apenas em 27/09/2011 (na RNR) e em 12/03/2012 (na TURTONPAR), logo, após a data de assinatura do referido contrato (em 26/04/2011). 58. De todo o exposto, esta fiscalização conclui que a redução de capital e transferências da participação societária na NPAP Alimentos S.A (“PILAR”) efetuada pela fiscalizada às pessoas físicas sócios da TURTONPAR e a subsequente (26/04/2011) “venda” deste investimento, pelos Sócios, para a empresa VITARELLA, apenas objetivou mascarar a real operação de venda, ou seja, venda de 50% das ações da PILAR de propriedade da TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. para a VITARELLA. 59.A maneira como a fiscalizada resolveu formalizar a operação, acarretou o deslocamento do ganho de capital de R$ 26.881.224,00, sendo o valor da alienação R$ 34.961.000,00 (= 50% de R$ 69.922.000,00, valor total constante do contrato celebrado entre os vendedores e a compradora VITARELLA) e o valor contábil de R$ 8.079.776,00, que deveria ser tributado na pessoa jurídica da fiscalizada (no IRPJ, a alíquota de 15%, no Adicional do IRPJ, a alíquota de 10%, e na CSLL, na alíquota de 9%), para ser tributada apenas na pessoas física do seus sócio José Leonardo Turton, de forma mais favorecida (a alíquota de 15%). 60. Portanto, a operação de transferência de propriedade do investimento da fiscalizada para as pessoas dos seus sócios, foi apenas uma formalidade realizada a destempo, para dissimular a venda desse investimento da fiscalizada, objetivando unicamente propiciar uma tributação menos onerosa; fato jurídico que não pode ser oponível perante a administração tributária. 61. Salientamos que, a prática de planejamento tributário é um direito de todo contribuinte, desde que essa prática se posicione dentro dos requisitos da licitude, Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 674 9 com a devida antecedência em relação ao fato gerador, em consonância com propósitos negociais e sem distorções ou agressões ao ordenamento. 62. Esclarecemos que tendo em vista que a fiscalizada deixou de apresentar os livros contábeis e documentos da sua escrituração comercial e fiscal será procedido o arbitramento de ofício, com base no inciso III do art. 530 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). 63. A redução de capital na TURTONPAR, com transferência de seu investimento na PILAR para as pessoas dos seus sócios e subsequente venda à empresa VITARELLA provocou o deslocamento da tributação sobre o referente ganho de capital, originariamente pela TURTONPAR, submetidas ao Lucro Arbitrado, para às pessoas físicas dos sócios. 64. Eis que, a tributação do “ganho de capital” pela pessoa física é altamente favorável quando comparada com essa mesma tributação na pessoa jurídica, posto que, nos termos da legislação aplicável, a pessoa física é tributada pela alíquota de 15%, enquanto o mesmo ganho de capital, quando auferido por pessoa jurídica, sujeitase a incidência das alíquotas de 25% do IRPJ e de 9% da CSLL. 65. O quadro abaixo demonstra analiticamente as vantagens tributárias (indevidamente) buscadas pelas pessoas envolvidas nas transações: 66. A prática adotada pela administração da “TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA.” consistiu numa série de procedimentos, efetuados a destempo, com o objetivo de deslocar a base de tributação do ganho de capital pela venda da participação societária da NPAP ALIMENTOS S/A para as pessoas físicas dos sócios da fiscalizada. 67. Ademais, a dinâmica operacional realizada pela fiscalizada, através dos seus sócios, constituiu um planejamento tributário abusivo, uma vez que, a transferência da tributação do ganho de capital da “TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA.” para tributação de forma mais favorecida nas pessoas físicas (sócios da fiscalizada), não possuiu qualquer propósito negocial ou qualquer outra motivação empresarial que a justifique. Bem dizendo, tratouse de uma operação dissimulada, realizada após as negociações de venda do investimento de propriedade da pessoa jurídica da fiscalizada, visando diminuir o pagamento do tributo devido. 68. Identificada e demonstrada a venda pela TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. dissimulada, esta fiscalização considerará essa operação nos seus resultados, levando à tributação do ganho de capital existente nessa operação, com tributação de ofício pelo lucro arbitrado. 69. Neste contexto, para fins de tributação, cabe a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado (alienação do investimento na NPAP Alimentos S.A. através das pessoas físicas dos sócios) e a exigência do tributo incidente sobre a real operação (alienação do investimento pela Turtonpar Participações Ltda.). Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 675 10 70. A tributação de ofício do IRPJ e da CSLL relativa à venda da participação societária em referência, terá como base de cálculo (ganho de capital) a diferença entre o valor transacionado com a VITARELLA R$ 34.961.000,00 (50% de R$ 69.922.000,00) e o seu custo – valor contábil de R$ 8.079.776,00; resultando num ganho de capital de R$ 26.881.224,00, que será tributado pelo lucro arbitrado na data de sua venda, 26/04/2011. 71. Portanto, após recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da fiscalizada, as diferenças apuradas estão sendo cobrados por meio de lançamento de ofício através da lavratura de Autos de Infração específicos, nesta data. (...) Da Impugnação Em 07/07/2016, a contribuinte apresentou impugnação. Transcrevo trecho do relatório da decisão de piso, que traz a síntese das alegações da impugnante: Das Nulidades Nulidade do Auto de Infração Decorrente da Preterição do Direito de Defesa da Impugnante • A utilização de mera presunção, destituída de qualquer fundamento fático e lógico, fulmina os Autos de Infração do vício de nulidade insanável, como se deduz da simples leitura dos fatos. As peças impositivas devem conter elementos suficientes para definir a infração, indicando o fato gerador da obrigação tributária, tal como definido em lei; • Em que pese ter fornecido documentos e prestado informações durante todo o trabalho fiscal, limitouse o Fisco a imputar valores sempre que não foi possível o atendimento de exigências ilegais ou impossíveis de serem atendidas, como a que pretende punir a sociedade por não ter aberto contas bancárias, quando, por sua natureza (sociedade holding), nem sempre realiza recebimentos relevantes que justifiquem a abertura de conta bancária; Da Afronta ao Princípio da Busca da Verdade Material • Observase que os agentes fiscais autuaram, sem, contudo, perquirir a verdade material. Tal conduta viola o princípio da verdade material, princípio norteador do processo administrativo, em detrimento da formal. Se no processo judicial está o juiz adstrito aos autos, na esfera administrativa deve o Fisco investigar a conduta, produzindo provas, pois se há alguma presunção, esta milita em favor do contribuinte. Meras suposições não podem ensejar autuações, sob pena de nulidade; • Se há dúvidas sobre o cometimento ou não de infração, deve a fiscalização investigar até chegar a verdade dos fatos para imputálos como descumpridos, sendolhe vedada a utilização de presunções. Nestes autos, a presunção é o único suporte das autuações, pois despreza documentos e utilizase de bases de cálculo irreais para lançar supostos débitos em valores exorbitantes. Transcreve doutrina e jurisprudência que, segundo diz, corroborariam seu entendimento; • Analisando o procedimento adotado pelos autores do feito, depreendese a fragilidade e a inconsistência dos lançamentos efetuados, uma vez que, ao desconsiderar os documentos e provas disponibilizados, lançaram tributos com Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 676 11 base em equivocadas presunções, dificultando a apresentação de defesa e, consequentemente, ensejando afronta ao princípio acima invocado; • Do exposto, resta patente a inobservância do devido processo legal. Confirmado o seu direito ao devido processo legal e aos consequentes princípios da segurança jurídica, da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, bem assim comprovada a ausência de fundamentos jurídicos das autuações, necessário se torna, pelas nulidades insanáveis, o cancelamento dos Autos de Infração ora combatidos; Da Nulidade Decorrente do Erro na Feitura dos Lançamentos: Afronta ao Art. 142 do CTN • Outro equívoco constatado foi na apuração da base de cálculo dos tributos, supostamente devidos com base no lucro arbitrado (art. 535 do RIR/1999), sem observar que a impugnante é uma sociedade de participação (holding), que, durante toda a sua existência, jamais realizou uma operação. Portanto, o Fisco procedeu ao arbitramento do lucro em descompasso com as normas vigentes e com flagrante erro na apuração do imposto devido, comprometendo todos os lançamentos, conforme jurisprudência do Carf, que reproduz; • Conquanto não tenha havido nenhum contrato entre a autuada e a compradora, a nulidade dos lançamentos se impõe na medida em que a fiscalização considerou como base de cálculo o valor total da operação, quando, por força do contrato e com base nos valores efetivamente depositados pela compradora, havia um preço estimado para a operação, de R$ 69.922.000,00, composto de duas partes: uma livre, no valor de R$ 48.922.000,00, e uma retida, no valor de R$ 21.000.000,00, sendo esta sujeita a eventos futuros e incertos; • Provada se encontra, pela análise do relatório fiscal, que a parcela do preço efetivamente paga e recebida pelas pessoas físicas foi de R$ 48.922.000,00, sendo 50% desse valor (R$ 24.461.000,00) destinado aos sócios da autuada, que, diminuído do custo (R$ 8.079.776,00), constituiria a base de cálculo dos tributos, no valor de R$ 16.381.224,00; • Diversamente do que seria razoável, os agentes fiscais, de forma ilegal, utilizaram o regime de lucro arbitrado para uma sociedade de participação. Para tentar justificar esse vício, o Fisco afirma de em seu relatório, no item 68, que: “a tributação de ofício do IRPJ e da CSLL relativa à venda da participação societária em referência, terá como base de cálculo (ganho de capital) a diferença entre o valor transacionado com a VITARELLA – 34.961.000,00 (50% de 69.922.000,00) e o seu custo – valor contábil de R$ 8.079.776,00; resultando num ganho de capital de R$ 26.881.224,00, que será tributado pelo lucro arbitrado na data de sua venda, 26/04/2011.” • É evidente que essa parcela do preço total estimado não constitui nem poderia constituir receita, posto que não tem consistência com o valor recebido. A utilização de valor inexistente configura, sem dúvida, erro essencial quanto ao valor dos tributos e, portanto, caracteriza a nulidade a que se referem o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 e o art. 12 do Decreto nº 7.574/2011, conforme jurisprudência e doutrina que transcreve; • Repitase: também caracteriza nulidade o arbitramento de sociedade holding e a utilização de alíquota e base de cálculo normais quando o arbitramento determinado pelo Fisco deve ser feito considerando as bases de cálculo previstas Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 677 12 no art. 535 do RIR/1999. A não observância dos critérios de arbitramento contamina o Auto de Infração de vício de nulidade insanável, conforme disciplina do art. 142 do CTN; Do Mérito • Caso não acolhida as preliminares de nulidade, impõese a improcedência da ação fiscal, uma vez que o suporte fático das autuações apoiase exclusivamente na interpretação dos agentes fiscais, que pretendem transformar atos jurídicos perfeitos e acabados entre as partes em atos sem eficácia, simplesmente porque alguns desses ditos atos foram arquivados no Registro do Comercio após o prazo de 30 dias previsto na lei registral; • Dos atos societários exigíveis para o fechamento do negócio Pilar, somente remanesceu pendente de arquivamento, na data da assinatura do contrato de compra e venda das ações da Pilar, o da redução do capital social da TURTONPAR realizada pela alteração contratual de 29/12/2010, que somente foi objeto de registro na Jucepe em 12/03/2012, cujos efeitos de tradição das ações foram ratificados pela escrituração dos livros Registro de Ações Nominativas e Registro de Transferência de Ações Nominativas, sem qualquer irregularidade; • Ocorre que antes disso, 30/11/2010, com efeitos plenos a partir de 10/01/2011, a sociedade limitada NPAP transformouse em sociedade anônima, com a entrega de ações, tornando dispensável como requisito para a celebração do contrato de compra e venda a existência do prévio arquivamento daquela alteração, que somente ocorreu no ano seguinte; • É oportuno esclarecer que os efeitos do arquivamento dos atos no Registro do Comercio é o de dar publicidade, não podendo ser atingidos por nulidade ou ineficácia entre as partes, embora não possam ser oponíveis perante terceiros aqueles documentos que tenham sido apresentados após o prazo de 30 dias no protocolo do órgão. A rigor e como já reconhecido pelo próprio Conselho de Contribuintes, não é a data do registro que deve ser observada e sim a data de protocolo do pedido de registro; • A transferência da propriedade das ações das pessoas físicas dos sócios para a compradora está assim conforme a lei, tendo sido suportada por legítimos efeitos contratuais e devidamente registrada nos livros da companhia; • Pretende o Fisco, ainda, caracterizar a compra e venda das ações como operação dissimulada, quando todos os atos praticados pelas partes são válidos, coerentes e consistentes com o propósito negocial por elas objetivado. Para sustentar o argumento de dissimulação, alega que em 2011 a autuada ainda seria acionista simplesmente porque a ata da assembleia geral de transformação de sociedade limitada em sociedade anônima somente foi arquivada em 10/01/2011, quando o mencionado documento foi celebrado em 30/10/2010; • Os instrumentos contratuais societários produzem efeitos imediatos entre as partes e não após o registro na Junta Comercial e em assim sendo são contabilizados na data de sua assinatura, quando passam a produzir efeitos; • Tentando justificar as autuações, os agentes fiscais deixam de considerar o instrumento contratual que formalizou a operação de venda de ações, para se apegar a detalhes de arquivamento, que tem seu fim limitado ao efeito de publicidade e jamais de atribuir nulidade aos atos societários praticados entre as partes. Não se mostra possível desconsiderar tais atos – como requisitos exigíveis Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 678 13 para a concretização dos legítimos propósitos negociais das partes – se apenas um deles não foi protocolado antes do prazo de 30 dias da lei registral; • O substrato econômico e o legítimo interesse das partes na celebração do instrumento de compra e venda de ações, que tem o sujeito da compra e os sujeitos da venda devidamente representados e fins lícitos, reunindo em um só documento todos os requisitos para tradição do bem vendido, constitui instrumento hábil e suficiente para produzir todos os efeitos jurídicos e negociais, não podendo ser maculado por eventuais documentos intermediários de natureza interna de uma das sociedades, não protocolados em tempo hábil; • Importa repisar que, para justificar as autuações, o Fisco deixa de considerar o instrumento contratual que formalizou a operação de venda de ações. Verificase que as operações realizadas pela impugnante, além de terem finalidade e congruência dos atos, foram devidamente registradas e praticadas sob o amparo das normas vigentes, não podendo ser consideradas como mero estratagema para auferir ganho tributário, em prejuízo da Fazenda; • Segundo o art. 116 do CTN, que se traduz em norma antievasão, a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Portanto, a norma exige para a desconsideração que haja uma realidade fática diferente da realidade jurídica, com a utilização de negócios jurídicos atípicos ou indiretos, sem motivação ou eivados de simulação ou fraude à lei, hipótese distinta do caso em apreço, conforme fatos acima narrados; • Estando presente o propósito negocial capaz de justificar a operação realizada e afastada a caracterização de simulação ou abuso de direito como posto no relatório fiscal, merecem ser cancelados os lançamentos, na esteira de precedentes do Carf, que transcreve; Do Confisco • Devese, ainda, demonstrar o caráter confiscatório das obrigações advindas das autuações, o que não se coaduna com o princípio constitucional do não confisco, expresso no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal; • Para evidenciar de forma prática o confisco, basta citar que não havendo nenhuma evidência de transação de compra e venda entre a compradora e as holdings que administravam a NPAP, a fiscalização tributou a suposta receita de forma mais onerosa que a prevista em lei. Com efeito, tributou a operação como ganho de capital de pessoa jurídica quando, pelo objeto social desta empresa, não há finalidade lucrativa comercial, uma vez que seu objeto social é a gestão de participação societária e não a compra e venda de ações; • A tributação foi feita para encontrar a forma mais onerosa, com 15% de IR, mais 10% de adicional e mais 9% de CSLL e, mais grave ainda, incluindo parcela do preço que jamais foi recebida, o que representa 30% do preço total e quase 44% do valor recebido. É um evidente confisco, consoante tabela que exibe. Verificase, pois, que somente com a majoração indevida da receita o Fisco determinou uma elevação substancial na tributação; • Fica, portanto, evidenciado de forma prática o confisco, pois o erro na construção dos lançamentos, decorrente do arbitramento do lucro, também Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 679 14 corroborou a natureza confiscatória das equivocadas e ilegais exigências, o que impõe o seu cancelamento, sob pena de afrontada a Carta Magna Federal; • Em síntese, o suposto crédito tributário, além de ter sido lançado com preterição do direito de defesa da impugnante, é improcedente e assume feição confiscatória, nos termos do pacífico entendimento da doutrina e jurisprudência pátrias; Da Ilegalidade da Exigência de Juros Sobre Multa • Por fim, há que ser rechaçada a ilegal cobrança de juros moratórios – cuja natureza é indenizatória – sobre a confiscatória multa imposta, haja vista que possui natureza distinta do tributo e foi imposta com a finalidade de punição do contribuinte que supostamente não teria cumprido a sua obrigação tributária; • Defluise da leitura do art. 61 da Lei n° 9.430/1996 e do seu § 3° que a incidência dos juros está direcionada ao valor do principal (tributo), o que denota a inexistência de previsão legal para a pretensão fazendária. Há, portanto, cabimento apenas para a incidência de juros moratórios sobre o tributo que deixou de ser recolhido no prazo estipulado, jamais sobre a multa de ofício imposta; • O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e o Judiciário pátrio já se manifestaram sobre o tema e, em diversas oportunidades, foi rechaçada essa equivocada exigência, consoante denota precedente que reproduz; Do Pedido • Diante de tudo que foi demonstrado e comprovado, requerse que os Autos de Infração sejam julgados nulos pelas razões preliminares apresentadas ou totalmente improcedentes, pelas razões de mérito expostas, tornandose insubsistente as autuações ora impugnadas; • Finalmente, protesta e desde logo requer a esse órgão julgador, por demonstrar a verdade dos fatos pelos meios em direito permitidos, com juntada de novos documentos, se necessários. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a descrição dos fatos, a fundamentação ou a motivação da infração e a capitulação legal. Somente a ausência dessas formalidades é que implicará a nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. REQUISITOS FORMAIS. NULIDADE. Há de se rejeitar as arguições de nulidade suscitadas quando o lançamento tributário foi procedido respeitando os princípios que informam o processo administrativo fiscal e cumprindo todos os requisitos legais pertinentes à matéria, sem qualquer vício que comprometa a sua validade, além de Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 680 15 sustentado em processo instruído com todos os elementos indispensáveis à comprovação do ilícito imputado. LANÇAMENTO. LUCRO ARBITRADO. REGIME DE COMPETÊNCIA. NULIDADE. Descabe a nulidade do lançamento quando verificado que a base de cálculo do tributo exigido foi correta e regularmente apurada pelas autoridades fiscais, obedecendo às normas aplicáveis do lucro arbitrado e consoante o regime de competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. GANHO DE CAPITAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Restando comprovada a omissão de ganho de capital na alienação de participação acionária e demonstrado que o contribuinte constitui o sujeito passivo da relação tributária decorrente dessa operação de compra e venda, é de se efetuar a sua tributação na pessoa jurídica. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICABILIDADE PARA O FISCO. TRIBUTO EXIGIDO CONFORME A LEI. O princípio da vedação da utilização do tributo como instrumento confiscatório é dirigido ao legislador e, eventualmente, ao poder judiciário, no controle de constitucionalidade. Ao Fisco incumbe aplicar a lei, efetuando o lançamento tributário, de forma vinculada e sem emitir juízo valorativo sobre a sua conveniência, estando, assim, impedido de examinar a questão em apreço. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os arts. 113, 139 e 161 do CTN, e o 61, § 3o, da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE AÇÕES AOS SÓCIOS. GANHO DE CAPITAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Comprovada a omissão de ganho de capital na alienação de participação acionária que a contribuinte detinha, caracterizada pela transferência, via redução do capital social, dessas ações para os sócios e sua subsequente alienação, acarretando o deslocamento da tributação do ganho de capital da pessoa jurídica para as pessoas físicas dos sócios, procede o lançamento de CSLL decorrente da infração. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 681 16 PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICABILIDADE PARA O FISCO. TRIBUTO EXIGIDO CONFORME A LEI. O princípio da vedação da utilização do tributo como instrumento confiscatório é dirigido ao legislador e, eventualmente, ao poder judiciário, no controle de constitucionalidade. Ao Fisco cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento tributário, de forma vinculada e sem emitir juízo valorativo sobre a sua conveniência, estando, assim, impedido de examinar a questão em apreço. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os arts. 113, 139 e 161 do CTN, e o 61, § 3o, da Lei nº 9.430, de 1996. Do Recurso Voluntário Em 28/12/2017, a contribuinte tomou ciência do acórdão da DRJ através de Edital Eletrônico (fl.586). Inconformado com a decisão, em 26/01/2018, a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 589627), no qual basicamente reitera os argumentos aduzidos na impugnação e alega: preliminarmente: nulidade decorrente de preterição do direito de defesa; afronta ao princípio da busca da verdade material; nulidade decorrente de erro na construção do lançamento decorrente da inaplicabilidade do arbitramento e erro na apuração da base de cálculo: afronta ao art. 142 do CTN; no mérito: que houve substrato econômico na operação; impossibilidade de exigência tributária sobre operações realizadas por terceiros; impossibilidade de inclusão de parcelas não pagas para apuração do imposto arbitrado; caráter confiscatório da autuação; ilegalidade da exigência de juros sobre multa. Por fim, requereu que o recurso fosse integralmente provido e julgado improcedente o auto de infração. Das Contrarrazões da Fazenda A Fazenda apresentou contrarrazões às fls. 640663, onde em apertada síntese, contraargumenta que: as alegações preliminares são argumentos retóricos desprovidos de suportes fáticos; quanto ao mérito, procurou demonstrar que a operação foi simulada, em face da sequência temporal em que supostamente os atos teriam ocorrido em contraposição aos registros destes atos, bem como ausência de suporte fático dos argumentos apresentados pela Recorrente para justificar o propósito econômico e negocial das operações; Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 682 17 destacou que o registro dos atos na Junta Comercial tem por objetivo garantir a autenticidade dos documentos, mormente quando existe aparente contradição entre os atos formalizados unilateralmente pela interessada (aumento e redução de capital em sequência); procurou demonstrar que o ato de redução de capital não foi levado a registro antes do fato gerador, porque teria sido praticado depois do fato gerador; acrescenta que ainda que se admitisse que a redução de capital (registrada apenas em 2012) produziu efeitos desde o dia que consta da ata da assembleia que a deliberou (29/12/2010), o auto de infração deveria se mantido, posto que redução de capital foi precedida de um inexplicável aumento de capital, deliberado apenas 13 dias antes, configurando evidente concerto simulatório; defendeu que o arbitramento do lucro se justificou em razão da não apresentação dos livros obrigatórios e que, ainda na hipótese de que a Turma entenda não ser o caso de arbitramento, requereu o ajuste para o lucro real. Apresentou jurisprudência do CARF neste sentido; em relação à base de cálculo, argumentou que o reconhecimento de receitas, em regra, dáse pelo regime de competência e que a Recorrente não indicou quais seriam as cláusulas suspensivas supostamente previstas no contrato de alienação; defendeu a incidência dos juros sobre multa e ao final, requereu que fosse negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares 1. Nulidade Decorrente de Preterição do Direito de Defesa A Recorrente alega a autoridade fiscal se utilizou de mera presunção, destituída de qualquer fundamento fático e lógico; que deveria conter com clareza e segurança os elementos suficientes para definir a infração; que a autoridade simplesmente autuou por autuar, sempre que não fosse possível o atendimento formal de exigências ilegais ou impossíveis de serem atendidas; que pretendeu punir a sociedade por não ter aberto contas Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 683 18 bancárias, entre outros. Defendeu ainda que por ser uma holding não tinha fim lucrativo e que não estaria sujeita ao arbitramento do lucro. Os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, dispõem: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) É de se observar que do lançamento constam a qualificação do autuado, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos, bem como todos demais requisitos constantes do art. 10 do decreto. O auto foi lavrado por autoridade competente e os fatos foram descritos com clareza e objetividade, o que permitiu à Recorrente ter plena compreensão da infração que lhe foi imputada e apresentar o devido recurso, o qual foi conhecido e julgado. Logo não merece ser acolhido a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 684 19 Se os fatos narrados e as provas apresentadas pela autoridade fiscal são suficientes ou não para comprovar a existência de um negócio simulado, esta é uma questão de mérito, que será analisada adiante. Assim como a possibilidade de arbitramento não é matéria que enseje cerceamento de direito de defesa e será tratada quando da análise do mérito. 2. Afronta ao Princípio da Busca da Verdade Material A Recorrente faz alegações genéricas onde cita princípios constitucionais, em seguida afirma que "De forma que, no processo, não pode a autoridade autuante olvidar fatos e circunstâncias essenciais para, a partir daí, escolher a alternativa que maior tributo resulte, como forma de onerar indevidamente o contribuinte, sob pena de nulificar o lançamento que, in casu, foi formalizado através do Auto de Infração." Acrescenta que foi incorreta a identificação das infrações com presunção indevida de venda inexistente e antedatada às pessoas jurídicas e que a autoridade administrativa autuou, sem, contudo, perquirir a verdade material, mediante análise da natureza das relações existentes. Mais um vez a Recorrente suscita em preliminar questões de mérito. Afirma que o Auditor deveria produzir provas, pois a presunção milita em favor do contribuinte. Numa análise do conteúdo do processo é possível constatar que a autoridade administrativa carreou vários documentos para o processo, entre eles o contrato de compra e vendas, os demonstrativos e comprovantes de pagamento, cópia do contrato de constituição da Turtonpar e das alterações contratuais, protocolos da Junta Comercial, cópia de DIPJs, demonstrativos de apuração etc. Este é o conjunto probatório que embasou as conclusões do Auditor consubstanciadas no Termo de Verificação Fiscal. Do mesmo modo, foi dado oportunidade ao sujeito passivo para produzir provar e trazêlas aos autos, durante todo o procedimento fiscal e também quando da apresentação dos recursos. Ressaltese que o ônus de provar cabe a quem o alega, salvo exceções legais. Isto vale tanto para o Fisco, quanto para o contribuinte. A valoração das provas é questão de mérito, e se elas são suficientes para provar que a alienação da participação societária foi efetivada pela pessoa jurídica ou pelos sócios diz respeito ao mérito do recurso. Portanto, não procede a alegação da Recorrente de afronta ao princípio da verdade material. 3. Nulidade Decorrente de Erro na Construção do Lançamento Decorrente da Inaplicabilidade do Arbitramento e Erro na Apuração da Base de Cálculo: Afronta ao art. 142 do CTN Apesar de a Recorrente tratar desta matéria como uma preliminar, ela diz respeito ao mérito posto que envolve o método de apuração adotado para cálculo do imposto e os valores utilizados como base de cálculo. Alega a Recorrente que a autoridade autuante não identificou qual seria o documento que não teria sido apresentado para autorizar o arbitramento para tributação de ofício do IRPJ e da CSLL relativa à venda de participação societária efetuada por terceiros com Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 685 20 a Vitarella. Afirma ainda que a integralidade dos documentos e informações foram entregues e prestados para a autoridade fiscalizadora. Com efeito, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento e apurou o imposto com base no lucro arbitrado com fundamento no art. 530, inciso III do Regulamento de Imposto de Renda/99. O citado dispositivo prescreve: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)(grifei) Nas conclusões do TVF (fl.30), o Auditor justificou o arbitramento do lucro posto que a fiscalizada deixou de apresentar os livros contábeis e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. Na folha 15 do TVF, o Auditor esclarece que a Recorrente apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica na condição de Inativa, para o exercício 2012, referente ao anocalendário 2011. Esta DIPJ/2012 foi transmitida apenas em 09/05/2016 (fl.316). Em 10/05/2016, a Recorrente entregou resposta à intimação (Documento 04 fls.5358), na qual apresentou os atos constitutivos da empresa e alterações (1ª a 5ª) e, em relação aos livros contábeis e fiscais e documentação comprobatória dos lançamentos efetuados, informa que: Apesar de ter informado que providenciaria os livros contábeis no prazo de dois meses, os mesmos nunca foram apresentados, assim como não foi apresentada a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 686 21 Não havia como apurar o imposto com base no lucro real, tampouco no lucro presumido, posto que sequer havia qualquer opção do contribuinte por uma dessas formas de tributação. Afirma ainda a Recorrente que é uma sociedade de participação holding que, durante toda a sua existência jamais realizou uma operação, conforme já reiteradamente informado e comprovado, entretanto, a autoridade autuante procedeu com o arbitramento, com base na exigência genérica de apresentação de documentos inexistentes. Essa afirmação da Recorrente de que jamais efetuou uma operação é contraditória com várias outras declarações e documentos apresentados nos autos. Veja que a Recorrente afirma que em dezembro de 2010 efetuou aumento do capital social, com os créditos que o Sr. José Leonardo Turton detinha perante a pessoa jurídica. Posteriormente, esse capital teria sido reduzido, através da devolução de patrimônio na forma de ações da NPAP Alimentos S.A.. Todas essas são operações que deveriam ter sido registradas no livro razão, ainda que dissessem respeito tão somente a contas patrimoniais. De acordo com o contrato social de constituição da pessoa jurídica (fls. 128 137), a Recorrente é sociedade empresária limitada que tem por objeto social a participação em outras sociedades como quotista ou acionista e, como tal, tem o dever de escrituração no termos do art. 1.179 e seguintes do Código Civil, in verbis: Da Escrituração Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. (...) Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 687 22 § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Art. 1.185. O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diários e Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas para aquele. Art. 1.186. O livro Balancetes Diários e Balanços será escriturado de modo que registre: I a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis, pelo respectivo saldo, em forma de balancetes diários; II o balanço patrimonial e o de resultado econômico, no encerramento do exercício. (grifei) Além do que, nos termos do art. 18 do Decreto n. 3708/19, que regula a constituição de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, aplicase subsidiariamente a estas sociedades as disposições da Lei das Sociedades Anônimas. Logo, não há legislação que desobrigue a holding do dever de escriturar. Afirma a Recorrente que: "27 Converter uma sociedade de participação que não tem fim lucrativo em sociedade convencional sujeita a arbitramento de receita, constitui violência que não encontra guarida na Lei, constituindo nulidade insanável." É descabida esta afirmação, posto que a sociedade por quotas de responsabilidade limitada é sociedade empresarial e não pode ser comparada com sociedades sem fins lucrativos. Nesse sentido, destaquemse os seguintes excertos do contrato social da Recorrente: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 688 23 Portanto, correta a aplicação do método de apuração do imposto com base no lucro arbitrado nos termos do art. 530, inciso III do RIR/99. Alega a Recorrente que erros grosseiros foram cometidos quando da apuração da base de cálculo dos tributos, visto que a autoridade fiscal considerou como ganho de capital o valor total da operação realizada com terceiros (R$ 69.922.000,00), abatido o custo contábil (R$ 8.079.776,00), entretanto, teria deixado de abater a parcela retida no valor de R$ 21.000.000,00. Diferentemente das pessoas físicas que apuram o imposto de renda pelo regime de caixa, para as pessoas jurídicas, a regra geral é o regime de competência. Vide art. 187 da Lei da S/A: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Declara a Recorrente, de maneira genérica, que a parcela retida estaria sujeita à cláusula suspensiva, mas não esclarece quais seriam essas cláusulas suspensivas, nem traz prova do alegado. Dessarte, correta a quantificação da base de cálculo ao incluir valor constante da negociação de venda, mas ainda não pago em respeito ao regime de competência. Por conseguinte, não há que se acolher a preliminar de nulidade que alega erro na apuração da base de cálculo. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 689 24 Do Mérito 4. Da Exigência Tributária sobre a Operação de Alienação de Participação Societária A autoridade fiscal efetuou o lançamento dos tributos decorrente de omissão de ganho de capital na pessoa da Recorrente (TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA), pois entendeu que a operação de venda de participação societária (50%) da NPAP Alimentos S.A. (16.995.977 ações) para a Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda, por parte de seus sócios pessoas físicas, Sr. José Leonardo Turton (16.990.731 ações), Artur Reis Peixoto Filho (2.623 ações) e Isadora Turton Peixoto (2.623 ações), foi um planejamento tributário abusivo com objetivo de deslocamento da tributação do ganho de capital da pessoa jurídica (alíquotas de 25%, no IRPJ, e de 9%, na CSLL) para as pessoas físicas dos sócios (alíquota de 15%). A fiscalização concluiu que no ano de 2011, a Recorrente era a detentora da participação societária na empresa NPAP ALIMENTOS S.A.. e que a operação de vendas pelos sócios foi uma simulação. Transcrevese trecho do TVF: 38. No entanto, com intuito de se beneficiar da redução de pagamentos de tributos, dissimulou essa operação de venda de ações como se fora efetuada pelas pessoas físicas de seus sócios, formalizando, de forma antedatada, a “transferência” da referida participação societária para os seus sócios José Leonardo Turton (16.990.731 ações), Artur Reis Peixoto Filho (2.623 ações) e Isadora Turton Peixoto (2.623 ações); e subsequente venda “pelos sócios” para a empresa Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda. 39. A fiscalizada formalizou essa transferência através da 5ª alteração do seu Contrato Social, registrada na Jucepe em 12/03/2012, porém com data de 29/12/2010. Nessa transferência, as 19.995.977 ações foram avaliadas pelo seu valor contábil de R$ 8.079.776,00 (R$ 8.077.282,00 para o sócio José Leonardo Turton; R$ 1.247,00 para o sócio Artur Reis Peixoto Filho; R$ 1.247,00 para o sócio Isadora Turton Peixoto). A Recorrente alega que o Auditor desconsiderou atos jurídicos perfeitos e acabados porque alguns atos foram arquivados na Junta Comercial após o prazo de 30 dias previsto em lei e procurou mostrar que a venda foi de fato realizada pelos sócios. Informa que o propósito negocial de superar a cessão de direitos foi atingido com o arquivamento da 4a . Alteração do Contrato Social, o que permitiu o fechamento da operação na data do aludido arquivamento. Acrescenta que é reconhecido pelo próprio Conselho de Contribuintes que não é a data do registro que deve ser observada e sim a data de protocolo do pedido de registro, entre outros argumentos. Pois bem. O cerne da discussão diz respeito a existência de um planejamento tributário lícito ou de uma operação simulada com objetivo de obter economia de tributos. Primeiramente, é importante destacar a sequência dos fatos: Em 10/01/2011, foi registrado na JUCEPE alteração do contrato social datada de 30/11/2010 para transformação da sociedade NPAP Alimentos LTDA. por quotas de responsabilidade limitada em sociedade por ações, passando a ser denominada NPAP Alimentos S.A., e tendo as 33.991.954 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 690 25 quotas de valor nominal de R$ 1,00 transformadas em 33.991.954 ações nominativas, com valor nominal igual a R$ 1,00, emitidas aos dois únicos sócios da empresa: TURTONPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. (16.995.977 ações) e RNR – NEGÓCIOS E REPRESENTAÇÕES LTDA. (16.995.977 ações). Em 12/04/2011 Autenticação do Livro de Registro de Ações Nominativas nº 001, da NPAP ALimentos S.A., contendo registros com datas anteriores, desde 30/11/2010; Em 20/04/2011 foram arquivados na Jucepe Balanços Patrimoniais e Demonstrações do Resultado do Exercício Findos em 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008 e 31/12/2009 da Recorrente; Em 20/04/2011 foi registrado na Jucepe 3ª alteração do contrato social da TURTONPAR, datada de 15/12/2010, com a cessão e transferência: de 1.250 quotas de titularidade do Sr. Fernando Navaes Turton, para o Sr. José Leonardo Turton, pelo preço de R$ 1.250,00; e de 1.250 quotas de titularidade do Sra. Rafaela Navaes Turton, CPF nº para o Sr. José Leonardo Turton, pelo preço de R$ 1.250,00; Em 26/04/2011, foi registrado na Jucepe 4ª alteração do contrato social da TURTONPAR, datada de 16/12/2010, com elevação do capital social para R$ 8.100.000,00, mediante a emissão e subscrição de 8.090.000 quotas de valor nominal de R$ 1,00 cada, totalmente subscritas e integralizadas pelo sócio José Leonardo Turton com a utilização de ditos créditos que possuía perante a sociedade; Em 26/04/2011 Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações da NPAP Alimentos S.A, pelos sócios, para Indústria de Alimentos Bomgosto Ltda; Em 12/03/2012, foi registrado na Jucepe 5ª alteração do contrato social da TURTONPAR, datada de 29/12/2010, com redução do capital social de R$ 8.100.000,00 para R$ 20.000,00, com devolução de bens e direitos aos sócios, avaliados pelo valor contábil; com consequente cancelamento de 8.080.000 quotas do capital do valor nominal de R$ 1,00 cada uma, totalizando uma redução de capital de R$ 8.080.000,00. Neste documento está registrado que em decorrência da redução de capital social os sócios José Leonardo Turton, Artur Reis Peixoto Filho e Isadora Turton Peixoto receberam em devolução ações ordinárias nominativas da NPAP Alimentos S.A. (19.990.731, 2.623 e 2.6323 ações, respectivamente) e uma parte em dinheiro (R$ 224,00, R$ 1.247,00 e R$ 1.247,00, respectivamente); Em 30/03/2012, foi registrado na Jucepe Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 30/03/2012 da sociedade NPAP ALIMENTOS S.A. com deliberação da incorporação da sociedade pela empresa VITARELLA. Quando se analisa a sequência de operações sob o ponto de vista formal, constatase que em 26/04/2011, data em que foi firmado o Contrato de Compra e Venda, a Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 691 26 NPAP Alimentos S.A. pertencia à TURTONPAR e não aos sócios, uma vez que a operação de redução de capital que transferiu as ações nominativas da NPAP para as pessoas físicas de seus sócios se deu apenas em 12/03/2012. Ressaltese que as operações estão sendo analisadas do ponto de vista formal. Nesse sentido, a lei nº 8.934/94, que dispõe sobre o Registro Público de empresas mercantis e atividades afins, dispôs: Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; (...) Art. 32. O registro compreende: (...) II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; (...) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder.(grifei) Dessarte, ainda que a 5ª Alteração Contratual, que transferiu as ações da NPAP para os sócios, esteja datada de 29/12/2010, ela só foi levada a registro em março de 2012. Assim, para terceiros, compreendendose como um terceiro o Fisco Federal, visto que não foi parte do negócio, a transferência das ações ocorreu em 12/03/2012. Por conseguinte, a venda não poderia ter sido efetivada pelos sócios pessoas físicas, mas sim pela autuada TURTONPAR, que para todos os efeitos jurídicos era a detentora das ações da NPAP. Veja que a Lei de Registro permite que os efeitos do arquivamento retroajam à data constante do documento arquivado, desde que tivesse sido apresentado dentro do prazo de 30 dias de sua assinatura, o que não ocorreu. Importante ressaltar que a finalidade do registro não é apenas dar publicidade aos atos jurídicos das empresas mercantis, mas também garantia, autenticidade, segurança e eficácia. No caso em tela, a autoridade fiscal consultou os documentados arquivados na Junta Comercial para dirimir dúvidas quanto à veracidade das operações, justamente por ter vislumbrado indícios de simulação na operação de venda de participação societária, com devolução de capital. A data de registro do documentos, que servem para dar garantia, Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 692 27 autenticidade e segurança jurídica, terminam por ratificar os indícios de simulação levantados pela fiscalização. A Recorrente argumenta que "para tentar justificar a autuação, os Agentes Autuantes deixam de considerar o instrumento contratual que formalizou a operação de venda de ações, o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças para tentar se apegar a detalhes de arquivamento que tem seu fim limitado ao efeito de publicidade e jamais de atribuir nulidade aos atos praticados entre as partes". Como dito, a finalidade única do registro dos atos jurídicos não é dar publicidade, mas também dar eficácia desses atos perante terceiros. E a autoridade fiscal não atribuiu nulidade aos atos praticados pelas partes, apenas procurou demonstrar que eles não aconteceram na sequência alegada pelo contribuinte e, que a transferência das ações da TURTONPAR para os seus sócios foi antedatada. Também não procede a alegação da Recorrente de que os Auditores deixaram de considerar o instrumento contratual que formalizou a operação de vendas das ações, como suficiente para indicar que a alienação foi realizada pelos sócios. Ao contrário, o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças mostra que a TURTONPAR e a RNR participaram da negociação na condição de anuentes, condição esta dispensável se de fato as ações pertencessem às pessoas físicas e não a holding. Logo, sob o ponto de vista formal, resta comprovado que a ações da NPAP Alimentos S.A. pertenciam à Recorrente e não aos seus sócios, e portanto, procede o lançamento de ganho de capital na pessoa jurídica da TURTONPAR. O art. 142 do Código Tributário impõe à autoridade fiscal o dever de verificar a ocorrência do fato gerador e identificar o sujeito passivo, ou seja, tem a obrigação de perquirir a verdade material dos fatos. Neste diapasão, sob o ponto de vista material, verificase que não há substrato econômico na operação de aumento de capital procedida em 16/12/2010, no valor de R$ 8.090.000, com créditos que o sócio Leonardo Turton detinha perante a sociedade, para apenas 13 dias depois haver a redução de capital social de R$ 8.080.000, utilizando por fundamento o capital excessivo. Vide trecho da 5ª Alteração Contratual (fls. 203215): O art. 1082 do Código Civil possibilita a redução do capital nos seguintes termos: Art. 1.082. Pode a sociedade reduzir o capital, mediante a correspondente modificação do contrato: Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 693 28 I depois de integralizado, se houver perdas irreparáveis; II se excessivo em relação ao objeto da sociedade.(grifei) Se mostra inteiramente desarrazoado o aumento de capital, de uma holding, que segundo a própria Recorrente nunca teve atividade, para apenas 13 dias depois, reduzilo por ser considerado excessivo. A Autuada afirma que "verificase, sem grande esforço, que as operações realizadas pela Recorrente, além de terem uma finalidade e congruência dos atos, foram praticadas sob o amparo das normas vigentes e foram devidamente registradas, não podendo ser consideradas como mero estratagema para auferir ganho tributário, em prejuízo do fisco federal ". Em momento algum, a Recorrente indica qual a razão para proceder ao aumento de capital, tampouco demonstrou a origem do créditos que o sócio Leonardo Turton possuía perante a sociedade e que foram utilizados para integralizar o capital. Também não apresentou escrituração digital dessas operações, quais sejam: a que gerou crédito para o Sr. Leonardo, bem como o aumento e redução de capital supostamente realizados em dezembro de 2010. Ao contrário, a Recorrente afirmou em seu recurso que a holding durante toda a sua existência jamais realizou uma operação(fl. 607). Então perguntase: como poderia o Sr. Leonardo Turton ter créditos perante a sociedade? Se não realizava operações, por que precisou aumentar o capital? Se houve alguma justificativa para aumentar o capital, que não foi informada pela Recorrente, por que essa justificativa desapareceu logo após 13 dias? Data maxima venia, não é possível identificar a finalidade e congruência dos atos que não a redução indevida da carga tributária através da prática de uma operação de venda simulada pelas pessoas físicas, quando a real alienante da participação societária foi a TURTONPAR. Também não procede o argumento de que os atos foram praticadas sob o amparo das normas vigentes e foram devidamente registradas, uma vez que a redução do capital e a transferência das ações só foram levadas a efeito em março de 2012. A Recorrente alega que a rigor e como já reconhecido pelo próprio Conselho de Contribuintes, não é a data do registro que deve ser observada e sim a data de protocolo do pedido de registro e que a única alteração contratual que não tinha sido arquivada pela JUCEPE na data da celebração do contrato de compra e venda em 26/04/2011 foi a 5a. Alteração Contratual cujos efeitos de tradição das ações foram ratificados pela escrituração dos livros Registro de Ações Nominativas e Registro de Transferência de Ações Nominativas. A 5ª Alteração Contratual é a mais relevante para a resolução do litígio em comento, pois é ela quem promove a transferência das ações da Recorrente para a pessoa física de seus sócios. Esta alteração foi protocolada em 07/03/2012, teve uma exigência, e foi deferida em 12/03/2012. Sendo assim, ainda que os efeitos da alteração retroagissem à data do protocolo, só antecipariam seus efeitos em 5 dias. Ressaltese que a alteração faz referência a uma redução de capital que supostamente teria ocorrido em 29/12/2010. Vide abaixo tela do protocolo (fl.203): Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 694 29 Outrossim, a alteração do capital social perante o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica só foi transmitida em 09/03/2012. É possível que a 5ª alteração tenha sido transmitida à Receita Federal por exigência da Junta Comercial, que fez com que o pedido da 5ª Alteração só fosse deferido em 12/03/2012. Vide excertos do documento constante fl. 208: Além disso, a DIPJ/2011 da NPAP Alimentos S.A., que traz a situação da empresa em 31/12/2010, deveria apontar como acionistas Leonardo Turton, Artur Reis Peixoto Filho e Isadora Turton Peixoto, mas não, aparecem como sócios as pessoas jurídicas RNR e TURTONPAR, cada uma com participação de 50% do capital social. Concluise que a TURTONPAR foi a real alienante da NPAP Alimentos S.A. para a Industria de Alimentos Bomgosto Ltda (Vitarella), e portanto, deve ser mantido o lançamento em sua integralidade. 5. Da Inclusão de Parcelas Não Pagas para Apuração do Imposto Arbitrado Defendeu a Recorrente que a parcela retida de R$ 21.000.000 (vinte e um milhões) não poderia integrar a base de cálculo dos tributos. Esta questão de mérito foi analisada quando a Recorrente arguiu nulidade por erro de apuração na base de cálculo em face da inclusão de parcelas não pagas. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 695 30 Ratificase que foi correta a apuração da base de cálculo ao incluir valor constante da negociação de venda, mas ainda não pago em respeito ao regime de competência. O preço de aquisição da NPAP Alimentos S.A. acordado no Instrumento Particular de Compra e Venda no valor de R$ 69.922.000,00, dividido em uma parcela livre (R$ 48.922.000,00) e outra retida (R$ 21.000.000,00). Essa parcela foi retida como uma forma caução para garantir o pagamento de contingências em discussão judicial ou administrativa. Esses valores, ainda que retidos, já pertencem de direito aos alienantes, tanto que na cláusula 5.3 do contrato consta autorização dos vendedores para que a compradora compense, a qualquer momento e de qualquer modo que se faça necessário, a parcela retida com o pagamento de obrigações de indenização, multas ou despesas de responsabilidade dos vendedores (fl.75). Portanto, a autoridade fiscal efetuou o cálculo corretamente ao incluir a parcela retida na base de cálculo dos tributos. 6. Do Confisco Alega a Recorrente que o lançamento tem efeito confiscatório, o que impõe seu cancelamento sob pena de afronta à Carta Magna Federal. Acerca do tema, ratifico a decisão de piso que se pronunciou nos seguintes termos: 28. Não existe um patamar prédefinido que permita dizer se um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, eventualmente, ao órgão judicial competente, no controle de constitucionalidade. Ou seja, essa vedação constitucional não se dirige ao aplicador da lei. 29. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento tributário. Este é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art.3º do CTN, é atividade administrativa plenamente vinculada, donde a alegação de ofensa ao princípio da vedação ao confisco não pode ser oponível às autoridades administrativas, dado que estas se encontram plenamente vinculadas aos ditames legais (art. 116, inciso III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990), mormente quando do exercício do controle da legalidade do lançamento (art. 142 do CTN). O lançamento tomou por base as alíquotas dos tributos, bem como os percentuais de multa, previstos em lei. Não cabe à autoridade julgadora se manifestar acerca da inconstitucionalidade destas lei. Nesse sentido a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste ponto, voto por negar provimento ao recurso. 7. Da Exigência de Juros sobre Multa O contribuinte questiona a ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10480.725005/201612 Acórdão n.º 1301003.728 S1C3T1 Fl. 696 31 Esta matéria restou pacificada no âmbito do CARF que editou Súmula Vinculante nº 108, publicada no Diário Oficial da União em 11/09/2018, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, voto por manter a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, não acolher as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO para manter o lançamento em sua integralidade. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 696DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000346/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando constatado que o acórdão contém omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciar-se e contradição entre a decisão e seus fundamentos.
No caso, há vícios de omissão e contradição apontados, devendo ser sanados, sem efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada o julgamento dos juros sobre multa de ofício, uma vez que esta matéria restou prejudicada quando a Turma decidiu cancelar o lançamento do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, e excluir do acórdão embargado nº 1301-002.816 o julgamento dos juros sobre a multa de ofício, ratificando o decidido no Acórdão 1301-002.816 no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
Giovana Pereira de Paiva Leite - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: GIOVANA PEREIRA DE PAIVA LEITE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO SEM EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando constatado que o acórdão contém omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse e contradição entre a decisão e seus fundamentos. No caso, há vícios de omissão e contradição apontados, devendo ser sanados, sem efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada o julgamento dos juros sobre multa de ofício, uma vez que esta matéria restou prejudicada quando a Turma decidiu cancelar o lançamento do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, e excluir do acórdão embargado nº 1301002.816 o julgamento dos juros sobre a multa de ofício, ratificando o decidido no Acórdão 1301002.816 no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 46 /2 01 0- 62 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16643.000346/201062 Acórdão n.º 1301003.730 S1C3T1 Fl. 705 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 339348), referente ao anocalendário 2007, decorrente de falta de adição ao lucro líquido de lucros auferidos no exterior por empresa controlada. Além dos tributos, houve o lançamento de multa de ofício 75% e juros moratórios, nos seguintes valores: O contribuinte foi cientificado da autuação em 07/12/2010, através dos Correios, conforme Aviso de Recebimento de efl.365. Irresignado, apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente através do acórdão DRJ nº 1657.752 (efls.473487), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por controlada ou coligada no exterior (inclusive os transferidos para a reserva legal), para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM PREJUÍZOS ACUMULADOS. PROVA. Na ausência de comprovação quanto à existência de prejuízos acumulados de exercícios anteriores em empresa situada no exterior e controlada da contribuinte, deve ser mantida a autuação fiscal que considerou disponibilizado para a controladora o lucro auferido pela controlada. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16643.000346/201062 Acórdão n.º 1301003.730 S1C3T1 Fl. 706 3 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado do CARF decidiu por unanimidade dar provimento ao recurso através do acórdão nº 1301002.816. O referido julgado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007 Ementa: VARIAÇÃO CAMBIAL DO INVESTIMENTO. A mera variação contábil do investimento avaliado pelo MEP não influencia na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM PREJUÍZOS ACUMULADOS. COMPROVAÇÃO. A contribuinte logrou êxito ao colacionar documentos que evidenciam a existência de prejuízos acumulados de exercícios anteriores em empresa situada no exterior e controlada da contribuinte. Ao tomar ciência do acórdão do CARF, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (efls. 693697), os quais foram admitidos por meio de despacho de admissibilidade do Presidente de Turma constante de efls.700702. A Procuradora alega que houve omissão no acórdão embargado, posto que decidiu pela não incidência do juros sobre a multa de ofício, entretanto não se manifestou acerca do fato de a DRJ ter consignado que a matéria juros sobre multa de ofício não fazia parte da lide, uma vez que os juros estariam incidindo tão somente sobre os tributos. Também contesta o fato de a decisão embargada ter se manifestado sobre a incidência do juros sobre multa de ofício, mesmo após ter cancelado o auto de infração, sem reconhecer a prejudicialidade desta matéria em relação àquela. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16643.000346/201062 Acórdão n.º 1301003.730 S1C3T1 Fl. 707 4 Voto Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite Relatora Os embargos atendem os requisitos de sua admissibilidade, por isso deles conheço. A Procuradora alega que o acórdão embargado foi omisso pois decidiu sobre matéria (juros sobre multa de ofício) que a DRJ entendeu que não fazia parte da discussão, uma vez que os juros de mora estavam incidindo apenas sobre o tributo. Transcrevese a trecho da ementa e do voto da decisão da DRJ: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. (...) Dos juros sobre a multa de ofício. Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que essa matéria não faz parte da presente lide, pois na exigência consubstanciada nos Autos de Infração objeto do presente processo os juros de mora estão incidindo apenas sobre o valor do tributo, e não sobre a multa de ofício. Quanto à possibilidade de isso vir a ocorrer, cumpre observar que o efetivo cálculo dos juros configura matéria a ser discutida no âmbito da cobrança do tributo lançado, no qual não atua esta Delegacia de Julgamento, em função de sua atribuição específica. Os juros serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após tornarse definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Assim, esta autoridade julgadora não se manifesta a respeito dos critérios legais de cálculo dos juros incidentes sobre o crédito tributário a ser recolhido em fase de cobrança administrativa. Os valores de IRPJ, multa e juros expressos no auto de infração constam das tabelas abaixo: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16643.000346/201062 Acórdão n.º 1301003.730 S1C3T1 Fl. 708 5 Ao observar as tabelas, percebese que o IRPJ tinha como vencimento 31/03/2008, enquanto que o vencimento da multa de ofício é estabelecido a partir da data de ciência do auto, que ocorreu em 07/12/2010. Os juros expressos no auto (R$ 181.980,48) foram calculados para o IRPJ de 31/08/2008 até 30/11/2010, data em que o Auditor concluiu a elaboração do auto e correspondem a 28,83% do valor devido do imposto. No que diz respeito a incidência dos juros sobre a multa de ofício, eles só poderiam incidir a partir da data de vencimento da penalidade, estabelecida em 08/01/2011 (30 dias após a ciência). Este seria o prazo a quo para a contagem da incidência dos juros sobre a multa, logo não poderiam constar expressamente do auto, tendo em vista que seu valor exato é definido em função da data do efetivo pagamento. A previsão para a incidência dos juros sobre a multa deveria constar da fundamentação legal do lançamento. A despeito das inúmeras divergências no CARF acerca da incidência ou não dos juros sobre a multa de ofício, que deram origem à edição da Súmula CARF nº 108 "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.", fato incontroverso é que o fundamento legal para imposição dos juros sobre a multa se encontra no art. 61, §3º da lei 9430/96, abaixo transcrito: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ao buscar o fundamento legal para a imposição dos juros de mora no caso em comento, verificase que para o auto de IRPJ o fundamento foi o art. 6º, §2º da lei nº Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16643.000346/201062 Acórdão n.º 1301003.730 S1C3T1 Fl. 709 6 9430/96 (efl.341) e para o auto da CSLL, consta como base legal o art. 28 c/c art. 6º, §2º da lei nº 9430/96 (efl.345), in verbis: Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) (Redação vigente à época do lançamento) Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Com efeito, restou acertada a decisão da DRJ quando declara que a incidência dos juros sobre a multa de ofício, que tem fundamento legal no art. 61, §3º da lei nº 9430/96, estava fora do escopo do lançamento. Ressaltou ainda que esta matéria poderia ser aventada no momento da execução do julgado, todavia não constou do auto de infração. Os juros referenciados na autuação limitam seu campo de incidência ao IRPJ e à CSLL. Assiste razão ao embargante quando aponta necessidade de aclarar o decisum, visto que houve uma omissão na medida em que o acórdão do CARF decidiu por afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, enquanto a DRJ declarou que a matéria não fazia parte da lide. Logo, não caberia à decisão embargada adentrar no mérito desta matéria, tendo em vista que ela não foi objeto da autuação. A Procuradoria aponta ainda o que seria uma segunda omissão, nos seguintes termos: Além disso, verificase que a decisão embargada decidiu sobre a matéria, não obstante no capítulo antecedente tenha concluído que “deve ser reformada a decisão da DRJ, uma vez que não houve apuração de resultado passível de tributação no anocalendário de 2007”. Logo, como foi cancelado o Auto de Infração, a matéria relativa à incidência de juros de mora sobre multa de ofício estaria prejudicada, uma vez que está atrelada à manutenção (total ou parcial) do lançamento. Daí evidenciado o vício da omissão, pois a decisão embargada decidiu sobre a matéria sem observar e sem se manifestar sobre essa particularidade. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16643.000346/201062 Acórdão n.º 1301003.730 S1C3T1 Fl. 710 7 Constatase que não se trata propriamente de uma omissão. Mas se pode afirmar que houve uma contradição, na medida em que o Colegiado decidiu acerca da incidência dos juros sobre a multa de ofício, quando esta questão resta prejudicada, a partir do momento em que o Turma julgadora reformou a decisão da DRJ e entendeu que não houve resultado passível de tributação no anocalendário 2007. O cancelamento da multa de ofício é decorrência lógica da extinção do obrigação principal em relação ao IRPJ e a CSLL, que lhe serve de base de cálculo. Também por decorrência lógica, estariam cancelados os juros sobre a multa de ofício, caso tivessem sido objeto da autuação. É de se ressaltar que a questão do juros sobre multa de ofício não constou da ementa do acórdão. Isto resultou de um equívoco, posto que o julgamento do tema teria cabimento apenas se o relator restasse vencido em relação à tributação dos lucros auferidos no exterior. Nesse sentido, voto por acolher os embargos e sanar a omissão e a contradição, sem efeitos infringentes para: excluir do acórdão embargado nº 1301002.816, o julgamento dos juros sobre a multa de ofício, nos termos do voto; ratificar a acórdão embargado nº 1301002.816, no diz respeito ao cancelamento integral do auto de infração, em razão da conclusão do Colegiado pela inexistência de resultado tributável no anocalendário 2007, referente a lucros auferidos no exterior por empresa coligada. (Assinado digitalmente) Giovana Pereira de Paiva Leite Fl. 710DF CARF MF
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