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Numero do processo: 13807.006965/2004-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. REGIME ALTERNATIVO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS). IMPOSSIBILIDADE.
A Lei nº 10.276/2001 instituiu regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, com critérios diferentes daqueles previstos na Lei nº 9.363/96 - uma das diferenças reside em que a própria Lei passou a dispor que a composição da base de cálculo deve ser feita pelo somatório de custos sobre os quais tenham incidido as contribuições (art. 1º, § 1º) - razão pela qual não há como transportar o entendimento firmado em recurso repetitivo e sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Súmula STJ 494) de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins -, porquanto baseados na interpretação da Lei nº 9.363/96, sem levar em conta o texto da Lei nº 10.276/2001.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu efetivo pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Trata-se de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido, em relação à parcela deferida pela DRF. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e (b) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto ao direito de incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido no regime alternativo. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Amador Outerelo, OAB/DF Nº 7.100.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 10.276/2001. REGIME ALTERNATIVO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS). IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 10.276/2001 instituiu regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, com critérios diferentes daqueles previstos na Lei nº 9.363/96 uma das diferenças reside em que a própria Lei passou a dispor que a composição da base de cálculo deve ser feita pelo somatório de custos sobre os quais tenham incidido as contribuições (art. 1º, § 1º) razão pela qual não há como transportar o entendimento firmado em recurso repetitivo e sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Súmula STJ 494) de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins , porquanto baseados na interpretação da Lei nº 9.363/96, sem levar em conta o texto da Lei nº 10.276/2001. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu efetivo pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 69 65 /2 00 4- 12 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em, (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido, em relação à parcela deferida pela DRF. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e (b) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto ao direito de incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido no regime alternativo. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento o Dr. Amador Outerelo, OAB/DF Nº 7.100. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fls. 1/7) correspondente a crédito presumido de IPI do 2º trimestre de 2013 (01/04 a 30/06/2013), com fundamento na Lei nº 10.276/2001. A Delegacia da Receita Federal de São Paulo/SP (DRF) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento (fls. 852/864), resumindo seu entendimento na seguinte ementa: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO Contribuinte faz jus a incentivo fiscal com o título de crédito presumido do IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, incidentes sobre matériasprimas, produto intermediário e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados ao exterior, instituído pelas Leis 9.363/96 e 10.276/2001. Entretanto, quando se tratar de compra de insumos não contemplados pela legislação regente do Crédito Presumido (não contribuintes – pessoas físicas e cooperativas – insumos importados, fretes), esses não geram direito ao crédito presumido – IN SRF 23/97 e 103/97. Em se tratando de produtos não tributáveis, sua exportação deve ser excluída do montante dos produtos exportados, para fins de cálculo de coeficiente a ser aplicado sobre a base de cálculo do crédito presumido – IN SRF 69/2001 e 315/2003, §1º, art. 21. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13807.006965/200412 Acórdão n.º 3403002.683 S3C4T3 Fl. 2.604 3 É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC por ausência de autorização legal. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE RECONHECIDO. A DRF entendeu que a contribuinte teria direito ao crédito presumido de IPI em razão da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de mercadorias destinadas à exportação. Todavia, deveriam ser excluídos do cálculo do benefício pleiteado os valores referentes a insumos adquiridos de cooperativas de produtores e de pessoas físicas, pois neles não estão inclusos os custos representados pela contribuição de PIS/Cofins. Por esse motivo deveria ser aplicado o art. 2, §2º da IN SRF 23/97 combinado com o art. 2 da IN SRF 103/97. Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997 Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Instrução Normativa SRF Nº 103, de 30 de Dezembro de 1997 Art. 2° As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Outrossim, a Fiscalização identificou que além de outros produtos, a contribuinte produz e comercializa com o mercado externo “óleo destilado de soja (Tocopherol) e outros grãos de soja, mesmo triturados” (fl. 836), mercadorias que embora sejam exportadas, deveriam ser excluídas do cálculo do crédito presumido, uma vez que não são tributáveis segundo a tabela TIPI. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1.486/1.544) sustentando, em síntese, que: a) pela leitura conjunta das Leis 9.363/96 e 10.276/2001 não é necessário que haja aquisição tributada dos insumos adquiridos no mercado interno para que seus valores de compra integrem o cálculo do crédito presumido, uma vez que no custo desses insumos estariam inclusos ônus tributários que teriam incidido “em cascata” sobre todas as etapas anteriores do processo produtivo. Por esse motivo não deveria ser excluída da base de cálculo do incentivo os insumos adquiridos de fornecedores de pessoas físicas e rurais; b) a legislação que institui o crédito presumido de IPI determina que somente empresas produtoras e exportadoras são beneficiárias, todavia, Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 não exclui as receitas de exportação de produtos NT da receita operacional bruta, que compõe a base de cálculo; c) a demora da Fiscalização em homologar o Pedido de Ressarcimento teria comprometido o auxílio financeiro que o crédito de IPI proporciona ao beneficiário, portanto, a aplicação da taxa SELIC ao valor que deve ser ressarcido seria medida que se impõe; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1421.127, de 22/10/2008 (fls. 1.612/1.628), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre produtos industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Solicitação indeferida. A DRJ entendeu que (i) não restou provado se as cooperativas e pessoas físicas que fornecem insumos para a recorrente seriam contribuintes do PIS/Pasep ou da Cofins; que (ii) as mercadorias comercializadas pela recorrente classificadas como NT devem ser excluídas da base de cálculo do benefício, porque são condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido que o produto exportado seja industrializado e tributado pelo IPI; e que (iii) estando a Fazenda Nacional na posse de quantia recebida licitamente, não há analogia possível entre ressarcimento e repetição de indébito, sendo incabível a incidência da taxa Selic; O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.632/1.714) reiterando os mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13807.006965/200412 Acórdão n.º 3403002.683 S3C4T3 Fl. 2.605 5 Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 12/12/2008, dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 01/12/2008. Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. Divido o enfrentamento do recurso em dois temas: a) O crédito na aquisição de não contribuintes. A Lei nº 10.276/2001 instituiu regime alternativo de apuração do crédito presumido de IPI, com critérios diferentes daqueles previstos na Lei nº 9.363/96. Uma das diferenças reside em que a própria Lei passou a dispor que a composição da base de cálculo deve ser feita pelo somatório de custos sobre os quais tenham incidido as contribuições (art. 1º, § 1º). Sabese que o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, em recurso repetitivo e depois em súmula (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Súmula STJ 494) de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. Ocorre que o referido entendimento baseouse na interpretação do texto da Lei nº 9.363/96. Não levou em conta o texto da Lei nº 10.276/2001. Em especial, não levou em conta o texto do parágrafo 1º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 que, a meu ver, introduziu textualmente este novo critério, qual seja, de que a base de cálculo para a apuração do crédito apenas é formada por custos que tenham sofrido a oneração das contribuições. Na Lei nº 9.636/96, a definição da base de cálculo é feita nos termos do art. 2º, o qual dispõe que “A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador” (grifo editado). Na Lei nº 10.276/2001, a base de cálculo é estabelecida da seguinte forma (art. 1º, § 1º): § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Entendo, por isso, que sob o regime da Lei nº 10.276/2001 não há direito ao crédito presumido em relação ‘a aquisição de nãocontribuintes. b) A atualização pela Taxa Selic A atualização, no caso dos pedido de ressarcimento, tem como causa a demora do Fisco no reconhecimento e efetiva satisfação do direito pleiteado pelo contribuinte. Apenas no momento em que o contribuinte toma conhecimento de que lhe não houve a atualização do seu direito de crédito, ou que tenha sido recusado o direito à atualização, é que pode, então, insurgirse para assegurar o direito de que o crédito seja atualizado. Não se pode falar, portanto, na contagem de prazo prescricional contra o contribuinte em relação a momento anterior, pretendendo que o início deste prazo seja o mesmo do exercício do direito de crédito. Quanto ao mérito do direito de atualização, o Superior Tribunal de Justiça firmou em recurso repetitivo o seguinte entendimento: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13807.006965/200412 Acórdão n.º 3403002.683 S3C4T3 Fl. 2.606 7 Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O mesmo entendimento foi reiterado pelo STJ em relação ao crédito presumido de IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF A atualização pela Taxa Selic, como visto, apenas se aplica se houver mora, aplicandose em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o seu efetivo pagamento pelo Fisco, ou aproveitamento pelo contribuinte, por meio de compensação. c) Conclusão Pelas razões expostas, voto pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer ao contribuinte o direito de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic em relação ao período compreendido entre a apresentação do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento ao contribuinte. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10730.009127/2007-88
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Deduz-se do rendimento considerado omitido o valor honorários advocatícios desembolsados em face da ação judicial que propiciou o respectivo recebimento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$9.438,04 (nove mil, quatrocentos e trinta e oito reais e quatro centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Deduzse do rendimento considerado omitido o valor honorários advocatícios desembolsados em face da ação judicial que propiciou o respectivo recebimento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$9.438,04 (nove mil, quatrocentos e trinta e oito reais e quatro centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 91 27 /2 00 7- 88 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 2202000.424, proferida pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção deste CARF, fls. 144 a 149, que reproduzo a seguir: “DERMEVAL ESQUETINO DE BARCELOS, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº (...), inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 67/69, prolatada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 81/95. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 11/09/2007, a Notificação Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/05), com ciência através de AR, em 26/09/2007 (fl. 18), na qual houve redução do imposto de renda a restituir de R$12.199,72 para R$ 1.952,50, relativo ao exercício de 2005, correspondente ao anocalendário de 2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização em revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver a omissão de rendimento do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 38.637,15, recebidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n.° 7.713 de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; arts. 43 e 45 do Decreto n.° 3000, de 1999 (RIR/99). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 22/10/2007, a sua peça impugnatória de fls.01/02, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, com efeito, não houve omissão de rendimentos, pois, na verdade, o que ocorreu é que o Ilustre Auditorfiscal não deduziu do total dos rendimentos o valor de R$20.336,37, que foi pago a titulo de honorários advocatícios ao profissional que patrocinou a referida Reclamação Trabalhista, o qual é dedutível uma vez que se trata de despesas necessárias à ação judicial; que, não obstante, não foi observado que, do total do credito recebido através da Justiça do Trabalho, 23,8251% correspondem a verbas de natureza indenizatória que estão isentas de tributação. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro RJ, concluíram pela procedência [parcial] do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, o interessado contesta o lançamento alegando que o valor considerado pela fiscalização como omissão de rendimentos consiste em honorários advocatícios referentes à Reclamação Trabalhista n° 883/01 (R$ 20.336,37) e em verbas indenizatórias, isenta de tributação; que, cumpre ressaltar que somente pode ser deduzido da base de calculo do imposto de renda o valor das despesas com ação judicial que tenha sido efetivamente suportadas pelo reclamante e desde que devidamente comprovadas pelo mesmo; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.009127/200788 Acórdão n.º 2802002.863 S2TE02 Fl. 151 3 que, a fim de comprovar os honorários pagos, o Contribuinte apresentou, inicialmente, os recibos de fls. 07 e 08. Nelas, os senhores José Guillherme Batista Pereira e Oswaldo Oliveira de Freitas afirmam ter recebido as quantias de R$6.778,79 e RS 13.557,58, respectivamente, a titulo de honorários advocatícios, sem especificar as ações em que atuaram; que, em relação ao senhor José Guilherme B. Pereira, a petição anexada à fl. 56 referese, a outro processo (processo n° 2005.001.1145843), que não corre na esfera trabalhista. Assim, considerando que o Contribuinte não logrou comprovar a atuação desse advogado na ação em comento, incabível a dedução dos honorários pagos do total recebido; que, também não é possível aceitar a dedução do valor pago ao senhor Oswaldo Oliveira de Freitas. Isto porque, para comprovar sua atuação, o Contribuinte limitouse a apresentar planilhas de fls. 50/53 com o carimbo desse advogado aposto, que não supre o requerido a ele na diligencia efetuada; [que a parcela isenta do imposto de renda corresponde ao FGTS no valor de R$16.272,48]; que, portanto, caberia ao contribuinte oferecer à tributação na Declaração de Ajuste o valor de R$ 51.807,76, relativo à Bradesco Vida e Previdência. Como o rendimento informado foi de R$ 29.150,75, cabe neste voto manter a omissão de rendimentos no valor de R$ 22.657,01, alterando o lançamento na forma do demonstrativo abaixo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação judicial, poderá ser deduzido da base de cálculos do imposto de renda o valor das despesas com a ação judicial correspondente, que tenham sido suportadas pelo reclamante, incluindo os honorários advocatícios, desde que devidamente comprovadas, e proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos. Impugnação Procedente em Parte. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/02/2011, conforme Termo constante a fl.76, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (14/03/2011), o recurso voluntário de fls. 81/95, com instrução de documentos adicionais fls. 96/128, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, todas estas circunstancias são possíveis e se fundamentam no principio da verdade material, pois o que se busca, durante todo o processo administrativo, é a verdade real dos fatos em contenda, e isto pode acontecer em qualquer fase ou instancia processual; que, não obstante a formalidades advindas da tipicidade tributaria, o que se deve perquirir e a verdade real dos fatos uma vez que o principio da verdade material e Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 o fundamento basilar da imposição tributaria e tem o escopo de o contribuinte fazer prova de fato e de direito em razão de comprovar que os honorários, conforme se vem demonstrado foram pagos aos advogados; que, alega autoridade fiscal que o contribuinte apresentou e (volta a apresentar) os recibos de honorários, com Firmas Devidamente Reconhecidas dos Advogados, honorários estes pagos ao advogado José Guilherme Batista Pereira que afirma ter recebido o valor de R$6.778,79 e o advogado de nome Oswaldo Oliveira de Freitas que recebeu efetivamente a quantia de R$ 13.557,58; que, é bem verdade que a Secretaria da Receita Federal tem, nos dias de hoje, meios hábeis, apetrechos tecnológicos e eficiência de cruzamento de informações para apurar a veracidade dos fatos alegados pelos contribuintes de boafé. Não pode na incerteza a autoridade fiscal tributar o contribuinte, uma vez que o CTN veda a utilização do tributo como sanção.” O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, tendo 2ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2802 000.424, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 144 a 149. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com a Notificação de Lançamento, fls. 5, a matéria tributada nos presentes autos se refere à “Omissão de Rendimentos do Trabalho com ou sem Vínculo Empregatício”, apurada a partir das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A decisão de primeira instância acolheu parcialmente a impugnação apresentada para excluir da base de cálculo tributada a importância de R$16.272,48 considerada isenta do imposto de renda pessoa física. Conforme se depreende da impugnação apresentada e do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, resta em discussão neste julgamento somente a questão relacionada à possibilidade da dedução das despesas desembolsadas para pagamento dos honorários advocatícios em razão do processo judicial que ensejou o rendimento considerado omitido pelo lançamento fiscal. Com o intuito de demonstrar a improcedência das razões pelas quais a decisão de primeira instância deixou de acolher os recibos emitidos pelo advogado José Guilherme Batista Pereira, no valor de R$6.778,79, e pelo advogado Oswaldo Oliveira de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.009127/200788 Acórdão n.º 2802002.863 S2TE02 Fl. 152 5 Freitas, no valor de R$ 13.557,58, fls. 7 e 8, o recorrente juntou cópia de algumas peças do processo judicial trabalhista, fls. 105 a 131 do processo digital. Nesse caso, forçoso concluir pela necessidade do exame desses novos elementos juntados aos autos pelo recorrente, extraídos do processo judicial nº 883/01, tendo em vista, inclusive, que prevalece no âmbito do contencioso administrativo a observância dos princípios da verdade material e da informalidade dos processos administrativos fiscais. Do exame desses elementos, constatase que o primeiro advogado citado como patrono da causa trabalhista foi quem firmou a petição inicial e demais requerimentos juntados aos autos do processo judicial, fls. 105 a 122 do processo digital. Já o segundo advogado, aparece como a pessoa que firmou as contestações juntados àqueles autos, conforme se vê das petições de fls. 123/124, bem como do substabelecimento de procuração 125. Por sua vez, as declarações que instruíram a impugnação apresentada pelo contribuinte, fls. 7 e 8, descrevem que os respectivos honorários advocatícios (totalizados em R$20.336,37) foram pagos pelo contribuinte no ano de 2004. Diante desse conjunto probatório, impõese a dedução da parcela de R$20.336,37, uma vez comprovado que o pagamento em referência possui relação com o recebimento do rendimento tributado pela Notificação de Lançamento, consoante autorização expressa no parágrafo único do art. 56, do Decreto nº 3.000, de 1999, RIR/1999. Por outro lado, conforme mencionado anteriormente, tendo em vista que uma parte do total dos rendimentos recebidos acumuladamente (no valor de R$16.272,48) foi considerada isenta do imposto de renda pela decisão de primeira instância, somente se considera para fins de dedução das despesas judiciais a parte diretamente proporcional aos rendimentos tributáveis. Isto porque, nos termos da legislação de regência, os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo esses honorários, pois, serem rateados entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Nesse sentido, considerando que o rendimento tributado originalmente pela Notificação de Lançamento correspondeu a R$38.637,15 e considerando que o valor tributável, remanescente, após o cômputo da parcela isenta considerada pela decisão de primeira instância, corresponder a R$22.657,11, há que se considerar dedutível somente os honorários advocatícios no valor de R$ 9.438,04, equivalentes a 58% (cinquenta e oito por cento) do rendimento tributável remanescente. Portanto, resta tributável o valor de R$ 13.219,07 (R$22.657,11 menos R$9.438,04). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base tributada o valor de R$9.438,04 (nove mil, quatrocentos e trinta e oito reais e quatro centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10830.721437/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A prática reiterada de omissão de receitas da atividade, culminando com a não-declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) e corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos, caracteriza o evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, sujeitando a autuada à multa de ofício qualificada, de 150 % do crédito tributário apurado em ação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1402-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A prática reiterada de omissão de receitas da atividade, culminando com a nãodeclaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) e corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos, caracteriza o evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, sujeitando a autuada à multa de ofício qualificada, de 150 % do crédito tributário apurado em ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 14 37 /2 01 2- 11 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 816 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 817 3 Relatório Shin Hasegawa, Tieko Fukuda Hasegawa (espólio) e Carlos Sussumu Hasegawa, arrolados como responsáveis solidários da empresa Petromarte – Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda recorrem a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase dos Autos de Infração lavrados em 14/03/2012, abrangendo o ano calendário de 2007, e relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, com lançamento no valor total de R$ 92.497.646,78, aí incluídos principal, multa de ofício aplicada no percentual de 150% e juros de mora calculados até 03/2012. ... As circunstâncias que ensejaram a autuação estão consubstanciadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 507/538, formalizado com indicação, na qualidade de contribuinte, da pessoa jurídica fiscalizada Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo S/A. CNPJ nº 03.632.191/000100 e, na qualidade de sujeito passivo (responsáveis tributários) as pessoas físicas (1) Tieko Fukuda Hasegawa, CPF/MF nº 063.038.60800, (2) Shin Hasegawa CPF/MF nº 137.685.49887 e (3) Carlos Sussumu Hasegawa, CPF/MF nº 100.332.84822, e descrevendo o que segue: Tratase de ação fiscal levada a efeito na empresa PETROMARTE DISTRIBUIDORA DE DERIVADOS DE PETRÓLEO LTDA., CNPJ 03.632.191/000100, doravante denominada fiscalizada. I A EMPRESA 1. A fiscalizada é sociedade por cotas de responsabilidade Ltda., e tem por atividade, o comércio atacadista de álcool carburante, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes não realizados por transportador retalhista. 2. Seu quadro societário é formado pelo Sr. Shin Hasegawa, CPF 137.685.49887, com 50% das cotas e Sra. Tieko Fukuda Hasegawa, CPF 063.038.60800, com 50% das cotas remanescentes. 3. Possui como procurador principal, o Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, CPF 100.332.84822, médico, filho dos sócios. 4. Apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no ano calendário em questão, pela sistemática do Lucro Real Anual, com valores zerados para o anocalendário 2007. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 818 4 5. Também, apresentou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), também com valores zerados para o ano calendário 2007. 6. Declarou para Fisco do Estado de São Paulo um faturamento de R$ 372.377.319,15 para o anocalendário 2007. 7. Através de alterações efetuadas na JUCESP, em 10/04/2008 a fiscalizada foi transformada de LTDA para S/A e em 20/07/2011 seu domicilio fiscal foi alterado para o endereço: Av Antônio Fadim, 751, Cascata, Paulínia, SP. II A AÇÃO FISCAL 8. A ação fiscal iniciouse em 16/07/2010, através da afixação na repartição do Edital SEFIS n° 238/2010, para ciência do Termo de Constatação e Início de Fiscalização, tendo em vista o contribuinte se encontrar em lugar incerto e ignorado. 9. Com efeito, conforme o aludido Termo de Constatação e Início de Fiscalização, lavrado em 16/07/2010, quando do comparecimento ao domicílio fiscal do contribuinte, conforme cadastro na RFB, verificouse que no local estava instalada outra empresa, qual seja: Tercom Terminal de Armazenagem de Combustível Ltda, CNPJ 09.361.622/000110, portanto, não se logrou êxito em localizála. 10. Também, visando conceder aos sócios a ampla defesa, o referido Termo foi encaminhado ao sócio Sr. Shin Hasegawa, tendo sido recebido por AR em 22/07/2010, porém, o mesmo até a presente data não se manifestou, não outorgou mandato a um procurador, preferindo permanecer oculto durante toda auditoria. 11. O exame descrito neste Termo de Verificação Fiscal foi direcionado única e exclusivamente ao Imposto de Renda PJ e seus reflexos, no ano calendário 2007. 12. Em conformidade com o disposto no artigo 173, I combinado com o artigo 150 e parágrafo quarto, ambos do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) procedemos ao lançamento de ofício, na forma do artigo 142 do mesmo diploma legal, relativo aos fatos apurados, por este Serviço de Fiscalização concernente exclusivamente ao anocalendário 2007. 13. Visando à correta apuração do Lucro Real, a fiscalizada foi intimada várias vezes a apresentar os Livros Diário e Razão, através dos seguintes Editais afixados na repartição: a) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/353/2010 DE 01/10/2010; b) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/457/2010 DE 01/12/2010; c) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/054/2011 DE 28/01/2011; d) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/139/2011 DE 29/03/2011; e) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/232/2011 DE 27/05/2011; f) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/305/2011 DE 25/07/2011; g) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/393/2011 DE 30/09/2011; h) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/485/2011 DE 12/12/2011; i) EDITAL/SEFIS/Nº 10830/34/2012 DE 15/02/2012 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 819 5 14. Até a presente data, a fiscalizada não apresentou os Livros Diário e o Razão, nem, tampouco, justificou a sua não apresentação, inviabilizando a apuração através do lucro Real, motivo pelo qual o Lucro será apurado através do arbitramento. 15. Após tomarmos conhecimento da alteração de endereço na JUCESP, em 20/07/2011, foi lavrado novo Termo e encaminhado ao novo domicílio fiscal da fiscalizada, para ciência via postal mediante ARAviso de Recebimento. 16. A referida correspondência foi devolvida pelos correios com a indicação "Mudouse". 17. Por oportuno, esclarecemos que em 10/11/2010, foi encaminhado o Ofício 10.535/SEFIS/DRFCPS à Agência Nacional de Petróleo ANP (Diretor Regional em São Paulo), entidade reguladora do setor de combustíveis no país, solicitando à mesma que enviasse a esta fiscalização informações referente à fiscalizada, a saber: a) Dados cadastrais; b) Volume de comercialização da empresa, especificando o produto (gasolina, óleo diesel, álcool), por litro e por mês, de janeiro de 2007 a dezembro de 2007. 18. Em 01/12/2010, a ANP, por meio do Oficio n° 2865/2010/SAB, respondeu o Ofício mencionado no item anterior, encaminhando os documentos requeridos. 19. Mediante o exame da documentação analisada, chegouse às seguintes constatações: III DOS FATOS CONSTATADOS III.I DA AÇÃO FISCAL EM FACE DA FISCALIZADA NOS ANOSCALENDÁRIO 2004/2005/2006 20. Inicialmente cumpre esclarecer que a fiscalizada foi objeto de autuação nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006 nas mesmas infrações objeto do presente lançamento, quais sejam, omissões de receita da atividade. 21. Numa prática sistematizada, a mesma vem fraudando o fisco, deixando de recolher os valores dos tributos devidos, conforme quadro sintético à fl. 511. 22. Portanto, analisandose o quadro anterior, verificase que a fiscalizada, num flagrante desprezo para com a Fazenda Pública, nem ao menos se deu trabalho de apresentar impugnação dos Autos de maior valor, estando na Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança. III.II – DOS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS PELO FISCO ESTADUAL 23. Em outubro de 2007, a DEAT COMBUSTÍVEIS, Diretoria Executiva da Administração Tributária da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, encaminhou cópias Fl. 846DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 820 6 reprográficas do procedimento administrativo de cassação da inscrição estadual da fiscalizada (cadastro de contribuintes no ICMS) por diversas irregularidades constatadas, conforme Despacho exarado em 09/03/2007. 24. Dos documentos acostados, foram encontrados os depoimentos prestados ao Fisco Estadual pelos sócios Shin Hasegawa, Tieko Hasegawa e pelo procurador, Sr. Carlos Hasegawa, confirmandose que administravam conjuntamente a fiscalizada, sendo o principal administrador, o procurador Sr. Carlos. 25. Também, o Fisco Estadual constatou diversas discrepâncias fiscais e contábeis, não apenas com o ICMS, mas, também, com as DIPJ apresentadas (2004, 2005 e 2006). 26. O Fisco Estadual constatou que a fiscalizada prestou várias informações falsas acerca da integralização do capital social, tendo declarado o montante de R$ 30.000.000,00 para a JUCESP. 27. A função principal do Capital Social de uma empresa é a garantia dos credores e, é evidente que, quanto maior for o capital social integralizado, maior é a proteção destes. 28. Em síntese, para formação do capital social, a fiscalizada prestou informações inverídicas em relação a uma suposta Reserva de Reavaliação no montante de R$ 28.900.000,00 não declarada nas DIPJs. 29. Os Laudos de Avaliação apresentados que embasariam a Reserva de Reavaliação foram efetuados em data posterior ao da Alteração Contratual em que constava a informação da Reserva. 30. Portanto, o Fisco Estadual constatou que era inverídico o Capital de R$ 30.000.000,00, situação que denota que a mesma prestou informações falsas quanto à sua capacidade financeira de satisfazer os eventuais interesses de credores (Fazenda Pública). III DOS DOCUMENTOS ENCAMINHADOS PELA ANP 31. Também, verificamos que a Agência Nacional de Petróleo ANP, através do Ofício 2329/2008/SAB de 01/10/2008, prestou vários esclarecimentos, dentre os quais, que a fiscalizada somente foi autorizada a operar no mercado de combustíveis, de 2002 a 01/07/2008, através de medidas judiciais (Mandado de Segurança). 32. Assim, numa prática delituosa, a mesma também fraudou Fisco Federal em 2007, causando grave lesão aos cofres públicos. IV DA IRREGULARIDADE CONSTATADA OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE 33. É mister relembrar que a fiscalizada DECLAROU para o Fisco Federal valores ZERADOS de tributos a pagar nas DCTFs e na DIPJ, incidindo em omissão de receitas da atividade, eis que declarou vultosos valores para o Fisco Estadual (ICMS) e para a ANP. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 821 7 34. Todas as distribuidoras de combustíveis são obrigadas a apresentar mensalmente à ANP uma declaração denominada "DCP Demonstrativo de Controle de Produtos" indicando o volume, em litros, transacionado de gasolina, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado. 35. De acordo com a Portaria CNPDIPLAN n 221, de 25/06/1981, as empresas misturadoras e envasilhadoras, produtoras e distribuidoras de produtos derivados de petróleo, misturadoras e distribuidoras de AEAC (álcool etílico anidro combustível) e AEHC (álcool etílico hidratado combustível) grifo nosso, são obrigadas a preencher mensalmente o formulário denominado "Demonstrativo de Controle de Produtos DCP", no qual, são inseridos todos dados sobre produção, distribuição e consumo dos combustíveis retromencionados. 36. Este é um dos prérequisitos da ANP para que as distribuidoras sejam autorizadas a operar no mercado de combustíveis. 37. A Agência Nacional de Petróleo ANP encaminhou a esta fiscalização, em 01/12/2010, demonstrativos contendo volume em litros dos combustíveis transacionados, bem como outros documentos referentes à fiscalizada, inclusive informou que o registro da empresa estava "CANCELADO". 38. Assim, para a apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, levouse em consideração apenas o volume de álcool hidratado transacionado no período, tendo em vista que, a teor do artigo 42 da Medida Provisória 2.15835/01, as alíquotas das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da Venda de gasolinas exceto de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas, ficam reduzidas a zero a partir de julho de 2000. 39. Com base no volume de vendas informado no demonstrativo enviado pela ANP, bem como, consulta ao "site" da ANP, os quais indicam os preços praticados, separados por região, elaborouse o demonstrativo analítico que segue anexo a este Termo, cujos totais apresentamos a seguir. 40. Informamos que foram utilizados os valores médios dos produtos praticados no estado de São Paulo, os quais, por oportuno, são, na média, os menores valores do país. 41. Assim, não tendo sido possível a obtenção dos valores reais de vendas dos produtos, tendo em vista a omissão da fiscalizada, optouse, em benefício da mesma, em alocar os valores mínimos dos preços das distribuidoras, conforme quadros à fl. 515: 42. Também, através do Convênio de Cooperação Técnica RFB/GAB n° 02337/2008, celebrado em 30/05/2008 pela União (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e o Estado de São Paulo (Secretaria da Fazenda), publicado no DOU em 03/06/2008, extraímos os dados de apuração do ICMS (Nova GIA), tendo constatado um expressivo faturamento anual de R$ 372.377.319.15 (saída de combustíveis CFOP 5.651 a 5.666 e 6.651 a 6.666), cujos valores a seguir relacionados servirão de base de cálculo para a apuração do IRPJ e da CSLL: Fl. 848DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 822 8 Mês Vendas R$ jan/07 41.621.356,75 fey/07 32.013.509,39 mar/07 32.727.698,55 abr/07 39.498.559,47 mai/07 23.925.779,38 jun/07 32.533.238,41 jul/07 44.116.977,64 ago/07 45.761.793,89 set/07 32.233.906,33 out/07 2.049.427,41 nov/07 20.347.990,50 dez/07 25.547.082,13 Total 372.377.319,85 43. Os valores de apuração se encontram discriminados nas folhas em anexo do Presente Auto de Infração e suas folhas de continuação, juntamente com o demonstrativo de multa e juros de mora. V DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA V.I DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EM FACE DO PROCURADOR 44. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. 45. Conforme documentação acostada pela DEAT, verificouse que a administração da fiscalizada foi efetuada principalmente pelo procurador, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declarações prestadas pelo Sr Carlos e pela Sra Tieko: Sr. Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra. Tieko Fukuda Haseçiawa (sócia): "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". 46. Visando elucidar dúvidas quanto à administração da fiscalizada no anocalendário 2007, foi encaminhada ao Banco Bradesco S/A, a RMF 08104002010001175, solicitando informações sobre eventuais procuradores da empresa, bem como a movimentação financeira do ano calendário de 2007. 47. Constatouse a hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3° do Decreto 3.724/2001, inciso XI, tendo em vista que a fiscalizada declarou Fl. 849DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 823 9 receitas zeradas em suas declarações, mas efetuou uma movimentação financeira de R$ 65.129.219,74 em 2007, havendo indícios de interpostas pessoas. 48. Da análise dos documentos, encaminhados pelo Banco Bradesco, constatamos, procuração pública datada de 30/03/2000, por meio da qual a Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. nomeou e constituiu o Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, inscrito no CPF sob o n° 100.332.84822, seu procurador, outorgadolhe amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar os negócios da firma outorgante no tocante a todo o ramo de atividade em que possa representála, assinar e requerer todos os documentos necessários para a referida administração (...) representando os outorgantes perante todas as repartições públicas, (...) comprar e comercializar mercadorias, assinando e emitindo notas fiscais; (...) contratar e dispensar funcionários, etc. 49. Na seqüência, com base nos extratos bancários, foram solicitados ao Banco Bradesco RMF 08104002011001632, cerca de 30 cópias de diversos cheques, com os valores mais expressivos, a fim de conferir quem os assinava. 50. Novamente, constatouse a hipótese de indispensabilidade, prevista no art. 3° do Decreto 3.724/2001, inciso XI, tendo em vista que a fiscalizada declarou receitas zeradas em suas declarações, mas efetuou uma movimentação financeira de R$ 65.129.219,74 em 2007, havendo indícios de interpostas pessoas, sendo necessário buscar os eventuais beneficiários. 51. Em 04/07/2011, o Banco Bradesco encaminhou os referidos documentos solicitados. 52. De posse das cópias dos cheques, verificamos que os mesmos foram assinados pelo Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, o que corrobora que ele cumpria cabalmente a outorga da procuração, e, por conseguinte, administrava a empresa conjuntamente com os seus sócios. 53. Diante dos elementos e fatos apurados no curso do procedimento fiscal, verificamos que a empresa Petromarte atuou no ano de 2007 no comércio atacadista de combustíveis. 54. As atividades da Petromarte, como constatado, foram realizadas sob a gestão de seu administrador principal (mandatário): Carlos Sussumu Hasegawa que atuou efetivamente na sua administração, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal, bem como, deixou de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes (vide tópico IV. I). 55. Assim nos termos do inciso II do artigo 135 do Código Tributário Nacional é cabível a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Carlos Sussumu Hasegawa. 56. Por oportuno transcrevemos a seguir os aludidos dispositivos legais acompanhados de jurisprudência federal: Fl. 850DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 824 10 [....] V.II DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA EM FACE DOS SÓCIOS 57. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal e não ter havido qualquer comunicação à Secretaria da Receita Federal deste fato. 58. Tal situação foi corroborada pela informação prestada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a esta fiscalização (item acima), acerca do cancelamento do registro para distribuição de combustíveis da empresa Petromarte. 59. Também, foi corroborada pela cassação da inscrição estadual efetuada pelo Fisco do Estado de São Paulo em 09/03/2007. 60. Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. 61. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. 62. Na documentação acostada pela DEAT, verificouse que a administração da fiscalizada foi efetuada principalmente pelo procurador, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declarações prestadas pelo Sr Carlos e pela Sra Tieko: Sr. Carlos: "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko: "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". 63. Com efeito, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. 64. A adoção dessas condutas configuram infração à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam a responsabilização dos sócios administradores, com base no disposto no art. ,135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Fl. 851DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 825 11 65. Ademais, de acordo com a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente." 66. Desta forma, entendemos que deve atribuída ao Sr. Shin Hasegawa e Sra. Tieko Fukuda Haseqawa, sóciosgerentes e administradores da fiscalizada, responsabilidade tributária solidária pelo crédito tributário apurado, bem como ao seu administrador Sr. Carlos Sussumu Hasegawa. 67. Pois bem. Efetuados os registros concernentes à administração da empresa e à responsabilidade dos sócios administradores, passemos à apuração dos tributos devidos. VI DO DIREITO 68. Para o anocalendário 2007, tendo em vista o lançamento, aplicouse os dispositivos legais constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais dos Autos de Infração, o qual por oportuno, transcrevemos a seguir alguns dispositivos legais. VII DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 69. O Lucro da fiscalizada será arbitrado tendo em vista que a empresa não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração de suas receitas e à identificação da efetiva movimentação financeira da empresa que não permitem a apuração do Lucro Real Trimestral. 70. A base de cálculo do IRPJ deverá ser apurada em conformidade com a sistemática do Lucro Arbitrado, seguindo os mandamentos contidos no inciso III do artigo 530 do RIR/99, transcritos a seguir: [...] 71. O lançamento farseá de acordo com o artigo 532 do RIR/99, sendo o lucro arbitrado tomandose por base as receitas de revenda de combustíveis de acordo com os valores declarados para o Fisco do Estado de São Paulo, extraídos da Nova GIA: [...] VIII DA AUTUAÇÃO 72. A empresa está sendo autuada no anocalendário 2007, tendo em vista que declarou valores zerados dos tributos comprovadamente devidos, para o Fisco Federal. 73. Conforme item "41", a base de cálculo do PIS e da COFINS é somente sobre a venda de álcool hidratado, cujos valores foram obtidos multiplicando o volume de litragem mensal vezes o menor valor de álcool verificado no mês, em benefício da fiscalizada. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 826 12 74. Dos valores mensais aplicamse as alíquotas de 1,46% para o PIS e 6,74% para a COFINS, para o álcool hidratado, de acordo com o disposto no artigo 3° da Lei 9.990/2000. 75. Para uma melhor visualização, elaboramos o quadro a seguir contendo os valores apurados de PIS e COFINS, sendo oportuno esclarecer que não foram localizados recolhimentos dessas contribuições: Mês/Ano BASE DE CÁLCULO COFINS 6,74% PIS 1,46% jan/07 21.794.199,65 1.468.929,06 318.195,31 fev/07 14.944.008,00 1.007.226,14 218.182,52 mar/07 17.312.366,00 1.166.853,47 252.760,54 abr/07 24.265.912,25 1.635.522,49 354.282,32 mai/07 12.618.444,48 850.483,16 184.229,29 jun/07 20.298.378,20 1.368.110,69 296.356,32 ju!/07 27.821.535,30 1.875.171,48 406.194,42 ago/07 31.475.050,50 2.121.418,40 459.535,74 set/07 22.521.940,24 1.517.978,77 328.820,33 out/07 1.499.712,29 101.080,61 21.895,80 nov/07 11.965.322,86 806.462,76 174.693,71 dez/07 13.703.115,57 923.589,99 200.065,49 Total 220.219.985,34 14.842.827,01 3.215.211,79 76. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL é sobre a venda de todos os produtos, conforme GlAs apresentadas pela fiscalizada ao Fisco do Estado de São Paulo, conforme quadro a seguir, sendo oportuno esclarecer que não foram localizados recolhimentos desses tributos: Vendas 1° Trimestre 106.362.564,69 2° Trimestre 95.957.577,26 3° Trimestre 122.112.677,86 4° Trimestre 47.944.500,04 Total 372.377.319,85 IX DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 77. A fiscalizada não declarou o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos no anocalendário 2007 incidindo na multa qualificada tipificada no artigo 44 da Lei 9.430/96. 78. Com efeito, a mesma já havia sido autuada nos anos calendário 2004, 2005 e 2006 pela mesma infracão: omissão de receitas da atividade. 79. Portanto, a mesma vem reiteradamente fraudando o Fisco Federal desde 2004. 80. Frisese que mesmo tendo a sua inscrição estadual cassada em marco de 2007 continuou operando normalmente. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 827 13 81. Também, não apresentou sua escrituração (Livros Diário/Razão) referente ao anocalendário 2007, nem tampouco, justificou a sua não apresentação. 82. Em verdade, encaminhamos o Termo de Início para o endereço dos sócios, via postal, cujo Aviso de Recebimento AR retornou à repartição devidamente assinado. 83. Entretanto, não houve qualquer manifestação por parte dos sócios até a presente data, preferindo permanecerem ocultos. 84. Conforme já explanado anteriormente, a fiscalizada declarou como receitas tributáveis GIA (CFOP Saídas Base de cálculo do ICMS) o montante de R$ 372.377.319,15, a qual inclui a venda de todos os combustíveis. 85. Com efeito, a fiscalizada apresentou mensalmente à ANP a aludida declaração denominada "DCP Demonstrativo de Controle de Produtos" indicando o volume, em litros, transacionado de gasolina, óleo diesel, álcool anidro e álcool hidratado, com expressivos valores, conforme quadro do item "37", totalizando o montante de R$ 220.626.498,00 (pelos valores mínimos em favor da mesma). 86. Entretanto, para a Receita Federal do Brasil, apresentou a DIPJ e as DCTF com valores zerados. 87. A sua movimentação bancária no anocalendário 2007 alcançou o montante de R$ 65.129.219,74, e as informações de terceiros (DIPJ Compras de terceiros) que adquiriram combustíveis da fiscalizada alcançou o montante de R$ 139.641.513,66. 88. Conforme já explanado anteriormente, o Fisco Estadual constatou que a fiscalizada prestou informações falsas quanto á sua capacidade financeira de satisfazer os eventuais credores, dentre os quais, a Fazenda Pública. 89. Também, verificamos que a fiscalizada somente foi autorizada pela ANP a operar no mercado de combustíveis, de 2002 a 01/07/2008, através de medidas judiciais (Mandado de Segurança). 90. A combinação de tais fatos afastam a possibilidade de um mero erro escusável, eis que, apenas para a Fazenda Nacional a fiscalizada declarou receitas zeradas. 91. Não seria plausível que a fiscalizada declarasse para o Fisco Estadual o montante de R$ 372.377.319,15, para a ANP uma expressiva litragem de produtos vendidos (R$ 220.626.498,00 pelos preços mínimos), empresas adquirentes de seus produtos declarassem para o Fisco um montante de compras de R$ 139.641,513,66, e a mesma declarasse receitas zeradas para a Receita Federal do Brasil, com se estivesse inoperante. 92. O fato de a fiscalizada ter declarado ao Fisco Federal ZERO DE RECEITAS AUFERIDAS, mas declarado vultosas receitas para o Fisco Estadual, bem como para a ANP, denotam a evidente intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 828 14 93. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei nº 4.502/64: [...] 94. Ocorre, porém, que nos tipos penais acima transcritos há necessariamente um componente doloso, sem o qual não é possível a caracterização do ilícito. 95. Em outras palavras, para a ocorrência do crime, é necessário que a ação perpetrada tenha como finalidade prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre um fato juridicamente relevante. 96. Adentramos, assim, no campo das infrações subjetivas, em contraposição à regra geral da responsabilidade objetiva que impera no campo das infrações à legislação tributária. 97. Sobre os conceitos de infração objetiva e subjetiva, Paulo de Barros Carvalho ("Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 14a ed., p. 504 e ss) pontifica, in verbis: [...] 98. Cristalino, portanto, que para a configuração do crime no caso sob comento é preciso restar caracterizado que o autor do ilícito agiu com a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pela Fazenda Pública, do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS devidos no período sob ação fiscal. 99. É mister esclarecer que a caracterização do intuito doloso, na maioria das vezes, configura uma difícil tarefa, tendo em vista que a sua comprovação só pode ser evidenciada quando temos um determinado padrão da conduta delitiva associada a atos comissivos ou omissivos praticados de maneira inafastável. 100. O intuito doloso foi caracterizado pela prática de uma única infração: Prática reiterada de Omissão de Receitas da Atividade culminando com a não declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela mesma à Fazenda Estadual, à ANP corroboradas com sua expressiva movimentação financeira e as informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. 101. Portanto, a comprovação de que a prática delituosa deuse de forma consistente denota o intuito doloso pela fiscalizada. 102. A magnitude desta prática delituosa promoveu grave lesão aos cofres públicos nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007. 103. Assim, diante das definições anteriormente transcritas e da análise dos fatos e documentos apurados por esta fiscalização, constatamos que a PRÁTICA REITERADA SISTEMÁTICA da fiscalizada, materializada pela omissão de declarar ou recolher ao Fisco o IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos no anocalendário 2007, se subsumem perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso I, e 72 da Lei n.° 4.502/1964. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 829 15 104. Para corroborar tais assertivas trazemos à presente lume algumas jurisprudências, iniciandose pelo brilhante voto aquilatado pelo ilustre julgador José Tarcísio Januário, Acórdão n° 38, de 28 de setembro de 2001, da 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, SP: [...] 105. Portanto, demonstrado de maneira clarividente, é imperativo a aplicação da Multa Qualificada de 150%, no anocalendário 2007, a teor no disposto do artigo 44 da Lei 9.430/96. X DA AUTUAÇÃO DO IRPJ/CSLL/PIS/COFINS 106. Isto posto e, tendo em vista que os elementos apresentados são suficientes para formação de convicção no que tange a infração à legislação tributária, lavramos o presente Auto de Infração, do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em face da fiscalizada, encerrando nesta data a fiscalização levada a efeito no anocalendário 2007. 107. O presente Termo de Verificação Fiscal é parte integrante e indissociável deste auto de infração. 108. Ressaltese que a Fazenda Nacional poderá, obedecido ao prazo decadencial, efetuar novos lançamentos suplementares, em períodos ainda que já fiscalizados, quando detectar novos elementos que comprovem a prática de ilícito fiscal. 109. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração os seguintes documentos: · Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo; · Este Termo de Verificação Fiscal; · Folha de Rosto dos Autos de Infração e folhas de continuação; · Base de Cálculo (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); · Demonstrativos de Multa e Juros de Mora; · Demonstrativos da ANP e página da internet, "site" da ANP Agencia Nacional de Petróleo, onde constam os valores dos produtos no período sob ação fiscal; · Demonstrativos de Apuração do ICMS. [...] Instruem os autos, entre outros documentos: Termo de Constatação e Início de Fiscalização, datado de 16/7/2010, fls. 2; RMF (requisição de informação de movimentação financeira), fls. 12 e 29; informações do Banco Bradesco, fls. 13 e 32/103 (cópias de cheques) Termo de Continuidade de Fiscalização e ciência dos atos até então praticados, dirigido ao endereço alterado na JUCESP (fls. 104); Ofício da Secretaria da Fazenda do Estado (fls. 113/145); GIAs (fls. 146/157), Ficha Cadastral na Jucesp (fls. 158/161); Fl. 856DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 830 16 documentos Jucesp (fls. 178/223); documentos ANP (fls. 224/237) relação das operações (fls. 238/459); Representação Fiscal para Fins de Inaptidão (fls. 460/461) Ato Declaratório de Inaptidão e publicação em DOU (fls. 462/463); pesquisas DCTF / DIPJ (fls. 464//489); pesquisas SINAL08 (fls. 490/504); Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 582/590); Como consignado às fls. 597, a ciência à pessoa jurídica do auto de infração (fls.539/581) foi efetuada por meio de Edital, afixado em 20/03/2012 conforme fls. 591. Os sujeitos passivos solidários foram cientificados por via postal, conforme Avisos de Recebimento, a saber: Shin Hasegawa fls. 582/584 ciência em 20/03/2012 fls. 592; Tieko Fukuda Hasegawa fls. 585/587 ciência em 20/03/212 fls. 593; e Carlos Sussumo Hasegawa fls. 588/590 ciência em 20/03/2012 fls. 594. Impugnação Carlos Sussumo Hasegawa Em 12/04/2012 foi protocolizada impugnação de fls. 599/616 em nome de Carlos Sussumo Hasegawa, com as razões de defesa a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que o fato de uma determinada pessoa exercer poderes de gerência de uma sociedade, isto não implica dizer que o procurador ou mandatário de uma determinada empresa será sempre responsabilizado pessoalmente pelos débitos tributários contraídos pela pessoa jurídica, isto porque, segundo preceito estatuído na redação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, é indispensável que no exercício desta gerência tenha o administrador agido dolosamente, com a intenção de praticar atos com excesso de poderes de forma a violar a lei ou contrato social. Transcreve o art. 135, inciso III, do CTN, para alegar que o Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido ao ora impugnante se deu no mais total alvedrio a norma acima transcrita, pois dos autos emerge ausência de provas no sentido de que o impugnante tenha agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, já pacificou o entendimento segundo o qual a existência de dívida tributária não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio ou administrador, posto que para a atribuição da responsabilidade pessoal a terceiros é necessário a comprovação de que o sócio, com poderes de gerência da sociedade, tenha incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita ementas de dois acórdãos do STJ que entende corroborar sua tese e complementa: Ainda que o impugnante assinasse cheques em nome da empresa Petromarte e detivesse poderes para representála, via procuração, o certo é que tais circunstâncias apenas não comprovam o efetivo exercício da administração da Fl. 857DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 831 17 sociedade empresária, e muito menos que tenha este administrado a pessoa jurídica de forma fraudulenta que pudesse a ensejar na sua responsabilidade pessoal; Embora o impugnante detivesse procuração outorgada pela Petromarte, o certo é que a representação por parte do impugnante na empresa era bastante diminuta, competindolhe apenas assinar cheques em nome da empresa, efetuar pagamentos, ou seja, gerir a parte financeira da empresa. Isto porquê, o impugnante, morando na cidade de São Paulo, está geograficamente mais próximo da sede da empresa que seus sócios, residentes na cidade de Pacaembu, que dista mais de 500 quilômetros da cidade de Paulínia; A bem da verdade, as grandes decisões, os balanços, as negociações em torno das vendas da empresa, ou seja, toda a parte comercial da empresa era administrada pela sócia Sra. TIEKO FUKUDA HASEGAWA, conforme esta própria chegou a reconhecer no Termo de Verificação Fiscal. O impugnante não tinha conhecimento de que a empresa tenha declarado ao Fisco Federal faturamento zero no ano calendário de 2007, eis que a representação do impugnante era por demais diminuta, sendo que o departamento comercial e fiscal da empresa era todo controlado pela sócia Tieko; Noutro ponto da defesa ofertada assevera: o fato de uma determinada empresa ter encerrado suas atividades sem promover a baixa de seus registros não é causa para a despersonalização da pessoa jurídica, conforme já decidiu a 4ª Turma do E. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL da 3ª REGIÃO, conforme ementa que cita; é ilegal o ato administrativo tendente a sujeição passiva solidária do ora impugnante, visto a mais ampla inexistência de provas a comprovar que o requerente agiu dolosamente frente a representação da sociedade para praticar atos com excessos de poderes e contrário as leis tributárias, o que por certo inviabiliza a atribuição de responsabilidade pessoal dos sócios. Reportase, ainda, a julgado da 4ª Turma do TRF3ª Região que entende corroborar seu entendimento. Acrescenta ainda que: é incabível a responsabilização solidária dos gerentes e administradores quanto aos débitos de natureza previdenciária prevista com base no art. 13, da Lei 8.620/93, ... em razão da revogação desta norma, conforme art. 79, VII, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009; a responsabilidade dos sócios e administradores por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva o que implica reconhecer que o sócio ou a pessoa a qual tenha poderes de gerência da sociedade responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio/gerente incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; Argumenta, ainda, não ter a Fiscalização logrado comprovar que a empresa Petromarte tenha encerrado suas atividades, pois o simples fato de uma correspondência ter retornado com a informação “Mudouse” não implica dizer que tenha encerrado suas atividades Fl. 858DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 832 18 Considera extremamente temerário condicionar a existência de uma empresa ao fato de receber correspondência em seu endereço, pois conforme apontou o Auditor Fiscal a Petromarte havia promovido regularmente a alteração de seu endereço na JUCESP, mas, no entanto, não tinha o Fisco conhecimento desta mudança. E continua: conforme visto houve apenas alteração do endereço da sede, não implicando com isso no encerramento de suas atividades; a presunção de dissolução irregular não milita em favor do Fisco no caso em exame, ante a inexistência de elementos probatórios dando conta do fechamento da empresa. Multa agravada Discorda da aplicação da multa qualificada, alegando que: a multa agravada somente pode ser aplicada nos casos de fraude quando a fiscalização comprove ter o contribuinte agido dolosamente; a “prática sistemática reiterada” expressão exaustivamente utilizada pela fiscalização não está por si só a comprovar a conduta dolosa do contribuinte prevista nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502, tão indispensável para aplicação da multa exasperada. a Fiscalização fundamenta a aplicação da multa qualificada no fato da empresa Petromarte ter supostamente omitido receitas e rendimentos, mas, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes da União que, para aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, há de estar devidamente comprovado o intuito de fraude do sujeito passivo, através do elemento dolo, a teor das Súmulas 14 e 25 do CARF. em vista da conseqüente representação para fins penais, para aplicação da penalidade mais gravosa, o tipo deve estar devidamente descrito e exaustivamente comprovado por parte de quem acusa. os atos devem estar devidamente registrados, comprovados e formalizados nos autos; o princípio da presunção de inocência prevalece na seara penal, de maneira que não se pode por presunção aplicar multa qualificada com caráter penal no presente caso. Reportase a julgados do Conselho de Contribuintes. Questiona como aplicar a multa exasperada a quem, comprovadamente, não teve envolvimento com os fatos geradores, considerando que pelo princípio da individualização da pena, esta não pode ultrapassar a figura do transgressor? E conclui ser inaplicável a multa de 150%. Arbitramento Fl. 859DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 833 19 Opõese ao lançamento por arbitramento, invocando seu caráter de excepcionalidade e sua utilização restrita aos casos de impossibilidade de utilização da base de cálculo originária, para defender que: debalde não tenha a empresa Petromarte disponibilizado toda a documentação solicitada, é certo que o descumprimento dessa obrigação acessória não dá ao Fisco o direito de proceder ao lançamento a seu bel prazer, sem critérios, ensejando créditos de valores estratosféricos, totalmente destoante da realidade do faturamento, traduzindose num verdadeiro confisco; é inaplicável o arbitramento, uma vez que ao Fisco Federal foram repassadas todas as informações necessárias para a apuração do Lucro Real, seja pelas informações prestadas pelo Fisco Estadual, as prestadas pela Agência Nacional do Petróleo, ou, ainda, prestadas pelas empresas adquirentes de seus produtos. Expõe que o Conselho de Contribuinte já assentou o entendimento no sentido da impossibilidade da desconsideração total, por parte da fiscalização, quanto as despesas relacionadas a atividade do contribuinte, e, nesse compasso, alega irregularidade do lançamento em razão de a fiscalização não deduzir do valor do lucro arbitrado, todas as despesas relacionadas a atividade da empresa Petromarte. Entende ser desarrazoada a exigência no montante em que formalizada, reportandose à vedação constitucional da tributação confiscatória e alegando ofensa a princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Assevera pretender o impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e também do Auto de Infração relativos ao IRPJ e decorrentes, de CSLL, PIS e Cofins. Impugnação Shin Hasegawa Também em 12/04/2012, foi apresentada Impugnação de fls. 622/641, em nome do sócio Shin Hasegawa, com as razões a seguir sintetizadas: De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que a responsabilidade solidária do sócio contemplada na redação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, não deriva do fato dele ser sócio, mas sim pelo fato dele exercer poderes de gerência da empresa. Transcreve o art. 135, inciso III, do CTN, para alegar que o Termo de Sujeição Passiva Solidária expedido ao ora impugnante se deu no mais total alvedrio da norma acima transcrita, pois dos autos emerge ausência de provas no sentido de que o impugnante detinha poderes de gerência da sociedade em questão e, tampouco, fez o Fisco a prova de ter o impugnante agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. Superior Tribunal de Justiça, já pacificou o entendimento segundo o qual mero inadimplemento da obrigação tributária não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio, e para que possa ocorrer o redirecionamento, necessário a comprovação de que o sócio, com poderes de gerência da sociedade, tenha incorrido nas transgressões a que alude o Fl. 860DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 834 20 inciso III, do art. 135, do CTN. Cita ementas de dois acórdãos do STJ que entende corroborar sua tese e complementa: no caso em apreço, a própria fiscalização informa haver indícios de que a empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo S A , não era administrada pelo sócio ora impugnante, reportandose a constatação de outorga de procuração; o próprio Fisco Federal se encarrega de comprovar que o sócio ora impugnante não detinha poderes de gerência da sociedade, ante a existência de provas irrefutáveis dando conta de que a administração da empresa era exercida por terceiros mediante procuração. na verdade, o procurador Carlos Sussumo Hasegawa respondia pela parte financeira da empresa, ao passo que toda parte comercial e fiscal da empresa era toda ela administrada pela sócia Tieko Fukuda Hasegawa, administradora principal e responsável pelas decisões mais relevantes da empresa. Sujeição Passiva Solidária Entende restar comprovada a total impossibilidade de atribuir ao sócio impugnante a sujeição passiva solidária porque : o Fisco não logrou êxito em comprovar que o sócio em questão detenha poderes de gerência da sociedade à época da ocorrência do fato gerador do tributo, ou então à época da dissolução irregular da sociedade, e de igual modo, de ter este sócio incorrido numa das transgressões previstas no artigo 135, III, do CTN. Acrescenta conforme julgados que menciona: o mero inadimplemento da obrigação tributária não constituiu hipótese que autoriza o redirecionamento da ação de execução contra os sócios, sendo necessária a prova de ter este agido com excesso de poderes, violação ao contrato ou estatuto, ou ter havido a dissolução irregular, e que este sócios tinha poderes de gerência da sociedade, fato que não restou demonstrado nos autos; a eventual ausência de patrimônio, de igual modo, não enseja a despersonalização da pessoa jurídica Reportase, ainda, a julgado da 4ª Turma do TRF3ª Região que entende corroborar seu entendimento. Acrescenta que: é incabível a responsabilização solidária dos sócios quanto aos débitos de natureza previdenciária prevista com base no art. 13, da Lei 8.620/93, ... em razão da revogação desta norma, conforme art. 79, VII, da Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009; a responsabilidade dos sócios e administradores por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva o que implica reconhecer que o sócio ou a pessoa a qual tenha poderes de gerência da sociedade responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio/gerente incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; Fl. 861DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 835 21 Argumenta, ainda, não ter a Fiscalização logrado comprovar que a empresa Petromarte tenha encerrado suas atividades, pois o simples fato de uma correspondência ter retornado com a informação “Mudouse” não implica dizer que tenha encerrado suas atividades Considera extremamente temerário condicionar a existência de uma empresa ao fato desta receber correspondência em seu endereço, pois conforme apontou o Auditor Fiscal a Petromarte havia promovido regularmente a alteração de seu endereço na JUCESP, mas, no entanto, não tinha o Fisco conhecimento desta mudança. E continua: conforme visto houve apenas alteração do endereço da sede, não implicando com isso no encerramento de suas atividades; a presunção de dissolução irregular não milita em favor do Fisco no caso em exame, ante a inexistência de elementos probatórios dando conta do fechamento da empresa. Multa qualificada Discorda da aplicação da multa qualificada, alegando que: a imposição da multa qualificada não constitui regra, mas sim exceção, podendo somente ser aplicada nos casos de fraude quando a fiscalização comprove ter o contribuinte agido dolosamente. a “prática sistemática reiterada” expressão exaustivamente utilizada pela fiscalização não está por si só a comprovar a conduta dolosa do contribuinte prevista nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502, tão indispensável para aplicação da multa exasperada. a Fiscalização fundamenta a aplicação da multa qualificada no fato da empresa Petromarte ter supostamente omitido receitas e rendimentos, mas, está pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes da União que, para aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, há de estar devidamente comprovado o intuito de fraude do sujeito passivo, através do elemento dolo, a teor das Súmulas 14 e 25 do CARF. em vista da conseqüente representação para fins penais, para aplicação da penalidade mais gravosa, o tipo deve estar devidamente descrito e exaustivamente comprovado por parte de quem acusa. os atos devem estar devidamente registrados, comprovados e formalizados nos autos; o princípio constitucional da presunção de inocência prevalece na seara penal, de maneira que não se pode por presunção aplicar multa qualificada com caráter penal no presente caso. Reportase a julgados do Conselho de Contribuintes. Questiona como aplicar a multa exasperada a quem, comprovadamente, não teve envolvimento com os fatos geradores, considerando que pelo princípio da individualização da pena, esta não pode ultrapassar a figura do transgressor? E, diante disso, conclui ser inaplicável a multa de 150%. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 836 22 Arbitramento Opõese ao lançamento por arbitramento, invocando seu caráter de excepcionalidade e sua utilização restrita aos casos de impossibilidade de utilização da base de cálculo originária, para defender que: debalde não tenha a empresa Petromarte disponibilizado toda a documentação solicitada, é certo que o descumprimento dessa obrigação acessória não dá ao Fisco o direito de proceder ao lançamento a seu bel prazer, sem critérios, ensejando créditos de valores estratosféricos, totalmente destoante da realidade do faturamento, traduzindose num verdadeiro confisco; é inaplicável o arbitramento, uma vez que ao Fico Federal foram repassadas todas as informações necessárias para a apuração do Lucro Real, seja pelas informações prestadas pelo Fisco Estadual, as prestadas pela Agência Nacional do Petróleo, ou, ainda, prestadas pelas empresas adquirentes de seus produtos. Expõe que o Conselho de Contribuinte já assentou o entendimento no sentido da impossibilidade da desconsideração total, por parte da fiscalização, quanto as despesas relacionadas a atividade do contribuinte, e alega irregularidade do lançamento em razão de a fiscalização não deduzir do lucro arbitrado, todas as despesas relacionadas a atividade da empresa Petromarte Entende ser desarrazoada a exigência no montante em que formalizada, reportandose à vedação constitucional da tributação confiscatória e alegando ofensa a princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Assevera pretender o impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária e também do Auto de Infração relativos ao IRPJ e decorrentes, de CSLL, PIS e Cofins. Impugnação Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa Termo de Sujeição Passiva de fls. 585/587 Ainda em 12/04/2012, foi apresentada Impugnação de fls. 646/652, em nome do Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa, representado por seu inventariante Sr. Shin Hasegawa, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. De início expõe os fatos e, na seqüência, discorda da atribuição de sujeição passiva solidária, argumentando que embora a impugnante exercesse a administração da empresa, o certo é que o Fisco Federal não trouxe provas a embasar ter a impugnante agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, indispensável para a caracterização da responsabilidade solidária. Aduz que a jurisprudência mais recente do E. Superior Tribunal de Justiça, já pacificou o entendimento segundo o qual a mera existência de débito tributário não é motivo ensejador da responsabilidade pessoal do sócio, e para que possa ocorrer o redirecionamento, necessário a comprovação de ter o sócio gerente incorrido nas transgressões a que alude o inciso III, do art. 135, do CTN. Cita jurisprudência. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 837 23 Acrescenta que o Erário Público ao determinar a sujeição passiva solidária do sócio, não trouxe a imprescindível prova de ter este sócio incorrido em algumas das condutas previstas no artigo 135, III, do CTN. Alega que, segundo julgado do TRF 3ª Região que menciona, o encerramento das atividades de determinada empresa sem a baixa de sua inscrição, não caracteriza por si só sua dissolução irregular. Diz que, a responsabilidade dos sócios por débitos contraídos pela pessoa jurídica é subjetiva e não objetiva, o que implica reconhecer que o sócio responderá pelo tributo na qualidade de responsável solidário, somente quando devidamente comprovado pelo Fisco ter este sócio incorrido em uma das condutas previstas no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Assevera pretender a impugnante provar o alegado por todos os meios de prova e formula pedido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em razão da fiscalização não ter se desincumbido de seu dever de provar ter a sócia com poderes de gerência, haver praticado dolosamente atos irregulares na gestão da empresa. Finaliza formulando pedido no sentido de improcedência do Termo de Sujeição Passiva. Por meio da Intimação SECAT nº 929/2012, de 10 de maio de 2012 (fl. 659), a autoridade preparadora intimou o interessado – Espólio de Tieko Fukuda Hasegawa a apresentar, sob pena de ser negado seguimento ao recurso, o seguinte: 1. documento que comprove a nomeação do inventariante (Shim Hasegawa) e 2. Cópia do documento de identificação do signatário da impugnação (inventariante). Em atendimento, foi apresentada resposta de fls. 665/666, em nome de Tieko Fukuda Hasegawa, representada pelo viúvomeeiro, Sr. Shin Hasegawa, encaminhando cópia da carteira de identidade do subscritor da impugnação e informando que não houve a abertura de processo judicial de inventário, que, por inexistir herdeiros menores, o procedimento será por escritura pública lavrado em Cartório, conforme permite a atual legislação. Na seqüência, por meio do despacho de fls. 676 a autoridade preparadora encaminhou o processo para julgamento das Impugnações interpostas.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 39.193 (fls. 677732) de 23/10/2012, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento apenas para excluir a responsabilidade solidária do espólio de Tieko Fukuka Hasegawa quanto à multa de ofício lançada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 RECEITAS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Caracteriza se omissão de receitas da atividade a apresentação de declarações a RFB com valores zerados em contradição com vultosos valores declarados pela própria pessoa jurídica para o Fisco Estadual e a órgão regulador da atividade Agência Nacional do Petróleo, valores estes não refutados no presente processo. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 838 24 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO. IRPJ. CSLL. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, apesar de regularmente intimada, deixa de exibir livros e documentos da escrituração, que a amparariam em outra modalidade de tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracteriza evidente intuito de fraude, com intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, a prática reiterada de omissão de receitas da atividade culminando com a não declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. SÓCIO FALECIDO. A responsabilidade do sucessor a qualquer título, do cônjuge meeiro e do espólio é pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha, da adjudicação ou da abertura da sucessão, não havendo dispositivo legal que autorize a exigência de multa de ofício quando a ciência do auto de infração se deu em momento posterior à morte do de cujus.” Da aludida decisão foram cientificados a empresa e os coobrigados nas seguintes datas: Petromarte, em 04/01/2013 (edital de fl. 785), Tieko Fukuda Hasegawa Espólio, em 28/11/2012 (A.R. de fl. 774), Shin Hasegawa, em 28/11/2012 (A.R. de fl. 772), Carlos Sussumo Hasegawa, em 27/11/2012 (A.R. de fl. 770). Apenas os coobrigados apresentaram recursos voluntários em 27/12/2012 (fls. 788 a 801), onde questionam exclusivamente a responsabilização solidária, repisando os argumentos trazidos em sede de impugnação, e a multa qualificada, aventando argumentos acerca de sua ilegalidade e de seu caráter confiscatório, características essas, no entender dos Recorrentes, afrontosas aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 839 25 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De início, há que se delimitar o escopo do presente Voto à análise acerca da qualificação da multa de ofício aplicada e suas conseqüências, bem assim da responsabilização solidária dos arrolados (já excluída a responsabilidade do Espólio da Sra. Tieko Fukuda Hasegawa sobre a multa de ofício lançada), porquanto somente essas matérias é que foram trazidas no recurso voluntário apresentado. Da multa de ofício qualificada Conforme registra o autuante no Termo de Verificação e Demonstrativos de Multa e Juros de Mora, a multa de ofício foi aplicada com qualificação, no percentual de 150%, a teor do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação vigente à época dos fatos geradores (de janeiro a 14/06/2007: no art. 14 da MP nº 351/07 e a partir de 15/06/2007: no art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007), conforme dispositivos adiante reproduzidos [destaques acrescidos]: Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Nova Redação da Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007); II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). (...) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 840 26 ... Já os citados arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim dispõem: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso em análise, a Fiscalização, além de reunir provas diretas da caracterização da omissão de receitas, constatou também que: a pessoa jurídica, representada por seus sócios e seu procurador, agiu de forma reiterada, deixando de informar receitas em suas declarações à Receita Federal apresentou a Receita Federal declarações com valores zerados; declarou ao Fisco Estadual, mediante GIA, o montante de receitas tributáveis de R$ 372.377.319,15; sua movimentação bancária verificada pela autoridade fiscal em apenas uma instituição financeira alcançou em 2007 o montante de R$ 65.129.219,74 e as compras de terceiros que adquiriram combustíveis da fiscalizada alcançou R$ 139.641.513,66; teve sua inscrição estadual cassada em março de 2007 e continuou operando normalmente neste ano; apresentou mensalmente, à Agência Nacional de Petróleo, declaração indicando volume em litros de combustíveis transacionados, que, pelos valores mínimos, totalizam o montante de R$ 220.626.498,00 prestou informações falsas quanto à capacidade financeira de satisfazer credores (capital social); Considero, nesse sentido, que os trabalhos fiscais resultaram na formação de um consistente conjunto de procedimentos que autorizaram a constatação da fraude, Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 841 27 demonstrando a intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos por parte da Fazenda Nacional, mediante a prática reiterada de omissão de receitas da atividade culminando com a falsa declaração do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS comprovadamente devidos conforme informações prestadas pela própria contribuinte à Fazenda Estadual e a órgão regulador da atividade (ANP) corroboradas pela expressiva movimentação financeira e por informações de compras prestadas pelos adquirentes de seus produtos. Evidenciou, assim, a autoridade fiscal a existência de prova direta de reiterada omissão de receitas, com deliberada alteração da natureza dos fatos efetivamente ocorridos (falseandoos nas declarações prestadas à receita Federal), com vistas a esquivarse da incidência tributária sobre as operações realizadas, razão pela qual não há como afastar a imputação de fraude a ensejar a aplicação da multa de ofício de 150% prevista legalmente conforme norma acima transcrita. Por fim, quanto às alegações de que a multa aplicada seria ilegal e de caráter confiscatório, características essas que afrontariam princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco, há que se ponderar que a multa de ofício aplicada teve por base norma legal válida e regularmente inserida no ordenamento jurídico pátrio. Neste contexto, observadas as previsões legais acerca da imposição da multa qualificada, incabíveis as alegações de ofensa a princípios constitucionais de vedação ao confisco, razoabilidade e capacidade contributiva. De fato, os questionamentos dessa natureza dirigemse à atividade do legislador, sendo, portanto, impertinente à presente causa. Ademais, quaisquer alegações de descumprimento de princípios constitucionais por parte de dispositivos legais que respaldam a autuação, não podem ser oponíveis na esfera administrativa. Estando o lançamento de conformidade com a legislação tributária vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não cabe qualquer alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade no contencioso administrativo, vez que não compete à autoridade administrativa examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo tal atribuição do Poder Judiciário. Isto porque a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou legalidade da legislação, vez que o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Consignese que atualmente se encontra em vigor o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 842 28 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Logo, resta prejudicada a análise no contencioso administrativo das argüições da Recorrente de afronta da legislação tributária aos princípios constitucionais, visto que a exigência fiscal fundamentase em leis regularmente inseridas no sistema tributário nacional. Tal entendimento encontrase pacificado inclusive na segunda instância do contencioso administrativo, conforme ementa da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a seguir reproduzida: SÚMULA Nº 2 : O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nego provimento aos recursos quanto a essa matéria. Da responsabilidade solidária dos coobrigados Quanto à atribuição de responsabilidade solidária ao procurador Carlos Sussumo Hasegawa, além dos motivos constantes do Termo de Verificação mencionado no Relatório, a sujeição passiva foi a ele atribuída por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 03, de fls. 588, do qual se extrai: ... O Sr. Carlos Sussumo Hasegawa é o procurador da Petromarte desde 30/03/2000, através de escritura pública, com amplos poderes para gerir e administrar os negócios da firma outorgante. Conforme documentação encaminhada pelo Fisco do Estado de São Paulo, verificouse que a administração da Petromarte foi efetuada principalmente pelo procurador, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, mas conjuntamente com os dois sócios conforme declaração prestada pelo Sr. Carlos e a Sra Tieko Fukuda Hasegawa: Sr. Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 843 29 "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko Fukuda Haseoawa (sócia): "Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". Também, conforme o Termo de Verificação Fiscal, verificamos que o Sr. Carlos assinou os cheques emitidos pela Petromarte no anocalendário 2007, confirmando que o mesmo gerenciou a empresa neste ano. Com efeito, na qualidade de administrador atuando na sua administração, praticou atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixou de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes, A adoção dessas condutas representam infrações à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam na responsabilização dos mandatários, com base no disposto no art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional (Lei n 5.172/1966) restou caracterizada a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Carlos Sussumu Hasegawa, tendo em vista a infração à legislação tributária, conforme Termo de Verificação Fiscal. ... Quanto à atribuição de responsabilidade solidária aos sócios Shin Hasegawa e Tieko Fukuda Hasegawa, além dos motivos constantes do Termo de Verificação mencionado no Relatório, a sujeição passiva foi a eles atribuída por meio dos Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01 e 02, de fls. 582 e 585 dos quais se extraem: A Sra. Tieko Fukuda Hasegawa é sóciaadminstradora da empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. ... O Sr. Shin Hasegawa é sócioproprietário da empresa Petromarte Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, constatouse que a Fazenda Pública Estadual cassou em 09/03/2007 a inscrição estadual da Petromarte, bem como, a ANP cancelou o registro para distribuição de combustíveis em 01/07/2008 Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal. Conforme documentação encaminhada pelo Fisco do Estado de São Paulo, verificouse que a administração da Petromarte foi efetuada principalmente pelo Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 844 30 procurador, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, mas conjuntamente com os dois sócios, conforme declaração prestada pelo Sr. Carlos e a Sra Tieko Fukuda Hasegawa: Sr Carlos Sussumu Hasegawa (procurador): "Que administra a empresa conjuntamente com seus pais. Que seus pais (sócios da empresa) não participam diariamente das atividades da empresa, tendo participações somente nas tomadas de decisões importantes" Sra Tieko Fukuda Haseçjawa (sócia): “Que participa das tomadas de decisão, juntamente com seu filho, Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, e seu marido, o Sr. Shin Hasegawa". Com efeito, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. A adoção dessas condutas representam infrações à lei societária, infração à lei ou excesso de poderes e implicam na responsabilização dos sócios administradores, com base no disposto no art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Ademais, de acordo com a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente." Assim, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966) restou caracterizada a sujeição passiva solidária em face do contribuinte Shin Hasegawa, tendo em vista a dissolução irregular da empresa. .... Referido art. 135 estabelece: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: l as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na defesa apresentada, argumentam os Recorrentes que para atribuição de responsabilidade solidária não basta dispor de poderes de gerência, sendo necessária a comprovação da ação dolosa, com a intenção de praticar atos com excesso de poderes de forma a violar a lei. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 845 31 Quanto ao Sr. Carlos Sussumu Hasegawa, é indiscutível sua participação na gerência da empresa e considero sua atuação como exercida com excesso de poderes e infração à lei, como se verá a seguir. Como demonstrado pela Fiscalização, ao Sr. Carlos foram outorgados, por procuração pública, amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar os negócios da firma outorgante no tocante a todo o ramo de atividade em que possa representála, assinar e requerer todos os documentos necessários para a referida administração (...) representando os outorgantes perante todas as repartições públicas, (...) comprar e comercializar mercadorias, assinando e emitindo notas fiscais; (...) contratar e dispensar funcionários, etc. E esses poderes foram de fato exercidos pelo Sr. Carlos como comprovam os diversos cheques da pessoa jurídica por ele assinados. Além disso, consoante informações obtidas junto ao Fisco Estadual o próprio Sr. Carlos declarou que administrava a empresa juntamente com seus pais (sócios constantes do Contrato Social). Ora, a administração da empresa pressupõe, inclusive, o cumprimento de suas obrigações perante órgãos públicos, o que, no caso, somente teria ocorrido perante o Fisco Estadual, já que para a Fazenda Pública Federal foram apresentadas declarações zeradas, sem que nada tivesse sido oferecido à tributação, apesar das vultosas receitas auferidas e reconhecidas pelos representantes da pessoa jurídica (sócios e procurador) tanto que informadas ao Fisco Estadual. A alegação de desconhecimento das grandes decisões da empresa e de que declarações teriam sido apresentadas zeradas em nada socorre o Sr. Carlos, pois, na qualidade de procurador com amplos poderes de representação e administração, competia a ele acompanhar, juntamente com os sócios, o fiel cumprimento das obrigações da pessoa jurídica perante a Fazenda Pública. Os atos com excesso de poderes ou infração à lei foram expressamente identificados pela Fiscalização como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal, bem como, ter deixado de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. Como se vê, distintamente do que alega, não se trata, apenas, de descumprimento da obrigação de recolher os tributos. Na verdade, demonstrou a Fiscalização a ocorrência de infração à lei, com conseqüências tributárias: auferimento de receitas em valores expressivos, sem que nada tivesse sido oferecido a tributação federal, com apresentação de declarações zeradas, caracterizando falsidade, violando disposições legais que determinam o pagamento de tributos e a apresentação de declarações refletindo as atividades da empresa. E não se pode alegar que tais receitas não seriam de conhecimento do procurador da empresa e de seus sócios, pois, além da movimentação financeira em conta de titularidade da pessoa jurídica, os valores das receitas foram informados ao Fisco Estadual. Ademais, também configura hipótese de que trata o art. 135 do CTN, a dissolução irregular, por configurarse infração a lei. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 846 32 Em que pese a alegação da Defendente de que o retorno da correspondência com a informação “mudouse” não permite concluir pela dissolução da empresa, o fato é que a Fiscalização elencou uma série de outros fatos que culminaram, inclusive, com a declaração de inaptidão da empresa, quais sejam: 57. A dissolução irregular da sociedade restou caracterizada em virtude de a mesma não ter sido localizada em seu domicílio fiscal e não ter havido qualquer'comunicação à Secretaria da Receita Federal deste fato. 58. Tal situação foi corroborada pela informação prestada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a esta fiscalização (item acima), acerca do cancelamento do registro para distribuição de combustíveis da empresa Petromarte. 59. Também, foi corroborada pela cassação da inscrição estadual efetuada pelo Fisco do Estado de São Paulo em 09/03/2007. 60. Sem autorização para comercialização, a sociedade cessou suas atividades e não adotou as devidas providências junto aos órgãos de registro, simplesmente foi abandonada. 61.. Conforme já explanado anteriormente, a DEAT – Diretoria Executiva da Administração Tributária Combustíveis, encaminhou vasta documentação contendo elementos que embasaram a cassação em 2007 das atividades da fiscalizada como distribuidora de combustível. Além disso, também instruem os autos documento da ANP informando o cancelamento do registro da pessoa jurídica e o fechamento de suas instalações (SP e PE) desde 01/07/2008 (fls. 223/225). Tais constatações redundaram, inclusive, na declaração de inaptidão da empresa, conforme Ato Declaratório Executivo nº 36, de 07/11/2011, do Serviço de Fiscalização da DRF/Campinas, que instrui os autos às fls. 462. E, nessas circunstâncias, nada há que afaste a aplicação da Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça, a qual já pacificou entendimento no tocante à pessoa jurídica não localizada caracterizar dissolução irregular: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Assim, injustificável a objeção do Recorrente à conclusão fiscal de dissolução irregular da empresa, mesmo porque não comprovam os interessados sua efetiva existência, quer no endereço fornecido para fins cadastrais à Receita Federal, quer em outro endereço e, sequer, apresentam impugnação ou recurso voluntário em nome da Pessoa Jurídica. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 847 33 Dissolvida a empresa, mais uma razão para o arrolamento dos sócios responsáveis e do procuradorgerente como responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado. E, quanto aos sócios Sr. Shin Hasegawa e do espólio da Sra. Tieko Fukuda Hasegawa, nem se alegue ausência de provas de que não detinham poderes de gerência da sociedade em questão. Tal argumento cai por terra face as constatações e documentos trazidos pelo Fisco. Tanto o Sr. Shim Hasegawa como a Sra. Tieko Fukuda Hasegawa figuravam, desde antes da época dos fatos, como sócios formais da empresa, com poderes de administração e gerência. É o que se extrai da documentação obtida pela Fiscalização junto à JUCESP (fls. 158 e 189). Além disso, pela análise das declarações prestadas junto ao Fisco Estadual pelos interessados, confirmase a participação dos sócios Sr. Shin e Sra. Tieko na administração da empresa. O fato de os sócios terem constituído seu filho, Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, como procurador, com poderes de administração, não lhes retira os poderes de representação e administração da pessoa jurídica que são próprios de sua condição de sócios, o que já foi afirmado e confirmado perante o Fisco Estadual, como já visto acima. De todo modo, a obrigação de acompanhar o cumprimento das obrigações da pessoa jurídica junto a Fazenda Pública é inerente à condição de sócios, com poderes de administração e gerência, não sendo afastada pela constituição de procurador, no caso, filho dos sócios. E, nesse sentido, conforme mencionado no Termo de Verificação, já decidiu o STJ ao firmar entendimento de que o sócio que recolhe os bônus lucrativos da sociedade mas não verifica o adimplemento dos tributos, locupletase e a fortiori comete o ilícito que faz surgir a sua responsabilidade." (STJ. AGA 472260/SC. Rei.: Min. Luiz Fux. 1ª Turma. Decisão: 20/05/03. DJ de 02/06/03, p. 195). Lembrese que no presente caso tanto o procurador, Sr. Carlos Sussumo Hasegawa, como os sócios Sr. Shin Hasegawa e Sra. Tieko Fukuda Hasegawa (seus pais) detinham poderes de administração e gerência por ocasião do vencimento dos tributos ora lançados, inclusive de movimentação de contas bancárias, de utilização dos recursos gerados pela atividade que proporcionou o auferimento de receitas integralmente subtraídas da tributação, bem como de representação da pessoa jurídica junto a órgãos públicos cabendolhes zelar tanto pelo cumprimento de obrigações principais (pagamentos dos tributos devidos) como de obrigações acessórias (tais como apresentação de declarações refletindo as reais operações da empresa e atualização de cadastro com indicação de endereço e informação de sua eventual inatividade ou dissolução). Nestas circunstâncias, não há como afastar a conclusão fiscal de que, na qualidade de sócios administradores atuando na sua administração, também o Sr. Shin Hasegawa e a Sra. Tieko Fukuda Hasegawa praticaram atos com excesso de poderes ou infração à lei, como a sonegação de impostos comprovadamente devidos, prestação de falsas informações ao Fisco Federal e deixaram de efetuar os procedimentos obrigatórios de encerramento da pessoa jurídica perante os órgãos competentes. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10830.721437/201211 Acórdão n.º 1402001.617 S1C4T2 Fl. 848 34 Nego provimento aos recursos nesse ponto. Conclusão Diante do exposto, Voto no sentido de negar provimento aos Recursos Voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10580.732653/2010-10
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.260
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco – Relator Editado em 30/11/2012 Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.843 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário (fls. 1682 a 1751, 1759 a 1762 e 1763 a 1832) este último apresentado em 15 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 15 29.446, de 17 de janeiro de 2012, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 1659 a 1681), cientificado em 02 de fevereiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS nãocumulativos dos períodos de janeiro a dezembro de 2008, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser negada a solicitação de diligência considerada desnecessária à solução do litígio. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. Não geram crédito para efeito do regime nãocumulativo da Cofins os gastos relativos a rastreamento de veículos e cargas e a seguros de qualquer espécie, uma vez que estes itens não configuram serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, admitidas apenas as exclusões previstas em lei. Inexistindo autorização expressa da lei para exclusão do valor do ICMS, deve esse imposto compor a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2008 MULTA QUALIFICADA. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. Incabível o lançamento de multa qualificada sem a demonstração das condutas típicas previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2010, de acordo com o termo de fls. 44 a 47. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.844 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2008. No “Termo de Verificação Fiscal”, a autuante informa que a empresa fiscalizada exerce a atividade operacional de administração logística de estoque de terceiros, armazenagem, distribuição e transporte multimodal de cargas em geral, de produtos farmacêuticos e farmoquímicos, municipal, intermunicipal, interestadual e internacional, franquia empresarial e consultoria e gestão empresarial nas áreas comercial e de esportes em geral. A partir dos documentos apresentados pela empresa em atendimento às diversas intimações feitas pela fiscalização, constatouse que os lançamentos contábeis efetuados em contas de resultado possuem o mesmo histórico, qual seja, “Lançto. Nessa Data”, e ante a impossibilidade de identificação dos beneficiários dos desembolsos feitos, foram solicitados relatórios auxiliares identificando os lançamentos do razão, os beneficiários dos pagamentos, segregação dos pagamentos feitos a pessoa física, bem como os pagamentos efetuados que guardam relação direta com a atividade operacional da fiscalizada, acompanhados dos respectivos comprovantes (documentos de pagamentos). A análise dos documentos apresentados pela contribuinte ensejou as seguintes constatações pela fiscalização: a) DIPJ 2009 A fiscalizada adotou como forma de tributação o Lucro Real, estando, assim, sujeita à apuração e recolhimento da Cofins e do PIS com base na não cumulatividade; b) DACON 2008 A RFB recepcionou em 21/07/2010 demonstrativos retificadores correspondentes ao período fiscalizado, quando a contribuinte já se encontrava sob ação fiscal; c) DCTF 2008 Também quando a contribuinte já se encontrava sob ação fiscal, foram recepcionadas declarações retificadoras relativas ao período de janeiro a maio de 2008 e declarações originais relativas ao período de junho a dezembro de 2008: em 02/07/2010, relativas a janeiro e fevereiro de 2008; em 05/07/2010, relativas ao período de março a agosto de 2008; e em 06/07/2010, relativas ao período de setembro a dezembro de 2008. d) Demonstrativos de apuração dos créditos de PIS e Cofins de 2008 Os demonstrativos apresentados revelam que a fiscalizada utilizou a integralidade dos seus gastos, mês a mês, como base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS no período, ignorando os dispositivos legais que estabelecem normas e critérios para o cálculo dos referidos créditos. Desta forma, segundo a autuante, a fiscalizada, em total desatenção aos dispositivos legais de regência do PIS e da Cofins não cumulativos, (i) creditouse de gastos com remuneração aos seus funcionários, remuneração a contador, advogado, pagamentos diversos a pessoas físicas, dentre outros gastos não sujeitos ao crédito do PIS e da Cofins; (ii) ignorou o que preceitua o artigo 31 da Lei nº 10.865, de 30 de abril Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.845 4 de 2004, que estabelece que o crédito do PIS e da Cofins só pode ser calculado sobre a depreciação/amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos a partir de 30 de abril de 2004; (iii) também não procedeu ao cálculo do crédito presumido do PIS e da Cofins em relação aos pagamentos efetuados aos carreteiros pessoa física, tendo se apropriado integralmente dos gastos. Diante dos inúmeros créditos indevidos de PIS e Cofins utilizados pela fiscalizada no ano calendário de 2008, a autuante elaborou planilha demonstrativa de glosa de créditos, mês a mês, partindo dos valores informados pela fiscalizada nos DACON entregues e abatendo aqueles indevidamente considerados. Com base nos novos números apurados de créditos do PIS e da Cofins, verificouse insuficiência de recolhimento e declaração das contribuições, ensejando, assim, a lavratura do Auto de Infração ora em litígio. Sobre os valores lançados no Auto de Infração, a autuante aplicou a multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), em face do que preceitua o artigo 44, I e §1° da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, por entender ser incontestável que a contribuinte, a despeito de toda a assessoria jurídicocontábil que dispõe, ignorou os dispositivos legais de regência da matéria com a intenção de se eximir da tributação a ela imposta pela legislação fiscal, deixando de declarar e recolher a Cofins e a contribuição para o PIS devidas no período fiscalizado. Por fim, informa a autuante que foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais, considerando o que determina o art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990, que trata de crimes contra a ordem tributária. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Não se consegue entender exatamente a razão da autuação, pois o Auto de Infração em tela, além de totalmente lacônico em termos de motivação e fundamentação, foi lavrado sem o necessário Relatório Fiscal, mínimo ou exíguo que fosse, configurando o inexorável cerceamento do direito de defesa; 2. Chocada com a ausência do Relatório Fiscal, a impugnante ainda procurou, nos outros itens do Auto de Infração, qualquer descrição, explicação ou indicação, ainda que mínima, acerca dos motivos da autuação em tela, ou ainda de seus eventuais fundamentos técnicojurídicos, mas sem sucesso, não sabendo, até o presente momento, os motivos que levaram a auditora fiscal a lavrar o Auto de Infração, sendo nítida, portanto, a sua nulidade, por faltarlhe elemento essencial; 3. De qualquer forma, fazendo um grande cerebrino, ou melhor, um esforço criativo, a impugnante pode apenas imaginar, mas não saber ao certo, que a falta/insuficiência de recolhimento da Cofins aludida no Auto de Infração decorreria da suposta glosa de créditos que haviam sido legitimamente tomados pela empresa; 4. Mesmo que venha a se revelar correta a adivinhação feita pela impugnante, e que realmente se trate da glosa de créditos que a fiscalização entendeu serem indevidos, ainda assim essa assertiva não é, nem de longe, suficiente para constituir a motivação de um ato administrativo, especialmente de um Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.846 5 Auto de Infração, pois, ainda que no Auto de Infração constasse (e não consta!) a afirmação de que se trataria da glosa de créditos indevidos, essa mera alegação não tem o condão de explicar os motivos fáticos e as razões técnicojurídicas que levaram a essa suposta glosa de créditos; 5. As planilhas elaboradas pela autuante apresentam somente cálculos matemáticos, e nelas constam apenas os nomes das contas contábeis, com a indicação numérica dos valores utilizados pela empresa como crédito e se tais valores foram glosados ou "acatados" pela fiscalização; 6. Tomandose como exemplo a conta 4.3.1.06.099 (comunicação externa), há na planilha simplesmente a indicação da conta, a informação de que a impugnante utilizouse de R$64.920,45 como crédito, integralmente glosado pela fiscalização, mas o porquê da glosa não se sabe, por qual razão e por qual motivo todos os créditos utilizados teriam sido considerados indevidos, não havendo qualquer explicação ou motivação e nem mesmo indicação de dispositivo de lei; 7. Há situações em que o cerceamento de defesa é ainda mais grave, como, por exemplo, quanto à conta 4.1.2.04.001, em que apenas parte dos créditos foi glosada, mas considerandose que nessa mesma conta há inúmeros lançamentos contábeis, não pode a impugnante saber quais desses lançamentos foram glosados e quais foram acatados; 8. Há, inclusive, mais de uma conta em que a fiscalização, ao que parece, aceitou, para alguns meses, a integralidade dos créditos tomados pela impugnante e, em outros, glosou totalmente créditos de mesmíssima origem; 9. Também é importante destacar que, intimada em 07/12/2010 acerca da lavratura do Auto de Infração, a impugnante, na desesperada tentativa de encontrar os subsídios que teriam, em tese, embasado a autuação, diligenciou perante a Receita Federal do Brasil RFB em Salvador/BA visando ter acesso aos autos do respectivo Processo Administrativo Fiscal –PAF; 10. Em um primeiro momento, poucos dias após o recebimento do Auto de Infração, o escritório de advocacia que defende a impugnante, situado em São Paulo/SP, enviou estagiário de Direito, devidamente identificado e portador de substabelecimento com poderes específicos para acesso aos autos e obtenção de cópias, e embora o funcionário da RFB tivesse em mãos um CD com a cópia completa do PAF, o seu fornecimento ao mencionado estagiário foi vedado, sob a alegação de que seria necessária a apresentação de procuração firmada por instrumento público, nos termos do art. 5º, caput, da Medida Provisória nº 507, de 2010, e do art. 7º da Portaria RFB nº 2.166, de 2010, exigência essa inaplicável aos advogados por força de liminar conferida em Mandado de Segurança impetrado pelo Conselho Federal da OAB; 11. Embora discordasse dessa esdrúxula exigência, em especial no presente caso, em que corria o prazo para apresentação de impugnação, não lhe restou alternativa senão enviar um advogado, de São Paulo para Salvador, a fim de ter acesso ao Processo Administrativo, diligência, entretanto, mais uma vez frustrada, pois o advogado esteve na Receita Federal no dia 23/12/2010 e foi surpreendido com a informação de que seria necessário o "agendamento de vista", devendo aguardar até o dia 30/12/2010 para ter acesso aos autos, como se nota do anexo "Protocolo do Contribuinte"; 12. Ora, se já existia cópia digital do PAF, disponível instantaneamente aos funcionários com acesso ao sistema da RFB, qual teria sido a razão para se impedir a entrega de Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.847 6 um CD ao advogado representante da impugnante, no próprio dia 23/12/2010?; 13. Assim sendo, somente em 30/12/2010 a impugnante conseguiu ter efetivo acesso ao Processo Administrativo que tramita contra si, ou seja, sete dias antes do término do prazo para apresentação da impugnação, o que, sem dúvidas, prejudicou enormemente a sua defesa; 14. Não há qualquer justificativa para que tenha sido postergado o acesso da impugnante às cópias do PAF em questão, parecendolhe que a RFB, deliberadamente, dificultou o seu acesso no intuito de restringir a sua defesa, tratandose, portanto, de típica, porém inadmissível, arbitrariedade e violação dos Princípios Constitucionais aplicados à Administração Pública, previstos no caput do art. 37 da Carta, em especial o da publicidade, o da moralidade e os da ampla defesa e do contraditório, previstos no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, bem como no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999; 15. Pelo exposto, percebese que não foi apenas reprovável, mas também absolutamente ilegal e inconstitucional, a restrição ao direito da impugnante de ter acesso ao Processo Administrativo e obter cópias dos seus termos, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; 16. Por essas razões, há de se devolver o prazo de 30 dias para que a impugnante apresente nova impugnação, havendo, no mínimo, de se reabrir o mencionado prazo por 23 dias, número de dias durante os quais à impugnante não foi permitido ter acesso aos autos, caso contrário restará cristalizada insanável nulidade do Processo Administrativo, que certamente será declarada pelo Poder Judiciário, o que fará todo o procedimento voltar ao seu início; 17. Quanto ao mérito, a legislação federal brasileira obriga que as empresas transportadoras façam contratos de seguro em relação a toda a sua operação, e conforme dispõe o art. 21 da Lei nº 11.442, de 2007, de forma clara e expressa, o não cumprimento dessa determinação implica até mesmo no cancelamento da inscrição da empresa; 18. Como consequência dessa obrigação legal, temse que a contratação de seguros por parte das transportadoras é um "custo obrigatório", sendo que as seguradoras, para considerarem a celebração de contrato, exigem das transportadoras, por exemplo, a contratação de serviços de rastreamento de veículos, de escolta para transporte de determinadas mercadorias, contratação de vigilantes, etc.; 19. Logo, para que uma transportadora possa dar integral cumprimento aos ditames da Lei nº 11.442, de 2007, necessariamente tem que arcar não só com os custos diretamente decorrentes dos contratos que terá de firmar com as seguradoras, mas também cumprir todas as exigências complementares, que implicam em custos adicionais e obrigatórios; 20. Por conseguinte, em se configurando que tais custos não são opcionais, e por fazerem parte daqueles custos direta e indissociavelmente ligados à operação da empresa, temse que eles deveriam, sem sombra de dúvidas, gerar créditos de PIS e de Cofins para tais empresas, mas pelo que se pode perceber do incompleto, desmotivado e confuso Auto de Infração, teria a fiscalização glosado todos os créditos utilizados pela impugnante, entre outros, de "Seguro de Cargas Responsabilidade Civil", "Desvio de Cargas", "Seguro de Transporte Aéreo de Carga", "Seguro de Cargas em Terminal", "Seguro da Frota contra Terceiros", etc., e todos os Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.848 7 custos inerentes ao cumprimento das exigências feitas pelas seguradoras; 21. Os custos com tais seguros estão inseridos diretamente no preço do frete e destacados nos próprios Conhecimentos de Transporte emitidos pela impugnante, o que demonstra que tais valores sequer poderiam ser considerados como receita pura e simples da autuada; 22. Dentre os custos decorrentes de exigências dos contratos de seguros e de gerenciamento de riscos impostos pelas seguradoras como parte do contrato de seguro, a impugnante destaca não só os rastreadores dos veículos instalados em toda a frota, como também escolta armada e vigilantes e porteiros especialmente treinados, mostrandose sem nenhum fundamento jurídico a aparente e injustificada glosa de créditos relativos aos lançamentos a título de "Escolta de Cargas", "Rastreamento Rodoviário de Cargas", "Manutenção de Equipamento de Rastreamento", "Mão de Obra Rastreamento", "Rastreamento Urbano de Cargas", etc., os quais também são destacados no Conhecimento de Transporte como custos que compõem o valor do frete cobrado; 23. A partir de verdadeira "sessão de clarividência", foi possível imaginar que talvez até mesmo créditos de PIS e Cofins relativos a despesas flagrantemente operacionais, ou de insumos, foram indevidamente glosadas, como, por exemplo, as contas contábeis de leasing, em que, nos meses de abril, maio e junho de 2008, todos os créditos tomados pela impugnante em suas 8 contas foram acatados, com exceção da conta "4.31.08.015 Leasing Computadores"; 24. Por meio da análise da já mencionada e malsinada "tabela de glosas" acostada ao presente feito, imaginase que a fiscalização acatou a integralidade dos créditos tomados pela impugnante em relação aos "Transportes Fluviais", mas os créditos tomados em relação a "Balsas e Pedágios" teriam sido aparentemente glosados pela fiscalização, sem nenhuma explicação, embora as razões para uso de balsas sejam exatamente as mesmas para uso do transporte fluvial, estando os créditos de PIS/COFINS a eles referentes contabilizados separadamente apenas por questões de controle interno da empresa; 25. Em relação às despesas com pedágios, a impugnante entende que sequer haveria o que ser discutido quanto à inafastável conclusão de que tais despesas devem gerar créditos de PIS/COFINS para as transportadoras, pois são essenciais, obrigatórias e impossíveis de serem contornadas ou não pagas; 26. Fazendose um hercúleo esforço interpretativo, podese perceber a glosa de créditos tomados em relação às despesas com manutenção da sua frota de caminhões, conforme inúmeras "contas contábeis" mencionadas na suposta "tabela de glosas", como, por exemplo, a de "Pneus e Câmaras Col/Ent", "Manutenção e Equipamento de Rastreamento Rodoviário", "Manutenção Preventiva de Frota Operacional", "Manutenção Corretiva de Frota Operacional", "Material de consumo da Oficina", etc., as quais, bem como as assemelhadas a elas que também tiveram os créditos de PIS e Cofins glosados, se referem às despesas que a empresa incorre para conseguir manter em operação seus veículos; 27. Outra glosa que parece ter sido feita sem maiores explicações por parte da fiscalização foi a de créditos referentes aos “Impressos Legais”, que são documentos cuja emissão é obrigatória por lei, como, por exemplo, formulários de Conhecimento de Transporte, Manifestos de Carga e Ordem de Coleta, que têm que acompanhar todo e qualquer frete feito pela impugnante, tratandose de documentação legalmente exigida e sem a qual o Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.849 8 transporte não pode ser feito; 28. Se a emissão de documentos é feita em cumprimento à rigorosíssima legislação aplicável à hipótese, é decorrência lógica que a impugnante incorre em despesas para viabilizar sua operação, que não são opção da impugnante e, portanto, geram créditos de PIS e Cofins, não se podendo admitir que tais créditos sejam glosados pelo Fisco Federal de forma arbitrária, injustificada e desmotivada; 29. A impugnante imagina, ainda, que a fiscalização tenha incluído na base de cálculo da Cofins supostas receitas que, na verdade, se referiram a “descontos incondicionais” concedidos a seus clientes, o que pode ter ocorrido, talvez, por terem sido contabilizados sob a nomenclatura “Desconto sobre Duplicatas”, por uma questão operacional específica do ramo de atuação da impugnante; 30. Sempre que é contratada por algum cliente para efetuar a entrega de determinado bem, a empresa tem, necessariamente, que expedir o “Conhecimento de Transporte”, no qual estará descrito o valor do frete contratado, o peso e/ou a cubagem da mercadoria a ser entregue, etc., mas ocorre que, por vezes, o cálculo desse peso/cubagem é feito ou lançado de forma equivocada, acabando por gerar no Conhecimento de Transporte um valor de frete superior àquele que efetivamente seria devido pelo contratante do serviço, equívoco somente constatado no momento da entrega da mercadoria, após a checagem do peso/cubagem, quando se verifica que, de fato, o valor do frete foi lançado a maior no Conhecimento de Transporte, não havendo outra forma de ajustar tal valor senão pela concessão de “desconto incondicional”, que, na verdade, é um ajuste de preço concedido ao contratante na própria duplicata, até porque o cálculo do frete fora indicado erroneamente e não pode o cliente pagar além do que realmente seria devido; 31. Essa especificidade atinente ao ramo de negócio da impugnante não pode, de forma alguma, tornar inaplicável a ela o disposto no art. 1º, §3º, inciso V, alínea “a”, da Lei nº 10.833, de 2003; 32. Para comprovar a situação aqui descrita, a impugnante anexa documentos que demonstram toda a troca de correspondências e informações, bem como de todo o processo interno que leva à conclusão de que o valor do frete consignado no Conhecimento de Transporte foi lançado a maior do que o devido, sendo necessária a concessão de um abatimento em função da correção do valor final do frete; 33. Assim sendo, também os valores referentes aos descontos incondicionais concedidos pela impugnante, ainda que sob a classificação contábil de “Descontos sobre Duplicatas”, devem ser excluídos da base de cálculo da Cofins que está sendo cobrada nestes autos; 34. A multa punitiva aplicada pela auditorafiscal, em função provavelmente dessa divergência de interpretação que a impugnante está a imaginar, foi fixada no absurdo percentual agravado de 150%, para o qual, entretanto, somente há autorização legal quando houver fraude ou sonegação fiscal, o que definitivamente não se configurou no presente caso; 35. Uma vez não provada a existência de dolo no ato supostamente sonegatório praticado, não há configuração do elemento típico que justifique a aplicação da multa “dobrada” prevista pela Lei nº 9.430, de 1996, c/c a Lei nº 4.502, de 1964, pois, no máximo, a autuação fiscal caso não seja anulada, como de fato deve ser decorreria de interpretação divergente entre a contribuinte e o Fisco, em relação à legislação aplicável à matéria, notadamente no tocante às despesas de empresas transportadoras que podem gerar créditos de PIS e Cofins; 36. Se um Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.850 9 agente do Fisco entende que determinado contribuinte deixou de recolher um tributo com a intenção de fraudálo ou sonegalo, tem que demonstrar, por meio de provas cabais e inequívocas, que esta foi a sua intenção, mas no presente caso não há uma única palavra descrevendo as razões pelas quais foi aplicada a multa agravada de 150%; 37. Ainda que se reduza a multa de 150% para o percentual de 75% previsto na Lei nº 9.430, de 1996, em razão do reconhecimento da inexistência de qualquer fundamento para o agravamento da multa, temse que esse percentual de 75% ainda se revela total e absurdamente confiscatório; 38. Conforme doutrina e jurisprudência do Tribunal Regional Federal – TRF da 5ª Região, que transcreve, entende a impugnante que o Fisco Federal vem aplicando multas em valores grotesca e notadamente confiscatórios, ferindo de forma patente as garantias constitucionais do contribuinte, notadamente as expressas nos artigos 145, § 1° (Princípio da Capacidade Contributiva) e 150, IV (Princípio da Vedação ao Confisco) da Constituição Federal de 1988, bem como os Princípios Constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionalidade; 39. Desta forma, demonstrada a inconstitucionalidade dos tributos confiscatórios, cumpre ressaltar que não só estes estão sujeitos às regras elencadas nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, CF, mas também a penalização tributária, pois esta é instituída visando apenas e tão somente sancionar os eventuais ilícitos cometidos pelo contribuinte, não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, face à exorbitância do seu valor, bem como à sua desproporcionalidade; 40. Mesmo que a autoridade administrativa julgadora não venha a reconhecer a procedência dos fundamentos levantados pela impugnante, é certeza que, com a intervenção do Poder Judiciário, ficarão afastadas as arbitrariedades cometidas pelos órgãos de arrecadação tributários, ao instituir multas de caráter nitidamente confiscatório, como o é no presente caso; 41. Uma vez que a Cofins, conforme previsão do art. 195, inciso I, alínea “b” da Constituição Federal, incide sobre a receita ou o faturamento, impossível a inclusão do ICMS em sua base de cálculo, pois não há disposição expressa que determine a incidência da Cofins e do PIS sobre os valores pagos a título de ICMS; 42. Tal assertiva restou devidamente comprovada quando se tratou da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, pois no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084PR restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal, entre outras coisas, a impossibilidade de a referida lei alterar a base de cálculo constitucionalmente definida da Cofins e do PIS; 43. O caput do art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, define a materialidade da Cofins em sintonia com a disposição constitucional, e o seu parágrafo único traz mera declaração ad cautelam para deixar claro que, por exemplo, o IPI não deve ser incluído na base de cálculo, o que não significa que, automaticamente, o ICMS estaria incluso na base de cálculo, mesmo porque se isso fosse verdade, tal assertiva seria incluída na redação do texto legal; 44. Encontrase sob julgamento do STF o Recurso Extraordinário n° 240.785MG, no qual se discute exatamente a constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, com óbvias consequências para a mesma discussão no que tange ao PIS, sendo importante ressaltar que, até o presente momento, está prevalecendo a tese dos contribuintes, o que, certamente será também o resultado final deste julgamento; 45. O I. Ministro não Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.851 10 declarou a inconstitucionalidade do art. 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 1991, ou seja, não foi necessária a declaração abstrata da inconstitucionalidade da lei para que o Ministro Relator verificasse a impossibilidade de que o ICMS integrasse a base de cálculo da Cofins, tendo sido realizada simples interpretação de acordo com os ditames constitucionais vigentes, o que já demonstra que os julgadores da RFB podem apreciar a matéria, por não se fazer necessária a declaração de inconstitucionalidade de nenhum dispositivo de lei; 46. No mínimo, os autos devem ser baixados em diligência para que a fiscalização refaça todo o cálculo do tributo lançado, excluindo o ICMS da base de cálculo da Cofins; 47. Resta patente o equívoco da fiscalização na forma de calcular o tributo, pois no cálculo anterior realizado pela contribuinte, quando os créditos utilizados são maiores do que a própria receita auferida no período, há uma “base de cálculo negativa” da contribuição, não considerada pela auditora ao glosar os créditos tomados pela impugnante, sendo necessária a realização pela fiscalização do cálculo completo da contribuição, considerando a receita auferida pela empresa, descontados os créditos que a própria fiscalização entendeu como válidos (“acatados”, na terminologia da planilha anexa ao Auto de Infração); 48. Mas assim não procedeu a fiscalização, pois parece que a agente fiscal simplesmente aplicou a alíquota da contribuição sobre os créditos glosados, o que resultou em enormes diferenças no cálculo do tributo; 49. Em termos práticos, podese dizer que foram desconsiderados créditos que a própria fiscalização entendeu como devidos, tributandose uma receita fictícia, e, como exemplo, citese o período de janeiro de 2008, em que a fiscalização apurou o total das receitas auferidas de R$23.584.081,96, e, segundo as planilhas da própria autuante, a empresa utilizou nesse período créditos no valor total de R$24.890.084,10 e efetuou “deduções sobre a receita” no valor total de R$1.265.246,46; 50. Pelos cálculos originais da impugnante, os créditos e as deduções totalizavam R$26.155.330,56, excedendo o valor da receita auferida no período (R$23.584.081,96), considerados, entretanto, equivocados pela fiscalização, em virtude da suposta utilização indevida de créditos; 51. Com efeito, foram glosados R$9.567.276,04 de créditos que haviam sido utilizados pela empresa em janeiro de 2008 e as “deduções sobre a receita” de R$ 1.265.246,46, totalizando R$10.832.522,50, conforme apontado na planilha elaborada pela própria auditora; 52. Entende a impugnante que a fiscalização deveria ter subtraído a quantia de R$10.832.522,50 do total de créditos e deduções utilizados pela empresa (R$26.155.330,56), para chegar ao total de créditos efetivamente devidos (R$15.322.808,06), que foram acatados pela própria fiscalização, e subtrair esse número da receita auferida no período (R$23.584.081,96), procedimento com o qual a fiscalização chegaria, no entender da autuante, à efetiva base de cálculo da contribuição; 53. Se a própria fiscalização parece ter concluído que a impugnante auferiu receitas no total de R$23.584.081.96, e que utilizou créditos válidos (acatados pela própria fiscalização) no total de R$15.322.808.07, basta subtrair este montante daquele para se chegar à correta base de cálculo da Contribuição, que é de R$ 8.261.273,89, sobre a qual, em se aplicando a alíquota de 7,6%, chegase ao valor de R$627.856,82 a título de Cofins, o que seria devido pela impugnante. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.852 11 54. Contudo, a auditora fiscal simplesmente aplicou a alíquota de 7,6% sobre o total dos créditos e deduções glosados (R$10.832.522,50), chegando ao valor de R$823.271.71 lançado de ofício; 55. Logo, somente para o período de janeiro de 2008, há uma relevante diferença de R$195.414,89 indevidamente lançada contra a impugnante, diferença verificada em todos os períodos autuados, de janeiro a dezembro de 2008; 56. No mínimo, é necessário realizar novo cálculo da contribuição, tomandose por base as receitas auferidas, deduzidos os créditos que a fiscalização expressamente acatou, sendo imprescindível a realização de prova pericial contábil nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, indicando, assim, o nome do seu perito e formulando quesitos que pretende ver respondidos. E continua a DRJ: Em face das alegações da impugnante, por meio do Despacho DRJ/SDR nº 43/2011 (fls. 1199/1200) foi determinada a realização de diligência visando: “1) Identificar os lançamentos contábeis dos créditos não considerados no Auto de Infração e os motivos das glosas parciais efetuadas nas contas contábeis “pneus e câmaras col/ent”, “transporte fluvial”, “material consumo ope”, “balsa col/ent”, “lavagem de veículos col/ent”, “pedágio e balsa col/ent”, manutenção preventiva e corretiva, “manutenção de equipamentos ope”, “mão de obra carga/descarga PJ”, “aluguel semireboque” ; “2) Informar os valores das receitas mensais auferidas, em confronto com a linha “Total de Receitas Conforme Fiscalização” da planilha anexada pela impugnante, confirmando se as receitas informadas no DACON já se encontram subtraídas das “deduções sobra a Receita” constantes do demonstrativo elaborado pela autuante; “3) À luz do disposto no inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, esclarecer as razões de ter sido glosado, em relação aos períodos de apuração de abril a junho de 2008, apenas o crédito da conta “4.31.08.015 Leasing Computadores”, enquanto que para os demais períodos de apuração autuados foram glosados créditos de todas as 8 (oito) contas contábeis relativas às operações de leasing; “4) Cientificar a contribuinte acerca da diligência realizada, reabrindolhe novo prazo para que possa aditar sua impugnação, caso seja de seu interesse.” Desta forma, foram anexados os documentos de folhas 1201/1622, sendo que as conclusões da auditora fiscal constam do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal às folhas 1588/1593, do qual a contribuinte foi cientificada em 19/09/2011, apresentando às folhas 1595/1619 aditamento à sua impugnação. No relatório de diligência, a Fiscalização esclareceu o seguinte, em ordem respectiva aos itens acima enumerados: [...]Resposta: As glosas parciais efetuadas nas contas contábeis abaixo relacionadas são em decorrência de pagamentos de gastos a pessoas físicas, identificados e apurados através dos relatórios auxiliares fornecidos pela fiscalizada, durante a execução do procedimento de fiscalização, que ora estão sendo anexados a este Relatório de Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.853 12 Diligencia. Convém registrar que os relatórios auxiliares recebidos foram compostos por: razão, pagamentos a pessoas físicas e pagamentos a pessoas jurídicas para as contas aqui relacionadas. [...]Já com relação à conta contábil “mão de obra carga/descarga PJ”, as glosas contemplam não só os pagamentos efetuados a pessoas físicas como também pagamentos relativos à mão de obra tomadas de sindicatos e cooperativas, conforme relatório auxiliar fornecido pela fiscalizada e anexado a este relatório. [...] [...]Resposta: Cumpre registrar que a fiscalização não procedeu a levantamentos de Receitas nem tão pouco elaborou planilha com este objetivo, conforme faz crer a linha “Total de Receitas Conforme Fiscalização" da planilha anexada pela impugnante a pagina 1.195 do processo em questão. Visando responder ao questionamento proposto foi elaborado, durante este procedimento de diligencia, um demonstrativo de receitas baseado nas informações contidas nos balancetes e nas DACON's “retificadoras" entregues pela diligenciada em 21072010 a SRFB (paginas 170 a 362 do processo). [...]Verificase, através dos levantamentos acima apontados, que a base de calculo da COFINS constante na Ficha 17 A Linha 1 dos DACONs entregues pela diligenciada em 21072010 a SRFB, estão subtraídas dos montantes apurados nos, grupo “Deduções da Receita Bruta', que por sua vez contempla os valores glosados a titulo de "Deduções sobre a Receita" constantes no demonstrativo elaborado pela fiscalização. Nos meses de janeiro, fevereiro, marco, julho, agosto e novembro de 2008, constatase que a diferença entre a receita bruta nos balancetes e a base de calculo da COFINS nos DACON S e exatamente o montante do grupo "Deduções da Receita Bruta". Quanto aos demais meses, embora os valores não estejam tão evidentes, já que as deduções feitas foram superiores aos montantes do grupo "Deduções da Receita Bruta”, é possível, em virtude da metodologia aplicada, afirmar que as bases de cálculos da COFINS apuradas, pela diligenciada, no ano calendário de 2008 estão subtraídas das “deduções sobre receita" glosadas pela fiscalização. [...] [...]Resposta: A fiscalizada, ora diligenciada, no decorrer da fiscalização realizada não logrou êxito em apresentar os documentos, solicitados através de Termo de Intimação Fiscal lavrado, relativos as contas contábeis de Leasing. Não apresentou nenhum documento de pagamento nem mesmo nenhum dos contratos de Leasing celebrados e em vigência no ano calendário de 2008, tendo tão somente apresentados os mencionados documentos já na fase de impugnação. A análise dos razões (em anexo) das contas contábeis relativas a Leasing (41201015, 41204004, 41205007, 41206007, 43102013, 43108005 e 43108015) possibilita identificar os lançamentos tão somente em relação ao período de apuração de abril a junho de 2008, para os demais períodos o histórico lançado inviabiliza a identificação, razão pela qual não foram considerados. Os documentos acostados na impugnação pela diligenciada revelam as seguintes constatações: Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.854 13 [...] [...]No aditamento, a Interessada alegou que a Fiscalização não teria conseguido suprir as omissões do lançamento original, afirmando não terem sido considerados os custos obrigatórios e diretamente relacionados às atividades da empresa. Várias glosas sequer teriam sido mencionadas pela Fiscalização no relatório. Reiterou os argumentos apresentados na impugnação, discorrendo sobre a não cumulatividade das contribuições. A DRJ, primeiramente, exarou o acórdão de fls. 1623 a 1653, em que decidiu o seguinte, a respeito de cada item discriminado abaixo: Nulidade do auto de infração: afastou a nulidade, considerando que houve descrição suficiente dos fatos; Perícia contábil: afastou a necessidade de sua realização, uma vez que a Fiscalização adotou os valores constantes da escrituração; Créditos da nãocumulatividade: fez diversas considerações sobre as operações que geram direito a crédito, ressaltando a impossibilidade de admitir créditos relativos a mão deobra e de apreciar questões de inconstitucionalidade de lei; Rastreamento e contratos de seguros: considerou que tais custos não poderiam ser admitidos como insumos de produção; Exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: considerou não ser possível afastar a incidência da contribuição sob fundamento de inconstitucionalidade de lei e indeferiu a realização da diligência requerida; Arrendamento mercantil: foram admitidos os “valores informados pela contribuinte a título de “Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil”; Desconto sobre duplicatas: considerouse não comprovada a alegação; Cálculo da Cofins lançada de ofício (base de cálculo negativa): considerou que “às bases de cálculo informadas pela contribuinte serão acrescidas as ‘Deduções sobra a Receita’ glosadas pela autuante, identificadas no ‘Mapa Demonstrativo’ que compõe o Auto de Infração; Multa de ofício no percentual de 150%: considerouse não demonstrado o evidente intuito de fraude; Multa confiscatória no percentual de 75%: não apreciou a matéria à vista de se tratar de alegação de inconstitucionalidade de lei. Posteriormente, foi constatado erro material no acórdão (fl. 1658), tendo sido, então, exarado o acórdão mencionado no início do relatório, apenas para corrigir a tabela demonstrativa dos valores relativos aos meses de janeiro a março de 2008. No recurso, a interessada alegou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por falta de motivação. Afirmou que haveria “pontos que ainda precisam de complementações e observações, o que, por si só, já configura vício de motivação [...]”. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.855 14 Contestou a Primeira Instância, afirmando ter tido “sim grandes dificuldades em analisar o Auto de Infração ora guerreado, justamente pela presença de lacunas diversas na sua fundamentação e descrição pormenorizada dos fatos”. Citou lições da Doutrina e ementas de decisões judiciais e administrativas que trataram do assunto. Iniciou a defesa de mérito afirmando que não seria possível glosar os créditos utilizados, contestando a definição do temo “insumo” adotado pela Primeira Instância. Segundo a Recorrente, que citou também doutrina e jurisprudência, análise sistemática da Constituição e legislação permitiria concluir que o art. 3º da Lei n. 10.833. de 2003, não seria taxativo, “mas meramente exemplificativo”. Defendeu o direito de crédito em relação aos custos obrigatórios com contratação de seguros e a emissão de apólices. Em relação à multa, alegou ser confiscatória, tendo já sido afastada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região em julgamento citado. Por fim, alegou não ser possível incluir o ICMS na base de cálculo da Cofins. É o relatório. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10580.732653/201010 Resolução nº 3302000.260 S3C3T2 Fl. 1.856 15 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Preliminarmente, analisese a questão do sobrestamento do julgamento do recurso, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Carf. É que parte das alegações da Interessada diz respeito à inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins/PIS, matéria de repercussão geral reconhecida no âmbito do Recurso Extraordinário n. 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal. No âmbito do referido RE, foi determinado o sobrestamento dos processos “nos quais o recurso foi interposto antes da regulamentação da repercussão”, hipótese que demonstra a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012. No referido RE, mencionase o fato de que a matéria teve sua discussão iniciada no RE 240.785. Mas o recurso foi retirado de pauta e o julgamento será reiniciado, desconsiderandose o voto do relator original. Nesses processos, conforme esclarecido no Informativo STF n. 437 (http://www.stf.jus.br/portal/informativo/verInformativo.asp?s1=240785&numero=437&pagin a=1&base=INFO), discutese a autorização contida no art. 2º, parágrafo único, da Lei Complementar n. 70, de 1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Embora os autos tratem da contribuição nãocumulativa criada pela Lei n. 10.833, de 2003, cujo art. 1º é que define a base de cálculo e suas exclusões (§ 3º), a repercussão geral trata da base de cálculo da contribuição de forma geral, conforme prevista na Constituição. À vista do exposto, voto por sobrestar o julgamento do recurso, até que o STF tenha julgado o RE mencionado. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11040.900885/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
TRIBUTÁRIO. DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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DCTF. PAGAMENTO POSTERIOR AO VENCIMENTO. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento prazo legal, estará em mora, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, que não é ilidida por pagamento realizado posteriormente ao vencimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 08 85 /2 00 8- 54 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 101 3 Relatório Tratamse os autos de Declaração de compensação realizada pelo contribuinte, que objetivou parte do pagamento de CSLL do período de Dez/2003, no valor de R$ 935,94 (novecentos e trinta e cinco reais, e noventa e quatro centavos), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior relativo à multa de mora em débito de COFINS (confessado espontaneamente), do período de Junho/2004, no valor de R$1.044,15 (hum mil e quarenta e quatro reais e quinze centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 26/06/2008, conforme Consulta de Postagem de fls, 10 (numeração eletrônica) o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 1124 (numeração eletrônica), alegando que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco, bem como antes da entrega da DCTF (31/08/2004), portanto, a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa,a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS, através do Acórdão nº. 1020.828 houve por bem em considerar Improcedente o pleito do contribuinte, ementando seu julgamento nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Resumidamente a DRJ POA/RS entendeu que valores declarados em DCTF recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Entendeu, ainda, que o mesmo pode ser dito para os casos em que o recolhimento decorre de pedido de parcelamento. A denúncia seguida de pedido de parcelamento obviamente não está sendo acompanhada de pagamento, como requer a leitura do artigo 138 do CTN. Em se tratando de favor, sujeitase a condições estabelecidas em lei, e estas condições prevêem que o beneficiário do parcelamento fica sujeito aos encargos legais cabíveis, conforme entendimento pacífico do STJ. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de 1ª Instancia em 28/09/2009, conforme AR de fls. 45 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 19/10/2009, seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade os quais, por brevidade, não os repetirei. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 10/08/2011, tendo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para “que a unidade preparadora esclareça se: a) o débito a que o recolhimento foi vinculado consta em DCTF; b) caso afirmativo, se ela foi entregue antes do recolhimento; c) em caso negativo, qual o instrumento que permitiu a sua vinculação ao pagamento realizado, indicando no caso “processo” a sua natureza, isto é, se o processo referese a parcelamento, lançamento de ofício ou outro.”. DA DILIGÊNCIA Cientificada da Resolução nº 3401000.290, da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos retro descrita, a unidade preparadora acostou à estes autos, às fls. 66/72 – n.e., os seguintes esclarecimentos/documentos: 1) Item “a” confissão do débito em DCTF. O débito de Cofins extinto pelo recolhimento (valor original:R$ 5.220,74 + multa moratória objeto do presente pedido: R$ 1.044,15 + juros) referese ao fato gerador: março/2004, no valor de R$ 5.220,74. Conforme consultas anexadas às fls. 64/66, constatase que o débito está confessado em DCTF, de forma o item “b” requer resposta, ao passo que o item “c” fica prejudicado. 2) Item “b” DCTF foi entregue antes do recolhimento. As consultas informam que a declaração original foi transmitida em 14/05/2004, retificada em 29/04/2008 (DCTF ativa), sendo que em ambas consta o valor já mencionado (fls. 64/66). O pagamento foi realizado em 14/06/2004 (fls. 67), portanto em data que a declaração original estava ativa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 102 5 DO 2º JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA Distribuído ao CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 20/03/2013, tendo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, convertido o julgamento do mesmo em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento DA 2ª DILIGENCIA Cientificado da Resolução acima mencionada em 02/08/2013, conforme AR de fls. 84 – numeração eletrônica, o contribuinte acostou aos autos a petição de fls. 87– n.e., confirmando a ciência da diligencia efetuada em 30/05/2012, bem como para requerer o provimento do Recurso Voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 volume, numerados até a folha 99 (noventa e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, portanto, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Retornam os autos de diligências determinadas pelas Resoluções nº. 3401 000.290 e nº 3402000.514, nas quais, na primeira Resolução, em sessão de julgamento ocorrida em 10/08/2011, foi determinado à Autoridade Preparadora o esclarecimento de fatos que possibilitam o julgador à efetiva análise e deslinde da causa. Conforme se extrai da diligência promovida pela autoridade preparadora, as consultas informam que a declaração original foi transmitida em 14/05/2004, retificada em 29/04/2008 (DCTF ativa), sendo que em ambas consta o valor já mencionado (fls. 64/66). O pagamento foi realizado em 14/06/2004 (fls. 67), portanto em data que a declaração original estava ativa. Tratase nestes autos acerca da possibilidade de aplicação de multa de mora e juros de mora sobre tributos declarados por meio de DCTF e pagos após o seu vencimento. A DCTF é meio de confissão de dívida, remetida pelo contribuinte à autoridade administrativa, pelo qual é o ato de lançamento transferido para o contribuinte. Após transmitido, a Autoridade Administrativa poderá homologar, expressa ou tacitamente o “autolançamento” realizado pelo contribuinte, ou então, constatando divergências entre os valores declarados e os demais elementos da regra de incidência tributária, efetuará então o lançamento de ofício das diferentes porventura constatadas. Portanto, a partir da transmissão da DCTF, assume o contribuinte a dívida para com a Fazenda Pública, devendo, portanto, realizar o pagamento do tributo dentro do prazo estabelecido pela norma regulamentadora, igualmente conforme a legislação de regência. Se, porventura, não efetivar o recolhimento do tributo declarado em DCTF dentro do prazo legal, incide nos encargos moratórios legalmente previstos, quais seja, os juros de mora pela incidência da SELIC, e a multa moratória de 0,33% ao dia de atraso, limitado a 20%, nos termos da Lei nº 9.430/96, e suas alterações posteriores. Acerca de ser a DCTF instrumento suficiente para a constituição do crédito tributário, permitindo desde logo a inscrição do crédito tributário não pago em dívida ativa para execução fiscal, sem que seja necessário que a Fazenda Pública proceda ao lançamento de juros e multa, assim como, dando os limites do cabimento da denúncia espontânea, é plenamente aplicável ao caso em concreto, o julgamento assentado pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11040.900885/200854 Acórdão n.º 3402002.310 S3C4T2 Fl. 103 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, [...] (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Desta forma, se o contribuinte transmite a DCTF confessando o tributo devido, mas não realiza o pagamento do tributo no prazo previsto, estará em mora com seus deveres de contribuinte, sendo devido, portanto, o pagamento de multa e juros em virtude do seu atraso, como forma de retaliação em virtude do seu ato de ingerência, não havendo que se falar em espontaneidade na quitação do tributo, após a referida transmissão de DCTF. Assim sendo, não fosse pelo fato de haver “autolançamento” com a transmissão da DCTF, que por si só constitui o crédito tributário tanto com relação ao principal quanto com relação aos encargos (que estão) legalmente previstos, não há como afastar a exigência da multa e juros de mora. Portanto, estando o tributo declarado em DCTF transmitida, e não tendo o mesmo sido pago no prazo legalmente previsto, temse que é plenamente cabível a imposição de multa e juros de mora sobre os tributos compensados após a sua data de vencimento. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação da Súmula STJ nº 360, publicada no DJe de 08/09/2008, in verbis: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Assim sendo, aplico o art. 62A d Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, a fim de acolher o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Na esteira das considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e mantenho a decisão recorrida na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000172/2007-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES PAGAS A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE.
Integra o faturamento do veículo de comunicação todo o valor recebido do anunciante para veiculação de sua propaganda, dele não se excluindo a parcela paga, a título de comissão de agência, às pessoas jurídicas que realizam a atividade de agenciamento de propaganda.
Numero da decisão: 9303-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Nanci Gama e Fabíola Cassiano Keramidas, que davam provimento.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES PAGAS A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. Integra o faturamento do veículo de comunicação todo o valor recebido do anunciante para veiculação de sua propaganda, dele não se excluindo a parcela paga, a título de comissão de agência, às pessoas jurídicas que realizam a atividade de agenciamento de propaganda.
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AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Recorrente REDE NORDESTE DE COMUNICAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. COMISSÕES PAGAS A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. Integra o faturamento do veículo de comunicação todo o valor recebido do anunciante para veiculação de sua propaganda, dele não se excluindo a parcela paga, a título de comissão de agência, às pessoas jurídicas que realizam a atividade de agenciamento de propaganda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e as Conselheiras Nanci Gama e Fabíola Cassiano Keramidas, que davam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 01 72 /2 00 7- 10 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em exame recurso do contribuinte acima identificado contra decisão que manteve lançamento de COFINS sobre os valores que a empresa faturou, recebeu e posteriormente repassou a agências de publicidade a título de comissões. Nele, a recorrente aduz que esses valores não constituem receita sua, o que estaria disciplinado na legislação do setor, embora não cite qualquer ato legal a não ser a Lei 10.925 que cuida da tributação nas agências de publicidade. A decisão recorrida fundamentou sua decisão na não regulamentação do dispositivo da Lei 9.718 que previa a exclusão de valores escriturados como receita mas repassados a outras pessoas jurídicas. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos O recurso foi bem admitido porquanto juntados paradigmas que cuidaram exatamente da mesma matéria e a ela deram solução contrária à da decisão recorrida. Como é bem sabido, o tema é recorrente e foi novamente enfrentado nos meses de outubro e novembro do ano passado em repetidos processos do mesmo contribuinte relatados pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e por mim. Nestes últimos, além dos argumentos padrão, tivemos de enfrentar especificamente a aplicabilidade da Lei 12.232, o que me levou a reproduzir os votos proferidos em outubro pelo Conselheiro Henrique. Neste processo, porém, não se argúi tal aplicabilidade, o que me faz retornar a antigo voto por mim proferido ainda no Segundo Conselho de Contribuintes, no qual, acredito, enfrentei todos os demais argumentos comumente presentes quanto à matéria. Peço vênia para reproduzilo na sequência: Devese reafirmar de logo, que nos termos da legislação de regência, faturamento corresponde ao preço dos serviços cobrados. É natural que para obter o seu faturamento a empresa precise remunerar profissionais – pessoas físicas e jurídicas – que para ele contribuem. Aí se incluem, como regra, corretores, agenciadores e quaisquer outros intermediários que, mesmo não tendo vínculo empregatício com a empresa, para ela atraem clientes que produzirão receitas. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10435.000172/200710 Acórdão n.º 9303002.887 CSRFT3 Fl. 6 3 Essa, portanto, a regra que define como custos os valores pagos a título de comissões. A empresa, no entanto, defende que no seu ramo de atividade essa regra não valeria e que os valores pagos às agências não integram o seu faturamento porque seriam, de direito, das pessoas jurídicas que realizaram a atividade de agenciamento das propagandas veiculadas. Mais especificamente, ela defende que esses valores são devidos pelo anunciante à agência e são por aquela entregues ao veículo de divulgação para que, em nome dele, anunciante, efetue o pagamento à agência. Afirma mesmo que isso seria determinado pelo ato legal que disciplina a atividade. Vejamos, por isso, os artigos da Lei nº 4.680/65 que interessam ao caso: CAPÍTULO IV Das Comissões e Descontos devidos aos Agenciadores e às Agências de Propaganda Art 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda serão fixados pelos veículos de divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. Parágrafo único. Não será concedida nenhuma comissão ou desconto sobre a propaganda encaminhada diretamente aos veículos de divulgação por qualquer pessoa física ou jurídica que não se enquadre na classificação de Agenciador de Propaganda ou Agências de Propaganda, como definidos na presente Lei. Art 12. Não será permitido aos veículos de divulgação descontarem da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, no todo ou em parte, os débitos não saldados por anunciantes, desde que sua propaganda tenha sido formal e previamente aceita pela direção comercial do veículo da divulgação. Art 13. Os veículos de divulgação poderão manter a seu serviço Representantes (Contatos) junto a anunciantes e Agências de Propaganda, mediante remuneração fixa. Parágrafo único. A função de Representantes (Contato) poderá ser exercida por Agenciador de Propaganda, sem prejuízo de pagamento de comissões, se assim convier às partes. Art 14. Ficam assegurados aos Agenciadores de Propaganda, registrados em qualquer veículo de divulgação, todos os benefícios de caráter social e previdenciário outorgados pelas Leis do Trabalho. Da leitura desses dispositivos não vislumbro nada que sustente a tese da empresa de que quem remunera os profissionais encarregados do agenciamento de publicidade seja o anunciante Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 e que caiba ao veículo apenas “repassar” esses valores à agência. O que me parece estar aí disciplinado é exatamente o relacionamento comercial entre tal agenciador – pessoa física ou agência – e o veículo de comunicação, beneficiário direto do exercício profissional que se está regulando, na medida em que ele gera receita para tal veículo. Com efeito, aí não se diz que a agência esteja impedida de cobrar do anunciante diretamente pelos serviços de elaboração da campanha publicitária ou qualquer outro serviço que lhe preste. Aqui o que se regula, em suma, é o serviço prestado ao veículo. Corrobora tal entendimento a ressalva contida no parágrafo único do art. 11: não se pagam comissões se nenhum serviço foi prestado. Ora, é evidente que, mesmo sem esse serviço de intermediação, a propaganda tem de ser criada e produzida por alguém, que deve, por óbvio, ser remunerado pelo anunciante interessado. Não se confundem, pois, a intermediação – o agenciamento – e a criação e produção da propaganda a ser veiculada. Igualmente reforça o entendimento aqui esposado a autorização para que o veículo de divulgação mantenha profissional, por si diretamente remunerado, como contato junto à agência. O “contato” aí mantido só pode se justificar pela captação, para o veículo, da propaganda que está sendo criada pela agência. A empresa citada ainda o art. 53 da Lei 7.450/85 (relativo ao imposto sobre a renda) que indicaria que o próprio Sujeito Ativo reconheceria esse caráter de mero repasse. Vejamos então o que dispõe o artigo: Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: (Vide Lei nº 9.064 de 1995) I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; Il por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso Il deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Portanto, aqui também não se diz o que quer ler a empresa. Com efeito, tudo que está aí regulado é a obrigatoriedade de desconto na fonte no momento do pagamento. Aí não se diz que esse “pagamento” é feito pelo veículo em nome (ou por conta e ordem) do anunciante. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10435.000172/200710 Acórdão n.º 9303002.887 CSRFT3 Fl. 7 5 A disposição do parágrafo único acima foi disciplinada pela SRF por meio da Instrução Normativa nº 123/92. Mas aí também não se mencionou a hipótese que quer construir o contribuinte. Lá, o que se previu foi a situação oposta: o anunciante entregar à agência – visto que é com ela que ele contrata – os valores devidos ao veículo. Ou seja, é a agência quem “repassa” ao veículo o pagamento devido pelo anunciante e não o contrário. E é por esse motivo que tal valor pode ser abatido da base de cálculo para incidência da retenção. Com essas considerações, não encontro na legislação citada pela contribuinte nada que descaracterize a natureza de custos dos valores que ela paga, a título de remuneração pelo serviço prestado a ela mesma, consistente na obtenção de anunciantes. Com efeito, não divirjo em nada da interpretação adotada pelas autoridades administrativas, tanto a que realizou o lançamento quanto as que o julgaram em primeiro grau. Ou seja, estamos lidando com mera prestação de serviço de intermediação que em nada difere da corretagem praticada em outros ramos senão pelo fato de o objeto da intermediação não ser material. Dito claramente, a agência é remunerada pelo veículo porque “vende” o produto do veículo de comunicação, da mesma forma que qualquer corretor que “vende” ações, imóveis ou qualquer outra coisa. É por esse serviço que o veículo paga à agência, que, sem nenhuma dúvida, aumentou o seu faturamento ao trazerlhe o cliente. Daí que esse pagamento se reveste da natureza simples de custo para o veículo que o paga, necessário, sem dúvida, para a obtenção da receita, e por isso dedutível para efeito de imposto de renda. No que tange à contribuição em tela, devida apenas sobre o faturamento, não há que se falar em abatimento de custos, pelo que, no ponto, ao recurso deve ser negado provimento. Com essas mesmas considerações, nego provimento ao recurso ora em apreço. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.000735/2003-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
Ementa:
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. A IN SRF 126/98, aplicada aos fatos geradores de 1999, somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Portanto, estava obrigada a apresentar as DCTFs, qualquer que seja o valor do tributo informado porque não há limite mínimo de valor.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1802-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. A IN SRF 126/98, aplicada aos fatos geradores de 1999, somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Portanto, estava obrigada a apresentar as DCTFs, qualquer que seja o valor do tributo informado porque não há limite mínimo de valor. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. A IN SRF 126/98, aplicada aos fatos geradores de 1999, somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal dos tributos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Portanto, estava obrigada a apresentar as DCTFs, qualquer que seja o valor do tributo informado porque não há limite mínimo de valor. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 07 35 /2 00 3- 40 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Por meio do Auto de Infração de fl. 10, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.987,39, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1º, 2°, 3º e 4° trimestre do ano calendário de 1999. 0 enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3º 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968/1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065/1983; artigo 30 da Lei n° 9.249/1995; artigo 1° da IN SRF n° 18/2000; artigo 7º da Lei n° 10.426/2002 e artigo 5° da IN SRF n°255/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 05, na qual alega, em síntese, o seguinte: que a requerente não se enquadrava em nenhuma das condições de obrigatoriedade de apresentação de DCTF previstas no artigo 2° da IN SRF n° 73/1996. que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (São Paulo/SPO1) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1611.589, de 16 de novembro de 2006, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. 0 cumprimento da obrigação acessória – apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.000735/200340 Acórdão n.º 1802002.154 S1TE02 Fl. 80 3 A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/12/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 19/01/2008. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Insiste que não se enquadrava em nenhuma das obrigatoriedades imposta pela INSRF n°. 73/1996 e que esta só foi revogada pela IN SRF 255/2002 , portanto, 2 anos após os fatos. Diz que, a IN/SRF n°. 126/1998 não regulamentou a matéria alusiva a faixa de faturamento do recorrente, e, em momento algum disciplinou a obrigatoriedade ou não das empresas de pequeno faturamento e retenção, tampouco, revogou expressamente a IN nº 73/96, mantendoa intocável quanto a dispensa da recorrente. A Recorrente também alega que não houve notificação para apresentar a DCTF; que apresentou as DCTFs espontaneamente antes de qualquer procedimento do fisco, estando, por isso incólume de qualquer penalidade administrativa com supedâneo no artigo 138 do CTN. Aduz que, somente a partir de 27 de dezembro de 2.001 é que se facultou o fisco a imposição de multa pelos artigos 7°. e 8°. da Medida Provisória 16. Portanto, sendo a criação de obrigação tributária acessória matéria sujeita ao PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL temse por evidente a ilegalidade dos autos lavrados atinente a atos anteriores a 27 de dezembro de 2.001. Afirma que, o art. 5°. II da Constituição Federal, desobriga a contribuinte da penalidade, por falta de Lei vigente na época. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário, cancelandose o auto de infração lavrado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa aos 04 (quatro) trimestres de 1999, de que trata o Auto de Infração, fl.10, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ R$ 1.987,39. Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 21/5/1999, 13/8/1999, 12/11/1999 e 29/02/2000, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 06/07/2001. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A Recorrente alega que não se enquadrava em nenhuma das obrigatoriedades impostas pela INSRF n°. 73/1996 e que esta só foi revogada pela IN SRF 255/2002 , portanto, 2 anos após os fatos. Diz que, a IN/SRF n°. 126/1998 não regulamentou a matéria alusiva a faixa de faturamento do recorrente, e, em momento algum disciplinou a obrigatoriedade ou não das empresas de pequeno faturamento e retenção, tampouco, revogou expressamente a IN nº 73/96, mantendoa intocável quanto a dispensa da recorrente. A questão é saber se a recorrente estava ou não obrigada a apresentar as DCTFs relativas aos trimestre de 1999 e qual a IN SRF vigente na data do fato gerador da obrigação, se a IN SRF 73/96 ou a IN SRF 126/98. O auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 28/07/2003 (AR, fl.12). Gizse que, a IN nº 73/1996, estabelece normas disciplinadoras da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela IN nº 129. de 19/11/1986, enquanto que a IN nº 126, de 30/10/1998, numa nova realidade, instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Como cediço a IN SRF 126/98, posterior àquela IN 73/96 evocada pela Recorrente, disciplinou a mesma matéria relativa à DCTF de forma diversa, prevalecendo a norma posterior em relação à anterior, mormente quando era a IN SRF 126/98 a vigente à época dos fatos geradores da obrigação. A multa exigida no Auto de Infração se dá pelo atraso na entrega da “Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF”, instituída pela IN nº 126, de 30/10/1998 . Os fatos geradores ocorreram em cada um dos quatro trimestres de 1999, e nesse período quanto à dispensa de DCTF, indubitavelmente estava vigente a IN SRF 126/98, norma complementar exarada pela SRF que somente dispensava de apresentação da DCTF a pessoa jurídica imune ou isenta cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar fosse igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). No caso dos presentes autos, embora os valores declarados intempestivamente fossem inferiores àquele valor, não se trata de empresa imune nem isenta. Logo, a Recorrente por não se enquadrar em nenhuma das situações de dispensa descritas no artigo 3º da IN nº 126/1998, estava obrigada a entrega das DCTFs até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores (§ 2º, artigo 2º da IN nº 126/1998), qualquer que seja o valor do tributo a ser informado porque não há limite mínimo de valor. Vejamos, a Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. (DOU de 02/11/1998). Institui a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e estabelece normas para a sua apresentação. Alterada pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999. Alterada pela IN SRF nº 16/00, de 14 de fevereiro de 2000. Revogada pela IN SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.000735/200340 Acórdão n.º 1802002.154 S1TE02 Fl. 81 5 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, e na Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, resolve: Art. 1º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2º A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 2º A declaração, gerada pelo programa DCTF 1.0. deverá ser apresentada à Secretaria da Receita Federal SRF, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) I se em disquete, será entregue diretamente nas unidades da SRF; (Incluído pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) II se utilizado o programa Receitanet, disponível neste endereço, será transmitida via Internet. (Incluído pela IN SRF nº 83/99, de 12 de julho de 1999) § 3º No caso de encerramento de atividades, incorporação, fusão ou cisão, a DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 28, de 05 de março de 1998; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do 1º trimestre do ano subseqüente ao da exclusão; II cuja imunidade ou isenção houver sido suspensa ou revogada, a partir do trimestre do evento; III anteriormente inativa, a partir do trimestre em que praticar qualquer atividade. ... Nessa ordem de idéia deve ser afastada a argumentação da Recorrente. A Recorrente argúi que, a entrega da declaração foi espontânea e não ocorreu nenhum ato fiscalizatório relacionado à infração em epígrafe, ou seja, não foi dado inicio a nenhum procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração, sendo assim, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência ou doutrina citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais ou doutrinárias, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Conforme se depreende da descrição dos fatos a infração fiscal, decorre do fato como sendo "A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação, enseja a aplicação de multa correspondente a R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mêscalendário ou fração”. Se mais benéfica, enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. Em caso de inatividade no trimestre aplicase a multa mínima de R$ 200,00. A multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima." Observase que, no Auto de Infração (fl.10), foi reduzida em cinqüenta por cento a multa relativa ao 4º trimestre de 1999 em virtude da entrega espontânea da DCTF e aplicada a multa mínima de R$ 500,00 (mais benéfica) relativa ao 1º e, 2º e 3º trimestres de 1999. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto na legislação não se aplica ao cumprimento das obrigações acessórias (caso dos presentes autos) o instituto da confissão espontânea de infração, a que se refere o art. 138 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, conforme entendimento esboçado na Súmula nº 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.000735/200340 Acórdão n.º 1802002.154 S1TE02 Fl. 82 7 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A Recorrente ainda alega que, somente a partir de 27 de dezembro de 2.001 é que se facultou o fisco a imposição de multa pelos artigos 7°. e 8°. da Medida Provisória 16. Portanto, sendo a criação de obrigação tributária acessória matéria sujeita ao PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL temse por evidente a ilegalidade dos autos lavrados atinente a atos anteriores a 27 de dezembro de 2.001. Afirma que, o art. 5°. II da Constituição Federal, desobriga a contribuinte da penalidade, por falta de Lei vigente na época. Conforme relatado acima, o enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3º 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968/1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065/1983; artigo 30 da Lei n° 9.249/1995; artigo 1° da IN SRF n° 18/2000; artigo 7º da Lei n° 10.426/2002 e artigo 5° da IN SRF n°255/2002. Por considerar pertinente e enfrentando a argumentação da Recorrente, em sua totalidade, transcrevo a seguinte decisão judicial, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 28451 SP 0028451 44.2003.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/03/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO RETIDO. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. ART. 11 , DL 1.968 /82, COM REDAÇÃO DADA PELO ART. 10 , DL 2.065 /83. VIGÊNCIA SOB A ÉGIDE DA CF/1967 . 1. Agravo retido não conhecido por tratar de matéria idêntica à do recurso de apelação. Ausência de interesse recursal. 2.A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF está inserida dentre as obrigações tributárias acessórias, ou deveres instrumentais tributários, que decorrem da legislação tributária e têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113 , § 2º e 160 , do CTN ). 3.No caso em questão, conforme AIIM nº 120750669, a multa cobrada por atraso na entrega da DCTF teve como fundamento o art. 11 , do DL 1.968 /82, com a redação dada pelo art. 10 , do DL 2.065 /83; art. 30 , da Lei nº 9249 /95; art. 1º, da IN SRF 18/00; art. 7º, da Lei 10.426/02 e art. 5º, da IN SRF 255/02. 4.Mesmo antes do advento da Lei nº 10.426 /2002, o dever do contribuinte de prestar informações ao Fisco, bem como a multa em razão de seu atraso ou não apresentação, já estavam previstos no artigo 11 do Decretolei nº 1.968 /1982, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.065 /1983. 5.A despeito de a Constituição Federal de 1988 prescrever que apenas lei, em sentido formal, pode estabelecer penalidades (artigo 5º, inciso II), como o referido decretolei entrou em vigor sob a égide da Constituição Federal de 1967, redação dada pela Emenda Constituição nº 01/69, não há que se cogitar em não recepção daquele ato legislativo, pois, à época, o referido ato era compatível com a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Carta vigente, que previa, em seu art. 55 , II , a possibilidade de tal espécie normativa regular finanças públicas, inclusive normas tributárias. 6.De rigor, portanto, a manutenção da multa aplicada pelo auto de infração, em consonância com a legislação vigente à época e jurisprudência assente do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 7.Agravo retido não conhecido. Apelação provida.... Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10166.015636/2002-97
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verifica-se que houve antecipação de pagamento. Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verifica-se que houve antecipação de pagamento. Recurso extraordinário negado.
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Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 FORMALIZADO EM: 14/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffman, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Julio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Pedro Anan Junior. Relatório A Fazenda Nacional interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4° do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal tem natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, 111,"b", da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A inconstaucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi consignada na Súmula Vinculante n° 8, da Suprema Corte. Recurso especial provido.” (AC CSRF/01 06.061) Entende que há nítida divergência entre o aresto atacado e o paradigma que apresenta, o Acórdão n.º CSRF/0202.288. Observa que, diferente do ocorrido no presente caso, no paradigma se entendeu que, na falta de pagamento do tributo, se está diante de lançamento de ofício, aplicandose a regra do artigo 173, I do CTN. Pondera que, em não havendo recolhimento, não há o que se homologar, tratando a questão de simples lançamento ex officio a ser feito com espeque no artigo 149, V, do CTN, sendo o termo inicial do prazo decadencial aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10166.015636/200297 Acórdão n.º 9900000.233 CSRFPL Fl. 287 3 Destaca entendimento recente firmado pelo STJ, no sentido de que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Ao final, requer o provimento do recurso para que se afaste a decadência do lançamento. Realizouse a análise da admissibilidade do recurso extraordinário, concluindose pelo seu seguimento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Afirma que, no tocante à apuração da CSLL relativa ao 3º trimestre de 1997, compensou a base de cálculo declarada para o período com a base de cálculo negativa de períodos anteriores, procedendo ao lançamento e pagamento da contribuição social calculada após feita a aludida compensação. Destaca que declarou, calculou e pagou antecipadamente a CSLL referente ao 3º trimestre de 1997. Assim, não encontra amparo a assertiva lançada pela Fazenda Nacional de que a Recorrida não teria procedido ao pagamento da referida contribuição social. Explica que, tendo havido pagamento antecipado, ainda que eventualmente existisse uma diferença a recolher, não se pode afirmar que o ato homologatório verificado na espécie dos autos teria recaído sobre o vazio, pois autolançamento e pagamento antecipado houve, e sobre ele operouse a homologação tácita. Observa que o acórdão utilizado como paradigma é imprestável para demonstrar a existência de divergência interpretativa no tocante à contagem do prazo decadencial para tributo sujeito a lançamento por homologação. Isso porque o acórdão paradigma não apresenta similitude fática com o v. acórdão recorrido. Tais decisões dizem respeito a autuações fiscais com contornos fáticos diversos, o que ensejou a aplicação de normas tributárias diferentes para solução de cada caso concreto. Ao final, requer o improvimento do recurso extraordinário. Eis o breve relatório. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial n° 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, sS' 4 0, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 2 I6.758/SP, Rei. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte aquele em Fl. 602DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10166.015636/200297 Acórdão n.º 9900000.233 CSRFPL Fl. 288 5 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, sç 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3° ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Aniaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10' ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Swill, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciarias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos iniponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994• e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinnqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. 0 Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF" (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso dos autos, verificase que houve antecipação de pagamento, em virtude de o recorrido ter efetuado recolhimentos antecipados por estimativa, conforme se depreende da leitura da decisão de primeira instância (fls. 668), in verbis: "7. 0 §1 0 do citado artigo determina que 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos ternos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. A impugnante efetuou recolhimentos antecipados de 1RPJ a titulo de estimativa, como comprova a tela de f I. 664. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Essa antecipação é condição necessária para que o crédito tributário decorrente do 1RPJ siga a regra do lançamento por homologação. 8. Uma vez demonstrado que o contribuinte efetuou o pagamento antecipado do tributo, impõese a contagem do prazo decadencial segundo o §4° do art. 150 da Lei n° 5.172/66. Segundo esse parágrafo, Se a lei não fixar prazo à homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 9. 0 presente lançamento em nenhum momento suscitou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, por se tratar de IRPJ, tributo lançado por homologação, e ter existido o pagamento antecipado do imposto, é de se reconhecer que a homologação tácita pela Fazenda Pública se deu cinco anos após a ocorrência do fato gerador. E, segundo o art. 221 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11.1.1994 (RJR/94), Considerase ocorrido o fato gerador na data do encerramento do períodobase, sem prejuízo 5 das incidências especificas em aplicações financeiras de renda.fixa e de renda variável (Lei n°8.541/92, arts. 3 0, 25, 29 e 36). 10. 0 IRPJ lançado seguiu o regime de apuração anual, referente ao anocalendário de 1997, cuja data de encerramento é de 31.12.1997. .t este o termo de inicio de contagem do prazo decadencial do direito de lançamento que assistia it Fazenda. E, segundo a regra emanada pelo art. 150 da Lei n° 5.172/66, o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário se extinguiu em 31.12.2002. A ciência ao contribuinte deste lançamento foi dada em 22.8.2003, data posterior ei ocorrência da decadência do direito da Fazenda. Portanto, a exigência de IRPJ relativa ao período de apuração de 1997 deve ser afastada por ter sido atingida pela decadência." Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 604DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10166.015636/200297 Acórdão n.º 9900000.233 CSRFPL Fl. 289 7 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10945.900097/2013-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/10/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 97 /2 01 3- 79 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. . Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900097/201379 Acórdão n.º 3801003.044 S3TE01 Fl. 16 8 prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 14479.000028/2007-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 26/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO.
Constitui infração deixar o cedente da mão de obra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante.
AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício as importâncias que reputarem devidas, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ART. 142 DO CTN. CUMPRIMENTO.
Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível
LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VICIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
Diante de provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da analise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações, não há que se falar em ofensa ao art. 37 da Lei nº 8.212/91.
PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO.
O contribuinte somente poderá juntar aos autos, novos documentos, após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referir-se a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinar-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
DA RELEVAÇÃO DA MULTA. INDEFERIMENTO.
Não faz jus ao benefício de relevação da multa aplicada o contribuinte que não corrige a falta apontada pela fiscalização, conforme dispõe o §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 26/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO. Constitui infração deixar o cedente da mão de obra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS e o Departamento da Receita Federal - DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício as importâncias que reputarem devidas, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ART. 142 DO CTN. CUMPRIMENTO. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VICIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Diante de provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da analise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações, não há que se falar em ofensa ao art. 37 da Lei nº 8.212/91. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. O contribuinte somente poderá juntar aos autos, novos documentos, após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referir-se a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinar-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DA RELEVAÇÃO DA MULTA. INDEFERIMENTO. Não faz jus ao benefício de relevação da multa aplicada o contribuinte que não corrige a falta apontada pela fiscalização, conforme dispõe o §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 26/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO. Constitui infração deixar o cedente da mão de obra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício as importâncias que reputarem devidas, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO. ART. 142 DO CTN. CUMPRIMENTO. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. VICIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Diante de provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da analise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações, não há que se falar em ofensa ao art. 37 da Lei nº 8.212/91. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 00 28 /2 00 7- 10 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 342 2 O contribuinte somente poderá juntar aos autos, novos documentos, após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referirse a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DA RELEVAÇÃO DA MULTA. INDEFERIMENTO. Não faz jus ao benefício de relevação da multa aplicada o contribuinte que não corrige a falta apontada pela fiscalização, conforme dispõe o §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 343 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pela contribuinte ORTEL ALIMENTACÃO E SERVIÇOS LTDA. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o sintético relatório fiscal (fls. 07), a empresa foi autuada porque deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento, e por tomador de serviços (CFL 86). 3. Lavrado o auto de infração, a contribuinte foi dele cientificada em 30/07/.2007, conforme comprovante de fls. 02, tendo apresentado Impugnação às fls. 263/274. 4. Ao analisar os argumentos apresentados pela contribuinte, o Colegiado de primeira instância não acolheu as teses apresentadas. O acórdão restou lavrado com a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/07/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. A obrigação acessória, caracterizada como dever instrumental, não implica em antecipação de pagamento, razão pela qual à correspondente autuação aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento defesa no Auto de Infração emitido com informação precisa dos fatos que ensejaram a autuação, inclusive permitindo ao sujeito passivo alegações de defesa vinculadas aos mesmos. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIO. MULTA. CORREÇÃO DA FALTA. COMPROVAÇÃO. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. BOA FÉ. AUSÊNCIA DE DOLO. IRRELEVANTE. É requisito indispensável para relevação da penalidade aplicada a comprovação da correção da falta que deu origem a autuação. A penalidade a ser aplicada, nos termos da legislação tributária, independe das circunstâncias ou dos efeitos das infrações, Fl. 343DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 344 4 bastando para sua imposição que se caracterize o fato ocorrido como desobediência à legislação tributária. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. VALOR DA MULTA. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. A incidência e o valor da multa correspondente ao descumprimento das obrigações acessórias no campo previdenciário encontramse normatizadas na Lei nº. 8.212/91 e seu regulamento, que contemplam todos os aspectos da hipótese de incidência tributária, competindo a autoridade fiscal, em respeito ao princípio da legalidade, obedecer ao ordenamento das normas legais de regência. PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de juntada de novos documentos quando não demonstrado pelo sujeito passivo razões que justifiquem a impossibilidade da apresentação de documentos ou outros elementos no prazo legal para impugnação do Auto de Infração, especialmente quando estes também deixaram de ser apresentados por ocasião da realização da diligência fiscal. DIREITO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NOVA FISCALIZAÇÃO. ÓRGÃO JULGADOR. INCOMPETÊNCIA. À Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgão julgador de primeira instância, compete conhecer e julgar, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais, não detendo competência para determinar a realização de fiscalizações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 5. Inconformado com a decisão proferida, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 321/337), no qual aduz, em sede preliminar, a nulidade do acórdão recorrido sob o fundamento de que o Colegiado a quo não enfrentou toda a matéria de mérito trazida no seio da Impugnação. 6. Em seguida, a contribuinte tece considerações acerca dos pressupostos de admissibilidade do recurso e arguiu, ainda preliminarmente, a ausência de fundamentação para o ato administrativo que a imputou o crédito tributário ora discutido. Com isso, conclui estar o procedimento fiscal eivado de nulidade. 7. No mérito, a contribuinte afirma que o Auto de Infração ofende o art. 37, da Lei nº 8.212/91, porque não há, em seus anexos, a discriminação dos nomes dos segurados empregados que a fiscalização concluiu estar omitidos em GFIP’s. Diz ser isso vício formal, que macula de nulidade o procedimento fiscal. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 345 5 8. Sustenta, ainda, que a lavratura do Auto de Infração não observou o disposto no artigo 142, do CTN, o que torna o vício insanável. 9. Além disso, aponta a ocorrência de decadência, com base no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, das competências anteriores a 07/2002. 10. Quanto à multa aplicada, a contribuinte requereu sua relevação sob o argumento de que é primário e de que, na hipótese, não concorreu quaisquer das circunstâncias agravantes do artigo 290 do RPS. 11. Por derradeiro, a contribuinte demonstrou sua irresignação com a decisão que indeferiu a juntada de novos documentos. Enfatizou não ter tido tempo hábil para proceder à juntada, sendo que o indeferimento afronta a seu direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. 12. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para análise e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 346 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA AUSÊNCIA DE NULIDADE 2. Afasto de pronto a nulidade suscitada pela recorrente, repousada sobre os argumentos de que a decisão a quo não teria enfrentado a totalidade dos tópicos lançados na defesa administrativa interposta pela recorrente. 3. Basta uma breve análise do bojo do decisum proferido pela primeira instância para constatar que, ao analisar o arcabouço fático e os argumentos da recorrente, os doutos julgadores, cotejaram minuciosamente cada ponto levantado. Sendo assim, não há o que se falar em omissão quanto a análise dos autos. DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E DA OBSERVÂNCIA DO ART. 142 DO CTN 4. A recorrente argui ausência de fundamentação para o ato administrativo que a imputou o crédito tributário ora discutido para concluir estar o procedimento fiscal eivado de nulidade. 5. No entanto, razão não lhe assiste. Isso porque não obstante ao relatório fiscal inicialmente apresentado pela fiscalização, esta ainda realizou diligência e elaborou relatório fiscal complementar, fls 105/108, no qual claramente descreve os fatos que culminaram na autuação fiscal conforme se depreende dos trechos claros e elucidativos, que transcrevo do documento fiscal: “a) Que os valores das RAIS/Sistema eram maiores do que o das folhas de pagamento apresentadas tendo sido o débito levantado por aferição indireta com base nos valores e nas competências informados na RAIS constantes do sistema informatizado deste órgão. b) Os estabelecimentos com débito lançados pela fiscalização foram: 0001, 0029, 0030, 0032, cujas RAIS constam do sistema informatizado deste órgão. c) Foram Verificadas todas as GFIPs apresentadas pela empresa e as constantes do sistema informatizado deste órgão, sendo que identificamos que o contribuinte omitiu valores na GFIP devidos à Previdência Social pagos a segurados no período de 01/1999 a 12/2005 referentes aos estabelecimentos 0001, 0029, 0030. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 347 7 d) O contribuinte, não elaborou folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento e por tomador de serviços (autuado no CFL 86). e) O contribuinte deixou de preparar folhas de pagamentos a todos os segurados a seu serviço (autuado no CFL 30). Este fato impediu a identificação individualizada dos segurados que foram omitidos das fls. de pagamento, consequentemente também não foi possível identificada quais os segurados foram omitidos das GFIPs. Ademais, quanto a alegação de ilegalidade da aferição indireta, notese que a o auditor fiscal justiça claramente os motivos de ter adotado tal procedimento, tendo em vista que “os valores omitidos em GFIP foram objeto do Auto de Infração ao qual se refere esta diligência, e estão demonstrados em planilha (fls 12/13/14) que faz parte integrante do Auto de Infração lavrado quando da fiscalização. Conforme consta da “Nota explicativa” no final da planilha acima mencionada, em relação à contribuição dos segurados empregados, foi aplicada a alíquota mínima, isto é, 8% por tratarse de aferição indireta do débito.(105/106)” 6. Afasto, assim, a alegação de ofensa ao artigo 37 da Lei nº 8.212/91, e consequente vicio formal na elaboração do Auto de Infração oposta pela recorrente, ante provas cabais de que a fiscalização agiu em conformidade com a legislação de regência, bem como discriminou devidamente quais estabelecimentos não foram declarados, da mesma forma que, da análise das GFIPs apresentada aferiu as omissões contidas nas declarações. 7. Outro ponto questionado nas razões recursais da contribuinte é o fato de supostamente a autoridade fiscal não ter observado o disposto no art. 142 do CTN. O referido dispositivo legal determina que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo o tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 8. Ao contrário do que afirma a contribuinte, a autoridade fiscalizadora determinou o montante tributável. Como já exposto alhures, diante da não apresentação dos documentos solicitados pela autoridade fiscal, procedeu, nos moldes legais, a aferição indireta dessa quantia. DA DECADÊNCIA 9. Suscita a aplicação de decadência nos moldes do art. 173, I do CTN, no entanto verificase que tal argumento já foi acatado pelo colegiado de primeira instância como segue: “De acordo com art. 173, inc. I do CTN, as contribuições do período 01/1999 a 11/2001 encontramse abrangidas pela decadência (...) assim sendo, devem ser excluídas do presente Fl. 347DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 348 8 Auto de infração as multas relativas às ocorrências do período janeiro de 1999 a novembro de 2001 (fl. 127). (...). Conclusão Ante o exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a impugnação mantende parcialmente o crédito tributário lançado, em razão da exclusão de ofício das ocorrência integrante do período abrangido pela decadência.(fl. 138). DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 10. Conforme determina a legislação previdenciária é obrigação da empresa cedente de mão de obra elaborar folhas de pagamento distinta para cada contratante, conforme art. 31, § 5º da Lei nº 8.212/91, in verbis: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). (...). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante (grifei). 11. Não obstante as alegações da recorrente de que não cometeu qualquer infração, narra, claramente, o relatório fiscal que (i) a contribuinte não elaborou folhas de pagamento distintas por tomador de serviço, embora constituído como empresa “prestadora de serviços”, relacionandose com várias empresas tomadoras de serviços; (ii) as notas fiscais apresentadas contém valores retidos, fato que corrobora a afirmação de que a contribuinte atua como empresa prestadora de serviços, sujeitandose às normas pertinentes a sua atividade. 12. Vêse que, de fato, houve descumprimento de obrigação acessória, notadamente, os dispositivos supra mencionados e os argumentos apresentados pela recorrente não são hábeis a combater os fundamentos da autuação fiscal, dessa forma mantenho o lançamento fiscal. DA JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS 13. A apresentação do conjunto documental no Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, dáse no momento da apresentação da impugnação ao débito fiscal. Não podendo estenderse tal prazo, por tratarse de preclusão do direito da recorrente. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14479.000028/200710 Acórdão n.º 2803003.042 S2TE03 Fl. 349 9 14. A contribuinte somente poderá juntar novos documentos aos autos após a impugnação, se, mediante petição demonstrar (i) a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) referirse a fato ou a direito superveniente; ou (iii) se destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. 15. In casu, o pleito da recorrente não subsiste, ante o fato de não se enquadrar em nenhuma das hipóteses elencadas pelo legislador. DA MULTA APLICADA 16. Requer, a recorrente, que a multa seja relevada, no entanto a autuada não cumpre os requisitos legais para tal benefício. Isso porque a multa somente será relevada se o infrator formular pedido e (i) corrigir a falta (totalmente), dentro do prazo da impugnação, ainda que não contestada a infração, e desde que (ii) seja o infrator primário e (iii) não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante, conforme §1º, do art. 291 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. 17. Vêse que são três os requisitos necessários para que a contribuinte faça jus ao benefício da relevação da multa. Sendo que alegar que, somente, ser infrator primário e não possuir circunstancias agravantes não atende ao disposto na norma supra citada, como pretende a recorrente. A contribuinte não corrigiu a falta em sua totalidade. Dessa forma, mantenho a penalidade aplicada. CONCLUSÃO 18. Ante ao exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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