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Numero do processo: 10972.720042/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
Considera-se com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional.
Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida.
Ainda que tenha havido a rescisão do contrato com a empresa brasileira, constatado que o empregado, durante a estadia no exterior, firmou contrato com a outrora empregadora, bem como retornou a nela laborar, há de se recolher as contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida, principalmente em razão de as empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico.
Numero da decisão: 2202-004.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto (relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson .
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Considera-se com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional. Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida. Ainda que tenha havido a rescisão do contrato com a empresa brasileira, constatado que o empregado, durante a estadia no exterior, firmou contrato com a outrora empregadora, bem como retornou a nela laborar, há de se recolher as contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida, principalmente em razão de as empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico.
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CUSTEIO. EMPRESA E SEGURADOS. VINCULAÇÃO AO RGPS. RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. Considerase com segurado empregado, para fins previdenciários, o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença à empresa brasileira de capital nacional. Caso demonstrado não se tratar de empregado transferido, mas sim de empregado que teve sua rescisão de contrato de trabalho e que foi, após tal fato, trabalhar no exterior sem ter regressado ao Brasil, não há que se cogitar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre o total da remuneração auferida. 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(assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 42 /2 01 1- 98 Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.270 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson . Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10972.720042/201198, em face do acórdão nº 0944.871, julgado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 03 de julho de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “No presente processo constam os autos de infração a seguir relacionados, referentes ao período 06/2006 a 12/2010, inclusive 13º salários, cuja ciência do sujeito passivo deuse em 29/07/2011, pessoalmente através do Sr. Zigomar Borges Correia – Gerente de Contabilidade e procurador da empresa, conforme doc. de fls. 168/171. a) AIOP – DEBCAD nº 37.347.3010 consolidado em 29/07/2011, no valor de R$ 1.743.879,17 (um milhão, setecentos e quarenta e três mil, oitocentos e setenta e nove reais e dezessete centavos), relativo ao período de 06/2006 a 12/2010, acostado às fls. 03/17 dos autos, para cobrança das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, SAT/RAT, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados expatriados, devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria e nem informadas em GFIP. Os fatos geradores foram identificados nos levantamentos E – EXPATR PATRONAL ANTES DA MP 449, competência 02/2007(MULTA DE 24%), E1 – EXPATR PATRONAL RETR MP 449, período 06/2006 A 11/2008 (MULTA DE 75%) e E2 – Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.271 3 EXPATR PATRONAL MP 449, período de 12/2008 a 12/2010, exigindose a contribuição patronal de 20% e SAT/RAT de 2% até 05/2007, 3% de 06/2007 a 12/2009 e alíquota ajustada após 01/2010 em função do FAP, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados expatriados, que prestam serviços à empresa autuada. b) AIOP – DEBCAD nº 37.347.3028 consolidado em 29/07/2011, no valor de R$ 37.556,83 (trinta e sete mil, quinhentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos), relativo ao período de 06/2006 a 12/2010, acostado às fls. 18/28 dos autos, para cobrança das contribuições previdenciárias referente a parte dos segurados, incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados expatriados, devidas à Seguridade Social, não descontadas de suas remunerações e não recolhidas em época própria e nem informadas em GFIP. c) AIOA – CFL 68 DEBCAD nº 37.347.3060, lavrado em 05/07/2011, no valor de R$ 31.792,31 (trinta e um mil, setecentos e noventa e dois reais e trinta e um centavos), por apresentar a empresa, GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o artigo 32, IV e parágrafo 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o artigo 225, IV e parágrafo 4º, do RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. No relatório fiscal de fls. 32/117 a autoridade lançadora registra, sobre os Autos de Infrações AIOP Debcad nº 37.347.3010 e nº 37.347.3028 e AIOA Debcad nº 37.347.3060, o que se segue: O sujeito passivo apresentou à auditoria, em meio magnético, suas folhas de pagamento no layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, nos termos da Instrução Normativa MPS/SRP 12, de 20/06/2006, artigos 61 e 62 da Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005, e artigo 8º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003, conforme recibo anexo fl. 172. Constituem fatos geradores das contribuições sociais o pagamento de remunerações aos segurados empregados a serviço da empresa Black & Decker do Brasil Ltda., expatriados/transferidos para países sediados no exterior. O lançamento do crédito compreende: as contribuições sociais a cargo da empresa, inclusive SAT/RAT, a contribuição dos segurados, mas deles não descontadas pelo sujeito passivo incidentes sobre o total das remunerações pagas a segurados empregados expatriados e ainda, a multa por descumprimento de obrigação acessória. Salientese que nenhuma contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, foi lançada no presente processo, Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.272 4 em função de expressa determinação legal contida no artigo 11, Capítulo II, da Lei nº 7.064/1982. Advirtase que os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores das contribuições previdenciárias lançadas neste processo fiscal deveriam ter sido declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, efetuandose os correspondentes recolhimentos. O sujeito passivo deixou de cumprir com as obrigações tributárias descritas acima, motivo pelo qual a RFB efetuou de ofício o presente lançamento, com aplicação das penalidades estabelecidas na Lei vigente na data de ocorrência dos fatos geradores, observando, inclusive, em relação às competências até a edição da Medida Provisória n° 449/2008 (11/2008), que alterou substancialmente a forma de aplicação de penalidades para os casos de não pagamento e de não declaração de contribuições previdenciárias, a aplicação da penalidade menos severa, em cumprimento ao contido no Artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. Foram destacados pelo auditor os seguintes pontos: 1. A empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA é uma empresa nacional pertencente a grupo empresarial sediado nos Estados Unidos, grupo este com ramificações empresariais em vários países. 2. constatouse que a empresa transferiu 03 (três) de seus funcionários, cujos contratos estavam sendo executados em estabelecimento seu localizado aqui no Brasil, para trabalharem no exterior, em empresas de seu conglomerado econômico. 3. Os empregados transferidos foram : Oswaldo Vitoratto Júnior e Renato Costa Panzarini, transferidos para os Estados Unidos; Paulo Fernando Martins, transferido para a Argentina. 4. O deslocamento de trabalhadores para o exterior possui legislação específica (Lei 7.064/82 e Decreto 89.339/84), a qual trata, dentre outras questões, da situação previdenciária dos transferidos. Ressaltese, entretanto, que a legislação citada, bem como as demais leis internas em matéria previdenciária deverão curvarse à primazia dos Acordos Internacionais de Previdência, quando existirem. 5. Considerando a legislação interna vigente e a inexistência de Acordo Internacional de Previdência social assinado entre o Brasil e os Estados Unidos da América, temse que os funcionários transferidos para este país mantêm a qualidade de segurados obrigatórios da Previdência Social durante o período de prestação no exterior, sendo devido, portanto, o normal custeio da Previdência em relação a eles. Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.273 5 6. O teor do Acordo Internacional de Previdência Social assinado entre o Brasil e a Argentina retira a condição de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social brasileiro em relação ao trabalhador transferido para a Argentina, garantindo a este, igualdade de direitos previdenciários relativamente ao trabalhador argentino naquele país, inclusive a contagem do tempo lá trabalhado para fins de implementação futura ao direito à aposentadoria aqui no Brasil, quando de sua repatriação. 7. Tendo em vista a regra geral contida no Acordo Internacional e no Ajuste Administrativo firmados entre o Brasil e a Argentina, acerca da definição da legislação aplicável aos casos de transferências de trabalhadores entre os dois Estados, não são segurados obrigatórios da Previdência Social brasileira, pois, aplicarseá a legislação do país em cujo território se encontrem, no caso, a legislação da República da Argentina. 8. A não vinculação destes trabalhadores à Previdência Social Brasileira se dá, por não se enquadrarem as aludidas transferências na exceção prevista no artigo 3o do Acordo Internacional, c/c o artigo 4o do Ajuste Administrativo. Primeiro, porque o prazo da transferência é superior ao limite de doze meses admitida na regra de exceção, e, segundo, porque não há CERTIFICADO DE DESLOCAMENTO TEMPORÁRIO, relativamente a este empregado transferido. Sobre a Legislação interna brasileira, Lei 7.064, de 6 de Dezembro de 1982 que disciplina a situação, inclusive previdenciária, de trabalhadores contratados ou transferidos para prestar serviços no exterior, o auditor destaca o seguinte: 1. A referida Lei, juntamente com o Decreto n°. 89.339, de 31 de janeiro de 1984, que a regulamenta, corresponde a parte importante da legislação pátria atualmente vigente em nosso ordenamento jurídico, pois disciplina a situação dos trabalhadores contratados no Brasil, ou transferidos para prestarem serviços no exterior. 2. As transferências de empregados para localidade diversa da originalmente contratada somente serão reguladas pelos artigos 469 e 470 da CLT no caso destas transferências restringiremse aos limites do território brasileiro. Na hipótese de transferências para o exterior, em face de suas peculiaridades estas são disciplinadas, independentemente do seguimento econômico da empresa que transfere o trabalhador, pelo capítulo II da Lei 7.064/82. 3. Nas hipóteses de transferência prevista no capítulo II, da Lei 7.064/82, o vínculo de emprego continua estabelecido com a empresa brasileira, ocorrendo apenas transferência da localidade da prestação, permanecendo o trabalhador transferido vinculado à Previdência Social Brasileira. 4. A Lei 7.064/82, é o fundamento legal acerca do reconhecimento dos senhores Osvaldo e Renato , transferidos Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.274 6 para os Estados Unidos pelo sujeito passivo, como segurados obrigatórios do Regime Previdenciário brasileiro. 5. A legislação previdenciária que rege o trabalho do expatriado, no caso as Leis 7.064/82 e 8.212/91 não se excluem, mas pelo contrário, se complementam, na medida em que esta última deu maior abrangência à proteção previdenciária do trabalhador expatriado. Sobre a Lei 8.212/91 o auditor diz que: 1. O artigo 12, I, “f”, apenas aumentou a abrangência da proteção previdenciária estabelecida na Lei 7.064/82, com vistas a garantir ao trabalhador a sua filiação ao regime previdenciário brasileiro mesmo no caso de contratação pela empresa estrangeira, desde que se trate de contratação de brasileiro ou estrangeiro, domiciliado e contratado aqui no Brasil, para trabalhar como empregado em empresa sediada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. 2. Na Lei 8.212/91, a transferência do trabalhador para o exterior está consubstanciada na alínea "a", inciso I, do artigo 12, na medida em que situa todos os empregados de empresas brasileiras como segurados empregados da Previdência Social. E não há dúvidas, se a hipótese é de mera transferência do empregado pela empresa brasileira, inquestionável que o vínculo de emprego permanece com esta, ainda que tal situação jurídica esteja formalmente dissimulada. Para melhor elucidar a questão o auditor destaca que Segurado empregado e Empregado, são figuras jurídicas próximas, mas distintas e nem sempre coincidentes. É certo que todo empregado de uma empresa brasileira será necessariamente segurado empregado da Previdência Social na condição de segurado empregado, exatamente em virtude da alínea "a", vista acima, porém, o inverso não é absolutamente verdadeiro, ou seja, tendo em vista o disposto nas demais alíneas do inciso I, artigo 12, da Lei 8.212/91, há situações em que a pessoa física assume obrigatoriamente a condição de segurado empregado perante a Previdência Social, mesmo não sendo um empregado nos termos definido pela CLT Sustentando a ocorrência de transferência dos trabalhadores Oswaldo e Renato para trabalharem no exterior em empresas do grupo econômico do sujeito passivo, o auditor salienta os seguintes aspectos: a). Sobre a transferência do Oswaldo Vitoratto Júnior. 1. O Sr. OSWALDO foi admitido em 22/11/1989 pela empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, no cargo de Diretor de Vendas/ Gerente de Departamento de Tesouraria 2. Em 02/1998, o aludido funcionário teve seu contrato de trabalho formalmente rescindido, (fls. 196/197), sendo transferido pela BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA para trabalhar em empresa de seu grupo econômico sediada nos Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.275 7 Estados Unidos, onde permaneceu laborando até 12/2007, quando, então, retornou ao Brasil para voltar a executar seu contrato de trabalho em estabelecimento da Black & Decker neste país, 3. Conforme documento remetido pela empresa estrangeira destinado à auditoria informouse o pagamento de salários (em dólares) do senhor OSWALDO nos Estados Unidos. 4. Durante o período em que esteve trabalhando em empresa do grupo econômico da BLACK & DECKER sediada no exterior (02/1998 a 12/2007), nenhum contrato de trabalho entre a empresa estrangeira e o senhor OSWALDO foi formalizado. Por outro lado, não obstante a rescisão formalmente efetivada pelo sujeito passivo por ocasião da transferência do trabalhador, em 02/1998, novos contratos de trabalho foram efetivados com a empresa brasileira para os períodos 05/1998 a 03/2001 (Contrato de Trabalho e Rescisão Contratual) e 05/2002 até a saída definitiva do funcionário (Contrato de Trabalho e Rescisão Contratual), ambos no cargo de Presidente. 5. Registrese que durante o período da transferência do SR. OSWALDO para o exterior, a empresa BLACK & DECKER, aqui no Brasil, permaneceu pagando ao trabalhador parte de sua remuneração, fato comprovado mediante folhas de pagamentos apresentadas em meio magnético e ainda pelas Fichas Financeiras, também apresentadas a esta Auditoria Fiscal pelo sujeito passivo. 6. As remunerações pagas ao senhor Oswaldo pela empresa BLACK & DECKER aqui no Brasil, durante o período de transferência do trabalhador, foram realizadas sob o título de diversas rubricas, tais como, "horas normais", "utilidades", "férias", "décimo terceiro salário", etc. 7. As fichas financeiras correspondentes ao período da transferência, comprovam circunstâncias que deixam muito clara a continuidade da vinculação do Senhor Oswaldo perante a empresa Black & Decker do Brasil Ltda, tais como: No canto superior esquerdo do mencionado documento, no campo "Vínculo Empregatício:" consta a informação "Com vínculo"; No campo "Recolhe FGTS:" consta a informação "SIM"; No campo "Desconta INSS:" consta a informação "SIM"; No campo "Recebe Férias:" consta a informação "SIM"; No campo "Recebe 13°:" consta a informação "SIM" Analisando as rubricas discriminadas nas aludidas fichas constatase o desconto de valores sob o título de "Assist Medica" e "OMINT Saúde", fato que comprova a manutenção de Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.276 8 Assistência Médica pelo sujeito passivo em favor do Sr.Oswaldo , durante o período da transferência. 8. Em relação à parte do salário que é paga ao funcionário aqui no Brasil, a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA efetuou o desconto de contribuições previdenciárias a cargo do segurado, assim como recolheu as referidas contribuições a seu cargo (parte patronal), demonstrando que o sujeito passivo não duvida acerca da condição do Sr.Oswaldo como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social. 9. A própria empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA reconhece plenamente a natureza do deslocamento do Sr. Oswaldo como TRANSFERÊNCIA de funcionário para empresa estrangeira de seu grupo econômico, sediada nos Estados Unidos, circunstância claramente demonstrada em documento que apresentou a auditoria, conforme trechos a seguir transcritos: "Black & Decker do Brasil Ltda, por seu representante legal, (...) vem respeitosamente à presença de V. As. para: Apresentar os demonstrativos dos valores das remunerações do funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR, CPF 660.904.07887, pagas em dólar americano no período de 01/2006 a 12/2007 pela empresa do grupo da signatária sediada nos Estados Unidos da América, e demonstrativos dos valores pagos em Reais no período de 01/2006 a 03/2009 pela signatária;" Informar que o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR esteve trabalhando no exterior no período de 02/1998 a 12/2007; Informar que na transferência para os Estados Unidos da América, o contrato de trabalho entre o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR e a Signatária, foi rescindido formalmente. Entretanto novo contrato foi feito para o período de 05/1998 a 03/2001 e outro de 05/2002 até a saída do funcionário em 03/2009. • Informar que não foi firmado novo contrato de trabalho entre o funcionário OSVALDO VITORATTO JÚNIOR e a empresa do grupo da Signatária sediada no exterior; Transferência do Sr. Renato Costa Panzarini, o AuditorFiscal Diz que: 1. A efetivação da transferência do Sr. Renato, em linhas gerais, se deu praticamente do mesmo “modus operandi” do praticado em relação ao Senhor Oswaldo. 2. O Sr. Renato, teve o pagamento de sua remuneração efetuado integralmente pela empresa estrangeira pertencente ao grupo econômico da empresa Black Decker do Brasil para a qual ele foi transferido. Fl. 2276DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.277 9 3. que o pagamento pela empresa estrangeira, todavia, não tem nenhum reflexo na definição da natureza jurídica do deslocamento deste funcionário para o exterior, pois, bem mais importante é o fato de seu contrato estar sendo executado aqui no Brasil por ocasião de sua expatriação (inciso I, do artigo 2o, da Lei 7.064/82). 4. O Sr. Renato foi admitido em 02/01/1997 pela empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, no cargo de Diretor de Materiais / Gerente de Departamento de Tesouraria (Ficha de Registro de empregado/Contrato de Trabalho), empresa na qual executava seu contrato de contrato. 5. Em 03/2000, o aludido funcionário, teve seu contrato de trabalho formalmente rescindido, todavia permaneceu ainda prestando seus serviços ao conglomerado econômico, tudo conforme informado pelo sujeito passivo através de documento destinado a esta auditoria e confirmado pelas fichas financeiras relativas ao pagamento de salários (em dólares), as quais foram remetidas pela empresa estrangeira à BLACK & DECKER brasileira e por esta também apresentadas à Auditoria. 6. Durante o período em que esteve trabalhando em empresa do grupo econômico da BLACK & DECKER sediada no exterior (03/2000 até a presente data), nenhum contrato de trabalho entre a empresa estrangeira e o Sr. Renato foi formalizado, conforme informado pelo sujeito passivo. 7. mesmo que existisse o contrato de trabalho formalizado com a empresa estrangeira do grupo econômico da BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA, esta hipótese não seria suficiente para descaracterizar a realidade ocorrida, qual seja, a mera transferência da localidade da prestação, do Brasil, em cujo território o contrato do funcionário era executado, para outro estabelecimento sediado no exterior. 8. A continuidade do vinculo do Sr. Renato com a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA é reconhecida pela própria empresa como funcionário, mesmo estando ele atualmente trabalhando em estabelecimento de seu grupo econômico sediado nos Estados Unidos, assim como exterioriza de forma plena a sua convicção quanto à natureza do deslocamento do referido trabalhador como sendo TRANSFERÊNCIA de funcionário para o exterior, circunstâncias estas claramente demonstradas em documento que apresentou à auditoria, conforme trechos a seguir transcritos: "Black & Decker do Brasil Ltda, por seu representante legal, (...) vem respeitosamente à presença de V. As. Para: Apresentar os demonstrativos dos valores das remunerações do funcionário RENATO COSTA PANZARINI, pagas em dólar americano no período de 01/2006 a 12/2010 pela empresa do grupo da signatária sediada nos Estados Unidos da América. A signatária o funcionário no período de 01/2006 a 12/2010." Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.278 10 Informar que o funcionário foi transferido para os Estados Unidos da América em 03/2000 para trabalhar em empresa do grupo da Signatária, onde permanece até esta data; informar que na transferência para os Estados Unidos da America, o contrato de trabalho entre o funcionário e a Signatária foi rescindido formalmente. A signatária apresenta como anexo o contrato de trabalho rescindido. Informar que não foi firmado novo contrato de trabalho entre o funcionário e a empresa do grupo da Signatária sediada no exterior; A signatária informa que não localizou em seus arquivos o processo de expatriação do aludido funcionário. Afirma o auditor que diante do conjunto de provas e evidencias, sem nenhuma dúvida, ocorreu a remoção dos funcionários Renato Panzarini, Oswaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins para empresas do grupo econômico da BLACK & DECKER BRASIL LTDA enquadramse no conceito de transferência de trabalhador para o exterior, nos termos em que está delineado no artigo 2o da Lei 7.064/82. Registrese, mais uma vez, quetransferência do Sr. Paulo não foi objeto do lançamento, em face da existência de Acordo Internacional. Reforçando mais ainda sua convicção sobre a ocorrência da transferência dos funcionários para o exterior, o auditor assim se expressa: Durante o período das transferências, a empresa Black & Decker do Brasil Ltda permaneceu pagando parte dos salários dos funcionários Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins; Por ocasião das transferências a empresa procedeu à rescisão formal dos contratos de trabalho dos três funcionários removidos para o exterior, no entanto, ao longo do período de permanência destes no exterior, a empresa Black & Decker do Brasil Ltda formalizou dois novos contratos de trabalho com o Sr. Osvaldo Vitoratto Júnior e um com o Sr. Paulo Fernando Martins; Relativamente aos senhores Osvaldo vitoratto Júnior e Renato Costa Panzarini sequer foram formalizados contratos de trabalho com a empresa estrangeira do grupo da Black & Decker do Brasil Ltda. Em relação ao senhor Paulo Fernando Martins o sujeito passivo afirmou que foi formalizado contrato de trabalho perante a empresa estrangeira de seu grupo econômico, solicitou prazo para apresentação, mas não o fez até a presente data. Ressaltamos, como fizemos noutra oportunidade, que a formalização de contrato perante a empresa estrangeira, por si apenas, não tem o condão de descaracterizar a transferência dos funcionários. Contudo, a inexistência destes são indicativos fortes de que a vinculação empregatícia destes permaneceu com a empresa Black & Decker do Brasil Ltda. Fl. 2278DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.279 11 A continuidade de vínculo dos funcionários removidos para o exterior com a empresa Black & Decker do Brasil Ltda está estampada nas fichas financeiras de pagamento de parte dos salários dos funcionários Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins, realizado aqui no Brasil pelo sujeito passivo. Nestes documentos, elaborados pelo sujeito passivo, comprova se que esta empresa, durante o período da transferência, descontou contribuições previdenciárias das remunerações pagas aos aludidos funcionários, pagoulhes remunerações a título de férias e décimo terceiro salário, depositou FGTS em favor dos funcionários. Nestes documentos ainda contêm a informação "Com vínculo", demonstrando a condição de funcionário dos transferidos. Nos esclarecimentos do sujeito passivo, apresentados a esta Auditoria Fiscal (DOC 06 e DOC 15), há o claro reconhecimento pelo próprio sujeito passivo quanto ao vínculo de emprego existente com esta empresa, bem como, da transferência a que foram submetidos os três funcionários. Nos citados documentos, a empresa Black & Decker do Brasil reportase aos senhores Osvaldo vitoratto Júnior, Paulo Fernando Martins e Renato Costa Panzarini, por seguidas vezes, como funcionários transferidos. Dois dos funcionários removidos para o exterior (Osvaldo Vitoratto Júnior e Paulo Fernando Martins) já retornaram a laborar no território brasileiro, e ao fazêlo, o destino profissional deles foi exatamente a empresa BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA. O segundo citado, inclusive, ocupa atualmente cargo executivo na citada empresa. O primeiro deles, após permanecer por um determinado período trabalhando em cargo executivo do sujeito passivo, rescindiu de fato e definitivamente o seu contrato de trabalho. Lembrando que os contratos de trabalho destes permaneceram vigentes durante o período das transferências, pois, a despeito de ter sido realizada a formal rescisão contratual destes trabalhadores, por ocasião de suas remoções para o exterior, foram formalizados novos contratos pouco tempo depois. Sobre as bases de cálculo das contribuições a autoridade lançadora diz que de acordo com a Lei de Custeio da Seguridade Social, , corresponde ao valor das remunerações destinadas aos segurados transferidos, independentemente de qual caixa provenham os recursos utilizados no seu pagamento, isto é, se do caixa do sujeito passivo, que, de acordo com a legislação brasileira é empregadora dos funcionários transferidos, ou se do caixa da empresa estrangeira para onde foi transferido cada um dos funcionários. Em seguida o auditor colaciona decisões judiciais de casos semelhantes, alinhadas com as conclusões da auditoria fiscal, ver fls. 92/100. Ressalta o fisco que valores das remunerações informadas em dólares americanos pelo sujeito passivo foram convertidos para Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.280 12 moeda nacional (Reais), com base no câmbio oficial divulgado pelo Banco Central do Brasil – BACEN, apresentados na planilha denominada "Demonstrativo das remunerações dos Segurados Expatriados e das Correspondentes Contribuições Lançadas", sendo anexada em meio digital ao presente processo (DOC 20). A citada planilha contém, por competência, os valores das remunerações dos funcionários OSWALDO VITORATTO JÚNIOR e RENATO COSTA PANZARINI, relativas ao período da transferência para o exterior, expressos em dólares americanos e em reais, bem como os valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre as aludidas remunerações, inclusive valores a título de SAT/RAT. Registrese que as contribuições devidas pelos segurados (artigo 20, da Lei 8.212/91), mas não descontadas pela empresa, apenas foram lançadas contribuições a cargo do segurado RENATO COSTA PANZARINI, observandose para tal, o limite máximo do salário de contribuição previsto no § 5o, artigo 28, da Lei 8.212/91. No tocante ao segurado OSWALDO VITORATTO JÚNIOR, a empresa já havia descontado das remunerações que lhe pagou no Brasil, durante o período da transferência, o valor máximo de contribuições dele exigidas por Lei, bem como recolhido os referidos valores. Relata a autoridade fiscal, que os acréscimos legais (juros e multa) incidentes sobre os valores originais apurados a título de parte patronal (FPAS/SAT), parte dos segurados não descontada e da penalidade por falta de declaração em GFIP (descumprimento de obrigação acessória – AIOA CFL 68), foram registrados em aplicativo próprio da RFB, que calcula automaticamente os acréscimos legais (juros e multa de ofício), podendo o seu resultado ser verificado no Relatório de Lançamentos, anexo ao Auto de Infração. Para as competências 06/2006 a 11/2008, foi calculada a multa de mora por falta de pagamento no prazo legal, incidente sobre os valores originários apurados: 24% sobre os valores das contribuições lançadas (artigo 35, II, "a", da Lei n° 8.212/91 redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/1999, mas revogada pela MP n° 449, de 03/12/2008, que deu nova redação ao citado dispositivo). No período ora abordado, além da multa de mora, acima mencionada, aplicável pelo não pagamento das contribuições no prazo legalmente estabelecido, o contribuinte ainda estava sujeito à multa por deixar de declarar em suas GFIPs todos os fatos geradores/contribuições lançadas no presente processo fiscal (descumprimento de obrigação acessória), estando o valor da referida penalidade estabelecido no artigo 32, § 5o, da Lei 8.212/91, que igualmente foi revogado pela MP n° 449, de 03/12/2008: multa equivalente a 100% dos valores não declarados no citado documento, limitado ao valor da multa Fl. 2280DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.281 13 que seria aplicado caso a empresa não tivesse sequer apresentado a GFIP. Esta penalidade foi aplicada em auto de Infração distinto, isto é, através do AIOA Debcad nº 37.347.3060, que também integra o presente processo fiscal. Ressaltese que a aplicação conjunta das penalidades mencionadas anteriormente (multa de mora, pela falta de pagamento, e penalidade pela falta de declaração, ou seja, pelo descumprimento de obrigação acessória) estava, entretanto, condicionada à análise e observância da penalidade menos severa em comparação à penalidade instituída pela MP n° 449, de 03/12/2008. Em razão disso, a aplicação conjunta das penalidades reportadas acima, apenas ocorreu na competência 02/2007 (24% de multa de mora e AIOA CFL 68). Em todas as demais competências foi aplicada a penalidade instituída com a edição da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, multa de ofício de 75%, aplicável cumulativamente pelo não pagamento e pela não declaração, na medida em que esta se mostrou menos severa ao sujeito passivo, conforme previsão contida na alínea “c”, inciso II, do artigo 106 do CTN. Para as competências 12/2008 a 13/2010, foi aplicada a multa de ofício de 75% por falta de declaração e falta de pagamento no prazo legal, não tendo neste período que se falar em comparativo de multas para aplicação da mais benéfica, prevalecendo a nova multa prevista na MP 449/2008. No Auto de Infração Debcad nº 37.347.3060 – AIOA CFL 68, foi lançada a multa por não declarar as contribuições previdenciárias em GFIP, infração ao artigo 32, §5º, da Lei nº 8.212/1991, revogado pela MP nº 449/2008, em relação à competência 02/2007, equivalente a 100% dos valores não declarados, limitado seu valor a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no artigo 92, em função do número de segurados existente na empresa, conforme valores previstos no § 4º do mesmo artigo. DA IMPUGNAÇÃO Em 30/08/2011, envelope sedex fls. 2076/2078 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou impugnação aos AIOPs Debcad nºs 37.347.3010, 37.347.3028 e AIOA 37.347.3060, fls. 1757/1792, 1863/1898 e 1969/2005, onde expõe: Em relação aos Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal, inicialmente diz que o entendimento da fiscalização está equivocado pois os trabalhadores citados são exempregados que passaram a trabalhar no exterior (dois nos E.U.A e um na Argentina) após a rescisão dos contratos de trabalho no Brasil. Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.282 14 A fiscalização simplesmente ignorou os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT's' apresentados, ora juntados à presente defesa, devidamente homologados pela entidade sindical, e considerou que os referidos exempregados foram "transferidos" para o exterior, nos termos da Lei n° 7.064/82 e do Decreto n° 89.339/84. Diz que a situação não configura a hipótese se transferência contida na Lei nº 7.064/82, merecendo ser anulado o presente Auto de Infração, em razão do que passa a demonstrar. Da decadência parcial do débito Diz a impugnante que o débito ora em discussão se encontra parcialmente extinto pela decadência, haja vista tratarse de débito relativo ao período compreendido entre junho/2006 e dezembro/2010 (13° salário), tendo o contribuinte sido intimado da presente notificação apenas em 29/07/2011. A doutrina e a jurisprudência pátria são unânimes em declarar a natureza tributária das contribuições sociais. Nestas condições, verificase que o prazo decadencial para que a fiscalização constituísse eventual débito da impugnante era de 5 anos, consoante dispõe o artigo 173 e 150, § 4o, ambos do CTN. Cita a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da lei 8.212/91 e estabeleceu em 5 anos o prazo decadencial para o INSS constituir seus créditos, dizendo que nesse sentido aplicase, preliminarmente, o contido no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Logo, após a edição da referida súmula, em não tendo ocorrido antecipação de pagamento, o prazo para constituição do crédito previdenciário passa ser de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado. Ressaltase que nessa esteira de raciocínio, concluiu a fiscalização que não estariam decaídos os valores da competência de junho de 2006, como se tivessem seu prazo decadencial iniciado apenas em janeiro de 2007. Ocorre que tal entendimento nega vigência ao artigo 150, §4°, do CTN, considerando ser indiscutível que as contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e o prazo que a Seguridade Social dispõe para constituir seus créditos é qüinqüenal, começando a fluir da data da ocorrência do fato gerador, a teor do § 4o, do art. 150, do CTN. Relata a empresa impugnante que é incontroverso e pode ser observado nos sistemas da Previdência Social (isto porque está sendo cobrado apenas uma diferença de contribuições previdenciárias incidente sobre a folha de salários (FPAS/SAT/SEGURADO) que nesses meses a empresa lançou outros fatos geradores em seus documentos declaratórios, de Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.283 15 modo que houve o pagamento de tributo declarado em GFIP (sobre o efetivo salário dos empregados e todos os demais valores que constituíram a base de cálculo para tanto), cabendo à autoridade homologar o valor informado e recolhido, o que não ocorreu, acarretando a extinção do pretenso crédito tributário após 5 anos do fato gerador. Assim sendo, a autuação se encontra atingida pela decadência em relação ao mês de 06/2006, que teve vencimento em 02/07/2006 e decadência em 03/07/2011. Da ausência de Fundamento Legal Diz a impugnante que a fiscalização mencionou diversas vezes no relatório fiscal da autuação que a impugnante teria deixado de atender exigências contidas na Lei n° 7.064/82 e no Decreto n° 89.339/84, que se referem à TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS ATIVOS PARA O EXTERIOR, o que não foi o fato ocorrido. No entanto, nenhum dispositivo da Lei n° 7.064/82 ou do Decreto n° 89.339/84 foi apontado como fundamento do débito no Relatório de Fundamentos Legais FLD, que seguiu anexo ao auto de infração. No caso em análise, ainda há que se ressaltar que a forma do ato administrativo que constitui o crédito tributoprevidenciário é essencial para sua validade, nos termos do artigo 142 do CTN, do artigo 37 da Lei n° 8.212/91 e até mesmo da Instrução Normativa n° 971/2009, atualmente vigente. Do Mérito Não obstante a impugnante haver apresentado documentos que demonstram o término do contrato de trabalho dos referidos ex empregados (conforme os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCT's' apresentados à fiscalização e ora juntados à presente defesa), a auditoria fiscal considerou que os referidos exempregados teriam sido "transferidos" para o exterior, nos termos da Lei n° 7.064/82 e do Decreto n° 89.339/84. Entretanto, os referidos exempregados da impugnante tiveram seus contratos de trabalhos terminados no Brasil não configurando a hipótese de transferência, contida na Lei n° 7.064/82. Descartase, de plano, a hipótese de transferência contida na lei, uma vez que todos os 3 (três) exempregados da ora impugnante NÃO FORAM: removidos para o exterior com contrato executado no território brasileiro; cedidos a empresa sediada no estrangeiro, mantendo o vínculo trabalhista com o empregador brasileiro; e contratados por Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.284 16 empresa sediada no Brasil para trabalhar a seu serviço no exterior. Nos 3 (três) casos, como é fato incontroverso exposto no próprio relatório fiscal, houve encerramento do vínculo de emprego existente entre os referidos exempregados, “in verbis” • Por ocasião das transferências a empresa procedeu a rescisão formal dos contratos de trabalho dos três funcionários removidos para o exterior (...)" (g.n.) Diz ainda que a rescisão de contrato de trabalho com a devida assistência da entidade sindical consiste em ato jurídico perfeito e acabado (art. 6o da LICC), não havendo que se falar, portanto, em transferência. Da incompetência da fiscalização para declarar eventual continuidade de vínculo empregatício Na seqüência alega a incompetência da fiscalização da Receita Federal do Brasil para declarar a continuidade do vínculo empregatício. Relata que a Fiscalização do INSS entendeu por bem desconsiderar as rescisões de contrato de trabalho havidas e concomitantemente autuar a impugnante por ter concluído que teria havido continuidade de vínculo entre os referidos 3 (três) empregados citados em razão de suposta transferência. Ocorre que, nos termos do art. 114 da Constituição Federal de 1988, em especial após as modificações que lhe foram introduzidas pela Emenda Constitucional n°. 45/2004, SOMENTE A JUSTIÇA DO TRABALHO TEM COMPETÊNCIA PARA TANTO. Diz que o Sr. Auditor Fiscal claramente extrapolou os limites de sua função, uma vez que invadiu esfera de competência da Justiça do Trabalho, declarando a continuidade de vínculo empregatício entre os Srs. Oswaldo Vitoratto Júnior, Renato Costa Panzarini e Paulo Fernandes Martins com a ora impugnante, mesmo após a rescisão de seus contratos de trabalho homologada pelo Sindicato. Afirma que a incompetência do INSS (atual fiscalização da RFB) para a declaração de vínculo de emprego decorre até mesmo da impossibilidade da Fiscalização apurar com precisão a existência dos requisitos necessários para a caracterização do vínculo laboral, especialmente no que se refere à subordinação jurídica. E ainda, que a fiscalização ignorou os documentos apresentados pela ora impugnante e somente se ateve à análise de documentos que lhe foram convenientes, não observando a realidade fática da relação jurídica, o que impede (e impediu, no presente caso) a verificação de que teria havido continuidade, no exterior, do contrato de trabalho com a impugnante. Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.285 17 Nesse sentido, a recorrente traz reiterados julgados do Tribunal Regional Federal da 4a Região, que demonstram a impossibilidade de declaração de vínculo de emprega pelo INSS. Neste caso, em a Justiça do Trabalho declarando a unicidade dos contratos de trabalho e ato contínuo entendendo ser aplicável a legislação brasileira, poderia esta determinar o pagamento de verbas não quitadas e relativas ao período em que os serviços foram prestados no exterior, como, por exemplo, gratificação de natal (décimo terceiro salário), FGTS, contribuições previdenciárias (INSS), férias com 1/3, tomandose como base o valor integral pago fora do Brasil. Portanto, a fiscalização não possui competência para: (i)desconsiderar a rescisão dos contratos e ignorar os Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho TRCTs' apresentados (ora juntados à presente defesa); (ii)caracterizar a hipótese de transferência contida na Lei n° 7.064/82; e ainda, (iii)declarar a continuidade de vínculo entre os empregados rescindidos e a ora impugnante, à época em que os mesmo prestaram serviços para outra empregadora, no exterior. Da inexistência de lei que autorize a cobrança de contribuições previdenc1árias nos casos em análise não ocorrência da hipótese prevista na lei n° 8.212/91 Ressalta que a Lei n° 8.212/91, em seu art. 12, dispõe de maneira clara e precisa quem são os segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados e que notadamente, para fazer jus à autuação ora lavrada, a fiscalização realizou toda uma construção, construção essa não baseada em fatos ou documentos, mas sim em suposições. Neste sentido, para justificar os lançamentos, alegou a ocorrência do art. 12, I, f, da Lei n° 8.212/91. Nos termos do referido artigo, são segurados obrigatórios da Previdência Social o empregado brasileiro, ou estrangeiro domiciliado, e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional. No caso em análise, os citados empregados não se enquadram na hipótese prevista na alínea f, do inciso I, do artigo 12, da Lei n° 8.212/91. Da análise específica e individualizada dos casos apontados pela fiscalização a) Oswaldo Vitoratto Junior Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.286 18 Em síntese, o Sr. Oswaldo foi empregado da impugnante nos seguintes períodos (conforme declaração de próprio punho anexa): de 22/11/1989 a 01/02/1998; de 02/05/1998 a 30/03/2001; e de 02/05/2002 a 03/03/2009. E, nesses períodos, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas em decorrência do contrato de trabalho no Brasil e recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de exclusão de lançamentos por parte da fiscalização. Se durante esses períodos o Sr. Oswaldo prestou serviços no exterior empresa estrangeira e em decorrência de contrato regido pelas leis estrangeiras, não pode a impugnante ser compelida a efetuar recolhimentos em decorrência de pagamentos ajustados com a empresa estrangeira e efetuados no exterior, sobre os quais a empresa brasileira jamais teve qualquer ingerência. Logo, em relação ao Sr. Oswaldo nada mais deve ser tributado, poís: (i)o Sr. Oswaldo nunca foi transferido para prestar serviços no exterior; (ii)as rescisões dos contratos de trabalho entre o Sr. Oswaldo e a impugnante foram devidamente homologadas pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; (iii)sempre que a impugnante necessitou dos serviços de consultoria do Sr. Oswaldo, mesmo nos períodos em que ele esteve residindo no exterior, o contratou como empregado no Brasil, registrandoo e honrando o salário ajustado por força dos serviços contratados pela empresa brasileira, efetuando todos os pagamentos, sem exceção, na folha de pagamento da empresa no Brasil e respeitando a legislação trabalhista brasileira; (iv)todos os valores por ele percebidos em razão do contrato vigente com a empresa brasileira, mesmo a prestação de serviços tendo ocorrido fora do país, foram conservadoramente considerados para pagamento de verbas trabalhistas e tributados para efeito das contribuições previdenciárias; e (v)os valores recebidos pelo Sr. Oswaldo fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Oswaldo devem ser excluídos da presente autuação. b) Renato Costa Panzarini Em síntese, o Sr. Renato foi empregado da impugnante no seguinte período (conforme declaração de próprio punho anexa): de 02/01/1997 a 09/03/2000. Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.287 19 Neste contexto, cumpre salientar que, nesse período, e em relação ao contrato de trabalho firmado no Brasil, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas e recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de reconhecimento por parte da fiscalização. Cumpre reiterar que o contrato de trabalho entre o Sr. Renato e a impugnante foi rescindido e devidamente homologado pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado. É de se salientar que a rescisão do contrato de trabalho entre o Sr. Renato e a impugnante se deu em 09/03/2000 (!!!), ou seja, há mais de 11 anos, sendo inconcebível que a impugnante tenha sido autuada em razão de relação que se encerrou antes do período fiscalizado e há mais de uma década. Logo, em relação ao Sr. Renato nada mais deve ser tributado pois: (i) o Sr, Renato não é empregado da impugnante desde 09/03/2000, quando o contrato de trabalho entre ele e a impugnante foi rescindido, tendo tal rescisão sido homologada pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; (ii) após a rescisão ocorrida em 09/03/2000 o Sr. Renato nunca mais prestou serviços para a impugnante, conforme se verifica da declaração emitida de próprio punho pelo Sr. Renato; (iii) como o contrato de trabalho do Sr. Renato foi rescindido de pleno direito, descabido considerar que ele foi transferido para prestar serviços no exterior; e (iv) os valores recebidos pelo Sr. Renato fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (lex loci executionis) (por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Renato devem ser excluídos da presente autuação. c) Paulo Fernando Martins Apesar do relatório fiscal e demais documentos da autuação demonstrarem que não houve lançamentos referentes ao Sr. Paulo, a impugnante teceu alguns comentários a este respeito. Em síntese, o Sr. Paulo foi empregado da impugnante nos seguintes períodos (conforme declaração de próprio punho anexa): de 28/04/1984 a 16/06/2000; e a partir de 03/06/2002 até hoje (ainda em vigência). Neste contexto, cumpre salientar que, nestes períodos, e em relação aos contratos de trabalho firmados no Brasil, a impugnante sempre pagou todas as verbas trabalhistas devidas e Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.288 20 recolheu todas as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, o que inclusive foi objeto de exclusão de lançamentos por parte da fiscalização. Isso porque, mesmo estando fora do país, o Sr. Paulo, nos períodos acima informados, continuou responsável por algumas atividades do Brasil, apesar de não efetivar sua prestação de serviços no Brasil. Buscando ser correta e idônea, a empresa sempre tributou os valores recebidos por ele no Brasil, apesar da efetiva prestação de serviços se dar no exterior, apesar da saída do referido ex empregado do país haver se dado de forma definitiva (declaração anexa). Neste sentido, como já abordado anteriormente, é plenamente possível a existência de dois contratos de trabalho simultâneos, um no Brasil e outro no exterior, sem que seja necessário que a empresa brasileira efetue o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores recebidos pelo vínculo de empregado mantido entre seu empregado e um outra empresa do exterior, por tratarse de outra empregadora, outro contrato e de prestação de serviços em relação à qual a empresa brasileira não tem qualquer relação ou ingerência. Logo, em relação ao Sr. Paulo nada mais deve ser tributado, pois: (i) o Sr. Paulo nunca foi transferido para prestar serviços no exterior; (ii)a rescisão do contrato de trabalho entre o Sr. Paulo e a impugnante foi devidamente homologada pela entidade sindical, constituindose em ato jurídico perfeito e acabado; e (iii)os valores recebidos pelo Sr. Paulo fora do Brasil se deram exclusivamente em razão da prestação de serviços ocorrida no exterior (lex loci executionis) por força de contrato executado com empresa estrangeira e regido pelas leis estrangeiras. Por todo o exposto, os valores relativos ao Sr. Paulo no exterior não devem constituir base de cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias. Do valor da multa Questiona o valor da multa aplicada sob a alegação de que a fiscalização confundiu multa de mora com multa de ofício, deixando de aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte em todo período da autuação. Diz que, com efeito, não se pode comparar a multa de mora de 75% com multa decorrente de não informação em GFIP, que tem caráter meramente acessório. A multa de mora de 75% somente pode ser comparada com a multa de mesma natureza que antes era prevista na Lei 8.212/91, e era de 24%. Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.289 21 Como se sabe, as multas acima referidas, as quais são totalmente distintas uma da outra, estavam previstas ambas na Lei n° 8.212/91, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, portanto, deve ser aplicada apenas a multa de 24% para todo o período, pois essa é a penalidade mais benéfica ao contribuinte, independentemente da multa por eventual obrigação acessória. Da exclusão dos representantes legais da empresa Pede ao final, a exclusão dos representantes legais da empresa do Relatório de Vínculos, sob a alegação de que a inclusão dos administradores não se afigura legal pois o artigo 13, da Lei nº 8.620/1993 foi expressamente revogado com a publicação da Lei nº 11.941, de 27/05/2009, conforme preceitua o artigo 79 em seu inciso VII. Diz que nesse contexto, com a revogação e conseqüentemente ausência de amparo legal, passou a ser defeso ao Fisco imputar a responsabilidade das empresas por dívidas relacionadas às contribuições previdenciárias aos seus administradores, muito menos a um contador. Explica que o Sr. Zigomar Borges Correa é apenas o contador da empresa, ou seja, não tem qualquer poder de gestão e por isto não pode ser responsabilizado. O Sr. Brett Severin nunca foi sócio da empresa e não teve qualquer conduta ilícita apontada no relatório fiscal, devendo ser excluído. Igualmente, o Sr. Domingos Gragone, não teve qualquer conduta ilícita, devendo também ser excluído. AIOA CFL 68 Em relação ao Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória – Debcad nº 37.347.3060, no valor de R$ 31.792,31, que também compõe este processo comprot nº 10972.720042/201198, a empresa apresentou a impugnação juntada às fls. 1969/2005, contendo os mesmos argumentos da impugnação ao Auto de Infração de Obrigação Principal acrescentando tão somente a parte a seguir relatada: Contesta o valor da multa aplicada em razão das informações não prestadas em GFIP, alegando que deve ser apurada com base em valor fixo de R$ 20,00, para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, que é a mais benéfica ao contribuinte, muito mais do que a comparação feita pela autoridade fiscal onde comparou a multa de mora de 24% e a multa de ofício de 75%. Ao final protesta a impugnante pela produção de todas as provas admitidas em direito, prova documental, notadamente a exibição e juntada posterior de documentos, realização de perícia e tantas quantas forem às provas necessárias para a real apuração da verdade material. Requerendo que todas as notificações sejam expedidas também ao patrono da impugnante. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.290 22 Em 02/03/2012, através do Despacho nº 56, da 5ª Turma/DRJ/JFA,fls. 2080/2081, o processo foi diligenciado, com a finalidade de dirimir dúvida decorrente da impugnação apresentada, onde a julgadora questiona vários pontos. Após relatar resumidamente os pontos mais importantes do processo e do Relatório Fiscal e ainda as alegações apresentadas pelo contribuinte na Impugnação, a julgadora apresenta o seguinte questionamento: (...) “Não consta dos autos documentos que comprove o vínculo mencionado. Todavia, consta do sistema informatizado da RFB/CNPJ, que o Sr. Brett Severin respondia pela empresa no período de 10/11/1994 a 28/04/1998. Diante do exposto, entende necessária a determinação de diligência para que a autoridade lançadora esclareça o vínculo do referido segurado com a empresa, confirmando ou não o período mencionado no Relatório de Vínculos e juntado aos autos os documentos comprobatórios pertinentes. (...) Em 09/08/2012, o auditor fiscal responsável pelo lançamento, atende aos questionamentos do Despacho de Diligência através do Relatório Fiscal da Diligência, anexado às fls. 2160/2161 dos autos. Reexaminando o citado Relatório de Vínculos observa se que o Sr. Brett Severin Stuhr Olson consta como sócio da empresa no período de 01/06/1996 a 01/07/2006. Esta informação cadastral veio na carga fiscal disponibilizada a esta Auditoria, e tem a sua origem nos sistemas mantidos pela Dataprev. Contudo, verificando o sistema da RFB, sistema CNPJ, pesquisa de sócios (base de dados do SERPRO), observase que o Sr. Brett Severin não consta atualmente como sócio da empresa autuada e nem mesmo como sócio excluído. Analisando as alterações do contrato social da empresa Black & Decker do Brasil Ltda, datadas de 12/08/1999, 16/12/2005, 29/05/2006, 08/05/2007, 15/05/2008, 08/04/2011 e 05/12/2011, constatase que o nome do Sr. Brett Severin Stuhr Olson igualmente não consta como sócio da autuada. Portanto, apesar de ter vindo na carga fiscal desta Auditoria, o nome do Sr. Brett Severin deveria ter sido excluído do quadro cadastral da empresa, na medida em que, no período do débito, não foi identificado nenhum vínculo deste com a empresa autuada. Assimsendo, é correta a exclusão do referido nome do quadro de sócios da empresa Black & Decker do Brasil Ltda. Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.291 23 Juntamos ao presente processo cópia das alterações contratuais da impugnante datadas de 29/05/2006, 08/05/2007, 15/05/2008, 08/04/2011 e 05/12/2011 respectivamente DOC d01, DOC d02, DOC d03, DOC d04 e DOC d05. O contribuinte foi cientificado, pessoalmente através de seu procurador, do Relatório Fiscal da Diligência em 17/08/2012, fl. 2161, e no prazo legal, 27/08/2012, envelope sedex fl. 2168, apresentou Manifestação de fls. 2165/2166, onde alega que: No relatório fiscal de diligência a autoridade lançadora reconheceu que o Sr. Brett Severin nunca foi sócio da impugnante, ao contrário do apontado no relatório de vínculos das autuações, de modo a ser correta sua exclusão do presente processo administrativo. A impugnante concorda com a conclusão do referido relatório, ressaltando, porém, que todas as pessoas físicas e não só o Sr. Brett Severin devem ser excluídas do presente processo. Isto porque, mais uma vez, a fiscalização não apontou qualquer conduta ilícita que teria sido cometida pelas pessoas físicas listadas, requisito essencial para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Portanto, reitera a impugnante todo o contido em suas defesas administrativas (inclusive quanto ao mérito), especialmente sua conclusão de que: "com a revogação do artigo 13 da Lei n° 8.620/93, a fiscalização só poderá incluir/manter coresponsável pessoa física se comprovar a prática de atos com excesso de poder, infração à lei, contrato social e estatutos, NO PERÍODO DO OBJETO DA AUTUAÇÃO, fatos que não ocorreram, sendo de rigor a exclusão das pessoas físicas mencionadas dos relatórios da presente autuação".” A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação, mantendose parcialmente o débito tributário. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls.2220/2265, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminar Fundamentação Legal FLD Em primeiro lugar cabe esclarecer que o lançamento foi fundamentado na Lei 7.064/1982, vigente no ordenamento jurídico brasileiro, o fato de não constar expressamente Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.292 24 no Anexo Fundamento Legal do Débito FLD, não verifico que isto, por si só, resulta em qualquer irregularidade, pois no relatório fiscal, em vasta argumentação, a autoridade lançadora sustentou a sua aplicabilidade ao caso concreto. Além disso, mesmo querendo, o auditor não teria como incluíla no texto do anexo FLD, isto porque se trata de informação gerada diretamente do sistema informatizado usado pela fiscalização nos lançamentos dos créditos tributários, identificado como SAFIS, sem acesso a inclusões ou exclusões pela autoridade lançadora. Havendo necessidade da citação de leis especiais, diferente daquelas existes no banco de dados para a geração do anexo FLD, utilizase, como cuidadosamente feito, o relatório fiscal. Da análise dos elementos que compõem os autos, vêse em vasta documentação e argumentação, que a fiscalização sustentou que as rescisões de contrato de trabalho dos expatriados foram fictícias. No caso concreto a vinculação destes trabalhadores ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, ocorre inequivocamente. Que os funcionários foram transferidos do Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, em consonância com a autoridade fiscal e diante do conjunto de provas apresentadas, firmase a convicção quanto à realidade fática desta situação. Vêse contudo que a empresa domiciliada no exterior não possui a maioria do capital votante da empresa brasileira de capital nacional. A situação em tela é especial, haja vista que a constituição jurídica da autuada é “empresa de responsabilidade limitada” pertencente unicamente a dois sócios pessoas jurídicas, quais sejam BLACK & DECKER PANAMÁ S A E BLACK & DECKER INC. Afigurase, no caso um grupo econômico, sendo possível inferir que as empresas proprietárias estrangeiras têm o controle da sediada no Brasil. Diante dos fatos, temse que os trabalhadores contratados pela empresa sediada no Brasil, passam a prestar serviços no estrangeiro a um dos proprietários da empresa brasileira, sem a formalização do contrato de trabalho e manutenção de vinculo com a empresa originária, porque dela continuaram a receber remunerações, fato este abundantemente comprovado nos autos. Assim complementando o raciocínio, tais funcionários, na verdade, continuaram como contratados pela empresa brasileira, mas transferidos para prestar serviço ao sócio proprietário residente no exterior, o que permite concluir que a eles aplicamse as regras gerais da legislação previdenciária brasileira, como empregado, ou seja, o art. 12, inciso I, alínea “a” e em razão da transferência para o exterior, em especial, a Lei 7.064/1982 . É oportuno ressaltar, que o lançamento fiscal foi elaborado mediante abundante estudo realizado pelo auditor fiscal, com destaque para a análise da Lei 7.064/1982 e Lei 8.212/1991, onde, ao contrario do que diz a contribuinte, o auditor expressa que o art 12, inciso I alínea ‘f” não é o fundamento legal do enquadramento no caso concreto e sim, como acima concluído, aplicase a regra geral prevista no art. 12, inciso I aliena “a” da Lei 8.212/1991. Eis a transcrição, in verbis de trechos com a conclusão mencionada: Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.293 25 "Nesse sentido, o artigo 12, I, “f”, da Lei 8.212/91, é literalmente claro.Vejamos o que ele diz, alertando, porém, não ser o citado dispositivo fundamento legal do enquadramento que fizemos no caso concreto (a sua análise se dá unicamente com o propósito de enriquecer e complementar a abordagem acerca da situação previdenciária dos trabalhadores que prestam serviços no exterior), o que se tem por conveniente. ............... a) Transferência do trabalhador para prestar serviços no exterior, inexistindo Acordo Internacional de Previdência Social entre o Brasil e o país de destino aplicase a legislação interna brasileira (capítulo II da Lei 7.064/82, mais precisamente o parágrafo único do artigo 3º da citada Lei, c/c o artigo 12, I, “a”, da Lei 8.212/91). Os trabalhadores transferidos estão vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, na condição de segurados empregados, sendo devido, portanto, o custeio da Previdência Social destes trabalhadores. O sujeito passivo da obrigação tributária/previdenciária é a empresa brasileira que promove a transferência do trabalhador para trabalhar no exterior. Corresponde à situação fática ocorrida em relação aos funcionários Osvaldo Vitoratto Junior e Renato Costa Panzarini, deslocados pelo sujeito passivo para trabalharem em empresa de seu grupo econômico sediada nos Estados Unidos." Portanto, rejeitase a preliminar suscitada. 2. Mérito. Com relação a este aspecto, há que se considerar o fato que na grande maioria dos casos, quando uma empresa sediada no estrangeiro, controladora de uma empresa brasileira, recruta e contrata aqui no Brasil um trabalhador aqui domiciliado, isto ocorre por intermédio da empresa brasileira controlada. No entanto, conforme se verifica nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, esta situação é diferente no caso em questão, razão pela qual o lançamento não deve ser mantido, consoante será demonstrado. Ao meu entender não restou comprovado pela fiscalização que o sujeito passivo da contribuição previdenciária, a qual tem como objeto o financiamento da seguridade social do trabalhador expatriado, seria a Black & Decker do Brasil. Ao que se verifica nos autos deste processo, os dois empregados (Renato Panzarini e Paulo Martins) foram efetivamente dispensados da empresa brasileira, ora recorrente, tendo após cada exempregado iniciado um novo trabalho no exterior. Ademais, o fato de Paulo Martins ter retornado a trabalhar para a contribuinte, posteriormente a rescisão do contrato de trabalho, verificase que no caso concreto o primeiro contrato de trabalho foi rescindido e, somente após, foi realizado novo contrato de trabalho. Assim, não há como considerar que houve continuidade da relação de emprego. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.294 26 Quanto a Renato Panzarini, a situação é ainda mais clara, pois depois da rescisão do contrato de trabalho com a contribuinte, este não retornou a trabalhar para a contribuinte. Portanto, não se verifica que há, em ambos os casos, a continuidade da relação de emprego. Assim, não demonstrou a fiscalização ter ocorrido a alegada transferência dos empregados, de modo a descaracterizar as rescisões de contrato de trabalho existentes, ônus que lhe incumbia. Desta forma, descabe exigir da recorrente o cumprimento, posterior a rescisão do contrato de trabalho, das obrigações decorrentes destes fatos, tais como prestar todas as informações e esclarecimentos do interesse da fiscalização, na qual se incluem informar a base de cálculo relativa às contribuições previdenciárias a seu cargo. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Como bem narrado pelo em. Relator, o cerne da discussão consiste na subsistência, ou não, do vínculo com a empresa Black & Decker do Brasil durante o período de prestação de serviços no exterior. Caso se considere que a rescisão foi meramente formal, aplicase o Capítulo II da Lei 7.064/82, reconhecendose, assim, que os empregados jamais perderam o status de segurados da previdência brasileira. Por outro lado, caso se reconheça a validade da rescisão e posterior vinculação à empresa estrangeira, aplicase o Capítulo III do mesmo diploma, afastandose a vinculação dos trabalhadores ao RGPS. Analisando a jurisprudência trabalhista esse respeito, constatase que prevalece o entendimento de que a rescisão contratual seguida de imediata contratação por empresa do mesmo grupo econômico configura fraude à legislação trabalhista. Nestes casos, defendese que as empresas pertencentes ao mesmo grupo configuram "empregador único", o que enseja o reconhecimento da "unicidade contratual". Vejase: (...) RECURSO DE REVISTA. DISPENSA SEGUIDA DE ADMISSÃO EM EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. UNICIDADE CONTRATUAL. FRAUDE ÀS LEIS TRABALHISTAS. PROVIMENTO. Como se vê da transcrição da decisão objurgada, constatase que houve sucessivos contratos de trabalho, sendo que, o segundo pacto laboral, firmado entre o Autor e a Gerdau Ameristeel, foi formalizado imediatamente após (um dia depois) a extinção do primeiro contrato pactuado entre o Recorrente e a Reclamada, Gerdau Aços Longos SA, sendo que ambas empresas são pertencentes do mesmo grupo econômico. Assim, não obstante Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.295 27 constar no documento que formaliza a proposta para o Autor assumir cargo nos Estados Unidos que seu vínculo empregatício seria a Gerdau Ameristeel, empresa do mesmo grupo econômico da Reclamada, em verdade, tal cláusula contratual deixa clara a evidente intenção dos empregadores de fraudar os direitos trabalhistas do obreiro, eis que se trata de uma transferência mascarada por rescisão contratual e nova contratação, tendo em vista que a própria empresa, pelo teor do referido documento, assume o tônus de transferência a mudança do Autor. O teor do art. 3° da Lei nº 7.064/1982 preconiza que acerca da aplicação da lei brasileira em se tratando de transferência para a prestação de serviço no exterior, e o Regional, ao afastar a unicidade contratual, incorreu em violação do art. 3º da Lei 7.064/82. Portanto, nulas são as dispensas ocorridas em 18/02/2005 e em janeiro de 2009, restando comprovado que não houve solução de continuidade quanto à prestação de serviços pelo obreiro em tal período, considerase, por isso, que o contrato de trabalho do Reclamante com a Reclamada, Gerdau Aços Longos SA., perdurou de 06/10/1994 a fevereiro de 2009, razão pela qual declarase a unicidade contratual. Recurso de Revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR266017.2010.5.02.0072, 2ª Turma, Desembargador Convocado Relator: Cláudio Armando Couce de Menezes. Data do acórdão: 16 de setembro de 2015. Sublinhas deste voto). (...) Cabe destacar que, acerca do contrato de trabalho vigente de 10/02/1971 a 15/03/1976 (demissão) e recontratação em 02/05/1977, não se configura unicidade contratual, mas somente rescisão contratual com posterior contratação, um ano depois, sem elementos para a demonstração de prática de fraude pela exempregadora do reclamante em demitir e recontratar. Do mesmo modo, no período de 02/05/1977 a 13/10/1978 (demissão) e recontratação em 16/09/1980 não houve um único contrato de trabalho, na medida em que, após a demissão ocorrida em 13/10/1978, transcorreram dois anos até a nova contratação em 16/09/1980. Hipótese diversa se deu na rescisão contratual, relativa ao período de 16/09/1980 a 31/01/1992 (demissão) e imediata recontratação em fevereiro/1992, em que se vislumbra um único contrato de trabalho, com início em 16/09/1980 e a nulidade da rescisão, nos termos do artigo 9º da CLT. Por outro lado, em relação à rescisão ocorrida em 26/02/1999 e imediata recontratação em 1º/03/1999 (dois dias depois), também se verifica que, de fato, o contrato de trabalho do reclamante não se encerrou naquela data, ou seja, não houve solução de continuidade, mas um único contrato, que perdurou até 30/09/2003, conforme fundamentos a seguir expostos (...).Salientase que o preposto confessou que “no Brasil o autor estava subordinado ao presidente para a América Latina e que quando o autor estava em Miami, estava subordinado a este mesmo presidente de nome Jens Olesen”, segundo registrou o Regional (PROCESSO Nº TSTRR152800 97.2004.5.01.0073, 2ª Turma, Min. Relator: José Roberto Freire Pimenta. Data do acórdão: 09 de dezembro de 2014. Sublinhas deste voto). Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.296 28 (...) Sustenta a reclamada a existência de dois contratos distintos e autônomos. Alega que a unicidade contratual reconhecido viola o disposto no art. 2o, §2o da CLT. Depreendese do trecho antes transcrito que o Regional decidiu com base nos elementos instrutuórios dos autos, concluindo estarem presentes os elementos caracterizadores do grupo econômico e da relação empregatícia una. Com efeito, a Corte de origem evidenciou que "uma vez reconhecida a formação de grupo econômico, reputase irregular a dispensa, por se tratar de simples transferência de empregado entre empresas do grupo". Nesse cenário, eventual reforma da decisão importaria o reexame da prova dos autos, intento defesa nesta fase, nos termos da Súmula 126 do TST. A decisão está, antes, consentânea com os termos do dispositivo legal indicado (TST ARR 1576820125040372, Relator: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de julgamento: 10/08/2016, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 19/08/2016. Sublinhas deste voto). A 8ª Turma do eg. Tribunal Superior do Trabalho, contudo, já se manifestou no sentido de que o simples fato de um funcionário ser dispensado e em seguida contratado por empresa do mesmo grupo econômico não gera presunção de fraude, especialmente nos casos em que a rescisão contratual ocorre em conformidade com a legislação trabalhista e com a devida assistência sindical: (...) Conforme afirmado pelo acórdão regional, o fato do reclamante ter rescindido seu contrato de trabalho e posteriormente ter sido contratado por outra empresa do grupo econômico não induz à conclusão de que tal procedimento foi maculado por fraude. Tanto é assim que o acórdão regional consigna que a rescisão contratual observou todas as determinações legais, sem prejuízo ao recorrente, que o procedimento foi realizado com a assistência sindical, com ressalva apenas em relação às diferenças relativas à database e que o reclamante, inclusive, sacou os depósitos de FGTS logo após formalizada a ruptura contratual. Como se não fosse suficiente, não há emissão de tese pelo Regional acerca da sucessão, mas, tão somente, fundamentação a respeito da existência de grupo econômico. Ilesos os artigos de lei apontados como violados. Há mais. Compulsandose o acórdão regional, verificase que não há clareza quanto às datas de rescisão e contratação pelas empresas reclamadas. Embora o reclamante tenha requerido nos embargos de declaração, não as renovou de forma percuciente no recurso de revista, como visto na análise do primeiro tópico recursal. Dessa forma, não há como saber se, entre o encerramento de um contrato e o início do outro, não houve solução de continuidade. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10972.720042/201198 Acórdão n.º 2202004.903 S2C2T2 Fl. 2.297 29 Assim, os arestos de fl. 333 não servem ao fim pretendido, pois fundamentamse na premissa de ausência de solução de continuidade, situação cuja ocorrência (ou não) não é possível se extrair do acórdão regional. O aresto de fls. 333/334 e os dois últimos de fl. 334 são inespecíficos porque partem da premissa que houve a fraude, o que foi robustamente afastado pelo acórdão de origem, que indicou, inclusive, a participação do sindicato representativo da categoria do reclamante no procedimento, que ressalvou apenas a existência de diferença em decorrência da database (PROCESSO Nº TSTRR36330080.2006.5.12.0004, 8ª Turma, Min. Relatora: Dora Maria da Costa. Data do acórdão: 30/03/2011. Sublinhas deste voto.). Como constatado pelo em. Relator, no caso do segurado Renato Panzarini inexiste quaisquer elementos probatórios quanto à manutenção de seu vínculo com a empresa Black & Decker do Brasil após a rescisão contratual, não subsistindo motivos para considerálo segurado obrigatório do RGPS. Ademais, ante a expectativa do trabalhador de permanecer permanentemente no exterior, como demonstrado no documento de fls. 18501853, não vejo como ser obrigatório o recolhimento das contribuições previdenciárias, uma vez que, a princípio, o exfuncionário sequer regressará ao Brasil. Por outro lado, a situação fática do caso relacionado ao segurado Paulo Martins pareceme diversa. Isto porque, concluo que não houve rescisão seguida de novo contrato independente com a empresa estrangeira (capítulo III da Lei nº 7064/82), mas sim subsistência do vínculo com a empresa brasileira e transferência para o exterior (capítulo II da Lei n. 7064/82). Para além de ter sido contratado por empresa estrangeira que pertence ao mesmo grupo econômico da Black & Decker do Brasil, durante sua estadia no exterior, foram firmados novos contratos com a empresa brasileira, que ensejaram o pagamento de remunerações em reais (período de concomitância: junho de 2002 a fevereiro de 2009). Além disso, após o período no exterior, continuou Paulo Martins a laborar para a Black & Decker do Brasil. Com a devida vênia ao em. Relator, dou provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores vinculados a Renato Costa Panzarini. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Redatora designada Fl. 2297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000455/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESENÇA DE ADVOGADO. PRESCINDIBILIDADE.
A presença de advogado no Procedimento Administrativo Fiscal é prescindível tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa. Por conseguinte, o fato de o contribuinte ter prestado depoimento à autoridade fiscalizadora sem a presença de causídico não implica nulidade do procedimento.
Numero da decisão: 2202-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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PRESENÇA DE ADVOGADO. PRESCINDIBILIDADE. A presença de advogado no Procedimento Administrativo Fiscal é prescindível tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa. Por conseguinte, o fato de o contribuinte ter prestado depoimento à autoridade fiscalizadora sem a presença de causídico não implica nulidade do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 04 55 /2 00 9- 19 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 132 2 Tratase de recurso voluntário interposto por RAIMUNDO JORGE RAMOS MARQUES contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJOII, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança consubstanciada no auto de infração de f. 73/77, lavrado em razão da apuração das seguintes infrações, relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006: a) dedução indevida de dependentes; b) dedução indevida de despesas médicas; c) dedução indevida de despesas com instrução; e, d) dedução indevida com previdência privada/FAPI. Para melhor compreensão da matéria, colaciono excertos do acórdão de f. 112/117: Em 22/05/2009, foi lavrado o Termo de Esclarecimentos/Depoimento em que o contribuinte prestou esclarecimentos acerca das deduções incluídas em suas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Foram anexados aos autos os documentos de fls. 39 a 55. Em 16/06/2009, o Contribuinte tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal de fls. 59 a 70 e do auto de infração de fls. 71 a 80 em que foram descritas as seguintes infrações: 1) DEDUÇÂO INDEVIDA DE DEPENDENTE (...). 2) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (...). 3 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INTRUÇÃO (...). 4 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI (...). Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 23.243,32, foram aplicados multas de 75% e 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 79, perfazendo um total de R$ 59.324,19 (grifo nosso). Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 19/04/2010, recurso voluntário (f. 120/123), basicamente replicando as matérias trazidas em sua impugnação (f. 90/93). Em síntese, narra que, ao comparecer junto ao órgão administrativo, não lhe alertaram sobre a necessidade de estar acompanhado de advogado, tampouco houve nomeação de defensor dativo. Ao seu sentir, por ser cidadãomédio e estar desacompanhado de causídico, não teve condições de fazer frente às alegações formuladas pelo auditor fiscal. Em razão disso, pleiteou a declaração de nulidade do procedimento administrativo, uma vez que conduzido ao arrepio dos direitos ao contraditório e à ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade recursal. Cingese a controvérsia em determinar a não assistência de advogado ensejaria a nulidade do procedimento administrativo fiscal. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 133 3 Há de se ter em vista que, conforme destacado pelo acórdão da DRJ, a fase inicial do procedimento administrativo tem caráter inquisitorial. Apenas após a formalização e consolidação do crédito tributário é que, de fato, tem início a fase contenciosa, quando o contribuinte é instado a manifestarse. Nesse sentido, não há que se falar em cerceamento de defesa no curso da fiscalização, inclusive porque, como bem lançado na objurgada decisão,“[a]té a ciência do lançamento, não há nenhuma imputação ao Contribuinte de conduta contrária à Lei, não tendo o interessado, portanto, do que defenderse” (f. 116). Não é excessivo repisar que, na primeira fase do PAF, portanto, a autoridade fiscalizadora promove uma apuração dos fatos, da qual faz parte ser o contribuinte intimado para fornecer informações. Nesse momento, não lhe são imputadas quaisquer infrações nem se exige qualquer conhecimento específico a respeito da matéria tributária. Compulsando o termo de depoimento, notase que foram demandadas apenas questões relativas à matéria fática, quanto ao reconhecimento, ou não, de determinadas despesas que constavam em sua DIRPF. Sendo assim, não há motivos para se reconhecer o alegado cerceamento de defesa tampouco a indigitada necessidade de conhecimentos técnicos para responder aos questionamentos formulados pela autoridade fiscalizadora. Por essas razões, temse que a presença de advogado é dispensável tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa, podendo o contribuinte defenderse autonomamente. O verbete sumular de nº 5 do Pretório Excelso é aplicável, mutatis mutandis, ao caso concreto, porquanto dispõe que “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.” À guisa de exemplo, colaciono a remansosa jurisprudência deste Conselho, que colide frontalmente com a tese suscitada pelo recorrente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. RESPEITO A PARTIR DA FASE IMPUGNATÓRIA. PRESENÇA DE ADVOGADO NO PAF. PRESCINDIBILIDADE. Na fase que antecede a autuação, inquisitória, o fisco pode concretizar o lançamento, sem prévia intimação ao sujeito passivo, sempre que dispuser das provas suficientes à constituição do crédito tributário. Essa é a inteligência da Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Já quanto à imprescindível necessidade do autuado ser acompanhado por advogado em todas as fases do procedimento administrativo fiscal, devese lembrar que tal garantia não existe no processo administrativo. O administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o processo administrativo opera com uma maior grau (sic) de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 134 4 advogado no processo administrativo fiscal (Processo nº 10425.000316/200587, Acórdão nº 210201.749 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de janeiro de 2012 – sublinhas deste voto). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL. O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE. Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. O procedimento fiscal corresponde a uma fase prélitigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo (Processo nº 13971.721086/201648, Acórdão nº 2401005.501 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de maio de 2018 – sublinhas deste voto). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO PATRONO DO RECORRENTE. INEXISTÊNCIA DESSA FACULDADE NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. PUBLICAÇÃO DA PAUTA DE JULGAMENTO NO DOU E NO SITE DA INTERNET DO CARF. O pedido de intimação prévia ao patrono da recorrente não encontra amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 135 5 do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese às partes a publicação da Pauta de Julgamento no Diário Oficial da União DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo as partes ou seus patronos acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão de julgamento respectiva, efetuar sustentação oral, se de interesse. O administrado pode, ou não, se fazer acompanhar por advogado no processo administrativo, a depender de sua exclusiva escolha, pois não se pode esquecer que o processo administrativo opera com uma maior grau (sic) de informalidade. Não por outro motivo, o Supremo Tribunal Federal fez editar a Súmula Vinculante nº 5 (A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição), tudo a demonstrar que também não é imprescindível a presença de advogado no processo administrativo fiscal (Processo nº 16024.000149/200905, Acórdão nº 2101002.061 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 19 de fevereiro de 2013 – sublinhas deste voto). (...) 16. Quanto à necessidade da presença de advogado durante os depoimentos dos autuados, na mesma linha de pensamento da decisão de piso, entendo que o processo administrativo tributário, quer na sua fase investigativa, quer na fase contenciosa, não exige, para fins de validade dos atos, a assistência de advogado, mesmo que para acompanhar a pessoa fiscalizada que presta depoimento ou o terceiro que fornece esclarecimentos à autoridade fiscal, quando tomados por termo e assinados pelo declarante. Tudo isso, evidentemente, sem prejuízo de valoração posterior da prova pela autoridade julgadora no âmbito do contencioso administrativo fiscal. 17. Por outro lado, não há nos autos qualquer indício ou mesmo notícia que não foi permitido o acompanhamento por advogado quando dos depoimentos ou declarações prestadas pelos fiscalizados e/ou terceiros (Processo nº 13971.721087/201692, Acórdão nº 2401005.502– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 9 de maio de 2018 – sublinhas deste voto). Assim, inexistindo dúvidas quanto ao fato de ter sido o recorrente devidamente intimado para que tivesse ciência da lavratura do auto de infração e pudesse manifestar sua irresignação por meio de impugnação, não há que se cogitar ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 135DF CARF MF Processo nº 16832.000455/200919 Acórdão n.º 2202005.017 S2C2T2 Fl. 136 6 Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17933.720908/2012-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às e-fls. 27.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às efls. 27. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 79 33 .7 20 90 8/ 20 12 -5 7 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 17933.720908/201257 Resolução nº 2002000.073 S2C0T2 Fl. 56 2 Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.189,80, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 14 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: que apresentou os recibos que comprovam o pagamento dos honorários médicos, bem como as declarações dos profissionais para confirmar a prestação dos serviços e o recebimento dos honorários pelos serviços médicos prestados; que os serviços efetuados com os profissionais foram em benefício próprio e de seus dependentes. Acrescenta que o tratamento fisioterápico é realizado há mais de cinco anos em decorrência de uma cirurgia no calcanhar; que os pagamentos foram realizados em espécie e os recibos apresentados são provas de recebimento por parte dos profissionais; que é impossível apresentar cópias de cheque, tendo em vista que os pagamentos foram realizados em dinheiro; que confirma o recebimento de todos os rendimentos pela rede bancária, mediante depósito direto na conta corrente, mas o fisco deixou de analisar o saldo que foi informado na Declaração. que o saldo em conta corrente, conforme informado na Declaração, é uma prova incontestável dos saques efetuados nas contas movimentadas; que as deduções estão em conformidade com o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999; que as deduções não podem ser consideradas exageradas, uma vez que foi submetido junto com seus dependentes a tratamento médico; Traz à colação jurisprudência administrativa e judicial a seu favor. Requer acolhida a presente impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 18/11/2014, no acórdão 0364.786, às efls. 33 a 38, julgou a impugnação improcedente. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 17933.720908/201257 Resolução nº 2002000.073 S2C0T2 Fl. 57 3 Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 44 a 49, alegando, em síntese: · preliminarmente, que o lançamento é nulo, pois contrário aos ditames legais; · que todas as despesas médicas estão comprovadas pelos recibos e extratos bancários juntados aos autos. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/12/2014, efls. 42, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/01/2015, efls. 53, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Maria Cristina Soares de Castro (R$ 10.000,00); · Rodriguo Lopes Vieira Breijao (R$ 7.000,00); · Humberto Nazareth Costa Júnior (R$1.872,00). Cumpre destacar que a glosa das despesas médicas foi mantida pela falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme decisão da DRJ: Em sede de impugnação, reiterou a alegação de que os pagamentos foram realizados em espécie. Além disso, afirmou que os seus rendimentos eram depositados em conta corrente, mas que os saldos em conta corrente informados na Declaração de Ajuste Anual comprovam que foram efetuados saques para pagamento de suas despesas. Entretanto, os saques efetuados na conta corrente do contribuinte não comprovam que foram necessariamente para o pagamento das despesas médicas glosadas. Desta feita, caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através dos extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente Fl. 57DF CARF MF Processo nº 17933.720908/201257 Resolução nº 2002000.073 S2C0T2 Fl. 58 4 incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Ainda, a decisão da DRJ informa que o contribuinte fora intimado a apresentar o efetivo pagamento das despesas médicas, porém se limitou à apresentação dos recibos emitidos pelos profissionais, documentos estes que não constam no processo. Segue teor da decisão de piso: No procedimento de ofício, o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas. Em resposta, somente apresentou os recibos, alegando que os pagamentos foram realizados em dinheiro. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário e resolvo converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às efls. 27. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.724992/2011-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE
Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
CRÉDITO. SERVIÇOS DE ESGOTO. POSSIBILIDADE.
Como é relativa a serviço utilizado indiretamente no processo produtivo, a taxa de esgoto gera direito de crédito.
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos ao PIS decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda.
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2º, da Lei 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Numero da decisão: 9303-008.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para (i) do direito ao crédito básico sobre fretes de produtos prontos e vendidos entre as unidades da empresa, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negavam provimento; (ii) do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (iii) da aplicação do percentual de 60% para apuração do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ESGOTO. POSSIBILIDADE. Como é relativa a serviço utilizado indiretamente no processo produtivo, a taxa de esgoto gera direito de crédito. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos ao PIS decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2º, da Lei 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
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NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ESGOTO. POSSIBILIDADE. Como é relativa a serviço utilizado indiretamente no processo produtivo, a taxa de esgoto gera direito de crédito. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 49 92 /2 01 1- 97 Fl. 6660DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 3 2 Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos ao PIS decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2º, da Lei 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para (i) do direito ao crédito básico sobre fretes de produtos prontos e vendidos entre as unidades da empresa, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negavam provimento; (ii) do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento e (iii) da aplicação do percentual de 60% para apuração do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Fl. 6661DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 4 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3302001.916, de 29 de janeiro de 2013 (fls. 6263 a 6315 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Tratamse de autos de infração lavrados para fim de constituir valores a título de Cofins e PIS referentes ao sistema não cumulativo, nos meses de janeiro a dezembro de 2007. A fiscalização da Receita Federal apurou irregularidade nos créditos no período acima citado, tendo constatado que nos meses em questão resultaria valores a pagar das contribuições. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls. 6025 a 6062), as seguintes irregularidades foram constatadas: (1) Crédito presumido com utilização indevida do percentual de 60%, ao invés do correto de 35%; (2) Creditamento indevido de fretes de pessoas físicas; (3) Crédito básico indevido sobre aquisições de pintos de 1 (um) dia e vacinas veterinárias; (4) Crédito indevido para pagamento de serviços de esgoto; (5) Crédito básico indevido para fretes de compras que integram o presumido; (6) Creditamento sobre fretes de produtos prontos entre unidades; (7) Crédito indevido sobre doação; (8) Crédito indevido de serviços relacionados à importação de trigo; (9) Crédito sobre aquisições de embalagens não comprovadas; Fl. 6662DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 5 4 (10) Créditos sobre fretes de exportação descontados indevidamente, por se mostrarem efetivamente relacionados a logística da operação de exportação, intermediários entre a fiscalizada e o transportador; (11) Créditos integrais sobre compras de milho e trigo com suspensão; (12) Crédito integral sobre aquisição realizada de pessoa física; (13) Crédito sobre insumos (milho) devolvidos, e; (14) Crédito efetuado em duplicidade nos itens “serviços” e “fretes”. Ovalor total dos lançamentos, incluindo multa de 75% e juros até 11/2011, somou R$12.530.966,71 (Cofins) e R$ 2.720.538,81 (PIS). O Contribuinte apresentou impugnação parcial (fls. 6065 a 6169), concordando com as glosas referentes aos itens 2, 12, 13 e 14 acima, contestando os demais. Genericamente, insurge contra o conceito de insumo adotado pela RFB e pelo auditor fiscal autuante, que seria aplicável somente ao IPI. Sustenta que a aplicação de tal conceito resulta na transformação da sistemática não cumulativa em cumulativa, com a alíquota maior, em desacordo com os objetivos da introdução da não cumulatividade. Após analisar as razões de impugnação trazidas pelo contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre – DRJ/POA julgouas improcedentes, mantendo o crédito tributário. Irresignado com a decisão parcialmente contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, deu provimento parcial, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. É ônus da interessada a comprovação das alegações, em especial o erro de preenchimento de declaração alegado em seu favor, de modo a revisar o auto de infração devidamente fundamentado em divergência entre escrituração fiscal e créditos constantes do Dacon. Fl. 6663DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. Os insumos utilizados na fabricação de produtos e prestação de serviços que são direito de crédito da contribuição não cumulativa são somente aqueles que representem bens e serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Do valor do PIS ou da Cofins, apurados segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não mais se poderá apurar créditos relativos à Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO. SERVIÇOS DE ESGOTO. POSSIBILIDADE. Como é relativa a serviço utilizado indiretamente no processo produtivo, a taxa de esgoto gera direito de crédito. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins não cumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. CRÉDITO. DAÇÃO EM PAGAMENTO. Ainda que pagas por meio de dação em pagamento, as aquisições tributadas pelas contribuição que se enquadrem no conceito de insumo utilizado na produção geram direito a crédito. Fl. 6664DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 7 6 CRÉDITO. SERVIÇOS RELACIONADOS A IMPORTAÇÃO. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo das aquisições do exterior que,prevista em lei, gera crédito, não se reconhece o direito em relação a serviços de importação. CRÉDITO. EMBALAGENS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. A falta de comprovação da aquisição impede o creditamento relativo a aquisições de embalagens. CRÉDITO. FRETE NA EXPORTAÇÃO. Os serviços contratados de agenciamento, logística e intermediação de exportação ou frete não são passíveis de creditamento, o que não abrange o frete contratado de empresa brasileira que tenha subcontratado empresa estrangeira. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição ao PIS que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 6318 a 6321), sendo que este foi admitido no sentido de retificar erro material na redação do acórdão, entendendo não haver necessidade de reedição do acórdão embargado. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 6328 a 6344) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte, a divergência suscitada foi quanto ao reconhecimento do direito aos créditos sobre serviços de esgoto, que não foram utilizados diretamente na produção e fabricação de Fl. 6665DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 8 7 bens ou produtos destinados à venda. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, o acórdão de nº 203 12.448 (foi constatado um erro na numeração, mas a parte de interesse confere com o disposto no sítio do CARF), cuja ementa foi transcrita no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 6438 a 6442, sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu que no Sistema Não Cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consideramse insumos os bens e serviços utilizados na fabricação de produtos e na prestação de serviços da empresa. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu que o aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS no regime da não cumulatividade deve obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Ainda, ressalta que o fato de um acórdão se referir ao PIS e outro à Cofins, não traz nenhum tipo de repercussão na análise da admissibilidade do recurso, pois as regras são idênticas. Assim, concluindo que a divergência jurisprudencial foi comprovada. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 6448 a 6479, manifestando para que seja negado provimento ao Recurso Especial e mantido o v. acórdão. Nos termos Resolução nº 9303000.105, de 12 de abril de 2017 (fls.6482 a 6486), o julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional foi convertido em diligência a fim de cientificar o Contribuinte do resultado do acórdão do Recurso Voluntário. O contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 6496 a 6501, sendo que estes foram acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, apenas para sanar a omissão alegada e, no mérito, rerratificar o acórdão embargado, conforme acordão n.º 3302004.734, de 31 de agosto de 2017 ( fls. 6510 a 6516), nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 6666DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 9 8 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão na apreciação de fundamento relevante e autônomo no acórdão embargado DESPESAS DE ARMAZENAGEM. INSUMOS IMPORTADOS. CREDITAMENTO COM FULCRO NO INCISO IX DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. IMPOSSIBILIDADE. As despesas de armazenagem de insumos importados não se enquadram nas despesas de armazenagem de que trata o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Embargos Acolhidos em Parte. Crédito Tributário Mantido. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 6528 a 6553) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário, as divergências suscitadas pelo Contribuinte são as seguintes: 1) Do direito ao crédito básico sobre fretes de produtos prontos e vendidos entre as unidades da empresa; 2) Do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo; 3) Da aplicação do percentual de 60% para apuração do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. Para comprovar a divergências jurisprudenciais suscitadas, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 9303005.116 a fim de comprovar a matéria 1 do direito ao crédito básico sobre fretes de produtos prontos e vendidos entre as unidades da empresa; os acórdãos de nºs 3301002.061 e 3403002.509 referente a matéria 2 do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo; e o acordão de nº 330100.980 referente a matéria 3 da aplicação do percentual de 60% para apuração do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas – documentos de fls. 6561 a 6618. O Recurso Especial do Contribuinte admitido, conforme despacho de fls. 6621 a 6626, sob o argumento que no confronto da ementa do acórdão recorrido com as Fl. 6667DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 10 9 ementas dos acórdãos paradigmas restaram comprovadas as divergências jurisprudenciais apontadas pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 6628 a 6640, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 6438 a 6442. Do Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação do que pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e de COFINS no regime nãocumulativo. Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Inicialmente, destaco que sempre tive o entendimento que é necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 6668DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 11 10 E que diante disto, sempre entendi não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Essa discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa, até que sobreveio a decisão do STJ, no REsp 1.221.170, em sede de recurso repetitivo, que definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, devendo observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Diante desta decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Nota SEI n.º 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, traz que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Ademais, ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se entender que determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Para melhor elucidar, transcrevo trechos da Nota PGFN: Fl. 6669DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 12 11 “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Fl. 6670DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 13 12 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis n.sº 10.637/02 e 10.833/03. Insurge‑ se a União (Fazenda Nacional) somente contra o reconhecimento do direito aos créditos sobre serviços de esgoto, que não foram utilizados diretamente na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Conforme às Fls. 6031, “ Em relação á unidade Moluz, os dispêndios com água adquirida da companhia de abastecimento que integraram a base de cálculo dos créditos da não cumulatividade seriam basicamente utilizadas no process produtivo (umedecimento do trigo antes da moagem), conforme já verificado em procedimento de fiscalização anterior. Todavia, examinando as contas mensais de água (fls. 473 a 481) verificamos que juntos com a tarifa de água é cobrada Taxa de Esgoto, que, embora seja um serviço necessário, não pode ser considerado um insumo, haja vista que não integra o produto.” Conforme relato da Contribuinte : Fl. 6671DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 14 13 Entendo que a Taxa de Esgoto (45%), glosada é um insumo acoplado com a utilização de agua, sistema, que estaria condicionado à utilização no sistema produtivo. Ora, entendo que tal serviço constituise em insumo necessário e utilizado na produção, estando de acordo com a Lei de regência. Como se verifica à tarifa de esgoto, esta relacionada a utilização da água que a geradora dos custos, sendo a tarifa custo vinculado e compulsório. Tenho, nos termos acima, que na atividade da Recorrente, moinho, que o emprego da água é de fato componente indispensável da produção e, quiçá, de sua ausência pode provocar inclusive a interrupção do processo produtivo, por não conseguir a empresa atender aos padrões sanitários pertinentes. Do mesmo modo, os serviços de esgoto, cuja tarifa vem destacada na própria fatura de aquisição de água, cuidam de dar adequada destinação aos rejeitos e resíduos da produção, sendo, do mesmo modo, um item indispensável ao processo fabril da indústria. Desta maneira, o esgoto apesar de ser usado indiretamente pela Contribuinte na sua produção, o serviço é INDISPENSÁVEL para a formação deste. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas aos serviços de esgoto. Fl. 6672DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 15 14 Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Do Recurso Especial do Contribuinte Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 6621 a 6626. Do Mérito A discussão principal posta nos autos referese a três matérias: 1) Do direito ao crédito básico sobre fretes de produtos prontos e vendidos entre as unidades da empresa; 2) Do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo Do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo; 3) Da aplicação do percentual de 60% para apuração do crédito presumido do art. 8º da Lei 10.925/04. Inicialmente como o conceito de insumo que é invocada em alguns casos abaixo, entendo que ele foi superado em virtude do voto acima pronunciado onde, destaco que sempre tive o entendimento que é necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 6673DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 16 15 Diante disto não irei repetilo abaixo, me pronunciando diretamente quanto a matéria de fato. 1) Do direito ao crédito básico sobre fretes de produtos prontos e vendidos entre as unidades da empresa; A divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao direito de o contribuinte apurar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com o transporte de produtos acabados entre seus estabelecimentos. No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na Fl. 6674DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 17 16 operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” O acórdão recorrido considerou que tais despesas não geram créditos passiveis de desconto da contribuição devida mensalmente por constituírem insumos, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003. O art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins, assim dispõe: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 6675DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 18 17 [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. § 2º Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei." As despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos do próprio contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, se enquadram no conceito de insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente. Ou seja constituem despesas na operação de venda. Assim, de conformidade com o disposto no art. 3º, caput e inciso IX, da Lei n.º 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser revertida. Nos autos a Contribuinte pleiteia o crédito por se tratar de operação de frete de venda de produto. Tratase de “vendas já consumadas cuja nota fiscal de venda teria sido emitida pela filial destinatária do frete de remessa assim que a carga chegou ao destino”. Fl. 6676DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 19 18 Essa “idéia da integração entre as unidades produtivas e a comercialização dos produtos” foi mencionada pela decisão recorrida que “demonstram que os produtos são remetidos às filiais e, na seqüência, são vendidos pela filial (por vezes no mesmo dia, por vezes após dias ou semanas”. Isso faz prova que são efetivamente despesas de fretes de venda. E as vendas aqui são feitas no regime CIF, suportando a Recorrente ao pagamento do frete, o qual é repassado no preço do produto vendido, configurando, sem dúvida, frete sobre vendas pago pelo vendedor em nada diferindo do frete sobre vendas em relação ao qual a legislação admite o crédito do PIS e COFINS.” Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. 2) Do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo. A decisão ora recorrida manteve a negativa dos créditos com fundamento na aplicação do § 3º do artigo 15 da Lei n.º 10.865/22 e considerando que, mesmo na hipótese de se aplicar o dispositivo genérico de crédito previsto no artigo 3º das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, por meio da análise isolada de cada item requerido, não seria possível a concessão do crédito, por ausência de dispositivo legal que permitisse a concessão destes créditos para insumos importados. A Contribuinte requer seja conhecido o direito ao crédito básico dos valores pagos a título dos serviços relativos à importação de trigo (descarga, transporte e armazenagem do produto após desembaraço aduaneiro), seja porque se trata de custo de aquisição de insumo (arts. 3º, II, da Lei n.º 10.637/02 e da Lei n.º 10.833/03), seja porque se trata de dispêndios com armazenagem de mercadorias (arts. 3º, IX, da Lei n.º 10.637/02 e da Lei n.º 10.833/03). Fl. 6677DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 20 19 Segundo a Contribuinte para a produção e a comercialização de farinha de trigo, ela precisa adquirir trigo. Em razão da escassez do trigo no mercado interno, as empresas se vêm obrigada a comprar tal insumo no mercado internacional. Dessa forma, após o desembaraço aduaneiro dessa matériaprima, a Contribuinte contrata serviços essenciais para que estes produtos cheguem até o seu estabelecimento (procedimentos portuários, descarga, recepção, transporte e armazenagem do trigo já nacionalizado). Tais serviços, pagos a pessoa jurídicas com domicílio no país e sujeitos à incidência de PIS e COFINS, integram, efetivamente, o custo dos bens (matériasprimas) utilizados na fabricação dos produtos comercializados pela Contribuinte. Com efeito, para que seja possível a armazenagem do trigo importado pela Contribuinte, é preciso que o produto chegue até os armazéns. Assim, se faz necessário que ele seja transportado de algum modo, descarregado deste meio de transporte e, ainda, guardado no armazém. Daí porque se apresentam indissociáveis do conceito de custo com "armazenagem de mercadoria" os gastos incorridos com a descarga e o transporte dos produtos a serem armazenados. Assim, considerando a operação realizada pela Contribuinte e pelo fato dela ter especificado os dispêndios com referidos serviços, entendo que estes são absolutamente necessários ao processo que resulta na atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte, não podendo, a pessoa jurídica prescindir desses serviços, não sendo eles opcionais, nem atividade meio e tampouco despesa administrativa. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nas hipóteses relativas aos gastos com estes serviços tem entendido que integram o custo dos bens, e o direito do crédito é assegurado no art. 3º da lei 10.833/03, senão vejamos: Acórdão (Visitado): 9303005.941 Número do Processo: 11080.722809/200914 Data de Publicação: 02/02/2018 Contribuinte: TIMAC AGRO INDUSTRIA E COMERCIO DE Fl. 6678DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 21 20 FERTILIZANTES LTDA Relator(a): DEMES BRITO Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS não cumulativo sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por tubovia, despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. No presente caso, as glosas referentes a diárias e serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte, por via de conseqüência não gera direito a crédito de PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC SOBRE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS ESCRITURAIS DE PIS. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, não incide correção monetária sobre créditos escriturais. O artigo 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao PIS, a partir de 01/02/2004, pela norma de extensão do art. 15, veda atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não é possível atualizar créditos escriturais pela Taxa Selic, vedada aplicação analógica de precedentes do STJ, que trata de IPI, REsp nº 1.035.847/RS, ou qualquer outro julgado que não verse especificamente Fl. 6679DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 22 21 sobre PIS/COFINS, por se tratar de espécies dispares de não cumulatividade. Acórdão (Visitado): 3301004.392 Número do Processo: 19311.720179/201281 Data de Publicação: 03/05/2018 Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO. Comprovada a essencialidade no processo de industrialização de bens destinados à venda, é possível a apuração de crédito da nãocumulatividade do PIS, na modalidade aquisição de insumos, dos dispêndios da pessoa jurídica com: a) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; b) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial e c) contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente no processo industrial. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte, ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado, façao de forma intencional e com prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO. Comprovada a essencialidade no processo de industrialização de bens destinados à venda, é possível a apuração de crédito da nãocumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos, dos dispêndios da pessoa jurídica com: a) armazenagem de insumos importados no recinto alfandegário; b) fretes dos insumos importados do recinto alfandegário até o estabelecimento industrial Fl. 6680DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 23 22 e c) contratação de empresa terceirizada para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente no processo industrial. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. APLICABILIDADE. Para a imputação da penalidade agravada é necessário que o contribuinte, ao não responder às intimações da autoridade fiscal no prazo por esta assinalado, façao de forma intencional e com prejuízo ao procedimento fiscal, obstaculizando a lavratura do auto de infração. Recurso Voluntário parcialmente provido Acórdão: 3201003.170 Número do Processo: 11543.100064/200510 Data de Publicação: 31/10/2017 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO. Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geral direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 6681DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 24 23 Acórdão (Visitado): 3301002.061 Número do Processo: 15586.001201/201048 Data de Publicação: 27/06/2014 Contribuinte: FERTILIZANTES HERINGER S.A Relator(a): JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Ementa:Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido No mesmo sentido, vide os seguintes outros Acórdão provenientes desta mesma 3ª Turma da CSRF: 9303005.942, 9303005.939, 9303005.940 de 28/11/2017. Ademias, o custo decorrente desta importação, a meu ver, passa a ser admitido e considerado como qualquer outro insumo, devendo se para tanto considerar os dispositivos genéricos previstos no artigo 3º das Leis n.ºs 10.637/02 e 10.833/03, como se nacionais fossem, sem qualquer espécie de restrição. In casu, conforme registrado os créditos pleiteados são preponderantemente: “armazenagem de trigo, descarga e transporte do trigo ao portomoinho, custos que compõe gastos com mercadoria já desembaraçada e nacionalizada...” Fl. 6682DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 25 24 Assim, tal creditamento se dá com base no inciso IX do art. 3º da Lei n.º 10.833, de 2003, para a Cofins, e no inciso II do art. 15 da Lei n.º 10.833, de 2003, para a Contribuição para o PIS/Pasep. Lei n.º 10.833/03 “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Por fim, estas contratações são exigidas por normas legais e, também, imprescindíveis para fazer chegar a principal matériaprima da sua atividade até as unidades industriais, de modo a viabilizara produção da farinha de trigo e demais produtos. Conforme demonstrado no documentário juntado pelo Contribuinte, o primeiro passo para a importação é a contratação de uma empresa especializada no serviço de despacho aduaneiro, por força do art. 809 do Decreto n.º 6.759/09. Essa empresa é responsável pela Declaração de Importação e pelo registro no sistema Siscomex, na forma exigida pela IN SRF 680/06. Quando o trigo chega no porto, a contribuinte necessita pagar taxas portuária e contratar um operador portuário para descarregar o cereal. Os operadores portuários são empresas brasileiras autorizadas pelo Poder Público para movimentar e armazenar o cereal dentro do porto e sua contratação é exigida pela Lei n.º 12.815/13. Portanto, devem ser revertidas as glosas de despesas com armazenagem de produtos importados e despesas aduaneiras. 3) Da aplicação do percentual de 60% para apuração do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/04. Fl. 6683DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 26 25 Relativamente ao tema em debate, entendo que o cálculo do crédito presumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas, e não dos insumos adquiridos. O voto vencedor frisou que, como o crédito presumido previsto no art. 8º, § 3º, da Lei n.º 10.925/04 é apurado sobre o valor das aquisições de insumos, o inciso I, ao se referir a“produtos de origem animal classificados nos Capítulos...”, trata de insumos e não dos produtos fabricados a partir deles. Frisese tal entendimento com o art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/04 (Grifos meus): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem Fl. 6684DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 27 26 vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) Fl. 6685DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 28 27 I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 6686DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 29 28 § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. (Incluído pela Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o O disposto no § 8o não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Portanto, por evidente que o valor do crédito presumido para agroindústria deve ser aplicada a alíquota de 60% sobre as aquisições, nos termos do art. 8º, § 2º, inciso I, da Lei n.º 10.925/04, e art. 2º da Lei n.º 10.637/02 e Lei n.º 10.833/03, tendo em vista tratarse de pessoa jurídica produtora de mercadorias de origem animal. Fl. 6687DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 30 29 Eis que o art. 8º da Lei n.º 10.925/04 determina que o benefício da dedução do PIS e da Cofins decorre da produção de mercadorias de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Considerando que o produto final fabricado pelo sujeito passivo estão devidamente classificados no NCM do capítulo 2 a 4, 16, entre outros, e se destina a alimentação humana, imperioso assim considerar a aplicação do percentual de 60% previsto no art. 8º, § 3º, inciso I, da Lei n.º 10.925/04 para fins de apuração do crédito presumido a ser calculado sobre a totalidade dos insumos utilizados no processo produtivo. No presente caso, além de atividades ligadas à moagem do trigo, dedicavase também à produção avícola. Para a produção e venda de frangos abatidos (NCM 02.07), o contribuinte utilizava frango vivo (NCM 01.05) e milho (NCM 10.05) como insumos da atividade. Como os produtos fabricados pela Contribuinte estavam no Capítulo 02 da TIPI (NCM 02.07), é manifesto o seu direito de apurar o crédito presumido com base no percentual de 60%. Vale ressalta que o voto vencido do acordão recorrido entendeu da forma acima: “Neste aspecto, a meu ver a base lógica para o cálculo do crédito presumido não é o INSUMO adquirido, como pretende a fiscalização, mas o PRODUTO saído, como interpreta a Recorrente. Corrobora este entendimento o uso, pelo legislador, da terminologia “produto” para justificar a concessão do crédito proporcional: “60%, para os produtos de origem animal classificados” e “35% ... para os demais produtos”. A lei, quando intenciona tratar dos INSUMOS utiliza exatamente esta terminologia, razão pela qual não se pode olvidar o termo indicado no dispositivo legal, qual seja, PRODUTO. Fl. 6688DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 31 30 Neste aspecto, pareceme adequada a interpretação conferida pelo contribuinte ao texto legal, sendo aplicável à espécie em análise do crédito presumido de 60%.” (fls. 6308) Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito presumido de 60%. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire Redator designado Minha divergência em relação ao voto da i. relatora resumese ao ponto acerca do direito ao crédito básico sobre os serviços relacionados à importação de trigo. A empresa concorda que os serviços glosados não fazem parte do valor aduaneiro, sendo que o PIS e Cofins importação já foram abatidos no item próprio do Dacon. O Relatório Fiscal e os documentos que o acompanham demonstram a vinculação dos itens glosados com as importação de trigo, sendo as atividades descritas como armazenagem e recepção de trigo argentino, mãodeobra avulsa aplicada, despacho aduaneiro, entre outras. Coube ao art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, com alterações posteriores, tratar das despesas, custos e encargos geradores de crédito na sistemática não cumulativa do PIS e Cofins, conforme acima transcrito no item (4) deste Voto. Os textos legais, de acordo com o § 3º, referemse exclusivamente aos bens e serviços utilizados como insumos quando adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país. Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, com alterações posteriores, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, ao normatizarem a utilização dos créditos, respectivamente, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apresentaram o conceito de insumo. Fl. 6689DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 32 31 Com efeito, os gastos com desembaraço aduaneiro e outros relacionados neste item do relatório fiscal fazem parte do custo do bem importado (por força do art. 289, § 2º, do Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1999, e das normas contábeis), e, em relação ao custo de aquisição de bem importado, é patente que, na forma do art. 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03, não há direito a crédito. Dispêndios concernentes à importação de bens só podem gerar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na forma do art. 15, incisos I e II, e §§ 1º e 3º, da Lei nº 10.865/04, ou seja, quando tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep/Importação e da Cofins/Importação: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;......................................... § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição.” Ademais, ainda que se considerasse isoladamente tais gastos (como não integrantes do custo de aquisição do bem – insumo afastandose, assim, a vedação do inciso I do § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003), não haveria dispositivo legal que autorizasse a tomada de crédito das contribuições – antes de tudo, esses serviços não constituem insumos, conforme definição antecedentemente reproduzida. Portanto, na legislação vigente, não há previsão para o creditamento dos gastos relacionados ao trigo importado após o desembaraço aduaneiro. No caso da importação, o crédito será calculado sobre a mesma base de cálculo utilizada para o Fl. 6690DF CARF MF Processo nº 11065.724992/201197 Acórdão n.º 9303008.068 CSRFT3 Fl. 33 32 cálculo do PIS/importação e da Cofins/importação, já abatido no Dacon, inexistindo previsão legal para o creditamento defendido pela empresa. Quanto a este item, portanto, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, neste ponto, negase provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 6691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909873/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir da base de cálculo da Cofins as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para excluir também as receitas financeiras decorrentes da manutenção das reservas técnicas.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. Recorrente BRADESCO SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir da base de cálculo da Cofins as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para excluir também as receitas financeiras decorrentes da manutenção das reservas técnicas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 73 /2 01 1- 06 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de restituição em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o PIS. Mediante despacho decisório da DEINF/São Paulo a restituição foi indeferida, posto que, apesar de localizado o pagamento informado no PER, ele fora integralmente utilizado para quitar débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual, em síntese, apresenta as seguintes alegações, transcritas do relatório da decisão da DRJ: Diz que, embora as importâncias recolhidas correspondam às contribuições devidas nos termos da Lei n. 9.718, de 1998, faria o manifestante jus à restituição do montante pleiteado em face do reconhecimento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal da inconstitucionalidade do §1º ao art. 3º do referido diploma legal. A exigência de contribuição, assim, apenas seria possível com base no faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos. Defende que a sobredita ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718, de 1998, seria inconstitucional porque, ao equiparar o faturamento à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, teria extrapolado a competência outorgada à União pelo art. 195, I, da Constituição da República. Faturamento seria conceito objetivo de direito comercial que não se alteraria em função do objeto social do contribuinte e que não poderia ser modificado pela legislação tributária, ex vi do art. 110 do Código Tributário Nacional. Não compreenderia, assim, entre outros, receitas financeiras e prêmios de seguros, porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Reclama que, conquanto se entenda que as receitas advindas de prêmios comporiam a base de cálculo das contribuições do manifestante, subsistiriam receitas que teriam composto tal base somente por força do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. Referidas receitas não restariam elencadas no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, ensejando o direito à restituição dos correspondentes montantes. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 034.383, de 29/06/2015, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 4 3 PIS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE SEGUROS. A atividade de seguro promovida pelas operadoras de seguro, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2º e 3º, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1o ao art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de validade aos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em síntese, a nulidade do Despacho Decisório (vício de motivação) e do acórdão recorrido (proferida sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados). No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.797, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 16327.902055/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.797): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 5 4 No recurso voluntário, a Recorrente basicamente repete os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Em acréscimo, apenas a nulidade do acórdão recorrido. Inicialmente, sustenta ter havido, no Despacho Decisório, vício de motivação (sustenta que foi intimada, em 31/01/2012, através da Intimação Deinf/SPO/Diort nº 18), a apresentar documentos e esclarecimentos a respeito do crédito. E que o acórdão recorrido, no entender também nulo, foi proferido sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados em sua defesa. Motivação, como se sabe, é a explicitação dos motivos, de fato e de direito, do ato administrativo. No caso em exame, consistiu na afirmação de que o suposto crédito estava alocado para quitar débito do próprio Recorrente, uma vez que não houvera, é evidente, retificação anterior da DCTF correspondente ao período de sua apuração. Nenhum defeito há no Despacho Decisório, não obstante singular o procedimento, uma vez que a repartição já sabia da não retificação da DCTF, daí que, para o entendimento que restou declinado no Despacho Decisório, não era necessária a intimação. Tampouco nulidade no acórdão recorrido há, pois a questão posta em litígio é eminentemente jurídica, de modo que não havia necessidade da análise de documentos. E, com relação aos esclarecimentos prestados pela Recorrente, a Turma não está vinculada à apreciação de todos, notadamente quando as razões adotadas no voto foram suficientes para fundamentála. No mérito, vemos que a Recorrente, uma sociedade seguradora pretende dar tratamento tributário diverso a receitas oriundas dos prêmios de seguros (prestação paga pelo segurado, para a contratação do seguro, que se efectiva com a emissão da apólice por parte da empresa seguradora), porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 6 5 Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 7 6 intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 8 7 Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 9 8 enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tão Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 10 9 somente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, refere se, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 11 10 bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente sustenta que também aufere outras receitas, tais como receitas financeiras e de aluguel de imóveis. Entendemos que, no caso do aluguel de imóveis, como o objeto social da Recorrente não se refere a esta atividade, mas apenas à realização de operações de seguros de danos e pessoas, em qualquer de suas modalidades (ver fl. 15), as receitas daí decorrentes devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, mas não as originadas nas atividades financeiras (decorrentes ou não de provisões técnicas). É que, segundo o Parecer SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, "as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS". Ainda, conforme o Parecer SUSEP/DITEC/CGASO/DIREF/ Nº 64/2013, do qual destacamos o seguinte excerto: “Neste ponto, no entanto, cabe ressaltar que a operação de seguros caracterizase por apresentar ciclo financeiro negativo. Em outras palavras, a operação securitária tem como característica a captação Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.909873/201106 Acórdão n.º 3201004.803 S3C2T1 Fl. 12 11 de recursos, uma vez que, em condições normais, os prêmios são recebidos antes do pagamento de sinistros. Tal característica, inerente à operação, permite que a seguradora aufira receitas financeiras que contribuem significativamente para o seu resultado, o que a assemelha a uma instituição financeira. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da contribuição apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.720684/2008-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados.
Numero da decisão: 1003-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 06 84 /2 00 8- 39 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13888.720684/200839 Acórdão n.º 1003000.491 S1C0T3 Fl. 206 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 169/183) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 129/139, que reconheceu crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 no valor de R$ 102.915,48 (dos R$ 110.551,82 pleiteados no PER nº 00088.56835.181006.1.6.026710) e homologou as compensações declaradas com lastro no crédito pleiteado até o limite do crédito reconhecido. No acórdão a quo, a decisão do referido despacho decisório foi mantida, por absoluta falta de comprovação, por parte da impugnante, da certeza e liquidez do valor de crédito ainda pleiteado e não reconhecido, de R$ 7.636,34, que a contribuinte alega corresponder a IRRF. A recorrente, às folhas 189/191, em síntese: repete seus argumentos da impugnação, alegando que sua obrigação de manter documentos comprobatórios de suas operações, para fins fiscais, é de apenas 5 anos a contar da entrega da declaração, sendo que a Receita Federal não tem o direito de glosar os créditos após tal prazo, e citando o art. 156, V, do CTN para argumentar que o direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Acrescenta, no intuito de comprovar suas alegações dois comprovantes de depósitos judiciais, às folhas 193 e 195. O primeiro no valor de R$ 79.328,50, período de apuração: 31/03/2005, vencimento 15/04/2005, processo judicial n°. 2004.61.000137061, código de receita 7498 (COFINS DEPÓSITO JUDICIAL); e o segundo no valor de R$ 28.265,62, período de apuração: 31/03/2005, vencimento: 15/04/2005, processo judicial n° 2004.03.00.0158188, código de receita 7460 (PIS DEPÓSITO JUDICIAL). É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Face a repetição de argumentos da impugnação por parte da recorrente, cabe repetir os argumentos mais relevantes constates do acórdão a quo e adotálos como razões de decidir: Duas questões, portanto, devem ser analisadas: uma diz respeito A possibilidade de verificação, pelo Fisco, do direito creditório pleiteado após transcorridos 5 anos da ocorrência do fato gerador e outra diz respeito à obrigatoriedade de conservação de livros e comprovantes pela interessada. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13888.720684/200839 Acórdão n.º 1003000.491 S1C0T3 Fl. 207 3 Quanto à alegação de que para fins de averiguação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado seria defeso A Fazenda Pública questionar ou retificar de oficio dados informados em declarações entregues há mais de cinco anos, cabem as seguintes considerações. (...) se da decadência decorre a perda do direito de efetivar o lançamento tributário, dela não decorre, por falta de previsão legal, o efeito de consolidação de valores sabidamente inconsistentes, para fins de que, a partir dos referidos valores, em virtude da comunicação de resultados de períodos diversos, consolidemse como legítimos créditos sem lastro, meramente virtuais ou escriturais, referentes a períodos recentes. A questão suscitada pode ser abordada pelos aspectos que a seguir se enumeram. O primeiro aspecto é o de que créditos meramente escriturais, não representativos de pagamentos indevidos ou a maior, não atendem aos requisitos de liquidez e certeza, exigidos pelo art 170 do CTN. O segundo aspecto é o de que, cabendo o ônus da prova a quem alega, na compensação tributária incumbe A interessada a demonstração da efetividade do crédito pleiteado, independentemente do ano de origem do mesmo, ou ainda, do fato de ter decorrido de compensações anteriores. Não há, portanto, que se aplicar a tal tarefa e a tal pessoa o prazo de que trata o art 150 do CTN, destinado unicamente ao fisco. O terceiro e último aspecto é o de que a tese de que o poder de investigação retroativa da origem do crédito, pelo fisco, sofreria limite cronológico, resultaria, por muitas vezes, na legitimação de direitos inexistentes, hipótese esta que, por ofender ao principio da indisponibilidade dos bens públicos, ao principio da razoabilidade, ao principio que rejeita o enriquecimento ilícito e, até mesmo, ao senso comum de justiça, demonstra que aquela não é a melhor interpretação. (...) Portanto, cabível a verificação pela autoridade administrativa da liquidez e certeza do crédito pleiteado tal como efetuada. Quanto à conservação de livros e documentos de sua escrituração fiscal, cabe citar o art. 264 do RIR/1999: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 4°). § 1° Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13888.720684/200839 Acórdão n.º 1003000.491 S1C0T3 Fl. 208 4 pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei n" 486, de 1969, art. 10). 2° A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n°9.430, de 1996, art. 37)." Depreendese da legislação anteriormente citada que não aproveita A interessada sua alegação quanto à impossibilidade de apresentação da documentação necessária A comprovação do direito creditório pleiteado. Desta forma, demonstramse legalmente corretas a verificação da liquidez e certeza dos créditos pleiteados por parte das autoridades fiscais e julgadoras até o prazo de homologação das compensações declaradas, bem como a obrigação da interessada de guardar os documentos comprobatórios da liquidez e certeza dos créditos que pleiteia até a mesma data. Quanto aos comprovantes de depósitos judiciais acostados pela contribuinte, em nada a socorrem para comprovar a retenção, em 2002, de IRRF do montante alegado de R$ 7.636,34. Como já dito no acórdão de impugnação, deveriam ser trazidos aos autos, para comprovação, informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras que teriam procedido à retenção, bem como documentos contábeis e fiscais que comprovem o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes a tais retenções. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para não reconhecer o direito creditório remanescente pleiteado e não homologar as compensações restantes declaradas. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901966/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.670
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 66 /2 01 5- 31 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901966/201531 Acórdão n.º 3401005.670 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.131, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901966/201531 Acórdão n.º 3401005.670 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901966/201531 Acórdão n.º 3401005.670 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10830.901966/201531 Acórdão n.º 3401005.670 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10830.901966/201531 Acórdão n.º 3401005.670 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915905/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.767
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915905/201302 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.767 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria PIS Recorrente LATICINIOS GEGE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 05 /2 01 3- 02 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.275 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915905/201302 Acórdão n.º 3301005.767 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911815/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.700
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CESUSC COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito resultante de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, visto que estes já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando créditos disponíveis, conforme o DARF discriminado no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 11 81 5/ 20 09 -0 8 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10983.911815/200908 Resolução nº 3201001.700 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que efetuou pagamento a maior da contribuição, sendo que utilizou este crédito para compensação com débitos de outros tributos; b) que havia crédito original, na data da transmissão da DCOMP, em montante suficiente para efetivar a compensação declarada, acreditando que o despacho decisório tenha indeferido o pleito pelo fato da empresa ter se equivocado na DCTF original, onde teria informado valor da contribuição maior que o efetivamente devido; c) que retificou a DCTF corrigindo a informação (conforme documento em anexo), pelo que será possível identificar a existência do crédito e a validade do PER/DCOMP transmitido. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.684, de 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10983.904405/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10983.911815/200908 Resolução nº 3201001.700 S3C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.684): "Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente ao recolhimento a maior de tributos. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que após a apuração e recolhimento do tributo calculado, verificou que incorreu em erro no preenchimento de sua DCTF e DACON, acarretando em recolhimento a maior. Descreve os valores declarados e aqueles efetivamente devidos, visando a demonstrar o alegado recolhimento a maior. Esclarece que verificado o erro a partir da intimação do despacho decisório, providenciou a retificação da DCTF original. Foram anexadas à Manifestação de Inconformidade cópias das declarações mencionadas e do Razão Consolidado do Período A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a Manifestação apresentada ao argumento de que a posterior retificação da DCTF não tem o condão de validar o crédito postulado, uma vez que este deveria estar disponível ao contribuinte antes da apresentação do PER/DComp: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a DCOMP apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP e até mesmo posteriormente à emissão e intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa acrescenta à documentação as cópias do Termo de abertura e encerramento do livro diário e cópias do período em exame. Na hipótese dos autos, entendo não ter ocorrido não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que a Fiscalização, apegandose a aspectos formais relacionados às declarações prestadas pelo contribuinte, deixou de examinar as alegações de erro pelo contribuinte e a documentação pertinente apresentada. Discordo, contudo, do posicionamento adotado pela Autoridade Julgadora. A alegação de erro na prestação de informações pelo sujeito passivo pode e deve ser verificada no curso do processo administrativo fiscal, que, como é cediço, preza pela verdade material dos fatos. Erro não é fato gerador de obrigação tributária. Ainda que concorde ser inviável a retificação da DCTF após o despacho decisório, tal fato não impede a comprovação do erro em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, como o presente. Por óbvio que a alegação de erro deve vir acompanhada da documentação pertinente, e isso se verifica na hipótese dos autos. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10983.911815/200908 Resolução nº 3201001.700 S3C2T1 Fl. 5 4 Quanto ao fato de ter sido juntada documentação adicional em sede de Recurso Voluntário, tenho que, na hipótese dos autos, tal circunstância não impede a sua apreciação. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Nesse contexto, em que o Despacho Decisório não esclarece os elementos necessários para sua contradição, e que os elementos exigidos pela decisão recorrida foram trazidos, ao menos aparentemente, no Recurso Voluntário, entendo que há abrigo na dialética processual, artigo 16 do Decreto 70.235/72 PAF, para consideração das provas trazidas, atento ao princípio da verdade material. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respectivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário que visam à comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento." 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10983.911815/200908 Resolução nº 3201001.700 S3C2T1 Fl. 6 5 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação do equívoco que alega ter cometido. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado CONVERTEU O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos apresentados pelo contribuinte junto à Manifestação de Inconformidade e ao Recurso Voluntário, que visam comprovar o erro incorrido na DCTF original, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.723816/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO.
Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda.
Numero da decisão: 2402-007.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, porém, quando da execução do crédito tributário, deverá ser aproveitado o valor informado como retido no documento de fl. 74.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 138 1 137 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.723816/201122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.135 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2019 Matéria IRPF Recorrente SILVANA MOURA DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, porém, quando da execução do crédito tributário, deverá ser aproveitado o valor informado como retido no documento de fl. 74. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 38 16 /2 01 1- 22 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10469.723816/201122 Acórdão n.º 2402007.135 S2C4T2 Fl. 139 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para cobrança do IRPF, relativo ao exercício de 2008, no importe de R$ 62.167,74, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, na monta de R$ 260.684,47. Regulamente intimada do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa quando o contribuinte é cientificado da Notificação de Lançamento, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal correspondente, e tem a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase de impugnação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS O lançamento deve ser mantido quando não restar comprovado que o contribuinte declarou devidamente os rendimentos tributáveis considerados omitidos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Em seu Recurso Voluntário de fls. 41/45, aduz em resumo: Preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito à defesa, vez que a notificação de Lançamento não teria destacado com precisão os dispositivos legais infringidos, tampouco a conduta capaz de ensejar a aplicação dos preceitos violados. No mérito, que o valor omitido seria proveniente de indenização destinada a reparar o correspondente direito subjetivo à nomeação para cargo público de provimento efetivo de professor auxiliar. junto ao departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Assim sendo, não haveria que se falar na incidência do IR sobre tais rendimentos. O julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência para que a unidade de origem intimasse a recorrente a apresentar a documentação que relacionasse o valor recebido ao provimento que lhe teria sido favorável na ação em tela, tais como, cópia da decisão/acórdão transitado em julgado, cálculos de liquidação e a transferência de valor. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10469.723816/201122 Acórdão n.º 2402007.135 S2C4T2 Fl. 140 3 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O recurso ora em exame já fora conhecido quando do início do julgamento na sessão de 10.8.18. PRELIMINAR Como preliminarmente, aduz a recorrente que teria havido cerceamento de seu direito à defesa, vez que a Notificação de Lançamento não teria destacado com precisão os dispositivos legais infringidos, tampouco a conduta capaz de ensejar a aplicação dos preceitos violados. Não foi bem assim. Na Descrição dos Fatos que instruiu a Notificação de Lançamento em tela foi feito constar exatamente a imputação fiscal relativa à recorrente. O texto que lá constou foi suficiente ao seu entendimento acerca do que se tratava: omissão de rendimentos tributáveis, na medida em que não haveria prova da isenção prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, relativamente ao valor recebido proveniente de ação judicial. Confirase: Em suma, a recorrente sabia, sem sobras de dúvida, do que se defender. MÉRITO: Por sua vez, a questão de fundo indenização por dano moral foi abordada pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2123/2011, que resultou na aprovação do Ato de Declaratório nº 9/2011 pelo Exmo Sr Ministro de Estado da Fazenda em 13.12.2011, publicado no DOU de 15.12.2011. Confirase: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10469.723816/201122 Acórdão n.º 2402007.135 S2C4T2 Fl. 141 4 A Notificação de Lançamento em questão aponta omissão de rendimentos recebidos em 2007, cuja fonte pagadora é a CEF Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 260.584,47. Por outro lado, o único documento acostado aos autos, que tendesse a relacionar esse valor omitido à suposta indenização recebida judicialmente, seria uma cópia da ementa, acórdão, relatório e voto proferidos no julgamento da Apelação e da Remessa Oficial nos autos da AC 110947/97 RN (97.05.042756), com data de 12.8.97. Assim, não obstante o que constou na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, no sentido de que "Rendimentos recebidos através da ação judicial não se enquadram na isenção previsto no art. 6º da Lei nº. 7.713/88", este colegiado entendeu que a instrução probatória não assegurou o relacionamento do valor omitido àquela ação. Daí a Resolução no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência para que a unidade de origem intimasse a recorrente a apresentar a documentação que relacionasse o valor recebido ao provimento que lhe teria sido favorável na ação em tela, tais como, cópia da decisão/acórdão transitado em julgado, cálculos de liquidação e a transferência de valor. Feito isso, a recorrente foi intimada e apresentou boa parte dos documentos já apresentados e alguns outros que não asseguram, ao meu ver, com razoável certeza, que os rendimentos omitidos seriam provenientes, efetivamente, da ação judicial em tela, em que pese a notícia que constou do Relatório da Sentença em Embargos à Execução (2008.84.00.009611 9) promovidos pela URFN, nos sentido de que "Instada, a Embargada asseverou a inexistência de prescrição em relação à pretensão executória das parcelas residuais, ao argumento de que o montante principal teria sido pago em junho de 2007, mediante o Requisitório de Pagamento nº 53730/RN." Vejase, o documento apresentado às fls. 74, em que pese noticiar o pagamento de rendimentos na monta de R$ 260.684,47, além de não vincular tal valor à demanda judicial de qual pretende se valer, fez constar que tais rendimentos teriam sido pagos como se tributáveis fossem, inclusive com IR retido à alíquota de 3%. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10469.723816/201122 Acórdão n.º 2402007.135 S2C4T2 Fl. 142 5 Percebase que a retenção derase à luz do disposto no artigo 27 da Lei 10.833/20031, sendo certo que o beneficiário, se assim entendesse, poderia ter exercido a prerrogativa assegurada em seu § 1º, o que, efetivamente, não foi feito. Ademais, breve consulta ao sitio do TRF5, em especial com relação à Justiça Federal do Rio Grande do Norte, a partir do nome da recorrente, podese identificar os Embargos à Execução nº 000385266.2006.05.8400, interpostos pela mesma Universidade Federal do Rio GRande do Norte UFRN, relacionados à outra demanda judicial que aparenta não tratar de verba indenizatória (Execução de Sentença 000343431.2006.4.05.8400, de 27/4/06) Vejase o excerto a seguir, extraído da Sentença de 14.08.2006. Consoante se colhe dos documentos que instruem os presentes embargos, colacionados pela própria embargante, em cumprimento à determinação judicial, proferida nos autos da Ação Coletiva nº 2001.84.00.36852, promovida pela ADURN Seção Sindical da ANDES Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino, que tramitou nesta 4ª Vara, foi efetuada a incorporação do reajuste de 3,17%, a partir de outubro, retroativo a agosto de 2004, sendo efetuado o pagamento das parcelas administrativas nas competências agosto e dezembro de 2003 e agosto de 2004 para CARLOS ALBERTO STAUDINGER LIMA, ANDRÉA MORAIS DINIZ, FRANCISCA NAZARÉ LIBERALINO e FRANCISCO HILÁRIO REGO BEZERRA e para SILVANA MOURA DA COSTA a partir de março de 2005 e o retroativo a agosto de 2004, em abril de 2005. O fato de ter sido editada a Medida Provisória 2.22545/2001, reconhecendo o direito dos servidores ao reajuste de 3,17%, até a data em que tenha ocorrido reorganização ou reestruturação de cargos e carreiras, concessão de adicionais, vantagem de qualquer natureza, não tem o condão de retirar a eficácia da coisa julgada das decisões judiciais sobre a matéria. É certo que tenho reconhecido, em certos casos, que a reestruturação de carreira, ao serem definidos novos parâmetros para o pagamento dos vencimentos, tem o efeito de absorver o percentual de 3,17% concedido judicialmente, em razão de não terem os servidores públicos direito adquirido a regime jurídico, ao fundamento de que a relação estatutária se notabiliza pela circunstância dos direitos e deveres do servidor se acharem disciplinados em lei específica da entidade política (STF, 2ª T., RE 211903 AgR / SC, rel. p/ acórdão Min. CELSO DE MELLO, m.v., DJU de 28/04/2000, p. 91; STF, Pleno, RE 226855 / RS, rel. Min. MOREIRA ALVES, m.v., DJU de 13/10/2000, p. 20), de modo que a Administração pode unilateralmente, respeitado o princípio constitucional da irredutibilidade de vencimentos, 1 Art. 27. O imposto de renda sobre os rendimentos pagos, em cumprimento de decisão da Justiça Federal, mediante precatório ou requisição de pequeno valor, será retido na fonte pela instituição financeira responsável pelo pagamento e incidirá à alíquota de 3% (três por cento) sobre o montante pago, sem quaisquer deduções, no momento do pagamento ao beneficiário ou seu representante legal. (Produção de efeito) § 1o Fica dispensada a retenção do imposto quando o beneficiário declarar à instituição financeira responsável pelo pagamento que os rendimentos recebidos são isentos ou não tributáveis, ou que, em se tratando de pessoa jurídica, esteja inscrita no SIMPLES. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10469.723816/201122 Acórdão n.º 2402007.135 S2C4T2 Fl. 143 6 alterar as parcelas remuneratórias dos seus servidores, havendo em muitos casos a elevação significativa do padrão de vencimentos, em data posterior à determinação da incorporação do percentual de 3,17%. [...] Isto posto, julgo improcedentes os presentes embargos, determinando o prosseguimento da execução de acordo com os valores constantes na planilha apresentada pela parte exeqüente, à fl. 60 dos autos principais. Condeno a embargante ao pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), a ser atualizado monetariamente a partir da publicação desta sentença (art. 20 § 4º do CPC). Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento, devendo, entretanto, ser aproveitado no lançamento o IR retido e informado no documento de fls. 74. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 83DF CARF MF
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