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Numero do processo: 10580.011821/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/08/2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REMISSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Há que se declarar extinto o litígio, com a consequente perda de objeto da ação, quando a Receita Federal dá remissão integral do débito tributário da contribuinte.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3202-001.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 31/08/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REMISSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Há que se declarar extinto o litígio, com a consequente perda de objeto da ação, quando a Receita Federal dá remissão integral do débito tributário da contribuinte. Recurso Voluntário não conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 244 1 243 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.011821/200301 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.140 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO Recorrente PROMEDICA PATRIMONIAL S/A PROPAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/08/2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REMISSÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Há que se declarar extinto o litígio, com a consequente perda de objeto da ação, quando a Receita Federal dá remissão integral do débito tributário da contribuinte. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 18 21 /2 00 3- 01 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 “Tratase de Auto de Infração (lis. 04/08 e 19/25) que pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social —PIS. No item 001 do Auto de Infração, o autuante informa à folha 05 ter constatado divergências entre a contribuição apurada a partir da escrituração comercial da empresa e os valores declarados e/ou pagos à SRF, conforme "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" (fls. 09/13). No item 002 foi lançada de ofício a contribuição para o PIS apurada pela sistemática não cumulativa. As bases de cálculo do lançamento, com as respectivas contas do livro Razão e balancetes (fls. 32/100), estão informadas no demonstrativo às folhas 14/18. Informa ainda o autuante que adotou como receita bruta a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada, sendo permitidas somente as exclusões previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718, de 1998, com a redação dada pelo art. 2° da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Cientificada do lançamento em 27/11/2003 (fl. 04), a contribuinte apresenta em 26/12/2003 a impugnação de fls. 111/118, alegando, em síntese: • Nos meses de junho e novembro de 2002, o autuante não deduziu valores retidos nas faturas emitidas contra o cliente Banco Central do Brasil, conforme comprovante de retenção à folha 139, c, muito embora as retenções tenham ocorrido nos meses de janeiro, maio, setembro e outubro de 2002, a empresa somente as compensou em junho e novembro de 2002; • Em relação ao período de dezembro de 2002 a setembro de 2003, o autuante incluiu indevidamente na base de cálculo do PIS o crédito do PIS nãocumulativo, previsto na Lei n° 10.637, de 2002, contabilizado na conta de recuperação de despesas mas que não constitui receita bruta da empresa; • A parcela incontroversa da contribuição para o PIS foi recolhida pela contribuinte, acrescida de juros SELIC e multa de oficio reduzida em 50% (fls. 140/141). A DRJSalvador/BA julgou procedente em parte o lançamento (efls. 177/181), exonerando a contribuinte do lançamento relativo ao período de janeiro a agosto de 2003, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIN/PASEP • Período de apuração: 31/01/1999 a 31(05/1999,01/01/2000 a 31/01/2000, 31112/2000 a 30/11/2002, 31/01/2003 a 28/02/2003, 30/04/2003 a 31/05/2003, 31/07/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. PROVAS. A compensação é opção do contribuinte, e o fato deste ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do inicio do procedimento administrativo. A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lançamento Procedente em Parte Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.011821/200301 Acórdão n.º 3202001.140 S3C2T2 Fl. 245 3 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 192/195), alegando, em síntese: que devem ser deduzidos os valores devidos retidos na faturas emitidas contra o cliente Banco Central do Brasil, conforme comprovante anual de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP ano calendário 2002 (fl. 187); que a referida compensação está consubstanciada nos livros contábeis da empresa, quais sejam, os livros diário e razão (fls.188/192), aceitos em toda jurisprudência fiscal e administrativa, bem como no informe do Banco Central do Brasil; e que não cabe ao contribuinte informar em DCTF o valor compensado; e que, inclusive, o valor compensado não é informado em lugar algum pela fonte recebedora. A fonte pagadora é quem deve informar, na DIRF, o valor retido e na DCTF, o valor pago. Se a fonte pagadora não presta tais informações, não cabe à fonte recebedora nenhuma responsabilidade quanto a isso. Ao final, requereu fosse aceita a compensação do valor retido pelo Banco Central no cálculo do PIS em relação aos meses impugnados. Em sessão realizada em 05/05/2011, por meio da Resolução nº. 3202 000.029, esta Turma julgadora decidiu converter o julgamento em diligência (efls. 211/214), para que fosse verificada a existência ou não do crédito alegado, à luz da documentação juntada aos autos pela contribuinte, procedendose a verificação do efetivo pagamento do PIS/PASEP em relação aos fatos geradores ocorridos em fevereiro e novembro de 2002, bem como fosse informado se os créditos teriam sido utilizados anteriormente, total ou parcialmente. Efetuada a diligência requerida, retornam os autos a este Colegiado para proceder ao julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Trata a lide de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte já identificada para exigência da contribuição para o PIS/PASEP resultante de diferenças apuradas pela Fiscalização ao efetuar o confronto do PIS apurado sobre receitas contabilizadas no livro Diário da contribuinte e valores declarados de PIS a pagar nas DCTF entregues pela autuada. Após proferida decisão administrativa de primeira instância, restaram controvertidos apenas os valores lançados de ofício referentes aos meses de junho e novembro de 2002, de forma que o litígio subsistiu no valor original de R$ 399,87, conforme se vê quadro demonstrativo constante da decisão da DRJ (efls. 180/181). Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Em sede de recurso, a querelante alegou que os valores remanescentes tinham sido retidos na fonte e não foram considerados no momento da lavratura do Auto de Infração. Em diligência requerida por esta Turma julgadora, verificou a DRF que, de fato, cabia razão à contribuinte em sua alegação (efl. 231). Confirase: “ 04 Em atendimento ao Termo lavrado, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Da análise da escrituração contábil, verificase na conta 1.2.3.3.1.02.004 – Pis Retido s/ Órgãos Públicos, lançamentos de compensação no dia 30/06/2002, no valor de R$ 93,56, e no dia 30/11/2002, no valor de R$ 385,86, conforme indicado pelo contribuinte. 05 Constatase que tais valores não foram compensados com os valores devidos em cada mês na lavratura do Auto de Infração, restando razão ao contribuinte quando o mesmo alega que tais valores não foram compensados pela autoridade autuante” (negrito não constante do original) Por outro lado, observase que o processo foi encerrado pela DRFSalvador, por aplicação da remissão prevista no art. 14 da MP 449/2008, conforme se verifica dos extratos constantes às efls. 237/238, bem como da informação constante do Despacho SECAT/DRF nº. 2.392/2013 (efl. 239). Por tal razão, a Fazenda Nacional solicitou o arquivamento dos autos (efls. 241/242). Assim, diante da remissão do débito determinada pelo próprio órgão da Receita Federal do Brasil, não há como prosseguir na cobrança do crédito tributário, vez que este já se encontra extinto, na forma do art. 156, inciso IV, do CTN, importando, como decorrência, na extinção do litígio anteriormente instaurado, tendo, por conseguinte, o apelo voluntário perdido o seu objeto. Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por perda de objeto, declarandose extinto o litígio. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000561/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
ATIVIDADE RURAL. RECEITAS OMITIDAS APURADAS.
Para prevalecer a infração de omissão de receita da atividade rural, a autoridade fiscal deverá demonstrar de forma inequívoca o auferimento da receita. O fato de o contribuinte deixar de comprovar a origem de depósitos bancários e de o mesmo somente ter rendimentos declarados da atividade rural não autoriza a presunção de que os depósitos não comprovados sejam receita da atividade rural, sendo certo que se Fisco abre mão da presunção legal, inverte o ônus da prova.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 ATIVIDADE RURAL. RECEITAS OMITIDAS APURADAS. Para prevalecer a infração de omissão de receita da atividade rural, a autoridade fiscal deverá demonstrar de forma inequívoca o auferimento da receita. O fato de o contribuinte deixar de comprovar a origem de depósitos bancários e de o mesmo somente ter rendimentos declarados da atividade rural não autoriza a presunção de que os depósitos não comprovados sejam receita da atividade rural, sendo certo que se Fisco abre mão da presunção legal, inverte o ônus da prova. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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RECEITAS OMITIDAS APURADAS. Para prevalecer a infração de omissão de receita da atividade rural, a autoridade fiscal deverá demonstrar de forma inequívoca o auferimento da receita. O fato de o contribuinte deixar de comprovar a origem de depósitos bancários e de o mesmo somente ter rendimentos declarados da atividade rural não autoriza a presunção de que os depósitos não comprovados sejam receita da atividade rural, sendo certo que se Fisco abre mão da presunção legal, inverte o ônus da prova. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 05 61 /2 00 8- 51 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 19/11/2008 (fls. 03/07), contra o contribuinte acima qualificado, relativa ao AnoCalendário 2005, Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 16.179,07, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 19/11/2008. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 05, o Fisco em procedimento de verificação das obrigações tributárias pelo contribuinte, apurou Omissão de Rendimentos da Atividade Rural. Consta do “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 08/10, que: “Em 06/02/2008, o contribuinte foi intimado a : 1 – Apresentar extratos bancários de contacorrente, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança que deram origem à movimentação financeira efetuada no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, nas instituições financeiras a seguir relacionadas: a. BANCO DO BRASIL S/A b. HSBC BANK BRASIL S/A c. BANCO ABN AMRO REAL S/A d. BANCO CITIBANK S/A e. BANCO ITAUBANK S/A f. BANCO BRADESCO S/A 2 – Apresentar livro caixa da atividade rural relativo ao ano base 2005, bem como a documentação que comprova a receita declarada da atividade rural.” Após reintimado em 31/03/2008, apresenta em 04/04/2008 o "Livro caixa de atividade Rural" e parte de extratos bancários, inclusive incompletos com alegações de ordem jurídicas e diversas, tais como: "Banco HSBC o notificado esclarece que, não tem extratos do ano de 2005..." pois os mesmos, segundo ele, foram acostados a "autos" judiciais ( fls. 29/32). Para dar cabo ao respectivo mandado de procedimento fiscal, procedeu a "RMF Requisição de Movimentação Financeira" às mencionadas instituições bancárias, conforme doc. Fls. 33 a 35/36 a 147. Uma vez atendida pelas instituições bancárias requisitadas, procedeuse a análise dos "Créditos em conta corrente bancárias, dando origem a intimação datada de 19/08/2008 com o seguinte teor ( doc. fls. 148 a 165): [...] Em 29/09/2008 o contribuinte apresenta resposta à intimação acima mencionada, inclusive, observando que o quadro elaborado pelo fisco consta "Anocalendário de 2003", doc. fls Fl. 268DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 268 3 166, como de fato constou indevidamente o ano de 2003, resultando tão somente em erro de digitação, pois os relatórios que deram origem ao referenciado, têm como certo a data de movimentação bancária o ano de 2005, inclusive "datado diariamente. Após análise das justificativas apresentadas pelo contribuinte elaborouse o "QUADRO DEMONSTRATIVO DE VALORES COMPROVADOS E NÃO COMPROVADOS APÓS INTIMAÇÃO", doc. fls. 11, o qual se resume em, de um lado, as "Justificativas do contribuinte" e do outro a "análise fiscal", resultando em "Comprovado" ou "Não comprovado mediante documentação". Dele, originou o relatório de "CRÉDITO EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA MENSAL NÃO COMPROVADOS", doc, fls. 12 a 15, base de cálculo do IRPF. Na justificativa do contribuinte, doc. fls 169 há as seguintes notas: "1) As receitas brutas advindas da atividade rural foram lançadas 50% em minha declaração de I.R e 50% na declaração de minha esposa Anna Carolina; 2) As contas correntes 57.63.67.02 do Boston e a 0531.1868259 do HSBC são contas correntes conjunta com a minha esposa Ana Carolina, inclusive os limites de Crédito". De fato, o casal apresentou DIRPF em separado (doc. fls 17 a 23). A única fonte de rendimentos informada pelos cônjuges são receitas da Atividade Rural, apropriadas em montantes iguais nas respectivas declarações (50% para cada um), daí inferese que tais receitas são produzidas pelos bens comuns do casal. [...] Muito embora o contribuinte não tenha comprovado as origens dos depósitos, todos os fatos verificados durante o procedimento fiscal levaram a conclusão de que a atividade do contribuinte foi exclusivamente rural, pois a própria declaração de ajuste anual, referente ao ano de 2005, corrobora a afirmativa, constando registros apenas de resultados da atividade rural e declarações de imóveis rurais. [...]” Irresignado com o Lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou Impugnação em 23/12/2008 (fls. 182/189), instruída com os documentos de fls. 190 e seguintes. Inicialmente faz um “Breve Escorço dos Fatos” ocorridos durante a fase de fiscalização, salientando, em síntese e dentre outros aspectos, que devidamente intimado apresentou no prazo legal os documentos solicitados, entre eles extratos bancários de que era detentor, contrato de parceria pecuária, bem como esclarecimentos devidos, que, por sua vez, sequer foram analisados pela administração fazendária. No mérito o interessado aponta um erro material cometido pelo HSBC BANK BRASIL S/A no registro dos lançamentos efetuados nos dias 07/03/2005 e 11/03/2005. sob o histórico de "TRAXS CX AUTOMÁTICO", nos valores respectivos de R$ 35.000.00 e R$ 2.400.00, na conta corrente 0531;1868259 de titularidade conjunta do contribuinte e sua cônjuge Anna Carolina Ribeiro e Souza Moleirinho. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Diz que os valores acima mencionados referemse, na verdade, a utilização de CDC — credito bancário direto ao consumidor, e que a instituição bancária foi informada do erro retificando o histórico dos lançamentos. Dessa forma, acresce que os valores de empréstimos constantes da conta corrente são devidos em virtude da atividade rural desenvolvida, sua única fonte de renda, não havendo aferição de renda/acréscimo patrimonial. O interessado cita as disposições contidas no artigo 62, caput e parágrafo 12 do RIR/99, bem como o disposto no art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, destacando o conceito de renda definido pelo CTN, assim como na doutrina, e conclui que não pode haver incidência do imposto de renda sobre os valores dos empréstimos bancários por ele recebidos. No caso ressalta que o imposto de renda incidirá àquele que emprestou o dinheiro. Ademais, torna a frisar que não há como incidir o imposto de renda sobre o passivo, pois não constitui este renda, acréscimo patrimonial, e tampouco disponibilidade econômica ou jurídica. Quanto ao Lançamento Banco Real diz que foi lançado (folha 154, último item), como renda em 01/12/2005 transferência para cobrança judicial "TRF. COB. JUD1C", no valor de R$ 25.960,80. Contesta o contribuinte veementemente a tributação de tal valor pelo auditor fiscal, dada a clareza dos fatos e dos lançamentos contábeis efetuados pela instituição financeira. No tópico “Do Contrato de Parceria”, contesta o interessado a não aceitação pela autoridade lançadora dos valores relativos ao adiantamento do contrato de parceria com a Agropecuária Santa Inês. Informa que o contrato que rege a relação jurídica existente foi acostado nas fls. 167/168 dos autos. Salienta o contribuinte que o contrato de parceria, diferentemente do contrato de arrendamento, é um contrato de risco, visto que o parceiro proprietário estará sujeito aos riscos da atividade, assim, sua parte nos frutos, se houver, será considerada como receita da atividade rural, conforme o disposto na legislação tributaria (art. 59 do RIR/99). Por fim, ressalta o impugnante a aplicação in casu do disposto no § 2º do art. 60 do RIR/99. Apresenta, por fim suas conclusões e requerimentos, na mesma linha dos argumentos trazidos na peça impugnatória, solicitando, ainda, a concessão de redução da multa de oficio, após o deferimento de seu pleito, nos percentuais ali indicados. Em 24 de dezembro de 2008 o interessado apresenta aditamento a impugnação (fls. 150/151). nos seguintes termos: “Cabe esclarecer que, fica impugnado todos os lançamentos e números apresentados, como também os documentos juntados sem o prévio conhecimento do contribuinte, pois os dados acostados referemse a números e lançamentos que estão sendo discutidos judicialmente em ações ajuizadas em face dos Bancos pelo titular da contacorrente dos quais foram coletadas as informações sem prévio conhecimento do contribuinte. As ações revisionais judiciais foram ajuizadas muito antes do início do termo de verificação fiscal pelo esposo da contribuinte, que são: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 269 5 070.205.256.9101 BANCO REAL – 2ª Vara Cível 0702.06.275.5997 BANCO HSBC – 4ª Vara Cível 0702.06.266.8406 BANK BOSTON 1TAÚ – 9ª Vara Civel Todas em trâmite na Comarca de Uberlândia, estão em fase de perícia judicial, justamente pelo fato do esposo da ora Contribuinte ter discordado de vários lançamentos indevidos feitos pelos Bancos. Destarte, se a própria conta corrente do contribuinte nestes bancos esta sub judice e extremamente temerário algum lançamento de imposto pela receita federal sobre lançamentos que estão sendo questionados judicialmente e muito anterior ao inicio do termo de verificação fiscal. Portanto, fica impugnado todos os lançamentos e números, extratos bancários juntados sem o prévio conhecimento do contribuinte, para que os mesmos sejam analisados posteriormente por perito, tendo em vista as ações judiciais em tramite. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito, principalmente pela apresentação de contra prova pericial e pela juntada de novos documentos.” A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos transcritos abaixo: “[...]O contribuinte apontou a existência de várias ações revisionais judiciais ajuizadas antes do início da fiscalização, no Banco Real Banco HSBC e BANK BOSTON/ITAÚ. As provas apresentadas, juntadas às fls. 195/204, são extratos de consultas de andamento processual efetuadas no sítio do TJMG, de processos ajuizados pelo contribuinte, conforme mencionado em sua peça impugnatória. Todavia, os documentos anexados são insuficientes para afastar o lançamento tributário. Na falta de elementos adicionais, como por exemplo, a petição inicial, e/ou outros documentos extraídos dos processos judiciais que pudessem confirmar, expressamente, que os créditos bancários efetuados nas contas mantidas pelo cônjuge em conjunto com a interessada, que foram considerados receitas omitidas pela autoridade fiscal, estavam sendo objeto do questionamento judicial, deve prosseguir o processo administrativo tributário. [...] Reitero que os questionamentos fiscais são dos créditos efetuados nas contas bancárias do interessado no ano de 2005. Se houve crédito bancário advindo de ganho obtido em processo judicial, em decorrência de ações revisionais movidas pelo impugnante contra as instituições bancárias, esse crédito poderia ser rendimento tributável, sujeito à tabela progressiva anual, assim como se tratar de rendimento isento ou não Fl. 271DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 tributável e/ou tributável exclusivamente na fonte, cabendo ao interessado trazer tal prova. [...] Concluindo, na hipótese da existência de créditos bancários efetuados nas contas do interessado com origem em ganhos obtidos em processos judiciais ainda em trânsito, deveria o contribuinte trazer aos autos tais provas, para que pudesse ser analisada a natureza dos rendimentos já auferidos, se tributáveis ou não, e no caso da existência de concomitância das matérias, seria aguardada a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. Pelos elementos até aqui acostados nos autos não há motivos que impeçam o curso do processo administrativo tributário. [...]Quanto ao MÉRITO o interessado aponta um erro material cometido pelo HSBC BANK BRASIL S/A, no registro dos lançamentos efetuados nos dias 07/03/2005 e 11/03/2005 sob o histórico de "TRANS CX AUTOMÁTICO", nos valores respectivos de R$ 35.000.00 e R$ 2.400.00 na conta corrente 0531:1868259 de titularidade conjunta do contribuinte e seu cônjuge. Diz que os valores acima mencionados referemse, na verdade, a utilização de CDC credito bancário direto ao consumidor, e que a instituição bancária foi informada do erro retificando o histórico dos lançamentos. É certo que as importâncias correspondentes aos financiamentos ou empréstimos obtidos são consideradas recursos no ano em que forem recebidas e declaradas pelo valor contratado na ficha Dívidas Vinculadas à Atividade Rural do Demonstrativo da Atividade Rural. Não há dúvida também, que tais créditos, com origem comprovada em empréstimos bancários junto às respectivas instituições financeiras não podem ser tributados como receitas da atividade rural. Todavia, não foram juntados aos autos, até a presente data, documentação comprovando o possível erro cometido pela instituição financeira no histórico dos lançamentos ora questionados, pelo que não pode o lançamento ser reformado sem a apresentação da necessária prova. [...] Afirma que foi lançado como renda em 01/12/2005 transferência para cobrança judicial "TRF. COB. JUDIC", no valor de R$ 25.960,80. o que considera uma aberração fiscal, dada a clareza e natureza dos fatos. Não vejo nenhuma anomalia no procedimento fiscal. Primeiro porque se trata de lançamento de crédito bancário na conta do interessado, como pode ser visto no extrato do Banco Real (fl. 98). Ao contrário do afirmado pelo interessado a autoridade fiscal não tributou dívidas bancárias em nome do interessado. Pareceme que o contribuinte tem fortes dúvidas quanto à natureza dos lançamentos contábeis efetuados pela instituição bancária, e quer fazer crer que houve erro por parte do fisco. [...] Como visto no próprio extrato do Banco Real (fl. 98). a importância de R$ 25.960.80 referese a crédito efetuado na conta do interessado com o histórico '"TRF. COB. JUDIC". Bastaria o contribuinte provar, então, que o crédito, decorrente Fl. 272DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 270 7 de verba recebida judicialmente, tem origem em operação isenta, não tributada, tributada exclusivamente na fonte ou já devidamente tributada como rendimento da atividade rural. Nessa hipótese, o lançamento seria revisto para exclusão de tal valor da tributação, na mesma linha do entendimento exposto inicialmente no Voto. No último tópico da defesa o interessado aborda sobre o CONTRATO DE PARCERIA. Contesta o impugnante a não aceitação pela autoridade lançadora dos valores relativos ao adiantamento do contrato de parceria com a Agropecuária Santa Inês. Informa que o contrato que rege a relação jurídica existente foi acostado nas fls. 167/168 dos autos. [...] No caso, além da apresentação do Contrato de Parceria Pecuária juntado ao processo, digo de passagem, em momento algum contestado pela autoridade lançadora, deveria o interessado trazer elementos comprovando que os créditos bancários no montante de R$ 56.000.00 tiveram origem em adiantamentos dessa parceria. A parceria firmada teve início em 01/07/2005 com término cm 31/12/2005. No final da parceria o contribuinte e os parceiros na exploração de atividade rural deveriam apurar o resultado, separadamente, na proporção das receitas e despesas que coubesse a cada um (Decreto n" 59.566. de 1966; RIR/1999, art. 59). Se foram adiantados valores ao interessado pela Agropecuária Santa Inês Ltda. à vista do contrato de parceira pecuária firmada, deveria o impugnante apresentar a documentação comprobatória, além do contrato, para análise do seu pleito. Considerando que a parceria foi encerrada em 31/12/2005 seria possível demonstrar o resultado da parceria, e os reflexos tributários do adiantamento efetuado. Todavia, limitouse o defendente a apresentar apenas o Contrato de Parceria Pecuária, o que é insuficiente para provar que os valores creditados em conta têm origem na parceria, e que as importâncias foram devidamente tributadas. [...] O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0935.243 da 6ª Turma da DRJ/JFA em 22/07/2011 (fl. 254). Sobreveio Recurso Voluntário em 22/08/2011 (fls. 255/262), desacompanhado de documentos, que reprisou as alegações da impugnação, sem acrescentar razões no mérito. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Preliminarmente, no que concerne a alegação do interessado de que existem ações judiciais tramitando contra o Banco Real, Banco HSBC e BANK BOSTON/ITAÚ, e que estas foram ajuizadas antes do início da fiscalização, dá análise dos autos, vislumbrase que foram acostados tão somente cópia dos andamentos processuais (fls. 195/204), os quais não fazem prova de que os valores discutidos naqueles processos guardam relação com o presente lançamento. Inclusive, poderia o Recorrente ter acostado cópia da petição inicial ou outro documento que demonstrasse o objeto das ações judiciais em trâmite. Nesse sentido, transcrevo excertos da decisão a quo, que tomo como fundamentos para julgar: “ [...] Concluindo, na hipótese da existência de créditos bancários efetuados nas contas do interessado com origem em ganhos obtidos em processos judiciais ainda em trânsito, deveria o contribuinte trazer aos autos tais provas, para que pudesse ser analisada a natureza dos rendimentos já auferidos, se tributáveis ou não, e no caso da existência de concomitância das matérias, seria aguardada a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário.” [...] Assim, não comprovado o objeto das ações judiciais e sua relação expressa com os créditos bancários questionados no lançamento fiscal, não há motivos que impeçam o curso do processo administrativo tributário. No mérito, no que concerne os depósitos bancários, dá análise dos autos, verificase na justificativa do contribuinte, em fl. 169, as seguintes informações: "1) As receitas brutas advindas da atividade rural foram lançadas 50% em minha declaração de I.R e 50% na declaração de minha esposa Anna Carolina; 2) As contas correntes 57.63.67.02 do Boston e a 0531.1868259 do HSBC são contas correntes conjunta com a minha esposa Ana Carolina, inclusive os limites de Crédito". Importante observar que dentre as contas correntes relacionadas pelo contribuinte, consta a de n° 57.6367.02, mantida junto ao Bank Boston em conjunto com sua esposa Sra. Anna Carolina Ribeiro e Souza, conforme é possível se constatar pelas cópias dos extratos bancários de fls. 109/147, nos quais consta o recorrente como sendo o 1º titular da referida conta corrente, e a Sra. Anna Carolina como 2ª titular. Com efeito, compulsando os autos, notase que não houve a regular intimação do Sra. Anna Carolina Ribeiro e Souza (cotitular da conta bancária) para apresentação de esclarecimentos e justificativas quanto aos valores depositados em conta corrente considerados como de origem não comprovada. Em caso de existência de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentem em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10970.000561/200851 Acórdão n.º 2102002.920 S2C1T2 Fl. 271 9 bancários, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Tal fato se constata pelas Declarações de Ajuste Anual de fls. 17/23. Portanto, não se pode atribuir, de oficio, os valores constantes de contas conjuntas como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Há a necessidade de intimação de todos os correntistas, visto que os depósitos não são necessariamente metade de uma pessoa e metade de outra, devendo todos os titulares se manifestar a respeito dos depósitos tidos como de origem não comprovada. Assim, repiso que a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, uma vez que apresentem declaração anual de ajuste em separado, constitui inafastável exigência de lei material, por proporcionar, ou não, a base material da presunção legal, na medida em que não justificados, ou, justificados, os créditos questionados. A intimação endereçada a apenas um titular, ainda que todos estejam sob procedimento fiscal, fragiliza o lançamento por ancorálo em presunção de renda sob presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários. Desta forma, devem ser excluídos da tributação todos os valores relativos aos depósitos ocorridos na conta corrente do Bank Boston — n° 57.6367.02 — agência de Moluberlândia, tendo em vista que não houve a intimação do cotitular da referida conta corrente (Sra. Anna Carolina Ribeiro e Souza) por parte da fiscalização, para que esta pudesse juntamente com o contribuinte autuado justificar os depósitos questionados pela fiscalização. Já de pronto ressalto que o mesmo entendimento não se aplica às demais contas correntes, tendo em vista que eram de titularidade exclusiva do recorrente pelos documentos constantes nos autos. No que tange a exploração da atividade rural, verificase que o Fisco abriu mão da presunção legal, que inverte o ônus da prova, transformando a omissão de rendimentos através de depósitos bancários de origem não comprovada como sendo omissão de rendimentos da atividade rural, sem contudo comprovála. Verificase que em nenhum momento, conforme consta do “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 08/10, o fisco fez prova de que o contribuinte omitiu rendimentos da atividade rural, prova que a este cabia, pois no presente caso, ao arbitrar omissão de rendimentos da atividade rural, a prova de que a omissão dos rendimentos são oriundos de tal atividade (rural) cabe a autoridade fiscal, não bastando meramente alegar que tais omissões são decorrentes da atividade rural. Portanto, considerando que a autoridade fiscal não realizou prova de que os valores atribuídos como de origem não comprovada são, na realidade, decorrentes da atividade rural do recorrente, é de rigor ser reconhecido o cancelamento do lançamento tributário, de forma que resta prejudicada a análise das demais questões ventiladas pelo contribuinte, ante a conclusão ora exposta. Com base nesses fundamentos, é de ser reconhecida a nulidade do presente lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para cancelar o lançamento tributário. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10183.906749/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.
Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, no qual está incluído o valor do ICMS incidente sobre as vendas. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 67 49 /2 00 9- 61 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10183.906749/200961 Acórdão n.º 3301002.288 S3C3T1 Fl. 81 2 Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10183.906749/200961 Acórdão n.º 3301002.288 S3C3T1 Fl. 82 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório elaborado pela 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra decisão da DRF Cuiabá, que não homologou compensação formalizada por meio Dcomp, ao argumento de que, embora existindo o pagamento considerado como indevido, o respectivo valor já havia sido integralmente utilizado para quitar outro débito, não restando saldo disponível para compensação. A requerente insurgiuse contra a decisão, alegando ser contribuinte da Cofins e do PIS, em cujas bases de cálculo a lei incluiu, com afronta à Constituição, o valor do ICMS. Por essa razão, quer a requerente que seja retirado da base de cálculo das duas contribuições o valor correspondente ao imposto estadual. Ressaltou que a questão foi levada ao E. Supremo Tribunal Federal no RE 240.785/MG, cujo relator, Ministro Marco Aurélio, deu provimento ao recurso, tendo sido acompanhado até o momento por seis dos onze ministros. Portanto, a decisão favorável à exclusão do ICMS se mostra praticamente irreversível. Aduziu que não há como admitir a inclusão do ICMS na base daquelas contribuições, já que o imposto estadual configura um desembolso, uma despesa. Esse fato não pode ser considerado, para o mesmo contribuinte, como uma despesa e como uma receita concomitantemente. A parcela que corresponde ao ICMS não integra o faturamento. O contribuinte, nessa situação, age como mero arrecadador para o Estado. Nessa linha de raciocínio, conclui afirmando que nem todo ingresso de recursos se caracteriza como receita. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório, ao qual devem ser acrescidos juros e correção monetária; e pela homologação da compensação. Requereu também o suspensão da exigibilidade dos débitos compensados. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRF/Campo Grande proferiu o Acórdão nº 0428.852, de 5/6/2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10183.906749/200961 Acórdão n.º 3301002.288 S3C3T1 Fl. 83 4 Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual tece basicamente as mesmas questões trazidas em sede de sua manifestação de inconformidade. Por meio de despacho e fundamentado, por ocasião nos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, este relator propôs o sobrestamento do processo em face da repercussão geral do assunto reconhecida pelo STF no recurso extraordinário nº RE 574706. Sobrestamento este que foi deferido pelo presidente da 3ª Câmara. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10183.906749/200961 Acórdão n.º 3301002.288 S3C3T1 Fl. 84 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Conforme relatado o julgamento deste processo estava sobrestado em função do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Porém, a Portaria MF nº 545/2013 revogou os parágrafos do art. 62 A, não havendo portanto mais razão para a permanência do sobrestamento. O suposto direito creditório alegado pelo contribuinte está amparado somente na questão da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. Segundo o recorrente é inconstitucional o art. 3º, § 2º, inc. I da Lei nº 9.718/98, que incluiu na base de cálculo do PIS e da Cofins o ICMS incidente nas operações de venda. Como ele teria efetuado seus pagamentos com esta inclusão, e sendo certo o seu entendimento, estaria sobrando créditos que pretende ver compensados com os débitos apresentados em DCOMP. Esta matéria está em análise pelo STF na Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC nº 18, e ainda não foi julgada por aquele tribunal. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Junto ao Superior Tribunal de Justiça esta matéria já encontrava se pacificada nos termos das súmulas 68 e 94, abaixo transcritas: Súmula 68: A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do pis. Súmula 94: A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. Por fim, entendo que o ICMS integra o faturamento, que é o fato gerador do PIS e da Cofins, não havendo qualquer contrariedade à Constituição Federal, uma vez que ela mesma determina que o ICMS integra a sua própria base de cálculo. Veja como está disposto no art. 155 da CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10183.906749/200961 Acórdão n.º 3301002.288 S3C3T1 Fl. 85 6 intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: XII cabe à lei complementar: i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço.(grifei) Ainda que assim não fosse, reconhecer este direito ao contribuinte implicaria afastar a aplicação de lei tributária, por inconstitucionalidade, o que não é permitido aos julgadores desta instância administrativa. Nestes termos, citase a súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE MORA Em seu recurso voluntário o contribuinte pede ainda que seja afastada a aplicação da multa de mora na cobrança de seus débitos, uma vez que estaria cumprindo rigorosamente as obrigações acessórias, citando como embasamento legal o art. 138 do CTN que trata da denúncia espontânea. Presumo que com este pedido, o contribuinte pretende ver afastada a exigência de multa de mora, caso as suas compensações não sejam homologadas e os débitos nela confessados passem a ser exigíveis. Não há como concordar com este entendimento. A partir do momento em que não se reconhece seu crédito, os débitos passam a ser exigíveis desde o seu vencimento, incidindo a multa de mora pela falta de seu pagamento, na mesma condição de todos os demais débitos tributários que foram declarados e não pagos. Veja o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10183.906749/200961 Acórdão n.º 3301002.288 S3C3T1 Fl. 86 7 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) O contribuinte alega que em havendo confessado seus débitos por meio de suas declarações de compensação estaria amparado pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da leitura do dispositivo legal acima transcrito resta claro que a denúncia espontânea só é valida se vier acompanhada do pagamento do tributo. No presente caso apesar do contribuinte ter confessado o débito por meio das declarações de compensação, esta confissão não veio acompanhada do pagamento e sim de uma pretensa compensação que dependerá sempre de sua homologação posterior, expressa ou tácita. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, pois para o pagamento a extinção do crédito tributário não está vinculada a nenhuma condição e o art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabelece que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, diante do exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904551/2012-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 51 /2 01 2- 49 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904551/201249 Acórdão n.º 3803004.901 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904551/201249 Acórdão n.º 3803004.901 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904551/201249 Acórdão n.º 3803004.901 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10840.905884/2009-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 58 84 /2 00 9- 07 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, relativo ao período de apuração 01.02.2004 a 29.02.2004 no valor de R$ 64,52 (sessenta e quatro reais e cinqüenta e dois centavos). Insurge contra a não homologação da Per/Dcomp nº 12333.71026.140305.1.3.040572, em 14/03/2005, sob alegação de que o crédito é oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo (código de receita 6912) relativo ao período de apuração fevereiro de 2004, pretende utilizar o valor de R$ 31,38. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403000.290 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurada a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 31,38 (trinta e um reais e trinta e oito centavos), como se infere do próprio relatório aqui transcrito: Processo10840.905884/200907 ContribuinteSERVIÇO MÉDICOS E ASSISTENCIAIS DE BARRINHA S/S LTDA. CNPJ/CPF03.330.439/000170 Trata o presente processo de Declaração de Compensação (folhas 4 a 8) transmitida por meio do Per/Dcomp nº 12333.71026.140305.1.3.040572, em 14/03/2005, sob alegação de crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo (código de receita 6912) relativo ao período de apuração fevereiro de 2004. Os demais detalhes do histórico do processo já foram bem resumidos pela DRJ/RPO (folhas 131 a 137) e pelo CARF (folhas 170 a 171). Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905884/200907 Acórdão n.º 3403002.706 S3C4T3 Fl. 8 3 A contribuinte transmitiu mais dois Per/Dcomp no intuito de aproveitar o crédito em pauta: a) nº 15091.20349.170205.1.3.048100, objeto do processo nº 10840.905882/200918 – compensação não homologada por falta de apresentação de documentos comprobatórios e processo já arquivado; b) nº 22069.53250.150405.1.3.049020, objeto do processo nº 10840.905886/200998 – ainda sob julgamento no CARF. O CARF optou por converter o julgamento em diligência nos termos propostos pelo Conselheiro Relator: “... voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para que os autos retornem à Autoridade de Piso para apurar com base nos elementos fornecidos e outros procedimentos que se fizerem necessários o valor correto do indébito. Após dei se vista a Interessada, querendo, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, retorne os autos a esse Colegiado.” A Lei nº 10.637, de 2002, que trata sobre a nãocumulatividade na cobrança do PIS, assim dispõe em seu artigo 1º: “Art. 1ª A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) “Da documentação apresentada, podemos aceitar a base de cálculo do PIS como sendo de R$ 27.791,05. O artigo 2º da Lei nº 10.637, de 2002, prescreve que “para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65%”. Assim, concluise que o PIS apurado monta R$ 458,55. Continua a Lei nº 10.637, de 2002 (redação vigente à época): “Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços (…) IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (…) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (…) § 4 o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)” Apesar de algumas notas fiscais apresentadas como base para o crédito de PIS referiremse a janeiro de 2004, optamos por não aprofundar as checagens em razão do baixo valor e do disposto no § 4º do artigo 3º acima transcrito. Também optamos por não glosar o crédito de toda a Nota Fiscal nº 6897, emitida pela DMM Distribuidora em 13/01/2004, e dos dois primeiros produtos da NF nº 127063, emitida Pela Cremer S.A. em 12/01/2004, em razão de considerarmos que tais produtos foram utilizados na prestação de serviços, e não revendidos. Tais produtos adquiridos sofreram a incidência de alíquota zero de PIS, nos termos da Lei nº 10.147, de 2000, e o desconto de créditos em relação a esses produtos é vedado pelo inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, no caso de revenda. Portanto, aplicado o percentual de 1,65% sobre a base de cálculo alegada pela contribuinte, concluise pela procedência de R$ 129,12 de créditos de PIS. Até o momento temos que: Receita da Prestação de ServiçosR$ 27.791,06 PIS (1,65% sobre a Receita)R$ 458,55 () Créditos descontados no mês(R$ 129,12) (=) PIS após o desconto dos créditosR$ 329,43 A próxima fase da análise diz respeito ao alegado PIS retido na fonte por outras pessoas jurídicas, nos termos do artigo 30 da Lei nº 10.833, de 2003, ipsis litteris: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905884/200907 Acórdão n.º 3403002.706 S3C4T3 Fl. 9 5 “Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (...)“In casu, a contribuinte intenta deduzir do PIS a pagar retenções na fonte sofridas em razão de serviços que prestou, anexando as notas fiscais às folhas 144 a 149. A única nota não anexada foi a nº 158, de 26/01/2004 (vide tabela da contribuinte à folha 140). Todavia, em consulta ao sistema DIRF, a fonte pagadora em questão declarou a retenção (em fevereiro de 2004) alegada pela contribuinte. Assim, aceitamos os R$ 196,50 de PIS retido na fonte. Receita da Prestação de ServiçosR$ 27.791,06 PIS (1,65% sobre a Receita)R$ 458,55 () Créditos descontados no mês(R$ 129,12) (=) PIS após o desconto dos créditosR$ 329,43 () PIS retido na fonte(R$ 196,50) (=) PIS a pagarR$ 132,93 A mesma conclusão se obtém do Livro Razão Analítico (cópia apresentada pela contribuinte à folha 161). Se do PIS apurado de R$ 458,55 deduzirmos os créditos de PIS de R$ 325,62 (Livro Razão Analítico à folha 161), resta um PIS a pagar de R$ 132,93. Considerando o recolhimento de R$ 238,85, resta como pagamento a maior o valor de R$ 105,92, conforme asseverado pela contribuinte à folha 142. Considerando que aprofundar a presente análise afrontaria o princípio da eficiência insculpido no artigo 37 da CF/1988 em razão de os valores não serem de grande expressividade, optamos por nos ater aos documentos já constantes do processo e dos sistemas da RFB, sem intimar a contribuinte a apresentar outros documentos. No presente Per/Dcomp, a contribuinte destacou o Valor Original do Crédito Inicial como sendo de R$ 64,52, declarando ter utilizado R$ 31,38 do crédito em pauta nesse Per/Dcomp valores que consideramos procedentes. O montante remanescente de R$ 33,14 foi declarado como Valor Original do Crédito Inicial no Per/Dcomp nº 22069.53250.150405.1.3.04 9020, objeto do processo nº 10840.905886/200998, sob julgamento no CARF. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Aproveitamos portanto o ensejo para solicitar que ao julgar o processo nº 10840.905886/200998, o CARF já leve em conta que concordamos com o crédito pleiteado de R$ 33,14 no Per/Dcomp nº 22069.53250.150405.1.3.049020, razão pela qual solicitaremos juntada de cópia deste despacho no processo nº 10840.905886/200998, tornando desnecessária a conversão do julgamento em diligência naquele processo (smj). Remeteremos ainda cópia do presente documento à contribuinte, com posterior retorno dos autos ao CARF para o competente julgamento.(assinado digitalmente)Marcelo Dominguez da Silva AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 65114”. Instado a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedou se. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando com embasamento para decidir os cálculos contidos da diligência conforme transcrito aqui: “resta um PIS a pagar de R$ 132,93. Considerando o recolhimento de R$ 238,85, resta como pagamento a maior o valor de R$ 105,92, conforme asseverado pela contribuinte à folha 142. Considerando que aprofundar a presente análise afrontaria o princípio da eficiência insculpido no artigo 37 da CF/1988 em razão de os valores não serem de grande expressividade, optamos por nos ater aos documentos já constantes do processo e dos sistemas da RFB, sem intimar a contribuinte a apresentar outros documentos. No presente Per/Dcomp, a contribuinte destacou o Valor Original do Crédito Inicial como sendo de R$ 64,52, declarando ter utilizado R$ 31,38 do crédito em pauta nesse Per/Dcomp valores que consideramos procedentes. O montante Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905884/200907 Acórdão n.º 3403002.706 S3C4T3 Fl. 10 7 remanescente de R$ 33,14 foi declarado como Valor Original do Crédito Inicial no Per/Dcomp nº 22069.53250.150405.1.3.04 9020, objeto do processo nº 10840.905886/200998, sob julgamento no CARF. Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 178/182 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior da COFINS disponível para compensação ou restituição no total de R$ R$ 31,38(trinta e um reais e trinta e oito centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Em razão da observação da Diligência de que o saldo remanescente de R$ 33,14 foi declarado como Valor Original do Crédito Inicial no Per/Dcomp nº 22069.53250.150405.1.3.049020, objeto do processo nº 10840.905886/200998, reconhece homologado o pedido até o limite de R$ 31,38 (trinta e um reais e trinta e oito centavos). Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para assegurar o direito de compensar os débitos até o limite do valor reconhecido, desde que o pagamento esteja disponível. A decisão é parcial em razão de inexistir nos autos informação sobre ter ou não sido utilizado o pagamento para outras compensações. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10140.900107/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA.
Comprovada a existência do direito creditório indicado na PER/DCOMP, impõe-se o seu reconhecimento e a homologação da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1301-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA. Comprovada a existência do direito creditório indicado na PER/DCOMP, impõese o seu reconhecimento e a homologação da compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES – Presidente em exercício (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 01 07 /2 00 8- 74 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/200874 Acórdão n.º 1301001.451 S1C3T1 Fl. 107 2 Relatório CETRAL CENTRO DE TREINAMENTO E FORMAÇÃO DE VIGILANTES LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS. Trata a lide de pedido de compensação de Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 2001, formulado por meio do PER/DCOMP nº 17005.80652.201106.1.3.026830, mediante o qual a interessada pretende a compensação de débitos de contribuição para o PIS/Pasep e Cofins de vários períodos de apuração do anocalendário 2005. A unidade administrativa que primeiro analisou o PER/DCOMP formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS) não homologou a compensação pleiteada em face de existir divergência entre o saldo negativo constante da DIPJ e o valor informado na DCOMP. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 17/20), trazendo os seguintes argumentos, sintetizados no acórdão recorrido: Em 15 de maio de 2008 foi protocolado o documento de f. 17 a 20, no qual é aduzido, em apertada síntese, que houve erros de preenchimento da DIPJ/2002, das DCTFs relativas aos trimestres de 2001 e também da DCOMP, mas que existe um saldo negativo de IRPJ de R$ 3.546,87. Ao final é pedida a reconsideração do despacho decisório e requerida a homologação da compensação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0424.110, de 08/04/2011 (fls. 69/71), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 DCOMP. SALDO NEGATIVO. Não havendo consistência quanto ao valor do saldo negativo apurado, não pode haver reconhecido de crédito para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário não reconhecido Fl. 370DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/200874 Acórdão n.º 1301001.451 S1C3T1 Fl. 108 3 Ciente da decisão de primeira instância em 27/05/2011, conforme documento de fl. 78, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 22/06/2011 (informação à fl. 105, razões de recurso às fls. 80/84), mediante o qual reitera as razões apresentadas na manifestação de inconformidade, apontando vários erros que teriam sido cometidos no preenchimento de sua DIPJ e DCTF, mas que ao final resultariam no saldo negativo pleiteado, no valor de R$ 3.546,87, que é superior ao crédito pleiteado na PER/DCOMP. (R$ 3.029,85). Ao final do recurso, a recorrente questiona as conclusões do relator do acórdão recorrido e propugna pelo provimento do recurso voluntário. Em sessão realizada em 03/06/2012, a 2a. Turma Ordinária da desta 3a. Câmara, decidiu converte o julgamento do recurso em diligência, a ser realizada nos seguintes termos: Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS adote as seguintes providências: I Designação de autoridade fiscal para: a) analisar, conclusivamente, a regularidade das compensações de estimativas dos meses de janeiro, maio e junho de 2001, realizadas por meio de DCTF, com saldo negativo do anocalendário de 1.999, conforme indicado na Manifestação de Inconformidade (fls. 19); b) analisar, conclusivamente, a existência dos valores informados a título de IRRF (informado às fls. 3 e 4 da PER/DCOMP) e a inclusão da respectiva receita na base de cálculo oferecida à tributação; c) intimar a recorrente a apresentar a Demonstração do Resultado do Exercício de 2001 e da apuração do Lucro Líquido (LALUR), necessárias para aferir o montante do imposto devido anualmente e prestar outras informações ou apresentar outros elementos que entender necessários para a verificação do direito creditório pleiteado; e, d) elaborar Relatório Fiscal conclusivo, demonstrando o saldo de IRPJ anual apurado, os valores dos créditos passíveis de dedução do imposto apurado e o saldo de imposto (negativo ou devido) apurado. II A Recorrente deve ser cientificada do Relatório Fiscal (subitem I.d acima) para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Encaminhados os autos à unidade de origem, a autoridade fiscal diligenciante adotou as providências requeridas e elaborou a Informação Fiscal Saort DRFCampo Grande nº 203/2013 (fls. 353/361), e concluiu que “o saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001, pleiteado na Dcomp de nº 17005.80652.201106.1.3.026830 (R$ 3.029,85), foi confirmado, como também este foi suficiente para compensar os débitos objeto da referida Dcomp, conforme detalhado no parágrafo 8º, restando porém um saldo de crédito, em valor originário, de R$ 1.354,55, o qual não foi utilizado em outras Dcomp’s (e não mais pode ser utilizado em virtude da decadência)”. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/200874 Acórdão n.º 1301001.451 S1C3T1 Fl. 109 4 Cientificada do teor do relatório fiscal, a interessada não se manifestou no prazo assinalado, retornando os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/200874 Acórdão n.º 1301001.451 S1C3T1 Fl. 110 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de compensação, formulado pela recorrente por meio de Declaração de Compensação, do saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário 2001, com contribuições ao PIS e Cofins do ano de 2005, que restou não homologado pela autoridade administrativa competente (DRF/Campo Grande). Apresentada manifestação de inconformidade pela interessada, esta também foi indeferida pela DRJCampo Grande. As diligências determinadas por meio da Resolução nº 1302000.201, pela 2a. Turma desta 3a. Câmara foram realizadas pela autoridade fiscal designada que concluiu, após a análise dos elementos dos autos e dos novos documentos fiscais e contábeis apresentados pela interessada, que ficou comprovada a existência de saldo negativo do IRPJ no anocalendário 2001 informado na DIPJ, no montante original de R$ 3.546,87 (cfe. subitem 7.1.6 do Relatório Fiscal) e que, portanto, foi confirmada a existência do valor pleiteado na DCOMP de R$ 3.029,85, cujo montante é suficiente para compensar os débitos indicados na referida DCOMP (subitem 9.5 do Relatório Fiscal). Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado na PER/DCOMP nº 17005.80652.201106.1.3.026830, no montante de R$ 3.029,85, e homologar as compensações indicadas no pedido. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de março de 2014 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 373DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10140.900107/200874 Acórdão n.º 1301001.451 S1C3T1 Fl. 111 6 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10980.018066/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, não comportando a aferição de intenção do agente ou desconhecimento da legislação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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A responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva, não comportando a aferição de intenção do agente ou desconhecimento da legislação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 80 66 /2 00 7- 06 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018066/200706 Acórdão n.º 2102002.781 S2C1T2 Fl. 54 2 Relatório Contra CASITO ALVES JUNIOR foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 22/26, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 3.285,89, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos do Banco Finasa S/A e do Banco Dibens S/A, nos valores de R$ 4.236,66 e R$ 12.776,00, respectivamente. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0626.229, de 20/04/2010, fls. 31/32. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/05/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 36, o contribuinte apresentou, em 26/05/2010, recurso voluntário, fls. 38, no qual traz as alegações a seguir transcritas: ... que na ocasião do ocorrido ref. ao imposto de renda PF, do anocalendário 2004, que não foi omissão de rendimento, eu nunca declarei sempre fui isento, eu não sabia de nada sobre imposto de renda, eu esta leigo no assunto e por sua vez a fonte pagadora dava incentivo mas nunca poderia imaginar esta desgraça sem eu conhecer do assunto. E agora ficou mais difícil ainda, eu estou muito doente, e não posso assumir nada mais na minha vida, solicito o cancelamento e está toda a prova anexada nesta impugnação estou debilitado a qualquer tipo de atividade, isto ocorreu em 2009, fim de 2009, ou meados. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018066/200706 Acórdão n.º 2102002.781 S2C1T2 Fl. 55 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de infração de omissão de rendimentos e no recurso o contribuinte solicita o cancelamento do crédito tributário exigido na Notificação de Lançamento, sob a alegação de que desconhecia a legislação e que se encontra atualmente impossibilitado para o trabalho. Nesse sentido, cumpre dizer que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme disposto no art. 136 do Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por outro lado, insta frisar que a autoridade administrativa não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 do CTN). Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Digase, ainda, que ninguém pode alegar desconhecimento da lei para não cumprila. (art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). Portanto, a despeito das alegações trazidas pela defesa, fato é que houve a omissão de rendimentos por parte do contribuinte, sendo certo que a infração a ele imputada deve ser mantida nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018066/200706 Acórdão n.º 2102002.781 S2C1T2 Fl. 56 4 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905088/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 88 /2 01 2- 21 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/201221 Acórdão n.º 3801002.870 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/201221 Acórdão n.º 3801002.870 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/201221 Acórdão n.º 3801002.870 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/201221 Acórdão n.º 3801002.870 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/201221 Acórdão n.º 3801002.870 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905088/201221 Acórdão n.º 3801002.870 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.905001/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004.
As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 50 01 /2 00 9- 58 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/200958 Acórdão n.º 3801002.970 S3TE01 Fl. 126 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/200958 Acórdão n.º 3801002.970 S3TE01 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 a 12, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842600890, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 16307.26773.150306.1.3.040727, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 a 12, alegando, em síntese, que: => efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de mai/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; => após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; => requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 16307.26773.150306.1.3.040727. A DRJ em Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/200958 Acórdão n.º 3801002.970 S3TE01 Fl. 128 4 da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a decisão da DRJ a contribuinte apresentou Recurso Voluntário utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Essa Turma converteu o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Intimasse a contribuinte para no prazo de 30 dias apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada a que aduz o § único do artigo 4º da Lei nº 10.892/2004, ou confirme a DRF a realização da opção por parte da contribuinte; b) anexasse cópia da DCTF retificadora ativa referente ao 2º trimestre de 2004; c) apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de maio/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornasse o processo a este CARF para julgamento. É o que importa relatar. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/200958 Acórdão n.º 3801002.970 S3TE01 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4o As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o (décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/200958 Acórdão n.º 3801002.970 S3TE01 Fl. 130 6 da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004. Art. 5o Esta Lei entra em vigor em 1o de outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deu se de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Conforme informado pela Delegacia de origem e colacionado nos autos, o contribuinte apresentou cópia do “Termo de Opção” de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, fazendo jus portanto à apuração antecipada no regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ao realizar a diligência e constatar, a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração em referência, a Delegacia de origem confirmou a legitimidade do direito creditório, restando caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, constante do presente processo. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905001/200958 Acórdão n.º 3801002.970 S3TE01 Fl. 131 7 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901948/2011-53
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.
JUROS DE MORA E MULTA DE MORA. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto que davam provimento para considerar, como efetivamente pagas, as estimativas extintas por compensação solicitadas em DComp.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizan, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. JUROS DE MORA E MULTA DE MORA. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando os atos administrativos motivados de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. JUROS DE MORA E MULTA DE MORA. VALORAÇÃO DOS DÉBITOS. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 19 48 /2 01 1- 53 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 363 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto que davam provimento para considerar, como efetivamente pagas, as estimativas extintas por compensação solicitadas em DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizan, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nº 01917.24156.190407.1.7.035680, em 19.04.2007, nº 18542.05485.291106.1.7.031524 e 22159.29740.291106.1.3.030880, ambas em 29.11.2006, fls. 0225, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$695.375,07 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2005, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 2631, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS DEM. ESTIM. COMP. Soma das Parcelas do Crédito Fl. 368DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 364 3 PER/DCOMP 1.663.253,92 1.273.060,15 95.337,05 3.031.651,13 CONFIRMADAS 1.559.432,84 1.273.060,15 50.444,26 2.882.937,26 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$695.375,07. Valor na DIPJ: R$695.375,07. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$3.031.651,12. CSLL devida: R$2.336.276,05 Valor do saldo negativo disponível = (parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: 546.661,21. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação no Per/DComp: 18542.05485.291106.1.7.031524. NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 22159.29740.291106.1.3.030880. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30 de dezembro de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 3355, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que a apresentação regular da manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos confessados em Per/DComp: O artigo 74, § 11, da Lei n° 9.430/96 é expresso ao afirmar que a Manifestação de Inconformidade tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário em discussão. O artigo 66, § 5º, da Instrução Normativa SRF n° 900/08, também expressamente reconhece que a Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento da compensação, enquadrase no disposto no artigo 151, inciso III, do CTN, e suspende a exigibilidade do crédito tributário. Portanto, não pode o débito ser objeto de cobrança e ser inscrito em Dívida Ativa. Proceder dessa maneira implicaria afronta ao disposto no artigo 37, § 1°, da Instrução Normativa SRF n° 900/08, que determina que o débito decorrente do pedido de compensação indeferido não poderá ser encaminhado à Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União quando instaurado litígio administrativo fiscal em decorrência da apresentação de Manifestação de Inconformidade. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 365 4 Em relação à nulidade do Despacho Decisório pela descrição deficiente dos fatos: Constatase que o Despacho Decisório deve descrever todos os elementos indispensáveis à identificação da obrigação surgida. Mais do que isso, não basta a mera descrição do fato que deu ensejo à autuação, é preciso que ela seja clara, precisa e razoável, a fim de que o contribuinte disponha de meios suficientes para, querendo, se defender das infrações que lhe foram imputadas. Todavia, não é isso que se verifica na presente exação. O Despacho Decisório não se revestiu das formalidades previstas no Decreto n° 70.235/72, visto que não traz elementos suficientes a permitir a adequada defesa dos interesses da Requerente. A fundamentação do Despacho Decisório é insuficiente, contendo apenas breve descrição justificando a não homologação da compensação na suposta insuficiência do crédito utilizado pela Requerente. [...] Portanto, considerando que a descrição deficiente das supostas irregularidades cometidas pela Requerente constitui nulidade insanável, por impedir o regular exercício do direito de defesa da Requerente, concluise que a exigência consubstanciada no Despacho Decisório deve ser de plano cancelada. No que tange à obrigatoriedade da formalização do crédito tributário por meio de auto de infração ou de notificação de lançamento acrescenta que: Em conformidade com o caput e o parágrafo único do artigo 142 do CTN, o lançamento é atividade privativa da Fazenda Pública, sendo vinculada e imprescindível, sob pena de responsabilidade funcional. O mero pedido de compensação não desobriga o Fisco de promover o lançamento do seu crédito. Nessa linha, o artigo 9º do Decreto n° 70.235/72 [...] estabelece que a constituição do crédito tributário somente se verifica por meio da formalização de Auto de Infração ou de Notificação de Lançamento [...] Da leitura conjunta dos citados dispositivos, podese concluir que o crédito tributário só pode ser constituído por meio de um Auto de Infração ou de uma Notificação de Lançamento, respeitados os requisitos previstos nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Portanto, caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, evidentemente é nula e deve ser cancelada. No caso em questão, as Autoridades Fiscais, por meio de Despacho Decisório, não homologaram as compensações feitas pela Requerente e, além disso, fugindo das suas atribuições, cobraram os créditos decorrentes das referidas compensações. Ocorre que as Autoridades Tributárias não podem pretender cobrar crédito sem que ele tenha sido devidamente constituído, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento. [...] Ou seja, uma vez feito o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe às Autoridades Fiscais analisarem a procedência do crédito e, posteriormente, homologarem ou não a compensação. Se não homologada, deverá obrigatoriamente ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado. Diante do exposto, resta claro que a presente cobrança deve ser cancelada, uma vez que o Despacho Decisório não é a via competente para se formalizar um Fl. 370DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 366 5 crédito, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além do artigo 9º do Decreto n° 70.235/72. Relativamente à decadência do lançamento aduz que: Não obstante o que já foi mencionado, é irrelevante a discussão acerca da compensação do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL") no exercício de 2006, visto que é evidente que se operou a decadência do direito de o Fisco Federal glosar esses valores apurados no anocalendário de 2005 e devidamente informados pelos meios cabíveis. Nestes termos, a Requerente tem como certo que o presente Despacho Decisório é insubsistente, pois além das nulidades previamente apontadas, busca exigir quantias supostamente devidas pela Requerente, em função da compensação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, o que é inviável em face da configuração da decadência. Ora, é óbvio que não tendo o lançamento sido feito à época devida, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos já se exauriu e, sendo assim, à Fazenda Pública não assiste o direito de cobrar, nem mesmo questionar, os valores relativos ao saldo negativo de CSLL, no anocalendário de 2005, conforme pretendem as DD. Autoridades Fiscais. [...] Salientese, uma vez mais, que a presente exigência de crédito tributário decorre de suposta compensação indevida de saldo negativo de CSLL, relacionado ao anocalendário de 2005. Ocorre que a exigência formulada pelas DD. Autoridades Fiscais não merece subsistir em virtude da verificação da decadência. [...] Ora, nessas condições, tendo em vista que a suposta infração referese ao aumento indevido do saldo negativo de CSLL, gerado no anocalendário de 2005, a D. Fiscalização Federal não poderia mais se pronunciar acerca dos valores registrados no período, tendo em vista que já transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos previsto na legislação aplicável. [...] Neste sentido, resta claro que caso o Fisco quisesse verificar a composição do saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2005, bem como pretendesse lavrar auto de infração referente ao aludido período, deveria têlo feito anteriormente ao anocalendário de 2010 e não no anocalendário de 2011. [...] Ante o exposto, restou amplamente demonstrado que se operou a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito ou desconsiderar o saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2005, nos termos do artigo 156, incisos V, do Código Tributário Nacional, razão pela qual tampouco merece substituir não homologação dos pedidos de compensação formulados pela Requerente. No que diz respeito ao mérito tece esclarecimentos sobre a origem do crédito e a regularidade da compensação no seguinte sentido: A Requerente é sociedade limitada que se dedica, dentre outras atividades, à industrialização e à venda de equipamentos voltados para as indústrias petrolífera, energética e de transportes. Em razão de suas atividades está sujeita ao pagamento da CSLL, apurada conforme a sistemática do lucro real. O pagamento é efetuado por estimativa mensal, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 367 6 Nos casos em que o contribuinte apura saldo negativo de CSLL, esse valor constitui um crédito que pode ser compensado a partir do anocalendário seguinte, nos termos do artigo 40, incisos I, e II, ambos da Instrução Normativa SRF n° 900/08. A Requerente apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ"), na qual apurou saldo negativo de CSLL, no exercício de 2006, anocalendário de 2005, no valor original de R$695.375,07 (seiscentos e noventa e cinco mil, trezentos e setenta e cinco reais e sete centavos). Em respeito a essa sistemática (também prevista nas Instruções Normativas anteriores à Instrução Normativa SRF n° 900/08), a Requerente utilizouse de saldo negativo de CSLL para realizar a compensação descrita na seguinte Declaração de Compensação ("DCOMP"), transmitida eletronicamente em 19.4.2007: PER/DCOMP n° 01917.24156.190407.1.7.035680. Não obstante o fato de a compensação objeto da PER/DCOMP mencionada acima ter sido realizada em estrita consonância com a legislação vigente e estar suportada por documentação hábil e idônea, a Fiscalização houve por bem não homologála, através do Despacho Decisório ora contestado pela Requerente. Em relação ao Despacho Decisório suscita que: Em apertada síntese, as DD. Autoridades Fiscais aduzem que não homologaram a Declaração de Compensação efetuada pela Requerente em virtude de o crédito reconhecido ser, supostamente, insuficiente para compensar integralmente os débitos informados. Após análise dos motivos de fato que dão suporte à Declaração de Compensação efetuada pela Requerente, passamos às razões de direito que justificam a homologação do pedido de compensação e que, por si só, demonstram a improcedência da alegação do Despacho Decisório. Sobre o direito e a exatidão do valor do saldo negativo de CSLL apurado pela Requerente diz que: As DD. Autoridades Fiscais aduzem que o saldo negativo de CSLL utilizado pela Requerente na referida PER/DCOMP foi insuficiente para justificar a homologação. Concessa maxima venia, a Requerente não pode concordar com essa assertiva das D. Autoridades Fiscais, uma vez que o saldo negativo de CSLL registrado pela Requerente encontrase em perfeita consonância com as normas previstas na legislação tributária. Cabe assinalar que as DD. Autoridades Fiscais utilizaram as informações relacionadas ao saldo negativo de CSLL existentes na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") da Requerente. Ocorre, no entanto, que o saldo negativo de CSLL constante da DIPJ não refletiu alguns valores retidos pelas clientes da Requerente no anocalendário de 2005. Por esse motivo, as DD. Autoridades Fiscais entenderam haver saldo negativo de CSLL insuficiente para a compensação. De modo a evidenciar a existência de saldo negativo de CSLL suficiente a justificar a homologação da PER/DCOMP, a Requerente junta os anexos Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 368 7 comprovantes anuais de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, relativos ao anocalendário de 2005, da Petróleo Brasileiro S.A. ("Petrobrás") e da Shell Brasil Ltda. ("Shell") [...]. Ressaltese, na oportunidade, que as fichas da DIPJ da Requerente (i) indicam valores inferiores aos apresentados nos comprovantes anuais de retenção da Petrobrás; e (ii) não indicam valores relativos à Shell [...]. Portanto, fica evidente o equívoco da DIPJ. Além disso, a Requerente traz à baila planilha que demonstra a diferença entre os valores informados em sua DIPJ e os constantes dos informes de rendimentos de seus clientes, discriminando todos os valores relacionados ao anocalendário de 2005 [...]. Dessa forma, em que pese existir diferença entre a DIPJ e os informes de seus clientes, não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente, posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL. Como se não bastasse, as DD. Autoridades Fiscais ainda formularam questionamentos acerca dos valores compensados pela Requerente relativos às estimativas mensais de CSLL do anocalendário de 2005. Com vistas a afastar quaisquer incertezas acerca dos valores utilizados nessas compensações, a Requerente pede venia para trazer à colação cópia das PER/DCOMP's que comprovam essas operações [...]. Desse modo, resta evidenciado que a exigência fiscal lançada no presente Despacho Decisório é totalmente desprovida de embasamento fático e jurídico, motivo pelo qual merece ser integralmente cancelada. Atinente às estimativas compensadas com saldos negativos de CSLL de períodos anteriores com processo administrativo argumenta que: Frisese que as DD. Autoridades Fiscais já questionaram as PER/DCOMP's ora colacionadas pela Requerente. Todavia, em função da certeza das compensações, a Requerente apresentou manifestações de inconformidade evidenciando o seu direito à homologação [...]. No momento, aguardase a apreciação dessas manifestações. Contudo, vale lembrar que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (artigo 151, inciso III, do CTN). Dessa forma, caso os Ilustres Julgadores entendam que não se tenha operado a decadência, o que se admite apenas para argumentar, é necessário aguardar uma decisão definitiva nas referidas manifestações de inconformidade, para que se possa eventualmente desconsiderar a compensação realizada pela Requerente. Neste caso, a Requerente protesta pelo sobrestamento do presente processo administrativo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos das manifestações de inconformidade já mencionadas pela Requerente. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 369 8 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Do acima exposto, concluise que: (i) a presente Manifestação de Inconformidade é tempestiva e deve ser acolhida com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (ii) merece ser decretada a nulidade da presente cobrança tendo em vista que: a) a carência das informações fornecidas no Despacho Decisório, representam óbices instransponíveis à defesa da Requerente, consubstanciando verdadeira afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) o Despacho Decisório não representa meio hábil para a realização do lançamento e a conseqüente exigência do crédito tributário; e c) se operou a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito ou desconsiderar o saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2005, nos termos do artigo 156, incisos V, do Código Tributário Nacional; (iii) em que pese existir diferença entre a DIPJ e os informes de seus clientes,não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente, posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL; (iv) os questionamentos formulados pelo Fisco acerca dos valores compensados pela Requerente, relativos às estimativas mensais de CSLL do ano calendário de 2005, não merecem prosperar, em virtude da indiscutível existência dos créditos utilizados na compensação; (v) a cobrança da multa no caso em análise deve ser cancelada pois, tendo sido demonstrada a total improcedência da exigência em questão, a cobrança da multa, como acessório, também se mostra totalmente improcedente; (vi) se, ad argumentandum, fosse admitida a exigência de multa no caso em análise, a mesma não poderia ser exigida no percentual de 20% (vinte por cento),tendo em vista que tal procedimento seria, frontalmente, contrário ao princípio do não confisco; e (vii) no que se refere aos juros de mora, não se poderia aplicar a Taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários, como já vem reconhecendo a jurisprudência de nossos Tribunais. Por tudo isso, a Requerente requer que seja integralmente anulado o Despacho Decisório objeto desta Manifestação de Inconformidade uma vez que o mesmo contraria o disposto na legislação tributária, o entendimento da melhor doutrina e da jurisprudência. Ademais, pleiteia o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, com o objetivo de cancelar o Despacho Decisório em tela, bem como as penalidades aplicadas, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Protesta, ainda, pela juntada posterior de documentos e, na hipótese de discussão do valor do saldo negativo de CSLL da Requerente, pela realização de perícia contábil. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 370 9 Termos em que, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1247.685, de 26.06.2012, fls. 239245: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”: Restou ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da apuração do tributo não é cabível, apenas, para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não apresentados elementos de prova ou de direito que o modifiquem. Notificada em 18.01.2013, fl. 249, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.02.2013, fls. 255280 e 317, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente. Faz um relato sobre a ação fiscal. Em relação à nulidade do Despacho Decisório pela descrição deficiente dos fatos: Constatase que o Despacho Decisório deve descrever todos os elementos indispensáveis à identificação da obrigação surgida. Mais do que isso, não basta a mera descrição do fato que deu ensejo à autuação, é preciso que ela seja clara, precisa e razoável, a fim de que o contribuinte disponha de meios suficientes para, querendo, se defender das infrações que lhe foram imputadas. Todavia, não é isso que se verifica na presente exação. O Despacho Decisório não se revestiu das formalidades previstas no Decreto n° 70.235/72, visto que não traz elementos suficientes a permitir a adequada defesa dos interesses da Requerente. A fundamentação do Despacho Decisório é insuficiente, contendo apenas breve descrição justificando a não homologação da compensação na suposta insuficiência do crédito utilizado pela Requerente. [...] Portanto, considerando que a descrição deficiente das supostas irregularidades cometidas pela Requerente constitui nulidade insanável, por impedir o regular exercício do direito de defesa da Requerente, concluise que a exigência consubstanciada no Despacho Decisório deve ser de plano cancelada com a reforma da r. decisão. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 371 10 No que tange à obrigatoriedade da formalização do crédito tributário por meio de auto de infração ou de notificação de lançamento acrescenta que: Em conformidade com o caput e o parágrafo único do artigo 142 do CTN, o lançamento é atividade privativa da Fazenda Pública, sendo vinculada e imprescindível, sob pena de responsabilidade funcional. O mero pedido de compensação não desobriga o Fisco de promover o lançamento do seu crédito. Nessa linha, o artigo 9º do Decreto n° 70.235/72 [...] estabelece que a constituição do crédito tributário somente se verifica por meio da formalização de Auto de Infração ou de Notificação de Lançamento [...] Da leitura conjunta dos citados dispositivos, podese concluir que o crédito tributário só pode ser constituído por meio de um Auto de Infração ou de uma Notificação de Lançamento, respeitados os requisitos previstos nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Portanto, caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, evidentemente é nula e deve ser cancelada. No caso em questão, as Autoridades Fiscais, por meio de Despacho Decisório, não homologaram as compensações feitas pela Requerente e, além disso, fugindo das suas atribuições, cobraram os créditos decorrentes das referidas compensações. Ocorre que as Autoridades Tributárias não podem pretender cobrar crédito sem que ele tenha sido devidamente constituído, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento. [...] Ou seja, uma vez feito o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe às Autoridades Fiscais analisarem a procedência do crédito e, posteriormente, homologarem ou não a compensação. Se não homologada, deverá obrigatoriamente ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado. Diante do exposto, resta claro que a presente cobrança deve ser cancelada, uma vez que o Despacho Decisório não é a via competente para se formalizar um crédito, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além do artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual a presente cobrança deve ser cancelada. Relativamente à decadência do lançamento aduz que: Não obstante o que já foi mencionado, é irrelevante a discussão acerca da compensação do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL") no exercício de 2006, visto que é evidente que se operou a decadência do direito de o Fisco Federal glosar esses valores apurados no anocalendário de 2005 e devidamente informados pelos meios cabíveis. Nestes termos, a Requerente tem como certo que o presente Despacho Decisório é insubsistente, pois além das nulidades previamente apontadas, busca exigir quantias supostamente devidas pela Requerente, em função da compensação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, o que é inviável em face da configuração da decadência. Ora, é óbvio que não tendo o lançamento sido feito à época devida, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos já se exauriu e, sendo assim, à Fazenda Pública não assiste o direito de cobrar, nem mesmo questionar, os valores relativos ao saldo negativo de CSLL, no anocalendário de 2005, conforme pretendem as DD. Autoridades Fiscais. [...] Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 372 11 Salientese, uma vez mais, que a presente exigência de crédito tributário decorre de suposta compensação indevida de saldo negativo de CSLL, relacionado ao anocalendário de 2005. Ocorre que a exigência formulada pelas DD. Autoridades Fiscais não merece subsistir em virtude da verificação da decadência. [...] Ora, nessas condições, tendo em vista que a suposta infração referese ao aumento indevido do saldo negativo de CSLL, gerado no anocalendário de 2005, a D. Fiscalização Federal não poderia mais se pronunciar acerca dos valores registrados no período, tendo em vista que já transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos previsto na legislação aplicável. [...] Neste sentido, resta claro que caso o Fisco quisesse verificar a composição do saldo negativo de CSLL, do anocalendário de 2005, bem como pretendesse lavrar auto de infração referente ao aludido período, deveria têlo feito anteriormente ao anocalendário de 2010 e não no anocalendário de 2011. [...] Ante o exposto, restou amplamente demonstrado que se operou a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito ou desconsiderar o saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2005, nos termos do artigo 156, incisos V, do Código Tributário Nacional, razão pela qual tampouco merece substituir não homologação dos pedidos de compensação formulados pela Requerente. Sobre o direito e a exatidão do valor do saldo negativo de CSLL apurado pela Requerente diz que: As DD. Autoridades Fiscais aduzem que o saldo negativo de CSLL utilizado pela Requerente na referida PER/DCOMP foi insuficiente para justificar a homologação. Concessa maxima venia, a Requerente não pode concordar com essa assertiva das D. Autoridades Fiscais, uma vez que o saldo negativo de CSLL registrado pela Requerente encontrase em perfeita consonância com as normas previstas na legislação tributária. Cabe assinalar que as DD. Autoridades Fiscais utilizaram as informações relacionadas ao saldo negativo de CSLL existentes na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") da Requerente. Ocorre, no entanto, que o saldo negativo de CSLL constante da DIPJ não refletiu alguns valores retidos pelas clientes da Requerente no anocalendário de 2005. Por esse motivo, as DD. Autoridades Fiscais entenderam haver saldo negativo de CSLL insuficiente para a compensação. De modo a evidenciar a existência de saldo negativo de CSLL suficiente a justificar a homologação da PER/DCOMP, a Requerente junta os anexos comprovantes anuais de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, relativos ao anocalendário de 2005, da Petróleo Brasileiro S.A. ("Petrobrás") e da Shell Brasil Ltda. ("Shell") [...]. Ressaltese, na oportunidade, que as fichas da DIPJ da Requerente (i) indicam valores inferiores aos apresentados nos comprovantes anuais de retenção da Petrobrás; e (ii) não indicam valores relativos à Shell [...]. Portanto, fica evidente o equívoco da DIPJ. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 373 12 Além disso, a Requerente traz à baila planilha que demonstra a diferença entre os valores informados em sua DIPJ e os constantes dos informes de rendimentos de seus clientes, discriminando todos os valores relacionados ao anocalendário de 2005 [...]. Dessa forma, em que pese existir diferença entre a DIPJ e os informes de seus clientes, não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente, posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL. Como se não bastasse, as DD. Autoridades Fiscais ainda formularam questionamentos acerca dos valores compensados pela Requerente relativos às estimativas mensais de CSLL do anocalendário de 2005. Com vistas a afastar quaisquer incertezas acerca dos valores utilizados nessas compensações, a Requerente pede venia para trazer à colação cópia das PER/DCOMP's que comprovam essas operações [...]. Desse modo, resta evidenciado que a exigência fiscal lançada no presente Despacho Decisório é totalmente desprovida de embasamento fático e jurídico, motivo pelo qual merece ser integralmente cancelada, haja vista que ocorreu apenas um equívoco no preenchimento da DIPJ da Recorrente. Apesar disso, como no processo administrativo devese buscar sempre a verdade dos fatos, a incorreção no preenchimento da DIPJ da Recorrente não pode impedir o reconhecimento de que valores foram retidos pela Petrobrás e pela Shell, sob pena de enriquecimento ilícito da União Federal (Fazenda Nacional). Logo, tendo em vista a comprovação dos recolhimentos feitos pela Petrobrás e pela Shell, conforme does. n°s 6 e 7 da impugnação, a Recorrente tem como demonstrado que possuía saldo negativo de CSLL suficiente para quitar os débitos indicados na PER/DCOMP, razão pela qual a r. decisão de fls. deve ser reformada, com a homologação integral da compensação levada a cabo pela Recorrente. Atinente às estimativas compensadas com saldos negativos de CSLL de períodos anteriores com processo administrativo argumenta que: Frisese que as DD. Autoridades Fiscais já questionaram as PER/DCOMP's ora colacionadas pela Requerente. Todavia, em função da certeza das compensações, a Requerente apresentou manifestações de inconformidade evidenciando o seu direito à homologação [...]. No momento, aguardase a apreciação dessas manifestações. Contudo, vale lembrar que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (artigo 151, inciso III, do CTN). Dessa forma, caso os Ilustres Julgadores entendam que não se tenha operado a decadência, o que se admite apenas para argumentar, é necessário aguardar uma decisão definitiva nas referidas manifestações de inconformidade, para que se possa eventualmente desconsiderar a compensação realizada pela Requerente. Neste caso, a Requerente protesta pelo sobrestamento do presente processo administrativo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos das manifestações de inconformidade já mencionadas pela Requerente. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 374 13 Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Do acima exposto, concluise que: (i) a presente Manifestação de Inconformidade é tempestiva e deve ser acolhida com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (ii) merece ser decretada a nulidade da presente cobrança tendo em vista que: a) a carência das informações fornecidas no Despacho Decisório, representam óbices instransponíveis à defesa da Requerente, consubstanciando verdadeira afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) se operou a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito ou desconsiderar o saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 2005, nos termos do artigo 156, incisos V, do Código Tributário Nacional; (iii) em que pese existir diferença entre a DIPJ e os informes de seus clientes,não se pode negar validade à compensação levada a cabo pela Requerente, posto que não paira dúvida quanto à real composição do saldo negativo de CSLL; (iv) os questionamentos formulados pelo Fisco acerca dos valores compensados pela Requerente, relativos às estimativas mensais de CSLL do ano calendário de 2005, não merecem prosperar, em virtude da indiscutível existência dos créditos utilizados na compensação; (v) a cobrança da multa no caso em análise deve ser cancelada pois, tendo sido demonstrada a total improcedência da exigência em questão, a cobrança da multa, como acessório, também se mostra totalmente improcedente; (vi) se, ad argumentandum, fosse admitida a exigência de multa no caso em análise, a mesma não poderia ser exigida no percentual de 20% (vinte por cento),tendo em vista que tal procedimento seria, frontalmente, contrário ao princípio do não confisco; e (vii) no que se refere aos juros de mora, não se poderia aplicar a Taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários, como já vem reconhecendo a jurisprudência de nossos Tribunais. Por tudo isso, a Requerente requer que seja integralmente anulado o Despacho Decisório objeto desta Manifestação de Inconformidade uma vez que o mesmo contraria o disposto na legislação tributária, o entendimento da melhor doutrina e da jurisprudência. Ademais, pleiteia o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, com o objetivo de cancelar o Despacho Decisório em tela, bem como as penalidades aplicadas, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo. Protesta, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 375 14 ainda, pela juntada posterior de documentos e, na hipótese de discussão do valor do saldo negativo de CSLL da Requerente, pela realização de perícia contábil. Termos em que, pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 376 15 tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (ciência do Despacho Decisório, fls. 2632, e a Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 248250) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 3. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício456. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 7, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 4 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 5 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 6 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 7 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 377 16 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais9. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial10. <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 8 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 10 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 378 17 A pessoa jurídica que optar pelo pagamento da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A CSLL deve a ser paga será determinada mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de oito por cento.11. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza12. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza13. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Em relação à dedução de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente14. Para tanto, as pessoas jurídicas qualificadas como fontes pagadoras são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e 11 Fundamentação legal: art. 2º e art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28, art. 29 e art. 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 12 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 13 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 14 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 379 18 número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período15. Ademais, na apuração do saldo negativo da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A CSLL deve ser apurada conforme os critérios previstos na legislação tributária e a pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real pode deduzir da CSLL devida no encerramento do período o fonte incidente sobre as receitas computadas na sua determinação, inclusive como antecipação do IRPJ devido referente ao código de arrecadação nº 6190 a título de receita proveniente de prestação de serviços e relativamente ao código de arrecadação nº 6147 a título proveniente de serviços prestados com emprego de materiais a órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal16. Atualmente a matéria está regulamentada pela Instrução Normativa RFB nº 1.234, 11 de janeiro de 2012. Para o código de pagamento nº 6190, a Tabela de Retenção constante no Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que vigora à época, dispunha que a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 9,45%, do qual 4,80% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP. Para o código de pagamento nº 6147, a Tabela de Retenção constante no Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que vigora à época, dispunha que a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 5,85%, do qual 1,20% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. CSLL Calculada sobre a Base de Cálculo Estimada No Despacho Decisório foi confirmado o somatório nos valores de R$1.273.060,16 e de R$50.444,26 a título de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada paga e compensada, respectivamente, conforme os dados discriminados na Tabela 1. 15 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 16 Fundamentação legal: art. 64 da Lei 9.430, de 1996 e art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 380 19 Tabela 1 – CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada paga e compensada no anocalendário de 2005 Código de Receita (A) Período de Apuração (B) Data da Arrecadação (C) Valor Confirmado de Ofício R$ (D) Valor Utilizado para Compor o Saldo Negativo R$ (E) 2484 28.02.2005 31.03.2005 246.909,75 246.909,75 2484 30.06.2005 28.07.2005 1.026.150,41 1.026.150,41 Total 1.273.060,16 Período de Apuração da Estimativa Compensada (A) Nº do Per/DComp (B) Valor da Estimativa Compensada no Per/DComp R$ (C) Valor Confirmado de Ofício R$ (D) Valor Não Confirmado R$ (E) Justificativa R$ (F) Junho de 2005 35876.94946.041105.1.3.04 6552 5.994,26 5.994,26 0,00 Junho de 2005 13221.90997.041105.1.3.04 5993 44.450,00 44.450,00 0,00 Julho de 2005 05895.48745.041105.1.3.04 4270 25.000,00 0,00 25.000,00 Compensação não confirmada Julho de 2005 20395.29426.041105.1.3.04 0038 19.890,00 0,00 19.890,00 Compensação não confirmada Total 50.444,26 A Recorrente não produziu o conjunto probatório nos autos de suas alegações no sentido de que tem direito a valor remanescente de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. CSLL Retida na Fonte No Despacho Decisório foi confirmado o somatório no valor de R$1.559.432,84 a título de CSLL retida na fonte, conforme os dados discriminados na Tabela 2. Tabela 2 – CSLL retida na fonte no anocalendário de 2005 CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor Informado no Per/DComp Valor Confirmado de Ofício Valor Não Confirmado Justificativa R$ Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 381 20 (A) (B) R$ (C) R$ (D) R$ (E) (F) 33.000.167/000101 6190 219.984,13 219.984,13 0,00 33.000.167/000101 6147 1.443.269,79 1.339.448,71 103.821,08 Retenção justificada parcialmente Total 1.559.432,84 103.821,08 Em relação às alegações da Recorrente a respeito da CSLL retida na fonte, está registrado no Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1247.685, de 26.06.2012, fls. 239245, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: De fato, na DIPJ, o interessado informou possuir retenções referente ao CNPJ 33.000.167/000101, código 6147 (em relação ao qual a CSLL representa o percentual de 1%), no montante de R$1.333.933,30 (fl. 76) e os informes apresentados (fls. 61/63) confirmam retenções no montante de R$1.339.448,71. Ocorre que, no PER/DCOMP, o interessado informou retenções no montante de R$1.443.269,79 e as DIRF só confirmam o montante de R$1.339.448,71 (mesmo montante confirmado pelos informes juntados em sede de manifestação de inconformidade). A diferença apontada pela DEMAC, R$103.821,08, não foi, portanto, elidida. Registrese que o informe de fl. 60 é referente ao CNPJ 33.000.167/000101, código 6190 (em relação ao qual a CSLL representa o percentual de 1%), e confirma retenções no montante de R$219.984,13, que coincide com o montante já aceito no quadro Parcelas Comprovadas (fl. 27). O interessado alega, ainda, que a DIPJ não indica valores da Shell. Junta informes de fls. 64/65 e planilha de fls. 78/128 (onde temse “CSLL Shell 362,33” – fl. 127). De fato, a ora pleiteada retenção da Shell (CNPJ 33.453.598/000123) não foi indicada nem na DIPJ (na ficha pertinente) nem no PER/DCOMP. A apresentação de comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora é requisito exigido por lei para que o beneficiário dos rendimentos utilize o IRRF como antecipação do IRPJ devido ao final do período (artigos, 815, 942 e 943 do RIR/1999). Mas não é o único requisito. De acordo com o artigo 231, III, do RIR/1999, a pessoa jurídica só pode deduzir, do imposto de renda apurado, o IRRF sobre receitas que integraram a base de cálculo do IRPJ. O mesmo se aplica à CSLL (art. 3º da IN SRF nº 390/2004). Portanto, a retenção não pode ser deduzida sem a prova do oferecimento à tributação dos rendimentos (prova que não ocorreu), ainda mais quando a retenção sequer foi informada na DIPJ (na ficha pertinente). Assim, os valores de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código 2484, confessados em Per/DComp mas sem o comprovado pagamento em Darf correspondente na rede arrecadadora, não podem ser considerados como efetivamente recolhidos, líquidos e certos, pois no ordenamento jurídico somente se admite a dedução das estimativas efetivamente pagas, na apuração do saldo negativo de CSLL ao final ano calendário, em conformidade com o inciso IV do § 4º do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 382 21 O pagamento de tributo é uma modalidade de extinção do crédito tributário que fazse mediante Darf efetuado junto a rede arrecadadora, nos termos do art. 156 e art. 159 do Código Tributário Nacional. Por seu turno, a Per/DComp é somente um modo de constituição do crédito tributário, de acordo com a decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por essa razão não há que se falar em duplicidade de exigência tributária, a despeito desses débitos estarem confessados em Per/DComp. A Recorrente não produziu o conjunto probatório nos autos de suas alegações no sentido de que tem direito a valor remanescente de CSLL retida na fonte, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. Em relação à natureza jurídica, o Per/DComp é um modo de constituição do crédito tributário, de acordo com a decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco". Os débitos confessados nos Per/DComp nº 01917.24156.190407.1.7.035680, em 19.04.2007, nº 18542.05485.291106.1.7.031524 e 22159.29740.291106.1.3.030880, ambas em 29.11.2006, fls. 0225, referentes à CSLL, código 2484, de janeiro, de fevereiro, de março e de abril 2006 são considerados regularmente constituídos para todos os efeitos legais. Por essa razão não há que se falar em necessidade de constituição do crédito tributário de ofício nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, a decadência pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC17, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF18. No presente caso, tratandose de débitos tributários referentes à CSLL, código 2484, de janeiro, de fevereiro, de março e de abril 2006 sujeito a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo decadencial começa a fluir da 17 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 18 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 383 22 ocorrência do fato gerador, no caso em que há pagamentos antecipados. As entregas dos Per/DComp nº 01917.24156.190407.1.7.035680, em 19.04.2007, nº 18542.05485.291106.1.7.031524 e 22159.29740.291106.1.3.030880, ambas em 29.11.2006, fls. 0225, por si sós, determina que não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. Sobre a possibilidade jurídica de juntada de processos, a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, determina: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. Verificase que o presente processo trata do exame do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005, e por essa razão não pode ser juntado outro processo senão por expressa disposição legal. Cada feito fiscal deve ser analisado distintamente, pois tratam de direitos creditórios diferentes. Assim, por falta de previsão legal não pode a autoridade julgadora declarar a conexão entre eles. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 384 23 Além disso, não se deve aguardar o trânsito em julgado da decisão constante no processo vinculado para que se possa proceder ao julgamento do presente feito. No processo administrativo deve ser observado, entre outros, o critério de impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência19. Em relação às alegações da Recorrente a respeito da CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, está registrado no Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 47.685, de 26.06.2012, fls. 239245, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Quanto à glosa das parcelas informadas a título de “DEMAIS ESTIMATIVAS COMPENSADAS” JUN/2005 (DCOMP 05895.48745.041105.1.3.044270) e JUL/2005 (DCOMP 20395.29426.041105.1.3.040038), o interessado admite que as estimativas foram objeto de compensações não homologadas, que estão sendo discutidas administrativamente. Solicita o sobrestamento do presente até a decisão definitiva daqueles PER/DCOMP. Descabe o pleito de sobrestamento do presente feito, por conta da pendência de decisão definitiva daqueles PER/DCOMP, porque só o fato de a compensação das estimativas estar sendo discutida é suficiente para justificar a glosa em face de a compensação não estar confirmada, como apontado no Despacho Decisório. Tendo em vista essas premissas e o fato de que não há previsão legal para o sobrestamento dos presentes autos, o julgamento do recurso voluntário deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic e da multa de mora. Em relação à valoração dos créditos e dos débitos na data da entrega da declaração de compensação, temse que no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência. Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos: (a) de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta20. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200921 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF22; 19 Fundamentação legal: art. 2º e art. 48 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 20 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional e Súmula CARF nº 4 21 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 385 24 (b) da aplicação da multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, sendo que o percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento 23. Por conseguinte, os débitos ficam sujeitos a incidência de juros equivalentes à taxa Selic e a aplicação da multa de mora a partir da data do vencimento na forma da legislação de regência. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, inclusive no que se refere à Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 13 de outubro de 200624. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade25. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 22 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 23 Fundamentação legal: art. 61 e § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 24 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 25 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16682.901948/201153 Acórdão n.º 1803002.151 S1TE03 Fl. 386 25 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 391DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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