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Numero do processo: 15868.720074/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011, 2012, 2013
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DESCRIÇÃO DO TIPO
Sendo a responsabilidade tributária uma norma capaz de atrair para outrem os créditos correspondentes à obrigação, necessária a descrição do fato que ensejou tal responsabilidade, demonstrando quais foram os atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto social, conforme descrito no art. 135 do CTN.
DECADÊNCIA. ARGUIÇÃO EM RECURSO
Sendo a decadência matéria de ordem pública, possível a sua arguição em recurso voluntário apesar de não ter sido mencionada quando da impugnação.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011, 2012, 2013
IRRF - PAGAMENTO À BENEFICIÁRIOS NÃO COMPROVADO
A pessoa jurídica que efetuar pagamento à beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado, sujeitar-se-á à incidência do imposto de renda retido na fonte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011, 2012, 2013
GLOSA DE DESPESA. DEVIDA
Deve ser mantida a glosa da despesa se a contribuinte não logra prova a efetiva prestação do serviço.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável à CSLL.
MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. CONSUÇÃO.
As multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL.
Numero da decisão: 1401-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário (i) por unanimidade de votos, (i.i) em relação à arguição de decadência, para reconhecê-la tão somente em relação ao IRPJ e à CSLL do período de apuração compreendido entre 01/01/2011 e 31/03/2011; (ii) por maioria de votos, para excluir do lançamento o valor relativo às multas isoladas sobre estimativas não pagas até o limite dos valores lançados a título de multa de ofício, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça; (iii) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao mérito da autuação, mantendo a exigência de IRRF, IRPJ e CSLL.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2011, 2012, 2013 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DESCRIÇÃO DO TIPO Sendo a responsabilidade tributária uma norma capaz de atrair para outrem os créditos correspondentes à obrigação, necessária a descrição do fato que ensejou tal responsabilidade, demonstrando quais foram os atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto social, conforme descrito no art. 135 do CTN. DECADÊNCIA. ARGUIÇÃO EM RECURSO Sendo a decadência matéria de ordem pública, possível a sua arguição em recurso voluntário apesar de não ter sido mencionada quando da impugnação. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2011, 2012, 2013 IRRF - PAGAMENTO À BENEFICIÁRIOS NÃO COMPROVADO A pessoa jurídica que efetuar pagamento à beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado, sujeitar-se-á à incidência do imposto de renda retido na fonte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 GLOSA DE DESPESA. DEVIDA Deve ser mantida a glosa da despesa se a contribuinte não logra prova a efetiva prestação do serviço. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável à CSLL. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. CONSUÇÃO. As multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL.
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DESCRIÇÃO DO TIPO Sendo a responsabilidade tributária uma norma capaz de atrair para outrem os créditos correspondentes à obrigação, necessária a descrição do fato que ensejou tal responsabilidade, demonstrando quais foram os atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto social, conforme descrito no art. 135 do CTN. DECADÊNCIA. ARGUIÇÃO EM RECURSO Sendo a decadência matéria de ordem pública, possível a sua arguição em recurso voluntário apesar de não ter sido mencionada quando da impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2011, 2012, 2013 IRRF PAGAMENTO À BENEFICIÁRIOS NÃO COMPROVADO A pessoa jurídica que efetuar pagamento à beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado, sujeitarseá à incidência do imposto de renda retido na fonte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011, 2012, 2013 GLOSA DE DESPESA. DEVIDA Deve ser mantida a glosa da despesa se a contribuinte não logra prova a efetiva prestação do serviço. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 74 /2 01 6- 17 Fl. 3267DF CARF MF 2 Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável à CSLL. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. CONSUÇÃO. As multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Acordam, ainda, em dar provimento parcial ao recurso voluntário (i) por unanimidade de votos, (i.i) em relação à arguição de decadência, para reconhecêla tão somente em relação ao IRPJ e à CSLL do período de apuração compreendido entre 01/01/2011 e 31/03/2011; (ii) por maioria de votos, para excluir do lançamento o valor relativo às multas isoladas sobre estimativas não pagas até o limite dos valores lançados a título de multa de ofício, vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça; (iii) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao mérito da autuação, mantendo a exigência de IRRF, IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritânia Elvira de Souza Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.268 3 Versa o presente processo sobre impugnações apresentadas pelo contribuinte, Construcap CCPS Engenharia e Comércio S/A (Construcap), e pelo responsável tributário, Roberto Ribeiro Capobianco, em face dos autos de infração de: a) Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ (a fls. 626 e segs.), no qual foi lançado crédito no montante de R$ 11.670.571,53, sendo que vale a transcrição da descrição dos fatos e do enquadramento legal: “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS Custos não comprovados apurados conforme descrito no Relatório Fiscal em anexo, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2013: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em funçaõ de Balanço ou Balancete de Suspensão ou Reduca̧õ, conforme descrito no Relatório Fiscal em anexo, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infraca̧õ. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/11/2010 e 30/09/2013: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei no 11.488/07” b) Contribuição Social sobre o Lucro (a fls. 659 e segs.), no qual foi lançado crédito no montante de R$ 4.250.466,69, sendo que vale a transcrição da descrição dos fatos e do enquadramento legal: “CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS INFRAÇÃO: CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO COMPROVADOS Custos não comprovados apurados conforme descrito no Relatório Fiscal em anexo, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fl. 3269DF CARF MF 4 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2011: Art. 2º da Lei no 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2o da Lei no 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei no 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Art. 2º da Lei no 7.689/88 com as alteracõ̧es introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei no 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3o da Lei nº 7.689/88, com redaca̧õ dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 39 da Medida Provisória nº 563/12. Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2013: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alteracõ̧es do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função de Balanco̧ ou Balancete de Suspensão ou Redução, conforme descrito no Relatório Fiscal em anexo, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infraçaõ. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/11/2010 e 29/02/2012: Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.269 5 Art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/072007 Fatos geradores ocorridos entre 31/12/2012 e 31/01/2014: Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. c) Imposto de Renda Retido na Fonte (a fls. 688 e segs.), no qual foi lançado crédito no montante de R$ 17.957.233,65, sendo que vale a transcrição da descrição dos fatos e do enquadramento legal: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE APURAÇÃO REFLEXA INFRAÇÃO: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS Valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre pagamentos efetuados a terceiros, contabilizados ou não, cujas operações e causas naõ foram comprovadas, conforme descrito no Relatório Fiscal em anexo, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 10/01/2011 e 03/01/2014: Art. 674 e 675 do RIR/99. Art. 674, do RIR/99”. Cientificada dos lançamentos em 19/10/2016 (AR a fls. 717), a contribuinte (Construcap) apresentou impugnação (a fls. 699 e segs.) em 18/11/2016 (Termo a fls. 1504 e segs.), assinada digitalmente (Termo no verso da fls. 1547) por Fabiana Soares Alterio, a qual foi investida de poderes para representar a contribuinte por meio da procuração a fls. 1566. Nessa impugnação, são apresentada as seguintes razões de defesa: a) quanto ao pagamento parcial dos tributos exigidos: a.1) que, com relacã̧o aos prestadores de serviços do Consórcio Novo Cenpes, do qual a Reqte. não era a empresa líder, por não ter logrado êxito na obtenção dos documentos comprobatórios dos serviços prestados pelas empresas MRTR Gestão Empresarial Ltda. – ME (antiga Nieto Gestão Empresarial Ltda.), Morales e de Paula Advogados Associados, Hefesto Consultoria e Projetos Ltda. e Alamo Empreendimentos e Assessoria Empresarial Ltda. – EPP, a Reqte. optou pela realização do pagamento dos valores envolvidos com relacã̧o às referidas empresas; a.2) que acerca do prestador de serviço Legend Engenheiros Associados Ltda. – EPP, em função da antiguidade dos períodos de apuração e das perdas havidas em seu arquivo em decorren̂cia de sinistro ocorrido e comprovado no curso da fiscalização, a Reqte. não logrou êxito em localizar os documentos comprobatórios Fl. 3271DF CARF MF 6 dos servico̧s em questão, motivo pelo qual optou por também realizar o pagamento das respectivas exigências fiscais; a.3) que as guias relativas aos pagamentos efetuados estão acostadas à presente em conjunto com as planilhas indicativas dos cálculos efetuados para a segregação dos valores, tendo em vista que os pagamentos são parciais dos tributos exigidos nos autos de infração; a.4) que as exigências fiscais feitas com relação aos prestadores de serviços Axon Consultoria Ltda. – ME e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP estão impugnadas conforme razões abaixo; b) quanto à ausência de relação entre os serviços prestados pela AXON e BCR e a Operaca̧õ “Lava Jato”: b.1) que os servico̧s que foram prestados a ̀ Reqte. pelas empresas Axon Consultoria Ltda. – ME (AXON – inscrita no CNPJ/MF sob o no 00.845.668/0001 30) e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP (BCR – inscrita no CNPJ/MF sob o nº 05.644.929/000177) não possuem qualquer relação com a Lava Jato e a leitura do Termo de Fiscalizaçaõ evidencia que, com relaca̧õ à essas empresas, a discordância da fiscalização decorre exclusivamente da não aceitação dos documentos apresentados como prova dos serviços que foram prestados; b.2) que o relatório fiscal que acompanhou os autos de infraçaõ lavrados em face da Reqte., especificamente nos itens 7.3 e 7.4 onde são descritas as supostas infrações imputadas à Reqte. com relaca̧õ a tais prestadores de serviços, os AFRFB autuantes não mencionam qualquer elemento que relacione tais empresas com a Lava Jato; b.3) que as as supostas infrações imputadas à Reqte. com relaçaõ aos servico̧s que foram prestados pelas empresas AXON e BCR foram enquadradas pelos AFRFB autuantes apenas e tão somente como “inexisten̂cia de elementos comprobatórios da efetiva prestação dos servico̧s” de consultoria financeira pela AXON e de assessoria comercial pela BCR; b.4) que os documentos que foram apresentados pela Reqte. no curso do procedimento fiscal não foram aceitos pelos AFRFB autuantes para a comprovação dos serviços prestados pelas empresas AXON e BCR, assim, não se comprovou a prática de quaisquer atos com dolo, fraude ou simulacã̧o pela Reqte. com relação aos serviços que foram prestados pelas empresas AXON e BCR e, muito menos, que tais empresas estivessem envolvidas na Lava Jato; b.5) que não só houve a efetiva prestaçaõ dos serviços pelas empresas AXON e BCR, como os pagamentos de tais servico̧s devem ser reconhecidos como despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendários de 2011, 2012 e 2013; c) quanto ao direito: c.1) quanto à dedutibilidade das despesas: c.1.2) que a comprovação da efetiva prestaçaõ de um serviço pode ser feita pela reunião de diversos elementos, a saber, as notas fiscais emitidas em função dos serviços prestados, contratos firmados, relatórios de reuniões realizadas, correspondências e ‘emails’ trocados entre as partes, etc., pois tais documentos permitem que se comprove, ainda que indiretamente, que ocorreu a efetiva prestação dos serviços; c.1.3) que há que se atentar para o fato de que a legislacã̧o que disciplina a matéria não impõe à empresa a apresentaca̧õ de relatórios de servico̧s ou outros Fl. 3272DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.270 7 documentos relacionados à prestaçaõ de serviços, sendo que tal apresentação é apenas mais um elemento que, somado a outros, demonstra que ocorreu a efetiva prestação dos serviços; c.1.4) que, se a natureza dos servico̧s prestados e sua inserção na rotina da empresa tomadora dos serviços naõ permitem que sejam apresentados relatórios detalhados de atividades, e se a fiscalização não apresenta qualquer indício de que estes não tenham sido prestados, fundando sua glosa na ausen̂cia de apresentação de relatórios de atividades e documentos correlatos, ou ainda, sem declinar o porquê da não aceitacã̧o dos documentos apresentados, é de rigor a conclusão pelo cancelamento da exigência fiscal, pois a exigência de comprovação da efetiva prestação dos serviços deve guardar relação de coeren̂cia com o tipo de serviço de que se cuida; c.1.5) que não é admissível que a Fiscalização sem qualquer prova ou indício veemente, desconsidere a documentação apresentada pelo contribuinte para comprovar a efetiva prestação de serviços, glosando as despesas deduzidas, sob o argumento de que não se provou, com a apresentação de “relatórios técnicos, estudos, memoriais, levantamento de dados e análises, projetos, planos de ação, cronogramas, planilhas, pareceres, resultados, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas etc”, a efetiva prestaçaõ dos servico̧s, também não sendo admissível que as exigen̂cias de comprovação desconsiderem as características dos serviços prestados, ultrapassando os limites da razoabilidade; c.2) quanto aos serviços prestados pela AXON: c.2.1) que desejando expandir seus negócios, com a aquisição de empresas alvo para a consecuçaõ de suas atividades, a Reqte. contratou os serviços de consultoria financeira prestados pela AXON, os quais consistiram em análises detalhadas das condicõ̧es patrimoniais e financeiras das empresasalvo, bem como uma avaliação do impacto dessa decisão no mercado e na gestão das próprias empresas; c.2.2) que a consultoria e assessoria prestadas pela AXON à Reqte. consistiu na avaliaca̧õ das empresasalvo, de seus ativos, demonstração de resultados, fluxo de caixa e balanco̧s patrimoniais, na condução ou apoio nas negociações e fechamento das transações; c.2.3) que a contratação dos servico̧s prestados pela AXON fezse necessária para que a Reqte. pudesse avaliar as empresas cuja participaca̧õ societária pretendia adquirir para expansão de seus novos negócios; c.2.4) que a Reqte. apresentou aos AFRFB autuantes uma série de documentos comprovando os servico̧s efetivamente prestados pela empresa AXON, tais como, o estudo financeiro para aquisição de empresaalvo, a saber, a empresa ‘Hemisul.SCET’, que é dedicada à prestação de serviços de projetos de engenharia, gerenciamento técnico e consultoria em projetos de engenharia industrial, efetuado com base em ferramentas e técnicas atuais de finanças para a determinação de valor dos ativos; c.2.5) que a circunstan̂cia do referido estudo financeiro ter sido apresentado à fiscalização em documento salvo na extensão .pdf e não conter a assinatura do representante da AXON não retira a sua veracidade e, muito menos, inviabiliza a dedução dessa despesa na apuraçaõ da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pela Reqte, até mesmo porque a circulação de documentos dessa natureza em formato pdf é uma praxe e não lhe retira a validade; Fl. 3273DF CARF MF 8 c.2.6) que há outros documentos que dão suporte para a análise constante no referido relatório, tais como planilhas, informações financeiras, contábeis, atos societários da empresaalvo objeto do estudo, e outras informacõ̧es que, por serem sigilosas, por certo não teriam sido fornecidas à Reqte. se esta não tivesse manifestado interesse na aquisiçaõ da empresa ‘Hemisul.SCET’ (doc. no 04 e alíneas); c.2.7) que, ao contrário do quanto constou no relatório fiscal elaborado pelos AFRFB autuantes, a empresa AXON não é uma empresa “noteira” que foi utilizada pela Reqte; c.2.8) que os servico̧s prestados pela AXON são de tamanha importância e complexidade, que também são prestados, a título exemplificativo, pela PricewaterhouseCoopers (também chamada de PwC), empresa mundialmente conhecida como integrante do seleto grupo apelidado de “Big Four” de empresas de consultoria e auditoria; c.2.9) que também está anexando à presente impugnação cópias de outros documentos que foram localizados após o encerramento parcial do procedimento fiscal, os quais comprovam outros servico̧s que foram contratados com a empresa AXON para o estudo financeiro e análise de aquisica̧õ e expansão de novos negócios pela Reqte., tais como (i) a participação na Parceria Público Privada – PPP de reconstrucã̧o do Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão) em Belo Horizonte – MG, (ii) a participacã̧o na Parceria Público Privada – PPP referente à concessão para ampliaçaõ, manutenção e exploraçaõ dos Aeroportos Internacionais de Brasília, Campinas e Guarulhos, e (ii) a estruturacã̧o do modelo de Project Finance para o mercado de tratamento de resíduos sólidos urbanos, referente à tecnologia Usina Verde (doc. no 05 e alíneas); c.2.10) que tais documentos demonstram, de modo inegável, que a AXON prestou servico̧s de consultoria e assessoria financeira a ̀ Reqte., de modo absolutamente regular e com o claro objetivo de permitir à Reqte. a expansão de novos negócios para realização das suas atividades sociais; c.2.11) que a circunstância de a Reqte. não ter apresentado os relatórios de atividades e medicõ̧es exigidos pelos AFRFB autuantes como condição única e exclusiva para o reconhecimento da dedutibilidade de tais despesas não pode redundar em conclusão pela sua indedutibilidade; c.2.12) que os tipos de serviços prestados por tal empresa consistem, basicamente, em análises e elaboração de planilhas com indicativos contábeis e financeiros, as quais nem sempre geram os relatórios que os AFRFB autuantes entenderam que eram fundamentais; c.2.13) que o prestador de serviços que realiza o estudo contab́il e financeiro para aquisição de participação societária em empresasalvo ou, ainda, o estudo para desenvolvimento de determinada atividade que seja de interesse da Reqte. para a expansão de novos negócios não consome seu tempo produzindo relatórios das atividades desenvolvidas, pois esses são dispensáveis e não interessam ao tomador dos serviços, que tem sua atençaõ voltada para os resultados finais da empresaalvo a ser adquirida, tais como os números relativos às análises de resultado financeiro e contábil; c.3) quanto aos serviços prestados pela BCR: c.3.1) que também é inverídica a afirmação dos AFRFB autuantes de que a empresa BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP seria uma empresa “noteira”; Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.271 9 c.3.2) que os servico̧s de assessoria comercial que foram prestados pela empresa BCR consistiram na prospecção de novos negócios em obras de construção civil de clientes privados dentro do ramo de atuação da Reqte; c.3.3) que a a empresa BCR era responsável pela localizaçaõ de clientes privados (pessoas físicas e jurídicas) que estivessem interessados em realizar obras de construção civil; c.3.4) que a empresa BCR realizava a intermediaçaõ entre estes e a Reqte. para que o negócio fosse concluído, realizando todas as etapas de elaboraca̧õ de orçamentos, contatos comerciais e apresentaçaõ das propostas visando o início da prestação de serviços de construção civil pela Reqte; c.3.5) que a a sinergia de tal prestador de servico̧s com a Reqte. era tão grande, que o sócio que atuava em seu nome – Bráulio Cesar Rodrigues de Andrade – participava intensamente da negociação e finalização dos negócios, utilizando até mesmo o email corporativo da Reqte. para tratar diretamente com os clientes prospectados conforme demonstram os anexos e mails, propostas e contratos (doc. no 06); c.3.6) que, finalizando essa relação de prestação de serviços, em 08/09/2014, celebrou Instrumento Particular de Distrato do Contrato Verbal de Prestação de Servico̧s firmado com a BCR (doc. no 07), no bojo do qual foram elencados os clientes privados que foram prospectados pela BCR à Reqte. e a necessidade de manutenção da confidencialidade das informações relativas aos empreendimentos construídos para tais clientes privados; c.3.7) que os serviços presatdos pela BCR foram essenciais para que a Reqte. pudesse captar novos clientes privados para a consecução de suas atividades, de modo que a natureza de tais serviços não exige a realização de relatórios técnicos, pareceres, cronogramas, etc, tal como exigido pelos AFRFB autuantes, sendo certo que os documentos apresentados corroboram os serviços prestados, os quais saõ essenciais para a atividade da Reqte; c.3.8) que a ausência dos documentos exigidos pela fiscalizaçaõ não pode descaracterizar os serviços que, efetivamente, foram prestados pela BCR à Reqte., quando existem outros documentos aptos a demonstrar a efetividade dos serviços; c.4) que requerse seja acolhida a presente impugnação, restabelecendo se a dedução das despesas decorrentes dos serviços prestados pelas empresas Axon Consultoria Ltda. – ME e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP; d) quanto ao IRRF e os pagamentos feitos às AXON e BCR: d.1) que houve efetiva prestação de servico̧s pelas empresas AXON e BCR à Reqte., sendo certo que a documentação acostada aos autos comprova tais alegacõ̧es; d.2) que não pode o Fisco considerar esses pagamentos como pagamentos sem causa, eis que a causa que os motiva é a liquidaçaõ dos servico̧s de consultoria financeira e assessoria comercial que foram prestados à Reqte. pelas empresas AXON e BCR, respectivamente; d.3) que não podem os AFRFB autuantes desconsiderarem a natureza de tais pagamentos apenas e tão somente porque não lhes foram apresentados “relatórios técnicos, estudos, memoriais, levantamento de dados e análises, projetos, planos de ação, cronogramas, planilhas, pareceres, resultados, atas de reunião, relatórios de Fl. 3275DF CARF MF 10 viagens, comprovantes de viagens efetuadas etc” para comprovaçaõ dos serviços prestados; d.4) que, se há um fundamento e/ou uma justificativa, já não se está mais no âmbito de um pagamento sem causa, mas sim no da avaliaçaõ da qualidade da despesa, se ela é necessária para as atividades da empresa e, portanto, se se trata de despesa dedutível; d.5) que os esclarecimentos prestados nas linhas antecedentes, em conjunto com a farta documentaçaõ acostada aos autos comprovam não só a efetividade dos serviços prestados como a necessidade de tais serviços para a consecução das atividades da Reqte; d.6) que não se há de cogitar da existência de pagamentos sem causa, pois os pagamentos dos servico̧s estão amparados em notas fiscais regularmente emitidas e que também foram regularmente liquidadas; d.7) que, por tais razões, pede a Reqte. seja acolhida e provida a presente impugnação para que seja cancelada a integralidade dos valores exigidos a título de IRRF sobre os pagamentos efetuados às empresas AXON e BCR, eis que não se cuida de pagamentos feitos sem causa; e) quanto à multa qualificada: e.1) que vale destacar de início que, a teor do quanto mencionado nos itens 13 à 16, a Reqte. optou por realizar o pagamento parcial das exigências fiscais vinculadas aos prestadores de serviços Legend Engenheiros Associados Ltda. – EPP, MRTR Gestão Empresarial Ltda. – ME (antiga Nieto Gestão Empresarial Ltda.), Morales e de Paula Advogados Associados, Hefesto Consultoria e Projetos Ltda. e Alamo Empreendimentos e Assessoria Empresarial Ltda. – EPP, pagamentos estes que englobam a multa qualificada exigida de modo correlato; e.2) que o objeto da presente impugnação ficará adstrita à qualificaçaõ de multa imputada às exigências fiscais vinculadas aos prestadores de serviços Axon Consultoria Ltda. – ME (CNPJ/MF no 00.845.668/000130) e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP (CNPJ/MF no 05.644.929/000177); e.3) que, como se denota da leitura dos itens antecedentes, os AFRFB autuantes aplicaram à Reqte. multa de ofício de 150%, com a invocacã̧o do disposto no §1o do art. 44 da Lei no 9.430/96, na redacã̧o que lhe foi dada pela Lei no 11.488/07, sob a alegação de que a “evasão tributária perpetrada” pela Reqte. “ao deixar de recolher os tributos descritos neste Relatório Fiscal foi idealizada através da utilização de notas fiscais de prestação de servico̧s e recibos inidôneos, pois os serviços não foram prestados. Isto porque, conforme demonstrado, os pagamentos foram feitos por razão outra. Serviram para o acobertamento contábil e financeiro do pagamento de propinas”; e.4) que os AFRFB autuantes apoiaram a aplicaca̧õ da multa qualificada de que ora se trata na suposição de que se teria agido de maneira evasiva, com o registro de pagamentos com histórico contábil falso, utilizandose de documentação inidônea, de modo que tais atos teriam sido praticados deliberada e sistematicamente com a presença de dolo para a sonegação de tributos; e.5) que a conduta do contribuinte não foi marcada pela utilização de ardis e subterfúgios e tampouco foi movida pelo intuito de enganar, esconder e iludir ao Fisco (com evidente intuito de fraude), mas, ao contrário, se o contribuinte, intimado pelo Fisco, apresentou os registros contábeis e demais elementos que permitirão a averiguação da eventual matéria tributável e a constituição de lançamento de ofício, Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.272 11 não se está diante de conduta cuja gravidade seja capaz de justificar a aplicação da multa qualificada; e.6) que se está diante de multa que representa a “exceção da exceca̧õ” e que, portanto, não pode ser aplicada pelo Fisco se não se estiver diante de uma situação de gravidade tal que gere seu enquadramento num dos tipos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, que são os casos de sonegação, fraude ou conluio; e.7) que o contribuinte, ao ser intimado, apresentou todos os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, bem como seus livros e registros contábeis e fiscais, a eventual omissão de rendimentos apurada pela fiscalização a partir do exame de tais documentos não pode ser tida como conduta a ser apenada com a multa qualificada, pois tal multa só pode ser aplicada nos casos em que o contribuinte claramente buscou enganar, ludibriar ou retardar a atividade fiscalizatória da Receita Federal, o que é conduta incompatível com o contribuinte que, com desvelo, colabora com a fiscalização em tudo que lhe é solicitado; e.8) que não é cabível a aplicaca̧õ da multa qualificada que foi imposta no bojo dos autos de infração ora impugnados com relação aos prestadores de serviços AXON e BCR, porque não estão presentes, no caso vertente, os pressupostos que são indispensáveis para sua aplicacã̧o; e.9) que não há qualquer sorte de dolo específico e tampouco de fraude, conluio ou sonegacã̧o com relação aos prestadores de serviços AXON e BCR; e.10) que não há nenhum elemento de prova carreado aos autos pela fiscalização no sentido de que a Reqte. teria agido movida pela presença de dolo específico e direcionado para, mediante a utilizacã̧o de ardis e artifícios, causar prejuízo ao Fisco; e.11) que a fiscalização não aceitou a documentação apresentada para a comprovacã̧o dos serviços prestados e, sem produzir qualquer sorte de prova da existen̂cia de fraude, conluio ou sonegação, aplicou a multa qualificada nas exigências fiscais vinculadas aos prestadores de serviços AXON e BCR em hipótese na qual a multa qualificadora evidentemente não é aplicável; f) quanto ao pedido: f.1) que seja julgado extinto, nos termos do art.156, inciso I , do Código Tributário Nacional, o crédito tributário a título de IRPJ, CSLL e IRRF exigidos com relacã̧o aos prestadores de servico̧s Legend Engenheiros Associados Ltda. – EPP, MRTR Gestão Empresarial Ltda. – ME (antiga Nieto Gestão Empresarial Ltda.), Morales e de Paula Advogados Associados, Hefesto Consultoria e Projetos Ltda. e Alamo Empreendimentos e Assessoria Empresarial Ltda. – EPP, tendo em vista que a Reqte. optou pela realização do pagamento dos valores exigidos com relação aos referidos prestadores de serviços; f.2) que sejam consideradas dedutíveis todas as despesas decorrentes da prestacã̧o de servico̧s às empresas Axon Consultoria Ltda. – ME (CNPJ/MF no 00.845.668/000130) e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP (CNPJ/MF no 05.644.929/000177), que foram indevidamente glosadas pela fiscalização; f.3) que em funcã̧o do reconhecimento de que a Reqte. faz jus à deducã̧o das despesas mencionadas no item ‘b’ acima e que, portanto, os pagamentos Fl. 3277DF CARF MF 12 efetuados às empresas Axon Consultoria Ltda. – ME (CNPJ/MF no 00.845.668/000130) e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP (CNPJ/MF no 05.644.929/000177) não tratam de pagamentos sem causa, seja cancelada a integralidade das exigências fiscais feitas a título de IRPJ, CSLL, IRRF e multa isolada prevista no art. 40, inciso II, alínea ‘b’ da Lei no 9.430/96, nos autos de infração ora impugnados, com base nas razões de direito acima declinadas, as quais demonstram a improceden̂cia da integralidade de tais autos de infração; f.4) quando menos, seja reconhecida a inaplicabilidade da multa qualificada no caso vertente, reduzindose a multa imposta pela fiscalização à Reqte. em relaçaõ às exigências fiscais decorrentes da acusação de realizacã̧o de pagamentos sem causa aos prestadores de servico̧s Axon Consultoria Ltda. – ME (CNPJ/MF no 00.845.668/000130) e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP (CNPJ/MF no 05.644.929/000177). Cientificado dos lançamentos em 19/10/2016 (AR a fls. 724), o responsável tributário, Roberto Ribeiro Capobianco, apresentou impugnação (a fls. 699 e segs.) em 18/11/2016 (Termo a fls. 2359), assinada por Cristiane Tamy Tina de Campos, a qual foi investida de poderes para representar o responsável por meio da procuração a fls. 2320. Nessa impugnação, o responsável tributário, além de repisar os argumentos aduzidos pela contribuinte em contestação à multa qualificada, assim se insurge contra a sua responsabilização: a) que, tendo conhecimento do pagamento parcial feito pela contribuinte, a impugnação do responsável tributário fica adstrita a impugnacao da sujeição passiva remanescente imputada ao Reqte. com relação aos prestadores de serviços Axon Consultoria Ltda. ME e BCR Andrade — Assessoria Empresarial Ltda. – EPP; b) que afirmaram os AFRFB autuantes que o Reqte., na qualidade de diretor presidente da Construcap CCPS, teria praticado atos com infração a Lei n° 4.502/64 (arts. 71, 72 e 73), na forma de sonegação, fraude e conluio, apresentando, como suposta evidencia desses atos, a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal na operação Lava Jato, que deu origem a ação penal n° 503780018.2016.404.7000; c) que os únicos elementos de prova apresentados pela fiscalização para sustentação da afirmação de que o Reqte teria praticados atos com infração a lei são alguns trechos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal na operação Lava Jato; d) que as alegações dos AFRFB constantes no relatório fiscal que acompanhou os autos de infração tratamse de meras ilações que não se sustentan diante da ausência de qualquer prova da prática de atos com infração a lei pelo Reqte; e) que há que se esclarecer que, em função dos pagamentos efetivados pela empresa autuada para fins de extinção dos créditos tributários vinculados a empresas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal como tratadas na operação Lava Jato, com a extinção dos tributos, extinguese também a imputação de responsabilidade solidária atribuída ao Reqte com relação a tais prestadores de serviços, motivo pelo qual a responsabilidade solidária remanescente nos presentes autos diz respeito, exclusivamente, as empresas AXON e BCR, as quais não guardam qualquer relação com a citação operação, e também foram apresentadas no TVF de forma totalmente independente da referida Lava Jato; Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.273 13 f) que ainda assim, a imputação de responsabilidade solidária feita em face do Reqte. com relação às empresas AXON e BCR busca seu fundamento na denúncia apresentada pelo MPF naquela operação; g) que, no caso vertente, e inegável que os AFRFB não comprovaram a presença dos requisitos agasalhados no inciso III do art. 135 do CTN, que são fundamentais para que se possa cogitar da responsabilidade de pessoas físicas por débitos de pessoas jurídicas; h) que os AFRFB autuantes não trouxeram aos autos qualquer comprovação de que o Reqte. teria agido com infração a lei capaz de fundamentar sua responsabilização pelos débitos exigidos originariamente em face da empresa Construcap; i) que trechos da denúncia formulada pelo MPF na operação Lava Jato não é suficiente para comprovar que o Reqte. tenha agido com fraude, dolo ou máfé, mesmo porque a ação penal ainda está em julgamento e não foi proferida qualquer decisão judicial em relação ao Reqte; j) que os serviços prestados pela AXON e BCR não têm qualquer relação com a operação Lava Jato; k) que não se comprovou a prática de quaisquer atos com dolo, fraude ou simulação pelo Reqte. com relação aos serviços que foram prestados pelas empresas AXON e BCR e, muito menos, que tais empresas estivessem envolvidas na Lava Jato; l) que as exigências feitas a título de IRPJ, CSLL e IRRF em face da empresa Construcap decorreram apenas de os AFRFB autuantes considerarem insuficientes os documentos que foram apresentados no curso da fiscalização para a prova efetiva dos serviços prestados, o que acarretou na glosa das despesas que foram deduzidas pela empresa autuada com relação aos pagamentos feitos as referidas empresas, bem como no enquadramento de tais pagamentos como pagamentos sem causa; m) que, portanto, não provaram os AFRFB a prática de qualquer ato com fraude, dolo ou máfé pelo Reqte. para justificar a atribuição de responsabilidade tributária solidária pelos tributos exigidos em face da pessoa jurídica da qual o Reqte. é diretor, motivo pelo qual e de rigor o acolhimento da presente impugnação, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em face do Reqte., e o reconhecimento da improcedência de sua responsabilização tributária pelos débitos ora exigidos; n) requerse seja recebida e acolhida a presente impugnação, cancelandose o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado em face do Reqte. e julgandose improcedente sua responsabilização solidária pelos débitos ora exigidos, pelas razões expostas nas linhas antecedentes e, subsidiariamente, que seja recebida e provida a presente impugnação para o fim de que seja afastada a aplicação da multa qualificada. Quando da decisão da DRJ, restou assim ementada a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 Fl. 3279DF CARF MF 14 GLOSA DE DESPESA. DEVIDA Há que se manter a glosa da despesa se a contribuinte não logra prova a efetiva prestação do serviço. MULTA QUALIFICADA. INDEVIDA. Deve ser afastada a qualificação da multa, para reduzir o seu percentual de 150% para 75%, quando não restar provado o dolo de sonegar ou de fraudar. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, "mutatis mutandis", ao lançamento da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CAUSA DE PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. NÃO IDENTIFICADOS Deve ser mantido o lançamento do IRRF com base no art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95, quando não identificada a causa ou o real beneficiário de pagamentos. MULTA QUALIFICADA. INDEVIDA. Deve ser afastada a qualificação da multa, para reduzir o seu percentual de 150% para 75%, quando não restar provado o dolo de sonegar ou de fraudar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a decisão, apresentou a contribuinte o competente recurso arguindo, em síntese: que os débitos exigidos com relação ao período anterior a 19/10/2011 devem ser julgados extintos por decadência. E isto porque com o afastamento da multa qualificada anteriormente aplicada no caso presente, deve ser aplicada às exigências fiscais discutidas a regra inserta no §4º do artigo 150 do CTN, que prevê a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos para o aperfeiçoamento da decadência do direito de o Fisco constituir os tributos respectivos. Com relação às demais argumentações, repetiu as razões de sua impugnação, bem como argumentou que deve ser mantida a decisão da DRJ com relação à redução da multa e a desoneração dos responsáveis solidários. Apresentou a Procuradoria da Fazenda contrarazões ao recurso voluntário, bem como recurso de ofício, alegando em síntese: Que a autuação de IRPJ, CSLL e IRRF da empresa deve ser mantida tendo em vista que a empresa é somente mais uma na operação lavajato e que tinha diversas noteiras para simplesmente perpetrar seu esquema criminoso. Cita várias jurisprudências sobre a matéria já julgado nesse Conselho. Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.274 15 Que devem a multa e a responsabilidade do Sr. Roberto Ribeiro Copobianco ser mantida, tendo em vista que a prática da Construcap era de fraudar o fisco e utilizarse de empresas noteiras com o claro intuito da prática de crimes. Cita ainda sentença condenatória do Sr. Roberto Copobianco no âmbito da operação lavajato. Agumenta ainda que não pode ser aplicado o art. 150 no caso dos autos pois tendo em vista que o IRRF não foi pago deslocase o prazo decadencial para o art. 173, ambos do CTN. Aduz ainda que por força da aplicação da multa qualificada, o que comprova a demonstração do dolo, deve ser aplicado também o 173, I do CTN, com relação ao IR e CSSL. Por fim, argui a aplicação da multa isolada e multa de ofício concomitantemente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade e portanto dele conheço. I Do Recurso de Ofício Com relação à parte desonerada pela DRJ, cumpre ressaltar que foi desconsiderada a multa por fraude, bem como a responsabilidade pessoal do administrador pelo fato de que nesses autos foram impugnados tãosomente os valores relativos a duas empresas, quais sejam, a Axon e a BCR, sendo que os demais valores não foram sequer impugnados pela Contribuinte ou responsável. Pois bem, a qualificação da multa e a responsabilidade pessoal do administrador se deu por estarem os valores pagos relacionados com a operação lavajato. Contudo, restou demonstrado nos autos que as empresas Axon e BCR não estavam envolvidas nessa operação. Nesse sentido, andou bem a decisão da DRJ que desqualificou a multa e exonerou a responsabilidade tributária, devendo essa ser mantida por seus próprios fundamentos: Inicialmente, há que se ressaltar que a responsabilidade tributária de Roberto Ribeiro Capobianco será analisada apenas com relação à parte impugnada do lançamento, ou seja, no que se refere às operações com a AXON e a BCR. Fl. 3281DF CARF MF 16 No que foi tratado no capítulo anterior desta decisão, já se verificou que não havia nos autos prova para justificar a qualificação da multa, pois não restou caracterizado o dolo de fraudar/sonegar nas operações da impugnante com a Axon Consultoria Ltda. – ME e BCR Andrade – Assessoria Empresarial Ltda. – EPP, o que é razão suficiente para afastar a responsabilidade de Roberto Ribeiro Capobianco em relação ao crédito tributário impugnado, mormente quando sua responsabilidade foi fundamentada no art. 135, III, do CTN. Ademais, a responsabilização de Roberto Ribeiro Capobianco, no Relatório Fiscal, foi justificada pela “participação do Diretor Presidente da Construcap, Senhor Roberto Ribeiro Capobianco, no esquema criminoso da Lava Jato”. Ora, na medida em que constatamos que nada do que foi alegado no Relatório Fiscal vincula as empresas AXON e a BCR à operação Lava Jato, não há como manter a responsabilização de Roberto Ribeiro Capobianco. Com relação ao recurso de ofício da Procuradoria, muito bem fundamentando onde restou demonstrando que a Construcap e o Sr. Roberto Copibianco participaram do esquema criminoso da operação lavajato, cumpre salientar que a justificativa para que a multa fosse qualificada bem como a responsabilidade pessoal do administrador foi considerada no TVF (de mais de 70 pgs que explica todo esquema criminoso da operação) tãosomente em função de estar a contribuinte envolvida da operação lavajato, conforme descrito abaixo: "a Construcap entabulou diversos contratos com noteiras, bem como com outras pseudo pessoas jurídicas, todos ideologicamente falsos, com objetivo de possibilitar o fluxo financeiro da propina para os agentes (políticos e privados) envolvidos.." A partir do momento em que não restou demonstrado que a Axion ou a BCR estavam envolvidas no esquema, a justificativa para as "penalidades" não subsistem, restando carente de fundamentação as alegações da fiscalização. Isso porque, certo é que tanto a Construcap quanto as demais empresas citadas no TVF, todas envolvidas na operação lavajato, para além dos negócios escusos que ficaram devidamente comprovados naquela operação em que se pagava à partido ou agentes políticos propina, elas também possuíam atividades lícitas (mesmo que superfaturadas) como construção civil, estradas, refinarias.... Contudo, a atividade do Estado de tributação que é plenamente vinculada impede que seja cobrado tributo sem que o tipo descrito na norma seja perfeitamente cumprido, similarmente ao direito penal. Nesse sentido, deveria estar descrito no TVF o evidente intuito de fraude ou redução do lucro líquido que imporia sim a qualificação da penalidade. Contudo a fraude descrita no Termo de Verificação apenas abarca os casos da operação lavajato. Não estando Axon, tampouco BCR envolvidas nesse esquema, deve ser afastada a qualificação da multa pela carência de similitude com o tipo descrito na norma. Portanto, não sendo possível a vinculação das empresas Axion e BCR com o esquema da referida operação, não pode ser mantida a autuação nesses pontos. Deve, assim, ser mantida a decisão da DRJ exonerando os responsáveis tributários, bem como a redução da multa de 150 para 75%. Pelo acima exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.275 17 II Decadência A decadência das parcelas anteriores aos 5 anos da data da autuação, qual seja, 19/10/11 somente foi arguida em sede de recurso, tendo em vista a exclusão da multa. Porém, certo é que a matéria de decadência, por ser de ordem pública, não preclui, devendo ser enfrentada nesse julgamento. Pois bem, com relação ao IRPJ e a CSLL, vemos que a glosa dos valores pagos à Axion e à BCR, apesar de não terem sido efetivamente "pagas", pois houve a dedução do IRPJ e CSLL, há pagamento mensal desses impostos. Assim, não restando configurado o dolo, mesmo que por carência de descrição do tipo, deve ser considerado o prazo do art. 150, §4º do CTN, restando portanto decaídos os valores anteriores a março de 2011, quando ocorreu evento societário encerrando o exercício. Com relação ao IRRF, não cabe arguir a decadência, pois não há qualquer pagamento a ser homologado, devendo, portanto ser aplicada a regra fixada no art. 173 do CTN, conforme disposto pela Súmula CARF 114, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 114: O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. III Dos pagamento sem causa à Axon e BCR CSLL, IRPJ e IRRF Pois bem, com relação ao mérito propriamente dito da autuação, certo é que optou a contribuinte por impugnar apenas as parcelas relativas aos pagamentos de as empresas que não estavam relacionadas na operação lavajato. Com essa estratégia, tendo em vista que o TVF embasouse na própria operação, desonerouse a recorrente, conforme decidido pela DRJ e confirmado por essa relatora, da qualificação da multa, bem como a responsabilidade pessoal do sócio adminstrador. Contudo, não restou demonstrado cabalmente que os valores pagos as empresas referiramse a serviços efetivamente prestados, tampouco se as empresas tinham capacidade técnica para a prestação desses serviços. Isso porque o conjunto fático probatório exposto nos autos resta desfavorável à Recorrente na medida em que não há como negar que a prática de atos fraudulentos faziam parte, por assim dizer, de suas práticas usuais. Não estar demonstrado que as empresas Axon e BCR estavam envolvidas na operação lavajato não é suficiente para comprovar que os pagamentos foram realizados com causa (livrandoa do IRRF), tampouco que o serviço foi efetivamente prestado e que seria necessário para a consecução de seu objeto social, o que lhe garantiria a dedutibilidade das parcelas pagas da base de cálculo do IRPJ bem como da CSLL. Fl. 3283DF CARF MF 18 Pelo exposto, tenho como imutável a decisão da DRJ que mantenho pelos próprios fundamentos, quais sejam: Ora, não é razoável que a Construcap tenha pago R$ 5,5 milhões de reais para a AXON apresentar planilhas excel e um “Project Finance”de pouco mais de 20 páginas. Ora, não é só a apresentação dos documentos que não condizem com o valor pago, mas também o seu resumido conteúdo. Verificase que o item 2.1 do contrato entre a impugnante e a AXON previa a: elaboração de modelo econômico financeiro detalhado da Empresa Alvo, incluindo resultados históricos e projeções de demonstrativo de resultado, fluxo de caixa e balanço patrimonial. A carta apócrifa de pouco mais de 20 páginas não é o que se pode chamar de modelo econômicofinanceiro detalhado, além disso, a Construcap não apresentou qualquer laudo de avaliação de qualquer empresa alvo. Noutro ponto, a impugnante alega que a Axon teria feito a avaliacã̧o de empresasalvos, mas a impugnante não apresentou qualquer laudo de avaliação de qualquer empresa, inclusive os documentos apócrifos apresentados que citam a Hemisul.SCET não podem jamais ser considerados um laudo de avaliação. Apenas no momento em que protocolou a impugnação, a impugnante apresentou um laudo de avaliação da Hemisul.SCET, no entanto, com a mesma fragilidade dos documentos antes apresentados, qual seja, sem qualquer indicação do técnico que elaborou o estudo, pois não consta nem a assinatura nem o nome de quem elaborou. A impugnante quer nos fazer crer que o estudo foi elaborado pela Axon, como se o timbre “Axon Consultoria” fosse suficiente para concluirmos sobre a autoria do estudo. Tratase de um documento aprócrifo, sob o qual pesa a dúvida de ter sido adrede concebido para lastrear a impugnação apresentada. Assim, concluo que a impugnante não logrou provar a efetiva prestação de serviços pela AXON, razão pela qual mantenho a glosa da despesa neste ponto. Quanto aos serviços prestados pela BCR: Com relação aos serviços prestados pela BCR, sustenta a fiscalização que a Construcap se limitou a apresentar cópia das notas fiscais de prestação de servico̧s e dos comprovantes dos pagamentos realizados. Ora, não é razoável que se pague R$ 5.063.101,81 para um prestador de serviço, contratado verbalmente e que não produziu prova que possa ser apresentado pela contratante, a ora impugnante. Assim, mantenho a autuação pela indutibilidade das parcelas pagas às empresas dos valores devidos a título de IRPJ, bem como CSLL e tendo restado também configurado o pagamento sem causa, também mantenho a autuação do IRRF. IV Multa isolada e multa de ofício A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Utilizo voto da Conselheira Lívia, excomponente desse turma que muito bem fundamenta a tese: Em um extremo está a corrente que defende que, mesmo após a Lei 11.488/2007, uma vez encerrado o anocalendário não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Por outro lado, há os que entendem que a Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.276 19 imposição da multa independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. Em uma posição intermediária está a corrente adotada pelo presente voto, há muito sustentada pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que fora integrante desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. Fl. 3285DF CARF MF 20 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 15868.720074/201617 Acórdão n.º 1401003.101 S1C4T1 Fl. 3.277 21 Faz toda a diferença considerar que estamos tratando de direito sancionatório e, nesta seara, não se pode admitir que se trate como independentes penas aplicadas sobre uma infração conteúdo (provisório) e sobre uma infração continente (e efetiva). Em outros termos: não há dúvida de que estamos tratando de multas relacionadas a um mesmo fato gerador de tributo (isto é, IRPJ/CSLL devidos em 31 de dezembro do anocalendário), de maneira que, mesmo que se queira dizer que não se trata da mesma infração (conduta), impõese considerar que o bem jurídico maior é o tributo efetivamente devido, do que é conteúdo provisório ou iter preparatório o bem jurídico representado pelo dever de adiantar estimativas de "algo" (e não "algo efetivo"). Desse modo, se por um lado é preciso dar sentido à norma que prevê a aplicação da multa pelo não recolhimento de estimativas mesmo em caso de apuração de prejuízo fiscal ou base negativa (redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007), por outro mantémse a premissa de que não se pode penalizar mais a infraçãoconteúdo que a infraçãocontinente. Assim, no caso em questão, entendo que as multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. Portanto, em razão da consução, conduzo meu voto para que as multas isoladas sejam canceladas na medida em que devem ser absolvidas pela aplicação da multa de ofício de IRPJ e CSLL. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: i) negar provimento ao recurso de ofício mantendo a exoneração da responsabilidade e a desqualificação da multa de 150 para 75%; ii) reconhecer a decadência do IRPJ e CSLL do período compreendido entre 01/01/2011 e 31/03/2011, iii) manter a autuação de IRRF; IRPJ e CSLL; iv) absorver as multas isoladas até o limite dos valores das multas de ofício. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Fl. 3287DF CARF MF 22 Fl. 3288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000631/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ILEGITIMIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-006.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ilegitimidade recursal.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, , Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. Recorrente LINDAURA DE FREITAS BAPTISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ILEGITIMIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ilegitimidade recursal. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, , Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 06 31 /2 00 9- 04 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13770.000631/200904 Acórdão n.º 2402006.988 S2C4T2 Fl. 57 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 3ª Tuma da DRJ/BSB, consubstanciada no Acórdão nº 0346.244 (fls. 32), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, temse que: Para o(a) contribuinte identificado(a) no preâmbulo, foi emitida, por Auditor Fiscal da DRF Vitória (ES), a Notificação de Lançamento de fls. 5/9, referente ao imposto de renda pessoa física do exercício 2006. Foi apurado imposto suplementar de R$ 4.446,38, mais multa de ofício e juros de mora. A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND nº 07/36.580.363, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da seguinte irregularidade: • Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$197.580,08 (Ministério da Saúde – R$ 7.495,93 e Polícia Civil do DF – R$ 190.084,15), conforme enquadramento legal e descrição dos fatos no corpo da Notificação. Depois da ciência do lançamento, o(a) contribuinte apresenta impugnação às fls. 1. Em resumo, o(a) impugnante alega que, em decorrência de moléstia grave, tem direito à isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Para provar o alegado, junta documentos aos autos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13770.000631/200904 Acórdão n.º 2402006.988 S2C4T2 Fl. 58 3 Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 50, por meio do qual reitera, em síntese, o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo. Entretanto não deve ser conhecido pelas razões abaixo expostas. A unidade de origem, recepcionou o documento de fl. 50, entregue em 26/03/2012, como recurso voluntário e deu seguimento para julgamento de segunda instância, conforme DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO de fl. 55, emitido na mesma data de 26/03/2012. Ocorre que, analisandose o referido documento de fls. 50, recepcionado pela Unidade de Origem como recurso voluntário, verificase que o seu subscritor, Srª Gláucia de Freitas Baptista, não possui, nos presentes autos, poderes para representar a contribuinte, Srª Lindaura de Freitas Baptista, genitora daquela. No caso em análise, verificase que a impugnação, de fls. 01, foi assinada pela própria contribuinte. Já o recurso voluntário, como dito, foi assinado pela Sra. Gláucia de Freitas Baptista, filha da contribuinte, a qual apresentou, junto com a peça recursal, a Certidão de Óbito da contribuinte (fls. 52). É bem verdade que, às 04, consta procuração pública outorgada pela Sra. Lindaura, ora contribuinte, em favor da sua filha, Sra. Gláucia de Freitas Baptista. Ocorre que, por meio do referido instrumento, a Sra. Lindaura de Freitas Baptista nomeou e constituiu Gláucia de Freitas Baptista como sua procuradora, conferindo lhe poderes para requerer a isenção do Imposto de Renda junto ao órgão da Polícia Civil em BrasíliaDF, podendo dita procuradora requerer o que preciso for, juntar e apresentar documentos, prestar declarações, cumprir exigências de estilo, assinar o quefor preciso, praticar, enfim, tudo o que necessário for ao bom e fiel cumprimento do referido mandato. Como se vê, a procuração pública em questão não outorga poderes para a Sra. Gláucia de Freitas Baptista representar a contribuinte nos presentes autos, nem de forma específica, tampouco de forma genérica. Assim, tendo vindo a falecer a Sra. Lindaura no curso do contencioso administrativo, o recurso voluntário deveria ter sido apresentado, in casu, pelo espólio da contribuinte, representado pelo inventariante, nos termos do inciso V, art. 12, do CPC/73, vigente à época do protocolo do recurso voluntário. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13770.000631/200904 Acórdão n.º 2402006.988 S2C4T2 Fl. 59 4 A legitimidade de parte ou legitimidade para a causa (ad causam) se refere ao aspecto subjetivo da relação jurídica processual e nesse aspecto Gláucia de Freitas Baptista não possui legitimidade para figurar como representante de Lindaura de Freitas Baptista, senão vejamos: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, que institui o Código de Processo Civil. Art. 3º Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 4º O interesse do autor pode limitarse à declaração: I da existência ou da inexistência de relação jurídica; II da autenticidade ou falsidade de documento. Parágrafo único. É admissível a ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. Art. 5º Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Art. 6º Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. (grifei) E no caso concreto, a lei atribui ao espólio, representado pelo inventariante, poderes para litigar em juízo em nome do de cujus. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, em razão da incapacidade processual do seu subscritor. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.911792/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 30/01/2006
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE LITIGIOSIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Constatada a concordância por parte da contribuinte com a decisão proferida em despacho decisório, confirmada pelo acórdão da DRJ, fato expressamente reconhecido na manifestação de inconformidade e corroborado no Recurso Voluntário, não se conhece da peça com recurso do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-006.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE LITIGIOSIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Constatada a concordância por parte da contribuinte com a decisão proferida em despacho decisório, confirmada pelo acórdão da DRJ, fato expressamente reconhecido na manifestação de inconformidade e corroborado no Recurso Voluntário, não se conhece da peça com recurso do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 17 92 /2 01 2- 72 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10830.911792/201272 Acórdão n.º 3302006.553 S3C3T2 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto como meu relato o relatório do acórdão da DRJ/JFA nº 0955.451, da 2ª Turma, proferido na sessão de 13 de novembro de 2014: Tratase de Per/Dcomp 09497.82956.221210.1.26876 que visou à restituição de crédito decorrente de pagamento indevido/a maior no valor de R$ 199.638,85 (2172, PA 31/01/2006, arrecadação em 15/02/2006, Darf no total de R$ 3.356.397,35). Referido Per foi deferido parcialmente via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse um ou mais pagamentos utilizados para quitação de débitos, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido. Manifestação de inconformidade abaixo por excertos: “Reconhecemos a restituição parcial da PER/DCOMP [...]. Diante do exposto, entendendo ter esclarecido integralmente ao teor do Despacho Decisório [...] a requerente concorda com a suposta decisão prolatada [...] no sentido de ser recolhido parcialmente o Pedido de Restituição da PER/DCOMP número 09497.82956.221210.1.26876 [...]" É o relatório. A decisão da qual o relato acima foi retirado não conheceu da manifestação de inconformidade feita pela contribuinte, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato gerador: 30/01/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. Uma vez que na peça que serviu de manifestação de inconformidade é expressa a concordância como o juízo firmado no Despacho Decisório, não se instalando assim o litígio, não há que se conhecer como tal a referida manifestação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em que pese ter havido a concordância da contribuinte e relação ao descrito no despacho decisório, o que se deu de forma expressa em sua manifestação de inconformidade, intimada da decisão do acórdão da instância a quo, em peça recebida como Recurso Voluntário, a recorrente replica as alegações trazidas outrora trazidas. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10830.911792/201272 Acórdão n.º 3302006.553 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Em que pese ter sido protocolado tempestivamente, o recurso voluntário, segundo as razões abaixo aduzidas, não deve ser conhecido. No entender deste Conselheiro, houve um equivoco por parte da unidade preparadora ao considerar a petição da contribuinte de efls. 51/54, como uma peça de recurso voluntário. Analisando referido documento resta claro se tratar de petitório de renúncia ao direito de recorrer, por expressa concordância com as conclusões trazidas pelo despacho decisório, observemos parte destacada da mencionada petição abaixo colacionada: (...) 13. Nesse sentido, é a presente para informar que a Requerente não possui interesse em recorrer do v. Acórdão 0955.451, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, uma vez que o r. Despacho Decisório n° 042056782 está em consonância com o que foi pleiteado pela Requerente perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. 14. Isso porque, como se viu, os créditos existentes em favor da Requerente foram utilizados quase que integralmente nas compensações formalizadas por meio das DCOMPs n's 01689.50375.241109.1.3.042051 e 32088.80741.231210.1.3.04 2904, as quais foram expressamente homologadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 15. Assim, conforme restou decidido pelo Despacho Decisório, a Requerente faz jus à restituição do valor histórico de R$ 0,04, devidamente corrigido, correspondente ao montante que não foi objeto de compensação nas DCOMPs acima indicadas. 16. Nesse sentido, em 20/12/2012, a Requerente recebeu da Secretaria da Receita Federal o valor remanescente do crédito de COFINS que fazia jus, correspondente ao montante atualizado de R$ 0,06 (seis centavos de real). 17. Diante disso, considerando que a Secretaria da Receita Federal do Brasil já efetuou o depósito do crédito remanescente em conta bancária de titularidade da Requerente, requerse o arquivamento do presente processo por essa D. Delegacia. Destarte, restou clara a falta de interesse recursal informada de forma expressa pela própria contribuinte. Ademais, a falta de interesse em recorrer da decisão exarada em despacho decisório, restou evidenciada desde a trazida aos autos pela contribuinte da manifestação de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10830.911792/201272 Acórdão n.º 3302006.553 S3C3T2 Fl. 5 4 inconformidade, que na verdade não carregava qualquer inconformismo, ao contrário, já trazia a concordância com o que fora decidido. Desta forma, considerando que a fase litigiosa do processo administrativo fiscal é inaugurada com o protocolo da impugnação, nos termos do art. 14 do DecretoLei nº 70235/72, e, sendo certo que não houve qualquer resistência da contribuinte em sua manifestação, não há que se falar em conhecimento da manifestação de inconformidade, muito menos do recurso voluntário, assim definido pela autoridade preparadora. Vale destacar ainda o que disciplina o inc. III, do art. 16, do decreto já mencionado, vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(grifei) (...) Ora. Se não temos pontos de discordância, conforme demonstrado acima, não há pretensão resistida por parte da contribuinte, vale dizer, não há interesse processual e, portanto, não há litígio. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900593/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900981/2009-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900981/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.568 de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .9 00 59 3/ 20 08 -6 9 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido(CSLL) De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de processamento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, transmitida antes do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Todavia, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, em síntese, diante da insuficiência da prova documental anexada à Manifestação de Inconformidade, in verbis: Em hipótese tal qual a dos autos, fazse indispensável, portanto, a exibição dos registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, a devida contabilização das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os lançamentos de eventuais compensações, os registros pertinentes do livro “LALUR” etc. No caso concreto, ao que consta dos autos, a antecipação em tela foi apurada pelo sujeito passivo nos termos e em conformidade com a legislação vigente (haja vista a não exibição de balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro Diário, que autorizassem a suspensão ou redução do pagamento do tributo devido art. 230, § 1° do RIR/I999). Também a documentação trazida aos autos pela interessada (limitada à cópia de DARF fl. 11) não autoriza a conclusão de que decorre da estimativa mensal em tela a existência de qualquer indébito. O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real presumido, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial ou balancetes mensais, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquid o do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A forma de tributação na qual estava enquadrada a empresa, no exercício em questão (exercício em que esta sendo discutida a compensação) era “lucro real presumido” no qual é feito o recolhimento por estimativa mensal, baseandose na receita bruta, devendo ser ao final do ano calendário realizada à apuração do tributo devido, forma de tributação esta detalhadamente explicada no relatório do acórdão, elaborado pela relatora, do qual transcrevemos trechos. Contudo, quando do termino do ano calendário, ao ser realizada a apuração do imposto devido, momento em que é possível se fazer à comparação entre o valor pago e o efetivamente devido, é que se obteve o valor de crédito, (advindo da diferença entre créditos e débitos), que poderia vir a ser usado em futuras compensações, ou seja, abatimento de impostos devidos. No exercício em pauta, conforme a nossa explanação, ao serem analisados os valores apurados e devidamente registrados nos documentos que seguirão em anexo, é possível chegar ao valor de crédito abaixo identificado: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 6 5 Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referente ao anocalendário de 2002; (ii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com pagamento da estimativa mensal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), período de apuração de maio/2002 e valor de R$ 86,40, e; (iii) Livro Diário, anocalendário de 2002, contendo a transcrição do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado e Demonstração dos Lucros e Prejuízos acumulados. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 7 6 perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado antes do despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 8 7 em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase que o Recorrente, aparentemente, comprova seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), havendo o pagamento a maior da estimativa mensal. Todavia, demonstrou somente o pagamento da estimativa mensal de maio/2002, com valor de R$ 86,40, não anexando os demais comprovantes, que somariam o montante total de R$ 3.551,63. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13227.900593/200869 Resolução nº 1201000.568 S1C2T1 Fl. 9 8 pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao anocalendário de 2002, que totalizaram R$ 3.551,63. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido(CSLL), oriundo do pagamento a maior de estimativa mensal, referente ao Período de Apuração de 30/11/2003 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905417/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.728
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 41 7/ 20 16 -2 1 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.905417/201621 Resolução nº 3401001.728 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.905417/201621 Resolução nº 3401001.728 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.905417/201621 Resolução nº 3401001.728 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.905417/201621 Resolução nº 3401001.728 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.905417/201621 Resolução nº 3401001.728 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722892/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 2401-006.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente ELISANGELA CLAUDIA DE MEDEIROS MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 28 92 /2 01 2- 08 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10280.722892/201208 Acórdão n.º 2401006.101 S2C4T1 Fl. 58 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 23/26), anocalendário 2010, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 54.000,00, por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/06) e documentos (fls. 07/18), considerada tempestiva, alegando que (a) as importâncias foram pagas (fls. 11/13) com lastro nas normas de Direito de Família (CC, arts. 1695 a 1698), pois seu pai não pode trabalhar por doença grave, a mãe sempre foi do lar e o irmão possui grave doença mental e não possui capacidade laborativa (fls. 15/17); (b) tramita em segunda instância judicial ação de alimentos ajuizada pelos alimentandos e, quando citado na ação judicial, formulou acordo extrajudicial mediante Escritura Pública (fls. 08/10). Logo, não há mera liberalidade, mas de obrigação legal; (c) sendo prestação alimentícia, indevida a multa de ofício; e (d) não sendo, não pode ser penalizado por pleitear direito seu.. Do Acórdão atacado (fls. 37/42), em síntese, extraise que (a) escritura pública declaratório (fls. 08/10) não autoriza a dedução; e (b) a aplicação das multas de ofício segue os percentuais estabelecidos pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Intimado em 25/05/2015 (fls. 47), o contribuinte interpôs em 24/06/2015 (fls. 47) recurso voluntário (fls. 48/49), em síntese, alega: (a) a interpretação literal do art. 4 , II, da Lei n 9.250, de 1995, revela rol exemplificativo de documentos, a amparar a escritura pública declaratória, tendo a situação sido formalizada posteriormente por sentença judicial; (b) entendimento diverso é inconstitucional, por ofensa ao princípio constitucional da proporcionalidade; (c) sendo cabível a dedução, indevida a multa de 75%; (d) não pode ser penalizado por pleitear direito; e (e) pede a total reforma do acórdão proferido para o reconhecimento da dedução. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A interpretação literal do art. 4º , II, da Lei nº 9.250, de 1995, revela rol taxativo. Além disso, por força do art. 111 do CTN, a interpretação desse dispositivo deve ser literal e o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade dos arts. 4º , II, e 8º , II, f, da Lei nº 9.250, de 1995, por suposta ofensa a princípios constitucionais (Súmula CARF nº 2). Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10280.722892/201208 Acórdão n.º 2401006.101 S2C4T1 Fl. 59 3 O acordo homologado por sentença nos autos 0480.11.0101239 (fls. 53/55) estabeleceu que o primeiro pagamento de pensão alimentícia seria efetuado até o dia 10 de dezembro de 2011. Portanto, os valores pagos no anocalendário de 2010 foram amparados apenas pelas escrituras públicas declaratórias, não sendo possível a dedução dos valores pagos da base de cálculo do IRPF em face do rol taxativo dos arts. 4º , II, e 8º , II, f, da Lei nº 9.250, de 1995. A multa de ofício não pune o exercício do direito de impugnar o lançamento, mas a falta de pagamento do tributo, a falta de declaração ou a declaração inexata. Sendo incabível a dedução, uma vez efetuado o lançamento de ofício é devida a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720953/2012-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILTUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Tratando o Acórdão recorrido da multa isolada de 50 % do § 17 da Lei nº 9.430/96 e o Acórdão paradigma da multa isolada de 75 % do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, não há similitude fática, impossibilitando que se demonstre divergência e se faça qualquer cotejo analítico, pelo que não deve conhecido o recurso.
MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA. DECLARAÇÕES TRANSMITIDAS APÓS A SUA TRANSMISSÃO.
Correta a exigência da multa isolada de 50 % sobre o valor do crédito do crédito objeto de declaração de compensação não homologada apenas sobre declarações apresentadas após a vigência da norma legal que a instituiu.
RETRAOATIVIDADE BENIGNA. CARACTERIZAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE NA APLICAÇÃO DA NORMA REVOGADA.
Não implicando a aplicação de norma revogada agravamento da penalidade, descabe se falar em retroatividade benigna do art. 106, II, c, do CTN.
Numero da decisão: 9303-008.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILTUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Tratando o Acórdão recorrido da multa isolada de 50 % do § 17 da Lei nº 9.430/96 e o Acórdão paradigma da multa isolada de 75 % do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, não há similitude fática, impossibilitando que se demonstre divergência e se faça qualquer cotejo analítico, pelo que não deve conhecido o recurso. MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA. DECLARAÇÕES TRANSMITIDAS APÓS A SUA TRANSMISSÃO. Correta a exigência da multa isolada de 50 % sobre o valor do crédito do crédito objeto de declaração de compensação não homologada apenas sobre declarações apresentadas após a vigência da norma legal que a instituiu. RETRAOATIVIDADE BENIGNA. CARACTERIZAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE NA APLICAÇÃO DA NORMA REVOGADA. Não implicando a aplicação de norma revogada agravamento da penalidade, descabe se falar em retroatividade benigna do art. 106, II, c, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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AUSÊNCIA DE SIMILTUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Tratando o Acórdão recorrido da multa isolada de 50 % do § 17 da Lei nº 9.430/96 e o Acórdão paradigma da multa isolada de 75 % do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, não há similitude fática, impossibilitando que se demonstre divergência e se faça qualquer cotejo analítico, pelo que não deve conhecido o recurso. MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA. DECLARAÇÕES TRANSMITIDAS APÓS A SUA TRANSMISSÃO. Correta a exigência da multa isolada de 50 % sobre o valor do crédito do crédito objeto de declaração de compensação não homologada apenas sobre declarações apresentadas após a vigência da norma legal que a instituiu. RETRAOATIVIDADE BENIGNA. CARACTERIZAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE NA APLICAÇÃO DA NORMA REVOGADA. Não implicando a aplicação de norma revogada agravamento da penalidade, descabe se falar em retroatividade benigna do art. 106, II, “c”, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 53 /2 01 2- 48 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16682.720953/201248 Acórdão n.º 9303008.115 CSRFT3 Fl. 1.188 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 1.030 a 1.039), contra o Acórdão 3201003.391, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 890 a 898), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A partir da alteração do artigo 74 da Lei 9.430/96 pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002 a compensação somente se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da Declaração de Compensação DCOMP, na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/96. A Turma, previamente, em Resolução (fls. 671 a 674), havia pedido diligência no sentido de saber a situação em que se encontrava o Processo que tratava da não homologação da compensação (nº 15374.724402/200979) que deu azo ao lançamento da multa isolada de 50 % (objeto deste Processo), e, em outra Resolução (fls. 874 a 879), chegou a sobrestar o julgamento deste até o daquele, sendo que, lá, houve inclusive julgamento de Recurso Especial do contribuinte por esta Turma (fls. 880 a 884), não o conhecendo, que se tornou definitivo após rejeição (fls. 885 a 887) de Embargos de Declaração contra a decisão da CSRF, não restando qualquer discussão na esfera administrativa, portanto, em relação à compensação ser indevida, conforme consignado às fls 888. Contra o Acórdão recorrido do presente Processo, o contribuinte havia apresentado Embargos de Declaração (fls. 907 a 914), que foram rejeitados (fls. 1.013 a 1.016). No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.175 a 1.179), o contribuinte, inicialmente, traz a evolução legislativa e algumas decisões judiciais dos Tribunais Regionais Federais e do STJ (AREsp nº 945.093/SP), levantando também o fato de que há discussão, com repercussão geral, no STF, a respeito da constitucionalidade da multa de Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16682.720953/201248 Acórdão n.º 9303008.115 CSRFT3 Fl. 1.189 3 50 % sobre compensação não homologada (RE nº 796.939/RS) – mas reconhece que a questão ainda não está definida. Relaciona as três compensações não homologadas, relativas ao mesmo suposto direito creditório, que “ensejaram o lançamento ora em discussão” (transmitidas em 30/06/2008, 28/08/2008 e 25/07/2011). Faz três colocações (a última em primeiro lugar, dispostas nesta ordem para melhor compreensão do relato): 1) “Fica patente que as DCOMP's foram apresentadas antes da norma em vigor e, principalmente, antes das normas lá revogadas ou convertidas em lei, com destaque para a Medida Provisória n° 449/2008, editada em 03/12/2008 que inaugurou a cobrança em apreço, ou seja, em período muito posterior a apresentação dessas declarações”. 2) ”Nesse sentido, fica patente que o acórdão ora guerreado confere interpretação divergente ...: “a multa do art. 74, § 17 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 12.249/2010, somente é aplicável às declarações de compensação não homologadas transmitidas ou protocoladas a partir de então, o que não é o caso dos autos.” 3) “Nítido, portanto, que o relator (do Acórdão recorrido) conferiu efetividade aos termos do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 13.097, de 2015 em razão da não homologação das DCOMP's de forma indistinta”. Em seguida pondera que “Se a norma revogada, no caso paradigma, não foi considerado para fins de imposição da multa isolada, devido ao fato das compensações terem sido protocoladas antes da sua edição, mais grave ainda se mostra no caso sob análise, na medida em que se fundamenta em norma editada em 2015”. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 1.181 a 1.184), adotando inicialmente a própria fundamentação do próprio Acórdão recorrido, e depois colacionando dois outros Acórdãos, da 1ª e da 3ª Seção do CARF. Do Voto Condutor, destaca o seguinte trecho, que traz o contraponto à possível suscitação da retroatividade benigna do art. 106 do CTN: “Outro ponto a ser observado, diz respeito às alterações do § 17 (do art. 74 da Lei nº 9.430/96) que no momento do lançamento, previa a exigência da multa sobre o crédito não homologado e posteriormente foi alterada para a aplicação da multa sobre o débito objeto de declaração de compensação não homologado. As modificações, em nada alteram a exigência constante do presente lançamento, pois, a Fiscalização considerou no auto de infração, o valor do crédito registrado nos pedidos de compensação o que equivale ao valor dos débitos compensados, ou seja, não existe nenhuma mudança no lançamento em se considerar o crédito ou débito constante da declaração de Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16682.720953/201248 Acórdão n.º 9303008.115 CSRFT3 Fl. 1.190 4 compensação. Portanto, não há que se falar em aplicação de retroatividade que possa reduzir o lançamento”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Entendo que o Recurso especial não deve ser conhecido, pois, em absoluto, não há similitude fática entre o Acórdão recorrido e o paradigma, pois aqui foi lançada a multa isolada de 50 % do § 17 da Lei nº 9.430/96, enquanto aquele trata de um lançamento da multa isolada de 75 % do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 – conforme já se depreende da própria ementa e verificado por mim no eProcesso ao consultar os autos do Processo que efetivamente é o da multa, o qual foi apensado ao das compensações (do paradigma). A multa de 75 % (do Processo nº 11065.000291/200600) foi aplicada pelo fato de as compensações (objeto do Processo nº 13002.000012/200406, do qual foi extraído o paradigma – que é um julgamento de Embargos opostos contra o Acórdão de Recurso Voluntário) não terem sido homologadas em razão de que o suposto crédito era decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, sendo que a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, à época, era a seguinte: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835 ..., limitarseá imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal ... (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. E, no paradigma, nem se fala da Lei nº 13.097/2015. Vejamos a ementa: ”A reintrodução da norma administrativopenal, porém, não permite considerar a repristinação da redação original do art. 18 da Lei nº 10.833/03, por vedação do art. 2º, § 3º do Decreto Lei nº 4.657/42, e tampouco admite a sua retroatividade, em função do disposto no art. 5º, XL, da CF/88, de modo que, em uma interpretação sistemática, a multa do art. 74, § 17 da Lei nº Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16682.720953/201248 Acórdão n.º 9303008.115 CSRFT3 Fl. 1.191 5 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 12.249/2010, somente é aplicável às declarações de compensação não homologadas transmitidas ou protocoladas a partir de então, o que não é o caso dos autos”. Voto, assim, por não conhecer do Recurso Especial. Caso conhecido, no mérito, vejamos, antes de qualquer consideração, a evolução legislativa dos dispositivos de interesse da Lei nº 9.430/96: Art. 74. .................... § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Revogado pela Lei nº 13.137/2015) (...) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 656, de 2014) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Ainda que o contribuinte tenha trazido isto apenas em caráter meramente argumentativo (pois não há decisão judicial vinculante a respeito), o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). No caso sob julgamento, foram três as DCOMP não homologadas (fls. 016 a 029) – nas quais se utilizou do mesmo suposto pagamento indevido ou a maior da Cofins, no valor original de R$ 9.082.243,72 – relativo a dezembro de 2017/vencimento 18/01/2008, transmitidas em 30/06/2008, 28/08/2008 e 25/07/2011 e, diferentemente do que é afirmado no Recurso Especial, só foi objeto de lançamento da multa isolada a última (transmitida já na vigência da Lei nº 12.249/2010), sendo a penalidade de 50 % calculada sobre o valor de R$ 9.082.243/72, corresponde ao montante do crédito utilizado, em valor original (o débito compensado, relativo a junho de 2011, utilizandose do crédito corrigido pela Taxa SELIC, foi de R$ 12.367.291,27), pelas razões claramente descritas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 110 e 111): “Diante disso, considerando que as DCOMPs acima não foram homologadas, cabe aplicação da citada multa isolada, mas Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16682.720953/201248 Acórdão n.º 9303008.115 CSRFT3 Fl. 1.192 6 apenas sobre a declaração entregue e não homologada após a vigência das alterações promovidas pela Lei 12.249/2010, qual seja, a PERD/COMP n° 15781.64817.250711.1.3.040986 (DOC 3), que foi transmitida em 25/07/2011. Assim, como o valor do crédito utilizado, nesta PERD/COMP foi de R$ 9.082.243,72, a multa isolada de 50% calculada sobre o valor não homologado será de R$ 4.541.121,86.” Assim, incorreu em expresso equívoco o contribuinte ao afirmar eu seu Recurso Especial (fls. 1.031) que a multa foi lançada “em razão da não homologação das compensações tratadas no processo nº 15374.724402/200979”, carecendo, portanto, de qualquer sentido falarse em aplicação de penalidade instituída posteriormente à transmissão da Declaração de Compensação (e ele ainda repisa esta alegação infundada, às fls. 1.038, relacionando as três DCOMP – com realce para a data da transmissão – para dizer que “Fica patente que as DCOMP's foram apresentadas antes da norma em vigor e, principalmente, antes das normas lá revogadas ou convertidas em lei, com destaque para a Medida Provisória n° 449/2008, editada em 03/12/2008 que inaugurou a cobrança em apreço, ou seja, em período muito posterior a apresentação dessas declarações”). Como bem consignado ao final do Voto Condutor do Acórdão recorrido (e aqui já reproduzido, no relato das Contrarrazões da PGFN), nem que se cogitasse da aplicação da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN) da Lei nº 13.097/2015 – que determinou que a multa seria calculada sobre o valor do débito e não do crédito, isto teria qualquer influência no resultado, pois a multa de 50 % foi calculada, repiso, sobre o valor original do crédito (R$ 9.082.243/72), inferior ao do débito compensado (R$ 12.367.291,27). E, tratando do assunto em tese, a Lei nº 12.249/2010 fala em ”valor do crédito” e a Lei nº 13.097/2015 em “valor do débito”, e a justificativa para tal mudança nada tem a ver com o quantum. Ocorreu tãosomente pela “coerência” com o fato de que foi revogada a multa por ressarcimento indevido do § 15 do mesmo art. 74 da Lei nº 9.430/96, conforme se vê na exposição de motivos da Medida Provisória nº 656/2014, que foi convertida na nova lei: 11. A presente proposta de Medida Provisória também visa revogar a aplicação da multa isolada (§§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A jurisprudência judicial é quase unânime em afastar essa multa sob o argumento de que sua aplicação fere o direto constitucional de petição. 12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, fazse necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13. A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16682.720953/201248 Acórdão n.º 9303008.115 CSRFT3 Fl. 1.193 7 para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. À vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte e, caso conhecido, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1193DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720017/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.832
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 17 /2 01 2- 62 Fl. 556DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.529 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 558DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 559DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 560DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 562DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 564DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 566DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 568DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.529 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 570DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 571DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 572DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 575DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15586.720017/201262 Acórdão n.º 3201004.832 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900390/2016-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO.
Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3302-006.681
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 90 /2 01 6- 19 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10860.900390/201619 Acórdão n.º 3302006.681 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PerDcomp transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no despacho decisório, a Receita Federal efetuou a compensação usando apenas o valor original do direito creditório, sem considerar os juros equivalentes à taxa SELIC que incidem sobre ele. Assim sendo, pede que a manifestação de inconformidade seja provida, para o fim de reconhecer o direito à atualização dos valores compensados e de homologar integralmente a compensação realizada.. A DRJ Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.079. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega, em breve síntese, que o valor informado se refere ao valor original atualizado pela Selic; que não separou os valores de original, juros e multa; que o valor do direito creditório contempla a compensação pretendida, devendo ela ser homologada na plenitude. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.675, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10860.900385/201614, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.675): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10860.900390/201619 Acórdão n.º 3302006.681 S3C3T2 Fl. 4 3 A lide posta nos autos diz respeito a questão fática. Não se discute interpretação da legislação tributária. O recorrente não se insurge contra a atualização do débito compensado a destempo, tampouco com a forma de atualização utilizada pela Autoridade Tributária para corrigir o direito creditório. Acontece que o sujeito passivo se equivocou quanto ao valor a ser compensado pelo seu indébito tributário, explico: Podemos extrair da análise da Per/Dcomp nº 03339.46253.170815.1.3.047194, os seguintes dados: a) O sujeito passivo possuía um crédito no valor de R$ 4.372,41, referente a recolhimento indevido da Cofins, realizado em 25/05/2011. Ao seu crédito foi adicionada a taxa Selic acumulada, no percentual de 41,07%. O resultado foi um crédito final de R$ 6.168,16; b) O sujeito passivo possuía um débito tributário no valor de R$ 6.168,16, referente ao mês de setembro de 2013, a título de Cofins. Buscou compensar esse débito com o indébito descrito no item anterior. Ocorre que o recorrente esqueceu dos juros e da multa que incidem sobre o valor do principal nos casos em que a compensação é efetuada após o vencimento do tributo. Sobre essa sistemática, reproduzo o voto da instância a quo que a tratou de forma didática e objetiva, verbis: Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. De acordo com o art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 da mesma IN e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Rege a incidência de acréscimos legais sobre débitos o art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo esse artigo, sobre os débitos não pagos no prazo, incidem multa de mora e juros de mora. O percentual dos juros de mora equivale à taxa SELIC, nos meses de atraso anteriores ao do pagamento, e a 1%, no mês do pagamento. A extinção do débito compensado considerase ocorrida na data da transmissão da DCOMP. Por fim, de acordo com o § 1º do art. 43 da IN SRF n.º 1300, de 2012, a compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrado pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Aplicando a sistemática acima explicitada, temos que: O valor do crédito foi de R$ 4.372,41 + 1.795,75 (tx Selic) = R$ 6.168,16. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10860.900390/201619 Acórdão n.º 3302006.681 S3C3T2 Fl. 5 4 O valor do débito tributário foi também de R$ 6.168,16. Não obstante, esse valor não pode se referir na sua totalidade ao principal e sim ao principal, multa e juros moratórios. Nesta linha, o correto valor do principal que foi compensado foi de R$ 4.408,97, pois o restante foi direcionado para a quitação da multa no valor de R$ 881,79, e dos juros no valor de R$ 877,38. Diante desse quadro, devese dizer que o sujeito passivo continuou com um débito da Cofins, referente ao mês de setembro de 2013, no valor de R$ 1.759,19. Resultado da diferença entre seu crédito de R$ 6.168,16 e o débito de R$ 4.408,97. Pelos motivos expostos, não há como reformar a decisão a quo no sentido de homologar a compensação em sua plenitude, pois o indébito tributário que a lastreava era em valor inferior ao valor do débito declarado na Dcomp. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907600/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 11/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.
A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório
Numero da decisão: 2201-005.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 76 00 /2 00 9- 02 Fl. 72DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 44/50 apresentado em face da decisão de primeiro grau (fls. 31/36) que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. Dado o didatismo do relatório produzido pela DRJ, transcrevoo: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/Dcomp nº 26342.74717.180106.1.3.04.4113, formulada para extinguir débito de IRRF de R$ 1.478,08, código 5299, com vencimento em 11/01/2006, com crédito decorrente de pagamento indevido de IRRF de R$ 1.726,14, código 5299, realizado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com data de arrecadação de 11/01/2006 e valor de R$ 1.726,14. O crédito apontado pela interessada não foi reconhecido porque ele teria sido integralmente utilizado em um ou mais pagamentos anteriores, não restando valor disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp, conforme consignado na decisão recorrida de fls. 11. A referida decisão aponta que existiram dois pagamentos de R$ 1.726,14 no mesmo dia 11/01/2006, porém ambos já estavam alocados para respectivos débitos, código 5299. Notificada da decisão por via postal em 26/06/2009, conforme informado em fls. 28, a contribuinte manifestou seu inconformismo em 27/07/2009, fls. 2, alegando que a divergência apontada no despacho decisório seria decorrente de uma falta de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de jan/06, omissão que já teria sido sanada em 27/07/2009 para regularizar a pendência apontada. Teria ocorrido pagamento em duplicidade do valor de R$ 1.726,14, sendo que o segundo pagamento foi utilizado em duas compensações, sendo a presente uma delas. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 31/36) cuja ementa se transcreve (fl. 31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 73DF CARF MF Processo nº 16327.907600/200902 Acórdão n.º 2201005.040 S2C2T1 Fl. 72 3 Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior das contribuições retidas na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. Constituise ineficaz, para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, a DCTF retificadora transmitida após a ciência dos termos do despacho decisório que não homologou a compensação declarada por intermédio da respectiva DCOMP eletrônica, sobretudo quando a alteração levada a efeito pelo sujeito passivo apresentase desacompanhada de material probatório competente que demonstre a existência e disponibilidade do direito creditório reclamado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada desta decisão (fl. 43), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário de fls. 44/50 em que praticamente repete os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Fl. 74DF CARF MF 4 Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, a Recorrente alega: Ainda, para manter o despacho decisório no 842653305 que indeferiu a compensação de que trata a PER/Dcomp no 40394.72513.260106.1.3.044647, o v. acórdão partiu da premissa de que com a mera retificação da DCTF para redução extemporânea do débito originalmente confessado no valor de R$ 3.452,28, o Recorrente não poderia reduzir o valor de R$ 248,06 sob alegação de erro de preenchimento do montante do débito confessado na DCTF. Ora, conforme acima mencionado, a retificação na DCTF somente veio a espelhar a realidade da inexistência do débito de IRRF, tendo em vista que houve o recolhimento em duplicidade. Essa retificação somente foi efetuada após o despacho decisório porque somente após essa decisão é que o Recorrente percebeu que não tinha efetuado essa retificação no prazo correto. No entanto, esse mero equívoco do Recorrente em sua DCTF jamais poderia ensejar o não reconhecimento do direitode crédito do IRRF, tendo em vista a comprovação de que o Recorrente recolheu em duplicidade, no dia 11/01/2006, o valor de R$ 1.726,14, passando a ter o seu direito em fazer a compensação por recolhimento a maior do que o devido, sendo que o não reconhecimento desse direito viola o principio da verdade material. A simples retificação da DCTF não tem o condão de reduzir tributo, pelo menos para o fim a que se pretende nos presentes autos. Ela deve estar lastreada com documentação contábil e fiscal, além disso, deveria ter sido trazida aos autos, de forma didática. Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 16327.907600/200902 Acórdão n.º 2201005.040 S2C2T1 Fl. 73 5 (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário proválo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Fl. 76DF CARF MF 6 Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Conforme ressaltado na decisão recorrida, caberia ao Recorrente demonstrar, com base em documentação, a liquidez e certeza do direito creditório para que fosse possível aferir que os valores pagos à título de Imposto de Renda Retido na Fonte é o correto e, por consequência, o direito ao crédito também é o que alega ter direito, conforme preceitua o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Nos termos do disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, acima transcrito, verificase a possibilidade de se compensar os valores desde que seja administrado pela Secretaria da Receita Federal e devidamente comprovados. Além disso, nos termos do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual atribui ao interessado o ônus de demonstrar a veracidade de suas alegações. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Conforme resta dos documentos juntados aos autos, não é possível comprovar, com elementos de prova o direito que a Recorrente alega ter, face à carência de elementos de prova. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 77DF CARF MF Processo nº 16327.907600/200902 Acórdão n.º 2201005.040 S2C2T1 Fl. 74 7 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
