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Numero do processo: 16542.000153/2002-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
PEDIDO DE PARCELAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
A inclusão dos débitos objeto de pedido de compensação em programa de parcelamento, em qualquer de suas modalidades, implica desistência de recurso voluntário interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 PEDIDO DE PARCELAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A inclusão dos débitos objeto de pedido de compensação em programa de parcelamento, em qualquer de suas modalidades, implica desistência de recurso voluntário interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
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RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A inclusão dos débitos objeto de pedido de compensação em programa de parcelamento, em qualquer de suas modalidades, implica desistência de recurso voluntário interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Refinadora Catarinense SA formulou, em 02/04/2002, 02/04/2002, 21/08/2002, 21/08/2002, 12/09/2002, 14/06/2002, 12/04/2002 e 15/05/2002, os pedidos de fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 01 53 /2 00 2- 30 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ALEXANDRE KERN 2 02, 04, 441, 442, 453, 454 e 455, pretendendo compensar crédito próprio com débitos de Arquipélago Turismo SA, com apoio em medida liminar deferida em ação judicial. A autoridade administrativa não homologou a compensação, sob o argumento de inexistência de direito creditório e de inocorrência de homologação tácita. Em Manifestação de Inconformidade, o requerente controverteu as seguintes razões: a) insubsistência da decisão por inobservância ao devido processo legal e ao direito de petição b) necessidade de observância da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função da presença dos requisitos previstos no Código Tributário Nacional; c) homologação tácita das declarações de compensação; d) decadência do direito de constituição do crédito tributário e) nulidade do despacho decisório recorrido pela afronta aos critérios processuais administrativos e ao princípio da motivação f) prevalência do princípio da segurança jurídica, na medida em que os pedidos de compensação foram formulados sob a égide da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança n 2001.51.01.0063355. A 2ª Turma da DRJ/RPO julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 14037.095, de 28 de março de 2012, fls. 504 a 508, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. A superveniente decisão judicial que fulmina os efeitos de liminar em Mandado de Segurança autorizadora de compensação, uma vez declarada a inexistência de crédito, o indeferimento da compensação e a cobrança do débito declarado em DCTF se mostra absolutamente legítima. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 513 a 515, após síntese dos fatos relacionados com a lide, oferece exceção de parcelamento dos débitos opostos na compensação não homologada. Diz instruir a peça recursal com os seguintes documentos: a) Anexo I –requerimento protocolado junto à PFN b) Anexo III – requerimento de desistência de impugnação ou recurso administrativo; Fl. 564DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 16542.000153/200230 Acórdão n.º 3403002.884 S3C4T3 Fl. 564 3 c) Anexo IV – pedido de utilização de créditos decorrentes de prejuízos fiscais ou base de cálculo negativa de CSLL, e; d) Anexo Único – pedido de utilização de utilização de créditos decorrentes de prejuízos fiscais ou base de cálculo negativa de CSLL. Pede provimento ao recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Nos termos do § 2° do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, o pedido de parcelamento, em qualquer de suas modalidades, importa desistência do recurso. Considerando que o recorrente ofereceu exceção de parcelamento dos débitos opostos na compensação não homologada, voto por que não se conheça do recurso voluntário. Sala de sessões, em 27 de março de 2014 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721023/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Estando devidamente comprovada através de documentação idônea que a despesa médica se refere a tratamento da própria contribuinte, é de ser afastada a glosa constante do lançamento fiscal.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Estando devidamente comprovada através de documentação idônea que a despesa médica se refere a tratamento da própria contribuinte, é de ser afastada a glosa constante do lançamento fiscal. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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DESPESAS MÉDICAS. Estando devidamente comprovada através de documentação idônea que a despesa médica se refere a tratamento da própria contribuinte, é de ser afastada a glosa constante do lançamento fiscal. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 10 23 /2 01 0- 13 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2009/786764040515164, lavrada em 29/03/2010 (fls. 05/10), contra a contribuinte acima qualificada, relativa ao Exercício 2009, que exige crédito tributário no valor de R$ 658,59, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 29/03/2010, em decorrência da apuração de dedução indevida de despesas médicas. Cientificada da exigência tributária em 14/04/2010 e irresignada com o Lançamento lavrado pelo Fisco, a contribuinte apresentou Impugnação em 22/04/2010, alegando, em síntese, que o valor referese a despesas médicas da própria contribuinte. Aduz que foi cometido erro no preenchimento da declaração. O nome da psicanalista está correto, mas seu CPF foi digitado erroneamente, pois este corresponde à psicanalista Ana Maria Medeiros da Costa. Relata que o CPF correto consta abaixo do nome da psicanalista Lucia Serrano Pereira, no recibo apresentado em 21/10/2009. Alega que anexa o recibo com os requisitos exigidos pela legislação. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos do voto abaixo transcritos: “[...] Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento, foi glosado o valor de R$ 9.760,00, por falta de comprovação da despesa declarada com Ana Maria Medeiros da Costa, tendo sido apresentado um recibo emitido por outra pessoa, cuja despesa não foi declarada pela contribuinte e onde não consta a identificação do paciente, conforme requisitado pelo Termo de Intimação Fiscal e também não consta o endereço do emitente que é um requisito legal do recibo. A impugnante junta o recibo, de fl. 11, emitido por Lucia Serrano Pereira(psicóloga), no valor de R$ 9.760,00, referente a sessões realizadas ao longo do ano de 2008. Não consta no recibo a identificação do paciente dos serviços prestados. De acordo com o dispositivo legal transcrito, as despesas médicas dedutíveis referemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Conforme consta na descrição dos fatos da notificação de lançamento, a identificação do paciente foi solicitada por meio de Termo de Intimação Fiscal. Também com a impugnação a contribuinte não supre a falta apontada no recibo. [...] O documento apresentado pela contribuinte comprova que foi ela quem efetuou o pagamento das despesas, mas não prova a Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.721023/201013 Acórdão n.º 2102002.954 S2C1T2 Fl. 75 3 quem foram prestados os serviços, assim, não é hábil a comprovar despesas médicas dedutíveis. [...]” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1032.111 da 4ª Turma da DRJ/POA em 08/07/2011 (fl. 46). Sobreveio Recurso Voluntário em 04/08/2011 (fls. 35/37), acompanhado dos documentos de fls. 52 e seguintes. Em síntese, a contribuinte alegou que: “[...] O recibo apresentado continha os seguintes dados: nome, endereço e CPF da psicóloga Lucia Serrano Pereira. A DAA anobase 2008 informava o nome da psicóloga Lucia Serrano Pereira e o CPF da psicóloga Ana Maria Medeiros da Costa. Na impugnação, tive oportunidade de esclarecer e justificar o equívoco cometido ao declarar minhas despesas médicas: cometi uma mera inexatidão material (erro material) no preenchimento dos dados, pois era meu marido, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, quem fazia tratamento psicanalítico com a psicóloga Ana Maria Medeiros da Costa (cf. DAA anobase 2008 de Francisco Sanseverino em anexo). Desde a DAA anobase 1996 (em anexo), declaro as despesas relativas a meu tratamento com Lucia Serrano Pereira (com exceção dos anosbase 1997 e 1998 em que utilizei o modelo simplificado). Na ocasião da impugnação, verificando declarações anteriores, percebi que este erro vinha sendo cometido desde a DAA anobase 1999. [...]No acórdão 1032.111, consta como fundamento a falta de identificação do paciente, e não mais a identificação do profissional que o emitiu.O acórdão deixa claro que não dúvida de que foi a contribuinte quem efetuou o pagamento da despesa. [...] Portanto, nos exatos termos da legislação: o critério para dedução de despesas médicas é comprovar o pagamento efetuado pelo contribuinte (com recibo ou cheque nominal) e comprovar quem recebeu o pagamento. O recibo apresentado na impugnação atende aos critérios exigidos na legislação tributária: contém nome, endereço, e CPF de Lucia Serrano Pereira, psicóloga que recebeu o pagamento pelos serviços prestados (cf. recibo em anexo). [...] em outras palavras, a despesa médica declarada consistiu no pagamento efetuado pela própria contribuinte Valéria Machado Rilho, relativo ao próprio tratamento. Como se pode ver em sua DAA anobase 2008, a contribuinte não tem dependentes legais perante a RFB: seus três filhos (Enrico, Luigi e Carlo Rilho Sanseverino) constam como dependentes legais de seu marido [...]. Em síntese, não tendo dependente legal, o pagamento efetuado pela contribuinte Valéria Machado Rilho somente poderia referirse ao próprio tratamento. Além disso, a fim de reiterar a comprovação que já consta do recibo apresentado à identidade da paciente, a contribuinte apresenta declaração de Lucia Serrano Pereira. [...]” Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente Recurso se cinge à controvérsia da dedução de despesas médicas sujeitas à comprovação por parte da contribuinte. A decisão sobre a dedutibilidade ou não das despesas médicas, merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo Fisco como pela contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção desta julgadora. Dito isso, passase ao exame dos documentos apresentados pela contribuinte, à luz da legislação que regula a matéria: “Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). A decisão primeira instância assenta que “foi glosado o valor de R$ 9.760,00, por falta de comprovação da despesa declarada com Ana Maria Medeiros da Costa, tendo sido apresentado um recibo emitido por outra pessoa, cuja despesa não foi declarada pela contribuinte e onde não consta a identificação do paciente, conforme requisitado pelo Termo de Intimação Fiscal e também não consta o endereço do emitente que é um requisito legal do recibo”. Não obstante o argumento da decisão a quo de que a despesa não foi declarada pela contribuinte, dá análise da Declaração de Ajuste Anual – exercício 2009, constante em fl. 16, verificase que a despesa no valor de R$ 9.760,00, foi declarada como efetuada à profissional Lucia Serrano Pereira, estando tão somente o CPF indicado erroneamente. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.721023/201013 Acórdão n.º 2102002.954 S2C1T2 Fl. 76 5 Portanto, em que pese tenha havido equívoco da contribuinte ao informar o CPF da profissional prestadora dos serviços, vislumbrase que tal despesa não foi declarada como realizada a Ana Maria Medeiros da Costa, como fez constar a decisão a quo, tendo apenas informado o CPF desta profissional erroneamente na Declaração de Ajuste Anual. O recibo relativo a despesa médica sob análise, consta em fls. 11 e 53, emitido por Lucia Serrano Pereira, com a indicação do CPF correto. Como bem esclareceu a contribuinte, a profissional Ana Maria Medeiros da Costa presta serviços a seu marido, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, e corrobora tal afirmativa a Declaração de Ajuste Anual deste, relativa ao exercício de 2009, no qual declara despesa a tal profissional (fl. 16). Ademais, a fim de ratificar os serviços prestados pela profissional Lucia Serrano Pereira à contribuinte, esta acosta em fl. 67, Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 1997, no qual já constava a profissional no item “Pagamentos e Doações Efetuados”, desde aquele período. Quanto a falta de identificação da paciente no recibo e o endereço do emitente, verificase que quanto ao primeiro, tal vicio foi suprido, tendo em vista que por ocasião do recurso a interessada acostou declaração da profissional (Lucia Serrano Pereira), em fl. 54, a qual afirma que a contribuinte realiza tratamento psicológico sob seus cuidados há mais de cinco anos , bem como que no ano sob litígio, esta compareceu a sessões com freqüência em média de duas vezes por semana durante ao longo do ano. Ainda no que tange a indicação do paciente beneficiário dos serviços prestados pelo profissional no recibo apresentado pelo contribuinte, há de se concluir que na ausência da indicação do nome do paciente no recibo, resta subentendido que o paciente é aquele que fez o pagamento. A indicação do nome do paciente somente é comum nos casos em que a pessoa que faz o pagamento é diversa daquela que foi atendida pelo profissional. Finalmente, no que concerne a falta de endereço no recibo da profissional prestadora dos serviços, considerando as demais provas acostadas, este não pode inviabilizar a dedução da despesa médica, isso porque, a mera falta da indicação do endereço do profissional, por si só, não é fato que autoriza à autoridade fiscal glosar as despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Portanto, estando devidamente comprovada através de documentação idônea que a despesa médica se refere a tratamento da própria contribuinte, é de ser afastada a glosa constante do lançamento fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 35368.002702/2006-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
NULIDADE. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL
Em se tratando de discussão acerca da natureza do vício que teria inquinado o lançamento, é necessário que o paradigma retrate defeito semelhante ao descrito no acórdão recorrido, sem o que não há como configurar-se a alegada divergência jurisprudencial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 25/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. NULIDADE. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL Em se tratando de discussão acerca da natureza do vício que teria inquinado o lançamento, é necessário que o paradigma retrate defeito semelhante ao descrito no acórdão recorrido, sem o que não há como configurarse a alegada divergência jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 8. 00 27 02 /2 00 6- 47 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 25/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann(VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire, substituído pelo Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Relatório Tratase do Auto de Infração nº 35.775.1523, cujo Relatório Fiscal da Infração assim registra (fls. 23): “Autuo a empresa por infração a Lei nº 8.212/91, art. 33, §§ 2º e 3º , combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06.05.99, pela não apresentação dos contratos de prestação de serviços e notas fiscais relacionados no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitido em 16/06/2006. Não constam autos de infração anteriores a serem considerados para fins de reincidência. Não ocorreram circunstâncias agravantes.” O TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos emitido em 16/06/2006 (fls. 18/19), por sua vez, assim registra: “Nos termos do disposto no inciso III do art. 32 e nos parágrafos 1° e 2° do art. 33, ambos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e dos arts. 1° e 3º da Lei 11.098, de 13 de janeiro de 2005, fica o sujeito passivo intimado a apresentar os documentos e a prestar os esclarecimentos e as informações abaixo relacionados, sob pena de autuação: Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados Fl. 363DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 17 3 (...) DOCUMENTOS REF ESTAGIÁRIOS” A impugnação apresentada pela Contribuinte às fls. 28 a 35 girou em torno da situação trabalhista dos estagiários, conforme se verifica pela sua introdução: “DO LANÇAMENTO, A origem está relacionada às remunerações pagas ou creditadas aos segurados caracterizados como empregados, eis que a Impugnante, segundo relatório da Fiscalização, não comprovou a condição de estagiários, embora devidamente contabilizados na conta despesas desses.” A decisão de Primeira Instância, por sua vez, traz o seguinte fundamento: “9. Alega o defendente que não houve irregularidade alguma em relação aos estagiários, mencionando lançamento presumido caracterizandoos como segurados empregados. 10. No entanto, equivocouse o defendente, uma vez que a presente autuação, conforme descrito no relatório fiscal da infração, foi motivada pela não apresentação das notas fiscais e contratos de diversas prestadoras de serviço, discriminados no Termo de Intimação, fls. 18/19, dentre estes documentos destaco os seguintes: • Haig Planejamento S/C Ltda (contrato e NF 07/97 a 03/99) • JW Rosada Americana ME (contrato e NF 11/96 a 09/98) • S E Planejamento S/C Ltda (contrato) • Empreiteira Tedeschi (contrato e GPS) • A A Alternativa Serviços Temporários Ltda (contratos) • AVAF Terceirização Empresarial Ltda (contratos) • Teletra Recursos Humanos Ltda (contrato) • Contec MO Temporária Ltda(contrato) 11. Sendo assim, a fiscalização em seu dever de ofício lavrou o presente auto uma vez que a não apresentação de um só destes documentos tipifica a infração.” Em 06/03/2007, a Contribuinte protocolou o documento de fls. 111 a 116, reportando a ocorrência de lapso na elaboração das peças de acusação, o que a teria induzido a erro, conforme a seguir transcrito: “(...) Entretanto, há que se esclarecer que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.848.1716, lavrada em decorrência da ausência de comprovação da condição de estagiários, dos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 segurados caracterizados como empregados, é clara ao mencionar que em decorrência da ausência da apresentação dos documentos referentes aos estagiários, foi lavrado este Auto de Infração. Considerando a fundamentação da citada NFLD, a Empresa foi induzida pelo erro de fundamentação contido na citada NFLD, e assim fundamentou sua defesa apenas no tocante a documentação referente aos estagiários. Tanto é verdade que a Empresa argüiu na sua Impugnação e no Recurso Voluntário, a duplicidade na cobrança da multa imposta, uma vez que também está expressa e cobrada na NFLD 35.848.1716. Em que pese a decisão proferida na Impugnação desta autuação, a qual referiu que a Defendente equivocouse, tendo em vista que este auto de infração é motivado apenas pela não apresentação das notas fiscais e contratos de diversos prestadores de serviços, a Empresa apresentou Recurso Voluntário reforçando a tese da documentação referente aos estagiários. No entanto, apenas no momento da localização da documentação, tanto dos estagiários quanto dos prestadores de serviços, é que foi verificado todo o equívoco contido na autuação e notificação, eis que constatado que a presente autuação está relacionada com a NFLD 35.848.1546, que se refere às contribuições previdenciárias devidas ao INSS incidentes sobre a remuneração de segurados caracterizados como empregados no período em que prestaram serviços como microempresários. Dessa forma, mesmo diante da elucidação dos equívocos ocorridos, a Impugnante/Recorrente acosta aos autos a documentação referente aos estagiários e aos prestadores de serviços. (...) Finalmente, conforme amplamente demonstrado, requerse a juntada e análise da documentação ora acostada, para verificação em conjunto com as razões recursais, bem como reitera o pedido de cancelamento e/ou revisão da presente autuação em face da documentação comprobatória da condição de estagiários tidos como segurados empregados e contrato de prestação de serviços da Empresa S. E. Planejamento S/C Ltda.” Em sessão plenária de 22/02/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 146.052, prolatandose o Acórdão 240200.505 (fls. 210 a 214), assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 MOTIVAÇÃO DEFICIÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE Fl. 365DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 18 5 A motivação insuficiente ou equivocada da autuação que leve ao cerceamento de defesa do sujeito passivo é causa da nulidade da mesma. PROCESSO ANULADO.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, nas preliminares, em anular a autuação pela existência de vício, nos termos do voto da relatora. II) Por voto de qualidade: em reconhecer o vício como material, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Nubia Moreira Barros Mazza (Suplente) e Lourenço Ferreira do Prado. Redator designado: Marcelo Oliveira.” Cientificada do acórdão em 11/05/2010 (fls. 215), a Fazenda Nacional opôs, na mesma data, os Embargos de Declaração de fls. 218 a 222, que foram acolhidos, exarando se o Acórdão 240201.058, de 16/08/2010, assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. FALTA DE CLAREZA NOS MOTIVOS DO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A fiscalização deve lavrar notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade devido a ocorrência de vício material. EMBARGOS ACOLHIDOS.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos propostos, para rerratificar o acórdão proferido, com a retificação do voto vencedor, a fim de anular, nas preliminares, a autuação pela existência de vício material, nos termos do voto do relator.” O voto condutor do julgado assim relata o vício apontado pela Contribuinte: “Quanto à alegação da recorrente que teria sido induzida a erro em sua defesa, entendo necessário tecer algumas considerações. De fato, o Relatório Fiscal da NFLD nº 35.848.1716 que trata do lançamento das contribuições incidentes sobre os valores Fl. 366DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 pagos a estagiários considerados empregados pela auditoria fiscal informa que a ausência da apresentação de documentos relativos aos estágios gerou a lavratura de auto de infração. Por sua vez, o Relatório Fiscal da Infração menciona que a autuação se deu apenas relativamente a não apresentação de contratos de prestação de serviços e notas fiscais elencados no TIAD emitido em16/06/2006 (fls. 16/17). Entretanto, o citado TIAD também teve por objeto a intimação do contribuinte para apresentação de documentos referente a estagiários. Tal fato aliado à informação contida no Relatório Fiscal da NFLD 35.848.1716 leva a inferir que a auditoria fiscal equivocouse ao elaborar o Relatório Fiscal da Infração ao mencionar, somente, como razão para a autuação a não apresentação das notas fiscais de serviços e contratos dos prestadores de serviços elencados. Não houvesse a auditoria fiscal mencionado no Relatório Fiscal da notificação citada que a empresa teria sido autuada pela não apresentação dos documentos relativos ao estágio, não haveria razão para o equivoco cometido pela recorrente. Asseverese que a motivação deve ser clara a fim de garantir a ampla defesa e o contraditório do sujeito passivo, sobretudo no caso em tela cm que seria possível a autuada a relevação da multa pela correção da falta de acordo com a legislação vigente à época. Assim, entendo que a defesa da recorrente foi cerceada pelo fato do Relatório Fiscal da Infração não trazer de fora objetiva e completa as razões que levaram a autuação.” Intimada do acórdão em 24/11/2010 (fls. 226), a Fazenda Nacional interpôs, em 07/12/2010 (fls. 228), o Recurso Especial de fls. 229 a 251, contendo os seguintes argumentos, em síntese: segundo resulta da disciplina dos artigos 59 c/c 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu por anular a autuação, sob os argumentos de que não há descrição pormenorizada dos elementos fáticos que ensejaram o lançamento, sobre os quais deveria o contribuinte se defender; é cristalino o equívoco perpetrado pela decisão recorrida, pois os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresenta arrazoado por meio do qual rebate a acusação fiscal; Fl. 367DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 19 7 a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por vício insanável, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; na doutrina, é tranqüila a prevalência desses princípios (cita Hely Lopes Meirelles); não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; portanto, consoante o comando do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nenhuma causa subjaz para a decretação da nulidade do presente lançamento, a uma porque não há que se falar na incompetência da autoridade administrativa, a duas, porque não houve qualquer ofensa ao direito a ampla defesa do contribuinte; ausentes esses dois pressupostos, cabe concluir pela manutenção do lançamento (cita Antonio da Silva Cabral); entretanto, ainda que se entenda por manter a decisão da Câmara no que se refere a nulidade do auto de infração, o que se admite apenas por argumentar, não há que se falar em existência de vício material, como será demonstrado a seguir; a decisão ora recorrida anulou o lançamento, porque reconheceu que o relatório fiscal não descreveu com precisão os fatos sobre os quais deveria o recorrente defenderse, vício que qualificou como sendo de natureza material; sabese que o Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração no seu art. 10; por sua vez, o art. 37, da Lei nº 8.212, de 1991 prescreve, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de debito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” percebese que os requisitos elencados, dentre eles, a descrição do fato, possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório (cita doutrina de Lidia Maria Lopes Rodrigues Ribas, Marcelo Caetano e Luiz Henrique Barros de Arruda); Fl. 368DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 à luz desses ensinamentos, temse que um lançamento tributário anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, a deficiência na exteriorização das razões de fato que levaram a autoridade fiscal a lançar o crédito tributário, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; nesse sentido, demonstrando ser requisito formal o requisito da descrição dos fatos, não ensejando a declaração de nulidade por cerceamento de defesa, mormente quando o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, defendendose, portanto; citese: Acórdão 10420731 NORMAS PROCESSUAIS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando o procedimento fiscal autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL DESCRIÇÃO DOS FATOS LOCAL DA LAVRATURA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é. que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração e que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO As INFORMAÇÕES BANCARIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém Fl. 369DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 20 9 os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente ã época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1º, do artigo 144, da Lei nº. 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.” contudo não é essa a situação retratada nos autos, pois resta devidamente evidenciado no auto de infração, bem como no Relatório Fiscal, a infração praticada pelo recorrido; noutra linha, não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação; a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram; já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato; no caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente, tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo, portanto, vício de forma; a propósito, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma: 1) Acórdão nº 20217.752, de 27/02/2007 "NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 O ato administrativo de lançamento deve revestirse de todas as formalidades exigidas cm lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN. Processo anulado.” 2) Acórdão nº 10417.279, de 07/12/199: “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa.” por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos ensejadores do lançamento constitui vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; ora, tratandose de vício relacionado à motivação, este que se revela como requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784, de 1999 (cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello; a convalidação in casu é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, só determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vício de incompetência; b) preterição do direito de defesa; assim, patente no caso que não houve o vício proclamado pela decisão recorrida e, se vício houve no lançamento, o que se admite apenas por amor ao debate, este seria de natureza formal e não material. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restabelecendose a autuação.Eventualmente, caso não seja acolhido o pedido formulado, por concluir o Colegiado pela existência de deficiência na descrição dos fatos, requer, sucessivamente, que se dê provimento ao recurso, para declarar que se trata de mero vício de natureza formal. Assim, a Fazenda Nacional pede que não se considere a autuação deficiente e, caso contrário, que o vício seja considerado formal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho n° 2400 214/2012, de 18/04/2012, entendendose que somente ocorreu a demonstração de divergência em relação à segunda parte do apelo, cujo paradigma é o Acórdão 10513.892, o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame n° 2400 215R/2012, de 23/10/2012 (fls. 276 a 280). Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 21 11 Assim, o recurso teve seguimento apenas para que se rediscuta a natureza do vício, se formal ou material. Cientificada dos acórdão, do recurso e dos despachos que lhe deram seguimento parcial em 09/10/2012 (AR de fls. 282), a Contribuinte ofereceu, em 24/10/2012, as ContraRazões de fls. 285 a 352, argumentando, em síntese, que no presente caso ocorreu vício material, já que este encontrase diretamente relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, àqueles elementos responsáveis pela indicação do fato gerador da obrigação tributária, portanto formador do liame jurídico entre o Fisco e o Contribuinte. Ao final, a Contribuinte requer que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Primeiramente, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações similares, são adotadas soluções diversas. Assim, de plano verificase que, em se tratando de discussão acerca da espécie de vício que teria nulificado um lançamento – se formal ou material – não há como compararse situações diferentes, envolvendo defeitos de diferentes espécies, portanto tornase imprescindível a análise de cada um dos julgados, a ver se os defeitos apontados no lançamento efetivamente seriam similares. No caso do acórdão recorrido, tratase do Auto de Infração nº 35.775.1523, declarandose a nulidade do lançamento, por vício material, considerandose que teria havido falta de clareza nos motivos do lançamento. O respectivo voto condutor, ao que tudo indica, encampou a tese aventada pela Contribuinte em documento protocolado em 06/03/2007 (fls. 111 a 116), após a interposição do Recurso Voluntário, reportando a ocorrência de lapso na elaboração das peças de acusação (NLFD/AI), o que a teria induzido a erro. Conforme a justificativa da Contribuinte, o erro teria consistido no seguinte: “(...) Entretanto, há que se esclarecer que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.848.1716, lavrada em decorrência da ausência de comprovação da condição de estagiários, dos segurados caracterizados como empregados, é clara ao mencionar que em decorrência da ausência da apresentação dos documentos referentes aos estagiários, foi lavrado este Auto de Infração. Considerando a fundamentação da citada NFLD, a Empresa foi induzida pelo erro de fundamentação contido na citada NFLD, e Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 assim fundamentou sua defesa apenas no tocante a documentação referente aos estagiários. Tanto é verdade que a Empresa argüiu na sua Impugnação e no Recurso Voluntário, a duplicidade na cobrança da multa imposta, uma vez que também está expressa e cobrada na NFLD 35.848.1716. Em que pese a decisão proferida na Impugnação desta autuação, a qual referiu que a Defendente equivocouse, tendo em vista que este auto de infração é motivado apenas pela não apresentação das notas fiscais e contratos de diversos prestadores de serviços, a Empresa apresentou Recurso Voluntário reforçando a tese da documentação referente aos estagiários. No entanto, apenas no momento da localização da documentação, tanto dos estagiários quanto dos prestadores de serviços, é que foi verificado todo o equívoco contido na autuação e notificação, eis que constatado que a presente autuação está relacionada com a NFLD 35.848.1546, que se refere às contribuições previdenciárias devidas ao INSS incidentes sobre a remuneração de segurados caracterizados como empregados no período em que prestaram serviços como microempresários. Dessa forma, mesmo diante da elucidação dos equívocos ocorridos, a Impugnante/Recorrente acosta aos autos a documentação referente aos estagiários e aos prestadores de serviços.” (grifei) O voto do acórdão recorrido, por sua vez, corrobora o acima relatado, conforme a seguir: “De fato, o Relatório Fiscal da NFLD nº 35.848.1716 que trata do lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos a estagiários considerados empregados pela auditoria fiscal informa que a ausência da apresentação de documentos relativos aos estágios gerou a lavratura de auto de infração. Por sua vez, o Relatório Fiscal da Infração menciona que a autuação se deu apenas relativamente a não apresentação de contratos de prestação de serviços e notas fiscais elencados no TIAD emitido em16/06/2006 (fls. 16/17). Entretanto, o citado TIAD também teve por objeto a intimação do contribuinte para apresentação de documentos referente a estagiários. Tal fato aliado à informação contida no Relatório Fiscal da NFLD 35.848.1716 leva a inferir que a auditoria fiscal equivocouse ao elaborar o Relatório Fiscal da Infração ao mencionar, somente, como razão para a autuação a não apresentação das notas fiscais de serviços e contratos dos prestadores de serviços elencados. Não houvesse a auditoria fiscal mencionado no Relatório Fiscal da notificação citada que a empresa teria sido autuada pela não apresentação dos documentos relativos ao estágio, não haveria razão para o equívoco cometido pela recorrente.” Fl. 373DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 22 13 Compulsandose os autos, não é possível localizar a fonte da afirmação acima, já que a NFLD nº 35.848.1716, que teria sido erroneamente relacionada ao presente Auto de Infração nº 35.775.1523, não se encontra anexada ao processo. Por outro lado, a Contribuinte menciona que o presente Auto de Infração estaria relacionado, de fato, à NFLD nº 35.848.1546, e não à NFLD nº 35.848.1716, como erroneamente constara. Quanto a esta última afirmação, constatase a sua procedência. Com efeito, esta Conselheira foi a Relatora do processo nº 35368.002370/200609, cujo objeto era a NFLD nº 35.848.1546, e esta efetivamente tratava da exigência de obrigação principal referente a prestação de serviços por microempresários, o que se coaduna com a exigência de apresentação de contratos de prestação de serviços e notas fiscais. Assim, ao que tudo indica, o presente Auto de Infração poderia de fato estar relacionado à NFLD nº 35.848.1546. Assim, constatandose plausibilidade nas alegações da Contribuinte, e tendo em vista que o vício descrito no acórdão recorrido, em si, não foi contestado pela Fazenda Nacional, já que o seu inconformismo é apenas em relação à natureza do defeito, considerase como não contestada, portanto como verdadeira, a ocorrência do seguinte lapso, no caso do julgado guerreado: foi lavrada a NFLD nº 35.848.1546, que trata de serviços prestados por microempresários, portanto deveria ter sido associada ao AI nº 35.775.1523, objeto do presente processo; foi lavrada a NFLD nº 35.848.1716, que trata de serviços prestados por estagiários, que também foi associada ao AI nº 35.775.1523, objeto do presente processo; o erro na vinculação de NFLD tratando de serviços prestados por estagiários, com AI tratando de serviços prestados por microempresários, aliado ao fato de o TIAD referente ao citado AI mencionar também os estagiários, induziu a Contribuinte a apresentar defesa abordando apenas a questão dos estagiários, e não a dos microempresários. Diante de tal quadro, o lançamento foi anulado, por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, entendeu que não teria havido vício e, se este efetivamente ocorreu, deveria ser classificado como formal. Nesse sentido, indicou um primeiro paradigma para demonstrar que não teria havido vício, e um segundo paradigma no sentido de que o vício seria formal. Entretanto, apenas o segundo julgado foi aceito como apto a demonstrar divergência jurisprudencial, portanto a discussão que sobe à Instância Especial restringese à natureza do vício. O paradigma aceito é o Acórdão 10513.892, cujos trechos abaixo foram colacionados ao recurso, visando demonstrar a alegada divergência: Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE O lançamento, por constituirse em um ato administrativo de formalização do crédito tributário, como previsto no art. 142 do CTN, Lei n° 5.172/66, c/c o art. 10 do PAF, Decreto n° 70.235/72, exigiu o legislador, obrigatoriamente, certos requisitos intrínsecos e extrínsecos, que são concorrentes e cumulativos à sua eficácia. A inobservância de tais exigibilidades concorre para a sua nulidade, mormente quando a descrição dos fatos motivadores da exação não Fl. 374DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 contempla a totalidade das matérias nele consignadas, em atendimento ao princípio da unicidade do ato de lançamento. Lançamento nulo." Voto "A Recorrente traz ao debate preliminar de nulidade do auto de infração por inobservância de requisitos indispensáveis a sua formação, e esta preliminar, ainda que sob outros fundamentos, se fez retratada desde a inauguração do litígio, e tendo o Julgador Monocrático, de ofício, ter levantado a preliminar de nulidade por vício formal, passo a examinála na conformidade da Lei de estrutura do nosso Sistema Tributária, o CTN, e da norma reguladora do Processo Administrativo Fiscal. De início, destaco parte da Fundamentação da Decisão guerreada que cuidou dessa temática, a qual está vazada nos seguintes termos: FUNDAMENTAÇÃO 7. A impugnação é tempestiva, dela tomo conhecimento e passo a decidir. 8. Preambularmente verificase que nas autuações 1 (Receitas da Atividade, Imposto de Renda Mensal Devido, Calculados sobre Receitas, Falta de Recolhimento do Imposto fls. 04), 2 (Receitas da Atividade, Imposto de Renda Devido, Calculado sobre Receitas, Insuficiência de Recolhimento fls. 04/05) e 5 (Omissão de Receitas, Valor apurado conforme planilha Peromis 1.XLS fls. 06108), os fatos não foram descritos sequer sucintamente, constando nas autuações 1 e 2 apenas o título e na autuação 5 remessa à planilha, o que contraria frontalmente o disposto no art. 10, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAP), a saber: 'Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... III – a descrição do fato.” A leitura dos trechos acima permite concluir que, sem adentrar à natureza do vício apontado no Auto de Infração – se formal ou material – ocorreu um defeito, consistente na ausência de descrição de algumas das infrações que compuseram uma mesma exigência, formalizada por meio de um único processo. Assim, o vício foi facilmente detectado, já que visível e identificável por qualquer pessoa que examinasse o Auto de Infração. Com efeito, na situação do paradigma, o saneamento do vício requereria tão somente uma complementação na enunciação das rubricas exigidas, sem qualquer menção a eventual busca de soluções fora dos autos. No caso do acórdão recorrido, muito pelo contrário, o que ocorreu foi a constatação de várias exigências, envolvendo obrigações principais e acessórias (TEAF – Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal de fls. 21/22), formalizadas por meio de NFLDs e Autos de Infração, que em princípio estariam interligados entre si, mas foram apresentados à Contribuinte de forma pulverizada. Além de todas as dificuldades de entendimento causadas por esta sistemática, no presente caso houve uma complicação adicional: associouse o instrumento de exigência de uma obrigação acessória (AI nº 35.775.1523, exigindo apresentação de contratos de prestação de serviços, notas fiscais e documentos sobre estágio) a um instrumento de exigência de obrigação principal que a ele não se relacionava (NFLD Fl. 375DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002702/200647 Acórdão n.º 9202003.011 CSRFT2 Fl. 23 15 35.848.1716, que somente tratava de exigência de obrigação principal relativa a estagiários). Nessa situação, a Contribuinte foi efetivamente induzida a apresentar somente documentos e argumentos referentes a estagiários, pois era disso que tratava a NFLD correlata, com o adendo da menção a estágio, no TIAD que precedeu à autuação. Destarte, entendo que as situações contidas nos acórdãos recorrido e paradigma não tratam da mesma espécie de defeito, a começar pela própria sistemática de autuação – a do paradigma é concentrada em um mesmo instrumento, a do recorrido é pulverizada, sem vinculação clara entre obrigações principais e acessórias – de sorte que não há como comparar as respectivas consequências, para efeito de demonstração de divergência jurisprudencial. No paradigma, sem dúvida houve um vício na elaboração da peça acusatória, facilmente detectável por qualquer um que analisasse o Auto de Infração, cuja consequência foi a nulidade formal. No caso do acórdão recorrido, ao contrário, a própria identificação do vício é muito difícil, tendo em vista a pulverização das exigências via formalização de diversos processos, sendo que não existe vinculação clara entre cada uma das obrigações principais com a respectiva obrigação acessória. Acrescentese que, mesmo ultrapassada a questão da admissibilidade – o que se admite apenas para argumentar – se o vício fosse efetivamente considerado como formal, como quer a Fazenda Nacional, não haveria sentido em formalizarse novo Auto de Infração, para exigirse a apresentação de documentos – no caso, contratos de prestação de serviços e notas fiscais – cuja vinculação com a respectiva obrigação principal não restou comprovada nos autos, e muito menos se sabe se foi efetivamente mantida. E mais: caso a vinculação do presente Auto de Infração seja efetivamente com a NFLD nº 35.848.1546, como aventou a Contribuinte – sem ser contraditada – reiterase que tal exigência foi tratada no processo nº 35368.002370/200609, julgado na sessão de 06/11/2013, oportunidade em que, por meio do Acórdão 9202002.980, não se conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendose assim a decisão recorrida, que havia anulado a autuação por vício material. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, por falta de demonstração da alegada divergência jurisprudencial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 376DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15586.001633/2010-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2006
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo tributário a impugnação que não conteste, de forma específica, os fundamentos de fato e de Direito que deram esteio ao lançamento fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO ALHEIA AOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância com o lançamento, as razões de contrariedade à exigência fiscal, bem como as provas de sustentação do direito alegado pelo Sujeito Passivo devem, necessariamente, ser concentradas na impugnação, sob pena de ser considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Autuado.
Não pode ser conhecida Impugnação cujas alegações nela aviadas sejam, em sua totalidade, completamente alheias aos fundamentos de fato e de Direito nos quais se apruma o lançamento impugnado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Não instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo tributário a impugnação que não conteste, de forma específica, os fundamentos de fato e de Direito que deram esteio ao lançamento fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO ALHEIA AOS FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância com o lançamento, as razões de contrariedade à exigência fiscal, bem como as provas de sustentação do direito alegado pelo Sujeito Passivo devem, necessariamente, ser concentradas na impugnação, sob pena de ser considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Autuado. Não pode ser conhecida Impugnação cujas alegações nela aviadas sejam, em sua totalidade, completamente alheias aos fundamentos de fato e de Direito nos quais se apruma o lançamento impugnado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 33 /2 01 0- 59 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.001633/201059 Acórdão n.º 2302003.095 S2C3T2 Fl. 197 3 Relatório Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2006. Data da lavratura do AIOP: 15/12/2010. Data da Ciência do AIOP: 15/12/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ NO Rio de Janeiro I/RJ que não conheceu de Impugnação administrativa interposta pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.298.2514, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração de segurados contida em notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, correspondente à retenção de 11% sobre o valor bruto consignado nas referidas notas fiscais/faturas, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 50/54. De acordo com o Relatório Fiscal, o Autuado celebrou contratos com terceiros para a prestação de serviços de limpeza e conservação de piscinas, serviço de limpeza de poços, galerias de águas pluviais com a operação de máquinas, equipamentos e veículos para transporte e descarga; serviços especializados na área de saúde para execução do programa DST/HIV/AIDS; e serviços de promoção de eventos musicais, os quais se encontram previstos no inciso I do art. 145 e inciso XVI, XXI e XXIII do art. 146 da IN SRP nº 3/2005, respectivamente. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 106/115. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1249.959 – 13ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 172/175, não conhecendo da Impugnação em razão de esta não atacar, de forma específica, a matéria versada no lançamento fiscal. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/05/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 177. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário a fls. 179/184, respaldando sua resistência ao lançamento em argumentação desenvolvida nas alegações que se vos seguem: · Que o disposto no art. 302 do CPC, quanto ao ônus da impugnação específica dos fatos, não se aplica à Fazenda Pública; · Que, ainda que fossem procedentes as assertivas lançadas no Acórdão recorrido, a presunção de veracidade dos fatos é inaplicável à Fazenda Pública, por tutelar direitos indisponíveis. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Ao fim, requer a reforma da decisão de 1ª Instância Administrativa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.001633/201059 Acórdão n.º 2302003.095 S2C3T2 Fl. 198 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/05/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 25 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES “Ora, direis, ouvir estrelas! Certo, perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto Que, para ouvilas, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto. E conversamos toda a noite, enquanto a ViaLáctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo?" E eu vos direi: "Amai para entendêlas! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas”. Olavo Bilac Limitase o presente julgamento a avaliar se a Impugnação Administrativa interposta pelo Sujeito Passivo do crédito tributário constituído pelo Auto de Infração de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Obrigação Principal nº 37.298.2514, de 15/12/2010, deveria ter sido conhecida e seu mérito apreciado e julgado pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. No caso em estudo, mediante a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.298.2514, de 15/12/2010, promoveuse o lançamento tributário de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração de segurados contida em notas fiscais/faturas de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, correspondente à retenção de 11% sobre o valor bruto consignado nas referidas notas fiscais/faturas, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98. O Relatório Fiscal, a fls. 50/54, descreve de maneira pormenorizada por levantamento, os serviços objeto do vertente lançamento, bem como os dispositivos da Legislação Tributária que preveem a obrigatoriedade da retenção, pelo contratante, de 11% sobre o valor bruto das respectivas notas fiscais/faturas. Em face do lançamento ora em questão, o Autuado apresentou tempestivamente impugnação administrativa a fls. 106/115 alegando em síntese: · Que o Município celebrou com a Cáritas Arquidiocesana de Vitória diversos convênios de cooperação técnica e financeira para atendimento de programas nacionais de controle de dengue, implantação de cartão SUS e saúde da família. · Que o município autuado é parte ilegítima para figurar no polo passivo da relação jurídica tributária em debate, uma que todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias decorrentes da execução dos convênios são de responsabilidade exclusiva da Caritas Arquidiocesana de Vitória; · Que o Auto de Infração decorre de supostas irregularidades entre o Município e a Cáritas Arquidiocesana de Vitória na execução do convênio entre estas duas instituições, no tocante a contribuições previdenciárias previstas no Art. 22, I e II da Lei 8.212/91; · Que a Fiscalização alega a existência de erro no preenchimento de documentos e prestação de informações por parte da Cáritas como razão para imputar ao município de Vila Velha o ônus de arcar com tal falha; · Que as Auditoras Fiscais registraram equivocadamente relação de emprego entre os funcionários da Cáritas e o Município de Vila Velha, impondo ao município o dever de arcar com as obrigações previdenciárias e demais obrigações decorrentes de tal relação. Aduz que o Auditor Fiscal não tem competência para declarar vínculo empregatício entre os funcionários da Cáritas e a Municipalidade. Enfim, toda a linha de impugnação do município autuado tem por fundamento convênios celebrados entre o Sujeito Passivo e a Cáritas Arquidiocesana de Vitória, tendo o Autuado feito acostar a fls. 118/164 dos autos cópias de diversos convênios e termos aditivos pactuados entre a municipalidade recorrente e a instituição em apreço. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.001633/201059 Acórdão n.º 2302003.095 S2C3T2 Fl. 199 7 Ocorre, todavia, que o vertente lançamento passa a anos luz de distância de qualquer convênio ou liame de qualquer natureza eventualmente celebrado entre o Recorrente e a Cáritas Arquidiocesana de Vitória. O lançamento ora em debate versa, exclusivamente, sobre a retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, que impõe ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência fevereiro de 1999, o dever jurídico de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada. Conforme consignado no Relatório Fiscal, no Discriminativo Analítico de Débito e no Relatório de Lançamentos, os serviços de limpeza e conservação de piscinas, o serviço de limpeza de poços, galerias de águas pluviais com a operação de máquinas, equipamentos e veículos para transporte e descarga, os serviços especializados na área de saúde para execução do programa DST/HIV/AIDS e os serviços de promoção de eventos musicais foram prestados pelas empresas Anverso Serviços ltda; Criarte Promoções e Eventos ltda; Fabio Oliveira Norato ME; Rota Service ltda; Ferber Lino Promocional ltda ME; Eco Produções Artísticas ltda; Fundação Ceciliano Abel de Almeida; JMJ Dedetização e Prestação de Serviços ltda e Rid Rid Hidrojato ltda ME. Inexiste no lançamento levado a efeito pela Autoridade Fiscal qualquer menção, a mínima que seja, a qualquer convênio ou serviço que houvesse sido prestado pela Cáritas Arquidiocesana de Vitória. Registrese para conhecimento do Recorrente que os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Com efeito, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Sujeito Passivo em seu instrumento de Impugnação ao Lançamento. Não procede a alegação do Recorrente de que o disposto no art. 302 do CPC, quanto ao ônus da impugnação específica dos fatos, não se aplica à Fazenda Pública. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.001633/201059 Acórdão n.º 2302003.095 S2C3T2 Fl. 200 9 Atentese que, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/91, considerase empresa para os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social, não somente a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, mas, também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, dentre estes, os municípios. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99) Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o Impugnante, aqui incluído o ente federativo municipal, carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Não procede a cantilena recursal de que “ainda que fossem procedentes as assertivas lançadas no Acórdão recorrido, a presunção de veracidade dos fatos é inaplicável à Fazenda Pública, por tutelar direitos indisponíveis”. A uma, porque em nenhum momento se questionou suposta veracidade dos fatos. A impugnação não se houve por conhecida porque versa sobre matéria totalmente alheia aos fundamentos que motivaram a lavratura do vertente Auto de Infração. Conforme assentado na decisão recorrida, em relação às questões deduzidas pelo Impugnante em seu instrumento de defesa não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. A duas, porque inexiste no mundo jurídico qualquer presunção de veracidade de fatos de per se considerados. O que existe é a presunção de legitimidade e legalidade dos Fl. 204DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 atos administrativos e, nessa esteira, a presunção de veracidade do conteúdo encartado nos atos administrativos. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. No caso em debate, o Município integra o polo jurídico da relação processual não com supremacia atávica aos Entes Federativos quando nessa condição, mas, sim, como mera empresa contratante de serviços sujeitos ao regime da retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, na concepção insculpida no art. 15 da Lei nº 8.212/91. Registrese que o mero fato de ostentar natureza jurídica de Ente Federativo Municipal não pode ser oposto ao Fisco para derrogar obrigações tributárias a todos impostas pela força da lei ordinária federal, editada no exercício da Competência Constitucional outorgada pelo Constituinte Originário à União, nos termos dos art. 22, XXIII e 195, caput, da Carta de 1988. A presunção de veracidade aplicase, in casu, aos fatos descritos no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.298.2514, eis que se trata, formalmente, de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos – Auditores Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil , não havendo como se negar a veracidade do conteúdo. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do Ente Público emissor do Ato Administrativo a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Registrese que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal do Auto de Infração e nos demais documentos que integram o lançamento em pauta. A fiscalização apurou a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, consubstanciada no dever instrumental de retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços prestados Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.001633/201059 Acórdão n.º 2302003.095 S2C3T2 Fl. 201 11 mediante cessão de mão de obra ou por empreitada de mão de obra, nos termos inscritos no art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, apurados a partir de documentação idônea apresentada pelo próprio Autuado, elaborados e emitidos sob sua responsabilidade, controle e domínio. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado pela fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Assim, havendo um documento público devidamente fundamentado e com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente, o qual não logrou afastar a fidedignidade do teor do Auto de Infração em debate. De substancial, avulta das circunstâncias do caso que não restaram contestados nenhum dos fundamentos de fato e de Direito que deram esteio ao Auto de Infração ora em realce, contingência que implica a definitividade do lançamento. Não merece reparo, pois, a Decisão de Primeira Instância Administrativa, uma vez que as questões aduzidas pelo Autuado em seu Instrumento de Defesa se mostraram completamente alheias aos fundamentos de fato e de Direito que deram arrimo à lavratura do Auto de Infração em realce, e em relação às quais não se houve por instaurado qualquer litígio a ser solucionado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, contingência que implica o não conhecimento da Impugnação. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010656/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008
IRRF. AUTUAÇÃO POR FALTA DE RECOLHIMENTO. ERRO DE FATO COMPROVADO. RECOLHIMENTO COMPROVADO. DESCONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO ATÉ O VALOR COMPROVADO.
Em se tratando se autuação por falta de recolhimento de IRRF, deve-se desconstituir o lançamento no tocante aos valores cujos recolhimento foi comprovado. Não são equiparadas a decisão sobre requerimento de retificação de DARF e o julgamento da legitimidade do lançamento em questão. Considera-se comprovado o recolhimento efetuado com erro na identificação do CNPJ quando inequívoco o erro cometido, razão para excluir estes valores do lançamento.
REDARF. COMPETÊNCIA DAS UNIDADES DA RECEITA FEDERAL.
Não compete ao CARF apreciar pedido de retificação de DARF.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para desconstituir o lançamento, exceto em relação ao valor de R$10,00, no mês de agosto, e de R$190,43, em outubro, com os respectivos acréscimos legais; devendo ser observado que consta dos autos requerimento de retificação de DARF a ser apreciado pela Unidade da Receita Federal de origem, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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AUTUAÇÃO POR FALTA DE RECOLHIMENTO. ERRO DE FATO COMPROVADO. RECOLHIMENTO COMPROVADO. DESCONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO ATÉ O VALOR COMPROVADO. Em se tratando se autuação por falta de recolhimento de IRRF, devese desconstituir o lançamento no tocante aos valores cujos recolhimento foi comprovado. Não são equiparadas a decisão sobre requerimento de retificação de DARF e o julgamento da legitimidade do lançamento em questão. Considerase comprovado o recolhimento efetuado com erro na identificação do CNPJ quando inequívoco o erro cometido, razão para excluir estes valores do lançamento. REDARF. COMPETÊNCIA DAS UNIDADES DA RECEITA FEDERAL. Não compete ao CARF apreciar pedido de retificação de DARF. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para desconstituir o lançamento, exceto em relação ao valor de R$10,00, no mês de agosto, e de R$190,43, em outubro, com os respectivos acréscimos legais; devendo ser observado que consta dos autos requerimento de retificação de DARF a ser apreciado pela Unidade da Receita Federal de origem, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 06 56 /2 00 8- 63 Fl. 599DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que indeferiu a impugnação por meio da qual se buscou comprovar o pagamento de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF com a apresentação de DARF processado em nome de terceiros, razão pela qual não foram aceitos como prova de pagamento, sob fundamentação de que não há a concordância dos terceiros, haja vista que essa concordância é exigência da legislação para retificação de DARF. O lançamento fundamentouse no fato de a interessada não haver declarado em DCTF nem recolhido o IRRF sobre rendimentos do trabalho sem vinculo de emprego e imposto de renda na fonte sobre aluguéis pagos à pessoas físicas do período de apuração de janeiro a dezembro de 2007. Ciência do acórdão em 27/11/2008. Recurso voluntário interposto em 29/12/2008 A recorrente descreve que é entidade beneficente sem fins lucrativos; que a discussão envolve pagamentos a pessoas físicas a titulo de aluguéis ou para professores de curso de artesanato e afins; que fez as devidas retenções e recolheu o IRRF; que houve unicamente um erro escusável no preenchimento dos DARF (já anexados, fls. 35/403), pois no campo 03, ao invés de indicar seu CNPJ com exige o sistema de batimento de dados da Receita Federal, indicou o CPF dos contribuinte, deste modo, as escusas decorrem imediatamente de o modelo DARF descrever que o campo 03 deva ser preenchido com o CPF ou CNPJ do “contribuinte”, ao passo que a recorrente não é contribuinte, mas sim responsável pelo recolhimento. Em face das objeções registradas na decisão não unânime de primeira instância, a recorrente anexou Requerimento de retificação de DARF (REDARF) preenchido e assinado e com autorização do contribuinte, relativamente aos recolhimentos alusivos aos pagamentos de aluguéis e a um total de 12 documentos de arrecadação; a outra metade da autuação consiste em 91 DARF de várias pessoas físicas, residentes em várias cidades do Paraná, cuja autorização para REDARF está sendo providenciada, motivo pelo qual requer prazo de 60 dias para providencias. Finalmente requereu o cancelamento do auto de infração em relação aos DARF ora anexados ou futuramente acostados e anulação do auto de infração remanescente em razão da possível não localização de algum contribuinte ou impossibilidade de firmar assinatura (mudança de endereço, óbito, etc) que serão devidamente especificadas. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.010656/200863 Acórdão n.º 2802002.770 S2TE02 Fl. 600 3 O processo foi distribuído à Primeira Seção e depois redistribuído para Turma da Segunda Seção. É o relato. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O lançamento baseouse em falta de recolhimento de IRRF alicerçado no cruzamento de informações entre as DIRF e os DARF. Não há controvérsia em relação ao valores em si, e sim quanto ao efetivo recolhimento. A recorrente demonstra minuciosamente quais os pagamentos que deram causa à suposta falta de recolhimento, bem como comprova que, ao par de cada retenção, efetuava o recolhimento com erro, pois ao invés de preencher o campo nº 3 com o seu CNPJ, incluía o CPF dos beneficiários. Está claro o erro de fato e, consequentemente, esclarecido que não houve a suposta falta de recolhimento no total indicado no lançamento. Também foi evidenciado que o erro não foi ignorado na decisão de piso, ocorre que o voto condutor do acórdão recorrido tomou a legislação que norteia a retificação de DARF como um impedimento ao cancelamento do auto de infração. São duas coisas distintas, uma é a impossibilidade de manter um lançamento no qual é inequívoco o erro no preenchimento do DARF, outra é deferir requerimentos de retificação de documentos de arrecadação. Equiparar ambas as hipóteses, neste caso concreto, é exigir formalismo exagerado em detrimento da verdade material. A recorrente tem razão em sua tese, de forma que não pode prosperar o lançamento em relação ao recolhimentos realizados. Foram analisadas as planilhas elaboradas pela recorrente que demonstram a origem dos débitos registrados que foram objeto da autuação. Apenas em dois casos foi constatado óbice ao provimento integral do recurso. A saber: Fl. 601DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) No mês de agosto, ao invés de recolher R$53,25 como consignado às fls. 222, o valor do DARF é de R$43,25 (fls. 226). Uma diferença de R$10,00, que deve ser mantida no lançamento, com os acréscimos legais (multa e juros). Neste caso, há verdadeira falta de recolhimento e não cabe a alegação de erro escusável, bem como ficam prejudicadas as demais alegações recursais. b) no mês de outubro, o DARF anexado referente ao suposto recolhimento de R$190,43 (fls. 287) não contém autenticação e não há outro DARF que comprove recolhimento dessa importância. Esse valor foi reconhecido como integrante do lançamento (fls. 269) e deve subsistir a autuação neste mês, com os acréscimos legais. Neste caso, há verdadeira falta de recolhimento e não cabe a alegação de erro escusável bem como ficam prejudicadas as demais alegações recursais. Não compete ao CARF, e sim à Unidade da Receita Federal de origem, apreciar pedidos de retificação de DARF. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para desconstituir o lançamento, exceto em relação ao valor de R$10,00, no mês de agosto, e de R$190,43, em outubro, com os respectivos acréscimos legais; devendo ser observado que consta dos autos requerimento de retificação de DARF a ser apreciado pela Unidade da Receita Federal de origem. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 602DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10830.009043/99-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/10/1994
Ementa:
PIS - COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO - 543-C do CPC - Recolhimentos indevidos e pleito de restituição efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05, o prazo prescricional para o contribuinte articular o seu direito ao indébito compreende o período de dez anos. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente substituto.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 31/10/1994 Ementa: PIS - COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO - 543-C do CPC - Recolhimentos indevidos e pleito de restituição efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05, o prazo prescricional para o contribuinte articular o seu direito ao indébito compreende o período de dez anos. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 90 43 /9 9- 36 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Em Recurso Especial de fls. 194/201, admitido pelo Exame de Admissibilidade de fl. 219, insurgese a Fazenda Nacional contra o acórdão nº 20219.254, fls. 174/179 que deu parcial provimento ao recurso do contribuinte para reconhecer o direito à restituição do PIS, tomando como termo inicial para contagem do prazo decadencial a data da publicação da Resolução do Senado Federal n.º 49, de 09/10/1995. Inicia suas razões recursais abordando o aspecto da decadência louvada nos artigos 165 e 168 do CTN para defender que o direito à restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário e transcreve o Ato Declaratório SRF nº 96/99. Requer ao final o provimento do Recurso para o fim de restabelecer a decisão de primeira instância. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O presente Recurso Especial por contrariedade à lei (fl. 219) está dotado de condições para conhecimento. Em razão de peculiaridades no processo, que dificultam o deslinde da questão para mim tornouse necessário examinar detalhes que normalmente não são necessários. Nas fls. 01/02 dos autos pedidos de restituição protocolado em 12.11.1999 e de compensação protocolado em 26.10.1999 e a partir da fl. 08/15 Darf´s de recolhimento de PIS referentes ao meses de janeiro de 1994 a novembro de 1995. A matéria agitada nos autos diz respeito a pedido de restituição/compensação de créditos provenientes de recolhimentos da Contribuição para o PIS com base nos Decretos leis 2.445/88 e 2449/88 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.009043/9936 Acórdão n.º 9303002.817 CSRFT3 Fl. 241 3 Quanto ao argumento da Recorrente de que a Lei Complementar nº 118/05 é de caráter interpretativo tenho para mim que embora traga em seu bojo essa impressão na verdade o dispositivo destinouse a afastar a tese prescricional dos cinco mais cinco adotada pelo Judiciário. Ela de fato transfusiona preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo uma vez que o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência tendo sido o seu art. 4º reputado inconstitucional por pretensão retroativa do art. 3º. A primeira instância administrativa adotou o prazo de decadência igual a cinco anos a contar da protocolização do pedido que se deu em 12.11.1999 portanto homologando parcialmente a compensação considerando pertinentes os períodos base compreendidos entre 12.11.94 e o ano de 1995. Tendo em vista que a LC nº 118 /05 foi publicada em 09/02/05, a incidência da norma em tela operase apenas a partir de 09/06/05. Considerando que o pedido de compensação/restituição foi protocolado em 12 de novembro de 1999 inferese que o prazo prescricional continua a ser aplicado nos moldes do ERESP 435.835/SC, o qual corresponde à denominada tese dos 5 (cinco) mais 5 (cinco). Diante do exposto adotando os predicativos contidos na LC nº118/2005, haja vista que o pleito originado neste processo foi articulado anteriormente a 09.05.2005 nego provimento ao Recurso interposto. Sala das Sessões, 23 de janeiro de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900998/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 00 99 8/ 20 09 -5 8 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da ora Recorrente. Inicialmente a interessada transmitiu em 23/05/2005 o PER/DCOMP eletrônico n° 01442.64598.230505.1.3.043303, visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ, onde consta: a) débito compensado IRPJ – 236201 – Demais PJ obrigadas ao lucro real / Estimativa mensal Período de apuração: Abr/2005 vencimento: 31/05/2005 principal: R$ 8.560,64; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 8.560,64. b) crédito utilizado: Valor Original do Crédito Inicial: R$ 16.375,14; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 16.375,14; Crédito Atualizado: R$ 19.717,31 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 8.560,64 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 7.109,58 Saldo do Crédito Original: R$ 9.265,56 A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 18/02/2009 (fl. 01), não homologou a compensação declarada em face de terem sido localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 4 3 Regularmente cientificada desse Despacho Decisório, em 05/03/99 por via postal, a Recorrente, em 03/04/2009, apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 05 e segs.), trazendo as alegações a seguir reproduzidas: “1) No despacho decisório acima referido, V. Sa. afirma que foram localizados um ou mais pagamentos mediante a DARF discriminada na PERDCOMP 01442.64598.230505.1.3.043303, mas que tais pagamentos já haviam sido integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 2) Efetivamente, assiste razão ao Fisco, vez que o DARF utilizado como "crédito" do contribuinte não contava com qualquer saldo desta natureza, apto a compensar outros débitos de natureza tributária. 3) Ocorre que o contribuinte, por erro, ao invés de informar que o crédito do sujeito passivo constava da Declaração de Imposto de Renda do anocalendário de 2003, no valor de R$ 74.966,07 (setenta e quatro mil, novecentos e sessenta e seis reais e sete centavos) (cópia da Ficha 12A DIPJ em anexo), utilizouse erroneamente do DARF, caracterizado no Despacho Decisorio, no valor de R$ 16.375,14 (dezesseis mil, trezentos e setenta e cinco reais e quatorze centavos), pago no ano de 2003, o qual compõe o valor do Saldo Negativo acima informado, supôs o contribuinte pudesse ser informado como fonte do crédito compensado. Em outras palavras, o contribuinte entendeu possível utilizar como crédito um DARF pago naquele ano em que se apurou o Saldo Negativo. Ao invés de informar o Saldo Negativo como sendo o crédito, informou o DARF, como pagamento indevido a maior. 4) De toda forma, apesar do equivoco, importa destacar que a empresa ora impugnante contava, à época, com Saldo Negativo no valor de R$ 74.966,07 (setenta e quatro mil, novecentos e sessenta e seis reais e sete centavos), valor este que se pretendia ver compensado o valor de R$ 8.560,64 (oito mil, quinhentos e sessenta reais e sessenta e quatro centavos) e que, por equivoco no preenchimento da PERDCOMP, foi informado como pagamento indevido a maior. 5) A contribuinte buscou retificar o PERDCOMP ora em comento, sem sucesso, haja vista que o programa respectivo impede tal tipo de retificação (Cópia da tentativa de Retificação em anexo).” Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação da compensação efetuada, não como pagamento indevido, mas como saldo negativo. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPETÊNCIA PARA APRECIAR COMPENSAÇÃO. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 5 4 A competência para apreciar a compensação e emitir o despacho decisório homologandoa, ou não, é da DRF. Tendo esta constatado que o alegado pagamento indevido existia, mas já fora utilizado na compensação de débito regularmente declarado, e proferido despacho decisório não homologando a compensação, falece competência à DRJ para acolher a alegação de que o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ/CSLL e não a pagamento indevido , apreciar originariamente a compensação e emitir novo despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 15/07/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/08/2011, onde reitera os argumentos anteriores e busca o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do PER/DCOMP eletrônico n° 01442.64598.230505.1.3.043303, a interessada busca a compensação de direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ com estimativa mensal do mesmo tributo. A DRF não homologou a compensação por entender que não havia crédito a ser compensado, pois o DARF informado já tinha sido utilizado para quitação de outro débito da Recorrente. A Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando erro material constante da PER/DCOMP. Explicou que o DARF foi utilizado para a quitação da estimativa mensal do anocalendário de 2003, que por sua vez compôs o saldo negativo do ano o qual ela buscou a compensação através da PER/DCOMP em questão. A DRJ posicionouse no sentido de manter a decisão que não homologou a compensação, sob a seguinte fundamentação: “É inequívoco, portanto, que sua pretensão é que este Colegiado, substituindo a DRF/CTA, analise os esclarecimentos e, com base na nova natureza atribuída ao crédito (saldo negativo de IRPJ ou CSLL, conforme o PAF), emita um novo despacho decisório com conteúdo material distinto daquele combatido. Contudo, tal pretensão não encontra condições de ser satisfeita, porquanto a competência para apreciar originariamente o pedido de restituição e/ou a compensação e deferila/homologála é exclusiva das DRF e congêneres, a teor do art. 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04/03/2009, e também no art. 47 da Instrução Normativa n° 600, de 28/12/2005.” Em seguida faz extensa análise das competências da DRF e da DRJ. Assim passo a uma breve análise. Compulsando as declarações de demais elementos trazidos ao processo, parece crivel as alegações feitas pela ora Recorrente de que houve erro no preenchimento da DCOMP, tendo esse crédito composto o saldo negativo daquele anocalendário, motivo pelo qual o sistema da RFB, ao analisar a compensação pleiteada, informou que o montante já havia sido utilizado. Por sua vez o acórdão da DRJ deve ser afastado in totum. Cabe sim a DRJ analisar a decisões da DRF, sobretudo as que se deram de forma automática, devolvendo o processo para uma instrução complementar, pois sem uma análise minuciosa do direito creditório da Recorrente o Fisco poderia levála ao recolhimento de valores por vezes indevidos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 7 6 A PER/DCOMP não pode / deve ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 8 7 suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento não devolveu o processo para que a DRF fizesse uma análise do direito creditório da Recorrente, a luz do que havia sido alegado na Manifestação de Inconformidade. Com efeito o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10980.900998/200958 Resolução nº 1802000.468 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim sendo, converto o presente julgamento em diligência determinando a remessa dos presentes autos à unidade origem, a fim de que aquela unidade: a) verifique a luz da documentação acostada ao processo, bem como intime o contribuinte a trazer aos autos provas complementares que julgar necessária para que comprove o crédito alegado, a exemplo dos balancetes do período, memórias de cálculo e demais documentos contábeis ou fiscais que demonstrem a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. b) verificar se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de débito anterior; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12571.000377/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.063
Decisão:
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PROCEDÊNCIA. Mantidas, em processo conexo, as exigências tributárias que serviram de lastro para a medida administrativa contestada, há de se negar provimento ao recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 77 /2 01 0- 53 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 410 2 Relatório MAGNOJET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que indeferiu solicitação veiculada por meio de Manifestação de Inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exclusão do SIMPLES (Ato Declaratório Executivo nº 37, de 21 dezembro de 2010), com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2007, efetivada com base na constatação de que a contribuinte ultrapassou, no ano de 2006, o limite de receita bruta estabelecido na Lei nº 9.317/96. A contribuinte declarou receita bruta, no anocalendário de 2006, no montante de R$ 1.611.281,21, tendo a Fiscalização apurado omissão de receitas no valor total de R$ 4.273.461,86, de modo que a receita total no referido ano passou a ser de R$ 5.884.743,07, superior ao limite de R$ 2.400.000,00. Manifestação de Inconformidade às fls. 315/336. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o trabalho fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1434.411, de 28 de junho de 2011, pela procedência da exclusão. O referido julgado restou assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. Constatado que a pessoa jurídica ultrapassou o limite de receita bruta fixado na legislação tributária, cabe a sua exclusão de ofício do Simples. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 374/401, por meio do qual sustenta: abuso das autoridades administrativas ao requisitarem informações (financeiras) sigilosas sem autorização judicial; ausência de relação direta entre os valores apontados nas contas bancárias e os documentos considerados elaborados por meio de fraude; ausência de produção de prova técnica quanto ao enquadramento do produto; nulidade dos lançamentos em virtude de prova ilícita (“quebra de sigilo bancário sem autorização judicial). O presente processo guarda inteira relação com o de nº 12571.000373/2010 75, motivo pelo qual, tendo sido sobrestado o julgamento do citado feito em virtude de Fl. 615DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 411 3 disposições regimentais então vigentes, eles foram juntados, por apensação, para apreciação conjunta (Resolução nº 1301000.063, de 12 de junho de 2012, fls. 405/407). Entretanto, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria nº 545 revogando as disposições referentes ao sobrestamento de julgamento, desaparecendo, assim, os impedimentos que obstaculizavam o julgamento dos processos. É o Relatório. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 412 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de EXCLUSÃO DO SIMPLES, formalizada a partir da constatação de que a contribuinte ultrapassou, no ano anterior ao da opção, o limite de receita estabelecido na legislação de regência. A contribuinte formalizou a opção pelo SIMPLES em 1º de janeiro de 2007, com efeitos até 30 de junho do mesmo ano, sendo que em 2006 foi apurada receita em montante superior a R$ 2.400.000,00. Conforme relato, o presente processo guarda inteira correlação com o de nº 12571.000373/201075, vez que foi nele que foi apurada a receita que, somada à declarada espontaneamente pela contribuinte, ultrapassou o limite para opção pelo regime simplificado. O presente processo e o citado 12571.000373/201075 foram, em virtude dos motivos antes expostos, distribuídos para apreciação conjunta, pois, julgada procedente a omissão de receita, procedente também deverá ser considerada a exclusão do SIMPLES. A autoridade julgadora de primeiro grau, apreciando MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE apresentada pela contribuinte, a julgou improcedente. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte limitase a reprisar os argumentos expendidos na contestação apresentada nos autos do processo nº 12571.000373/201075. Assim, reproduzo o inteiro teor do decidido no processo em referência, esclarecendo que a receita financeira excluída de tributação no citado julgado, diante do seu montante, não produz alteração acerca da procedência da exclusão promovida pela Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, Paraná. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 640/653, foram imputadas à contribuinte fiscalizada as seguintes infrações: 1) insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada a partir do confronto entre as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006 (DIPJ/2006 e DIPJ/2007) e a escrituração contábil; 2) insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS, apurada a partir do confronto entre os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) de 2005 e de 2006 e a escrituração contábil; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 413 5 3) omissão de receitas financeiras apurada com base em informações prestadas pelas fontes pagadoras (Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte – DIRF); 4) omissão de receitas, caracterizada pela realização de vendas sem emissão da nota fiscal correspondente e apurada a partir de informações transmitidas pelo Fisco estadual (os valores correspondentes foram creditados em contas bancárias pertencentes ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO); 5) omissão de receitas, caracterizada pela utilização de notas fiscais paralelas1 e apurada a partir de informações transmitidas pelo Fisco estadual. Abaixo, quadro resumo das diferenças de faturamento apuradas pela Fiscalização. ANOCALENDÁRIO 2005 ANOCALENDÁRIO 2006 DECLARADO 1.923.572,64 1.611.281,21 APURADO 6.462.083,43 5.884.743,07 DIFERENÇA 4.538.510,79 4.273.461,86 Observando o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, a Fiscalização promoveu os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL com base no lucro presumido. Na constituição do crédito tributário relativo à omissão de receita derivada da ausência de emissão de nota fiscal e da utilização de notas fiscais paralelas foi aplicada multa qualificada de 150%. A Fiscalização imputou responsabilidade tributária solidária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, por considerálo proprietário de fato da empresa fiscalizada. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de Recurso Voluntário pela empresa fiscalizada e pelo Sr. OSVALDO DE CARVALHO. SIGILO BANCÁRIO Os Recorrentes requerem o reconhecimento de que a “quebra” do sigilo bancário sem autorização judicial não pode valer como prova. Afirmam que a Fiscalização “utilizouse de Prova emprestada da Receita Estadual do Paraná, a qual obteve todo o movimento financeiro do contribuinte e do sujeito passivo solidário de forma ilegal, sem autorização judicial e, portanto, viciada.” Não assiste razão aos Recorrentes. Com efeito, não há que se falar em ilicitude na apuração do tributo com base em extratos bancários fornecidos por instituição financeira em atendimento à requisição específica, que atendeu aos mandamentos legais pertinentes, pois se trata, apenas, da utilização de novo meio de fiscalização. 1 Artifício fraudulento que consiste na impressão em duplicidade da mesma nota fiscal, de modo que, para uma mesma numeração, têmse mais de uma nota fiscal impressa. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 414 6 Os atos praticados pela autoridade tributária no sentido de acessar a movimentação bancária dos contribuintes sujeitos a procedimento de fiscalização encontramse expressamente autorizados pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, sendo, portanto, equivocado o entendimento de que as autoridades fiscais somente poderiam ter acesso à movimentação bancária dos referidos contribuintes com base em autorização judicial. Esclareçase, por relevante, que o citado art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que, estabelecendo requisitos a serem observados pela autoridade fiscal, resguarda o sigilo das informações recepcionadas. É certo, pois, que o ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. Penso que seja importante destacar que, no caso de utilização de informações colhidas junto às instituições financeiras, revelase impróprio falar em “quebra de sigilo”, visto que o que efetivamente ocorre é a transferência e a alteração da natureza do sigilo. Enquanto mantidas sob a guarda das instituições financeiras, as informações encontramse abrigadas pelo apropriadamente denominado sigilo bancário. Ao serem transferidas, com base na lei, para a Administração Tributária, referidas informações continuam protegidas por sigilo, só que, a parti daí, pelo chamado sigilo fiscal. A consideração acima é facilmente extraída da Lei Complementar nº 105, de 2001, senão vejamos: LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 10 DE JANEIRO DE 2001. Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. [...] Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Vêse, assim, que revelase inadequado dizer que estamos diante de QUEBRA DE SIGILO nas situações em que Administração Tributária acessa a movimentação bancária do contribuinte. Tratase, na verdade, de mera transferência de sigilo (da instituição financeira para a Administração Tributária), que, do ponto de vista estritamente tributário, possibilita uma melhor visualização da capacidade contributiva do contribuinte, o que dá efetividade ao princípio constitucional insculpido no parágrafo 1º do art. 145 da Carta Constitucional e, sem sombra de dúvida, torna mais justa a tributação, eis que remove obstáculo incessantemente utilizado por aqueles que têm a intenção de “esconder” a sua verdadeira capacidade de contribuição. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 415 7 Não é demais anotar que, nos termos do disposto na norma regulamentadora da transferência de sigilo autorizada pela Lei Complementar nº 105 (Decreto nº 3.724, de 2001), o servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação sobre a movimentação financeira do contribuinte, com infração ao disposto no art. 198 do Código Tributário Nacional, ou no art. 116, inciso IX da Lei nº 8.112, de 1991, ficará sujeito à penalidade de demissão, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. No tocante à alegada prova emprestada, temos que, em conformidade com os documentos de fls.02/03, a Superintendência Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal solicitou à Receita estadual do Paraná cópia de todo e qualquer elemento associado a lançamento de ofício porventura efetuado contra a ora em Recorrente. Em atendimento, a Receita Estadual encaminhou cópia de inúmeros documentos (fls. 04/320), que foram juntados sob a forma de anexos, conforme registro constante do Termo de fls. 323/324. Também por meio de Termo, a Fiscalização promoveu a devolução ao Fisco estadual dos originais de notas fiscais, livros fiscais e comerciais e relatórios que haviam sido encaminhados (fls. 321). A partir dos elementos coletados, foi instaurado procedimento fiscal na contribuinte, momento em que foi lavrado, em 27 de novembro de 2009, o competente TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 325/331). No Termo de Início de Procedimento Fiscal, além de requisitar inúmeros documentos (contrato social e alterações; instrumentos de procuração, Livros Comerciais e Fiscais; Demonstrativos e Planilhas relacionadas ao IPI; arquivos digitais, entre outros), a Fiscalização intimou a contribuinte “a apresentar esclarecimentos ou manifestação acerca da documentação obtida junto à Receita Estadual do Paraná, conforme o art. 198 do Código Tributário Nacional (convênio), que aponta valores de receitas e remunerações não contabilizados e que, conseqüentemente, não foram incluídos pelo fiscalizado na apuração dos tributos e contribuições objeto da presente fiscalização”. Na ocasião, a contribuinte foi alertada de que os valores apurados serviriam de base para a exigência dos tributos federais, sendo que o faturamento do ano de 2006 poderia dar causa à exclusão do SIMPLES FEDERAL no período de janeiro a junho de 2007. Em 22 de dezembro de 2009, a contribuinte apresentou o documento de fls. 333/344, por meio do qual noticia a entrega de documentos que haviam sido requisitados; declina a razão pela qual o atendimento foi parcial (ou não foi efetuado) em relação a determinados pedidos; e, relativamente aos fatos apurados pelo Fisco estadual, esclareceu: que os valores apontados nos demonstrativos elaborados estavam sendo objeto de questionamento administrativo, inexistindo decisão acerca deles; e que os dados teriam sido obtidos de forma ilícita, sendo que isso seria alegado em momento oportuno, em processo judicial. Em 20 de janeiro de 2010, por meio do documento de fls. 371/373, a contribuinte apresentou esclarecimentos complementares relacionados a operações de exportação. Em 25 de março de 2010, foram restituídos à contribuinte diversos documentos, conforme Termo de fls. 420. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 416 8 Em 08 de setembro de 2010, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, por meio do qual a contribuinte foi instada a apresentar esclarecimentos sobre notas fiscais paralelas relacionadas em anexo ao referido Termo, momento em que ela foi informada que os dados planilhados eram preliminares, vez que ainda estavam sendo revisados. A contribuinte foi informada também que os dados haviam sido repassados pela Receita estadual e que, à medida em que fossem analisados pela Fiscalização, seriam fornecidas cópias para ela (fls. 427/428). Em 28 de setembro de 2010, relativamente aos elementos encaminhados pelo Fisco estadual, que foram analisados e planilhados pela Receita Federal, a contribuinte simplesmente informou (fls. 430/432): [...] Em relação ao item 02 desta notificação, esclarecemos que os documentos que foram retidos pela Fiscalização Estadual, em primeiro lugar, ficaram nas mãos do Fisco Estadual por um grande espaço de tempo, parte foi enviada a Receita Federal ou a sua totalidade (não sabemos com certeza) e parte nos foi entregue. Como todos os procedimentos efetuados encontramse em discussão na Esfera Administrativa, inclusive todos sem nenhuma decisão definitiva, optamos neste momento por não apresentar nenhuma manifestação de forma antecipada, fato que faremos quando da conclusão desta Fiscalização Federal, por ocasião de eventuais autuações que por ventura (sic) possam resultar a mesma, da mesma forma que ocorreu com a Receita Estadual, de forma que, entendemos que manifestações serão oportunizadas em momentos posteriores onde todos os argumentos serão apresentados. (GRIFEI) Em 06 de outubro de 2010, a contribuinte foi novamente intimada a prestar esclarecimentos acerca dos fatos apurados pelo Fisco, fatos que, como já dito, foram objeto de análise e planilhamento por parte da Fiscalização federal (fls. 437/439). Em 11 de outubro de 2010, esclarecendo que a intimação encaminhada em 06 de outubro deveria ser desconsiderada, novo Termo foi lavrado requisitando informações acerca das apurações efetuadas pelo Fisco estadual, entre outras solicitações (fls. 440/444). Em 04 de novembro de 2010, a contribuinte, alterando um pouco a sua linha argumentativa, argumentou, in verbis: [...] Em relação ao item 03 e 04 desta notificação, esclarecemos que os documentos encontramse em poder da Receita Federal, pois foram remetidos a vocês em oportunidades anteriores. Dessa Forma, e, em virtude de haver a necessidade de verificação junto aos Livros, somente seria possível responder a tais quesitos se Vossa Senhoria nos devolvesse os mesmos, ainda que temporariamente, pois somente assim é que teremos condições exatas de responder cada quesito e seus itens, que não são poucos, digase de passagem. Além disso, será necessário efetuarmos vários cálculos para apresentação do que foi requerido. Necessário se faz esclarecer que até tentamos fazer isso através dos dados que aqui tínhamos, mas nos esbarramos em alguns dados que teríamos que tirar do próprio Livro Diário e Razão. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 417 9 A informação trazida pela fiscalizada não encontra respaldo nos autos, vez que a documentação que foi fornecida por ela à Fiscalização Federal foi devidamente restituída, conforme Termo de fls. 4202. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 640/653, a autoridade autuante destacou que os valores apurados pela Receita estadual e que foram transmitidos à Fiscalização federal foram cotejadas e confirmadas em relação à escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Embora os Recorrentes não tenham contestado diretamente a utilização, por parte da autoridade fiscal federal, dos elementos fornecidos pelo Fisco estadual, eis que a insurgência se deu contra o uso das informações bancárias, não é demais ressaltar que, no caso, o responsável pela autuação que ora se aprecia cuidou de confirmar, em procedimento próprio, as conclusões apresentadas no trabalho realizado em âmbito estadual, sendo impertinente a alegação de que teria sido necessário levantamento físico ou verificação técnica para aferir a veracidade dos fatos trazidos por meio do procedimento efetuado na esfera estadual. Portanto, aqui, não identifico violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais, motivo pelo qual rejeito os argumentos expendidos pelos Recorrentes. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO Apresentando extensas considerações acerca dos princípios da legalidade e da vedação ao confisco, os Recorrentes argumentam que os valores lançados representam confisco. Aqui, cabe, apenas, verificar se as normas legais que serviram de suporte para a formalização das exigências gozam de vigência de plena. Nesse diapasão, não identifico mácula capaz de afastar as penalidades aplicadas, eis que os percentuais considerados pela autoridade autuante encontram se expressos nos atos legais declinados na peça acusatória e inexiste mandamento de qualquer ordem no sentido de impedir a sua aplicação. Como é cediço, nos termos da súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Cabe destacar que, nos termos do disposto no art. 72 do Regime Interno (ANEXO II), as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Alegam os Recorrentes que, no presente caso, a pessoa jurídica autuada possui todos os elementos legais exigidos para responder, judicial ou extrajudicialmente, por todos os atos praticados ou a ela imputados, sempre através de seus representantes legalmente constituídos. Procurando demonstrar a improcedência da imputação de responsabilidade tributária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, assinalam: [...] 2 A documentação fornecida pelo Fisco estadual também foi devolvida ao órgão competente, conforme Termo de fls. 321. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 418 10 O Sr. Osvaldo de Carvalho, eleito indevidamente sujeito solidário no presente Auto de Infração, foi sócio da empresa MAGNO, em Santana do Parnaíba, São Paulo, juntamente com o Sr. Miguel Ronaldo Rizzo, falecido em 2001 por ato de violência em seqüestro. Por questões óbvias, sofrendo com o trauma e o “fantasma” do seqüestro e morte de seu sócio e melhor amigo, o Sr. Osvaldo não teve dúvidas em decidir pela mudança de cidade juntamente com toda a sua família e, como sua atividade profissional estava voltada exclusivamente à empresa, decidiu por mudála também. Imaginou que Ibaiti/PR pudesse proporcionar a si (sic) e a seus familiares a tranquilidade e a despreocupação quanto à violência de um grande centro. Decidindo pela mudança e, em se tratando de empresa tipicamente familiar, já que grande parte dos familiares ali exerciam atividade profissional, o Sr. Osvaldo de Carvalho também decidiu, efetiva e paulatinamente, transferir toda a administração da empresa para suas filhas e genros. Prova disso é que já há algum tempo vêm sendo realizadas reuniões familiares onde se debate a sucessão no comando da empresa, já que o Sr. Osvaldo tem demonstrado vontade em participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados pela empresa Recorrente (foi o Sr. Osvaldo quem criou cada um dos produtos oferecidos pela MAGNOJET). No entanto, suas filhas e genros ainda são bastante inexperientes na função administrativa da empresa, motivo pelo qual, para grandes problemas e decisões, o Sr. Osvaldo sempre é requisitado. Ressaltese que se trata de empresa reconhecida mundialmente, por ter desenvolvido bicos pulverizadores especiais para cada tipo de atividade agrícola diferente, cujos produtos são comercializados com exclusividade para todo mundo. Aditam os Recorrentes que a imputação de responsabilidade em questão está embasada em presunção, inexistindo, ressalvada a declaração por ele prestada, documento capaz de comprovar que o Sr. Osvaldo de Carvalho era efetivamente o proprietário da empresa. Relativamente à declaração prestada pelo Sr. Osvaldo, assinalam que ela foi assinada coercitivamente e sob ameaça de que ele e seus familiares seriam presos. Com o devido respeito, as considerações trazidas pela peça recursal, ao invés de servir como fundamento para a exclusão do Sr. Osvaldo de Carvalho do pólo passivo da obrigação tributária constituída, concorre para corroborar a medida adotada pela Fiscalização. Com efeito, o recurso voluntário foi interposto em 05 de setembro de 2011, ainda nessa ocasião, segundo o que foi nele consignado, reuniões familiares estavam sendo realizadas para debater uma possível sucessão no comando da empresa, haja vista o fato de o Sr. Osvaldo ter demonstrado “vontade em participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados pela empresa”. Releva lembrar que o procedimento fiscal em debate diz respeito a fatos ocorridos nos anos de 2005 e de 2006. Assim, me parece fora de dúvida que, àquela época, o “comando da empresa” era efetivamente desempenhado pelo Sr. Osvaldo de Carvalho, eis que não é razoável considerar que o “algum tempo” referenciado na peça de defesa esteja representado por algo em torno de seis anos. Mas, não é só isso. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 419 11 Às fls. 06 dos autos, consta cópia de PROCURAÇÃO outorgada pela sócia gerente da fiscalizada ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, seu pai, para que ele pudesse desempenhar e responder por todos os atos perante a Receita estadual, haja vista a instauração do procedimento fiscalizatório por parte do órgão estadual competente. A pessoa jurídica fiscalizada iniciou atividades em fevereiro de 2004 e, até 24 de novembro de 2004, possuía como sócias as Sras. Luciana Moreira de Souza e Wanda Bernardino de Souza. A partir de 24 de novembro de 2004, as sócias passaram a ser a Sras. HELOISA DE CARVALHO e ELISA DE CARVALHO. De acordo com relato feito pela fiscalização estadual, a pessoa jurídica autuada (MAGNOJET) noticiou na INTERNET que é uma seqüência da empresa MAGNO IND. E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, que tinha como sócioadministrador o Sr. OSVALDO DE CARVALHO, pai de HELOISA DE CARVALHO e de ELISA DE CARVALHO, e como sóciogerente o Sr. MIGUEL RONALDO RIZZO. Em 24 de junho de 2004, a Sra. KARINE SOARES RIZZO, que havia sucedido o Sr. MIGUEL RONALDO RIZZO na MAGNO IND. E COM., deixa a sociedade, entrando em seu lugar o Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA, sobrinho do Sr. OSVALDO DE CARVALHO. As Sras. LUCIANA MOREIRA DE SOUZA e WANDA BERNARDINO DE SOUZA, que supostamente constituíram a MAGNOJET, são, respectivamente, esposa e mãe do Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA. Para a Fiscalização estadual, a MAGNO IND. E COM. simulou, em 2004, a venda de seu ativo imobilizado para a MAGNOJET, visto que no relatório de vendas do mês correspondente as notas fiscais emitidas não apresentaram valores e continham a informação “mudança”, o que levou à conclusão de que não houve pagamento nas operações e que a emissão da documentação objetivou, apenas, acobertar a transferência/mudança dos equipamentos. Na diligência efetuada na MAGNOJET, a Fiscalização estadual foi recepcionada pelo Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA, que solicitou que fosse aguardado contato com o Sr. OSVALDO, “proprietário da empresa”. Uma vez contatado, o Sr. OSVALDO compareceu à empresa. Relatam os fiscais estaduais que foram interpelados pelo Sr. OSVALDO acerca de uma possível denúncia contra a “sua empresa”. Questionado acerca da existência de notas fiscais paralelas, respondeu: “faço mesmo”. Transcrevo fragmento do Relatório elaborado pela Fiscalização estadual, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal, acerca de fatos ocorridos no escritório da MAGNOJET. [...] 2.4 – existia uma sala que estava fechada e os presentes (sobrinho, genro e namorado da filha) pediam para aguardar a “chegada” do funcionário, decorrido mais de uma hora, foi solicitado ao Sr. OSVALDO que abrisse a sala e o mesmo assim procedeu, fazendo uso das chaves do molho de chaves da empresa que estava em seu poder; 2.5 – nas dependências da fábrica, foi localizada uma sala fechada da qual nenhum funcionário tinha chave. Ao ser inquirido, o Sr. Osvaldo confirmou que lá Fl. 624DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 420 12 estava parte dos documentos falsos e mandou que CARLOS FERNANDO abrisse a sala e acompanhasse os auditores; 2.6 – quando da formalização dos termos fiscais o Sr. Osvaldo providenciou uma procuração de sua filha Heloísa e assinouos, tendo, inclusive, feito uma declaração escrita (fls. 6) onde confessa – confissão é a rainha das provas – a prática de sonegação fiscal através do uso de notas fiscais paralelas e vendas sem documento fiscal; 3 – DA REPRESENTATIVIDADE 3.1 – em todos os procedimentos realizados antes da lavratura dos autos infra mencionados – notificação para defesa prévia, notificação para apresentação de documentos e termos de retenção de documentos – foi o Sr. Osvaldo quem assinou pela empresa MAGNOJET, fazendo uso daquela procuração, sendo certo que a Sra. Heloísa, mesmo estando na empresa, em nenhum momento conversou com os auditores a respeito dos fatos; 3.2 – no dia 09/05/08, foi procedida a ciência nas autuações fiscais em tela, tendo a Sra. Heloísa assinado como representante da MAGNOJET, em virtude de que seu pai não se encontrava na empresa, oportunidade em que o Sr. Carlos Fernando fez muitas perguntas a respeito dos prazos e reduções para pagamento, pois que teria que se reportar, posteriormente, ao Sr. Osvaldo; 4 – DOS FATOS FINANCEIROS 4.1 – no banco de dados da empresa MAGNOJET, extraídos de seus equipamentos, quando da diligência realizada no dia 26/02/2008, foi localizado um recibo (...), datado de 31/07/06, em papel timbrado da MAGNOJET, onde a Sra. KARINE SOARES RIZZO declara estar recebendo do Sr. OSVALDO DE CARVALHO, a importância de R$ 90.450,00 referente à parcela 18/24 de aquisição de suas quotas na empresa MAGNO IND. E COM. DE PROD. CERÂMICOS LTDA., cujo pagamento foi efetuado com os cheques nºs. 826578 – nominal e no valor de R$ 45.000,00 – e 826579 – no valor de R$ 45.450,00 e não nominal – do Banco HSBC, agência 0015, em nome da MAGNOJET – IND. E COM. DE PROD. AGRÍCOLAS LTDA., não indicando o nº da conta corrente, valendo lembrar que a MAGNOJET possui duas contas correntes neste estabelecimento bancário, uma de nº 0578938 e outra de nº 0586442; 4.2 – O Sr. Osvaldo, conforme se observa no item 4.1, adquiriu quotas de capital da empresa MAGNO, da Sra. KARINE SOARES RIZZO e, em 24/06/04, introduziu como novo sócio o Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA – seu sobrinho – já preparando a mudança da empresa de Santana de Parnaíba/SP para Ibaiti/PR; 4.3 – em meados de 2004, como demonstrado acima, o Sr. Osvaldo adquiriu as quotas de capital da MAGNO de sua então sócia, nessa época – 30/01/2004 – já havia iniciado a abertura da empresa MAGNOJET em nome de interpostas pessoas – Sras. LUCIANA e WANDA, esposa e mãe do Sr. CARLOS FERNANDO – na cidade de Ibati/PR e, certamente para se resguardar, no dia 24/11/2004, alterou o contrato social da MAGNOJET, transferindo as quotas de capital para as suas filhas HELOÍSA e ELISA, cujo início das atividades foi janeiro/05; 4.4 – para dirimir de vez qualquer dúvida que possa ser suscitada sobre a participação do Sr. Osvaldo na administração da empresa MAGNOJET, expomos o fato de que os valores referentes às vendas de mercadoria sem nota Fl. 625DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 421 13 fiscal – anos de 2005, 2006 e 2007 – algo em torno de R$ 1.800.000,00 (...), eram recebidos através de depósitos bancários em suas contas correntes/pessoa física, inicialmente no Banco Bradesco, agência nº 8338, conta nº 156841 e, por fim, no Banco do Brasil, agência nº 06025, conta nº 26282X. (GRIFEI) Notase, pois, em convergência com o assinalado no Termo de Verificação Fiscal, que o Sr. Osvaldo de Carvalho efetivamente era o proprietário da fiscalizada à época da ocorrência dos fatos e responsável direto pelos atos infracionais apurados, eis apresentouse como procurador da pessoa jurídica ao Fisco estadual; atendeu os auditores fiscais estaduais nas diligências efetuadas e forneceu os elementos solicitados; esclareceu, como se verá adiante, de forma clara e detalhada o modo com a autuada operava para subtrair receitas à tributação; e apropriouse de valores correspondentes a receitas que não foram declaradas ao Fisco. Às fls. 09 do processo consta DECLARAÇÃO do Sr. Oswaldo de Carvalho, identificado, como já dito, como procurador da fiscalizada, da qual releva destacar as seguintes informações: i) que efetivamente houve uso de notas fiscais “paralelas”; ii) que somente parte do faturamento efetivo da autuada foi declarado; iii) que as listagens denominadas RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS e COMISSÃO VENDAS retratam o faturamento real da empresa; iv) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome de VALDINÉIA correspondem às vendas efetivamente declaradas ao Fisco, tendo sido acobertados por notas fiscais regularmente emitidas; v) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome de MARIVONE correspondem às vendas que foram ocultadas ao Fisco, tendo sido acobertados por notas fiscais paralelas; vi) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome SP correspondem a vendas remanescentes efetuadas pela empresa MAGNO IND. E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, estabelecida no estado de São Paulo e que funcionou até dezembro de 2004; vii) que foram localizados os relatórios denominados RELATÓRIOS DE PRODUTOS VENDIDOS (NF), referentes ao período de 01/01/2007 a 18/12/2007, nos quais aparecem grafados à caneta as indicações “B1” e “B2”, que correspondem às vendas acobertadas por nota fiscal idônea e por nota fiscal paralela, respectivamente; viii) que os RELATÓRIOS MENSAIS DE VENDAS referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004, correspondem às vendas efetuadas pela empresa estabelecida no estado de São Paulo; ix) que os dados referentes ao faturamento eram manipulados na empresa e que o contador responsável não tinha conhecimento de tal fato; e x) que os documentos paralelos que não haviam sido localizados naquela ocasião já haviam sido destruídos. Embora a peça de defesa faça referência à coerção e ameaça na assinatura da declaração acima referenciada, não identifico qualquer elemento, ainda que testemunhal, capaz de comprovar a afirmação. Além do mais, na linha do sustentado Fl. 626DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 422 14 no voto condutor da decsião de primeiro grau, os fatos ali apontados encontramse devidamente corroborados pelos documentos carreados ao processo pela autoridade fiscal. Diante de tal cenário, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada pela Fiscalização ao Sr. Osvaldo de Carvalho. RELAÇÃO ENTRE EXTRATOS BANCÁRIOS E DOCUMENTOS APREENDIDOS Alegam os Recorrentes que a Fiscalização falhou ao não conseguir estabelecer uma relação direta entre os valores apontados em contas bancárias e os documentos tidos como constituídos por meio fraudulento. Sustentam que os valores lançados nas contas bancárias foram tributados duplamente, visto que foram considerados como omissão de receitas e como aplicação financeira. Afirmam que não se consegue vislumbrar nos autos nenhum levantamento específico de valores, pois, simplesmente se somou os valores depositados nas citadas contas e se tributou. Argumentam que o que os agentes fiscais reuniram na tentativa de que fosse configurada fraude são indícios de prova e, como tal, não possuem valor probatório. Absolutamente equivocadas as considerações trazidas pelos Recorrentes. Com efeito, como bem ressaltado no ato decisório combatido, a autuação tratada no presente processo não foi efetuada com base em depósitos bancários. As omissões foram apuradas com base em elementos coletados no estabelecimento da própria fiscalizada e por meio de circularização de terceiros. Neste particular, por não ser digno de reparo, reproduzo fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância acerca da questão em comento. [...] Devese esclarecer que, ao contrário do que afirma a contribuinte, não foi feito lançamento com base em depósitos bancários. Como se vê nos autos de infração o lançamento é relativo à omissão de receitas da atividade sem emissão de notas fiscais, bem assim com emissão de notas fiscais paralelas ou falsas, apuradas por meio de elementos coletados no estabelecimento da própria contribuinte e por circularização de terceiros. O levantamento específico de produtos em estoque, a que se refere a contribuinte, com base no art. 286 do RIR, de 1999, é um critério que a fiscalização pode adotar para apurar omissão de receita, não se constituindo um procedimento obrigatório a ser seguido, ainda mais no presente caso em que a contribuinte adotou a tributação pelo lucro presumido. Verificase que, em diligência na empresa, foram retidos documentos fiscais escriturados, documentos fiscais paralelos emitidos e em branco, pedidos de venda sem nota fiscal, relatórios mensais de vendas, relatórios de comissão de vendas, relatórios de vendas anuais, etc. Analisando tais documentos foi apurado pelo Fisco estadual e confirmado pelo autuante na escrituração do contribuinte, a realização de vendas sem emissão de nota fiscal e de vendas com notas fiscais falsas ou paralelas, cujos elementos encontramse nos anexos A e B desse processo. Ficou comprovado no processo, por meio dos pedidos dos clientes, em que se especificou as parcelas a serem pagas, que os valores das vendas sem notas fiscais foram creditados nas contas bancárias 156841, ag. 08338 do Bradesco, e 1209313, ambas de titularidade de Osvaldo de Carvalho, constando nos extratos bancários Fl. 627DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 423 15 indicação dos depositantes dos citados valores coincidentes com os referidos pedidos dos clientes, conforme se pode ver, por exemplo, às fls. 112 a 213 e 214 a 228 do Anexo A e no Anexo B (fls. 12 a 34). Estabeleceuse, assim, ao contrário do que afirma a contribuinte, a conexão entre os valores apontados em contascorrentes bancárias de Osvaldo de Carvalho e os documentos apreendidos. Devese registrar que os extratos bancários foram utilizados apenas para corroborar a constatação de que foram realizadas vendas sem emissão de notas fiscais, não podendo se falar em tributação em duplicidade dos valores lançados nas contas correntes. (GRIFEI) Notese que, em sede de recurso, os Recorrentes limitaramse a repisar argumentos apresentados na peça impugnatória, motivo pelo qual sequer contraditaram o pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau. Anotese, ainda, que a tributação das receitas financeiras derivaram do confronto entre o que foi declarado pela fiscalizada à Receita Federal e o que foi informado pelas fontes pagadoras. Ausente, assim, qualquer relação com extratos bancários. Os Recorrentes trazem, ainda, considerações acerca das seguintes matérias: exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS; exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ; e majoração e alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. No que diz respeito à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e da majoração da alíquota da COFINS, reitero o pronunciamento no sentido de que os argumentos não podem ser recepcionados em âmbito administrativo, haja vista o disposto na SÚMULA CARF nº 2, antes referenciada. Relativamente ao alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS disciplinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, entretanto, penso que as considerações trazidas pelos Recorrentes devam ser recepcionadas. Observo que, no que tange à tributação do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras omitidas, os lançamentos em questão só podem subsistir se considerarmos válido o conceito de FATURAMENTO estampado pelo citado parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, considerado o referido artigo em sua redação original, isto é, antes da alteração promovida pela Lei nº. 11.941, de 2009. Ocorre que a mesma Lei nº. 11.941 (Medida Provisória nº. 449, em 04 de dezembro de 2008) alterou o Decreto nº. 70.235, de 1972, de modo que restou estabelecido: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 424 16 O art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na mesma linha do acima disposto, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, esclarecendo, contudo, por meio do seu parágrafo único, que tal vedação não se aplica aos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. O citado parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tido aqui, nesse específico caso, como único fundamento capaz de dar respaldo aos lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS sobre as receitas financeiras omitidas, já foi objeto de decisão do plenário do STF nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, restando ali decretada a sua inconstitucionalidade. Corroborando o que aqui se afirma, releva reproduzir excerto do pronunciamento da Ministra Cármen Lúcia, ao apreciar Agravo de Instrumento impetrado pela União. DECISÃO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ARTS. 3º, § 1º, E 8º DA LEI N. 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO: IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA: CONSTITUCIONALIDADE. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ANÁLISE, DESDE LOGO, DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO PROVIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. ... 11. Em 5 de agosto de 2009, no julgamento do Recurso Extraordinário 527.602, de relatoria do Ministro Eros Grau, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98 e da constitucionalidade do art. 8º da mencionada lei, apreciada nos Recursos Extraordinários ns. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ 15.8.2006. 12. Mantevese o entendimento de que a noção de faturamento contida no art. 195, inc. I, da Constituição da República (norma anterior à Emenda Constitucional n. 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, não sendo possível a convalidação dessa imposição, mesmo com o advento de norma constitucional derivada (Emenda Constitucional n. 20/98). 13. Além disso, o Supremo Tribunal rejeitou a alegação de inconstitucionalidade do art. 8º da Lei 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%) e descartou a argumentação de que haveria necessidade de lei complementar para esse fim. Também estabeleceu que a Lei n. 9.718/98 passou a produzir efeitos válidos a partir de 1º.2.1999, em atendimento à exigência do decurso do prazo nonagesimal, prevista no art. 195, § 6º, da Constituição da República. 14. Ao julgar inconstitucional a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3% da Cofins, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98, o Tribunal a quo divergiu da orientação fixada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 15. Pelo exposto, dou provimento a este agravo, na forma do art. 544, §§ 3º e 4º, do Código de Fl. 629DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 425 17 Processo Civil, e, desde logo, parcial provimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 557, § 1ºA, do mesmo diploma legal, para reformar o acórdão recorrido no ponto que julgou ilegítima a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98. Considerandose a Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal, deixo de condenar ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência. Publiquese. Brasília, 19 de novembro de 2009. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Amparado em tais argumentos, acolho o argumento da Recorrente acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no já citado parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Cumpre destacar que em relação à omissão de receita decorrente da ausência de emissão de nota fiscal e da utilização de notas fiscais paralelas, a tributação do PIS e da COFINS deve ser mantida, eis que, nesse caso, os valores apurados dizem respeito a FATURAMENTO. No tocante à pretensão de ver excluída, como despesa, a CSLL da base de cálculo do IRPJ, ainda que se despreze o fato de que argumentação expendida é direcionada no sentido de sustentar a inconstitucionalidade da Lei nº 9.316/96, o que não pode ser apreciado em seara administrativa, equivocamse os Recorrentes ao afirmar que “elabora suas demonstrações financeiras, adotando para tanto a sistemática ou forma de tributação pelo lucro real, consoante comprovam as declarações do imposto de renda que se anexa”, pois, como já visto, o regime de tributação adotado nos anos submetidos ao procedimento fiscal (2005 e 2006) foi o do LUCRO PRESUMIDO3, descabendo, assim, falar em apropriação de despesa na determinação da base de cálculo. O lançamento tributário relativo ao Imposto sobre Produto Industrializado foi objeto de um outro processo administrativo, motivo pelo qual descabe apreciar pedido de perícia relativo a questões associadas ao referido tributo. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação do PIS e da COFINS os valores incidentes sobre as receitas financeiras omitidas (PIS – infração 1, fls. 676; e COFINS – infração 1, fls. 690). Diante da decisão acima reproduzida, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator 3 Às fls. 457/474 dos autos, encontramse anexadas cópia das DIPJ/2006 e 2007, com opção pela tributação com base no LUCRO PRESUMIDO. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000377/201053 Acórdão n.º 1301001.440 S1C3T1 Fl. 426 18 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912948/2009-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido da conversão do julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti que votou no sentido da conversão do julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 48 /2 00 9- 06 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em decorrência da decisão que manteve in totum o Despacho Decisório de fl.2 que indeferiu o pedido de compensação de crédito de PIS e pagamento a maior de PIS relativamente ao período de 01/03/2003 a 31/03/2003. O deferimento deuse por meio de despacho parametrizado, fl.2, afirmando que o limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP no valor de R$ 755,25. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em Manifestação de Inconformidade sustenta a recorrente que a empresa possui créditos referentes ao PIS e COFINS recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. Diz também que por uma lapso deixou de retificar a DCTF número 0000.100.2003.91344606 de 15/05/2003, a qual deveria constar o valor correto dos débitos para o PIS e a COFINS. Retificando a DCTF em 20/05/2009. A contribuinte colecionou aos autos cópia do DARF de pagamento. Em síntese é o fundamento da defesa e pede que seja julgado procedente. A decisão hostilizada decidiu ao fundamento de que a DCTF retificadora apresentada fora do prazo legal não possui condão de alterar o decidido. Afirma que o contribuinte só retificou a DCTF em 20.05.2009, sendo que a originalmente apresentada foi transmitida em 13.02.2003. Disse, ainda, por se tratar de lançamento por homologação, aplica se a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Inconformada com a decisão apresenta Recurso Voluntário, alegando em síntese que no período de 01 a 30 de abril de 2003 declarou faturamento de R$ 116.192,31, tendo recolhido a quantia de R$ 755,25 referente ao PIS. Segundo a recorrente em 13/01/2006 constatou o equivoco em razão da inclusão à base de cálculo de receitas de incidência alíquota zero de tributação. Em seguida elabora demonstração da base de cálculo. Não juntada de documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10680.912948/200906 Acórdão n.º 3403002.828 S3C4T3 Fl. 5 3 Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o conhecimento. No caso subexamine tratase de matéria de fato, razão pela qual a Administração necessita, além de identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado, prova concreta de que tenha acontecido o evento. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais informa que o direito é oriundo de pagamento a maior, se assim é o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo da contribuição, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica independentemente da sua denominação ou classificação contábil, excluindose deste contexto as receitas permitidas pela legislação vigente. A simples demonstração do faturamento conforme elaborada pela recorrente não é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores informados em DCTF são condizentes com a realidade fática a concluir que o pagamento sucedido por meio de DARF se revela superior ao efetivamente devido. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu, para tanto, impõe a comprovação, no caso a base de cálculo descrito nas razões recursais, em assim sendo, faziase necessário vir acompanhada das cópias dos livros fiscais (saída, apuração de ICMS, ISS) cópia dos razões e do livro diário referente ao período que se alega que o recolhimento da contribuição foi à maior do que o devido, esses documentos se revelam indispensáveis a lide. Compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento capaz de corroborar com o alegado. De modo que, havendo uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito, e, do outro lado a negativa da Administração Fiscal de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, visto que, o pagamento realizado foi absolvido pelo débito confessado, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Portanto, andou bem o julgador de piso quando deixa de reconhecer por ausência de comprovação do pedido, portanto, para o sucesso do pedido fazse necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes, por si só, de comprovar o direito que se pretende. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo tãosó, desacompanhada de documentos fiscais e da contabilidade não possui o condão de modificar o indeferimento, pois a prova da existência do direito se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, além da demonstração da base de cálculo, fizesse juntar documentos fiscais a permitir averiguar a ocorrência de fato, confirmar o argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.910114/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 110 1 109 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.910114/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.244 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Retorno de Diligência Recorrente SANTOS GUGLIELMI AGROPECUÁRIA E IMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se pode exigir do contribuinte o cumprimento de disposição normativa expedida após a emissão do documento fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 01 14 /2 00 9- 43 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910114/200943 Acórdão n.º 3801003.244 S3TE01 Fl. 111 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP com base em direito creditório originado de suposto pagamento a maior a título de PIS não homologado. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP foi utilizado integralmente para quitar débitos em nome do contribuinte, não restando crédito disponível para a almejada compensação, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e de juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls., sustentando, essencialmente, que seu direito creditório advém de inclusão indevida na base de cálculo do PIS de receitas auferidas com a venda de arroz, produto in natura de origem vegetal, uma vez que tais receitas devem ser excluídas da apuração da aludida contribuição, nos termos do artigo 9º da Lei n.° 10.925/2004, juntando com a defesa o DARF representativo do recolhimento a maior, DCTF do período de onde se verifica o lançamento supostamente equivocado do tributo e o recolhimento efetivado a este título, DCTF retificadora contemplando o valor que entende correto, DACON semestral contemplando o valor retificado da Contribuição, planilhas demonstrativas da base de cálculo do PIS e COFINS dos períodos, balancete contábil do período e notas representativas do faturamento relativo aos valores indevidamente incluídos na base de cálculo do PIS, além de outros. A DRJ em Florianópolis/SC, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte, através do acórdão de fls., considerando que o contribuinte apenas procedeu à retificação de sua DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o que lhe seria defeso: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Devidamente intimado para tanto interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário às fls. que se valeu basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade quanto à origem de seu crédito, suscitando, ainda, seja Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910114/200943 Acórdão n.º 3801003.244 S3TE01 Fl. 112 3 considerado o princípio da verdade real na análise do presente processo administrativo, haja vista que Autoridade Julgadora de origem apenas apegouse a critérios formais para verificação acerca da validade da compensação realizada. Essa Turma determinou que o processo fosse baixado em diligência para que a DRF de origem procedesse do seguinte modo: 1) Examine a Delegacia de origem os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála. 2) Abra prazo para a contribuinte se manifestar. 3) Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. Em relatório de diligência a DRF apresentou manifestação alegando que: (...) A presente lide versa sobre a verificação da correção da base de cálculo promovida pelo contribuinte para o recolhimento do PIS, considerada por ele como recolhida a maior, para o período de apuração de maio de 2006. Portanto, o cerne da questão cinge se à validação, ou não, pela Receita Federal do Brasil (RFB) da desconsideração da quantia de R$ 74.988,00 (Nota Fiscal nº 001054) da base de cálculo do período aludido, ou seja, se a referida receita é passível do tratamento contido no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. A meu ver, não assiste direito ao reconhecimento da suspensão da incidência da Contribuição para o o PIS/PASEP e da COFINS sobre a operação contida na Nota Fiscal nº 001054. (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º. O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910114/200943 Acórdão n.º 3801003.244 S3TE01 Fl. 113 4 I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º. A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Com base na outorga legal conferida pelo § 2º do dispositivo legal supracitado, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, que, entre outros assuntos, estabeleceu termos e condições para a fruição do benefício de suspensão do art. 9º da Lei 10925/2004. Da análise documental, verificase, primeiramente, que não consta da Nota Fiscal nº 001054 menção à expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, consoante a obrigação do disposto no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 660/2006. Ademais, convém salientar que o § 1º do art. 2º da IN SRF 660/2006 preconiza que, para a aplicação da suspensão, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º da referida Instrução Normativa. Observase que os dispositivos em comento estabelecem requisitos obrigatórios para fruição da suspensão do PIS e da COFINS, seja no que tange às características dos produtos e aos bene ficiários (arts. 2º e 3º), seja no que concerne aos adquirentes (art. 4º). No que diz respeito à aplicação da suspensão, verificase que o art. 4º da IN SRF 660/2006 exigia, entre outros requisitos, que as pessoas jurídicas vendedoras dos produtos arrolados no inciso I do art. 3º da menciona Instrução Normativa obtivessem do adquirente a declaração de que cuida o inciso I do § 1º do art. 4º da IN SRF 660/2006. Ocorre que, cotejando os elementos da Nota Fiscal nº 001054, verificouse que esta foi emitida no mês de maio de 2006, porém a declaração acostada às fls., fornecida pelo adquirente das mercadorias, foi firmada posteriormente, em setembro de 2006, o que enseja supor não acobertar a operação naquela consubstanciada. Assim, opinamos ser inviável o reconhecimento da aplicação da suspensão de que cuida o art. 9º da Lei nº 10925/2004, tendo em vista o não preenchimento dos termos e condições assinalados pela IN SRF 660/2006 (art. 9º, § 2º da Lei nº 10925/2004). A Recorrente se manifestou acerca da diligência informando que os documentos existentes comprovam a operação e que os requisitos para fruição foram cumpridos. É o que importa relatar. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.910114/200943 Acórdão n.º 3801003.244 S3TE01 Fl. 114 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. A diligência decorreu do entendimento da Turma que, afastando o argumento da DRJ, afastou a impossibilidade de retificação da DCTF após o despacho decisório. O objetivo da diligência era o de averiguar a existência do crédito em discussão. A DRF de origem, contrariamente ao requerido, preferiu analisar novamente o pedido e concluiu, sponte propria, pela impropriedade do direito consubstanciado na nota fiscal acostada aos autos porque “verificouse que esta foi emitida no mês de maio de 2006, porém a declaração acostada às fls., fornecida pelo adquirente das mercadorias, foi firmada posteriormente, em setembro de 2006, o que enseja supor não acobertar a operação naquela consubstanciada”, ou seja, a Nota Fiscal foi emitida em maio/2006 e a declaração firmada em setembro do mesmo ano. Evidentemente, essa suposição não pode afastar o direito da Recorrente. Tenho, inclusive, que em nenhum caso meras suposições podem servir para afastar direitos. Pelo que se pode inferir, inclusive através do mais perfunctório raciocínio, se a nota fiscal foi emitida em maio de 2006 e a Instrução Normativa somente obrigou a emissão da declaração em julho de 2006, considerando que a IN é de 17 de julho de 2006, razoável que a declaração somente tenha sido emitida em setembro porque a contribuinte não é obrigada a ter, para cumprir as determinações normativas, o dom da clarividência. Considerando isso e considerando que foi somente esse empecilho apontado pela DRF para aproveitamento do crédito, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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