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Numero do processo: 11080.721699/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
MEIOS DE PROVA.
Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados na lei processual, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa.
Numero da decisão: 1201-000.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de perícia e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior, tendo este sido substituído pelo Conselheiro André Almeida Blanco.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 MEIOS DE PROVA. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados na lei processual, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR o pedido de perícia e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior, tendo este sido substituído pelo Conselheiro André Almeida Blanco. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1030.510, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 16 99 /2 00 9- 65 Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.721699/200965 Acórdão n.º 1201000.951 S1C2T1 Fl. 3 2 Conforme relatório de auditoria fiscal, a autoridade administrativa acusa a contribuinte de haver cometido as seguintes infrações à legislação tributária nos anos de 2005 e 2006 (fl. 436 e ss.): a) omissão de receitas comprovada mediante o confronto entre o valor da venda presente na via das notas fiscais obtidas junto aos destinatários das mercadorias, e o valor registrado na via das notas fiscais de mesma numeração apresentadas pela fiscalizada, conforme item 8.1 do TVF; b) omissão de receitas comprovada mediante o confronto entre as informações sobre pagamentos constantes do Siafi, e o valor da venda registrado na via das notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, conforme item 8.2 do TVF; c) omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração, no livro Registro de Saídas, de notas fiscais emitidas cujas respectivas vias foram apresentadas pela empresa, conforme item 8.3 do TVF; d) omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração, no livro Registro de Saídas, de vendas que constam no Demonstrativo de Lançamentos de Saída apresentado pela contribuinte à fiscalização, conforme item 8.4 do TVF; e) insuficiência de pagamento de tributos e contribuições verificada entre os valores declarados e pagos no âmbito do Simples, e aqueles calculados segundo o lucro arbitrado. Explica ainda a autoridade fiscal que sobre os tributos e contribuições lançados com base nas infrações descritas nos itens “a” e “b” retro foi imposta multa qualificada em virtude do evidente intuito de fraude. Inconformada com a exigência a contribuinte propôs impugnação ao lançamento sob as seguintes alegações, em síntese: a) é ilegal o lançamento relativo às infrações descritas nos itens 8.2 e 8.4 do TVF, uma vez que embasado em prova indireta; b) incabível a imposição da multa qualificada, uma vez que a autoridade fiscal adotou como fundamento legal a Lei nº 11.488/2007, publicada posteriormente a ocorrência dos fatos geradores. Pediu ainda a interessada a realização de perícia a fim de que fossem respondidos os quesitos formulados em anexo à impugnação. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem decidiu pela improcedência da impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 ENQUADRAMENTO LEGAL. IMPROPRIEDADE. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não afetam o auto de infração eventuais impropriedades na indicação do enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.721699/200965 Acórdão n.º 1201000.951 S1C2T1 Fl. 4 3 dispositivo inaplicável à matéria, quando a descrição dos fatos das infrações é exata e não ocorre cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia, pois seus quesitos não guardam relação com a as matérias expressamente contestadas e também não versam sobre questões fáticas, mas jurídicas. MATÉRIA QUE DEIXOU DE EXPRESSAMENTE CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. No tocante às matérias que deixaram de ser expressamente contestadas na impugnação, o lançamento tornase definitivo no âmbito administrativo ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. MEIOS DE PROVA. No processo administrativo fiscal são admitidos todos os meios de prova, inclusive presunções, não sendo, portanto, indispensável a juntada de primeiras vias de notas fiscais para comprovar a omissão de receitas vendas; no caso, a omissão foi provada com base em relatórios de vendas elaborados pela autuada. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário sob as mesmas razões expostas na impugnação. Também reproduziu o pedido para realização de perícia. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Pedido de Perícia A recorrente reitera o seu pedido de perícia com vistas a que sejam respondidos os seguintes quesitos formulados em anexo à impugnação, in verbis: 1. É possível com a apresentação da documentação apresentada, quantificar a receita operacional da empresa MWS Tecnologia e Informática, nos anos de 2005 e 2006, com base no regime de apuração pelo lucro presumido? Em caso negativo, por quê? Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.721699/200965 Acórdão n.º 1201000.951 S1C2T1 Fl. 5 4 2. Em caso de resposta positiva ao quesito anterior, qual seria a base de cálculo para apuração do quantum a pagar em relação ao a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lucro Presumido; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; c) PIS e COFINS? Nos termos do disposto no art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72, não há como se acolherse o pedido de perícia sob exame, por revelarse prescindível a providência. De fato, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, o arbitramento é forma de apuração do lucro, sendo incabível, no âmbito da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, promover sua alteração. Em assim sendo, de nada serviria identificar o quantum devido pela contribuinte com base no lucro presumido se, nesta fase do procedimento, já não é mais possível alterarse a forma de tributação de lucro arbitrado para lucro presumido. 3) Da Alegada Ilegalidade do Lançamento Prova Indireta Argumenta a defesa ser ilegal o lançamento relativo às infrações descritas nos itens 8.2 e 8.4 do TVF, uma vez que embasado em prova indireta. Pois bem, nos mencionados itens 8.2 e 8.4 do TVF consta o seguinte: 8.2 Infração 2 Receita Operacional Omitida (Notas Fiscais Calçadas Prova Indireta): Essa infração se refere às notas fiscais que apresentam fortes indícios de serem calçadas, mas que a Fiscalização não obteve a via destinatário (1a via). Os indícios são as informações do Sistema SIAFI, o Demonstrativo elaborado pelo contribuinte em relação às notas fiscais emitidas em 2005 e 2006, onde estão discriminados os valores constantes nas diferentes vias das notas fiscais e os valores registrados no Livro Registro de Saídas, e a DIPJ Lucro Presumido entregue em meio papel pelo contribuinte em 10/08/2008, por ocasião da sua exclusão do SIMPLES (...). (...) 8.4 Infração 4 Receita Operacional Omitida (Notas Fiscais não registradas Prova Indireta): Referemse às demais notas fiscais, que constam no Demonstrativo de Lançamentos de Saída, AC 2005 e AC 2006, elaborado pelo contribuinte (fls. 323 a 341), mas não escrituradas no Livro Registro de Saídas. (...) Por sua vez, prova direta é aquela que demonstra a ocorrência, ou não, do próprio fato controvertido, enquanto prova indireta é a que demonstra a ocorrência, ou não, de um outro fato que, por raciocínio lógico, autoriza concluir ocorrência, ou não, do fato controvertido. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.721699/200965 Acórdão n.º 1201000.951 S1C2T1 Fl. 6 5 No caso dos presentes autos, a contribuinte, após durante a ação fiscal, apresentou o aludido “Demonstrativo de Lançamentos de Saída”, por meio do qual confessou a existência de diferenças entre a receita efetivamente auferida e a receita oferecida à tributação. E embora o auditor tenha entendido nos itens 8.2 e 8.4 do TVF que se trata de prova indireta, o certo é que a confissão é meio de prova direta, pois demonstra a ocorrência do próprio fato. Ademais, ao contrário do que alega a defesa, a prova indireta é plenamente aceita pelo direito, a teor do disposto nos a seguir transcritos arts. 332 e 335 do Código de Processo Civil: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. (...) Art. 335. Em falta de normas jurídicas particulares, o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda as regras da experiência técnica, ressalvado, quanto a esta, o exame pericial. (Grifamos) (...) 4) Da Multa Qualificada A autoridade impôs multa qualificada em relação às infrações descritas nos itens 8.1 e 8.2 do TVF (notas fiscais “calçadas”), sob o argumento de ter havido evidente intuito de fraude. Em sua defesa a recorrente não nega os fatos, mas argumenta que a capitulação legal da qualificadora, qual seja, o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, está errada, pois aplicada retroativamente. Não assiste razão à defesa. No TVF o auditor relata o seguinte sobre a imposição da multa qualificada: A Lei nº 4.502, de 1964, em seu art. 71 define a conduta de sonegação. Nessa linha, portanto, a exigência dos tributos sonegados, incidentes sobre os resultados do sujeito passivo, apurados a partir da receita omitida com a revenda de mercadorias, deve, por imposição legal, ser lançada com a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Correta, portanto, o enquadramento legal descrito pelo auditor. Em outras palavras, uma vez que os fatos geradores sob exame ocorreram nos anos de 2005 e 2006, a base do legal da multa qualificada é realmente o art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96 em sua redação original, vigente à época dos fatos. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11080.721699/200965 Acórdão n.º 1201000.951 S1C2T1 Fl. 7 6 Mas não é só. Conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, ainda que a autoridade houvesse cometido erro quanto à indicação do enquadramento legal da qualificadora, isso não seria causa para afastarse a imposição da multa de 150% se os fatos que levaram à qualificação da penalidade foram correta e claramente descritos no TVF, como é o caso dos presentes autos. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto voto por indeferir o pedido de perícia e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720247/2011-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não-cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não-cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomando-se como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CODESP".
Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com a CODESP na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização.
MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS.
Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.
Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado, OAB/SP nº 154.632.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não-cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não-cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomando-se como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CODESP". Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com a CODESP na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção. DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado, OAB/SP nº 154.632. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomandose como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CODESP". Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com a CODESP na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 47 /2 01 1- 41 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção. DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratandose de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado, OAB/SP nº 154.632. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins nãocumulativa transmitido em 31/10/2007, relativo ao 3º Trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório notificado ao contribuinte em 02/12/2011, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3403002.755 S3C4T3 Fl. 5 3 Foram efetuadas as seguintes glosas no cálculo do crédito: a) Bens utilizados como insumos: foram glosados do cálculo os valores dos insumos empregados no processo produtivo que não exerceram ação direta sobre o produto fabricado e também o crédito tomado com base no custo de aquisição de bens classificados no ativo imobilizado; b) Serviços considerados como insumo: foram glosados os valores dos serviços que não foram diretamente aplicados na produção dos produtos ou na prestação de serviços. Os fretes foram glosados porque se referem a deslocamentos de matériaprima entre o armazém e a fábrica. Dos créditos apropriados pela filial Santos, que atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior (atendendo a própria ADM e também a terceiros), foram glosados os créditos tomados em relação a despesas que a fiscalização não conseguiu correlacionar com serviços prestados a terceiros; c) Créditos sobre a despesa de depreciação de bens do ativo imobilizado: foram glosados os créditos tomados sobre a depreciação de vagões, pois o transporte de produtos ocorre fora da área da fábrica, em fase posterior à produção; d) Crédito presumido da agroindústria: foi glosado o crédito presumido sob a justificativa de que o contribuinte, em vez de adotar o preço consignado nas notas fiscais de aquisição de soja, utilizou como base de cálculo do crédito presumido o valor médio de compra. Também foi glosado o crédito presumido em relação à soja adquirida para revenda, pois a Lei nº 10.925/2004, só autoriza a tomada de crédito em relação às compras para industrialização. Regularmente notificado, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Conceito de insumo O conceito de insumo para fins de apuração de créditos das contribuições nãocumulativas é mais amplo do que aquele que foi utilizado pela autoridade administrativa. Devem ser considerados todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora porque a materialidade das contribuições é mais próxima da materialidade do IRPJ do que da do IPI, como reconheceu expressamente o próprio art. 27 da IN 900/2008. 2) Crédito sobre fretes Alegou que o transporte de matériaprima entre o armazém e a fábrica é um gasto absolutamente necessário e intrínseco à atividade de produção, pois se não houver essa transferência, não haverá produção. Assim, ao contrário do que sustenta a fiscalização, existe direito ao crédito sobre tais fretes. 3) Crédito sobre serviços portuários Alegou que para garantir que esses créditos sejam apropriados apenas sobre a parcela dos custos incorridos na prestação de serviços a terceiros, adota dois métodos dependendo da natureza dos custos ou despesas. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas (CODESP), relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado, a segregação dos serviços prestados a terceiros é feita a cada embarque. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Por outro lado, para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como almoxarifado, combustíveis, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços prestados a terceiros e aqueles prestados à própria ADM é feita com base no volume total movimentado por mês. 4) Serviços de manutenção e reparos e aquisições de partes e peças Tal como ocorre com os fretes, a despeito de os serviços de manutenções e reparos em geral (conta contábil 520018) não serem aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, não há dúvidas de que esses gastos são necessários à atividade da recorrente, garantindo a qualidade e prolongando a prestação desses serviços. Invocou a aplicação das Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e nº 309 de 29/11/2011. 5) Depreciação de itens do ativo imobilizado (vagões) Alegou que o transporte de produtos da fábrica para o porto é essencial às suas atividades fabris, de modo que a depreciação dos vagões deve ser considerada como base para tomada do crédito. Se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados, não há motivo para se negar o crédito sobre a depreciação dos vagões que fazem exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. 6) Crédito presumido da agroindústria Alegou que a autoridade administrativa não discordou do direito da recorrente ao crédito presumido, apenas discordou do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Explicou que o preço da soja registrado nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores não representa o preço da soja, pois o preço efetivo do produto só é conhecido no encerramento do contrato (contratos com preço a fixar). Existe diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no fechamento do contrato. Assim, o preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser superior ou inferior ao preço que é fixado no fechamento do contrato. Esta forma de contratação é padrão no mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. A 16ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Quanto aos insumos e serviços glosados pela fiscalização, foram aplicados os conceitos estabelecidos nos arts. 8º e 9º da IN 404/2004. Relativamente aos fretes com o transporte de materiais entre estabelecimentos da empresa, a DRJ aplicou a interpretação vertida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 e manteve a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto às despesas com serviços de manutenção e reparo e de aquisição de partes e peças (conta 520018) a glosa foi mantida, sob o argumento de que os gastos não foram incorridos diretamente na produção. No que tange aos serviços utilizados como insumo na filial Santos, a glosa foi mantida sob a justificativa de que o art. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não admitem o rateio de despesas quando a parte da despesa, encargo ou custo é vinculado à prestação de serviços a terceiros e parte é vinculada às despesas de comercialização incorridas pela própria empresa. Em resumo, entendeu a DRJ que não há previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas comuns, quando uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. Relativamente ao crédito sobre a despesa de depreciação de vagões, entendeu a DRJ que a glosa deveria ser mantida porque os vagões não são empregados diretamente na fabricação dos produtos. No tocante ao crédito presumido, a glosa foi mantida porque a DRJ entendeu que a metodologia empregada pela recorrente afronta o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/2004, uma vez Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3403002.755 S3C4T3 Fl. 6 5 que não considera nem a vinculação com o período de apuração e nem os valores consignados nos documentos fiscais. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou em preliminar a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou a recorrente a nulidade do acórdão de primeira instância por falta de motivação e por preterição do direito de defesa. Segundo a recorrente, a impugnação foi detalhada no sentido de demonstrar seu direito aos créditos pleiteados. Foi demonstrado com base na legislação aplicável e nas particularidades de suas atividades a legitimidade dos créditos, mas a DRJ simplesmente desconsiderou as alegações de defesa e proferiu sua decisão de forma desmotivada se limitando a transcrever excertos da legislação. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no argumento de que a legislação não prevê o direito de crédito em relação a insumos e serviços indiretos. A decisão recorrida apresenta entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos, serviços e os encargos de depreciação só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto aos fretes, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/991. No que diz respeito à filial Santos, a decisão foi motivada na ausência de previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas. E quanto à glosa do crédito presumido, a decisão de primeira instância foi fundamentada no fato de o contribuinte ter violado o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/04, pois seu procedimento não teria observado a vinculação das aquisições de insumos com o período de apuração do crédito e nem o valor consignado nas notas fiscais. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. BBEENNSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS No que tange aos bens e aos serviços aplicados no processo produtivo da recorrente, a questão consiste em estabelecer se eles podem ou não gerar créditos da contribuição, à luz dos arts. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados (ANEXO I), a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, as quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3403002.755 S3C4T3 Fl. 7 7 processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/992. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 27 da IN 900/08, pois esse dispositivo teria encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no art. 27, caput, alude aos gastos incorridos no auferimento das receias especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados no ANEXO I se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente não integram o custo de produção, tais como bebidas, refeições de negócios, despesas de entretenimento, despesas de viagem/gasolina, despesas com hotéis, despesas com postagens, copa cozinha e suprimentos de escritório. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos e recipientes utilizados no laboratório, se aplicados na produção; uniformes, se utilizados pelo pessoal da produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Entretanto, a defesa não trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo, que permitisse ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. 2 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3403002.755 S3C4T3 Fl. 8 9 No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas no ANEXO I. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFRREETTEESS No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) Com relação aos fretes, foram glosados os créditos apropriados sobre as despesas relativas às transferências internas, classificadas pelo contribuinte como fretes sobre transferências e frete planta/planta. Esses fretes referemse a deslocamentos entre as unidades da própria ADM, relativos ao envio da matéria prima do armazém para a fábrica. (...)" É incontroverso que esses fretes glosados no ANEXO II se referem ao transporte da matériaprima soja dos armazéns para a fábrica. Logo, não se está diante do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos, mas sim do transporte de matéria prima para a unidade de produção a fim de ser processada. Tratandose de movimentação de matériaprima entre o "estoque" e a fábrica, os fretes incorridos no serviço de transporte, embora não vinculados à operação de compra da matériaprima e nem à operação de venda do produto acabado, enquadramse como custo de produção, nos termos do art. 290, I, do RIR/99 e devem gerar o crédito das contribuições com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFIILLIIAALL SSAANNTTOOSS É fato incontroverso nos autos que a filial localizada no Porto de Santos tem como atividade a recepção, o armazenamento e o embarque de mercadorias próprias quanto de terceiros. No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende terceiros, a unidade atua como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade (...). Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas "Codesp", para as quais não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8º, § 4º, II "b", da IN SRF nº 404, de 2004, combinado com o art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Os dados podem ser verificados no anexo II, nas linhas com a identificação "santos armaz" (...)". A leitura do texto reproduzido acima revela que a fiscalização aceitou a segregação efetuada pela recorrente para expurgar do cálculo do crédito a parcela das despesas incorridas com a comercialização de seus próprios produtos. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Embora o contribuinte tenha alegado que houve glosa de créditos sobre despesas classificadas como "condomínio portuário", "movimentação", "classificação" e "água (CODESP)", no ANEXO II se pode verificar que neste processo a fiscalização só glosou os gastos com a "Codesp", pois segundo a autoridade administrativa "não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros". Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas denominadas "Codesp", identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. Em sede de recurso o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que os documentos 3, 4 e 5, anexados com a manifestação de inconformidade, comprovariam a vinculação de parte desses gastos com a prestação de serviços a terceiros. Entretanto, este processo versa sobre pedido de ressarcimento relativo ao 3º Trimestre de 2007 e o contribuinte apresentou os mesmos documentos dos processos relativos ao 1º Trimestre de 2007. O fato a ser comprovado é a existência de vinculação entres os gastos incorridos nos meses do 3º Trimestre com serviços prestados a terceiros no 3º Trimestre. Tendo apresentado documentos relativos a outro trimestrecalendário, permanece não comprovada a vinculação dos gastos relacionados no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz", devendo ser mantida a glosa da fiscalização. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3403002.755 S3C4T3 Fl. 9 11 SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO EE RREEPPAARROOSS EE AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS ((CCOONNTTAA CCOONNTTÁÁBBIILL 552200001188)) Em relação à conta 520018 manutenção e reparos, verificase que foram glosados facas, espátulas, carimbos, borrachas, serviços de análises laboratoriais diversas, assistência técnica calibração de equipamentos de laboratório, combate a insetos, serviços de limpeza de pátio e jardinagem, serviço de água e esgoto, aluguel de toalhas/estopas industriais, serviço de representante junto à ANEEL, serviços de lavanderia, serviços de auditoria e consultoria, desenhos e projetos técnicos, serviços de planejamento e engenharia. Nem todos esses serviços foram glosados em todos os processos ora em julgamento. Dependendo do trimestre, um ou outro serviço está ausente da lista de glosa, mas o que se pretende ao nominálos é demonstrar que a própria denominação dos itens glosados permite ao homem médio inferir que eles não são aplicados na prestação de serviços a terceiros. O art. 290, I do RIR/99, estabelece que: "Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei n º1.598, de 1977, art. 13, §1 º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior;(...) " Como se vê, somente bens e serviços aplicados ou consumidos na produção é que integram o custo de produção. Se a própria recorrente reconheceu que não se tratam de gastos aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, então não há direito ao crédito. No que tange às Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e 309, de 29/11/2011, a interpretação é a mesma contida neste voto. Em outras palavras, embora esses atos administrativos reconheçam o direito ao crédito em relação à manutenção de máquinas e equipamentos e à aquisição de partes e peças para sua manutenção, é preciso que esses gastos sejam incorridos diretamente na produção. DDEEPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDEE IITTEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO ((VVAAGGÕÕEESS)) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO DDAA AAGGRROOIINNDDÚÚSSTTRRIIAA Relativamente à glosa do crédito presumido, apressouse a recorrente em alegar que a autoridade administrativa não discordou do seu direito ao crédito presumido, mas apenas e tãosomente do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Com isso, espera a recorrente que este colegiado se limite às alegações trazidas ao processo pelas partes, esquecendose de que o princípio "tantum devolutum quantum appellatum", albergado no art. 515 do CPC, encerra prescrição no sentido de que a extensão do recurso é determinada pelo recorrente (art. 515, caput), mas a profundidade da análise é determinada pelo tribunal (art. 515, § 2º). Nesse passo, em que pese a relevância da argumentação da recorrente e do Parecer Jurídico elaborado pelo Prof. Roque Antonio Carrazza, que foi encaminhado por e mail aos Conselheiros integrantes deste colegiado, a discussão travada acerca da natureza dos contratos de aquisição de soja e quanto à valoração dessas aquisições para o fim de se apurar o crédito presumido é impertinente a este processo de ressarcimento. Isto porque o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.925/2004 não gera direito ao ressarcimento para compensação com outros tributos. O crédito presumido da agroindústria só pode ser utilizado para o abatimento das próprias contribuições ao PIS e Cofins devidas por operações no mercado interno. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão 3403002.057, de 24/04/2013. O problema se resume em estabelecer se o crédito presumido dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03, quando decorrente de exportação. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (e também o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02) estabelecem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; e, se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. Entretanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3403002.755 S3C4T3 Fl. 10 13 Acontece, que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. Percebese a nítida intenção do legislador de restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Assim, ainda que os argumentos da recorrente quanto à natureza dos contratos de aquisição de soja e respectiva valoração viessem a ser julgados procedentes por este colegiado, o resultado deste julgamento não poderia ser outro que não o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito presumido da agroindústria. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Antonio Carlos Atulim Fl. 527DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10140.721244/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 24 4/ 20 12 -2 1 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721244/201221 Resolução nº 2401000.346 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 51.008.9453, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES.. Os fatos geradores compreendem o no período de 01/2009 a 07/2010. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 12 e seguintes, diante da constatação e caracterização de grupo econômico de fato e da consideração da receita bruta do grupo, elaborouse representação fiscal, propondo a exclusão do contribuinte Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda do regime tributário Simples Nacional, previsto na Lei Complementar 123, de 14/12/2006. O Ato Declaratório Executivo ADE n°. 15, de 21/05/2012, publicado no Diário Oficial da União n°. 99, Seção 1, de 23/05/2012, estabeleceu a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/07/2007. O ADE estabeleceu ainda o prazo de 30 dias, contados da ciência deste, para a apresentação de manifestação de inconformidade. A ação fiscal estendeuse a todas as empresas, as quais são geridas pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, com suporte técnico do contador Luiz Fernando Ferreira da Silva. São elas: 1 Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP; 2 Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda – ME; 3 ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda – ME e 4 ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/05/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 409 a 417. 2 – a exclusão de ofício das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL deverá ocorrer em observância à forma regulamentada pelo CGSN (Art. 29, § 3o). Ainda, a lei complementar assinala o marco a partir do qual são aplicáveis as regras gerais da tributação no caso das empresas excluídas: a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (Art. 32, caput); 3 – de acordo com as disposições regulamentares a exclusão das microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL somente se torna eficaz a partir do seu trânsito em julgado administrativo, isto é, a partir do momento em que houver decisão Fl. 524DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721244/201221 Resolução nº 2401000.346 S2C4T1 Fl. 4 3 administrativa definitiva e desfavorável ao contribuinte. Isto, para o caso de o contribuinte ter impugnado o termo de exclusão; 4 a autoridade autuante constituiu o crédito tributário contra os impugnantes com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sem que ela estivesse sujeita ao regime jurídico geral da tributação. A primeira impugnante, quando da lavratura do auto de infração, sujeitavase ao regime do SIMPLES NACIONAL e não às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 5 a autoridade fiscal autuou a primeira impugnante por violação à legislação tributária geral quando ela estava sujeita às normas do regime simplificado. De fato, ela pretendeu conferir à representação fiscal, mera proposta de exclusão, efeitos jurídicos que ela não possui; 6 tendo a primeira impugnante apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, esta não produz efeitos enquanto não se tornar definitiva a decisão favorável ao Fisco, caso ocorra. Assim, a primeira impugnante continua sujeita às normas do SIMPLES NACIONAL; 7 o Art. 75, § 5o, da Resolução CGSN n. 94/2011 prevê expressamente que é condição sine qua non para que se aperfeiçoe a exclusão de qualquer micro ou pequena empresa, que esta exclusão seja registrada no Portal do Simples Nacional na internet, sem o que não produz qualquer efeito; 8 a exclusão da primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL, no caso em tela, é ineficaz, ainda não se tornou efetiva, na forma do Art. 32, caput c.c Art. 75, § 3o, da Resolução CGSN n. 94/2011. Em consequência, autuação é ilegal, pois que fundada em normas legais inaplicáveis, no caso, o regime geral da seguridade social previsto na Lei n.8.212/91 e seu regulamento. DAS MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. 9 – há que se reconhecer a impossibilidade de aplicação aos impugnantes da multa prevista pelo Art. 35 da Lei n. 8.212/91, como pretendido pela autoridade fazendária; 10 uma vez excluída a empresa do SIMPLES NACIONAL, ela ficará sujeita ao recolhimento dos valores tributários devidos acrescidos, tão somente, de juros de moras, consoante Art. 32, § 1 o , da LC 123/2006; 11 – existe procedimento específico para a exclusão da ME ou EPP do SIMPLES NACIONAL. Primeiro, há que se excluíla, desenquadrála efetivamente, ou seja, com uma decisão definitiva no âmbito administrativo desfavorável ao contribuinte (Art. 75, § 3o , RCGSN 94/2011). Ato subsequente, à empresa deverá ser concedido prazo de 30 dias, na forma do Art. 160, caput, do CTN, já que não há previsão legislativa expressa a respeito, para que se efetue o pagamento "da totalidade ou da diferença dos respectivos tributos, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência", o que deverá ocorrer acrescidos, tãosomente, de juros de mora; Fl. 525DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721244/201221 Resolução nº 2401000.346 S2C4T1 Fl. 5 4 12 há que se instaurar, de modo sucessivo dois procedimentos administrativos distintos, quais sejam: O primeiro, visando a exclusão da ME ou da EPP do SIMPLES NACIONAL e, o segundo, na eventualidade de, tendo sido definitivamente excluída a empresa, e transcorrido in albis o prazo para pagamento do crédito tributário devido com o acréscimo dos juros de mora, a fiscalização de ofício, visando a aplicação das penalidades pecuniárias cabíveis, sendo que este último é absolutamente dependente do primeiro. 13 ilegal e indevida a aplicação das multas de mora e de ofício, pois embora proposta sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, ela ainda não se tornou definitiva, já que impugnada; e se tivesse sido efetivamente excluída, a LC 123/2006, regulamentada pela RCGSN n.94/2011, impõe como procedimento obrigatório, que se fixe o prazo para pagamento do crédito tributário eventualmente devido acrescido tão somente dos juros de mora. Somente depois disso, se escoado o prazo referido sem o pagamento na forma como prevista pelo Art.32, § 1 o , da LC 123/2003, poderseia falar em procedimento fiscalizatório de ofício com a consequente aplicação das penalidades. 14 a autuação fiscal é improcedente, por ausência do fato antecedente a fundamentarlhe a imputação do crédito tributário na forma como pretendida e por violação ao Art. 29, I c.c § 3 o e Art. 32, caput e § 1 o , ambos da Lei Complementar n.123/2006, os quais disciplinam o procedimento de exclusão das ME's e EPP's do SIMPLES NACIONAL. Do Pedido Os impugnantes requerem: 1 – Seja anulado o auto de infração DEBCAD n. 51.008.9453, afastandose, por conseguinte, a cobrança dos valores exigidos; 2 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, diligências e, se necessário, testemunhas, a fim de alcançar a verdade material e a legalidade objetiva que informam o processo administrativo tributário; O recorrente anexou a sua impugnação cópia da manifestação de inconformidade no processo n. 10140.721137/201201, no qual questiona a sua exclusão do SIMPLES, fls. 431 a 445. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 453 a 459, destacando àquela autoridade que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Transcrevese abaixo, ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES Os procedimentos atinentes ao ato de exclusão de empresas do programa Simples Nacional devem ser contestados em processo próprio, ou seja, em manifestação de inconformidade apresentada em razão do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721244/201221 Resolução nº 2401000.346 S2C4T1 Fl. 6 5 MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. Excluídas do Simples Nacional, as empresas sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo que os créditos tributários apurados serão acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando o pagamento for efetuado antes do início de procedimento de ofício. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 462. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela empresa PAGUEAQUI RECEBIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, ARTHUR LEMOS NOGUEIRA E DEYSE LILIANA FACCIN, conforme fls. 499 a 510, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: (i)preliminarmente, improcedência da autuação em razão razão da falta de definitividade da exclusão da primeira recorrente do SIMPLES NACIONAL, conforme Arts. 29 c.c. 32 da Lei Complementar n. 123/2006 e Art. 75, §§ 3o e 4o da Resolução CGSN 94/2011; (ii) aplicação indevida das multas de mora e de ofício, por inobservância ao devido processo legamente estabelecido para exclusão e autuação das MEs e EPPS, em contrariedade ao Art. 32, § 1o , da lei complementar n. 123/2006; A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721244/201221 Resolução nº 2401000.346 S2C4T1 Fl. 7 6 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 512. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório e na Representação de Exclusão, face a carcaterização de grupo econômico de fato. Importante mencionar que o presente processo encontrase vinculado ao processo n. 10140.7212432012 86, onde foi lançada a obrigação principal. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Em ´pesquisa ao sistema e processo foi possível identificar a existência de despacho determinando o arquivamento do processo, porém existe pedido de juntada de documentos em aberto, onde conta recurso voluntário do recorrente. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o autodeinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201 seja julgado no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721244/201221 Resolução nº 2401000.346 S2C4T1 Fl. 8 7 CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902237/2012-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/08/2009
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 37 /2 01 2- 62 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902237/201262 Acórdão n.º 3801003.121 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10925.907272/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 72 /2 01 2- 14 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 1.326,78, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/09/2005. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907272/201214 Acórdão n.º 3803005.773 S3TE03 Fl. 57 3 Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907272/201214 Acórdão n.º 3803005.773 S3TE03 Fl. 58 5 segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907272/201214 Acórdão n.º 3803005.773 S3TE03 Fl. 59 7 faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Por fim, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16561.720040/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/11/2007
IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA.
A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007.
INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. A alegação de ausência de má-fé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária.
SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 137 DO CTN.
A responsabilidade pessoal referida no art. 137 do CTN não implica o afastamento da pessoa jurídica infratora da relação tributária.
Numero da decisão: 3201-001.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, correto o indeferimento, por prescindível, do pedido de diligência ou perícia. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/11/2007 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE MÁFÉ. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. A alegação de ausência de máfé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 40 /2 01 2- 06 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.108 2 SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 137 DO CTN. A responsabilidade pessoal referida no art. 137 do CTN não implica o afastamento da pessoa jurídica infratora da relação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 13/04/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 2.329.168,17 em virtude dos fatos a seguir descritos. Em procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária, constatous eque Laser Company Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 01.407.689/000136) durante os anos de 2007 e 2008 adquiriu mercadorias no exterior e as nacionalizou por meio de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento. As mercadorias (consoles e CDs de videogame) foram adquiridas nos Estados Unidos da América dos vendedores SVG Distribution Inc., Florida State Games Inc. e US1 America Inc. e declaradas à Aduana brasileira como se tivessem sido adquiridas por R Four Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 06.334.937/000180), ACS Distribuidora Ltda. (CNPJ nº 07.462.759/000135) Alarm Trade Importação e Exportação de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.963.257/000150), Solution Importadora de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.033.287/000168) e Mecab Comércio Importação, ora autuada, e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda. (CNPJ nº 60.837.911/000108). Estas cinco empresas, em nome de quem foram registradas as declarações de importação (DI), revenderam ficticiamente as Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.109 3 mercadorias para Albert Import Eletrônicos Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 07.174.369./000160), Laser Tech Comércio e Importação de Eletrônicos Ltda. (CNPJ nº 09.051.636/000137) e Eletron Brasil Comércio de Bens de Consumo Ltda. (CNPJ nº 08.479.049/000180), que posteriormente as revenderam para o mercado varejista nacional. As empresas Laser Company, Albert Import, Laser Tech e Eletron Brasil estão vinculadas entre si por meio das pessoas físicas Alberto Mucciolo (CPF nº 000.347.03853) e seu filho Jefferson Mucciolo (CPF nº 106.236.81854), considerados responsáveis solidários pelas infrações cometidas. Constatados estes fatos, autuamse: 1º) Laser Company, por ocultar a si próprio (real comprador), mediante interposição fraudulenta de terceiros (decretolei nº 1.455/1976, art. 23, inc. V), com responsabilidade solidária e pessoal de Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo (lei nº 5.172/1966, art.124, inc. I, e art. 135, inc. III), em todas as importações; 2º) R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, por ocultarem o real comprador (Laser Company), mediante interposição fraudulenta de si próprios (decretolei nº 1.455/1976, art. 23, inc. V), nas respectivas importações; 3º) R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, cumulativamente, por cessão de nome (lei nº 11.488/2007, art. 33, caput), nas respectivas importações; 4º) Ricardo Bragança Pontes da Silva (CPF nº 217.412.38862), Arthur Celso de Souza (CPF nº 060.767.38855), Paulo Deives Ferreira de Queiroz (CPF nº 047.070.23894), João Batista Gallo (CPF nº 013.938.23807) e Victor Aguirre Sarlo (CPF nº 020.237.85782), sócios majoritários e administradores respectivamente de R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, à época das importações respectivas, pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários (lei nº 5.172/1966, art. 135, inc. III). No 1º e 2º caso, aplicamse as multas administrativas de 100% do valor aduaneiro (decretolei nº 1.455/1976, art. 23, § 3º) e de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado ou apurado (medidaprovisória nº 2.15835/2001, art. 88, parágrafo único); e cobramse os tributos aduaneiros acrescidos de juros de mora (lei nº 9.430/1996, art. 61, § 3º) e multa de ofício qualificada de 150% (lei nº 9.430/1996, art. 44, § 1º). No 3º caso, aplica se a multa administrativa de 10% do valor aduaneiro (lei nº 11.488/2007, art. 33, caput). Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 19/04/2012 (fls.719), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 17/05/2012, na forma do artigo 56 do Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.110 4 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 724 à 794, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: PRELIMINARES: CERCEAMENTO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA: Antes de adentrar na questão dos argumentos que certamente culminarão com a exclusão de responsabilidade da empresa impugnante e de seu sócio, Sr. Victor, inclusive solidária, pelos fatos lhe foram imputados, evidente que, a postura do fisco federal, ao lavrar precocemente o combatido Auto de Infração, certamente violou os preceitos legais que regem o processo administrativo fiscal em consonância com a Lei 9.784/99 e Dec. 70235/72, que possibilita a produção de todos meios de provas em favor da empresa impugnante. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial, prova documental, perícia contábil, expedição de ofício as instituições bancárias de onde se extraiu valores dos depósitos, a fim de obter informações necessárias em defesa do impugnante para o justo e perfeito julgamento deste processo administrativo fiscal. REQUERIMENTO DE PROVAS E DILIGÊNCIAS Com efeito, antes da lavratura precoce do combatido Auto de Infração, haveria a necessidade de ter sido respeitada pela autoridade fiscal todas as fases do processo administrativo, em especial a instrução, porquanto a empresa impugnante iria se valer de oitiva de testemunhas que seriam arroladas oportunamente, sem prejuízo da prova documental e, mormente pericial para comprovar o estado de saúde do sócio. Sr.Victor. Destarte, após a manifestação da empresa impugnante em resposta ao Termo de esclarecimento, os nobres fiscais deveriam ter realizado o máximo de diligências, através de uma investigação profunda das empresas e sócios envolvidos, em busca da verdade real dos fatos. Os Fiscais não tiveram a mínima cautela em individualizar a conduta dos sócios das empresas envolvidas, apenas aplicaram ilicitamente responsabilidade solidária a todos indistintamente, ferindo por conseqüência os preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa e da individualização da pena. Princípios Penais que também devem ser aplicados e observados na esfera tributária, já que devidamente previstos na Carta Maior, que é a lei suprema. Conquanto a solidariedade em sede de direito privado tenha respaldo jurídico, no atinente às acusações de prática de crime tanto na esfera comum como tributária já não é passível de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.111 5 aceitação, ainda mais quando foram feitas por presunção, por decorrência do princípio constitucional que determina a individualização da conduta criminal e que as conseqüências do crime não podem alcançar senão seu autor, segundo as definições inscritas em cada tipo penal pelo legislador. Pelo histórico dos autos, podemos concluir que, os nobres fiscais sustentaram a participação do sócio da empresa impugnante, Sr. Victor somente pelo fato do mesmo figurar como administrador da empresa, como isto fosse indícios suficientes e seguros para imputar a coautoria dos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e descaminho, quando na realidade se trata de acusação frágil e totalmente contrária a realidade, ainda mais quando já informado que, o Sr. Victor não estava na frente da impugnante, por motivo de doença. A presunção de legitimidade do ato administrativo não pode esvaziar a oportunidade do contribuinte, no caso a empresa impugnante de exercer sua ampla defesa dentro do contraditório, nem mesmo que seja para reduzir ao mínimo a atribuição do órgão julgador de requisitar novos elementos de prova. Portanto, não poderia o nobre fiscal ter passado literalmente por cima desse consagrado direito constitucional antes de lavrar precocemente o combatido Auto de Infração. Por este motivo, de forma a evitar a perpetuação do cerceamento de defesa, desde já requer q seja possibilitada a produção de prova documental. testemunhal e principalmente pericial médica. Da forma com que foi conduzida a verificação fiscal que originou o lançamento do auto de infração evidenciou a ilegalidade que viciou todo o lançamento. Isso porque a Administração deve atuar dentro da legalidade estrita, buscando afastarse ao máximo da mera presunção. Junta textos da Doutrina a respeito do assunto. Caso estas regras que disciplinam especificamente a cobrança do tributo, demonstrar clara afronta as normas superiores, não podem conseqüentemente ser aplicadas para a indevida imposição de multa ou majoração da base de cálculo, pois acima dela está um texto maior que vincula com muito mais força a autoridade administrativa. Com efeito, há que ser observada a fase de instrução, permitindo que, a empresa impugnante possa produzir todas as provas que julgar necessárias, em atendimento ao preceito constitucional do contraditório e da ampla defesa, sob pena de nulidade. Infelizmente, a nobre autoridade fiscal preferiu concluir o combatido Auto de Infração, em vez de possibilitar a defesa da empresa impugnante, cerceando o direito constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.112 6 Diante disso, observase claramente a supressão da fase de instrução do Processo Administrativo, retirando o direito da contribuinte, ora impugnante apresentar provas de suas alegações na fase apropriada, em manifestas as cláusulas do devido processo legal. Desde já fica cristalina a nulidade do procedimento adotado no combatido Auto de Infração, imposto pelo fisco federal, dada a flagrante violação do exercício do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE POR NÃO APONTADA A INFRINGÊNCIA COMETIDA COM A DESCRIÇÃO EXPRESSA DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO. Conforme preconiza a legislação tributária, deverá o auto de infração identificar o infrator, descrever a infração com clareza e indicar os dispositivos legais dados por infringidos. No caso em tela, a descrição do fato no lançamento não mantém coerência com a fundamentação legal da suposta infração. Cabe destacar, em preliminar, que toda e qualquer infração apontada pelo Fisco tem de descrever detalhadamente as infrações apontadas com a capitulação legal, correndo o risco de se tornar nulo o lançamento, no qual impede o principio do contraditório, como ocorreu no caso em tela. Constatase que foi imputado a empresa impugnante e a seu sócio, Sr. Victor, a responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações e excesso de poderes, consoante apontado no relatório confeccionado pelos auditores fiscais, em razão do que decorria no entender dos mesmos, a responsabilidade solidária, cuja tipificação está descrita no inciso III do artigo 135 da Lei 5.172/66, que dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional. No mesmo sentido, entenderam os nobres fiscais que, a empresa impugnante e, seu sócio Sr. Victor descumpriram a obrigação de demonstrar a origem dos recursos, imputando aos mesmos a prática de interposição fraudulenta de terceiros, cuja modalidade está disciplinada no art. 23, § 2.°, do DecretoLei n.° 1.455/76, e consiste na conduta de não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operação no comércio exterior. No entanto, temse que no Auto de Infração no campo especifico, não aponta nenhum dos dois dispositivos inciso III do artigo 135 da Lei 5.172/66, artigo 23, § 2°, do DecretoLei n.° 1.455/76. Isto posto, tornase nulo o feito fiscal, por não apontar expressamente o dispositivo legal infringido, com relação à interposição de terceiro fraudulenta, conforme determina a legislação pátria. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.113 7 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. Inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento que ora se hostiliza, cuja pretensão está eivada de nulidade absoluta, imprestabilizando por completo a exação fiscal, visto que desde a fase de esclarecimentos, a empresa impugnante através de sócio o Sr. Victor, informou que, não participou das contestadas operações de importação, visto que durante os anos de 2007 a 2008 esteve acometido de doença grave, o que motivou se afastar da empresa. Com efeito, não vulneração dos dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Nula é a exação. Não há como prosperar a pretensão dos nobres fiscais, que pela falta de justa causa para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela impropriedade de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável garantia legal. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO E DA MULTA ADVINDA DO AUTO DE INFRAÇÃO: A exigibilidade do tributo enfocado pela notificação restará suspenso visto o disciplinado, quer pela legislação Estadual, quer pelo Art. 151 do CTN, este ainda em vigor. Ainda além observando o brocardo acessoríum sequitur príncipale, estando suspensa e exigibilidade do tributo e face a interposição da presente defesa, as multas aplicadas pelos autos de infração devem necessariamente permanecer com a exigibilidade suspensa, sendo vedada sua inscrição em dívida ativa. No mesmo sentido, não há que se falar em caracterização de crime contra a ordem tributária, carecendo de fundamento e extemporâneo concluirse pela ocorrência da existência de ilícitos passíveis de envio ao Ministério Publico Federal. DOS FATOS. A fiscalização aduaneira autuou a empresa importadora, ora impugnante, e lavraram o combatido Auto de Infração, sob o fundamento de que a mesma cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, configurando em tese a denominada “interposição fraudulenta" cumulada com subfaturamento. Não há que se imputar irregularidade alguma a empresa importadora, ora impugnante muito menos ao seu sócio Sr. Victor Aguirre Sarlo. o que certamente será reconhecido não só após a apresentação desta peça resistência, como restará Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.114 8 corroborado na fase de instrução após o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, com a produção de todas as provas necessárias para o deslinde do feito. O Sr. Victor, sócio da empresa impugnante, não participou das contestadas operações de importação, visto que durante os anos de 2007 a 2008 esteve acometido de doença grave, o que motivou se afastar da empresa, deixando a gerência única e exclusivamente nas mãos de um amigo seu, Sr. Raimundo Vieira dos Santos. Como já informado anteriormente, o sócio da empresa impugnante, Sr. Victor passou por um momento de grande turbulência na sua vida, não só do ponto de vista da sua saúde, mas também financeiro, deixando bem afastado das atividades da empresa impugnante. Por este motivo, desconhece não só os exportadores estrangeiros, como todas as empresas envolvidas e as pessoas mencionadas no Relatório da Auditoria Fiscal, como é o caso da Sra. Maria Cristina de Souza Pinto e, outras que figuram como "notify”. Da referida situação aproveitouse o Sr. Raimundo que, após conquistar a confiança da família, tornandoa dependente dele, mostrandose conhecer da área de atuação da empresa, ofereceuse para tocar a empresa impugnante, enquanto perdurasse a moléstia que impossibilitava o Sr. Victor de trabalhar. Foi então que, o Sr. Raimundo levou clientes para a empresa impugnante e, começou a operar com a senha do SISCOMEX do Sr. Vitor que ora encontravase acamado, sem nenhuma condição para laborar, mas necessitando de recursos para honrar seus compromissos e custear seu tratamento médico e psicológico. Após iniciar a recuperação da moléstia sofrida, passou o proprietário da empresa, Sr. Victor, a desconfiar do Sr. Raimundo e a questionálo, ocasião em que este último simplesmente sumiu sem deixar nenhum contato e notícias. A teoria da aparência indica uma circunstância pela qual uma pessoa, é considerada o titular de um direito, embora não o seja, leva a efeito um ato jurídico com terceiro de boafé. Contudo. não é o caso de aplicação desta Teoria, de forma a considerar que os praticados pelo Sr. Raimundo seriam considerados válidos como manifestação de vontade da empresa impugnante. Do que extrai dos autos, a empresa impugnante sempre teve bom histórico, e, somente após a gerência do Sr. Raimundo é que passou a desviar a finalidade lícita que sempre foi da empresa. Basta verifica seu histórico desde a abertura da empresa até as questionadas importações. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.115 9 Com efeito, se houve algum tipo de conluio ou ajuste doloso entre as partes envolvidas nestas operações de importação, sem sombra de dúvidas ocorreu sem o conhecimento e consentimento do Sr. Victor, posto que o mesmo jamais seria solidário com qualquer ato de comércio que não estivesse revestido sob o pálio da legalidade. Destarte, quando evidente que o ato não se coaduna com os poderes de representação, tornase evidente, notório, a exorbitância dos poderes que estão sendo exercidas, viciando totalmente os atos jurídicos porventura realizados, tornando impossível sua capacidade de atingir o proponente, no caso, o Sr. Victor, sócio da empresa impugnante. APLICAÇÃO DA TEORIA DOS ATOS ULTRA VIRES SOCIETATES: Dentro desta esteira de raciocínio, convém invocar ainda, a consagrada “Teoria dos Atos Ultra Vires Societates", que certamente se enquadra nos caso em discussão, onde destaca que ultra vires não são apenas os atos que excedam ao objeto social da empresa, mas também aqueles que, não sendo indispensáveis a realização do objeto social, não são expressamente autorizados pelo Estatuto. como também os atos de qualquer natureza por ele vedados Como já destacado, é ato não só alheio ao objeto da sociedade (atos ultra vires), como também aqueles não autorizados e vedados pela empresa, que se mostram irregulares aos atos praticados anteriormente, não se concebendo que terceiros acreditem que se trata de ato da sociedade. Por não se tratar de um ato, a princípio, imputável à sociedade, quem deve responder pelo ato é o administrador que o praticou, não o empresário. Nesses casos, não há dúvida que o administrador assumirá responsabilidade pessoal por tais atos. Ao invalidar negócio jurídico por defeito de consentimento, a lei tem por objetivo de tutelar o sujeito, cuja vontade não se expressou de modo consciente e livre. Por estes motivos, desconhece o Sr. Victor a razão das próprias divergências encontradas nas declarações de importação, uma vez que não verificava nenhum documento no período que estava acometido da doença. Situação esta que desde já elimina qualquer solidariedade com as empresas e partes envolvidas nestas operações de importação. Assim, jamais foi de conhecimento do Sr. Victor que, o Sr. Raimundo utilizou sua empresa para encobertar outras empresas e operações de importação que foram realizadas muito menos que, houve fraude e sonegação no recolhimento dos tributos aduaneiros. Com isso, certamente restará comprovado que o Sr. Victor não praticou nenhuma das irregularidades preconizadas no Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.116 10 combatido Auto de Infração e, tanto ele, como sua empresa não sofrerão precocemente a aplicação de qualquer sanção, haja vista a presunção de inocência, prevista no comando legal do artigo 5o na Constituição Federal. NÃO OBSERVÂNCIA DO CORRETO MÉTODO DE FIXAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO: Apenas a título de argumentação, mesmo não tendo conhecimento real dos verdadeiros fatos que nortearam as operações de importação questionadas neste Auto de Infração, não podemos perder de vista que, os ilustres fiscais não obedeceram a contento os métodos de valoração aduaneira, o que certamente comprometeu o lançamento fiscal realizado, visto que arbitraram alguns valores por mera presunção. Conforme está estabelecido no Acordo para Implementação do Artigo VII da Rodada Uruguai do GATT, o valor aduaneiro deve ser fixado pelo primeiro método de valoração que é o método através do qual o valor real da transação é determinado pelo exame dos documentos que instruem o despacho aduaneiro de importação, principalmente a fatura comercial (Commercial Invoice). Determina o Tratado, também, e como já se disse, que os métodos de valoração são sucessivos, sendo certo que o segundo método (valor real de transação de mercadorias idênticas) só poderá ser utilizado na hipótese de ser impossível a valoração pelo primeiro método. Tal diapasão, o terceiro método (valor real de transação das mercadorias similares) só poderá ser utilizado na impossibilidade de utilização do primeiro e assim sucessivamente, o que não foi observado no caso em discussão. Infelizmente pela experiência temos constatado que, a Secretaria da Receita Federal brasileira, tem utilizado o terceiro método de valoração na medida em busca encontrar o valor real da transação através de critério comparativo de importações de mercadorias similares, como ocorreu neste combatido Auto de Infração. Ocorre, porém, que tal circunstância é via de regra não observada, ou seja, é usual no Brasil que o terceiro método de valoração seja utilizado sem que seja desclassificada a fatura comercial como documento comprobatório do valor real da transação, situação ocorrida no caso em comento. Ao adotar práticas de atribuição de valor aduaneiro utilizando se de critérios não permitidos pelo Tratado Internacional, a autoridade aduaneira distanciouse dos objetivos maiores do regramento que são os de tornar cada vez mais transparentes as relações comerciais entre os Estadosmembros, afastandose as barreiras ao livre comércio entre os países, ou, quando da necessidade imposição de tais barreiras, sejam as mesmas Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.117 11 preferencialmente tarifárias em obediência a esse mesmo critério de transparência. O rito procedimento a ser seguido pela Administração, previsto no Decreto 2498/98 e IN SRF 16/98. Esse rito prevê, entre outros procedimentos, que o exame conclusivo do valor declarado consiste na análise minuciosa desse valor, à vista dos dados constantes da Declaração de Importação, da declaração do valor aduaneiro e dos documentos que a instruem e que, quando as informações prestadas pelo importador não forem suficientes para aceitação do valor declarado como preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, a autoridade aduaneira poderá decidir pela impossibilidade da utilização da aplicação do método do valor de transação, mas deverá notificar o importador sobre os motivos que o levaram à recusa da aplicação do método do valor de transação. Conforme o artigo 17 do GATT. as administrações aduaneiras têm o direito de se assegurar da veracidade e exatidão das declarações apresentadas para fins de valoração aduaneira. Quando elas entenderem, comprovadamente que as informações prestadas não merecem fé. deverão descaracterizar o valor de transação declarado e, em conformidade com as regras do Acordo, determinar o correto valor aduaneiro da mercadoria importada. Só nas condições dos artigos 1o e 8o do Acordo de Valoração Aduaneira, devidamente comprovadas, é que se descaracteriza o valor declarado pelo importador. No caso em questão, só se pode vislumbrar que a fiscalização entendeu ter havido fraude na documentação, mesmo sem ter sido produzida nenhuma prova neste sentido, pois nenhuma das outras hipóteses retro citadas foi mencionada. Acontece que inexiste uma prova material do subfaturamento no presente processo. Assim, seria necessária uma análise dos indícios levantados pela fiscalização aduaneira com a intenção de verificar se está configurada a hipótese capaz de desconsiderar o valor declarado, o não se verifica nestes autos. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. DO SUBFATURAMENTO: Com efeito, resta claro que, o subfaturamento é operação única e concreta, que precisa ser inequívoca. Deveria a fiscalização aduaneira ter realizado o devido processo investigatório, dando oportunidade à empresa impugnante de manifestarse a respeito, principalmente quando em fase de esclarecimento informou que, o sócio Sr.Victor não participou das operações de importação contestadas, já que estava acometido de doença grave, com seu estado de consciência comprometido. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.118 12 Assim, em que pese os argumentos aduzidos anteriormente nesta defesa, há que ser reconhecida à nulidade do auto de infração, por notável infringência às disposições do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio do GATT. A fiscalização aduaneira promoveu a valoração pelo terceiro método sem nenhuma comprovação quanto aos valores ou procedimentos para chegar ao valor que considerou como correto, tendo, aparentemente, na realidade, simplesmente arbitrado um valor, metodológico que não foi previsto no Acordo. Tanto é verdade que, alguns valores foram pelos nobres fiscais por mera presunção. Isto posto, não tendo logrado em êxito em comprovar, nem mesmo através de prova indiciária, que o valor declarado não corresponde ao valor real da transação, o descaracterizacão do 1° método não é válido, nem o metodologia aplicada pode prosperar. DA MULTA: Como conseqüência, a exigência de tributos e multas é improcedente, além da aplicação da pena de perdimento, conforme colocada no Auto de Infração, que ora se combate. Para embasar a aplicação da multa por conta do suposto subfaturamento, entendeu a fiscalização aduaneira ter encontrado mercadorias idênticas negociadas a preço mais alto, o que segundo eles, isso seria prova suficiente de subfaturamento. Entretanto, a multa administrativa prevista no inciso II do artigo 526, do regulamento aduaneiro, é eminentemente cambial e não tributária. Ela pressupõe que, dolosamente, a mercadoria seja licenciada para fins de fechamento de câmbio, por valor abaixo do realmente negociado, sendo o pagamento feito por outras vias. O que não restou demonstrado nestes autos. Como já bem observado, nada existe de concreto no presente processo, que comprove cabalmente, com elementos hábeis e idôneos, a impossibilidade de se usar o valor de transação, mas tãosomente o singelo procedimento despido de qualquer apoio metodológico ou científico, tudo nos impele a desclassificar as infrações imputadas. Destarte, concluise que, cabe ao Fisco fazer a prova dos fatos que alega não podendo o autuação basearse em meros indícios ou presunções. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Para que haja autuação por subfaturamento é necessária uma prova clara, evidente, de que o preço atribuído na importação é inferior de fato ao preço da mercadoria no mercado naquele Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.119 13 momento, bem como prova de que tenha havido de alguma forma pagamento da suposta diferença. A mesma mercadoria pode ter vários preços em vários mercados, por inúmeras questões. Destarte, o fisco deve provar a fraude, não cabendo ao contribuinte qualquer obrigação de provar que o preço por ele usado seja verdadeiro. Cabe só ao fisco provar de forma absoluta que o preço não é verdadeiro. Fraude não se presume e a prova cabe a quem alega. O lançamento deve ser liquido e certo. Não pode ser algo vago. Não pode se basear em informações duvidosas. Auto de infração só pode se basear em prova irrefutável e o contribuinte não é obrigado a produzir prova contra si mesmo e nem a fazer prova negativa. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. DO CONFISCO Não sendo acolhidos os argumentos acima destacados, ainda assim o Auto de Infração não merece prosperar, em razão de indiscutível excesso e verdadeiro confisco no crédito tributário apurado, porquanto se persistir certamente agravará ainda mais o estado econômico do Sr. Victor e, comprometerá o prosseguimento das atividades profissionais da empresa impugnante. Felizmente, o princípio da vedação do confisco é previsto no sistema tributário nacional como uma das limitações constitucionais ao poder de tributar. Segundo a regra ínsita no art. 150. IV. da Constituição Federal. Por imposto confiscatório devemos entender aquele que absorve grande parte do valor da propriedade ou de sua renda, havendo uma diferença apenas entre o imposto constitucional e o confiscatório. O princípio do não confisco há de ser aplicado conjuntamente com o princípio do proporcionolidade, vêse que este desponta como técnica de aplicação do primeiro. A simbiose, pois, de ambos os princípios constitucionais torna menos complexa a adequação do princípio do não confisco, ou seja, facilita sua aplicação do plano normativo ao fático. A proporcionalidade, como instrumento de interpretação do princípio da vedação da multa confiscatória, em um caso concreto, recebe um limite oriundo do próprio conceito da vedação do confisco elaborado pela doutrina do direito tributário. É que o limite que indicará se a multa será ou não necessária corresponde, justamente, ao não sacrifício da fonte produtora do elemento (base de cálculo) tributável. Ao elemento necessidade, que, juntamente com a adequação e a proporcionalidade em sentido estrito, compõe o princípio da Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.120 14 proibição do excesso, devese ajustar o próprio conceito doutrinário do princípio do não confisco, de modo que será desnecessária, e, portanto, desproporcional, a multa que finde por sacrificar a própria fonte produtiva tributável. APLICACÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. Nos termos do artigo 112 do CTN, a legislação tributária deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, ou seja, devem ser observados os preceitos constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionolidade da medida, razão pela qual nos termos do artigo dispositivo legal acima mencionado, na hipótese de prevalecer à responsabilidade da empresa impugnante e de sócio Sr. Victor, SUBSIDIARIMENTE. requer seja aplicada uma sanção pecuniária de acordo com a própria realidade financeira da empresa, tendo como base de cálculo o seu próprio capital social de R$ 150.000,00, de forma a afastar o crédito tributário apurado no combatido Auto de Infração, porquanto se trata de verdadeiro confisco e excesso. Destarte, a hipótese de prosperar o combatido Auto de Infração e, a empresa impugnante e seu sócio não forem isentos de responsabilidade, requer seja aplicada a multa, no percentual de 10% sobre o capital social da empresa (R$ 150.000,00), restando não só o contestado confisco, mas de se evitar a perpetuação do indiscutível excesso aplicado no combatido Auto de Infração. DO PEDIDO. Por todo exposto, requer a empresa impugnante seja dado provimento a presente Impugnação, reconhecendo as preliminares argüidas, haja vista a nulidade do Auto de Infração, principalmente por ter sido cerceado o exercício do contraditório e da ampla defesa contra a empresa impugnante e seu sócio Sr. Victor, visto que após a apresentação das informações prestadas em cumprimento ao Termo de Esclarecimento, o fisco federal deveria ter produzido uma fase de instrução e, não lavrar precocemente o Auto de Infração, de forma a prestigiar a busca da verdade real dos fatos. No entanto, caso não seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, ainda assim há que ser dado provimento a presente Impugnação, sendo descaracterizadas as penalidades aplicadas a empresa impugnante. bem como a seu sócio Sr. Victor. inclusive a responsabilidade solidária, em razão do comprovado vicio de consentimento da vontade que certamente culminou com a nulidade dos negócios jurídicos. Na hipótese de não serem acolhidos os pedidos principais, subsidiariamente, requer seja aplicada uma pena pecuniária, tendo como base de cálculo o próprio capital da empresa impugnante, sendo aplicada analogicamente a multa no mesmo percentual de 10% sobre o valor de R$ 150.000.00. privilegiando não só o consagrado Princípio da Proporcionalidade e da Dignidade Humana, mas principalmente Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.121 15 o da aplicação da penalidade mais favorável ao contribuinte, afastando por conseqüência os Princípios da Proibição do Confisco e da Proibição de Excesso. Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito. Apresenta, por fim, quesitos para PERÍCIA MEDICA a ser realizada no Sr. VICTOR AGUIRRE SARLO. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2007 Dano ao Erário, causado por interposição fraudulenta. Ceder seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu real beneficiário, fica sujeito a multa tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007. A fiscalização trouxe elemento concreto e relevante para desabonar o valor declarado nas Declarações de Importação analisadas na ação fiscal. Os valores estão subfaturados. A fiscalização não pautou suas conclusões no cômputo do valor de mercadorias importadas similares, mas sim no cômputo do valor de transação das mercadorias efetivamente importadas. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. De início, esclarecese que o presente lançamento tem por objeto a aplicação de multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, no valor de 10% sobre o valor da mercadoria, decorrente da constatação de que a recorrente cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.122 16 Ressaltese que o auto de infração tem por único responsável a contribuinte Mecab Comércio de Importação e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda., inexistindo qualquer imposição de responsabilidade solidária em relação aos sócios da empresa. A recorrente requer que o julgamento de 1ª instância seja anulado por ter negado à realização de perícia, ofendendo ao seu direito de ampla defesa. Seu pedido de perícia aponta os seguintes quesitos a serem respondidos: Se o Sr. Victor estava debilitado para conduzir os negócios da empresa impugnante, por motivo das doenças? Constatar a gravidade das doenças sofridas pelo Sr. Victor que motivou o afastamento dos negócios da empresa impugnante com a devida análise dos documentos juntados na defesa? E se as doenças constatadas podem agravar o estado de consciência, comprometendo o poder de concentração? Se as doenças acometidas pelo Sr. Victor são capazes de reduzir significativamente a capacidade de atenção, concentração, motivação, estímulo, criatividade e foco no resultado para desempenho de suas atividades profissionais? Se pelos documentos apresentados, pode se constatar se os episódios de depressão eram repetidos? Qual a freqüência? Duração total dos episódios? E se os episódios são decorrentes de depressão endógena? Quais os efeitos das medicações usadas pelo Sr. Victor para o tratamento de suas doenças? Em atenção ao alegado, tendo em vista os quesitos apontados, entendo ser desnecessária a realização de perícia. A instrução probatória proposta não redundaria em nenhum fato relevante à lide, capaz de modificar a decisão. Os quesitos formulados tem a clara intenção de demonstrar que o sócio majoritário da empresa recorrente se encontrava com a saúde debilitada, e não poderia ter praticado as condutas que ensejaram na aplicação da multa. Ocorre, contudo, que a infração não está sendo imputada ao sócio da empresa, mas sim à pessoa jurídica Mecab. Desta forma, mesmo que restasse configurado que os fatos que resultaram na autuação não foram executados pelo sócio Sr. Victor, permaneceria devida a imposição da multa caso constatada sua prática pela Mecab. Assim sendo, a luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, que permite à autoridade julgadora indeferir a perícia solicitada quando entendêla prescindível, não configurando qualquer cerceamento ao direito de defesa esta decisão, mostrase correto o indeferimento do pedido de produção de prova pericial pela autoridade recorrida. Ressaltese que o presente lançamento se encontra amparado em vasta gama de documentos anexados pela autoridade fiscal, não havendo nenhuma mácula ao princípio da verdade material o fato de não se ter acatado o pleito da recorrente. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.123 17 Assim sendo, pelos mesmos motivos, indefiro o pedido de produção de prova pericial requerida no recurso voluntário. Em atenção à alegação de inexistência de justa causa do lançamento, embasada no fato de que o sócio Sr. Victor não teria participado das contestadas operações de importação, como já explicitado, a conduta está sendo imputada à pessoa jurídica Mecab, e não à pessoa física de seu sócio majoritário, sendo, portanto, irrelevante o argumento. A recorrente sustenta também a ocorrência de cerceamento de direito de defesa, decorrente da fiscalização não ter concedido oportunidade a interessada para se manifestar durante o procedimento fiscal. Constatase, contudo, que para a recorrente foi concedido o prazo legal de trinta dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso tivesse interesse. Esclarecese que o procedimento de fiscalização possui cunho eminentemente inquisitório, decorrente do exercício do poder de polícia, inerente ao ato de fiscalizar. Esta etapa, em que ocorre a investigação fiscal, é constituída de medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda, procedimentos que conduzem a constituição do crédito tributário. Após esta etapa, ocorrendo o lançamento, abrese ao contribuinte a oportunidade de contestação da exigência fiscal, ocasião em que oferece sua impugnação. A partir daí instaurase o Processo Administrativo Fiscal propriamente dito, a fase contenciosa, que exige a observância de suas normas regentes, entre elas os princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Este momento inicial, de termino do procedimento fiscal e de abertura do processo, encontrase devidamente positivado no artigo 14 do Decreto 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Desta forma, o fato de a autoridade fiscal, durante a fase preparatória ao lançamento, não ter concedido oportunidade para manifestação da recorrente não configura cerceamento ao seu direito de defesa ou contraditório. Como já explicitado, foi oferecido a recorrente o prazo de trinta dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação e juntar as provas suficientes a elidir o valor autuado pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no caso em tela. Assim sendo, não se mostra presente no procedimento fiscal o vício apontado pela recorrente. No tocante a alegada falta de demonstração da fundamentação legal do lançamento, constatase, da leitura do auto de infração de fls. 716/717, que a aplicação da multa tem por fundamento legal o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, mostrandose sem razão a recorrente. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.124 18 Quanto ao mérito, a recorrente sustenta que a responsabilidade pela infração deveria recair sobre o administrador que efetivamente praticou as importações, e não à empresa ou ao seu sócio majoritário. Neste ponto, reproduzse o comando legal que impôs a aplicação da penalidade, qual seja o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifo nosso) A redação é clara ao estabelecer a sujeição passiva à pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, e não ao administrador que efetuou os procedimentos em nome da empresa. A recorrente busca a aplicação da Teoria do Atos Ultra Vires Societates para transferir a responsabilidade pela infração da empresa para o administrador. Segundo esta teoria, quando os atos negociais são praticados por um de seus representantes sem a permissão do objeto social, a sociedade não responderia por estes, mas sim o responsável direito pelo ato. Tal tese, contudo, não se mostra aplicável ao caso concreto, posto estarmos tratando de infração relacionada ao comércio exterior, que, como vimos, é explícita ao definir a responsabilidade à pessoa jurídica que praticou o ato, sem fazer nenhuma menção a uma possível transferência desta responsabilidade. No Direito Tributário, em regra, as multas não são impostas aos agentes da infração, mas sim ao sujeito passivo da obrigação tributária, principal ou acessória, que não foi satisfeita. Como exceção, o CTN, em seu artigo 137, impõe a responsabilidade pessoal ao agente nas seguintes situações: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.125 19 a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. A responsabilidade pessoal, contudo, por não ser exclusiva do agente, não afasta da obrigação a figura da pessoa jurídica. Tal entendimento tem por base o CTN, que, ao tratar em seu artigo 128 de responsabilidade tributária, apresenta disposição geral que exige que a atribuição a terceira pessoa seja definida de forma expressa em lei: CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Desta forma, tendo em vista que a responsabilidade do pessoa jurídica infratora encontrase estabelecida no da Lei n° 11.488/2007, não é razoável admitirse que a mesma desapareça sem que a lei o diga expressamente. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do infrator. Tal norma não impede a recorrente de exigir do administrador, em ação regressiva, o pagamento da multa. Não pode, contudo, ser imposto ao Fisco, de forma a excluir a responsabilidade da recorrente. No tocante a alegação de ausência de máfé por parte da empresa e de seu sócio, cumpre chamar a atenção para o fato de que a imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação tributária tem natureza eminentemente objetiva e decorre da simples violação da norma, sendo irrelevante para a sua configuração a investigação do dolo ou culpa do agente infrator. O artigo 136 do CTN é claro neste sentido: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.126 20 O DecretoLei nº 37/66, em seu artigo 94, §2º, específico em relação às infrações relacionadas ao comércio exterior, tem previsão idêntica: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, a investigação do elemento subjetivo da conduta infracional se mostra totalmente desnecessária à imputação da responsabilidade por infrações à legislação tributária e aduaneira, vez que as mesmas possuem natureza eminentemente objetiva. Esclarecese ainda que este órgão colegiado não pode afastar a responsabilidade objetiva do art. 136, como deseja a recorrente, posto já encontrarse sumulada no âmbito do CARF a impossibilidade de afastamento de comando legal tributário vigente: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação à infração propriamente dita, a recorrente afirma não restarem comprovados os fatos que resultaram na autuação. Como relatado, à recorrente está sendo imputada a conduta de ceder o seu nome a terceiros para importação de mercadorias, com o objetivo de acobertar os reais intervenientes do negócio. A autuação encontrase embasada nas seguintes constatações, extraídas do relatório fiscal: Em procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária, constatouse que Laser Company Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 01.407.689/000136) durante os anos de 2007 e 2008 adquiriu mercadorias no exterior e as nacionalizou por meio de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento. As mercadorias (consoles e CDs de videogame) foram adquiridas nos Estados Unidos da América dos vendedores SVG Distribution Inc., Florida State Games Inc. e US1 America Inc. e declaradas à Aduana brasileira como se tivessem sido adquiridas por R Four Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 06.334.937/000180), ACS Distribuidora Ltda. (CNPJ nº 07.462.759/000135), Alarm Trade Importação e Exportação de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.963.257/000150), Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.127 21 Solution Importadora de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.033.287/000168) e Mecab Comércio Importação e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda. (CNPJ nº 60.837.911/000108). Estas cinco empresas, em nome de quem foram registradas as declarações de importação (DI), revenderam ficticiamente as mercadorias para Albert Import Eletrônicos Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 07.174.369./000160), Laser Tech Comércio e Importação de Eletrônicos Ltda. (CNPJ nº 09.051.636/000137) e Eletron Brasil Comércio de Bens de Consumo Ltda. (CNPJ nº 08.479.049/000180), que posteriormente as revenderam para o mercado varejista nacional. (grifo nosso) Para comprovar a infração, a autoridade fiscal carreou aos autos os seguintes documentos, entre outros: as faturas comerciais com a data de embarque das mercadorias, bem como tabela com a associação destas faturas às Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador no Siscomex; os documentos apresentados pelas empresas exportadoras das mercadorias à aduana dos Estados Unidos da América, em relação aos quais o relatório fiscal apresenta os seguintes comentários: SED abrevia “shipper’s export declaration” e mostra o que o despachante aduaneiro (“forwarding agent”) declarou à Aduana americana; invoice é a fatura comercial; sales/purchase order é o pedido de venda/compra; packing slip/list relaciona as mercadorias despachadas pelo vendedor (romaneio de carga); straight bill of lading mostra o conhecimento de carga no transporte dentro dos EUA, anterior ao transporte internacional; email traz trechos da correspondência eletrônica trocada entre o “forwarding agent” nos EUA e o comprador no Brasil ou seu preposto; picking sheet relaciona as mercadorias despachadas pelo vendedor (romaneio de carga); shipping instructions são instruções de embarque dadas ao “forwarding agent” nos EUA pelo comprador no Brasil ou seu preposto. Em todos os documentos de compra e venda de mercadoria mencionados acima, não há nenhuma menção a outro comprador a não ser Laser Company (Distribution ou Distributors), sempre acompanhada do endereço Rua Madre de Deus, 432, Mooca, Sao PauloSP, ou Rua Madre de Deus, 1285, ap. 131, São PauloSP, ou Rua do Oratorio, 1606, 9 andar, salas 902/903/904, Mooca, SPBrazil. As fichas cadastrais6 da JUCESP anexas mostram que o primeiro endereço é de Laser Company, pertencente a Jefferson Mucciolo; o segundo é o endereço residencial de Alberto Mucciolo; e o terceiro é o endereço tanto de Albert Import quanto de Laser Tech, ambas pertencentes a Alberto Mucciolo. Embora conste desses documentos como compradora das mercadorias, Laser Company não registrou nenhuma DI no Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.128 22 Siscomex nem aparece como adquirente em nenhuma DI registrada por pessoa jurídica importadora por sua conta e ordem. Laser Company tem declarado7 à RFB que está inativa desde 01/01/2000 e se encontra com sua inscrição no CNPJ suspensa desde 19/01/2007, quando teve solicitação de baixa indeferida. No Registro Público de Empresas Mercantis, mantido pela JUCESP, Laser Company se encontra desde 07/11/2006 na ondição de dissolvida, com distrato social datado de 10/03/2000. Contudo Laser Company mantém ativo a internet site de comércio eletrônico9, onde informa que “tem muitos anos de mercado, e investe em tecnologias avançadas de proteção de dados para oferecer mais segurança a seus clientes”. Confirmando esta atividade, em 13/10/2009, em diligência em Albert Import e Laser Tech, a fiscalização foi atendida por Edilson Carlos Batista Ventura, que se apresentou com gerente de vendas de Laser Company.(grifo nosso) as notas fiscais de entrada e saída correspondentes a cada embarque; os conhecimentos de carga, acompanhados dos seguintes comentários: Do embarque nº 1 ao 20, os conhecimentos de carga são todos endossáveis, isto é, o consignatário é omitido, estando a mercadoria consignada à ordem (to order) do embarcador (shipper), de modo que o destinatário da mercadoria permanece oculto. Entretanto, o destino das mercadorias acaba por se revelar na parte a ser notificada: Alberto Mucciolo ou Maria Cristina de Souza Pinto, sócia minoritária de Laser Tech e funcionária de Albert Import; e também nas referências de exportação, ao mencionar o CPF nº 000.347.03853, de Alberto Mucciolo. Além disso, nesses embarques, a parte a ser notificada é acompanhada normalmente do endereço residencial de Alberto Mucciolo ou do endereço antigo de Laser Tech. As informações contidas nos conhecimentos de carga seguem as instruções dadas ao despachante aduaneiro nos EUA (“forwardind agent”), oriundas do Brasil, conforme se observa nos emails e shipping instructions, documentos fornecidos pela Aduana americana. Nos emails, encontramse os endereços “Jefferson – Laser” jefferson@lasercompany.com.br e “jeffrock jeffrock” muccmetal@yahoo.com (embarques nº 2, 9 e 17). No email do embarque nº 17, encontrase manuscrita a expressão “as per Jefferson 11/21/07”, que quer dizer “conforme Jefferson 21/11/2007”. Nas instruções do embarque nº 21, encontrase manuscrita a expressão “Shipping inst. From Je”, que quer dizer “instruções de embarque oriundas de Je”, remetendo a Jefferson. O endereço “Agnaldo – WAMC Master” agnaldo@wamcmaster.com.br encontrase no email dos embarques nº 1 e 2. No email do embarque nº 1, há menção também aos destinatários Evaldo, Walter e Alexandre – WAMC. Nas instruções do embarque nº 3, há manuscrita a expressão Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.129 23 “sps wamcmast. May 5/07”, que quer dizer “(incompreensível) WAMCMaster Maio 05, 2007”. No email do embarque nº 24, há manuscrita a expressão “S/I as per Agnaldo”, que quer dizer “instruções de embarque conforme Agnaldo”. Albert Import manteve como representantes cadastrados no Siscomex os despachantes aduaneiros Evaldo Martins da Costa, Valter Azevedo e Agnaldo Francisco Barbosa da Silva, sócios de WAMC Máster Assessoria Aduaneira Ltda.23 Desse modo, as informações contidas nos conhecimentos de carga remontam a instruções dadas ou por intermédio de WAMC Master ou diretamente por Jefferson Mucciolo. (grifo nosso) Pelos documentos anexados à autuação, é possível concluir que a recorrente de fato, cedeu seu nome para a empresa Laser Company Importação e Exportação Ltda. realizar importações. Ademais, as afirmações da recorrente deixam transparecer que esta situação realmente ocorreu, por meio de um administrador da mesma, a quem o sócio majoritário da recorrente cedeu sua senha para utilização do Siscomex. Reproduzse excertos da peça recursal que levam a esta conclusão: Foi então que, o Sr. Raimundo levou clientes para a empresa impugnante e, começou a operar com a senha do SISCOMEX do Sr. Vitor que ora encontravase acamado, sem nenhuma condição para laborar, mas necessitando de recursos para honrar seus compromissos e custear seu tratamento médico e psicológico. Após iniciar a recuperação da moléstia sofrida, passou o proprietário da empresa, Sr. Victor, a desconfiar do Sr. Raimundo e a questionálo, ocasião em que este último simplesmente sumiu sem deixar nenhum contato e notícias. [...] Ora nobres julgadores, jamais foi de conhecimento do Sr. Victor que, o Sr. Raimundo utilizava sua empresa para encobertar outras empresas nas operações de importação que foram realizadas, muito menos que, houve fraude e sonegação entre elas no recolhimento dos tributos aduaneiros, porque se assim fosse, jamais teria o deixado na condução da sua empresa, evitando que fosse jogado fora todo prestigio e respeito conquistado ao longo destes anos. Desta forma, entendo restar comprovada a conduta descrita na autuação fiscal. No tocante a apuração de subfaturamento pela autoridade fiscal, que resultaram no aumento do valor das mercadorias importadas em relação aos valores constantes das DI, a mesma foi justificada como decorrente da diferença entre o preço unitário das mercadorias apurado nos documentos fornecidos pela Aduana americana com o preço unitário declarado pelos importadores nas DI. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.130 24 Foram ainda apresentadas as seguintes informações: A fiscalização entrou em contato34 com Sharon Barone (Sharon@FloridaStateGames.net), representante de Florida State Games Inc., e foi informada de que: 1º) o console Sony PS3 nunca foi vendido por menos de US$ 300,00; 2º) o console Nintendo Wii, ao menos por US$ 250,00; 3º) o console Sony PSP, aproximadamente por US$ 300,00. Os documentos fornecidos pela Aduana americana confirmam parcialmente essa informação: PS3 varia de US$ 375,00 a US$ 500,00; Wii, de US$ 290,00 a US$ 330,00; PSP, de US$ 169,00 a US$ 195,00. A fiscalização também entrou em contato com Peter Yu (peteryu@gamersweb.com), proprietário de US1 America Inc., e foi informada de que o preço de jogo para videogame lançado em 2007 variava: 1º) de US$ 25,00 a 30,00 para PS2; 2º) de US$ 45,00 a 55,00 para PS3; 3º) de US$ 15,00 a 25,00 para PSP; 4º) de US$ 30,00 a 40,00 para Wii; 5º) de US$ 40,00 a 50,00 para XBOX3. No embarque nº 7, encontrase o único documento fornecido pela Aduana americana referente a US1 America (packing list nº 100667). Nele, o preço unitário de US$ 30,00 (US$ 51.120,00 / 1704 unidades) confirma a informação prestada por Peter Yu, já que o jogo “Winning Eleven Evolution – P2” era lançamento para 2007, utilizável no console PS2. Os demais jogos do embarque nº 7 foram lançados entre 2003 e 2005. A fiscalização relata ainda ter identificado uma grande rede varejista nacional, qual seja a FNAC Brasil Ltda. (CNPJ nº 02.634.926/000407), que informou o preço pelos quais foram adquiridas as mercadorias de Albert Import e de Laser Tech, concluindo que: Enquanto a grande rede varejista nacional estava comprando as mercadorias importadas por preços que variavam de R$ 532,92 a R$ 1.769,55, os importadores preferiram vendêlas por preços que variavam de R$ 46,80 a R$ 82,55, preços de 10 a 20 vezes menores. Isto evidencia que a revenda dos importadores foi fictícia, operando eles apenas como pessoas interpostas. Ao final, informa como forma procedidos os cálculos: Os documentos fornecidos pela Aduana americana permitiram apuração parcial do preço efetivamente praticado nas importações, sendo o restante arbitrado48 conforme o art. 88, inc. I, da medidaprovisória nº 2.15835/2003. O preço arbitrado nos embarques nº 2, 10, 16, 18, 19, 20 e 23 utilizou o preço médio da tabela nº 13 abaixo. A descrição da mercadoria (“consoles”) nos conhecimentos de carga desses embarques é idêntica à descrição nos conhecimentos de carga dos embarques da tabela nº 13, inclusive com menção da classificação fiscal (NCM 9504 1010). O preço médio da tabela abaixo também foi adotado nos embarques nº 4 e 22, mas comparandose com a descrição declarada nas DIs respectivas, pois os importadores não forneceram os conhecimentos de carga. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.131 25 [...] Ao preço FOB da mercadoria acrescentase o frete internacional apurado, obtendose o preço CFR da mercadoria, que neste caso vem a ser o valor aduaneiro. A tabela nº 14 abaixo compara o valor aduaneiro calculado pela fiscalização com o valor aduaneiro declarado pelos importadores. 93% foi o índice de omissão do valor aduaneiro alcançado por este esquema de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento. Constatase, do acima exposto, que a fiscalização trouxe inúmeras evidências que apontavam a ocorrência de subfaturamento nas importações realizadas em nome da recorrente, efetuando as correções na forma devida. A recorrente, a seu turno, nada trouxe aos autos para confrontar o amplo leque de provas apresentadas pela fiscalização, de forma que não se pode considerar como corretas as informações prestadas nas DI. Por fim, em relação as alegações de equívoco no método de valoração aduaneira, transcrevese trecho da decisão recorrida, a qual se adota neste voto: Os métodos de valoração previstos pelo Acordo de Valoração Aduaneira são em seis para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas: 1º Método – método do valor da transação. 2º Método – método do valor de transação de mercadorias idênticas. 3º Método – método do valor de transação de mercadorias similares. 4º Método – método do valor de revenda (ou método do valor dedutivo). 5º Método – método do custo de produção (ou método do valor computado). 6º Método – método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O 1º método de valoração aduaneira, que retrata valor de transação é o efetivo valor aduaneiro da mercadoria importada, conforme definido no Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira), promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Na impossibilidade de aplicação do método do valor de transação, o valor aduaneiro será determinado conforme um dos métodos substitutivos previstos nos artigos 2, 3, 5, 6 e 7 do referido Acordo. O 2º e 3º métodos de valoração aduaneira necessitam de Declarações de Importação paradigmas do mesmo país de Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.132 26 origem e em tempo aproximado e que tenham sido aceitas com base no artigo 1º do Acordo de Valoração Aduaneira, o que não aconteceu; O 4º método de valoração aduaneira exige que a mercadoria já tenha sido submetida a venda e a partir do valor de revenda, deduzse o valor aduaneiro, o que não aconteceu; O 5º método de valoração aduaneira, a valoração é a documentação fornecida pelo importador, o que também não aconteceu; Conforme relatado acima, a fiscalização contatou os próprios vendedores das mercadorias importadas Florida State Games Inc. e US1 America Inc. em seu trabalho de apuração do valor aduaneiro efetivamente praticado. As respostas obtidas com os exportadores mercadorias embasaram a ação fiscal. O impugnante protesta pelo uso do 3º método de valoração aduaneira método do valor de transação de mercadorias similares. Ocorre que a fiscalização não pautou suas conclusões no cômputo do valor de mercadorias importadas similares, mas sim no cômputo do valor de transação das mercadorias efetivamente importadas. A fiscalização não promoveu nenhuma pesquisa de preços de produtos parecidos ou semelhantes. Tampouco fez uma coleta de informações em seus bancos de dados sobre o valor de importação tendo por parâmetro o mesmo código NCM das mercadorias importadas. A fiscalização indagou os próprios vendedores das mercadorias Florida State Games Inc. e US1 America Inc. a respeito dos valores praticados, obtendo assim o efetivo valor de transação, já que, conforme suas declarações, as faturas – invoices – que instruíam os despachos aduaneiros eram inidôneas. Assim, a fiscalização nada mais fez do que aplicar o 1º método de valoração aduaneira, como disciplina os artigos transcritos. Com relação a alegação de que a pena imposta configuraria confisco, e ao requerimento de que seja aplicada analogicamente multa, no percentual de 10% sobre o montante do capital social da empresa, conforme já esclarecido, este órgão colegiado não pode afastar a aplicação de comando legal tributário vigente. Desta forma, em estando a presente autuação embasada em dispositivo legal expresso, não se acatam tais alegações e requerimentos. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.133 27 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.008764/2010-20
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais, inclusive sobre a multa de ofício isolada.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais, inclusive sobre a multa de ofício isolada. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 87 64 /2 01 0- 20 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 75 2 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais, inclusive sobre a multa de ofício isolada. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 12, com a exigência do crédito tributário no valor de R$103.875,25 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 04.05.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 22.01.2009. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 76 3 Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0209, com as alegações a seguir transcritas: I Da tempestividade: A notificação da Impugnante sobre os termos do AI citado em epígrafe deuse no dia 01/04/2010. Destarte, respeitado o trintídio legal para a interposição do presente recurso, nos termos do art. 15 do Decreto n°. 70.235/72, é ele, pois, tempestivo. [...] II Do lançamento: [...] Não obstante, é descabida a multa imposta, consoante será comprovado pelos fatos e fundamentos que a seguir serão aduzidos. III —Do direito: III. 01 — Da apresentação da DCTF antes de qualquer medida fiscalizatória — Espontaneidade da declaração — Denúncia espontânea — art. 138 do CTN: É cediço que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória —DCTF, in casu, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional [...]. Nesse sentido, aplicando o artigo acima, a não entrega da DCTF, quando enviada sem qualquer ação anterior do Fisco contra um contribuinte, ilide qualquer multa pela não entrega. Isso porque a descaracterização do "inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração" via recuperação da espontaneidade, exclui a incidência de qualquer penalidade administrativa para o contribuinte. No presente caso, como indicado na própria notificação de lançamento, a Impugnante apresentou a DCTF, antes de qualquer procedimento fiscal. Portanto, a Impugnante faz jus à fruição dos beneplácitos de que trata o artigo 138 do CTN, não podendo a Autoridade Fiscal multála a posteriori ao adimplemento da obrigação acessória de entrega da declaração. [...] Destarte, descabe a multa, tendo em vista que a DCTF foi entregue espontaneamente ao fisco. III. 02 — Da multa isolada aplicada — Aplicação de Princípios Tributários em relação As características pessoais do caso — Princípios da vedação do confisco, proporcionalidade e equidade — Aplicação: Sabese que o artigo 150, IV, da CF/88 veda ao Fisco utilizar o tributo com efeito de confisco. Cingese a matéria litigiosa à exigência da multa de oficio, pela não apresentação da DCTF. Sem querer trespassar pela seara da discussão se tal principio se estende às multas, é forçoso reconhecer que as excessivamente onerosas devem ser retiradas de nosso ordenamento jurídico, em virtude de, a despeito de não estarem incluídas na Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 77 4 norma constitucional supramencionada, não só ferirem o direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), mas sobretudo os princípios da proporcionalidades e equidade. A desproporção, in casu, é evidente, visto que o valor da multa aplicada atinge a 10% (dez por cento) do valor do imposto devido. [...] E neste viés, observese que o ato do contribuinte que é sancionado pela multa em comento é tão somente não declarar a DCTF no prazo legal, sendo que não houve qualquer prejuízo ao fisco. Ora, é flagrante a infração ao principio da vedação ao confisco, já que a multa, no caso em tela, impõe ao Contribuinte, contraditoriamente, obrigação desnecessária e formalmente já cumprida. E salutar tanto para os contribuintes, quanto para a ordem jurídica banir as multas confiscatórias como a presente, sendo exatamente isso que se requer: a não aplicação da multa. Deste modo, a Impugnante requer seja aplicado o Principio da Equidade no valor da multa cominada, a fim de reduzir o ônus excessivo em face à situação de dificuldades da empresa. III. 03 —Da inaplicabilidade da Taxa SELIC em matéria tributária: E cediço que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização. [...] Assim, requer seja afastada a incidência da taxa SELIC sobre os tributos lançados em detrimento a ora Impugnante. III. 04 — Lei n° 10.426/06 — Da necessariedade da notificação do Contribuinte para apresentar esclarecimentos: Gizadas as considerações acima, que certamente já demonstraram o descabimento da multa imposta, cabe dispor, em respeito ao princípio da eventualidade, que conforme preceitua o caput do art. 7 da Lei n° 10.426/02, cabe ao Sr. Auditor Fiscal ao detectar a não entrega de uma DCTF pelo Contribuinte, antes de impor a multa, notificálo para prestar esclarecimentos. Por isso, tendo em vista que o Sr. Auditor Fiscal adotou procedimento equivocado ao impor a multa à ora Impugnante, já que impôs a multa sem antes notificála para prestar esclarecimentos, a referida multa deve ser devidamente afastada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante todo o exposto, requer seja julgada improcedente a multa imposta e insubsistente o AI ora impugnado. Termos em que, pede deferimento. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 78 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0234.928, de 27.09.2011, fls. 3744: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF se sujeita às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso. Notificada em 14.11.2011, fl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.12.2011, fls. 5259, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta I – da Tempestividade A notificação da Recorrente sobre os termos do Acórdão citado em epígrafe deuse no dia 14/11/2011. Destarte, respeitado o trintídio legal para a interposição do presente recurso, nos termos do art. 33 do Decreto n°. 70.235/72, é ele pois, tempestivo. II – Sinopse dos Fatos [...] Interposta impugnação fiscal, tempestivamente esta foi inteiramente desacolhida, sendo o lançamento julgado procedente em Acórdão proferido pela 3a Turma Julgamento da Delegacia Fiscal da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte/MG em sessão do dia 27 de setembro de 2011 [...]. Não obstante a decisão prolatada no âmbito da Delegacia Fiscal não tratou, com a devida acuidade dos argumentos de fato e de direito expostos na peça impugnatória, o que enseja e justifica a interposição do presente recurso à segunda instância, com o fim de reformar a Decisão [...]. III —Do mérito: III. 01 — Da apresentação da DCTF antes de qualquer medida fiscalizatória — Espontaneidade da declaração — Denúncia espontânea — art. 138 do CTN: É cediço que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória —DCTF, in casu, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional [...]. Nesse sentido, aplicando o artigo acima, a não entrega da DCTF, quando enviada sem qualquer ação anterior do Fisco contra um contribuinte, ilide qualquer multa pela não entrega. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 79 6 Isso porque a descaracterização do "inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração" via recuperação da espontaneidade, exclui a incidência de qualquer penalidade administrativa para o contribuinte. No presente caso, como indicado na própria notificação de lançamento, a Impugnante apresentou a DCTF, antes de qualquer procedimento fiscal. Portanto, a Impugnante faz jus à fruição dos beneplácitos de que trata o artigo 138 do CTN, não podendo a Autoridade Fiscal multála a posteriori ao adimplemento da obrigação acessória de entrega da declaração. [...] Quanto a este argumentos apresentado pela ora Recorrente, também na Impugnação Fiscal o Acórdão restou praticamente omisso. [...] Ora é certo que a fundamentação do r Acórdão guerreado contraria toda a jurisprudência juntada na Impugnação e neste Recurso pela contribuinte. Ademais, destacase que a denúncia espontânea é um benefício posto em favor do contribuinte pela própria legislação, não havendo que se falar em ameaça ao caráter impositivo da norma . A bem da verdade sabese que todo benefício que visa excluir a aplicação de uma penalidade, por uma conduta posterior do contribuinte (evitandose dano ao poder público) de fato é uma opção legislativa de apaziguar uma exigência e o caráter sancionatório da norma. Não cabe, portanto ao aplicador da Lei, se tal benefício deve ou não atingir o caráter impositivo da lei, considerando que foi a própria norma em um contexto sistemático, que assim o quis. Destarte, descabe a multa, tendo em vista que a DCTF foi entregue espontaneamente ao fisco. III. 02 — Da multa isolada aplicada — Aplicação de Princípios Tributários em relação As características pessoais do caso — Princípios da vedação do confisco, proporcionalidade e equidade — Aplicação: Sabese que o artigo 150, IV, da CF/88 veda ao Fisco utilizar o tributo com efeito de confisco. Cingese a matéria litigiosa à exigência da multa de oficio, pela não apresentação da DCTF. Sem querer trespassar pela seara da discussão se tal principio se estende às multas, é forçoso reconhecer que as excessivamente onerosas devem ser retiradas de nosso ordenamento jurídico, em virtude de, a despeito de não estarem incluídas na norma constitucional supramencionada, não só ferirem o direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), mas sobretudo os princípios da proporcionalidades e equidade. A desproporção, in casu, é evidente, visto que o valor da multa aplicada atinge a 10% (dez por cento) do valor do imposto devido. [...] E neste viés, observese que o ato do contribuinte que é sancionado pela multa em comento é tão somente não declarar a DCTF no prazo legal, sendo que não houve qualquer prejuízo ao fisco. Ora, é flagrante a infração ao principio da vedação ao confisco, já que a multa, no caso em tela, impõe ao Contribuinte, contraditoriamente, obrigação desnecessária e formalmente já cumprida. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 80 7 E salutar tanto para os contribuintes, quanto para a ordem jurídica banir as multas confiscatórias como a presente, sendo exatamente isso que se requer: a não aplicação da multa. Deste modo, a Impugnante requer seja aplicado o Principio da Equidade no valor da multa cominada, a fim de reduzir o ônus excessivo em face à situação de dificuldades da empresa. III. 03 —Da inaplicabilidade da Taxa SELIC em matéria tributária: E cediço que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização. [...] Assim, requer seja afastada a incidência da taxa SELIC sobre os tributos lançados em detrimento a ora Impugnante. III. 04 — Lei n° 10.426/06 — Da necessariedade da notificação do Contribuinte para apresentar esclarecimentos: Gizadas as considerações acima, que certamente já demonstraram o descabimento da multa imposta, cabe dispor, em respeito ao princípio da eventualidade, que conforme preceitua o caput do art. 7 da Lei n° 10.426/02, cabe ao Sr. Auditor Fiscal ao detectar a não entrega de uma DCTF pelo Contribuinte, antes de impor a multa, notificálo para prestar esclarecimentos. Por isso, tendo em vista que o Sr. Auditor Fiscal adotou procedimento equivocado ao impor a multa à ora Impugnante, já que impôs a multa sem antes notificála para prestar esclarecimentos, a referida multa deve ser devidamente afastada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante todo o exposto, requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso voluntário para reforma in totum o r. Acórdão proferido pela Delegacia Fiscal e, ao final, julgada improcedente a multa imposta e insubsistente o AI ora recorrido Termos em que, pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 81 8 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, a Notificação de Lançamento pode ser lavrada sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. A Notificação de Lançamento foi lavrada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 82 9 suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. A Notificação de Lançamento foi lavrada com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. A Notificação de Lançamento foi lavrada com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 83 10 trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 84 11 A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura da Notificação de Lançamento. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos7. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; 7 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 85 12 (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária9. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 10 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Consta na Descrição dos Fatos, fl. 12, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$500,00(quinhentos reais) nos demais casos. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 04.05.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 22.01.2009. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre a multa de ofício isolada. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês11. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 9 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 11 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 86 13 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200912 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF13. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Por sua vez a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas que, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Para todas as situações em que os débitos tributários não são pagos nos prazos legais, sobre eles incidem de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 13 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 87 14 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11030.902118/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 18 /2 01 2- 85 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.774, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 20 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 21 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 22 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 23 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 24 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 25 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 26 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16707.009643/99-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/1996 a 30/06/1999
EMBARGOS. OMISSÃO. COMPROVAÇÃO.
Uma vez constatado a existência de omissão (falta de apreciação de argumentos relevantes) no Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO.
Verificada a ocorrência de erro material na autuação, cabe a correção dos valores lançados, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72.
VENDA PARA ENTREGA FUTURA. COMPROVAÇÃO.
Comprovado, pela escrituração no livro de Registro de Saída, que uma operação é de venda para entrega futura, há que ser dado o mesmo tratamento tributário para todas as operações deste tipo.
Embargos de Declaração Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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OMISSÃO. COMPROVAÇÃO. Uma vez constatado a existência de omissão (falta de apreciação de argumentos relevantes) no Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. Verificada a ocorrência de erro material na autuação, cabe a correção dos valores lançados, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. COMPROVAÇÃO. Comprovado, pela escrituração no livro de Registro de Saída, que uma operação é de venda para entrega futura, há que ser dado o mesmo tratamento tributário para todas as operações deste tipo. Embargos de Declaração Acolhidos. Acórdão ReRatificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 96 43 /9 9- 79 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 01/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa embargante foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1996 e junho de 1999, tendo em vista que a Fiscalização constatou diferença entre o valor devido e o valor declarado da exação (fls. 01/26). Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão da primeira instância, que leio em sessão. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/REC nº 00.231, de 23/11/2001, cuja ementa abaixo se transcreve. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1996, 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incide sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, deduzidas as exclusões previstas em lei. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da COFINS é o faturamento, considerado a totalidade da receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Lançamento Procedente. Ciente desta decisão em 20/12/2001 (AR de fl. 149), a interessada ingressou, no dia 15/01/2002, com o recurso voluntário de fls. 156/161, no qual alega, em síntese, que Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 4 3 houve erro em sua escrituração fiscal e que notas fiscais de simples remessa foram escrituradas como venda, afetando a base de cálculo da Cofins, pelo que pede a realização de diligência para apurar a verdade material sobre a base de cálculo da exação. Na sessão do dia 05/11/2003 a Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20100.377 (fls. 342/344), converteu o julgamento em diligência para a repartição lançadora apurar as alegações de erro de fato trazidas pela recorrente. Realizado a diligência, foi constatado erro de fato na base de cálculo dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1996, sendo apurado para esses meses o valor da Cofins devida de R$ 630,59, R$ 1.720,95 e R$ 1.172,27, respectivamente, e ratificado o valor lançado dos demais períodos de apuração (fls. 377/390). Ciente do resultado da diligência (fl. 391), a empresa recorrente apresentou sua manifestação sobre o resultado da diligência. Esta não foi anexada ao processo e o julgamento do recurso ocorreu como se a empresa não tivesse se manifestado sobre o resultado da diligência, nos termos do Acórdão nº 210200.120, de 03 de junho de 2009, que deu provimento parcial ao seu Recurso Voluntário. Ciente do referido acórdão, a empresa ingressa com requerimento pleiteando a nulidade do acórdão sob a alegação de que sua manifestação sobre o resultado da diligência não foi anexada aos autos do processo e o julgamento ocorreu sem que fosse apreciado seus relevantes argumentos constantes da manifestação sobre o resultado da diligência. Pelo Despacho nº 3302135, de 01/11/2013, o Presidente da Turma de Julgamento recebeu o requerimento da empresa como embargos de declaração e entendeu procedente a alegação de que a manifestação da Embargante sobre o resultado da diligência não foi juntada aos autos e, conseqüentemente, não foi apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Por esta razão, deu seguimento aos embargos de declaração da empresa interessada para a Turma de Julgamento apreciar as alegações trazidas pela Embargante, que podem alterar o resultado do acórdão embargado. A manifestação sobre o resultado da diligência apresentada pela empresa está dividida em 3 partes. As duas primeira trazem alegações novas, não apresentadas no recurso voluntário, e a terceira parte diz respeito ao resultado da diligência propriamente dito. A seguir está uma síntese das alegações trazidas pela empresa interessada. PARTE I – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Então conforme afirmação da própria autoridade fiscalizadora a Base de Calculo da Receita de Vendas foi obtida através do Livro de Apuração do ICMS, fls. 51 a 99. A fl. 51 referese ao mês de janeiro de 1995, seqüencialmente até a fl. 98 que se refere a Dezembro de 1998. A fl. 99, é o termo de encerramento do livro fiscal. Sendo assim, os valores que compõe a Base de Cálculo da Receita de Vendas, só estão demonstrados de Janeiro/95 a Dezembro de 1998. A proveniência dos valores referente AnoCalendário 1999, contidos na Composição da Base de Cálculo (Apuração Sintética) (fl. 14), não ficou demonstrada no Auto de Infração ou nos seus anexos. Devendo Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 5 4 assim, as Receitas de Vendas não comprovadas dos meses de maio e junho de 1999, não serem consideradas na Apuração do Débito (fl.19) Neste mesmo sentido, a autoridade fiscalizadora afirmou que Base de Calculo da Receita de Serviços foi obtida através do Livro de Apuração do ISS, fls. 31 a 50. A fl. 31 referese ao mês de Janeiro de 1995, seqüencialmente até a fl. 49, que se refere a Julho de 1996. A fl. 50 também é termo de encerramento. Então os valores que compõe a Base de Cálculo da Receita de Serviço, só estão demonstrados de Janeiro/95 a Julho de 1996. A Composição da Base de Cálculo (Apuração Sintética) fl. 11, referente ao AnoCalendário 1996, apresenta valores para os meses de Agosto a Novembro de 1996, que não foram comprovados nos autos de Infração. Devendo assim, as receitas de Serviços não comprovados dos meses outubro e novembro de 2006 (sic) não serem consideradas na Apuração do Débito (fl. 16). Consta também do Termo de Inicio de Auditoria Fiscal (fl. 09), que a empresa foi solicitada a apresentar os documentos referentes ao período de janeiro/1995 a Junho/1999. Não consta em nenhum relatório ou no Auto de Infração que a empresa não tenha apresentado qualquer período dos documentos solicitados. Como visto acima, não ficou devidamente comprovado de onde foram obtidos alguns valores constantes da Base de Cálculo sobre a qual foi apurado o valor do débito devido pela empresa. [...] Esta omissão de documentos relativa a certo período, deixa o autuado sem defesa, pois não tinha como deduzir se foi usada a mesma metodologia dos outros períodos, ou se para apenas este período houve outra forma de apuração. Sequer tinha a certeza de qual documentação foi efetivamente tirados os valores que compõe a Base de Cálculo do período, se do Livro de ICMS e ISS, ou de outra fonte de informação. A recorrente alega desde o inicio do processo, falhas nos valores apurados que só poderiam vir a ser elucidados através de diligência. Todos seus argumentos e planilhas apresentados na Impugnação (fl. 103 a 141) não foram considerados. Em conseqüência, alega a embargante que o processo não está instruído com a documentação (Livros de Apuração de ICMS e ISS) necessária para comprovar os dados de todo o período apurado, configurando cerceamento do direito de defesa da autuada e, conseqüentemente, anulação do auto de infração, nos termos do já decido pelo Conselho de Contribuintes (Acórdãos 30234277, 2039713, 20308588). PARTE II – CRÉDITOS A SEREM COMPENSADOS Conforme demonstrativo anexo (DOC. 01), preparado com base nos próprios documentos acima referido. O total de credito apurado para o período que foi feita compensação (Jan/95 a set/96) foi de R$ 15.114,48, não foi considerado o crédito Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 6 5 recolhido no valor de R$794,26 (fl.30), totalizando um credito em favor da recorrente de R$15.908,74. No entanto, os valores do principal consolidados apurados pelo AFRF, para este mesmo período foi de R$9.808,16. Havendo assim por diferença, um crédito em favor do recorrente de R$ 6.100,58, que também deve ser considerado na compensação dos seus débitos. PARTE III – DO RELATÓRIO E CONCLUSÕES DA DILIGÊNCIA A empresa Recorrente discorda de dois pontos do Relatório: 1. Faturamento e Remessa Futura Anos de 1998 e 1999 (Quadro XIII) 2. Cancelamento da NF N. 001279, no valor de 525.000,00 (Quadro VIII). As razões da discordância da Embargante podem ser resumidas nos seguintes termos: 1. Faturamento e Remessa Futura – Anos de 1998 e 1999 Neste quadro, se analisa detalhadamente a Nota Fiscal "mãe" n. 01890, emitida em 16/02/1998, CFOP 6.11, operação sem débito de tributo, registrada no livro Registro de Saída n. 6, fl. 22. Neste quadro, a autoridade considera o valor desta nota como R$140.000,00. No entanto, conforme se verifica na cópia da NF já constante dos autos (fl. 291) e no próprio lançamento da NF no livro de saída (fl. 327), o valor correto é R$87.500,00. Apesar da conclusão da Diligência n. 8 (fl. 389) que o valor desta nota fiscal não está incluído no auto de infração que tem como base R$ 118.607,50, por se o seu valor considerado de R$ 140.000,00, maior que a própria base de cálculo. Este entendimento está equivocado, conforme se verifica nas informações do próprio processo, o valor correto desta NF "mãe" n. 01890, é de R$87.500,00. Este valor está indevidamente incluído na base de cálculo deste período e deverá ser excluído, assim como foram excluídos os valores das outras notas "mães". A base de calculo do lançamento para o mês de fevereiro de 1998 foi RS118.607,74, correspondente o valor lançando nas saídas do Registro de Apuração de ICMS (fl.88), estando incluído o valor de R$87.500,00 referente a NF n.01890, conforme demonstrado no quadro anexo (DOC.02). Esclarecida esta discrepância, deve o valor de 87.500,00, referente a NF n. 01890, ser excluído do fator gerador referente a 28/02/1998 do auto de infração. 2. Cancelamento da NF nº 001279, no valor de 525.000,00 (Quadro VIII). No entanto no que se refere ao item 4 da conclusão referente esta NF n. 001279, temos que discordar da autoridade fiscalizadora. Esta Nota, por se tratar de uma Nota Fiscal Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 7 6 "Mãe", foi emitida sem débito e com Natureza de Entrega Futura. Esta nota foi cancelada, mas não consta a primeira via no livro, pois a mesma foi enviada para a compradora. Como o pedido foi cancelado, ela deveria ter sido devolvida, mas não o foi. Na época foi solicitada sua devolução, mas isto nunca ocorreu. A Embargante alega que entrou em contato com a empresa compradora (AGROPARMA) e com a sua controladora (PARMALAT) para conseguir a primeira via da nota fiscal nº 001279, sem sucesso. Alega que a nota fiscal nº 001279 é uma nota fiscal “mãe” e, igualmente às outras notas fiscais “mãe”, ela não compõe a base de cálculo da Cofins, pelas evidências que apresenta, a exemplo de falta de entrega da mercadoria consignada na referida nota fiscal. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os Embargos de Declaração atendem aos requisitos legais, dele se conhece. Como se viu, trata o presente de auto de infração de Cofins, lavrado em razão de diferença entre o valor devido e o valor declarado pela recorrente. Em seu recurso voluntário, a recorrente solicita a realização de diligência, no que foi atendida. Feito a diligência, ficou constatado a existência de erro de fato na apuração da base de cálculo da Cofins dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1996. A autoridade Fiscal apurou novo valor da Cofins devida para o referido período (R$ 630,59, R$ 1.720,95 e R$ 1.172,27, respectivamente) e ratificou o valor lançado dos demais períodos de apuração (fls. 377/390). Ciente do resultado da diligência, a empresa apresenta sua manifestação alegando o seguinte: 1 nulidade do auto de infração por não está instruído com cópia do Livro de Registro de Apuração do ICMS dos meses de maio e junho de 1999 e do livro de Apuração de ISS dos meses de outubro e novembro de 2006. O Relatório Fiscal não informa de onde foi extraído a base de cálculo desses períodos de apuração. Este fato caracteriza cerceamento do direito de defesa porque a empresa não sabe de onde foi retirado a base de cálculo da Cofins dos meses de maio, junho e agosto a novembro de 1999, sendo nulo o auto de infração, que deveria estar instruído com toda a documentação que lhe deu suporte. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 8 7 2 na apuração do débito não foi considerado o crédito recolhido no valor de R$ 794,26. Conseqüentemente, no período de janeiro de 1995 a setembro de 1996 há uma diferença (crédito) a favor da empresa autuada de R$ 6.100,58, que deveria ser considerado na compensação de seus débitos; 3 O valor da Nota Fiscal “mãe” nº 01890, de 16/02/1998, é R$ 87.500,00 e não R$ 140.000,00 como consta do resultado da diligência. O valor dessa nota fiscal está incluído na base de cálculo do PA 02/98, posto que escriturado no livro Registro de Saída e no livro Registro de Apuração de ICMS, de onde foi retirado a base de cálculo da Cofins; 4 A Nota Fiscal nº 01279, no valor de R$ 525.000,00, é uma nota fiscal “mãe” relativo a venda para entrega futura e, igualmente a inúmera outras, não há débito de Cofins, independente de ter sido cancelada ou não. Sobre a prova do cancelamento, especialmente a apresentação da 1ª via, resultou improfícuo seu esforço de conseguíla junto à empresa sua cliente (AGROPARMA) ou à empresa que a controlava (PARMALAT). Pela natureza das suas operações fica evidente que a operação é exatamente igual às outras tantas que realizou, ou seja, que a referida nota fiscal é do tipo “mãe”, que não sofre tributação. Em sede de preliminar, devo analisar duas questões levantadas pela empresa Embargante quando da manifestação sobre o resultado da diligência: 1ª) nulidade do auto de infração por falta de indicação, no Relatório Fiscal, e juntada aos autos do Livro Registro de Apuração do ICMS dos meses de maio e junho de 1999 e do Livro de Apuração de ISS dos meses de agosto a novembro de 1996; e 2ª) falta de aproveitamento, na apuração do débito, de crédito no valor de R$ 794,26. Essas matérias não foram objeto de impugnação. E a impugnação estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Conseqüentemente, sobre essas matérias não há litígio e nem foi objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Não tendo sido objeto de julgamento, não há como este Conselho apreciálas, posto que preclusa. Mesmo preclusa, e por ser matéria de ordem pública, a alegação da empresa sobre a nulidade do auto de infração não procede porque não é obrigatório a juntada de cópia de livros fiscais aos autos, mas sim que o auto de infração esteja acompanhado dos demonstrativos necessários à apuração do tributo, fato que ocorreu no presente processo, conforme documentos acostados às fls. 01/52. Quanto ao mérito, o resultado da diligência não deixa dúvida de que ocorreu erro de fato no lançamento da Cofins dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1996, merecendo acolhida a pretensão da recorrente para retificar o valor dos débitos desses períodos de apuração, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao valor da Nota Fiscal nº 01890, de 16/02/1998, há o erro apontado pela Embargante. Pela cópia anexada aos autos, está comprovado que o valor desta nota fiscal é R$ 87.500,00. Conseqüentemente, seu valor está incluído no valor registrado no livro de Registro de Apuração de ICMS no CFOP 6.11 (R$ 94.400,00), considerado na base de cálculo do período de apuração de fevereiro de 1998. Conseqüentemente, a correta base de cálculo da Cofins de fevereiro de 1998 é R$ 31.107,50 (= R$ 118.607,50 – R$ 87.500,00) e o valor da Cofins devida é R$ 622,15 e não o valor lançado de R$ 2.372,15. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 9 8 Quanto a Nota Fiscal nº 001279, de 21/08/97 (fl. 361), no valor de R$ 525.000,00, não há dúvidas de que a empresa Embargante não logrou provar que a mesma foi cancelada. Embora relevantes, seus argumentos neste sentido não merecem acolhida. No entanto, tem a empresa Embargante razão a afirmar que referida nota fiscal é do tipo “mãe”, não sujeita à tributação. Igualmente às outras tantas notas fiscais deste tipo, a natureza da operação é “venda entrega futura”. O CFOP consignado na nota fiscal é 6.99. No entanto, no livro Registro de Saída o CFOP escriturado é 6.11, comprovando o erro de emissão da nota fiscal, independente de sua retificação formal. Ademais, não há comprovação da saída posterior da mercadoria consignada na nota fiscal nº 01279. Conseqüentemente, a base de cálculo da Cofins de agosto de 1997 deve ser reduzida para R$ 28.874,00 (= 553.874,00 – R$ 525.000,00) e o valor da Cofins devida também deve ser reduzido para R$ 577,48. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão embargado e dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor devido da Cofins dos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 1996, agosto de 1997 e fevereiro de 1998, para os valores referidos no corpo deste voto, mantendo, no mais, a decisão recorrida. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.015835/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 58 35 /2 00 8- 97 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 20 a 22: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2004, anocalendário 2003, para a exigência de imposto suplementar de RS 4.727,33, além de multa de oficio de 75% e acréscimos legais, em face da constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de RS 18.250,00, por falta de comprovação ou de previsão legal, constando da complementação da descrição dos fatos que: (a) o valor de R$ 5.250,00, declarado como pago a JOAO MANUEL CARDOSO MARTINS, foi glosado por haver sido informado em duplicidade, considerando o outro valor declarado de R$ 250,00; (b) o valor de R$ 13.000,00 declarado como pago a THOMAZ JEFFERSON LEMOS PESSOA foi glosado por falta de comprovação de efetivo pagamento e o contribuinte, intimado a fornecer tal prova, limitouse a apresentar recibos, não tendo também trazido laudos, relatórios ou exames que comprovassem a realização dos procedimentos. Cientificado, por via postal, em 29/10/2008 (fl. 19), o interessado apresentou, tempestivamente, em 03/11/2008, impugnação (fls. 01/07), instruída com documentos (fls. 08/15), a seguir sintetizada. Argumenta que, antes do lançamento, apresentou esclarecimentos, informando os tratamentos, os nomes, especialidades e endereços dos dois médicos, o que considera suficientes, com base em recibos, que defende serem documentos hábeis e idôneos comprovação das despesas efetuadas. Diz que não basta a suposição de inexistência da prestação do serviço médico para deslegitimar o documento apresentado, nem a alegação de que o profissional havia expedido recibos a outros contribuintes sem a efetiva prestação de serviços, sob pena de se atentar contra a segurança jurídica. Cita jurisprudência administrativa e judicial, acrescentando que a fiscalização não fez prova de que os serviços não foram efetuados. Contesta a exigência de cópia de extratos de movimentação bancária, a fim de demonstrar os saques, aduzindo se tratar de tentativa de burlar o disposto na Lei Complementar n° 105, de 2001. Pelo exposto, requer o cancelamento integral da exigência, inclusive multa e juros. No que se refere ao juros de mora, ad argumentandum tantum, pleiteia o reconhecimento da ilegalidade e da inconstitucionalidade da taxa Selic, discorrendo sobre sua natureza e sustentando que não há lei que a defina sua origem e forma de cálculo, contrariando o disposto no art. 150, I e III, "b", da Constituição Federal e no art. 161, § 1°, do CTN, além de violar o principio da indelegabilidade tributária, a teor do art. 48, I, da Constituição. Acerca da matéria, transcreve jurisprudência do STJ, concluindo haver ofensa aos princípios da legalidade, da anterioridade, da Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 4 3 segurança jurídica e da indelegabilidade de competência tributária. Requer, assim, que os juros de mora sejam adequados ao limite de 1% ao mês. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o valor glosado de R$ 5.250,00, declarado como pago a JOÃO MANUEL CARDOSO MARTINS, não foi impugnado e que não foram apresentadas provas de quitação efetiva do valor de R$ 13.000,00 declarado como pago a THOMAZ JEFFERSON LEMOS PESSOA, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, além de restrita as hipóteses previstas em lei, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso e dos serviços contratados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 31/32, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguinte: Valor de R$ 5.250,00: Houve um erro de indicação de CPF na DIRPF, a duplicidade ocorreu somente sob esse aspecto em relação ao prestador João Manuel Cardoso Martins. Na verdade esse valor foi gasto com o dentista Dr. Flávio Graciano e Valor de R$ 13.000,00: Em relação a este valor, confirma que os valores foram pagos e os serviços prestados conforme a documentação constante dos autos. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 49DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 5 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Discutese as seguintes glosas das despesas médicas: Valor de R$ 5.250,00, pago a Flávio Graciano, dentista , considerandose o equívoco da informação em relação ao CPF dessa despesa na DIRPF conforme alegado pelo recorrente e Valor de R$ 13.000,00, pago a Thomaz Jefferson Lemos Pessoa, dentista. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie sem comprovação de qualquer pagamento; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 6 5 tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1 (R$ 109 mil de rendimentos Brutos e desp. médicas de aprox. R$ 22 mil, fl. 16), na tipologia 2 (todas despesas quitadas em espécie sem nenhuma comprovação de pagamento) e na tipologia 5 (15/06/2003 sábado – fl.40, 15/09/2003 domingo – fl.41 e 15/11/2003 – feriado nacional – fl.42). Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações e radiografias sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou somente fontes de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, que preferencialmente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, em função de controle contábil, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos pagamentos mas de alguns pagamentos pelo menos, contudo, no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Ainda, em relação aos recibos emitidos pelo dentista Flávio Graciano, observamos que este trabalha num município distinto, Colombo, PR, do recorrente e que tanto Fl. 51DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 7 6 a Declaração de fl. 34 como os recibos de fls. 35 a 37, não mencionam qual o tratamento efetuado e tampouco quem seria o paciente. De outro lado, não encontramos para nenhuma das despesas, cópias de exames, laudos ou outros documentos complementares que pudesse formar um conjunto de provas convincente das alegações do contribuinte. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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