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Numero do processo: 10166.901936/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.076
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 36 /2 00 8- 86 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.958, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10166.901936/200886 Acórdão n.º 9303005.076 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725110/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
LIMINAR. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA.
A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do vencimento do tributo impede a incidência da multa moratória e seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial.
GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Para a caracterização da existência do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando calcada somente na suposta declaração de uma das empresas.
Numero da decisão: 2201-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo que votou por converter o julgamento em diligência, nos termos dos processos conexos.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LIMINAR. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. A concessão de medida liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário antes do vencimento do tributo impede a incidência da multa moratória e seu lançamento em procedimento realizado sob a vigência da ordem judicial. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização da existência do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando calcada somente na suposta declaração de uma das empresas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo que votou por converter o julgamento em diligência, nos termos dos processos conexos. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 51 10 /2 01 4- 98 Fl. 853DF CARF MF 2 Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 21/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários (fls. 816/822 e 827/836) apresentados em face do Acórdão nº 1664.167, da 14ª Turma da DRJ/SPO (fls. 795/808), que negou provimento às impugnações apresentadas pelo contribuinte (fls. 497/504) e responsáveis solidários (fls. 581/592) ao auto de infração Debcad nº 51.061.6976 no valor total de R$ 3.532.343,79 (fl. 3), relativo à diferença das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho Gilrat, em virtude da introdução do Fator Acidentário de Prevenção FAP, a partir da competência janeiro/2010. Inicialmente, é preciso registrar que, no âmbito do Mandado de Segurança nº 2010.38.00.0014151, foi concedida liminar em favor da contribuinte para determinar que a autoridade coatora se abstenha de proceder à exigência da cobrança da parte da contribuição SAT/RAT majorada pelo FAP. Em vista disso, o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência e considerou o multiplicador do FAP de 1,6435 em 2010, levando a um RAT ajustado de 4,9305%. A diferença exigida neste caso é de 1,9305% (fl.18). O cálculo do tributo foi efetuado a partir de três levantamentos: Diferença de RAT ajustado pelo FAP incidente sobre remuneração da folha de pagamentos FA Competências 01/2010 a 09/2010: aplicação do índice 1,9305% sobre os valores declarados na Gfip. A partir da competência 10/2010 o sujeito passivo passou a declarar o valor correto do FAP na Gfip. Diferença de RAT ajustado pelo FAP incidente sobre o pagamento de verba a título de aviso prévio indenizado FV competências 01/2010 a 12/2011: aplicação do índice 1,9305% sobre os valores correspondentes ao aviso prévio indenizado que não foram declarados em Gfip, e que também estão sendo discutidos judicialmente através do Mandado de Segurança nº 5395308.2010.4.01.3800. Diferença de Gilrat ajustado pelo FAP incidente sobre o pagamento de verba a título de participação nos lucros em desacordo com a legislação FP Competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010: aplicação do índice 1,9305% sobre os valores pagos nessas competências a título de PLR em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, mais Fl. 854DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 2201003.725 S2C2T1 Fl. 843 3 especificamente seu art. 3º, § 2º, que estabelece um limite de duas parcelas por ano civil e periodicidade mínima de seis meses. Como não houve depósito judicial dos valores exigidos neste auto de infração, o lançamento foi realizado com os acréscimos legais (item 4 do relatório fiscal fl. 21). Por se tratar de débitos com exigibilidade suspensa, não foi lançada a multa de ofício mas sim a de mora (itens 5.1/5.2 do relatório fiscal fls. 22/23). Ainda de acordo com o relatório fiscal, em face de "declaração firmada pelo sujeito passivo, além do BANCO MERCANTIL DO BRASIL S.A., fazem parte do grupo econômico as seguintes empresas:", foram lavrados termos de sujeição passiva solidária contra as empresas relacionadas na fl. 23 do relatório fiscal (fls. 450/471). As impugnações apresentadas (fls. 497/504 e 581/592) deram origem ao Acórdão nº 1664.167, da 14ª Turma da DRJ/SPO (fls. 795/808), com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. JULGAMENTO DA MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo importa renúncia ao contencioso. Entretanto, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados empregados que lhes prestem serviço (art.22, II, §3º da Lei 8 212/91 c/c e art.202 A do Decreto 3.048/99) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 855DF CARF MF 4 A ciência dessa decisão ocorreu em 05/01/2015 (fls. 813/815) e os recursos voluntários foram apresentados tempestivamente em 03/02/2015 (fls. 816/822 e 827/836). Em suas razões de recorrer, a empresa autuada aduz, em síntese, que a multa de mora não é devida em virtude no disposto no art. 63, §2º da Lei nº 9.430, de 1996, bem como porque a recorrente nunca ficou inadimplente com o fisco federal. Como reforço a seus argumentos, transcreve trechos do Acórdão nº 2403002.470 deste CARF, no sentido que é defendido por ela. Já os responsáveis solidários apresentam alegações que podem ser assim resumidas: a responsabilidade tributária é matéria submetida à reserva de lei complementar e o caso em questão não se enquadra em nenhuma das hipóteses prescritas pelo Código Tributário Nacional solidariedade de fato e solidariedade de direito; quanto à solidariedade de fato, a autoridade lançadora não demonstrou haver interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, limitandose a afirmar a existência de grupo econômico a partir de suposta informação prestada pelo sujeito passivo; a caracterização de grupo econômico exige a demonstração de que as empresas encontramse sob direção, controle ou administração de uma terceira, não bastando a simples participação societária; cita o Acórdão nº 2402002.819 relativo a caso em que os recorrentes foram apontados como devedores solidários e no qual foi afastada a própria caracterização de grupo econômico; é inviável a aplicação da solidariedade prevista no art. 30, IX, da Lei nº 8.212 de 1991, já que esta não é lei complementar. Em face da identificação de conexão entre o processo em análise e o de nº 15504.724958/201408, foi solicitada a reunião dos processos para julgamento conjunto (fls. 838/839), o que foi deferido pelo Sr. Presidentes desta 2ª Seção de Julgamento (fl. 840). É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Conforme ficou evidenciado no relatório, os recursos voluntários apresentados delimitaram a matéria a ser analisada nesta instância administrativa aos seguintes tópicos: cancelamento dos valores lançados a título de multa de mora (recurso da empresa fiscalizada) e anulação da atribuição de responsabilidade solidárias (recurso dos responsáveis solidários). Fl. 856DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 2201003.725 S2C2T1 Fl. 844 5 Multa de mora Essa matéria está regulada pelo art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Pela literalidade do § 2º acima transcrito, a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar "interrompe" a incidência da multa de mora desde a sua concessão até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Isso quer dizer que, se já havia incidência da multa, ela deixa de ser computada, retomando seu curso normal após a cassação da decisão concessiva da medida liminar. Assim, se a liminar é concedida em data que antecede o vencimento do tributo, ela impede que tenha início a incidência da multa moratória, contudo, se ela é concedida após o vencimento, ela apenas a "interrompe". Isso significa que, durante o período de vigência da liminar, não ocorre o fato gerador da multa, pois não existe mora. Portanto, entendo que nessas hipóteses a fiscalização só poderia lançar a multa já devida, relativa à mora já transcorrida, pois em relação à multa ainda não devida, sequer ocorreu o seu fato gerador a justificar lançamento para prevenir a decadência. Esse fato gerador irá ocorrer apenas trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Na hipótese em questão, é fato incontroverso que, no momento da lavratura do auto de infração, o sujeito passivo se encontrava amparado por medida liminar. É o que se extrai dos seguintes excertos do relatório fiscal: 3.2.2 O sujeito passivo, através do MANDADO DE SEGURANÇA NR. 2010.38.00.0014151, questiona a legalidade da introdução do Fator Acidentário de Prevenção FAP, que majorou a alíquota do RAT. Na referida ação pleiteia continuar recolhendo a exação com base nas alíquotas previstas no art. 22, II, da Lei 8.212/91. 3.2.3 Foi deferida a liminar pelo juiz singular para determinar que a autoridade coatora não proceda à exigência da cobrança da parte da contribuição SAT/RAT pertinente à majoração da alíquota pela multiplicação do índice FAP. Fl. 857DF CARF MF 6 Em relação à multa de mora, o relatório fiscal restringese a mencionar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, ignorando totalmente o disposto no §2º do art. 63 da mesma Lei. Assim, não há sequer menção à data em que foi concedida a liminar. A despeito disso, pelo documento juntado a fls. 555/557, temse que a liminar foi concedida em 1º de fevereiro de 2010. Como as competência exigidas neste processo correspondem a 01/2010 a 12/2011, concluise que não havia se iniciado ainda a incidência da multa de mora para nenhuma delas. Registro a existência de jurisprudência deste Colegiado em sentido convergente com o que aqui se defende: Acórdão nº 3302003.256 Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2012 MULTA MORATÓRIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. EXISTÊNCIA DE MEDIDA LIMINAR PREVIAMENTE À AUTUAÇÃO. COBRANÇA APÓS TRANSCORRIDO O PRAZO DE 30 DIAS DA DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. POSSIBILIDADE. Se há medida liminar previamente ao lançamento de crédito tributário sub judice, não cabe a aplicação da multa de ofício ou moratória na autuação, porém, esta última será devida após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias contado da data da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63 da Lei 9.430/1996). Acórdão nº 3302001.620 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DÉBITO DECLARADO. AÇÃO JUDICIAL. LIMINAR FAVORÁVEL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PAGAMENTO SEM MULTA DE MORA. COMPROVAÇÃO. A interposição da ação judicial favorecida com medida liminar (antecipação de tutela) interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (art. 63, §2°, Lei n° 9.430/96). Evidenciado o pagamento do imposto, no referido prazo, acrescido dos respectivos juros de mora, cabe ser cancelada a exigência da multa de mora. Recurso de ofício negado. Com base no exposto, entendo que assiste razão à contribuinte, devendo ser excluídos do lançamento os valores relativos à multa de mora. Responsáveis solidárias O relatório fiscal apresentou a seguinte fundamentação para a atribuição de responsabilidade solidária para as empresas listadas na fl 23: 6.1 Conforme declaração firmada pelo sujeito passivo, além do BANCO MERCANTIL DO BRASIL S.A., fazem parte do grupo econômico as seguintes empresas: Fl. 858DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 2201003.725 S2C2T1 Fl. 845 7 Em seguida, são transcritos os textos legais que dariam amparo a essa atribuição de responsabilidade: art. 124, I e II do CTN; art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991; art. 222 do Regulamento da Previdência Social; art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009; para, então, a Autoridade Fiscal concluir: 6.6 Dessa maneira, foi constatado, nos termos da legislação previdenciária, o grupo econômico constituído pelas empresas acima identificadas. Como conseqüência foram lavrados os TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA TSPS, aos quais foram anexadas cópias deste AI, bem como de seus anexos (em arquivos digitais, devidamente autenticados), endereçadas às empresas enumeradas no item 6.1 acima, com o objetivo de cientificálas, como sujeitos passivos solidários, das respectivas exigências tributárias, lavrados contra a pessoa jurídica AUTUADA, na data de 28/07/2014. Essa precariedade na fundamentação é repetida nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, que estão a fls 450/471 dos autos. A prosperar o entendimento manifestado pela Autoridade Fiscal no capítulo 6 do relatório e nos temos de sujeição passiva solidária, para que uma pessoa jurídica se torne solidariamente responsável (sem benefício de ordem, é bom lembrar) pelos débitos de outra, basta que esta declare que ambas pertencem ao mesmo grupo econômico. Não me parece que esse seja o sentido da norma. Por amor à clareza, transcrevo abaixo os atos normativos que conduziriam à responsabilidade de que ora se trata: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 859DF CARF MF 8 Decreto nº 3.048, de 1999 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. InN RFB nº 971, de 2009 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Se a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária deve ser demonstrada pela Autoridade Fiscal para que se torne legítima a constituição do crédito tributário, a mesma sorte merece a atribuição de responsabilidade por esse crédito. De fato, para que surja a responsabilidade é também necessário demonstrar a ocorrência dos fatos que lhe deram origem, o que não foi realizado no processo em questão. Quanto a esse aspecto, por sua clareza, transcrevo trecho do voto da Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarine, no Acórdão nº 2401004.470: Sobre os "grupos econômicos", têmse os constituídos formalmente (de acordo com a Lei 6.404/76) e os denominados "grupos econômicos de fato", que podem ser regulares ou irregulares. A Lei 6.404/76, denominada "Lei das Sociedades Anônimas", cuida do "grupo econômico" (que denomina "grupo de sociedade"), legalmente constituído, limitandose a estabelecer as normas aplicáveis nos casos em que uma sociedade controladora e suas controladas deliberada e formalmente constituem um grupo, que se sujeita, portanto, às devidas exigências legais, inclusive registro público. Além dos grupos econômicos formalmente constituídos, são frequentemente encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Esses "grupos de empresas" são os denominados grupos econômicos de fato, que podem ser regulares ou irregulares. Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem dotados de formalização legal, não realizam práticas dissuasivas irregulares, ao serem constituídos. Os grupos econômicos de fato e irregulares também não são dotados de formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na sua constituição, com o objetivo, dentro outros, de se eximir ilegalmente do pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança. A partir dessa explicação, que prima pela didática, vêse que os grupos econômicos a que se refere o art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991, podem ser de duas naturezas: de direito, quando assim constituídos; de fato, quando, sem estarem assim formalizados, apresentam direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo conjunto de pessoas, característica que evidencia a existência do grupo. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 15504.725110/201498 Acórdão n.º 2201003.725 S2C2T1 Fl. 846 9 Sendo de direito, a prova da sua existência darseia pela apresentação dos instrumentos que formalizaram sua constituição. Sendo de fato, pela demonstração das peculiaridades na relação entre as pessoas jurídicas envolvidas, compatíveis com a estrutura e funcionamento de um grupo econômico. Em ambas as hipóteses, fazse necessário demonstrar essa situação. A fiscalização não se reporta aos atos constitutivos para demonstrar a existência do grupo econômico, o que permite concluir que ele seria "de fato" e não "de direito". Sendo de fato, sua caracterização deveria se dar nos termos que são assim descritos pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, no Acórdão nº 2402005.776: Como se vê, para a caracterização de grupo econômico as normas acima exigem que haja um comando centralizado das empresas envolvidas. A moderna doutrina do Direito Laboral, avançando na interpretação destes dispositivos, lança mão do "princípio da primazia da realidade", para acolher o entendimento de que para configuração de grupo econômico de fato, basta a existência de provas nos autos demonstrando que entre as empresas constantes da relação jurídica processual trabalhista haja direção ou controle ou administração, ainda que seja coordenação horizontal, tendo um objeto social que evidencie o propósito comum das empresas. A questão também foi desenvolvida pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no voto condutor no Acórdão nº 2201003.285, de onde se extrai: Encontramos no relatório fiscal a comprovação de grupo econômico caracterizado pela existência de sócios comuns, mesma atuação dentro da atividade econômica, confusão patrimonial e ainda, utilização de meio comum para atingimento dos objetivos sociais. Merece menção, ainda, o Acórdão nº 2402002.819, citado pelas empresas recorrentes, que assim estabelece: Desta forma, para que seja configurada a existência de um grupo econômico, é necessário que a autoridade tributária, especialmente por ocasião do relatório, demonstre que efetivamente há unicidade de comando estratégico entre as empresas, e que as empresas se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e recursos humanos, além de estarem subordinadas a um mesmo comando, caso contrário não estaria configurada a existência de um grupo econômico. Na hipótese em questão, o relatório fiscal se limita a afirmar a existência do grupo econômico com base em suposta declaração do contribuinte, o que não é suficiente para suportar a atribuição de responsabilidade pretendida. Fl. 861DF CARF MF 10 Com base no exposto, por falta de fundamentação apta a amparar a pretensão, entendo por bem por afastar a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas listas no item 6 do Relatório Fiscal (fl 23). Em benefício da clareza, registro que é mantido o lançamento quanto às matérias não impugnadas. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer os recursos voluntários apresentados e lhes dar provimento para excluir do lançamento os valores correspondentes à multa de mora e determinar a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000736/2002-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Thereza Zaki Abuchan Assumpção resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Relatório
Trata-se de lançamento efetuado em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou por documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras ocorridas no ano-calendário de 1998, no montante de R$ 224.106,12, dos quais R$ 99.302,61 correspondem a imposto, R$ 74.746,95, a multa proporcional, e R$ 50.326,56, a juros de mora, calculados até 30/04/2002. O fundamento legal utilizado foi a presunção instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
O contribuinte apresentou Impugnação de fls. 355/371 na qual alegou, resumidamente, o seguinte:
a) erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que duas das contas-correntes fiscalizadas são conjuntas com o cônjuge da impugnante;
b) em relação aos depósitos que deram origem a autuação alega que teriam as seguintes origens: dois depósitos seriam justificados por empréstimos de seus filhos; outros dois depósitos seriam justificados por empréstimo da empresa Urubatinga S/A Agropecuária Comercial à impugnante e o seu marido (ambos sócios da empresa em questão); outro depósito seria justificado pela distribuição de lucros da pessoa jurídica Transportadora Assumpção Ltda, motivo pelo qual o valor seria não tributável na pessoa física; por fim, lista outros depósitos que teriam sido efetuados por outros membros da família e que por essa razão não poderiam ser considerados renda.
c) questiona a presunção alegando que não restou comprovado pela fiscalização a existência de sinais exteriores de riqueza. Alega, também, que os depósitos deveriam ser considerados individualizadamente pela fiscalização não podendo agrupá-los dentro de um ano-calendário como se fosse um evento único.
A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 426 e-processo):
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Comprovado que a contribuinte apresentou, em conjunto com o seu cônjuge, a declaração de ajuste anual IRPF/1999 (ano-calendário 1998) mesmo sendo algumas das contas bancárias analisadas na presente autuação mantidas em conjunto, não deve ser excluída da tributação, no ano-calendário 1998, com base na legislação de regência, 50% (cinquenta por cento) dos créditos bancários computados pelo Fisco. Preliminar rejeitada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos.
Intimada da referida decisão (AR fls. 442) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 444/482, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação.
É o relatório.
Voto
Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço.
1) PRELIMINAR - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
De acordo com a Recorrente houve erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que algumas das contas correntes analisadas eram conjuntas com seu marido.
Incorreta a alegação da Recorrente. Em primeiro lugar, porque o fato da conta corrente ser conjunta não elimina a sujeição passiva em relação à presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. O que ocorre é que, nessas circunstâncias, caso a declaração de ajuste dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular na proporção de 50%. É o que dispõe o § 6º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 abaixo transcrito:
"Art. 42 (...)
6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.
No entanto, na hipótese dos autos, o Termo de Verificação Fiscal é claro ao afirmar que:
É importante salientar que a contribuinte entregou Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano calendário 1998/exercício 1999, em conjunto com o seu cônjuge o Sr. Haroldo Leite Assumpção (fls. 185 a 188)
Todavia, não consta do Relatório Fiscal e dos demais documentos dos autos o comprovante que o co-titular das contas correntes tenha sido intimado para esclarecer a origem dos depósitos.
Para contas bancárias com mais de um titular a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos os contribuintes que cotitularizam as referidas contas. Assim, se a Autoridade lançadora não intima todos os cotitulares das contas de depósito ou de investimento, evidencia-se o descumprimento de um requisito essencial ao aperfeiçoamento da presunção legal.
Nesse sentido, a Súmula CARF nº 29:
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Thereza Zaki Abuchan Assumpção resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de lançamento efetuado em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou por documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras ocorridas no ano-calendário de 1998, no montante de R$ 224.106,12, dos quais R$ 99.302,61 correspondem a imposto, R$ 74.746,95, a multa proporcional, e R$ 50.326,56, a juros de mora, calculados até 30/04/2002. O fundamento legal utilizado foi a presunção instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O contribuinte apresentou Impugnação de fls. 355/371 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que duas das contas-correntes fiscalizadas são conjuntas com o cônjuge da impugnante; b) em relação aos depósitos que deram origem a autuação alega que teriam as seguintes origens: dois depósitos seriam justificados por empréstimos de seus filhos; outros dois depósitos seriam justificados por empréstimo da empresa Urubatinga S/A Agropecuária Comercial à impugnante e o seu marido (ambos sócios da empresa em questão); outro depósito seria justificado pela distribuição de lucros da pessoa jurídica Transportadora Assumpção Ltda, motivo pelo qual o valor seria não tributável na pessoa física; por fim, lista outros depósitos que teriam sido efetuados por outros membros da família e que por essa razão não poderiam ser considerados renda. c) questiona a presunção alegando que não restou comprovado pela fiscalização a existência de sinais exteriores de riqueza. Alega, também, que os depósitos deveriam ser considerados individualizadamente pela fiscalização não podendo agrupá-los dentro de um ano-calendário como se fosse um evento único. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 426 e-processo): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Comprovado que a contribuinte apresentou, em conjunto com o seu cônjuge, a declaração de ajuste anual IRPF/1999 (ano-calendário 1998) mesmo sendo algumas das contas bancárias analisadas na presente autuação mantidas em conjunto, não deve ser excluída da tributação, no ano-calendário 1998, com base na legislação de regência, 50% (cinquenta por cento) dos créditos bancários computados pelo Fisco. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Intimada da referida decisão (AR fls. 442) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 444/482, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. De acordo com a Recorrente houve erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que algumas das contas correntes analisadas eram conjuntas com seu marido. Incorreta a alegação da Recorrente. Em primeiro lugar, porque o fato da conta corrente ser conjunta não elimina a sujeição passiva em relação à presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. O que ocorre é que, nessas circunstâncias, caso a declaração de ajuste dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular na proporção de 50%. É o que dispõe o § 6º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 abaixo transcrito: "Art. 42 (...) 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. No entanto, na hipótese dos autos, o Termo de Verificação Fiscal é claro ao afirmar que: É importante salientar que a contribuinte entregou Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano calendário 1998/exercício 1999, em conjunto com o seu cônjuge o Sr. Haroldo Leite Assumpção (fls. 185 a 188) Todavia, não consta do Relatório Fiscal e dos demais documentos dos autos o comprovante que o co-titular das contas correntes tenha sido intimado para esclarecer a origem dos depósitos. Para contas bancárias com mais de um titular a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos os contribuintes que cotitularizam as referidas contas. Assim, se a Autoridade lançadora não intima todos os cotitulares das contas de depósito ou de investimento, evidencia-se o descumprimento de um requisito essencial ao aperfeiçoamento da presunção legal. 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(Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de lançamento efetuado em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou por documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras ocorridas no anocalendário de 1998, no montante de R$ 224.106,12, dos quais R$ 99.302,61 correspondem a imposto, R$ 74.746,95, a multa proporcional, e R$ 50.326,56, a juros de mora, calculados até 30/04/2002. O fundamento legal utilizado foi a presunção instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. 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Alega, também, que os depósitos deveriam ser considerados individualizadamente pela fiscalização não podendo agrupálos dentro de um anocalendário como se fosse um evento único. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 426 eprocesso): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1998 PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. Comprovado que a contribuinte apresentou, em conjunto com o seu cônjuge, a declaração de ajuste anual IRPF/1999 (anocalendário 1998) mesmo sendo algumas das contas bancárias analisadas na presente autuação mantidas em conjunto, não deve ser excluída da tributação, no ano calendário 1998, com base na legislação de regência, 50% (cinquenta por cento) dos créditos bancários computados pelo Fisco. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Intimada da referida decisão (AR fls. 442) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 444/482, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13808.000736/200212 Resolução nº 2202000.801 S2C2T2 Fl. 519 3 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. De acordo com a Recorrente houve erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que algumas das contas correntes analisadas eram conjuntas com seu marido. Incorreta a alegação da Recorrente. Em primeiro lugar, porque o fato da conta corrente ser conjunta não elimina a sujeição passiva em relação à presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. O que ocorre é que, nessas circunstâncias, caso a declaração de ajuste dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular na proporção de 50%. É o que dispõe o § 6º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 abaixo transcrito: "Art. 42 (...) 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. No entanto, na hipótese dos autos, o Termo de Verificação Fiscal é claro ao afirmar que: É importante salientar que a contribuinte entregou Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano calendário 1998/exercício 1999, em conjunto com o seu cônjuge o Sr. Haroldo Leite Assumpção (fls. 185 a 188) Todavia, não consta do Relatório Fiscal e dos demais documentos dos autos o comprovante que o cotitular das contas correntes tenha sido intimado para esclarecer a origem dos depósitos. Para contas bancárias com mais de um titular a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos os contribuintes que cotitularizam as referidas contas. Assim, se a Autoridade lançadora não intima todos os cotitulares das contas de depósito ou de investimento, evidenciase o descumprimento de um requisito essencial ao aperfeiçoamento da presunção legal. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 519DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 520 ___________ Sendo assim, entendo que o processo não se encontra em condições de ter um julgamento justo, motivo pelo qual, determino sua conversão em diligência para que a fiscalização: a) Anexe aos autos as intimações efetuadas a todos os cotitulares das contas correntes; b) Após, intime a contribuinte para se manifestar no prazo de 30 dias; (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000576/2004-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 INADMISSIBILIDADE DO RECURSO - LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada a fazê-lo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação.
Numero da decisão: 1802-001.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 INADMISSIBILIDADE DO RECURSO LEGITIMIDADE NÃO COMPROVADA O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada a fazêlo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.000576/200412 Acórdão n.º 180201.129 S1TE02 Fl. 274 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 52/57 e 103/106, nos valores de R$ 84.356,15 e R$ 14.270,74, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1416.911, às fls. 225 a 234: Em revisão da declaração de rendimentos da empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram glosadas compensações de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), referentes ao anocalendário de 1999, tendo em vista a insuficiência dos saldos apurados e informados nas respectivas declarações de períodos anteriores. Foram lavrados os auto de infração de fls. 52/57 e 103/106, nos seguintes termos: I – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) Imposto: R$ 32.977,54 Juros de mora:R$ 26.654,48 Multa proporcional:R$ 24.733,13 Total: R$ 84.356,15 Enquadramento legal: Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –, arts. 247, 250, III, 251, parágrafo único, 509 e 510. II –CSLL Contribuição:R$ 5.509,87 Juros de mora:R$ 4.628,48 Multa Proporcional:R$ 4.132,39 Total:R$ 14.270,74 Enquadramento legal: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2o e §§; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 58; Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 16; Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 19; e Medida Provisória (MP) nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999, art. 6o, e reedições. Notificada do lançamento em 29/03/2004, conforme autos de infração, a interessada, por seu representante legal (procurações de fls. 67 e 116), ingressou, em 28/04/2004, com as impugnações de fls.62/66 e 111/115, alegando, em suma: • Nulidade do auto de infração, por apenas declarar serem insuficientes os saldos de prejuízos e bases negativas de exercícios anteriores a 1999 sem demonstrar efetivamente a existência da alegada insuficiência, invalidando a autuação e não fornecendo elementos de defesa à impugnante, que ficou impedida de contestar a autuação; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.000576/200412 Acórdão n.º 180201.129 S1TE02 Fl. 275 3 • No mérito, inexiste a alegada insuficiência de saldos de prejuízos e bases negativas de exercícios anteriores; • A planilha trazida juntamente com a impugnação ao auto de infração de IRPJ reproduz os valores constantes das fichas intituladas “Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados” das DIPJ dos anoscalendário de 1995 a 1999, indicando também os valores de prejuízos compensados nas fichas intituladas “Demonstração do Lucro Real”, e indica saldo de prejuízos acumulados no início do ano de 1995 no total de R$ 818.498,65 e compensação no valor de R$ 273.941,02, de onde se conclui que ainda restaria, no início de 1999, o montante de R$ 544.557,63, que supera o montante compensado em 1999; • A planilha referente à CSLL informa a evolução do valor da base de cálculo negativa a partir do início do ano calendário de 1995, em função dos valores compensados na determinação das base de cálculo da CSLL, conforme respectivas fichas das DIPJ dos anoscalendário de 1995 a 1999, indicando um saldo no início de 1995 no valor de R$ 855.194,76 que evoluiu para R$ 626.624,26, no início de 1999, após consideradas as compensações havidas nos anos de 1995 a 1998, portanto o valor glosado podia ser compensado na determinação da base de cálculo do ano de 1999, dada a suficiência de saldo demonstrada. Requereu seja declarado nulo o auto de infração ou aditado e reaberto o prazo para apresentação de nova impugnação, conforme dispõe o art. 18, § 3o, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em não sendo acolhida a preliminar argüida, solicitou seja declarada a insubsistência da autuação e dos autos de infração. Tendo em vista a ausência no processo do demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL (Sapli), dando razão à impugnante na alegação de cerceamento de defesa, o processo foi encaminhado em diligência ao órgão de origem (fl. 133), a fim de que referidos demonstrativos fossem entregues à contribuinte, com reabertura de prazo para impugnação. Tendo recebido extrato do Sapli em 15 de junho de 2007 (fl. 153), a contribuinte apresentou aditamento à impugnação, alegando, em suma: • Preliminarmente, decadência, uma vez que se está diante de manifesto cerceamento do direito de defesa, implicando na completa nulidade do lançamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 59, portanto somente com a juntada do Sapli e intimação da contribuinte o lançamento se aperfeiçoou, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.000576/200412 Acórdão n.º 180201.129 S1TE02 Fl. 276 4 ou seja, quase oito anos após a ocorrência do fato gerador; • No mérito, existem profundas divergências entre os valores apontados pelo Fisco (Sapli) e os valores apurados pela contribuinte mediante processo regular de sua contabilidade, cuja documentação estaria anexa; • O Fisco em momento algum questionou a veracidade das informações contábeis prestadas pela contribuinte nos exercícios geradores de prejuízos fiscais a compensar, tampouco se preocupou em fiscalizar e pedir a exibição desses documentos; • Inexiste razão para a desconsideração de sua contabilidade para utilização única e exclusivamente do Sapli para fins de imposição tributária; • A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não dispõe de nenhuma documentação comprobatória do Sapli, demonstração que é corolário do Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, conforme tem decidido o Egrégio Conselho de Contribuintes; • Imprestabilidade do uso da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) como juros de mora, em virtude de seu caráter remuneratório; • Com a adoção da taxa Selic, os juros incidentes superam o quantitativo de 1% ao mês, sem que a norma sobre a matéria tivesse definido qual o percentual a ser cobrado, contrariando norma de escalão hierárquico superior, notadamente a regra contida no CTN, art. 161, § 1o, recepcionado pela Constituição atual como lei complementar; • Multa confiscatória, ofendendo os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5o, LIV) e da proibição do confisco (art. 150, IV), previstos na Constituição Federal (CF); • Forçoso o cancelamento da multa ou sua redução ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 161, § 2o, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ou ao menos ao percentual de 75%, por ausência de dolo comprovado. Requereu o cancelamento do auto de infração ou, ao menos, a redução da multa para o percentual de 20%. Solicitou que seu patrono seja devidamente intimado, quando do julgamento, para que possa sustentar oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termo da CF, art. 5o, LV. Conforme já mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.000576/200412 Acórdão n.º 180201.129 S1TE02 Fl. 277 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 PREJUÍZO FISCAL. PREJUÍZO CONTÁBIL. COMPENSAÇÃO. No que tange à compensação de prejuízos, somente existe previsão legal para a compensação de prejuízos de natureza fiscal, e não contábil. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. SAPLI. INSTRUMENTO HÁBIL. O Sapli é alimentado por informações prestadas pelo próprio contribuinte, portanto pode ser utilizado pela fiscalização como instrumento hábil de controle dos prejuízos fiscais, devendo o contribuinte, para contraditálo, fazer prova. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, aplicada em auto de infração, é multa administrativa, de natureza punitiva. Lançamento Procedente Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.000576/200412 Acórdão n.º 180201.129 S1TE02 Fl. 278 6 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/10/2007, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 238 a 253, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Em 13/05/2010, o processo foi remetido à Delegacia de origem, em diligência, pelo Despacho de fls. 257, com a observação de que o recurso voluntário, além de ter sido recepcionado sem a aposição de data de recebimento, também não veio acompanhado de procuração em nome dos advogados que o subscreveram, o que prejudicava o exame da legitimidade da parte. Na seqüência, foi preparada intimação, primeiramente por via postal (15/07/2010), e depois por edital (05/08/2010), para que a Contribuinte apresentasse a via original do recurso interposto, bem como a procuração em nome dos advogados que o subscreveram. Antes que o Aviso de Recebimento – AR retornasse ao órgão remetente, com a observação “mudouse”, a Recorrente compareceu à unidade da Receita Federal e teve vista dos autos (19/07/2010), mediante o Termo de Vista em Processo, às fls. 259, por pessoa que estava legitimada para tanto. Foi ainda juntada aos autos uma petição enviada à DRF Piracicaba em 08/12/2009, antes portanto de ter sido determinada a diligência acima mencionada, pela qual os patronos que subscreveram o recurso voluntário comunicavam a renúncia do mandato outorgado pela Recorrente. Este é o Relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.000576/200412 Acórdão n.º 180201.129 S1TE02 Fl. 279 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Não há condição para se conhecer do Recurso. Foram realizadas uma tentativa de intimação por via postal e uma intimação por edital, mas a Contribuinte não apresentou a procuração em nome dos advogados que subscreveram o recurso voluntário. Além disso, a Contribuinte se manteve inerte mesmo após ter realizado vista nos autos, em 19/07/2010 (fls. 259), quando teve conhecimento do que havia sido demandado pelo CARF às fls. 257, relativamente à comprovação da outorga de poderes aos advogados, para que pudessem representála no processo administrativo sob exame. O recurso voluntário deve ser apresentado pelo próprio Contribuinte ou por pessoa que esteja devidamente autorizada a fazêlo, do contrário não preenche o requisito da legitimidade, necessário à sua apreciação. Assim, voto no sentido de não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/02/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10850.000440/2003-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1996, 1997, 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA.
Nos termos do artigo 168 do CTN o direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do crédito tributário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1999
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF SOBRE RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS COMPROVAÇÃO.
É ônus da peticionaria comprovar a regularidade do saldo negativo de IRPJ para aferição, pela autoridade administrativa, da certeza e liquidez do crédito pleiteado junto à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1801-000.400
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação dos anos calendário 1996, 1997 e 1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o
presente julgado. Vencido o Conselheiro André Ricardo Lemes da Silva que adota a tese dos 10 anos para prescrição do indébito.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1996, 1997, 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 168 do CTN o direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1999 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES. IRRF. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF SOBRE RENDIMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS COMPROVAÇÃO. É ônus da peticionaria comprovar a regularidade do saldo negativo de IRPJ para aferição, pela autoridade administrativa, da certeza e liquidez do crédito pleiteado junto à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por maioria de votos, em reconhecer a prescrição do pedido de restituição/compensação dos anos-calendário 1996, 1997 e 1998 e, no Fl. 351DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro André Ricardo Lemes da Silva que adota a tese dos 10 anos para prescrição do indébito. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, André Ricardo Lemes Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação, protocolizada em 19/02/2003 (fls. 01/02), pela qual a interessada pleiteia a compensação de débitos de CSLL (6012/2484) relativos ao 1 o . Trimestre de 1999, janeiro, fevereiro e dezembro de 2000. A suportar referidas compensações a interessada indica, a título de direito creditório, saldos negativos de IRPJ dos anos-calendário 1996, 1997, 1998, 1 o . e 2 o . trimestres de 1999, no valor total de R$ 5.158,99. Como resultado da análise do pedido a DRF em São José do Rio Preto/SP proferiu o Despacho Decisório de fls. 217 a 222, reconhecendo, em parte, o direito creditório pleiteado, homologando as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Consignou a autoridade que o direito de a interessada pleitear o indébito relativo aos anos-calendário 1996 e 1997 havia decaído. O direito creditório relativo ao saldo negativo do ano-calendário 1998, no valor de R$ 1.426,05 foi reconhecido e o direito creditório relativo aos 1 o . e 2 o . trimestres do ano-calendário 1999 foi negado, pois as DIPJ relativas a esses períodos apontavam saldo a pagar de IRPJ e não saldo negativo. Cientificada da decisão da DRF em São José do Rio Preto, em 14/04/2005 (A.R. à fl. 223), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 224 a 230) protocolizada em 16/05/2005, alegando, relativamente ao direito creditório relativo aos anos- calendário 1996 e 1997, que o prazo de decadência só se iniciaria quando decorridos cinco anos da ocorrência do falo gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio a contar da homologação tácita do lançamento. Quanto ao direito creditório reivindicado relativo aos 1 o . e 2 o . trimestres de 1999, explica que teria efetuado retenções de imposto na fonte, conforme Fl. 352DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10850.000440/2003-61 Acórdão n.º 1801-00.400 S1-TE01 Fl. 343 3 notas fiscais que juntou, cujos créditos teriam sido compensados com CSLL, requerendo ao final, a reforma da decisão. Ao analisar o pleito a 5 a . Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação da requerente, ao argumento de que, em relação à decadência do direito de repetição de indébito, o prazo se inicia na data da extinção do crédito tributário, assim entendido o respectivo pagamento, conforme determinação do CTN, que ocorre ao final do encerramento do exercício social, no caso de apuração anual do IRPJ, ou mensalmente, no caso de apuração mensal do imposto. Menciona a LC no. 118, de 2005, que teria eliminado qualquer dúvida nesse sentido. Observa que os recolhimentos antecipados, no caso do Lucro Real anual, somente se caracterizariam como crédito ou pagamento ao final do período de apuração, não havendo direito creditório antes dessa data. Assim, em relação aos anos-calendário 1996 e 1997 e 1998, o crédito tributário teria sido extinto em 31 de dezembro de cada ano, encontrando-se decaído o direito de repetição de indébito, relativamente a esses períodos. Quanto ao direito creditório relativo aos trimestres de 1999 consignou que o IRRF somente pode ser utilizado como dedução ao final do período de apuração e desde que as receitas que geraram seu recolhimento tenham sido oferecidas à tributação. Diante da ausência de provas do oferecimento de tais receitas à tributação a contribuinte não faria jus à dedução do reclamado IRRF, bem como porque restou consignado na decisão da DRF que a interessada teria apurado saldo a pagar de IRPJ nos respectivos períodos. Inconformada com a decisão, da qual foi cientificada em 30/05/2007, como atesta o A.R de fl. 292, a requerente apresentou, em 28/06/2007, o Recurso Voluntário de fls. 293 a argüindo as mesmas razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade, acrescentando que a LC 118, de 2005, somente geraria efeitos para pedidos protocolizados a partir de sua vigência, não se aplicando ao presente caso e que o prazo decadencial relativo ao saldo negativo do ano-calendário 1997 somente poderia ter inicio na data da entrega da respectiva DIPJ, como já decidira este Colegiado em julgados semelhantes. Anexa cópias das páginas dos Livros Diário, Razão, LALUR e planilha de cálculo, onde estariam contabilizadas e submetidas à tributação as receitas que deram ensejo às retenções pleiteadas. Pugna pela reforma do decisum de 1 a . instância. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora Fl. 353DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência do pedido de repetição de indébito relativo aos anos- calendário 1996 e 1997, é cediço que duas teses se confrontam: (i) a do prazo qüinqüenal expressa pelo artigo 168, I, do CTN ou (ii) aquela que soma ao prazo do artigo 168, I, o prazo de homologação tácita a que se sujeitam os tributos submetidos ao chamado lançamento por homologação, o que resultaria em dez anos o prazo de decadência de pedidos de restituição/compensação a eles relativos. Curvo-me à corrente majoritária deste Colegiado, senão já pacificada, muito bem espelhada no voto vencedor da I. Conselheira Sandra Maria Faroni, proferido no Acórdão 101-96.505, que ora transcrevo parcialmente: A questão posta a este Colegiado se centra na determinação do termo inicial para contagem do prazo de extinção do direito de pleitear a restituição de indébito tributário. O Código Tributário Nacional assim trata desse direito creditório: Art. 165 – O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §. 4o. do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo devido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Art. 168 O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] Como se vê, como regra geral, em casos de pagamento indevido ou a maior, o direito de pleitear a restituição se extingue com o prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito. Em se tratando de tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo extingue o crédito sob condição resolutória o que significa dizer que, feito o pagamento, os efeitos da extinção do crédito se operam desde logo, estando sujeitos a serem resolvidos se não homologado o procedimento do contribuinte, expressa ou tacitamente. Não se desconhecem as manifestações do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos é a data em que se considera homologado o lançamento (tese dos “cinco mais cinco” que predomina no STJ). Essa tese, todavia, peca pela falha de dar à condição resolutória efeitos de condição suspensiva, elevando o prazo para até 10 anos. A correta interpretação para a contagem do prazo para pleitear a restituição, a meu ver, é aquela que vem sendo dada pelo Conselho de Contribuintes, traduzida na ementa do Acórdão no. 108-05.791, de 13 de julho de 1999: Fl. 354DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10850.000440/2003-61 Acórdão n.º 1801-00.400 S1-TE01 Fl. 344 5 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO – CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA – INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN – O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal par expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência da exação tributária anteriormente exigida. Assim, em situações normais, o termo inicial para o prazo de cinco anos para pleitear a restituição é a data do pagamento. [...]. No presente caso, uma vez não alegado que o indébito se exteriorizou no contexto de situação conflituosa, o termo inicial para a contagem é a data em que se efetivou o pagamento, quando o débito foi extinto sob condição resolutória. Para a hipótese em que o indébito decorre de recolhimentos por estimativa e apuração de saldo negativo na declaração de ajuste, havia uma particularidade quanto à fixação do termo inicial, em razão de disposições legais específicas, resultando numa interpretação mais favorável ao contribuinte. De fato, o art. 40 da Lei 8.981/95, revogado pela Lei 9.430/96, expressamente estabeleceu o termo inicial para a compensação e para a alternativa assegurada ao contribuinte de requerer a restituição. Nos termos da lei, ficou estabelecido o mês de abril do ano subseqüente como o termo inicial para compensação do saldo e o dia seguinte à entrega da declaração para a alternativa de pedido de restituição. (grifos pertencem ao original). A corroborar tal entendimento trago à colação as seguintes ementas, proferidas em recentes julgados deste Colegiado: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO – CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. – arts. 165, I e 168, I da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Ac. 1o. C.C 195-00.033 – 5a. Turma Especial, em 20/10/2008. Relator José Clóvis Alves. RESTITUIÇÃO – SALDO CREDOR DE IRPJ – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. O imposto de renda retido na fonte em aplicações financeiras não se constitui, de plano, em crédito líquido e certo em favor da pessoa jurídica que sofreu a retenção. Faz-se mister que as receitas financeiras que lhes deram causa sejam submetidas à tributação, podendo os valores retidos reduzir o saldo a pagar apurado ao final do período de apuração. Na existência de saldo a pagar é que pode surgir Fl. 355DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 saldo credor de imposto, passível de restituição ou compensação. As retenções na fonte, dissociadas das receitas correspondentes, não podem ser consideradas na formação de saldo credor de imposto. RESTITUIÇÃO – CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data do pagamento considerado indevido ou a maior (arts. 165, I e 168, I do CTN). Esse termo não se altera em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, eis que nesse caso, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória. Ac. 1o. C.C. 105-17.361, em 17/12/2008. Relator Waldir Veiga Rocha. IRPJ – ANO-CALENDÁRIO 1998 – RESTITUIÇÃO – SALDO NEGATIVO – APURAÇÃO ANUAL – DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de saldo negativo de IRPJ recolhido como estimativa em 1992 é de 5 (cinco) anos, contado a partir do mês seguinte ao fixado para a entrega da respectiva DIRPJ. RESTITUIÇÃO – SALDO NEGATIVO DE IRPJ – APURAÇÃO MENSAL – DECADÊNCIA. Com relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, sujeitos à ulterior homologação, o prazo decadencial para o pedido de restituição ou compensação de valores pagos a maior ou indevidamente, decorre em 5 anos a contar da data da extinção do crédito tributário. DÉBITOS EXTINTOS POR PRESCRIÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Devem ser excluídos do montante a ser compensado os débitos extintos por prescrição ou homologação tácita. Ac. 1o. C.C. 197-00.028 – 7a. Turma Especial, em 20/10/2008. Relatora Selene Ferreira de Moraes. Assim, o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago a maior ou indevidamente é de 5 (cinco) anos a contar da data do pagamento do tributo que se pretende restituir. Resta saber, in casu, o dies a quo da contagem desse prazo. O saldo de imposto, a pagar ou a restituir, sempre é determinado ao final do período de apuração. Assim, caso o sujeito passivo opte por efetuar a apuração anual do imposto, somente em 31/12 do ano-calendário, quando forem elaboradas as demonstrações financeiras e forem cotejados o valor devido a título de IRPJ e os valores pagos a título de antecipações, é que será determinado o saldo final do imposto. Neste momento é que se consideram extintas as antecipações e, consequentemente, o crédito tributário relativo ao IRPJ porventura apurado. E é neste momento, também,que se verifica o indébito porventura existente, caso as antecipações sejam superiores ao IRPJ devido. A mesma situação se dá na apuração trimestral, verificando-se o saldo final do imposto no último dia do respectivo trimestre. Dessa forma, o início da contagem do prazo decadencial para pedidos de restituição de indébito de IRPJ ou de CSLL ocorre no primeiro dia do período seguinte àquele Fl. 356DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10850.000440/2003-61 Acórdão n.º 1801-00.400 S1-TE01 Fl. 345 7 em que foi apurado o saldo do imposto ou da contribuinte. Assim, no caso de apuração anual, o prazo começa a fluir a partir de 1 o . de janeiro do ano-calendário seguinte. No caso de apuração trimestral, no primeiro dia do trimestre seguinte ao que foi apurado o IRPJ e a CSLL. À título de esclarecimento, à época do protocolo da declaração de compensação sob análise, vigoravam as disposições da IN SRF no. 210 de 4 de outubro de 2002, que, validando esse entendimento, assim dispunha no artigo 6 o .; Art. 6 o . Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Portanto, in casu, em relação ao ano-calendário 1996, o início do prazo decadencial para pleitear a restituição do saldo negativo do IRPJ começou a correr em 1 o . de janeiro de 1997, tendo terminado em 31/12/2001. Em relação ao ano-calendário 1997 o início da contagem ocorreu em 1 o . de janeiro de 1998, tendo-se esgotado o prazo em 31/12/2002. Quanto ao pleito relativo aos 1 o . e 2 o . trimestres de 1999 cumpre esclarecer que não é possível a restituição do IRRF pago a título de antecipação. Apenas o saldo negativo de IRPJ, porventura apurado ao final do período, é passível de restituição ou utilização em compensações. Tal entendimento decorre das expressas determinações legais, como se verifica da transcrição abaixo: Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 2o. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 o . e 2 o . do art. 29 e nos arts. 30 32, 34 e 35 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei no. 9.065, de 20 de junho de 1995. ............................................ § 4o. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: ............................................. III – do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Fl. 357DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 O tema também foi objeto de normatização no âmbito da administração tributária, conforme se verifica do conteúdo do Ato Declaratório Normativo SRF no. 003, de 7 de janeiro de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4 o . do art. 39 da Lei no. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1o. e 6o. da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei no. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuições social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Verifica-se, assim, que ao menos desde 1996, a lei determina que somente é passível de restituição ou compensação o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado no final do período de apuração. Portanto, caso existam recolhimentos a título de antecipação, dentre eles o IRRF, o efeito do indébito somente se verifica ao final do período de apuração, em uma destas situações: - contribuintes que obtiveram como resultado final prejuízo fiscal, não apurando IRPJ devido, - embora tenham apurado lucro real e débitos de IRPJ, o valor devido ao final do período é inferior à somatória dos recolhimentos efetuados por antecipação. Entretanto, é necessário provar que os rendimentos que deram origem às antecipações tenham sido oferecidos à tributação. Para dirimir quaisquer duvidas transcrevo, uma vez mais, o teor do inciso III do parágrafo 4 o . do artigo 2 o . da Lei no. 9.430, de 1996: Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) § 4o. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: ............................................. III – do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Vinculando-se a presente declaração de compensação a direito creditório alegado pelo sujeito passivo, deve estar devidamente acompanhada de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. De fato, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Neste Fl. 358DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10850.000440/2003-61 Acórdão n.º 1801-00.400 S1-TE01 Fl. 346 9 caso, a prova do indébito, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou a maior. Decorre daí que a declaração de compensação deve estar necessariamente instruída com as provas do indébito tributário no qual se fundamente, configurando-se imprescindível, no caso de saldo negativo de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do imposto devido em cada período, bem como as deduções efetivadas a título de antecipações, tais como o pagamento de estimativas e o IRRF incidente sobre receitas regularmente inseridas na base tributável. Por conseguinte, ao contrário do entendimento da recorrente, o indébito não se constitui automaticamente do saldo negativo alegado ou apontado nas declarações entregues à SRF, tendo em conta que o resultado apontado e/ou declarado pelos contribuintes deve obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitando-se, assim, à comprovação documental para efeito da certeza do crédito pleiteado. In casu a requerente errou quanto à adequada formalização do pleito relativo aos 1 o . e 2 o . trimestres de 1999, à medida que, como consignado, o IRRF não é restituível a esse título, somente sendo possível a restituição do saldo negativo de IRPJ porventura apurado. É admissível a conversação, de ofício, do pedido de restituição de IRRF, naquele juridicamente possível, de restituição de saldo negativo de IRPJ. Entretanto, compulsando a DIPJ relativa aos 1 o . e 2 o . trimestres de 1999,verifica-se que em ambos os períodos foi indicado saldo de imposto a pagar e não saldo negativo de IRPJ. Ademais, ainda que a recorrente pudesse alegar preenchimento equivocado da declaração, que apontou saldo de imposto a pagar nos períodos discutivos, o que não ocorreu neste caso, ainda assim não foi feita a prova de que os rendimentos que deram origem às retenções pleiteadas foram oferecidos à tributação. As simples cópias dos registros contábeis acostadas aos autos não permitiram concluir que os valores auferidos, consignados nas notas fiscais de nos. 646, 647 e 648, foram incluídos na respectiva DIPJ, para determinação da base de cálculo do IRPJ de cada trimestre. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento recurso voluntário. Sala de Sessões, 10 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 359DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 Fl. 360DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 11516.004487/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam anexados aos autos os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias, visando à determinação da regra decadencial aplicável.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Hernique Backes (suplente convocado); Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam anexados aos autos os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias, visando à determinação da regra decadencial aplicável. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Hernique Backes (suplente convocado); Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
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Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam anexados aos autos os comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias, visando à determinação da regra decadencial aplicável. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Hernique Backes (suplente convocado); Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.028.3198, consolidada em 14 de setembro de 2007, no valor de R$ 16.400.542,88 (dezesseis milhões e quatrocentos mil e quinhentos e quarenta e dois reais e oitenta e oito centavos), referente às contribuições sociais da empresa e dos empregados, destinadas à Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a Terceiros (Salário educação, Incra, Sesc e Sebrae), incidentes sobre os valores pagos a título de bolsa de pesquisa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 48 7/ 20 07 -9 1 Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 11516.004487/200791 Resolução nº 2301000.671 S2C3T1 Fl. 3 2 e extensão a alunos dos cursos de graduação e pósgraduação, no período de 01/01/2000 a 30/04/2007. De acordo com o Relatório Fiscal (REFISC), às fls. 65/87, os alunos arrolados no Anexo I — "Discriminativo dos Pagamentos Efetuados", fls. 94/925, foram enquadrados pela fiscalização como segurados empregados, em razão de ficar caracterizada a relação de emprego entre estes e a Fundação, devidamente demonstrada no decorrer do relatório. Acrescenta que para gerir seu negócio, além dos cargos de direção, de empregados fixos, de estagiários, utilizase, dentre outros, de bolsistas. Quando atua como administradora de projetos e aufere rendas de gestão sob supervisão da UFSC, pode conceder bolsas de estudo aos servidores das instituições federais (professores/servidores) de ensino superior, desde que autorizadas por estas, sem vínculo empregatício, conforme artigos 1 °, 4° e parágrafos, da Lei n° 8.958/94. Quando atua como prestadora de serviços no ramo de negócio de livre mercado, através de serviços especializados, tais como prestação de serviços de estudos, pesquisas, consultoria técnica, programas de capacitação, criação e manutenção de cursos de formação, dentre outros, se sujeita à legislação previdenciária e trabalhista no tocante à contratação dos segurados que prestam serviços. Para gerir seu negócio a FAPEU, tanto nos projetos de pesquisa e extensão e outras atividades, nos quais a Fundação atua como administradora de projetos, com a supervisão da UFSC, como quando atua como uma empresa de serviços, utilizase, além dos cargos de direção, de empregados fixos, de contribuintes individuais, de prestadores de serviços através de pessoas jurídicas, de estagiários, de bolsistas professores docentes e servidores da UFSC e de outros bolsistas, objeto da presente NFLD, ou sejam, alunos de graduação, Mestrado e Doutorado, entre outros. Esclarece, outrossim, que as bolsas pagas em decorrência de estágio realizado em conformidade com a Lei n° 6.494/77, não fazem parte da presente notificação. Relata ainda que, tanto nas bolsas de estudos concedidas a servidores da UFSC, como nas concedidas a alunos, no Termo de Concessão de Bolsa, fls. 88/89, consta a concessão nos termos da Lei n° 8.958/94. Informa que em razão da citada lei permitir a concessão de bolsa de estudos somente a servidores de IFES, os bolsistas não servidores devem ser considerados segurados empregados da Fundação. De acordo com o REFISC, fls. 80/85, estão plenamente atendidos os pressupostos que caracterizam o segurado empregado estabelecido na alínea "a" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91 e art. 3° e 4° da CLT. Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo, através de procurador constituído, fls. 1610, apresentou a impugnação (fls. 3194 a 3248), requerendo a nulidade do lançamento. Após análise, no dia 30 de maio de 2008, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, decidiu pela procedência do lançamento, por meio do acórdão 0712.717 (fls. 3782 a 3795), conforme ementa abaixo: Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 11516.004487/200791 Resolução nº 2301000.671 S2C3T1 Fl. 4 3 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial de dez anos, previsto no art. 45, incisos, da Lei n° 8.212, de 27 de julho de 1991. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.° 8.958/94, aplicase somente no caso do beneficiário ser servidor de instituição federal de ensino superior, não abrangendo os alunos desta. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, nos termos do art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Lançamento Procedente". A recorrente cientificada da decisão de primeira instancia (26/06/2008), interpôs Recurso Voluntário no dia 28 de julho de 2008 (fls. 3800 a 3858), alegando que os serviços prestados por quaisquer dos bolsistas tem caráter esporádico e eventual, não podendo ser configurado como relação de emprego. Acrescenta que o caráter de ser não esporádico não foi comprovado" Salienta que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito está eivada de impropriedade técnicas, pois efetuou lançamento de contribuições sociais sobre bolsas de estudos. Informa que existem três tipos de situações dentro da instituição, quais sejam os empregados, os autônomos contratados para serviços eventuais e os bolsistas servidores da IFES que realizam projetos ligados a sua área técnica. Reitera que os bolsistas – estagiários não exercem atividade fim da contribuinte, pois a eles não é dada a incumbência de captar recursos. Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 11516.004487/200791 Resolução nº 2301000.671 S2C3T1 Fl. 5 4 Destaca a extinção de créditos lançados anteriores a setembro de 2002 em face de incidência da decadência, que ocorre no prazo de cinco anos: “Assim, à evidência, em relação aos créditos previdenciários constituídos pelo lançamento de ofício, que ultrapassem o lapso temporal de 5 (cinco) anos do fato gerador, incide a decadência, a teor da regra insculpida no CTN e claramente confirmada pelos Tribunais pátrios (...) Por fim, requer a recorrente que seja conhecido o Recurso Voluntario e no mérito seja provido para declarar a nulidade da NFLD, determinandose o arquivamento". Em 11/03/2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.537 (fls. 4001 a 4005), que converteu o julgamento em diligência. Como resposta à diligência, foi emitida a Informação Fiscal (fls. 4015 a 4019), na qual foram reiterados os termos da notificação fiscal e do Acórdão do DRJ, destacando os seguintes aspectos: (i) a Recorrente atua por conta própria, sem intervenção da IFES (no caso, a UFSC), administrando e auferindo resultados pela execução dos projetos, sujeitandose às obrigações fiscais, trabalhistas e previdenciárias decorrentes dos pagamentos efetuados aos alunos de graduação e pósgraduação que executam as atividades e os projetos contratados e desenvolvidos; (ii) o artigo 1º da Lei 8.958/94 prevê que somente serão isentos das contribuições previdenciárias, os valores pagos a título de bolsa para servidores técnico administrativos e professores; (iii) a isenção de imposto de renda e contribuição previdenciária sobre as bolsas concedidas prevista no artigo 7º do Decreto 5.205/04 se refere a bolsas concedidas a título de ensino, pesquisa e extensão, conquanto que sejam concedidas exclusivamente para realizar estudos, pesquisas e extensão universitária, e, desde que os resultados dessas atividades não impliquem vantagem a quem doa a bolsa, e nem sejam em decorrência de prestação de serviço, assim como os projetos deverão ser aprovados pelos órgãos colegiados da IFES apoiada e somente neste caso, não criam vínculo empregatício de qualquer natureza entre as partes; (iv) a falta de intervenção de uma IFES faz com que não haja isenção das contribuições previdenciárias, sendo que a Recorrente, ao assumir os negócios jurídicos, sujeitase a arcar com os encargos legais da atividade empresarial. Cumpre citar também o parágrafo conclusivo da Informação Fiscal (fl. 4019): "22. Assim, a Lei 8.958/1994, ao delimitar a concessão de bolsas somente aos servidores vinculados às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), não dá amparo legal ao pagamento de bolsas a alunos de graduação e pós graduação para prestarem serviços à fundação, configurandose como salário, sobre os quais se fez incidir as contribuições previdenciárias objeto da presente NFLD nº 37.028.3198. Ou seja, a única abertura, na qual era permitida a percepção é no caso de bolsaestágio curricular, concedida nos moldes da Lei nº 6.494/1977, onde os estudantes regularmente matriculados na IFES, poderiam ser contratados como estagiários, pela FAPEU percebendo bolsa estágio. Porém, este tipo de bolsa não fez parte do lançamento tal com descrito no REFISC." Em 30/12/2015, o Recorrente protocolou manifestação (fls. 4024 a 4041) reiterando as razões expostas na impugnação e no recurso voluntário, assim como (i) destaca que segundo o relatório de fiscalização, as bolsas concedidas a alunos com base na Lei nº Fl. 4056DF CARF MF Processo nº 11516.004487/200791 Resolução nº 2301000.671 S2C3T1 Fl. 6 5 8.958/94 não seriam.isentas da contribuição previdenciária, visto que a isenção somente alcançaria bolsas concedidas a servidores das IFES para (ii) apresentar fatos novos posteriores que incluem a alteração da Lei nº 8.958/94 pela Lei nº 12.349/10, pela qual passaram a incluir como bolsistas os alunos de graduação e pósgraduação, de forma que essa alteração deve ser aplicada de forma retroativa consoante o princípio da retroatividade da lei mais benéfica (artigo 106 do CTN); e a alteração da Lei nº 8.212/91, no que diz respeito ao escalonamento da multa de mora, uma vez que a Lei nº 11.941/09 estabeleceu que a multa de mora a ser aplicada para as contribuições previdenciárias corresponderia a multa máxima de 20% prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, aplicase ao presente caso o lapso temporal quinquenal de decadência. Diante da falta de elementos no processo administrativo que demonstrem se houve ou não recolhimento de contribuição previdenciária no período de 01/2000 a 08/2002, não há como determinar se a regra decadencial aplicável é a do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional ou a do artigo 173, I, do .Código Tributário Nacional Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência para verificação se houve ou não recolhimentos a título de contribuição previdenciária pela Recorrente no período compreendido entre janeiro de 2002 e agosto de 2002. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 4057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901854/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.029
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 1456.773 da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Ressarcimento de IPI e, por conseguinte, não homologara as compensações declaradas. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu preliminarmente a nulidade, por generalidade, do despacho decisório e, no mérito, invocou o princípio da verdade material e pleiteou o reconhecimento da não incidência da taxa Selic e multas sobre os débitos que restaram não compensados. Anteriormente, o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança, tendo obtido decisão liminar, em que se determinou que os pedidos de ressarcimento por ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 85 4/ 20 11 -0 5 Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13851.901854/201105 Resolução nº 3201001.029 S3C2T1 Fl. 485 2 formulados fossem examinados “no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, a contar da intimação [da] decisão, sob as penas da lei.” A par da liminar, o contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos e arquivos digitais em 20 dias, tendo a Fiscalização verificado que os arquivos digitais apresentados continham milhares de ocorrências de erros, sendo que, em função dessas incorreções e do prazo exíguo para a prolação da decisão, o pedido foi indeferido. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o ressarcimento e na existência de previsão legal para a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Quanto à alegação do contribuinte acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, o julgador a quo argumentou que a vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar as penalidades nos moldes da legislação que as instituiu. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito postulado e pedindo, alternativamente, a realização de diligência para as apurações cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.025, de 29/08/2017, proferido no julgamento do processo 13851.901697/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.025): A compensação tributária pode ser requerida pelo contribuinte que possua crédito líquido e certo contra a Fazenda. Nesse sentido é a literalidade do artigo 170 do CTN1. A administração, no prazo de 30 dias para análise que lhe foi concedido pelo Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, intimou a empresa a apresentar arquivos e documentos que já deviam estar disponíveis. O artigo 11 da Lei 8.218/912 prescreve o dever dos contribuinte de disponibilizar os dados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13851.901854/201105 Resolução nº 3201001.029 S3C2T1 Fl. 486 3 A responsabilidade do serviço público é muito grande quando defere restituição/ressarcimento ao contribuinte, pois se trata de transferir recursos da sociedade para o particular. Somente a materialidade provada, líquida e certa autoriza um ato administrativo com essa envergadura de responsabilidade. No presente caso, não existiam condições para tanto. Com efeito, o arquivo próprio para tais tipos de análises, que detalha as notas fiscais, não foi oferecido à administração, posto que aquele apresentado possuía tantos erros que não poderia validamente ser fundamento da restituição/ressarcimento. O Relatório Fiscal aponta milhares e milhares de erros no arquivo digital apresentado, erros inclusive de “IPI inválido”[...]. Resumese: ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2005 7667 Já existe um participante com esta identificação 2005 12 Inconsistência de IPI 2005 6 Inconsistência de Valor 2005 441 IPI Inválido 2005 3 NCM Inválida ou Inexistente 2008 9125 Já existe um participante com esta identificação 2008 186 Inconsistência de ICMS 2008 78 Inconsistência de IPI 2008 18 Inconsistência de Valor 2008 566 IPI Inválido 2008 4 NCM Inválida ou Inexistente 2009 9400 Já existe um participante com esta identificação ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2009 109 Inconsistência de ICMS 2009 44 Inconsistência de IPI 2009 1 Inconsistência de Valor 2009 494 IPI Inválido 2009 3 NCM Inválida ou Inexistente 2010 8875 Já existe um participante com esta identificação 2010 17 Inconsistência de ICMS 2010 1207 Inconsistência de IPI 2010 310 Inconsistência de Valor 2010 13114 IPI Inválido 2010 1 NCM Inválida ou Inexistente Não se configura, portanto, a materialidade do crédito pretendido. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13851.901854/201105 Resolução nº 3201001.029 S3C2T1 Fl. 487 4 Logo, mais que lícito e fundamentado o indeferimento da compensação. A recorrente poderia, no longo prazo que decorreu desde o indeferimento do Despacho Decisório até hoje, esclarecer as divergências, oferecer outro arquivo, apontar planilhas com, ao menos, parte do crédito devido, indicar a origem material de seu direito, mas não é o que aconteceu. Poderia e deveria, porque o ônus de provar o crédito é seu art. 333 do Código Civil3. Até hoje, entretanto, mantémse na tentativa de obter um deferimento sumário, sem análise de mérito do crédito. A obrigação de esclarecimento do contribuinte é positivada, ainda, artigo 4º da Lei 9.784/99: Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos Como pedido alternativo, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Em regra, a diligência somente é cabível quando se verifique o esforço da recorrente em esclarecer a materialidade dos fatos. Embora não se verifique inovação probatória na Impugnação e no Recurso Voluntário, que ensejasse a constatação desse esforço, o fato é que, nos casos de Pedido de Ressarcimento de IPI, o próprio programa gerador do pedido exige extensas informações, detalhadas, sobre o crédito. Essas informações indicam a existência de créditos, mas que ainda não foram auditados. Não houve oportunidade de correção dos arquivos digitais, primeiro, pelo prazo de análise imposto pelo Poder Judiciário, e em segundo lugar porque, em regra, essa correção não tem como ser feita nas instâncias julgadoras. À vista de todo o exposto, a comprovação das informações prestadas já no pedido, deve ser oportunizada, por meio dos arquivos digitais corrigidos e outros elementos que o Fisco entender necessários. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal promova auditoria nas informações já prestadas no pedido de ressarcimento, proferindo Despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Destaquese que, assim como ocorreu no acórdão paradigma, neste processo também se verificaram inconsistências nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte para demonstrar o crédito pleiteado. 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13851.901854/201105 Resolução nº 3201001.029 S3C2T1 Fl. 488 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado, procedendose à auditoria das informações já prestadas no Pedido de Ressarcimento, valendo se dos dados presentes nos arquivos digitais devidamente corrigidos e em outros elementos que entender necessários, proferindose despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 537DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.911710/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.541
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 17 10 /2 01 1- 95 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.911710/201195 Acórdão n.º 3302004.541 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.109. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.911710/201195 Acórdão n.º 3302004.541 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.911710/201195 Acórdão n.º 3302004.541 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.911710/201195 Acórdão n.º 3302004.541 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.911710/201195 Acórdão n.º 3302004.541 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.911710/201195 Acórdão n.º 3302004.541 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003645/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002, 2003
CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por NÃO conhecer do recurso voluntário, uma vez a matéria estar sob apreciação no âmbito judicial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002, 2003 CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por NÃO conhecer do recurso voluntário, uma vez a matéria estar sob apreciação no âmbito judicial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 534 1 533 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003645/200715 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.620 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PIS e COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BAHEMA PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por NÃO conhecer do recurso voluntário, uma vez a matéria estar sob apreciação no âmbito judicial, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 45 /2 00 7- 15 Fl. 534DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo sobre lançamento da Contribuição para o PIS e outro da COFINS, contra a empresa BAHEMA PARTICIPAÇÕES S/A., com o escopo de constituir diversos débitos dessas Contribuições apurados nos anoscalendário de 2002 (PIS e COFINS), 2003 (apenas PIS) e 2004 (apenas COFINS), os quais não haviam sido recolhidos nem declarados. O crédito tributário lançado, composto de principal e juros de mora (calculados até 30/11/2007), perfaz os montantes de R$ 63.331,57 no caso do PIS (fl. 370) e R$ 202.174,55 no caso da COFINS (fl. 378). O Fisco lavrou ainda o "Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 001" (fls. 364/365), em que relata os fatos apurados no decurso da fiscalização, esclarecendo estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário lançado por força de medidas liminares concedidas nos autos do processo n° 2003.61.00.0072967 para o PIS e n° 1999.61.00.009622 0, para a COFINS. Cientificada da autuação na própria data de lavratura dos autos de infração (26/11/2007), a Recorrente apresentou em 26/12/2007 tempestivamente portanto a Impugnação anexada, cujo teor resumo a seguir: afirma ser absolutamente nulo o lançamento da COFINS, alegando possuir acórdão do STF já transitado em julgado (RE 459.8701), o qual afasta a ampliação da base de cálculo dessa contribuição prevista no art. 3º, § 1ºo, da lei n° 9.718/98; acrescenta que a suposta divergência entre os valores declarados nas DIPJ e os informados nas DCTF se deve a mero equívoco no preenchimento destas últimas, o que não causou prejuízo ao Erário, já que os recolhimentos que efetuou foram integrais; igualmente é nulo o lançamento do PIS, esclarecendo que, quanto ao período de 01/2002 a 11/2002, a suspensão da exigibilidade do crédito se funda nos depósitos realizados nos autos da ação judicial n° 2000.61.00.0505081, conforme mostram as guias de depósito anexas, e não em medida liminar concedida nos autos da ação declaratória n° 2003.61.00.0072967, como constou do auto de infração. Observa que essa última causa de suspensão da exigibilidade se refere apenas aos débitos de 12/2002, 02/2003, 03/2003 e 01/2004; assevera que deve ser cancelada a autuação, no que respeita ao período de 01/2002 a 11/2002, porquanto o STF, em decisão plenária, já firmou o entendimento de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo prevista no art. 3o , § 1º, da lei n° 9.718/98. Quanto aos débitos de 12/2002, 02/2003, 03/2003 e 01/2004, sustenta a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS prevista na Lei nº 10.637/2002, discorrendo longamente sobre o tema e repete em relação ao PIS o que já dissera da COFINS, ou seja, que a suposta divergência entre os valores declarados nas DIPJ e os informados nas DCTF se deve a mero equívoco no preenchimento destas últimas, o que não causou prejuízo ao Erário, já que os recolhimentos que efetuou foram integrais. Ao final, requer provar as alegações por todos os meios admitidos em direito, especialmente a juntada de outros documentos e perícia. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.003645/200715 Acórdão n.º 3402004.620 S3C4T2 Fl. 535 3 No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialemnte acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRF/SP1 nº 1633.842, de 21/09/2011, abaixo transcrito (fls. 459/469): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002, 2004 ADAPTAÇÃO À COISA JULGADA. Sendo soberanas as decisões do Poder Judiciário, cabe à autoridade administrativa darlhes fiel cumprimento quando afetarem o crédito tributário exigido e mantido. Assunto: Contribuição para o P I S / Pasep Anocalendário: 2002, 2003 ADAPTAÇÃO À COISA JULGADA (01/2002 a 11/2002) Sendo soberanas as decisões do Poder Judiciário, cabe à autoridade administrativa darlhes fiel cumprimento quando afetarem o crédito tributário exigido e mantido. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA (12/2002, 02/2003 e 03/2003) A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO As provas admitidas no processo administrativo fiscal dividemse em diligência, perícia e prova documental. No caso concreto, as duas primeiras são prescindíveis e não há notícia da juntada de novos documentos após a impugnação. Impugnação Procedente em Parte Fl. 536DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Em 25/03/2014 (fl. 475) a empresa foi devidamente cientificada e não resignada com a recorrida decisão, em 24/04/2014 (fl. 484), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 484/501), no qual repisa os argumentos de sua impugnação, que em resumo, conclui com as seguintes solicitações: (i) não há que se falar em concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Declaratória nº 2003.61.00.0072967, visto que inexiste identidade de objeto e pedido entre os processos; (ii) os débitos de PIS dos períodos de dezembro/2002, fevereiro/2003 e março de 2003 são improcedentes, devendo, portanto, serem cancelados, posto que fundam em norma inconstitucional, referindose a Lei nº 10.637/2002; e (iii) que a suposta divergência entre os valores declarados nas DIPJ e os informados nas DCTF se deve a mero equívoco no preenchimento destas últimas, o que não causou prejuízo ao Erário, já que os recolhimentos que efetuou foram integrais. Desta forma, requer que seja dado provimento ao recurso voluntário, para fins de reformar parcialmente a decisão recorrida, na parte referente aos débitos de PIS dos períodos de dezembro/2002, fevereiro/2003 e março de 2003. Esse é o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2. Objeto da lide Este processo tem por objeto a cobrança de débitos de PIS, dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2002, fevereiro/2003 e março/2003, bem como de COFINS, dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2002 e janeiro/2004. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela Recorrente, CANCELANDO os débitos relacionados a COFINS dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2002 e janeiro/2004 e de PIS do período de janeiro a novembro/2002 (fl. 468). Quanto aos débitos de PIS remanescentes (referente a dezembro/2002, fevereiro/2003 e março/2003), o Acórdão entendeu não conhecer da defesa administrativa sob o fundamento de concomitância entre o presente processo administrativo e a Ação Declaratória nº 2003.61.00.0072967, que visa à declaração de inconstitucionalidade do art. 1º da Lei n.° 10.637/2002, mantendose, portanto, a cobrança de referidos valores. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19515.003645/200715 Acórdão n.º 3402004.620 S3C4T2 Fl. 536 5 3. Do processo Judicial Ação Declaratória n°. 2003.61.00.0072967 Observase do presente processo administrativo, que as razões de recurso da Recorrente fundamentamse na ilegalidade e inconstitucionalidade dos valores exigidos a título de PIS (períodos de dezembro/2002, fevereiro/2003 e março/2003). Para isso, verificase nos autos, a petição inicial (fls. 322/331), em que trata de Ação Declaratória n°. 2003.61.00.0072967, ajuizada pela Recorrente com o objetivo de ver declarada "(...) a inexistência de relação jurídica que obrigue a autora a pagar a Contribuição ao PIS sobre a totalidade de suas receitas nos termos do art. 1º e §§, da Lei n° 10.637/2002, por violação ao art. 239, da Constituição Federal e ao princípio da hierarquia das leis, devendo recolher a exação de acordo com o disposto na Lei Complementar n° 7/70 (...)" (fl. 331). Grifei Julgado improcedente o pedido em primeiro grau, subiram os autos ao TRF da 3ª Região, que, em acórdão proferido em 14/08/2008 (fls. 452/458), negou provimento à apelação interposta pela autora, mantendo integralmente a sentença monocrática. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Extraordinário (fl. 448), o qual foi submetido a juízo de admissibilidade (fl. 451). Por outro lado, como visto no tópico anterior, os três débitos remanescentes em apreço (PA: dezembro/2002, fevereiro/2003 e março/2003), seu lançamento já se deu sob a égide da Lei n° 10.637/2002, a qual vigorando a partir de 01/12/2002, manteve a ampliação da base de cálculo, definindoa nos seguintes termos: "Art. 1ºa A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica." Consta do Termo de Verificação Fiscal à fl. 365, que o crédito tributário lançado através do Auto de Infração, referente a PIS está com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo n° 2003.61.00.0072967 da 11ª Vara Federal (art. 151, inciso II e IV do CTN). A própria Recorrente em seu recurso aduz que, "(...) Assim, verificase que, para que haja a concomitância de processos nas esferas administrativas e judiciais, é necessária a total identidade de objeto entre os processos analisados, a qual sendo positiva, importará em renúncia às instâncias administrativas". Afirma em seu recurso que a Ação Declaratória n.° 2003.61.00.0072967, tem por objeto a declaração de inexistência de relação jurídica que obrigue a Recorrente ao recolhimento da Contribuição ao PIS sobre a totalidade de suas receitas nos termos do art. 1º e §§, da Lei n.° 10.637/2002, por violação ao art. 239, da Constituição Federal e ao princípio da hierarquia das leis, conforme bem apontado pelo Julgador na decisão recorrida. Por outro lado, o presente PAF tem por objeto a anulação dos Autos de Infração lavrados contra a Recorrente para a cobrança de débitos de PIS dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2002, fevereiro a março/2003. Fl. 538DF CARF MF 6 Em resumo, ressalta que a mencionada ação judicial é muito mais ampla do que o presente processo administrativo, não havendo qualquer identidade, consequentemente, concomitância entre ambos os processos a justificar o não conhecimento da defesa administrativa e, consequentemente, a manutenção da cobrança dos débitos de PIS dos períodos de dezembro/2002, fevereiro/2003 e março/2003. No entanto, compulsando os autos, verificase que o débito referente ao mês de dezembro/2002 foi extraído da DIPJ relativa a esse ano calendário (fl. 39) e os de fevereiro e março/2003, da DIPJ referente ao anocalendário de 2003 (fls. 91/92). Em ambos os casos a base de cálculo compõese tão somente de receitas financeiras e outras receitas operacionais, conforme se depreende da "Demonstração do Resultado" constante na Ficha 06A das declarações citadas (fls. 16 e 66). É a exatamente esses débitos que se refere ao Processo Judicial n° 2003.61.00.007296 7, citado, como já observado acima, no Termo de Verificação Fiscal. Portanto, no que diz respeito aos três débitos em apreço, existe perfeita identidade entre o objeto do processo em estudo e o da Ação Judicial mencionada nos autos (Ação Declaratória nº 2003.61.00.0072967). Desta forma, verificase a concomitância de instâncias (Administrativa e Judicial|) no tocante à parte em que a interessada discute a suposta inconstitucionalidade do art. 1º e §§, da Lei n° 10.637, de 2002. Posto isto, conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979 que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto" e também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de mandado de segurança, repetição do indébito ou anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no seguinte sentido; "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. E, ainda por meio do Parecer Normativo COSIT nº 7, de 08/2014, as unidades da RFB foram orientadas a não conhecerem dos recursos interpostos pelos contribuintes, naqueles casos em que o objeto e as causas de pedir forem idênticas àquelas postas à apreciação da Justiça, antes ou posterior à autuação. Operase, neste caso, uma renúncia tácita do contribuinte ao recurso administrativo. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 19515.003645/200715 Acórdão n.º 3402004.620 S3C4T2 Fl. 537 7 Desta forma, não se conhece aqui das razões da Recorrente esposadas em seu recurso voluntário. 4. Dispositivo Em conformidade com o acima exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, uma vez que a matéria foi levada à apreciação do Poder Judiciário, ou seja, caracterizado a concomitância quanto às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos legais que embasam a base de cálculo das contribuições lançada pelo fisco. É como voto. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Relator. Fl. 540DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720041/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.
Numero da decisão: 1401-001.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, haja vista a renúncia à instância administrativa, com a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto discutido neste processo administrativo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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DESISTÊNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, haja vista a renúncia à instância administrativa, com a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 41 /2 01 4- 10 Fl. 4913DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário (v. efls. 4.864/4.891) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (v. efls. 4.825/4.841) que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo integralmente as Autuações lavradas contra a Recorrente (v. efls. 1.691/1.734), referentes ao IRPJ (R$ 6.562.027,11), PIS (R$ 539.054,44), COFINS (R$ 2.487.942,12) e CSLL (R$ 2.380.135,00), incluídos multa de ofício, isolada e juros de mora calculados até 29/12/2013. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de efls. 1.411/1.429, foram constatados os seguintes fatos e infrações: 1) A auditoria centrouse na análise da movimentação financeira da contribuinte, a partir da verificação de 4.790 depósitos bancários (créditos), que totalizaram R$ 94.725.024,44 no AC 2009; 2) Numa análise preliminar foram expurgados um total de R$17.639.444,89, restando o valor de R$77.085.579,55 (4.614 lançamentos) a serem comprovados pela contribuinte; 3) Aprofundando a análise dos extratos identificouse, com base nos históricos dos lançamentos, que do total de 4.614 depósitos bancários, 941 foram considerados como de origem comprovada, totalizando R$38.947.418,92; 4) Os 3.673 depósitos bancários restantes considerados como de origem não comprovada pela falta de apresentação de elementos, totalizando R$ 38.138.160,63 estão demonstrados no “ANEXO 4 –DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”. Estes depósitos bancários foram considerados como receita omitida, por presunção legal, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Abaixo o demonstrativo mensal da receita omitida com base na presunção legal: Irresignada com a autuação, a Contribuinte apresentou a impugnação de efls. 1.773/1.809, em que alega, de forma bastante sintetizada abaixo, o seguinte: 1) Inobservância dos princípios da legalidade, tipicidade e verdade material; 2) Para o emprego da presunção seria necessário a comprovação do fato previsto, ou seja, provas da ocorrência da infração; 3) Nulidade do Auto de Infração, haja vista que a documentação apresentada durante o procedimento fiscal não teria sido considerada pela Fiscalização; 4) O Auto de Infração seria nulo, pois a documentação apresentada nos autos não foi considerada pela Fiscalização; Fl. 4914DF CARF MF Processo nº 13864.720041/201410 Acórdão n.º 1401001.983 S1C4T1 Fl. 4.907 3 5) A empresa BRINK’S teria apresentado esclarecimentos atestando que, embora a NOVA GCP não fosse sua cliente, teria efetuado depósitos em suas contas bancárias, relativamente a valores de titularidade da DSI Drogaria; 6) Existiriam valores depositados diretamente na conta da NOVA GPC pelas próprias filiais da DSI. messe sentido as correspondências eletrônicas comprovariam tais fatos; 7) As operações de OCT (Ordem de Crédito por Teleprocessamento) podem ser comprovadas pela apresentação de seus extratos, bem assim a planilha explicativa e as correspondências eletrônicas apresentadas no curso da ação fiscal; 8) Os documentos apresentados, entre eles os extratos bancários, DSI, ADS e RADS comprovam a origem dos recursos auferidos em conta bancária; 9) Pede o afastamento dos juros de mora e da multa de ofício em razão da ilegalidade da exigência dos tributos deste PAF; A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que proferiu o Acórdão de nº 1661.707 2ª Turma, em 25/09/2014 (v. efls. 4.825/4.841). Abaixo reproduzo a ementa do referido Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir de 1997, caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi considerada cientificada do referido Acórdão em 31/10/2014, conforme comprova o Termo de ciência por decurso de prazo de efls. 4.850 (data da disponibilização na caixa postal: 16/10/2014). A Intimação, portanto, se deu por meio eletrônico, conforme o disposto no art. 23, inc. III, alínea "a", c/c o § 2º, inc. III, alínea "a", do Decreto 70.235/72. A Recorrente somente veio a tomar ciência efetiva do teor do Acórdão em 27/11/2014, conforme comprova o Termo de Abertura de Documento de efls. 4.851. O Recurso Voluntário de efls. 4.864/4.891 foi apresentado em 22/12/2014 (v. efls. 4.896). Suas alegações no Recurso são as mesmas proferidas quando da apresentação da impugnação. Em relação à tempestividade, limitouse a declarar que o recurso seria Fl. 4915DF CARF MF 4 tempestivo, haja vista que teria tomado ciência do mesmo em 27/11/2014, nada argumentando em relação à ciência ficta, ocorrida em 31/10/2014. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 4916DF CARF MF Processo nº 13864.720041/201410 Acórdão n.º 1401001.983 S1C4T1 Fl. 4.908 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. Prefacialmente, fazse necessário analisar o requerimento da Contribuinte, protocolado no CARF no dia 20/06/2017, através do qual solicita a desistência do seu recurso, haja vista ter ingressado em Juízo com ação que visa a anulação do Auto de Infração objeto deste processo administrativo. Abaixo reproduzo fotografia do citado requerimento para a análise da Turma Julgadora, haja vista que o mesmo ainda não foi juntado aos autos até o presente momento. Fl. 4917DF CARF MF 6 Essa questão encontrase no artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015, nos seguintes termos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Uma vez submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão prevalecerá na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficaz, uma vez que suas conclusões, indubitavelmente, quedarseão ao decisum judicial manifesto ou a ser proferido. Diante do exposto, não conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional, para declarar a extinção do feito, com a devolução dos autos a unidade de origem. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 4918DF CARF MF
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