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Numero do processo: 11080.722771/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
A instauração da fase litigiosa do procedimento dá-se com a impugnação da exigência no prazo legal. A apresentação de impugnação fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores, implica em revelia, ensejando a este Colegiado não conhecer da peça trazida aos autos como recurso, por não ter se estabelecido o litígio.
Numero da decisão: 1802-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. A instauração da fase litigiosa do procedimento dáse com a impugnação da exigência no prazo legal. A apresentação de impugnação fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores, implica em revelia, ensejando a este Colegiado não conhecer da peça trazida aos autos como recurso, por não ter se estabelecido o litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 71 /2 01 0- 13 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por considerar pertinente e economia processual adoto o relatório da decisão recorrida, fl.25, que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com fundamento na atividade vedada (CNAE 85333/00 – Educação Superior – pósgraduação e extensão), com fundamento no art. 17, inciso XI da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 (fl.05). A empresa estava em início de atividade, com data de abertura no CNPJ em 17/11/2009 e a data do deferimento da última inscrição deuse em 14/01/2010. A solicitação de ingresso atinente ao termo atacado é datada de 01/02/2010, dentro dos 30 dias previstos para solicitar sua opção, e o registro do Termo de Indeferimento ocorreu em 06/04/2010 ( fls. 05 e 21 ) . Em 04/08/2010 apresenta sua manifestação de inconformidade alegando que o objeto social da empresa é a realização de cursos, palestras, orientação a grupos de estudos, consultorias na área de artes, participações em júris de seleção de eventos artísticos, composição de trilhas musicais, elaboração de textos, realização de obras de arte, elaboração de projetos artísticos, bem como cursos de pósgraduação voltados para área cultural e artística. Na prática nunca houve e nem haverá a exploração da atividade impeditiva, até mesmo porque esta fora cadastrada de forma secundária, sendo sua principal atividade “ministrar cursos e palestras de curta duração voltados para o público em geral, sem vínculo acadêmico”. A atividade de fato e de direito exercida pela sociedade empresarial não apresenta nenhuma restrição ao seu enquadramento no sistema de tributação simplificada. Para melhor fundamentar seu protesto, está providenciando na alteração contratual, expurgando tal atividade do objeto social da empresa. Ao final requer sua inclusão no Simples Nacional. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) por unanimidade de votos, não tomou conhecimento da impugnação por ser intempestiva conforme decisão proferida no Acórdão nº 1036.950, de 10 de fevereiro de 2012 fls.24/28), cientificado ao sujeito passivo por termo de ciência e recebimento em 25/05/2012. O mencionado acórdão está assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 17/11/2009 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. A petição apresentada fora do prazo de trinta dias contados da ciência do indeferimento da opção pelo Simples Nacional não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito Fl. 70DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.722771/201013 Acórdão n.º 1802001.865 S1TE02 Fl. 3 3 tributário, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A manifestação de inconformidade apresentada intempestivamente impede que o órgão julgador aprecie o mérito do pedido por ausência de litígio instaurado. Tal fato, no entanto, não impede à repartição fiscal de origem ou órgão preparador que indeferiu o pleito do contribuinte, se assim entender, de rever de ofício o ato administrativo de indeferimento de inclusão no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/06/2012 no qual requer a reapreciação e reconsideração da decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade por considerála INTEMPESTIVA. A Recorrente reconhece que o pedido (sic) fora intempestivo, mas, aduz que não reconhecer a verdade dos fatos, ou seja, que a empresa (contribuinte) não se valeu do beneficio fiscal indevidamente, é cometer injustiça fiscal e tratamento diferenciado ao Requerente Micro Empreendedor. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os presentes autos chegam a esse colegiado para sua análise. No entanto, conforme consta do relatório apesar de a pessoa jurídica se insurgir contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, reconhece que a manifestação de inconformidade fora INTEMPESTIVA. Como cediço, a instauração da fase litigiosa do procedimento dáse com a impugnação da exigência no prazo legal. A apresentação de impugnação fora do prazo de 30 (trinta) dias conforme estabelecido no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972 e alterações posteriores, implica em revelia, ensejando a este Colegiado não conhecer da peça trazida aos autos como recurso, por não ter se estabelecido o litígio em sede de primeira instância nos moldes da legislação vigente. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723668/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrente ACEF ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL DE FORTALEZA (COM SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA DE TERCEIROS) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 23 66 8/ 20 10 -3 5 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.708 2 Relatório ACEF ASSOCIAÇÃO CULTURAL E EDUCACIONAL DE FORTALEZA E OS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS ARROLADOS, já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0822.927, de 29 de fevereiro de 2012, da 3ªª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FortalezaCE, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A exigência foi lavrada após a expedição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 032, de 10 de março de 2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza que declarou suspensa a imunidade tributária da Associação Cultural e Educacional de Fortaleza (ACEF), relativamente aos anoscalendário 2006 e 2007, face à inobservância do disposto nos incisos I e II do art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Em decorrência da suspensão da imunidade, foram lavrados Autos de Infração (e termo de sujeição passiva solidária) com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 12.834.391,91; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 631.948,12; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.671.226,99 e Contribuição para Financiamento da Seguridade social (COFINS) no valor de R$ 2.904.358,77, alcançando o Crédito Tributário – consolidado até o dia 31.5.2011 – a importância de R$ 21.041.925,79 (vinte e um milhões, quarenta e um mil, novecentos e vinte e cinco reais e setenta e nove centavos). Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, de fls. 462 a 468, contra José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). Cientificados do Auto Declaratório e dos autos de infração, os interessados impugnaram tempestivamente o ato declaratório e o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: I ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Os fatos que deram margem à “Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade" (fls. 2/7), conforme relatado pelos autores do procedimento, foram apurados a partir de fiscalização iniciada junto à empresa Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A (COPEP). Foi constatado que, por intermédio dessa empresa (COPEP), a Associação Cultural e Educacional de Fortaleza (ACEF), que se apresenta como uma das mantenedoras do Colégio Christus, teria desviado recursos da ordem de R$ 10.008.200,00 (anocalendário 2006) e R$ 2.150.400,00 (anocalendário 2007), originários das receitas auferidas sob o manto da imunidade tributária, para empresas mercantis vinculadas aos proprietários do referido Colégio, burlando, dessa forma, os requisitos inseridos nos incisos I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 1966, para o gozo da referida imunidade tributária. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.709 3 Analisando as alegações e provas apresentadas pela ACEF, às fls. 360/364, contra a proposta de suspender a imunidade em questão, a autoridade fazendária produziu a Informação Fiscal, de fls. 375/380, que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório (fls. 382) e do Ato Declaratório Executivo nº 032, de 10 de março de 2011 (fls. 383), suspendendo a imunidade da interessada, com relação aos anos calendário 2006 e 2007. IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO Cientificada do Ato Declaratório e do Despacho Decisório em 16.3.2011, a entidade apresentou, em 5.4.2011, às fls. 386 a 394, impugnação dirigida a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), alegando que: a ação fiscal é nula porque, no seu entender, o fisco teria utilizado indevidamente o parágrafo único do art. 116 do CTN (norma até hoje não regulamentada) com a finalidade de desconsiderar o investimento realizado pela ACEF (ato jurídico perfeito de compra de partes beneficiárias) para enquadrálo como uma "distribuição de lucro", o que na verdade não é; tentando fugir ao limite imposto pela lei, o Delegado da Receita Federal chega a afirmar que "por sua vez, as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, mas sim demonstradas que tal operação serviu para comprovar que a empresa COPEP foi utilizada apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital oriundo das receitas do Colégio Christus, auferidas sob o manto da imunidade e, posteriormente desviadas..” (item 18, p. 358); embora diga que as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, logo em seguida o Delegado da Receita diz que essas mesmas operações teriam sido utilizadas apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital... A contradição é evidente. Na verdade, as operações de aquisição de partes beneficiárias foram sim desconsideradas pela fiscalização e pelo Delegado da Receita. Isso, todavia, não poderia e não pode ocorrer sem o procedimento a ser estabelecido em lei ordinária; da forma que foi realizada, portanto, toda a ação fiscal é nula de pleno direito por ofensa frontal ao disposto na parte final do parágrafo único, do art.116 do CTN; além disso, nada justifica a desconsideração da compra das partes beneficiárias em causa, que foi feita às claras, com propósito negocial e com regular registro na contabilidade da ACEF, da COPEP e das empresas nas quais a COPEP investiu; não houve a alegada dissimulação, muito menos desvio de recursos da defendente; é incontroverso nos autos que todos os fatos estão regularmente documentados e indicados na contabilidade da ACEF, da COPEP e das empresas nas quais a COPEP investiu; o ato declaratório, baseado no fato de a empresa emitente das partes beneficiárias ter apurado lucro modesto, enquanto a ACEF obteve superávit elevado, revela uma contradição; não é razoável que a imunidade tenha sido suspensa em razão de a ACEF ter apurado no curto prazo um pequeno lucro no investimento que fez em partes beneficiárias e, por outro lado, ter auferido um bom superávit na prestação dos serviços de ensino; Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.710 4 o investimento que a ACEF fez ao adquirir partes beneficiárias não tem pela sua própria natureza valor certo de remuneração e no caso é de longo prazo, com o seu maior retorno ainda por vir. Tem por objetivo a constituição de fundo de reserva necessário ao importante investimento que pretende fazer na expansão de suas atividades. Por sua vez, o superávit alcançado pela ACEF na prestação do serviço de ensino não é proibido por lei, e vem sendo no todo aplicado no desenvolvimento de suas atividades; a autoridade fazendária dá à expressão sem fins lucrativos o significado de funcionar apurando prejuízos, mas essa expressão está regulada no art. 14, do CTN, cujos requisitos foram atendidos pela ACEF; a única razão apontada para a suspensão da sua imunidade – repitase – foi a (indevida) desconsideração da operação de aquisição de partes beneficiárias, que está regularmente documentada e registrada; merece destaque a regra contida no Regulamento do Imposto de Renda, segundo a qual a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º; RIR, art. 923); diante da prova documental da regularidade da operação questionada, o fisco apresentou apenas a alegativa vazia de que o estabelecimento da COPEP encontrase fechado. Isso, data venia, não é verdade. A COPEP tem operado normalmente através do trabalho direto e pessoal de seus sócios, com os quais os dirigentes da ACEF nunca tiveram dificuldade para manter os contatos necessários para a formalização da operação em comento. A questão meramente circunstancial de no dia e hora em que a fiscalização se dirigiu ao referido estabelecimento eventualmente não o ter encontrado aberto não significa de forma alguma que o mesmo está sempre fechado e inoperante. Isso é evidente. A simples descrição verbal dessa alegada diligência não tem o condão de afastar a prova documental apresentada pela ACEF; os argumentos postos pela ACEF na sua defesa preliminar não foram devidamente considerados pelo Delegado da Receita Federal em Fortaleza, razão pela qual pede vênia para renoválos; protesta pelo direito de provar suas afirmações por todos os meios lícitos de prova, inclusive e principalmente quando se tratar de contraprova, notadamente com a juntada posterior de documentos, realização de perícias, requisição de informações, ouvida de testemunhas a serem oportunamente arroladas, tudo desde logo requerido; em razão do exposto, pede que seja acolhida a impugnação e revogado o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 032, de 10 de março de 2011, com a conseqüente improcedência de toda a ação fiscal dele decorrente e arquivamento dos processos administrativos respectivos. Na peça de impugnação dos Autos de Infração relativos à constituição dos créditos tributários envolvidos, a defesa repete os argumentos contra a suspensão da imunidade, acrescentando que (fls. 752): 4.10 Não houve a alegada dissimulação, muito menos desvio de recursos do Defendente. Quanto a esse ponto, importa destacar que as mencionadas partes beneficiárias serão integralmente quitadas, e, aliás, já o foram em grande parte pela Companhia emissora, com os recursos obtidos nos investimentos realizados (Doc. 05). Com isso, fica Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.711 5 absolutamente fora de dúvida a legitimidade da operação. Tal circunstância, a propósito, poderá ser devidamente esclarecida por meio de perícia contábil, desde logo requerida. No item 9.1 da peça de impugnação mencionada (fls. 763) a entidade formula o quesito da perícia requerida nestes termos: A ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP? Caso afirmativa a resposta ao quesito anterior, em que data isso se deu? Quais foram os montantes? Em seguida indica para atuar como assistente técnico a Sra. Raimunda Doralice Menezes de Lima, CPF 366.158.46349, estabelecida na rua Júlio Cesar, 1830, Bloco 15, apto 101, CEP 60.425350, damas, casada, contadora, CRC Ce 014435/04. II – AUTOS DE INFRAÇÃO Em decorrência da expedição do Ato Declaratório de suspensão da imunidade, foram lavrados Autos de Infração, com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 12.834.391,91; Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$ 631.948,12; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$ 4.671.226,99 e Contribuição para Financiamento da Seguridade social (COFINS) no valor de R$ 2.904.358,77, alcançando o Crédito Tributário – consolidado até o dia 21.6.2011 – a importância de R$ 21.041.925,79 (vinte e um milhões, quarenta e um mil, novecentos e vinte e cinco reais e setenta e nove centavos). IMPUGNAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Tomando ciência dos Autos de Infração no dia 22 de junho de 2011, a ACEF apresentou impugnação em 21 de julho de 2011, às fls. 750/764, reiterando os termos da defesa apresentada contra o ato declaratório de suspensão da imunidade e acrescentando que as partes beneficiárias objeto da discussão sobre o desvio de recursos da Entidade já foram quitadas em grande parte pela Companhia emissora, com os recursos obtidos nos investimentos realizados (doc 05), circunstância que poderá ser esclarecida por meio de perícia contábil, desde logo requerida (item 4.10 – fls. 752). Sujeição Passiva Solidária Apresenta os seguintes argumentos quanto à imputação de sujeição passiva solidária: os auditores fiscais tentam atribuir a terceiros, inteiramente estranhos aos quadros da ACEF, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos cobrados em razão da suspensão de sua imunidade; como tal atribuição de responsabilidade não tem fundamento na lei, os agentes do fisco amparamse em versão fantasiosa dos fatos, dizem que a ACEF não teria uma sede social e que as senhoras NEIDE QUEIROZ FARACHE e ZÉLIA SOUZA PINTO não seriam as reais dirigentes da ACEF; isso não é verdade, a ACEF está regularmente estabelecida, primeiro no endereço indicado como sede, a partir do qual alugou os prédios necessários para o exercício de suas atividades educacionais (Doc. 06), que estão indicados pelo próprio agente fiscal no início do termo antes referido; a ACEF é sim dirigida por NEIDE QUEIROZ FARACHE e ZÉLIA SOUZA PINTO, como provam os documentos indicativos de sua relação com bancos, órgãos públicos e, principalmente, com seus clientes, alunos do Colégio Christus, nas quais sempre se faz representar por seus reais e únicos dirigentes (docs. 07 a 10); Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.712 6 a condição de a ACEF ser uma das entidades mantenedoras daquele Colégio também não pode ser apontada como uma situação irregular. A Lei nº 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, prevê que as instituições privadas de ensino poderão ser instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado (art.20); o fato de a ACEF ter mantido o Professor José Lima de Carvalho Rocha como diretor do Colégio Christus, por sua vez, é perfeitamente natural, uma vez que ele já funcionava como diretor do Colégio há bastante tempo e desempenha seu papel com brilho e eficiência; a administração da ACEF como entidade mantenedora não se confunde com a direção do Colégio. São duas coisas distintas e separadas. Tanto é assim que o mesmo Colégio Christus tem algumas entidades mantenedoras, todas distintas umas das outras e com administração individualizada para cada uma delas. A direção do Colégio, contudo, é a mesma, de natureza pedagógica; nada justifica, portanto, a desconsideração da personalidade jurídica da ACEF e de seus dirigentes, como tenta fazer o agente fiscal autuante; a procederem todas as inverdades imaginadas pela fiscalização, a ACEF seria "mera representação jurídica" do Colégio Christus. Dizem os fiscais (erradamente) que a ACEF não teria sede, não teria representantes verdadeiros, não teria existência própria, nada. Seria apenas uma "casca" do próprio Colégio Christus, tendo sido esse, aliás, motivo usado para estender a sujeição passiva solidariamente ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha; se procedentes os argumentos, por coerência, seria impositivo que os fiscais tivessem lavrado o auto de infração contra o próprio Colégio do qual a ACEF seria a "mera representação jurídica", considerando suas as receitas e as despesas da ACEF, para a obtenção de um resultado global, como se houvesse uma única mantenedora, decorrente da consideração conjunta de todas as demais; é contraditório considerar que a ACEF existe, para a finalidade de indicála como principal sujeito passivo (contribuinte) do presente auto de infração, partindo de sua escrita contábil para apurar o lucro tributável, mas, de outro lado, considerar que ela não existe, para indicar como responsáveis solidários, nos termos do art. 135 do CTN, pessoas que não fazem parte de seu quadro societário, mas seriam integrantes de outras pessoas jurídicas das quais ele seria a "representação"; desse modo, vêse que o auto de infração, no mérito, ou é improcedente por exigir dívida inexistente, de entidade imune; ou é improcedente, por evidente erro na eleição do sujeito passivo (contribuinte). Multa Qualificada Quanto à multa de ofício lançada no percentual de 150%, entende que não está comprovada a alegativa dos fiscais para embasar a qualificação da penalidade, no sentido de que os fatos arrolados na notificação fiscal de suspensão da imunidade denotariam "conduta de cunho doloso visando subverter o fundamento constitucional do instituto da imunidade tributária, mediante a prática de atos simulados e abuso de forma", aduzindo que: Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.713 7 não houve fraude ou simulação, todos os atos e negócios praticados retratam a realidade econômica e estão regularmente formalizados e escriturados na contabilidade da ACEF e das empresas com as quais firmou os contratos; não está demonstrada no auto de infração qual teria sido a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (art. 71 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964); também não está demonstrada qual teria sido a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento (art. 72 da Lei nº 4.502, de 30.11.1964); no caso presente, tudo foi feito às claras e sem ocultação de qualquer espécie, até porque todos os atos jurídicos em causa são válidos e legítimos. Não haveria e não há razão para ocultálos ou dissimulálos; os agentes autuantes não tiveram a menor dificuldade para realizar o lançamento aqui combatido, utilizandose dos elementos que colheram nos livros da escrita contábil e fiscal da ACEF, que, segundo esses mesmos auditores fiscais, "reúnem as condições para a apuração do lucro líquido de todo o período sob fiscalização."; neste caso não houve e não há o evidente intuito de fraude que é exigido por lei como condição para a qualificação da multa, que, por isso mesmo, é ilegal. Decadência A Suplicante entende que, como não houve intuito de fraude, a decadência do direito de o fisco lançar o tributo deve atender ao prazo fixado no § 4º, do art. 150, do CTN, ou seja, cinco anos contados do respectivo fato gerador. Desse modo, alega que, no caso, o lançamento (auto de infração) ocorrido em 21 de junho de 2011, não poderia alcançar, com o IRPJ e a CSLL, o lucro auferido no primeiro trimestre de 2006, assim como não pode alcançar, com o PIS/COFINS, o faturamento relativo aos meses de janeiro a maio de 2006. Pedido Após toda a exposição, a Autuada pede: 1) a realização de perícia contábil, destinada a esclarecer, sobretudo, a regularidade da operação relativa às partes beneficiárias, indicando assistente técnico e formulando os seguintes quesitos: a) A ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP? b) Caso afirmativa a resposta ao quesito anterior, em que data isso se deu? Quais foram os montantes? 2) caso algum outro fato seja considerado carente de comprovação e relevante para o deslinde deste feito, a oportunidade para exercer o direito de provar suas Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.714 8 afirmações por todos os meios lícitos de prova, inclusive e principalmente quando se tratar de contraprova, notadamente com a juntada posterior de documentos, realização de perícias, requisição de informações, ouvida de testemunhas a serem oportunamente arroladas, tudo desde logo requerido. 3) a intimação de sua representante legal, a Sra. NEIDE QUEIROZ FARACHE, CPF nº 141.367.91372, para sustentar oralmente suas razões de defesa na sessão de julgamento dos presentes autos na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Concluindo, requer o acolhimento da impugnação, julgandose no todo IMPROCEDENTE a ação fiscal decorrente do auto de infração, que exige o pagamento do IRPJ relativo aos anos de 2006 e 2007, assim como os demais lançamentos reflexos de CSLL, COFINS e PIS, e o arquivamento dos autos. Pede, sucessivamente, a desqualificação da multa com a respectiva redução para 75% e o reconhecimento da decadência relativa ao primeiro trimestre de 2006. III – TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi atribuída, em relação ao crédito tributário resultante da fiscalização, a coresponsabilidade aos Srs. José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315), por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 462/468). IMPUGNAÇÃO DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Irresignados, os coresponsáveis elencados no Termos de Sujeição Passiva compareceram aos autos apresentando as respectivas impugnações. José Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 27.6.2011 (fls. 746), impugnação apresentada em 21.7.2011, às fls. 1450/1454, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista substancial, a atribuição de responsabilidade é inválida (como é inválido todo o auto de infração), tendo em vista que a fiscalização: aplicou ao presente caso, por via transversa, o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, que até o presente momento não foi regulamentado; desconsiderou atos válidos e eficazes por entender que “não teriam propósito negocial” ou que teriam sido praticados “com abuso de forma”. Para fazêlo, porém, deveria, se fosse o caso, instaurar procedimento próprio, no qual tais aspectos pudessem ser discutidos de forma prévia ao lançamento de qualquer tributo, nos termos em que se pretendeu fazer com as disposições da MP 66/2002, a qual, todavia, quando convertida na Lei nº 10.637/2002, teve extirpados os artigos que cuidavam do assunto; atribuiu ao defendente a condição de verdadeiro dirigente da entidade autuada (ACEF), com base em suposições, sem oferecer qualquer elemento de prova; Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.715 9 imaginou que o impugnante teria "influência" sobre os dirigentes da ACEF, mas não juntou um documento que o demonstre, ônus que é seu, a teor do que dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72; a ACEF é, de fato e de direito, administrada pelas senhoras Neide Queiroz Farache e Zélia de Sousa Pinto, as quais não têm com o impugnante o vínculo de dependência que o fiscal sugere; o defendente não é responsável pela firma Copy Vip Comércio Representação e Serviços Ltda., como erroneamente se afirma no "relatório"; não há nenhuma ilegalidade no fato de existirem entidades mantenedoras diferentes para diferentes unidades de um Colégio, não sendo procedente a afirmação de que a existência de outras mantenedoras revelaria a "falta de propósito negocial" desta; quanto ao fato de o defendente ter se "autonomeado" diretor do Colégio, independentemente de indicação formal da ACEF, cabe observar que isso não aconteceu da forma como sugere a fiscalização. Na verdade, o defendente já era diretor do Colégio desde muito tempo antes. O que houve foi que, com a alteração em uma das mantenedoras, não se alterou essa sua condição; é arbitrária a decisão de alocar o defendente como responsável tributário por débitos da mantenedora, apenas por ser ele um dos diretores pedagógicos do Colégio mantido, o qual possui outros diretores pedagógicos, que assim como o defendente assinam certificados, decidem a respeito da proposta pedagógica do Colégio etc.; na visão do fiscal, o fato de não ter localizado a sede da ACEF, somado à inexistência de imóveis em nome da entidade, seria a "prova", de que se estaria a praticar alguma irregularidade; ora, a ACEF, na condição de mantenedora da escola, tem sua sede no próprio Colégio, imóvel alugado pela entidade, fato de fácil constatação; a fiscalização insiste no fato de que o impugnante seria diretor do Colégio Christus, inclusive das unidades mantidas pela ACEF, mas é preciso esclarecer que a palavra "diretor", nesse contexto, nada tem a ver com a gerência, a administração ou a representação de uma pessoa jurídica, ligada às atividades econômicofinanceiras desta; a mantenedora encarregase do aspecto econômicofinanceiro destinado a manter em funcionamento o estabelecimento de ensino. Este, por sua vez, tem um diretor, que trata não de sua manutenção sob o prisma econômico (esse é o papel da mantenedora), mas sob o aspecto educacional e pedagógico. Assim, "diretor", no contexto de um Colégio, diz respeito ao desempenho de atividades pedagógicas, ligadas à atividade docente. É como o coordenador de uma faculdade, que também a "dirige", em certo sentido, mas que nada tem a ver com as receitas e as despesas da entidade mantenedora dessa faculdade; compreendida a distinção entre o diretor (pedagógico) de um Colégio e o dirigente (representante jurídico) da pessoa jurídica que mantém esse Colégio, não há qualquer amparo legal para se pretender imputar ao defendente a condição de responsável tributário pelos débitos ora em lançamento; o art. 135, III, do CTN, foi indevidamente invocado para reforçar a fundamentação do fisco, pois esse dispositivo cuida da responsabilidade de terceiros, diretores de pessoas jurídicas, por débitos devidos por esses contribuintes, não se aplicando ao rol de empresas (das quais o defendente é membro), que receberam Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.716 10 recursos provenientes das partes beneficiárias alienadas, pois não é de débitos dessas pessoas jurídicas, indicadas na parte final do relatório, que se cogita aqui; já o art. 124, I, do CTN, cuida da apenas da FORMA como alguém, já passível de responsabilização nos termos dos art. 128 a 135 do CTN, poderá responder, se solidária ou subsidiariamente. Assim, também não tem relevo aqui, até porque o defendente não tem interesse jurídico comum nas situações que configuram o fato gerador dos tributos objeto de lançamento; por outro lado, não há irregularidade na operação realizada entre as pessoas jurídicas indicadas na parte final do relatório e a Companhia que alienou partes beneficiárias adquiridas pela entidade autuada; como reconhece o próprio fiscal, os recursos investidos pela entidade mantenedora continuam em seu patrimônio, devidamente contabilizados, não havendo sequer razão para a suspensão de sua imunidade; a prevalecer o entendimento da fiscalização, uma entidade imune não poderia sequer aplicar eventual superávit em fundo de investimento, que tivesse ações em sua carteira, pois isso implicaria a destinação de parte de seu patrimônio às companhias emissoras das tais ações. Na verdade, não é isso o que se dá, eis que a entidade imune está apenas realizando investimentos, adquirindo títulos (ou, no caso, partes beneficiárias) que continuam em seu patrimônio; isso deixa claro, também, o despropósito de aplicar, ao defendente, e a todos os demais alocados no polo passivo da autuação de que se cuida, a multa de 150%; não houve qualquer intuito de fraude; nenhum fato foi ocultado; nenhum documento foi adulterado ou falsificado; tudo o que aconteceu foi contabilizado da forma mais clara possível, sem ocultações; a fiscalização até poderia discordar do procedimento adotado pela entidade autuada, mas em momento algum pode dizer que esse procedimento lhe foi ocultado; não cabe, portanto, a aplicação da multa agravada, que, também ela, é indevida; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos, a oitiva de testemunhas, a juntada posterior de documentos, a realização de perícias, tudo requerido; requer a sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento em que se apreciará a impugnação; Pede que seu nome seja excluído do polo passivo do crédito tributário impugnado. Estevão Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 25.6.2011 (fls. 744), impugnação apresentada em 20.7.2011, às fls. 1443/1447, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista material, a atribuição de responsabilidade também é descabida, pois o fato apontado – o impugnante ser sócio de três pessoas jurídicas que teriam celebrado contrato de sociedade em conta de participação (SCP) com a empresa COPEP, que sequer foi autuada – não pode configurar a norma invocada pelo fiscal (art. 135, III, e 124, I, do CTN); Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.717 11 não há qualquer irregularidade em celebrar um contrato de sociedade em conta de participação com outra pessoa jurídica; o fato de os recursos empregados pela "COPEP" na aludida "SCP" serem oriundos de um investimento feito pela entidade autuada não torna a COPEP, nem as empresas que celebraram os contratos, responsáveis por possíveis débitos dessa entidade autuada; com menos razão se pode almejar a extensão dessa responsabilidade ao impugnante, sócio das empresas que se agregaram à pessoa jurídica que recebeu investimento da entidade autuada; o art. 135, III, do CTN, cuida da responsabilidade de diretores, gerentes e administradores por possíveis débitos das pessoas jurídicas por eles dirigidas, geridas ou administradas, decorrentes de fatos geradores praticados pessoalmente em tal mister, o que não é o caso dos autos. De fato, não se tem, aqui, dívida tributária de Comercial LCR e Representações Ltda., de LCR Viagens e Turismo Ltda ou de Auto Vale Veículos Ltda., sociedades que a fiscalização afirmou serem integradas pelo impugnante; tampouco se afirmou que o impugnante teria praticado qualquer irregularidade no âmbito da gestão dessas empresas, que pudesse ter gerado créditos tributários dos quais elas seriam as contribuintes e ele, na condição de gerente, coresponsável. Tudo o que se conjecturou no relatório fiscal teria supostamente se passado no âmbito da administração da entidade autuada, e não das empresas geridas pelo impugnante, sendo isso suficiente para afastar, por completo, a descabida pretensão fiscal; quanto ao art. 124, I, do CTN, sua relação com o presente caso é de impertinência ainda maior, pois sequer se pode falar em interesse do impugnante na situação que configura o fato gerador, que é um suposto lucro, ou faturamento, da entidade ACEF; “ Interesse” para os fins do citado artigo, é evidentemente o interesse jurídico, como se dá entre coproprietários de um imóvel, em relação ao IPTU, ou entre marido e mulher casados em comunhão de bens, em relação ao IRPF. Não se pode dar à expressão o elastério pretendido pela fiscalização, sob pena de se terminar responsabilizando o empregado pela COFINS, pelo PIS e pelo ICMS devidos pela empresa, pois ele teria "interesse" nas vendas e no faturamento dela, sem o qual o seu salário não seria pago... não se pode absolutamente falar em "interesse comum", no caso, pois o impugnante não é integrante da entidade autuada, e nem o fiscal chegou a sequer conjecturar, no seu "relatório", de qualquer ato que pudesse ser imputado ao impugnante relativamente à tal ACEF; sem mencionar o nome do impugnante no relatório, o fiscal, depois de fazer ilações sobre o que teria sido feito por outras pessoas, arremata dizendo que "pelos mesmos motivos" o impugnante também seria responsável. Isso é absurdo, pois os "mesmos motivos", além de improcedentes, sequer seriam a ele aplicáveis, pela simples razão de que os tais "motivos" aludem ao comportamento de outras pessoas; em relação especificamente ao impugnante ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA, o fiscal não indicou, sequer no plano da conjectura, qual teria sido o ato praticado pessoalmente, que o tornaria responsável pelo crédito tributário ora constituído; Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.718 12 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, tais como a ouvida de testemunhas, a juntada de documentos, a realização de perícias, tudo desde logo requerido; pede que seja intimado para fazer sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento, em que se apreciará a impugnação; Finalmente, requer o acolhimento integral da defesa, para excluílo do pólo passivo do crédito tributário lançado. David Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 25.6.2011 (fls. 745), impugnação apresentada em 20.7.2011, às fls. 1457/1460, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; do ponto de vista substancial, a atribuição de responsabilidade também não encontra amparo no direito tributário brasileiro, pois por meio dela se pretende responsabilizar o impugnante por débitos exigidos da ACEF, entidade que teria investido recursos em outra empresa [COPEP], a qual depois associouse a outras, sendo a única relação de sua pessoa com tudo isso o fato de fazer parte do quadro societário destas últimas; as pessoas jurídicas integradas pelo impugnante não participaram da prestação dos serviços educacionais, que originaram o faturamento e o lucro, objeto do auto de infração lavrado contra a ACEF; assim, é inviável responsabilizálas pelos tributos exigidos; mais inviável ainda é responsabilizar o defendente, apenas por ser membro de tais empresas; o art. 135 do CTN, foi invocado equivocadamente pela fiscalização, pois tal dispositivo trata da responsabilidade de diretores de pessoas jurídicas, por débitos devidos por elas, decorrentes de irregularidade no exercício desse cargo; no caso, o débito não foi lançado contra nenhuma das empresas arroladas na última folha do relatório fiscal; sequer foi mencionada qualquer participação do defendente nas decisões ou nos atos praticados pela entidade autuada, a ACEF; o fato de o defendente ser membro de pessoas jurídicas que se associaram a outra que, por sua vez, teria recebido investimentos da entidade autuada não violou qualquer disposição legal; esses atos são válidos, pois só poderiam ser desconsiderados seguindose o procedimento aludido pelo parágrafo único do art. 116 do CTN, a ser previsto em lei ordinária; por outro lado, não há, nos art. 128 a 135 do CTN, autorização para responsabilizar pessoas que estejam na situação do defendente; o art. 124, I, do CTN, também não ampara a pretensão fiscal, porque por meio dele não se pode responsabilizar pessoas que, à luz dos arts. 128 a 135, não possam ser consideradas previamente responsáveis; do contrário, interpretação isolada, do art. 124, II, do CTN, daria ao legislador autorização para responsabilizar qualquer pessoa, em Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.719 13 qualquer situação, por qualquer débito, o que aniquilaria todo o sistema tributário brasileiro; protesta provar o alegado por todos os meios admitidos, a oitiva de testemunhas, a juntada posterior de documentos, a realização de perícias, tudo requerido; requer a sustentação oral de suas razões de defesa na sessão de julgamento em que se apreciará a impugnação; Pede que seu nome seja excluído do polo passivo do crédito tributário impugnado. Eduardo Lima de Carvalho Rocha Ciência do Termo de Sujeição Passiva em 19.7.2011 (fls. 747), impugnação apresentada em 03.08.2011, às fls. 1462/1466, resumida nos seguintes termos: o termo de sujeição passiva é nulo do ponto de vista formal porque o impugnante não tomou ciência da fiscalização, foi surpreendido com a comunicação de que seria responsável solidário pelo crédito tributário lançado ao final de um procedimento, do qual não teve conhecimento, nem oportunidade de participar; a responsabilidade de terceiro, prevista no art. 134 do CTN, não contempla a situação do impugnante, que é sócio das empresas Metalúrgica LCR Ltda. e LCR Confecções LOAN LTDA, as quais celebraram contratos de sociedade por conta de participação com a COPEP, enquanto esta, por sua vez, havia alienado partes beneficiárias à entidade ACEF, que sofreu o auto de infração discutido no processo; o art. 135 do CTN, invocado pela fiscalização, também não se aplica ao caso, pois tal dispositivo trata da responsabilidade de dirigentes de pessoas jurídicas, pelos débitos, devidos por elas, decorrentes de irregularidades praticadas no exercício desse cargo; na presente situação, o débito não foi lançado contra as empresas dirigidas pelo impugnante; a questão gira em torno da gerência da entidade autuada, sobre a qual o defendente não tem participação; o art. 124, I, do CTN, também não ampara a pretensão fiscal, porque solidária é a forma como alguém, que já pode ser considerado responsável (nos termos dos arts. 128 a 135 do CTN), poderá ser chamado a solver o débito; a responsabilidade pode ser subsidiária ou solidária (nos casos do art. 124); além disso, o art. 124, I, do CTN, aplicase quando existe interesse jurídico comum na situação que configura o fato gerador, a exemplo dos coproprietários de um imóvel rural, no caso do ITR; neste caso, não há interesse do impugnante nos fatos geradores envolvidos; com o uso de outras palavras, os fiscais, invocando o art. 149 do CTN, como mero artifício para burlar a regra clara do parágrafo único do art. 116, do CTN, procederam a uma desconsideração de negócios e atos jurídicos existentes, válidos e eficazes, o que o art. 116, parágrafo único do CTN, permite, desde que observados os procedimentos a serem previsto em lei ordinária, o que até hoje não foi feito; Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.720 14 pede para fazer uso de todos os meios de prova em direito admitidos, a exemplo da ouvida de testemunhas, da juntada posterior de documentos e da realização de perícias, tudo desde logo requerido; Finalmente, requer exclusão do pólo passivo do crédito tributário lançado. A 3ª Turma da DRJ em FortalezaCE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0822.927, de 22 de fevereiro de 2012 (fls. 1475/1534), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 DILAÇÃO PROBATÓRIA. OITIVA DE TESTEMUNHA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação, quando devidamente comprovadas nos autos. Não há previsão legal para que se realize oitiva de testemunhas no julgamento administrativo fiscal, mormente quando os elementos contidos nos autos são suficientes para solucionar o litígio. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.721 15 pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do CPC e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. LUCRO REAL. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro real, quando a instituição de educação que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, permitindo a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CNT). Todavia, quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.722 16 LANÇAMENTO DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e COFINS), quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientes da decisão de primeira instância em 30/04/2012, conforme Avisos de Recebimento à fl. 1553/1557, a contribuinte autuada e os responsáveis tributários arrolados apresentaram recurso voluntário em 23/05/2012. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR ACEF No recurso interposto (fls. 1559/1696), a autuada alega preliminarmente a ocorrência de cerceamento de direito de defesa tendo em vista que a decisão recorrida indeferiu o seu pedido de realização de perícia, com o qual pretendia demonstrar a inexistência da infração apontada na autuação. No mérito, a autuada, ora recorrente, repete em linhas gerais os argumentos deduzidos em sua impugnação, dos quais destaca: a) Que a imunidade foi suspensa e a autuação lavrada, porque o Delegado da Receita federal desconsiderou um investimento feito pela recorrente para considerálo como distribuição de lucros, o que não condiz com a verdade; b) Que o ato jurídico perfeito de compra das partes beneficiárias pela recorrente não poderia ser simplesmente desconsiderado; c) Que a desconsideração de negócios jurídicos prevista no art. 116 do CTN depende da regulamentação dos procedimentos por lei ordinária; d) Que a decisão e 1a. instância tangenciou essa questão afirmando não ter havido desconsideração de atos lícitos, nos termos do art. 116 do CTN, mas sim a caracterização de simulação prevista no art. 149 do CTN, mas não foi o que de fato ocorreu; e) Que todos os atos praticados pela recorrente foram lícitos e declarados ao Fisco, não havendo nenhuma simulação; f) Que da forma como foi realizada, portanto, toda a ação fiscal é nula de pleno direito, por ofensa ao disposto na parte final do parágrafo único do art. 116 do CTN; g) Que nada justifica a desconsideração de compra das partes beneficiárias que foi feita às claras e com o devido registro contábil, nos termos da lei que regula esse tipo de operação e com propósito negocial. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.723 17 h) Que não houve desvio de recursos da recorrente, pois todas as partes beneficiárias serão quitadas e que, aliás, grande parte já teria sido quitada pela Companhia emissora com recursos obtidos nos investimentos, o que poderia ser confirmado pela perícia solicitada e que foi indeferida; i) Que o investimento feito é de longo prazo e que, pela sua própria natureza, não tem valor certo de remuneração, e que o seu maior retorno ainda está por vir; j) Que a existência de superávit não viola a lei e que a sua aplicação tem por objetivo a constituição de fundo de reserva para a futura expansão das atividades k) Que a regularidade de sua escrituração faz prova a seu favor, conforme preceitua o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda; l) Que a perícia contábil arbitrariamente indeferida poderia demonstrar que nenhum patrimônio foi distribuído e que não houver violação ao art. 14 do CTN; m) Que a decisão de 1º grau estaria equivocada ao afirmar que a realização e investimentos que desembocaram em empresas privadas seria irregular, pois implicaria em aplicação em atividade não ligadas às finalidades essenciais; n) Que o patrimônio da recorrente mantevese íntegro, composto das partes beneficiárias e dos direitos dela decorrentes; o) Que é irrelevante a forma com que a COPEP utilizouse dos recursos investidos, desde que os recursos destinemse a preservação do patrimônio da recorrente e em momento subseqüente seja investido nas suas atividades essenciais; p) Que só se tais partes beneficiárias não fossem honradas, “dependendo de como isso viesse a acontecer, se poderia cogitar de distribuição do patrimônio, o que porém não é o caso dos autos”; q) Que o que importa é saber o que acontece com os rendimentos obtidos com o investimento realizado, “sendo certo que em momento algum a fiscalização afirmou que as partes beneficiárias não teriam sido honradas pela COPEP ou que os rendimentos advindos do investimento feito pela ACEF seriam ou teriam sido aplicados de forma indevida”; r) Que quanto à decadência dever ser aplicado o disposto no art. 150, § 4º do CTN, pois não teria havido dolo, fraude ou simulação; A recorrente reitera os argumentos quanto à imputação de sujeição passiva solidária a terceiros, concluindo que se preponderar a ótica da fiscalização poderia caracterizar se erro na eleição do sujeito passivo. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.724 18 Insurgese, ainda, contra a qualificação da multa, sustentando inexistir a comprovação de dolo, fraude ou simulação no caso sob exame. Ao final requer a realização da perícia contábil, conforme pedido na impugnação, e ao final seja provido o recurso voluntário, com a extinção do crédito tributário e o arquivamento deste processo administrativo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Eduardo Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que embora os julgadores de 1ª instância tenham reconhecido a total inaplicabilidade do art. 135 do CTN, uma vez que não é sócio ou administrador da autuada, quer de fato ou de direito, equivocadamente mantiveram a sua responsabilização, com amparo no art. 124, inc. I do CTN; b) Que é sócio de empresas que celebraram contratos de sociedade em conta de participação com a empresa COPEP que, por sua vez, havia alienado partes beneficiárias à autuada; c) Que não há qualquer irregularidade nos mencionados negócios realizados, sendo despropositado que tudo seja desconsiderado para exigir do recorrente, que nem sócio é da autuada, o tributo por ela devido; d) Que tampouco pode ser exigida a multa agravada de 150%, pois não pode ser responsabilizado por negócios que deram causa a autuação, apenas porque é sócio das empresas que receberam investimentos da COPEP, ainda mais que os mesmos foram feitos às claras, sem qualquer adulteração ou fraude; e) Que a responsabilização solidária prevista no art. 124, inc. I do CTN “é a forma como alguém, que já pode ser considerado responsável (nos termos dos arts. 128 a 135 do CTN), poderá ser chamado a solver o débito”, não podendo esse dispositivo ser aplicado de forma apartada dos demais; f) Que, além disso, o art. 124, inc. I se refere à responsabilidade de pessoas que tenham interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação tributária e que, no caso, não é sócio, gerente, preposto, administrador, empregado, nem tem qualquer relação com a entidade autuada, sendo absurdo responder pelos seus débitos; g) Que não há interesse algum do recorrente nos fatos geradores ocorridos, nem jurídico, nem de fato, pois embora seja sócio de empresas com entidade que recebeu investimentos da autuada, isso não faz dela interessada nos resultados da entidade autuada, e menos ainda o recorrente que é apenas sócio da Metalúrgica LCR e não a entidade autuada, nem da COPEP; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.725 19 h) Alega ainda, subsidiariamente, a nulidade formal da responsabilização solidária, na medida em que somente ao final do procedimento de fiscalização foi notificado do lançamento e de sua responsabilização. Ao final pede provimento ao seu recurso voluntário e a sua retirada do pólo passivo da atuação, da qual não pode ser indicado como responsável solidário. José Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que é inadmissível o entendimento da turma julgadora de 1ª instância segundo o qual ao recorrente seria responsável tributário pelos créditos lançados, nos termos do art. 124, inc. I do CTN, por ter interesse comum na situação que constituiu o fato gerador; b) Que o interesse a que se refere o dispositivo é interesse jurídico e não mero interesse de fato que poderia existir se os fatos alegados pelo Fisco fossem verdadeiros; c) Que a autoridade julgadora de primeira instância considerou existente o interesse do recorrente em razão de sua participação em uma suposta sociedade de fato, que jamais existiu a não ser no raciocínio dos agentes do Fisco; d) Que é frágil o argumento da autoridade julgadora ao imputar a responsabilidade prevista no art. 135 ao recorrente, pois a responsabilidade diz respeito a obrigação tributária decorrente de atos praticados por aquele a quem a mesma é atribuída; e) Que no caso que se cuida as obrigações tributárias decorrem de atividades inteiramente lícitas desenvolvidas pela pessoa jurídica autuada; f) Que a atribuição de responsabilidade deuse sem que o recorrente ao menos tivesse conhecimento oficial das diligências da fiscalização e que não teve a oportunidade de contestar a existência de qualquer fato que a fiscalização adotou como pressuposto para a autuação e responsabilização; g) Que não tem interesse jurídico na situação que constituiria o fato gerador da obrigação; que não é, nem nunca foi dirigente da pessoa jurídica autuada; que não há base probatória para a afirmação de que o recorrente é o representante de fato da pessoa jurídica; que há apenas o registro dele como diretor pedagógico da escola mantida pela entidade autuada; h) Que é incabível a aplicação da multa qualificada no caso dos chamados planejamentos tributários, que visam a impedir o nascimento da obrigação tributária ou reduzir o valor do tributo devido porque os atos ou Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.726 20 negócios jurídicos são lícitos e não envolvem a ocultação de fatos, como no caso que se cuida; i) Que a desconsideração de negócios jurídicos pelo Fisco, nos termos do art. 116, parágrafo único do CTN, carece de regulamentação por lei ordinária, conforme doutrina indicada; e j) Que sofreu flagrante cerceamento do direito de defesa, pois só teve ciência da ação fiscal quando intimado da lavratura do termo de sujeição passiva solidária e que em sua impugnação pediu a produção de provas testemunhais, realização de perícia, juntada de novos documentos e direito de assistir ao julgamento, mas tudo lhe foi negado. Ao final requer que seja julgada improcedente a ação fiscal ou seja excluída a responsabilidade solidária atribuída e, sucessivamente, que se exclua a multa qualificada ou, ainda, seja anulado o julgamento de primeira instância, para novo julgamento, com direito do recorrente a produzir as provas requeridas. Estevão Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que há nulidade formal do procedimento de responsabilização, pois não teve conhecimento nem oportunidade de participar do procedimento fiscalizatório; b) Que a autoridade julgadora de 1ª instância reconheceu que o art. 135 do CTN não se aplica ao recorrente, que não é sócio, nem administrador da pessoa jurídica autuada, mas manteve a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN; c) Que tal imputação não se sustenta, pois o fato de ser sócio de pessoas jurídicas que celebraram contrato de sociedade em conta de participação com a COPEP, da qual a autuada adquiriu partes beneficiárias é insuficiente para manter a responsabilização; d) Que não há que se falar em interesse comum entre o recorrente e a autuada apenas porque o recorrente é sócio de uma sociedade que recebeu investimentos de uma companhia que, por sua vez, teve partes beneficiárias adquiridas pela ACEF; e e) Que o interesse comum previsto na lei deve ser jurídico, o que não existe no presente caso. Ao final requer o acolhimento do recurso e a sua exclusão do pólo passivo tributário. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.727 21 David Lima de Carvalho Rocha O recorrente apresenta recurso voluntário no qual reitera em grande parte os argumentos contidos na sua impugnação, aduzindo especialmente: a) Que deve ser reconhecida a nulidade formal do lançamento, pelo menos no que toca ao recorrente, na condição de co responsável, na medida em que não foi cientificado em momento algum do procedimento de fiscalização com relação às apurações efetuadas que culminaram na autuação; b) Que se equivoca o acórdão recorrido na parte que considera que a aplicação isolada do art. 124, inc. I do CTN autorizaria a responsabilização solidária do recorrente pelos supostos débitos da ACEF, pois o interesse comum a que alude o dispositivo seria interesse jurídico comum e não interesse de fato; c) Que o art. 124, I do CTN não cuida de atribuição de responsabilidade, mas sim regula a forma de como alguém que já pode ser considerado responsável por outros motivos, será responsabilizado; d) Que no caso concreto, o recorrente é sócio de pessoas jurídicas que celebraram contratos de sociedade em conta de participação com uma Companhia, que por sua vez teria alienado partes beneficiárias à ACEF, não sendo possível, por liame tão indireto, ser responsabilizados pelos débitos da autuada; e e) Que a situação descrita nos autos não faz, de modo algum, do recorrente titular de interesse comum com a ACEF em relação às suas receitas, sendo inaplicável ao caso o art. 124, I do CTN. Ao final requer o acolhimento integral de suas razões de defesa e a conseqüente extinção do crédito tributário atacado ou, pelo menos, a sua exclusão do pólo passivo correspondente. É o Relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.728 22 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Analisando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A discussão no presente processo abrange a suspensão da imunidade de entidade de ensino em face de violação aos incisos I e II do art. 14 do CTN, com o conseqüente lançamento dos tributos devidos, bem como a atribuição de responsabilidade solidária a terceiros, por atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social e estatutos, na condição de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas (art. 135, III do CTN) e por interesse comum no fato gerador que constituiu obrigação (art. 124, I do CTN). A pessoa jurídica indicada como sujeito passivo, ora recorrente, alega que os atos praticados não violam os preceitos condicionadores da imunidade previstos no art. 14 do CTN, pois não houve distribuição de qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas, nem desvio dos recursos da manutenção de seus objetivos institucionais. Alega que os valores utilizados na aquisição de partes beneficiárias emitidas pela empresa COPEP consistem em investimentos com vistas a obtenção de novas rendas para futuro investimento na expansão de suas próprias atividades e que tais aplicações são lícitas e que encontram respaldo inclusive na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Alega ainda que, inclusive, grande parte dos valores investidos já teriam sido devolvidos pela empresa investida nos anos subseqüente, o que pretendia demonstrar mediante a realização de perícia, negada pela decisão de primeira instância. Os responsáveis tributários indicados, por sua vez, também recorrem da decisão de primeiro grau e negam ter qualquer interesse jurídico em comum nos fatos geradores que ensejaram a autuação, propugnando pela sua exclusão do pólo passivo da demanda. Examinando os documentos acostados aos autos verifico que a interessada é uma das entidades mantenedoras da rede de escola Christus, com sede na cidade de Fortaleza Ce que também teria como mantenedoras outras pessoas jurídicas. A interessada obteve superávits expressivos nos anos de 2006 e 2007, períodos em que efetuou a aquisição de partes beneficiárias emitidas pela empresa COPEP, fundada em final de 2005. A fiscalização apurou que esses valores uma vez creditados nas contas bancárias da empresa COPEP foram imediatamente transferidos para diversas pessoas jurídicas a título de investimentos em sociedades de conta de participação nas quais a empresa COPEP capitalizou cerca de 98% das quotas das sociedade, mas figurava como sócia oculta, cabendo o papel de sóciasostensivas às pessoas jurídicas minoritárias nas sociedades criadas. Entre as pessoas jurídicas que receberam o repasse de recursos da COPEP verificase pelos documentos acostados aos autos que pelo menos cinco delas exercem atividades na área de educação, sendo que pelo menos quatro das sociedades em conta de participação criadas tinham por objeto desenvolver empreendimentos educacionais. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.729 23 Assim, para a correta análise e compreensão de todos os fatos ora discutidos e deslinde das questões envolvidas, julgo necessário que sejam colhidos mais elementos acerca dessas pessoas jurídicas que exercem atividades educacionais, especialmente se integram o grupo de entidades mantenedoras ou que atuam sob a denominação de Colégio Christus, qual o seu quadro societário, natureza jurídica, regime de tributação adotado, etc. Além disso, ante a alegação da interessada de que os valores repassados à empresa COPEP o foram a título de investimento, julgo importante que se traga aos autos documentação contábil da ACEF e da COPEP, de pelo menos três anos subseqüentes ao do período compreendido na autuação (2008 a 2010), que demonstrem o retorno financeiro do investimento obtido nesses períodos, bem como os valores recebidos pela empresa COPEP a título de resultado nas Sociedades em Conta de Participação que constituiu com os recursos obtidos com a alienação das partes beneficiárias à ACEF. Da mesma forma, devem ser trazidos aos autos as demonstrações de resultados das sócias ostensivas nas SCP criadas nesse mesmo período (2008 a 2010). Por fim, atendendo em parte o pleito da interessada quanto à solicitação de perícia, entendo que deve ser oportunizada à mesma a apresentação dos elementos e conclusões que demonstrem se a ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas por COPEP e, em caso afirmativo, em que data isso se deu e quais foram os montantes. Como é cediço, o processo administrativo fiscal é regido, além de outros, pelos princípios da instrumentalidade processual e da verdade material, cabendo ao julgador sopesar os elementos do processo e, sendo imprescindível, promover as medidas necessárias para sanear o processo com vistas a um julgamento justo e objetivo. A jurisprudência administrativa é pacífica quanto à observância do princípio da verdade material, tendo a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciado sobre isto no Acórdão CSRF/0304.371, in verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO.PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCADA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 1031 8789 — 3' Câmara 1° C.C.).grifei Ante ao exposto, observando o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, considero imprescindível a realização de diligências para dirimir as dúvidas acima expostas. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.730 24 Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade de origem para que a autoridade preparadora designe autoridade fiscal competente para: a) Verificar, juntando aos autos os respectivos elementos de comprovação (contrato social ou estatutos com respectivas alterações, CNPJ, DIPJ, Balanços e Demonstrações de Resultados etc), em relação a cada uma das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, no período de 2006 a 2010: · qual a atividade desenvolvida; · se integrava o grupo de escolas mantenedoras ou que atuam sob a denominação de Colégio Christus; · qual a composição de seu quadro societário; (inclusive modificações eventualmente ocorridas) · quais os administradores responsáveis; e · qual o regime de tributação adotado nesse período. NOME DA PESSOA JURÍDICA CNPJ Apel Associação PróEnsino Ltda 01.434.589/000107 Instituto Educacional Christus Ltda 41.595.505/000123 Ipade – Instituto para o Desenvolvimento da Educação Ltda 04.102.843/000150 Escola 21 de Março Ltda 03.385.687/000119 Instituto de Educação e Cultura Sapiens Ltda 07.731.949/000188 b) Verificar em relação às demais pessoas jurídicas, sócias ostensivas nas SCP abaixo relacionadas, trazendo aos autos os elementos de comprovação (contrato social ou estatutos com respectivas alterações, CNPJ, DIPJ, etc), no período de 2006 a 2010: · qual a atividade desenvolvida; · qual a composição de seu quadro societário; (inclusive modificações eventualmente ocorridas) · quais os administradores responsáveis; NOME DA PESSOA JURÍDICA CNPJ Copy Vip, Com. Repres. e Serviços Ltda 41.330.861/000115 Gráfica e Editora LCR Ltda. 23.481.062/000168 Metalúrgica LCR Ltda 06.04.777/000159 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.731 25 Construtora e Imobiliária LCR Ltda 06.084.388/000132 LCR Viagens e Turismo Ltda 35.211.069/000149 ORMEL Organização e Métodos Ltda 00.808.751/000139 ELO Distribuidora Ltda 73.346.462/000139 GRAFEL Gráfica e Editora Ltda 07.768.454/000156 Comercial LCR Represenções Ltda 06.882.609/000118 LCR Confecções Loan Ltda 06.828.545/000177 Autovale Veículos Ltda 69.360.576/000166 Novem Construções Ltda 12.454.377/000108 c) Apurar, na escrituração contábil da interessada (ACEF) e da COPEP dos anos de 2008 a 2010, se existem registros de recebimentos/pagamentos de rendimentos relativos às partes beneficiárias, nos moldes previstos nos certificados emitidos, e em quais montantes, juntando aos autos as respectivas cópias dos livros diário, razão e outros elementos comprobatórios, se houver; d) Verificar, na escrituração contábil da empresa COPEP dos anos de 2008 a 2010, se existem registros de valores recebidos a título de resultado nas Sociedades em Conta de Participação que constituiu com os recursos obtidos com a alienação das partes beneficiárias à ACEF, especificando quais as origens e montantes respectivos, juntando aos autos as respectivas cópias dos livros diário, razão e outros elementos comprobatórios, se houver; e) Verificar junto às empresas (sócias ostensivas), os resultados apurados nas sociedades em conta de participação constituídas e se os valores, eventualmente distribuídos são proporcionais aos resultados apurados e à participação da COPEP nas SCP, juntando aos autos os balanços patrimoniais e as demonstrações de resultado das SCP nos anos de 2008 a 2010; f) Juntar aos autos cópia da DIPJ, dos anos de 2008 a 2010, da interessada (ACEF), da COPEP e de todas pessoas jurídicas com as quais esta última firmou contratos de sociedades em conta de participação; e g) Intimar a interessada a apresentar os elementos comprobatórios que demonstrem se a ACEF contabilizou o recebimento dos valores decorrentes do resgate das partes beneficiárias emitidas pela COPEP e, em caso afirmativo, em que data isso se deu e quais foram os montantes. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar Relatório Fiscal sobre o fatos apurados e elementos coligidos. Os recorrentes (sujeito passivo e responsáveis tributários arrolados) devem ser cientificados das diligências realizadas mediante recebimento de cópia do Relatório Fiscal, Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10380.723668/201035 Resolução nº 1302000.270 S1C3T2 Fl. 1.732 26 assinalando prazo para que, desejando, se manifestem sobre o seu conteúdo, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Após esgotado o prazo para a manifestação da interessada e dos responsáveis tributários arrolados, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 23 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 10183.003823/2006-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL - COMPROVAÇÃO.
A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 7 1 6 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.003823/200643 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.911 – 2ª Turma Sessão de 12 de setembro de 2013 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALDOMIRO DE SOUSA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 23 /2 00 6- 43 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em face de Valdomiro de Sousa foi lavrado o auto de infração de fls. 1/13, objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2002, em decorrência da glosa dos valores declarados a título de Área de Reserva Legal. A Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 320100.132, que se encontra às fls. 141/145 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A comprovação da existência de área de utilização limitada, no caso, sob a figura da Reserva Legal, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende do seu reconhecimento pelo IBAMA, por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA. Outrossim, o laudo técnico trazido aos autos pelo Interessado e a averbação à margem do registro, suprem a finalidade do ADA, já que são provas hábeis a comprovar a existência das áreas não passíveis de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para excluir da exigência a parcela relativa à área de reserva legal. Intimada do acórdão em 09/06/2010 (fls. 146), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 149/170, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando a necessidade da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental. Ao recurso especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 220000.395, de 27/06/2011 (fls. 174/176). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.003823/200643 Acórdão n.º 9202002.911 CSRFT2 Fl. 8 3 Regularmente intimado do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões de fls. 189/201. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como relatado anteriormente, a decisão proferida pelo v. acórdão recorrido se deu por maioria de votos. Nos termos do artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno deste Conselho, vigente na data da sessão de julgamento da decisão recorrida (21/05/2009, fls. 141/145v) o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que buscou demonstrar a linha de argumentação para justificar a contrariedade à lei e às provas, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, já me manifestei em diversas oportunidades no sentido de que o ADA é meio de prova, mas não exclusivo, à comprovação do direito à exclusão da área tributável sujeita ao ITR. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” A suposta obrigatoriedade do ADA estaria prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima verificase que o § 1º do art. 17 O acima instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, dependa do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorra diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art. 2º e 16 da Lei n.4.771/65, da base de cálculo do ITR. No presente caso a chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.003823/200643 Acórdão n.º 9202002.911 CSRFT2 Fl. 9 5 § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10183.003823/200643 Acórdão n.º 9202002.911 CSRFT2 Fl. 10 7 A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal está condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. No presente caso, no entanto, há prova de averbação da área de reserva legal junto à matrícula do imóvel (fls. 27/44), tendo a glosa decorrido da não protocolização de solicitação de ADA junto ao IBAMA dentro do prazo previsto em ato normativo (conforme item 15 da decisão de primeira instância, fls. 98). Por essa razão, como já tratado acima, entendo que a glosa efetuada pela autoridade fiscal não merece prosperar já que a comprovação das áreas de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende da apresentação do ADA, no prazo estabelecido. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10148.000769/2010-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO (FCONT). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, da multa de ofício isolada.
Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A partir de 28.12.2012 o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito a multa por apresentação extemporânea no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO (FCONT). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, da multa de ofício isolada. Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A partir de 28.12.2012 o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito a multa por apresentação extemporânea no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO (FCONT). PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, da multa de ofício isolada. Em matéria de penalidade a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratando se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A partir de 28.12.2012 o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito a multa por apresentação extemporânea no valor de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 8. 00 07 69 /2 01 0- 97 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 148 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fls. 12, com a exigência do crédito tributário no valor de R$10.000,00 a título de dois mesescalendário de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 24.08.2010 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 30.07.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fl. 02, argumentando que discorda do procedimento fiscal com as alegações a seguir transcritas. Suscita que Em 24 de agosto de 2.010 efetivamos a entrega do FCONT, sendo o prazo final em 31 de julho de 2.010. Tivemos dificuldade para adequar e validar nosso software (Datasul E M S da empresa TOTVS) no formato correto para o devido envio. Tendo em vista que a Sipcam Isagro Brasil S/A sempre procura atender às obrigações e legislações pertinentes e pela dificuldade mencionada, solicita a impugnado da multa, conforme disposto nos artigos 5°, 15 e 23 do Decreto n° Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 149 3 70.235 de 06 de março de 1.972 com alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1.993 e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1.997 e art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2.005. Anexo chamado técnico n° 860722 iniciado em 23 de julho de 2.010 e finalizado em 19 de agosto de 2.010, onde poderão ser verificadas todas as tentativas as quais após várias instruções e testes, conseguimos validar o arquivo e efetivar a entrega da informação. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0942.275, de 17.01.2013, fls. 2325: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor O FCONT – Controle Fiscal Contábil de Transição foi entregue em 24/08/2010, enquanto o prazo final de entrega era o dia 30/07/2010, portanto, em atraso, fato não contestado pelo impugnante. Por outro lado, o contribuinte pretende seja afastada a multa que ora lhe é exigida, sob o argumento de que houve dificuldade por parte da empresa DATASUL –EMS de adequar e validar o software no formato correto para o devido envio. Tal argumento não o socorre, por falta de previsão legal. Perante à Receita Federal, é obrigação da impugnante estar em condições de cumprimento da obrigação acessória sob análise, na data final para entrega. Algum problema que possa ter havido entre a autuada e a prestadora de serviços DATASUL –EMS, não impede a aplicação da presente penalidade. Oportuno destacar que, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, constatado o atraso na entrega do FCONT, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 FCONT CONTROLE FISCAL CONTÁBIL DE TRANSIÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Cabível o lançamento da multa por atraso na entrega do FCONT Controle Fiscal Contábil de Transição, quando, estando a contribuinte obrigada à sua apresentação, este for transmitido após o prazo fixado pela Receita Federal. Notificada em 01.02.2013, fl. 25, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.02.2013, fls. 7890, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que o lançamento é nulo e que está amparada pelo princípio da retroatividade benigna, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 150 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante ao exposto, requer: seja o presente recurso recebido, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN e, ao final, provido, anulando a auto de infração lavrado; caso não seja o entendimento, seja reduzida a penalidade, nos termos do art. 57, I, § 3o, da Medida Provisória 2.13558 com as alterações produzidas pela Lei 12.766/2012. Termos em que, aguarda deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 151 5 motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda do lançamento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)2. A Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007 estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. Por seu turno a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A utilização dessa sistemática é necessária à realização dos ajustes legais, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. Para fins de sua escrituração poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração. A elaboração do referido controle é obrigatória, mesmo no caso de não existir 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 152 6 lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Por seu turno, a Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, fixa que o FCONT será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração a partir de 06.06.2012. No período de 16.10.2009 a 05.12.2009 seria o mesmo prazo fixado para apresentação da DIPJ, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no sítio RFB na Internet. Excepcionalmente: (a) no período de 16.10.2009 a 07.12.2009 para dados relativos ao anocalendário de 2008, o prazo seria encerrado às 23h59min (vinte e três horas e cinquenta e nove minutos), horário de Brasília, do dia 30 de novembro de 2009 e (b) no período de 08.12.2009 a 05.12.2009 para dados relativos ao anocalendário de 2009, o prazo seria encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia 30 de julho de 2010. A não apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Até 27.12.2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretará a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). A partir de 28.12.2012, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação fica sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea (a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 153 7 Em matéria de penalidade, a legislação tributária adota o princípio da retroatividade benigna, ou seja, a lei aplicase a ato ou fato pretérito tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 106 do Código Tributário Nacional). Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Esse é o entendimento contido no Parecer Normativo Cosit nº 3, de 10 de junho de 2013, que explicita: 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB nº 1.052, de 2010, do art. 7º da IN RFB nº 989, de 2009, do art. 4º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5º da IN RFB nº 1.307, de 2012, do art. 5º da IN RFB nº 1.114, de 2010, e do art. 6º da IN RFB nº 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001.[...] 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) 3 No presente caso para o anocalendário de 2008 a Recorrente optou pelo Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis. Por essa razão ficou vinculada às normas de regência da matéria. Por essa razão tem cabimento a exigência do crédito tributário a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 24.08.2010 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 30.07.2010, independentemente da intenção do agente. Entretanto, o valor da multa de ofício isolada deve ser reduzido para R$3.000,00 pelos dois mesescalendário de atraso no cumprimento da referida obrigação acessória, tendo em vista o art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012. A ilação designada pela defendente, a despeito da matéria, destacase como procedente em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem 3 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10148.000769/201097 Acórdão n.º 1801001.630 S1TE01 Fl. 154 8 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir o valor da multa de ofício isolada para R$3.000,00 (três mil reais). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 14120.000217/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.272
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa.
RELATÓRIO
Trata-se de recurso voluntário interposto por COBEL CONSTRUTORA DE OBRAS E ENGENHARIA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração nº 37.235.332-0, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensação efetuada em GFIP nas competências de 04/2005, 07/2005 a 10/2005, 01/2006, 03/2006 a 05/2006 e 07/2006
Consta do relatório fiscal que as compensações efetuadas estavam amparada em decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região no processo 2000.60.00.002892-6.
Todavia, relatou o auditor que a ementa de referido julgado determina que "o prazo prescricional do direito de compensar o indébito se extingue após o decurso de 5 (cinco) anos contados da declaração de Inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo". No caso a declaração de inconstitucionalidade ocorreu em 05/10/1995. O contribuinte realizou a compensação das citadas contribuições no período de 04/2005 a 07/2006. Portanto, já havia se operado o prazo prescricional, tornando tais compensações indevidas.
A contribuinte foi cientificada cientificado em 30/09/2009 (fls. 01)
Em seu recurso, a recorrente defende que o v. acórdão recorrido equivocou-se ao utilizar como marco para a contagem do prazo prescricional, a data da Resolução n° 14/95, de 19.04.95, do Senado Federal, por meio do qual fora retirado do mundo jurídico as normas declaradas inconstitucionais pelo STF no que se refere a contribuições de administradores e autônomos, quando, ao revés, deveria ter observado que no presente caso a recorrente impetrou ação própria (MS) requerendo o reconhecimento de seu direito a compensação.
Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho.
É o relatório.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por COBEL CONSTRUTORA DE OBRAS E ENGENHARIA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração nº 37.235.332-0, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensação efetuada em GFIP nas competências de 04/2005, 07/2005 a 10/2005, 01/2006, 03/2006 a 05/2006 e 07/2006 Consta do relatório fiscal que as compensações efetuadas estavam amparada em decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região no processo 2000.60.00.002892-6. Todavia, relatou o auditor que a ementa de referido julgado determina que "o prazo prescricional do direito de compensar o indébito se extingue após o decurso de 5 (cinco) anos contados da declaração de Inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo". No caso a declaração de inconstitucionalidade ocorreu em 05/10/1995. O contribuinte realizou a compensação das citadas contribuições no período de 04/2005 a 07/2006. Portanto, já havia se operado o prazo prescricional, tornando tais compensações indevidas. A contribuinte foi cientificada cientificado em 30/09/2009 (fls. 01) Em seu recurso, a recorrente defende que o v. acórdão recorrido equivocou-se ao utilizar como marco para a contagem do prazo prescricional, a data da Resolução n° 14/95, de 19.04.95, do Senado Federal, por meio do qual fora retirado do mundo jurídico as normas declaradas inconstitucionais pelo STF no que se refere a contribuições de administradores e autônomos, quando, ao revés, deveria ter observado que no presente caso a recorrente impetrou ação própria (MS) requerendo o reconhecimento de seu direito a compensação. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório.
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Declarouse impedido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 41 20 .0 00 21 7/ 20 09 -1 2 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14120.000217/200912 Resolução nº 2401000.272 S2C4T1 Fl. 162 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por COBEL CONSTRUTORA DE OBRAS E ENGENHARIA LTDA, em face do acórdão que manteve parcialmente o Auto de Infração nº 37.235.3320, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensação efetuada em GFIP nas competências de 04/2005, 07/2005 a 10/2005, 01/2006, 03/2006 a 05/2006 e 07/2006 Consta do relatório fiscal que as compensações efetuadas estavam amparada em decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região no processo 2000.60.00.0028926. Todavia, relatou o auditor que a ementa de referido julgado determina que "o prazo prescricional do direito de compensar o indébito se extingue após o decurso de 5 (cinco) anos contados da declaração de Inconstitucionalidade da norma instituidora do tributo". No caso a declaração de inconstitucionalidade ocorreu em 05/10/1995. O contribuinte realizou a compensação das citadas contribuições no período de 04/2005 a 07/2006. Portanto, já havia se operado o prazo prescricional, tornando tais compensações indevidas. A contribuinte foi cientificada cientificado em 30/09/2009 (fls. 01) Em seu recurso, a recorrente defende que o v. acórdão recorrido equivocouse ao utilizar como marco para a contagem do prazo prescricional, a data da Resolução n° 14/95, de 19.04.95, do Senado Federal, por meio do qual fora retirado do mundo jurídico as normas declaradas inconstitucionais pelo STF no que se refere a contribuições de administradores e autônomos, quando, ao revés, deveria ter observado que no presente caso a recorrente impetrou ação própria (MS) requerendo o reconhecimento de seu direito a compensação. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14120.000217/200912 Resolução nº 2401000.272 S2C4T1 Fl. 163 3 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator Cumpre asseverar que em 10/05/2000, a recorrente impetrou Mandado de Segurança, visando a compensação das contribuições que incidiram sobre os valores pagos aos administradores, a título de prólabore, no período de abril/1990 a dezembro/1994, com valores vincendos de contribuições da mesma espécie. O seu pleito foi reconhecido em segunda instância, tendo sido julgado totalmente procedente, quando o v. acórdão, em suas razões de decidir, assim consignou: Com relação ao termo inicial da prescrição do pedido de compensação, tendo a ADIN n° 1.1022 sido julgada pelo Supremo Tribunal Federal em 05.10.95, relativamente ao disposto no art. 22,1, da Lei n° 8.212/91, enquanto que, quanto às mesmas expressões "autônomos" e "administradores", contidas na precedente norma (art. 3 o , inciso I, da Lei n° 7.787/89), tiveram sua execução suspensa pelo Senado Federal, pela Resolução n° 15, de 19.04.05 não há que se falar em prescrição qüinqüenal,. senão quando contada a partir de tal data, pois antes disso inexistia o direito líquido e certo à compensação. Ante o exposto, dou provimento ao apelo da parte autora. É como voto. Pois bem, em se tratando de pedido de compensação decidido em segunda instância, decorrente de decisão judicial transitada em julgado, verifico que apenas a existência do acórdão proferido não confere segurança suficiente a este julgador, para neste momento decidir sobre o pedido constante no recurso voluntário sem a análise da sentença que veio a ser confirmada em referido julgamento, bem como da própria petição de referido Mandado de Segurança, documentos estes que não foram juntados aos autos. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO em diligência para que baixem os autos a origem e seja o interessado intimado a juntar aos autos a sentença proferida e e a petição inicial do MS 2000.60.00.0028926. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 31/10/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000762/2010-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2006 a 30/11/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
A empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2006 a 30/11/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A empresa é também obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 07 62 /2 01 0- 43 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 133 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 134 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA IN LOCO em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fl. 17), a empresa deixou de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP) na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição, bem como de comprovar sua entrega nas competências 10/2006 a 11/2006. 3. O acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos a seguir: “DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. CFL 77. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (fls. 93/103). 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) a decisão de primeira instância está eivada de nulidade por não enfrentar satisfatoriamente as argumentações da recorrente, assim, há afronta a regra segundo a qual as decisões administrativas devem ser adequadamente motivadas e fundamentadas, conforme preceitua o art. 93, inciso X, da Constituição Federal; b) o auto de infração foi instruído apenas com relatórios elaborados pela própria fiscalização, inexistindo clareza e precisão na discriminação dos fatos geradores e dos períodos a que se refere, bem como da capitulação dos dispositivos legais infringidos; c) a ausência de análise da constitucionalidade de norma pelo julgador de primeira instância ofende a Constituição; d) a inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, pois o legislador infraconstitucional não possui competência para regular matéria tributária que não está prevista na Constituição; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 135 4 e) o veículo legislativo adotado para a elaboração da norma com base na qual se lavrou o auto de infração foi lei ordinária, configurando, assim, ofensa ao art. 195, §4º, da Constituição; f) não ocorrência do critério material da regra matriz de incidência tributária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; g) superadas a alegações anteriores, dispõe a recorrente que eventual contribuição somente poderia recair sobre serviços ou atendimentos efetivamente realizados, sendo excluídas da base de cálculo as mensalidades. 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 2. A recorrente, em seus argumentos, afirma que a decisão de primeira instância está eivada de nulidade por não enfrentar satisfatoriamente as argumentações da recorrente, assim, há afronta a regra segundo a qual as decisões administrativas devem ser adequadamente motivadas e fundamentadas, conforme preceitua o art. 93, inciso X, da Constituição Federal. 3. Dispõe ainda o contribuinte que, fl. 111: “(...) pautou a decisão que manteve a acusação fiscal basicamente na alegação de que não cabe ao julgador administrativo se pronunciar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma, bem como de que não teria razão e não procederiam os argumentos da defesa”. 4. Observase que razão não assiste a recorrente, posto que a ausência de apreciação de argumentos relativos à inconstitucionalidade possui amparo na súmula n.º 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (CARF), como abaixo transcrito: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 5. Ademais, o Regimento Interno do CARF trata em seu artigo 62, parágrafo único, da vedação ao reconhecimento de inconstitucionalidade de dispositivo por esse Conselho, salvo nas hipóteses descritas abaixo: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 137 6 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” 6. No caso dos autos, entretanto, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 7. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, verificase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 8. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 9. Assim, afasto a alegação de nulidade da decisão a quo. DA INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO 10. Aduz o contribuinte que o auto de infração não se apresenta de modo claro e preciso, razão pela qual pugna pela sua nulidade, pois ausente cópia dos documentos que levaram à conclusão das pretensas infrações, tais como notas e livros fiscais e contábeis, sendo instruído apenas com relatórios elaborados pela fiscalização. 11. Além disso, alega que a descrição dos fatos faz menção a documentos, relatórios e dispositivos legais desconexos entre si e isso trouxe fundadas dúvidas à recorrente acerca do específico teor da acusação, bem como da disposição legal aplicável. 12. Pelo que se depreende do relatório fiscal da infração, houve a devida descrição dos fatos, bem como restou demonstrado o dispositivo infringido e a multa aplicada, o que se torna suficiente para deixar clara a infração cometida, segue abaixo trecho do relatório fiscal que discriminou o objeto do auto: “Em ação fiscal desenvolvida na empresa ora autuada, ficou constatado que a mesma deixou de declarar à Secretaria da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 138 7 Receita Federal do Brasil, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, (documento declaratório instituído pelo artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 e redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009), na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, bem como, de comprovar a sua entrega nas competências abaixo discriminadas, o que caracteriza infração ao artigo 32, Inciso IV e § 9º, da Lei n° 8.212/91, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009. (...) Foi aplicada a multa prevista no art. 32A, caput, inciso II e parágrafos 1º, 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela MP n° 449, d e 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN, no valor de R$ 400,00.” 13. Observase, assim, que razão não assiste ao contribuinte, pois a ele foi transmitida a descrição da infração e a multa aplicada, sendolhe conferida a possibilidade de se valer do contraditório e da ampla defesa, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. 14. No que se referem as demais alegações do contribuinte, salientase que não houve insurgência expressa a respeito do mérito da autuação relativa a não apresentação de GFIP, também não houve provas capazes de afastar a exigência em questão para a desconstituição do crédito tributário. 15. E, superada a questão relativa à inconstitucionalidade, já tratada em tópico anterior, afastando a análise por esse Conselho das matérias nas quais consta o pedido de reconhecimento de inconstitucionalidade de artigo de lei, passo a análise do argumento de inocorrência do critério material da regra matriz de incidência tributária prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. 16. Sobre esse tópico, cumpre esclarecer que o auto de infração em comento tratase de obrigação acessória e não de obrigação principal, como defende o contribuinte em seu argumento a respeito da subsunção ao art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, desse modo, não prospera tal alegação. 17. Quanto ao pedido de sustentação oral, verificase que, conforme dispõe o Regimento Interno do CARF, em seu art. 58, II, “anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: ao relator, para leitura do relatório; ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período.” Dessa forma, em momento oportuno será conferido o direito ao contribuinte de realizar sua sustentação oral. 18. Portanto, não afastada a obrigação acessória em questão, mantenho o crédito tributário tal como lançado. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15940.000762/201043 Acórdão n.º 2803002.649 S2TE03 Fl. 139 8 CONCLUSÃO 19. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10120.912398/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 27630.97936.300408.1.3.049853, em 30.04.2008, fls. 11 14, utilizandose do pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código 5993, no valor original de R$28.909,27 em 30.12.2003 apurado pelo regime do lucro real anual. Esclarece que houve prejuízo fiscal ano final do anocalendário de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 12 39 8/ 20 09 -6 2 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 64 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1517, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 28.909,27 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 21.10.2009, fl. 19, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 03.11.2009, fl. 01, com os argumentos a seguir sintetizados. 1. DO FATO A não homologação do crédito deveuse a existência débitos vinculados ao crédito especificado na PER/DCOMP: 27630.97936.300408.1.3.049853, tal débito deveuse a erros encontrados na DCTF referente ao 4º Trimestre/2003, a qual foi devidamente retificada em 21/10/2009. 2. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Segue em anexo cópias do Despacho Decisório e Recibo da DCTF Retificadora. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB/DF nº 03 48.508, de 31.05.2012, fls. 2226: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 65 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Notificada em 13.08.2012, fls. 32, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 12.09.2012, fls. 3544 e 62 ao argumento de que a atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta A improcedência teria se dado, pela decisão dos Nobres Julgadores de não admitir que a simples retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais fosse prova suficiente para constituição do crédito que se pretendia compensar via Per/DComp, e pela suposta preclusão de direitos de apresentação de nova prova documental, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/1972. [...] Ora Excelências, porque nunca foi solicitado a Recorrente a apresentação de seus respectivos livros fiscais e contábeis comprobatórios dos fatos alegados (Balancetes de Suspensão e Redução, Lalur e DIPJ) se a retificação da DCTF foi considerada insuficiente pelo Fisco? Por que não buscar a verdade material? Tais livros fiscais e contábeis (Balancetes de Suspensão e Redução, Lalur e DIPJ) sempre existiram e dizem respeito ao que se alegou. Não seria admissível fazer valer da "força do Estado" motivo suficiente a configuração e homologação e lançamento de imposto que é indevido, pois já pago, e a maior. Não estamos falando de prova ilícita, ao contrário, de prova legal, aceitável, pertinente, e que somente ainda não teria sido produzida por absoluta falta de solicitação por parte do Fisco, que não pode fazer com que o Estado se locuplete de valores que não são seus por direito. [...] Em 30 de dezembro de 2003, a empresa efetuou pagamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$28.909,27 [...] através de DARF, código da receita 5993, proveniente da apuração do resultado do mês de novembro/2003, com base no Lucro Real regime de enquadramento tributário da Recorrente, como é atestado pelo relatório anexo aos autos. No entanto, apesar de que no mês em evidencia desta apuração (Maio/2003), a empresa ter apresentado valores a recolher de IRPJ e CSLL, devido ao regime de apuração por estimativa mensal, conforme consta do livro LALUR de nº 04, as folhas de nº 12, na verdade o resultado foi negativo. Para a certificação da alegação do resultado do exercício, fazse como prova, os seguintes registros: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 66 4 a) Livro Diário de nº 18, onde foi registrado nas folhas de nº 643, na data de 31/12/2003, o prejuízo contábil no valor de R$746.856,70 (Setecentos e quarenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), onde se debitou a conta de nº 2.0.4.01.050002 ( Prejuízos Acumulados ), e creditouse a conta de nº 5.0.1.01.020001 (Apuração do Resultado); b) No Balanço Patrimonial, constante do Livro Diário de nº 18, as folhas de nº 649, registrado no grupo do Patrimônio Líquido, sob o titulo de Prejuízo do Período; c) Na Demonstração de Apuração do Resultado do Exercício DRE, constante do Livro Diário nº 18, nas folhas de nº 650, d) Na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ 2004, ano calendário 2003, enviada em 11/06/2004, registrada pela recepção do recibo de nº 01.85.27.14.7837, na ficha 06A, Demonstração do Resultado PJ em Geral (LR), página 05. . Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante o exposto, requer seja recebido o presente Recurso Voluntário, e ato continuo julgado procedente em todos os seus termos, tomando como base os documentos neste momento juntados aos autos (Diário Contábil de nº18, LALUR e DIPJ), para homologação da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 27630.97936.300408,1.3.049853, transmitida em 30 de abril de 2008 [...] relativos a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, em atendimento ao Princípio da Verdade Material, que deve prevalecer nos processos administrativos tributários. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 67 5 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 68 6 A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) 5. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, que pode ser analisado, porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ do anocalendário de 2003. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anoalendário de 20036. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No Lalur de 31.11.2003, fl. 45, estão registrados os seguintes valores, de acordo com a Tabela 1: Tabela 1 Cálculo do IRPJ por estimativa do mês de novembro de 2003 Descrição (A) Valores – R$* (B) Base de Calculo para o IRPJ 126.677,34 Imposto Normal Devido a alíquota de 15% 18.578,29 Adicional de IRPJ a 10% 10.667,73 ()Dedução Incentivo PAT 760,06 (=)Saldo a Pagar de IRPJ em Janeiro/2005 28.909,27 * Valores extraídos do Lalur anocalendário de 2003 página 12, ou seja. na fl. 45 dos autos. Pela análise do conjunto probatório produzidos nos autos verificase que, a Recorrente, ciente de todas as discrepâncias quantitativas discriminadas na decisão de primeira instância de julgamento, não produziu um conjunto probatório nos autos, já que o 5 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.912398/200962 Resolução nº 1801000.301 S1TE01 Fl. 69 7 procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior7. Envidou, portanto, todos os recursos, em conformidade com as determinações normativas na busca verdade material e demonstrou pela análise do Livro Lalur, fl. 45 que IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 5993, no valor original de R$28.909,27 em 30.12.2003, foi recolhido corretamente 89. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdiciona verificar valor do saldo negativo de IRPJ declarado, bem como se a Recorrente solicitou restituição do saldo negativo do anocalendário total ou parcialmente em outro Per/Dcomp. Assim, a averiguação deve se ater se há outro pedido de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 para fins de exame da possibilidade de concessão ou não do valor correspondente ao pagamento do IRPJ sobre a base de estimativa pleiteado como saldo negativo. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes10 . Ressaltese que esse mesmo crédito é objeto da Per/DComp nº 23351.03357.310308.1.3.041183, em 31.03.2008, fls. 1114, formalizada no processo nº 10120.912396/200973 (Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008). (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal e art. 18 do Decreto n. 70.235, 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 10 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/10/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.723518/2009-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL.
Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizada operação de venda de mercadoria, incabível a retenção referente à cessão de mão de obra.
RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI.
Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi.
MULTA. RECÁLCULO.
Tratando-se de crédito não definitivamente julgado, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
Numero da decisão: 2403-001.985
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos á falta de retenção da empresa Sodexho. 3) Por unanimidade de votos, para o levantamento PRÉ-Prestadores de Serviços, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. 4) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 5) Por maioria, excluir o levantamento TAX-Transportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 6) Pelo voto de qualidade, em manter o lançamento HON- Honorários profissionais, Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na distribuição dos lucros para sócios para Sócios da Sociedade em Conta de Participação. 7) Pelo voto de qualidade, manter o lançamento PLI - Pró Labore Indireto, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. 8) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL. Aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada operação de venda de mercadoria, incabível a retenção referente à cessão de mão de obra. RESSARCIMENTO DE DESPESAS COM TÁXI. Não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em relação às verbas pagas a título de reembolso de despesas realizadas por colaboradores que se utilizaram de táxi. MULTA. RECÁLCULO. Tratandose de crédito não definitivamente julgado, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 35 18 /2 00 9- 31 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso para: 1) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação. 2) Por unanimidade de votos, determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos á falta de retenção da empresa Sodexho. 3) Por unanimidade de votos, para o levantamento PRÉPrestadores de Serviços, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. 4) Por maioria de votos, em determinar a exclusão integral dos levantamentos relativos, ao aluguel do campo de futebol, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. 5) Por maioria, excluir o levantamento TAX Transportadores Autônomos. Vencidos Paulo Maurício Monteiro Pinheiro e Carlos Mees Stringari (relator) Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto 6) Pelo voto de qualidade, em manter o lançamento HON Honorários profissionais, Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto na distribuição dos lucros para sócios para Sócios da Sociedade em Conta de Participação. 7) Pelo voto de qualidade, manter o lançamento PLI Pró Labore Indireto, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. 8) Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a multa de ofício e recalcular a multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari (relator). Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1527.628 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.169.6402, lavrado em 14.07.2009, para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições sociais destinadas à Previdência Social, cota patronal, relativa ao período acima mencionado, no valor de R$ 1.110.762,61 (um milhão cento e dez mil, setecentos e sessenta e dois reais e sessenta e um centavos). Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (101 a 108) que as contribuições foram lançadas em observação ao disposto no art.22, incisos I, II e III, bem como no art. 30, inciso I, alínea b, todos da Lei nº 8.212, de 24/07/1991. Os valores declarados pela empresa como base de cálculo das contribuições previdenciárias constam do relatório "Consulta valores a recolher x valores recolhidos x Lançamento de débitos confessados", anexados ao presente processo. Durante a auditoria, algumas situações encontradas dificultaram o trabalho de levantamento dos fatos geradores, sendo a principal delas a existência de duas empresas funcionando no mesmo prédio, praticamente para a mesma finalidade, ou seja, o Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, CNPJ 13.952.064/000134, ora auditada, e a empresa Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, CNPJ 14.909.568/000134. Continua o Relatório: não foi observada na prática, pois foi verificada uma não observância do princípio contábil da Entidade na relação das duas empresas, principalmente na contabilização de custos, com o pagamento de serviços de uma empresa por outra. Isto pode ser observado no pagamento das empresas GOS Grupo Operacional de Segurança e da Sodexho Comercial da Bahia, de competência do Instituto, mais que serve a ambas as empresas. Além dessa não separação dos serviços, também em desobediência ao princípio da Entidade, uma empresa paga pelos serviços de outra, quando há deficiência de caixa de uma delas, em uma operação contábil incorreta, pois os documentos de uma são levados para a contabilidade da outra. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 4 O Relatório Fiscal ainda registra que na empresa os tributos federais com base no lucro são pagos pelo sistema de lucro presumido, que podem influenciar, em tese, no pagamento de outros tributos. Também foram encontrados pagamentos a outras empresas, como a IFQ Participações, de propriedade de um dos sócios do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, conforme extrato do livro Razão na conta nº 12354.1.1.01.13Despesas de Alimentação, e conta nº 1784 4.2.1.02.10 Outras Despesas. Por conta desses fatores e outros relativos ao não pagamento das contribuições previdenciárias, foi elaborada informação fiscal para a seção de “Programação, Acompanhamento e Controle da Ação Fiscal”, visando a inclusão da empresa Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, CNPJ 14.909.568/000134, no rol das empresas a serem fiscalizadas. A auditoria optou pela não fiscalização conjunta das duas empresas. O Relatório Fiscal ainda ressalta que na Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda todos os médicos prestam serviço à empresa como sócios, com cotas variando de R$ 22,00 a R$ 140,00, para um capital inicial de apenas R$ 6.048,00, em 2006. Em uma análise por amostragem sócios com cotas na empresa no valor de RS; 140,00 têmse retirada de lucro acima de R$ 300 mil no ano. Com esse entendimento, o atendimento médico, atividade precípua da empresa, é colocado em uma empresa à parte, sendo todos os médicos, também sócios. Como na prática as duas empresas se comportam como uma só, verificase que a parte substancial da folha de pagamento, os médicos, são caracterizados como sócios, em tese, para o não pagamento de tributos da área previdenciária. Além disto, os médicos de ambas as empresas, recebem honorários relativos a serviços prestados, que também estão sujeitos à incidência de contribuições para a Previdência Social. Para fugir novamente a esta contribuição e ao Imposto de Renda Pessoa Física, a empresa tem entendido, incorretamente, que o pagamento de honorários médicos se confunde com o lucro, o que provoca o não recolhimento das contribuições previdenciárias e demais tributos, em relação aos pagamentos dos serviços prestados pelos médicos. Ressalta ainda o Relatório que em relação às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentadas, que é o caso da empresa Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, CNPJ 14.909.568/000134, aplicase o disposto no § 5o do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, com a alteração advinda pelo Decreto 4729, de 09/06/2003. Dessa forma, no caso das sociedades civis, é necessário contabilizar distintamente o prólabore e a distribuição de lucros, pois não o fazendo desta forma, e distribuindo apenas lucros para os sócios, este lucro terá incidência de contribuição previdenciária sobre o valor total distribuído. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 4 5 Outros fatos encontrados durante a fiscalização foram o recebimento de recibos emitidos por pessoa jurídica, em vez de notas fiscais, como é o caso das empresas SSC Serviços e Soluções Contábeis, CNPJ 05.964.213/000157, JCL Telles Advocacia, CNPJ 34.434.803/000176 e WBL Sistemas, CNPJ 97.376.503/000106. A emissão de recibo em vez de NF pode ensejar, em tese, a omissão de receita, definida como crime pela Lei n° 8.137, de 27/12/1990. Além deste fato, empréstimos de mútuo entre a empresa e os funcionários para o pagamento de despesas com educação não foram devidamente assinados pela empresa e pelos funcionários, podendo ensejar a nulidade das operações, mesmo tendo sido escriturados contabilmente. Durante a auditoria, foram realizadas cinco diligências em empresas que prestam serviços ao Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia, como forma de subsidiar os trabalhos. Foram elas: Clinica Wellington Cunha Serviços Médicos Ltda, CNPJ 42.052.415/000159; José Carlos Carneiro Lima Soc. Simples Ltda, CNPJ 14.656.060/000171; Serviço De Reabilitação Intensiva Soc. Simples Ltda, CNPJ 34.234.757/000161. Com relação à obra de reforma e ampliação da estrutura física da instituição, como foi feito um contrato de empreitada total com a empresa PL Construtora Ltda, originando a criação de outro CEI, em nome desta última, foram verificados apenas se houve retenção no percentual de 11% nos pagamentos de mão de obra, conforme determina a lei. Verificamos o cadastramento do CEI 04.275.18619/78, em nome do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, sem recolhimentos e do CEI 31.590.05017/75 em nome da PL Construtora Ltda, onde foram recolhidas as retenções efetuadas. O primeiro CEI está com o cadastro incompleto, não permitindo verificar a possibilidade de se tratar de obra nova, reforma ou demolição além dos dados relativos à metragem. O art. 220 do Decreto no 3.048, de 06 de maio de 1999, disciplina este assunto. A partir da competência 03/2002, a empresa obteve liminar para o não recolhimento das contribuições para outras entidades e fundos relativas ao Serviço Nacional do Comércio, no percentual de 1,5% sobre a folha de pagamento, e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, no percentual de 1%, através do Mandado de Segurança n° 2002.33.00.004726, devendo recolher as contribuições em juízo. Através do DEBCAD 35.943.6242, já tinham sido cobradas as contribuições para estas duas entidades abrangendo o período de 03/2002 a 10/2005. Este débito encontrase com exigibilidade Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 6 suspensa até o trânsito em julgado do processo judicial, conforme Acórdão n° 1503.369. No período abrangido pela auditoria, de 01/2005 a 12/2006, a empresa informou em desacordo com o Manual do Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, o campo "Outras Entidades" com a informação 115. Esta informação abrange o recolhimento às entidades SESC e SENAC, nos " percentuais de 1,5% e 1%, gerando divergências entre o valor declarado e o valor pago. A partir da competência 12/2006 e até a competência 12/2008, a empresa passou a informar o campo "Outras Entidades" com a informação 067, que não compreende o recolhimento para o SESC/SENAC, de acordo com o capítulo IV Orientações específicas, item 7, mencionado anteriormente. Com a versão 8.4 do sistema SEFIP, com validade a partir da competência 11/2008, este entendimento foi alterado. Desta forma, a empresa foi comunicada para corrigir todas as GFIP informadas no campo "Outras Entidades", incorreto, de acordo com o manual do SEFIP. Como os pagamentos ao SESC e SENAT, durante o período da ação fiscal, de 01/2005 a 12/2006, foram declarados em GFIP, será confeccionada informação fiscal para o setor responsável pela cobrança de contribuições previdenciárias inadimplentes. De acordo com informações constantes do livro Razão, a empresa vem recolhendo judicialmente os valores relativos às contribuições para o SESC e SENAC. Os levantamentos com as contribuições devidas e não recolhidas pela empresa, relativos a esta auditoria, estão detalhados abaixo, com sua respectiva legislação. São eles: · ALM DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO, · BRE BOLSA RESIDÊNCIA EM ENFERMAGEM, · FUT ALUGUEL CAMPO DE FUTEBOL, · PLI PROLABORE INDIRETO, · PRÉ PRESTADORES DE SERVIÇO, · SDX RETENÇÃO SODEXHO DO BRASIL, · TAX TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS e · HON HONORÁRIOS PROFISSIONAIS. Devido às atividades desenvolvidas pela empresa, o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da capacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é de 2% (dois por cento). O contribuinte não possui convênio com o Programa de Alimentação do Trabalho, solicitado através do Termo de Início da Ação Fiscal de 08/08/2008 e não apresentado. Esta Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 5 7 informação foi corroborada com dados do Ministério do Trabalho. A legislação previdenciária esclarece no parágrafo 9º, letra c, do art. 28, da Lei 8.212/1991, que somente não incidirá contribuição sobre a parcela de alimentação, se o fornecimento da mesma estiver de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador. O Relatório Fiscal enfatiza que a alimentação fornecida ao trabalhador possui expressão econômica pela sua habitualidade e costume e, com o tempo, o empregado passa a contar com estes acréscimos. A lei 6.321/76 foi instituída como incentivo fiscal, configurandose em verdadeira exceção e, a não ser nos moldes do PAT, todos os gastos com refeições integram o salário de contribuição. A Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 458, descreve, claramente o conceito de salário para todos os efeitos legais: Como se trata de um hospital, o contribuinte também possui despesas de alimentação dos seus pacientes, que não devem se confundir com a alimentação dos seus funcionários. Para isso, a empresa possui em sua contabilidade as contas de despesa: 4.1.1.02.07 – “Dietas Pacientes”, 4.2.1.01.16 – “Despesas de Alimentação” e 4.1.1.01.13 – “Despesas de Alimentação”. Na conta “Dietas Pacientes”, tanto durante o ano de 2005 quanto de 2006, aparecem pagamentos basicamente para as seguintes empresas: Nutrimaster Comércio de Produtos Nutricionais Ltda, CNPJ 04.410.951/000190; Tecnovida Comercial Ltda, CNPJ 01.884.446/000170; Nutrimec Produtos Nutricionais Ltda, CNPJ 13.722.574/000115; PSH Produtos e Serviços Hospitalares Ltda CNPJ 03.008.929/000155; Nutricional Produtos Hospitalares Ltda CNPJ 04.628.696/000156. Todos os pagamentos para estas empresas não foram computados no levantamento ALM Despesas com alimentação, por se tratar de despesas de alimentação com os pacientes. Na análise da documentação da contabilidade das contas 4.2.1.01.16 e 4.1.1.01.13, foram computados poucos lançamentos, e bastante esparsos, de notas fiscais classificadas como alimentação. Após julho/2006, começam a aparecer na conta 4.1.1.01.13 Despesas de alimentação, pagamentos a empresa Sodexho do Brasil Comercial Ltda. as notas fiscais da empresa Sodexho, de número 36267 a 36270, aparecem na contabilidade do Instituto Cardio Pulmonar da Bahia, em junho/2006, como sendo despesas da empresa Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda, conforme extrato do livro Razão. Durante a auditoria, foi verificado que a empresa Sodexho do Brasil além de prestar serviço de alimentação para os pacientes da empresa, também presta serviço de alimentação para os Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 8 funcionários, tanto da Cárdio Pulmonar Serviços Médicos quanto do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, além de ter uma lanchonete funcionando no prédio para uso dos médicos, funcionários, pacientes e acompanhantes. Dessa forma, por não possuir convênio com o PAT, os valores pagos como auxílio alimentação ao trabalhador se tornam salário de contribuição, de acordo com a Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 28, I. Para evitar o lançamento de contribuições previdenciários dos valores pagos à contratada Sodexho referentes a dietas com pacientes, a empresa auditada forneceu uma tabela contendo as notas fiscais emitidas pela empresa Sodexho Comercial do Brasil Ltda, separando os valores pagos como alimentação aos funcionários dos valores relativos a pagamento de dietas aos pacientes. Sobre os valores desta tabela, foram cobradas as contribuições previdenciárias do levantamento ALM Alimentação, exclusivamente sobre os pagamentos como alimentação dos funcionários, por a empresa não apresentar convênio com o PAT. Em relação ao levantamento BRE Bolsa de residência em enfermagem, de acordo com o Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, art. 9º. Aqueles profissionais foram considerados como segurados obrigatórios da previdência social, contribuinte individual, nos termos do Inciso V, alínea “j” (daquele parágrafo), bem como do inciso X do parágrafo 15, com redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99. O Ministério da Saúde no Guia de Orientações para o enfermeiro residente, capítulo Normas e Diretrizes da Residência em Enfermagem, diz que o enfermeiro residente deverá comprovar, mensalmente, junto à fonte pagadora, os recolhimentos efetivados para a Previdência Social. O não cumprimento desta cláusula implica a suspensão do pagamento da bolsa." O Relatório Fiscal ainda registra que de acordo com o art. 17° da Medida Provisória n° 447, de 14 de novembro de 2008, que alterou o art. 4o da Lei n° 10.666, de 08 de maio de 2003, fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia vinte do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Por esse entendimento o enfermeiro residente é caracterizado como contribuinte individual sujeito às mesmas regras do médico residente, devendo a empresa contratante pagar a parte patronal e reter a parte pessoal desse segurado. Até a Instrução Normativa MPS/SRP n° 20, de 11 de janeiro de 2007, ao falar da contribuição devida pelo médico residente, quando paga em desacordo com a lei, estende o termo para "médico residente ou o residente em área profissional da saúde", o que corrobora esse entendimento. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 6 9 O pagamento de aluguel de campo de futebol para lazer dos funcionários, cobrado através do levantamento FUT Aluguel de Campo de Futebol, caracterizase como vantagem pessoal não abrangida por legislação específica e como se trata de uma liberalidade da empresa é base de incidência para a Previdência Social, de acordo com o art. 214 do Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Da mesma forma, o pagamento de despesas pessoais dos sócios, como IPTU, seguro de vida e até mesmo presentes pessoais, discriminados no levantamento PLI Prólabore Indireto, caracterizamse como remuneração indireta, estando sujeito à contribuição para a Previdência Social, além de infringir o princípio da Entidade presente nas Normas Brasileiras de Contabilidade (art. 4o O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade). O levantamento PRE Prestadores de Serviço, relaciona o pagamento de prestadores de serviço caracterizados como contribuintes individuais de acordo com o Decreto 3.048, de 06/05/1999, Art. 201, com contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99. A empresa também é obrigada a descontar a contribuição pessoal dos contribuintes individuais que lhes prestam serviço, no percentual de 11%, de acordo com o art. 216 do Decreto 4.048, de 06/05/1999: O levantamento TAX Transportadores autônomos, referese basicamente aos pagamentos a motoristas de táxi constantes dos movimentos contábeis encontrados. Este levantamento está amparado no § 4o do art. 201 do Decreto 3.048, de 06/05/1999: Em relação aos pagamentos a empresa Sodexho Comercial do Brasil Ltda, levantamento SDX, também entendese que deveria haver retenção no percentual de 11% sobre o valor da nota fiscal, respeitado os descontos permitidos por lei. Fundamenta retenção no art 219 do RPS, em que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5o do art. 216. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) Ainda em relação ao instrumento da retenção, se reporta à Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, art. 146. Para este fim, a empresa Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda coloca à disposição as suas instalações físicas para preparo de refeições por pessoal da empresa Sodexho do Brasil Comercial Ltda, conforme discriminado em contrato, em anexo. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 10 A empresa Sodexho não efetuou o destaque da retenção, emitindo nota fiscal de venda de mercadoria, tentando descaracterizar o instrumento da retenção, o que não exclui a responsabilidade da empresa Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda, de fazêlo., nos termos dos arts. 146, 150, I e 151 da IN n° 3, de 14/07/2005. Como não houve separação do valor do material e da mão de obra nas notas fiscais emitidas pela empresa Sodexho do Brasil Ltda, o valor da retenção foi calculado pelo valor bruto da nota fiscal. O levantamento HON Honorários profissionais, referese ao pagamento aos sócios sobre serviços prestados como médicos. O Relatório fiscal menciona a confusão entre o prólabore decorrente do serviço prestado pelos sócios como médicos com a figura do lucro, não incidindo contribuição previdenciária nem imposto de renda. Dessa forma, tanto os honorários pagos aos sócios por serviços prestados quanto ao lucro contábil distribuído aos sócios no final do exercício ou como forma de antecipação, não estariam sujeitos às contribuições previdenciárias e demais tributos. Como esta interpretação está em desacordo ao art. 28, I, da Lei 8.212, de 24/07/1001, que define salário de contribuição, já mencionado anteriormente neste relatório, a empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 3, de 03/02/2009 a informar a "relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos de 2005 e 2006, identificando a origem do lançamento", o que não foi realizado. Dessa forma, todos os pagamentos aos sócios onde não foi possível cientificar de que se trata de distribuição de lucro foi relacionado a este levantamento. Ressaltese que durante o ano de 2006, segundo informações do balanço contábil deste ano, a empresa não distribuiu lucro, o que caracteriza todos os pagamentos aos sócios como honorários médicos. Uma análise conjunta dos créditos pagos aos sócios, conforme contrato social, revela a fragilidade dos pagamentos realizados aos sócios como lucro. Pela análise da12a alteração contratual, de 17 de junho de 2005 verificase que no caso do sócio Francisco Peltier Queiroz, por exemplo, suas cotas foram transferidas para a empresa IFQ Participações Ltda, CNPJ 01.988.557/000145, passando sua participação de 56,16% para 0,001%. Assim, os pagamentos para o sócio Francisco Peltier Queiroz a partir dessa data não podem ser caracterizados em nenhuma hipótese como lucro, porque a pessoa física Francisco Peltier Queiroz praticamente deixou de ser sócio do Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia, o que leva à conclusão de que os pagamentos foram relativos a honorários médicos. Da mesma forma temos o sócio José Carlos Carneiro Lima, que repassou as suas cotas para a empresa Patrimonial Seabra Lima Ltda, CNPJ 05.679.344/000192, ficando com apenas 0,001% das cotas das empresa Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 7 11 O critério de proporcionalidade de distribuição dos lucros de acordo com a quantidade de cotas de cada sócio está mencionada desde a constituição da sociedade, no Contrato Social, cláusula 10 Balanços e Resultados. Esta cláusula se manteve na alteração contratual de 14.01.1996, permanece na 10a alteração contratual, de 31.03.1998, nem foi revogada na 12a alteração contratual, de 17.05.2005, para uma possível adequação ao novo Código Civil, onde permanece a proporcionalidade. Como não houve uma proporcionalidade na distribuição dos lucros distribuídos pela empresa, evidenciase que entre os valores encontramse pagamentos relativos a honorários, conforme atestam os diversos documentos anexados ao presente processo. Sobre este assunto, a Lei 10.406, de 10.01.2002 (Código Civil), no seu artigo 1007, fala que salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. No entanto, pela analise das informações presentes no anexo I, verificase claramente que existem pagamentos aos sócios pelo exercício de honorários médicos. Em relação a este documento, verificase mais uma vez que a empresa descumpre dois princípios básicos da contabilidade, que é o da Entidade, ao pagar contas pessoais dos sócios, como cartões de crédito, mesmo descontando posteriormente dos honorários a serem recebidos. Pela análise do mesmo documento constante no anexo I, verificase que a empresa descumpre o princípio do "Registro pelo Valor Original" ao contabilizar os lançamentos pelo valor líquido, creditando aos sócios Antonio Carlos Moreira Lemos, por exemplo, o valor de R$ 15.381,64, em 23/08/2005, referente ao período de 21/07/2005 a 19/08/2005, englobando receitas de consultas, visitas e procedimentos médicos realizados pelos sócios, deduzindo despesas pessoais com cartão de crédito, telefone e aluguel de salas e somandose os valores relativos a dividendos. Esta operação, que deve se repetir para os demais pagamentos aos sócios e demais períodos identifica a existência de uma conta extra contabilidade da empresa, já que os valores não aparecem na contabilidade, conforme mencionado no item anterior. Somandose a isso, os valores considerados como receita (visitas, consultas, procedimentos médicos) não foram considerados como receita da empresa, mas exclusivamente como receitas dos serviços prestados pelo médico sócio. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 12 Assim, fica claro que essas receitas são pessoais, dos sócios e não da empresa. Para que se pudessem caracterizar esses pagamentos aos sócios como lucro, eles deveriam ser contabilizados como receitas da empresa, que deduzidas as despesas, geraria o lucro, o que não ocorreu. Dessa forma, a empresa confunde o termo honorário, que é a remuneração pelo exercício de uma profissão liberal, com o termo lucro, que é o retorno positivo de um investimento feito por um indivíduo nos negócios. Ao confundir honorário com lucro, a empresa provoca o não pagamento das contribuições previdenciárias e demais tributos sobre o recebimento de honorários pelos médicos. Verificouse também que as empresas IFQ Participações Ltda e Patrimonial Seabra Lima Ltda não receberam lucros antecipados durante o ano de 2005, após a sua entrada na empresa, em junho de 2005, o que torna incompatível o recebimento de lucro pelos sócios pessoas físicas a partir dessa data, já que não é possível distribuir lucro para os sócios pessoa física e não distribuir para os sócios pessoa jurídica. O Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia Ltda também celebrou contrato de sociedade com Carlos Gilberto Widmer, Luiz Eduardo Lago de Castro e Thati Seixas Lima Maia para a aquisição de um tomógrafo por estes últimos e aluguel ao primeiro. De acordo com a cláusula segunda, item 4, do contrato celebrado, "os sócios participantes, se e quando exercerem atividades de uso do equipamento, serão remunerados pelo valor de honorários estabelecido para o procedimento". Como a empresa também não forneceu a relação de pagamentos a estes sócios ostensivos, separando o que é o valor do aluguel do equipamento e o que é honorário, os pagamentos aos sócios do tomógrafo foram classificados como honorários. Ressaltese que a constituição da sociedade para uso do tomógrafo foi assinado em 24 de outubro de 2005, sendo que os pagamentos aos sócios iniciaramse em janeiro de 2005, ou até mesmo anteriormente, já que não foi analisada a documentação contábil anterior a 2005. O Relatório Fiscal ainda esclarece sobre a questão das multas. Durante o período da auditoria, houve uma alteração na legislação provocada pela edição da MP 449/2008, de 03/12/2008, que alterou o percentual da multa de ofício de 24% para 75% e extinguiu o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória com código de Fundamentação Legal 68 (não declaração dos fatos geradores em GFIP) e inclusão dos artigos 32A e 35A na Lei n° 8.212/91, incluindo os Al CFL 77, entrega de GFIP em atraso, e CFL 78, entrega com omissões/incorreções relacionadas ou não a fatos geradores de contribuições previdenciárias. A MP 449/2008 foi convertida na lei n° 11.941/2008, de 27 de maio de 2009, mas por conta do princípio da retroatividade benigna estipulada pelo Código Tributário Nacional no art. 106, Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 8 13 incisso II, c, devese comparar a multa imposta pela legislação vigente à época do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente, aplicando a mais benigna, por competência. O valor e metodologia de cálculo do Al por descumprimento de obrigação acessória com CFL 68 estão discriminados no relatório com DEBCAD 37.169.6380, sendo que em todas as competências a empresa foi beneficiada com o limite máximo definido em lei, por competência, no valor de R$ 13.291,80. Dessa forma, comparandose as duas metodologias, verificase que para as competências 01/2005, 03/2005, 04/2005/ 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006, a multa mais benéfica para o contribuinte é a definida na Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008. Da mesma forma, para as competências 02/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 10/2006, 11/2006, a metodologia adotada foi a anterior à publicação da MP n° 449, com multa de ofício de 24% mais o Auto de Infração por Obrigação Acessória no Código de Fundamentação Legal 68. Por conta da adoção do princípio da retroatividade benigna foram criados levantamentos espelhos, separando os levantamentos da com cobrança das contribuições previdenciárias pela metodologia anterior à MP 449/2008 e pela atual. Quanto ao levantamento SDX a multa aplicada foi sempre de 24% por não influir no cálculo do Al CFL 68 e pela empresa não ser obrigada a informar os dados em GFIP Em relação às contribuições para as outras entidades e fundos a multa aplicada foi de 24% para todo o período, por não influir no cálculo do CFL 68. A escrituração contábil que serviu de base para os lançamentos foi fornecida pela empresa através do Termo de Início da Ação Intimação Fiscal. O Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal foi desmembrado em três, constando, no primeiro as contribuições a cargo da empresa (DEBCAD 37.169.6402), no segundo as contribuições pessoais cargo dos segurados/contribuintes individuais (DEBCAD 37.169.6410) e no terceiro as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (DEBCAD 37.169.6429), conforme discriminado abaixo. Neste Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal relativa às contribuições patronais, estão relacionados os itens de pagamento 12 (Empresa), 13 (SAT/RAT), 14 (C. Ind/Adm/Aut) e 10 (Ret. Nota Fiscal). Durante o presente processo fiscal foram lavrados os Autos de Infração discriminados à fl. 79. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 14 Todos os valores relacionados aos levantamentos estão discriminados nos relatórios Discriminativo Analítico do Débito, Discriminativo Sintético do Débito, Relatório de Documentos Apresentados e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Além dos dispositivos citados no corpo deste relatório, fundamentase também o presente crédito previdenciário pela legislação constante do relatório Fundamentos Legais do Débito. Para efeitos de anexação de documentos de prova foi designado o processo de DEBCAD 37.169.6402 como processo principal, ficando os demais processos como secundários. O contribuinte recebeu as segundas vias do Termo de Início da Ação Fiscal e Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Em função da origem dos créditos tributários será feita Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Púbico Federal e Termo de Comunicação de Débitos. Não foi confeccionado Termo de Arrolamento de Bens devido à soma dos créditos tributários, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não exceder a trinta por cento do patrimônio conhecido, conforme Instrução Normativa SRF n° 264, de 20 de 20 de dezembro de 2002, no valor de R$ R$ 29.601.928,98, de acordo o Balanço Patrimonial de 31/12/2008. O contribuinte, cientificado do lançamento ora sob julgamento em 14 de julho de 2009 (fl.02), apresentou, em 12 de agosto de 2009 (fl.26), sua peça de impugnação, mediante instrumento acostado ao presente processo (fls. 26 a 45), alegando, em síntese, o seguinte: A Auditoria não levou em consideração a comprovação dos dados com base na escrituração contábil, conforme lançamentos em contrapartida na conta do Patrimônio Liquido – “Lucros Acumulados”. Nada no ordenamento jurídico obriga a remuneração dos sócios através de prólabore, em vez da possibilidade de assim fazêlo pela distribuição de lucros. Por outro lado, a não separação de tal pagamento na contabilidade não implica na sua desconsideração enquanto lucro distribuído e sua conseqüente caracterização como prólabore, até porque o procedimento classificatório é da essência da técnica contábil. O que ainda é mais verdadeiro no caso de empresas que optem pelo regime de lucro presumido, situação em que os dados comprobatórios da distribuição de lucros estariam nas declarações de rendimentos apresentadas pelos sócios (nos termos da ADN / Cosit nº 4, de 1996). Além disto, chama à atenção para a existência de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), que, a despeito de sua autonomia, não dispõe de personalidade jurídica própria. Salienta que A SCP, da qual a autuada é sócio ostensivo, não se confunde com aquela. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 9 15 As apurações de base de cálculo e dos tributos correspondente dãose, pois, separadamente ente a SCP e o sócio ostensivo. Estanha assim o lançamento fiscal em um único Auto de Infração, que traz inclusive implicações quanto à regra do sigilo fiscal. Antecipa, assim, o pedido de arquivamento do auto. A lei fiscal autoriza três formas não excludentes capazes de retribuir valores aos cotistas de sociedades. Uma é na forma de prólabore, a qual deve ter previsão no contrato social com estabelecimento de limites de pagamento, período, etc. A segunda é da remuneração do capital através da distribuição do lucro. A terceira são os juros sobre capital próprio que não comentaremos para não atrapalhar o cerne da questão. Praticamente todas as sociedades abandonaram a retribuição através do prólabore em razão da desoneração tributária determinada pela lei fiscal do imposto de renda, Lei n° 9.249, de 1995, que afastou da tributação o pagamento de lucros e dividendos. O discurso oficial de então, que perdura até a presente data, é que a sociedade é uma ficção do direito, é uma abstração, pois a tributação efetiva incide é sobre as pessoas naturais da sociedade com implicação direta na remuneração do investidor (sócio). O pressuposto da distribuição de lucro é a sua existência, os quais podem ser remanescentes de anos anteriores, de lucros contemporâneos ou do mesmo de período ainda não concluso. Sendo este último efetivo, pela via do balanço especial ou mesmo por estimativa. A apuração estimada de lucro, habilitado à distribuição, foi descrita e autorizada pela Receita Federal do Brasil quando interpretou dispositivo da lei em comento, determinou regras da apuração do lucro, através da Instrução Normativa n° 11, DE 1996, art. 51, parágrafos 2º, 3º e 4º. Do ato interpretativo oficial da autoridade tributária é possível afirmar que o lucro distribuído pode ser contábil ou estimado. Como se lê, o lucro sujeito à distribuição pelo critério estimado é o resultante da soma algébrica inserida no parágrafo segundo acima transcrito. De outro lado, o critério contábil decorre de reservas de lucros (lucros antigos, com ou sem destinação especificas) como também de lucros acumulados ou contemporâneos, e admite ainda lucros de período em curso, que chamou de "ainda que por conta de períodobase não encerrado". Por outro giro, a distribuição de lucro pode ser realizada em proporção diferente do percentual de participação de cada sócia no capital da sociedade. Essa possibilidade já é admitida pela Receita Federal em seus chamados "Perguntas e Respostas “editados na década passada. Ademais, o novo Código Civil, em seu art. 1007 assim autoriza o pagamento desproporcional. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 16 Eventual cláusula com estipulação em contrário à regra descrita no enunciado da norma é mera recomendação do enunciado, pois, como é sabido, nem todas as práticas e opções realizadas no mundo real das sociedades estão previstas em contrato. Ou seja, a efetividade da distribuição desproporcional sem resistência de qualquer sócio revela a concordância tácita, fato que supera a necessidade de cláusula expressa. A vontade dos cotistas pode definir critérios de distribuição de lucros não proporcionais à participação no capital social da sociedade com idêntica validade. A possibilidade de desproporção não fica atrelada a critério legal. Assim estabelecer que o sócio com determinado percentual de participação no capital esteja limitado a certa quantidade de lucro afrontaria o dispositivo do código civil, que não só permitiu como autorizou a desproporção. Como afirmado na inicial, não existe lei obrigando o pagamento de prólabore, esta é uma remuneração que depende apenas da vontade dos cotistas, desde que cumpridos determinados prérequisitos. Neste sentido, cita o caso da antiga "firma individual" para o qual foi editada a "Consulta Técnica n° 328, de 2003", na qual é dito que o titular seria contribuinte obrigatório do Regime Geral RGPS independentemente de retirada de prólabore. Da mesma forma, lembra a Consulta Técnica 605, de 2005, que não incluiu no rol dos segurados obrigatórios o empresário unipessoal (firma individual), no caso de não receber prólabore, podendo contribuir na qualidade de facultativo. Passa em seguida a discorrer sobre o levantamento "HON — Honorários profissionais", fazendo referência ao "Relatório Fiscal da Auditoria", que se reporta ao Auto de infração 37.169.6402, cujos temas estão dispostos nos parágrafos 19 a 22, páginas 4 e 5, e parágrafos 66 a 84, páginas 18 a 21. A Impugnante rechaça o lançamento lembrando a confusão com a "Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda”, enquanto a razão social da Impugnante é “Instituto Cárdio Pulmonar da Bahia LTDA”. Mesmo assim, informa a apresentação do rol de empregados do Instituto, dentre eles, médicos que prestaram serviços nos anos de 2005 e 2006, na condição de empregado ou prestador de serviço e que não pertencem ao quadro societário da Impugnante. Também discorda do procedimento fiscal fundamentado na alegação de que não teriam sido apresentados documentos contábeis com a separação de prólabore e a distribuição de lucro, bem como do lançamento conseqüente: tributação de todos os valores como se prólabore fossem, com base no decreto 4.729, de 2003, que alterou o regulamento da Previdência Social, artigo 201. Ressalta que a Impugnante não é sociedade civil desde a alteração contratual n° 12, de junho de 2005, pois existe em seu quadro societário pessoa jurídica (vide Anexo III), assim como também não se enquadra no sucedâneo, a sociedade simples. A Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 10 17 tese fica robustecida pelo fato da impugnante recolher o ISS a Prefeitura Municipal de Salvador com base no faturamento, enquanto as sociedades civis recolhem em valor fixo em razão do numero de profissionais sócios. Por isso mesmo, na atualização com o novo código a sociedade foi convertida em "sociedade limitada empresária" Além da Impugnante não ser uma sociedade civil, ainda contesta o entendimento fiscal, lembrando que, em relação ao tema da antecipação de Lucro de exercício não iniciado, a Receita Federal do Brasil permite a distribuição de lucro antecipado, por conta de exercício em curso, conforme previsto na Instrução Normativa 11, de 1996, art. 51, § 3o, repisada no Ato Declaratório Normativo Cosit n°4, de 1996. Não existe no ordenamento jurídico, e mais especificamente, no sistema tributário qualquer restrição de pagamento de lucro em valores desproporcionais. Ao revés, o Código Civil, regula a matéria permitindo a desproporção. A expressão "salvo estipulação em contrário" é a autorizadora das sociedades distribuírem lucros desproporcionais ao Capital. Essa estipulação pode ser feita a cada resultado ou distribuição. E não precisa ser escrita em contrato, é suficiente a aquiescência da maioria ou de todos, como é o caso da Impugnante. Impossível é a sustentação de lançamento que diverge na essência: quer pelo destinatário do enunciado (sociedade civil, enquanto que a Impugnante é sociedade empresária), quer pela incompatibilidade quanto à conceituação fiscal do que seja prólabore ou lucro. Quanto à alegada falta de discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a impugnante assevera que tal discriminação se encontra em sua escrituração contábil. Pois, os lançamentos pertinentes ao prólabore estão em contrapartida nas contas de despesas do grupo do resultado, enquanto que para os pagamentos a título de distribuição de lucros a contrapartida é a conta de "lucros e prejuízos acumulados". Além disto, os valores distribuídos a título de lucro também se confirmam nas declarações de ajuste anual dos sócios beneficiários (anexos juntados na defesa). Igualmente refuta o argumento de que não teria a Impugnante identificado a origem do lançamento, afirmativa incompatível com a informação dada pelo próprio autuante dando conta de que teve acesso aos registros contábeis. Neste sentido, para comprovar que o acesso aos registros contábeis foi suficiente, faz a juntada das contas do Razão que sintetizam a distribuição, as quais foram disponibilizadas no curso da fiscalização, da seguinte forma: ... Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 18 Reitera o equívoco do autuante em relação ao ano de 2006, vez que a Impugnante não distribuiu lucros no período, ressalvado os distribuídos para os sócios da SCP. Quanto ao referido ano de 2006 esclarece o ocorrido: · a Impugnante era devedora da Cárdio Pulmonar Serviços Médicos Ltda. (conta do passivo exigível — mútuo da Cárdio Pulmonar). E no ano de 2006, diversos pagamentos foram realizados a terceiros, por conta e ordem da Credora (Cárdio Pulmonar), para amortizar dívida da Impugnante; · por conta das amortizações, houve a entrega de numerário, sempre por conta e ordem do Credor, tendo como beneficiários alguns sócios do Credor, por isso, tais valores foram a débito da conta do passivo que registrava o mútuo. · portanto, a Impugnante não distribuiu lucros no ano de 2006. Houve, sim, amortização com entrega de numerário aos sócios da empresa Credora, por sua conta e ordem, ainda que se considere a existência de sócios comum ao Impugnante e a empresa Credora; · por outro lado, a Impugnante distribuiu lucro em 2005 e contabilizou os valores nas contas de Lucros acumulados (o que não ocorreu em 2005). Contesta também a afirmação do auditor de que os valores distribuídos a título de lucro, são, em sua ótica, rendimentos pessoais auferidos por aquelas pessoas (não contabilizados, por não serem receitas da empresa). Reitera, ainda com relação a este aspecto, que inexiste razão na autuação quanto a distribuição de lucros para as sócias IFQ Participações Ltda. e Patrimonial Seabra Lima Ltda. Põe em xeque a autuação ao afirmar que apesar da alteração contratual pela qual foram transferidas cotas sociais antes de titularidade das pessoas físicas dos médicos Francisco Peltier Queiroz e José Carlos Carneiro Lima para as mencionadas pessoas jurídicas por eles constituídas, os lucros continuaram (no período fiscalizado) a ser pagos às pessoas físicas. Destaca que no próprio relatório fiscal da auditoria consta a informação de que essas duas pessoas físicas continuaram como sócios da impugnante, em que pese a redução das suas respectivas participação societárias para 0,001% do capital social. Remanesceram, deste modo, na qualidade de sócios, pessoas físicas da impugnante, com direito a percepção de lucros. O que coloca em questão de qual seria o motivo da tributação na Impugnante se o caso se remete a rendimentos pessoais. Em conclusão a questão da distribuição de lucros tributada como prólabore, não é possível a manutenção do crédito tributário construído sob tamanho equivoco. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 11 19 Pois, uma atenta leitura dos argumentos e das peças contábeis juntadas é possível criar a convicção sobre a insubsistência dos autos de infração nesta parte. Quanto ao levantamento Alimentação, o auto de infração imputa à autuada suposto descumprimento de obrigação tributária com aplicação de multa, sob a alegação de que a mesma não teria declarado em GFIP valores concernentes à alimentação. Não se sustenta a tese do autuante, em razão da impugnante não estar conveniado ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, as despesas com alimentação compõem o salário pagos "in natura", passível de integração à remuneração, fato gerador da contribuição previdenciária. A Jurisprudência é pacífica e entende que não é obrigatório a empresa ser conveniada ao PAT para o fornecimento de alimentação aos seus funcionários, não compondo a remuneração. Cita jurisprudência sobre a matéria. Deste modo, o auto de infração veicula exigência tributária de forma contrária ao entendimento da jurisprudência dos tribunais superiores. O fato da impugnante não manter convênio com o PAT não descaracteriza a natureza jurídica do fornecimento de alimentação. Por conseguinte, não é cabível a exigência de declaração destes valores em GFIP, conforme entendimento do autuante. Relativamente ao levantamento “Bolsa residência em enfermagem”, a impugnante foi autuada sob o equivocado entendimento de que os valores pagos à títulos desta rubrica deveriam ter sido declarados em GFIP, com o pagamento da parte patronal e retenção da parte pessoal do residente. No caso da impugnante, a bolsa residência não se caracteriza como salário, possuindo caráter eminentemente ressarcitório e não remuneratório. Não se aplica o art. 9o, X, do decreto n.° 3.048/99, porque a referida norma legal inclui como segurado obrigatório da Previdência Social o "Médico Residente", enquanto que a hipótese em exame é de bolsa de residência em enfermagem. Por todos esses motivos, não é devida a contribuição exigida nem a obrigação de declaração em GFPI, muito menos, a multa aplicada. Vale observar que a impugnante possui quadro funcional composto por diversos profissionais em enfermagem com vínculo empregatício, em relação aos quais as contribuições devidas são corretamente pagas. O oferecimento de bolsa auxílio para enfermeiras em formação atende especificamente ao programa de desenvolvimento de educação profissional em parceira com núcleo de PósGraduação da Escola de Enfermagem da UFBA. A Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 20 impugnante oferece apenas 02 (duas) vagas por ano, para participantes que mantêm vínculos com a Instituição de Ensino citada, caracterizando a relação com a impugnante apenas como estágio profissional, fato que não gera nenhuma obrigação previdenciária. O programa de residência médica que gera obrigações previdenciárias desvincula o médico residente da Instituição de Ensino e o mantém, exclusivamente, vinculado à Secretaria de Saúde do Estado ou à Unidade Médico Hospitalar, caso completamente diferente da situação das enfermeiras "residentes" na unidade da impugnante. O trabalho realizado pelas estudantes de enfermagem não caracteriza "residência", mas sim um estágio complementar, pelo simples fato de ficar mantido o vínculo com a Instituição de Ensino Superior. A impugnante apenas oferece uma bolsa auxílio. Esta situação fática não gera obrigações previdenciárias. A impugnante não se utiliza deste programa para quaisquer finalidades ilícitas. Quanto ao levantamento relativo ao pagamento de aluguel de campo de futebol para lazer dos funcionários, a autuação entendeu que se trata de vantagem pessoal, sujeita a incidência de contribuição previdenciária, por suposta incidência do art. 214, do decreto 3.048/99. Novamente a autuação extrapola os limites legais. Não há qualquer correlação entre o pagamento de aluguel de campo de futebol para lazer dos empregados com a hipótese legal invocada no auto de infração O salário de contribuição, sob aspecto jurídico, abrange a remuneração direta ou indireta, inclusive sob a forma de utilidades, pelos serviços prestados ou pelo tempo à disposição ao empregador. No caso em comento, a impugnante pagou aluguel de campo de futebol, disponibilizandoo para eventual lazer de funcionários, familiares, amigos ou colaboradores da empresa, sem nenhuma vinculação com a contraprestação do trabalho. Para a caracterização jurídica de salário ou remuneração é indispensável o nexo causal entre o pagamento e o serviço prestado pelo empregado. Ainda que ocorra de forma indireta, a utilidade apenas se caracteriza como remuneração na medida em que se implementa pelo trabalho. O pagamento de aluguel de campo de futebol jamais pode ser classificado como remuneração e, por conseguinte, fato gerador de contribuição previdenciária. Não há qualquer controle ou obrigatoriedade no comparecimento à referida atividade de lazer e o intuito é meramente recreativo e de integração dos funcionários com seus familiares c amigos. Nem todos os funcionários utilizam dessa beneficie. Assevera o contribuinte que a autuação pelo pagamento de aluguel de campo de futebol dá o tom da linha de pensamento do autuante, com evidente exacerbação dos limites estabelecidos na legislação em vigor. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 12 21 Em relação ao pagamento de salário indireto aos sócios da impugnante (IPTU, seguro de vida e presentes pessoais), lembra o impugnante, a alegação do autuante de não procede. Em verdade, ocorreram adiantamentos posteriormente ressarcidos e apropriados na conta contábil antecipação de lucros (razão em anexo). Entende, portanto, que não foram esses valores pagos a título de salário indireto, vez que o ressarcimento se constitui como elemento irrefutável da inexistência de natureza salarial. Também impugna a inclusão no auto de valores relativos ao pagamento de prestadores de serviços / contribuintes individuais, nos termos do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 201. Ressalta como incabível tal levantamento, vez que os documentos contábeis demonstram que não se tratam de segurados contribuintes individuais. Com relação à autuação que inclui valores referentes a recibos de pagamentos a motoristas de táxi, considerandoos fato gerador de contribuição a cargo da empresa, com base na suposta incidência do art. 201, § 4o, do decreto 3.048/99, entende como não aplicável ao caso presente a referida hipótese legal tendo em vista que a impugnante não pagou ou creditou a remuneração diretamente ao condutor autônomo do veículo. Esses valores foram reembolsados aos colaboradores que utilizaram eventualmente esses serviços autônomos de táxi. O caráter foi ressarcitório e não remuneratório. A regramatriz da incidência tributária pressupõe o pagamento direto da remuneração ao condutor de táxi, o que não ocorreu no caso em apreço. Assim, não é devida a contribuição exigida nem as multas aplicadas. Quanto ao levantamento “Sodexho Comercial do Brasil Ltda”, contesta a alegação do autuante de que a impugnante teria deixado de reter o percentual de 11% (onze pro cento) sobre o valor das notas fiscais emitidas pela Sodexho Comercial do Brasil Ltda. Explica o contribuinte que, conforme notas fiscais anexas, a Sodexho Comercial do Brasil Ltda. é responsável pelo fornecimento de refeições à impugnante, caracterizado pela entrega das refeições, conforme prescrições e descrições médicas e nutricionais. O objeto da relação jurídica é o fornecimento de produtos e não de serviços. O preço é composto por tabela que relaciona valores para cada item de refeição, sem remuneração por serviços. Quando da emissão das respectivas notas fiscais, a Sodexho Comercial do Brasil Ltda. descreve os produtos vendidos, com quantitativo e valor unitário, com o recolhimento de ICMS, pela circulação de mercadorias. A autuação é equivocada porque inaplicável o art. 219, invocado no item 60 do relatório de auditoria fiscal, na medida em que a impugnante não contratou serviços executados mediante sessão ou empreitada de mão de obra. Por outro lado, a incidência de Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 22 ICMS sobre o valor total da nota fiscal sinaliza para o enquadramento tributário do pagamento, sendo inaceitável bitributação sobre o mesmo fato gerador. Por estes motivos, entende a impugnante, é indevida a cobrança de contribuição previdenciária sobre os pagamentos relacionados no auto de infração, bem como respectivas multas. Não cabe qualquer penalidade neste sentido, até porque as multas aplicadas se encontram revogadas e não exigíveis. Afirma que a descrição do fato/evento, que resultou na aplicação da multa diz que a empresa apresentou documento com "dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”.Ou seja, a empresa teria deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social as contribuições previdenciárias relacionadas no Auto de infração principal. O enquadramento legal da autuação é da Lei 8.212, de 1991 art. 32, inciso IV. O Auditor, portanto, aplicou multa revogada ou multa inexistente. Neste sentido, transcreve os art. 32, IV, parágrafos 2º, 9º e 10º e 11 e art. 32A, I, II, §§ 1º, 2º, I, II, § 3º, I, II da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Como a Impugnante entregou a declaração a que se refere o inciso IV do art. 32, na hipótese de manutenção do auto de infração principal sobre a contribuição patronal, a multa aqui aplicável seria a prevista do art. 32 A, inciso I, ou seja, de R$ 20,00, por grupo de omissão ou incorreção na referida Declaração. Considerando que o autuante aplicou uma multa revogada (§4°, do art. 32 da Lei 8.212), bem como o fato de que o art. 79, da Lei 11.941, em seu inciso primeiro, revoga expressamente a multa aplicada, concluise que é nulo o auto de infração que aplica multa retirada do ordenamento jurídico pela revogação, principalmente quando a nova norma está em vigor na época do lançamento. Não é possível prosperar essa autuação e também não pode ser convertida na nova penalidade. Face ao exposto, requer a impugnante o acolhimento desta impugnação para que a Turma de Julgamento determine a nulidade ou o cancelamento do presente Auto de Infração, com o deferimento da preliminar ou improcedência do mérito da autuação, vez que o contribuinte cumpriu com suas obrigações perante o Fisco. Lembra que as parcelas não consignadas em folha de pagamento não têm natureza salarial. Ainda solicita da autoridade julgadora, no caso do insucesso da impugnação, minuciosa decisão acerca da tributação sobre a distribuição de lucros e da nulidade dos autos com multas acessórias revogadas, sob pena de desobediência ao preceito constitucional do direito a ampla defesa e da decisão administrativa motivada. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 13 23 Enfim, que pratique todos os atos, como de hábito, para que se alcance a verdadeira justiça. Pede a produção dos meios de prova admitas em direito, especialmente a prova documental. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: Alimentação: · O fato de fornecer alimentação in natura a seus funcionários afasta a incidência tributária, independentemente da inscrição no PAT. Residência de enfermagem: · A recorrente não tem em seus quadros residentes na área de enfermagem, mas estagiários; · Enfermeiros residentes não são segurados da previdência social; Aluguel de campo de futebol · Essa despesa não compõe o salário de contribuição; · Não é remuneração pelo trabalho, mas lazer dos funcionários e seus familiares. · Para a caracterização de salário ou remuneração é indispensável o nexo causal entre o pagamento e o serviço prestado. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 24 · O campo de futebol é disponibilizado aos funcionários, usufruindo aquele que quiser. Prólabore indireto · Não pagou despesas pessoais dos sócios. · Efetuava pagamentos por conta e ordem do sócio, efetuando o respectivo lançamento em conta do ativo, que viria a ser eliminado no encontro de contas com os lucros acumulados. Prestadores de serviço § Fiscal não apresentou comprovante de todos pagamentos, apresentou menos da metade. Vício. Nulidade. § Irrelevante não ter argüido a nulidade em sede de impugnação. § Contesta o valor. Transportadores autônomos · Os pagamentos foram feitos aos taxistas. Tiveram o fim de ressarcir os colaboradores que se utilizaram de táxi. · Caráter indenizatório. Sodexho Comercial do Brasil Ltda (falta de retenção) · Trata o contrato de fornecimento de produto (refeição), não de serviço, muito menos cessão de mão de obra. · O preço é composto por tabela que relaciona cada item de refeição, sem remuneração por serviço. · Quando da emissão das notas, a Sodexho descreve os produtos vendidos, com quantitativo e valor unitário, com destaque e recolhimento de ICMS. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 14 25 Distribuição de lucros e honorários médicos · Era devedor da Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda. No ao 2006 efetuou diversos pagamentos a terceiros por conta e ordem do credor. · A existência de sócios comuns entre o credor e o recorrente não afasta a licitude do mútuo. · A disposição contida no artigo 1.007 do Código Civil não obriga que a desproporcionalidade da distribuição dos lucros esteja expressa nos atos constitutivos da empresa. A expressão “salvo disposição em contrário” não determina a forma dessa estipulação, se escrita ou proveniente do costume empresarial. · Os pagamentos feitos a não sócios referemse a aos lucros da Sociedade Em Conta de Participação que o recorrente constituiu com pessoas físicas. Multas · Legislação inaplicável. Nulidade. É o relatório Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 26 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. ALIMENTAÇÃO: A recorrente alega que o fato de fornecer alimentação in natura a seus funcionários afasta a incidência tributária, independentemente da inscrição no PAT. A fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 15 27 fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Entendo que se deva excluir do lançamento os levantamentos relativos à alimentação. RESIDÊNCIA DE ENFERMAGEM: A recorrente afirma que não tem em seus quadros residentes na área de enfermagem, mas estagiários e que bolsa auxílio de estágio não gera obrigação previdenciária. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão à recorrente. Documento apresentado à folha 531, emitido pela coordenadora do Curso de Especialização/Residência do Programa de PósGraduação em Enfermagem da Universidade Federal da Bahia e endereçado à Coordenadora de Enfermagem do Hospital Cárdio Pulmonar, encaminha documentação das alunas que atuavam “sob a forma de residência”, “que receberão bolsa”. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 28 Também as folhas de pagamento da Cárdio Pulmonar, folhas 534 a 546, assim descrevem: “Função: RESIDENTE”. Com base tanto em documentos da escola quanto da recorrente, entendo que o trabalho era “residência” e não de “estágio”, portanto, correto o lançamento. ALUGUEL DE CAMPO DE FUTEBOL A recorrente alega que essa despesa não compõe o salário de contribuição; que não é remuneração pelo trabalho, mas lazer dos funcionários e seus familiares e que o campo de futebol é disponibilizado aos funcionários, usufruindo aquele que quiser. O acórdão recorrido fundamentou a manutenção do levantamento no artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. Tal artigo estabelece o que se entende por salário de contribuição. Entendo que o aluguel do campo de futebol, disponibilizado para lazer dos funcionários, pago mensalmente a uma pessoa jurídica, não representa remuneração pelo trabalho nem se caracteriza como salário de contribuição. Entendo que os lançamentos referentes ao aluguel do campo de futebol devem ser excluídos. SODEXHO COMERCIAL DO BRASIL LTDA (FALTA DE RETENÇÃO) A recorrente alega que a tributação é improcedente visto que o contrato é de fornecimento de produto (refeição), não de serviço, muito menos cessão de mão de obra; o preço é composto por tabela que relaciona cada item de refeição, sem remuneração por serviço; quando da emissão das notas, a Sodexho descreve os produtos vendidos, com quantitativo e valor unitário, com destaque e recolhimento de ICMS. Entendo que cabe razão à recorrente. Entendo que a operação foi de venda de mercadoria. As notas fiscais especificam “desjejum, almoço, ceia, jantar, café, café com leite, suco, água mineral, lanche, copos descartáveis”, etc. Não percebo caracterizada a cessão de mão de obra. Entendo que os lançamentos referentes à falta de retenção da empresa Sodexho devem ser excluídos. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 16 29 TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS A recorrente alega que os pagamentos foram feitos aos taxistas. Tiveram o fim de ressarcir os colaboradores que se utilizaram de táxi e que tiveram caráter indenizatório. O lançamento está fundamentado no artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, que estabelece a obrigação tributária quando houver remuneração paga a condutor autônomo Art.201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: § 4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. Entendo que o serviço de transporte efetuado por condutor autônomo foi prestado para a empresa e entendo que tal situação constitui fato gerador conforme estabelecido na legislação acima apresentada. Entendo correto o lançamento. PRESTADORES DE SERVIÇO A recorrente contesta os valores lançados. O acórdão recorrido afirma que “os documentos contábeis demonstram que se trata de fato de segurados contribuintes individuais”. Quanto ao levantamento PRE Prestadores de Serviço, temse a improcedência da impugnação à inclusão no auto de valores relativos ao pagamento de prestadores de serviços / contribuintes individuais, nos termos do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 201, vez que os documentos contábeis demonstram que se trata de fato de segurados contribuintes individuais. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 30 Após apreciação dos documentos apresentados , entendo por dar parcial razão à recorrente. Entendo que os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento, conforme documentos de folhas 958 e 1009, correspondem a pagamento à pessoa jurídica Assessoria e procuradoria de Documentação em Geral e, portanto, devem ser excluídos do levantamento. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E HONORÁRIOS MÉDICOS Este lançamento referese, segundo a fiscalização, a pagamento aos sócios relativo a serviços prestados como médicos e declarados como distribuição de lucros “a empresas entende, incorretamente, que os serviços prestados pelos sócios como médicos confundese com a figura do lucro”. A fiscalização informa ainda que “a empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal nº 3, de 03/02/2009 a informar a “relação de todos os pagamentos aos sócios, durante os anos 2005 e 2006, identificando a origem do lançamento”, o que não foi realizado”, que a distribuição dos lucros foi desproporcional à participação dos sócios e que durante o ano 2006 a empresa não distribuiu lucro. A Lei 10.406, de 10.01.2002 (Código Civil), no seu artigo 1007, dispõe que, salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas; Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. O Contrato Social da empresa estabelece o critério de proporcionalidade de distribuição dos lucros de acordo com a quantidade de cotas de cada sócio (os contratos sociais estão inclusos no processo). Acórdão recorrido: convém ressaltar que o critério de proporcionalidade de distribuição dos lucros de acordo com a quantidade de cotas de cada sócio está mencionado desde a constituição da sociedade no Contrato Social, cláusula 10 Balanços e Resultados, cláusula que se manteve nas alterações contratuais de 14.01.1996, de Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 17 31 31.03.1998 (10a alteração contratual), nem foi revogada na de 17.05.2005 (12a alteração contratual), o que ocorreu com a adequação ao novo Código Civil; como não houve a esperada proporcionalidade na distribuição dos lucros distribuídos pela empresa, a auditoria considerou os pagamentos como relativos a honorários (prólabore), conforme atestam os diversos documentos anexados ao presente processo; Contrato Social (folha 208) VIII.3 – O sócio participa dos lucros e das perdas na proporção das suas respectivas cotas sociais. Como exemplo da distribuição desproporcional, cito que, em 11/2005, a empresa IFQ, proprietária de 57,70 % das cotas da Cárdio Pulmonar nada recebeu de distribuição de lucros, enquanto que Francisco Peltier Queiroz, com participação de 0,001%, recebeu R$ 36.567,81 e João de Souza ponde Neto, com 21,00% recebeu R$ 34.323,21. O Relatório Fiscal informa que no ano 2005, nada foi distribuído para as sócias pessoas jurídicas. da mesma forma, as empresas IFQ Participações Ltda e Patrimonial Seabra Lima Ltda, sócias da autuada a partir de 06/2005, não receberam lucros antecipados durante o ano de 2005, o que torna incompatível o recebimento de lucro pelos sócios pessoas físicas a partir dessa data, já que não é possível distribuir lucro para os sócios pessoa física e não distribuir para os sócios pessoa jurídica. Para os pagamentos feitos a não sócios , a alegação da recorrente é que referemse a aos lucros da Sociedade em Conta de Participação – SCP, que o recorrente constituiu com pessoas físicas. Com base nos documentos constantes do processo, verificase a existência de uma SCP onde a recorrente é a sócia ostensiva, com 55% e Carlos Widmer, Luiz Eduardo Lago de Castro e Thati Seixas Lima Maia são sócios participantes, cada um com 15%. O contrato prevê a distribuição dos resultados em igualdade entre os sócios pessoas físicas. Documento apresentado pela recorrente apresenta, no ano 2005 os 3 sócios com valores diferentes: Carlos Widmer = R$ 30.360,78 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 32 Luiz Eduardo Lago de Castro = R$ 30.710,89 Thati Seixas Lima Maia = R$ 37.541,45 Também no ano 2006 os valores são diferentes. O contrato também previa que os sócios participantes, no exercício de suas atividades, quando usassem o equipamento seriam remunerados pelo valor dos honorários estabelecidos para o procedimento. Entendo que esses valores não correspondem ao lucro da SCP e sim aos honorários. Para o ano 2006, onde não houve distribuição de lucros, a alegação é de que era devedor da Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda e que efetuou diversos pagamentos a terceiros por conta e ordem do credor. Inicialmente registro que durante a ação fiscal não houve apresentação dos documentos solicitados, conforme descrito acima. As provas apresentadas não convencem. Para fazer prova do mútuo, é apresentado o Livro 21, Razão consolidado para o ano 2006 da empresa Cardio Pulmonar Serviços Médicos Ltda. As folhas 1 a 6, são apresentas duas vezes,com informações distintas (folhas 905 a 910 e 912 a 917). Entendo correto o lançamento. PRÓLABORE INDIRETO O lançamento está baseado em pagamento de despesas pessoais tais como IPTU, seguro de vida e presentes pessoais. A recorrente alega que não pagou despesas pessoais dos sócios, apenas efetuava pagamentos por conta e ordem do sócio, efetuando o respectivo lançamento em conta do ativo, que viria a ser eliminado no encontro de contas com os lucros acumulados. A alegação não procede. O lançamento referese às competências 6, 7, 10, 11 e 12/2005 e 1 e 7/2006. Conforme demonstrado acima, os lucros são distribuídos de forma contrária ao estabelecido no contrato social e à legislação. Está comprovado o pagamento de despesas pessoais. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 18 33 Entendo procedente o lançamento. MULTAS A recorrente questiona a multa aplicada. O presente lançamento referese a fatos geradores acorridos no anos 2005 e 2006. A autuação foi consolidada em 07/2009. Em dezembro de 2008 a legislação acerca de multa foi alterada. Consta do Relatório Fiscal explicação e demonstrativo do cálculo da multa aplicada. Foi efetuada comparação, competência por competência, da multa segundo a regra vigente à época dos fatos geradores e segundo a nova sistemática (MP 449/2008 e Lei 11.491/2009) e prevaleceu a mais benéfica. Do resultado da comparação entre as duas metodologias, resultou que para as competências 01/2005, 03/2005, 04/2005/ 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 02/2006, 03/2006, 04/2006, 05/2006 e 12/2006, a multa mais benéfica para o contribuinte é a definida na Medida Provisória n° 449/2008; para as competências 02/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 06/2006, 07/2006, 08/2006, 09/2006, 10/2006, 11/2006, a metodologia mais benéfica foi adotada com base na legislação anterior à publicação da MP n° 449. Entendo correto o procedimento da fiscalização. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão integral dos levantamentos relativos à alimentação, ao aluguel do campo de futebol, à falta de retenção da empresa Sodexho. Para o levantamento PRE – Prestadores de serviço, a exclusão parcial de valores, excluir somente os valores lançados referentes a pagamentos ao senhor Adelário Nascimento. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 34 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Redator designado PAGAMENTOS A TAXISTAS A autoridade fiscal efetuou o levantamento referente aos valores desembolsados a título de serviços de taxistas em razão da ausência de retenção das contribuições previdenciárias dos transportadores autônomos, nos termos do art. 201, § 4º, do Decreto nº. 3.048/99. Ocorre, contudo, conforme alegado pela Recorrente, os pagamentos realizados a título de transportes não foram feitos diretamente a motoristas de táxi, e sim a título de reembolso por despesas realizadas pelos colaboradores que se utilizaram de tais serviços. Portanto, não há que se falar em retenção quando o que se verifica é apenas o ressarcimento por despesas com táxi, verbas estas cujo caráter é patentemente indenizatório, razão pela qual não incide contribuição previdenciária. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO Quanto ao entendimento do Conselheiro Relator, no que concerne à correta aplicação do cálculo da multa de mora efetuada pela autoridade fiscal, hei de discordar. O auditor consigna em seu relatório fiscal que o comparativo de multas foi realizado utilizandose dois parâmetros: a metodologia anterior à MP 449/2008 (multa de ofício de 24% juntamente com o Auto de Infração de descumprimento de obrigação acessória (art. 32, § 5º, da Lei nº. 8.212/91) com a metodologia posterior à referida medida (aplicação da multa de ofício de 75%). Contudo, constatase que o comparativo realizado merece reparos. Explica se. É que a MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO Processo nº 10580.723518/200931 Acórdão n.º 2403001.985 S2C4T3 Fl. 19 35 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO 36 e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir a rubrica dos transportadores autônomos, assim como excluir a multa de ofício até a competência de 11/2008 e recalcular a multa de mora, conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 1.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% . Marcelo Magalhães Peixoto Redator designado. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por MARCELO MAGALHA ES PEIXOTO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910086/2009-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROVAS.
É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição cumulado com declaração de compensação, transmitido em 15/12/2006. Por meio de despacho decisório, notificado ao contribuinte em 23/07/2009, a compensação não foi homologada. O motivo invocado pela autoridade administrativa foi que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 86 /2 00 9- 07 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 valor do DARF vinculado à compensação estava inteiramente alocado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou o contribuinte que sua contabilidade era terceirizada. O profissional contratado desconhecia na íntegra a legislação do PIS e Cofins e durante muito tempo efetuou recolhimentos a maior a contribuição. Tendo percebido o fato, a empresa recalculou os tributos indevidamente recolhidos e passou a compensálo com créditos vincendos. O preenchimento da DCTF e do DACON ocorria por conta do escritório contábil e por diversas vezes desconhecia o conteúdo das declarações apresentadas pelo contador à Receita Federal. A DRJ – Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquele acórdão em 29/11/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/12/2011, alegando, em síntese, o seguinte: 1) houve erro do contador em recolhimentos da contribuição efetuados em períodos anteriores, em razão do não aproveitamento de créditos legítimos aos quais tem direito, conforme demonstrado na planilha anexa; 2) o fato do contador não ter retificado previamente as DCTF e os DACON não obsta o seu direito à compensação; 3) a glosa efetuada pela autoridade administrativa é indevida, pois se havia dúvida quanto à legitimidade do crédito, poderia ter sido feita sua verificação por meio de procedimento de fiscalização; 4) os valores declarados em DCTF não são intocáveis e só se subsumem à condição de confissão de dívida quando efetivamente devidos; 5) invocou o princípio da verdade material e requereu o deferimento de diligência a fim de que reste comprovada a legitimidade da compensação efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que no caso concreto o despacho que não homologou a compensação está escorado na inexistência do crédito, pois o valor do DARF informado no PER/DCOMP está integralmente vinculado à quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10920.910086/200907 Acórdão n.º 3403002.438 S3C4T3 Fl. 3 3 Portanto, cabia ao contribuinte o ônus de comprovar a existência do indébito, a fim de elidir o referido despacho. O contribuinte alegou que efetuara recolhimentos indevidos, em razão de seu contador não ter descontado créditos legítimos da contribuição, os quais estariam demonstrados nas planilhas anexas ao recurso. Invoca, ainda, o princípio da verdade material para requerer diligência, a fim de que a fiscalização verifique a existência do indébito alegado. O art. 74, VI, § 7º da Lei nº 9.430/96 estabelece que no caso de não homologação da compensação declarada, o sujeito passivo será intimado a efetuar o pagamento em 30 dias, ressalvado o disposto no § 9º. O § 9º estabelece que é possível apresentar manifestação de inconformidade, enquanto que e o § 11 estabelece que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguirão o rito do Decreto nº 70.235/72, que regula o Procedimento Administrativo Fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Por seu turno, o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, assim estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...)” (Grifei) À luz do art. 16, III, do PAF, caberia ao contribuinte ter comprovado os alegados erros cometidos por seu contador, assim como as bases de cálculo das contribuições e os créditos que supostamente não teriam sido descontados por ocasião das apurações mensais. Por não ter trazido a prova da existência do indébito, não restou outra alternativa ao julgador de primeira instância, a não ser indeferir a manifestação de inconformidade. A defesa alegou que a falta de retificação das declarações não afasta o direito à compensação do que pagou a mais e invocou, no recurso voluntário, o princípio da verdade material para justificar a realização de diligência, a fim de que fosse aferida a existência do indébito. Realmente, a falta de retificação da DCTF e do DACON não suprime o direito de o contribuinte reaver eventual indébito por pagamento indevido. Entretanto, é ônus processual do contribuinte demonstrar a certeza e a liquidez do indébito alegado. As diligências se prestam para esclarecer dúvidas e obscuridades decorrentes da análise dos elementos de prova juntados aos autos pelas partes após terem se desincumbido do ônus processual de provar os fatos jurígenos do direito que alegam. Diligências não se prestam para produzir as provas que deveriam ter sido trazidas aos autos pelas partes no momento processual oportuno. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A regra do art. 16, III, do PAF é clara: cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. A planilha apresentada com o recurso voluntário nada comprova, pois veio desacompanhada dos documentos contábeis hábeis a dar suporte aos números alegados. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/09/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722422/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do RICARF. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A do RICARF. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 42 2/ 20 11 -5 5 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.722422/201155 Resolução nº 1302000.258 S1C3T2 Fl. 633 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/BEL, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.722422/201155 Resolução nº 1302000.258 S1C3T2 Fl. 634 3 pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Na apuração do crédito tributário, utilizouse a autoridade fiscal do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e as informações bancárias foram obtidas das instituições financeiras com base no art. 6º da LC nº 105/01, sendo este último dispositivo atacado na peça recursal, acoimado de inconstitucional. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.722422/201155 Resolução nº 1302000.258 S1C3T2 Fl. 635 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A matéria posta em discussão (constitucionalidade da requisição de informações financeiras pelas autoridades tributárias sem autorização judicial, com base na LC 105/2001) foi objeto de reconhecimento de repercussão geral pelo STF no julgamento do RE 601.314. Tendo em vista que o mérito ainda não foi decidido pelo plenário da Corte Suprema, cabe aplicação no caso do art. 62A do RICARF, que determina o sobrestamento do processo, enquanto não decidido o mérito no STF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, diante dos fatos constatados, voto para sobrestar o julgamento do presente processo administrativo, nos termos do §2º do art.62A do RICARF, até que sobrevenha decisão de mérito do STF nos autos do RE 601.314. Sala das Sessões, 10 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 05/10/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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