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Numero do processo: 10530.721634/2016-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.000864/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A validade do lançamento é pautada na observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4.
A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A validade do lançamento é pautada na observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972.
MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2.
A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4.
A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada na observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada na observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada na observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada na observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75% sobre o imposto devido e não recolhido é prescrita pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 64 /2 00 7- 34 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 341 2 Constatada a ausência de recolhimento, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF N° 2. A análise da caracterização da multa de ofício com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4. A Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a autoridade constatou a existência de valores não oferecidos à tributação, no ano de 2002, referentes ao PIS e à COFINS. A falta de recolhimento foi apurada no exame dos livros e documentos fiscais em cotejo com os dados declarados em DCTF. Em razão da falta apurada, foram lavrados os seguintes autos de infração: · COFINS: Crédito tributário no valor total de R$ 147.015,87, incluídos tributo, multa e juros de mora. · PIS: Crédito tributário no valor total de R$ 31.853,41, incluídos tributo, multa e juros de mora. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 342 3 Relata a fiscalização que, com base no Razão Analítico, foram identificadas as contas abaixo que interferiram nos valores das contribuições devidas: · Vendas: conta 411.01.00012 · Devolução de Vendas: conta 411.02.00033 · Juros Ativos: conta 481.01.00013 · Rendas c/aplicações de curto prazo: conta 481.01.00031 · Lucro com alienação do Ativo Permanente: conta: 481.06.00018 A partir das informações constantes do Razão, referentes às contas supracitadas, a fiscalização elaborou demonstrativo, com o detalhamento da composição da base de cálculo de PIS e COFINS e as respectivas exclusões permitidas pela legislação vigente. O demonstrativo segue a seguir colacionado: Em impugnação, a empresa teceu os seguintes argumentos: I. Foi incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor do lucro apurado na venda do veículo GM OMEGA, no valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais). O valor correspondente à venda do citado veículo, efetivamente, não integra a receita operacional da empresa e, também por este motivo, não poderia ter composto a base de cálculo do PIS e da COFINS. Considerando que o veículo pertencia ao ativo fixo, o valor do lucro apurado NÃO poderia integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, sendo, portanto, manifestamente NULA a autuação fiscal. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 343 4 II. Os juros ativos também foram tributados pelo PIS e pela COFINS, o que não pode ser admitido, pois as receitas financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. III. É improcedente a autuação fiscal, já que a base de cálculo com a alteração promovida pela Lei n° 9.718/98, foi considerada inconstitucional pelo STF. IV. Não deve incidir multa de ofício e os juros de mora. Os juros aplicados são inconstitucionais em virtude da frontal ofensa ao princípio da isonomia, garantia constitucional consagrada no art. 5°. V. A multa de ofício no patamar de 75% tem caráter confiscatório. A 6ª Turma da DRJ/SPOI, no acórdão n° 1632.742, deu provimento parcial à impugnação, considerando a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 declarada pelo STF, para excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS: o valor correspondente ao total de juros ativos Conta: 4810100013, do período de janeiro a março (R$ 34,22, R$ 196,75 e R$ 247,74), maio a julho (R$ 41,62, R$ 106,93 e R$ 181,73), setembro e novembro de 2002 (R$ 46,40 e R$ 80,17) e APLIC./VD DE AP Conta: 4810100031 e Conta: 4810600018, mês de maio de 2002, decorrente do resultado da venda do veículo GM OMEGA, de R$ 11.000,00. No mais, afastou a alegação de nulidade da autuação e manteve a exigência de multa de ofício e juros. A decisão restou assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 NULIDADE. DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de auto de infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES CONTRA A LEGISLAÇÃO. O julgador administrativo carece de competência para apreciar alegações voltadas contra a legislação tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. A falta de recolhimento da COFINS, apurada no exame dos livros e documentos fiscais do contribuinte em cotejo com os dados declarados em DCTF, quando devidamente comprovado em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 344 5 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. AFASTAMENTO. LEI N° 9.718/98. Revelada a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, considerase indevida a incidência da COFINS sobre receita que a autoridade lançadora classifica em grupo distinto daquele relativo a prestação de serviços e vendas de mercadorias. (...) Em recurso voluntário, a empresa aduz que: I. O auto de infração é nulo, já que fundamentado em dispositivo legal de manifesta inconstitucionalidade, conforme reconhecido na própria decisão recorrida. II. A decisão de piso é nula, na medida em que deixou de discriminar, detalhadamente, a natureza dos valores que compuseram a base de cálculo das contribuições, impossibilitando o direito à ampla defesa. III. Os juros são inconstitucionais em virtude da frontal ofensa ao princípio da isonomia. IV. A multa de ofício no patamar de 75% é nula, em face de seu caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração Afasto a pretensão de declaração de nulidade do auto de infração, porquanto entendo terem sido observados os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 345 6 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Logo, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Portanto, voto por não acolher a preliminar. Nulidade da decisão recorrida Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 346 7 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS e da COFINS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. Dessa forma, acertadamente, a decisão de piso excluiu da base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor correspondente ao total de juros ativos Conta: 4810100013, do período de janeiro a março (R$ 34,22, R$ 196,75 e R$ 247,74), maio a julho (R$ 41,62, R$ 106,93 e R$ 181,73), setembro e novembro de 2002 (R$ 46,40 e R$ 80,17) e APLIC./VD DE AP Conta: 4810100031 e Conta: 4810600018, mês de maio de 2002, decorrente do resultado da venda do veículo GM OMEGA, de R$ 11.000,00. Não há nulidade na decisão recorrida, pois está claro quais foram as contas excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, confirase o detalhamento da receita bruta que consta no acórdão: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 347 8 Multa de ofício e juros de mora confiscatórios Todos os traços da multa de ofício aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Quanto à Selic, a Lei nº 9.430/1996 dispõe que os débitos com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61). Nesse sentido, a Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da multa de ofício: a falta de recolhimento de PIS e COFINS, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da penalidade, acompanhada dos acréscimos legais. A caracterização da multa de ofício e dos juros de mora com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.000864/200734 Acórdão n.º 3301004.791 S3C3T1 Fl. 348 9 CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deve ser afastado esse pleito da Recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 348DF CARF MF
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Numero do processo: 14337.000256/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 56 /2 00 8- 95 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 14337.000256/200895 Acórdão n.º 2402006.386 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 14337.000256/200895 Acórdão n.º 2402006.386 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 14337.000256/200895 Acórdão n.º 2402006.386 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.001957/2008-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
TEMPESTIVIDADE. DUAS INTIMAÇÕES.
Na hipótese de emissão de duas intimações por via postal, para dar ciência ao contribuinte, o prazo para apresentação de recurso deve ser contado a partir da data de entrega da segunda intimação por via postal.
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. TEMPESTIVIDADE. DUAS INTIMAÇÕES. Na hipótese de emissão de duas intimações por via postal, para dar ciência ao contribuinte, o prazo para apresentação de recurso deve ser contado a partir da data de entrega da segunda intimação por via postal. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. TEMPESTIVIDADE. DUAS INTIMAÇÕES. Na hipótese de emissão de duas intimações por via postal, para dar ciência ao contribuinte, o prazo para apresentação de recurso deve ser contado a partir da data de entrega da segunda intimação por via postal. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que não lhe acolheu. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 19 57 /2 00 8- 17 Fl. 143DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. Esta 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2001000.153, em 12/12/17, fls. 111 a 118, dando provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa transcrevemos abaixo: DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Foram apresentados embargos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com fundamento no Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15 Anexo II, art. 65, § 1º, inciso III, alegando omissão, erro de fato, omissão e obscuridade no Acórdão. Destacamos passagens desses embargos da Procuradoria: Compulsando os autos, constatase que o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância em 11/03/2013 (segundafeira), conforme AR de efls. 94/95. Contudo, o contribuinte somente apresentou recurso voluntário em 25/04/2013 (quintafeira). Iniciada a contagem do prazo recursal no primeiro dia útil após a intimação, podese concluir que o prazo de trinta dias ultimouse em 10/04/2013 (quartafeira), uma vez que os prazos processuais não se suspendem ou interrompem pela superveniência nesse intervalo de finais de semana, férias ou feriados. Tampouco há notícia de que os dias nos quais recaíram o início e o final do prazo recursal não foram dias úteis, ou seja, dias nos quais não houve expediente na repartição competente. (...) Portanto, nos termos do acórdão de primeira instância, fica claro que o autuado não se desincumbiu do pagamento de parte dos valores das despesas médicas glosadas em relação à profissional Letícia AbiKair Borges, cujos recibos foram acostados às fls.31/33. Quem arcou com o pagamento dessas Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10725.001957/200817 Acórdão n.º 2001000.686 S2C0T1 Fl. 3 3 despesas, segundo os próprios documentos juntados pelo contribuinte autuado, foi Laura Lima de Oliveira, pessoa indicada como dependente, mas cujo vínculo de dependência não foi reconhecido, sendo considerada como matéria não impugnada. (...) Por último, cabe registrar que em relação às despesas contraídas junto à UNIMED, assim se pronunciou o acórdão de primeira instância: “10.7. Quanto ao recibo da UNIMED Campos de fls.19, este não discrimina os usuários do plano. Quanto ao recibo de fls.20, como este discrimina Lucas Gomes de Oliveira como usuário do plano de saúde e considerando sentença de fls. 35 e acordo de fls.37/38, restabeleço a glosa no valor de R$ 1.003,53. Portanto, fica mantida parcialmente a glosa no valor de R$ 4.966,40.” Por outro lado, constou no recurso voluntário: Ocorre que, cotejandose os termos da decisão de primeira instância e do recurso voluntário, verificase que o acórdão de primeira instância já atendeu parcialmente ao pleito contido no recurso voluntário. A DRJ de origem reconheceu despesas médicas junto à UNIMED, no valor de R$ 1.003,53, em relação ao alimentando Lucas Gomes de Oliveira, o que se encontra inclusive, de pleno acordo com o comprovante trazido pelo autuado em anexo ao recurso voluntário. O autuado trouxe ainda discriminativo junto ao recurso, razão pela qual as despesas médicas deveriam ser reconhecidas apenas na parte em que devidamente comprovadas como relativas ao titular do plano de saúde, Luiz Eduardo C. de Oliveira. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Os embargos foram apresentados tempestivamente. Constou no Despacho de Admissibilidade uma ideia importante, que embasou a aceitação dos embargos, para que na turma, com transparência, se rediscutisse os problemas apontados: Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. Os fundamentos da decisão anterior, embora suficientes para o deslinde da questão, deixaram dúvidas em alguns pontos. Para dirimilas e esclarecer pontos abordados Fl. 145DF CARF MF 4 pelos embargos, comentaremos as omissões apontadas, repetindo passagens do acórdão embargado, adicionando explicações ao que havia sido decidido. 1) No histórico do processo há registros de emissão de 2 (dois) A.R, sendo que o segundo não foi comentado nos embargos. Constou no referido histórico que a ciência do contribuinte ocorreu em 11/03/13, no caso do primeiro A.R., e em 01/04/13, no caso do segundo, fl 106. O recurso voluntário foi recebido em 24 de abril de 2013, segundo carimbo de recepção. Nosso entendimento é que se aplica o segundo prazo, sendo tempestivo, portanto, o recurso. Justificamos, transcrevendo trecho do Acórdão nº 16.929, de 2017, da Terceira Câmara, Conselho de Contribuintes do Estado do Rio de Janeiro, com o qual concordamos: “A Representação da Fazenda sugere a suspensão de intempestividade da impugnação do Auto de Infração, tendo em vista que, em consonância com o Princípio da Proteção de Confiança Legítima, reza para que existam harmonia e paz social em grau que possibilite a convivência em sociedade é necessário que exista segurança, e, para que exista segurança, há existir por primeiro confiança nas relações. Logo, o Fisco não agirá de forma arbitrária. Concluise que os atos do Fisco são legítimos e corretos. E ao receber uma segunda intimação, presumese que a primeira possui algum defeito que a invalidou. Logo, reabrindo o prazo para impugnação, pois falar que mesmo o contribuinte recebendo uma segunda intimação mas o seu prazo não recomeçando, feriria o Princípio da Não Surpresa do Contribuinte, pois com a segunda intimação presumese que a primeira era inválida.” 2) Os fundamentos do voto embargado foram: Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. (...) Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10725.001957/200817 Acórdão n.º 2001000.686 S2C0T1 Fl. 4 5 O lançamento originário ocorreu por falta de apresentação dos documentos. Posteriormente, ainda no âmbito da Delegacia da Receita Federal de origem, foi feita revisão de ofício. Essa revisão de oficio apresentou argumentos para recusa que não inquinavam os recibos de inidoneidade. Esses fundamentos foram: recibo não indica o paciente e falta endereço do profissional (R$ 4.000,00 e R$10.000,00); recibos médicos informados em código errado (despesas com instrução) não podem ser deduzidos (R$ 5.600,00); Embora em relação a esses recibos sejam válidos os argumentos do item 2 acima, considerando os embargos explicaremos melhor. O beneficiário, o paciente, a menos que exista indicação em contrário (o que não houve) é aquele que o recibo indica. O erro de código (dedução como despesa de instrução) não afasta a dedutibilidade de um recibo médico, tratase de erro passível de correção. A indicação de falta de endereço, questão sanável em investigação simples, também não macula um documento, não se constitui em falta de idoneidade. Para que sejam glosados documentos normais de comprovação, devem ser apontados indícios consistentes que indiquem a inidoneidade, apontando para o sentido inverso ao que os documentos apontam, ou seja, para que não tenha ocorrido o serviço médico ou o pagamento. no plano de saúde, Unimed, documentos novos apresentados a DRJ aceitou R$ 1.003, 53. O contribuinte solicita apenas adicionar a parte dele, documento da fl. 102, R$ 694,69. Esse valor, somado ao valor anterior que perfaz o valor solicitado no recurso voluntário, de R$ 1.698,22. Mencionese também para turma que o problema da data do documento da Unimed, embora indique existência de erro ou necessidade de correção, não caracteriza, em nosso entendimento, o documento como inidôneo. Vejase que o acórdão de recurso voluntário presentemente embargado fundamentou a aceitação das despesas médicas na falta de indicação de inidoneidade nos documentos, pelo lançamento, pela revisão de ofício. E as despesas acima são as despesas pleiteadas pelo contribuinte no recurso voluntário, ou seja, não houve indicação no lançamento de falta de idoneidade nas despesas pleiteadas no recurso, por isso foilhe dado provimento. Indicouse fundamento suficiente para acatar as despesas, portanto o recurso. Observese que argumentos do acórdão de impugnação foram examinados, mas não necessitam ser rebatidos, principalmente se o fundamento da segunda instância entendeu pela insuficiência ou falha no lançamento. Também se aponte que fundamentos adicionais, além do que foi disposto no lançamento original, se constituem em inovação, cerceando direito de defesa, suprimindo instância. Se o lançamento fundamentou a recusa a documentos nos argumentos a, b ou c; não se pode em instâncias de julgamento recusarse documentos por x,y ou z, nem em primeira, nem em segunda instância. Além disso, a decisão de segunda instância reexamina o lançamento, em relação ao que o recurso voluntário litiga. Tratase de um novo julgamento. Tanto o acórdão de impugnação como o de recurso voluntário devem se restringir à legislação e aos fundamentos apontados no lançamento. O recurso voluntário pode solicitar reexame do lançamento, e ignorar o acórdão de impugnação. Superados os problemas apontados no lançamento não podem ser colocados outros problemas nas instâncias seguintes. Fl. 147DF CARF MF 6 Se o dependente pagou recibo para o contribuinte ou não, recibo que está no nome do contribuinte, é questão nova, não constava do lançamento. Tratase inclusive de questão controversa, não havendo certeza que o ônus não tenha sido mesmo do contribuinte, questão que não indica a existência de vício no documento, e sim a falta de investigação, ou ao menos indicação desse ponto como fundamento da recusa, para que o contribuinte pudesse apresentar suas razões. Adicionese ao acórdão embargado a nova ementa e, aos fundamentos do voto, os comentários feitos. Conclusão Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, sanando os vícios apontados no acórdão, e voto por manter a decisão original de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000414/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2009
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. MULTA DE MORA ISOLADA. LANÇAMENTO. CABÍVEL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL.
Constatada a insuficiência de recolhimento da multa de mora em pagamento intempestivo, deve a diferença ser lançada de ofício na forma prevista no art. 43 da Lei n° 9.430/1996, mesmo tratando-se de instituição financeira em liquidação extrajudicial, pois sujeita ao mesmo tratamento das ativas.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2009 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. MULTA DE MORA ISOLADA. LANÇAMENTO. CABÍVEL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. Constatada a insuficiência de recolhimento da multa de mora em pagamento intempestivo, deve a diferença ser lançada de ofício na forma prevista no art. 43 da Lei n° 9.430/1996, mesmo tratando-se de instituição financeira em liquidação extrajudicial, pois sujeita ao mesmo tratamento das ativas. Recurso Especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000414/200516 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.282 – 3ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria MULTA DE MORA ISOLADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO INTERUNION S/A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2009 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. MULTA DE MORA ISOLADA. LANÇAMENTO. CABÍVEL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. Constatada a insuficiência de recolhimento da multa de mora em pagamento intempestivo, deve a diferença ser lançada de ofício na forma prevista no art. 43 da Lei n° 9.430/1996, mesmo tratandose de instituição financeira em liquidação extrajudicial, pois sujeita ao mesmo tratamento das ativas. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 14 /2 00 5- 16 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19740.000414/200516 Acórdão n.º 9303007.282 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional, admitido pelo despacho de fl. 152, o qual se insurge contra o Acórdão 3403000.368 (fls. 119/122), de 25/10/2010, que deu provimento ao recurso voluntário, restando este assim ementado: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: de 01/12/1999 a 31/12/1999. EMPRESA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL E FALÊNCIA APLICAÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Após a decretação da liquidação extrajudicial ou da falência não cabe imposição de multa, seja de mora seja de ofício, por força do art. 18, "f, da Lei n° 6.024/74, bem como pela aplicação sistemática do art. 34 desta mesma Lei com o art. 23, p.u., III, do DecretoLei n° 7.661/45, combinados todos com a Súmula STF/565. Precedentes (RESP 532.539, DJ 16/11/2004; Acórdão CSRF/0105.387J. 20/03/2006; Acórdão CSRF/0105.389, j. 20/03/2006). Recurso provido. A Fazenda, em seu recurso especial de divergência (fls. 126/133), insurgese contra o recorrido, alegando que o fundamento para o cancelamento da multa foi o art. 23, parágrafo único, III, da antiga Lei de Falências (DL 7661/45), o qual, averba, trata da impossibilidade de reclamar a multa administrativa (e penal) imposta no juízo falimentar, não havendo vedação ao seu lançamento, que diz respeito a constituição do crédito tributário, portanto fase anterior à cobrança. Quanto ao fato de a instituição financeira autuada estar à época em liquidação extrajudicial, continua a recorrente, diz respeito à fase de execução, "pois estar em processo de liquidação não significa necessariamente estar em situação de falência". Alfim, destaca que com a nova Lei de Falência não existe mais impedimento sequer para reclamação da multa moratória no juízo universal, bastando observar a ordem de preferência dos créditos habilitados. A Fazenda acostou como paradigma os acórdãos 10195.856 e 10195.235. A autuada, em suas contrarrazões (fls. 157/159), entende que o art. 18, f, da Lei 6.024 impede que se cobre o encargo, quando estatui que "A declaração de liquidação extrajudicial produzirá de imediato os seguintes efeitos":..."f não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas". Averba, ainda, que essa orientação teria sido "incorporada ao entendimento administrativo através da Súmula 13 da AGU", que transcreve. Ademais, entende que se aplica na espécie o art. 138 do CTN, uma vez o pagamento ter sido feito de forma espontânea. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19740.000414/200516 Acórdão n.º 9303007.282 CSRFT3 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional com fundamento nas razões em que foi admitido. O lançamento eletrônico (fls. 33/36), no valor histórico de R$ 385,52, decorreu porque o contribuinte ao recolher, espontânea mas intempestivamente, a COFINS referente ao mês 12/1999 (cópia DARF fl. 42), o fez com pagamento a menor da multa de mora. A data do vencimento foi em 14/01/2000, enquanto o recolhimento deuse em 29/02/2000. Os cálculos da imputação do pagamento encontramse à fl. 35. Portanto, dúvida não há que o recolhimento foi a destempo e com pagamento a menor da multa de mora, como então previa a legislação. Assim, foi levado a efeito o lançamento de ofício da multa de mora paga a menor. Primeiramente, é de se espancar a aplicação do instituto da denúncia espontânea a que alude o art. 138 do CTN, porque o pagamento de tributo após seu vencimento não purga a mora. Assim, o pagamento a destempo não ilide a aplicação dos consectários legais decorrentes daquela, da qual resulta a incidência da multa de mora, assim como dos juros dessa natureza. Portanto, entendo que o pagamento espontâneo não exclui a multa e os juros de mora. Dessa forma, se a multa moratória foi recolhida a menor, em confronto com as normas legais então vigentes, cabe a exigência da parte devida, como no caso dos autos. O art. 43 da Lei 9.430/96 permite às expressas a exigência isolada da multa de mora quando for o caso. Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Dessarte, correta a cobrança em apreço sob esse prisma. Contudo, entendeu a decisão recorrida que pelo fato de a autuada à época da exação estar em processo de liquidação extrajudicial, descaberia a "aplicação" da multa com arrimo tanto no art. 18, f, da Lei nº 6.024/74. Com a devida vênia, divirjo. Primeiramente afastase a incidência da aplicação da lei de falência, pois liquidação extrajudicial não se trata de falência. Por tal, não se aplicam ao caso tanto a Súmula 565 do STF, por conseguinte a Súmula Administrativa nº 13 da AGU, e o Ato Declaratório PGFN 15/2002. Isso porque a autuada não se constitui em massa falida, tratandose, isto sim, de instituição financeira em liquidação judicial, com regramento específico na Lei 6.024/74. Um fato é a constituição do crédito tributário, outro a sua cobrança, questões que não se imiscuem. Vejase o que dispõe o art. 18 da Lei 6.024/74: Art . 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19740.000414/200516 Acórdão n.º 9303007.282 CSRFT3 Fl. 5 4 a) suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direitos e interesses relativos ao acervo da entidade liquidanda, não podendo ser intentadas quaisquer outras, enquanto durar a liquidação; b) vencimento antecipado das obrigações da liquidanda; c) não atendimento das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos em virtude da decretação da liquidação extrajudicial; d) não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; e) interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da instituição; f) não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. A Lei está a se referir à execução da liquidação extrajudicial das instituições financeiras, portanto corresponde, no caso de crédito tributário, à sua fase de cobrança, posterior à sua constituição. Ou seja, não há que se confundir a atividade de constituição do crédito tributário com sua ulterior cobrança ("reclamação"), do que se trata a Lei a que me referi. O art. 60 da Lei 9.430/96 dispõe sobre o tratamento tributário das entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial. Art.60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. O Ato Declaratório SRF 97/1999 reforça os termos da norma suso transcrita: "O Secretário da Receita Federal, no uso de suas atribuições, e tendo em viste o disposto no art. 60, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, declara que as instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quanto à não incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa de sua titularidade." Certo, por conseguinte, que não há norma que impeça a aplicação da multa de mora de entidade sob liquidação extrajudicial. A sua constituição, do que se trata este julgado, é legítima; sua cobrança, foge a nossa alçada, mas, eventualmente, no curso do processo de liquidação poderá ser liquidada, porém, desde que constituída. Por isso, com esses fundamentos, sua constituição deve permanecer hígida. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 19740.000414/200516 Acórdão n.º 9303007.282 CSRFT3 Fl. 6 5 DISPOSITIVO Forte no exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda, dessa forma mantida a cobrança encartada no auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19740.000414/200516 Acórdão n.º 9303007.282 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903295/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.626
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 32 95 /2 01 2- 06 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 049.307. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 8 7 diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 9 8 § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 10 9 A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 11 10 “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 12 11 CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 13 12 declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 14 13 seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 15 14 Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 16 15 a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903295/201206 Acórdão n.º 3302005.626 S3C3T2 Fl. 17 16 Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10886.720684/2017-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS ACUMULADOS. NÚMERO DE MESES.
Deve ser recalculado o imposto devido, diante da apresentação de prova quanto ao número de meses associados aos rendimentos acumulados recebidos.
Numero da decisão: 2002-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS ACUMULADOS. NÚMERO DE MESES. Deve ser recalculado o imposto devido, diante da apresentação de prova quanto ao número de meses associados aos rendimentos acumulados recebidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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score : 1.0
Numero do processo: 11065.721491/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/2010-12.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kchel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/201012. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kchel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 49 1/ 20 13 -1 1 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 222 2 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário de 05/10/2015 (efls. 199/204) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre de efls. 190/193 que, ao julgar manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu a diferença de direito creditório que, anteriormente, também não fora reconhecida pela Unidade de origem da RFB, no caso DRF/Novo Hamburgo (efls. 134/140). Quanto aos fatos, consta: que, em 26/03/2012, a contribuinte apresentou, pela internet, Pedido de Restituição de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011, no valor de R$ 1.020.214,61, mediante PER eletrônico, utilizando o programa gerador PER/DCOMP nº 25942.29443.260312.1.2.027334 (efls.02/07). que o PER, inicialmente eletrônico, foi baixado para tratamento manual; que, em 29/04/2013, a DRF/Novo Hamburgo reconheceu, em parte, o crédito pleiteado, ou seja, deferiu R$ 652.315,71 (valor original), conforme conclusão do Despacho Decisório que transcrevo (efls. 134/140), in verbis: (...) Conclusão 27. Dessa maneira, concluise que o interessado faz jus de forma parcial ao direito creditório pleiteado, em razão de existência de parcela litigiosa, na qual não residem os atributos de liquidez e certeza, imprescindíveis ao crédito objeto de Pedido de Restituição, decorrente de Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2011. 28. Ante o exposto, com base no artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, na Competência Delegada pela Portaria DRF/NHO nº 46, de 19 de julho de 2012, publicada no DOU de 23 de julho de 2012, nos termos dos artigos 165, 168 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), nos termos do § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996, nos termos dos artigos 2º, 3º, 4º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, e com base na Legislação do Imposto de Renda, PROPÕESE O RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO pleiteado a título de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2011, por meio de PER/DCOMP nº 25942.29443.260312.1.2.027334, no valor original de R$ 652.315,71 (seiscentos e cinquenta e dois mil trezentos e quinze reais e setenta e um centavos). (...) Consta da fundamentação do citado despacho decisório que a diferença de CSLL R$ 367.898,90 não foi deferida, pois os débitos de estimativas mensais do IRPJ do Fl. 222DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 223 3 anocalendário 2011 (períodos de apuração março/2011 a agosto/2001) foram objeto de compensação tributária nos autos do processo nº 11065.000715/201012 e foram rejeitadas tanto pela unidade de origem, quanto pela DRJ; que, assim, os débitos desses PA estariam em aberto, não podendo gerar crédito, ou seja, saldo negativo; que referido processo conexo subiu ao CARF em face de Recurso Voluntário (ainda sem distribuição). A seguir, transcrevo, nessa parte, a fundamentação do despacho decisório (efls. 134/140, in verbis: (...) 7. Foram realizadas consultas aos PER/DCOMP vinculados e efetivou se o seguinte levantamento da situação de cada débito compensado: 8. Com relação aos débitos relativos aos períodos de janeiro a agosto de 2011, o crédito relacionado foi objeto do Parecer Seort/DRF/NHO nº 16/2011, emitido pela Delegacia de origem, e do Acórdão nº 10 40.266/2012 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA , o qual confirmou a decisão e não homologou total ou parcial os débitos de março a agosto de 2011, conforme demonstrado acima (fls. 86 a 89, 95, 103, 107 e 108). Atualmente, o processo de crédito controlado sob nº 11065.000715/201012 aguarda julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo interessado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fl. 125). (...) Ciente desse despacho decisório em 06/06/2013 por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 154/156), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ainda no mesmo dia, ou seja, em 06/06/2013 (efls. 157/161) cujas razões, em síntese, foram assim consignadas no relatório da decisão ora recorrida (efls. 190/193), in verbis: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 224 4 (...) A ciência da decisão administrativa ocorreu no dia 6 de junho de 2013 (fl. 155). O contribuinte, inconformado, apresentou manifestação de inconformidade no mesmo dia em que teve ciência da decisão administrativa (6 de junho de 2013 – fl. 157). O interessado alegou descumprimento de ordem judicial por parte da autoridade administrativa, uma vez que o direito ao crédito presumido do IPI havia sido reconhecido pelo Poder Judiciário. Se o crédito foi reconhecido, as estimativas de IRPJ foram quitadas, havendo direito à restituição integral do saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário 2011. O recorrente alega que seus créditos fruto da quitação das estimativas de IRPJ “são absolutamente “líquidos e certos”, na medida em que decorrem de decisão judicial transitada em julgado” (fl. 160). Assim, se até a presente data a Receita Federal não realizou a baixa definitiva do processo administrativo nº 11065.000715/201012, isso não pode impor um prejuízo para o contribuinte. Requer, por fim, (1) o reconhecimento integral do seu crédito e (2) a baixa dos processos administrativos decorrentes da ação judicial nº 2005.71.08.0012695/RS. (...) Na sessão de 31/08/2015, a 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo a diferença de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011 de R$ 367.898,90 (que anteriormente também não fora deferida pela Unidade origem da RFB/DRFNovo Hamburgo), cuja ementa, dispositivo e voto condutor transcrevo no que pertinente (efls. 190/193): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 RESTITUIÇÃO DO TRIBUTO APURADO ANUALMENTE. ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Estimativas não quitadas não incrementam o saldo negativo do IRPJ, não ensejando qualquer restituição. A quitação das estimativas objeto de um processo não pode ser novamente apreciada em processo subseqüente que trata da restituição do saldo negativo do IRPJ, uma vez que configurada a litispendência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 225 5 Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo qualquer direito creditório em favor do contribuinte. (...) Voto O litígio proposto pelo contribuinte gira em torno do direito ao crédito presumido do IPI, reconhecido pelo Poder Judiciário. Essa questão é objeto do processo administrativo nº 11065.000715/201012. É inviável a nova apreciação em função da litispendência, nos termos do art. 301, V, § 3º, do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, é incabível a repetição do litígio. (...) Consoante se verifica, a ação judicial teve natureza estritamente declaratória, ou seja, limitouse a declarar a existência de uma relação jurídica (art. 4º, I, do CPC). Não houve, portanto, a liquidação do direito do interessado. Em outras palavras, não houve a valoração desse direito. O interessado efetuou a compensação que entendeu cabível, sujeitandose à atuação do Fisco. Essa valoração e utilização se deu no âmbito do processo administrativo nº 11065.000715/2010 12. Assim, as estimativas não quitadas, consoante decidido no processo administrativo nº 11065.000715/201012, não podem formar saldo negativo de IRPJ para fins de restituição. (...) Em 23/09/2015, a contribuinte tomou ciência desse decisum (efls. 196/197), e apresentou Recurso Voluntário em 05/10/2015 (efls. 199/204), pedindo a reforma da decisão a quo, cujas razões em síntese são as seguintes: que solicitou em março de 2012 a restituição do valor de R$ 1.020.214,61 decorrente de saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2011; que a Delegacia da Receita Federal (DRF/Novo Hamburgo) analisou o pedido e somente restituiu o valor de R$ 652.315,71; que há um saldo original remanescente de imposto a ser restituído no valor de R$ 367.898,90; que, inconformada, ingressou com sua manifestação de inconformidade que, ao final, foi julgada improcedente pelos mesmos fundamentos da decisão anterior; que o acórdão recorrido, na mesma esteira do despacho decisório, entendeu que a diferença de imposto não restituída seria decorrente do fato das estimativas do IRPJ do ano de 2011 terem sido objeto de compensação com créditos não revestidos de "liquidez e certeza"; que, segundo a decisão recorrida, parte dos créditos judiciais, decorrentes do trânsito em julgado do processo n° 2005.71.08.0012695 e utilizados nas compensações Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 226 6 realizadas para quitar as estimativas, está sendo "discutida" em recurso administrativo pendente de julgamento perante o CARF, especificamente nos autos do processo administrativo 11065.000715/201012; que, assim, consta da fundamentação do acórdão recorrido: (...) Consoante se verifica, a ação judicial teve natureza estritamente declaratória, ou seja, limitouse a declarar a existência de uma relação jurídica (art. 4º, I, do CPC). Não houve, portanto, a liquidação do direito do interessado. Em outras palavras, não houve a valoração desse direito. O interessado efetuou a compensação que entendeu cabível, sujeitandose à atuação do Fisco. Essa valoração e utilização se deu no âmbito do processo administrativo nº 11065.000715/2010 12. Assim, as estimativas não quitadas, consoante decidido no processo administrativo nº 11065.000715/201012, não podem formar saldo negativo do IRPJ para fins de restituição. (...) que, entretanto, o processo administrativo nº 11065.000715/201012, utilizado pelo acórdão ora recorrido como fundamento para negar provimento à manifestação de inconformidade da ora recorrente, ainda que não esteja definitivamente encerrado (o recurso voluntário ainda não foi julgado naquele processo) , já reconheceu (liquidou) praticamente 99,50% do crédito decorrente de decisão judicial; que do total de R$ 3.584.026,97 de créditos pleiteados, apenas uma pequena parcela de R$ 17.237,49 pende de homologação e que está ainda sob análise perante o CARF nos autos do processo n° 11065.000715/201012, o que representa menos de 0,50% do total do credito habilitado; que para evitar futuro efeito "cascata" decorrente da não restituição integral do saldo negativo, pela não homologação das compensações não seria mais lógico e sensato cobrar administrativamente ou judicialmente (mediante execução fiscal) apenas o valor da diferença ainda não homologada de R$ 17.237,49 decorrente do crédito presumido de IPI ? que o acórdão recorrido deixa claro que somente as estimativas não quitadas não poderiam formar o saldo negativo do IRPJ consoante o decidido no processo administrativo n° 11065.000715/201012; que 99,50% dos débitos de imposto (estimativas mensais) do anocalendário 2011 deveriam estar extintos pelas DCOMP, compensações, que utilizam o crédito presumido de IPI decorrente da ação judicial no processo conexo 11065.000715/201012, pois já restou reconhecido 99,50% dos créditos, ou seja, R$ 3.566.789,48 do total pleiteado (habilitado) de R$ 3.584.026,97; que a diferença de R$ 17.237,49 (débito?) poderia ser objeto de cobrança ou, simplesmente, abatida do saldo de R$ 234.004,92 ainda remanescente em prol da recorrente; que, assim, não se justifica a não homologação de DCOMP no processo conexo, quanto aos débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA março a agosto/2011; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 227 7 que não se justifica a denegação da diferença de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011 no valor de R$ 367.898,90 (valor original), neste processo; que não é lícito ao Fisco, neste processo, glosar ou reduzir o crédito com origem em saldo negativo de IRPJ/CSLL pelo simples fato do mesmo ser originário de compensações que estão sob judice ou aguardando decisão do CARF, ainda mais quando 99,50% do crédito pleiteado já encontrase homologado ! que o Fisco, ao assim agir, acaba por gerar um efeito "cascata" interminável e injustificável, principalmente no caso em questão onde quase 100% do crédito original já encontrase homologado; que o procedimento do Fisco, no caso presente, gerará uma cobrança de um mesmo valor em duplicidade; que, sob qualquer ótica, o débito do imposto estimativa mensal objeto de compensação homologada e/ou não homologada deverá ser sempre considerado para fins de composição do saldo negativo do IRPJ/CSLL; que se a compensação não for homologada, o Fisco tem os mecanismos para cobrança judicial dos débitos; que, por fim, pediu o deferimento da diferença de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011, ainda não reconhecido pelas decisões anteriores nestes autos. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 228 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou a diferença do direito creditório pleiteado de R$ 367.898,90 (valor original), a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011, ao manter o despacho decisório da Unidade de origem da RFB que, também, não reconhecera referido crédito. Consta dos autos que essa diferença de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011 não foi deferida pelas decisões anteriores nestes autos, pois no processo conexo nº 11065.000715/201012 os débitos de estimativa mensais do IRPJ dos PA março a agosto/2011 persistem em aberto, não foram quitadas, pois foram objeto de compensações que restaram não homologadas. Logo, estimativas mensais não pagas não podem ser abatidas da apuração do imposto devido (ajuste anual), não podem gerar crédito, ou seja, não podem ser utilizadas na formação do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011. CONEXÃO PROCESSUAL POR PREJUDICIALIDADE Nas razões do recurso, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida para que seja deferida a diferença de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011, porém a resolução da lide objeto deste processo depende da sorte do que restar decidido, ao final, nos autos do processo conexo nº 11065.000715/201012. Na razões do recurso nos presentes autos, a recorrente argumenta: que, em face da decisão judicial transitada em julgado contra a União (Fazenda Nacional) em 05/05/2009, processo judicial nº 200571080012695/RS, é titular de crédito presumido do IPI, no valor de R$ 3.584.026,87 (valor atualizado), período 2000 a 2005 relativo a aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, cooperativas e outros fornecedores não contribuintes do PIS e da COFINS, cujos insumos foram incorporados aos produtos vendidos para o mercado externo (exportações); que o Pedido de Habilitação do crédito presumido do IPI, cujo direito foi reconhecido judicialmente, por decisão transitada em julgado, foi objeto do Processo nº 13055.000085/200989; que utilizou nas DCOMP processo conexo crédito presumido atinente ao IPI, no valor de R$ 3.584.026,97 e restou reconhecido o valor de R$ 3.566.789,48; que, como se infere, há apenas uma diferença de R$ 17.237,49 equivalente a 0,5% que ainda não foi deferido no processo 11065.000715/201012 (conexo), a título de crédito presumido do IPI, cuja lide está no CARF, e face de recurso voluntário apresentado (processo ainda com recurso voluntário não julgado pelo CARF); que juntou cópia de Planilha, transcrita a seguir, contendo relação dos PER/DCOMP transmitidos naquele processo conexo, utilizando R$ 3.584.026,87 do crédito presumido do IPI (efl. 191): Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 229 9 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 230 10 que os débitos, em aberto, de estimativa mensal do IRPJ dos PA março/2011 a agosto/2011, são objeto dos PER/DCOMP da Planilha acima, ou seja, especificamente das seguintes DCOMP:: a) 05775.63570.290411.1.3.577879 b) 28608.81528.310511.1.3.573177 c) 12143.89285.300611.1.3.574971 d) 25880.81441.290711.1.3.576055 e) 18313.84985.310811.1.3.576504 f) 18296.58375.300911.1.3.570910 que, nos presentes autos, a decisão recorrida, simplesmente, reportase ao processo conexo, onde as estimativas do IRPJ dos PA março a agosto/2011 teriam restado não homologadas por insuficiência do crédito de origem judicial (crédito presumido do IPI); que, entretanto, o crédito presumido do IPI já deferido naquele processo conexo seria suficiente, em sua maior parte, para extinguir os débitos de estimativa mensal do IRPJ dos referidos PA março a agosto/2011, sendo insuficiente apenas em R$ 17.237,49 (crédito ainda não reconhecido, em torno de 0,5% do crédito presumido total do IPI, ou seja, 99,50% dos créditos já foram deferidos); que, assim, não se justificaria a denegação da diferença de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2011 no valor de R$ 367.898,90 (valor original), neste processo; que o processo conexo encontrase no CARF, é objeto de recurso voluntário, mas ainda sem análise (sem julgamento). Pois bem. Primeiro, apenas para argumentar, diversamente do alegado pela recorrente, se no processo conexo já foi deferido 99,50% do crédito presumido do IPI (em face de decisão judicial que reconhecera o direito ao crédito presumido do IPI), isto não quer dizer que, necessariamente, 99,50% do débitos confessados nas DCOMP serão extintos. Os débitos confessados, caso maiores que o crédito, não terão lastro para serem extintos por compensação (homologação), tanto é que naquele processo conexo os débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA março a agosto/2011 restaram não quitados (DCOMP não homologadas) justamente por insuficiência do crédito utilizado. Claro, o acórdão de primeira instância naquele processo foi objeto de recurso voluntário ainda não julgado, logo a lide pende de apreciação pelo CARF (processo conexo). Existe litispendência. Diversamente do alegado pela recorrente, não há como deferir, nestes autos, o crédito pleiteado (diferença de saldo negativo do imposto do anocalendário 2011), cujas compensações de débitos de estimativas mensais do imposto do anocalendário 2011 são objeto daquele processo (DCOMP não homologadas por insuficiência de crédito presumido do IPI). Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 231 11 Débitos de estimativa mensal do IRPJ do anocalendário 2011 (março a agosto/2011), enquanto estiverem em aberto (compensações indeferidas por insuficiência de crédito), não geram crédito para dedução do IRPJ devida anocalendário 2011 (ajuste anual), não podem ser utilizadas para formação de saldo negativo (não geram crédito). Como visto, há relação de conexão processual por prejudicialidade daquele processo em relação a este. Ou seja: a resolução da lide objeto do presente processo depende do que restar decidido nos autos do processo nº 11065.000715/201012. Assim, configurase a impossibilidade do presente processo ser julgado autonomamente. Além disso, como a contribuinte utilizou crédito presumido de IPI nas compensações dos débitos de estimativa mensal do IRPJ (débitos de março a agosto/2011), a competência para julgamento da referida lide, no processo conexo, é da 3ª (Terceira) Seção de Julgamento do CARF, nos termos do RICARF/2015, Portaria MF 343, de 2015, Anexo II, in verbis: (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I (...) II (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Consultando o e processo, consta despacho nos autos do Processo (conexo) 11065.000715/201012 , 3ª Seção de Julgamento do CARF, in verbis: (...) Data de Emissão: 09/09/2018 19:02:49 Distribuir / Sortear CLEUZA TAKAFUJI 2ª TO4ªCÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11065.721491/201311 Resolução nº 1301000.628 S1C3T1 Fl. 232 12 4ª CÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF 3ª SEÇÃOCARFMFDF DF CARF MF (...) Como visto, o processo (conexo), cuja lide tem relação de prejudicialidade do litígio objeto do presente processo, está em fase de distribuição/sorteio na 3ª Seção de Julgamento do CARF. Há necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso deste processo. Assim, propugno pelo retorno dos autos deste processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Novo Hamburgo, para aguardar decisão definitiva, irreformável na órbita administrativa, do processo nº 11065.000715/201012 (existência de relação de prejudicialidade daquele processo em relação ao à lide do presente processo). Diante do exposto, voto para sobrestar o julgamento do recurso do presente processo até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/201012. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002481/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
O direito ao contraditório e à ampla defesa são inerentes à fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, a qual se instaura com o oferecimento da impugnação. Até a ciência do Auto de Infração, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento, inexistido acusação, o
que contestar, do que se defender.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao Ibama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR, cabendo aceitar a parcela de área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PROVA.
Incabível considerar como área utilizada na exploração extrativa aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado.
Preliminar rejeitada.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2801-000.447
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar argüida e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para acatar a inclusão de Área de Utilização Limitada/Reserva Legal de 71,1 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Júlio Cezar da Fonseca
Furtado e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso em maior extensão.
Nome do relator: Amariles Reinaldi e Henrique Resende
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CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa são inerentes à fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, a qual se instaura com o oferecimento da impugnação. Até a ciência do Auto de Infração, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento, inexistido acusação, o que contestar, do que se defender. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA A ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove que informou ao Ibama ou a órgão conveniado, tempestivamente, mediante documento hábil, a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal que pretende excluir da base de cálculo do ITR, cabendo aceitar a parcela de área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PROVA. Incabível considerar como área utilizada na exploração extrativa aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado. Preliminar rejeitada. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar argüida e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para acatar a inclusão de Área de Utilização Limitada/Reserva Legal de 71,1 ha, nos telinos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Eivanice Canário da Silva, que davam provimento ao recurso em maior extensão. AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE - Presidente e Relatora. EDITADO EM: 11/06/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Odmir Fernandes, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 86 a 91, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2002, folinalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$130.523,62, acrescido de multa de oficio e juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Lageado", localizado no Município de Uberlândia/MG, NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 2.457.255- 1. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 180): "No procedimento de análise e verificaçã o da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2002, a fiscalização resolveu lavrar o presente auto de infração, para glosar as áreas de preservação permanente e exploração extrativa, respectivamente de 359,4 ha e 261,0 ha, além de alterar o VTN declarado de K51.078.440,00 para R$3.915.055,00, com base no SIPT. Desta forma, foi aumentada a área tributada do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, e o Grau de Utilização foi reduzido de 100,0% para 64,9%. Conseqüentemente, foi aumentado o V'TN tributável — devido às glosas das áreas ambientais e o VTN arbitrado — bem como a respectiva aliquota de cálculo, alterada de 0,30% para 3,40%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 86." (grifos do original) IMPUGNAÇÃO 2 Processo n° 10675.002481/2006-11 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.447 Fl. 244 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 96 a 115), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 181 e 182): " • ao contrário do pretendido pela autoridade coatora, há que se excluir as áreas de interesse ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR, • carece de embasamento fático-jurídico as considerações do Autuante de que a ausência do preenchimento do ADA em tempo oportuno e a ausência de aposição das áreas de preservação permanente no mesmo, faz com que sobre as áreas florestais (reserva legal e preservação permanente) haja tributação; • cabe à Receita Federal acatar a realidade material dos fatos, e não se ater a excessos de formalismos; • alega que a exigência do ADA como requisito necessário para que o Contribuinte não seja tributado sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal é totalmente ilegal, para não dizer inconstitucional, sendo assim, afronta o princípio da legalidade; • dispõe que na época da ocorrência do fato gerador, exercício de 2002, o 1TR já era regido pela Lei 9.393 de 19 de dezembro de 1996, que em seu 3£ 7° do art. 10 especifica que a declaração de existência de áreas de reserva legal e de preservação permanente não está sujeita à comprovação do declarante; • afirma que o disposto no 7° do art. 10 da Lei 9.393/1996 encontra imediata aplicação no caso em análise, transcreve o trecho do ato legal e decisão do ST,1 para referendar seus argumentos; • transcreve decisões do Conselho de Contribuintes, para corroborar entendimento de que é admissivel a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da área tributável do imóvel, mesmo nas hipóteses de inexistência de averbação na matrícula e de preenchimento do ADA; • alega que se soma a isso o fato de que mero descumprimento de obrigação acessória não encerraria fundamento legal válido para a glosa das áreas de preservação permanente e utilização limitada; • anexa laudo técnico, que constatou existir na propriedade, após levantamento detalhado do imóvel, 586,55 ha de áreas preservacionistas (227,02 ha de área de preservação permanente e 359,23 ha de área de utilização limitada), requer que sejam consideradas e transcreve entendimentos do Conselho de Contribuintes nesse sentido; • sobre a exploração extrativa, alega que se equivocou a autoridade fiscal, que a mesma deveria ter feito um levantamento 3 in loco para comprovar a inexistência da declaração original do impugnante, o que não ocorreu, e assim o Fisco, ao desconsiderar os valores declarados pelo Contribuinte, sem que houvesse o desenvolvimento de um processo regular, feriu o princípio do contraditório e da ampla defesa, e infringiu o CTN e a Constituição Federal, e por isso requer seja considerada a área de 261,0 ha declarados originalmente; • sobre o V'TIV, dispõe que não pode a Administração simplesmente desconsiderar os valores apontados pelo Contribuinte, lançando outros valores que em momento algum foram sequer demonstrados, e que o Fisco há que demonstrar, através de provas inequívocas, em quais os pontos o sujeito passivo teria burlado a realidade; • alega que não serve como prova dos valores apontados no lançamento de oficio os sugeridos pelo SIPT, ademais o fato de ser vedado o acesso aos dados do sistema ao Contribuinte resulta em claro cerceamento de defesa; • afirma que incorreu em erro e ilegalidade o Fiscal em sua fórmula de cálculo, visto que, para se chegar ao pretenso Valor Total do Imóvel, ao invés de avalia-lo através de perícia "in loco", este "estimou" o VT1V para o mesmo, e o somou com o valor das benfeitorias, culturas, pastagens e florestas, quando na realidade não é assim que a lei prediz; • apresenta laudo avaliató rio anexo, o qual requer seja considerado, no qual foram descritos e avaliados itens do imóvel, com particularidades, para ao final atribuir o VTN total do imóvel em R$2.600.000,00, e efetuando cálculo para levantamento do Valor de Terra Nua Tributável do Imóvel, chega-se ao resultado de R$1.750.000,00; • transcreve decisões do Conselho de Contribuintes para que o laudo seja considerado; • dispõe sobre o grau de utilização, que deve ser revisto para 100% com a aplicação da alíquota mínima de 0,3%; • sustenta que o laudo técnico não apresenta nenhum vício e preenche todos os requisitos legais, e por outro lado, o Impugnante coloca seu imóvel à disposição para realização de vistoria técnica, afim de que sejam apuradas as veracidades das matérias alegadas; • transcreve entendimento do Conselho de Contribuintes para contestar a obrigação de recolhimento de multa e juros de mora; •face ao que tudo foi narrado e acostado à peça de impugnação, solicita preliminarmente anular o auto de infração e o lançamento efetuado; e na linha sucessiva, caso assim não ocorra, requer a nulidade do auto e a revisão do lançamento, para que seja aplicada a alíquota de 0,3% e a sejam consideradas as áreas de interesse ambiental (586,55 ha, sendo 227,02 ha de área de preservação permanente e 259,53 ha de reserva legal), conforme comprovado no laudo técnico; ou que seja considerada a área de 359,4 ha de preservação permanente, cS77 4 Processo n° 10675.002481/2006-11 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.447 Fl. 245 conforme declarado originalmente pelo Contribuinte; requer seja considerado o VTN originalmente declarado e, caso assim não ocorra, requer a revisão do lançamento, a fim de que seja considerado o VTN apurado no laudo técnico; requer ainda que ao valor arbitrado ao final não incida multa e juros, tendo em vista que estes não são devidos, uma vez que o lançamento ao qual se referem está sob litígio e contestação." ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1' TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF, conforme Acórdão de fls. 178 a 194, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que acatou a redução do VTN lançado (R$ 2.178,18 por hectare) para R$ 1.446,53 por hectare. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do auto de infração, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal - PAI". DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de exploração extrativa informada na DITR/2002, por falta de documentos hábeis para comprová-la. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. Cabe ser acatado VTN apurado por Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços da época do fato gerador do imposto. 5 Lançamento Procedente em Parte" RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 04/06/2008 (fls. 198), o contribuinte, por inteimédio de representante (procuração às fls. 216) apresentou, em 01/07/2008, o Recurso de fls. 201 a 215, instruído com os documentos de fls. 216 a 239, reafirmando, em síntese, os argumentos da impugnação à exceção daqueles referentes ao VTN e ao laudo técnico. Além disso, solicita que caso prospere a exigência de alguma quantia, deve ser aproveitado o valor que pagou em 30/11/2006 (R$ 8.730,08), devidamente corrigido, confolme DARF anexo. Os documentos de fls. 216 a 239 são instrumento de procuração e cópias de: documentos de identidade do contribuinte e da representante; DARF recolhido em 30/11/2006; Certificado de Licença Ambiental emitido pelo Instituto Estadual de Florestas — IEF/MG, em 19/12/2003; acórdão recorrido e respectiva correspondência de encaminhamento. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 242, a saber, Teimo de Encaminhamento de Processo emitido pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, essa não merece acolhida. Como detalhada e apropriadamente exposto no acórdão recorrido, o lançamento se fez com observância da legislação de regência, em trabalho de revisão dos dados informados em DIAC/DIAT, após ter sido expedida intimação para o interessado prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Quer dizer, houve o regular lançamento às fls. 86 a 91, procedimento administrativo, por meio do qual o servidof competente qualificou o sujeito passivo, descreveu os fatos, apontou as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável, e detellninou a exigência com a respectiva intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo legal, haja vista que o ilícito fiscal há de ser apenado onde quer que se detecte a sua ocorrência (art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Quanto ao direito ao contraditório e à ampla defesa, esses são inerentes à fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, a qual se instaura com o oferecimento da impugnação. Até a ciência do Auto de Infração, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento, inexistido acusação, o que contestar, do que se defender. 6 Processo n° 10675.002481/2006-11 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.447 Fl. 246 Não restou, dessa forma, especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do presente Auto de Infração, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Relativamente ao mérito, remanesce em discussão glosa de APP (359,4 ha) e de área utilizada na exploração extrativa (261,0 ha). Em relação à glosa de área que teria sido utilizada na exploração extrativa, o contribuinte argumenta que essa teria que ser precedida de levantamento in loco para demonstrar ou não a validade das informações prestadas nas DIAC/DIAT. Ocorre que o imóvel do contribuinte está localizado em Uberlândia/MG e possui área superior a 200,0 ha. Assim, se o contribuinte declarou que parte de seu imóvel foi utilizada na atividade extrativa, está obrigado a observar o índice de rendimento mínimo por produto e a legislação ambiental. Por oportuno, confira-se o disposto na Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 10, §§1°, 3° e 50: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (-) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a le,cislacão ambiental; (.) § 3° Os índices a que se referem as alíneas "h" e "c" do inciso V do § 1° serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a: a) 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato- grossense; b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; c) 200 ha, se localizados em qualquer outro município. (-) 7 § _5° Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 10, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. No caso, nenhum elemento de prova da efetividade da atividade extrativa foi apresentado pelo contribuinte, devendo ser mantida a glosa efetuada de oficio. Quanto à APP, o contribuinte pondera que anexou laudo (fls. 121 a 138 e anexos de fls. 139 a 172) comprovando que em sua propriedade existem 272,0 ha de APP e 359,2 ha de área de utilização limitada/reserva legal. Defende que o fato de o ADA apresentado estar intempestivo (data de protocolo 20/06/2006, fls. 17) não impossibilitaria a exclusão pretendida. Entende que deva preponderar a realidade fática, sendo desnecessária a apresentação de ADA: uma obrigação acessória. Diante disso, vale fazer uma recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4°, art. 10, da Instrução Normativa SRF n° 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF n° 67, de 1° de setembro de 1997: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. (.) § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do 1BAMA, ou órgão deleRado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF n-2 67/97, de 01/09/1997) (.) Ii - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do 1TR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF n-2 67/97, de 01/09/1997) (...)" (Grifos acrescidos). O lbama, por sua vez, por meio da Portaria n°-162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1°: "Art. I'. O Ato Declaratório Ambiental - ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR." (Grifos acrescidos) 8 Processo n° I 0675.002481/2006-1 I S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.447 Fl. 247 Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1°, art. 17-0, da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAAIA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1°-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1 0. A utilização do ABA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3° da Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, apenas estabelece que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: "§ 7°A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Observe-se que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama n° 162, de 1997, até o advento da IN Ibama n° 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: "Art. I° O Ato Declaratório Antbiental - ABA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural - ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural - DITR, que tenham informado: I - a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do 1TR; e II - a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT - Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996; 9 (.) Art 7' O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: 1- pela apresentação por meio eletrônico - ADA-Web,. II - pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. (.) Art 9° O prazo de entrega do ADA será de 1° de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR-2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR - 2006 o prazo será de 1° de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras." (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama n° 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama n° 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo - um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA deixou de contemplar o foimulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: "Art. 1° O Ato Declaratório Ambiental-ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR, sobre estas últimas. (-.) Art. 6° O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico - formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços on-line"). (-) ,ss' 30 O ADA deverá ser entregue de 1° de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (.) Art. 9°. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio io Processo n° 10675.002481/2006-11 82-TE01 Acórdão n.° 2801-00.447 Fl. 248 de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. "(Grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, que inclusive avança no tempo além do exercício em exame, verifica-se que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Peimanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Infere-se que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Registre-se, contudo, que o ADA não caracteriza obrigação acessória, uma vez que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2° e 3°, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN). Quer dizer, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar - o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória -, mas sim incidência do imposto, como no caso. Importante destacar que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1° de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, detelinina: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: 1- de preservação permanente (.); .,5ç 2°A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural— DITR. 11 3° Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados etn ato normativo (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, 5 0, com a redação dada pelo art. 1' da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (..)". (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF n° 60, de 6 de junho de 2001, art. 17, inc. II, a seguir: "Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: 1- as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do Ibama, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declarató rio junto ao Ibanza; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for deferido pelo Ibama, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido." (grifos acrescidos) Não obstante as considerações acima, que parecem demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins da redução do valor do ITR, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao lbama ou órgão conveniado — até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas — restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia infounado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Em relação à APP pleiteada (359,4 ha), não há prova de nenhuma comunicação hábil a órgão de fiscalização ambiental tempestivamente, impossibilitando seu aproveitamento para os fins pretendidos. Por outro lado, em relação ao pedido de inclusão de área de utilização limitada/reserva legal, conforme se vê do documento de fls. 08, em 27/12/1980, houve a averbação (AV 3-71.604) de 71,13 ha de Área de Reserva Legal (arts. 16 e 44 do Código 12 Processo n° 10675.002481/2006-11 52-TE01 Acórdão n.° 2801-00.447 Fl. 249 Florestal), precedida de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, firmado com o IBDF. Importante destacar que o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta só é assinado pela autoridade ambiental competente após ter sido aprovado pela análise técnica e jurídica do órgão. Neste contexto, entendo que deve ser aceita a inclusão de área de utilização limitada/reserva legal (AUL/ARL) no montante de 71,1 ha. Quanto à diferença de AUL/ARL pleiteada, 188,4 ha (= 259,53 —71,13), constata-se que as áreas de 68,91 ha (AV 5-17.603, fls. 06), 44,31 ha (AV 6-17.603, fls. 07), 4,59 ha (AV 4-24.840, fls. 11), 59,30 ha (AV 5-24.840, fls. 11), 20,35 ha (AV 3-84.198, fls. 12) e 90,94 ha (AV 4-84.198, fls. 13), foram averbadas apenas em 11/01/2006, portanto, intempestivamente para o exercício em questão. Quanto ao pedido de aproveitamento do recolhimento realizado em 30/11/2006 (cópia de DARF de fls. 219), cabe à autoridade executora aproveitá-lo após confirmação. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por dar • provimento parcial ao recurso para acatar a inclusão de 71,1 ha de área de utilização limitada/reserva legal. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende 13
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Numero do processo: 10880.905441/2006-99
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo retorne à DRJ para análise dos extratos bancários acostados no recurso voluntário, a fim de identificar se a retenção foi comprovada.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo retorne à DRJ para análise dos extratos bancários acostados no recurso voluntário, a fim de identificar se a retenção foi comprovada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1644058, de 22 de fevereiro de 2013, da 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, conhecendo parte do direito creditório. Por economia processual e em razão de concordar com as colocações constantes na decisão da DRJ, destacase, abaixo, o seu Relatório: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 44 1/ 20 06 -9 9 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10880.905441/200699 Resolução nº 1003000.023 S1C0T3 Fl. 298 2 Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório de fl. 02 que não homologou os PER/DCOMP vinculados ao saldo negativo de IRPJ apurado no 4º trimestre do ano calendário de 2001. O crédito no montante de R$ 60.296,45 indicado nos PER/DCOMP identificados sob nº 09866.45959 281103.1.3.022452, 06177.14558.281103.1.7.029280 e 32940.56443.281103.1.7.023011 foi analisado de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório em comento, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, pelo qual não homologa as compensações declaradas. Segundo o despacho decisório, não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Cientificado em 21/08/2008, o contribuinte, irresignado, impugnou o despacho decisório em 10/09/2008 manifestando a sua inconformidade às fls. 26 a 34, na qual alega, em síntese, o seguinte: • Apesar da Requerente ter demonstrado na Ficha 43 Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, o seu crédito referente ao IRRF pago naquele período, cometeu um equivoco em não transportar esses valores para a Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre lucro Real, linha 18 Imposto de renda a pagar, que deveria apresentar saldo negativo e não zero. • Portanto, o crédito declarado no PER/DCOMP existia. O que houve foi um erro parcial no preenchimento da DIPJ, que não informou na Ficha 12A o saldo negativo de imposto de renda a pagar, fato esse que não desqualifica o crédito de fato apurado naquele período, levado à compensação. • O débito apontado no termo do despacho decisório, não é passível de cobrança posto que foi compensado com créditos apurados e comprovados, estando extinto. O acórdão de nº 1644058 julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da Recorrente com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP SALDO NEGATIVO Reconhecese, em parte, o direito de utilização do saldo negativo de IRPJ não confirmado na análise eletrônica da DCOMP por erro de preenchimento da DIPJ COMPENSAÇÃO IRRF A legislação tributária vincula a confirmação do IRRF passível de ser compensado ou restituído à apresentação do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10880.905441/200699 Resolução nº 1003000.023 S1C0T3 Fl. 299 3 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É legitima a exigência da compensação não homologada no prazo legal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) a necessidade de homologação total da DCOMP nº 09866.45959.281103.1.3.022452, por entender que, embora tenha havido diferença de valores no confronto das informações entre o que foi declarado pela Recorrente na DIPJ e o que os tomadores de serviços (responsáveis pela retenção e pagamento do IRRF) declararam em suas respectivas DIRFs, fato é que a Recorrente emitiu as notas fiscais com o destaque do imposto e recebeu em seu caixa tão somente o valor líquido dos serviços prestados com a devida retenção do IRRF, conforme se comprova com os extratos bancários que foram anexados ao Recurso, não devendo ser prejudicada por suposta falta de recolhimento aos cofres públicos do IRRF por parte dos tomadores de serviços; (ii) que as provas acostadas aos autos é suficiente para comprovar ter havido a retenção do IRRF, visto ter a Recorrente recebido apenas o valor líquido pelos serviços prestados e que são objeto deste processo; (iii) o dever da administração pública obedecer ao princípio da verdade material, sendo necessária para tanto que o Fisco analise além do Portal/DIRF, todos os demais documentos trazidos aos autos pela Recorrente; Por fim, requereu a homologação total da DCOMP n° 09866.45959.281103.1.3.022452. É o Relatório. VOTO Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente alega que sofreu retenção na fonte por parte de tomadores de serviços, acostou à impugnação as notas fiscais demonstrando ter havido o destaque da retenção. A DRJ, após minuciosa análise, reconheceu parte do crédito requerido pela Recorrente, contudo, em relação ao valor não reconhecido, destacou que as faturas emitidas pela própria contribuinte não seriam prova hábil da retenção, sendo necessária a apresentação de comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora. Ao determinar que as empresas prestadoras de serviço façam o destaque do imposto de renda a ser retido pela fonte pagadora nas notas fiscais, há necessariamente a Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10880.905441/200699 Resolução nº 1003000.023 S1C0T3 Fl. 300 4 exclusão de um dos pólos, pois o tributo passa a ser exigível pelo ente tributante. Não há como delegar a responsabilidade ao prestador do serviço de obrigar o tomador a efetuar o recolhimento. Outrossim, não é fácil receber os respectivos comprovantes, embora haja obrigação legal, os tomadores dificultam ou não entregam os devidos comprovantes de recolhimentos do imposto. A Câmara Superior de Recursos Fiscais julgou a matéria e destacou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RENDIMENTOS DE ALUGUEL. PROVAS DA RETENÇÃO DO IMPOSTO NA FONTE.COMPENSAÇÃO. Admitese a comprovação da ocorrência da retenção do IRPF pela fonte pagadora por meio de boletos e extratos bancários que comprovam o recebimento do valor líquido pelo beneficiário, sendo desnecessária a apresentação do formulário denominado "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte", conhecido como informe de rendimentos. No pagamento de rendimentos de aluguel por pessoa jurídica a beneficiário pessoa física, ocorrendo a retenção do imposto sem o correspondente recolhimento aos cofres públicos, é a fonte pagadora a responsável, devendo ser reconhecido ao beneficiário o direito de compensar o imposto retido. (Acórdão nº 9202006.006, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri) Dessa forma, não assiste razão ao Fisco em não reconhecer as notas fiscais como prova da retenção, especialmente se acompanhada dos extratos bancários da recorrente, os quais foram acostados neste momento processual. Em que pese ter a Recorrente juntado os documentos apenas em grau de recurso, verificase que a mesma vem, desde o primeiro momento nos autos, apresentando defesas e documentos para buscar comprovar o que alega em suas peças. As retenções foram informadas desde o início, contudo a DRJ não entendeu suficiente a documentação acostada, o que levou a Recorrente a juntar novos documentos para comprovar suas alegações. Por essa razão, em observância ao princípio da verdade formal, entendo não ter havido a preclusão para juntada de provas nesse caso específico, devendo a DRJ manifestarse sobre a nova documentação juntada, a fim de evitar a supressão de instância. Considerando isso, entendo que o processo deve retornar a DRJ para que os extratos bancários acostados sejam analisados, a fim de avaliar se a parte da retenção não identificada no julgamento de primeira instância pode ser comprovada com os extratos. Após a análise, que seja proferida nova decisão a respeito do direito creditório da contribuinte. Após essa nova análise pela DRJ, que seja a contribuinte intimada para se manifestar no processo. Isto posto, voto em converter o julgamento em diligência para análise da documentação acostada no recurso. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10880.905441/200699 Resolução nº 1003000.023 S1C0T3 Fl. 301 5 (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
