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Numero do processo: 10711.005200/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/04/2005
PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA
Inocorre preclusão quando os novos argumentos apresentados em sede de recurso fundamentam-se em decisões do STJ posteriores a data da decisão ora recorrida.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA
Por versarem os presentes autos sobre produto químico importado, cujas propriedades somente podem ser conhecidas por meio de laudo técnico, realizado em momento posterior ao despacho aduaneiro, não se tem por configurada na hipótese alteração de critério jurídico.
Numero da decisão: 3803-004.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de preclusão da questão de alteração de critério jurídico. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Por maioria, rejeitou-se a preliminar de nulidade do auto de infração por alteração de critério jurídico. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani; e pelo voto de qualidade, no mérito, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício do auto de infração do IPI. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento total.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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TINTAS BETUMINOSAS. As tintas betuminosas classificamse na posição 32.10 da Tarifa Externa Comum (TEC), por força do contido na Norma Interpretativa da posição 27.15 da mesma TEC. MULTA REGULAMENTAR. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/04/2005 ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO.PREVISÃO LEGAL. Nos lançamentos de ofício, em razão de ausência de pagamento ou recolhimento a menor do tributo, incide, além dos juros de mora, a multa de ofício no percentual de 75%. AUTO DE INFRAÇÃO DE IPI. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DISPOSITIVO REVOGADO. A multa de ofício exigida no auto de infração do IPI fundamentouse em dispositivo legal que já se encontrava revogado na data do lançamento de ofício, em razão do que a respectiva parcela da autuação deve ser cancelada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/04/2005 PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 52 00 /2 00 7- 71 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 152 2 Inocorre preclusão quando os novos argumentos apresentados em sede de recurso fundamentamse em decisões do STJ posteriores a data da decisão ora recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA Por versarem os presentes autos sobre produto químico importado, cujas propriedades somente podem ser conhecidas por meio de laudo técnico, realizado em momento posterior ao despacho aduaneiro, não se tem por configurada na hipótese alteração de critério jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de preclusão da questão de alteração de critério jurídico. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Designado para redigir o voto vencedor da preliminar o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Por maioria, rejeitouse a preliminar de nulidade do auto de infração por alteração de critério jurídico. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani; e pelo voto de qualidade, no mérito, deuse provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício do auto de infração do IPI. Vencidos os conselheiros Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento total. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 123 a 146) interposto em face de decisão da DRJ Florianópolis/SC (fls. 83 a 91) que julgou procedentes os autos de infração lavrados para se exigirem Imposto de Importação – II (fls. 1 a 6), Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fls. 8 a 11), CofinsImportação (fls. 12 a 15), PISImportação (fls. 16 a 19) e a multa regulamentar (fl. 7). Os lançamentos de ofício decorreram de declaração inexata e da classificação incorreta das mercadorias importadas pelo contribuinte na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 153 3 Segundo a Fiscalização, tratarseia o produto importado de "tinta preta à base de betume, em meio aquoso", e não de “tinta preta betuminosa”, conforme havia declarado o sujeito passivo, classificação aquela atestada por meio do Laudo de Análise nº 0228/05 do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fl. 21), que se submeteria às alíquotas de 14% para o II e de 10% para o IPI, além da multa regulamentar e das contribuições para o PIS e Cofins. Cientificado das autuações, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 46 a 58) e requereu a declaração de improcedência dos lançamentos e protestou pela produção de nova prova, consistente em novo laudo técnico, alegando, aqui apresentado de forma sucinta o seguinte: a) a Fiscalização reclassificara o produto importado para a posição 3210.00.10, que se refere a "outras tintas e vernizes; pigmentos a água preparados, dos tipos utilizados para acabamento de couros", sujeito às alíquotas de 14% para o II e de 10% para o IPI, enquanto que a posição por ele adotada (2715.00.00) referirseia a “misturas betuminosas a base de asfalto ou de betume naturais, de betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral"; b) a posição adotada pelo auditor referese a produto miscível em água, enquanto que a do contribuinte a produto não miscível em água, e que esta sua posição, diferentemente do alegado pela Fiscalização, seria condizente com o resultado do Laudo de Análise nº 0228/05 do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (“tinta preta à base de betume, em meio NÃO aquoso”); c) o betume é uma mistura de líquidos orgânicos que apresentam viscosidade alta, coloração preta e aspecto pegajoso, que, segundo a denominação americana, pode ainda ser chamado de asfalto, obtido pela destilação fracionada do petróleo bruto em altas temperaturas, correspondendo a sua fração mais pesada; d) o produto importado é, mais especificamente, uma emulsão asfáltica, ou seja, uma mistura de betume com solventes à base de petróleo, sendo utilizado para o recobrimento da superfície externa de tubos e conexões em ferro fundido, para sua proteção contra a ação do meioambiente; e) ainda que o betume, matéria básica do produto importado, seja um aglutinante, é certo que tal produto não contém corantes e nem tampouco é utilizado para pintura, como ocorre com as tintas, mas como revestimento ou isolante; f) a posição adotada pelo Fisco é uma posição "guardachuva", e serviria para qualquer "tinta ou verniz à base de água" sem outra classificação específica na TEC; g) segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e pelas suas Regras Gerais de Interpretação (RGI), o produto objeto da autuação, por ser mais específico e tendose em conta a matéria que lhe confere característica essencial, classificase no Código 2715.00.00 e não no Código 3210.00.10; h) sendo incorreta a classificação adotada pela Fiscalização, temse que, por conclusão lógica, restam manifestamente indevidas as multas de oficio aplicadas; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 154 4 i) no que tange ao II, foram aplicadas duas penalidades sobre um mesmo fato gerador, o que é inadmissível, por ferir frontalmente o princípio da Unicidade da Imposição Punitiva, qual seja, sobre um mesmo fato não podem incidir duas multas distintas. A DRJ Florianópolis/SC julgou os lançamentos procedentes (fls. 83 a 91), considerando que o produto importado seria uma tinta, utilizada para recobrimento de canos, com a finalidade de proteção e de acabamento, mesmo tratandose sua base de betume, o que lhe exigiria certa diluição e mistura de solventes, de forma a permitir a sua aplicação, seja manual ou, no presente caso, industrial, por meio de aparelhos ou máquinas, de forma a compor uma fina e seca camada sobre seu suporte. Segundo o julgador de piso, diante da natureza do produto, não seria possível considerarse correta a classificação pretendida (código NCM 2715.00.00), justamente em observação às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e às suas Regras Gerais de Interpretação (RGI), pois, segundo a Nota Explicativa da Posição 2715, por se distinguirem das misturas desta posição, as tintas betuminosas deveriam se enquadrar na posição 3210. Ainda segundo o julgador, a distinção entre tintas miscíveis em meio aquoso ou em meio não aquoso seria definidora na classificação das posições 3208 (meio não aquoso) e 3209 (meio aquoso), inexistindo tal diferenciação no que se refere às outras tintas da posição 3210. Concluiu o julgador que não seria possível afastar a exigência das multas aplicadas, em face de sua previsão legal, dado que, no presente caso, estarseia diante de recolhimento a menor de tributo, não se aplicando ao caso o Ato Declaratório Interpretativo n° 13/2002 da Secretaria da Receita Federal, o mesmo se dizendo da multa regulamentar exigida em decorrência da classificação incorreta da mercadoria. Por fim, indeferiuse o pedido de produção de novas provas em razão da inexistência de dúvida ou obscuridade a respeito dos fatos ensejadores do lançamento. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 123 a 146) e requer o cancelamento dos autos de infração, repisando os mesmos argumentos de defesa, reafirmando que o produto não pode ser classificado como tinta por ser uma emulsão asfáltica, ou seja, uma mistura de betume com solventes à base de petróleo, utilizado para recobrimento de tubos e conexões em ferro fundido. Em sede recurso, o contribuinte introduz um novo questionamento, argüindo a impossibilidade de revisão do lançamento por alteração de critério jurídico, considerando que o auditor, sem qualquer amparo técnico, utilizara um novo e equivocado entendimento, classificando o produto importado em código diverso do declarado no despacho aduaneiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 155 5 Conforme acima relatado, tratase de autos de infração lavrados para se exigirem II, IPI, CofinsImportação, PISImportação e multa regulamentar, todos eles decorrentes da alteração, procedida pela Fiscalização, na classificação das mercadorias importadas pelo contribuinte na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). 1. Preliminar. Alteração de critério jurídico. Preclusão. De início, registrese que, não obstante o Recorrente não ter denominado expressamente de preliminar a sua insurgência em relação à alegada ocorrência de mudança de critério jurídico na classificação fiscal do produto importado, temse que, dada a prejudicialidade dessa questão em face da análise do mérito, sua natureza é efetivamente de preliminar de mérito, cuja apreciação pode acarretar ou não a desnecessidade de enfrentamento da questão de fundo trazida aos autos. Contudo, por se tratar de inovação, procedimento esse inadmissível nos processos que se submetem ao duplo grau de jurisdição, o novo argumento de defesa trazido pelo contribuinte em sede de recurso, referente à impossibilidade de revisão do lançamento por alteração de critério jurídico, não será objeto de análise neste voto. Tratase de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, contrariando o disposto no art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, em que se determina que os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). O fato de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ter proferido inúmeras decisões sobre a matéria em datas posteriores à data da decisão de 1ª instância administrativa não pode ser considerado um fato ou direito superveniente a reclamar a aplicação da exceção à regra da preclusão prevista na alínea “b” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, pois a questão relativa à modificação de critério jurídico já se encontrava, há muito, disciplinada no art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, a referida exceção à regra da preclusão se aplica apenas à apresentação da prova documental, não abrangendo os fundamentos de direito em que se ampara a defesa do sujeito passivo. Uma vez não impugnada uma determinada matéria, no caso, a alegada mudança de critério jurídico por parte da Fiscalização, concluise pelo trânsito em julgado da questão não suscitada no momento oportuno. Por outro lado, registrese que, mesmo que preclusão não houvesse, nos presentes autos, se controverte sobre produto químico importado, cujas propriedades somente poderiam ser conhecidas por meio de laudo técnico que atestasse a sua natureza química, procedimento não passível de se realizar no momento do desembaraço aduaneiro. No presente caso, não há a ocorrência de mudança de critério jurídico, pois, tratandose de um produto químico, cuja composição não se apreende apenas com base em verificação física, a efetiva classificação fiscal do produto somente poderia se dar após a Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 156 6 realização de análises laboratoriais, dada a complexidade decorrente da existência de mais de um elemento químico na formação do produto final. Nesse sentido, verificase a inocorrência de mudança de critério jurídico, uma vez que a classificação fiscal do produto sobre o qual se controverte nos autos depende de análise técnica que ateste sua natureza e sua composição química. Afastase, portanto, a preliminar argüida. 2. Mérito. No mérito, controvertese nos autos quanto à classificação das mercadorias importadas pelo Recorrente, cuja alteração, promovida pela Fiscalização, acarretara a apuração de falta ou insuficiência no recolhimento dos tributos devidos na importação, bem como o lançamento da multa regulamentar, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158/2001. De acordo com a Fiscalização, a mercadoria importada consistiria em "tinta preta à base de betume, em meio aquoso", e não de “tinta preta betuminosa”, conforme havia declarado o sujeito passivo, classificação aquela atestada por meio do Laudo de Análise nº 0228/05 do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda. Verificase que a Fiscalização equivocarase quanto ao resultado do referido laudo de análise, pois, conforme se verifica à fl. 21, tratase de “tinta preta à base de betume, em meio não aquoso" e não em “meio aquoso” como constou de todos os autos de infração. Resta verificar se se trata de um equívoco determinante para a conclusão da presente análise, o que se fará mais a frente. Com base na descrição do produto, a Fiscalização alterou a sua classificação da posição 2715.00.00 para a 3210.00.10, assim identificadas: 2715.00.00 Misturas betuminosas à base de asfalto ou de betume naturais, de betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral (por exemplo, mástiques betuminosos e cutbacks). (...) 3210.00 Outras tintas e vernizes; pigmentos de água preparados, dos tipos utilizados para acabamento de couros 3210.00.10 Tintas Nas Notas do capítulo 27, não se faz referência à posição 2715, sendo que, no capítulo 32, há a seguinte referência à posição 3210: 1. O presente Capítulo não compreende: (...) c) Os mástiques de asfalto e outros mástiques betuminosos (posição 27.15). De acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª edição, 2009, “mástique” é sinônimo de “almécega”, tratandose de uma espécie de resina definida como Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 157 7 “qualquer massa própria para cimentar ou vedar, esp. a que é obtida da fervura do alcatrão com cal ou pó de tijolo” e como “matéria adesiva para fixar placas ou lâminas de vidro em caixilhos”. Segundo o Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa, 3ª edição, 1999, página 1295, “mástique” também é identificado como “almécega”, havendo a definição apenas da locução “mástique asfáltico” nos seguintes termos: “Mistura que contém 15 a 25% de betume”. Destaquese que tanto o Houaiss quanto o Novo Aurélio identificam “almécega” como sinônimo de “breu”, sendo este descrito, em ambos os dicionários, como “betume artificial composto de sebo, pez, resina e outros ingredientes, us. pelos calafates1 para dar acabamento e cobrir as costuras do tabuado do navio”. Considerando as definições supra, o teor do Laudo de Análise do Ministério da Fazenda (fl. 21) e a Nota 1, “c”, do capítulo 32 da Tarifa Externa Comum (TEC), assim como a definição dada pelo Recorrente ao produto importado (uma emulsão asfáltica, ou seja, uma mistura de betume com solventes à base de petróleo, sendo utilizado para o recobrimento da superfície externa de tubos e conexões em ferro fundido, para sua proteção contra a ação do meio ambiente), é possível tecer os seguintes comentários: 1º) a definição do produto importado realizada pelo Recorrente, enfatizando se a sua destinação, qual seja, recobrir a superfície externa de tubos e conexões em ferro fundido, para sua proteção contra a ação do meio ambiente, indica, a princípio, que se está diante de um produto utilizado para revestir e proteger superfícies metálicas, o que o aproxima muito mais das tintas do que das massas utilizadas em vedação de juntas, fendas e frestas; 2º) consta expressamente da definição da posição 3210 da TEC que os mástiques betuminosos se classificam na posição 2715. Contudo, conforme apontara o julgador de piso, a Nota Explicativa da posição 27.152 prevê a exclusão, naquela posição, das tintas 1 Aquele que trabalha ou é especializado em calafetação (vedação). 2 N.E.S.H. Notas Explicativas do Sistema Harmonizado 2715.00 Misturas betuminosas à base de asfalto ou de betume naturais, de betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral (por exemplo, mástiques betuminosos e cutbacks). As misturas betuminosas, compreendidas nesta posição, são, entre outras, as seguintes: 1) Os cutbacks, que são misturas geralmente constituídas, pelo menos, por 60% de betumes com um solvente e que se empregam para revestimento de estradas. 2) As emulsões ou suspensões estáveis em água, de asfalto, de betumes, de breu ou de alcatrões, dos tipos utilizados principalmente para revestimento de estradas. 3) Os mástiques de asfaltos e outros mástiques betuminosos, bem como as misturas betuminosas semelhantes obtidas por incorporação de matérias minerais, tais como a areia ou o amianto. Estes produtos empregamse, conforme os casos, para calafetagem, como produtos para moldação, etc. Alguns produtos desta posição são aglomerados em pães ou blocos destinados a serem refundidos antes de serem usados. Os pães ou blocos deste tipo estão aqui compreendidos. Os artigos acabados de forma regular (lajes, placas, ladrilhos, etc.), classificamse na posição 68.07. São também excluídos desta posição: a) O tarmacadame (pedras duras trituradas e revestidas de alcatrão) (posição 25.17). b) O aglomerado de dolomita ou adobedolomita (dolomita aglomerada com alcatrão) (posição 25.18). c) Os alcatrões minerais reconstituídos (posição 27.06). d) O betume natural desidratado e pulverizado, em dispersão na água e contendo uma pequena quantidade de emulsificante (agente de superfície) acrescentado unicamente para facilitar a sua manipulação e o seu transporte, e ainda por razões de segurança (posição 27.14). e) Os vernizes e as tintas betuminosos (posição 32.10) que se distinguem de algumas misturas da presente posição, por exemplo, pelo grau de finura das cargas que, eventualmente, lhes sejam adicionadas, pela presença eventual de Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 158 8 betuminosas, tintas essas que se distinguem de algumas misturas da posição 27.15, por exemplo, pelo grau de finura das cargas que, eventualmente, lhes sejam adicionadas, pela presença eventual de um ou mais elementos filmogêneos diferentes do asfalto, betume, alcatrão ou do breu, pela faculdade que possuem de secar ao ar como os vernizes e as tintas, bem como pela tênue espessura e dureza da camada que se deposita no suporte; 3º) de acordo com o Laudo de Análise nº 0228/05 do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda (fl. 21), o produto analisado consiste em uma “tinta preta betuminosa”, identificada como um “líquido preto e viscoso, com odor de solvente orgânico”. Tal produto é imiscível em água, contém betume em quantidade não identificada e detém a propriedade de se secar em temperatura ambiente ou sob aquecimento provocado (100ºC), com poder de cobertura e aderência, conclusões essas que conduzem à inserção do produto sob comento na exclusão da Nota Explicativa da posição 27.15; 4º) de acordo com o laudo, tratase de uma tinta líquida, ainda que betuminosa, e não de uma massa utilizada em calafetação. Com base nos comentários supra, é possível constatar que o produto importado pelo Recorrente, por ele identificado na Declaração de Importação como “tinta preta betuminosa”, da mesma forma que pelo laudo técnico, sendo que este a descreve ainda como um “líquido preto e viscoso, com odor de solvente orgânico”, se enquadra no conceito de “tintas betuminosas” previsto na exclusão da Nota Explicativa da posição 27.15, classificando se, por conseguinte, na posição 32.10, em conformidade com a alteração promovida pelo agente fiscal. A referida Nota Explicativa, conforme já apontado, exclui de forma expressa as tintas betuminosas da posição 27.15 e, uma vez que se está diante de uma “tinta à base de betume, em meio não aquoso”, conforme conclusão do laudo técnico (fl. 21), a única conclusão possível é a que leva ao mesmo resultado apurado pela Fiscalização, qual seja, o produto importado se classifica na posição 32.10. Merece destaque, ainda, o fato de que as tintas betuminosas, nos termos constantes da Nota Explicativa, são identificadas, exemplificativamente, “pela faculdade que possuem de secar ao ar como os vernizes e as tintas, bem como pela tênue espessura e dureza da camada que se deposita no suporte”, descrição essa consentânea com o teor do Laudo de Análise (fl. 21), em que constam as seguintes informações: (i) “tinta preta betuminosa”, (ii) com secatividade positiva em temperatura ambiente, (iii) com poder de cobertura e aderência e (iv) aspecto preto, liso e contínuo. No que se refere ao equívoco cometido pelo agente fiscal, ao identificar o produto como “tinta preta à base de betume, em meio aquoso" e não em “meio não aquoso” como constou do laudo técnico, temse que a referida exclusão da Nota Explicativa da posição 27.15 não discrimina as tintas betuminosas em razão do meio em que se encontrem diluídas, do que se conclui que esse engano em nada compromete a conclusão ora adotada, qual seja, trata se de um tipo de tinta betuminosa. um ou mais elementos filmogêneos diferentes do asfalto, betume, alcatrão ou do breu, pela faculdade que possuem de secar ao ar como os vernizes e as tintas, bem como pela tênue espessura e dureza da camada que se deposita no suporte. f ) As preparações lubrificantes da posição 34.03. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 159 9 Ressaltese, ainda, que a posição 27.15, que corresponde à defendida pelo Recorrente, se refere a produtos utilizados em estradas (asfaltos) e a massas de calafetagem e de moldação, enquanto que a posição 32.10, defendida pela Fiscalização, cuida das tintas em geral, não classificadas nas posições antecedentes do capítulo 32, dentre as quais se incluem as tintas betuminosas, por força do contido na Nota Explicativa acima referenciada. Quanto ao argumento do Recorrente de que o produto não poderia se classificar como tinta por se caracterizar mais especificamente como uma emulsão asfáltica, há que se reafirmar que existe uma previsão expressa na Nota Explicativa de exclusão das tintas betuminosas da posição 27.15 e sua classificação na posição 32.10, fato esse que inviabiliza a aplicação das demais regras de interpretação destinadas a sanar dúvidas remanescentes quanto à classificação da mercadoria, após a utilização dos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capitulo. Considerando que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) se destinam ao esclarecimento e à interpretação do Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura, temse que tais notas visam ao detalhamento dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo (Regra 1), cuja interpretação, uma vez suficiente à classificação de uma mercadoria, dispensa a utilização das demais regras do sistema (Regras 2, 3, 4, 5 e 6). Diante do exposto, concluise pelo acerto da Fiscalização ao reclassificar o produto sob comento na posição 32.10 da TEC e, por conseguinte, ao lançar os tributos devidos, acompanhados dos acréscimos legais. No que tange à multa de ofício exigida no auto de infração do IPI (fls. 8 a 11), temse que a autuação se fundamentara no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n ° 9.430, de 1996 (fl. 11), dispositivo legal este que já se encontrava revogado na data da lavratura do auto de infração, por meio da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, em razão do que se deve cancelar o lançamento de ofício na parte relativa a essa penalidade. Quanto à multa de ofício exigida nos demais lançamentos, há que se destacar que se trata de multa válida e vigente à época dos fatos sob comento, de observância obrigatória, cuja previsão consta do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas,calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Uma vez que a atividade da Administração tributária é vinculada, a Fiscalização encontravase obrigada a exigir as multas de ofício juntamente com os tributos não pagos ou recolhidos, independentemente da intenção do sujeito passivo ou do responsável (art. 136 do CTN), não havendo, portanto, como exonerar o Recorrente dessa imposição legal. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 160 10 Quanto à multa regulamentar prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, também aqui, nada há a reformar, pois se trata de imposição legal, válida e vigente, de observância obrigatória por parte da Fiscalização, sob pena de responsabilidade. Eis o teor do dispositivo legal: Art.84 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (grifei) Notese que, de acordo com o § 2º supra, a multa regulamentar se aplica independentemente das demais penalidades previstas na legislação. Nesse sentido, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para excluir a multa de ofício do auto de infração do IPI. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Voto Vencedor Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Tratase de declaração e voto exclusivamente em relação ao afastamento da preclusão quanto a inovação de critério jurídico trazido pelo contribuinte somente em seu recurso voluntário. A Fazenda após ter realizado o desembaraço aduaneiro, em canal vermelho, lançou Imposto de Importação – II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, Cofins Importação, PISImportação e a multa, sob a justificativa de que o produto em exame deveria ser classificado na posição 3210.00.10 e não no código 2715.00.00. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 161 11 Assim, em razão de o contribuinte não ter trazido na impugnação o argumento referente à mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco, mas somente no recurso voluntário, o relator deixou de analisálo sob a justificativa de que teria ocorrido preclusão. O argumento referente a mudança de critério jurídico, não foi trazido pelo contribuinte em sua impugnação e por este motivo a primeira vista teria ocorrido a preclusão junto ao Conselho de Contribuintes, com fulcro no art. 16, III do Decreto n. 70.235/72, o qual apregoa na impugnação devem ser alegados “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, conforme prevê o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Ocorre entretanto, que analisando com atenção o Decreto n. 70.235/72, “data vênia”, interpreto que é possível defender a tese de que não está configurada a preclusão apontada pelo relator. Chamo a atenção para o texto do art. 16 do citado decreto: Decreto n. 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ora, no caso em exame compreendo que no momento em que o sujeito passivo apresentou sua impugnação, por certo que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não apontava no sentido de que era vedada a revisão da classificação das mercadorias realizadas pelo contribuinte. Com efeito, somente após o contribuinte ter impugnado os lançamentos é que isso aconteceu. Consequentemente, está presente na hipótese a exceção prevista para que se supere a preclusão, tendo em vista que o argumento referente a mudança de critério jurídico somente ganhou vulto, junto ao STJ, após a apresentação da impugnação, ou seja, após 2005. Neste sentido, não se pode duvidar que uma decisão deste colendo tribunal possui sua força e influência e a todos orienta, servindo de parâmetros tanto os contribuintes e também para a Fazenda. Ante o exposto, voto dou provimento parcial ao recurso para afastar a preclusão quanto a inovação de critério jurídico. É o voto. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10711.005200/200771 Acórdão n.º 3803004.301 S3TE03 Fl. 162 12 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, As sinado digitalmente em 25/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.915458/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é de Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP no 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915458/200990 Acórdão n.º 3301001.945 S3C3T1 Fl. 54 3 Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que: ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. (MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè,1993, vol. 3, p. 233). A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.o 9.718/98, ARTIGO 3o, § 2o, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.o 1991 18/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 1. Se o comando legal inserto no artigo 3o, § 2o, III, da Lei n.o 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Nesse sentido, já decidiu o CARF, por sua Terceira Seção de Julgamento, em relação ao mesmo contribuinte. Confiramse as seguintes ementas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação. (Processo nº 11020.915469/200970, Rel. Antônio Carlos Atulim, Ac. nº 3403 002.241). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915458/200990 Acórdão n.º 3301001.945 S3C3T1 Fl. 55 5 indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. (Processo nº 11020.915457/200945, Rel. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ac. nº 3401002.192). Pelo exposto, em face da preclusão, não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso Voluntário, uma vez que inexiste indébito algum em relação ao pagamento efetuado. Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10380.009385/2007-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
SIMPLES FEDERAL. GANHO DE CAPITAL. DISPENSA DE ESCRITURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VALOR CONTÁBIL. DEPRECIAÇÃO DO BEM. NÃO CONFIGURAÇÃO DE USO VEDADO DE ANALOGIA.
No Simples Federal, a dispensa de manter escrituração não afasta a tributação sobre os ganhos de capital, que são receitas reais e não fictícias, cuja apuração deve levar em conta a depreciação do bem, procedimento este que não configura uso de analogia vedada pelo CTN, eis que a imposição é expressamente prevista na Lei do Simples.
SIMPLES FEDERAL. GANHO DE CAPITAL. DEPRECIAÇÃO. TERMO DE INÍCIO. DATA DE INSTALAÇÃO. DATA DE INÍCIO DE PRODUÇÃO.
A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir, devendo, para o caso de veículo, prevalecer como termo inicial a data de registro no Detran sobre a data de aquisição.
Numero da decisão: 1801-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. GANHO DE CAPITAL. DISPENSA DE ESCRITURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VALOR CONTÁBIL. DEPRECIAÇÃO DO BEM. NÃO CONFIGURAÇÃO DE USO VEDADO DE ANALOGIA. No Simples Federal, a dispensa de manter escrituração não afasta a tributação sobre os ganhos de capital, que são receitas reais e não fictícias, cuja apuração deve levar em conta a depreciação do bem, procedimento este que não configura uso de analogia vedada pelo CTN, eis que a imposição é expressamente prevista na Lei do Simples. SIMPLES FEDERAL. GANHO DE CAPITAL. DEPRECIAÇÃO. TERMO DE INÍCIO. DATA DE INSTALAÇÃO. DATA DE INÍCIO DE PRODUÇÃO. A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir, devendo, para o caso de veículo, prevalecer como termo inicial a data de registro no Detran sobre a data de aquisição.
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GANHO DE CAPITAL. DISPENSA DE ESCRITURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VALOR CONTÁBIL. DEPRECIAÇÃO DO BEM. NÃO CONFIGURAÇÃO DE USO VEDADO DE ANALOGIA. No Simples Federal, a dispensa de manter escrituração não afasta a tributação sobre os ganhos de capital, que são receitas reais e não fictícias, cuja apuração deve levar em conta a depreciação do bem, procedimento este que não configura uso de analogia vedada pelo CTN, eis que a imposição é expressamente prevista na Lei do Simples. SIMPLES FEDERAL. GANHO DE CAPITAL. DEPRECIAÇÃO. TERMO DE INÍCIO. DATA DE INSTALAÇÃO. DATA DE INÍCIO DE PRODUÇÃO. A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir, devendo, para o caso de veículo, prevalecer como termo inicial a data de registro no Detran sobre a data de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 93 85 /2 00 7- 81 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Roberto Massao Chinen Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de auto de infração de Simples Federal, ano calendário 2003. O auto de infração de IRPJ – Simples (fls. 04/11) exige o recolhimento de R$ 85.545,09 de imposto e R$ 64.158,80 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Ganho de capital – Ganho de capital na alienação de ativos: nos períodos de 01/2003, 02/2003, 05/2003, 06/2003, 07/2003 e 08/2003. Enquadramento legal no art. 3º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 3°, § 2 ° inciso IV da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 247, 248, 251 e 418 do RIR/1999. Multa de 75%; Foi interposta impugnação (fls. 73/79), que foi julgada improcedente pela DRJ/Fortaleza, conforme acórdão de fls. 94/98, prolatado em 29/02/2012. Cientificada da decisão em 11/08/2012, conforme AR de fl. 110, tempestivamente, em 10/09/2012, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 112/124, por meio de seu procurador (procuração à fl. 125/126), acompanhado dos documentos de fls. 127/136, que se resume a seguir: a. Lembra que foi instituído um regime de tributação favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte denominado SIMPLES (Lei n. 9.317/96) hoje modificado para SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar nr. 123/2006). Por esse regime, as aludidas pessoas jurídicas pagam diversos impostos e contribuições federais, mês a mês, calculados unicamente com base em um percentual definido em lei sobre suas receitas brutas. O fato de se enquadrarem como MICROEMPRESAS ou EMPRESAS DE PEQUENO PORTE permite que sejam elas legalmente desobrigadas de proceder à escrita contábil, bem assim, dispensadas da guarda e conservação de documentos que somente para pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real são relevantes e reclamam cuidado especial; b. Destaca que A MICROEMPRESA não pode cumprir exigência que dependa de escrituração, porquanto não a faz. Desse modo, a indicação do art. 3o, parágrafo 2o, alínea "d" da revogada Lei 9.317/96 não poderia ser cumprida, como efetivamente não foi. c. Alega que os GANHOS DE CAPITAL referidos na legislação e obtidos mediante procedimentos ali previstos nada mais são do que RENDA FICTÍCIA; d. Tece comentários sobre o verdadeiro conceito de renda trazido pela Constituição Federal, e afirma que o conceito deve partir da ocorrência de um acréscimo patrimonial, assim entendido como valores que não faziam parte de um determinado patrimônio e que, pela ocorrência de algum evento, passaram a integrálo. Não seria possível Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.009385/200781 Acórdão n.º 1801001.724 S1TE01 Fl. 143 3 admitir que o imposto de renda incidisse sobre um ganho de capital que, na realidade, não ocorreu, ou seja, não se tornou renda e sim uma mera ficção jurídica; e. Toma o seguinte exemplo: Uma empresa que recolhe com base no lucro presumido compra um automóvel por R$ 100.000,00. Aplicandose a depreciação deste bem, que é de 20% ao ano, em cinco anos o valor contábil seria R$ 0,00. Supondose que esta empresa consiga vender o automóvel por R$ 60.000,00 e aplicando a regra contida no §2° do art. 225 do RIR, estaremos diante de uma hipótese de incidência de tributos sobre a totalidade do valor recebido, tendo em vista que todo o valor seria considerado ganho de capital [valor da alienação (R$ 60.000,00) valor contábil (R$ 0,00)]; f. Sustenta que a empresa não auferiu lucros reais com a venda deste automóvel. Não há como comprovar lucro numa alienação na qual o custo de aquisição foi R$ 100.000,00 e o valor de venda foi R$ 60.000,00. Qualquer instrumento legislativo que consiga tornar positiva esta conta será considerado manipulação jurídica do conceito de renda, não se admitindo, assim, que haja a tributação; g. Salienta que o automóvel foi adquirido com a utilização de um capital originado de urna renda tributável renda que sofreu toda a tributação incidente e, por isso, possibilitou a compra do automóvel. Utilizando as regras contábeis, a despesa com a compra do automóvel não é considerada um "gasto" da empresa; é por este motivo que essa despesa é adicionada na conta de Ativo Permanente; h. Justifica que, com a venda deste automóvel, o valor adquirido com a alienação deste bem, na verdade, vai somente repor a despesa anteriormente debitada do caixa, não gerando, assim, qualquer tipo de ganho de capital, exceto, obviamente, se o valor da alienação for superior ao valor anteriormente debitado da conta caixa; i. Cita doutrina; j. Deduz que, diante da situação fática apresentada e da discussão sobre a impossibilidade de incidência de tributos sobre uma renda fictícia, cumpre reconhecer a insustentatibilidade do auto de infração; k. Entende que, na apuração do valor contábil, não se deve deduzir a depreciação dos bens registrados em sua escrituração, tendo em vista que os microempresários não possuem escrituração contábil, na forma do que dispõe o Novo Código Civil, ou escrituram unicamente o Livro Caixa, na forma do que prevê a Lei do Simples; l. Acrescenta que o valor da depreciação não tinha nenhum impacto na apuração dos impostos pagos mês a mês com base no Simples; m. Cita a Solução de Divergência n° 3, de 8 de março de 2004, que estabelece que: "A pessoa jurídica optante pelo Simples deverá apurar ganho de capital mediante a incidência da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição diminuído da depreciação, amortização ou exaustão acumulada, ainda que não mantenha escrituração contábil”; n. Comenta que a legislação fiscal, no caso das empresas optantes pelo Simples, não estabelece como deve ser apurado o valor a ser considerado como custo de aquisição dos bens na determinação do ganho de capital; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 o. Cita o art. 3° da Lei do Simples e afirma que se trata de vaga disposição de lei que somente poderia ser aplicada mediante integração normativa do tipo ANALOGIA de cuja utilização não pode resultar na exigência de tributo não instituído em lei, conforme inteligência do art. 108 do CTN; p. Argumenta que tudo quanto a Receita Federal normatizou acerca de Ganhos de Capital em relação aos optantes pelo SIMPLES tem o sentido de ANALOGIA, ou seja PREEENCHIMENTO DE LACUNA DA LEI já que a lei n° 9.317/96 não estabelecia expressamente a operacionalidade da determinação do ganho de capital (renda fictícia, como acima se demonstrou), nem tampouco falava em depreciação desses bens, com reflexo no valor contábil dos mesmos; q. Aduz que o posicionamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil vai de encontro aos preceitos legais, como o art. 170, IX da Carta Magna que cuida do tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte. A Lei do Simples, que estabelece, literalmente, que os microempresários e empresários de pequeno porte ficam dispensados de escrituração comercial (art. 7o, §1°). O Novo Código Civil, que dispensa o pequeno empresário de escrituração contábil (art. 1.179, § 2o); r. Questiona que, se o contribuinte não mantém escrituração contábil, nos exatos moldes em que a lei o estabelece, com base em que expediente exige a Secretaria da Receita Federal do Brasil que ele deduza uma depreciação contábil inexistente para apuração de seus ganhos de capital? A aludida decisão ou é um exercício de ficção incompatível com a legalidade e a certeza que regem a obrigação tributária, ou é a realização de analogia com as normas que prevêem a apuração de ganho de capital para as demais pessoas jurídicas, o que, em qualquer caso, é absurdo e ensejará diversas demandas judiciais; s. Reclama que, ainda assim, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, no intuito de equiparar as empresas, ferindo assim a Constituição Federal de 1988, através da IN n. 11/96, art. 4°, institui o cálculo do ganho de capital. Entende que a referida Instrução Normativa somente cabe nos estreitos limites da ANALOGIA (CTN, art. 108, IV), que não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei; t. Discorda da fiscalização, que elaborou uma memória de cálculo para apuração de ganho de capital informando o Ganho de Capital de um Caminhão Trator no valor de R$ 114.000,00 sem o custo correspondente, gerando um ganho inequívoco de R$ 114.000,00 nesta operação. Como se pode observar esse veículo Caminhão Trator foi adquirido pela empresa a um custo de R$ 120.000,00 conforme cópia da transferência anexa, e, nesse caso, o Ganho de Capital não é o apurado pela respectiva auditora; u. Aponta outro equivoco na apuração da depreciação, no que diz respeito às datas de aquisição. Cita o art. 305 § 2o do Decreto n° 3000 de 26 de Março de 1999. Afirma que os equipamentos em questão foram adquiridos nas datas que constam na nota fiscal de compra, mas o seu uso só ocorreu após o devido emplacamento e licenciamento do DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRANSITO, o qual em declaração anexa aponta o dia em que tais equipamentos foram devidamente legalizados para o uso, fato este que diverge do constante no cálculo apresentado pela Sra. Auditora; v. Ao final requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.009385/200781 Acórdão n.º 1801001.724 S1TE01 Fl. 144 5 Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Mérito. Simples Federal. Ganho de capital. O contribuinte foi autuado, mediante auto de infração, pelo qual foram exigidos créditos tributários do Simples Federal, relativos ao ano calendário de 2003. Os lançamentos têm origem na constatação de ganho de capital, decorrentes de operações de venda de veículos da frota da empresa autuada. A DRJ/Fortaleza manteve integralmente os lançamentos, em decisão resumida pelo seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. GANHO DE CAPITAL. A pessoa jurídica optante pelo Simples deverá apurar ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente, mediante a incidência da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição diminuído da depreciação, amortização ou exaustão acumulada, ainda que não mantenha escrituração contábil. No recurso voluntário, em síntese, a recorrente alega os seguintes pontos: i) a microempresa não pode cumprir exigência que dependa de escrituração, eis que estão desobrigadas dessa obrigação (Lei 9.317/96, art. 7o, §1° e CC, art. 1.179, § 2o); ii) os ganhos de capital, na forma como foi calculada, são renda fictícia; iii) na apuração do valor contábil, não se deve deduzir a depreciação dos bens registrados em sua escrituração, pois os microempresários não possuem escrituração contábil; iv) a legislação do Simples não estabelece como deve ser apurado o valor a ser considerado como custo de aquisição dos bens na determinação do ganho de capital, sendo vedado o uso da analogia; v) traz prova do custo de R$ 120.000,00 de Caminhão Trator, não considerado pela fiscalização; vi) traz prova das datas do emplacamento de cada veículo, para fins de determinação da data inicial da depreciação. O exame dos fatos indica que o contribuinte tem parcial razão, sendo parcialmente acolhidos somente os dois últimos argumentos. A primeira alegação não procede porque a faculdade de não manter escrituração contábil, contemplada na Lei do Simples (Lei 9.317/96, art. 7o, §1°) e no estatuto civil (CC, art. 1.179, § 2o) não induz à isenção de tributação sobre ganho de capital. Essa exação tem previsão expressa na Lei n° 9.317/96, em seu art. 3 §2°, “d”, abaixo transcrita. A inexistência de contabilidade não encerra nenhum impedimento ou dificuldade para apuração do ganho de capital, eis que os cálculos de depreciação não exigem nem técnica nem habilidade especial, conforme se verá mais adiante. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. ......................................................................................................... § 2º O pagamento na forma do parágrafo anterior não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: a) Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF; b) Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros II; c) Imposto sobre Exportação, para o Exterior, de Produtos Nacionais ou Nacionalizados IE; d) Imposto de Renda, relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica e aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, bem assim relativo aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos; (Grifouse) e) Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR; f) Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira CPMF; g) Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; h) Contribuição para a Seguridade Social, relativa ao empregado. A segunda alegação não convence porque o ganho de capital, ao contrário do que pensa a recorrente, é renda real e não fictícia. Se uma empresa logra vender um bem de seu ativo permanente por valor superior ao valor contábil, o que se tem é um lucro real, verdadeiro, cujo resultado acresce ao patrimônio da pessoa jurídica. Mas ainda que se tratasse de receita fictícia, seria igualmente tributável, em face da existência de previsão legal. O terceiro reclamo tampouco procede porque não há qualquer motivo lógico nem legal que autorize os microempresários a deixarem de considerar a depreciação de valores em seus bens do ativo imobilizado, para fins de cálculo do ganho de capital. A depreciação contábil nada mais é do que o reconhecimento de uma situação fática, que ocorre com todos os bens integrantes do imobilizado, qual seja, a circunstância de que o bem se desgasta pelo uso, proporcionalmente ao tempo, resultando na redução de seu valor real. Os percentuais de depreciação são frações estimadas, formuladas com base em estatísticas, que tendem a refletir essa redução do valor do bem, de forma genérica e universal, permitindo, ao mesmo tempo, segurança e padronização dos cálculos de depreciação. Se porventura, ao final de determinado tempo, a empresa vende um bem por valor superior ao do que foi adquirido, subtraído o valor do gasto natural com o tempo, é evidente que houve lucro. Em suma, o pleito carece de lógica, pois tem por premissa a suposição de que o bem do microempresário não se desvaloriza pelo uso, o que é simplesmente falso. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.009385/200781 Acórdão n.º 1801001.724 S1TE01 Fl. 145 7 O quarto argumento é igualmente insubsistente. Nos termos do art. 108, §1° do CTN, abaixo citado, o emprego da analogia somente é vedado quando resultar em exigência de tributo não previsto em lei, que não é o caso em tela, já que a base legal existe e foi apontada acima (Lei n° 9.317/96, em seu art. 3 §2°, “d”). Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: ......................................................................................................... § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Os dois últimos pontos levantados pela litigante merecem acolhimento. De fato, a fiscalização, ao apurar o ganho de capital nos bens vendidos no ano de 2003 deixou de considerar o valor de aquisição do caminhão trator vendido em agosto de 2003, conforme planilha de fl. 11. À fl. 132, a recorrente juntou cópia do documento de transferência do veículo, no valor de R$ 120.000,0, na data de 20/05/2002. A recorrente anexou também, às fls. 128/131, certidão emitida pelo Detran/Ceará, com dados dos veículos registrados em nome de J E Transporte de Veículo Ltda, no ano de 2003, com informação do período inicial, que suponho coincidir com a data do emplacamento ou da transferência, e período final. Na planilha elaborada pela fiscalização, o mês inicial da depreciação foi obtido com base na nota fiscal de aquisição do veículo. Entendo que deve prevalecer a data do período indicado no documento do Detran, já que, nos termos do art. 305 do RIR/99, a depreciação deve iniciar a partir do momento em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir. Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado Dedutibilidade Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). ......................................................................................................... § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). Deve ser observado, contudo, que, dos dez veículos que foram objeto de apuração de ganho de capital, somente um teve sua data de início de depreciação afetada pela prova trazida. No caso, o caminhão trator de placa HWD3117, cujo mês inicial de depreciação foi considerado pela fiscalização como sendo junho de 2000, foi registrado no Detran em 26/07/2000, de modo que o período inicial a ser posto nos cálculos é julho/2000. Para os demais veículos, constatouse que o mês inicial da depreciação considerado pelo autuante coincidiu com a data de registro no Detran. Esclareço que, para o veículo vendido em julho/2003, pelo valor de R$ 126.250,00, não foi encontrado o registro correspondente no documento do Detran, de forma que prevalece o período inicial considerado pela fiscalização Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 (fevereiro de 2000). E para o veículo de placa HWR2811, entendo que deve permanecer a data inicial de depreciação considerada pela fiscalização (dezembro de 1999), ainda que o documento do Detran indique a data de registro entre 12/06/2003 a 20/08/2003, já que o caminhão foi adquirido em 10/12/1999, conforme nota fiscal de entrada de fl. 38. Com isso, têmse os seguintes demonstrativos de redução de base de cálculo, que afetaram somente os lançamentos dos meses de julho e agosto de 2003: APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO ESPECIFICAÇÃO DO BEM Mês aquisição Custo de aquisição Depreciação anual (%) Mês de venda Num meses para depreciar Depreciação acumulada (%) Valor depreciação acumulada Valor contábil Receita de venda Ganho de capital Caminhão trator jul/00 115.000,00 10 jul/03 37 30,83 35.458,33 79.541,67 126.250,00 46.708,33 Caminhão trator jun/00 115.000,00 10 jul/03 38 31,67 36.416,67 78.583,33 126.250,00 47.666,67 Caminhão trator fev/00 116.900,00 10 jul/03 42 35,00 40.915,00 75.985,00 126.250,00 50.265,00 Total ganho capital jul/03 144.640,00 Caminhão trator ago/03 0 0,00 114.000,00 114.000,00 Caminhão trator dez/99 121.700,00 10 ago/03 45 37,50 45.637,50 76.062,50 125.000,00 48.937,50 Total ganho capital ago/03 162.937,50 APURAÇÃO NO PRESENTE VOTO ESPECIFICAÇÃO DO BEM Mês aquisição ou Detran Custo de aquisição Depreciação anual (%) Mês de venda Num meses para depreciar Depreciação acumulada (%) Valor depreciação acumulada Valor contábil Receita de venda Ganho de capital Caminhão trator jul/00 115.000,00 10 jul/03 37 30,83 35.454,50 79.541,67 126.250,00 46.708,33 Caminhão trator jul/00 115.000,00 10 jul/03 37 30,83 35.458,33 79.541,67 126.250,00 46.708,33 Caminhão trator fev/00 116.900,00 10 jul/03 42 35,00 40.915,00 75.985,00 126.250,00 50.265,00 Total ganho capital jul/03 143.681,66 Caminhão trator mai/02 120.000,00 10 ago/03 16 13,33 16.000,00 104.000,00 114.000,00 10.000,00 Caminhão trator dez/99 121.700,00 10 ago/03 45 37,50 45.637,50 76.062,50 125.000,00 48.937,50 Total ganho capital ago/03 58.937,50 Assim, os lançamentos foram reduzidos conforme a tabela abaixo: PERÍODO FISCALIZAÇÃO CARF VALOR TRIBUTÁVEL ALÍQUOTA IMPOSTO APURADO VALOR TRIBUTÁVEL ALÍQUOTA IMPOSTO APURADO jan/03 39.708,33 15,00% 5.956,25 39.708,33 15,00% 5.956,25 fev/03 27.440,00 15,00% 4.116,00 27.440,00 15,00% 4.116,00 mai/03 51.000,00 15,00% 7.650,00 51.000,00 15,00% 7.650,00 jun/03 144.574,78 15,00% 21.686,22 144.574,78 15,00% 21.686,22 jul/03 144.640,00 15,00% 21.696,00 143.681,66 15,00% 21.552,25 ago/03 162.937,50 15,00% 24.440,63 58.937,50 15,00% 8.840,63 TOTAL LANÇADO 85.545,09 TOTAL MANTIDO 69.801,34 CONCLUSÃO. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.009385/200781 Acórdão n.º 1801001.724 S1TE01 Fl. 146 9 Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as exigências de IRPJSimples para R$ 69.801,34, além de multas e juros de mora. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18471.000478/2003-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas. Matéria já pacificada na forma da Súmula CARF no 29.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas. Matéria já pacificada na forma da Súmula CARF no 29. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas. Matéria já pacificada na forma da Súmula CARF no 29. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 78 /2 00 3- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS 2 EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de Recurso Especial de fls. 785 a 797, de Roberto Neves Rodrigues, em face do Acórdão CARF no 10616.960 (fls. 750 a 776), datado de 26 de junho de 2008 e cuja ementa se transcreve a seguir, no que diz respeito à matéria de interesse ao Recurso: “(...) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – CONTA EM CONJUNTO – NÃO COMPROVAÇÃO DA CO TITULARIDADE NA FASE DA AUTUAÇÃO FISCAL – DEMONSTRAÇÃO DA COTITULARIDADE APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO – DIVISÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ENTRE OS COTITULARES, EM PROPORÇÃO Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de co titulares, em proporção. Essa regra somente será afastada se se demonstrar, à luz das provas dos autos, que os cotitulares detêm os recursos em proporções diferentes. No caso de não se comprovar a co titularidade da conta de depósito na fase da autuação fiscal, deve a autoridade julgadora manter o crédito tributário em proporção com o número de cotitulares. (g.n.) (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ROBERTO NEVES RODRIGUES. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a nulidade do lançamento por falta de intimação do cotitular da contacorrente (g.n.) e de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a junho de 1998, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage. Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento referente a depósitos bancários os seguintes valores: i) no anocalendário de 1998, R$ Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 18471.000478/200318 Acórdão n.º 9202002.894 CSRFT2 Fl. 5 3 4.611.409,29; ii) no anocalendário de 1999, R$ 1.977.825,03; e iii) no ano calendário de 2000, R$ 3.193.549,48, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Insurgese o contribuinte, no Recurso, contra a rejeição, pelo voto de qualidade, da argumentação de nulidade do lançamento pela não intimação de sua cônjuge (Maria de Fátima dos Santos Rodrigues, CPF 984.913.42753), alegadamente cotitular da contacorrente na qual ocorreram os depósitos bancários utilizados para fins de caracterização da omissão de rendimentos objeto de lançamento. Alega violação ao art. 42, caput e § 6o da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dado que, na forma do caput do dispositivo, a intimação a todos os titulares da conta corrente seria requisito para a presunção legal utilizada pela autoridade lançadora. Tratarseia, assim, de inovação de direito levada a cabo pela Câmara julgadora do Recurso Voluntário após decorrido o prazo decadencial e, assim, não albergada pelo art. 149 do CTN. Ataca a fundamentação do Relator do Acórdão de fl. 764, ressaltando que, conforme elementos de fls. 647 a 652, também constantes de outro processo administrativo destinado a formalizar lançamento efetuado para anocalendário não abrangido nos presentes autos (AC 1997), a informação de ser a contacorrente em questão de titularudade conjunta era de domínio da fiscalização quando da realização da ação fiscal. Ressalta ter sido tal informação, inclusive, posteriormente confirmada em sede de Diligência Fiscal requisitada por este mesmo CARF anteriormente ao Acórdão guerreado, consoante manifestação de fl. 724 da autoridade responsável pela diligência. Cita, então, a jurisprudência pacifica desse Conselho e Câmara Superior, no sentido da improcedência do lançamento sobre depósitos bancários, em caso de contaconjunta, quando não se cumpriu o requisito de investigar e intimar todos os cotitulares, trazendo como Acórdãos paradigma os de no 10421906, de 21 de Setembro de 2006 e 10248884, de 23 de janeiro de 2008. Após demonstrar o préquestionamento da matéria através de elementos de fls. 599 e 600 e fl. 737, alega que a decisão ora recorrida deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe dera outras Câmaras deste CARF, requerendo que “seja dado provimento a este Recurso Especial, com a reforma da decisão da c. Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, declarandose inteiramente improcedente o lançamento fiscal realizado com base em depósitos bancários da contacorrente conjunta do Banco Itaú, para o qual não houve regular intimação de ambos os cotitulares”. Admitido o recurso através do despacho da 2a. Cãmara da 1a. Turma de no 2200055 (fls. 839 a 841), apresenta a Fazenda Nacional contrarrazões de fls. 844 a 847. Em apertada síntese, alega que, consoante o ao art. 42, caput e § 6o da Lei 9.430, de 1996, tratando se de conta bancária conjunta, deve a exação referente a depósitos bancários de origem não comprovada incidir sobre cada um dos titulares de modo proporcional, consoante inclusive Acórdão 10616093 deste mesmo CARF. Continua a Fazenda Nacional que, na hipótese de um cotitular não figurar no processo, a parcela que lhe compete deve ser cobrada por meio de um outro lançamento, desde que observado o prazo decadencial, se constituindo a desconsideração do auto de infração em razão da ausência de intimação de um dos titulares da conta corrente em “formalismo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS 4 dispensável, em face dos princípios do informalismo e da verdade material, que orientam oprocesso administrativo fiscal”. Alega, ainda, que “(...), o §6° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 impõe apenas a divisão dos valores dos depósitos entre os cotitulares e não a insubsistência dos lançamentos”, requerendo, por fim, que seja negado provimento ao Recurso Especial e mantido o lançamento. Finalmente, anexa o Recorrente expediente de Fls.878 e 879, requerendo a aplicação da Súmula CARF n° 29 ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Considerando as argumentações trazidas pela Recorrente e pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, verifico tratarse, no Recurso, de matéria já sumulada por este CARF, da seguinte forma: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas. Considerada a observância obrigatória à tal Súmula, na forma do art. 72, caput do RICARF a aplico para, no mérito, dar provimento ao recurso do Recorrente, declarandose inteiramente improcedente o lançamento fiscal realizado com base em depósitos bancários da contacorrente conjunta do banco Itaú, para a qual não restou caracterizada, nos autos, a regular intimação de ambos os cotitulares da referida conta. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
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Numero do processo: 10783.725313/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCIPAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO POSITIVA OU NEGATIVA.
O Código Tributário Nacional divide a obrigação tributária em principal e acessória; a primeira consiste no recolhimento do tributo; a segunda consiste na prática ou abstenção de condutas previstas em lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização. Não incorre em bis in idem a autuação por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória, por se tratarem de institutos distintos.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
O instituto da denúncia espontânea está condicionado ao recolhimento do tributo devido e acrescido dos juros de mora, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
MULTA MORATÓRIA
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCIPAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO POSITIVA OU NEGATIVA. O Código Tributário Nacional divide a obrigação tributária em principal e acessória; a primeira consiste no recolhimento do tributo; a segunda consiste na prática ou abstenção de condutas previstas em lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização. Não incorre em bis in idem a autuação por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória, por se tratarem de institutos distintos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea está condicionado ao recolhimento do tributo devido e acrescido dos juros de mora, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 53 13 /2 01 1- 29 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 448/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 248 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal contém os seguintes autos de infração: * DEBCAD 37.309.8413, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, relativo às contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais , no período de 01/2008 a 12/2008; * DEBCAD 37.309.8421, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, nas competências de 02/2008, 03/2008, 07/2008 a 09/2008 e 12/2008 (13º salário); * DEBCAD 37.021.1294, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, relativo às contribuições devidas pelos segurados à Previdência Social, no período de 01/2008 a 12/2008; *DEBCAD 37.309.8421, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, referente a falta de informações em GFIP de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária; * DEBCAD 37.021.1251, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, relativo a acréscimos legais não recolhidos em época própria, referente à competência 11/2008. Ao autos de infração foram lavrados em 15/12/2011 e cientificados ao sujeito passivo em 20/12/2011. O relatório fiscal traz que apesar de regularmente intimada, a recorrente não apresentou todos os documentos solicitados pelo Fisco, em especial as folhas de pagamento das remunerações pagas aos segurados a seu serviço, o que ocasionou o levantamento do débito por aferição indireta, com base nos registros contábeis da empresa. Após impugnação, Acórdão de fls. 206/219, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que é ilógico que a empresa possua escrituração contábil e não disponha e folhas de pagamento, assim como não é razoável que apresente a contabilidade e não as folhas; b) que a informação de apresentação parcial de documentos só pode ter sido ocasionada por uma falha de comunicação entre a empresa e o Fisco; c) a ação fiscal restou prejudicada, porque lastreada em documentos parciais do contribuinte, enquanto possuía os elementos documentais necessários; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 249 5 d) que com base no artigo 142 do CTN , o lançamento não comporta dúvidas e incertezas; e) argúi a nulidade do auto de infração porque baseado em documentos parciais; f) a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição para o SAT, por ter sido definida sua cobrança por decreto; g) que não está obrigada ao recolhimento do INCRA por ser empresa urbana; h) inexigibilidade dos juros em relação ao mês de vencimento e pela denúncia espontânea; i) impossibilidade de bis in idem quanto às multas cobradas em duplicidade nos autos de infração relativos às contribuições recolhidas a menor e por erro no preenchimento das GFIP’s. Por fim, requer a reforma da decisão de primeira instância para desconstituir os autos de infração e que sejam julgados improcedentes por sua insubsistência ou nulidade. Alternativamente, requer a exclusão das contribuições para o SAT e para o INCRA. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente insurgese contra o lançamento argüindo a sua nulidade, porque embasado em documentos parciais, sustentando que possui as folhas de pagamento, que o Fisco atesta não terem sido apresentadas. Tal alegação é totalmente inócua, posto que toda a documentação necessária para a realização da auditoria fiscal foi solicitada formalmente através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, fls. 204, recebido e assinado pelo contador da empresa, sendo que o Fisco refere, no Relatório Fiscal de fls. 49/57, que os únicos documentos apresentados foram os Livros Diário e Razão, as cópias dos documentos de identidade e CPF do representante legal da empresa e do contador, e a recorrente em nenhum momento durante todo o trâmite deste processo administrativo comprovou suas alegações trazendo aos autos as combalidas folhas de pagamento. A alegação sem qualquer prova a torna improcedente. Ademais, não vislumbrei qualquer traço de nulidade na autuação efetuada, não sendo observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 250 7 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Destarte, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O lançamento referese a fatos geradores apurados através do exame dos registros contábeis da recorrente em comparação com os valores por ela declarados em GFIP. Em razão da não apresentação das folhas de pagamento solicitadas, as contribuições lançadas foram aferidas indiretamente, não incorrendo o Fisco em qualquer ilegalidade. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que considerar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 251 9 contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Assim sendo, o lançamento está fundamentado nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. Da mesma forma não prospera a argumentação de desrespeito ao Código Tributário Nacional, visto que, o art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e corretamente identificando se o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: ocorrência do fato gerador : pagamento de remuneração aos segurados empregados e contribuintes individuais; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 matéria tributável: a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que constituem base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, e art. 22, III, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99; calcular o montante devido: o que está contido no Discriminativo do Débito, por competência; identificar o sujeito passivo da obrigação: a empresa está devidamente identificada às fls. 01, dos autos de infração e seus representantes legais constam no Relatório de Vínculos , às fls. 58. De todos os documentos foram entregues as 2ªs. vias para o Sr. Lucas Showambach, sócio da recorrente, que recebeu e assinou os autos de infração lavrados. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 252 11 incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 253 13 IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Ainda, devese atentar que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 254 15 autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação ao recolhimento efetuado com atraso na competência 11/2008, o contribuinte argúi a nulidade da autuação por não serem devidos os juros de mora no mês do vencimento e por não ter sido observada a denúncia espontânea exposta no artigo 138 do Código Tributário Nacional. De acordo com o citado diploma legal, o benefício da denúncia espontânea está condicionado ao recolhimento do tributo devido e acrescido dos juros de mora, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise dos autos, podese ver que o recorrente não procedeu de forma a se beneficiar do instituto da denúncia espontânea, posto que recolheu as contribuições em atraso, sem os devidos juros de mora, não havendo como agora buscar abrigo em tal argumento, devendo se sujeitar à incidência dos acréscimos legais pelo recolhimento fora do Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 prazo, na forma dos artigo 34 e 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época do lançamento. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A multa moratória estava prevista no artigo. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Entretanto, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação da multa para os AIOP’s DEBCAD’s 37.021.1294 e 37.309.8413, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 255 17 multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, por competência. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado. Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E. nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Desta forma, até a competência 11/2008, deve ser aplicada a multa de mora como consta do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. E, para a competência 12/2008, deve ser aplicada a multa de ofício, em virtude da aplicação do artigo 35A da citada Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009. Com relação aos autos de infração de descumprimento de obrigação acessória e principal, não se verifica o alegado bis in idem, porque em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 256 19 Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Portanto, as multas aplicadas possuem natureza distinta e os fatos geradores são diversos. No presente caso, o descumprimento da obrigação acessória está consubstanciado no AIOA DEBCAD 37.309.8430, e referese a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos pagamentos constavam da contabilidade da recorrente. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados a a todos os segurados que lhe prestaram serviço, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Todavia, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10783.725313/201129 Acórdão n.º 2302002.645 S2C3T2 Fl. 257 21 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa, então, deve ser aplicada na forma do art.32 A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009: Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para que a multa dos AIOP’s DEBCAD’s 37.021.1294 e 37.309.8413, seja aplicada observando as disposições do artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/2008, inclusive. Para o AIOA DEBCAD 37.309.8421, a multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11030.906287/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira - Relator
.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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PAGAMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA RECORRENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta da apresentação de prova que se mostre inequívoca mediante documentação idônea da existência de crédito líquido e certo utilizado na compensação implica o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da declaração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Vellloso da Silveira Relator 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 62 87 /2 00 9- 99 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA . Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Porto Alegre (RS), que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF em Passo Fundo, que não homologou a compensação declarada por ausência de direito creditório oponível contra o Fisco. A interessada, preliminarmente, defende o direito à apresentação da presente manifestação de inconformidade, a qual teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos em aberto. Entende ser possível a compensação dos débitos declarados, alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título da contribuição em tela. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveria ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III da Lei nº 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações.” A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DIREITO CREDITÓRIO – INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo as razões de defesa expostas na manifestação de inconformidade e reiterando a alegação de que é possível a compensação no caso em tela. 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA No recurso voluntário interposto a contribuinte não contestou em momento algum o motivo da nãohomologação da declaração de compensação, apresentando apenas alegações com relação a fatos em nenhum momento suscitados pela Receita Federal do Brasil. No presente processo se discute se houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos ou não da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3°, § 2º, inciso III da Lei 9.718/98, o que teria gerado ou não indébitos compensáveis. No julgamento da DRJ/POA, prevaleceu o seguinte entendimento: “Verificase que o dispositivo, embora a exclusão tenha sido aventada na redação original, encontravase com sua eficácia condicionada, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídica da base de cálculo da contribuição, à regulamentação pelo Poder Executivo. Irrelevante, para este caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da autoexecutoriedade, obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produziria efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência”. O Recurso Voluntário interposto trata do direito da contribuinte de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrente dos Decretos n° 2.445/88 e 2.449/88, que vigoram entre 1988 e 1995. Enquanto que o processo administrativo em questão trata de COFINS, e não de PIS, e ainda, estas foram recolhidas em período totalmente diverso ao da vigência dos Decretos (entre 1988 e 1995), vejamos: “Então, uma vez reconhecido o direito da Impugnante de receber o que pagou indevidamente em razão dos referidos decretos, devese reconhecer também o seu direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos tributos próprios na forma do artigo 66 da Lei 8.393/91. Conforme restou amplamente demonstrado, a impugnante tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA inconstitucional 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições.” Portanto, o recurso voluntário interposto está em total dissonância com o Acórdão recorrido, não o contestando, tratando de Contribuição diversa (PIS, ao invés de Cofins), de período de apuração diverso (de 1988 a 1995, ao invés de 2001), e com razões de defesa totalmente distintas aos da manifestação de inconformidade, não estando inclusive pré questionada a matéria suscitada no Recurso Voluntário. Contudo, necessário registrarse que não é possível o julgamento deste Recurso Voluntário pela verdade material, haja vista que carece prova do crédito existente, não existindo elementos suficientes nos autos suficientes para o provimento do presente recurso voluntário. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5o, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará:I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei no 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) 6 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4. do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, não merece reparo o acórdão recorrido. Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 7 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10242.000016/2006-27
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2802-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade determinar realização de diligência para que a Unidade Preparadora intime a fonte pagadora a informar o quanto foi pago ao contribuinte e o quanto foi retido na fonte no ano-calendário 2001, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade determinar realização de diligência para que a Unidade Preparadora intime a fonte pagadora a informar o quanto foi pago ao contribuinte e o quanto foi retido na fonte no anocalendário 2001, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. RELATÓRIO: Tratase de recurso voluntário (fls.55/62) interposto em 15/01/2010 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) (fls.47/50), do qual o Recorrente teve ciência em 22/12/2009, fls.54, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 28/35, lavrado em 29/11/2005, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, em sua declaração de ajuste anual, exercício de 2002, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 19.880,00 mais cominações legais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 42 .0 00 01 6/ 20 06 -2 7 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10242.000016/200627 Resolução nº 2802000.181 S2TE02 Fl. 3 2 O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 PROVA. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os elementos que comprovem as razões de defesa. IMPOSTO RETIDO NA FONTE IRF. GLOSA O IRF pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No voluntário o contribuinte: · Assevera que foi contratado pela Prefeitura do Município do Vale de São Domingos, para exercer o Cargo de médico junto ao departamento de saúde,saneamento, água e esgoto, conforme processo licitatório nº 06/2001, nos termos do contrato de prestação de serviços, anexo às fls. 66. · Ressalta que no contrato de prestação de serviços, fls. 66, consta o CNPJ da Prefeitura Município de Vale de São DomingosMT e que o documento é uma prova hábil para comprovar a validade da retenção do imposto de renda compensado em sua declaração de ajuste anual. · Observa que seus extratos bancários relativos aos meses de junho e julho de 2001, onde consta o depósito on line de seus proventos e o recibo de fls. 70 e 71, corroboram as informações contidas no aludido contrato de prestação de serviços (fls. 66). · Pondera que não pode ser responsabilizado pelo fato da Prefeitura Municipal de Vale de São Domingos, não ter apresentado a DIRF, ou mesmo não ter procedido ao recolhimento do IRF. · Adverti que se mantida a cobrança em questão, está caracterizado explicitamente o bis in idem, o que não é permitido pela legislação tributária. · Destaca que a obrigatoriedade do recolhimento do IRRF, no caso, é do município a quem o fisco deve questionar sobre o não cumprimento da obrigação demandada no presente lançamento. É o Relatório. VOTO: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10242.000016/200627 Resolução nº 2802000.181 S2TE02 Fl. 4 3 Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste rendimentos recebidos tributáveis, no montante de R$ 96.000,00, com retenção de R$ 23.156,64 (fls. 44). A autoridade fiscal glosou o referido imposto de renda retido na fonte, tendo em vista que a fonte pagadora indicada não informou em DIRF a retenção reclamada. O art. 87 do Decreto 3000, de 1999, inciso IV, § 2° Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, citado como fundamento legal do lançamento, dispõe que: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei n° 9.250, de 1995, art. 12): [...]; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; § 2° O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7°, §§ 1° e 2°, e 8°, § 1° (Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art.55). Portanto, o documento hábil para que o contribuinte possa deduzir o imposto de renda, eventualmente retido sobre os rendimentos informados em sua declaração de rendimentos, é o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Ocorre que este documento não se encontra nos autos. Entretanto o contribuinte junta aos autos o contrato de prestação de serviços, anexo às fls. 66, os recibo de fls. 70 e 71. Desta forma, face aos documentos supramencionados, entende o colegiado que tornase necessária a conversão do julgamento do processo em diligência para que a autoridade preparadora local intime a fonte pagadora a informar o quanto foi pago ao contribuinte e o quanto foi retido na fonte no anocalendário 2001. Após a adoção dos procedimentos necessários à execução da presente diligência, com a elaboração de relatório circunstanciado, bem como da juntada dos documentos e de outros elementos que a autoridade preparadora entender necessários para os esclarecimentos acima relacionados, o contribuinte deverá se cientificado do resultado da diligência em referência, para que, em querendo e no prazo máximo de 30 (trinta) dias, possa oferecer razões adicionais de defesa em relação aos fatos e aos elementos juntados em decorrência do procedimento de diligência. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.720014/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Conforme jurisprudência consolidada nesta Corte administrativa, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Eventuais irregularidades quanto ao conteúdo ou emissão não têm o condão de comprometer o procedimento fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. A contestação pontual às infrações imputadas a contribuinte demonstra a inocorrência de vicio de cerceamento de defesa.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
IRPJ e CSLL. LUCROS/RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por empresa situada no exterior controlada pela contribuinte sujeitam-se à incidência do IRPJ e da CSLL, observadas as normas de tributação universal.
PAGAMENTOS NO EXTERIOR. IR. COMPROVAÇÃO HÁBIL.
O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior deve ser comprovado mediante documento devidamente traduzido e reconhecido pelo órgão arrecadador do respectivo país e pela representação diplomática brasileira. Dispensa-se o citado reconhecimento quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado.
IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE. IR PAGO NO EXTERIOR. LUCROS DE CONTROLADAS. IMPOSTO RETIDO. JUROS DE MÚTUO E SERVIÇOS NO EXTERIOR. RECEITAS AUFERIDAS DIRETAMENTE. Na apuração do IRPJ são dedutíveis os valores do imposto incidente sobre lucros disponibilizados à controladora, recolhidos no país de domicílio de empresas controladas, bem como sobre rendimentos auferidos no exterior por serviços prestados diretamente e ganhos de capital, desde que atendidos os requisitos legais de: (i) computação no lucro real do lucro/rendimento auferido no exterior; (ii) observância do limite do imposto incidente no Brasil na compensação do imposto sobre os referidos lucros; (iii) comprovação do recolhimento, com tradução juramentada, em documento reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que o imposto for devido.
LIMITE. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR.
O lucro real a ser considerado para apuração da parcela dedutível do IRPJ, relativa ao imposto pago no exterior, é aquele obtido após a compensação de prejuízos fiscais.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
Correta a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96
Numero da decisão: 1402-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade por ausência do MPF. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução do IR pago no exterior pelas controladas diretas e indiretas e do IRRF na China.Vencido os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Conforme jurisprudência consolidada nesta Corte administrativa, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Eventuais irregularidades quanto ao conteúdo ou emissão não têm o condão de comprometer o procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. A contestação pontual às infrações imputadas a contribuinte demonstra a inocorrência de vicio de cerceamento de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ e CSLL. LUCROS/RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por empresa situada no exterior controlada pela contribuinte sujeitamse à incidência do IRPJ e da CSLL, observadas as normas de tributação universal. PAGAMENTOS NO EXTERIOR. IR. COMPROVAÇÃO HÁBIL. O pagamento de imposto de renda efetuado no exterior deve ser comprovado mediante documento devidamente traduzido e reconhecido pelo órgão arrecadador do respectivo país e pela representação diplomática brasileira. Dispensase o citado reconhecimento quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 00 14 /2 01 0- 77 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 739 2 incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE. IR PAGO NO EXTERIOR. LUCROS DE CONTROLADAS. IMPOSTO RETIDO. JUROS DE MÚTUO E SERVIÇOS NO EXTERIOR. RECEITAS AUFERIDAS DIRETAMENTE. Na apuração do IRPJ são dedutíveis os valores do imposto incidente sobre lucros disponibilizados à controladora, recolhidos no país de domicílio de empresas controladas, bem como sobre rendimentos auferidos no exterior por serviços prestados diretamente e ganhos de capital, desde que atendidos os requisitos legais de: (i) computação no lucro real do lucro/rendimento auferido no exterior; (ii) observância do limite do imposto incidente no Brasil na compensação do imposto sobre os referidos lucros; (iii) comprovação do recolhimento, com tradução juramentada, em documento reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que o imposto for devido. LIMITE. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. O lucro real a ser considerado para apuração da parcela dedutível do IRPJ, relativa ao imposto pago no exterior, é aquele obtido após a compensação de prejuízos fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Correta a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a arguição de nulidade por ausência do MPF. Vencido o Conselheiro Carlos Pelá. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução do IR pago no exterior pelas controladas diretas e indiretas e do IRRF na China.Vencido os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto para redigir o voto vencedor Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Relator (assinado digitalmente) Fl. 936DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 740 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 741 4 Relatório Tratase de lançamento de IRPJ e CSLL (fls. 145/150 verso), com fato gerador em 31 de dezembro de 2007, lavrado em decorrência da apuração da inexistência de Saldo negativo de IRPJ, no 4º trimestre de 2007, o que acarretou a insuficiência de recolhimento dos referidos tributos, no período em apreço. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 151/157, o procedimento fiscalizatório teve início a partir de revisão interna de DIPJ, em face do pedido de compensação de crédito de saldo negativo formulado pela contribuinte. Como não foi possível a análise eletrônica da DCOMP apresentada, emitiuse o RPF para que fosse auditada a DIPJ/2008, anocalendário de 2007, a fim de se aferir as deduções do IR pago no exterior no 4º trimestre de 2007. A reversão do saldo negativo de IRPJ se deu em face da glosa de R$ 134.008,14, a título de IRRF, cuja retenção e pagamento não restou comprovado, e a glosa de supostos pagamentos de IR no exterior, que foram utilizados pela contribuinte para dedução do imposto devido em sua DIPJ. No que concerne ao IRRF, a autoridade fiscal sustenta que a contribuinte deveria ter comprovado a retenção do imposto, mediante a apresentação do Comprovante Anual de Retenção, emitido pelas respectivas fontes pagadoras, admitindose, alternativamente, a cópia impressa do DARF, fornecida pelo órgão público à beneficiária do pagamento, acrescentando, ademais, que a apresentação de notas fiscais não se mostra suficiente para comprovar a efetividade da retenção. Adicionalmente, no que tange aos alegados pagamentos de IR no exterior, argumenta que: a) a contribuinte não descontou prejuízos compensados, para efetuar o cálculo do limite do pagamento compensável. A Fiscalização entendeu que o cálculo do limite do imposto pago no exterior, compensável com o imposto devido no Brasil, deveria ter sido feito adotandose como base o lucro real após a compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores; b) a contribuinte considerou pagamentos efetuados para outros países (Portugal e China), como referentes à controlada situada na Espanha, tendo deduzido sem previsão legal esses tributos do imposto devido no Brasil. Nesse ponto, a Fiscalização entendeu que “o imposto compensável pela matriz domiciliada no Brasil é aquele apurado e pago, pela filial, no país em que esta última está domiciliada no caso a agência situada em Espanha e incidente sobre os lucros por esta apurados”. Dessa forma, a Fiscalização considerou que seriam passíveis de compensação apenas os impostos pagos pela controlada "direta", glosando os valores pagos pelas controladas "indiretas" da Recorrente no exterior (Portugal e China); e c) a contribuinte não comprovou, com documentação hábil para tanto, valores considerados no total do IR pago no exterior. A Fiscalização entendeu que a contribuinte não apresentou a documentação competente à comprovação do pagamento de IR Fl. 938DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 742 5 no exterior referente (i) a valores recebidos por serviços prestados a sua controlada "indireta" na China (Harbin Embraer Aircr. Ind. Co); (ii) a valores recebidos a título de juros, decorrentes de contrato de mútuo, celebrado com a sua controlada nos Estados Unidos (Embraer Aircraft Holding Inc.) e (iii) ao IR recolhido nos EUA pela Embraer Aircraft Holding. Diante disso, recalculou o valor do IR pago no exterior a ser considerado, efetuando glosa do montante de R$ 10.503.125,42, a título de IR que, abatidos do saldo negativo do 4º trimestre de 2007, gerou um saldo de IR a pagar de R$ 1.271.136,79, e de CSLL, no montante de R$ 1.054.814,28, no anocalendário de 2007, acrescidos de juros e multa de ofício. Diante do presente lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 154/208), suscitando, em apertada síntese, a nulidade do presente lançamento, tendo em vista que o mesmo teve início com a emissão do Registro de Procedimento Fiscal (RPF), meio impróprio para tanto; a falta de motivação para a fiscalização desconsiderar as compensações de IRPJ e CSLL realizadas; e a inaplicabilidade da Solução de Consulta nº 190/2003, emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal. No mérito, alega que não há qualquer vedação à compensação de tributos incidentes sobre o lucro pagos no exterior, com tributos devidos por ela no Brasil; que observou corretamente as regras de consolidação dos lucros prevista no §6º do art. 1º da IN SRF nº 213/02; que controla diretamente a empresa “Embraer Spain Holding CO SL” (Espanha) e, indiretamente, as empresas “Ogma Indústria Aeronáutica de Portugal” (Portugal) e “Harbin Embraer Aircraft. Ind. CO” (China), ambas controladas diretamente pela empresa espanhola; que a sucursal francesa recolheu valores de IR devido pela empresa de Portugal em razão de valores lá auferidos; que todos os impostos pagos pelas sociedades chinesa e francesa foram devidamente consolidados no balanço da sociedade espanhola; e, que não há vedação legal para que a recorrente compense os impostos pagos por suas controladas indiretas com tributos devidos no Brasil. Alega que houve equívoco no cálculo do limite compensável e, quanto aos comprovantes de pagamento, defende que a documentação reconhecida no órgão arrecadador, no país em que for devido o imposto, como hábil à dita comprovação, também deverá ser conhecida e analisada no Brasil. Alega, ainda, ad argumentando tantum, que não pode prosperar a tributação, no Brasil, dos lucros ou dividendos apurados pelas controladas sediadas nos países com os quais foram celebrados Tratados para Evitar a Dupla Tributação, entre os quais estão a Espanha, a China, Portugal e França. Por fim, alega a ilegalidade da cobrança dos juros sobre a multa e a inconstitucionalidade da Taxa Selic. A DRJ/CPS manteve as glosas já implementadas, conforme acórdão de fls. 413/452, que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 743 6 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE IRRF. ATIVIDADES MERCADO INTERNO. Fica definitivamente constituída na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada pela autuada, precluindo o direito de apresentar qualquer contestação a esse respeito em instância superior. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. A contestação pontual as infrações imputadas a contribuinte demonstra a inocorrência de vicio de cerceamento de defesa. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. RPF REGISTRO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REGULARIDADE. Nos procedimentos de revisão interna de declarações dos contribuintes fica dispensada a emissão de MPF, conforme disposição expressa na Portaria ri° 1.265, de 1999, que instituiu o referido veiculo como controle da administração sem restrição ã competência do auditor fiscal da RFB. 0 Registro de Procedimento Fiscal RPF possui caráter exclusivamente procedimental, objetivando a padronização dos procedimentos de fiscalização e a facilitação dos trabalhos fiscais, para melhor controle e eficiência administrativos. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO JURAMENTADA. Documentos em língua estrangeira devem estar traduzidos por tradutor juramentado para terem sua validade reconhecida no processo administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 744 7 IRPJ e CSLL. LUCROS/RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. NORMAS DE TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por empresa situada no exterior controlada pela contribuinte sujeitamse ã incidência do IRPJ e da CSLL, observadas as normas de tributação universal. PAGAMENTOS NO EXTERIOR. IR. COMPROVAÇÃO HÁBIL. 0 pagamento de imposto de renda efetuado no exterior deve ser comprovado mediante documento devidamente traduzido e reconhecido pelo órgão arrecadador do respectivo pais e pela representação diplomática brasileira. Dispensase o citado reconhecimento quando comprovado que a legislação do pais de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE. IR PAGO NO EXTERIOR. LUCROS DE CONTROLADAS. IMPOSTO RETIDO. JUROS DE MÚTUO E SERVIÇOS NO EXTERIOR. RECEITAS AUFERIDAS DIRETAMENTE. Na apuração do IRPJ são dedutíveis os valores do imposto incidente sobre lucros disponibilizados â. controladora, recolhidos no pais de domicilio de empresas controladas, bem como sobre rendimentos auferidos no exterior por serviços prestados diretamente e ganhos de capital, desde que atendidos os requisitos legais de: (i) computação no lucro real do lucro/rendimento auferido no exterior; (ii) observância do limite do imposto incidente no Brasil na compensação do imposto sobre os referidos lucros; (iii) comprovação do recolhimento, com tradução juramentada, em documento reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que o imposto for devido. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. TRATADOS INTERNACIONAIS. A aplicação da legislação brasileira relativa â tributação em bases universais, não contraria os acordos para evitar a dupla tributação firmado entre Brasil e outros países, vez que na apuração do IRPJ permite a compensação do imposto pago no exterior sobre o lucro disponibilizado pelas controladas domiciliadas em países participes do acordo, observados os requisitos estabelecidos no regramento da matéria. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurando Fl. 941DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 745 8 se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio a partir de seu vencimento. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO A apreciação de questionamentos relacionados à inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 456/518), sustentando o que se segue: Preliminarmente • Que o procedimento fiscalizatório é nulo, em face da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), e que o auditor fiscal não poderia ter efetuado o presente lançamento por intermédio de RPF; • Que não há se falar em matéria não impugnada remetendo à afirmação da DRJ de que ela não teria impugnado a glosa de IRRF (no valor de R$ 134.008,14), uma vez que, no item II.1 de sua impugnação, requer a nulidade do auto de infração e que, caso a mesma fosse acolhida, haveria o cancelamento integral do débito, não restando nenhum valor a ser cobrado; • Que a decisão recorrida é nula, por não ter apreciado os argumentos suscitados pela contribuinte em sua impugnação relativamente à falta de motivação para a fiscalização desconsiderar as compensações de IRPJ e CSLL realizadas, o que gerou cerceamento do direito de defesa; • A inaplicabilidade da Solução de Consulta nº. 190/2003 (utilizada pela fiscalização como enquadramento legal dos autos de infração) ao caso, tendo em vista que a mesma não vincula a recorrente; • Que a DRJ indevidamente inovou o critério jurídico adotado, apresentando supostas irregularidades que não foram alegadas no relatório fiscal, tais como: (i) falta de apresentação de legislação traduzida; (ii) falta de comprovação de percentual de participação nas controladas indiretas; e (iii) aplicação de analogia com outros processos administrativos; No mérito Fl. 942DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 746 9 • Que observou corretamente as regras de consolidação dos lucros prevista no §6º do art. 1º da IN SRF nº. 213/02; • Que é controladora direta da empresa “Embraer Spain Holding COSL”, (Espanha) e, indireta, das empresas “Ogma Indústria Aeronáutica de Portugal” (Portugal) e “Harbin Embraer Aircraft. Ind. CO” (China), ambas controladas diretamente pela empresa espanhola. Que a sucursal francesa recolheu valores de IR devido pela empresa de Portugal, em razão de valores lá auferidos e que todos os impostos pagos pelas sociedades chinesa e francesa foram devidamente consolidados no balanço da sociedade espanhola; • Que não há vedação legal para que a recorrente compense os impostos pagos por suas controladas indiretas com tributos devidos no Brasil. Que nem a Fiscalização, nem a Turma Julgadora, lograram demonstrar qual o fundamento legal para a aplicação da metodologia de compensação de créditos que defendem; • Que a autoridade julgadora cometeu equívoco ao confundir (i) a forma de cálculo do limite do valor do imposto a ser compensado no Brasil, com (ii) o procedimento para compensação do imposto pago em caso de existência de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Sustenta que a legislação adota como limite para compensação do imposto pago no exterior: o imposto devido sobre o lucro adicionado ao Lucro Líquido para apuração do Lucro Real; e não o imposto devido após a compensação de prejuízos fiscais. Nesse sentido, argumenta que a fiscalização parece concluir que a recorrente agiu de forma incorreta na apuração do imposto pago no exterior. Nesse contexto, aponta, ainda: 1) Contradição: Que, se existe saldo de crédito a ser compensado em exercícios posteriores, não haveria motivos para a não homologação da DCOMP referente ao débito de estimativa mensal de IRPJ de maio de 2009. (O referido valor de estimativa foi objeto de compensação pela Recorrente, por meio de DCOMP, na qual se utilizou o crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do 4° trimestre de 2007. Ou seja, o crédito utilizado saldo negativo é formado exatamente pelos valores de imposto pago no exterior que foram utilizados pela Recorrente no 4º trimestre de 2007. Nesse passo, mesmo admitindo a existência de crédito a ser compensado, a decisão recorrida manteve a cobrança da estimativa de IRPJ referente ao mês de maio/2009, no valor de R$ 10.915.132,63, objeto do PAF 13884.000099/201061.) 2) Dupla tributação dos mesmos valores: Pretendese que a Recorrente “pague” o imposto devido com a utilização de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL e “pague” novamente o imposto em razão da glosa parcial do direito a utilizar o crédito do imposto pago no exterior. Que isso significa punir a contribuinte pelo exercício da faculdade de compensar prejuízos fiscais. 3) Da indevida analogia como o PAF 13884.000120/200573: Que a DRJ inovou o critério jurídico utilizado pela Fiscalização no que tange à citação de trechos deste PAF. Que muito embora a Recorrente tenha equivocadamente utilizado, no ano de 2003, o mesmo critério empregado pela Fiscalização para aproveitamento do imposto pago no exterior objeto dos presentes autos, isso não significa que a Recorrente deva permanecer adotando o mesmo procedimento equivocado. • Defende que a documentação reconhecida no órgão arrecadador, no país em que for devido o imposto, como hábil à comprovação dos valores de impostos pagos, também deverá ser conhecida e analisada no Brasil; Fl. 943DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 747 10 • Que a documentação apresentada é suficiente à comprovação dos pagamentos dos impostos no exterior. Combatendo individualmente os valores glosados sustenta que: 1) Embraer Spain Holding ESH (Espanha) não admitida a compensação do imposto pago pelas controladas indiretas (a) Harbin Embraer Aircraft Ind. Co. (China) CNY$ 12.748.418,44; e (b) OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal (Portugal) EUR$ 950.877,51 (fls. 439 verso e seguintes): Que o único fundamento para glosa do imposto pago pelas controladas indiretas na China e em Portugal é o fato de referidas sociedades não serem controladas diretas da Recorrente, matéria já combatida. No entanto, argumentando, caso se conclua que a DRJ não inovou o critério jurídico utilizado pela Fiscalização no que tange à elaborar novas exigências, esclarece que: (i) a tradução juramentada dos recolhimentos feitos na China foram anexadas aos autos, (ii) todos os pagamentos feitos na China encontramse devidamente amparados por comprovantes que foram reconhecidos pelo Serviço Consular Brasileiro na China (documento reproduzido no item 11.5.1 do recurso voluntário), (iii) não houve “incorporação” da Harbin em 30/06/2007, mas apenas a transferência dessa participação societária da Recorrente para a Embraer Spain Holding, que passou a ser sua controladora (docs. anexo ao recurso); (iv) no Relatório Fiscal não há qualquer questionamento quanto à proporcionalidade entre o percentual de participação e o valor do imposto pago na China ou em Portugal (pela filial Francesa) que foi compensado pela Recorrente, pelo que tal questionamento não pode servir de fundamento para a manutenção da decisão recorrida, em razão da já mencionada impossibilidade de inovação do critério jurídico; (v) já foi demonstrado nos presentes autos que o valor foi pago pela filial francesa da OGMA, ou seja, pela própria pessoa jurídica residente em Portugal (mas por meio de sua filial na França), sendo que existe, inclusive, previsão expressa para que esse valor de imposto pago na França seja creditado em Portugal, conforme Tratado para evitar a bitributação celebrado entre esses dois países (doc. anexo ao recurso). 2) Rendimentos auferidos diretamente no exterior: (a) Harbin Embraer Aircraft Ind. Co. (China) não comprovação do IRRF sobre rendimento decorrente da prestação de serviços na China R$ 463.677,41 e R$ 547.697,13; e (b) Embraer Aircraft Holding (EUA) suposta não comprovação do IRRF sobre juros decorrentes de contrato de mútuo R$ 962.803,40: Nesse ponto, repisa que (i) todos os pagamentos feitos na China encontramse devidamente amparados por comprovantes que foram reconhecidos pelo Serviço Consular Brasileiro na China; (ii) Que a DRJ inova o lançamento ao questionar se as receitas dessa prestação de serviço para a China e desses juros recebidos dos EUA integraram a base de cálculo dos tributos devidos no Brasil. Ainda assim, anexa planilha para análise de sua contabilidade, afirmando que não há dúvida de que as receitas de prestação de serviço para a China compuseram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no Brasil (doc. anexo ao recurso); (iii) Que o antigo Conselho já aceitou como prova do recolhimento do imposto no exterior o documento de arrecadação traduzido, sendo dispensável o reconhecimento pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (1º CC, 2ª Câmara, Ac. 10249.058, DOU em 03.09.2008). Contudo, afirma que tais documentos estão sendo traduzidos e serão apresentados oportunamente. 3) Embraer Aircraft Holding (EUA) falta de comprovação apenas de parte do imposto retido (US$ 791.756,04): (i) Que a própria decisão recorrida reconhece que foram juntados aos autos os demonstrativos de pagamento em língua inglesa (fls. 439 verso); (ii) Que não procede a afirmação da Turma Julgadora no sentido de que a Recorrente não teria juntado aos autos uma planilha de consolidação dos pagamentos que compõem o valor de US$ Fl. 944DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 748 11 791.756,04. Que, muito embora, tal planilha não seja documento obrigatório para a comprovação do imposto pago no exterior, tal planilha foi apresentada e encontrase nos autos, juntamente com a cópia dos demonstrativos de pagamento; (iii) Que mesmo não sendo necessários à comprovação do recolhimento dos tributos no exterior conforme jurisprudência pacifica do antigo Conselho de Contribuintes – anexa à tradução juramentada dos referidos documentos que comprovam a retenção do imposto e a legislação traduzida que fundamenta a cobrança desse tributo (docs. Anexos ao recurso); • Que, ad argumentando tantum, que não pode prosperar a tributação, no Brasil, dos lucros ou dividendos apurados pelas controladas sediadas nos países com os quais foram celebrados Tratados para Evitar a Dupla Tributação, entre os quais estão a Espanha, a China, Portugal e França; e • Por fim, que a cobrança de juros sobre a multa de ofício é ilegal; A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 712/735, aduzindo, em síntese, que: Preliminares • Que o ato legal que instituiu o MPF dispensa expressamente a sua emissão nos casos de análise automática das declarações entregues pela contribuinte, não havendo se falar em nulidade na hipótese. Ainda que assim não fosse, eventual irregularidade na emissão do MPF não retira a competência do Auditor Fiscal para o lançamento, que é definida em lei, nem enseja a nulidade do auto de infração, desde que cumpridos os seus requisitos essenciais ou reste caracterizado prejuízo ao direito de defesa do autuado; • Que a glosa de IRRF e de IR de Órgãos Públicos considerada não comprovada, no valor de R$134.008,14 não foi expressamente contestada pela contribuinte; • Que todos os pontos argüidos pela contribuinte foram analisados detalhadamente pela DRJ. Ainda que assim não fosse, conforme jurisprudência uníssona do Poder Judiciário e do CARF, o julgador não é obrigado a tratar todas as questões apontadas pelas partes, desde que elas fundamentem de forma suficiente o seu entendimento. • Que, muito embora a contribuinte sustente que a DRJ inovou ao fazer referência a argumentos constantes em outras folhas do presente processo, que não faziam parte da motivação dos autos de infração lavrados, como, por exemplo, a falta de apresentação da legislação traduzida, a falta de comprovação de percentual nas controladas indiretas e a pretensão de aplicação analógica de outros processos administrativos, não se vislumbra em nenhum desses argumentos qualquer inovação no critério jurídico. Tratase, pois, de análise das provas e dos argumentos trazidos aos autos pela própria contribuinte quando da apresentação de sua peça impugnatória. Não houve modificação ou inovação nas razões de direito pelas quais as glosas foram efetuadas, ou seja, os fundamentos legais das glosas permanecem os mesmos. • Que a autoridade autuante não pretendeu vincular a contribuinte às conclusões alcançadas pela Solução de Consulta nº 190/2003, mas, apenas, explicitar sua linha interpretativa; No mérito Fl. 945DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 749 12 • Que a legislação interna de tributação universal não alcança tãosomente as sociedades controladas diretamente pela investidora brasileira, conforme o conceito legal de “sociedade controlada” definido pela Lei nº. 6.404/76, arts. 116 e 243, §2° da Lei das S/A. • Que a legislação admite a compensação de impostos pagos no exterior por controlada indireta; • Que o imposto a ser compensado deve ter incidido sobre “lucros”, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem; • Que a compensação do imposto será sempre efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais; • Que pra efetuar a compensação do imposto de renda pago no exterior, a pessoa jurídica no Brasil tem que apresentar as demonstrações financeiras correspondentes ao lucro que foi tributado no exterior, de forma individualizada, de cada controlada; • Que para as controladas indiretas, os resultados por ela auferidos deverão ser consolidados no balanço da controlada direta situada no exterior, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil; • Que, no que se refere à composição do lucro líquido da EMBRAER SPAIN HOLDING CO. SL., cumpre destacar a inexistência nos autos dos resultados apurados em cada uma de suas controladas (Ogma e Harbin) para a devida correlação do percentual de sua participação nos lucros e correspondentes recolhimentos realizados em Portugal e na China. (Com relação a uma das controladas, a contribuinte anexa balanço em que a empresa apura prejuízo e, em relação à outra, sequer apresenta documentação hábil a verificar a correspondência de eventual tributo pago no exterior com o lucro auferido); • Que, em sede de recurso voluntário, a contribuinte traz aos autos planilhas com demonstrativo contábil referente à prestação de serviços para a controlada chinesa (fls. 615/620), planilhas com demonstrativo contábil referente ao contrato de mútuo (fls. 622/623), a tradução juramentada nº 768711 dos comprovantes de pagamento nos EUA (fls. 625/702), e a tradução juramentada nº 769011 da legislação norteamericana (fls. 704/708). No entanto: (i) a contribuinte não trouxe aos autos a tradução juramentada da legislação chinesa do Imposto de Renda. Além do que, os comprovantes de recolhimento anexados apenas foram traduzidos, não contendo o necessário reconhecimento pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto; (ii) os mesmos requisitos deixaram de ser observados pela documentação tendente a comprovar a retenção do imposto sobre os juros do mútuo pactuado. Em que pese a tradução dos comprovantes, os mesmos não foram reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que recolhido o imposto. Ademais, as planilhas com demonstrativo contábil trazidas aos autos em nada auxiliam a contribuinte, posto que por ela mesma elaboradas; • Que o limite dedutível do IRPJ para as controladas da contribuinte é exatamente o valor admitido pelo auditor fiscal nos autos, não havendo reparos a serem feitos ao método de cálculo do limite do imposto passível de utilização pelo sujeito passivo; Fl. 946DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 750 13 • Que deve ser mantida a exigência de juros SELIC sobre a multa de ofício devida pela contribuinte. É o Relatório. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 751 14 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Das preliminares Inicialmente, a Recorrente sustenta a nulidade dos autos de infração, sob o entendimento de que o procedimento de fiscalização teria sido instaurado com base em Registro de Procedimento Fiscal RPF, o qual seria hábil apenas na realização das atividades de diligências e de fiscalização aduaneira, nos termos do art. 12 da Portaria n°. 2/05. A decisão recorrida esclarece a diferença existente entre o Registro de Procedimento Fiscal RPF e o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nos termos do Anexo Único da Portaria COFIS n°. 27/02, segundo a qual, o RPF seria um “documento, de caráter interno, que registra todas as atividades fiscais desenvolvidas pelos AFRF junto ao contribuinte”. Por sua vez, o MPF seria “documento, de caráter externo, que instaura e informa os procedimentos de fiscalização e de diligência junto ao contribuinte”. Deveras, está claro que o RPF é um documento de caráter apenas interno, relativamente às atividades de fiscalização. Nesse passo, a emissão do RPF n°. 001497 para revisão interna da DIPJ, anocalendário 2007, não supre a falta de emissão do MPF para início do procedimento fiscal de caráter externo junto à Recorrente. Não corroboro o entendimento esposado pela decisão recorrida no sentido de que o caso dos autos estaria abarcado pela hipótese descrita no artigo 10 da Portaria RFB nº. 11371/2007, pois entendo que a dispensa de MPF nos casos de malha fiscal existe apenas enquanto a revisão for simplesmente interna. Assim, antes do início de procedimentos externos como as intimações para apresentação de documentos enviadas à Recorrente, deveria a fiscalização ter emitido o devido MPF. O MPF é o ato administrativo que permite aos auditores fiscais a instauração de procedimento fiscal externo. Tenho corroborado o entendimento majoritário deste conselho no sentido de que o MPF constitui instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, objetivando assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Nessa linha de raciocínio, como instrumento de controle interno, ainda que incorra em vício de forma, desde que não se verifique prejuízo ao contribuinte, não teria o condão de invalidar o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 752 15 Entretanto, a total e completa ausência de MPF foge de tal situação, visto que causa nítido prejuízo ao contribuinte. Existindo uma portaria da Receita Federal que exige a emissão de um MPF, afirmando que somente através deste será instaurado o procedimento fiscal, temse que a autoridade, além de competência abstrata para agir, que é aquela que garante a legitimidade ativa do MPF, deve ter competência concreta para agir nos fatos reais, ou seja, naqueles que ocorrem de acordo com a previsão legal. Se tal norma existe no ordenamento, está claro que a apenas a competência abstrata de agir não legitima a competência para fiscalizar do auditor. Tal pressuposto de validade é obrigatório em obediência ao princípio da legalidade e ao próprio princípio da vinculação dos atos administrativos. Sobre o tema, vale citar a lição dos ilustres Professores Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martinez López, colocadas na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, Dialética, 2004, pp. 107 a 112: A eleição de um servidor específico para essa função tem por finalidade proteger o contribuinte, assegurandolhe o direito de ser fiscalizado apenas por quem a lei atribua o dever se sigilo das informações obtidas em razão do exercício dessa atividade, e que atue de forma exclusiva e imparcial, sem influências estranhas ao interesse público. Somente a partir da emissão do MPF é que o contribuinte passa a acompanhar com transparência os procedimentos fiscais, sendolhe assegurado, desde o início do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, dos tributos e períodos examinados, com fixação de prazo para a sua execução, além de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Uma vez que o MPF é outorgado pelos chefes das unidades da RFB, o contribuinte tem a garantia de que o procedimento não é decorrente de uma iniciativa pessoal do agente encarregado de sua execução. Por tudo isso, defendo que o MPF é indispensável para a instauração de processo fiscalizatório. Tratandose de obrigação decorrente de norma processual, sua falta ou irregularidade em flagrante prejuízo ao contribuinte não pode ser sanada, constituindo matéria de ordem pública cuja observância deve ser imperativa. Concluo, assim, que a falta do MPF acarreta a nulidade dos autos de infração lavrados por vício formal. Prossigo na análise do caso concreto, considerando a hipótese de que a maioria dos presentes venha divergir do entendimento exposto. Ainda em sede preliminar, a Recorrente aduz a nulidade da decisão recorrida em razão (i) de não ter apreciado os argumentos suscitados pela Recorrente em sua impugnação relativamente à falta de motivação para a fiscalização desconsiderar as compensações de IRPJ e CSLL realizadas, e (ii) da inaplicabilidade da Solução de Consulta n°. 190/2003 ao presente caso, que só vincularia a parte consulente. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 753 16 Examinando a decisão a quo, verificase que ela considerou o argumento da Recorrente, embora não tenham entendido da mesma forma. Aliás, ficou claro que a decisão recorrida deu razão ao auditor fiscal que desconsiderou as compensações realizadas em razão da falta de comprovação do IRRF e do imposto pago no exterior. Nesse contexto, não é demais frisar que a autoridade julgadora pode apreciar livremente os argumentos e provas apresentadas, conforme sua convicção e juízo. Ademais, de fato, a Solução de Consulta nº. 190/2003 foi indevidamente invocada pelo auditor fiscal como fundamento legal da autuação. No entanto, o lançamento está amplamente fundamento pelos diversos dispositivos legais que enunciam as hipóteses do caso e não se vislumbra qualquer hipótese de infração ao artigo 142 do CTN capaz de invalidar o lançamento. A última questão preliminar suscitada pela Recorrente, relacionada à inovação do lançamento pela DRJ, não será aqui apreciada, por vincularse ao mérito da exigência. Será analisada mais adiante, junto com as questões de fato e de direito aplicáveis a matéria em litígio. Do mérito Glosa de IRRF A Recorrente não contesta expressamente a glosa de IRRF no valor de R$ 134.008,14, razão pela qual, afastadas as argüições preliminares acerca da nulidade dos lançamentos, é de se manter a exigência fiscal nesse ponto. Glosa de imposto pago no exterior No que toca à glosa de valores de Imposto de Renda pago no exterior, embora conste do relatório fiscal alusão no sentido de que a Recorrente não poderia compensar os impostos pagos por suas controladas indiretas, tal equívoco restou superado pelo acórdão recorrido que expressamente dispõe em sentido contrário. Nesse passo, apenas para que fique claro, digase em breves linhas que para fins societários a sociedade controlada é aquela na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, nos termos dos arts. 116 e 243, § 2º, da Lei das S/A. Na mesma linha, a exposição de motivos atinente ao § 2º do art. 243 da Lei nº 6.404/76, expressamente expôs que “o conceito de sociedade controladora corresponde ao de acionista controlador, do parágrafo único do art. 116, com as adaptações necessárias para compreender quaisquer formas de sociedades controladas (e não apenas a de companhia) e a possibilidade de controle indireto, através de cadeia ou pirâmide de sociedades.” Também o art. 1098 do Código Civil de 2002, conceitua controlada como sendo (i) a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; ou (ii) a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em Fl. 950DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 754 17 poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas”. Não bastasse isso, também a legislação tributária equipara controle direto ao indireto, como se verifica da simples leitura dos artigos 384 e 466 do RIR/99. Superado esse ponto, em suma, temos que tanto o relatório fiscal, como a decisão recorrida, invocam a suposta falta de comprovação, por documentos hábeis e idôneos, dos pagamentos de imposto no exterior para justificar a manutenção das cobranças. Por conseguinte, importa recordar o que dispõe a legislação fiscal sobre o tema: Código Civil (Lei n°10.406/2002): Art. 224. Os documentos redigidos ern língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no país. Código de Processo Civil: Art. 157 Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei n°. 6.015, de 31/12/1973: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros(...). 6°). todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; Art. 148. Os títulos, documentos e papéis escritos em língua estrangeira, uma vez adotados os caracteres comuns, poderão ser registrados no original, para o efeito da sua conservação ou perpetuidade. Para produzirem efeitos legais no país e para valerem contra terceiros ,deverão, entretanto, ser vertidos em vernáculo e registrada a tradução, o que, também, se observará em relação as procurações lavradas em língua estrangeira. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da Unido, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento. Lei n°. 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Fl. 951DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 755 18 Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. §1° Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. §2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto. Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Lucros e Rendimentos Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II arbitrados, os lucros das filiais, sucursais e controladas, quando não for possível a determinação de seus resultados, com observância das mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e computados na determinação do lucro real. §1º Os resultados decorrentes de aplicações financeiras de renda variável no exterior, em um mesmo pais, poderão ser consolidados para efeito de cômputo do ganho, na determinação do lucro real. §2° Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o §2° do art. 26 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do pais de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. (Grifo meu) Consignese, portanto, que para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser apresentado traduzido, por tradutor Fl. 952DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 756 19 juramentado, e reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A falta de tais requisitos no documento relativo ao imposto será suprida quando o contribuinte apresentar a legislação traduzida do país de origem do imposto recolhido, prevendo a incidência do imposto pago por meio do documento de arrecadação. Dito isso, passo a analisar o que restou consignado pelo relatório fiscal e pela decisão recorrida quanto aos documentos e exigências relacionadas a cada valor glosado: 1) Embraer Aircraft Holding (EUA) falta de comprovação apenas de parte do imposto retido (US$ 791.756,04): Foram juntados aos autos tão somente os demonstrativos de pagamento em língua inglesa, desprovidos de tradução juramentada, consularização ou legislação americana traduzida. Além disso, a Recorrente não teria juntado aos autos uma planilha de consolidação dos pagamentos que compõem o valor em referência. Nada obstante o exposto, juntamente com seu recurso voluntário, a Recorrente apresentou a tradução juramentada dos demonstrativos de pagamento do imposto nos EUA (fls. 625/702) e a tradução juramentada da legislação americana que fundamenta a cobrança do tributo (fls. 704/708). Dessa forma, ainda que os demonstrativos de pagamento do imposto pago nos EUA não estejam consularizados, tal necessidade foi suprida pela apresentação da legislação traduzida, prevendo a incidência do imposto pago por meio do documento de arrecadação, nos termos do citado inciso II do §2° do artigo 16 da Lei n°. 9.430/96. Logo, nesse ponto, não procede a glosa realizada. A planilha de consolidação dos pagamentos que compõe o valor em referência não representa documento obrigatório para a comprovação do imposto pago no exterior. 2) Embraer Spain Holding ESH (Espanha) não admitida a compensação do imposto pago pelas controladas indiretas: (a) Harbin Embraer Aircraft Ind. Co. (China) CNY$ 12.748.418,44: Foram juntados aos autos pagamentos efetuados na China com tradução juramentada, porém sem consularização ou cópia da legislação do imposto de renda traduzida. Além disso, no que se refere à composição do lucro líquido da Embraer Spain Holding ESH, reclama da inexistência nos autos dos resultados apurados em cada uma de suas controladas para a devida correlação do percentual de sua participação nos lucros e correspondentes recolhimentos realizados em Portugal e na China. Assim, não estaria comprovada a observância do percentual de participação da ESH nas respectivas controladas e não restou comprovado o respeito à proporcionalidade do imposto a ser compensado com o lucro consolidado na ESH. Aqui, vale consignar que os demonstrativos de pagamento realizados na China e anexados aos autos encontramse devidamente amparados por comprovantes que Fl. 953DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 757 20 foram reconhecidos pelo Serviço Consular Brasileiro na China, conforme esclarecido pela Recorrente no item 11.5.1 do recurso voluntário (vide à exemplo documentos de fls. 256/262). Desnecessário, com isso, a apresentação da legislação chinesa. Com efeito, tendo em vista que (i) o relatório fiscal não menciona como motivo da autuação a falta de apresentação, pela Recorrente, dos resultados apurados em cada uma das controladas indiretas da ESH e da observância da apropriação do imposto nos limites do percentual de participação da ESH nas respectivas controladas, e que (ii) as intimações feitas pela fiscalização à Recorrente também não solicitaram a apresentação de tais esclarecimentos ou documentos (vide fls. 7/9, 14/19 e 20/142), tem razão a Recorrente quando afirma que a DRJ indevidamente inovou o critério jurídico adotado, o que não pode ser admitido. Assim, nesse ponto, também afasto a glosa dos valores compensados. Notese, que aqui a DRJ também suscitou questão relativa à Nota Explicativa 14 das Demonstrações Contábeis da Recorrente (referentes ao anocalendário 2007) para questionar quando e como a empresa chinesa tornouse controlada da ESH. No entanto, tal situação não merece importância já que a Recorrente apresentou cópia traduzida e juramentada dos instrumentos legais de transferência da participação societária (fls. 582/764) junto com sua peça recursal, justificando a operação e o acréscimo, ao seu lucro líquido, do resultado de sua controlada chinesa. (b) OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal (Portugal) EUR$ 950.877,51: Foram juntados aos autos demonstrativos de pagamento realizados na França (pela filial francesa da empresa OGMA) referente ao imposto devido pela OGMA, controlada portuguesa da ESH. Também foi anexada legislação francesa (fls. 29/42) com tradução juramentada. Contudo, tais valores não foram validados por não existir previsão no art. 14 da IN SRF nº. 213/2002 para compensação de imposto recolhido em país distinto do domicílio da empresa controlada. Reclama, ainda, que não consta dos autos a apuração de resultados relativos à OGMA ou a correspondente consolidação na sua controladora AIR HOLDING SGPS (que detém 65% de participação) para aferição dos correspondentes valores de lucro e imposto recolhido, considerandose o percentual de participação de 70% da ESH e a proporção adequada ao seu resultado. Vale repisar os argumentos da decisão recorrida: Entretanto, os elementos trazidos aos autos são insuficientes para aferir os resultados apurados por cada uma das controladas da empresa espanhola, bem como para atestar a natureza dos valores sobre os quais incidiram o imposto pago pela filial francesa da OGMA de Portugal, na qual a AIR HOLDING SGPS tem 65% de participação, que, por sua vez, conta com 70% de participação da EMBRAER SPAIN HOLDING ESH. Atentese que nos autos também não é possível definir a relação dos recolhimentos realizados na França com o lucro apurado pela OGMA, controlada indireta da EMBRAER SPAIN HOLDING ESH, da qual a autuada é controladora, dada a ausência de demonstração do resultado de suas controladas Fl. 954DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 758 21 diretas e indiretas. Tal condição tornase imprescindível visto que o recolhimento do imposto pode estar vinculado a retenção na fonte sobre rendimentos de serviços ou ganhos de capital, de forma a ser aproveitado na apuração de resultados da empresa que diretamente prestou os serviços ou obteve ganhos de capital, dado que na eventual apuração de prejuízos tais recolhimentos seriam absorvidos no resultado da empresa controlada OGMA de Portugal, o que impediria seu aproveitamento no resultado da controladora ESH. Carece, pois, de fundamento lógico a pretensão do contribuinte de valer–se do tributo recolhido por controladas indiretas sem a devida demonstração daqueles resultados consolidados na controlada direta, para a devida vinculação dos recolhimentos ao imposto por ela apurado como devido no período, de forma a se admitir a compensação de imposto já pago incidente sobre os lucros trazidos para a consolidação da controladora no Brasil, na proporção de sua participação naquelas empresas. Sobre tais afirmações, é de se dizer, a exemplo das considerações expressas no item anterior, que no Relatório Fiscal não há qualquer questionamento quanto à proporcionalidade entre o percentual de participação e o valor do imposto pago em Portugal (pela filial Francesa) que foi compensado pela Recorrente, pelo que tal questionamento não pode servir de fundamento para a manutenção da decisão recorrida, em razão da já mencionada impossibilidade de inovação do critério jurídico. Destarte, não existe qualquer vedação para que o valor pago pela filial francesa da OGMA, ou seja, pela própria pessoa jurídica (mas por meio de sua filial na França), seja aproveitado por ela na compensação com os impostos devidos no Brasil. Logo, afastase aqui também a glosa dos valores compensados. 3) Rendimentos auferidos diretamente no exterior: (a) Harbin Embraer Aircraft Ind. Co. (China) não comprovação do IRRF sobre rendimento decorrente da prestação de serviços na China R$ 463.677,41 e R$ 547.697,13: Foram juntados aos autos os comprovantes de retenção de imposto sobre recebimentos por serviços prestados à sua controlada indireta na China, com tradução juramentada (fls. 254/262), que, contudo, não foram reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira na China. Aqui também merece reforma o lançamento fiscal, uma vez que todos os pagamentos feitos na China encontramse devidamente amparados por comprovantes que foram reconhecidos pelo Serviço Consular Brasileiro na China, como já exposto acima (esclarecido pela Recorrente no item 11.5.1 do recurso voluntário). É, portanto, desnecessária a apresentação de cópia traduzida da legislação chinesa e improcedente a glosa efetuada. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 759 22 (b) Embraer Aircraft Holding (EUA) suposta não comprovação do IRRF sobre juros decorrentes de contrato de mútuo R$ 962.803,40: Foram juntados aos autos os comprovantes de retenção de imposto sobre recebimentos de juros sobre mútuo realizado com a controlada indireta nos EUA (fls. 263/357) com tradução juramentada. No entanto, tais documentos não foram consularizados e não foi anexada aos autos a legislação americana traduzida que fundamenta a cobrança desse tributo. Além disso, a DRJ questiona se as receitas dessa prestação de serviço para a China e desses juros recebidos dos EUA integraram a base de cálculo dos tributos devidos no Brasil. Novamente, vêse que a DRJ inova o lançamento ao questionar se as receitas dessa prestação de serviço para a China e desses juros recebidos dos EUA integraram a base de cálculo dos tributos devidos no Brasil, já que tais documentos e informações não foram exigidos na ação fiscal. Nada obstante, a Recorrente anexou ao recurso voluntário planilha demonstrando que as receitas de prestação de serviço para a China compuseram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no Brasil (fls. 614/620 e 621/627). Ainda assim, como a Recorrente não apresentou até o momento a cópia traduzida e consularizada dos comprovantes de retenção de imposto sobre recebimentos de juros sobre mútuo realizado com a controlada indireta nos EUA ou, ainda, a legislação americana traduzida que fundamenta a cobrança desse tributo, deve ser mantida a glosa. Tributação em Bases Universais De outro giro, para afastar as exações, a Recorrente aduz que não pode prosperar a tributação, no Brasil, dos lucros ou dividendos apurados pelas controladas sediadas nos países com os quais foram celebrados Tratados para Evitar a Dupla Tributação, entre os quais estão a Espanha, a China, Portugal e França. Sobre o tema, é de se observar que tendo a Recorrente adicionado em sua apuração o lucro auferido por participação societária em empresas domiciliadas em países com quem o Brasil possui acordo para evitar a dupla tributação, demonstrou ela estar de acordo com a aplicação da legislação brasileira relativa à tributação em bases universais, pretendendo, inclusive, valerse do direito de compensar o imposto pago no exterior por suas controladas diretas e indiretas. Dessa forma, qualquer insurgência contra as normas brasileiras objetando afastar tal tributação deveria ser realizada em ação própria de repetição de indébito. Limite para compensação do imposto devido Avançando nos temas a serem analisados, temos que tanto a Fiscalização quanto a Turma Julgadora reconhecem a possibilidade da compensação integral da totalidade do imposto pago no exterior (R$ 19.436.960,68). No entanto, entendem que a Recorrente errou ao calcular o limite a ser compensado e, assim, parte do crédito (R$ 9.370.994,36) deveria ser registrado no Lalur para compensação em períodos subseqüentes. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 760 23 Isso porque, no entendimento fiscal, para fins de cálculo do valor dedutível do IRPJ devido no Brasil, quando ocorre a compensação de prejuízos pela empresa brasileira no período fato que reduz a 70% seu lucro real tributável obtido a partir do lucro líquido , os contribuintes devem adotar como limite para compensação o imposto devido após a compensação de prejuízos no Brasil, o que inevitavelmente reduz, na mesma proporção, o lucro no exterior considerado no ajuste. Portanto, a questão que se coloca em discussão está em saber se o lucro real a ser considerado para apuração da parcela dedutível do IRPJ, relativa ao imposto pago no exterior, seria aquele obtido antes ou após a compensação de prejuízos fiscais. Por pertinente, cabe transcrever os dispositivos relacionados à matéria: Lei nº. 9249/95 Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. IN SRF 213/2002 Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. ... § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. A atenta leitura dos dispositivos transcritos determina claramente que o tributo no exterior será compensado até o limite do montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. A especificação de que o lucro real, a ser considerado para apuração da parcela dedutível do IRPJ, relativa ao imposto pago no exterior, seria aquele obtido antes ou após compensação de prejuízos fiscais, apresentase desnecessária considerando que o lucro real citado na legislação tributária já é definido como aquele obtido após as adições, exclusões ou compensações. Senão vejamos: RIR/99 Conceito de Lucro Real. Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). Fl. 957DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 761 24 Ora, o lucro real já é expressamente definido como aquele obtido após a compensação de prejuízos fiscais. Com feito, in casu, o limite que deveria ter sido observado pela Recorrente é o do montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real, ou seja, após compensação de 30% de seu montante com saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Logo, é de se manter o lançamento nesse ponto. Impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa Por fim, a Recorrente alega a improcedência da cobrança de juros de mora sobre a multa. A exigência para tal cobrança, conforme manifestação da Fazenda Nacional através do parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº. 28, de 02/04/98, está no art. 61, § 3º da Lei nº. 9.430/96, que assim estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Pela simples leitura do texto acima, resta claro que o mesmo está apenas permitindo que os débitos com a União Federal decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos vencimentos sejam acrescidos de multa de mora, e que aqueles mesmos débitos (e não a multa) sofram também a incidência de juros de mora. Corrobora com o entendimento que o art. 61 da Lei nº. 9.430/96 prevê a cobrança de juros exclusivamente sobre o valor dos tributos e contribuições o art. 43 da mesma Lei nº. 9.430/96, ao dispor: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de Fl. 958DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 762 25 mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do art. 61 da Lei nº. 9.430/96 incluísse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do art. 43 acima reproduzido, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do art. 61. Desse modo, resta claro que somente existe previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa no caso da multa lançada isoladamente, o que não e o caso do recurso em análise. Outra discussão que se tem em relação ao tema de cobrança de juros sobre a multa é que a legitimidade para a sua cobrança estaria no próprio Código Tributário Nacional, na medida em que o art. 113 do CTN estabeleceria o procedimento de cobrança e o regime jurídico das multas ao mesmo adotado para os tributos. Tal entendimento, todavia, não merece prosperar, senão vejamos. O art. 113 do CTN estabelece: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pela simples leitura do caput do artigo acima reproduzido, verificase que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.”, nos termos do parágrafo 3º do referido art. 113. Desse modo, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. E é somente sobre essa penalidade (descumprimento de obrigação acessória), que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não paga integralmente no seu vencimento podem incidir os juros de mora, conforme previsto no art. 43 da Lei nº. 9.430/96. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 763 26 No caso em questão, é preciso salientar mais uma vez que a multa de ofício lançada não se refere ao descumprimento de obrigação acessória, mas sim de multa exigida pelo descumprimento da obrigação principal de pagar tributo. Poderia, por fim se argumentar aqui que o art. 161 do CTN legitimaria a cobrança dos juros sobre a multa de tributo não pago no vencimento. Pareceme também que nesse artigo não traz tal permissão, senão vejamos. Dispõe o art. 161do CTN, “in verbis”: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pelo texto legal acima transcrito verificase que se a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal já estivesse incluída no “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no art. 161 do CTN, seria desnecessária a ressalva final constante do referido dispositivo no sentido de que essa incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Ao analisar a matéria esse E. Conselho vem se manifestando pela impossibilidade da cobrança de juros sobre a multa, conforme se verifica das decisões abaixo reproduzidas: IRPJ E OUTRO Ex(s): 2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. A decisão vergastada foi exarada de acordo com a correta análise dos fatos e do direito aplicável ao caso em questão, pelo quê há ser confirmada. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR MOMENTO DO FATO GERADOR. A Lei nº 9.532/1997, não atuou modificando a data da ocorrência do fato gerador, mas, tãosomente, deslocou o seu componente temporal, indicando o momento em que esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DECADÊNCIA. No caso de tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada, o prazo decadencial tem início no dia 31 de dezembro do anocalendário em que houve a disponibilização para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO EM COLIGADA. São tributáveis os lucros auferidos no exterior por sociedade Fl. 960DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 764 27 domiciliada no Brasil, por intermédio de sua coligada, que sejam disponibilizados àquela. Tais lucros serão considerados disponibilizados na data do seu pagamento, que é considerado efetuado, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. A alienação de participação societária em coligada no exterior incluise na hipótese de "emprego do valor em benefício" da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR RESERVA LEGAL. Não deve compor a base de cálculo do lançamento a parcela correspondente à Reserva Legal, posto que esta tem destinação obrigatória prevista em lei e deve ser constituída antes de qualquer outra destinação dos lucros. TRIBUTOS PAGOS NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO. A compensação do imposto sobre a renda devido no Brasil, em face da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, só será possível com o imposto sobre a renda recolhido no exterior em razão dos mesmos lucros, independentemente da denominação do tributo no país de origem. PESSOAS JURÍDICAS COLIGADAS ADIÇÃO DE JUROS CAPITALIZAÇÃO DE RECURSOS INDISPONIBILIDADE DOS LUCROS. A adição dos juros decorrentes da capitação de recursos junto a coligada no exterior, só é cabível no caso de não ter sido disponibilizado os lucro do período para sua coligada no Brasil. Configurada a disponibilização de tais lucros não deve prevalecer o lançamento tributário. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação ao tributo principal se aplica aos lançamentos reflexos, em virtude da estreita relação de causa e efeitos entre eles existentes, salvo quando houver na legislação de regência do tributo lançado como reflexo, característica que leve a outra conclusão. LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR CSLL. Por força do princípio da legalidade estrita, no Direito Tributário só há incidência tributária sob a vigência de norma que estabeleça tal tributação. No caso da CSLL sobre lucros auferidos no exterior por coligada, a norma instituidora da obrigação tributária foi publicada em 30 de junho de 1999, passando a vigorar a partir de 01 de outubro de 1999. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de decadência, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, que acolhiam a preliminar, sendo que o Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, acompanha pelas conclusões. No mérito, pelo voto de qualidade, considerar ocorrida a disponibilidade do lucro na alienação da participação societária, vencidos os Conselheiros João Carlos Fl. 961DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 765 28 de Lima Junior , José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva, que apresenta declaração de voto, e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, quanto a primeira infração para excluir a tributação da CSLL em relação aos lucros apurados pela coligada no exterior, até 30 de setembro de 1999, bem assim a reserva legal. Por unanimidade de votos, cancelar a exigência em relação 'a glosa de despesas de juros, acompanham pelas conclusões João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percinio da Silva e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Por maioria de votos, excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nesta parte os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.601 em 06.03.2008) Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Essa regra aplicase também à CSLL por força da Súmula nº 8 do STF. Acolhese a argüição de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO O agravamento da multa de ofício pelo atraso ou não atendimento de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quanto efetivamente demonstrada a recusa ou efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1997, 1998, 1999 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento formalizado como decorrência o resultado do julgamento proferido no processo que lhe deu origem, tendo em vista o liame fático que os une. Ementario publicado no DOU nº 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 Resultado: DPM DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Fl. 962DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 766 29 Texto da Decisão: Por maioria de votos, acolheram a preliminar de decadência relativamente ao ano 1997, vencido o conselheiro Luciano de Oliveira Valença que aplicava o art. 173, I, do CTN. No mérito, por maioria de votos, deram provimento ao recurso, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Houve sustentação oral do representante do recorrente, Sr. Ricardo Krakowiak, (Acórdão 10323566, Relator Leonardo de Andrade Couto, Data da Sessão: 17/09/2008, Recurso 160718, 3ª Câmara, Processo 16327.000106/200311) Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. SIMULAÇÃO GANHO DE CAPITAL Se as provas constantes dos autos demonstram que a Contribuinte realizou negócio jurídico de forma diversa daquela formalmente declarada, havendo desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, resta caracterizada a ocorrência de simulação, devendo a obrigação tributária ser apurada sobre o negócio jurídico de fato realizado. ATOS NÃOCOOPERADOS TRIBUTAÇÃO Os atos praticados por cooperativas que não se configurem como tipicamente cooperativos, estão sujeitos à tributação. Apenas os atos cooperativos, praticados entre associados e com o objetivo de atingir suas finalidades estatutárias não serão tributados. MULTA E JUROS SELIC Se a multa de ofício e os juros pela taxa Selic aplicados encontramse em consonância com a legislação vigente, o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos da sua Súmula nº 02, não pode afastar sua aplicação, já que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado.RV Provido em Parte. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos nessa parte, em segunda votação, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Relator), Aloysio José Percinio da Silva e Antonio Praga, que mantinham a incidência da taxa selic sobre a multa de oficio. Nas demais matérias em litígio houve unanimidade do colegiado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de oficio proporcional. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 767 30 (Acórdão 10196523, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Data da Sessão 23/01/2008, Recurso 157078, 1ª Câmara, Processo 19515.003663/200527) Ementa: AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro ano calendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. Texto da Decisão: Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a tributação na aquisição de ações, no valor de R$ 315.144,91 mensais, TVF fl. 601 e determinar que os juros sobre a multa de ofício deverão ser calculados à razão de 1% ao mês nos termos do artigo 161 do CTN, a partir do 31º dia da ciência do lançamento. Por maioria de votos, AFASTAR a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Marcos Rodrigues de Mello e Waldir Veiga Rocha. Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL quanto ao ágio na subscrição de ações admitindo a amortização no valor total de R$ 3.483.041,38. Vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves (Relator), Wilson Fernandes Guimarães e Marcos Rodrigues de Mello. Declarouse impedido o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Bekierman (Suplente Convocado). Fl. 964DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 768 31 (Acórdão 10516774, Relator José Clóvis Alves, Data da Sessão: 08/11/2007, Recurso: 155375, 5ª Câmara, Processo: 13839.001516/200664, Recorrente: CPQ BRASIL S.A.) Ementa: RECURSO EX OFFICIO IRPJ e CSLL – Devidamente justificada pelo julgador a quo a insubsistência das razões determinantes de parte da autuação por glosa de despesas, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão que dispensou a parcela do crédito tributário irregularmente constituído. RECURSO VOLUNTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – A apreciação da constitucionalidade ou não de lei regularmente emanada do Poder Legislativo é de competência exclusiva do Poder Judiciário, pelo princípio da independência dos Poderes da República, como preconizado na nossa Carta Magna. Assim, somente será apreciada nos Tribunais Administrativos quando uniformizada e pacificada na esfera judicial pelo Supremo Tribunal Federal. IRPJ – CSLL – PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS – TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENIGNA – No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, a multa isolada exigida pela falta de recolhimento do tributo em atraso, sem a inclusão da multa de mora, deve ser exonerada pela aplicação retroativa do artigo 14 da MP nº 351, de 22/01/2007, que deixou de caracterizar o fato como hipótese para aplicação da citada multa. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS – Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. JUROS MORATÓRIOS – TAXA SELIC Fl. 965DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 769 32 Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: 1) afastar a exigência das multas isoladas; 2) afastar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez (Relator) e Sandra Maria Faroni, que deram provimento parcial ao recurso em menor extensão, no tocante à incidência dos juros de mora, e Sebastião Rodrigues Cabral e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também cancelar a exigência da CSL. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmir Sandri. (Acórdão 10196008, Relator Paulo Roberto Cortez, Data da Sessão: 01/03/2007, Recurso: 151401, 1ª Câmara, Processo: 16327.004079/200275) Nesse mesmo sentido, também foi a manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao analisar e decidir sobre a matéria, conforme se verifica do acórdão abaixo reproduzido: Favorável – Administrativo – Câmara Superior de Recursos Fiscais Texto da Decisão: 1) Por maioria de votos, NÃO CONHECER da preliminar de perda de objeto do recurso em face do trânsito em julgado da decisão judicial quanto ao mérito, suscitada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado); 2) Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência até os fatos geradores do mês de outubro de 1999, vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Júlio César Vieira Gomes e Elias Sampaio Freire que não acolhiam; 3) por maioria de votos CONHECER do recurso quanto a incidência sobre a multa de ofício dos juros à taxa SELIC, vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Leonardo Siade Manzan, e por maioria de votos DAR provimento nessa parte, vencidos s conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Antonio Praga, que mantinham essa incidência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138.192. (Acórdão CSRF/0203.133, Relator Henrique Pinheiro Torres, Data da Sessão: 06/05/2008, Recurso 202131351 ,2ª Turma, Processo: 18471.001680/200430, RECURSO DE DIVERGÊNCIA, Matéria: COFINS, Recorrente: COMPANHIA VALE DO RIO DOCE S/A.) Desse modo, entendo que nesse ponto assiste razão à Recorrente. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 770 33 Diante do exposto, em preliminar, voto por declarar a nulidade do procedimento fiscal, ante a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal. Vencido na votação da preliminar, no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a comprovação dos pagamentos de imposto de renda no exterior pela controladas diretas e indiretas e do imposto de renda retido na China. Por fim, afasto a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 967DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 771 34 Voto Vencedor Apesar do excelente voto proferido pelo Ilustre relator ouso dele divergir em duas matérias: a pretensa nulidade do procedimento pela ausência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Partilho do entendimento de que um vício no MPF pode comprometer a legitimidade do procedimento fiscal. Entretanto, meu posicionamento dirigese fundamentalmente às situações nas quais esse documento é exigível e a ação fiscal é executada fora do alcance do MPF que lhe deu origem. Nessa hipótese é plausível a argüição de ilegalidade do procedimento, com flagrante violação do princípio da transparência e da segurança jurídica do administrado. Duas questões se contrapõe a esse posicionamento. A primeira delas é que o MPF não é exigível em procedimentos de revisão de declarações, como é o presente, em que a análise envolve a procedência do crédito solicitado em PER/Dcomp. A outra e não menos importante questão voltase para o fato de que tal posição não encontra respaldo na jurisprudência desta Corte, para quem o MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Assim, mesmo que por hipótese a ausência do MPF se constituísse em irregularidade no presente caso, a jurisprudência remansosa do CARF acobertaria o procedimento fiscal. No que se refere à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, é tema que adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar Fl. 968DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 772 35 aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da Fl. 969DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 773 36 obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Fl. 970DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 774 37 Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício Fl. 971DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 775 38 A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 776 39 Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Fl. 973DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 777 40 Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se Fl. 974DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 778 41 considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 779 42 Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 780 43 Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida Fl. 977DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 781 44 no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 782 45 vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) Fl. 979DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA Processo nº 13884.720014/201077 Acórdão n.º 1402001.287 S1C4T2 Fl. 783 46 De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Em resumo do voto divergente, rejeito a alegação de nulidade do procedimento pela ausência do MPF e manifestome pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Leonardo de Andrade Couto Redator Designado Fl. 980DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 18471.000634/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Andrada Marcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 63 4/ 20 06 -8 5 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de auto de infração de CSLL, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, lavrado em razão da verificação de base de cálculo negativa compensada sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, excedente no valor de R$ 90.001.831,21, em 2003, e no valor de R$ 32.285.569,62, em 2004. O crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa, em razão de tutela antecipada, confirmada por sentença na ação ordinária n° 96.00240329 (fls. 169/176), garantindo ao contribuinte o direito de compensar integralmente as bases de cálculos negativas apuradas sem os limites impostos pelos arts.42 e 58 da Lei nº 8.981/95. Foram referidos como enquadramento legal: art. 2° e §§ da Lei nº 7.689/1988; art. 58 da Lei nº 8.981/1995; art. 16 da Lei nº 9.06511995; art. 19 da Lei nº 9.249/1995. Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que o autuante também lavrou outros dois autos de infração que originaram o processo n° 18471.000626/200639, relativos à tributação de lucros provenientes do exterior, nos anos de 2002 a 2004, cuja decisão terá reflexos diretos nas bases de cálculos da presente autuação, pelo que pede o apensamento dos processos para julgamento em conjunto. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – I, acatando a declaração de IRPJ retificadora, julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado para considerar devida a contribuição social sobre o lucro liquido CSLL, no valor de R$ 10.590.757,27, acrescida da multa de 75% e dos encargos moratórios, nos termos da seguinte ementa: CORREÇÃO DO CÁLCULO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É de se corrigir o valor do crédito tributário, ante a constatação de apresentação de declaração retificadora alterando a base de cálculo da contribuição. Em razão do montante exonerado estar abaixo do limite de alçada, não houve recurso de ofício. Regularmente cientificado da decisão em 22/05/2007 (cfe. AR, fl.309,v.), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 20/06/2007 (fls.311 320), em que contesta a decisão recorrida pelos argumentos a seguir sintetizados. Alega que o crédito tributário lançado neste processo foi constituído com base nos valores apurados pela própria recorrente e informados nas DIPJs relativas aos anos calendário de 2003 e 2004 e que do valor total da base de cálculo de CSLL relativa ao ano calendário de 2003, R$ 103.537.624,16 são relativos a lucros auferidos no exterior por Klanil. Sustenta que, no auto de infração conexo, a autoridade fiscal formalizou a exigência da seguinte forma: (a) anocalendário de 2001 adicionou ao lucro liquido do período, para fins de determinação da base de cálculo de CSLL, os lucros Fl. 362DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 4 3 auferidos no exterior por Cheyney, de 1998 ao I° semestre de 2001, no valor de R$ 128.784.934,08; (b) anocalendário de 2002 adicionou ao lucro liquido do período, para fins de determinação da base de cálculo de CSLL, os lucros auferidos no exterior por Klanil do 2° semestre de 2001 a 2002, no valor de R$ 56.552.857,78; (c) anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 desconsiderou as exclusões procedidas pela RECORRENTE, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, relativas aos resultados positivos de equivalência patrimonial de Klanil, nos montantes de R$ 194.391.601,51, R$ 32.474.411,44 e R$ 12.468.448,54, respectivamente. Sustenta que, naquele processo: (a) desconsideraram os R$ 56.552.857,78 oferecidos à tributação pela RECORRENTE no anocalendário de 2003, conforme demonstrado em 3.3., acima, e os adicionaram ao lucro liquido do anocalendário de 2002 para fins de constituição do crédito tributário, conforme demonstrado em 3.6.(a), acima; e (b) desconsideraram os R$ 46.984.766,38 relativos aos lucros auferidos por Klanil no anocalendário de 2003 e oferecidos nesse mesmo ano à tributação pela RECORRENTE, conforme demonstrado em 3.3., acima, e adicionaram ao lucro liquido do próprio ano calendário de 2003 os resultados positivos de equivalência patrimonial de Klanil no montante de R$ 32.474.411,44 (a diferença é decorrente de variação cambial negativa dos investimentos da RECORRENTE em Klanil). Assim, segundo ele, se prevalecer a tributação em 2002 dos lucros auferidos por Klanil do 2º semestre de 2001 a 2002, no montante de R$ 56.552.857,78, assim como a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial, decorrente do investimento da recorrente em Klanil, no montante de R$ 32.474.411,44, não caberia têlos oferecido à tributação em 2003, como o fez espontaneamente, e os valores deverão ser excluídos, ajustandose as bases de cálculo negativas de CSLL apuradas neste processo. Pede, finalmente, o apensamento do processo administrativo nº 18471.000626/200639, ante a conexão entre eles, para que quaisquer modificações nas bases de cálculo de CSLL, dos anoscalendário de 2003 e 2004, sejam refletidas na apuração do crédito tributário deste processo. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 5 4 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. A recorrente insurgese contra a parte da decisão da DRJ que julgou o lançamento de CSLL procedente em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, por considerar que “as compensações de bases de cálculo negativas devem ser procedidas nos limites da legislação vigente, em função de cada autuação”. O lançamento em litígio, de acordo com a autoridade fiscal, decorre da verificação de base de cálculo negativa de CSLL compensada sem observância do limite legal de 30%. A recorrente, por sua vez, aponta que os dois autos de infração que originaram o processo n° 18471.000626/200639, relativos à tributação de lucros provenientes do exterior, nos anos de 2002 a 2004, têm reflexos diretos nas bases de cálculo da presente autuação. Segundo a recorrente, caso prevaleça, naquele processo, a autuação em 2002, as bases de cálculo da CSLL apuradas neste processo deverão ser ajustadas, considerandose a exclusão dos mesmos valores oferecidos espontaneamente em 2003, referentes a tributação dos lucros auferidos por Klanil do 2º semestre de 2001 a 2002, no montante de R$ 56.552.857,78, assim como a tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial, decorrente do investimento da recorrente em Klanil, no montante de R$ 32.474.411,44. Sobre a compensação de bases de cálculo negativas de CSLL, a Lei nº 8.981/95 determina: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na Fl. 364DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 6 5 legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Conforme a legislação acima, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da CSLL é a base para a verificação do limite de compensação das bases de cálculo negativas. De fato, no presente caso, há que se considerar o reflexo da autuação objeto do processo nº 18471.000626/200639, referente aos anoscalendário de 2001 a 2004, em especial no ano calendário de 2003, como aponta a recorrente, visto que, a perdurarem ambas as autuações, o mesmo lucro estaria sendo tributado duplamente. Com isso, a análise do presente litígio depende diretamente do resultado do julgamento daquele processo, por se tratar este de processo decorrente. O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 18471.000626/200639, assim como o crédito tributário decorrente da verificação de compensação a maior do saldo de bases negativas de CSLL, em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151, inciso III, do CTN, até que sejam definitivamente julgados. Como em todas as manifestações decorrentes da relação Fiscocontribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. Assim, não há que se falar em efetiva extrapolação do limite de 30% do saldo de bases negativas de CSLL, enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado que afetará a apuração do lucro líquido no anocalendário de 2003. Até esta instância de julgamento, a análise dos recursos seguiu os trâmites processuais normais, sem qualquer prejuízo à defesa. Contudo, o julgamento proferido por esta instância recursal poderá encerrar definitivamente o litígio, visto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não é terceira instância de julgamento, pois não se trata de uma instância revisora. Tratase de órgão uniformizador de jurisprudência, a teor do que dispõe o Decreto nº 70.235/72: SEÇÃO VII Do Julgamento em Segunda Instância Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º (Revogado pelo Decreto nº 83.304, de 1979) § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (VETADO)(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 7 6 Eventual interposição de recurso especial dependerá do atendimento aos requisitos constantes do art. 67 e §§ do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suas alterações, que dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. (destacouse) Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 8 7 Assim, o recurso especial de decisão que julgou o recurso voluntário, para ser admitido a um novo julgamento, deve preencher alguns requisitos, sendo o mais importante deles a demonstração de existência de divergência em relação ao julgamento da mesma matéria realizado por outra turma. Para ser admitido, o recurso especial eventualmente apresentado neste processo teria que trazer a prova da divergência da tese, o que não se faz possível ou, quando muito, repetiria a comprovação adotada no processo principal, e dependeria do critério de admissibilidade adotado pelo destinatário do recurso. Explicase. Tecnicamente, neste processo não se trata de rediscutir a questão de mérito, mas de mero ajuste das bases de cálculo respectivas. A questão (tese jurídica) que importa ao deslinde do presente litígio, como se depreende da acusação fiscal e das razões recursais, corresponde à adições ao lucro líquido de períodos anteriores, para fins de determinação da base de cálculo de CSLL, que é exatamente a matéria que está sendo debatida em outro processo (18471.000626/200639). O que se discute aqui não se confunde com o que se discute nos autos principais (tributação dos lucros no exterior), tendo esta autuação, sob esse ponto de vista, natureza meramente instrumental em relação ao processo principal. Sendo este julgamento apenas decorrente, a aplicação daquela decisão se daria de forma automática, sem novo exame de mérito. Diante disso, a dependência do resultado do julgamento nos autos principais compromete o efetivo o julgamento deste processo neste momento, em face do risco de causar prejuízo irreversível ao direito de ampla defesa, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Cabe, ainda, referir o art. 265, inciso IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que determina: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000634/200685 Resolução nº 1202000.176 S1C2T2 Fl. 9 8 a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Assim, considerandose que a decisão neste processo, por sua natureza instrumental, depende da decisão no processo principal, a suspensão do feito neste momento é medida que se impõe, em respeito aos princípios do devido processo legal e da economia processual. Diante do exposto, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva a ser exarada no processo nº 18471.000626/200639, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos a esta relatora, para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 15956.720024/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS -- SELIC - MULTA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI de obrigação acessória e principal.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - INCRA - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
SOBRESTAMENTO - ARGUMENTO DE MATÉRIA OBJETO DE REPERCUSSÃO GERAL - NÃO COINCIDÊNCIA DE MATÉRIA
A teor da portaria CARF n. 001 de 03 de janeiro de 2012, o procedimento de sobrestamento dos processos administrativos em trâmite no CARF, será aplicado na hipóteses em que houver sido determinado pelo STF, o sobrestamento de RE que versem sobre matéria idêntica aquela debatida na Suprema Corte. Observando-se que a discussão acerca das verbas indenizatórias versam sobre incidência para outro regime de previdência, incabível a interpretação de sobrestamento do feito.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
GLOSA DE COMPENSAÇÃO - MATÉRIA DISCUTIDA EM JUÍZO SEM TRANSITO EM JULGADO - IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não demonstrou o recorrente o recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso.
Nos termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para as compensações nas quais a empresa questiona em juízo, não ocorreu o transito em julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições decorrente dos fatos geradores apurados nas contas 41100400012 e 41100200037. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS -- SELIC - MULTA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI de obrigação acessória e principal. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - INCRA - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. SOBRESTAMENTO - ARGUMENTO DE MATÉRIA OBJETO DE REPERCUSSÃO GERAL - NÃO COINCIDÊNCIA DE MATÉRIA A teor da portaria CARF n. 001 de 03 de janeiro de 2012, o procedimento de sobrestamento dos processos administrativos em trâmite no CARF, será aplicado na hipóteses em que houver sido determinado pelo STF, o sobrestamento de RE que versem sobre matéria idêntica aquela debatida na Suprema Corte. Observando-se que a discussão acerca das verbas indenizatórias versam sobre incidência para outro regime de previdência, incabível a interpretação de sobrestamento do feito. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. GLOSA DE COMPENSAÇÃO - MATÉRIA DISCUTIDA EM JUÍZO SEM TRANSITO EM JULGADO - IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não demonstrou o recorrente o recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Nos termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para as compensações nas quais a empresa questiona em juízo, não ocorreu o transito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SERTAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO GFIP. TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA PARCELA DESCONTADA DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS SELIC MULTA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos do AI de obrigação acessória e principal. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO INCRA DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. SOBRESTAMENTO ARGUMENTO DE MATÉRIA OBJETO DE REPERCUSSÃO GERAL NÃO COINCIDÊNCIA DE MATÉRIA A teor da portaria CARF n. 001 de 03 de janeiro de 2012, o procedimento de sobrestamento dos processos administrativos em trâmite no CARF, será aplicado na hipóteses em que houver sido determinado pelo STF, o sobrestamento de RE que versem sobre matéria idêntica aquela debatida na Suprema Corte. Observandose que a discussão acerca das verbas indenizatórias versam sobre incidência para outro regime de previdência, incabível a interpretação de sobrestamento do feito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 24 /2 01 1- 28 Fl. 7877DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. GLOSA DE COMPENSAÇÃO MATÉRIA DISCUTIDA EM JUÍZO SEM TRANSITO EM JULGADO IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não demonstrou o recorrente o recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Nos termos do art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Para as compensações nas quais a empresa questiona em juízo, não ocorreu o transito em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as contribuições decorrente dos fatos geradores apurados nas contas 41100400012 e 41100200037. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 7878DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente Auto de Infração de Obrigação Principal, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (não descontada em época própria), parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como a destinadas a terceiros , levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais contratados por meio de empresa interposta de forma irregular. Considerando, que no presente processo encontramse lançados 4 autos de infração, convém determinar os fatos geradores e contribuições descritos em cada um, conforme descritos nos respectivos relatórios fiscais: 1. DEBCAD 37.313.9128: AI decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória de apresentar GFIP com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 32, IV e § 5o. da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, IV e § 4o. do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Foi aplicada a multa no valor de R$ 350.421,10 (trezentos e cinqüenta mil, quatrocentos e vinte e um reais e dez centavos) fundamentada no artigo 32, § 5º, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97 combinado com os artigos 284, II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, e Portaria MPS/MF 333, de 29/06/2010 (DOU 30/06/2010). 2. – DEBCAD 37.336.6329: AI decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal. Lavrado por ter sido constatado que a autuada deixou de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias a seu cargo incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa alíquota SAT/RAT (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II) e sobre as remunerações dos contribuintes individuais (Lei 8.212/91, artigo 22, III), no montante de R$ 3.070.203,69 (três milhões, setenta mil, duzentos e três reais e sessenta e nove centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multas de ofício e de mora. 3. – DEBCAD 37.336.6337: AI decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal. Lavrado por ter sido constatado que a autuada deixou de efetuar o recolhimento das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, no montante de R$ 741.081,13 (setecentos e quarenta e um mil, oitenta e um reais e treze centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de mora. 4. – DEBCAD 37.336.6345: AI decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal. Lavrado por ter sido constatado que a autuada deixou de efetuar o recolhimento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, no montante de R$ 530.640,52 (quinhentos e trinta mil, seiscentos e quarenta reais e cinqüenta e dois centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multas de ofício e de mora. Esclarece o Relatório Fiscal que foram lançadas as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento da empresa RG Sertal Comércio e Prestação de Serviços Ltda EPP Fl. 7879DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 (RG Sertal Serviços), tendo em vista que seus empregados estavam subordinados à autuada. Também foram lançadas as contribuições incidentes sobre pagamentos não comprovados apurados na contabilidade. Destaca, ainda que foram consideradas as contribuições recolhidas no CNPJ da RG Sertal Serviços. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 25/04/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/04/2011. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 7351 a 7547 em relação aos AI. Foi exarada Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência do lançamento, fl. 7564 a 7579. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO. PROCURADOR. As notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele e não no endereço indicado pelo procurador. DILAÇÃO PROBATÓRIA. A dilação probatória fica condicionada à sua previsão legal e à necessidade a formação da convicção da autoridade julgadora. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. RECUSA OU SONEGAÇÃO NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da argüição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. SAT. RAT. É devida a contribuição a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade Fl. 7880DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 4 5 laborativa, incidente sobre o total das remunerações dos segurados empregados. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. É devida a contribuição da empresa incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. SALÁRIO EDUCAÇÃO. É devida a contribuição destinada ao Salário Educação, a qual encontra respaldo na legislação vigente. SEBRAE. É devido o adicional de contribuição ao SEBRAE pelas empresas contribuintes do SENAI e SESI. INCRA. É devida a contribuição ao INCRA, ainda que a empresa exerça atividade de natureza urbana. MULTAS. Verificado o não recolhimento das contribuições previdenciárias e, concomitantemente, a não declaração dessas contribuições em GFIP, aplicase a partir da publicação da Medida Provisória 449/2008 a multa de ofício prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96, sem prejuízo de sua aplicação retroativa nas competências anteriores em que se mostre menos gravosa ao sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 7583 a 7848. Em síntese, a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. Necessária a reforma da decisão de primeira instância uma vez a recusa injustificada de dirigiremse as intimações aos procuradores da recorrente. O art. 23 do Decreto 70.235/72, mencionado pelo próprio prolator, estabelece que a intimação deve ocorrer, inicialmente de forma pessoal, podendo ser recebida pelo mandatário ou preposto do sujeito passivo. 2. Não se sustentam as alegações do fisco no sentido de que empregados da RG Sertal Comércio e Prestação de Serviços (RG Sertal Serviços) – empresa optante do SIMPLES seriam, efetivamente, empregados da autuada, bem como, o lançamento pautado na premissa de que diversas despesas contabilizadas constituíam verbas salariais ou pagamentos a terceiros. Afirma, repetidas vezes, que não restaram comprovados tais fatos. Fl. 7881DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 3. Na seqüência, enumera os elementos dos quais valeuse a fiscalização para concluir que a impugnante teria constituído a RG Sertal Serviços, afirmando que muitos destes sequer foram comprovados, além de não serem aptos à comprovação do que pretende o fisco. 4. a constituição da RG Sertal Serviços por sócios da autuada e outras pessoas da mesma família demonstra que não houve qualquer intenção ilícita, caso em que tal situação não ocorreria, revelando a experiência que se a intenção fosse essa, seriam utilizadas pessoas sem vínculo de parentesco na constituição da nova empresa, com razão social e endereço diversos. De fato, existem laços entre as duas empresas, de natureza familiar e de parentesco entre seus sócios, mas não se pode concluir que finalidades ilícitas motivaram a constituição da RG Sertal Serviços; 5. a semelhança nos objetos sociais também não se presta à comprovação pretendida pelo fisco, o que se deve apenas ao fato de as empresas atuarem no mesmo ramo econômico o setor sucroalcooleiro o qual aliás, predomina na região de Sertãozinho; porém, há uma diferença essencial entre as empresas. Enquanto a RG Sertal Serviços é uma prestadora de serviços, a impugnante dedicase à industrialização e comércio de equipamentos; 6. a apontada disparidade entre a receita bruta e a massa salarial de cada empresa em 2007 e 2008, além de não comprovada, não se presta a demonstração de que a RG Sertal Serviços foi constituída por interpostas pessoas, com finalidade ilícita, cabendo a mesma conclusão em relação aos fatos de: (a) ter sido nomeada uma mesma procuradora para atendimento da fiscalização, (b) a mesma pessoa ter recebido as intimações via postal, já que a fiscalização englobou as duas empresas e ambas são atendidas pelo mesmo escritório de contabilidade, além de compartilharem o mesmo espaço físico, o que não representa qualquer ilícito; 7. o fato do sócio da impugnante ter comparecido em algumas audiências em processos movidos contra a RG Sertal Serviços (em decorrência de vínculos familiares) não guarda relação lógica com a conclusão a qual chegou a fiscalização; a alegação de que o controle de ponto dos empregados da RG Sertal Serviços era feito pela impugnante não passa de mera suposição, calcada na premissa de que os empregados daquela atendiam efetivamente aos interesses desta, valendo o mesmo argumento em relação à suposição fiscal de que os empregados da RG Sertal Serviços estavam sob as ordens da impugnante, outra conclusão que não tem amparo em qualquer prova; pelo fato das duas empresas atuarem no mesmo segmento econômico, é comum a existência de pessoas que trabalham em uma delas, após ter trabalhado na outra. 8. Este argumento também não se presta a comprovar a conduta ilícita levantada pela fiscalização; digase o mesmo em relação à alegação fiscal de que as funções exercidas pelos empregados de ambas as empresas eram as mesmas, argumento incongruente, à medida que a RG Sertal Serviços é uma prestadora de serviços, enquanto a atividade da impugnante consiste na fabricação e comércio; ao contrário do que informou a autoridade lançadora, houve despesas salariais/trabalhistas da RG Sertal Serviços em 2007/2008. Pelo fato desta prestadora compartilhar a mesma estrutura física da impugnante, só esta arcava com os gastos com água, luz, telefone, etc., situação que a lei não veda; não restou comprovada a alegação de que a RG Sertal Serviços prestou serviços em 2007 e 2008 exclusivamente para a recorrente, fato que, ademais, não permite a conclusão a qual chegou a fiscalização. 9. Acrescenta que as notas fiscais anexas comprovam a prestação de serviços a outras empresas; também não se comprovou que a recorrente efetuou pagamentos a empregados da RG Sertal Serviços e tal fato em nada ampara o entendimento do fisco; não foi Fl. 7882DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 5 7 provado que os trabalhadores da prestadora dividem o mesmo espaço físico com a impugnante. O que de fato ocorre é que os serviços são prestados pela RG Sertal Serviços nas dependências da impugnante, verificandose o mesmo quando os serviços são prestados a outras empresas; quanto à padronização de uniformes, verifica se quando os serviços são prestados no estabelecimento da impugnante e representa circunstância natural, em especial em relação aos EPI utilizados; o site da impugnante não individualiza a RG Sertal Serviços por se referir à autuada. 10. O fisco desconsiderou os vínculos dos empregados da RG Sertal Serviços, considerando os empregados da impugnante. No entanto, a fiscalização não dispõe de competência para efetuar tal procedimento, vez que a norma anti elisiva contida no parágrafo único do artigo 116 do CTN não é autoaplicável. 11. Quanto às normas previstas na CLT invocadas pelo fisco, não se aplicam ao caso pois, destinamse à proteção dos empregados e, no caso, inexistiu qualquer prejuízo a estes (o SIMPLES não exime a empresa dos encargos previdenciários e trabalhistas). 12. A fiscalização glosou diversas despesas lançadas na contabilidade sob a premissa de que não foram suficientemente comprovadas. No entanto, não se pode considerar tais valores sujeitos à incidência tributária com base em meras presunções, sem a devida comprovação de que possuem a natureza jurídica atribuída pelo fisco, sob pena de violação do princípio da estrita legalidade tributária. 13. A cobrança do SAT representa ofensa às regras constitucionais pois, caracteriza a duplicidade de contribuição sobre a mesma base de cálculo (a folha salarial), além de contrariar os princípios da estrita legalidade (classificação de riscos que define a alíquota –por decreto) e da igualdade (definição da alíquota de acordo com a atividade preponderante da empresa, não as condições de trabalho verificadas efetivamente em relação a cada trabalhador). 14. São inexigíveis as contribuições sobre a remuneração dos contribuintes individuais, dada a inconstitucionalidade do artigo 22, III da Lei 8.212/91 e da Emenda Constitucional 20/1998. Não se pode exigir da empresa contribuição pelos serviços prestados por contribuintes individuais, pois, essa situação que não gera qualquer despesa à Seguridade Social. Tratase, portanto, verdadeiramente de imposto disfarçado de contribuição, inconstitucional porque o produto de sua arrecadação não poderia estar vinculado ao financiamento da Seguridade Social (artigo 167, IV da CF). 15. Indevido o Salário educação vez que sua alíquota foi fixada por decreto, ofendendo ao disposto no artigo 97 do CTN. 16. É inexigível a contribuição ao SEBRAE, pois, a impugnante não é destinatária das atividades desenvolvidas por esta entidade, já que não se qualifica como microempresa ou empresa de pequeno porte. 17. Também não cabe a cobrança da contribuição ao INCRA, posto a recorrente não ser empresa de natureza rural. Portanto, não é destinatária das atividades desenvolvidas por este órgão, além do que, a contribuição ao INCRA caracteriza a superposição contributiva, sendo vedada a utilização da folha de salários como fonte global de custeio das atividades estatais. Fl. 7883DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 18. É inexigível a multa aplicada vez que, conforme exposto, não houve infração praticada pela recorrente Ainda que cabível fosse, a multa não pode ser mantida na forma como aplicada, com uma escala progressiva quando a infração é sempre a mesma (não pagamento). Assim, deveria ser a multa limitada a seu patamar inicial de 10%. 19. Além disso, em atenção ao disposto no artigo 106, II, “c” do CTN, ao menos deveriam ser consideradas as alterações decorrentes da Lei 9.528/97, ou, na improvável hipótese de não se entender pela relevação da multa, aplicável o disposto no artigo 112 do CTN dada a inquestionável boa fé da impugnante. 20. Por fim, pugna pela redução da multa (caso não seja excluída) em atendimento aos princípios da razoabilidade, vedação ao confisco, capacidade contributiva e legalidade. 21. Não podem ser cumuladas multa de mora e multa de ofício. Indevida a multa de mora já que o crédito tributário lançado está sujeito aos juros moratórios. 22. Ao final, pugna pelo acolhimento de suas razões, protestando pela produção de provas, realização de diligências, juntada de novos documentos, prova pericial e testemunhal e requerendo que as intimações sejam realizadas nas pessoas dos procuradores subscritores da peça impugnatória. .A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 7884DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1530. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA INTIMAÇÃO ENCAMINHADA AOS MANDATÁRIOS Quanto a este ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. Conforme descrito pela autoridade julgadora o encaminhamento dos atos correspondentes ao lançamento do crédito deve ser o domicílio eleito pelo sujeito passivo, sendo possível o encaminhamento seja pela via postal ou pessoalmente. Aliás, nem mesmo haverseia de alegar cerceamento do direito de defesa uma vez que o recorrente apresentou, de forma tempestiva os recursos pertinentes a contestação da totalidade do crédito. Dessa forma afasto a nulidade pretendida. PRODUÇÃO DE PROVAS Da mesma forma, não vislumbro qualquer cerceamento do direito de defesa, uma vez que a empresa em duas ocasiões tiveram a oportunidade de se defender. O AI de obrigação acessória e os correlatos permitiram ao recorrente realizar as devidas impugnações, uma vez que não apenas no relatório fiscal, encontramse descritos os fatos geradores, mas principalmente, quanto a apuração dos valores nos documentos DAD, DSD e relatório fiscal. Essa produção de provas afronta os prazos inerentes ao processo tributário, uma vez que é dentro do prazo recursal é que a empresa dispõe de tempo hábil para demonstrar o cumprimento da legislação previdenciária. Não assiste razão à recorrente quanto ao argumento de que teria havido cerceamento de defesa em função exíguo prazo e do elevado número de notificações. Os prazos no processo administrativo são peremptórios, não podendo ser alterado pelas partes, tampouco a administração pode alterálos para que um determinado contribuinte, possa produzir novas provas. Assim, independentemente da quantidade de autuações lavradas, tal quantidade não tem o condão de alterar o prazo para apresentação de defesa administrativa. O prazo para apresentação de impugnação é ex lege, e justamente para não ferir o princípio da isonomia, o prazo de 30 dias deve ser observado em qualquer caso. Sendo aplicada a lei da forma como prevista, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. O processo administrativo permite ao recorrente o amplo exercício do direito de defesa, como existiu no presente feito. Sendo obrigação da autoridade julgadora indicar todos os seus elementos de convicção, sejam documentos aos quais teve a Fl. 7885DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 oportunidade de apreciar, ou mesmo descrever os elementos fáticos encontrados durante a auditoria e que o levaram a concluir pelo lançamento de contribuições. Dessa forma, entendo que teve o recorrente a oportunidade de apreciar pontualmente todos as provas e testemunhos colhidas durante o procedimento fiscal, sendolhe permitido exercer o amplo exercício do direito de defesa com vistas a rebater com elementos probatórios e fáticos, se necessários, que as constatações são totalmente equivocadas. Após apreciar detidamente a peça recursal, a decisão de primeira instância e até mesmo a impugnação apresentada, não identifico que o recorrente demonstrou que a empresa contratada, realmente exerciam o papel de prestadoras de serviços, empregadoras, exercendo o gerenciamento de seus empregados enquanto prestadores de serviços. Notese que, conforme já mencionado anteriormente, não se funda o lançamento em apenas um elemento de convicção, mas um conjunto deles. Quem mais poderia rebater os argumentos da auditoria, senão o próprio autuado, que poderia demonstrar a realização de contratos com as prestadoras, a contabilização devida das referidas contratações. Requerer de suas contratadas, cópia de sua contabilidade, e de todo o trâmite administrativo, para que assim, ficasse evidenciada a total ausência de ingerência da empresa RG SERTAL INDÚSTRIA NA RG SERVIÇOS. DA PERÍCIA Da mesma forma, não vislumbro a necessidade de realização de perícia, toda a matéria probatória, consta dos autos, o auditor, não apenas indicou, como colacionou aos autos documentos, reclamatórias, declarações da própria recorrente, que demonstram como davase a contratação e prestação de serviços. Assim, plenamente possível ao recorrente impugnar os fatos geradores ora lançados, ou mesmo rebater os argumentos apresentados pelo auditor fiscal. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 7886DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 7 11 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004, que transcrevo para melhor esclarecer ao recorrente: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Fl. 7887DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente e a notificação seguiu o procedimento previsto, não havendo qualquer nulidade a ser reconhecida. É certo que o recorrente tem o direito de exercer seu amplo direito de defesa, tornando por base os valores ora lançados e os argumentos trazidos. Entendo que indeferimento de provas não foi infundado. Pelo contrário, o julgador, descreveu os motivos do indeferimento, sendo que o inconformismo do recorrente não anula o lançamento. Notese que até o referido julgamento ou mesmo depois de proferido o acordão recorrente não colaciono nenhuma outra prova capaz de tornar inócuo o lançamento realizado. NULIDADE PELA NÃO COMPROVAÇÃO DE CRIAÇÃO ILÍCITA DA PRESTADORA Fl. 7888DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 8 13 Ao contrário do que entendeu o recorrente o auditor não precisadeva provar que a empresa RG Serviços, tenha sido criada para unicamente reduzir encargos trabalhistas de forma ilícita. O que deve o auditor demonstrar é que embora exista uma empresa interposta, a execução e gerenciamento das atividades eram exercidos pela empresa notificada, face as conclusão obtidas pela análise contábil e financeira, bem como das situaçãoes presenciadas “in loco” pelo próprio agente fiscal e as descritas em reclamatórias trabalhistas. Entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu o auditor fiscal ao redirecionamento do vínculo empregatício para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. Pela análise do relatório fiscal, resta claro que não houve simplesmente caracterização do vínculo de emprego, visto que os segurados já estavam enquadrados como empregados nas empresas auditadas em conjunto; porém constatouse que as características inerentes ao vínculo de emprego levaram a autoridade fiscal a desconsideração das contratações de determinadas empresas fiscalizadas em conjunto, vinculando seus supostos empregados a empresa notificada, já que constatou que a mesma é que preenchia os condição de empregadora, gerenciando de fato toda a atividade. Por fim, cumprenos esclarecer que a autoridade fiscal não extrapolou de seus limites, quando da cobrança do crédito, desrespeitando os limites legais. A fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1º da Lei 11.098/2005: Art. 1o Ao Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. Fl. 7889DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 DO MÉRITO DA DEMONSTRAÇÃO DOS FATOS No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, quanto a caracterização da simulação, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados em relação aos valores lançados seja à título de folha de pagamento ou valores apuradas na contabilidade . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de Primeira instância, quanto a esses fatos presumese a concordância da recorrente com a decisão proferida. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou não há o que ser apreciado quanto a esses fatos. Assim, quanto aos levantamentos que descrevem rubricas, não houve, nem mesmo durante o procedimento fiscal a comprovação da regularidade de ditos valores, Consoante resposta e planilha da Autuada (anexo XVIII) constatase que os documentos das despesas 41100300014(Servs. Pessoas Físicas),41100200028(Comissões P.Físicas), 41100200008(Comissões S/Vendas) , 41100200037(Lanches e Refeições) e 41100200027(Comissões P. Jurídica), deixaram de ser apresentados sob a argumentação que não foram localizados.Desse jeito, todas as contas de Comissões serão consideradas verbas salariais, a de Servs. PF como pagamentos a autônomos e a conta Lanches e Refeições como alimentação fora do PATPlano de Alimentação do Trabalhador. No que se refere às contas 41100300008(Despesas Diversas) e 41100300013(Servs. Prest. PJ), os lançamentos não comprovados serão classificados como pagamentos relativos a serviços prestados por pessoas físicas. Com relação aos documentos das despesas com alimentação, a Autuada limitouse a trazer algumas notas fiscais de refeições, as quais se encontravam desacompanhadas dos relatórios de despesas ou qualquer outro documento que possibilitasse informar a quem foi paga e por qual motivo a despesa foi realizada. Assim sendo, foram definidos como pagamentos fora do PATPlano de Alimentação do Trabalhador. Importante se torna sublinhar que a Alimentação é uma rubrica inerente a segurados empregados, e quando fornecida pela empresa é um benefício. Entretanto, para que essa DA APRECIAÇÃO DA SIMULAÇÃO Na verdade o que se vislumbrou, conforme descrito pelo auditor, foi a simulação para que as empresas que prestavam os serviços pudessem se beneficiar do Sistema Simplificado de impostos – SIMPLES em um primeiro momento, mantendo o faturamento dentro dos limites da lei. Porém não é aceitável esse tipo de atitude, se constatado ter por objetivo distorcer a realidade dos fatos apenas como fim de lograr proveito, sem cumprir os preceitos legais. Foi isso, que buscou demonstrar o auditor, ao narrar as diversas situações encontradas na empresa em questão. Fl. 7890DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 9 15 Ao contrário do que alega o recorrente, diversos foram os meio de prova, descritos, de forma alguma adotou o auditor presunção, mas tão somente, consubstanciado em fatos determinados pela aplicação do princípio da primazia da realidade, para descrever os fatos geradores. Realmente compete ao agente fiscal, o dever de provar, que a situação fática não refletia a realidade, o que, na opinião dessa relatora, houve por bem provar. Novamente, quanto a alegação de demonstração de que a empresa foi criada de forma fraudulenta, notese, que em nenhum momento a autoridade fiscal disse que as empresas encontravamse irregulares e que dessa forma não poderiam mais funcionar. Pelo contrário, observase, conforme descrito no relatório fiscal, durante o procedimento de auditoria, constatou a fiscalização a existência de estabelecimentos que embora possuam CNPJ próprios, estão de fato, sob a administração das mesma pessoa. O que vislumbrou o auditor, conforme descrito no relatório fiscal, é a possibilidade de utilização indevida do Sistema simplificado, pela transferência de empregados, porém restou constatado que a subordinação e administração de fato continuou com a empresa notificada, dessa forma, não haveria a autoridade fiscal de demonstrar a criação fraudulenta. DOS ELEMENTOS FÁTICOS APONTADOS PELA AUTORIDADE FISCAL Prossegue discorrendo acerca dos motivos que levaram à conclusão de que os empregados da RG Sertal Serviços estavam, de fato, subordinados à autuada. Informa que (a) a RG Sertal Serviços foi constituída em 2000 e instalouse no mesmo endereço da autuada, em prédio de propriedade desta; (b) desde o início de suas atividades foi optante do SIMPLES. Narra o histórico dos quadros societários das duas empresas indicando os laços de parentesco entre os sócios de ambas e concluindo pela identidade na administração das duas pessoas jurídicas; (c) destaca a identidade das atividades preponderantes de ambas as empresas; (d) em 2007 e 2008 verificouse discrepância entre a receita bruta e a massa salarial declarada em GFIP, evidenciandose na autuada uma despesa salarial muito pequena em relação à receita bruta e na RG Sertal Serviços o oposto, com despesas salariais muito superiores à receita bruta; (e) os termos para intimações das duas empresas, enviados pela fiscalização foram recebidos pela mesma pessoa, recepcionista registrada como empregada da RG Sertal Serviços; (f) ambas as empresas foram representadas perante a fiscalização durante o desenvolvimento do procedimento fiscal pela mesma pessoa, também registrada como empregada da RG Sertal Serviços; (g) constatouse a identidade de representação em juízo nas reclamatórias trabalhistas movidas em relação às duas empresas, tanto em relação aos advogados, quanto aos prepostos das empresas; (h) as folhas de ponto de trabalhadores registrados como empregados da RG Sertal Serviços, verificadas em ações trabalhistas, traziam em destaque o nome e CNPJ da autuada, fato que restou corroborado quando a fiscalização intimou as duas empresas a apresentarem o controle de horário de seus respectivos empregados; (i) foram encontrados nos processos trabalhistas cheques da autuada, assinados por seu sócio – Sr. Fl. 7891DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 Antonio Roberto Gomides relativos a pagamentos feitos à empregados da RG Sertal Serviços; (j) existe identidade entre as funções dos empregados da autuada e da RG Sertal Serviços, verificandose que inúmeros trabalhadores mantiveram contratos de trabalho com as duas empresas, conforme quadro demonstrativo que elabora; (k) a RG Sertal Serviços só possui contabilizadas receitas decorrentes da prestação de serviços, quando seu objeto social inclui também a atividade de comércio; (l) suas despesas limitamse quase totalmente a folha salarial e respectivos encargos, não tendo sido encontradas despesas com energia elétrica, água, telefone, inerentes a qualquer atividade, sendo confirmado pela sócia da RG Sertal Serviços que esta não tinha despesas dessa natureza, também não possuindo máquinas, móveis, utensílios e ferramentas, verificandose situação oposta na autuada; (m) de acordo com as receitas lançadas na contabilidade, a RG Sertal Serviços prestou serviços apenas à autuada nos anos de 2007 e 2008; (n) o mesmo escritório prestava assessoria contábil às duas empresas, arcando apenas a autuada com as despesas com este escritório; (o) os empregados de ambas as empresas usavam o mesmo uniforme, trabalhando no mesmo local; (p) ao ser questionado pela fiscalização, o Sr. Antonio Roberto Gomides (sócio da autuada), informou que trabalhadores que usavam crachás da RG Sertal Serviços eram empregados da autuada; (q) as dependências da RG Sertal Serviços limitavamse a uma sala separada do restante da área administrativa por duas paredes de vidro, na qual trabalhava a Sra. Sueli Azevedo Gomides, sua sócia; (r) no site da RG Sertal não é feita distinção entre as empresas, as pessoas ali informadas como contatos são empregados registrados em ambas as empresas, conforme quadro apresentado; (s) o controle de freqüência dos empregados da RG Sertal Serviços era arquivado nas dependências da autuada, juntamente com os controles dos empregados desta. DOS SÓCIOS DA EMPRESA DITAS COMO “PRESTADORAS DE SERVIÇOS”. Quanto ao fato de que os sócios da prestadora serem distintos, mas vinculados por grau de parestesco, tenho que razão assiste em parte tanto ao fisco, quanto ao recorrente. Realmente, a existência de grau de parestesco entre os sócios da notificada e da prestadora, POR SI SÓ, não seriam suficientes para determinar a vinculação entre as empresas e a consequente caracterização de simulação. Todavia, não foi esse o único elemento trazido pelo auditor fiscal, mas apenas indicou aquela autoridade, que a existência de grau de parestesco é um dos elos, para determinar o direcionamento das atividades, senão vejamos: (a) a RG Sertal Serviços foi constituída em 2000 e instalouse no mesmo endereço da autuada, em prédio de propriedade desta; (b) desde o início de suas atividades foi optante do SIMPLES. Narra o histórico dos quadros societários das duas empresas indicando os laços de parentesco entre os sócios de ambas e concluindo pela identidade na administração das duas pessoas Fl. 7892DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 10 17 jurídicas; (c) destaca a identidade das atividades preponderantes de ambas as empresas; (e) os termos para intimações das duas empresas, enviados pela fiscalização foram recebidos pela mesma pessoa, recepcionista registrada como empregada da RG Sertal Serviços; (f) ambas as empresas foram representadas perante a fiscalização durante o desenvolvimento do procedimento fiscal pela mesma pessoa, também registrada como empregada da RG Sertal Serviços; (g) constatouse a identidade de representação em juízo nas reclamatórias trabalhistas movidas em relação às duas empresas, tanto em relação aos advogados, quanto aos prepostos das empresas; Importante observar que o recurso do recorrente em nada rebate pontualmente os argumentos aqui trazidos, buscando tão somente desqualificar o trabalho de auditoria, alegando tratarse de presunção, o que discordo veementemente. De posse de todo o detalhamento exposto pela empresa poderia a mesma rebater ponto a ponto trazido pelo auditor fiscal, o que não o fez, razão porque deve ser mantido o lançamento, quanto a inclusão de todos os empregados da empresa “dita pelo recorrente como prestadoras de serviços”. Quanto ao fato de que os prespostos da empresa, que representaram em juízo serem os mesmos, simplesmente alega o recorrente que esse fato não diz nada, que consubstancie o lançamento. Já nesse ponto, discordo do recorrente. As pessoas jurídicas, são representada e dirigidas por seus sócios e seus prepostos. Como admitir que o fato do mesmo sócio ou preposto da empresa, representala em juízo não demonstre um gerenciamento único. Ora, é sabido que perante a justiça do trabalho, o preposto representa o reclamado, quando a empresa é o réu da ação trabalhista. Para isso, devem ser designadas pessoas que tenham conhecimento dos aspectos inerentes a atividade da empresa e especialmente ao desempenho profissional dos reclamantes. Quanto a este ponto, entendo que este fato, narrado pelo auditor, demonstra, sim, conjugado com os demais que apreciaremos adiante, que a prestação de serviços davase de forma ilegal. DA AUSÊNCIA DE CUSTOS OPERACIONAIS Quando uma empresa é criada no intuito de manterse no mercado, se vislumbra uma organização, de modo que a mesma seja autossustentável. O auditor trouxe em seu relatório que a empresa possuía uma folha de pagamento incompatível com o seu faturamento, sendo que a tomadora (notificada), obtinha um faturamento expressivo, sem possuir quantitativo para isso. O que ocorreu durante o procedimento fiscal, por meio de diversos elementos de prova, observados pontualmente e em loco (não por mera presunção) foi a constatação, por parte do auditor fiscal, de que não existiam realmente diversos empregadores, e sim, que as empresas criadas não assumiram verdadeiramente o poder de direção, estando todos os empregados vinculados enquanto trabalhadores a um único empregador, qual seja a empresa RG SERTAL INDUSTRIAL. Fl. 7893DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 Assim, descreveu o auditor em seu relatório quanto a ausência de autonomia financeira da prestadora: “ a(c) destaca a identidade das atividades preponderantes de ambas as empresas; (d) em 2007 e 2008 verificouse discrepância entre a receita bruta e a massa salarial declarada em GFIP, evidenciandose na autuada uma despesa salarial muito pequena em relação à receita bruta e na RG Sertal Serviços o oposto, com despesas salariais muito superiores à receita bruta;” Assim, não consigo identificar a nulidade apontada pelo patrono da recorrente. Não estamos falando diretamente de desconsideração de pessoa jurídica, mas observância dos princípios, por exemplo da primazia da realidade, onde valem mais os fatos que os documentos. Em restando demonstrado que o verdadeiro empregador era único, que o poder diretivo, era na verdade exercido pela RG SERTAL compete a fiscalização simplesmente proceder a vinculação das pessoas que lhe prestavam serviços enquanto segurados empregados e contribuintes individuais, para efeitos previdenciários. Buscase identificar, quem era o responsável pelo “poder de direção”. Tais procedimentos e artifícios, conjugados com a utilização dos mesmo empregados, entre as empresas, conspiraram para o mesmo resultado: Sonegação de tributos devidos à Previdência Social, que agora, os lançamentos fiscais buscaram resgatar. A aparente distinção entre as empresa permitiu aos empresários usufruírem indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9317/96 (Lei do Simples), mas constatandose que na verdade quem detinha a gerência sobre os ditos empregados era a empresa notificada. Dessa forma, a confusão entre gerência e desempenho de atividades corrobora com as informações trazidas pela autoridade fiscal neste AIOP Portanto, não assiste razão ao recorrente, pois a presente notificação encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante disposto no artigo 33 da lei n° 8.212, de 1991, senão vejamos: Art. 33 Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a" , "b" e "c" do parágrafo único do art. 11. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. lI, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Ainda apenas para efeitos de esclarecimento ao recorrente nos termos do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.o 3.048, de 06 de maio de 1999, também é muito claro ao dispor que: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: 1 arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos 1, 11, 111, IVe V do parágrafo único do art. 195. bem como as contribuições incidentes a título de substituição; (Redação dada pelo Decreto n" 4.032, de 26/11/2001) Fl. 7894DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 11 19 11 constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; III aplicar sanções; e IV normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso 1. § 1" Os Auditores Fiscais da Previdência Social terão livre acesso a todas as dependências ou estabelecimentos da empresa, com vistas à verificação física dos segurados em selviço. para confronto com os registros e documentos da empresa, podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e demais documentos necessários ao perfeito desempenho de suas funções, caracterizandose como embaraço à fiscalização qualquer dificuldade oposta à consecução do objetivo. (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 29/11/99) § 2" Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9~ deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nU 3.265, de 29/11/99) (grifo nosso). Destaco aqui as palavras do ilustre Ministro Maurício Godinho Delgado (Curso de Direito do Trabalho. Ed. LTR. 5° Edição, 2006, pág. 363364), quando sendo identificada relação fática diversa da realidade, compete as autoridades públicas, cada uma em seu campo de atuação, proceder a correção das mesmas, e quando necessário proceder a aplicação das penalidades a ela inerentes. A dinâmica judicial trabalhista também registra a ocorrência de uma situação fáticojurídica curiosa: tratase da utilização do contrato de sociedade (por cotas de responsabilidade limitada ou outra modalidade societária existente) como instrumento simula tório, voltado a transparecer, formalmente, uma situação fáticojurídica de natureza civil/comercial, embora ocultando uma efetiva relação empregatícia. Em tais situações simulatórias, há que prevalecer o contrato que efetivamente rege a relação jurídica entre as partes, suprimindose a simulação evidenciada. Notese, que as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições, , ou mesmo impossibilitada a apresentação de novas provas, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas alíquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Não identifiquei por parte do recorrente demonstração de suficiência econômica e administrativa capaz de determinar a autonomia empresarial. Fl. 7895DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 Quanto a suposta simulação entendo que logrou êxito a autoridade fiscal em demonstrar por meio dos relatórios, documentos, anexos as situações fáticas que o levaram a caracterizar para efeitos previdenciários, os segurados inicialmente contratados pela empresas interposta, como segurados da empresa notificada. Assim, entendo que realizou o auditor devidamente o lançamento, tendoo fundamentado na legislação que rege a matéria, qual seja: lei 8212/91, Decreto 3.48/99. Ressalto, que não apenas o auditor realizou de forma muito minuciosa as fundamentações e descrições necessárias para caracterizar a simulação, como a autoridade julgadora de 1ª instância ao rebater os mesmos argumentos apontados na defesa, destacou de forma detalhada os dispositivos legais, descritos no relatório FLD, que também fundamentaram o lançamento. Assim, razão não assiste ao recorrente. Entendo que diversos são os fatos que devem ser considerados no lançamento em questão, nenhum deles tido de forma isolada. O que se nota é uma espécie de terceirização sim, conforme argumentou o próprio recorrente, já que menciona por diversas vezes o objeto da contratação da RG Serviços, contudo realizado de forma irregular, o que ensejou conforme preceitua o princípio trabalhista da Primazia da Realidade o vínculo entre os empregados da RG Serviços e RG Indústria. (j) existe identidade entre as funções dos empregados da autuada e da RG Sertal Serviços, que inúmeros trabalhadores mantiveram contratos de trabalho com as duas empresas, conforme quadro demonstrativo que elabora; Conforme trazido pelo próprio recorrente, entendo perfeitamente cabível a especialização e descentralização de suas atividades, contudo, para tanto deve primeiramente observar parâmetros legais, para só em observandoos, valerse de estratégias administrativas para busca da excelência. Todavia o que não se admite é contratar empresas, para que seus funcionários prestem serviços dentro do próprio estabelecimento da tomadora, em sua atividade fim, com evidente confusão entre as funções exercidas, visto que o auditor demonstrou em seus relatórios, por meio de entrevistas a empregados e sócios e diversos documentos a que teve acesso, que os mesmos prestam verdadeiramente serviços para empresa, sendo que o próprio sócio da empresa menciona que os empregados que utilizam os mesmos uniformes e crachás são na verdade seus empregados. Nos termos da Súmula 331 do TST, dispositivo hoje que regula a terceirização do Direito Trabalhista Brasileira, visto ausência de norma específica, vejamos: Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Fl. 7896DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 12 21 V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Ou seja, da análise da referida Súmula, notase que não merece guarida a contratação de outras empresas, na forma como realizado pela recorrente e demonstrado pela autoridade fiscal. Observase de pronto o item III da referida súmula que não admite, em regra, a contratação de serviços terceirizados para atividades fim do empreendimento, formandose o vínculo diretamente com o tomados dos serviços. Ora, por si só esse argumento, demonstra quão equivocada estava sua pretensão de valerse de empresas interpostas para executar sua atividade fim. E não merece guarida o argumento de que a súmula não seria aplicável no âmbito do direito previdenciário. Os termos da súmula 331 regulam atualmente no âmbito das empresas a contratação mediante empresa terceirizada, já que não existe legislação própria que abarque a matéria. Referida súmula, define critérios mínimos de uma terceirização correta, evitando que a empresa se valha desse instituto para maquiar vínculos de emprego, desrespeitando os direitos trabalhistas e previdenciários. Todavia, a competência da auditoria previdenciária resumese a determinar vínculos para efeitos previdenciários, posto assim definir a lei 8212/91. Assim, conforme dito, não extrapolou o auditor dos seus limites funcionais, não agiu dentro da competência do juiz do trabalho para determinar o pagamento de verbas trabalhistas pela notificada, mas tão somente “para efeitos previdenciários” constatou que as características da prestação de serviços, enquadravam os trabalhadores como empregados da autuada (tomadora). (h) as folhas de ponto de trabalhadores registrados como empregados da RG Sertal Serviços, verificadas em ações trabalhistas, traziam em destaque o nome e CNPJ da autuada, fato que restou corroborado quando a fiscalização intimou as duas empresas a apresentarem o controle de horário de seus respectivos empregados; (i) foram encontrados nos processos trabalhistas cheques da autuada, assinados por seu sócio – Sr. Antonio Roberto Gomides relativos a pagamentos feitos à empregados da RG Sertal Serviços; Aqui independente do fato de as empresas contratadas estarem ou não sob a égide do Sistema de Tributação SIMPLES, correto o posicionamento adotado de formação do vínculo para efeitos previdenciários, sempre que constatado que a tomadora dos serviços agia como verdadeira empregadora. Dessa forma, o argumento de que as empresas possuem registro na junta comercial, sendo optante pelo SIMPLES deveriam ser excluídas do lançamento não merece guarida, conforme já esclarecido. Fl. 7897DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 DAS DESPESAS PARA MANUTENÇÃO DA EMPRESA Caso considerássemos a possibilidade de tratarse de uma prestadora de serviços formal, dispondose não apenas a prestação de serviços para a autuada, como disponibilizando mão de obra no mercado, deveríamos encontrar autonomia econômica e administrativa, mas não é isso que identificamos na prática. No pedido de apresentação de documentos e esclarecimentos realizados durante a auditoria ressalta a empresa que não possui contas de luz, água e despesas operacionais, sendo as mesmas arcadas pela tomadora. Mas, a questão vai mais longe, a empresa não possui patrimônio, nem mesmo contrato de prestação de serviços com a autuada. Destacou, ainda o auditor, que as funções exercidas possuíam identidade., para demonstrar ditas alegações elaborou a autoridade fiscal planilhas, não apenas destacando as despesas, como as funções exercidas. Assim, foram resumidos os fatos narrados: (i) foram encontrados nos processos trabalhistas cheques da autuada, assinados por seu sócio – Sr. Antonio Roberto Gomides relativos a pagamentos feitos à empregados da RG Sertal Serviços; (j) existe identidade entre as funções dos empregados da autuada e da RG Sertal Serviços, verificandose que inúmeros trabalhadores mantiveram contratos de trabalho com as duas empresas, conforme quadro demonstrativo que elabora; (k) a RG Sertal Serviços só possui contabilizadas receitas decorrentes da prestação de serviços, quando seu objeto social inclui também a atividade de comércio; (l) suas despesas limitamse quase totalmente a folha salarial e respectivos encargos, não tendo sido encontradas despesas com energia elétrica, água, telefone, inerentes a qualquer atividade, sendo confirmado pela sócia da RG Sertal Serviços que esta não tinha despesas dessa natureza, também não possuindo máquinas, móveis, utensílios e ferramentas, verificandose situação oposta na autuada; (m) de acordo com as receitas lançadas na contabilidade, a RG Sertal Serviços prestou serviços apenas à autuada nos anos de 2007 e 2008; (n) o mesmo escritório prestava assessoria contábil às duas empresas, arcando apenas a autuada com as despesas com este escritório; Ora, não há como acatar a autoria de uma empresa que traz em seu recurso que possui uma pesada despesa com salários e encargos trabalhistas, pois isso nós já sabíamos. Também desguarida de razão o argumento de que a empresa prestava serviços a terceiros. Pois, bem, se esse fato ocorreu, novamente quem arcava com o custo da prestação era a RG Indústria, posto que volto a dizer não existiam custos para manutenção da empresa. Assim , novamente comprovada a falta Quanto a alegação de que não há provas de que os empregados vestiam os mesmos unformes IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR ATOS JURÍDICOS Quanto a inexistência de relação direta entre a empresar SERTAL Serviços RG e as empresas contratadas e que segundo o recorrente seriam os empregadores, entendo que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar a inexistência de relação. Alega em seu recurso a impossibilidade de desconsideração de ato ou negócios jurídicos. Fl. 7898DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 13 23 Conforme já afastado em sede de preliminar, entendo que longe está o lançamento em questão de fundarse em mera presunção. O que restou exaustivamente descrito no relatório e pelo que se pode constatar da análise dos autos, é que a autoridade fiscal, buscou demonstrar que a empresa, dita como contratada como mera prestadora de serviço, em uma sistemática de planejamento tributário, eram na verdade fachada, posto que não se identificou a existência de comando gerenciamento, nem tampouco estavam os seus empregados a lhe prestar serviços verdadeiramente. Entendo que diversos são os fatos que devem ser considerados no lançamento em questão, nenhum deles tido de forma isolada. O que se nota é uma espécie de terceirização sim, conforme argumentou o próprio recorrente, contudo realizado de forma irregular, o que ensejou conforme preceitua o princípio trabalhista da Primazia da Realidade o vínculo entre a exposto. Conforme trazido pelo próprio recorrente, entendo perfeitamente cabível a especialização e descentralização de suas atividades, ou mesmo uma sistemática eficiente de planejamento tributário, para de forma lícita diminuir os encargos tributários. Todavia, para tanto deve primeiramente observar parâmetros legais, para só em observandoos, valerse de estratégias administrativas para busca da excelência e diminuição de sua carga tributária. Não há como se admitir que a empresa se valha de contratar empresas, para que seus funcionários prestem serviços dentro do próprio estabelecimento da tomadora, em sua atividade fim, com evidente confusão entre as funções exercidas, visto que o auditor demonstrou em seus relatórios, diversos documentos a que teve acesso, é possível constatar que os serviços eram verdadeiramente prestados para empresa ISP, identificando que esta promove pagamentos dos funcionário, por meio de autorizações de pagamento, depósitos em conta corrente etc, bem como assina diversas rescisões contratuais Com vistas a melhor identificar as irregularidade scometidas, bastanos obervar a Súmula 331 do TST, dispositivo hoje que regula a terceirização do Direito Trabalhista Brasileira, visto ausência de norma específica, vejamos: Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 2006 1983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. V Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, Fl. 7899DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Ou seja, da análise da referida Súmula, notase que não merece guarida a contratação de outra empresa, na forma como realizado pela recorrente e demonstrado pela autoridade fiscal. Observase de pronto o item III da referida súmula que não admite, em regra, a contratação de serviços terceirizados para atividades fim do empreendimento, formandose o vínculo diretamente com o tomados dos serviços. Ora, por si só esse argumento trazido pelo próprio recorrente, demonstra quão equivocada estava sua pretensão de valerse de empresas interpostas para executar sua atividade. Aqui independente do fato de as empresas contratadas estarem ou não sob a égide do Sistema de Tributação SIMPLES, correto o posicionamento adotado de formação do vínculo para efeitos previdenciários, sempre que constatado que a tomadora dos serviços agia como verdadeira empregadora. Ao contrário do que entende o recorrente não é apenas o juiz que pode determinar a existência de vínculo de emprego. quando apreciamos sob a ótica do direito previdenciário. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. QUANTO A EXISTÊNCIA FÁTICA DA EMPRESA PRESTADORA Da mesma forma, não vejo o que a existência forma da empresa RG Serviços inviabilize a formação do vínculo de emprego, nos moldes como realizado o lançamento. Conforme já rebatido a empresa RG Serviços existe, e continuará a existir no mundo jurídico. O que não se aceita é que pelo fato de existir no papel, tenhamos que fechar os olhos, até mesmo deixando de aplicar o principio da primazia da realidade ou da verdade material, para admitir que uma empresa, sem nem mesmo possuir capital social substancial, prestar serviços, sem equipamentos, e mobiliário suficientes para atender sua estrutura funcional. E não venha argumentar que na terceirização de atividades meio (o que não é o caso dos autos), os prestadores podem permanecer na tomadora, o que tenho conhecimento. Porém é fato que a prestadora DEVE EXISTIR, não só formalmente, como faticamente, com estrutura própria, com estrutura gerencial (recursos humanos, contabilidade) Fl. 7900DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 14 25 própria, e não passar a empresa tomadora dos serviços os encargos de gerenciamento das atividades. Entendo, que a formação do vínculo é possível, pelo simples contratação irregular de prestação de serviços em desconformidade com a súmula 331 do TST. Quanto mais, quando a narrativa fiscal, cuida de consubstanciar o lançamento em outros meios de prova, como no caso vertente. DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS Por fim, entendo que os documentos apresentados pelo recorrente não servem como meio suficiente para desconstituir o lançamento, após a apreciação dos pontos trazidos pelo auditor fiscal e pelo recorrente. DO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA Importante apreciar o ato gerador !alimentação”, assim descrito pelo auditor em seu relatório. Com relação aos documentos das despesas com alimentação, a Autuada limitouse a trazer algumas notas fiscais de refeições, as quais se encontravam desacompanhadas dos relatórios de despesas ou qualquer outro documento que possibilitasse informar a quem foi paga e por qual motivo a despesa foi realizada.Assim sendo, foram definidos como pagamentos fora do PATPlano de Alimentação do Trabalhador. Importante se torna sublinhar que a Alimentação é uma rubrica inerente a segurados empregados, e quando fornecida pela empresa é um benefício. Entretanto, para que essa parcela "in natura" não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o PATPlano de Alimentação do Trabalhador(Lei nº6.321/76 art. 3º) , sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. Assim, podemos separar duas contas descritas às fls. 162, 41100400012 (DESPESAS SANITÁRIA, CAFÉ E LANCHE) e 41100200037 (LANCHES E REFEIÇÕES), para tratar de forma diversa dos demais fatos geradores, considerando primeiramente, pela própria nomenclatura das contas, tratarse de alimentação “in natura”. Neste ponto, embora entenda que a decisão de 1 instância encontrase em perfeita consonância com os dispositivos legais, entendo existir uma questão nova que deve ser levado em consideração para o julgamento da referida verba, qual seja a publicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, abaixo trancrito? ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro Fl. 7901DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Face o exposto, considerando tratarse de fornecimento de alimentação in natura, conforme descrito nos históricos das contas, entendo aplicável o dito parecer, excluindo do lançamento as contribuições sobre os fatos geradores ali descritos ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias à título de RAT e a destinada a terceiros, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições ora lançadas e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Fl. 7902DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 15 27 Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes, sendo impossível a aplicação das questões aduzidas pelo recorrente no presente recurso. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Apenas para melhor esclarecer, considerando que no AI em questão, encontramse lançados 4 AI (3 de obrigação principal: Patronal, Segurados e Terceiros) e um AIOP pelo ausência de informação em GFIP, restanos agora apreciar a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação principal, já que em relação a obrigação principal, a procedência da parcela patronal, enseja resultado idêntico as de Terceiros e Segurados. DEBCAD 37.336.6329: AI , DEBCAD 37.336.6337, DEBCAD 37.336.6345: AI . Com relação ao. DEBCAD 37.313.9128: AI decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória de apresentar GFIP com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 32, IV e § 5o. da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, IV e § 4o. do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Foi aplicada a multa no valor de R$ 350.421,10 (trezentos e cinqüenta mil, quatrocentos e vinte e um reais e dez centavos) fundamentada no artigo 32, § 5º, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97 combinado com os artigos 284, II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, e Portaria MPS/MF 333, de 29/06/2010 (DOU 30/06/2010). Com relação a aplicação da autuação pela falta de informação em GFIP, ressalto, que a única insurgência do recorrente, foi inerente a multa aplicada, citando inclusive o seu caráter confiscatório, o que não venho a concordar. Embora tenha o recorrente questionado o valor da multa aplicável de uma maneira geral, a mesma encontrase dentro dos estritos limites legais para sua manutenção. Assim descreveu o agente autuante: Para a aplicação da penalidade menos severa, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, de acordo com o contido na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, descrito acima, é do entendimento de que se deve proceder à comparação, para a mesma conduta, entre as penalidades da legislação posterior e anterior à Lei 11.941/09, tanto na aplicação da multa isolada, quando houver apenas descumprimento de obrigação acessória, quanto na aplicação da multa de oficio, quando ocorrer a sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido. Importante enfatizar que, quando da comparação das multas para a aplicação da mais benéfica, devese excluir deste cálculo o valor devido referente às contribuições para outras entidades e fundos. Dessa forma, para Fl. 7903DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 outras entidades e fundos, a multa a ser aplicada será sempre a multa de mora do inciso I do art. 35 (24%), já que não existe a obrigação de declarar o valor devido destas contribuições. c. Neste procedimento fiscal deparamos com a seguinte situação: foram levantados valores na Folha de Pagamento dos empregados indevidamente registrados na empresa RG SERTAL COMERCIO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA EPP e sobre os pagamentos não comprovados, valores que não declarados (GFIP). Para estas condutas infratoras se aplicariam as seguintes sanções, entre outras: I. Legislação Anterior à Lei 11.941/09: multa de mora do inciso I do art. 35 (24%) em relação às contribuições previdenciárias mais a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997 apresentar a empresa o documento a que se refere o art. 32 inciso IV da Lei n° 8.212 de 24/07/1991, com dados não corres pondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL 68). II. Lei 11.941/09: multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 (75%). d. Na Planilha Comparação Penalidades AI Anterior Lei 11.941/2009 X Multa de Ofício De 75%, prevista na Lei 11.941/2009 e SAFIS – Comparação de Multas estão demonstrados por competência os valores das multas acima descritas e a comparação da legislação anterior e posterior. No presente caso, nas competências 01/2007 a 12/2007;01/2008 A 11/2008 verificouse que a multa anterior à estipulada pela Lei 11.941/09 é mais benéfica ao contribuinte; na competência 13/2007 a multa atual Lei 11.941/09 é a mais benéfica;, e foram aplicadas neste procedimento fiscal. e. Para as infrações com fato gerador posterior a 04/12/2008 não há o que se falar em comparação de penalidades menos severa, pois nestes casos será aplicada a multa de oficio estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, instituído pela Lei 11.941/09 que alterou a Lei 8.212, de 24/07/1991. Nas competências anteriores a 04/12/2008, ou seja, antes da vigência da MP 449/2008 transformada na Lei 11.941/09, o lançamento de ofício de contribuições não declaradas em GFIP reportase à legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador Legislação anterior à MP 449/08 e o Auto de Infração de obrigações acessórias a ser aplicado é o do art. 32, inciso IV e § 9º da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, incluídos pela Lei 11.941/09, de 27/05/2009. 2. Fundamentação Legal da Infração: O procedimento da empresa acima descrito infringe o disposto no art. 32, IV, § 5º, da Lei 8.212/91, também acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/1997 combinado com o art. 225, IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 06.05.99. Fl. 7904DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 15956.720024/201128 Acórdão n.º 2401003.074 S2C4T1 Fl. 16 29 Face o exposto, restou esclarecido que observou , o auditor, a aplicação da norma mais benéfica ao recorrente, considerando com relação ao mérito, realmente não temos muito a fazer, posto que a procedência do AI de obrigação principal é diretamente relacionado aos de obrigação acessória.. Assim, como se determinou a procedência integral dos AIOP, identifico tratamento será dado as obrigações acessórias. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para excluir do lançamento as contribuições decorrente dos fatos geradores apurados nas contas 41100400012 e 41100200037. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 7905DF CARF MF Impresso em 04/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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