Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15983.001252/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. AUDITOR FISCAL APOSENTADO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA.
O ato administrativo de lançamento formalizado por meio de auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal já aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo, nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. AUDITOR FISCAL APOSENTADO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. O ato administrativo de lançamento formalizado por meio de auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal já aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo, nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Recurso de Ofício negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15983.001252/2009-53
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5300875
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.867
nome_arquivo_s : Decisao_15983001252200953.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 15983001252200953_5300875.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5124408
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174004412416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 728 1 727 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.001252/200953 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3202000.867 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria COFINS. IMUNIDADE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA ISESC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. AUDITOR FISCAL APOSENTADO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. O ato administrativo de lançamento formalizado por meio de auto de infração lavrado por AuditorFiscal já aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo, nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 12 52 /2 00 9- 53 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 729 2 Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado por meio de auto de infração (efolhas 1/ss), lavrado em 23/12/2009 e com ciência via postal em 29/12/2009 (efolha 368), para a cobrança da Cofins, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 9.636.683,52, em decorrência da suspensão da imunidade tributária da Recorrente. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS/DRF/Santos SP, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.06.002008 002083, frente à Instituição Educacional preambularmente referida e que foi concluído com a lavratura de Auto de Infração no total de R$ 2.087.947,85, abrangendo os anoscalendário de 2003 e 2004, contemplando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75,00% e juros de mora calculados até 30/11/2009: TRIBUTOS VALORES LANÇADOS i) COFINS 9.636.683,52 DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE DA INSTITUIÇÃO A ação fiscal é derivada do procedimento realizado junto ao sujeito passivo, Instituto Superior de Educação Santa Cecília – ISESC – e que concluiu pela suspensão dos benefícios fiscais de imunidade da instituição, na forma do que foi proposto pela Fiscalização, devidamente formalizado no Processo Administrativo nº 15983.000817/200985. Após os trâmites procedimentais e acolhendo a propositura da Fiscalização, o dirigente da Unidade de Santos expediu o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 72, de 22 de dezembro de 2009, suspendendo, “de pleno direito (...) o benefício fiscal da imunidade tributária concedido na letra “c” do Inciso VI, do artigo 150, da Constituição Federal de 1988, usufruído pela instituição INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA – ISESC, portador do CNPJ nº 58.251.711/000119, nos anos calendário de 2003 a 2007”, determinando, no mesmo documento, “o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período objeto deste Ato Declaratório” (cópias às fls. 313). Devidamente impugnado pela contribuinte o procedimento e a edição do ADE que suspendeu sua imunidade, o Processo Administrativo nº 15983.000817/200985 foi encaminhado a esta 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 730 3 Julgamento em Campinas – SP, sendo prolatada decisão unânime na qual se confirmou o trabalho fiscal e foi mantida a suspensão dos benefícios fiscais de imunidade da impugnante, imposta pelo Ato Declaratório Executivo nº 72, de 22/12/2009, da DRF/Santos. Mencionada decisão encontrase formalizada no Acórdão nº 05034.054, desta data, da 2ª Turma, de Julgamento da DRJ/Campinas, ora juntado ao presente DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL Atendendo o determinado no ADE nº72/2009, “in fine”, no sentido de ser realizado “o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período objeto deste Ato Declaratório” o Fisco procedeu ao levantamento dos valores que entendeu devidos a título de COFINS para os anos calendário de 2003 e 2004 e efetuou os lançamentos para constituição dos respectivos créditos tributários, assim delineadas as irregularidades: COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor correspondente à contribuição COFINS sobre o faturamento total escriturado, mas não declarado para fins de tributação, conforme se apurou em trabalho de fiscalização externa. Fatos Geradores 31/12/2003 – Valor Tributável (BC) R$ 62.887.484,04 31/01/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 6.800.866,10 29/02/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.873.524,18 31/03/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 6.346.680,64 30/04/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.919.008,50 31/05/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.937.922,87 30/06/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.481.270,09 31/07/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.900.336,02 31/08/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.402.489,06 30/09/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.848.924,91 31/10/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.863.087,76 30/11/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.879.237,11 31/12/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.199.409,59 Enquadramento Legal Art. 195, inciso I, alínea “b”, da Constituição federal de 1988; arts. 1º, da Lei Complementar nº 70/91; Art. 10, da Lei 10.833/2003 e Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 731 4 Na descrição dos fatos o Fisco relata a edição do ADE nº 72/2009 e suas consequências. Os autos de infração e anexos foram lavrados na DRF/Santos em 23/12/2009, conforme consta dos mesmos e estão juntados às fls. 1 a 12 e 320 a 335. O AFRFB juntou os documentos de fls. 13 a 319 e manifestouse, em 23/12/2009, no sentido de a ciência, “considerando a dificuldade em se localizar o representante legal do contribuinte” efetivarse por via postal, através a ECT (fls. 336). Acolhida a manifestação acima, a ciência da contribuinte fezse por via postal em data de 29/12/2009, conforme “AR” juntado às fls. 337. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a contribuinte, por procuradores constituídos nos autos, interpôs a impugnação de fls. 342/378, juntando documentos de fls. 379/647, que identificou em lotes numerados como “doc. – assunto” de 01 a 13, e após fazer um breve relato dos fatos, alegou, em apertada síntese: a) invalidade da ação fiscal, em razão de inobservância das Portarias nºs 500/1995 e 3.007/2002, da RFB e que se referem a critérios e motivação para seleção de contribuintes a serem fiscalizados (cita normativos e doutrina); b) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, tendo em vista ter recebido tão somente os autos de infração, o demonstrativo consolidado do crédito tributário e o termo de encerramento. Segundo suas literais palavras, “nenhuma cópia das “provas” em que diz estar apoiada a autuação lhe foi fornecida” (destaque no original). Cita doutrina e jurisprudência; c) ser impossível a constituição de crédito tributário em face da existência de ação judicial, destacando ser pacífico na jurisprudência administrativa que questões levadas a juízo perdem seu objeto na esfera administrativa. Transcreve doutrina e jurisprudência que entendeu pertinentes; d) ter inexistido, ao contrário do entendimento da Fiscalização, qualquer distribuição do patrimônio da impugnante que viesse a permitir a suspensão de sua imunidade tributária. Após citar e transcrever legislação, doutrina e jurisprudência, conclui que sua descaracterização como entidade imune será revista, “quer porque reconhecida por outros órgãos administrativos e outros entes federativos, quer porque o IMPUGNANTE é portador do “CERTIFICADO DE ENTIDADDE BENEFICENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL – CEBAS (...), quer ainda porque inexiste qualquer desvio de finalidade nos negócios jurídicos apontados, eis que estes foram celebrados dentro das normas estatutárias”; e) que é inválida a tributação da COFINS com base no fato gerador anual de 31 de dezembro de 2003. A respeito, sustenta que a apuração da COFINS será feita de forma mensal, na forma do artigo 2º, da Lei Complementar nº 70/91 e que inexiste a figura de fato gerador anual para a COFINS, como fez a Fiscalização com o lançamento relativo ao ano de 2003 (igualmente, cita e transcreve legislação e jurisprudência); f) ressalvando as irregularidades que entendeu existentes, pontua estarem decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores de todo o ano de 2003 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 732 5 e dos meses de janeiro/2004 a novembro de 2004. Comenta sobre o instituto decadencial, reportase aos textos legais e normativos, cita e transcreve doutrina e jurisprudência; g) ser impossível a exigência da COFINS lançada pertinentemente ao fato gerador dezembro de 2004, em razão da isenção de que trata o artigo 8º, da MP nº 213/2008. Tal MP, convertida na Lei nº 11.096/05, estabeleceu em seu artigo 8º, inciso III, segundo a impugnante, isenção da COFINS às entidades que aderirem ao PROUNI. Assim, no dizer da defesa, a partir do momento em que aderiu ao PROUNI, o que fez em 03/12/2004, passou a gozar da referida isenção (a partir do fato gerador dezembro/2004), razão pela qual não caberia a lavratura dos autos de infração da COFINS incidentes sobre o fato gerador de dezembro de 2004. Conclui peticionando seja conhecida e provida a impugnação ofertada para desobrigála do recolhimento de quaisquer quantias a título de COFINS, ou, caso este órgão julgador entenda pelo não acolhimento da improcedência dos autos de infração, que seja dado provimento para retirar da exação os valores indevidos apontados na defesa. É o relatório do essencial, em apertada síntese. A 2ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0534.051, em 21 de junho de 2011 (efolhas nº 717/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004. Nulidade. Sendo os lançamentos de COFINS efetuados por servidor que já se encontrava aposentado por ocasião da lavratura dos autos de infração e da ciência pela contribuinte, impede declarar nulos referidos lançamentos, cancelandose os autos de infração respectivos, consoante artigo 10 e 59, I, do PAF e artigo 142, CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Dessa decisão foi apresentado Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. A interessada foi cientificada do Acórdão em 24/10/2011 (efolhas 726). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 733 6 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso de Ofício é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Por mais inusitado que possa parecer o auto de infração, que formalizou o lançamento de ofício, foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil já aposentado quando da sua lavratura. Vejamos os fatos. O auto de infração foi lavrado em 23/12/2009 pelo Auditor Fiscal Eráclito de Oliveira Jordão (vide efolhas 4 a 15) e o contribuinte tomou ciência da autuação em 29/12/2009, por via postal (vide efolha 368). Entretanto, conforme enunciado no voto vencedor da decisão recorrida “em Memorando Interno dirigido ao Gabinete do Senhor Delegado da Unidade e datado de 21/01/2010, ou seja, após um mês da lavratura dos autos de infração e mais de vinte dias da ciência da autuada, o Serviço de Fiscalização (SEFIS) da DRF/Santos, por seu titular, notificou aquela autoridade de que ‘o AFRFB Eráclito de Oliveira Jordão, autor do feito, teve sua aposentadoria publicada no Diário Oficial em 17/12/2009, fato que chegou ao nosso conhecimento somente em 11/01/2001’”. O Memorando Interno acima referido está anexado a efolha nº 370 e a cópia da página do Diário Oficial da União onde consta a Portaria nº 573, de 10/12/2009, do Gerente Regional de Administração do Ministério da Fazenda em São Paulo (publicada em 17/12/2009), que concedeu a aposentadoria ao sr. Eráclito de Oliveira Jordão está anexada a e folha nº 371. Não há dúvida, portanto, que o ato administrativo do lançamento foi formalizado (lavrado em 23/12/2009 e ciência em 29/12/2009) por agente incompetente, pois o sr. Eráclito de Oliveira Jordão já estava aposentado quando formalizou o lançamento, em desconformidade com o disposto no caput do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 10 – O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) No mesmo sentido, o artigo 142 do CTN prescreve que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. Ora, Fl. 733DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 734 7 um servidor aposentado já não detém mais as prerrogativas legais para o exercício das funções privativas da autoridade administrativa competente para efetuar o lançamento tributário. O controle da legalidade do ato de lançamento, com vistas a aferir sua validade/pertinência com o sistema, deve ser feito a partir de duas vertentes: a regularidade do ato em relação às normas do direito tributário formal e do direito tributário material. Em outras palavras, para que um lançamento permaneça validamente no ordenamento devese verificar: (i) se durante a fase procedimental (“ação fiscal”) e na formalização do ato não restou configurado algum conflito com as normas do direito tributário formal, de modo a verificar a validade formal; (ii) se não houve desacerto na aplicação das normas do direito tributário material, ou seja, devese avaliar a validade material. A validade formal do ato referese à conformidade dos pressupostos extrínsecos do lançamento em sua relação de fundamentação com as normas, gerais e abstratas, do direito tributário formal. A validade material do ato está relacionada à verificação da conformidade dos elementos intrínsecos do lançamento (elementos da norma individual e concreta introduzida) em seu vínculo de fundamentação com as normas, gerais e abstratas, do direito tributário material (regramatriz de incidência tributária). Vícios nos pressupostos extrínsecos do lançamento levam à anulação do ato (invalidade relativa) e vícios nos elementos intrínsecos têm por consequência a declaração de nulidade (invalidade absoluta). A meu ver, o agente competente responsável pela elaboração e formalização do ato administrativo de lançamento inserese entre os pressupostos extrínsecos do ato. Importante trazer a colação advertência feita por Eurico de Santi (Lançamento Tributário. 3ª. edição. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 81) no sentido de não se confundir o agente competente produtor do ato, “participante de seu processo de criação” (pressuposto externo do ato), com a enunciação do sujeito ativo, que é elemento do ato, compondo a relação jurídicotributária (elemento interno do ato). Contudo, embora doutrinariamente vícios nos pressupostos extrínsecos tenham por efeito a invalidade relativa (anuláveis), o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 dispôs de forma diversa, no sentido de que os atos lavrados por pessoa incompetente são nulos, e não anuláveis. Deste modo, o lançamento tributário veiculado por meio do auto de infração lavrado por servidor aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59 – São nulos: I. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...) Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 735 8 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917634/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3801-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10830.917634/2009-21
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289238
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.018
nome_arquivo_s : Decisao_10830917634200921.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10830917634200921_5289238.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5051608
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174012801024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 106 1 105 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917634/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.018 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SOTREQ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 76 34 /2 00 9- 21 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 107 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DCTF, juntada aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que a COFINS apurada e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento indevido. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento da COFINS indevido, a DCTF foi posteriormente retificada e transmitida, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento a maior, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 45/48, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 108 3 Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Consideramse confissões de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 52 a 57, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de setembro/2003, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 3° trimestre/2003, conforme cópia às fls. 22/25. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 110 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913222/2008-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no ano-calendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.913222/2008-89
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291262
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-000.321
nome_arquivo_s : Decisao_15374913222200889.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15374913222200889_5291262.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no ano-calendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5060236
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174020141056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 526 1 525 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.913222/200889 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.321 – 2ª Turma Especial Data 27 de junho de 2013 Assunto PIS COMPENSAÇÃO Recorrente SÁ CONSTRUTORA E IMOBILIARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a repartição de origem informe o regime de apuração do imposto de renda da recorrente no anocalendário 2003 e ateste a apuração dos créditos procedida. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 04685.51285.130804.1.3.042400, fls. 3/7, em que utilizou como crédito pagamento supostamente indevido de PIS cumulativo, relativo aos períodos de apuração abril/2003, no valor de R$ 7.674,53. Despacho Decisório eletrônico, de 12 de agosto de 2008, da Derat/Rio de Janeiro, fl. 8, não homologou a DComp em face de o pagamento indicado na DComp ter sido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 22 2/ 20 08 -8 9 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913222/200889 Resolução nº 3802000.321 S3TE02 Fl. 527 2 utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 1/2, a Manifestante alegou que a origem do crédito deuse pela alteração no regime de tributação, com a introdução da não cumulatividade veiculado pela Lei 10.637/2002, fazendo jus aos créditos do PIS pelos custos dos apartamentos construídos para venda, não computados na apuração do pagamento do PIS do mês de abril de 2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF que retificou após o despacho decisório. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro II asseverou que cabe à Contribuinte o dever de comprovar a origem do crédito alegado no PerDComp, com a exigência de que a prova deveria consubstanciarse em documentação contábil/fiscal robusta para suportar sua alegação. Afirmou que a Contribuinte apenas alegara que o Dacon, fl. 13, que deduz do PIS apurado o crédito no valor de R$ 7.674,53, está corretamente declarado e que retificara a DCTF, sem juntar aos autos qualquer documento contábil/fiscal que pudesse corroborar o direito alegado. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Cientificada da decisão em 24 de março de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 51/62, em 24 de abril de 2012, em que, reiterou o seu direito aos créditos de PIS incidente sobre os bens e serviços aplicados na atividade, somados ao crédito derivado da presunção de abertura de estoque, segundo o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. Anexou documentos e planilhas em que descreve os itens que compõem a base de cálculo dos créditos e reclama por sua admissão, em vista da aplicação do princípio da verdade material, com amparo em diversos julgados administrativos de primeira instância e do extinto Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913222/200889 Resolução nº 3802000.321 S3TE02 Fl. 528 3 VOTO Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. De início, registrese que não se pode atribuir erro à decisão recorrida, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte com base no que a Manifestante deixou de trazer na defesa: a prova da alegação de erro no preenchimento da DCTF. No presente processo temse como fatos que: (i) a Contribuinte transmitira a DComp em 13 de agosto de 2004; (ii) fêlo com suporte em anterior retificação que procedera no Dacon transmitido em 16 de julho de 2004; (iii) não houve modificação da base de cálculo do débito de PIS, que alcançou o valor de R$ 7.674,53 (antes do desconto dos créditos), quitado; e (iv) a alteração que gerou o crédito utilizado na DComp deuse por conta de levantamento de créditos a cujos descontos a Contribuinte julga ter direito. No recurso voluntário a Recorrente anexou os documentos abaixo, todos referentes ao mês de abril de 2003: a) notas fiscais de bens e serviços utilizados na atividade da empresa, incluindo as contas de água e energia elétrica; b) do livro fiscal Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros, de exigência legal municipalREMAS, com Termo de Início; c) de planilha descritiva dos elementos que compuseram as receitas e as entradas de insumos, com totalizações das bases de cálculo assim apuradas pela Contribuinte e, no que interessa, a base de cálculo dos créditos sobre bens e serviços no montante de R$ 274.427,56, do que resulta crédito de PIS no valor de R$ 4.528,05; d) folhas de pagamento de salários e rescisões de contrato de trabalho; e) contratos de Promessa de Compra e Venda e Outros Pactos. A duas, destaquese que, nada obstante a força dos indícios do direito alegado, os elementos de prova trazidos no recurso voluntário não tornam, ainda, o direito da Recorrente líquido e certo. Isso, porque o art. 8º da Lei nº 10.637/2002 estabelece que certas pessoas jurídicas, algumas atividades e determinadas receitas permanecem sob o regime de apuração do PIS previsto na Lei nº 9.718/981, e entre as ressalvas pontuese a atinente às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Dos autos, extraise que nem a atividade nem a natureza jurídica da empresa a obrigam a apurar o seu resultado pelo lucro real. Por outro lado, as receitas informadas nos três 1 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: [..] II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913222/200889 Resolução nº 3802000.321 S3TE02 Fl. 529 4 períodos de apuração atinentes aos processos ora em análise é dado insuficiente para afirmar que esta empresa esteve obrigada ao lucro real no anocalendário 2003. Dessa forma, existe a possibilidade de que no anocalendário 2003 esta pessoa jurídica tenha apresentado seus resultados com base no lucro presumido. Confirmandose esta hipótese a Contribuinte não poderia apurar as contribuições pela sistemática não cumulativa. Este é o ponto que impede seja certo o direito da Recorrente. Contudo, é substancioso o acervo de documentos trazidos no recurso sob exame. Em vista deles, uma vez confirmada a opção desta pessoa jurídica pelo lucro real, não é de se fazer tabula rasa do direito ao creditamento pelo fato de têlos trazido apenas no recurso voluntário. Justifico. O litígio decorrente da apreciação das compensações declaradas passou a ser submetido ao rito do Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto nº 70.235/72, a partir da data publicação da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003). Assim, a princípio, deve o litigante submeterse à observância do art. 16, § 4º2, que trata do momento processual de apresentação das provas como sendo o da manifestação de inconformidade, ou, ainda, até a decisão de primeira instância, autorizado pelo órgão julgador3. É consabido que a norma legal do art. 16, § 4º, citado, tem sua aplicação originária ao processo de determinação e exigência de crédito tributário, cujos fatos imputados ao fiscalizado devem ser respaldados pela provas levantadas e apresentadas pelo fisco no procedimento inquisitório do lançamento. É exigência, ainda, desse feito que os fatos de que é acusado o autuado estejam pontual e claramente descritos. Este modelo de ação tem por fim permitir o exercício da ampla defesa do contribuinte, sob amparo de garantia constitucional. Este rito foi tomado por empréstimo para reger o procedimento administrativo de apreciação da compensação tributária, como acima referido (MP 135/2003), logo após a inauguração do seu novel regime pela MP nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). O procedimento da compensação operada pelo contribuinte pode assemelharse ao de determinação e exigência de crédito tributário quando o despacho decisório sustentase em Termo de Verificação Fiscal elaborado presencialmente, forma por meio da qual ficam evidenciados os erros em que incorre o contribuinte, bem assim as providências e as provas que 2 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 3 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913222/200889 Resolução nº 3802000.321 S3TE02 Fl. 530 5 ele deve suprir para elidir a apuração fiscal, permitindolhe amplamente o exercício do seu direito de defesa. O despacho decisório eletrônico não cumpre este desiderato. O meio eletrônico de sua emissão torna a sua diagramação sintética que, embora descreva de forma objetiva o fato imediato subjacente ao teor da decisão, não permite revelar os motivos mediatos, causais que resultam na não homologação. A decorrência disso é que o teor da intimação para a apresentação de manifestação de inconformidade não fornece todos os elementos de que deve se valer o contribuinte, e exigíveis pela Administração, para subsidiar a sua defesa. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador, por vezes, levanta a exigência das provas, e nem sempre de forma específica. Em situação como a presente, deixar de acolhêlas na fase recursal cerceia a ampla defesa do contribuinte, promove desvalor ao princípio da verdade material (que informa o Processo Administrativo Fiscal), e ao da moralidade (que rege os atos da Administração), este, a impedir que se negue a repetição de comprovado indébito e sua utilização na DComp, resultante de posterior apuração do contribuinte. Esta Contribuinte retificara o Dacon deduzindo do débito apurado (pago integralmente) crédito de mesmo valor, para a seguir utilizar o indébito correspondente ao DARF pago na DComp em análise. No entanto, não retificou concomitantemente a DCTF, excluindo o débito. Se tomada esta providência a sua compensação, decerto, teria sido homologada eletronicamente. Por essas razões, entendo que o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite enquadrar a presente situação. No caso presente, os indícios da existência de créditos são sobremodo fortes, aptos a reduzir em algum valor a contribuição apurada. Nada obstante fortes, não os tornam líquidos ainda, ante a possibilidade de a Contribuinte ter incluído insumos que não sejam objeto de creditamento, nos termos legais. Pelo exposto, com fulcro no art. 18 , II, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência para que a Derat/Rio de Janeiro informe: a) qual o regime de apuração do imposto de renda desta pessoa jurídica no ano calendário 2003; b) se submetida à apuração pelo lucro real, ateste a apuração dos créditos procedida pela Contribuinte, à vista das provas trazidas aos autos, composto de crédito presumido sobre os estoques em 31 de dezembro de 2002, no valor de R$ 3.607,46, e de crédito sobre bens e serviços no valor de 4.528,05, de cuja soma, R$ 8.135,51, foi utilizado o valor de R$ 7.674,53 para dedução da contribuição relativa ao mês de abril de 2003. Sala das sessões, 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.913222/200889 Resolução nº 3802000.321 S3TE02 Fl. 531 6 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000958/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/05/2006
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ.
Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, porque é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, com a ressalva de que todas as matérias trazidas no recurso devem examinadas, inclusive a obrigatoriedade da retificação de GFIP.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/05/2006 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170-A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039-DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10665.000958/2010-11
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5286143
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.586
nome_arquivo_s : Decisao_10665000958201011.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 10665000958201011_5286143.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, porque é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, com a ressalva de que todas as matérias trazidas no recurso devem examinadas, inclusive a obrigatoriedade da retificação de GFIP. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5034773
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174036918272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 300 1 299 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.000958/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.586 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria Compensação: Glosa Recorrente MUNICÍPIO DE FORMIGA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/05/2006 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, porque é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva acompanhou pelas conclusões, com a ressalva de que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 09 58 /2 01 0- 11 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 todas as matérias trazidas no recurso devem examinadas, inclusive a obrigatoriedade da retificação de GFIP. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.000958/201011 Acórdão n.º 2302002.586 S2C3T2 Fl. 301 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário. O Auto de Infração de que tratam os presentes autos constitui exigência de contribuições sociais previdenciárias, em desfavor o MUNICÍPIO DE FORMIGA PREFEITURA MUNICIPAL, decorrente de glosa de compensação de valores recolhidos com base na alínea "h" do inciso I do artigo 12 da Lei n° 8.212/91, que se refere a exercentes de mandato eletivo, na hipótese, contribuições relativas ao prefeito e ao viceprefeito municipal. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14/17, a glosa foi efetuada em razão da prescrição do direito de reaver o indébito das contribuições realizadas no período de 02/1999 a 09/2000 (fatos geradores para as competências de 01/1999 a 08/2000), compensadas a partir da competência 10/2005, bem assim, para todo o período objeto da compensação (01/1999 a 06/2004), não terem sido processadas retificações nas GFIP´s Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com a exclusão dos subsídios pagos ao prefeito e ao viceprefeito municipal. Além dos Fundamentos Legais do Débito, às fls. 06/07, o lançamento teve como supedâneo a Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, de 12 de setembro de 2006, que dispõe sobre a devolução dos valores recolhidos com base na supracitada alínea "h", suspensa através da Resolução n° 26 do Senado Federal, de 21 de Junho de 2005, em virtude de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Cientificada da autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 25/37). Em razão de sua peça de defesa mencionar ação judicial na qual se discutiria o direito à compensação de que tratam os presentes autos (processo n° 2006.38.11.0079025 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Divinópolis), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte converteu o julgamento em diligência para a juntada de cópia das principais peças da referida ação (fls. 95). Cumprida a diligência (fls. 97/257), a impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (fls. 264/268). Ciente do decisório da primeira instância administrativa (fls. 270), a recorrente, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 271/298, no qual alega, em apertada síntese: * a obrigação acessória de retificação da GFIP não está em consonância com o ordenamento jurídico pátrio. Ademais, por se tratar de obrigação acessória, não teria o condão de macular o aproveitamento de créditos pela recorrente; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 * não teria havido decadência ou prescrição do direito de reaver o que pagou indevidamente, sendo de se aplicar o prazo decenal (cinco anos para homologação do lançamento + cinco anos para pleitear restituição de eventual indébito); * o direito de compensar teria sido reconhecido por sentença judicial (processo n° 2006.38.11.0079025 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Divinópolis), sendo que o dispositivo autoriza a compensação; * não seria aplicável ao caso o artigo 170A do CTN, que autoriza a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial que discute a validade dos créditos compensados, pois tratase de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, com efeitos erga omnes (controle concentrado ou controle difuso seguido por Resolução do Senado). Ao final, requer a reforma do Acórdão, com o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.000958/201011 Acórdão n.º 2302002.586 S2C3T2 Fl. 302 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Compensação. Ausência de Trânsito em Julgado. Todos os argumentos da recorrente podem ser reduzidos à impossibilidade de exigência de retificação de GFIP para o exercício do direito de compensação; à não ocorrência de decadência ou prescrição do direito de reaver o que teria pago indevidamente; e à inaplicabilidade ao caso o artigo 170A do CTN, que autoriza a compensação somente após o trânsito em julgado da ação judicial que discute a validade dos créditos compensados. Todavia, ainda que fossem reconhecidos a legitimidade da compensação independentemente da retificação da GFIP e a não ocorrência de prescrição ou decadência, tais fatos não teriam o condão de tornar ilegítima a glosa efetuada, tendo em vista o comando contido no artigo 170A do CTN, que veda "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". Tal vedação aplicase inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido, nos termos do REsp 1.167.039/DF, cuja decisão foi proferida na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1.167.039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (destaques nossos) Portanto, inexistem dúvidas de que a dispensa de retificação das GFIP´s ou o reconhecimento da não ocorrência da decadência/prescrição do direito de compensar não bastam para tornar lídima a compensação glosada. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Notese que, nos termos art. 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009), as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, estando este órgão julgador vinculado à decisão proferida pelo STJ, não cabem maiores digressões a respeito dos pleitos de dispensa de retificação da GFIP ou de não ocorrência de prescrição por ocasião da compensação efetuada. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 22/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 11030.721840/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA -ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO.
Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea a da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99.
FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES
O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST)
MULTA QUALIFICADA
A partir da competência 12/2008, a multa será aplicada com base no artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício
É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias.
Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.789
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA -ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea a da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formando-se o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) MULTA QUALIFICADA A partir da competência 12/2008, a multa será aplicada com base no artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias. Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11030.721840/2011-30
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304035
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.789
nome_arquivo_s : Decisao_11030721840201130.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 11030721840201130_5304035.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5149971
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174040064000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 796 1 795 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.721840/201130 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.789 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria Caracterização Segurado Empregado: Pessoa Jurídica Recorrente DBF INDÚSTRIA DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DESCARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. Presentes os requisitos previstos no art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, regular e legal se mostra a descaracterização de pessoa jurídica com o efetivo enquadramento como segurados empregados, nos termos do §2º, do artigo 229, do Decreto n.º 3.048/99. FRACIONAMENTO DA MÃO DE OBRA EM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES O fracionamento da mão de obra necessária a consecução dos objetivos sociais de uma empresa em outra optante pelo SIMPLES se traduz em prejuízo para a seguridade social, devido ao não recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, devendo o vinculo se dar com a suposta tomadora dos serviços. É ilegal a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador. (Enunciado n.º 331 do TST) MULTA QUALIFICADA A partir da competência 12/2008, a multa será aplicada com base no artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias. Frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 18 40 /2 01 1- 30 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.721840/201130 Acórdão n.º 2302002.789 S2C3T2 Fl. 797 3 Relatório O presente processo compreende os Autos de Infração de Obrigação Principal, AIOP’s DEBCAD 51.012.6120, relativo à parte patronal e SAT e DEBCAD 51.012.6138, referente às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades; e o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.012.6111, Código de Fundamento Legal 78, lavrado em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §§2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91, por não ter o contribuinte informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/2009 a 12/2010. Os autos de infração foram lavrados em 26/10/2011 e cientificados ao sujeito passivo em 26/11/2011, referindose às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, frente à desconsideração da prestação de serviço pela interposta pessoa jurídica JHF INDUSTRIAL LTDA. ME, no período de 01/2009 a 12/2010. O relatório fiscal de fls 671/693, traz que a prestadora de serviço acima nominada é inscrita no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e detém a mão de obra necessária ao processo produtivo, enquanto a receita pela produção se dá na autuada, causando evidente prejuízo aos cofres da previdência social, posto que pela simulação existente, não houve recolhimento da cota patronal das contribuições previdenciárias sobre as remunerações dos segurados que efetivamente prestaram serviços ao sujeito passivo. Desta forma, foram constituídos na empresa DBF INDÚSTRIA DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA..os créditos previdenciários relativos à folha de pagamento da empresa interposta, quanto à parte patronal e terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados.Assim como o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. As contribuições referentes às cotas dos empregados já recolhidas foram devidamente apropriadas. Após a impugnação, Acórdão de fls.750/762, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o Fisco promoveu a desconsideração de negócios e personalidade jurídica sem demonstrar a fraude supostamente vislumbrada; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 b) que o fenômeno de deslocamento de valores de uma empresa para outra é inexistente no mundo jurídico; c) que o nosso Direito Tributário jamais poderá permitir a desqualificação de negócios jurídicos praticados licitamente; d) que é impossível visualizar a simulação nos negócios das duas empresas; e) que a DBF nasceu em 1999, enquanto a JHF , em 2006, com objetos sociais distintos; f) que não há exclusividade na prestação de serviço, que a JHF presta serviços para outras empresas; g) que é vedado à fiscalização desconsiderar personalidade jurídica, ou deslocar receita e folha de salários de uma empresa para outra; h) que o negócio entabulado entre as partes é posterior a criação da JHF, tem objeto lícito e está em conformidade com a legislação de regência; i) que não foi comprovada a ilicitude, o dolo e nem a intenção de lesar o Fisco; j) que não se pode deduzir a ocorrência de vantagem tributária; k) que o Fisco desconsiderou que a JHF é optante do SIMPLES, cobrando as contribuições patronais; l) que devem ser compensados os recolhimentos efetuados pela JHF; m) a inaplicabilidade da multa qualificada porque a relação contratual não ensejou dolo, fraude ou simulação. Requer a reforma da decisão recorrida e o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.721840/201130 Acórdão n.º 2302002.789 S2C3T2 Fl. 798 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. De acordo com o relatório fiscal da autuação, fls. 671/693, o crédito previdenciário decorre da situação fática existente e relatada pela fiscalização no que concerne a descaracterização dos serviços prestados por empresa interposta. As evidências descritas pelo auditor fiscal e às quais me reporto, já que compõem o relatório e por economia processual deixo de aqui copiálas, dão conta de que a autuada utilizou a empresa JHF INDUSTRIAL LTDA. ME optante pelo SIMPLES como interposta pessoa na contratação de empregados visando o não recolhimento da contribuição previdenciária patronal. A fiscalização relata que foram emitidos Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Fiscalização para o sujeito passivo DBF INDÚSTRIA DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA e MPFDiligência para a empresa JHF INDUSTRIAL LTDA ME, sendo que em verificação física efetuada no sujeito passivo restou evidenciado que o mesmo utiliza forma de planejamento tributário simulando a contratação de outra empresa para terceirização de parte de sua produção. Que esta empresa que presta os serviços terceirizados mantém seu faturamento dentro dos limites exigíveis para ser optante do SIMPLES, absorvendo, assim, os custos de mão de obra da empresa contratante. Aduz o Fisco que a situação fática existente aponta para uma única empresa, já que ambas que exploram o mesmo ramos de atividade , fabricação de calçados, no mesmo estabelecimento, com os mesmos equipamentos, compartilhando idêntico sistema de contabilização e escritório contábil. Que os sócios de ambas as empresas mantém grau de parentesco como marido , mulher, mãe, pai, filhos. Que a empresa contratada não possui equipamentos necessários ao seu processo produtivo, apresentando contrato de comodato, com cessão gratuita de todo o equipamento utilizado, por parte da contratante. Às fls. 678, do relatório, consta a relação do faturamento versus folha de pagamento e movimentação financeira, de onde se pode ver que o faturamento da DBF é muito superior ao da JHF, que mantém toda a mão de obra essencial ao processo produtivo e baixo faturamento para estar adequada ao SIMPLES. Desta forma, a contratada JHF não possui receita para honrar seus compromissos relativos à mão de obra e materiais necessários à produção, sendo que a filial /000255 da contratante DBF, arca com a aquisição de insumos, matéria prima, materiais de embalagens e contratação de pessoal. O capital social da JHF é de vinte mil reais ainda não integralizado, mostrandose extremamente baixo para aquisição de maquinário que permita a sua atividade empresarial para efetuar o serviço contratado O Fisco junta às fls. 111/167, os contratos sociais das empresas, às fls. 172/176, o contrato de prestação de serviços e às fls. 177/551, demais documentos como notas fiscais e registros contábeis, que comprovam a situação fática encontrada de que a mão de obra necessária ao processo produtivo está alocada na empresa optante pelo SIMPLES desonerando Fl. 800DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 se assim, da cota patronal das contribuições previdenciárias, enquanto a receita pela produção se dá na autuada que possui um reduzido ou inexistente número de funcionários. Os elementos de convencimento expostos pela auditoria fiscal explicitam que as empresas são interdependentes o que se comprova pela dependência financeira e operacional, onde as instalações, maquinários, água, energia elétrica são cedidos pela recorrente à prestadora de serviço, que trabalha exclusivamente para ela. De acordo com as diligências efetuadas e documentos examinados restou evidenciado que:a prestadora não possui receita para arcar com as despesas de pessoal e também não possuem qualquer despesa operacional inerentes a um processo produtivo; Ademais, a própria recorrente afirma em suas razões que o serviço é prestado desta forma visando a redução de custos, o que não é vedado por lei. Destarte, é de se informar à recorrente, que a forma escolhida para reduzir seus custos, não encontra guarida na legislação vigente, porquanto trata de uma simulação na contratação formal de mão de obra por empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, onde está obrigada apenas ao recolhimento da contribuição relativa à cota do empregado e dispensada da contribuição patronal, ao passo que não possuem receita tampouco estrutura operacional para manter uma linha de produção, o que vem a ser suprido pela suposta “tomadora dos serviços”, no caso a recorrente, que é a responsável por toda a receita advinda do faturamento com a produção, mas que não possui mão de obra no processo produtivo e por isso se ilide do pagamento da cota patronal das contribuições previdenciárias. Da forma como disposta esta relação entre as pessoas jurídicas envolvidas é notório o prejuízo causado à Seguridade Social, pois a mão de obra empregada no processo produtivo não serve de base para a incidência da contribuição previdenciária, já que se dá em empresa que possui um baixo faturamento, o que lhe permite ser optantes do SIMPLES, enquanto a receita fica para a empresa que deve contribuir também com a cota patronal das contribuições previdenciárias, mas por possuir um reduzido número de empregados, ou nenhum, pouco ou nada recolhe, ou seja, a Previdência Social é que vai arcar com a sangria em seus cofres, na medida em que a mão de obra que produziu o alto faturamento, não serve de base para a incidência contributiva previdenciária. Reitero que por todos os dados constantes do processo é possível aferir que os serviços são prestados por empresa interposta na contratação formal de mão de obra, servindo para a recorrente se elidir do pagamento da cota patronal da contribuição previdenciária. Desta forma, correta está a constituição do crédito previdenciário, relativamente às folhas de pagamento da empresas interposta, cujos valores foram tomados como salário de contribuição para a incidência da contribuição patronal de responsabilidade da recorrente. Foi desconsiderada a prestação de serviço através da empresa interposta, por todas as circunstâncias, motivos e evidências relatadas na autuação, para considerar toda a mão de obra empregada no processo produtivo da recorrente como de sua responsabilidade quanto ao recolhimento das contribuições previdenciárias. A capacidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desconsiderar contratos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo é Fl. 801DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.721840/201130 Acórdão n.º 2302002.789 S2C3T2 Fl. 799 7 muito clara na leitura da legislação previdenciária em conjunto com o Código Tributário Nacional CTN. Vejamos o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 e do parágrafo 2º do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal da Previdência Social pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. LEI N.º 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. DECRETO N.º 3.048/99 Art. 229. (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado (grifei). O referido art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. No inciso I estão as situações de enquadramento dos segurados empregados, sendo que a relação pactuada nos contratos desconsiderados nessa notificação pode ser observada na alínea "a" (idêntica redação do art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n.º 8.212/91): Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 No mesmo sentido, também o Tribunal Regional Federal da 4ª Região já vinha decidindo, não deixando dúvidas quanto a essa possibilidade: PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO. RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. 1 A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção do trabalho, entre as quais se incluem o direito à previdência social. 2 No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonegação. Exigese, contudo, que a decisão decorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que não se ofenda ao princípio da legalidade, ou para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa. 3 Apelação a que se nega provimento. (AMS n.º 89.04.079543PR, Ac. TRF 400003018, de 20/02/92, 1ª Turma, Rel. Juiz Hadad Viana, DJ de 18/03/92, pág. 5937). A desconsideração das empresas prestadoras de serviços, decorreu da realidade fática encontrada pela fiscalização, qual seja, a existência de relação de emprego entre as pessoas físicas e a empresa ora autuada. E, diante de tal situação, a fiscalização da Receita Federal do Brasil tem o poderdever de perquirir acerca da real natureza da relação de trabalho para fins de cobrança da contribuição previdenciária devida. Este é também o entendimento do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA. PRELIMINAR SUPERADA. OBJETO DA AÇÃO ORIGINÁRIA: ANULAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL EM RAZÃO DA INCOMPETÊNCIA DO INSS PARA CARACTERIZAR RELAÇÃO DE EMPREGO. FUNDAMENTO DA SENTENÇA E DO ACÓRDÃO (RESCINDENDO) DE PROCEDÊNCIA DO PEDIDO: INCONSTITUCIONALIDADE DA EXPRESSÃO "AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES" (ART. 3O, DA LEI N.º 7.787/89). CARACTERIZAÇÃO DE ERRO DE FATO (ART. 485, IX, DO CPC). DESCONSTITUIÇÃO DA DECISÃO RESCINDENDA E NOVO JULGAMENTO. DETENÇÃO PELO INSS DE PODERES PARA RECONHECER RELAÇÃO DE EMPREGO PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE PROVA ACERCA DA CONDIÇÃO DE TRABALHADOR AUTÔNOMO, A INFIRMAR A AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDÊNCIA. ... 6 .A FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL DETÉM PODERES PARA PERQUIRIR ACERCA DA NATUREZA DA RELAÇÃO DE TRABALHO QUE VINCULA DUAS OU MAIS PESSOAS, PARA FINS DE Fl. 803DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.721840/201130 Acórdão n.º 2302002.789 S2C3T2 Fl. 800 9 COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA, CONFORME SEJA O CASO. A ATUAÇÃO INVESTIGATIVA DOS FISCAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ESTÁ VOLTADA AO CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, À PERFECTIBILIDADE DE EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS. O RECONHECIMENTO DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, PARA ESSA FINALIDADE ESPECÍFICA, NÃO TRANSBORDA PARA ALCANÇAR A GERAÇÃO DE EFEITOS TRABALHISTAS, DA MESMA FORMA QUE NÃO PODE FICAR ATRELADO AOS RESULTADOS QUE DECORRERIAM DE EVENTUAL CONTENDA NA JUSTIÇA ESPECIALIZADA, ALTERCAÇÃO ESTA CUJO AJUIZAMENTO FICA NA DEPENDÊNCIA DA VONTADE DO EMPREGADO. A IDENTIFICAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO, NA VIA ADMINISTRATIVA, CONSTITUI UMA FASE PRÉVIA E INDISPENSÁVEL AO LANÇAMENTO DO TRIBUTO PELO AGENTE ARRECADADOR. 7 .HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE SE, DA REALIDADE FÁTICA, EMERGE CARACTERIZADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, NÃO HÁ COMO DEIXAR DE SE RECONHECER OS EFEITOS QUE DELA DECORREM PELO FATO DE NÃO ESTAR, A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA, DOCUMENTALMENTE REGISTRADA COM ESSA CONFIGURAÇÃO. 8 .DEMONSTRADA A RELAÇÃO DE EMPREGO, PELAS PROVAS COLIGIDAS AOS AUTOS, NÃO INFIRMADAS PELA PARTE RÉ. 9 .PROCEDÊNCIA DO JUDICIUM RESCISSORIUM. (AR 2675 PE, Ac. TRF 500066668, Pleno, dec. unân. De 25/09/2002, DJ de 02/12/2002, pág. 575, Rel. Des. Fed. Francisco Cavalcanti). Impossível negarse a existência de "prejuízo" para a Previdência Social, advindo com a prestação de serviços nos moldes em que feitos, já que não há recolhimento de contribuições previdenciárias na relação havida entre duas pessoas jurídicas. Além disso, é de se ressaltar que a autoridade lançadora não se baseou em meros indícios, mas sim em um conjunto de documentos e outros elementos observados durante a fiscalização. Saliento, ainda, que não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, mas a análise conjunta da situação fática e de todos os elementos colhidos durante a ação fiscal que permitiu caracterizar os vínculos com a Previdência Social dos segurados que prestavam serviço através da empresa interposta para com a recorrente. Podese verificar que os serviços prestados estão ligados à atividade meio e fim da autuada, são efetuados nas dependências dessa, mediante remuneração mensal, com caráter não eventual. Também, o Tribunal Superior do Trabalho já se pronunciou pela ilegalidade da contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador, quando existente a pessoalidade e subordinação, como no presente caso. Enunciado do TST Fl. 804DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74). Reitero que a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que aqui se evidenciou. Os recolhimentos relativos à cota dos segurados empregados efetuados pela empresa optante do SIMPLES já foram aproveitados e não constam do levantamento Quanto à solicitação da recorrente para o aproveitamento dos recolhimentos previdenciários efetuados pela empresa interposta, entendo que não pode ser aceita , porquanto não ocorreu a despersonificação da pessoa jurídica, apenas foram desconsiderados os serviços prestados através da pessoa jurídica para que o vínculo se desse diretamente com a recorrente. Conforme já explanado, a desconsideração da pessoa jurídica não está declarando nula a personificação, mas quer dizer que a mesma é ineficaz para a prática de determinados atos como a prestação de serviços que se evidenciou na auditoria realizada. O presente lançamento não excluiu a empresa JHF INDUSTRIAL LTDA.ME do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. A suA situação jurídica perante o SIMPLES permaneceu inalterada e ela está obrigada ao cumprimento da Lei nº 9317/96 e da Lei Complementar nº 123/2006. Por este motivo é improcedente a solicitação para a compensação dos valores recolhidos, até porque não é possível efetuar a compensação com créditos de terceiros. Ademais, de acordo com a legislação vigente, artigo 89 da Lei n.º 8.212/91, somente podem ser compensadas contribuições da mesma espécie e na hipótese de recolhimento indevido: Art.89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. Desta forma, impossível a compensação pleiteada, porque as contribuições vertidas para o SIMPLES tem como fato gerador a receita anual da empresa e não a Fl. 805DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.721840/201130 Acórdão n.º 2302002.789 S2C3T2 Fl. 801 11 remuneração paga aos segurados que prestam serviço à empresa, como considerado no presente levantamento. Por tudo que foi exposto no relatório fiscal e que delinearam a conduta da autuada, entendo que restou evidente a simulação da contratação de empregados através de interposta pessoa jurídica, no caso JHF INDUSTRIAL LTDA.ME., constituída para assumir a mão de obra necessária à cadeia produtiva da autuada, mas com um faturamento que lhe permitisse optar pelo Sistema de Pagamento de Imposto das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com o claro objetivo de não recolher as contribuições patronais destinadas à seguridade social, sobre tal mão de obra. Ainda, quanto aos argumentos da recorrente de que não houve ânimo de fraude, me reporto integralmente ao relatório fiscal de fls.671/693, que muito bem sustentou a autuação procedida, permitindo que da sua leitura se vislumbrasse a situação encontrada pelo fisco, trazendo elementos de prova e convencimento, mostrando que houve prejuízo para a seguridade social que deixou de receber as contribuições previdenciárias patronais sobre a mão de obra utilizada pela recorrente. Faço, referência a parte do voto proferido na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2002.71.07.0136957/RS, TRF 4 Região, Desembargador Vilson Darós, DOU de 13/06/2007, que trata de assunto similar: Na presente situação, as empresas terceirizadas estão vinculadas ao SIMPLES, submetendose a regime tributário diferenciado. Como elas assumem atividades que deveriam, originalmente, pertencer à contratante, empresa de grande porte, acabam avocando desta seus encargos fiscais, mas, em contrapartida, submetidas ao regime especial. Tal fato, além de fraudar a atividade fiscal, compromete a finalidade do sistema tributário, já que o SIMPLES foi instituído como forma de estimular o crescimento de pequenas empresas, e não de aliviar as despesas de grandes empreendimentos. Estes devem arcar com os valores que lhes são compatíveis, sendolhes vedada a utilização do serviço terceirizado como forma de amenizar os encargos tributários. Com isso, não se está dizendo que uma terceirização legítima poderia ser desconsiderada para abrir espaço à ação arrecadadora do Fisco. O que se afirma, no caso, é que o serviço terceirizado perde sua legitimidade quando atinge o processo principal da empresa, adentrando em suas atividades essenciais, caracterizando fraude trabalhista e, inclusive, fiscal. A situação de simulação e fraude constatada nos autos impõe a aplicação da multa qualificada. A multa de ofício é de aplicação obrigatória para as competências a partir de 12/2008 em diante, prevista na Lei 9.430/96, conforme art. 44, e o inciso I e §1º deste dispositivo, a seguir transcrito, determina a duplicação do percentual da multa nos casos de simulação, fraude ou dolo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n"11.488, de 2007) § lº O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) Os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Cotejando o procedimento da autuada com os dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela recorrente através de interposta pessoa jurídica com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento, na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, acima transcrito. Destarte, entendo cabível a duplicação da multa de ofício de 75%, contida no artigo 44 da Lei n.º 9430/96, com a redação dada pela Lei n.º 11.448/2007, para as competências de 01/2009 a 12/2010. O posicionamento adotado neste julgamento deve ser aplicado para todos os Autos de Infração constantes do presente Processo Administrativo Fiscal: AIOP DEBCAD 51.012.6120 AIOP DEBCAD 51.012.6138 AIOA DEBCAD 51.012.6111. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.721840/201130 Acórdão n.º 2302002.789 S2C3T2 Fl. 802 13 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 808DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900053/2009-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-004.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13896.900053/2009-83
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291300
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.275
nome_arquivo_s : Decisao_13896900053200983.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13896900053200983_5291300.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5060274
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174047404032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 150 1 149 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.900053/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.275 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SANTALÚCIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 00 53 /2 00 9- 83 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900053/200983 Acórdão n.º 3803004.275 S3TE03 Fl. 151 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 4 de fevereiro de 2005 (fls. 1 a 5), referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, período de apuração novembro de 2004, no valor de R$ 154.156,02, destinado a quitar débito de IRPJ devido em dezembro de 2004. Por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 6), a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP não havia sido localizado nos sistemas internos da Receita Federal. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 15) e requereu, em preliminar, a declaração de nulidade do despacho decisório por erro na capitulação legal e, no mérito, alegou que procederia à juntada de cópia do DARF não localizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários (fls. 17 a 30). A DRJ Campinas/SP, em julgamento realizado em 20 de junho de 2011, não reconheceu o direito creditório pleiteado, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. 0 reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que, quanto à nulidade arguida em preliminar por erro na capitulação legal do despacho decisório, a legislação citada seria, efetivamente, a que regula todo o conjunto de atos relacionados à apuração de direito creditório e à extinção de débitos tributários, o que afastaria a alegação de falta de requisito essencial no despacho decisório. Destacou, ainda, que, no presente caso, o fundamento da não homologação da compensação seria mais propriamente fático que jurídico. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900053/200983 Acórdão n.º 3803004.275 S3TE03 Fl. 152 3 No mérito, aduziu o relator de piso que o contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, teria dito que apresentaria o documento faltante, qual seja, o comprovante do pagamento efetuado (DARF), mas que nada foi apresentado nesse sentido, restando não comprovado o direito creditório declarado. Em 17 de junho de 2011, mais de dois anos depois da ciência do despacho decisório, o contribuinte protocolizou nova Manifestação de Inconformidade (fls. 36 a 40) na repartição de origem, alegando que o direito creditório pleiteado neste processo decorreria de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado a partir da aplicação de insumos na fabricação de produtos não tributados, direito esse assegurado por meio de sentença em mandado de segurança. Cientificado do acórdão da DRJ Campinas/SP em 16 de novembro de 2011 (fl. 113), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano (fls. 114 a 117) e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando tratarse de créditos excedentes da Cofins e da contribuição para o PIS apurados na sistemática da não cumulatividade, não reconhecidos pela repartição de origem pelo fato de que o despacho decisório decorrera de mero cruzamento de dados realizado eletronicamente. Segundo ele, os demonstrativos de apuração das contribuições trazidos em sede de recurso seriam aptos a comprovar o crédito utilizado na compensação, todo ele apurado em estrita observância das normas aplicáveis à sistemática não cumulativa de apuração das contribuições. Por fim, destacou que a essência seria mais importante que a forma e que os créditos encontrarseiam devidamente escriturados. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e de demonstrativos por ele elaborados (fls. 118 a 143). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Conforme acima relatado, o Recorrente demonstra, ao longo da tramitação deste processo, total desconhecimento da matéria fática subjacente à compensação declarada, ora alegando que o direito creditório decorreria de um pagamento a maior, ora de crédito de IPI e, por fim, de crédito da própria contribuição apurada na sistemática da não cumulatividade. Esqueceuse o Recorrente, ao final, de nos esclarecer acerca dessas radicais inflexões que, a cada manifestação sua, tornavam mais díspares e desconcertados os argumentos de defesa que foram sendo, paulatinamente, apresentados, evidenciando uma balbúrdia que não condiz com a precisão requerida na apuração de indébitos ou de outros direitos creditórios. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900053/200983 Acórdão n.º 3803004.275 S3TE03 Fl. 153 4 Em sede de recurso, o contribuinte inova totalmente os argumentos de defesa, passando a se defender com base em fatos não apontados na primeira instância e em questões de mérito diversas daquelas levadas ao conhecimento da autoridade julgadora a quo. Na manifestação de inconformidade (a primeira, que vem a ser a única válida e tempestiva), o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório alegando que o DARF comprobatório do indébito seria apresentado oportunamente, o que nunca ocorreu, nada dizendo sobre a origem e a natureza do pagamento indevido. Na segunda oportunidade em que se manifestou nos autos (segunda manifestação de inconformidade, inválida e intempestiva), o contribuinte, numa evidente confusão mental, passou a reclamar a existência de um crédito de IPI assegurado por meio de decisão judicial, não trazendo aos autos qualquer prova dessas novas alegações. Por fim, no Recurso Voluntário, o contribuinte passa a alegar a existência de créditos apurados na sistemática não cumulativa da contribuição, trazendo aos autos cópias de Dacons e de demonstrativos por ele elaborados, desacompanhados da escrituração contábil fiscal e dos documentos que embasam as informações escrituradas. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900053/200983 Acórdão n.º 3803004.275 S3TE03 Fl. 154 5 final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações serem afastadas por se referir a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois, conforme acima apontado, nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte.” 4 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. 4 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900053/200983 Acórdão n.º 3803004.275 S3TE03 Fl. 155 6 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903539/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Ano calendário: 2005
COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE.
Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
Numero da decisão: 3802-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Ano calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.903539/2009-56
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304663
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.538
nome_arquivo_s : Decisao_10120903539200956.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10120903539200956_5304663.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 5154235
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174052646912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1408; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.903539/200956 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802001.538 – 2ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria COFINS Recorrente CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Ano calendário: 2005 COFINS. CREDITAMENTO. REGIME TRIBUTÁRIO CUJOS DISPOSITIVOS FORAM REVOGADOS. IMPOSSIBILIDADE. Inviável o aproveitamento de créditos da COFINS baseado em legislação revogada anteriormente aos fatos geradores que motivaram o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 35 39 /2 00 9- 56 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0346.764, proferido em primeira instância pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 Compensação NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. ÁNALISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tratase de DCOMP nº 09500.67352.061205.1.3.048290 transmitida em 06/12/2005 (fls. 19/23), com fundamento em suposto crédito de COFINS no valor de R$90.146,57 (noventa mil, cento e quarenta e seis reais e cinquenta e sete centavos) decorrente Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903539/200956 Acórdão n.º 3802001.538 S3TE02 Fl. 112 3 de pagamento indevido ou a maior, relativamente aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2003. Em 09/04/2009 foi emitido Despacho Decisório nº 831216984 (fl. 31) de não homologação da compensação declarada, uma vez que não foi confirmada a existência do crédito informado na DCOMP. Cientificada do referido despacho em 30/04/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/05/2009, na qual alegou como razões para o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação efetuada, na forma explicitada pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB, que: O art. 8º da Lei nº 9.718/98, além de majorar a alíquota da COFINS de 2% para 3%, instituiu complexo mecanismo de compensação de até 1/3 da contribuição efetivamente paga, com a CSLL; As restrições contidas nos parágrafos do art. 8º da Lei nº 9.718/98 permitem que um contribuinte que tenha auferido lucro também tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação; ao revés, outro contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado, portanto, em tese, com menor capacidade contributiva, estaria sujeito a uma carga tributária maior, por não poder se valer da compensação; A impossibilidade legal de caracterização de saldo do terço da COFINS para utilização em períodos subsequentes criando situação de desigualdade entre os contribuintes; Pretendeuse a revogação do benefício por meio da Medida Provisória nº 1.85811/99 até a Medida Provisória nº 2.15835/01, até hoje não convertida em lei, cuja eficácia sucumbiu ao efeito derrogatório das normas editadas posteriormente; Em observância ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva, pugna pelo reconhecimento de seu pleito, sob o fundamento da inconstitucionalidade da forma prevista para a dedução da CSLL. De acordo com o órgão julgador a quo “o recorrente não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado”. Além disso, “uma vez não localizado o DARF origem do crédito informado na DCOMP, fica demonstrada a inexistência do direito creditório apontado nessa declaração, sendo correta a sua não homologação”. Assevera ainda que “podese inferir que a contribuinte pretendeu, na realidade, utilizar em sua compensação suposto indébito tributário cujo direito de proceder à restituição ou compensação já estava extinto na data de transmissão da DCOMP, pois o recolhimento fora efetuado há mais de cinco anos (artigo 168, I, CTN). Ademais, conforme apontado pela DRF de origem, o referido DARF já fora devidamente alocado.”. Por fim, ressalta que, o benefício de compensação de parte da COFINS auferida com a CSLL devida, “vigeu somente para pagamentos efetuados até 31/12/1999, haja vista que a sua efetiva revogação, a partir de 1º/01/2000, pelo artigo 35, III, da Medida Provisória nº 1.85810 (DOU 27/10/1999), posteriormente reeditada na Medida Provisória nº Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 2.15835/2001, que continua em vigor conforme artigo 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001.”. Intimada acerca do teor da decisão de 1ª instância em 14/03/2012 (fls. 55/59), o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, em síntese: A estranheza da ausência de localização do DARF da origem do crédito indicado na DCOMP, uma vez que as autoridades julgadoras tem acesso às informações de arrecadação junto ao sistema da RFB, bem como nas informações declaradas pelo contribuinte, seja DCTF, seja DIRPJ; A impossibilidade de transmissão da DCTF que informe pagamento a maior, razão pela qual o DARF de pagamento da COFINS foi indevidamente alocado, com base em incorreta informação, podendose constatar o valor corretamente devido a título da contribuição através da análise da DIPJ; O dever da autoridade administrativa de proceder à retificação de ofício dos erros contidos na declaração, no sentido de corrigir o valor do débito de COFINS, para quem, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a compensação de 1/3 da COFINS paga com a CSLL; A inocorrência da prescrição do direito da interessada pleitear a restituição e/ou compensação da COFINS com base no art. 168, I, CTN, tendo em vista que o tributo foi pago em 14/09/2001 e a DCOMP foi transmitida em 06/12/2005, ou seja, quatro anos após o pagamento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Tratase de pedido de restituição de créditos da COFINS, baseada no regime tributário estabelecido pelo artigo 8o da lei 9718/98, como frisa o próprio Recorrente em sede recursal (fl. 75): Assim, quando a empresa apura determinado valor de tributo a ser pago, este valor devido assim como seu pagamento é informado através de DCTF, conforme ocorreu no presente caso. A empresa apurou o valor do tributo de acordo com o artigo 8o da lei 9718 e efetuou o recolhimento, constando na DCTF os valores apurado e recolhido. Ressaltese que a DCTF não permite se fazer a compensação, tem de informar o valor total pago. O referido art. 8o da lei 9.718/98 assim dispunha: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2 A compensação referida no §1°: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10120.903539/200956 Acórdão n.º 3802001.538 S3TE02 Fl. 113 5 Isomente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Acontece que tal regime tributário foi revogado pela Medida Provisória 1858, a qual determinou a produção de efeitos da referida revogação a partir de 01/01/2000, nos termos abaixo: Art. 35. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Medida Provisória em tela foi revogada posteriormente pela Medida Provisória 2158. No entanto, a norma revocatória acima permanece vigente até os dias atuais, dado que a MP 2158, cuja reedição de nº 35 foi mantida sem prazo determinado de vigência por força da Emenda Constitucional nº 32, mantém as mesmas disposições, no art. 93, III, in verbis: Art. 93. Ficam revogados: (...) III a partir de 1o de janeiro de 2000, os §§ 1o a 4o do art. 8o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Assim, não procede a alegação do Recorrente no sentido de que: Ou seja, se a Lei permitia que o contribuinte compensasse 1/3 do valor pago do COFINS, se o contribuinte lançando mão da única forma que tinha para exercer esse direito, através de DCOMP, e se a DCTF não permite que o contribuinte informe um valor devido a menor (2/3) do que o valor pago (3/3), para que seja compensado 1/3, a autoridade tem o DEVER de proceder a retificação de ofício, no sentido de retificar o valor devido, para que, do valor pago e alocado, possa ter o saldo para a efetiva compensação de 1/3. E não procede por uma razão muito simples: ao contrário do que supõe o Recorrente, a lei não permitia mais a compensação referida quanto aos fatos geradores objeto do pleito. A rigor, essa é uma das razões pelas quais restava inviável a utilização de DCOMP para o procedimento pretendido pelo Recorrente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Dado, portanto, que os fatos geradores objeto do presente pedido de restituição ocorreram no período de janeiro de 2003 – ou seja, posteriormente à revogação da norma que embasa o crédito pedido pelo Recorrente –, não há como reconhecer legitimidade ao montante pleiteado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000291/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2004
RECURSO DE OFÍCIO
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RI-CARF.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, exigidas na égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3o, §1o, declarada do em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62-A do RI-CARF.
Recurso de Ofício Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO
PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. EQUÍVOCOS NO CÁLCULO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. PREPONDERÂNCIA DO DIREITO SOBRE O CÁLCULO.
Se ao elaborar cálculos para ajustá-los ao que restou definido na decisão proferida, se deixar de excluir débitos que pelo Direito aplicado deveriam ter sido cancelados, deverá preponderar o mérito da decisão proferida sobre o cálculo efetivado, já que esse é mero desdobramento daquele.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRESENTAÇÃO DE DCTF ANTES DO LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÚMULA Nº 436/STJ. AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR. DESCABIMENTO. CANCELAMENTO.
Sendo a entrega de DCTF uma das formas de constituição válida e eficaz do crédito tributário em favor da Administração, a qual a Lei atribui o efeito de confissão de dívida, a lavratura de Auto de Infração posterior traduz-se em descabida duplicidade de lançamento. Aplicação da Súmula nº 436, do STJ, pela qual A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.
MPF. RELAÇÃO DOS TRIBUTOS SOB FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. LIMITES. PAGAMENTO. EFEITOS.
A entrega do MPF não é suficiente para excluir a espontaneidade do sujeito passivo com relação a todos os tributos federais aos quais está obrigado, de modo que os pagamentos efetivados antes do início da fiscalização relativos aos tributos objeto de pagamento, serão considerados espontâneos para fins de exclusão da penalidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores que correspondam a Variações Monetárias; por maioria de votos cancelar a exigência de valores constituídos por DCTF Retificadoras transmitidas antes da lavratura do lançamento e afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira quanto à espontaneidade do sujeito passivo à época do lançamento tributário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2004 RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RI-CARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, exigidas na égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3o, §1o, declarada do em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62-A do RI-CARF. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. EQUÍVOCOS NO CÁLCULO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. PREPONDERÂNCIA DO DIREITO SOBRE O CÁLCULO. Se ao elaborar cálculos para ajustá-los ao que restou definido na decisão proferida, se deixar de excluir débitos que pelo Direito aplicado deveriam ter sido cancelados, deverá preponderar o mérito da decisão proferida sobre o cálculo efetivado, já que esse é mero desdobramento daquele. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRESENTAÇÃO DE DCTF ANTES DO LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÚMULA Nº 436/STJ. AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR. DESCABIMENTO. CANCELAMENTO. Sendo a entrega de DCTF uma das formas de constituição válida e eficaz do crédito tributário em favor da Administração, a qual a Lei atribui o efeito de confissão de dívida, a lavratura de Auto de Infração posterior traduz-se em descabida duplicidade de lançamento. Aplicação da Súmula nº 436, do STJ, pela qual A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. MPF. RELAÇÃO DOS TRIBUTOS SOB FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. LIMITES. PAGAMENTO. EFEITOS. A entrega do MPF não é suficiente para excluir a espontaneidade do sujeito passivo com relação a todos os tributos federais aos quais está obrigado, de modo que os pagamentos efetivados antes do início da fiscalização relativos aos tributos objeto de pagamento, serão considerados espontâneos para fins de exclusão da penalidade. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13864.000291/2006-11
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304009
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.191
nome_arquivo_s : Decisao_13864000291200611.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13864000291200611_5304009.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores que correspondam a Variações Monetárias; por maioria de votos cancelar a exigência de valores constituídos por DCTF Retificadoras transmitidas antes da lavratura do lançamento e afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira quanto à espontaneidade do sujeito passivo à época do lançamento tributário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5149945
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174062084096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.450 1 1.449 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000291/200611 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402002.191 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria COFINS Recorrente TI BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2004 RECURSO DE OFÍCIO DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RI CARF. PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, exigidas na égide da Lei nº 9.718/98, é o faturamento e, em virtude da inconstitucionalidade do seu art. 3o, §1o, declarada do em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RI CARF. Recurso de Ofício Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 91 /2 00 6- 11 Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 RECURSO VOLUNTÁRIO PIS E COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. EQUÍVOCOS NO CÁLCULO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. PREPONDERÂNCIA DO DIREITO SOBRE O CÁLCULO. Se ao elaborar cálculos para ajustálos ao que restou definido na decisão proferida, se deixar de excluir débitos que pelo Direito aplicado deveriam ter sido cancelados, deverá preponderar o mérito da decisão proferida sobre o cálculo efetivado, já que esse é mero desdobramento daquele. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRESENTAÇÃO DE DCTF ANTES DO LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÚMULA Nº 436/STJ. AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR. DESCABIMENTO. CANCELAMENTO. Sendo a entrega de DCTF uma das formas de constituição válida e eficaz do crédito tributário em favor da Administração, a qual a Lei atribui o efeito de confissão de dívida, a lavratura de Auto de Infração posterior traduzse em descabida duplicidade de lançamento. Aplicação da Súmula nº 436, do STJ, pela qual “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”. MPF. RELAÇÃO DOS TRIBUTOS SOB FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. LIMITES. PAGAMENTO. EFEITOS. A entrega do MPF não é suficiente para excluir a espontaneidade do sujeito passivo com relação a todos os tributos federais aos quais está obrigado, de modo que os pagamentos efetivados antes do início da fiscalização relativos aos tributos objeto de pagamento, serão considerados espontâneos para fins de exclusão da penalidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores que correspondam a Variações Monetárias; por maioria de votos cancelar a exigência de valores constituídos por DCTF Retificadoras transmitidas antes da lavratura do lançamento e afastar a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Winderley Morais Pereira quanto à espontaneidade do sujeito passivo à época do lançamento tributário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.451 3 João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Relatório Versam estes autos de Auto de Infração, que constituiu crédito tributário no valor total de R$ 10.381.441,97 (dez milhões, trezentos e oitenta e um mil, quatrocentos e quarenta e um reais e noventa e sete centavos), somados o principal, juros de mora e multa de ofício calculados até a data de 30/11/2006. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constante do documento de lançamento (fls. 794 – numeração eletrônica), foram apuradas as seguintes infrações: 1) COFINS – diferença entre o valor pago e o declarado no período, nos anoscalendário de 1999 a 2002; Quanto a esta diferença, a Fiscalização aponta que os valores a menor encontrados referemse ao fato de que o sujeito passivo informou ter optado por recolher o PIS e a COFINS apenas sobre o faturamento em face da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei 9.718/98, sem, no entanto, demonstrar que possuía em ser favor decisão judicial. 2) COFINS – diferença entre o valor pago e o declarado no período, nos anoscalendário de 2003 e 2004; No que tange às diferenças encontradas para este período, a Fiscalização fundamentou seu lançamento no fato de que os débitos apurados de COFINS não haviam sido integralmente declarados nas DCTF´s do autuado, não produzindo efeitos o fato de o sujeito passivo ter retificado seus registros contábeis e procedido à retificações de suas DCTF´s, posto já estar sob fiscalização. Quanto a esta parte da autuação, a descrição dos fatos dá conta que o lançamento se fundamenta no fato de que “as retificações efetuadas pelo contribuinte foram entregues após o início do procedimento fiscal, nas datas de 01.12.2005 (anexo V, fls 363 e 372v) e 14.12.2005(anexo X, fls 386, 389v, 392v e 394). (...)Extraise do parágrafo único do art 138 do Código Tributário Nacional que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início do procedimento de fiscalização.” DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 28/12/2006, o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 485/505) em 26/01/2007, alegando, em síntese que: No que diz respeito a diferença apurada nos créditos tributários relativos ao período de 1999 a 2002, deixou a fiscalização de observar o provimento jurisdicional favorável obtido pela mesma perante o STF, através do julgamento do RE nº. 484.314, proferido nos autos do Processo nº. 1999.61.03.0013182, que discutia a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718/98; Subsidiariamente, ainda que não fosse declarado inconstitucional o dispositivo acima citado, haveria de ser reconhecida a decadência do direito de lançar o crédito tributário até o período de Nov/2001, em atenção ao art. 150, §4º do CTN; Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.452 5 A Autoridade Fiscal desconsiderou o fato de que não houve a abertura de qualquer procedimento de fiscalização tendente à verificação específica de regularidades de recolhimento da COFINS, e, que antes de qualquer solicitação formal das autoridades nesse sentido a mesma já havia detectado os equívocos no preenchimento de suas DCTF’s, para os períodos posteriores a 2002, retificando tais documentos para incluir os valores divergentes; No que diz respeito aos meses de jan/2003 a jan/2004, a Impugnante comprova que, embora tais períodos estariam sob as chamadas “verificações obrigatórias”, todos os valores de contribuição pendentes foram pagos com juros e multa de mora antes da lavratura da autuação; O auto de infração contém vício de motivação legal, uma vez que não há qualquer previsão legal para lançamento de crédito tributário nos casos em que o contribuinte tenha declarado e pago o tributo devido, e, em vista de ter a Autoridade Fiscal efetuado o lançamento única e exclusivamente pelo fato de que o contribuinte retificou as DCTF’s somente após o inicio da ação fiscal (reconhecendo expressamente, segundo alega, os pagamentos realizados nas retificadoras), seria nulo o auto de infração. Meritoriamente discorre novamente sobre a existência de decisão judicial a seu favor no que tange a aplicação do conceito estrito de faturamento como base de cálculo das contribuições devidas, bem como a decadência dos períodos de out/1999 a nov/2001 e dos pagamentos espontâneos dos demais créditos (período de 2003 a 2004), discorrendo sobre o escopo do Mandado de Procedimento fiscal a que estava submetido (no sentido de não albergar verificações tendentes a verificação de regularidade dos recolhimentos de COFINS), e ainda, independentemente de serem consideradas as retificações apresentadas, é fato que os valores controvertidos foram integralmente pagos, inclusive com os acréscimos moratórios. Ao fim pediu o reconhecimento das nulidades apontadas e o provimento integral da impugnação. DA DILIGÊNCIA Em decorrência da constatação, por parte da Delegacia de Julgamento, de que o sujeito passivo já tinha obtido êxito com trânsito em julgado na Ação Judicial por ela movida, em que tratava da base de cálculo da contribuição, bem como ante a ausência de demonstrativos da composição da base de cálculo considerado pelo lançamento para os períodos de 2003 e 2004, foi o julgamento convertido em diligência, conforme Resolução DRJ/CPS n º 1.241, de 23/02/2007 (de fls. 1182 – numeração eletrônica) com as seguintes solicitações à Autoridade Preparadora: a) seja explicitada a base de cálculo utilizada pela fiscalização para os períodos de apuração janeiro de 2003 a dezembro de 2004; b) seja apurada a contribuição nos termos da decisão judicial; Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 c) seja elaborado demonstrativo circunstanciado das repercussões do novo cálculo sobre o crédito tributário constituído de ofício. No Termo de Informação Fiscal MPF 020/08 de fls. 1192 (numeração eletrônica ne.), a autoridade preparadora relata: “Pelo exposto, concluise que os valores de contribuição devida foram apresentados pela contribuinte conforme consta em sua escrituração contábil e DCTFs, não sendo objeto de verificação a correta apuração dos valores que integram a base de cálculo destas”. Ao fim da diligência, foi oportunizado a contribuinte manifestarse acerca dos resultados da diligência, porém, mantevese silente. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, proferiu o Acórdão de nº. 0522.498. Esse julgamento, porém, foi anulado e substituído por outro (Acórdão 05 23.355), de igual teor, ante a constatação de que o sujeito passivo havia apresentado tempestivamente sua manifestação sobre a diligência, a qual, no entanto, não havia sido juntada aos autos. Porém, ante a conclusão de que o teor da aludida manifestação apenas era de reiterar os termos da impugnação já apresentada, foi então proferida decisão pela DRJ, de procedência parcial da impugnação, para acolher parcialmente a alegação de decadência e para aplicar a decisão de que era titular a impugnante relativamente à inconstitucionalidade das bases de cálculo das contribuições, nos termos do §1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98. DOS RECURSOS I. DO RECURSO DE OFÍCIO Em face do acolhimento parcial da decadência quanto aos períodos lançados, bem como por ter afastado do lançamento os créditos tributários decorrentes de receitas que não compreendiam o conceito de faturamento, nos termos da Lei Complementar nº 70/91, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, a DRJ recorreu de ofício a esse Conselho, para que fosse reavaliada a exoneração tributária. II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente em 03/09/2008 do Acórdão nº 0523.355, o contribuinte apresentou em 03/10/2008 Recurso Voluntário a este Conselho, a fim de comprovar a improcedência das exigências fiscais mantidas, sob os fundamentos a seguir apresentados, em síntese: Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.453 7 I Preliminarmente, a recorrente alegou que a DRJ, em decisão de primeira instância, nada falou sobre o pedido de decretação de nulidade do auto de infração, apresentado na impugnação da contribuinte, representando, para esta, clara violação ao princípio da motivação dos atos administrativos e ao princípio da estrita legalidade, devendo a decisão de primeira instância ser declarada nula de pleno direito, para que uma nova decisão seja proferida, com a devida manifestação acerca do pedido mencionado. II Quanto a matéria que ainda restou controvertida, reiterou os argumentos já explanados na Impugnação anteriormente apresentada. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA: Esta 2ª Turma, da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 3402001.648, houve por bem em anular a decisão de primeira instância, acolhendo a preliminar do recurso voluntário que suscitou a falta de exame de questão colocada sob julgamento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para prolação de julgamento no qual fossem apreciados todos os argumentos trazidos pelo contribuinte em suas razões de defesa. DO NOVO JULGAMENTO DO PROCESSO PELA DRJ EM CAMPINAS: A DRJ de Campinas, em sessão datada de 25 de Julho de 2012, proferiu novo julgamento, cujo Acórdão de nº 0538.517, proferido pela 3ª Turma, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/2004 Ementa:LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 início na data de ocorrência do fato gerador. Excluise a exigência formalizada após o transcurso do prazo decadencial. BASE DE CÁLCULO. SENTENÇA JUDICIAL. RECEITA BRUTA. Definido em sentença transitada em julgado que a base de cálculo da contribuição compreende tão somente a receita bruta decorrente da venda de mercadorias, serviços ou de ambos, o cálculo do tributo devido deve ser conformado à decisão judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. ESPONTANEIDADE NÃO CARACTERIZADA. Estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações retificadoras ou declarações complementares que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, não impedem o lançamento e não afastam a imposição de multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A transcrita decisão apreciou a preliminar nos termos determinados pela decisão anterior do CARF, e nas demais questões do processo manteve os termos dos julgamentos anteriores, cancelando parte dos valores a título de decadência e do inconstitucional “alargamento” da base de cálculo do PIS e da COFINS (ante à inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98), mantendo o restante dos valores lançados, inclusive principal, multa e juros. DO RECURSO DE OFÍCIO: Nos mesmos termos dos recursos anteriores, o Acórdão da DRJ/CPS recorreu do crédito tributário exonerado, por exceder o valor de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos da Portaria Ministerial do Ministério da Fazenda nº. 3/2008. DO RECURSO VOLUNTÁRIO: No recurso voluntário de fls. 1389 (numeração eletrônica) o contribuinte, recorre, resumidamente dos seguintes aspectos: 1) Preliminarmente da existência de inexatidão material da decisão recorrida: alegando que o Acórdão da instância a quo concedia o reconhecimento da exclusão de receitas da base de cálculo das contribuições lançadas (em atenção à inconstitucionalidade do §1º do art. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.454 9 3º da Lei 9.718/98), porém, que no cálculo efetuado após a referida decisão os valores atinentes à rubrica “variações monetárias” não foram de fato excluídos do processo; 2) No mérito repisou seus argumentos quanto à improcedência do lançamento nos períodos de 2003 e 2004, sua espontaneidade nas retificações de DCTF´s em face do objeto do MPF, vez que alega estar sendo fiscalizada no período apenas de verificações atinentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica; 3) Por fim, sucessivamente, que se for mantida a exigência que seja ao menos excluída a multa sobre os pagamentos feitos antes da data do Termo de Intimação nº 05, recebido em 16 de novembro de 2005, quando segundo afirma teria tido início a efetiva fiscalização da Cofins, ou então, que sejam as multas reduzidas em 50% para aqueles lançamentos que hajam pagamentos feitos entre essa data e a data da lavratura do Auto de Infração. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 05 (cinco) Volumes, numerados até a folha 1449 (mil quatrocentos e quarenta e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade (voluntário), de modo que deles tomo conhecimento, fazendoo, todavia, de modo separado. I. DO RECURSO DE OFÍCIO Tratase de recurso de ofício, manejado pela Delegacia Regional de Julgamento de Campinas (SP), haja vista que em julgamento de impugnação apresentada contra Auto de Infração, houve por bem em acolher parcialmente a decadência quanto a parte dos períodos lançados, bem como em afastar do lançamento os créditos tributários decorrentes de receitas não compreendidas no conceito de faturamento, nos termos da Lei Complementar nº 70/91, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Considerando que os valores exonerados superam a alçada, atualmente fixada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conheço do recurso do ofício, pelo que passo a análise dos temas cujo provimento foi concedido pela DRJ, abordandoos cada um de per si. 1. Decadência do Direito de Constituir o Crédito Tributário pelo Lançamento Inicialmente, cumpre a este Colegiado analisar a questão da decadência do lançamento efetuado, uma vez que a análise dos autos demonstra que a autuação é referente a diferenças de recolhimento relativas ao período de apuração de outubro de 1999 a dezembro de 2004, sendo que o crédito tributário em apreço foi constituído por meio de lançamento, notificado ao sujeito passivo em 27/12/2006. Considerando que os fatos geradores dos créditos exonerados pela DRJ, correspondem àqueles dos períodos entre 31 de outubro de 1999 a 30 de novembro de 2000, e, ainda, que há nos autos prova de ter havido antecipação parcial do pagamento do tributo nos meses de fevereiro e novembro de 2001, o prazo de 05 anos para a Fazenda Pública efetuar o lançamento terá início, de acordo com o art. 150, §4º, do CTN, na data da ocorrência do fato gerador, de modo que para o mês de novembro de 2001, a contagem iniciouse em 01 de dezembro do mesmo ano, extinguindose em 30/11/2006, e, consigo, extinguindose todos os períodos pretéritos. No que diz respeito aos meses de junho, agosto e dezembro de 2001, que não houve prova do recolhimento parcial da contribuição, aplicase o art. 173, I, do CTN para a contagem do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, de modo que esse termo “a quo” Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.455 11 iniciase a contar do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ou seja, em 01.02.2002, encerrandose em 31012007, após, portanto, a ciência do Auto de Infração. Cabe ressaltar que esse entendimento é decorrência da aplicação da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), a qual é expressa em frisar o prazo de 05 (cinco) anos começa a fluir do fato gerador, desde que tenha havido antecipação de pagamento, ainda que parcial, de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou do primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, para os casos em que não haja comprovação de antecipação de pagamento, de dolo, fraude ou simulação. A teor do art. 62A, do Regimento interno do CARF, cumpre transcrever a Ementa da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativode o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra de decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito tributário” 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, do Codex tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro” 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) obrigaçao ex lege de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne os fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 19991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC 2007/01769940. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 12/08/2009) Além disso, quanto ao entendimento de quando se inicia o prazo, nos casos em que se aplique o art. 173, I, do CTN, igualmente cumpre transcrever o julgado do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITOTRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.456 13 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: ‘Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.’ 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que ‘o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, ‘Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro’, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, ‘Direito Tributário Brasileiro’, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG ‘2010/01395597’. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 09/11/2010). Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.457 15 Por estarmos diante de exigência de COFINS, cuja ocorrência do fato gerador se dá mensalmente, tenho que os lançamentos relativos aos meses anteriores a novembro de 2001, quando houver antecipação parcial de pagamentos de tributos, estão atingidos pela decadência, enquanto que para os meses sem antecipação de pagamento, a contagem iniciase em 01.01.2002, findandose em 31.12.2007, nos termos do art. 173, I, do CTN. E em assim sendo, agiu com acerto a Delegacia Regional de Julgamento – DRJ, pelo que nesse particular deve ser preservada sua decisão. 2. Inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo das contribuições ao Pis e a Cofins promovido pelo Art. 3o, §1o, da Lei nº 9.718/98: Quanto à inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, igualmente assiste razão à DRJ, pois que o Supremo Tribunal Federal – STF, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 390.840MG, transitado em julgado em 05.09.2006, declarou a inconstitucionalidade do preceito legal, de modo a afastar da incidência das contribuições ao Pis e a Cofins, as receitas que não tiverem origem no faturamento proveniente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Vejamos a Ementa da decisão do Pretório Excelso: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 16 das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (STF – Pleno – RE nº 390.840/MG – Ac. Por maioria – Rel. Min. Marco Aurélio – j. 09.11.2005) Tendo o STF tomado referida decisão, ainda que em sede de controle difuso de constitucionalidade, entendo que por ser posicionamento pacificado na Corte Suprema do país, a referida decisão passa a ser de observação obrigatória por todos os interpretes e aplicadores do direito, máxime a Administração Tributária, limitada que está pelo princípio da legalidade. Neste sentido, o art. 62, parágrafo único, inc. I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prescreve que: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...)” Além disso, no caso destes autos, a recorrente teve sentença com trânsito em julgado em seu favor, proferida antes da ciência do auto de infração, de modo que inarredavelmente devem as partes a ela se subjugar, restando acertada a decisão da DRJ que a aplicou. Assim sendo, deve igualmente ser prestigiada a decisão da DRJ no que diz respeito à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, passando a ter como indevidos os pagamentos feitos sob a égide do dispositivo declarado inconstitucional. Ante o exposto, em ambos os aspectos da decisão recorrida, nego provimento ao recurso de ofício. II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO No que diz respeito ao recurso voluntário, a controvérsia subsiste no sentido de pretender a Recorrente ver corrigido equívoco material no cálculo das exclusões de valores em decorrência da aplicação da decisão judicial relativa a inconstitucionalidade do “alargamento” da base de cálculo da Cofins (01), além de insistir na impossibilidade de se ter lavrado o lançamento sem levar em consideração as DCTF´s retificadoras por ela transmitidas, inclusive com pagamentos a ela vinculados, todos antes da ciência do Auto de Infração, já que estaria espontânea quanto a fiscalização da Cofins em razão de não ter sido relacionado no MPF por ela recebido em 04.11.2003, que estaria sido objeto de fiscalização referida contribuição Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.458 17 (02). Quando muito, entende que somente começou a ser fiscalizada em 16 de novembro de 2005, quando recebeu intimação para apresentar documentos relativos a Pis e Cofins, quando já havia procedido à diversas retificações e pagamentos de contribuições, pleiteando, então, em primeiro momento a ausência de infração motivadora de multa, ou sucessivamente, que sejam ao menos reduzidos em 50% os montantes que tenham sido pagos antes da lavratura do lançamento (03). Em face da diversidade de questões trazidas no recurso, tenho por bem abordálas separadamente. II.a Quanto a inexatidão material da decisão recorrida: Afirma a Recorrente que apesar de ter sido julgado procedente a impugnação para excluir do lançamento a tributação sobre valores que não se caracterizavam como faturamento, nos termos da Lei Complementar nº 70/91, a própria decisão recorrida procedeu aos cálculos das partes excluídas e mantidas, e, ao assim proceder, incorreu em erro material, na medida em que teria mantido a tributação sobre receitas provenientes de “Variações Monetárias”, mantendo a exigência inconstitucional nos meses de fevereiro, março, agosto e outubro de 2002. Apresenta planilhas pretendendo demonstrar no seu recurso o referido equívoco material cometido pela decisão recorrida. E, de fato, a julgar pelo cotejo desses demonstrativos com a decisão, se poderia aquilatar esse equívoco. Tenho, porém, que neste aspecto o que deve preponderar é a aplicação do Direito à espécie, ou seja, é a decisão que emana do Supremo Tribunal Federal que deverá balizar a realização dos cálculos para se adequar a base de cálculo da contribuição ao que foi determinado pelo Judiciário, de modo que, a exclusão de receitas que não estejam compreendidas no conceito legal de faturamento (ditado pela LC nº 70/91), serão passíveis de serem excluídos, mesmo que pela autoridade executora do julgado. E isto para esta inexatidão de cálculo, ou para qualquer outra que venha a ser praticada. De todo modo, ante a ausência do recurso de embargos de declaração na fase de julgamento de 1ª instância administrativa, é obrigação desta Casa se manifestar sobre a alegação suscitada. Deste modo, tenho que merece guarida o recurso, no sentido de provêlo parcialmente, apenas para consignar que seja excluído do lançamento os valores atinentes à “Variação Monetária”, conformandoo ao que restou decidido pelo STF no tocante à matéria em questão. II.b – Impossibilidade de se lavrar o lançamento sem considerar as DCTF´s retificadoras: Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 18 No que diz respeito a esta questão, tenho que ela, num primeiro momento, transcende à verificação de estar o sujeito passivo espontâneo quanto à fiscalização da contribuição à COFINS, ante ao fato de não estar consignado no MPF que este tributo também nele estaria contemplado. Entendo que a questão passa pelos efeitos da DCTF apresentada, seja original ou retificadora, antes da lavratura do Auto de Infração. No caso em concreto, temos uma particularidade que precisa ser focalizada, já de início, para conduzir o raciocínio desenvolvido. Com efeito, extrai se do corpo do Auto de Infração: “Os valores da coluna Débito Apurado, na tabela acima, bem como da coluna Valor Declarado constante dos anexos I e II do Termo de Intimação Fisca l4 MPF 228/03 (fl 411), foram extraídos das DCTF retificadoras às fls 96 à 110 e 126 à 14: do presente processo.” Em explicação a esse apontamento feito na fundamentação do Auto de Infração, atendendo diligência determinada pela DRJ de Campinas, a autoridade autuante ainda esclareceu que: “Inferese, pelo exposto até o momento, que não houve verificação da correta apuração da base de cálculo da contribuição no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, por não haver indícios, s.m.j, de que as informações prestadas pela contribuinte como contribuição devida seriam inverídicas ou sua apuração seria incorreta, e por estar, conforme apuração descrita, cumprindo o determinado no MPF acima citado. (…) Em resposta, datada de 28.08.06, conforme fls 355, 357v ,358 ,359 , 360 e anexos, a contribuinte alega que as diferenças apontadas inexistem uma vez que ela própria apresentou DCTFs retificadoras em valores superiores as diferenças levantadas e apresenta cópia da escrituração contábil destes (valores superiores ao apontado pela fiscalização) em períodos posteriores (ou em atraso) ao período de apuração. (…) Após a análise da resposta, verificouse que os valores declarados em DCTFs retificadoras estavam conforme a escrituração apresentada. Porém, tendo em vista que as DCTFs foram entregues após o início da ação fiscal, considerouse que as diferenças apontadas nas planilhas às fls 411 e 411v estariam sujeitas à multa de ofício, conforme determinado pelo artigo 138 da Lei 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), sem análise dos motivos que levaram à contribuinte a retificação das DCTFs, tendo em vista Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.459 19 que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória.” Dos trechos acima, e da análise dos autos como um todo, temse que a autuação baseouse em diferenças declaradas e as recolhidas, mas ao ser analisadas as diferenças declaradas, a Administração partiu das informações constantes das DCTF´s retificadoras, enquanto que para identificar as diferenças para os valores recolhidos, não levou em consideração os recolhimentos efetivados em função das declarações contidas nas DCTF´s retificadoras; ou seja, cotejou com os valores originalmente constantes da contabilidade, sem retificação. Para bem entender e ilustrar essa situação, tive por bem em proceder, por amostragem, à verificação da apuração da Cofins do mês de Julho de 2003. Eis o quadro que emerge das informações dos autos: Contabilizado antes da retificação DCTF Original Diferença Inicial DCTF Retificadora Diferença após retificadora (com o “contabilizado antes da retificação) R$ 293.296,76 R$ 278.726,18 R$ 14.570,58 R$ 351.859,61 R$ 58.562,83 Consequentemente, o Auto de Infração dá conta que a autuação colheu com o lançamento a diferença entre a DCTF Retificadora (R$ 351.859,61) e o valor escriturado na contabilidade “antes da retificação” da contabilidade. Tivesse desconsiderado as “retificações”, tanto da contabilidade quanto das DCTF´s, a diferença seria de R$14.570,58. E mais: abrangeriam apenas 09 meses, e não os 24 meses, como do Auto de Infração constou (fls. 605 – ne.). Assim, se tivesse desconsiderado as retificadoras, a autuação estaria restrita a 09 meses. Portanto, as diferenças colhidas pela autuação são entre os valores existentes na contabilidade, sem retificação, e os valores contidos nas DCTF´s, retificadas, embora essas, por terem sido enviadas após o início da fiscalização, não teriam sido consideradas pela autoridade lançadora. Assim, tenho que as retificações das DCTF´s foram, de fato e concretamente consideradas pela Administração, tanto que produziram efeitos para composição do “quantum debeatur”. Esse fato está expresso no Auto de Infração. Logo, as retificadoras não poderiam ser desconsideradas, pois que se tratam de documentos que veiculam “autolançamento” e se materializam em instrumentos hábeis de “confissão de dívida”. Verificase dos autos que os valores apurados em 2003 e 2004, objeto da autuação, foram objeto de DCTF originalmente transmitida, mas que, posteriormente à procedimento interno de auditoria contábil procedido pela empresa (pelos documentos constatase terem sido feitos em 2004, preponderantemente), o contribuinte retificou seus registros contábeis e como reflexo desses ajustes, procedeu também a retificação das DCTF´s correspondentes, transmitindoas a Administração tributária, tudo isso mais de 01 ano antes de vir a ser cientificada da autuação que contra si viera a ser lavrada. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 20 Observese que o fato de estar em curso ação fiscal, que legalmente retira a espontaneidade do sujeito passivo (art. 138, do NTN) quanto aos tributos sob fiscalização, não impediu que o sujeito passivo realizasse a confissão de dívida transmitindo as retificadoras das DCTF´s, tanto que foram consideradas pela autoridade autuante quando da lavratura do lançamento. Nesta senda, é de se ressaltar que a DCTF importa em confissão de dívida e enseja a constituição do crédito tributário para todos os efeitos, nos termos do art. 33, § 7º da Lei 8.212/91 e alterações, que se encontra assim redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. Grifei. Nesse sentido, há SÚMULA do Superior Tribunal de Justiça que assim determina: SÚMULA STJ: 436: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Logo, o que se verifica no caso em tela é que o próprio contribuinte por meio do autolançamento constituiu o crédito tributário no momento em que reconheceu como devidos os débitos de COFINS e se comprometeu a pagálo nos termos da Lei, consequências essas diretas da entrega da DCTF retificadora. Nesse caso, estava vedado o lançamento de débito em duplicidade, ou seja, o primeiro lançamento através de DCTF (confissão de dívida – autolançamento) e a segundo vez através do valor lançado de ofício no Auto de Infração que colheu os mesmos períodos e fatos geradores do primeiro lançamento. O fato do contribuinte estar ou não espontâneo, no entanto, não repercute no lançamento em si, mas sim e apenas, no percentual da multa aplicável, se de mora ou de ofício, questão esta a ser tratada no tópico seguinte. Portanto, considerando que o próprio Auto de Infração utilizou os valores consignados nas DCTF retificadoras para identificar os valores devidos, do que se conclui inexistirem outras diferenças a lançar, deve ser cancelada a exigência Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.460 21 fiscal no que diz respeito aos valores objeto das DCTF´s retificadoras, pois que já veiculados em lançamento anterior com efeito de confissão de dívida. Merece provimento neste particular o recurso. II.c – Quanto a incidência da Multa de Ofício: Finalmente, considerando que mesmo em se cancelando o lançamento quanto aos valores constantes das DCTF´s retificadoras, podese ainda sustentar que ante ao fato do sujeito passivo estar sob fiscalização, perdera a espontaneidade, e, consequentemente, é devida a exigência da multa de ofício, de modo que cabe abordar este aspecto do lançamento sob análise. Colhese dos autos que a Recorrente recebeu termo de início de fiscalização, que lhe dera ciência da existência de um MPF relativo à IRPJ de 1998 e 1999, em 04.11.2003. Neste documento restou ainda consignado que além do IRPJ, seriam também procedidas às Verificações Obrigatórias relativas aos 05 anos anteriores à sua emissão e também daquelas ao longo de sua execução. Resta posicionarse, portanto, sobre a aptidão que referido documento possui para dar poderes para fiscalizar a Cofins do período autuado, ou se mesmo não se manifestando especificamente sobre esse referido tributo, é suficiente para excluir a espontaneidade de todos os tributos federais, ainda que não expressamente arrolados no MPF. Para poder chegar a conclusão que a matéria a debate exige, entendo que fazse necessária uma análise sobre a posição que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF ocupa no Sistema Tributário Brasileiro. Através da Portaria nº 1.265, de 22 de novembro de 1999, a Administração Tributária estabeleceu que os procedimentos fiscais, relativos aos tributos e contribuições administrados pela então Secretaria da Receita Federal, deveriam obedecer e somente seriam instaurados mediante ordem específica denominada de Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Essa Portaria foi revogada, havendo, sucessivamente, a Portaria nº 3.007/01, a Portaria nº 4.328/05, a Portaria nº 6.087/05, estas com base no Decreto 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Atualmente encontrase em vigor a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 (que possui redação essencialmente idêntica as anteriores, nos pontos aqui abordados), que tomo aqui como ato normativo complementar da “legislação tributária”, expedido pela autoridade administrativa, nos termos e para os efeitos dos arts. 96 e 100, do CTN, cujos artigos que reputo relevantes ao que interessa para o caso em análise, transcrevo: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 22 Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPF D). ... Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § 1º será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPFF alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. § 4º O MPFD indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas, observado o modelo aprovado por esta Portaria. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.461 23 § 5º O MPFE indicará a data do início do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 6º Na hipótese de instauração de procedimento fiscal destinado exclusivamente a verificar o cumprimento de obrigação acessória, o MPFF deverá identificar a obrigação e o período a que se refere, conforme modelo aprovado por esta Portaria, não se aplicando o disposto no § 1º deste artigo. § 7º O disposto no § 1º não se aplica no caso de procedimento fiscal destinado a constatar a correta aplicação da legislação de comércio exterior que possa resultar tão somente em apreensão de bens ou mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigência de multas ou direitos comerciais, hipótese em que o MPFF poderá indicar apenas a descrição sumária das verificações a serem efetuadas. ... Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Vêse que toda a conduta do auditor fiscal é delimitada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, cabendolhe atuar dentro dos contornos da competência que o superior hierárquico assim definiu, sendo que todos esses pressupostos de validade são cumulativos e obrigatórios, dado o princípio da legalidade já exposto, e em especial porque a atividade de lançamento é plenamente vinculada (arts. 3º e 142, do CTN). Assim, pelas Portarias acima citadas, a indicação da autoridade responsável, qual o tributo, quais as diligências, sempre por meio de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, como previsto na “legislação tributária” que engloba as Portarias emitidas nesse sentido, pois que referido ato é a norma garantidora da liberdade do Auditor Fiscal atuar. Quanto a indicação, no MPF, do período fiscalizado, temse que o mesmo é facultativo, porém, acaso seja referido período fixado no MPF, a autoridade fiscal poderá analisar documentos e livros relativos a Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 24 outros períodos, mas apenas como complemento da análise do período sob fiscalização. E mais, a norma também é clara que, acaso o Auditor fiscal se depare com irregularidade ou com a ocorrência de fatos geradores que estejam fora do escopo inicial dos trabalhos de Fiscalização, e, portanto, fora dos limites autorizados pelo MPF, nada obsta que o agente público represente ao seu superior hierárquico solicitando para que amplie os poderes inicialmente conferidos, através da emissão do MPFC. Está na norma. Faz parte da “legislação tributária”, de observância obrigatória, nos termos dos arts. 96 e 100, 142, 194 e 196, todos do CTN. Expressa o próprio executivo, na mensagem de veto nº 11/2001 ao o Projeto de Lei no 112, de 2000 (no 3.756/2000 na Câmara dos Deputados), que pretendeu alterar o artigo 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996 (Lei 10.174/2001), do seguinte modo: Preliminarmente, cumpre afirmar que a atuação da Secretaria da Receita Federal é pautada sob os princípios constitucionais e éticos impostos ao Poder Público e a seus agentes, em especial os da impessoalidade, da moralidade, da legalidade e, no caso específico, dos sigilos funcional e fiscal, o que garante a preservação integral da privacidade dos contribuintes. Ademais, a partir da instituição do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, por meio da Portaria SRF no 1.265, de 22 de novembro de 2000, o cumprimento daqueles princípios passou a ter total transparência, pois, ao contribuinte submetido à ação fiscalizadora da Receita Federal é assegurado, desde o início do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, além de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Ressaltese, por oportuno, que o MPF é outorgado pelos chefes das unidades da SRF, não sendo, assim, uma iniciativa pessoal do agente encarregado de sua execução, sendo sua instituição um marco histórico na relação entre a Administração Tributária Federal e os contribuintes. Sublinhei o entendimento claro acerca do MPF. Para modificálo deve o Auditor Fiscal tomar as medidas determinadas na norma (artigo 9º da Portaria RFB nº 11.371/2007). Especificamente no que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, são importantes as lições de Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martinez López1: 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, Dialética, 2004, pp. 107 a 112. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.462 25 A eleição de um servidor específico para essa função tem por finalidade proteger o contribuinte, assegurandolhe o direito de ser fiscalizado apenas por quem a lei atribua o dever se sigilo das informações obtidas em razão do exercício dessa atividade, e que atue de forma exclusiva e imparcial, sem influências estranhas ao interesse público. Com o objetivo de delegar competência para o Auditor Fiscal agir em nome da Fazenda Pública foi criado o MPF Mandado de Procedimento Fiscal que, como o próprio nome já diz, é ele que confere o mandado (exercício da ordem de mandar) e dá a competência para agir em nome do Fisco. Esse instrumento foi criado pela própria Administração Tributária como uma forma de legitimar e melhor controlar as ações dos seus agentes e a legalidade dos respectivos atos. É certo assim, que o MPF estabelece mais do que o limite de atuação do Agente Público; estabelece o limite da responsabilidade de colaboração do contribuinte no procedimento de fiscalização, mesmo porque antes da ciência do MPF não pode ser o mesmo compelido a colaborar. Além disso, com respeito àqueles que entendem diferente, entendo que o MPF não é ato administrativo de mero controle interno; o MPF é ato administrativo que encontra amparo na “legislação tributária”, tendo a função de permitir o início do procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção dos atos subsequentes, entre eles e o lançamento. Entendo inclusive (sabendo de entendimentos em sentido oposto), que a ciência ao contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é apto para excluir a sua espontaneidade, se não existir um anterior “Termo de Início de Fiscalização”, pois que referido MPF preenche os atributos de “primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto” (art. 7º, I, do DecretoLei nº 70.235/72). Foi a própria Administração que estabeleceu o procedimento, seu mecanismo, operacionalização e hierarquia. Determinou, também, como modificálo (art. 9º da Portaria acima citada). Se não fosse vinculativo de nada serviria e poderia colocar em descrédito, inclusive no âmbito interno, a força cogente e de gestão que as Portarias e atos congêneres, poderiam causar no seio da Administração. Se não fosse vinculativo, terseia que bastará ao fiscal informar um protocolo ao contribuinte a fim de que averiguasse a inexistência de fraude, e passasse a agir. Era assim até a edição da Portaria nº 1.265, de 22/11/1999. Além disso, o MPF está alinhado com o art. 37, da CRFB88, no que diz respeito ao princípio da publicidade dos atos administrativos, que traz consigo um valor fundamental, corolário do Princípio da Segurança jurídica, que visa Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 26 preservar que o particular não terá contra si deflagrado um procedimento que poderá culminar na diminuição forçada de seu patrimônio, por ato emanado do Poder Público e em decorrência da prática de um Ato Lícito (art. 3º, do CTN), sem que lhe seja garantida a Publicidade dos atos administrativos. Com efeito, a transparência e o cumprimento de todos os requisitos inerentes ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, são elementos de validade do procedimento fiscal que culmina no lançamento, sem o que a autoridade que o pratica não está investida da competência e dos poderes necessários para a prática daquele ato, e, como tal, pratica ato ilegal, devendo ser proclamada sua nulidade por vício formal. Neste sentido, partilhando do ponto de vista e conclusões aqui expendidas, cumpre trazer a colação entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “NULIDADE LANÇAMENTOS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALC VÍCIO FORMAL. Os comandos do decreto que impõem o MPF são preceptivos e vinculantes para os procedimentos fiscais que culminam no ato de lançamento. A portaria que regula os MPF lança suporte no decreto e no art. 196 do CTN. Tanto o decreto como a portaria prescrevem a emissão de MPF antes ou no início do procedimento fiscal, e não no fim ou com seu encerramento, e até mesmo nos casos que os diplomas permitem o início do procedimento fiscal sem MPF, eles determinam que o MPF deva ser emitido no prazo de cinco dias do início do procedimento fiscal. Emissão de MPFF para apuração de infrações à legislação de IPI, em que os elementos de prova que serviram de base àquela são diversos dos empregados para apuração de irregularidades de tributo distinto o que impõe a emissão de MPFC para iniciar novos procedimentos fiscais. Emissão de MPFC, no fim dos procedimentos fiscais de apuração de IRPJ, IRRF, CSLL, e COFINS, constitui descumprimento dos preceptivos do decreto e da portaria que inquinam os atos de lançamento de nulidade por vicio formal.” (Acórdão 110300.029 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a. Seção 3a. Turma da 1a. Câmara Processo nº 11020.001108/200600 Recurso nº 155.244 Voluntário Sessão de 26 de agosto de 2009) Assim sendo, entendo que o MPF destinando a fiscalização do IRPJ, não pode aproveitar a fiscalização de PIS e COFINS, devendo ter MPF próprio, ainda que viesse a ser veiculado através de MPF Complementar. Independentemente, o mais importante para a questão em concreto, é que aquele MPF não é suficiente para excluir a espontaneidade do sujeito passivo com relação a todos os tributos federais aos quais é sujeito passivo, mas apenas em relação àquele(s) que estiver(em) consignado(s) no referido mandato. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13864.000291/200611 Acórdão n.º 3402002.191 S3C4T2 Fl. 1.463 27 Consequentemente, tenho que o contribuinte estava espontâneo quanto efetivou pagamentos relativos a DCTF´s retificadoras por ele transmitidas ao longo do transcurso da fiscalização, cabendo, portanto, excluir a aplicação multa de ofício constante deste lançamento tributário, em face da impossibilidade de se aproveitar o MPF emitido para fiscalizar o IRPJ atingir a contribuição a COFINS. Nesses termos entendo que seja o caso de prover o recurso para excluir a multa de ofício aplicada em face da espontaneidade do sujeito passivo. III. Dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido de dar negar provimento ao Recurso de Ofício e de dar provimento ao Recurso Voluntário, para determinar a exclusão das receitas relativas a variação monetária, conformandoa a decisão do STF, para cancelar a exigência de valores constituídos anteriormente mediante DCTF Retificadoras transmitidas antes da lavratura do lançamento (Súmula nº 436/STJ), bem como para afastar a multa de ofício aplicada sobre valores objeto de pagamentos feitos pelo contribuinte antes do lançamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000664/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16832.000664/2009-62
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5293379
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-002.111
nome_arquivo_s : Decisao_16832000664200962.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16832000664200962_5293379.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5074779
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174075715584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 76 1 75 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16832.000664/200962 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.111 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 64 /2 00 9- 62 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 77 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA. contra Acórdão nº 1232.863– 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.240.4464, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 106.334,40. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.221.751 6, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, a totalidade das remunerações dos segurados constantes das folhas de pagamento, as despesas com alimentação apuradas na conta contábil 4.1.2.02.01.00808, vez que não possui inscrição no PAT e pagamentos das verbas trabalhistas relativas as Conciliações Trabalhistas contabilizadas na conta 4.1.2.02.01.00256, nas competências 01/2005 a 09/2005. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/2005 a 09/2005. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 12.08.2009, às fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, nos seguintes pontos, conforme o Relatório da decisão da primeira instância: 4. A interessada interpôs impugnação às fls. 14/17, alegando em suma: 4.1. A tempestividade da impugnação; 4.2. A penalização não pode subsistir, pois lastreada em dispositivo legal que se acha revogado, pelo que fere o princípio Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 da reserva legal, não podendo ser mantida, devendo ser obrigatoriamente desconstituída; 4.3. Conforme demonstrado na impugnação ao Auto de Infração 37.240.4430, as diferenças apuradas pelo fisco em alguns meses do ano de 2005, não estão inteiramente corretas, assim, as contribuições previdenciárias não são devidas nos montantes apurados; 4.4. Foi demonstrado e provado, exaustivamente, através das folhas de pagamento, juntadas com a impugnação ao AI 37.240.4430, que as refeições servidas aos empregados da impugnante, eram pagas pelos mesmos, não se constituindo em salário in natura, portanto, não integrante do salário de contribuição, e que é irrelevante nesse caso o fato da empresa não ter aderido ao PAT 4.5. Quanto aos valores pagos em conciliações trabalhistas, decorrentes dos acordos realizados nesse período, de acordo com a legislação em vigor, NÂO integram a base de cálculo do salário de contribuição, visto terem natureza indenizatória, não estando, portanto, sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, portanto, inexiste a obrigação de declarar em GFIP tais valores; 4.6. Requer seja acolhida a presente impugnação, eis que a base legal invocada se acha revogada e no mérito não houve a infração descrita no auto, cancelandose, ao final, o auto de infração impugnado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1232.863– 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, conforme Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/09/2005 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a omissão, em GFIP, de fatos geradores das contribuições previdenciárias. RETRO ATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparando se a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n" 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros dessa Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (RJ), nos termos do relatório e voto que Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 78 5 passam a integrar o presente julgado, em negar provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 106.334,40, acrescidos de juros no ato do pagamento, respeitada a legislação de regência no que tange à retroatividade benigna. Ratificar a multa aplicada prevista no artigo 32 inciso IV e § 5 o da Lei n° 8.212/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528/1997, c/c o artigo 284, inciso II (redação alterada pelo Decreto n° 4.729/2003), e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 48 de 12/02/2009, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 06). INTIMESE a interessada deste Acórdão, para recolher o Crédito Previdenciário com redução de 25% (vinte e cinco por cento) do valor da exigência fiscal, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, ressalvado o direito de interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. À unidade competente, para dar ciência à interessada do inteiro teor deste acórdão e tomar as demais providências necessárias ao seu cumprimento. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese que: (i) Impossibilidade de existência da penalização Da revogação do dispositivo do art. 32, Lei 8212/1991 pela Lei 11941/2009 (ii) Diferenças de salários de contribuição, apurados com base nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP; Cumpre destacar que as alegadas diferenças foram verificadas em apenas 4 meses, o que se constitui numa exceção, e não num prática habitual. Tal falha decorreu, provavelmente, de erro no sistema. Depois, tais valores se mostram parcialmente incorretos, conforme se pode apurar pelas folhas de pagamento desses períodos. (iii) Valores pagos a título de refeições e lanches A propósito, a adesão ao PAT não é compulsória, mas facultativa e, para o caso concreto, totalmente irrelevante ter ou não ocorrido tal adesão. Isso porque, os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches, não podendo, assim, serem entendidos como integrantes dos seus salários (salário in natura). Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Conforme se demonstra e comprova, através das folhas de pagamento, essas refeições e lanches eram descontados dos seus respectivos salários. Ou seja, as refeições e lanches eram pagos pelos empregados. (iv) Valores pagos em conciliações trabalhistas igualmente improcedente a ação da agente fiscal quanto à incidência de contribuição previdenciária, eis que tal entendimento está equivocado, porque contraria o disposto no artigo 214 do Decreto 3.048/99. Como se vê da legislação em vigor, as indenizações, em geral, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição. Ora, os acordos realizados nesse período, conforme se comprova com as cópias em anexo, trataram de verbas indenizatórias e não salariais Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 79 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da regularidade da lavratura do AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.221.751 6, Código de Fundamentação Legal – CFL 68 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, a totalidade das remunerações dos segurados constantes das folhas de pagamento, as despesas com alimentação apuradas na conta contábil 4.1.2.02.01.00808, vez que não possui inscrição no PAT e pagamentos das verbas trabalhistas relativas as Conciliações Trabalhistas contabilizadas na conta 4.1.2.02.01.00256, nas competências 01/2005 a 09/2005. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.221.7516 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 80 9 Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 81 11 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. DO MÉRITO (i) Impossibilidade de existência da penalização Da revogação do dispositivo do art. 32, Lei 8212/1991 pela Lei 11941/2009 Analisemos. A questão de fundo se reflete no cálculo da multa, daí ser necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.309.1834, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. (ii) Diferenças de salários de contribuição, apurados com base nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 82 13 Cumpre destacar que as alegadas diferenças foram verificadas em apenas 4 meses, o que se constitui numa exceção, e não num prática habitual. Tal falha decorreu, provavelmente, de erro no sistema. Depois, tais valores se mostram parcialmente incorretos, conforme se pode apurar pelas folhas de pagamento desses períodos. Analisemos. O argumento central da Recorrente para justificar as diferenças de salário de contribuição é no sentido de possível ocorrência de falhas em sistema informatizado. Evidenciase então que a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal no sentido de existência das diferenças apontadas. Neste sentido, colaciono trecho da decisão de primeira instância no conexo processo principal AIOP nº 37.240.4430, às fls. 478, que caracteriza as diferenças apontadas pela AuditoriaFiscal: 10. Vejase que tal alegação não merece prosperar, eis que as bases de cálculo das contribuições apuradas constaram da folha de pagamento, documento elaborado e exibido pela própria empresa. Ademais, apenas a afirmação de que os valores apurados se mostram parcialmente incorretos sem a demonstração do erro não ilide o lançamento fiscal, realizado nos termos do art. 142, do CTN e do art. 37, da Lei 8.212/1991. 11. Por outro lado, conforme demonstrado abaixo verificase inexistirem diferenças entre os valores apurados pela Auditoria com base nas folhas de pagamento anexadas ao presente processo, deduzidos dos valores declarados em GFIP. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Valores pagos a título de refeições e lanches A propósito, a adesão ao PAT não é compulsória, mas facultativa e, para o caso concreto, totalmente irrelevante ter ou não ocorrido tal adesão. Isso porque, os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches, não podendo, assim, serem entendidos como integrantes dos seus salários (salário in natura). Conforme se demonstra e comprova, através das folhas de pagamento, essas refeições e lanches eram descontados dos seus respectivos salários. Ou seja, as refeições e lanches eram pagos pelos empregados. Analisemos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Conforme o Relatório Fiscal da Infração, a Recorrente efetua pagamentos a seus empregados a título de alimentação, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 2403002.111 S2C4T3 Fl. 83 15 (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, ainda que a Recorrente alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, afastase tal alegação pois, conforme o Relatório Fiscal, os valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos da conta contábil 4.1.2.02.01.00808Desp. De lanches e refeições. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na verba paga a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. (iv) Valores pagos em conciliações trabalhistas igualmente improcedente a ação da agente fiscal quanto à incidência de contribuição previdenciária, eis que tal entendimento está equivocado, porque contraria o disposto no artigo 214 do Decreto 3.048/99. Como se vê da legislação em vigor, as indenizações, em geral, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição. Ora, os acordos realizados nesse período, conforme se comprova com as cópias em anexo, trataram de verbas indenizatórias e não salariais Analisemos. O argumento central da Recorrente no sentido de se tratarem de verbas indenizatórias, já foi debatido em sede de primeira instância na qual se confirmou o lançamento fiscal efetuado posto que a incidência de contribuição social previdenciária ocorreu a partir das verbas discriminadas nos Acordos. Ademais, a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que, após analisar os documentos acostados aos autos, ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal no sentido da incidência de contribuição social previdenciária nos valores pagos em conciliação trabalhista. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Neste sentido, colaciono trecho da decisão de primeira instância no conexo processo principal AIOP nº 37.240.4430, às fls. 481, que caracteriza as diferenças apontadas pela AuditoriaFiscal: 27. Quanto à alegação de que os valores pagos nas conciliações eram verbas indenizatórias, portanto sem incidência de contribuições previdenciárias, cabe esclarecer que da análise dos documentos anexados às fls. 271/385, constatase que em sua grande maioria os valores das verbas foram discriminados, e o lançamento foi apurado tão somente em relação às verbas com incidência de contribuição previdenciária 27.1. Assim, dispõe o parágrafo único do artigo 43 da Lei n° 8.212/91, ver bis: Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado, (grifei) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, e, no mérito, se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.725163/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA.
A receita conhecida é não apenas a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado é obtido pela aplicação de percentuais sobre o montante apurado da receita.
RECEITA BRUTA APURADA. INFORMAÇÕES À FAZENDA ESTADUAL.
É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual.
RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. BASE DE CÁLCULO.
Os impostos que não integram a receita bruta são somente os impostos não-cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, demonstram o inequívoco intuito de fraude, sujeitando o infrator à multa de ofício qualificada.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Numero da decisão: 1102-000.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. A receita conhecida é não apenas a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado é obtido pela aplicação de percentuais sobre o montante apurado da receita. RECEITA BRUTA APURADA. INFORMAÇÕES À FAZENDA ESTADUAL. É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. BASE DE CÁLCULO. Os impostos que não integram a receita bruta são somente os impostos não-cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, demonstram o inequívoco intuito de fraude, sujeitando o infrator à multa de ofício qualificada. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.725163/2012-38
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5299562
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1102-000.917
nome_arquivo_s : Decisao_10120725163201238.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 10120725163201238_5299562.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5117057
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174142824448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.725163/201238 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.917 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de agosto de 2013 Matéria IRPJ. Recorrente VANDERLUCIA DE DEUS ALVES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. PRAZO EXÍGUO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes nos autos. Não há previsão legal de prazo para a recomposição de escrita comercial ou fiscal, mas tão somente de prazos para a sua apresentação ao fisco, os quais foram observados no caso concreto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. A receita conhecida é não apenas a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado é obtido pela aplicação de percentuais sobre o montante apurado da receita. RECEITA BRUTA APURADA. INFORMAÇÕES À FAZENDA ESTADUAL. É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 51 63 /2 01 2- 38 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 3 2 Os impostos que não integram a receita bruta são somente os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores zerados, ou com valores de receita significativamente inferiores aos apurados em ação fiscal, demonstram o inequívoco intuito de fraude, sujeitando o infrator à multa de ofício qualificada. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por VANDERLUCIA DE DEUS ALVES ME, contra acórdão proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília, que concluiu pela procedência do lançamento de ofício efetuado, e cuja ementa encontrase assim redigida: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário:2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 4 3 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. BASE DE CÁLCULO DO ARBITRAMENTO. Deve se entender por receita conhecida não só a declarada pelo contribuinte, mas também aquela apurada pelo fisco a partir de informações coletadas durante a ação fiscal. INFORMAÇÕES À FAZENDA ESTADUAL. É lícito ao Fisco tomar como receita tributável no arbitramento os valores informados ao Fisco Estadual, pelo próprio contribuinte, como sendo sua própria receita. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de apresentar ao fisco declarações inverídicas, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica a qualificação da multa de ofício. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.” Da leitura da descrição dos fatos que integra a peça acusatória, verificase que os tributos devidos foram apurados pela modalidade do lucro arbitrado, tendo em vista que a empresa, após ter sido intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de apresentálos. A receita bruta considerada na autuação foi aquela informada à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás (SefazGO), constante das Declarações Periódicas de Informações (DPI) àquele órgão apresentadas. Os valores declarados pelo contribuinte nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentadas previamente à ação fiscal foram deduzidos dos valores do IRPJ e CSLL lançados de ofício. A multa aplicada foi de 150%. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 5 4 Cientificada da decisão a ela desfavorável em 21.02.2013, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19.03.2013, fls. 255268, no qual renova argumentos expostos desde sua defesa inicial, os quais sintetizo a seguir. Afirma que, conforme consta nos autos, a Recorrente seria integrante do SIMPLES, e, por isso, possuiria tratamento diferenciado e favorecido, mas que a fiscalização entende que ela foi excluída do sistema. Contudo, não há ainda decisão judicial definitiva que vincule tal medida ou autorize sua exclusão, logo, a Recorrente deve ser considerada como integrante do Simples Nacional.. A fiscalização não concedeu prazo razoável para entrega de documentos. A Recorrente requereu a dilação dos prazos por duas vezes a fim de que pudesse recompor sua escrita contábil e fiscal, todavia, a fiscalização só concedeu o prazo de 20 (vinte) dias, tempo sabidamente insuficiente, contrariando orientação do CARF. Apesar de todos os esforços empreendidos, bem como o seu ânimo patente em atender a intimação, os fiscais ignoraram sua solicitação e, dessa forma, sem aprofundamento da ação fiscal, procederam de forma equivocada ao arbitramento do lucro, que é medida extrema.e cuja aplicação não se justifica no caso concreto. A autuação se deu com base em provas emprestadas pelo Fisco Estadual sem o crivo do contraditório, e desacompanhadas de qualquer prova que demonstre a veracidade das informações ali contidas, violando direitos constitucionais da contribuinte. O arbitramento do lucro foi feito com base no art. 47 da Lei 8.981/95, apenas por propiciar maior valor de autuação. Quando não conhecida a receita bruta, ou não houver certeza acerca do seu valor, deve ser utilizado algum outro critério alternativo de cálculo, conforme previsto no art. 51 da Lei n°. 8.981/95, matriz legal do art. 535 do RIR. O ICMS deve ser excluído para fins de determinação da receita bruta, pois sua arrecadação não gera resultado que possa aumentar o patrimônio das empresas, que atuam como meros depositários. Não há justificativa para a aplicação da multa de 150% no caso dos autos, pois a apresentação de declarações inexatas, mesmo que reiteradamente, não é suficiente o bastante para caracterizar o tipo penal descrito no art. 71 da Lei n° 4.502/1964, não tendo sido constituída prova cabal e irrefutável de que a contribuinte tenha agido com intuito de fraudar o fisco. A incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício deve ser afastada, pois inexiste previsão legal para tanto, consoante reconhece o próprio CARF, em ementas que transcreve. Finaliza requerendo seja julgado nulo o auto de infração discutido, ou então julgado improcedente o crédito tributário nele veiculado. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As alegações iniciais da recorrente, de que seria integrante do Simples Nacional, carecem de qualquer fundamento. As Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentadas pela própria recorrente, nos anos de 2008 e 2009, de que tratam os presentes autos, apontam o lucro presumido como forma de apuração dos seus resultados. A alegação de que não lhe teria sido concedido prazo razoável para a entrega dos documentos solicitados, ou para a recomposição de sua escrita contábil e fiscal, não merece prosperar. Cediço que a legislação tributária é clara em determinar a obrigatoriedade de conservação em ordem, pelos contribuintes, de todos os livros e documentos de sua escrituração, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, nos termos do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Não há previsão legal, portanto, para que seja concedido prazo para a recomposição da escrita, havendo tão somente a exigência de prazo em lei para a apresentação dos documentos solicitados, exigência esta que foi observada pela fiscalização. No caso concreto, de qualquer sorte, cumpre observar que o prazo concedido pela autoridade fiscal seria suficiente até mesmo para escriturar os livros solicitados, se fosse o caso, pois, conforme já observara a autoridade julgadora a quo, decorridos mais de 70 (setenta) dias do recebimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal, os livros Caixa ou Diário e Razão dos anos de 2008 e 2009 não haviam sido apresentados. Em situações tais, a lei fiscal expressamente prevê o arbitramento dos lucros como forma de apuração do imposto de renda devido, consoante o disposto no art. 530, inciso III, do RIR/99, verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” Portanto, plenamente justificada a opção pelo arbitramento dos lucros, no presente caso. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 7 6 As irresignações da recorrente com relação à forma de apuração do lucro arbitrado e à utilização do que denominou de provas emprestadas pelo Fisco Estadual tampouco merecem prosperar. No caso de arbitramento dos lucros, os critérios de apuração previstos no art. 51 da Lei n°. 8.981/95, dispositivo invocado pela recorrente, são critérios alternativos que devem ser utilizados somente nos casos em que não conhecida a receita bruta, uma vez que esta, quando conhecida, naturalmente constitui o critério preferencial, por excelência, a ser utilizado para a apuração do lucro. E esta receita a ser apurada pelo fisco, por sua vez, pode ter origem nos mais diversos procedimentos de auditoria, que resultam em provas diretas, indiretas ou por presunção legal. No caso, foram utilizadas as informações prestadas pela própria empresa ao fisco estadual, obtidas pelo fisco federal em face do Convênio celebrado entre a União(SRF) e a SefazGO, não tendo a recorrente em nenhum momento, quer ao longo do procedimento fiscal, quer ao longo do processo, demonstrado a eventual incorreção daquelas informações. A utilização dessas informações como elemento de prova a subsidiar a ação fiscal é procedimento pacificamente aceito no âmbito do CARF, conforme o comprovam as ementas abaixo transcritas, a título exemplificativo: Acórdão no 10196387, relator José Ricardo da Silva, sessão de 18/10/2007: IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL – PROVA EMPRESTADA – É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas ao Fisco Estadual. Acórdão no 10323588, relator Antonio Bezerra Neto, sessão de 15/10/2008: PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. Acórdão no 10708467, relator Natanael Martins, sessão de 23/02/2006: IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – APURAÇÃO PROVA EMPRESTADA – As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis. Portanto, legítimo e correto o procedimento adotado pelo fisco. Sem qualquer procedência as alusões feitas à ausência de contraditório ou a violação de direitos constitucionais da contribuinte. O fisco constituiu a prova necessária, e submeteua ao contraditório, que está sendo exercido pela recorrente no âmbito do presente processo, exatamente nos termos do que prevê o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 8 7 A alegação recursal de que o ICMS deveria ser excluído da receita bruta submetida à autuação tampouco merece acolhida. Nos termos do art. 279 do RIR/99, a receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, dela sendo excluídos tão somente os impostos não cumulativos cobrados destacadamente dos adquirentes, e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, não sendo este o caso do ICMS incidente sobre as vendas. Ao contrário, a lei expressamente refere que os impostos incidente sobre as vendas (dentre eles o ICMS), ao serem subtraídos da receita bruta, dão origem ao conceito de receita líquida. Confirase o teor do art. 12 do Decreto Lei no 1.598/77, base legal do dispositivo citado: “Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas.” Embora sequer tenha sido arguido pela parte, registro que, no STF, encontra se pendente de julgamento a ADC no 18, na qual se discute a constitucionalidade do art. 3o, § 2°, I , da Lei n° 9.718/98, que versa sobre a não exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS, do custo do ICMS sobre as vendas efetuadas, tendo sido deferida a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do citado dispositivo. Nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, se esta matéria também estivesse em discussão no presente processo, haveria de ser determinado, mesmo que de ofício, por este relator, o sobrestamento do julgamento do presente recurso. Contudo, ainda que a tese discutida na ADC no 18 possa apresentar pertinência com a tese esposada pela recorrente, o fato é que, no caso concreto, não está em discussão qualquer lançamento relativo a PIS ou COFINS, tratando os autos, exclusivamente, de IRPJ e de CSLL, razão pela qual não vejo motivos para determinar o sobrestamento do presente julgamento. Ademais, cediço que, no âmbito do julgamento administrativo, não possui o julgador competência para deixar de aplicar lei sob o fundamento de sua inconstitucionalidade, conforme entendimento que inclusive já foi objeto de súmula específica editada pelo CARF, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Insurgese a recorrente contra a multa de ofício, aduzindo que a fiscalização não comprovou o seu dolo, e que não há justificativa nos autos para a aplicação da multa de 150%. Não lhe assiste razão. A multa qualificada foi aplicada tendo em vista a reiteração na conduta da fiscalizada, ao sistematicamente omitir receitas do fisco federal. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 9 8 No ano de 2008, a recorrente declarou ao fisco federal, em todos os meses, receitas em valores significativamente inferiores àqueles informados ao fisco estadual, na ordem de cerca de apenas 16%, considerandose o valor total do ano. Já em 2009, informou, em sua DIPJ, que não teria auferido qualquer receita (declaração zerada). O intuito de fraude, previsto na lei para a qualificação da multa de ofício, possui um amplo conceito no qual se inserem as condutas dolosas tipificadas como sonegação, fraude ou conluio, conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Por outro lado, o elemento subjetivo dolo não há de ser extraído da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados. A reiterada apresentação de declarações à Secretaria da Receita Federal com valores de receita significativamente inferiores aos informados ao Fisco Estadual, ou zeradas, constitui elemento de demonstração do inequívoco intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Fazenda, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou da sua natureza ou circunstâncias materiais, o que caracteriza a sonegação, nos termos do art. 71 da citada Lei n° 4.502/64. Este entendimento encontrase em perfeita consonância com a mais recente jurisprudência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se pode verificar nos seguintes precedentes, cujas ementas, exemplificativamente, reproduzo: Acórdão 910100.362, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 01/10/2009: “MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9430/96, vigente à época. O fato de o contribuinte ter apresentado ao fisco federal, de forma reiterada, declaração com valores significativamente menores do que o apurado a partir de documentação obtida junto ao fisco estadual, bem como ter omitido receitas para se manter no regime do SIMPLES, legitima a aplicação da multa qualificada.” Acórdão 910100.417, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, sessão de 03/11/2009: “MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo.” Deve ser mantida, portanto, a multa aplicada pelo fisco, no percentual de 150%. Por fim, insurgese a recorrente contra a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, alegando inexistir previsão legal para a sua aplicação. Não lhe assiste razão. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 10 9 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Historicamente, o DecretoLei nº 1.736/1979 já previa a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos seguintes termos: “Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 11 10 redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......)” O parágrafo único do art. 2º acima transcrito expressamente ressalvava a não incidência de juros apenas sobre a multa de mora, mas não sobre a multa de oficio, prescrevendo o seu caput a incidência de juros sobre o “valor originário” dos “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”. O art. 3o, por sua vez, referia todas as parcelas do débito que não se consideram incluídas no “valor originário” do débito, não se encontrando ali também a previsão para a exclusão, deste valor, da multa de ofício. Houve, contudo, de fato, períodos em que, apesar da previsão geral de incidência de juros de mora contida no CTN, a lei expressamente restringiu os juros de mora apenas aos tributos e contribuições atualizados monetariamente, o que implicou, portanto, na sua não incidência, naqueles períodos, sobre a multa de ofício. Por exemplo, houve a Lei nº 7.738/89, cujo art. 23 possuía a seguinte redação: “Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........)” Contudo, já com a Lei nº 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre “os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, juros estes que eram então calculados com base na TRD, confirase: “Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e (...)” Sem estender a análise histórica de modo a contemplar todos os diplomas legais que trataram do assunto, o que se verifica é que, sempre que o legislador visou a restringir o alcance dos juros a apenas parte (ou partes) do crédito tributário, o fez de modo expresso, ou usando a expressão “tributos e contribuições” para referir que somente estes se sujeitariam aos juros de mora, ou então mencionando expressamente todas as parcelas do crédito tributário (débito para com a Fazenda Nacional) que não deveriam sofrer a incidência daqueles juros. No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 12 11 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Rogando vênia à corrente desta Corte que tem se firmado em sentido oposto, consoante julgados colacionados pela Recorrente, entendo que a expressão “decorrentes de tributos e contribuições” deve ser interpretada de modo a incluir a multa de ofício, e não a excluíla. Os débitos para com a Fazenda Nacional podem ser de diversas naturezas, não apenas tributária. Assim, tenho que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” visa a apenas ressaltar a natureza tributária dos débitos a que se refere o dispositivo em questão, em contraste com a mais abrangente expressão “débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, anteriormente empregada pela legislação de regência. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Em conclusão, por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10120.725163/201238 Acórdão n.º 1102000.917 S1C1T2 Fl. 13 12 João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 11/ 10/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
