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Numero do processo: 12466.721716/2014-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 21 71 6/ 20 14 -6 0 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 957 2 Trata o presente processo de revisão aduaneira com o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas importações de tapetes, conforme planilha apresentada no ANEXO I, efetuadas por TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, por encomenda de K & F COMERCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA, com exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.332.956,89, formalizado em autos de infração para exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e de multas de ofício, no percentual de 150%, previstas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007, além da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/35/2001. A ação fiscal teve o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas DI, listadas no ANEXO I, registradas entre 2009 e 2010 por TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ 01.135.153/000109, por encomenda da K & F, amparando a importação de produtos idênticos aos da DI nº 11/20888087 e a preços semelhantes. Conforme relata a fiscalização, os produtos importados pela TROP e pela K & F foram descritos como “TAPETE 80% LÃ E 20% ALGODAO, FEITO A MÃO, DE ORIGEM INDIANA”. O laudo técnico solicitado à ABIT pela Alfândega de Itajaí/SC para identificação das mercadorias quanto à composição (matériasprimas) foi aplicável ao procedimento fiscal enquanto novo laudo da ABIT apresentou os menores valores de cotações das matérias primas encontrados em publicações internacionais, referindose apenas ao custo das matérias primas necessárias para a fabricação dos produtos analisados. Comparando os preços em US$/Kg declarados nas DIs com o menor custo estimado da matériaprima no mês de registro da importação, conforme Tabela 03, verificase que quase todos os preços declarados são inferiores ao menor valor dentre os custos das matériasprimas no período. As faturas que instruíram as DIs objeto deste auto de infração, conforme ANEXO XII, são praticamente idênticas entre si considerando o layout, disposição do conteúdo, descrições e os preços dos produtos, mesmo sendo (supostamente) emitidas por exportadores diferentes. E são, surpreendentemente, quase idênticas à FATURA FALSA (ANEXO XII, pág. 1) que instruiu a DI nº 11/20888087, objeto do auto de infração lavrado pela Alfândega de Itajaí/SC. Tanto o importador como o encomendante, após terem sido intimados, em três oportunidades, a apresentarem as faturas comerciais consularizadas e os documentos comprobatórios das transações comerciais, não o fizeram. Regularmente intimada, a empresa TROP COMÉRCIO EXTERIOR LTDA foi considerada revel, conforme termo lavrado pela repartição de origem. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 958 3 Também regularmente intimada, a empresa K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração apresentou impugnação aos autos de infração alegando, em síntese, que: houve preterição ao direito de defesa por não ter sido fornecida cópia da DI 10/20200504, utilizada como paradigma para fins de arbitramento, tampouco da respectiva fatura, impossibilitando que se possa avaliar a propriedade da DI para fins de valoração aduaneira e de lançamento tributário. consta no Relatório Fiscal que a DI 10/20200504 estaria no Anexo XIV, onde somente se encontra uma planilha confeccionada pela própria RFB, com as informações básicas da DI mas sem cópia, o que impossibilita seu direito à ampla defesa. na planilha apresentada não consta a quantidade de mercadorias, condições de pagamento, região da Índia em que o exportador está situado, etc. ocorreu violação ao princípio do devido processo legal, da ampla defesa e da tipicidade cerrada em razão de o AI não indicar claramente qual conduta ilícita teria supostamente sido cometido pelas empresas, inviabilizando o exercício do direito de defesa por não saber se teria sido fraude, conluio ou sonegação e em quais circunstâncias. os fiscais até tentaram justificar a presença do dolo justificando com falsidade documental, o que não restou satisfatório. deve ser reconhecida a nulidade com fulcro nos art. 10, IV, 59, II do Decreto 70235/72. pela não ocorrência do tipo previsto no art. 88, I e parágrafo único da MP 215835/01, uma vez que não comprovada a “fraude, conluio ou simulação”, houve contrariedade ao princípio da tipicidade cerrada, tendo a fiscalização se baseado em meros indícios e havendo enquadramento mais específico (art. 70, I, a da Lei 10833/03) já utilizado pela fiscalização para as mesmas empresas, o que caracteriza mudança de entendimento que é vedado pelo art. 146 do CTN. os agentes fiscais se valeram de meros indícios para caracterizar a fraude, o conluio ou a sonegação sendo que, na pior das hipóteses, os agentes fazendários deveriam utilizar enquadramento mais específico, que é o art. 70, I, a da Lei 10833/03. em caso de dúvida, deveria prevalecer a regra contida no art. 112 do CTN. houve nulidade do AI por conta da imprestabilidade e da ilegalidade dos laudos apresentados pela fiscalização em razão de suas incongruências latentes bem como a ilegalidade e improcedêncai das conclusões fiscais. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 959 4 nenhum dos laudos está relacionado diretamente com as mercadorias importadas através da nove DI objeto da fiscalização, sendo que o laudo emprestado havia sido feito com base em outros tapetes, adquiridos de outro exportador, em fiscalização por outra ALF e em outras épocas, não havendo identidade entre as mercadorias objeto do laudo e as mercadorias objeto da presente fiscalização. as DI objeto do processo possuem algumas diferenças elementares no tocante à origem das mercadorias ou da carga e no tipo de tapetes. nas nove DI existe a presença dos shaggs e kilims, tipos específicos de tapetes que não constavam na DI 11/20888087, objeto do laudo emprestado, e as mercadorias analisadas neste são provenientes de outra região da Índia. o custo presumido das matérias primas de outros tapetes não é um elemento confiável para apurar o valor em que os tapetes foram vendidos naquela importação específica. as mercadorias adquiridas eram saldo em estoque, o que foi explicado à fiscalização, sendo o simples fato de importação a preço atrativo não fazer prova da subvaloração aduaneira ou de subfaturamento. o laudo merceológico está revestido de incongruências, sendo a principal a DI paradigma contemplar tapetes de um modelo específico, Loomknotted, em tamanhos distintos dos importados. o arbitramento do preço das mercadorias para fins do lançamento foi ilegal por violação do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA bem como a imprestabilidade da DI 10/20200504, utilizada como paradigma para fins de arbitramento, havendo a fiscalização infringido os princípios da verdade material, da legalidade estrita, da razoabilidade e da proporcionalidade no tocante do mérito ao cálculo levado a cabo. a RFB deveria ter seguido a ordem estabelecida pelo AVA quanto ao arbitramento e, mesmo que considere o cálculo do valor de exportação, este deve se enquadrar, em tese, no art. 2o do AVA, o que não ocorreu. deveria ser observada a legalidade estrita quanto ao arbitramento nos art. 148 e 149 do CTN. as disposições do AVA/GATT prevalecem sobre outras eventualmente previstas na legislação interna. ainda que se diga que o cálculo dos fiscais é o mesmo do art. 2o do AVA, temse que os critérios específicos deste método não foram seguidos, mercadorias idênticas, em razão de que não se sabe a quantidade e o nível de comércio da DI 10/20200504 além de ser uma das importações objeto do AI oriunda da Alemanha, DI 09/10639420, país distinto daquele da DI paradigma, que é a Índia. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 960 5 a Receita Federal reconhece a observância da Decisão 6.1, conforme divulgado na IN SRF 318/2013. É o Relatório. Passo ao Voto. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 1665.780, de 11/02/2015, proferida pelos membros da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Comprovado, por meio de documentação relativa à transação comercial, que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas, fica configurado o subfaturamento, sendo cabível a exigência das diferenças de impostos que deixaram de ser recolhidas, acrescidas dos juros de mora e das multas aplicáveis. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação do enquadramento legal específico no auto de infração, o qual é instruído ainda com as provas em que se baseia a exigência fiscal, resta infundada a arguição de cerceamento do direito de defesa. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicamse as multas qualificadas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre as diferenças de impostos, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. SUBFATURAMENTO. PENALIDADE. Pela prática de subfaturamento, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Como se verifica, inconformado, somente a empresa K & F Comércio de Tapetes e Artigos de Decoração LTDA (encomendante) apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados e pleiteia a reforma do decisum. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 961 6 É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário da empresa K & F COMERCIO dE TAPETES e ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA (encomendante) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de revisão aduaneira com o objetivo de verificar a exatidão do valor de transação declarado nas importações de tapetes, conforme planilha apresentada no ANEXO I, efetuadas por TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, por encomenda de K & F COMERCIO DE TAPETES E ARTIGOS DE DECORAÇÃO LTDA, com exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.332.956,89, formalizado em autos de infração para exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e de multas de ofício, no percentual de 150%, previstas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007, além da multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/35/2001. Antes da análise de mérito, verificase que um dos sujeitos passivos não foi intimado da decisão de 1ª instância administrativa (acórdão de impugnação), precisamente a empresa TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA, não obstante ter sido considerada revel, anteriormente, fato registrado na primeira instância. Tal procedimento é fundamental para lhes garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório, sem o qual o acórdão do CARF poderá ser considerado nulo por violar o disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235, de 1972, não obstante, observar, a solicitação de pedido de cópia dos autos, em 07/04/2015, à efl. 951pela TROP. Inclusive, tal entendimento, já se encontra sumulado, na Súmula de n° 71 do CARF, cuja observância é obrigatória para os membros do CARF: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Portanto, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja devidamente intimado do Acórdão de primeira instância, a empresa TROP COMERCIO EXTERIOR LTDA. Realizada a diligência, o sujeito passivo poderá interpor seu recurso voluntário no prazo de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para atender ao solicitado acima e posterior devolução do processo a esta Turma para prosseguimento. (assinado digitalmente) Fl. 961DF CARF MF Processo nº 12466.721716/201460 Resolução nº 3201000.898 S3C2T1 Fl. 962 7 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 962DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001724/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72 (30 dias).
Numero da decisão: 1802-000.551
Decisão: Acordam os membro do colegiada, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos-dó—relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-07T11:07:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-01-07T11:07:49Z; Last-Modified: 2011-01-07T11:07:49Z; dcterms:modified: 2011-01-07T11:07:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:335dcbe3-ccbe-4600-9e52-8e03cf9d21e1; Last-Save-Date: 2011-01-07T11:07:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-01-07T11:07:49Z; meta:save-date: 2011-01-07T11:07:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-01-07T11:07:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-01-07T11:07:49Z; created: 2011-01-07T11:07:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-01-07T11:07:49Z; pdf:charsPerPage: 1065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-01-07T11:07:49Z | Conteúdo => EDITADO EM: resi ente.ins deiSpus Edwal Casoni de Pà 16 Junior — Relator. S1-TE02 Fl. 1 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 13984.001724/2008-51 344.598 Voluntário 1802-00.551 — 2" Turma Especial 06 de julho de 2010 SIMPLES. Marcos Venicio Schmidt. 3a Turma/DRJ - Florianópolis/SC Assunto: SIMPLES PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. PEREMPÇÃO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72 (30 dias). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membro do colegiada, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos-dó—relatório e voto que integram o presente julgado. de Sousa, José Kichel, Gilberto infticiparam da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Nelso Baptista (Suplente Convocado), João Francisco Bianco. Processo n° 13984.001724/2008-51 Acórdão n.° 1802-00.551 81-TE02 Fl, 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima qualificado contra decisão proferida pela 3' Turma da DRJ de Florianópolis/SC. O processo em apreço se relaciona com a lavratura de Autos de Infração (fls.154 — 203), por meio dos quais se exige da recorrente os tributos apurados sob as regras do SIMPLES, correspondentes a fatos geradores ocorridos no ano calendário 2005. Por ocasião do lançamento, foi aplicada multa de oficio e conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 204 - 210), fora encaminhado Oficio DRF/Lages 563/2008 (fl. 69) ao 10 0 Batalhão de Engenharia de Construção para obter informações quanto aos pagamentos efetuados ao Recorrente, constatando-se que esse teria obtido rendimentos durante o ano de 2005 no valor total de R$ 657.619,66 os quais foram informados no SIAFI — Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal. Seguindo-se a fiscalização, por meio do Oficio 043 — St Fin (fl.71) o 100 Batalhão de Engenharia de Construção encaminhou relação dos pagamentos efetuados ao recorrente durante o ano de 2005 (fl.72) e cópias da Notas Fiscais e respectivas Ordens Bancárias (fls.73 - 156) demonstrando os pagamentos efetuados. Diante disso, constatou-se omissão de receitas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples — Ano Calendário 2005 entregue em 30/05/2006, já que o valor da Receita Bruta Total Informada na PJSI 2006 — SIMPLES nos meses de março, abril, junho, julho, agosto, novembro e dezembro de 2005 seria inferior à soma da venda de mercadorias e prestação de serviços apurada a partir notas fiscais encaminhadas pelo recorrente e pelo 10° Batalhão de Engenharia de Construção, conforme descrito acima. Ciente da autuação, o recorrente apresentou Impugnação (fls. 224 - 230) alegando preliminarmente, que a autuação tal como posta, seria ofensiva ao princípio do não confisco (fl. 225) eis que as exigências fiscais não podem redundar em confisco do patrimônio do particular, sob pena de afronta aos ditames previstos na Constituição Federal. No mérito, sustentou que diante da autuação, deveria ser desenquadrada do SIMPLES, ante a prática reiterada de infração à legislação tributária, e assim sendo, deveria Fiscalização, tê-la tratado como tributada pelo Lucro Presumido, de acordo com a aplicação de percentuais fixados no artigo 15 da Lei 9.249/95, que transcreve a fl.227. Afirmou ainda, que havendo o desenquadramento, o tratamento tributário na espécie será mais favorável ao contribuinte, não bastasse isso, considerando que à CSLL são aplicadas as mesmas normas do IRPJ, o efeito reflexo da alíquota aplicada a maior agrava ainda mais a tributação dita confiscatória. Ademais disso, afirmou que além de contrário ao princípio confiscatório, ante a expressa previsão legal como base de cálculo de 8% (venda mercadorias) e 16% e 32% (prestação de serviços), não poderia ser negado cumprimento igualmente ao princípio da tipicidade. Processo n° 13984.001724/2008-51 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.551 Fl. 3 Concluiu requerendo a anulação do ato fiscal que não possibilitou o desenquadramento da empresa, ou em caso contrário, fosse determinada tal providência para reduzir a aliquota do IRPJ e seus reflexos na CSLL, PIS, COFINS e INSS. A decisão recorrida está encartada às folhas 301 a 303 e estampa entendimento pela manutenção do lançamento de oficio. Cientificada em 02 de fevereiro de 2009 (fl. 308) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05 de março do mesmo ano, reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. onheço ,do Recurso Voluntário.Frente ao exposto, n Edwal Casoni de P s Junior Processo n° 13984.001724/2008-51 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.551 Fl. 4 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Sem embargo às considerações da recorrente, ao menos quanto ao mérito dessas, o presente Recurso Voluntário não pode ser conhecido, porquanto apresentado a destempo. Com efeito, assim entabula o artigo 33 do Decreto 70.235/72, in verbis: Artigo 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (meus os grifos e as supressões) Tal prazo, como cediço, conta-se nos termos do artigo 50 do já referido Decreto, que assim versa: Artigo 5°. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Observe-se que a recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 02 de fevereiro de 2009 (segunda-feira), conforme aviso de recebimento de folha 308, e protocolizou o recurso em 05 de março do mesmo ano (quinta-feira), conforme consta da primeira página de se recurso, daí porque, forçoso é considerá-lo perempto, posto que ultrapassada a data limite de sua interposição. 4
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Numero do processo: 16327.720191/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.
O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR.
Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC, REsp 1.140.956/SP.
Numero da decisão: 1402-002.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
( Assinado Digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(Assinado Digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC, REsp 1.140.956/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. ( Assinado Digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 91 /2 01 3- 18 Fl. 672DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 654 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da Resolução proferida nos autos, que abaixo transcrevo: A questão sob julgamento diz respeito a auto de infração, lavrado em 27/02/2013, para a exigência de débitos de CSLL (fls. 355362). Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal “TVF”, de fls. 351/354, os débitos que foram objeto do auto de infração em análise estão com a exigibilidade suspensa devido ao depósito judicial de seu montante integral nos autos do mandado de segurança nº 2008.61.00.0141999. O referido mandado de segurança foi impetrado pela recorrente para que fosse reconhecido o seu direito de não proceder ao recolhimento da CSLL à alíquota majorada, de 9% para 15%, aplicável às instituições financeiras, conforme estabelecido pelo artigo 17 da Medida Provisória nº 413/08, convertida na Lei nº 11.727/08. O lançamento de ofício, no valor total de R$57.335.258,11, diz respeito aos depósitos judiciais realizados pela autuada em (i) 30/06/08, referente ao período de maio/08, no valor de R$7.684.842,20; e (ii) 31/01/11, referente ao período de dezembro/10, no valor de R$49.650.15,91. De acordo com a autoridade fiscal, o lançamento dos débitos com exigibilidade suspensa fezse necessário para prevenir os efeitos de uma possível decadência, caso o resultado da lide seja favorável à União. Ademais, a autoridade fiscal determinou que a autuada realizasse a retificação da sua DIPJ do ano calendário de 2010 (sic), com o objetivo de refletir a majoração de alíquota da CSLL das instituições financeiras, ocorrida a partir do mês de maio de 2008. Segundo a autoridade fiscal, a autuada considerou a alíquota de 9% da CSLL, em vez de ter sido utilizada a alíquota anual proporcional ao aumento de 9% para 15%, a partir do mês de maio de 2008, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 810/2008. A referida intimação consta do TVF na fl. 353. A integralidade dos débitos constituídos no auto de infração foi declarada em DCTF pela recorrente sob o código 2469 (CSLL – Entidades Financeiras – Estimativa Mensal), tendo sido informado que os débitos estariam com a sua exigibilidade suspensa, conforme o extrato de fls. 349/350. Impugnação Fl. 674DF CARF MF 4 A recorrente apresentou a impugnação de fls. 365393, em 28/03/2013, alegando que os créditos tributários objeto do auto de infração já teriam sido constituídos por depósito judicial integral, sendo desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da fiscalização. Aduz a recorrente que o STJ apreciou a matéria pelo rito do recurso repetitivo, previsto no art. 543C do CPC, no julgamento do Resp nº 1.140.956/SP, em que foi firmado o entendimento de que o depósito do crédito tributário impede a realização, pelo fisco, de atos de cobrança, os quais têm início com a lavratura do auto de infração. Assevera ainda a recorrente que o crédito tributário objeto do auto de infração padece dos requisitos de liquidez e certeza, uma vez que a fiscalização incorreu em equívoco ao lançar o crédito tributário da CSLL que foi depositado judicialmente a maior. Isso porque, quando da realização do depósito judicial, a Recorrente deixou de considerar no cômputo da base de cálculo da CSLL, referente ao ano calendário de 2010, os valores despendidos a título de inovação tecnológica, no valor de R$210.843.586,24, bem como não havia se apropriado da integralidade dos créditos de CSLL (saldos de base negativa anteriores a dezembro de 1998) previstos no artigo 8º da Medida Provisória nº 1.807/99, no valor de R$43.708.912,80. Assim, conforme demonstrado na planilha de fls. 376, o valor depositado judicialmente, objeto do auto de infração, deveria ser de R$40.794.985,28, e não R$49.794.985,28. A referida diferença teria sido levada ao conhecimento do fisco antes da lavratura do auto de infração, conforme alegado na impugnação (fl. 375). Argumenta a recorrente que o auto de infração carece de vício de motivação, tendo em vista que (i) os débitos impugnados já estavam declarados na DCTF do contribuinte; e (ii) não ser possível a cobrança de estimativas da CSLL após o encerramento do ano calendário. Segundo a recorrente, ainda que se considere que os valores lançados de ofício se referem aos ajustes anuais de 2008 e 2010, em valores coincidentes com as estimativas, haveria de se concluir pela nulidade do auto de infração, tendo em vista que a fiscalização não recompôs as bases de cálculo de CSLL efetivamente devidas em 31/12 de 2008 e 2010. Nesse aspecto, destaca a recorrente, exemplificativamente, que a autoridade fiscal desconsiderou os saldos negativos de CSLL relativos aos anoscalendário de 2008 e 2010. Em relação à determinação para que o contribuinte retificasse a DIPJ, referente ao ano calendário de 2010, a recorrente alega não ter vislumbrado a relação de causa e efeito entre o suposto erro cometido em relação ao cálculo da proporcionalidade da alíquota no ano calendário de 2008 e o reflexo, dessa suposta infração, no ajuste anual de 2010. Em relação à determinação do Fisco para que a contribuinte efetuasse alterações da alíquota da CSLL, apesar de, equivocadamente, a fiscalização ter indicado o ano 2010, compulsandose os autos resta evidente que as observações dizem respeito ao ano calendário de 2008, dado que o termo de verificação fiscal de fls.351/354 faz (i) menção expressa da Instrução Normativa da RFB nº 810/2008, cujo artigo 3º prevê a proporcionalidade na determinação da alíquota da CSLL, em função das receitas brutas mensais do ano calendário de 2008, (ii) reproduz valores informados na DIPJ 2009, anocalendário de 2008, Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 655 5 tais como a base de cálculo da CSLL de R$358.190.567,89, e a recuperação de crédito de CSLL de R$9.671.145,33 (fls.39). Por fim, a recorrente alega que a majoração de alíquota da CSLL deve ser afastada, por ofensa aos princípios da referibilidade, da irretroatividade e da anterioridade. Pleiteando, contudo, que, caso a DRJ entenda por não apreciar os argumentos expostos na impugnação, em razão da suposta renúncia à discussão administrativa, seja determinado o sobrestamento do presente processo administrativo, a fim de se evitar eventual decisão conflitante com a que será proferida na esfera judicial, nos termos do artigo 265, IV, a, do Código de Processo Civil. Acórdão da DRJ Primeiramente, a DRJ constatou a existência de “concomitância entre as razões levadas pela impugnante ao Poder Judiciário e aquelas trazidas ao presente processo administrativo, em particular no que concerne às alegadas ofensas aos princípios da referibilidade, irretroatividade e anterioridade, bem como aos artigos 195, §9º, e 246, da CF”. Dessa forma, por considerar que houve renúncia à instância administrativa, em relação a essa matéria impugnada, a DRJ limitouse ao enfrentamento das questões não submetidas ao poder judiciário. A decisão recorrida afastou, assim, o pedido de sobrestamento do presente processo administrativo, tendo em vista que o Decreto nº 70.235/1972 não determina a suspensão do trâmite do processo administrativo até o julgamento do processo judicial. Segundo a DRJ, diante do princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, é defeso à autoridade fiscal sobrestar o julgamento de qualquer processo na inexistência de impeditivo legal. Sustenta, ainda, a regular continuidade do processo administrativo com fundamento em diversas decisões do extinto Conselho de Contribuintes, exemplificadas pela ementa transcrita abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, ao processo judicial, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (princípio da oficialidade). Apenas a cobrança do débito deverá aguardar o pronunciamento judicial se demonstrada a ocorrência de uma das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário. (Acórdão 202.17272, sessão de 23/08/2006) Sobre a possibilidade de lançamento de ofício dos tributos com exigibilidade suspensa pelo depósito integral do crédito tributário, afirma a DRJ que “a propositura de ação judicial e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não têm o condão de impedir o Fisco de efetuar o lançamento de ofício, visto que essa atividade é vinculada e obrigatória, conforme disposto no art. 142 do CTN”. Nesse sentido, a DRJ cita o Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/93 e a Súmula nº 48 do CARF, para concluir que a suspensão da exigibilidade Fl. 676DF CARF MF 6 do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura do auto de infração. Quanto ao recurso repetitivo do STJ, REsp nº 1.140.956/SP, a decisão recorrida admite ser entendimento pacífico do STJ que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua exigibilidade e veda a prática de atos de cobrança por parte da Administração Tributária. No entanto, afirma a DRJ que “o lançamento em tela foi efetuado tão somente para prevenir a decadência, protegendo assim o direito da Fazenda Pública, não se configurando como ato coercitivo para a exigência da contribuição”. O aludido entendimento, na perspectiva da DRJ, é reiterado pelo teor do disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430, que, ao dispor sobre a não incidência da multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do CTN, garantiria a possibilidade de lançamento de ofício dos tributos com a exigibilidade suspensa. Sobre as alegações da recorrente de que o auto de infração teve por objeto a cobrança de estimativa da CSLL após o encerramento do ano calendário, a DRJ reitera o fundamento apresentado pela fiscalização de que os créditos tributários constituídos dizem respeito ao ajuste anual, tendo em vista que “os valores suspensos judicialmente e informados nas estimativas de CSLL não poderiam ser deduzidos no ajuste anual e, portanto, resultaram em saldos a pagar de CSLL”. No que diz respeito aos equívocos cometidos pela recorrente, na apuração do quantum devido no depósito judicial, que, por não terem sido considerados pela autoridade fiscal no lançamento de ofício, causariam a nulidade do auto de infração, entendeu a DRJ que a recorrente não comprovou o alegado e, portanto, seria incabível a arguição de nulidade do auto de infração pela ausência dos requisitos de liquidez e certeza do crédito tributário constituído. No mesmo sentido, assevera a DRJ que “não assiste razão ao pleito da impugnante de que o Fisco deveria considerar eventuais saldos negativos da CSLL, em função da ausência de previsão legal”. Ademais, a decisão recorrida reconhece ter havido erro na intimação que determinou a retificação da DIPJ do ano calendário de 2010 (fl. 353). Segundo a DRJ, está evidente que as observações da fiscalização dizem respeito ao ano calendário de 2008, visto que “o termo de verificação fiscal de fls.351/354 faz (i) tanto menção expressa à Instrução Normativa RFB nº 810/2008, cujo artigo 3º prevê a proporcionalidade na determinação da alíquota da CSLL, em função das receitas brutas mensais do anocalendário de 2008, (ii) como também reproduz valores informados na DIPJ 2009, anocalendário de 2008, tais como a base de cálculo de CSLL, R$358.190.567,89, e a recuperação de crédito de CSLL, R$9.671.145,33 (fls.39)”. Recurso Voluntário (fls. 479524) O recurso interposto pela recorrente destaca que a autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração, reconheceu que o crédito tributário objeto do presente processo administrativo está com a sua exigibilidade suspensa em razão de depósito integral realizado nos autos do mandado de segurança nº 2008.61.00.0141999. Segundo a recorrente, a segurança requerida no referido mandado de segurança foi denegada por acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da Terceira Região, em 24/03/2011, razão pela qual foi interposto recurso extraordinário ao STF, o qual, conforme extrato Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 656 7 juntado aos autos, aguarda o exame de admissibilidade pelo referido Tribunal (fls. 545551). Reiterou, novamente, a recorrente, que o crédito tributário objeto do auto de infração já está constituído, sendo desnecessária e indevida a lavratura do auto de infração. Mais especificamente, a recorrente rebateu a fundamentação da decisão recorrida de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não tem o condão de impedir o Fisco de efetuar o lançamento de ofício, alegando que o depósito do montante integral dos tributos aperfeiçoa verdadeira hipótese de lançamento por homologação, capaz de constituir o crédito tributário. Tais alegações foram fundamentadas na doutrina de Hugo de Brito Machado e em decisões do STJ, transcritas nas fls. 483486. Nesse sentido, o recurso aduz que o contribuinte, ao realizar o depósito integral, “realiza todas as atividades que caracterizam o lançamento, quais sejam (i) calcula o valor do tributo; (ii) efetua o pagamento, ou no caso de tal cobrança não ser devida; (iii) substitui o “pagamento antecipado” pelo depósito judicial em montante integral.” Na interpretação dada pelo contribuinte ao artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, “a Fazenda Nacional, por sua vez, ao aceitar como integral o depósito realizado pelo contribuinte, para fins de suspensão de exigibilidade do crédito, anuiu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal”. Ademais, foi afirmado no recurso que a “tese fiscal” sustentada pela DRJ, de que a regra estabelecida no artigo 63 da Lei nº 9.430/96 autorizaria expressamente o lançamento de ofício nas hipóteses em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre de decisão judicial, não se aplica aos casos em que há prévia constituição do crédito tributário. Entende a recorrente que, ao realizar o depósito judicial de determinado tributo, o contribuinte realiza as condutas previstas no artigo 142 do CTN e, portanto, a realização do lançamento de ofício “tornase despicienda, eis que todas as atividades que seriam implementadas pela lavratura do auto de infração já o foram previamente realizadas pelo próprio contribuinte”. No que diz respeito ao entendimento firmado pelo STJ, no julgamento do REsp 1.140.956/SP, mencionado na impugnação, a recorrente reitera o teor do artigo 62A do Regime Interno do CARF, que determina a necessidade de reprodução pelos conselheiros do CARF do entendimento firmado pelo STJ, nas decisões proferidas sob o rito dos recursos repetitivos. Ainda, alega a recorrente que a lavratura do auto de infração não teve finalidade alguma, tendo em vista que, caso a recorrente não obtenha êxito na demanda judicial, os depósitos judiciais serão convertidos em renda da União, extinguindose, assim, o crédito tributário. A questão do vício do auto de infração pela iliquidez e incerteza dos créditos tributários constituídos pela fiscalização também foi retomada, mediante a demonstração de que, ao contrário do que restou consignado no acórdão da DRJ, já haviam sido juntadas provas aos autos de que o montante depositado em juízo excedeu o real valor controvertido. Fl. 678DF CARF MF 8 Ademais, o recurso voluntário sustenta não ter havido renúncia à esfera administrativa, reproduzindo os argumentos da impugnação sobre a inconstitucionalidade da majoração da alíquota da CSLL devida pelas instituições financeiras. Registra a recorrente, enfim, que a DRJ não enfrentou a questão da intimação constante do TVF (fl. 352), cujo teor determina a retificação da DIPJ da recorrente, referente ao ano calendário de 2010, para que seja refletida a majoração da alíquota da CSLL. Em seguida, foi proferida Resolução, onde no voto do D. Relator, restou consignado que o Resp 1.140.965/SP não trata da situação específica dos autos, eis que a jurisprudência da Corte Superior trata da impossibilidade de ajuizamento de execução fiscal quando tiver ocorrido, em momento anterior, o depósito judicial do montante integral do débito exequendo. Da mesma forma, afastou a alegação de que o deposito do montante integral impediria a lavratura do Auto de Infração, por entender que o artigo 142 do CTN, aduz ser ato privativo da autoridade fiscal. Quanto a possível interpretação dada pelo STJ, no sentido de que o depósito integral supriria o ato administrativo de lançamento, e também apesar de ser esta uma interpretação que reconhecidamente privilegia o princípio da praticabilidade e eficiência, entendeu que ela encontra resistência no Código Tributário Nacional, que elege o agente administrativo como sujeito soberano do ato de lançamento (artigos 142, 147, 149 e 150). Afastou também a alegação de que as declarações em DCTF tenham o condão de constituir o crédito tributário, devido a confissão de dívida da contribuinte e, por isso, dispensam qualquer ato de lançamento da fiscalização, nos termos da Súmula 436 do STJ. Assim, entendo que a decisão recorrida não merece reparos quanto à possibilidade de lançamento para prevenir a decadência dos créditos tributários com exigibilidade suspensa, por força de depósito integral em mandado de segurança. Em relação as alegações relativas ao montante devido, a Turma, por unanimidade, decidiu converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: Da apuração do montante devido Como decorrência lógica da conclusão alcançada, pela possibilidade (e necessidade) jurídica do lançamento sob análise, compete à autoridade fiscal efetivamente apurar o montante do tributo devido (art. 142 do CTN), mediante a recomposição do lucro real, nos termos do artigo 219 do RIR/99, e não simplesmente realizar o lançamento com base nos valores que foram depositados em juízo. Nesse aspecto, apesar de a recorrente ter informado à fiscalização sobre a existência de erro no cálculo de uma dedução (fls. 552/554), não houve sequer menção no TVF sobre o motivo pelo qual estes créditos não teriam sido considerados no lançamento. Alega a recorrente que, no preenchimento da sua DIPJ AC 2010, houve um erro no cálculo da dedução prevista no artigo 8º da Medida Provisória nº 1.807/97, onde se considerou a compensação de 30% da CSLL calculada à alíquota de 9%, sendo que, nos termos da legislação Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 657 9 vigente, diante da majoração da alíquota questionada judicialmente pela recorrente, a dedução poderia ser calculada à alíquota de 15%, o que manteria a coerência na apuração do tributo por meio da utilização dos mesmos critérios na quantificação dos débitos e créditos do contribuinte. Sobre o assunto, a decisão recorrida consignou que a recorrente não teria comprovado a ocorrência de erro nos valores depositados judicialmente (fl. 473), por não ter demonstrado a existência de valores de créditos de CSLL. Ao meu ver, de fato não foram juntados aos autos os elementos necessários para concluir sobre a existência de tais créditos, contudo, tanto o agente fiscal como a DRJ poderiam ter tido acesso, por meio dos sistemas da Receita Federal, às informações sobre os saldos de base negativa de CSLL e adições temporárias informados pelo contribuinte em suas DIPJ. Diante do princípio da verdade material, da tutela à constituição do crédito tributário líquido e certo e da conclusão lógica alcançada acima, não entendo razoável desconsiderar as alegações do contribuinte por mero juízo de conveniência, uma vez que obrigações acessórias preenchidas pela recorrente permitiriam ao fisco concluir pela procedência dos créditos. Ademais, apesar de o TVF discorrer que o lançamento de estimativas não poderia ser feito após o final do anocalendário, e que na realidade deveria ter sido realizado o lançamento com base no ajuste anual de CSLL, no auto de infração constatase que se tomou como base de cálculo dos lançamentos de ofício precisamente o valor declarado a título de estimativa referente a maio de 2008 e dezembro de 2010 (fls. 357 e 358, respectivamente). Desse modo, resta evidenciada uma divergência entre a fundamentação do TVF e a base de cálculo apresentada na atuação fiscal. Diante desse cenário, é pertinente que tal dúvida seja esclarecida por meio da juntada, pela unidade de origem da Receita Federal, de memória de cálculo do ajuste anual da CSLL dos anos calendário de 2008 e 2010, explicitando a apuração realizada pelo agente fiscal e, pela contribuinte, dos documentos que comprovam o valor da referida dedução. Conclusão Em face das razões acima expostas, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Receita Federal do Brasil: a) Apresente relatório circunstanciado contendo memória de cálculo do ajuste anual da CSLL dos anos calendário de 2008 e 2010, explicitando a apuração realizada pelo agente fiscal; e b) Intime o contribuinte para: i. comprovar documentalmente o valor da dedução alegadamente devida nos termos do artigo 8º da Medida Provisória nº 1.807/97; e ii. apresentar manifestação limitada ao resultado da diligência, no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.754/11, findo o qual os autos devem ser devolvidos ao CARF para julgamento. Fl. 680DF CARF MF 10 Em seguida, conforme determinado na Resolução, a Recorrente foi intimada do Termo de Início de Diligência Fiscal (fl.576), solicitando a explicação e apresentação de alguns documentos, conforme abaixo. 1 Informar, e se for o caso comprovar, o motivo da retificação de DIPJ do ano calendário de 2010 com a utilização da alíquota de 9% para o cálculo da CSLL, em meio digital; 2 Conforme solicitação do CARF, comprovar documentalmente o valor da dedução alegadamente devida nos termos do artigo 8 da Medida Provisória 1.807/97, em meio digital. A Recorrente apresentou resposta e documentos, de fls. 577/591. Em relação ao item 1 (fls.577/581), a Recorrente informou o seguinte: [....] Em relação ao item 2 (fls. 582/591), se manifestou da seguinte forma: Juntou cópia da parte B do LALUR AC 2011 e planilha nomeado Controle CT CS 18%. Ato contínuo, foi proferido Relatório Fiscal de fls. 593/596, com a seguinte manifestação da Fiscalização: Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 658 11 Fl. 682DF CARF MF 12 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 659 13 Fl. 684DF CARF MF 14 A Recorrente apresentou manifestação da diligência reiterando os argumentos postos no Recurso Voluntário e juntou documentos que já constavam nos autos, as fls. 604/646. É o relatório. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 660 15 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e trata de outras matérias que não estão albergas pelo mandado de segurança, motivo pelo qual dele conheço. A espinha dorsal do processo, cingese na possibilidade de a fiscalização poder lançar de ofício, para prevenir a decadência, créditos relativos a CSLL que estão com exigibilidade suspensa, devido a depositado do montante integral nos autos do mandado de segurança nº 2008.61.00.0141999. Ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício (lançamento/lavratura do AI), a Recorrente fez o deposito do montante integral no mandado de segurança e os declarou em DCTF. (fls. 349/350). Insta esclarecer, que a própria autoridade lançadora confirma a existência do depósito do montante integral no valor dos créditos exigidos neste Auto de Infração. Assim, não resta dúvida nos autos quanto a regularidade ou comprovação do depósito do montante integral. Sendo assim, entendo que o v. acórdão a quo, não deve prosperar. Vejamos. O lançamento de ofício de débitos com exigibilidade suspensa, somente é autorizado pelo art. 63, da Lei n.º 9.430/96 nas hipóteses de suspensão mediante a concessão de medida liminar em mandado de segurança e concessão de medida liminar ou tutela antecipada em outras espécies de ações. (incisos IV e V do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Para deixar claro, vejamos a redação do artigo 63: Débitos com Exigibilidade Suspensa: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Fl. 686DF CARF MF 16 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002)" (grifei) Ou seja, dentro das hipóteses indicadas no dispositivo acima, que permitem o lançamento de ofício/lavratura do auto de infração sem a multa, a suspensão da exigibilidade do crédito por meio de depósito do montante integral, prevista no inciso II, do artigo 151 do CTN, não está incluída. Para deixar mais claro, seguindo minha linha de raciocínio, entendo que as únicas autorizações legais para que a Fiscalização lavre Auto de Infração sem multa de ofício, exigindo tributos com exigibilidade suspensa, são as previstas nos dois incisos indicados no caput do artigo 63, acima colacionado. Sendo assim, a hipótese dos autos, que trata de depósito do montante integral para suspender a exigibilidade (art. 151, II, do CTN) dos créditos de CSLL, lançados de ofício para prevenir a decadência, não se enquadra na previsão legal que autoriza a Fiscalização a lavrar Auto de Infração, sem exigência de multa. Nesse sentido, atestase a inexistência de fundamento legal para o presente Auto de Infração, carecendolhe de requisito essencial de validade na forma do art. 10, IV, do Decreto n.º 70.235/72 e do art. 39, IV, do Decreto n.º 7.574/2011, devendo ser cancelada a exigência fiscal ora em combate. Insta mencionar que, essa ausência de fundamento legal para o lançamento de ofício nos casos de depósito judicial, não prejudica de qualquer forma o Erário, isso porque, como reconhecido de forma pacífica pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o depósito do montante integral de tributo, sujeito ao lançamento por homologação, constitui o crédito tributário, equivalendose a um lançamento (confissão de dívida/lançamento de ofício). É o que se depreende do julgado do Superior Tribunal de Justiça STJ, cuja ementa colaciono abaixo: "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL PRESCRIÇÃO INEXISTÊNCIA DEPÓSITO CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LEVANTAMENTO INDEVIDO EXIGIBILIDADE TERMO A QUO. 1. O depósito do crédito tributário equivale ao lançamento tributário para fins de constituição da dívida.Precedentes. 2. O levantamento indevido de depósito judicial autoriza a cobrança da quantia percebida, no prazo de prescrição de 5 anos, contados da data da extinção do depósito. 3. Inexistência de prescrição se o ajuizamento ocorreu 3 anos após o levantamento indevido do depósito. 4. Recurso especial não provido." (STJ, Recurso Especial n.º 1.216.466/RS, Rel. Des. Conv. Diva Malerbi, Segunda Turma, DJe 04/12/2014 grifei) O depósito do montante integral em sede judicial, além de afastar os acréscimos, não permiti a execução judicial e assegura a suspensão da exigibilidade do crédito, sendo medida inibidora das ações possíveis de serem manuseadas pelas Fazendas Publicas, eis que quando verificado o êxito do contribuinte, impõe a devolução total do montante, bem como, os acréscimos decorrente do tempo; ao contrário, constatado o fracasso, cabe transformálo em renda na extinção do crédito tributário, previsão legal prevista no art. 43, § 1º, da Lei do Processo Administrativo, Decreto nº 70.235/72. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16327.720191/201318 Acórdão n.º 1402002.425 S1C4T2 Fl. 661 17 O próprio CTN, no inciso VI, do art. 156, que prevê as modalidades de extinção do crédito tributário, determina que o depósito do montante integral seja convertido em renda para a União, caso o interessado não obtenha êxito na demanda judicial, configurando em verdadeiro lançamento por homologação, tornando, assim, desnecessário o lançamento de ofício pela autoridade fiscal em relação às importâncias depositadas. Para por fim a discussão, na mesma linha de raciocínio adotada neste voto, o STJ analisou o tema sob a égide do então art. 543C do CPC (“recurso repetitivo”), cujo entendimento pode ser visto na parte da ementa que nos interessa, que reproduzo abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. [...] 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. [...] (REsp 1.140.956/SP, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 24/11/2010, DJe 03/12/2010) Transportando o entendimento da ementa acima descrita para o caso do processo em epígrafe, conforme descrito na acusação fiscal, o depósito do montante integral do crédito albergado pelo Auto de Infração, foi feito nos autos do mandado de segurança antes do lançamento de ofício ou da propositura da Execução Fiscal. Portanto, no caso concreto, se a própria autoridade fiscal autuante concluiu que havia depósito do montante integral, e o STJ pacificou o entendimento de que o lançamento estaria impedido em tal hipótese, há de se cancelar integralmente a presente exigência. Esta matéria já foi analisada por este C. Turma, onde restou decidido que o deposito do montante integral equivale a confissão de dívida, sendo desnecessário o lançamento de ofício, como foi feito nos presentes autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR. Fl. 688DF CARF MF 18 Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ em recurso representativo de controvérsia julgado no rito do art. 543C do antigo CPC. REsp 1.140.956/SP. Recurso Voluntário Provido. Desta forma, fazendo um paralelo dos entendimentos acima colacionados, concluída a discussão judicial e não tendo o contribuinte logrado êxito, os valores depositados são integralmente convertidos em renda da União Federal, conforme determinado pelo art. 1º, § 3º, III, da Lei n.º 9.703/19982, como hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, VI, do CTN), não sendo necessário o presente lançamento de ofício, eis que o crédito já foi devidamente constituído pelo depósito do montante integral. Na minha opinião, este é o entendimento que melhor se enquadra com a jurisprudência do STJ. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento para cancelar totalmente o Auto de Infração em epígrafe. (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 689DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.720783/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 20 78 3/ 20 14 -2 7 Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório MPM TRANSPORTES EIRELI EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0737.061/2015, às fls. 1.232/1.256, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, lavrado em 22/05/2014, referente a obrigações acessórias, correspondentes a declaração inexata na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) como optante pelo Simples, embora não optante, em relação ao período de 01/2010 a 12/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 07/86, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: 1) AI DEBCAD nº 51.041.9950: onde são exigidas as contribuições devidas as terceiras entidades (SalárioEducação, Incra, Sest/Senat e Sebrae), no período de 01/01/2010 a 31/12/2013, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, perfazendo o total de R$ 1.565.405,86, consolidado em 22/05/2014. No referido AI, foi aplicada multa na forma qualificada e agravada, porquanto, conforme relato da autoridade fiscal, em síntese, a Autuada empregou as seguintes práticas com o objetivo de não recolher/reduzir tributos (item 7 do REFISC): a) Não emitiu Documentos Fiscais no período que envolve as competências de 01/2010 a 08/2012, situação esta que já vinha sendo praticada desde a sua constituição, ocorrida em 09/07/2007; b) Emitiu Documentos Fiscais de forma parcial no período que envolve as competências de 09/2012 a 12/2013; c) Opção indevida ao SIMPLES Nacional, em GFIP, sem estar de fato vinculado a este Sistema. Situação esta ocorrida no ano de 2010, masque também já a vinha sendo praticada desde a sua constituição, ocorrida em 09/07/2007. d) Optou, a partir de 01/01/2011, ao SIMPLES Nacional mesmo estando em Débito para com a Previdência; e) Optou, a partir de 01/01/2011, ao SIMPLES Nacional mesmo estando em Débito para com Entes da Federação. 2) AI DEBCAD nº 51.041.9941: referente ao descumprimento de obrigação tributária acessória. lavrado, nos termos do relatório fiscal, em razão do sujeito passivo acima identificado ter descumprido obrigação acessória prevista no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, ao deixar de apresentar à Fiscalização, ou apresentar de maneira deficiente, os documentos listados no Refisc. De conformidade com o Relatório Fiscal, a autuação consubstanciada no lançamento em epígrafe decorre de Representação Administrativa – Processo Administrativo n° 10920.720526/201495, em que a contribuinte fora excluída do regime de tributação do SIMPLES, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/JOI n° 11, de Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 4 3 01/04/2014. Ressalta, ainda, que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES se operam a partir de 01/01/2011. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 1.299/1.319, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, contrapõese preliminarmente suscitando a nulidade da decisão a quo, por entender que houve cerceamento de defesa, na medida em que seus pedidos de diligência não foram atendidos, acarretando o cerceamento de defesa, renovando o pedido nesta oportunidade. Ainda em caráter preliminar, pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por entender que o julgador recorrido incorreu em omissões e/ou contradições ao proferir o decisum, estando, portanto, eivado de vícios que maculam sua validade, razão pela qual é de se emitir novo Acórdão na boa e devida forma. Em relação ao mérito, argumenta haver a identificação de todos os registros de recebimentos à títulos de adiantamentos, sendo estes recursos aplicados para a manutenção da própria empresa no tocante ao pagamento da folha de salários, conforme identificado e constatado pelo próprio auditor fiscal. Afirma que desde sua constituição fez a adesão pelo Simples Nacional e sempre teve o intuito de permanecer neste regime tributário, tendo sido excluída de maneira absolutamente arbitrária pela Fazenda Nacional, em que pese manter permanentemente sua escrituração contábil de forma hábil e regular. Em defesa de sua pretensão, transcreve a legislação de regência quanto ao Simples Nacional, repudiando da mesma forma quanto ao efeito retroativo de sua exclusão, pois invoca tratarse de direito adquirido, colacionando jurisprudência e ensinamentos doutrinários sobre o assunto. Opõese, igualmente, à aplicabilidade da multa qualificada, sobretudo diante da ausência da efetiva comprovação do dolo, fraude ou simulação. No mesmo sentido, aponta descabida a aplicação da multa isolada e agravada, invocando o principio do não confisco, da proporcionalidade, moralidade e razoabilidade, arrolando decisões do STF e STJ amparando suas razões. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da demanda nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, o lançamento inscrito no auto de infração sob análise decorre de procedimento de exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, consubstanciado no processo administrativo n° 10920.720526/201495, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/JOI n° 11, de 01/04/2014, operando efeitos a partir de 01/01/2011. Em que pese a autoridade julgadora de primeira instância haver reconhecido o nexo causal do presente lançamento com o processo que trata da exclusão do SIMPLES, achou por bem dar seguimento ao feito, inferindo que: “[...] Consoante se infere dos autos, parte da exigência contida no AI DEBCAD nº 51.041.9950, de contribuições devidas as Terceiras Entidades exigidas para as competências compreendidas no período de 01/2011 a 12/2013 (inclusive 13 salário), decorreu do fato da empresa ter sido excluída do Simples Nacional mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n.º 11, datado de 01/04/2014, com efeitos retroativos a 01/01/2011. Com relação as exigências de contribuições lançadas nas competências 01/2010 a 12/2011 (inclusive 13º salário), a motivação para o lançamento reside no fato de a empresa ter informado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) como optante pelo Simples, sem de fato encontrarse incluída no referido sistema simplificado de tributação Os lançamentos das contribuições devidas as Terceiras Entidades, que deixaram de ser recolhidas em face da declaração indevida na GFIP como optante pelo Simples Nacional no período de 01/2010 a 12/2011 (inclusive 13/2013), e por força da exclusão retroativa mediante o ADE, foram ora constituídas no DEBCAD nº 51.041.9950, no levantamento F1 – FP não declarada em GFIP SE. Com efeito, uma vez promovida a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional, procederseá, se for o caso, a lavratura de auto de infração para a exigência do crédito tributário devido, independentemente do julgamento de eventual manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão, uma vez Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 6 5 que inexiste previsão legal de efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada contra a exclusão. Em que pese parte das contribuições exigidas no presente lançamento decorrerem da exclusão retroativa da impugnante do Simples Nacional, a sede própria para análise de tais argumentações é o processo administrativo relativo à exclusão do sistema diferenciado de tributação de nº 10920.720526/2014 95 (em apenso), onde a empresa apresentou manifestação de inconformidade contemplando as mesmas razões ora interpostas. Cabe ressaltar, por oportuno, que o julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pela sociedade ora impugnante contra o ADE teve como resultado, conforme se infere da leitura do Acórdão nº 0737.059, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, que consta às fls. 870895 do referido processo, a manutenção do referido ato de exclusão. [...]” Extraise daí inexistir dúvida de que o Auto de Infração sob análise encontrase atrelados ao resultado final a ser levado a efeito nos autos do processo de exclusão do SIMPLES, em evidente prejudicial do exame da demanda, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Neste sentido, somente após a decisão administrativa definitiva exarada em face da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 10920.720526/201495, é que se poderá adentrar a análise da regularidade deste feito. Dessa forma, existindo referido processo de exclusão do SIMPLES, esse, por guardar íntima relação de causa e efeito com a autuação sub examine, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Ocorre que, o processo n° 10920.720526/201495, igualmente, fora distribuído para relatoria deste Conselheiro. No entanto, conforme se extrai do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, mais especificamente no Anexo II, art. 2º, inciso V, a competência para julgamento de processos pertinentes ao regime de tributação do SIMPLES é da 1º Seção de Julgamento, motivo pelo qual em relação ao processo sobre esta matéria foi declinada a competência para a Seção competente, impondo, assim, o sobrestamento deste feito até seja proferida decisão definitiva nos autos daquele processo. Assim, ao contrário do entendimento encampado pelo julgador de primeira instância, em face do caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente o Auto de Infração em epígrafe, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente venham para apreciação por esse Colegiado após o trânsito em julgado do processo n° 10920.720526/201495, onde se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento – SIMPLES. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório do presente Auto de Infração, até que seja Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10920.720783/201427 Resolução nº 2401000.591 S2C4T1 Fl. 7 6 proferida decisão definitiva nos autos do processo n° 10920.720526/201495, devendo estes autos ser encaminhados para a DRF de origem para as providências cabíveis. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 1330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000513/2002-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.097
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não se pode ter como paradigma acórdão que se assente em fatos que não coincidem com os do acórdão objurgado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Andrada Márcio Canuto Natal, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 325 a 3451) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.826, de 17 de julho de 2012 (fls. 313 a 318), com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 05 13 /2 00 2- 33 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 9303005.097 CSRFT3 Fl. 431 2 Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão recorrido está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INCABÍVEL. O indeferimento do pedido de diligência ou de perícia não configura cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, sendo incabível a decretação da nulidade da decisão recorrida. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Em resumo, a decisão deu provimento parcial do recurso voluntário para que fossem considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor de IPI do período. No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita dissídio jurisprudencial quanto à subsunção ao conceito de insumos esposado pela legislação do IPI de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo. No mérito, argúi a nulidade da decisão, por afronta ao sistema de distribuição do ônus probatório adotado no Processo Administrativo Fiscal, ao determinar diligência para a produção de prova que tocaria à parte produzir. No mérito, contesta a subsunção no conceito de insumo das partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos, mesmo se constatado o desgaste ou consumo, haja vista fazerem parte do Ativo Permanente. Lembra que o art. 82 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 RIPI/82, cuja redação foi reproduzida pelo art. 147, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de Junho de 1998 RIPI/98, dispõe que se inclui entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles bens que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 9303005.097 CSRFT3 Fl. 432 3 permanente, o que corroboraria a conclusão de que é incabível o ressarcimento dos valores pagos em partes e peças de máquinas ou equipamentos. Por meio do Despacho s/nº 4ª Câmara, de 27 de julho de 2011 (fls. 375 a 377), o Presidente da 4ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 408 a 418). O interessado impugnou a admissibilidade do pleito por ausência de divergência. No mérito, em síntese, repetindo os fundamentos da decisão recorrida, argumenta que o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação, atestado em laudo técnico do I.N.T., autoriza o creditamento do imposto na entrada desses bens. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão recorrido, em 28/06/2013 (cfe. Termo de Intimação pessoal do Procurador, fl. 319). O apelo formulado em 01/07/2013 (cfe. RM nº 14837, fl. 373) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma. Nada obstante, compulsando os acórdãos paragonados, pareceme impossível estabelecer base de comparação para a dedução do dissídio suscitado. Observese que o Acórdão nº 20180.424 (fl. 349) debruçouse sobre pedido de ressarcimento, formulado por estabelecimento industrial têxtil, de créditos básicos tomados sobre a entrada de componentes entendidos pela Fiscalização como formadores de peças e partes de máquinas, que não tinham contato direto com o produto fabricado, quais sejam: (i) os produtos químicos control, optisperse, inhibitor, percol, sidertex AE, praestol e zetag; (ii) os cartões jacquard; (iii) as correias e esteiras de transporte. O Acórdão nº 20311.519 (fl. 363), por sua vez, também analisando pleito de indústria têxtil, indeferiu a tomada de créditos básicos nas entradas de (i) Vibatex FPT (cola utilizada para fixar tapetes sobre os quais são colocadas as máquinas de estamparia); (ii) Esmalte poliuretano (verniz para acabamento de quadros para estamparia); (iii) Lockthome (verniz para acabamento de quadros para estamparia) e (iv) outras peças departes e peças de máquinas, inclusive correias, que não entravam em contato direto com o produto em fabricação. A decisão recorrida analisou caso de insumos (fls. 316 e 317) empregados na fabricação de carbeto de silício e de óxido de alumínio, que, embora não se integravam ao produto final, segundo laudo técnico, sofriam desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 13876.000513/200233 Acórdão n.º 9303005.097 CSRFT3 Fl. 433 4 E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, o Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Portanto, voto pelo não conhecimento do apelo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 433DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720025/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.898
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBOVEL COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 00 25 /2 01 0- 33 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.442. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10909.720025/201033 Acórdão n.º 3302003.898 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.016451/00-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. PRELIMINAR ARGUIDA APENAS EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INCERTEZA QUANTO ÀS PROVAS APRESENTADAS. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. REJEIÇÃO
Da análise dos documentos carreados aos autos, não há certeza quanto à data de entrega das DCTFs que servirão como termo inicial para contagem do prazo quinquenal para homologação da compensação nelas procedidas.
Numero da decisão: 1302-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em REJEITAR os embargos de declaração, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Ester Marques de Souza Lins e José Roberto Adelino da Silva que não conheciam os embargos.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, e José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado) Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA. PRELIMINAR ARGUIDA APENAS EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INCERTEZA QUANTO ÀS PROVAS APRESENTADAS. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. REJEIÇÃO Da análise dos documentos carreados aos autos, não há certeza quanto à data de entrega das DCTFs que servirão como termo inicial para contagem do prazo quinquenal para homologação da compensação nelas procedidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em REJEITAR os embargos de declaração, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Ester Marques de Souza Lins e José Roberto Adelino da Silva que não conheciam os embargos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, e José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado) Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca
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PRELIMINAR ARGUIDA APENAS EM SEGUNDA INSTÂNCIA. INCERTEZA QUANTO ÀS PROVAS APRESENTADAS. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. REJEIÇÃO Da análise dos documentos carreados aos autos, não há certeza quanto à data de entrega das DCTF’s que servirão como termo inicial para contagem do prazo quinquenal para homologação da compensação nelas procedidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em REJEITAR os embargos de declaração, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Ester Marques de Souza Lins e José Roberto Adelino da Silva que não conheciam os embargos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 64 51 /0 0- 73 Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302002.100 S1C3T2 Fl. 765 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques de Souza Lins, e José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado) Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relatório Tratase de embargos de declaração para sanar omissão no Acórdão nº 1302001.882 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relativamente à preliminar de decadência, posto tratarse de matéria de ordem pública que deve ser analisada, mesmo quando a Embargante interponha recurso fora do prazo. Pois bem, reconhecida a omissão relativamente à preliminar de decadência através do despacho de admissibilidade fls. 762/763, objeto dos Embargos de Declaração em análise, a Embargante alega ter realizado compensações “sem processo” diretamente nas DCTF´s, em relação aos 4 trimestres de 2000, apresentadas respectivamente em 15/05/2000 (em relação ao 1°TRI/2000), em 11/08/2000 (em relação ao 2°TRI/2000), em 14/11/2000 (em relação ao 3°TRI/2000) e em 02/05/2001 (em relação ao 4°TRI/2000). No entanto, afirma que apenas em 01/09/2006 a Receita Federal se pronunciou sobre as compensações realizadas diretamente nas referidas DCTF (por meio do despacho recorrido de fls. 351), momento este posterior ao transcurso do prazo decadencial de 5 anos para a constituição dos créditos pelo lançamento, com relação a todas as declarações realizadas em 2000. Aduz que, tanto o CARF quanto o STJ, sedimentaram o entendimento de que nas hipóteses em que o contribuinte realizou compensações via DCTF, apresentada antes de 31/10/2003, é necessário que a autoridade fiscal realize o Lançamento de Ofício para cobrança de eventuais compensações indevidas (diferença de tributo). Assim, concluiu que se o referido crédito não foi constituído por lançamento de ofício, todos os “débitos” das compensações “sem processo” diretamente em DCTF foram alcançados pela decadência. Por consequência lógica, o saldo creditório remanescente neste processo nunca poderia ter sido utilizado para compensações de ofício, uma vez que a referida compensação se deu com débitos não constituídos e alcançados pela decadência. Finaliza requerendo a declaração da decadência do direito do Fisco de constituição dos créditos tributários relativos aos débitos das compensações “sem processo” diretamente em DCTF´s nos 4º trimestres do ano de 2000 e, consequentemente, quanto à improcedência das compensações de ofício efetuadas (com esses débitos não constituídos e decaídos) e também quanto à improcedência da cobrança adicional no montante de R$ 5.684.281,92, eis que tais débitos não foram constituídos pelo lançamento no prazo quinquenal da entrega das respectivas DCTF´s em 2000. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302002.100 S1C3T2 Fl. 766 3 É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade, de acordo com o despacho exarado às fls.762/763 dos autos, por isso deles conheço. Em sua peça de Recurso Voluntário, a Embargante alega que as DCTFS dos trimestres de 2000 foram apresentadas respectivamente em 15/05/2000, 11/08/2000, 14/11/2000 e 02/05/2001, dandose a decadência respectivamente em relação a esses trimestres em 15/05/2005, 11/08/2005, 14/11/2005 e 02/05/2006 (fl. 573). Para a devida análise da preclusão do direito do Fisco em autorizar/homologar a compensação efetuada pelo sujeito passivo, é indispensável a verificação da data em que foram apresentadas tais declarações, conforme previsão do próprio art. 74, §5º da Lei 9.430/96, à seguir: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifos aditados) No entanto, devese ter em conta que os documentos juntados nos autos deste processo não são suficientes a conferir a certeza necessária quanto à data da entrega das DCTF’s ao Fisco, constatação indispensável à análise da prejudicial de mérito aventada. Desta feita, insta lembrar que a preliminar de decadência mencionada não consta dos pedidos feitos nas Manifestações de Inconformidade de fls. 295/302 e fls. 358/366, tendo sido arguido apenas no Recurso Voluntário de fls. 555/579. A esse respeito, o art. 18, caput, do DecretoLei nº 70.235/72 determina o seguinte: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Como visto, o referido DecretoLei, que dispõe sobre o processo administrativo tributário, estipula que incumbe à autoridade julgadora de primeira instância a determinação de diligências necessárias ao enfrentamento da questão, que no caso seria a verificação da data da efetiva entrega das referidas DCTF’s. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10880.016451/0073 Acórdão n.º 1302002.100 S1C3T2 Fl. 767 4 Ora, mesmo em se tratando de matéria de ordem pública, não cabe a esta instância recursal determinar a realização de diligências que deveriam ter sido procedidas pelo órgão julgador de primeira instância caso o contribuinte tivesse arguido a preliminar de decadência naquela ocasião. Verificase que o administrado não suscitou a questão na ocasião apropriada, não sendo a matéria de ordem pública suficiente a suprimir a primeira instância do processo administrativo. Com efeito, as perícias e diligências destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo. Desta forma, as DCTF’s, já constantes nos autos do processo quando do julgamento pela primeira instância julgadora, não poderiam ter sido suprimidos da análise dessa instância, sob pena de configurarse verdadeira manipulação do processo administrativo por parte dos contribuintes, máxime no que tange à afronta direta ao caput do art. 18 do DecretoLei nº 70.235/72, transcrito alhures. Assim, fato é que nessa instância, através das provas carreadas aos autos do processo, não se alcançou a certeza necessária para a declaração da decadência do direito do Fisco em constituir o crédito tributário. Por todo o exposto, CONHEÇO dos Embargos para no mérito, REJEITÁ LOS. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 767DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.723327/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/01/2008 a 02/08/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS.
No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e três responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas três autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.
Numero da decisão: 3401-003.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a existência do vício detectado pela DRJ, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b) por unanimidade de votos, pela classificação como formal do vício detectado majoritariamente pelo colegiado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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E EXP. DE MÁQUINAS PARA MADEIRAS LTDA E OUTROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/2008 a 02/08/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e três responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas três autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a existência do vício detectado pela DRJ, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b) por unanimidade de votos, pela classificação como formal do vício detectado majoritariamente pelo colegiado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 33 27 /2 01 2- 90 Fl. 1694DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 1285 a 13001, lavrado em 18/12/2012, para aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro, de R$ 3.567.673,95, em substituição à pena de perdimento, em virtude de não ter sido possível apreender a mercadoria (importada de 02/01/2008 a 02/08/2010), que foi objeto de revenda. No Relatório Fiscal de fls. 17 a 59, narrase que: (a) a ação da fiscalização deriva de procedimento anterior, que culminou no auto de infração lavrado no processo administrativo no 15165.000449/2011 23, no qual foi aplicada a pena de perdimento por interposição fraudulenta comprovada nas declarações de importação (DI) no 10/13750510 e no 10/14880671; (b) no presente caso, restou caracterizada a ocultação do sujeito passivo, dos reais compradores e responsáveis pela operação, mediante simulação, na importação amparada pelas 86 DI relacionadas à fl. 19; (c) a empresa “ORION Comércio e Exportação de Máquinas para Madeiras LTDA” (doravante “ORION”), que tem em seu quadro societário Cecília Dallagnol Zotz (75%) e Roberto Zotz (25%), declarouse como importador direto, por conta própria, situação que restou descaracterizada no curso da ação fiscal, verificandose que tal empresa objetivava ocultar o real responsável pela operação comercial; (d) submetida a procedimento especial de controle aduaneiro finalizado em 24/05/2011, a empresa “ORION” foi objeto de diligência, na qual se verificou que no domicílio tributário informado ao fisco não havia qualquer funcionário, ou indício de que ali se encontrava uma empresa (informando a imobiliária que o imóvel estava desocupado desde o início de 2010); (e) a empresa “ORION”, de janeiro de 2008 a agosto de 2010, importou cerca de 4 milhões de reais em mercadorias, 88,95% destas sendo partes e peças para bombas injetoras, sendo o principal fornecedor a empresa uruguaia RIKUR S.A. (96,81% do valor total de tais mercadorias), sendo as 86 DI analisadas referentes a mercadorias que custaram R$ 4.888.751,82 (no mínimo, pois em tal valor não foram computadas despesas de armazenagem, demurrage, AFRMM, ICMS, despachante e fretes internos); (f) cotejando as mercadorias importadas nas 86 DI com as notas de venda, percebese diferença de R$ 1.469.441,59, significando que a empresa “ORION” deu entrada aos produtos importados a um preço, em média, 30,06% menor que o mínimo possível (exemplos e dados individualizados das notas às fls. 31 a 36); (g) apesar do considerável volume de vendas, vez que a empresa “ORION” dá saída a mercadorias abaixo do próprio preço de custo, esta acumula 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.695 3 prejuízos crescentes (tabela à fl. 37), e seus sócios também não apresentam recursos para fazer frente às importações (rendimentos declarados ainda à fl. 37); (h) em investigação das citadas DI no 10/13750510 e no 10/14880671, foi realizada diligência na empresa “BMM Distribuidora de Peças LTDA” (doravante “BMM”), onde foram encontrados extratos de DI da “ORION”, documentos que indicam que um dos sócios da “BMM” é também o proprietário da exportadora uruguaia RIKUR S.A., documentos relacionados à propriedade das marcas (FLÜB e WSK, entre outras, marcas registradas e de propriedade da “BMM”), e informações, nos produtos, de que a importadora seria a “BMM” (fotos à fl. 40); (i) nas DI analisadas na ação fiscal, 3.116 produtos em 50 DI ostentam a marca FLÜB, e durante a conferência da DI no 10/14880671, verificouse que as mercadorias já vinham embaladas em caixas da marca; (j) a última DI registrada pela “BMM”, alvo de procedimento especial aduaneiro de 2007, foi em 21/01/2008, só voltando a operar no período em que a “ORION” encontravase sob procedimento especial, sendo os produtos importados por ambas os mesmos, e provenientes do mesmo exportador uruguaio – RIKUR S.A.; (k) a empresa “MULLER Diesel Comércio de Peças LTDA” (doravante “MULLER”), informa ser distribuidora oficial das marcas WSK, ZY, SEVEN, OMS, BULL e SPACO DIESEL, todas importadas pela “ORION”, a maioria das quais a empresa “BMM” requer registro, e de 6.552 produtos importados pelas DI em análise, 87,15% são de marcas constantes dos pedidos de registro no INPI pela BMM (FLUB, BULL, ZY, WSK e OMS – tabela à fl. 43); (l) outra empresa do grupo, a “PARTS Diesel Comércio de Peças para Veículos LTDA” (doravante “PARTS”), também menciona em seu sítio web ser tradicional importador das marcas FIRAD, SEVEN, FLÜB, ZY, WSK e OMS, entre outras, embora jamais tenha registrado operação de importação, tendo sido habilitada para operar no comércio exterior apenas em 20/09/2010, quando a “ORION” estava sob procedimento especial; (m) as três empresas adquirentes (“BMM”, “MULLER” e “PARTS”), destinatárias de 98,38% das importações de peças para motores diesel em análise, fazem parte de um mesmo grupo empresarial controlado por Ricardo Muller, André Luiz de Souza Bormann e Juan Francisco Morellato, este proprietário da RIKUR S.A. (empresa uruguaia que tem 90% de suas exportações para o Brasil destinadas à “ORION”) e sócio da “BMM” (relações entre quadros societários e operacionais às fls. 45/46); (n) analisandose os contratos de câmbio referentes às importações, percebe se que houve, para várias DI (tabela à fl. 48), remessas em valores superiores aos declarados nas importações em mais de 100%; Fl. 1696DF CARF MF 4 (o) o esquema de importações fraudulentas, com ocultação, é sintetizado na figura de fl. 49, restando na sujeição passiva da autuação as empresas “ORION”, “BMM”, “MULLER” e “PARTS”; e (p) tendo em vista a impossibilidade de apreensão das mercadorias, que já haviam sido revendidas, foi apurado seu valor aduaneiro (tabela às fls. 55/56), para fins de aplicação da multa substitutiva do perdimento, prevista no artigo 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976. A documentação de amparo do relatório fiscal se encontra às fls. 60 a 1283. A empresa “ORION” foi cientificada da autuação em 22/12/2012 (AR à fl. 1307) e em 29/12/2012 (termos de fl. 1301 a 1304), e apresentou impugnação em 22/01/2013 (fls. 1455 a 1476, com documentação de amparo às fls. 1483 a 1525), argumentando, em síntese, que: (a) a substituição da pena de perdimento por multa, no caso de revenda, passou a ser prevista somente na redação dada ao artigo 23, § 3o do Decreto Lei no 1.455/1976 pela Lei no 12.350, de 20/12/2010, não sendo aplicável ao caso em análise (que trata de importações de 02/01/2008 a 02/08/2010), pelo que é nula a autuação, em função do princípio da irretroatividade da lei; (b) mesmo na redação anterior, o artigo 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 não se aplica ao caso em análise, pois os produtos a serem apreendidos são duráveis, sem prazo de validade, e com marcação que possibilita a sua identificação; (c) a empresa sempre operou no mesmo endereço, onde ainda se encontra instalada e em funcionamento, não tendo o fisco tentado contato com a empresa, mas somente com imobiliária, entendendo equivocadamente a resposta, que não versava sobre o barracão da empresa, ao fundo, no endereço em que a empresa recebeu inclusive diversas intimações da RFB, como a do presente auto de infração; (d) o valor total da nota de entrada já inclui os tributos, que foram computados novamente pelo fisco, chegando a um valor mínimo equivocado, sendo o preço competitivo em função de benefício fiscal de ICMS/PR; (e) a empresa possuía habilitação para operar no SISCOMEX, e possuía recursos financeiros, conforme extratos bancários apresentados à fiscalização e comprovantes de empréstimo, e as operações objeto da autuação foram adquiridas para pagamento a prazo; (f) as marcas FLÜB e WSK foram registradas apenas em 2009, sendo que a empresa “BMM” jamais comunicou esse fato à “ORION”, que importava os produtos de boafé, sendo o registro da marca ZY indeferido, nem aparecendo as demais marcas na busca, e não podendo a fiscalização alastrar as conclusões da DI no 10/14880671 às demais; (g) a conclusão de que o valor de câmbio remetido é superior ao das importações declarada é equivocada, devendo ser tomado em conta, no cômputo, o INCOTERM® correspondente; (h) não há qualquer ilegalidade em adquirir mercadoria chinesa e europeia de exportador uruguaio; Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.696 5 (i) não houve qualquer tentativa de ocultação e nem fraude nas importações, que foram por conta própria, para revenda a terceiros; e (j) a alegação de quebra na cadeia no IPI na operação de venda não encontra guarida normativa, visto que o TRF da 4ª Região vem decidindo, com base em precedente do STJ, que não deve ser cobrado IPI na venda de produtos importados, e a ocultação do real adquirente ou exportador deve ter o dolo específico de suprimir tributos. Os responsáveis solidários foram cientificados e apresentaram impugnações conforme tabela a seguir (os argumentos de defesa dos três responsáveis foram aqui reunidos, pela similaridade das peças de defesa), argumentando, basicamente, que: Responsável solidário Ciência da autuação (data/fls.) Impugnação (fls. / razões de defesa) “BMM Distribuidora de Peças LTDA” 21/12/2012 (AR à fl. 1305) Impugnação apresentada em 15/01/2013 (fls. 1355 a 1386) “MULLER Diesel Comércio de Peças LTDA” 21/12/2012 (AR à fl. 1310) Impugnação apresentada em 15/01/2013 (fls. 1313 a 1343) “PARTS Diesel Comércio de Peças para Veículos LTDA” 21/12/2008 (AR à fl. 1312) Impugnação apresentada em 15/01/2013 (fls. 1403 a 1433) (a) não houve adiantamento de recursos para que a empresa “ORION” efetuasse as importações em análise, não se aplicando a presunção de que trata o artigo 27 da Lei no 10.637/2002; (b) incumbe ao fisco demonstrar que o risco inerente à operação de importação e posterior revenda seria transferido aos adquirentes, o que não ocorre no caso; (c) não há prova nem de ocultação nem de dolo, nem de participação da empresa, calcandose a autuação em operações similares objeto de autuação anterior; (d) a aplicação da pena de perdimento sem tomar em conta as peculiaridades do caso concreto (fundado em indícios e suposições) afigura violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; (e) para caracterização de “interposição fraudulenta”, há necessidade de prova de dolo, inexistente nos autos; (f) a penalidade aplicada é desproporcional, devendo ser relevada a pena, com fulcro nos artigos 736 e 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009); Fl. 1698DF CARF MF 6 (g) não se aplica ao caso o artigo 124, I do Código Tributário Nacional (CTN), sendo equivocado o entendimento fiscal sobre o que seria “interesse comum”, que não se confunde com interesse econômico, sendo afeto ao interesse jurídico; e (g) alternativamente, a responsabilidade da empresa deve limitarse às operações das quais ela participou (como adquirente ou encomendante), e não aos valores globais, que incluem operações de terceiros, sendo que, no próprio termo de verificação, a autoridade aduaneira afirma que do valor total das notas fiscais de saída da “ORION”, 40.16% foram à “BMM”; 33,82% à “MULLER”, e 24,4% à “PARTS”; Em 20/02/2014, ocorreu o julgamento de primeira instância (fls. 1552 a 1564), no qual a DRJ decidiu, pelo voto de qualidade, pela nulidade do lançamento, por vício formal (por ter sido lavrado um único auto de infração em face das quatro pessoas envolvidas, que respondiam por diferentes parcelas do crédito, e não todas pela integralidade do valor lançado, e em observância à Solução de Consulta Interna COSIT no 8/2013), vencidos a relatora e outro julgador, que entendiam haver vício material na autuação. Em função do valor exonerado, houve interposição de recurso de ofício. A empresa “ORION” foi cientificada do julgamento de piso em 07/04/2014 (AR à fl. 1584). Os responsáveis solidários, por sua vez, foram cientificados da decisão da DRJ nas datas relacionadas na tabela a seguir: Responsável solidário Ciência da decisão da DRJ (data/fls.) “BMM Distribuidora de Peças LTDA” 31/03/2014 (AR à fl. 1581) “MULLER Diesel Comércio de Peças LTDA” 01/04/2014 (AR à fl. 1582) “PARTS Diesel Comércio de Peças para Veículos LTDA” 01/04/2014 (AR à fl. 1583) Após a ciência, a empresa “MULLER” apresentou, em 24/04/2014, a peça de fls. 1585 a 1625, intitulada de “recurso voluntário”, e que será aqui encarada como contrarrazões ao recurso de ofício, o mesmo acontecendo em relação à empresa “PARTS”, no documento de fls. 1634 a 1674, apresentado em 25/04/2014 (ambas as peças trazendo, ao final, cópia da Solução de Consulta Interna COSIT no 8/2013), acrescendo tais peças de defesa aos tópicos já relacionados nas impugnações os seguintes argumentos (que, pela similaridade, serão aqui reunidos): (a) não ocorreu erro na identificação do sujeito passivo, ou erro de fato, mas erro de direito, ensejando a anulação da autuação por vício material, decorrente de interpretação extensiva não permitida no ordenamento, como sustentou a relatora do processo na DRJ; e (b) há necessidade de apreciação de mérito, sendo ele favorável à parte que da nulidade se beneficiaria. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.697 7 O processo foi distribuído, no CARF, por sorteio, ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, para relatoria, tendo sido suscitada suspeição (fl. 1692), em 30/07/2016. Em setembro de 2016, o processo foi a mim distribuído, por novo sorteio. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. Em fevereiro, março e abril o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso de ofício foi interposto dentro dos patamares normativamente estabelecidos, e, portanto, dele se toma conhecimento. Detecta a DRJ, no presente caso, seguinte vício (independente da classificação adotada): a autuação lavrada contra a ocultante “ORION” se refere a operações nas quais são ocultadas, basicamente, três empresas, em diferentes declarações de importações/mercadorias: “BMM”, “MULLER” e “PARTS”. Mesmo sabendo exatamente quais importações tiveram como destino cada uma das empresas (o que se percebe do excerto de fls. 33/34 do relatório fiscal, abaixo), a autuação incluiu todas as quatro empresas no polo passivo, como responsáveis pela integralidade do crédito tributário: Fl. 1700DF CARF MF 8 Nos Anexos 5 a 7, e 12, do relatório fiscal, poderiam facilmente ser individualizadas as operações por empresa. É certo que a “ORION”, adotadas as premissas da autuação, seria efetivamente responsável pela integralidade do crédito tributário, enquanto as outras três empresas responderiam apenas no que se refere às operações nas quais figuram como destino (se caracterizada a operação como ocultação). O caso é substancialmente semelhante a outro, recentemente analisado por este colegiado (com seis dos oito conselheiros que hoje o compõem), no qual atuei como redator designado para o voto vencedor: “AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e dois responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas duas autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado.” (Acórdão no 3401003.293, de 25/01/2017) (grifo nosso) Na ocasião, três dois oito julgadores (Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeidarelator, e os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira) entenderam que sequer havia vício no lançamento, podendo haver a segregação por sujeito passivo no momento da execução do julgado, como se revela no teor do voto vencido: “Novamente, sem muito esforço, notase que não se trata de questão que eive o lançamento de vício na identificação do sujeito passivo. Os sujeitos passivos foram perfeitamente identificados e, se os solidários não podem ser responsabilizados pela totalidade do crédito, isso passa ser uma questão de simples segregação das DI, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal, mesmo porque, competência da PGFN incluir todos os solidários nos documentos de dívida ativa, cabendo a RFB apontar os fatos e os fundamentos jurídicos necessários e suficientes à Fazenda Nacional cumprir seu munus, em razão da jurisprudência que formouse no sentido da inclusão prévia à execução fiscal. Perfeitamente possível a segregação por DI dos montantes em relação aos quais cada solidário responde e, ainda que entendida juridicamente impossível a segregação, restaria ao julgador, apenas, por excluir os responsáveis solidários do polo passivo da exação, não implicando a situação em (sic) nulidade do auto de infração, ao menos, contra o sujeito passivo principal do lançamento: CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A.” (grifo nosso) Mas o posicionamento majoritário, externado pelos cinco julgadores restantes, e revelado no voto vencedor, de minha lavra, foi no seguinte sentido: “Externo, no presente voto, as razões pelas quais divergi do nobre relator em relação a duas das matérias que ensejaram a nulidade do lançamento, segundo a decisão de piso. No que se refere à exigência de autorização específica para segundo exame, apenas endosso o entendimento do relator, acolhido unanimemente no seio do colegiado. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.698 9 Trato, assim, a seguir, de dois vícios identificados pela DRJ, um referente a incompetência jurisdicional da autoridade autuante, e outro versando sobre sujeição passiva, pelo qual inicio. O auto de infração em análise foi lavrado, pela IRF Rio de Janeiro, indicando como sujeito passivo a empresa “Cervejaria Petrópolis S.A.”, em relação a crédito que totaliza R$ 433.039.339,66, resultante da substituição da pena de perdimento por multa no valor aduaneiro da mercadoria, prevista no artigo 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (reproduzido no artigo 689 do Decreto no 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro), em relação às 52 declarações de importação (DI) relacionadas à fl. 21, no Relatório da Fiscalização, anexo à autuação: (...) No item 6 do mesmo relatório fiscal (intitulado “Responsabilidade Solidária”, fls. 170 a 174), a autoridade aduaneira defende, com fundamento nos artigos 121, 124, 125 e 128 do Código Tributário Nacional, e nos artigos 95, 104 e 106 do DecretoLei no 37/1966 (reproduzidos no Regulamento Aduaneiro), que há responsabilidade solidária, no caso, das empresas “Barley Malting Importadora LTDA” (CNPJ no 09.193.169/000180) e Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA” (CNPJ no 00.851.567/000171), concluindo (fls. 173/174) que: Não atenta o autuante, no entanto, para o fato de que, entre as 52 DI relacionadas na autuação, nas quais a empresa oculta na transação seria a “Cervejaria Petrópolis S.A.”, algumas foram registradas pela “Barley Malting Importadora LTDA” e outras pela “Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA”. E uma dessas empresas arroladas na condição de responsável solidária jamais poderia arcar com o crédito tributário lançado em relação à DI registrada por outra. Fl. 1702DF CARF MF 10 Deveriam, assim, ter sido lavradas duas autuações, uma em relação à “Cervejaria Petrópolis S.A.”, que teria sido ocultada nas DI registradas por “Barley Malting Importadora LTDA”, e que seria responsável solidária em relação à integralidade do crédito lançado, e outra contra a “Cervejaria Petrópolis S.A.”, que teria sido ocultada nas DI registradas por “Praiamar Indústria, Comércio e Distribuição LTDA”, que, por seu turno, também seria responsável solidária em relação à integralidade do crédito lançado na segunda autuação. Não se crê, aqui, na viabilidade da figura da “responsabilidade solidária parcial”, a ser desmembrada em fase de execução. Por isso, concordamos com o relator quando este afirma que “... os solidários não podem ser responsabilizados pela totalidade do crédito”, mas divergimos no momento em que sustenta ser o desmembramento viável mediante “simples segregação das DI, na execução do julgado, na via administrativa, ou no curso da execução fiscal”. Esclareçase que, em relação às três empresas, paira, para o fisco, uma dívida (sob litígio) de R$ 433.039.339,66, com todas as consequências daí advindas (em relação à situação fiscal, quitação da dívida e possibilidade de obtenção de parcelamento etc.). Afirma ainda o relator, endossando as contrarrazões da PGFN (fl. 15530) que seria “[p]erfeitamente possível a segregação por DI dos montantes em relação aos quais cada solidário responde”, e que, “... ainda que entendida juridicamente impossível a segregação, restaria ao julgador, apenas, por excluir os responsáveis solidários do polo passivo da exação, não implicando a situação em nulidade do auto de infração, ao menos, contra o sujeito passivo principal do lançamento: CERVEJARIA PETRÓPOLIS S/A”. Até concordamos que, em eventual afastamento da responsabilidade de ambos os indicados como solidários, restando a imputação exclusivamente em relação à empresa “Cervejaria Petrópolis S.A.”, não haveria que se falar em vício na sujeição passiva, pois a única empresa remanescente no polo passivo responderia efetivamente pela integralidade do crédito lançado. Mas isso não está sob análise, ainda, no presente processo, que sequer ingressou na apreciação do mérito da autuação. Entendemos, assim, que devem ser lavradas autuações distintas para cada conjunto ocultante/ocultado, para que não se imponha responsabilidade solidária a sujeito passivo que sequer participou efetivamente da operação de importação objeto do lançamento. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e dois responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, há nulidade formal, devendo ser lavradas duas autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. A nulidade faz com que, além de haver cerceamento de defesa (por certo que uma empresa sequer tem meios de impugnar lançamento na parte que não lhe corresponde), haja risco de divulgação de dados indevidos (o Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 15165.723327/201290 Acórdão n.º 3401003.836 S3C4T1 Fl. 1.699 11 que é minimizado, no presente processo, por haver imputação de que todas as empresas comporiam um mesmo grupo econômico). Daí concordarmos com a afirmação do julgamento de piso em relação a este tópico (fl. 15505): Deve ser negado provimento, então, ao recurso de ofício, nesse aspecto, mantendose a decisão de piso.” Endosso cada palavra de tal voto vencedor, estendendoas ao caso aqui em análise, no qual resta inviabilizada a continuidade do julgamento, no mérito, frustrando a demanda de contrarrazões ao recurso de ofício apresentada pelas empresas “MULLER” e “PARTS”. A única diferença é que no presente caso, ao invés de dois, temse três responsáveis solidários. Mas, de forma idêntica, fica inviabilizada a defesa de cada um deles em relação à parte que sequer lhe diz respeito, criandose uma espécie de “responsabilidade solidária parcial”, incompatível com os atributos de tal instituto no Direito Tributário e no Direito Aduaneiro. Sobre ser formal ou material o vício, o que, hoje, implica, indiretamente, a possibilidade ou não de lavratura de nova(s) autuação(ões), tendo em vista o prazo decorrido, conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional, cabe destacar que mantemos o posicionamento por ser formal o vício. Apesar de não haver nenhuma obrigação de classificação dos vícios na legislação de regência (classificação essa, digase, doutrinária ou jurisprudencial, porque não há critério normativo explícito para a distinção), a manifestação do colegiado, no presente caso, é demandada não só pelo próprio teor do recurso de ofício e das contrarrazões apresentadas, mas para facilitar a evidenciação das providências a serem tomadas pela unidade local, na execução administrativa do julgado. E, para empreender tal análise, necessitamos de algo mais do que a proposta de classificação da Solução de Consulta Interna COSIT no 8/2013 (que, digase, não resolve a discussão aqui presente, e permite tanto a conclusão presente no voto vencido, na DRJ, quanto a que figura no voto vencedor), de fácil assimilação, mas de difícil aplicação ao caso concreto. Entendemos que um grande passo foi dado na uniformização dos critérios a serem considerados na classificação dos vícios no lançamento tributário com obra recentemente publicada, fruto da dissertação de mestrado do conselheiro deste CARF Luís Eduardo Garrossino Barbieri, na qual são estabelecidos pressupostos teóricos de classificação dos Fl. 1704DF CARF MF 12 vícios, seguidos de visão pragmática (Capítulo 6), com exemplos de julgamentos do STJ e do CARF.2 E, na citada obra, tenho um indicador claro de que o vício detectado no presente processo seria de ordem formal, pois, no caso em análise, é possível lavrarse nova(s) autuação(ões) sem investigação adicional, visto que basta que, com os elementos que já figuram no processo, seja apartada em três a presente autuação, por grupo “ocultante/ocultado”, nas operações de importação, visto que "o vício formal não admite investigações adicionais" (conforme entendimento endossado unanimemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão no 9202002.731). Mantenho, assim, o entendimento externado no Acórdão no 3401003.293, de 25/01/2017, endossado aqui com estudo científico sobre o tema e com precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan 2 BARBIERI, Luís Eduardo Garrossino. Lançamento tributário: vícios e seus efeitos. Critérios para diferenciar os vícios formais dos vícios materiais. Novas Edições Acadêmicas, 2015. Disponível em: https://www.nea edicoes.com/catalog/details/store/us/book/9783639848373/lan%C3%A7amentotribut%C3%A1rio: v%C3%ADcioseseusefeitos?search=Abuso%20sexual%20em%20crian%C3%A7a. Acesso em 08.fev.2015. Fl. 1705DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902802/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.172
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 02 /2 01 2- 22 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.013. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902802/201222 Acórdão n.º 3302004.172 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.904089/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 89 /2 01 4- 53 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10875.904089/201453 Acórdão n.º 1301002.461 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 219DF CARF MF
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