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Numero do processo: 16327.903677/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Acompanhou o julgamento: Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº 153.881.
(assinado digitalmente)
Belchio Melo de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do redator designado. Vencidos o relator e os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Acompanhou o julgamento: Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº 153.881. (assinado digitalmente) Belchio Melo de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani (Relator) e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório Trata de PER/DCOMP transmitido em 19/10/2005, com a finalidade de compensar crédito de CPMF proveniente do recolhimento a maior no valor de R$ 30.400,00 realizado em 21/07/2004, referente a fato gerador ocorrido em 21/07/2004, com débito IRRF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 67 7/ 20 09 -0 3 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 358 2 À fl. 20 consta despacho decisório, por meio do qual não foi homologado o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Já as fls. 01/09 o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e argumentou em sua defesa que por erro de sistema efetuou em 08/07/2004, operação de aplicação em fundo mútuo no valor de R$ 8.000.000,00 para a empresa Braskem S/A., mas que nesta mesma data a operação foi “estornada” da conta corrente do cliente, conforme comprova extrato (Anexo 4). Esclarece que em razão dessa operação reteve R$ 30.400,00 a título de CPMF, que integrou o DARF de R$ 10.855.952,40, conforme se retira dos Anexos 5 e 6. O recorrente alega que em 21/07/2004 restituiu a CPMF ao cliente, consoante extrato carreado aos autos, sendo que corrobora com esta afirmação a declaração fornecida pela Braskem S/A (Anexo 7). Protesta pela aplicação do princípio da verdade material e afirma que o princípio da legalidade veda a cobrança de tributo sem previsão legal. Além do que, o fato de ter apurado o débito de maneira equivocada na DCTF, não impede que produza prova da inexistência deste. Aduz que a CPMF devida não é R$ 10.855.952,40, mas sim R$ 10.825.552,40 e que está provado o direito creditório por meio da documentação juntada. Colacionou decisões do CARF para demonstrar que o erro no preenchimento da DCTF pode ser corrigido por meio da apresentação de documentos idôneos. Cumpre informar que a retificação da DCTF (Anexo 8), ocorreu 20/05/2009, ou seja, posteriormente ao despacho decisório, mas ates da decisão da DRJ. Às fls. 431/435 sobreveio o acórdão n.º 0532.230 – 3ª a Turma da DRJ/CPS, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 21/07/2004 Direito Creditório. Prova. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme se retira da decisão da DRJ, o PER/DCOMP transmitido não foi homologado em razão de que os julgadores de primeiro grau partiram da premissa de que teriam ocorrido 2 (duas) retenções e respectivos pagamentos de CPMF, logo deduziram que o recorrente alegou que na realidade, haveria apenas uma operação tributável. Portanto, para a DRJ o litígio está na inexistência de uma operação sujeita a incidência da CPMF, enquanto que a outra incidência não seria ponto incontroverso. Abaixo está reproduzido parte do voto da DRJ para melhor elucidar o fundamento de seu convencimento para indeferir a homologação pretendida: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 359 3 A operação tida por indevida tem por histórico a expressão "APL FUNDO MÚTUO". Representando um lançamento a débito da conta corrente, tal movimentação estava sujeita à incidência da CPMF. Segundo a interessada, a retenção está retratada no extrato de fl.40, com número de referência, 9001248, coincidente com aquele da aplicação. Segundo a interessada, a outra movimentação, referência 9100118, no valor de R$ 8.000.000,00 registrada naquele dia, desta vez a crédito da conta e, portanto, estranha ao universo de incidência da contribuição, representaria o estorno da operação anterior. Porém, no histórico da operação consta "TRANS ENTRE CTAS", sem qualquer sinal de que se trataria de lançamento de estorno. Na mesma data, conforme extrato juntado à fl. 35, está registrada outra movimentação a débito da conta, portanto tributada, no valor de R$ 8.000.000,00, com o histórico "PRES CTA PAYLINK". A coincidência dos números de referência, 0900089, leva à conclusão de que a retenção retratada no extrato de fl. 40 seja referente a esta movimentação. Importa chamar a atenção para o fato de que nenhuma movimentação apresenta a expressão estorno por histórico ou descrição. O lançamento que a interessada alega tratarse do estorno foi identificada como sendo uma transferência entre contas, o que, a toda evidência, não t em a natureza de estorno. Ainda a esse respeito, o extrato juntado à fl. 39 apresenta um lançamento de cujo histórico é "ESTORNO DO CPMF", correspondente ao que seria a devolução da contribuição ao cliente. Nesse sentido, a ausência da expressão estorno na operação que a interessada alega ter essa natureza revelase ainda mais significativa. O panorama esboçado pelos documentos juntados pela interessada retrata, portanto, a existência de duas operações tributadas e uma não tributada, sem que tenha sido demonstrada qualquer ligação entre elas, exceto seu valor. A documentação não consegue, pois, sustentar a tese de que teria ocorrido uma duplicidade indevida de incidência. Já às fls. 339/345 o contribuinte apresenta recurso voluntário e reafirma que registrou por equívoco a realização de uma operação de mútuo (Operação 9100118) com a empresa Braskem S.A, para aplicação do valor de R$ 8.000.000,00 em um fundo de investimentos. Assim, verificado o equívoco realizou o estorno na contabancária (Operação 9001248) pertencente a Braskem S.A., mas que recolheu o tributo e o devolveu a referida empresa. A linha principal de defesa do recorrente consiste na alegação de que ocorrendo o estorno da operação de empréstimo para seu cliente e o pagamento indevido da CPMF, surgiu o direito creditório em seu favor e para provar o alegado sustenta: Em momento algum a alegou que haveria duplicidade de incidência, e sim buscou comprovar o fato de que jamais ocorreu a operação de aplicação de fundo de investimento, realizada indevidamente pelo seu sistema informático, em nome da Braskem S.A; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 360 4 O Acórdão partiu de uma premissa equivocada, qual seja, a de que a recorrente teria alegado duplicidade de tributação pela CPMF, quando, na verdade, o contribuinte afirma que a operação de aplicação em fundo de investimento nunca existiu; Há um vício no Acórdão, na medida em que a inexistência da operação acima mencionada nem sequer chegou a ser analisada e os documentos apresentados pela recorrente foram refutados pela DRJ no âmbito da comprovação de razões que jamais foram defendidas; Além disso, cabe destacar que a DRJ sustenta que os extratos bancário da Braskem S.A. não seriam capazes comprovar a ocorrência de estorno do montante de R$ 8.000.000,00, em razão de a operação ter sido foi identificada por meio da expressão "TRANS ENTRE CTAS"; O fato de a operação de estorno não ter sido identificada, no extrato bancário da Braskem S.A., por meio da palavra "estorno", não afasta o direito creditório, principalmente porque a Braskem S.A declarou expressamente que ocorreu o estorno do valor de R$ 8.000.000,00. Por fim, protesta pela reforma da decisão e pela homologação da compensação. Este é o relatório. Voto vencido Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. O contribuinte pretende comprovar a existência do crédito de CPMF recolhido a maior no valor de R$ 30.400,00, para tanto alega que em razão de erro, realizou operação de aplicação em fundo mútuo no valor de R$ 8.000.000,00 para a empresa Braskem S/A., mas que estornou esta operação no mesmo dia, conforme faz prova o extrato juntado (Anexo 4). À fl. 34 consta o famigerado extrato que é objeto da controversa. Em que pese a existência deste extrato, a DRJ manifestou entendimento de que a recorrente não teria comprovado o estorno da operação financeira que resultou na aplicação do valor de R$ 8.000.000,0 em favor da empresa Braskem S/A e que foi o motivo da incidência da CPMF. Já o contribuinte alega que por meio desse extrato é possível comprovar o estorno da aplicação no fundo, cuja referência é 9100118. O maior problema é que a operação presente no documento anexo à fl. 34, não está descrita como “estorno”, mas sim como “transferência entre contas”, mais preciosamente “trans entre ctas”, e justamente por esse motivo interpreto que a DRJ tenha indeferido o pedido. Acontece que a DRJ ignorou os demais documentos colacionados pelo contribuinte e que compreendo serem fundamentais para a solução do caso. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 361 5 Refirome ao extrato retirado da conta corrente da empresa Braskem S.A e anexo à fl. 39, por meio do qual se verifica ter sido realizado o estorno da CPMF exatamente no valor de R$ 34.400,00, ou seja, o valor correspondente ao crédito transmitido em PER/DCOMP para o qual o contribuinte pleiteia o crédito. Outra prova importante diz respeito a declaração fornecida pela empresa Braskem S.A e juntada à fl.322 (Anexo 7), digase de passagem, trazida aos autos antes mesmo da decisão de primeiro grau. Nesta declaração a Braskem S.A atesta que lhe foi creditado o valor de R$ 34.400,00 referente a restituição de CPMF. Cito Acórdão nº 10249037 – PAF nº 10140002502/200466 do 1º Conselho de Contribuintes, julgado em 24.04.2008 pela 2ª Câmara, Turma Ordinária, que apesar de tratar da incidência do IRPF, toca na questão referente ao estorno de lançamentos com repercussão na incidência tributária: OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS (...) ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EXCLUSÕES Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS EXCLUSÃO A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. DECADÊNCIA Sem que se transcorra o prazo previsto no § 4o do art. 150 do CTN, que é o mais benéfico ao contribuinte, não há que se falar em decadência. Preliminares afastadas. Recurso provido.(grifo) Com efeito, considerando que o contribuinte retificou a DCTF e apresentou prova da existência de seu crédito por ter comprovado o estorno da aplicação de R$ 8.000.000,00 da conta corrente de seu cliente, voto para que seja homologada a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Juliano Lirani – Relator Voto vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 362 6 Inobstante a presença nos autos de vasto conjunto probatório, conforme acima relatado, há uma questão relevante que impede uma conclusão peremptória quanto à efetiva existência do direito alegado pelo Recorrente. O valor da CPMF que se pretende restituir (R$ 30.400,00) decorre, segundo o Recorrente, da ocorrência, em 8 de julho de 2004, de um erro em seus sistemas, em que se realizou uma operação indevida de aplicação em fundo mútuo, no valor de R$ 8.000.000,00, na contacorrente da empresa Braskem S/A., operação essa que, ainda segundo o Recorrente, foi estornada no mesmo dia (fl. 34). A controvérsia reside no fato de que, conforme consta do extrato à fl. 34, o alegado estorno da aplicação financeira encontrase identificado como “TRANS ENTRE CTAS”, expressão essa que pode ser compreendida como “transferência entre contas”. Ora, a identificação de um lançamento na contacorrente dessa forma não se mostra consentâneo com a natureza do fato alegado pelo Recorrente, qual seja, o estorno da aplicação indevida. Sem a confirmação de que tal lançamento consiste, efetivamente, em um estorno e não em uma transferência entre contas, não se pode concluir de forma cabal quanto ao direito pleiteado, reclamando por maior investigação dos fatos controvertidos. O Recorrente não trouxe aos autos a prova necessária à confirmação de que, além do alegado erro do sistema, houve, também, erro na identificação do lançamento, nos termos acima apontados. Se uma operação de aplicação financeira, ainda que indevida, foi realizada, com a saída dos recursos da contacorrente do contribuinte, o respectivo valor foi transferido para uma outra conta, a do fundo mútuo, e, em seguida, dado o erro ocorrido, estornada dessa mesma conta de aplicação, estorno esse que deve ter tido como contrapartida o referido lançamento identificado no extrato como “transferência entre contas”. É essa movimentação eletrônica de valores que precisa ser demonstrada para se comprovar a efetiva ocorrência da tributação indevida. Nesse contexto, concluise, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que se colham, junto ao Recorrente, as provas necessárias à confirmação do erro alegado, no que tange à efetiva ocorrência de aplicação financeira indevida e de seu respectivo estorno. O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 16327.903677/200903 Resolução nº 3803000.266 S3TE03 Fl. 363 7 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/07/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digi talmente em 26/06/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000007/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
IPI. CRÉDITOS EM RELAÇÃO A ISNUMOS DESONERADOS. IIMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF.
Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina de Freitas.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 IPI. CRÉDITOS EM RELAÇÃO A ISNUMOS DESONERADOS. IIMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina de Freitas.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 IPI. CRÉDITOS EM RELAÇÃO A ISNUMOS DESONERADOS. IIMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Fábia Regina de Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 07 /2 00 8- 16 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão Preto: Tratase de auto de infração lavrado em desfavor de Indústria de Plásticos Bariri Ltda, CNPJ 71.527.618/000152, relativo ao IPI Imposto sobre Produtos Industrializados apurado pela fiscalização nos períodos compreendidos nos anos de 2003 a 2006, no valor total de R$ 4.798.027,62 (quatro milhões, setecentos e noventa e oito mil, vinte e sete reais, e sessenta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl. 2 (inclusos multa de ofício e juros de mora). Em face da constatação de créditos indevidamente aproveitados e das respectivas glosas efetuadas, a escrita nos Livros de Registro de Apuração do IPI foi reconstituída, resultando, daí, nos saldos devedores demonstrados no auto, conforme fls. 04/45. Os créditos glosados correspondem àqueles consignados pelo sujeito passivo, em seus livros fiscais, como "OUTROS CRÉDITOS ACÓRDÃO N° 212.4822/RS DO STF". Tais créditos foram calculados sobre as aquisições de produtos não tributados, isentos ou com alíquota zero. Regularmente cientificada do lançamento em 30/01/2008, a contribuinte ingressou, em 15/02/2008 (registro à fl. 318), com a impugnação de fls. 273/306, instruída dos documentos de fls. 307/314, apresentando, em suma, as seguintes razões de defesa: 1. O lançamento é procedimento administrativo através do qual a autoridade fiscal cumpre o seu dever de demonstrar motivadamente a ocorrência do suporte fático (fato gerador) no mundo fenoménico. As premissas fáticas não foram validadas pela fiscalização, posto que todas as informações e declarações do imposto cobrado em questão se encontram devidamente registradas no "Livro de IPI Créditos Escriturados e Débitos Escriturados" da empresa. Os créditos glosados pela fiscalização são válidos, pois esse é o entendimento do próprio Supremo Tribunal Federal (RE n° 212.4842/RS), ainda que a contribuinte não faça parte da ação judicial julgada pelo excelso tribunal. 2. A multa fixada em 75% é excessiva e desproporcional, possuindo caráter confiscatório. Deve ser reduzida, atendendo se aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência. 3. A taxa SELIC não se presta a ser aplicada como taxa de juros moratórios, uma vez que possui característica de juros remuneratórios. A taxa correta a ser aplicada é aquela prevista no art. 161, § Io , do CTN. Além disso, a cobrança pela SELIC é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei. Também é inconstitucional, ao teor do art. 150 da Constituição Federal, pois a cobrança de juros superiores ao quantum estabelecido pelo CTN representa efetivamente um Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000007/200816 Acórdão n.º 3302001.816 S3C3T2 Fl. 11 3 aumento de tributo sem lei que o autorize. A aplicação da taxa de juros não pode exceder a 12% ao ano (art. 192, CF) e nem deve ser capitalizada (art. 4 o do Decreto n° 22.626/33). Ao fim, a contribuinte requer: a) que seja julgado nulo o auto de infração, visto que declarou em seus livros contábeis todos os valores de forma correta, onde se apurou a real base de cálculo para recolhimento da exação; b) caso não seja o auto considerado nulo. que seja determinada a redução da multa e afastada a aplicação da taxa SELIC; c) a produção de todas as provas admitidas em direito, especialmente a realização de perícia contábil para se apurar a correção dos valores levantados pela autoridade Fiscal. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a impugnação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 31/12/2006 Ementa: DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la. nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. E lícita a exigência do encargo com base na variação da taxa SELIC. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE PERÍCIA. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia quando não atendidos os requisitos exigidos pela Lei. Impugnação Improcedente Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, o presente processo trata de auto de infração decorrente glosa de créditos de IPI relacionados a aquisições de insumos desonerados (Isentos, Alíquota Zero e Não Tributados). A respeito deste tema, após muitas discussões e decisões conflitantes, o Supremo Tribunal Federal acabou por definilo contrariamente aos interesses dos contribuintes, senão vejamos: Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 370682 ED / SC EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. GILMAR MENDES Julgamento: 06/10/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno. IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 566819 / RS Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 29/09/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno). Ademais, no âmbito do CARF, foi editada súmula vetando o aproveitamento dos créditos decorrentes da aquisição dos insumos tributados à alíquota zero, in verbis: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Devese considerar ainda que as decisões exaradas pelo STF determinam que a possibilidade de crédito de IPI se limita aos créditos efetivamente cobrados na etapa anterior, o que afasta a possibilidade em relação às insumos adquiridos com isenção, alíquota zero ou não tributados. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000007/200816 Acórdão n.º 3302001.816 S3C3T2 Fl. 12 5 Tendo em conta as limitações impostas pelo Regimento Interno do CARF (art. 62 e 62 A) e pelo Decreto 70.235/72 (art.26 A), correta a decisão que manteve o auto de infração lavrado. É de se destacar que, conforme determina a Portaria nº 01/2012 do CARF, a matéria tratada neste processo não é caso de sobrestamento, isto porque muito embora tenha ocorrido o reconhecimento de repercussão geral no RE 590.809 não houve a determinação de suspensão dos Recursos anteriores a nova sistemática em gabinete no STF. Quanto à multa, também não merece reparos a decisão recorrida posto que esta se encontra prevista em lei em pleno vigor, sendo vedado, como já dito, ao julgador administrativo afastála por ilegalidade ou inconstitucionalidade. (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.) Também não assiste razão à Recorrente quanto às alegações contra a utilização da taxa SELIC, matéria que, inclusive, já se encontra sumulada no âmbito do CARF, como vemos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, não havendo possibilidade de creditamento na aquisição de insumos desonerados, não tem cabimento o pedido de diligencia. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima destacado em complemento as produzidos pela decisão recorrida, aos quais faço remissão nos termos do art. 50 § 1º da Lei 9874/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000710/2010-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.906
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausentes, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausentes, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2366; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 62 1 61 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.000710/201066 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403001.906 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributárioprevidenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 07 10 /2 01 0- 66 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Ausentes, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 38 a 49, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1526.458 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 30 a 40, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.279.5773, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 14.317,38. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.279.577 3, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, devidamente intimada pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Reintimação Fiscal n° 01 e Termos de Constatação e de Intimação Fiscal números 01, 02, 03, 04 e 05, por ter deixado de apresentar os seguintes documentos: (1) Resumos Mensais das Folhas de Pagamento, inclusive competência 13/2006 (2) Folhas de Pagamentos Mensais (3) Tabela de Eventos da Folha de Pagamento (4) Demonstrativos Contábeis Mensais das Contas de Despesas com Pessoal (5)Relação de Prefeitos e Secretários Municipais de Administração e Finanças por período, acompanhada dos atos de diplomação/nomeação, bem como documentos de identificação pessoal. (6)Esclarecimentos exigidos no curso da ação fiscal. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. A Recorrente teve ciência do AIOP em 23.07.2010, conforme Aviso de Recebimento – AR. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 01/2006 a 12/2008. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 08 a 19, resumidamente conforme o relatório da decisão de primeira instância: Preliminarmente, aduz a nulidade do auto de infração em face de sua manifesta exorbitância e impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, como também as contradições e falhas nos procedimentos legais administrativos constantes dos mesmos. Tal situação macula a garantia constitucional da ampla defesa. Afirma que é ilegítima a lavratura de autos de infração eivados de equívocos, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado nos autos, não restando claro a base de cálculo tomada de empréstimo para a feitura e conclusão das supostas dívidas levantadas e as multas impostas. Ainda preliminarmente argumenta a ineficácia do procedimento fiscal por ter sido lavrado fora do estabelecimento ou órgão municipal. A doutrina especializada é taxativa quanto à obrigatoriedade da lavratura do AI no local do estabelecimento fiscalizado. No presente caso, o AI foi lavrado na própria repartição fiscal. A lavratura fora do estabelecimento fiscalizado quebra a segurança jurídica e a própria seriedade que deve existir nas relações da Receita Federal do Brasil com os contribuintes, evitandose que sejam lavrados autos "por correspondência", com um visível desprezo pelo contraditório, pois durante as diligências de fiscalização o contribuinte tem o sagrado direito de se fazer representar através de seus contadores e se necessário, também pelo seu procurador jurídico e até mesmo pelo prefeito municipal, matéria que desde j á fica préquestionada. Ora se o auto é lavrado fora do local, sem ao menos existirem as solicitações de explicações e ou esclarecimentos por escrito de eventuais falhas ou irregularidades, a violabilidade do contraditório é evidente e não poderá ser negada No mérito aduz a exorbitância dos valores apurados pela RFB. Afirma que a autuante resolver buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento. Sugere que se proceda a uma auditoria auxiliar. Afirma que a Portaria MPS n° 133, de 02 de maio de 2006 instituiu uma série de condições para fins de compensação, dentre as quais a necessidade de retificação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). A Instrução Normativa n° 15 de 12 de setembro de 2006 também versou sobre a necessidade de retificação de GFIP para a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social. Ambos os enunciados normativos vinculam a compensação à retificação de GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. Forçoso reconhecer que, uma vez entregue à Fazenda Pública a GFIP, a esta incumbe o encargo de apreciála, Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 64 5 verificando sua regularidade para, em seguida, preceder à homologação ou não. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1526.458 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 30 a 40, conforme Ementa a seguir ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/07/2010 NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação previdenciária a não exibição de livros ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal traz informações seguras e detalhadas sobre a infração praticada e a respectiva fundamentação legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2010 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. O procedimento fiscal possui natureza eminentemente inquisitória, e a posição daquele que está submetido à ação fiscal não é a de litigante nem a de acusado, mas, simplesmente, a de investigado. Somente após a formalização da exigência, é que o sujeito passivo terá direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando não preenchidos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Ademais, há de se indeferir o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tais pretensões não podem ser acatadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo 10540.000710/201066, do AI, cadastrado sob número 37.279.5773, acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Cientifiquese o contribuinte do inteiro teor do presente Acórdão, fornecendolhe cópia do mesmo, mediante entrega ou remessa da segunda via, intimandoo a recolher o débito, no prazo de 30 (trinta) dias, com redução de 25% prevista na legislação (§2°, do art. 293, do Decreto n.° 3.048, de 1999), ressalvado o direito de interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, facultado pelos artigos 25, II, e 33, ambos do Decreto 70.235, de 1972. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 38 a 49, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em Sede Preliminar (i) Nulidade do AIOP por ter sido lavrado fora do ente público; (ii) Ofensa direta aos princípios constitucionais do con6traditório e da ampla defesa – lavratura do AI fora do local; indeferimento de prova pericial Dito isto, verificase que a situação fática sobre a qual se deu o lançamento em questão, qual seja, ter sido o auto de infração lavrado fora do local, além de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades, culminou para que o processo administrativo fiscal fosse composto apenas por provas unilaterais, sendo negado ao ora Recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além desses fatos, a negativa dos pleitos formulados em sede de Impugnação, referentes à necessidade de produção de prova pericial documental, torna evidente o cerceamento de defesa, ferindo, ainda, o princípio da paridade das armas, destoando do atual entendimento jurisprudencial No Mérito (iii) da exorbitância dos valores apurados pela RFB Sendo assim, a autuante, equivocadamente, data máxima venia, resolve buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento, sendo que não existe um ponto de partida que indique o valor real apurado e sim apresenta a soma exorbitante d e supostos valores devidos pelo município de Rio de ContasBA. Sobre o tema ainda é importante destacar que compete à Receita Federal fazer prova em contrário dos cálculos, com moderação e razoabilidade mesmo porque a planilha juntada resulta de Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 65 7 informações transmitidas à própria Receita Federal, de cujo conteúdo tem total ciência, além de que a favor de tal documento milita presunção de veracidade (art.334, inciso III, CPC). (iv) da impossibilidade de retificação da GFIP – a retificação deve ser feita pela Autoridade Fiscal por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação – Da inconstitucionalidade A Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, d e 12 de setembro de 2006, que dispôs sobre a devolução d e valores arrecadados pela Previdência Social com base na referida legislação, também versou sobre a necessidade d e retificação da GFIP. Ambos os enunciados normativos, em suma, vincularam a compensação à retificação da GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. (...) Por fim, cumpre lembrar que a própria Constituição Federal do Brasil, em seu art. 146, III, b, atribuiu competência à lei complementar para disciplinar temas referentes a obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Ao optar o constituinte originário pela reserva de lei com quorum qualificado de votação (art.69, CR/88), não resta dúvida quanto à impossibilidade de regulamentação da matéria por Instruções ou Portarias. Admitir o contrário seria desconhecer a força normativa da Constituição, notadamente em relação à imperatividade do princípio da estrita legalidade tributária, cuja base jurídica encontrase n o inciso II, d o art. 52 da CR/88. Dessa forma, inadmissível que os veículos normativos utilizados para embaraçar o direito à compensação produzam algum efeito, devendo, por isso mesmo, ser julgados ilegais (pois sequer poderiam ser taxados de inconstitucionais, uma vez que nem o status de lei possui), restando afastado a obrigação indevida de retificação das g u i a s pelos contribuintes. (v) operacionalização do cálculo comparativo das multas Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 52. É o Relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 52. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 66 9 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade da lavratura do AIOA. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 38 a 49, interposto pela Recorrente – PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO DE CONTAS contra Acórdão nº 1526.458 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador BA, fls. 30 a 40, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.279.5773, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 14.317,38. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.279.577 3, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, devidamente intimada pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Reintimação Fiscal n° 01 e Termos de Constatação e de Intimação Fiscal números 01, 02, 03, 04 e 05, por ter deixado de apresentar os seguintes documentos: (1) Resumos Mensais das Folhas de Pagamento, inclusive competência 13/2006 (2) Folhas de Pagamentos Mensais (3) Tabela de Eventos da Folha de Pagamento (4) Demonstrativos Contábeis Mensais das Contas de Despesas com Pessoal Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 (5)Relação de Prefeitos e Secretários Municipais de Administração e Finanças por período, acompanhada dos atos de diplomação/nomeação, bem como documentos de identificação pessoal. (6)Esclarecimentos exigidos no curso da ação fiscal. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e nem foi configurada circunstância agravante. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.279.5773 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 67 11 V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 68 13 que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (i) Nulidade do AIOP por ter sido lavrado fora do ente público; Não assiste razão à Recorrente pois, conforme a Súmula nº 6 do CARF, é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Ofensa direta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa – lavratura do AI fora do local; indeferimento de prova pericial Dito isto, verificase que a situação fática sobre a qual se deu o lançamento em questão, qual seja, ter sido o auto de infração Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 lavrado fora do local, além de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades, culminou para que o processo administrativo fiscal fosse composto apenas por provas unilaterais, sendo negado ao ora Recorrente o direito à ampla defesa e ao contraditório. Além desses fatos, a negativa dos pleitos formulados em sede de Impugnação, referentes à necessidade de produção de prova pericial documental, torna evidente o cerceamento de defesa, ferindo, ainda, o princípio da paridade das armas, destoando do atual entendimento jurisprudencial Analisemos. A argumentação da Recorrente, centrada na ofensa a princípios constitucionais, considero superada nos termos do Tópico (A) acima que debateu a apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativofiscal. Ademais, a argumentação da Recorrente no sentido de inexistirem solicitações da autoridade fiscal para que o Município apresentasse explicações e/ou esclarecimentos em relação às supostas irregularidades não pode prosperar porque efetivamente houve solicitação para que o Município se manifestasse acerca de divergências encontradas entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, conforme o relatório fiscal do conexo processo AIOP nº. 37.279.5803, às fls. 37 a 49: De posse destes documentos a fiscalização da RFB constatou divergências entre os valores de base de cálculo informados nos resumos das folhas de pagamento e os valores constantes dos Demonstrativos fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCMBA). Intimado a se manifestar acerca das diferenças encontradas, o Autuado não as explicou. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (iii) da exorbitância dos valores apurados pela RFB Sendo assim, a autuante, equivocadamente, data máxima venia, resolve buscar sem rumo valores que a mesma não demonstra a origem da base de cálculo, pois qualquer incerteza gera nulidade do procedimento, sendo que não existe um ponto de partida que indique o valor real apurado e sim apresenta a soma exorbitante d e supostos valores devidos pelo município de Rio de ContasBA. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 69 15 Sobre o tema ainda é importante destacar que compete à Receita Federal fazer prova em contrário dos cálculos, com moderação e razoabilidade mesmo porque a planilha juntada resulta de informações transmitidas à própria Receita Federal, de cujo conteúdo tem total ciência, além de que a favor de tal documento milita presunção de veracidade (art.334, inciso III, CPC). Analisemos. Em que pese o argumento da Recorrente no sentido de que a autuação fiscal não demonstrou a origem da base de cálculo, não pode prosperar tal argumentação porque o Relatório Fiscal do processo conexo AIOP nº. 37.279.5803, bem como os demais Relatórios do Auto de Infração, demonstram de forma clara e precisa da base de cálculo apurada. Inclusive, em relação à regularidade do lançamento, já se apreciou tal matéria no tópico (B). Destaquemos o Relatório Fiscal do processo conexo AIOP nº. 37.279.5803, que informa em relação à apuração da diferenças, que realizouse um batimento entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia – TCM: Salientese que, para fins de apuração do crédito tributário devido, as diferenças apuradas foram obtidas pelo confronto entre os valores totais da massa salarial informadas nas GFIPs com os valores constantes nos Resumos Mensais das Folhas de Pagamentos e nos Demonstrativos disponibilizados pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia TCM. sem proceder à individualização dos segurados empregados; ou seja, são valores não oferecidos à tributação, haja vista ler o fiscalizado deixado de declarar em GFIP. Entretanto, no presente caso, conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração nº. 37.279.5773, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente, devidamente intimada pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Reintimação Fiscal n° 01 e Termos de Constatação e de Intimação Fiscal números 01, 02, 03, 04 e 05, por ter deixado de apresentar os seguintes documentos: (1) Resumos Mensais das Folhas de Pagamento, inclusive competência 13/2006 (2) Folhas de Pagamentos Mensais (3) Tabela de Eventos da Folha de Pagamento (4) Demonstrativos Contábeis Mensais das Contas de Despesas com Pessoal (5)Relação de Prefeitos e Secretários Municipais de Administração e Finanças por período, acompanhada dos atos de diplomação/nomeação, bem como documentos de identificação pessoal. (6)Esclarecimentos exigidos no curso da ação fiscal. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) da impossibilidade de retificação da GFIP – a retificação deve ser feita pela Autoridade Fiscal por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação – Da inconstitucionalidade A Instrução Normativa MPS/SRP n° 15, d e 12 de setembro de 2006, que dispôs sobre a devolução d e valores arrecadados pela Previdência Social com base na referida legislação, também versou sobre a necessidade d e retificação da GFIP. Ambos os enunciados normativos, em suma, vincularam a compensação à retificação da GFIP pelo contribuinte. Tal encargo, contudo, padece da mais evidente ilegalidade, porquanto nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais está incluída a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. (...) Por fim, cumpre lembrar que a própria Constituição Federal do Brasil, em seu art. 146, III, b, atribuiu competência à lei complementar para disciplinar temas referentes a obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Ao optar o constituinte originário pela reserva de lei com quorum qualificado de votação (art.69, CR/88), não resta dúvida quanto à impossibilidade de regulamentação da matéria por Instruções ou Portarias. Admitir o contrário seria desconhecer a força normativa da Constituição, notadamente em relação à imperatividade do princípio da estrita legalidade tributária, cuja base jurídica encontrase n o inciso II, d o art. 52 da CR/88. Dessa forma, inadmissível que os veículos normativos utilizados para embaraçar o direito à compensação produzam algum efeito, devendo, por isso mesmo, ser julgados ilegais (pois sequer poderiam ser taxados de inconstitucionais, uma vez que nem o status de lei possui), restando afastado a obrigação indevida de retificação das g u i a s pelos contribuintes. Analisemos. A argumentação da Recorrente está centrada na questão da compensação, a qual não poderia ser regida por Instruções ou Portarias devido à reserva de lei complementar para tal conforme previsão constitucional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10540.000710/201066 Acórdão n.º 2403001.906 S2C4T3 Fl. 70 17 Não obstante a argumentação da Recorrente, a apreciação de inconstitucionalidade é vedada no âmbito do contencioso administrativo, conforme o já debatido no tópico (A). Ademais, cumpre observar que não há qualquer menção à compensação no presente Auto de Infração AIOP nº. 37.279.5803, de modo que a argumentação da Recorrente, por este prisma, também não prospera. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) operacionalização do cálculo comparativo das multas Analisemos. Não prospera a argumentação da recorrente posto que na execução administrativa do presente julgado é que poderá ser efetivado o recálculo dos acréscimos legais de forma a se verificar qual a forma de cálculo mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16327.720472/2010-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2403-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão da tributação do abono único em razão de ação judicial com mesmo objeto - Súmula 1 CARF. Por maioria de votos, determinar o recálculo da multa, limitando a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91; vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao relatório de vínculos.
CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão da tributação do abono único em razão de ação judicial com mesmo objeto - Súmula 1 CARF. Por maioria de votos, determinar o recálculo da multa, limitando a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91; vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao relatório de vínculos. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 828 1 827 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720472/201010 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.151 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão da tributação do abono único em razão de ação judicial com mesmo objeto Súmula 1 CARF. Por maioria de votos, determinar o recálculo da multa, limitando a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91; vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao relatório de vínculos. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 72 /2 01 0- 10 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos Fl. 829DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 829 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que, com grifos de minha autoria o transcrevo na íntegra: “ Relatório DA AUTUAÇÃO São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra a empresa retro identificada: • (1) AI DEBCAD n.º 37.320.9100, no montante de R$ 3.383.946,41 (três milhões, trezentos e oitenta e três mil e novecentos e quarenta e seis reais e quarenta e um centavos), consolidado em 30/12/2010, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I e II, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 10/2005 a 11/2005; • (2) AI DEBCAD n.º 37.320.9118, no montante de R$ 388.793,84 (trezentos e oitenta e oito mil e setecentos e noventa e três reais e oitenta e quatro centavos), consolidado em 30/12/2010, referente a contribuições destinadas a terceiros – Salário Educação e Incra – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 10/2005 a 11/2005. Cabe observar que o presente processo administrativo contém os dois Autos de Infração acima identificados por tratarem de exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo e que foram formalizadas com base nos mesmos elementos de prova. O Relatório Fiscal, de fls. 27 a 34, comum aos dois AI’s, em suma, traz as seguintes informações: • que houve o lançamento de contribuições incidentes sobre ABONO ÚNICO acordado na Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre os Sindicatos representativos dos empregados e empregadores, apuradas no incorporado Banco Sudameris S/A – CNPJ 60.942.638/000173; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 • que, em 19/12/2006, o SUDAMERIS ajuizou Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária com Pedido de Tutela Antecipada, objetivando a suspensão da exigibilidade das Contribuições Previdenciárias (parte empresa, empregados, RAT e terceiros) incidentes sobre Abono Único pago em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006 – Processo n.° 2006.34.00.0378491 – 2ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal; • que, em 08/03/2007, com o indeferimento do Pedido de Antecipação de Tutela, o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento contra tal decisão, sendo que o TRF da 1ª Região denegou a antecipação da pretensão recursal pleiteada, convertendo o Agravo de Instrumento em Agravo Retido; • que, em 27/04/2007, foi realizado depósito judicial relativo às quantias em lide; • que, em 07/07/2008, sentença concedeu provimento à Ação Ordinária, declarando a inexistência da relação jurídico tributária que obriga ao recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre o Abono Único; • que, em 13/10/2008, a União interpôs Apelação contra essa sentença, a qual foi recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, conforme despacho de 20/10/2008; • que, em 27/04/2009, os autos encontravamse conclusos ao Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, de acordo com Certidão de Objeto e Pé, de 02/12/2010; • que as contribuições para a Seguridade Social têm sua base imponível definida na Constituição Federal de 1988, a qual prevê, para as empresas, uma contribuição incidente sobre a folha de salários, nos termos do arts. 195 e 201, parágrafo 11; • que a legislação previdenciária, ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, nos artigos 22 e 28 da Lei n.º 8.212/91, utilizou, para estabelecer o conceito de salário de contribuição, um critério amplo, classificando como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma; • que, quando o legislador entendeu que determinada verba salarial devesse ser excluída do salário de contribuição, ele, expressamente por meio de lei, assim o fez; • que a não incidência de contribuições, por ser exceção, deve ser expressa, nunca presumida, sendo que a exclusão de verbas remuneratórias da base de cálculo, das contribuições ora tratadas, somente pode ser feita por intermédio de lei; • que a isenção se inclui nas modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, a legislação que dispõe o tema deve ser interpretada literalmente, conforme prevê o Código Tributário Nacional, em seu artigo 111, inciso I; Fl. 831DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 830 5 • que, em resumo, quaisquer rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados pelos serviços prestados ao empregador ou ao tomador de serviços ou pelo tempo à disposição destes nos termos da lei, contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa e que não estejam compreendidos entre as exclusões legais previstas no § 9º do art. 28 da Lei n.° 8.212/91 integram o salário de contribuição para fins de custeio da Seguridade Social, devendo se apenas verificar se os pagamentos efetuados, no caso em questão, estão ou não entre as exclusões legais; • que, a partir da vigência da Medida Provisória (MP) n.° 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, no que tange aos fatos geradores até novembro de 2008, a lavratura em casos de falta de recolhimento e de declaração inexata, caso em tela, deve ser realizada com a penalidade menos severa resultante da comparação entre a aplicação da multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430/96 (75%) e a soma da multa de mora prevista pela alínea “a” do inciso II do art. 35 da Lei n.° 8.212/91 (24%) com a multa prevista no inciso IV, §5° do art. 32 do mesmo diploma legal, aplicandose a que for mais benéfica ao sujeito passivo, nos termos do art. 106 do CTN; • que, no presente caso, em todas as competências, a penalidade anterior à publicação da MP n.° 449/2008 mostrouse menos severa que a utilização da multa de lançamento de ofício (75%); • que os valores ora autuados não foram declarados em GFIP (competências até 11/2008), sendo que, neste MPF, já foi lavrado o Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA n.° 37.174.8879, por esta omissão, no período apurado; • que as alíquotas aplicadas encontramse informadas, por competência, no Discriminativo do Débito – DD; • que o crédito lançado (valor originário, juros, multa e correção monetária, quando houver) encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de Fundamentos Legais do Débito – FLD, bem como nos dispositivos legais citados no relatório. Constam, no presente processo digital, entre outros, os seguintes documentos relativos aos Autos de Infração: capas do Autos; RL – Relatório de Lançamentos; DD – Discriminativo do Débito; FLD – Fundamentos Legais do Débito; IPC – Instruções para o Contribuinte; Mandado de Procedimento Fiscal; Termo de Início de Procedimento Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Relatório de Vínculos; Recibo de Arquivos Entregues ao Contribuinte; e, TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal; além de despacho de esclarecimento com a correlação correta dos DEBCAD’s com os processos administrativos fiscais (PAF’s). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 832DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Inconformada com as autuações, das quais foi cientificada em 31/12/2010 (fls. 07 e 17), a empresa apresentou, em 27/01/2011, a impugnação de fls. 561 a 601, com documentos anexos às fls. 602 a 700 (cópias de Procuração e Substabelecimento, de documentos de identificação das subscritoras da impugnação, de Atas de Reuniões e Assembléias, de comprovantes de pagamento de Guias da Previdência Social, de Guias de Depósitos Judiciais, de documentos relativos a ação judicial – Processo n.º 2005.34.00.032560SP 0 – Justiça Federal – Seção Judiciária do Distrito Federal), fazendo um breve relato dos fatos, e deduzindo, em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Afirma, aqui, a impugnante, que, de acordo com o entendimento da fiscalização, as contribuições a seguir enumeradas – (i) contribuição social devida pela empresa sobre as remunerações pagas aos seus empregados (cota patronal e adicional de 2,5%) (DEBCAD n.° 37.320.9100) ; (ii) contribuição ao RAT (DEBCAD n.° 37.320.9100); e (iii) contribuição destinada a terceiros (DEBCAD n.° 37.320.9118) – cumuladas com multa e juros, incidiriam sobre o Abono Único pago em outubro de 2005, por ela e seus incorporados, quais sejam BANCO BANESPA S/A. – CNPJ n.° 61.411.633/000187, BANCO MERIDIONAL S/A. – CNPJ n.° 33.517.640/000122 e BANCO SANTANDER BRASIL – CNPJ 61.472.676/000172, em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre os Sindicatos Representativos dos empregados e dos empregadores. Da decadência: Defende, aqui, a empresa, que o crédito tributário consubstanciado nas autuações fiscais em tela teria sido totalmente alcançado pela decadência, devendo, assim, ser reconhecida a sua extinção. Entende que a cobrança dos créditos tributários relativos a períodos anteriores a 11/2005 (inclusive) seria ilegal, pois extintos pela decadência, nos termos dos artigos 150, §4° e 156, inciso V do Código Tributário Nacional, levandose em consideração que (i) as contribuições objeto do lançamento fiscal se sujeitam ao chamado lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte a declaração e antecipação do recolhimento, sob condição resolutória da posterior análise pelo Fisco; e, (ii) se referem ao período de outubro de 2005, tendo sido a autuação fiscal lavrada somente em 31/12/2010. Segundo ela, a contagem do prazo decadencial não seria aquela prevista no artigo 173, inciso I do CTN, mas, sim, a prevista no seu artigo 150, § 4º. Destaca que, mesmo que prevalecendo a tese de que somente nos casos em que houve “pagamento antecipado” aplicarseia a norma contida no artigo 150, §4° do CTN, a verdade é que tal expediente estaria caracterizado no presente caso, tratandose de instituição financeira contribuinte Fl. 833DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 831 7 habitual das contribuições previdenciárias e sociais em geral, afirmando, aqui, não ser necessária a demonstração de recolhimentos relativos a cada uma das rubricas adotadas contabilmente por ela, mas sim da existência de recolhimento das contribuições em análise, tão somente. Para ela, ao ser desconsiderada a natureza dos pagamentos realizados a título de Abono Único para configurálo como Salário/Remuneração, a existência de pagamento deveria ser apurada em relação ao recolhimento de qualquer parcela de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração/salários dos trabalhadores, e não sobre cada um dos pagamentos realizados, que jamais foram considerados como tributáveis. E conclui, então, que as autuações fiscais não poderiam prosperar, sob pena de ilegalidade. Da ação judicial, da lavratura dos Autos de Infração e do depósito judicial: Alega, aqui, a impugnante, que os presentes Autos de Infração teriam sido indevidamente lavrados, eis que os créditos tributários em discussão seriam objeto de questionamento judicial por ela, tendo sido integralmente depositados em juízo, fazendo referência à Ação Ordinária n.º 2005.34.00.0325600. Informa que, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, entre os quais estariam incluídas as contribuições sociais, quando o contribuinte, verificando a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e realiza o depósito judicial, ele estaria constituindo o crédito tributário (autolançamento), nos termos do artigo 150 do CTN, sendo desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal. Transcreve julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que, nas hipóteses de depósito integral em juízo, não haveria a necessidade da lavratura de auto de infração pela autoridade fiscal. Segundo ela, no presente caso, a Autoridade Fiscal teria se equivocado ao lavrar os autos de infração, sendo evidente a desnecessidade e a nulidade do lançamento objeto do presente processo, uma vez que ela já havia efetuado o depósito integral das contribuições exigidas, garantido os débitos em Juízo. E conclui que o lançamento de ofício, realizado pela Autoridade Fiscal, para cobrança de valores que já haviam sido lançados pelo contribuinte, seria um ato administrativo desnecessário e que careceria de motivação, sendo, portanto, nulo, o que requer seja reconhecido, com o conseqüente cancelamento dos autos de infração. Passa a discorrer, em seguida, a empresa, sobre a inexistência de renúncia à esfera administrativa. Afirma que a interpretação dada ao disposto no artigo 38 da Lei n.° 6.830, de 22/09/1980, pelo ADN/COSIT n.° 03/96, no sentido Fl. 834DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 de que a propositura de ação judicial pelo contribuinte, mesmo que anterior à autuação fiscal, implicaria renúncia à esfera administrativa, no seu entender, não seria a mais adequada. Para ela, o legislador, no referido dispositivo legal, teria pretendido considerar apenas as hipóteses de interposição de medida judicial pelo contribuinte após a lavratura do auto de infração, para que ele, ou os seus efeitos, fossem desconsiderados, configurando situação diversa, não prevista em tal dispositivo, os casos em que a lavratura do auto de infração ocorre após o contribuinte ter ajuizado medida judicial para discutir a exigência de um determinado tributo que considera inconstitucional. Entende que seria ilógica a presunção legal de desistência, pelo contribuinte, do processo administrativo, nos casos em que a propositura da medida judicial é anterior ao auto de infração, como é o caso em tela, uma vez que, nessas hipóteses, o contribuinte sequer poderia prever a possibilidade de uma autuação pela Fazenda Pública. Segundo ela, somente nos casos de ingresso em juízo contra o próprio auto de infração, é que haveria renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, não devendo judicial para a discussão de um determinado direito, visando ao não recolhimento ou à compensação de tributos, como de forma manifestamente ilegal determinaria o Ato Declaratório COSIT n.° 3/96. Salienta que qualquer interpretação diversa das anteriormente apresentadas estaria ferindo os princípios constitucionais da ampla defesa e do direito de livre petição aos órgãos públicos. Afirma, ainda, que todos os argumentos suscitados em relação ao parágrafo único do artigo 38 da Lei n.° 6.830/80, se aplicariam igualmente ao disposto no parágrafo 2º do artigo 1º do DecretoLei n.° 1.737/79. Relata, também, que, no processo judicial, se discutiria o direito em tese, mesmo porque a declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de norma regulamentar seria apanágio do Poder Judiciário, e que, no processo administrativo, por outro lado, se examinaria a hipótese em concreto, desencadeada pela autuação fiscal, e os seus respectivos montantes, ou seja, o próprio título materializado da obrigação tributária. Informa, ademais, que, no julgamento de uma ação judicial pode ocorrer de o processo ser extinto sem o julgamento do mérito, e que, nesse caso, o contribuinte estaria desprovido de um dever do Estado, que deve ser assegurado a todos: o da ampla defesa. Defende que o Estado teria o dever de analisar e julgar as lides em que os contribuintes estão envolvidos, com independência entre as esferas administrativa e judicial. E, afirmando não ter renunciado expressamente à via administrativa, requer que sejam apreciados todos os itens de sua impugnação relativos ao mérito. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 832 9 Do abono único: Sustenta, aqui, a empresa, a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o abono único, e a sua natureza não salarial. Argumenta que, no caso, não se trataria de abono para pagamento por força do contrato de trabalho ou da prestação de serviços dos empregados integrantes da categoria profissional, mas de vantagem inserida na Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006 e a ela com exclusividade vinculada. Informa que a jurisprudência e a mais abalizada doutrina seriam unânimes em reconhecer a existência de abonos não salariais, exatamente como aquele pago no presente caso, que não possuiria as características mínimas inerentes ao conceito de remuneração. Faz menção aos artigos 195, inciso I, alínea “a”, e 201, parágrafo 11 da Constituição Federal, e ao artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, e alega que qualquer verba somente ensejaria o recolhimento de contribuições previdenciárias se, e somente se, (i) retribuísse (contraprestação) os serviços prestados (retributividade) ou (ii) fosse paga com habitualidade. Com relação à retributividade, afirma que é o princípio pelo qual determinada verba, para ser considerada de natureza remuneratória, deveria refletir uma contraprestação proporcional ao trabalho executado e à função desempenhada pelo empregado, e, no que diz respeito à habitualidade, faz alusão à motivação e periodicidade de realização do pagamento – para ela, só haveria habitualidade se um determinado pagamento decorresse de um mesmo fato (cíclico) do cotidiano do beneficiário ou acabasse, por outros motivos, por constituir uma expectativa positiva de recebimento por parte do beneficiário. Assim, conclui que se determinado pagamento não está abarcado por características de retributividade e/ou habitualidade, não deveria o respectivo montante compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, porque se configuraria absolutamente alheio à respectiva hipótese de incidência. Observa que, não obstante existam situações em que abono é a denominação atribuída a uma espécie de adiantamento ou compensação salarial concedido pelo empregador ao empregado, também existem situações em que não possuiu qualquer caráter retributivo, não se perfazendo em qualquer contraprestação pelo trabalho, sendo isto exatamente o que aconteceria no caso, relativo ao pagamento de abono único. No que tange ao abono único em apreço, destaca que é pago: (i) uma única vez, na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho; (ii) indiscriminadamente a todos os empregados ativos ou afastados de suas funções por motivo de doença, acidente do Fl. 836DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 trabalho e licença maternidade; (iii) independentemente do cargo ou função desempenhada pelo beneficiário dentro da empresa; (iv) sem qualquer relação com o valor da remuneração/salário pago aos empregados em contraprestação ao trabalho por eles realizados (o valor é idêntico para todos); e, portanto, (v) de forma indiscutivelmente desvinculada do salário e de caráter eventual e transitório. E, diante disso, traz as seguintes considerações: a) que o pagamento do abono único no caso em apreço não possuiria qualquer relação com os serviços prestados pelos empregados, porquanto sua causa decorreria de uma situação de fato diversa – a causa jurídica do pagamento do abono único seria, tão somente, o vínculo empregatício mantido entre o empregador e o empregado, e não os serviços prestados por este àquele, não havendo retributividade em tais pagamentos; b) que, confirmando o próprio adjetivo que caracteriza o referido abono (“único”), a Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários 2005/2006 dispõe que “será concedido um abono único na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, desvinculado do salário e de caráter excepcional e transitório”, não havendo habitualidade em tais pagamentos. No sentido de corroborar o seu entendimento, colaciona julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acerca do tema, e reitera que, considerandose a ausência de retributividade, bem como de habitualidade, no pagamento do abono único estabelecido pela Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre os sindicatos representativos dos empregadores e dos empregados, não haveria que se falar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos, tratandose de verdadeira hipótese de não incidência. Passa, então, à análise da hipótese descrita no art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7 da Lei n.° 8.212/91, “in verbis”: “Art. 28. (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;”. E afirma que, considerandose que, no presente caso, se estaria diante de um pagamento totalmente desprovido de natureza remuneratória, assim como de habitualidade, o dispositivo acima descrito trataria tão somente de confirmar a hipótese de não incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono único pago por ela. Segundo ela, o pagamento de abono único, no caso, estaria enquadrado no item 7 da alínea “e”, do § 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, se configurando em um gasto não habitual (é único) e expressamente desvinculado do salário por convenção coletiva. Alega, ainda, que a suposta regra de isenção estabelecida no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, em verdade, teria sido indevidamente utilizada como meio para o irregular exercício da competência tributária residual da União para a instituição de novas hipóteses de incidência – referente a contribuições incidentes sobre verbas não remuneratórias – por via diversa da Fl. 837DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 833 11 lei complementar exigida no art. 154, inciso I, da Constituição Federal, sendo evidente a sua inconstitucionalidade. E entende que, diferentemente do que entendeu o Agente Fiscal, o fato de o pagamento do abono único feito por ela não se enquadrar em uma das hipóteses de isenção tributária jamais lhe permitiria automaticamente afirmar que os mesmos estariam sujeitos à tributação pelas contribuições previdenciárias. Para ela, ao fundamentar a autuação fiscal na suposta inadequação do pagamento do abono único às supostas hipóteses de isenção previstas no art. 28 da Lei n.° 8.212/91, o Agente Fiscal teria ofendido o princípio da legalidade, e também desconsiderado o instituto da na incidência tributária. Sustenta, também, que haveria ilegalidade na inovação do Decreto n.º 3.048/99, afirmando que os decretos teriam como função precípua regulamentar e dar aplicabilidade às disposições normativas genéricas contidas na legislação, não podendo, portanto, limitar/condicionar o exercício de direitos ou mesmo impor deveres, sendo isto, no entanto, o que teria feito a alínea “j” do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto n.º 3.048/99, ao altear a disposição contida no art. 28, § 9º, “e”, item 7 da Lei n.º 8.212/91, determinando que a desvinculação de um ganho eventual ou de um abono dependesse de uma lei assim dispondo expressamente. Ressalta que tal dispositivo teria inovado no mundo jurídico ao trazer uma exigência, um condicionamento, que o item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, não previa. E, em resumo, conclui, então, a empresa, que, (i) seja pela não subsunção do fato à hipótese de incidência tributária da contribuição social, em razão da ausência dos requisitos de retributividade e/ou habitualidade, (ii) seja pelo preenchimento da hipótese de isenção estabelecida no item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, a contribuição social não incidiria sobre o pagamento do abono único estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho. Da contribuição adicional de 2,5%: Relata a impugnante que, no caso em exame, lhe teria sido imposta uma obrigação de contribuir para o custeio da Seguridade Social, através do adicional de 2,5% incidente sobre a folha de salários ou os valores pagos aos seus trabalhadores e prestadores de serviços, tendo havido uma diferenciação estabelecida pelo legislador entre os contribuintes, em virtude da atividade econômica exercida, fixandose uma maior carga tributária para as instituições financeiras ou equiparadas. Segundo ela, à luz do princípio da isonomia, bem como dos princípios informadores do custeio da Seguridade Social, todos estatuídos pela Constituição Federal, não se justificaria que apenas esta categoria de contribuintes (instituições financeiras e equiparadas) estivesse sujeita à incidência da contribuição Fl. 838DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 previdenciária patronal acrescida da contribuição adicional à alíquota de 2,5%, enquanto usufruiria da mesma parcela de atuação do Estado na manutenção da Seguridade Social. Defende que as regras excepcionais aplicáveis somente às instituições financeiras e equiparadas – artigo 3º, parágrafo 2º da Lei n.° 7.787/89 e artigo 22, parágrafo 1º da Lei n.° 8.212/91 – se encontrariam maculadas pelo vício da inconstitucionalidade. Afirma que a constatação da doutrina seria unânime no sentido de que as normas que estabelecem alíquotas maiores para as instituições financeiras estariam discriminando estas sociedades apenas em razão da presunção de que estas desenvolveriam atividade mais “lucrativa” do que as demais, presunção essa que não justificaria a carga tributária mais onerosa. Salienta que as normas atacadas acabaram estabelecendo diferenciação de tratamento para as instituições financeiras e equiparadas baseadas unicamente na atividade por elas desenvolvida, o que não representaria critério juridicamente válido para basear a discriminação e implicaria ofensa ao princípio da isonomia. Para ela, em homenagem ao princípio da retributividade, o correto seria tributar com a mesma alíquota todos os contribuintes – aqueles que possuíssem mais empregados e, portanto, maior folha de pagamento, pagariam mais tributo; mas, ainda que se admitisse a possibilidade de exigência das contribuições sociais em alíquotas diferenciadas, o critério eleito para tal discriminação deveria estar relacionado ao fato jurídico tributário que dá nascimento à obrigação – seria legítima tal cobrança se o legislador tivesse instituído a exigência da contribuição previdenciária patronal em alíquota mais gravosa para os contribuintes que possuíssem maior número de empregados, o que não ocorreu no caso. Entende que nunca poderia ter sido imposta aos contribuintes discriminação em razão da atividade econômica, tal como a que pretendeu o artigo 3º, parágrafo 2º da Lei n.° 7.787/89 e o artigo 22, parágrafo 1º da Lei n.° 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.° 9.876/99, sob pena de desrespeito aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva, bem como da retributividade, transcrevendo julgados e mencionando que a mais abalizada doutrina seria unânime em considerar inconstitucional a exigência da contribuição adicional de 2,5%, prevista para as instituições financeiras e equiparadas. Informa, ainda, que, como tentativa de “constitucionalizar” tal exigência, dandolhe amparo na Magna Carta, foi editada a Emenda Constitucional n.° 20/98, que acrescentou, ao artigo 195 da Constituição Federal, o parágrafo 9º, que dispõe: “as contribuições sociais previstas no inciso I deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica ou da utilização intensiva da mão de obra”. Alega, no entanto, que a Emenda Constitucional n.° 20/98 não teria alcançado o propósito de tornar legítima a exigência da contribuição adicional no período posterior à sua edição, Fl. 839DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 834 13 porque, nos termos do artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV da Constituição Federal, seria vedado ao poder constituinte derivado propor emenda constitucional tendente a abolir “cláusulas pétreas”, como são os direitos e garantias individuais e, entre eles, o princípio da isonomia previsto no artigo 5º, “caput” da Magna Carta. Ressalta, no caso, que a cobrança da contribuição adicional de 2,5% permanece eivada do vício da inconstitucionalidade, apesar da edição da Emenda Constitucional n.° 20/98, razão pela qual não seria devida por ela, não podendo prosperar a cobrança consubstanciada no auto de infração DEBCAD n.° 37.320.9100. E afirma que não busca, aqui, o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinado dispositivo legal, mas, tão somente, o afastamento de sua aplicação ao presente caso, dada sua manifesta inconstitucionalidade. Da multa e dos juros de mora: Sustenta, aqui, a empresa, que a multa e os juros de mora imputados deveriam ser cancelados, uma vez que os valores supostamente devidos a título de contribuição social tiveram sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, II do CTN, por força do depósito judicial do montante integral supostamente devido, realizado nos autos da Ação Ordinária n.° 2005.34.00.0325600. Para ela, estando o crédito com a exigibilidade suspensa, restaria descaracterizada eventual mora no recolhimento do tributo, não havendo que se falar em descumprimento da obrigação tributária, ou inadimplência, passível de ser apenada pelo Fisco. Por outro lado, entende que não haveria motivo legal que permitisse que a cobrança da multa de mora, caso fosse possível sua cobrança nestes autos, ocorresse na forma prevista no artigo 35 da Lei n.° 8.212/91, não existindo justificativa legal capaz de fundamentar a onerosidade do percentual da multa de mora em razão do simples transcorrer do tempo ou em virtude da prática de determinados atos administrativos. E afirma que a multa de mora eventualmente devida, o que se cogita apenas a título de argumentação, não poderia ser calculada de forma progressiva no tempo ou com base nos atos administrativos acima mencionados, sob pena de ilegalidade. Aponta, ainda, que a cobrança da multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n.° 8.212/91) teria sido revogada com a edição da Medida Provisória n.° 449, de 03/12/2008, que, por meio do seu artigo 24, teria dado nova redação ao artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, o qual passou a fazer referência ao artigo 61 da Lei n.º 9.430/96, que, em seu parágrafo 2º, limitou o percentual de multa a 20% (vinte por cento). Fl. 840DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 E conclui, então, que a multa de mora exigida no presente caso não poderia ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. A seguir, alega que, ainda que se entenda correta a incidência de multa no presente caso, os juros calculados com base na taxa SELIC não poderiam ser exigidos sobre as multas lançadas, por absoluta ausência de previsão legal. Menciona que o artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remeteria ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabeleceria a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Segundo ela, considerando que (i) multa não é tributo, e que (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa de ofício, que se verificaria no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeitaria o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido. Para ela, ainda, não seria cabível a alegação de que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n.° 9.430/96, já que referido dispositivo autorizaria a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. E, ante o exposto, requer o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo. Da multa de ofício na responsabilidade tributária por sucessão: Defende, aqui, a impugnante, a impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão. Destaca, no caso, que não poderia ser mantida a multa de ofício exigida em razão de infrações supostamente cometidas por suas empresas incorporadas – Banco Banespa, Banco Meridional e Banco Santander Brasil. Faz menção ao artigo 132 do Código Tributário Nacional, e alega que o sucessor responderia apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão, sendo que, com relação às multas, se deveria averiguar o momento em que tal penalidade teria sido constituída, para então atribuir se ou não a responsabilidade ao incorporador. Sustenta que a multa fiscal somente seria transferida ao sucessor se ela tivesse sido lançada antes do ato sucessório, hipótese em que a multa já integraria o passivo da empresa sucedida. Relata que, no caso em questão, a multa teria sido lançada em 23/12/2010, enquanto que a incorporação teria se dado em Fl. 841DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 835 15 26/07/2006, não havendo que se manter a cobrança da multa punitiva dela, sucessora por incorporação. E conclui que, como a multa em apreço somente foi lançada após os eventos da incorporação, sobre fatos de responsabilidade exclusiva da empresa incorporada, não se poderia admitir a transferência dessas penalidades, também em função do seu caráter personalíssimo, razão pela qual aguarda a exoneração da multa de ofício lançada. Do relatório de vínculos: Discorre, aqui, a empresa, acerca da incorreta identificação dos responsáveis pelo pagamento das contribuições previdenciárias supostamente devidas, alegando que a exigência jamais deveria prosperar em face dos seus representantes legais. Menciona que, conforme “Relatório de Vínculos” anexo ao auto de infração, a fiscalização, arbitrária e ilegalmente, pretenderia imputar responsabilidade solidária aos seus representantes legais, para o pagamento da contribuição social lançada, o que não pode aceitar. Ressalta que não existiriam razões legais para que o lançamento fiscal indicasse como coresponsáveis pelo débito estas pessoas, haja vista não serem elas sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária. Segundo ela, as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, hipóteses estas que não ocorreram no caso presente. Afirma, todavia, que, no presente caso, nunca se justificou a inclusão das pessoas elencadas no “Relatório de Vínculos”, mediante a caracterização de uma das hipóteses autorizadoras a tal expediente. Para ela, o que fez a fiscalização foi partir da presunção de que as pessoas arroladas seriam responsáveis pelo pagamento do eventual crédito, esquecendose, porém, que as relações jurídicotributárias não se pautariam por presunções, mas, sim, pela adequação do fato executado à norma legal vigente. E conclui que, não havendo adequação do caso concreto às hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, não há que se falar em responsabilização solidária, sob pena de se descambar às raias da ilegalidade e conseqüente inconstitucionalidade. Aponta, ademais, que ,de acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93, a responsabilidade solidária dos diretores somente se daria quando provado pelo Fisco o inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados no presente caso. Entende, ainda, não ser cabível a alegação de que a relação de coresponsáveis serviria tão somente para o eventual ajuizamento de execução fiscal para Fl. 842DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 a cobrança judicial dos valores supostamente devidos por ela, porque, independentemente do meio processual utilizado pelo Auditor Fiscal para aduzir sua pretensão creditória, a cobrança de quaisquer valores em face dos seus representantes legais estaria condicionada à ocorrência das hipóteses expressamente previstas na legislação tributária em vigor. Salienta que apenas ela deveria ser imputada a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão, pois somente ela, neste momento processual, seria responsável pelo pagamento de contribuição eventualmente devida, requerendo que os representantes legais fossem expressamente excluídos do pólo passivo da obrigação tributária. Do pedido: Diante de todo o exposto, requer a impugnante: • (i) que seja julgada procedente a sua impugnação, com o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, seja pela decadência do direito de lançar o crédito, seja pelo reconhecimento, na espécie, de hipótese de não incidência das contribuições previdenciárias; • (ii) alternativamente, que sejam afastados multa e juros, porque erroneamente calculados, além de aplicados sobre valores cuja exigibilidade se encontra suspensa por depósito judicial e em sua face, ainda que as supostas infrações tenham sido cometidas por suas incorporadas; • (iii) independentemente do acolhimento dos pedidos acima, que os seus representantes legais sejam excluídos do pólo passivo da presente autuação. É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.718, a 11ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I (SP) DRJ/SPO I, em 16 de outubro de 2012, exarou o Acórdão n° 1641.497 mantendo o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 758, onde reiterou as razões de impugnação. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 836 17 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza – Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Fl. 844DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 18 De plano cumpre destacar que na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, à exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contempladas pelos recolhimentos. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os autolançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedimento para pagamento, tem o condão de alcançar qualquer rubrica. É muito relevante notar que de forma alguma o legislador condicionou a homologação nos termos do artigo 150 à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Entendo, ainda, que até mesmo a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 837 19 Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : Fl. 846DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 20 (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 838 21 A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite ,sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : Fl. 848DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 22 “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 16327.720472/201010 Acórdão n.º 2403002.151 S2C4T3 Fl. 839 23 Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma covenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB , a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Segundo o art.139 do Código Tributário Nacional CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Visto isso, é lícito depreender que se a obrigação principal se subsumir aos ditames do lançamento por homologação previstos no artigo 150, § 4° no mesmo Código Tributário, o crédito tributário derivado desta obrigação, quando constituído pelo efetivo lançamento, qualquer que seja a denominação ou a classificação dada a esse lançamento, em obediência ao comando preceituado no artigo 139 do mesmo diploma legal, terá a mesma natureza jurídica original. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 24 Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 10/2005 a 11/2005 conforme Relatório Fiscal e ainda que a empresa fora notificada em 31/12/2010, na forma do artigo 150, § 4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o crédito lançado pela fiscalização encontrase totalmente fulminado pelo instituto da decadência. CONCLUSÃO Desse modo, diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para EM PRELIMINAR, com fulcro no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, reconhecer totalmente fulminados pelo instituto da decadência os créditos constituídos para o lançamento em comento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 851DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 15983.000703/2007-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 01/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
OMISSÃO. CRÉDITO DECLARADO EM GFIP. DOCUMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO DÉBITO. AUTOLANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para elucidar a omissão que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando ao seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803-002.153, integrado este àquela decisão.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábia Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Embargante FAZENDA NACIONAL. Interessado LOMBARDI LOMBARDI S/C LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 01/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. OMISSÃO. CRÉDITO DECLARADO EM GFIP. DOCUMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO DÉBITO. AUTOLANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma especial do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para elucidar a omissão que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando ao seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.153, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira – Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Fábia Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 03 /2 00 7- 73 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 276 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto pela PGFN – em face do Acórdão Nº 2803002.153, exarado pela 3ª Turma Especial, da 2ª Seção, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF, sob a alegação de haver omissão na decisão embargada. Aduz a embargante, em síntese. · que houve omissão no acórdão embargado, uma vez que assevera o embargante que a multa a ser aplicada é a do artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, haja vista que na ausência de pagamento, incluído em lançamento de ofício deve incidir a multa do artigo 35A. · que não é possível a aplicação da multa do atual artigo 35, pois este independe de lançamento de ofício. · requer ao final – que a omissão seja sanada para se retificar a aplicação da multa para incidir a do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, uma vez que se cuida de lançamento de ofício, atribuindose efeitos infringentes aos embargos, para reformar o acórdão original. É o Relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 277 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. Tratase de embargos de declaração em face de acórdão, amparado na existência de omissão na decisão embargada, quanto à aplicação da multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, por estarmos diante de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, ou seja, lançamento de ofício. De acordo com o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição, se existentes possibilitam a oposição de embargos de declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluo que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida a omissão, mas apenas e tão somente, no diz respeito aos esclarecimentos e fixação da tese que deu suporte a decisão original. A qual, embora, para mim suficientemente clara no acórdão sobre vergasta, será aqui retomada para maior elucidação da tese. Em que pese, ter a D. PGFN entendido que a multa aplicável é a do artigo 44, I, da Lei 9.430/96, isto é 75%, e que a data de verificação desta deve ser a do pagamento e não a fixada incorretamente no acórdão combatido. Todavia, esta não é a melhor exegese para a situação e o caso posto. Cumpre esclarecer que apesar do crédito estar constituído por NFLD não estamos diante de lançamento de ofício, basta ver o que diz o agente lançador em seu REFISC e demais relatórios de constituição do crédito e abaixo transcritas. 5. A origem das contribuições devidas é proveniente das Folhas de Pagamento, de importâncias declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIP). Considerando as informações constantes dos sistemas informatizados institucionais, a documentação apresentada à fiscalização e a legislação aplicada, foram apurados os fatos geradores de contribuição previdenciária abaixo discriminados: 6. As bases de cálculo (salário de contribuição), relativas aos fatos geradores apurados, foram lançadas com códigos de levantamento, conforme esclarecemos a seguir: Lev. FPG — (declarado em GFIP, com redução de multa). Engloba as contribuições descontadas da remuneração dos Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 278 4 segurados empregados e contribuintes individuais — relativas à matriz (CNPJ 49.202.344/000172). Lev. FG2 — (declarado em GFIP, com redução de multa). Envolve contribuições descontadas da remuneração dos segurados empregados — relativas à filial (CNPJ 49.202.344/000253). Lev. FG3 — (declarado em GFIP, com redução de multa). Referente às contribuições descontadas da remuneração dos segurados empregados — relativas à filial (CNPJ 49.202.344/000334. 7. As GFIP foram entregues antes do início da auditoria fiscal, motivo pelo qual a multa de mora foi aplicada com redução de cinqüenta por cento. (grifos meus). Das passagens acima destacadas não há dúvidas de que todas as contribuições lançadas nestes autos foram declaradas em GFIP pelo contribuinte antes do início da ação fiscal. O artigo 33, § 7º, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 1.59614, convertida na Lei 9.528/97 diz o que abaixo transcrevo. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte.(parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Neste contexto o artigo 32, IV, da Lei 8.212/91 atribuía a GFIP o papel de ser a citada declaração. Veja o texto da lei. Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). O Superior Tribunal de Justiça – STJ em vários julgados já confirmou que a GFIP assume este papel, observase o que diz o tribunal. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 279 5 EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. ENTREGA DA GFIP. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALEGAÇÃO DE DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES DECLARADOS E OS EFETIVAMENTE RECOLHIDOS. RECUSA NO FORNECIMENTO DE CND. LEGITIMIDADE. 1. Não viola o artigo 535 do CPC, tampouco nega prestação jurisdicional, acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, conforme ocorreu no caso em exame. 2. A Primeira Seção desta Corte Superior, por ocasião do julgamento do REsp 1042585/RJ, da relatoria do Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos, consolidou orientação no sentido de que o descumprimento de obrigação acessória, consistente na entrega de Informações à Previdência Social (GFIP), legitima a recusa do Fisco no fornecimento da Certidão Negativa de Débitos CND, a teor do disposto no art. 32, IV, e § 10 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. Naquele julgado, decidiuse, ainda, que a existência de divergência entre os valores declarados pelo contribuinte em GFIP e os efetivamente recolhidos também é condição impeditiva para a expedição da prova de inexistência de débito, porquanto a simples apresentação da GFIP é suficiente para constituir os créditos tributários. 3. Recurso especial provido. (RESP 201100316470, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:13/04/2011 ..DTPB:.) (grifo meu). EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. APLICAÇÃO DA SÚMULA 284/STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO POR GIA. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. NULIDADE DA CDA. REQUISITOS. SÚMULA 7/STJ. TAXA SELIC. LEGALIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ. 1. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC, incidência da Súmula 284/STF. 2. Violação dos arts. 125, 132 e 420 do CC, incidência da Súmula 211/STJ. 3. Aferir a certeza e liquidez do título, para efeito de análise de eventual violação dos arts. 97, 202 e 203 do CTN, demandaria o reexame de todo o contexto fáticoprobatório dos autos, incidência da Súmula 7/STJ. 4. É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de que, "em se tratando de tributo lançado por homologação, tendo o contribuinte declarado o débito através de Declaração de Contribuições de Tributos Federais DCTF, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP ou documento equivalente e não pago no vencimento, considerase desde logo constituído o crédito tributário, tornandose dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia." (REsp 739.910/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 12.6.2007, DJ 29.6.2007, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 280 6 p. 535). 5. In casu, o Estado de São Paulo previu a utilização da taxa SELIC, por meio da Lei Estadual n. 10.175/98, preenchendo o requisito exigido para a sua aplicação. Agravo regimental improvido.(AGA 201002218883, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:21/09/2011 ..DTPB:.) (grifo meu). Evidente, assim, que a declaração dos valores em GFIP se constitui autolançamento e não justifica a imposição de multa mais severa só porque o fisco, não utilizou este lançamento para exigir as contribuições que lhes eram devidas e resolveu lançar em outro documento, o que já estava lançado. Aliás, a instruções normativas do INSS; da Secretaria da Receita Previdenciária – SRP e da Secretaria Receita Federal do Brasil – SRFB, também, asseveram que a GFIP é documento de constituição do débito, abaixo as transcrições das normas administrativas. IN/INSS/SC Nº 100/2003 TÍTULO VIII DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO FISCAL CAPÍTULO I DAS FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO Art. 650. O crédito tributário, no âmbito do INSS, será constituído nas seguintes formas: II por meio de confissão de dívida tributária, quando o sujeito passivo: a) apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e não efetuar o pagamento integral do valor confessado; CAPÍTULO II DOS DOCUMENTOS DE CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO Art. 651. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito do INSS: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; IN/SRP Nª 03/2005 CAPÍTULO II DOCUMENTOS DE CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 281 7 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; IN/SRFB Nº 971/2009 TÍTULO VII DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO FISCAL CAPÍTULO I DAS FORMAS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO Art. 456. O crédito tributário relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, será constituído nas seguintes formas: II por meio de confissão de dívida tributária, quando o sujeito passivo: a) apresentar a GFIP e não efetuar o pagamento integral do valor confessado; (os destaque são todos meus). Com os esclarecimentos acima evidente que o crédito já estava constituído, quando o fisco entendeu de promover novo lançamento, mas este novo lançamento não pode piorar a situação do contribuinte. Assim como disse a PGFN em seus embargos o artigo 44, I, da Lei 9.430/96 só se aplica em caso de lançamento de ofício, como determina o artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009 e como demonstrado não é o caso, pois aqui temos declaração espontânea, autolançamento, feito pelo sujeito passivo. Por outro lado a própria PGFN no artigo 5º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 14/2009 reconhece que a multa a ser aplicada quando o que está declarado em GFIP é objeto de lançamento de ofício, concomitante, como neste caso é a do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, veja o texto transcrito. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Esclarecidas a omissão, a qual entendeu existente a D. PGFN mantenho a minha decisão original, qual seja, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente, aplicando a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, observandose o momento do pagamento, parcelamento ou execução como consta do acórdão recorrido. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15983.000703/200773 Acórdão n.º 2803002.551 S2TE03 Fl. 282 8 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para elucidar a omissão que o I. Procurador da Fazenda Nacional entendeu existente, visando ao seu aclaramento. Posto isto, empresto a estes embargos efeitos meramente integrativos da decisão original, para manter o que decidido no Acórdão Nº 2803002.153, integrado este àquela decisão. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10510.000837/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/04/2005 a 30/06/2005, 01/07/2005 a 30/09/2005, 01/10/2005 a 31/12/2005, 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/04/2006 a 30/06/2006, 01/07/2006 a 30/09/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006, 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/04/2007 a 30/06/2007
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES FEDERAL. LANÇAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. Inexiste qualquer vício no procedimento fiscal se demonstrado que o lançamento foi formalizado antes de expirada a prorrogação conferida ao Mandado de Procedimento Fiscal. INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA REGULARIZAÇÃO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Inexiste previsão legal que permite aos agentes fiscais, depois de iniciado o procedimento fiscal, aguardar a regularização espontânea por parte do contribuinte fiscalizado.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Ausente prova de recolhimento ou de declaração prévia do débito, o prazo decadencial é regido pelo art. 173 do CTN.
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação não reabre ao sujeito passivo a possibilidade de optar pelo lucro presumido depois de iniciado o procedimento fiscal motivado por sua anterior exclusão do Simples Federal. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL. Correta a apuração das bases tributáveis com base no lucro real se a escrituração do sujeito passivo permite esta apuração. CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real sujeitam-se à Contribuição ao PIS e à COFINS na sistemática não-cumulativa, cabendo ao autuado demonstrar a existência de eventuais créditos que possam reduzir as contribuições incidentes sobre o faturamento.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Definidos em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício, bem como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não se sujeitam a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1101-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade e decadência e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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LANÇAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. Inexiste qualquer vício no procedimento fiscal se demonstrado que o lançamento foi formalizado antes de expirada a prorrogação conferida ao Mandado de Procedimento Fiscal. INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA REGULARIZAÇÃO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Inexiste previsão legal que permite aos agentes fiscais, depois de iniciado o procedimento fiscal, aguardar a regularização espontânea por parte do contribuinte fiscalizado. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Ausente prova de recolhimento ou de declaração prévia do débito, o prazo decadencial é regido pelo art. 173 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 08 37 /2 01 0- 32 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 3 2 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação não reabre ao sujeito passivo a possibilidade de optar pelo lucro presumido depois de iniciado o procedimento fiscal motivado por sua anterior exclusão do Simples Federal. TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO REAL. Correta a apuração das bases tributáveis com base no lucro real se a escrituração do sujeito passivo permite esta apuração. CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real sujeitamse à Contribuição ao PIS e à COFINS na sistemática nãocumulativa, cabendo ao autuado demonstrar a existência de eventuais créditos que possam reduzir as contribuições incidentes sobre o faturamento. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Definidos em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício, bem como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não se sujeitam a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade e decadência e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório COLÉGIO DO SALVADOR II LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 11/03/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.298.324,21. A contribuinte foi excluída do SIMPLES Federal porque a entidade Colégio do Salvador Ltda, tendo em conta que a Lei nº 10.034/2000 limitou a vedação ao Simples Federal para pessoas jurídicas prestadoras de serviços de ensino médio, desmembrou suas atividades em 24/01/2001 alocando na recorrente a prestação de serviços de ensino fundamental, de modo que esta pudesse optar pelo Simples Federal. Considerando que o art. 9o, inciso XVII, da Lei nº 9.317/96, c/c o art. 20, inciso XVI do Instrução Normativa SRF nº 608/2006 impedem a opção por pessoa jurídica resultante de cisão ou de qualquer outra forma de desmembramento, a DRF/Aracaju editou o Ato Declaratório Executivo nº 53/2007, excluindo a recorrente do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (fls. 90/91). A interessada manifestou inconformidade contra o ato de exclusão, mas em 08/04/2009 a DRJ/Salvador indeferiu sua solicitação (fls. 92/97). Em 05/10/2009 foi iniciado o procedimento fiscal, exigindo da contribuinte a apresentação dos livros contábeis, documentos fiscais e informações referentes aos empregados por ela mantidos, referentes ao período de 2005 a 2007 (fl. 81/82). Outra intimação lavrada em 02/12/2009 exigiu a apresentação de arquivos magnéticos contendo registros contábeis, bem como do LALUR e do DACON, pertinentes ao período de janeiro/2005 a junho/2007 (fls. 83/84). Reintimada, a contribuinte informou que, por ser optante do Simples Federal, não dispunha do LALUR ou do DACON (fl. 89). Às fls. 98/362 consta reprodução do Livro Razão da autuada. À fl. 65 consta a demonstração do lucro trimestral adotado como base de cálculo do IRPJ e da CSLL do 1o trimestre/2005 ao 2o trimestre/2007. Disse a autoridade fiscal que a partir dos arquivos magnéticos, do Diário e Razão foram levantados os Balancetes Trimestrais e as Demonstrações de Resultado dos Exercícios (fls. 66/71). O Resultado Líquido do Exercício foi ajustado pela adição dos valores do Simples Contabilizado, chegandose ao Lucro Real. Às fls. 55/64 constam relatórios de acompanhamento dos prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, utilizados para reduzir as infrações no 1o trimestre de 2006 Às fls. 72 consta a demonstração mensal das bases de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS. Disse a Fiscalização que a partir dos arquivos magnéticos, do Diário e Razão apresentados foi levantado o Demonstrativo da COFINS e do PIS não cumulativos. Consignou, também, que, embora intimada, a contribuinte não apresentou o DACON. A exigência de COFINS está fundamentada nos arts. 1o, 3o e 5o da Lei nº 10.833/2003, e a exigência de Contribuição ao PIS nos arts. 1o, 3o e 4o da Lei nº 10.637/2002. Impugnando a exigência, a contribuinte invocou o tratamento jurídico diferenciado que a lei confere às microempresas e empresas de pequeno porte, especialmente Fl. 641DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 5 4 no que tange ao prazo para regularização de sua situação, concedido entre as duas necessárias visitas que deveriam ter sido feitas ao seu estabelecimento. Questionou, também, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, e a inobservância do prazo fixado no Mandado de Procedimento Fiscal para sua conclusão. Argumentou que a sua exclusão do Simples Federal ainda está sendo discutida administrativamente, com conseqüente suspensão da exigibilidade, bem como apontou a decadência dos valores pertinentes aos períodos de janeiro e fevereiro/2005. Defendeu a possibilidade de optar pelo lucro presumido, que lhe seria menos gravoso, e pleiteou a redução da multa e dos juros exigidos. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · O prazo decadencial seria regido pelo art. 173, inciso I do CTN, ante a inexistência de pagamento nos períodos apontados pela impugnante; · Inexiste previsão legal da referida regra da dupla visita, não se verificando a nulidade arguida; · A legislação não impede a formalização do lançamento na pendência de discussão acerca do ato de exclusão do Simples Federal; · Irregularidades ou problemas na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não dão causa a nulidade dos lançamentos fiscais; · Inexiste previsão legal para que a contribuinte, excluída do Simples, opte pelo regime de tributação com base no lucro presumido, deferido apenas àqueles que realizem pagamento na forma da lei; · A multa e os juros de mora aplicados estão regularmente fundamentados em lei; e · As exigências reflexas de CSLL, COFINS e Contribuição ao PIS seguem o que decidido em relação ao IRPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/12/2012 (fl. 554), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 11/03/2013 (fls. 559/628). Inicialmente aduz que o ato de exclusão do Simples encontrase em grau de recurso neste Conselho, suspendendo a exigibilidade do presente lançamento. Ademais, nos períodos de apuração autuados, a empresa recorrente estava regularmente inscrita no Simples Federal, assim permanecendo até a edição do Ato Declaratório Executivo nº 53, em 12/11/2007. Assevera que recolheu os tributos devidos de boafé neste período e que os órgãos julgadores devem respeitar este fato, reportandose aos argumentos dirigidos contra aquele ato de exclusão. Argúi, preliminarmente, a nulidade do lançamento, porque se mantém como optante do Simples enquanto não houver decisão final irrecorrível acerca de sua exclusão, e assim tem direito a um tratamento jurídico diferenciado, consistente na dupla visita nas fiscalizações, de modo a primeiro constatar o erro e dar prazo para que o contribuinte regularize a situação, e só num momento posterior ser autuada, se não atender à solicitação fiscal. Cita doutrina acerca do dever do Fisco de orientar a microempresa e a empresa de pequeno porte, bem como reportase ao art. 179 da Constituição Federal. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 6 5 O lançamento também seria nulo por inexistência de justa causa para a sua lavratura, dado que o Ato Declaratório Executivo nº 53 está sob julgamento administrativo, impondose a suspensão da exigibilidade na forma do art. 151, inciso III do CTN. A atuação fiscal constituiria um verdadeiro abuso de poder e um flagrante desrespeito ao sagrado direito de defesa. Entende que não se vislumbra o ânimo de sanção exigida na exação sob recurso, e que equivocada seria a imputação de penalidade à recorrente. Reitera a argüição de decadência dos valores exigidos em janeiro e fevereiro/2005, em razão do transcurso do prazo previsto no art. 150, §4o do CTN. E insiste na extinção do Mandado de Procedimento Fiscal por decurso do prazo nele previsto, sem a correspondente prorrogação, com sua conseqüente ciência. Reportase ao art. 15 da Portaria RFB nº 11.371/2007 e defende seu direito de ter o procedimento fiscal prorrogado a cada 60 (sessenta) dias. No mérito, observa que o lançamento é um ato administrativo vinculado, mas aqui foram descumpridos mandamentos legais: Primeiro, porque foram lavrados sob a fundamentação que o Recorrente estava legalmente excluído do Simples Federal pelo ADE 53/07 que está, ainda, sendo objeto de recurso administrativo em Segunda Instância (R. Voluntário) – flagrante desrespeito ao direito da ampla defesa do contribuinte e ao que determina o CTN; Segundo, porque todos os créditos tributários sob reclamações ou recursos administrativos têm sua exigibilidade suspensa, portanto, não podem ser objeto de cobrança/lançamento (art. 151, III, do CTN); e Terceiro, na exação fiscal está incluído crédito tributário já extinto (abrangido pela decadência). Discorre extensamente acerca destas alegações, transcrevendo doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento. Prossegue apontando que o lançamento na sistemática do lucro real ensejou exigência mais gravosa, pois na medida em que a recorrente não está obrigada a utilizar o lucro real, poderia optar pelo Lucro Presumido ou por outra forma legal menos gravosa para recolhimento dos tributos. Reportase a cálculos dos valores que seriam devidos na sistemática do lucro presumido, e invoca a aplicação do art. 112 do CTN, para recolher valores menores e também a correspondente penalidade. Afirma confiscatória a multa aplicada, bem como a classifica de absurda, ilegal e imoral ante a impugnação administrativa do ato de exclusão. Subsidiariamente pleiteia sua redução a 2% (na forma da Lei nº 8.078/90, alterada pela Lei nº 9.298/96), ou então a 20%, como já orientado pelo Supremo Tribunal Federal. Reitera a existência de parcelas decaídas, aponta que não houve dolo, fraude ou simulação, e que a falta de recolhimento apontada decorre, apenas, de sua submissão às regras simplificadas de recolhimento, e não de omissão de receitas. Acrescenta que apresentou toda a documentação exigida pela Fiscalização, exceto o DACON e o LALUR, por estar desobrigada de fazêlo. Ademais, como permanece optante pelo Simples, inexiste razão para imputação da penalidade a crédito que o Fisco está impedido de exigir. Diz que os acréscimos apontados no lançamento contrariam o princípio da isonomia e capacidade contributiva, argumenta que o art. 59 da Lei nº 8.383/91 estava vigente à época e autorizava a exigência de juros de mora limitados a 1% ao mês, e acrescenta que a taxa SELIC é manifestamente inconstitucional. Subsidiariamente opõese à aplicação de SELIC mais 1% a.m., citando julgado do Superior Tribunal de Justiça que reconhece já estar embutido naquela taxa o índice da inflação do período e a taxa de juros real, e arremata: Fl. 643DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 7 6 Além do mais, é oportuno lembrar que a criação do SIMPLES FEDERAL foi para melhorar a vida das microempresas e empresas de pequeno porte e não para caçá las como sonegadoras contumazes pela RFB. Principalmente, nesse caso que o Recorrente passou mais de seis anos recolhendo tributos, como optante pelo regime simplificado, com a anuência do órgão que tem a obrigação de deferir e fiscalizar as empresas optantes. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente questiona a formalização do lançamento enquanto ainda não definitivo o ato que a excluiu do Simples Federal. Contudo está pacificado neste Conselho o entendimento de que a possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). E isto porque a invocada suspensão da exigibilidade prevista no art. 151 do CTN prestase, apenas, a evitar a cobrança de créditos tributários lançados ou declarados, e não impede a constituição de crédito tributário, nem tampouco suspende a eficácia de outros atos, como no caso a exclusão do SIMPLES Federal, cujos efeitos imediatos decorrem da presunção de legitimidade da qual são dotados os atos administrativos. Quanto aos questionamentos dirigidos contra aquele ato, temse que a matéria é objeto do processo administrativo nº 10510.004722/200711, e foi apreciada nesta sessão de julgamento resultando no Acórdão nº 1101000.954, assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2007 EXCLUSÃO. PESSOA JURÍDICA RESULTANTE DE DESMEMBRAMENTO. É vedada a opção no SIMPLES Federal por pessoas jurídicas resultantes de qualquer forma de desmembramento que enseje a transferência de atividades operacionais de outra pessoa jurídica, mormente tendo em conta que as pessoas jurídicas apresentamse ao público consumidor como se uma única empresa fossem. ALTERAÇÃO DA VEDAÇÃO NO ÂMBITO DO SIMPLES NACIONAL. É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples (Súmula CARF nº 81). EFEITOS DA EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF nº 56). DECADÊNCIA. O ato de exclusão não pode retroagir para alcançar períodos de apuração nos quais os recolhimentos simplificados já estão homologados tacitamente. Assim, promovida regularmente a exclusão da contribuinte em relação aos períodos de apuração aqui autuado, a exigência fiscal não tinha por que respeitar aquela sistemática simplificada de recolhimentos, não se verificando qualquer ofensa ao regime diferenciado previsto em favor das empresas que podem optar pelo Simples Federal. Impróprio, também, falar em inexistência de justa causa para lavratura do lançamento, ou mesmo em abuso de poder e flagrante desrespeito ao sagrado direito de defesa. O fato de ser facultado ao sujeito passivo discutir a exclusão no âmbito do contencioso Fl. 645DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 9 8 administrativo não o dispensa de adequar sua escrituração e seus recolhimentos à sistemática de recolhimento imposto às demais empresas que não podem optar pelo Simples Federal, e por conseqüência não afasta a possibilidade de imputação de penalidade quando ele assim não se conduz. Quanto ao tratamento diferenciado consistente na dupla visita nas fiscalizações, de modo a primeiro constatar o erro e dar prazo para que o contribuinte regularize a situação, inexiste qualquer previsão legal neste sentido. Ao contrário, o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 7o, inciso I c/c §1o, estabelece que o início do procedimento fiscal, mediante lavratura de seu primeiro ato de ofício, exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. Demais disso, a contribuinte foi excluída do Simples Federal em 27/11/2007, e o presente procedimento fiscal somente teve início em 05/10/2009, inclusive depois de a contribuinte ter sido cientificada, em 08/05/2009, da decisão que indeferiu sua manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão. A recorrente também assevera que o Mandado de Procedimento Fiscal teria sido extinto por decurso do prazo nele previsto, sem a correspondente prorrogação. Todavia, a Portaria RFB nº 11.371/2007 definiu em seu art. 9o que as alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante. Por sua vez, em consulta ao sítio da Receita Federal na Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp), a partir do CNPJ e do código de acesso informado à contribuinte no Termo de Início do Procedimento Fiscal é possível verificar que o Mandado de Procedimento Fiscal nº 05.2.01.002009011219 deveria ser executado, em princípio, até 29/01/2010, mas foi prorrogado até 30/03/2010, sendo que a fiscalização foi encerrada em 11/03/2010. Em conseqüência, não se verificou a extinção do Mandado de Procedimento Fiscal na forma prevista no art. 14, inciso II da referida Portaria. E, quanto ao alegado direito que teria o sujeito passivo de ter o procedimento fiscal prorrogado a cada 60 (sessenta) dias, inexiste previsão legal neste sentido. Em verdade, somente se verifica no art. 7o do Decreto nº 70.235/72 a previsão de reaquisição da espontaneidade pelo sujeito passivo se decorridos 60 (sessenta) dias sem a prática de novo ato de ofício. Significa dizer que o sujeito passivo, em tais circunstâncias, poderá, mesmo depois de iniciado o procedimento fiscal, praticar atos que serão considerados espontâneos e impedirão, eventualmente, a formalização da exigência com a aplicação de penalidades. Todavia, se o sujeito passivo nada faz neste interregno, o lançamento de ofício pode ser formalizado sem qualquer prejuízo à sua validade. Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento. Ainda em preliminar, a contribuinte argúi a decadência dos valores exigidos em janeiro e fevereiro/2005, tendo em conta que o lançamento lhe foi cientificado em 11/03/2010, quando já decorrido o prazo previsto no art. 150, §4o do CTN. A autoridade julgadora de 1a instância rejeitou esta alegação porque inexistente qualquer recolhimento referente aos períodos de janeiro e fevereiro/2005. E, de fato, a contabilidade do sujeito passivo evidencia que, ao longo do anocalendário 2005, apenas foram apropriadas dívidas a título de Simples a Recolher, na conta 21011100100 (fl. 145). O Fl. 646DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 10 9 único pagamento promovido no período referiase ao período de apuração de novembro/2003, e está confirmado no resultado de pesquisa juntado pela autoridade julgadora à fl. 532. É certo que o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, acerca da aplicação do art. 150, §4o do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. O acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009, está assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 11 10 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Referido julgado, inclusive, a teor das disposições do Anexo II do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, seria de observância obrigatória por este Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, nos seus termos, é possível concluir que o prazo previsto no art. 150, §4o seria aplicável não só na ocorrência de pagamento, como também de declaração prévia do débito. Contudo, a recorrente em momento algum demonstra que, relativamente às apurações de janeiro e fevereiro/2005, praticou algum ato hábil a atrair a homologação tácita do art. 150, §4o do CTN. Considerando que referido julgado deixa claro que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, resta aplicável ao caso o art. 173, inciso I do CTN. Assim, admitindose a possibilidade de lançamento no próprio anocalendário 2005, o prazo decadencial somente começaria a ser contado em 01/01/2006, e o lançamento poderia ser formalizado até 31/12/2010. Portanto, deve ser REJEITADA a argüição de decadência. No mérito, depois de reiterar os aspectos já apreciados preliminarmente neste voto, a recorrente aponta que o lançamento na sistemática do lucro real ensejou exigência mais gravosa, pois na medida em que a recorrente não está obrigada a utilizar o lucro real, poderia optar pelo Lucro Presumido ou por outra forma legal menos gravosa para recolhimento dos tributos. Reportase a cálculos dos valores que seriam devidos na sistemática do lucro presumido, e invoca a aplicação do art. 112 do CTN, para recolher valores menores e também a correspondente penalidade. Ocorre que, somente com a edição da Lei Complementar nº 123/2006, no âmbito do Simples Nacional, foi deferido ao sujeito passivo, após sua exclusão da sistemática simplificada de recolhimento, optar por uma das formas de tributação facultadas aos demais sujeitos passivos: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1o Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as Fl. 648DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 12 11 normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. § 3o Aplicase o disposto no caput e no § 1o em relação ao ICMS e ao ISS à empresa impedida de recolher esses impostos na forma do Simples Nacional, em face da ultrapassagem dos limites a que se referem os incisos I e II do caput do art. 19, relativamente ao estabelecimento localizado na unidade da Federação que os houver adotado. (negrejouse) Já no âmbito da Lei nº 9.317/96, seu art. 16 apenas estipulava que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 estabelece como regra geral de tributação o lucro real trimestral, e faculta sua apuração anual àqueles que promoverem pagamentos por estimativas, bem como autoriza a apuração com base no lucro presumido apenas se manifestada a opção com o pagamento do imposto devido no primeiro período de apuração do anocalendário: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. [...] Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. [...] Art.26.A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 13 12 §2º A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido relativa ao período de apuração do início de atividade. §3º A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, alterar a opção, passando a ser tributada com base no lucro real, ficará sujeita ao pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a menor. §4º A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. (negrejouse) Iniciado o procedimento fiscal e excluída a espontaneidade do sujeito passivo, não lhe é mais possível optar pela tributação com base no lucro presumido, e a exigência fiscal deve observar a sistemática do lucro real trimestral ou, quando esta se mostra inviável, ter em conta o lucro arbitrado. A recorrente reportase aos demonstrativos juntados à impugnação (fls. 433), nos quais a partir dos mesmos valores de receita bruta de serviços considerados pela Fiscalização, apura a Contribuição ao PIS e a COFINS em sistemática cumulativa, aplicando alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, sobre aquelas receitas, e determinando o IRPJ e a CSLL mediante aplicação dos percentuais de 4,80%+10% e de 2,88%, respectivamente, também sobre as receitas de serviços. Presume, assim, o lucro em tais atividades a partir do coeficiente de 32%, para sobre esta base aplicar as alíquotas de 15% (IRPJ) e 9% (CSLL), além do adicional de IRPJ (10%). Em verdade, no âmbito do IRPJ e da CSLL, a apuração da contribuinte, em alguns trimestres autuados, resulta em tributos devidos superiores aos lançados pela Fiscalização. Vejase: Trimestre Lucro Real SIMPLES Total Prejuízo IRPJ Adicional Total Contribuinte 01/2005 68.920,12 24.815,34 93.735,46 14.060,32 3.373,55 17.433,87 17.918,40 02/2005 41.540,70 29.001,06 70.541,76 10.581,26 1.054,18 11.635,44 17.918,40 03/2005 (10.501,97) 33.186,78 22.684,81 3.402,72 3.402,72 17.918,40 04/2005 (40.859,53) 37.970,46 (2.889,07) 17.918,40 Total anual 32.472,03 71.673,60 01/2006 94.464,76 26.681,49 121.146,25 (2.889,07) 17.738,58 5.825,72 23.564,30 19.695,68 02/2006 109.351,14 32.898,09 142.249,23 21.337,38 8.224,92 29.562,31 20.584,32 03/2006 95.082,70 38.879,57 133.962,27 20.094,34 7.396,23 27.490,57 20.584,32 04/2006 42.973,05 44.196,43 87.169,48 13.075,42 2.716,95 15.792,37 20.584,32 Total anual 96.409,54 81.448,64 01/2007 137.802,14 36.768,53 174.570,67 26.185,60 11.457,07 37.642,67 27.569,28 02/2007 169.582,02 50.496,65 220.078,67 33.011,80 16.007,87 49.019,67 31.061,76 Total anual 86.662,34 58.631,04 Total geral 215.543,90 211.753,28 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 14 13 Trimestre BC CSLL SIMPLES Total BCN CSLL Contribuinte 01/2005 68.920,12 24.815,34 93.735,46 8.436,19 8.610,62 02/2005 41.540,70 29.001,06 70.541,76 6.348,76 8.610,62 03/2005 (10.501,97) 33.186,78 22.684,81 2.041,63 8.610,62 04/2005 (40.859,53) 37.970,46 (2.889,07) 8.610,62 Total anual 16.826,58 34.442,48 01/2006 94.464,76 26.681,49 121.146,25 (2.889,07) 10.643,15 9.250,44 02/2006 109.351,14 32.898,09 142.249,23 12.802,43 9.250,44 03/2006 95.082,70 38.879,57 133.962,27 12.056,60 9.250,44 04/2006 42.973,05 44.196,43 87.169,48 7.845,25 9.250,44 Total anual 43.347,43 37.001,76 01/2007 137.802,14 36.768,53 174.570,67 15.711,36 12.084,94 02/2007 169.582,02 50.496,65 220.078,67 19.807,08 13.342,23 Total anual 86.711,13 25.427,17 Total geral 146.885,15 96.871,41 Aliás, se considerado apenas o resultado líquido do exercício, os tributos lançados seriam inferiores àqueles pretendidos pela recorrente na sistemática do lucro presumido. Todavia, a autoridade fiscal demonstra que a contribuinte contabilizou como dedução de receitas os valores devidos a título de SIMPLES, os quais, como visto, não foram recolhidos, e nem poderiam ser considerados em razão da exclusão da contribuinte daquela sistemática de recolhimento. Pertinente, assim, sua reversão na apuração do lucro tributável. No mais, constatase que o cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS apresentado pela contribuinte difere apenas em relação às alíquotas aplicadas pela Fiscalização. Isto porque o lançamento foi determinado mediante a aplicação das alíquotas previstas da sistemática da nãocumulatividade (1,65% e 7,6%), ao passo que a contribuinte tem em conta as alíquotas da sistemática cumulativa (0,65% e 3%). Ocorre que a sistemática nãocumulativa é a regra geral para determinação da Contribuição ao PIS e da COFINS pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, admitindose a sistemática cumulativa em relação às pessoas jurídicas tributadas com base lucro presumido, como almejado pela recorrente (art. 8o, inciso II da Lei nº 10.637/2002 e art. 10, inciso II da Lei nº 10.833/2003). Como demonstrado, porém, iniciado o procedimento fiscal a contribuinte não mais poderia optar pelo lucro presumido, impondose a sua tributação na sistemática do lucro real trimestral, na medida em que sua escrituração sustentava esta forma de apuração. Por sua vez, na sistemática nãocumulativa, a incidência se verifica sobre o faturamento da pessoa jurídica, na forma da legislação pertinente: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 15 14 [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. [...] De outro lado, o art. 3o da Lei nº 10.637/2002 e o art. 3o da Lei nº 10.833/2003 permitem que a pessoa jurídica desconte créditos em relação aos itens ali discriminados. A contribuinte, porém, intimada durante o procedimento fiscal não apresentou o DACON, no qual poderia evidenciar estes créditos, nem fez qualquer prova neste sentido durante o procedimento fiscal. Logo, subsiste integralmente a exigência como formalizada. A recorrente também questiona a penalidade aplicada, insistindo no fato de o ato de exclusão ainda estar pendente de discussão administrativa, bem como destacando que não houve dolo, fraude ou simulação, e que apresentou toda a documentação exigida pela Fiscalização. Contudo, demonstrada a possibilidade de lançamento a partir da exclusão da contribuinte do Simples Federal, e tendo sido nele imputada a penalidade de 75% sem qualquer qualificação ou agravamento por ausência dos demais aspectos aventados pela recorrente, os demais questionamentos da contribuinte dirigemse à amplitude do percentual da multa fixado em lei, que reputa confiscatório, ofensivo aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. O percentual da multa, porém, assim como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora estão previsto em lei (art. 44, inciso I e art. 61, § 3o , ambos da Lei nº 9.430/96), e não cabe a este órgão administrativo de julgamento deliberar sobre sua constitucionalidade. Recordese, ainda, o que já consolidado na jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, como já exposto na apreciação do ato de exclusão, inexiste qualquer anuência do Fisco com sua situação irregular. Ainda, restou demonstrado nestes autos que ao menos a partir do anocalendário 2005 a contribuinte nada pagou, mesmo optando pela sistemática simplificada de recolhimento. Correta, portanto, a exigência aqui formalizada. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10510.000837/201032 Acórdão n.º 1101000.953 S1C1T1 Fl. 16 15 Diante do exposto, o presente voto, além de REJEITAR as argüições de nulidade e decadência, é também no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em seu mérito. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10865.900722/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 72 2/ 20 08 -1 3 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a homologação apenas parcial em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.138, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 04/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a homologação apenas parcial em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Este é o Relatório. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que homologou parcialmente declaração de compensação por ela apresentada em 11/06/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de abril/2003, no valor de R$ 18.742,65. A Delegacia de origem homologou em parte a compensação porque o referido pagamento havia sido parcialmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Do recolhimento de R$ 18.742,65, que daria origem ao reivindicado direito creditório, já haviam sido utilizados R$ 18.738,80 (para a quitação da própria estimativa declarada), restando saldo disponível de apenas R$ 3,85, conforme o Despacho Decisório de fls. 7. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve o que restou decidido pela Delegacia de origem. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 6 5 O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 7 6 se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 5993. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 8 7 comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2º do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verbis: [...] Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar; a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte deve levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício; a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções; os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7° do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil, limitandose as alegações acima referenciadas. As cópias de DCOMP, DIPJ, DCTF e documentos de arrecadação (Darf) juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 9 8 de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. (grifos acrescidos) Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 78, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 jun/03 39.088,27 39.055,58 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 10 9 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900722/200813 Resolução nº 1802000.286 S1TE02 Fl. 11 10 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10680.915834/2009-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 58 34 /2 00 9- 18 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0231.918, proferido em primeira instância pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 DCTF RETIFICADORA. APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” De acordo com o órgão julgador a quo “a DCTF na qual foi retificado o débito referente ao período de apuração de 30/09/2003 foi enviada pelo contribuinte apenas em 20/05/2009 sendo que a DCTF originariamente apresentada foi transmitida em 14/11/2003, após cinco anos, portanto, contados da ocorrência do fato gerador.”. Além disso, “não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência de direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retificadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação.”. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, tomase de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/09/2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 02) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.915834/200918 Acórdão n.º 3802001.464 S3TE02 Fl. 6 3 utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 01, com os argumentos a seguir resumidos. Alega possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de 11/2002 a 09/2005, e ,que, após a constatação da existência de tais créditos, procedeu a sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressalta que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 14/11/2003, efetuou as devidas correções via DCTF retificadora, transmitida em 20/05/2009, demonstrando a existência do crédito. Por fim, requer o reconhecimento da crédito a que faz jus e a conseqüente homologação da compensação realizada. É o relatório.” Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maio o valor do tributo compensado. Acosta aos autos, com o intuito de corroborar suas afirmações: i) relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 30 de setembro de 2003; e ii) relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora em 20/05/2009, para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a retificação para alteração do valor do débito de COFINS somente se deu depois de passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sendo, portanto, intempestiva e ineficaz para os fins pretendidos pela Recorrente. Nesse sentido é jurisprudência pacífica deste Colegiado, da qual se trazem, a título exemplificativo, as ementas abaixo colacionadas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2001 IRPJ. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF , bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do auto lançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar "pagamentos indevidos", passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos opera se tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado. (CARFG, 1ª Seção, 2ª Turma, 4ª Câmara, Acórdão 1402.00.706, Julgamento 05/08/2011, Publicação 28/03/2012) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 (...) RETIFICAÇÃO DA DCTF. Não é possível a retificação da DCTF realizada após o lançamento de oficio e após o decurso do prazo de cinco anos da data da entrega da declaração e do fato gerador, conforme já decidiu o antigo 1° CC, através do ACÓRDÃO Nº 105 12.929/99, publicado no Diário Oficial da União de 11 de fevereiro de 2000. Recurso Voluntário Negado. (CARF, 1ª Seção, 1ª Turma especial, Acórdão 180100.116, Julgamento 03/11/2009, Publicação 24/01/2011) Ainda que houvesse sido tempestivamente apresentada a DCTF retificadora, sua simples transmissão com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.915834/200918 Acórdão n.º 3802001.464 S3TE02 Fl. 7 5 Ademais, cumpre observar que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, procedendo à retificação da DCTF apenas em 20/05/2009, sendo uma vez mais ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Não bastasse isso, a interessada não anexou ao processo qualquer documentação hábil e idônea para comprovar a existência e disponibilidade do crédito reclamado. Com efeito, a contribuinte já em sede recursal acostou aos autos relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 30 de setembro de 2003; e relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento; pretendendo, assim, demonstrar através de documentos a exatidão do débito indicado na declaração retificadora e, via de consequência, a legitimidade do direito creditório. Todavia, relatórios sintéticos internos não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, sendo sim um arrazoado destinado a permitir a compreensão e a visualização da prova a ser juntada – documentos fiscais e/ou contábeis que permitam a verificação do direito de crédito pleiteado. Assim sendo, tendo transmitido a destempo a DCTF retificadora e disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001372/2004-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/2001
PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A.
O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos apresentados a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações e pedidos anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Prescrição parcialmente configurada.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/2001 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos apresentados a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações e pedidos anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Prescrição parcialmente configurada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543-C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. Recurso Voluntário Negado.
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PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas e pedidos administrativos apresentados a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações e pedidos anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Prescrição parcialmente configurada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (Dctf) ou declaração equivalente, e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. O ônus da prova de sua caraterização concreta Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 cabe ao sujeito passivo. Portanto, se este não apresenta elementos suficientes para demonstrar a sua configuração, deve ser mantida a decisão recorrida. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 54): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/2001 MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte requer restituição extinguese após cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, exvi do artigo 168 do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O Recorrente, nas razões recursais de fls. 63 e ss., sustenta que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial do prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do Código Tributário Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10920.001372/200467 Acórdão n.º 3802001.587 S3TE02 Fl. 96 3 Nacional, teria início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento. Após citar jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Carf nesse mesmo sentido, aduz que a multa de mora seria indevida nos casos de denúncia espontânea, requerendo, por fim, a reforma do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 29/06/2012 (fls. 60) e o protocolo do recurso, em 05/07/2012 (fls. 63). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. I DA PRESCRIÇÃO O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº 566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas ou pedidos administrativo protocolizados a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações ou pedidos posteriores, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do pagamento indevido (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No caso em exame, o protocolo do pedido ocorreu em 14/06/2004, tendo por objeto a repetição de valores pagos no período de abril de 1994 a junho de 2001 (fls. 03). O exercício da pretensão, portanto, ocorreu antes de 09/06/2005, caso em que se aplica o prazo de dez anos, contados do pagamento indevido. Logo, encontramse prescritos apenas os indébitos configurados nos meses de abril e maio de 1994, o que se aplica ao pagamento realizado em 06/04/1994, no valor de R$ 594.911,52, por meio do primeiro Darf de fls. 27. Em relação ao período compreendido entre Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10920.001372/200467 Acórdão n.º 3802001.587 S3TE02 Fl. 97 5 junho de 1994 e junho de 2001, superada a prescrição, cumpre verificar se o pagamento da multa de mora, de fato, mostrouse indevido, como alega a Recorrente. II – DA MULTA DE MORA NA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a denúncia espontânea sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN (Código Tributário Nacional) é caracterizada sempre que o pagamento ocorrer antes da apresentação da Dctf ou declaração equivalente. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do CPC, razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno, já reproduzido acima. Assim, estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 2. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: 2 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10920.001372/200467 Acórdão n.º 3802001.587 S3TE02 Fl. 98 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 30330.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Compulsando os autos, contudo, verificase que o Recorrente limitouse a instruir o pedido de restituição com uma planilha de cálculo (fls. 26) lastreada em dois Darfs (fls. 27): um relativo a crédito tributário vencido e pago em 06/04/1994, no valor total de R$ 594.911,52 (já alcançado pela prescrição) e outro, em 28/12/1994, de R$ 44,57. Tais documentos são insuficientes para a demonstração da presença dos pressupostos de caracterização da denúncia espontânea previstos no art.138 do CTN3, sobretudo porque, a partir deles, não é possível determinar se o pagamento ocorreu antes ou depois da constituição do crédito tributário por meio de declaração do contribuinte. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo seu desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. 3 "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001876/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006
ATIVO DIFERIDO.
O objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase pré-operacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização.
Assim, o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas.
REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO.
O registro de determinado dispêndio como ativo diferido demanda a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referir-se a projetos cuja operação não tenha iniciado; 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras.Não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de uma de um custo ou despesa (pré-)operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Não é concebível alocar no ativo diferido os gastos das atividades operacionais (que já estão em andamento) e que nem se sabe se vão gerar receitas futuras.
ROYALTIES. REMESSA AO EXTERIOR.
Para que a despesa com pagamento de royalties ao exterior seja dedutível, é necessário demonstrar que (i) os contratos de cessão de uso de marca estão registrados no BACEN e (ii) que houve a realização de contrato de câmbio com o objetivo de remessa de referidos valores para o exterior, em pagamento de referidos contratos.
Numero da decisão: 1401-000.993
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial, nos seguintes Termos: I) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em relação a glosa de despesas que deveriam ser ativadas, vencidos os conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos; II) por unanimidade de votos, negar provimento aos royalties.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 ATIVO DIFERIDO. O objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase préoperacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização. Assim, o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas. REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. O registro de determinado dispêndio como ativo diferido demanda a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referirse a projetos cuja operação não tenha iniciado; 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras.Não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de uma de um custo ou despesa (pré)operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Não é concebível alocar no ativo diferido os gastos das atividades operacionais (que já estão em andamento) e que nem se sabe se vão gerar receitas futuras. ROYALTIES. REMESSA AO EXTERIOR. Para que a despesa com pagamento de royalties ao exterior seja dedutível, é necessário demonstrar que (i) os contratos de cessão de uso de marca estão registrados no BACEN e (ii) que houve a realização de contrato de câmbio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 18 76 /2 00 7- 10 Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 2 com o objetivo de remessa de referidos valores para o exterior, em pagamento de referidos contratos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial, nos seguintes Termos: I) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em relação a glosa de despesas que deveriam ser ativadas, vencidos os conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos; II) por unanimidade de votos, negar provimento aos royalties. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente, por meio do qual pretende o recebimento de valores relativos à IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica e CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, decorrentes da imputação de duas irregularidades: 1ª) aplicações de capital escrituradas como despesas; e 2ª) despesas indedutíveis diversas. Tendo em vista sua precisão, e por bem retratar os pontos essenciais em julgamento, adoto e transcrevo o relatório constante do voto recorrido, in verbis: No que tange à primeira infração (escrituração de aplicações de capital como despesas), a Autoridade Fiscal relata que a empresa escriturou em conta de resultado, em 2004 e 2005, os seguintes gastos: instalação de fechaduras eletrônicas; instalação elétrica e subestação transformadora; sistema de proteção de descargas atmosféricas; aquisição de máquinas; blindagem de veículos; gastos com reparos e reformas de máquinas. Também, relata que em atendimento a Intimação, o contribuinte declarou que a vida útil dos equipamentos adquiridos é de aproximadamente cinco ou dez anos, dependendo do bem, e que eles passaram a ser utilizados imediatamente após a aquisição/instalação. Ainda, conforme o relatório, o contribuinte informou que no caso da blindagem a vida útil seria a mesma do veículo blindado e que os reparos e reformas de máquinas aumentaram a vida útil delas mais de 1 ano. Com base nesses fatos, no valor dos dispêndios, e nos arts. 301 e 346 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, a Fiscal considerou que esses gastos, ao invés de terem sido considerados nas contas de resultado, deveriam ter sido ativados. Ainda no que diz respeito à primeira infração (escrituração de aplicações de capital como despesas), a Fiscal autuante constatou que foram levados à conta de resultado os seguintes gastos: consultoria e planejamento estratégico; assessoria e planejamento nas áreas de resíduos industriais e meio ambiente; desenvolvimento de sistemática de contabilidade gerencial; implantação da certificação ISO 9001 e programa de fidelização de fornecedores; consultoria para abertura de lojas próprias da marca Dumond; sistema de informática. Também, consta do relatório fiscal as seguintes informações sobre cada um desses gastos: 1. gastos com consultoria e planejamento estratégico: as notas fiscais e contrato confirmam que se trata de pagamentos de honorários profissionais pelo serviço de natureza organizacional, em planejamento estratégico, inclusive com a cessão de ferramenta e treinamento de Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 4 pessoal; e a própria autuada informa que a metodologia de planejamento estratégico com a ferramenta foi desenvolvida em 2004 e continua sendo utilizada, sem possibilidade de descontinuidade, pois é fundamental para a empresa. 2. assessoria e planejamento nas áreas de resíduos industriais e meio ambiente: as notas fiscais, contrato e informações do próprio contribuinte confirmam que os serviços prestados consistiram na elaboração de manuais de Gestão Ambiental, Projeto Reciclar, Programa de Organização e Limpeza do Ambiente, Sistema de Gestão em Saúde e Segurança Ocupacional e Norma de Conduta Social; a própria autuada informa que os manuais elaborados continuam sendo utilizados. 3. desenvolvimento de sistemática de contabilidade gerencial: conforme as notas fiscais, tratase de consultoria organizacional; conforme informado pela autuada, o contrato visou a implementação de contabilidade de custos e desenvolvimento de sistemática da contabilidade gerencial; a autuada informa que a consultoria visava a controladoria econômica, com base na contabilidade de custos, e que foram implantados métodos de identificação e redução de custos e despesas; também informa que já existia uma contabilidade de custo e havia uma sistemática de contabilidade gerencial, mas que a consultoria visava melhorar esses mecanismos, implementando, por exemplo, apuração de resultado por marca, estabelecimento, linha de produto e determinando o custo minuto de um produto; acrescenta que a sistemática está incorporada às práticas de gestão da empresa e colaborou para os resultados subseqüentes a sua implantação. 4. implantação da certificação ISO 9001 e programa de fidelização de fornecedores: conforme os contratos e conforme informado pelo contribuinte, tratase de serviço que visava que a empresa obtivesse o certificado ISO 9001; conforme a autuada informou, esses serviços resultaram em manuais e metodologias que reduziram custos em diversos exercícios, na obtenção da certificação ISO 9001, que tem validade de três anos, e na formulação de melhorias nos processos industriais que, inclusive, continuam efetivas. 5. consultoria para abertura de lojas próprias da marca Dumond: conforme elementos apresentados pela autuada, constatase que o serviço objetivava criar para uma marca (Dumond) de calçados da autuada um canal diferenciado de venda, visando a expansão do negócio; conforme o contribuinte, com base nos serviços de consultoria, a empresa decidiu abrir lojas próprias, conhecidas como monomarcas exclusivas da Dumond e constituir a Dumond Franquias Ltda. 6. sistema de informática: conforme os documentos apresentados e informações prestadas pela autuada, os serviços de informática referemse efetivamente aos sistemas que suportam as atividades industriais, administrativas e comerciais; que a empresa não possui um Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 4 5 setor de informática, sendo que o desenvolvimento e manutenção dos sistemas são terceirizados; conforme a autuada, ela não consegue identificar quais pagamentos correspondem a retribuição de desenvolvimento de sistemas e quais se referem a manutenção, mas que as manutenções correspondem a gastos com a atualização de programas. Considerando esses fatos, a Fiscal autuante entendeu que tais dispêndios deveriam ter sido contabilizados no ativo diferido, já que contribuem para a formação do resultado de mais de um período de apuração, para posterior amortização. Ainda com relação a esta primeira infração, a AFRFB esclarece que, ao lado da exclusão das contas de resultados desses dispêndios que deveriam ter sido ativados, reconhece o direito da fiscalizada à depreciação/amortização correspondente. Para estimativa da vida útil e correspondente cálculo de depreciação/amortização a Fiscal considerou os anexos da IN SRF 162, de 1998, e a IN SRF 130, de 1999. Também, salientou que, considerando a cisão que verteu para outra empresa as lojas exclusivas da marca Dumond, não era concedida a amortização referente aos gastos com consultoria para lojas próprias acima mencionados. No que tange à segunda infração (despesas indedutíveis), a Autoridade Fiscal relata que a empresa escriturou em conta de resultado, em 2004 e 2005, as seguintes despesas indedutíveis: despesas com royalties; despesas com serviços de assessoria técnica; despesas com brindes; despesas com pesquisas de materiais, moda e estilo para a marca Dumond; despesas com blindagem de veículos de terceiros; despesas com IRPJ a compensar; despesas com viagens. Também, consta do relatório as seguintes informações sobre cada um desses gastos: 1. despesas com royalties: a autuada informou que o contrato que justificava o pagamento de royalties para a Diadora S.P.A., domiciliada na Itália, era registrado no INPI, mas não era registrado no Banco Central; o contrato mostra que os royalties referemse ao pagamento pelo direito de utilização das marcas licenciadas em calçados, roupas esportivas e acessórios esportivos; os valores pagos para a Diadora S.p.A. corresponde a 4,75% e 5%, do valor líquido das vendas dos produtos da referida marca, respectivamente nos meses de janeiro a junho de 2004 e de julho a dezembro de 2004; conforme os arts. 353, 354 e 355 do RIR/99, os royalties pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior pelo uso de marcas de indústria e comércio só são dedutíveis quando objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; considerando esses fatos e normas, o Fiscal glosou as despesas com royalties lançadas em resultado, efetuando alguns ajustes referentes a lançamentos contábeis indevidos. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 6 2. despesas com serviços de assessoria técnica: a autuada informou que lançou em seu resultado despesas relativa a serviços de prospecção de novos clientes no mercado externo, mas que não foi firmado contrato com a prestadora de serviço e que os serviços foram prestados por Tobias Leist, sóciogerente da prestadora; que Tobias Leist tornou se diretor de empresas do mesmo grupo da fiscalizada desde o início de 2005 e que em abril de 2005 tornouse diretor da fiscalizada; que os documentos da autuada mostram que, antes da alegada prestação de serviço de prospecção, já havia vendas de produtos para empresas que haviam sido informadas como prospectadas pela prestadora de serviço; com base nesses fatos, o Fiscal considerou as despesas como desnecessárias e não comprovadas, portanto, indedutíveis. 3. despesas com brindes: constatouse que a autuada lançou nas contas de resultado despesas com aquisição de camisetas promocionais que foram distribuídas gratuitamente a funcionários da empresa; com base nesses fato, o valor unitário das camisetas, o Parecer Normativo CST no 15 de 1976, e o art. 13 da Lei no 9.249 de 1995, o Fiscal considerou esses dispêndios como indedutíveis. 4. despesas com pesquisas de materiais, moda e estilo para a marca Dumond: constatouse que a autuada considerou em seu resultado de 2005 despesas relativas a serviços de pesquisa para a marca Dumond, sem ter firmado contrato com a prestadora; constatouse que em 01.01.2005, houve cisão parcial, tendo a fiscalizada vertido parte de seu património para a Dumond Calçados Ltda; em atendimento a intimação a autuada reconheceu que as despesas de pesquisa seriam de responsabilidade da Dumond e não dela; frente esses fatos, a Fiscal considerou tais dispêndios como liberalidade da empresa e, portanto, indedutíveis. 5. despesas com blindagem de veículos de terceiros: constatouse que a autuada registrou como despesas os gastos com a blindagem de veículo de terceiro; frente esses fatos, a Fiscal considerou tais dispêndios como liberalidade da empresa e, portanto, indedutíveis. 6. despesas com IRPJ a compensar: constatouse que a autuada considerou como despesa em seu resultado parcela do imposto de renda devido no ano anterior; frente este fato e com base no art. 344 a Fiscal considerou tal valor indedutível. 7. despesas com viagens: constatouse que a autuada considerou em seu resultado gastos com viagens de terceiros; frente esses fatos, a Fiscal considerou tais dispêndios como liberalidade da empresa e, portanto, indedutíveis. Na seqüência, a Fiscal enfatiza que as aplicações de capital escrituradas como despesas e as despesas consideradas como indedutíveis reduziram indevidamente o lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL. Também, frisa que as despesas com royalties Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 5 7 não devem ser somadas ao lucro líquido para cálculo da CSLL. Ainda, apresenta tabela consolidando as infrações por tributo, já deduzindo a depreciação/amortização que entendeu cabível. A fiscalização ainda analisou o saldo de prejuízos fiscal a compensar e constatou que, apesar de ter havido diversas cisões parciais (em 01.01.2001, 01.03.2003, 01.01.2005 e 01.11.2006) não foi observada a regra que determina que a pessoa jurídica cindida só pode aproveitar os prejuízos proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Considerando essa situação e as infrações apuradas, procedeu aos ajustes e determinou o saldo de prejuízo a compensar em 31.12.2003, 31.12.2004, 31.12.2005 e 31.12.2006, bem como a base tributável no período fiscalizado, para o IRPJ e CSLL. O contribuinte tomou ciência, por meio de seu representante legal, do lançamento de ofício em 24.09.2007 e, inconformado, apresentou impugnação parcial em 22.10.2007 (proc. fls. 999 a 1024). Apenas as glosas de despesas com serviços profissionais de terceiros e a glosa das despesas com royalties foram impugnadas. Quanto as despesas com royalties, alega que: 1º) existe contrato de licenciamento averbado no INPI; 2º) que o contrato determina o pagamento de 5% do valor das vendas efetuadas no Brasil; 3°) que nos termos do "Decreto n° 3.470/1958 e inciso II da Portaria MF 436/1958" teria direito a deduzir no mínimo o percentual de 1% sobre as vendas; 4º) que o registro no Banco Central do Brasil corresponde ao registro da operação financeira de pagamento dos royalties, conhecido tecnicamente como "ROF"; 5°) que nos termos do art. 1' da Circular 2.816/1998 do Banco Central do Brasil, sujeitamse a lançamento no Registro Declaratório Eletrônico (RDE), na modalidade, ROF (Registro de Operação Financeira) do Sistema do Banco Central (SISBACEN), após a devida averbação pelo INPI, as operações contratadas com fornecedores e/ou financiadores não residentes no País, relativamente a bens intangíveis, especificamente, atinente à licença de uso, cessão de marca"; 6°) que não há sentido "em registrar o Contrato de Licenciamento propriamente dito no SISBACEN, mesmo pois não possui o Banco Central do Brasil o objetivo de controlar a propriedade intelectual brasileira", conforme o art. 10 da Lei n° 4.595, de 1964; 7°) que entende haver decisões administrativas, que junta, adotando o entendimento de só ser necessário o registro no INPI; que "a CartaCircular BACEN n° 2.795 de 15 de abril de 1998, em seu art. 20 prevê que o Registro Declaratório Eletrônico (RDE) de cada operação efetuase após obtenção do Certificado de Averbação concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para operações que envolvam direitos de propriedade industrial, fornecimento de tecnologia, prestação de serviços de assistência técnica e franquia"; 8°) que o art. 353 do RIR/99, inciso V, ao estabelecer a necessidade de registro do contrato no BC, para fins de ser dedutível a despesa com royalties, na verdade, referese ao registro dos royalties enviados e não ao contrato averbado no INPI; 9°) que todos os pagamentos que fez ocorreram por Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 8 contrato de câmbio (que diz ter juntado no anexo 4), de modo que "não se pode sustentar a glosa pelo menos da fração de 1% (um por cento) sobre as vendas realizadas de produtos DIADORA". Quanto aos gastos com consultoria e planejamento estratégico, alega que: 1°) a consultoria é "uma necessidade imposta às empresas nesta civilização hodierna"; 2°) a consultoria em questão buscou examinar as características intrínsecas da companhia, cujo produto são decisões empresariais buscando processos industriais adequados a garantir agilidade, qualidade e custos ajustados ao mercado, trazendo resultados imediatos, desde a implementação da estratégia adotada; 3º) não há que se falar em efeitos diferidos; 4º) o instrumento fornecido pela consultoria permite a constante reavaliação, mas que não se pode confundir a circunstância de que uma decisão acertada ter efeitos benéficos por mais de um período com a regra de diferimento de dispêndios que contribuam para formação de mais de um exercício, estabelecida no RIR/99; 5°) o Fiscal não demonstrou que a consultoria produziu decisões de longo prazo. Quanto aos gastos com sistemática de contabilidade gerencial, alega que: 1°) a consultoria visou uma revisão de uma metodologia de trabalho e não um programa de software; 2º) tratase de cobrança mensal e portanto não cabe falar em diferimento; 3º) a atualização é realizada periodicamente e as atualizações de rotinas ou softwares são de tempo em tempo; 4º) o resultado da consultoria é imediato e não tem efeitos diferidos; 5º) a consulta a contabilidade gerencial é feita no presente, e não no futuro; 6°) a despesa é incorrida quando do momento da implementação gerencial; 7º) o Fiscal não demonstrou que a consultoria produziu decisões de longo prazo. Quanto as despesas com implantação de rotinas necessárias para a certificação ISO 9001 e programa de fidelização de fornecedores, alega que: 1º) em se tratando de ISO 9001 existem 3 tipos de gastos distintos, a saber (i) gastos com a empresa certificadora para obter a certificação, que ocorrem a cada três anos, (ii) gastos com a empresa certificadora relativos a validação anual do processo de certificação, (iii) gastos com a reorganização interna; 2º) o primeiro gasto foi diferido corretamente como demonstra sua contabilidade; 3º) a atuação versou sobre o terceiro tipo de gastos (reorganização interna) ; 4º) a reorganização interna gerou processos e procedimentos, estando alguns ativos e outros não, uns implementados e outros não; 5º) o Fiscal não demonstrou que a consultoria produziu decisões de longo prazo. Quanto aos gastos com consultoria para a abertura de lojas próprias da marca Dumond, alega que: 1°) o estudo realizado pela consultoria resultou na abertura de diversas lojas, mas que poderia ter sido considerado um investimento inviável; 2º) a consultoria consistiu na pesquisa de mercado para avaliar a viabilidade do lançamento de tais lojas; 3°) a consultoria se esgotou na tomada de decisão. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 6 9 Quanto aos gastos com sistema de informática, alega que: 1º) tratamse de quatro empresas prestadoras de serviço; 2º) que os serviços prestados por tais empresas são chamados técnicos ou serviços de manutenção e desenvolvimento de sistemas; 3º) os chamados técnicos são singelos serviços de rotina e não contribuem para a formação de resultados subseqüentes; 4°) a ativação dos `chamados técnicos' seria considerada fraude contábil; 5º) é classificado como chamado toda e qualquer dúvida de usuário, problema em algum programa do sistema, seja por causa do desenvolvimento ou definição, e modificação em programas instalados; 6º) que os chamados que impliquem em uma alteração complexa geram a abertura de um serviço; 7º) os serviços criam novas utilidades; 8º) os chamados técnicos correspondem a maior parcela dos gastos; 9º) os chamados técnicos não devem ser ativados, pois correspondem a reparação tópica, emergencial ou correção de falha, não se destinando a alterar sistemas. O contribuinte ainda se manifesta alegando que a tendência mundial e brasileira é a limitação da prática de ativação de despesas. Encerra a impugnação pedindo: 1º) reversão dos valores glosados como despesas de royalties, para o IRPJ; 2º) reversão da glosa de despesas que impugna, para o IRPJ e a CSLL; 3°) recomposição e recálculo do saldo de prejuízo, para fins de redução da multa por utilização indevida de prejuízo fiscal; 4º) deferimento dos pedidos e recálculo dos valores exigidos no processo administrativo, com abertura de prazo das parcelas por ventura devidas. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de Porto Alegre, entendeu por bem aquele colegiado por manter o lançamento, tendo a decisão sido formalizada com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO REAL. ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE REGISTRO DO CONTRATO NO BANCO CENTRAL. Os gastos com royalties pagos ou creditados a beneficiário no exterior só são dedutíveis, nos termos da legislação aplicável, se houver registro do contrato no Banco Central. LUCRO REAL. ATIVO DIFERIDO. Os dispêndios que contribuírem para a formação do resultado de mais de um exercício devem ser ativados, podendo ser considerado no resultado as amortizações correspondentes. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoas Jurídicas, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes quando não houver fato ou argumento novo a ensejar conclusão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. São dois os fundamentos postos em análise no presente recurso, que se subdividem em subtópicos específicos: 1ª) registro como despesa de valores aplicados como ativo diferido, existente à época da ocorrência dos fatos e 2º) redução do lucro mediante registro de despesas consideradas indedutíveis. Vejamos cada um dos casos: ATIVO DIFERIDO. DESPESAS OPERACIONAIS. Segundo entendimento da decisão recorrida, in verbis: No caso em tela, o que é importante considerar é se os gastos possuem, ou não, natureza jurídica de ativo diferido. Portanto, cabe observar a legislação aplicável. O inciso V do art. 179 da Lei no 6.404/76, vigente a época dos fatos, classifica no ativo diferido as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social. Já o Parecer Normativo Cosit no 108, de 1978, trata da questão, nos seguintes termos (grifei): 9. No subgrupo do ativo diferido, de acordo com o inc. 1 ° do art. 179 da Lei n ° 6.404/76, classificamse: ... as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. Destinase este subgrupo a reunir as contas que representam as aplicações em gastos que irão influir nos resultados de mais de um exercício social, portanto amortizáveis em diversos exercícios. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 12 São típicos deste grupo, entre outros: a) os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais; b) as despesas préoperacionais ou préindustriais, quando não se identificarem com elementos específicos do ativo imobilizado ou de investimentos; c) as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, quando não exercida opção para apropriação direta em conta de resultados; d) as despesas de decapeamento ou desenvolvimento de jazidas ou minas; e) as despesas de reestruturação, reorganização ou modernização de empresas. Portanto, considerando os fatos trazidos ao processo pela fiscalização e pelo contribuinte referente aos gastos com consultoria e planejamento estratégico, com desenvolvimento de sistemática de contabilidade gerencial, com implantação da certificação ISO 9001 e programa de fidelização de fornecedores, com consultoria para abertura de lojas próprias da marca Dumond, e com sistema de informática , bem como a legislação de regência, entendo que os dispêndios glosados, de fato, contribuem para a formação do resultado de mais de um exercício social. Ainda, no que tange a alegação do contribuinte de que os chamados técnicos relativos aos serviços de informática não devem ser ativados, é importante consignar que consta do relatório fiscal que a autuada não consegue identificar quais pagamentos correspondem a retribuição de desenvolvimento de sistemas e quais se referem a manutenção, mas que as manutenções correspondem a gastos com a atualização de programas (fl. 947). Também, é oportuno registra que a Fiscal aceitou como despesa operacional os gastos com empresa de informática relativo a prestação de suporte e manutenção de rede de computadores, compreendendo as atividades de "help desk". Ademais, no caso específico dos gastos com consultoria para abrir loja própria da marca Dumond, como o Fiscal destacou, na cisão, as lojas da marca Dumond foram vertidas para outra empresa, impossibilitando considerar sequer a amortização. A questão, pois, é saber se os valores despendidos pela Recorrente enquadramse no conceito de despesa dedutível, ou no conceito de ativo diferido. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 8 13 A princípio, o objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase préoperacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização. Segundo o FIPECAFI, em sua versão de 31 de dezembro de 2006, “os ativos diferidos caracterizamse por serem ativos que serão amortizados por apropriação às despesas operacionais (ou aos custos), no período de tempo em que estiverem contribuindo para formação do resultado da empresa. Compreendem despesas incorridas durante o período de desenvolvimento, construção e implantação de projetos, anterior a seu início de operação”. Vejase que o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas. Na verdade, “representam, muitas vezes, gastos cuja dedutibilidade seria como despesas operacionais, caso a atividade a que se referem estivesse já produzindo receitas ou benefícios”. Como exemplo, o FIPECAFI apresenta “o caso de gastos incorridos com pessoal administrativo, outras despesas gerais e administrativas, e demais gastos específicos (desde que não sejam parte do imobilizado), os quais são necessários ao desenvolvimento de um projeto. Pelo fato, entretanto, de os benefícios desse projeto ocorrerem em resultados futuros mediante geração de receitas, tais gastos são ativados para amortização futura, para manter o critério de contraposição de receitas e despesas”. Notese, no entanto, que “A condição para seu diferimento é que, SEMPRE, haja razoável segurança da realização futura desses saldos diferidos por meio de receitas que venham cobrir custos e despesas futuras e gerem margem para atender à amortização desses diferidos e à depreciação dos bens do imobilizado correspondentes.” Com isso, o registro de determinado dispêndio como ativo diferido demanda a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referirse a projetos cuja operação não tenha iniciado 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras. Todavia, tem razão a Autoridade Autuante, quando remetese ao texto literal do art. 179, V da Lei das SA´s, ao falar que seriam contabilizadas no ativo diferido as aplicações de recursos em despesas que “contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social”. No entanto, o conceito de “formação do resultado de mais de um exercício social” não se atem ao simples fato de o gasto eventualmente auxiliar um acréscimo no resultado futuro, tendo em vista que isso é decorrência lógica do próprio princípio da continuidade. É dizer: logicamente há diversos gastos que contribuem para o acréscimo no resultado de exercícios futuros, como por exemplo o treinamento interno de pessoal (já que o empregado irá trabalhar melhor e produzir mais) e os gastos com publicidade (tendo em vista que a clientela irá aumentar e se fidelizar). Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 14 Enfim, há diversos gastos que contribuirão para a formação de exercícios futuros. Todavia, para classificar um gasto no ativo diferido é necessário uma relação direta, identificada e documentada entre os custos e despesas incorridos e as receitas a serem obtidas em períodos futuros. Este é o posicionamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil esboçado por meio da NPC VIII (Normas e Procedimentos de Contabilidade), que trata especificamente do grupo “Diferido” e somente foi revogada em 24/05/2011, tendo em vista a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais. Confirase: O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, conseqüentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao principio básico de conservadorismo. Daí é que a interpretação sistemática do dispositivo permite aferir que o conteúdo das contas que integram o Ativo Diferido têm relação a projetos futuros dos quais certamente irão decorrer receitas. Frisase: é necessária a vinculação direta, identificada e documentada entre os gastos que serão diferidos e as receitas que serão auferidas no futuro. Desta forma, é interessante notar que o próprio art. 325 do RIR dá essa idéia, pois o §1º, que dispõe quando deveria iniciar a amortização do ativo diferido, remete ao início das operações do projeto cujas despesas foram registradas sob referida conta. Vejase: Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): a) patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões; Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 9 15 b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; d) custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor; e) o valor dos direitos contratuais de exploração de florestas de que trata o art. 328; II os custos, encargos ou despesas, REGISTRADOS NO ATIVO DIFERIDO, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou pré industriais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "a"); b) as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação para criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção, administração ou venda, de que trata o caput do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "b"); c) as despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por concessionárias de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro de minas, de que trata o § 1º do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "b"); d) os custos e as despesas de desenvolvimento de jazidas e minas ou de expansão de atividades industriais, classificados como ativo diferido até o término da construção ou da preparação para exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "c"); e) a parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou as suas instalações (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "d"); f) os juros durante o período de construção e préoperação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "a"); g) os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais ou de implantação do empreendimento inicial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "b"); h) os custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou modernização da empresa (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "c"). Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 16 § 1º A amortização terá início (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º): I no caso da alínea "a" do inciso II, a partir do início das operações; II no caso da alínea "d" do inciso II, a partir da exploração da jazida ou mina, ou do início das atividades das novas instalações; III no caso da alínea "e" do inciso II, a partir do momento em que for iniciada a operação ou atingida a plena utilização das instalações. § 2º Não será admitida amortização de bens, custos ou despesas, para os quais seja registrada quota de exaustão (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 6º). Vêse, assim, que não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de uma de um custo ou despesa (pré)operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Neste sentido, leiamse pretendentes deste Conselho, in litteris: IRPJ PERÍODO PRÉOPERACIONAL. Os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração devem ser amortizados a partir do início das operações, independentemente do resultado positivo ou lucro. Quando a implantação da empresa se processar por etapas, cada fase da implantação deve ser bem definida, a fim de que a amortização das despesas préoperacionais fique vinculada a cada etapa (PN/CST nº 110/75). IRPJ LANÇAMENTO OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Quando o contribuinte emite as notas fiscais de serviços e escritura o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados instituído pela Prefeitura Municipal e estas receitas são contabilizadas a débito da conta Ativo Diferido (Custos/Despesas e Receitas pré operacionais) e não declara receitas, por entender que se encontra em fase préoperacional ou de implantação, está tipificada a infração definida na legislação tributária como de declaração inexata e não a omissão de receita (PN/CST nº 20/84). (acórdão 101.94001) FASE PRÉOPERACIONAL. DIFERIMENTO DAS RECEITAS E DAS DESPESAS. INÍCIO DA ATIVIDADE OPERACIONAL. As receitas e despesas de empreendimentos em fase préoperacional são classificadas no ativo diferido, para amortização no prazo mínimo de 5 anos. O início da atividade operacional se dá quando o equipamento ou instalação passa a operar em sua plena capacidade. (acórdão 103.21933) Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 10 17 Para que não pairem dúvidas acerca dos requisitos necessários para a ativação de um gasto, verificase os exemplos de despesas classificáveis no ativo diferido, conforme orientação do IBRACON: 3. Considerações sobre os Principais Exemplos de despesas classificáveis no diferido Despesas de organização Como despesas de organização se entendem, apenas, aqueles custos e gastos incorridos para a formação da entidade, isto é, para que a entidade esteja jurídica e efetivamente em condições de existir. Essas despesas, normalmente, incluem itens, tais como, honorários profissionais para a elaboração dos contratos ou estatutos, despesas de legalização desses documentos e custos dos primeiros registros oficiais da empresa e respectiva legalização. As despesas de organização terminam, assim, quando é legalizada a empresa. A amortização dessas despesas deverá ser feita a partir do início das operações comerciais ou industriais da entidade e não a partir do ano que ela foi constituída. (...) Gastos incorridos com reorganização ou reestruturação da entidade Os gastos com a reorganização ou reestruturação da entidade não devem ser diferidos, a não ser que contribuam para a formação do resultado de períodos subseqüentes. O acréscimo na eficiência ou a redução nos custos operacionais proporcionados pela reorganização ou reestruturação, não são considerados como contribuição para a formação de resultado para fins do teste para a decisão entre diferir ou lançar diretamente às despesas os correspondentes gastos. Diante dessas considerações, importa verificar se cada uma das despesas incorridas enquadram no conceito de ativo diferido. Para tanto, renovo a descrição do relatório da DRJ acerca das despesas glosadas, in verbis: 1. gastos com consultoria e planejamento estratégico: as notas fiscais e contrato confirmam que se trata de pagamentos de honorários profissionais pelo serviço de natureza organizacional, em planejamento estratégico, inclusive com a cessão de ferramenta e treinamento de Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 18 pessoal; e a própria autuada informa que a metodologia de planejamento estratégico com a ferramenta foi desenvolvida em 2004 e continua sendo utilizada, sem possibilidade de descontinuidade, pois é fundamental para a empresa. 2. assessoria e planejamento nas áreas de resíduos industriais e meio ambiente: as notas fiscais, contrato e informações do próprio contribuinte confirmam que os serviços prestados consistiram na elaboração de manuais de Gestão Ambiental, Projeto Reciclar, Programa de Organização e Limpeza do Ambiente, Sistema de Gestão em Saúde e Segurança Ocupacional e Norma de Conduta Social; a própria autuada informa que os manuais elaborados continuam sendo utilizados. 3. desenvolvimento de sistemática de contabilidade gerencial: conforme as notas fiscais, tratase de consultoria organizacional; conforme informado pela autuada, o contrato visou a implementação de contabilidade de custos e desenvolvimento de sistemática da contabilidade gerencial; a autuada informa que a consultoria visava a controladoria econômica, com base na contabilidade de custos, e que foram implantados métodos de identificação e redução de custos e despesas; também informa que já existia uma contabilidade de custo e havia uma sistemática de contabilidade gerencial, mas que a consultoria visava melhorar esses mecanismos, implementando, por exemplo, apuração de resultado por marca, estabelecimento, linha de produto e determinando o custo minuto de um produto; acrescenta que a sistemática está incorporada às práticas de gestão da empresa e colaborou para os resultados subseqüentes a sua implantação. 4. implantação da certificação ISO 9001 e programa de fidelização de fornecedores: conforme os contratos e conforme informado pelo contribuinte, tratase de serviço que visava que a empresa obtivesse o certificado ISO 9001; conforme a autuada informou, esses serviços resultaram em manuais e metodologias que reduziram custos em diversos exercícios, na obtenção da certificação ISO 9001, que tem validade de três anos, e na formulação de melhorias nos processos industriais que, inclusive, continuam efetivas. 5. consultoria para abertura de lojas próprias da marca Dumond: conforme elementos apresentados pela autuada, constatase que o serviço objetivava criar para uma marca (Dumond) de calçados da autuada um canal diferenciado de venda, visando a expansão do negócio; conforme o contribuinte, com base nos serviços de consultoria, a empresa decidiu abrir lojas próprias, conhecidas como monomarcas exclusivas da Dumond e constituir a Dumond Franquias Ltda. 6. sistema de informática: conforme os documentos apresentados e informações prestadas pela autuada, os serviços de informática referemse efetivamente aos sistemas que suportam as atividades industriais, administrativas e comerciais; que a empresa não possui um Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 11 19 setor de informática, sendo que o desenvolvimento e manutenção dos sistemas são terceirizados; conforme a autuada, ela não consegue identificar quais pagamentos correspondem a retribuição de desenvolvimento de sistemas e quais se referem a manutenção, mas que as manutenções correspondem a gastos com a atualização de programas. Vejase que, das despesas descritas como fundamento das glosas, apenas as constantes do item 5 referemse a despesas préoperacionais de projetos a serem implementados e dos quais originarão, ainda que potencialmente, receitas futuras, atendendo ao conceito de ativo diferido. Não vejo como concebível alocar no ativo diferido os gastos das atividades operacionais (que já estão em andamento) e que nem se sabe se vão gerar receitas futuras. Nesse ponto, cumpre ressaltar que fidelizar fornecedor não gera receita futura, o certificado do ISO pode ser prérequisito para vender para determinado cliente, ou seja, são despesas operacionais e necessárias à atividade presente, visando viabilizar o próprio negócio e não desenvolver algo que geraria receita futura. O mesmo se diz com relação ao gasto com a implantação da metodologia do Balanced Scorecard. Isso porque não existe, em referida despesa, qualquer previsão de receita futura. Na verdade tratase de uma ferramenta gerencial que pode constatar, inclusive, que esse é um mau negócio e que a rentabilidade da atividade desenvolvida não tem um retorno suficiente em relação ao capital aplicado. Nesse particular, importa repisar que, no conceito de ativo diferido, extraído da conjugação da Lei nº 6.404 com o RIR, receita futura não é igual a redução de custo/despesa. Diante do exposto, entendo deva ser dado parcial provimento ao recurso, mantendo a glosa apenas dos valores constantes do item 5 do TVF (item da relação da DRJ e não do TVF, pois o item 5 do TVF engloba muito mais coisas, inclusive os royalties – ver. Fls. 984 e ss. Ressaltese que o contribuinte está discutindo parcialmente o AI). DEPESAS COM PAGAMENTO DE ROYALTIES No que toca às despesas com pagamento royalties ao exterior, temse que a Autoridade Fiscal entendeu que as mesmas são indedutíveis tendo em vista a ausência de registro do contrato no Banco Central, formalidade exigida pela lei para que referidos pagamentos sejam dedutíveis. Segundo argumenta a Recorrente, “o registro da operação ante o referido órgão fiscalizador estatal consubstanciase no contrato de câmbio celebrado com a instituição bancária para o envio das divisas, conforme inclusive destacado pela Autoridade julgadora em suas razões, cotejando os documentos acostados pela Recorrente em sua impugnação, especificamente os contratos de câmbio das operações”. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 20 Contra essa argumentação, aduz, a decisão Recorrida, o seguinte: De fato, no curso da fiscalização informou à Fiscal que o contrato que justificava o pagamento dos royalties não era registrado no Banco Central. Além disto, na sua impugnação o contribuinte sustenta, equivocadamente, que não há necessidade do registro do contrato no Banco Central e que basta o registro no INPI. Ainda, alega, sem razão, que o art. 353 do RIR/99, inciso V, ao estabelecer a necessidade de registro do contrato no BC, para fins de ser dedutível a despesa com royalties, na verdade, referese ao registro dos royalties enviados e não ao contrato averbado no INPI. Em complemento diz ter juntado os contratos de câmbio das remessas. No entanto, a própria legislação do Banco Central indicada pelo contribuinte, CartaCircular n° 2.816 e CartaCircular no 2.795, ambas de 1998, determina o registro do contrato por meio do Registro Declaratório Eletrônico — Registro de Operações Financeiras (REDROF). Inclusive o art. 12 da CartaCircular 2.795, de 1998, exige que os contratos de câmbio devem informar o n° da RDE. Mas, este registro não foi apresentado pelo contribuinte, nem quando exigido pelo Fiscal e nem na impugnação. Inclusive, os contratos de câmbio juntados na impugnação (fls. 1055 a 1064) não tem exata correspondência com os valores escriturados na contabilidade objeto da glosa (fl. 952). Por tais razões, entendo que, neste aspecto, o lançamento deve ser mantido. Em análise da legislação aplicável à matéria, todos os contratos dos quais decorrerão pagamentos de royalties ao exterior devem ser registrados no Banco Central do Brasil, estejam eles sujeitos, ou não, ao registro no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual – INPI. Vejase o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, Título 3, capítulo 3, seção 4, subseção 1, in verbis: Esta subseção dispõe sobre o registro, no módulo ROF do RDE, das operações contratadas entre pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no País, e pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, relativas a: a) licença de uso ou cessão de marca; b) licença de exploração ou cessão de patente; c) fornecimento de tecnologia; d) serviços de assistência técnica; e) demais modalidades que vierem a ser averbadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI; f) serviços técnicos complementares e as despesas vinculadas às operações enunciadas nas alíneas "a" a "e" deste item não sujeitos a averbação pelo INPI. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 12 21 Da leitura de referido dispositivo, identificamos que os contratos susceptíveis de pagamentos de royalties ao exterior registráveis no INPI devem igualmente ser registrado no Banco Central (alíneas ‘a’ a ‘e’) e aqueles não registráveis no INPI devem ser, todavia, registrados no Banco Central (alínea ‘f’), Assim, para que a despesa seja dedutível, necessário demonstrar que (i) os contratos de cessão de uso de marca estão registrados no BACEN e (ii) que houve a realização de contrato de câmbio com o objetivo de remessa de referidos valores para o exterior, em pagamento de referidos contratos. De fato, durante a fiscalização, a Recorrente afirmou não ter levado os contratos de uso de marca a registro no Banco Central. No entanto, em sede de recurso voluntário, a Recorrente apresentou o Registro de Operações Financeiras – ROF (fls. 1196), tendo por cedente a empresa DIADORA SPA, registrado em 07 de maio de 2001 sob o nº TA120575. Vejase: Por outro lado, no curso da fiscalização, a Recorrente trouxe à baila contratos de câmbio para transferências financeiras para o exterior, com o objetivo de pagamentos de licença de uso, tendo como beneficiária a empresa Diadora S.P.A., fazendo referência ao ROF nº 120575. Isso é possível verificar no documento de fls. 1055, onde se registram remessas no valor de R$487.701,47, em 14 de setembro de 2004, in litteris: Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA 22 No mesmo sentido, o documento de fls. 1060, onde se registram remessas no valor de R$669.697,15, em 16 de março de 2005, in litteris: Não se confirma, portanto, o fundamento legal utilizado para a glosa das despesas, qual seja, a de que as remessas realizadas para o exterior a título de royalties não estão respaldadas em contrato registrado no Banco Central. Lado outro, sendo a apuração do imposto de renda pelo lucro real sujeito ao regime de competência, desnecessário demonstrar o efetivo desembolso para o pagamento da despesa incorrida, podendo a mesma ser registrada desde que presentes os requisitos para sua escrituração. Ausente a comprovação de que os valores registrados a título de pagamento de royalties estão respaldados em contratos de câmbio comprovando a sua efetiva remessa para o exterior, deve ser mantida a glosa procedida pela Autoridade Fiscal. Ressaltese que a verificação da causa da remessa não é feita previamente à transação, pelo que é ônus da contribuinte/remetente dos valores provar a natureza das remessas que foram por ela realizadas. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11065.001876/200710 Acórdão n.º 1401000.993 S1C4T1 Fl. 13 23 DISPOSITIVO: Diante do exposto, voto por dar provimento PARCIAL ao recurso, para excluir as glosas dos itens 1, 2, 3, 4 e 6 do relatório da DRJ, mantendo, quanto ao demais, o auto de infração, nos termos das razões supra elencadas. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE C ELSO FREIRE DA SILVA
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