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Numero do processo: 13864.720266/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
MULTA QUALIFICADA
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14)
Preliminar acolhida
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso: desqualificar a multa de ofício e acolher a decadência, extinguindo o crédito tributário lançado.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Preliminar acolhida Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 66 /2 01 1- 15 Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso: desqualificar a multa de ofício e acolher a decadência, extinguindo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720266/201115 Acórdão n.º 2202002.494 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, WALACE PEREIRA DE SOUSA, foi lavrado, em 14/12/2011, o Auto de Infração de fls. 772 a 788, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2.007 (ano calendário 2.006), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 6.137.705,42, dos quais R$ 1.989.345,71 correspondem a imposto, R$ 2.963.320,32, a multa proporcional e R$ 1.185.039,39, a juros de mora, calculados até 30/11/2.011 (fl. 778). Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 772 a 777) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 780 e 781), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos comprovados, conforme demonstrado na planilha anexa aos autos (fl. 759) GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável, de janeiro a dezembro de 2006, referente às operações realizadas na Bolsa de Valores, lançado com a multa qualificada de 150%, conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 772 a 777). Cientificado do Auto de Infração em 03/01/2.012 (fls 791 a 795) o contribuinte apresentou, em 01/02/2.012, a impugnação de fls. 798 a 818, alegando, em síntese, que: teria ocorrido a decadência dos lançamentos pois se teria escoado o prazo qüinqüenal para a constituição válida do crédito tributário, para as duas infrações apuradas pela fiscalização, uma vez que o lançamento, em ambos os casos, seria por homologação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN (cita doutrina, jurisprudência, legislação); não teria ocorrido dolo por parte do interessado, uma vez que este tentou retificar a DIRPF do exercício 2007 (ano calendário 2006), tendo inclusive recorrido ao judiciário e retificado as declarações dos anos posteriores; portanto a multa no patamar de 150% seria incabível e devendo ser reduzida para o patamar de 75%. Requer seja a ação fiscal julgada improcedente, anulado o auto de infração, tendo em vista a extinção do crédito tributário pela decadência e seja afastada a aplicação da multa majorada, diante da ausência das situações descritas pelos artigos 44, da Lei nº 9.430/96c.c. o art. 71, da Lei nº 4.502/64. A DRJ julgou o lançamento procedente em parte em termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Ano calendário: 2006 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na ausência de dolo e quando o contribuinte entrega a declaração de ajuste anual com antecipação no pagamento do imposto, o Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem a natureza jurídica de lançamento por homologação, com fato gerador complexivo, de período anual, sendo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos é a data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do ano calendário correspondente ao exercício analisado. Preliminar acatada, em relação à autuação por omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. RENDA VARIÁVEL. DOLO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte em evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, que é mensal, no caso do ganho no mercado de renda variável, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Fica sujeita ao pagamento do Imposto de Renda, à alíquota de 15% (quinze por cento), a pessoa física que auferir ganhos líquidos nas operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhados. Mantémse a citada tributação, uma vez não haver nos autos nenhum elemento capaz de ilidila. MULTA DE OFÍCIO.CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal .Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade recorrida decidiu manter, parcialmente a autuação, sendo integralmente exonerada a parcela relativa à omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, com imposto no valor de R$ 27.597,61 e multa de ofício de R$ 20.698,20 e mantida integralmente a autuação decorrente da falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos líquidos no mercado de renda variável Insatisfeito, o recorrente apresenta recurso voluntário onde reitera fundamentalmente as razões não acolhidas pela DRJ. É o relatório. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720266/201115 Acórdão n.º 2202002.494 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de apreciar a preliminar de decadência, cabe enfrentar a qualificação da multa. Da Qualificação da Multa Verificase na peça defensória que o suplicante entende ser improcedente a aplicação da multa qualificada, amparado na convicção de que é incabível a qualificação da multa, quando não comprovado nos autos, que a ação ou omissão do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. No caso concreto em análise, o autante fundamentou a aplicação da multa de 150% sob a consideração de que ficou evidenciado a realização de prática reiterada. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Em suma, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A falta de inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, dos quais o contribuinte não logrou a comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea, da sua efetividade, caracteriza simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° . 1.041, de 1994. Deste modo entendo injustificada a manutenção da multa qualificada de 150%. Da Preliminar de Decadência Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, seria o de verificar quando ocorreu a ciência do auto de infração, se ocorreu em 03/01/2012. Ante ao exposto, na apreciação da decadência, no caso concreto, como não cabe a qualificação da multa aplicarseá para apreciar a decadência do lançamento, o art. 150 do CTN e dentro desse contexto, é de se considerar o lançamento decadente, tal como explicado anteriormente, quando da apreciação da preliminar. Acolhese, portanto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte no que toca ao ano calendário de 2006. Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para as infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2006, considerando a existência de pagamento, está previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2007, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2011, para que pudesse alcançar os valores percebidos no ano calendário de 2006. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte e este teve ciência do auto de infração apenas em 03/01/2012, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário no que toca ao ano calendário 2006. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720266/201115 Acórdão n.º 2202002.494 S2C2T2 Fl. 5 7 quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que o recorrente apresentou declaração de ajuste anual, tendo imposto retido na fonte no ano de 2006, tal como se nota as fls. 7. Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720266/201115 Acórdão n.º 2202002.494 S2C2T2 Fl. 6 9 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13864.720266/201115 Acórdão n.º 2202002.494 S2C2T2 Fl. 7 11 relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado, tal como se depreende de sua declaração, entendo ser irrelevante continuar a discussão. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2006 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2011, estaria afastada essa hipótese. Ante ao exposto, voto para desqualificar a multa de ofício e acolher a preliminar de decadência, extinguindo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11060.905503/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios (PER/DCOMP), de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo ocorrido no período de março de 2007. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação a ele vinculada, ao fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 05 50 3/ 20 09 -2 1 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905503/200921 Resolução nº 3202000.156 S3C2T2 Fl. 224 2 Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos da empresa, não restando saldo de crédito para compensação dos débitos informados naquela declaração. Do mesmo Despacho constou Intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da decisão administrativa, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde registra que: • não utilizava adequadamente os créditos a que teria direito. Em 2007 foi realizada auditoria tributária na empresa por firma especializada, com a finalidade de recalcular todos os tributos devidos dos 5 anos anteriores e ano corrente. Foram feitas as devidas alterações em DACON, sendo contabilizados os resultados do trabalho; • o valor pago de COFINS em 18/05/2007 foi de R$ 122.916,07 (código 5856). Após o recálculo, verificouse que deveria ter sido pago R$ 112.658,82, restando um pagamento a maior de R$ 10.257,25. Esse pagamento foi utilizado para efetuar a compensação de CSLL (código 2484 – PA dezembro de 2007 vencimento em 31/01/2008) conforme a DCOMP nº 20025.99800.200208.1.3.043706; • quanto à inexistência do crédito e a não homologação da compensação, o despacho decisório surgiu por conta de um lapso da empresa, que não efetuou as devidas retificações na DCTF do 1º semestre de 2007. No entanto, o DACON foi retificado quando da apuração dos créditos, onde ficou demonstrada a sua existência; • discorda da posição da RFB e apresenta mapa de apuração dos tributos, antes a após o levantamento, além do resumo dos créditos levantados. Houve entrega de DCTF retificadora em 31/08/2011, que corrigiu o problema; • devido à grande quantidade de páginas, a empresa se coloca à disposição para apresentar relatórios e dados do recálculo dos tributos; • pede a reconsideração da decisão administrativa quanto à análise do crédito e seu aproveitamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1039.151, de 21/06/2012 (fls. 37/40), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2007 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905503/200921 Resolução nº 3202000.156 S3C2T2 Fl. 225 3 DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO DE NÃOHOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. DCTF. PREENCHIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 49/54, embora assim não identificado, por meio do qual aduz: É uma concessionária de energia elétrica junto a governo federal, de forma que segue normas regidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Para manutenção de suas atividades, precisa repor peças, combustível, entre outros, necessários a sua realização de sua atividade. Após apresentação à ANEEL, tais gastos podem ser incluídos no preço da energia elétrica, quando anualmente efetuada a revisão tarifária. Assim, quanto mais créditos de PIS/Cofins puderem utilizar as concessionárias, menor o preço da energia elétrica. A ANEEL definiu as contas contábeis, e a sua forma de contabilização, a serem utilizadas para os lançamentos contábeis referentes à manutenção das atividades da usina e dos caminhos utilizados na distribuição e comercialização da energia elétrica. Diferentemente do que dizem as Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a Recorrente utilizava créditos advindos somente da compra de energia elétrica de outras concessionárias, não se creditando dos custos para produção de energia nem da manutenção da rede de distribuição e comercialização. Assim, houve a tributação total de sua receita sem o cômputo do custo para a sua produção, causando ônus financeiro á empresa e aos consumidores (passa a relacionar os créditos que entende sejam cabíveis). Além dos documentos anexados, outros serão entregues até 10/08/2012. Em 10/08/2012, a Recorrente apresentou a petição de fls. 75/77, através da qual requer a retificação de itens do recurso e acosta cópias de documentos (Razão Contábil, notas fiscais, Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário, Demonstrativos da Energia Elétrica Consumida e recibos de aluguel). O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905503/200921 Resolução nº 3202000.156 S3C2T2 Fl. 226 4 O litígio resumese à possibilidade ou não de repetir, e posteriormente compensar por meio de PER/DCOMP, crédito de contribuição originário de pagamento a maior, quando a retificação da DCTF se deu em momento posterior à decisão que indeferiu o pleito. A instância julgadora a quo entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que, além de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a decisão impugnada, a Recorrente não teria trazido aos autos documentos que atestassem o direito vindicado. A meu ver, a decisão está equivocada. É que, antes de proferido o Despacho Decisório, deveria a Recorrente ter sido intimada a apresentar alegações e documentos que respaldassem a pretensão, a fim de que fossem dirimidas dúvidas sobre a existência do crédito pretendido. Afinal, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 9.784, de 1999 (aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal por força de seu art. 69), o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. Ademais, conforme preconiza o art. 39 do mesmo diploma legal, quando necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, devem ser expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem certifiquese do direito vindicado, mediante a análise dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente, que deve ser intimada para promover a entrega de outros que se considerem necessários ao deslinde do litígio, bem como para prestar esclarecimentos adicionais sobre os fatos relatados no recurso, caso também se faça necessário. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 226DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10945.000949/2008-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 00 94 9/ 20 08 -6 9 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000949/200869 Resolução nº 3801000.551 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em epígrafe e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. Isso se deu porque a fiscalização ao intimar o contribuinte para apresentar os elementos probantes de seu direito creditório, este, apesar de reintimado deixou de apresentar o arquivo magnético contendo as notas fiscais de entrada e saída. Além disso, deixou de apresentar os Livros Registro de Apuração do IPI de 2001 a 2004 da Matriz e de 1999 a 2004 da Filial, assim impossibilitando verificar se o crédito pleiteado foi devidamente estornado, quando da transmissão da PERDCOMP. Tempestivamente, o interessado se manifestou alegando, em síntese, que tendo se passado nove anos do período relativo ao crédito até o presente, não conseguiu recuperar os arquivos solicitados pela fiscalização, porém, afirma possuir todos os livros impressos, os quais não foram requeridos. Aduz que o procedimento fiscal não seguiu o princípio da eficiência, portanto, novo prazo deveria ser concedido para apresentação da documentação impressa que possui e realização da devida auditoria. Além disso, não poderia apresentar os livros pedidos, na medida em que nos anos de 2001 a 2003 foi optante do SIMPLES. Por fim, tece uma série de considerações sobre a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, em função do contencioso fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000949/200869 Resolução nº 3801000.551 S3TE01 Fl. 12 3 Em breve arrazoado apresenta um relato dos fatos destacando que possui todos os livros impressos, porém os mesmos não foram aceitos pela Receita Federal. Esclarece que as notas fiscais de entrada e saída também estão a disposição da fiscalização federal. Em preliminar, sustenta que ajuizou ação anulatória de débitos sob o nº 2009.70.02.0027454/PR, em trâmite na Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Esclarece que em sede de tutela antecipada a recorrente requereu o depósito judicial do valor integral, a fim de possibilitar a emissão de Certidão Positiva de Débitos com efeito de Negativa, qual foi deferida e suspensão dos processos administrativos pendentes, tal como presente. No mérito, sustenta a inobservância do princípio da eficiência. Argumenta que tentou entregar todos os documentos comprobatórios de seu direito de modo impresso, contudo em virtude do volume, a própria Receita Federal, não autorizou seu protocolo, aduzindo que os documentos deveriam ser digitais. Com relação ao princípio da eficiência, faz referência ao artigo 37 da Constituição Federal. Destaca que o formalismo não poderia ter impedido a recorrente de juntar os documentos impressos e ainda ter julgado improcedente seu pedido com a alegação de que restavam ausentes os documentos comprobatórios. Ressalta que a recorrente estava enquadrada no SIMPLES no período de 2001 a 2003, desta forma não possui livros de apuração de IPI referente a este período. Postula a juntada de documentos de forma impressa no prazo de 180 dias. Reitera a tese de que os débitos estão com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Colaciona doutrina e jurisprudência acerca desta matéria. Por fim, requer preliminarmente a suspensão deste processo administrativo, vez que o objeto do presente encontrase sub judice na Vara Federal de Foz do Iguaçu. No mérito, requer a juntada de documentos impressos em poder da recorrente com o intuito de comprovar a legalidade dos créditos. Sucessivamente postula prazo para reconstituir a escrituração para que seja apresenta de forma eletrônica. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.000949/200869 Resolução nº 3801000.551 S3TE01 Fl. 13 4 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início em preliminar, a recorrente noticia que ajuizou uma ação anulatória de débitos, processo nº 2009.70.02.0027454/PR, junto a Primeira Vara Federal de Foz do Iguaçu, requerendo em síntese que fossem declaradas regulares as compensações objeto deste processo administrativo fiscal. Ocorre, todavia, que a recorrente não juntou a petição judicial da referida ação e eventuais decisões judiciais. Esta circunstância impossibilita aferir se o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI. Como é sabido, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa nos termos da Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim sendo, a identificação precisa do objeto da ação judicial é essencial para que o processo tenha condições de ser julgado por essa turma. De outro giro, a recorrente alega que efetuou o depósito judicial do montante integral do crédito tributário. Os elementos comprobatórios são insuficientes para comprovar essa assertiva, de sorte que a Delegacia de origem deverá informar se há depósitos judiciais que suspendam a exigibilidade do crédito tributário em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) informe o andamento processual do processo nº 2009.70.02.0027454, com a juntada da petição inicial e das principais decisões judiciais; b) informe eventual suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão em razão de depósitos judiciais; c) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011370/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91,
VÍCIO. OBJETO. MATERIAL.
Quando o vício existente na autuação relaciona-se com o objeto, conteúdo, trata-se de vício material.
Processo Anulado.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento por vício, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Relatora.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, VÍCIO. OBJETO. MATERIAL. Quando o vício existente na autuação relaciona-se com o objeto, conteúdo, trata-se de vício material. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, VÍCIO. OBJETO. MATERIAL. Quando o vício existente na autuação relacionase com o objeto, conteúdo, tratase de vício material. Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento por vício, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 70 /2 00 9- 14 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 MARCELO OLIVEIRA – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relatora. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/10/2009, por ter a empresa acima identificada apresentado arquivos e sistemas das informações em meio digital, correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção, conforme previsto na Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 11, parágrafos 3o e 4o, com redação da MP nº 2.158, de 24.08.01. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.05), a autuada deixou de apresentar à fiscalização, apesar de intimada por meio de TIPF, em meio digital de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, da SRFB, as informações relativas à Folha de Pagamento, tendo apresentado os arquivos com incorreções de informação, pois apesar de atendida a forma prevista para apresentação das informações em meio digital estabelecida pela RFB, ficou constatado que as informações não se encontravam íntegras, isto é, não correspondiam à realidade dos dados constantes da folha de pagamento da empresa registrada, seja por omissões, seja por incorreções. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0347.001, da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 133), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 148), repetindo basicamente os argumentos trazidos na impugnação. Insiste em afirmar que a obrigatoriedade da apresentação de registros em meios digitais de atos e registros vinculados ao atendimento da norma previdenciária encontra se disciplinada no art. 8o, da Lei 10.666/2003, e não nos dispositivos legais enumerados pela auditoria fiscal no presente auto de infração. Entende que não pode a empresa ser autuada por um dispositivo legal que não a obriga a fazer a Lei 8.212/91, e que aplicase tão somente ao relacionamento fisco x Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10120.011370/200914 Acórdão n.º 2301003.380 S2C3T1 Fl. 167 3 contribuinte dos tributos arrecadados pela Receita Federal antes da Unificação promovida pela Lei 11.457. Transcreve o art. 11, da Lei 8,218/91, para afirmar que a obrigatoriedade prevista no caput está condicionada à expedição de atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados, e a autoridade fiscal, no relatório de seu ato de infração, não esclarece se tais atos foram expedidos. Reitera que houve o cumprimento do comando legal, qual seja, o de arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, a disposição da fiscalização. Sustenta que, se coexistem duas leis e estas não se conflitam em seus comandos, mas cada qual dispõe de uma penalidade diferente pela sua não observância, está formada a confusão jurídica, devendo a autoridade fiscal aplicar, pelo menos, a penalidade mais favorável ao contribuinte. Sustenta que existe um dispositivo legal específico para a norma previdenciária que obriga a manutenção e apresentação dos arquivos digitais e que foi regulamentado, mas, talvez pela aplicação da maior penalidade, a auditoria optou por estabelecer tanto a obrigatoriedade da prática de fazer, quanto pela penalidade pela falta de fazer, por outro ordenamento jurídico. Conclui que não se aplicam os dispositivos da Lei 8.218/91 para o caso em questão, visto a existência de norma específica para o caso, observando que o disposto na Lei 10.666/2003, além de ser posterior, altera e/ou revoga a anterior Finaliza requerendo que seja retificado o Acórdão combatido e que sejam julgados, em conjunto, todos os demais autos lavrados em decorrência da caracterização no descumprimento de outras obrigações acessórias e de falta de recolhimento de obrigações principais, por se tratar de matérias correlatas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que o AI foi lavrado por ter a empresa apresentado arquivos digitais das folhas de pagamento com omissão ou incorreção. Pelo descumprimento da obrigação acessória descrita, a autoridade autuante aplicou penalidade com fundamento no art.12, inciso II e parágrafo único, da Lei 8.218/91. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Porém, verificase que, no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas, ou que contenham incorreções ou omissões. De fato, a Lei 8.212/91, que é a lei específica que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio, estabelece, em seu art. 32, inciso III, que: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” E, nos termos do art. 92 do mesmo diploma legal, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Cumprindo seu papel regulamentador, o Decreto 3.048/99, em seu art. 283, inc. II, alínea “j”, veio dispor que: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira”;(grifei) Assim, entendo que, em se tratando de contribuições previdenciárias, não há qualquer razão para se aplicar a penalidade prevista na Lei 8.218/91, uma vez que existe legislação específica que trata da matéria. Ademais, o art. 112, do CTN, determina que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10120.011370/200914 Acórdão n.º 2301003.380 S2C3T1 Fl. 168 5 I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, entendo que, no caso do Auto de Infração ora discutido, deveria ter sido observado o disposto na Lei 8.212/91, c/c art. 282, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por se tratarem de normas legais específicas para as contribuições previdenciárias. Portanto, há de ser julgada NULA a presente autuação, em virtude da ocorrência de VÍCIO de natureza formal e de caráter insanável, sem prejuízo da aplicação da penalidade administrativa de forma correta, caso a fiscalização entenda cabível. Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e ANULAR o Auto de Infração, por vício formal. É como voto. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito à nobre Relatora, divirjo de seu voto no que consiste à conceituação sobre a natureza do vício existente na autuação, pois sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza material. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: 1. Competência; 2. Motivo; 3. Conteúdo; 4. Forma; e 5. Finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; conforme a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: a) Restrita: que considera forma como a exteriorização do ato administrativo, como por exemplo o próprio auto de infração; e b) Ampla: que inclui todas as demais formalidades, como, por exemplo, precedência de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, etc. isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o conteúdo, matéria ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10120.011370/200914 Acórdão n.º 2301003.380 S2C3T1 Fl. 169 7 instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto de infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, constituise no núcleo de existência do lançamento. Portanto, quando a tipificação da legislação que embasa a autuação, o cálculo de seu montante e a descrição do seu fato gerador pelo descumprimento da obrigação acessória não são suficientes para a correção e certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária e o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente equivocado. Procurouse ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Veja que é o caso, pois a decisão do colegiado registra que a incidência da lei foi equivocada. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas a diferença entre eles é que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que: a) a lei incidiu de maneira correta; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 b) a tipificação da legislação que embasa a autuação é a certa; c) o cálculo de seu montante está como determina a legislação. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância de objeto, incidência de lei. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o objeto está correto e que a lei incidiu de maneira correta, diferentemente da nulidade por vício material. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na autuação. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10120.011370/200914 Acórdão n.º 2301003.380 S2C3T1 Fl. 170 9 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, Declaração de Voto. 1. O presente recurso voluntário visa a combater os Autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória lavrado contra a empresa recorrente, em razão de suposta infração do disposto no art. 11, §§ 3º e 4º da Lei 8.218, de 1991, na redação dada pela Medida Provisória 2.158, de 2001, culminando na penalidade prevista no art. 12, inciso II e parágrafo único, da Lei 8.218, de 1991, segundo o auditor fiscal. 2. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), a empresa apresentou os arquivos digitais na forma prevista pela Receita Federal do Brasil (RFB), porém as informações relativas à folha de pagamento continham incorreções e omissões. A empresa foi intimada a reapresentar os arquivos com a correção das inconsistências, contudo, não sanou as incorreções. 3. No Relatório Fiscal de Aplicação da Multa a autoridade fiscal demonstrou o cálculo da apuração do valor da penalidade cominada, feito com base na aplicação do percentual de 5% (cinco por cento) do valor da operação omitida ou incorreta, conforme estabelecido no inciso II, e parágrafo único do art. 12 da Lei 8.218, de 1991, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período de 2004 a 2008. DO VÍCIO MATERIAL 4. No que diz respeito ao mérito, peço vênia à nobre Conselheira Relatora, pois divirjo do seu posicionamento quanto à natureza do vício, pelas razões que passo a expor. 5. Verifico primeiramente que o enquadramento adotado pelo fiscal foi juridicamente inadequado, pois trouxe legislação diversa daquela aplicada à infração cometida pela empresa, cerceando o direito de defesa do contribuinte e lhe imputando sanção desproporcional. Dessa feita, não pode ser aplicada outra medida que não a anulação do lançamento. 6. O prejuízo ocasionado pelo erro na autuação é perfeitamente presumível, sendo prescindível a valorização em demasia de eventual avaria causada pelo ato atípico. É bom ter em mente que, partindose da premissa de o controle de legalidade ser feito pela administração pública, um ato declarado nulo irá ocasionar, inevitavelmente, em prejuízo, por macular de plano o princípio do contraditório estabelecido pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal. 7. Sobre o controle de legalidade, objetivo maior do processo administrativo tributário, as considerações de Troianelli (2006) merecem destaque: Tratandose o processo administrativo fiscal, essencialmente uma forma de controle, pela Administração Pública, da legalidade de seus próprios atos, é condenável o antigo hábito, já denunciado por Hely Lopes Meirelles e levado Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 ao extremo pelas alterações efetuadas pela Lei no 87748/93 no Decreto no 70235/72, de “judicializar” o processo administrativo tributário, como se fosse a função desse resolver litígios, e não buscar elementos que façam transparecer a verdade material, a verdade real nos fatos, a única capaz de conduzir o processo administrativo tributário ao seu verdadeiro fim, que é o de controlar os atos praticados pela administração no exercício da atividade de lançamento tributário. Se dirimir conflitos, e de forma terminativa, é função do processo judicial, é quase intuitivo que essa não possa ser a função do processo administrativo, sob a pena de absoluta inutilidade deste último. 8. Evidentemente que o processo administrativo fiscal permite a simplificação na busca da justiça tributária sem que implique o princípio da instrumentalidade das formas nem se deixe de resguardar a segurança jurídica na relação entre o contribuinte e a Administração Pública. 9. Em sendo, quando a Administração revê seus atos ela busca a verdade material, pois, segundo Cabral (1993, p. 21), o processo não tem por função atuar no interesse de uma ou outra parte e sim no interesse de ambas. Assim, além de o Estado preservar princípios, garantias e direitos do contribuinte, também assegura a submissão dos seus atos ao princípio da legalidade, justamente para não se exceder no seu deverpoder de exigir tributos e pôr em risco todo ordenamento jurídicolegal. 10. Nesse sentido, Carvalho e Murgel (1999, p. 29) entendem que ambas as partes, Estado e contribuinte, devem buscar a verdade material, ficando a verdade formal em segundo plano. Em tempo, segundo os mesmos autores, outra função primordial do processo administrativo seria buscar a paz jurídica entre ambos, de tal forma que, alcançada a verdade material, não haja mais interesse de qualquer das partes de acionar o Poder Judiciário. 11. Em tempo, lembro os nobres Conselheiros que o relatório fiscal é parte integrante do ato constitutivo do lançamento, sendo um demonstrativo claro e preciso para todos os procedimentos e critérios adotados pela fiscalização se forem observadas as regras estabelecidas no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e do art. 37 da Lei 8.212, de 1991. 12. É dizer: a autoridade lançadora tem o dever de informar à empresa fiscalizada qual a legislação de regência da obrigatoriedade do envio dos arquivos magnéticos e a fundamentação jurídica correta, bem como o correto procedimento para tanto, de modo a apresentar elementos inquestionáveis de convicção e a possibilitar a ampla defesa do contribuinte, pois, do contrário, enseja nulidade ante a patente visualização da hipótese trazida no art. 59, II, §§ 1º e 2ºdo Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10120.011370/200914 Acórdão n.º 2301003.380 S2C3T1 Fl. 171 11 13. Além do cerceamento de defesa, constato com clareza que a penalidade aplicada pelo fisco foi mais gravosa ao contribuinte. A penalidade aplicada pelo agente fiscal foi juridicamente inadequada, pois optou pela mais severa prevista no art. 12, II, e parágrafo único da Lei 8.218, de 1991, em detrimento da legislação específica dessa matéria, qual seja: art. 32, III, da Lei 8.212, de 1991, combinada com a alínea j do inciso II do artigo 283 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, como bem apontou a nobre Conselheira Relatora. 14. Com efeito, a legislação previdenciária deve ser respeitada, diante da especificidade dessa norma, em que prevalece o diploma legal que trate especificamente a matéria, como se verifica nos dispositivos que ora colaciono: Lei 8.212, de 1991. Art. 32. A empresa é também obrigada a: III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Art. 283.(...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (destaquei) 15. Por essa razão, entendo que o fisco não cometeu um mero equívoco de dispositivo legal, que caracterizaria um vício sanável, mas sim erro de conteúdo, por implicar em sanção desproporcional ao contribuinte, sendo inviável sua modificação, pois seria revisão do próprio motivo ensejador do lançamento, maculando toda a estrutura normativa do poder de tributar. 16. Tratase, portanto, de vício material, sendo, inclusive, causa impeditiva de novo lançamento diante dos mesmos fatos geradores considerados. Esse também é o entendimento deste Conselho, como constatei no julgamento do Recurso Voluntário 137.477, Acórdão 30239.444 julgado em 19 de maio de 2008, na Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes cuja decisão restou ementada nos seguintes termos: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/05/2001 a 08/08/2001 (...) NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (Acórdão 30239.444, Relator Marcelo Ribeiro Nogueira) 17. Esta decisão foi posteriormente confirmada pela Câmara Superior, como se verifica no Acórdão 9303002.64, proferido pela Terceira Turma em 11 de julho de 2012, in verbis: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. (...) Caracterizouse, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão 9303002.064 – Relatora Nanci Gama) 18. Dessa feita, voto para que seja anulado o auto de infração por estar eivado de vício material quando o agente fiscal lavrouo sem, contudo, evidenciar adequadamente o motivo necessário para aplicação da penalidade prevista em legislação própria. Assim, fica impossibilitada nova fiscalização referente ao mesmo fato e à mesma matéria. CONCLUSÃO 19. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, ANULAR o auto de infração pela existência de vício material. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 01/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10580.725552/2009-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA.
Somente sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Alimentação em pecúnia sofre tributação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator Marcelo Magalhães Peixoto e a Conselheira Maria Anselma Croscrato dos Santos na questão da alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Somente sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Alimentação em pecúnia sofre tributação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator Marcelo Magalhães Peixoto e a Conselheira Maria Anselma Croscrato dos Santos na questão da alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 55 52 /2 00 9- 41 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725552/200941 Acórdão n.º 2403002.168 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ de Salvador/BA, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário, lançado no importe equivalente a R$ 31.322,52 (trinta e um mil trezentos e vinte e dois reais e cinqüenta e dois centavos). A presente autuação, consubstanciada no DECBAD nº. 37.226.6347, em fiscalização no período de 01/2005 a 12/2005, almeja o recolhimento de diferenças de contribuições previdenciárias, quota patronal e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. As contribuições exigidas têm esteio no art. 22, incisos I, II e III da Lei 8.212/91 e incidem sobre salários de contribuição de segurados empregados e contribuintes individuais não declarados em Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP. O Relatório Fiscal narra os fatos que ensejaram a autuação, fls. 87/95, in verbis: (...) 1.1. A Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Subsolo do Município – SUCOM é uma entidade dotada de personalidade jurídica, criada pela Lei 3994/1999 sob a forma de autarquia vinculada a Prefeitura Municipal de Salvador. (...) 5.2. Considerando que as folhas de pagamento apresentadas à fiscalização contemplavam segurados cobertos por Regime Próprio da Previdência Social – IPS e segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social – RGPS, foi elaborado o Anexo I identificando parcelas pagas aos segurados abrangidos pelo RGPS, o qual integra o presente relatório fiscal; 5.3. Nas folhas de pagamentos, além das rubricas consideradas como base de cálculo pela empresa, foram apuradas como salário de contribuição parcela paga a título de auxílio alimentação em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321/76, e outras rubricas identificadas no Anexo I do presente AI; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 5.4. As informações apresentadas no DCBC são resultantes de agregação dos dados informados pelo contribuinte nos arquivos do SEFIP – Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social anteriores a versão 8.0, submetidos à normalização do sistema, que consiste na verificação da consistência dos dados e solução dos conflitos de informações divergentes; 5.5. Os fatos geradores declarados em GFIP foram apurados através do Relatório DCBC; 5.6. As contribuições apuradas como devidas pelo sujeito passivo, decorrem das diferenças resultantes do batimento entre as contribuições incidentes sobre os fatos geradores apurados no período fiscalizado (declarados e não declarados em GFIP) e as contribuições recolhidas em guias de recolhimento à previdência social – GPS constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil para o mesmo período. 5.7. As GPS recolhidas pela notificada antes do inicio da ação fiscal foram deduzidas das contribuições apuradas na presente fiscalização, obedecendose a seguinte ordem de prioridade: 1ª Contribuições incidentes sobre fatos geradores declarados em GFIP; 2º Contribuições descontadas de segurados; 3º Contribuições incidentes sobre outras bases de cálculo consideradas pela empresa; 4ª Demais contribuições apuradas; 5.8. O presente Auto de Infração compreende apenas as contribuições incidentes sobre fatos geradores não declarados em Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP; DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 110/112. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 15 28.479, fls. 126/132, julgando a impugnação improcedente para manter incólume o crédito tributário lançado, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CUSTEIO A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais para a Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725552/200941 Acórdão n.º 2403002.168 S2C4T3 Fl. 4 5 empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls.136/139, alegando, em síntese, ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente autuação, mencionando que a Instrução Normativa nº 01/2004, sem especificar de qual órgão o referido dispositivo foi emanado, determina que o responsável para o cálculo, retenção e recolhimento de encargos sociais ao INSS. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 145, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA LEGITIMIDADE Infere a Recorrente acerca da ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente demanda administrativa, alegando a existência de uma Instrução Normativa, nº. 01/2004, na qual determina que a SEPLAG, cujo significado é desconhecido, a responsabilidade pelo cálculo, retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias ao INSS. Para tanto, a entidade não apresentou o teor do dispositivo executivo, nem indicou de qual órgão este foi emanado, muito menos apresentou informações acerca da SEPLAG, incapaz de infirmar a afirmação fiscal constante na fl. 87, de que a SUCOM é uma entidade dotada de personalidade jurídica e criada pela Lei 3.994/1999, sob forma de autarquia, vinculada a Prefeitura Municipal de Salvador. Nesta senda, tornase inviável a apreciação do tópico em menção por não haver qualquer elemento probatório que ateste a ilegitimidade da Recorrente. Isso porque, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando afirma que “no processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; FERRAGUT, Maria Rita. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 19) Portanto, não é plausível a razão apresentada pela Recorrente por não encontrar qualquer respaldo legal que possibilite suspeitar de eventual ilegitimidade passiva. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725552/200941 Acórdão n.º 2403002.168 S2C4T3 Fl. 5 7 Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, que o art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº. 8.212/91 traz em sua redação que não integrará o salário de contribuição a parcela in natura recebida nos termos do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; A referida norma reproduziu o já disposto na Lei nº. 6.321/76, em seu art. 3º: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo in natura, em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de alimentação que garanta o seu sustento e fiel cumprimento de suas atividades dispostas no contrato de trabalho. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência acerca de situação análoga, a saber, os valores pagos em pecúnia a título de transporte. Tal posicionamento foi assim ementado: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura ). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho , circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725552/200941 Acórdão n.º 2403002.168 S2C4T3 Fl. 6 9 (STJ. 1.185.685 – SP 2010/00494616, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento: 16/12/2010, 1ª TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011) (grifos acrescidos) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria no que toca às verbas indenizatórias e a questão da utilização da impossibilidade de relativização do curso legal da moeda: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, é prudente o posicionamento da Corte Superior na aplicação análoga a alimentação em pecúnia, por trataremse de verbas ofertadas ao empregador em caráter estritamente indenizatório, valor que o pago para execução do seu trabalho e não em razão dele. De outra sorte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, também adota a posição de a verba a título de alimentação paga em pecúnia é também indenizatória, para tanto, vejase os precedentes abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Recurso que não logra demonstrar a incorreção ou o desacerto do despacho negativo de admissibilidade do recurso de revista. Agravo de instrumento a que se nega provimento. ( TSTAIRR 4334034.2007.5.02.0077 , Relator Juiz Convocado: Flavio Portinho Sirangelo, Data de Julgamento: 09/05/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 18/05/2012) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALEALIMENTAÇÃO. ACORDO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Esta Corte Superior tem perfilhado entendimento no sentido de que o pagamento da parcela auxílioalimentação em pecúnia, no acordo judicial, decorre do descumprimento de obrigação de fazer, que se resolve em obrigação de indenizar, o que não desnatura sua natureza jurídica indenizatória. Assim, nos termos do artigo 28, § 9º, c, da Lei 8.212/91, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. Precedentes do TST. Recurso de revista conhecido e provido." (TSTRR2200 80.2009.5.15.0079, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data 2ª Turma, DEJT 21.10.2011) **************************************************** ACORDO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA. A parcela denominada valealimentação recebida em acordo judicial não integra o saláriodecontribuição. Assim é porque o recebimento da referida parcela em pecúnia ocorreu para compensar o não recebimento durante o contrato de trabalho, hipótese que não altera sua natureza jurídica que é indenizatória. Recurso de Revista de que não se conhece." (TSTRR4300 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725552/200941 Acórdão n.º 2403002.168 S2C4T3 Fl. 7 11 76.2008.5.15.0003, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, DEJT 26.8.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. NATUREZA JURÍDICA. ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O recebimento da cesta básica em pecúnia, em razão da homologação de acordo judicial, não tem o condão de transmudar a natureza do auxílioalimentação para salarial. Incidência da Súmula 333 do TST e do § 4º do art. 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR15100 39.2006.5.15.0067, Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 19.4.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Incólumes os dispositivos legais apontados na revista e superada a divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula n.º 333 do TST e do art. 896, § 4.º, da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR2600049.2006.5.15.0013, Relator Juiz Convocado Flavio Portinho Sirangelo, 7ª Turma, DEJT 15.10.2010) Na esteira do raciocínio esposado, destaquese julgado deste Conselho, 2ª Seção, Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010. Apesar de se referir ao transporte em pecúnia, traz em sua ementa, relevante lição a ser aplicada, a de que o beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, destaquese que na sessão de 20 de setembro de 2012, esta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo 10680.720790/201075, que resultou no acórdão 2403001.629, julgou pela não incidência de contribuição previdenciária no caso de alimentação paga in pecúnia, in verbis: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 03/2005, nos Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 termos do art. 150, parágrafo 4 do CTN. No mérito: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de "Vale Transporte em pecúnia", "Alimento em pecúnia","Cesta Básica in natura"; II) por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9/4430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros da questão da multa. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre Medeiros. Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de alimentação, razão pela qual a autuação em epígrafe, quanto a esta rubrica deve ser anulada. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, nos termos do voto, para exonerar os créditos previdenciários relativos a alimentação in pecúnia. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.725552/200941 Acórdão n.º 2403002.168 S2C4T3 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado A divergência com o relator referese à questão da tributação do auxílio alimentação pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA Ao CARF compete julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como regra geral, a Lei 8.3212/91 estabelece que a contribuição previdenciária considera salário de contribuição (base de cálculo) a totalidade da remuneração. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) As exceções estão estabelecidas no parágrafo 9º do próprio artigo 28. Quando cita a alimentação, afasta da tributação a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; O que temos no caso em análise é pagamento em pecúnia, que se enquadra na regra geral, isto é, sofre incidência de tributação. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 CONCLUSÃO Voto pela manutenção da tributação incidente sobre a alimentação em pecúnia. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10983.721216/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DIFERIMENTO DE TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE O LUCRO. RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. EXTENSÃO ÀS RECEITAS DECORRENTES DE REPACTUAÇÃO DA DÍVIDA ORIGINAL. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das receitas de juros e atualização monetária, incorridas em razão do atraso da União no pagamento da dívida resultante da cessão dos créditos originais, observa o regime de competência.
FATO GERADOR SUJEITO A CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INOCORRÊNCIA. A necessidade de previsão orçamentária e de empenho para o recebimento da dívida pactuada são condições externas ao contrato, e não impedem sua eficácia. A pessoa jurídica prejudicada pode, após o vencimento, propor ação judicial para exigir o pagamento da dívida e a emissão de precatório em seu favor.
JUROS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. As pessoas jurídicas submetidas à sistemática do lucro real devem reconhecer os juros e as variações monetárias ativas como receitas financeiras segundo o regime de competência. Inexiste decisão judicial com efeito vinculante que afaste a determinação legal de tributação do lucro decorrente destes valores.
IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, findo o período de apuração, de um lado, e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado complexivamente, de outro lado. A infração relativa ao não recolhimento das estimativas mensais caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir a exação, no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, ao passo que o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa da Fazenda, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. Definido em lei, o percentual aplicável em lançamento de ofício não se sujeita a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. INOCORRÊNCIA. Embora ausente prova da modificação de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, ainda assim ela seria possível relativamente a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, e não se prestaria a afastar a penalidade aplicada.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO, NO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ADMISSIBILIDADE. A jurisprudência administrativa já está pacificada no sentido de que devem ser apreciados os questionamentos dirigidos contra a aplicação de juros sobre a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) Relativamente ao principal exigido e à multa proporcional, por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Gilberto Baptista que dava provimento parcial ao recurso no que tange à reversão das adições; 2) relativamente às multas isoladas, por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; e 3) relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Gilberto Baptista e José Ricardo da Silva. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro José Sérgio Gomes, bem como a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista. Fizeram sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Raquel Novais (OAB/SP n. 76.649), e o representante da Fazenda Nacional, Paulo Roberto Riscado Júnior.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes (Substituto convocado) e Gilberto Baptista (Substituto convocado).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721216/201020 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.893 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2013 Matéria IRPJ/CSLL Diferimento de tributação Recorrente ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DIFERIMENTO DE TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE O LUCRO. RESULTADOS DECORRENTES DE CONTRATAÇÕES COM ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS. EXTENSÃO ÀS RECEITAS DECORRENTES DE REPACTUAÇÃO DA DÍVIDA ORIGINAL. IMPOSSIBILIDADE. A lei tributária não prevê o diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens vinculados a contratos firmados com entidades governamentais. A tributação das receitas de juros e atualização monetária, incorridas em razão do atraso da União no pagamento da dívida resultante da cessão dos créditos originais, observa o regime de competência. FATO GERADOR SUJEITO A CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INOCORRÊNCIA. A necessidade de previsão orçamentária e de empenho para o recebimento da dívida pactuada são condições externas ao contrato, e não impedem sua eficácia. A pessoa jurídica prejudicada pode, após o vencimento, propor ação judicial para exigir o pagamento da dívida e a emissão de precatório em seu favor. JUROS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. As pessoas jurídicas submetidas à sistemática do lucro real devem reconhecer os juros e as variações monetárias ativas como receitas financeiras segundo o regime de competência. Inexiste decisão judicial com efeito vinculante que afaste a determinação legal de tributação do lucro decorrente destes valores. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, findo o período de apuração, de um lado, e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado complexivamente, de outro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 16 /2 01 0- 20 Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 3 2 lado. A infração relativa ao não recolhimento das estimativas mensais caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir a exação, no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, ao passo que o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa da Fazenda, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. Definido em lei, o percentual aplicável em lançamento de ofício não se sujeita a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. INOCORRÊNCIA. Embora ausente prova da modificação de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, ainda assim ela seria possível relativamente a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, e não se prestaria a afastar a penalidade aplicada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO, NO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ADMISSIBILIDADE. A jurisprudência administrativa já está pacificada no sentido de que devem ser apreciados os questionamentos dirigidos contra a aplicação de juros sobre a multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Relativamente ao principal exigido e à multa proporcional, por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Gilberto Baptista que dava provimento parcial ao recurso no que tange à reversão das adições; 2) relativamente às multas isoladas, por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior; e 3) relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Gilberto Baptista e José Ricardo da Silva. Ausentes, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, substituída pelo Conselheiro José Sérgio Gomes, bem como a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída pelo Conselheiro Gilberto Baptista. Fizeram sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Raquel Novais (OAB/SP n. 76.649), e o representante da Fazenda Nacional, Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes (Substituto convocado) e Gilberto Baptista (Substituto convocado). Relatório ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 17/12/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 397.509.175,88, em razão da glosa de exclusões nos anoscalendário 2005 a 2009, pelo motivo assim sintetizado no início do Relatório da Ação Fiscal (fl. 821): A ação fiscal levada a efeito sobre a Eletrosul revelou infração à legislação tributária que diz respeito a indevidas exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores referentes à contabilização pelo regime de competência dos juros e correções monetárias (baseadas no IGPM mensal) decorrentes de contratos particulares de cessão de crédito firmados decorrentes da Lei nº 8.727/93, de um lado, pela União na qualidade de cessionária e, de outro lado , pela Eletrosul na qualidade de cedente. Dizendo de forma absolutamente sucinta, ao longo desta fiscalização foi constatado que a empresa, mediante indevidos ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, fazia apropriar as receitas provenientes desses contratos pelo regime de caixa, em discordância com o disposto na legislação desses tributos que prevê a apropriação de receitas como tais pelo regime de competência. Revelou também a prática de postergação de tributos consistente na adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos períodos de apuração sob fiscalização, de valores excluídos das bases de cálculo desses tributos em períodos anteriores. Essas adições, contudo, eram efetuadas sem o correspondente pagamento de juros e multa de mora. É necessário que se diga, desde logo, quanto as infrações cometidas, que elas advêm de uma opinião equivocada por parte do contribuinte concernente aos arts. 407 e 409 do Decreto nº 3.000/99. [...] Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 5 4 A autoridade fiscal descreve a origem dos Contratos Particulares de Cessão de Crédito entre a União, através do Banco do Brasil S/A, na qualidade de seu Agente Financeiro, e as Centrais Elétricas do Sul do Brasil S/A – Eletrosul, para efeito de Refinanciamento da Dívida da Enersul ou CEEE, em razão dos quais a União deveria pagar à Eletrosul o valor resultante do débito consolidado em 240 prestações mensais consecutivas atualizadas pela variação do IGPM, mais uma taxa de juros nominal de 12% a.a., favorecendo a autuada com receitas financeiras decorrentes de correção monetária e de juros, as quais foram contabilizadas pelo regime de competência, mas excluídas do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para posterior adição apenas no momento em recebidos os pagamentos da União. Durante o procedimento fiscal, a contribuinte argumentou que sua conduta estava orientada pelos arts. 407 e 409 do RIR/99, na medida em que os créditos originais diziam respeito a fornecimento do serviço de transmissão a empresas pertencentes à administração pública indireta dos Estados4 [4 Os créditos dizem respeito a venda do serviço de transmissão de energia a empresas distribuidoras de energia controladas por governos estaduais], de sorte que, também os rendimentos decorrentes da cessão desses créditos para a União estariam acobertados pela possibilidade de diferimento estabelecida nos dispositivos acima mencionados. Outro argumento acessório elencado pelo sujeito passivo é o de que correção monetária (no caso IGPM) não seria receita nova mas, simplesmente, correção de receita já tributada. A Fiscalização opôsse a esta argumentação aduzindo que: · ... não há qualquer vinculação entre as naturezas jurídicas dos rendimentos da empresa relativos à remuneração financeira pela União quanto à compra dos créditos cedidos e as receitas originais decorrentes de fornecimento de energia elétrica, até porque não existem mais para Eletrosul créditos relativos a fornecimento àquelas empresas, mas apenas seu direito junto à União correspondente à característica onerosa da cessão daqueles créditos; · ... o direito de diferimento contido nos arts. 407 e 409 do RIR/00 restringirseia ao lucro não realizado à época da consolidação do crédito, e não à receita. Neste sentido, somente a parcela da remuneração (juros e IGPM) correspondente a esses lucros não realizados poderia ser diferida, e apenas se o lucro diferido àquela época estivesse discriminado no LALUR e sua escrituração estivesse mantida juntamente com a documentação comprobatória correspondente; A autoridade lançadora também abordou alguns detalhes sobre a execução dos contratos de cessão de crédito, de modo a demonstrar que os pagamentos feitos pela União decorriam da transferência de recursos de um fundo para o qual convergiam os valores pagos pelos devedores originais, ensejando pagamentos freqüentemente inferiores a 1/240 do valor da dívida, mas sendo esta atualizada e acrescida de juros. Tais receitas eram contabilizadas pela pessoa jurídica, e o grau de certeza de recebimento é evidenciado pelo seu cômputo na base que se presta à distribuição de participações a administradores e funcionários, assim como, juros sobre capital próprio e/ou dividendos. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 6 5 Transcrevendo excertos do Parecer Jurídico elaborado por assessoria jurídica da Eletrosul, e de parecer de consultoria jurídica externa, a autoridade fiscal formula extenso arrazoado para demonstrar a improcedência das razões apresentadas pelo sujeito passivo, e também menciona o reconhecimento pelo sujeito passivo do cometimento das infrações, ante o provisionamento de juros à taxa SELIC em razão dos valores diferidos, com vistas a dar conta de uma possível autuação. Abordando as adições promovidas pela contribuinte de 2005 a 2009, observou que o fundamento tributário para sua realização é o conjunto de exclusões efetuadas em períodos de apuração anteriores, controlados na parte B do LALUR. Reportandose às informações escrituradas no LALUR, aduz que as adições procedidas tinham o efeito de reduzir o saldo dos diferimentos totais realizados pelo sujeito passivo desde 1999, inexistindo qualquer menção nesse controle do sujeito passivo de que os valores adicionados estariam vinculados à tributação de receitas do próprio período da adição. Em seu entendimento, se não existissem saldos devedores, as adições seriam improcedentes, bem como assim seriam se legalmente não houvesse previsão da apropriação tributária a destempo das receitas reconhecidas pelas adições. As exclusões glosadas resultaram na exigência de IRPJ e CSLL devidos nos ajustes anuais de 2005 a 2009, bem como na aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, nos períodos em que a apuração foi influenciada por aquelas exclusões. Impugnando a exigência, a contribuinte defendeu o diferimento das receitas, em razão das características da concessão do serviço público de energia elétrica e das diretrizes para consolidação/reescalonamento de dívidas previstas na Lei nº 8.727/93. Abordou aspectos do regime de competência e de caixa, no que tange à aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda e à capacidade contributiva, e apresentou seus argumentos em favor da aplicabilidade do art. 409 do RIR/99, ou mesmo do art. 422 daquele Regulamento. Defende que a atualização monetária é mera indenização, e invoca a ocorrência de prescrição/decadência, para que as adições representem pagamento parcial dos tributos no regime de competência. Classifica de exorbitantes as multas aplicadas, e afirma a desconsideração de fiscalização em período anterior da matéria objeto da autuação em impugnação. Questiona a interpretação fiscal acerca de seus procedimentos contábeis, estende os efeitos de sua defesa à CSLL, e pede: a) exclusão da incidência tributária sobre a receita sobrevinda da atualização monetária; b) dedutibilidade dos recolhimentos tributários efetuados pela contribuinte no período de apuração e fiscalização, Jan/2005 a Dez/2009; c) a exclusão das multas de ofício (75%) e de forma isolada (50%); d) a inclusão da multa de mora (20%); e) a aplicação do disposto no Art. 354 do Código Civil, Lei n° 10.406/2002, que importa primeiramente na liquidação dos juros vencidos e depois o capital, aqui subtendido que a atualização monetária importa em capital,[...] A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão, argumentando em síntese que: Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 7 6 · A contribuinte pretende o reconhecimento da liberdade de opção pelo regime de reconhecimento de receitas que melhor lhe atendesse aos interesses, invocando sua dilapidação patrimonial em razão dos atrasos praticados pelo mesmo Estado Exator, apresentandose como intitulada a decidir, com base em sua conveniência e interesse, se cumpre ou deixa de cumprir o que determina a legislação tributária, e olvidandose tratarse de empresa ligada à própria União, já que 99,7081% de seu capital pertencem à Eletrobrás; · Existe erro no Relatório da Atividade Fiscal, no sentido de que o período fiscalizado seria de janeiro/2005 a dezembro/2007, pois o procedimento estendeuse até dezembro/2009, mas nenhum efeito isto opera sobre os lançamentos impugnados; · Inexiste qualquer irregularidade nos procedimentos fiscais operados em 2001/2002 e em 2010, na medida em que mesmo a realização de ação fiscal específica não condiciona nem inibe futuras ações fiscais em relação ao mesmo contribuinte; · Quanto ao pretendido efeito nulo das atualizações monetárias, é temerário afirmar que disposição expressa da legislação tributária deveria ser desconsiderada em favor da posição de parecerista e de precedentes judiciais não vinculantes; · O diferimento foi motivado pela conveniência financeira da impugnante, não lhe socorrendo o disposto nos arts. 407 e 409 do RIR/99, na medida em que os contratos dos quais derivam os pagamentos da União não se referem a novo produto nem a novo fornecimento, mas apenas de cessão de créditos; · A arguição de decadência/prescrição é descabida em face da obrigação que o sujeito passivo tem de conservar sua escrituração, na forma do art. 264 do RIR/99; · Embora relevantes os interesses financeiros, na medida em que podem significar a manutenção da viabilidade de uma empresa pública, o investimento feito pelo estado brasileiro em infraestrutura de energia não o sujeito a sofrer compensações baseadas apenas em circunstâncias de fato, destituídas de previsão legal; · A multa de mora somente tem lugar em recolhimentos espontâneos e as multas aplicadas no lançamento estão fundamentadas em lei; · O art. 354 do Código Civil, invocado para fins de cálculo de juros, trata de imputação de pagamento na esfera cível, e não tem lugar no âmbito tributário, que tem regra própria inserida no art. 161 do CTN; Cientificada da decisão de primeira instância em 04/08/2011 (fl. 1198), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 02/09/2011 (fls. 1203/1255), no qual defende o diferimento realizado com amparo no art. 409 do RIR/99 e ainda argui a Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 8 7 precaridade do lançamento, o desvirtuamento de conceitos já dedimentos na doutrina e na jurisprudência, a decadência do direito de lançar e a impossibilidade de dupla exigência de tributos sobre um mesmo fato gerador, além do inaceitável excesso da exigência fiscal ao cumular multa isolada e multa de ofício e ao pretender aplicar juros moratórios sobre as multas aplicadas. Relata os fatos que ensejaram a exigência, reconhecendoos incontroversos. Observa que na repactuação feita com a União, sendo esta sua controladora, não teve outra opção senão consentir, ainda que o pagamento da dívida renegociada fosse condicionado à ocorrência de diversos eventos futuros e incertos. Isto porque muito embora as despesas correspondentes devessem constar da proposta orçamentária anual, elas dependiam dos limites de comprometimento de receitas estabelecido pelo Senado Federal, bem como do juízo de oportunidade e conveniência do Governo Federal, de modo que a eficácia de tal obrigação estava sujeita a condições suspensivas. Até 1998, não se valeu da faculdade de diferir o lucro conferida pelo art. 409 do RIR. Mas em razão dos pagamentos se mostrarem substancialmente inferiores àqueles que lhe eram devidos, com enormes distorções quanto ao recolhimento do IRPJ e da CSLL, os dirigentes da Recorrente, até mesmo em cumprimento aos deveres fiduciários dos administradores, decidiram fazer uso do diferimento. Após abordar o critério adotado até 2004 para regularizar os pagamentos efetuados a maior até então, a contribuinte passou a excluir as receitas reconhecidas contabilmente e a adicionar os valores efetivamente recebidos, de modo a reconhecer para fins fiscais apenas a parcela do lucro referente às receitas efetivamente realizadas. Desnecessário era o procedimento da “IN 21/79”, na medida em que os resultados da geração e transmissão de energia elétrica em favor da Enersul e da CEE já haviam sido antes reconhecidos e tributados, de modo que toda a atualização monetária e juros foi tratada como acréscimo patrimonial. Afirmando que o único questionamento fiscal diz respeito à aplicação do art. 409 do RIR/99, passa a demonstrar sua aplicabilidade ao caso contrato, bem como a sujeição do recebimento dos valores repactuados a condições suspensivas. Invoca o objetivo da norma (não permitir à União Federal exigir imposto incidente sobre lucro que não foi realizado pelo sujeito passivo justamente porque o próprio Poder Público deixou de pagar o preço dos bens ou serviços que lhe foram fornecidos), reportandose a doutrina e jurisprudência administrativa. Diz que a Fiscalização não colocou em dúvida a aplicabilidade do art. 409 do RIR/99 aos contratos originais, na medida em que tratou as operações como meras cessões de posições contratuais, ignorando a cláusula quinta dos contratos que evidencia tratarse de um refinanciamento da dívida em 240 parcelas com a interposição da União na qualidade de garantidora. Aborda as causas dos atrasos nos pagamentos por parte da União, e defende a interpretação dos contratos firmados com a União juntamente com o contrato de refinanciamento firmado entre União, Enersul e CEE, bem como com as relações jurídicas originalmente entabuladas pela Recorrente com a Enersul e a CEE. Acrescenta que a prevalecer a pretensão fiscal no caso presente, terseia como válida a situação em que o Poder Público se financiaria às custas da Recorrente, a qual, diante da inadimplência da União, seria obrigada a recorrer a linhas de crédito para honrar suas dívidas. E isto porque, de 1994 a 1998, quando não diferida a tributação, os recolhimentos de IRPJ e CSLL Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 9 8 representaram R$ 83,20 milhões, ao passo que os recebimentos da União montaram em R$ 63,51 milhões, do total que deveria ser pago de R$ 269 milhões. Aponta como condição suspensiva autorizadora do diferimento o evento futuro e incerto representado pela aprovação, pelo Congresso Nacional, da proposta orçamentária anual, contemplando os pagamentos à Recorrente. Antes disso, afirma que não possuía disponibilidade econômica ou jurídica da renda passível de tributação, abordando também os limites de comprometimento de receitas estabelecidos pelo Senado Federal, a teor do art. 52 da Constituição Federal; a transferência dos excedentes a pagar para exercícios subseqüentes, até que fosse possível o efetivo pagamento; e a discricionariedade do ato de efetivo pagamento. Entende que até aprovado o orçamento anual em que incluída previsão para pagamento de valores devidos à Recorrente e empenhada e liquidada a despesa por parte da autoridade governamental, há verdadeira condição suspensiva na forma dos arts. 121 e 125 do Código Civil, não se podendo sequer cogitar da ocorrência do fato gerador desses tributos, a teor do art. 117, I do CTN. Diz que a disponibilidade econômica de renda verificase na aquisição do próprio montante em dinheiro ou de bens ou direitos que possam ser avaliados em dinheiro, mas a disponibilidade jurídica só acontece no momento em que o aperfeiçoamento do direito ao rendimento dependa somente do beneficiário. É necessária a aquisição do direito de dispor da renda, que não se verifica no presente caso, sendo insuficiente a simples aquisição do direito à renda para incidência tributária. Cita doutrina neste sentido, e complementa que o mero reconhecimento contábil desses valores em respeito ao regime de competência não é suficiente para que se tenha por ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, consoante manifestação do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 320.455/RJ. Argumenta, também, não ser líquido e certo o lucro tido como base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados, pois a obrigação contratual assumida pela União ainda dependia de diversos eventos futuros e incertos. Cita acórdão deste Conselho no qual assevera se que nem mesmo a existência de sentença favorável definitiva em ação judicial de cobrança seria suficiente para a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, equivalendo a sentença à dotação orçamentária, que não enseja o efetivo pagamento, ainda dependente do julgamento de oportunidade e conveniência do Governo Federal, ou então a propositura de ação judicial com a condenação da União e emissão de precatório em favor da recorrente. Acrescenta que a Fiscalização sequer avaliou se as dotações orçamentárias em favor da Recorrente haviam sido realizadas. Afirma ser precário o lançamento, porque mantidas as adições realizadas, sob o argumento de que elas representariam o reconhecimento de reduções anteriores do lucro tributável, sem que tais fatos fossem demonstrados. Aponta incongruências na acusação fiscal, e reputa arbitrária e unilateral a imputação das adições a exercícios anteriores a 2005, invocando o art. 142 do CTN para defender o cancelamento da exigência, na medida em que formalizada sem a efetiva apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL ao término do período de apuração, em patente erro de direito. Assevera que a conduta fiscal implica verdadeiro bis in idem, pois permite que uma mesma renda seja tributada duas vezes pelo IRPJ e pela CSLL. Deixou de considerar que determinadas adições realizadas no ano de 2009 poderiam estar relacionadas a montantes que, em razão do diferimento da tributação do lucro, haviam sido excluídos pela Recorrente Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 10 9 na apuração do IRPJ e da CSLL devidos no ano 2005, e assim incorreu em erro no pressuposto de direito, o que invalida o ato administrativo, nos termos da doutrina e jurisprudência administrativa que cita. Diz, ainda, que a interpretação fiscal acerca das adições realizadas de 2005 a 2009 acabou por, de forma oblíqua e inaceitável, lavrar auto de infração em relação a fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Homologados tacitamente os períodos anteriores a 2005, não cabe à autoridade fiscal opor qualquer questionamento em relação a tais exercícios, de modo a exigir a tributação de parcelas que, no entender da Fiscalização, teriam sido indevida excluídas na apuração do IRPJ e da CSLL. Prossegue opondose ao questionamento de infrações ocorridas em exercícios já decaídos, defendendo que a decadência é contada a partir do momento em que a alegada exclusão indevida é promovida, afirmando que não há crédito tributário passível de exigência em relação a exercícios anteriores a 2005, e conclui: 123. Logo, caso se considere que a Recorrente não poderia se aproveitar do diferimento previsto no artigo 409 do RIR, reconhecendose que as receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação segundo o regime de competência, é de rigor seja a exigência fiscal limitada à glosa das exclusões realizadas no período de 2005 a 2009, tendo em vista a extinção dos créditos de IRPJ e de CSLL relativos aos exercícios anteriores a 2005 pela decadência. Subsidiariamente defende a impossibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL sobre verbas indenizatórias, pois os juros moratórios e a correção monetária não representam renda ou lucro para a Recorrente na medida em que a obrigação principal relativa à energia elétrica fornecida à Enersul e CEEE já foi tributada no passado. Cita doutrina e manifestação do Supremo Tribunal Federal contrários à tributação da correção monetária, e estende este entendimento aos juros moratórios, a teor do art. 404 do Código Civil, de manifestações doutrinárias e da jurisprudência administrativa, e de posicionamento do Superior Tribunal de Justiça. Opõese ao excesso da constituição do crédito tributário, em razão da aplicação concomitante da multa de ofício e isolada, e da incidência de juros de mora sobre as multas aplicadas. Aduz que a multa aplicada sobre o mesmo fato gerador representou 125%, contrariamente à extensa jurisprudência deste Conselho, defende que a aplicação de uma sanção já resulta na punição pelos dois atos, destaca que não cometeu fraude, simulação ou deixou de atender à fiscalização, e aponta seu caráter confiscatório. Subsidiariamente menciona que houve procedimento fiscal anterior no qual o diferimento dos lucros foi analisado pela Fiscalização, mas não submetido a lançamento, de modo que está presente alteração de critério jurídico na forma do art. 146 do CTN, a afastar a aplicação até mesmo da multa de ofício. Afirma que a aplicação de juros sobre as multas – fato do qual somente teve conhecimento na cobrança posterior ao julgamento da impugnação – é ilegal por desrespeitar o art. 61 da Lei nº 9.430/96, somente devendo incidir sobre o capital do qual o credor ficou privado em razão da falta de recolhimento. A multa não constitui obrigação principal, e a aplicação de juros sobre ela afronta o princípio do nãoconfisco. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 11 10 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1342/1384), defendendo a manutenção da decisão recorrida, na medida em que a contribuinte, sujeita à sistemática do lucro real, tem sua mutação patrimonial registrada segundo o regime de competência. Acrescentou que as receitas em questão não se sujeitam a diferimento, na medida em tal somente está previsto para a apuração do resultado de contratos de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, ao passo que o caso presente diz respeito à cessão de crédito para efeito de refinanciamento da dívida da empresa Enersul e da CEEE. Observa que a autoridade fiscal analisou o contrato que ensejou as glosas promovidas, e que quem está desconsiderando a causa dos negócios jurídicos realizados é a própria recorrente. Acrescenta que a injustiça da situação não modifica o regime de competência de observância obrigatória pelos contribuintes do Imposto de Renda com base no lucro real, e ressalta que o contrato firmado com a União é a termo, com data de pagamento, de modo que os eventos indicados pela recorrente não são condição suspensiva, mas sim acontecimentos externos ao contrato. Aborda as características do regime de competência, e defende o reconhecimento das receitas independentemente do efetivo pagamento dos valores, se inexiste norma permissiva do diferimento. Destaca excertos do relatório fiscal que evidenciam o fato de que a recorrente estava totalmente ciente das irregularidades cometidas. Defende a certeza e liquidez dos valores lançados, na medida em que o contrato de cessão de crédito firmado com a União não está sujeito à condição suspensiva. Afirma correto o procedimento que manteve as adições, por corresponderem a diferimentos de períodos anteriores, e aduz não ter sido provada a alegação de dupla tributação de receitas. Opõese, também, à alegação de decadência, pois o crédito tributário referese a períodos posteriores a 2005, e as adições já haviam sido feitas pela contribuinte, sendo apenas mantidas pela Fiscalização. Aponta os dispositivos legais que determinam a tributação de receitas financeiras, e contesta o impróprio alargamento do art. 404 do Código Civil, de modo a alcançar qualquer reparação de danos. Cita doutrina, e observa que a reposição de lucros cessantes é riqueza nova, acréscimo patrimonial. Por fim, defende a aplicação da multa isolada, observando que desde a Lei nº 11.488/2007 ela tem base de cálculo distinta da multa proporcional, bem como argumenta em favor da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, ressaltando que esta matéria não havia sido impugnada. Em memorial elaborado em 11/09/2012, a recorrente reafirma seus argumentos, acrescentando que: 1) a Lei nº 8.727/93 acabou por transformar toda a dívida pública estadual em um grande instrumento de equilíbrio federativo, conferindo fôlego aos Estados para pagamento, bem como limitando os valores a serem despendidos a limites de comprometimento da receita estadual; 2) havia incerteza sobre qual o destino do saldo possivelmente remanescente da dívida, na hipótese de ela não poder ser paga no prazo de 30 anos; 3) sendo controlada indireta da União, não teve outra opção senão consentir com a repactuação em tela, abdicando da possibilidade de executar garantias para exigir o adimplemento dos valores, apropriandose em última instância até mesmo dos ativos Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 12 11 operacionais das empresas devedoras ou de créditos de consumidores; 3) o argumento da Fiscalização no sentido de que os valores contabilizados serviram ao pagamento de dividendos aos acionistas não pode obrigarlhe à tributação, na medida de em que a deliberação sobre o pagamento de dividendos sobre lucros não realizados cabe à União, que como controladora indireta é a própria beneficiária dos respectivos rendimentos. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 13 12 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A incidência do imposto de renda pressupõe a disponibilidade econômica ou jurídica desta renda, que no caso das pessoas jurídicas sujeitas à sistemática do lucro real é revelada pela apuração do lucro contábil, com observância do regime de competência, como expresso no art. 177 da Lei nº 6.404/76 (A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios), e no §1o do art. 187 da mesma Lei: § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. O lucro contábil pode se sujeitar a adições, exclusões e compensações previstas em lei, com vistas à determinação da base imponível, e por meio daqueles ajustes o legislador pode estabelecer diferimento da tributação, de modo que a incidência ocorra posteriormente à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. No caso em debate a matéria está assim tratada no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: SEçãO IX Contratos a Longo Prazo Produção em Longo Prazo Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço pré determinado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte de preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. § 1º A percentagem do contrato ou da produção executada durante o período de apuração poderá ser determinada (DecretoLei nº 1.598, de1977, art. 10, § 1º): I com base na relação entre os custos incorridos no período de apuração e o custo total estimado da execução da empreitada ou da produção; ou II com base em laudo técnico de profissional habilitado, segundo a natureza da empreitada ou dos bens ou serviços, que certifique a percentagem executada em função do progresso físico da empreitada ou produção. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 14 13 § 2º Na apuração dos resultados de contratos de longo prazo, devem ser observados na escrituração comercial os procedimentos estabelecidos nesta Seção, exceto quanto ao diferimento previsto no art. 409, que será procedido apenas no LALUR. Produção em Curto Prazo Art. 408. O disposto no artigo anterior não se aplica às construções ou fornecimentos contratados com base em preço unitário de quantidades de bens ou serviços produzidos em prazo inferior a um ano, cujo resultado deverá ser reconhecido à medida da execução (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 2º). Contratos com Entidades Governamentais Art 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. § 1º Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 10, 4º). § 2º Considerase como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. § 3º A pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especialmente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate dos títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 1º). Como assentado pela Fiscalização, a contribuinte autuada não fez uso destas disposições para reconhecer os resultados decorrentes do fornecimento de energia à Enersul e à CEEE. Somente depois de repactuadas as dívidas decorrentes destes fornecimentos, com a cessão dos correspondentes créditos à União, que assumiu a posição de devedora em face da autuada, esta fez uso do disposto no art. 409 do RIR/99, para diferir a tributação dos rendimentos de atualização monetária e juros moratórios incorridos em razão dos novos vencimentos estipulados pela Lei nº 8.727/93, os quais se acumularam excessivamente, em decorrência do atraso nos pagamentos devidos, de modo a ensejarem incidência tributária superior aos pagamentos efetuados pela União. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 15 14 Nos termos do art. 111, inciso I, do CTN, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha, dentre outros, sobre a exclusão do crédito tributário, circunstância que se verifica na hipótese de diferimento da tributação, na medida em que esta permite o posterior recolhimento de tributo desacompanhado dos encargos moratórios que seriam devidos caso a incidência se verificasse no momento da ocorrência do fato gerador. A legislação antes transcrita, por sua vez, trata da tributação do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos (art. 407, caput, do RIR/99), quando contratado com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária (art. 409, caput, do RIR/99). As regras para o diferimento, indicadas nos incisos do art. 409 do RIR/99, deixam claro que a concessão legal está restrita ao resultado operacional verificado no momento da execução do contrato. Vejase: I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. O diferimento em questão tem o recebimento das receitas decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento como marco para a tributação do lucro decorrente destas operações. Já no presente caso, o debate reside sobre rendimentos de atualização monetária e juros moratórios incorridos após realizadas as operações e depois de a União ter assumido a dívida decorrente de fornecimentos a empresas públicas estaduais. Somente uma interpretação extensiva, como a elaborada pela recorrente, com fulcro no objetivo da norma (art. 10 do Decretolei nº 1.598/77), permitiria concluir pela possibilidade de diferimento por ela promovida. A lei, embora efetivamente tenha algum sentido ético, por eliminar a possibilidade de o Poder Público exigir tributo sobre parcela que ele se omitiu em pagar – como dito no voto condutor do Acórdão nº 10512.370, citado pela recorrente – não cogitou do diferimento da tributação de outros resultados que não os decorrentes das operações de empreitada ou fornecimento de bens. E resultados decorrentes de operações são resultados operacionais, vinculados ao contrato original firmado com este objetivo, cuja realização é evidenciada pelo recebimento da receita originalmente pactuada. Não alcança, assim, pactos financeiros posteriores, mormente os que estabelecem uma nova relação jurídica obrigacional, com outra pessoa jurídica de direito público, que assume a dívida remanescente daquela contratação. A repactuação promovida pela Lei nº 8.727/93 permitiria à contribuinte, no máximo, manter o diferimento da tributação dos resultados do fornecimento de energia, até o recebimento efetivo da dívida, agora da União. Mas, como relatado, a contribuinte não optou por este diferimento, somente dele cogitando em face das receitas financeiras decorrentes da nova relação jurídica estabelecida com a União. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 16 15 A interpretação de que o diferimento previsto em lei restringese aos resultados das operações originalmente contratadas é reforçada pela observação de que as receitas financeiras são tratadas, contabilmente, como outros resultados operacionais, por representarem, juntamente com as despesas financeiras, o custo do capital de terceiros. A Lei nº 6.404/76, inclusive, determina a apresentação conjunta de despesas financeiras deduzidas das receitas (art. 187, inciso III), a evidenciar que receitas financeiras não podem se sujeitar a critério de realização distinto das despesas financeiras, sob pena de a falta de ingresso de recursos em caixa, que justifica a atualização da dívida e enseja a contabilização de receitas financeiras, gerar despesas financeiras com a captação de recursos de terceiros, passíveis de dedução no período em que incorridas. Admitir que as receitas de atualização monetária e de juros, incorridas em razão da repactuação da dívida fossem diferidas resultaria na redução do lucro tributável, apenas, pelas eventuais despesas financeiras decorrentes do uso de capital de terceiros. Patente, assim, que o diferimento legalmente previsto não alcança as receitas financeiras, restringindo se ao resultado apurado a partir da receita bruta e dos custos e despesas diretamente vinculados à execução das operações contratadas. Vejase, ainda, que o fato de o Poder Público eventualmente se financiar às custas da autuada, que recolheria tributos superiores aos próprios pagamentos efetuados pela União, não é suficiente para afastar a incidência. Isto porque, além da inexistência de amparo legal para o diferimento como demonstrado acima, nada garante que a situação verificada no período fiscalização permanecerá inalterada, podendo seguirse período no qual os pagamentos da União superem significativamente os tributos devidos em razão das receitas financeiras contabilizadas. Por tais razões, são irrelevantes: 1) as referências à adesão compulsória à repactuação da dívida com a União; 2) a argumentação contrária à utilização do procedimento da “IN 21/79”, bastando o tratamento de toda a atualização monetária e juros como acréscimo patrimonial; 3) a ausência de questionamento fiscal acerca da aplicabilidade do art. 409 do RIR/99 aos contratos originais; e 4) a vinculação da repactuação ao refinanciamento celebrado entre a União e a Enersul e CEEE. A recorrente também procura afastar a tributação das receitas financeiras afirmando a existência de condição suspensiva, hábil a retirar a eficácia da obrigação, de modo a ensejar a aplicação do art. 117, inciso I, do CTN: Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Diz o art. 116, inciso II do CTN, que considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos a partir do momento em que esteja definitivamente constituída a situação jurídica, nos termos de direito aplicável. Todavia, como bem observa a Procuradoria da Fazenda Nacional, o contrato de cessão de crédito do qual se originam as receitas aqui tributadas não se sujeita a condição contratualmente estabelecida: Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 17 16 O artigo 121 do Código Civil define a condição como a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. A condição é uma cláusula acidental do contrato, que condiciona a eficácia do negócio jurídico a determinado acontecimento. O contrato de cessão de crédito firmado com a União não apresenta cláusula dessa natureza. Ao contrário, o que existe é um termo para pagamento dos valores decorrentes do crédito adquirido. Consta da cláusula segunda: PRAZO E FORMA DE PAGAMENTO – A dívida resultante do crédito adquirido será paga em 240 (duzentos e quarenta) prestações mensais consecutivas, vencíveis nas mesmas datas de vencimento das prestações do contrato de refinanciamento dessa mesma dívida, a ser celebrado entre a Empresa Energética de Mato Grosso do Sul S/A – Enersul, e a União ao amparo da Lei n° 8.727/93. O que existe no contrato é um termo, uma data para pagamento dos valores à recorrente, data esta que coincide com o vencimento das prestações do contrato de refinanciamento da dívida firmado entre a União e as devedoras Enersul e CEEE. Os eventos indicados pela recorrente como condição suspensiva, na verdade, não o são. A inclusão do montante na proposta orçamentária anual, sua aprovação pelo Congresso Nacional, o efetivo empenho e o pagamento são acontecimentos externos ao contrato, e não foram especificados pelas partes como uma condição para eficácia do negócio jurídico. Ao contrário, na cláusula segunda, parágrafo quinto consta que a cessionária, papel desempenhado pela União, se obriga a fazer constar anualmente da proposta orçamentária, até a final liquidação dos contratos de refinanciamento, as despesas relativas às obrigações ora assumidas. Não se pode admitir que qualquer evento externo signifique uma condição suspensiva no contrato. Apenas para ficar claro o equívoco da tese, temse a seguinte situação: um contrato de compra e venda para pagamento em diversas parcelas. Porém, para que o devedor efetue tempestivamente o pagamento de cada uma das prestações, é necessário que ele esteja empregado, receba em dia e tenha reservado recursos suficientes para pagar os valores que ele se comprometeu. Ora, se não existe estipulação expressa das partes contratantes, é óbvio que tais acontecimentos externos não podem interferir no negócio jurídico firmado, muito menos representar uma condição para que ele produza efeitos. Logo, o contrato não estava sob qualquer condição suspensiva, os pagamentos convencionados apenas dependiam do vencimento de cada uma das parcelas, conforme a data fixada no instrumento, e mais nada. Em tais condições, se a União não cumpre com as obrigações contratualmente fixadas, cabe à contratante prejudicada fazer uso dos meios judiciais para cobrança, como ela, aliás, reconhece ao afirmar que em cenário de inadimplência pela União, a incidência do IRPJ e da CSLL demandaria (i) a propositura de ação judicial de cobrança pela Recorrente, (ii) a existência de decisão final transitada em julgado e (iii) a emissão de precatório em favor da recorrente. O mencionado poder discricionário para empenhar os recursos necessários ao pagamento da dívida não se presta a dispensar a União de cumprir sua obrigação. Inadmissível, assim, cogitar da ineficácia do negócio jurídico se o recebimento dos valores contratados dependem, após expirado o prazo de vencimento, apenas da execução do devedor, bem como impróprio falar na necessidade de aquisição do direito de dispor da renda, se os instrumentos legais para recebimento destes valores estão à disposição do credor para serem manejados. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 18 17 Argumenta, também, não ser líquido e certo o lucro tido como base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados, pois a obrigação contratual assumida pela União ainda dependia de diversos eventos futuros e incertos. Cita acórdão deste Conselho no qual assevera se que nem mesmo a existência de sentença favorável definitiva em ação judicial de cobrança seria suficiente para a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, equivalendo a sentença à dotação orçamentária, que não enseja o efetivo pagamento, ainda dependente do julgamento de oportunidade e conveniência do Governo Federal, ou então a propositura de ação judicial com a condenação da União e emissão de precatório em favor da recorrente. Acrescenta que a Fiscalização sequer avaliou se as dotações orçamentárias em favor da Recorrente haviam sido realizadas. A recorrente também aduz que o mero reconhecimento contábil desses valores em respeito ao regime de competência não é suficiente para que se tenha por ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL, invocando julgamento do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 320.455/RJ, assim ementado: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA VARIAÇÕES CAMBIAIS CONSIDERADAS COMO RENDA ANTES DO PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO MOMENTO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. O Imposto de Renda só incide sobre os ganhos decorrentes de variações cambiais quando realizado o pagamento das obrigações financeiras relativas àquelas variações, porque é a partir daí que serão incluídos na receita e na apuração do lucro real obtido. Recurso improvido. Todavia, além de a determinação do lucro tributável estar sujeita, por lei, ao regime de competência, há disposições específicas acerca das receitas aqui debatidas no RIR/99: Receitas e Despesas Financeiras Receitas Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). [...] Subseção II Variações Monetárias Variações Ativas Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 19 18 Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Por sua vez, manifestações do Superior Tribunal de Justiça não são hábeis a afastar a legislação interna, salvo se proferidas no rito do art. 543C do Código de Processo Civil. Prosseguindo, a recorrente argúi a precariedade do lançamento porque mantidas as adições realizadas, reputando arbitrária e unilateral a imputação das adições a exercícios anteriores a 2005. Todavia, a autoridade fiscal reportase a dois demonstrativos, intitulados “Figura 5” e “Figura 7” para subsidiar sua conclusão de que as adições efetuadas tratavamse de reduções dos saldos de bases de cálculo indevidamente diferidas, de modo que o efeito de tais adições foi reduzir o saldo dos diferimentos totais realizados pelo sujeito passivo desde 1999 (fls. 851/855). Naqueles demonstrativos vêse que até 31/12/2004 a contribuinte havia diferido a tributação de receitas equivalentes a R$ 557.580.491,75, montante superior às adições promovidas de 2005 a 2009 (R$ 57.607.763,80, R$ 73.768.381,35, R$ 78.963.683,84, R$ 93.213.901,10 e R$ 103.137.572,42), hábil a validar a conclusão fiscal de que as adições não se referiam a receitas excluídas no período fiscalizado. Não há, portanto, qualquer erro de direito, mas sim uma conclusão devidamente fundamentada que a contribuinte não logrou desconstituir. Por conseqüência, inexiste qualquer evidência de tributação em duplicidade, vez que não demonstrado, sequer, a exemplificação feita pela contribuinte, acerca da vinculação de adições realizadas em 2009 às receitas excluídas em 2005. Imprópria, também, a arguição de decadência, na medida em que a Fiscalização, ao manter as adições, acabou por, de forma oblíqua e inaceitável, lavrar auto de infração em relação a fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Não sendo possível à Fiscalização questionar os procedimentos da contribuinte relativamente aos períodos de apuração anteriores a 2004, outra não poderia ser sua conduta fiscal que não se abster de qualquer providência relativamente aos valores adicionados pela contribuinte em razão das exclusões feitas naqueles períodos. Se a contribuinte não tivesse adicionado estes valores, o Fisco nada poderia fazer, na medida em que expirado o prazo para a glosa das anteriores exclusões. Mas se a contribuinte espontaneamente adicionou parte das exclusões já alcançadas pela decadência, a reversão deste procedimento, na hipótese de ela acolher a tese fiscal de observância ao regime de competência, caberia exclusivamente à contribuinte, inexistindo qualquer reparo ao lançamento. De forma alguma o lançamento significou exigir a tributação de parcelas que, no entender da Fiscalização, teriam sido indevida excluídas na apuração do IRPJ e da CSLL. A incidência foi promovida pela própria contribuinte, ao constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL antes do início do procedimento fiscal. A incidência veiculada no lançamento, como quer a recorrente, está limitada à glosa das exclusões realizadas no período de 2005 a 2009 e estas, como dito, não guardam qualquer relação material com as adições invocadas pela recorrente. Quanto à impossibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL sobre verbas indenizatórias, cumpre recordar que, a teor dos arts. 373 e 375 do RIR/99, os juros ativos e a atualização monetária representam receitas financeiras que devem ser integrar lucro tributável em conformidade com o regime de competência. De outro lado, a jurisprudência referida pela Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 20 19 recorrente, além de não ter efeito vinculante, não guarda relação com a situação presente nestes autos, pois: 1) o Recurso Extraordinário nº 89.7917 decorre de ação judicial proposta por pessoas físicas, questionando a incidência de imposto de renda sobre correção monetária do preço de venda de ações, em razão da inexistência de previsão legal neste sentido; e 2) o Recurso Especial nº 511.812 decorre de questionamento contra a determinação legal de correção monetária de balanço sobre estoque de imóveis a venda. Logo, em momento algum foi apreciada a repercussão, no resultado tributável, do reconhecimento contábil de atualização monetária ou de juros incorridos em razão de direito contratualmente reconhecido à contribuinte. Especificamente com referência aos juros, atribuirlhe natureza indenizatória não é suficiente para determinar sua exclusão na apuração do lucro tributável, na medida em que os danos reparados pelo recebimentos de juros também repercutem no patrimônio da pessoa jurídica e ensejam despesas dedutíveis. Neste sentido, aliás, vejase que os julgados apontados pela contribuinte (Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 775.701 e Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0129428) foram proferidos em face de ações judiciais propostas por pessoas físicas. De outro lado, como bem recorda a Procuradoria da Fazenda Nacional, se os juros prestamse a reparar o que a pessoa jurídica deixou de ganhar, sua tributação também é indiscutível: A empresa quer fazer prevalecer uma interpretação do conceito de perdas e danos encontrado no art. 404 do Código Civil de 2002, que não se coaduna com uma leitura sistêmica de nosso principal diploma civil e nem mesmo com os ditames do art. 43 do CTN. Os artigos 402 e 403 do CC/02 deixam patente que a terminologia perdas e danos engloba não apenas os prejuízos efetivos, mas também os lucros cessantes. Enquanto estes dão origem a uma compensação, aqueles são objeto de reparação, enquadrandose ambas as espécies de pagamento no gênero indenização. Contudo, há que se reconhecer a existência de elemento distintivo entre as aludidas formas de indenizar, cuja identificação depende da análise da ocorrência, ou não, de simples recomposição patrimonial, que restitua as posses do sujeito indenizável ao status quo anterior à ocorrência do prejuízo. Em havendo mero ressarcimento, estaríamos diante de uma reparação. Caso contrário, depararnosíamos com uma compensação, modalidade que, ao configurar um acréscimo patrimonial, acarreta o surgimento da hipótese de incidência dos tributos cuja base de cálculo é o lucro. No tocante aos juros de mora, insta colar lição da doutrina civilista, da lavra de Orlando Gomes6 [6 Obrigações, 17a edição, Forense, Rio de Janeiro: 2008]: Nas dívidas pecuniárias, as perdas e danos abrangem os juros moratórios, custas, honorários de advogado, pena convencional e atualização monetária. É intuitiva a razão dessa especificidade. A privação do capital em conseqüência do retardamento na sua entrega ocasiona prejuízo que se apura facilmente pela estimativa de quando renderia, em média, se já estivesse em poder do credor. (gn) Com esteio nesse pensamento, inferese que os juros moratórios em dívidas pecuniárias têm, em verdade, o caráter de lucros cessantes, representando algo que o credor deixou de ganhar. É o que se presume que seria o rendimento mínimo do credor se dispusesse do capital. Não traduzem, pois, reparação de patrimônio lesado ou diminuído, mas compensação por algo que se deixou de ganhar, compensação de verba ainda não incorporada ao patrimônio. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 21 20 Ora, se os lucros cessantes representam o retorno de um ganho esperável, porém não percebido, acarretando a compensação de verba que não estava ainda inserida no patrimônio do particular, é inegável a sua natureza de riqueza nova, de acréscimo patrimonial. Assim, nenhum óbice se verifica à determinação legal de que os juros e as variações monetárias ativas devem integrar o lucro tributável. Considerando que o lucro contábil é também a referência para determinação da base imponível da CSLL, bem como que o art. 3o da Lei nº 8.003/90 estipulou condições idênticas às do DecretoLei nº 1.598/77 para diferimento da CSLL sobre os resultado de contratos de construção por empreitada ou de fornecimento de bens e serviços firmados com entidades governamentais, os mesmos motivos antes expressos prestamse para rejeitar as argüições da contribuinte estendidas à exigência reflexa de CSLL. Quanto à multa isolada, a recorrente questiona o fato de ela ter sido formalizada concomitantemente com a multa de ofício aplicada sobre o ajuste anual, em decorrência da mesma infração. Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Concluise, daí, que o legislador estabeleceu a possibilidade de a penalidade ser aplicada mesmo depois de encerrado o anocalendário correspondente, e ainda que evidenciada a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por inexistência de IRPJ ou CSLL devidos na apuração anual. Para exonerarse da referida obrigação, cumpria à contribuinte levantar balancetes mensais de suspensão, e evidenciar a inexistência de base de cálculo para recolhimento das estimativas durante todo o anocalendário. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 22 21 Ausente tal demonstração, resta patente a inobservância da obrigação imposta àqueles que optam pela apuração anual do lucro. Logo, para não se sujeitar à multa de ofício isolada, deveria a contribuinte ter apurado e recolhido os valores estimados com os acréscimos moratórios calculados desde a data de vencimento pertinente a cada mês, e não meramente determinar o valor que, ao final, ainda remanesceu devido nos cálculos do ajuste anual. Ou seja, para desfazer espontaneamente a infração de falta de recolhimento das estimativas, deveria a contribuinte quitálas, ainda que verificando que os tributos devidos ao final do anocalendário seriam inferiores à soma das estimativas devidas. Apenas que a quitação destas estimativas, porque posteriores ao encerramento do anocalendário, resultaria em um saldo negativo de IRPJ ou CSLL, passível de compensação com débitos de períodos subseqüentes, à semelhança do que viria a ocorrer se a contribuinte houvesse recolhido as antecipações no prazo legal. Já se a contribuinte assim não age, o procedimento a ser adotado pela Fiscalização difere desta regularização espontânea. Isto porque seria incongruente exigir os valores que deixaram de ser recolhidos mensalmente e, ao mesmo tempo, considerálos quitados para recomposição do ajuste anual e lançamento de eventual parcela excedente às estimativas mensais. Assim, optou o legislador pela dispensa de lançamento do valor principal não antecipado, e reconhecimento dos efeitos de sua ausência no ajuste anual, com conseqüente exigência apenas do valor apurado em definitivo neste momento, sem levar em conta as estimativas, porque não recolhidas. E, para que a falta de antecipação de estimativas não ficasse impune, fixouse, no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, a penalidade isolada sobre esta ocorrência, distinta da falta de recolhimento do ajuste anual, como já explicitado. Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 23 22 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: a hipótese de incidência da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e a hipótese de incidência da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Com referência ao alegado efeito confiscatório, cumpre ter em conta que os percentuais aplicados estão previstos em lei, e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda, a recorrente pede o afastamento da penalidade em razão de alteração de critério jurídico por parte da autoridade fiscal, na medida em que procedimento fiscal anterior analisou a conduta da contribuinte e não promoveu lançamento. Reportase ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 0920100.200100.1638, cujo número de ordem já evidencia a impossibilidade de, naquela fiscalização, ter sido analisado o procedimento que passou a ser adotado pela contribuinte a partir do anocalendário 2005. Apenas por esta razão já se poderia afastar a aplicação do invocado art. 146 do CTN, ante o que expresso em sua parte final, abaixo destacada: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 24 23 administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (negrejouse) Desnecessário, assim, discutir se o critério jurídico inalterável na forma da lei poderia ser, também, aquele inferido a partir de omissão da autoridade fiscal, e não apenas aquele adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, como acima expresso, ou mesmo definir qualquer o conteúdo da expressão “critério jurídico” no referido dispositivo legal. Qualquer posicionamento adotado, expressa ou implicitamente, por autoridade fiscal anterior não impediria que outro fosse firmado relativamente a fato gerador posterior, nem dispensaria a aplicação de penalidade, por ausência de previsão legal neste sentido. Importante observar que este argumento foi mais explorado na impugnação, assim dizendo a contribuinte: 2.3.11. DA DESCONSIDERAÇÃO DE FISCALIZAÇÃO EM PERÍODO ANTERIOR DA MATÉRIA OBJETO DA AUTUAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO Em 24/10/2001 a Eletrosul Centrais Elétricas S.A. recepcionou o Termo de Intimação Fiscal MPF 0920100 200100.1638, em anexo, onde ao item 1 foi requerida a prestar esclarecimentos quanto às exclusões efetuadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Do respectivo termo fiscal mencionado acima sobreveio o Termo de Verificação Fiscal de mesma numeração, onde, de acordo com o relato do agente exator ao subitem 3.1 "Exclusão com base no desembolso econômico oriundo da Lei n° 8.727/93" , para fins da incidência tributária do PIS e da COFINS o entendimento da contribuinte em relação aos encargos decorrentes da citada norma legal não encontrariam amparo legal, constituindo por fim o crédito tributário por ofício. Todavia, as verificações do auditor fiscal, em decorrência da cisão/privatização parcial da contribuinte, limitaramse ao período de Dez/1997 a Dez/2000 e, também pela apresentação do Ofício 140/2000CONJUR/MME (Ministério das Minas e Energia), além de conhecer as justificativas desta Empresa quanto ao diferimento do recolhimento do PIS e da COFINS desde Fevereiro/1999, também conheceu o mesmo procedimento em relação ao IRPJ e a CSLL. Ainda assim, não se manifestou quanto às exclusões aos referidos tributos, objetos da presente impugnação. Ora, se manifestação contrária não houve naquela oportunidade, certamente trata se de homologação pelo Fisco "coactor" em relação ao IRPJ e a CSLL, caso contrário estaria instalada a insegurança jurídica. Contudo, estranhamente, apesar desta contribuinte ter oficiado tal situação aos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil em relação às verificações fiscais efetuadas no exercício do Ano 2010, conforme CEDCO0107/2010 de 12/11/2010, a mesma parece não ter sido levada em consideração, haja vista que o assunto não se encontra sequer abordado no Relatório da Atividade Fiscal. Os fatos acima não podem ser desconsiderados, pois incutiu na Impugnante a certeza da legalidade do procedimento contábil adotado. Portanto, pesa a favor da Impugnante a inexistência de verificação de qualquer irregularidade em procedimento fiscalizatório anterior, afigurandose justo o pleito anulatório da notificação fiscal, bem como a exclusão das multas lançadas de ofício e/ou isoladamente, a tal ponto que, não se pode cegamente acreditar e Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 25 24 concordar que a mesma Unidade Fiscal tenha entendimentos diversos ao longo do tempo, sobre a mesma matéria, e ainda diante da mesma legislação tributária. E em resposta, disse a autoridade julgadora de 1a instância: À f. 977, a impugnante alega que a então Secretaria da Receita Federal – SRF tinha conhecimento de sua prática relacionada ao diferimento (causado pela adoção do regime de caixa) do reconhecimento das receitas financeiras derivadas da Lei nº 8.727, de 1993, desde procedimento fiscal instaurado em 24/10/2001 (MPF 0920100 200100.1638) 1. Por sua pertinência para esclarecimento da argumentação aqui versada, transcrevese, das f. 1.131/1.132, com acréscimo de destaque, parte do Termo de Verificação Fiscal cientificado à impugnante na pessoa de seu Gerente da Assessoria Jurídica (f. 1.136) em 8 de março de 2002: 3.1 Exclusão com base no desembolso econômico oriundo da Lei n° 8.727/93 De acordo com o exposto no Ofício 140/2000CONJUR/MME de 03/08/2000 (fls 45/48), a empresa realizou exclusões nas bases de cálculo referentes a suas contribuições desde Fevereiro de 1999, conforme podese observar na planilha à folha 44. Entendia a empresa que ao formular tal questionamento desta forma, à Secretaria da Receita Federal, o procedimento de exclusão estaria abrangido pelo instituto da consulta, conforme IN/SRF n° 02, com as alterações dadas pela IN/SRF n° 83, ambas de 1997. Todavia, conforme se observa no Ofício encaminhado pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), de 13/02/2002, às folhas 69/72, há manifestação contrária ao pleito apresentado pela empresa através do Ministério da Minas e Energia. De toda forma, conforme disposto no citado expediente, o procedimento adotado para o encaminhamento do referido questionamento não permitiria a aplicação dos efeitos atinentes ao processo formal de consulta, disciplinado nas citadas Instruções Normativas. Temse, desta forma, que o procedimento de exclusão relacionado à folha 44, relativos aos encargos oriundos da Lei n° 8.727/93, não encontram amparo legal e, portanto, constituindose infração à Legislação Tributária, estão sendo constituídos de ofício no presente processo. Destarte, ao contrário do afirmado na impugnação, é a impugnante quem tem, desde a ciência pessoal do Termo de Verificação Fiscal referido, conhecimento de que “Temse, desta forma, que o procedimento de exclusão relacionado à folha 44, relativos aos encargos oriundos da Lei n° 8.727/93, não encontram amparo legal e, portanto, constituindose infração à Legislação Tributária, estão sendo constituídos de ofício no presente processo.” (f. 1.132) De outra parte, há que se ter em mente que, durante o período anterior à decadência do direito à constituição de seu crédito tributário, pode a União, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, em obediência ao disposto no art. 142 (e especialmente em seu parágrafo único) da lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN) – já transcrito em nota de rodapé, efetuar procedimentos fiscais gerais ou especiais junto aos sujeitos passivos 1 f. 977: "Ora, se manifestação contrária não houve naquela oportunidade, certamente tratase de homologação pelo Fisco "coactor" em relação ao IRPJ e a CSLL, caso contrário estaria instalada a insegurança jurídica." Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 26 25 dos tributos por ela administrados, segundo planejamento operacional que tem em vista a disponibilidade de efetivo e os critérios de seleção, por tributo ou por nível de desempenho tributário, entre outros, estabelecidos em nível nacional. A realização de ação fiscal específica – conforme determinado em Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) , não condiciona nem inibe futuras ações fiscais em relação ao mesmo contribuinte. No caso de ser necessário ou aconselhável reabrir auditoria, a determinação/autorização poderá ser formalizada pela mesma autoridade que emitir o correspondente MPFF. Sobre o tema, de todo modo, assim relata a autoridade fiscal à f. 1.042: A programação desta ação fiscal teve como principal motivação a intenção de se verificar a regularidade das exclusões efetuadas nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Destarte, nada de irregular ocorreu no que concerne aos procedimentos fiscais operados em 2001/2002 e em 2010 sobre a impugnante. Em seu recurso voluntário, a interessada aborda superficialmente o tema, e não enfrenta a argumentação em contrário tecida pela autoridade julgadora de 1a instância, que só reforça o entendimento antes já firmado, de que inexiste razão para a exclusão da penalidade contra ela aplicada. Por fim, quanto à aplicação de juros sobre a multa de ofício, devese ter em conta que a ausência de impugnação neste sentido decorre, justamente, da inexistência de menção àquela incidência no lançamento, na medida em que ela é motivada por eventos posteriores a ele. Em tais condições, aliás, sua aplicação sequer deveria ser objeto de discussão nesta esfera de julgamento. Curvome, porém, ao entendimento dos colegiados desta casa, que admitem a discussão desta matéria no julgamento administrativo dos autos de infração, e, no mérito, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 27 26 "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 28 27 ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 29 28 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das sessões, em 08 de maio de 2013 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 30 29 Voto Vencedor Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: Respeitante às multas isoladas aplicadas ao contribuinte em decorrência do não recolhimento suficiente das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, entendo que não cabe sua exigência concomitantemente à multa de ofício, pelas razões que aduzo: Como é de conhecimento de todos os que operam na esfera fiscal, os recolhimentos mensais estimados configuram mero adiantamento de numerário aos cofres públicos, com vistas à consecução do desiderato governamental de manutenção da homogeneidade da arrecadação, dentro do mesmo anocalendário. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, anualmente apurados, são, nesse cenário, reputados complexivos, eis se aperfeiçoarem fictamente em um único átimo, identificado ao último dia do exercício fiscal. No momento em que se esgota o período de apuração anual, temse, pois, o efetivo deslinde das bases de cálculo pertinentes, com o desvelo do montante de exação a ser recolhido. Em tal ocasião, deixam os recolhimentos antecipados de ter qualquer função, salvo no que se refere ao cotejamento de eventuais cifras a serem pagas (saldo positivo) ou a serem restituídas ou compensadas (saldo negativo). Noutras palavras, tão logo findo o exercício, há apenas de se aventar a cobrança do tributo complexivamente computado, deixando de ser importante eventual inadimplemento dos pagamentos mensais estimados. Ora, se não pode ser cobrado qualquer valor estimado, é evidente que não se faz possível, da mesma maneira, imputar sanções pecuniárias derivadas do não pagamento tempestivo. Seria ilógico punir o sujeito passivo, por força da falta de antecipação de tributo, depois de já se ter certeza da inexistência de exação complexiva a ser quitada. A multa isolada ora lançada, pois, é incabível. O entendimento ora exposto vigora, a pleno vapor, no seio deste colegiado, consoante se pode depreender das elucidativas ementas adiante transcritas: “MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS – A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as multas se baseado nos mesmos fatos, sob Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10983.721216/201020 Acórdão n.º 1101000.893 S1C1T1 Fl. 31 30 pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração.” (Ac. 1º CC – 10709.191/07) “IRPJ – MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS PREJUÍZO FISCAL Após o encerramento do ano calendário, a base de cálculo para efeitos de aplicação da multa isolada tem como limite o saldo do tributo a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível, portanto, a sua imposição na inexistência de base tributável.” (Ac. 1º CC – 104 23.583/08) Descabida, pois, a exigência das multas isoladas lançadas. È como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Redator designado Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 16832.000662/2009-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - PAGAMENTO EM ESPÉCIE - ALIMENTAÇÃO - EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 62 /2 00 9- 73 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 2403002.110 S2C4T3 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA. contra Acórdão nº 1232.861– 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.240.4448, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 4.565,95. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes a parte dos segurados, no período de 01/2005 a 09/2005. O Relatório da decisão da primeira instância relaciona os fatos geradores: a) as diferenças apuradas entre os valores constantes das folhas de pagamento apresentadas e os valores declarados em GFIP, nas competências 06/2005 a 09/2005, das filiais 001005, 0012 69 e 001340; b) os valores de despesa de alimentação fornecida aos funcionários, apurada no Livro Diário 155 e 156, conta contábil 4.1.2.02.01.00808 Desp. de lanches e refeições, eis que não foi apresentado o comprovante de adesão ao PAT Programa de Alimentação do Trabalhador; c) os pagamentos referente às verbas trabalhistas contabilizadas na conta contábil 4.1.2.02.01.00256 Indenizações Trabalhistas e constantes dos Termos de Acertamento e Conciliação Trabalhistas realizados no Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista no Estado do Rio de Janeiro O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 13, é de 01/2005 a 09/2005. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 12.08.2009, às fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, nos seguintes pontos, conforme o Relatório da decisão da primeira instância: 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 21/23, alegando em suma: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. Que são completamente inexigíveis as contribuições previdenciárias, por conta de alimentação servida aos funcionários (salário in natura), e aquelas decorrentes dos acordos trabalhistas; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.3. Foi demonstrado e comprovado, exaustivamente, na IMPUGNAÇÃO ao AUTO DE INFRAÇÃO 37.240.4430, que as refeições servidas aos empregados da impugnante, eram pagas pelos mesmos, não se constituindo em salário in natura, portanto, não integrante do salário de contribuição, e que é irrelevante nesse caso o fato da empresa não ter aderido ao PAT; 3.4. Quanto aos valores pagos em conciliações trabalhistas, decorrentes dos acordos realizados nesse período, de acordo com a legislação em vigor, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição, visto terem natureza indenizatória, não estando, portanto, sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, inexistindo também, a obrigação de declarar em GFIP tais valores; 3.5. Os valores desse AI estão incluídos no relatório que acompanha o AI 37.240.4430, constituindose num verdadeiro "bis in idem ", o que não pode ser tolerado; 3.6. A documentação de prova foi anexada ao AI 37.240.4430; 3.7. Requer seja acolhida a presente impugnação, cancelando se, ao final, o auto de infração impugnado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1232.861– 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA S Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS O nãorecolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, por serviços prestados à empresa, impõe a constituição do competente crédito tributário. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. ACORDO EXTRAJUDICIAL FIRMADO PERANTE COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA. INCIDÊNCIA. Constatado o nãorecolhimento de contribuições incidentes sobre a remunerações creditadas à segurados empregados, decorrentes de acordos firmados perante Comissões de Conciliação Prévia, impõese a constituição do competente crédito tributário. RETIFICAÇÃO Cabe retificação do lançamento quando verificado equívoco na apuração da contribuição devida. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 2403002.110 S2C4T3 Fl. 103 5 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros dessa Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, em dar provimento parcial à impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, no valor de R$ 2.119,25, acrescidos de juros e multas, a serem calculados no ato do pagamento. INTIMESE a interessada deste Acórdão, para recolher o crédito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, ressalvado o direito de a mesma interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo. A unidade competente, para dar ciência a interessada do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese que: (i) Valores pagos a título de refeições e lanches A propósito, a adesão ao PAT não é compulsória, mas facultativa e, para o caso concreto, totalmente irrelevante ter ou não ocorrido tal adesão. Isso porque, os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches, não podendo, assim, serem entendidos como integrantes dos seus salários (salário in natura). Conforme se demonstra e comprova, através das folhas de pagamento, essas refeições e lanches eram descontados dos seus respectivos salários. Ou seja, as refeições e lanches eram pagos pelos empregados. (ii) Valores pagos em conciliações trabalhistas igualmente improcedente a ação da agente fiscal quanto à incidência de contribuição previdenciária, eis que tal entendimento está equivocado, porque contraria o disposto no artigo 214 do Decreto 3.048/99. Como se vê da legislação em vigor, as indenizações, em geral, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Ora, os acordos realizados nesse período, conforme se comprova com as cópias em anexo, trataram de verbas indenizatórias e não salariais (iii) Do bis in idem Além disso, os valores desse AI estão já incluídos no relatório que acompanha o AI 37.240.4430, constituindose em duplicidade sua cobrança nesse auto de infração, constituindose num verdadeiro "bis in idem", o que não pode ser tolerado. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 2403002.110 S2C4T3 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Da regularidade da lavratura do AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA. contra Acórdão nº 1232.861– 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.240.4448, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 4.565,95. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes a parte dos segurados, no período de 01/2005 a 09/2005. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.240.4448 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 2403002.110 S2C4T3 Fl. 105 9 f. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.240.4448, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 DO MÉRITO (i) Valores pagos a título de refeições e lanches A propósito, a adesão ao PAT não é compulsória, mas facultativa e, para o caso concreto, totalmente irrelevante ter ou não ocorrido tal adesão. Isso porque, os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches, não podendo, assim, serem entendidos como integrantes dos seus salários (salário in natura). Conforme se demonstra e comprova, através das folhas de pagamento, essas refeições e lanches eram descontados dos seus respectivos salários. Ou seja, as refeições e lanches eram pagos pelos empregados. Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 24 e 25, a Recorrente efetua pagamentos a seus empregados a título de alimentação, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 2403002.110 S2C4T3 Fl. 106 11 (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, ainda que a Recorrente alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, afastase tal alegação pois, conforme o Relatório Fiscal, os valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos da conta contábil 4.1.2.02.01.00808Desp. De lanches e refeições. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na verba paga a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. (ii) Valores pagos em conciliações trabalhistas igualmente improcedente a ação da agente fiscal quanto à incidência de contribuição previdenciária, eis que tal Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 entendimento está equivocado, porque contraria o disposto no artigo 214 do Decreto 3.048/99. Como se vê da legislação em vigor, as indenizações, em geral, NÃO integram a base de cálculo do salário de contribuição. Ora, os acordos realizados nesse período, conforme se comprova com as cópias em anexo, trataram de verbas indenizatórias e não salariais Analisemos. O argumento central da Recorrente no sentido de se tratarem de verbas indenizatórias, já foi debatido em sede de primeira instância na qual se confirmou o lançamento fiscal efetuado posto que a incidência de contribuição social previdenciária ocorreu a partir das verbas discriminadas nos Acordos. Ademais, a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que, após analisar os documentos acostados aos autos, ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal no sentido da incidência de contribuição social previdenciária nos valores pagos em conciliação trabalhista. Neste sentido, colaciono trecho da decisão de primeira instância, às fls. 481, que caracteriza as diferenças apontadas pela AuditoriaFiscal: 27. Quanto à alegação de que os valores pagos nas conciliações eram verbas indenizatórias, portanto sem incidência de contribuições previdenciárias, cabe esclarecer que da análise dos documentos anexados às fls. 271/385, constatase que em sua grande maioria os valores das verbas foram discriminados, e o lançamento foi apurado tão somente em relação às verbas com incidência de contribuição previdenciária 27.1. Assim, dispõe o parágrafo único do artigo 43 da Lei n° 8.212/91, ver bis: Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado, (grifei) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Do bis in idem Além disso, os valores desse AI estão já incluídos no relatório que acompanha o AI 37.240.4430, constituindose em duplicidade sua cobrança nesse auto de infração, constituindose num verdadeiro "bis in idem", o que não pode ser tolerado. Analisemos. Em relação ao AIOP 37.240.4430, o crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente à parte da empresa, dos segurados, às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16832.000662/200973 Acórdão n.º 2403002.110 S2C4T3 Fl. 107 13 grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), das contribuições adicionais para o financiamento de aposentadoria especial, no período de 01/2005 a 09/2005. Já, em relação ao presente AIOP 37.240.448, o crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes a parte dos segurados, no período de 01/2005 a 09/2005. Ora, portanto não se perfaz presente a hipótese de bin in idem argüida pela Recorrente. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13896.900056/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-004.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 00 56 /2 00 9- 17 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900056/200917 Acórdão n.º 3803004.278 S3TE03 Fl. 151 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 4 de fevereiro de 2005 (fls. 1 a 5), referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração setembro de 2004, no valor de R$ 145.315,30, destinado a quitar débito de IRPJ devido em dezembro de 2004. Por meio de despacho decisório eletrônico (fl. 6), a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP não havia sido localizado nos sistemas internos da Receita Federal. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 15) e requereu, em preliminar, a declaração de nulidade do despacho decisório por erro na capitulação legal e, no mérito, alegou que procederia à juntada de cópia do DARF não localizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários (fls. 17 a 30). A DRJ Campinas/SP, em julgamento realizado em 20 de junho de 2011, não reconheceu o direito creditório pleiteado, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. 0 reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que, quanto à nulidade arguida em preliminar por erro na capitulação legal do despacho decisório, a legislação citada seria, efetivamente, a que regula todo o conjunto de atos relacionados à apuração de direito creditório e à extinção de débitos tributários, o que afastaria a alegação de falta de requisito essencial no despacho decisório. Destacou, ainda, que, no presente caso, o fundamento da não homologação da compensação seria mais propriamente fático que jurídico. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900056/200917 Acórdão n.º 3803004.278 S3TE03 Fl. 152 3 No mérito, aduziu o relator de piso que o contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, teria dito que apresentaria o documento faltante, qual seja, o comprovante do pagamento efetuado (DARF), mas que nada foi apresentado nesse sentido, restando não comprovado o direito creditório declarado. Em 17 de junho de 2011, mais de dois anos depois da ciência do despacho decisório, o contribuinte protocolizou nova Manifestação de Inconformidade (fls. 36 a 40) na repartição de origem, alegando que o direito creditório pleiteado neste processo decorreria de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado a partir da aplicação de insumos na fabricação de produtos não tributados, direito esse assegurado por meio de sentença em mandado de segurança. Cientificado do acórdão da DRJ Campinas/SP em 16 de novembro de 2011 (fl. 113), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano (fls. 114 a 117) e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando tratarse de créditos excedentes da Cofins e da contribuição para o PIS apurados na sistemática da não cumulatividade, não reconhecidos pela repartição de origem pelo fato de que o despacho decisório decorrera de mero cruzamento de dados realizado eletronicamente. Segundo ele, os demonstrativos de apuração das contribuições trazidos em sede de recurso seriam aptos a comprovar o crédito utilizado na compensação, todo ele apurado em estrita observância das normas aplicáveis à sistemática não cumulativa de apuração das contribuições. Por fim, destacou que a essência seria mais importante que a forma e que os créditos encontrarseiam devidamente escriturados. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e de demonstrativos por ele elaborados (fls. 118 a 143). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Conforme acima relatado, o Recorrente demonstra, ao longo da tramitação deste processo, total desconhecimento da matéria fática subjacente à compensação declarada, ora alegando que o direito creditório decorreria de um pagamento a maior, ora de crédito de IPI e, por fim, de crédito da própria contribuição apurada na sistemática da não cumulatividade. Esqueceuse o Recorrente, ao final, de nos esclarecer acerca dessas radicais inflexões que, a cada manifestação sua, tornavam mais díspares e desconcertados os argumentos de defesa que foram sendo, paulatinamente, apresentados, evidenciando uma balbúrdia que não condiz com a precisão requerida na apuração de indébitos ou de outros direitos creditórios. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900056/200917 Acórdão n.º 3803004.278 S3TE03 Fl. 153 4 Em sede de recurso, o contribuinte inova totalmente os argumentos de defesa, passando a se defender com base em fatos não apontados na primeira instância e em questões de mérito diversas daquelas levadas ao conhecimento da autoridade julgadora a quo. Na manifestação de inconformidade (a primeira, que vem a ser a única válida e tempestiva), o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório alegando que o DARF comprobatório do indébito seria apresentado oportunamente, o que nunca ocorreu, nada dizendo sobre a origem e a natureza do pagamento indevido. Na segunda oportunidade em que se manifestou nos autos (segunda manifestação de inconformidade, inválida e intempestiva), o contribuinte, numa evidente confusão mental, passou a reclamar a existência de um crédito de IPI assegurado por meio de decisão judicial, não trazendo aos autos qualquer prova dessas novas alegações. Por fim, no Recurso Voluntário, o contribuinte passa a alegar a existência de créditos apurados na sistemática não cumulativa da contribuição, trazendo aos autos cópias de Dacons e de demonstrativos por ele elaborados, desacompanhados da escrituração contábil fiscal e dos documentos que embasam as informações escrituradas. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900056/200917 Acórdão n.º 3803004.278 S3TE03 Fl. 154 5 final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações serem afastadas por se referir a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois, conforme acima apontado, nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte.” 4 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. 4 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.900056/200917 Acórdão n.º 3803004.278 S3TE03 Fl. 155 6 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16327.001712/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Nov 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
IRPJ/CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
MULTA DE OFÍCIO.
O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei.
JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Sumula nº 4 do CARF).
Numero da decisão: 1401-000.891
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. JUROS SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Sumula nº 4 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira (Relator), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 12 /2 01 0- 83 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto –Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 494 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração decorrente da não inclusão na base de formação da CSLL, de valores relativos a tributos questionados judicialmente e que tiveram sua exigibilidade suspensa tendo em vista a existência de liminar determinando a suspensão de exigibilidade do crédito tributário no anocalendário 2010. Segundo se extrai do relatório da decisão, recorrida, “foram reconhecidas pela autuada em 2007 despesas com a constituição de provisão de PIS no montante de R$9.586.611,23 e R$58.994.530,60 de COFINS, totalizando R$ 68.581.141,83, valor que coincide com o total dos depósitos judiciais efetuados ao longo de 2008 e 2009, referentes ao PIS e COFINS dos meses de março a dezembro de 2007. Não foram deduzidas despesas com juros incidentes sobre os tributos cuja exigibilidade estava suspensa, mas apenas o valor principal”. A decisão restou assim ementada: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR DECISÃO JUDICIAL. NATUREZA JURÍDICA DE PROVISÃO. INDEDUTIBILIDADE. Valores que correspondem a créditos tributários cuja exigibilidade tenha sido suspensa por decisão judicial não se caracterizam como contas a pagar, mas como provisão, tendo em vista a incerteza quanto ao momento e/ou valores em que será exigido o desembolso. Sendo assim, as correspondentes despesas são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. A incidência da taxa Selic e da multa de ofício de 75% amparamse respectivamente, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, que não podem ser afastados pelo julgador administrativo com base em alegações de inconstitucionalidade, a teor do artigo 26A do Decreto 70.235/72. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso a este Conselho, reiterando as razões postas em impugnação. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Voto Vencido O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. A questão posta em julgamento é saber se os valores questionados em ação judicial com liminar determinando a suspensão de exigibilidade do tributo, devem ser registrados no passivo como obrigação legal ou como provisão; e, num segundo momento, em sendo registrados como provisão, saber se são dedutíveis, ou não, da base de incidência da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL. A par dos posicionamentos até então expedidos acerca da matéria, entendo que existe uma confusão conceitual decorrente da transposição dos conceitos contábeis para o direito, desatendendo às formações originais do que ambas as ciências entendem acerca dos mesmos. Parece que a contabilidade atribui à obrigação tributária uma força maior do que as demais obrigações jurídicas, o que não possui o menor sentido no âmbito do direito. Por outro lado, parece que o direito pretende tratar as provisões como sendo algo diverso de uma obrigação jurídica. Não raras vezes encontramos referências à “provisão” em contraposição à “obrigação legal”, como se a primeira também não fosse uma obrigação. No entanto, tanto a “provisão” quanto a “obrigação legal” são, contabilmente, contas do “passivo”, pelo que ambas são obrigações jurídicas.Afinal, se não fossem obrigações jurídicas, não poderiam ser inscritas como passivo. Nesse contexto, apresento, num primeiro momento, meu entendimento acerca dos conceitos necessários à compreensão da matéria para, em seguida, dar o meu posicionamento acerca da dedutibilidade dos valores depositados em juízo, da base de formação da CSLL. Provisão x Passivo Genuíno Segundo o Pronunciamento CPC nº25, passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Assim, a empresa deverá registrar no passivo toda a obrigação que possuir em decorrência de um evento passado e que poderá provocar um desembolso futuro. A primeira avaliação a ser feita pela entidade acerca de determinado evento é saber se, como sua decorrência, existe, ou não, uma obrigação. Isso porque se a constatação da existência de uma obrigação for apenas possível, a entidade não deve registrála como passivo, mas sim divulgála como contingência passiva. Lado outro, se a identificação da existência de uma obrigação for no mínimo provável, aí sim, ela deverá ser registrada como passivo. A obrigações, conforme dispõe o Pronunciamento CPC nº 25, são oriundas de eventos que façam com que a entidade não tenha nenhuma alternativa realista senão liquidar a obrigação. Caso a obrigação derive de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), legislação ou outra ação da lei, ela será denominada “obrigação legal”. Entretanto, caso constituirá “obrigação não formalizada” a que decorra das ações da entidade em que: a) por via de padrão estabelecido de práticas passadas, de políticas publicadas ou de declaração atual suficientemente Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 495 5 específica, a entidade tenha indicado a outras partes que aceitará certas responsabilidades; e (b) em consequência, a entidade cria uma expectativa válida nessas outras partes de que cumprirá com essas responsabilidades. Disso extraímos o primeiro elemento para caracterização de um passivo: tratase de uma obrigação presente da entidade. Ainda, referida obrigação, para ser registrada como passivo, deverá referirse a um evento pretérito, já ocorrido, em razão do qual surgiu a obrigação para a empresa. Não pode ser registrada no passivo a previsão de contração de obrigações por fatos futuros. Isso porque “as demonstrações contábeis apresentam a posição patrimonial e financeira de uma entidade no fim do período (data do balanço) e não de sua possível posição no futuro”, pelo que “os únicos passivos reconhecidos no balanço de uma entidade são aqueles que existem na data do balanço”1. Daí extraímos o segundo elemento caracterizador do passivo: tratase de uma obrigação decorrente de um evento pretérito. Por fim, o último elemento caracterizador do passivo é a probabilidade de que a obrigação existente leve a um desembolso futuro. De fato, conclui o Pronunciamento CPC nº 25 que “para que um passivo se qualifique para reconhecimento, é necessário haver não somente uma obrigação presente, mas também a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar essa obrigação.” Dessa forma, “quando não for provável que exista uma obrigação presente, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que a possibilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja remota” Acerca do passivo contingente, fazse necessário ressaltar que a entidade não deve reconhecêlo, já que o passivo contingente deve ser divulgado apenas em notas explicativas das demonstrações financeiras. Identificado, assim, o conceito de passivo como uma obrigação presente, decorrente de fato pretérito e que certamente ou provavelmente levará a um desembolso futuro. Esse conceito atende tanto os registros de provisão quanto os registros de obrigação legal, posto que ambas são espécies de passivo. Segundo o art. 180 da lei nº 6.404/76, “as obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179 desta Lei”. Ainda, segundo o art. 184 da lei nº 6.404/76, o registro contábil do passivo deverá levar em consideração os seguintes aspectos, in litteris: 1 COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM. Deliberação nº 489, de 03 de outubro de 2005, que aprova o pronunciamento de Normas e Procedimentos de Contabilidade NPC 22, do IBRACON – Instituto Brasileiro de Auditores Independentes. p. 8 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Art. 184. No balanço, os elementos do passivo serão avaliados de acordo com os seguintes critérios: I as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive Imposto sobre a Renda a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço; II as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço; III – as obrigações, os encargos e os riscos classificados no passivo não circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. Disso decorre que o passivo é composto por obrigações presentes da entidade, circulantes ou exigíveis a longo prazo, apropriados por competência na data do fechamento do balanço. No entanto, algumas obrigações, dada a ausência de certeza quanto aos elementos que a compõem, em especial o valor e a data em que irão demandar o esforço financeiro da empresa, não se enquadram perfeitamente no conceito de passivo. Tratase de obrigações presentes, mas das quais não se sabe, com certeza, qual o valor da obrigação ou, muitas vezes, quando exatamente irá demandar a sua liquidação. Essas situações, dada a identificação da existência de uma obrigação, não podem ser qualificadas como contingências passivas. Isso porque, como dito alhures, a identificação de uma contingência passiva deve ser feita quando não for provável que uma obrigação presente exista na data do balanço. Por outro lado, também não se tratam de obrigações genuinamente formadas, com valores definidos e prazos de liquidação determinados, como as demais obrigações caracterizadoras do passivo. Nesses casos, a obrigação deve ser registrada como provisão. Segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, “provisão é um passivo de prazo e valores incertos”. Ainda sobre as provisões, o CPC esclarece que “as provisões podem ser distintas de outros passivos tais como contas a pagar e passivos derivados de apropriações por competência (accruals) porque há incerteza sobre o prazo ou o valor do desembolso futuro necessário para sua liquidação”2. Nesse sentido, as provisões são obrigações que devem ser registradas no passivo, apesar de não constituírem, genuinamente, obrigações passíveis de exigência em valores e prazos já conhecidos em graus de certeza. Desta forma, as provisões “são reconhecidas como passivo (presumindose que possa ser feita uma estimativa confiável) porque são obrigações presentes e é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja necessária para liquidar a obrigação3”. Por isso, as provisões, assim como as demais obrigações, devem ser registradas como passivo da entidade. 2 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 5. 3 Não tratarei da provisão como perda, por não possuir relevância para o presente estudo, restrito às hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 496 7 Necessário ressaltar que os elementos característicos de um passivo estão presentes tanto nas provisões quanto nas demais obrigações (passivo genuíno). São eles, como visto: (i) obrigações presentes; (ii) relativos a eventos pretéritos; (iii) que demandará um esforço financeiro da entidade. Por consequência, nenhum desses três elementos pode ser tomado como critério de diferenciação entre obrigação legal (passivo genuíno) e provisão. Uma obrigação somente poderá ser descrita como provisão quando se referir a fatos pretéritos e demandar prestações futuras, (i) incertas quanto ao prazo ou (ii) incertas quanto ao montante, mas prováveis dentro de uma análise confiável. Nesse sentido, “o valor reconhecido como provisão deve ser a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço”4, assim entendido como “o valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar a obrigação na data do balanço ou para transferila para terceiros nesse momento. É muitas vezes impossível ou proibitivamente dispendioso liquidar ou transferir a obrigação na data do balanço. Porém, a estimativa do valor que a entidade racionalmente pagaria para liquidar ou transferir a obrigação produz a melhor estimativa do desembolso exigido para liquidar a obrigação presente na data do balanço” 5. Nas provisões, não existe certeza quanto ao valor que deverá ser desembolsado no futuro e/ou com relação ao prazo em que referida obrigação deverá ser cumprida, sendo os mesmos estimados dentro de um quadro de probabilidade. De fato, segundo o Comitê de Pronunciamentos Contábeis6: Uma provisão deve ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. O objetivo da provisão, dentro desse conceito, nada mais é do que reduzir o resultado da empresa, como forma de reconhecer a obrigação em obediência ao princípio da 4 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 11 5 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 12. 6 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 5. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 prudência, já que a provisão é uma obrigação presente, assim considerada pela alta probabilidade7 de demandar o esforço financeiro da empresa para cumprila. Portanto, verificase que as provisões reportamse sempre a fatos contábeis pretéritos que levarão a um esperado efeito concreto futuro, qual seja, o desembolso, mas que ainda não está perfeitamente identificado quanto aos seus elementos “prazo” e “montante”. Com isso, “à medida que essas perdas de ativos ou obrigações tornamse totalmente definidas, devem deixar de ser consideradas Provisões. Assim, a Provisão para o Imposto de Renda transformase em Imposto a pagar, os Dividendos Propostos passam a ser Dividendos a Pagar etc.”8. Cabe, assim, à empresa, avaliar, dentro dos critérios definidos pelas normas contábeis, se as obrigações devem ser registradas como passivo genuíno ou como provisões. Todavia, a correta identificação da obrigação enquanto provisão ou enquanto passivo genuíno é essencial para os fins fiscais. Isso porque, no que toca apuração da CSLL, a regra aplicável às provisões de tributos é de indedutibilidade, ao passo que, para as obrigações fiscais (passivo genuíno), a regra é a sua dedutibilidade. Analisando as diferenças entre provisões e as obrigações fiscais, verifico que, no caso das obrigações fiscais (passivo genuíno), o dispêndio financeiro para o cumprimento da obrigação fiscal ocorrerá em montante e prazo conhecidos; ao passo que o dispêndio financeiro para o cumprimento da provisão deverá ser incerto quanto ao seu momento ou estimado quanto ao seu valor. Para que se possa, assim, distinguir uma obrigação fiscal de uma provisão fiscal, é necessário que a empresa se valha de estimativas para apurar o grau de certeza dos elementos que compõem a obrigação. Cumpre ressaltar que “O uso de estimativas é parte essencial da preparação das demonstrações contábeis e não prejudica sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso das provisões, que, por sua natureza, são mais incertas do que a maior parte dos outros itens do balanço. De maneira geral, uma entidade é capaz de determinar os possíveis desfechos que envolvem uma obrigação e, dessa forma, fazer uma estimativa que seja suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento de uma provisão” 9. 7 Se tal probabilidade não existir, ou seja, existir incerteza quanto à existência da relação obrigacional, estaremos diante de um passivo contingente, entendido como “(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. p. 5. 8 FIPECAFI – Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. IUDÍCIBUS, Sérgio de. et al. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. Atlas, São Paulo, 2008. 7 ed. p. 313. 9 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 25. Provisões, Passivo Contingentes e Ativos Contingentes. Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37. P. 10. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 497 9 Cabe, todavia, à empresa realizar a análise de referidas probabilidade e mensuração de prazo e de resultados. De fato, “as estimativas de desfecho e os efeitos financeiros são determinados pelo julgamento da administração da entidade, complementados pela experiência de transações semelhantes e, em alguns casos, por relatórios de especialistas independentes. As evidências consideradas devem incluir qualquer evidência adicional fornecida por eventos subsequentes à data do balanço”. Apesar de esse julgamento ser feito pela entidade que registra as provisões, isso não significa que não esteja sujeito à revisão. Daí o importante papel das auditorias independentes, que atestam a regularidade das estimativas e graus de certeza (probabilidade e possibilidade) adotados pela empresa. Do questionamento judicial da Obrigação Fiscal: Passivo Genuíno X Provisão. A obrigação tributária é obrigação legal derivada da legislação que prescreve um fato hipotético que, se ocorrido no plano da realidade, ensejará o nascimento de uma relação jurídicoobrigacional de pagamento de determinada quantia em dinheiro do Sujeito Passivo ao Sujeito Ativo descritos no mandamento da norma. Com a obrigação, “nasce o direito de perceber o valor da prestação tributária no exato momento em que surge o vínculo jurídico obrigacional, equivale dizer, quando se realiza aquele fato hipoteticamente descrito no suposto da regramatriz de incidência”10.Nesse sentido, nascida a obrigação tributária, a mesma deve ser reconhecida como passivo. Por certo que a entidade deve analisar as suas obrigações e, com base nas regras da contabilidade, registrálas como passivo genuíno ou como provisão. No entanto, um passo anterior é o de reconhecer a existência da obrigação em si própria, decidindo se está diante de um passivo ou de uma contingência passiva. Afinal, é do resultado desses julgamentos que se poderá apurar a situação patrimonial da entidade, seja para os fins de prestação de contas e análise dos acionistas e investidores, seja para os fins fiscais. O posicionamento apresentado pelo IBRACON e pelo FIPECAFI, quanto tratam, no NPC 22, do questionamento judicial de débitos tributários, parte de dois pressupostos jurídicos que não se confirmam: primeiro, o de que haveria uma gradação entre as obrigações, como se uma obrigação decorrente diretamente da lei (como a obrigação fiscal) fosse mais “forte” do que uma obrigação contratual; ou até mesmo de que a interpretação da lei fosse mais incisiva e menos maleável do que a interpretação dos contratos; e segundo, de que todas as hipóteses em que se evidenciar a existência da obrigação (passivo) a mesma deverá ser registrada como obrigação fiscal (passivo genuíno). De fato, o IBRACON e o FIPECAFI entendem que as obrigações fiscais, por decorrem da lei, deveriam ser registradas como “contas a pagar”, e apenas excepcionalmente poderiam ser registradas como provisões ou contingências passivas. Segundo o FIPECAFI, a situação demanda um cuidado especial, respaldando o entendimento do IBRACON de que deve haver uma prudência muito maior do que a normal e em situações raríssimas. 10 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo, Saraiva, 2005. ed. 17. p. 439. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 Esse posicionamento parte do pressuposto de que a obrigação tributária estaria em um grau superior de proteção jurídica, como se existissem graus de preferência entre obrigações – o que não possui o menor sentido. João Franz de Lima11, ao tratar da teoria geral das obrigações, admite a existência de graus ao classificálas em obrigações civis, obrigações naturais e obrigações morais. Todavia, apenas as duas primeiras podem ser consideradas obrigações jurídicas, sendo que as obrigações naturais referemse aquelas que não podem ser exigidas pelo credor, mas que garantem a irrevogabilidade do pagamento. Como resultado final, apenas as obrigações civis são obrigações jurídicas na teoria geral do direito. Segundo a teoria geral do direito, nas obrigações: “o objeto do direito de crédito é a prestação, isto é, a ação ou omissão da parte vinculada, mas, por abreviação, costumase dizer que a coisa a ser entregue ou o fato a ser prestado constituemno. O conteúdo compreende o poder de exigir, do credor, e a necessidade de satisfazer, do devedor. Positivado que a relação obrigacional compreende dívida e crédito, que mais não são do que aspectos sob que se apresenta, não é correto conceituála unilateralmente, ainda quando se ínsita em designá la como vocábulo obrigação, que é corriqueiro. A definição, para ser completa, deve ressaltar as duas faces, ativa e passiva. Encarada em seu conjunto, a relação obrigacional é um vínculo jurídico entre duas partes, em virtude do qual uma delas fica adstrita a satisfazer uma prestação patrimonial de interesse da outra, que pode exigila, se não for cumprida espontaneamente, mediante agressão ao patrimônio do devedor”12. Do conceito extraído da Teoria Geral do Direito, temos que as obrigações são definidas pela relação jurídica de modal obrigacional, existente entre um sujeito passivo e um sujeito ativo, em que o primeiro deverá entregar ao segundo determinada prestação de cunho patrimonial. Isso não difere nas obrigações contratuais ou legais e, dentre estas, das obrigações fiscais perante outras tantas obrigações de uma empresa. Desta feita, a diferenciação de um grau de importância entre a obrigação fiscal e as demais obrigações, que restringiria aquela em ser eventualmente tratada como provisão, simplesmente não encontra amparo, seja no direito, seja na contabilidade13. 11 LIMA, João Franzen. Curso de Direito Civil Brasileiro. Direito das Obrigações. V. II tomo I. Forense, Rio de Janeiro, 1961. 2 ed. p. 26. 12 GOMES, Orlando. Obrigações. Forense, Rio de Janeiro, 1995. 10 ed. p. 10. – sem grifos no original 13 Isso não quer dizer que a obrigação tributária não possua garantias especiais, como as constantes do Código Tributário Nacional, ou que tenham preferência de excussão, como no caso da lei de falências. Todavia, seja na vida normal da empresa, seja sob a ótica do direito, as obrigações decorrentes diretamente da lei e as obrigações decorrentes de contratos não possuem qualquer grau de preferência ou subordinação, umas com as outras. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 498 11 No que toca à atividade interpretativa, tratase de instrumento essencial para leitura do direito em qualquer de suas formas. Isso porque, como ensina Paulo Barros Carvalho, em se identificando que o direito se expressa por meio da linguagem, é necessário que o interprete se valha dos meios hermenêuticos disponíveis para extrai a norma a partir dos enunciados que se apresentarem – sejam eles legais ou contratuais. Nesse sentido, identificada a ausência de especialidade da obrigação de natureza tributária, a primeira identificação a ser feita pela entidade é saber se ela está diante de uma provável obrigação. Segundo as lições de direito tributário, a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador, hipoteticamente descrito na norma de tributação. O tributo, tomado como relação jurídica entre contribuinte e Estado, sempre decorre de previsão legal, mediante a constatação, no plano da realidade, de um fato hipoteticamente descrito na lei, que levará ao nascimento do liame obrigacional de cunho tributário. A norma tributária, também chamada por Geraldo Ataliba de regramatriz de incidência14, é composta por uma hipótese de incidência tributária e um mandamento. Ocorrido o fato gerador tributário, desencadeiase, na percepção lógica, não cronológica, a implicação da relação jurídica contida no mandamento tributário, com a instauração da relação jurídica obrigacional de determinado sujeito passivo ao pagamento de quantia certa perante o sujeito ativo descrito na norma mandamental. O que temos, portanto, é uma intrínseca conjugação de elementos, um provocando o outro, em uma correlação direta e recíproca da ordem dos fatos com a ordem normativa. Cumprenos ressaltar que o fenômeno da incidência somente se perfaz mediante a conjugação da subsunção e da implicação15, sendo que o vício de funcionamento de qualquer dos dois elementos impede a formação do vínculo obrigacional. Para que tenhamos o nascimento do crédito tributário, tanto a subsunção quanto a implicação devem estar presentes16. Posta a discussão acerca da existência da obrigação jurídica, entendeo que a existência de um questionamento judicial pendente de solução acerca da existência de uma obrigação tributária é irrelevante para caracterizála como obrigação fiscal (passivo genuíno) ou como provisão. De fato, o questionamento acerca da existência da obrigação não é critério contábil de diferenciação entre passivo genuíno e provisão. Muito ao contrário, a diferença entre eles reside na previsibilidade dos elementos que compõem a respectiva obrigação de forma a que, se forem conhecidos, ou no mínimo prováveis, os valores e datas em que será demandado o esforço financeiro da empresa para arcar com a obrigação, a mesma deverá ser registrada como passivo genuíno; ao passo que, se houver incerteza quanto ao valor ou data de exigência da obrigação, a mesma deverá ser registrada como provisão. 14 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. Saraiva, São Paulo, 1995. 15 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Saraiva, São Paulo, 2005. 17 ed. 16 Somos adeptos da teoria monista do tributo, por acreditar que a relação jurídicotributária somente existe concretamente quando (i) ocorrido o fato imponível previsto na hipótese, (ii) se instaure a relação jurídicotributária prevista no mandamento. Sobre a diferença entre as teorias monistas e dualistas dos tributos, ver melhor em DERZI, Misabel de Abreu Machado. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007. 2 ed. p. 259 e ss. , Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Com isso, a obrigação tributária poderá ou não ser registrada como provisão, levandose em conta grau de previsibilidade (i) do valor a ser demandado pelo cumprimento da obrigação e (ii) o tempo em que poderá ser demandado o esforço financeiro da entidade para cumprir com a obrigação. Para se identificar os graus caracterizadores de uma obrigação, e saber se estamos de um passivo genuíno ou de uma provisão, entendemos ser essencial diferençar entre (i) a suspensão de exigibilidade fundada no depósito do montante integral do tributo devido (inciso II do art. 51 do CTN) e (ii) a suspensão de exigibilidade fundada em decisão judicial prescindida de depósito (incisos IV e V do art. 151 do CTN). No caso do depósito do montante integral do tributo devido, o contribuinte realiza o desembolso do valor relativo à sua obrigação e coloca a disponibilidade financeira à conta e ordem do Poder Judiciário. Com bem ressalva Luciano Amaro, “o depósito não é pagamento; é garantia que se dá ao suposto credor da obrigação tributária, num procedimento administrativo ou judicial, no sentido de que, decidido o feito, se o depositante sucumbe, o valor depositado é levantado pelo credor, se extinguido, dessa forma, a obrigação”17. Apesar de o depósito judicial não ser pagamento, tem como efeito reflexo interromper a fluência de correção monetária, dos juros e de eventuais multas incidentes pelo não pagamento da obrigação a tempo e forma previstos na lei. Com isso, o depósito integral do tributo questionado limita o valor do dispêndio a ser incorrido pela empresa para o cumprimento da obrigação tributária. A obrigação tornase definitivamente líquida, sendo certo que não implicará em dispêndios futuros para o seu cumprimento. Demais disso, como ressalta Leandro Paulsen, o depósito judicial torna certa a relação jurídica tributária, dispensando a sua formalização por meio do lançamento. Segundo o autor, in litteris: Em face do depósito ficar vinculado, legalmente, à decisão final, estando, desde o início, vocacionado à conversão em caso de não restar o contribuinte vencedor, só será necessário o lançamento se o Fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Não haverá que se falar em decadência, pois o depósito supre a necessidade do lançamento. De fato, já tendo o contribuinte apurado o montante do tributo devido e o vinculado ao resultado da demanda mediante o depósito, não há que se exigir o lançamento, que nenhuma função teria”18. Esse entendimento é complementado pela fala do Ministro Luiz Fux, para quem o depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo “implica lançamento tácito no montante exato do quantum depositado” (REsp 757.311). Nesse sentido, não há falarse que os valores depositados em juízo devam ser registrados como provisão. Como já dito, provisão é obrigação de provável desembolso futuro, relativo a um fato pretérito, em montante ou prazo incertos. Tendo havido o depósito do montante integral e sofrido o dispêndio no montante necessário ao 17 AMARO, Luciano, Direito Tributário Brasileiro. Saraiva, São Paulo, 2008. 14 ed. p. 382. 18 Paulsen, Leandro. Direito Tributário. Esmafe, Porto Alegre, 2009. p. 1050. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 499 13 cumprimento da obrigação por parte do Sujeito Passivo, deve referida prestação ser registrada como obrigação fiscal; e não como provisão. Isso porque, o depósito judicial, apesar de não equivaler ao pagamento, (i) promove a liquidação da obrigação, (ii) a formalização da relação jurídica tributária, tornando a certa, e (iii) com prazo definido para o seu cumprimento. Demais disso, contabilmente, a empresa que realiza um depósito judicial lança no seu ativo, contra a conta “caixa” ou “banco”, a existência de valores depositados em juízo. Registra, ainda, as despesas oriundas do tributo e como contrapartida o passivo genuíno (obrigação fiscal). Nesse sentido, em caso de desprovimento da ação judicial em que foram realizados depósitos judiciais, o resultado ensejará um mero ajuste contábil, com a liquidação da obrigação fiscal (passivo) contra os valores depositados em juízo (ativo), sem demandar qualquer esforço financeiro da empresa. Na verdade, ao realizar o depósito judicial do montante integral do tributo questionado, a entidade reconhece contabilmente (e não juridicamente) a obrigação e todos os seus elementos (valor e data). Não há como se falar, assim, em provisão nesse caso, posto que não existem dúvidas acerca (i) do valor demandado para o cumprimento da obrigação e (ii) a data em que será demandado o esforço financeiro da empresa para liquidar referida obrigação. Muito pelo contrário: tanto esses elementos são conhecidos que a entidade (i) já realizou a individualização dos valores necessários à liquidação da obrigação tributária e (ii) utilizouse de um mecanismo que impede que, no futuro, seja realizada exigência de pagamento da obrigação tributária, demandando novo esforço financeiro da entidade. Das regras de Dedutibilidade Para fins do imposto sobre a renda, segundo o §1º do art. 41 da lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995, os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de ordem judicial, haja ou não depósito, não são dedutíveis na determinação do lucro real. Esse dispositivo dá tratamento indiscriminado para os tributos com exigibilidade suspensa, seja por força do disposto no inciso II, seja por força do disposto nos incisos IV e V do Código Tributário Nacional. Tratandose de elemento formado da renda tributável pelo imposto respectivo, referida restrição legal deve ser observada, tornando irrelevante a caracterização da obrigação como provisão ou como obrigação fiscal(passivo genuíno). Em ambos os casos, a obrigação, por força do §1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, é indedutível. No que toca à apuração do lucro líquido para fins de incidência da CSLL, temos que o art. 57 remete à legislação do imposto de renda, mas excetua expressamente os elementos de formação da base de incidência do tributo. Vejase o dispositivo legal, in litteris: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Neste sentido, devem ser observadas as normas próprias da CSLL no que toca aos elementos formadores da sua base de cálculo. Em efeitos práticos, grande parte dos elementos formadores da base de cálculo do IRPJ repetese na formação da base de cálculo da CSLL. Todavia, no que toca à restrição de dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, não existe a previsão legal genérica de indedutibilidade, como ocorre no caso do imposto de renda. Necessário, assim, aplicarse as considerações próprias da formação da base de incidência da contribuição em questão. Em se tratando de tributo com exigibilidade suspensa, devem os valores correspondentes serem registrados como provisão, por serem obrigação com prazo incerto qaunto à demanda do esforço financeiro da entidade. Diante do exposto, voto por cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmm Teixeira Relator Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 500 15 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redatordesignado. A discussão cingese em saber se valores a título de tributos com exigibilidade suspensa em razão de ação judicial em que se discute a constitucionalidade de determinadas incidências, com ou sem depósito, podem ser deduzidos para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Inicialmente digase que para a Receita Federal do Brasil não há qualquer dúvida. Tanto é assim que foi editada a Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, onde está estampado de forma cristalina que a possibilidade de dedução não alcança tal hipótese: Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. (destaquei) E essa disposição é coerente com a norma que trata do IRPJ, pois a esse respeito também não há dúvidas e nem lide. Por que então apenas para a CSLL, que tem a mesma estrutura e lógica, a regra seria diferente? Não vejo razão para tal. Por que haveria de a Lei nº 8.981/1995 estabelecer o regime da dedutibilidade dos tributos e contribuições pelo regime de competência, apenas quando a exigibilidade não estiver suspensa e pelo regime de caixa em caso contrário para apenas o IRPJ e não também para CSLL? Questão prenhe de questões. Lei nº 8.981/1995: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Para melhor contextualizar a questão, elucidando alguns conceitos adotados pelo ordenamento jurídico (provisões, regime de caixa e competência, irrelevância do depósito judicial para efeitos de efetividade do pagamento etc) cabe transcrever abaixo a legislação anterior que estabelecia o regime de caixa: Lei n° 8.541/1992: Fl. 507DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. (...) Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, §5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. Como se vê, os artigos acima da Lei n° 8.541/1992, posteriormente revogados pelo art. 41 da Lei 8.981/95, adotam o regime de caixa como a regra geral para se deduzir do lucro real as obrigações referentes a tributos e contribuições, bem como multas, juros e outros encargos a eles pertinentes. Posto isso, apesar de ter se mudada o regime de caixa para competência o ordenamento não admite a exclusão de tributos e contribuições que estejam com sua exigibilidade suspensa por reclamação ou recurso (art. 151, inciso III do CTN). Porém, a Recorrente entende que a determinação prevista no § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95 não alcançaria a contribuição social, pois a norma se refere ‘a apuração do lucro real. Nesse caso, não se pode fazer uma interpretação literal desse dispositivo, mas sim uma interpretação sistemática. Em primeiro lugar, fazendose uma interpretação finalística rasteira se percebe que não há espaço para entender a razão de ser da exclusão apenas da base de cálculo das contribuições sociais as despesas com exigibilidade suspensa. Na verdade ou adotase o regime de caixa ou de competência, não fazendo sentido teleológico algum fazer qualquer distinção entre os referidos tributos. Outrossim, nessa interpretação sistemática cabe anda a participação importante de um dispositivo integrador de legislação que não pode ser olvidado. Tratase do art. 57 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, em que se comanda que devem ser aplicadas à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n" 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n" 9.065, de 1995) Ora, se o legislador já informou em determinada norma (Lei 8.981/95) que o regime de competência deve ser adotado de uma determinada forma, essa informação não diz respeito ‘a base de cálculo como divisam alguns, mas sim “norma de apuração e pagamento”de tributo assim como está literalmente disposto no art. 57 da Lei nº 8.9881/95 Ademais, com utilizandose apenas de uma interpretação literal os defensores dessa tese teriam ainda uma carga de esforço maior na medida em que teriam que afastar a legalidade de uma norma complementar à legislação tributária. Tratase do artigo 50 da Instrução Normativa n° 390, de 30/01/2004, que consolidou a legislação concernente à CSLL e dispõe sobre a apuração e o pagamento desta contribuição, dispõe que : Fl. 508DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 501 17 Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. Por fim, se tudo isso ainda não for suficiente, cabe um argumento derradeiro que inclusive foi a base para a confecção do referido art. 41 da Lei 8.981/95. E essa razão de ser também se aplica ‘a CSLL robustecendo ainda mais uma interpretação sistemática. Se de fato o único texto normativo a ser interpretado fosse o § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95, ainda assim fazse mister enfrentar o dispositivo que estabelece a proibição de provisionar valores não autorizados por lei. Ora, os tributos com exigibilidade suspensa não são uma obrigação, mas sim uma provisão. O fato de a obrigação ser imposto por lei não é critério para se aferir a distinção entre obrigação e provisão, como muitos afirmam, afinal toda obrigação mesmo aquela contratual, decorre de lei em seu sentido mais lato. Obrigações são passivos que possuam o atributo da certeza sobre sua própria exigibilidade, sobre seu valor (liquidez) e sobre sua data de liquidação. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) assim conceituaram as provisões: (...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação. Estabelecidas essas premissas, podese constatar cristalinamente que os tributos, cuja exigibilidade está suspensa por medida judicial ou por recurso administrativo como é o caso, classificamse como provisões e não como obrigações. Afinal, não se pode saber com precisão se ao final da lide (administrativa ou judicial), se os tributos serão efetivamente devidos, qual a base de cálculo devida e muito menos a data de sua liquidação. Firmado o fundamento de que tais contribuições no contexto aqui descrito possuem natureza de provisões, não são dedutíveis: Lei nº 7.689, de 15/12/98 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei nº 9.249, de 26/12/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (destaquei) Em síntese, é incabível a retificação da base de cálculo do IRPJ è da CSLL de maneira a considerar a dedutibilidade das contribuições lançadas de ofício: a uma, porque pelo fato de tais rubricas não estarem escrituradas ou declaradas; a duas, no caso do IRPJ, seja por que a exigibilidade está suspensa sendo passível de alteração no contencioso administrativo e, por fim, mas não menos importante, para o caso da CSLL ou IRPJ, porque se constituem em verdadeiras provisões não sendo permitidas a sua dedução por lei. Nesse mesmo diapasão, o doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira, em "O Alcance e o Sentido Sistemático da Indedutibilidade dos Depósitos de Tributos em Processos Fiscais A Dedutibilidade dos Depósitos em Processos de Consignação em Pagamento", traz as seguintes considerações: (...) Ora, se a pessoa jurídica não aceita o tributo que a lei ou a autoridade lhe exige, porque o considera indevido, ela não pode registrar esse tributo na contabilidade como devido, pura e simplesmente. Se assim o fizer, estará agindo incorretamente, inconsistentemente com a realidade, além de insinceramente. O que lhe compete fazer é demonstrar no balanço o risco de perder a discussão sobre o tributo, pela via da reserva ou da provisão que a lei prescreve. (...) As contas de despesas, em resultado, e as contas a pagar no passivo, decorrem da existência de relações jurídicas que impõem obrigações à pessoa jurídica, ou de situações de fato que dão origem a perdas e a prejuízos. Ora, se o contribuinte intenta qualquer ação ou procedimento administrativo, pelo qual declara não reconhecer a existência da relação jurídica tributária, não pode singelamente contabilizar a despesa que pressupõe exatamente o reconhecimento da relação jurídica tributária". Ainda nessa mesma esteira, esta Quarta Câmara julgou o recurso nº 520.135 de 24/02/2010 da relatoria de Eduardo Martins Neiva Monteiro. O referido recurso, cuja ementa abaixo se transcreve, tratou especificamente da indedutibilidade de tributos com a exigibilidade suspensa da base de cálculo da CSLL, por configurar natureza de provisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 510DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 502 19 Anocalendário: 2003 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). (...) Por abraçar sem ressalva o teor do referido voto, transcrevo abaixo razões de decidir do mesmo para serem consideradas também como fundamento do presente voto e refutam os outros argumentos trazidos pela Recorrente em seu Recurso: A discussão cingese em saber se valores a título de tributos com exigibilidade suspensa em razão de ação judicial em que se discute a constitucionalidade de determinadas incidências, com ou sem depósito, podem ser deduzidos para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Para a Receita Federal do Brasil, não há qualquer dúvida. De acordo com o entendimento exposto na Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, a possibilidade de dedução não alcança tal hipótese: Art. 50. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do resultado ajustado, segundo o regime de competência. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: I depósito, ainda que judicial, do montante integral do crédito tributário; II impugnação, reclamação ou recurso, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; III concessão de medida liminar em mandado de segurança; IV concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial. (destaquei) Assim, estaria vedada a dedução a tal título, a exemplo do que ocorre quando da determinação do lucro real, nos termos da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Lei nº 8.541/92 Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no períodobase em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. ..... Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, § 5°, alínea b, do DecretoLei Fl. 511DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. (destaquei) Lei nº 8.981/9519 Das Alterações na Apuração do Lucro Real Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (destaquei) De acordo com a fiscalização, os valores provisionados não seriam passíveis de dedução, nos termos da legislação de regência voltada à apuração da CSLL: Lei nº 7.689, de 15/12/98 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: ..... c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ..... 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Lei nº 9.249, de 26/12/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Ao tratar do tema “provisões”, Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) lecionam: “(...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (...) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável 19 "Não houve revogação expressa, mas o art.8º da Lei nº 8.541/92 está revogado pelo art.41, §1º, da Lei nº 8.981/95 por ter tratado da mesma matéria, mas de modo diferente. Pela nova redação, os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do inciso I do art.151 do CTN (moratória) passaram a ser dedutíveis pelo regime de competência ("Higuchi, Hiromi et al. Imposto de Renda das empresas: interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2011, p.371). Fl. 512DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 503 21 a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação.” Aqueles autores complementam a exposição com esclarecimentos sobre o alcance das expressões “obrigação presente”, “evento passado”, “probabilidade de saída de recursos” e “estimativa confiável”. Quanto à obrigação presente, “...caracterizase por evidência disponível de que é mais provável que vai existir a obrigação do que não”. A respeito das demais: “Um evento passado é aquele que tem condições de criar obrigações. As obrigações são criadas quando a entidade não tem outra alternativa senão liquidar a obrigação gerada do evento, seja por imposição legal ou pelo fato do evento criar expectativas válidas em terceiros, de que a entidade cumprirá a obrigação, dada as práticas passadas da empresa, política de atuação ou declaração (...). Para o reconhecimento do passivo, além da obrigação presente, é condicionante a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos futuros para sua liquidação, sendo que a probabilidade é maior de ocorrer do que de não ocorrer. As estimativas são essenciais quando se trata de provisões devido à sua característica intrínseca de incerteza. A estimativa confiável é resultante da capacidade da entidade determinar um conjunto de desfechos possíveis (...). As estimativas levam em consideração os riscos e incertezas, onde o risco representa a variabilidade dos desfechos possíveis.” Nesse contexto, não se desconhece a Norma e Procedimento de Contabilidade (NPC 22), mencionada pelo recorrente, sobre Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas, do Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes – IBRACON (elaborada em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários), aprovada pela Deliberação CVM nº 489, de 3 de outubro de 2005, e considerada obrigatória para as companhias abertas. Em seu Anexo II contemplou exemplo (4a), a respeito da introdução de um novo tributo ou alteração da alíquota, inserido por dispositivo legal, em que a empresa entende ser inconstitucional. De acordo com a NPC 22, não se trataria de uma provisão, mas de uma obrigação legal. Vejamos: “A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.” Exatamente tal exemplo foi objeto de tópico específico no aludido Manual de Contabilidade, em que foram tecidas críticas a respeito de sua inclusão na norma. De acordo com os autores sequer a conclusão poderia ser extraída da NPC 22. Os fundamentos empregados pelos autores são aqui integralmente acolhidos para se firmar o entendimento de que se trata de provisão. Textualmente: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 22 “Em primeiro lugar, a NPC 22 deriva da IAS 37 emitida pelo IASB20, e esta não contém o referido exemplo, e ele não se coaduna, no nosso julgamento, com o conteúdo das próprias normas, nem com a NPC 22 e nem com a IAS 37. No corpo da IAS 37 não há qualquer distinção entre ‘obrigação legal’ e ‘obrigação não formalizada’ (constructive obligation) para fins de reconhecimento de uma provisão. Vejase na parte inicial relativa às Definições, dentro do §6º, da NPC 22: ‘(v) Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. (vi) Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (vii) Uma obrigação não formalizada é aquela que surge quando uma entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso, assume um compromisso.’ A partir dessas três definições podese construir que: ‘Um passivo é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade’. Ainda nas definições, há o conceito de provisão: ‘(ii) Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos.’ Substituindo a definição de passivo nessa da provisão, chegase então a: ‘Uma provisão é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, de prazo ou valor incertos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos.’ Com base nesses conceitos a NPC 22, tal qual a IAS 37, trata todas as obrigações com essa característica de provisões de forma igual. Nessa mesma NPC, são definidas as condições para reconhecimento de provisões: ‘Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a) uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b) é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c) o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança.’ Aqui se tem a completa e explícita corroboração da definição a que chegamos mais atrás. E, ao longo de todo o corpo da referida NPC (e da IAS 37), não mais se faz qualquer distinção entre obrigação legal e obrigação não formalizada. Porém, no citado exemplo4a, há algo diferente e afirma que: ‘ 4. Tributos (a) A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC.’ 20 Internacional Accounting Standards Board, instituição responsável por emitir normas internacionais de contabilidade. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 16327.001712/201083 Acórdão n.º 1401000.891 S1‐C4T1 Fl. 504 23 ..... Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. O que concordamos é com os cuidados extremos que devem ser tomados na consideração da probabilidade de exigibilidade de tributos, já que há, no Brasil de hoje, forte instabilidade no processo judiciário quanto à convergência das decisões. Mas isso não é motivo para se fugir do conceito contábil de passivo em geral, ou de provisão em particular. ..... Ratificamos nossa posição de necessidade de extremo zelo e devida prudência para essas situações aqui discutidas, mas reforçamos que a administração, em obediência ao conceito da Essência sobre a Forma, deve retratar da melhor maneira sua posição patrimonial e de resultados.” (pp.341343)(alguns grifos nossos) A propósito, cabe noticiar que o exemplo acima aludido (4a) deixou de ser contemplado na Deliberação CVM nº 59421, de 15 de setembro de 2009, que revogou a Deliberação CVM nº 489/05. A dedutibilidade, então, apenas ocorrerá no momento em que houver decisão final da lide, na hipótese de a mesma ser desfavorável ao contribuinte (Solução de Consulta SRRF 7ª RF, nº 168, de 19/06/01, DOU 18/09/01). Como o desfecho da ação judicial é incerto, deve o contribuinte aguardar a sua definição. (...) Nessa mesma esteira se posicionou recentemente a CSRF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). Portanto, mantenho o lançamento. 21 Aprova o Pronunciamento Técnico CPC 25 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata de provisões, passivos contigentes e ativos contingentes (correlação às Normas Internacionais de Contabilidade IAS 37). Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA 24 Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 4 do CARF, in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assi nado digitalmente em 18/09/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10980.924398/2009-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a Contribuinte a apresentar seus registros contábeis e apure se o valor do crédito é suficiente para a extinção do débito compensado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime a Contribuinte a apresentar seus registros contábeis e apure se o valor do crédito é suficiente para a extinção do débito compensado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 06848.79660.150506.1.3.040989, fls. 6/10, em que utilizou como crédito pagamento a maior de Cofins Cumulativa relativa ao período de apuração julho de 2001, no valor de R$ 123,86. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 2/5, a DRF/Curitiba não homologou a compensação por ter identificado que o pagamento correspondente ao DARF indicado na DComp, no valor de R$ 2.938,67, encontravase integralmente utilizado para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 24 39 8/ 20 09 -8 5 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.924398/200985 Resolução nº 3803000.301 S3TE03 Fl. 45 2 quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 11/16, a Interessada alegou, em síntese, que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, no RE 357.950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstrou numericamente a origem do crédito e disse estar amparada pelo art. 170 do CTN. Citou e transcreveu jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e ressaltou o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Em julgamento da lide, a DRJ/Curitiba não apreciou o mérito da questão em face de o argumento manejado tratar de matéria constitucional, esta reservada apenas ao Poder Judiciário, não restando amparo, inclusive, para fazêlo à luz do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que determina a observância uniforme, pela Administração Pública Federal direta e indireta, das decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Data do fato gerador: 15/05/2006 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 08 de novembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 37/41, em 1º de dezembro de 2011, em que, reiterou os exatos termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator O recurso é tempestivo, e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A matéria versada nos autos tem como pano de fundo a declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sob o amparo dessa decisão, créditos de pagamento de Cofins teriam surgido para esta Contribuinte, que os aproveitou na DComp sob exame. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.924398/200985 Resolução nº 3803000.301 S3TE03 Fl. 46 3 O Pleno do Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/ PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, pacificou o conflito e declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A Corte Suprema, em 10 de setembro de 2008, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585.235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu, por unanimidade, a existência de Repercussão Geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da mencionada inconstitucionalidade, conforme decisão transcrita abaixo: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. O acórdão proferido no referido Recurso Extraordinário, publicado no DJ em 28 de novembro de 2008, teve a seguinte ementa: Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.924398/200985 Resolução nº 3803000.301 S3TE03 Fl. 47 4 RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, introduziu o art. 26A no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (...) ... §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...). Na mesma direção andou a alteração produzida pela Portarias 586/2010, ao introduzir o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, dispondo que as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observo, à fl. 21 destes autos, que o despacho decisório não foi precedido de intimação eletrônica para que a Contribuinte tivesse ciência da integral alocação do DARF indicado como originário do crédito, procedimento ocorrente em inúmeras situações que apontavam para a inconsistência das informações prestadas na DComp e as constantes dos registros da RFB. A providência permitiria à Contribuinte esclarecer o fundamento do pagamento indevido e, com isso, suscitar o tratamento manual da DComp. A ausência da intimação naqueles termos contribuiu para que a Contribuinte não cuidasse, na manifestação de inconformidade, de demonstrar a formação do seu crédito com a anexação de planilha indicando as bases de cálculo da contribuição, com exclusão das receitas financeiras, a teor do que o exige o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721, em que pese ter 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.924398/200985 Resolução nº 3803000.301 S3TE03 Fl. 48 5 afirmado que o crédito utilizado era decorrente da declaração da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF. À data da sua decisão, 10 de agosto de 2011, a DRJ/Florianópolis já estava vinculada ao cumprimento da ressalva contida no § 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que permitia o afastamento da aplicação de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, citado retro. No entanto, sua decisão passou ao largo deste preceito legal, tendo assentado que tal decisão não tinha efeito erga omnes. Sob este entendimento, o Colegiado a quo deixou de enfrentar a matéria de prova, passível de ser suprida mediante diligência, instrução justificável pela forma lacônica do despacho decisório eletrônico, que cerceia uma adequada defesa em algumas situações. Dessarte, o órgão julgador ao circunscrever a razão de decidir à matéria de Direito, a Interessada uma vez mais não teve como se ver instada a aparelhar o recurso voluntário com os elementos de prova a ser consubstanciada na oferta das receitas hábeis à incidência da contribuição em apreço e as excludentes (as receitas financeiras). Por essas razões, entendo que o processo deve ainda ser instruído com a apresentação, pela Contribuinte, de demonstrativo de suas receitas que correspondam ao conceito de faturamento, com destaque das receitas financeiras, do decorrente valor da contribuição devida e do indébito, acompanhado dos respectivos registros contábeis que justifiquem as exclusões. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo I, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Joaçaba intime a Contribuinte à apresentação de planilha e os registros contábeis que confirmem a apuração do crédito feita pela Contribuinte e se é suficiente para extinguir o débito por ela compensado. Após a apuração, dêse ciência à Contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, nos termos do art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, retornando, em seguida, os autos a este CARF. Sala das sessões, 26 de junho 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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