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Numero do processo: 16682.720880/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEVIDA. SIMULAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório.
O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento.
A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97.
Numero da decisão: 1302-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Tadeu Matosinho fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Cristiane Costa e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEVIDA. SIMULAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Tadeu Matosinho fez declaração de voto. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 80 /2 01 1- 11 Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.882 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Cristiane Costa e Alberto Pinto. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.883 3 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 1246.246 da 8ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE CONTROLADORA (“EMPRESAVEÍCULO”) POR SUA CONTROLADA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível a amortização do ágio, quando uma sociedade controlada (autuada), sem demonstrar haver propósito negocial na operação, tendo como único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora a sociedade controladora (“empresa veículo”), em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da própria controlada. PREJUÍZOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA. Se da ação fiscal resultou a absorção da integralidade dos prejuízos fiscais acumulados, correta a glosa da compensação efetuada em exercícios futuros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. BASES NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA. Se da ação fiscal resultou a absorção da integralidade das bases negativas de CSLL acumuladas, correta a glosa da compensação efetuada em exercícios futuros. INCORPORAÇÃO REVERSA INTERNA. DOLO. A conduta planejada consubstanciada na incorporação reversa interna com o único propósito de gerar ágio artificial por meio da utilização de empresa veículo, adquirida tãosomente para este fim, opera no sentido de se concluir que existiram atos preparatórios e de execução que analisados objetivamente, compõem percurso notoriamente utilizado para lesar o Erário Público, devendo a autuação ser realizada com multa agravada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequ ente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 03/08/2012 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo a fls. 1753) e interpôs recurso voluntário (a fls. 1757 e segs.) em Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.884 4 20/08/2012, conforme Termo de Análise de solicitação de Juntada a fls. 1850, no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o Acórdão da DRJ encontrase fundamentado nos seguintes argumentos: a.1) que as operações societárias embora lícitas do ponto de vista individual, conforme reconheceu a própria fiscalização, teriam sido estruturadas de tal forma (em seqüência), a fim de criar, no seu conjunto, condições para que o ágio fosse amortizado, razão pela qual não teriam propósito negocial; a.2) que a empresa BERTOLINO não teria qualquer objetivo econômico ou social e que referida empresa teria como única finalidade “transportar” ágio para ser amortizado na interessada, ou seja, seria uma sociedade de passagem (empresaveículo); a.3) que a BERTOLINO não teria sido sucedida pela empresa GYGAX, na medida em que esta teria apenas recebido parte dos ativos da BERTOLINO, sendo irrelevante a existência da GYGAX para o deslinde da questão; a.4) que inexistiria propósito negocial na reestruturação societária implementada, na medida em que utilizada empresa de passagem, efêmera; a.5) que a RECORRENTE teria deixado de explicar o motivo pelo qual o fundo de investimento optou por efetuar o investimento, não diretamente, como previsto no Acordo pactuado, mas sim indiretamente, por meio de holding brasileira; a.6) que a RECORRENTE ao incorporar a empresa BERTOLINO, chamada “incorporação às avessas”, passaria a ser titular de um ágio amortizável, cuja origem estaria na expectativa de rentabilidade futura dela mesma, o chamado “ágio de si mesmo”; a.7) que não haveria a necessária independência entre as partes envolvidas no negócio societário na medida em que o fundo de investimento estrangeiro era controlador direto da empresa BERTOLINO e detinha participação indireta na interessada; a.8) que as operações societárias em questão estariam inquinadas ao instituto do abuso de direito uma vez que a incorporação realizada não teria surtido nenhum efeito societário e a operação teria como finalidade predominante pagar menos imposto; a.9) que a conduta planejada consubstanciada na incorporação reversa interna com o único propósito de gerar ágio artificial, por meio da utilização de empresa veículo, a BERTOLINO, compõe percurso notoriamente utilizado para lesar o Fisco, restando caracterizada a realização de atos sem motivos legítimos, com excessos intencionais, dolosos; b) que, de acordo com a Lei n° 9.532/97 e normas que a complementaram, a união da investidora e da investida por meio de processo de incorporação reversa transforma o ágio fundamentado nas perspectivas de rentabilidade do investimento em conta do ativo Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.885 5 diferido posteriormente transformada em conta do Ativo intangível o qual deverá ser amortizado à razão de, no máximo, 20% ao ano, sendo o produto desta amortização levado em conta na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; c) que os artigos 7° e 8° do referido diploma legal não exigiram qualquer propósito negocial para que as incorporações por ele disciplinadas pudessem ser efetuadas, sendo o aproveitamento do ágio por si só suficiente e justificável; d) que as incorporações efetuadas logo após o processo de privatização não se justificariam senão em razão do próprio aproveitamento do ágio verificado, conforme expressamente previsto na Lei n° 9.532/97; e) que é evidente que as empresas adquirentes, até mesmo em razão de terem sido constituídas exclusivamente para o processo de privatização, não exerciam quaisquer das atividades que até então eram predominantemente exercidas em território brasileiro pelas estatais. Ou seja, na data em que publicada a Lei n° 9.532/97, já era de pleno conhecimento do governo que nenhuma sinergia operacional entre a investidora e a investida poderia ser razoavelmente apresentada para justificar as incorporações que viriam a ser efetuadas, com a consequente dedutibilidade do ágio então verificado na aquisição da empresa; f) que o tratamento previsto na Lei n° 9.532/97 não foi, contudo expressamente circunscrito à aquisição das empresas estatais sendo aplicável a todo e qualquer caso de aquisição de empresas que viessem a ser incorporadas; g) que até mesmo reestruturações societárias consistentes na aquisição de investimento em empresa operacional por determinada sociedade, transferência do mesmo à empresa veículo e na subsequente incorporação desta última pela empresa operacional foram expressamente aceitas e disciplinadas de forma genérica pela CVM como forma de o contribuinte usufruir do benefício fiscal concedido pela Lei n° 9.532/97. Nesse sentido, o seguinte trecho da Nota Explicativa da CVM na Instrução n° 349/2001: “Por outro lado, a criação da empresa veículo e a transferência, para esta, do investimento original e, também, do ágio permitiram que, através desse modelo de incorporação, houvesse a possibilidade do seu aproveitamento fiscal, fazendo surgir, contabilmente, uma espécie de crédito tributário fundamentado na diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social, em virtude da possibilidade da amortização desse ágio. Portanto, esse beneficio fiscal é a única parcela do ágio que poderá ser aproveitada na controlada e que tem substância econômica. Essa é também a parcela do ágio que a CVM vem entendendo, conforme estabelecido na Instrução CVM nº 319, que pode ser capitalizada em proveito exclusivo do controlador. É, portanto, somente essa parcela com substância econômica que pode ser considerada um ativo e que poderia vir a ser capitalizada.” h) que o próprio Poder Executivo, por uma de suas autarquias (a CVM), reconhece, expressamente, que o registro de ágio por uma pessoa jurídica, inclusive uma veiculo criado após a aquisição dos investimentos de terceiros, com a subsequente incorporação da empresa investidora é apto a gerar a dedutibilidade do ágio nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, independentemente da existência de qualquer motivação negocial; i) que as operações societárias referidas no TVF tiveram motivação econômica, foram praticadas de forma legal e devidamente registradas nos Órgãos públicos, Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.886 6 não havendo que se falar que as operações societárias seriam um mero estratagema para viabilizar a amortização do ágio em questão; j) que a própria D. Autoridade Fiscalizadora, corroborado pelo r. acórdão recorrido, afirma que as operações realizadas pela RECORRENTE, analisadas isoladamente, não poderiam ser consideradas ilícitas, verbis: “Em uma primeira análise, bastante simplista, verificase que todas as transações efetuadas pela fiscalizada decorreram de acordos de vontade e que, de fato, nenhuma delas, isoladamente, poderia ser considerada ilícita, o que levaria à conclusão também simplista de que a referida conduta estaria a revelar apenas a intenção de praticar o planejamento tributário, perfeitamente aceitável em uma sociedade caracterizada pela liberdade de autoorganização.” (pág. 5 do TVF) l) que, em 9 de junho de 2006, houve a assinatura do Acordo para Subscrição e Aquisição de Ações (DOC. 07, anexado á impugnação) entre a Multiplan Planejamento, Participações e Administração S/A, e demais acionistas, 1700480 ONTARIO INC. e como interveniente Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A, ora RECORRENTE; m) que, no referido acordo a 1700480 ONTARIO INC. se obrigava a realizar um investimento na RECORRENTE no valor de R$ 850 milhões mediante a subscrição de ações ordinárias e preferenciais e aquisição de ações ordinárias no valor de R$ 150 milhões dos acionistas vendedores; n) que há, no Acordo, disposição expressa no sentido de que a 1700480 ONTARIO INC. poderia ceder seus direitos a uma subsidiária integral (cláusula 14.2 do Acordo para Subscrição e Compra de Ações), sendo que essa previsão é mais do que lógica, pois seria um contrassenso a criação, por 1700480 ONTARIO INC, de uma empresa no Brasil antes de estar concluído o negócio (ou seja, a criação de uma empresa só para discutir a associação); o) que, assim, como seria de se esperar, o negócio foi fechado com 1700480 ONTARIO INC, ficando esse autorizado a formalizálo através de empresa local, que veio a ser BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA; p) que, em 20 de junho de 2006, foi assinado o Acordo de Prorrogação de prazo (DOC. 08, anexado à impugnação), para postergar a data de fechamento do acordo de investimento para 21 de junho de 2006; q) que, em 21 de junho de 2006, foi assinado o Aditivo ao acordo para subscrição e aquisição de ações (DOC. 09, anexado à impugnação); r) que, no referido aditivo, dentre outras disposições, a 1700480 ONTARIO INC. cede seus direitos de aquisição e subscrição das ações, nos termos previstos no Acordo firmado em 9 de junho de 2006, para sua subsidiária brasileira, BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA; s) que BERTOLINO passou a deter 46,3 % das ações da Recorrente e foi reduzida a participação dos demais sócios Sr. José Isaac Peres para 53,7 %; t) que a utilização pela ONTARIO da subsidiária brasileira, BERTOLINO PARTICIPAÇÕES, deuse em razão do interesse de ONTARIO em ter uma empresa no Brasil (parte de BERTOLINO existe até hoje, pois ela foi cindida antes de ser incorporada pela RECORRENTE GYGAX) e pelas seguintes razões imediatas: Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.887 7 t.1) a possibilidade de abertura de uma conta em banco brasileiro para receber os valores necessários para realização do investimento em território nacional (mais de um bilhão de reais); t.2) a utilização desta conta corrente em instituição bancária brasileira para viabilizar a transferência de recursos (TED) simultaneamente para a MULTIPLAN (aumento de capital no valor de R$ 850 milhões) e para os demais acionistas que alienaram participação societária à BERTOLINO (no valor total de R$ 150 milhões), de forma a viabilizar as concomitantes quitações recíprocas e transferências de ações para a BERTOLINO; t.3) a agilidade para fechamento de uma única operação de câmbio no valor de mais de um bilhão de reais necessária para garantir a segurança na manutenção das obrigações contratadas em moeda nacional afastamento do risco cambial; u) que, para realização da operação acima descrita a sociedade BERTOLINO PARTICIPAÇÕES, em 21 de junho de 2006, celebrou Contrato de Câmbio (DOC. 10, anexado à impugnação) no valor de R$ 1.060.530.000,00 (um bilhão e sessenta milhões e quinhentos e trinta mil reais); v) que a aquisição da participação societária da RECORRENTE se deu com o pagamento de ágio, em razão da expectativa de rentabilidade estimada com base em resultado de exercícios futuros, devidamente amparada por Laudo de Avaliação de ações fornecido pela APSIS Consultoria Empresarial Ltda., com data base de 21 de junho de 2006 (DOC. 03, anexado à impugnação); x) que, em 22 de junho de 2006, foi realizada a Assembléia Geral Extraordinária da ora RECORRENTE (DOC. 11, anexado à impugnação), devidamente registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro, para deliberar sobre o aumento de capital da RECORRENTE de R$ 160 milhões para R$ 264 milhões mediante emissão e subscrição de novas ações, sendo parte ordinárias e parte preferenciais, sendo que o preço de emissão das ações alcançou o valor total de R$ 850 milhões, do qual R$ 104 milhões destinaramse ao capital social e R$ 745 milhões à Reserva de Capital prêmio de subscrição; z) que, em 22 de junho de 2006, foi celebrado Acordo de Acionistas de Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A (DOC. 12, anexado à impugnação), com a finalidade de regular o relacionamento de BERTOLINO e MULTIPLAN PLANEJAMENTO, PARTICIPAÇÕES E ADMlNlSTRAÇAO S/A como acionistas da Multiplan Empreendimentos Imobiliários; aa) que o Acordo de Acionistas de 2006 foi celebrado com validade de 15 anos; ab) que, além do investimento na MULTIPLAN, a Bertolino manteve aproximadamente R$ 60 milhões de reais em dinheiro investidos no Brasil; ac) que o crescente interesse da RECORRENTE em realizar a sua abertura de capital, verificouse a necessidade de simplificar a sua estrutura societária; ad) que, para abertura de capital, verificouse que seria importante que a ONTARIO possuísse participação direta na sociedade, considerando que tratase de sócio com renome internacional, que traria maior credibilidade à RECORRENTE e atrairia mais Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.888 8 investidores quando da abertura do capital, conforme atesta a carta do Banco Credit Suisse (DOC. 06, anexado à impugnação); ae) que, 11 meses após o investimento da BERTOLINO na MULTIPLAN, e consequente geração do ágio, foi realizada a incorporação da BERTOLiNO pela RECORRENTE; af) que a escolha da incorporação de BERTOLINO por MULTIPLAN, dentre as demais variantes acima apontadas, foi absolutamente lógica, por convir a ambas as partes envolvidas; ag) que, nos termos da legislação então vigente, a incorporação de investidoras por investidas, com extinção de investimentos adquiridos com ágio, como no caso, são sempre precedidas do registro, na incorporada, de provisão de valor equivalente ao do ágio a amortizar, dando origem a um ativo fiscal diferido que é transferido à incorporadora em contrapartida do registro de uma reserva especial de lucro; ah) que a incorporação de BERTOLINO por MULTIPLAN importou na elevação do valor de seu patrimônio líquido, melhorou seus índices de liquidez e propiciou o lançamento de suas ações por um preço significativamente mais elevado; ai) que a incorporação ocorreu em conformidade com os artigos 223 a 229 da Lei n° 6.404/76 e com a Instrução CVM n° 319/99, com as alterações promovidas pela Instrução CVM n° 349/01, e, como acima frisado, foi precedida de uma cisão parcial, realizada em 28 de maio de 2007, nos termos do Instrumento Particular de 4ª Alteração do Contrato Social da BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA. (DOC. 13, anexado à impugnação); aj) que, conforme a Ata de Resolução de Sócios da BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA. (DOC. 14, anexado á impugnação), de 28 de maio de 2007, foi aprovado o Protocolo de Cisão; al) que, em 29 de maio de 2007, foi celebrado Instrumento Particular de 5ª Alteração do Contrato Social da BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA, para aprovar o Protocolo e Justificativa para a incorporação da BERTOLINO pela MULTIPLAN Empreendimentos Imobiliários; am) que as operações societárias que culminaram com o aproveitamento do ágio pela RECORRENTE, visavam não só investimento a ser realizado por fundo estrangeiro, bem como a simplificação da estrutura societária da RECORRENTE, de forma preparatória a uma futura abertura de capital da incorporadora, ofertas primária e secundária, que ocorreram em 2007, com a proteção dos interesses dos acionistas controladores, e posterior oferta primária de ações no mercado de capitais (Followon), realizada em 2009, proporcionando, ainda, melhor posicionamento estratégico e desempenho das atividades econômicas pela incorporada e incorporadora; an) que, da análise da operação como um todo verificase evidente o fundamento econômico para a realização dos atos societários: o ágio legitimamente pago na aquisição de ações da RECORRENTE pela empresa BERTOLlNO PARTICIPAÇÕES LTDA., a qual foi absorvida pela RECORRENTE, que passou a amortizar esse valor com fundamento no artigo 386, § 6°, inciso II, do RIR/99; ao) que a D. Autoridade Fiscalizadora e o acórdão recorrido, citando artigo de Iudicibus, Martins e Gelbcke, confunde a operação praticada pela RECORRENTE com operações praticadas entre partes relacionadas, afirmando que a falta de independência entre as Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.889 9 partes envolvidas na negociação faria surgir um fenômeno extremamente sui generis: o ágio gerado internamente; ap) que o negócio se deu entre BERTOLINO/ONTARIO de um lado e acionistas da ora RECORRENTE de outro, empresas absolutamente independentes no momento da aquisição das ações da RECORRENTE, com ágio, por BERTOLINO; aq) que a premissa tomada pelo acórdão recorrido no sentido de que existiria dependência entre as partes, portanto, operação gerada dentro de um mesmo grupo, exsurge do fato de que quando da incorporação da BERTOLINO pela RECORRENTE, a primeira detinha 46% do capital da ora RECORRENTE; ar) que se trata de flagrante equívoco do r. acórdão na medida em que a relação entre as partes surgiu em momento posterior ao surgimento do ágio; as) que, se o momento da incorporação fosse o momento correto de se aferir a independência das partes, para efeitos de se validar ou não a natureza do ágio, todos os ágios seriam ignorados, pois o fato de uma empresa ter participação na outra (e é a essas situações que a Lei n° 9.532/97 se dirige) tornaria a lei inaplicável, ou seja, a Lei seria inaplicável a todas as incorporações, fusões ou cisões cujos efeitos visou disciplinar; at) que a sociedade decorrente da cisão (GYGAX) existe até hoje, conforme Resolução Anual dos Sócios de 12/04/2011, logo, equivocase a autoridade fiscal quando alega que a Bertolino teria sido constituída com a finalidade de propriciar o aproveitamento fiscal do ágio; au) que não se justifica a alegação de que foi amortizado o ágio da Multiplan em si mesma, quando se percebe que a operação caracteriza hipótese de beneficio fiscal expressamente previsto em lei (conforme mencionado, o § 6° do artigo 386 do RIR/99), sendo que, em todas incorporações reversas com extinção de investimentos adquiridos com ágio fundamentado em perspectivas de rentabilidade ocorre tal fato; av) que, novamente, equivocase o Sr. Agente Fiscal ao dizer que teriam sido criadas “diversas pessoas jurídicas, todas vazias, existentes apenas “no papel”, na medida em que apenas uma sociedade foi criada e não várias, sendo que referida sociedade sofreu uma cisão parcial e, como acima ressaltado, a sociedade resultante da cisão GYGAX PARTICIPAÇÕES continua existindo até os dias de hoje; ax) que a D. Autoridade lançadora silencia sobre a existência de dois Laudos de avaliação elaborados pela APSIS Consultoria Ltda. (DOCs. 03 e 04, anexados à impugnação) que sustentam a expectativa de rentabilidade futura, condição necessária para que a despesa com amortização do ágio seja dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 386 do RIR/99; az) que as operações societárias realizadas pela RECORRENTE (i) condizem com a vontade de cada uma das partes envolvidas, (ii) estão regulares à luz do ordenamento jurídico vigente à época das operações, (iii) foram realizadas com ampla transparência e divulgação em Jornais de Grande Circulação e nos Prospectos de distribuição pública; (iv) foram praticadas sem o intuito de prejudicar ninguém, tampouco o Fisco, (v) encontramse em consonância com a maioria dos entendimentos emanados para operações semelhantes pelo Conselho de Contribuintes; e (vi) operaramse antes da ocorrência de qualquer fato gerador da CSLL e do IRPJ; ba) que é incabível a qualificação da multa, por não se verificar qualquer intuito doloso nos atos da Recorrente; Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.890 10 bb) que é ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (doc. a fls. 1855 e segs.), nas quais pede que seja negado totalmente provimento ao recurso voluntário, pois sustenta que: “Vale destacar, por oportuno, que, no presente caso, ao contrário do que ocorre em outras situações de simulação relativa, a comprovação do negócio dissimulado é feita por meio de um documento firmado entre as partes que participaram da simulação. Assim, diferentemente dos casos onde o negócio dissimulado é presumido, aqui tal vontade real é atestada por documento produzido pelas próprias partes envolvidas. Da análise do negócio simulado e daquele dissimulado, vêse, deste modo, que, enquanto o termo aditivo foi desfeito ao final das operações, o acordo de investimento foi aquele que efetivamente foi cumprido. Enquanto a participação da BERTOLINO foi cancelada com a incorporação, o compromisso de investimento assumido pelo ONTARIO diante do grupo MULTIPLAN foi plenamente cumprido por ambas as partes. Destarte, ainda que o termo aditivo previsse uma real cessão de direitos entre a ONTARIO e a BERTOLINO, a incorporação envolvendo essa segunda empresa e a MULTIPLAN desfaria essa cessão. Contudo, como sequer é possível aferir que houve um contrato de cessão, vêse, na verdade, que a incorporação societária apenas concretizou dois fatos que eram consensuais entre as partes desde o início: a ONTARIO nunca deixou de ser o real adquirente das ações da MULTIPLAN, e a BERTOLINO participou dessa aquisição como mera intermediadora do pagamento apenas para possibilitar a dedutibilidade do ágio”. É o relatório. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.891 11 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal, conforme doc. a fls. 1836, razão pela qual dele conheço. O fulcro da questão posta em julgamento reside na glosa de despesa com amortização de ágio, razão pela qual, incialmente, vejamos como o TVF descreve as operações que deram origem à formação do ágio: em 27/04/2006, foi constituída a BERTOLINO Participações Ltda, sendo a Texpar Part. Ltda titular de 99 cotas e a Pacaembu Serviços e Participações Ltda. titular de 1 cota; em 09/06/2006, é celebrado acordo, no qual fica pactuado que a 1700480 ONTARIO INC faria um investimento direto na Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A (MTE), no valor de R$ 850.000.539,89 mediante a subscrição de ações, sendo que os sócios Multiplan Planejamento, Participações e Administração S/A (MTP) e Eduardo Kaminitz Peres (EKT) desde já renunciavam a seus respectivos direitos de preferência na subscrição; em 14/06/2006, a empresa BERTOLINO sofre uma alteração contratual, pois agora passa a ter novos sócios: 1700480 ONTARIO INC (com 99 cotas) e 1699516 ONTARIO INC (com 1 cota); em 21/06/2006, BERTOLINO aumenta seu capital social de R$ 100,00 para R$ 1.060.530.000,00, assim dividido: 1.060.529.999 cotas para 1700480 ONTARIO INC e 1 cota para 1699516 ONTARIO INC; em 22/06/2006, foi deliberado o aumento do capital social da MTE de R$ 160.295.616,00 para R$ 264.419.053,00, mediante a emissão e subscrição de 47.327.029 novas ações, sendo fixado o preço de R$ 17,9601 por ação, totalizando assim R$ 850.000.539,89, dos quais R$ 104.123.437,00 destinados ao capital social e R$ 745.877.102,89 à reserva de capital (prêmio de subscrição); também em 22/06/2006, BERTOLINO adquiriu: 583.515 ações ordinárias da MTE detidas por EKP pelo valor de R$ 10.480.010,00 (R$ 17,9601 p/ação), e 7.768.314 ações da MTE detidas por CAA Corretores Associados Ltda. pelo valor de R$ 139.519.990,00 (R$ 17,9601 p/ação), em ambas as aquisições os pagamentos foram por meio de TEDE; com tais aquisições, a BERTOLINO passou a deter 46% de participação na MTE; em 28/05/2007, 1699516 ONTARIO INC cede sua única cota da BERTOLINO para 1700480 ONTARIO INC, a qual passou a deter a totalidade das quotas da BERTOLINO; em 29/05/2007, BERTOLINO é incorporada pela MTE. A autoridade fiscal, conforme TVF a fls. 1073, enquadrou as operações acima transcritas com simulação (art. 167 do CC), pois entendeu que: “Embora os fatos descritos, isoladamente e do ponto de vista meramente formal, não denotem ilicitude, a moderna doutrina acerca de planejamento tributário não se satisfaz com a simples constatação da legalidade das operações, mas sim exige motivação extratributária”. Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.892 12 Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações internas, se não vejamos o teor do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in verbis: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.”. Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.893 13 econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal. No caso em tela, porém, embora a autoridade fiscal tente enquadrar a situação como ágio interno, nem isso sequer seria possível, pois houve efetivo pagamento pelo ágio a terceiros, ou seja, quando a BERTOLINO pagou R$ 745.877.102,89 a título de ágio na aquisição de 47.327.029 de novas ações da MTE, não os estava pagando a uma empresa do mesmo grupo econômico. Da simples leitura do TVF, notase que a autoridade fiscal nega em verdade o permissivo legal criado pelos art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, ou seja, estamos diante de uma situação em que foi efetivamente pago o ágio (não se trata de planejamento com base no art. 36 da Lei 10.637/02), no qual um investidor estrangeiro (1700480 ONTARIO INC) aporta capital em uma empresa (BERTOLINO), a qual adquire ações de outra empresa com ágio (MTE) e, a seguir, esta incorpora aquela. Da mesma forma, não estamos diante do planejamento de transferência de ágio externo (aquele decorrente do processo de privatização, em que o investidor se utiliza de empresa veículo para transferir o ágio que pagou no leilão de privatização para a empresa operacional adquirida). Tratase aqui de aplicação direta do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso. No que tange ao enquadramento da conduta da recorrente como simulação, inicialmente, ressalto que a simulação em matéria fiscal foi bem enfrentada no Parecer CST 46/87, do qual retiro duas conclusões, quais sejam, que as operações simuladas são: a) ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; b) devem prevalecer os efeitos do negócio dissimulado. O referido parecer analisou uma situação em que o contribuinte remetia dividendos travestidos de devoluções de capital, para escapar da tributação que havia à época sobre a remessa de dividendos. Notese, assim, que estávamos diante de um caso de simulação relativa, pois havia o ato simulado – devolução de capital – e o ato dissimulado –remessa de dividendos (simulação sobre a causa do negócio jurídico). Como bem sustenta Beleza dos Santos (A Simulação em Direito Civil, ed. Lejus, p. 211): “Para que exista a simulação relativa é portanto necessário que, em virtude de um conluio das partes, se simule um ato aparente para enganar terceiro e que sob essa aparência se dissimule outro correspondente à vontade real e séria das partes”. Qual o conluio demonstrado nos autos? Será que fazer jus aos benefícios dos arts. 7º e 8 º da Lei 9.532/97 podem ser tomados como enganar o Fisco? Qual o ato dissimulado? Todas as respostas são negativas, pois a contribuinte quis transferir o ágio para a operacional, o que encontrou amparo no art. 8º da Lei 9.532/97. Veja que, sob qualquer prisma, a existência do ágio era indiscutível, pois sequer se enquadrava na débil definição de ágio interno adotada por alguns. Ademais, não resta demonstrado no TVF qual o ato Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.894 14 dissimulado nem a autoridade fiscal demonstra o pacto simulatório, o que, por si só, já seria suficiente para afastarmos a acusação de simulação. Notese que os efeitos buscados pela recorrente eram os efeitos próprios do atos praticados (adquirir a participação de terceiros na MTE com ágio por meio da BERTOLINO e depois promover a incorporação desta por aquela) e não de atos eventualmente dissimulados. Sustenta, então, a autoridade fiscal que a simulação estaria configurada na utilização da BERTOLINO apenas para adquirir as ações de MTE com ágio e depois ser incorporada, possibilitando a geração de despesas com amortização do ágio, pois “a RECORRENTE teria deixado de explicar o motivo pelo qual o fundo de investimento optou por efetuar o investimento, não diretamente, como previsto no Acordo pactuado, mas sim indiretamente, por meio de holding brasileira”. Há que se distinguir o conceito de motivo e causa do negócio jurídico. A futura incorporação da BERTOLINO e o aproveitamento da despesa de amortização do ágio podem ser até o motivo do aporte de capitais na BERTOLINO, mas não a sua causa. Causa é o fim que o agente procura e o leva a prática do ato, sem se cogitar do fim, que antes tivera, e do fim, ou fins, ulteriores, que com o ato entende alcançar. Motivos são as préintenções que dão ensejo ao negócio. O que é essencial ao negócio jurídico é a causa, sendo que o acordo sobre a causa pode ser simulante: dissimulase a doação, simulandose o pagamento; dissimulase o pagamento, doandose; vendese, simuladamente, quando, em verdade, se doou (Pontes de Miranda, in Tratados de Direito Privado, Tomo 3, ed. Bookseller, p. 124/126/127). No caso em tela, a 1700480 ONTARIO INC queria aportar capital na BERTOLINO, para constituir uma subsidiária no Brasil, não restando demonstrado qualquer simulação quanto a causa do negócio, ou seja, sobre a existência de um negócio dissimulado. Não se nega que o Acordo para Subscrição e Aquisição de Ações, celebrado com os sócios da MTE, já autorizava a 1700480 ONTARIO INC a ceder seus direitos a uma subsidiária integral (cláusula 14.2 do Acordo para Subscrição e Compra de Ações), mas isso não transforma tal potencial motivo em razão determinante ou condição do aporte de capital feito na BERTOLINO. Todavia, ainda que fosse a razão determinante, não teria o condão de alterar a causa – Uma doação não deixa de ser donandi causa, porque há o motivo. Por outro lado, a simulação é absoluta quando não se quis outro ato jurídico nem aquele que se simula (Pontes de Miranda, in Tratados de Direito Privado, Tomo 4, ed. Bookseller, p. 441). Assim, in casu, a simulação absoluta poderia se configurar se restasse provado que nunca houve a vontade de efetivamente se constituir a BERTOLINO. De plano, isso resta afastado diante do fato de que GYGAX – empresa derivada da cisão da BERTOLINO continuou operando. Por esse mesmo motivo, afastase também a alegação de falta de propósito negocial na constituição da BERTOLINO. De qualquer forma, falta de propósito negocial não configura, por si só, em simulação, se não vejamos como dispõe o § 1º do art. 167 do Código Civil, in verbis: § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. O conceito de propósito negocial é vago e não se enquadra em qualquer dos incisos, nem mesmo no inciso II, pois ainda que os sócios não tivessem a intenção de perpetuar a empresa, isso não torna a sua cláusula de constituição menos verdadeira. O propósito Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.895 15 negocial pode ser, exatamente, o de realizar uma reorganização societária para se valer das normas permissivas criadas pelo Estado. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extra tributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto. A finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. Ademais, ainda que não houvesse a vontade de perpetuar a BERTOLINO, não houve simulação na geração do ágio, pois esse seria gerado fosse a subscrição feita diretamente pela 1700480 ONTARIO INC ou por meio da sua controlada brasileira BERTOLINO. Por sua vez, a opção legal de fazer a subscrição por meio da BERTOLINO, de forma a possibilitar a transferência do ágio para a MTE foi possibilitada por expressa autorização legal do art. 8º da Lei 9.532/97. Teria então a recorrente fraudado o espírito da norma (art. 8º da Lei 9.532/97), ou seja, a conduta da recorrente se enquadra na fraude à lei? De plano afasto essa hipótese, pois, diante de dois caminhos legais, não estaria obrigado o investidor estrangeiro a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações de MTE com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. Ressalto que o art. 8º da Lei 9.532/97 teve como finalidade o processo de privatização, pois, por tal norma, permitiuse que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada. Isso era fundamental para preservação dos intangíveis da empresa adquirida com ágio. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Conforme retro tratado, no presente caso sequer estamos diante de empresa veículo, mas a recorrente se valeu do art. 8º para incorporar a sua coligadainvestidora e passar a amortizar o ágio. Notese então que não há falar que a conduta da recorrente tenha sido em fraude à lei, pois foi justamente para possibilitar tal operação que a norma foi editada. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar os autos de infração do IRPJ e da CSLL em tela. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.896 16 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Tendo acompanhado o voto do ilustre Relator pelas suas conclusões, tendo em vistas as nuances que a matéria relativa à amortização de ágio suscita, julgo oportuno externar as razões de meu convencimento neste caso. Antes de adentrar o mérito da exigência fiscal, entendo ser necessário tecer algumas considerações acerca da questão da amortização do ágio em face de reorganizações societárias, que vem sendo largamente utilizado e discutido enquanto mecanismo de planejamento tributário das empresas. Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência administrativa, e não está imune a algum grau de subjetividade por parte dos intérpretes e aplicadores do direito. 1. Da liberdade de autoorganização do contribuinte A primeira questão a ser analisada referese à liberdade de autoorganização do contribuinte, tida como absoluta pelos intérpretes e doutrinadores liberais, que defendem que “o Fisco só pode cobrar (tributos) mediante tipicidade fechada e legalidade estrita” enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei. Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente formais dos atos e operações do contribuinte, independente de seu conteúdo real, nenhuma objeção pode ser feita pelo Fisco. Tal visão desconsidera o aspecto finalístico da lei e sua interpretação sistêmica. Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de autoorganizar se, inclusive no sentido de adotar as opções negociais que lhe propiciem a menor carga tributária possível. Esta liberdade de autoorganização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa, etc. Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito. Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal, Marco Aurélio Greco leciona que “não há dúvida de que o contribuinte tem o direito encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, fraude à lei” 1. Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações concretas em que os atos realizados pelos particulares, embora juridicamente válidos, não serão oponíveis ao Fisco, quando forem fruto de um uso abusivo do direito de auto 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228 Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.897 17 organização que, por isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e da isonomia fiscal” 2. A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal na interpretação e aplicação da lei tributária, especialmente quando se trata do Imposto de Renda, revelase de todo pertinente, não podendo tais princípios serem subjugados ou simplesmente esquecidos em face do direito de autoorganização do sujeito passivo. “A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas pelo tributo” 3. E, “na medida em que a lei qualificou uma determinada manifestação de capacidade contributiva como pressuposto de incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem na mesma condição tiverem de suportar a mesma carga fiscal. Se, apesar de existirem idênticas manifestações de capacidade contributiva, um contribuinte puder se furtar ao imposto (ainda que licitamente), esta atitude estará comprometendo a igualdade, que tem dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 4. Desta feita, não há que se falar em liberdade de autoorganização quando o ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o ordenamento autoriza estas condutas, pois a opção fiscal (desejada ou induzida pelo ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para atingir um redução do tributo)”. 5 Se o contribuinte que pratica atos, abusando do direito de autoorganização, não pode ter reconhecido os efeitos tributários os quais buscou beneficiarse, aquele que simula a prática de atos com vistas unicamente a redução de tributos menos ainda pode usufruir do benefício fiscal almejado. Primeira conclusão: a liberdade de autoorganização do contribuinte perante o Fisco e a sociedade não é absoluta; está sujeita a restrições, como o respeito à livre concorrência, à boa fé, à função social da empresa e não se coaduna com as práticas de simulação, abuso de direito ou fraude à lei. 2. Os fundamentos da existência ágio e das condições para sua amortização. A questão do ágio com fundamento econômico na rentabilidade futura da empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º6. 2 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211 3 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209. 4 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210. 5 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246 6 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto lei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.898 18 Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o ágio na aquisição de investimento somente tinha efeitos fiscais na tributação do ganho ou perda de capital quando de sua alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada no LALUR). Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos leilões de privatização de estatais 7 Em sentido contrário, Luiz Eduardo Shoueri enxerga a norma como uma restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que fossem acarretados efeitos econômico tributários que o justificassem” 8 Qualquer que fosse o objetivo, é certo que o legislador baseouse em um motivo econômico da maior relevância quando tratou da possibilidade fiscal de dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura, na Lei nº 9.532/1997. Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal de dedução do ágio, verificase que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as operações de aquisições de participações visando o programa nacional de desestatização, de sorte que é correta a sua extensão a toda e qualquer operação de aquisição de investimentos, inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal. Assim é que, em uma operação de aquisição de investimentos entre duas empresas independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses, b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. 7 Acórdão 1301000.999 (relator Valmir Sandri); "[...] A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias de serviços públicos, a norma não alcançaria seu objetivo se não houvesse a permissão para a utilização de incorporação invertida e de empresas veículo. A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase totalidade dos casos, são grupos de empresas dos mais diversos setores da economia (grandes construtoras, seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do benefício, seria impossível. É curial que não era objetivo do PND extinguir as empresas concessionárias de serviços públicos. Por isso, a previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora). Por seu turno, as investidoras também não têm interesse em serem extintas, e mais, podem ter limitações regulatórias específicas, que impeçam a junção patrimonial. Assim, a única forma de viabilizar a utilização do benefício é concentrar a participação societária adquirida (com ágio) no leilão numa empresa veículo (sociedade com propósito específico), a qual seria incorporada pela investida. Por isso, no contexto do PND, além de prever expressamente a possibilidade de operações invertidas (art. 8º da Lei nº 9.532/97), a Lei nº 9.491/97, que alterou os procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização PND, em seu art. 4º, permitiu a utilização de várias estruturas societárias possíveis para a implementação da política, inclusive por meio de empresas veículos, como as subsidiárias integrais. [...]" 8 SCHOUERI, Luis Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS (ASPECTOS TRIBTÁRIOS). São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67. Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.899 19 havendo o pagamento de ágio com fundamento na expectativa de rentabilidade futura e, cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização. Por outro lado, a lei não ampara as reorganizações societárias em que não existe uma efetiva aquisição de investimentos; quando há uma mera simulação de negócios societários visando unicamente a cria um ágio artificial para reduzir a carga tributária do contribuinte. São os casos em que ainda que formalmente regulares, os negócios societários não tem substância ou existência real, caracterizandose a simulação em sua vertente absoluta, pois sequer existe um negócio (verdadeiro) dissimulado9. 9 A simulação, tal como disciplinada no art. 167 do Código Civil é causa de nulidade do negócio jurídico. Marco Aurélio GRECO (in Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228) destaca que a doutrina majoritária define dois conjuntos de situações que configuram simulação: a) simulações objetivas que levam em conta o negócio jurídico celebrado; b) simulações subjetivas que levam em conta as pessoas participantes de tais negócios. Na categoria das simulações objetivas, está abrangida a simulação relativa se houver um negócio real e outro negócio aparente, enquanto na simulação absoluta haverá um negócio aparente e nenhum negócio subjacente (o que alguns autores chamam de pura mentira). Grande parte da doutrina brasileira defendeu, na vigência do antigo Código Civil, que a simulação corresponderia a um vício da vontade. No entanto, esta não é a única maneira de conceber a figura da simulação no Código Civil, como observa Greco: “Assim, por exemplo, ORLANDO GOMES examina a fenomenologia da simulação a partir da idéia de causa do negócio jurídico. Desde (sic) ângulo assume relevância aquilo que se designa por ‘propósito negocial’ (negocial, aqui, no sentido de negócio jurídico e não de empreendimento ou ‘business’). Este autor esclarece que, “no esquema legal de cada tipo de negócio encontrase a causa que o legitima, inalterável ao arbítrio de quem o pratica”. Assim, haverá, em princípio, ato simulado quando “determinado tipo de negócio seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente à sua causa”. E mais, “declarando o que realmente não querem, visam as partes à obtenção de resultado diverso da causa típica, mas... não pretendem o negócio que praticam”. Ou seja, identificar a finalidade e a causa do negócio é o parâmetro para aferir ou não a ocorrência da simulação. Portanto, no exame de determinado caso concreto, para saber se estamos ou não diante da hipótese de simulação, importa não apenas perguntar se estamos ou não diante de uma dualidade de vontades, mas principalmente, detectar se há um motivo real que não corresponda ao motivo aparente. Ricardo Lobo TORRES (in Planejamento Tributário: elisão abusiva e evasão fiscal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. p. 123 e 124), também cita a diferença existente entre a simulação relativa e a absoluta. Segundo ele “o que caracteriza a simulação, na sua vertente de simulação relativa é que implica a dissimulação, o fingimento ou a manipulação dos fatos praticados”. Segundo esse autor, a teoria do direito civil considera a dissimulação como forma de simulação relativa. Cita civilistas brasileiros que diferenciam a dissimulação (simulação relativa) da simulação (absoluta), in verbis: “Cf. Tepedino, Gustavo; Barboza; Heloisa; Moraes, Maria Celina Bodin de. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Parte Geral e Obrigações. Rio de Janeiro: Renovar, 2004, v. 1 p. 313: “A simulação relativa, também chamada de dissimulação, é a que contém dois atos jurídicos, quais sejam: o negócio simulado que esconde e camufla outro negócio, que é o dissimulado, a verdadeira intenção das partes. É então da simulação relativa que fala o dispositivo em tela, referindose à preservação do negócios simulado, se válido na substância e forma”, Monteiro, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 1989, p. 209 e seguintes: ‘Cumpre não confundir simulação com dissimulação. Distinguiuas Ferrara, nos seguintes termos: na simulação, fazse aparecer o que não existe, na dissimulação ocultase o que é; a simulação provoca uma crença falsa num estado não real, a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma situação existente... Mas em ambas, o agente quer o engano: na simulação quer enganar sobre a existência de uma situação não verdadeira, na dissimulação, sobre a inexistência de situação real. Se a simulação é um fantasma, a dissimulação é uma máscara”; Moreira Alves, José Carlos. Conferência Inaugural do XXVIII Simpósito Nacional de Direito Tributário. In: Martins, Ives Gandra da Silva. O princípio da não cumulatividade. Pesquisas Tributárias – Nova Série – 10. São Paulo: Centro d Extensão Universitária/Revista dos Tribunais, 2004, p. 15: “É isso porque a simulação, como sempre se considerou, apresentava, e apresenta, duas modalidades: uma simulação absoluta, em que o que se quer é apenas criar a aparência, e a simulação relativa, em que, por meio de uma aparência, que é caracterizada pelo negócio simulado, se dissimula o negócio real.” Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.900 20 As principais características desses arranjos societários simulados são: reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum ; a criação ou aquisição de empresas sem atividade econômica real (empresas veículos); subscrição de capital na empresa veículo, integralizada com quotas ou ações da empresa operacional do grupo (ou outra holding intermediária), avaliadas “a valor de mercado” com base na expectativa de rentabilidade futura; ausência de pagamento efetivo (não há qualquer dispêndio ou sacrifício patrimonial); inexistência de qualquer outra finalidade nas operações, que não a geração do ágio; operações formais realizadas em curto espaço de tempo (geralmente menos de um ano); incorporação reversa da investidora pela investida, que passa a adotar a razão social ou marca daquela; controle societário da empresa operacional (direto ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária. Assim, no exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da existência do ágio há que se levar em consideração, principalmente: a existência de motivação econômica para a operação; a independência entre as partes na formação do preço pago pela participação; a existência de efetivo pagamento (mesmo que com bens ou direitos); modificação da participação no controle (direto ou indireto) da empresa operacional após a reorganização. Ainda deve ser observado que a lei exige que o contribuinte demonstre documentalmente os fundamentos do ágio pago, valendose os interessados, geralmente, de laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado. Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº 1302001.108, que é praticamente inviável o desafio do Fisco contraporse aos "laudos" de avaliação elaborados pela empresas de consultoria contratadas pelo próprio contribuinte que engendra tais reorganizações societárias intragrupo. Além da natural precariedade e incerteza quanto à "expectativa de rentabilidade futura" estimada, agregamse à projeções dados empíricos e subjetividades não passíveis de serem questionados. O único mecanismo de aferição do valor real do negócio em uma operação de aquisição de investimento por uma sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido, bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do negócio. De se observar que na avaliação do investimento a valor de mercado pode estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o fundamento de rentabilidade futura ao total do ágio pago, necessitará de outros elementos concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos na operação apontando noutro sentido . Outro aspecto que costuma aparecer nas operações de reorganização societária, das quais derivam o ágio, é a transferência do ágio pago pela investidora para outra empresa sob seu controle direto, com posterior incorporação desta última pela investida, com vistas a viabilizar o aproveitamento do ágio. Este fato foi bastante comum no processo de privatização, que contou inúmeras vezes com a participação de empresas sediadas no exterior. Como havia interesse em manter o sigilo dos lances a serem dados nos leilões essas empresas sediadas no exterior, quando vencedoras na licitação, faziam o aporte de investimento diretamente na investida, surgindo o ágio neste primeiro momento. Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.901 21 Em momento posterior, essas empresas sediadas no exterior segregavam o investimento mediante a sua transferência (incluindo o ágio) para uma empresa controlada no país, que mais tarde absorvia a investida visando ao aproveitamento (amortização) do ágio. A justificação econômica é de que essas empresas não tinham interesse em fundirse diretamente com a empresa investida, seja por motivos estratégicos, financeiros ou mesmo operacionais, como por exemplo a necessidade de separação por ramos de negócio ou manutenção da marca. Entendo que havendo justificação econômica para o ágio originalmente pago não exista óbice para tal operação, pois se não há vício na formação do ágio o seu aproveitamento posterior, nos termos da previsão legal, deve ser respeitado pelo Fisco. A condição é de que o ágio deve ter como referência a situação patrimonial do investimento na data em que foi efetivamente pago, ou seja, o laudo deve espelhar a situação patrimonial da investida no momento da aquisição original, não no momento da transferência do investimento para a controlada. Feitas estas breves considerações, passo a analisar o caso concreto. 3. Do exame das operações e da existência e aproveitamento do ágio Os fatos relevantes a serem analisados, conforme observou o D. Relator deste acórdão, a partir do que foi descrito no Termo de Verificação Fiscal, são os seguintes: em 27/04/2006, foi constituída a BERTOLINO Participações Ltda, sendo a Texpar Part. Ltda titular de 99 cotas e a Pacaembú Serviços e Participações Ltda. titular de 1 cota; em 09/06/2006, é celebrado acordo, no qual fica pactuado que a 1700480 ONTARIO INC faria um investimento direto na Multiplan Empreedniemntos Imobiliários S/A (MTE), no valor de R$ 850.000.539,89 mediante a subscrição de ações, sendo que os sócios Multiplan Planejamento, Participações e Administração S/A (MTP) e Eduardo Kaminitz Peres (EKT) desde já renunciavam a seus respectivos direitos de preferência na subscrição; em 14/06/2006, a empresa BERTOLINO sofre uma alteração contratual, pois agora passa a ter novos sócios: 1700480 ONTARIO INC (com 99 cotas) e 1699516 ONTARIO INC (com 1 cota); em 21/06/2006, BERTOLINO aumenta seu capital social de R$ 100,00 para R$ 1.060.530.000,00, assim dividido: 1.060.529.999 cotas para 1700480 ONTARIO INC e 1 cota para 1699516 ONTARIO INC; em 22/06/2006, foi deliberado o aumento do capital social da MTE de R$ 160.295.616,00 para R$ 264.419.053,00, mediante a emissão e subscrição de 47.327.029 novas ações, sendo fixado o preço de R$ 17,9601 por ação, totalizando assim R$ 850.000.539,89, dos quais R$ 104.123.437,00 destinados ao capital social e R$ 745.877.102,89 à reserva de capital (prêmio de subscrição); também em 22/06/2006, BERTOLINO adquiriu: 583.515 ações ordinárias da MTE detidas por EKP pelo valor de R$ 10.480.010,00 (R$ 17,9601 p/ação), e 7.768.314 ações da MTE detidas por CAA Corretores Associados Ltda. pelo valor de R$ 139.519.990,00 (R$ 17,9601 p/ação), em ambas as aquisições os pagamentos foram por meio de TEDE; com tais aquisições, a BERTOLINO passou a deter 46% de participação na MTE; em 28/05/2007, 1699516 ONTARIO INC cede sua única cota da BERTOLINO para 1700480 ONTARIO INC, a qual passou a deter a totalidade das quotas da BERTOLINO; Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.902 22 em 29/05/2007, BERTOLINO é incoporada pela MTE. A autoridade fiscal, conforme TVF a fls. 1073, enquadrou as operações acima transcritas com simulação simulada (art. 167 do CC), pois entendeu que: “Embora os fatos descritos, isoladamente e do ponto de vista meramente formal, não denotem ilicitude, a moderna doutrina acerca de planejamento tributário não se satisfaz com a simples constatação da legalidade das operações, mas sim exige motivação extra tributária”.A autoridade fiscal responsável pelo lançamento entendeu ter havido a criação de ágio interno, motivo pelo qual o mesmo não poderia ser reconhecido nem amortizado. Entendo que, desta feita, resta evidente que não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. No presente caso ocorreu, em 22/06/2006, a subscrição e efetiva integralização do capital da recorrente, com pagamento em moeda no valor de R$ 850.000.539,89, pela empresa BERTOLINO, subsidiária integral da 1700480 ONTARIO INC . O capital da autuada foi aumentado de 160.295.616,00 para R$ 264.419.053,00, mediante a emissão e subscrição de 47.327.029 novas ações, sendo fixado o preço de R$ 17,9601 por ação, totalizando assim R$ 850.000.539,89, dos quais R$ 104.123.437,00 destinados ao capital social e R$ 745.877.102,89 à reserva de capital (prêmio de subscrição). Além disso, a BERTOLINO adquiriu, na mesma data, ações possuídas por outros acionistas, sendo 583.515 ações ordinárias da MTE detidas por EKP pelo valor de R$ 10.480.010,00 (R$ 17,9601 p/ação), e 7.768.314 ações da MTE detidas por CAA Corretores Associados Ltda. pelo valor de R$ 139.519.990,00 (R$ 17,9601 p/ação), efetuando os pagamentos por meio de TEDE. Com isto, a BERTOLINO passou a deter 46,3 % das ações da recorrente e foi reduzida a participação dos demais sócios para 53,7 %. O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração da participação societária, com expressiva redução da participação do grupo controlador. Equivocase a fiscalização nesse ponto, pois a verificação dessa condição deve ser feita quando a operação de subscrição e integralização do capital pela investidora,l quando se formou o ágio, em não no momento seguinte em que foi feita a incorporação da empresa investidora pela investida. O fato de o negócio ter sido entabulado pela empresa estrangeira 1700480 ONTARIO INC e efetivado por meio de sua subsidiária no Brasil, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado e adequada para a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se valeu licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais. No presente caso restaram configuradas: a existência de motivação econômica para a operação, a independência entre as partes na formação do preço pago pela Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/201111 Acórdão n.º 1302001.150 S1C3T2 Fl. 1.903 23 participação, a existência de efetivo pagamento do ágio (baseado em laudo de avaliação de empresa especializada) e, a modificação da participação no controle da empresa operacional após a reorganização, com a redução da participação dos antigos controladores. Assim, do ponto de vista estritamente fiscal, a reorganização societária realizada vai ao encontro dos dispositivos legais, já analisados anteriormente, que permitiam ao contribuinte beneficiarse do ágio pago, mediante a sua amortização mensal na base de 1/60 avos. Ou seja, não existindo vícios na formação do ágio e verificandose a situação prevista no art. 386 do RIR/1999 é direito da recorrente promover a amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, apurado e registrado nas operações societárias. Ante ao exposto voto pelo provimento do recurso voluntário. Sala de Sessões, 07 de Agosto de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721920/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007
COMPETÊNCIA RECURSAL.
O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf.
Numero da decisão: 1302-000.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Terceira Seção de Julgamento.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Terceira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13603.721920/201006 Acórdão n.º 130200.808 S1C3T2 Fl. 254 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/BHE, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade, e considerar improcedente o lançamento, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO. MÚTUO ANTERIOR AO ANO DE 1999. IOF. NÃO INCIDÊNCIA. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja instituição financeira não incide o IOF que seria devido nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que foram entregues ou colocados à disposição do mutuário até o ano de 1998. A contribuinte foi autuada por não ter recolhido o IOF relativo a operações de mútuo celebradas com a empresa Hobart Overseas. A autoridade ressaltou que o contrato de mútuo original não foi entregue (mas tão somente cópia reprográfica), bem como a baixa do contrato se deu com perdão de dívida. Na impugnação, a contribuinte aduz que o contrato de mútuo foi firmado em 29/12/95 e que os dispositivos legais que consubstanciaram a autuação passaram a viger em data posterior (Lei nº 9.779/99), o que viola o art.144 do CTN, que prescreve que o lançamento deve se reportar à data de ocorrência do fato gerador. A turma acolheu as razões de recurso da impugnante, fazendo subir os autos, todavia, em função do reexame necessário. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13603.721920/201006 Acórdão n.º 130200.808 S1C3T2 Fl. 255 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Cuidase de apreciar recurso de ofício relativo a auto de infração lavrado para constituir IOF sobre operações de crédito entre a recorrida e Hobart Overseas. O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf. Assim, voto para declinar competência, em favor da Terceira Seção de Julgamento do Carf. Sala das Sessões, 17 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000137/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 01 37 /2 00 9- 63 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 76 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 67/68) interposto em 01 de fevereiro de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 60/63), do qual o Recorrente teve ciência em 03 de janeiro de 2012 (fl. 66), que, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 53/56, lavrado em 25 de fevereiro de 2009, em virtude de dedução indevida de despesas médicas, verificada no ano calendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS ORTOPÉDICOS. CONDIÇÃO. A dedução de despesas com aparelhos ortopédicos na declaração de ajuste anual do IRPF está sujeita à comprovação por meio de receituário médico. CIRURGIA ORTOPÉDICA. PARAFUSOS E PLACAS. DEDUÇÃO. CONDIÇÃO. A dedução de despesas com aquisição de parafusos e placas em cirurgias ortopédicas está condicionada que tais despesas integrem a conta hospitalar. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 60). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 67/68, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 77 3 Discutese, no presente caso, questão relativa a dedução de despesas médicas, especificamente no que se refere a próteses para cirurgia em coluna vertebral. Em relação a essas glosas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 78 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Cabe mencionar, ainda, que a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 79 5 prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pelo Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, por meio de decisão que teve, basicamente, a seguinte fundamentação: “No caso de aparelhos ortopédicos destinados à correção de desvio de coluna, a comprovação deve ser feita mediante receituário médico, naturalmente, no qual esteja justificada a necessidade do aparelho e especifique as características técnicas do mesmo. Para satisfazer essa exigência, o impugnante anexou aos autos a nota fiscal de aquisição de produtos (fl. 07) acompanhada de declaração do médico Dr. Marcelo T. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 80 6 Miura (fl. 06). Em meu entender, o relato médico de fl. 06 não substitui o receituário médico exigido na norma citada. Isso porque o receituário é a prescrição do tratamento, situandose em momento anterior ao tratamento. Já o relato de fl. 07 é apenas uma descrição do procedimento médico realizado na esposa do contribuinte, em momento já posterior à cirurgia. Especialmente quanto aos parafusos e placas (valor de R$ 21.065,54), a orientação disponibilizada na página da Receita Federal do Brasil, no “Perguntas e Respostas”, é clara ao indicar que pode haver a dedução de gastos com parafusos e placas em cirurgias ortopédicas desde que tais gastos integrem a conta hospitalar. Isso ocorre porque os parafusos e placas não possuem previsão legal para sua dedução, são aceitos apenas nos termos do início do caput do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR supracitado, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, desde que integrem a conta hospitalar. No caso em tela, o documento apresentado pelo impugnante não é uma conta hospitalar, é uma nota fiscal de aquisição de produtos de empresa especializada na importação e exportação de produtos médicos. Tal documento, por si só, não é suficiente para autorizar a dedução pleiteada das placas e parafusos. De outra parte, não se discute se a esposa do impugnante recebeu ou não o implante dos equipamentos descritos nas notas fiscais. Todavia, para a dedução, há que ser comprovado tal fato, de acordo com os atos acima reproduzidos” (fl. 63). Entendo, todavia, que o artigo 8º., II, “a”, da Lei n. 9.250, de 1995, e o artigo 80, V, do RIR/99 são muito claros ao autorizar as deduções relativas a “aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas”, exigindo, apenas e tão somente, a “comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário”. In casu, entendo que o documento de fl. 06, acompanhado da nota fiscal de fl. 07, supre, sim, o receituário médico a que se refere o inciso V do artigo 80 do RIR/99, não se admitindo formalismo tal que afaste a aplicação da norma prevista no artigo 8º., II, “a”, da Lei n. 9.250, de 1995. Se isso não bastasse, não há, nem na lei nem no regulamento, qualquer dispositivo exigindo que os produtos descritos na nota fiscal de fl. 07 integrem a conta hospitalar, pois não há dúvida que as placas, parafusos e cages cervicais integraram as próteses utilizadas na cirurgia na coluna vertebral da esposa do Recorrente, conforme expressamente consignado na decisão recorrida. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/200963 Acórdão n.º 2101002.339 S2C1T1 Fl. 81 7 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 14033.000692/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 69 2/ 20 10 -0 1 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 712 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela Construtora RV Ltda contra a decisão de indeferimento do Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas fiscais de prestações de serviços (11% NFS), na forma do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 01/2006. O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), para as obras de matrícula CEI n. 38.720.05895/70 e n. 38.720.05896/72 em 18/12/2009. Foi emitido o Despacho Decisório n. R52/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, fls. 308/309, com a decisão de não reconhecimento do direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado: não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP; não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05896/72, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Regularmente cientificado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fls. 611/615. O contribuinte foi cientificado da decisão em 13/04/2011, apresentando recurso voluntário, em 31/05/2011, fls. 618/657, alegando em síntese: durante o procedimento de fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente todas as solicitações realizadas pelo Fisco apresentando toda a documentação requerida, inclusive conciliando as informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando, assim, qualquer possibilidade de arguição de omissão, fraude ou simulação por parte da Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente de documentos solicitados pelo Fisco; Fl. 725DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 713 3 os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente à situação fiscal, vez que em nenhum momento existiu, por parte do Fisco, solicitação de documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não foram apresentados; devese anular a decisão recorrida, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada; a não observância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização; a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as informações constantes nos documentos descaracterizados pelo Fisco são as mesmas que embasaram tal decisão acarretando um confronto de fundamentação (folha de pagamento, GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado); não obstante existirem valores retidos dos subcontratados, a Recorrente não utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09); Com o objetivo de cumprimento das normas de direito tributário que disciplinam sobre procedimento de restituição, bem como para afastar a possibilidade de agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição ora em apreço; a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada de massa salarial na verdade é apenas uma parcela dos proventos integrantes da folha de pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP, (iii) concluise que toda a sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0 são falhos, devendo toda e qualquer apuração através deste ser desconsiderada em sua totalidade; as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente recurso em razão da inaplicabilidade do instituto do arbitramento/aferição indireta, conforme restou comprovado, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99, reconhecendo o direito creditório da recorrente e consequentemente deferindo o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal; quanto ao mérito, admitido em respeito ao princípio da eventualidade, seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições Previdenciárias, bem como às relativas à formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99 e, consequentemente, deferir o pedido de restituição de valores referentes à retenção de Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação Fl. 726DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 714 4 de inclusão da Recorrente no Planejamento Fiscal uma vez que inconcebível, por inexistir créditos tributários a serem verificados e/ou lançados. na remota hipótese de não acolhimento dos requerimentos já realizados, seja dado provimento ao presente recurso em virtude da ilegitimidade dos fundamentos que sustentam o acórdão recorrido, anulando o acórdão recorrido, nos termos do art. 53 da lei 9.784/99; nos termos do art. 58, II do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, requer, desde já, seja reconhecido o direito da Recorrente de sustentar oralmente toda a fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso; requer a reunião dos processos de restituição, nos termos do art. 47 do Regimento Interno do CARF. É o Relatório. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 715 5 Voto Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. DO INDEFERIMENTO DA RESTITUIÇÃO O Despacho Decisório n. R52/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, fls. 308/309, denegou a restituição de contribuições previdenciárias pleiteada pelo contribuinte na competência 01/2006, pois considerou que não foi atendido o valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais e: não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05895/70, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; não haver GFIP para a competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05896/72, sendo que a última GFIP entregue foi a de competência 12/2005; a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão recorrida menciona que a massa salarial da mão de obra das CEI 38.720.05895/70 e 38.720.05896/72 declaradas pelo contribuinte em GFIP, em folha de pagamento e na contabilidade, em confronto com as notas fiscais emitidas para pagamento desses serviços (NFS n. 223, 224 e 001), apresenta uma relação massa salarial/faturamento de 4,41% e 7,79%, respectivamente. Assim, menciona a decisão que há impossibilidade de execução dessas obras, em virtude do número de segurados constantes em GFIP ou em folhas de pagamento específicas para as obras, referentes à mão de obra própria ou à terceirizada, mediante confronto com as notas fiscais, tanto de materiais e equipamentos quanto às de contratação de mão de obra. Diante do observado, alega a decisão recorrida ser necessário o indeferimento da restituição e que a empresa seja incluída no planejamento fiscal, a fim de que a fiscalização, em específica ação fiscal, analise, de forma pormenorizada, toda a documentação relativa à execução das obras e possa aferir os corretos valores devidos, atinentes ao pleito. Em relação à aferição indireta, informa ser possível conforme legislação de regência, se a empresa recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente. A constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, é considerado como apresentação de documentos de forma deficiente, nos termos do art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei 8.212/91 e art. 477, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 716 6 DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Anunciado o julgamento do recurso voluntário em sessão pelo Presidente de Turma, é direito do contribuinte, se desejar, fazer sustentação oral logo após a leitura do relatório do processo, nos termos do art. 58, inciso II, da Portaria nº 256, de 22/06/2009 (Regimento Interno do CARF). A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a 51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não há necessidade de juntar os processos de restituição do contribuinte para decisões conjuntas por se tratar de competências, valores, análises distintas e já distribuídos para as turmas de julgamento. O contribuinte apresenta memorial alegando sua regularidade fiscal e reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário. A recorrente anexa aos autos notas fiscais de serviços tomados de terceiros e guias de recolhimento GPS de recolhimento de retenção efetuada por ela, entretanto, tais documentos não estão acompanhados de explicações e demonstrativos estabelecendo a que obra pertence, nem acompanhados da escrituração contábil, memórias de cálculo e notas explicativas. O pedido de restituição do contribuinte deve ser acompanhado de todas as informações necessárias para se apurar o correto valor das contribuições previdenciárias, eventuais valores recolhidos a maior e a diferença a restituir. Assim, o pedido deve ser acompanhado de planilhas e notas explicativas, cálculos, documentos (GFIP, Folha de pagamento, férias, rescisões, retenções, contratos de empreitada e de subempreitada, NFS, outros) e registros contábeis (diário, razão). Sem a demonstração e a comprovação exata do valor a restituir pelo contribuinte, não pode o fisco conferir se o valor pleiteado está correto. Os documentos, planilhas, demonstrações, valores, devem ser apresentados de uma só vez, e não por parte. Isto dificulta a comprovação do valor correto a restituir. A restituição não é uma situação que se viabiliza automaticamente. Para a implementação do instituto, a parte interessada deverá cumprir as regras dispostas no ordenamento jurídico. Nos termos do art. 33 e parágrafos 1o, 2o, 3o e 4o da Lei 8.212/91 compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previdenciárias. É prerrogativa da RFB o exame da contabilidade, ficando obrigada a empresa a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitadas. A empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, ao padrão de execução da obra e aos serviços Fl. 729DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 717 7 prestados, cabendo à empresa responsável o ônus da prova em contrário (art. 33, § 4o da Lei 8.212/91). Desse modo, quando não demonstrado pelo contribuinte de maneira clara qual o valor correto das contribuições previdenciárias, correta a aferição indireta com base no valor de 11% da nota fiscal de prestação de serviço, nos termos do art. 31 c/c art. 33, § 4o, da Lei 8.212/91. O valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais, tem respaldo no art.219, §§ 7o e 8o do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.049/99. Não se deve deferir valor de restituição sem a comprovação exata da quantia e do direito. A recorrente informa que não apresentou os documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros. Não se pode anular ato de indeferimento de restituição quando devidamente fundamentado na lei e normas previdenciárias, tampouco, revogálo sem motivo de conveniência ou oportunidade, e sem comprovação certa do direito adquirido, como quer o contribuinte. Inaplicável, portanto, o art. 53 da lei 9.784/99. Fundamentada a decisão na forma da lei, não há que se falar em inobservância dos princípios da finalidade, razoabilidade e proporcionalidade pela fiscalização. Nem em agressão aos princípios gerais do direito e em enriquecimento sem causa por parte da União. Não se pode reconhecer o direito de restituição de valor ilíquido, incerto e sem comprovação. A aferição indireta pode ser utilizada quando as informações prestadas ou os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes em face de outras informações, ou outros documentos de que dispõe a fiscalização, no caso, a constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, nos termos do art. 447, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009. A apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0, as GFIP, a massa salarial, as folhas de pagamento, são válidas como documentos para embasar o indeferimento da restituição quando não há prova específica nos autos do correto valor a restituir, apenas informações genéricas, que não são suficientes para justificar o pedido de restituição. A formalização do Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP) não dá direito à restituição pretendida, pois precisam ser demonstrados os valores recolhidos a maior por intermédio dos documentos e livros contábeis, bem como, a memória de cálculo, planilhas, notas explicativas, outros, para análise da fiscalização. O contribuinte possui pedido de restituição de contribuições para diversas obras e de competências variadas, o que exige da fiscalização apuração de valores individualizados por obra, entretanto, considerando os valores recolhidos pela empresa e todas as suas obras. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 718 8 Em razão dos princípios da verdade material, da ampla defesa e contraditório, do valor justo do tributo, considerando que o contribuinte afirmou possuir todos os documentos (Folha de pagamento, GFIP, GPS, Notas Fiscais de Serviços, Contabilidade, Contratos, Subcontratos, outros) que comprovem o valor das contribuições previdenciárias devidas, o pleito deve ser acatado parcialmente, no sentido de se analisar com mais detalhe o pedido de restituição. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 731DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 719 9 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Vettorato, Redator Designado Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n. 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentouse na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n. 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do memso que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções prémoldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec. n. 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n. 10020.004375/200892: A DRF – origem após o contribuinte ter retificado as GFIP’s e retransmitidas estas considerou que as falhas do requerimento e da Fl. 732DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 720 10 instrução processual devidas a falta de comprovação das alegações foram sanadas e reconheceu parte do pedido do contribuinte como esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131. Desta forma, com base na informação citado o direito creditório foi, assim, reconhecido. (...) Desta forma, atendidas as exigências por parte do requerente faz ele jus ao direito creditório reconhecido pela Informação Fiscal citada, conforme consta da tabela cima. A DRF – origem deve averiguar nos termos da legislação que rege a matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer a existência do direito creditório, não implica e determinar a restituição de plano. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela DRF – origem, reconhecendo o direito creditório da recorrente. Porém, cabendo à DRF – origem verificar o preenchimento das condições para a restituição, conforme legislação de regência. Contudo, o presente caso demanda algumas particularidades, como se há realmente outro motivo para negativa ao pedido, pois nem sequer foi apontada falha ou irregularidade da documentação apresentada. Também, por esses motivos, entendo que não é possível um deferimento ou indeferimento de plano do Recurso Voluntário, inclusive a anulação da decisão anterior, simplesmente incorreria em maior demora na resposta efetiva ao contribuinte. Assim, cabe uma solicitação de diligência à autoridade fiscal para que, indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito e condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de requisito (ex.: preenchimento incorreto de formulário, GFIP, etc) que seja informado a requerente, instruindoa de como retificar, concedido prazo para realizar a retificação, após emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Tudo conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF. Conclusão Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar à autoridade fiscal para que: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; Fl. 733DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/201001 Resolução nº 2803000.185 S2TE03 Fl. 721 11 (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.013578/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 04/02/2002 a 29/01/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é aquela determinada pelas Leis Complementares 07/70 e 70/91, até as modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03.
VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA.
Para fins de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, não integra o faturamento, tal como definido nas Leis Complementares 07/70 e 70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes do pagamento de juros bancários, devidamente consignado em contrato.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 10.637/02. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.
A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o valor total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 04/02/2002 a 29/01/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é aquela determinada pelas Leis Complementares 07/70 e 70/91, até as modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA. Para fins de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, não integra o faturamento, tal como definido nas Leis Complementares 07/70 e 70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes do pagamento de juros bancários, devidamente consignado em contrato. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 10.637/02. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o valor total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é aquela determinada pelas Leis Complementares 07/70 e 70/91, até as modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA. Para fins de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, não integra o faturamento, tal como definido nas Leis Complementares 07/70 e 70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes do pagamento de juros bancários, devidamente consignado em contrato. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FATOS GERADORES POSTERIRORES À LEI 10.637/02. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o valor total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 15/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavraramse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 12/17 e 05/11 e relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nos valores de R$ 128.286,29 e R$ 279.348,93, respectivamente, totalizando um crédito tributário de R$ 407.635,22 incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de 02/2002 e 01/2003 (fls. 06 e 14). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência no recolhimento da contribuição, originada da não inclusão na base de cálculo das receitas de prestação de serviços provenientes de contratos aditivos, denominados "Termo de Acordo e Transação", celebrados entre a autuada e a prefeitura municipal, lançadas a crédito de despesas financeiras e de recuperação de custos. Ressalta a fiscalização que tais aditivos foram efetuados nos termos do art. 65, § 6° da Lei n° 8.666, de 1993, que prevê o aditamento para fins de restabelecimento do equilíbrio econômicofinanceiro inicial dos contratos originários a que se subordinam, possuindo a mesma natureza destes, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/20, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 19 e 20. Como enquadramento legal, citaramse, para o PIS, os artigos 1° e 3°, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2°, inciso 1, 3°, 8°, inciso 1, e 9°, Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. Para a Cofins, os artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; artigos 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, (Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 2° e 3°). Irresignado, tendo sido cientificado em 06/12/2006 (fl. 05), o autuado apresentou, em 05/01/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 321/330 e Anexo I (fls. 02/124), as suas razões de discordância (fls. 309/320), a seguir resumidas: Fl. 362DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/200671 Acórdão n.º 310200.925 S3C1T2 Fl. 356 3 Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, alega que as fantasiosas receitas apuradas pela fiscalização em verdade representam reembolso de despesas financeiras incorridas, não constituindo fatos geradores das contribuições. Relata a autuada que firmou com o Município de Belo Horizonte contratos de prestação de serviços, sendo que em todos resta determinado que o preço proposto pela contratada constitui a única remuneração a ela devida pela execução dos serviços, nos temos da cláusula quarta — item 2. Assim, qualquer recebimento extraordinário não decorrente de reajuste de preço do serviço não teria correlação nenhuma com o direito do prestador à contraprestação pecuniária em razão dos serviços prestados. O que de fato ocorreu foi que, emitidas as notas fiscais para o pronto recebimento dos valores devidos, o município deixou de honrálos no vencimento, tendo, contudo, autorizado o contribuinte a descontálas perante instituições financeiras, comprometendose a arcar com as despesas inerentes à transação, promovendo o seu reembolso mediante tais contratos aditivos. Portanto, não podendo o contribuinte suportar o ônus das despesas financeiras, procedeu contabilmente de forma a anulálas, não constituindo receita sob nenhum ponto de vista. Prossegue em seu arrazoado, salientando que os denominados "Termos de Acordo e Transação" não devem ser entendidos como aditivos ao contrato original, até mesmo porque não alteraram nenhuma de suas cláusulas, eis que fundamentados no art. 65, II, "d", da Lei n° 8.666, de1993, tratandose de legítimo acordo entre as partes, pelo que tais recebimentos foram utilizados na recuperação de despesas financeiras cujo ônus, decorrente da impontualidade no cumprimento das obrigações do município, fora suportado pelo contribuinte. Assim, não se tratando de receita bruta operacional, não devem integrar a base de cálculo das contribuições, conforme jurisprudência administrativa que transcreve. Alega também que o Supremo Tribunal Federal vem decidindo pela inconstitucionalidade da extensão do conceito de faturamento, limitandoo de modo a não contemplar as receitas financeiras. Finalmente, requer seja julgado improcedente o lançamento, reconhecendo que as receitas que deixaram de ser levadas à tributação são, em verdade, receitas não operacionais, não constituindo base de cálculo das contribuições. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 04/02/2002, 29/01/2003 O faturamento para fins de incidência da Cofins e do PIS passou a ser considerado, nos termos de seus arts. 2°, 3°, e 9°, como a totalidade das receitas auferidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada: A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 04/02/2002, 29/01/2003 O faturamento para fins de incidência da Cofins e do PIS passou a ser considerado, nos termos de seus arts. 2°, 3°, e 9°, como a totalidade das receitas auferidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada: A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Para solução da lide, imperioso decidir, em primeiro lugar, quanto à correta classificação das receitas objeto da autuação fiscal. A recorrente argumenta trataremse de simples ressarcimentos por despesas incorridas com a antecipação de valores resgatados junto às instituições financeiras, se não vejamos. Nos contratos firmados, restou expressamente avençado que "o preço proposto pela contratada constitui a única remuneração a ela devida pela execução dos serviços..." (cláusula quarta). Com efeito, uma vez prestados os serviços a ora Recorrente emitiu as respectivas notas fiscais para pagamento. No entanto, o Município Contratante se quedou inadimplente, mas, por outro lado, autorizou a Contratada/Recorrente a receber tais valores junto a certas instituições financeiras. O custo financeiro atinente à transação, por óbvio, haveria de ser suportado pelo Município Contratante que, em vista de sua inadimplência, deu causa a toda transação financeira, conforme "Termos de Acordo e Transação" anexados à Impugnação. Posteriormente, em razão do efetivo reembolso das referidas despesas, a Recorrente tratou de anular contabilmente as despesas, de modo a não tributar os valores recebidos a título de REEMBOLSO. Muito embora os valores recebidos sejam originários de instituições financeiras, ao revés do que afirmou às fl. 337 o delegado julgador da decisão ora recorrida, tais valores não se enquadram em nenhum dos conceitos de "Receita Financeira" estabelecidos pelo Decreto n° 3.000/99, quais sejam: juros recebidos, Fl. 364DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/200671 Acórdão n.º 310200.925 S3C1T2 Fl. 357 5 descontos obtidos, prêmio de resgate de títulos e debêntures, variações monetárias e rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras. Em verdade, os recebimentos utilizados na recuperação das despesas financeiras têm como único escopo a restituição do ônus financeiro cominado ao contribuinte pela impontualidade do Município, não havendo o que se falar em receita bruta operacional, eis que não houve contraprestatividade por parte da Recorrente em relação a estes recebimentos. Para o i. Julgador de piso, embora não considere a classificação das receitas um fator determinante para manutenção do crédito exigido, tal não favorece à contribuinte. O argumento de que os valores recebidos o foram para fazer face a dispêndios de origem financeira não possui o condão de classificálos como receitas financeiras, como pretende a autuada, porquanto, nos termos da legislação tributária de regência da matéria (Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda) constituem receitas financeiras, entre outras, os juros recebidos, os descontos obtidos, o prêmio de resgate de títulos e debêntures, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras, não se vislumbrando do que dos contratos consta nenhuma dessas características. Ademais, ainda que se possa atribuir aos recebimentos certa natureza compensatória, decorrente do pagamento intempestivo por parte do contratante, tais importâncias, recebidas além do valor de direito contra terceiro, contabilizadas a título de recuperação de custo ou despesas, também integrariam a receita bruta operacional. Reproduzo a seguir os termos do ajustamento pactuado entre as partes. CLÁUSULA PRIMEIRA Acordam as partes em compor mútuos direitos e obrigações, mediante, reconhecimento pela CONTRATANTE, em favor da CONTRATADA, do crédito no montante de R$541.101,51 (quinhentos e quarenta e um mil, cento e um reais e cinqüenta e um centa"), em pagamento dos ônus adicionais e imprevistos por esta última suportados, decorrentes da falta de pagamento de parcelas relativas aos serviços executados. PARÁGRAFO ÚNICO — A documentação bancária de empréstimo obtido pela empresa contratada, da qual resultaram os cálculos dos encargos encontrase em arquivo próprio da DR.TOM — Diretoria Técnico Operacional e de Mobilização Social. Claro está trataremse de valores pagos à recorrente a título de ressarcimento por “pagamento dos ônus adicionais e imprevistos, quais sejam, encargos de empréstimos bancários contraídos em vista da “falta de pagamento de parcelas relativas aos serviços executados”. Ou seja, em vista do inadimplemento da contratante, a Consita obteve empréstimos bancários, sendo os encargos correspondentes mais tarde ressarcidos pela contratante. Não me parece que tais valores guardem tanta relação com o negócio originalmente avençado, tal como entendeu o i. Relator do voto condutor da decisão recorrida. Fl. 365DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Uma vez fixadas as condições de interesse das partes para realização dos serviços de limpeza, estas foram expressamente incluídas no contrato firmado. Não havendo, por parte da contratante, o adimplemento do compromisso de pagar, a contratada contraiu empréstimo bancário, como meio de obter os recursos de que necessitava, pagando os encargos determinados pela instituição financeira. Mais tarde, a contratante ressarciu a contratada destas despesas. Observese que estes valores não foram fixados pela Consita e tampouco havia interesse da mesma em obter qualquer tipo de resultado neste negócio. Houve sim a compensação de uma despesa extra na qual incorreu, no exato valor determinado pelo banco, este sim titular do negócio e do faturamento correspondente. Segundo entendo, estes valores não podem ser classificados como faturamento pela venda de serviços de limpeza, pois não atendem a requisitos básicos para receberem tal designação. O faturamento de serviços se dá em função das condições determinadas pelo titular do negócio. Seja pelo tipo de opção que escolhe, assumindo os riscos do negócio, seja pela estimativa de custos, expectativa de lucros, demanda, oferta etc. A parte do negócio que escapa a estes preceitos deve ser classificada segundo suas próprias particularidades. No caso, houve apenas o ressarcimento por despesas bancárias nas quais a Consita incorrera, sem que essa tivesse tomada qualquer outra medida típica das relações negociais das quais decorre o faturamento por serviços. No que diz respeito ao alcance da tributação em epígrafe, de se destacar que a origem das Contribuições encontrase nas Leis Complementares nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e 07, de 07 de setembro de 1970. A primeira, em seu artigo 2º, referiuse à base de cálculo como sendo “o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, ao passo que a segunda, referiuse simplesmente ao “faturamento”, mais tarde especificado na Emenda Constitucional de Revisão nº 01/94 como “receita bruta operacional”. Percebese que as demais receitas, tais como alugueis, juros, descontos, correção monetária etc, não estão contempladas neste universo. De fato, a exigência encontra fundamento legal na Lei 9.718/98 que, ao promover o famigerado “alargamento da base de cálculo”, inclui na base tributável toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, a inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos Fl. 366DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/200671 Acórdão n.º 310200.925 S3C1T2 Fl. 358 7 do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Código do Processo Civil Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Isto posto, temse que o disposto no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, deve ser afastado na apreciação dos litígios influenciados pela determinação ali contida. Contudo, Fl. 367DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 necessário anotar que, no vertente caso, parte da exigência está sujeita às regras introduzidas pela Lei 10.637/02, especificamente a exigência da Contribuição para o Pis/Pasep referente ao fato gerador ocorrido em 29 de janeiro de 2003. Ao definir a base de cálculo da Contribuição para o Pis/Pasep como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a Lei 10.637/02 passou a admitir que fossem excluídos da base de cálculo apenas alguns poucos ingressos especificados no parágrafo 3º do artigo 1º, dentre os quais não estão as receitas sub examine. Por todo o exposto, considerando a natureza dos valores identificados pela fiscalização e as modificações introduzidas pela Lei 10.637/02, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, mantendo exclusivamente o crédito tributário correspondente à contribuição para o Pis/Pasep referente ao fato gerador ocorrido em 29 de janeiro de 2003. Sala de Sessões, 01 de março de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000940/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 15/10/2007, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira – CPMF, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo, em relação aos períodos de apuração compreendidos entre 23/06/1999 e 01/01/2003. As citações dos números de folhas do processo se referem à imagem PDF e não ao processo físico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 94 0/ 20 07 -1 0 Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 4 2 Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 114 a 162, a fiscalização detectou que houve falta de retenção da CPMF em 22.580 contas sem embasamento legal para tal procedimento. As contas que deixaram de sofrer a retenção da CPMF foram agrupadas com base nos motivos que levaram à autuação. Os grupos e as motivações apresentadas pela fiscalização são, resumidamente, os seguintes: A Contas de titulares declarados como sendo pertencentes à administração pública direta e indireta. Segundo a fiscalização, este grupo contém contas cujos titulares são pessoas físicas, empresas públicas, sociedades de economia mista, entidades empresariais e afins, empresas de educação ou congêneres, entidades de previdência privada, cartórios e demais atividades jurídicas, fundações privadas, organizações religiosas, sindicatos, organizações políticas, associações, cooperativas e outras formas de organizações sem fins lucrativos. Segundo a fiscalização, não há previsão legal para que o banco deixe de fazer a retenção da CPMF em relação a essas entidades; B Contas de titulares declarados como entidades referidas no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 (instituições financeiras, bolsas e cooperativas de crédito). Segundo a fiscalização, este grupo contém contas cujos titulares não são instituições financeiras, tais como administradoras de consórcio, empresas de previdência privada fechada e aberta, gestão de participações societárias (holdings). Alega a fiscalização que nenhum dos titulares dessas contas está cadastrado no Banco Central ou na Comissão de Valores Mobiliários, assim, não se enquadram na hipótese prevista no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 (alíquota zero); C Contas de titulares declarados como sendo entidades beneficentes. Foram autuadas contas em relação às quais o banco não apresentou as declarações de entidade beneficente exigidas pelas Instruções Normativas da Receita Federal ou em relação às quais as declarações apresentadas eram inválidas; D Contas em relação às quais o banco não declinou os motivos para a não cobrança da CPMF. Foi detectado, ainda, que houve falta de recolhimento da CPMF em razão da instituição financeira ter oferecido a alguns clientes serviços de liquidação de compromissos com a utilização de cheques de terceiros, diretamente no caixa, sem que esses cheques de terceiros fossem depositados na conta corrente dos clientes e, portanto, sem a retenção da CPMF, violando o disposto no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96. Em sede de impugnação a defesa alegou em síntese o seguinte: a) Recolheu o crédito tributário lançado pela falta de retenção do tributo das contas de entidades beneficentes em relação às quais não conseguiu localizar ou regularizar as declarações exigidas pelas Instruções Normativas; b) Decadência do direito do fisco efetuar o lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até 14/10/2002, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN; c) Exigência de tributo fora do período fiscalizado, pois o procedimento fiscal teve por escopo o período de 17/06/1999 a 31/12/2002, mas o auto de infração abarcou também o período de 01/01/2003 a 08/01/2003; Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 5 3 d) Inadmissibilidade de tributação das contas de titularidade da União vinculadas ao título contábil 3120100007 do plano geral de contas do banco. As contas cujos números iniciam com “333” ou “555” são de titularidade da União, representadas por pessoas físicas e/ou jurídicas autorizadas a movimentálas. Eram movimentadas por pessoas físicas das unidades gestoras da administração direta e indireta, integrantes do SIAFI. Eram abertas por solicitação da STN e não admitiam nenhuma espécie de débito para pagamento de despesas, uma vez que destinadas exclusivamente à movimentação dos recursos do orçamento da União (IN STN nº 9/1992). Atualmente essas contas não mais existem, pois os recursos da União passaram a ser movimentados em conta única da União, conforme disciplinado na IN STN nº 4/1998; e) Inadmissibilidade de tributação das contas da Paranaprevidência. Segundo os arts. 2º e 3º da Lei Estadual nº 12.398, de 30/12/1998, essa entidade possui personalidade jurídica de direito privado e não tem fins lucrativos. Ela surgiu no lugar do antigo Instituto de Previdência e Assistência aos Servidores do Estado do Paraná, visando abrigar o sistema de seguridade social dos agentes públicos estaduais, seus dependentes e pensionistas. A Paranaprevidência faz jus à imunidade recíproca do art. 150, VI, “a” da CF/88, pois exerce, por delegação, atividade típica do Estado do Paraná; f) Inadmissibilidade de tributação das contas do BNDESPAR. A fiscalização fundamentou o lançamento na violação do art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96, por entender que os lançamentos efetuados nessas contas não se sujeitavam à alíquota zero. Entretanto, o caso é de alíquota zero porque se tratam de movimentações de valores de conta corrente de depósito para conta de idêntica natureza do mesmo titular (transferências entre contas correntes 5.0326 e 715.0210, ambas de titularidade da BNDESPAR), nos termos do art. 8º, II, da Lei nº 9.311/96; g) Comprovação da isenção de entidades beneficentes. A fiscalização efetuou o lançamento em razão da ausência de apresentação das declarações de entidade beneficente previstas nas Instruções Normativas da Receita Federal. A defesa conseguiu obter parte das declarações comprobatórias, requerendo a desconstituição do crédito tributário em relação às contas das entidades a que se referem as declarações anexadas com a impugnação; h) Impossibilidade de tributação das operações de liquidação de compromissos/títulos de clientes com cheques de terceiros. Essas operações estão fora do campo de incidência da CPMF. Entende a recorrente que a entrega de cheques nominais endossados ao banco para pagamento de compromissos, objetivando a não incidência tributária, não caracteriza ilicitude. Essas operações estão no campo da elisão fiscal, isso porque tal procedimento compreende exatamente um ato de antecipação à ocorrência do fato gerador da CPMF, por meio da via legal disponível (art. 17, I, da Lei nº 9.311/96), evitando legitimamente a ocorrência do fato gerador. De acordo com o art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96, o fato gerador só ocorrerá se os pagamentos forem efetuados por conta e ordem de terceiros, diversamente do que ocorre na situação fática autuada, onde o pagamento é efetuado pelo próprio cliente, beneficiário dos cheques nominais que são endossados ao Banco. Ainda que se admita que tal operação possa ser enquadrada no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96, no caso, não haveria tributo a recolher, pois a liquidação/pagamento de cheque está indicada na lei em hipótese de aplicação de alíquota zero de CPMF (art. 8º, V, da Lei nº 9.311/96). Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 6 4 Por meio do despacho de fls. 1554 a 1564 a DRJ – Brasília converteu o julgamento em diligência. Os autos retornaram com os documentos de fls. 1568 a 1626 e com o relatório de diligência de fls. 1628 a 1649. Regularmente notificado do relatório de diligência em 31/01/2012 (fl. 1650), o contribuinte apresentou manifestação às fls. 1654 a 1670, onde reforçou as alegações de decadência parcial e da não tributação das contas “333” e “555”, fato que fora reconhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em processo relativo ao próprio Banco do Brasil, por meio do Acórdão 930301.185 (fls. 1706 a 1724). Por meio do Acórdão 48.975, de 20 de julho de 2012, a 2ª Turma da DRJ Brasília julgou a impugnação parcialmente procedente, decidindo o seguinte: 1) Em relação ao pagamento parcial do valor lançado, no montante de R$ 8.610.846,64, ficou decidido que o procedimento da DRF em ter alocado o referido valor aos períodos de apuração mais antigos não tem nenhum amparo legal, pois o contribuinte indicou no arquivo denominado “Demonstração Valor Pago Analítica e Consolidado (anexado à fl. 796 do processo físico), a quais períodos e a quais matérias se referiam os aludidos pagamentos; 2) O pagamento efetuado alcançou valores devidos por fatos geradores cujo crédito tributário já havia sido extinto pela decadência do direito do fisco, cabendo à autoridade administrativa, encarregada da execução do acórdão, alocar esses pagamentos indevidos aos períodos de apuração remanescentes mais antigos; 3) Embora o sujeito passivo tenha identificado claramente na impugnação as matérias sobre as quais apresentou seu inconformismo, o próprio autuado recolheu certas exigências de CPMF referentes à parte de algumas das matérias impugnadas. Existem casos em que serão consideradas procedentes (ainda que em parte) as razões de impugnação em relação a determinadas matérias. Entretanto, no que tange a essas certas exigências de CPMF que foram pagas, é forçoso concluir que não se instaurou o litígio, não cabendo cogitar, nessa hipótese, de pagamento indevido; 4) Foi reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores semanais, correspondentes aos períodos de apuração semanal nº 1 (de 17/06/1999 a 23/06/1999) até o de número 173 (de 03/10/2002 a 09/10/2002), restando não alcançadas pela decadência as exigências referentes ao período de apuração semanal nº 174 (de 10/10/2002 a 16/10/2002) até o de número 185 (de 26/12/2002 a 01/01/2003), conforme planilha elaborada pela fiscalização às fls. 1631 a 1642; 5) Foi rejeitada a alegação de que a autuação englobou fatos geradores não incluídos no MPF, pois o MPF de fl. 08, cientificado ao contribuinte em 06/07/2004, incluiu na fiscalização os períodos de janeiro de 2003 a junho de 2004; 6) Em relação às contas “333” e “555” de titularidade da União, foi considerada não impugnada a parcela recolhida pelo contribuinte sob esta rubrica. Quanto à parte não recolhida, a DRJ reconheceu o direito à não incidência da CPMF, com base no entendimento vertido no Acórdão 20179.608 (que foi mantido pela CSRF por meio do Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 7 5 Acórdão 930301.185). A tabela contendo os valores não impugnados e os excluídos encontrase nas fls. 3928 e 3929; 7) Foi mantido o lançamento em relação às contas da Paranaprevidência, sob o argumento de que a imunidade recíproca só se refere aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da União, Estados e Municípios. Além disso, não se aplica ao caso o art. 150, § 2º, da CF/88, pois a Paranaprevidência possui personalidade jurídica de direito privado, não se confundindo com autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Também é inaplicável ao caso o art. 3º, I e V, da Lei nº 9.311/96, pois a Paranaprevidência não é uma entidade beneficente de assistência social; 8) Foi cancelado o lançamento em relação às contas do BNDSPAR, pois com base nos extratos bancários anexados com a impugnação, a DRJ entendeu que os lançamentos a débito na conta corrente 5.0326 tiveram como histórico “transferência de saldo” desta conta para a conta 715.0210, ambas de titularidade do BNDSPAR. A tabela contendo o valor exonerado encontrase às fls. 3931 a 3932; 9) Relativamente às contas de entidades beneficentes, entendeu a DRJ que embora o contribuinte tenha apresentado diversas declarações firmadas por entidades beneficentes para fins de não incidência da CPMF, uma parte do crédito tributário lançado sob esta rubrica foi atingido pela decadência e outra parte não foi impugnado, em razão de o contribuinte ter efetuado o recolhimento parcial. Assim, concluiu a DRJ que só restaram para análise as declarações de entidades beneficentes relativas ao período de 01/01/2002 a 31/12/2002. A defesa apresentou à fl. 1480 uma relação de 24 contascorrentes de entidades beneficentes e as correspondentes declarações foram anexadas às fls. 1482 a 1524. A DRJ considerou que das 24 contas impugnadas, cinco delas não foram objeto da autuação (contas nº 2217, 5148, 15425, 18608 e 31730) e, portanto, não teriam as declarações de entidades beneficentes analisadas. Em relação às demais declarações apresentadas, a DRJ entendeu que estavam de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 1º, §§ 1º e 2º da IN SRF nº 44, de 02/05/2001 combinado com o Ato Declaratório Executivo SRF nº 69, de 31/12/2001. A tabela contendo os valores lançados, não impugnados (recolhidos) e excluídos sob esta rubrica encontrase na fl. 3934; 10) Foi mantida a exigência da contribuição sobre as operações de liquidação de compromissos/títulos de clientes com cheques de terceiros, sob o argumento de que a utilização de créditos, direitos ou valores, não creditados em contacorrente de depósitos de seu titular, para liquidação, compensação ou pagamento de obrigações desse mesmo titular, sem a correspondente cobrança da contribuição, constituía violação do art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96 (conforme Ato Declaratório nº 33, de 17/05/2000 e art. 3º, § 8º da IN SRF nº 173, de 11/07/2002, aos quais a DRJ está vinculada). Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 23/08/2012 (fl. 3963), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 3964 a 3985 alegando, em síntese, o seguinte: 1) Em face do cancelamento da exigência sobre as contas de titularidade da União, os valores recolhidos parcialmente tornaramse indébitos tributários, uma vez que devem ser excluídos da autuação, não havendo que se falar em parcela não impugnada; Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 8 6 2) Em relação às entidades beneficentes, não há que se falar em valores não impugnados. Aqui também surgiu um indébito tributário que deve ser restituído à recorrente, pois uma parte do crédito foi exonerado pela decadência e a outra parte porque se considerou que as contas eram de titularidade das entidades beneficentes, conforme as declarações que foram aceitas pela DRJ; 3) Reiterou a alegação de decadência do direito do fisco e pleiteou a manutenção do acórdão recorrido nesta parte; 4) Pleiteou a restituição do indébito resultante do pagamento efetuado antes do julgamento de primeira instância, sob o argumento de que o lançamento já foi declarado indevido e que a não devolução do valor pago configura a violação de vários princípios jurídicos, além de enriquecimento sem causa da União; 5) Relativamente às contas da Paranaprevidência, reprisou que se trata de uma entidade que faz jus à imunidade recíproca do art. 150, VI, “a” da CF/88, pois é uma entidade que exerce, por delegação, atividade típica do Estado do Paraná. Também faz jus à imunidade do inciso VI, “c” e § 2º do mesmo dispositivo constitucional, pois se qualifica como instituição de assistência social sem fins lucrativos. A DRF – Curitiba, escorada na Solução de Consulta Interna nº 31, de 02/12/2003 e na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 205, de 04/12/2003, reconheceu o caráter público dos recursos movimentados pela entidade, os quais comprovadamente pertencem ao Estado do Paraná e destinamse aos pagamentos de benefícios previdenciários dos segurados inativos e pensionistas daquele ente federativo (Anexo 2 ao recurso); 6) No que tange às operações de liquidação de compromissos/títulos de clientes com cheques de terceiros, reprisou e reforçou as alegações de impugnação, no sentido de que se trata de planejamento tributário e que tais operações não são alcançadas pela incidência prevista no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96. Caso esse argumento seja superado, reiterou que se trata de operação sujeita à alíquota zero, enquadrandose no art. 8º, V, da Lei nº 9.311/96; 7) Alegou que o auto de infração deve ser revisto de ofício, pois afrontou o princípio da verdade material. É inadmissível que se considere válido um lançamento maculado por vício e incorreção que comprometem a essência da cobrança do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal de admissibilidade, pois os valores da contribuição e da multa de ofício exonerados pelo acórdão de primeira instância superaram o limite de alçada, conforme se pode comprovar no demonstrativo “B”, de fls. 3955 a 3961. O recurso voluntário também preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido e julgado por este colegiado. Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/200710 Resolução nº 3403000.487 S3C4T3 Fl. 9 7 Uma das matérias postas no recuso de ofício para revisão por parte deste colegiado é a decadência do direito do fisco. No que concerne a essa questão, este colegiado está vinculado pelo art. 62A do Regimento Interno à interpretação do art. 150, § 4º do CTN versada no RESP nº 973.733, decidido sob a sistemática do art. 543C do CPC. Verificase na fl. 3921 que o acórdão da DRJ – Brasília aplicou ao caso concreto a Súmula Vinculante nº 8 do STF e o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, que contém basicamente o mesmo entendimento vertido no RESP nº 973.733. A decisão recorrida considerou que “No caso dos autos, é incontroverso que houve recolhimentos da CPMF no período abrangido pela autuação”. Entretanto, um fato só pode ser considerado incontroverso quando tiver sido alegado por uma parte e admitido pela parte contrária. E definitivamente não é isso que consta dos autos. A fiscalização silenciou sobre a existência ou a inexistência do pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN e a defesa também não alegou e nem comprovou que efetuara tais pagamentos. O que se tem nos autos é a omissão de informação quanto à existência ou inexistência de pagamentos antecipados e não um fato incontroverso. Ninguém se pronunciou sobre a existência de pagamento antecipado. Para que se possa analisar o recurso de ofício interposto pela DRJ, na parte em que aquele órgão decidiu pela decadência do direito do fisco, é preciso que este colegiado saiba com certeza em quais períodos houve ou não houve o pagamento antecipado que alude o art. 150, § 1º do CTN, uma vez que deverá ser aplicado ao caso o entendimento do acórdão do STJ acima indicado. Com esses fundamentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) Em relação aos fatos geradores considerados decaídos pela DRJ, ou seja, em relação aos períodos de apuração semanais nº 1 (de 17/06/1999 a 23/06/1999) até o de nº 173 (de 03/10/2002 a 09/10/2002), informar em quais houve o pagamento antecipado da CPMF, a que alude o art. 150, § 1º, do CTN, e em relação a quais não houve pagamento; b) Juntar as telas do sistema SINAL ou um extrato desse sistema para fins de comprovação nos autos. Atendida esta solicitação, os autos deverão retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento dos recursos. Antonio Carlos Atulim Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10865.908708/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS DO MESMO TRIBUTO NO MESMO ANO
1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano.
2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles.
3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.
Numero da decisão: 1802-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. 2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. 3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 87 08 /2 00 9- 31 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1435.123, às fls. 95 a 105: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 18604.36870.030907.1.7.049621, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/11, acompanhada dos documentos de fls. 12/44, na qual alega, em síntese, que: a) no mês de agosto/2006, apurou base de cálculo negativa do IRPJ, no valor de R$ 237.167,82, conforme consta da Ficha 11 da DIPJ/2007; b) no dia 17/11/2006, efetuou pagamento indevido no valor de R$ 79.914,75; c) no mês de outubro/2006, a manifestante apurou base de cálculo positiva no valor de R$ 281.747,46, o que gerou IRPJ a pagar, em 30/11/2006, no valor de R$ 39.553,77; d) do referido valor devido, R$ 27.521,77 foram compensados na data de 03/09/2007; e) a compensação levada a efeito pela Manifestante revestiuse de. caráter inteiramente satisfativo do crédito tributário da Receita Federal; f) sob o aspecto legal carece de fundamento a glosa da compensação levada a efeito pela Manifestante; g) o .órgão julgador da RFB buscou fundamento para impugnar a compensação no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005; h) a própria Receita Federal, contudo, entendendo ser imperioso e justo que as empresas tenham efetuado pagamento indevido ou a maior em meses anteriores, houve por bem alterar o artigo 10 da IN .SRF n° 600/2005, a teor do artigo 11 da IN RFB n° 900/2008, para Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 5 4 excluir do texto do artigo 10 as disposições: “bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal.”; i) tratandose de pagamento indevido e não de retenção indevida, a Manifestante não está limitada a somente utilizar o indébito no final do período de apuração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 17/11/2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/11/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/04/2012, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, informa que está juntando aos autos cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; extratos dos pagamentos referentes ao IRPJ do ano 2006, efetuados no código 2362; Livro LALUR; e as DCTF dos períodos envolvidos. Este é o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 31/01/2007 (conforme consulta ao sítio da Receita Federal) e retificada em 03/09/2007, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento indevido referente à estimativa de IRPJ do mês de agosto/2006, feito em 17/11/2006, no valor total de R$ 79.914,75. O crédito informado no PER/DCOMP corresponde a uma parte do referido pagamento indevido (R$ 32.918,72), e o débito objeto da compensação é referente à parcela da estimativa de IRPJ do mês de outubro/2006, informada com as seguintes rubricas: Principal: 27.521,77 Multa: 5.504,35 Juros: 547,68 Há outro PER/DCOMP em que a Contribuinte utiliza outra parte do alegado pagamento indevido, que é objeto do processo nº 10865.908709/200985, também examinado nesta sessão de julgamento. A negativa da Delegacia de origem foi amparada no entendimento de que os recolhimentos de estimativa mensal só poderiam ser utilizados na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que apurou, mediante balancetes de suspensão/redução, base de cálculo negativa para a estimativa de IRPJ do mês de agosto/2006, o que tornou indevido o referido pagamento. Ela destacou também que houve alteração no texto contido no art. 10 da IN SRF nº 600/2005, modificando a regra que restringia a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. De acordo com a decisão de primeira instância administrativa, os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não seriam pagamentos passíveis de compensação. Ainda segundo a DRJ, mesmo que se admitisse o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior passível de restituição/compensação, a Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 7 6 Contribuinte não teria se desincumbido do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos nos artigos 165 e 170 do CTN, bem como no art. 74, caput, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 8 7 recolhimento por estimativa, por não significar extinção de crédito tributário. Noutro giro, ainda que se admitisse o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Assim, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de agosto de 2006, o imposto de renda devido em meses anteriores (até julho/2006) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros “Diário” ou “Lalur”, a demonstração do resultado do exercício, etc., além dos registros pertinentes do livro “LALUR”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 9 8 Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; extratos dos pagamentos referentes ao IRPJ do ano 2006, efetuados no código 2362; Livro LALUR; e a DCTF do mês de agosto/2006. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 10 9 Vêse que a Contribuinte apurou as estimativas mensais de IRPJ em 2006 mediante balancetes cumulativos de suspensão/redução. Até o mês de agosto, foram apuradas bases mensais negativas, e de setembro a dezembro bases mensais positivas crescentes (R$ 1.965.005,13, em 31/12/2006). Os valores discriminados na DIPJ como base de cálculo mensal das estimativas correspondem aos valores registrados mensalmente no LALUR. Em agosto/2006 foi apurada uma base negativa de R$ 237.167,82, mas a Contribuinte recolheu estimativa de R$ 67.954,73 para esse período, que ainda foram acrescidos com multa e juros, perfazendo o total recolhido de R$ 79.914,75. A DCTF também não indica a existência de débito de estimativa de IRPJ para o mês de agosto/2006. No ajuste anual não foi computado qualquer valor de dedução como estimativa de agosto/2006. E o PER/DCOMP apresentado serviu tão somente para deslocar uma parte do recolhimento feito indevidamente referente ao mês de agosto/2006 (R$ 32.918,72) para a quitação de parcela da estimativa do mês de outubro (com a rubrica principal de R$ 27.521,77, mais acréscimos). Os documentos apresentados são suficientes para a homologação da compensação. Desde o início, a negativa ao pleito da Contribuinte busca fundamento no argumento de que os recolhimentos de estimativa não podem ser objeto de restituição ou compensação, haja vista que eles só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Quanto a isso, é importante mencionar que tal entendimento já foi superado, inclusive com súmula editada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas a questão deste processo envolve aspectos que vão além desse debate sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa. Cabe registrar que de fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos. Contudo, esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas sempre mereceu ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 11 10 Isto porque na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. Tanto a apuração final (ajuste anual) quanto os balancetes mensais de suspensão/redução de tributo são cumulativos, computandose neles todos os fatos e recolhimentos ocorridos a partir de primeiro de janeiro até o último dia do período a que se refiram. Assim, pela própria sistemática dos sucessivos Balancetes de suspensão/redução ao longo do mesmo ano, um eventual excesso de estimativa acaba sendo absorvido nos meses posteriores, para, ao final, ser levado como dedução no ajuste anual, independente do mês a que se refira. Para tanto, não seria nem mesmo necessária a apresentação de PER/DCOMP. Com efeito, a Contribuinte tem o direito de computar o recolhimento em pauta na apuração de ajuste em 2006, seja como estimativa de agosto, seja como estimativa de outubro. Aliás, ao computar o referido recolhimento como estimativa de outubro, a Contribuinte inclusive reduz a dedução que poderia fazer no ajuste, uma vez que passa a computar os acréscimos legais sobre o novo débito, incluindo a multa de mora. No caso, a razão para a apresentação do PER/DCOMP, objetivando deslocar o valor de R$ 32.918,72 de agosto para quitar estimativa de R$ 27.521,77 em outubro, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um mês, enquanto há excesso em outro. Realmente, não há nada a obstar que parte do recolhimento a título de estimativa de IRPJ de agosto/2006, no valor total de R$ 79.914,75, realizado em 17/11/2006, seja utilizado para a quitação de parte da estimativa de IRPJ de outubro do mesmo ano, no valor de R$ 27.521,77 mais acréscimos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para homologar a compensação, no limite do crédito reconhecido, observados os acréscimos legais cabíveis, conforme a data de envio do PER/DCOMP. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/200931 Acórdão n.º 1802001.848 S1TE02 Fl. 12 11 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003746/2003-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMENDA CONSTITUCIONAL N. 20/1998. EXECUÇÃO. JUSTIÇA DO TRABALHO.
A partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização abster-se de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento parcial para excluir a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Redator - Designado
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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EXECUÇÃO. JUSTIÇA DO TRABALHO. A partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização absterse de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento parcial para excluir a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 37 46 /2 00 3- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 172 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Redator Designado EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 10423.077, da 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 142 a 145), julgado na sessão plenária de 06 de março de 2008, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para considerar como isentas as verbas trabalhistas auferidas por extinção contratual reconhecida pela Justiça do Trabalho. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS FALTA DE RETENÇÃO DO IRF Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do credito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12, DOU, seção 1, dias 26, 27 e 28/02/2006). INCIDÊNCIA DO IMPOSTO ACORDO TRABALHISTA INDENIZAÇÃO POR DOENÇA PROFISSIONAL. As verbas Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 173 3 trabalhistas auferidas por extinção contratual reconhecida pela Justiça do Trabalho como de natureza indenizatória não incide a tributação do imposto de renda. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 26/05/2010 (fl. 146), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova e de divergência (fls. 149 a 164). Na parte em que aponta contrariedade à lei ou à evidência da prova, afirma que o contribuinte abriu mão de duas ações trabalhistas para firmar acordo onde deu quitação integral do contrato de trabalho e renunciou a qualquer estabilidade decorrente de doença profissional. Nesta situação, o pagamento das verbas ao contribuinte não se deu como forma de recomposição de seu patrimônio (como acontece quando se trata de pagamento de valores indenizatórios), mas como opção sua e mera liberalidade do empregador. Assim, a decisão teria contrariado as provas dos autos, pois a análise do acordo trabalhista leva à conclusão de que as verbas nele tratadas não se encontram entre aquelas consideradas isentas pela legislação tributária. Na parte em que indica divergência de interpretação da lei tributária, aponta paradigma que, ao examinar acordo trabalhista no qual o contribuinte renunciou à estabilidade no emprego a que fazia jus por lei, recebendo em decorrência valores a esse título, considerou que a referida verba não possuía caráter indenizatório e tampouco se subsumia a alguma das hipóteses isentivas expressamente estabelecidas em lei. Tratase do Acórdão no 10246.538, da 2a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, julgado na sessão plenária 10 de novembro de 2004, cuja ementa se transcreve: Ementa: IRPF INDENIZAÇÃ0 PAGA A EMPREGADO ESTÁVEL Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte os valores recebidos a título de indenização especial, mediante acordo em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, no curso do período de estabilidade assegurado ao empregado que ocupa cargo de direção sindical, especialmente quando não decorre de convenção trabalhista homologada pela Justiça do Trabalho ou sentença proferida em dissídio coletivo. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 165 a 166. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 16/03/2011 (fl. 169), o contribuinte não apresentou contrarrazões (fl. 170). É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 174 4 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à tributação pelo imposto de renda dos rendimentos recebidos a título de “Indenização de Reparação de Danos”, no valor de R$ 100.000,00, no acordo trabalhista firmado pelo contribuinte e o HSBC Bank Brasil S/A. Observese que o acordo foi firmado para encerrar o contrato de trabalho, pondo fim a duas ações trabalhistas propostas pelo contribuinte. Transcrevo os itens do acordo de interesse à discussão (fls. 28 a 29): 4. As partes compõem, também, que o valor pago referese a quitação integral do contrato de trabalho, envolvendo as duas ações trabalhistas propostas pelo Autor sob os números RT 5660/1998 (4a Vara do Trabalho de Maringá) e RT 1973/2001 (1a Vara do Trabalho de Maringá), renunciando, ainda, o Autor, a qualquer estabilidade decorrente de doença profissional. (...) 7. As partes declaram que as verbas que compõem o presente acordo são: REFLEXO EM AVISO PRÉVIO INDENIZADO R$ 5.507,39 DIFERENÇA DE FGTS + MULTA R$ 48.342,63 INDENIZAÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS R$ 100.000,00 DIFERENÇA DE FERIAS + 1/3 R$ 7.343,18 VERBAS SALARIAIS R$ 91.789,81 Diante do conjunto probatório, tenho que concordar com os argumentos do recurso especial e do voto vencido do acórdão guerreado, no sentido de que não está comprovada a natureza não tributável da verba paga. Com bem ressaltado no citado voto vencido, a simples atribuição do nome “indenização” à verba não a exclui do alcance da norma de incidência do imposto de renda. Para isso, seria necessário a comprovação da natureza do dano que se pretende reparar, para que então se pudesse concluir pela inexistência de acréscimo patrimonial. O acórdão recorrido entendeu que estava comprovado nos autos que o contribuinte fora acometido por doença profissional, que lhe rendeu a percepção de auxílio doença e a estabilidade de doze meses a partir do retorno do trabalho, e que se estaria indenizando a renúncia a essa estabilidade. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 175 5 Entretanto, toda essa conclusão foi tirada do item 4 do acordo, acima transcrito, que incluía a renúncia do autor a “qualquer” estabilidade decorrente de doença profissional. Ora, o voto vencido, analisando o caso concreto, concluiu que, na melhor das hipóteses, se o contribuinte tivesse direito a alguma estabilidade por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, o prazo restante não seria superior a seis meses. E pergunto: como explicar a indenização, por um período tão curto, no valor de R$100.000,00, de um total de R$ 252.983,01? A própria quantia recebida demonstra que se refere a outra causa jurídica. E teria sido fácil ao contribuinte produzir provas da natureza da reparação dos danos, bastando trazer aos autos cópias das ações judiciais impetradas. Ao invés disso, o recurso se concentrou apenas na responsabilidade da fonte pagadora, matéria devidamente rechaçada pelo acórdão recorrido. Não é possível que, em sede de recurso administrativo, o julgador tenha que fazer um esforço interpretativo para encontrar nos autos a natureza não tributária da verba, quando o contribuinte não se desincumbiu da tarefa, em especial quando teve a oportunidade de fazêlo. A regra geral é a de tributação dos proventos de qualquer natureza recebidos, devendose provar a sua não aplicação. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para manter o lançamento efetuado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 176 6 Voto Vencedor Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Designado Apesar dos substanciosos argumentos apresentados pelo i. Conselheiro Relator, ouso divergir pelos seguintes fundamentos. Contribuições Previdenciárias em face de acordos e sentenças trabalhistas Da análise dos autos verificase que se trata de lançamento lavrado em face de acordo foi firmado para encerrar o contrato de trabalho, pondo fim a duas ações trabalhistas propostas pelo contribuinte: 4. As partes compõem, também, que o valor pago referese a quitação integral do contrato de trabalho, envolvendo as duas ações trabalhistas propostas pelo Autor sob os números RT 5660/1998 (4a Vara do Trabalho de Maringá) e RT 1973/2001 (1a Vara do Trabalho de Maringá), renunciando, ainda, o Autor, a qualquer estabilidade decorrente de doença profissional. (...) 7. As partes declaram que as verbas que compõem o presente acordo são: REFLEXO EM AVISO PRÉVIO INDENIZADO R$ 5.507,39 DIFERENÇA DE FGTS + MULTA R$ 48.342,63 INDENIZAÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS R$ 100.000,00 DIFERENÇA DE FERIAS + 1/3 R$ 7.343,18 VERBAS SALARIAS R$ 91.789,81 Com a Emenda Constitucional n ° 20/1998, publicada em 16.12.1998, houve uma cisão de competência jurisdicional em relação às contribuições previdenciárias. Como regra a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal, conforme art. 109 da Carta Magna. Contudo, em relação às reclamatórias trabalhistas a competência será da Justiça do Trabalho. Considerando que a Justiça do Trabalho possui competência constitucional para execução de ofício das sentenças que proferir (art. 114 da Constituição Federal); da mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser rediscutida pela Previdência Social, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá ser rediscutida fora do Poder Judiciário. Por uma questão lógica, quem é competente para executar é também competente para declarar tal direito. Para a Previdência Social, a decisão homologatória, em matéria trabalhista, não possui o condão de se tornar definitiva sem que antes seja conferida a oportunidade de manifestação do órgão previdenciário, conforme previsto expressamente no parágrafo único do art. 831 da CLT. Art. 831 A decisão será proferida depois de rejeitada pelas partes a proposta de conciliação. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 177 7 Parágrafo único. No caso de conciliação, o termo que for lavrado valerá como decisão irrecorrível, salvo para a Previdência Social quanto às contribuições que lhe forem devidas. (Redação dada pela Lei nº 10.035, de 25.10.2000) A interpretação a ser conferida é que uma vez homologado o acordo, não cabe naqueles autos a interposição de recurso, seja pelo autor, seja pelo réu. Somente a Previdência é que pode interpor o recurso, seja o recurso ordinário, seja embargos de declaração, ou se na fase de execução o agravo por petição, conforme o caso. Agora, não se manifestando naqueles autos ocorre a preclusão para o órgão previdenciário. Não é outro o entendimento do Colendo TST, cujo enunciado da Súmula n ° 259 retrata o que aqui foi exposto, nestas palavras: Termo de Conciliação. Ação Rescisória. Só por ação rescisória é impugnável o termo de conciliação previsto no parágrafo único do art. 831 da CLT. Nesse sentido, foi expedida IN/INSS/DC n. 70, de 15 de maio de 2002, que em seu artigo 54 definiu qual o procedimento a ser adotado pelo INSS: Art. 54. Quanto às reclamatórias trabalhistas encerradas na Justiça do Trabalho, a fiscalização deverá adotar os procedimentos a seguir, respeitando os respectivos períodos: I nas sentenças e nos acordos homologados até 15 de dezembro de 1998, data da edição (data anterior ao início da vigência) da Emenda Constitucional nº 20, o AFPS, durante a auditoria fiscal, ao constatar contribuições previdenciárias devidas ou com recolhimento a menor em reclamatórias trabalhistas, deverá apurar e lançar os créditos correspondentes; II a partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização absterse de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal. Dito isso, entendo que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não possui competência para lançamento, haja vista que há perante aquela Justiça Especializada representação da Fazenda Nacional. Pelo exposto, voto conhecer do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/200341 Acórdão n.º 9202002.545 CSRFT2 Fl. 178 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000348/2010-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 03 48 /2 01 0- 09 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 30 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$23.840,16 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 20.08.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0204, com as alegações a seguir transcritas. De acordo com a legislação, o Município de Araras passou a utilizar o sistema de lançamento 1.7 do DCTF Mensal, e não mais o DCTF Semestral que utilizávamos em anos anteriores, tomamos conhecimento ao encaminhar as informações após a alteração do Regime de Semestral para Mensal, que estaríamos sendo multado pelo encaminhamento das informações em atraso referente ao período de Janeiro de 2010, ao qual ocorreu através da Notificação em 20/08/2010. [...]Fazse necessário analisar que o Município de Araras efetua os pagamentos do PASEP mensalmente, portanto, não estando inadimplente com os pagamentos mensais do PASEP, ao qual se refere o DCTF mensal. [...]Pretendese questionar a legalidade da multa regulamentar imposta pelo descumprimento Fl. 30DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 31 3 extemporâneo da obrigação acessória de entregar DCTF, com base [no art. 161 do Código Tributário Nacional]. O artigo 161 do CTN fixa a regra geral de que a inadimplência acarreta o pagamento agravado de juros de mora, correção monetária e multas pela mora, sem prejuízo da imposição de penalidades previstas em lei. O artigo 138 define exceção a esta regra, sendo claro ao estabelecer que o inicio de qualquer medida de fiscalização afasta a aplicação do instituto da denuncia espontânea. [...] O art. 138 do CTN estatui que se o contribuinte, espontaneamente e antes do inicio de qualquer medida de fiscalização relacionados com a infração, reconhece e confessa a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade (multa) pela infração à legislação tributária. A aplicação do artigo 138 exige a presença de seus pressupostos cumulativos de exclusão de responsabilidade: a) confissão espontânea; b) desistência do proveito da infração; c) deve ser feita antes do início de qualquer medida de fiscalização relacionada com a infração; d) deve ser feito o pagamento simultâneo do principal corrigido, acompanhado dos juros de mora ou o depósito da importância arbitrada; e) não se tratar de responsabilidade acessória autônoma, sem vínculo direto com o fato gerador. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos: Do exposto, podese concluir que a multa regulamentar cobrada pela Administração Tributária não está em harmonia com a legislação, posto que: a) a denúncia espontânea alcança as obrigações acessórias autônomas, decorrente do poder de polícia da administração; b) ainda que a Autuada preenche os pressupostos cumulativos de exclusão de responsabilidade, tendo em vista que não houve prévio início de medida de fiscalização relacionada com a infração e houve recolhimento do PASEP mensal relativo ao DCTF em questão. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que, p. deferimento. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 32 4 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.721, de 17.02.2012, fls. 1517: Impugnação Improcedente. Consta no Voto condutor O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária. A entrega da declaração de rendimentos constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega da declaração se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, temse que o art. 138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração. Restou ementado ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Notificada em 30.03.2012, fl. 21, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.04.2012 (segundafeira), fls. 2226 e 28, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 32DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 33 5 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional1. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 34 6 A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Assim, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui 3 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 35 7 confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; 6 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 36 8 (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 20.08.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/201009 Acórdão n.º 1801001.658 S1TE01 Fl. 37 9 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 37DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10875.902752/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Valdirene Lopes Franhani, OAB/SP 141.248. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido da recorrente.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Valdirene Lopes Franhani, OAB/SP 141.248. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior a título de COFINS. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 02 75 2/ 20 09 -1 8 Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 12 2 contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: 1) O Despacho Decisório deve ser declarado nulo, uma vez que não cumpre os requisitos essenciais de validade do ato administrativo, qual seja, a motivação. 2) A Recorrente informou em seu Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), que apurou no mês de set/2005, COFINS a pagar no valor de R$ 409.904,78 (doc.05). Posteriormente, retificou referido valor para R$ 429.710,06 e o pagou através de DARF, no mesmo valor. 3) Ocorre que a Recorrente voltou a encontrar equívocos em sua contabilidade e chegou à conclusão de que o valor da COFINS a pagar era, na verdade, de R$ 295.789,86, em decorrência de alguns créditos que estava deixando de tomar. Diante disso, se tornou detentora de crédito no valor de R$ 133.920,20, decorrente da diferença entre o valor apurado inicialmente e o valor retificado em seu DACON, o qual foi então utilizado para compensar débito de COFINS, referente ao período de apuração ago/2006, cujo valor inicial do crédito original utilizado na DCOMP é exatamente os R$ 133.920,20, que atualizados na data da transmissão (15/09/2006) somam a quantia de R$ 152.427,97. 4) Muito embora a Recorrente tenha reconhecido o recolhimento a maior e o utilizado para a compensação mencionada, a entrega da DACON retificadora somente ocorreu em 07/04/2009. 5) Destaca que a Câmara Superior de Recursos Fiscais firmou o entendimento de que se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso da COFINS, o prazo para o contribuinte apresentar a retificação das informações prestadas à RFB, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional. 6) Requer a realização de diligencia, afim de comprovar os fatos acima descritos. Ao analisar o caso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, alegando que a contribuinte apenas alega na manifestação, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório, não trazendo ao processo nenhuma comprovação da efetividade dos supostos indébitos compensados e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Argumenta que em sede de exame de declaração de compensação, no qual a ação cabe à interessada,a esta cabem todos os esclarecimentos e as comprovações de seu pleito. Dispõe não ser possível fazer nenhuma confrontação de dados se a contribuinte não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, e que não cabe ao Fisco procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art.333, do Código de Processo Civil. Alega ser correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 13 3 confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente traz, basicamente, as mesmas alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. Também traz aos autos demonstrativo de apuração das bases de cálculo das contribuições a serem compensadas, cópia do livro de apuração do IPI que reflete o faturamento e cópia de parte do Livro Razão que reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida. É o relatório. VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob o argumento de que o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Ocorre, contudo, que a Recorrente, além de ter indicado corretamente em sua DACON os valores dos créditos, retificou a sua DCTF, fazendo jus, a princípio, aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal de Campinas. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Campinas poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 14 4 Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 15 5 Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 16 6 busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, as DCTFs que foram retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Guarulhos, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além das DCTF’s retificadas, a DACON, demonstrativo de apuração das bases de cálculo das contribuições a serem compensadas, cópia do livro de apuração do IPI que reflete o faturamento e cópia de parte do Livro Razão que reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/Guarulhos para: Com base nas retificações realizadas pela Recorrente, nos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário, apurar se o valor do crédito indicado na compensação é suficiente para liquidar o débito compensado; Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/200918 Resolução nº 3801000.525 S3TE01 Fl. 17 7 Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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