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5108921 #
Numero do processo: 16682.720880/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEVIDA. SIMULAÇÃO. NÃO CARACTERIZADA. Deve ser afastada a imputação de simulação, quando não demonstrado o pacto simulatório. O fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio não se constitui em conduta simulada, pois, diante de dois caminhos lícitos, não estaria obrigado a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. A dedutibilidade da amortização do ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, após a incorporação da controladora pela controlada, encontra expressa previsão legal nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97.
Numero da decisão: 1302-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Tadeu Matosinho fez declaração de voto. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Cristiane Costa e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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MULTIPLAN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008, 2009, 2010  GLOSA  DA  AMORTIZAÇÃO  DO  ÁGIO.  INDEVIDA.  SIMULAÇÃO.  NÃO CARACTERIZADA.  Deve  ser  afastada  a  imputação  de  simulação,  quando  não  demonstrado  o  pacto simulatório.  O  fato  de  o  investidor  no  exterior  ter  preferido  aportar  capital  em  uma  subsidiária brasileira, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente  com  ágio  não  se  constitui  em  conduta  simulada,  pois,  diante  de  dois  caminhos  lícitos,  não  estaria  obrigado  a  optar  pelo  mais  oneroso  tributariamente,  ou  seja,  aquele  em que  ele  adquirisse  diretamente  as  ações  com  ágio  e  depois  não  pudesse  realizar  o  evento  (incorporação,  fusão  ou  cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento.   A  dedutibilidade  da  amortização  do  ágio  fundamentado  em  expectativa  de  rentabilidade  futura,  após  a  incorporação  da  controladora  pela  controlada,  encontra expressa previsão legal nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  O  Conselheiro Tadeu Matosinho fez declaração de voto.  (assinado digitalmente)  EDUARDO DE ANDRADE ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Relator.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 80 /2 01 1- 11 Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.882          2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade,  Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Cristiane Costa e Alberto  Pinto.  Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.883          3     Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário  interposto  pelo  contribuinte  em  face do Acórdão n˚ 12­46.246 da 8ª Turma da DRJ/RJ1,  cuja  ementa  assim  dispõe:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008, 2009, 2010  GLOSA  DE  DESPESAS  INCORPORAÇÃO  DE  SOCIEDADE  CONTROLADORA (“EMPRESAVEÍCULO”)  POR SUA CONTROLADA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL.  AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE.  É  indedutível  a  amortização  do  ágio,  quando  uma  sociedade  controlada  (autuada), sem demonstrar haver propósito negocial na operação, tendo como  único objetivo a obtenção de benefício fiscal (amortização do ágio), incorpora  a  sociedade  controladora  (“empresa  veículo”),  em  cujo  patrimônio  constava  registro  de  ágio  com  fundamento  em  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  própria controlada.  PREJUÍZOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA.  Se  da  ação  fiscal  resultou  a  absorção  da  integralidade  dos  prejuízos  fiscais  acumulados, correta a glosa da compensação efetuada em exercícios futuros.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  CSLL  Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010  CSLL.  TRIBUTAÇÃO  REFLEXA.  Aplica­se  ao  lançamento  tido  como  reflexo as mesmas razões de decidir do  lançamento matriz, em razão de sua  íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos  novos a ensejar conclusões diversas.  BASES NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA.  Se da ação fiscal resultou a absorção da integralidade das bases negativas de  CSLL  acumuladas,  correta  a  glosa  da  compensação  efetuada  em  exercícios  futuros.  INCORPORAÇÃO REVERSA INTERNA. DOLO.  A conduta planejada consubstanciada na  incorporação reversa interna com o  único  propósito  de  gerar  ágio  artificial  por  meio  da  utilização  de  empresa  veículo, adquirida tão­somente para este fim, opera no sentido de se concluir  que existiram atos preparatórios e de execução que analisados objetivamente,  compõem  percurso  notoriamente  utilizado  para  lesar  o  Erário  Público,  devendo a autuação ser realizada com multa agravada.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  INCIDÊNCIA. A multa  de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência  dos  juros  de  mora  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subsequ ente  ao  do  vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu  vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 03/08/2012 (Termo de  Ciência por Decurso de Prazo a fls. 1753) e interpôs recurso voluntário (a fls. 1757 e segs.) em  Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.884          4 20/08/2012, conforme Termo de Análise de solicitação de Juntada a fls. 1850, no qual alega as  seguintes razões de defesa:  a)  que  o  Acórdão  da  DRJ  encontra­se  fundamentado  nos  seguintes  argumentos:  a.1)  que  as  operações  societárias  embora  lícitas  do  ponto  de  vista  individual,  conforme  reconheceu  a  própria  fiscalização,  teriam  sido  estruturadas  de  tal  forma  (em  seqüência),  a  fim  de  criar,  no  seu  conjunto, condições para que o ágio fosse amortizado, razão pela qual  não teriam propósito negocial;  a.2)  que  a  empresa  BERTOLINO  não  teria  qualquer  objetivo  econômico ou social e que referida empresa teria como única finalidade  “transportar”  ágio  para  ser  amortizado  na  interessada,  ou  seja,  seria  uma sociedade de passagem (empresa­veículo);  a.3) que a BERTOLINO não teria sido sucedida pela empresa GYGAX,  na  medida  em  que  esta  teria  apenas  recebido  parte  dos  ativos  da  BERTOLINO,  sendo  irrelevante  a  existência  da  GYGAX  para  o  deslinde da questão;  a.4)  que  inexistiria  propósito  negocial  na  reestruturação  societária  implementada,  na  medida  em  que  utilizada  empresa  de  passagem,  efêmera;  a.5) que a RECORRENTE teria deixado de explicar o motivo pelo qual  o  fundo  de  investimento  optou  por  efetuar  o  investimento,  não  diretamente,  como  previsto  no  Acordo  pactuado,  mas  sim  indiretamente, por meio de holding brasileira;  a.6)  que  a  RECORRENTE  ao  incorporar  a  empresa  BERTOLINO,  chamada  “incorporação  às  avessas”,  passaria  a  ser  titular  de  um  ágio  amortizável, cuja origem estaria na expectativa de rentabilidade futura  dela mesma, o chamado “ágio de si mesmo”;  a.7)  que  não  haveria  a  necessária  independência  entre  as  partes  envolvidas  no  negócio  societário  na  medida  em  que  o  fundo  de  investimento  estrangeiro  era  controlador  direto  da  empresa  BERTOLINO e detinha participação indireta na interessada;  a.8)  que  as  operações  societárias  em  questão  estariam  inquinadas  ao  instituto do abuso de direito uma vez que a incorporação realizada não  teria  surtido  nenhum  efeito  societário  e  a  operação  teria  como  finalidade predominante pagar menos imposto;  a.9) que a conduta planejada consubstanciada na  incorporação reversa  interna  com  o  único  propósito  de  gerar  ágio  artificial,  por  meio  da  utilização  de  empresa  veículo,  a  BERTOLINO,  compõe  percurso  notoriamente  utilizado  para  lesar  o  Fisco,  restando  caracterizada  a  realização  de  atos  sem motivos  legítimos,  com excessos  intencionais,  dolosos;  b) que, de acordo com a Lei n° 9.532/97 e normas que a complementaram, a  união da investidora e da investida por meio de processo de incorporação reversa transforma o  ágio  fundamentado  nas  perspectivas  de  rentabilidade  do  investimento  em  conta  do  ativo  Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.885          5 diferido  ­  posteriormente  transformada  em  conta  do  Ativo  intangível  ­  o  qual  deverá  ser  amortizado à razão de, no máximo, 20% ao ano, sendo o produto desta amortização levado em  conta na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL;  c)  que  os  artigos  7°  e  8°  do  referido  diploma  legal  não  exigiram  qualquer  propósito  negocial  para  que  as  incorporações  por  ele  disciplinadas  pudessem  ser  efetuadas,  sendo o aproveitamento do ágio por si só suficiente e justificável;  d) que as  incorporações efetuadas  logo após o processo de privatização não  se  justificariam  senão  em  razão  do  próprio  aproveitamento  do  ágio  verificado,  conforme  expressamente previsto na Lei n° 9.532/97;  e) que é evidente que as empresas adquirentes, até mesmo em razão de terem  sido constituídas exclusivamente para o processo de privatização, não exerciam quaisquer das  atividades  que  até  então  eram  predominantemente  exercidas  em  território  brasileiro  pelas  estatais. Ou seja, na data em que publicada a Lei n° 9.532/97, já era de pleno conhecimento do  governo  que  nenhuma  sinergia  operacional  entre  a  investidora  e  a  investida  poderia  ser  razoavelmente apresentada para  justificar as  incorporações que viriam a ser efetuadas, com a  consequente dedutibilidade do ágio então verificado na aquisição da empresa;  f)  que  o  tratamento  previsto  na  Lei  n°  9.532/97  não  foi,  contudo  expressamente circunscrito à aquisição das empresas estatais sendo aplicável a todo e qualquer  caso de aquisição de empresas que viessem a ser incorporadas;  g)  que  até  mesmo  reestruturações  societárias  consistentes  na  aquisição  de  investimento  em  empresa  operacional  por  determinada  sociedade,  transferência  do mesmo  à  empresa veículo e na subsequente  incorporação desta última pela empresa operacional  foram  expressamente  aceitas  e  disciplinadas  de  forma  genérica  pela  CVM  como  forma  de  o  contribuinte  usufruir  do  benefício  fiscal  concedido  pela  Lei  n°  9.532/97.  Nesse  sentido,  o  seguinte trecho da Nota Explicativa da CVM na Instrução n° 349/2001:  “Por  outro  lado,  a  criação  da  empresa  veículo  e  a  transferência,  para  esta,  do  investimento  original  e,  também,  do  ágio  permitiram  que,  através desse modelo de incorporação, houvesse a possibilidade do seu  aproveitamento  fiscal,  fazendo  surgir,  contabilmente,  uma  espécie  de  crédito  tributário  fundamentado  na  diminuição  futura  do  imposto  de  renda  e  da  contribuição  social,  em  virtude  da  possibilidade  da  amortização desse ágio. Portanto, esse beneficio fiscal é a única parcela  do ágio que poderá ser aproveitada na controlada e que tem substância  econômica.  Essa  é  também  a  parcela  do  ágio  que  a  CVM  vem  entendendo, conforme estabelecido na Instrução CVM nº 319, que pode  ser  capitalizada  em  proveito  exclusivo  do  controlador.  É,  portanto,  somente  essa  parcela  com  substância  econômica  que  pode  ser  considerada um ativo e que poderia vir a ser capitalizada.”  h)  que  o  próprio  Poder  Executivo,  por  uma  de  suas  autarquias  (a  CVM),  reconhece,  expressamente,  que  o  registro  de  ágio  por  uma  pessoa  jurídica,  inclusive  uma  veiculo  criado  após  a  aquisição  dos  investimentos  de  terceiros,  com  a  subsequente  incorporação  da  empresa  investidora  é  apto  a  gerar  a dedutibilidade  do  ágio  nos  termos  dos  arts.  7°  e  8°  da  Lei  n°  9.532/97,  independentemente  da  existência  de  qualquer  motivação  negocial;  i)  que  as  operações  societárias  referidas  no  TVF  tiveram  motivação  econômica,  foram praticadas  de  forma  legal  e  devidamente  registradas  nos Órgãos  públicos,  Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.886          6 não  havendo  que  se  falar  que  as  operações  societárias  seriam  um  mero  estratagema  para  viabilizar a amortização do ágio em questão;  j)  que  a  própria  D.  Autoridade  Fiscalizadora,  corroborado  pelo  r.  acórdão  recorrido,  afirma que  as operações  realizadas pela RECORRENTE,  analisadas  isoladamente,  não poderiam ser consideradas ilícitas, verbis:  “Em uma primeira análise, bastante simplista, verifica­se que todas as  transações efetuadas pela fiscalizada decorreram de acordos de vontade  e  que,  de  fato,  nenhuma  delas,  isoladamente,  poderia  ser  considerada  ilícita,  o  que  levaria  à  conclusão  também  simplista  de  que  a  referida  conduta estaria a revelar apenas a intenção de praticar o planejamento  tributário, perfeitamente aceitável em uma sociedade caracterizada pela  liberdade de auto­­organização.” (pág. 5 do TVF)  l) que, em 9 de junho de 2006, houve a assinatura do Acordo para Subscrição  e  Aquisição  de  Ações  (DOC.  07,  anexado  á  impugnação)  entre  a  Multiplan  Planejamento,  Participações  e  Administração  S/A,  e  demais  acionistas,  1700480  ONTARIO  INC.  e  como  interveniente Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A, ora RECORRENTE;  m) que, no referido acordo a 1700480 ONTARIO INC. se obrigava a realizar  um  investimento  na RECORRENTE  no  valor  de R$  850 milhões mediante  a  subscrição  de  ações ordinárias e preferenciais e aquisição de ações ordinárias no valor de R$ 150 milhões dos  acionistas vendedores;  n)  que  há,  no  Acordo,  disposição  expressa  no  sentido  de  que  a  1700480  ONTARIO  INC.  poderia  ceder  seus  direitos  a  uma  subsidiária  integral  (cláusula  14.2  do  Acordo para Subscrição e Compra de Ações), sendo que essa previsão é mais do que  lógica,  pois seria um contrassenso a criação, por 1700480 ONTARIO INC, de uma empresa no Brasil  antes  de  estar  concluído  o  negócio  (ou  seja,  a  criação  de  uma  empresa  só  para  discutir  a  associação);  o) que, assim, como seria de se esperar, o negócio foi fechado com 1700480  ONTARIO  INC,  ficando esse autorizado a  formalizá­lo através de empresa  local, que veio a  ser BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA;  p) que,  em 20 de  junho de 2006,  foi  assinado o Acordo de Prorrogação  de  prazo  (DOC. 08, anexado à  impugnação), para postergar a data de  fechamento do acordo de  investimento para 21 de junho de 2006;  q)  que,  em  21  de  junho  de  2006,  foi  assinado  o  Aditivo  ao  acordo  para  subscrição e aquisição de ações (DOC. 09, anexado à impugnação);  r) que, no referido aditivo, dentre outras disposições, a 1700480 ONTARIO  INC. cede seus direitos de aquisição e subscrição das ações, nos  termos previstos no Acordo  firmado  em  9  de  junho  de  2006,  para  sua  subsidiária  brasileira,  BERTOLINO  PARTICIPAÇÕES LTDA;  s)  que BERTOLINO passou  a  deter  46,3 %  das  ações  da Recorrente  e  foi  reduzida a participação dos demais sócios ­ Sr. José Isaac Peres ­ para 53,7 %;  t)  que  a  utilização  pela  ONTARIO  da  subsidiária  brasileira,  BERTOLINO  PARTICIPAÇÕES, deu­se em razão do interesse de ONTARIO em ter uma empresa no Brasil  (parte  de  BERTOLINO  existe  até  hoje,  pois  ela  foi  cindida  antes  de  ser  incorporada  pela  RECORRENTE ­ GYGAX) e pelas seguintes razões imediatas:  Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.887          7 t.1) a possibilidade de abertura de uma conta em banco brasileiro para  receber  os  valores  necessários  para  realização  do  investimento  em  território nacional (mais de um bilhão de reais);  t.2) a utilização desta conta corrente em instituição bancária brasileira  para viabilizar a transferência de recursos (TED) simultaneamente para  a MULTIPLAN  (aumento  de  capital  no  valor  de  R$  850 milhões)  e  para  os  demais  acionistas  que  alienaram  participação  societária  à  BERTOLINO (no valor total de R$ 150 milhões), de forma a viabilizar  as concomitantes quitações recíprocas e transferências de ações para a  BERTOLINO;  t.3) a agilidade para fechamento de uma única operação de câmbio no  valor de mais de um bilhão de reais necessária para garantir a segurança  na  manutenção  das  obrigações  contratadas  em  moeda  nacional  ­  afastamento do risco cambial;  u) que, para realização da operação acima descrita a sociedade BERTOLINO  PARTICIPAÇÕES, em 21 de junho de 2006, celebrou Contrato de Câmbio (DOC. 10, anexado  à impugnação) no valor de R$ 1.060.530.000,00 (um bilhão e sessenta milhões e quinhentos e  trinta mil reais);   v) que a aquisição da participação societária da RECORRENTE se deu com o  pagamento de ágio, em razão da expectativa de rentabilidade estimada com base em resultado  de exercícios futuros, devidamente amparada por Laudo de Avaliação de ações fornecido pela  APSIS  Consultoria  Empresarial  Ltda.,  com  data  base  de  21  de  junho  de  2006  (DOC.  03,  anexado à impugnação);  x)  que,  em  22  de  junho  de  2006,  foi  realizada  a  Assembléia  Geral  Extraordinária  da  ora  RECORRENTE  (DOC.  11,  anexado  à  impugnação),  devidamente  registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro, para deliberar sobre o aumento de capital da  RECORRENTE de R$ 160 milhões  para R$ 264 milhões mediante  emissão  e  subscrição  de  novas  ações,  sendo parte  ordinárias  e  parte  preferenciais,  sendo que  o  preço  de  emissão  das  ações  alcançou  o  valor  total  de R$  850 milhões,  do  qual  R$  104 milhões  destinaram­se  ao  capital social e R$ 745 milhões à Reserva de Capital ­ prêmio de subscrição;  z)  que,  em  22  de  junho  de  2006,  foi  celebrado  Acordo  de  Acionistas  de  Multiplan  Empreendimentos  Imobiliários  S/A  (DOC.  12,  anexado  à  impugnação),  com  a  finalidade de regular o relacionamento de BERTOLINO e MULTIPLAN PLANEJAMENTO,  PARTICIPAÇÕES  E  ADMlNlSTRAÇAO  S/A  como  acionistas  da  Multiplan  Empreendimentos Imobiliários;  aa) que o Acordo de Acionistas de 2006  foi  celebrado  com validade de  15  anos;  ab)  que,  além  do  investimento  na  MULTIPLAN,  a  Bertolino  manteve  aproximadamente R$ 60 milhões de reais em dinheiro investidos no Brasil;  ac) que o crescente interesse da RECORRENTE em realizar a sua abertura de  capital, verificou­se a necessidade de simplificar a sua estrutura societária;  ad)  que,  para  abertura  de  capital,  verificou­se  que  seria  importante  que  a  ONTARIO possuísse participação direta na sociedade, considerando que trata­se de sócio com  renome  internacional,  que  traria  maior  credibilidade  à  RECORRENTE  e  atrairia  mais  Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.888          8 investidores  quando  da  abertura  do  capital,  conforme  atesta  a  carta  do  Banco Credit  Suisse  (DOC. 06, anexado à impugnação);  ae) que, 11 meses após o investimento da BERTOLINO na MULTIPLAN, e  consequente  geração  do  ágio,  foi  realizada  a  incorporação  da  BERTOLiNO  pela  RECORRENTE;  af) que a escolha da incorporação de BERTOLINO por MULTIPLAN, dentre  as demais variantes acima apontadas,  foi absolutamente  lógica, por convir a ambas as partes  envolvidas;  ag)  que,  nos  termos  da  legislação  então  vigente,  a  incorporação  de  investidoras por investidas, com extinção de investimentos adquiridos com ágio, como no caso,  são sempre precedidas do registro, na incorporada, de provisão de valor equivalente ao do ágio  a  amortizar,  dando  origem  a  um  ativo  fiscal  diferido  que  é  transferido  à  incorporadora  em  contrapartida do registro de uma reserva especial de lucro;  ah)  que  a  incorporação  de  BERTOLINO  por  MULTIPLAN  importou  na  elevação do valor de seu patrimônio líquido, melhorou seus índices de liquidez e propiciou o  lançamento de suas ações por um preço significativamente mais elevado;  ai) que a incorporação ocorreu em conformidade com os artigos 223 a 229 da  Lei  n°  6.404/76  e  com  a  Instrução  CVM  n°  319/99,  com  as  alterações  promovidas  pela  Instrução CVM n° 349/01, e, como acima frisado, foi precedida de uma cisão parcial, realizada  em  28  de maio  de  2007,  nos  termos  do  Instrumento  Particular  de  4ª  Alteração  do Contrato  Social da BERTOLINO PARTICIPAÇÕES LTDA. (DOC. 13, anexado à impugnação);  aj)  que,  conforme  a  Ata  de  Resolução  de  Sócios  da  BERTOLINO  PARTICIPAÇÕES  LTDA.  (DOC.  14,  anexado  á  impugnação),  de  28  de maio  de  2007,  foi  aprovado o Protocolo de Cisão;  al) que, em 29 de maio de 2007,  foi celebrado  Instrumento Particular de 5ª  Alteração  do  Contrato  Social  da  BERTOLINO  PARTICIPAÇÕES  LTDA,  para  aprovar  o  Protocolo  e  Justificativa  para  a  incorporação  da  BERTOLINO  pela  MULTIPLAN  Empreendimentos Imobiliários;  am) que as operações societárias que culminaram com o aproveitamento do  ágio pela RECORRENTE, visavam não só investimento a ser realizado por fundo estrangeiro,  bem como a simplificação da estrutura societária da RECORRENTE, de forma preparatória a  uma futura abertura de capital da incorporadora, ofertas primária e secundária, que ocorreram  em  2007,  com  a  proteção  dos  interesses  dos  acionistas  controladores,  e  posterior  oferta  primária  de  ações  no mercado  de  capitais  (Follow­on),  realizada  em  2009,  proporcionando,  ainda,  melhor  posicionamento  estratégico  e  desempenho  das  atividades  econômicas  pela  incorporada e incorporadora;  an)  que,  da  análise  da  operação  como  um  todo  verifica­se  evidente  o  fundamento  econômico  para  a  realização  dos  atos  societários:  o  ágio  legitimamente  pago  na  aquisição de ações da RECORRENTE pela empresa BERTOLlNO PARTICIPAÇÕES LTDA.,  a qual foi absorvida pela RECORRENTE, que passou a amortizar esse valor com fundamento  no artigo 386, § 6°, inciso II, do RIR/99;  ao) que a D. Autoridade Fiscalizadora e o acórdão  recorrido, citando artigo  de  Iudicibus,  Martins  e  Gelbcke,  confunde  a  operação  praticada  pela  RECORRENTE  com  operações praticadas entre partes relacionadas, afirmando que a falta de independência entre as  Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.889          9 partes  envolvidas na negociação  faria  surgir  um  fenômeno extremamente  sui generis:  o  ágio  gerado internamente;  ap)  que  o  negócio  se  deu  entre  BERTOLINO/ONTARIO  de  um  lado  e  acionistas  da  ora  RECORRENTE  de  outro,  empresas  absolutamente  independentes  no  momento da aquisição das ações da RECORRENTE, com ágio, por BERTOLINO;  aq) que a premissa tomada pelo acórdão recorrido no sentido de que existiria  dependência entre as partes, portanto, operação gerada dentro de um mesmo grupo, exsurge do  fato de que quando da incorporação da BERTOLINO pela RECORRENTE, a primeira detinha  46% do capital da ora RECORRENTE;  ar)  que  se  trata  de  flagrante  equívoco  do  r.  acórdão  na  medida  em  que  a  relação entre as partes surgiu em momento posterior ao surgimento do ágio;  as) que, se o momento da incorporação fosse o momento correto de se aferir a  independência das partes, para efeitos de se validar ou não a natureza do ágio, todos os ágios  seriam ignorados, pois o fato de uma empresa ter participação na outra (e é a essas situações  que a Lei n° 9.532/97 se dirige) tornaria a lei inaplicável, ou seja, a Lei seria inaplicável a todas  as incorporações, fusões ou cisões cujos efeitos visou disciplinar;  at) que a sociedade decorrente da cisão (GYGAX) existe até hoje, conforme  Resolução Anual dos Sócios de 12/04/2011, logo, equivoca­se a autoridade fiscal quando alega  que a Bertolino teria sido constituída com a finalidade de propriciar o aproveitamento fiscal do  ágio;  au) que não se justifica a alegação de que foi amortizado o ágio da Multiplan  em  si  mesma,  quando  se  percebe  que  a  operação  caracteriza  hipótese  de  beneficio  fiscal  expressamente previsto em lei (conforme mencionado, o § 6° do artigo 386 do RIR/99), sendo  que,  em  todas  incorporações  reversas  com  extinção  de  investimentos  adquiridos  com  ágio  fundamentado em perspectivas de rentabilidade ocorre tal fato;  av) que, novamente, equivoca­se o Sr. Agente Fiscal ao dizer que teriam sido  criadas “diversas pessoas jurídicas,  todas vazias, existentes apenas “no papel”, na medida em  que  apenas  uma  sociedade  foi  criada  e não  várias,  sendo que  referida  sociedade  sofreu  uma  cisão  parcial  e,  como  acima  ressaltado,  a  sociedade  resultante  da  cisão  ­  GYGAX  PARTICIPAÇÕES ­ continua existindo até os dias de hoje;  ax) que a D. Autoridade lançadora silencia sobre a existência de dois Laudos  de  avaliação  elaborados  pela  APSIS  Consultoria  Ltda.  (DOCs.  03  e  04,  anexados  à  impugnação) que sustentam a expectativa de rentabilidade futura, condição necessária para que  a despesa com amortização do ágio seja dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos  termos do art. 386 do RIR/99;  az) que as operações societárias realizadas pela RECORRENTE (i) condizem  com a vontade de cada uma das partes envolvidas,  (ii)  estão  regulares à  luz do ordenamento  jurídico  vigente  à  época  das  operações,  (iii)  foram  realizadas  com  ampla  transparência  e  divulgação  em  Jornais  de  Grande  Circulação  e  nos  Prospectos  de  distribuição  pública;  (iv)  foram praticadas sem o intuito de prejudicar ninguém, tampouco o Fisco, (v) encontram­se em  consonância  com  a  maioria  dos  entendimentos  emanados  para  operações  semelhantes  pelo  Conselho de Contribuintes; e (vi) operaram­se antes da ocorrência de qualquer fato gerador da  CSLL e do IRPJ;  ba)  que  é  incabível  a  qualificação  da  multa,  por  não  se  verificar  qualquer  intuito doloso nos atos da Recorrente;  Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.890          10 bb) que é ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício.    A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  (doc.  a  fls.  1855  e  segs.),  nas  quais  pede que  seja  negado  totalmente provimento  ao  recurso  voluntário,  pois sustenta que:   “Vale  destacar,  por  oportuno,  que,  no  presente  caso,  ao  contrário  do  que  ocorre  em outras  situações  de  simulação  relativa,  a  comprovação  do  negócio  dissimulado  é  feita  por  meio  de  um  documento  firmado  entre  as  partes  que  participaram  da  simulação. Assim,  diferentemente  dos  casos  onde  o  negócio  dissimulado  é  presumido,  aqui  tal  vontade  real  é  atestada  por  documento  produzido  pelas  próprias  partes  envolvidas.  Da  análise  do  negócio  simulado  e  daquele  dissimulado,  vê­se,  deste  modo,  que,  enquanto  o  termo  aditivo  foi  desfeito  ao  final  das  operações,  o  acordo  de  investimento  foi  aquele  que  efetivamente  foi  cumprido. Enquanto a participação da BERTOLINO foi cancelada com  a  incorporação,  o  compromisso  de  investimento  assumido  pelo  ONTARIO  diante  do  grupo  MULTIPLAN  foi  plenamente  cumprido  por ambas as partes.  Destarte, ainda que o termo aditivo previsse uma real cessão de direitos  entre a ONTARIO e a BERTOLINO, a incorporação envolvendo essa  segunda  empresa  e  a  MULTIPLAN  desfaria  essa  cessão.  Contudo,  como sequer é possível aferir que houve um contrato de cessão, vê­se,  na verdade, que a incorporação societária apenas concretizou dois fatos  que  eram  consensuais  entre  as  partes  desde  o  início:  a  ONTARIO  nunca deixou de ser o real adquirente das ações da MULTIPLAN, e a  BERTOLINO participou dessa aquisição como mera intermediadora do  pagamento apenas para possibilitar a dedutibilidade do ágio”.  É o relatório.  Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.891          11 Voto             Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.  O  recurso  é  tempestivo  e  foi  subscrito  por  advogado  com poderes  para  tal,  conforme doc. a fls. 1836, razão pela qual dele conheço.  O  fulcro  da  questão  posta  em  julgamento  reside  na  glosa  de  despesa  com  amortização de ágio, razão pela qual, incialmente, vejamos como o TVF descreve as operações  que deram origem à formação do ágio:  ­ em 27/04/2006, foi constituída a BERTOLINO Participações Ltda, sendo a  Texpar Part. Ltda titular de 99 cotas e a Pacaembu Serviços e Participações Ltda. titular de 1  cota;  ­  em 09/06/2006, é celebrado acordo, no qual  fica pactuado que a 1700480  ONTARIO INC faria um investimento direto na Multiplan Empreendimentos Imobiliários S/A  (MTE), no valor de R$ 850.000.539,89 mediante a subscrição de ações, sendo que os sócios  Multiplan Planejamento, Participações e Administração S/A (MTP) e Eduardo Kaminitz Peres  (EKT) desde já renunciavam a seus respectivos direitos de preferência na subscrição;  ­  em  14/06/2006,  a  empresa  BERTOLINO  sofre  uma  alteração  contratual,  pois  agora  passa  a  ter  novos  sócios:  1700480  ONTARIO  INC  (com  99  cotas)  e  1699516  ONTARIO INC (com 1 cota);  ­ em 21/06/2006, BERTOLINO aumenta seu capital social de R$ 100,00 para  R$ 1.060.530.000,00, assim dividido: 1.060.529.999 cotas para 1700480 ONTARIO INC e 1  cota para 1699516 ONTARIO INC;  ­ em 22/06/2006, foi deliberado o aumento do capital social da MTE de R$  160.295.616,00 para R$ 264.419.053,00, mediante a emissão e subscrição de 47.327.029 novas  ações, sendo fixado o preço de R$ 17,9601 por ação, totalizando assim R$ 850.000.539,89, dos  quais R$ 104.123.437,00 destinados ao capital social e R$ 745.877.102,89 à reserva de capital  (prêmio de subscrição);  ­  também em 22/06/2006, BERTOLINO adquiriu: 583.515 ações ordinárias  da MTE detidas por EKP pelo valor de R$ 10.480.010,00  (R$ 17,9601 p/ação),  e 7.768.314  ações da MTE detidas por CAA Corretores Associados Ltda. pelo valor de R$ 139.519.990,00  (R$ 17,9601 p/ação), em ambas as aquisições os pagamentos foram por meio de TED­E;  ­ com tais aquisições, a BERTOLINO passou a deter 46% de participação na  MTE;  ­  em  28/05/2007,  1699516  ONTARIO  INC  cede  sua  única  cota  da  BERTOLINO para 1700480 ONTARIO INC, a qual passou a deter a totalidade das quotas da  BERTOLINO;  ­ em 29/05/2007, BERTOLINO é incorporada pela MTE.  A  autoridade  fiscal,  conforme  TVF  a  fls.  1073,  enquadrou  as  operações  acima  transcritas  com  simulação  (art.  167  do  CC),  pois  entendeu  que:  “Embora  os  fatos  descritos,  isoladamente  e  do  ponto  de  vista  meramente  formal,  não  denotem  ilicitude,  a  moderna  doutrina  acerca  de  planejamento  tributário  não  se  satisfaz  com  a  simples  constatação da legalidade das operações, mas sim exige motivação extra­tributária”.  Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.892          12   Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade  brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões  fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados  como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial  alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona  os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio  gerado  em  operações  internas,  se  não  vejamos  o  teor  do  item  20.1.7  do  Ofício­Circular  CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in verbis:     “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação  societária  de  grupos  econômicos  (incorporação  de  empresas  ou  incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”.  Uma  das  formas  que  essas  operações  vêm  sendo  realizadas,  inicia­se  com  a  avaliação  econômica  dos  investimentos  em  controladas  ou  coligadas  e,  ato  contínuo,  utilizar­se  do  resultado  constante  do  laudo  oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa  nova empresa. Essas operações podem, ainda,  serem seguidas de uma  incorporação.  Outra  forma  observada  de  realizar  tal  operação  é  a  incorporação  de  ações  a  valor  de  mercado  de  empresa  pertencente  ao  mesmo  grupo  econômico.  Em  nosso  entendimento,  ainda  que  essas  operações  atendam  integralmente  os  requisitos  societários,  do  ponto  de  vista  econômico­ contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente,  quando  o  preço  (custo)  pago  pela  aquisição  ou  subscrição  de  um  investimento  a  ser  avaliado  pelo método  da  equivalência  patrimonial,  supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo  de  aquisição  somente  surge  quando há  o  dispêndio  para  se  obter  algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração  de  riqueza  decorrente  de  transação  consigo  mesmo.  Qualquer  argumento  que  não  se  fundamente  nessas  assertivas  econômicas  configura sofisma formal e, portanto, inadmissível.  Não  é  concebível,  econômica  e  contabilmente,  o  reconhecimento  de  acréscimo de riqueza em decorrência de uma  transação dos  acionistas  com  eles  próprios.  Ainda  que,  do  ponto  de  vista  formal,  os  atos  societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona  aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio,  em  transações  como  essas,  somente  seria  concebível  se  realizada  entre  partes  independentes,  conhecedoras  do  negócio,  livres  de  pressões  ou  outros  interesses  que  não  a  essência  da  transação,  condições  essas  denominadas  na  literatura  internacional  como  “arm’s  length”.  Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de  substância econômica e da indispensável independência entre as partes,  para  que  seja  passível  de  registro,  mensuração  e  evidenciação  pela  contabilidade.”.      Nota­se,  hoje,  que  alguns  tentam  elevar  tal  pronunciamento  da CVM a  um  status  de  norma  tributária  proibitiva  do  reconhecimento  do  chamado  ágio  interno  ao  grupo  econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente  Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.893          13 econômico,  pois  sequer  embasa  seu  entendimento  em  qualquer  norma  jurídica,  muito  pelo  contrário,  afirma  que,  ainda  que  respeitada  a  Lei,  economicamente  é  inconcebível  o  reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica”  assim  como  “falta  de  propósito  negocial”  não  são  institutos  jurídicos  nacionais,  logo  não  maculam  o  ato  jurídico  seja  lá  qual  for  o  conceito  que  os  seus  aplicadores  lhes  deem,  logicamente,  desde  que  não  se  configurem  como  um  vício  do  negócio  jurídico,  segundo  o  nosso ordenamento legal.     No  caso  em  tela,  porém,  embora  a  autoridade  fiscal  tente  enquadrar  a  situação como ágio interno, nem isso sequer seria possível, pois houve efetivo pagamento pelo  ágio a terceiros, ou seja, quando a BERTOLINO pagou R$ 745.877.102,89 a título de ágio na  aquisição de 47.327.029 de novas  ações da MTE, não os  estava pagando a uma empresa do  mesmo grupo econômico.     Da simples leitura do TVF, nota­se que a autoridade fiscal nega em verdade o  permissivo  legal  criado  pelos  art.  7º  e  8º  da  Lei  9.532/97,  ou  seja,  estamos  diante  de  uma  situação em que foi efetivamente pago o ágio (não se trata de planejamento com base no art. 36  da Lei 10.637/02), no qual um investidor estrangeiro (1700480 ONTARIO INC) aporta capital  em uma empresa (BERTOLINO), a qual adquire ações de outra empresa com ágio (MTE) e, a  seguir, esta incorpora aquela.    Da mesma  forma,  não  estamos  diante  do  planejamento  de  transferência  de  ágio externo (aquele decorrente do processo de privatização, em que o investidor se utiliza de  empresa  veículo  para  transferir  o  ágio  que  pagou  no  leilão  de  privatização  para  a  empresa  operacional  adquirida). Trata­se  aqui de aplicação direta do disposto nos  arts.  7º  e 8º da Lei  9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra o fato de  o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois  adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria  obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí  não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso.        No que  tange ao  enquadramento da  conduta da recorrente  como simulação,  inicialmente,  ressalto que  a  simulação  em matéria  fiscal  foi  bem enfrentada no Parecer CST  46/87, do qual retiro duas conclusões, quais sejam, que as operações simuladas são:   a)  ilícitas  na  medida  em  que  pretendem  encobrir  ato  de  natureza  jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte;  b)  devem prevalecer os efeitos do negócio dissimulado.    O  referido  parecer  analisou  uma  situação  em  que  o  contribuinte  remetia  dividendos travestidos de devoluções de capital, para escapar da tributação que havia à época  sobre a remessa de dividendos. Note­se, assim, que estávamos diante de um caso de simulação  relativa, pois havia o ato simulado – devolução de capital – e o ato dissimulado –remessa de  dividendos (simulação sobre a causa do negócio jurídico).    Como  bem  sustenta Beleza  dos  Santos  (A Simulação  em Direito Civil,  ed.  Lejus, p. 211): “Para que exista a simulação relativa é portanto necessário que, em virtude de  um  conluio  das  partes,  se  simule  um  ato  aparente  para  enganar  terceiro  e  que  sob  essa  aparência se dissimule outro correspondente à vontade real e séria das partes”.     Qual o conluio demonstrado nos autos? Será que fazer jus aos benefícios dos  arts.  7º  e  8  º  da  Lei  9.532/97  podem  ser  tomados  como  enganar  o  Fisco?  Qual  o  ato  dissimulado?    Todas  as  respostas  são  negativas,  pois  a  contribuinte  quis  transferir  o  ágio  para a operacional, o que encontrou amparo no art. 8º da Lei 9.532/97. Veja que, sob qualquer  prisma, a existência do ágio era indiscutível, pois sequer se enquadrava na débil definição de  ágio  interno  adotada  por  alguns.  Ademais,  não  resta  demonstrado  no  TVF  qual  o  ato  Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.894          14 dissimulado nem a autoridade fiscal demonstra o pacto simulatório, o que, por si só,  já seria  suficiente para afastarmos a acusação de simulação.    Note­se que os efeitos buscados pela  recorrente eram os efeitos próprios do  atos  praticados  (adquirir  a  participação  de  terceiros  na  MTE  com  ágio  por  meio  da  BERTOLINO e depois promover a incorporação desta por aquela) e não de atos eventualmente  dissimulados.      Sustenta,  então,  a  autoridade  fiscal  que  a  simulação  estaria  configurada  na  utilização  da  BERTOLINO  apenas  para  adquirir  as  ações  de  MTE  com  ágio  e  depois  ser  incorporada,  possibilitando  a  geração  de  despesas  com  amortização  do  ágio,  pois  “a  RECORRENTE teria deixado de explicar o motivo pelo qual o fundo de investimento optou por  efetuar  o  investimento,  não  diretamente,  como  previsto  no  Acordo  pactuado,  mas  sim  indiretamente, por meio de holding brasileira”.     Há que  se  distinguir  o  conceito  de motivo  e  causa  do  negócio  jurídico. A  futura  incorporação da BERTOLINO e o aproveitamento da despesa de amortização do ágio  podem ser até o motivo do aporte de capitais na BERTOLINO, mas não a sua causa. Causa é o  fim que o agente procura e o leva a prática do ato, sem se cogitar do fim, que antes tivera, e do  fim, ou fins, ulteriores, que com o ato entende alcançar. Motivos são as pré­intenções que dão  ensejo ao negócio. O que é essencial ao negócio jurídico é a causa, sendo que o acordo sobre a  causa pode ser simulante: dissimula­se a doação, simulando­se o pagamento; dissimula­se o  pagamento,  doando­se;  vende­se,  simuladamente,  quando,  em  verdade,  se  doou  (Pontes  de  Miranda, in Tratados de Direito Privado, Tomo 3, ed. Bookseller, p. 124/126/127).     No  caso  em  tela,  a  1700480  ONTARIO  INC  queria  aportar  capital  na  BERTOLINO, para  constituir  uma subsidiária no Brasil,  não  restando demonstrado qualquer  simulação quanto a causa do negócio, ou seja, sobre a existência de um negócio dissimulado.    Não se nega que o Acordo para Subscrição e Aquisição de Ações, celebrado  com os sócios da MTE, já autorizava a 1700480 ONTARIO INC a ceder seus direitos a uma  subsidiária  integral  (cláusula 14.2 do Acordo para Subscrição e Compra de Ações), mas  isso  não  transforma  tal potencial motivo em razão determinante ou condição do aporte de  capital  feito na BERTOLINO. Todavia, ainda que fosse a razão determinante, não teria o condão de  alterar a causa – Uma doação não deixa de ser donandi causa, porque há o motivo.     Por outro lado, a simulação é absoluta quando não se quis outro ato jurídico  nem aquele  que  se  simula  (Pontes  de Miranda,  in Tratados  de Direito Privado, Tomo 4,  ed.  Bookseller,  p.  441).  Assim,  in  casu,  a  simulação  absoluta  poderia  se  configurar  se  restasse  provado que nunca houve a vontade de efetivamente se constituir a BERTOLINO. De plano,  isso  resta  afastado  diante  do  fato  de  que  GYGAX  –  empresa  derivada  da  cisão  da  BERTOLINO continuou operando.    Por  esse mesmo motivo,  afasta­se  também a  alegação de  falta de propósito  negocial na constituição da BERTOLINO. De qualquer forma, falta de propósito negocial não  configura, por si só, em simulação, se não vejamos como dispõe o § 1º do art. 167 do Código  Civil, in verbis:     § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:  I ­ aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às  quais realmente se conferem, ou transmitem;  II ­ contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;  III ­ os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós­datados.        O conceito de propósito negocial é vago e não se enquadra em qualquer dos  incisos, nem mesmo no inciso II, pois ainda que os sócios não tivessem a intenção de perpetuar  a  empresa,  isso  não  torna  a  sua  cláusula  de  constituição  menos  verdadeira.  O  propósito  Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.895          15 negocial  pode  ser,  exatamente,  o  de  realizar  uma  reorganização  societária  para  se  valer  das  normas  permissivas  criadas  pelo  Estado.  O  entendimento  de  que  o  contribuinte  pode  se  reorganizar  desde  que  não  seja  exclusivamente  para  reduzir  carga  tributária  (causa  extra­ tributária)  é  apenas  uma  teoria  sem  amparo  no  Direito  posto.  A  finalidade  da  sociedade  empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo, o que é  legítimo desde que suas condutas sejam lícitas.    Ademais,  ainda  que  não  houvesse  a  vontade  de  perpetuar  a BERTOLINO,  não  houve  simulação  na  geração  do  ágio,  pois  esse  seria  gerado  fosse  a  subscrição  feita  diretamente  pela  1700480  ONTARIO  INC  ou  por  meio  da  sua  controlada  brasileira  ­  BERTOLINO. Por sua vez, a opção legal de fazer a subscrição por meio da BERTOLINO, de  forma  a  possibilitar  a  transferência  do  ágio  para  a  MTE  foi  possibilitada  por  expressa  autorização legal do art. 8º da Lei 9.532/97.    Teria  então  a  recorrente  fraudado  o  espírito  da  norma  (art.  8º  da  Lei  9.532/97), ou seja, a conduta da recorrente se enquadra na fraude à lei?     De  plano  afasto  essa  hipótese,  pois,  diante  de  dois  caminhos  legais,  não  estaria  obrigado  o  investidor  estrangeiro  a  optar  pelo mais  oneroso  tributariamente,  ou  seja,  aquele  em  que  ele  adquirisse  diretamente  as  ações  de MTE  com  ágio  e  depois  não  pudesse  realizar  o  evento  (incorporação,  fusão  ou  cisão)  que  lhe  permitisse  recuperar  o  custo  sem  alienar o investimento.     Ressalto  que  o  art.  8º  da Lei  9.532/97  teve  como  finalidade  o  processo  de  privatização,  pois,  por  tal  norma,  permitiu­se  que  a  despesa  com  amortização  do  ágio  continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora  da  empresa  operacional  ­  estatal  privatizada)  fosse  incorporada  por  sua  controlada.  Isso  era  fundamental  para  preservação  dos  intangíveis  da  empresa  adquirida  com  ágio.  Em  suma:  o  controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos,  em  integralização  de  capital,  para  uma  empresa  veículo;  por  último,  a  empresa  veículo  (controladora)  era  incorporada  por  sua  controlada  (empresa  privatizada),  a  qual  passava  a  amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97.      Conforme  retro  tratado, no presente caso sequer estamos diante de empresa  veículo, mas a recorrente se valeu do art. 8º para incorporar a sua coligada­investidora e passar  a amortizar o ágio. Note­se então que não há falar que a conduta da recorrente tenha sido em  fraude à lei, pois foi justamente para possibilitar tal operação que a norma foi editada.    Em  face  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte, para cancelar os autos de infração do IRPJ e da CSLL em tela.  (assinado digitalmente)  Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator              Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.896          16 Declaração de Voto  Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado  Tendo acompanhado o voto do  ilustre Relator pelas  suas  conclusões,  tendo  em  vistas  as  nuances  que  a  matéria  relativa  à  amortização  de  ágio  suscita,  julgo  oportuno  externar as razões de meu convencimento neste caso.  Antes de adentrar o mérito da exigência  fiscal,  entendo ser necessário  tecer  algumas  considerações  acerca da questão da  amortização do ágio  em  face de  reorganizações  societárias,  que  vem  sendo  largamente  utilizado  e  discutido  enquanto  mecanismo  de  planejamento tributário das empresas.  Tal discussão é bastante tormentosa, o que se revela na própria jurisprudência  administrativa,  e  não  está  imune  a  algum  grau  de  subjetividade  por  parte  dos  intérpretes  e  aplicadores do direito.  1. Da liberdade de auto­organização do contribuinte  A primeira questão a ser analisada refere­se à liberdade de auto­organização  do  contribuinte,  tida  como  absoluta  pelos  intérpretes  e  doutrinadores  liberais,  que  defendem  que  “o  Fisco  só  pode  cobrar  (tributos)  mediante  tipicidade  fechada  e  legalidade  estrita”  enquanto que o contribuinte pode fazer tudo que não está restringido pela lei.  Desta visão decorre o entendimento de que atendidos os aspectos puramente  formais  dos  atos  e  operações  do  contribuinte,  independente  de  seu  conteúdo  real,  nenhuma  objeção pode ser feita pelo Fisco.  Tal  visão  desconsidera  o  aspecto  finalístico  da  lei  e  sua  interpretação  sistêmica.  Não há dúvidas de que o contribuinte tem ampla liberdade de auto­organizar­ se,  inclusive  no  sentido  de  adotar  as  opções  negociais  que  lhe  propiciem  a  menor  carga  tributária possível.  Esta liberdade de auto­organização, no entanto, não é absoluta; está sujeita a  restrições,  como  o  respeito  à  livre  concorrência,  à  boa  fé,  à  função  social  da  empresa,  etc.  Tampouco se aplica às hipóteses de simulação, fraude à lei e abuso de direito.  Um dos poucos doutrinadores a tratar do tema sem o viés estritamente liberal,  Marco  Aurélio  Greco  leciona  que  “não  há  dúvida  de  que  o  contribuinte  tem  o  direito  encartado  na  Constituição  Federal,  de  organizar  sua  vida  da  maneira  que  melhor  julgar.  Porém, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A  auto­organização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de  direito,  além de poder  configurar algum outro  tipo de patologia do negócio  jurídico,  como,  por exemplo, fraude à lei” 1.   Nesse sentido, observa que “a possibilidade de serem identificadas situações  concretas  em  que  os  atos  realizados  pelos  particulares,  embora  juridicamente  válidos,  não  serão  oponíveis  ao  Fisco,  quando  forem  fruto  de  um  uso  abusivo  do  direito  de  auto­                                                             1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3a. ed.São Paulo: Dialética, 2011. p 228  Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.897          17 organização que, por  isso, compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva e  da isonomia fiscal” 2.  A observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal  na  interpretação  e  aplicação  da  lei  tributária,  especialmente  quando  se  trata  do  Imposto  de  Renda,  revela­se  de  todo  pertinente,  não  podendo  tais  princípios  serem  subjugados  ou  simplesmente  esquecidos  em  face  do  direito  de  auto­organização  do  sujeito  passivo.  “A  eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações  daquela  aptidão  sejam  efetivamente  atingidas  pelo  tributo”  3.  E,  “na  medida  em  que  a  lei  qualificou  uma  determinada  manifestação  de  capacidade  contributiva  como  pressuposto  de  incidência de um tributo, só haverá isonomia tributária se todos aqueles que se encontrarem  na  mesma  condição  tiverem  de  suportar  a  mesma  carga  fiscal.  Se,  apesar  de  existirem  idênticas  manifestações  de  capacidade  contributiva,  um  contribuinte  puder  se  furtar  ao  imposto  (ainda  que  licitamente),  esta  atitude  estará  comprometendo  a  igualdade,  que  tem  dignidade e relevância até mesmo maiores que a proteção à propriedade (CF, artigo 5º)” 4.  Desta  feita, não há que se  falar em liberdade de auto­organização quando o  ato praticado visa única e exclusivamente a reduzir o tributo devido, pois “a carga tributária  decorre da lei e não pode ficar ao sabor da ‘criatividade’ do contribuinte. Nem se diga que o  ordenamento  autoriza  estas  condutas,  pois  a  opção  fiscal  (desejada  ou  induzida  pelo  ordenamento) é diferente da ‘montagem fiscal” (construção de um modelo apenas formal para  atingir um redução do tributo)”. 5  Se o contribuinte que pratica atos, abusando do direito de auto­organização,  não pode ter reconhecido os efeitos tributários os quais buscou beneficiar­se, aquele que simula  a prática de atos  com vistas unicamente a  redução de  tributos menos ainda pode usufruir  do  benefício fiscal almejado.  Primeira conclusão: a liberdade de auto­organização do contribuinte perante  o  Fisco  e  a  sociedade  não  é  absoluta;  está  sujeita  a  restrições,  como  o  respeito  à  livre  concorrência,  à  boa  fé,  à  função  social  da  empresa  e  não  se  coaduna  com  as  práticas  de  simulação, abuso de direito ou fraude à lei.  2.  Os  fundamentos  da  existência  ágio  e  das  condições  para  sua  amortização.  A  questão  do  ágio  com  fundamento  econômico  na  rentabilidade  futura  da  empresa investida, ganhou relevância em meados da década de 1990 no âmbito do Programa  Nacional de Desestatização, com a edição da Lei nº 9.532, de 1997, mais especificamente dos  seus artigos com base nos artigos 7º, inciso III, e 8º6.                                                              2 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p. 211  3 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.209.   4 GRECO, Marco Aurélio. Op cit. p.210.   5 GRECO, Marco Aurélio. Op cit, p.246  6 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual  detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto­ lei n.º 1.598, de 26 de dezembro de 1977:  [...]  III  ­  poderá  amortizar  o  valor  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata  a  alínea  "b”  do  §  2º  do  art.  20  do  Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente  à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;  (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica­se, inclusive, quando:  a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido;  Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.898          18 Antes da edição da Lei nº 9.532/1997, o  ágio na  aquisição de  investimento  somente  tinha  efeitos  fiscais  na  tributação  do  ganho  ou  perda  de  capital  quando  de  sua  alienação (DL nº 1.598/77, art. 33), sendo sua amortização fiscalmente neutra (era adicionada  no LALUR).  Muitos doutrinadores e estudiosos do direito enxergam os dispositivos da Lei  nº 9.532/97 como um incentivo fiscal às privatizações, visando a aumentar a participação nos  leilões de privatização de estatais 7  Em  sentido  contrário,  Luiz  Eduardo  Shoueri  enxerga  a  norma  como  uma  restrição “da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à  amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador  visou  limitar a dedução do ágio às hipóteses  em que  fossem acarretados efeitos econômico­ tributários que o justificassem” 8  Qualquer  que  fosse  o  objetivo,  é  certo  que  o  legislador  baseou­se  em  um  motivo  econômico  da maior  relevância  quando  tratou  da  possibilidade  fiscal  de  dedução  do  ágio  pago  na  aquisição  de  investimentos,  com  fundamento  na  expectativa  de  rentabilidade  futura, na Lei nº 9.532/1997.  Independente da premissa ou pressuposto para a instituição da previsão legal  de dedução do ágio, verifica­se que a lei não cuidou de restringir o seu alcance apenas para as  operações  de  aquisições  de  participações  visando  o  programa  nacional  de  desestatização,  de  sorte que é correta a sua extensão a  toda e qualquer operação de aquisição de  investimentos,  inclusive naquelas ocorridas entre particulares, desde que seja equivalente às da previsão legal.  Assim  é  que,  em  uma  operação  de  aquisição  de  investimentos  entre  duas  empresas  independentes,  conhecedoras  do  negócio,  livres  de  pressões  ou  outros  interesses,                                                                                                                                                                                           b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.    7 Acórdão 1301­000.999 (relator Valmir Sandri);  "[...]  A motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND foi aumentar as  ofertas  dos  participantes  do  leilão  das  empresas  desestatizadas,  mediante  a  garantia  aos  investidores  da  dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas. Porém, especialmente na privatização das concessionárias  de  serviços  públicos,  a  norma  não  alcançaria  seu  objetivo  se  não  houvesse  a  permissão  para  a  utilização  de  incorporação invertida e de empresas veículo.  A possibilidade de dedução da amortização é condicionada à junção dos patrimônios. Como os licitantes, na quase  totalidade  dos  casos,  são  grupos  de  empresas  dos  mais  diversos  setores  da  economia  (grandes  construtoras,  seguradoras, fundos de previdência, bancos de investimentos, etc.), a junção patrimonial direta, para utilização do  benefício, seria impossível.  É  curial  que  não  era  objetivo  do  PND  extinguir  as  empresas  concessionárias  de  serviços  públicos.  Por  isso,  a  previsão expressa da possibilidade de operação invertida (a investida absorvendo a investidora).  Por  seu  turno,  as  investidoras  também  não  têm  interesse  em  serem  extintas,  e  mais,  podem  ter  limitações  regulatórias específicas, que impeçam a junção patrimonial.  Assim, a única forma de viabilizar a utilização do benefício é concentrar a participação societária adquirida (com  ágio)  no  leilão  numa  empresa  veículo  (sociedade  com  propósito  específico),  a  qual  seria  incorporada  pela  investida.  Por isso, no contexto do PND, além de prever expressamente a possibilidade de operações invertidas (art. 8º da  Lei  nº  9.532/97),  a  Lei  nº  9.491/97,  que  alterou  os  procedimentos  relativos  ao  Programa  Nacional  de  Desestatização  PND,  em  seu  art.  4º,  permitiu  a  utilização  de  várias  estruturas  societárias  possíveis  para  a  implementação da política, inclusive por meio de empresas veículos, como as subsidiárias integrais. [...]"    8  SCHOUERI,  Luis  Eduardo. ÁGIO EM REORGANIZAÇÕES  SOCIETÁRIAS  (ASPECTOS TRIBTÁRIOS).  São Paulo: Dialétic, 2012, p. 67.  Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.899          19 havendo  o  pagamento  de  ágio  com  fundamento  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  e,  cumpridos os requisitos legais, o Fisco não pode opor qualquer óbice à sua amortização.  Por  outro  lado,  a  lei  não  ampara  as  reorganizações  societárias  em  que  não  existe  uma  efetiva  aquisição  de  investimentos;  quando  há  uma mera  simulação  de  negócios  societários  visando  unicamente  a  cria  um  ágio  artificial  para  reduzir  a  carga  tributária  do  contribuinte.   São  os  casos  em  que  ainda  que  formalmente  regulares,  os  negócios  societários  não  tem  substância  ou  existência  real,  caracterizando­se  a  simulação  em  sua  vertente absoluta, pois sequer existe um negócio (verdadeiro) dissimulado9.                                                              9 A simulação, tal como disciplinada no art. 167 do Código Civil é causa de nulidade do negócio jurídico.   Marco  Aurélio  GRECO  (in  Planejamento  Tributário.  3a.  ed.São  Paulo:  Dialética,  2011.  p  228)  destaca  que  a  doutrina majoritária define dois conjuntos de situações que configuram simulação:  a) simulações objetivas que levam em conta o negócio jurídico celebrado;  b) simulações subjetivas que levam em conta as pessoas participantes de tais negócios.  Na  categoria  das  simulações  objetivas,  está  abrangida  a  simulação  relativa  se  houver  um  negócio  real  e  outro  negócio aparente, enquanto na simulação absoluta haverá um negócio aparente e nenhum negócio subjacente (o  que alguns autores chamam de pura mentira).    Grande parte da doutrina brasileira defendeu, na vigência do antigo Código Civil, que a simulação corresponderia  a um vício da vontade. No entanto, esta não é a única maneira de conceber a figura da simulação no Código Civil,  como observa Greco:  “Assim, por exemplo, ORLANDO GOMES examina a fenomenologia da simulação a partir da idéia de causa do  negócio jurídico. Desde (sic) ângulo assume relevância aquilo que se designa por ‘propósito negocial’ (negocial,  aqui, no sentido de negócio jurídico e não de empreendimento ou ‘business’).  Este autor esclarece que, “no esquema legal de cada tipo de negócio encontra­se a causa que o legitima, inalterável  ao arbítrio de quem o pratica”. Assim, haverá, em princípio, ato simulado quando “determinado tipo de negócio  seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente à sua causa”. E mais, “declarando o que  realmente não querem, visam as partes à obtenção de resultado diverso da causa  típica, mas... não pretendem o  negócio que praticam”.  Ou seja, identificar a finalidade e a causa do negócio é o parâmetro para aferir ou não a ocorrência da simulação.  Portanto, no exame de determinado caso concreto, para saber se estamos ou não diante da hipótese de simulação,  importa  não  apenas  perguntar  se  estamos  ou  não  diante  de  uma  dualidade  de  vontades,  mas  principalmente,  detectar se há um motivo real que não corresponda ao motivo aparente.  Ricardo  Lobo  TORRES  (in  Planejamento  Tributário:  elisão  abusiva  e  evasão  fiscal.  Rio  de  Janeiro:  Elsevier,  2013. p. 123 e 124), também cita a diferença existente entre a simulação relativa e a absoluta. Segundo ele “o que  caracteriza  a  simulação, na  sua vertente de  simulação  relativa  é que  implica  a dissimulação, o  fingimento ou  a  manipulação dos  fatos praticados”. Segundo esse autor,  a  teoria do direito civil  considera a dissimulação como  forma  de  simulação  relativa.  Cita  civilistas  brasileiros  que  diferenciam  a  dissimulação  (simulação  relativa)  da  simulação (absoluta), in verbis:  “Cf. Tepedino, Gustavo; Barboza; Heloisa; Moraes, Maria Celina Bodin de. Código Civil interpretado conforme a  Constituição da República. Parte Geral e Obrigações. Rio de Janeiro: Renovar, 2004, v. 1 p. 313: “A simulação  relativa, também chamada de dissimulação, é a que contém dois atos jurídicos, quais sejam: o negócio simulado  que esconde e camufla outro negócio, que é o dissimulado, a verdadeira intenção das partes. É então da simulação  relativa que fala o dispositivo em tela, referindo­se à preservação do negócios simulado, se válido na substância e  forma”, Monteiro, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Parte Geral. São Paulo: Saraiva, 1989, p. 209 e  seguintes:  ‘Cumpre não confundir  simulação com dissimulação. Distinguiu­as Ferrara, nos seguintes  termos: na  simulação, faz­se aparecer o que não existe, na dissimulação oculta­se o que é; a simulação provoca uma crença  falsa num estado não  real,  a dissimulação oculta ao conhecimento dos outros uma  situação existente... Mas em  ambas, o agente quer o engano: na simulação quer enganar sobre a existência de uma situação não verdadeira, na  dissimulação,  sobre  a  inexistência  de  situação  real.  Se  a  simulação  é  um  fantasma,  a  dissimulação  é  uma  máscara”;  Moreira  Alves,  José  Carlos.  Conferência  Inaugural  do  XXVIII  Simpósito  Nacional  de  Direito  Tributário.  In: Martins,  Ives Gandra da Silva. O princípio da não cumulatividade. Pesquisas Tributárias – Nova  Série  –  10.  São  Paulo:  Centro  d  Extensão  Universitária/Revista  dos  Tribunais,  2004,  p.  15:  “É  isso  porque  a  simulação, como sempre se considerou, apresentava, e apresenta, duas modalidades: uma simulação absoluta, em  que o que se quer é apenas criar a aparência, e a simulação relativa, em que, por meio de uma aparência, que é  caracterizada pelo negócio simulado, se dissimula o negócio real.”    Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.900          20 As  principais  características  desses  arranjos  societários  simulados  são:  ­  reorganização societária dentro de um grupo de empresa sob controle comum ; ­ a criação ou  aquisição  de  empresas  sem  atividade  econômica  real  (empresas  veículos);  ­  subscrição  de  capital  na  empresa  veículo,  integralizada  com  quotas  ou  ações  da  empresa  operacional  do  grupo  (ou  outra  holding  intermediária),  avaliadas  “a  valor  de  mercado”  com  base  na  expectativa  de  rentabilidade  futura;  ­  ausência  de  pagamento  efetivo  (não  há  qualquer  dispêndio ou sacrifício patrimonial); ­ inexistência de qualquer outra finalidade nas operações,  que  não  a  geração  do  ágio;  ­  operações  formais  realizadas  em  curto  espaço  de  tempo  (geralmente menos de um ano); ­ incorporação reversa da investidora pela investida, que passa  a adotar a razão social ou marca daquela; ­ controle societário da empresa operacional (direto  ou indireto) resulta inalterado ao final da reorganização societária.  Assim, no exame das operações societárias visando a aferir a efetividade da  existência do ágio há que se levar em consideração, principalmente: a existência de motivação  econômica para a operação; a  independência entre as partes na formação do preço pago pela  participação;  a  existência  de  efetivo  pagamento  (mesmo  que  com  bens  ou  direitos);  modificação  da  participação  no  controle  (direto  ou  indireto)  da  empresa  operacional  após  a  reorganização.   Ainda  deve  ser  observado  que  a  lei  exige  que  o  contribuinte  demonstre  documentalmente  os  fundamentos  do  ágio  pago,  valendo­se  os  interessados,  geralmente,    de  laudos técnicos de empresas especializadas que avaliam o investimento a preço de mercado.   Quanto a esse aspecto destaquei, ao proferir o voto vencedor no Acórdão nº  1302­001.108,  que  é  praticamente  inviável  o  desafio  do  Fisco  contrapor­se  aos  "laudos"  de  avaliação  elaborados  pela  empresas  de  consultoria  contratadas  pelo  próprio  contribuinte  que  engendra  tais  reorganizações societárias  intragrupo. Além da natural precariedade e  incerteza  quanto  à  "expectativa  de  rentabilidade  futura"  estimada,  agregam­se  à  projeções  dados  empíricos  e  subjetividades  não  passíveis  de  serem  questionados.  O  único  mecanismo  de  aferição  do  valor  real  do  negócio  em  uma  operação  de  aquisição  de  investimento  por  uma  sociedade em outra, é o efetivo pagamento pelo preço fixado. Neste caso, o ágio surge límpido,  bastando comparar o valor efetivamente pago com o valor patrimonial da investida na data do  negócio.   De  se  observar  que  na  avaliação  do  investimento  a  valor  de mercado pode  estar embutido no ágio pago o preço atualizado de outros bens ou intangíveis e não apenas a  rentabilidade futura da investida, mas para o Fisco desqualificar o laudo, se o mesmo atribuir o  fundamento  de  rentabilidade  futura  ao  total  do  ágio  pago,  necessitará  de  outros  elementos  concretos, como documentos contendo outras avaliações realizadas pelos próprios envolvidos  na operação apontando noutro sentido .  Outro  aspecto  que  costuma  aparecer  nas  operações  de  reorganização  societária, das quais derivam o ágio, é a transferência do ágio pago pela investidora para outra  empresa sob seu controle direto, com posterior incorporação desta última pela investida, com  vistas a viabilizar o aproveitamento do ágio.  Este  fato  foi  bastante  comum  no  processo  de  privatização,  que  contou  inúmeras vezes com a participação de empresas sediadas no exterior. Como havia interesse em  manter  o  sigilo  dos  lances  a  serem  dados  nos  leilões  essas  empresas  sediadas  no  exterior,  quando  vencedoras  na  licitação,  faziam  o  aporte  de  investimento  diretamente  na  investida,  surgindo o ágio neste primeiro momento.                                                                                                                                                                                             Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.901          21 Em momento  posterior,  essas  empresas  sediadas  no  exterior  segregavam  o  investimento mediante a sua transferência (incluindo o ágio) para uma empresa controlada no  país, que mais tarde absorvia a investida visando ao aproveitamento (amortização) do ágio. A  justificação econômica é de que essas empresas não tinham interesse em fundir­se diretamente  com a  empresa  investida,  seja  por motivos  estratégicos,  financeiros  ou mesmo operacionais,  como por exemplo a necessidade de separação por ramos de negócio ou manutenção da marca.   Entendo que havendo justificação econômica para o ágio originalmente pago  não  exista  óbice  para  tal  operação,  pois  se  não  há  vício  na  formação  do  ágio  o  seu  aproveitamento  posterior,  nos  termos  da  previsão  legal,  deve  ser  respeitado  pelo  Fisco.  A  condição é de que o ágio deve ter como referência a situação patrimonial do investimento na  data em que  foi efetivamente pago, ou seja, o  laudo deve espelhar  a  situação patrimonial da  investida no momento da aquisição original, não no momento da transferência do investimento  para a controlada.  Feitas estas breves considerações, passo a analisar o caso concreto.  3. Do exame das operações e da existência e aproveitamento do ágio  Os fatos relevantes a serem analisados, conforme observou o D. Relator deste  acórdão, a partir do que foi descrito no Termo de Verificação Fiscal, são os seguintes:  ­ em 27/04/2006, foi constituída a BERTOLINO Participações Ltda, sendo a  Texpar Part. Ltda  titular de 99  cotas e  a Pacaembú Serviços e Participações Ltda.  titular de 1 cota;  ­  em 09/06/2006,  é  celebrado  acordo,  no  qual  fica  pactuado que  a  1700480  ONTARIO  INC  faria  um  investimento  direto  na  Multiplan  Empreedniemntos  Imobiliários S/A (MTE), no valor de R$ 850.000.539,89 mediante a subscrição de  ações, sendo que os sócios Multiplan Planejamento, Participações e Administração  S/A  (MTP)  e  Eduardo  Kaminitz  Peres  (EKT)  desde  já  renunciavam  a  seus  respectivos direitos de preferência na subscrição;  ­  em  14/06/2006,  a  empresa  BERTOLINO  sofre  uma  alteração  contratual,  pois  agora  passa  a  ter  novos  sócios:  1700480  ONTARIO  INC  (com  99  cotas)  e  1699516 ONTARIO INC (com 1 cota);  ­ em 21/06/2006, BERTOLINO aumenta seu capital social de R$ 100,00 para  R$ 1.060.530.000,00, assim dividido: 1.060.529.999 cotas para 1700480 ONTARIO  INC e 1 cota para 1699516 ONTARIO INC;  ­ em 22/06/2006,  foi deliberado o aumento do capital  social da MTE de R$  160.295.616,00  para  R$  264.419.053,00,  mediante  a  emissão  e  subscrição  de  47.327.029 novas ações, sendo fixado o preço de R$ 17,9601 por ação, totalizando  assim R$ 850.000.539,89, dos quais R$ 104.123.437,00 destinados ao capital social  e R$ 745.877.102,89 à reserva de capital (prêmio de subscrição);  ­  também  em  22/06/2006, BERTOLINO  adquiriu:  583.515  ações  ordinárias  da MTE detidas por EKP pelo valor de R$ 10.480.010,00  (R$ 17,9601 p/ação),  e  7.768.314 ações da MTE detidas por CAA Corretores Associados Ltda. pelo valor  de R$ 139.519.990,00 (R$ 17,9601 p/ação), em ambas as aquisições os pagamentos  foram por meio de TED­E;  ­ com tais aquisições, a BERTOLINO passou a deter 46% de participação na  MTE;  ­  em  28/05/2007,  1699516  ONTARIO  INC  cede  sua  única  cota  da  BERTOLINO para 1700480 ONTARIO INC, a qual passou a deter a totalidade das  quotas da BERTOLINO;  Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.902          22 ­ em 29/05/2007, BERTOLINO é incoporada pela MTE.  A autoridade fiscal, conforme TVF a fls. 1073, enquadrou as operações acima  transcritas com simulação simulada (art. 167 do CC), pois entendeu que: “Embora  os fatos descritos, isoladamente e do ponto de vista meramente formal, não denotem  ilicitude, a moderna doutrina acerca de planejamento tributário não se satisfaz com  a simples constatação da legalidade das operações, mas sim exige motivação extra­ tributária”.A  autoridade  fiscal  responsável  pelo  lançamento  entendeu  ter  havido  a  criação de ágio interno, motivo pelo qual o mesmo não poderia ser reconhecido nem  amortizado.  Entendo que, desta feita, resta evidente que não estamos diante da criação do  chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas  sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores.  No  presente  caso  ocorreu,  em  22/06/2006,  a  subscrição  e  efetiva  integralização  do  capital  da  recorrente,  com  pagamento  em  moeda  no  valor  de  R$  850.000.539,89, pela empresa BERTOLINO, subsidiária integral da 1700480 ONTARIO INC .  O  capital  da  autuada  foi  aumentado  de  160.295.616,00  para R$  264.419.053,00, mediante  a  emissão e subscrição de 47.327.029 novas ações, sendo fixado o preço de R$ 17,9601 por ação,  totalizando assim R$ 850.000.539,89, dos quais R$ 104.123.437,00 destinados ao capital social  e R$ 745.877.102,89 à reserva de capital (prêmio de subscrição).   Além disso,  a BERTOLINO adquiriu,  na mesma data,  ações  possuídas  por  outros acionistas, sendo 583.515 ações ordinárias da MTE detidas por EKP pelo valor de R$  10.480.010,00  (R$ 17,9601 p/ação),  e 7.768.314 ações da MTE detidas por CAA Corretores  Associados  Ltda.  pelo  valor  de  R$  139.519.990,00  (R$  17,9601  p/ação),  efetuando  os  pagamentos por meio de TED­E.  Com isto, a BERTOLINO passou a deter 46,3 % das ações da recorrente e foi  reduzida a participação dos demais sócios para 53,7 %.  O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim  da  entrada  de  capital  de  um  novo  investidor  no  grupo  que  promoveu  a  efetiva  alteração  da  participação societária, com expressiva redução da participação do grupo controlador.  Equivoca­se  a  fiscalização  nesse  ponto,  pois  a  verificação  dessa  condição  deve  ser  feita quando  a  operação  de  subscrição  e  integralização  do  capital  pela  investidora,l  quando  se  formou o  ágio,  em não  no momento  seguinte  em que  foi  feita  a  incorporação  da  empresa investidora pela investida.  O  fato  de  o  negócio  ter  sido  entabulado  pela  empresa  estrangeira  1700480  ONTARIO  INC  e  efetivado  por meio  de  sua  subsidiária  no Brasil,  que  recebeu  o  aporte  de  capital  para  fazer  o  investimento  ao  meu  ver  não  contamina  o  negócio,  nem  desnatura  a  ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma.  Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para  as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado e adequada para a  obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal.  Entendo  que,  desta  feita  estamos  no  campo  daquelas  situações  em  que  o  contribuinte  se  valeu  licitamente  do  direito  de  organizar  o  seu  negócio  de  acordo  com  suas  necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor  custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais.  No  presente  caso  restaram  configuradas:  a  existência  de  motivação  econômica para a operação, a  independência entre as partes na formação do preço pago pela  Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720880/2011­11  Acórdão n.º 1302­001.150  S1­C3T2  Fl. 1.903          23 participação,  a  existência  de  efetivo  pagamento  do  ágio  (baseado  em  laudo  de  avaliação  de  empresa  especializada)  e,  a modificação  da participação  no  controle da  empresa  operacional  após a reorganização, com a redução da participação dos antigos controladores.  Assim,  do  ponto  de  vista  estritamente  fiscal,  a  reorganização  societária  realizada vai ao encontro dos dispositivos legais, já analisados anteriormente, que permitiam ao  contribuinte beneficiar­se do  ágio pago, mediante a  sua amortização mensal na base de 1/60  avos. Ou seja, não existindo vícios na formação do ágio e verificando­se a situação prevista no  art.  386  do  RIR/1999  é  direito  da  recorrente  promover  a  amortização  do  ágio  com  base  na  expectativa de rentabilidade futura, apurado e registrado nas operações societárias.  Ante ao exposto voto pelo provimento do recurso voluntário.  Sala de Sessões, 07 de Agosto de 2013.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado        Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /09/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINH O MACHADO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE

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5124369 #
Numero do processo: 13603.721920/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007 COMPETÊNCIA RECURSAL. O julgamento de recurso voluntário e de ofício que verse sobre matéria relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf.
Numero da decisão: 1302-000.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da Terceira Seção de Julgamento.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13603.721920/2010­06  Acórdão n.º 1302­00.808  S1­C3T2  Fl. 254          2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  proferido  nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/BHE, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, afastar  as  preliminares  de  nulidade,  e  considerar  improcedente  o  lançamento,  conforme  ementa  que  abaixo reproduzo:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  OPERAÇÕES  DE  CRÉDITO,  CÂMBIO  E  SEGUROS  OU  RELATIVAS  A  TÍTULOS  OU  VALORES MOBILIÁRIOS IOF  Período de apuração: 30/09/2005 a 31/12/2007  OPERAÇÃO DE CRÉDITO FORA DO SISTEMA FINANCEIRO.  MÚTUO  ANTERIOR  AO  ANO  DE  1999.  IOF.  NÃO  INCIDÊNCIA.  Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de  recursos  financeiros entre pessoas jurídicas em que o mutuante não seja  instituição  financeira  não  incide  o  IOF  que  seria  devido  nos  termos do art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999, sobre recursos que  foram  entregues  ou  colocados  à  disposição  do  mutuário  até  o  ano de 1998.  A contribuinte foi autuada por não ter recolhido o IOF relativo a operações de  mútuo celebradas com a empresa Hobart Overseas. A autoridade  ressaltou que o contrato de  mútuo original não foi entregue (mas  tão somente cópia  reprográfica), bem como a baixa do  contrato se deu com perdão de dívida.  Na impugnação, a contribuinte aduz que o contrato de mútuo foi firmado em  29/12/95 e que os dispositivos  legais que  consubstanciaram a  autuação passaram a viger em  data posterior (Lei nº 9.779/99), o que viola o art.144 do CTN, que prescreve que o lançamento  deve se reportar à data de ocorrência do fato gerador.  A turma acolheu as razões de recurso da impugnante, fazendo subir os autos,  todavia, em função do reexame necessário.  É o relatório.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13603.721920/2010­06  Acórdão n.º 1302­00.808  S1­C3T2  Fl. 255          3 Voto             Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator.    Cuida­se de apreciar recurso de ofício relativo a auto de infração lavrado para  constituir IOF sobre operações de crédito entre a recorrida e Hobart Overseas.  O  julgamento  de  recurso  voluntário  e  de  ofício  que  verse  sobre  matéria  relativa a IOF compete à Terceira Seção do Carf, nos termos do art.4º, VII do Ricarf.  Assim,  voto  para  declinar  competência,  em  favor  da  Terceira  Seção  de  Julgamento do Carf.    Sala das Sessões, 17 de janeiro de 2012.  (assinado digitalmente)  Eduardo de Andrade ­ Relator                                Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO

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5147201 #
Numero do processo: 13956.000137/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM APARELHOS E PRÓTESES ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para autorizar a dedução. Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1459; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T1  Fl. 75          1 74  S2­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13956.000137/2009­63  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2101­002.339  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de outubro de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  WANDERLEY ROQUE ROSA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007  IRPF.  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  COM  APARELHOS  E  PRÓTESES  ORTOPÉDICOS. POSSIBILIDADE.  As despesas com aparelhos e próteses ortopédicos são dedutíveis da base de  cálculo  do  imposto  sobre  a  renda,  desde  que  devidamente  comprovadas  e  justificadas.  Hipótese  em  que  a  prova  produzida  pelo  Recorrente  é  suficiente  para  autorizar a dedução.  Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS ­ Presidente    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 01 37 /2 00 9- 63 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/2009­63  Acórdão n.º 2101­002.339  S2­C1T1  Fl. 76          2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos  (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka  (Relator), Celia Maria  de  Souza Murphy,  Francisco  Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.  Relatório  Trata­se de  recurso voluntário  (fls. 67/68)  interposto em 01 de  fevereiro de  2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Curitiba (PR) (fls. 60/63), do qual o Recorrente teve ciência em 03 de janeiro de 2012 (fl. 66),  que,  por maioria  de  votos,  julgou  procedente  o  lançamento  de  fls.  53/56,  lavrado  em  25  de  fevereiro  de  2009,  em virtude  de  dedução  indevida de  despesas médicas,  verificada  no  ano­ calendário de 2006.  O acórdão teve a seguinte ementa:  “ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­  IRPF  Ano­calendário: 2006  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  COM  APARELHOS  ORTOPÉDICOS.  CONDIÇÃO.  A  dedução  de  despesas  com  aparelhos  ortopédicos  na  declaração  de  ajuste  anual  do  IRPF  está  sujeita  à  comprovação  por  meio  de  receituário  médico.  CIRURGIA ORTOPÉDICA. PARAFUSOS E PLACAS. DEDUÇÃO.  CONDIÇÃO.  A  dedução  de  despesas  com  aquisição  de  parafusos  e  placas  em  cirurgias  ortopédicas  está  condicionada  que  tais  despesas  integrem  a  conta  hospitalar.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido” (fl. 60).  Não  se  conformando,  o  Recorrente  interpôs  o  recurso  voluntário  de  fls.  67/68, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator.  O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele  conheço.  Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/2009­63  Acórdão n.º 2101­002.339  S2­C1T1  Fl. 77          3 Discute­se, no presente caso, questão relativa a dedução de despesas médicas,  especificamente no que se refere a próteses para cirurgia em coluna vertebral.  Em  relação  a  essas  glosas,  a  norma  aplicável  ao  caso  (Lei  n.º  9.250/95)  preceitua o seguinte:  “Art.  8º.  A  base  de  cálculo  do  imposto  devido  no  ano­calendário  será  a  diferença entre as somas:  I  –  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente  na  fonte  e  os  sujeitos  à  tributação definitiva;  II – das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem como as despesas com exames  laboratoriais,  serviços radiológicos, aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;  ...  §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II:  I – aplica­se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização,  médicas  e  odontológicas,  bem  como  a  entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento de despesas da mesma natureza;  II – restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu  próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III – limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no Cadastro  de  Pessoas  Físicas  –  CPF  ou  Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de  documentação,  ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento.”  Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o  seguinte comando normativo:  “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a  juízo da autoridade lançadora (Decreto­Lei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º).  §  1º.  Se  foram  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos  declarados,  ou  se  tais  deduções  não  forem  cabíveis,  poderão  ser  glosadas  sem  a  audiência do contribuinte (Decreto­Lei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).”  ...  “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a").  § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/2009­63  Acórdão n.º 2101­002.339  S2­C1T1  Fl. 78          4 I ­ aplica­se,  também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização,  médicas  e  odontológicas,  bem  como  a  entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento de despesas da mesma natureza;  II ­ restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  ao  próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­ limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação do  nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ­ CPF ou no  Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­ CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta  de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o  pagamento;  IV ­ não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou  cobertas por contrato de seguro;  V ­ no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas  e  dentárias,  exige­se  a  comprovação  com  receituário médico  e  nota  fiscal  em  nome do beneficiário.  § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda  nacional  será  feita  mediante  utilização  do  valor  do  dólar  dos  Estados  Unidos  da  América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da  primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento.  § 3º Consideram­se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de  deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e  o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais.  § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico  só  poderão  ser  deduzidas  se  o  referido  estabelecimento  for  qualificado  como  hospital, nos termos da legislação específica.  § 5º  As  despesas  médicas  dos  alimentandos,  quando  realizadas  pelo  alimentante  em  virtude  de  cumprimento  de  decisão  judicial  ou  de  acordo  homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação  da  base  de  cálculo  da  declaração  de  rendimentos  (Lei  nº  9.250,  de  1995,  art.  8º,  § 3º).”  Cabe  mencionar,  ainda,  que  a  autoridade  fiscalizadora  deve  fazer  a  prova  necessária para  infirmar  o  recibo de despesas dedutíveis  acostado  aos  autos pela  fiscalizada,  comprovando  a  não  prestação  do  serviço  ou  o  não  pagamento. Não  se  pode,  simplesmente,  glosar  as  despesas  médicas  pelo  fato  de  a  fiscalizada  não  comprovar  documentalmente  o  pagamento,  já  que  o  contribuinte,  em  relação  a  este  ponto,  não  está  obrigado  a  liquidar  as  obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em  espécie.   Salvo  em  casos  excepcionais,  quando  a  autoria  do  recibo  for  atribuída  a  profissional  que  tenha  contra  si  súmula  administrativa  de  documentação  tributariamente  ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer  seu  direito  de  defesa  ou,  quando  efetivamente  existirem  nos  autos  elementos  que  possam  afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os  requisitos  legais  e  que  vêm  acompanhados  de  declarações  dos  profissionais  confirmando  a  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/2009­63  Acórdão n.º 2101­002.339  S2­C1T1  Fl. 79          5 prestação  dos  serviços,  o  respectivo  recebimento,  o  beneficiário  do  tratamento  e  os  dados  completos do prestador.  Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do  Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis:  "§  1°  Os  esclarecimentos  prestados  só  poderão  ser  impugnados  pelos  lançadores  com  elemento  seguro  de  prova  ou  indício  veemente  de  falsidade  ou  inexatidão” (Decreto­Lei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)."  Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação  dos  serviços  médicos  prestados  e  deduzidos  pelo  contribuinte  devem  ser  devidamente  armazenados  pelo  mesmo  lapso  de  tempo  que  as  autoridades  fiscais  têm  para  constituir  possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento:  “NULIDADE ­ CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA –  No  processo  administrativo  tributário  os  fatos  devem  evidenciar­se  com  provas  documentais. A  documentação  dos  fatos  havidos  no  transcorrer  do  ano­calendário  tem  prazo  para  guarda  igual  àquele  em  que  possível  a  constituição  do  correspondente crédito tributário.”  (1º Conselho  de Contribuintes,  2ª Câmara, Recurso Voluntário  nº.  146.926,  relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007)  ***  “DOCUMENTOS  –  GUARDA  –  O  prazo  para  guarda  de  documentos  é  o  mesmo que o permitido  ao  sujeito ativo para  exigir  o  tributo ou  rever de ofício o  lançamento.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  –  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  –  A  presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários  de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº  9.430, de 1996,  tendo caráter  relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao  contribuinte.”  (1º Conselho  de Contribuintes,  2ª Câmara, Recurso Voluntário  nº.  140.839,  relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006)  Feitos  os  esclarecimentos  prévios,  cumpre  mover  à  análise  específica  dos  documentos apresentados pelo Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas  que foi mantida pelo acórdão recorrido,  tal como realizada, afigura­se válida, ou, em sentido  contrário,  se  os  documentos  apresentados  seriam  suficientes  para  o  fim  de  demonstrar  a  legitimidade dos gastos apontados in casu.  No presente caso, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada pelo  contribuinte, por meio de decisão que teve, basicamente, a seguinte fundamentação:  “No caso de aparelhos ortopédicos destinados à correção de desvio de coluna,  a  comprovação  deve  ser  feita mediante  receituário médico,  naturalmente,  no  qual  esteja justificada a necessidade do aparelho e especifique as características técnicas  do mesmo.  Para satisfazer essa exigência, o impugnante anexou aos autos a nota fiscal de  aquisição de produtos (fl. 07) acompanhada de declaração do médico Dr. Marcelo T.  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/2009­63  Acórdão n.º 2101­002.339  S2­C1T1  Fl. 80          6 Miura (fl. 06). Em meu entender, o relato médico de fl. 06 não substitui o receituário  médico  exigido  na  norma  citada.  Isso  porque  o  receituário  é  a  prescrição  do  tratamento, situando­se em momento anterior ao tratamento. Já o relato de fl. 07 é  apenas uma descrição do procedimento médico realizado na esposa do contribuinte,  em momento já posterior à cirurgia.  Especialmente  quanto  aos  parafusos  e  placas  (valor  de  R$  21.065,54),  a  orientação disponibilizada na página da Receita Federal do Brasil, no “Perguntas e  Respostas”, é clara ao indicar que pode haver a dedução de gastos com parafusos e  placas  em  cirurgias  ortopédicas  desde  que  tais  gastos  integrem  a  conta  hospitalar.  Isso  ocorre  porque  os  parafusos  e  placas  não  possuem  previsão  legal  para  sua  dedução,  são  aceitos  apenas  nos  termos  do  início  do  caput  do  art.  80  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR  supracitado,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000, de 26/03/1999, desde que integrem a conta hospitalar.  No caso em tela, o documento apresentado pelo impugnante não é uma conta  hospitalar, é uma nota fiscal de aquisição de produtos de empresa especializada na  importação  e  exportação  de  produtos  médicos.  Tal  documento,  por  si  só,  não  é  suficiente para autorizar a dedução pleiteada das placas e parafusos.  De outra parte, não se discute se a esposa do impugnante recebeu ou não o  implante dos equipamentos descritos nas notas fiscais. Todavia, para a dedução,  há que ser comprovado tal fato, de acordo com os atos acima reproduzidos” (fl. 63).  Entendo, todavia, que o artigo 8º., II, “a”, da Lei n. 9.250, de 1995, e o artigo  80, V, do RIR/99 são muito claros ao autorizar as deduções relativas a “aparelhos ortopédicos e  próteses ortopédicas”, exigindo, apenas e tão somente, a “comprovação com receituário médico  e nota fiscal em nome do beneficiário”.  In casu, entendo que o documento de fl. 06, acompanhado da nota fiscal de  fl. 07, supre, sim, o receituário médico a que se refere o inciso V do artigo 80 do RIR/99, não  se admitindo formalismo tal que afaste a aplicação da norma prevista no artigo 8º., II, “a”, da  Lei n. 9.250, de 1995.   Se  isso  não  bastasse,  não  há,  nem  na  lei  nem  no  regulamento,  qualquer  dispositivo  exigindo  que  os  produtos  descritos  na  nota  fiscal  de  fl.  07  integrem  a  conta  hospitalar, pois não há dúvida que as placas, parafusos e cages cervicais integraram as próteses  utilizadas  na  cirurgia  na  coluna  vertebral  da  esposa  do Recorrente,  conforme  expressamente  consignado na decisão recorrida.  Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA  Relator                Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.000137/2009­63  Acórdão n.º 2101­002.339  S2­C1T1  Fl. 81          7                 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/10/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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Numero do processo: 14033.000692/2010-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para: (1)indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindo-a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, retornando os autos para apreciação da presente Turma Especial. Voto vencedor redator designado Conselheiro Gustavo Vettorato. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que vota pelo provimento parcial para que a autoridade fiscal lançadora apure o valor correto das contribuições sociais devidas, considerando os documentos, livros contábeis e os recolhimentos efetuados pela empresa e suas obras, restituindo os valores se devidos. Sustentação oral Advogado Dr Eurides Veríssimo de Oliveira Junior, OAB/MG nº00699160. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Fabio Pallaretti Calcini.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 712          2   Relatório  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  pela  Construtora  RV  Ltda contra a decisão de indeferimento do Pedido de Restituição de valores retidos sobre notas  fiscais  de  prestações  de  serviços  (11%  NFS),  na  forma  do  art.  31  da  Lei  8.212/91,  com  a  redação dada pela Lei 9.711/98, referente à competência 01/2006.  O pedido de restituição foi requerido pelo sujeito passivo mediante utilização do  programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação  (PER/DCOMP), para as obras de matrícula CEI n. 38.720.05895/70 e n. 38.720.05896/72 em  18/12/2009.  Foi emitido o Despacho Decisório n. R52/SRFB/DRF/BSA, em 29/09/2010, fls.  308/309, com a decisão de não  reconhecimento do direito creditório do  contribuinte  frente à  Fazenda Pública, tendo por fundamento, nos termos do enquadramento legal elencado:  ­  não  haver  GFIP  para  a  competência  01/2006,  da  CEI  n.  38.720.05895/70,  sendo  que  a  última  GFIP  entregue  foi  a  de  competência  12/2005;  ­  a  impossibilidade  de  execução  dos  serviços  pelo  número  de  segurados  declarados,  de  acordo  com  o  Sistema  Restituição  WEB  2.0,  seqüencial  2877,  a  relação  massa  salarial/faturamento  corresponde  a  14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP;  ­  não  haver  GFIP  para  a  competência  01/2006,  da  CEI  n.  38.720.05896/72,  sendo  que  a  última  GFIP  entregue  foi  a  de  competência  12/2005;  ­  a  impossibilidade  de  execução  dos  serviços  pelo  número  de  segurados  declarados,  de  acordo  com  o  Sistema  Restituição  WEB  2.0,  seqüencial  2877,  a  relação  massa  salarial/faturamento  corresponde  a  14.69%, o que corrobora incongruências de informações do CAGED/GFIP.  DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO   Regularmente  cientificado  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade.  A  decisão  de  primeira  instância  administrativa  fiscal  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade, fls. 611/615.  O contribuinte foi cientificado da decisão em 13/04/2011, apresentando recurso  voluntário, em 31/05/2011, fls. 618/657, alegando em síntese:  ­ durante o procedimento de  fiscalização a Recorrente atendeu criteriosamente  todas  as  solicitações  realizadas  pelo  Fisco  apresentando  toda  a  documentação  requerida,  inclusive conciliando as  informações apresentadas com o seu movimento contábil, afastando,  assim,  qualquer  possibilidade  de  arguição  de  omissão,  fraude  ou  simulação  por  parte  da  Recorrente em virtude de apresentação inidônea, não apresentação ou apresentação deficiente  de documentos solicitados pelo Fisco;  Fl. 725DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 713          3 ­ os documentos que foram apresentados dizem respeito única e exclusivamente  à  situação  fiscal,  vez  que  em  nenhum  momento  existiu,  por  parte  do  Fisco,  solicitação  de  documentos relativos à subcontratação de mão de obra ou de terceiros, motivo pelo qual não  foram apresentados;  ­  deve­se  anular  a  decisão  recorrida,  nos  termos  do  art.  53  da  lei  9.784/99,  reconhecendo o direito creditório e concedendo a restituição pleiteada;  ­  a  não  observância  dos  princípios  da  finalidade,  razoabilidade  e  proporcionalidade pela fiscalização;  ­ a inaplicabilidade do artigo 447, IV, "c" da IN RFB 971/09 ao caso, vez que as  informações  constantes  nos  documentos  descaracterizados  pelo  Fisco  são  as  mesmas  que  embasaram  tal  decisão  acarretando  um  confronto  de  fundamentação  (folha  de  pagamento,  GFIP, notas fiscais e o contrato apresentado);  ­  não  obstante  existirem  valores  retidos  dos  subcontratados,  a  Recorrente  não  utilizou da faculdade de deduzir na nota fiscal emitida ao seu contratante, o valor da retenção já  efetuada dos seus subcontratados (art. 127 da IN/RFB 971/09);  ­  Com  o  objetivo  de  cumprimento  das  normas  de  direito  tributário  que  disciplinam  sobre  procedimento  de  restituição,  bem  como  para  afastar  a  possibilidade  de  agressão aos princípios gerais do direito e, por sua vez, evitar o enriquecimento sem causa por  parte da União, a Recorrente requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante  formalização, que está em debate, sendo imprescindível o deferimento do pedido de restituição  ora em apreço;  ­ a partir das premissas aqui construídas, notadamente, (i) a apuração do Sistema  de Restituição WEB 2.0 se vale apenas dos valores de folha de pagamento ou GFIP própria da  Recorrente, descartando qualquer valor de mão de obra subcontratada; e (ii) de que a chamada  de  massa  salarial  na  verdade  é  apenas  uma  parcela  dos  proventos  integrantes  da  folha  de  pagamento vez que considera apenas os dados inseridos em GFIP,  (iii) conclui­se que toda a  sistemática utilizada pela administração fazendária inclusive o Sistema de Restituição WEB 2.0  são  falhos,  devendo  toda  e  qualquer  apuração  através  deste  ser  desconsiderada  em  sua  totalidade;  ­ as preliminares suscitadas devem ser acolhidas, dando provimento ao presente  recurso  em razão da  inaplicabilidade do  instituto do arbitramento/aferição  indireta,  conforme  restou  comprovado,  anulando  o  acórdão  recorrido,  nos  termos  do  art.  53  da  lei  9.784/99,  reconhecendo  o  direito  creditório  da  recorrente  e  consequentemente  deferindo  o  pedido  de  restituição  de  valores  referentes  à  retenção  de  Contribuições  Previdenciárias  pleiteado,  determinando,  por  fim,  o  cancelamento  da  solicitação  de  inclusão  da  Recorrente  no  Planejamento Fiscal;  ­  quanto  ao  mérito,  admitido  em  respeito  ao  princípio  da  eventualidade,  seja  reconhecido o direito creditório da Recorrente em face da legitimidade comprovada através do  fiel e criterioso adimplemento de todas as obrigações tributárias concernentes às Contribuições  Previdenciárias,  bem  como  às  relativas  à  formalização  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição  (PER/DCOMP),  anulando  o  acórdão  recorrido,  nos  termos  do  art.  53  da  lei  9.784/99  e,  consequentemente,  deferir  o  pedido  de  restituição  de  valores  referentes  à  retenção  de  Contribuições Previdenciárias pleiteado, determinando, por fim, o cancelamento da solicitação  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 714          4 de  inclusão  da  Recorrente  no  Planejamento  Fiscal  uma  vez  que  inconcebível,  por  inexistir  créditos tributários a serem verificados e/ou lançados.  ­ na  remota hipótese de não acolhimento dos  requerimentos  já  realizados,  seja  dado  provimento  ao  presente  recurso  em  virtude  da  ilegitimidade  dos  fundamentos  que  sustentam  o  acórdão  recorrido,  anulando  o  acórdão  recorrido,  nos  termos  do  art.  53  da  lei  9.784/99;  ­  nos  termos  do  art.  58,  II  do  anexo  II  do Regimento  Interno  deste Conselho,  requer,  desde  já,  seja  reconhecido  o  direito  da  Recorrente  de  sustentar  oralmente  toda  a  fundamentação ora expendida, quando do julgamento do presente Recurso;  ­  requer  a  reunião  dos  processos  de  restituição,  nos  termos  do  art.  47  do  Regimento Interno do CARF.  É o Relatório.  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 715          5 Voto Vencido  Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  todos  os  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual, passo a analisá­lo.  DO INDEFERIMENTO DA RESTITUIÇÃO   O Despacho Decisório  n.  R52/SRFB/DRF/BSA,  em  29/09/2010,  fls.  308/309,  denegou  a  restituição  de  contribuições  previdenciárias  pleiteada  pelo  contribuinte  na  competência 01/2006, pois considerou que não  foi  atendido o valor mínimo para aferição de  mão de obra utilizada para prestação de serviço de 40% do valor das notas fiscais e:  ­  não  haver  GFIP  para  a  competência  01/2006,  da  CEI  n.  38.720.05895/70,  sendo  que  a  última GFIP  entregue  foi  a  de  competência  12/2005;  ­  não  haver GFIP  para  a  competência 01/2006, da CEI n. 38.720.05896/72, sendo que a última GFIP entregue foi a de  competência 12/2005; ­ a impossibilidade de execução dos serviços pelo número de segurados  declarados, de acordo com o Sistema Restituição WEB 2.0, seqüencial 2877, a relação massa  salarial/faturamento corresponde a 14.69%, o que corrobora incongruências de informações do  CAGED/GFIP.  DA DECISÃO RECORRIDA   A  decisão  recorrida  menciona  que  a  massa  salarial  da  mão  de  obra  das  CEI  38.720.05895/70  e  38.720.05896/72  declaradas  pelo  contribuinte  em  GFIP,  em  folha  de  pagamento  e  na  contabilidade,  em  confronto  com  as  notas  fiscais  emitidas  para  pagamento  desses serviços (NFS n. 223, 224 e 001), apresenta uma relação massa salarial/faturamento de  4,41% e 7,79%, respectivamente.  Assim, menciona  a  decisão  que  há  impossibilidade  de  execução  dessas  obras,  em  virtude  do  número  de  segurados  constantes  em  GFIP  ou  em  folhas  de  pagamento  específicas  para  as  obras,  referentes  à  mão  de  obra  própria  ou  à  terceirizada,  mediante  confronto com as notas fiscais, tanto de materiais e equipamentos quanto às de contratação de  mão de obra.  Diante do observado, alega a decisão recorrida ser necessário o indeferimento da  restituição e que a empresa seja incluída no planejamento fiscal, a fim de que a fiscalização, em  específica  ação  fiscal,  analise,  de  forma  pormenorizada,  toda  a  documentação  relativa  à  execução das obras e possa aferir os corretos valores devidos, atinentes ao pleito.  Em  relação  à  aferição  indireta,  informa  ser  possível  conforme  legislação  de  regência, se a empresa recusar­se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou  apresentá­los deficientemente.  A constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em  vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específica, mediante  confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos, é  considerado como apresentação de documentos de forma deficiente, nos termos do art. 33, §§  3o e 6o, da Lei 8.212/91 e art. 477, inciso IV, “c” da IN/RFB 971/2009.  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 716          6 DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO   Anunciado  o  julgamento  do  recurso  voluntário  em  sessão  pelo  Presidente  de  Turma,  é  direito  do  contribuinte,  se  desejar,  fazer  sustentação  oral  logo  após  a  leitura  do  relatório  do  processo,  nos  termos  do  art.  58,  inciso  II,  da  Portaria  nº  256,  de  22/06/2009  (Regimento Interno do CARF).  A distribuição e sorteio dos processos seguem regras estabelecidas nos arts. 46 a  51 da Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, que aprova Regimento Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Assim, não há necessidade de juntar os processos  de  restituição do contribuinte para decisões  conjuntas por  se  tratar de competências, valores,  análises distintas e já distribuídos para as turmas de julgamento.  O contribuinte apresenta memorial alegando sua regularidade fiscal e reiterando  os argumentos da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário.  A  recorrente  anexa  aos  autos  notas  fiscais  de  serviços  tomados  de  terceiros  e  guias  de  recolhimento  GPS  de  recolhimento  de  retenção  efetuada  por  ela,  entretanto,  tais  documentos  não  estão  acompanhados  de  explicações  e  demonstrativos  estabelecendo  a  que  obra  pertence,  nem  acompanhados  da  escrituração  contábil,  memórias  de  cálculo  e  notas  explicativas.  O  pedido  de  restituição  do  contribuinte  deve  ser  acompanhado  de  todas  as  informações  necessárias  para  se  apurar  o  correto  valor  das  contribuições  previdenciárias,  eventuais valores recolhidos a maior e a diferença a restituir.  Assim,  o  pedido  deve  ser  acompanhado  de  planilhas  e  notas  explicativas,  cálculos,  documentos  (GFIP,  Folha  de  pagamento,  férias,  rescisões,  retenções,  contratos  de  empreitada e de subempreitada, NFS, outros) e registros contábeis (diário, razão).  Sem  a  demonstração  e  a  comprovação  exata  do  valor  a  restituir  pelo  contribuinte, não pode o fisco conferir se o valor pleiteado está correto.  Os  documentos,  planilhas,  demonstrações,  valores,  devem  ser  apresentados  de  uma só vez, e não por parte. Isto dificulta a comprovação do valor correto a restituir.  A  restituição  não  é  uma  situação  que  se  viabiliza  automaticamente.  Para  a  implementação  do  instituto,  a  parte  interessada  deverá  cumprir  as  regras  dispostas  no  ordenamento jurídico.  Nos  termos  do  art.  33  e  parágrafos  1o,  2o, 3o  e  4o  da  Lei  8.212/91  compete  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  –  RFB  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento das contribuições sociais previdenciárias.  É prerrogativa da RFB o exame da contabilidade, ficando obrigada a empresa a  prestar todos os esclarecimentos e informações solicitadas. A empresa é obrigada a exibir todos  os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias.  Na  falta  de  prova  regular  e  formalizada,  o  montante  dos  salários  pagos  pela  execução  de  obra  de  construção  civil  pode  ser  obtido  mediante  cálculo  da  mão­de­obra  empregada,  proporcional  à  área  construída,  ao  padrão  de  execução  da  obra  e  aos  serviços  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 717          7 prestados, cabendo à empresa responsável o ônus da prova em contrário  (art. 33, § 4o da Lei  8.212/91).  Desse modo, quando não demonstrado pelo contribuinte de maneira clara qual o  valor correto das contribuições previdenciárias, correta a aferição indireta com base no valor de  11%  da  nota  fiscal  de  prestação  de  serviço,  nos  termos  do  art.  31  c/c  art.  33,  §  4o,  da  Lei  8.212/91.  O valor mínimo para aferição de mão de obra utilizada para prestação de serviço  de  40%  do  valor  das  notas  fiscais,  tem  respaldo  no  art.219,  §§  7o  e  8o  do Regulamento  da  Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.049/99.   Não se deve deferir valor de restituição sem a comprovação exata da quantia e  do direito.  A  recorrente  informa  que  não  apresentou  os  documentos  relativos  à  subcontratação de mão de obra ou de terceiros.  Não  se  pode  anular  ato  de  indeferimento  de  restituição  quando  devidamente  fundamentado  na  lei  e  normas  previdenciárias,  tampouco,  revogá­lo  sem  motivo  de  conveniência  ou  oportunidade,  e  sem  comprovação  certa  do  direito  adquirido,  como  quer  o  contribuinte. Inaplicável, portanto, o art. 53 da lei 9.784/99.  Fundamentada a decisão na forma da lei, não há que se falar em inobservância  dos  princípios  da  finalidade,  razoabilidade  e  proporcionalidade  pela  fiscalização.  Nem  em  agressão aos princípios gerais do direito e em enriquecimento sem causa por parte da União.  Não se pode reconhecer o direito de restituição de valor ilíquido, incerto e sem comprovação.  A  aferição  indireta  pode  ser  utilizada  quando  as  informações  prestadas  ou  os  documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes em face de outras informações, ou  outros documentos de que dispõe a fiscalização, no caso, a constatação da impossibilidade de  execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou  folha  de  pagamento  específica,  mediante  confronto  desses  documentos  com  as  respectivas  notas  fiscais,  faturas,  recibos ou contratos, nos  termos do art. 447,  inciso IV, “c” da IN/RFB  971/2009.  A apuração do Sistema de Restituição WEB 2.0, as GFIP, a massa salarial, as  folhas  de  pagamento,  são  válidas  como  documentos  para  embasar  o  indeferimento  da  restituição  quando  não  há  prova  específica  nos  autos  do  correto  valor  a  restituir,  apenas  informações genéricas, que não são suficientes para justificar o pedido de restituição.  A  formalização  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição  (PER/DCOMP)  não  dá  direito à restituição pretendida, pois precisam ser demonstrados os valores recolhidos a maior  por intermédio dos documentos e livros contábeis, bem como, a memória de cálculo, planilhas,  notas explicativas, outros, para análise da fiscalização.  O contribuinte possui pedido de restituição de contribuições para diversas obras  e de competências variadas, o que exige da fiscalização apuração de valores individualizados  por obra, entretanto, considerando os valores recolhidos pela empresa e todas as suas obras.  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 718          8 Em razão dos princípios da verdade material, da ampla defesa e  contraditório,  do valor justo do tributo, considerando que o contribuinte afirmou possuir todos os documentos  (Folha  de  pagamento,  GFIP,  GPS,  Notas  Fiscais  de  Serviços,  Contabilidade,  Contratos,  Subcontratos,  outros)  que  comprovem  o  valor  das  contribuições  previdenciárias  devidas,  o  pleito deve ser acatado parcialmente, no sentido de se analisar com mais detalhe o pedido de  restituição.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a  autoridade  fiscal  lançadora  apure  o  valor  correto  das  contribuições  sociais  devidas,  considerando  os  documentos,  livros  contábeis  e  os  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  e  suas obras, restituindo os valores se devidos.  (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima   Fl. 731DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 719          9 Voto Vencedor  Conselheiro Gustavo Vettorato, Redator Designado  Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o  indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40%  do  disposto  no  art.  450,  I,  da  IN  SRFB  n.  971/2009,  sem  analise  de  qualquer  um  dos  documentos  ou  outras  formalidades  para  o  pedido  de  restituição,  o  mesmo  não  pode  ser  aplicado  isoladamente,  sem  qualquer  outro  elemento  de  levantamento,  de  forma  a  desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte.  Observe­se que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de  lançamento  do  crédito  tributário,  não  do  processo  de  restituição.  Inclusive,  em  momento  algum, a primeira decisão fundamentou­se na legislação ordinária para fins de fundamentar o  indeferimento,  não  demonstrando  o  fenômeno  da  subsunção  da  norma  individual  e  concreta  com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art.  447, 450 460, da  IN n. 971/2009, são balizas  interpretativas para casos em que há realmente  necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo  contribuinte  em casos  de  apuração  do  crédito  tributário.  Ainda,  na  decisão  da  autoridade  fiscal,  não  houve  a  demonstração  da  ocorrência  da  hipótese  de  incidência  do  art.  33,  §§  3º  e  6º,  da  Lei  n.  8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou  arbitramento nos  casos que haja negativa do  contribuinte de  apresentar  documentos hábeis  e  confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ,  inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da segurança  jurídica. A fundamentação em atos  infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de  hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade.  Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de  crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega  a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências  cabíveis até hoje, a falta é do memso que incorre em descumprimento de obrigações de pena  funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve  qualquer  solicitação da  fiscalização ou  indicação de necessidade de  retificações por parte da  fiscalização,  conseqüentemente,  a  sua  negativa  também  não  ocorreu.  Terceiro,  a  simples  alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando  as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções pré­moldadas, as partes do  edifício  já  saem  praticamente  prontas  da  fábrica)  como  o  único  argumento  de  rejeição  do  pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou  entrega  incorreta  de  GFIP  pode  ser  retificada  a  qualquer  tempo,  inclusive  durante  o  procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive,  a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec.  n. 3048/1999).  Em  casos  semelhantes,  esta  Turma  Especial  já  decidiu  pela  possibilidade  da  restituição,  como o  caso  (ainda não publicado) do  ,  o qual  se  transcreve  o voto  condutor da  lavra  do  Eminente  Conselheiro  Eduardo  de  Oliveira,  nos  autos  do  processo  n.  10020.004375/2008­92:  A  DRF  –  origem  após  o  contribuinte  ter  retificado  as  GFIP’s  e  retransmitidas  estas  considerou  que  as  falhas  do  requerimento  e  da  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 720          10 instrução  processual  devidas  a  falta  de  comprovação  das  alegações  foram  sanadas  e  reconheceu  parte  do  pedido  do  contribuinte  como  esclarecido na Informação Fiscal,de fls. 131.  Desta  forma,  com base  na  informação citado o  direito  creditório  foi,  assim, reconhecido.  (...)  Desta  forma, atendidas as  exigências por  parte do  requerente  faz ele  jus  ao  direito  creditório  reconhecido  pela  Informação  Fiscal  citada,  conforme consta da tabela cima.  A DRF – origem deve averiguar nos  termos da  legislação que rege a  matéria, se o contribuinte faz jus a restituição, uma vez que reconhecer  a  existência  do  direito  creditório,  não  implica  e  determinar  a  restituição de plano.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar­ lhe provimento parcial, nos termos da Informação Fiscal prestada pela  DRF  –  origem,  reconhecendo  o  direito  creditório  da  recorrente.  Porém,  cabendo  à  DRF  –  origem  verificar  o  preenchimento  das  condições para a restituição, conforme legislação de regência.  Contudo,  o  presente  caso  demanda  algumas  particularidades,  como  se  há  realmente  outro  motivo  para  negativa  ao  pedido,  pois  nem  sequer  foi  apontada  falha  ou  irregularidade da documentação apresentada.   Também,  por  esses  motivos,  entendo  que  não  é  possível  um  deferimento  ou  indeferimento  de  plano  do  Recurso  Voluntário,  inclusive  a  anulação  da  decisão  anterior,  simplesmente incorreria em maior demora na resposta efetiva ao contribuinte.  Assim,  cabe  uma  solicitação  de  diligência  à  autoridade  fiscal  para  que,  indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou  pedido  de  restituição  que  cumpre  todos  os  requisitos  para  o  reconhecimento  do  direito  e  condições para a restituição conforme a legislação de regência, havendo qualquer carência de  requisito  (ex.:  preenchimento  incorreto  de  formulário,  GFIP,  etc)  que  seja  informado  a  requerente,  instruindo­a  de  como  retificar,  concedido  prazo  para  realizar  a  retificação,  após  emita informação fiscal a respeito, sendo a contribuinte intimada para se manifestar no prazo  de  30  (trinta)  dias,  retornando  os  autos  para  apreciação  da  presente  Turma  Especial.  Tudo  conforme o que estabelece o art. do RICARF/MF.  Conclusão   Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para solicitar  à autoridade fiscal para que:   (1)indiferentemente  da  relação  massa  salarial  e  faturamento,  analise  se  a  contribuinte  apresentou  pedido  de  restituição  que  cumpre  todos  os  requisitos  para  o  reconhecimento  do  direito,  condições  para  a  restituição  e  o  valor  de  restituição,  conforme  a  legislação de regência;   Fl. 733DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14033.000692/2010­01  Resolução nº  2803­000.185  S2­TE03  Fl. 721          11 (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada  a requerente, instruindo­a de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação;   (3)  após,  emita  informação  fiscal  analítica  e  motivada,  observando  os  itens  anteriores,  inclusive  sobre  o  valor  a  ser  restituído,  sendo  a  contribuinte  intimada  para  manifestar­se,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  retornando  os  autos  para  apreciação  da  presente  Turma Especial.   É como voto.  (Assinado Digitalmente)  Gustavo Vettorato – Redator Designado    Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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5150072 #
Numero do processo: 10680.013578/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 04/02/2002 a 29/01/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é aquela determinada pelas Leis Complementares 07/70 e 70/91, até as modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO DE DESPESAS COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA. Para fins de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, não integra o faturamento, tal como definido nas Leis Complementares 07/70 e 70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas financeiras decorrentes do pagamento de juros bancários, devidamente consignado em contrato. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 10.637/02. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o valor total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 04/02/2002 a 29/01/2003  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  LEI  9.718.  INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.  Tal como disposto no Regimento  Interno deste Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais,  as  decisões  de  Supremo  Tribunal  Federal,  reconhecidas  como  de  repercussão  geral,  deverão  ser  reproduzidas  no  julgamento  do  recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da  Lei 9.718/98, a base de cálculo das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins é  aquela  determinada  pelas  Leis  Complementares  07/70  e  70/91,  até  as  modificações introduzidas pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03.  VALORES  RECEBIDOS  A  TÍTULO  DE  REEMBOLSO  DE  DESPESAS  COM JUROS BANCÁRIOS. NATUREZA JURÍDICA.  Para  fins  de  incidência  das  contribuições  para  o  Pis/Pasep  e  Cofins,  não  integra o  faturamento,  tal  como definido nas Leis Complementares 07/70 e  70/91, os valores recebidos pessoa jurídica a título de reembolso de despesas  financeiras  decorrentes  do  pagamento  de  juros  bancários,  devidamente  consignado em contrato.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  FATOS  GERADORES  POSTERIRORES  À  LEI  10.637/02.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA.  A partir de 1º de dezembro de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep incide  sobre  o  valor  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Recurso Voluntário Provido em Parte.         Fl. 361DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.   Ricardo Paulo Rosa ­ Relator.  EDITADO EM: 15/03/2011  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra  de Castro,  Ricardo  Paulo Rosa,  Beatriz Veríssimo  de  Sena,  José  Fernandes  do Nascimento,  Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama.    Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  que  embasou  a  decisão  de  primeira instância, que passo a transcrever.  Lavraram­se contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de  fls. 12/17 e 05/11 e relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social ­  PIS,  e  à  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social — Cofins,  nos  valores de R$ 128.286,29 e R$ 279.348,93, respectivamente, totalizando um crédito  tributário  de  R$  407.635,22  incluindo  multa  de  oficio  e  juros  de  mora,  correspondente aos períodos de 02/2002 e 01/2003 (fls. 06 e 14).   A  autuação  ocorreu  em  virtude  de  insuficiência  no  recolhimento  da  contribuição, originada da não inclusão na base de cálculo das receitas de prestação  de  serviços  provenientes  de  contratos  aditivos,  denominados  "Termo  de Acordo  e  Transação", celebrados entre a autuada e a prefeitura municipal, lançadas a crédito  de despesas financeiras e de recuperação de custos.  Ressalta a fiscalização que tais aditivos foram efetuados nos termos do art. 65,  § 6° da Lei n° 8.666, de 1993, que prevê o aditamento para fins de restabelecimento  do  equilíbrio  econômico­financeiro  inicial  dos  contratos  originários  a  que  se  subordinam,  possuindo  a  mesma  natureza  destes,  conforme  consta  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  18/20,  cuja  apuração  encontra­se  discriminada  nos  demonstrativos de fls. 19 e 20.  Como enquadramento legal, citaram­se, para o PIS, os artigos 1° e 3°, da Lei  Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2°, inciso 1, 3°, 8°, inciso 1, e  9°, Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 27 de  novembro de 1998;  arts.  1°,  3°  e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. Para a Cofins,  os  artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; artigos 2°,  3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, (Decreto n° 4.524, de 2002,  arts. 2° e 3°).  Irresignado,  tendo  sido  cientificado  em  06/12/2006  (fl.  05),  o  autuado  apresentou, em 05/01/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 321/330 e Anexo  I (fls. 02/124), as suas razões de discordância (fls. 309/320), a seguir resumidas:  Fl. 362DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/2006­71  Acórdão n.º 3102­00.925  S3­C1T2  Fl. 356          3 Narrando  os  fatos  considerados  pelo  fisco  na  formalização  do  presente  processo,  alega  que  as  fantasiosas  receitas  apuradas  pela  fiscalização  em  verdade  representam  reembolso  de  despesas  financeiras  incorridas,  não  constituindo  fatos  geradores das contribuições.  Relata a autuada que firmou com o Município de Belo Horizonte contratos de  prestação de serviços, sendo que em todos resta determinado que o preço proposto  pela  contratada  constitui  a  única  remuneração  a  ela  devida  pela  execução  dos  serviços, nos temos da cláusula quarta — item 2.  Assim,  qualquer  recebimento  extraordinário  não  decorrente  de  reajuste  de  preço  do  serviço  não  teria  correlação  nenhuma  com  o  direito  do  prestador  à  contraprestação pecuniária em razão dos serviços prestados. O que de fato ocorreu  foi que, emitidas as notas fiscais para o pronto recebimento dos valores devidos, o  município  deixou  de  honrá­los  no  vencimento,  tendo,  contudo,  autorizado  o  contribuinte  a  descontá­las  perante  instituições  financeiras,  comprometendo­se  a  arcar com as despesas inerentes à transação, promovendo o seu reembolso mediante  tais contratos aditivos.  Portanto,  não  podendo  o  contribuinte  suportar  o  ônus  das  despesas  financeiras,  procedeu contabilmente de  forma a  anulá­las,  não  constituindo  receita  sob nenhum ponto de vista.  Prossegue  em  seu  arrazoado,  salientando  que  os  denominados  "Termos  de  Acordo e Transação" não devem ser entendidos como aditivos ao contrato original,  até mesmo porque não alteraram nenhuma de suas cláusulas, eis que fundamentados  no art. 65, II, "d", da Lei n° 8.666, de1993, tratando­se de legítimo acordo entre as  partes,  pelo  que  tais  recebimentos  foram  utilizados  na  recuperação  de  despesas  financeiras cujo ônus, decorrente da impontualidade no cumprimento das obrigações  do município, fora suportado pelo contribuinte.  Assim, não se tratando de receita bruta operacional, não devem integrar a base  de cálculo das contribuições, conforme jurisprudência administrativa que transcreve.  Alega  também  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  vem  decidindo  pela  inconstitucionalidade da extensão do conceito de faturamento, limitando­o de modo  a não contemplar as receitas financeiras.  Finalmente,  requer  seja  julgado  improcedente  o  lançamento,  reconhecendo  que as  receitas que deixaram de ser  levadas à  tributação são, em verdade,  receitas  não operacionais, não constituindo base de cálculo das contribuições.  Assim a Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  sintetizou, na ementa  correspondente, a decisão proferida.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 04/02/2002, 29/01/2003  O  faturamento  para  fins  de  incidência  da  Cofins  e  do  PIS  passou  a  ser  considerado,  nos  termos  de  seus  arts.  2°,  3°,  e  9°,  como  a  totalidade  das  receitas  auferidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica  e da classificação contábil adotada:  A  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  oponível  na  esfera  administrativa,  por  transbordar  os  limites  de  sua  competência  o  julgamento  da  matéria.  Fl. 363DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA   4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 04/02/2002, 29/01/2003  O  faturamento  para  fins  de  incidência  da  Cofins  e  do  PIS  passou  a  ser  considerado,  nos  termos  de  seus  arts.  2°,  3°,  e  9°,  como  a  totalidade  das  receitas  auferidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica  e da classificação contábil adotada:  A  argüição  de  inconstitucionalidade  não  pode  ser  oponível  na  esfera  administrativa,  por  transbordar  os  limites  de  sua  competência  o  julgamento  da  matéria.  Insatisfeita  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  recorrente  apresenta  recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa  argumentos contidos na impugnação ao lançamento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.  Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso  voluntário apresentado pela recorrente.  Para solução da lide,  imperioso decidir, em primeiro lugar, quanto à correta  classificação das receitas objeto da autuação fiscal.  A  recorrente  argumenta  tratarem­se de  simples  ressarcimentos por despesas  incorridas  com  a  antecipação  de  valores  resgatados  junto  às  instituições  financeiras,  se  não  vejamos.  Nos  contratos  firmados,  restou  expressamente  avençado  que  "o  preço  proposto pela contratada constitui a única remuneração a ela devida pela execução  dos serviços..." (cláusula quarta).  Com  efeito,  uma  vez  prestados  os  serviços  a  ora  Recorrente  emitiu  as  respectivas  notas  fiscais  para  pagamento. No  entanto,  o Município Contratante  se  quedou  inadimplente,  mas,  por  outro  lado,  autorizou  a  Contratada/Recorrente  a  receber tais valores junto a certas instituições financeiras.  O custo financeiro  atinente  à  transação, por óbvio,  haveria de  ser  suportado  pelo Município Contratante  que,  em  vista  de  sua  inadimplência,  deu  causa  a  toda  transação  financeira,  conforme  "Termos  de  Acordo  e  Transação"  anexados  à  Impugnação.  Posteriormente,  em  razão  do  efetivo  reembolso  das  referidas  despesas,  a  Recorrente  tratou  de  anular  contabilmente  as  despesas,  de modo  a  não  tributar  os  valores recebidos a título de REEMBOLSO.  Muito  embora  os  valores  recebidos  sejam  originários  de  instituições  financeiras, ao revés do que afirmou às fl. 337 o delegado  julgador da decisão ora  recorrida,  tais  valores  não  se  enquadram  em  nenhum  dos  conceitos  de  "Receita  Financeira"  estabelecidos  pelo  Decreto  n°  3.000/99,  quais  sejam:  juros  recebidos,  Fl. 364DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/2006­71  Acórdão n.º 3102­00.925  S3­C1T2  Fl. 357          5 descontos obtidos, prêmio de resgate de títulos e debêntures, variações monetárias e  rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras.  Em  verdade,  os  recebimentos  utilizados  na  recuperação  das  despesas  financeiras  têm  como  único  escopo  a  restituição  do  ônus  financeiro  cominado  ao  contribuinte  pela  impontualidade  do  Município,  não  havendo  o  que  se  falar  em  receita  bruta  operacional,  eis  que  não  houve  contra­prestatividade  por  parte  da  Recorrente em relação a estes recebimentos.  Para o i. Julgador de piso, embora não considere a classificação das receitas  um fator determinante para manutenção do crédito exigido, tal não favorece à contribuinte.  O argumento de que os valores recebidos o foram para fazer face a dispêndios  de origem financeira não possui o condão de classificá­los como receitas financeiras,  como pretende a autuada, porquanto, nos termos da legislação tributária de regência  da  matéria  (Decreto  n°  3.000,  de  1999,  Regulamento  do  Imposto  de  Renda)  constituem  receitas  financeiras,  entre  outras,  os  juros  recebidos,  os  descontos  obtidos,  o  prêmio  de  resgate  de  títulos  e  debêntures,  as  variações monetárias  dos  direitos de crédito e das obrigações e os rendimentos nominais relativos a aplicações  financeiras,  não  se  vislumbrando  do  que  dos  contratos  consta  nenhuma  dessas  características.  Ademais,  ainda  que  se  possa  atribuir  aos  recebimentos  certa  natureza  compensatória, decorrente do pagamento intempestivo por parte do contratante, tais  importâncias,  recebidas  além  do  valor  de  direito  contra  terceiro,  contabilizadas  a  título  de  recuperação  de  custo  ou  despesas,  também  integrariam  a  receita  bruta  operacional.  Reproduzo a seguir os termos do ajustamento pactuado entre as partes.  CLÁUSULA PRIMEIRA ­­  Acordam  as  partes  em  compor  mútuos  direitos  e  obrigações,  mediante,  reconhecimento  pela CONTRATANTE,  em  favor  da CONTRATADA,  do  crédito  no montante de R$541.101,51 (quinhentos e quarenta e um mil, cento e um reais e  cinqüenta e um centa"),  em pagamento dos ônus adicionais e  imprevistos por esta  última  suportados,  decorrentes  da  falta  de  pagamento  de  parcelas  relativas  aos  serviços executados.  PARÁGRAFO ÚNICO — A  documentação  bancária  de  empréstimo  obtido  pela empresa contratada, da qual resultaram os cálculos dos encargos encontra­se em  arquivo  próprio  da  DR.TOM — Diretoria  Técnico Operacional  e  de Mobilização  Social.  Claro está tratarem­se de valores pagos à recorrente a título de ressarcimento  por  “pagamento  dos  ônus  adicionais  e  imprevistos,  quais  sejam,  encargos  de  empréstimos  bancários  contraídos  em  vista  da  “falta  de  pagamento  de  parcelas  relativas  aos  serviços  executados”.  Ou  seja,  em  vista  do  inadimplemento  da  contratante,  a  Consita  obteve  empréstimos  bancários,  sendo  os  encargos  correspondentes  mais  tarde  ressarcidos  pela  contratante.  Não  me  parece  que  tais  valores  guardem  tanta  relação  com  o  negócio  originalmente avençado, tal como entendeu o i. Relator do voto condutor da decisão recorrida.  Fl. 365DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA   6 Uma  vez  fixadas  as  condições  de  interesse  das  partes  para  realização  dos  serviços de limpeza, estas  foram expressamente  incluídas no contrato firmado. Não havendo,  por  parte  da  contratante,  o  adimplemento  do  compromisso  de  pagar,  a  contratada  contraiu  empréstimo bancário, como meio de obter os recursos de que necessitava, pagando os encargos  determinados pela instituição financeira. Mais tarde, a contratante ressarciu a contratada destas  despesas.  Observe­se  que  estes  valores  não  foram  fixados  pela  Consita  e  tampouco  havia  interesse  da mesma  em  obter  qualquer  tipo  de  resultado  neste  negócio.  Houve  sim  a  compensação de uma despesa extra na qual incorreu, no exato valor determinado pelo banco,  este sim titular do negócio e do faturamento correspondente.  Segundo  entendo,  estes  valores  não  podem  ser  classificados  como  faturamento  pela  venda  de  serviços  de  limpeza,  pois  não  atendem  a  requisitos  básicos  para  receberem  tal  designação.  O  faturamento  de  serviços  se  dá  em  função  das  condições  determinadas pelo titular do negócio. Seja pelo tipo de opção que escolhe, assumindo os riscos  do negócio, seja pela estimativa de custos, expectativa de lucros, demanda, oferta etc. A parte  do  negócio  que  escapa  a  estes  preceitos  deve  ser  classificada  segundo  suas  próprias  particularidades. No  caso,  houve  apenas  o  ressarcimento  por  despesas  bancárias  nas  quais  a  Consita  incorrera,  sem  que  essa  tivesse  tomada  qualquer  outra  medida  típica  das  relações  negociais das quais decorre o faturamento por serviços.   No que diz respeito ao alcance da tributação em epígrafe, de se destacar que a  origem das Contribuições encontra­se nas Leis Complementares nº 70, de 30 de dezembro de  1991,  e  07,  de  07  de  setembro  de  1970. A  primeira,  em  seu  artigo  2º,  referiu­se  à  base  de  cálculo como sendo “o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de  mercadorias,  de mercadorias  e  serviços  e de  serviço de qualquer natureza”,  ao passo que  a  segunda,  referiu­se  simplesmente  ao  “faturamento”,  mais  tarde  especificado  na  Emenda  Constitucional de Revisão nº 01/94 como “receita bruta operacional”.  Percebe­se  que  as  demais  receitas,  tais  como  alugueis,  juros,  descontos,  correção monetária etc, não estão contempladas neste universo. De fato, a exigência encontra  fundamento  legal  na  Lei  9.718/98  que,  ao  promover  o  famigerado  “alargamento  da  base  de  cálculo”,  inclui  na  base  tributável  toda  e  qualquer  receita,  independentemente  de  sua  classificação contábil, nos seguintes termos.  Art. 2°  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento,  observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  Art. 3º O faturamento a que se  refere o artigo anterior corresponde à  receita  bruta da pessoa jurídica.  § 1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação contábil adotada para as receitas.   Contudo,  a  inconformidade  dos  contribuintes  alcançados  pelo  alargamento  levou  o  assunto  ao  Poder  Judiciário.  A  matéria  terminou  por  ser  decidida  pelo  Supremo  Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos.  Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional,  reafirmar  a  jurisprudência do Tribunal  acerca da  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da  Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos  Fl. 366DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013578/2006­71  Acórdão n.º 3102­00.925  S3­C1T2  Fl. 358          7 do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que  entendia  ser  necessária  a  inclusão  do  processo  em pauta. Em  seguida,  o Tribunal,  por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o  tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro  Marco  Aurélio,  que  reconhecia  a  necessidade  de  encaminhamento  da  proposta  à  Comissão  de  Jurisprudência.  Votou  o  Presidente,  Ministro  Gilmar  Mendes.  Ausentes,  justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra  Ellen  Gracie  e,  neste  julgamento,  o  Senhor  Ministro  Joaquim  Barbosa.  Plenário,  10.09.2008.  RE 585.235­QO, Min. Cezar Peluso  Tal  como  disposto  no  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  deste  Conselho,  conforme  alteração  introduzida  pela  Portaria  586/2010,  as  matérias  de  repercussão  geral  deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.  "Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­  B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até  que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por  provocação das partes."(AC)  Código do Processo Civil  Art.  543­B. Quando houver multiplicidade  de  recursos  com  fundamento  em  idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do  Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo.   §  1o  Caberá  ao  Tribunal  de  origem  selecionar  um  ou  mais  recursos  representativos  da  controvérsia  e  encaminhá­los  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte.  §  2o  Negada  a  existência  de  repercussão  geral,  os  recursos  sobrestados  considerar­se­ão automaticamente não admitidos.   § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão  apreciados  pelos  Tribunais,  Turmas  de  Uniformização  ou  Turmas  Recursais,  que  poderão declará­los prejudicados ou retratar­se.   §  4o  Mantida  a  decisão  e  admitido  o  recurso,  poderá  o  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos  do  Regimento  Interno,  cassar  ou  reformar,  liminarmente,  o  acórdão contrário à orientação firmada.   §  5o  O  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal  disporá  sobre  as  atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão  geral.  Isto posto, tem­se que o disposto no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, deve  ser afastado na apreciação dos  litígios  influenciados pela determinação ali  contida. Contudo,  Fl. 367DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA   8 necessário anotar que, no vertente caso, parte da exigência está sujeita às  regras  introduzidas  pela Lei 10.637/02, especificamente a exigência da Contribuição para o Pis/Pasep referente ao  fato gerador ocorrido em 29 de janeiro de 2003.  Ao definir a base de cálculo da Contribuição para o Pis/Pasep como sendo o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil,  compreendendo  a  receita  bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica, a Lei 10.637/02 passou a admitir que fossem excluídos  da base de cálculo apenas alguns poucos ingressos especificados no parágrafo 3º do artigo 1º,  dentre os quais não estão as receitas sub examine.  Por  todo  o  exposto,  considerando  a  natureza  dos  valores  identificados  pela  fiscalização  e  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  10.637/02,  VOTO  POR  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  apresentado  pela  recorrente,  mantendo  exclusivamente o crédito tributário correspondente à contribuição para o Pis/Pasep referente ao  fato gerador ocorrido em 29 de janeiro de 2003.  Sala de Sessões, 01 de março de 2011.  Ricardo Paulo Rosa – Relator.                                  Fl. 368DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 15/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 14041.000940/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/2007­10  Resolução nº  3403­000.487  S3­C4T3  Fl. 4          2 Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 114 a 162, a fiscalização detectou  que  houve  falta  de  retenção  da  CPMF  em  22.580  contas  sem  embasamento  legal  para  tal  procedimento. As  contas  que deixaram de sofrer  a  retenção da CPMF  foram agrupadas  com  base  nos  motivos  que  levaram  à  autuação.  Os  grupos  e  as  motivações  apresentadas  pela  fiscalização são, resumidamente, os seguintes:  A  ­ Contas de  titulares declarados como sendo pertencentes  à administração pública direta  e  indireta. Segundo a fiscalização, este grupo contém contas cujos  titulares são pessoas físicas,  empresas públicas, sociedades de economia mista, entidades empresariais e afins, empresas de  educação  ou  congêneres,  entidades  de  previdência  privada,  cartórios  e  demais  atividades  jurídicas,  fundações  privadas,  organizações  religiosas,  sindicatos,  organizações  políticas,  associações,  cooperativas  e  outras  formas  de  organizações  sem  fins  lucrativos.  Segundo  a  fiscalização, não há previsão  legal para que o banco deixe de fazer  a  retenção da CPMF em  relação a essas entidades;  B ­ Contas de titulares declarados como entidades referidas no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96  (instituições financeiras, bolsas e cooperativas de crédito). Segundo a fiscalização, este grupo  contém  contas  cujos  titulares  não  são  instituições  financeiras,  tais  como  administradoras  de  consórcio,  empresas  de  previdência  privada  fechada  e  aberta,  gestão  de  participações  societárias  (holdings).  Alega  a  fiscalização  que  nenhum  dos  titulares  dessas  contas  está  cadastrado no Banco Central ou na Comissão de Valores Mobiliários, assim, não se enquadram  na hipótese prevista no art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 (alíquota zero);  C ­ Contas de titulares declarados como sendo entidades beneficentes. Foram autuadas contas  em  relação às quais o banco não apresentou as  declarações de  entidade  beneficente exigidas  pelas  Instruções  Normativas  da  Receita  Federal  ou  em  relação  às  quais  as  declarações  apresentadas eram inválidas;  D  ­  Contas  em  relação  às  quais  o  banco  não  declinou  os  motivos  para  a  não  cobrança  da  CPMF.   Foi  detectado,  ainda,  que  houve  falta  de  recolhimento  da CPMF  em  razão  da  instituição  financeira  ter oferecido  a alguns  clientes  serviços de  liquidação de compromissos  com  a  utilização  de  cheques  de  terceiros,  diretamente  no  caixa,  sem  que  esses  cheques  de  terceiros  fossem  depositados  na  conta  corrente  dos  clientes  e,  portanto,  sem  a  retenção  da  CPMF, violando o disposto no art. 2º, III, da Lei nº 9.311/96.   Em sede de impugnação a defesa alegou em síntese o seguinte:   a)  Recolheu  o  crédito  tributário  lançado  pela  falta  de  retenção  do  tributo  das  contas  de  entidades  beneficentes  em  relação  às  quais  não  conseguiu  localizar  ou  regularizar  as  declarações exigidas pelas Instruções Normativas;  b)  Decadência  do  direito  do  fisco  efetuar  o  lançamento  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos até 14/10/2002, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN;  c)  Exigência  de  tributo  fora do  período  fiscalizado,  pois  o  procedimento  fiscal  teve  por  escopo o período de 17/06/1999 a 31/12/2002, mas o auto de infração abarcou também  o período de 01/01/2003 a 08/01/2003;  Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/2007­10  Resolução nº  3403­000.487  S3­C4T3  Fl. 5          3 d)  Inadmissibilidade de tributação das contas de titularidade da União vinculadas ao título  contábil  31201­00­00­7  do plano  geral  de  contas do banco. As  contas  cujos números  iniciam com “333” ou  “555”  são de  titularidade da União,  representadas  por pessoas  físicas  e/ou  jurídicas  autorizadas  a  movimentá­las.  Eram  movimentadas  por  pessoas  físicas das unidades gestoras da administração direta e  indireta,  integrantes do SIAFI.  Eram abertas por solicitação da STN e não admitiam nenhuma espécie de débito para  pagamento de despesas, uma vez que destinadas exclusivamente à movimentação dos  recursos do orçamento da União (IN STN nº 9/1992). Atualmente essas contas não mais  existem,  pois  os  recursos  da União  passaram  a  ser movimentados  em  conta  única  da  União, conforme disciplinado na IN STN nº 4/1998;  e)  Inadmissibilidade de tributação das contas da Paranaprevidência. Segundo os arts. 2º e  3º  da  Lei  Estadual  nº  12.398,  de  30/12/1998,  essa  entidade  possui  personalidade  jurídica  de  direito  privado  e  não  tem  fins  lucrativos.  Ela  surgiu  no  lugar  do  antigo  Instituto  de  Previdência  e  Assistência  aos  Servidores  do  Estado  do  Paraná,  visando  abrigar o sistema de seguridade social dos agentes públicos estaduais, seus dependentes  e pensionistas. A Paranaprevidência faz jus à imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”  da CF/88, pois exerce, por delegação, atividade típica do Estado do Paraná;  f)  Inadmissibilidade  de  tributação  das  contas  do  BNDESPAR.  A  fiscalização  fundamentou o lançamento na violação do art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96, por entender  que  os  lançamentos  efetuados  nessas  contas  não  se  sujeitavam  à  alíquota  zero.  Entretanto, o caso é de alíquota zero porque se tratam de movimentações de valores de  conta  corrente  de  depósito  para  conta  de  idêntica  natureza  do  mesmo  titular  (transferências  entre  contas  correntes  5.032­6  e  715.021­0,  ambas  de  titularidade  da  BNDESPAR), nos termos do art. 8º, II, da Lei nº 9.311/96;  g)  Comprovação  da  isenção  de  entidades  beneficentes.  A  fiscalização  efetuou  o  lançamento  em  razão  da  ausência  de  apresentação  das  declarações  de  entidade  beneficente  previstas  nas  Instruções  Normativas  da  Receita  Federal.  A  defesa  conseguiu obter parte das declarações comprobatórias, requerendo a desconstituição do  crédito  tributário  em  relação  às  contas das  entidades  a que  se  referem as  declarações  anexadas com a impugnação;  h)  Impossibilidade de tributação das operações de liquidação de compromissos/títulos de  clientes com cheques de terceiros. Essas operações estão fora do campo de incidência  da  CPMF.  Entende  a  recorrente  que  a  entrega  de  cheques  nominais  endossados  ao  banco para  pagamento de  compromissos,  objetivando a não  incidência  tributária,  não  caracteriza  ilicitude. Essas operações  estão no  campo da  elisão  fiscal,  isso porque  tal  procedimento  compreende  exatamente  um  ato  de  antecipação  à  ocorrência  do  fato  gerador  da  CPMF,  por meio  da  via  legal  disponível  (art.  17,  I,  da  Lei  nº  9.311/96),  evitando  legitimamente a ocorrência do fato gerador. De acordo com o art. 2º,  III, da  Lei nº 9.311/96, o fato gerador só ocorrerá se os pagamentos forem efetuados por conta  e  ordem  de  terceiros,  diversamente  do  que  ocorre  na  situação  fática  autuada,  onde  o  pagamento é efetuado pelo próprio cliente, beneficiário dos cheques nominais que são  endossados ao Banco. Ainda que se admita que tal operação possa ser enquadrada no  art.  2º,  III,  da  Lei  nº  9.311/96,  no  caso,  não  haveria  tributo  a  recolher,  pois  a  liquidação/pagamento  de  cheque  está  indicada  na  lei  em  hipótese  de  aplicação  de  alíquota zero de CPMF (art. 8º, V, da Lei nº 9.311/96).  Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/2007­10  Resolução nº  3403­000.487  S3­C4T3  Fl. 6          4 Por  meio  do  despacho  de  fls.  1554  a  1564  a  DRJ  –  Brasília  converteu  o  julgamento em diligência.  Os autos retornaram com os documentos de fls. 1568 a 1626 e com o relatório  de diligência de fls. 1628 a 1649.  Regularmente notificado do relatório de diligência em 31/01/2012 (fl. 1650), o  contribuinte  apresentou  manifestação  às  fls.  1654  a  1670,  onde  reforçou  as  alegações  de  decadência parcial e da não tributação das contas “333” e “555”, fato que fora reconhecido pela  Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  em  processo  relativo  ao  próprio Banco  do Brasil,  por  meio do Acórdão 9303­01.185 (fls. 1706 a 1724).  Por  meio  do  Acórdão  48.975,  de  20  de  julho  de  2012,  a  2ª  Turma  da  DRJ­ Brasília julgou a impugnação parcialmente procedente, decidindo o seguinte:  1)  Em relação ao pagamento parcial do valor  lançado, no montante de R$ 8.610.846,64,  ficou decidido que o procedimento da DRF em ter alocado o referido valor aos períodos  de apuração mais antigos não tem nenhum amparo legal, pois o contribuinte indicou no  arquivo denominado “Demonstração Valor Pago Analítica e Consolidado (anexado à fl.  796  do  processo  físico),  a  quais  períodos  e  a  quais matérias  se  referiam  os  aludidos  pagamentos;  2)  O  pagamento  efetuado  alcançou  valores  devidos  por  fatos  geradores  cujo  crédito  tributário já havia sido extinto pela decadência do direito do fisco, cabendo à autoridade  administrativa,  encarregada  da  execução  do  acórdão,  alocar  esses  pagamentos  indevidos aos períodos de apuração remanescentes mais antigos;  3)  Embora  o  sujeito  passivo  tenha  identificado  claramente  na  impugnação  as  matérias  sobre  as  quais  apresentou  seu  inconformismo,  o  próprio  autuado  recolheu  certas  exigências de CPMF referentes à parte de algumas das matérias  impugnadas. Existem  casos  em  que  serão  consideradas  procedentes  (ainda  que  em  parte)  as  razões  de  impugnação em relação a determinadas matérias. Entretanto, no que tange a essas certas  exigências de CPMF que foram pagas, é forçoso concluir que não se instaurou o litígio,  não cabendo cogitar, nessa hipótese, de pagamento indevido;  4)  Foi reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores semanais, correspondentes  aos períodos de apuração semanal nº 1 (de 17/06/1999 a 23/06/1999) até o de número  173  (de  03/10/2002  a  09/10/2002),  restando  não  alcançadas  pela  decadência  as  exigências  referentes  ao  período  de  apuração  semanal  nº  174  (de  10/10/2002  a  16/10/2002)  até  o  de  número  185  (de  26/12/2002  a  01/01/2003),  conforme  planilha  elaborada pela fiscalização às fls. 1631 a 1642;  5)  Foi  rejeitada a alegação de que a autuação englobou fatos geradores não  incluídos no  MPF,  pois  o MPF  de  fl.  08,  cientificado  ao  contribuinte  em  06/07/2004,  incluiu  na  fiscalização os períodos de janeiro de 2003 a junho de 2004;  6)  Em  relação  às  contas  “333”  e  “555”  de  titularidade  da  União,  foi  considerada  não  impugnada a parcela  recolhida pelo contribuinte  sob esta  rubrica. Quanto à parte não  recolhida,  a  DRJ  reconheceu  o  direito  à  não  incidência  da  CPMF,  com  base  no  entendimento vertido no Acórdão 201­79.608 (que foi mantido pela CSRF por meio do  Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/2007­10  Resolução nº  3403­000.487  S3­C4T3  Fl. 7          5 Acórdão 9303­01.185). A  tabela  contendo os valores não  impugnados  e  os  excluídos  encontra­se nas fls. 3928 e 3929;  7)  Foi mantido o lançamento em relação às contas da Paranaprevidência, sob o argumento  de que a imunidade recíproca só se refere aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os  serviços da União, Estados e Municípios. Além disso, não se aplica ao caso o art. 150, §  2º, da CF/88, pois a Paranaprevidência possui personalidade jurídica de direito privado,  não  se  confundindo  com  autarquias  e  fundações  instituídas  e  mantidas  pelo  Poder  Público.  Também  é  inaplicável  ao  caso  o  art.  3º,  I  e  V,  da  Lei  nº  9.311/96,  pois  a  Paranaprevidência não é uma entidade beneficente de assistência social;  8)  Foi  cancelado  o  lançamento  em  relação  às  contas  do BNDSPAR,  pois  com base nos  extratos bancários anexados com a impugnação, a DRJ entendeu que os lançamentos a  débito na conta corrente 5.032­6 tiveram como histórico “transferência de saldo” desta  conta para a conta 715.021­0, ambas de titularidade do BNDSPAR. A tabela contendo o  valor exonerado encontra­se às fls. 3931 a 3932;  9)  Relativamente  às  contas  de  entidades  beneficentes,  entendeu  a  DRJ  que  embora  o  contribuinte  tenha  apresentado  diversas  declarações  firmadas  por  entidades  beneficentes  para  fins  de  não  incidência  da  CPMF,  uma  parte  do  crédito  tributário  lançado sob esta rubrica foi atingido pela decadência e outra parte não foi impugnado,  em razão de o contribuinte ter efetuado o recolhimento parcial. Assim, concluiu a DRJ  que  só  restaram  para  análise  as  declarações  de  entidades  beneficentes  relativas  ao  período de 01/01/2002 a 31/12/2002. A defesa apresentou à fl. 1480 uma relação de 24  contas­correntes  de  entidades  beneficentes  e  as  correspondentes  declarações  foram  anexadas às fls. 1482 a 1524. A DRJ considerou que das 24 contas impugnadas, cinco  delas não  foram objeto da autuação  (contas nº 2217, 5148, 15425, 18608 e 31730) e,  portanto, não teriam as declarações de entidades beneficentes analisadas. Em relação às  demais  declarações  apresentadas,  a  DRJ  entendeu  que  estavam  de  acordo  com  os  requisitos  estabelecidos  no  art.  1º,  §§  1º  e  2º  da  IN  SRF  nº  44,  de  02/05/2001  combinado  com  o  Ato  Declaratório  Executivo  SRF  nº  69,  de  31/12/2001.  A  tabela  contendo os valores lançados, não impugnados (recolhidos) e excluídos sob esta rubrica  encontra­se na fl. 3934;  10) Foi  mantida  a  exigência  da  contribuição  sobre  as  operações  de  liquidação  de  compromissos/títulos de clientes com cheques de  terceiros, sob o argumento de que a  utilização  de  créditos,  direitos  ou  valores,  não  creditados  em  conta­corrente  de  depósitos  de  seu  titular,  para  liquidação,  compensação  ou  pagamento  de  obrigações  desse  mesmo  titular,  sem  a  correspondente  cobrança  da  contribuição,  constituía  violação  do  art.  2º,  III,  da  Lei  nº  9.311/96  (conforme  Ato  Declaratório  nº  33,  de  17/05/2000  e  art.  3º,  §  8º  da  IN  SRF  nº  173,  de  11/07/2002,  aos  quais  a  DRJ  está  vinculada).  Regularmente  notificado  do  acórdão  de  primeira  instância  em  23/08/2012  (fl.  3963), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 3964 a 3985 alegando, em síntese, o  seguinte:  1)  Em  face  do  cancelamento  da  exigência  sobre  as  contas  de  titularidade  da União,  os  valores recolhidos parcialmente tornaram­se indébitos  tributários, uma vez que devem  ser excluídos da autuação, não havendo que se falar em parcela não impugnada;  Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/2007­10  Resolução nº  3403­000.487  S3­C4T3  Fl. 8          6 2)  Em relação às entidades beneficentes, não há que se falar em valores não impugnados.  Aqui  também  surgiu  um  indébito  tributário  que  deve  ser  restituído  à  recorrente,  pois  uma  parte  do  crédito  foi  exonerado  pela  decadência  e  a  outra  parte  porque  se  considerou que as contas eram de titularidade das entidades beneficentes, conforme as  declarações que foram aceitas pela DRJ;  3)  Reiterou  a  alegação  de  decadência  do  direito  do  fisco  e  pleiteou  a  manutenção  do  acórdão recorrido nesta parte;  4)  Pleiteou a restituição do indébito resultante do pagamento efetuado antes do julgamento  de primeira instância, sob o argumento de que o lançamento já foi declarado indevido e  que a não devolução do valor pago configura a violação de vários princípios jurídicos,  além de enriquecimento sem causa da União;  5)  Relativamente  às  contas  da Paranaprevidência,  reprisou  que  se  trata  de  uma  entidade  que faz jus à imunidade recíproca do art. 150, VI, “a” da CF/88, pois é uma entidade  que  exerce,  por  delegação,  atividade  típica  do  Estado  do  Paraná.  Também  faz  jus  à  imunidade  do  inciso  VI,  “c”  e  §  2º  do  mesmo  dispositivo  constitucional,  pois  se  qualifica como instituição de assistência social sem fins lucrativos. A DRF – Curitiba,  escorada na Solução de Consulta Interna nº 31, de 02/12/2003 e na Solução de Consulta  SRRF/9ª RF/DISIT nº 205, de 04/12/2003,  reconheceu o caráter público dos  recursos  movimentados  pela  entidade,  os  quais  comprovadamente  pertencem  ao  Estado  do  Paraná  e  destinam­se  aos  pagamentos  de  benefícios  previdenciários  dos  segurados  inativos e pensionistas daquele ente federativo (Anexo 2 ao recurso);  6)  No  que  tange  às  operações  de  liquidação  de  compromissos/títulos  de  clientes  com  cheques  de  terceiros,  reprisou  e  reforçou  as  alegações  de  impugnação,  no  sentido  de  que  se  trata  de  planejamento  tributário  e  que  tais  operações  não  são  alcançadas  pela  incidência  prevista  no  art.  2º,  III,  da  Lei  nº  9.311/96.  Caso  esse  argumento  seja  superado,  reiterou que se trata de operação sujeita à alíquota zero, enquadrando­se no  art. 8º, V, da Lei nº 9.311/96;  7)  Alegou que o auto de infração deve ser revisto de ofício, pois afrontou o princípio da  verdade material. É inadmissível que se considere válido um lançamento maculado por  vício e incorreção que comprometem a essência da cobrança do crédito.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator.   O  recurso  de  ofício  preenche  o  requisito  formal  de  admissibilidade,  pois  os  valores  da  contribuição  e  da multa  de  ofício  exonerados  pelo  acórdão  de  primeira  instância  superaram o limite de alçada, conforme se pode comprovar no demonstrativo “B”, de fls. 3955  a 3961.  O recurso voluntário também preenche os requisitos formais de admissibilidade  e, portanto, merece ser conhecido e julgado por este colegiado.  Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 14041.000940/2007­10  Resolução nº  3403­000.487  S3­C4T3  Fl. 9          7 Uma  das  matérias  postas  no  recuso  de  ofício  para  revisão  por  parte  deste  colegiado é a decadência do direito do fisco.  No que concerne a essa questão, este colegiado está vinculado pelo art. 62­A do  Regimento  Interno  à  interpretação  do  art.  150,  §  4º  do  CTN  versada  no  RESP  nº  973.733,  decidido sob a sistemática do art. 543­C do CPC.  Verifica­se na fl. 3921 que o acórdão da DRJ – Brasília aplicou ao caso concreto  a  Súmula  Vinculante  nº  8  do  STF  e  o  Parecer  PGFN/CAT  nº  1.617/2008,  que  contém  basicamente o mesmo entendimento vertido no RESP nº 973.733.  A decisão  recorrida  considerou  que “No  caso  dos  autos,  é  incontroverso  que  houve recolhimentos da CPMF no período abrangido pela autuação”.  Entretanto,  um  fato  só  pode  ser  considerado  incontroverso  quando  tiver  sido  alegado por uma parte e admitido pela parte contrária.  E definitivamente não é isso que consta dos autos. A fiscalização silenciou sobre  a existência ou a inexistência do pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN e a  defesa também não alegou e nem comprovou que efetuara tais pagamentos.  O  que  se  tem  nos  autos  é  a  omissão  de  informação  quanto  à  existência  ou  inexistência de pagamentos antecipados e não um fato incontroverso. Ninguém se pronunciou  sobre a existência de pagamento antecipado.  Para que se possa analisar o recurso de ofício interposto pela DRJ, na parte em  que aquele órgão decidiu pela decadência do direito do fisco, é preciso que este colegiado saiba  com certeza em quais períodos houve ou não houve o pagamento antecipado que alude o art.  150, § 1º do CTN, uma vez que deverá ser aplicado ao caso o entendimento do acórdão do STJ  acima indicado.  Com  esses  fundamentos,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência à repartição de origem, a fim de que a autoridade administrativa adote as seguintes  providências:   a)  Em  relação  aos  fatos  geradores  considerados  decaídos  pela DRJ,  ou  seja,  em  relação  aos períodos de apuração semanais nº 1 (de 17/06/1999 a 23/06/1999) até o de nº 173  (de  03/10/2002  a  09/10/2002),  informar  em  quais  houve  o  pagamento  antecipado  da  CPMF,  a  que  alude  o  art.  150,  §  1º,  do  CTN,  e  em  relação  a  quais  não  houve  pagamento;  b)  Juntar  as  telas  do  sistema  SINAL  ou  um  extrato  desse  sistema  para  fins  de  comprovação nos autos.  Atendida esta solicitação, os autos deverão retornar a este colegiado para que se  prossiga no julgamento dos recursos.  Antonio Carlos Atulim    Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 10865.908708/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS DO MESMO TRIBUTO NO MESMO ANO 1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. 2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. 3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.
Numero da decisão: 1802-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.908708/2009­31  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1802­001.848  –  2ª Turma Especial   Sessão de  12 de setembro de 2013  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  ABENGOA BIOENERGIA SANTA FÉ LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  COMPENSAÇÃO  ENTRE  ESTIMATIVAS  DO  MESMO  TRIBUTO  NO  MESMO ANO  1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ  ou  de  CSLL),  e  não  as  estimativas  destes  tributos, mas  esse  entendimento  restritivo  em  relação  à  restituição/compensação  de  estimativas  merece  ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a  outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano.  2.  Na  sistemática  de  apuração  anual  todos  os  recolhimentos  de  estimativa  feitos  ao  longo  do  ano  contribuem  igualmente  nesta  apuração,  independentemente do mês a que se refira cada um deles.  3.  A  razão  para  a  apresentação  de  PER/DCOMP,  objetivando  deslocar  excedentes  de  estimativa  entre  os  meses  de  um  mesmo  ano,  é  apenas  de  evitar  a  aplicação  da  multa  isolada  por  insuficiência  de  recolhimento  de  estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao  recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 87 08 /2 00 9- 31 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 3          2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira  Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.   Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em  relação  a  declaração  de  compensação  apresentada  pela Contribuinte,  nos mesmos  termos  que  já  havia  decidido anteriormente a Delegacia de origem.  Os  fatos  que  deram  origem  ao  presente  processo  estão  assim  descritos  no  relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 14­35.123, às fls. 95 a 105:   Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face  de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de  n°  18604.36870.030907.1.7.04­9621,  por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débito  de  IRPJ  (código  de  receita:  2362)  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente  de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362).  Por  intermédio  do  despacho  decisório  de  fl.  01,  não  foi  reconhecido qualquer direito  creditório a  favor da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada a  compensação declarada  no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada  a existência do crédito informado "por tratar­se de pagamento a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  caso  em  que  o  recolhimento  somente  pode  ser  utilizado  na  dedução do  Imposto  de Renda  da Pessoa  Jurídica  (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)  devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo  negativo de IRPJ ou CSLL do período”.  Irresignada,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade de fls. 08/11, acompanhada dos documentos de  fls.  12/44,  na  qual  alega,  em  síntese,  que:  a)  no  mês  de  agosto/2006, apurou base de cálculo negativa do IRPJ, no valor  de R$ 237.167,82, conforme consta da Ficha 11 da DIPJ/2007;  b)  no  dia  17/11/2006,  efetuou  pagamento  indevido  no  valor  de  R$ 79.914,75; c) no mês de outubro/2006, a manifestante apurou  base de cálculo positiva no valor de R$ 281.747,46, o que gerou  IRPJ a pagar, em 30/11/2006, no valor de R$ 39.553,77; d) do  referido valor devido, R$ 27.521,77 foram compensados na data  de  03/09/2007;  e)  a  compensação  levada  a  efeito  pela  Manifestante  revestiu­se  de.  caráter  inteiramente  satisfativo  do  crédito  tributário  da  Receita  Federal;  f)  sob  o  aspecto  legal  carece  de  fundamento  a  glosa  da  compensação  levada a  efeito  pela  Manifestante;  g)  o  .órgão  julgador  da  RFB  buscou  fundamento  para  impugnar  a  compensação  no  artigo  10  da  Instrução Normativa n° 600/2005; h) a própria Receita Federal,  contudo,  entendendo  ser  imperioso  e  justo  que  as  empresas  tenham  efetuado  pagamento  indevido  ou  a  maior  em  meses  anteriores,  houve  por  bem  alterar  o  artigo  10  da  IN  .SRF  n°  600/2005,  a  teor  do  artigo  11  da  IN  RFB  n°  900/2008,  para  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 5          4 excluir  do  texto  do  artigo  10  as  disposições:  “bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL  a  titulo  de  estimativa  mensal.”;  i)  tratando­se  de  pagamento  indevido  e  não  de  retenção  indevida,  a  Manifestante  não  está  limitada  a  somente  utilizar  o  indébito  no  final  do  período  de  apuração.  Como  mencionado,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões  com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Data do fato gerador: 17/11/2006   RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO.  Os  recolhimentos  de  IRPJ  por  estimativa  são  meras  antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após  a apuração de saldo negativo ao final do ano­calendário.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 17/11/2006   DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  Inconformada  com  essa  decisão,  da  qual  tomou  ciência  em  09/03/2012,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  05/04/2012,  onde  reitera  os  mesmos  argumentos  de  sua  manifestação  de  inconformidade,  conforme  descrito  nos  parágrafos  anteriores.  Além disso, informa que está juntando aos autos cópias das fichas 9­A, 11 e  12­A da DIPJ/2007;  extratos  dos  pagamentos  referentes  ao  IRPJ  do  ano  2006,  efetuados  no  código 2362; Livro LALUR; e as DCTF dos períodos envolvidos.    Este é o Relatório.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  A  Contribuinte  questiona  decisão  que  não  homologou  declaração  de  compensação  por  ela  apresentada  em  31/01/2007  (conforme  consulta  ao  sítio  da  Receita  Federal)  e  retificada  em  03/09/2007,  na  qual  utiliza  um  alegado  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  referente  à  estimativa  de  IRPJ  do  mês  de  agosto/2006,  feito  em  17/11/2006, no valor total de R$ 79.914,75.  O crédito  informado no PER/DCOMP corresponde a uma parte do  referido  pagamento indevido (R$ 32.918,72), e o débito objeto da compensação é referente à parcela da  estimativa de IRPJ do mês de outubro/2006, informada com as seguintes rubricas:  Principal:   27.521,77  Multa:    5.504,35  Juros:     547,68  Há outro PER/DCOMP em que a Contribuinte utiliza outra parte do alegado  pagamento indevido, que é objeto do processo nº 10865.908709/2009­85, também examinado  nesta sessão de julgamento.  A negativa da Delegacia de origem foi amparada no entendimento de que os  recolhimentos  de  estimativa  mensal  só  poderiam  ser  utilizados  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do  período.  A  Contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  alegando  que  apurou, mediante balancetes de suspensão/redução, base de cálculo negativa para a estimativa  de IRPJ do mês de agosto/2006, o que tornou indevido o referido pagamento.   Ela destacou também que houve alteração no texto contido no art. 10 da IN  SRF nº 600/2005, modificando a  regra que restringia a compensação de pagamento  indevido  ou a maior de estimativas.  Na  seqüência,  a  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ)  manteve  a  negativa  em  relação à compensação.  De  acordo  com  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa,  os  “recolhimentos  mensais  por  estimativa”  a  maior  efetuados  durante  o  ano­calendário  pela  interessada não seriam pagamentos passíveis de compensação.  Ainda  segundo a DRJ, mesmo que  se admitisse o  recolhimento  a maior de  estimativa  como  pagamento  indevido  ou  a  maior  passível  de  restituição/compensação,  a  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 7          6 Contribuinte não teria se desincumbido do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado  direito creditório.  No  que  toca  à  comprovação  de  um  indébito,  é  importante  lembrar  que  o  processo  administrativo  fiscal  não  contém  uma  fase  probatória  específica,  como  ocorre,  por  exemplo, com o processo civil.   Especialmente  nos  processos  iniciados  pelo  Contribuinte,  como  o  aqui  analisado,  há  toda  uma  dinâmica  na  apresentação  de  elementos  de  prova,  uma  vez  que  a  Administração Tributária  se manifesta  sobre  esses  elementos quando profere os despachos  e  decisões  com  caráter  terminativo,  e  não  em  decisões  interlocutórias,  de  modo  que  não  é  incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes.   É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase  de  auditoria  fiscal,  pode  e  deve  a  Delegacia  de  origem  inquirir  o  Contribuinte,  solicitar  os  meios  de  prova  que  entende  necessários,  diligenciar diretamente  em  seu  estabelecimento  (se  for  o  caso),  enfim,  buscar  todos  os  elementos  fáticos  considerados  relevantes  para  que  na  seqüência,  na  fase  litigiosa  do  procedimento  administrativo  (fase  processual),  as  questões  envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos.  Tudo  isso porque não há uma  regra  a  respeito dos  elementos de prova que  devem  instruir  um  pedido  de  restituição  ou  uma  declaração  de  compensação.  Pelas  normas  atuais,  aplicáveis  ao  caso,  nem  mesmo  há  como  anexar  cópias  de  livros,  de  DARF,  de  Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica ­  PER/DCOMP.   Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º  da  IN  SRF  21/1997,  a  instrução  dos  pedidos  de  restituição  de  imposto  de  renda  de  pessoa  jurídica se dava apenas com a  juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a  apresentação  de  livros  e  outros  documentos  poderia  ocorrer  no  atendimento  de  intimações  fiscais, se fosse o caso.  Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria  Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação  aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia  implicar em cerceamento de defesa.  No  caso  concreto,  a  Delegacia  de  Julgamento  concluiu  que  a  Contribuinte  não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório,  mediante as seguintes considerações:   [...]  Por  tudo  isso,  conclui­se  que  os  “recolhimentos  mensais  por  estimativa”  a  maior  efetuados  durante  o  ano­calendário  pela  interessada  não  são  pagamentos  passíveis  de  compensação  em  cada  mês,  pois  não  representam  créditos  líquidos  e  certos  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda,  conforme  pressupostos  definidos nos artigos 165 e 170 do CTN, bem como no art. 74,  caput, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de  valor  pago  de  tributo,  quando  este  se  referir  à  modalidade  de  extinção  de  obrigação  tributária,  o  que  não  abrange  o  Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 8          7 recolhimento  por  estimativa,  por  não  significar  extinção  de  crédito tributário.  Noutro giro, ainda que se admitisse o  recolhimento a maior de  estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta  Turma  de  Julgamento  tem  reiteradamente  consignado  que  o  reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional  exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento  indevido ou a maior de tributo, fazendo­se necessário verificar a  exatidão das informações a ele referentes, confrontando­as com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação  pertinente,  com  análise  da  situação  fática  em  todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo  devido e compará­lo ao pagamento efetuado.  Assim,  caberia  à  recorrente  trazer,  por  ocasião  do  presente  contencioso,  justificativas  lastreadas  em  lançamentos  contábeis  que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ  do mês de agosto de 2006, o imposto de renda devido em meses  anteriores (até julho/2006) e os recolhimentos que deram origem  ao  indébito  pretendido.  Ainda  mais,  quando  a  contribuinte  é  pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que,  nos  termos do artigo 7º do Decreto­lei n° 1.598, de 1977, deve  manter  escrituração  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais.  Nesse  contexto,  indispensáveis,  portanto,  os  registros  contábeis  de  conta  no  ativo  do  imposto  a  recuperar,  a  expressão  deste  direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos  livros  “Diário”  ou  “Lalur”,  a  demonstração  do  resultado  do  exercício, etc., além dos registros pertinentes do livro “LALUR”,  principalmente  porque,  para  se  antecipar  ao  ajuste  anual  (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo  a  maior  durante  o  ano,  a  contribuinte  levantou  balanços  ou  balancetes mensais de suspensão ou redução.  Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade  e  liquidez  do  crédito  que  a  interessada  aduz  possuir  e  a  comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado  de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. A  par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333:  [...]  No caso presente,  a  recorrente,  com o  recurso a esta  instância  julgadora,  não  apresentou  qualquer  elemento  contábil  que  comprovasse o indébito pleiteado.  Por  tais  razões,  quando  a  contribuinte  apresenta  uma  Declaração  de  Compensação,  deve,  necessariamente,  demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um  débito  tributário  constituído  em  seu  nome,  de  forma  que  o  reconhecimento  do  indébito  tributário  deve  ser  o  fundamento  fático e jurídico de qualquer declaração de compensação.  Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 9          8 Ora,  tal  qual  o  pagamento  de  tributos  e  contribuições,  que  necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série  de  atos  do  sujeito  passivo,  como manter  escrituração  contábil,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos,  e  a  partir  desta  documentação  determinar  o  tributo  devido  e  recolher  o  correspondente  valor,  a  restituição  também  almeja,  para  materializar o indébito, atividade semelhante.  A  propósito  do  tema,  cumpre  destacar  o  informativo  de  jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007,  que trouxe o seguinte julgado:  RESTITUIÇÃO.  INDÉBITO.  PROVA.  RECOLHIMENTOS.  A  recorrente aduz  que  a  eventual  restituição,  se  cabível,  haveria de ser respaldada em prova documental, acostada  na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas  comprovações  de  recolhimento,  e  ante  tal  incerteza  não  pode  ser  a  União  condenada  à  restituição  dos  valores  postulados  (pela  via  da  compensação),  sob  pena  de  infração ao princípio do enriquecimento sem causa.  Isso  posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento  de que o pressuposto fático do direito de compensar é a  existência  do  indébito.  Sem  prova  desse  pressuposto,  a  sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à  futura  comprovação  de  um  fato.  REsp  924.550­SC,  Rel.  Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn)  Nesse  sentido,  na  declaração  de  compensação  apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela  autoridade  administrativa  de  crédito  junto  à  Fazenda  Pública,  sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional (CTN).  Diante  de  todo  o  exposto,  VOTO  pela  improcedência  da  manifestação de inconformidade.  Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento  intimada  a  apresentar  quaisquer  esclarecimentos  ou  documentos  relativos  ao  seu  PER/DCOMP.   Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de  verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão  da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima,  é  a Autoridade  Fiscal  que,  em  cada  caso,  por  meio  de  intimações  fiscais,  acaba  fixando  os  critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte.  Na  linha, então, do que apontou a Delegacia de  Julgamento, a Contribuinte  juntou  ao  recurso  voluntário  cópias  das  fichas  9­A,  11  e  12­A  da  DIPJ/2007;  extratos  dos  pagamentos  referentes  ao  IRPJ  do  ano  2006,  efetuados  no  código  2362;  Livro  LALUR;  e  a  DCTF do mês de agosto/2006.  Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 10          9 Vê­se  que  a  Contribuinte  apurou  as  estimativas mensais  de  IRPJ  em  2006  mediante balancetes cumulativos de suspensão/redução.  Até o mês de agosto, foram apuradas bases mensais negativas, e de setembro  a dezembro bases mensais positivas crescentes (R$ 1.965.005,13, em 31/12/2006).  Os  valores  discriminados  na  DIPJ  como  base  de  cálculo  mensal  das  estimativas correspondem aos valores registrados mensalmente no LALUR.  Em  agosto/2006  foi  apurada  uma  base  negativa  de  R$  237.167,82,  mas  a  Contribuinte  recolheu  estimativa  de  R$  67.954,73  para  esse  período,  que  ainda  foram  acrescidos com multa e juros, perfazendo o total recolhido de R$ 79.914,75.  A DCTF também não indica a existência de débito de estimativa de IRPJ para  o mês de agosto/2006.  No  ajuste  anual  não  foi  computado  qualquer  valor  de  dedução  como  estimativa de agosto/2006.   E o PER/DCOMP apresentado serviu tão somente para deslocar uma parte do  recolhimento  feito  indevidamente  referente  ao  mês  de  agosto/2006  (R$  32.918,72)  para  a  quitação de parcela da estimativa do mês de outubro (com a rubrica principal de R$ 27.521,77,  mais acréscimos).  Os  documentos  apresentados  são  suficientes  para  a  homologação  da  compensação.  Desde  o  início,  a  negativa  ao  pleito  da  Contribuinte  busca  fundamento  no  argumento  de  que  os  recolhimentos  de  estimativa  não  podem  ser  objeto  de  restituição  ou  compensação, haja vista que eles só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL  devidos  ao  final  do  período  de  apuração  anual,  ou  para  compor  saldo  negativo  de  IRPJ  ou  CSLL do período.   Quanto a isso, é importante mencionar que tal entendimento já foi superado,  inclusive com súmula editada pelo CARF:  Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  Mas  a  questão  deste  processo  envolve  aspectos  que  vão  além  desse  debate  sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa.   Cabe registrar que de fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo  negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos.  Contudo, esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação  de estimativas sempre mereceu ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado  corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano.  Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 11          10 Isto  porque  na  sistemática  de  apuração  anual  todos  os  recolhimentos  de  estimativa  feitos ao  longo do ano contribuem  igualmente nesta apuração,  independentemente  do mês a que se refira cada um deles.  Tanto  a  apuração  final  (ajuste  anual)  quanto  os  balancetes  mensais  de  suspensão/redução  de  tributo  são  cumulativos,  computando­se  neles  todos  os  fatos  e  recolhimentos ocorridos  a partir de primeiro de  janeiro  até o último dia do período a que  se  refiram.   Assim,  pela  própria  sistemática  dos  sucessivos  Balancetes  de  suspensão/redução  ao  longo do mesmo  ano,  um  eventual  excesso  de  estimativa  acaba  sendo  absorvido  nos  meses  posteriores,  para,  ao  final,  ser  levado  como  dedução  no  ajuste  anual,  independente  do  mês  a  que  se  refira.  Para  tanto,  não  seria  nem  mesmo  necessária  a  apresentação de PER/DCOMP.  Com  efeito,  a  Contribuinte  tem  o  direito  de  computar  o  recolhimento  em  pauta na apuração de ajuste em 2006, seja como estimativa de agosto, seja como estimativa de  outubro.  Aliás,  ao  computar  o  referido  recolhimento  como  estimativa  de  outubro,  a  Contribuinte  inclusive  reduz  a  dedução  que  poderia  fazer  no  ajuste,  uma  vez  que  passa  a  computar os acréscimos legais sobre o novo débito, incluindo a multa de mora.  No caso, a razão para a apresentação do PER/DCOMP, objetivando deslocar  o valor de R$ 32.918,72 de agosto para quitar estimativa de R$ 27.521,77 em outubro, é apenas  de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um  mês, enquanto há excesso em outro.   Realmente,  não  há  nada  a  obstar  que  parte  do  recolhimento  a  título  de  estimativa de IRPJ de agosto/2006, no valor total de R$ 79.914,75, realizado em 17/11/2006,  seja  utilizado  para  a  quitação  de  parte  da  estimativa  de  IRPJ  de outubro  do mesmo  ano,  no  valor de R$ 27.521,77 mais acréscimos.   Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário,  para homologar  a  compensação, no  limite do  crédito  reconhecido, observados os  acréscimos  legais cabíveis, conforme a data de envio do PER/DCOMP.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                             Fl. 192DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.908708/2009­31  Acórdão n.º 1802­001.848  S1­TE02  Fl. 12          11     Fl. 193DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 10950.003746/2003-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 EMENDA CONSTITUCIONAL N. 20/1998. EXECUÇÃO. JUSTIÇA DO TRABALHO. A partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho promover a execução das contribuições previdenciárias destinadas à previdência social e às entidades e fundos, devendo a fiscalização abster-se de lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento e a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que dava provimento parcial para excluir a multa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Redator - Designado EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 171          1 170  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10950.003746/2003­41  Recurso nº  150.180   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­002.545  –  2ª Turma   Sessão de  5 de março de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOSÉ CARLOS DE ALMEIDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  EMENDA CONSTITUCIONAL N.  20/1998.  EXECUÇÃO.  JUSTIÇA  DO  TRABALHO.  A partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência exclusiva da Justiça  do  Trabalho  promover  a  execução  das  contribuições  previdenciárias  destinadas  à  previdência  social  e  às  entidades  e  fundos,  devendo  a  fiscalização abster­se de  lançar qualquer débito que porventura verificar em  ação fiscal.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator),  Marcelo Oliveira  e Henrique Pinheiro Torres  que  davam  provimento  e  a Conselheira Maria  Helena  Cotta  Cardozo  que  dava  provimento  parcial  para  excluir  a  multa.  Designado  para  redigir o voto vencedor o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 37 46 /2 00 3- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 172          2     (Assinado digitalmente)  Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)     (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Junior – Redator ­ Designado  EDITADO EM: 11/03/2013  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice­Presidente em exercício), Luiz  Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa  (suplente  convocado), Marcelo  Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo,  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  O Acórdão  nº  104­23.077,  da  4a  Câmara  do  1o  Conselho  de  Contribuintes  (fls. 142 a 145),  julgado na sessão plenária de 06 de março de 2008, pelo voto de qualidade,  deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para considerar como isentas as verbas  trabalhistas auferidas por extinção contratual reconhecida pela Justiça do Trabalho.  Transcreve­se a ementa do julgado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF   Exercício: 2002   OMISSÃO DE RENDIMENTOS  ­  FALTA DE RETENÇÃO DO  IRF ­ Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência  do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a  constituição  do  credito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à  respectiva  retenção  (Súmula  1° CC n°  12, DOU,  seção  1,  dias  26, 27 e 28/02/2006).  INCIDÊNCIA  DO  IMPOSTO  ­  ACORDO  TRABALHISTA  ­  INDENIZAÇÃO  POR  DOENÇA  PROFISSIONAL.  As  verbas  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 173          3 trabalhistas auferidas por extinção contratual  reconhecida pela  Justiça do Trabalho como de natureza indenizatória não incide a  tributação do imposto de renda.  Recurso provido.  Cientificada  dessa  decisão  em  26/05/2010  (fl.  146),  a  Fazenda  Nacional  manejou, no mesmo dia, recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova e de  divergência (fls. 149 a 164).  Na parte em que aponta contrariedade à lei ou à evidência da prova, afirma  que o contribuinte abriu mão de duas ações trabalhistas para firmar acordo onde deu quitação  integral  do  contrato  de  trabalho  e  renunciou  a  qualquer  estabilidade  decorrente  de  doença  profissional. Nesta situação, o pagamento das verbas ao contribuinte não se deu como forma de  recomposição  de  seu  patrimônio  (como  acontece  quando  se  trata  de  pagamento  de  valores  indenizatórios), mas como opção sua e mera liberalidade do empregador.  Assim,  a  decisão  teria  contrariado  as  provas  dos  autos,  pois  a  análise  do  acordo  trabalhista  leva  à  conclusão  de  que  as  verbas  nele  tratadas  não  se  encontram  entre  aquelas consideradas isentas pela legislação tributária.  Na parte em que indica divergência de interpretação da lei tributária, aponta  paradigma que, ao examinar acordo trabalhista no qual o contribuinte renunciou à estabilidade  no emprego a que fazia jus por lei, recebendo em decorrência valores a esse título, considerou  que a referida verba não possuía caráter  indenizatório e  tampouco se subsumia a alguma das  hipóteses isentivas expressamente estabelecidas em lei. Trata­se do Acórdão no 102­46.538, da  2a  Câmara  do  1o  Conselho  de Contribuintes,  julgado  na  sessão  plenária  10  de  novembro  de  2004, cuja ementa se transcreve:  Ementa:  IRPF  ­  INDENIZAÇÃ0  PAGA  A  EMPREGADO  ESTÁVEL  ­  Sujeitam­se  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte  os  valores  recebidos  a  título  de  indenização  especial,  mediante  acordo  em  decorrência  de  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  no  curso  do  período  de  estabilidade  assegurado  ao  empregado que ocupa cargo de direção sindical,  especialmente  quando não decorre de convenção trabalhista homologada pela  Justiça do Trabalho ou sentença proferida em dissídio coletivo.  O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 165 a 166.  Cientificado  do  acórdão  e  do  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  em  16/03/2011 (fl. 169), o contribuinte não apresentou contrarrazões (fl. 170).  É o relatório.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 174          4   Voto Vencido  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator  Pelo  que  consta  no  processo,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade e, portanto, dele conheço.  A  discussão  cinge­se  à  tributação  pelo  imposto  de  renda  dos  rendimentos  recebidos  a  título  de  “Indenização  de Reparação  de Danos”,  no  valor  de R$  100.000,00,  no  acordo trabalhista firmado pelo contribuinte e o HSBC Bank Brasil S/A.  Observe­se  que  o  acordo  foi  firmado  para  encerrar  o  contrato  de  trabalho,  pondo fim a duas ações trabalhistas propostas pelo contribuinte. Transcrevo os itens do acordo  de interesse à discussão (fls. 28 a 29):  4. As partes compõem, também, que o valor pago refere­se a quitação integral  do contrato de trabalho, envolvendo as duas ações trabalhistas propostas pelo Autor  sob os números RT 5660/1998 (4a Vara do Trabalho de Maringá) e RT 1973/2001  (1a  Vara  do  Trabalho  de  Maringá),  renunciando,  ainda,  o  Autor,  a  qualquer  estabilidade decorrente de doença profissional.  (...)  7. As partes declaram que as verbas que compõem o presente acordo são:  REFLEXO EM AVISO PRÉVIO INDENIZADO   R$ 5.507,39  DIFERENÇA DE FGTS + MULTA   R$ 48.342,63  INDENIZAÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS   R$ 100.000,00  DIFERENÇA DE FERIAS + 1/3   R$ 7.343,18  VERBAS SALARIAIS    R$ 91.789,81  Diante do  conjunto probatório,  tenho que concordar  com os  argumentos do  recurso  especial  e  do  voto  vencido  do  acórdão  guerreado,  no  sentido  de  que  não  está  comprovada a natureza não tributável da verba paga.  Com bem  ressaltado  no  citado  voto  vencido,  a  simples  atribuição  do  nome  “indenização” à verba não a exclui do alcance da norma de incidência do imposto de renda.  Para  isso,  seria  necessário  a  comprovação  da  natureza  do  dano  que  se  pretende  reparar,  para  que  então  se  pudesse  concluir  pela  inexistência  de  acréscimo  patrimonial.  O  acórdão  recorrido  entendeu  que  estava  comprovado  nos  autos  que  o  contribuinte  fora  acometido  por  doença  profissional,  que  lhe  rendeu  a  percepção  de  auxílio  doença  e  a  estabilidade  de  doze  meses  a  partir  do  retorno  do  trabalho,  e  que  se  estaria  indenizando a renúncia a essa estabilidade.  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 175          5 Entretanto,  toda  essa  conclusão  foi  tirada  do  item  4  do  acordo,  acima  transcrito,  que  incluía  a  renúncia  do  autor  a  “qualquer”  estabilidade  decorrente  de  doença  profissional.  Ora, o voto vencido, analisando o caso concreto, concluiu que, na melhor das  hipóteses,  se  o  contribuinte  tivesse  direito  a  alguma  estabilidade  por  ocasião  da  rescisão  do  contrato de trabalho, o prazo restante não seria superior a seis meses.  E pergunto: como explicar a indenização, por um período tão curto, no valor  de R$100.000,00, de um total de R$ 252.983,01? A própria quantia recebida demonstra que se  refere a outra causa jurídica.  E  teria  sido  fácil  ao  contribuinte  produzir  provas  da  natureza  da  reparação  dos danos, bastando trazer aos autos cópias das ações judiciais  impetradas. Ao invés disso, o  recurso  se  concentrou  apenas  na  responsabilidade  da  fonte  pagadora,  matéria  devidamente  rechaçada pelo acórdão recorrido.  Não é possível que, em sede de recurso administrativo, o julgador tenha que  fazer  um  esforço  interpretativo  para  encontrar  nos  autos  a  natureza  não  tributária  da  verba,  quando o contribuinte não se desincumbiu da tarefa, em especial quando teve a oportunidade  de fazê­lo.  A regra geral é a de tributação dos proventos de qualquer natureza recebidos,  devendo­se provar a sua não aplicação.  Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito,  dar  provimento  ao  recurso  especial  do  Procurador  da  Fazenda  Nacional  para  manter  o  lançamento efetuado.    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 176          6   Voto Vencedor  Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Designado  Apesar  dos  substanciosos  argumentos  apresentados  pelo  i.  Conselheiro  Relator, ouso divergir pelos seguintes fundamentos.  Contribuições Previdenciárias em face de acordos e sentenças trabalhistas  Da análise dos autos verifica­se que se trata de lançamento lavrado em face  de acordo foi firmado para encerrar o contrato de trabalho, pondo fim a duas ações trabalhistas  propostas pelo contribuinte:  4. As partes compõem, também, que o valor pago refere­se a quitação integral  do contrato de trabalho, envolvendo as duas ações trabalhistas propostas pelo Autor  sob os números RT 5660/1998 (4a Vara do Trabalho de Maringá) e RT 1973/2001  (1a  Vara  do  Trabalho  de  Maringá),  renunciando,  ainda,  o  Autor,  a  qualquer  estabilidade decorrente de doença profissional.  (...)  7. As partes declaram que as verbas que compõem o presente acordo são:  REFLEXO EM AVISO PRÉVIO INDENIZADO   R$ 5.507,39  DIFERENÇA DE FGTS + MULTA   R$ 48.342,63  INDENIZAÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS   R$ 100.000,00  DIFERENÇA DE FERIAS + 1/3   R$ 7.343,18  VERBAS SALARIAS    R$ 91.789,81  Com a Emenda Constitucional n ° 20/1998, publicada em 16.12.1998, houve  uma  cisão  de  competência  jurisdicional  em  relação  às  contribuições  previdenciárias.  Como  regra a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal,  conforme  art.  109  da  Carta  Magna.  Contudo,  em  relação  às  reclamatórias  trabalhistas  a  competência será da Justiça do Trabalho.  Considerando  que  a  Justiça  do  Trabalho  possui  competência  constitucional  para  execução  de  ofício  das  sentenças  que  proferir  (art.  114  da  Constituição  Federal);  da  mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser  rediscutida pela Previdência Social, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá  ser  rediscutida  fora  do  Poder  Judiciário.  Por  uma  questão  lógica,  quem  é  competente  para  executar é também competente para declarar tal direito.  Para a Previdência Social,  a decisão homologatória,  em matéria  trabalhista,  não  possui  o  condão  de  se  tornar  definitiva  sem  que  antes  seja  conferida  a  oportunidade  de  manifestação do órgão previdenciário, conforme previsto expressamente no parágrafo único do  art. 831 da CLT.  Art.  831  ­  A  decisão  será  proferida  depois  de  rejeitada  pelas  partes a proposta de conciliação.  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 177          7 Parágrafo  único.  No  caso  de  conciliação,  o  termo  que  for  lavrado  valerá  como  decisão  irrecorrível,  salvo  para  a  Previdência  Social  quanto  às  contribuições  que  lhe  forem  devidas. (Redação dada pela Lei nº 10.035, de 25.10.2000)  A  interpretação  a  ser  conferida  é  que  uma  vez  homologado  o  acordo,  não  cabe  naqueles  autos  a  interposição  de  recurso,  seja  pelo  autor,  seja  pelo  réu.  Somente  a  Previdência  é  que  pode  interpor  o  recurso,  seja  o  recurso  ordinário,  seja  embargos  de  declaração, ou se na fase de execução o agravo por petição, conforme o caso. Agora, não se  manifestando naqueles autos ocorre a preclusão para o órgão previdenciário.  Não é outro o entendimento do Colendo TST, cujo enunciado da Súmula n °  259 retrata o que aqui foi exposto, nestas palavras:  Termo de Conciliação. Ação Rescisória.  Só  por  ação  rescisória  é  impugnável  o  termo  de  conciliação  previsto no parágrafo único do art. 831 da CLT.  Nesse sentido, foi expedida IN/INSS/DC n. 70, de 15 de maio de 2002, que  em seu artigo 54 definiu qual o procedimento a ser adotado pelo INSS:   Art.  54.  Quanto  às  reclamatórias  trabalhistas  encerradas  na  Justiça  do  Trabalho,  a  fiscalização  deverá  adotar  os  procedimentos a seguir, respeitando os respectivos períodos:  I ­ nas sentenças e nos acordos homologados até 15 de dezembro  de 1998, data da edição (data anterior ao início da vigência) da  Emenda  Constitucional  nº  20,  o  AFPS,  durante  a  auditoria  fiscal,  ao  constatar  contribuições  previdenciárias  devidas  ou  com recolhimento a menor em reclamatórias trabalhistas, deverá  apurar e lançar os créditos correspondentes;  II  ­  a  partir  de  16  de  dezembro  de  1998,  é  de  competência  exclusiva  da  Justiça  do  Trabalho  promover  a  execução  das  contribuições previdenciárias destinadas à previdência  social e  às  entidades  e  fundos,  devendo  a  fiscalização  abster­se  de  lançar qualquer débito que porventura verificar em ação fiscal.  Dito  isso, entendo que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não possui  competência  para  lançamento,  haja  vista  que  há  perante  aquela  Justiça  Especializada  representação da Fazenda Nacional.  Pelo  exposto,  voto  conhecer  do  recurso,  para,  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO.  É o voto.    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10950.003746/2003­41  Acórdão n.º 9202­002.545  CSRF­T2  Fl. 178          8                 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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Numero do processo: 13887.000348/2010-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2011 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 30          2     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Ana de Barros Fernandes – Presidente  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Relatora  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Roberto  Massao  Chinen,  Marcos  Vinícius  Barros  Ottoni,  Carmen  Ferreira  Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros  Fernandes.    Relatório  Contra  a  Recorrente  acima  identificada  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento à fl. 05, com a exigência do crédito tributário no valor de R$23.840,16 a título de  multa  de  ofício  isolada  por  atraso  na  entrega  em  20.08.2010  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de janeiro do ano­calendário de 2010, cujo prazo  final era 19.03.2010.  Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do  Código Tributário Nacional, art. 11 do Decreto­Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art.  10  do  Decreto­Lei  nº  2.065,  de  26  de  outubro  de  1983,  art.  30  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051,  de 29 de dezembro de 2004.  Cientificada,  a  Recorrente  apresentou  a  impugnação,  fls.  02­04,  com  as  alegações a seguir transcritas.  De acordo com a legislação, o Município de Araras passou a utilizar o sistema  de  lançamento  1.7  do  DCTF  Mensal,  e  não  mais  o  DCTF  Semestral  que  utilizávamos  em  anos  anteriores,  tomamos  conhecimento  ao  encaminhar  as  informações após a alteração do Regime de Semestral para Mensal, que estaríamos  sendo  multado  pelo  encaminhamento  das  informações  em  atraso  referente  ao  período de Janeiro de 2010, ao qual ocorreu através da Notificação em 20/08/2010.   [...]Faz­se  necessário  analisar  que  o  Município  de  Araras  efetua  os  pagamentos  do  PASEP  mensalmente,  portanto,  não  estando  inadimplente  com  os  pagamentos mensais do PASEP, ao qual se refere o DCTF mensal. [...]Pretende­se  questionar  a  legalidade  da  multa  regulamentar  imposta  pelo  descumprimento  Fl. 30DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 31          3 extemporâneo da obrigação acessória de entregar DCTF, com base [no art. 161 do  Código Tributário Nacional].  O  artigo  161  do CTN  fixa  a  regra  geral  de  que  a  inadimplência  acarreta  o  pagamento agravado de juros de mora, correção monetária e multas pela mora, sem  prejuízo da imposição de penalidades previstas em lei.  O  artigo  138  define  exceção  a  esta  regra,  sendo  claro  ao  estabelecer  que  o  inicio de qualquer medida de fiscalização afasta a aplicação do instituto da denuncia  espontânea. [...] O art. 138 do CTN estatui que se o contribuinte, espontaneamente e  antes  do  inicio  de  qualquer  medida  de  fiscalização  relacionados  com  a  infração,  reconhece  e  confessa  a  infração  cometida,  efetuando,  se  for  o  caso,  concomitantemente,  o  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de  mora  ou  procedendo  ao  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade  (multa) pela infração à legislação tributária.  A aplicação do artigo 138 exige a presença de seus pressupostos cumulativos  de exclusão de responsabilidade:  a) confissão espontânea;  b) desistência do proveito da infração;  c)  deve  ser  feita  antes  do  início  de  qualquer  medida  de  fiscalização  relacionada com a infração;  d)  deve  ser  feito  o  pagamento  simultâneo  do  principal  corrigido,  acompanhado dos juros de mora ou o depósito da importância arbitrada;   e)  não  se  tratar  de  responsabilidade  acessória  autônoma,  sem vínculo  direto  com o fato gerador. [...]  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui que o lançamento é nulo, nos seguintes termos:  Do  exposto,  pode­se  concluir  que  a  multa  regulamentar  cobrada  pela  Administração Tributária não está em harmonia com a legislação, posto que:  a)  a  denúncia  espontânea  alcança  as  obrigações  acessórias  autônomas,  decorrente do poder de polícia da administração;  b) ainda que a Autuada preenche os pressupostos cumulativos de exclusão de  responsabilidade,  tendo  em  vista  que  não  houve  prévio  início  de  medida  de  fiscalização  relacionada  com  a  infração  e  houve  recolhimento  do  PASEP  mensal  relativo ao DCTF em questão.  À  vista  de  todo  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  da  ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para  o fim de assim ser decidido, cancelando­se o débito fiscal reclamado.  Termos em que, p. deferimento.  Fl. 31DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 32          4 Está  registrado como  resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº  14­36.721, de 17.02.2012, fls. 15­17: Impugnação Improcedente.  Consta no Voto condutor  O  não­cumprimento  de  uma  obrigação  acessória  converte­a  em  principal  relativamente  à  penalidade  pecuniária.  A  entrega  da  declaração  de  rendimentos  constitui obrigação acessória prevista no CTN, e a multa pelo atraso na entrega está  contida  na  legislação  tributária  como  sanção  pelo  inadimplemento  tributário,  aplicada pela inobservância dos deveres acessórios.  Não se pode admitir a alegação de  ter havido a denúncia espontânea, pois a  entrega  da  declaração  se  deu  fora  do  prazo  legal,  sendo  a  multa  fixada  em  lei  e  indenizatória  da  impontualidade,  ou  seja,  constitui  uma  sanção  punitiva  da  negligência.  Dessa forma, com fulcro no art. 113, torna­se aplicável a penalidade pelo não­ cumprimento  da  obrigação  acessória  de  apresentação  da  declaração,  lançada  de  acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração.  Interpretando­se sistematicamente os dispositivos do CTN, tem­se que o art.  138 não se desfez da multa por atraso na entrega de declaração.  Restou ementado  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Ano­calendário: 2010   MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido  ainda que o contribuinte o faça espontaneamente.  Notificada  em  30.03.2012,  fl.  21,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  30.04.2012  (segunda­feira),  fls.  22­26  e  28,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.  Reitera os argumentos apresentados na impugnação.   Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  Fl. 32DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 33          5 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   Os  atos  administrativos  que  instruem  os  autos  foram  lavrados  por  servidor  competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri­los ou impugná­los  no  prazo  legal,  ou  seja,  com  observância  de  todos  os  requisitos  legais  que  lhes  conferem  existência,  validade  e  eficácia.  As  formas  instrumentais  adequadas  foram  respeitadas,  os  documentos  foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas por meios  lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter  privativo,  cabe  ao  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  caso  de  verificação  do  ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória,  sob pena de responsabilidade funcional1.   As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com  os meios e  recursos a ela  inerentes  foram observadas. Ademais os atos administrativos estão  motivados,  com  indicação  dos  fatos  e  dos  fundamentos  jurídicos  decidam  recursos  administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça  de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que  ensejaram  os  procedimentos  de  ofício,  que  foi  regularmente  analisado  pela  autoridade  de  primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento.  A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia  intimação.  Na  atribuição  do  exercício  da  competência  da  RFB,  em  caráter  privativo,  cabe ao Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  cuja  atribuição  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem  prévia  intimação  à  pessoa  jurídica,  nos  casos  em  que  a  autoridade  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de  jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe  sendo exigida a habilitação profissional de  contador2. O Auto de  Infração  foi  lavrado com a  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinação  da  matéria  tributável,  cálculo  do montante da multa  de ofício  isolada  devida  e  identificação  do  sujeito  passivo  e  validamente  cientificada  a  Recorrente,  o  que  lhe  conferem  existência,  validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito  passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito  tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância  obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF  nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser  sancionada.  A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea.                                                              1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário  Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972  e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.  2  Fundamentação  legal:  art.  142  e  art.  195  do  Código  Tributário  Nacional,  art.  6º  da  Lei  nº  10.593,  de  6  de  dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784  de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46.  Fl. 33DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 34          6 A  denúncia  espontânea  da  infração  acompanhada  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de  mora  exclui  a  responsabilidade  do  sujeito  passivo  pela  penalidade  pecuniária  em  função  da  inobservância  da  conduta  prescrita  na  norma  jurídica  primária.  A  exteriorização  de  vontade  não  tem  forma  prevista  em  lei  e  alcança  tão­somente  a  obrigação  principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à  época  e  o  recolhimento  seja  efetuado  antes  de  qualquer  procedimento  fiscal.  O  instituto  da  denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória.3.  Este  é  o  entendimento  constante  na  decisão  definitiva  de  mérito  proferida  pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 4, cujo  trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser  reproduzido pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF5.  Restou  demonstrado  que  o  presente  caso  trata­se  de  descumprimento  de  obrigação  acessória  que  não  está  amparada  pelo  instituto  da  denúncia  espontânea.  Assim,  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula  CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela  defendente, por isso, não pode ser sancionada.  A Recorrente discorda do procedimento de ofício.  No  que  se  refere  à  possibilidade  jurídica  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória,  tem­se que essa obrigação é um  dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos,  e  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente  à  penalidade  pecuniária.  Essas  obrigações  formais  de  emissão  de  documentos  contábeis  e  fiscais  decorrem  do  dever  de  colaboração  do  sujeito  passivo  para  com  a  fiscalização  tributária no controle da arrecadação dos  tributos  (art. 113 do Código Tributário  Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as  obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art.  9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias  relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do  Brasil (RFB) (art. 5º da Decreto­Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de  28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999).  No  exercício  de  sua  competência  regulamentar  a  RFB  pode  instituir  obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento e o  respectivo  responsável.  Assim,  os  atos  do  processo  administrativo  dependem  de  forma  determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de  1999). O documento que formalizá­la, comunicando a existência de crédito tributário, constitui                                                              3  Fundamentação  legal:  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional.  4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux,  Primeira  Seção,  Brasília,  DF,  9  de  junho  de  2010.  Disponível  em:  <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011.  5 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996 e art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.  Fl. 34DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 35          7 confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  referido  crédito.  Ademais,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do  Código Tributário Nacional).  O  sujeito  passivo  que  deixar  de  apresentar  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeita­se às seguintes  multas:  (a) de dois por cento ao mês­calendário ou fração, incidente sobre o montante  dos  tributos  e contribuições  informados na DCTF, ainda que  integralmente pago, no caso de  falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento;  (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou  omitidas.  Para  efeito  de  aplicação  dessas multas,  reputa­se  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­apresentação,  da  lavratura  do  auto  de  infração. As multas serão reduzidas:   (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após  o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício;   (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração  no prazo fixado em intimação.   A multa mínima a ser aplicada deve ser:  (a) R$200,00 (duzentos reais), tratando­se de pessoa jurídica inativa;  (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos6.  Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive  as equiparadas, devem apresentá­la centralizada pela matriz, via internet:  (a) para os anos­calendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia  útil  da  primeira  quinzena  do  segundo mês  subseqüente  ao  trimestre  de  ocorrência  dos  fatos  geradores.   (b) para os anos­calendário de 2005 a 2009:  (b.1)  semestralmente,  sendo  apresentada  até  o  quinto  dia  útil  do  mês  de  outubro de cada ano­calendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto  dia útil do mês de abril de cada ano­calendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre  do ano­calendário anterior;                                                              6 Fundamentação  legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decreto­lei nº 2.124, de 13 de  junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art.  7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF  nºs 33 e 49.  Fl. 35DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 36          8 (b.2)  mensalmente,  de  acordo  com  o  valor  da  receita  bruta  auferida  pela  pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de  ocorrência dos fatos geradores;   (c) a partir do ano­calendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o  décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores7.  No  presente  caso,  restou  comprovado  que  houve  atraso  na  entrega  em  20.08.2010  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF)  do  mês  de  janeiro do ano­calendário de 2010, cujo prazo final era 19.03.2010. A proposição mencionada  pela defendente, por conseguinte, não tem validade.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem  ser observados os  atos para os quais  a  lei  atribua  eficácia normativa,  o que não  se  aplica  ao  presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada.  Atinente  aos  princípios  constitucionais  que  a  Recorrente  aduz  que  supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  uma  vez  que  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade9.  A  proposição  afirmada  pela  defendente,  desse  modo,  não  tem  cabimento.  Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)                                                              7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº  255,  de  11  de  dezembro  de  2002,  Instrução  Normativa  SRF  nº  583,  de  20  de  dezembro  de  2005,  Instrução  Normativa SRF nº  695, de 14  de dezembro de 2006,  Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de  2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de  novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010.  8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972.  9 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2.  Fl. 36DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000348/2010­09  Acórdão n.º 1801­001.658  S1­TE01  Fl. 37          9 Carmen Ferreira Saraiva                                  Fl. 37DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES

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Numero do processo: 10875.902752/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Valdirene Lopes Franhani, OAB/SP 141.248. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Valdirene Lopes Franhani, OAB/SP 141.248. Adiado o julgamento para o período vespertino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/2009­18  Resolução nº  3801­000.525  S3­TE01  Fl. 12          2 contribuinte,  não  restando crédito disponível para a  compensação dos débitos  informados no  PERDCOMP.  Inconformada  com  o  despacho  decisório,  a  contribuinte  apresentou  Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese:  1) O Despacho Decisório deve ser declarado nulo, uma vez que não cumpre os  requisitos essenciais de validade do ato administrativo, qual seja, a motivação.  2) A Recorrente informou em seu Demonstrativo de Apuração de Contribuições  Sociais  (DACON),  que  apurou  no  mês  de  set/2005,  COFINS  a  pagar  no  valor  de  R$  409.904,78  (doc.05).  Posteriormente,  retificou  referido  valor  para  R$  429.710,06  e  o  pagou  através de DARF, no mesmo valor.  3) Ocorre que a Recorrente voltou a encontrar equívocos em sua contabilidade e  chegou à conclusão de que o valor da COFINS a pagar era, na verdade, de R$ 295.789,86, em  decorrência de alguns créditos que estava deixando de tomar. Diante disso, se tornou detentora  de  crédito  no  valor  de  R$  133.920,20,  decorrente  da  diferença  entre  o  valor  apurado  inicialmente e o valor  retificado em seu DACON, o qual  foi então utilizado para compensar  débito  de COFINS,  referente  ao  período  de  apuração  ago/2006,  cujo  valor  inicial  do  crédito  original  utilizado  na  DCOMP  é  exatamente  os  R$  133.920,20,  que  atualizados  na  data  da  transmissão (15/09/2006) somam a quantia de R$ 152.427,97.  4) Muito  embora  a Recorrente  tenha  reconhecido  o  recolhimento  a maior  e  o  utilizado para a compensação mencionada, a entrega da DACON retificadora somente ocorreu  em 07/04/2009.  5) Destaca que a Câmara Superior de Recursos Fiscais  firmou o entendimento  de  que  se  tratando  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  como  é  o  caso  da  COFINS, o prazo para o contribuinte apresentar a retificação das informações prestadas à RFB,  coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional.  6)  Requer  a  realização  de  diligencia,  afim  de  comprovar  os  fatos  acima  descritos.  Ao analisar o caso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Campinas  entendeu  por  bem  julgar  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  da  contribuinte,  alegando  que  a  contribuinte  apenas  alega  na  manifestação,  em  preliminar,  a  nulidade  do  Despacho  Decisório,  não  trazendo  ao  processo  nenhuma  comprovação  da  efetividade dos supostos  indébitos compensados e das bases de cálculo sobre as quais  teriam  sido realizados. Argumenta que em sede de exame de declaração de compensação, no qual a  ação cabe à interessada,a esta cabem todos os esclarecimentos e as comprovações de seu pleito.   Dispõe não ser possível fazer nenhuma confrontação de dados se a contribuinte  não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, e que não cabe ao Fisco procurar  supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos  termos do art.333, do Código de Processo Civil.  Alega  ser  correto  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte  por  inexistência  de  direito  creditório,  quando  o  recolhimento  alegado  como  origem  do  crédito  estiver  integralmente  alocado  na  quitação  de  débitos  Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/2009­18  Resolução nº  3801­000.525  S3­TE01  Fl. 13          3 confessados.  O  reconhecimento  do  direito  creditório  aproveitado  em  DCOMP  não  homologada  requer  a  prova  de  sua  existência  e  montante.  Faltando  ao  conjunto  probatório  carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido  ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.  Em  seu  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  traz,  basicamente,  as  mesmas  alegações  apresentadas  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade.  Também  traz  aos  autos  demonstrativo de apuração das bases de cálculo das contribuições a serem compensadas, cópia  do  livro  de  apuração  do  IPI  que  reflete  o  faturamento  e  cópia  de  parte  do  Livro Razão  que  reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida.    É o relatório.      VOTO  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Conforme  mencionado  alhures,  a  manifestação  de  inconformidade  do  Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob o argumento  de que o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer  a  prova  de  sua  existência  e  montante.  Faltando  ao  conjunto  probatório  carreado  aos  autos  elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à  legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.  Ocorre,  contudo,  que  a Recorrente,  além de  ter  indicado  corretamente  em  sua  DACON os valores dos créditos, retificou a sua DCTF, fazendo jus, a princípio, aos créditos  utilizados  na  compensação  não  homologada  pela  Douta  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Campinas.  No  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Campinas poderia, de ofício, independentemente de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  autenticidade  dos  créditos  declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confira­se:  Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é  de  que  deve  a Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a  autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que, data  venia,  não  foi  feito  no  presente  caso.  Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/2009­18  Resolução nº  3801­000.525  S3­TE01  Fl. 14          4 Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por  diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento  constitucional  reside  nos  artigos  2º  e  37  da  Constituição  Federal,  no  qual  o  julgador  deve  pautar  suas  decisões. Ou  seja,  o  julgador deve perseguir  a  realidade dos  fatos,  para  que  não  incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre  Professor James Marins:  A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela  aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal;  aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o  registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento  econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento  tributário.  A  busca  pela  verdade material  é  princípio  de  observância  indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades  procedimentais  e  processuais.  (grifou­se).  (MARINS,  James.  Direito  Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  ­  São  Paulo:  Dialética, 2005. pág. 178 e 179.)  Sobre o princípio da verdade material,  também ensinam os ilustres professores  Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente:  Princípio  da  verdade material. Consiste  em  que  a Administração,  ao  invés de  ficar  restrita ao que as partes demonstrem no procedimento,  deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do  que os interessados hajam alegado e provado (...).  (...)  O  princípio  da  verdade  material  estriba­se  na  própria  natureza  da  atividade  administrativa.  Assim,  seu  fundamento  constitucional  implícito  radica­se  na  própria  qualificação  dos  Poderes  tripartidos,  consagrada  formalmente  no  art.  2º  da  Constituição,  com  suas  inerências.  Deveras,  se  a  Administração  tem  por  finalidade  alcançar  verdadeiramente  o  interesse  público  fixado  na  lei,  é  óbvio  que  só  poderá fazê­lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer­se  com a verdade formal,  já que esta, por definição, prescinde do ajuste  substancial  com  aquilo  que  efetivamente  é,  razão  porque  seria  insuficiente  para  proporcionar  o  encontro  com  o  interesse  público  substantivo.  Demais  disto,  a  previsão  do  art.  37,  caput,  que  submete  a  Administração  ao  princípio  da  legalidade,  também  concorre  para  a  fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...).  (BANDEIRA  DE  MELLO,  Celso  Antônio.  Curso  de  direito  administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007.  p. 489, 493 e 494)  .........................................................................................................  É  o  princípio  da  verdade  material  que  autoriza  o  administrador  a  perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos  fatos que a constituíram. (...)  Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/2009­18  Resolução nº  3801­000.525  S3­TE01  Fl. 15          5 Pelo  princípio  da  verdade  material,  o  próprio  administrador  pode  buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo  administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável,  e  não  apenas  a  que  ressai  de  um  procedimento  meramente  formal.  Devemos  lembrar­nos  de  que  nos  processos  administrativos,  diversamente  do  que  ocorre  nos  processos  judiciais,  não  há  propriamente  partes, mas  sim  interessados,  e  entre  estes  se  coloca  a  própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração  em  alcançar  o  objeto  do  processo  e,  assim,  satisfazer  o  interesse  público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre  o  interesse  do  particular.  (CARVALHO  FILHO,  José  dos  Santos.  Manual  de  direito  administrativo.  21.  ed.  rev.  ampl.  atual.  Rio  de  Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934)  No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade  e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido  ao  julgador administrativo,  inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos  judiciais, não  ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos  os elementos capazes de influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que  o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para  solução da lide. Confira­se:  IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL.   Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao  sujeito  passivo  a  apresentação  de  elementos  probatórios  na  fase  impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos  ainda  na  fase  de  impugnação,  antes,  portanto,  da  decisão,  fere  o  princípio da  verdade material  com ofensa ao princípio  constitucional  da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da  verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente  ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade  da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que  deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00­ 99,  Recurso  Voluntário  n°.  132.865,  ACÓRDÃO  203­12338,  Relator  Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  ­  PROVA MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  ­  PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA  DA VERDADE MATERIAL ­ A não apreciação de provas trazidas aos  autos  depois  da  impugnação  e  já  na  fase  recursal,  antes  da  decisão  final administrativa,  fere o princípio da  instrumentalidade processual  prevista  no  CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o  contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo  administrativo  predomina  o  princípio  da  verdade  material  no  sentido  de  que  aí  se  Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/2009­18  Resolução nº  3801­000.525  S3­TE01  Fl. 16          6 busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que  está em jogo é a  legalidade da  tributação. O  importante é saber se o  fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103­ 18789 ­ 3ª. Câmara ­ 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/03­04.371  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/2005­65,  Recurso Voluntário n°.  136.880, Acórdão 302­39947, Relatora  Judith  do Amaral Marcondes)  IRPJ  ­  PREJUÍZO  FISCAL  ­  IRRF  ­  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  ­  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  ­  PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  ­  Não  procede  o  não  reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo  negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente  foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da  declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 ­ Câmara:  Quinta  Câmara  ­  Número  do  Processo:  13877.000442/2002­69  –  Recurso Voluntário: 28/02/2007)  COMPENSAÇAO  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  E/OU  PEDIDO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do  Recurso:  157222  ­  Primeira  Câmara  ­  Número  do  Processo:10768.100409/2003­68  –  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  ­  Acórdão 101­96829).  Assim, devem ser considerados,  in casu, as DCTFs que foram retificadas pelo  Recorrente,  que,  a  princípio,  em  uma  análise  superficial,  demonstram  créditos  passíveis  de  compensação.  Contudo,  só  através  de  diligência,  que  deverá  ser  realizada  pela  DRF  de  Guarulhos, é que se poderá  ter certeza de que os créditos utilizados  são mesmo passíveis de  compensação, como pretendeu a Recorrente.  Não  se  pode  olvidar  que  consta  anexada  aos  Autos,  além  das  DCTF’s  retificadas,  a DACON,  demonstrativo  de  apuração  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  a  serem  compensadas,  cópia do  livro de  apuração  do  IPI que  reflete o  faturamento  e  cópia de  parte do Livro Razão que reflete os lançamentos contábeis relativos à apropriação indevida.  Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência  à DRF/Guarulhos para:  Com base nas retificações realizadas pela Recorrente, nos documentos contábeis  e fiscais da Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário, apurar se o  valor do crédito indicado na compensação é suficiente para liquidar o débito compensado;  Intimar  a  Recorrente  a  se  manifestar  acerca  da  diligência  realizada,  se  assim  desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência;  Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento.  (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel ­ Relator  Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.902752/2009­18  Resolução nº  3801­000.525  S3­TE01  Fl. 17          7     Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 17/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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