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Numero do processo: 10830.720246/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado da , por maioria de votos, em converter o julgamento dos recursos em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani, que dava provimento ao recurso de ofício e negava provimento ao recurso
voluntário.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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Acordam os membros do colegiado da , por maioria de votos, em converter o julgamento dos recursos em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani, que dava provimento ao recurso de ofício e negava provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 06/01/2013 Participaram do presente julgamento: os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 24 6/ 20 09 -2 9 Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 5.744 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 97.490.192,99 (noventa e sete milhões, quatrocentos e noventa mil, cento e noventa e dois reais e noventa e nove centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, o contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas o auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a feito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF), constatou se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas no ano 2007/2008, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135, e também para a COTIA TRADING S/A. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) às empresas acima referidas, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. Conforme dados constantes no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, o crédito tributário ora discutido pode ser distribuído entre as duas empresas da seguinte forma: Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.745 3 O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam à exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento “permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno”. Entende o contribuinte que: “Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda à comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF”. Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n°417/2004 (bem como o art. 29 da IN SRF n° 757/2007) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.746 4 palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 (ou o inciso I do art. 20 da IN SRF n° 757/2007) é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II — IN SRF n° 657/2007, art. 6°,§ 4°, inciso II); 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos com essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 04/05/2009 (ciência pessoal .7 fls. 03 216 402 e 690), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 1038/1050. Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 1) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante da incorporação das mercadorias, nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.747 5 admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que, em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que, nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II— realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04 (bem como o art. 29 da Instrução Normativa SRF n° 757/2007), ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo que pleiteia o cancelamento da autuação. Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.748 6 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 18/03/2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou parcialmente procedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 17 39.278 (fls. 4.559/4.575): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/01/2007 a 24/06/2008 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II, mesmo artigo, parágrafo e inciso da Instrução Normativa SRF n° 757/2007. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado – RECOF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como o crédito tributário foi mantido apenas em parte, o presidente do colegiado de 1ª instância recorreu de ofício (fls. 4.559/4.575), nos termos do art. 25, § 1º, do Decreto nº 70.235 de 1972 e da Portaria MF nº 375 de 2001. Por outro lado, a Recorrente tomou ciência do teor do acórdão pessoalmente, em 15/04/2010 (f1. 4.580), tendo protocolado seu recurso voluntário em 14/05/2010 (fls. 4.581/4.598), o qual, em síntese, reitera os argumentos de sua impugnação (fls. 1.038/1.050). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 15/09/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço ambos os recursos e passo a analisálos. A discussão encerrada nos recursos de ofício e voluntário se resume nos seguintes desdobramentos: (i) saber se a aplicação do RECOF se restringe a exportações diretas; (ii) caso não se restrinja, saber se a fundamentação do lançamento pode ser alterada pela instância a quo; e (iii) admitindose a aplicação do RECOF para exportações indiretas, Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.749 7 saber se essa aplicação abrange qualquer empresa comercial exportadora ou apenas aquela modalidade regida pelo DecretoLei nº 1.248 de 1972 (trading company). Registro, por oportuno, que não se questionou em momento algum o fato de o contribuinte ter exportado as mercadorias no prazo fixado no RECOF. Houve – repitase –o reconhecimento, por parte da instância a quo, de que houve a exportação com base em suporte documental (fl. 4.561). Recurso de Ofício O recurso de ofício foi interposto na forma legal pelo fato de a instância a quo ter decidido pela aplicação do RECOF nas exportações indiretas, desde que realizadas por trading company. Com efeito, pretendese reformar a decisão recorrida para que seja reconhecida a aplicação do RECOF apenas para exportações diretas. Como bem ressaltou a instância a quo, a legislação que trata do RECOF nada dispõe sobre a exportação direta como hipótese de extinção do regime, referindose apenas à exportação lato sensu. Não há adjetivos que restrinjam essa exportação. A propósito, confirase o art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que contém a mesma redação do art. 29 da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007: Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica. A partir da transcrição do dispositivo que prevê as hipóteses em que o RECOF se extingue, percebese que não há qualquer referência à exportação direta. Com efeito, não pode a autoridade fiscal interpretar a norma, restringindolhe o âmbito da sua eficácia. No caso Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.750 8 concreto, a autoridade preparadora supostamente interpretou o referido dispositivo literalmente, alegando que, por se tratar de norma que versa sobre exclusão de crédito tributário, aplicarseia o art. 111 do Código Tributário Nacional. De fato, o seu pensamento está correto na medida em que o dispositivo em questão deve ser interpretado literalmente. Contudo, tenho duas ponderações a fazer sobre a aplicação desse dispositivo: a primeira é que a interpretação somente é cabível quando a norma assim exige, vale dizer, se a norma é clara, não há espaço para interpretála; a segunda é que interpretação literal não quer dizer interpretação restritiva, e sim que o único método cabível para tanto é aquele que persegue o significado das palavras. Considerando isso, entendo que o art. 31, I, da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e o art. 29, I, da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007 não precisam ser interpretados, mas, ainda que se discorde desse entendimento, a interpretação há de buscar o conteúdo das palavras empregadas na norma, não podendo ser uma interpretação criativa comparável ao ativismo judicial. Condutas como esta poriam em risco a separação dos poderes do Estado e o sistema de freios e contrapesos, os quais visam a garantir o equilíbrio do Estado Democrático de Direito. Os dispositivos supracitados empregam a palavra exportação isoladamente. Quando as palavras são empregadas dessa forma, o seu conteúdo revela a sua amplitude máxima. Por outro lado, se estão acompanhadas de adjetivos, a palavra assumirá um novo conteúdo com amplitude geralmente mais restrita. Nesse contexto, é válido rememorar as lições de gramática da nossa língua: Quanto à sua função como determinante, o adjetivo pode se comportar basicamente de duas maneiras: 1. ele pode servir para restringir o substantivo, tornandoo único entre um grupo: O aluno foi suspenso por três dias. O aluno paulista foi suspenso por três dias. 2. o adjetivo pode ainda explicar o substantivo, destacando características inerentes ao substantivos: O fogo foi o causador da queimadura. O fogo quente foi o causador da queimadura. A faca representa perigo. A faca afiada representa perigo. Sendo assim, os adjetivos podem ser classificados de duas maneiras, considerando as características acima: ADJETIVOS RESTRITIVOS ou ADJETIVOS EXPLICATIVOS. Conceituando… ADJETIVO RESTRITIVO: particulariza o significado do substantivo a que se refere, uma qualidade que não é própria do ser: fruta madura, homem baixo, céu alaranjado, etc. Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.751 9 ADJETIVO EXPLICATIVO: exprime características inerentes ao substantivo a que se refere, uma qualidade própria do ser: fogo quente, neve fria, céu azul, etc. (Disponível em <http://www.infoescola.com/portugues/adjetivo restritivoeexplicativo/>. Acesso em 11 Ago. 2012) E nem se diga – como o fez a autoridade preparadora em seu Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 976/1.004) – que a estruturação do RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalização do regime, salvo, quanto a esta última, para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir. Isso porque não há qualquer referência na legislação do RECOF que ampare essa afirmação. Ora, se realmente fosse a intenção do legislador fazer a distinção entre exportação direta e exportação indireta, deveria têlo feito de forma clara e inequívoca. Se não o fez expressamente, o intérprete da norma jamais poderia fazêla, sobretudo para excluir a exportação indireta da aplicação do RECOF. Além disso, é interessante notar que a doutrina pátria faz uma comparação entre o RECOF e o Drawback, que prevê expressamente a exportação indireta como forma de aperfeiçoamento da condição imposta pelo regime para que a suspensão dos tributos se converta em isenção. O RECOF seria um Drawback de larga escala. É o que se lê no excerto abaixo transcrito: 8.1.3.5. Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF) 8.1.3.5.1. Conceito O RECOF é um regime jurídico aduaneiro especial definido no artigo 2º da IN RFB 757, de 25 de julho de 2007: (...) A partir do artigo transcrito, surge a inevitável comparação: o Drawback não tem as mesmas características, ou seja, suspensão dos tributos, industrialização e posterior exportação? Sim. A diferença é que o Drawback é um regime concedido no “varejo”, ou seja, concedido pelo DECEX para cada plano de exportação apresentado. Para grandes indústrias, que muito exportam, é contraproducente ter que solicitar o regime a cada plano de exportação. Para estas, o Governo brasileiro, interessado em incentivar as exportações e desburocratizar a concessão da suspensão dos tributos para as matériasprimas importadas, criou o RECOF. Este regime é, por este motivo, conhecido como um “Drawback de grandes proporções” ou “Drawback continuado”. (...) 8.1.3.5.3. Algumas Diferenças em Relação ao Drawback Além da diferença em relação à concessão – o Drawback é concedido pelo DECEX a cada plano de exportação e o RECOF, concedido pela Receita Federal para todas as importações da pessoa jurídica – este regime difere do Drawback no que tange à destinação das mercadorias. Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.752 10 Como se pode constatar no art. 2º da IN RFB nº 757/2007, transcrito anteriormente, parte das matériasprimas poderá ser despachada para consumo, bastando que se recolham os tributos incidentes na importação. Já no Drawback, como a concessão é para um compromisso de exportação assumido pelo exportador (para justamente obter os benefícios do Drawback), ele é obrigado a exportar. Se colocar no mercado interno mercadoria que está no regime de Drawback, serão cobrados os tributos acrescidos de multa e juros, como vimos no tópico 8.1.3.3.3. Uma outra diferença entre os regimes é acerca da cobertura cambial. No Drawback, vimos que existe uma operação especial conhecida como “Drawback sem Cobertura Cambial”, ou seja, o Drawback é concedido para mercadorias com cobertura cambial, somente sendo permitida uma exceção. Em relação ao RECOF, o art. 3º da IN nº 757/2007 expressamente permite importações com ou sem cobertura cambial. De acordo com o art. 22 da IN RFB nº 757/2007, “as importações ao amparo do regime promovidas por pessoa jurídica habilitada estarão sujeitas ao tratamento de Linha Azul...”, ou seja, o despacho sofrerá o rito acelerado estudado no tópico 5.3.2. No Drawback, não existe esta facilitação. No Drawback, qualquer mercadoria que se destine a industrialização é passível de obtenção do regime. Mas, no RECOF, a IN SRF (sic) nº 757/2007 relaciona as espécies de bens que podem ser importadas. São bens da indústria aeronáutica, automotiva, de informática ou de telecomunicações e de semicondutores e de componentes de alta tecnologia para eletrônica, informática ou telecomunicações. (LUZ, Rodrigo. Comércio internacional e legislação aduaneira: teoria e questões. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010, PP.300/302) A partir da leitura dessa citação, depreendese que a exportação indireta não é apontada como uma das distinções entre o RECOF e o Drawback. Logo, se a exportação indireta é admitida no Drawback, com muito mais razão deve ser admitida no RECOF, eis que este é um regime que aproveita a grandes indústrias, que, por sua vez, ajudam a balança comercial brasileira a se manter positiva. Recurso Voluntário O recurso voluntário contém preliminar de cerceamento de defesa sob o argumento de que a autoridade julgadora de 1ª instância não teria analisado a documentação que o contribuinte forneceu para demonstrar o adimplemento do regime do RECOF durante todo o período autuado, ainda que por meio de exportação indireta realizada sem a participação de trading company. Sobre essa preliminar, entendo que não assiste razão ao contribuinte na medida em que a fundamentação da decisão recorrida demonstra ser irrelevante o fato de ter ou não havido exportação indireta sem a participação de trading company. Em outras palavras, ainda que ficasse comprovada a exportação indireta sem a participação de trading company, tal fato não mudaria o curso do julgamento. Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.753 11 Da mesma forma, entendo que não é o caso de converter este julgamento em diligência para apurar se o contribuinte realmente realizou exportações indiretas no prazo legal do RECOF. Isso porque, conforme já mencionei anteriormente, não há neste processo quem tenha argüido a ausência de exportação dos produtos do contribuinte. A questão a ser dirimida é outra, a saber: as exportações indiretas realizadas pelo contribuinte precisariam ter a participação de trading company para que pudessem ser admitidas no RECOF? As questões que pretendo julgar nesse recurso são concernentes a matérias de direito exclusivamente, razão pela qual entendo ser desnecessária a realização de diligência para confirmar a realização da exportação indireta no prazo previsto no RECOF. O primeiro aspecto merecedor de exame mais aprofundado diz respeito à possibilidade de a instância a quo lançar mão de fundamento diverso daquele utilizado pela autoridade preparadora, com o claro intuito de “salvar” o lançamento. Pois bem, no caso concreto, a instância a quo reconheceu que a legislação do RECOF admitiu a exportação indireta como forma de adimplemento das condições para a fruição do regime, sendo certo que o fundamento do auto de infração foi o descumprimento do regime em razão da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). Sobre o assunto, o art. 146 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Com base nesse dispositivo legal, verificase que a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa não poderia manter o crédito tributário em discussão com base em fundamento diverso daquele que foi utilizado no auto de infração. No mesmo sentido, transcrevo abaixo as ementas de alguns julgamentos bastante elucidativos deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. (Acórdão nº 9303001.501, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 31/05/2011) ......................................................................................................... ADOÇÃO NO JULGAMENTO DE CÓDIGO NCM DIVERSO DO QUE FOI ADOTADO PELO FISCO. DESCABIDA A EXIGÊNCIA DA MULTA DE 1% POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A praxe do Carf é a improcedência do lançamento quando for adotado no julgamento Fl. 5750DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.754 12 código NCM diverso daquele que serviu de base para a ação fiscal. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIFERENTES. FUNDAMENTO NÃO VEICULADO NO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO DO AUTO DE INFRAÇÃO. ART. 146 DO CTN. Além das premissas fáticas adotadas no recurso especial divergirem das premissas da r. decisão recorrida, o que impede a admissibilidade do recurso pela divergência, a matéria veiculada não foi fundamento do auto de infração, não podendo, desta feita, ser tratada em sede de julgamento recursal. Tratar desta matéria e, eventualmente, reformar a r. decisão recorrida com fundamento em matéria que não foi fundamento do auto de infração, em última análise, configuraria inovação e aperfeiçoamento do lançamento, bem como modificação do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN. (Acórdão nº 930301.069, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 24/08/2010) ......................................................................................................... AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA. PENA DE PERDIMENTO, ILEGITIMIDADE DE CRITÉRIO, ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE I a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE, MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. O reconhecimento da ilegitimidade do arbitramento do valor aduaneiro para fins de aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento não autoriza que, em julgamento de 1 instância, seja adotado um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fazse necessário, assim, para apuração de unia nova base de cálculo, a lavratura de novo auto de infração, o que não é da competência das instâncias julgadoras. Afigurase incabível, portanto, o lançamento lastreado em arbitramento ilegítimo. (Acórdão nº 320200.115, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 25/05/2010) Portanto, ao reconhecer a fragilidade dos motivos que levaram a autoridade preparadora a lavrar o auto de infração que ora se discute, a instância a quo deveria ter dado provimento à impugnação e cancelado o auto de infração, não sendo lícito decotar o auto de infração apenas para manter a parte que entendeu ser devida. Esse fundamento já seria suficiente para anular a decisão recorrida, porém, sintome compelido a analisar o segundo argumento do contribuinte, qual seja a impossibilidade de excluir do RECOF as exportações indiretas sem a participação de trading company. Fl. 5751DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.755 13 Sobre esse segundo aspecto do recurso voluntário, entendo que a questão é mais complexa. Com efeito, a decisão recorrida adota um entendimento restritivo quanto à amplitude das exportações indiretas que se beneficiam do RECOF. Seguem abaixo trechos do voto da relatora do acórdão proferido pela instância a quo em que essa posição fica clara (fls. 4.569/4.571): O Regulamento Aduaneiro trata da trading company nos arts. 228 a 232, em seção denominada "Das Empresas Comerciais Exportadoras", que, em conjunto com a situação de exportação com saída ficta (mercadoria exportada que permanece no país ) (arts. 233 e 234), integram o capítulo intitulado "Dos incentivos fiscais na exportação". Podese verificar que os arts. 228 a 232 do decreto prestaramse a regulamentar operações envolvendo essa natureza jurídica de empresa, na medida em que as matrizes legais foram todas do Decretolei n° 1.248/1972. (...) Portanto, notase que o referido dispositivo prevê, como forma de comprovação de adimplemento do RECOF (cumprimento dos compromissos de exportação assumidos) a venda de mercadorias a empresa comercial exportadora, desde que a mesma tenha sido instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. Existe na Instrução Normativa em comento uma alusão clara à aceitação de exportações indiretas, mas somente através de empresa comercial exportadora com características bastante precisas. A referência, na legislação tributária e aduaneira, a "empresa exportadora", ou "empresa comercial exportadora", sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei n° 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. Para os trechos transcritos, destaco dois aspectos, a saber: o primeiro diz respeito às matrizes legais utilizadas pelo Regulamento Aduaneiro de 2002; e o segundo diz respeito ao cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF, segundo a Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e a Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007. Quanto a esse primeiro aspecto, a instância a quo alega que o RECOF somente se aplicaria às exportações indiretas com a participação de trading companies, tendo em vista que o Regulamento Aduaneiro de 2002, na parte que trata de empresas comerciais exportadoras, referese ao DecretoLei nº 1.248 de 1972 como sua matriz legal. Por outro lado, o RECOF também está disciplinado no Regulamento Aduaneiro de 2002, sendo que os dispositivos que versam sobre o regime nada dispõem sobre as empresas comerciais exportadoras ou o referido decretolei. Com efeito, entendo que os conceitos empregados pela legislação não podem ser descontextualizados. Assim, para efeito de fruição de incentivos fiscais na exportação, empresa comercial exportadora é aquela constituída na forma do DecretoLei nº 1.248 de 1972. Entretanto, para os fins do RECOF, empresa comercial exportadora não precisa ser necessariamente uma trading company, muito embora o RECOF seja um incentivo fiscal Fl. 5752DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.756 14 voltado também para a exportação. Pelo menos é isso o que se depreende do art. 89 do DecretoLei nº 37 de 1966, que é a matriz legal dos dispositivos do Regulamento Aduaneiro de 2002 que versam sobre esse regime. Superado esse primeiro aspecto da discussão de mérito suscitada no recurso voluntário, é importante entender o contexto do art. 6º, § 4º, II, da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que é reproduzido pelo mesmo dispositivo da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007, in verbis: Art. 6º (omissis) § 4º Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: (...) II realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972. Esse dispositivo pode ser interpretado de duas maneiras diferentes. Em uma primeira abordagem, o seguinte raciocínio poderia ser estabelecido: se para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no âmbito do RECOF o estabelecimento industrial somente pode considerar as exportações indiretas com a participação de trading companies, é porque o RECOF não se aplica a outros tipos de exportação indireta. Essa é a interpretação dada pela instância a quo. Aliás, essa interpretação também já foi objeto de solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 6ª Região Fiscal. Confirase: Processo de Consulta nº 33/10 Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 6ª. Região Fiscal Assunto: REGIMES ADUANEIROS Ementa: RECOF. COMPROMISSO DE EXPORTAR. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. A empresa beneficiária do Recof que vender produtos que industrializou com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no regime para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, poderá computar os valores dessa venda para efeito de comprovação do cumprimento da obrigação de exportar, se o desembaraço da declaração de exportação dos produtos, cujo embarque tenha sido averbado ou que tenha transposto fronteira, ocorrer antes de esgotarse o prazo fixado para a permanência no Recof das mercadorias importadas utilizadas na industrialização do produto vendido. COMPROVANTE DE EXPORTAÇÃO. O documento que comprova a exportação de produto industrializado com a utilização de mercadorias estrangeiras admitidas no Recof, vendido para empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei Nº 1.248, de 1972, é o emitido pelo Siscomex. DISPOSITIVOS LEGAIS: Regulamento Aduaneiro (Decreto Nº 6.759, de 2009 RA/2009), artigos 420 a 426; Instrução Normativa RFB Nº 757, de 2007, artigos 6º e 29; Instrução Normativa SRF Nº 28, de 1994, artigos 50, 51 e 66. Fl. 5753DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.757 15 SANDRO LUIZ DE AGUILAR Chefe (Data da Decisão: 23.03.2010 26.03.2010) 828731 A outra interpretação possível se expressa pela seguinte lógica: uma coisa é o compromisso de exportação e a sua comprovação; outra totalmente diferente é o cumprimento das condições para a extinção do regime, nos termos do art. 31 da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004 e do art. 29 da Instrução Normativa RFB nº 757 de 2007. Desse modo, a exportação indireta sem participação de trading company, desde que realizada no prazo previsto no RECOF, seria suficiente para converter em isenção a suspensão dos tributos aduaneiros incidentes na importação dos insumos aplicados no processo de produção dos produtos exportados, ainda que tais operações não fossem computadas para fins de comprovação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime. Essa é a interpretação do contribuinte, que, todavia, carece de fundamentação mais detalhada. Neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o RECOF já foi analisado sob outros primas, não havendo, contudo, qualquer precedente que verse sobre os aspectos aqui enfrentados. Tomei conhecimento de um julgamento convertido em diligência no Processo nº 10830.720227/200901, que está sob a relatoria do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, integrante da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Entretanto, conforme se depreende da leitura da Resolução nº 3102000.184 (fl. 8.688), a referida diligência tem por objetivo atestar a efetiva exportação das mercadorias, independentemente do veículo de exportação, vale dizer, trading company ou empresa comercial exportadora comum. Para os fins da abordagem aqui empreendida, entretanto, penso que qualquer diligência é dispensável, conforme justificado anteriormente. As questões a serem analisadas para dirimir esse desdobramento do recurso voluntário são de direito. Nesse sentido, é preciso entender se a lei que instituiu o RECOF outorga o disciplinamento do regime a normas infralegais, bem como se tais normas infralegais foram editadas em conformidade com a referida lei. Outro aspecto importante a ser analisado diz respeito à já mencionada equiparação entre o RECOF e o Drawback. Analisando o RECOF como um Drawback de larga escala, penso que é relevante verificar se há no Drawback alguma restrição às exportações indiretas sem a participação de trading companies. É o que passo a fazer. Conforme já mencionado, a base legal do RECOF são os arts. 89 a 91 do DecretoLei nº 37 de 1966, que assim dispõem: Art.89 O regime de entreposto industrial permite, a empresa que importe mercadoria na conformidade dos regimes previstos no art.78, transformála, sob controle aduaneiro, em produtos destinados a exportação e, se for o caso, também ao mercado interno. Art.90 A aplicação do regime de entreposto industrial será autorizada pelo Ministro da Fazenda, observadas as seguintes condições básicas, conforme dispuser o regulamento: I prazo da concessão; II quantidade máxima de mercadoria importada a ser depositada no entreposto e prazo de sua utilização; Fl. 5754DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.758 16 III percentagem mínima da produção total a ser obrigatoriamente exportada. § 1º O regime de entreposto industrial será aplicado a título precário, podendo ser cancelado a qualquer tempo, no caso de descumprimento das normas legais e regulamentares. (...) § 4º Aplicamse a este capítulo, no que couber, as disposições dos Capítulos III e IV. Como se percebe, os dispositivos transcritos fazem várias referências a outras normas legais e regulamentares, demonstrando claramente a necessidade do disciplinamento do RECOF. Da mesma forma, as disposições dos Capítulos III e IV da referida lei também fazem referências reiteradas ao “regulamento”. À época dos fatos, conforme também já mencionado, vigorava o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543 de 2002, que disciplinava o RECOF em seus arts. 372 a 380. Tal regulamento outorgou à Secretaria da Receita Federal o poderdever de expedir atos normativos para a habilitação do beneficiário do regime, bem como outras normas complementares para tratar da aplicação do regime. Confirase: Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 1o). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei no 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. (...) Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei no 37, de 1966, art. 90, § 3o). Fl. 5755DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.759 17 Pareceme interessante ressaltar que tanto a lei quanto o regulamento nada dispõem sobre o tipo de exportação necessário para comprovar o atendimento ao compromisso de exportação. O disciplinamento surgiu apenas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 417 de 2004, que, em seu art. 6º, § 4º, I, restringiu as exportações indiretas àquelas realizadas por intermédio de trading companies. Não havendo, pois, qualquer base legal que sustente a restrição contida no dispositivo da referida instrução normativa, entendo que a Secretaria da Receita Federal extrapolou a competência que lhe foi outorgada diretamente pelo Regulamento Aduaneiro de 2002 e indiretamente pelo DecretoLei nº 37 de 1966. Apenas para fins de ratificação do entendimento acima, retomo a comparação entre o RECOF e o Drawback, salientando como a questão da comprovação do compromisso de exportação do Drawback era tratada pela Secretaria de Comércio Exterior no período compreendido pela autuação: De 02/01/2007 a 25/11/2007: Portaria SECEX nº 35 de 2006 Art.125. Além das exportações realizadas diretamente por empresa beneficiária do Regime de Drawback, poderão ser consideradas, também, para fins de comprovação: I vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248, de 1972; II vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior; III vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, no caso de Drawback Intermediário, realizada por empresa industrial para: a) empresa comercial exportadora, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972; b) empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior. IV vendas, nos casos de fornecimento no mercado interno, de que tratam os incisos VIII e IX do art. 52. De 26/11/2007 a 24/06/2008: Portaria SECEX nº 36 de 2007 Art. 119. Além das exportações realizadas diretamente por empresa beneficiária do Regime de Drawback, poderão ser consideradas, também, para fins de comprovação: I vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei nº 1.248, de 1972; II vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, a empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior; Fl. 5756DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.720246/200929 Resolução nº 3201000.352 S3C2T1 Fl. 5.760 18 III vendas, no mercado interno, com o fim específico de exportação, no caso de Drawback Intermediário, realizada por empresa industrial para: a) empresa comercial exportadora, nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972; b) empresa de fins comerciais habilitada a operar em comércio exterior. IV vendas, nos casos de fornecimento no mercado interno, de que tratam os incisos VIII e IX do art. 53. Ora, considerando que o RECOF foi criado para facilitar o cotidiano de estabelecimentos industriais que dependiam de inúmeros requerimentos de habilitação no regime de Drawback, não é razoável admitir a criação de uma restrição sem amparo legal, veiculada por meio de instrução normativa, quando a própria regulamentação do Drawback admite que o compromisso de exportação seja comprovado por meio de exportações indiretas realizadas sem a participação de trading companies. Diligência Apesar de estar convencido que o recurso de ofício não deve ser provido e que o recurso voluntário deve ser provido independentemente de qualquer diligência, curvome ao entendimento majoritário do colegiado no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja verificada a efetiva exportação relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, deverá ser dada vista aos Recorrentes para se manifestarem, se assim entenderem necessário, no prazo de 30 (trinta) dias. Realizados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro – ou quem lhe fizer as vezes – para fins de julgamento. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 5757DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.912047/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
ERRO NO PER/DCOMP.
O mero erro no PER/DCOMP do número do CNPJ de empresa não invalida, por si só o direito creditório. Comprovado materialmente o direito creditório mediante diligência e através das DIs juntadas no Recurso Voluntário ilegítima a glosa.
Numero da decisão: 3401-002.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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O mero erro no PER/DCOMP do número do CNPJ de empresa não invalida, por si só o direito creditório. Comprovado materialmente o direito creditório mediante diligência e através das DIs juntadas no Recurso Voluntário ilegítima a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 20 47 /2 00 9- 78 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI 2 Relatório [Clique aqui para iniciar o Relatório] Em 28/10/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 99.065,93 referente ao 3° trimestrecalendário de 2007, reconheceu a parcela de R$ 89.401,39, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada em PER/DCOMP. Motivos da redução do valor pleiteado: a) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos; b) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. A Recorrente inconformada com a decisão administrativa apresentou manifestação de inconformidade em que, em síntese, sustenta, que a glosa teve como motivação a inexistência de cadastro no CNPJ do estabelecimento emitente das notas fiscais, sendo que as notas fiscais glosadas têm por natureza de operação o CFOP_ 3.101, relativo a "compras para industrialização importação", ou seja, tratase de fornecedor não residente no Brasil e que, portanto, não possui cadastro no CNPJ; no preenchimento do PER/DCOMP o número informado do CNPJ foi "00.000.000/000000", rejeitado pelo programa, e, então, foi adotado o seguinte número: "99.999.997/000100"; na DIPJ, ficha 23, os fornecedores residentes no exterior são informados com o CNPJ "00.000.000/000000". Por fim, alega que tem direito ao crédito de IPI referente ao CFOP 3.101 e a compensação em DCOMP. A DRJ decidiu em síntese: “A S S U N T O : I M P O S T O S O B R E P R O D U T O S I N D U S T R I A L I Z A D O S IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 P E R / D C O M P . D E S P A C H O D E C I S Ó R I O E L E T R Ô N I C O . G L O S A DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS E M I T I D A S POR EMPRESAS NÃO C A D A S T R A D A S NO CNPJ. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes, a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas não cadastradas no CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Na decisão acima, além de apreciar a matéria referente ao CNPJ a DRJ decidiu necessário a apresentação de DIs para comprovação de que se trata de créditos vinculados a importação, nos seguintes termos: “Apesar das cópias de notas fiscais de entrada, a manifestante não trouxe aos autos cópias das DIs para comprovação cabal da alegação de que trata de créditos referentes ao IPI vinculado às importações, ou seja, pago no desembaraço aduaneiro dos insumos” . A Recorrente apresentou Recurso Voluntário onde alega, em síntese, que a sua pretensão está de absoluto acordo com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico, em especial o Regulamento do IPI e que seu direito creditório não pode ser excluído em razão da rejeição do sistema quando da inclusão do CNPJ 00.000.000/00000 e junta cópias das DIS Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI Processo nº 13888.912047/200978 Acórdão n.º 3401002.304 S3C4T1 Fl. 6 3 requeridas somente pela DRJ, de nº s 07/07147004, 07/11835580 e 07/12220008 para assegurar seu direito. A 3 Seção, 4 Camara, 1 turma converteu o julgamento em diligência conforme Resolução 3401000.634, nos seguintes termos: “Dos fatos narrados acima aceitamos as DIs juntadas no Recurso Voluntário e convertemos o presente julgamento em diligência para que sejam verificados os créditos de acordo com as DIs apresentadas, juntamente com as NFs.” A referida diligência voltou da DRF de origem com o seguinte despacho: Constam no processo as notas fiscais referentes às importações, bem como as Dis correspondentes, as quais conferem com os registros da RFB. Consulta aos Sistemas da RFB comprovam os pagamentos do IPI vinculados as importações em comento (código 1038). Desta forma, resta claro que o que ocorreu foi um erro do contribuinte ao prestar as informações na PerDcomp. Se a mesma tivesse sido apresentada de forma correta, o SCC não glosaria tais créditos, motivo pelo qual a presente análise está restrita a falha cometida. É o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Da narrativa dos fatos e do acórdão da DRJ percebese que dois foram os motivos alegados para manutenção da autuação em sede de acórdão na DRJ: 1) o erro no preenchimento de CNPJ na declaração e 2) ausência da Declaração de Importação para comprovação da alegação de que se trata de créditos referentes ao IPI vinculados às importações (observase que este item somente foi levantado na decisão da DRJ não constando do AUTO DE INFRAÇÃO). Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI 4 Primeiramente, no que concerne ao erro no preenchimento do CNPJ no PER/DCOMP, cumpre observar que não pode ser esse mero erro formal como idôneo a indeferir um pleito de ressarcimento devidamente justificado posteriormente à auditoria fiscal. Não há qualquer prejuízo à fiscalização se constar ao invés do CNPJ 00.000.000/000000 ou 99.999.997/000100. Com relação à ausência de Declaração de Importação para comprovação da materialidade do crédito do IPI apurado a Recorrente juntou no Recurso Voluntário as DIs para comprovação cabal de que se trata de créditos referentes ao IPI vinculados a importação. Neste contexto a própria DRF de origem comprovou que ocorreu um mero erro do contribuinte ao preencher a PER/DCOMP, não invalidando com isto seu direito creditório, conforme despacho em retorno de diligência: Desta forma, resta claro que o que ocorreu foi um erro do contribuinte ao prestar as informações na PerDcomp. Se a mesma tivesse sido apresentada de forma correta, o SCC não glosaria tais créditos, motivo pelo qual a presente análise está restrita a falha cometida. Deve ser aplicado o princípio da razoabilidade, de observância obrigatória, nos termos do art. 2º da Lei 9.784/99, nesse sentido é a doutrina: O princípio da razoabilidade é corolário do princípio do devido processo legal em sua vertente material, uma vez que o princípio da razoabilidade tem por finalidade a proteção de direitos fundamentais em face de condutas administrativas e legislativas arbitrárias, que fogem ao bom senso. O princípio da razoabilidade consiste na busca da congruência do comando da norma com os fins da justiça social que ela colima, mediante a persecução das condutas razoáveis e racionais. (Figueiredo, Leonardo Vizeu, Direito Administrativo. São Paulo: MP Ed., 2008 Coleção Didática Jurídica, p. 58) O contribuinte juntou aos autos, quando de sua impugnação, notas fiscais de entrada assim como as PER/DCOMP, e no Recurso Voluntário as DIs para comprovar a materialidade do crédito. Diante do exposto dou provimento ao recurso voluntário Angela Sartori Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por A NGELA SARTORI
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000596/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO.
As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2353; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 430 1 429 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.000596/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.432 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2013 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE FUNCIONÁRIO. CONTRATO DE ALUGUEL. IMPROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. As verbas pagas pela empresa a seus empregados advindas de contratos de locação de veículos não estão sujeitas a incidência de contribuição social previdenciária, desde que devidamente comprovado nos autos tal natureza jurídica. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a locação de veículos, onde há apresentação de contratos, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 96 /2 00 9- 16 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. Conforme consta no relatório fiscal ff.31/34, o auto de infração foi lavrado por falta de recolhimento de contribuições sociais destinadas à seguridade social, contribuição dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga aos empregados do estabelecimento matriz a título de salários, prolabore e contribuintes individuais (autônomos): “1) O presente Relatório Fiscal de Débito é parte integrante do Auto de Infração em referência e tem por objeto a narrativa dos fatos ocorridos e verificados na Ação Fiscal desenvolvida junto à Empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA S/A, em cumprimento ao MPF Mandado de Procedimento Fiscal N° 07.19000.2008.028031, expedido em 16/06/2008 e prorrogações posteriores, arrolando contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações efetuadas aos empregados do estabelecimento matriz a título de salários, prolabore e contribuintes individuais (autônomos) que lhes prestaram serviços no período, apurado com base nos seguintes elementos: 1.1) Valores pagos a diversas Pessoas Físicas, Contribuintes Individuais, não relacionadas nas Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's apresentadas, cujas importâncias pagas foram apuradas com base na escrita contábil da Empresa sob o titulo da Conta N° 311203012 OUTROS SERVIÇOS DIVERSOS, estando tais valores nominalmente identificados no Relatório de Lançamentos RL, partes integrantes do presente Auto de Infração. 1.2) Pagamento efetuado a diversos segurados, contribuinte individual, autônomos, apurados através da DIRF Declaração de Imposto de Renda Na Fonte, declarados sob o Código 588 – Pessoas Físicas Sem Vínculo Empregatício e cujos valores não constam das Folhas de Pagamento e, tampouco das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFJP's apresentadas, como também das demais contas mencionadas neste Relatório Fiscal Inicial. Tais valores estão nominalmente discriminados no Demonstrativo Do Débito Anexo III, parte integrante deste relatório de débito. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 431 3 1.3) Pagamento efetuado a diversos segurados: empregados, diretores e autônomos, cujos valores estão contabilizados nas: Conta N° 311303001 LOCAÇÃO DE MAQUINAS/EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS no valor de R$ 499.990,06 (Quatrocentos e noventa e nove mil novecentos e novena e seis reais e seis centavos) e Conta N° 311303002 CONSERVAÇÃO DE MAQ./EQUJP E VEÍCULOS com valor de R$ 309.560,82 (Trezentos e nove mil quinhentos e sessenta reais e oitenta e dois centavos), totalizando R$ 809.550,88 (Oitocentos e nove mil quinhentos e cinqüenta reais e oitenta e oito centavos). Os beneficiários dos respectivos valores estão, por competência, nominalmente relacionados no Demonstrativo do Débito Anexo Ao Presente Auto de Infração DEBCAD N° 37.205.9368, onde está informado, dentre outros elementos: Nome do Segurado, Categoria, Função, Data de Admissão, Data de Demissão e Valor Pago. Não obstante a negativa Empresa de que tais verbas tinham suas origens em valores pagos a empregados e diretores pelo aluguel de seus veículos, nada mais é do que a forma engendrada por ela com o fito de iludir a Previdência Social, tentando afastar tais valores, erradamente, do campo de incidência contributiva previdenciária, fato esse não aceito pelas razões a seguir alinhadas: 13.1) Os valores lançados dizem respeito a uma universalidade de categorias funcionais tais como: ANALISTA TEC ADM PL, ARQUITETO, ASSIST ADMINISTRATIVO, ASSISTENTE TÉCNICO, AUX LABORATÓRIO, AUX SERV TÉCNICO, CONSULTOR NV MED II, COORDENADOR, DIGITADOR, DIRETOR, DIRETOR ADJUNTO, ENC LABORATÓRIO, ENCARREGADO, ENGENHEIRO, ENGENHEIRO CIVIL, ENGENHEIRO CIVIL SR., ENGENHEIRO FISCAL, ENGENHEIRO JR, GERENTE CONTRATO II, INSPETOR CAMPO II, LABORATORISTA, LABORATORISTA I, LABORATORISTA II, MOLDADOR, MOTORISTA, MOTORISTA I, PROFISSIONAL PL I, PROFISSIONAL SR, PROFISSIONAL SR II, PROFISSIONAL SR III, TEC EDIFICAÇÕES, TÉCNICO, TÉCNICO FISCAL, TÉCNICO I, TÉCNICO PL, TÉCNICO SR, TÉCNICO SR II, TECNOLOGISTA, TECNOLOGISTA I, TOPOGRAFO e VICE PRESIDENTE. 1.3.2) O Anexo IV, inserido neste Relatório Fiscal Inicial como parte integrante do Auto de Infração, tem por finalidade demonstrar de forma clara e cristalina que a pseudo denominação dada pela Empresas às verbas em questão, nada mais é de uma forma produzida para tentar desvencilharse do campo de incidência contributiva previdenciária, haja vista seus valores, em muito superam o percentual de 100% (cem por cento) a remuneração registrada nas folhas de pagamentos e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFJP's.” 3. A empresa, após ter sido devidamente intimada (f. 70), apresentou a impugnação do lançamento tempestivamente às ff.74/88. 4. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa converteu o julgamento em diligência fiscal (ff. 183/186) a fim de que fossem esclarecidos os pontos seguintes: “6. Desta forma, levandose em consideração que o lançamento 12898.000593/200982 AI 37.205.9335 já foi julgado procedente em parte por esta Turma de Julgamento, tendo em vista apenas a decadência quanto às competências 01.2004 a 04.2004, deverão ser levadas em consideração as contribuições cobradas no lançamento 12898.000593/200982 AI 37.205.9335 para o cálculo das contribuições de um mesmo segurado na mesma competência no Fl. 447DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 presente lançamento, a fim de respeitar o limite máximo do salário de contribuição de cada segurado. 7. Portanto, o agente fiscal deverá considerar as contribuições previdenciárias de determinado segurado já cobradas no 12898.000593/200982 Al 37.205.9335 no presente lançamento 12898.000596/200916 AI 37.205.9368, para se observar o limite máximo do salário de contribuição, procedendo às retificações cabíveis. O mesmo procedimento deverá ser adotado no lançamento 12898.000599/200950 AI 37.205.9392, agora levandose em consideração as contribuições já cobradas de um mesmo segurado nos lançamentos 12898.000593/200982 AI 37.205.9335 e 12898.000596/200916 AI 37.205.9368, para se respeitar o limite máximo do salário de contribuição, procedendo às retificações cabíveis.” 5. No relatório fiscal que atendeu a diligência solicitada pela primeira instância, o auditor fiscal levou em consideração as questões suscitadas e reduziu o valor do lançamento, de R$ 130.317,84 (cento e trinta mil trezentos e dezessete reais e quatorze centavos) para R$ 42.020,00 (quarenta e dois mil e vinte reais). 6. O contribuinte foi devidamente cientificado (f.386) para apresentar nova impugnação, oportunidade que destacou a dúvida que foi sanada e reiterou a improcedência do lançamento relativo à natureza indenizatória das despesas com quilometragem e aluguel de veículos dos empregados. 7. Após a apresentação da impugnação, em nova apreciação pelo Colegiado de primeira instância, a decadência foi reconhecida nas competências de 01/2004 até 04/2004, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 14 de maio de 2009, com a respectiva ciência do contribuinte em 29 de maio daquele ano. 8. Ademais, entendeu serem incontroversos os fatos geradores relacionados ao pagamento da remuneração a pessoas físicas, como segurados contribuintes individuais e os referentes ao pagamento da remuneração a trabalhadores autônomos, ff. 414 e 415, por falta de questionamento da contribuinte em sua impugnação. 9. Assim, o Colegiado a quo julgou parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte, acrescido de juros e multa, cuja decisão restou ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos, inclusive os referentes as contribuições destinadas às entidades e fundos paraestatais, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. GANHOS HABITUAIS EM UTILIDADES. O salário de contribuição é a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais soba forma de utilidades. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 432 5 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. VEÍCULOS. Os valores pagos ao empregado a título de ressarcimento pelas despesas decorrentes do uso de seu veículo particular em trabalho, quando não devidamente comprovados, serão considerados como salário de contribuição para fins de incidência das contribuições devidas à Seguridade Social. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO. LIMITE DO SALÁRIODECONTR1BUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. Excluemse do lançamento os valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que excedem o limite do salàrio decontribuição. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 10. Irresignada, a empresa interpôs o recurso voluntário tempestivo às ffs. 415/420, nos termos semelhantes aos de sua impugnação cuja síntese descrevo a seguir: a) preliminarmente, solicitou que fossem julgados no mesmo processo as ações administrativas que exigiram, no mesmo ano calendário de 2004, contribuição social previdenciária sobre aluguéis de veículos, correspondentes à parcela da pessoa jurídica DEBCAD 37.205.9350, parcela devida por empregados/autônomos DEBCAD 37.205.9368; e a destinada a terceiros DEBCAD 37.205.9376; b) a decisão não levou em consideração o conceito cível de locação e fez confusão entre conceitos de locação de bens fungíveis e trabalho assalariado. Não há impedimento legal quanto à locação de veículos dos próprios funcionários da empresa, uma vez se tratar de contrato e não de contraprestação de cunho empregatício; e c) arguiu silêncio a respeito do posicionamento do Judiciário sobre os valores pagos a título de aluguel de veículos dos empregados não terem natureza salarial; e 11. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Em sede de preliminar a recorrente suscita a conexão de todos os processos resultantes da fiscalização, uma vez que esses possuem o mesmo fato gerador e mesma base de cálculo. 3. No entanto, em que pese o bom arrazoado trazido pela recorrente, não merece guarida a sua alegação. Isso por que o Decreto 70.235, que rege o Processo Administrativo Fiscal (PAF) em seu artigo 9º, é categórico ao determinar que “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 4. Ademais, o recente Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisado separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 5. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 6. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. 7. E, conforme venho me posicionando, os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros lavrados contra o mesmo sujeito passivo. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 433 7 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, de 1998, o qual dispõe que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E, como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes Conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo a análise será delimitada pelo julgador, caso a caso. 11. Ademais, compulsando os autos, não se verifica qualquer vício quanto a lavratura do auto de infração que tenha cerceado a defesa do contribuinte de alguma maneira, tendo em vista que todos os preceitos exigidos pela legislação para a validade do ato administrativo foram atendidos. 12. Portanto, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte tendo em vista que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. 13. Afasto, portanto, esta preliminar. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 14. Conforme consta no relatório fiscal da autuação fiscal o contribuinte foi notificado a recolher ao erário previdenciário débito referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as bases de cálculo das remunerações pagas a diversos empregados segurados e diretores. Segundo a empresa tais pagamentos foram realizados a título de aluguel dos veículos dos empregados à empresa. 15. Em síntese, a empresa, que tem como objeto social a prestação de serviços de consultoria na área de arquitetura, meio ambiente, engenharia civil, elétrica e mecânica, elaboração de planos diretores, estudos de viabilidade entre outros serviços, alega que não possuía veículos próprios para executar suas atividades celebrando, portanto, contratos de locação de veículo com os seus empregados. 16. Ocorre que ao proceder à fiscalização, o auditor fiscal entendeu que tais valores desembolsados pela recorrente não passavam de uma “forma engendrada por ela com o fito de iludir a Previdência Social, tentando afastar tais valores, erradamente, do campo de incidência contributiva previdenciária” (f. 37) e assim, lavrou auto de infração referente às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, já que considerou que os valores pagos a título de aluguel estariam inclusos no saláriodecontribuição. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 17. A recorrente argumenta que não deve incidir contribuições previdenciárias sobre as quantias pagas a título de aluguel de veículos porque “uma coisa é o funcionário que recebe salário pelos serviços prestados, decorrentes de seu próprio labor. de outro lado, absolutamente distinta da remuneração do trabalho, a locação de veículo à pessoa jurídica que não dispõe de transporte suficiente ao pleno desenvolvimento de suas atividades” (f. 221) 18. Como é cediço, a contribuição social previdenciária do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada está baseada na folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. A base jurídica originária para a incidência do tributo está na Constituição Federal: Constituição Federal Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; 19. Dessa forma, a remuneração percebida em razão do trabalho prestado pelo trabalhador será a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É imperioso que haja um perfeito enquadramento dos valores que se pretende lançar, em “salário” para, em seguida, concluir sobre a incidência, ou não, do tributo. 20. A respeito do modo como deve ser interpretado os dispositivos constitucionais o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 166.772/RS firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas de forma restritiva e em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Pois devese evitar admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista. 21. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 434 9 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 22. Como ressalta a Corte, o termo “salário” não é próprio do direito tributário. O salário nasce de uma relação privada, ou seja, de um contrato de trabalho, sendo regulado pela esfera trabalhista. Em vista disso, as exigências que tenham por base de cálculo o valor do salário pago ao empregado deverão fundarse nas prescrições de direito do trabalho, que delimitam sua abrangência. 23. Com isso entendo que o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição e na legislação trabalhista é unívoco e deve expressar a mesma ideia, de maneira que não se deve admitir em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição previdenciária, que possa o lançamento de tributo incidir sobre os valores que a justiça trabalhista não considere como salário. 24. Insta mencionar que segundo a legislação trabalhista, salário é a contraprestação devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado em função da relação empregatícia. Assim, somente deve ser caracterizado como salário aquele que estiver remunerando uma prestação de serviço. 25. In casu não é identificável a prestação de serviços, o que se percebe é a existência de um contrato de locação regido por normas do direito privado, no qual empregado e empregador se obrigam a manter um contrato de locação de determinado veículo por um período limitado. Tal situação por sua vez é regida pelo art. 565 do Código Civil e não há qualquer relação trabalhista, ou contraprestação de trabalho. Tanto é que, caso o empregado queira pedir demissão da empresa, os efeitos desse instrumento contratual continuam válidos e eficazes. 26. Dessa forma, tratandose de contrato bilateral regido por normas do direito privado e não trabalhistas e por não haver retribuição pelo trabalho, tampouco estarem presentes os elementos essenciais da relação de emprego, assiste razão à recorrente, pois nesse caso não vislumbro a hipótese de incidência da contribuição social previdenciária, qual seja a percepção de salário pelo empregado. 27. Ocorre que, um dos princípios inerentes ao Processo Administrativo Fiscal (PAF) vincula o julgador a buscar a verdade substancial dos fatos que reclamam o seu julgamento, tratase do princípio da verdade material. Quanto a esse preceito, Celso Antonio Bandeira de Mello já alertou: “nada importa que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é, ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento Fl. 453DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte, ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” 28. Assim, para que o julgador se sinta confortável ao proferir sua decisão a respeito de dado assunto, tornase necessário que haja nos autos provas contundentes que o levem a crer que determinado fato realmente ocorreu no universo jurídico. 29. Digo isso por que, como é cediço, o ônus de provar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do fisco cabe ao contribuinte, conforme interpretação do art. 333, inc. II do CPC e a empresa tem a oportunidade de apresentar tais provas no momento da impugnação, conforme determina o art. 16 do Decreto n. 70.235/72. 30. Assim, caberia a recorrente, no mínimo, apresentar os contratos referentes aos pagamentos que o fisco considerou salário indireto, comprovando que os pagamentos somente foram efetuados porque existia um contrato firmado entre as partes. 31. Todavia, compulsando os autos não é isso que se constata, tendo em vista que os documentos trazidos pela recorrente não são hábeis para retirar a exigibilidade do crédito tributário, isso porque, não obstante o fisco ter lançado o débito baseado em centenas de pagamentos, a recorrente juntou aos autos apenas cinco contratos de locação com os seus empregados, conforme ff. 153/181. 32. A justiça do trabalho assim já se manifestou a respeito de caso semelhante, em que não conheceu o recurso de revista por falta de apresentação de documentos pertinentes à locação de veículos: RECURSOS DE REVISTA INTERPOSTOS PELA RECLAMADA TELEMONT E TELEMAR. ANÁLISE CONJUNTA. NULIDADE.NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL (MATÉRIA EXCLUSIVA DO RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA TELEMONT) (...) PAGAMENTO DEVIDO PELO ALUGUEL DO VEÍCULO DO EMPREGADO. NATUREZA SALARIAL (MATÉRIA EXCLUSIVA DO RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA TELEMONT). A Corte Regional manteve o reconhecimento da natureza salarial da parcela paga a título de aluguel do veículo do empregado. Entendeu que a parcela teve caráter de contraprestação, porque seu valor variava segundo a produtividade do empregado. Também consignou que a Reclamada Telemont não exibiu em juízo os documentos que diziam respeito ao aluguel do veículo do Reclamante. (...) (573004020075030106 5730040.2007.5.03.0106, Relator: Fernando Eizo Ono, Data de Julgamento: 25/05/2011, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 03/06/2011) 33. Sendo assim, apesar de reconhecer que os valores pagos mediante contrato de locação de veículos não se tratam de salário, ainda que esse instrumento particular seja celebrado com os seus próprios empregados e, por consequência, não serem considerados como saláriodecontribuição, não acolho os fundamentos trazidos pela recorrente em sua Fl. 454DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12898.000596/200916 Acórdão n.º 2301003.432 S2C3T1 Fl. 435 11 totalidade, por considerar que a produção de provas quanto aos efetivos contratos, foi deficiente. 34. Assim excluo a incidência de contribuição previdenciária apenas daqueles empregados segurados os quais os contratos de locação foram devidamente apresentados, comprovandose assim que se tratava de locação de veículos e não de pagamento de verbas salariais. DA MULTA APLICADA 35. Sobre a questão da multa, trazida pelo contribuinte em seu recurso, cabe ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 36. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: a) “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 37. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: b) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. c) (...) d) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 38. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 39. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 40. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo somente aqueles segurados empregados que tiveram o contrato de locação de veículo apresentado nos autos referente ao período lançado e reduzir a multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 456DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13629.720026/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO.
O auto de infração constitui um documento que declara a existência de uma dívida e, como é criado por uma autoridade fiscal competente para tal função gera uma situação jurídica a que se subordina o contribuinte. Enquanto não definitivamente julgado e desconstituído o auto de infração que alterou o saldo negativo da CSLL para CSLL a pagar, não pode o contribuinte, posteriormente, utilizar para compensação de débitos o mesmo saldo negativo objeto da autuação.
Havendo o contribuinte apresentado o PERDCOMP, em que se utiliza do mesmo crédito já desconstituído pelo auto de infração que tem presunção de legitimidade, é de não se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte por lhe faltar liquidez e certeza desse crédito, a teor do artigo 170 do CTN.
Numero da decisão: 1802-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração constitui um documento que declara a existência de uma dívida e, como é criado por uma autoridade fiscal competente para tal função gera uma situação jurídica a que se subordina o contribuinte. Enquanto não definitivamente julgado e desconstituído o auto de infração que alterou o saldo negativo da CSLL para CSLL a pagar, não pode o contribuinte, posteriormente, utilizar para compensação de débitos o mesmo saldo negativo objeto da autuação. Havendo o contribuinte apresentado o PERDCOMP, em que se utiliza do mesmo crédito já desconstituído pelo auto de infração que tem presunção de legitimidade, é de não se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte por lhe faltar liquidez e certeza desse crédito, a teor do artigo 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 00 26 /2 01 0- 12 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Por considerar pertinente e economia processual adoto o relatório da decisão recorrida, fls.188/189, que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório NURAC/DRF/CFN nº 65/2010, de 24 de fevereiro de 2010, o PER/Dcomp nº 05765.51005.250906.1.3.032135 não foi homologado, conforme conclusão sedimentada na ementa a seguir transcrita: DESPACHO DECISÓRIO NURAC/DRF/CFN n.: 65/2010, de 24 de fevereiro de 2010 Assunto: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO CSLL Ementa: DCOMP. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Com base no procedimento fiscal instaurado pelo MPF Nº 0611100/2001/00038/8, que resultou em auto de infração lavrado em 29/06/2005, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 04/07/2005, não subsiste o saldo negativo de IRPJ apurado em relação ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2004, que deu ensejo ao crédito utilizado nas compensações de que trata esta decisão, razão por que restaram não homologadas. O presente processo foi formalizado a partir de Declarações de Compensação em papel entregues no período de 07/04/2005 até 14/09/2005, as quais estavam anexadas ao processo n° 13016.000094/200511. Como visto, a decisão teve por fundamento o resultado da fiscalização levada a efeito por meio do MPF n. 0611100/2001/00038/8, a qual concluiu que a contribuinte não possui crédito de saldo negativo de CSLL, como pretendeu demonstrar em sua DIPJ e na DCOMP transmitida, pois, no anocalendário 2004, foi apurado CSLL a pagar no valor de R$ 33.308,10. Inconformada, a contribuinte manifestouse, em síntese, dizendo: ser tempestiva a defesa apresentada; ser nulo o Despacho Decisório, porquanto entende ter havido cerceamento de defesa, tendo em vista que o crédito pleiteado foi negado com base em decisão proferida em outro processo que sequer foi definitivamente julgado – processo nº 13629.000683/200582 – ainda pendente de análise de Recurso Ordinário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que ofende princípios basilares do direito, como os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; em seguida, apresenta razões de defesa relativas ao auto de infração objeto do processo nº 13629.000683/200582, lançamento de IRPJ/CSLL. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13629.720026/201012 Acórdão n.º 1802001.866 S1TE02 Fl. 3 3 por fim, pede o sobrestamento do presente processo. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Juiz de Fora/MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0939.345, de 08 de março de 2012 (fls.187/192), cientificado ao interessado em 06/07/2012(Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 SOBRESTAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. A autoridade administrativa não tem poderes para sobrestar o julgamento de litígio regularmente instaurado. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Está afastada a hipótese de nulidade quando o Despacho Decisório é exarado por autoridade competente e atende a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir de então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/08/2012 no qual, em síntese, alega a necessidade de aguardar julgamento do Processo nº 13629.000683/200882 em razão de identidade entre matérias discutidas com os presentes autos por se tratar de procedimento reflexo. No mais, a Recorrente passa a proceder sua defesa sobre as autuações constantes do mencionado processo n° 13629.000683/200582, para demonstrar que possui o crédito de saldo negativo de CSLL e que essa discussão é prejudicial ao desfecho do presente processo. Finalmente, requer seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário para que seja decretada a nulidade do despacho decisório, posto que a sua motivação se dá por autuação diversa, ainda não julgada ou, ad argumentandum, seja a decisão de primeira instância anulada, posto que deveria aguardar o julgamento do processo administrativo conexo. E, por dever de cautela, se não acatada a nulidade, que sejam os autos distribuídos por dependência ou conexão e, ao final, seja reconhecido o crédito da Recorrente e, via de conseqüência, seja homologada a compensação transmitida por meio da PER/Dcomp n°. 05765.51005.250906.1.3.032135. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 05765.51005.250906.1.3.032135 (fls.02/09), transmitido em 25/09/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 50.496,26, código 2484, estimativa mensal relativa ao mês de agosto de 2006, com a utilização de crédito no valor de R$ 39.287,53, decorrente de saldo negativo de CSLL, apurado em 31/12/2004. Conforme relatado, por intermédio do DESPACHO DECISÓRIO NURAC/DRF/CFN nº 65/2010, de 24 de fevereiro de 2010, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, fls.02/09. Consta do mencionado despacho decisório o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.52/53) e os fundamentos para a não homologação do PER/DCOMP: ... 3) Da análise do direito creditório reclamado A compensação ora examinada foi feita com a utilização de saldo negativo que o contribuinte declara ter apurado no exercício 2005, relativamente ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2004, no valor original de R$ 39.287,53, utilizado integralmente na compensação declarada por meio da DCOMP n. 05765.51005.250906.1.3.032135. Com base em procedimento instaurado por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n. 0611100/2001/00038/8, foi lavrado em 29/06/2005 auto de infração do qual o sujeito passivo tomou ciência em 04/07/2005, o qual alterou o resultado da CSLL do exercício 2005 (anocalendário 2004), que passou de saldo negativo de R$ 39.287,53, conforme informado na DIPJ n. 1132389, transmitida em 30/06/2005, para imposto a pagar de R$ 33.308,10, como se demonstra a seguir: ... 0 auto de infração acima mencionado, cujas cópias e anexos pertinentes são juntados a fls.16 a 48, corresponde ao processo administrativo número 13629.000683/200582, o qual atualmente está no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aguardando julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, conforme extrato do processo a fls. 49 e 50. Por conseguinte, verificase, como demonstrado na tabela anterior, que, em relação ao anocalendário 2004, considerados Fl. 277DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13629.720026/201012 Acórdão n.º 1802001.866 S1TE02 Fl. 4 5 os resultados da fiscalização iniciada por meio do MPF n. 0611100/2001/00038/8, o contribuinte não possui crédito de saldo negativo de CSLL, como pretendeu demonstrar na DIPJ e na DCOMP em análise, pois, naquele ano, foi apurado imposto de renda a pagar de R$ 33.308,16. Comprovada a inexistência de saldo negativo no anocalendário 2004, resta, por conseguinte, insubsistente o crédito utilizado na compensação declarada por meio da DCOMP n. 05765.51005.250906.1.3.032135. Foram juntados aos autos do processo que trata da compensação ora examinada cópias do auto de infração mencionado acima, bem como do relatório fiscal que dá suporte aos valores por meio dele cobrados. ... Sobre a origem do crédito, a Recorrente alega que apurou, durante o ano calendário de 2004, base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 39.287,53, conforme se verifica na ficha 17 da DIPJ. Deste modo, verificando a existência de crédito disponível e amparada legalmente para tanto, a Requerente pretendeu efetuar a compensação de tal valor através da PER/DCOMP n° 05765.51005.250906.1.3.032135. Assim, discorda do fundamento para o indeferimento do pleito de que não existe crédito a ser compensável porque em outro processo a Fiscalização já teria negado tal direito de maneira indireta, exigindo tributo devido naqueles autos (Procedimento Fiscal n°. 0611100/00038/01, que deu origem ao processo administrativo n° 13629.000683/200582). A Recorrente argúi, nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa, porque a discussão no processo n° 13629.000683/200582 não está definitivamente encerrada. A alegação da Recorrente de cerceamento ao direito de defesa, é improcedente, na medida em que apresentado o PER/DCOMP pelo interessado, a autoridade competente após a análise devida e com fundamentação expediu o despacho decisório. Sendo facultado ao sujeito passivo, a apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Apresentada a manifestação de inconformidade, em sede de primeira instância, foi julgada improcedente pelos fundamentos consubstanciados no acórdão recorrido. Como se vê, não há falar em cerceamento ao direito de defesa em relação a análise do PER/DCOMP e o procedimento da autoridade administrativa que ao proferir o despacho decisório o fez com observância aos procedimentos que norteiam o processo administrativo determinado pelo Decreto nº 70.235/72, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Sobre o crédito informado no PER/DCOMP, a Recorrente alega, em seu prol, que, verificando a existência de crédito disponível decorrente de saldo negativo de CSLL no Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 montante de R$ 39.287,53, conforme se verifica na ficha 17 da DIPJ, pretendeu efetuar a compensação de tal valor através da PER/DCOMP n° 05765.51005.250906.1.3.032135. Apesar da argumentação da Recorrente, não se vislumbra a existência de crédito disponível decorrente de saldo negativo de CSLL no montante de R$ 39.287,53, informado no PER/DCOMP, haja vista que, a autoridade administrativa no seu poderdever de fiscalizar constituiu o crédito tributário pelo lançamento (art.142, CTN) em 29/06/2005 (antes da apresentação do PER/DCOMP), mediante o auto de infração cientificado ao sujeito passivo em 04/07/2005, o qual alterou o resultado da CSLL do exercício 2005 (anocalendário 2004), que passou de saldo negativo de R$ 39.287,53 para CSLL a pagar na ordem de R$ 33.308,10. Como se vê, o mencionado PER/DCOMP (fls.02/09), foi transmitido em 25/09/2006, portanto, após a lavratura do auto de infração cientificado à pessoa jurídica em 04/07/2005. Registrese que, de acordo com o artigo 141 do Código Tributário Nacional (CTN), o crédito tributário regularmente constituído, isto é, formalizado por lançamento (ato administrativo vinculado que lhe dá certeza e liquidez) somente se modifica, extingue ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída nos casos previstos no CTN. A compensação caracteriza um meio de extinção de obrigações e se perfaz mediante o confronto do encontro de contas, entre partes que ao possuírem créditos recíprocos são, simultaneamente, credor e devedor uma da outra. Assim, a compensação pode extinguir total ou parcialmente o crédito tributário da Fazenda Pública em relação ao sujeito passivo, dependendo dos valores a serem compensados e da liquidez e certeza do crédito verificada pelo Fisco. Porém, não faz sentido, após a lavratura do auto de infração que constitui o crédito tributário a favor do fisco e, por conseqüência desconstitui o alegado saldo negativo de CSLL, a pessoa jurídica afastar o ato administrativo do lançamento tributário mediante a apresentação de PER/COMP que utiliza o mesmo crédito, objeto do lançamento, para compensar débitos próprios do contribuinte. Apresentar o PER/DCOMP, após a lavratura do auto de infração em que se alterou o resultado da CSLL do anocalendário 2004, que passou de saldo negativo de R$ 39.287,53 para CSLL a pagar na ordem de R$ 33.308,10, é fazer tábula rasa ao ato jurídico do lançamento tributário (art.142, CTN) e de modo consectário proceder a compensação sem a apuração de créditos líquidos e certos, portanto, sem a observância do disposto no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Com efeito, o PER/DCOMP em comento padece das seguintes incongruências: a) pretende dar um caráter de provisoriedade ao lançamento tributário (exigência da CSLL crédito constituído mediante o auto de infração, e, por conseqüência manter o saldo negativo apurado em 31/12/2004); b) pretende compensar o crédito do saldo negativo de 31/12/2004 (sem liquidez e certeza) com o débito de CSLL apurado em agosto/2006; c) pretende, ensejar conexão entre o presente processo que trata do PER/DCOMP e o que trata do auto de infração; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13629.720026/201012 Acórdão n.º 1802001.866 S1TE02 Fl. 5 7 d) pretende, de forma oblíqua, antecipar o julgamento do processo administrativo n° 13629.000683/200582, sem trânsito em julgado em favor do autuado. O lançamento tributário, ainda que sujeito a alteração em virtude de impugnação e recurso do contribuinte ou inciativa de ofício da autoridade administrativa (artigo 145 do CTN), não tem caráter de provisoriedade e considerase realizado com a intimação do contribuinte acerca do ato de lançamento (auto de infração). Assim, correto o fundamento para o indeferimento do pleito de que não existe crédito a ser compensado no PER/DCOMP porque em outro processo a Fiscalização já teria negado tal direito, exigindo a CSLL devida naqueles autos (Procedimento Fiscal n°. 0611100/00038/01, que deu origem ao processo administrativo n° 13629.000683/200582). A recorrente alega a necessidade de aguardar julgamento do Processo nº 13629.000683/200882 em razão de identidade entre matérias discutidas nos presentes autos por se tratar de procedimento reflexo. Em que pese a argumentação da Recorrente de suposta conexão da matéria tratada no presente processo (compensação de débito com o crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004) e a constante do processo nº 13629.000683/200582 (reversão do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004 para CSLL a pagar), entendo que se trata apenas de aparente conexão, pois, o auto de infração é anterior ao PER/DCOMP apresentado pela interessada, e nesse passo, com a lavratura do auto de infração em que a autoridade administrativa demonstra a inexistência do saldo negativo da CSLL de 2004 e exige a CSLL a pagar em relação ao mesmo período de apuração, resta impedido o contribuinte de proceder a compensação do mencionado crédito por lhe faltar liquidez nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Conforme o § 2º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, não se pode cogitar de compensação com caráter suspensivo, tampouco, há permissivo legal para que o contribuinte proceda a compensação ao seu talante, declarando crédito que supõe deter contra a Fazenda Pública, quando esta já tenha se pronunciado pela inexistência do crédito e procedido o lançamento tributário em consonância com o artigo 142 do Código Tributário Nacional. É o que se depreende também dos incisos V e VI do § 3º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que, ao fixar a forma como os créditos do contribuinte poderão ou não ser compensados, determina que não poderão ser objeto de compensação mediante entrega da declaração, o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Para melhor compreensão do que se afirmou acima, transcrevo o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que autoriza a compensação e estabelece os limites e condições a serem observados, vejamos: ... Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13629.720026/201012 Acórdão n.º 1802001.866 S1TE02 Fl. 6 9 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) ... O auto de infração constitui um documento que declara a existência de uma dívida e, como é criado por uma autoridade fiscal competente para tal função gera uma situação jurídica a que se subordina o contribuinte. Enquanto não definitivamente julgado e desconstituído o auto de infração que alterou o saldo negativo da CSLL para CSLL a pagar, não pode o contribuinte, posteriormente, utilizar para compensação de débitos o mesmo saldo negativo objeto da autuação. Com efeito, mediante o auto de infração a autoridade fiscal declara que não homologa o saldo credor da CSLL do ano calendário de 2004, portanto, não pode pretenso crédito ser objeto de pedido de restituição ou de compensação com outros débitos do contribuinte, antes de decisão administrativa definitiva que altere o lançamento tributário realizado. Havendo o contribuinte apresentado o PER/DCOMP, em que se utiliza do mesmo crédito já desconstituído pelo auto de infração que tem presunção de legitimidade, é de Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 não se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte por lhe faltar liquidez e certeza desse crédito, a teor do artigo 170 do CTN. No tocante aos argumentos trazidos sobre a autuação constante do processo n° 13629.000683/200582, como afirmado acima, essa discussão é matéria a ser tratada no mencionado processo em procedimento revisional do lançamento tributário, a teor do artigo 145 do CTN. Assim, a análise destes argumentos fica prejudicada. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11020.902307/2011-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório Tratase de pedido de compensação de COFINS recolhido indevidamente ou a maior em 15.07.2003, no valor de R$ 595,75, referente ao período de apuração de 30.06.2003, com débito da mesma contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 23 07 /2 01 1- 96 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 À fl. 07 está anexo o despacho decisório por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. A Recorrente foi devidamente intimada e do despacho decisório e apresentou tempestivamente às 10/20 a Manifestação de Inconformidade, por intermédio da qual a contribuinte requereu a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que o inciso III, § 2º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 autoriza a dedução da base de cálculo da COFINS dos valores transferidos para terceiros. Assim, às fls. 35/38 foi exarado o Acórdão n.º 1037.244 pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COFINS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. INADMISSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991/00. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima prolatada indeferiu o pedido, sob o argumento de que o Recorrente não trouxe aos autos provas de que tenha ocorrido o recolhimento a maior da contribuição, nem fez referência aos valores do indébito apurado em cada período de apuração. Os julgadores de primeiro grau, ainda fundamentaram o indeferimento do pleito no fato de que o III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não havia sido regulamentado pelo Poder Executivo e por isto esta norma estava com sua eficácia suspensa. Ademais, foi destacado que as decisões colacionadas pelo contribuinte não possuem efeito “erga omnes” e o inciso IV do art. 47 da MP nº 1.99118/2000, revogou, antes mesmo que fosse regulamentado, o dispositivo sobre o qual se fundamenta o pedido do contribuinte. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte inova seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para discordar da IN n.º 517/2005 que define procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Segundo o contribuinte o art. 74 da Lei n.º 9.430/96, determina que a compensação de crédito será realizada com a simples entrega do pedido de compensação, aplicandose homologação tácita após o transcurso de 5 (cinco) anos, nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Embora, em sua Manifestação de Inconformidade, tenha discorrido a respeito do seu pretenso direito creditório com fundamento no III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, agora Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.902307/201196 Acórdão n.º 3803004.230 S3TE03 Fl. 59 3 o contribuinte no Recurso Voluntário volta a inovar quando argumenta possuir direito ao crédito em razão da inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88, pois, segundo seu entendimento, recolheu indevidamente o tributo no período de janeiro/89 até outubro/95. Teceu ainda comentários a respeito do art. 166 do CTN para alegar que em se tratando de PIS e COFINS não há a possibilidade de transferência do encargo do ônus tributário para terceiros, já que nas leis de regência não consta nada neste sentido. Por fim, requer que seja dado provimento ao apelo e que seja reconhecido o direito de compensar a importância recolhida indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Em seu recurso o contribuinte afirma que a IN n.º 517/2005 definiu procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, bem como que tal restrição não está prevista no art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Todavia, muito embora em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte não tenha abordado a questão relativa à prévia habilitação de crédito e esta discussão não tenha sido remitida para apreciação para este colegiado, vale comentar que o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 1.309.265, julgado em 24/04/2012), manifestou entendimento de que nos termos dos arts. 170, do CTN, e 74, § 14, da Lei n. 9.430/96, os créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, desde 01/03/2005, somente podem ser compensados depois de prévia habilitação do crédito pela RFB, já que esta não passa de mera verificação quanto à existência do crédito. Deste modo, em razão da argumentação atinente à prévia habilitação ter sido trazida somente no Recurso Voluntário, não há que se falar em constituição de lide neste particular, em razão da preclusão consumativa. Já em relação à discussão relativa à exclusão da base de cálculo dos valores transferidos para terceiros, consoante redação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, cumpre esclarecer que o contribuinte também não controverteu este tema em seu Recurso Voluntário, mas sim somente na Manifestação de Inconformidade, razão pela qual ocorreu a preclusão neste ponto. Na realidade analisando o Recurso, notase que o contribuinte alterou a sua linha de defesa e preferiu fundamentar o seu direito creditório no recolhimento indevido do PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.446/88. A preclusão consumativa encontra fundamento no art. 303 do CPC: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Art.303.Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo. Além do que, o Decreto n.º 70.235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão consumativa. Em relação à preclusão consumativa, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão consumativa. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.902307/201196 Acórdão n.º 3803004.230 S3TE03 Fl. 60 5 SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do Recurso Voluntário há necessidade de que exista correlação entre a decisão da DRJ e os termos do recurso apresentado pelo contribuinte, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado na Manifestação de Inconformidade. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alega aspectos que não constam da decisão atacada, por certo que se opera a preclusão consumativa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, vez que procedimento contrário implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade. Além do que, a falta de adequação entre o recurso e a decisão atacada configura necessariamente ausência de um dos pressupostos objetivos do recurso, sem o qual o recurso não pode ser conhecido. Ante o exposto, considerando que a matéria controvertida pelo contribuinte limitouse a discussão referente à aplicabilidade do III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, mas em seu Recurso Voluntário não trouxe argumentos em relação a esta matéria, então o recurso não pode ser conhecido em face da ocorrência de inovação dos argumentos de defesa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10675.902591/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1801-001.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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IRPJ OU CSLL DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação ou para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. No caso de o sujeito passivo produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, cabe reconhecer o direito creditório a partir da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Cláudio Otavio Melchiades Xavier. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 25 91 /2 00 9- 19 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 108 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 30176.21042.250406.1.3.048500 em 25.04.2006, fls. 0206, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de R$769,20 do valor total R$3.228,07 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, referente ao fato gerador ocorrido em agosto de 2005, código nº 2484, efetuado em 28.09.2005. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 02.04.2009, fl. 08, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.05.2009, fls. 0917, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que a apresentação da peça de defesa tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos confessados (inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional). Defende que o somatório dos recolhimentos efetuados a título de CSLL determinada a partir da base de cálculo estimada no anocalendário ultrapassa o valor devido de CSLL no seu encerramento. Argui que houve erro de fato no preenchimento da Per/DComp uma vez que informou que se tratava de pagamento indevido ao invés de saldo negativo de CSLL. Indica valores de saldos negativos de CSLL e de IRPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, requer acolhida a presente manifestação de inconformidade com efeito suspensivo, determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 109 3 Nos moldes da Lei nº 9.532, artigo 67, protesta a juntada de novas provas a serem obtidas no curso deste processo administrativo. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.325, de 11.08.2011, fls. 5356:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou CSLL ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Notificada em 21.09.2011, fl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.10.2011, fls. 5965, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Diante do exposto, requer acolhida o presente Recurso Voluntário com efeito suspensivo determinando a revisão do procedimento administrativo em função das compensações efetuadas e tendo reconhecido a subsistência e procedência do direito de crédito, requer homologada as declarações de compensação, bem como os pedidos de restituição, extinguindo as cobranças que foram objeto de compensação. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.107, de 10.05.2012, fls. 6871, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente: analisar a origem e a procedência saldo negativo anual de CSLL, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso1. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 29.11.2012, fl. 103, e permaneceu silente. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 110 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 111 5 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. E isso porque, em verdade, há possibilidade de aproveitamento de valores decorrentes de recolhimentos estimados na formação do saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Necessária se faz a apreciação pela autoridade administrativa da efetiva existência do crédito decorrente de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada para fins de homologação da compensação pleiteada de saldo negativo apurado no encerramento do período6. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e Instrução Normativa RFB 973, de 27 de novembro de 2009. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 112 6 Tem cabimento a análise da situação fática. Consta na Informação Fiscal DRF/UBL/MG, fls. 99101, a qual deve ser acolhida como correta na sua integralidade nessa segunda instância de julgamento: PROCESSO Nº PER/DCOMP RES. CARF 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 180100.104/2012 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 180100.105/2012 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 180100.107/2012 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 180100.109/2012 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 180100.106/2012 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 180100.110/2012 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 180100.112/2012 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 180100.111/2012 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 180100.113/2012 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 180100.096/2012 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 180100.095/2012 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 180100.097/2012 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 180100.098/2012 A presente Informação Fiscal abrange os processos acima identificados, os quais tiveram o julgamento convertido em diligência pela 1ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através das Resoluções citadas. A diligência solicitada tem como objeto a análise da origem e procedência do saldo negativo anual de CSLL, do anocalendário 2005, devendo ser examinados em conjunto todos os PER/DCOMP que tiverem por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Os processos relacionados referemse a DCOMP não homologadas, relativas a créditos de pagamentos indevidos ou a maiores de estimativas de CSLL (código 2484), do anocalendário 2005, totalizando o valor pleiteado de R$12.920,70, conforme abaixo detalhado. Segundo as alegações do contribuinte o crédito solicitado corresponderia na verdade ao saldo negativo de CSLL do exercício 2006, indevidamente requerido como crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PROCESSO Nº PER/DCOMP VALOR(R$) TRIB. COD DATA PGTO PA 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 964,68 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 810,29 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 769,20 CSLL 2484 28/09/2005 31/08/2005 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 1.361,67 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 229,46 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 382,82 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 1.153,98 CSLL 2484 28/10/2005 30/09/2005 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 322,32 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 1.776,54 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 1.528,58 CSLL 2484 29/11/2005 31/10/2005 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 769,61 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2.771,38 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 80,17 CSLL 2484 29/12/2005 30/11/2005 TOTAL DO CRÉDITO CSLL 12.920,70 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 113 7 Conforme se verifica na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, nº 059432658, regularmente apresentada pelo contribuinte, relativa ao exercício 2006, anocalendário 2005, a empresa apurou na ficha 17 a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida de R$21.024,11, que deduzida das estimativas pagas no decorrer do período de apuração (no total de R$34.178,15) resultou no saldo negativo anual de CSLL no valor de R$13.154,04. Os débitos de estimativas informados na DIPJ/2006 foram devidamente confessados em DCTF e liquidados pelos pagamentos relacionados a seguir, conforme extrato do Sistema SIEF/Fiscel anexado aos processos. Na última coluna do demonstrativo abaixo estão destacados os valores referentes aos pagamentos de estimativas que foram objeto das declarações de compensação entregues pelo contribuinte, totalizando o crédito pleiteado de R$12.920,70. . Nº PAGAMENTO CÓDIGO DATA ARRECADAÇÃO VALOR(R$) VALOR OBJETO DCOMP 4919701808 2484 28/02/2005 2.373,19 0208825446 2484 28/03/2005 3.002,78 0209761896 2484 29/04/2005 2.868,03 5072607938 2484 31/05/2005 3.555,15 5116278968 2484 28/06/2005 2.854,66 5167127538 2484 26/07/2005 2.605,28 1892652981 2484 26/08/2005 3.032,74 1987428871 2484 28/09/2005 3.228,07 2.544,17 2076652671 2484 28/10/2005 3.249,53 3.127,93 2133582661 2484 14/11/2005 111,74 2133582841 2484 14/11/2005 48,38 2155698461 2484 29/11/2005 3.627,44 3.627,44 2246085561 2484 29/12/2005 3.621,16 3.621,16 [TOTAL DO CRÉDITO CSLL] 34.178,15 12.920,70 Uma vez confirmada a existência do crédito de saldo negativo de CSLL para o período 01/01/2005 a 31/12/2005 no valor declarado na DIPJ/2006 de R$13.154,04 (treze mil cento e cinqüenta e quatro reais e quatro centavos), entendo que o contribuinte faz jus ao crédito de saldo negativo no valor de R$12.920,70 correspondente ao total pleiteado nas DComp em análise. Ademais, tratandose de crédito de saldo negativo, a correção pela taxa Selic aplicarseá a partir do dia seguinte ao do encerramento do período de apuração (01/01/2006). Assim, efetuando por meio do sistema NEOSAPO, aplicativo homologado pela RFB, a simulação do encontro de contas entre o crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$12.920,70 e os débitos compensados nas respectivas DComp em análise, verificase nos demonstrativos de cálculo anexados aos processos que o crédito não foi suficiente para homologação de todas as declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte, conforme detalhado no quadro a seguir. DÉBITO PROCESSO Nº PER/DCOMP Cod. PA VENC. Valor SITUAÇÃO DCOMP 10675.902588/200903 28737.76627.280306.1.3.044600 2484 01/2006 24/02/06 943,69 Homologada Total 10675.902589/200940 28866.87613.280306.1.3.040747 2484 02/2006 31/03/06 873,82 Homologada Total Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 114 8 10675.902591/200919 30176.21042.250406.1.3.048500 2484 03/2006 28/04/06 840,43 Homologada Total 10675.902593/200916 13781.82468.250506.1.3.045101 2484 04/2006 31/05/06 1483,27 Homologada Total 10675.902590/200974 35267.21125.250406.1.3.048594 2484 03/2006 28/04/06 247,47 Homologada Total 10675.902594/200952 11171.63226.230606.1.3.043603 2484 05/2006 30/06/06 421,91 Homologada Total 10675.902596/200941 20375.69676.210706.1.3.045002 2484 06/2006 31/07/06 1285,42 Homologada Total 10675.902595/200905 09118.82525.210706.1.3.045471 2484 06/2006 31/07/06 354,58 Homologada Total 10675.902597/200996 40908.87659.280806.1.3.040372 2484 07/2006 31/08/06 1975,16 Homologada Total 10675.902599/200985 22341.86147.220906.1.3.046019 2484 08/2006 29/09/06 1718,74 Homologada Total 10675.902598/200931 04232.24444.220906.1.3.043411 2484 08/2006 29/09/06 854,04 Homologada Total 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 09/2006 31/10/06 3104,78 Homologação Parcial 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 2484 10/2006 30/11/06 90,69 Não Homologada Concluindo, remanesceria como saldos devedores os débitos abaixo discriminados, a serem exigidos do sujeito passivo, com os acréscimos legais devidos até a data do pagamento. Cód. P. A Venc. Vr. original do débito (R$) Vr .extinto por compensaçã o (R$) Saldo devedor (R$) Processo nº PER/DCOMP Nº 2484 09/2006 31/10/2006 3.104,78 2.930,27 174,51 10675.902600/200971 19981.00959.251006.1.3.043580 2484 10/2006 30/11/2006 90,69 0,00 90,69 10675.902601/200916 18527.19549.301106.1.3.044569 Estas as informações prestadas em atendimento à diligência solicitada. Examinando todas essas informações comprovase a existência saldo negativo de CSLL no valor de R$769,20 do anocalendário de 2005. Por essa razão cabe reconhecer o direito creditório correspondente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova. Em assim sucedendo, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer direito creditório correspondente ao saldo negativo de CSLL no valor de R$769,20 do anocalendário de 2005 para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.902591/200919 Acórdão n.º 1801001.599 S1TE01 Fl. 115 9 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13888.000920/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 00 92 0/ 20 10 -1 1 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.000920/201011 Resolução nº 2403000.178 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1436.368 da 9ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, considerando decadentes as competência 01 a 11/2004, com base no artigo 173, I do CTN. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de autodeinfração lavrado . por descumprimento da obrigação acessória prevista no"art. 32, IV e §5° da Lei n° 8.212/1991, uma vez que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos Os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A multa foi' aplicada com base no art. 32, §5°, da Lei n°, 8.212/1991, totalizando R$228.606,73 (duzentos e vinte e oito mil e seiscentos e seis reais e setenta e três centavos), consolidada em 12/03/2010. A autuada deixou de declarar as remunerações de contribuintes individuais transportadores. autônomos, de 01/2004 a ,12/2007, relacionadas nas folhas 25 a 46, as remunerações de administradores a titulo de diárias que deixaram de ser consideradas como prólabore, de 01/2004 a 12/2004, rias folhas 52 a 65, e os salários na forma de alimentação pagos em desacordo com o PAT, de 01/2004 a 12/2004, nas folhas 66 a 74. Este AI foi emitido em substituição ao AI Debcad n° 37.198.2898 (processo 13888.000657/200927, em, apenso), lavrado em 18/03/2009, declarado nulo pelo Acórdão n°1425.290 ( nas folhas 160 a 163, do processo em apenso), de 21/07/2009, em razão de a multa ter sido aplicada com fundamento no .artigo 32A, II da Lei n° 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, quando deveria ter sido aplicada com base no art. 32, IV e §5° da Lei n° 8.212/1991. Cientificada em 24/03/2010, a autuada apresentou impugnação, em 23/04/2010, nas folhas 108 a 116, alegando que: de acordo com o art. 173, I do CTN, as competências do exercício de 2004 devem ser excluídas do lançamento, uma vez que alcançadas pela decadência; o trabalho fiscal não traz de forma clara qual a infração cometida, , conforme exige o art. 142 do CTN e o art. 89, IV e V do Regulamento dos Procedimentos Tributários Administrativos, ocasionando 'cerceamento do direito de defesa; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.000920/201011 Resolução nº 2403000.178 S2C4T3 Fl. 4 3 , o art. 32, §5°, da Lei n° 8.212/1,991 não poderia ter sido utilizado pára aplicação da penalidade, pois foi revogado pela Lei n° 11.941/2009; não sendo acatada a tese de nulidade, deve ser aplicada a penalidade menos onerosa ao contribuinte, conforme deterniina o árt. 106, II do CTN. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Decadência até 12/03/2005. · Cerceamento de defesa. O lançamento não traz de forma clara qual a infração cometida. · Revogação do artigo 32, parágrafo 5º, dispositivo que prevê a penalidade. · Questiona a tributação das diárias dos administradores a valores pagos na forma de alimentação. · Vinculação ao julgamento das obrigações principais. É o relatório Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.000920/201011 Resolução nº 2403000.178 S2C4T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O presente processo trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória – não declarar a totalidade dos fatos geradores. A recorrente requer o julgamento em consonância com o julgamento das obrigações principais. Entendo coerente o requerimento. CONCLUSÃO Voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem informe o resultado do julgamento das obrigações principais. Do resultado da diligência devese dar ciência à recorrente a oportunizar prazo para manifestação. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10972.720097/2011-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
Nulidade. Processo. Cerceamento De Defesa.
Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constata-se que o contribuinte defendeu-se amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa.
Multa Qualificada. Declarações Falsas. Conduta Reiterada Do Sujeito Passivo.
A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei nº 9.430/96). O ato de entregar declarações na qualidade de INATIVA, quando constatada a atividade operacional, de forma reiterada, demonstra o dolo do contribuinte em impedir o conhecimento pelo fisco da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, conduta especificada no inciso I do artigo 71 da citada norma.
Sujeição Passiva Solidária. Administrador.
Constatado nos autos os atos de gestão praticados pelos administradores da empresa, com infração à lei, estabelece-se a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário constituído.
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 Nulidade. Processo. Cerceamento De Defesa. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constata-se que o contribuinte defendeu-se amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Multa Qualificada. Declarações Falsas. Conduta Reiterada Do Sujeito Passivo. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei nº 9.430/96). O ato de entregar declarações na qualidade de INATIVA, quando constatada a atividade operacional, de forma reiterada, demonstra o dolo do contribuinte em impedir o conhecimento pelo fisco da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, conduta especificada no inciso I do artigo 71 da citada norma. Sujeição Passiva Solidária. Administrador. Constatado nos autos os atos de gestão praticados pelos administradores da empresa, com infração à lei, estabelece-se a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário constituído. Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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HIPÓTESES LEGAIS. A não apresentação dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES FALSAS. CONDUTA REITERADA DO SUJEITO PASSIVO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação da fraude lato sensu, conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei nº 9.430/96). O ato de entregar declarações na qualidade de INATIVA, quando constatada a atividade operacional, de forma reiterada, demonstra o dolo do contribuinte em impedir o conhecimento pelo fisco da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, conduta especificada no inciso I do artigo 71 da citada norma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ADMINISTRADOR. Constatado nos autos os atos de gestão praticados pelos administradores da empresa, com infração à lei, estabelecese a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário constituído. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 97 /2 01 1- 06 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. PROCESSO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade processual, quando constatase que o contribuinte defendeuse amplamente dos fatos e infrações contra si impostas, não sofrendo prejuízo ou restrição ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratam os autos de exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos ao ano calendário de 2008, consubstanciadas nos Autos de Infração de fls. 666 a 687, no valor total de R$ 824.257,19, salientandose que a multa foi aplicada na forma qualificada em virtude da constatação no procedimento fiscal da utilização de interpostas pessoas no quadro societário e que, na ausência da escrituração contábil, o lucro foi arbitrado com base no valor das compras evidenciadas em Notas de Entrada (arts. 530, III, c/c 535, V, RIR/99). Tudo conforme explicitado no Termo de Verificações Fiscal de fls. 688 e ss. Aproveito trechos do relatório do Acórdão nº 0939.415/12, proferido pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 859 a 874, ora vergastado, para historiar os fatos: “Consta, em síntese, do Termo de Verificação Fiscal de fls. 688/697: a) que a auditoria teve origem em decorrência do recebimento do Ofício n° 0390/2011IPL 0196/20094DPF/URA/MG que encaminhou à Delegacia da Receita Federal cópia integral do Inquérito Policial IPL 0196/2009DPF/URA/MG; b) que a fiscalização compareceu no endereço do contribuinte e não encontrou a empresa, existindo outra pessoa jurídica ocupando o endereço, conforme contrato de locação fornecido por esta; Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10972.720097/201106 Acórdão n.º 1801001.717 S1TE01 Fl. 3 3 c) que o administrador do contribuinte, Sr. Alemar dos Reis Batista, foi intimado a prestar esclarecimentos e fazer prova acerca da empresa; d) que foi protocolado na ARF/Araguari/MG, documento no qual o Sr. Alemar noticia que a empresa encontrase inativa e que as declarações de inatividade já foram transmitidas relativas aos AC 2008, 2009 e 2010; e) que o dono do imóvel situado na Av. Leopoldino de Oliveira, 4113, sala 434 (domicílio fiscal dos atuais e dos exsócios da empresa) respondeu à fiscalização que não tem nenhum contrato de locação com os atuais e exsócios da empresa SB Carnes, como também com seu administrador Sr. Alemar; f) várias procurações foram juntadas aos autos (Darci para Alemar, Larissa para Darci, SB Carnes para Alemar, Kátia para Darci); g) a sócia gerente Sra. Larissa após tentativas frustradas de notificação postal no seu endereço constante do cadastro de pessoas físicas, foi intimada via Edital a prestar esclarecimentos e fazer prova acerca da empresa. Nenhuma resposta foi apresentada; h) dos documentos que acompanharam o Ofício n° 0390/2011IPL 0196/20094DPF/URA/MG, foram juntados ao processo cópias das notas fiscais de entrada e saída emitidas pelo contribuinte; i) que a empresa apresentou DIPJ como inativa no anocalendário 2007 e estava omissa nos anoscalendário 2008 e 2009. Após a intimação encaminhada ao seu Administrador, foram transmitidas DSPJ Inativas para os anoscalendário 2008, 2009 e 2010; j) o contribuinte foi declarado inapto consoante Relatório e Ato Declaratório de Inaptidão (fls. 643/652); k) embora existam algumas notas fiscais de saída emitidas pelo contribuinte, não se pode admitir que o somatório mensal de tais notas represente a Receita Bruta conhecida, haja vista que tal somatório é insignificante quando comparado com o somatório mensal das notas de entrada o que levou a fiscalização, considerando a falta de apresentação de livros e documentos, a arbitrar o lucro do contribuinte com base no percentual de 40% das compras do período, nos termos do inciso III do artigo 530 e inciso V do artigo 535 do RIR/99; l) que a conduta do contribuinte de apresentar Declaração de Inativa quando na verdade esteve em atividade no período, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária. Dessa forma foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150% prevista no § 1° do art. 44 da Lei no 9.430/96; m) o lançamento do PIS e da COFINS se deu de acordo com as notas fiscais de saída; n) diante dos fatos descritos, do teor das procurações, dos indícios de interposição de pessoas no quadro societário, dos indícios de uso de conta corrente de sócio para movimentar recursos do contribuinte, da inaptidão do contribuinte, do ato de gestão consoante documentos (fls. 660/665), entendeu a fiscalização também serem responsáveis pelo crédito tributário, nos termos dos art. 121, 124, 128, 134 e 135 do CTN as seguintes pessoas físicas: 1) Alemar dos Reis Batista Administrador do contribuinte; 2) Larissa Giovana de Freitas Peixoto Sócia Gerente à época da ocorrência dos fatos; Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Intimados o contribuinte, o sócio Mário e a responsabilizada e exsócia Larissa por Edital e o responsabilizado Alemar por aviso postal, o contribuinte e os responsabilizados Larissa e Alemar apresentaram impugnações separadas de fls. 713/857, nas quais alegam, em síntese, o seguinte: que a autuação lavrada impõe a cobrança do crédito tributário eventualmente devido pela empresa SB Carnes, a qual possuindo endereço certo e patrimônio próprio deve suportar a exigência fiscal ora contestada, o que caracteriza irregular a responsabilização de gerentes e sócios da empresa; que a responsabilidade pessoal se encontra limitada apenas aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados, comprovadamente pelo sócio, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, hipótese que não se encontra tipificado no caso em questão; que, segundo art. 134 do CTN, a responsabilidade é subsidiária e não solidária; que não ocorreram quaisquer das restritas hipóteses que permitem a responsabilização dos gerentes e sócios da empresa, a ponto de incluílos de plano no pólo passivo da relação tributária; para que se pudesse incluir qualquer dos sócios no pólo passivo da exigência fiscal em epígrafe, mister que tivesse a fiscalização obtido uma declaração eficaz de sua responsabilidade, o que somente teria sido possível mediante prévio procedimento judicial de cognição com obtenção de sentença condenatória transitada em julgado; que a responsável solidária Larissa deixou a sociedade no dia 01/08/2008, não podendo responder por supostas irregularidades da pessoa jurídica; que a empresa SB Carnes sempre atendeu as informações solicitadas pelo fisco e forneceu os documentos disponíveis e prestando todos os esclarecimentos indispensáveis ao desenvolvimento do trabalho do fiscal autuante; que a presunção edificada pelo fisco de que a recorrente teria indevidamente se utilizado de outras empresas para reduzir substancialmente o seu faturamento não merecem acolhimento; que o impugnante SB Carnes em momento algum teve acesso aos documentos fiscais e até mesmo à contabilidade de outras empresas que supostamente se apresentavam como instrumento de sonegação de impostos, como afirma a fiscalização e que prestaram a edificação da presunção de omissão de recolhimentos, prejudicando seu direito ao contraditório e ampla defesa tornando o lançamento nulo; pelo que se infere do Termo de Constatação de Infração Fiscal, a fiscalização, ao exigir do impugnante o tributo devido, adotou como fundamento a aludida conduta o art. 116, parágrafo único, do CTN, o qual não produz efeitos no mundo jurídico, por tratarse de norma de eficácia limitada, dependente de lei ordinária para sua regulamentação; que o arbitramento está baseado em provas emprestadas, de terceiras empresas, as quais o impugnante não teve acesso; que o arbitramento é um procedimento que pode ser adotado em casos de total imprestabilidade da escrita contábil e absoluta impossibilidade de apuração das receitas e despesas da empresa, o que não se constata no presente caso; Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10972.720097/201106 Acórdão n.º 1801001.717 S1TE01 Fl. 4 5 que não pode prosperar a multa agravada em simples omissão de rendimentos sem estar provado o conluio, a fraude ou a sonegação, e mais, pelo simples fato de a fiscalização não apreciar ou não acolher as provas produzidas pelo contribuinte SB Carnes; que não há como vincular os responsáveis solidários a qualquer conluio, fraude ou sonegação e devem ser excluídos do pólo passivo.” Constam como fundamentos do votocondutor, em apertada síntese: “O arbitramento do lucro, "in casu", tem como fundamento legal o art. 530, inciso III, do RIR/99 (Lei n° 8.981/95, art. 47), o qual preceitua que a autoridade fiscal deve arbitrar o lucro quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Ao se compulsar os autos, verificase que a autoridade fiscal compareceu no endereço do contribuinte e não encontrou a empresa, existindo outra pessoa jurídica ocupando o endereço, conforme contrato de locação fornecido por esta última. Compareceu também no endereço localizado na Av. Leopoldino de Oliveira, 4113, sala 434 (domicílio fiscal dos atuais e dos exsócios da empresa) e também constatou outra empresa ocupando a sala. Intimou o proprietário desta sala que respondeu à fiscalização que não tem nenhum contrato de locação com os atuais e exsócios da empresa SB Carnes, como também com seu administrador Sr. Alemar. Não tendo obtido sucesso na intimação pessoal da empresa e de seus atuais e ex sócios, bem como na intimação postal da exsócia Larissa, a fiscalização intimou, por Edital, a empresa SB Carnes a apresentar seus livros fiscais e outros documentos e o atual sóciogerente Mário a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Nenhuma resposta foi apresentada. Vale registrar que a empresa foi declarada inapta por meio do Ato Declaratório Executivo n° 18, de 12/09/2011, publicado no DOU de 14/09/2011, com no art. 37, incisos I e II e art. 43 da IN RFB n° 1.183, de 19/08/2011, publicada no DOU em Assim, não tem cabimento as alegações de que a empresa SB Carnes sempre atendeu as informações solicitadas pelo fisco, forneceu os documentos disponíveis e prestou todos os esclarecimentos indispensáveis ao desenvolvimento do trabalho do fiscal autuante. Enganaramse os impugnantes ao apresentar essa alegação. Também vale registrar da impossibilidade de efetuar a tributação pelo lucro presumido uma vez que a sociedade não optou por essa forma de tributação, por falta de qualquer recolhimento e que a falta de apresentação da escrituração impossibilitou a apuração do lucro real, não restando outra alternativa, a não ser arbitrar o lucro tributável, devido trimestralmente, com base no percentual de 40% das compras do período, nos termos do inciso III do artigo 530 e inciso V do artigo 535 do RIR/99 uma vez que a receita bruta não era conhecida, haja vista que o somatório das notas fiscais de saída em poder da fiscalização era insignificante frente às notas fiscais de entrada. Vale repetir que o lançamento se baseou no inciso III do artigo 530 e inciso V do artigo 535 do RIR/99 e não no art. 116 do CTN conforme alegado pelo contribuinte. Com relação à alegação de prejuízo ao seu direito de contraditório e ampla defesa, uma vez que em momento algum teve acesso aos documentos fiscais ou a Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 contabilidade de outras empresas que embasaram a lavratura do auto de infração não merece prosperar. O lucro foi arbitrado com base no percentual de 40% das compras do período, comprovadas pelas notas fiscais de entrada emitidas pela própria empresa SB Carnes. A numeração destas notas fiscais está de acordo com as autorizações para impressão de documentos fiscais emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. Constam também do processo as notas fiscais de saída dos fornecedores da SB Carnes que embasaram a emissão das notas fiscais de entrada pela própria SB Carnes. Dessa forma, a conclusão é de que o procedimento fiscal que efetuou o arbitramento do lucro foi claro, coerente e fundamentado, com pleno alcance à hipótese legal autorizadora do arbitramento, não se tratando de presunção, conforme alegado pelos impugnantes. [...] II Sujeição Passiva. Responsabilidade. A fiscalização incluiu a exsócia administradora Larissa Giovana de Freitas Peixoto e o administrador e procurador Alemar dos Reis Batista, como sujeitos passivos solidários, nos termos dos arts. 121, 124, 128, 134 e 135, inciso I, da Lei n° 5.172/66, tendo em vista o teor das procurações, os indícios de interposição de pessoas no quadro societário, os indícios de uso de conta corrente de sócio para movimentar recursos do contribuinte, a inaptidão do contribuinte, os atos de gestão consoante documentos de folhas 660 a 665 e os demais fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal. Além disso, ficou caracterizada a prática de sonegação fiscal e fraude, sob a justificativa de ter sido apresentada DIPJ Inativa, ou seja, como se a empresa estivesse totalmente paralisada no período fiscalizado o que efetivamente não ocorreu. Tanto a exsócia administradora Larissa como o administrador e procurador Alemar apresentaram impugnação e alegam, em resumo, que não podem responder pelo crédito tributário a eles imputado. [...] Os fatos consignados no Termo de Verificação Fiscal, os quais tomo como razões para decidir, reproduzidos abaixo, juntamente com as procurações outorgadas ao administrador Alemar, caracterizam a responsabilidade solidária prevista na legislação. [...] O fato da exsócia Larissa ter deixado a sociedade em 01/08/2008, não afasta sua responsabilidade, uma vez que o lançamento se refere ao 1° trimestre de 2008, período que atuava na administração da sociedade conforme documentos de folhas 660 a 665. [...] Tal alegação não procede por se tratar de responsabilidade tributária, regida com especificidade no Código Tributário Nacional, em especial nos dispositivos abaixo, in verbis: [cit. arts. 121, 124, 128, 135] Assim, uma vez evidenciada a subsunção às hipóteses previstas na legislação acima, os interessados respondem solidariamente pelo crédito tributário dela decorrente. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10972.720097/201106 Acórdão n.º 1801001.717 S1TE01 Fl. 5 7 Quanto ao elemento fático ("atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos"), as circunstâncias que envolveram a falta de recolhimento de tributos evidenciam infração à lei, com consequências não só no campo tributário, mas também na área penal. São ilícitos que envolvem as condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio, haja vista a existência de declaração entregue como se inativa estivesse e, conforme comprovado nos autos, houve faturamento para o período. Também configura hipótese de que trata o art. 135, a dissolução irregular. Diligências fiscais evidenciaram que a empresa não existe no endereço informado, Rua Ipiaó, 50, sala 101, Centro, AraxáMG. A Súmula 435 do STJ pacificou o entendimento no tocante à pessoa jurídica não localizada caracterizar dissolução irregular: "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente". Por fim repisese que a empresa S.B. CARNES foi declarada INAPTA, consoante Relatório e Ato Declaratório de INAPTIDÃO publicado no DOU em 14/09/2011 (fls. 643 a 652), por não ter sido localizada em seu domicílio fiscal. Dessa forma, não tem cabimento a alegação do contribuinte de que a empresa possui endereço certo e patrimônio próprio para suportar a exigência fiscal ora contestada. [...] III Multa Qualificada. Conforme visto no tópico anterior, a dissolução irregular e a existência de declaração entregue como se inativa estivesse, sendo que foi comprovado nos autos que houve expressivo faturamento para o período, evidenciam ilícitos que envolvem as condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio. A par disso, a conduta dolosa já se configura quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando o sujeito passivo, tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omite fatos e sonega tributos. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pelo sujeito passivo, tanto à época da ocorrência dos fatos geradores quando da investigação fiscal, indiscutivelmente, tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. A título de ilustração, cito manifestação do TRF da 4a Região consentânea com o entendimento ora exposto: PENAL. ART. 1°, I, DA LEI N° 8.137/90. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÕES FALSAS DE IMPOSTO DE RENDA. SUPRESSÃO DE TRIBUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA. DOLO. [...] Do voto condutor do referido acórdão extraio o seguinte fragmento: Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Sustentam os apelantes, no entanto, que não houve a intenção de sonegar porque reconheceram a existência de faturamento nos dois primeiros trimestres, que se deu através do pagamento dos respectivos tributos perante o fisco municipal. Tal conduta é irrelevante para a apuração do dolo no caso concreto, pois como já se disse anteriormente o dolo é genérico, tendo o crime se consumado no momento da entrega da declaração "zerada", sabidamente falsa, cujo propósito era a supressão dos tributos federais devidos. [...] Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. [...]” Apenas o responsabilizado ALEMAR DOS REIS BATISTA interpôs, tempestivamente1, o Recurso de efls. 990 a 1.033, reiterando os termos da defesa exordial, isto é, requerendo a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, argumentando que era mero administrador/empregado da empresa autuada; não praticou qualquer ato contrário à ordem jurídica; o lançamento tributário é nulo por cerceamento de defesa e por não atender os pressupostos legais; incabível a aplicação da multa qualificada na figura do responsável solidário; insubsistência dos Autos de Infração. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 19/03/2012, efls. ; Recurso – 18/04/2012, efls. 1034 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, cumpre registrar que nem a empresa SB Carnes Distribuição e Comércio Ltda, nem a responsável solidária Larissa Giovana de Freitas Peixoto recorreram do Acórdão nº 0939.415/12, proferido pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fato atestado pelo despacho da autoridade preparadora às efls. 1.035. O responsável solidário Alemar dos Reis Batista contesta veemente a sua inclusão no pólo passivo da obrigação tributária, argumentando que era mero funcionário da empresa e não sócio titular, de fato, consoante acusou a fiscalização. Todavia, os documentos acostados aos autos assim não demonstram. Às efls 45 o sr. José Pedro da Silva, contador, declara à fiscalização: “O Sr. Alemar dos Reis Batista, tendo recebido intimação fiscal para prestar esclarecimentos da situação cadastral e falta da entrega de declarações das seguintes empresas: (...), 08.825.252/000161 S.B. CARNES COMERCIO E Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10972.720097/201106 Acórdão n.º 1801001.717 S1TE01 Fl. 6 9 DISTRIBUIÇÃO LTDA, (...), das quais é o sócio responsável, vem por meio desta informar que estas empresas encontramse inativas e as declarações de inatividade já foram transmitidas (...)” (grifos não pertencem ao original) Nos referidos recibos de entrega das referidas DSPJ – Inativas 2009, 2010 e 2011, entregues em 04 de maio de 2011, o sr. Alemar dos Reis Batista, CPF 931.690.94653, consta como representante da pessoa jurídica. Observo, ainda, que às efls. 600 a empresa entregou, em 25/03/2008, DSPJ relativa ao anocalendário de 2007 já como inativa, condição que conforme Notas de Saída e Entradas não era verdadeira. Às efls. 80 consta Procuração com amplos poderes negociais e de representação outorgada para o sr. Alemar dos Reis Batista, por Darci Aparecido Gomes Júnior, assim como às fls. 85, em 17/02/2009, o sr. Alemar representa a empresa S.B Carnes em outorga de procuração da empresa para terceiro; em 08/08/2008, Kátia Tavares Carneiro Gomes na qualidade de representante da SB Carnes outorga procuração com amplos e gerais poderes para o sr. Alemar. As pessoas Darci Ap. Gomes Jr, Kátia Tavares Carneiro Gomes e Mário da Silveira Gomes têm todas o mesmo endereço cadastral: Av. Leopoldino de Oliveira, 4113, sl. 434, Uberaba/MG –, além de Larissa Giovana de Freitas Peixoto, efls. 595 a 599. Neste endereço a fiscalização encontrou uma sala com placa de “Construtora Ferreira Sabino” – efls. 604, constatando que os endereços fornecidos ao fisco eram fictícios. Investigado sobre o uso da sala anteriormente, também não se confirmaram os endereços. Constam do processo, ainda, elementos que demonstram que as pessoas acima citadas não possuíam recursos financeiros para integralizarem o capital na aquisição de cotas da empresa “SB”. Por todos estes fortes indícios e diversos subterfúgios praticados para se evadir da fiscalização e tributação, a ausência de escrituração contábil para se proceder à auditoria fiscal, mais os atos de gestão praticados no anocalendário de 2008 por Larissa Giovana de Freitas Peixoto, sóciagerente à época dos fatos e Alemar de Reis Batista, considerado sócio de fato e administrador, autorizam: a) o arbitramento do lucro com fulcro nas Notas de Entrada apreendidas, de emissão da SB Carnes, consoante artigos 530, inciso III, e 535, inciso V, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99); b) a responsabilização dos administradores, na forma solidária, sem benefício de ordem, consoante os artigos 121, 124, 128, 135 do Código Tributário Nacional (CTN), já transcritos no acórdão recorrido; os atos de gestão são inequívocos e as infrações às normas tributárias idem. Fatos que, repito, estabelecem a responsabilidade tributária, alcançando como sujeito passivo da obrigação tributária os administradores da empresa SB Carnes; Cabe ressaltar que os motivos acertadamente apontados pela fiscalização que fundamentam a sujeição passiva solidária do recorrente são: “...o encerramento das atividades do sujeito passivo, de forma irregular, sem destinação certa de seus bens, sem baixa no órgão competente, sem recolhimentos dos tributos devidos, omisso na apresentação de declarações, com indícios de interposição de pessoas no quadro societário e uso de conta bancária de terceiros para movimentar recursos da empresa, fatos que constituem, salvo melhor juízo, infração de Lei...” Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 c) a qualificação da multa em razão de condutas evidentemente dolosas (intencionais) praticadas pela empresa para evadirse da fiscalização e tributação, principalmente a entrega de DSPJ na condição de Inativa, desde o anocalendário de 2007, inclusive o ano de 2008 e 2009 o que comprovouse ser uma falácia. Sem qualquer dúvida, as condutas observadas se enquadram no conceito legal de fraude lato sensu inserido no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com alterações, ou seja, condutas que se coadunam com aquelas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (dispositivos também transcritos no acórdão guerreado). A respeito da qualificação da multa comporta ainda esclarecer que as condutas da contribuinte, reiteradas e habituais, afastam o conceito de “simples” omissão e denunciam a vontade de extrair do conhecimento do fisco as receitas auferidas em atividades praticadas de forma oculta à Administração Tributária nos diversos anos fiscalizados. Com o agravante de haver entregue declarações ao fisco na qualidade de INATIVA, quando em franco funcionamento. São fatos notórios, constituindo, per si, prova da intenção desvelada da contribuinte em evadirse da tributação devida. Afasto por estas razões, a aplicação da Súmula CARF nº 14 invocada. Extraio, por derradeiro, trecho de acórdão proferido por esta Turma2, de talentosa lavra da Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que bem espelha o juízo a respeito da matéria, acrescendo aos pontos já expostos: “Decorre daí que a interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômico financeira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas declarações IRPJ de inatividade – DIPJInativa, dos anoscalendário 2004 e 2005, mediante as quais a pessoa jurídica informou que não promoveu movimento operacional e financeiro, nos respectivos períodos. Observese que a admissão de apresentação de Declaração IRPJ da Pessoa Jurídica com a inserção de falsas informações, dentre elas a Declaração Simplificada da Pessoa JurídicaPJSI , como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo 2 Acórdão nº 1801001.049, em 28 de agosto de 2012 processo nº 12897.000089/200992 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10972.720097/201106 Acórdão n.º 1801001.717 S1TE01 Fl. 7 11 evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, II, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/0131851 7 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Ademais, é evidente também que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Em sendo assim, cumpre reconhecer a fraude na apresentação das DIPJ de inatividade, como uma tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas comprovadamente auferidas na sua atividade operacional. As DIPJ de inatividade, em confronto com a movimentação Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 financeira da empresa caracterizam a prática da omissão de receitas reiterada e sistemática. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.” Por conseguinte, a sujeição passiva solidária está corretamente estabelecida, a multa qualificada foi corretamente cominada pela fiscalização e o arbitramento está em estrita conformidade com a norma tributária de regência de tributação, quando ausente a escrituração contábil. Nada a reparar nos lançamentos tributários. No que concerne à nulidade argüida, não se verifica nos autos qualquer procedimento que tenha ofendido a legislação tributária e causado prejuízo ao recorrente em sua defesa. Pelo contrário, a empresa é que causou dificuldades e as condutas dolosas embaraçaram a fiscalização. Nos Autos de Infração as infrações tributárias foram explicitadas, a fundamentação legal foi exposta, os valores das matérias levados à tributação também estão expressos, os demonstrativos de cálculos, inclusive dos acréscimos moratórios, enfim, todos os elementos materiais e formais constam da autuação, consoante exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos elementos materiais, e o artigo 10 do PAF, quanto aos elementos formais: Lançamento – art. 142, caput, CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 – art. 10, PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10972.720097/201106 Acórdão n.º 1801001.717 S1TE01 Fl. 8 13 Infundadas, por conseguinte, as alegações de que os Autos de Infração lavrados possuem quaisquer vícios, ou omissões, que possam acarretar a nulidade do lançamento tributário. As infrações tributárias tanto foram explicitadas que o recorrente se defendeu com conhecimento de cada um dos pontos da autuação. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Da tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins. As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. ( assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19311.000349/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO.
A bolsa de estudo destina-se a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que por ventura forem expendidos a este título não integrarão o salário-de-contribuição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que por ventura forem expendidos a este título não integrarão o saláriodecontribuição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 49 /2 00 9- 11 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000349/200911 Acórdão n.º 2403002.234 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 05 27.875, na qual julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para reconhecer a decadência nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, reduzindo o auto de infração, consubstanciado no DEBCAD nº. 37.170.4243, do valor originário de R$ 15.255,37 para R$ 3.417,66 (três mil quatrocentos e dezessete reais e sessenta e seis centavos) corrigido monetariamente e acrescido de multa e juros. A autuação fiscal abrange o período de 01/2004 a 12/2004, e almeja o reconhecimento de diferenças de contribuições destinadas a Terceiros (Salário Educação – 2,5%, INCRA – 0,2%, SESC – 1,5% e SEBRAE – 0,3%), tendo em vista que a fiscalização verificou que o contribuinte não considerou como base de cálculo para a Previdência Social nas folhas de pagamento, bem como não informou em GFIP, os valores correspondentes às bolsas de estudo concedidas a dependentes de funcionários da empresa. O Relatório Fiscal, fls. 32/38, evidencia os seguintes fatos: 4. Das razões do levantamento dos créditos e da apuração dos fatos geradores: (...) 4.3. Verificouse que os valores correspondentes às bolsas de estudos concedidas não foram considerados como base de cálculo para a Previdência Social nas folhas de pagamento, assim como não foram informados em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Como comprovantes foram anexadas por amostragem: Resumos das Folhas de Pagamento das competências Fevereiro, Junho e Outubro, cópias em anexo ao Auto de Infração DEBCAD: 37.170.4227 ao qual este foi apensado. 4.4. Os valores destas bolsas de estudos concedidas são fatos geradores de contribuição previdenciária, uma vez que se constituem em remuneração indireta, ganhos habituais sob a forma de utilidades. A rubrica bolsa de estudos está excluída do rol que determina as hipóteses que não integram o salário de contribuição, ou seja, as rubricas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. (art. 28, §9º da Lei n. 8.212/91). Ademais, sabese que não há qualquer lei que confira isenção a bolsa de estudos) DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, o contribuinte contestou o presente Auto de Infração por meio da impugnação de fls. 40/50. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a DRJ em Campinas, prolatou Acórdão conjunto em relação aos DEBCAD’s nº. 37.170.4227, 37.170.4235 e 37.170.4243 de fls. 180/189 do processo principal nº. 19311.000347/200913, na qual julgou procedente em parte o lançamento deste e os demais a ele apensos (processos n.19311.000348/200968 e 19311.000349/200911), conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de ter havido recolhimento parcial e de não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, da data do fato gerador. NEGAÇA0 GERAL. Não se admite no processo administrativo a negação geral, isto 6, a simples discordância desprovida de fundamento. BOLSA DE ESTUDO. DEPENDENTES DE EMPREGADOS. A concessão de bolsas de estudo a dependentes de empregados é fato gerador da contribuição previdenciária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como se observa da ementa trasladada, a DRJ considerou que a conclusão do auditor fiscal não se fundamentou em nenhuma prova concreta, inferindo o dolo somente da prática da contribuinte de não incluir os valores relativos às bolsas de estudo na base de cálculo das contribuições. Como não houve nenhum a referência a eventual ausência de registro nos livros fiscais referente a estas bolsas de estudos ou qualquer outro elemento que comprovasse o dolo, considerouse como prazo prescricional aquele previsto no art. 150, §4º, do CTN. Desta feita, reconheceuse a decadência para as competências de janeiro/2004 a setembro de 2004, com a retificação dos autos de infração n. 37.170.4227 de R$ 71.191,73 para R$ 15.949,06, do auto de infração n. 37.170.4231 de R$ 37.605,39 para R$ 8..987,31 e do auto de infração n. 37.170.4243 de R$ 15.255,37 para R$ 3.417,66. DO RECURSO Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 192/197 do processo principal, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos: O recorrente não discorda da decisão prolatada em relação ao reconhecimento da decadência para as competências de janeiro a setembro de 2004, aplicando se o conceito de data a data para aplicação do dispositivo legal; O recorrente não discorda da inocorrência da materialização da hipótese de dolo, fraude ou simulação, uma vez que os fatos que foram narrados comprovam de forma justificada e perfeitamente que o recorrente nunca se pautou por esta linha de conduta; Fl. 57DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000349/200911 Acórdão n.º 2403002.234 S2C4T3 Fl. 4 5 Nunca houve contrapartida, para o fornecimento do chamado salário utilidade ou bolsas de estudos a filhos de funcionários. Não foram feitos nenhum pagamento em pecúnia ou de outro modo qualquer para funcionário. Não há nenhum valor a ser considerado como salárioutilidade. Foram concedidas bolsas de estudos à filhos de funcionários, por força de dissídio coletivo, somente, em função de que a atividade fim do recorrente é estabelecimento de ensino; Para ser salárioutilidade, terá que ter seu valor perfeitamente caracterizado, comprovado e quantificado, como disposto na súmula 258 do TST e, no caso em concreto, os filhos dos professores que estudam na instituição não provocaram qualquer aumento de receitas e/ou despesas auferidas monetariamente; Apresenta uma planilha de dados correspondente à relação de alunos bolsistas dependente de funcionários, correspondente ao ano letivo de 2004, com a inclusão da política de descontos do recorrente, em relação à irmãos, para refutar a o argumento da DRJ em Campinas de falta de provas. Na planilha, consoante o relato do contribuinte, verificase que os descontos seriam na média de 30% do valor da anuidade, utilizada como base de cálculo para o lançamento. Com isto pretendese comprovar que, mesmo que os alunos bolsistas, filhos de funcionários pagassem sua anuidade, não seria o valor utilizado como base de cálculo, mas, sim o valor considerado reduzido em 30% do seu valor normal; Anexa ao recurso nova planilha com alguns contratos de prestação de serviços educacionais, por amostragem, para comprovar a política de descontos efetuada pela instituição. Por meio dele é possível verificar que os contratantes receberam descontos por possuírem mais de um filho matriculados; Argumenta ser um absurdo discutir lançamento de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo concedida a filhos de funcionários, onde o valor atribuído às anuidades supera aquele que obteria no caixa, caso estes alunos, pagassem normalmente os serviços prestados . Ao final, requer a procedência do recurso voluntário, com o consequente arquivamento do presente processo, e a improcedência dos lançamentos tributários. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. CONSIDERAÇÕES INICIAIS De início, cabe esclarecer que a DRJ em Campinas/SP julgou tanto o processo principal, quanto os a ele apensos, quais sejam, o processo nº. 19311.000348/200968 e o processo em epígrafe, nº.19311.000349/200911, por se tratarem de matéria correlata e pelo contribuinte se reportar em suas defesas àquele processo. Ademais, no único recurso voluntário apresentado, nos autos do processo principal, o sujeito passivo se reporta a todas as 3 autuações, e por tal razão, aqui se adotará a mesma sistemática. Importante frisar que o ora recorrente se conformou com a decisão recorrida no tocante ao reconhecimento da decadência para as competências de janeiro a setembro de 2004 decorrente do não acolhimento da hipótese levantada pela autuação, a saber, a ocorrência de dolo, fraude, ou simulação. Desta feita, este voto terá como enfoque a possibilidade ou não de bolsas de estudo concedidas a filhos de funcionários de instituição de ensino comporem a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. DO MÉRITO DAS BOLSAS DE ESTUDO PARA FILHOS DE FUNCIONÁRIOS E DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores correspondentes às bolsas de estudo concedidas à dependentes de funcionários da empresa, não considerálas como base de cálculo para a Previdência Social nas folhas de pagamento, nem informálas em GFIP. Em defesa, o contribuinte alega que somente concede referidas bolsas de estudo porque se encontra obrigada por convenção coletiva de trabalho firmada entre os órgãos da classe e que tais concessões não integram o salário dos funcionários nem possuem caráter remuneratório. Por tal razão, não poderiam ser consideradas como componentes do salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse contexto, passamos a adentrar o mérito da questão. A base de cálculo tomada para mensurar o valor da cotização dos segurados é denominada salário de contribuição. O salário de contribuição é grandeza fiscal pecuniária útil para a aferição da contribuição do segurado e do salário de benefício 1e encontrase definido no inc. I, do art. 28, da Lei n. 8.212/91: 1 Martinez, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário 4 ed. São Paulo: LTr, 2011. p. 475. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000349/200911 Acórdão n.º 2403002.234 S2C4T3 Fl. 5 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifamos) Notese que o saláriodecontribuição tem como núcleo principal a remuneração percebida pelo empregado, englobando o salário, a gorjeta e as conquistas sociais, ou seja, benefícios obtidos sem terem correspondência com a prestação direta do serviço, normalmente oriundos de determinação legal, contrato individual ou coletivo de trabalho, como é o caso que ora se analisa. Já se encontra devidamente pacificado que, a partir da Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998, a qual trouxe alterações ao regime de previdência social, as contribuições previdenciárias podem incidir sobre o salário indireto por possuírem natureza salarial. Nesse sentido, cito os acórdãos n. 230200569, 240201216, 230101367, 280300163, 230101471, todos do CARF. O parágrafo 9º, da Lei n. 8.212/91, elenca uma série de hipóteses que não integram o saláriodecontribuição para fins da contribuição previdenciária. A situação que mais se encontra em evidência, no presente caso, é aquela prevista na alínea “t”, que trata sobre a educação básica do trabalhador. Este foi o dispositivo legal utilizado pela DRJ em Campinas para negar provimento ao pleito do sujeito passivo: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No sentir daqueles julgadores, o dispositivo trataria de isenção tributária e como tal, deveria ser interpretado de forma literal. Da leitura da expressão “que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo” poderseia concluir que a isenção não abrangeria os dependentes de empregados e dirigentes, uma vez que o objetivo da isenção estaria direcionado apenas aos funcionários da empresa. Apesar da redação dada à alínea “t” pela Lei n. 9.711, de 20 de novembro de 1998, este conselheiro, o Superior Tribunal de Justiça, e os Tribunais Regionais Federais entendem de forma diversa. O art. 458 das Consolidações das Leis do Trabalho – CLT, inserido no Capítulo II – Da Remuneração, preceitua que, de um modo geral, compreendese no salário, a Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Contudo, no parágrafo 2º, inciso II, do mesmo diploma legal, o legislador excetua do referido conceito as utilidades concedidas pelo empregador para fins de educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V seguros de vida e de acidentes pessoais; VI previdência privada; VII (VETADO) (grifamos) Em 26/10/2011, por intermédio da Lei n. 12.513/11, o legislador alterou a redação da alínea “t”, do parágrafo 9º, do art. 28, da Lei n. 8.212/91, de modo que o normativo se harmonizou com o preceituado na consolidação trabalhista quanto ao conceito de salário e as parcelas dele excluídas. Eis a nova e atual redação: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19311.000349/200911 Acórdão n.º 2403002.234 S2C4T3 Fl. 6 9 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) O mesmo dispõe o parágrafo 6º, do art. 15, da Lei n. 8.036/90, para o FGTS: § 6º Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tudo o que se expôs, percebese que o auxílioeducação ou “bolsas de estudo”, muitas vezes custeado pela empresa, destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos. No caso da Recorrente, por ser Instituição de Ensino, e em razão da função exercida pelos empregados, as bolsas não representaram nenhum dispêndio a este título, ao contrário, um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. No mesmo sentido a apelação n. 1665246 (APELREEX), 1685621 (AC), 1552052 (AC), 299875 (AMS), 297063 (AMS), todos do TRF da 3a Região; com destaque para o seguinte julgado do STJ,de relatoria do Min. Luiz Fux: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) Sabendo então que as bolsas de estudo, seja ela destinada aos empregados ou aos dependentes deste, não possuem natureza salarial, não há que se falar em recolhimento de contribuição previdenciária neste caso. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18239.007126/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OBRIGAÇÕES DO REAPARELHAMENTO ECONÔMICO. RESTITUIÇÃO. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA.
Uma vez que inexiste norma que autorize a restituição de créditos da espécie pela Receita Federal do Brasil, deve ser indeferido o pedido de restituição de crédito relativo a obrigações do reaparelhamento econômico.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
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RESTITUIÇÃO. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. Uma vez que inexiste norma que autorize a restituição de créditos da espécie pela Receita Federal do Brasil, deve ser indeferido o pedido de restituição de crédito relativo a obrigações do reaparelhamento econômico. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 71 26 /2 00 8- 42 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase da pedido de restituição de crédito relativo a Obrigações do Reaparelhamento Econômico, que têm origem nas Leis n° 1.474/1951, n° 1.628/1951 e n° 2.973/1956. Conforme o Despacho Decisório de fls. 103 a 105, o pedido foi negado sob o fundamento de que a Receita Federal do Brasil tem competência legal para reconhecer direito creditório e pagar restituição apenas no que se refere aos tributos e contribuições sob sua administração e que, assim, não cabe a ela restituir valor vinculado aos títulos emitidos em face de valores de empréstimo compulsório recebido pelo BNDE. Cientificado em 09/10/2009 (fl. 108), o Interessado apresentou, em 05/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 109 a 118, na qual alega, em síntese: o pleito foi indeferido com base na alegação de que as Obrigações do Reaparelhamento Econômico emitidas como forma de garantir o pagamento de empréstimo compulsório do imposto de renda possuem a natureza de títulos públicos; a dívida pública representada por títulos públicos é a que resulta de um contrato de crédito, portanto da manifestação de vontade do adquirente; as obrigações do reaparelhamento econômico não foram emitidas para serem subscritas por qualquer cidadão, mas para serem compulsoriamente entregues, como garantia de devolução de empréstimo compulsório; em virtude de sua natureza tributária, foram as cártulas administradas pela Secretaria da Receita Federal, conforme Decreto n° 63.659, de novembro de 1968. A DRJ ao apreciar os argumento da recorrente julgou a manifestação de inconformidade improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DE OBRIGAÇÕES DO REAPARELHAMENTO ECONÔMICO. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. Deve ser indeferido o pedido de restituição de crédito relativo a obrigações do reaparelhamento econômico, uma vez que inexiste norma que autorize a restituição de créditos da espécie pela Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18239.007126/200842 Acórdão n.º 2202002.467 S2C2T2 Fl. 3 3 Cientificado, a contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou, o Recurso Voluntário, de reiterando as razões da sua impugnação. Destaquemse os seguintes pontos: Do regime constitucional dos empréstimos compulsórios; Da identidade e diferença no regime jurídicomaterial do títulos públicos; Da tipificação das obrigações do reaparelhamento econômico. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O reconhecimento de pedidos de restituição, no âmbito da Receita Federal do Brasil, é regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. O art. 2º da referida Instrução Normativa delimita a competência do órgão relativamente à matéria, na medida em que autoriza o processamento de restituições tãosomente na hipótese em que o crédito reclamado tenha sido recolhido a título de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Se não, vejamos o disposto no art. 2º, caput e parágrafo primeiro: Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Essa delimitação do âmbito de competência da RFB encontra supedâneo lega llno art. 165 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcritos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: (...) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utili zálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer t ributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18239.007126/200842 Acórdão n.º 2202002.467 S2C2T2 Fl. 4 5 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) A mesma instrução normativa assevera, em caráter excepcional, que a Receita Federal poderá promover a restituição de outros créditos, que não aqueles relativos a tributos e contribuições administrados pelo órgão, desde que: (a) os valores se referiram a receitas arrecadadas mediante DARF e (b) o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. É o que dispõe o parágrafo segundo do mesmo art. 2º da IN SRF nº 660/2005: § 2º A SRF promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Diante desses limites normativos, não vejo como dar provimento ao pedido do contribuinte, dado que a restituição requerida diz respeito a crédito de natureza não tributária. Ou seja, o valor reclamado não corresponde a crédito derivado de tributos ou contribuições administrados pela RFB e nem a valor recolhido por meio de DARF, de maneira que o reconhecimento do direito de restituição reclamado foge à competênciaia da Receita Federal. O fato de as cártulas de obrigações do reaparelhamento econômico terem sido emitidas com o objetivo de garantir o pagamento de um empréstimo compulsório, segundo doutrina e jurisprudência mencionada na manifestação de inconformidade, em nada socorre a tese da recorrente. Conforme certifica a jurisprudência, não se pode confundir a relação jurídica original, relativa à arrecadação de valores pelo Estado na forma de empréstimo compulsório, com a relação jurídica consecutiva, correspondente ao direito de os contribuintes exigirem do Poder Público a devolução dos valores anteriormente desembolsados. A primeira apresenta natureza tributária e a segunda, natureza administrativa. Tratando de situação análoga – obrigações da Eletrobrás –, o Superior Tribunal de Justiça tem decidido, reiteradamente, que a devolução de empréstimo compulsório não é matéria tributária, consoante assentado pela Ministra Eliana Calmon, nos autos do RESP nº 694.051, de 22/03/2005, cuja ementa transcrevo a seguir TRIBUTÁRIO – EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DA ELETROBRÁS – INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. (...)3. No empréstimo compulsório estabelecemse duas relações: a existente entre o Estado e o contribuinte, regida por normas de direito tributário e a existente entre o contribuinte e o Poder Público com vista à devolução do que foi desembolsado, a qual nada tem de tributário, por tratarse de crédito comum. Com vistas a afastar eventuais dúvidas a respeito do entendimento exarado no referido acórdão, transcrevo um pequeno excerto do voto da Ministra: A partir da identificação da natureza jurídica do empréstimo compulsório, podese dizer que é ele uma espécie tributária diferente, de tal modo que, na clássica lição de Alfredo Augusto Becker, há no empréstimo compulsório duas ordens de relação: a relação jurídica que se estabelece entre o sujeito ativo (o Estado) e o sujeito passivo (o contribuinte), Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 cabendo ao primeiro exigir e ao segundo pagar; essa relação é de direito tributário, inquestionavelmente. Há, ainda, uma segunda relação, de natureza administrativa, em que o sujeito ativo é o particular que, como contribuinte, passa a ter o direito de exigir do sujeito passivo, o Estado, a devolução do que desembolsou. O STJ tem decidido, categoricamente, que as “Obrigações do Reaparelhamento Econômico” subsumemse à modalidade “títulos da dívida pública”, conforme sedimentado no voto do Ministro relator, José Salgado, ao relatar o RESP nº 763.411PR, publicado no DJ em 03/04/2006: As questões jurídicas envolvendo os Títulos da Dívida Pública emitidos pelo Governo Brasileiro até meados do século passado têm gerado controvérsias que estão a exigir estável comportamento jurisprudencial.Cuidase, no recurso em debate, de definição acerca do aspecto prescricional. No particular, reconheço como corretos os fundamentos desenvolvidos pelo acórdão recorrido e a conclusão a que chegou. Transcrevo, por essa razão, o seu inteiro teor (fls. 127/128): Concluindo: tendo o título da dívida pública em questão sido emitido em 1956, e não sido resgatado oportuna mente, há de ser reconhecido o transcurso do lapso prescricional previsto no art. 3º do DL nº 396/68. O acórdão em questão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. APÓLICES DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDAS EM 1956 (OBRIGAÇÕES DO REAPARELHAMENTO ECONÔMICO RESGATE. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. DECRETOSLEIS NºS 263/64 E 396/68. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONDENAÇÃO EXORBITANTE. REDUÇÃO. POSSIBILIDADE. PRONUNCIAMENTO DA CORTE ESPECIAL. 1. Tratam os autos de ação declaratória ajuizada por COMERCIAL DE MÓVEIS HUNTER LTDA. em face da UNIÃO em que se discute a validade de apólice de dívida pública emitida em 1956, a fim de que se possa usufruir os direitos de crédito decorrentes, em especial o seu valor mobiliário, que seria de R$ 2.025.461,77 (dois milhões, vinte e cinco mil, quatrocentos e sessenta e um reais e setenta e sete centavos). Sentença reconhecendo a ocorrência de prescrição e julgando improcedente o pedido; condenação da parte autora ao pagamento de honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa. Acórdão do TRF/4ª Região que, à unanimidade, negou provimento à apelação da autora. Recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c", apontado violação dos seguintes dispositivos: art. 6°, §§ 1° e 2°, da LICC; art. 20, §§ 3º e 4°, do CPC; art. 3° do DecretoLei 263/67; art. 3°, § 1°, da Lei 1.474/1951. 2. Títulos da dívida pública emitidos em 1956. Interpretação dos DLs nºs 263/64 e 396/68. 3. A emissão de títulos da dívida pública é um negócio jurídico sujeito a prazos e, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18239.007126/200842 Acórdão n.º 2202002.467 S2C2T2 Fl. 5 7 conseqüentemente, a efeitos prescricionais. A tese da imprescritibilidade, embora tenha encontrado eco na doutrina, não se harmoniza com as regras do nosso ordenamento jurídico. Resgate não ocorrido em tempo oportuno. Prescrição reconhecida. (...) 6. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido. À luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, não restam dúvidas de que o crédito reclamado diz respeito a títulos da dívida pública, de natureza administrativa, e não tributária. Assim sendo, e dado que o processamento de restituições por parte da Receita Federal é restrito à hipótese de créditos relativos a tributos ou contribuições administrados pelo próprio órgão, ou receitas arrecadadas mediante DARF, voto por negar provimento à manifestação de inconformidade. Ante ao exposto, voto negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 04/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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