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Numero do processo: 13819.910088/2011-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/02/2002
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/02/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 88 /2 01 1- 68 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910088/201168 Acórdão n.º 3801003.451 S3TE01 Fl. 182 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910088/201168 Acórdão n.º 3801003.451 S3TE01 Fl. 183 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910088/201168 Acórdão n.º 3801003.451 S3TE01 Fl. 184 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910088/201168 Acórdão n.º 3801003.451 S3TE01 Fl. 185 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910088/201168 Acórdão n.º 3801003.451 S3TE01 Fl. 186 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910088/201168 Acórdão n.º 3801003.451 S3TE01 Fl. 187 7 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13888.916065/2011-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/01/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 65 /2 01 1- 43 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 28/50 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 368,19, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de janeiro de 2002. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 3802002.834 S3TE02 Fl. 84 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2013 (fls. 81 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 11/07/2013 (fls. 80), o recurso voluntário de fls. 55/72, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 78/79, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 3802002.834 S3TE02 Fl. 85 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 78/79). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 3802002.834 S3TE02 Fl. 86 7 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001278/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/11/2005
RECURSO. CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso interposto fora do prazo previsto no artigo 33 do Decreto 70.235/72.
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. PAGAMENTO ANTECIPADO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
No caso dos autos houve pagamento antecipado, fazendo incidir a regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, na conformidade da Súmula 99 do CARF.
APURAÇÃO DO DÉBITO. INCORREÇÕES MATERIAIS.
Havendo incorreções no débito, verificadas mediante diligências fiscais, cabe a respectiva retificação e exclusão do lançamento, se for o caso.
Numero da decisão: 2301-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso de Ofício, na questão da decadência, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso de Ofício, na questão da retificação oriunda de diligência fiscal, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1998 a 30/11/2005 RECURSO. CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso interposto fora do prazo previsto no artigo 33 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. PAGAMENTO ANTECIPADO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). No caso dos autos houve pagamento antecipado, fazendo incidir a regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, na conformidade da Súmula 99 do CARF. APURAÇÃO DO DÉBITO. INCORREÇÕES MATERIAIS. Havendo incorreções no débito, verificadas mediante diligências fiscais, cabe a respectiva retificação e exclusão do lançamento, se for o caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso de Ofício, na questão da decadência, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso de Ofício, na questão da retificação oriunda de diligência fiscal, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso interposto fora do prazo previsto no artigo 33 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. PAGAMENTO ANTECIPADO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). No caso dos autos houve pagamento antecipado, fazendo incidir a regra decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, na conformidade da Súmula 99 do CARF. APURAÇÃO DO DÉBITO. INCORREÇÕES MATERIAIS. Havendo incorreções no débito, verificadas mediante diligências fiscais, cabe a respectiva retificação e exclusão do lançamento, se for o caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso de Ofício, na questão da decadência, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso de Ofício, na questão da retificação oriunda de diligência fiscal, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 12 78 /2 00 7- 30 Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de crédito previdenciário, NFLD n° 37.017.6642, lançado contra a empresa em epígrafe, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades e fundos (Terceiros) incidentes sobre as remunerações consignadas em folhas de pagamento, declaradas e não declaradas em GF1P — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, no período de 09/1998 a 11/2005. Informa o Relatório Fiscal de fls. 357/376, que constituem fato gerador as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos que prestaram serviços à Notificada, cujos valores foram levantados por meio da análise de arquivos digitais, documentos individuais, folhas de pagamento, recibos e livros contábeis, tais como: Diário, Razão, Balancetes mensais e Balancetes Financeiros Patrimoniais. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva, fls.395/40, aditada pelo instrumento de fls. 436/449 e documentação de suporte, fls. 451/489. Dentre outros, apresenta os seguintes argumentos: Diz que reconhece a. dívida correspondente ao FNDE (SalárioEducação) para a qual formalizou pedido de parcelamento, nos termos da MP n° 303/200(docs. fls. 429/434). Alega que houve equívocos quanto aos lançamentos das competências 11/2002, 11/22003, 11/2004 e ll/2005(estabelecimento 00.422.333/000109), assegurando que foram lançados, nesses meses, os valores correspondentes à primeira parcela do décimo terceiro salário, enquanto o correto seria no mês de dezembro de cada ano, quando do pagamento da segunda parcela, como foi realizado pelo CESB, bem como em outras competências, incluindose equívocos no DAL. A DRJ de Brasília determinou o retorno dos autos à DRF de origem a fim de verificar as questões suscitadas e apartar dos autos a parte relativa ao FNDE incluída em parcelamento. A Auditor Fiscal autuante analisando as questões suscitadas entendeu pela exclusão dos valores lançados nas competências 11/2002, 1212002, 1112003, 12/2003, 11/2004, 12/2004, 11/2005, 08/2003 e 02/2004 para todos os estabelecimentos. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10167.001278/200730 Acórdão n.º 2301003.945 S2C3T1 Fl. 1.066 3 Ato seguinte, em Informação Fiscal complementar e de modo a aplicar a Sumula 08 do STF, anulou a conclusão acima e avaliando que haviam sido entregues GFIPs corrigindo valores após o início da ação fiscal, concluiu o seguinte: em relação a possível erro no DAL, o órgão arrecadador digitou o valor de RS10.979,31 como valor do INSS e não como multa e juros. Procede a reclamação do contribuinte; , em relação às supostas diferenças apuradas na competência 11 dos exercícios 2002 a 2005, em que a empresa alega que foram declaradas em GFIP, decorrem as mesmas do fato de os valores entregues pela empresa, por meio da folha de pagamento e fichas financeiras, estarem superiores aos declarados em GFIP; que os valores alterados por GFIP foram considerados; que, anexadas as GFIPs ao processo pelo contribuinte, foram extraídos os valores individualizados, por trabalhador, dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil e confrontados com os valores apurados pela Auditoria Fiscal em 25/08/2006. Desse confronto foram apurados os valores individualmente corrigidos e apontados no arquivo : Comparação entre a Remuneração Definida, GFIP anterior à AF e GFIP entregue durante a AF.PDF entregue ao sujeito passivo e juntado ao processo em mídia digital. A referida apuração leva à correção dos valores das multas lançados mensalmente. Para possibilitar a retificação do lançamento fiscal nos sistemas SICAD e SICOB, os autos foram novamente baixados em diligência para elaboração de planilha retificadora e/ou FORCED, indicando as importâncias a serem excluídas, por competência, estabelecimento e levantamento. Dessas diligências o sujeito passivo foi intimado e apresentou seus respectivos aditamentos à impugnação. A DRJ de Brasília deu parcial provimento à impugnação para acolher a decadência qüinqüenal do artigo 150, § 4º do CTN, bem como acolher as retificações decorrentes das diligências fiscais. Como a exclusão do crédito tributário superou o limite de alçada interpôs recurso de ofício. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário alegando a nulidade do lançamento, bem como a necessidade de se consolidar a NFLD após as retificações. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Conhecimento dos recursos. O recurso de oficio reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 O recurso voluntário, por sua vez, é intempestivo, como detectou a autoridade preparadora às fls. 1064 dos autos, haja vista que a ciência da decisão recorrida deu se em 31/03/2010 (fls 1049) e o recurso somente foi interposto no dia 03/05/2010 (fls. 1052), ou seja, além do trintídio preconizado pelo Decreto nº 70.235/72. Decadência Por se tratar a decadência de matéria cujo reconhecimento prejudica o mérito da demanda administrativa, passo apreciar esse tema em sede de preliminar. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10167.001278/200730 Acórdão n.º 2301003.945 S2C3T1 Fl. 1.067 5 Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos verificase que houve pagamento antecipado nos termos do artigo 150, § 4º do CTN conforme RDA de fls 186 a 200 e RADA de fls. 201 a 269. Nesse sentido a r. decisão recorrida: No caso sob exame, como o crédito previdenciário foi constituído em 24/08/2006, abrangendo as competências 05/1998 a 11/2005, com a ciência do contribuinte em 25/08/2006, e houve a antecipação de parte do pagamento, conforme pesquisa em nossos sistemas, e RDA — Relatório de Documentos Apresentados (fls. 186/200) resta configurada a decadência solicitada, pois o crédito previdenciário poderia ter sido lançado a partir da competência 08/2001. Decisão essa que se encontra em consonância com a Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, há de se reconhecer a decadência parcial do lançamento, com fulcro no artigo 150, § 4º do CTN, devendo ser decotadas as competências compreendidas entre 09/1998 a 07/2001, haja vista que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 25/08/06. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10167.001278/200730 Acórdão n.º 2301003.945 S2C3T1 Fl. 1.068 7 Diligências Como visto, os valores decotados do lançamento em decorrência das diligências fiscais o foram em decorrência de incorreções de ordem material cometidas na NFLD, bem como em reconhecimentos de débitos pelo sujeito passivo, mediante retificações de GFIPs. Ante o exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. Em relação ao recurso de ofício, VOTO no sentido de CONHECÊLO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.722458/2011-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. CÓPIA DA IDENTIDADE. VÍCIO SANADO - PRINCIPIOS DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E BOA-FÉ NA RELAÇÃO COM O CONTRIBUINTE
De acordo com o art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, se sanado o vicio na representação da contribuinte, deve ser conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de garantir a expressão de vontade emanada pelo sujeito passivo. O procedimento administrativo adequado deve estar ajustado com o princípio de eficiência da administração pública e com a boa-fé na relação com o contribuinte.
Numero da decisão: 1802-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. CÓPIA DA IDENTIDADE. VÍCIO SANADO - PRINCIPIOS DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E BOA-FÉ NA RELAÇÃO COM O CONTRIBUINTE De acordo com o art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, se sanado o vicio na representação da contribuinte, deve ser conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de garantir a expressão de vontade emanada pelo sujeito passivo. O procedimento administrativo adequado deve estar ajustado com o princípio de eficiência da administração pública e com a boa-fé na relação com o contribuinte.
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CÓPIA DA IDENTIDADE. VÍCIO SANADO PRINCIPIOS DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E BOA FÉ NA RELAÇÃO COM O CONTRIBUINTE De acordo com o art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, se sanado o vicio na representação da contribuinte, deve ser conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de garantir a expressão de vontade emanada pelo sujeito passivo. O procedimento administrativo adequado deve estar ajustado com o princípio de eficiência da administração pública e com a boafé na relação com o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 24 58 /2 01 1- 78 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 37 2 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos não conheceu a impugnação apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Tratase de processo que cuida de: A) auto de infração lavrado contra empresa optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional); e B) exclusão do Simples Nacional mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 31/2011 (fls. 95, numeração eletrônica), o qual exclui a empresa a partir de 01/07/2007. Auto de infração 2. Os valores lançados, por tributo, foram os seguintes: a) IRPJ...........R$ 11.158,65 (fls. 63/69); b) PIS/Pasep ..R$ 4.688,87 (fls. 70/76); c) Cofins.......R$ 22.033,29 (fls. 77/82); d) CSLL......R$ 8.037,29 (fls. 84/90); e 2.1 Sobre esses valores incidiram a multa de ofício de 75% e os juros de mora. 3. Segundo o auto de infração de IRPJ, foi imputada à empresa a seguinte infração: Receita operacional omitida (Atividade não imobiliária). Revenda de mercadorias. 4. Os enquadramentos legais podem ser observados nos campos respectivos de cada lançamento. 5. Os fatos geradores lançados referemse aos meses de julho a dezembro de 2007 e o lucro foi arbitrado. 6. Segundo o termo de fls. 58/62, foram estes os fatos e circunstâncias que levaram à autuação: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 39 4 6.1 Foi identificada omissão de receitas, quando comparadas a receita apurada com a declarada, conforme demonstrativos de fls. 59. 6.2 A contabilidade da empresa foi desconsiderada, uma vez que, no período, não registrava “...o volume financeiro relativo às vendas realizadas, omitindo R$ 867.046,54, revelando evidentes indícios de fraude, erros ou deficiências que a tornam imprestável para ser considerada para fins tributários, ...”. 6.3 Diante dos fatos descritos, a fiscalização justificou a aplicação da multa qualificada de 150%. Exclusão do Simples Nacional 8. A exclusão do Simples Nacional se deu mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 31/2011 (fls. 95, numeração eletrônica), o qual assim dispôs: (…) 9. O interessado, por meio das peças de fls. 98/104, 123/129, 147/154, 171/177, impugnou as exigências, alegando, em síntese: 9.1 que todos os dados foram espontaneamente informados à Receita Federal; logo, não há que se falar em omissão de receitas; 9.2 que sua escrituração seguiu os ditames legais; e 9.3 que os valores lançados não podem ser reconhecidos como receita. 10. Encaminhado os autos para julgamento, o então Serviço de Controle e Julgamento – Secoj desta delegacia, conforme despacho de fls. 196, devolveu os autos para a autoridade preparadora, nos seguintes termos: Senhora Chefe, Da análise dos presentes autos constatase ausência documento de identidade do signatário da impugnação, Sr. HELIO BELOTTI SANTOS. Em vista do exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à SECAT/DRF/VITES, para que intime a interessada a apresentar cópias de documento de identidade ou assinar a impugnação na presença de um funcionário público conforme art.9º do Dec. 6932/2009, Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 40 5 salientando a necessidade de dar conhecimento de que o não atendimento ao solicitado acarretará no não conhecimento do recurso apresentado. 10. De sua vez, a autoridade preparadora (fls. 197), em 11/11/2011, nos termos propostos pelo Secoj, emitiu intimação ao contribuinte, a qual foi dirigida ao mesmo endereço do interessado, conforme registrado em nossos sistemas. Como se vê às fls. 199, o Aviso de Recebimento retornou sem registro do recebimento. 11. Foi, então, emitido o Edital Secat 001/2012, com afixação 09/01/2012, e desafixação em 31/01/2012, de modo a cientificar o contribuinte da omissão na representação detectada na diligência (fls. 202). 12. Sem que o interessado se manifestasse com relação à irregularidade detectada na representação, o processo, em 12/04/2012, retornou para a DRJ/RJ1 para julgamento (fls. 203). A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) não conheceu da impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. DEFICIÊNCIA. CONFERÊNCIA DA ASSINATURA. DOCUMENTO DE IDENTIDADE DO PROCURADOR. FALTA. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. A deficiência na representação processual do sujeito passivo, não sanada após intimação, impede o conhecimento das razões da impugnação. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 25/07/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/08/2012, onde: a) alega que não há lei que exija documento do procurador, de modo que a exigência contida no site da RFB constitui abuso de poder; b) alega que houve vício na citação por edital; c) reitera os argumentos de direito. Este é o Relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra empresa optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional); e exclusão do Simples Nacional mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 31/2011 (fls. 95, numeração eletrônica), o qual exclui a empresa a partir de 01/07/2007. Alega a recorrente em síntese que: a) foi nula a decisão de primeira instância pois inexiste nas normas processuais administrativas, qualquer exigência de juntada de documento de identidade do signatário da impugnação; b) na mera informação no sítio da Receita Federal não se vislumbra os critérios “autoridade + procedimento” para ser considerada como norma jurídica a ser seguida pelo administrado, não podendo ser invocada como óbice para o conhecimento da impugnação apresentada; c) é viciada a intimação realizada por edital pois não se esgotaram as formas de intimação previstas no art. 23 do Decreto 70.235/72, principalmente a via pessoal; d) sendo o endereço da recorrente o mesmo até o momento, tendo sido as intimações enviadas todas sempre por via postal, deveria ter sido enviado novamente a intimação via postal ou efetivada a ciência pessoal da solicitação para apresentação do documento de identidade do procurador; e) a intimação deveria ter sido enviada ao procurador já que era o único que detinha o documento de identidade não havendo tampouco exigência de que o advogado se identifique no processo mediante apresentação da carteira da OAB. E no mérito que: f) todos os dados foram espontaneamente informados à Receita Federal; logo, não há que se falar em omissão de receitas; g) sua escrituração seguiu os ditames legais; e h) que os valores lançados não podem ser reconhecidos como receita. Não obstante haver fundadas razões para exigência da correta identificação das partes e principalmente do subscritor de petições endereçadas à Administração Tributária, não se pode olvidar que no presente processo as mais comezinhas regras de conduta na relação processual foram relegadas pelas autoridades preparadoras. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 42 7 Com efeito, conforme se observa dos documentos acostados aos presentes autos, as diversas intimações durante o procedimento fiscal foram realizadas através da via postal, sempre no endereço ainda hoje o domicílio fiscal da recorrente. Também o auto de infração e o termo de verificação e encerramento da ação fiscal, ato declaratório de exclusão do simples, foram enviados igualmente pela via postal. Assim, demonstrase pouco razoável e incompatível com o devido processo legal contentarse a autoridade preparadora, com a suposta não localização do destinatário sem ao menos procurar efetivar uma nova tentativa ou mesmo um contato telefônico no sentido de obter a cópia da identidade do subscritor da impugnação. Fácil verificar, que a ciência da decisão de primeira instância deu pela via postal e no mesmo endereço em que foram enviadas e recebidas as intimações e o auto de infração. Não há outrossim, exigência de reconhecimento de firma ou apresentação de documento de identidade nas petições apresentadas perante a Administração Pública Tributária, exceto nos casos previstos em lei; dúvida na autenticidade da assinatura ou para resguardo do sigilo, conforme dispõe o art. 4º do Decreto 7.574/2011: Art. 4º É dispensado o reconhecimento de firma em petições dirigidas à administração pública, salvo em casos excepcionais ou naqueles em que a lei imponha explicitamente essa condição, podendo, no caso de dúvida sobre a autenticidade da assinatura ou quando a providência servir ao resguardo do sigilo, antes da decisão final, ser exigida a apresentação de prova de identidade do requerente (Lei no 4.862, de 29 de novembro de 1965, art. 31). Constatase que não invocou a autoridade preparadora da DRJ qualquer uma das exceções previstas, para apresentação da carteira de identidade do patrono, limitandose a fixar a exigência, enquanto a decisão afirmou vagamente tratarse de exigência contida no sítio da Receita Federal do Brasil, à qual caberia obediência cega, sem apresentar qualquer fundamento legal para a medida. Por outro turno, por ocasião da formalização do recurso voluntário, apresentou o patrono da recorrente, fotocópia autenticada de sua carteira de identidade suprindo a suposta irregularidade na representação processual. A jurisprudência administrativa é enfática em dar guarida em ao desejo emanado pela vontade do sujeito passivo em se fazer representar na lide do processo administrativo, representado por procurador habilitado embora o fazendo após a apresentação da impugnação na primeira instância. A esse respeito, valhome do Acórdão 10196.713, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 43 8 Anoscalendário: 1990 a 1992 Ementa: PROCURAÇÃO — VÍCIO SANADO — PRINCIPIOS DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E BOAFÉ NA RELAÇÃO COM O CONTRIBUINTE De acordo com o art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, se sanado o vicio na representação da contribuinte, deve ser conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de garantir a expressão de vontade emanada pelo sujeito passivo. O procedimento administrativo adequado deve estar ajustado com o princípio de eficiência da administração pública e com a boafé na relação com o contribuinte. Também no acórdão 10196.713 da 1ª Câmara 1º CC: Sobre a regularidade da procuração de fls. 51, outorgada a Sônia Pinheiro Gonzaga de Lima Vieira, não obstante haver sido outorgada por um Diretor e um sócio da pessoa jurídica, entendo que dita irregularidade foi sanada com a Procuração de fls. 129, apresentada com o recurso, outorgando à mesma procuradora poderes para representar a contribuinte nos autos do presente processo administrativo, devidamente assinada por dois diretores, conforme exige o Contrato Social da empresa. Observese que de acordo com o art. 37 da Constituição Federal, a Administração Pública é regida, dentre outros, pelos princípios da moralidade e da eficiência, de modo que, uma vez sanado o vício na representação da contribuinte, deve ser conhecida a Manifestação de Inconformidade apresentada, a fim de garantir a expressão de vontade emanada pelo sujeito passivo. O procedimento administrativo adequado deve estar ajustado com o princípio de eficiência da administração pública e com a boafé na relação com o contribuinte. Não é outra a linha de decisão dos tribunais superiores, senão vejamos o julgado do Superior Tribunal de Justiça: RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. AÇÃO PROPOSTA PELA ASSOCIAÇÃO APCEF CONTRA A FUNCEF E A CEF. PLANOS DE BENEFÍCIOS. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA Nº 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 211/STJ. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. ASSOCIAÇÃO QUE ATUA EM JUÍZO COMO REPRESENTANTE Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 44 9 PROCESSUAL DE SEUS FILIADOS. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO EM ESTATUTO E EM ASSEMBLEIA GERAL. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. DEFEITO SANÁVEL NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. 1. O recurso especial que indica violação do artigo 535 do Código de Processo Civil, mas traz somente alegação genérica de negativa de prestação jurisdicional, é deficiente em sua fundamentação, o que atrai o óbice da Súmula nº 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. A ausência de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmula nº 211/STJ). 3. Assente a jurisprudência desta Corte no sentido de que não supre a exigência do prequestionamento a simples menção feita pelo Tribunal local de que os embargos de declaração teriam sido acolhidos "para fins de prequestionamento". 4. Segundo o princípio da instrumentalidade das formas, não se decreta nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief). 5. Da associação que atua em juízo na defesa de seus filiados como representante processual, exigese, para a propositura de ação ordinária na defesa de seus interesses, além da autorização genérica do estatuto da entidade, a autorização expressa dos filiados, conferida por assembléia geral. 6. Em observância ao princípio da instrumentalidade das formas, a regularização na representação processual é vício sanável nas instâncias ordinárias, mesmo em segundo grau de jurisdição, não devendo o julgador extinguir o processo sem antes conferir oportunidade à parte de suprir a irregularidade. (REsp 980.716/RS, 03/09/2013, 3ª Turma STJ rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva). Com efeito, tendo a contribuinte promovido a regularização do suposto vício na representação processual e sendo evidente a deficiência no meio empregado para intimar o contribuinte a apresentar documento que a juízo da autoridade julgadora, era essencial para o conhecimento da impugnação, é de ser respeitada e apreciada a impugnação apresentada tempestivamente. Por todo o exposto, e considerando que as questões de mérito não foram apreciadas pela DRJ, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.722458/201178 Acórdão n.º 1802002.198 S1TE02 Fl. 45 10 voluntário, determinando o retorno dos autos para que nova decisão seja proferida, dessa vez analisando e julgando o mérito. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10073.900463/2010-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 138 1 137 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.900463/201053 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.067 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 04 63 /2 01 0- 53 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.900463/201053 Acórdão n.º 3802003.067 S3TE02 Fl. 139 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.900463/201053 Acórdão n.º 3802003.067 S3TE02 Fl. 140 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10283.901786/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMPs) originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ANÁLISE INTERROMPIDA. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP’s) originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DCOMP), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. Recurso provido em parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 17 86 /2 00 9- 55 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901786/200955 Acórdão n.º 1803001.988 S1TE03 Fl. 90 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0120.503 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 52 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 26/09/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 3.943,72 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 30/06/2003, no valor originário de R$ 170.968,67. A Delegacia de origem, em análise datada de 25/03/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 02/04/2009, a interessada apresentou, em 04/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 11/18): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901786/200955 Acórdão n.º 1803001.988 S1TE03 Fl. 91 3 conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 25/01/2011, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0120.503 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901786/200955 Acórdão n.º 1803001.988 S1TE03 Fl. 92 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 24/02/2011 (quintafeira) (AR constante das fls. 56), a SHOWA DO BRASIL LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0120.503, recorre em 24/03/2011 (fls. 57 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “ISTO POSTO, amparada nos argumentos de fato e de direito aduzidos neste RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pede aos Senhores Conselheiros que: a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0120.5033ª Turma da DRJ/BEL, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2004, conforme DARF recolhido em 30/06/2003. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância e ratificada pelo Acórdão nº 0120.503 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas nºs 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901786/200955 Acórdão n.º 1803001.988 S1TE03 Fl. 93 5 compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, ao qual rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 10283.900182/200991 da mesma Recorrente, na sessão de dezembro de 2012, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.600, que teve a seguinte ementa “verbis”: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.”. Desta forma voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.901786/200955 Acórdão n.º 1803001.988 S1TE03 Fl. 94 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 10218.000571/2006-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2001
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF.
TERMO INICIAL.
Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador.
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo para sanar a omissão no acórdão embargadoa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DRJBELÉM/PA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2001 ACÓRDÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Acolhemse os embargos de declaração interpostos para sanear omissão em decisão que não declinou expressamente seus fundamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL. Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeito modificativo para sanar a omissão no acórdão embargadoa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 05 71 /2 00 6- 56 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 415 a 430) interposto pelo LEOROCHA MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA. contra o Acórdão nº 019.415, de 2 de outubro de 2007, da DRJ/BEL, fls. 399 a 407, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei nº 11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. MPF. FALHAS PROCEDIMENTAIS. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DEZ ANOS. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10218.000571/200656 Acórdão n.º 3403003.055 S3C4T3 Fl. 514 3 O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente Os presentes autos versam sobre determinação e exigência de crédito tributário referente a Contribuição Social que deixou de ser declarada e paga, em face de nova apuração procedida pela Fiscalização da DRFMarabá, para adicionar à base de cálculo apurada pelo contribuinte as receitas de serviços relativos à habilitação de celulares e outras tarefas contratadas com Telepará Celular S/A e Amazônia Celular S/A. Impugnado o feito, a DRJ/BEL houve por bem em julgar o lançamento procedente, em julgado com a ementa acima transcrita. Em recurso voluntário, o autuado, em pediu reforma da decisão da DRJ/BEL, reapresentando os mesmos argumentos já defendidos por ocasião da interposição da impugnação: a) Decadência do direito da Fazenda pública de promover a constituição do crédito tributário, e; b) Nulidade formal do lançamento, por incapacidade do agente, em face da não apresentação do mandado de procedimento fiscal. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção, em julgamento ocorrido em 10 de março de 2009, deu provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 31/10/2001 e 30/11/2001, alcançado pela decadência. O Acórdão nº 2803000.007, folhas 436 a 439, foi assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Ementa:MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Tendo ocorrido antecipação do pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário passa a fluir da data de ocorrência do fato gerador. Recurso Provido em Parte A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional embargou tempestivamente o feito (fls. 443 e 444), alegando que o acórdão foi omisso ao não identificar, com base na prova constante dos autos, a antecipação parcial do pagamento que remeteria a contagem do prazo decadencial para a regra do art. 150, § 4º do CTN. Os aclaratórios foram acolhidos. Nada obstante, porquanto inexistiam nos autos qualquer informação sobre a existência das antecipações que justificassem o emprego da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o julgamento dos embargos foi convertido em diligência, baixandose o processo à autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte, para que ela informasse a existência de pagamentos a título de PIS (cód. 8109) e COFINS (cód. 2172) nos períodos de apuração do anocalendário de 2001. A DRF/BEL produziu então o demonstrativo de fls. 468, abaixo reproduzido: TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO DATA DO RECOLHIMENTO VALOR ORIGINAL RECOLHIDO 2172 jan01 15/02/2001 20/04/2001 9.844,89 2172 jan01 15/02/2001 02/09/2004 442,03 10.286,92 2172 fev01 15/03/2001 06/04/2001 10.354,84 2172 fev01 15/03/2001 02/09/2004 102,52 10.457,36 2172 mar01 11/04/2001 16/04/2001 14.573,10 2172 abr01 15/05/2001 15/05/2001 10.026,85 2172 mai01 15/06/2001 13/07/2001 10.247,76 2172 jun01 13/07/2001 13/07/2001 13.209,03 2172 jul01 14/08/2001 14/08/2001 13.745,44 2172 ago01 14/09/2001 14/09/2001 14.923,81 2172 set01 15/10/2001 15/10/2001 10.126,59 2172 out01 14/11/2001 14/11/2001 12.453,23 2172 nov01 14/12/2001 13/12/2001 12.559,96 2172 dez01 15/01/2002 15/01/2002 15.353,63 8109 jan01 15/02/2001 03/04/2001 2.133,06 8109 fev01 15/03/2001 03/04/2001 2.243,55 8109 mar01 11/04/2001 16/04/2001 3.157,50 8109 abr01 15/05/2001 15/05/2001 2.172,48 8109 mai01 15/06/2001 13/07/2001 3.330,52 8109 jun01 13/07/2001 13/07/2001 2.861,96 8109 jul01 14/08/2001 14/08/2001 2.978,18 8109 ago01 14/09/2001 14/09/2001 3.233,49 8109 set01 15/10/2001 15/10/2001 2.194,10 set01 15/10/2001 01/09/2004 1.039,39 set01 15/10/2001 31/08/2005 6,00 1.072,39 8109 out01 14/11/2001 14/11/2001 2.698,20 out01 14/11/2001 31/08/2005 6,00 2.704,20 8109 nov01 14/12/2001 13/12/2001 2.721,33 8109 dez01 15/01/2002 15/01/2002 3.326,62 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10218.000571/200656 Acórdão n.º 3403003.055 S3C4T3 Fl. 515 5 As referências às numerações de folhas dizem respeito ao processo em papel. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Os aclaratórios da PGFN são manifestamente tempestivos, posto que formulados no dia seguinte ao de intimação da decisão embargada. Ademais, o voto do Acórdão nº 380300.007, efetivamente, não declinou os motivos que o levaram a utilizar a data de ocorrência do fato gerador como termo inicial do prazo decadencial, consoante a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Preliminar de decadência Conforme já referi, na decisão embargada, em havendo antecipação, total ou parcial, dos recolhimentos, conforme exige o art. 150, § 1º do CTN, o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Caso não haja recolhimento, aplicarse a regra do inc. I do art. 173. No caso concreto, verificase que o contribuinte, ainda que parcialmente, tomou a providência preconizada no art. 150, § 4º do CTN, pelo que, em 14/12/2006, data da lavratura do Auto de Infração de que se trata, estava decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos em 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001 e 30/11/2001. Cancelese portanto o lançamento de principal correspondente a esses períodos de apuração, bem assim o de seus consectários legais. Conclusões Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração da PGFN, para integrar a decisão embargada, mantendo contudo a decisão de dar parcial provimento ao recurso e cancelar o lançamento de ofício referente aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2001 e 30/11/2001, na linha da Súmula STF nº 8. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13971.001287/2003-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
FALTA DE MPF. REVISÃO DE DIRPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
No tratamento automático da declaração (malha fina) fica dispensado a emissão de MPF, mesmo que o contribuinte tenha que ser intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos.
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
GLOSA. DEDUÇÃO. INSTRUÇÃO. DEPENDENTE.
Não comprovado o pagamento das despesas com instrução, como requerido pela fiscalização, é dever manter a glosa de tal dedução.
MULTA DE OFÍCIO.
A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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REVISÃO DE DIRPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. No tratamento automático da declaração (malha fina) fica dispensado a emissão de MPF, mesmo que o contribuinte tenha que ser intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. GLOSA. DEDUÇÃO. INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. Não comprovado o pagamento das despesas com instrução, como requerido pela fiscalização, é dever manter a glosa de tal dedução. MULTA DE OFÍCIO. A Multa de ofício é devida no caso de falta de recolhimento ou declaração inexata. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 12 87 /2 00 3- 19 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 125 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/FNS (Fls. 90), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 11, integrado pelos documentos de fls. 12 a 18, pelo qual se exige a importância de R$ 11.487,54 (um mil e quatrocentos e oitenta e sete reais e cinqüenta e quatro centavos) a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, acrescida da multa de oficio de 75% e juros devidos à época do pagamento. Em decorrência do trabalho de revisão interna, conforme demonstrativo de infração de fls. 14, a autoridade revisora constatou as seguintes irregularidades na declaração do contribuinte: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. OMISSÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DO BANCO SANTANDER (CNPJ 61.472.676/000172), SUCESSOR DO BANCO GERAL DO COMÉRCIO S/A, REFERENTES AO PROCESSO TRABALHISTA N 1208/92 DA 2 A• VARA DO TRABALHO DE BLUMENAU, NO VALOR DE R$ 43.511,86 (ALVARÁ JUDICIAL LEVANTADO EM 20/10/2000 NO VALOR DE R$ 54.389,33 MENOS 0 VALOR DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE R$ 10.877,97). (..) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 126 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, OMISSÃO DE RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, DE SUDAMERES GENERALLI (CNPJ 33.072.307/000157), NO VALOR DE R$ 900,00, (..) DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAH. GLOSA PARCIAL DO VALOR LANÇADO COMO CONTRIBUÇÃO À PREVIDÊNCIA E FAPI. TENDO EM VISTA QUE, APÓS INTIMADO, O CONTRIBUINTE APRESENTOU COMPROVANTE APENAS DO VALOR DE R$ 36,62, CONSTANTE DO INFORME DE RENDIMENTOS DO UNIBANCO (CNPJ 33.700.38410001/40). (.) DEDUÇÃO INDEVIDA A TITULO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. GLOSA PARCIAL DO VALOR LANÇADO COMO DESPESAS COM INSTRUÇÃO, TENDO EM VISTA QUE, APÓS INTIMADO O CONTRIBUINTE E CONSULTADOS OS BENEFICIÁRIOS DA DEESPESA, RESTARAM COMPROVADOS APENAS OS SEGUINTES VALORES: R$ 2.040,00 PAGOS AO CENTRO EDUCACIONAL PINGO DE GENTE, REFERENTES AO DEPENDENTE LUIZ GUILHERME SEIBEL, AJUSTADO AO LIMITE INDIVIDUAL DE R$ 1.700,00; E R$ 185,31 PAGOS AO COLÉGIO BOM JESUS SANTO ANTÓNIO, REFERENTES Á DEPENDENTE MARIA AMÁLIA SEIBEL.(.) DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE ESPESAS MÉDICAS. GLOSA PARCIAL DOS VALORES LANÇADOS COMO DESPESAS MÉDICAS, TENDO EM VISTA QUE, APÓS INTIMADO, 0 CONTRIBUINTE LOGROU COMPROVAR APENAS OS SEGUINTES VALORES: R$ 740,88 REFERENTE CONTRIBUIÇÃO À FUNDAÇÃO SUDAMERIS E R$ 996,98 REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO À UNIMED. (.) DEDUÇÃO INDEVIDA DO IMPOSTO. GLOSA DO VALOR LANÇADO COMO DEDUÇÃO DE INCENTIVO, POR FALTA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. (.) Inconformado, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 1 a 10, apresentando inicialmente um breve relato do feito fiscal e expondo em seguida as razões de sua irresignação. Inicialmente, argúi a nulidade presente Auto de Infração, por este não estar escorado em Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido, nos termos da Portaria nº 1.265, de 22 de novembro de 1999. Aduz, ainda, que o procedimento fiscal não se enquadra na hipótese de dispensa da prévia emissão do MPF, prevista no art. 11, inciso IV da Portaria SRF n° 3.077/2001, pois não houve apenas uma conduta interna da Receita Federal, tanto que o contribuinte foi intimado para fins de que outros elementos fossem trazidos ao processo. No mérito, alega, em síntese, o caráter indenizatório dos rendimentos recebidos em ação judicial, uma vez que as verbas Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 127 4 recebidas, vinculadas a diferenças de verbas devidas quando da rescisão de contrato de trabalho e não adimplidas, tem natureza indenizatória, assim como as indenizações por rescisão de contrato de trabalho são isentas do imposto de renda (art. 39, XX, do RIR/1999), requerendo o cancelamento do lançamento relativo a essa matéria. Questiona a glosa das despesas com educação relativas a dependente Maria Amália Seibel, por entender que na documentação apresentada a autoridade fiscal, duas declarações do Colégio Bom Jesus Santo Antônio, está expresso o vinculo com o estabelecimento educacional e o custo do curso, que foi de 12 parcelas de R$ 213,00, descontado, de cada uma delas, o valor de R$ 27,69 referente a descontos por pagamento no vencimento. Alega que a imposição de multa de oficio de 75% sobre o valor dos créditos referentes as pretensas irregularidades cometidas se mostra excessiva. Primeiro, porque não houve omissão de rendimentos, uma vez que o valor que autoridade lançadora entende ser tributável sempre esteve na declaração de rendimentos, inobstante a discordância da classificação como rendimento isento ou não tributável, não podendo incidir, nesse caso, o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, somente aplicável quando o contribuinte omite da autoridade lançadora a aquisição do rendimento. Em face do menor potencial ofensivo da conduta do impugnante, a multa deve ser cancelada, ou, caso assim não seja deferido, reduzido o percentual a 20%, que é o limite máximo exigível a titulo de multa de mora. Cita, ainda, que a gravosidade da multa de oficio fica juridicamente demonstrada quando se tem em vista o disposto no art. 150, IV, da Constituição Federal (principio do não confisco). Por fim, alega a inexigibilidade dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, uma vez que tal taxa é ilegal e inconstitucional, porquanto: a) não foi criada por lei e nem para fins tributários; b) possui caráter remuneratório e feições de índice de correção monetária; c) seu uso traz como pressuposto implícito uma irregular equiparação entre investidores/aplicadores e contribuintes/sujeitos passivos da relação jurídicotributária e d) representa aumento de tributo, em desrespeito ao principio da estrita legalidade tributária previsto no inciso I do art. 150 da Constituição Federal. Requer, por tais razões, seja declarada a inexigibilidade dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, aplicandose, em substituição, o percentual de 1% previsto no parágrafo 10 do artigo 161 do Código Tributário Nacional. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar o Lançamento procedente, em decisão que restou dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Cientificado em 15/09/2008 (Fls. 103), o recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/10/2008 (Fls. 104 a 115), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 128 5 Em 17 de outubro de 2012, (Fls. 119 a 123) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou a pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. O litígio se restringe, nesta fase processual, apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão da ação da ação judicial, a glosa das despesas com instrução de dependente, a aplicação da multa de ofício e a aplicação dos juros pela taxa selic. De início verifico que o recorrente alega a preliminar de nulidade em virtude da inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Sem dúvida a ausência de MPF, nos casos em que se é exigido, acarreta a nulidade da autuação. Contudo, entendo no mesmo sentido da DRJ de que a revisão de DIRPF não está elencada entre os procedimentos de fiscalização que necessitam de MPF; conforme disciplinado no art. 11, IV, da Portaria SRF 3.007/2001: Art 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Parágrafo único. Na hipótese de realização de diligência, em decorrência dos procedimentos fiscais de que trata este artigo, deverá ser emitido MPFD. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 129 6 Assim, dado tratamento automático da declaração (malha fina) fica dispensado a emissão de MPF, mesmo que o contribuinte tenha que ser intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, quanto a omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente, observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 130 7 Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica no julgado abaixo: Data da Publicação12/02/2014 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 131 8 pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 132 9 Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 133 10 Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, na parte referente a omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente. Quanto a glosa das despesas com instrução, observo que o contribuinte anexou duas declarações da instituição de ensino para comprovar os pagamentos realizados. (docs de páginas 66 e 67 dos autos) Em tais declarações está posto que a dependente Maria Amália Seibel cursou o Colégio Bom Jesus Santo Antonio e que o custo de cada mensalidade seria de 12 parcelas de R$213,00, descontado, de cada uma, o valor de R$27,69. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 134 11 Contudo, em resposta a intimação da RFB, o Colégio Bom Jesus Santo Antonio afirma que efetivamente só recebeu a quantia de R$185, 31; quantia esta já considerada pela fiscalização. (doc. página 60 dos autos) Como se percebe, as duas declarações apresentadas pelo contribuinte não fazem prova dos pagamentos e não contradizem a informação prestada para a RFB pelo estabelecimento de ensino. Salientese que o contribuinte já havia sido alertado pela DRJ acerca da falta de provas do pagamento e mesmo assim não anexou qualquer outra prova. Razão pela qual a glosa da despesa com instrução com a dependente Maria Amália Seibel deve ser mantida. Melhor sorte não resta ao recorrente no que concerne ao seu pedido de improcedência da multa de ofício e da aplicação de juros de mora – SELIC. Quando ao pedido de não aplicação da multa de ofício, não há como ser acatado, em razão do disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/ 96, que prega: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso o lançamento promoveu, dentre outra infrações, omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada, dedução indevida a título de contribuição previdência privada e fah, glosa parcial do valor lançado como contribuição à previdência e fapi, dedução indevida a titulo de despesa com instrução, glosa parcial do valor lançado como despesas com instrução, dedução indevida a título de despesas médicas e glosa do valor lançado como dedução de incentivo, que carrearam na apuração de Imposto de Renda que não foi recolhido. Deste modo, mantidas várias da infrações, é cabível a aplicação da multa de ofício. No tocante ao pedido de não aplicação de juros, a Súmula CARF n° 4, de aplicação obrigatória para os Conselheiros do CARF, assim estabeleceu: Súmula CARF N° 4 – A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –SELIC para títulos federais. Assim, confirmadas as infrações, é cabível a aplicação de juros moratórios. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, para dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13971.001287/200319 Acórdão n.º 2801003.502 S2TE01 Fl. 135 12 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 05/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10580.727630/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
RELATÓRIO
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 27 63 0/ 20 10 -8 5 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela DRJ em Salvador que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido e a exclusão do contribuinte do SIMPLES a partir de 01/01/2007. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (proc. fls. 90 a 93), iniciado o procedimento fiscal em 11/03/2010 (proc. fls. 123 e 124), o contribuinte foi intimado a apresentar os livros contábeis e fiscais, bem como os extratos bancários de todas as contas correntes, de investimentos e de aplicações financeiras, mantidas no Brasil e no exterior. Após alguns pedidos de prazo e reintimações, o interessado apresentou os livros de entradas e saídas de mercadorias, livro de apuração do ICMS, Livro Caixa, contrato social e alterações, bem como cópias dos DARFs de pagamento do SIMPLES. No entanto, o contribuinte deixou de apresentar os extratos bancários. Foi então concedido novo prazo para apresentação dos extratos. Em resposta datada de 04/05/2010 (proc. fl. 162), o sócio Rodney da Silva Borba afirmou que assumiu a empresa em janeiro de 2008 e que desconhecia quaisquer irregularidades anteriores à sua gestão. Afirmou que durante todo o período de fiscalização tentou localizar os exsócios, mas não obteve sucesso. Concluiu que ante a tais dificuldades não obteve os extratos requeridos. Destarte, a Autoridade Fiscalizadora, com base nos arts. 33 da Lei nº 9.430/96 e 3º do Decreto nº 3.724/01, expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) aos Bancos Bradesco S/A e Itaú S/A. O agente fazendário asseverou que de posse dos extratos bancários intimou o contribuinte a justificar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dos valores creditados em suas contas correntes. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, em 03/08/2010, o sócio administrador, Sr. Rodney da Silva Borba, informou mais uma vez que assumiu a empresa em janeiro de 2008 e desconhecia qualquer irregularidade existente anterior à sua gestão, afirmou que não conseguiu localizar os sócios anteriores, motivo pelo qual não obteve os documentos necessários para justificar a origem dos recursos dos valores creditados nas contas bancárias no anocalendário de 2006. A autoridade fazendária constatou que a empresa declarou receita bruta em valores significativamente inferiores aos valores de receitas escrituradas no Livro Caixa. Desta forma, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ – SIMPLES (proc. fls. 22 a 27), PIS – SIMPLES (proc. fls. 33 a 38), CSLL – SIMPLES (proc. fls. 44 a 49), COFINS – SIMPLES (proc. fls. 55 a 60), IPI – SIMPLES (proc. fls. 66 a 71) e INSS – SIMPLES (proc. fls. 77 a 82). Os Autos de Infração descrevem as seguintes infrações: depósitos bancários não escriturados – origem não comprovada; diferença de base de cálculo – receita escriturada e não declarada, e insuficiência de recolhimento. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 4 3 Em 17/08/2010, foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 10/2010 que declarou a exclusão do contribuinte Ork Comercial Ltda., por superação do limite legal da receita bruta impedindo a permanência no SIMPLES (arts. 9º, 12, 13 e 14 da Lei nº 9.317/96). Foi fixado o primeiro dia do exercício seguinte como termo inicial dos efeitos da exclusão de acordo com os art. 15 e 16 da Lei nº 9.317/96. O contribuinte apresentou Impugnação em 15/09/2010 (proc. fls. 386 a 396). De início o contribuinte alegou que não se verificou qualquer das hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430/06 que versa sobre o “regime especial para cumprimento de obrigações”. Ademais, entendeu que a alegação do agente fiscal de que houve ausência de justificativa para a não apresentação das informações bancárias é inverídica, pois o sócio majoritário, Sr. Rodney da Silva Borba, por diversas vezes manifestou a impossibilidade de ter acesso aos extratos bancários concernentes a gestão anterior a sua, tendo ainda comentado a dificuldade de localizar os antigos sócios da empresa. Destarte, o interessado ressaltou que em momento algum se verificou a recusa em atender às exigências requeridas, sendo sempre justificado o motivo para a não apresentação de determinados documentos. O Impugnante ainda alegou que, no caso em análise, não se constatou a presença dos requisitos autorizadores para a quebra do sigilo bancário e fiscal, portanto, nítida a ofensa ao direito constitucional de proteção à intimidade e à vida privada. Neste sentido, tendo em vista os argumentos supramencionados, o interessado afirmou que a ação fiscal padece de vício de nulidade. Relativo à base de cálculo, o contribuinte entendeu que a fiscalização se afastou do previsto na legislação tributária tendo em vista que utilizou como base de cálculo para o Auto de Infração informações que à época da ação fiscal não diziam respeito ao negócio comercial, ao invés do apurado com base nos livros e documentos fiscais. Alertou que os dados repassados ao Fisco pelas instituições financeiras são meramente quantitativos, sendo necessário um aprofundamento nas investigações da autoridade fiscalizadora, para fins de demonstração inequívoca de omissão de registro de receitas. Referente à apuração do IPI, o Impugnante manifestouse contrário à apuração da base de cálculo sob o argumento de que não é contribuinte deste tributo. Relatou que o ramo de atividade exercido pela empresa é a fabricação (confecção) de roupas profissionais, exceto sob medida. Segundo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.637/98, não se considera industrialização a “confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador”. Desta forma, o Impugnante entendeu que o Auto de Infração é ineficaz para estabelecer o crédito tributário, devendo ser anulado. Ainda em suas razões, o contribuinte alegou que nosso direito pátrio é norteado pelos princípios constitucionais da presunção de inocência e vedação da utilização de provas adquiridas de forma ilícita. Portanto, concluiu que o processo administrativo em análise, deve ser declarado nulo por violação a tais princípios, quer seja pela ausência de prova inequívoca Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 5 4 da ocorrência de omissão de receitas, quer pela não autorização à autoridade fiscalizadora de acesso às informações bancárias sigilosas. Por fim, relativo à exclusão do SIMPLES Nacional, o Impugnante ressaltou que em 01/07/2007 entrou em vigor a Lei Complementar nº 123/2006 e que as empresas tiveram que optar pela adesão. O contribuinte requereu a anulação do Auto de Infração, a convocação da auditora fiscal a refazer seus procedimentos e apurar os verdadeiros valores devidos de acordo com a legislação em vigor, bem como a revogação do ato de exclusão do SIMPLES. Em 25/11/2011, a 4ª Turma da DRJ em Salvador exarou Acórdão que manteve o crédito tributário exigido e a exclusão do SIMPLES, esta com efeitos a partir de 01/01/2007 (proc. fls. 471 a 481). De início a Turma se manifestou por afastar as preliminares de nulidade apontadas pela Impugnante. Entendeu o Colegiado que não se verificou qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou seja, os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente e nos termos da legislação aplicável, bem como, não se vislumbrou cerceamento do direito de defesa visto que o interessado foi intimado de todos os atos do processo e assegurado o seu direito de resposta aos fatos apurados pelo Fisco. Ainda no que concerne às alegações de nulidade, o órgão julgador asseverou que, no tocante à presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, também não há que se falar em nulidade, pois o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários, bem como comprovar a origem dos recursos depositados em conta corrente da Impugnante, o que, no entanto, não o fez. No mérito, a Turma entendeu insubsistente o argumento levantado pela Impugnante de que não houve motivação para que a autoridade fazendária determinasse a quebra dos sigilos fiscais e bancários da empresa, pois a atual direção assumiu as atividades da empresa em 2008 e durante o período de fiscalização não logrou êxito em contatar os exsócios para obter destes os extratos bancários. O Colegiado asseverou que, de acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, toda a movimentação financeira, inclusive bancária, da empresa inscrita no SIMPLES deve ser escriturada no Livro Caixa (art. 7º da Lei nº 9.317/96). A Turma ainda ressaltou que da análise do Livro Caixa se constatou que o Contribuinte não escriturava a sua movimentação bancária, a despeito do previsto na legislação tributária. Intimado a apresentar os extratos bancários, mesmo após a concessão de diversos prazos, estes não foram entregues. Desta feita, O órgão julgador assegurou que de conformidade com o previsto no Decreto nº 3.724/01 que regulamentou a Lei Complementar nº 105/01, é possível a requisição, acesso e uso de extratos bancários pela Secretaria da Receita Federal, vez que constatada a omissão de receitas e a negativa da responsabilidade pela movimentação financeira da empresa. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 6 5 O órgão fazendário ainda ressaltou que havia procedimento fiscal instaurado, e a requisição dos extratos bancário, por meio de RMF, foi precedida de intimação à Impugnante para apresentação de informações sobre o movimento de suas contas correntes no ano calendário de 2006. Ainda no que concerne aos depósitos bancários de origem não comprovada, a DRJ em Salvador asseverou que competia à Impugnante apresentar os elementos de prova que pudessem contradizer os lançamentos litigados, posto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispõe sobre uma presunção legal relativa. No entanto, isto não foi feito. Referente à imputação de diferença de base de cálculo motivada por receita declarada e não escriturada, o contribuinte entendeu que a Fiscalização se afastou do previsto na legislação pátria, pois considerou como base de cálculo para o Auto de Infração informações que à época da ação fiscal não diziam respeito ao negócio comercial, ao invés do apurado com base nos livros e documentos fiscais. A Turma afirmou que a escrita fiscal do Impugnante não foi afastada. O lançamento por “diferença de base de cálculo” se deu com base na diferença entre a receita escriturada no Livro Caixa e receita declarada na DSPJ – SIMPLES. Após diversas intimações o contribuinte não apresentou nenhuma prova concreta capaz de elidir tal lançamento. No que concerne ao lançamento do IPI, o Impugnante discordou do acréscimo de 0,5% ao percentual incidente sobre a base de cálculo do SIMPLES sob o argumento de que não é contribuinte deste tributo, pois atua no ramo de atividade de fabricação de roupas profissionais, exceto sob medida, e o art. 5º do Decreto nº 2.637/98 dispões que não caracteriza industrialização a “confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador”. Com fundamento nos art. 4º e 5º do RIPI/202 (Decreto nº 4.544/2002) que versam sobre industrialização e não industrialização, o Órgão Julgador esclareceu que nos casos de não industrialização é condição obrigatória que o produto seja vendido diretamente ao consumidor ou usuário final, não podendo, consequentemente, ser negociado com estabelecimento comercial revendedor. No caso em análise, em momento algum o contribuinte apresentou prova concreta de que se enquadre nos requisitos que caracterizam a não industrialização. Ademais, a Turma enfatizou que não é crível que uma oficina, de acordo com a definição legal, movimente receita bruta no montante tão elevado de R$ 9.509.141,38, conforme apurado pelo Fisco. Portanto, a DRJ afastou as alegações de erro na definição da base de cálculo e de exclusão da parcela de 0,5% correspondente ao IPI. Por fim, no que toca à exclusão do SIMPLES por percepção de receita bruta acima do limite legal, o contribuinte se manifestou nos autos do proc. nº 10580.727632/2010 74, apensado a estes autos, no sentido de que o desenquadramento do sistema deveria ser anulado, devido a inconsistências dos Autos de Infração analisados neste processo. A Turma entendeu que como os Autos de Infração foram julgados procedentes, a exclusão de ofício deve ter mesma sorte, pois constatado que a empresa auferiu receita bruta no montante de R$ 9.974.267,94 o que é acima do limite legal de R$ 2.400.000,00, vigente no anocalendário em questão. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 7 6 A Impugnante ainda suscitou a vigência da Lei Complementar nº 123/06 em julho de 2007 para afastar os efeitos da exclusão. No entanto, de acordo com o previsto no art. 3º deste diploma legal, a empresa de pequeno porte que exceder o limite de receita bruta de R$ 2.400.000,00 ficará excluída do SIMPLES a partir do anocalendário subsequente. Destarte, o órgão julgador entendeu correta a exclusão da Impugnante do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2007, posto que ultrapassado o limite legal de receita bruta no anocalendário de 2006. Intimada, em 19/12/2011, do conteúdo da decisão exarada pela DRJ em Salvador, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16/01/2012 (proc. fls. 488 a 505). Mais uma vez o Postulante alegou que não se verificou nenhum dos requisitos autorizadores para determinar o regime especial, e requereu a nulidade do Auto de Infração sob os argumentos de que o caso concreto não se subsume a hipótese de regime especial prevista no art. 33 da Lei nº 9.430/96, bem como pelo fato de que a autoridade fiscalizadora deixou de observar o procedimento especial previsto no § 1º do art. 33 do mesmo diploma normativo. Também levantou novamente o argumento de que não existem elementos que demonstrem que os valores registrados na conta se referiam às atividades mercantis da empresa. Quanto à base de cálculo do IPI, o Recorrente mais uma vez afirmou que não é contribuinte deste tributo, pois não exerce atividade de industrialização. Ressaltou ainda que, diferentemente do disposto no Acórdão vergastado, competia à autoridade fiscalizadora adotar as diligências de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão, de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias, a teor do art. 29 da Lei nº 9.784/99. Ademais, o contribuinte afirmou que sua atividade se enquadra na Seção XI da Tabela de Incidência do IPI (itens 61 e 62) que determina a aplicação de alíquota zero, aprovada pelo Decreto nº 4.542/02, vigente à época do fato gerador. Por fim, no tocante à exclusão do SIMPLES, o Requerente se valeu do mesmo argumento já esposado quando da Impugnação, qual seja, os efeitos da exclusão só se verificam em 01/01/2007, e, no entanto, em julho de 2007, com a entrada em vigor da LC nº 123/06, os contribuintes tiveram que optar pela adesão ao SIMPLES. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Nara Cristina Takeda Taga – Relatora O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão que manteve a exclusão do contribuinte do SIMPLES, bem como os créditos tributários exigidos. Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.727630/201085 Resolução nº 1101000.085 S1C1T1 Fl. 9 8 julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. É como voto. (documento assinado digitalmente) Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10580.725351/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO DE OFICIO. IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Constatada a inocorrência da omissão de receitas imputada pela Fiscalização, cancela-se a exigência nessa parte.
RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPJ E CSLL. RESULTADOS DIFERIDOS. COMPROVAÇÃO.
Apurado em diligência fiscal que a contribuinte realmente diferiu para o ano de 2008 a tributação dos resultados auferidos em 2007, é insubsistente o lançamento de oficio.
Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência remanescente nos processos 10580.725351/2011-68, 10580.725352/2011-11 e 10580725353/2011-57., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFICIO. IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Constatada a inocorrência da omissão de receitas imputada pela Fiscalização, cancela-se a exigência nessa parte. RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPJ E CSLL. RESULTADOS DIFERIDOS. COMPROVAÇÃO. Apurado em diligência fiscal que a contribuinte realmente diferiu para o ano de 2008 a tributação dos resultados auferidos em 2007, é insubsistente o lançamento de oficio. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 12 1 11 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725351/201168 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.707 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria AUTOS DE INFRAÇÃO IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e Cofins) Recorrente MANATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFICIO. IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITAS. INOCORRÊNCIA. Constatada a inocorrência da omissão de receitas imputada pela Fiscalização, cancelase a exigência nessa parte. RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPJ E CSLL. RESULTADOS DIFERIDOS. COMPROVAÇÃO. Apurado em diligência fiscal que a contribuinte realmente diferiu para o ano de 2008 a tributação dos resultados auferidos em 2007, é insubsistente o lançamento de oficio. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência remanescente nos processos 10580.725351/201168, 10580.725352/201111 e 10580725353/201157., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 53 51 /2 01 1- 68 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório MANATI S/A, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu da decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte as exigências consubstanciadas no presente processo. Por sua vez, a 2a Turma DRJ Salvador recorre de oficio em face do montante exonerado. Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$7.795.481,09 (sete milhões, setecentos e noventa e cinco mil, quatrocentos e oitenta e um reais e nove centavos), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$2.823.653,19 (dois milhões, oitocentos e vinte e três mil, seiscentos e cinqüenta e três, dezenove centavos), acrescidos de multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco centavos), e juros de mora, em virtude de a Fiscalização ter efetuado glosa de custos, com enquadramento legal nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, e ter apurado lucro operacional escriturado, mas não declarado, com enquadramento legal nos arts. 249, 250 e 926 do RIR/1999, conforme Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de infração. Consoante Termos de fls. 487 e 488, foram apensados a este, os processos de números 10580.725352/201111 e 10580725353/201157, referentes aos Autos de Infração que formalizam as exigências de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$566.751,45 (quinhentos e sessenta e seis mil, setecentos e cinqüenta e um reais e quarenta e cinco centavos) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$123.044,72 (cento e vinte e três mil, quarenta e quatro reais e setenta e dois centavos), acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora, nos quais foi apontada, pela Fiscalização, a falta de recolhimento destas contribuições sobre o valor tributável de R$7.457.255,99, no mês de fevereiro de 2008, equivalente a uma parte do valor de R$41.019.009,86, correspondente à nota fiscal n° 39, que deixou de ser registrada em conta de receita operacional, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal já relatado. No Termo de Verificação Fiscal, foram atribuídas as seguintes irregularidades à Contribuinte, que culminaram na diminuição do valor do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, proporcionando o não pagamento destes tributos: AnoCalendário de 2007 Custos Inexistentes no Período o contribuinte tem como seu único cliente, segundo registra a contabilidade, a empresa Petrobrás para quem faturou no anocalendário de 2007, período de 01/01/2007 a 14/12/2007, o valor de R$242.102.779,76, conforme está informado em sua DIPJ relativa a este período; para consecução desta receita, o contribuinte incorreu em custos, também, conforme a referida DIPJ, de R$144.212.014,04, registrando desta forma um lucro bruto de R$97.890.765,72, que veio a sofrer outros ajustes e redundou em prejuízo contábil e fiscal. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 4 em 14 de dezembro de 2007 foi procedida uma cisão, em que parte do patrimônio foi vertida para a empresa controladora Queiroz Galvão Óleo e Gás S/A, CNPJ n° 30.521.090/000127; desse modo, foi apresentada uma segunda DIPJ para o anocalendário de 2007, esta abrangendo o período de 15 a 31 de dezembro de 2007, em que foi declarado, a título de receita de venda de produtos, o valor de R$32.265.843,24 e custos negativos de (R$21.051.170,87); para essa segunda DIPJ o contribuinte apurou um lucro de R$29.139.094,53, que é resultado da soma algébrica da receita, de R$32.265.843,24, e do custo total negativo de (2.545.783,10); por sua vez, o custo total de (R$2.545.783,10) é resultado do seguinte somatório: DEPRECIAÇÃO 17.141.858,50 PROVISÕES 1.363.529,27 OUTROS CUSTOS (21.051.170,87) CUSTO TOTAL (2.545.783,10) em decorrência deste equivocado procedimento, o contribuinte apurou neste período um lucro de R$25.992.178,27 e procedeu à exclusão de R$29.139.094,53, relativo a PAR. LUCROS CONTR. CONST. EMPR. FORN. CEL. PJ DE D.P. redundando num prejuízo de R$1.783.386,99; por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 01, anexo, intimamos a fiscalizada a explicar a apropriação do custo negativo, no valor de R$ (21.051.170,87), na DIPJ correspondente ao período de 15 a 31 de dezembro de 2007, levandose em consideração que a contabilidade não registra saldos separados para 14/12 e 31/12; em resposta, o contribuinte apresenta planilha anexa, em que estão especificadas as contas de custo de produção e exploratórios, com os respectivos registros de variações ocorridos no período de 15/12 a 31/12/2007; da soma algébrica dos valores das referidas variações, encontrase o resultado de R$ (21.051.170,87), estando informado na referida planilha, junto a cada variação apontada, que referidos valores foram registrados nas DIPJ na Ficha 04 A, linha 16; em análise da referida planilha, podemos verificar que o saldo anterior dessas contas de custos, que corresponde ao saldo final em 14/12/2007, data em que se encerrou o primeiro período, monta em R$96.097.195,15, devedor, e que neste período, de 15/12 a 31/12/2007, foram observadas inconsistências que resultaram em um valor de custo, líquido, a menor, em R$21.051.170,87, o que quer significar que o efetivo valor incorrido em custo de produção e exploratórios montou, na verdade, em R$66.983.810,99 e não em R$96.097.195,15, valor este que, conforme explicação do próprio sujeito passivo, compõe, na DIPJ do primeiro período de 2007 (01/01 a 14/12), o valor de R$91.435.495,51, na Ficha 04, linha 16, da respectiva DIPJ; tal conclusão está comprovada pelas informações da fiscalizada na aludida planilha, em que está registrado como saldo anterior, ou seja, saldo em 14/12/2007, aquele que serviu de base para apuração do lucro na DIPJ do 1° período, no valor de R$96.097.195,15, enquanto que, no decorrer do 2° período, 15 a 31/12/2007, foram registradas variações para mais e para menos nas contas indicadas no referido demonstrativo; Fl. 806DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 5 podemos perceber que neste 2° período foram lançados valores para crédito das referidas contas de custos, no montante de R$29.113.384,16, o que significa a inexistência destes no saldo registrado em 14/12/07 e, portanto, onerando o custo transcrito para a DIPJ, elemento pelo qual é apurada a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; entretanto, tomaremos como valor para comparação e cálculo da diferença o valor de R$91.435.495,51, pois este é o registrado na DIPJ em que foram efetuados os cálculos para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; deste modo, abateremos, do valor de R$29.113.384 demonstrado como inconsistente pelo próprio contribuinte, a quantia de R$4.661.699,64, que é a diferença entre o valor de R$96.097.195,15, contabilizado como custo, porém, levado à DIPJ para a apuração do lucro, e o valor de R$91.435.495,51, este registrado na DIPJ em análise, na linha 04A 16. Assim, tomaremos como diferença tributável de custo contabilizado a maior, na DIPJ de 14/12/2007, o valor de R$24.451.684,52; como dito, percebemos também que nesse período foram acrescentados custos a ele atinentes, no valor de R$8.062.213,29, que por pertencerem a este período devem nele ser registrados, não se devendo considerar registros de custos negativos em DIPJ, pois totalmente descabido; fácil, desta forma, perceber que, no primeiro período do anocalendário de 2007, o valor registrado a título de outros custos está majorado indevidamente em R$28.744.968,62, por valores comprovadamente inexistentes, conforme a própria exposição detalhada, conta por conta, apresentada pelo contribuinte, a qual anexamos para demonstrar os totais das variações ocorridas, uma vez que a planilha apresentada pela fiscalizada não contempla os totais; como se pode vislumbrar, não se trata nem mesmo de uma antecipação de custos, mas de custos inexistentes, pois, como se afere da planilha apresentada pela fiscalizada, neste período de 15 a 31/12/2007, foram registrados débitos que representam efetivos custos do período, no valor de R$8.062.213,29, e créditos, que representam ajustes pela inexistência de custos, de R$29.113,16, no saldo anterior, o que quer dizer, no primeiro período; no segundo período, o sujeito passivo, ao registrar na DIPJ valor negativo a título de custos, veio a reduzir o custo deste pequeno período em R$21.051.170,87, o que, em consequência, proporcionaria um maior lucro real e maior base da contribuição social sobre o lucro líquido, entretanto, há de se notar que o contribuinte, no primeiro período findo em 14/12/2007, apurou prejuízo fiscal de R$(1.783.386,99), não se podendo, destarte, falar em postergação do pagamento do imposto, pois nenhum imposto foi apurado e nem pago no período seguinte; desta maneira, foi procedida à glosa do valor de R$24.451.684,52, no primeiro período (01/01/2007 a 14/12/2007), por ser inexistente; Anocalendário de 2008 Neste período, o contribuinte contabilizou a menor a nota fiscal de número 39, emitida em 08/02/2008, para acobertar a venda de gás natural proveniente do campo de Manatí, à empresa Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás. Consta da referida nota fiscal, que se encontra anexa, o valor de venda de R$41.019.009,86, enquanto que em sua contabilidade foi registrado na conta 51101001 o valor de R$33.561.753,87 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 6 (crédito) e a débito da conta 13.01.001 o valor de R$41.019.009,86, sendo que a diferença, de R$7.457.255,99, foi creditada a conta 216.01.010 Brasoil do Brasil Exploração Petrolífera. Está sendo tributado o valor de R$7.457.255,99, que deveria estar contabilizado a crédito de conta de receita operacional. No prazo de defesa, a Contribuinte efetuou o recolhimento nos valores de R$318.997,58 de IRPJ e R$123.479,13 de CSLL, que reconhece devidos, com os acréscimos legais, aproveitandose da redução da multa de ofício, constituindo, portanto, parcelas não impugnadas. Assim, faz parte do contencioso apenas as parcelas remanescentes dos lançamentos de IRPJ e CSLL que, segundo os demonstrativos de cálculos elaborados pela Impugnante, seriam decorrentes do não diferimento da tributação do lucro apurado pela fiscalização, relativo ao primeiro período do anocalendário de 2007. A infração resultante do anocalendário 2008 foi cancelada, tendo o acórdão recorrido destacado que os documentos que acompanham a impugnação, juntamente com aqueles anexados por ocasião da diligência realizada, comprovam os argumentos oferecidos pela Impugnante, no sentido de que a referida quantia de R$7.457.255,99 foi considerada para efeito de apuração do lucro líquido contábil do anocalendário de 2008, base para o cálculo do lucro real do período e da base de cálculo da CSLL. Restou mantida na decisão de 1a. instância a tributação referente à parte impugnada da infração descrita no item 01 dos autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativa ao primeiro período do anocalendário de 2007. A Contribuinte foi intimada do acórdão em 06012012 (fl. 504 sextafeira) e em 07022012 ingressou com o recurso de fls. 507 e seguintes alegando, em síntese: a) quando apura o lucro tributável utilizase do benefício do diferimento do lucro previsto no artigo 409 do Regulamento do Imposto de Renda, haja vista que a Petrobrás era sua única cliente na época, fato este incontroverso e registrado no termo de verificação fiscal; b) que em que pese a Fiscalização ter tido acesso às DIPJs dos exercícios posteriores e, portanto, ter tido a oportunidade de verificar o benefício a que faz jus, deixou de aplicar no cálculo de apuração do IRPJ e da CSLL o benefício do detrimento, limitandose, exclusivamente, a adicionar o valor da suposta despesa indedutível, objeto da glosa, ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL até então apurados; c) se a fiscalização tivesse observado as disposições do artigo 409, do Regulamento do Imposto de Renda e da CSLL que entende devidos, teria apurados impostos substancialmente inferiores aos lançados, registrando IRPJ a pagar no valor de R$ 319.997,58 e CSLL no valor de R$ 123.479,13 contra R$ 7.975.481,09 e R$ 2.823.653,19, que respectivamente foram apurados e lançados no auto de infração; d) a recorrente procura demonstrar os valores acima referidos a partir de relatório elaborado pela empresa Ernest & Young Terco. e) destaca a recorrente que, conforme observado nos autos e registrado no acórdão recorrido, dentro do prazo da defesa, efetuou o recolhimento nos valores de R$318.997,58 de IRPJ e R$123.479,13 de CSLL, que reconhece devidos, com os acréscimos legais, aproveitandose da redução da multa de ofício. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 7 f) desataca, ainda, que a partir de janeiro de 2008 passou a usufruir do direito à redução de 75% do IRPJ, benefício este instituído pelo artigo 1º da Medida Provisória nº 2.199, de 24 de agosto de 2001. Mediante Resolução 1402000169 de 6/12/2012 este colegiado converteu o julgamento em diligência nos termos do voto condutor às fls. 529/530, assim redigido: “(...) No caso em tela, se os valores do IRPJ e da CSLL, que estão sendo exigidos da Recorrente, referente ao primeiro período de apuração do anocalendário de 2007, compreendido entre 1º de janeiro e 14 de dezembro daquele ano, já foram objeto de recolhimento em 2008, por força do diferimento de que trata o artigo 409, do Regulamento do Imposto de Renda, mostrase parcialmente improcedente a autuação. Sim, parcialmente, pois há um valor de R$ 318.997,58 e R$ 123.479,13, a título de IRPJ e CSLL, que mesmo com o diferimento os resultados especificados no relatório, são devidos. Porém, estes valores já foram reconhecidos e recolhidos pela autuada. Apesar dos elementos apresentados com os memoriais, não é possível julgar o processo sem que os mesmos sejam analisados pela autoridade fiscal, em especial se os valores que resultaram na autuação foram oferecidos à tributação em 2008. Conforme destaquei quando da sessão de julgamento, para que a autoridade fiscal possa realizar seu trabalho, a recorrente deverá, por primeiro, apresentar os elementos que entender necessários, à semelhança do procedimento adotado quando da entrega dos memoriais, demonstrando que os rendimentos objeto do litígio foram oferecidos à tributação em 2008, para que a autoridade fiscal possa analisálos, solicitar novas informações, se necessário e, ao final, emitir parecer conclusivo, com posterior intimação da parte para manifestarse e, por fim, a remessa do processo retorne a este Conselho. ISTO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a contribuinte seja intimada a apresentar os elementos que entender necessários para demonstrar que os rendimentos objeto do litígio foram oferecidos à tributação em 2008, como alega, devendo a autoridade fiscal analisálos, solicitar informações complementares, se necessário e, ao final, emitir parecer conclusivo, com posterior intimação da parte para manifestarse antes do retorno dos autos a este Conselho. (...)” Os trabalhos de diligência resultaram no relatório de fls. 533 a 535, no qual destacase as seguintes conclusões da Fiscalização: “(...) Assim é que passaremos a explicar que o contribuinte leva razão parcialmente, mas não pelas razões por ele aduzidas. De fato, observandose que no primeiro período de 2007, bem como segundo, conforme afirmado no Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de Infração, o contribuinte apurou prejuízo fiscal e por essa razão não falar em postergação do imposto, porém, num esforço para entender o que a autuada efetivamente quer, inclusive com cálculos parciais de valores considerados devidos chegamos a seguinte conclusão: 1) Efetivamente foi informado na DIPJ do primeiro período de 2007 custo inexistente no valor de R$ 24.451.684,52 com o qual concorda a recorrente, valor este que, deduzido do valor de R$ 166.108,32 referente ao prejuízo fiscal do período veio a configurar uma infração tributável de R$ 24.285.576,20. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 8 2) Entretanto, por conta do erro cometido pelo contribuinte no segundo período de apuração do anocalendário de 2007, quando ao apurar um esdrúxulo custo negativo de R$ 21.051.170,87 acabou por proporcionar um prejuízo fiscal de R$ 1.783.386,99. 3) Da operação acima descrita, no que tange aos ajustes ao lucro líquido do exercício para a apuração do lucro real podemos verificar que foi excluído do lucro líquido a importância de R$ 29.139.095,00, e que dentro deste valor evidentemente está contido o valor de R$ 21.051.170,87 que foi considerado, indevidamente, como custo negativo, o que significa dizer, como receita tributável. 4) No anocalendário de 2008 a recorrente apurou lucro normal em suas operações do ano e, quando da apuração do lucro real adicionou o valor de R$ 29.139.095,00 que fora excluído no anocalendário anterior (item 3). 5) Deste modo, parte da infração praticada no primeiro período de 2007 (balanço encerrado em 14/12/2007) no valor de R$ 24.285.576,20, R$ 21.051.170,87 restou regularizado em 31/12/2008 em razão de: i) a recorrente haver procedido a correção do erro cometido no primeiro período de 2007 no segundo período de 2007 muito embora sem o devido pagamento do imposto pois optou pelo diferimento, (ii) em 31/12/2008 o referido diferimento foi adicionado para a apuração do lucro real. 6) Destarte, sendo o valor da infração consignada em auto de infração e acolhida pelo recorrente no valor de R$ 24.285.576,20 e havendo o contribuinte oferecido à tributação através procedimentos acima descritos o valor de R$ 21.051.170,87, remanesceu pendente de regularização o valor de R$ 3.234.405,33 que deve ser tomado como base de cálculo para o IRPJ e para a CSLL. No que tange a redução de 75% que a recorrente alega ter direito a partir do anocalendário de 2008, não aproveita tal lançamento este beneficio fiscal, pois o mesmo se refere ao ano calendário de 2007, enquanto o beneficio tem como marco inicial o anocalendário de 2008. (...) Cientificada do relatório fiscal de diligência, fls. 538, a contribuinte manifestouse às fls. 539 e seguintes, afirmando, dentre outras alegações que: Ao final, reafirma que os valores remanescentes devidos já foram recolhidos. Em 19/03/2014 os representantes da contribuinte manifestamse novamente nos autos acerca da diligência, fls. 738739 pleiteando a realização de diligência complementar apara que a Fiscalização manifestese especificamente quanto ao oferecimento tributação em Fl. 810DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 9 2008 do lucro auferido em 2007, sob amparo do art. 409 do RIR/99, tal qual solicitado pelo colegiado. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Retorna o presente processo para julgamento dos recursos de oficio e voluntário após realizada a diligência solicitada por este Colegiado. Passo a apreciar as questões em litígio. Em relação ao recurso de ofício verificase, de plano, que as irregularidades apontadas na auditoria fiscal foram elucidadas na peça impugnatória, fatos confirmados em diligência fiscal determinada em 1a. instância. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida nesta parte: (...) A infração de que trata o item 2 dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, referese à apuração de resultados operacionais não declarados, em virtude de ter a fiscalização constatado que a Contribuinte contabilizara a menor a nota fiscal de número 39, emitida em 08/02/2008, referente à venda de gás natural, proveniente do campo de Manati, à empresa Petrobrás, cujo valor da venda é R$41.019.009,86. A Impugnante registrou na conta de receita 51101001 o valor de R$33.561.753,87 (crédito), e débito da conta 13.01.001, o valor de R$41.019.009,86, sendo que a diferença de R$7.457.255,99 foi creditada à conta 216.01.010 Brasoil do Brasil Exploração Petrolífera, diferença esta que está sendo tributada, porque deveria estar contabilizada a crédito de conta de receita operacional. Todavia, os documentos que acompanham a impugnação, juntamente com aqueles anexados por ocasião da diligência realizada, comprovam os argumentos oferecidos pela Impugnante, no sentido de que a referida quantia de R$7.457.255,99 foi considerada para efeito de apuração do lucro líquido contábil do anocalendário de 2008, base para o cálculo do lucro real do período e da base de cálculo da CSLL. Com efeito, está devidamente comprovado o registro contábil da parcela equivalente a R$5.872.589,10, diretamente em resultado, na conta 3.3.8.01.001 (Reversão de Custos de Produção). Quanto ao saldo restante, de R$1.584.666,89, confrontandose os lançamentos efetuados nas contas de passivo n° 2.1.3.01.05 (Pis a recolher); 2.1.3.01.006 (Cofins a recolher) e 2.1.3.01.007 (ICMS a recolher) com as contas de resultado de n° 5.1.2.02.006 (Despesa c/ PIS), 5.1.2.02.007 (Despesa c/ Cofins) e 5.1.2.02.004 (Despesa c/ICMS), confirmase a existência de lançamentos a menor da despesa com impostos sobre venda da nota fiscal n°39 (PIS, Cofins e ICMS), neste mesmo montante. Portanto, na prática, para fins de apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lançamentos contábeis citados no parágrafo anterior produzem efeito contábil e tributário idêntico ao do registro de uma receita de igual valor. Sendo assim, a tributação relativa à infração apontada no item 2 dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, do anocalendário de 2008, não deve prosperar. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 11 Da mesma forma, com relação aos lançamentos da Contribuição para o PIS e da Cofins, confirmase documentalmente nos autos as arguições expostas na impugnação. De fato, a Contribuinte concedeu um desconto incondicional de R$238.114,52 na nota fiscal n° 39, contabilizado na conta 51204001 (Descontos concedidos), em 30/04/2008. A diferença restante, no valor de R$7.219.141,34 (R$7.457.255,99 R$238.114,52), foi computada na base de cálculo, tanto da Contribuição para o PIS quanto da Cofins, conforme se observa na linha 2, da Ficha 07 A e na linha 2 da Ficha 17 do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) referente ao mês de janeiro de 2008. Na linha 1 das referidas fichas da Dacon do mesmo período de apuração, encontrase declarada a quantia de R$33.561.754,00. Assim, a totalidade da nota fiscal n° 39, após o desconto condicional concedido, compôs a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins do mês de janeiro de 2008. A tributação das contribuições apuradas em janeiro foi diferida para o mês de março de 2008, período em que ocorreu o pagamento da venda registrada na nota fiscal n° 39. Ressaltese que a própria Contribuinte constatou ter cometido um equívoco ao adicionar o montante da Contribuição para o PIS, cuja tributação foi diferida para o mês de março/2008, que resultou na insuficiência de recolhimento de PIS numa pequena quantia de R$128,77, que já foi recolhida, aproveitando a redução da multa de ofício, e com os juros moratórios, conforme Darf, às fls. 405. Sendo assim, a citada parcela do crédito tributário referente à Contribuição para o PIS também não faz parte do contencioso. Então, deve ser afastada a tributação relativa à parcela da Contribuição para o PIS objeto do litígio e a totalidade da tributação concernente à Cofins. (...)” Constatase que a contribuinte tributou em março/2008 a diferença de R$ 7.457.255,99 apurada pela Fiscalização relativa à receita correspondente _a nota fiscal nº 39, emitida em fevereiro/2008, regularizando assim a tributação do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS sobre tal valor. Neste contexto e observados os fundamentos acima destacados, nego provimento ao recurso de oficio. No que tange ao recurso voluntário, efetivamente foi informado na DIPJ do primeiro período de 2007 custo inexistente no valor de R$ 24.451.684,52, com o qual concorda a Recorrente, valor este que, deduzido do valor de R$ 166.108,32 referente ao prejuízo fiscal do período, veio a configurar, em tese, uma infração tributável de R$ 24.285.576,20. De fato, tal qual alegado desde a impugnação, no anocalendário de 2008 a Recorrente apurou lucro normal em suas operações do ano e, quando da apuração do lucro real adicionou o valor de R$ 29.139.095,00 que fora excluído no anocalendário anterior (vide ficha 9A da DIPJ 2009 – 2008, à fl. 236 dos autos. Por este detalhe, é possível concluir que o valor adicionado em 2008 é superior ao valor da alegada infração, indicada no parágrafo anterior. Nos trabalhos da diligência fiscal solicitada por este Colegiado concluiuse que tal adição referese mesmo ao resultado tributável do ano de 2007 (relatório conclusivo fl. 535). Fl. 813DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Acórdão n.º 1402001.707 S1C4T2 Fl. 0 12 Todavia, considerouse que apenas “parte da infração praticada no primeiro período de 2007 (balanço encerrado em 14/12/2007) no valor de R$ 24.285.576,20, R$ 21.051.170,87 restou regularizado em 31/12/2008 em razão de: i) a recorrente haver procedido a correção do erro cometido no primeiro período de 2007 no segundo período de 2007 muito embora sem o devido pagamento do imposto pois optou pelo diferimento, (ii) em 31/12/2008 o referido diferimento foi adicionado para a apuração do lucro real. Pois bem, constatase nos autos que a contribuinte apurou resultado tributável de R$ 174.221.544,00 em 2008, no qual está incluído o valor R$ 29.139.095,00, e tendo apurado IRPJ e adicional a pagar sobre esse montante (Ficha 11 e 12 A), fls. 242 e 243. Portanto, mesmo considerando a redução de 75% do IRPJ devido, em face de incentivo fiscal, o valor postergado de 2007 foi tributado em 2008. De igual forma, houve tributação da CSLL em igual valor (ficha 17, fl. 248). Considero incoerente a conclusão da diligência fiscal de que apenas R$ 21.051.170,87 dos R$24.285.576,20 teria sido tributado em 2008, incluso no valor de R$ 29.139.095,00. Isso porque, tal valor que se refere ao resultado do ano de 2007, por si só é maior do que aquele da infração apurada pelo Fisco. Mais a mais, nos trabalhos de diligência a contribuinte não intimada a esclarecer/comprovar a forma de apuração desse valor, sendo que no Laudo de fls. 563 e seguintes, apresentado durante a diligência, a empresa de auditoria contábil contratada pela Contribuinte elaborou demonstrativo pormenorizado da apuração dos resultados no ano de 2007, bem como da adição realizada. Por fim, uma vez confirmado que houve pagamento dos tributos devidos sobre o valor de R$ 29.129.095,00 diferido de 2007, tornase irrelevante determinar se a contribuinte poderia ou não diferir esse resultado pois, a única infração cometida, caso não pudesse diferir, seria “postergação do imposto”, nos termos do art. 279 do RIR/99. Uma vez que essa não foi a infração tributada, resta cancelar integralmente a exigência nessa parte. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência remanescente nos processos 10580.725351/201168, 10580.725352/201111 e 10580725353/201157. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 814DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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