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5546136 #
Numero do processo: 13971.720732/2009-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL O cálculo da relação percentual entre as receitas sujeitas e não sujeitas à incidência não-cumulativa da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional, a ser utilizado na apuração de créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, deve considerar todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas a esses dispêndios, sob pena de se distorcer esse resultado caso se excluam as receitas decorrentes de vendas com suspensão ou sujeitas a alíquota zero. Recurso Voluntário Negado na parte conhecida Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     2 Direito Creditório Não Reconhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não  conhecer  do  recurso,  quanto  à  matéria  submetida  à  tutela  do  Poder  Judiciário  e,  na  parte  conhecida,  negar­lhe  provimento,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern ­ Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Rosaldo  Trevisan,  Domingos  de  Sá  Filho,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista.  Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Ivan Allegretti.  Relatório  ROHDEN  PORTAS  E  PAINÉIS  LTDA  transmitiu,  em  27/08/2008,  o  Pedido Eletrônico de Ressarcimento ­ PER nº 08655.42919.270808.1.1.09­9740, de créditos da  apuração não­cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  ­ exportação no valor de R$ 204.478,90, referente ao segundo trimestre de 2008.  O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 324 a 362,  inicialmente, explicita os  critérios  adotados  ante  as  discrepâncias  verificadas  entre  os  montantes  das  operações  de  aquisição  de  bens  e  serviços,  apurados  por  CFOP,  registrados  no  LRE  e  os  consignados  na  memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em  sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base  sobre  a  qual  efetuou  as  glosas  pelas  notas  fiscais  desconsideradas  na  análise,  resultando  em  valor ajustado pela diferença  (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória  de  cálculo,  a  diferença  foi  glosada  por  falta  de  comprovação  e  o  valor  do  LRE  foi  adotado  como base paras as glosas, e  (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória  de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas:  se  o  valor  resultante  foi  superior  ao  informado  na  memória,  validou­se  o  valor  da  própria  memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise  se  o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerou­se este como sendo o valor  ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por  CFOP  das  entradas,  apuraram­se  os  valores  ajustados  ou  valores  da  memória  validados  na  análise  (máximo  admissível  por  CFOP),  cujo  somatório  foi  adotado  como  o  máximo  admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem.  A partir dessa  sistemática, apurou­se glosa no valor  total de R$ 136.831,44  em razão das seguintes irregularidades:  a) aquisições de insumo da linha 02 das fichas 16A e 16B do Dacon:  Fl. 584DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720732/2009­21  Acórdão n.º 3403­003.068  S3­C4T3  Fl. 584          3 ­  as  diferenças  verificadas  nos  casos  em  que  os  montantes  indicados  na  memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das  operações   ­ os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram no  conceito de insumo  dentre os quais, os valores de aquisições de bens que foram imobilizados,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte  informou  se  referirem  a  compras  de  reflorestamento,  sendo feito o crédito pela exaustão   ­ as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores  máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon.  b) aquisições de serviços linha 03 das fichas 16A e 16B do Dacon:  ­  as  diferenças  verificadas  nos  casos  em  que  os  montantes  indicados  na  memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das  operações   ­ os valores das notas fiscais de aquisição de serviços que não se enquadram  no conceito de insumo   ­ as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas acima) e os valores  máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 03 do Dacon   c) despesas  com  energia  elétrica  linha  04  da  ficha  16A  do  Dacon:  foram  glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que  não  são  passíveis  do  desconto  legalmente  previsto,  quais  sejam  os  valores  referentes  a  doações,  Cosip,  créditos  de  ICMS  a  compensar,  parcelamentos e benefício fiscal   d) despesas  com  locação  de  máquinas  e  equipamentos:  glosaram­se  os  valores  referentes às despesas com  locação de caminhões e carrocerias  reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de  Madeiras  Ltda.,  pois,  de  acordo  com a NCM,  caminhão  é  espécie  do  gênero veículo e não do gênero máquina   e) despesas com armazenagem e frete na operação de venda: glosaram­se os  valores  referentes  a  serviços  portuários,  quais  sejam  os  serviços  de  posicionamento,  levante,  fumigação,  retirada  de  vazios  e  descarga  de  contêineres   f)  encargos  com  depreciação:  glosaram­se  os  valores  da  depreciação  de  máquinas e equipamentos que não são utilizados da atividade industrial  e  os  valores  referentes  a  despesas  e  investimentos  em  fazendas  que  compõem projetos florestais, sujeitos a quotas de exaustão  a) aquisições  de insumo da linha 02 das fichas 16A e 16B do Dacon:  g) ­  as  diferenças  verificadas  nos  casos  em  que  os montantes  indicados  na  memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta  de comprovação das operações?  Fl. 585DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     4 h) ­ os valores das notas fiscais de aquisição de bens que não se enquadram  no conceito de insumo? dentre os quais, os valores de aquisições de bens  que foram imobilizados, em relação aos quais a contribuinte informou se  referirem  a  “compras  de  reflorestamento,  sendo  feito  o  crédito  pela  exaustão”?  i)  ­  as  diferenças  entre  valores  ajustados  (depois  das  glosas  acima)  e  os  valores máximos a serem admitidos para o crédito  referente a  linha 02  do Dacon.  j)  b) aquisições de serviços linha 03 das fichas 16A e 16B do Dacon:  k) ­  as  diferenças  verificadas  nos  casos  em  que  os montantes  indicados  na  memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta  de comprovação das operações?  l)  ­  os  valores  das  notas  fiscais  de  aquisição  de  serviços  que  não  se  enquadram no conceito de insumo?  m)  ­  as  diferenças  entre  valores  ajustados  (depois  das  glosas  acima)  e  os  valores máximos a serem admitidos para o crédito  referente a  linha 03  do Dacon?  n) c) despesas com energia elétrica  linha 04 da  ficha 16A do Dacon:  foram  glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que  não  são  passíveis  do  desconto  legalmente  previsto,  quais  sejam  os  valores  referentes  a  doações,  Cosip,  créditos  de  ICMS  a  compensar,  parcelamentos e benefício fiscal?  o) d)  despesas  com  locação  de  máquinas  e  equipamentos:  glosaram­se  os  valores  referentes às despesas com  locação de caminhões e carrocerias  reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de  Madeiras  Ltda.,  pois,  de  acordo  com a NCM,  “caminhão  é  espécie  do  gênero veículo e não do gênero máquina”?  p) e) despesas com armazenagem e frete na operação de venda: glosaram­se  os  valores  referentes  a  serviços  portuários,  quais  sejam  os  serviços  de  posicionamento,  levante,  fumigação,  retirada  de  vazios  e  descarga  de  contêineres?  q) f)  encargos  com  depreciação:  glosaram­se  os  valores  da  depreciação  de  máquinas  e  equipamentos  não  utilizados  da  atividade  industrial  e  os  valores referentes a despesas e investimentos em fazendas que compõem  projetos  florestais,  sujeitos  a  quotas  de  exaustão?e  as  diferenças  entre  valores  ajustados  (depois  das  glosas  acima)  e  os  valores  máximos  a  serem admitidos para o crédito informado no Dacon. Ainda, para o mês  de  junho,  os  encargos  de  depreciação  equivalentes  a  1/12  (um  doze  avos) nos  itens 977 e 978,  foram  ajustados para  a proporção 1/48  (um  quarenta  e  oito  avos),  o  que  elevou  a  base  de  cálculo  a  ser  desconsiderada? as diferenças entre valores ajustados (depois das glosas  acima)  e  os  valores  máximos  a  serem  admitidos  para  o  crédito  informado no Dacon. e as diferenças entre valores ajustados (depois das  glosas  acima)  e  os  valores máximos  a  serem  admitidos  para  o  crédito  informado no Dacon.  Fl. 586DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720732/2009­21  Acórdão n.º 3403­003.068  S3­C4T3  Fl. 585          5 Ainda,  considerando  que  a  proporção  de  receitas  vinculadas  ao  mercado  interno  e  ao  mercado  esterno,  discriminadas  nas  fichas  16A,  16B  e  17A  do  Dacon,  apresentaram  significativas  discrepâncias  nos meses  que  compõem o  trimestre  em  análise,  a  Fiscalização  adotou  para  efeitos  de  cálculo  dos  créditos  de  mercado  interno  e  externo,  a  proporção das receitas discriminadas na ficha 17A do Dacon, conforme Quadro 01 que segue:  Proporção das receitas declaradas na ficha de apuração da contribuição do Dacon  MÊS  MERCADO INTERNO  MERCADO EXTERNO  ABRIL  60,79%  39,21%  MAIO  75,47%  24,53%  JUNHO  60,37%  39,63%  A DRF­Blumenau­SC,  acolhendo  o  referido  Relatório  de  Auditoria  Fiscal,  expediu o Despacho Decisório de fls. 365, deferindo o pleito parcialmente, em R$ 67.647,46.  Em Manifestação de Inconformidade, fls. 379 a 387, o interessado contestou  o  critério  adotado  pela  Fiscalização  para  fixar  os  percentuais  de  receita  relacionados  com  o  mercado interno e externo, argumentando que as receitas não tributadas no mercado interno, no  caso,  as  tributadas  à  alíquota  zero  e  de  vendas  de  bens  do  ativo  permanente,  apresentadas,  respectivamente,  nas  linhas  04  e  06  do Dacon,  não  podem  ser  consideradas  para  compor  o  cálculo  da  proporção,  como,  equivocadamente,  fez  a  autoridade  fiscal   e  que  a  autoridade  fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além do valor das  linhas 04 e 06 do Dacon, o valor da receitas auferidas informadas na coluna  receita  das linhas  01  e  02,  onde  deveria  ter  considerado  os  valores  da  coluna  base  de  cálculo   aduz  que  procedendo  assim,  a  autoridade  fiscal  acabou  por  considerar  em  duplicidade  os  valores  de  receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas  04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno.  Defende  os  percentuais  para  a  receita  vinculada  ao  mercado  externo  de  contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados  com  o mercado  interno  e  externo,  argumentando  que  as  receitas  não  tributadas  no mercado  interno,  no  caso,  as  tributadas  à  alíquota  zero  e  de  vendas  de  bens  do  ativo  permanente,  apresentadas, respectivamente, nas linhas 04 e 06 do Dacon, não podem ser consideradas para  compor  o  cálculo  da  proporção,  como,  equivocadamente,  fez  a  autoridade  fiscal?  e  que  a  autoridade fazendária considerou, para fins de cálculo da proporção do mercado interno, além  do  valor  das  linhas  04  e  06  do  Dacon,  o  valor  da  receitas  auferidas  informadas  na  coluna  “receita”  das  linhas  01  e  02,  onde  deveria  ter  considerado  os  valores  da  coluna  “base  de  cálculo”?  aduz  que  procedendo  assim,  a  autoridade  fiscal  acabou  por  considerar  em  duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os  valores  relativos  às  linhas  04  a  11,  o  que  acaba  por  elevar  excessiva  e  erroneamente  os  percentuais do mercado interno.  Defende  os  percentuais  para  a  receita  vinculada  ao  mercado  externo  de  94,10% no mês de abril, 91,98%% no mês de maio, e 90,94% no mês de junho.  Em relação a glosa de aquisições de bens, alega que não há amparo legal para  a autoridade fiscal glosar os créditos referentes à compra de floresta para extração de madeira  utilizada em seu processo produtivo. Alega que as aquisições glosadas referem­se a compra de  floresta para dela extrair sua matéria prima? consistindo, portanto, de aquisição de insumo de  gera crédito da não cumulatividade. Esclarece que a compra foi lançada no ativo imobilizado,  com a devida  incidência  da  contribuição  para  o  PIS  e da Cofins. Todavia,  não  tendo  sido  a  Fl. 587DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     6 extração promovida em um único momento, o pedido de crédito ocorreu em etapas, à medida  que  as  árvores  eram  extraídas,  fato  comprovado pelas notas  fiscais de  transferência  juntadas  (CFOP  1.151),  colacionadas  por  amostragem,  haja  vista  o  grande  número  de  notas  fiscais  existentes.  Quanto aos encargos de depreciação inicialmente informa que a glosa se deu  em  relação  aos  seguintes  números  e  descrições  de  bens  informados:  129  ­  aquisição  de  caminhão trator? 403 ­ aquisição de caminhão trator? 773 ­ reforma trator Massey Fergusson  aquisição de peças? 774 ­ reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças e serviços? 775  ­ reforma trator Massey Fergusson aquisição de peças? 776­ reforma trator Massey Fergusson ­  aquisição de peças? 862 ­ acréscimo referente reforma do trator florestal aquisição de peças e  873  ­  acréscimo  referente  reforma  do  trator  florestal  aquisição  de  peças.  Reconhece  que  os  bens  adquiridos  são  efetivamente  integrados  ao  ativo  imobilizado,  não  podendo  se  fazer  distinção  entre  os  que  são  e  não  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação de  serviços? ainda que se queira dar uma  interpretação  restritiva à  lei de  regência,  não  há  como  negar  que  os  bens  objeto  da  glosa  fiscal  são  efetivamente  máquinas  ou  equipamentos, ou seja, não há como negar, por exemplo, que um caminhão trator ou um trator  seja uma máquina? não há a necessidade de maiores explicações para que se entenda que os  tais bens são utilizados na produção de bens destinados à venda, já que sua descrição fala por  si.  Por  fim,  alega  que  a  autoridade  administrativa  teve  todos  os  subsídios  necessários  para  comprovar as aquisições em comento, com a possibilidade de análise das notas fiscais e que,  em assim sendo, se havia qualquer tipo de dúvida quanto a natureza e destinação do bem, esta  poderia ter intimado a recorrente para prestar­lhe todo e qualquer tipo de esclarecimento.  Em  relação  aos  ajustes  dos  encargos  de  depreciação  da  proporção  1/12,  utilizados pela empresa,  para o equivalente  a 1/48, defende que se utilizou corretamente dos  encargos de depreciação, consoante se verifica no artigo 1º da Lei n 11.774/2008. Alega que de  acordo  com  este  dispositivo,  a  partir  de maio  de  2008,  o  crédito  referente  aos  encargos  de  depreciação  será  apurado  na  proporção  de  1/12,  corroborando  o  procedimento  adotado  pela  requerente.  A  4ª  Turma  da  DRJ/FNS  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  parcialmente procedente  para  recalcular os  percentuais  das  receitas  a  serem  considerados  no  rateio dos custos comuns, com a exclusão, do montante da receita bruta, dos valores das  receitas de vendas de bens do ativo permanente  (linha 06) e para  reverter a  glosa de R$ 400,61, em junho de 2008 (R$ 19.629,81­ R$ 19.229,20), referente à depreciação  na  proporção  1/12.  O  Acórdão  nº  07­028.690,  de  4  de  maio  de  2012,  fls.  494  a  514,  teve  ementa vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008  REPETIÇÃO DE  INDÉBITO.  COMPROVAÇÃO DO DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE  No  âmbito  específico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação  minudente  da  existência  do  direito  creditório  pleiteado.  ASSUNTO: Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Fl. 588DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720732/2009­21  Acórdão n.º 3403­003.068  S3­C4T3  Fl. 586          7 Ano­calendário: 2008  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A CUSTOS DESPESAS E ENCARGOS  COMUNS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.  Os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas sujeita e  as não sujeitas à incidência não­cumulativa da contribuição e a  receita  bruta  total,  auferidas  em  cada  mês,  para  fins  de  aplicação do rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do  art.  3º,  da  Lei  nº  10.833/2003,  a  ser  utilizado  na  apuração  de  créditos relativos a custos, despesas e encargos comuns, devem  considerar  todas  as  receitas  da  pessoa  jurídica  que  estejam  a  estes  dispêndios  associadas,  e  não  aquelas  que,  por  sua  natureza, não se caracterizem como tal.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  HIPÓTESES  DE  CREDITAMENTO.  A  legislação  é  exaustiva  ao  enumerar  os  custos  e  encargos  passíveis  de  creditamento:  somente  dão  direito  à  crédito  os  custos  com  bens  e  serviços  tidos  como  insumos  diretamente  aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e  os encargos expressamente previstos na legislação de regência.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  INSUMOS  PARA  FORMAÇÃO  DE  FLORESTAS.  INCORPORAÇÃO  AO  ATIVO  IMOBILIZADO.  DESCONTO  DE  CRÉDITO  COMO  EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Os  custos  de  formação  de  floresta  são  incorporados  ao  valor  desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida  da  utilização  da  floresta,  deve  ser  objeto  de  encargos  de  exaustão  que  não  dão  direito  a  crédito  por  falta  de  previsão  legal.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  COM  DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.  Das  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  geram  direito  a  crédito,  a  título  de  depreciação,  no  âmbito  do  regime  da  não­cumulatividade,  os  que  estejam  diretamente  associados  ao  processo  produtivo  de  bem destinado à venda.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte  Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  4ª  Turma  da  DRJ/FNS.  O  arrazoado  de  fls.  546  a  554,  após  síntese  dos  fatos  relacionados  com  a  lide,  discorre  sobre  o  sistema  de  distribuição  do  ônus  da  prova  no  processo  administrativo,  articulando­o  com  o  princípio  da  verdade material,  para  concluir  que  não  se  pode  indeferir  requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na  comprovação de seu direito.  Fl. 589DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     8 No  mérito,  reportando­se  à  Ficha  do  Dacon  própria  para  o  cálculo  da  contribuição no regime não­cumulativo, contesta o cálculo do rateio proporcional de receitas,  pugnando pela adoção dos valores consignados na coluna “Base de cálculo”, e não da coluna  “Receitas”, como fez a Fiscalização, e pela exclusão do montante da receita bruta total do valor  das receitas tributadas a alíquota zero (linha 04) e das receitas com suspensão das contribuições  (linha 09), o que levaria os percentuais de exportação a 94,10% no mês de abril, 91,98%% no  mês  de  maio,  e  90,94%  no  mês  de  junho,  conforme  minuta  de  cálculo  que  anexa  à  peça  recursal.  Quanto  à glosa dos  créditos  em  função das  aquisições para  reflorestamento  ou oriundos de quotas de exaustão, explica que, como o contrato de compra e venda juntado  aos autos, comprou uma floresta,  incorporando­a ao seu Ativo  Imobilizado, e dela extrai sua  matéria­prima. Ao invés de tomar o crédito de uma só vez, ao comprar a floresta, apropria o  crédito  à medida  que  a  floresta  é  abatida  e  a madeira  extraída,  como  comprovarias  as  notas  fiscais de  transferência  juntadas quando da apresentação de manifestação de inconformidade.  Entende resguardado seu direito de crédito, nos termos da Solução de Consulta nº 153, de 15  de maio de 2009, que transcreve.  Contesta também a glosa dos créditos tomados a título de insumo dos custos  de  formação  de  floresta,  a  serem  incorporados  ao  valor  desse  bem,  registrado  no  ativo  imobilizado.  Alega  que  o  bem  adquirido  é  efetivamente  integrado  ao  ativo  imobilizado  e  é  diretamente utilizado no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda, não se  podendo fazer distinção entre os que são e não são utilizados na produção de bens destinados à  venda ou na prestação de serviços. Aduz que se houvesse qualquer dúvida quanto à natureza e  destinação do bem, a autoridade fiscal poderia ter intimado a recorrente para prestar­lhe todo e  qualquer tipo de esclarecimento.  Pede provimento.  Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os  processos conexos de nºs 13971.720775/2009­14, 13971.720776/2009­51,13971.720778/2009­ 40 e 13971.720926/2007­64, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº  256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio  ocorrido em 28/05/2014.  O  processo  administrativo  correspondente  foi  materializado  na  forma  eletrônica,  razão pela qual  todas as  referências a  folhas dos autos pautar­se­ão na numeração  digitalmente estabelecida.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Presentes  os  pressupostos  recursais,  a  petição  de  fls.  546  a  554 merece  ser  conhecida  como  recurso  voluntário  contra o Acórdão DRJ­FNS­4ª Turma nº  07­028.690,  de  494 a 514.  Devolvem­se  a  esta  Turma  Recursal  as  discussões  a  respeito  do  ônus  da  prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do método de rateio proporcional de custos,  despesas e encargos comuns; do direito à tomada de crédito sobre encargos de exaustão e sobre  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720732/2009­21  Acórdão n.º 3403­003.068  S3­C4T3  Fl. 587          9 as  despesas  de  depreciação  de máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado.  Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente,  ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 5003581­24.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara  da Justiça Federal em Rio do Sul­SC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento  do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados  como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c)  serviços  de  armazenagem  de  mercadorias;  d)  depreciação  de  bens  do  ativo  imobilizado  –  aquisição  de  florestas  por  meio  de  contrato  de  compra  e  venda;  e)  fretes  utilizados  para  o  transporte  de mercadorias  adquiridas  de  pessoas  físicas,  transporte  de  insumos  utilizados  na  industrialização e transporte rodoviário de cargas.  Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na  presente  peça  exordial,  os  quais  foram  glosados  pela  autoridade  fiscal  nos  processos  administrativos  nºs  13975.000463/2003­57,  13975.000464/2003­00,  13975.000496/2003­05,  13975.000018/2004­ 78, 13975.000217/2005­67, 13975.000215/2005­78, 13975.000213/2005­ 89,  13975.000212/2005­34,  13975.000210/2005­  45,  13975.000199/2005­13,  13971.720021/2008­75, 13971.720022/2008­10, 13971.720023/2008­64, 13971.720024/2008­  17,  13971.720025/2008­53,  13971.720026/2008­06,  13971.910941/2011­89,  13971.910944/2011­12, 13971.910945/2011­ 67, 13971.910950/2011­70, 13971.910958/2011­ 36,  13971.910959/2011­81,  13975.000218/2005­10,  13975.000216/2005­  12,  13975.000214/2005­23, 13975.000224/2005­69, 13975.000209/2005­11, 13971.001997/2006­ 83,  13971.001996/2006­  39,  13971.720016/2008­62,  13971.720017/2008­15,  13971.720018/2008­51, 13971.720019/2008­04, 13971.720020/2008­ 21, 13971.910942/2011­ 23,  13971.910943/2011­78,  13971.910946/2011­10,  13971.910949/2011­45,  13971.910960/2011­  13,  13971.910955/2011­01,  corrigidos  monetariamente  pela  taxa  referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos.  Como  se  vê,  à  exceção  das  duas  primeiras  matérias,  as  demais  foram  submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de  22 de dezembro de 2009):  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Em  face  da  renúncia  à  discussão  administrativa  dessas  matérias,  só  se  conhecerá das alegações recursais atinentes (i) ao ônus da prova nos processos administrativos  de iniciativa do contribuinte e (ii) sobre os percentuais a serem estabelecidos entre as receitas  sujeita  e  não  sujeitas  à  incidência  não­cumulativa  da  contribuição  e  a  receita  bruta  total,  auferidas em cada mês, para fins de aplicação do rateio proporcional previsto na legislação de  regência,  a  ser  utilizado  na  apuração  de  créditos  relativos  a  custos,  despesas  e  encargos  comuns.  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     10 Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte  Em  que  pese  a  dissertação  da  recorrente,  comungo  integralmente  com  as  considerações  sobre  a  distribuição  do  ônus  probatório  tecidas  pela  relatora  da  decisão  recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes.  Cabe  ao  contribuinte,  até  o  momento  processual  da  Manifestação  de  Inconformidade,  provar  o  teor  das  alegações  que  contrapõe  aos  argumentos  postos  pela  Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto,  não  basta  ao  contribuinte  apenas  alegar  sem  provar   não  basta,  simplesmente  vir  aos  autos  discordado do  entendimento  do  fiscal,  afirmando que  entende possuir  o  direito  ao  crédito   o  contribuinte  deve  ser  capaz  de  comprovar  cabalmente  o  direito  ao  crédito  que  pleiteia,  demonstrando  sua  conformidade  com  os  dispositivos  legais  de  regência.  Este  é  o  princípio  fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo  federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No  mesmo  sentido  o  art.  330  da  Lei  no  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973  (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  [...]  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Em  sede  de  prova,  nada  alegar  e  alegar,  mas  não  provar  o  alegado  se  equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência  do Superior Tribunal de Justiça:  Allegare  nihil  et  allegatum  non  probare  paria  sunt  —  nada  alegar  e  não  provar  o  alegado,  são  coisas  iguais.(HABEAS  CORPUS Nº  1.171­0 — RJ,  R.  Sup.  Trib.  Just.,  Brasília,  a.  4,  (39): 211­276, novembro 1992, p. 217)  Alegar  e  não  provar  significa,  juridicamente,  não  dizer  nada.(INTERVENÇÃO  FEDERAL  Nº  8­3 —  PR,  R.  Sup.  Trib.  Just., Brasília, a. 7, (66): 93­116, fevereiro 1995. 99)  RECURSO  ORDINÁRIO  EM MANDADO  DE  SEGURANÇA  –  APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL  DE  CONTAS  –  ATOS  ADMINISTRATIVOS  NÃO  COMPROVADOS  –  ART.  333,  INCISO  II,  DO  CPC  –  PAGAMENTO  DOS  PROVENTOS  DE  NOVEMBRO/96  E  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO  DAQUELE  MESMO  ANO  –  IMPOSSIBILIDADE  –  SÚMULAS  269  E  271  DA  SUPREMA  CORTE  –  1.  O  ônus  da  prova  incumbe  ao  réu,  quanto  à  existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito  do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às  Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a  professora  havia  sido  notificada  da  suspensão  de  sua  aposentadoria.  2.  Não  cabe  em  mandado  de  segurança  para  cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720732/2009­21  Acórdão n.º 3403­003.068  S3­C4T3  Fl. 588          11 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ –  ROMS  9685  –  RS  –  6ª  T.  –  Rel. Min.  Fernando  Gonçalves  –  DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II   TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA  – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇA­PRÊMIO  – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL –  ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto  ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  do  autor.  Cabe  ao  contribuinte  comprovar  a  ocorrência  de  retenção  na  fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias  e  à  Fazenda  Nacional  incumbe  a  prova  de  eventual  compensação  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  no  ajuste  anual  da  declaração  de  rendimentos.  Recurso  provido.  (STJ  –  REsp  229118  –  DF  –  1ª  T.  –  Rel.  Min.  Garcia  Vieira  –  DJU  07.02.2000 – p. 132)  PROCESSO  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  –  EXECUÇÃO  FISCAL  –  EMBARGOS  DO  DEVEDOR  –  NOTIFICAÇÃO  DO  LANÇAMENTO  –  IMPRESCINDIBILIDADE  –  ÔNUS  DA  PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte  do  imposto devido. 2.  Incumbe ao embargado,  réu no processo  incidente  de  embargos  à  execução,  a  prova  do  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II).  3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 –  (1999/0099660­7)  –  SP  –  2ª  T.  –  Rel. Min.  Francisco  Peçanha  Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147)  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL  –  IRPF  –  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO  –  VERBAS  INDENIZATÓRIAS  –  RETENÇÃO  NA  FONTE  –  ÔNUS  DA  PROVA  –  VIOLAÇÃO  DE  LEI  FEDERAL  CONFIGURADA  –  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ  ­ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção  do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do  seu direito; ao  réu competia a prova de  eventual  compensação  na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto  de  renda  retido  na  fonte,  fato  extintivo,  impeditivo  ou  modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ  –  Recurso  especial  conhecido  pela  letra  a  e  provido.  (STJ  –  RESP  232729  –  DF  –  2ª  T.  –  Rel.  Min.  Francisco  Peçanha  Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294)  Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca  ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confira­se:  “DILIGÊNCIAS.  PERÍCIAS.  DEFICIÊNCIA  PROBATÓRIA.As  diligências  e  perícias  não  se  prestam  a  suprir  deficiência  probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos  nº 3403­002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes  em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)  “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO  QUAL  SE  FUNDAMENTA  A  AÇÃO.  INCUMBÊNCIA  DO  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN     12 INTERESSADO.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado.  DILAÇÃO  PROBATÓRIA.  DILIGÊNCIAS.  A  realização de diligências destina­se a resolver dúvidas acerca de  questão controversa originada da confrontação de elementos de  prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito  aquilo  que  a  lei  já  impunha  como  obrigação,  desde  a  instauração  do  litígio,  às  partes  componentes  da  relação  jurídica. (Acórdãos nº 3403­002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre  Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013)  Mérito – tomada de crédito sobre os fretes pagos na aquisição de insumos  Conforme  relatado,  em  face  das  discr4pâncias  verificadas  na  proporção  de  receitas vinculadas  ao mercado  interno e  ao mercado externo, discriminadas nas  fichas 06A,  06B e 07A do DACON, a Fiscalização adotou a proporção das receitas discriminadas na ficha  17A do DACON para efeito de cálculo dos créditos de mercado interno e de mercado externo.  Na  reclamação,  as  relações  percentuais  Receita  de Mercado  Interno  (RMI)  /  Receita  Bruta  (RB) e Receita de Mercado Externo (RME) / Receita Bruta (RB) foram contestadas, objetando­ se a inclusão, no cálculo, das receitas tributadas à alíquota zero e de vendas de bens do ativo  permanente, e apontando­se duplicidade de inclusão das receitas das linhas 01 e 02, já incluídas  nas linhas 04 e 11.  A  decisão  recorrida,  quando  foi  o  caso,  acolheu  parcialmente  a  objeção  e  somente excluiu do cálculo as receitas de venda de bens do Ativo Permanente, nos meses em  que  elas  efetivamente  ocorreram,  ante  sua  interpretação  da  legislação  de  regência,  especialmente o inc. II do § 8° do art. 3° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  No  recurso  voluntário,  o  contribuinte  refutou  o  cálculo  da  DRJ/FNS,  insistindo  na  adoção  dos  valores  consignados  na  coluna  “Base  de  cálculo”,  e  não  da  coluna  “Receitas”, e na exclusão do montante da receita bruta total do valor das receitas tributadas a  alíquota zero (linha 04) e das receitas com suspensão das contribuições (linha 09).  Bem esclarecido na decisão recorrida, diante de custos, despesas e encargos  comuns, para os quais não haja, via contabilidade de custos, vinculação  individualizada com  cada  receita,  torna­se  necessário  fazer  o  rateio  proporcional  a  fim  de  determinar  em  que  percentual  os  créditos  estão  associados  a  cada  tipo  de  receita  (tributadas  pelo  regime  cumulativo, tributadas pelo regime não cumulativo, sujeita a alíquota zero, isentas, incidência  suspensa  etc.).  Os  créditos  apurados  segundo  cada  uma  das  relações  percentuais  merecerão  tratamentos distintos, de acordo com a legislação. Por exemplo, as  receitas  isentas, sujeitas a  alíquota zero ou mesmo decorrentes de vendas com suspensão da contribuição ou infensas a ela  não impedem que o contribuinte mantenha os créditos a elas vinculados; as receitas vinculadas  às vendas para o mercado externo ensejam ressarcimento em espécie dos créditos respectivos,  ao passo que os créditos associados às demais receitas só podem ser aproveitados na dedução  de débitos da própria contribuição ou, em as sobejando, na compensação com débitos próprios  de outros impostos e contribuições...  Com  esse  fim  em mente,  fica  patente  a  impropriedade  da  objeção  recursal.  Retirar do cálculo da receita bruta o valor das receitas sujeitas a alíquota zero ou decorrentes de  vendas  com  suspensão  da  contribuição  distorceria  a  relação  proporcional  assim  obtida.  Por  conta  disto  é  que  na  receita  bruta  total   devem  ser  incluídas  todas  as  receitas  da  pessoa  jurídica  que  estejam  associadas  ao montante  de  custos,  despesas  e  encargos  comuns,  e  não  aquelas que, por sua natureza, não se associam a esses montantes, como é o caso, por exemplo,  das receitas de venda de bens do ativo permanente.  Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720732/2009­21  Acórdão n.º 3403­003.068  S3­C4T3  Fl. 589          13 Do mesmo modo, não há sentido algum em tomar os valores informados na  coluna  Base  de Cálculo ,  pois  é  na  coluna  “Receita”  que  está  consignado  o  valor  total  do  faturamento  auferido  no  período,  correspondente  à  receita bruta,  assim  entendida o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  da  denominação  ou  classificação  contábil adotada para essas receitas, já diminuído das receitas informadas nas Linhas 04 a 11.  Na coluna "Base de Cálculo", deve ser informado o valor constante do campo "Receita" líquido  das  exclusões  previstas  em  lei  (descontos  incondicionais  concedidos,  quando  computados  como receita bruta  vendas canceladas, após deduzidos os valores dos descontos incondicionais  concedidos   IPI,  quando  destacado  na  nota  fiscal   ICMS,  quando  recolhido  na  condição  de  substituto  tributário   reversões de provisões  e  recuperações de  créditos baixados  como perda  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas   o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido   e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita.  Assim, julgo irretocável o cálculo do rateio proporcional procedido efetuado  na decisão recorrida.  Conclusão  Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria  submetida  à  apreciação  do  Poder  Judiciário  (direito  à  tomada  de  crédito  sobre  encargos  de  exaustão  e  sobre  as  despesas  de  depreciação  de  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado)  e,  na  parte  conhecida,  quanto  ao  ônus  da  prova  nos  processos administrativos de iniciativa do contribuinte e ao método de rateio proporcional, por  negar provimento ao recurso.  Sala de sessões, em 22 de julho de 2014                                 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN

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Numero do processo: 10920.911196/2012-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 3          2 (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª.  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Belo  Horizonte  (DRJ/BHE),  referente  ao  processo  administrativo,  em  que  foi  julgada  improcedente  a  manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou  os autos:  O  presente  processo  trata  de Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório  nº  rastreamento  emitido  eletronicamente, referente ao PER/DCOMP.  O  PerDcomp  foi  transmitido  com  o  objetivo  de  pedir  a  restituição  de  crédito  de PIS/PASEP, Código  de Receita  8109,  no  valor  original  de,  decorrente  de  recolhimento  com  Darf  efetuado.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório,  a  partir  das  características  do  DARF  descrito  no  PerDcomp  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição.  Assim,  diante  da  inexistência  de  crédito,  a  restituição  foi  INDEFERIDA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 da Lei nº 5.172 de  25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN).  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  do  Despacho  Decisório,  o  interessado  apresenta  manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se  segue:  ­ que o PerDcomp refere­se a crédito decorrente de pagamento a  maior de PIS/Cofins, em razão da  inclusão do ICMS nas bases  de cálculos dessas contribuições;  ­  que  em  relação  à  base  de  cálculo  da  Cofins,  a  Lei  Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição,  dispõe  em  seu  art.  2º  "que  a  contribuição  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços  de qualquer natureza";  ­ que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar  07/70,  que  instituiu  a  cobrança  da contribuição dispõe  em  seu  art.  3º  que  o Fundo de Participação  será  constituído por duas  parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no  faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 5          4 PIS  e  a Cofins  passaram  a  ser  disciplinadas  pela  Lei  9718/98  que  dispõe  em  seu  art.  2º,  parágrafo  1º  que  "entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e  a  classificação  contábil  adotada  para  as  receitas";  que  a  Constituição  Federal  em  seu  art.  195,  I,  b,  dispõe  que  "A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  Estados,  DF  e  dos  Municípios  e  das  seguintes  contribuições  sociais:  I  –  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidente  sobre:  (...)  b)  a  receita  ou  o  faturamento”;  ­ que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder­ se­ia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a  receita  ou  o  faturamento,  não  possuindo  autorização  para  incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal  valor constitui ônus fiscal e não faturamento.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório.    Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de  inconformada  apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade.  Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu  a  DRJ/BHE  por  indeferir  a  solicitação,  ratificando  a  decisão  da  DRF  de  origem,  não  reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O  referido julgado contou com a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não  se  admite  a  restituição  de  crédito  que  não  se  comprova  existente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    A  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  postulando  a  reforma  da  decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do  ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo.  Em  sua  fundamentação,  fez  a  colação  de  trecho  do  voto  proferido  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  relator  do  RE  240.785­2/MG,  onde  ele  conclui  que  o  valor  correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na  base de cálculo do PIS e da COFINS.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 6          5 Por  fim,  refere  a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal  reconheceu a  repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso  fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo  62­A, § 1º, do Regimento Interno do CARF.  É o relatório.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 7          6   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Tanto  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  quanto  no  recurso  voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS  da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Primeiramente,  necessário  destacar  se  há  necessidade  ou  não  de  sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de  constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria,  medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos  em  trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º,  I, da Lei 9.718/1998, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF. (MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008)  Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão  de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do  relator. (QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)  Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de  ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª  QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)  Por  fim,  em  sessão  plenária  do  dia  25.03.2010,  o  Tribunal,  por  maioria,  resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e  oitenta)  dias,  a  eficácia da medida cautelar  anteriormente deferida.  (3ª QO­MC­ADC 18/DF,  rel. Min. Celso de Mello)   Deste modo, entende­se que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de  25.03.2010,  perdeu  a  eficácia  da medida  cautelar  anteriormente  deferida.  Assim,  entende­se  que não deve haver o sobrestamento da matéria.  Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62­A do Regimento Interno  do  CARF  que  faz  referência  a  contribuinte  no  presente  Recurso  Voluntário  (interposto  em  19/12/2013),  estava  inclusive  já  revogado  pela  Portaria MF  nº  545,  de  18  de  novembro  de  2013.  Cumpre  ressaltar  inclusive  que  a  presente  Turma  ao  apreciar  a  mesma  matéria  já  se  manifestou  no  sentido  de  não  sobrestar  o  processo.  Tal  decisão  ocorreu  por  unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/2010­71, de Relatoria do  Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o  acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido:    Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 8          7 “Acordam os membros do colegiado:  (I) Por unanimidade de  votos,  não  sobrestar  o  processo;  (II)  Por  unanimidade  votos,  negar  provimento  ao  recurso  em  relação  às  preliminares  de  cerceamento  de  defesa  e  de  que  o  crédito  tributário  já  sido  constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar  provimento  ao  recurso  em  relação  à  preliminar  de  vício  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF).  Vencidos  os  Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira  da  Silva Murgel  e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira  que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no  mérito, negar provimento ao recurso.” (grifou­se)    Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo.  Analisando  o  mérito,  verifica­se  que  a  recorrente  alega  que  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  promovida  pela  Lei  n°  9.718/98  violou  dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei  tributária.  Portanto,  pretendendo  a  contribuinte  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe:    SÚMULA Nº  2  do  CARF: O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Por  se  tratar  de  matéria  constitucional,  não  sendo  competência  deste  Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante  o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de  apuração:  01/09/2001  a  30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  Sendo  a  base  de  cálculo  da  Cofins  o  faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem,  deve  o  ICMS  integrá­la.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Aplicação  da  Súmula  CARF  nº  2.  Recurso  Voluntário  Negado.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos.  (Acórdão  n°  3302­ 000.745, julgado em 10/12/2010, grifou­se)    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano­calendário: 2005,  2006,  2007  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  são  incompetentes  para  apreciar  argüições  de  inconstitucionalidade  de  lei  regularmente  editada,  tarefa  privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 9          8 novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de  oficio  de  150%.  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.  EXCLUSÃO DO ISS E TPT.  IMPOSSIBILIDADE. Para  fins de  determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos  que podem ser  excluídos da  receita bruta  são o  IPI e o  ICMS,  quando  cobrados  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário.  (Acórdão  1102­ 000.519, julgado em 03/10/2011, grifou­se)    Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário,  em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF).  É  necessário  igualmente  analisar  o  mérito  do  recurso,  em  que  pese  as  considerações  acima  trazidas.  Apesar  de  entendimento  diverso  desse  relator,  o  pedido  do  contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ.  Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior  Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor:    STJ Súmula nº 68 ­ 15/12/1992 ­ DJ 04.02.1993  ICM ­ Base de Cálculo do PIS  A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do PIS.    Em  igual  sentido  o  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª.  Região  assim  tem  se  manifestado:  EMENTA:  PIS.  COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  INADMISSIBILIDADE.  Os  encargos  tributários  integram  a  receita  bruta  e  o  faturamento  da  empresa.  Seus  valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final  da  prestação  do  serviço.  Por  isso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  podendo  ser  excluídos  do  cálculo  do  PIS/COFINS,  que  têm,  justamente,  a  receita  bruta/faturamento  como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos  termos do  art.  3º,  §2º,  I,  da  Lei  9.718/98.  (TRF4,  AC  5008959­ 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria  de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013)    Deste modo, entende­se que os encargos tributários integram a receita bruta e  o  faturamento  da  empresa. Assim,  seus  valores  são  incluídos  no  preço  da mercadoria  ou  no  valor  final  da  prestação  do  serviço.  Diante  disso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911196/2012­83  Acórdão n.º 3801­003.393  S3­TE01  Fl. 10          9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita  bruta/faturamento como sua base de cálculo.  Assim,  incabível  a  exclusão  do  valor  devido  a  título  de  ICMS  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo  prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  Em  face  do  exposto,  encaminho  o  voto  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  É assim que voto.  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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5483422 #
Numero do processo: 16024.000783/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo.
Numero da decisão: 1801-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria De Lourdes Ramirez – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 16024.000783/2008­59  Acórdão n.º 1801­001.968  S1­TE01  Fl. 306          2 Maria De Lourdes Ramirez – Presidente    Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  De  Lourdes  Ramirez,  Alexandre  Fernandes  Limiro,  Cristiane  Silva  Costa,  Neudson  Cavalcante  Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.      Relatório  SIDERÚRGICA  JIMENEZ  IND.  E  COM.  LTDA,  pessoa  jurídica  já  qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 14­37.824, pela  DRJ Ribeirão Preto,  interpõe  recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, objetivando a reforma da decisão.  O  processo  trata  de  auto  de  infração  (fls.  208/219)  realizado  para  exigir  crédito  tributário de  IRPJ  relativo  ao  ano 2001,  no valor de R$ 60.879,62,  além de  juros de  mora  no  valor  de  R$  42.609,64.  Os  valores  foram  lançados  já  com  a  sua  exigibilidade  suspensa, em razão da existência de medida judicial.   O  processo  trata  de  dois  autos  de  infração  realizados  para  exigir  créditos  tributários  relativos  aos  anos  2005,  2006  e  2007,  conforme  os  valores  contidos  na  tabela  seguinte:  TRIBUTO  PRINCIPAL  JUROS DE  MORA  MULTA DE  OFÍCIO (75%)  TOTAL  FLS.  IRPJ  51.509,30  25.785,55  38.631,97  115.926,82  210  CSLL  4.388,72  2.196,99  3.291,54  9.877,25  216    Os  lançamentos  foram  realizados  em  razão  de  ter  sido  constatada  compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL no ano 2004,  considerando  que  os  valores  compensados  na  DIPJ  ultrapassam  o  saldo  compensável  dos  exercícios anteriores.  Cientificado  das  autuações,  o  contribuinte  ingressou  com  as  respectivas  impugnações, juntadas às fls. 227/234 e fls. 246/253, em que traz os seguintes argumentos:  1) Ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito  tributário  tendo como base valores  originados em exercícios decaídos, ou seja, 1998, 1999 e 2000;  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 16024.000783/2008­59  Acórdão n.º 1801­001.968  S1­TE01  Fl. 307          3 2) O art. 251 do RIR, de 1999, determina que todas as pessoas jurídicas sujeitas à tributação  pelo lucro real deverão comprová­lo por meio de escrituração do livro Diário e as Leis n°  8.383, de 1991, e n° 8.541, de 1992, determinam que os balanços e balancetes devem ser  levantados com observância das  leis  comerciais  e  transcritos no  citado  livro  (se balancete  transcrito no Lalur). Além disso, o art. 9o, § 1o do Decreto­lei n° 1.598, reproduzido pelo art.  923 do RIR, de 1999, dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições  legais  faz  prova,  a  favor  do  contribuinte,  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis.  Dessa  forma,  o  autuante,  em  observância  ao  princípio  da  verdade  material, sendo informado das falhas contábeis existentes, mas corrigidas em tempo hábil,  não poderia deixar de diligenciar para apurar o lucro tributável.  A  Delegacia  de  Julgamento  considerou  procedentes  os  lançamentos,  ementando assim a sua decisão:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO A MAIOR DO SALDO DE PREJUÍZOS  FISCAIS.  Mantém­se  o  lançamento  se  não  comprovada a  existência  de  saldo  de  prejuízos  fiscais  em  valor  suficiente  para  amparar  a  compensação  pleiteada  na  declaração  de  rendimentos.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO – CSLL  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO  A  MAIOR  DO  SALDO  DE  BASES  DE  CÁLCULO NEGATIVAS.  Mantém­se  o  lançamento  se  não  comprovada a  existência  de saldo de bases de cálculo negativas da CSLL em valor  suficiente  para  amparar  a  compensação  pleiteada  na  declaração de rendimentos.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004  DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  rever  lançamento  por  homologação  extingue­se  no  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  do  fato  gerador,  no  caso  de  haver  pagamento  antecipado do tributo.  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 16024.000783/2008­59  Acórdão n.º 1801­001.968  S1­TE01  Fl. 308          4  Cientificado dessa decisão em 13/06/2012 (fl. 293), o contribuinte interpôs o  presente  Recurso  Voluntário  em  13/07/2012  (fls.  297/300),  quando  apresenta  os  seguintes  argumentos:  1) Os lançamentos realizados estão exigindo tributo com base em fatos geradores consumados  há mais de cinco anos, estando portanto fulminados pela decadência, conforme o art. 150,  §4o, do CTN. Não está correta a decisão recorrida quando afastou a incidência do referido  art.  150,  para  adotar  o  art.  173,  I,  do  mesmo  Código.  Também  erra  a  decisão  recorrida  quando considera a data do pagamento  como  termo  inicial da decadência, uma vez que o  §4o do artigo 150 do CTN é explícito ao indicar a data do fato gerador como termo inicial.  Ademais, não se pode adotar a data do pagamento como termo inicial quanto o pagamento  não era exigível, em razão da existência de saldo credor a data dos fatos geradores;  2)  em  sede  de  impugnação,  foram  juntados  aos  autos  completos  e  extensos  mapas  e  levantamentos  fiscais  e  contábeis,  cópias  das  PERDCOMPs  e  documentos  correlatos,  assinados por auditor contábil, além do que, expressamente,  franqueou à  fiscalização seus  livros Diário e respectivos documentos fiscais e contábeis relativos ao período fiscalizado.  Assim,  era  dever  legal  e  funcional  da  autoridade  julgadora  a  quo  a  determinação  de  diligências, para comprovar as razões argüidas desde o início nestes autos. Não o fazendo,  feriu mortalmente os sagrados direitos constitucionais de ampla defesa, razão da nulidade da  decisão proferida;  3)  no mérito,  afirma  que  a  decisão  recorrida  não  atendeu  ao  princípio  da  verdade material,  julgando contra as provas dos autos, conforme o seguinte excerto:  Em  que  pese  o  respeito  que  se  faz  merecedor  o  D.  Analista  e  Revisor  da  PERDCOMP  já  referida,  seu  entendimento  "data  venia", confronta­se com os documentos e provas existentes nos  autos,  bem  como  as  trazidas  nas  Impugnações  e  juntadas  ao  final  daquela  peça  e  outras  juntadas  na  instrução  do  feito,  as  quais, em respeito ao princípio da verdade material que norteia  o procedimento administrativo fiscal, devem ser reavaliadas pelo  digno julgador fazendário.  Com  efeito,  ao  ter  ciência  do  procedimento  fiscal  em  apreço,  providenciou a contribuinte auditoria fiscal e contábil específica  ao  caso  presente,  cujas  conclusões  seguem  em  peças  esclarecedoras  subscritas  pelo  auditor  responsável,  juntadas  e  anexadas  à  presente  manifestação,  isto  tudo  sem  prejuízo  da  farta  documentação  representada  pelas  cópias  da  Perd/Comps  também anexadas final desta peça.  Destarte,  não  há  como  prosperar  a  exigência  fiscal  tão  logo  verifique  e  constate  o  D.  Julgador  Tributário  a  veracidade  do  crédito  pleiteado,  vez  que  a  busca  pela  verdade  material  é  princípio  de  observância  indeclinável  da  Administração  tributária no âmbito de suas atividades, em quaisquer instâncias  ou tribunais.  Logo, deve fiscalizar em busca da verdade material; deve apurar  e  lançar  com  base  na  verdade  material  Aliás,  neste  sentido  a  decisão  estampada  no  V.  Acórdão  N°  103.19.789  ­  DOU.  29.01.199, do 1o Cons. Contribuintes.  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 16024.000783/2008­59  Acórdão n.º 1801­001.968  S1­TE01  Fl. 309          5 É o relatório  Voto             Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator.  O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade,  sendo digno de conhecimento.  DECADÊNCIA  Os  lançamentos  em  análise  foram  realizados  para  exigir  IRPJ  e  CSLL  resultantes da glosa de prejuízos compensados indevidamente quando da apuração ao final do  ano 2004, ou seja, tributos com fatos geradores em 31/12/2004 (fls. 208/219). Por outro lado, a  ciencia dos referidos lançamentos ocorreu em 16/10/2008 (fl. 224), portanto, menos de quatro  anos após o fato gerador.  Portanto, não há que se  falar em decadência,  seja pela  regra contida no art.  150, §4º, seja pela regra do art. 173, I, ambas do CTN.  DIREITO DE DEFESA  O recorrente afirma que a autoridade julgadora a quo tinha o dever de realizar  diligência  com  a  finalidade  de  apreciar  a  farta  documentação  por  ele  juntada  em  sede  de  impugnação.  Todavia,  compulsando  os  autos,  verifica­se  que  a  alegada  documentação  restringe­se  a  dois  demonstrativos  do  resultado  do  exercício  (1998  e  1999),  conforme  fls.  265/280.  Ademais, segundo o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a diligência é  faculdade da autoridade julgadora, que a determinará quando entender necessária1.   Portanto, na espécie, não há que se falar em cerceamento da defesa pela não  realização de diligência, seja porque esta não é imposição legal, seja em razão da simplicidade  da documentação acostada após a realização dos lançamentos.   JULGAMENTO CONTRÁRIO AOS AUTOS   O  recorrente  afirma  que  a  autoridade  julgadora  a  quo  prolatou  decisão  contrária aos autos, citando uma suposta auditoria fiscal e contábil específica ao caso presente  e cópias de Perd/Comps.  Todavia, tais documentos não podem ser encontrados nos autos. Frise­se que  a presente lide não possui qualquer relação com compensações via PER/DCOMP, uma vez que  a compensação de prejuízos acumulados se dá dentro do procedimento de apuração anual dos  tributos,  utilizando­se  como  instrumento o SAPLI  (sistema de acompanhamento de prejuízo,                                                              1 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a  realização de diligências ou perícias, quando entendê­las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis  ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.    Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 16024.000783/2008­59  Acórdão n.º 1801­001.968  S1­TE01  Fl. 310          6 lucro  inflacionário  e  base  de  cálculo  negativa  da CSLL),  conforme  claramente  demonstrado  pela autoridade lançadora.  Verifica­se  que  os  lançamentos,  assim  como  o  julgamento  em  primeira  instância,  são  coerentes  com a documentação que  instrui o presente processo, não possuindo  qualquer fundamentação fática a argumentação do recorrente.  CONCLUSÃO   Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.      Neudson Cavalcante Albuquerque  (documento assinado digitalmente)                                    Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ

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Numero do processo: 10283.005992/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS, devida pelas pessoas jurídicas, é o faturamento mensal correspondente à receita bruta, assim entendida, a totalidade das receitas auferidas por elas. ICMS INCLUÍDO NO FATURAMENTO O Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) por constituir parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços faturados integra a base de cálculo do PIS. Recurso Voluntário Negado A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado.
Numero da decisão: 3301-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 462          1 461  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.005992/2007­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.186  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  PIS ­ DCOMP  Recorrente  CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S/A  Recorrida  FAZEMDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 15/02/2002 a 03/10/2002  REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.  O direito à  repetição/compensação de créditos  financeiros  contra a Fazenda  Nacional, decorrente de pagamento indevido e/ ou maior de tributo, prescreve  em  5  (cinco)  anos  contados  da  data  da  extinção  do  respectivo  crédito  tributário pelo pagamento.  INDÉBITO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.  Em  face do disposto no Regimento  Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  art.  62­A,  c/c  a  decisão  do  Supremo Tribunal  Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos de restituição/compensação  de  indébito  tributário  decorrente  de  pagamento  a  maior  e/  ou  indevido  de  tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados depois da data de  09/06/2005,  a  contagem do  prazo  prescricional  qüinqüenal  do  direito  de  se  repetir/compensar o respectivo indébito deve ser feita da data de extinção do  respectivo crédito tributário pelo pagamento.  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO.  A  homologação  de  compensação  de  débito  fiscal,  efetuada  pelo  próprio  sujeito passivo, mediante entrega de Declaração de Compensação (Dcomp),  está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007  BASE DE CÁLCULO  A base de cálculo da contribuição para o PIS, devida pelas pessoas jurídicas,  é  o  faturamento  mensal  correspondente  à  receita  bruta,  assim  entendida,  a  totalidade das receitas auferidas por elas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 59 92 /2 00 7- 71 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 ICMS INCLUÍDO NO FATURAMENTO  O  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  (ICMS)  por  constituir  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos serviços faturados integra a base de cálculo do PIS.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Mônica  Elisa  de  Lima,  José  Adão  Vitorino  de  Morais,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da  DRJ  em Belém  (PA)  que  julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que  indeferiu  pedido  de  restituição  de  indébitos  tributários  e  não  homologou  as  compensações  declaradas nas Dcomp, objeto deste processo administrativo.  A DRF  em Manaus  indeferiu  o  pedido  de  restituição  e  não  homologou  as  compensações  declaradas  sob  o  fundamento  de  prescrição  do  direito  de  a  recorrente  repetir/compensar o crédito financeiro declarado nas Dcomp e que o ICMS faturado integra a  base de  cálculo do PIS  e da Cofins,  conforme Parecer/Despacho Decisório  às  fls.  165/176 e  complementar às fls. 291/301.  Inconformada com aquele despacho, a recorrente protocolou manifestação de  inconformidade,  alegando,  em  síntese,  a  inocorrência  da  decadência  de  seu  direito  à  repetição/compensação dos valores decorrentes dos pagamentos efetuados em datas anteriores  a  cinco anos  contados da  transmissão dos Per/Dcomp, defendendo a  contagem pela  tese dos  “cinco mais cinco” e que o  ICMS faturado,  tanto nos  termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998  (regime  cumulativo),  e/  ou  das  Leis  nº  10.637,  de  30/12/2002,  e  nº  10.833,  de  29/12/2003  (regime  não­cumulativo),  não  integra  o  faturamento  da  pessoa  jurídica  por  não  constituir  própria. Trata­se de valor que apenas  transita pela sua contabilidade e seu caixa. Assim, não  pode  suportar  a  incidência  do  PIS  sobre  seu  valor  que  apenas  transita  por  seus  cofres  em  direção aos cofres públicos.  Fl. 918DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 463          3 Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente,  conforme acórdão nº 01­14.936, datado de 25/08/2009, às  fls. 399/406, sob as  seguintes ementas:  “PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  PRAZO  PARA  PLEITEAR RESTITUIÇÃO.  O prazo para pleitear a restituição de valores pagos a maior ou  indevidamente  a  título  de  tributos  e  contribuições,  inclusive  aqueles  submetidos  à  sistemática  do  lançamento  por  homologação,  é  de  cinco  anos  contados  da  data  do  efetivo  pagamento.  BASE DE CÁLCULO. ICMS.  O  ICMS  integra  a  base  de  cálculo  a  ser  tributada  pelas  contribuições PIS  e Cofins,  inexistindo previsão  legal para  sua  exclusão.”  Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.  411/431),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  que  se  reconheça  seu  direito  à  repetição/compensação  dos  valores  reclamados  e  se  determine  a  homologação  das  compensações declaradas, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação  de  inconformidade, ou seja,  a  inocorrência da decadência/prescrição quinquenal de parte dos  valores reclamados/declarados, defendendo a contagem pela tese dos “cinco mais cinco”, e, no  mérito, que o ICMS faturado não integra a base de cálculo do PIS por não constituir receita da  pessoa jurídica e sim receita pública.  Para  fundamentar  seu  recurso,  expendeu  extenso  arrazoado  sobre:  a)  a  legitimidade da restituição da contribuição ao PIS relativa a  todo o período pleiteado; e, b) o  conceito  de  receita  e  faturamento  da  pessoa  jurídica  e  sua  incompatibilidade  com  o  valor  atinente  ao  ICMS  integrante  do  valor  das  vendas  e  os  limites  materiais  e  subjetivos  da  incidência;  concluindo,  ao  final,  que,  no  presente  caso,  como  se  trata  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  a  contagem  do  prazo  prescricional  do  direito  de  se  repetir/compensar  possíveis  valores  pagos  indevidamente  deve  ser  feita  pela  tese dos  “cinco  mais cinco”, e, no mérito, que o ICMS faturado não integra o faturamento da pessoa jurídica  por não  constituir  receita própria desta  e  sim de  terceiro,  e,  portanto,  não  compõe a base de  cálculo do PIS, nos termos da CF/1988, art. 195, I, “a”.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  Ainda, que os valores  reclamados  constituíssem  indébitos  tributários,  o que  não é o caso, na data de protocolo/transmissão do Per/Dcomp, em discussão, em 04/10/2007, o  Fl. 919DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 direito de a  recorrente  repetir/compensar parte deles, ou seja, os decorrentes dos pagamentos  efetuados até 03/10/2002, inclusive, já havia prescrito.  A  prescrição  do  direito  de  se  repetir/compensar  indébitos  tributários  está  regulada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõe:  “Art.  165. O  sujeito  passivo  tem direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  […].  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipóteses  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário;  […].”  Assim, nos termos deste dispositivo legal, o prazo de cinco anos para apurar a  prescrição do direito à repetição/compensação de indébitos  tributários, no caso de pagamento  indevido e/ ou a maior, deve ser contado a partir da extinção do crédito tributário.  A tese dos “cinco mais cinco”, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça  (STJ), em face da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, somente se  aplica para os processos protocolados até a data de 9 de junho de 2005.  O RICARF art. 62­A, assim dispõe:  “Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  [...].”  Na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao RE  nº 566.221 interposto pela União Federal contra a decisão que reconheceu que a LC nº 118, de  09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, e que o prazo qüinqüenal para repetir  indébitos  decorrentes  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  que  até  então,  segundo o STJ, era de 10 (dez) anos, cinco para a extinção tácita e mais cinco para a repetição,  tese dos “cinco mais cinco”, sacramentou­se o entendimento de que a  tese somente se aplica  aos processos protocolados antes da entrada em vigor daquela lei complementar, em 9 de junho  de 2006.  Dessa forma, também por força do disposto no art. 62­A do RICARF, adoto a  decisão  do  STF,  no  referido  RE,  para  reconhecer  a  prescrição  do  direito  de  a  recorrente  Fl. 920DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 464          5 repetir/compensar os indébitos reclamados e utilizados nas Dcomp em discussão, decorrentes  de pagamentos efetuados ate 03 de outubro de 2002.  Remanesce,  todavia,  a  discussão  quanto  aos  supostos  indébitos  decorrentes  dos pagamentos efetuados a partir de 04 de outubro de 2002 a 20 de julho de 2007.  A recorrente alega pagamentos a maior pelo fato de não ter excluído da base  de cálculo da contribuição o valor do ICMS faturado. Segundo seu entendimento, o valor deste  imposto não integra o faturamento da pessoa jurídica por não constituir receita própria e sim de  terceiro, e, portanto, não comporia a base de cálculo do PIS, nos termos da CF/1988, art. 195, I,   Ao  contrário  do  seu  entendimento,  o  ICMS  faturado  compõe  a  receita  operacional bruta da pessoa jurídica e, portanto, integra o seu faturamento, nos termos da Lei  nº  9.718,  de  27/11/1998,  que  trata  do  regime  cumulativo  do  PIS,  e  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo desta contribuição, assim dispondo:  ­ Lei nº 9.718, de 1998:  “Art.  2º  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  serão  calculadas  com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  Art.  3º  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  §1º  Entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada  para as receitas.  §2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I  ­  as  vendas  canceladas,  os  descontos  incondicionais  concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o  Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;  II  ­  as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo  valor do patrimônio  líquido e os  lucros e dividendos derivados  de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham  sido computados como receita;  III  ­  os  valores  que,  computados  como  receita,  tenham  sido  transferidos  para  outra  pessoa  jurídica,  observadas  normas  regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  Fl. 921DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     6 V  ­  a  receita  decorrente  da  transferência  onerosa,  a  outros  contribuintes  do  ICMS,  de  créditos  de  ICMS  originados  de  operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do §  1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de  1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008)  [...].  ­ Lei nº 10.637, de 30/12/2002:  “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  §3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I  ­  decorrentes  de  saídas  isentas  da  contribuição  ou  sujeitas  à  alíquota zero;  II ­ (VETADO)  III ­ auferidas pela pessoa  jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;  IV ­ de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21  de  julho  de  2000,  no  10.147,  de  21  de  dezembro  de  2000,  e  no  10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à  incidência monofásica da contribuição;  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido computados como receita.  VI  ­  não  operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  imobilizado.  Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e  sessenta e cinco centésimos por cento).  Fl. 922DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 465          7 [...]”.  Ora,  segundo  todos  os  dispositivos  legais  transcritos,  a  base  de  cálculo  da  contribuição para o PIS é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim entendido o total de  suas receitas independentemente de suas naturezas e classificação contábil adotada, deduzidos  os  valores  expressamente  discriminados.  A  exclusão  do  valor  do  ICMS  faturado  não  foi  contemplada.  O ICMS faturado, incluso no preço das mercadorias vendidas e dos serviços  prestados, integra o faturamento das pessoas jurídicas. Não há dispositivo legal que permita a  exclusão do valor desse tributo da base de cálculo da contribuição para o PIS.   É  pertinente  registrar  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  sumulou  o  entendimento de que o ICMS integra a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmula nº 68).  Também, a título de esclarecimento, cabe informar que a constitucionalidade  da  Cofins  sobre  o  faturamento  foi  expressamente  declarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF), na ADC nº 1, de 1º de dezembro de 1993, cuja ementa é a seguinte:  “AÇÃO  DECLARATÓRIA  DE  CONSTITUCIONALIDADE.  ARTIGOS 1, 2, 9  (EM PARTE), 10 E 13  (EM PARTE) DA LEI  COMPLEMENTAR  N.  70,  DE  30.12.91.  COFINS.  ­  A  DELIMITAÇÃO DO OBJETO DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE  CONSTITUCIONALIDADE  NÃO  SE  ADSTRINGE  AOS  LIMITES  DO  OBJETO  FIXADO  PELO  AUTOR,  MAS  ESTES  ESTÃO  SUJEITOS  AOS  LINDES  DA  CONTROVÉRSIA  JUDICIAL  QUE  O  AUTOR  TEM  QUE  DEMONSTRAR.  ­  IMPROCEDÊNCIA  DAS  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91 (COFINS).  AÇÃO  QUE  SE  CONHECE  EM  PARTE,  E  NELA  SE  JULGA  PROCEDENTE,  PARA  DECLARAR­SE,  COM  OS  EFEITOS  PREVISTOS  NO  PARÁGRAFO  2º  DO  ARTIGO  102  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL,  NA  REDAÇÃO  DA  EMENDA  CONSTITUCIONAL  N.  3,  DE  1993,  A  CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1, 2. E 10, BEM  COMO  DAS  EXPRESSÕES  "A  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O  FATURAMENTO DE QUE  TRATA  ESTA  LEI  NÃO  EXTINGUE  AS  ATUAIS  FONTES  DE  CUSTEIO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  "CONTIDAS  NO  ARTIGO  9,  E  DAS  EXPRESSÕES  "ESTA  LEI  COMPLEMENTAR  ENTRA  EM  VIGOR  NA  DATA  DE  SUA  PUBLICAÇÃO,  PRODUZINDO  EFEITOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SEGUINTE  NOS  NOVENTA  DIAS  POSTERIORES,  AQUELA  PUBLICAÇÃO,..."CONSTANTES DO ARTIGO 13, TODOS DA  LEI  COMPLEMENTAR  N°  70,  DE  30  DE  DEZEMBRO  DE  1991.”  Como o PIS tem a mesma base de cálculo da Cofins, aplica­se também a ele,  esse entendimento do STF.  Assim,  demonstrado  que  os  valores  reclamados  pela  recorrente  resultaram  exclusivamente de sua equivocada interpretação de que a contribuição para o PIS seria devida e  Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     8 apurada deduzindo­se de sua base de cálculo o valor do ICMS faturado, não há que se falar em  recolhimentos  a maior  e muito menos  em  indébitos  tributários  passíveis  de  restituição  e/  ou  compensação.  Quanto  à  compensação  de  créditos  financeiros  contra  a  Fazenda Nacional,  mediante a apresentação de Per/Dcomp, bem como a extinção dos débitos fiscais declarados, a  Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe:  “Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante  a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados”.  §2º A  compensação declarada à  Secretaria  da Receita Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.  [...].  §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  débitos  indevidamente compensados.  §7º  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa deverá cientificar o  sujeito passivo e  intimá­lo a  efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato  que  não a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.  [...].  Conforme se verifica deste dispositivo legal, a homologação de compensação  de débitos fiscais, mediante a apresentação de Per/Dcomp, depende da certeza e  liquidez dos  créditos financeiros declarados.  No  presente  caso,  conforme  demonstrado,  inexistem  créditos  financeiros  declarados nas Dcomp.  Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais                Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.005992/2007­71  Acórdão n.º 3301­002.186  S3­C3T1  Fl. 466          9                 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 35404.000015/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 30/09/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. TERMO INICIAL E PRAZO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Conforme o art. 62-A, do RICARF, esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso das Contribuições Previdenciárias, formalizados após a vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, após 09/06/2005, o prazo para o Contribuinte pleitear restituição é de cinco anos, contados do pagamento indevido. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 7          1 6  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  35404.000015/2007­94  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.161  –  2ª Turma   Sessão de  06 de maio de 2014  Matéria  Contribuições Previdenciárias ­ Exercício de Cargo Eletivo  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOSÉ LUIZ PEREIRA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/1998 a 30/09/2004  RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. TERMO INICIAL E PRAZO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  ARTIGO 62­A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.  Conforme o art. 62­A, do RICARF, esta Corte Administrativa está vinculada  às  decisões  definitivas  de  mérito  proferidas  pelo  STF,  bem  como  àquelas  proferidas  pelo  STJ  em  Recurso  Especial  repetitivo.  Assim,  conforme  entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como  aquele  esposado  pelo  STJ  no  julgamento  do  REsp  nº  1.002.932,  para  os  pedidos  de  restituição  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  como  é  o  caso  das  Contribuições  Previdenciárias,  formalizados  após  a  vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, após 09/06/2005, o  prazo  para  o Contribuinte  pleitear  restituição  é  de  cinco  anos,  contados  do  pagamento indevido.  Recurso especial provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 4. 00 00 15 /2 00 7- 94 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     2   (Assinado digitalmente)  Otacilio Dantas Cartaxo ­ Presidente     (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  EDITADO EM: 20/05/2014  Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo  (Presidente),  Luiz Eduardo  de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (suplente  convocado), Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Pedro  Anan  Junior  (suplente  convocado),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  e  Elias  Sampaio  Freire.  Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.  Relatório  Trata­se  de  pedido  de  restituição,  protocolado  em  29/12/2006,  de  Contribuições  Previdenciárias  cobradas  pelo  exercício  de  mandato  eletivo,  referentes  ao  período de apuração de 02/1998 a 09/2004, quando o Contribuinte ocupou o cargo de vereador,  contribuições estas que foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal.  Conforme  o  Parecer  SAORT  n°  10820/240/2008,  de  16/04/2008  (fls.  90  a  96), exarado pela DRF em Araçatuba/SP, o pedido teve o seguinte tratamento:  ­  Contribuições  relativas  ao  período  de  02/1998  a  11/1998  –  não  houve  desconto, tampouco recolhimento;  ­ Contribuições relativas ao período de 12/1998 a 07/2001 – houve desconto,  porém foi aplicada a prescrição;    ­  Contribuições  relativas  ao  período  de  08/2001  a  05/2003  –  houve  o  desconto, mas não o recolhimento;  ­ Contribuições relativas ao período de 06/2003 a 09/2004 – direito creditório  reconhecido.  A conclusão do parecer é a seguinte:  “Isto posto, proponho:  O  DEFERIMENTO  parcial  do  pedido,  a  fim  de  restituir  ao  requerente  os  valores  retidos  nas  competências  06/2003  a  18/09/2004, na importância original de R$ 868,82 (oitocentos e  sessenta  e  oito  e  oitenta  e  dois  centavos),  ressalvada  a  compensação  com  eventuais  débitos  apurados  em  desfavor  dessa  pessoa,  a  ser  verificada  conforme  o  disposto  no  do  art.  216 da IN/MPS/SRP n° 03/2005.”  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35404.000015/2007­94  Acórdão n.º 9202­003.161  CSRF­T2  Fl. 8          3 Da decisão acima foi aberto ao Contribuinte o direito a Recurso Voluntário  ao Conselho de Contribuintes, que converteu o respectivo julgamento em Diligência (fls. 175 a  177), por meio da qual confirmou­se haver recolhimentos suficiente à restituição, relativamente  a pagamentos efetuados de 04/09/2001 a 10/06/2003 (fls. 215/216).  Em  sessão  plenária  de  27/04/2010,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  nº  156.283, prolatando­se o Acórdão nº 2401­01.171 (fls. 221 a 225), assim ementado:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/1998 a 18/09/2004  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AGENTES  POLÍTICOS.  INCONSTITUCIONALIDADE.  RESOLUÇÃO  SENATORIAL.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PRESCRIÇÃO.  PRAZO.  Tratando­se  de  pedido  de  restituição  de  contribuições  previdenciárias exigidas com base no artigo 12,  inciso I, alínea  "h",  da  Lei  n°  8.212/91,  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n" 351.717­1/PR, o  termo  a  quo do  prazo  prescricional  de  05  (cinco)  anos  para  o  pleito da  contribuinte  é  a data  da  publicação da Resolução do  Senado  Federal  n°  26,  de  22/06/2005,  que  atribuiu  efeito  erga  omnes  à  decisão  da  Suprema  Corte,  suspendendo  a  execução  daquele dispositivo legal.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.”  A decisão foi assim registrada:  “ACORDAM os membros da 4a Câmara  / 1a Turma Ordinária  da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em  dar provimento parcial ao  recurso para reconhecer o direito à  restituição das contribuições  relativas ao período de 12/1998 a  05/2003.”  Cientificada  do  acórdão  em  31/05/2010  (fls.  226),  a  Fazenda  Nacional  interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 229 a 287, visando rediscutir a questão do  termo inicial e prazo para pleitear a restituição de pagamento indevido.  Ao Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  o Despacho  nº  2400­ 263/2010, de 31/08/2010 (fls. 289 a 291).  No apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese:  ­  de  fato,  o  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso  do  prazo de cinco anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência  dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN;  ­ assim, ao contrário do quanto sustentado pelo acórdão impugnado, o direito  subjetivo do contribuinte à restituição do indébito surgiu desde o pagamento dos valores tidos  por indevidos, nos termos dos artigos 165, I, 168, I e 156, I, todos do CTN;  ­  com  efeito,  para  o  Código  Tributário  Nacional,  a  causa  do  recolhimento  indevido é irrelevante;  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     4 ­ assim, fixado o dies a quo da prescrição como a data da extinção do crédito  tributário,  no  caso  o  pagamento,  não  pode  o  intérprete  se  furtar  de  tal  orientação,  nem  tampouco  criar  outros  termos  iniciais  não  previstos  no  CTN,  a  exemplo  da  Resolução  do  Senado Federal que ordenar a revogação de norma declarada inconstitucional ou até mesmo da  declaração de inconstitucionalidade pelo STF;  ­  com  o  advento  da  Lei  Complementar  nº  118,  de  2005,  sepultou­se,  definitivamente, a controvérsia sobre o tema, sendo, a partir de então, indefensável considerar  como dies a quo outra circunstância que não o pagamento antecipado;  ­  saliente­se  que  o  art.  3º  do  dispositivo  legal  em  comento  se  aplica,  inclusive,  a  ato ou  fato  pretérito,  pois,  nos  termos do  art.  106,  inciso  I,  do CTN,  trata­se de  norma expressamente interpretativa;  ­ é de rigor, diante do exposto, a aplicação do diploma legal em comento ao  presente  feito  para  se  considerar  que  o  termo  inicial  da  decadência  é  o  pagamento  indevido  (cita doutrina de Leandro Paulsen e posicionamento do STJ);  ­ o posicionamento adotado no STJ já se encontra pacificado naquela Corte, e  foi  inclusive  reiterado  pelo  voto  condutor  do  eminente Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  no  REsp 747.091/SC:  "Considerou­se  ser  irrelevante,  para  efeito  da  contagem  do  prazo  prescricional,  a  causa  do  recolhimento  indevido  (v.g.,  pagamento  a maior  ou  declaração  de  inconstitucionalidade  do  tributo pelo Supremo), eliminando­se a anterior distinção entre  repetição  de  tributos  cuja  cobrança  foi  declarada  em  controle  concentrado  e  em  controle  difuso,  com  ou  sem  edição  de  resolução pelo Senado Federal (...)".  ­ a decisão recorrida respaldou­se em posicionamento superado no âmbito do  Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de  inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo prescricional para a repetição do indébito;  ­ interpretação diversa resultaria em insegurança jurídica sobrelevada, eis que  tornaria indefinido o termo inicial do prazo decadencial do pedido de restituição;  ­  ora,  se  o  termo  inicial  do  prazo  fosse  indefinido,  possibilitar­se­ia  ao  contribuinte pleitear a devolução de indébitos tributários no momento em que quisesse, mesmo  que os pagamentos tivessem ocorrido 20, 30 anos atrás;  ­  é  justamente  para  evitar  esse  tipo  de  situação  que  o  legislador  impõe  um  prazo para o exercício de direitos,  extinguindo os que não  foram pleiteados em  tempo hábil,  pois a segurança nas relações entre as pessoas é um valor caro ao sistema jurídico;  ­  sem as normas que extinguem direitos pelo decurso de prazo,  as  relações  jurídicas não teriam fim, o que é absolutamente impróprio à vida em sociedade;  ­  nessa  esteira,  caberia  ao  contribuinte  pleitear  a  repetição  do  indébito  tributário em tempo hábil, mas não o fez;   ­ recorde­se que o Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de novembro de 1999,  editado pela Secretaria da Receita Federal, é expresso ao dispor que o direito à restituição do  tributo pago indevidamente extingue­se após o transcurso de cinco anos, contados da data da  extinção do crédito tributário;  Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35404.000015/2007­94  Acórdão n.º 9202­003.161  CSRF­T2  Fl. 9          5 ­ por conseguinte, extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe  ao  sujeito  passivo  requerer  a  sua  restituição  no  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  do  pagamento indevido, consoante disposto nos artigos 3º da LC 118, de 2005, 168 e 165 do CTN.  Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, declarando­se a  decadência do direito de pleitear a  restituição do  indébito  tributário decorrente de valores da  Contribuição Previdenciária incidente sobre a remuneração dos agentes políticos.  Cientificado  do  acórdão,  do  Recurso  Especial  e  do  despacho  que  lhe  deu  seguimento em 07/10/2010, o Contribuinte ofereceu, em 28/10/2010, as Contra­Razões de fls.  294 a 301.  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.   As Contra­Razões foram oferecidas intempestivamente, portanto não podem  ser conhecidas.  Trata­se  de  pedido  de  restituição,  protocolado  em  29/12/2006,  de  Contribuições  Previdenciárias  cobradas  pelo  exercício  de  mandato  eletivo,  referentes  aos  períodos  de  apuração  de  02/1998  a  09/2004,  quando  o  Contribuinte  ocupou  o  cargo  de  vereador, contribuições estas que foram consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal  Federal.  Conforme  o  artigo  62­A,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas  de mérito  proferidas  pelo  STF,  bem  como  aquelas  proferidas  pelo  STJ  em  sede  de Recurso  Especial repetitivo.  No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF  no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com  efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental.  O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo  para  o  contribuinte  pleitear  restituição/compensação  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação (como é o caso das Contribuições Previdenciárias), para os pedidos protocolados  a partir da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, ou seja, após 09/06/2005, é de cinco  anos, contados do pagamento indevido. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim  ementado:   “DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO     6 PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A LC 118/05, embora  tenha se autoproclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido  o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia do acesso à Justiça.  Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se,  no mais, a eficácia da norma, permite  se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/05,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte,  da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo  de  5  anos  tão  somente  às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.  Aplicação do art. 543­B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.” (grifei)  Fl. 322DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 35404.000015/2007­94  Acórdão n.º 9202­003.161  CSRF­T2  Fl. 10          7 Assim, no  caso  em apreço,  como o Contribuinte protocolou  seu pedido  em  29/12/2006,  aplica­se  o  prazo  de  cinco  anos,  contados  do  pagamento  indevido.  Como  os  valores  objeto  do  presente  Recurso  Especial,  cujo  direito  à  restituição  foi  reconhecido  pelo  acórdão  recorrido,  se  referem  aos  períodos  de  12/1998  a  05/2003,  constata­se  que  o  Contribuinte somente faz jus à restituição dos valores referentes aos períodos de apuração de  12/2001 (recolhimento em 01/2002) em diante, a saber:  ­ período de 12/2001 a 05/2003 – reconhecido no acórdão recorrido;  ­ período de 06/2003 a 09/2004 – já reconhecido pela DRF Araçatuba/SP.  Diante  do  exposto,  dou  provimento  ao  Recurso  Especial,  interposto  pela  Fazenda Nacional,  para  reconhecer  a decadência  relativamente  aos  períodos  de  apuração  até  11/2001, cujo recolhimento foi efetuado em 10/12/2001 (quadro de fls. 215).    (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 323DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO

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Numero do processo: 15504.021486/2008-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. SÚMULA CARF N° 99. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Para efeito da aplicação do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, há que se considerar a remuneração paga aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais como um todo, não a fatiando por rubricas, entendimento consagrado pela Súmula CARF n° 99. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontra-se escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, deve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantê-lo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES. PREMISSA EQUIVOCADA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Relativamente aos segurados empregados, somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, restando demonstrada/comprovada a existência de Convenção Coletiva de Trabalho amparando o pagamento de referida verba, exclusiva pretensa ilegalidade sustentada pela fiscalização, é de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR concedida aos segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NATUREZA EVENTUAL. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em Convenções Coletivas de Trabalho, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º 6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. A Constituição, nos termos do art. 7º, inciso XI, erige a participação nos lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração. O art. 7º, inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da participação dos lucros ou resultados, gerou uma imunidade no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de Fábio Zambitte Ibrahim, em artigo intitulado "A participação nos lucros e resultados das empresas e sua imunidade previdenciária". O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão em que se discutia se era possível a cobrança de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com a edição da lei prevista para regulamentá-lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE 398284). Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verifica-se que as garantias inseridas em seus incisos, em verdade, definem a estrutura básica do modelo jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido leciona Gilmar Ferreira Mendes, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade - Estudos de Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata-se que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício. Não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no lucro da companhia para diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício. O fato de a assembléia geral - que tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento (art. 121 da Lei n° 6.404, de 1976) - deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza remuneratória da verba paga. Adentrando-se na esfera contábil verifica-se que a demonstração do resultado do exercício discriminará - antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190, que inclui a participação dos administradores. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários a título de participação nos lucros subsumem-se ao conceito de remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial parcialmente provido.
Numero da decisão: 9202-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à decadência, ao PLR relativo ao PL1 e PL2 e ao abono único. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à participação estatutária de diretores. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Redator-Designado EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. SALÁRIO INDIRETO. SÚMULA CARF N° 99. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal). Para efeito da aplicação do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do CTN, há que se considerar a remuneração paga aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais como um todo, não a fatiando por rubricas, entendimento consagrado pela Súmula CARF n° 99. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontra-se escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, deve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantê-lo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. SEGURADOS EMPREGADOS. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES. PREMISSA EQUIVOCADA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Relativamente aos segurados empregados, somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica - artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91-, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, restando demonstrada/comprovada a existência de Convenção Coletiva de Trabalho amparando o pagamento de referida verba, exclusiva pretensa ilegalidade sustentada pela fiscalização, é de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a PLR concedida aos segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NATUREZA EVENTUAL. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em Convenções Coletivas de Trabalho, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º 6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. A Constituição, nos termos do art. 7º, inciso XI, erige a participação nos lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração. O art. 7º, inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da participação dos lucros ou resultados, gerou uma imunidade no que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de Fábio Zambitte Ibrahim, em artigo intitulado "A participação nos lucros e resultados das empresas e sua imunidade previdenciária". O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão em que se discutia se era possível a cobrança de contribuição previdenciária sobre parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com a edição da lei prevista para regulamentá-lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE 398284). Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verifica-se que as garantias inseridas em seus incisos, em verdade, definem a estrutura básica do modelo jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido leciona Gilmar Ferreira Mendes, in Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade - Estudos de Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012. A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata-se que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício. Não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no lucro da companhia para diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício. O fato de a assembléia geral - que tem poderes para decidir todos os negócios relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e desenvolvimento (art. 121 da Lei n° 6.404, de 1976) - deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza remuneratória da verba paga. Adentrando-se na esfera contábil verifica-se que a demonstração do resultado do exercício discriminará - antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do exercício é o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o artigo 190, que inclui a participação dos administradores. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores estatutários a título de participação nos lucros subsumem-se ao conceito de remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial parcialmente provido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   2 fundamento utilizado pela  autoridade  lançadora  ao promover o  lançamento,  deve  ser  declarada  a  improcedência  do  feito,  sendo  defeso  ao  Fisco  e/ou  julgador mantê­lo a partir de novos critérios  jurídicos  lançados no curso do  processo administrativo fiscal.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA ­ PLR.  SEGURADOS  EMPREGADOS.  OBSERVÂNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA.  IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE AS  PARTES.  PREMISSA  EQUIVOCADA.  IMPROCEDÊNCIA  LANÇAMENTO.  A Participação nos Lucros e Resultados  ­ PLR concedida pela empresa  aos  seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho  de  produtividade,  não  integra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  por  força  do  disposto  no  artigo  7º,  inciso  XI,  da  CF,  sobretudo  por  não  se  revestir  da  natureza  salarial,  estando  ausentes  os  requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.  Relativamente  aos  segurados  empregados,  somente  nas  hipóteses  em que  o  pagamento  da  verba  intitulada  de  PLR  não  observar  os  requisitos  legais  insculpidos  na  legislação  específica  ­  artigo  28,  §  9º,  alínea  “j”,  da  Lei  nº  8.212/91­, mais precisamente MP nº 794/1994, c/c Lei nº 10.101/2000, é que  incidirão  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  importâncias,  em  face  de  sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.  In  casu,  restando  demonstrada/comprovada  a  existência  de  Convenção  Coletiva  de Trabalho  amparando  o  pagamento  de  referida  verba,  exclusiva  pretensa  ilegalidade  sustentada  pela  fiscalização,  é  de  se  reconhecer  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  PLR  concedida  aos  segurados empregados, julgando improcedente o lançamento fiscal.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  VERBAS  PAGAS A TÍTULO DE ABONO ÚNICO COM BASE EM CONVENÇÃO  COLETIVA  DE  TRABALHO.  NATUREZA  EVENTUAL.  JURISPRUDÊNCIA  UNÍSSONA  DO  STJ.  PARECER  E  ATO  DECLARATÓRIO  PROCURADORIA.  APLICABILIDADE.  ECONOMIA  PROCESSUAL.  De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial,  especialmente  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  corroborada  pelo  Parecer  PGFN/CRJ n° 2.114/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, os valores  concedidos aos segurados empregados a título de Abono Único, previsto em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza eventual, nos termos  do artigo 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. DIRETORES ESTATUTÁRIOS. LEI N.º  6404, DE 1976. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA.  A  Constituição,  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XI,  erige  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  à  categoria  de  direito  social  fundamental  dos  trabalhadores e desvincula o benefício da remuneração.  O art. 7º,  inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da  participação  dos  lucros  ou  resultados,  gerou  uma  imunidade  no  que  diz  respeito à incidência de contribuições previdenciárias. Neste sentido lição de  Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.536          3 Fábio  Zambitte  Ibrahim,  em  artigo  intitulado  "A  participação  nos  lucros  e  resultados das empresas e sua imunidade previdenciária".  O Supremo Tribunal  Federal  ao  apreciar  questão  em que  se  discutia  se  era  possível  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  parcelas  pagas  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  entre  a  vigência  da  Constituição  Federal  e  a Medida  Provisória  nº  794,  de  29  de  dezembro  de  1994, concluiu peremptoriamente que o exercício do direito assegurado pelo  art.  7°, XI,  da Constituição  Federal  somente  começou  com  a  edição  da  lei  prevista para  regulamentá­lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994  (RE 398284).  Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF  "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à  melhoria  de  sua  condição  social",  que  diz  respeito  aos  chamados  direitos  sociais do trabalhador, verifica­se que as garantias inseridas em seus incisos,  em  verdade,  definem  a  estrutura  básica  do  modelo  jurídico  decorrente  de  relação  de  emprego.  Neste  sentido  leciona  Gilmar  Ferreira  Mendes,  in  Direitos  Fundamentais  e  Controle  de  Constitucionalidade  ­  Estudos  de  Direito Constitucional, 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012.  A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata­se  que  a  Lei  nº  10.101,  de  2000,  que  resulta  da  conversão  da MP  nº  794,  de  1994 e suas reedições, ao regulamentar a participação dos trabalhadores nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  como  instrumento  de  integração  entre  o  capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o,  inciso XI, da Constituição, de  forma expressa demonstra que a participação  nos  lucros  ou  resultados  é  inerente  aos  trabalhadores  com  vínculo  empregatício.  Não  considero  que  o  art.  152  e  seus  parágrafos  da  Lei  n°  6.404,  de  1976  tenham  o  condão  de  regulamentar  a  imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  prevista  no  art.  7º,  inciso  XI  da  CF.  Justamente  porque  o  dispositivo  regula  parcelas  de  participação  no  lucro  da  companhia  para  diretores sem vínculo empregatício e, conforme já concluímos, a imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  prevista  no  art.  7º,  inciso  XI  da  CF,  é  destinada somente aos trabalhadores com vínculo empregatício.  O fato de a assembléia geral ­ que tem poderes para decidir todos os negócios  relativos  ao  objeto  da  companhia  e  tomar  as  resoluções  que  julgar  convenientes  à  sua  defesa  e desenvolvimento  (art.  121  da Lei  n°  6.404,  de  1976) ­ deliberar sobre a concessão de participação aos diretores estatutários  não  tem  o  condão  de  desnaturar  a  relação  jurídica  laboral  existente  entre  empresa  e  prestador  de  serviço  sem  vínculo  empregatício,  tampouco  a  natureza remuneratória da verba paga.  Adentrando­se na esfera contábil verifica­se que a demonstração do resultado  do exercício discriminará  ­ antes da apuração do  lucro do exercício e o seu  montante  por  ação  do  capital  social  (art.  187  da  Lei  n°  6.404,  de  1976)  e,  ainda, de acordo com o art. 191 da Lei n° 6.404, de 1976, o lucro líquido do  exercício é o  resultado do exercício que  remanescer depois de deduzidas as  participações  de  que  trata  o  artigo  190,  que  inclui  a  participação  dos  administradores.  Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   4 As  verbas  pagas  pela  empresa  aos  seus  diretores  estatutários  a  título  de  participação nos lucros subsumem­se ao conceito de remuneração, portanto,  sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias.  Recurso especial parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso quanto à decadência, ao PLR relativo ao PL1 e PL2 e ao abono único.  Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à participação estatutária de  diretores.  Vencidos  os  Conselheiros  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  (Relator),  Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan  Junior (suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Designado para redigir o voto vencedor o  Conselheiro  Elias  Sampaio  Freire.  Votou  pelas  conclusões  o  Conselheiro  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão.    (Assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão ­ Presidente em exercício    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator    (Assinado digitalmente)  Elias Sampaio Freire – Redator­Designado  EDITADO EM: 14/05/2013  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (Presidente  em  exercício), Gustavo Lian Haddad,  Luiz Eduardo  de Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado), Marcelo  Oliveira, Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Pedro  Anan  Junior  (suplente  convocado),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.  Relatório  BANCO MERCANTIL  DO  BRASIL  SA,  contribuinte,  pessoa  jurídica  de  direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe,  teve contra  si  lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito  ­ NFLD,  em 19/12/2008,  exigindo­lhe  crédito  tributário  referente  às  contribuições  previdenciárias  devidas  e  não  recolhidas pela notificada, concernentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios  concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.537          5 contribuintes individuais (diretoria executiva), assim consideradas as importâncias concedidas  a  título de Participação nos Lucros e Resultados, Abono Único e Previdência Complementar,  em relação ao período de 01/2003 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls.  893/905,  e  demais  documentos  que  instruem  o  processo,  consubstanciadas  nos  seguintes  levantamentos:  1)  ABU  ­  ABONO  ÚNICO  ­  01/2003  a  09/2006  ­  Valores  pagos  ou  creditados pela empresa a seus empregados a título de ABONO, de acordo com as Convenções  Coletivas do Trabalho ­ CCT de 2002/2003 assinada em 19/09/2002, CCT 2003/2004 assinada  em 10/10/2003, e CCT 2005/2006 assinada em 17/10/2005, contemplando a concessão de Um  ABONO ÚNICO para os empregados nos valores de R$ 1.200,00  (2002/2003); R$ 1.500,00  (2003/2004) e R$ 1.700,00 (2005/2006), a ser pago até 10 (dez) dias úteis da data de assinatura  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho.  Segundo  a  fiscalização,  somente  não  incidiriam  contribuições previdenciárias sobre tais verbas se estivessem previstas em lei;  2) PL1 e PL2 ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS ­  02/2003 a 10/2006 ­ Importâncias concedidas a título de PLR aos segurados empregados, em  desconformidade com a legislação de regência, mais precisamente a Lei n° 10.101/2000, artigo  2°, diante da pretensa ausência de negociação entre a empresa e  seus empregados através de  comissão eleita entre as partes ou acordo/convenção coletiva;  3)  PLE  ­  PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA  ­  08/2006  ­  Pagamentos  realizados  aos  diretores  executivos,  sem  encontrar  esteio  na Lei  n°  10.101/2000,  integrando,  portanto, o salário de contribuição;  4) PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DIRETORES EXECUTIVOS ­  PP6 e PP9 ­ período de 01/2003 a 12/2006;  Após regular processamento,  interposto recurso voluntário à Segunda Seção  de Julgamento do CARF contra Decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão  nº  02­26.717/2010,  às  fls.  2.892/2.908,  que  julgou  procedente  o  lançamento  fiscal  em  referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara, em 30/11/2011, por maioria de votos,  achou  por  bem  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO  DA  CONTRIBUINTE,  o  fazendo  sob  a  égide  dos  fundamentos  inseridos  no  Acórdão  nº  2302­ 01.438, sintetizados na seguinte ementa:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006  Ementa:  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRAZO  DECADENCIAL. CINCO ANOS.  TERMO A QUO.  AUSÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO  ANTECIPADO  SOBRE  AS  RUBRICAS  LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.  O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado,  Súmula Vinculante de n  º 8,  no  julgamento proferido  em 12 de  junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da  Lei n º 8.212 de 1991.  Não  tendo  havido  pagamento  antecipado  sobre  as  rubricas  lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art.  173, inciso I do CTN.  Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   6 INCONSTITUCIONALIDADE.  IMPOSSIBILIDADE  DE  CONHECIMENTO  DA  ALEGAÇÃO  PELA  ADMINISTRAÇÃO  PÚBLICA.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  PARCELA  INTEGRANTE QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI  ESPECÍFICA.  A norma constitucional que exclui a participação nos lucros da  incidência de contribuições é de eficácia limitada.  Caso  a  parcela  seja  paga  em  desacordo  com  a  lei  específica,  incidirá contribuição sobre os valores pagos.”  Irresignada,  a  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial,  às  fls.  3.276/3.308,  com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  ­ CARF,  procurando demonstrar  a  insubsistência  do Acórdão  recorrido,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões:  Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo  fiscal, insurge­se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimentos levados a  efeito  por  outras  Câmaras/Turmas  dos  Conselhos/CARF  a  respeito  das  mesmas  matérias,  conforme  se  extrai  dos Acórdãos  paradigmas  trazidos  à  colação,  impondo  seja  conhecido  o  recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas as divergências arguidas.  Relativamente  ao  prazo  decadencial,  assevera  que  os  Acórdãos  n°s  9202­ 02.079 e 9202­00.503 acolheram o prazo decadencial  inscrito no artigo 150, § 4°, do Código  Tributário  Nacional,  em  detrimento  daquele  previsto  no  artigo  173,  inciso  I,  do  mesmo  Diploma Legal, em face da constatação de antecipação de pagamentos no caso de lançamento  de  salário  indireto,  devendo  ser  considerado  o  salário  como  um  todo  e  não  por  rubrica,  ao  contrário do assentado no decisório combatido.  Suscita  ser equivocada a  tese de  inexistência de antecipação de pagamento,  uma  vez  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as verbas  remuneratórias  convencionais –  salário direto,  na  linha,  inclusive,  que  restou  consignado  no  voto  divergente  constante  do  Acórdão  de  primeira  instância,  impondo seja adotado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN, rechaçando os  fatos geradores ocorridos até 12/2003 (inclusive).  No que tange aos pagamentos realizados aos segurados empregados a  título  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  infere  que  o  Acórdão  guerreado  malferiu  o  entendimento  consubstanciado  nos  Acórdãos  paradigmas  n°s  2402­002.883  e  9303­002.046  (Alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento)  e  205­01.228  e  205­01.171  (possibilidade  adoção da lucratividade como meta a ser cumprida).  Quanto  à  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento,  assevera  que  a  inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das contribuições previdenciárias  se  deu  em  razão  da  suposta  contrariedade  ao  artigo  2°  da  Lei  n°  10.101/2000,  diante  da  Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.538          7 pretensa ausência de negociação entre a empresa e seus empregados através de comissão eleita  entre as partes ou acordo/convenção coletiva.  No entanto, defende que, uma vez comprovada a existência de Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  apresentadas  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  julgador  de  primeira  instância, corroborado pelo Acórdão recorrido, entendeu por bem alterar o motivo da autuação,  para  considerar  que  em  tais  instrumentos  não  haveria  qualquer  critério  dependente  do  trabalho, como programas de metas e resultados a serem cumpridos.  Sustenta  não  ser  correta  a  conclusão  que  somente  na  impugnação  a  contribuinte fez acostar aos autos as Convenções Coletivas de Trabalho, lastro dos pagamentos  das  PLR’s,  consoante  se  constata  do  documento  intitulado  de  “Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais”  (anexado  à  impugnação,  de  fls.  2.309/2.315),  comprovando  a  entrega  de  aludida  documentação  em  18/11/2008 e 10/12/2008, antes, portanto, da lavratura da notificação, o que demonstra que a  autoridade lançadora não teve o devido cuidado ao analisar os elementos de prova apresentados  pela autuada no decorrer da ação fiscal.  A corroborar esse entendimento, alega que no  item 4 do Relatório Fiscal, o  próprio  fiscal  autuante  contraria o motivo da autuação ao  reconhecer que  “Serviram de base  para  o  lançamento  [...]”  as  Convenções  Coletivas  do  Trabalho  e  Balanços  Patrimoniais  apresentados em meio digital, autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais  datado  de  18/11/2008  e  10/12/2008,  gerado  pelo  Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos Digitais – SVA”.  Escora seu pleito no Acórdão n° 2402­002.883, ora adotado como paradigma,  exarado  nos  autos  de  processo  de  interesse  de  empresa  do  mesmo  grupo  econômico  (MERCANTIL  FINANCEIRA  SA),  baseando­se  nos  mesmos  fatos  utilizados  no  presente  lançamento,  o  que  comprova  a  similitude  fática  dos  decisórios  confrontados,  porém,  com  conclusões divergentes.  Destarte,  explicita  que  no Acórdão  paradigma,  a  2a  Turma Ordinária  da  4a  Câmara da 2a SJ do CARF, analisando fatos idênticos aos da presente demanda, entendeu por  bem  rechaçar  a  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento  procedido  pelo  julgador  de  primeira  instância,  considerando,  exclusivamente,  que  a  exigência  fiscal  fora  constituída  em  razão  da  suposta  ausência  de negociação  entre  as  partes,  argumento  que  fora malferido  pela  contribuinte em suas razões recursais, ensejando a decretação da improcedência do feito, o que  se requer nestes autos.  Com  mais  especificidade,  destaca  que  a  Turma  que  prolatou  o  Acórdão  paradigma concluiu que “constituído o  lançamento com base em premissa equivocada, há o  desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício  material”,  entendimento  que  deverá  prevalecer  no  caso  sob  análise,  que  repousa  sobre  os  mesmos fatos.  Ainda em defesa de sua tese, se afastada a argumentação acima, suscita que o  Acórdão  recorrido  contrariou  também os  paradigmas  n°s  205­01.228  e  205­01.171,  os  quais  admitem  a  lucratividade  como  meta  a  ser  alcançada  para  fins  de  pagamento  da  PLR,  ressaltando que a legislação de regência não prevê a exigência de requisitos a serem cumpridos  individualmente, ou melhor, somente faculta o estabelecimento de metas de produtividade.  Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   8 Em relação aos valores pagos  aos  segurados empregados  a  título de Abono  Único, lastreado em Convenções Coletivas de Trabalho, argui que o entendimento estampado  na  decisão  recorrida  divergiu  daquele  inscrito  no  Acórdão  n°  2402­002.883,  que  adotou  os  preceitos  do  Parecer  PGFN/CRJ  n°  2.114/2011  e  Ato  Declaratório  PGFN  n°  16/2011,  que  afasta  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  quando  pagas  em  conformidade com determinação de CCT’s, como aqui se vislumbra, mormente em face da sua  natureza não remuneratória.  Relativamente  à  Participação  nos  Lucros  Estatutária  paga  aos  diretores  contribuintes individuais, defende que o entendimento levado a efeito no decisório combatido  contrariou  a  conclusão  adotada  no Acórdão  paradigma  n°  2402­002.883,  que  admitiu  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  esses  valores,  considerando  que  a  sua  previsão  encontra­se  no  §  1°,  do  artigo  152,  da  Lei  n°  6.404/76  (Lei  das  Sociedades  Anônimas).  A  fazer  prevalecer  seu  entendimento,  assevera  que  as  importâncias  com  natureza  remuneratória  concedidas  aos  diretores  estatutários  da  empresa  encontram­se  previstos no caput do artigo 152 da Lei n° 6.404/1976.  Em  outra  via,  aduz  que  a  Participação  nos  lucros  de  tais  diretores  é  uma  possibilidade (e não uma obrigação) inscrita no § 1° do dispositivo legal retro, dependente de  deliberação  da  Assembléia  Geral  de  Acionistas,  contabilizada  de  modo  a  reduzir  o  lucro  acumulado,  em  conta  de  patrimônio  líquido,  concluindo  que  tal  pagamento  não  decorre  da  empresa,  mas,  sim,  de  seus  acionistas,  estabelecendo­se  uma  relação  Acionistas  x  Diretores/Administradores,  e  não  “Empregador  x  Empregado”,  afastando,  portanto,  a  sua  natureza de remuneração.  Ressalta,  ainda,  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  um  direito  garantido  constitucionalmente  aos  trabalhadores,  nos  termos  do  artigo  7°,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, que somente exige sejam cumpridos os requisitos estabelecidos em lei, in  casu, a Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 152.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo  a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados.  Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da  2a  SJ  do  CARF,  entendeu  por  bem  admitir  o  Recurso  Especial  da  Contribuinte,  sob  o  argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras  decisões  exaradas  pelas  demais  Câmaras/Turmas  dos  Conselhos  de  Contribuintes/CARF  a  propósito das mesmas matérias, conforme Despacho n° 2300­129/2013, às fls. 3.501/3.506.  Instada  a  se manifestar  a propósito  do Recurso Especial  da Contribuinte,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  suas  contrarrazões,  às  fls.  3.512/3.528,  corroborando  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  do Acórdão  guerreado,  em  defesa  de  sua  manutenção.  É o Relatório.  Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.539          9   Voto Vencido  Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  sendo  tempestivo  e  acatada  pelo  ilustre  Presidente  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  as divergências  suscitadas pela  contribuinte,  conheço do Recurso Especial  e passo  à  análise das razões recursais.  Consoante  se positiva dos elementos que  instruem o processo, notadamente  Relatório  Fiscal  da Notificação,  no  presente  lançamento  exige­se  diferença  de  contribuições  previdenciárias concernentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos  em razão do grau de incidência de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  (diretoria  executiva),  assim  consideradas  as  importâncias  concedidas  a  título  de  Participação nos Lucros e Resultados, Abono Único e Previdência Complementar, em relação  ao período de 01/2003 a 12/2006.  De  início,  convém  ressaltar  que  as  especificidades  de  cada  verba,  seja  em  relação aos motivos da autuação ou mesmo as divergências arguidas,  serão contempladas de  maneira apartada nos tópicos abaixo listados, senão vejamos.  DECADÊNCIA  Ao  analisar  a  demanda,  a  Turma  recorrida  entendeu  por  bem  manter  a  integralidade da exigência fiscal, rejeitando a preliminar de decadência com base no artigo 173,  inciso  I, do Código Tributário Nacional, em detrimento aos preceitos do artigo 150, § 4°, do  mesmo Diploma Legal, considerando para tanto que as rubricas que compõem o salário devem  ser examinadas separadamente, razão do insurgimento da contribuinte.  Inconformada,  a  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial,  aduzindo,  em  síntese, que as  razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência,  especialmente o artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência  deste  Colegiado  e  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  a  propósito  da  matéria,  impondo  o  conhecimento da peça recursal.  A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado  nos  Acórdãos  n°s  9202­02.079  e  9202­00.503,  ora  adotados  como  paradigmas,  oferece  proteção  ao  pleito  da  contribuinte,  uma  vez  que  acolheram  o  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento daquele previsto no artigo 173,  inciso I, do mesmo Diploma Legal, em face da constatação de antecipação de pagamentos no  caso de lançamento de salário indireto, devendo ser considerado o salário como um todo e não  por rubrica, ao contrário do assentado no decisório combatido.  Suscita  ser equivocada a  tese de  inexistência de antecipação de pagamento,  uma  vez  que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as verbas  remuneratórias  convencionais –  salário direto,  na  linha,  inclusive,  Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   10 que  restou  consignado  no  voto  divergente  constante  do  Acórdão  de  primeira  instância,  impondo seja adotado o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN, rechaçando os  fatos geradores ocorridos até 12/2003.  Conforme se infere dos autos, conclui­se que o insurgimento da contribuinte  merece  acolhimento,  por  espelhar  a  melhor  interpretação  a  propósito  do  tema,  encontrando  guarida  na  farta  e  mansa  jurisprudência  administrativa  e  judicial,  como  passaremos  a  demonstrar.  O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações,  senão vejamos.  O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10  (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue:  “Art.  45  –  O  direito  da  Seguridade  Social  apurar  e  constituir  seus créditos extingue­se após 10 (dez) anos contados:  I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito  poderia ter sido constituído;  [...]”  Por  outro  lado,  o  Código  Tributário  Nacional  em  seu  artigo  173,  caput,  e  inciso  I,  determina  que  o  prazo  para  se  constituir  crédito  tributário  é  de  05  (cinco)  anos,  contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis:  “Art.  173. O  direito  de  a Fazenda Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  –  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  [...]”  Com  mais  especificidade,  o  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  contempla  a  decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos:  “Art. 150 ­ O lançamento por homologação, que ocorre quanto  aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  [...]  § 4º ­ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.”  O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles  deve  prevalecer  para  as  contribuições  previdenciárias,  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação.  Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.540          11 Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal  Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de  votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que  aprovou  a  Súmula  Vinculante  nº  08,  abaixo  transcrita,  rechaçando  de  uma  vez  por  todas  a  pretensão do Fisco:  “Súmula  nº  08:  São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário.”  Registre­se,  ainda,  que  na  mesma  Sessão  Plenária,  o  STF  achou  por  bem  modular  os  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade  em  comento,  estabelecendo,  em  suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição  judicial  ou  administrativo  formulado  posteriormente  à  11/06/2008,  concedendo,  por  conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido  objeto de execução fiscal.  Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo  decadencial  para  as  contribuições  previdenciárias,  após  a  aprovação/edição  da  Súmula  Vinculante  nº  08,  passou  a  se  limitar  a  aplicação  dos  artigos  150,  §  4º,  ou  173,  inciso  I,  do  Código Tributário Nacional.  Indispensável  ao  deslinde  da  controvérsia,  mister  se  faz  elucidar,  resumidamente,  as  espécies  de  lançamento  tributário  que  nosso  ordenamento  jurídico  contempla, como segue.  Primeiramente  destaca­se  o  lançamento  de  ofício  ou  direto,  previsto  no  artigo  149  do  CTN,  onde  o  fisco  toma  a  iniciativa  de  sua  prática,  por  razões  inerentes  a  natureza  do  tributo  ou  quando  o  contribuinte  deixa  de  cumprir  suas  obrigações  legais.  Já  o  lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal,  é  aquele  em que o  contribuinte  toma a  iniciativa do procedimento,  ofertando  sua declaração  tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo  150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido  e  promove  o  pagamento,  ficando  sujeito  a  eventual  homologação  por  parte  das  autoridades  fazendárias.  Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento  por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada  seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando­se em consideração a natureza do  tributo  atribuída  por  lei,  independentemente  da  ocorrência  de  pagamento,  entendimento  compartilhado por este conselheiro.  Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o  artigo  150,  §  4º,  do  Código  Tributário,  o  qual  somente  não  prevalecerá  nas  hipóteses  de  ocorrência de dolo,  fraude ou  conluio,  o que  ensejaria o deslocamento do prazo decadencial  para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal.  Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza  tão  somente  pelo  pagamento.  Ao  contrário,  trata­se,  em  verdade,  de  um  procedimento  complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não.  Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   12 Observe­se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o  lançamento  por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida  por  lei.  E,  esta,  em  momento  algum  afirma  que  assim  o  é  tão  somente  quando  houver  pagamento.  Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não  tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra­se beneficiado por isenções e/ou imunidades,  onde,  em  que  pese  haver  o  dever  de  elaborar  declarações  pertinentes,  informando  os  fatos  geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do  tributo em razão de uma benesse fiscal?  Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do  fato  gerador  do  tributo,  nos  termos  do  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  proceder  à  análise  das  informações  prestadas  pelo  contribuinte  homologando­as  ou  não,  quando  inexistir  concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar  devida.  Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por  homologação  é  o  prazo  decadencial  insculpido  no  artigo  150,  §  4º,  do  CTN,  o  qual  dispôs  expressamente  os  casos  em  que  referido  prazo  deslocar­se­á  para  o  artigo  173,  inciso  I,  na  ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação  específica  contempla  a  aplicação  de  outro  prazo  decadencial,  afastando­se  a  regra  do  artigo  150,  §  4º.  Como  se  constata,  a  toda  evidência,  a  contagem  do  lapso  temporal  em  comento  independe de pagamento.  Ou  seja,  comprovando­se  que o  contribuinte  deixou  efetuar  o  recolhimento  dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando­se de instrumentos  ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso  I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se  extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema.  Por  outro  lado,  alguns  julgadores  e  doutrinadores  entendem  que  somente  aplicar­se­ia  o  artigo  150,  §  4º,  do CTN quando  comprovada  a  ocorrência  de  recolhimentos  relativamente  ao  fato  gerador  lançado,  seja  qual  for  o  valor.  Em  outras  palavras,  a  homologação dependeria de antecipação de pagamento para  se caracterizar,  e a  sua ausência  daria  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  com  observância  do  prazo  decadencial  do  artigo  173,  inciso I.  Ressalta­se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que  o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover  qualquer ato  tendente  a apuração da base de cálculo do  tributo devido,  seja pelo pagamento,  escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o  contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse  se cogitar em “homologação”.  Afora  posicionamento  pessoal  a  propósito  da matéria,  por  entender  que  as  contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do  Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada  a ocorrência de dolo,  fraude ou  simulação, o  certo  é que  a partir  da  alteração do Regimento  Interno do CARF (artigo 62­A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste  Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ  tomadas por  recurso repetitivo,  razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do  dispositivo  legal  retro  depende da  existência  de  recolhimentos  do mesmo  tributo  no  período  Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.541          13 objeto do  lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n°  973.733/SC, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   14 Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de  tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.   7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo  Regimento  Interno  do  CARF  que  nos  lançamentos  por  homologação  a  antecipação  de  pagamento é  indispensável à aplicação do  instituto da decadência, nos  cabe  tão somente nos  quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência.  Entrementes,  a controvérsia em relação a  referido  tema encontra­se distante  de  remansoso  desfecho,  se  fixando  agora  em  determinar  o  que  pode  ser  considerado  como  antecipação de pagamento nas  contribuições previdenciárias,  sobretudo em  face das diversas  modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal.  In  casu,  porém,  despiciendas maiores  elucubrações  a  propósito  da matéria,  uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de  pagamento, por trata­se de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, eis que  a  contribuinte  promoveu  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração reconhecida  (salário normal),  fato relevante para a aplicação do  instituto,  nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar.  Aliás, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Sessão realizada  em  09/12/2013,  afastou  qualquer  dúvida  quanto  ao  tema,  determinando  que  tratando­se  de  tributação  sobre  salário  indireto,  impõe­se  à  adoção  do  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150, § 4º, do CTN, como se verifica da Súmula CARF n° 99, aprovada naquela oportunidade,  com o seguinte Enunciado:  “Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.”  Observa­se, que a hipótese  tratada nos autos é exatamente aquela em que a  Súmula  encimada  se  aplica,  eis  que  o  Acórdão  recorrido  rechaçou  a  adoção  do  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150,  §  4°,  do CTN,  por  considerar  cada  rubrica  integrante  do  salário de contribuição separadamente e não a remuneração como um todo, entendimento que  restou definitivamente afastado pela Súmula retro.  Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.542          15 Mais a mais, a própria autoridade lançadora deixou bem claro nos itens 2 e 4  do Relatório  Fiscal,  de  fls.  893/905,  que  os  valores  constantes  do  presente  AI  resultam  das  diferenças apuradas pela fiscalização, bem como que serviram de base para o lançamento as  GPS,  além  de  outros  documentos,  o  que  nos  leva  a  concluir  pela  existência  de  pagamentos  parciais realizados pela contribuinte.  Assim,  é  de  se  restabelecer  a  ordem  legal  no  sentido  de  adotar  o  prazo  decadencial  inscrito  no  artigo  150,  §  4o,  do  Código  Tributário  Nacional,  em  face  do  recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas.  Destarte,  tendo  a  fiscalização  constituído  o  crédito  previdenciário  em  19/12/2008, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da Notificação, a  exigência  fiscal  resta  parcialmente  fulminada  pela  decadência,  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  a  competência  11/2003,  os  quais  se  encontram  fora  do  prazo  decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial  do feito.  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  –  LEVANTAMENTOS PL1 e PL2  Depreende­se do Relatório Fiscal da Notificação, mais precisamente no item  2.2,  às  fls.  896/898,  que  a  autoridade  lançadora  entendeu  por  bem  tributar  as  importâncias  concedidas  a  título de PLR aos  segurados  empregados,  aduzindo que malferiu o disposto no  artigo 2o da Lei n° 10.101/2000, em face das seguintes constatações, in verbis:  “[...]    Notadamente o seu artigo 2° traz a obrigatoriedade de que  a  PLR  seja  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou  através de acordo/convenção coletiva.  No presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos  a  seus  empregados  sem  comprovar  a  realização  desta  negociação,  apesar  de  ter  sido  intimada  para  tal  conforme  TIPF datado de 11/11/2008.  Esta ausência de negociação prévia com os trabalhadores  tornou a rubrica comum de todas as demais constantes da folha  de pagamento – FOPAG, sem caracterizá­la com a especificade  exigida pelo particular dispositivo legal supra mencionado [...]”  (grifamos)  Interposta a impugnação, oportunidade em que a contribuinte reiterou que a  PLR  fora  paga  com  lastro  em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  apresentadas  ainda  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  julgador  de  primeira  instância  afastou  a  pretensão  da  então  impugnante assim fundamentando:  “[...]  A  defesa  afirma  que  conforme  comprovam  as  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  anexas,  o  pagamento  da  verba  PLR  decorreu  da  prévia  negociação  entre  a  empresa  e  os  empregados,  de  que  trata  o  art.  2°  da  Lei  10.101/2000.  Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   16 Acrescenta  que  nas  citadas  CCT  estão  estabelecidos  todos  os  critérios  necessário  a  tal  finalidade,  em  claro  atendimento  ao  disposto na Lei 10.101/2000.  Entretanto, as Convenções Coletivas juntadas demonstram  que no caso concreto o pagamento a titulo de "participação dos  empregados nos lucros ou resultados" é efetuado sem qualquer  critério  dependente  do  trabalho,  como  programas  de metas  e  resultados a  serem cumpridos. Os valores são fixos e  iguais a  todos os empregados, o que demonstra que não foi observado a  Lei 10.101/2000, nos incisos I e II do § 1° do seu art. 2o, e nem  tem  as  características  próprias  da  rubrica  denominada  "participação  nos  lucros  e  resultados.  Trata­se,  portanto,  de  pagamento  extra  de  salário.  Assim,  a  comentada  rubrica  se  enquadra no conceito de  salário de  contribuição, não estando  nas  hipóteses  liberadas  da  tributação pelo  contempladas  no  §  9° do artigo 28 da Lei 8.212/91. [...]” (grifamos)  Na  mesma  linha  de  entendimento,  o  Acórdão  recorrido  manteve  a  integralidade do lançamento, sob o manto das conclusões abaixo transcritas:  “[...]  Quanto à participação nos lucros previstas nas convenções  coletivas  de  fls.  2.162  a  2.192  as  mesmas  não  atendem  ao  comando legal previsto no art. 2º da Lei 10.101. As regras claras  e  objetivas  quanto  ao  direito  substantivo  referem­se  à  possibilidade  de  os  trabalhadores  conhecerem  previamente,  no  corpo  do  próprio  instrumento  de  negociação,  quanto  irão  receber  a  depender  do  lucro  auferido  pelo  empregador  se  os  objetivos  forem  cumpridos.  Apesar  de  terem  sido  objeto  de  convenção  coletiva,  não  há  disciplina  quanto  à  forma  de  recebimento,  os  requisitos  que  devem  ser  atendidos  pelos  empregados.  No  caso,  o  pagamento  seria  devido  a  todos  os  empregados,  conforme  a  admissão  dentro  ou  anterior  ao  exercício,  se  dentro  do  exercício  o  pagamento  seria  proporcional. Desse modo, a parcela tem eminentemente cunho  salarial, pois para ter acesso basta ter  trabalhado na empresa,  independentemente de  ter atuado ou colaborado para geração  de  lucros.  Conforme  previsto  no  art.  3º  da  Lei  10.101  a  participação  nos  lucros  não  pode  ser  utilizada  como  substituição ou complemento da remuneração.  [...]  Não  procede  o  argumento  recursal  de  que  teria  havido  inovação no critério do lançamento. O relatório foi expresso ao  consignar que não foram apresentados durante a ação fiscal os  documentos  relativos  ao  acordo  ou  convenção  coletiva,  conforme fl. 896. Somente durante o processo administrativo é  que  foram  apresentadas  as  convenções,  e  desse  modo,  em  respeito  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa,  os  documentos  foram  analisados  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  concluiu  que  não  foram  atendidas  as  exigências  legais.[...]” (grifamos)  Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.543          17 Decorre  daí  o  insurgimento  da  contribuinte,  alegando  que  o  entendimento  acima  esposado  malferiu  a  conclusão  consubstanciada  nos  Acórdãos  paradigmas  n°s  2402­ 002.883 e 9303­002.046.  Melhor elucidando, assevera que a inclusão dos valores pagos a título de PLR  na base de cálculo das contribuições previdenciárias se deu em razão da suposta contrariedade  ao artigo 2° da Lei n° 10.101/2000, diante da pretensa ausência de negociação entre a empresa  e seus empregados através de comissão eleita entre as partes ou acordo/convenção coletiva.  Entrementes, defende que, uma vez comprovada a existência de Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  apresentadas  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  julgador  de  primeira  instância, corroborado pelo Acórdão recorrido, entendeu por bem alterar o motivo da autuação,  para  considerar  que  em  tais  instrumentos  não  haveria  qualquer  critério  dependente  do  trabalho, como programas de metas e resultados a serem cumpridos.  Sustenta  não  ser  correta  a  conclusão  que  somente  na  impugnação  a  contribuinte fez acostar aos autos as Convenções Coletivas de Trabalho, lastro dos pagamentos  das  PLR’s,  consoante  se  constata  do  documento  intitulado  de  “Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais”  (anexado  à  impugnação,  de  fls.  2.309/2.315),  comprovando  a  entrega  de  aludida  documentação  em  18/11/2008 e 10/12/2008, antes, portanto, da lavratura da notificação, o que demonstra que a  autoridade lançadora não teve o devido cuidado ao analisar os elementos de prova apresentados  pela autuada no decorrer da ação fiscal.  A  fazer  prevalecer  esse  entendimento,  alega  que  no  item  4  do  Relatório  Fiscal, o próprio fiscal autuante contraria o motivo da autuação ao reconhecer que “Serviram  de base para o lançamento [...]” as Convenções Coletivas do Trabalho e Balanços Patrimoniais  apresentados em meio digital, autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais  datado  de  18/11/2008  e  10/12/2008,  gerado  pelo  Sistema  de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos Digitais – SVA”.  Escora  sua  irresignação  no  Acórdão  n°  2402­002.883,  ora  adotado  como  paradigma, exarado nos autos de processo de interesse de empresa do mesmo grupo econômico  (MERCANTIL  FINANCEIRA  SA),  baseando­se  nos  mesmos  fatos  utilizados  no  presente  lançamento,  o  que  comprova  a  similitude  fática  dos  decisórios  confrontados,  porém,  com  conclusões divergentes.  Destarte,  explicita  que  no Acórdão  paradigma,  a  2a  Turma Ordinária  da  4a  Câmara da 2a SJ do CARF, analisando fatos idênticos aos da presente demanda, entendeu por  bem  rechaçar  a  alteração  do  critério  jurídico  do  lançamento  procedido  pelo  julgador  de  primeira  instância,  considerando,  exclusivamente,  que  a  exigência  fiscal  fora  constituída  em  razão  da  suposta  ausência  de negociação  entre  as  partes,  argumento  que  fora malferido  pela  contribuinte em suas razões recursais, ensejando a decretação da improcedência do feito, o que  se requer nestes autos.  Com  mais  especificidade,  destaca  que  a  Turma  que  prolatou  o  Acórdão  paradigma concluiu que “constituído o  lançamento com base em premissa equivocada, há o  desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício  material”,  entendimento  que  deverá  prevalecer  no  caso  sob  análise,  que  repousa  sobre  os  mesmos fatos.  Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   18 Mais uma vez, conforme se  infere dos autos,  conclui­se que a pretensão da  contribuinte merece acolhimento, na linha do que restou assentado no Acórdão paradigma n°  2402­002.883, que analisou caso idêntico ao presente, inclusive, relativo à empresa do mesmo  grupo econômico, como segue.  De  início,  impende  rechaçar  o  entendimento  encampado  pelo  nobre  Conselheiro subscritor do voto condutor do Acórdão recorrido, de que a contribuinte somente  teria trazido à colação as Convenções Coletivas de Trabalho junto à impugnação, de maneira a  melhor aclarar as situações fáticas que envolvem a demanda.  Destarte, da simples análise dos autos, conclui­se que a contribuinte, de fato,  apresentou à fiscalização as Convenções Coletivas de Trabalho que lastrearam o pagamento da  Participação de Lucros e Resultados. É o que se extrai do documento intitulado de “Sistema de  Validação  e  Autenticação  de  Arquivos  Digitais  –  Recibo  de  Entrega  de  Arquivos  Digitais”  (anexado  à  impugnação,  de  fls.  2.309/2.315),  demonstrando  que  a  autuada  ofertou  à  fiscalização referidos documentos em 18/11/2008 e 10/12/2008, antes, portanto, da lavratura da  notificação,  ao  contrário  do  que  restou  assentado  nos  Acórdãos  de  primeira  e  segunda  instância.  Não bastasse isso, outros dois fatos comprovam o alegado pela contribuinte.  A um, a própria autoridade  lançadora deixa consignado no  item 4 do Relatório Fiscal, de  fl.  901, a seguinte informação, verbis:  “[...]  Serviram  de  base  para  o  lançamento  fiscal  os  seguintes  documentos:  • Guias da Previdência Social — GPS;  • GFIP's;  • Lançamentos Contábeis, Folhas de Pagamento, Estatuto Social  e Atas de  Eleição  da  Diretoria,  Convenções  Coletivas  do  Trabalho  e  Balanços  Patrimoniais  apresentados  em  meio  digital,  autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais  datado  de  18/11/2008  e  10/12/2008,  gerado  pelo  Sistema  de  Validação  e Autenticação  de Arquivos Digitais — SVA.  [...]”  (grifamos)  A dois, somente como adendo, no item 8 do Relatório Fiscal da Notificação,  de fl. 904, constam todos os lançamentos que foram realizados em face da contribuinte, após o  encerramento da ação fiscal, assim listados:  DEBCAD    ASSUNTO        LEVANTAMENTO  37.199.546­9    Contribuição da Empresa e SAT  ABU, PL1, PL2, PLE, PP6 e PP9  37.199.550­7    Contribuições dos Segurados   ABU, PL1 e PL2  37.199.555­8    Depósito Judicial MS [...]    DEJ  Fl. 3712DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.544          19 37.211.016­9  AI CFL 78­ Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos  geradores.  Do  exame  as  autuações/notificações  fiscais  formalizadas  contra  a  contribuinte, acima listadas, não se vislumbra o Auto de Infração (Código 38), com fulcro no  artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 233, parágrafo único, do RPS, diante da  constatação  de  descumprimento  de  obrigação  acessória,  mais  precisamente  deixar  de  apresentar documentos e/ou informações solicitados pela fiscalização.  Conclui­se,  portanto,  que  a  contribuinte  apresentou  toda  a  documentação  solicitada pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, uma vez que, se assim não fosse,  teria  sido autuada por descumprimento à obrigação acessória objeto do Auto de Infração Código 38,  como acima explicitado.  Diante desse cenário, torna­se evidente que a recorrente ofertou à fiscalização  as Convenções Coletivas de Trabalho que deram azo ao pagamento da Participação de Lucros e  Resultados  aos  seus  segurados  empregados,  o  que  rechaça,  além  do  argumento  fiscal,  as  conclusões adotadas nos Acórdãos recorrido e de primeira instância.  Na hipótese vertente,  como se observa, uma vez constatada a  incorreção na  premissa adotada pelo agente lançador ao lavrar a notificação, o julgador de primeira instância  inovou os fundamentos do lançamento, adentrando aos aspectos substanciais das Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  as  negando  validade,  no  entanto,  diante  da  suposta  ausência  de  programa  de metas  e  resultados,  o  que  afrontaria  o  artigo  2°,  §  1o,  incisos  I  e  II,  da  Lei  n°  10.101/2000.  E  pior,  além  da  inovação  procedida  pelo  julgador  de  primeira  instância,  o  nobre Conselheiro Relator do Acórdão recorrido, corroborou àquela tese, e ainda acrescentou  que o Programa de PLR da empresa também contrariou o artigo 3° da Lei n° 10.101/2000, o  que fragiliza ainda mais o lançamento e as decisões pretéritas.  Como se verifica, as autoridades julgadoras de primeira e segunda instância,  com  o  fito  de  manter  débito  eivado  de  vícios,  mudaram  o  critério  jurídico  da  apuração  do  crédito tributário, o que é repudiado pelo nosso ordenamento jurídico, consoante se infere do  artigo 146 do Código Tributário Nacional, que estabelece o seguinte:  “Art.146  ­  A  modificação  introduzida,  de  ofício  ou  em  consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios  jurídicos  adotados  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  lançamento  somente  pode  ser  efetivada,  em  relação  a  um  mesmo  sujeito  passivo,  quanto  a  fato  gerador  ocorrido  posteriormente à sua introdução.”  O eminente doutrinador Hugo de Brito Machado, ao conceituar “mudança de  critério jurídico”, assim preleciona:  “[...]  Também  há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa,  tendo  adotado  uma  entre  várias  alternativas  expressamente  admitidas  pela  lei,  na  feitura  do  lançamento,  mediante  a  escolha  de  outra  das  alternativas  admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário  em  valor  diverso,  geralmente  mais  elevado.”  (Hugo  de  Brito  Fl. 3713DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   20 Machado,  Curso  de  Direito  Tributário,  12a  Edição,  Malheiros,  1997, p. 123)  No  mesmo  sentido,  muito  valiosa  a  lição  de  Ricardo  Lobo  Torres,  nos  seguintes termos:  “ A autoridade administrativa, depois de efetivado o lançamento,  não  pode  alterá­lo,  de  ofício,  sob  o  argumento  de  que  a  interpretação jurídica adotada não era a correta, a melhor ou a  mais  justa.  [...]”  (TORRES,  Ricardo  Lobo.  Anulação  de  incentivos fiscais – efeitos no tempo. RDDT 121/127, out/05)  Outro não é o posicionamento deste Colegiado, ao decretar a  insubsistência  de lançamentos quando promovidos com mudança de critério jurídico, como segue:  “[...]  NULIDADE  POR  NÃO  LAVRATURA  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO  COMPLEMENTAR  ­  Não  é  de  se  anular  o  procedimento de diligência que não resulte em Auto de Infração  Complementar.  Pode  a  autoridade  autuante  diante  de  novos  fatos  apurados  reformular  os  demonstrativos  desde  que  não  caracterize mudança de critério jurídico. [...]”(4ª Câmara do 1º  Conselho, Recurso nº 119.941 – Acórdão nº 104­19212, Sessão  de 26/02/2003) (grifamos)  Ademais,  o  lançamento  –  atividade  vinculada  que  constitui  o  crédito  tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente  arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar­ se em fatos concretos, demonstrados, susceptíveis de comprovação.  O  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  ao  atribuir  a  competência  privativa do  lançamento a autoridade administrativa,  igualmente, exige que nessa atividade o  fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador e os elementos que serviram  de base à autuação, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como  segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei  n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública  Federal, devem ser motivados, sob pena de insubsistência, in verbis:  “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  Constata­se  dos  dispositivos  legais  encimados,  para  que  o  lançamento  encontre  sustentáculo  nas  normas  jurídicas  e,  conseqüentemente,  tenha  validade,  deverá  o  fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e  determinar a matéria  tributável  (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa,  especialmente  no  Relatório  Fiscal  da  Notificação,  ou  erro  nessa  conduta,  macula  o  Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.545          21 procedimento  fiscal,  não  podendo  o  fiscal  autuante  ou  mesmo  as  autoridades  julgadoras  procurar sanear o lançamento após a sua realização, sob pena de mudança de critério jurídico  do ato administrativo, o que é vedado como acima demonstrado.  Em outras palavras, é defeso ao julgador ou outra autoridade fazendária, no  decorrer  do  processo  administrativo  fiscal,  ou  seja,  após  realizado  o  lançamento,  procurar  saneá­lo diante da constatação de o ato administrativo ter partido de uma premissa equivocada,  com o evidente intuito de “salvar” o débito.  O que deve ser objeto de apreciação pelos julgadores administrativos são os  fatos  utilizados  pela  autoridade  lançadora  ao  promover  o  lançamento,  in  casu,  constante  do  Relatório Fiscal da Notificação. São exatamente esses fatos aduzidos pelo fiscal autuante, que  impugnados,  estabelecem  a  lide  a  ser  examinada,  não  podendo  haver  inovação  quanto  aos  fundamentos do lançamento no decorrer do processo administrativo fiscal.  Na  esteira  desse  entendimento,  conclui­se  que  a  conduta  dos  julgadores  recorridos  afronta  a  legislação  de  regência  e,  bem  assim,  a  segurança  jurídica  do  ato  administrativo,  atribuindo  incertezas  ao  lançamento,  o  que  é  repudiado  pela  legislação  tributária,  a  qual  exige  certeza  e  liquidez  no  crédito  tributário,  para  efeito  de  inscrição  em  dívida ativa.  A  rigor,  restou  mais  do  que  evidente  nos  autos  que  o  lançamento  (literalmente) ocorrera diante da suposta ausência de negociação da Participação nos Lucros e  Resultados entre as partes.   “[...]    Notadamente o seu artigo 2° traz a obrigatoriedade de que  a  PLR  seja  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou  através de acordo/convenção coletiva.  No presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos  a  seus  empregados  sem  comprovar  a  realização  desta  negociação,  apesar  de  ter  sido  intimada  para  tal  conforme  TIPF datado de 11/11/2008.  Esta ausência de negociação prévia com os trabalhadores  tornou a rubrica comum de todas as demais constantes da folha  de pagamento – FOPAG, sem caracterizá­la com a especificade  exigida pelo particular dispositivo legal supra mencionado [...]”  (Relatório Fiscal da Notificação, mais precisamente no item 2.2,  às fls. 896/898 )(grifamos)  Ato  contínuo,  em  virtude  da  comprovação  por  parte  da  contribuinte  da  existência de Convenções Coletivas de Trabalho, apresentadas no decorrer da ação fiscal, diga­ se de passagem, os  julgadores de primeira e  segunda  instância  inovaram o  lançamento,  para  considerar  outros  aspectos/requisitos  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultado,  em  clara  mudança de critério jurídico do lançamento, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio.  Neste  contexto,  é  de  se  afastar  as  inovações  no  lançamento  procedidas  pelas autoridades  julgadoras de primeira e  segunda  instância, de maneira a reconhecer  Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   22 que a desconsideração dos valores pagos a título de PLR ocorrera tão somente por conta  da suposta ausência de negociação entre as partes.  Assim,  uma  vez  comprovado  nos  autos  que  tais  pagamentos  encontraram  respaldo  em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  como  fora  reconhecido  pelos  próprios  julgadores  pretéritos,  é  de  se  decretar  a  improcedência  do  feito,  relativamente  aos  levantamentos PL1 e PL2.  Dessa  forma,  acolhida  a  pretensão  da  contribuinte  relativamente  a  inovação/mudança  do  critério  jurídico  do  lançamento,  resta  prejudicada  a  análise da  terceira  divergência suscitada pela recorrente, relativamente à possibilidade de adoção da lucratividade  como meta ao pagamento da PLR, razão pela qual deixaremos de abordar tal questão.  DO ABONO ÚNICO  De  acordo  com  os  autos,  o  fiscal  autuante  lançou  contribuições  previdenciárias sobre os valores pagos ou creditados pela empresa a seus empregados a título  de ABONO, nos termos das Convenções Coletivas do Trabalho ­ CCT de 2002/2003 assinada  em  19/09/2002,  CCT  2003/2004  assinada  em  10/10/2003,  e  CCT  2005/2006  assinada  em  17/10/2005,  contemplando  a  concessão  de  Um  ABONO  ÚNICO  para  os  empregados  nos  valores de R$ 1.200,00 (2002/2003); R$ 1.500,00 (2003/2004) e R$ 1.700,00 (2005/2006), a  ser  pago  até  10  (dez)  dias  úteis  da  data  de  assinatura  da  Convenção  Coletiva  de  Trabalho.  Segundo a fiscalização, somente não incidiriam contribuições previdenciárias sobre tais verbas  se estivessem previstas em lei, o que veio a ser ratificado pela Turma recorrida.  Irresignada,  a  contribuinte  argui  que  o  entendimento  estampado  na  decisão  recorrida divergiu daquele  inscrito no Acórdão n° 2402­002.883, que  adotou os preceitos do  Parecer PGFN/CRJ n° 2.114 e Ato Declaratório PGFN n° 16/2011, que afasta a incidência de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  quando  pagas  em  conformidade  com  determinação  de  CCT’s,  como  aqui  se  vislumbra,  mormente  em  face  da  sua  natureza  não  remuneratória.  Novamente,  merece  acolhimento  o  pleito  da  contribuinte,  por  espelhar  a  melhor  interpretação  a  respeito  do  tema,  sobretudo  quando  arrimada  em  atos  da  própria  Procuradoria da Fazenda Nacional, senão vejamos.  Afora  vasta  discussão  a  propósito  da  matéria,  deixaremos  de  abordar  a  legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba,  uma vez que o Superior Tribunal de  Justiça vem,  reiteradamente,  afastando qualquer dúvida  quanto  ao  tema,  reconhecendo  a  sua  natureza  indenizatória,  conquanto  que  concedido  com  esteio em Convenção Coletiva de Trabalho.  Aliás,  acolhendo  a  jurisprudência  uníssona  no  âmbito  do  STJ,  a  própria  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  se  manifestou  no  sentido  da  não  incidência  de  contribuições previdenciárias sobre o Abono Único previsto em CCT’s, em vista da evidente  natureza  não  habitual  de  referida  verba,  nos  termos  do  artigo  28,  §  9°,  alínea  “e”,  item  7,  pacificada  no  âmbito  do  Judiciário.  É  o  que  se  extrai  do  Parecer PGFN/CRJ/N°  2114/2011,  com vistas a subsidiar emissão de Ato Declaratório da PGFN, assim ementado:  “Tributário.  Contribuição  previdenciária.  Abono  único.  Não  incidência.  Jurisprudência  pacífica  do  Egrégio  Superior  Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho  de  2002,  e  do  Decreto  nº  2.346,  de  10  de  outubro  de  1997.  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  autorizada  a  não  Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.546          23 contestar,  a  não  interpor  recursos  e  a  desistir  dos  já  interpostos.”  Na mesma linha de raciocínio, acolhendo o Parecer encimado, fora publicado  Ato  Declaratório  n°  16/2011,  da  lavra  da  ilustre  Procuradora  Geral  da  Fazenda  Nacional,  dispensando  a  apresentação  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência dos já interpostos, contemplando a discussão quanto à incidência de contribuições  previdenciárias sobre o abono único, senão vejamos:  “    ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2114  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  09/12/2011  ,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento relevante:  “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre  o  abono  único,  previsto  em  Convenção  Coletiva  de  Trabalho,  desvinculado  do  salário  e  pago  sem  habitualidade,  não  há  incidência de contribuição previdenciária”.  JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp  nº  1.125.381/SP  (DJe  29/4/2010),  REsp  nº  840.328/MG  (DJ  25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009).  Brasília, 20 de dezembro de 2011.  ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO  Procuradora­Geral da Fazenda Nacional.”  Na  esteira  da  jurisprudência  uníssona  dos  Tribunais  Superiores,  uma  vez  reconhecida  à  natureza  eventual  do  Abono  Único  pago  pela  empresa  aos  segurados  empregados,  com  esteio  em  Convenções  Coletivas  de  Trabalho,  desvinculado  do  salário,  inclusive com reconhecimento formal da falta de interesse de agir da Procuradoria da Fazenda  Nacional (sujeito ativo da relação tributária) nos casos que contemplem referida questão, não  se  pode  cogitar  na  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  tais  verbas,  o  que  se  vislumbra  na  hipótese  dos  autos,  impondo  seja  julgado  improcedente  a  exigência  fiscal  em  comento, em relação ao Levantamento ABU.  DA PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA ­ PLE  Por  derradeiro,  o  fiscal  autuante  entendeu  como  integrante  do  salário  de  contribuição, os pagamentos realizados aos diretores executivos, sem encontrar esteio na Lei n°  10.101/2000. Em suma, sustentou o fiscal autuante que:  “[...]  Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   24 O  pagamento  a  titulo  de  PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA  foi  feito unicamente em 08/2006 no valor de R$ 25.000,00  (vinte e  cinco  mil  reais)  a  cada  diretor,  totalizando  R$  275.000,00  (Duzentos e setenta e cinco mil reais), não existindo disposição  legal  que  a  exima  de  integrar  o  salário­de­contribuição  para  todos os efeitos. [...]”  Aludido  entendimento  veio  a  ser  ratificado  pela  Turma  recorrida,  nos  seguintes termos:  “[..]  Ao contrário do afirmado pela recorrente, a verba paga aos  diretores  estatutários  possui  natureza  remuneratória.  A  Lei  n  6.404  não  regula  a  participação  nos  lucros  e  resultados.  Conforme já afirmado, a PLR somente foi regulamentada após a  Constituição Federal  de  1988.  A  verba  paga  não  remunerou  o  capital  investido  na  sociedade,  logo  remunerou  efetivamente  o  trabalho executado pelos diretores. [...]”  Por  seu  turno,  assevera  a  recorrente que o  entendimento  levado a  efeito  no  decisório combatido contrariou a conclusão adotada no Acórdão paradigma n° 2402­002.883,  que  admitiu  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  esses  valores,  considerando que a sua previsão encontra­se no § 1°, do artigo 152, da Lei n° 6.404/76 (Lei das  Sociedades Anônimas).  A  fazer  prevalecer  seu  entendimento,  assevera  que  as  importâncias  com  natureza  remuneratória  concedidas  aos  diretores  estatutários  da  empresa  encontram­se  prescritos no caput do artigo 152 da Lei n° 6.404/1976.  Em  outra  via,  aduz  que  a  Participação  nos  lucros  de  tais  diretores  é  uma  possibilidade (e não uma obrigação) prevista no § 1° do dispositivo legal retro, dependente de  deliberação  da  Assembléia  Geral  de  Acionistas,  contabilizada  de  modo  a  reduzir  o  lucro  acumulado,  em  conta  de  patrimônio  líquido,  concluindo  que  tal  pagamento  não  decorre  da  empresa,  mas,  sim,  de  seus  acionistas,  estabelecendo­se  uma  relação  Acionistas  x  Diretores/Administradores,  e  não  “Empregador  x  Empregado”,  afastando,  portanto,  a  sua  natureza de remuneração.  Ressalta,  ainda,  que  a  participação  nos  lucros  ou  resultados  é  um  direito  garantido  constitucionalmente  aos  trabalhadores,  nos  termos  do  artigo  7°,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, que somente exige sejam cumpridos os requisitos estabelecidos em lei, in  casu, a Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 152.  Não  obstante  as  substanciosas  razões  de  fato  e  de  direito  utilizadas  pela  autoridade lançadora e julgador recorrido em defesa da manutenção do feito, melhor sorte não  socorre o Fisco, igualmente, quanto a esta matéria, como passaremos a demonstrar.  De  início,  com  o  objetivo  de  melhor  aclarar  a  demanda  posta  nos  autos,  cumpre trazer a lume a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como  alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos:  A  Constituição  Federal,  por  meio  de  seu  artigo  7º,  inciso  XI,  instituiu  a  Participação dos trabalhadores nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração  entre capital e  trabalho e ganho de produtividade, desvinculando­a expressamente da base de  cálculo das contribuições previdenciárias, como segue:  Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.547          25 “Art.  7º São direitos dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  além  de outros que visem à melhoria de sua condição social:  [...]  XI  –  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;” (grifamos)  Por  seu  turno,  no  que  tange  aos  segurados  empregados,  a  legislação  tributária  ao  regulamentar  a  matéria,  impôs  algumas  condições  para  que  as  importâncias  concedidas  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  não  integrassem  o  salário  de  contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua:  “Art. 28. [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  lei:  [...]  j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  a  lei  específica.”  (grifos  nossos)  Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº  794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte:  “Art.  2º  Toda  empresa  deverá  convencionar  com  seus  empregados,  mediante  negociação  coletiva,  a  forma  de  participação destes em seus lucros ou resultados.  Parágrafo  único.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão constar  regras  claras e objetivas quanto à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  a)  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa; e  b)  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Art.  3º A participação de que  trata o artigo 2º não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou  previdenciário.  [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre.  Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   26 [...]”  Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, vigente à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  trazendo  em  seu  bojo  algumas  inovações,  notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos:  “Art.  2º A participação nos  lucros ou  resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:   I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;   II ­ convenção ou acordo coletivo.   §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;   II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.   §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade funcional dos trabalhadores.  [...]  Art.3º  A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.   [...]  §  2º  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  de  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.   [...]”  Em  suma,  extrai­se  da  evolução  da  legislação  específica  relativa  à  participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos  requisitos  para  não  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Para  o  período  até  29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente  a 30/06/1998, além da  exigência acima, passou a  ser proibido o pagamento de mais de duas  parcelas no mesmo ano civil.  Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.548          27 No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo  2º,  as  disposições  legais  continuaram  praticamente  as  mesmas,  exigindo  regras  claras  e  objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento.  Atualmente,  a  Lei  n°  10.101/2000  se  apresenta  com  algumas  alterações  introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de  contemplar  em  razão de  não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido  Diploma Legal.  Assim,  para  aqueles  julgadores/doutrinadores  e  afins  que  entendem  ser  a  Participação nos Lucros e Resultados destinada tão somente aos segurados empregados, a sua  regulamentação  acabaria  nas  alterações  introduzidas  na  Lei  n°  10.101/2000  pela  Lei  n°  12.832/2013, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da contribuinte, mormente por não  admitirem tais disposições legais à concessão de tal verba aos contribuintes individuais.  Não  compartilhamos,  porém,  com  tal  conclusão.  Isto  porque,  o  artigo  7º,  inciso XI, da CF, estabeleceu que a Participação nos Lucros e Resultados da empresa, como  forma  de  integração  entre  capital  e  trabalho  e  ganho  de  produtividade,  é  um  direito  dos  TRABALHADORES, conforme definido em lei.  Em  relação  aos  contribuintes  individuais,  em  nosso  entendimento,  a  lei  exigida no comando constitucional encimado é a Lei n° 6.404/1976, que em seu artigo 152 e  parágrafos, assim prescreve:  “Art.  152.  A  assembléia­geral  fixará  o  montante  global  ou  individual  da  remuneração  dos  administradores,  inclusive  benefícios  de  qualquer  natureza  e  verbas  de  representação,  tendo  em  conta  suas  responsabilidades,  o  tempo  dedicado  às  suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor  dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório  em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode  atribuir  aos  administradores  participação  no  lucro  da  companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração  anual  dos  administradores  nem  0,1  (um  décimo)  dos  lucros  (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor.  §  2º  Os  administradores  somente  farão  jus  à  participação  nos  lucros do exercício social em relação ao qual  for atribuído aos  acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202.”  Evidente,  portanto,  que  a  Lei  n°  6.404/1976  contempla  a  possibilidade  de  pagamento  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  aos  administradores  da  empresa  (contribuintes  individuais),  atendendo,  ainda,  o  disposto  no  artigo  7º,  inciso  XI,  da  Constituição  Federal.  Melhor  elucidando,  conclui­se  que  a  Lei  das  SA  fora  devidamente  recepcionada pela Carta Magna.  Ora,  cumpre  registrar  que  a  Constituição  Federal,  bem  como  a  legislação  infraconstitucional,  não  têm  palavras  vãs,  previstas  em  seu  bojo  sem  que  tivesse  sido  devidamente analisada e destinada a um fim predefinido.  Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   28 In  casu,  estabelecendo  o  legislador  constituinte  como  destinatários  da  participação nos lucros e resultados da empresa OS TRABALHADORES pretendeu incluir não  só  os  segurados  empregados,  mas  também  os  contribuintes  individuais  que  contribuíram/contribuem para o atingimento dos objetivos definidos pela empresa.  Pretendesse  o  legislador  constituinte  limitar  o  alcance  da  Participação  nos  Lucros e Resultados aos segurados empregados teria feito de maneira literal no bojo da norma  constitucional  retromencionada.  Ao  contrário,  a  única  limitação/requisito  ali  inserido  foi  à  exigência de os demais pressupostos estarem definidos em  lei, o que é atendido no caso dos  contribuintes individuais (diretores/administradores) pela Lei n° 6.404/76.  Mais a mais, a própria essência da verba nos faz concluir pela possibilidade  de  concessão  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais,  uma  vez  se  destinar  à  integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade.  Ora,  admitir  que  somente  os  segurados  empregados  tenham  direito  ao  recebimento  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  implica  dizer  que  os  administradores/diretores  contribuintes  individuais  não  trabalham  de maneira  a  contribuírem  com o ganho de produtividade da empresa.  Destarte,  a  teor  dos  preceitos  inscritos  na  legislação  encimada,  constata­se  que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis  que  desvinculada  da  tributação  das  contribuições  previdenciárias  por  força  da  Constituição  Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta.  Entrementes,  não  é  a  simples  denominação  atribuída  pela  empresa  à  verba  concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora  exigidos.  Em  verdade,  o  que  importa  é  a  natureza  dos  pagamentos  efetuados,  independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua  efetivamente  a  natureza  de  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  indispensável  se  faz  à  conjugação  dos  pressupostos  legais  inscritos  na  MP  nº  794/1994  e  reedições,  c/c  Lei  nº  10.101/2000, e Lei n° 6.404/1976, dependendo do período fiscalizado ou o beneficiário.  Nessa  esteira  de  entendimento,  é  de  fácil  conclusão  que  as  importâncias  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  intituladas  de  PLR  somente  sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos  legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas,  tão somente, quando assim não restar caracterizada.  Por  sua  vez,  a  interpretação  do  caso  concreto  deve  ser  levada  a  efeito  de  forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e,  bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização  de  tal  verba,  sendo defeso,  igualmente,  a  atribuição de  requisitos/condições que não  estejam  contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades,  sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de  afronta ao Princípio da Legalidade.  Por  outro  lado,  convém  frisar  que  tratando­se  de  imunidade,  os  pagamentos  a  título  de  PLR  não  devem  observância  aos  rigores  interpretativos  insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de  isenção,  com  necessária  interpretação  restritiva  da  norma.  Ao  contrário,  no  caso  de  imunidade,  a  doutrina  e  jurisprudência  consolidaram  entendimento  de  que  a  interpretação da norma constitucional poderá  ser mais abrangente,  de maneira a  fazer  Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.549          29 prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais  verbas,  o  que  não  implica  dizer  que  a  PLR  não  deve  observância  ao  regramento  específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena.  Observe  que  tratando­se  de  uma  verdadeira  imunidade,  a  interpretação  da  legislação de regência não pode amesquinhar a  intenção do legislador constituinte no sentido  de  possibilitar  o  pagamento  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  aos  trabalhadores,  aí  entendidos  os  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  como  forma  de  integração  entre capital e trabalho.  A  rigor,  aqueles  que  se  posicionam  pela  impossibilidade  de  pagamento  de  PLR  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais  assim  o  fazem  basicamente  por  concluírem  que  o  termo  trabalhadores  constante  da  disposição  constitucional  acima  não  os  abarca, ou mesmo por supostamente não haver lei específica tratando da matéria.  Com  as  devidas  vênias,  os  dois  argumentos  são  falíveis. O primeiro,  como  acima  explicitado,  é  facilmente  rechaçado  diante  da  própria  literalidade  da  norma  constitucional.  Ora,  trabalhadores  não  se  limita  a  referir­se  a  segurados  empregados.  Acrescenta­se  à  essa  conclusão  o  fato  de  estarmos  diante  de  uma  imunidade,  onde  a  interpretação  das  normas  que  regem  a  questão  não  pode  ser  mitigada,  mas,  sim,  alargada,  mormente objetivando atender o seu fim precípuo, qual seja, integração entre capital e trabalho.  Ora, a própria Lei n° 8.212/91, que estabelece a organização da Seguridade  Social e institui o seu Plano de Custeio, traz em seu bojo o termo trabalhadores como aqueles  (segurados empregados e contribuintes individuais) que ajudarão no seu financiamento, como  se extrai dos artigos 10 e 11, como segue:  Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  do  art.  195  da  Constituição Federal e desta Lei, mediante recursos provenientes  da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de  contribuições sociais.   “Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social  é composto das seguintes receitas:   I ­ receitas da União;   II ­ receitas das contribuições sociais;   III ­ receitas de outras fontes.   Parágrafo único. Constituem contribuições sociais:  a)  as  das  empresas,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  ou  creditada  aos  segurados  a  seu  serviço;  (Vide  art.  104  da  lei  nº  11.196, de 2005)   b) as dos empregadores domésticos;   c)  as  dos  trabalhadores,  incidentes  sobre  o  seu  salário­de­ contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005)  d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro;   Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   30 e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.”  Partindo dessas premissas, se a própria Lei do Custeio da Seguridade Social  (Lei n° 8.212/91) determina que parte de seu financiamento se dará pelas receitas advindas das  contribuições  sociais  incidentes  sobre  o  salário  de  contribuição  dos  trabalhadores,  contemplando, portanto, os segurados empregados e contribuintes individuais, não faz qualquer  sentido  se  interpretar  o  mesmo  termo  (trabalhadores)  constante  do  artigo  7º,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, de forma diversa, limitada.  No mesmo sentido, não merece acolhimento o entendimento da inexistência  de  lei  específica  tratando da PLR dos  administradores/diretores  contribuintes  individuais,  eis  que  a  Lei  n°  6.404/1976  é  expressa/literal  ao  contemplar  aludida  verba  em  seu  artigo  152.  Aliás,  nem  se  diga  que  referida  lei,  por  ser  anterior  a Constituição  Federal  de  1998,  não  se  prestaria à “legislar”  sobre o assunto. Essa conclusão põe a  termo o  instituto da  recepção da  norma  pela  Constituição  Federal,  que  pretérita  a  esta,  mas  compatível,  o  que  se  constata  facilmente no caso vertente.  A  propósito  da  matéria,  o  ilustre  Ministro  Gilmar  Mendes  é  por  demais  enfático ao afirmar:  “[...]  Por  isso  se  entende  que  aquelas  normas  anteriores  à  Constituição,  que  são  com  ela  compatíveis  no  seu  conteúdo,  continuam em vigor. Diz­se que, nesse  caso, opera o  fenômeno  da  recepção,  que  corresponde  a  uma  revalidação  das  normas  que  não  desafiam,  materialmente,  a  nova  Constituição.  [...]”  (MENDES, Gilmar Ferreira, Curso de Direito Constitucional, 4ª  ed. Ed. Saraiva, São Paulo, 2008. p. 257)  Nessa  toada,  é  de  fácil  conclusão  que  a  Lei  n°  6.404/76  fora  recepcionada  pela Constituição Federal, mesmo porque ainda vigente,  e as  suas disposições que  tratam da  PLR  para  os  administradores/diretores  contribuintes  individuais  são  compatíveis  com  o  preceito constitucional inscrito no artigo 7º, inciso XI, da CF.  Na  hipótese  dos  autos,  a  ilustre  autoridade  lançadora  achou  por  bem  considerar  como  remuneração  os  pagamentos  efetuados  pela  empresa  aos  contribuintes  individuais a título de Participação nos Lucros e Resultados, utilizando como fundamento à sua  empreitada a pretensa ausência de lei específica dispondo sobre a verba.  Assim, a simples conclusão acima aventada, no sentido da aplicabilidade da  Lei  n°  6.404/76,  para  fins  de  regulamentação  da  PLR  aos  diretores/administradores  contribuintes individuais, seria capaz de macular a exigência fiscal.  Isto porque, partindo dessa premissa, o fiscal autuante deixou de adentrar aos  aspectos substanciais de aludidos pagamentos com a finalidade de verificar se observaram os  preceitos  da  Lei  das  SA,  limitando  a  análise  da  demanda  como  questão  de  direito,  com  sua  tese, em nosso entendimento, rechaçada acima.  Não bastasse isso, adentrando­se ao aspecto contábil e da natureza de aludido  pagamento, cumpre trazer à baila os substanciosos fundamentos de fato e de direito constantes  do Acórdão n° 2402­002.883, ora adotado como paradigma, da lavra do eminente Conselheiro  Nereu Miguel Ribeiro Domingues, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como  razões de decidir:  Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.550          31 “[...]  A  Recorrente  sustenta  também  que  a  participação  estatutária  dos  diretores  não  possui  feição  remuneratória,  devendo  ser  excluída  da  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Como  pode  se  verificar  no  item  2.3  do  relatório  fiscal  (fl.  38),  houve  a  distribuição  de  lucros  aos  diretores  estatutários,  haja  vista que  é uma sociedade anônima, nos  termos da Lei nº  6.404/76.  Cabe pontuar, primeiramente, que a Lei nº 6.404/76 trata os  diretores da mesma  forma que os administradores,  tal  como se  verifica em seu art. 145, in verbis:  "Art.  145.  As  normas  relativas  a  requisitos,  impedimentos,  investidura,  remuneração,  deveres  e  responsabilidade  dos  administradores aplicam­se a conselheiros e diretores."  As  regras  relativas  à  participação  desta  classe  de  trabalhadores  estão  claramente  previstas  no  art.  152  da Lei  n.  6.404/76, que assim dispõe:  [...]  Analisando as regras expostas acima, tem­se que, por ser a  assembleia geral que delibera sobre a concessão de participação  aos diretores estatutários, está­se diante de uma relação jurídica  firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”.  Nesse  sentido,  destaca­se  que  a  participação dos  diretores  estatutários  é  contabilizada  em  conta  do  patrimônio  líquido,  mediante redução do lucro acumulado, e não paga pela empresa  em si (por meio de escrituração em conta de resultado).  Neste contexto, não há que se falar na aplicação do art. 28  da  Lei  nº  8.212/91,  pois  os  valores  recebidos  pelos  diretores  estatutários não se inserem na relação jurídica “Empregador x  Empregado”,  não  havendo  que  se  falar  na  incidência  das  contribuições previdenciárias.  Em  vista  disso,  é  mister  que  seja  excluído  do  presente  lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os  pagamentos  realizados  a  título  de  “PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA DA DIRETORIA EXECUTIVA – PLE [...]”  Na esteira desse entendimento, é de se afastar a  incidência de contribuições  previdenciárias  sobre  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  pagos  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais,  seja  em  razão  de  possibilidade  de  sua  concessão  com  esteio  na  Lei  n°  6.404/76,  ou  mesmo  diante  da  ausência  de  vinculação  do  pagamento entre Empregado x Empregador, mas, sim, decorrente da relação entre Acionistas x  Diretores/Administradores, afastando a natureza remuneratória de aludida verba.  Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   32   Por  todo  o  exposto,  estando  o  Acórdão  guerreado  em  dissonância  com  os  dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO  ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DAR­LHE PROVIMENTO,  acolhendo a preliminar de  decadência  parcial  do  crédito  previdenciário,  até  a  competência  11/2003,  afastando,  ainda,  a  incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos funcionários a título de  Abono  Único  (ABU),  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PL1  e  PL2  –  segurados  empregados)  e  (PLE  – Diretores/Administradores  contribuintes  individuais),  pelas  razões  de  fato e de direito acima esposadas.    (Assinado digitalmente)  Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira  Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.551          33   Voto Vencedor  Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado  Ouso  divergir  do  ilustre  conselheiro  relator  exclusivamente  no  que  diz  respeito  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  pagamentos  efetuados  a  diretores estatutários a título de participação nos lucros.  A  Constituição,  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XI,  erige  a  participação  nos  lucros ou resultados à categoria de direito social fundamental dos trabalhadores e desvincula o  benefício da remuneração, in verbis:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  ...  XI  –  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  Como  se  vê,  o  art.  7º,  inciso  XI,  da  CF,  ao  dispor  sobre  os  direitos  fundamentais  sociais  do  trabalhador,  assegura  a  "participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada da remuneração".   Neste  sentido,  aliás,  a  lição  doutrinária  de  Arnaldo  Sussekind  e  outros.  Instituições de Direito do Trabalho. ED. Ltr. 17 ed. Vol 1, pág. 458/459):   "A  participação  nos  lucros  da  empresa  constitui  método  de  remuneração  complementar  do  empregado,  com  o  qual  se  lhe  garante uma parcela dos lucros auferidos pelo empreendimento  econômico  do  qual  participa.  Por  isso  mesmo,  no  direito  comparado, e também, na doutrina brasileira, prevalece a teoria  que a conceitua como prestação aleatória de natureza salarial;  mas, em face do estatuído pelo art. 7º, XI da nova Constituição,  essa  participação  não  mais  constitui  salário  no  sistema  legal  brasileiro.  A participação nos  lucros da  empresa não  se  confunde  com os  prêmios  arbitrariamente  outorgados  pelo  empregador,  porquanto  ela  decorre  de  imposição  legal,  convenção  ou  acórdão coletivo e, bem assim do regulamento da empresa ou de  ajuste contratual, sendo devida desde que realizada a condição  prevista  para  a  geração  do  direito  do  empregado.  Como  bem  acentua  Nélio  Reis,  a  participação  nos  lucros  da  empresa  é  perfeitamente  compatível  com  o  contrato  de  trabalho.  Se  a  relação  de  emprego  está  configurada  pela  coexistência  dos  elementos que a caracterizam, a participação do empregado nos  lucros  da  empresa  não  transforma  o  contrato  de  trabalho  em  contrato  de  sociedade,  nem  o  converte  em  contrato  misto.  A  Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   34 participação; neste caso, nada mais será do que uma condição,  imposta  por  lei,  negociação  coletiva  ou acordo  entre  as  partes  contratantes, integrantes do próprio contrato de trabalho."   A Constituição Federal, conforme Adalberto Martins e Hélio Augusto Pedroso  Cavalcanti  (in Elementos de Direito  Individual  do Trabalho.  Porto Alegre. Síntese,  2000, p. 85)  “não se limitou a incluir a participação nos lucros no rol de direitos dos empregados. Houve,  também, a preocupação no sentido de que a participação nos  lucros ficasse desvinculada da  remuneração  do  empregado”,  e  ainda  acrescentou  o  termo  resultado,  passando  assim  a  ser  participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas.  O art. 7º,  inciso XI da CF ao afastar ao afastar a natureza remuneratória da  participação dos lucros ou resultados, gerou uma imunidade no que diz respeito à incidência de  contribuições  previdenciárias.  Neste  sentido  lição  de  Fábio  Zambitte  Ibrahim,  em  artigo  intitulado  "A  participação  nos  lucros  e  resultados  das  empresas  e  sua  imunidade  previdenciária":  "Apesar da importância e desenvolvimento atual do tema, há um  aspecto  ainda  precariamente  desenvolvido,  que  diz  res­peito  à  incidência  da  contribuição  previdenciária.  De  modo  geral,  adota­se  a  dispensa  da  tributação  como  mero  favor  legal,  ignorando que  a  previsão constitucional,  ao  excluir a  natureza  salarial  das  participações  nos  lucros  e  resultados,  gera  uma  imunidade.  2.  A  INTRIBUTABILIDADE  DA  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS E RESULTADOS  A  redação  do  art.  7º,  XI  da  Constituição,  com  muita  clareza,  prevê,  como  direito  dos  trabalhadores  urbanos  e  rurais,  a  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração.  Ou  seja,  sem  maiores  esforços  hermenêuticos,  nota­se  a  peremptória  vontade  do  constituinte  em  elidir  a  natureza  salarial  de  tais  valores,  impondo,  em  âmbito  constitucional, a já conhecida distinção entre os rendimentos do  trabalho e do capital.   Apesar de o preceito prever a necessidade de lei, como se verá,  isso  não  elide  a  natureza  imunizante  do  dispositivo  nem  exclui  sua  eficácia,  como  amplamente  reconhecido  pela  doutrina  contemporânea e, mais recentemente, pelo STF.  O  7º,  XI  da  constituição  traz  imunidade  em  prol  das  participações nos  lucros e resultados, especialmente no que diz  respeito  à  incidência  previdenciária.  Ao  elidir  a  natureza  salarial,  há,  implicitamente,  o  afastamento  de  qualquer  contribuição para financiamento da previdência social.   Trata­se de imunidade, pois é norma constitucional que limita as  possibilidades  de  imposição  securitária,  delineando  o  campo  impositivo  genericamente  fixado  na  Constituição.  É  uma  regra  negativa de competência tributária.  (...)  É,  portanto,  imunidade  específica,  subjetiva  e  condicionada.  Subjetiva  pela  titularidade  do  direito  a  trabalhadores  Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.552          35 empregados e avulsos; condicionada por carecer de atendimento  a requisitos fixados em lei.   A  maior  e  mais  importante  questão  é  sobre  a  natureza  condicionada da imunidade. É certo que a lei não poderá reduzir  o alcance ou mudar o  sentido do preceito constitucional. Ao se  demandar  lei  visando  a  consolidação  de  critérios  para  a  aplicação das normas de intributabilidade das participações nos  lucros  e  resultados,  não  se  está,  como  possa  parecer,  condicionando  o  gozo  do  preceito  constitucional  aos  anseios  e  paixões do legislador ordinário, mas somente delegando a este,  em  limitada  margem  de  ação,  o  estabelecimento  de  requisitos  formais da matéria."  A regulamentação deste dispositivo constitucional começou em 1994, através  de Medidas  Provisórias,  num  total  de  77  reedições,  até  o  surgimento  da  Lei  nº  10.101,  de  19/12/2000. Confira­se a evolução legislativa da matéria:  ­ Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994 ­ Reedições.  ­ MP nº 860, 915, 955, 980, 1006, 1.029, 1.051, 1.077, 1.104, 1.136, 1.169,  1.204, 1.239, 1.276, 1.315, 1.355, 1.397, 1.439, 1.487.  ­ MP nº 1.487­20, e reedições.  ­ MP nº 1.539, e reedições.  ­ MP nº 1.539­27, e reedições.  ­ MP nº 1.619­39, de 12 de dezembro de 1997, e reedições.  ­ MP nº 1.698­46, de 30 de junho de 1998, e reedições.  ­ MP nº 1.769­52, de 14 de dezembro de 1998, e reedições.  ­ MP nº 1.878­59, de 29 de junho de 1999, e reedições.  ­ MP nº 1.982­65, de 10 de dezembro de 1999, e reedições.  ­ Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000.  Por relevante, saliento que O Supremo Tribunal Federal ao apreciar questão  em  que  se  discutia  se  era  possível  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  parcelas  pagas a título de participação nos lucros ou resultados entre a vigência da Constituição Federal  e a Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, concluiu peremptoriamente que o  exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal somente começou com  a edição da lei prevista para regulamentá­lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994 (RE  398284, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008, DJe­ 241 DIVULG 18­12­2008 PUBLIC 19­12­2008 EMENT VOL­02346­09 PP­02087 RTJ VOL­ 00208­03 PP­01221):  "Participação  nos  lucros.  Art.  7°,  XI,  da Constituição Federal.  Necessidade de lei para o exercício desse direito.  Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   36 1.  O  exercício  do  direito  assegurado  pelo  art.  7°,  XI,  da  Constituição  Federal  começa  com  a  edição  da  lei  prevista  no  dispositivo  para  regulamentá­lo,  diante  da  imperativa  necessidade de integração.  2.  Com  isso,  possível  a  cobrança  das  contribuições  previdenciárias  até  a  data  em  que  entrou  em  vigor  a  regulamentação do dispositivo.  3. Recurso extraordinário conhecido e provido."  No mesmo  sentido  o RE 380636,  em que mais  uma vez  concluiu­se  que  a  participação nos lucros somente pode ser considerada "desvinculada da remuneração" (art. 7º,  XI,  da  Constituição  Federal)  após  a  edição  da  citada  Medida  Provisória  nº  794,  de  1994,  entendendo ser possível a cobrança de contribuição previdenciária antes da regulamentação do  dispositivo constitucional, pois integrava a remuneração:  "DECISÃO:  Trata­se de recurso extraordinário fundado no art. 102, III, "a",  da  Constituição  Federal,  contra  acórdão  assim  ementado  (fl.  82):  "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  ­ PARTICIPAÇÃO NOS  LUCROS  ­  NATUREZA  NÃO  SALARIAL  ­  INCIDÊNCIA  ­  IMPOSSIBILIDADE ­ RECURSO DESPROVIDO.  1  ­  A  interpretação  sistemática  da  Constituição  e  a  própria  legislação superveniente que regulamentou seu art. 7o, XI, levam  à conclusão de que a parcela paga a título de participação nos  lucros  da  empresa  não  possui  caráter  salarial,  sendo  inadmissível a incidência de contribuição previdenciária.   2 ­ Apelação desprovida." Alega­se violação ao artigo 7o, XI, da  Carta Magna.  Sustenta­se  que  a  eficácia  do  citado  dispositivo  constitucional  somente  ocorreu  a  partir  da  edição  da  Medida  Provisória no 794, de 29 de dezembro de 1994.   O  Subprocurador­Geral  da  República,  Dr.  Eitel  Santiago  de  Brito  Pereira,  manifestou­se  pelo  provimento  do  recurso  extraordinário,  em  parecer  no  qual  restou  assentado  (fl.  111/112):  "[...].  A  tese  esposada  no  decisório  combatido  diverge  da  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Confira­se,  a  propósito, a seguinte decisão do Ministro Eros Grau:   '...Cuida­se  de  ação  anulatória  em  que  o  Banco  do  Brasil  insurge­se contra a exigência da cobrança de crédito tributário  (contribuições previdenciárias),  incidentes sobre a participação  dos empregados nos lucros da empresa, no período de fevereiro  e setembro de 1993 e março de 1994.  2.  O  juízo  de  primeira  instância  julgou  procedente  o  pedido  formulado na inicial e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região  negou  provimento  ao  recurso  de  apelação  apresentado  pela  autarquia  federal, por entender que o preceito do artigo 7º, XI,  da  Constituição  do  Brasil,  que  assegura  a  participação  dos  empregados  nos  lucros  da  empresa,  desvinculada  da  Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.553          37 remuneração, é norma que contém eficácia plena e imediata, vez  que a  lei que vier a  ser editada para disciplinar a matéria não  poderá vincular o produto da participação dos empregados nos  lucros à remuneração desses (fl. 209).  3.  Contra  essa  decisão  foi  interposto  o  presente  recurso  extraordinário  em  que  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  sustenta a violação do disposto no artigo 7º, XI, da Constituição,  uma  vez  que  o  preceito  que  assegura  a  participação  dos  empregados  no  lucro  das  empresas  não  é  norma  de  eficácia  limitada  e,  conseqüentemente,  não  prescinde  da  edição  de  lei  que  venha  implementar  a  concretização  do  seu  comando  normativo,  o  que  somente  ocorreu  com  a  edição  da  Medida  Provisória n. 794, de 29.12.1994.   4. Procedem as alegações da recorrente. Conforme se infere dos  votos proferidos no Mandado de Injunção 102­PE, Plenário, DJ  de  25.10.2002,  Redator  para  o  acórdão  o  Ministro  Carlos  Velloso, somente com a superveniência da Medida Provisória n.  794,  sucessivamente  reeditada,  foram  implementadas  as  condições  indispensáveis  ao  exercício  do  direito  dos  trabalhadores no lucro das empresas. Dessa maneira, embora o  inciso XI do artigo 7º da Constituição assegurasse o direito dos  empregados à participação nos lucros da empresa e previsse que  essa parcela ­­­ participação nos lucros ­­­ é algo desvinculado  da remuneração, o exercício desse direito não prescindia de lei  disciplinadora  que  definisse  o  modo  e  os  limites  de  sua  participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer  para  fins  tributários,  quer  para  fins  de  incidência  de  contribuição previdenciária...'."  De fato, nos termos do entendimento firmado por esta Corte no  julgamento  do  Mandado  de  Injunção  102,  Plenário,  Redator  para  o  acórdão  Carlos  Velloso,  DJ  25.10.02,  é  de  se  concluir  que  a  regulamentação  do  art.  7o,  XI,  da Constituição  somente  ocorreu  com a  edição  da Medida  Provisória  no  794,  de  1994,  que  implementou  o  direito  dos  trabalhadores  na  participação  nos lucros da empresa.   Desse  modo,  a  participação  nos  lucros  somente  pode  ser  considerada  "desvinculada  da  remuneração"  (art.  7o,  XI,  da  Constituição  Federal)  após  a  edição  da  citada  Medida  Provisória.  Portanto,  verifica­se  ser  possível  a  cobrança  de  contribuição  previdenciária  antes  da  regulamentação  do  dispositivo constitucional, pois  integrava a remuneração. Nesse  sentido,  monocraticamente,  o  RE  351.506,  Rel.  Eros Grau, DJ  04.03.05.  Assim, conheço e dou provimento ao recurso extraordinário (art.  557,  §  1o­A,  do  CPC)  para  reconhecer  a  exigência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  parcela  paga  a  título  de  participação nos lucros da empresa no período anterior à edição  da Medida Provisória no 794, de 1994. Publique­se. Brasília, 13  de outubro de 2005. Ministro GILMAR MENDES Relator  Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   38 (RE  380636,  Relator(a):  Min.  GILMAR  MENDES,  Decisão  Proferida  pelo(a)  Ministro(a)  GILMAR  MENDES,  julgado  em  13/10/2005, publicado em DJ 24/10/2005 PP­00057)"   Sobre a amplitude do termo "trabalhadores" contido no caput do art. 7º da CF  "São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua  condição social", que diz respeito aos chamados direitos sociais do trabalhador, verifica­se que  as  garantias  inseridas  em  seus  incisos,  em  verdade,  definem  a  estrutura  básica  do  modelo  jurídico decorrente de relação de emprego. Neste sentido  leciona Gilmar Ferreira Mendes,  in  Direitos Fundamentais e Controle de Constitucionalidade ­ Estudos de Direito Constitucional,  4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012:  "6.1.3.1. Dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais   A  Constituição  contempla  um  leque  bastante  diferenciado  de  normas referentes aos chamados direitos sociais do trabalhador.  Não são poucas as disposições que regulam as bases da relação  contratual  e  fixam  o  estatuto  básico  do  vínculo  empregatício,  conferindo destaque para situações especiais.   É  notório  que  a  Constituição  procurou  estabelecer  limites  ao  poder de conformação do legislador e dos próprios contratantes  na conformação do contrato de trabalho."  A lei a que se refere o dispositivo constitucional,  também, é referida na Lei  de  Custeio  da  previdência  Social,  pelo  art.  28,  §  9º,  alínea  j,  da  Lei  nº  8.212/91,  que  expressamente exclui a participação nos lucros ou resultados da empresa da base de cálculo das  contribuições previdenciárias, quando paga de acordo com a lei específica, in verbis:  "Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei, exclusivamente:   (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  (...)".  A teor do que dispõe a Constituição Federal, o art. 7º, inciso XI, constata­se  que a Lei nº 10.101, de 2000, que resulta da conversão da MP nº 794, de 1994 e suas reedições,  ao  regulamentar  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  como  instrumento de  integração entre o capital  e o  trabalho e como  incentivo à produtividade, nos  termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição, de forma expressa demonstra que a participação  nos lucros ou resultados é inerente aos trabalhadores com vínculo empregatício:  "Art.2oA  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  (...)  Fl. 3732DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.554          39 Art.3oA  participação  de  que  trata  o  art.  2o  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem  constitui  base  de  incidência  de  qualquer  encargo  trabalhista,  não se lhe aplicando o princípio da habitualidade."  (grifei)  Assim  sendo,  há  de  se  concluir  que:  i)  a  imunidade  de  contribuições  previdenciárias, prevista no art. 7º, inciso XI da CF, é destinada aos trabalhadores com vínculo  empregatício; e ii) o exercício do gozo da imunidade de contribuições previdenciárias, prevista  no art. 7º, inciso XI da CF, somente se efetivou com a edição da lei mencionada no dispositivo  para regulamentá­lo, no caso, a Medida Provisória nº 794, de 1994.  O art. 152 e parágrafos da Lei n° 6.404, de 1976 disciplina a participação no  lucro atribuída a administradores, nos seguintes termos:  “Art.  152.  A  assembléia­geral  fixará  o  montante  global  ou  individual  da  remuneração  dos  administradores,  inclusive  benefícios  de  qualquer  natureza  e  verbas  de  representação,  tendo  em  conta  suas  responsabilidades,  o  tempo  dedicado  às  suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor  dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório  em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode  atribuir  aos  administradores  participação  no  lucro  da  companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração  anual  dos  administradores  nem  0,1  (um  décimo)  dos  lucros  (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor.  §  2º  Os  administradores  somente  farão  jus  à  participação  nos  lucros do exercício social em relação ao qual  for atribuído aos  acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202.”  Entretanto, não considero que o art. 152 e seus parágrafos da Lei n° 6.404, de  1976 tenham o condão de regulamentar a imunidade de contribuições previdenciárias, prevista  no art. 7º, inciso XI da CF. Justamente porque o dispositivo regula parcelas de participação no  lucro  da  companhia  para  diretores  sem  vínculo  empregatício  e,  conforme  já  concluímos,  a  imunidade de contribuições previdenciárias,  prevista no  art.  7º,  inciso XI da CF,  é destinada  somente aos trabalhadores com vínculo empregatício.  Outrossim,  também  não  compartilho  do  entendimento  de  que  deva  ser  afastada  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  pagos  aos  diretores/administradores  contribuintes  individuais  em  decorrência  do  entendimento de que há ausência de vinculação do pagamento entre Empregado x Empregador,  mas, sim, decorrente da relação entre Acionistas x Diretores/Administradores.  A  Constituição  Federal,  sobre  o  financiamento  da  Previdência  Social,  preceitua, que dente outras fontes, a seguridade social será financiada por contribuições sociais  do trabalhador e dos demais segurados da previdência social e do empregador, da empresa e da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre  a  folha  de  salários  e  demais  Fl. 3733DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   40 rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste  serviço, mesmo sem vínculo empregatício (art. 195, I, “a” e II)  Por seu turno, o legislador elegeu a remuneração como elemento nuclear na  definição  do  elemento  quantitativo  do  fato  gerador  das  contribuições  sociais  previdenciárias  (art. 22, I, II e III da Lei nº 8.212/91).  Especificamente,  com  relação a hipótese de  incidência,  constitucionalmente  prevista,  incidentes sobre os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer  título, à pessoa física que lhe preste serviço sem vínculo empregatício, temos sua previsão legal  insculpida no art. 22, III e 28, III da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos.  "Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestem  serviços;  (Incluído  pela Lei nº 9.876, de 1999). "   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  III ­ para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999)."   Note­se  que  a  incidência  restringir­se­á  às  hipóteses  nas  quais  as  parcelas  pagas  ou  creditadas  destinem­se  a  retribuir  o  trabalho  Portanto,  a  incidência  tributária  das  contribuições  sociais  previdenciárias  está  restrita  as  importâncias  destinadas  a  retribuir  o  trabalho, ou seja, que venham a caracterizar­se como remuneração.  No  presente  caso  resta  evidente  que  o  pagamento  realizado  a  título  de  participação  nos  lucros  a  diretores  estatutários  decorre  da  prestação  de  serviço  sem  vínculo  empregatício, inserido no conceito de remuneração.  O fato de a assembléia geral ­ que tem poderes para decidir todos os negócios  relativos ao objeto da companhia e tomar as resoluções que julgar convenientes à sua defesa e  desenvolvimento  (art.  121  da  Lei  n°  6.404,  de  1976)  ­  deliberar  sobre  a  concessão  de  participação aos diretores estatutários não tem o condão de desnaturar a relação jurídica laboral  existente entre empresa e prestador de serviço sem vínculo empregatício, tampouco a natureza  remuneratória da verba paga.  Ademais, adentrando­se na esfera contábil verifica­se que a demonstração do  resultado do exercício discriminará ­ antes da apuração do lucro do exercício e o seu montante  por ação do capital social (art. 187 da Lei n° 6.404, de 1976) e, ainda, de acordo com o art. 191  da  Lei  n°  6.404,  de  1976,  o  lucro  líquido  do  exercício  é  o  resultado  do  exercício  que  remanescer  depois  de  deduzidas  as  participações  de  que  trata  o  artigo  190,  que  inclui  a  participação dos administradores, in verbis:  "Art.  187.  A  demonstração  do  resultado  do  exercício  discriminará:  Fl. 3734DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.021486/2008­81  Acórdão n.º 9202­003.196  CSRF­T2  Fl. 3.555          41  I  ­  a  receita  bruta  das  vendas  e  serviços,  as  deduções  das  vendas, os abatimentos e os impostos;   II  ­  a  receita  líquida  das  vendas  e  serviços,  o  custo  das  mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;   III  ­  as  despesas  com  as  vendas,  as  despesas  financeiras,  deduzidas  das  receitas,  as  despesas  gerais  e  administrativas,  e  outras despesas operacionais;   IV ­ o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não  operacionais  e o  saldo da conta de correção monetária  (artigo  185, § 3º);  IV ­ o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não  operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995)   IV­o  lucro  ou  prejuízo  operacional,  as  outras  receitas  e  as  outras despesas; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449,  de 2008)   IV  –  o  lucro  ou  prejuízo  operacional,  as  outras  receitas  e  as  outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)   V ­ o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a  provisão para o imposto;   VI  ­  as  participações  de  debêntures,  empregados,  administradores  e  partes  beneficiárias,  e  as  contribuições para  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados;   VI  –  as  participações  de  debêntures,  de  empregados  e  administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e  de  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados,  que  não  se  caracterizem como despesa;  (Redação  dada pela Lei nº 11.638,de 2007)   VI­as participações de debêntures, empregados, administradores  e  partes  beneficiárias,  mesmo  na  forma  de  instrumentos  financeiros,  e  de  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados,  que  não  se  caracterizem  como  despesa;  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)   VI  –  as  participações  de  debêntures,  empregados,  administradores  e  partes  beneficiárias,  mesmo  na  forma  de  instrumentos  financeiros,  e  de  instituições  ou  fundos  de  assistência  ou  previdência  de  empregados,  que  não  se  caracterizem como despesa;  (Redação dada pela Lei nº 11.941,  de 2009)   VII ­ o  lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante  por ação do capital social.  (...)  Fl. 3735DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA   42 Participações  Art.  190.  As  participações  estatutárias  de  empregados,  administradores  e  partes  beneficiárias  serão  determinadas,  sucessivamente  e  nessa  ordem,  com  base  nos  lucros  que  remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente  calculada.   Parágrafo único. Aplica­se ao pagamento das participações dos  administradores  e  das  partes  beneficiárias  o  disposto  nos  parágrafos do artigo 201.  Lucro Líquido   Art.  191. Lucro  líquido do exercício  é o  resultado do exercício  que  remanescer  depois  de  deduzidas  as  participações  de  que  trata o artigo 190."  Destarte,  há  de  se  concluir  que  as  verbas  pagas  pela  empresa  aos  seus  diretores  estatutários  a  título  de  participação  nos  lucros  subsumem­se  ao  conceito  de  remuneração, portanto, sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias.  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte, para declarar a decadência argüida e afastar  a  tributação sobre as parcelas PLR  relativo ao PL1 e PL2 e ao abono único, mantendo­se incólume a tributação sobre as parcelas  pagas a título de participação nos lucros aos diretores estatutários.    (Assinado digitalmente)  Elias Sampaio Freire                      Fl. 3736DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE , Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 11080.918359/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 3          2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 4          3    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª.  Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte,  sendo  indeferida a restituição pleiteada.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim relatou os fatos:    “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade  contra  Despacho Decisório  emitido  eletronicamente  pela  DRF  de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela  empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência  de valores de indébito.  Inconformada, insurge­se alegando que foi solicitada restituição  da  contribuição  porque  houve  a  tributação  sobre  receitas  financeiras,  conforme  declarado  em  DACON,  na  ficha  demais  receitas  e  na  ficha  contribuição  a  pagar,  refletindo  na  DCTF  mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos  financeiros do período.  Estas  receitas  financeiras  não  seriam  componentes  da  base  de  cálculo  da  contribuição  (PIS  ou  Cofins)  cumulativa,  pois  o  art.79,  inciso  XII  da  Lei  11.941,  de  27/05/2009,  com  efeito  a  partir de sua publicação, excluiu­as do conceito de faturamento  (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da  contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.”    A manifestação  de  inconformidade,  embora  denominada  de  “impugnação”,  foi  conhecida  pela  DRJ  de  origem,  sendo  julgada  improcedente.  O  acórdão  da  DRJ/POA  possui a seguinte ementa:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS.  A comprovação de  liquidez e certeza do crédito solicitado, nos  termos  do  art.165  e  170  do  Código  Tributário  Nacional,  é  obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar,  de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina  o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil.  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 5          4   Inconformada com a  improcedência da  impugnação, a contribuinte interpôs,  recurso  a  qual  denominou  de  “Impugnação”,  onde  em  suas  razões,  requer  seja  concedido  o  pedido de  restituição. Apresenta  junto com o  recurso os  seguintes documentos para provar o  seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período.  É o sucinto relatório.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    O  recurso voluntário,  embora denominado pela  recorrente de “impugnação”  foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade.  Portanto, dele conheço, aplicando­se ao caso o princípio da fungibilidade recursal.    A  recorrente  alega  suas  razões  já  expostas  na  manifestação  de  inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais  sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período.    Analisando­se  os  documentos  juntados,  verifica­se  na  DACON  do  período  que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao  considerado  como  “receita  financeira  (aplicações  financeiras)”,  conforme  Demonstrativo  de  cálculo da PIS.    Ainda,  ao  realizar  a  análise  dos  rendimentos  obtidos  pela  recorrente  no  período,  através  dos  extratos  de movimentação  bancária  anexados  aos  autos,  verifica­se  que  aqueles  são  idênticos  ao  declarados  na  DACON  e  no  Demonstrativo  de  cálculo,  havendo  portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que  somadas coincidem com o valor a restituir.    Assim,  tem­se  que  a  recorrente  traz  prova  suficiente  para  comprovar  o  seu  direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados  em  recurso  voluntário  devem  ser  recebidos  como  prova  do  alegado,  inclusive  conforme  determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.     Necessário  ainda  destacar  que  o  pedido  de  restituição  elaborado  pela  contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal,  quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º  da  Lei  9.718,  sendo  possível,  consoante  restou  decidido  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (Acórdão  9303­002.763,  3ª.  Turma,  sessão  de  21  de  janeiro  de  2014),  sua  aplicação  pelas autoridades  julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela  decisão do STF, consoante disposição do art. 26­A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art.  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918359/2012­51  Acórdão n.º 3801­003.506  S3­TE01  Fl. 7          6 26 da Lei 11.941. Registra­se ainda que a norma  tida como inconstitucional pelo STF já  foi,  inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.    É  importante  consignar  que  compete  a  autoridade  administrativa,  com base  na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.     Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto pela interessada para  reconhecer o direito à  restituição dos pagamentos a maior da  contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da  Lei nº 9.718/1998.    É assim que voto.    Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 10680.726869/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INEXISTENTE. FALTA DE CONTESTAÇÃO. A falta de contestação do fundamento utilizado para a não homologação da Dcomp prejudica a apreciação e julgamento das demais razões mérito expendidas no recurso voluntário. DÉBITOS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A apreciação e julgamento da incidência de multa de mora, na extinção de débitos tributário, mediante Dcomp não homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos cuja compensação não foi homologada, ficou prejudicada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO INEXISTENTE. FALTA DE CONTESTAÇÃO. A falta de contestação do fundamento utilizado para a não homologação da Dcomp prejudica a apreciação e julgamento das demais razões mérito expendidas no recurso voluntário. DÉBITOS. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A apreciação e julgamento da incidência de multa de mora, na extinção de débitos tributário, mediante Dcomp não homologada, sob o argumento de que ocorreu a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos cuja compensação não foi homologada, ficou prejudicada. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Possas,  Mônica  Elisa  de  Lima,  José  Adão  Vitorino  de  Morais,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  da  DRJ  em  Belo  Horizonte  (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho  decisório que não homologou a compensação dos débitos tributários declarados na Declaração  de Compensação  (Dcomp)  nº  39731.77768.310807.1.3.04­0040,  às  fls.  35/40,  transmitida  na  data de 31/08/2007, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior do  PIS não cumulativo, efetuado em 15/07/2004.  A não homologação decorreu da inexistência do crédito financeiro declarado,  tendo  em  vista  que  o  valor  constante  do  DARF  indicado  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outros  débitos,  não  restando  saldo  disponível  para  a  compensação  declarada,  conforme Despacho Decisório às fls. 32, datado de 07/10/2009.  Intimada  daquele  despacho,  a  recorrente  interpôs  manifestação  de  inconformidade,  insistindo  na  homologação  da  compensação,  alegando,  em  síntese,  a  ocorrência da denúncia espontânea para os débitos declarados e compensados, o que afasta a  incidência de multa de mora.  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente, conforme Acórdão nº 02­46.467, datado de 29/07/2013, às fls. 231/236, sob as  seguintes ementas:  “COMPENSAÇÃO.  MULTA  DE  MORA.  TRIBUTOS  DA  MESMA ESPÉCIE.  O  aproveitamento  do  pagamento  a  maior  de  um  débito  para  extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz  por  compensação,  incidindo,  portanto,  os  acréscimos  legais  devidos na compensação após o vencimento do débito.  COMPENSAÇÃO.  MULTA  DE  MORA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  Não  se  considera  ocorrida  a  denúncia  espontânea,  quando  o  contribuinte  compensa  o  débito  mediante  apresentação  de  DCOMP.”  Cientificada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (242/251),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  se  homologue  a  compensação  declarada  alegando,  em  síntese,  “que  os  débitos  foram  quitados,  ainda  que  em  atraso,  na modalidade  compensação, mas nos exatos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, operando­se  a Denúncia Espontânea da suposta infração, o que afasta a exigência da multa, qualquer que  seja,  devendo  o  tributo  ser  recolhido  apenas  com  acréscimo  dos  juros  de  mora,  como  foi  efetivamente efetuado”.  É o relatório.    Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.726869/2011­91  Acórdão n.º 3301­002.214  S3­C3T1  Fl. 275          3 Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  Ao  contrário  do  alegado  pela  recorrente,  em  seu  recurso  voluntário  às  fls.  243, a Delegacia de Julgamento não reconheceu o crédito financeiro declarado na Per/Dcomp,  tanto é que não a homologou.  A  não  homologação  da  Dcomp  teve  como  fundamento  a  inexistência  do  crédito  financeiro  declarado  e  não  a  imputação  de  multa  de  mora  aos  débitos  declarados,  conforme entendimento da recorrente.  De  acordo  com  o  despacho  decisório,  o  valor  indicado  no  DARF  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  do  próprio  PIS  (6912)  referente  à  competência  de  junho  de  2004  e  débito  declarado  na  Dcomp  nº  29874.70340.171104.1.3.04.3748,  não  remanescendo valor algum passível de compensação.  Como,  nesta  fase  recursal,  a  recorrente  restringiu  sua  discordância  à  imputação  de  multa  de  mora  sobre  débitos  declarados,  sob  o  argumento  de  que  ocorreu  a  denúncia  espontânea,  nos  termos do CTN,  art.  138,  a  apreciação e  julgamento desta matéria  ficou  prejudicada  porque,  conforme  demonstrado  e  provado  nos  autos,  a  autoridade  administrativa  não  homologou  a Dcomp  em  discussão  sob  o  fundamento  de  inexistência  do  crédito financeiro utilizado e não por imputação de multa de mora.  Também, como não houve compensação, não há que se falar em imputação  de  multa  de  mora.  Esta  somente  será  exigida,  na  liquidação  efetiva  dos  débitos,  mediante  pagamento ou compensação com crédito financeiro líquido e certo contra a Fazenda Nacional.  A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996,  está  condicionada  à  certeza  e  liquidez  do  crédito  financeiro  utilizado.  No  presente  caso,  conforme  demonstrado  no  despacho  decisório,  inexiste  o  crédito  financeiro  declarado  na  Dcomp.  A  recorrente,  em  seu  recurso  voluntário,  não  contestou  aquela  alegação,  se  limitando a invocar a denúncia espontânea dos créditos tributários correspondentes aos débitos  declarados.  Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão.  Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator              Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4                   Fl. 308DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 10980.013463/2005-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, o próprio Fisco, na autuação, atesta a existência de recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN.
Numero da decisão: 9202-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente)) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10980.013463/2005­11  Recurso nº  171.183   Voluntário  Acórdão nº  9202­003.140  –  2ª Turma   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN)  Recorrida  SIDNEI OSMAR TARGINO DE AZEVEDO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2000  IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE  PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  REGIDO  PELO  §  4°,  ART.  150,  DO  CTN.  RENDIMENTOS  SUJEITOS  AO  AJUSTE  ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.  Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa  no  CTN  a  ser  utilizada  deve  ser  a  prevista  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN,  conforme  inteligência da determinação do Art. 62­A, do Regimento  Interno  do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de  Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.  No  presente  caso,  o  próprio  Fisco,  na  autuação,  atesta  a  existência  de  recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no §  4º, Art. 150, do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.               AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 34 63 /2 00 5- 11 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2   (assinado digitalmente))  Marcos Aurélio Pereira Valadão  Presidente        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (Presidente  em  exercício),  Rycardo  Henrique  Magalhaes  de  Oliveira,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo,  Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.          Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.013463/2005­11  Acórdão n.º 9202­003.140  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  divergência,  fls.  0134,  interposto  pela  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional  (PGFN)  contra  acórdão,  fls.  0119,  que  decidiu  dar  provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguntes termos:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Exercício: 2000  DECADÊNCIA ­ Nos casos de lançamento por homologação, o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0  fato  gerador  do  IRPF,  tratando­se  de  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual,  se  perfaz  em  31  de  dezembro  de  cada  ano­ calendário.  Não  ocorrendo  a  homologação  expressa,  o  crédito  tributário  é  atingido  pela  decadência  após  cinco  anos  da  ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40 do CTN).  Preliminar de decadência acolhida.  Recurso provido.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  acolher  a  argüição  de  decadência  suscitada  pelo  Recorrente,  para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o  crédito tributário em questão.  Em síntese, o litígio em questão versa sobre qual regra decadencial expressa  no CTN deve ser aplicada ao lançamento.  Em  seu  recurso  especial  a  PGFN  alega,  em  síntese,  que,  ao  contrário  do  acórdão recorrido, deve ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no Art. 173 do CTN,  pois não há recolhimentos a homologar, solicitanDo, ao final, acolhimento e provimento de seu  recurso.  Por despacho, fls. 0145, deu­se seguimento ao recurso especial.  O  sujeito  passivo  –  devidamente  intimado –  apresentou  suas  contra  razões,  fls. 0152, defendendo, em síntese, que a decisão recorrida seja mantida.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     4   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  –  recurso  tempestivo  e  divergência confirmada e não reformada ­ conheço do Recurso Especial e passo à análise de  suas razões recursais.  O cerne da questão  sobre  a decadência  é  a discussão  sobre qual das  regras  decadenciais,  presentes  no  CTN,  aplicar­se­á,  a  expressa  no  §  4°,  Art.  150  do  CTN,  como  decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN.  Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois  não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento.  Creio que já temos resposta sobre esta dúvida.  O  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  através  de  alteração  promovida  pela  Portaria  do  Ministro  da  Fazenda  n.º  586,  de  21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que  “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código  de Processo Civil, deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62­A  do anexo II).  No  que  diz  respeito  a  decadência  dos  tributos  lançados  por  homologação  temos  o  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0),  julgado  em  12  de  agosto  de  2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que  teve o Acórdão submetido ao regime do artigo  543­C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL  .ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.013463/2005­11  Acórdão n.º 9202­003.140  CSRF­T2  Fl. 4          5 julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC  definiu  que  “o  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     6 Cabe  destacar  que  na  análise  dos  autos  encontramos  valores  recolhidos  no  período que importa para a definição da regra, fls. 015  Portanto,  deve  ser  aplicada  ao  caso  a  regra  esculpida  no  §  4º, Art.  150  do  CTN, conforme decidido no acórdão recorrido.  CTN:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  ...  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Em face do exposto, é de se concluir que, no caso concreto, o fato gerador do  imposto em questão teria se dado em 31 de dezembro do ano­calendário de 1999.  Nesse contexto, tem­se que o interessado tomou ciência do Auto de Infração  questionado quando já havia se expirado o prazo decadencial relativo à declaração do exercício  financeiro de 2000 (ano­calendário 1999), haja vista que a data limite do interstício decadencial  ocorreu  em  31/12/2004  e  a  regular  ciência  da  exação  contestada  só  se  deu  em  05/10/2005,  conforme, fls. 084.  CONCLUSÃO:   Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre  PGFN, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                            Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10980.013463/2005­11  Acórdão n.º 9202­003.140  CSRF­T2  Fl. 5          7     Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10660.905862/2011-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 164          1 163  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10660.905862/2011­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.024  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de abril de 2014  Matéria  PIS ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE  MOTORES DO BRASIL LTDA.)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001  INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não  infirmada com documentação hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 62 /2 01 1- 71 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 165          2 Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição  à  decisão  da  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição.  O  contribuinte  havia  transmitido  Pedido  de  Restituição  (PER)  referente  a  crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$  18.392,76.  Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a  restituição  pleiteada,  pelo  fato  de  que  o  pagamento  declarado  no  PER  já  havia  sido  integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da  restituição  pleiteada,  alegando  que  o  indébito  reclamado  decorria  do  reconhecimento  pelo  Supremo Tribunal Federal  (STF) da  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo  da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  Reportando­se  aos  princípios  da  verdade  material  e  da  moralidade  administrativa,  requereu  a  realização  de  diligências  e  perícias,  para  fins  de  se  confirmar  o  crédito pleiteado.  Junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos  societários  e  de  representação,  assim  como  cópias  do  despacho  decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada.  A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando  sua  decisão  (i)  na  inaplicabilidade,  no  presente  caso,  da  decisão  exarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  em  sede  de  recurso  extraordinário,  (ii)  na  incompetência  da  Administração  tributária para  se manifestar  sobre ofensa  a princípios  constitucionais,  (iii)  na  ausência  de  eficácia  normativa  da  doutrina  e  da  jurisprudência  administrativa  e  judicial  colacionadas  na  peça  recursal,  (iv)  na  ausência  de  nulidade  no  despacho  decisório  e  (v)  na  desnecessidade de realização de diligências e perícias.  Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso,  não  foram  trazidos  ao  processo,  quaisquer  elementos  que  viessem  a  comprovar  o  direito  alegado  e  mais,  a  legislação  tributária,  determina  que  juntamente  com  a  manifestação  de  inconformidade  devem  ser  apresentadas  as  provas  que  fundamentem  de  modo  concreto  e  veemente  a  discordância  da  contribuinte  do  entendimento  adotado  pela  administração,  precluindo seu direito de fazê­lo em outro momento processual”.  Cientificado  do  acórdão  da  DRJ  Juiz  de  Fora/MG  em  23  de  dezembro  de  2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  e  de  deferimento  integral  da  restituição,  repisando os mesmos argumentos de defesa.  Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria  ter  avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados  esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que  teve­se por configurado cerceamento do seu direito de defesa.  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 166          3 Ressaltou,  também,  que  a  inobservância  da  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF  acerca  do  alargamento  da  base  de  cálculo  da  contribuição  promovido  pela  Lei  nº  9.718,  de  1998,  “representa  inegável  afronta  à Constituição  Federal  e  negativa  de  prestação  administrativa”.  Junto  ao  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias  de  documentos societários e de representação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido  pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a  outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG.  De  início,  registre­se  que,  para  se  apreciarem  pleitos  da  espécie,  não  basta  que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que  os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total  inviabilidade da apreciação do pedido.  Não  há  dúvidas  que  este  Colegiado,  por  força  do  contido  no  art.  62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  encontra­se  obrigado  a  reproduzir  decisões  definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral  (art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC),  mas  desde  que  comprovada,  com  documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo  apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional.  No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos  autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada,  documentos  esses  insuficientes  à  comprovação  do  indébito,  dado  que  desacompanhados  de  qualquer elemento da escrituração contábil­fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim,  consistentes em prova hábil e idônea.  Destaque­se que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira  instância  administrativa,  não  são  identificadas  as  outras  receitas,  além  do  faturamento,  que  teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal.  Para  decidir  acerca  do  pedido  de  reconhecimento  do  direito  creditório  decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento,  em  razão  da  inconstitucionalidade do  art.  3º,  §  1º,  da Lei  nº  9.718,  de  1988,  este Colegiado  necessita,  além  de  conhecer  os  valores  envolvidos  nas  operações  mercantis,  como  o  faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na  contabilidade da pessoa jurídica.  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 167          4 Em  processos  da  espécie  ao  ora  analisado,  a  falta  da  devida  instrução  dos  autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem,  dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de  efetiva  existência  do  direito  creditório  pleiteado,  isso  em  conformidade  com  os  princípios  constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação  da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37,  caput, da Constituição Federal de 1988.  Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da  verdade  dos  fatos  pelo  julgador  administrativo  vai  além  das  provas  trazidas  aos  autos  pelo  interessado, nos  casos da espécie ao ora analisado, a prova encontra­se  em poder do próprio  sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo  a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus  da prova.  Mesmo depois de  ter sido alertado pelo  julgador administrativo de primeira  instância  acerca  da  necessidade  de  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  crédito  pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância.  Bastaria  que  o  interessado  tivesse  trazido  aos  autos  cópias  da  escrituração  contábil­fiscal abrangendo o período sob análise, observando­se as formalidades exigidas pela  legislação  tributária,  para  que  se  tivesse  por  configurado  o  início  de  prova  requerido  para  justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado.  Uma  simples  planilha  elaborada  pelo  próprio  interessado  não  supre  a  necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados.  A  não  apresentação  de  provas  dos  fatos  apontados  encontra­se  em  total  desacordo com a disciplina do art. 16,  inciso  III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis:  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de  1997)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905862/2011­71  Acórdão n.º 3803­006.024  S3­TE03  Fl. 168          5 Em  conformidade  com  o  excerto  supra,  tem­se  que  o  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o modifica,  extingue  ou  que  lhe  serve  de  impedimento,  devendo  prevalecer  a  decisão  administrativa  que  não  reconheceu  o  direito  creditório,  amparada  em  informações  declaradas  pelo  próprio  sujeito  passivo,  presentes  nos  sistemas  da  Receita  Federal,  informações  essas  não  infirmadas  com  documentação  hábil  e  idônea.  Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao  recurso, em razão da  ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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