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Numero do processo: 19311.720397/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 97 /2 01 1- 35 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720397/201135 Acórdão n.º 2301003.988 S2C3T1 Fl. 1.014 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 7, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO SETE. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. O Consórcio Sete que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidário pelo débito, também apresentou defesa, por sua empresa líder Himalaia Transportes S/A, alegando, em síntese, que sua responsabilização solidária pelo pagamento do crédito lançado é absurda, uma vez que o prestador jamais poderia responder juntamente com o tomador do serviço pelo débito correspondente à retenção de 11%, vez que ele responde somente pelos art. 22, da Lei 8.212/91. Enfatiza que o art. 31, da Lei 8.212/91 não criou novo tributo, mas apenas uma forma de antecipação de recolhimento da contribuição, de forma que o tomador de serviços é o responsável único pelo recolhimento que deixou de fazer ao não proceder a retenção. Sustenta que a substituição tributária introduzida pelo art. 31, da Lei 8.212/91 implica efetiva exclusão da responsabilidade do substituído. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.637, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 919), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada e a responsável solidária não se manifestaram. É o relatório. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720397/201135 Acórdão n.º 2301003.988 S2C3T1 Fl. 1.015 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra das empresas que compõem o Consórcio Sete e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720397/201135 Acórdão n.º 2301003.988 S2C3T1 Fl. 1.016 7 qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária Consórcio Sete. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Sete, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio Sete assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo Consórcio Sete se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720397/201135 Acórdão n.º 2301003.988 S2C3T1 Fl. 1.017 9 Assim, a forma como o Consórcio Sete foi remunerado pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Nesse sentido e, Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13639.000594/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PLANO DE SAÚDE. COBERTURA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. PRÓ-LABORE. SALÁRIO-CONTRIBUIÇÃO.
Se a cobertura do plano de saúde pago pela empresa não abrange a totalidade de seus empregados e dirigentes, o valor a ele relativo integra o salário-contribuição.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
Numero da decisão: 2302-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi, acompanharam pelas conclusões, porque entenderam que a concessão de plano de saúde sem o oferecimento a todos os segurados, integra o salário de contribuição.
LIEGE LACROIX THOMASI- Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR
EDITADO EM: 07/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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COBERTURA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. PRÓLABORE. SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. Se a cobertura do plano de saúde pago pela empresa não abrange a totalidade de seus empregados e dirigentes, o valor a ele relativo integra o salário contribuição. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 05 94 /2 01 0- 84 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Andre Luis Marsico Lombardi e Liege Lacroix Thomasi, acompanharam pelas conclusões, porque entenderam que a concessão de plano de saúde sem o oferecimento a todos os segurados, integra o salário de contribuição. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR EDITADO EM: 07/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ADRIANA SATO, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa, não declaradas em GFIP e não recolhidas para o período de 01/2008 a 12/2008. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a título de remunerações indiretas relativas ao pagamento de plano de saúde pago ao sócio Gilson Gervásio de Souza Júnior e seus dependentes. Segundo a fiscalização, a cobertura não abrange a totalidade dos empregados. Em atenção ao disposto na Lei n. 11.941/2009 e o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte [75%]. Cientificado da autuação em 26/10/2010, o Contribuinte apresentou impugnação [fls. 58/74] que, em síntese, alega: os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de plano de saúde não integram a remuneração dos segurados, base de cálculo da contribuição previdenciária, sob pena de ofensa aos artigos 195 da Carta Magna, 457 e 458, da CLT; e afirma ser unívoco o conceito de salário e remuneração expresso na CF/1988 para fins trabalhistas e previdenciários. Em 01/06/2011, a 5ª Turma da DRJ em Juiz de Fora prolatou acórdão que julgou procedente a autuação [fls. 84 e ss]. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000594/201084 Acórdão n.º 2302002.260 S2C3T2 Fl. 14 3 Intimado do decisum em 26/07/2011 [fl. 91], o sujeito passivo interpôs recurso voluntário tempestivo [17/08/2011] que reitera os argumento de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestiva a interposição e preenchidos os demais requisitos para conhecimento da peça recursal, passo ao exame das questões de mérito. Como dito acima, tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOP) relativo às contribuições previdenciárias da empresa, não declaradas em GFIP e não recolhidas para o período de 01/2008 a 12/2008. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a título de remunerações indiretas relativas ao pagamento de plano de saúde pago ao sócio Gilson Gervásio de Souza Júnior e seus dependentes. Segundo a fiscalização, a cobertura não abrange a totalidade dos empregados. Assim, depreendese da leitura da transcrição acima que o fisco está exigindo contribuições previdenciárias incidentes sobre “a remuneração paga a título de Assistência Médica a segurados empregados e diretores” por entender que a Assistência Médica concedida aos empregados, diretores e autônomos traduz em “verbas indiretas”, pois a cobertura não abrange todos os empregados e dirigentes da empresa. E sobre a questão, entendo que a tese da autoridade administrativa não merece prosperar conforme passarei a demonstrar. A norma legal de regência da matéria é o artigo 214, § 9º, inciso XVI, do Decreto n.º 3.048/99, que dispõe sobre a assistência médica não integrar o salário para fins de contribuição previdenciária, verbis: “Art. 214. Entendese por salário de contribuição: §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XVI – o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” 21. No mesmo sentido, encontramos disposição na Lei 8.212/91, artigo 28, §9º, alínea “q”: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” Desse moto, surge o primeiro entrave à exigência, qual seja, a ausência de norma legal autorizativa para a incidência da contribuição previdenciária almejada pelo Fisco, tendo em vista que somente a Lei pode criar ou extinguir obrigação tributária. É o que dispõe o art. 97, inciso I, do Código Tributário Nacional: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção;” Qualquer passo neste sentido não pode ser dado sem a devida observância do que dispõe o art. 5º, inciso II da Carta Política de 1988, que não aceita a possibilidade de criação de uma obrigação sem que a Lei assim o declare, conforme se transcreve: “Art. 5º (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei." O princípio da legalidade consubstancia garantia imanente ao Estado Democrático de Direito, e assegura que somente a lei, editada pelos órgãos legislativos competentes de acordo com o processo legislativo constitucional, pode criar direitos e obrigações. Importante ressaltar que a norma celetista expressamente excluiu da definição legal de salário a parcela referente ao segurosaúde e ao seguro de vida e de acidentes pessoais, inclusive sem o requisito de que a utilidade fosse oferecida à totalidade dos empregados. Senão vejamos: "Art. 458Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde, seguros de vida e de acidentes pessoais;” Fl. 83DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000594/201084 Acórdão n.º 2302002.260 S2C3T2 Fl. 15 5 No meu sentir, para os efeitos de recolhimento das contribuições sociais, a utilidade ora em questão não integra o salário de contribuição. Evidentemente que, em atendimento ao princípio da especificidade das normas, a lei trabalhista deve ser considerada sempre com muita cautela para que não invada a esfera do ordenamento legal previdenciário, notadamente no que se refere à cobrança de contribuições sociais. Ocorre que o conceito jurídico de salário não é originário do direito previdenciário, mas sim do direito trabalhista. Assim é que, para a exata definição de salário contribuição, foi que o art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91 utilizou a expressão ‘remuneração’, termo técnico advindo do direito do trabalho. Nesse sentido, peço licença para transcrever ementa de Acórdão da lavra da Juíza Tânia Terezinha Cardozo Escobar, do TRT da 4ª Região, que deu correto tratamento à questão: “GRATIFICAÇÃO NÃO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, DA LEI Nº 8.212/91. 1. Para definir o saláriodecontribuição, o art. 28, I, da Lei n.º 8.212/91, utiliza a expressão ‘remuneração’. Tratase de termo técnico próprio do Direito do Trabalho. Portanto, devemos entendêlo tal como formulado no campo desta ciência. E neste campo, remuneração é a soma das parcelas de natureza salarial com as gorjetas recebidas pelo empregado, conforme arts. 457 e 458 da CLT. Se a gratificação eventual paga pela empregadora aos seus empregados não é salário, também não é remuneração. Logo, não há incidência de contribuições previdenciárias. (..)” (AC 9504540686/PR) É dizer: para a incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a título de utilidade devese levar em conta o conceito construído pelo direito privado, por força do disposto no art. 110, do CTN. Este dispositivo traz uma relevante regra de conduta tributária ao dispor que "A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias". A rigorosa discriminação de campos materiais para o exercício da atividade tributária, tendo estatura constitucional, por si só já determina essa inalterabilidade. De maneira que a definição de cada instituto utilizada pela Carta Magna não pode ser manipulada pelo fiscal tão somente no afã de ampliar o campo de incidência tributária. Vejase que tal afirmação não resulta somente violação da regra escrita no art. 110, do CTN, mas também na ofensa à própria norma constitucional que definiu a regra matriz de incidência da contribuição previdenciária. Essa orientação é pacífica não apenas entre os doutrinadores, mas foi confirmada pelo próprio Supremo Tribunal Federal que, no Fl. 84DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 julgamento do Recurso Extraordinário n° 166.7729/ RS, afastou a exigência da contribuição social sobre a remuneração paga a administradores e autônomos a pretexto de que a tributação estaria na equiparação desta remuneração ao salário, olvidandose do conceito infraconstitucional deste, extraído da Consolidação das Leis do Trabalho pelo Constituinte. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201, "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” Com efeito, o STF proclamou que "O conteúdo político de uma Constituição não é conducente ao desprezo do sentido vernacular das palavras, muito menos ao do técnico, considerados institutos consagrados pelo Direito”. Mais recentemente, em 2005, ao apreciar a instituição do Pis e da Cofins sobre o faturamento, a Suprema Corte foi categórica ao não permitir a equiparação do conceito de faturamento, incorporado expressamente pela Constituição Federal, no seu art. 195, I, "b", ao de receita bruta, institutos totalmente distintos para o direito comercial. Na ocasião, foi declarada a inconstitucionalidade do parágrafo 1°, do artigo 3°, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista que o novo conceito de faturamento foi além do que previu a Constituição. Assim, a vinculação do conceito expresso na Constituição àquele definido no direito privado à época da sua promulgação, referido nas decisões acima, também prevaleceu na decisão do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento de tema assemelhado, a respeito da incidência do imposto sobre serviços sobre a locação de bens móveis. Frisase, porque importante, que o empregado nada usufrui pelo seguro de saúde, o que descarta então a possibilidade de considerarse o valor pago como sendo salário utilidade para efeitos de cobrança de contribuições previdenciárias. Enfim, cobrar contribuições sociais sobre estes benefícios é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade no bem estar e segurança dos trabalhadores, para que os familiares não passem dificuldades em caso de falecimento do mantenedor da família. Feitas essas considerações, entendo que o caso se difere um pouco da explanação acima registrada, pois: a uma, os fatos geradores das contribuições lançadas referemse aos pagamentos efetuados a título de remunerações indiretas relativas ao pagamento de plano de Fl. 85DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000594/201084 Acórdão n.º 2302002.260 S2C3T2 Fl. 16 7 saúde pago ao sócio Gilson Gervásio de Souza Júnior e seus dependentes, ou seja, considerado como prólabore; a duas, porque a nãoincidência que trata a CLT referese a salário pago ao empregado, que, por óbvio, não é o caso do auto de infração [sócio]; e a três, a regra aplicável ao caso para isenção deve ser aquela da alínea “q”, do §9º, do art. 28, da Lei n. 8.212/91. Dessa forma, entendo que deve ser mantido incólume o lançamento no que se refere a este fato gerador. DA MULTA DE OFÍCIO Argumenta com razão o Recorrente ser é indevida a multa de ofício de 75% sobre tributo recolhido fora do prazo, referente a fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência da Lei nº 11.941/2009. Conforme enaltecido no tópico que a este antecede, vigora no Direito Tributário o princípio tempus regit actum, nos termos assinalados no art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Acontece que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000594/201084 Acórdão n.º 2302002.260 S2C3T2 Fl. 17 9 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nessa perspectiva, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, enquanto que a legislação anterior previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Cada macaco no seu galho. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000594/201084 Acórdão n.º 2302002.260 S2C3T2 Fl. 18 11 Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13639.000594/201084 Acórdão n.º 2302002.260 S2C3T2 Fl. 19 13 descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Além disso, não caberá a agravante da multa [adicional de 50%] consubstanciada no §2º, do art. 44, da Lei n. 9.430/96, haja vista que o fato gerador objeto do presente lançamento está devidamente especificado no auto de infração lavrado. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001800/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
Cancela-se o lançamento de ofício quando se comprova a prévia extinção do crédito tributário pela compensação de valores retidos na fonte em períodos anteriores.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 18 00 /2 00 8- 11 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16004.001800/200811 Acórdão n.º 3801003.296 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) nos períodos de fevereiro a abril e dezembro de 2005, exigindoselhe contribuição de R$ 29.175,86, multa de ofício de R$ 21.881,88 e juros de mora de R$ 13.979,71, perfazendo o total de R$ 65.037,45. Também foi apurada de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no período de janeiro a setembro de 2004, exigindoselhe contribuição de R$ 5.834,55, multa de ofício de R$ 4.375,89 e juros de mora de R$ 2.798,30, perfazendo o total de R$ 13.008,74. Os enquadramentos legais encontramse a fls. 23 e 28. Foram lançadas diferenças entre os valores das contribuições informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e aqueles declarados ou pagos. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, preliminarmente, em síntese, que o lançamento seria nulo por ter sido realizado fora do estabelecimento da contribuinte. Ainda em preliminar, reclama que não foi intimada previamente ao lançamento, o que prejudicaria o seu direito de defesa. Quanto ao mérito, alega que apresentou os Dacon do período sem informar os valores referentes às contribuições retidas na fonte, o que geraria exigências indevidas. Assim, em relação aos períodos de fevereiro e abril de 2005, os saldos teriam sido compensados com contribuições retidas em 2004, conforme comprovantes de retenção que anexa. Para a competência de abril/2005 foi utilizado o crédito retido na fonte dos meses de janeiro a abril de 2005, uma vez que nesses períodos utilizouse das retenções havidas em 2004. Quanto ao mês de dezembro de 2005, informa que retificou o Dacon, conforme documentos que anexa. Informa ainda que retificou os Dacon do primeiro, segundo e quarto trimestres. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 691DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16004.001800/200811 Acórdão n.º 3801003.296 S3TE01 Fl. 12 3 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. LANÇAMENTO. VALORES RETIDOS. EXCLUSÃO. Excluise do lançamento de ofício os valores dos tributos ou contribuições retidos na fonte. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Sustenta inicialmente que no período de julho de 2004 a dezembro de 2004, ocorreram diversos recebimentos de duplicatas através de depósitos bancários já deduzidos os valores de PIS e Cofins. Esclarece, com a juntada de cópia das duplicatas, demonstrativos de recebimentos e extratos bancários, que o recebimento a menor corresponde a retenções de PIS e Cofins na fonte e que procedeu o aproveitamento destes créditos. Pontua que, com a apresentação de demonstrativos, nas fichas de apuração de PIS e Cofins da DIPJ 2005/2004 existe campo para informar o valor dos tributos retidos na fonte, todavia estas fichas foram preenchidas sem valor, ou seja, zero, portanto não houve nenhuma compensação, ou qualquer redução do valor devido correspondente a crédito ou imposto retido na fonte. Argumenta que no ano calendário de 2005 houve entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais ( Dacon) sem discriminar as retenções pleiteadas. Demonstra, ainda, que os valores retidos nos períodos de janeiro a abril de 2005 foram compensados com os débitos do período de abril de 2005. Em relação ao período de apuração de dezembro de 2005, sustenta que houve retenções que não foram consideradas pela fiscalização. Com demonstrativos analíticos apresenta os valores a recolher após as compensações das citadas retenções. Insiste que não existe débitos a recolher, uma vez que todos foram devidamente liquidados nos seus respectivos vencimentos, uma vez compensadas as contribuições retidas na fonte. Por fim, requer a reforma integral da decisão “a quo” e a declaração de que o auto de infração é nulo. Em razão da alegações da recorrente, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse se efetivamente ocorrerem as retenções em 2004 e se os valores retidos não foram compensados com débitos de outros períodos de apuração. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e a partir do exame da escrituração contábil e fiscal informou que: Fl. 692DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16004.001800/200811 Acórdão n.º 3801003.296 S3TE01 Fl. 13 4 efetivamente existiram as retenções na fonte relativas às contribuições de PIS e Cofins; não fica evidenciada que a empresa utilizou as retenções nos valores de R$ 3.713,20 e R$ 18.567,45, respectivamente PIS e Cofins, em períodos de apuração diversos a fevereiro e março de 2005. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, não tendo se manifestado no prazo que lhe foi concedido. É o relatório. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16004.001800/200811 Acórdão n.º 3801003.296 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início, é importante observar que, após a decisão de 1ª instância, os débitos remanescentes das contribuições PIS e Cofins correspondem aos períodos de apuração de fevereiro, março, abril e dezembro de 2005 e estão discriminados à fl. 97 (numeração digital). A recorrente sustenta que o lançamento é improcedente, pois não se levou em consideração o aproveitamento de créditos relativos a retenções de PIS e Cofins na fonte do ano de 2004. Com efeito, a partir do exame do conjunto probatório, e em especial da diligência realizada, constatase que assiste razão à recorrente. De fato, após exame criterioso da escrituração contábil e fiscal e com a elaboração de extensos demonstrativos, a autoridade fiscal concluiu que efetivamente existiram as retenções na fonte relativas às contribuições de PIS e Cofins e que não fica evidenciada que a empresa utilizou as retenções nos valores de R$ 3.713,20 e R$ 18.567,45, respectivamente PIS e Cofins, em períodos de apuração diversos a fevereiro e março de 2005. Ademais, os valores declarados em DCTF como débitos apurados coincidem com os valores declarados como a pagar nos Dacons retificadores, de sorte que não há diferença a ser cobrada de ofício. Em remate, comprovada as retenções no ano de 2004 e seu aproveitamento nos meses de fevereiro e março de 2005, o lançamento não pode prosperar, uma vez que foram efetuados somente com base no confronto entre os valores declarados em Dacons, por sinal elaborados com erros, e os recolhimentos das contribuições Ante ao exposto, voto no sentido dar provimento recurso para julgar improcedentes os lançamentos de ofício. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 694DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16004.001800/200811 Acórdão n.º 3801003.296 S3TE01 Fl. 15 6 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/06/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907393/2011-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 93 /2 01 1- 26 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 59 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 68), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 59). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907393/201126 Acórdão n.º 3802002.913 S3TE02 Fl. 71 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15374.902018/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Consequentemente, não se poderia alegar que a alocação de crédito decorrente de tal declaração, ainda que equivocada, transformaria um pagamento indevido em devido, caso a declaração não sofresse o competente cancelamento.
Homologação Tácita
Não há que se falar em homologação definitiva da compensação quando a obrigação tributária que se declarou extinguir já se encontrava extinta pelo pagamento.
Numero da decisão: 3102-001.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a impossibilidade de utilização dos créditos informados na primeira Dcomp e devolver o processo à unidade de jurisdição para julgar as demais questões de mérito. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRANSMITIDA EM DATA ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MP Nº 135, DE 2003. EFEITOS A Declaração de Compensação transmitida em data anterior à vigência da Medida Provisória nº 135, de 2003 não era instrumento hábil para constituição do débito tributário. Consequentemente, não se poderia alegar que a alocação de crédito decorrente de tal declaração, ainda que equivocada, transformaria um pagamento indevido em devido, caso a declaração não sofresse o competente cancelamento. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Não há que se falar em homologação definitiva da compensação quando a obrigação tributária que se declarou extinguir já se encontrava extinta pelo pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e na forma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 20 18 /2 00 8- 32 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 103 2 estabelecida nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a impossibilidade de utilização dos créditos informados na primeira Dcomp e devolver o processo à unidade de jurisdição para julgar as demais questões de mérito. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, e Ricardo Paulo Rosa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 17/11/2006, em que informada a compensação de parte do crédito do pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de agosto de 2002, com débito de IRRF do mês de dezembro de 2003. Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 9, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada, sob fundamento de que o crédito utilizado não existia, pois, embora localizado o pagamento informado, no valor de R$ 18.570,33, ele fora integralmente utilizado na quitação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês do agosto de 2002, no valor de R$ 2.449,38, e do débito informado na DComp nº40258.26727.300903.1.3.045253, no valor de R$ 16.120,95. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 11/17), a contribuinte alegou que o valor do crédito informado era suficiente para a compensação do débito compensado, com base no argumento de que a DComp nº 40258.26727.300903.1.3.045253, em que informada a compensação do crédito no valor de R$ 16.120,95, perdera o seu objeto, uma vez que o débito nela declarado fora pago mediante Darf, por conseguinte, o referido crédito permanecia passível de apropriação. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 104 3 Sobreveio o acórdão recorrido (fls. 50/53), em que a 5ª Turma de Julgamento da DRJ – Rio de Janeiro II, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob fundamento de que o reconhecimento do indébito e a sua utilização na compensação tributária era permitida somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido. Segundo o voto condutor do referido julgado, embora tivesse compensado e pago o mesmo débito, a contribuinte não havia pleiteado o cancelamento da DComp, em que compensado o débito, nem informado na presente DComp o Darf do pagamento (fl. 42) indicado na manifestação de inconformidade. Ademais, por falta de previsão legal, não houve a alegada perda de objeto da compensação declarada na referida DComp, cuja compensação, com a homologada tácita, tornouse definitiva. Em 5/9/2011, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 5/10/2011, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 60/82, em que reafirmou os argumentos aduzidos na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, em preliminar, alegou a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de motivação e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material; no mérito, alegou que, em respeito ao princípio da legalidade, toda e qualquer exigência por parte do Estado deverseia respaldar na lei, logo, por falta de previsão legal, o contribuinte não tinha obrigação de cancelar a DComp transmitida para compensar débito já extinto, por conseguinte, a DComp nº 40258.26727.300903.1.3.045253 estava eivada de vícios e carente de fundamentação e motivação, eis que o débito nela compensado já se encontrava extinto pelo pagamento antes da sua transmissão, o que tornara inviável a sua operacionalização e, em consequência, impossível a sua homologação tácita, devendo ser considerada nula. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Embora a nulidade do Despacho Decisório não tenha sido alegada em sede de manifestação de inconformidade, por se tratar de matéria de ordem pública, a questão pode ser analisada nesta fase recursal, não se lhe aplicando, portanto, o efeito preclusivo previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), com as alterações posteriores, combinado com o disposto no parágrafo único do art. 245 do CPC. Alegou a recorrente que o Despacho Decisório era nulo, por ausência de motivação e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material. Não procedem as alegações da recorrente. A inexistência do crédito compensado foi o motivo da decisão veiculada no contestado Despacho Decisório, corroborado pelo fato de que o pagamento informado fora utilizado na quitação de tributos devidos da própria recorrente. Além disso, o enquadramento Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 105 4 legal da decisão nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, constitui fundamentação jurídico adequado da questionada decisão. Além disso, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, a recorrente demonstrou perfeito conhecimento das razões de fato e direito da decisão guerreada, o que o contraria o alegado cerceamento do direito de defesa, que foi exercido de forma plena pela recorrente. Dessa forma, ao contrário do que alegou a Recorrente, o presente Despacho Decisório foi devidamente motivado e fundamentado. Ademais, a recorrente compreendeu as razões de ordem fática e jurídica nele aduzidas, conforme exposto nas robustas defesas apresentadas, o que o contraria o alegado cerceamento do direito de defesa. No que concerne à alegação de afronta ao contraditório, contrariamente ao alegado pela recorrente, os autos evidenciam que, em conformidade com disposto nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, combinado com o estabelecido no PAF, ela exerceu de forma plena o contraditório nas duas oportunidades que lhe foi facultado. Por fim, não se confirma a alegada a agressão ao princípio da verdade material, haja vista que o fato apontado no Despacho Decisório (alocação do crédito na compensação e pagamento dos respectivos débitos) foram adequadamente comprovados nos autos. No caso, se houve malferimento ao princípio da verdade material, ele foi causado pela recorrente, pois, embora tivesse o ônus de provar que o suposto crédito compensado atendia os requisitos da certeza e liquidez, conforme exigência do art. 170 do CTN, e era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não trouxe aos autos a documentação contábil e fiscal adequada, com vista a corroborar o que informara em suas defesas e nas declarações colacionadas aos autos. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Do mérito. Conforme exposto no questionado Despacho Decisório, o pagamento informado na DComp retificadora nº 01072.38249.171106.1.7.047400 (fls. 3/7), objeto da presente lide, fora integralmente utilizado na quitação de tributos devidos, a saber: a) compensação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de setembro de 2002, conforme explicitado na DComp nº 40258.26727.300903.1.3.045253 (fls. 35/40); e b) pagamento do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês do agosto de 2002. Com base nessa constatação, a compensação não foi homologada, porque o crédito informado não existia. Na sua defesa, alegou a recorrente que a mencionada DComp nº 40258.26727.300903.1.3.045253 estava eivada de vícios e carente de fundamentação e motivação, eis que o débito nela compensado já havia sido extinto por pagamento antes da sua transmissão, o que tornara inviável a operacionalização do procedimento compensatório e, em consequência, impossível a sua homologação tácita, devendo ser considerada nula. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em conformidade com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 106 5 compensação é efetuada pelo sujeito passivo, mediante a entrega da DComp, em que informada “os créditos utilizados e os respectivos débitos compensados”. No mesmo sentido, dispõe o art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que reproduz idêntico preceito normativo veiculado nas Instruções Normativas anteriores que dispunham sobre assunto. Com base nos referidos preceitos normativos, inferese que a realização do procedimento de compensação, concretizado com a entrega da DComp à RFB, é da responsabilidade exclusiva do declarante, cabendo a Administração Tributária a apenas a função de controle e fiscalização da regularidade do procedimento, dentro do prazo quinquenal da homologação tácita. Assim, se houve equívoco nas informações prestadas na DComp nº 40258.26727.300903.1.3.045253, eles são da exclusiva responsabilidade da declarante, ora recorrente. Se o débito compensado não existia, dentro do prazo quinquenal da homologação tácita, fixado no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, era facultado a recorrente, nos termos do art. 93 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, proceder ao cancelamento da referida DComp, mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, o que não foi feito. Em consequência, em 30/9/2008, ocorreu a homologação tácita da referida DComp. Com a homologação tácita, foi resolvida a condição resolutória estabelecida no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, logo, tanto o crédito quanto o débito compensados tornaramse definitivamente extintos. Em consequência, a partir deste evento, a Administração Tributária ficou impedida de rever o procedimento de homologação e de proceder a cobrança do débito. Também, pela mesma razão, o sujeito passivo ficou impedido de pleitear a restituição ou a compensação do crédito definitivamente compensado. Assim, com a homologação tácita da DComp nº 40258.26727.300903.1.3.04 5253, a preclusão temporal consolidouse e, em consonância com disposto no art. 473 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao PAF, à este Colegiado é defeso qualquer discussão a respeito da retificação ou cancelamento da respectiva compensação. Além disso, nos termos do art. 170 CTN, combinado com o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para que seja utilizado na compensação, além dos atributos da certeza e liquidez, o crédito deve ser passível de restituição ou ressarcimento, na data da realização da compensação, que se efetiva com a entrega da DComp. No caso em tela, em 9/12/2003, data da entrega da DComp originária, pelas razões expostas anteriormente, o crédito utilizado não atendia nenhum dos mencionados requisitos. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, na data da realização da compensação, o crédito informado na DComp em apreço não existia, uma vez que integralmente vinculado à extinção de débitos regularmente compensado e pago, conforme explicitado no Despacho Decisório em questão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter integralmente o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 107 6 Voto Vencedor Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado. Peço licença para discordar do ilustre relator, que demonstrou coerentemente sua convicção acerca da impossibilidade de se rever a compensação declarada no PER/Dcomp apresentado em 30/09/2003, ainda que o débito ali declarado tivesse sido extinto por pagamento. O primeiro aspecto a ser considerado, a meu ver, é o fato de que, à época da sua apresentação, a Dcomp não representava uma confissão de dívida e, como tal, não teria o poder de constituir a obrigação tributária. A Dcomp, com efeito, só passou a ter tal característica a partir de 30/10/2003, data em que entrou em vigor a medida provisória nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 2003, que acrescentou o § 6º1 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim sendo, imagino, não assistiria razão ao Fisco em denegar o aproveitamento do crédito, ainda que recolhido em duplicidade, sob a alegação de sua “alocação” definitiva em razão do fato de que a recorrente não teria solicitado o cancelamento da Dcomp. Também não vejo como extrair do parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 o alcance defendido no judicioso voto do qual ouso discordar, máxime se aplicado em conjunto com o § 2º e o caput. Confirase a redação: Art. 74.O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Atentese que o que diz o § 2º, que trata dos efeitos da Dcomp, fixa o comando no sentido de que a compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de posterior homologação. Ou seja, o que se homologa, expressa ou 1 § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 108 7 tacitamente, é a extinção da obrigação tributária. Só que, no caso dos autos, pelo que foi alegado e não contestado, quando da edição do despacho decisório e, posteriormente, do encerramento do prazo de homologação tácita, a obrigação tributária há muito se encontrava extinta, mas pelo pagamento. Em suma, é evidente que a recorrente deveria ter cancelado a Dcomp originalmente transmitida, mas a omissão de tal dever, com a devida licença, não torna devida uma contribuição já quitada, máxime quando de verifica que aquela Dcomp não constituía confissão de dívida. Também não vejo como, por meio da aplicação subsidiária do art. 473 do CPC, considerar que a questão tornouse preclusa. Em primeiro lugar, se a matéria não foi tratada no PAF, onde vigora o princípio da legalidade, não se pode admitir que há uma lacuna, capaz de ser sanada por algum método de integração. O que se verifica, com efeito, é o que a doutrina convencionou denominar Silêncio Eloquente do Legislador. Por outro lado, não vejo como considerar que a matéria encontrese preclusa em razão de que, o indeferimento da compensação que é objeto do presente litígio deve como fundamento a suposta impossibilidade de se aproveitar um crédito alegadamente alocado pela Dcomp que deixou de ser cancelada. Poderseia então indagar que o prazo em questão teria natureza prescricional ou decadencial e, consequentemente, encontrarseia disciplinado pelo art. 168 do CTN2, mas a resposta a tal indagação seria igualmente negativa. Como é possível verificar, quando da transmissão da Dcomp que é objeto do presente litígio (17/11/2006), ainda não haviam transcorrido 5 anos da 1ª Dcomp, que teria apropriado um pagamento indevido. Evidentemente, isso não significa reconhecer, de plano, a liquidez do crédito alegado. O que se está admitindo, com efeito, é a possibilidade de desalocar o crédito aproveitado pela Dcomp 40258.26727.300903.1.3.045253, caso, evidentemente, se confirme que a obrigação que se pretendeu extinguir com aquela declaração teria sido extinta por DARF e que este recolhimento, aparentemente não alocado, não teria sido utilizado para outra finalidade. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a alegada impossibilidade de utilização dos créditos aproveitados na primeira declaração de compensação transmitida, em razão de não ter sido providenciado o seu 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Processo nº 15374.902018/200832 Acórdão n.º 3102001.848 S3C1T2 Fl. 109 8 cancelamento e devolver o processo ao órgão preparador para que sejam analisadas as demais questões de mérito. Luis Marcelo Guerra de Redator designado. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 3/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Numero do processo: 10140.720867/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o processo, nos termos do relatório e voto do conselheiro relator. O Conselheiro Carlos Alberto Donassolo foi substituido na presidência por impedimento regimental.
(documento assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner- Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Carlos Mozart Barreto Viana, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o processo, nos termos do relatório e voto do conselheiro relator. O Conselheiro Carlos Alberto Donassolo foi substituido na presidência por impedimento regimental. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Carlos Mozart Barreto Viana, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que indeferiu impugnação apresentada contra lançamento de ofício referente aos anos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 20 86 7/ 20 11 -0 3 Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 12 2 calendário de 2006 e 2007, formalizando exigências relativas ao IRPJ e a CSLL, em decorrência da suposta falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação de bens do ativo permanente, gerando, com efeito, redução indevida do lucro sujeito a tributação. Cumpre consignar que a operação de alienação dos bens deuse entre as empresas SAS Empreendimentos Imobiliários (alienante) e Iaco Agrícola S/A, das quais a Recorrente é sócia controladora. De acordo com a autoridade lançadora, uma vez que a Recorrente pretendia “dar outro rumo à exploração das terras mencionadas, passando para a produção de álcool, foram criadas duas novas empresas, uma imobiliária, de compra e venda de imóvel, e a outra, usina de álcool”.1 O capital social da primeira empresa, denominada SAS Empreendimentos Imobiliários, era constituído em 90% pela Recorrente e outros 10% pela empresa SAS Administração e Participações, que segundo a autoridade administrativa, pertence ao grupo que controla a administração da Recorrente, exercido pela família Schmidt. A Recorrente integralizou sua parte no capital social da referida empresa mediante (i) transferência de 4 imóveis registrados na Comarca de CassilandiaMS; (ii) diversos bens indicados nas respectivas contas contábeis;2 e (iii) parcela em moeda corrente a ser integralizada no prazo de cento e oitenta dias. Contudo, consoante, instrumento de “Re ratificação e Consolidação do Contrato Social” de fls. 114, o segundo item foi substituído por um quinto imóvel, cujo valor de avaliação era idêntico ao dos bens substituídos. De outra sorte, a empresa SAS Administração e Participações integralizou seu quinhão no capital social da SAS Empreendimentos Imobiliários transferindo quatro imóveis urbanos localizados no município de Campo Bom, restando ainda, saldo a integralizar no prazo de 180 dias. Ademais, quanto a outra pessoa jurídica, denominada Iaco Agrícola S/A, inicialmente composta pela (i) Recorrente (95%) e pelo (ii) Sr. Tovar Schmidt (5%), convém mencionar que recebeu a inclusão de outros dois sócios; a empresa (iii) AGP Negócios e Participações, e (iv) Horamars Participações Ltda.. 1 Fl. 2 do relatório fiscal. 2 Cláusula Segunda, parágrafo segundo, alínea ‘e’ do Instrumento de Constituição da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 13 3 Assim, consoante a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º de Junho de 2006, foi deliberado o aumento do capital social desta empresa, e inclusão dos acionistas AGP Negócios e Participações Ltda e Horamars Participações Ltda. Com a disponibilização dos valores recebidos por meio do aumento do capital social, parcialmente integralizado, a empresa Iaco Agrícola S/A adquiriu no dia 31/01/2006, quatro dos imóveis supra mencionados, pertencentes a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, e, posteriormente, dia 10/01/2007, ela também adquiriu o outro imóvel pertencente a esta. No tocante a primeira operação acima referida, cumpre consignar que os valores recebidos foram contabilizados e tributados pela sistemática do lucro presumido, regime de caixa, sendo que no mesmo dia o resultado das operações foi apurado e distribuído aos sócios na proporção de seus respectivos capitais, tendo sido descontado da sócia SAS Administração e Participações a parcela que faltava para integralizar a totalidade de seu capital social. O mesmo tratamento contábil foi dispensado após a segunda operação de compra e venda, cujo pagamento foi realizado em duas vezes, no dia 11/01/2007 e no dia 20/02/2007. Cumpre asseverar que no dia seguinte ao do primeiro pagamento, a grande maioria dos valores recebidos foram destinados para adiantamento de dividendos e pagamento de empréstimo junto a empresa Schmidt Irmãos. Quanto ao segundo pagamento, ressaltase o pagamento de PIS e COFINS efetivado pela empresa SAS Empreendimentos, e a distribuição a título de adiantamento de lucros de parte do pagamento.3 A autoridade administrativa, por sua vez, desconsiderou o tratamento contábil dedicado às operações por entender que estas foram idealizadas e realizadas com exclusivo intuito de reduzir a tributação que incidiria sobre a venda do ativo imobilizado da Recorrente, invocando a violação do artigo 187 do Código Civil, que dispõe sobre o abuso de direito, nos casos em que o ato praticado excede os limites impostos pela finalidade econômico social daquele que cometeu o ato. Neste sentido, a autoridade administrativa assevera que ao criar uma empresa de empreendimentos imobiliários, a Recorrente se beneficiou do percentual de presunção do lucro presumido, uma vez que a venda dos imóveis em foco à empresa IACO foram contabilizadas Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 14 4 como receitas operacionais, distorcendo o percentual de presunção, que na verdade é utilizado para se aproximar da margem real para cada atividade, e não para reduzir a tributação de operações imobiliárias. A fim de reproduzir o entendimento da autoridade fiscal, convém transcrever os trechos abaixo, extraídos do relatório fiscal de fls.. “Embora formalmente lícita, a integralização das terras na SAS Empreendimentos é desprovida de substância essencial ao negócio, pois a vontade materialmente manifestada era a venda de ativo imobilizado da Ribeirão Agropecuária para novos parceiros, aos quais a própria Ribeirão se associaria na IACO, e não a constituição de sociedade capitalizada com i móveis para futura venda. Não há causa econômica na interposição da SAS Empreendimentos, pois essa em nada contribuiu para a venda das terras, conforme denota a simplicidade de seus registros contábeis, que não corroboram a existência de juma verdadeira estrutura empresarial para a compra e venda de imóveis na dimensão do aporte de capital. (...) A sequência de atos formalmente lícitos não garante que deles aparentemente decorreria. Isso porque, conforme ensina Marco Aurélio Greco4, não basta fotografar, mas sim filmar a realidade, analisando o contexto para ao final concluir pelo significado real do que aconteceu. E o contexto demonstra que o sujeito passivo é a Ribeirão Agropecuária, por ser a proprietária original das terras, a beneficiária do produto da venda e porque a operação, vista no todo, revela que a venda não se caracterizou como atividade operacional da SAS Empreendimentos, muito menos como alienação de ativo imobilizado da própria SAS. A integralização das terras pela Ribeirão não teve intenção de compor estoque para futura venda e muito menos de constituir ativo imobilizado para futura venda e muito menos de constituir ativo imobilizado para consecução do objeto social. Não houve fato gerador tendo como sujeito passivo a SAS Empreendimentos. Houve, sim, ganho de capital na venda de ativo permanente da Ribeirão Agropecuária, sujeito a tributação conforme o art. 418 do RIR/99.” Por tais motivos, a autoridade fiscal sustenta que “A Constituição da SAS Empreendimentos com patrimônio R$ 66 milhões com a finalidade de reduzir a tributação que 4 “Planejamento Tributário, 2ª Ed. São Paulo, Dialética, 2008, pg. 123”. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 15 5 incidiria sobre a venda do imobilizado da Ribeirão, aliada à sua imediata descapitalização na ordem de 90% atenta contra o disposto no artigo 197 do Código Civil”. Assim, promoveu o lançamento tributário considerando como sujeito passivo da obrigação a Recorrente (Ribeirão Agropecuária), adicionando ao lucro real dos anos calendários de 2006 e 2007 a diferença entre o valor da venda dos terrenos da SAS para a IACO e o custo da aquisição dos referidos bens pela Recorrente, formalizando a exigência de IRPJ e CSLL em decorrência do ganho de capital supostamente auferido por meio das aludidas transações. Além disso, efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais da atividade da Recorrente com o lucro não operacional relativo ao anocalendário de 2006 constatado no curso da fiscalização, bem como compensou os prejuízos fiscais acumulados até o ano calendário de 2005, nas bases de calculo de 2006 e 2007, respeitando o limite de 30%. Por fim, deduziu do lançamento os valores recolhidos pela SAS Empreendimentos Imobiliários por entender que o sujeito passivo da obrigação é a Recorrente. Em sede de impugnação, a Recorrente pleiteou o cancelamento da exigência, salientando que foi constituída na tentativa mal sucedida da Família Schmidt adentrar no ramo agropecuário, amargando seguidos prejuízos fiscais entre os anos de 1997 e 2005. Diante dessa fracassada tentativa, a Família Schmidt resolveu investir no ramo agrícola, razão pela qual criou a empresa IACO Agrícola S/A. Assim, alega preliminarmente o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária uma vez que a operação em foco foi travada entre duas empresas das quais a Recorrente possui participação societária, mas que, todavia, não realizou qualquer ato de alienação de bens para ser surpreendida por auto de infração. Ademais, quanto a empresa SAS Empreendimentos Imobiliário ressalta que, sempre atenta aos movimentos do mercado, certa vez a Recorrente recebeu proposta irrecusável para vender as referidas terras a um grupo italiano, assinando inclusive termo de preferência com cláusula penal no caso de eventual recuo, mas que, contudo, a venda não se concretizou,. Para comprovar o alegado, a Recorrente juntou os documentos referentes a tentativa de transação. Conquanto o negócio com os Italianos não tenha se concretizado, a Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 16 6 Recorrente vislumbrou oportunidade na comercialização de suas terras, criando, para tanto, empresa com única finalidade referente a empreendimentos imobiliários. Aduz, ainda, que no ano de 2005, um grupo argentino também tentou adquirir as terras em questão com o intuito de constituir usina de álcool e açúcar, negócio que também não vingou devido a diversas exigências feitas pelos Argentinos. Assim, aduz “que demonstra a fragilidade da teoria construída pelo auto de infração, no sentido de que ‘o verdadeiro objetivo da Ribeirão Agropecuária era se associar à AGP e à Horamars em novo empreendimento (IACO)”, uma vez que se as mencionadas transações tivessem se concretizado a Recorrente jamais poderia se juntar com as atuais co acionistas na empresa IACO. Após novo fiasco, os grupos AGP e Horamars propuseram parceria à Recorrente, para explorar o ramo de produção de álcool e açúcar, utilizandose, para tanto, das terras que a Ribeirão integralizou quando da constituição da IACO, cujo modelo de negócio não implicava na aquisição de grandes áreas, mas sim naconstrução de uma usina, localizada na área integralizada pela Recorrente. Quanto a aquisição pela IACO das terras pertencentes a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, objeto do lançamento de ofício em foco, a Recorrente alegou tratarse de uma decisão empresarial tomada em conjunto com os demais acionistas, que decidiram desembolsar valiosa quantia para concretizar a negociação, e que é perfeitamente lícito a empresa SAS alienar imóveis de sua propriedade, sobretudo por que é esse o seu objeto social. Outra situação que a Recorrente alegou para desconstituir a tese do fisco é que além dos imóveis pertencentes a SAS Empreendimentos Imobiliários, a IACO também adquiriu outras propriedades, conhecidas como São José e Fazenda Uterava. Além disso, a fim de comprovar a efetividade das operações imobiliárias da SAS, a Recorrente traz documentos demonstrando que as áreas classificadas como irrisória pela autoridade administrativa na realidade tornaramse um megaloteamento incrustado no coração de Campo Bom/RS, além de ressaltar diversos outros projetos concretizados pela empresa imobiliária. Por fim, no que tange a alegação do Fisco de que o grupo controlador da Recorrente já possuía empresa atuante no ramo imobiliário, e que não seria necessária a criação da SAS Empreendimentos Imobiliários, aduz que a empresa mencionada pelo Fisco destinase Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 17 7 a percepção de dividendos e outras rendas de capital oriundas das sociedades em que ela detinha participação. Nesse contexto, aduz que a tese defendida pelo Fisco, no sentido de que a Recorrente agiu com abuso de direito não se sustenta não se sustenta uma vez que: (i) Ao decidir criar outras empresas a Recorrente agiu em consonância com o artigo 170 da Constituição Federal, não havendo que se falar na ilegalidade em relação a criação destas empresas; (ii) conjunto de provas que demonstram a efetividade das operações da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, (iii) inexiste a figura do abuso de direito alegado pelo Fisco no direito tributário, não cabendo o uso de lei civil para fundamentar lançamento de ofício em razão do princípio da estrita legalidade, (iv) a SAS Empreendimentos não possuía qualquer impedimento legal para alienar bens de sua propriedade, sendo esta a sua finalidade social; (v) Não se pode concordar com a interpretação extensiva, vedada em matéria fiscal, de que o percentual de presunção estabelecido pelo artigo 518 do RIR justificaria que a SAS não possuía estrutura para exercer a atividade para qual foi criada tendo em vista os demonstrativos de resultados dos anos de 2006 e 2007. No que tange a limitação da compensação prejuízos fiscais dos anos anteriores em relação aos períodos fiscalizados em 30%, alegou a Recorrente que a autoridade administrativa (i) utilizou norma inconstitucional para a realização de tal ato, porquanto viola o direito adquirido, ato jurídico perfeito além do próprio conceito de renda constitucionalmente estabelecidos; (ii) caso fosse constitucional, não poderia abranger períodos anteriores a 1995 Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 18 8 em respeito ao princípio da anterioridade, razão pela qual o prejuízo fiscal anterior a este período deveria ter sido compensado em 100%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS manteve o lançamento em foco nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Neste sentido, sustenta a decisão recorrida que (i) não há erro na apuração do sujeito passivo uma vez que a Recorrente é a titular da disponibilidade econômica ou jurídica (renda); (ii) em pouco mais de um ano todo o ativo imobilizado da Recorrente foi transferido para a IACO; (iii) ao contrário do que foi aduzido na impugnação, a Recorrente não pretendia deixar o ramo da agropecuária, mas sim reorientála, com agregação de novos sócios; (iv) a IACO e a SAS Empreendimentos foram constituídas na mesma data, uma com pequeno aporte de capital e a outra com valor substancial, sendo que os lucros auferidos por esta eram imediatamente repassado aos sócios, havendo nesse conjunto de operações incoerência em relação as atividades empresariais, o que demonstram a relevante motivação de economia fiscal. Ademais, assevera que (v) o curto período entre a criação da IACO e o ingresso dos novos sócios induz que o direcionamento das terras para esta já fora estabelecido desde o Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 19 9 início já que um investimento do tamanho do aporte dos novos sócio não é decidido sem um prazo razoável para estudos, além das datas de pagamento pela aquisição das terras ocorrerem em dois períodos distintos, o que permitiu a SAS Empreendimento não fosse obrigada a declarar sua renda pelo lucro real, obtendo a vantagem da tributação pelo lucro presumido. Relativamente a (vi) efetividade das operações da empresa SAS, a autoridade julgadora a quo salienta que durante os primeiros anos de vida praticamente não existiu experiência profissional da aludida empresa, apesar do aporte de capital muito superior ao que era necessário para o início das operações, sendo que, após a transferência das terras para a IACO não há qualquer movimentação de vulto até o ano de 2010. Por fim, quanto a (vi) limitação da compensação do prejuízo fiscal aduz que foram instituídas mediante Lei, e não cabe a autoridade administrativa reconhecer inconstitucionalidade de Lei, competência exclusivamente outorgada ao Poder Judiciário. O recurso voluntário foi interposto com o fito de reverter a decisão recorrida e, consequentemente, anular o lançamento em foco, alegando, em síntese, o erro na identificação do sujeito, aduzindo que a SAS Empreendimentos Imobiliários foi quem realizou a materialidade do fato gerador, auferindo renda pela venda das propriedades, acrescentando, ainda que não se tratasse de receita operacional como alega o Fisco, o ativo imobilizado alienado seria da SAS e não da Recorrente. No tocante ao mérito aduz que tanto o relatório fiscal quanto a decisão recorrida em nenhum momento colocou em dúvida a legalidade das operações, a regularidade e a efetividade da conferência dos imóveis e de sua venda a IACO, que a Recorrente ao optar pela tributação por meio do lucro presumido apenas praticou ato previsto em lei, não podendo ser prejudicada por este motivo. Ademais, assevera que a SAS Empreendimentos realizou diversas vendas de imóveis, sobretudo no período fiscalizado (fls. 1041/1042; 1060/1062), e que a fiscalização sequer cogitou o abuso de direito em relação a tais transações. Ademais, reitera as argumentações dispensadas em impugnação quanto o contexto negocial em que se deram as operações em foco, considerando as ofertas recebidas por grupos estrangeiros no passado, bem como quanto a efetividade das operações imobiliárias da SAS Empreendimentos, que continuou as operações após as transações imobiliárias em Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 20 10 foco, acrescentando que o ônus da prova em relação a tese da autoridade administrativa caberia ao Fisco, que não logrou êxito em sua tentativa. Além disso, reitera as alegações concernentes a inconstitucionalidade da limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais, bem como a compensação em 100% dos prejuízos fiscais dos anos calendários anteriores a 1995, corrigidos pela taxa SELIC. A Fazenda Nacional apresentou suas contra razões de recurso voluntário, pleiteando a manutenção da decisão recorrida ante a (i) correta identificação do sujeito passivo, porquanto a preliminar confundese com o mérito, e, se considerado o planejamento abusivo, logo o critério pessoal estará correto; (ii) o que houve foi uma verdadeira venda de bens do ativo imobilizado, utilizandose uma empresa de passagem (SAS), o que não passou de uma manobra para evitar o ganho de capital que incidiria se a Recorrente tivesse vendido os bens diretamente, o que fica ainda mais claro se analisados os aspectos temporais e coincidências das operações; (iii) não há que se falar na efetividade das operações imobiliárias da SAS Empreendimentos visto que a Recorrente jamais quis os efeitos societários de uma empresa de compra e venda de imóveis, uma vez que ao fim das vendas em questão, a referida empresa restou praticamente descapitalizada em razão da distribuição dos dividendos, ao passo que nos anos posteriores ela sequer teve o faturamento declarado. Por fim, quanto a limitação das compensações, aduz o Fisco que os Tribunais Administrativos não são competentes para julgar a constitucionalidade de Leis, nos termos da súmula 2 do CARF, bem como já ser pacífico na jurisprudência administrativa e judicial a limitação de 30% da compensação dos prejuízos fiscais a partir do exercício de 1995, acumulados até 31/12/1994. É o relatório. VOTO Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Como relatado, o presente processo trata também de lançamento fiscal para exigência do IRPJ e da CSLL em face à inobservância, pela recorrente, do limite de 30% do lucro líquido ajustado na compensação de seus prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, nos termos dos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 (art. 510 do RIR/99). Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 21 11 Caso semelhante foi solucionado por este colegiado com a edição da Resolução n° 1202000.153, de 04/12/2012, cujo voto vencedor, da lavra do ilustre Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, assim tratou a questão: Atualmente, discutese no Supremo Tribunal Federal STF, em sede de Recurso Extraordinário RE 591340, a constitucionalidade da limitação em 30% na compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL arts. 42 e 58 da Lei n° 8.981/95 e 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, conforme manifestação do ilustre Ministro MARCO AURELIO, relator do RE: RELATOR: MIN. MARCO AURELIO RECTE.(S): POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S): FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PRONUNCIAMENTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. 1. A Assessoria assim explicitou as balizas deste recurso extraordinário: Eis a síntese do que discutido no Recurso Extraordinário n° 591.3406/ SP, da relatoria de Vossa Excelência, para análise da conveniência de inclusão no sistema da repercussão geral. O Tribunal Regional Federal da 4a Região assentou não terem os artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95, bem como os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95, no que limitaram em 30%, para cada anobase, o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, implicado ofensa à Carta da República. Abaixo a íntegra dos dispositivos legais mencionados: Lei 8.981/95 Art. 42. A partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...]Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei n° 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. [...]Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 22 12 compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. No extraordinário interposto com alegada base na alínea a do permissivo constitucional, a contribuinte articula com a transgressão dos artigos 145, § 1°, 148, 150, inciso IV, 153, inciso III, e 195, inciso I, alínea c, do Diploma Maior. Aduz terem as limitações impostas pelas Leis n° 8.981/95 e 9.065/95 configurado tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Afirma ter sido instituído verdadeiro empréstimo compulsório, pois o contribuinte desembolsa antecipadamente o recolhimento dos tributos para, posteriormente, recuperálos com a compensação da base de cálculo negativa não utilizada. Sob o ângulo da repercussão geral, a contribuinte sustenta a relevância da questão constitucional debatida, pois a limitação da compensação de prejuízos fiscais reflete em milhões de contribuintes, tendo um imenso efeito econômico. No que diz respeito à constitucionalidade das limitações aplicáveis ao IRPJ, registro encontrarse pendente de julgamento no Pleno, a versar a matéria, o Recurso Extraordinário n° 344.9940/ PR, da relatoria de Vossa Excelência, com julgamento suspenso em virtude do pedido de vista da ministra Ellen Gracie. 2. Atentem para a importância do instituto da repercussão geral, próprio ao recurso extraordinário: [...] cumpre encarar o instituto da repercussão geral com largueza. O instrumental viabiliza a adoção de entendimento pelo Colegiado Maior, com o exercício, na plenitude, do direito de defesa. Em princípio, é possível vislumbrarse grande número de processos, mas, uma vez apreciada a questão, a eficácia vinculante do pronunciamento propicia a racionalização do trabalho judiciário. Conforme ressaltado pela recorrente, tratase de matéria umbilicalmente ligada à Constituição Federal, a envolver um semnúmero de contribuintes. Tudo recomenda o pronunciamento do Supremo, já agora sob o ângulo da repercussão geral, valendo frisar que, até aqui, não houve a seqüência da apreciação do Recurso Extraordinário n° 344.9940/ PR, no qual proferi voto no sentido da inconstitucionalidade da limitação. 3. Admito a repercussão geral. Lancem no sistema. 4. Ao Gabinete, para acompanhar no sítio do Tribunal o processamento cabível. 5. Publiquem. Brasília, 15 de setembro de 2008. Ministro MARCO AURELIO Relator (destaques meus) Despacho do ilustre Relator publicado no DJE de 02/12/2008, abaixo reproduzido, confirma que a matéria teve sua "Repercussão Geral" reconhecida: Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 23 13 DESPACHO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA AUDIÇÃO DO PROCURADORGERAL. 1. O Tribunal concluiu pela repercussão geral do tema versado neste processo. Ouçam o ProcuradorGeral da República, conforme previsão do artigo 325 do Regimento Interno do Supremo. 2. Publiquem. Brasília, 18 de novembro de 2008. Ministro MARCO AURELIO Relator (destaques meus) Consulta efetuada no sítio do STF na internet, em 17/04/2013, revela que o referido RE 591340 ainda aguarda julgamento de mérito. Ainda que o caso dos autos traga a peculiaridade de se tratar do momento do encerramento da pessoa jurídica, a discussão na Suprema Corte alcança os fatos aqui analisados, visto que o exame da matéria no âmbito do Poder Judiciário pautase na discussão sobre os conceitos de lucro e renda, de interesse ao deslinde da lide tributária, consoante bem destacado, pelo ilustre relator citado, no trecho que se reproduz abaixo: Em que pese o entendimento da ilustre relatora do voto vencido, no sentido de que a matéria do presente processo é distinta daquela examinada no STF, a discussão da constitucionalidade limite de 30% envolve o exame pela Corte Superior da tese de que o limite legal acarretaria a tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Assim, o tema a ser discutido pelo STF no RE 591340 tem relação com a tese apresentada pelo recorrente nas suas razões do recurso (não tributação do patrimônio/capital) e a sua definição pela mais alta Corte do País se mostra imprescindível para a solução do presente litígio. Dessa forma, é mais do razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade da aplicação do "limite de 30% na compensação de prejuízos", uma vez que essa limitação encontra identidade de objeto com a "compensação integral" de prejuízos quando da incorporação de empresa, ora pleiteada pela recorrente. Por seu turno, o Regimento Interno do STFRISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todas as causas com questão idêntica sejam sobrestadas, até que a Suprema Corte decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 24 14 Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1° daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele Poder até decisão final da matéria com repercussão geral. Com efeito, o artigo 62A, §1° do RICARF (Portaria MF n° 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Já a Portaria CARF n° 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2°, § 2°, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO Processo nº 10140.720867/201103 Resolução nº 1202000.211 S1C2T2 Fl. 25 15 § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Como se vê, por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral, o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do julgamento do recurso (art. 62A, § 1° do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento pela Turma, nos termos do art. 2°, §2°, inciso I, da Portaria CARF n° 001, de 2012. Por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da constitucionalidade do limite de 30% para a compensação de prejuízos. Dessa forma, reconhecido que a matéria em exame encontrase com repercussão geral reconhecida e que, tanto o Regimento Interno do STF como o Regimento Interno do CARF, prevêem a possibilidade/necessidade do sobrestamento do julgamento dos recursos com idêntica matéria, justificase a adoção desse procedimento, evitandose, assim, possíveis decisões divergentes entre este colegiado e o Poder Judiciário. Diante disso, é de se adotar os mesmos fundamentos expostos acima para determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até que seja proferida decisão final nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 591340, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. Eis como voto. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BU ENO
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Numero do processo: 11516.000378/2008-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS - SCP SIMULADA - SÓCIA OCULTA
1 - Na causa típica de uma sociedade em conta de participação (SCP) estão presentes o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo, enquanto tal, com os investimentos feitos pelo sócio oculto, e a repartição dos resultados entre ambas as categorias de sócios. Do próprio contrato se vê que a recorrente era quem executava o empreendimento, além de prover o custeio, e a suposta sócia ostensiva, sobre não executar o empreendimento, não fazia investimentos (para caracterização como sócia oculta, ao invés de ostensiva). Incompatibilidade entre o fim prático presente e a causa típica, que denuncia a simulação da SCP.
2 - Vê-se que a recorrente executava os serviços à prefeitura, e recebia a remuneração por tais serviços, mediante repasse, por meio do suposto sócio ostensivo (consórcio), o qual firmava o contrato com a prefeitura - e não há indicação de cessão de crédito nos autos, nem de contrato com pessoa a declarar dos arts. 467 a 470, do Código Civil. Falta de comprovação da origem dos depósitos bancários feitos pelo consórcio à recorrente, com a concreção de omissão de receitas legalmente presumida. As provas indiretas ainda indicam que se trata de receitas de prestação de serviços à prefeitura.
BIS IN IDEM - TRIBUTAÇÃO NA SUPOSTA SÓCIA OSTENSIVA
Ao aparente sócio ostensivo cabe reconhecer como receita somente a parcela que lhe cabe, como consequência da conjugação do contrato firmado com a prefeitura com o ajuste feito com a recorrente e da prevalência da substância sobre a forma em matéria contábil. Ou, ainda, no limite, o reconhecimento do valor recebido ou a receber da prefeitura e de despesa correspondente ao repasse feito ou a ser feito à recorrente. Isso nada tem de ver com bis in idem.
PEDIDO DE PERÍCIA
Do exame do que consta nos autos, a perícia é desnecessária- ademais do que para o pedido de perícia é impositiva a formulação de quesitos, conforme o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72.
ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM RECEITA CONHECIDA
A escrituração contábil da recorrente se revela imprestável. Só há o Livro Diário de 2005 (sem o Livro Razão), na qual não consta nenhum lançamento contábil; só há transcrições de balancetes, de balanço e da DRE zerada. Arbitramento do lucro, respectivamente, para fins de IRPJ e de CSLL, com aplicação dos coeficientes de 38,4% e de 32% sobre as receitas conhecidas, que não merece reparos.
PIS, COFINS - REGIME CUMULATIVO
Diante do arbitramento do lucro, correta a exigência de PIS e de Cofins sob o regime cumulativo, sobre as receitas omitidas, que se consideram de prestação de serviços.
Numero da decisão: 1103-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS - SCP SIMULADA - SÓCIA OCULTA 1 - Na causa típica de uma sociedade em conta de participação (SCP) estão presentes o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo, enquanto tal, com os investimentos feitos pelo sócio oculto, e a repartição dos resultados entre ambas as categorias de sócios. Do próprio contrato se vê que a recorrente era quem executava o empreendimento, além de prover o custeio, e a suposta sócia ostensiva, sobre não executar o empreendimento, não fazia investimentos (para caracterização como sócia oculta, ao invés de ostensiva). Incompatibilidade entre o fim prático presente e a causa típica, que denuncia a simulação da SCP. 2 - Vê-se que a recorrente executava os serviços à prefeitura, e recebia a remuneração por tais serviços, mediante repasse, por meio do suposto sócio ostensivo (consórcio), o qual firmava o contrato com a prefeitura - e não há indicação de cessão de crédito nos autos, nem de contrato com pessoa a declarar dos arts. 467 a 470, do Código Civil. Falta de comprovação da origem dos depósitos bancários feitos pelo consórcio à recorrente, com a concreção de omissão de receitas legalmente presumida. As provas indiretas ainda indicam que se trata de receitas de prestação de serviços à prefeitura. BIS IN IDEM - TRIBUTAÇÃO NA SUPOSTA SÓCIA OSTENSIVA Ao aparente sócio ostensivo cabe reconhecer como receita somente a parcela que lhe cabe, como consequência da conjugação do contrato firmado com a prefeitura com o ajuste feito com a recorrente e da prevalência da substância sobre a forma em matéria contábil. Ou, ainda, no limite, o reconhecimento do valor recebido ou a receber da prefeitura e de despesa correspondente ao repasse feito ou a ser feito à recorrente. Isso nada tem de ver com bis in idem. PEDIDO DE PERÍCIA Do exame do que consta nos autos, a perícia é desnecessária- ademais do que para o pedido de perícia é impositiva a formulação de quesitos, conforme o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM RECEITA CONHECIDA A escrituração contábil da recorrente se revela imprestável. Só há o Livro Diário de 2005 (sem o Livro Razão), na qual não consta nenhum lançamento contábil; só há transcrições de balancetes, de balanço e da DRE zerada. Arbitramento do lucro, respectivamente, para fins de IRPJ e de CSLL, com aplicação dos coeficientes de 38,4% e de 32% sobre as receitas conhecidas, que não merece reparos. PIS, COFINS - REGIME CUMULATIVO Diante do arbitramento do lucro, correta a exigência de PIS e de Cofins sob o regime cumulativo, sobre as receitas omitidas, que se consideram de prestação de serviços.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS SCP SIMULADA SÓCIA OCULTA 1 Na causa típica de uma sociedade em conta de participação (SCP) estão presentes o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo, enquanto tal, com os investimentos feitos pelo sócio oculto, e a repartição dos resultados entre ambas as categorias de sócios. Do próprio contrato se vê que a recorrente era quem executava o empreendimento, além de prover o custeio, e a suposta sócia ostensiva, sobre não executar o empreendimento, não fazia investimentos (para caracterização como sócia oculta, ao invés de ostensiva). Incompatibilidade entre o fim prático presente e a causa típica, que denuncia a simulação da SCP. 2 Vêse que a recorrente executava os serviços à prefeitura, e recebia a remuneração por tais serviços, mediante repasse, por meio do suposto sócio ostensivo (consórcio), o qual firmava o contrato com a prefeitura e não há indicação de cessão de crédito nos autos, nem de contrato com pessoa a declarar dos arts. 467 a 470, do Código Civil. Falta de comprovação da origem dos depósitos bancários feitos pelo consórcio à recorrente, com a concreção de omissão de receitas legalmente presumida. As provas indiretas ainda indicam que se trata de receitas de prestação de serviços à prefeitura. BIS IN IDEM TRIBUTAÇÃO NA SUPOSTA SÓCIA OSTENSIVA Ao aparente sócio ostensivo cabe reconhecer como receita somente a parcela que lhe cabe, como consequência da conjugação do contrato firmado com a prefeitura com o ajuste feito com a recorrente e da prevalência da substância sobre a forma em matéria contábil. Ou, ainda, no limite, o reconhecimento do valor recebido ou a receber da prefeitura e de despesa correspondente ao repasse feito ou a ser feito à recorrente. Isso nada tem de ver com bis in idem. PEDIDO DE PERÍCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 03 78 /2 00 8- 85 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 161 2 Do exame do que consta nos autos, a perícia é desnecessária ademais do que para o pedido de perícia é impositiva a formulação de quesitos, conforme o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE EM RECEITA CONHECIDA A escrituração contábil da recorrente se revela imprestável. Só há o Livro Diário de 2005 (sem o Livro Razão), na qual não consta nenhum lançamento contábil; só há transcrições de balancetes, de balanço e da DRE zerada. Arbitramento do lucro, respectivamente, para fins de IRPJ e de CSLL, com aplicação dos coeficientes de 38,4% e de 32% sobre as receitas conhecidas, que não merece reparos. PIS, COFINS REGIME CUMULATIVO Diante do arbitramento do lucro, correta a exigência de PIS e de Cofins sob o regime cumulativo, sobre as receitas omitidas, que se consideram de prestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 162 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração, cuja ciência se deu em 7/2/2008, em que há a exigência do pagamento de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, referentes ao anocalendário de 2005, além de multa proporcional de 75% e de juros moratórios, decorrentes da omissão de receitas. No Termo de Verificação Fiscal se descreveu o seguinte. Primeiramente, atestouse que a recorrente apresentou todos os documentos requeridos pela fiscalização. Consignou que o Instrumento Particular de Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação prevê a recorrente como sócia oculta e o Consórcio SANETER/ENOPS como sócio ostensivo, e determina que o objeto desse contrato é a prestação de serviço de gestão comercial à Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú. Apontou que, por meio da análise do contrato retromencionado e dos artigos 991 e 993, do Código Civil, é possível concluir que há a descaracterização da SCP constituída entre a recorrente e o Consórcio SANETER/ENOPS, pois a recorrente, ao fornecer produtos de informática e dar suporte técnico à Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú, possui participação ativa na relação do Consórcio SANETER/ENOPS (sócio ostensivo) com a Prefeitura, não agindo, dessa forma, como sócia oculta. Atestou que a recorrente, em resposta à intimação realizada pela fiscalização acerca da necessidade de comprovação da origem dos depósitos realizados na sua conta corrente no total de R$ 125.100,00, informou que o lançamento efetuado em 7/10/2005, no valor de R$ 20.000,00, decorreu de empréstimo realizado através da UNICRED Florianópolis, e que os demais depósitos, no montante de R$ 105.100,00, foram realizados pelo Consórcio SANETER/ENOPS. Nesse sentido, a fiscalização aceitou a comprovação do depósito no valor de R$ 20.000,00, mas aprofundou a investigação acerca dos depósitos realizados pelo Consórcio SANETER/ENOPS. Afirmou que a recorrente não tributou os valores recebidos em decorrência do contrato firmado entre ela e o Consórcio SANETER/ENOPS, de acordo com trecho do Termo de Verificação Fiscal, infratranscrito (fls. 79 do eprocesso): “No decorrer dos trabalhos de auditoria constatouse que a contribuinte não tributou valores recebidos em sua conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil oriundos do instrumento particular firmado entre ela e o CONSORCIO SANETER/ENOPS. Segundo argumentação apresentada pela empresa, em resposta fornecida no dia 09/10/2007 (fl. 006), os valores recebidos não foram efetivamente reconhecidos como receita, pois não foi emitida nota fiscal correspondente. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 163 4 Conforme descrito no item 4 acima, a Fiscalização entende que os valores recebidos através de depósitos efetuados na conta corrente da empresa fiscalizada, mantida junto ao Banco de Brasil, constituemse em receitas auferidas no decorrer do ano fiscalizado, pois o contrato firmado entre a ACQUASERVICE e o CONSÓRCIO SANETER/ENOPS e, na verdade, um contrato de prestação de serviço com a disponibilização de produtos de informática, estando descaracterizado, nos termos do Código Civil, como sendo de constituição de uma Sociedade por Conta de Participação (SCP). Assim, a empresa ACQUASERVICE deixou de apurar os tributos federais oriundos da prestação de serviços e da disponibilização de produtos de informática à Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú, através do contrato firmado entre a prefeitura e o CONSÓRCIO SANETER/ENOPS. (...)” Registrou que as empresas SANETER e ENOPS não informaram os valores decorrentes das suas participações como sócias ostensivas na SCP. Colacionou o artigo 24 da Lei 9.249/95 e artigo 42 da Lei 9.430/96, e afirmou que os valores não tributados recebidos pela recorrente em decorrência do contrato de prestação de serviços firmado com o Consórcio SANETER/ENOPS e a Prefeitura de Camboriú serão considerados como receitas omitidas nas bases de cálculo para a apuração dos tributos em questão. Evidenciou que a recorrente apresentou a sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2005, a qual informa sua inatividade durante o ano de 2005, e o seu Livro Diário (fls. 29 a 43), o qual demonstra que não foi contabilizada a movimentação financeira de sua conta corrente mantida em seu nome junto ao Banco do Brasil, o que demonstra a precariedade da contabilidade da recorrente no período fiscalizado e traz uma contradição às informações prestadas por ela à Secretaria da Receita Federal. Apontou que o critério adotado para o arbitramento dos lucros para fins de IRPJ do anocalendário de 2005 foi o da receita bruta conhecida. Nesse sentido, estabeleceu que, de acordo com o artigo 532 do RIR e o artigo 41, I, §§ 6º ao 10º, da Instrução Normativa SRF 93/97, e se considerando que a recorrente atua na prestação de serviços e disponibilização de produtos de informática, o percentual a ser utilizado sobre a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ corresponde a 38,4%. Por fim, colacionou os seguintes quadros, de fls. 82 e 83 (eprocesso), que demonstram o valor do crédito tributário devido, no montante total correspondente a R$ 25.865,28: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 164 5 DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 107 a 109 (e processo). Primeiramente, afirmou que o contrato firmado entre a recorrente e o Consórcio SANETER é legitimo, e que esse possui como objetivo a exploração de serviços de gestão comercial do sistema de abastecimento e distribuição de água do município de Balneário Camboriú. Afirmou que a legislação vigente não exige maiores formalidades para a constituição da SPC, e que o contrato retromencionado produz efeitos somente entre os sócios. Quanto ao registro da fiscalização no sentido de que está descaracterizada a constituição da SCP, buscou evidenciar que essa está incorreta, pois a recorrente não possui qualquer responsabilidade ou participação direta no contrato estabelecido entre o Consórcio SANETER e a Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú que motivasse a descaracterização da SCP. Consignou que não deve prosperar a cobrança realizada pela fiscalização, pois essa não possui substrato legal e caracteriza o bis in iden, já que os lançamentos efetuados pelo Consórcio SANETER (sócio ostensivo) foram calculados sobre a integralidade dos créditos recebidos. Nesse sentido, colacionou jurisprudência, e apontou que o bis in iden não é admitido pelo Direito Tributário e foi expressamente vedado pelo artigo 154, I, da CF. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 165 6 Apontou que a fiscalização extrapolou sua competência ao realizar o lançamento com base em supostas infrações e construir a tese hipotética de que a SCP está descaracterizada. Por fim, requereu o acolhimento da presente impugnação, a fim de que seja cancelado todo o débito fiscal reclamado. DA DECISÃO DA DRJ Em 28/3/2013, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, afirmou que, na realidade, a questão relevante desse processo referese à natureza dos recursos ingressados nas contascorrentes da recorrente, e que a caracterização da relação contratual existente entre essa e o Consórcio SANETER/ENOPS, só afetará o presente processo quando interferir na natureza desses recursos. Apontou que, nos termos do artigo 991 do Código Civil, na SCP, há os sócios ostensivos, os quais devem exercer a atividade econômica e se obrigam pessoalmente perante terceiros, e os sócios ocultos, que somente participam do resultado, tendo responsabilidade apenas perante o sócio ostensivo. Consignou que a não tributação dos valores recebidos não decorre da caracterização da SCP, mas sim da correspondência dos valores recebidos com a hipótese de isenção legal. Quanto a isso, transcreveu os artigos 148 e 149, do RIR e o artigo 10 da Lei 9.249/95. Nesse sentido, estabeleceu que a incidência ou não dos tributos em questão sobre os valores ingressados na contacorrente da recorrente, deve se vincular à natureza desses recursos. Sendo assim, se os recursos forem tidos como lucro ou dividendos recebidos, devese afastar a tributação, e se esses forem considerados como remuneração ou contrapartida de prestação de serviços, devese incidir a tributação de acordo com as regras especificas de cada tributo. Acentuou que, por meio da análise das cláusulas 1, 2 e 3 do Instrumento Particular de Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação, é possível concluir que a recorrente possui as obrigações contratuais de prestação de serviços, além do fornecimento e disponibilização de produtos de informática. Colacionou as cláusulas 4 e 6 do Instrumento Particular de Contrato de Constituição de Sociedade em Conta de Participação, e afirmou que o uso do termo “repasse” indica que foi a impugnante quem prestou serviços à Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú, tendo o Consórcio SANETER/ENOPS atuado apenas como intermediário, sendo o responsável pela efetivação da prestação de serviço e pela transferência do valor pago pela Prefeitura à recorrente. Apontou que os recursos que transitaram na contacorrente da recorrente, devido ao contrato firmado com o Consórcio SANETER/ENOPS, possuem natureza de receita decorrente da prestação de serviços, estando sujeitos à incidência do IRPJ, CSL, PIS e Cofins. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 166 7 Evidenciou que a afirmação da recorrente quanto à ocorrência do bis in idem está incorreta. Isso porque o fato gerador do IRPJ e da CSL é a geração de resultado tributário e não houve dupla incidência sobre o mesmo resultado, e devido ao fato de os recursos ingressados na contacorrente da recorrente terem natureza de receita auferida em razão da prestação de serviços. Estabeleceu que, no caso de IRPJ e CSL, estes incidem sobre o resultado positivo obtido por cada pessoa jurídica em um determinado período de apuração. Consignou que os recursos que ingressaram na contacorrente da recorrente deveriam ter sido contabilizados como receitas oriundas da prestação de serviço e confrontados com os custos e despesas a elas relacionados. Nesse sentido, registrou que, na ausência desses registros contábeis, a fiscalização determinou o resultado para o período de apuração com base nas regras de arbitramento do lucro, e sobre esse resultado aplicou as alíquotas previstas nas respectivas legislações. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 151 a 156 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação, acrescendo o que segue. Primeiramente, após realizar uma breve síntese do histórico da recorrente, afirmou que o atual Código Civil não pode determinar a base fática do lançamento efetivado. Isso porque a Constituição Federal prevê que a lei não pode prejudicar o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, e devido ao fato de o presente lançamento discutir questões referentes ao ano calendário de 2005. Consignou que, nos termos dos artigos 148 e 149, do RIR, a SCP está equiparada à pessoa jurídica, e que a apuração dos lucros dessa sociedade deve ser feita de acordo com as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. Nesse sentido, transcreveu o inciso II do artigo 254 do RIR. Apontou que a recorrente não possui o poder de exigir uma auditoria contábil e fiscal nos livros do Consórcio SANETER/ENOPS (sócio ostensivo), bem como não pode determinar a apuração do resultado na contabilidade do Consórcio. Acentuou que, tendo em vista que a lei prevê a maneira como deve ser apurado o lucro pela sócia ostensiva da SCP, o contrato firmado entre a recorrente e o Consórcio SANETER/ENOPS não determina a apuração e o recolhimento do IRPJ e da CSL pela recorrente, não podendo essa ser responsável pelas obrigações da sócia ostensiva. Atestou que a recorrente recebia o valor, já tributado, referente a sua parte nos lucros da atividade da SCP. Nos termos do artigo 118 do CTN, a recorrente não é responsável pelos recolhimentos abrangidos pelos autos de infração, pois, além de os valores recebidos por ela serem insuscetíveis de tributação, por já terem sido tributados quando da apuração do resultado Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 167 8 na contabilidade do Consórcio SANETER/ENOPS, é evidente que a única responsável pelos recolhimentos em questão é o Consórcio (sócio ostensivo). Afirmou que a realização de uma perícia na contabilidade do Consórcio SANETER/ENOPS encerraria a presente discussão, demonstrando que a recorrente não é responsável pela exigência prevista nos autos de infração. Nesse sentido, afirmou que o CARF possui a competência para determinar a realização dessa perícia. Registrou que, caso os tributos incidentes nas operações da SCP não tenham sido recolhidos pelo Consórcio SANETER/ENOPS (sócio ostensivo), é ele quem deve ser responsabilizado por isso. Por fim, requereu a realização de perícia e a reforma da decisão recorrida, de forma a desconstituir o lançamento fiscal em questão. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 168 9 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 150 e 151 do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como bem pontuou o acórdão de origem, a questão da descaracterização da sociedade em conta de participação (SCP) da qual a recorrente seria sócia oculta ocupa posição incidental na lide, na medida em que interfira na questão da origem dos recursos supostamente omitidos. Ou seja, a questão da simulação da SCP é incidental, pois a questão central se dá na omissão de receitas de depósitos bancários de origem incomprovada – presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/961. Na fl. 63 se vê que houve a intimação da recorrente para comprovação da origem dos depósitos bancários em favor dessa, indicados de forma individualizada. Os requisitos formais para aplicação da hipótese legal de presunção de omissão de receitas estão presentes – a individualização dos créditos ou depósitos destinados à comprovação de origem é requisito necessário, sob pena de insuficiência fática do protótipo legal para omissão de receitas presumida. Em resposta à intimação (fl. 64), a recorrente informou que o crédito de R$ 20.000,00 se refere a empréstimo contraído da Unicred Florianópolis, acompanhada de 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 169 10 documentação comprobatória. Quanto aos demais créditos, afirmou a recorrente se tratar de empréstimos feitos pelo Consórcio SANETER/ENOPS, igualmente com apresentação de documentos. O autuante reconheceu a origem do crédito de R$ 20.000,00, mas não a dos demais créditos. Verificouse que o Consórcio SANATER/ENOPS era a sócia ostensiva da SCP da qual a recorrente era a sócia oculta. Pois bem. O contrato de constituição da SCP em comentário, de fs. 26 a 29, prevê como objeto social: 1. Objeto: A Sociedade terá por objeto a exploração dos serviços de gestão comercial compreendendo as atividades de manutenção dos cadastros básicos, medição de consumo de água e uso do sistema de esgotamento sanitário, calculo do faturamento, emissão e entrega da conta, controle da arrecadação, e atendimento comercial aos clientes do sistema de abastecimento e distribuição de água do município de Balneário Camboriú SC. Sendo que alem dos serviços, serão fornecidos e disponibilizados pela ACQUASERVICE, produtos de Software e Hardware, que compõem a infraestrutura básica necessária à consecução destes serviços, a fim de atender uma demanda aproximada de 16.000 (dezesseis mil) clientes. Na causa típica de uma SCP estão presentes o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo, enquanto tal, com os investimentos feitos pelo(s) sócio(s) oculto(s), e a repartição dos resultados entre ambas as categorias de sócios. Os investimentos do sócio oculto podem não ser em dinheiro, mas em bens e direitos. Mas a empresa é desenvolvida pelo sócio ostensivo. O art. 991 do Código Civil é expresso, ao dizer que a atividade do objeto social da sociedade é exercida exclusivamente pelo sócio ostensivo: Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. A segunda parte contida na cláusula primeira (objeto) pode gerar alguma dúvida quanto à posição e à atuação da recorrente. Se ela representar somente os investimentos do sócio oculto, seu locus é equivocado (não deveria estar no objeto), embora isso não afete a conclusão sobre a efetividade da SCP. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 170 11 Mas, notese o que preveem as cláusulas segunda e terceira do contrato de SCP: 2. Custeio e execução: A ACQUASERVICE executará os trabalhos inerentes a sua área de especialização, suportando os respectivos custos. 3. Obrigações da ACQUASERVICE: Caberá exclusivamente a ela, a tarefa de manter o sistema comercial operante e atualizado tecnologicamente, bem como prestar os serviços de atendimento ao público, suporte técnico e treinamento dos sistemas de informática, tanto para os seus funcionários como para o pessoal usuário da Prefeitura. A dúvida que possa existir se dissipa com as referida cláusulas. Vejase que a cláusula segunda trata não só de custeio, como de execução. A cláusula terceira completa a atinente à execução – do que? Do objeto da SCP. Em remate, observese o que diz a cláusula quarta: 4. Obrigações do CONSÓRCIO: Competirá exclusivamente ao CONSÓRCIO administração financeira do empreendimento, qual seja o recebimento de valores junto a Prefeitura de Balneário Camboriú, e respectivo repasse do percentual de direito a ACQUASERVICE, representando a sociedade ora instituída sob sua própria e exclusiva denominação podendo oferecer propostas e assinar contratos, ajustando de comum acordo com a ACQUASERVICE as condições de negócio envolvendo a solução proposta observados os limites ajustados entre as partes, conforme cláusula Sexta, infra. A insinceridade da causa da SCP se desnuda. Ou, ainda, em outras palavras, fica demonstrada a incompatibilidade entre a causa intentada ou fim concreto e a causa típica da SCP2. É muito claro, portanto, que a SCP em questão não é uma sociedade em conta de participação, ou seja, a SCP é simulada. Caso de simulação relativa, como ficará mais claro adiante. Não socorre a recorrente o art. 993, parágrafo único, do Código Civil, pelo qual o sócio oculto não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com ele pelas obrigações em que intervier. Aqui, não se trata de tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, mas de empreendimento executado pelo suposto sócio oculto – aliás, empreendimento da aparente SCP só a cargo do suposto sócio oculto. E o suposto sócio 2 Como ensina Emílio Betti, se a discrepância entre a causa típica do negócio e a causa intentada ou o fim prático pretendido relevar uma simples incongruência ou discordância, o fenômeno é de negócio indireto ou de negócio fiduciário. Se a discrepância entre a causa típica e a causa intentada ou fim prático pretendido no negócio revelar uma incompatibilidade entre elas, o que é o fenômeno da simulação. Cf. seu "Teoria geral do negócio jurídico – tomo II”. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003, pp. 278, 279, 285 a 287. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 171 12 ostensivo (Consórcio SANATER/ENOPS) não participa com investimentos, a ensejar a efetividade da SCP, mas com inversão de figuras – sócio ostensivo a recorrente e sócio oculto o Consórcio SANATER/ENOPS. Daí afirmarmos ser a SCP simulada. Mas isso é suficiente para se dizer que os créditos bancários não são de empréstimo feito pela aparente sócia ostensiva? Não. Aqui, ganha importância o que prevê a cláusula sexta do contrato de SCP firmado entre a recorrente e o Consórcio SANATER/ENOPS (SCP que já vimos não ser real): 6. Participações: Caberá a ACQUASERVICE o valor liquido mensal de R$ 51.753,00 (cinqüenta e hum mil setecentos e cinqüenta e três reais) já deduzidos os impostos, sobre o resultado da exploração dos sistemas e serviços, na Prefeitura de Balneário Camboriú objeto do presente contrato, alem do repasse de 50% referente ao aluguel mensal do imóvel, que será ocupado em parte pela Prefeitura, no valor global de R$ 4.660,00 (quatro mil seiscentos e sessenta reais), e do repasse do custo mensal de 2.015 (duas mil e quinze) postagens de Correio, referente aos endereços alternativos a um custo de R$ 0,85 (oitenta e cinco centavos) por fatura, totalizando em média R$ 1.712,00 (hum mil setecentos e doze reais), cujos valores efetivos estarão contabilizados e espelhados pela fatura mensal a ser emitida pelos Correios. O repasse dos valores mensais de cada parcela recebida pelo CONSÓRCIO em favor da ACQUASERVICE, se dará em conformidade com o que foi definido no contrato firmado entre o CONSÓRCIO com a Prefeitura de Balneário Camboriú, e prevalecerão sobre quaisquer tratativas formais ou informais, somente podendo ser alterados por escrito, em documento com a assinatura de ambas as partes. (grifos do original) Daí se vê que a recorrente executava os serviços à Prefeitura de Camboriú, e recebia a remuneração por tais serviços, por meio do Consórcio SANATER/ENOPS, mediante repasse. O Consórcio SANATER/ENOPS firmava o contrato com a prefeitura, sendo, pois, dela credora – porquanto não há indicação de cessão de crédito nos autos, nem de contrato com pessoa a declarar dos arts. 467 a 470, do Código Civil. E repassava a remuneração recebida da prefeitura à recorrente, conforme ajustado na supratranscrita cláusula do acordo. Notese que a simulação do negócio jurídico de constituição da SCP é relativa – como antecipei. O negócio efetivo é o acordo entre as partes quanto ao empreendimento junto à prefeitura, por contrato firmado com essa por uma das partes (o consórcio) e repasse da remuneração à recorrente. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 172 13 Os documentos apresentados junto com a resposta à intimação quanto à origem dos depósitos bancários em favor da recorrente são apenas extratos de transferências – TED – feitas pelo Consórcio SANATER/ENOPS para a recorrente (fls. 66 a 69). Fica evidente a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários com a concreção de omissão de receitas legalmente presumida. Ou seja, da origem dos depósitos bancários feitos pelo Consórcio SANATER/ENOPS para a recorrente. Mais. As provas indiretas são robustas à constatação de que as receitas omitidas representam remuneração pela prestação de serviços à Prefeitura de Camboriú – recebida por meio do Consórcio SANATER/ENOPS. A escrituração contábil da recorrente se revela imprestável. Só há o Livro Diário de 2005 (sem o Livro Razão), na qual não consta nenhum lançamento contábil; só há transcrições de balancetes, de balanço e da DRE zerada – fls. 29 a 43. O arbitramento do lucro para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSL são de rigor, nos termos do art. 530 do RIR/99. Lucro arbitrado com base em receita conhecida, conforme o art. 532 c/c o art., 519, § 6º, do RIR/99 (IRPJ)3 e art. 29 da Lei 9.430/96 c/c o art. 20 da Lei 9.249/95 (CSL)4: 3 Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. […] § 6º. A pessoa jurídica que houver utilizado o percentual de que trata o § 5 o , para apuração da base de cálculo do imposto trimestral, cuja receita bruta acumulada até determinado mês do anocalendário exceder o limite de cento e vinte mil reais, ficará sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n º 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). 4 Lei 9.430/96: Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Lei 9.249/95: Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) § 1º A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4o (quarto) trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (três) primeiros trimestres. (Renumerado com alteração pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o § 4º do art. 15 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000378/200885 Acórdão n.º 1103001.052 S1C1T3 Fl. 173 14 aplicação do coeficiente de 38,4% (32% acrescidos de 20%) e de 32% sobre as receitas omitidas, para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSL, respectivamente. A alegação de bis in idem por tributação no aparente sócio ostensivo é equivocada. Ao aparente sócio ostensivo cabe reconhecer como receita somente a parcela que lhe cabe, como consequência da conjugação do contrato firmado com a Prefeitura de Camboriú com o ajuste feito com a recorrente e da prevalência da substância sobre a forma em matéria contábil. Ou, ainda, no limite, o reconhecimento do valor recebido ou a receber da Prefeitura de Camboriú e de despesa correspondente ao repasse feito ou a ser feito à recorrente. Isso nada tem de ver com bis in idem. Por outro lado, de todas as considerações feitas, é inegável o equívoco da recorrente ao alegar que ela não é responsável pelo pagamento dos tributos dos autos de infração em causa. O pedido de perícia é descabido, porquanto desnecessário, de todo o exposto – ademais do que para o pedido de perícia é impositiva a formulação de quesitos, conforme o art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Os lançamentos de PIS e de Cofins se deram sob o regime cumulativo – fls. 90 a 98. Não merecem reparos tais lançamentos, em face do que foi colocado e do art. 8º, II, da Lei 10.637/02 e do art. 10, II, da Lei 10.833/03. Diante do que ficou deduzido, não assiste razão à recorrente sobre as exigências de IRPJ, de CSL, de PIS e de Cofins. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10983.904509/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 45 09 /2 00 9- 15 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.904509/200915 Acórdão n.º 3301002.086 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório O contribuinte apresentou, em 14/03/2006, o PER/DCOMP nº 23952.02619.140306.1.3.045023, fls. 8/13, para compensação de crédito no valor original de R$ 6.424,40 referente a pagamento a maior de Cofins do período de apuração de dezembro/2004 com débitos de Cofins correspondente ao fato gerador de fevereiro/2006. Em 11/05/2009 a DRF/Florianópolis emitiu Despacho Decisório, fl. 03, indeferindo o direito creditório constante do citado PER/DCOMP em razão de que o valor do DARF relativo ao crédito foi totalmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fl. 02, na qual informa que o valor do DARF referente ao crédito foi informado incorretamente no PER/DCOMP nº 23952.02619.140306.1.3.045023. O DARF correto seria o de R$ 218.000,00 pago em 14/01/2005. A 4ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nos seguintes argumentos, em síntese: que o art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições, estabeleceu que a SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de restituição, de ressarcimento e de compensação; neste sentido, cita os artigos 57, 58, 59 e 73 da IN SRF nº 600/2006, vigente à época do Despacho Decisório, cuja orientação foi mantida pela IN SRF nº 900/2008, os quais estabelecem limites e condições para apresentação de retificação de Declarações de Compensação; que a retificação da DCOMP somente pode ser efetuada pelo contribuinte com o atendimento de determinadas condições, quais sejam, cabe apenas para as declarações pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, e que não tenha por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado. Ainda que cumpridas as duas primeiras condições, a retificação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais. que o “erro de preenchimento” suscitado pela requerente na DCOMP somente poderia ter sido sanado até a ciência do despacho decisório. Não concordando com a citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 23/31, no qual faz as seguintes alegações em síntese: que o seu pedido está embasado no art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, que concede aos contribuintes o direito à compensação, por meio de declaração, de quaisquer Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.904509/200915 Acórdão n.º 3301002.086 S3C3T1 Fl. 12 3 débitos próprios relativos a tributos ou contribuições devidos à Receita Federal, uma vez apurado crédito passível de restituição ou ressarcimento; que para efetuar a compensação foi enviada DCOMP original com o valor do DARF do crédito em valor equivocado; que a decisão da DRJ, da mesma forma que o despacho decisório da DRF, limitouse a tratar da questão formal, não analisando o mérito que é a existência ou não do direito ao crédito; que efetuou o pagamento da Cofins do fato gerador de dezembro/2004, por meio de dois DARF. Um no valor de R$ 138.000,00 e outro no valor de R$ 218.000,00. O valor devido da Cofins para este fato gerador era de R$ 336.877,62. Como a soma dos dois DARF resultou em pagamento de R$ 356.000,00, a diferença de R$ 19.122,38 corresponde a pagamento maior do que o devido, fazendo jus à restituição deste valor; que por meio do PER/DCOMP nº 12223.33759.150.2051.3.04.7086 efetuou a compensação de R$ 12.697,98 restando um saldo de R$ 6.424,40 que foi solicitado no PER/DCOMP referente ao presente processo; que o relatório emitido pelo sistema de controle de DARF da Receita Federal (doc. 4), demonstra claramente que do valor do DARF de R$ 218.000,00, R$ 211.575,60 foi utilizado para quitação do débito de Cofins, restando um saldo, que não possui débito correspondente e não foi “restituído/reservado para restituição”, no valor de R$ 6.424,40, justamente o valor solicitado no PER/DCOMP; que estão comprovados no presente processo o débito, o pagamento e o crédito remanescente em favor do contribuinte apurado pelo sistema da própria Receita, estando clara a liquidez e a certeza dos valores envolvidos, devendo se proceder à extinção do crédito tributário pela compensação, nos termos do art. 156, inc. II do CTN; que o indeferimento de PER/DCOMP por despacho eletrônico, ocasionado por mero erro de preenchimento verificável de plano, pode sim ser revisto por meio de processo administrativo e cita e transcreve jurisprudência administrativa do CARF a confirmar este entendimento. Posteriormente, analisando o recurso, esta turma do CARF, proferiu a Resolução nº 3301000174 convertendo o julgamento em diligência com o objetivo de que fossem respondidas as seguintes indagações: 1) Quais foram os valores pagos a título de Cofins referente ao fato gerador de dezembro/2004? 2) Qual o valor do débito declarado em DCTF da Cofins referente ao fato gerador de dezembro/2004? 3) Se referente a estes pagamentos, há sobra de valor decorrente de pagamento a maior e se é suficiente para a compensação pleiteada no presente processo. Em atendimento à diligência solicitada a autoridade preparadora, proferiu o despacho de encaminhamento de fl. 81, por meio do qual, confirma que houve pagamento a Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.904509/200915 Acórdão n.º 3301002.086 S3C3T1 Fl. 13 4 maior no valor de R$ 6.424,40, que está disponível e que é suficiente para amortizar a compensação pleiteada. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10983.904509/200915 Acórdão n.º 3301002.086 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Com a realização da diligência solicitada está cabalmente demonstrado que houve o pagamento a maior da Cofins referente ao fato gerador de dezembro/2004 e que este pagamento a maior é suficiente para a homologação pleiteada no presente processo. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000151/2003-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
O recurso a ser enfrentado pela Câmara Superior tem como pressuposto o exame da mesma legislação por colegiados administrativos distintos com resultados conflitantes. Diferentes os fatos aplicados à mesma legislação ou diferentes as legislações por aplicar, não se configura a divergência e não se pode conhecer do recurso.
Numero da decisão: 9303-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso por falta de divergência.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 15/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. O recurso a ser enfrentado pela Câmara Superior tem como pressuposto o exame da mesma legislação por colegiados administrativos distintos com resultados conflitantes. Diferentes os fatos aplicados à mesma legislação ou diferentes as legislações por aplicar, não se configura a divergência e não se pode conhecer do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso por falta de divergência. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 15/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA INDUSTRIAL CATAGUASES ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. O recurso a ser enfrentado pela Câmara Superior tem como pressuposto o exame da mesma legislação por colegiados administrativos distintos com resultados conflitantes. Diferentes os fatos aplicados à mesma legislação ou diferentes as legislações por aplicar, não se configura a divergência e não se pode conhecer do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso por falta de divergência. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 15/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 01 51 /2 00 3- 64 Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Dantas Cartaxo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial por meio do qual a Fazenda Nacional contesta a decisão proferida pela Terceira Turma desta Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes – acórdão 340300.669 – que admitiu a inclusão no cálculo do crédito presumido de partes de máquinas, sob o fundamento de que: (...) Nos Acórdãos 20311.219 (RV 133.284, PA 13639.000100/2002 51), 20311.220 (RV 133.285, PA 13639.000046/200163) e 203 11.223 (RV 133.552, PA 13639.000368/200111), julgados na sessão de 22 de agosto de 2006, tendo como Relator o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, fezse consignar o seguinte entendimento comum em suas ementas: "(..) CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. Incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto ern fabricação, ou deste sobre aquele. É o caso dos cilindros utilizados para estampar tecidos. (...)" Nestes precedentes, o Relator teceu os seguintes esclarecimentos a respeito destes insumos: A interessada trouxe aos autos uma declaração de um técnico industrial, seu funcionário (fls. 284), devidamente acompanhada de fotografias, não só do cilindro novo, como deles em uso e também de suas condições após a perda da utilidade (fis. 285 a 291). Mais: não neste, mas no Processo n° 13639.000146/0000, a que pude manusear, trouxe uma amostra de parte do cilindro, cuja análise revela a sua fragilidade e seguramente permite projetar um tempo curto de vida útil. Assim, em face das explicações e dos elementos de fls. 284 a 291, entendo que os tais cilindros amoldamse perfeitamente no conceito de insumos estabelecido no PN CST n° 65/79, devendo, portanto, ser afastada a exclusão correspondente Na medida pois, em que se trata do mesmo insumo adquirido pelo mesmo contribuinte, é de rigor reconhecer o direito de crédito, na linha destes mesmos precedentes, atentos ao fato de se tratar de insumo que se desgasta em contato com o produto industrializado, tendo curto tempo de vida, amoldandose assim ao conceito de insumo explicitado pelo Parecer CST 65/79 Como paradigma de divergência aponta o acórdão 20219.537, no qual se lê: O alcance dos termos empregados pelo art. 147, inciso I, do RIPI198, foi examinado Pela Secretaria da Receita Federal, que exarou o Parecer Normativo CST n2 65/79, no qual ficou claro o Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13639.000151/200364 Acórdão n.º 9303002.604 CSRFT3 Fl. 5 3 entendimento de que o fato de todos os bens registrados no ativo permanente não darem o direito ao crédito de IPI não significa que, a contrario sensu, todos os bens que não precisam ser ativados dão este direito. Em momento algum, no referido Parecer, foi dito que todos os componentes de máquinas e equipamentos, que participam do processo industrial e se desgastam em contato direto com o produto em fabricação, geram direito ao crédito de IPI, como defende a recorrente. Portanto, ,nem tudo o que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como produto intermediário, nos termos; objetivados pela legislação do IPI. Esta conclusão é confirmada pelo item 13 do Parecer Normativo CST ni) 181/74, verbis: "13 Por outro lado, ressalvados os casos: de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados as instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas,.mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e 'combustíveis necessários ao seu . acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas,' tijolos refratários usados em fornos de fusão de metals, tintas e labrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc." Nos termos dos dois pareceres acima referenciados, e em consonância com o disposto no inciso I do art. 147 do RIPI198, não se pode admitir o creditamento do IPI pago na aquisição de partes e peças de máquinas e equipamentos industriais, pois o simples fato de estes elementos manterem contato físico com o produto fabricado e se desgastarem durante o processo industrial não é elemento suficiente para o exercício deste direito. Neste contexto, a jurisprudência trazida à colação, tanto a do STJ quanto as deste Segundo Conselho de Contribuintes, não se prestam para o fim colimado pela recorrente. O recurso foi admitido pelo Presidente, à época, da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF em despacho que consta às fls. 452/453. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Apesar da posição manifestada pelo i. Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, entendo que o recurso não pode ser admitido. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Para justificar essa minha posição transcrevi as passagens dos acórdãos recorrido e “paradigma” que, a meu ver, indicam que não se está diante de posições antagônicas. É que no acórdão atacado o relator, Conselheiro Ivan Allegretti, fez uso das abalizadas considerações do conselheiro Odassi Guerzoni em outros processos no sentido de que as peças em discussão, ainda que integrantes de máquinas – e disso não há dúvida – não se incluem no ativo permanente por que o seu desgaste é rápido o suficiente para que, aplicando os preceitos contábeis, ali não se incluam. Já o acórdão trazido pela Fazenda Nacional tratou genericamente das peças de máquinas que entram em contato com o produto e se desgastam no processo produtivo em decorrência disso. Reforça o entendimento deste relator no sentido de que, ao invés de conflitantes, os dois acórdãos são confluentes a parte negritada no voto do dr. Zomer: se ele afirma que “nem todos os bens que não são ativados dão direito” é porque, para alguns, o reconhece. Quais são eles não está expresso no voto, apenas está que não basta que as partes e peças se desgastem no processo produtivo (não se discute a vida útil). Ora, se a decisão atacada se alicerça exatamente no fato de que os produtos inicialmente glosados pela fiscalização tinham vida útil inferior àquela que torna imperiosa sua inclusão no ativo permanente, era esse o ponto que deveria ser enfrentado no paradigma para que a divergência se configurasse. Dito de modo mais claro: serviria como paradigma decisão que dissesse que, independentemente de sua vida útil e, conseqüentemente, de obrigatória inclusão ou não no permanente, toda e qualquer parte de máquina não dá direito a crédito do IPI mesmo que o seu desgaste se dê por contato físico com o produto em elaboração. O “paradigma” intentado não chegou a tanto. Não configurada a divergência necessária à admissibilidade do especial, voto por dele não conhecer. É o voto JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10680.932871/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 71 /2 00 9- 82 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 142 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de CSLL e de IRPJ de junho de 2008 com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2005 no valor de R$ 3.643.669,58, por meio do PER/DCOMP de fls. 40 a 45, enviado em 4/8/2008. O despacho decisório eletrônico de fl. 30, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 143 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 9), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 58 a 59): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de fevereiro/2005 no montante de R$ 3.643.669,58, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do CSLL (estimativa mensal) para o período, “apurando base negativa da Contribuição Social”, de modo que, “acabou por gerar o recolhimento indevido do montante anteriormente recolhido no valor de R$3.643.669,58”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 144 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 56 a 70): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 145 5 ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 15/4/2010 (fl. 75), o contribuinte apresentou, em 12/5/2010, o recurso voluntário de fls. 77 a 89, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 31/3/2005, enquanto o próprio Fisco, no Despacho Decisório 848544520, reconhece que o período de apuração é 28/2/2005; e (ii) no Relatório do Acórdão, o Fisco fez constar que “tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 3.622.578,88”, ao invés de consignar o valor correto do pagamento indevido/a maior, no montante de R$ 3.643.669,58; b) descabida foi a rejeição de nulidade do acórdão recorrido, pois, na impugnação, não se pleiteou qualquer nulidade do despacho decisório; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 146 6 c) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; d) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar a CSLL deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício da CSLL, desde que dentro do prazo legal. No caso, verificou, após a entrega da sua DIPJ, que tinha deixado de fazer exclusões. Assim, verificado o erro posteriormente refez a apuração de IRPJ/CSLL mensal de fevereiro de 2005 e retificou a DIPJ 2006 (anobase 2005). Nesse caso, o direito à restituição surge após constatado o erro; e) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; f) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 140. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de fevereiro de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 31/3/2005, enquanto o correto é 28/2/2005; e (ii) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 147 7 no início do seu relatório, consta que o pagamento indevido/a maior é de R$ 3.622.578,88, quando o valor correto é R$ 3.643.669,58. De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (31/3/2005 – DARF fl. 33), quando o correto seria 28/2/2005, por se tratar da estimativa de fevereiro de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a indicação, no início do relatório do acórdão de 1a instância, do valor de R$ 3.622.578,88 como pagamento indevido é facilmente compreendida com a simples observação do conteúdo da tabela constante do item 2 do relatório, que classifica esse valor como o crédito utilizado na compensação. Logo abaixo, nos itens 5.2 e 5.2.1, os valores do pagamento original e da parte recolhida a maior estão descritos. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, bem como qual o seu valor, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 148 8 O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de fevereiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932871/200982 Acórdão n.º 1102001.056 S1C1T2 Fl. 149 9 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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