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4688914 #
Numero do processo: 10940.000996/97-10
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 1999
Ementa: MULTA DE OFÍCIO - ESPÓLIO - Tendo em vista a previsão da Lei nº 5.844, de 1943, o imposto apurado após a abertura da sucessão, mesmo quando relativo ao ganho de capital, somente está sujeito à multa de mora. Inteligência do art. 9º, c/c arts. 24 e 999, I, "c" do RIR, de 1994. GANHO DE CAPITAL - CUSTO DE AQUISIÇÃO - IMÓVEL E BENFEITORIAS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO - O valor do imóvel e das benfeitorias indicados na declaração de rendimentos e não impugnados pelo fisco devem ser considerados como custo de aquisição na apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL - ESCRITURA PÚBLICA - CUSTO DE AQUISIÇÃO - Havendo prova nos autos do efetivo valor pago na aquisição do bem, mediante escritura pública, este é o custo de aquisição a ser observado na apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL - DATA DA ALIENAÇÃO - INCORPORAÇÃO PARA AUMENTO DE CAPITAL - Quando o sujeito passivo manifesta e concretiza claramente a incorporação de imóveis no aumento do capital de sociedade, esta será a data da alienação, independente do cumprimento das formalidades legais. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-17300
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I - excluir o ganho de capital do imóvel relacionado às fls. 136; II - admitir como custo de aquisição do imóvel relacionado às fls. 99 dos autos o valor de 191,60 UFIR; e III - para excluir a multa de ofício.
Nome do relator: João Luís de Souza Pereira

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MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10940.000996/97-10 Recurso n°. : 119.940 Matéria • IRPF - Exs.: 1995 e 1997 Recorrente : ARAGÃO DE MATTOS LEÃO (ESPÓLIO) Recorrida - : DRJ em CURITIBA - PR Sessão de : 08 de dezembro de 1999 Acórdão n°. : 104-17.300 MULTA DE OFÍCIO. ESPÓLIO - Tendo em vista a previsão da Lei n° 5.844, de 1943, o imposto apurado após a abertura da sucessão, mesmo quando relativo ao ganho de capital, somente está sujeito à multa de mora. Inteligência do art. 9°, do arts. 24 e 999, I, gc* do RIR, de 1994. GANHO DE CAPITAL - CUSTO DE AQUISIÇÃO. IMÓVEL E BENFEITORIAS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO - O valor do imóvel e das benfeitorias indicados na declaração de rendimentos e não impugnados pelo fisco devem ser considerados como custo de aquisição na apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL - ESCRITURA PÚBLICA - CUSTO DE AQUISIÇÃO - Havendo prova nos autos do efetivo valor pago na aquisição do bem, mediante escritura pública, este é o custo de aquisição a ser observado na apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL - DATA DA ALIENAÇÃO - INCORPORAÇÃO PARA AUMENTO DE CAPITAL - Quando o sujeito passivo manifesta e concretiza claramente a incorporação de imóveis no aumento do capital de sociedade, esta será a data da alienação, independente do cumprimento das formalidades legais. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ARAGÃO DE MATTOS LEÃO (ESPÓLIO). ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para: I - excluir o ganho de capital do imóvel relacionado às fls. 136; II - admitir como custo de aquisição do imóvel relacionado às fls. 99 dos autos o valor de 191,60 UFIR; e III - excluir a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. „ ,. . -,''-' -.. -.... MINISTÉRIO DA FAZENDA ••n , 1 :. -'Z PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'f.'' QUARTA CÂMARA Processo n°.. : 10940.000996/97-10 Acórdão n°. : 104-17.300 • LEI MARIA SCHERRERs LEITÃO PRESIDENTE tJ•e LUÍS DE Á• P IRA 17 MAR 21Jud FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO e REMIS ALMEIDA ESTOL. 1 • ' 2 gg • K: MINISTÉRIO DA FAZENDA St • 1 1 n:".: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10940.000996/97-1 O Acórdão n°. : 104-17.300 Recurso n°. : 119.940 Recorrente : ARAGÃO DE MATTOS LEÃO (ESPÓLIO) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão monocrática que manteve a exigência do IRPF relativo ao ganho de capital na alienação de imóveis, conforme crédito tributário constituído pelo auto de infração de fls. 164/169, com base nos demonstrativos de apuração do ganho de capital de fls. 99/100; 113/114; 116/117; 136; 1571158; 161/162, nos exercícios de 1995 e 1997. Às fls. 176/187 o sujeito passivo apresenta sua impugnação, sustentando, em apertada síntese, que: (a) descabe a imposição da multa de ofício: (b) em relação ao demonstrativo de fls. 99/100 houve verdadeiro equívoco, porque o custo de aquisição do imóvel (NCz$ 53,85) refere-se a apenas parte da área, sendo certo que as áreas restantes foram adquiridas através de outras escrituras de cessão de direitos; (c) a incorporação de imóveis para aumento de capital, tendo em vista tratar-se de ato que deve observar formalidades legais, somente ocorreu em 20 de março de 1996, ocasião em que foi registrada a 16' Alteração Contratual na Junta Comercial do Paraná; (d) em relação ao demonstrativo de fls. 136, não há como prevalecer o lançamento porque deve-se utilizar para fins do custo de aquisição o valor que serviu de base para o recolhimento do imposto de transmissão; como se isso não bastasse, verifica-se que o sujeito passivo fez constar em sua declaração de rendimentos não só o valor atribuído aos terrenos ,pa declaração do exercício 1992, repetindo estes valores até o período-base 1996,. qt.lando alienou os terrenos e a construção, apurando prejuízo na operação. Juntou os documentos de fls. 188 a 226. 4(5›. 3 ,, . ,,,'4- MINISTÉRIO DA FAZENDA ''''n,,--',1- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10940.000996/97-10 Acórdão n°. : 104-17.300 Na decisão de fls. 229/233, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR mantém integralmente o lançamento sob os seguintes fundamentos: (a) 1 tratando-se de imposto mensal e definitivo, descabe o afastamento da multa de ofício; (b) que em relação à área de 86.900m2 o custo de aquisição foi devidamente apurado, posto que 10 alqueires não correspondem a 24.200m2, mas a 242.000m2, sendo certo que 86.900m2 correspondem a 3,59 alqueires o custo de aquisição é efetivamente NCz$ 53,85; (c) relativamente às áreas de 428.860,70m2 e 8.092,00m2, deve-se observar que o custo apurado às fls. 157 e 161 está de acordo com o R.0216899 da matrícula do imóvel 6899 do registro de imóveis da Comarca de Irati, não havendo qualquer documento juntado aos autos pelo sujeito passivo que sustente sua argumentação; (d) que a incorporação de imóveis para aumento de capital efetivamente ocorreu através da escritura pública, documento que possui valor probante: (e) que os valores consignados nas declarações de ajuste anual e os relativos à base para o ITBI não podem ser aproveitado, porque não estão comprovados documentalmente. Inconformado, o sujeito passivo interpõe o recurso voluntário de fls. 239/257 através do qual, basicamente, ratifica os termos de sua impugnação. i Processado regularmente em primeira instância, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. 1 ...4.......É o Relatório /..... 4 _ - - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n° 10940.000996197-10 Acórdão n°. : 104-17.300 VOTO Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA, Relator O presente recurso é tempestivo e está de acordo com os pressupostos legais e regimentais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Inicialmente, acato o requerimento de exclusão da multa de ofício. De fato, a exigência da penalidade àqueles que em nada concorreram para a infração é descabida e afronta, analogicamente, os princípios constitucionais que impedem o cumprimento de penalidade por pessoa diversa do infrator. Além disso, não se pode esquecer que a matriz legal da aplicação da multa de mora - Lei n° 5.844/43 - surgiu em momento em que todo o imposto devido era devido na declaração anual, inclusive aquele decorrente do ganho de capital. Por tal razão, não pode prevalecer o entendimento segundo o qual esta multa não alcançaria o imposto devido em razão do ganho capital. (art. 9 0 • c/c arts. 24 e 999, I, "c" do RIR/94). Também excluo a "exigência do imposto sobre o ganho de capital demonstrado às fls. 136. Inegavelmente, não se trata da alienação apenas de lotes do terreno. Os elementos de convicção que surgem dos autos deixam claro que as benfeitorias sobre o imóvel também foram alienadas em 1996. Da mesma forma não restam dúvidas que tanto os lotes de terreno quanter'ás benfeitorias constam das declarações de rendimentos apresentadas pelo recorrente no período compreendido entre 1992 e 1996. Ademais, os valores consignados nas declarações de rendimentos do reco/Tente não foram contestados 5 , • - . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10940.000996/97-10 Acórdão n°. : 104-17.300 pela autoridade lançadora, daí porque aceito-os como corretos, consequentemente afasto a existência do ganho de capital. Já em relação ao ganho de capital demonstrado às fls. 99, vejo que deve ser ajustado o custo de aquisição do imóvel. Isto porque o imóvel foi adquirido pelo valor de NCz$ 150,00. Embora o valor constante da adjudicação seja diverso, o fato é que em 14 de março de 1989 a área foi adquirida e o preço pago na ocasião foi exatamente NCz$ 150,00. Assim, por mais que possam Ter sido agrupadas outras áreas, o imóvel cujo ganho de capital está descrito às fls. 99 foi adquirido por NCz$ 150,00, conforme se depreende do documento de fls. 104. Nesta ordem de idéias, havendo suficiente comprovação nos autos da data e do valor da aquisição, descabe a aplicar a proporcionalização efetuada pelo fisco, tampouco considerar o custo de aquisição pretendido pelo recorrente. Assim, deve ser admitido como custo de aquisição do imóvel cujo ganho de capital está demonstrado às fls. , 99 o valor de 191, 60 UFIR. Finalmente, destaco que não assiste razão ao recorrente naquilo que concerne à data da efetiva incorporação do imóvel para aumento de capital da sociedade. Conquanto a incorporação deva atender a requisitos legais, a questão de fato está suficientemente demonstrada nos autos. Indiscutivelmente o recorrente em 14 de novembro de 1994 concretizou sua manifestação de vontade em incorporar os !Delis adquiridos no capital da sociedade da qual fazia parte. Se o meio utilizado não foi 'atrequado - ou em desacordo com os requisitos especificamente previstos em lei para tanto - o fato é que naquela data, e mediante escritura pública, os bens foram alienados e saíram da posse direta do recorrente, 6 fr . - • . ,‘.' MINISTÉRIO DA FAZENDA Nr • : y, _ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '''Lt•.,'.> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10940.000996/97-10 Acórdão n°. : 104-17.300 Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: (i) excluir o ganho de capital do imóvel relacionado às fls. 136; (ii) admitir como custo de aquisição do imóvel relacionado às fls. 99 dos autos o valor de 191,60 UFIR e (iii) excluir a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 08 de dezembro de 1999 , À - Ag I . I' 4 , J • 1.è'0 LUÍS DE S • 1 ' • e' EIRA , , f... , ., _ ...- , 7, , , Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1

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4691440 #
Numero do processo: 10980.007222/00-85
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - Verbas referentes à conversão em espécie de férias, abonos e licenças-prêmios possuem natureza tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Não se subsumindo os fatos que deram origem ao lançamento a processo judicial em que figura o sujeito passivo, não há que se tratar de renúncia à esfera administrativa. Recurso negado.
Numero da decisão: 106-14.030
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: José Carlos da Matta Rivitti

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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA --' - g Processo n°. : 10980.007222100-85 Recurso n°. : 137.480 Matéria : IRPF - Ex(s): 1999 Recorrente : OSÓRIO ROBERTO TAMAROZI Recorrida : 4a TURMA/DRJ em CURITIBA - PR Sessão de : 16 DE JUNHO DE 2004 Acórdão n°. : 106-14.030 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - Verbas referentes à conversão em espécie de férias, abonos e licenças-prêmios possuem natureza tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - Não se subsumindo os fatos que deram origem ao lançamento a processo judicial em que figura o sujeito passivo, não há que se tratar de renúncia à esfera administrativa. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por OSÓRIO ROBERTO TAMAROZI. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do -- relatório e voto que7sa . integr. o presente julgado. IJOSÉ R BAMA/ : /AitOS PENHA PRESI NTE e, , i 1 JOsË CARLOS DA M A RIVITTI REATOR FORMALIZADO E : 16 AGO 2004 . . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, ROMEU BUENO DE CAMARGO, LUIZ ANTONIO DE PAULA, GONÇALO BONET ALLAGE, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10980.007222/00-85 Acórdão n° : 106-14.030 Recurso n° : 137.480 Recorrente : OSÓRIO ROBERTO TAMAROZI _ RELATÓRIO • • Contra Osório Roberto Tamarozi foi lavrado, em 03 de outubro de 2000 (fls. 06) MIM com exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 1998, exercícios 1999, com base revisão da Declaração de Rendimentos, na qual foi apontada omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil S/A e dedução indevida a título de previdência privada e FAPI, por não se referir a despesa ao próprio declarante, originando o lançamento de crédito tributário no montante total de R$ 1.641,74. À petição de fls. 92, a DRJ Curitiba, tendo em vista manifestação do Contribuinte de que a omissão de rendimentos referia-se a conversões em espécie de _ férias e licença prêmio, não tributáveis, conforme processo judicial 95.14262-7, solicitou que o Contribuinte juntasse documentos que comprovassem sua participação na referida lide. Em 14.03.03, o contribuinte apresentou extrato da ANABB, onde consta que participa da ação judicial e informa que foi creditado o valor que o banco havia retido para pagamento do IRRF e depositado em juízo enquanto corria a ação (fls. 95 e 96). Às fls. 98, a DRJ Curitiba solicitou que o processo retornasse à DRF Brasília, onde a ação tramitava, para que se juntasse aos autos cópia da relação dos associados da ANABB que participavam do processo. 2 - , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10980.007222/00-85 Acórdão n° : 106-14.030 À petição de fl. 99, a DRF Brasília informou que o referido processo judicial já se encontrava arquivado e propôs encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional DF para que providenciasse o desarquivamento do feito. À petição de fls. 106, a Procuradoria informou que o contribuinte figurava-como impetrante do Mandado de Segurança, processo em epígrafe. À Impugnação de fls. 01, o Contribuinte informou que não houve omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil e que a diferença refere-se à conversão em espécie de férias e licença prêmio que não são tributáveis conforme processo antes apontado. À decisão de fls. 143 e seguintes, a DRJ de Curitiba considerou não impugnada a glosa da contribuição à previdência privada e manteve a cobrança do , imposto implementado. Fundamentou sua decisão, em síntese, no fato de que, ao ingressar com a ação judicial, o contribuinte teria renunciado à discussão de mérito na esfera administrativa. -- -- Em seu Recurso de fls. 153, o Contribuinte alega que o recurso administrativo teria função de impugnar a cobrança da diferença do IRRF retido e não recolhido por força de decisão judicial, a qual já teria S manifestado que as verbas controversas teriam natureza isenta. No mais, solicita o acatamento da Impugnação e o cancelamento da exigência fiscal. ifÉ o Relatório. 3 1___. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10980.007222100-85 Acórdão n° : 106-14.030 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e, tendo em vista que o Recorrente está dispensado da apresentação_ de depósito ou arrolamento no montante equivalente a 30% da exigência fiscal, conforme previsto no artigo 2°, § 7° da Instrução , Normativa n° 264/02, devendo, portanto, ser conhecido. A questão central restringe-se a questionar se verbas referentes à conversão em espécie de férias, abonos e licenças-prêmios teriam natureza tributável, bem como se tais verbas estariam sob o manto da decisão judicial do processo n° 95.14262-7. Da análise da certidão de objeto e pé, anexada pelo próprio Recorrente em seu Recurso (fls. 163), verifica-se que o TRF da 1 a Região deu provimento ao Recurso dos Impetrantes "para que as indenizações por adesão ao Programa de Demissão Voluntária não ficassem sujeitas à incidência do imposto de renda retido na fonte". Constata-se, ainda, da certidão, que o acórdão transitou em julgado e que os autos estão arquivados desde setembro de 2002. Dessa forma, não me parece que a isenção pleiteada pelo Contribuinte está amparada pela decisão judicial, uma vez que, em nenhum momento dos autos, ficou demonstrado tratar-se de PDV, do que decorre, pela análise da legislação e natureza efetiva das verbas objeto do lançamento, que seriam tributáveis, não havendo que se falar, em última instância, em renúncia à discussão na esfera administrativa, muito embora este tenha sido o fundamento da decisão de primeira instância. 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10980.007222/00-85 Acórdão n° : 106-14.030 Sendo assim, nego provimento ao Recurso Voluntário para manter a exigência fiscal em sua totalidade. É como voto. Sala das Se,/ ões - D F, em 16 de ' nho de 2004. it JO RL I ATT ITTI 5 Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.006526/2001-50
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - PROCEDIMENTO FISCAL - ALEGADA FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, em respeito aos ditames legais do art. 10 do Decreto nº. 70.235, de 1972, sob o argumento de que não houve intimação do procedimento de fiscalização, quando consta nos autos a referida intimação. DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS (DOI) - APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - APLICABILIDADE DE MULTA - O contribuinte que, obrigado à entrega da Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a apresenta fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DOI porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. MULTA - DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA (DOI) - APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA - Cabível a exigência da multa por atraso na apresentação da Declaração de Operações Imobiliárias após o prazo de 20 dias fixado na Instrução Normativa SRF n 50, de 1995, tendo por base o disposto no § 1 do art. 15 do Decreto-lei n 1.510, de 1976. Não há de prevalecer o procedimento administrativo previsto na NE CIEF/CSF n 027, de 1990, vez que derrogada pela NE SRF/COTEC/COFIS n 05, de 1996. RETROATIVIDADE DA LEI - PENALIDADE MENOS GRAVOSA - Com a edição da Lei n 10.426, de 2002, a multa por atraso na entrega das Declarações de Operações Imobiliárias passou a seguir esta nova norma e, portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas, no que foram mais benéficas para o contribuinte, às novas determinações, conforme determina o art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Preliminar rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 104-19.920
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Pereira do Nascimento, Meigan Sack Rodrigues (Relatora), Oscar Luiz Mendonça de Aguiar e Remis Almeida Estol que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues

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Recorrida : DRJ-CURITIBA/PR Sessão de : 15 de abril de 2004 Acórdão n°. : 104-19.920 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - PROCEDIMENTO FISCAL - I ALEGADA FALTA DE INTIMAÇÃO - NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, em respeito aos ditames legais do art. 10 do Decreto n°. 70.235, de 1972, sob o argumento de que não houve intimação do procedimento de fiscalização, quando consta nos autos a referida intimação. DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS (DOI) — APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — APLICABILIDADE DE MULTA - O contribuinte que, obrigado à entrega da Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a apresenta fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DOI porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. MULTA — DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA (DOI) — APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA — Cabível a exigência da multa por atraso na apresentação da Declaração de Operações Imobiliárias após o • prazo de 20 dias fixado na Instrução Normativa SRF n° 50, de 1995, tendo por base o disposto no § 1° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.510, de 1976. Não há de prevalecer o procedimento administrativo previsto na NE CIEF/CSF n° 027, de 1990, vez que derrogada pela NE SRF/COTEC/COFIS n° 05, de 1996. RETROATIVIDADE DA LEI — PENALIDADE MENOS GRAVOSA — Com a edição da Lei n° 10.426, de 2002, a multa por atraso na entrega das Declarações de Operações Imobiliárias passou a seguir esta nova norma e, portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas, no que foram mais benéficas para o contribuinte, às novas determinações, conforme determina o art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Preliminar rejeitada. • • • IL 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA te.P-7..t,k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LÍDIA KRUPPIZAK. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Pereira do Nascimento, Meigan Sack Rodrigues (Relatora), Oscar Luiz Mendonça de Aguiar e Remis Almeida Estol que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE NEkb(C4 • • #11/4/CNN1 RE AT§ - DESIGNADO FORMALIZADO / EM: 1 3 MC LUO4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO. 2 S:444 is; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES i;;a4r2t• )" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Recurso n°. : 131.127 Recorrente : LÍDIA KRUPPIZAK RELATÓRIO LÍDIA KRUPPIZAK, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 88/101) contra a decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento de Curitiba- PR, que indeferiu o pedido de cancelamento da cobrança da multa por atraso na entrega da declaração de operações imobiliárias - DOI, referentes ao período compreendido entre janeiro de 1997 e maio de 2001. Isto porque a recorrente teria entregue, as referidas declarações, com atraso, gerando a multa de 1% sobre o valor do ato realizado, no montante de R$ 11.132,00 (onze mil, cento e trinta e dois reais). A recorrente propõe impugnação as fls. 28 a 34, alegando em síntese que o auto de infração não apresentou a necessária discriminação das operações imobiliárias que ensejariam a aplicação da multa cobrada. Isto porque refere a recorrente que no período autuado, compreendido entre janeiro de 1997 e dezembro do mesmo ano, as operações dizem respeito somente às realizadas entre pessoas físicas, sendo que somente em janeiro de 1998 é que foram consideradas também as operações realizadas com pessoas jurídicas. Expressa que neste ponto, o fisco extrapolou os limites de tributar, incorrendo em nulidade. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ""ct-%fii211: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Em ato contínuo, a recorrente discorre que a Constituição de 1988 não recepcionou a delegação de competência constante no art. 15, parágrafo 1° do Decreto Lei 1.510/76. Afirma que está reservada à lei a função de descrever com inteireza as hipóteses de incidência para a imposição de penalidade de forma completa. Ainda, ressalta que, com a redação dada ela Lei 9.532/97, houve expressa supressão do elemento "prazo de entrega", como parte integrante da mencionada obrigação maior de comunicar. Refere que o prazo ficou de fora da hipótese de incidência possível de realização prática do mundo dos fatos de infrações ao dever maior o de comunicar a realização da operação imobiliária. Em ato contínuo, expõe a recorrente que a base de cálculo para a aplicação de eventual multa está equivocado, porquanto que não poderia ser o valor do ato, já que estaria colocando a base de cálculo da penalidade sobre ato praticado por terceiros. Explica que não pode ser qualquer ato, mas sim os praticados pela recorrente, tais como o de lavrar, anotar, averbar ou registrar, tendo como base de cálculo o valor das custas fixadas e taxadas obrigatoriamente pelo Poder Judiciário. Discorre a recorrente que prevalecendo o entendimento de que é devedora da referida multa, deveria esta estar abrangida pela espontaneidade disciplinada no artigo 138 do CTN. Isto porque as entregas com atraso foram todas realizadas de forma espontânea pela recorrente, antes de qualquer pratica de ato fiscal. E por fim, requer a recorrente a redução da multa, na conformidade do art. 8° da Lei 10.426/2002 e nos termos do art. 106 do CTN. O pedido foi indeferido, (fls. 73/81), pela DRJ de Curitiba- PR, tendo como fundamento a obrigatoriedade da apresentação das declarações de operações imobiliárias. Em seu voto a autoridade julgadora sustenta que a recorrente deixa de atacar o mérito, qual 4 • Ce,m, ',e MINISTÉRIO DA FAZENDAxá! 4 to,n --v<ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1f;" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 seja a apresentação das referidas declarações em atraso, discorrendo sua defesa sobre as questões legais tão somente. Em ato contínuo, desconsidera, a autoridade, a ressalva sobre a falta de discriminação entre operações envolvendo pessoas físicas e as que seriam parte também pessoas jurídicas, vez que todas as irregularidades constatadas dizem respeito a fatos ocorridos após janeiro de 1998, não importando tal "discriminen". Insurge-se a autoridade quanto às argumentações de não recepção do art. 15 do Decreto Lei 1.510/76, pela Constituição Federal de 1988, juntando legislação pertinente. Já no que tange à afirmativa da recorrente de que a multa deveria recair sobre os atos normativos, a autoridade contesta expondo que o legislador teria expressamente dito o determinante caso fosse seu interesse, o que não ocorreu, não tendo como interpretar a expressão "valor do ato" como "valor das custas" para comporta a base de cálculo da referida penalidade. Já quanto à discussão a respeito dos princípios constitucionais de proporcionalidade e razoabilidade, proposta pela recorrente, insurge-se o julgador informando que o contencioso administrativo não é foro competente para tanto e sim o Poder Judiciário. Contudo, refere que em obediência ao princípio da legalidade, é dever ajustar o lançamento nos moldes da legislação: art. 106, do CTN, art. 8°, da Lei 10.426/2002, tendo sido reduzida as multas lançadas de valores superiores a R$ 500,00 (quinhentos reais) e reduzindo o valor da multa para 50% lançadas sobre as declarações de operações imobiliárias referentes aos controles de janeiro de 1998 e fevereiro de 1998. O montante da multa que era de R$ 7.482,00 (sete mil, quatrocentos e oitenta e dois reais) para o valor de R$ 3.650,00 ( três mil, seiscentos e cinqüenta reais). Cientificada da decisão que indeferiu o pedido de cancelamento da multa, a recorrente apresentou suas razões de inconformidade tempestivamente, a este Conselho, 5 4.14f#e--,-. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 reportando-se ao já disposto em suas razões de impugnação e acrescentando sua irresignação quanto ao remanescente o da dívida, afirmando que a L. 10.426/02 traz em sua essência o reconhecimento da denúncia espontânea Junta jurisprudência deste Conselho. Alega, ainda, que o procedimento fiscal está em desacordo com as normas procedimentais disposta na Portaria SRF n. 1265/99, art. 4°, porquanto que refere que deveria ter sido intimada no início do procedimento e não no final, em respeito ao princípio da ampla defesa. É o Relatório. 6 *$,.. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 VOTO VENCIDO Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES, Relatora O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente pede o cancelamento da multa cobrada em razão do atraso na entrega da declaração de operações imobiliárias para a qual está obrigada. Argumenta que, preliminarmente, impõe-se à nulidade do Auto de Infração por contrariar a Portaria SRF n° 1.265/99, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução dos procedimentos relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, entendendo que o procedimento fiscal não foi conduzido nos ditames previstos na legislação de regência, devendo a autoridade fiscalizadora ter intimado previamente ao procedimento fiscal, pois, somente desta forma, não teria maculado o direito de ampla defesa da recorrente. Com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n°70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. Importa que se informe que foi expedido Mandado de Procedimento fiscal e que este se encontra perfectibilizado, dentro dos ditames da Portaria que o disciplina, ora em comento. Ademais, conforme se afere, a recorrente foi devidamente intimada do procedimento fiscal, conforme fls. 01 a 03. 7 trt MINISTÉRIO DA FAZENDA 19;11' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Já a discussão a respeito das inconstitucionalidades que sustenta a recorrente, importa que se saliente que não cabe a este Conselho dispor sobre o controle da constitucionalidade, por faltar-lhe competência e também por não ser a via correta para a proposta destras questões. O ordenamento jurídico pátrio dispõe de via legal própria para as discussões sobre inconstitucionalidades de dispositivos de lei ou normas, que deverá valer- se a recorrente para ver dirimidas suas indagações. Da mesma forma, entendo que não seja passível de alegação que a partir da eficácia da Lei n° 9.532, de 1997 (efeitos a partir de 01/01/98), cujo artigo 72, deu nova redação ao § 1° do artigo 15 do Decreto-lei n° 1.510, de 1976, a Secretaria da Receita Federal não poderia estipular o prazo e local de entrega das DOls. Certo está que existem diferenças entre a nova e a antiga redação do § 1° do artigo 15 do Decreto-lei n° 1.510, de 1976, contudo, o fato de não constar expressamente no novo texto legal a expressão "e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal" não tira do órgão responsável (SRF) a competência para definir regras para a apresentação da Declaração sobre Operações Imobiliárias. Se não fosse assim, não existiria a entrega das DOls, sendo inaceitável a argumentação de que sem o prazo "legalmente estabelecido" para fixá-lo, a partir de 01/01/98, ante a inexistência de prazo legalmente estabelecido para cumprimento da entrega da DOI, a inobservância da comunicação à SRF deixou de caracterizar infração. De outra ponta, aplicável no caso o instituto da denúncia espontânea, já que de acordo com legislação de regência, há época dos fatos, a Declaração sobre as Operações Imobiliárias deveria ser apresentada, pelos serventuários da Justiça, até o dia 20 do mês subseqüente ao da lavratura, anotação, averbação ou registro do ato (operação imobiliária) (IN 50/95, art. 8° e 9°), mas o tendo feito antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, há que se beneficiar a recorrente deste instituto. 8 •••-• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44‘:23.0912-:- QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Está provado no processo que a recorrente cumpriu fora do prazo estabelecido a obrigação acessória de apresentação das DOls. Entendo que a denúncia espontânea alberga a prática de ato formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de operações imobiliárias, alcançados pelo art. 138 do CTN. No mérito, cinge-se a discussão do presente litígio em torno da aplicabilidade de multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração de Operações Imobiliárias, conforme previsto no artigo 15 e seus parágrafos do Decreto-lei n° 1.510, de 1976, atualmente regido pelo artigo 8° e seus parágrafos da Lei n° 10.246, de 2002 apenas em seu remanescente, ao qual se insurge a recorrente. Neste contexto, entendendo que ser plausível a aplicabilidade da denúncia espontânea. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões — DF, em 15 de abril de 2004 4Cdjfrchut M leAN SACK ODRI ES 5.91 ,; • si: .; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 VOTO VENCEDOR Conselheiro NELSON MALLMANN, Redator-designado Com a devida vênia da nobre relatora da matéria, Conselheira Meigan Sack Rodrigues, permito-me divergir do seu ponto de vista quanto a espontaneidade. Defende a Conselheira Relatora a tese da espontaneidade albergada no artigo 138 do CTN. Ora, da análise dos autos se verifica que a acusação de mérito que pesa contra o suplicante é tão-somente a aplicação da multa por atraso na entrega das Declarações de Operações Imobiliárias — DOls, relativo ao período de janeiro de 1998 a fevereiro de 2000. Como se vê do relatório, cinge-se a discussão do presente litígio em torno da aplicabilidade de multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração de Operações Imobiliárias, conforme previsto no artigo 15 e seus parágrafos do Decreto-lei n° 1.510, de 1976, atualmente regido pelo artigo 8° e seus parágrafos da Lei n° 10.246, de 2002. Faz-se necessário ressaltar que as mencionadas declarações, apesar de apresentadas a destempo, foram entregues antes de qualquer intimação, procedimento administrativo ou medida de fiscalização tomados pela Secretaria da Receita Federal. lo I . r. '.4),‘n MINISTÉRIO DA FAZENDA tne PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Para o deslinde inicial da questão impõe-se invocar o que diz a respeito do assunto a legislação de regência à época dos fatos. Decreto-lei n° 1.510. de 1976: "Art. 15 — Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2°, § 1 0 1 do Decreto-lei n° 1.381, de 23 de dezembro de 1974. § 1 0 A comunicação deve ser efetivada em formulários padronizados e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. § 2° O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o infrator a multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do ato." Lei n°9.532. de 1997: 'Art. 71. O disposto no art. 15 do Decreto-Lei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplica-se, também, nas hipóteses de aquisições de imóveis por pessoas jurídicas. Art. 72— O § 1° do art. 15 do Decreto-Lei n° 1.510, de 1976, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definidos no art. 2°, § 1°, do Decreto-lei n° 1.381, de 23 de dezembro de 1974. § 1° A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal. 11 tf". •il- MINISTÉRIO DA FAZENDA •70,n-•,?.;:w PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:492.: :' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 § 2° O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o infrator à multa correspondente a 1% (um por cento) do valor do ato." Norma de Execução CIEF/CSF n° 027. de 1990: "CONTROLE DE ENTREGA DE DOI PELOS CARTÓRIOS 5.1 - Cabe à UL controlar se o cartório: 5.1.1 - está entregando as DOI. 5.1.2 - está obedecendo à seqüência de numeração de controle (item 02 quadro A). 5.2 - Para efeito do controle, previsto em 5.1.1 e 5.1.2, a UL preencherá uma planilha (conforme modelo anexo II) para cada Cartório de Notas localizado na área de sua jurisdição, registrando, mensalmente, o cumprimento da obrigação ou a providência tomada. 5.3 - O controle somente será exercido sobre Cartórios de Notas, pois a competência dos Cartórios de Registro de Imóveis e de Títulos e Documentos para emissão de DOI é limitada a casos de reduzida expressão. 5.4 - Os Cartórios de Notas deverão ser solicitados a informar a não realização de transações sujeitas à emissão de DOI, quando tal ocorrer, por meio de comunicação ao DPRF (modelo em anexo IV). 5.5 - Os casos de irregularidade de entrega deverão ser resolvidos pela própria UL, através de remessa de carta ao cartório omisso (modelo V). Esta carta estabelece novo prazo, a critério da própria UL, para o cartório regularizar a sua situação. 5.5.1 - não atendida a "solicitação", a UL expedirá "Representação" a DIVFIS/DRF (modelo em anexo VI) com cópia da carta citada no item 5.5, encaminhando os mesmos por intermédio da DIEF/DRF. 5.6 - A UL encaminhará a DIEF/DRF, até o dia 30 do mês subsequente ao da respectiva recepção os seguintes documentos: 12 te-, MINISTÉRIO DA FAZENDA I=R k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 5.6.1 — as DOI para arquivamento provisório; 5.6.2 — as informações dos cartórios de que não houve realização de transações no período; 5.6.3 — as "Representações" de que trata o item 5.5.1. 5.7 - A DIEF/DRF, no prazo de 10 dias após a recepção, enviará as "Representações" a DIVFIS/DRF ou IRF para os procedimentos legais cabíveis. 5.8 — A DIEF/RF deverá encaminhar mensalmente a DEEF/CIEF relatório estatístico com dados referentes às DOls recepcionadas no mês e até o mês, por Delegacia e Inspetoria. 6. PROCEDIMENTOS FISCAIS 6.1 — A DIVFIS/DRF ou IRF, tomando conhecimento da omissão, através da Representação (anexo VI) selecionará o cartório para fiscalização. 6.1.1 — A Fiscalização acima referida visará à aplicação da penalidade prevista no Decreto-Lei n° 1.510/76." INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 50, DE 30 DE OUTUBRO DE 1995 "Altera o modelo de Declaração sobre Operações Imobiliárias-DOI, aprova o formulário, definindo regras para sua apresentação e dá outras providências. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto no art. 15 do Decreto-Lei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, RESOLVE: (...). Art. 3° O modelo, ora aprovado, deve ser utilizado para comunicar as operações imobiliárias realizadas a partir do dia primeiro de janeiro de 1996, sempre que ocorrer operações que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis, em que participe pelo menos uma pessoa física, cujos documentos forem lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus cartórios. 13 i.N4 •- -fr..... MINISTÉRIO DA FAZENDA ts,/,; sk. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES a;c3,11,1 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 (...). Art. 8° A entrega da DOI deve ser efetuada até o dia 20 (vinte) — do mês subsequente ao da lavratura, anotação, averbação ou registro do ato (operação imobiliária).* NORMA DE EXECUÇÃO SRF/COTEC/COFIS N° 05 DE 13 DE JUNHO DE 1996. 'Aprova instruções para recepção, em disquete e formulário, da Declaração Sobre Operações Imobiliárias — DOI, vigente a partir do ano-calendário de 1996. Estabelece rotinas de verificação preliminar, preparo, remessa ao processamento e determina outras providências fiscais? É cristalino na legislação de regência que o não cumprimento da obrigação de Informar as transações havidas, dentro do prazo fixado, por parte dos titulares dos serviços notariais, obriga a Fisco a lançar a multa prevista no § 2° do art. 15 do Decreto-lei n.° 1.510/76, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. Sem dúvidas, que quanto à discussão sobre a Norma de Execução CIEF/CSF n° 027, de 1990, tem-se que indiscutivelmente, a Norma de Execução compõe o rol de atos administrativos que integram a legislação tributária, devendo ser observadas pelas autoridades encarregadas da administração de tributos. Desta forma, é evidente, a princípio, que a multa somente poderia ser aplicada após o atendimento de todas exigências contidas no citado ato normativo com a concessão do novo prazo para a entrega das DOls, providência essa não observada pela fiscalização. Era neste sentido que caminhava a jurisprudência dominante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica nas decisões abaixo mencionadas: I I 14 - MINISTÉRIO DA FAZENDAfrt. tfr-ji:_frntt: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 ACÓRDÃO 102-42.810, DE 19/03/98: "MULTA - FALTA DE ENTREGA DA DOI - Descabe a aplicação da multa de 1% sobre o valor da operação, prevista no artigo 731, IV do RIR/80, quando a administração tributária não seguiu os procedimentos previstos no subitem 5.5 da Norma de Execução SRF n° 02, de 15.01.86, mantidos na íntegra na NE CIEF/CSRF N° 027, DE 14/09/90." ACÓRDÃO 106-10.395, DE 20/08/98: "IRPF - PENALIDADE - DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - FALTA OU ATRASO NA ENTREGA - Inaplicável a multa prevista por falta ou atraso na entrega da declaração sobre operações imobiliárias - DOI - caso a administração tributária não tenha observado as orientações determinadas pelas normas de execução pertinentes." ACÓRDÃO 102-45.502, DE 21/05/02: "DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - MULTA REGULAMENTAR - Os titulares de Cartórios de Notas devem fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal sobre as operações imobiliárias registradas, sujeitando-se a multa pelo descumprimento desta obrigação. Entretanto, inaplicável a multa sobre o valor da operação imobiliária, quando não atendido os procedimentos administrativos anteriores ao lançamento." ACÓRDÃO N° CSRF/01-03.554, DE 05/11/01: "IRPF - PENALIDADE - DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - FALTA OU ATRASO NA ENTREGA - Inaplicável a multa prevista por falta ou atraso da declaração sobre operação imobiliária - DOI, nos casos em que a administração tributária não tenha observado as orientações determinadas pelas normas de execução pertinentes." ACÓRDÃO N° CSRF/01-03.597, DE 05/11/01: "MULTA PELA FALTA NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS (DOI) - Inaplicável a multa prevista no art. 15 • r. "mi IA it'r MINISTÉRIO DA FAZENDA tt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 731, inciso IV, do RIR/80 quando a Administração Tributária não observou as orientações da Norma de Execução SRF n° 02, de 15 de janeiro de 1986 e Norma de Execução CIEF/CSF n°027, de 14 de setembro de 1990." Entretanto, no caso dos autos, se faz necessário observar que as decisões acima mencionadas não tem efeito no presente processo, já que os fatos geradores aqui discutidos são posteriores a 1° de janeiro de 1996, entrada em vigência da Instrução Normativa SRF n° 50, de 1995 e da Norma de Execução SRF/COTEC/COFIS N° 05, de 13 de junho de 1996. Correto estaria o entendimento se a Norma CIEF/CSF n° 027/90 não tivesse sido derrogado por norma superveniente. Assim, entendo pelo fato de o próprio § 1 0 do art. 15 do Decreto-lei n° 1.510, de 1976, estipular ser competente a Secretaria da Receita Federal para fixar prazo para apresentação das DOI. Da mesma forma, entendo que não seja passível de alegação que a partir da eficácia da Lei n° 9.532, de 1997 (efeitos a partir de 01/01/98), cujo artigo 72, deu nova redação ao § 1° do artigo 15 do Decreto-lei n° 1.510, de 1976, a Secretaria da Receita Federal não poderia estipular o prazo e local de entrega das DOls. Não há dúvidas, que existem diferenças entre a nova e a antiga redação do § 1° do artigo 15 do Decreto-lei n° 1.510, de 1976. Dizia antiga redação: "A comunicação deve ser efetuada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal", enquanto, que a nova redação dada pelo artigo 72 da Lei n° 9.532, de 1997, diz: "A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal". 16 gra- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Entendo, que o fato de não constar expressamente no novo texto legal a expressão "e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal" não tira do órgão responsável (SRF) a competência para alterar, aprovar o tipo de formulário a ser utilizado e definir regras para a apresentação da Declaração sobre Operações Imobiliárias. Se não fosse assim, não existiria a entrega das DOls, ou seja, se a Secretaria da Receita Federal não tinha a competência para fixar o prazo de entrega quem teria? Portanto, é inaceitável a argumentação de que sem o prazo "legalmente estabelecido" e "revogada" a competência antes delegada à Secretaria da Receita Federal para fixá-lo, a partir de 01/01/98, ante a inexistência de prazo legalmente estabelecido para cumprimento da entrega da DOI, a inobservância da comunicação ã SRF deixou de caracterizar infração. Ora, se a própria administração prevê procedimento específico para posterior exigência da multa, nada mais justo que adotar tal procedimento. As Declarações sobre Operações Imobiliárias constantes dos autos, dizem respeito a operações imobiliárias ocorridas após 1° de janeiro de 1996. Logo, não mais sob a égide da Norma de Execução trazida anteriormente mencionada. Não mais vigente o procedimento administrativo previsto naquela Norma de Execução. À época dos fatos geradores, a princípio, vigia, exclusivamente, o prazo de 20 dias previsto na IN SRF n° 50, de 1995. Descumprido o prazo, cabível a exigência da multa. Da mesma forma, inaplicável no caso o instituto da denúncia espontânea, pretendida pela nobre relatora da matéria, já que de acordo com legislação de regência, a época dos fatos, a Declaração sobre as Operações Imobiliárias deveria ser apresentada, pelos serventuários da Justiça, até o dia 20 do mês subseqüente ao da lavratura, anotação, averbação ou registro do ato (operação imobiliária) (IN 50/95, art. 8° e 9°). 17 • I h:uiYF MINISTÉRIO DA FAZENDA ,;;;ZP PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •g2.1$;;.: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo, estabelecido pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento, demonstrado nos autos e admitido explicitamente pelo impugnante, resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa estabelecida no parágrafo 2°, do artigo 15, do Decreto-lei n° 1.510, de 1976. Está provado no processo que o recorrente cumpriu fora do prazo estabelecido a obrigação acessória de apresentação das DOI. É cristalino que a obrigação tributária acessória diz respeito a fazer ou deixar de fazer no interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo. Sendo óbvio que o suplicante pode ser penalizado pelo seu não cumprimento, mesmo não havendo tributo a ser exigido do mesmo. A multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, sendo que a denúncia espontânea da infração só tem o condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. É certo, que sempre foram suscitadas diversas discussões e debates em torno da multa pela falta de apresentação das DOI ou a sua apresentação fora do prazo. Surgindo duas correntes: uma defendendo a aplicabilidade da multa em ambos os caso. Qual seja, cabe a multa independentemente do contribuinte ter apresentado as DOI espontaneamente ou não; a outra, defende a inaplicabilidade da multa em caso de apresentação espontânea, amparado no art. 138, do CTN. Os adeptos à corrente que defende a aplicabilidade da multa em ambos os casos, apoia-se no fundamento de que a multa em questão é de natureza moratória, ou seja, 18 N.1 -41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 14k:: )' QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.00652612001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária. Sendo que a denúncia espontânea da infração só tem condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo, estabelecida pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa estabelecida no parágrafo 2°, do artigo 15, do Decreto-lei n° 1.510, de 1976. Esta corrente entende, ainda, que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo do serviço público e ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior, sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. Os adeptos à corrente que defendem a inaplicabilidade da multa em caso de apresentação espontânea entendem que a denúncia espontânea da infração exime do gravame da multa, com o amparo do art. 138, da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), porque a denúncia teria o condão de evitar ou reparar o prejuízo causado com a inadimplência no cumprimento da obrigação tributária acessória. Estou filiado à corrente dos que defendem a coexistência da multa nos dois casos, ou seja, defendo a aplicabilidade da multa independentemente do contribuinte ter apresentado as DOI espontaneamente ou não. Posição esta mantida na Câmara Superior de Recursos Fiscais. 19 e • he t4' in MINISTÉRIO DA FAZENDA It.,4fre@t" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Com devido respeito às opiniões em contrário, entendo aplicável a multa mesmo nos casos de denúncia espontânea, já que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo do serviço público ou ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior. Sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. É sabido que todo cidadão, sendo ou não sujeito passivo da obrigação tributária principal, está obrigado a certos procedimentos que visem facilitar a autuação estatal. Uma vez não atendidos esses procedimentos estaremos diante de uma infração que tem como conseqüência lógica à aplicação de uma sanção. As sanções pela infração e inadimplemento das obrigações tributárias acessórias são as mais importantes da legislação tributária, pois conforme previsto no CTN quando descumprida uma obrigação acessória, esta se toma pessoal e independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ora, da mesma forma é sabido que a multa de mora tem natureza indenizatória, visa essencialmente recompor, ainda que parcialmente, o patrimônio do Estado pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, é uma pena de natureza tributária. Não pode prosperar a alegação de que a multa só deveria ser cobrada nos casos de não fornecimento da DOI, pois a previsão legal é de aplicá-la sempre que não for cumprido o artigo que prevê o seu fornecimento dentro de um prazo pré-estipulado. 20 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘9V;itrki PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Convém, ainda, ressaltar que as circunstâncias pessoais do sujeito passivo não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do CTN, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, correta está a exigência da multa, pois ficou provado a infração descrita no dispositivo legal (Decreto-lei n°1.510, de 1976). Não haveria mais nada a discutir, haja vista que alegações da recorrente já foram, exaustivamente, analisadas. Entretanto, objetivando um maior esclarecimento, se faz necessário uma análise da possibilidade de aplicação da Lei n° 10.426, de 2002, que altera por completa as normas sobre as DOI, tendo o inciso II, letra "c", do artigo 106, do Código Tributário Nacional. Na regra geral a lei tributária que agrava a situação dos contribuintes não pode retroagir, mas, por outro lado, a alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional admite a retroatividade, em favor do contribuinte, da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. A própria autoridade tributária, através do ADI SRF n° 10, de 20/08/02 que dispõe sobre a "Aplicação no tempo das multas por falta de entrega ou atraso na entrega da DIPJ, da DCTF, da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, da DIRF ou da DOI, declarou, em caráter normativo, que "As multas previstas nos arts. 70 e 8° da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, serão aplicadas retroativamente aos atos ou fatos pretéritos não definitivamente julgados, quando foram mais benéficas ao sujeito passivo". 21 irt MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Diz a Lei n° 10.426, de 2002: "Art. 8° - Os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1° - A cada operação imobiliária corresponderá uma DOI, que deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitando-se, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a 1%, observado o disposto no inciso III, do § 2°. § 2° - A multa de que trata o § 1°: I — terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final à data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração; II — será reduzida: a) à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de ofício; b)a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; III — será, no mínimo, R$ 500,00 (quinhentos reais)." Inicialmente, através de uma interpretação literal simples do texto legal, acima transcrito, é possível concluir que: (1) — é passível de multa a falta de apresentação da DOI ou sua apresentação fora do prazo; (2) — a multa incidirá sobre o valor de cada operação imobiliária (valor de alienação do bem); (3) — a multa aplicada é de 0,1% ao mês calendário limitada a 1% do valor da operação; (4) — a multa será reduzida à metade, caso a 22 • ta MINISTÉRIO DA FAZENDA i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de oficio (entrega fora do prazo, porém de forma espontânea); 5 — a multa será reduzida a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação (apresentada durante o procedimento fiscal, dentro do prazo fixado na intimação para a entrega); e 6 — a multa será de, no mínimo, R$ 500,00 (quinhentos reais). O texto da Lei n.° 10.426, de 2002, não deixa margem a dúvidas de que a cada operação imobiliária corresponde a uma DOI, e que esta deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação e que no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mês-calendário ou fração, limitada a 1% e que esta será de, no mínimo, R$ 500,00 (quinhentos reais). Assim, podemos afirmar que a multa mínima é de R$ 500,00 por cada operação imobiliária que der origem a uma DOI e não por cada fiscalização realizada (Auto de Infração lavrado), sendo que este valor mínimo não é passível de redução. Como, também, podemos afirmar, que desde que atendido as alíneas "a" e "b" do inciso II do § 2° do art. 8° da Lei n.° 10.426, de 2002, a multa será reduzida nos percentuais ali estabelecidos, desde que respeitado o limite mínimo de R$ 500,00 por operação realizada. É de se esclarecer que a suplicante apresentou as DOI antes de qualquer procedimento de ofício, fazendo jus de plano ao benefício previsto na alínea "a" inciso II do § 2° do art. 8° da Lei 10.426, de 2002, pelo princípio da retroatividade da lei que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática (Decreto-Lei n.° 1.510, de 1976, combinado com o artigo 106 do Código Tributário Nacional e artigo 8° da Lei n.° 10.426, de 2002), ou seja, é incontroverso que as DOI foram apresentadas fora do prazo, razão pela qual sujeita-se a aplicação da multa prevista no artigo 8° da Lei n.° 10.426, de 2002, com o direito de que a mesma seja reduzida à metade, desde que respeitado o limite mínimo de R$ 500,00 por operação realizada. 237 - ter MINISTÉRIO DA FAZENDA t,n:--i.-41 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10980.006526/2001-50 Acórdão n°. : 104-19.920 Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 15 de abril de 2004 N EL • Ntreiref 24 Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.003004/2004-49
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ - LUCRO REAL ANUAL - LUCRO PRESUMIDO - OPÇÃO. A opção pela tributação com base no lucro real somente se valida com o pagamento da estimativa relativa ao mês de janeiro e a opção pelo lucro presumido com o pagamento do imposto relativo ao primeiro trimestre do ano-calendário, inexistindo pagamento, o lançamento de ofício há de ser feito com base no lucro real trimestral. ESPONTANEIDADE - DCTF e DIPJ - RETIFICAÇÃO. Não são espontâneas as declarações retificadoras apresentadas após o início do procedimento fiscal, validamente notificado à contribuinte, através de intimação entregue e recebida na sua sede. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mesmo que não tenha havido pagamento, o prazo de ciência é o do art. 150, § 4º, do CTN, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. A prestação de declaração inexata, por si só, não autoriza a aplicação da multa qualificada. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação-SELIC para títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes).
Numero da decisão: 103-22.722
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador do 1°trimestre de 1999 e REJEITAR as demais preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de lançamento ex officio majorada de 150% ao seu percentual normal de 75% vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Leonardo de Andrade Couto que não admitiram a desoneração da exasperadora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento

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Recorrida :1. TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Sessão de : 08 de novembro de 2006. Acórdão n° :103-22.722 IRPJ - LUCRO REAL ANUAL - LUCRO PRESUMIDO - OPÇÃO. A opção pela tributação com base no lucro real somente se valida com o pagamento da estimativa relativa ao mês de janeiro e a opção pelo lucro presumido com o pagamento do imposto relativo ao primeiro trimestre do ano-calendário, inexistindo pagamento, o lançamento de oficio há de ser feito com base no lucro real trimestral. ESPONTANEIDADE - DCTF e DIPJ - RETIFICAÇÃO. Não são espontâneas as declarações retificadoras apresentadas após o inicio do procedimento fiscal, validamente notificado à contribuinte, através de intimação entregue e recebida na sua sede. DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mesmo que não tenha havido pagamento, o prazo de ciência é o do art. 150, § 40, do CTN, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA. A prestação de declaração inexata, por si só, não autoriza a aplicação da multa qualificada. TAXA SELIC. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da • Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação-SELIC para títulos federais (Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ORTOFIX COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS MÉDICOS HOSPITALARES LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador do 1° trimestre de 1999 e REJEITAR as demais preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, 1,, R provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de lan ento ex officio major • Acas04/12/06 \ • • . , 4et . MINISTÉRIO DA FAZENDA tj.... 14 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 de 150% ao seu percentual normal de 75% vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Leonardo de Andrade Couto que não admitiram a desoneração da exasperadora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -1 :.E.N-TER I °ED k PAULO 14r0 DO NASCIMENTO RELATO - FORMALIZADO EM: 08 DE/ 200É Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MARCIO MACHADO CALDEIRA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Acas04112/06 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d" TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 Recurso n° :143.599 Recorrente : ORTOFIX COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO DE PRODU- TOS MÉDICOS HOSPITALARES LTDA. RELATÓRIO• Aos 06/05/2004 a contribuinte tomou ciência do auto de infração de IRPJ referente aos anos-calendário de 1999 a 2003, em cujo relatório são descritos os fatos a seguir resumidamente expostos: Nos anos-calendário de 1999 e 2002, foram constatadas divergências entre os valores de IRPJ apurados, no regime trimestral do lucro presumido, com base nas receitas mensais registradas nos Livros Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS e os valores declarados em DCTFs. No ano-calendário de 2000, a contribuinte, optou pelo lucro real anual, declarou receita bruta zero, tanto na DIPJ entregue em 28/06/2001, como nas DCTFs. Após tomar ciência do Termo de Inicio de Fiscalização na manhã do dia 20/01/2004, a tarde do mesmo dia enviou pela internet DIPJ e DCTFs retific,adoras. Inexistindo qualquer pagamento de estimativa mensal, nem, tampouco, balanços de suspensão, a contribuinte permaneceu, necessariamente, no regime de lucro real trimestral, tendo sido intimada a apresentar os balanços trimestrais e registrar as demonstrações do lucro real no LALUR, com base nos quais foi apurado o lucro real, base de cálculo para o lançamento, cuja multa foi aplicada no percentual de 150%. No ano-calendário de 2001, a contribuinte, ao entregar sua DIPJ optou pelo regime do lucro presumido e informou receita bruta zero em todos os trimestres não declarou nenhum débito nas suas DCTFs, aprese . tando DIPJ e DCTF Acas04/12/06 3 ($41,b‘ • s n MINISTÉRIO DA FAZENDA,,tra .!&t,,-i„.:k",- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ircf.•->. TERCEI RA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 retificadoras após o inicio da ação fiscal, tal como o fizera em relação ao ano- calendário de 2000. Inexistindo qualquer pagamento, seja pelo lucro presumido, seja pela estimativa mensal, o que denotaria opção por outra forma de pagamento, a contribuinte permanece no regime do lucro real trimestral, segundo o qual e com base nos livros fiscais e balanços trimestrais apresentados, foi feito o lançamento, com multa de 150%, porque diante dos fatos que a própria contribuinte registrou em sua contabilidade, ela tinha ciência de que tinha incorrido em tributos cujos valores deveriam ter sido apurados e informados. No ano-calendário de 2003, a contribuinte deixou de declarar e de pagar o imposto incidente sobre o lucro real registrado no LALUR. Impugnando a exigência, a autuada apresentou as seguintes razões: A decadência do direito de constituir os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a 06/05/1999. A invalidade da notificação de inicio de ação fiscal, do lançamento e do auto de infração, uma vez que, com ofensa ao art. 19 do Decreto n° 3.725/2001 e ao art. 26, § 3°, da Lei n° 9.784/1999, não se deu ciência do MPF ao responsável pela empresa, e sim a um mero funcionário, sem poder de representação, retirando-se a espontaneidade, sem que ficasse assegurada a ciência da interessada do inicio do procedimento fiscal. Isso invalida a afirmativa do autuante de que a ciência ocorreu pela manhã e que as declarações retificadoras foram apresentadas à tarde, assim, quando remeteu as declarações por meio eletrônico, não se encontrava sob procedimento fiscal, pois, afora a invalidade do MPF, o envio se deu antes da ciência do seu supostct representante e o fato de não constar a hora em que se : 'a operado a ciência ge Acas04/12/06 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:3*!--;;-> TERCEI RA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004 49 Acórdão n° :103-22.722 um estado de incerteza, uma dúvida que impõe a aplicação do art. 112 do CTN, devendo as declarações retificadoras ser consideradas entregues antes do inicio da ação fiscal, descabendo o lançamento de ofício, visto que os respectivos créditos já haviam sido constituídos. Sempre optou pelo lucro presumido em suas declarações de rendimentos, retificadas e retificadoras, não sendo ela quem confeccionou e remeteu a declaração ratificada referente ao ano-calendário de 2000, à qual o autuante se apegou para tributá-la com base no lucro real, em franca contradição com o procedimento adotado em relação aos demais anos, nos quais a opção pelo lucro presumido manifestada nas declarações foi desprezada, ao argumento de que o pagamento é que define a opção pelo lucro presumido. O auditor fiscal apegou-se exclusivamente ao art. 26 da Lei n° 9.430/96 que, conquanto eleja o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido como manifestação da opção pelo lucro presumido, não impossibilita que a opção seja exercida em outro momento, visto que o seu propósito é apenas delimitar a eficácia temporal da opção, que é definitiva para todo o ano-calendário. No caso do lançamento de ofício em face de sujeito passivo que ainda não tenha optado pela forma de apuração do imposto, mediante pagamento da primeira ou única quota, o autuante deve intimar o contribuinte sob ação fiscal para que exerça a opção, conforme determina a IN SRF 93/97. No caso dos autos não se oportunizou o exercício da opção, impondo- se, inexplicavelmente, a apuração pelo regime do lucro real nos anos de 2000, 2001 e 2003 e pelo lucro presumido nos anos de 1999 e 2902. A falta da intimação nulifica o n lançamento, mormente porque a discricionarie 'de foi utilizada para e -var substancialmente o montante do crédito tributário. Acas04/12/06 5 • • •• . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 Ademais, sequer se menciona o motivo da discriminação dos anos-base para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, revelando-se absolutamente incongruente, obscuro e contraditório o procedimento, que viola o principio contábil da continuidade das entidades. A taxa SELIC não pode ser aplicada sobre prestações tributárias em atraso, pois compreende juros remuneratórios e o CTN admite a aplicação apenas de juros de mora. Não tem fundamento legal o lançamento de juros sobre o montante das multas de ofício. Descabe o lançamento da multa de ofício, por haver apresentado as declarações originais e retificadoras antes do inicio do procedimento fiscal, sendo aplicável somente a multa de mora. Constitui nítido abuso de poder a imposição da multa agravada, diante da absoluta inexistência de demonstração de que tenha havido sonegação, fraude ou conluio. A representação fiscal para fins penais deve ser invalidada, não só porque não há menção a qualquer crime previsto na Lei n° 8.137/90, mas também porque a retificação das declarações de rendimentos e de contribuições e tributos federais elide a configuração de qualquer ilícito penal contra a ordem tributária. Ao final, requer a invalidade dos lançamentos e dos autos de infração e o cancelamento das exigências. A primeira instância julgadora deu pela procedência do lançamento em decisão assim ementada: Acas04/12/06 6 @))\ . . , • 41-L'44 MINISTÉRIO DA FAZENDA t,fr 11,..1: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO REAL ANUAL. OPÇÃO Constando da DIPJ do ano-calendário 2000 a forma de apuração da estimativa com base na receita bruta e não efetuado qualquer recolhimento a tal título, tendo sido as DCTF e a DIPJ apresentadas totalmente zeradas, sujeita-se à tributação com base no lucro real trimestral, uma vez que a opção pela tributação com base no lucro real anual somente se valida com o recolhimento do IRPJ por estimativa relativo ao mês de janeiro. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO A opção pela tributação com base no lucro presumido somente se concretiza com o pagamento do imposto relativo ao 1° trimestre do ano-calendário; não efetuado tal recolhimento em 2001 e 2003 e tendo sido apresentadas totalmente zeradas a DIPJ e as DCTF do ano- calendário 2001, valida-se o lançamento de oficio com base no lucro real trimestral. DIFERENÇAS A TRIBUTAR Apuradas, mediante confronto com os valores declarados, diferenças • de IRPJ com base no lucro presumido dos anos-calendário 1999 e 2002 e com base no lucro real trimestral do ano-calendário 2003, sujeitam-se ao lançamento de oficio. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: DECADÊNCIA Não havendo pagamento passível de homologação, e tendo o lançamento sido cientificado em 06/05/2004, aplica-se na contagem do prazo decadencial relativo ao 1° trimestre de 1999 o art. 173, do CTN. DCTF E DIPJ RETIFICADAS SOB PROCEDIMENTO DE OFÍCIO Não se consideram espontâneas as DCTF retificadoras, relativas aos anos-calendário 2000 e 2001 e as DIPJ dos exercícios 2001 e 2002, retificadoras, apresentadas na tarde do inicio do procedimento fiscal, efetuado pela manhã, com exclusão da espontaneidade e ainda a nova DIPJ/2001 retificadora, entregue no curso da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAIS Os débitos apurados sob procedimento de oficio, com exclusão da espontaneidade, sujeitam-se às penalidades do art. 44, I e II da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA QUALIFICADA A apresentação de declarações totalmente z adas relativas aos anos- calendário 2000 e 2001, impedindo ou ando o conhecimento, Acas04/12/06 7 MINISTÉRIO DA FAZENDAc. o nirt*::fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1Z.11,1! d' TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, caracteriza evidente intuito de fraude e sujeita à multa de 150%. Lançamento Procedente". Dessa decisão recorreu a contribuinte, reforçando as mesmas razões da impugnação e renovando o pedido nela formulado. A autoridade preparadora, dada a inexistência de bens e direitos no ativo permanente, considerou qu- a falta de arrolamento não prejudica o recurso. É o relatório. Acas04/12AN6 8 • c 44, MINISTÉRIO DA FAZENDA; '5Jfr ;.:.1r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '-==‘;-:?:-.11' TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 VOTO Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. • A primeira questão a ser analisada diz respeito à validade ou não da intimação do inicio da fiscalização, feita pessoalmente pelo autor do procedimento a um empregado da contribuinte, cuja qualidade de preposto é por ela negada. O art. 23 do Decreto n° 70.235/72 regula que a intimação pode ser pessoal, por via postal e por edital, se resultarem improfícuas as duas modalidades primeiras, disciplinando que a intimação pessoal pode ser feita na repartição ou fora dela e resulta provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar, que pode ser o autor do procedimento ou qualquer agente do órgão preparador, enquanto que, para a validade da intimação por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via basta a prova do seu recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. • O objetivo da norma é assegurar que a intimação chegue ao conhecimento do sujeito passivo a quem é dirigida. Por isso mesmo, no caso da intimação pessoal que pode ser feita em qualquer local, exige a assinatura do próprio sujeito passivo, seu mandatário ou preposto; ao passo que, na intimação via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, que somente pode ser feita no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, se contenta com a mera prova do seu recebimento, não importando quem a recebe, pois, neste caso, se presume que o sujeito passivo toma conhecimento dela, porque recebida no seu domicilio. No presente caso, a própria recorrente, através da declaração de fl 558, prestada por sua assistente financeira, afirma que a notificação foi feita no e domicilio tributário, na sua sede, in verbis: kAcas04/12/06 9 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA= wysji.:(t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fa,;: > TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 "que estava na sede da empresa, no dia 20 de janeiro de 2004, quando o auditor-fiscal Vanir Peruffo chegou para realizar a notificação de algum sócio da empresa"; "que o auditor-fiscal Vanir Peruffo esteve na sede da empresa, no dia 20 de janeiro, à tarde e que a notificação aconteceu também à tarde, aproximadamente depois das dezesseis horas". Sendo incontroverso que a intimação foi entregue e recebida na sede da empresa, não importa se quem a recebeu foi o próprio sujeito passivo, seu mandatário ou preposto; o só fato de recebimento basta à sua validade. Pretender o contrário é negar o espírito da norma. A segunda questão que se nos apresenta diz respeito à hora do recebimento do Termo de Início de Fiscalização. Valendo-se da circunstância de não constar do Termo de Inicio de Fiscalização a hora da intimação, a recorrente sustenta que ela se efetivou na tarde do dia 20/01/2004, após o envio por meio eletrônico das declarações retificadoras, enquanto a autoridade autuante assevera que a ciência se deu pela manhã, pelo que as retificadoras da DIPJ e das DCTFs foram enviadas já estando a recorrente sob ação fiscal. Em favor do que sustenta, a recorrente junta as declarações de fls. 503 a 558, subscritas, a primeira, pelo próprio cientificado, Sr. Valmir Pinto, que declara que a ciência do mandado de procedimento fiscal ocorreu no período vespertino, aproximadamente às dezessete horas e a, segunda, subscrita por uma empregada, exercente da função de assistente financeiro, que declara que o auditor-fiscal esteve na empresa no dia 20 de janeiro à tarde e que a notificação aconteceu também à tarde, aproximadamente depois das dezesseis horas. Por outro lado, em resposta ao Termo de Solicitação de Esclarecimentos de fls. 07, no qual o auditor-fiscal solicita q e a recorrente esclareça o motivo pelo qual as DCTFs retificadoras não foram ap - . 'adas antes do inicio da Acas04/12/06 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t•S-2 TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 10980.003004/2004-49 • Acórdão n° :103-22.722 ação fiscal, visto que os fatos que ensejaram as retificações das DCTFs originais, apresentadas sem valor declarado, eram do seu conhecimento desde os anos de 2000 e 2001, a recorrente informou que nos anos de 2000 e 2001 as DCTFs foram entregues sem valor declarado porque não tinha a receita base de cálculo dos tributos e para não perder o prazo de entrega e originar multas pelo atraso, só chegando aos valores de base de cálculo durante o ano de 2003. O esclarecimento oferecido pela recorrente nada esclarece acerca do que lhe foi solicitado. Com efeito, ainda que se admita que somente durante o ano de 2003 a recorrente, veio a conhecer as bases de cálculo dos tributos devidos nos anos- calendário de 2000 e 2001, isto, quando muito, poderia servir de explicação para a entrega das declarações originais sem valor declarado, porém, jamais justificaria o das declarações retificadoras no mesmo dia do inicio da fiscalização. Além disso, a versão de que somente em 2003 chegou aos valores das bases de cálculo dos tributos referentes aos anos de 2000 e 2001, se mostra totalmente inconsistente, na medida em que a recorrente, "tendo em vista os fatos que ela própria registrou em sua escrituração, tinha ciência de que havia incorrido em tributos cujos valores deveriam ter sido apurados e informados nas declarações", como afirmado pela autoridade autuante. Ademais, causa espécie que na resposta a recorrente não tenha contraditado a peremptória afirmação da autoridade autuante de que as declarações • retificadoras não foram entregues antes do inicio da fiscalização, oferecendo ao contrário sua justificativa para o retardamento da retificação por mais de três anos. De outra parte, o fato de a recorrente negar a preposição do seu empregado que tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização e não o fazê-lo e relação a um outro que, também como preposto, tomo iência do prosseguimento Acas04/12/06 11 k mit• :§1,, MINISTÉRIO DA FAZENDA Vifir;J: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEI RA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 • ação fiscal, denota o claro objetivo da recorrente de tentar postecipar a data do inicio da fiscalização à data do envio das declarações retificadoras, com o propósito único de evitar o lançamento de oficio. Considero, diante disso, que a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento capaz de por em dúvida a afirmação do autuante de que a ciência da intimação do inicio da ação fiscal ocorreu pela manhã, a isto não se prestando as declarações firmadas por seus empregados que nada mais fazem do que lhe retratar a vontade. Inexistindo, desse modo, dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, descabe a aplicação do art. 112 do CTN, invocado pela recorrente para lhe abrigar a pretensão de ver afastado o lançamento de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2000 e 2001. Ultrapassadas as alegações de vicio na intimação de inicio da ação fiscal e de dúvida quanto à hora de sua efetivação, resta caracterizado que o procedimento fiscal se iniciou na manhã do dia 20/01/2004, perdendo relevância todas as considerações acerca das retificações das declarações. Datando de 06/05/2004 a ciência do lançamento e sendo o IRPJ um tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, se impõe reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao primeiro trimestre do ano-calendário de 1999, independentemente da circunstância da existência ou não de pagamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte, assistindo, neste ponto, razão à recorrente. Até mesmo porque os créditos tributários lançados foram apurados a partir dos registros contábeis apresentados pela recorrente, esta não oferece qualquer argumento infirmador das bases de cálculo utili s, limitando-se o se Acas04/12106 12 _ • • - • C44 ek "-Vt'l MINISTÉRIO DA FAZENDA it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 10980.00300412004-49 Acórdão n° :103-22.722 inconformismo à adoção, pelo autuante, do regime de tributação pelo lucro real trimestral nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003. Neste passo, desatenta ao comando do art. 144 do CTN, a recorrente, em defesa da sua pretensão de ser tributada pelo regime do lucro presumido, invoca legislação anterior à edição da Lei n° 9.430/96, e, desapercebida de que não houve lançamento referente ao ano-calendário de 2004, invoca normas que expressamente regulam o lançamento de oficio no decorrer do ano calendário. Afastadas a legislação anterior à Lei n° 9.430/96, porque revogada e a legislação que trata do lançamento de oficio no decorrer do ano-calendário, porque inaplicável à hipótese, resta concluir, à luz da legislação de regência, que: (i) a regra é a tributação com base no lucro real trimestral; (ii) a opção pelo lucro real anual depende do pagamento da estimativa relativa ao mês de janeiro, salvo se comprovado, com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, a apuração de prejuízo fiscal e, uma vez validamente manifestada, é irretratável; (iii) a opção pelo lucro presumido depende do pagamento do imposto a tal título, referente ao primeiro trimestre do ano- calendário, e, mesmo que validamente manifestada, pode ser modificada para lucro real. Incensurável, desse modo, o lançamento do IRPJ nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2003 com base no lucro real trimestral, dado que não manifesta validamente a opção pelo lucro presumido, nem, tampouco, pelo lucro real anual. No tocante à multa de lançamento de ofício, uma vez afastada a espontaneidade e sendo este o único argumento invocado para a sua não incidência, voto pelo seu cabimento. Contudo, na conduta da recorrente, descrita no auto de infraç , consistente na não apuração e na falta de informação dos valores dos tributos no quais, tendo em vista os fatos que ela própria re• • h em sua escrituração, tin a Acas04/12/06 13 L _ _ . • e );.:4 4ter" }.n ;,,,,,:,- MINISTÉRIO DA FAZENDAii "opt:.1/4 t• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° :10980.003004/2004-49 Acórdão n° :103-22.722 ciência de haver incorrido, não vislumbro o tipo descrito no inciso II, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, entendendo que ela se subsume no tipo do inciso I do mesmo artigo, apenado com a multa de 75%, percentual para o qual deve ser redigida a multa de lançamento de ofício relativa aos exercícios de 2000 e 2001. No que pertine à utilização da taxa SELIC como juros de mora, a Súmula n° 04 deste Primeiro Conselho pacificou a matéria no seguinte sentido: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Não conheço das alegações relativas à representação para fins penais por não comportar litígio administrativo, tampouco das relativas à cobrança de juros sobre a multa, tendo em vista que não compõe o lançamento. Face ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência e declarar decaído o direito de constituir o • crédito tributário relativo ao primeiro trimestre do ano-calendário de 1999 e, no mérito, reduzir a multa de lançamento de oficio ao percentual de 75%. diSala das Sessões, DF 08 de novembro de 2006. PAUL." . f 'ffel0 NASCIMENTO o Acas04112/06 14 Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.007899/00-87
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPF - EX. 1998 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO - A incidência do Imposto de Renda ocorre à medida que os rendimentos vão sendo percebidos, sem prejuízo do ajuste ao final do período anual. IRPF - EX. 1998 - DEDUÇÕES - COMPROVANTES - Para que possam reduzir a base de cálculo anual do Imposto de Renda, os valores pagos a título de despesas médicas devem ser comprovados com documentação hábil e idônea, ou na sua inexistência, por cópias dos respectivos cheques. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-46.308
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Naury Fragoso Tanaka

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SEGUNDA CÂMARA -- ' 'rocesso n°. : 10980.007899/00-87 Recurso n°. :135.325 Matéria : IRPF - EX.: 1998 Recorrente : LUIZ FERNANDO MACHADO Recorrida : 4a TURMA/DRJ em CURITIBA - PR Sessão de : 18 DE MARÇO DE 2004 Acórdão n°. :102-46.308 IRPF - EX. 1998 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO - A incidência do Imposto de Renda ocorre à medida que os rendimentos vão sendo percebidos, sem prejuízo do ajuste ao final do período anual. IRPF - EX. 1998 - DEDUÇÕES - COMPROVANTES - Para que possam reduzir a base de cálculo anual do Imposto de Renda, os valores pagos a título de despesas médicas devem ser comprovados com documentação hábil e idônea, ou na sua inexistência, por cópias dos respectivos cheques. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ FERNANDO MACHADO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ----f ANTONIO D REITAS DUTRA71 & 1, - 1" ESIDENT. , ,..._--.... NAURY FRAGOSO T . NAKA i RELATOR FORMALIZADO EM: . 1 6 ABR2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, EZIO GIOBATTA BERNARDINIS, JOSÉ OLESKOVICZ, GERALDO MASCARENHAS LOPES CANÇADO DINIZ e MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 Recurso n°. : 135.325 Recorrente : LUIZ FERNANDO MACHADO RELATÓRIO O litígio decorre da exigência de crédito tributário em montante de R$ 29.380,59, formalizado por Auto de Infração, de 3 de agosto de 2.000, e decorrente das infrações verificadas em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1.998, a seguir identificadas: (a) omissão de rendimentos da espécie "trabalho sem vínculo empregatício", pagos por GEAP — Fund. De Seg. Social, em valor de R$ 1.261,00, e pela Fundação Banestado de Seguridade Social, R$ 295,00; (b) glosa das deduções não comprovadas a título de despesas médicas, em valor de R$ 19.037,89, e (c) e glosa parcial do IR-Fonte declarado, em valor de R$ 7.383,44. Não conformado com a exigência tributária, o contribuinte ingressou com peça impugnatória, fl. 1 a 4, na qual confirmou a percepção dos rendimentos tributados pela Autoridade Fiscal; informou que declarou indevidamente, como despesas de instrução, os valores pagos à Sociedade Brasileira de Cardiologia, R$ 160,00; Sociedade Paranaense de Cirurgia Cardiovascular, R$ 78,00 e Sociedade Paranaense de Cardiologia, R$ 43,00; e quanto aos demais gastos a esse título, juntou os comprovantes à peça impugnatória. Informou que o IR-Fonte não aproveitado pela Autoridade Fiscal realmente foi retido pelo Ministério do Exército, e apresentou, como prova, a cópia autenticada da correspondente DIRF. Os documentos juntados à peça impugnatória constam das fls. 6 a 106. Análise prévia efetuada por funcionário do órgão julgador de primeira instância concluiu pela instrução processual incorreta caracterizada pela 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA --i " PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 presença de algumas cópias de documentos que impossibilitavam o perfeito julgamento, pela falta de identificação do profissional beneficiário, ausência do CPF do profissional, ou ainda, impossibilidade de leitura. Assim, determinada a realização de diligência para que fossem autenticadas referidas cópias, analisados os pagamentos e os comprovantes do IR- Fonte quanto à sua pertinência e legalidade. Realizada a verificação fiscal complementar o processo foi instruído com os documentos de fls. 122 a 236, e, de acordo com tais dados, (a) informado sobre a autenticidade de todos os documentos apresentados pelo contribuinte. Os pagamentos a Robertson Massahiro Ito, valor de R$ 582,00, corresponderam a serviços médicos de auxiliar de cirurgia para pacientes deste contribuinte - que exerce a profissão de médico — quando ainda não possuía credenciamento junto ao SUS; e (b) considerado comprovados os recolhimentos do IR-Fonte pelo M. Exército, fls. 126 e 139 e pelo Instituto de Prev. E Assist. dos Servidores do Município de Curitiba — IPMC, fl. 143. Constatado em diligência realizada junto à Cardioclínica — Clínica de Cardiologia Complementar não Invasiva Ltda que as notas fiscais série "F" n.° 982, de 21 de março de 1997, n.° 1012, de 21 de maio de 1997, e 1040, de 28 de julho de 1.997, tinham, nas vias fixas, valores divergentes daquelas em poder do contribuinte (situação popularmente conhecida como "nota calçada"). A empresa se responsabilizou pelo pagamento dos tributos correspondentes à diferença de valores e forneceu declaração ao contribuinte confirmando tais valores. Este apresentou extratos bancários e indicou saques efetuados, cujos valores, segundo seu entendimento, serviriam para quitar as ditas notas fiscais. Observe-se que não foi indicado uma retirada para cada nota fiscal, mas conjuntos de retiradas que em sua somatória aproximam-se daqueles constantes das ditas notas. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA rocesso n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. :102-46.308 Julgado em primeira instância a lide foi considerada, por maioria de votos, parcialmente favorável ao contribuinte, conforme Acórdão DRJ/CTA n.° 2.632, de 26 de novembro de 2002, fls. 253 a 268. Vencidos os julgadores Edirlei Áureo Saldanha Raffo e Margareth Valentini, que votaram no sentido de considerar comprovada a parcela de R$ 5.301,68 a título de despesas médicas. Restabelecidas as deduções a título de despesas médicas que foram devidamente comprovadas, em valor de R$ 9.283,72. As demais, mantida a glosa com as justificativas que seguem: (a) pagamentos de despesas em nome de Virgínia Machado, valor de R$ 3.570,93, porque declara em separado e não é dependente do contribuinte; (b) pelo mesmo motivo, excluídos os valores de R$ 156,00 e R$ 78,00, pagos a Sandra R Baggio Muzzolon; (c) a glosa do pagamento à Robertson Massahiro Ito, R$ 582,00, foi mantida porque não se constitui despesa médica, mas pagamento por serviços prestados no desenvolvimento das atividades médicas do próprio contribuinte, e, (d) os pagamentos à Cardioclínica em face de estar comprovada divergência entre os valores constantes das notas fiscais em poder do contribuinte em confronto com a via fixa dos blocos, da, visível adulteração das vias em seu poder e da falta de comprovação do efetivo pagamento. Não conformado com a referida decisão, tempestivamente, dirigiu recurso ao E. Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 280 a 284, no qual alegou em síntese: (a) comprovado que os rendimentos percebidos do Hospital Geral de Curitiba tiveram retenção do IR-Fonte, não há sobra de tributo devido dele decorrente; (b) as notas fiscais emitidas pela Cardioclínica foram confirmadas pela empresa e o relator acolheu tais valores, portanto, são autênticas; o fato de se apresentarem "calçadas" não implica em responsabilidade do recorrente. Não foram juntadas ao processo cópias das vias fixas das ditas notas, no entanto, tais valores são identificados no Termo de Intimação, fls. 227 e 228. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 2t1 r; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 Considerado não impugnado o IR de R$ 459,25 relativo às omissões de rendimentos, bem assim, a multa de ofício e os demais encargos legais. Depósito para garantia de instância, fl. 297. É o Relatório. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;. 1 ,:n ;-; SEGUNDA CÂMARA "rocesso n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 VOTO Conselheiro NAURY FRAGOSO TANAKA, Relator O recurso foi apresentado com observância dos requisitos de admissibilidade, motivo para que dele conheça e profira voto. Não contém questões preliminares. A contestação foi dirigida à (1.) inexistência de tributo sobre os rendimentos percebidos do Hospital Geral de Curitiba, considerando que sofreram retenção pela fonte pagadora; e à (2.) exclusão dos custos pagos à Cardioclinica, porque tais documentos foram confirmados pela empresa, embora, comprovadamente fraudados. Quanto a esta última, entendeu o recorrente que a fraude constatada não lhe vinculou responsabilidade, e, confirmando essa posição, a acolhida desses valores pelo relator. A exclusão dos valores retidos pela fonte pagadora Hospital Geral de Curitiba do campo de incidência do tributo na DAA não foi acompanhada de fundamentação legal, nem há norma que lhe ofereça suporte. O Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza tem como fato gerador a percepção da renda e a incidência tributária ocorre à medida que os rendimentos vão sendo percebidos, na forma estabelecida pelo artigo 2.° da Lei n.° 7713/88 e alterações posteriores2. Lei n.° 7713/88 - Art. 3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 90 a 14 desta Lei. § 1° - Constituem rendimento bruto todo o produto do Capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2° - Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se com ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. 2 Lei n.° 7713/88 - Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES `-k tt SEGUNDA CÂMARA mr, Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 Assim, a retenção efetuada pela fonte pagadora decorre da incidência instantânea do tributo sobre o rendimento percebido, parte da renda anual, na forma do artigo 2.° da lei n.° 7713/88. Ao final do período, a renda é submetida à incidência do tributo pela aplicação de alíquota sobre a base de cálculo, esta obtida da soma dos rendimentos mensais, nestes incluído o resultado positivo da atividade rural, diminuída das deduções permitidas em lei3. Destarte, a retenção efetuada pela fonte não suprime a incidência anual do tributo, obrigação que justifica a posição da Autoridade Fiscal. A questão relativa às despesas médicas pagas à Cardioclínica, cujas notas fiscais contém valores divergentes daqueles constantes das vias fixas, diz respeito às características que dão validade à prova: ou os documentos apresentados pelo contribuinte constituem provas hábeis e idôneas ou não podem ser aceitos em virtude das características que os invalidam. No julgamento a quo, o relator considerou que as notas fiscais da Cardioclínica tiveram os seus valores confirmados pela empresa, fl. 156, e fundamentou sua posição no fato de que o contribuinte informou ter a quitação ocorrido em moeda, dado coincidente com a declaração prestada pela empresa; e, ainda, porque esta se responsabilizou pelo recolhimento dos tributos sobre a diferença de valores. No voto vencedor, o membro do colegiado lembrou que a unidade julgadora havia requerido maiores esclarecimentos a respeito de tais custos, e um 3 Lei n.° 8134/90 — Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II - das deduções de que trata o art. 80 7 A MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA 41-k``-u,;:f Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. :102-46.308 dos questionamentos a esclarecer era a confirmação de que constituíam, efetivamente, gastos dedutíveis. Ainda, que a Autoridade Fiscal, responsável pela diligência intimou o contribuinte a especificar detalhadamente o atendimento recebido, informar a quem foi prestado o serviço, e apresentar outros documentos que atestassem a idoneidade das informações, dados que não foram completamente atendidos. Justificou a sua posição, trazendo como fundamento a inidoneidade dos documentos e a necessidade de outros comprovantes para que a despesa fosse acolhida como redução da base de cálculo do tributo. Entendeu que o contribuinte, embora intimado, deixou de apresentar documentos ou qualquer outro elemento para comprovar a efetividade da prestação dos serviços. Os saques bancários indicados como justificativa para tais pagamentos constituíram somas de diversas retiradas, em dias esparsos, que não apresentaram coincidência de datas e valores, fl. 236. Passando à análise da questão, quanto aos aspectos legais, a autorização para que o contribuinte possa utilizar referida dedução decorre do artigo 8.°, I, da lei n.° 8.134/90(5. Esse benefício, que busca proteger a capacidade contributiva do sujeito passivo, encontra-se limitado por alguns requisitos especificados no mesmo artigo 5 e sujeito à comprovação do efetivo dispêndio, seja 4 Lei n.° 8.134/90 - Art. 8° Na declaração anual (art. 9°), poderão ser deduzidos: I - os pagamentos feitos, no ano-base, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; 5 Lei n.° 8.134/90 - Art. 8° (....) § 1° O disposto no inciso I deste artigo: a) aplica-se também aos pagamentos feitos a empresas brasileiras, ou autorizadas a funcionar no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização e cuidados médicos e dentários, e a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas de natureza médica, odontológica e hospitalar; b) restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte relativo ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA --9-$ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 pelo correspondente documento — recibo ou nota fiscal — ou pela apresentação da cópia do cheque nominativo. Conforme consta do Termo de Intimação, fls. 227 e 228, os valores que constam das notas fiscais da Cardioclinica divergem significativamente daqueles das vias originais, como se demonstra no quadro I, a seguir: Quadro I - Notas Fiscais da Cardioclinica e valores originais - CCCN1 Ltda. Nota Fiscal Data de Emissão Valor da NF com Valor Via Fixa Cliente 982 21/03/1997 2.311,68 256,00 1012 21/05/1997 2.050,00 455,00 1040 28/07/1997 940,00 335,00 Como se observa nesses dados, uma simples análise dos valores constatados pela Autoridade Fiscal indica que as notas fiscais foram, efetivamente, "calçadas", ou seja, não foi uma simples inserção de um número a mais na primeira via para transformar, por exemplo uma centena em milhar, mas a substituição completa dos valores efetivamente praticados. Outro detalhe a observar é que as notas fiscais não especificam os tipos de serviços prestados, citam, apenas, "Serviços Prestados". Sob a perspectiva da empresa, a descrição genérica dos serviços requer controles internos adicionais para permitir uma correta administração dos seus custos e recursos; quanto ao cliente, uma nota genérica deixa a desejar para fins fiscais, porque não identifica quais serviços profissionais foram realizados. c) é condicionado a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no cadastro de Pessoas Jurídicas, de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. § 2° Não se incluem entre as deduções de que trata o inciso I deste artigo as despesas cobertas por apólices de seguro ou quando ressarcidas por entidades de qualquer espécie. 9 41/7/ MINISTÉRIO DA FAZENDA• r. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,m Nrr, SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 Deve ser esclarecido que a Cardioclínica foi intimada pela Autoridade Fiscal a detalhar a finalidade de tais pagamentos, com apresentação de cópias das requisições de exames, laudos, guias, entre outros documentos; indicar os beneficiários dos serviços, e apresentar cópia da escrituração, extratos bancários, comprovantes de depósitos que permitissem identificar os valores percebidos, bem assim, indicar a pessoa responsável pelo preenchimento das notas. A comunicação da empresa, fl. 229, não atendeu a dita solicitação porque conteve informação genérica sobre a prestação de serviços ao contribuinte - consultas médicas e exames complementares; também informação vaga sobre os demais serviços prestados que se estenderiam ao contribuinte e seus dependentes (provavelmente incluída a esposa). Essa posição denota falta de outros controles internos à empresa, uma vez que deixou de comprovar quais tipos de serviços foram praticados, seus preços, e em que momento ocorreram. Observe-se que constituem valores expressivos, fato indicativo de referência à diversas consultas ou exames. Informou, ainda, a referida empresa: que os valores dos serviços foram recebidos em moeda corrente, mas não apresentou nenhuma cópia de registros contábeis de tais valores; e que a fraude foi cometida por ex-funcionária, sem, no entanto, identificá-la como solicitado pela Autoridade Fiscal. A empresa assumiu os tributos decorrentes do referida fraude. Estando a prova defeituosa, conveniente seria a apresentação de cópia dos correspondentes cheques, como indicado na letra da lei. No entanto, essa prova não consta do processo porque o contribuinte afirma ter ocorrido pagamento em moeda. Essa forma de quitação das notas fiscais não é juridicamente vedada, no entanto, a obtenção dos recursos para tal fim é contrária ao habitual. io 1/4 MINISTÉRIO DA FAZENDA r. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 A utilização de instituições financeiras requer que o usuário arque com custos como aqueles destinados à manutenção da conta-corrente, impostos e contribuições sobre os valores movimentados, juros sobre saldos devedores, entre tantos outros. Assim, busca o usuário manter a moeda em conta-corrente para que a instituição financeira possa utilizá-la mais tempo e, conseqüentemente, diminua os ônus impostos aos clientes. Dessa forma, não é comum que se deposite o dinheiro em conta- corrente e se promovam retiradas aleatórias com possibilidades de retorno do mesmo dinheiro para a conta. A prática demonstra que os gastos são pagos com cheques e estes com a máxima extensão de tempo possível para o desconto, mantendo-se o mesmo preço (à vista). Isto é, o dinheiro permanece na conta- corrente por mais tempo, e a despesa é realizada imediatamente. Da mesma forma, as retiradas de moeda são efetuadas no momento em que os gastos são realizados, e não antecipadamente. Também, não são feitas retiradas em "conta-gotas" para o pagamento de uma determinada quantia, porque significa diversas idas a caixas eletrônicos, tradução de perda de tempo e dinheiro. Considerando esses aspectos, as diversas retiradas de moeda para suportar o custo expresso em uma nota fiscal não condiz com a realidade dos fatos. E, sob esse referencial, inaceitável tais custos como dedução da base de cálculo do tributo. Deve-se considerar, ainda, as demais condições que se obtém das peças processuais. Verifica-se que o contribuinte prestou declaração inexata pois deixou de declarar rendimentos tributáveis percebidos de duas fontes pagadoras pessoas jurídicas, e confirmou o erro cometido em sua peça impugnatória. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10980.007899/00-87 Acórdão n°. : 102-46.308 A atividade principal é o exercício da medicina, que ocorre em diversos locais de trabalho, seja com vínculo empregatício, conforme consta da relação de fontes pagadoras pessoas jurídicas, seja como autônomo, pelos rendimentos percebidos de pessoas físicas, fl. 110. Da relação de pagamentos efetuados, fl. 111, não se constata vinculação a planos de saúde, apenas, pequeno valor pago à Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos. Esses dados, permitem concluir que o contribuinte possuía alguma capacidade de atendimento médico aos seus familiares. Também, detentor de conhecimento técnico que permitiam a produção de provas adequadas à situação, ou seja, a indicação dos tipos de consultas, da especificação dos exames, e dos dias em que efetuados. No entanto, tais dados não constituíram o processo, apenas, a declaração da empresa e ausência de maiores detalhes para que fosse permitida maior convicção a respeitos dos fatos ocorridos. De acordo com esse conjunto de fatos é possível concluir que os pagamentos reclamados como dedução, a título de despesas médicas, não podem ser aceitos. A documentação fiscal de suporte não é válida porque a fonte produtora deixou de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, na forma por ela determinada; a outra forma de comprovação, cópia dos cheques de pagamento, não existe, porque afirmado pela quitação em moeda. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões DF, em 17 de março de 2004. NAURY FRAGOSO TANA 2 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.003361/2005-98
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS -TRIBUTAÇÃO - Classifica-se como rendimento omitido a diferença entre o valor espontaneamente declarado pelo contribuinte, como honorários recebidos de pessoas físicas, e o apurado mediante planilha e disquete apresentado pelo próprio contribuinte. DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA - CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE - NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO - Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativas aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA OFICIAL - A dedução de contribuições à previdência oficial, na declaração do contribuinte, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados no ano-calendário. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL - A pensão alimentícia, além da comprovação do seu efetivo pagamento, deve estar definida em sentença ou acordo homologado judicialmente, para que seja considerada como dedução na declaração. DEDUÇÕES CONCOMITANTES - DESPESAS COM INSTRUÇÃO E PENSÃO ALIMENTÍCIA - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº. 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “b”), desde que comprovadas por de documentação hábil e idônea. Por outro lado, é de se observar que, por expressa determinação legal, é vedada a dedução cumulativa dos valores correspondentes a pensão alimentícia e a despesas de instrução, quando se referirem à mesma pessoa e não estiver estipulado no acordo judicial. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida, divergentes dos dados levantados pela fiscalização ou a falta de comprovação de despesas lançadas em Livro Caixa, utilizadas para reduzir a base de cálculo do imposto de renda, independentemente do montante utilizado, por si só, não evidenciam o intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - É cabível, a partir de 1º de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1º, III, da Lei nº. 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo 8º da Lei nº. 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-21.480
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que, além disso, excluía a multa isolada aplicada sobre os rendimentos declarados.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Nelson Mallmann

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DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA - CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE - NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO - Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. DESPESAS MÉDICAS - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - As despesas médicas, assim como todas as demais deduções, dizem respeito à base de cálculo do imposto que, à luz do disposto no art. 97, IV, do Código Tributário Nacional, estão sob reserva de lei em sentido formal. Assim, a intenção do legislador foi permitir a dedução de despesas com a manutenção da saúde humana, podendo a autoridade fiscal perquirir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam, na forma da lei, os prestadores de serviços ou quando esses não sejam habilitados. Da mesma forma, pode a autoridade fiscal rejeitar os valores deduzidos a título de despesas médicas relativas aos dependentes, se o contribuinte não fizer prova da relação de dependência existente. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA OFICIAL - A dedução de contribuições à previdência oficial, na declaração do contribuinte, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados no ano-calendário. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL - A pensão alimentícia, além da comprovação do seu efetivo pagamento, deve estar definida em sentença ou acordo homologado judicialmente, para que seja considerada como dedução na declaração. zrk MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 DEDUÇÕES CONCOMITANTES - DESPESAS COM INSTRUÇÃO E PENSAO ALIMENTíCIA - REQUISITOS PARA DEDUÇÃO - Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1 2, 22 e 32 graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei n2. 9.250, de 1995, art. 82, inciso II, alínea "b"), desde que comprovadas por de documentação hábil e idônea. Por outro lado, é de se observar que, por expressa determinação legal, é vedada a dedução cumulativa dos valores correspondentes a pensão alimentícia e a despesas de instrução, quando se referirem à mesma pessoa e não estiver estipulado no acordo judicial. SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n 2. 4.502, de 1964. A prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida, divergentes dos dados levantados pela fiscalização ou a falta de comprovação de despesas lançadas em Livro Caixa, utilizadas para reduzir a base de cálculo do imposto de renda, independentemente do montante utilizado, por si só, não evidenciam o intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n2. 9.430, de 1996. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE - PESSOA FÍSICA SUJEITA AO PAGAMENTO MENSAL DE IMPOSTO - IMPOSTO DECLARADO - FALTA DE RECOLHIMENTO DE CARNÊ-LEÃO - É cabível, a partir de 1 2 de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1 2, III, da Lei n2. 9.430, de 1996, exigida isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo ESQ da Lei 0. 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - E incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Ir 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 (Artigo 44, inciso I, § 1 2, itens II e III, da Lei n 2. 9.430, de 1996). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARCOS ANTÔNIO MULINARI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Esto! que, além disso, excluía a multa isolada aplicada sobre os rendimentos declarados. ,U - 9.51X Z, 1V-A--1"1-dlEgalA COTTA CAegarg PRESIDENTE N e S' •• i . 4 fC g les1/7:7 LAT r. r FORMALIZADO EM: Q2 MAI 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - QUARTA CÂMARA Processo n 2. :•10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Recurso n 2. : 147.368 Recorrente : MARCOS ANTÔNIO MULINARI RELATÓRIO MARCOS ANTÔNIO MULINARI, contribuinte inscrito CPF/MF sob o n2. 319.223.419-91, com domicílio fiscal no município de Curitiba, Estado do Paraná, à Rua Iguaçu, rf 780 - Bairro Rebouças, jurisdicionado a DRF em Curitiba - PR, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 168/174, prolatada pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 188/189. Contra o contribuinte foi lavrado, em 06/04/05, Auto de Infração - Imposto de Renda Pessoa Física (f Is. 129/156), com ciência pessoal em 08/04/05, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.240.580,12 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e da multa qualificada de 150%, bem como dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês ou fração, calculados sobre o valor do imposto, relativo aos exercícios de 2001 a 2003, correspondentes, respectivamente, aos anos-calendário de 2000 a 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde se constatou as seguintes irregularidades: 01 - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊ-LEÃO - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS: O sujeito passivo omitiu 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 rendimento recebidos de pessoas físicas nos anos-calendário de 2001 e 2002, no valor de R$ 358.520,00 e R$ 8.863,05, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitutada nos artigos 1 2, 22, 3Q e §§, e 8, da Lei n2 7.713, de 1988; artigos 1 2 ao 42, da lei n2 8.134, de 1990; artigo 1 2 da Lei n2 9.887, de 1997 e artigo 1 2 da Lei n2 10.451, de 2002. 02 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) -DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL: A base de cálculo do imposto de renda pessoa física do ano calendário de 2000 foi reduzida indevidamente por despesas não comprovadas de contribuição à previdência oficial, no valor de R$ 350,40, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 8, inciso II, alínea "d" da Lei n2 9.250, de 1995. 03 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS: As bases de cálculo anuais do imposto de renda pessoa física dos anos-calendário de 2001 e 2002 foram reduzidas por despesas médicas não comprovadas, no valor de R$ 600,00 em 2001 e R$ 6.000,00 em 2002, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 8 2, inciso II, alínea "a" e §§ 22 e 32, 35, da Lei n2 9.250, de 1995. 04 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO JUDICIAL: A base de cálculo anual do imposto de renda pessoa física do ano-calendário de 2001 foi reduzida indevidamente por despesas não comprovadas relativas a pagamento de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 1.080,00, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 62 e §§, da Lei n2 8.134, de 1990 e art. 8 2, inciso II, alínea `1" da Lei n 2 9.250, de 1995. 05 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA: As bases de cálculo anuais do imposto de renda pessoa física dos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002 foram reduzidas indevidamente por despesas não comprovadas de Livro Caixa, no valor de R$ 487.461,98 em 2000, R$ 307.359,56 em 2001 e R$ 645.259,41 em 2002, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 62 e §§, da Lei n2 8.134, de 1990 e art. 82, inciso II, alínea "g" da Lei n2 9.250, de 1995. 06 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO: As bases de cálculo anuais do imposto de renda pessoa física dos anos-calendário de 2000 e 2001 foram reduzidas por despesas de instrução pleiteadas indevidamente, no valor de R$ 1.700,00 em cada ano, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 8 2, inciso II, alínea "b" da Lei n2 9.250, de 1995. 07 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊ-LEÃO) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO JUDICIAL: As bases de cálculo do carnê-leão relativas aos meses de julho, agosto e outubro do ano-calendário de 2001 e janeiro, abril, maio, junho e dezembro do ano-calendário de 2002 foram reduzidas indevidamente, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 42, inciso II, Lei n2 9.250, de 1995. e 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 08 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊ-LEÃO) - DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA: As bases de cálculo do carnê-leão relativas aos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002 foram reduzidas indevidamente, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 6 2 e §§ da Lei n2 8.134, de 1990 e artigos 42, inciso I, 34, da Lei n2 9.250, de 1995. 09 - MULTAS ISOLADAS - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO: Falta de recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a título de carnê-leão, conforme detalhamento constante do Termo de Verificação de Infração Fiscal, o qual é parte integrante do presente Auto. Infração capitulada no artigo 8 2 da Lei n2 7.713, de 1988, combinado com os artigos 43 e 44, § 12, inciso III, da Lei n2 9.430, de 1996. O Auditor-Fiscal da Receita Federal, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 97/116, entre outros, os seguintes aspectos: - que cumpre ressaltar que o procedimento ora encerrado refere-se exclusivamente aos anos--calendário de 2000, 2001 e 2002, uma vez que o ano-calendário de 1999 já foi objeto de outro Auto de Infração lavrado que gerou o Processo Administrativo Fiscal n2 10980.010934/2004-59; - que inicialmente, o sujeito passivo foi intimado, por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, cuja ciência ocorreu em 21/05/04, a apresentar, entre outras coisas, os documentos hábeis e idôneos que comprovassem os seguintes fatos em relação ao anos-calendário de 1999 a 2002: 1. recebimentos mensais a titulo de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas; 2. despesas escrituradas a titulo de Livro Caixa; e 3. despesas 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo O. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 utilizadas para fins de dedução dos rendimentos tributáveis; - que em resposta por escrito a tal intimação, apresentada em 31/05/04, o sujeito passivo informou que enviara à cidade de Paranaguá documentação fiscal relativa a seu Imposto de Renda Pessoa Física (incluindo Livros Caixa, cópias de recibos de serviços prestados, etc), com o intuito de que tais documentos fizessem comprovação dos rendimentos recebidos de sua paciente Carmen Maria Bucarewcz, a qual estava sendo fiscalizada pela Delegacia da Receita Federal em Paranaguá/PR; - que neste mesmo documento, o sujeito passivo também informou que no dia 11/04/04, após ter apanhado de volta a documentação fiscal anteriormente enviada e colocando-a em seu veículo, este automóvel foi pego por uma inundação que aflingiu naquele dia a cidade de Paranaguá, sendo submerso e carregado pelas águas inutilizando assim toda a documentação fiscal mencionada acima; - que para corroborar tal afirmação, apresentou, em anexo, entre outros documentos: (1) cópia de reportagem do jornal Gazeta do Povo (fls. 10 e 11), que noticia estragos causados por temporal ocorrido na cidade de Paranaguá no dia 11/04/04; (2) cópias de notas fiscais (f Is. 12/14) de serviços realizados em veículo automotor (datadas de 17/05/04 e de 26/05/04), e (3) cópia de Boletim de Ocorrência, prestado em 28/04/04, pelo qual comunica o extravio de diversos documentos (inclusive fiscais) em razão de seu veículo ter sido arrastado pela enchente (fls.15); - que importa destacar que na mesma resposta em comento (f Is. 09), o sujeito passivo informou que possuía em seu poder "as despesas declaradas em suas declarações de renda, uma vez que no sinistro foram perdidas as documentações de suas receitas, que era o que estava sendo fiscalizado em Paranaguá"; 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 - que na Declaração de Rendimentos - Pessoa Física do ano-calendário de 2000, o sujeito passivo, para fins de apuração da base de cálculo do IRPF, reduziu dos rendimentos totais tributáveis recebidos o valor de R$ 350,40, pagos, segundo ele, a titulo de Contribuição à Previdência Oficial (f Is. 62 e 65). Inobstante isso, durante o período da ação fiscal, apresentou comprovantes de despesas realizadas apenas para o ano-calendário de 1999 (mesmo assim em parte), não apresentando documento algum relativo aos demais anos; - que quanto à dedução indevida de despesas com instrução nos anos- calendário de 2000 e 2001, tem-se que ao atender o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal n2 002, o sujeito passivo apresentou resposta por escrito, pela qual informou que paga pensão alimentícia para o seu filho de nome Edward Mulinari, depositada em contra corrente de sua ex-esposa (e mãe do menor) Ana Maria Annibeli Fernandes e que estava providenciando junto à 1 2 Vara de Família da Comarca de Curitiba/PR cópia da Decisão Judicial que estabeleceu tal obrigação; - que também na citada resposta, ele informou pagar pensão alimentícia a outro filho de nome Marcos Antonio Mulinari Filho, salientando que em relação a este último não possuía comprovantes de despesas com instrução, uma vez que estas ficaram a cargo da mãe do menor, comprometendo-se ainda a providenciar a decisão judicial que estabeleceu tal situação; - que segundo os mencionados documentos, na 1 2 Vara de Família tramitou Ação de Alimentos movida por Marcos Antonio Mulinari Filho, representado por sua mãe Fátima Conceição Pedroso, em face do sujeito passivo, tendo por conseqüência homologação de acordo judicial, pelo qual este assumiu o dever de pagar a título de pensão alimentícia ao seu filho menor, o valor de 3 (três) salários mínimos mensais, que seriam depositados em conta corrente bancária de sua mãe; 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 - que no que concerne ao outro filho do sujeito passivo, de nome Edward Mulinari, aquele apresentou cópias de documentos extraídos de autos processuais em trâmite na 22 Vara de Família de Curitiba/PR, pelo qual ficou estabelecido o pagamento de pensão alimentícia ao menor, no valor de 2 (dois) salários mínimos mensais, a serem depositados em conta corrente bancária de sua mãe: Ana Maria Annibelli Fernandes; - que em razão de o sujeito passivo, na resposta apresentada em 06/08/04, ter esclarecido que não realizou despesas com instrução com Marcos Antonio Mulinari Filho, uma vez que tais despesas estavam a cargo da mãe do menor. Assim as despesas a tal titulo informadas nas DIRPFs dos anos-calendário de 2000 e 2001, no valor de R$ 1.700,00, seriam relativas ao outro filho: Edward Mulinari, sendo, portanto, indevidas para deduzir os rendimentos tributáveis, visto que para este filho o sujeito passivo pagou pensão alimentícia, além do que pelo acordo judicial apresentado não consta que ficaria a seu cargo a realização de tais despesas; - que, todavia, este não é o único motivo para glosa destas despesas, uma vez que o sujeito passivo, mesmo regularmente intimado, sequer apresentou os comprovantes referentes a tais despesas; - que quanto às deduções anuais indevidas de despesas médicas nos anos- calendário de 2001 e 2002, tem-se que o sujeito passivo declarou a título de despesas medicas o valor total de R$ 9.375,00, porém, ao verificarmos os recibos apresentados para justificar a realização de tais despesas, constatamos que os pagamentos realizados ao advogado Anísio dos Santos, CPF 072.438.639-49 (fls. 74), no valor de R$ 600,00 foram alocados incorretamente como despesas médicas, reduzindo, portanto, indevidamente a base de cálculo do imposto; 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2• : 104-21.480 - que da mesma forma, na declaração do ano-calendário de 2002 o sujeito passivo declarou a titulo de despesas médicas o valor de R$ 16.865,00, porém, pelo recibos apresentados (f Is. 75 a 80), ele só logrou êxito em comprovar o valor de R$ 10.865,00, desta forma, glosamos as despesas médicas consideradas indevidas (R$ 600,00 e R$ 6.000,00); - que quanto à dedução anual indevida de pensão alimentícia judicial no ano-calendário de 2001, tem-se que na DIRF o sujeito passivo informou a titulo de pagamento de pensão alimentícia judicial o valor de R$ 4.146,00, entretanto, apresentou comprovantes destes pagamentos no valor de R$ 3.066,00, não comprovando, portanto, pagamentos a tal titulo no valor de R$ 1.080,00; - que, quanto à dedução de despesas com Livro Caixa nos anos-calendário de 2000 a 2002, tem-se que por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, o sujeito passivo foi intimado a apresentar os Livros Caixa e os documentos hábeis e idôneos que serviram de base para as suas escriturações, é de se esclarecer que o sujeito passivo informou, entre outras coisas, que: "possui em seu poder as despesas declaradas em suas declarações de renda, uma vez que no sinistro foram perdidas as documentações de suas receitas que era o que estava sendo fiscalizado em Paranaguá"; - que, assim, o próprio sujeito passivo reconhece que não perdera quaisquer documentos relativos às suas despesas. Aliás, não podia ser diferente, pois não existia razão alguma para o envio de tal documentação para Paranaguá, uma vez que as despesas particulares do sujeito passivo não possuíam importância para o fim pretendido, que era o de comprovar os rendimentos recebidos de uma pessoa física (Carmem Maria Bucarewcz Pinto) que estava sendo fiscalizada naquela cidade; - que na resposta apresentada a esta nova reintimação, o sujeito passivo apresentou-nos alguns documentos, porém, somente alguns deles, abaixo especificados, 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nQ. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 puderam ser caracterizados como despesas de Livro Caixa, por serem necessárias à percepção de seus rendimentos da atividade médica; - que na nova resposta apresentada, o sujeito passivo alterou tudo o que dissera anteriormente, uma vez que informou (in verbis) o seguinte: "Que, antes de mais nada, quer deixar bem claro, que todos os documentos escriturados em livro caixa, bem como os mesmos, notas fiscais, declarações, cópias de recibos de pessoas físicas e outros documentos comprobatórios que possuía, ficaram totalmente deteriorados com a enchente ocorrida na cidade de Paranaguá e o que restou dentro do veículo, estava totalmente inservível para qualquer identificação conforme Boletim de Ocorrência já anexado"; - que assim, percebe-se claramente que esta última afirmação é totalmente antagônica à primeira resposta que ele apresentou (f Is. 09), a qual, para possibilitar uma comparação, transcrevemos novamente a seguir: "Que, possui em seu poder as despesas declaradas em suas declarações de renda, uma vez que no sinistro foram perdidas as documentações de suas receitas, que era o que estava sendo fiscalizado em Paranaguá"; - que sendo assim, por que ele iria enviar documentos relativos as suas próprias despesas, que só a ele interessariam e não possuíam relação alguma com a fiscalização na pessoa física acima citada; - que de toda sorte, é de responsabilidade do sujeito passivo comprovar as despesas de Livro Caixa utilizadas para reduzir a base de cálculo do imposto de renda. Não entendemos ser cabível simplesmente o sujeito passivo alegar ter tido despesas, em valores bastante relevantes, informar que não dispõe mais dos comprovantes das mesmas por fatos alheios à sua vontade e não procurar recompor tais comprovantes ainda que de forma parcial, ainda mais com todas as contradições apontadas acima; 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 - que a multa de oficio aplicada na infração ora descrita foi qualificada para 150%, com o devido reflexo na glosa dessas mesmas despesas de Livro Caixa na aplicação da multa isolada por não recolhimento do imposto de renda devido a título de carnê-leão. - que quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas nos anos-calendário de 2001 e 2002, tem-se que em decorrência de diversas pessoas físicas terem declarado em suas respectivas declarações de Rendimentos pagamentos ao sujeito passivo, a titulo de despesas médicas, em valores discrepantes ao por ele informado em suas próprias DIRPF's, ele foi intimado, por intermédio do Termo de Constatação e de Intimação n 2 001, a confirmar se efetivamente prestou tais serviços médicos, bem como os valores recebidos pelos serviços médicos prestados; - que para tanto, foi-lhe apresentado um demonstrativo (fls. 49/51) que identificava por nome e CPF todos os contribuintes que informaram em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda dos anos-calendário de 2001 e 2002 terem efetuado pagamentos de despesas médicas a ele, bem como os valores informados como pagos; - que no referido demonstrativo constam primeiramente às informações fornecidas pelos suposto pacientes do sujeito passivo em suas Declarações de Rendimentos, ou seja, constam os nomes e respectivos CPF's de todas as pessoas físicas que declararam pagamentos de despesas médicas ao sujeito passivo e os valores anuais declarados por cada um deles para os anos-calendário de 2001 e 2002; - que neste mesmo demonstrativo (f Is. 117/124), constaram também informações fornecidas pelo próprio sujeito passivo (fls. 54/59), que confirmaram se as pessoas físicas que declararam pagamentos a ele eram efetivamente seus pacientes, bem como se o valor recebido de cada paciente correspondia ao que cada um declarou ou, em caso de divergência, o valor que efetivamente recebeu de cada um deles; 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo riQ. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 - que assim, levando-se em consideração a confirmação pelo próprio sujeito passivo, chegamos aos seguintes valores recebidos, respectivamente, para os anos- calendário de 2001 e 2002 (fls. 123): R$ 650.773,00 e R$ 708.501,00. Em sua peça impugnatória de fls. 163, considerada tempestiva, o autuado, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe contra a exigência fiscal solicitando que seja acolhida à impugnação para considerar insubsistente parte da autuação, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: - que, volta a reafirmar que todos os documentos escriturados em livros caixa, bem como os mesmos (notas fiscais, declarações de imposto de renda referente aos anos de 1999 a 2003, cópias de recibos de pessoa física e todos os outros documentos hábeis) que possuía, ficaram totalmente deteriorados com a enchente ocorrida na cidade de Paranaguá e o que restou dentro do veículo estava totalmente inservível para qualquer identificação conforme já fez prova legal anteriormente; - que os documentos que tinha em seu poder referiam-se única e exclusivamente aos recibos comprobatórios de despesas para tratamento com saúde, além de alguns documentos relativos a contribuições previdenciárias e pensões judiciais, os quais foram entregues anteriormente à Delegacia da Receita Federal; - que obviamente, quando, em todas as informações que prestamos a essa Delegacia e seus Auditores, informamos que toda a documentação comprobatória que possuía fora deteriorada na enchente da cidade de Paranaguá, entre elas as escrituradas em Livro Caixa; nelas (informações) se entende, sendo redundante, que também as despesas escrituradas em livro caixa foram perdidas; 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 - que talvez no intuito de cumprir sua obrigação de esclarecer a essa Delegacia, afirmou que somente seus documentos de receita foram perdidos, entretanto, disse também que todos os documentos escriturados em livro caixa foram perdidos ou danificados, tomando-se inservíveis, ai é que não soube se expressar, pois o que queria dizer era que haviam ficado em seu poder alguns documentos que comprovavam sua receita (canhotos de recibos de 1999, 2000 e 2002), bem como algumas despesas que posteriormente foram apresentadas ao auditor. Cumpre salientar, em tempo, que a receita auferida no ano de 2001 não foi documentada através de canhotos, porém, foi consagrada com a identificação de informações apuradas e confirmadas, inclusive, através de levantamento oficial fornecido pelo auditor fiscal, na qual tivemos oportunidade de acrescentar nomes não antes mencionados no disquete da receita e contestar os não familiares, corroborando nosso intuito de colaboração com o procedimento fiscal; - que concordamos que alguns pequenos erros possam ter ocorrido em nossas declarações, porém, no que concerne à omissão de rendimentos, contestamos efusivamente o fato, pois somos declarantes de IRPF há mais de 20 anos, nunca tendo nos furtado da obrigação tributária. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR concluiu pela procedência da ação fiscal e manutenção integral do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que o impugnante em sua defesa concorda e/ou não se manifesta contra a glosa da contribuição à previdência oficial (R$ 350,40), das despesas médicas (R$ 600,00 e R$ 6.000,00), de instrução (R$ 1.700,00 e R$ 1.700,00) e pensão judicial (R$ 1.080,00), de forma que é de se considerar essa parte do lançamento, conforme o disposto no art. 17 do 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.00336112005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Decreto n2 70.235, de 06 de março de 1972, com redação do art. 67 da Lei n2 9.532, de 10 de dezembro de 1997, como não impugnada e, portanto, não litigiosa; - que quanto à multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão, embora o contribuinte não se manifeste, deve ser objeto de cobrança apenas a multa de 75% aplicada sobre o imposto incidente sobre as bases de cálculo apuradas pelo contribuinte em suas declarações de rendimentos às fls. 65-verso, 69-verso e 72-verso, e sobre a dedução indevida de pensão judicial na apuração da base de cálculo do carnê-leão (fls. 149/150), uma vez que a impugnação das infrações relativas à omissão dos rendimentos e glosa das despesas do Livro Caixa impedem a cobrança imediata da multa incidente sobre a parte litigiosa; - que, quanto às glosas das despesas do livro Caixa, tem-se que além de serem necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, para serem dedutíveis as despesas devem ser comprovadas mediante documentação idônea e escrituradas em livro caixa. As despesas devem estar devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos, para que possam ser comprovadas, não sendo aceitos como idôneos, documentos sem identificação clara do contribuinte ou com identificação não aposta quando de sua emissão; contendo assinaturas não identificadas, ou sem assinatura; os tickets de caixa e notas fiscais que não identifiquem, de forma precisa, o adquirente, o produto fornecido ou o serviço prestado; recibos não identificados e documentos semelhantes; - que ressalte-se que, normal e usualmente, o documento emitido por pessoa jurídica hábil para a comprovação da despesa é a nota fiscal, na qual deve constar a identificação clara do adquirente e a discriminação do produto vendido ou do serviço prestado; 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 - que, em suma, são consideradas despesas passíveis de escrituração no livro caixa, para efeitos de dedução, apenas aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que suportadas pela pessoa física e comprovados os desembolsos, tais como: aluguel, água, luz, telefone e material de expediente ou de consumo e despesas com empregados, quando vinculadas ao contrato de trabalho; - que nessas despesas, é válido frisar, não podem ser consideradas as aplicações de capital, ou seja, não podem ser considerados quaisquer dispêndios com a aquisição de bens necessários à manutenção da fonte produtora, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício, e que não sejam consumíveis, isto é, que não se extingam com sua mera utilização. Por conseguinte, não podem ser deduzidos os valores despendidos na instalação de escritório ou consultório, na aquisição e instalação de máquinas, equipamentos, instrumentos mobiliários, etc.; - que à luz dessas considerações, a alegação de extravio dos documentos não é suficiente para elidir a tributação, pois, além de a dedução das despesas do livro Caixa na declaração estar condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, os documentos são indispensáveis para verificação dos critérios de normalidade, usualidade, necessidade e pertinência, ou seja, se elas efetivamente têm alguma relação com a atividade desenvolvida pelo contribuinte; - que com relação à alegada deterioração dos documentos referentes às despesas do livro Caixa, é curioso notar que a ação fiscal que teria motivado o envio de sua documentação à Paranaguá abrangeu os anos-calendário de 1997 a 2000 (f 1. 94), enquanto o interessado afirma ter enviado a documentação de 1999 a 2003. Assim, é de se perguntar porque teria o autuado enviado documentos desnecessários àquela Delegacia? Ou seja, 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 documentos de despesas de livro Caixa de anos-calendário diferentes e que somente a ele interessavam; - que à luz dessas considerações, torna-se difícil aceitar a alegação de que tais documentos estariam dentro de seu veículo atingido por enchente ocorrida em Paranaguá - PR, no dia 11/04/04, pois, além do tempo decorrido entre o término da ação fiscal e a enchente, a ocorrência só foi registrada em 28/04/04 (f 1. 28). Ressalte-se, por pertinente, que o órgão policial registra apenas os fatos narrados pelo noticiante, sem efetuar qualquer perícia que pudesse dar sustentação aos registros; - que quanto à omissão de rendimentos, verifica-se que o autuado forneceu, mediante apresentação de planilha e disquete, a relação de pessoa físicas que efetuaram pagamento de despesas médicas, nos anos-calendário de 2001 e 2002, de forma, que nenhum reparo merece o lançamento quanto a este item, uma vez que a diferença apurada deve ser classificada como rendimento omitido e submetida à tributação. As ementas que consubstanciam os fundamentos da decisão de Primeira Instância são as seguintes: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se como não-impugnadas as matérias não contestadas expressamente pelo contribuinte. DESPESAS DO LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente as despesas de consumo indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, são dedutíveis na declaração do t-7 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n 2. : 104-21.480 contribuinte e estão condicionadas à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. TRIBUTAÇÃO Classifica-se como rendimento omitido a diferença entre o valor espontaneamente declarado pelo contribuinte, como honorários recebidos de pessoas físicas, e o apurado mediante planilha e disquete apresentado pelo próprio contribuinte. Lançamento procedente." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 27106/05, conforme Termo constante às fls.1831187 e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, dentro do prazo hábil (14/07/05), o recurso voluntário de fls. 188/189 no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que, primeiramente, cumpre esclarecer que não é detentor de nenhum bem passível de ser arrolado, o que não impede o seu direito de ampla defesa, requerendo assim o recebimento e encaminhamento do presente recurso; - que como já exposto em sua impugnação inicial, por falta de conhecimento e porque toda a sua documentação sempre esteve em poder do escritório de contabilidade que lhe dá suporte, foi retirada e encaminhada para a cidade de Paranaguá, para atendimento de exigência fiscal; - que tributar o contribuinte pela renda bruta auferida em cada exercício é realmente um descalabro, que merece ser revisto, até para lhe possibilitar fazer os pagamentos devidos, se não em única quantia, pelo menos de forma parcelada. 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Consta às fls. 192 a observação de que o recorrente não possuí bens ou direitos para efetuar a garantia de instância a que alude o art. 10, da Lei n. 2 9.639, 1998, que alterou o art. 126, da Lei n 8.213, de 1991, com a redação dada pela Lei n 9.528, de 1997. É o Relatório. 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. No mérito, como se vê do relatório, cinge-se a discussão do presente litígio em torno da glosa de despesas médicas, de instrução, contribuição à previdência oficial e gastos com pensão alimentícia, omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, bem como glosa de despesas lançadas em livro Caixa. Inicialmente é de se ressaltar, que o suplicante não ataca especificamente as irregularidades apontadas no Auto de Infração, o faz de forma genérica baseado apenas no suposto extravio dos documentos hábeis e idôneos, que segundo a sua tese foram perdidos na enchente ocorrida na cidade de Paranaguá. Entretanto, para que no futuro não se alegue cerceamento do direito de defesa e omissão na análise da matéria, as questões serão enfrentadas de forma específica. Assim, para o deslinde da questão sobre a glosa de despesas se faz necessário invocar a Lei n2 9.250, de 1995, verbis: 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 "Art. 82 A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos efetuados a estabelecimento de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1 2 e 22 e 32 graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais); c) à quantia de R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais) por dependente; d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinada a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das norm as do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 62 da Lei n2 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho não-assalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. (...). § 22 O disposto na alínea "a" do inciso II: 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...). § 32 As despesas médicas e de educação dos alimentados, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea "b" do inciso II deste artigo. (...). Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4 2, inciso III, e 82, inciso II, alínea "c" poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge, II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - p menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. Como se depreende da legislação acima transcrita, a dedução de despesas médicas, de instrução e contribuições à previdência oficial, na declaração do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados no ano-calendário, e a pensão alimentícia, além da comprovação do efetivo pagamento, deve estar precisamente definida em sentença ou acordo homologado judicialmente. Ademais, a dedução de despesas médicas, na declaração, restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou de seus dependentes e, quando requisitados, os gastos devem ser comprovados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Como se vê dos autos, quanto às glosas da contribuição à previdência oficial, das despesas de instrução e pensão judicial, o contribuinte limita-se a argumentar que os documentos que detinha já foram perdidos na enchente. Assim, devem ser mantidas as glosas efetuadas pelos fundamentos explicitados pela autoridade lançadora, uma vez que as justificativas são pertinentes e o recorrente não apresentou qualquer documento que pudesse alterar o entendimento desta autoridade julgadora. Igual sorte resta ao recorrente quanto às despesas de Livro Caixa não consideradas, já que, indiscutivelmente, é sabido que somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 produtora. É sabido que se considera despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo, honorários pagos, etc. O valor das despesas dedutíveis, escrituradas em livro Caixa, está limitado ao valor da receita mensal recebida de pessoa física ou jurídica. O profissional autônomo pode escriturar o livro Caixa para deduzir as despesas de custeio, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Receita e despesa deve manter correlação com a atividade, independentemente se a prestação de serviços foi feita para pessoas físicas ou jurídicas. Ora, a inscrição da despesa utilizada no Livro Caixa é condição primordial para a admissibilidade de sua dedução dos rendimentos tributáveis, na declaração de ajuste anual, sem contar que não basta a sua comprovação por meio de documentação idônea, devendo ainda ficar comprovado que as despesas de custeio pagas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte pagadora. Tais despesas devem estar devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos. Com o se vê dos autos, na revisão da Declaração de Ajuste Anual foi glosado os pagamentos ali escriturados porque não houve a comprovação das despesas lançadas. Durante a fase de fiscalização e durante a fase de julgamento em Primeira Instância, o suplicante não apresentou nenhum documento hábil que retificasse o feito, bem como não comprovou a vinculação dos gastos com a atividade desempenhada muito menos vinculou as receitas recebidas como autônomo razão pela qual foi mantida a glosa em primeira instância. 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Assim, a simples a alegação de extravio dos documentos não é suficiente para elidir a tributação, pois, além de a dedução das despesas do livro Caixa na declaração estar condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados os documentos são indispensáveis para verificação dos critérios de normalidade, usualidade, necessidade e pertinência, ou seja, se elas efetivamente têm alguma relação com a atividade desenvolvida pelo contribuinte. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas nos anos- calendário de 2001 e 2002, tem-se que em decorrência de diversas pessoas físicas terem declarado em suas respectivas declarações de Rendimentos pagamentos ao sujeito passivo, a titulo de despesas médicas, em valores discrepantes ao por ele informado em suas próprias DIRPF's, o suplicante foi intimado, por intermédio do Termo de Constatação e de Intimação n2 001, a confirmar se efetivamente prestou tais serviços médicos, bem como os valores recebidos pelos serviços médicos prestados. Para tanto, foi-lhe apresentado um demonstrativo (f Is. 49/51) que identificava por nome e CPF todos os contribuintes que informaram em suas respectivas Declarações de Imposto de Renda dos anos-calendário de 2001 e 2002 terem efetuado pagamentos de despesas médicas a ele, bem como os valores informados como pagos. É de se ressaltar, que no referido demonstrativo constam primeiramente às informações fornecidas pelos suposto pacientes do sujeito passivo em suas Declarações de Rendimentos, ou seja, constam os nomes e respectivos CPF's de todas as pessoas físicas que declararam pagamentos de despesas médicas ao sujeito passivo e os valores anuais declarados por cada um deles para os anos-calendário de 2001 e 2002. Neste mesmo demonstrativo (f Is. 117/124), constaram também informações fornecidas pelo próprio sujeito passivo (f Is. 54/59), que confirmaram se as pessoas físicas que declararam pagamentos a 26 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 ele eram efetivamente seus pacientes, bem como se o valor recebido de cada paciente correspondia ao que cada um declarou ou, em caso de divergência, o valor que efetivamente recebeu de cada um deles. Ora, classifica-se como rendimento omitido a diferença entre o valor espontaneamente declarado pelo contribuinte, como honorários recebidos de pessoas físicas, e o apurado mediante planilha e disquete apresentado pelo próprio contribuinte. Quanto à aplicação das multas de lançamento de ofício, se faz necessário ressaltar que a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Entendo, que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Seguindo nesta linha de pensamento, é de se observar que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal, incumbe a este colegiado verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 Neste contexto, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à aplicação das multas de lançamento de ofício. Quanto ao lançamento da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada pelo recolhimento em atraso do carnê-leão, se faz necessário destacar que o lançamento da multa isolada engloba valores recebidos de pessoas físicas (carnê-leão), mensalmente, apurados e informados na Declaração de Ajuste Anual, porém, recolhidos em -atraso. A Lei n2. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 43 - Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único - Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3 2 do art. 52, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 - Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - (omissis). § 1 2 - As multas de que trata este artigo serão exigidas: 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 I - juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8 2 da Lei n. 2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (..-). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 2 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1 2 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 22 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 32 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3 2 do art. 52, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da análise dos dispositivos legais retro transcritos é possível se concluir que para aquele contribuinte, submetido à ação fiscal, após o encerramento do ano-calendário, que deixou de recolher o "carnê-leão" que estava obrigado, existe a aplicabilidade da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada. É cristalino o texto legal quando se refere às normas de constituição de crédito tributário, através de auto de infração sem a exigência de tributo. Do texto legal 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 conclui-se que não existe a possibilidade de cobrança concomitante de multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (normal) e multa de lançamento de ofício isolada sem tributo, ou seja, se o lançamento do tributo é de ofício deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo neste caso espaço legal para se incluir a cobrança da multa de lançamento de ofício isolada. Por outro lado, quando o lançamento de exigência tributária for aplicação de multa isolada, só há espaço legal para aquelas infrações que não foram levantadas de ofício, a exemplo da apresentação espontânea da declaração de ajuste anual com previsão de pagamento de imposto mensal (carnê-leão) sem o devido recolhimento, caso típico da aplicação de multa de lançamento de ofício isolada sem a cobrança de tributo, cabendo neste além da multa isolada a cobrança de juros de mora de forma isolada, entre o vencimento do imposto até a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, já que após esta data o imposto não recolhido está condensado na declaração de ajuste anual. Desta forma, entendo cabível, a partir de 1 2 de janeiro de 1997, a multa de ofício prevista no art. 44, § 1 2, inciso III, da Lei n2 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento do imposto mensal (carnê-leão), previsto no artigo 8 2, da Lei n2 7.713, de 1988, informado na Declaração de Ajuste Anual, ou seja, é cabível a exigência da multa isolada de 75% sobre o carnê-leão apurado na declaração do suplicante relativo aos anos-calendário de 2000 a 2002, não objeto de lançamento de ofício. Assim sendo, é de se excluir da tributação a multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada em concomitância com a multa de lançamento de ofício exigida com o tributo. Quanto à aplicação da multa qualificada verifica-se da análise dos autos que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 sujeitas a carnê-leão, bem como quando o contribuinte não lograr comprovação das despesas lançadas em Livro Caixa, sob o argumento que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar os rendimentos, bem como inseriu despesas inexistentes em sua Declaração de Ajuste Anual com intuito de reduzir o seu imposto de renda, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos e não declarados. Da análise da matéria, não posso concordar com a atitude da autoridade lançadora, pelas razões abaixo expostas. Neste processo, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à multa qualificada aplicada, decorrente do artigo 957 do RIR/99, com base legal no inciso II do artigo 44 da Lei n 2 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria deixado de oferecer a tributação parte dos rendimentos e teria deixado de comprovar as despesas lançadas no Livro Caixa, levando a crer que o mesmo inseriu dados em sua Declaração de Ajuste Anual que sabia não serem exatos para reduzir a base de cálculo do imposto de renda devido. Assim, não há dúvidas que a qualificação da multa tem origem na prestação de informação ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.00336112005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 pela fiscalização, bem como a inserção no Livro Caixa de despesas em valores expressivos, sem a respectiva comprovação através da apresentação de documentação hábil e idônea. Ora, com a devida vênia, o máximo que poderia ter acontecido é que os rendimentos não informados na Declaração de Ajuste Anual e os valores expressivos lançados a título de despesas, sem a devida comprovação, devem ser alocados / glosados, o que a meu ver caracterizam irregularidade simples penalizada pela omissão de rendimentos e glosa pura e simples e que jamais seria motivo para qualificação da multa. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Deve-se ter sempre, em mente, o princípio de direito de que a "fraude não se presume", devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, sucedâneo do art. 992, II, Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que representa a matriz da multa qualificada, reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n 2. 4.502164, que 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá-la. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização ou o lançamento de valores expressivos de despesas, de origem desconhecida, na Declaração de Ajuste Anual, não evidencia o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n2 9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado por simples omissão de rendimentos e por simples glosa de despesas lançadas em Livro Caixa sem a devida comprovação através da apresentação de documentação hábil e idônea que autoriza a presunção de que tais despesas não existiram, porém por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a informação de que o suplicante teria omitido rendimentos e teria lançado valores expressivos de despesas com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável, motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que tais despesas deveriam ser glosadas pela autoridade lançadora, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base a omissão de rendimentos e a glosa de despesas, de forma pura e simples, pela falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de documentação, vislumbra-se um lamentável 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 equívoco por parte da Receita Federal. Nestes lançamentos, acumulam-se duas premissas: a primeira que tais rendimentos devem ser lançados e as despesas devem ser glosadas; a segunda que a falta de inclusão dos rendimentos omitidos e o lançamento das despesas na Declaração de Ajuste Anual estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a Receita Federal age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Este equívoco praticado pelo fisco provoca, em certos casos, um transtorno irreparável ao contribuinte. Como se sabe, toda vez que é aplicada a multa qualificada, além do problema tributário, surge a questão penal tributária, materializada na representação fiscal para fins penais, partindo do pressuposto que a conduta praticada pelo contribuinte tipifica, em tese, um ilícito penal previsto na Lei n 8.137, de 1990. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma simples infração fiscal de omissão de rendimentos, bem como a redução da base de cálculo do imposto de renda em razão da falta de comprovação documental que tais despesas foram realizadas e que as mesmas não são legais, facilmente detectável pela fiscalização, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidõnea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.00336112005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa física receber um rendimento e simplesmente não declará-lo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar, é evidente que nos casos de simples glosa de despesas por falta de comprovação através da apresentação de documentação hábil e idônea é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de glosar tais despesas, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, utilizou uma despesa para reduzir imposto e não trouxe provas que a despesa é legal. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples glosa de despesa por falta de comprovação. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos/receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratar-se de rendimentos/receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor/bem/direito na Declaração de Bens ou Direitos ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado, glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Primeiro Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n2. 104-18.698, de 17 de abril de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Justifica-se a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4 , inciso II, da Lei n 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada." 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Acórdão n2. 104-18.640, de 19 de março de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA- Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 2. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994? Acórdão n2. 104-19.055, de 05 de novembro de 2002: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇAO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71,72 e 73 da Lei n. 2. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994." Acórdão n2. 102-45-584, de 09 de julho de 2002: "MULTA AGRAVADA - INFRAÇÃO QUALIFICADA - APLICABILIDADE - A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou-se de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n 9.430 de 27 de dezembro de 1996." Acórdão n2. 101-93.919, de 22 de agosto de 2002: "MULTA AGRAVADA - CUSTOS FICTÍCIOS - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizou-se de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude." Acórdão n2. 104-19.454, de 13 de agosto de 2003: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇAO DA MULTA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 2. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesa médica/instrução, rendimento recebido de pessoa jurídica não declarados, bem como a falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, os valores que transitaram a crédito (depósitos) em conta corrente pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove caracteriza, a princípio, falta simples de redução indevida de imposto de renda e omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994, já que a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando- se de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude." 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.00336112005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Acórdão n2. 104-19.534, de 10 de setembro de 2003: "DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA - SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇAO DE SERVIÇOS - No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos -" notas fiscais frias "-, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.2 85.450, de 1980." Acórdão n2. 104-19.386, de 11 de junho de 2003: "MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS - COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4 , inciso II, da Lei n. 2 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n99.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 2 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome • de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. 39 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo rf. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Acórdão n2. 106-12.858, de 23 de agosto de 2002: "MULTA DE OFÍCIO - DECLARAÇÃO INEXATA - A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de oficio, implica em considerá-las inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo." Acórdão n2. 101-93.251, de 08 de novembro de 2000: "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Comprovado o evidente intuito de fraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n°9.430, de 1996." É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata-se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõe-se invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde-se o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 2 3.000, de 1999, nestes termos: 40 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 "Art. 957 - Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.2 8.218/91, art. 42) (...) II - de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n2. 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." A Lei n2. 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: "Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o "intuito de fraude". 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo ng. : 10980.003361/2005-98 Acórdão ng. : 104-21.480 Em outras palavras, a fraude é um artifício malicioso que a pessoa emprega com a intenção de burlar, enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. A falsidade ideológica consiste na omissão, em documento público ou particular, de declaração que dele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Juridicamente, entende-se por má-fé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Como se vê, exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. 42 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão ne. : 104-21.480 No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o "intuito de fraude". E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendo-lhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o intérprete, julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Do que veio até então exposto, necessário se faz ressaltar, como aspecto distintivo fundamental, em primeiro plano o conceito de evidente, como qualificativo do "intuito de fraudar, para justificar a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada. Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que se trata. Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem-se que: EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. - Que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente. EVIDENCIAR - V.t.d 1. Tornar evidente; mostrar com clareza; Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista. P. 2. Aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se. 43 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais para o âmbito do direito, esclarece: "EVIDENTE. Do latim evidens ,claro, patente, é vocábulo que designa, na terminologia jurídica, tudo que está demonstrado, que está provado, ou o que é convincente, pelo que se entende digno de crédito ou merecedor de fé." Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n2• 104-19.621, de 04 de novembro de 2003: "COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS ATRAVÉS DA EMISSÃO DE RECIBOS RELATIVO A OBRIGAÇÕES JÁ CUMPRIDAS EM ANOS 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 ANTERIORES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - CARACTERIZAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4 , inciso II, da Lei n9 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, 11, da Lei n. 2 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 2 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 1.041, de 1994, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática reiterada de omitir na escrituração contábil o real destinatário e/ou causa dos pagamentos efetuados, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda na fonte na efetivação dos pagamentos realizados. Sendo que para justificar tais pagamentos o contribuinte apresentou recibos relativos à operação de compra de imóveis, cuja obrigação já fora cumprida em anos anteriores pelos verdadeiros obrigados." Acórdão n2. 103-12.178, de 17 de março de 1993: "CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA - Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728,111, do RIR/80." Acórdão n2. 101-92.613, de 16 de fevereiro de 2000: "DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS - Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude." 45 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2. : 104-21.480 Acórdão n2. 104-14.960, de 17 de junho de 1998: "DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO - Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80." Acórdão n2. 103-07.115, de 1985: "NOTAS CALÇADAS - FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA - A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo." Acórdão n2. 104-17.256, de 12 de julho de 2000: "MULTA AGRAVADA - CONTA FRIA - O uso da chamada "conta fria", com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada." É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. 46 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n2. : 10980.003361/2005-98 Acórdão n2 . : 104-21.480 Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe a prática de ato doloso para a configuração do ilícito penal. A informação, de que o suplicante deixou de lançar rendimentos ou lançou despesas com valores expressivos, sem comprovar a legalidade das mesmas, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples glosa de despesas ou a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhou-se em induzir a autoridade administrativa em erro quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê- leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a a 75% Sala das Sessões - DF, em 23 de março de 2006 NEL p4/ • A N 47 Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1 _0035400.PDF Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1 _0036100.PDF Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1 _0036800.PDF Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1

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Numero do processo: 11020.000024/2001-36
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO – MUDANÇA DE FORMULÁRIO - ANO CALENDÁRIO 1996 - A regra de retificação estabelecida no Manual de Orientação do Contribuinte admite substituição de formulário do ano-calendário em tela. Os atos normativos que impedem a troca na retificação foram expedidos em data posterior. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-47.989
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Antônio José Praga de Souza que proviam parcialmente o recurso para excluir a multa de oficio, nos termos do parágrafo único do art.100 do CTN.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Silvana Mancini Karam

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Os atos normativos que impedem a troca na retificação foram expedidos em data posterior. Recurso provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ARSÉNICO LUIZ HENCKE. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Antônio José Praga de Souza que proviam parcialmente o recurso para excluir a multa de oficio, nos termos do parágrafo único do art.100 do CTN. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE idlt4-42. Liv., e SICVANA MANCINI KARAM RELATORA FORMALIZADO EM: 02 ABR 2007 ecmh , . Processo n° : 11020.000024/2001-36 Acórdão n° : 102-47.989 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI KARAM, ANTÔNIO JOSÉ PRAGA DE SOUZA, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. 2 • Processo n° :11020.000024/2001-36 Acórdão n° :102-47.989 Recurso n° _ :148.632 Recorrente : ARSÊNICO LUIZ HENCKE RELATÓRIO O contribuinte apresentou tempestivamente, sua declaração de ajuste anual, relativa ao ano calendário de 1996, exercício de 1997, utilizando-se do formulário simplificado. Em dezembro de 1997, antes de qualquer procedimento fiscal, apresentou retificadora com alteração dos rendimentos e utilizando-se do formulário completo. Os rendimentos, antes de cerca de R$ 12.000,00 foram retificados para cerca de R$ 25.000,00. A substituição do formulário não foi acolhida pela autoridade fiscal que notificou o contribuinte admitindo os novos rendimentos confessados, considerando-os porém, como apresentados no formulário simplificado, com aplicação do desconto de 20%. O contribuinte impugnou o lançamento que foi afinal considerado nulo, por desatender o artigo 5° da Instrução Normativa n. 94, de 1.997. (decisão às fls. 20 dos autos, datada de 13.04.2.000). Em 05.01.2001 é lavrado o auto de infração, — objeto deste recurso, — com a glosa das deduções apresentadas pelo contribuinte no formulário completo, quais sejam, previdência social, dependentes, despesas médicas e previdência privada. Em sua defesa, o Recorrente alega em síntese, ter se orientado pelo Manual do Contribuinte, — cuja cópia simples apensa às fls. 38 e seguintes dos autos, — onde se lê: "Retificação da Declaração - Se após a entrega da declaração, verificar que cometeu erro ou omitiu informações, deverá retificá-la. Entregue a declaração retificadora na unidade da SRF de seu domicílio fiscal, sem interrromper 3 , Processo n° : 11020.000024/2001-36 Acórdão n° : 102-47.989 o pagamento do imposto. NÃO SE ADMITE A RETIFICAÇÃO COM O OBJETIVO EXCLUSIVO DE TROCA DE FORMULÁRIO." (destaque nosso). A decisão da DRJ de origem, que manteve o lançamento, fundamenta-se no Ato Declaratório COSIT n° 24, de 29 de outubro de 1.996 que estabelece a proibição de retificação com troca de formulário, por caracterizar mudança de opção de tributação. Menciona ainda, o Parecer COSIT n. 68, de 1.998 que admite a troca de formulário somente no caso do contribuinte comprovar que estava impedido de utilizar o modelo escolhido e, por fim, a IN.165/99 que admite a troca, desde até a data da entrega da declaração. No Recurso Voluntário, o interessado ratifica as razões antes expostas. cÉ o relatóryl_io. 4 - Processo n° :11020.000024/2001-36 Acórdão n° :102-47.989 _VOTO Conselheira SILVANA MANCINI KARAM, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. Cabe portanto, ser conhecido. A orientação constante do Manual do Contribuinte transcrita no Relatório acima, relativa às condições de retificação da declaração, efetivamente, deixam margem à interpretação dada pelo ora Recorrente. Isto é, em havendo erro (e na presente hipótese, o contribuinte erro na totalização dos rendimentos auferidos), a declaração deveria ser retificada, não havendo impedimento para a troca de formulário. Em suma, a substituição de formulário somente era proibida caso não se motivasse em correção de equivoco anterior praticado pelo contribuinte. A imprecisão da redação ensejou a necessidade dos atos declaratórios, pareceres e instruções normativas, — todos expedidos em datas posteriores à feitura do referido Manual, --- para esclarecer e definir regras firmes sobre a mesma matéria. Ora, se o próprio Manual do Contribuinte, do exercício de 1997, conforme se constatou, induz à conclusão que, na hipótese de erro, a retificação deve ser feita e pode haver a troca de formulário, não há como se pretender penalizar o interessado, cidadão comum, que se orientou pelas regras fixadas pelo órgão competente. Nestas condições, é de DAR provimento ao recurso. dANs Sala d Sess- es-DF, em 19 de outubro de 2006. 4.49 A MANCINI KARAM 5 ___

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Numero do processo: 10980.000747/2004-67
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL - Apurados, por meio de procedimento de ofício, e retificados por apuração em diligência que os valores devidos da Contribuição Social Sobre o Lucro foram constituídos incorretamente há que se cancelar a exigência. CSL – ESTIMATIVAS/SUSPENSÃO – A pessoa jurídica, optante pela tributação com base no lucro real anual, somente poderá deixar de realizar o pagamento do imposto em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada (mediante a aplicação, sobre a receita auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei 9249, de 26 de dezembro de 1995) se comprovar, através de balanço ou balancete de suspensão, que obteve prejuízo em todos os meses do período calendário. No entanto, havendo resultado positivo deverá recolher o imposto devido. A Lei não difere para o ajuste de dezembro esta obrigação. IRPJ – MULTA ISOLADA – RETROATIVIDADE BENÍGNA - Nos termos da alínea c, do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa será aplicada no coeficiente de 50%, conforme artigo 18 da MP303/2006. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 108-09.052
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos,REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para ajustar o lançamento aos valores das bases de cálculo consignados na diligência fiscal de f. 727-8. Vencidos os Conselheiros Margit Mourão Gil Nunes (Relator), Karem Jureidini Dias e Orlando José Gonçalves Bueno que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Designada a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro para redigir o voto vencedor.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Margil Mourão Gil Nunes

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Recorrida : 1° TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Sessão de :19 DE OUTUBRO DE 2006 Acórdão n°. :108-09.052 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL - Apurados, por meio de procedimento de ofício, e retificados por apuração em diligência que os valores devidos da Contribuição Social Sobre o Lucro foram constituídos incorretamente há que se cancelar a exigência. CSL — ESTIMATIVAS/SUSPENSÃO — A pessoa jurídica, optante pela tributação com base no lucro real anual, somente poderá deixar de realizar o pagamento do imposto em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada (mediante a aplicação, sobre a receita auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei 9249, de 26 de dezembro de 1995) se comprovar, através de balanço ou balancete de suspensão, que obteve prejuízo em todos os meses do período calendário. No entanto, havendo resultado positivo deverá recolher o imposto devido. A Lei não difere para o ajuste de dezembro esta obrigação. IRPJ — MULTA ISOLADA — RETROATIVIDADE BENIGNA - Nos termos da alínea c, do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa será aplicada no coeficiente de 50%, conforme artigo 18 da MP303/2006. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para ajustar o lançamento aos valores das bases de cálculo consignados na diligência fiscal de f. 727-8. Vencidos os Conselheiros Margit Mourão Gil Nunes (Relator), Karem Jureidini Dias e Orlando José Gonçalves Bueno que davam provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designada a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro para redigir o voto vencedor. ir/ . • MINISTÉRIO DA FAZENDA yp Si. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;?2,1(k2s5? OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10980.000747/2004-67 Acórdão n°. : 108-09.052 Recurso n°. : 148.045 Recorrente : GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A. DORIV L PAD VAN PRE E TE I - S PESSOA MONTEIRO R LATO ESIGNADA FORMALIZADO M: -1 O MAR 2007 - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, FERNANDO AMÉRICO WALTHER (Suplente Convocado) e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausente, justificadamente, o Conselheiro NELSON LÓSSO FILHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 Recurso n°. :148.045 Recorrente : GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A. RELAT-ÓRIO A empresa Gráfica e Editora Posigraf S.A. recorre à este Conselho contra o Acórdão DRJ/CTA N. 8.813 de 14 de julho de 2005, doc.fls.729/737, onde a Autoridade Julgadora "a quo" considerou procedente a exigência tributária, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Apurados, por meio de procedimento de ofício, valores devidos da Contribuição Social Sobre o Lucro, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a autuação, com a aplicação da multa de oficio. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Cabível a imposição da penalidade, quando o contribuinte sujeito ao recolhimento por estimativa nos termos da legislação que rege a matéria deixar de fazê-lo, a teor do que determina o art. 44, inciso e seu § 1°, inciso IV, da Lei 9.430/1996." O Auto de Infração Contribuição Social e da Multa Exigida Isoladamente, doc.fls.08/11, foi lavrado em 06/02/2004, com ciência ao sujeito passivo em 04/02/2004, tendo o fisco apurado falta de recolhimento da CSLL, para os fatos geradores ocorridos em 30/09/2001 e 31/12/2002, e para as multas isoladas pela falta de pagamento da CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos em fatos geradores de 30/04/1999 a 31/12/2000. Segundo consta no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, doc.fls.13/16, foram apuradas insuficiências de recolhimento e de declaração na DCTF da contribuição social nos anos calendários 1999 e 2000 tributados pelo lucro real anual (receita bruta e acréscimos), e nos anos calendários 2001 e 2002 p o lucro presumido. 3 '•44. MINISTÉRIO DA FAZENDA 47 't:v' t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESwp;,; :„z‘t• OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 Ação Fiscal decorreu da análise do processo administrativo no. 10980.004891/00-69 efetuado para acompanhar o andamento do Mandado de Segurança n°. 2000.70.00.002024-4, onde a contribuinte é parte, objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, nos anos-calendário 1998 a 2002. Cientificada da decisão de primeira instância em 12 de agosto de 2005, doc.fis.740, e novamente irresignada, apresentou seu recurso voluntário em 30 de agosto de 2005, doc.fls.741/748, com os seguintes argumentos, em síntese: Preliminarmente, requer a conexão do processo recorrido com o processo 10980.000746/2004-12 em razão de que tratam do mesmo assunto, ou seja, as alegadas insuficiências de compensações, havendo entrelaçamento de parcelas de IRPJ compensadas com CSLL vice-versa, requerendo julgamento em conjunto. Argüi a nulidade da decisão e cerceamento do direito de defesa, pois à época da ação fiscal não haviam sido entregues algumas DCTF's, muito embora ainda existissem divergências de valores, foram entregues as faltantes, portanto retificadas as erradas. Sendo as mesmas foram apresentadas à fiscalização, e a autoridade julgadora não acatou que as mesmas efetivamente visaram reduzir ou excluir tributos, pois tratam de retificação de erro. Diz que a Receita Federal acolheu as retificações procedidas nas DCTF e DIPJs e, sendo que procedeu-se as homologações nos processos 10980.002023/00-71 e 10980.010284/99-03. Alega que a DRJ dispensou-se de apreciar as declarações retificadoras apresentadas após o início do procedimento fiscal, incidindo em nulidade da decisão de acordo com o artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Cita a recorrente o artigo 833 do RIR199, dizendo ser um procedimento lícito a retificação da declaração. ,7‘ 4 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.?:4;-... wp.. -;:t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13.7t:, OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 No mérito, diz que o questionamento fiscal está fundado unicamente em compensações supostamente irregulares. , A Lei 10.833/2003, em seu artigo 18 delimitou a possibilidade do lançamento de oficio em apenas três hipóteses: a) crédito ou débito não ser passível de compensação; b) o crédito ser de natureza não tributária; e c) ficar caracterizado o intuito de fraude. Não se enquadrando em nenhuma destas hipóteses o lançamento de oficio, sendo este incabível e conflitando com as regras contidas no artigo 74 da Lei 9.430/96. Existem incongruências na apuração fiscal. Houve a retificação do saldo compensável, mas não houve auto de infração de retificação de prejuízo fiscal, no qual o sujeito passivo pudesse se defender. A contribuição sobre base estimada somente pode ser exigida antes da apuração anual, e não depois dela, pois o montante estimado é absorvido pela apuração anual e então perde exigibilidade. As reduções de R$526.092,24 e R$186.878,09 são equivocadas e descabidas. Não houve falta de recolhimento da CSLL nos meses de 04/99, 06/99 e 08/99 (bases estimadas), pois os valores devidos foram efetivamente compensados conforme comprovado no relatório de auditoria independente juntado na impugnação, o qual afirma que tais compensações foram efetuadas com saldos negativos de CSLL gerados nos anos de 1997 e 1998. Por final, em seu recurso, cita parte do Relatório da Receita Federal elaborado a pedido da DRJ, doc.fis. 727/728: "7. A constatação de que, considerados os ajustes pelos valores constantes da escrituração contábil e das declarações retificadoras apresentadas, restariam saldos devedores para os períodos de apuração: 08/1999 - R$97,98 - Multa de R$73,41; 01/20004R$56,85 - Multa de R$42,63; 02/2000 I- R$1,42 - Multa de R$ ,06 ., 5 • , ":15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';:zi;:;$/- OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 12/2000 - R$1.351,95 - Multa de R$1.013,96; 30 Trimestre/2001- R$58,12". E conclui em seu recurso, que o relatório da autoridade lançadora corrobora as conclusões da auditoria de que não houve falta/insuficiência/recolhimentos/compensações (a não serem pequenas parcelas que indica), sendo insubsistente o lançamento tributário. Foi efetuado o Arrolamento de Bens e Direitos para seguimento do recurso voluntário, doc.fls.749/752, e despacho do órgão preparador às fls.755. É o Relatório. (M/ • 6 eà: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES felm:»k OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. : 108-09.052 VOTOVENCIDO Conselheiro MARGIL MOURA° GIL NUNES, Relator O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento. Inicialmente devemos segregar a matéria objeto do lançamento, julgado procedente, e agora do recurso voluntário: a falta de recolhimento da Contribuição sobre o Lucro Líquido 3° Trimestre 2001 e 4° Trimestre de 2002 (Lucro Presumido) e, a aplicação da multa isolada pelo não recolhimento do CSLL sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos nos meses de abril, junho, agosto de 1999, e janeiro, fevereiro, julho e dezembro de 2000. Não se pode retornar como objeto do litígio neste processo a compensação/restituição efetuada pelo contribuinte, objeto de outro processo administrativo (número 10980.002023/00-71 e 10980-0110284/99-03) e, portanto, não será abordada. Quanto as preliminares de nulidade e cerceamento do direito de defesa, não há como acolhê-las. época da lavratura do Auto de Infração, fevereiro de 2004, já havia sido instituída a DCTF, que era declaração de débito, e a DIPJ que se tomou apenas informativa do movimento econômico da pessoa jurídica. • 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4»...4.Z4: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' ;t2filtf> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 Ademais, a entrega da DIPJ, mesmo antes do procedimento fiscal, não obsta a constituição do crédito tributário por infrações à legislação tributária. E aquela porventura entregue após o início do procedimento fiscal, retificadora ou não, também não teria o condão de impedir o lançamento. Não vejo cerceamento ao direito de defesa, quando todos os elementos do lançamento foram levados ao conhecimento do sujeito passivo que dele se defendeu com clareza e a decisão recorrida formou sua convicção por todos os documentos trazidos. Não vejo ofensa ao artigo 59, II do Decreto 70.235/72 ou transgressão ao artigo 63, parágrafo 5°. do DL 5.844/43 transcrito no artigo 833 do RIR199, "in verbis": "Art. 833. A pessoa jurídica que, depois de iniciada a ação fiscal, requerer a retifica 0o de rendimentos de sua declaração não se eximirá, por isso, das penalidades previstas neste Decreto, aplicando-se o mesmo procedimento a todas as pessoas físicas ou jurídicas, quanto aos rendimentos oriundos da pessoa jurídica a que se referir aquela ação fiscal, inclusive aos sujeitos ao regime de arrecadação nas fontes." E ainda, pelos documentos trazidos pelo fisco em diligência, doc.fls.727/728, cumprindo o Despacho da DRJ Curitiba acerca dos cálculos da compensação efetuada, foram estes obtidos junto à própria recorrente, que não pode alegar o desconhecimento de seu conteúdo. Também não vejo impropriedade na aplicação do citado artigo 18 da Lei 10.833/2003, que determinou: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória rfi 2158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arta 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 novembro de 1964? E a MP 2.158-35/2001: 8 • <0.424, MINISTÉRIO DA FAZENDA •-•`!" :` 4i -4p Sik PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '=fift.,,t> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. : 108-09.052 "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Quanto ao mérito, tenho como procedente o pleito da recorrente. O relatório de diligência, doc.fls. 727/728, deixou claro que após as correções de erros de fato nas declarações e apresentação (ainda que após o inicio da ação fiscal) das declarações faltantes e ou retificadoras, cumpriram o papel de corrigirem erros de fato. A recorrente alega incongruências na apuração fiscal trazendo em sua defesa inicial o relatório de auditoria para comprovar os cálculos corretos, doc.fls.427/448. • Na diligencia fiscal, cumprindo determinação da autoridade julgadora de primeira instância, concluíram os auditores autuantes em seu Termo, doc.fls.7271728, que: 'A constatação de que, considerados os ajustes pelos valores constantes da escrituração contábil e das declarações retificadores apresentadas, restariam saldos devedores para os períodos de apuração: 08/1999- R$97,88 - Multa de R$73,41; 01/2000-R$56,85 - Multa de R$42,63; 02/2000-R$1,42 - Multa de R$1,06; 12/2000 R$1.351,95- Multa de R$1.013,96 e 3° trimestre 2001- R$58,12." A autoridade recorrida cita parte do voto proferido por esta mesma delegacia no Acórdão DRJ/CTA No. 8.316/2005, PTA 10980.010284/99-03 que indeferira o pedido de restituição do contribuinte relativo a CSLL do ano calendário 1998, dizendo: °A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação de erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." 9 .'s‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.00074712004-67 Acórdão n°. :108-09.052 Assim, o fato de ainda restarem pequenos valores à recolher nos períodos, indicados pelos próprios fiscais em diligência fiscal (não trazidos à baila, nem na autuação ou mesmo na decisão "a quo"), e pelo fato de não 'caber à esta autoridade de julgamento, em segunda instância, o aperfeiçoamento do lançamento, entendo serem indevidos os valores da CSLL nos valores constituídas pelo auto de infração em 30/09/2001 e 31/12/2002. Quanto à constituição do crédito tributário por multa isolada, por insuficiência de recolhimento da CSLL sobre bases mensais estimadas, após o encerramento do ano calendário, faço ainda as seguintes considerações. A legitimidade da multa isolada, tem tido entendimentos diversos neste Conselho. O primeiro é que o lançamento obedeceu a norma legal que autoriza a cobrança da multa isolada para os casos que menciona, ou seja, o artigo 44 inciso V da Lei 9.430/96. O segundo entendimento neste Conselho é de que não pode haver uma dupla penalização sobre uma só infração, não comportando a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. (não sendo este o caso aqui tratado para os fatos geradores de 1999 e 2000). E o terceiro entendimento, em sendo cabível e perfeitamente legal a imposição da multa isolada, contudo seus limites após o transcurso do ano calendário deve ser observado, pois não há que se falar em antecipação após o encerramento do ano, mas sim observado a existência ou não do tributo — no caso o imposto de renda devido — ao final do ano calendário. Adequando meu voto na linha adotada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sendo possível a aplicação da multa isolada (artigo 44, i ciso to MINISTÉRIO DA FAZENDA *.r.-2,1/4.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .;ii,-k-fszt:# OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 IV da Lei 9.430/96), deve ser observado que o artigo 2o. da Lei 9.430/96 nos remete ao artigo 35 da Lei 8.981/95 para a elaboração dos cálculos da estimativa mensal. Vejamos o que determina a alínea b do parágrafo 1 o do Artigo 35 da Lei 8981/95, para melhor entendimento quanto aos limites temporais para aplicação da multa com base nos valores apurados durante o ano calendário: • "Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balanceies de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário." (meus grifos) Assim, pelo citado trecho legal, com o destaque para a expressão - somente produzirão efeitos no decorrer do ano calendário - combinado com o artigo 44 da Lei 9.430/96, a base de cálculo da multa é o valor do tributo calculado sobre o lucro estimado e não recolhido, ou a diferença entre o valor devido e o recolhido até a apuração do lucro anual. Sendo a partir da apuração do lucro anual, o limite para a base da sanção seria a diferença entre o imposto anual devido e o valor apurado por estimativa obrigatória, devendo ser considerado entre eles o menor. Segundo consta na Ficha 30 - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na DIPJ Ano Calendário 1999, fls.159 e 671, já haviam outros valores devidos ao final do ano de 1999. Segundo consta na Ficha 17 - Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na DIPJ Ano Calendário 2000, fls.189, já não havia tributo devidohiao final do ano de 2000, mas valor a restituir. n eaCa. MINISTÉRIO DA FAZENDA •4` PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESSjS if OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 Como anteriormente dito, sobre este assunto já se pronunciou em 12/04/2005 a Câmara Superior de Recursos Fiscais em provimento por maioria do Recurso de Divergência pelo Acórdão CSRF n° 01-04.930, cuja ementa transcrevo: *IRPJ — MULTA ISOLADA — FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO ESTIMADO — A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balanceies mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. (Lei n° 8.981/95, art. 35 c/c art. 2° Lei n° 9.430/96). A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei n° 9.430/96 44 § 1° inciso IV c/c art. 2. A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucre real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei n° 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1° inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1° letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida." A Câmara Superior de Recursos Fiscais se pronunciou sobre o assunto em duas outras oportunidades: No recurso 103-131024 em sessão de 14/03/2005 interposto pela Fazenda Nacional, cuja ementa do Acórdão CSRF 01-05181 transcrevo: "CSLL — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de 12 413e“ MINISTÉRIO DA FAZENDA t`st PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. lmprocede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida apurada ao final do exercício." E no Acórdão CSRF 08-05201, ementa abaixo, no recurso de divergência 108-132915 interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão número 108- 07.490 de 14/08/2003, desta Oitava Câmara: "IRPJ — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - PREJUÍZO FISCAL - O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a empresa apura prejuízo em sua escrita fiscal ao final do exercício." Ademais, após a edição da Medida Provisória 303 de 29 de junho de 2006, artigo 18, que alterou frontalmente o artigo 44 da Lei 9.430/96, a multa de oficio exigida isoladamente passou a ser de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do pagamento mensal, nos os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou declaração inexata. Pela análise dos autos e tudo exposto, rejeito as preliminares argüidas, e no mérito dou provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 19 de outubro de 2006. , ‘C- c A, a ef MARGIL M o' RÃ' GIL NUNES 13 ei.-"; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES P:71 OITAVA CÂMARA Processo n°. :10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :108-09.052 VOTO VENCEDOR Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Relatora Designada Em que pese o brilhantismo das razões de decidir peço vénia ao Nobre Relator para discordar da conclusão exarada quanto a persistência da multa isolada lançada após o encerramento do período base. A recorrente optou por declarações com apuração do lucro real anual. Assim, recolhimentos estimados deveriam ser realizados. Esses poderiam ser suspensos quando restasse comprovado,através de balanço ou balancete de suspensão, a satisfação do crédito tributário havido no período. A Lei 9430/1996 determinou penalidades específicas para o descumprimento desse dispositivo, a partir de 1°/01/1997, nos seguintes termos: "Art. 43— Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Par. único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora calculados à taxa que se refere o parágrafo 3 do artigo 5 . a partir do 1. dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Att. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição: 1— de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (4. /11 (11 14 Pt ••• ' MINISTÉRIO DA FAZENDA tfr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10980.000747/2004-67 Acórdão n°. : 108-09.052 Par. ( As multas de que tratam este artigo serão exigidas: (..) • IV — Isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeitas ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do artigo 2. , que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa, no ano calendário correspondente: A IN SRF 93/1997 normatizou o procedimento a ser observado: Art. 16 — Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano calendário, o lançamento de ofício abrangerá: I — multa de oficio sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidosf Assim, não caberia qualquer outro procedimento diverso deste verificado nos autos. Todavia há questão favorável a recorrente no tocante à imposição do percentual aplicado nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1°, inciso IV, acima transcrito. A MP 303, de 29/06/2006 alterou a redação do dispositivo e, por conseqüência do percentual a ser imposto: "Art. 18. O art. 44 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 82 da Lei n2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 22 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre lucro 15 • . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10980.000747/2004-67 Acórdão n°. :106-09.052 liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 12 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 22 Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 12, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n-2 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." Como se trata de aplicação de penalidade, nos termos do artigo 106,1 do CTN, a multa aplicada deverá ser reduzida pára 50%, nos termos do artigo 18 da MP30312006. Por todo exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso reduzindo a multa aplicada para o coeficiente de 50%. Sala das Sessões - DF, em 19 de outubro de 2006. • • ;:ir. • AS PESSOA MONTEIRO 16 Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1

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4689156 #
Numero do processo: 10945.001448/96-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: MULTA ADMINISTRATIVA. Na importação contratada a cláusula FOT, o valor do frete integra o valor de transação. Recurso negado.
Numero da decisão: 301-28654
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: MARIO RODRIGUES MORENO

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Na importação contratada com a cláusula FOT, o valor do frete integra o valor da transação. RECUTRSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. e ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 1998 MOACYR ELOY DE MEDEIROS • Presidente • Vir :OMR • MÁRIO • *DR pUES MORENO PcRocdt.t,Aceo..z.cia,A.trer:„:.Arrc;,—Ar:::-02,,,:; Relator Em. jr.d.;-n, "le ' — t LUCIANA COR EZ RORtZ PONTES 5/05/9? enicareilore da Fazendo 'lecionai Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO, ISALBERTO ZÁVÃO LIMA, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e JOSÉ ALBERTO DE MENEZES PENEDO tme MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 118.892 ACÓRDÃO N.° : 301-28.654 RECORRENTE : IMPORTADORA E EXPORTADORA DELLA MÔNICA LTDA RECORRIDA : DRJ/FOZ DO IGUAÇU/PR RELATOR(A) : MÁRIO RODRIGUES MORENO RELATÓRIO Em ato de revisão aduaneira o contribuinte foi autuado para exigência da Multa prevista no art. 522 inciso III do Regulamento Aduaneiro. A exigência fundamentou-se na falta de inclusão na Declaração de Importação do valor do frete rodoviário entre a origem (Mendoza - AG) e a fronteira de Foz do Iguaçu. Inconformado apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 66/69, na qual alega, em resumo, ser improcedente a exigência eis que a fiscalização fundamentou-se em mera presunção, porque apenas um dos conhecimentos de transporte deixou de conter a informação de que o frete seria pré pago pelo exportador, não podendo por isso, presumir que todas importações da requerente estariam subfaturadas. Juntou documentos que seriam os corretos. Às fls. 112/115 veio a decisão de primeira instância que manteve integralmente o auto de infração eis que nos documentos juntados à Declaração de Importação o valor do frete vem discriminado na coluna "monto destinatário" e que contratado sob a cláusula FOT (Free on Truck) cessa a responsabilidade do exportador, CP correndo a partir do carregamento todas a despesas por conta do destinatário, no caso, o importador. Inconformado com a decisão monocrática, recorreu a este Conselho reiterando os mesmos argumentos expendidos na impugnação. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional deixou de manifestar-se tendo em vista que o processo é de valor inferior ao previsto na Portaria n° 189/97. É o relatório. 2 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N.° : 118.892 ACÓRDÃO N.° : 301-28.654 VOTO A decisão de primeira instância não merece reparo. Contratada a importação sob a clausula FOT - Free on Truck, caracterizado está que todas as despesas após o carregamento correm por conta do destinatário. • Desta forma, inverossímeis as informações constantes das "cópias" dos documentos juntados somente na impugnação, onde a cláusula seria FOT - Frontera, quando os documentos juntados às Declarações de Importação não fazem menção a este aspecto. Deixando de incluir o valor do frete no valor da transação, incorreu o contribuinte na penalidade aplicada, razão pela qual, voto no sentido de negar provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 1998. egi _ jia - MÁRIO ROD • GUES ORENO - RELATOR 4IP 3 Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1

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4689115 #
Numero do processo: 10945.000569/96-11
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IRPF - BASE DE CÁLCULO - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA - O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovados pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. IRPF - SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL SOCIAL EM MOEDA CORRENTE - DOCUMENTO PÚBLICO - VALIDADE DA PROVA - Somente não deve prevalecer para efeitos fiscais a data e o valor da subscrição em moeda corrente nacional constante do contrato social, devidamente registrado e arquivado na Junta Comercial, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual deste não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a cláusula contratual não foi cumprida. Assim, o contrato social devidamente registrado e arquivado em Junta Comercial é prova hábil e idônea da constituição de empresa, e suas cláusulas não podem ser desacreditadas sem provas que sustentem o contrário. Recurso negado.
Numero da decisão: 104-16815
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE
Nome do relator: Nelson Mallmann

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IRPF - SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL SOCIAL EM MOEDA CORRENTE - DOCUMENTO PÚBLICO - VALIDADE DA PROVA - Somente não deve prevalecer para efeitos fiscais a data e o valor da subscrição em moeda corrênte nacional constante do contrato social, devidamente registrado e arquivado na Junta Comercial, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual deste não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a cláusula contratual não foi cumprida. Assim, o contrato social devidamente registrado e arquivado em Junta Comercial é prova hábil e idônea da constituição de empresa, e suas cláusulas não podem ser desacreditadas sem provas que sustentem o contrário. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ROBERTO MENEGASSI. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEI MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE . . 4," e 4* MINISTÉRIO DA FAZENDA =' . í' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 7 1(Si2/72kite ELAT • - FORMALIZADO EM: 26 FEV 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA fr,--rtk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 Recurso n°. : 13.972 Recorrente : LUÍS ROBERTO MENEGASSI RELATÓRIO LUIZ ROBERTO MENEGASSI, contribuinte inscrito no CPF/MF 572.479.519-15, residente e domiciliado na cidade de Guaíra, Estado do Paraná, à Av. Thomáz Luiz Zeballos, n.° 407, sala 04 - Bairro Centro, jurisdicionado à DRF em Foz do Iguaçu - PR, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 22/24, prolatada pela DRJ em Foz do Iguaçu - PR, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 27/28. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em13/02/96, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 07/10, com ciência em 28/02/96, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 202.673,95 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto de renda pessoa física, acrescidos da multa de lançamento de 100% e juros de mora, calculados sobre o valor do imposto, referente ao exercício de 1996, ano-base de 1995. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde constatou-se omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, caracterizando sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda mensalmente auferida e não declarada. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e §§, e 8° da Lei n.° 7.713/88, artigos 1° ao 4° da Lei n.° 8.134/90 e artigos 4°, 50 e 60 da Lei n.° 8.383/91, c/c artigo 6° e §§ da Lei n.° 8.021/90 e artigos 7° e 8° da Lei n.° 8.981/95. 3 ,..tk MINISTÉRIO DA FAZENDA .•pt--j't PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 Em sua peça impugnatória de fls. 15/16, instruída pelos documentos de fls. 17/19, apresentada, tempestivamente, em 29/03/96, o contribuinte, após historiar os fatos registrados no Auto de Infração, se indispõe contra a exigência fiscal, requerendo que sejam acolhidas as razões apresentadas e que julgue totalmente improcedente o lançamento, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que o contribuinte foi autuado por esta Instituição por não apresentar declaração de Imposto de Renda no ano de exercício de 1990 a 1995; - que a empresa foi constituída no ano de 1995, através do Contrato Social em anexo; - que o contribuinte conforme seu Contrato Social, tinha interesse em atuar no ramo de importação e exportação; - que o contribuinte foi autuado por esta Instituição com base no Contrato Social, no qual dispõe na Cláusula 2° declarou ser possuidor de um capital de R$ 250.000,00, declaração esta tendo a finalidade de constituir a Empresa de Importação e Exportação, tendo em vista a previsão de constituir tal montante com Instituições financeiras, tanto brasileiras como paraguaias e/ou argentinas; - que não houve a liberação por parte da Secretaria da Receita Federal para que a referida empresa atuasse no ramo de importação e exportação, conforme declara no termo de verificação fiscal; 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 - que a empresa não obteve a sua constituição dificultando, assim a obtenção de recursos junto as Instituições Financeiras para garantir o capital social declarado no Contrato Social; - que outrossim, requer ao Sr. Delegado que venha a desconstituir a Declaração do Contrato Social, uma vez que esta empresa não obteve sua autorização no Registro da Secretaria da Receita Federal dificultando a obtenção de Recursos para formalização da mesma. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a autoridade singular conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção integral do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que o contribuinte procura argumentar, em sua peça impugnatória, que o contrato social estabelece um fato que, na verdade, não merece crédito. No referido contrato, na cláusula segunda, lê-se que o capital social houvera sido totalmente integralizado, naquele ato, em dinheiro; - que não poderia o Fisco desmerecer a fé de um documento registrado em cartório, arquivado na Junta Comercial e que possui, inclusive, interesse público, visto que supunha-se ser a firma R. Menegassi & Piaia Ltda. Uma empresa devidamente constituída, com o capital social integralizado, conforme firmado em sua constituição; - que o fato do sócio afirmar, posteriormente, que o capital seria integralizado, não em dinheiro, como estabelece de início, mas com recursos advindos de instituições financeiras, tanto brasileiras, como paraguaias ou argentinas, sem, no entanto, 5 eswg, . MINISTÉRIO DA FAZENDA T;Lt; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 trazer aos autos qualquer prova além de suas alegações, não pode modificar o ato jurídico perfeito que é a constituição da empresa; - que a Lei n.° 9.430/96, em seu artigo 44, inciso I, reduziu para 75% a multa de lançamento de ofício, de que trata o artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, aplicada no presente Auto de Infração. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA contrato social devidamente registrado e arquivado em Junta Comercial é prova hábil e idônea da constituição de empresa, e suas cláusulas não podem ser desacreditadas sem provas que sustentem o contrário. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 26108/97, conforme Termo constante às fls. 25/26, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil ( 22/09/97), o recurso voluntário de fls. 27/28, no qual demonstra total irresignação contra a decisão supra ementada, baseado nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. 6 sair,* MINISTÉRIO DA FAZENDA t'-'•X PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Não há argüição de qualquer preliminar. O suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Como se vê, o fato que resta a ser julgado é a omissão de rendimentos, apurado através do fluxo financeiro do suplicante. Sobre este 'acréscimo patrimonial a descoberto", 'saldo negativo mensal" cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícita a presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatada na 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA 3.:-.1.?;5" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerada como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período. Não pode se tratada, portanto, como acréscimo patrimonial. Assim não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CTN). Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade económica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os 8 :irtsne;44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, no presente caso, a tributação levado a efeito baseou-se no levantamento mensal do mês de fevereiro de 1995, já que conforme os documentos acostados aos autos de fls. 17/18, o suplicante integralizou capital social no valor de R$ 250.000,00, onde, facilmente, se constata que houve a disponibilidade econômica de renda, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. A questão em exame impõe ao intérprete a necessidade preliminar de enquadrar a norma a ser interpretada no ramo do direito positivo em que está inserida. Com efeito, quando o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, se referiu à interpretação e integração da legislação tributária o fez de forma a não autorizar o intérprete na escolha indiscriminada dos vários métodos de hermenêutica à sua disposição, mas, ao contrário, lhe impôs uma rígida hierarquia de regras. 9 4-1A ,.. MINISTÉRIO DA FAZENDA sÇç PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '^>fatt:5 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 A primeira delas, a analogia, a doutrina tem como pacífico que sua aplicação decorre da seguinte operação mental: (Washington de Barros Monteiro - Curso de Direito Civil - Parte Geral - 11° Edição - Editora Saraiva - pag. 44) 'De determinada norma, que regula certa situação, parte o intérprete para outra regra, ainda mais genérica, que compreenda não só a situação especificamente prevista, como também a não prevista.' Entretanto, para que se permita o recurso à analogia é preciso que o fato considerado não tenha sido especificamente objetivado pelo legislador, o que vale por dizer, que a fato não previsto se adotará norma que regule situação semelhante. Por outro lado, há que se considerar o caráter de exceção implícito na norma em exame, e, neste caso, é pertinente e relevante a advertência de Washington de Barros Monteiro, que citando Andréa Torrente, acrescentou: '... as normas de exceção são disciplinadas pelas de caráter geral, inexistindo, pois, motivo que justifique o apelo a analogia, que pressupõe não esteja contemplado em lei alguma o caso a decidir.' A segunda regra, caso a lei não forneça elementos suficientes para a construção analógica, implica em fazer com que o intérprete venha a se socorrer dos princípios gerais de direito tributário, o que vale dizer, pesquisar noutras leis tributárias, de caráter geral, que integram o sistema fiscal do país. Feitos estes esclarecimentos iniciais, cabe afirmar que a expressão 'Omissão de Rendimentos' deve ser interpretada à luz do direito positivo fiscal, e, sobre este prisma, será considerado omitido todo o rendimento não oferecido à tributação. to 4,,s MINISTÉRIO DA FAZENDA _st tc:1/4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "•=1.,-4,:tf> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 Todavia, se da análise das leis de regência (Leis n°s 7.713/88, 8.134/90 e 8.021/90) não impõe esta conclusão, com suficiente clareza, a ponto de acomodar o intérprete no limite de seus comandos. Neste caso, cabe o concurso de outras normas de caráter geral, trilhando os passos autorizados pelo CTN, com o objetivo de extrair o verdadeiro alcance da expressão "Omissão de Rendimentos". A questão poderia ser resolvida, se fosse o caso, quando recorre o intérprete ao disposto no art. 889, inciso I do RIR/94 que, ao normatizar o lançamento de ofício, estabelece que esse procedimento será adotado quando o contribuinte não apresentar declaração de rendimentos. Ora, se o contribuinte não declarou os rendimentos cabe considerá-los como omitidos, pois a omissão sempre deverá ser entendida, sob o ponto de vista fiscal, como todo e qualquer procedimento que implique em não se praticar ato que a lei determine seja praticado. Finalmente, há de se considerar o caráter excepcionalizante da norma em exame e, neste caso, deve-se sempre estar atento para o principio de hermenêutica que orienta no sentido da prevalência, entre as normas que excepcionalizam, do objetivo sobre o subjetivo. Assim, não cabe ao intérprete distinguir, onde a lei não fez distinção, nem, tão pouco, interpretar os seus comandos com base em aspectos subjetivos sob a justificativa que esta era a intenção do legislador. Portanto, o que deve prevalecer é a vontade do sistema em que a norma está inserida e não a vontade do intérprete. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA14“. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 Dizem as normas legais que regem o assunto: "Lei n.° 7.713/88: Artigo 1° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Artigo 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3° - O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9° a 14 desta Lei. § 1°. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n.° 8.134/90: Art. 1° - A partir do exercício-financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° - O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 4° - Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 10 de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8° da Lei n.° 7.713, de 1988: I - será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.° 8.021/90: 12 Ztt MINISTÉRIO DA FAZENDA •"oki 4. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 Art. 6° - O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, far- se-á arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte? Como se depreende da legislação, anteriormente citada, o imposto de renda das pessoas físicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos - fluxo financeiro, que o recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser tributada no mês em que for apurada. É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em função destes. Quanto ao argumento que trata-se de um lamentável equívoco os R$ 250.000,00 declarados como incorporados para formação da empresa, já que tal montante estava naquele momento, sendo subscrito e não integralizado ao Capital Social, tem-se que somente não deve prevalecer para efeitos fiscais a data e o valor da subscrição em moeda corrente nacional constante do contrato social, devidamente registrado e arquivado na Junta Comercial, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual deste não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a 13 2 " MINISTÉRIO DA FAZENDA t- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 cláusula contratual não foi cumprida. Assim, o contrato social devidamente registrado e arquivado em Junta Comercial é prova hábil e idônea da constituição de empresa, e suas cláusulas não podem ser desacreditadas sem provas que sustentem o contrário. Sobre o assunto são oportunas algumas considerações a propósito da interpretação das leis, especialmente no campo do Direito Tributário: "Ensina FRANCISCO FERRARA, in "Ensaio Sobre a Teoria de Interpretação das Leis" - Studiu, Coimbra, 1978, 38 Ed. pág 26: "... interpretar, quando de leis se trata, significa algo diverso de interpretar em outros casos: interpretar, em matéria de leis, quer dizer não só descobrir o sentido que está por detrás da expressão, como também, dentre as várias significações que estão cobertas pela expressão, eleger a verdadeira e decisiva." Ensina, ainda, que "Assim, não há dúvida que as palavras da lei podem comportar, e em regra comportam, diversos pensamentos. Mas nem todos têm, sob este ponto de vista, a mesma legitimidade. Um deles representará a significação natural, imediata, espontânea dos dizeres legais; outro uma significação artificiosa ou reservada. Um deles encontrará no teor verbal da lei uma expressão perfeitamente adequada; outro uma notação vaga, tosca, infeliz. Um deles sente-se como que à sua vontade dentro do texto legal; outro só lá se agüenta com certo mal estar.' CARLOS MIXIMILIANO, em sua obra 'HERMENÊUTICA APLICAÇÃO DO DIREITO", Forense, 1981, 98 ed. págs 165/166, preleciona: 'Prefere-se o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor corresponda às necessidades da prática, e seja mais humano, benigno, suave. É antes de crer que o legislador haja querido exprimir o conseqüente e adequado à espécie do que o evidentemente injusto, descabido, inaplicável, sem efeito. Portanto, dentro da letra expressa, procura-se a interpretação que conduza a melhor conseqüência para a coletividade. Deve o Direito ser interpretado inteligentemente: não de modo que a ordem legal envolva um absurdo, prescreva inconveniências, vá ter conclusões 14 r4.. " . .v; rã; MINISTÉRIO DA FAZENDA '; :1; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CAMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 inconsistentes ou impossíveis. Também se prefere a exegese de resulta eficiente a providência legal ou válido o ato, à que tome aquela sem efeito, inócua, ou este juridicamente nulo? "Desde que a interpretação pelos processos tradicionais conduz a injustiça flagrante, incoerências do legislador, contradição consigo mesmo, impossibilidades ou absurdos, deve-se presumir que foram usadas expressões impróprias, inadequadas, e buscar um sentido eqüitativo, lógico e acorde com o sentido geral e o bem presente e futura da comunidade." Assim, interpretar não significa desobedecer ao mandamento legal, mas, cumprir o seu ordenamento, seu preceito, só de forma a torná-lo consentâneo com a realidade que nos cerca. O que se busca, em última análise, é tornar o comando legal exeqüível, eficiente, eficaz, de alcance lógico, racional, principalmente, jurídico. Assim, ao declarar, em documento de Contrato Social, devidamente registrado e arquivado na Junta Comercial, a ampla, integralização de capital social, no valor de R$ 250.000,00, o suplicante dá publicidade ao mundo jurídico da plena satisfação de seus interesses. Por isso mesmo, as ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real intenção, e assim se beneficiar indevidamente do tratamento diferenciado, deve merecer a ação saneadora contrária, por parte da autoridade administrativa fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Dessa forma, não podia e não pode o fisco permanecer inerte diante de procedimentos dos contribuintes cujos objetivos são exclusivamente o de ocultar ou impedir o surgimento das obrigações tributárias definidas em lei. Detectado esse procedimento irregular, como no presente caso, compete ao fisco proceder como o fez: calcular o imposto de renda devido referente ao valor declarado, já que o suplicante não apresenta nenhum dado concreto que pudessem invalidar o instrumento de Contrato Social. 15 • te" MINISTÉRIO DA FAZENDA 151, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 No Direito Privado, se a simulação prejudica um terceiro, o ato toma-se anulável. O Estado é sempre um terceiro interessado nas relações entre particulares que envolvem recolhimento de tributos; por conseguinte, poderia provocar a anulação destes atos. Entretanto, a legislação tributária preferiu recompor a situação e cobrar o imposto devido. Assim, as simulações que envolvem tributos não são tratadas no Direito Tributário como seriam no Direito Privado. Neste último, a conseqüência é a anulabilidade do ato praticado; e no Direito tributário é o lançamento ex officio do imposto, que o verdadeiro ato geraria, acrescido das penalidades cabíveis. A Fazenda Nacional, representante legítimo da União, tem o poder de impor normas que visem a impedir a manipulação de bens ou valores que repercutam redutivamente nos resultados da cobrança de tributos. E, como no direito processual brasileiro, para provar-se um fato, são admissíveis todos os meios legais, inclusive os moralmente legítimos ainda que não especificados na lei adjetiva, sendo livre a convicção do julgador, firmo a minha convicção que estão corretos, tanto o procedimento fiscal como a decisão recorrida, no que se refere ao cálculo do imposto de renda devido. 16 ya MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10945.000569/96-11 Acórdão n°. : 104-16.815 Diante do conteúdo dos autos, pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 27 de janeiro de 1999 7diritt~, 17 Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1

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