Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10630.720285/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO.
Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos.
DÉBITO DECLARADO EM DCTF - CONFISSÃO DE DÍVIDA
O débito declarado em DCTF tem natureza de confissão de dívida, e, por tal, prescinde de lançamento de ofício.
Recurso especial da contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos. DÉBITO DECLARADO EM DCTF - CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado em DCTF tem natureza de confissão de dívida, e, por tal, prescinde de lançamento de ofício. Recurso especial da contribuinte negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10630.720285/2007-11
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5986761
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.360
nome_arquivo_s : Decisao_10630720285200711.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10630720285200711_5986761.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7692708
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659987320832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10630.720285/200711 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.360 – 3ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente CELULOSE NIPOBRASILEIRA S.A. CENIBRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. Só há que se falar em atualização monetária em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI quando houver oposição estatal posteriormente revertida nas instâncias administrativas recursais, o que não é o caso dos autos. DÉBITO DECLARADO EM DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado em DCTF tem natureza de confissão de dívida, e, por tal, prescinde de lançamento de ofício. Recurso especial da contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 85 /2 00 7- 11 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10630.720285/200711 Acórdão n.º 9303008.360 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 288/306), admitido pelo despacho de fls. 339/343, contra o Acórdão 330100.659 (fls. 272/280), de 26/08/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos confessados em DCTF, ainda que sob compensação, são passíveis de cobrança, independentemente de lançamento de oficio, a teor do Decreto Lei n.° 2.124/84, art. 5°, § 1° e Sumula do STJ n°436. Recurso Voluntário Negado. Em resumo postula o contribuinte a reforma do recorrido para que o saldo credor do IPI seja atualizado monetariamente até a data da compensação, e, subsidiariamente pede o cancelamento da exigência da parcela do débito não compensado "por falta de constituição válida do crédito tributário, tendo em vista que a DCOMP foi transmitida em data anterior à 31/10/2003". Em contrarrazões (fls. 347/359), requer a Fazenda que seja negado provimento ao recurso especial interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. O contribuinte postulou ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor de R$ 771.684,96, tendo sido reconhecido, após alguns incidentes, o valor de R$ 764.046,75 Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10630.720285/200711 Acórdão n.º 9303008.360 CSRFT3 Fl. 4 3 Aquele valor foi integralmente compensados com CSLL. Como o valor não foi suficiente para saldar este último tributo, o contribuinte recebeu aviso de cobrança para quitar o saldo não compensado (R$ 7.638,23). No recurso sob nossa análise o contribuinte pede genericamente a atualização do valor ressarcido e entende que a RFB não pode cobrar a parcela da CSLL não quitada pela compensação porque só poderia fazêlo de ofício, uma vez que a DCOMP foi transmitida antes de 31/10/2003. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC O contribuinte postula em seu recurso que seja aplicada a taxa SELIC desde o protocolo do pedido até a data da compensação. Vem se consolidando de forma majoritária nesta Turma da CSRF que só há que se falar em aplicação de taxa SELIC quando restar caracterizada a oposição estatal ao pedido de ressarcimento1. No caso em tela, do pleito total no valor histórico de R$ R$ 771.684,96, foi deferido o valor de R$ 764.046,75. Portanto, só haveria que se falar em oposição ao valor correspondente à diferença entre o pedido e o deferido. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. No âmbito das turmas de julgamento do CARF têm se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados referidos estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Dessa leitura, concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco ao aproveitamento de referidos créditos permite que seja reconhecida a incidência da atualização monetária pela aplicação da taxa Selic. Porém, para a incidência da correção que se pretende, há que existir, necessariamente, o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento, com causas de pedir diversas, temse que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto, somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima mencionadas. Porém, não é a hipótese dos autos, pois o contribuinte não litigou quanto à parte não reconhecida pelo Fisco. E quanto ao termo inicial para aplicação da taxa SELIC, dos repetitivos a que aludi o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Em consequência, manifestouse que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. 1 Nesse sentido Acórdão 9303006.999, julgado em 14/06/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10630.720285/200711 Acórdão n.º 9303008.360 CSRFT3 Fl. 5 4 Todavia, no presente caso, o contribuinte não se insurgiu contra o valor indeferido, portanto não há que se falar em atualização monetária de valor incontroverso. Assim, é de ser negado o recurso quanto a este tópico. VALOR COMPENSADO O contribuinte argui que a compensação foi anterior a nova redação do art. 74 que deu natureza de dívida a declaração de compensação (MP 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003) . Dessa forma, entende que o valor compensado da CSLL que restou em aberto só poderia ser objeto de cobrança desde que houvesse constituição de ofício desse valor. Embora, de fato, a DCOMP tenha sido anterior a norma referida, inconteste que o valor compensado foi declarado em DCTF. Portanto, como bem assentado no recorrido, o DecretoLei 2.124/84 aclarou que aquela declaração comunica a existência de crédito tributário, constituindose em confissão de dívida e sendo instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Assim, não há necessidade de constituição de ofício desse valor. No sentido do que ora se decide, esta E. Turma da CSRF decidiu por maioria de votos (vencido o i. Conselheiro Demes Brito), em recurso do mesmo contribuinte, nos Acórdãos 9303007.915 e 9303007.916, ambos julgados em 24/01/2019. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte, mas nego lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10630.720285/200711 Acórdão n.º 9303008.360 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722537/2011-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/03/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Restando demonstrada a existência de dissídio jurisprudencial e constatado o cumprimento dos demais requisitos de admissibilidade, deve o Recurso Especial ser conhecido.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Os valores pagos a diretores não empregados, na forma do art. 158 da Lei 6.404/1976, estão sujeitos às contribuições previdenciárias e de terceiros, posto que inexiste norma que lhes conceda isenção.
Numero da decisão: 9202-007.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Restando demonstrada a existência de dissídio jurisprudencial e constatado o cumprimento dos demais requisitos de admissibilidade, deve o Recurso Especial ser conhecido. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Os valores pagos a diretores não empregados, na forma do art. 158 da Lei 6.404/1976, estão sujeitos às contribuições previdenciárias e de terceiros, posto que inexiste norma que lhes conceda isenção.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11516.722537/2011-00
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5980521
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.613
nome_arquivo_s : Decisao_11516722537201100.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11516722537201100_5980521.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7675236
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659992563712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11516.722537/201100 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.613 – 2ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE A PLR PAGA A ADMINISTRADORES Recorrente WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/03/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Restando demonstrada a existência de dissídio jurisprudencial e constatado o cumprimento dos demais requisitos de admissibilidade, deve o Recurso Especial ser conhecido. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Os valores pagos a diretores não empregados, na forma do art. 158 da Lei 6.404/1976, estão sujeitos às contribuições previdenciárias e de terceiros, posto que inexiste norma que lhes conceda isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 37 /2 01 1- 00 Fl. 1620DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Autos de Infração de obrigações principais e acessória, discriminados a seguir: a) AI DEBCAD nº 37.279.9540 – referente a contribuições previdenciárias patronais incidente sobre a remuneração de i) segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; e ii) pagas, devidas ou creditadas, a segurados contribuintes individuais; b) AI DEBCAD nº 37.279.9558 – contribuições sociais previdenciárias de segurados; c) AI DEBCAD nº 37.279.9566 – contribuições para outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE); e d) AI DEBCAD nº 37.279.9531 – multa por apresentação Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em sessão plenária de 02/12/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003771 (fls. 1417/1463), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/03/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA DETERMINADO POR PROCESSO NÃO CONHECIMENTO O limite do Recurso de Ofício é fixado pela Portaria n° 158, de 11 de abril de 2007, em conformidade com o artigo 366, parágrafo 2° do Regulamento da previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048199, com a redação dada pelo Decreto n° 6.03212007. Todavia, embora à época da decisão a portaria 158 fixar o montante, devese avaliar a admissibilidade do presente recurso considerando o valor atualizado na portaria MF n. 3 de 03/01/2008. Conforme o Parágrafo Único da Portaria MF n. 03: " O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo." Assim, entendo que inaplicável o somatório dos valores exonerados para definição do limite de alçada, posto que a autuação deuse em processos distintos, razão pela qual, deixo de conhecer o recurso de ofício, por entender que individualmente, nenhum dos processo alcançou o limite mínimo de alçada. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 11516.722537/201100 Acórdão n.º 9202007.613 CSRFT2 Fl. 3 3 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL RECURSO VOLUNTÁRIO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO NÃO CONHECIMENTO DA PARTE Não cabe apreciação de questões de mérito trazidas em recurso, quando formaliza o recorrente pedido de desistência em relação a todo o levantamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO Tratandose de valores pagos aos diretores estatutários, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da lei 10.101/2000, posto que essa só é aplicável aos empregados. Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, “p”, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no saláriodecontribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte (Grifouse) O Contribuinte tomou ciência da decisão em 12/06/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 1468) e, em 18/06/2015, apresentou o Recurso Especial de fls. 1478/1489, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 (vide carimbo aposto na folha de rosto do apelo recursal). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho de 27/04/2017 (fls. 1556/1564), possibilitando a rediscussão da matéria participação nos lucros e resultados para diretores estatutários. Quanto às matérias devolvidas a este Colegiado, o Sujeito Passivo apresenta as alegações a seguir resumidas: o argumento da Autoridade Administrativa, no sentido de inexistência de lei específica que isente a remuneração dos administradores das contribuições lançadas, por entender que a “lei específica” (lei 10.101/2000) voltase exclusivamente aos empregados, mostrase insubsistente; Fl. 1622DF CARF MF 4 é natural que a MP 794/94, mais tarde Lei n° 10.101/2000, refirase apenas a empregados pois, em relação aos administradores já existe tal lei, qual seja, a Lei n° 6.404/76; a participação nos lucros está regulada, em relação aos empregados, pela Lei n° 10.101/2000, e em relação aos administradores, pela Lei n° 6.404/76; seria totalmente inócuo que a lei relativa aos empregados viesse a dispor em relação aos administradores, pois, em quanto a estes, já existe norma legal autorizativa desse pagamento; a participação nos lucros não é despesa dedutível na pessoa jurídica para fins de pagamento do imposto sobre a renda, portanto, já é tributada pelo mencionado tributo, exatamente por ser distribuição de lucros; fica assim complemente afastada a tentativa de se pretender dar tratamento de salário àquilo que é lucro, como quer a autoridade administrativa; o fato é que, com base na Lei n° 6.404/76 e face a disposição expressa no seu Estatuto Social, o Conselho de Administração deliberou sobre o valor da participação dos Administradores nos lucros; no caso dos administradores, a lei que afasta a incidência da contribuição previdenciária, é a lei n° 6.404/76, conhecida como a Lei das Sociedades Anônimas. Reproduz jurisprudência do STJ; o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) também já manifestou entendimento favorável à tese esposada no Recurso Especial. Reproduz fragmentos de decisão administrativa; tanto na esfera judicial como administrativa, o entendimento é pela não incidência da contribuição previdenciária em tela. Requer, por fim, seja dado provimento integral ao Recurso Especial, cancelandose a exigência das contribuições previdenciárias, próprias e de terceiros, sobre as parcelas pagas aos diretores estatutários a título de participação nos lucros e resultados, com base na lei n° 6.404/1976. Informada do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, em 31/05/2017 (fl. 1556), a Fazenda Nacional, em 12/06/2017 (fl. 1584), ofereceu contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 1566/1583), alegando, em síntese, o que segue: Conhecimento a Recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar a existência da divergência jurisprudencial; não declinou a norma jurídica acerca da qual divergiram os acórdãos cotejados; também não demonstrou de forma analítica a semelhança dos contextos fáticos discutidos nos acórdãos cotejados; os acórdãos paradigmas fazem menção ao fato de que ficaram comprovados os requisitos previstos no art. 152, §1º, da Lei das Sociedades Anônimas; conquanto alegue que a verba paga a seus diretores executivos tenha suporte no art. 152, § 1º, da Lei das Sociedades Anônimas, a Recorrente não carreou aos autos qualquer prova que demonstre o atendimento aos requisitos enumerados no dispositivo legal; Mérito Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 11516.722537/201100 Acórdão n.º 9202007.613 CSRFT2 Fl. 4 5 a ação fiscal que resultou no auto de infração revelou que a Contribuinte efetuou pagamento a título de PLR a seus diretores executivos não empregados, porém não efetuou o recolhimento da contribuição previdenciária devida, não obstante a ausência de previsão legal para exclusão da verba do salário de contribuição; a autuação se deu sobre remunerações creditadas a diretores não empregados de uma sociedade anônima e não em relação a empregados, submetidos ao regime celetista; mostrase imprescindível definir a natureza jurídica da relação que diretores não empregados possuem com a sociedade anônima; a doutrina trabalhista sustenta o entendimento de que os diretores das sociedades anônimas não podem ser considerados empregados, pois estão investidos de mandato, como pessoas físicas representantes da pessoa jurídica, e não podem ser, de forma simultânea, empregados e empregadores; os diretores não são apenas mandatários, mas sim órgãos da própria sociedade, indispensáveis à gestão e à existência da empresa, sendo inaceitável que eles sejam considerados empregados; é fato que as situações de gestão do negócio e de subordinação jurídica são contraditórias e excludentes, conduzindo ao raciocínio de que não há relação de emprego para tais diretores; portanto, com base nessa vertente, os diretores de S/A não podem ser considerados empregados, pois o vínculo é de natureza estatutária e não submetido às normas trabalhistas; somase a este aspecto o fato de que a vinculação dos atos de gestão dos diretores às diretrizes do Conselho de Administração ou da Assembleia Geral e, em última análise, ao próprio estatuto da sociedade anônima, não deve ser considerada como subordinação jurídica (principal elemento caracterizador da relação de emprego), pois as atribuições inerentes à administração da sociedade não se confundem com tal elemento característico do contrato de trabalho; os diretores de sociedade anônima, em tese, não estão subordinados a qualquer chefe ou empregador imediato, mas apenas vinculados ao Conselho de Administração ou à Assembleia Geral e são considerados órgãos da administração da sociedade e não seus empregados, não estando sob o poder diretivo do empregador; as relações havidas entre os diretores e o Conselho de Administração nas sociedades anônimas são regidas pelas determinações contidas na Lei nº 6.404/76 e no próprio estatuto social, não restando caracterizada a subordinação jurídica na acepção trabalhista e, por corolário, a relação de emprego. Reproduz Enunciado nº 269 do Tribunal Superior do Trabalho; a regra é no sentido de não considerálo empregado, salvo em situações em que fique comprovada uma relação de hierarquia. Reproduz jurisprudência do TST; firmada a premissa de que os diretores de Sociedades Anônimas possuem vínculo de natureza societária, devendo regerse pelas determinações da Lei nº 6.404/76 e do Estatuto da Empresa, é absurda a pretensão do recorrente de enquadrar a participação estatutária paga aos diretores executivos como Fl. 1624DF CARF MF 6 participação nos lucros e resultados da empresa, nos termos previstos no art. 7º, inciso XI, da CF e Lei n.º 10.101/2000 tanto do art. 7º, XI, da CF/88, como do art. 3º da Lei nº 10.101/2000, são no sentido de que escopo da instituição da participação nos lucros e resultados é retirar de tal parcela a natureza salarial, para que não haja quaisquer reflexos em outras verbas trabalhistas, como, por exemplo, férias e aviso prévio, bem como para que não seja considerada saláriodecontribuição para fins previdenciários; as remunerações dos diretores que não possuem vínculo empregatício não são base de cálculo das denominadas verbas trabalhistas e previdenciárias; não faz sentido atribuir aos valores recebidos pelos diretores a natureza jurídica de PLR, pois, para esses diretores, os efeitos instituídos pela legislação (desvinculação dessas quantias da base de cálculo das verbas trabalhistas e previdenciárias) não ocorreriam, por absoluta falta de objeto; para que pagar PLR aos diretores, se esses indivíduos já não fazem jus a nenhuma verba trabalhista? o próprio instituto da PLR encontrase no título “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, no capítulo “Dos Direitos Sociais”, precisamente no art. 7º, IX, do diploma legal máximo; essas normas visam conferir proteção ao trabalhador subordinado, àquele que ostenta algum vínculo de emprego e, em tal situação, não se enquadra a figura do diretor não empregado, que, portanto, não faz jus a PLR; os dispositivos que regulamentam a Lei nº 10.101/2000 esclarecem que essa norma veio para disciplinar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho; isso reforça o entendimento de que a PLR de uma empresa é distribuída aos seus empregados, e não a diretores não empregados, pois eles nem sequer possuem qualquer relação empregatícia e nem mesmo possuem sindicato representativo da sua categoria para poder negociar os termos dessa PLR; transcreve o caput e os §§ 1º e 2º da Lei nº 6.404/1972 para afirmar que, além da remuneração, o chamado prólabore, pode a companhia atribuir aos administradores participação nos lucros, porém condicionada às seguintes exigências: · fixação, no estatuto, de dividendo mínimo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido; · efetiva atribuição aos acionistas do dividendo obrigatório; · limitação de tal participação, que não pode ultrapassar a remuneração anual dos administradores, nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite menor; o recorrente conquanto alegue que a verba paga a seus diretores executivos tenha suporte no art. 152, § 1º, da Lei das Sociedades Anônimas, não carreou aos autos qualquer prova que demonstre o atendimento aos requisitos acima enumerados; no tópico relativo a esse tema, o recorrente apenas tece comentários abstratos acerca da previsão contida no art. 152, §1º, da Lei n.º 6.404/76, citando doutrina e jurisprudência dos tribunais pátrios; não obstante o longo arrazoado, olvidou cotejar a situação vertente frente aos comandos contidos no invocado preceptivo; Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 11516.722537/201100 Acórdão n.º 9202007.613 CSRFT2 Fl. 5 7 o recorrente não se desincumbiu do ônus probatório relativamente ao atendimento dos requisitos contidos § 1º art. 152, da Lei das Sociedades Anônimas, acima enumerados; o argumento lançado no Recurso Especial não ultrapassa o campo da mera alegação; tal circunstância leva à convicção de que se trata de remunerações pagas a diretor não empregado a título de prólabore e que devem, dessa feita, sofrer a incidência tributária. Reproduz doutrina; ainda que se considerasse possível, em tese, que diretores não empregados de sociedades anônimas recebessem PLR, no caso dos autos, a recorrente não comprovou o preenchimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000; diante de tal contexto, temse que os valores pagos não podem ter sua natureza de verba remuneratória afastada, devendo haver a incidência da contribuição previdenciária. Transcreve excertos de jurisprudência administrativa; tanto a previsão constitucional da desvinculação da PLR da remuneração, quanto a regulamentação legal do pagamento visam alcançar o segurado empregado e não o contribuinte individual; ainda de acordo com tais precedentes, a Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, pois a PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988. Requer a Fazenda Nacional que não se dê seguimento ao Recurso Especial ou, alternativamente, que lhe seja negado provimento. Fl. 1626DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator CONHECIMENTO O Recurso Especial é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais requisitos de admissibilidade, à luz das contrarrazões, também apresentadas tempestivamente. De acordo com a Fazenda Nacional, a Recorrente não teria se desincumbido do ônus de demonstrar a divergência ou declinado a norma jurídica em relação a qual os acórdãos cotejados divergiriam, bem assim, demonstrado a semelhança dos contextos fáticos de que emanaram as decisões cotejadas. Embora a Recorrente não tenha feito maiores digressões na parte do Recurso Especial que trata do conhecimento, fato é que o conteúdo das ementas dos acórdãos apresentados como paradigma mostram claramente que a norma jurídica interpretada de forma divergente nas decisões recorrida e paradigmas foi o art. 152 da Lei nº 6.404/1976. Do exame dos acórdãos confrontados, constatase que as situações são análogas e referemse a lançamentos decorrentes do pagamento de valores a título de PLR a diretores não empregados. Contudo, o aresto fustigado conclui pela incidência de contribuições sociais em relação a tal verba e, diversamente disso, os paradigmas foram no sentido de que a participação no lucro atribuída aos administradores não empregados, paga na forma do art. 152 do Lei nº 6.404/1972, estaria fora do campo de incidência do tributo. Também não vejo como acolher a alegação de que, diversamente do que ocorreu no caso em exame, nos paradigmas teria ficado comprovado cumprimento, pelas autuadas, dos requisitos previstos na Lei nº 6.404/1976. O primeiro paradigma (Acórdão nº 2803002.438) infere que, “para a configuração do fato gerador, a autoridade fiscal deveria ter apontado o descumprimento dos requisitos elencados, o que não foi feito”. Na sequência, aduz que a “a recorrente traz elementos que corroboram com o alegado de que cumpriu as determinações legais [art. 152 da Lei nº 6.404/1976], afastando assim a incidência previdenciária, consoante art. 28, § 9º, ‘j’ da lei 8212/91”. O segundo (Acórdão nº 2402 003.995) não faz nenhuma referência a esse assunto. O fato de o Acórdão nº 2402003.995 não ter feito menção ao cumprimento dos dispositivos da Lei Societária para prover o recurso voluntário seria suficiente para reconhecer a similitude entre esse paradigma e a decisão recorrida. Além disso, da análise do Relatório Fiscal (fls. 31/52), é possível constatar que, na situação vertente, os documentos sobre a participação nos lucros recebidas pelos diretores não empregados, quando solicitados, foram regularmente fornecidos pela empresa, não tendo o Fisco feito qualquer tipo de apontamento sobre o descumprimento do art. 152 da Lei nº 6.404/1976 no pagamento do benefício, tal qual ocorreu na situação espelhada no Acórdão nº 2803002.438, o que demonstra que a situação retratada nesse paradigma também se assemelha à descrita no aresto fustigado. Em vista disso, voto por conhecer do Recurso Especial. Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 11516.722537/201100 Acórdão n.º 9202007.613 CSRFT2 Fl. 6 9 MÉRITO Sobre a participação nos lucros atribuída a diretores não empregados, a Autoridade Autuante, dentre outras, apresenta as seguintes considerações: 4.2.8) Constatase, assim, que a WEL remunerou seus Diretores e membros do Conselho de Administração com o benefício de participação nos lucros e resultados, conforme discriminação de beneficiários e valores concedidos, constantes do Anexo II Participação nos Resultados, o qual foi elaborado a partir da informação prestada pela empresa (Doc 12) e lançamentos contábeis. 4.2.9) Referidas importâncias integram o salário de contribuição recebido pelos administradores/conselho de administração, nos termos do Art. 28 da Lei 8.212/91, uma vez que a Lei nº 10.101/00, em seus Artigos 1° e 2° contempla, exclusivamente, os segurados empregados, não incluindo, os segurados contribuintes individuais, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias paga sob esta remuneração, as quais foram apuradas em conformidade com o descrito no subitem 2.1.2 do presente REFISC. Vejase que o AuditorFiscal parte do pressuposto de que a participação nos lucros ou resultados, disciplinada pela Lei nº 10.101/2000, alcança exclusivamente àqueles trabalhadores com vínculo empregatício, caracterizados na Lei nº 8.212/1991 como segurados empregados. No caso dos diretores não empregados, por trataremse de contribuintes individuais, as quantias recebidas a titulo de participação nos lucros, estariam sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. Somente a partir de uma análise mais detida da legislação que disciplina a matéria, mostrase possível concluir pela regularidade ou não do feito fiscal. As contribuições destinadas ao custeio da Previdência Social, incidentes sobre a folha de salários, encontram abrigo na alínea “a” do inciso I e no inciso II do art. 195 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata Fl. 1628DF CARF MF 10 o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] Apercebase que, como forma de resguardar a previdência pública, o legislador constituinte tratou de esclarecer que a incidência da contribuição alcança a folha de salários, além de todo e qualquer outro rendimento do trabalho, independentemente do nomen jures que lhe venha a ser atribuído. Na esteira do texto constitucional, os incisos I e III do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 definiram as bases de cálculo das contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (saláriodecontribuição), em relação a empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, nos seguintes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; [...] Convém mencionar que, nos termos do art. 12 da mesma lei, os diretores não empregados, assim como os membros de conselho de administração das companhias abertas, enquadramse na legislação previdenciária como contribuintes individuais: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: [...] f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; [...] Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 11516.722537/201100 Acórdão n.º 9202007.613 CSRFT2 Fl. 7 11 É certo que a própria Constituição da República elencou entre os direitos sociais dos trabalhadores a participação nos lucros ou resultados das empresas, porém, a desvinculação de referida parcela da remuneração está subordinada à observância dos requisitos estabelecidos em lei, conforme preceitua o inciso XI de seu art. 7º: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (Grifouse) Em estrita consonância com o texto constitucional a alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/1991 estabelece que a exclusão da parcela paga a título de PLR da composição do saláriodecontribuição está condicionada à submissão dessa verba à lei reguladora do dispositivo constitucional. Senão vejamos: Art. 28. [...] [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. [...] (Grifouse) A regulamentação reclamada pelo inciso XI de seu art. 7º da CF/1988 somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei n° 10.101/2000. Antes disso, tendo em vista a eficácia limitada da disposição constitucional, era perfeitamente cabível a tributação das parcelas pagas sob a denominação de participação nos lucros ou resultados pelas contribuições previdenciárias ou de terceiros. Ademais, foi exatamente nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento a respeito do tema. Confirase: RE393764 AgR /RSRIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. ELLEN GRA CIEJulgamento: 25/11/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Ementa DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MP 794/94. 1. A regulamentação do art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94. 2. Possibilidade de cobrança dá contribuição previdenciária em período anterior à edição da Medida Provisória 794/94. Decisão Fl. 1630DF CARF MF 12 A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso de agravo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2"Turma, 25.11.2008. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa Participação nos lucros. Art. 7º, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Consoante admite o próprio Recorrente, a Lei nº 10.101/2000 regula a Participação nos Lucros ou Resultados somente em relação aos segurados empregados, isto é, não se presta a excluir a incidência de contribuições previdenciárias de valores pagos à título de “participações nos lucros” a diretores não empregados. De outra parte, as decisões da Suprema Corte, acima transcritas, demonstram que o entendimento do STF é de que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994. Assim não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991 refirase à a Lei 6.404/1976, como intenta a Recorrente. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça também tem se posicionado no sentido de que: “A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo.” [STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012]. A esse respeito, temse ainda a decisão tomada no RE 569441/RS, submetido à sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 11516.722537/201100 Acórdão n.º 9202007.613 CSRFT2 Fl. 8 13 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. Além do que, nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) devem ser reproduzidas pelas Turmas deste Conselho. Por oportuno, compete ressaltar ainda que, por decorrerem do contrato estabelecido entre a Companhia e os diretores não empregados, os valores pagos sob a forma de distribuição de lucros a esses contribuintes individuais prestamse a retribuir o trabalho, enquadrandose perfeitamente no conceito de remuneração descrito no inciso III do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Por outro lado, o tratamento tributário conferido à participação nos lucros pela legislação do Imposto sobre a Renda em nada afeta a análise aqui empreendida. Tratamse de tributos diversos com regramentos absolutamente distintos. Dessarte, como inexiste lei apta a isentar o pagamento da verba aqui referida da incidência das contribuições objeto do lançamento, não vejo como acolher a pretensão recursal. Conclusão Ante o exposto, voto conheço do Recurso Especial e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1632DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900206/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.948
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10320.900206/2011-33
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5979887
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.948
nome_arquivo_s : Decisao_10320900206201133.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10320900206201133_5979887.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7674892
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051659997806592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.900206/201133 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.948 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 02 06 /2 01 1- 33 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de PIS/PASEP mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.501. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. PIS/PASEP. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900206/201133 Acórdão n.º 3201004.948 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903122/2011-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
ANO-CALENDÁRIO: 1999, 2001, 2002
EMENTA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA DAS DECISÕES DO STF, POR FORÇA DO ART. 62 DO RICARF.
A inconstitucionalidade de lei declarada pelo STFnão deve ser observada pelos Conselheiros do CARF, por força de expressa disposição contida no art. 62 do RICARF. Precedentes do STF e deste Tribunal Administrativo.
DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.
O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação.
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial \(seja através da própria DCTF, seja através da DACON ou outro documento oficial da Receita Federal), não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos, principalmente quando já se tenha operado o instituto da prescrição.
Numero da decisão: 3001-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal ANO-CALENDÁRIO: 1999, 2001, 2002 EMENTA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA DAS DECISÕES DO STF, POR FORÇA DO ART. 62 DO RICARF. A inconstitucionalidade de lei declarada pelo STFnão deve ser observada pelos Conselheiros do CARF, por força de expressa disposição contida no art. 62 do RICARF. Precedentes do STF e deste Tribunal Administrativo. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial \(seja através da própria DCTF, seja através da DACON ou outro documento oficial da Receita Federal), não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos, principalmente quando já se tenha operado o instituto da prescrição.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.903122/2011-41
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974556
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.732
nome_arquivo_s : Decisao_13851903122201141.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
nome_arquivo_pdf_s : 13851903122201141_5974556.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7661777
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660013535232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.903122/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.732 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO Recorrente FISCHER S/A COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 1999, 2001, 2002 EMENTA. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DE OBSERVÂNCIA DAS DECISÕES DO STF, POR FORÇA DO ART. 62 DO RICARF. A inconstitucionalidade de lei declarada pelo STFnão deve ser observada pelos Conselheiros do CARF, por força de expressa disposição contida no art. 62 do RICARF. Precedentes do STF e deste Tribunal Administrativo. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial \(seja através da própria DCTF, seja através da DACON ou outro documento oficial da Receita Federal), não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos, principalmente quando já se tenha operado o instituto da prescrição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 31 22 /2 01 1- 41 Fl. 106DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de 38 pedidos de compensação, formalizados em decorrência da decisão do Supremo Tribunal federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º, da Lei 9.817/1998. Após relacionar os númros, valores, tributo e datas (fls. 33/36), o feito foi assim relatado pela decisão recorrida, verbis. Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 13851903122201141, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma matéria em litígio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 4 e seguintes do “processo principal” transmitida em 10/03/2004 que se refere ao recolhimento relativo ao período de apuração de fevereiro/1999. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 23 do “processo principal”, proferido em 1/11/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. À luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os preceitos e disposições Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13851.903122/201141 Acórdão n.º 3001000.732 S3C0T1 Fl. 3 3 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 8 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art. 65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. No v. acórdão recorrido as autoridades julgadoras inicia sua fundamentação rejeitando de plano as alegações pertinentes declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º, da Lei 9.817/1998, por entender que a hipótese não se aplicaria aos fatos em discussão, ao argumento de que "inexiste qualquer registro nos pedidos da contribuinte qual seria o motivo do alegado recolhimento a maior". Esclarece que, do exame dos autos, "constatase que a contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar as DCTF, DIPF, Dacon e ao que parece sequer promoveu na época os ajustes em sua contabilidade para aflorar o direito creditório que pleiteava". Acrescenta que a empresa sequer procedeu à retificação de suas DCTFs e, tivesse ela "retificado a DCTF antes da extinção do direito da contribuinte, ao meu sentir, em análise preliminar, não haveria como negar a compensação ora analisada. Passa a discorrer sobre a legislação de regência, sustenta que os prazos prescricionais de 5 anos militam tanto em favor do Fisco quanto do Contribuinte, e que a entrega da DCTF constitui crédito em .favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos, que "decorrido tal prazo extyinguese o direito da parte em rtificar a DCTF" (fls. 38), Fl. 108DF CARF MF 4 transcreve decisões do CARF através do Acórdão 1402001.170, para concluir que (fls. 39), verbis. Diante do exposto, considerando que o contribuinte: i) não retificou as DCTF para reduzir os valores devidos (confessados) e aflorar o pretenso direito creditório; ii) não apresentou DIPJ e DACON retificadas com as novas apurações dos valores devidos a título de PIS/Cofins; iii) não utilizou da faculdade de apresentar pedidos de compensação manual ou qualquer outro meio para esclarecer a administração tributária a origem dos pretensos créditos, resta patente que não pode agora, em sede de manifestação de inconformidade, retificar os pedidos para que seu pleito tenha o mérito apreciado. Intimado do teor do v. Acórdão recorrido através da Comunicação DRF/AQA/SAORT/Nº 00163/2014, de 26.03.2014 (fls. 118), recebida em 31.03.2014 conforme AR nos autos (fls. 123), ingressou a empresa com extenso Recurso Voluntário em 29.04.2014 (fls. 128//141), historiando minudentemente todo o fluxo do processo, e reiterando a Manifestação de Inconformidade, relativamente ao direito ao crédito perseguido, fundamentando seu apelo exclusivamente na declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º, da citada Lei 9.817/1998, colacionando vasta juisprudência administrativa e judicial, acórdãos do Supremo Tribunal Federal, e invocando a norma regimental do RICARF segundo a qual os conselheiros não devem proferir julgamento que contrariem decisão da Suprema Corte, punando pelo provimento do seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O recurso é tempestivo como já demonstrado no relatório acima, está subscrito por procurador habilitado, e preenche os demais pressupostos processuais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Com relatado, cuidase de processo decorrente de 38 pedido de restituição de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao PIS e da COFINS, referentes aos períodos de fevereiro a julho de 1999, setembro a dezembro de 1999, maio a dezembro de 2000 e janeiro e fevereiro de 2001. Desde a manifestação da Inconformidade que a recorrente invoca em favor de sua tese o direito ao credito tributário de valores de PIS e COFINS que teria pago a maior, pois, com a retirada do mundo jurídico do § 1º, art. 3º, da Lei 9.817/1998, passou a ter direito de ser restituída de quanto pagou indevidamente. Data venia do ilustre e culto subscritor da peça recursal, bem outro é o cerne da questão em exame neste processo. Aliás, o próprio Acórdão recorrido admite que, tivesse a empresa efetuada a retificação da DCTF antes de exaurirse o prazo prescricional, teria ela direito à pretendida restituição e, consquentemente, à compensação perseguida, como se extrai do seguinte trecho (fls. 38), verbis. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13851.903122/201141 Acórdão n.º 3001000.732 S3C0T1 Fl. 4 5 Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da contribuinte, ao meu Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da contribuinte, ao meu sentir, em análise preliminar, não haveria como negar a compensação ora analisada. Por bem esclarecer a matéria efetivamente em discussão, permitome transcrever parte dos argumentos do v. Acórdão recorrido (fls.37 À luz do parágrafo único do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Seja nos casos de lançamento de ofício, seja nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170 do CTN. Ainda em relação à restituição e compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 110DF CARF MF 6 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo Assim, repito uma vez que o sujeito passivo deixou de retificar sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. De igual forma, ao não retificar as DIPJ e DACON deixou de informar a administração tributária os valores relativos a nova apuração do PIS e Cofins que entendia devido. No presente caso entendo que não se trata de Simples erro no preenchimento do Perdcomp passível de retificação, tratase de vicio insuperável até por conta do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição. ..............................................(omissis)............................................ Caso estivéssemos apreciando um auto de infração que simplesmente aponta o montante exigido, sem a descrição da matéria tributável, estaríamos diante de um vício material insanável. O principio a ser aplicado ao caso é o mesmo, pelo que confirmo o indeferimento. Em assim sendo, demonstrase sem condições de acolhimento os bem fundamentados argumentos do Recurso Voluntário (fls. 129/141), uma vez que este limitouse a defender o direito creditório exclusivamente fundamentado na declaração de inconstitucionalidade do § 1º, art. 3º, da Lei 9.817/1998, deixando de rebater os robustos argumentos decisórios constante do v. Acórdão guerreado, como facilmente se verifica da só leitura do relatório e do voto acima. Registrese, finalmente, que a própria Câmara Superior de Recurso Fiscais já proferiu julgamento que corrobora a tese da decisão recorrida, em julgamento de 09 de agosto de 2012, que resultou no acórdão 1402001.170, e assim ementado, verbis. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13851.903122/201141 Acórdão n.º 3001000.732 S3C0T1 Fl. 5 7 se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento para negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723742/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem do lançamento proceda a nova análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração contábil digital da contribuinte em que ocorreram as glosas constantes do item "2.3 - Compra de insumos" do Termo de verificação fiscal (2.3.1 a 2.3.5), e com base nos critérios descritos na fundamentação desta Resolução, pronuncie-se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo, quais deles não atendem aos requisitos da essencialidade ou relevância estabelecidos anteriormente, vencido o Conselheiro Walker Araújo que entendia pela possibilidade de julgamento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.723742/2013-81
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5973552
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-000.959
nome_arquivo_s : Decisao_10680723742201381.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10680723742201381_5973552.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem do lançamento proceda a nova análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração contábil digital da contribuinte em que ocorreram as glosas constantes do item "2.3 - Compra de insumos" do Termo de verificação fiscal (2.3.1 a 2.3.5), e com base nos critérios descritos na fundamentação desta Resolução, pronuncie-se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo, quais deles não atendem aos requisitos da essencialidade ou relevância estabelecidos anteriormente, vencido o Conselheiro Walker Araújo que entendia pela possibilidade de julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7657252
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660017729536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 6.956 1 6.955 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723742/201381 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.959 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2019 Assunto Solicitação de diligência Recorrente PRUDENTE REFEIÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem do lançamento proceda a nova análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração contábil digital da contribuinte em que ocorreram as glosas constantes do item "2.3 Compra de insumos" do Termo de verificação fiscal (2.3.1 a 2.3.5), e com base nos critérios descritos na fundamentação desta Resolução, pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo, quais deles não atendem aos requisitos da essencialidade ou relevância estabelecidos anteriormente, vencido o Conselheiro Walker Araújo que entendia pela possibilidade de julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos da lide, reportome ao relatório do acórdão nº 01 28.313 3ª Turma da DRJ/BEL, de 23/01/2014: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 23 74 2/ 20 13 -8 1 Fl. 6956DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.957 2 Trata o presente processo de autos de infração de Cofins e PIS/Pasep lavrados contra a empresa acima identificada, nos valores respectivos de R$ 2.145.391,74 e R$ 466.039,43 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora). Os lançamentos são decorrentes de glosa de créditos. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 79/87, verificase que foram glosados créditos calculados sobre valores relativos a: a) Compra de produtos alíquota zero, sob fundamento de que é vedada a apuração de crédito relacionado à aquisição para revenda, de produtos sujeitos à alíquota zero da contribuição (produtos relacionados no art. 1º, incisos da Lei 10.925/2004) mesmo que na revenda essas receitas estejam submetidas à alíquota zero da contribuição; b) Compra de produtos sujeitos ao regime monofásico, sob o fundamento de que é vedada a apuração de crédito nas compras de produtos, sujeitos ao regime de tributação monofásico, instituído pela Lei nº 10.833/2003 e regulamentado pelo Decreto n° 6707/2008. c) Também foram glosados créditos apurados sobre gastos com: c.1) Vasilhames, talheres, liquidificador, dentre outro, sob o fundamento de que os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, só podem gerar crédito caso não estejam incluídos no ativo imobilizado; c.2) Materiais de limpeza e higiene, sob o fundamento de que não são considerados insumos, pois não atendem ao requisito do desgaste ou dano ter ocorrido "em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". Também não correspondem a serviços aplicados diretamente na produção de bens ou na prestação dos serviços e, portanto, não geram direitos a créditos a serem descontados do PIS/Pasep e COFINS. c.3) Manutenção de veículos, pneus, combustíveis e lubrificantes, sob o fundamento de que não existe qualquer previsão legal que fundamente a apuração de créditos relativos às despesas com combustíveis e lubrificantes, reparos e serviços de manutenção, inclusive materiais e peças de reposição empregados, no que toca aos veículos da empresa, tendo em vista se tratarem de típico custo indireto, ou seja, dizem respeito à operação de venda, não havendo, por óbvio, como se cogitar que componham o custo de aquisição dos insumos, tampouco que sejam insumos, ou seja, diretamente empregados no processo de produção dos bens por ela produzidos, inexistindo, portanto, qualquer fundamento legal que possa sustentar a apuração desses créditos das contribuições em pauta. c.4) Despesas relativas à manutenção e conservação de veículos utilizados nos estabelecimentos comerciais da empresa, tais como despesas com rolamentos, pneus, pintura e reparos de veículos, sob o fundamento de que em que pese poderem ser necessários ou até essenciais para o desempenho de suas atividades sociais, não se caracterizam insumos por se tratarem de bens e serviços utilizados ou consumidos na atividade comercial da empresa. Fl. 6957DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.958 3 c.5) Compras de sacolas, fitas adesivas/ crepes, rolos de papel manilha/ filme, sob o fundamento de que as despesas realizadas com embalagem de produtos para revenda, não geram créditos das contribuições, por não haver previsão específica para tanto nem se enquadrarem no conceito de insumo previsto pelos incisos II, do arts. 3° das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, vez que precedem e sucedem, respectivamente, a fabricação dos produtos, ou seja, não são aplicados ou consumidos na produção propriamente dita. c.6) Compras de calças, camisas, luvas, botas e toucas, sob o fundamento de que os valores das despesas realizadas com a aquisição de calças e camisas de brim, luvas e botas, utilizadas por empregados na execução dos serviços prestados conforme seu objeto social, fornecimento de refeições, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, porque não se enquadram na categoria de insumos aplicados ou consumidos diretamente nos serviços prestados. Dispositivos Legais: Art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002; Lei n^ 10.865, de 2004 e IN SRF n^ 247, de 2002, arts. 66 e 67. d) Foi glosado o valor de R$ 1.572.760,00 relativo ao estoque de abertura, conforme Anexo V Glosa dos itens do Estoque de Abertura. Consta do Termo de Verificação Fiscal a seguinte explicação: “A empresa apresentou o Registro de Inventário Oficial, contendo todos os itens do estoque em 2008, estoque de abertura para o ano de 2009. Este documento consta deste termo. Da análise de todos os itens deste estoque foram glosados os itens conforme Anexo V Glosa dos itens do Estoque de Abertura. Da análise de todos os itens deste estoque foram glosados os itens conforme Anexo V Glosa dos itens do Estoque de Abertura. Do valor total do Estoque de Abertura apresentado pela empresa, RS 3.592 002. 00, foi excluído o total do valor glosado conforme anexo V. RS 1.572.760.00. O resultado apurado. RS 3.592.002,00 R$ 1.572.760.00 = R$ 2.019.242.00, foi dividido em 12 parcelas iguais de RS 168.270.17. Sobre este resultado mensal apurado foram aplicadas as alíquotas de 3% ( R$ 5.048,11) para COFINS e de 0,65% (RS 1.093,76) para PIS e lançados como créditos mensais, para o ano de 2009, conforme está demonstrado nos anexos III e IV.” e) Foram glosados, ainda, créditos referentes a despesas financeiras, sob o fundamento de que a utilização desses créditos, a partir de agosto de 2004 é imprópria, pois o inciso V do art. 37 da Lei 10.865 de 30/04/2004, não inclui as despesas financeiras como passíveis de utilização de créditos. Cientificada das exigências em 17/09/2013 (fl. 4 e 42), a empresa apresentou, tempestivamente, impugnação aos autos de infração, fls. 6.536/6.566, contestando o feito fiscal, na qual: a) Preliminarmente requer a anulação dos lançamentos, nos seguintes termos: “O presente Procedimento Fiscal que deu ensejo à multa ora combatida deve ser anulado posto que desprovido de fundamentos que autorizem a glosa dos créditos dos tributos auditados, bem com a aplicação da multa inserida no referido MPF.” b) No mérito, inicialmente discorre sobre a apuração não cumulativa das contribuições, aduzindo que “por este método, devese observar a Fl. 6958DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.959 4 base de calculo do tributo, calculando os débitos incidentes sobre a receita e faturamento e deduzindo os créditos apurados para se identificar o montante a ser pago” e que “Deste modo claro é que a intenção do legislador e o espírito da lei são de tributar a saída dos produtos e serviços, permitindo que todos os valores e despesas que tenham feito parte do processo produtivo, possam ter seus custos incluídos na base de cálculo para apuração do crédito a ser abatido no valor total a ser pago, independentemente das alíquotas aplicadas sobre eles pelo vendedor.” c) Complementa: “Ocorre que no caso das contribuições para o PIS e para a COFINS pelo regime não cumulativo, diferentemente do que ocorre no IPI, a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, assim, a noção de insumo erigida pela nova sistemática do PIS e da COFINS não pode guardar simetria com aquela delineada pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Desse modo, a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal são claramente restritivos, não se coadunando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Transcreveu parte de uma decisão. No caso da alimentação industrial, atividade da empresa autuada, especializada na produção de alimentação in loco ou transportada, os insumos que a compõem vão desde a matéria prima destinada a preparação das refeições, até os utensílios e equipamentos essenciais à atividade, bem como os produtos e serviços de limpeza obrigatórios para resguardar a higiene dos alimentos e a segurança no transporte até o destinatário final. A produção do bem e as despesas e custos inerentes somente finalizam com a disponibilidade do bem para venda, após cessado todo o processo produtivo e este estar disponível para a venda. Em se tratando de alimentação industrial, diversas variáveis, além da matéria prima, são requisitos legais exigidos para se produzir o produto final, a refeição. Exigese não só a qualidade dos alimentos que compõem a refeição, mas que o transporte, armazenamento, manipulação se dê da forma estabelecida na legislação federal da Vigilância Sanitária. São essenciais o uso de determinados utensílios que não causem contaminação cruzada entre os alimentos; o uso de proteção na manipulação para proteger tanto o empregado, de um possível acidente, Fl. 6959DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.960 5 como o alimento, de uma contaminação; e o transporte e armazenagem também são fiscalizados, exigindose formas adequadas de embalagem e transporte para que não ocorra deterioração da refeição até à entrega ao comensal. O processo de produção de refeições coletivas, por se tratar de grande quantidade, exige a observância de procedimentos de higiene e segurança, bem como respeito à legislação federal RDC 216 da Vigilância Sanitária, cominado com o respeito ao Manual de Boas Práticas e utilização de materiais aprovados pela Vigilância Sanitária com as devidas FISPQFicha de informações de segurança de produtos químicos. O processo produtivo pode ser descrito como uma cadeia que tem início na programação das refeições que serão servidas, quantitativos e cardápio, passando pela compra da matéria prima e transporte até o local da produção. A cozinha deve ser limpa e esterilizada, e os funcionários devidamente uniformizados e protegidos para darem início ao preparo dos alimentos. Todo o procedimento é realizado com utensílios que não gerem contaminação e equipamentos e matéria prima devem ser higienizados com produtos previamente aprovados pela vigilância sanitária, seguindo rigorosamente os padrões por eles estabelecidos. Depois de pronta a refeição é acondicionada em embalagens de alumínio (marmitex), as sobremesas são ensacadas e marcadas e todas são acomodadas em caixas próprias para o transporte das refeições, devendo ser transportada em veículos até à entrega final ao comensal. Após discorrer sobre seu processo produtivo a impugnante contesta as glosas através dos argumentos sumariados abaixo: 3.6 DAS GLOSAS 3.61. Do crédito dos produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero. Absorção ao produto final tributado. Dentre os produtos utilizados pela empresa autuada, a matéria prima consiste basicamente em gêneros alimentícios que compõem a mesa de todo cidadão brasileiro. No intuito de permitir que os cidadãos viessem a ter possibilidade de se alimentar de uma forma melhor, o governo exonerou a cobrança dos tributos de PIS e COFINS sobre gêneros alimentícios pertencentes à cesta básica. Tais produtos são adquiridos pela empresa autuada, para fazer parte do seu processo produtivo, incorporandose ao seu produto final, denominado REFEIÇÃO, que é integralmente tributada. A Recorrente não vende produtos in natura, mas produtos transformados, que agrupados de forma a atender um cardápio preestabelecido, e diversas exigências da vigilância sanitária que fiscaliza o seu processo produtivo, se transformam em um produto final composto de alimentos preparados para o consumo. Desta forma, mesmo que os produtos tenham sido adquiridos com alíquota zero, não houve a revenda do produto in natura, mas sim a sua transformação e agregação ao produto final produzido pela empresa. Fl. 6960DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.961 6 Desta forma, não há que se falar em revenda de produtos sujeitos à alíquota zero, pois todos os produtos adquiridos foram transformados e vendidos, incidindo sobre o valor final destes o imposto devido, sem quaisquer benefícios. Assim sendo, o não aproveitamento do crédito devido nos itens classificados como matéria prima da empresa ensejará no imposto cumulativo e vedará praticamente todo o crédito a que tem direito, posto que são estes os itens que compõem o seu produto final, a REFEIÇÃO, vendida unitariamente e sobre a qual, na venda, incide em sua base o calculo de PIS e COFINS, além de afastar o benefício concedido pelo Governo, pois a alíquota zero inicialmente concedida será eliminada. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o AuditorFiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Considerandose o princípio da nãocumulatividade que rege a aplicação dos tributos de PIS e COFINS, e considerando que os bens adquiridos à alíquota zero foram utilizados e aproveitados na cadeia produtiva para o preparo do bem final; e considerando, por fim, que o produto final é totalmente tributado na saída, há de ser mantido os créditos presumidos referente aos gêneros alimentícios, excluindose a glosa aplicada. 3.62. Do crédito de produtos sujeitos ao regime monofásico. Não previsão legal e descaracterização da norma de PIS e COFINS. Fora glosado os créditos de PIS e COFINS provenientes de produtos inseridos no regime monofásico de tributação. Contudo, o emprego de tal modo de tributação ocorre de forma equivocada, onerando demasiadamente o fabricante que utiliza tais produtos em sua cadeia produtiva, na qual a venda lhe é tributada, desvirtuando a característica elementar determinada por este meio de tributação. O regime monofásico deveria ser entendido como uma sistemática em que há a ocorrência de um único fato gerador, onde a tributação é suportada por, apenas, um elo da cadeia produtiva, sendo que as demais operações não se submeteriam à regra de incidência tributária. Na pratica não é isso que ocorre, inobstante a tentativa da Lei 10.147/00, a jurisprudência confirma que o entendimento do fisco é equivocado e que a tentativa de vedar o direito ao crédito nestas operações tributadas na saída desvirtua o sistema plurifásico legal, na medida em que os insumos sujeitos ao sistema monofásico, apesar de não gerarem crédito, agregam débito na saída tributada. Certo é que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 6961DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.962 7 As operações realizadas por intermediários relativas aos bens inseridos no regime monofásico, ainda que submetidos ao sistema de tributação sujeitos a alíquota zero, não impedem os contribuintes de realizarem a manutenção dos créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, especialmente dos próprios produtos, como lhes garante a aludida norma, supra. 3.63. Dos demais insumos: vasilhame, material de limpeza e higiene, sacolas, fitas adesivas, rolo de papel manilha e papel filme Conforme descrito na relação de atividade da empresa impugnante, o cuidado com limpeza e higiene é exigência legal determinada pela Vigilância Sanitária e para o atendimento destas determinações se faz necessário o uso de produtos de limpeza e higiene que garantam completamente que a preparação dos alimentos servidos esteja isenta de contaminação capaz de ensejar problemas aos comensais. A Resolução RDC 216, que dispõe sobre o regulamento técnico de boas práticas para os serviços de alimentação estabelece procedimentos a fim de garantir as condições higiênicosanitárias dos alimentos preparados e distribuídos. Dentre os diversos itens presentes na Resolução, alguns determinam o uso adequado de vasilhames, material de limpeza e higiene, bem como a forma de transporte e acondicionamento dos produtos, caracterizando como insumo tudo que é adquirido ao processo produtivo em atendimento à legislação federal da vigilância sanitária. Os produtos de higiene e limpeza são utilizados na higienização dos hortifrútis (folhosos, legumes e frutas) e limpeza dos vasilhames e utensílios que produzem, armazenam e transportam os produtos, seguindo rigorosamente a cartilha da Vigilância Sanitária, bem como o Manual de Boas Práticas exigido pelo órgão fiscalizador. No acondicionamento e transporte do produto até o consumidor final, são utilizadas embalagens para acomodação das refeições, como embalagens de alumínio (marmitex), sacolas plásticas para acomodação de frutas e demais sobremesas que são servidas em separado. Não se trata de um custo de materiais de uso e consumo, mas sim de obrigação legal e inerente à atividade para que o produto final esteja adequado às exigências e em conformidade com o que determina a legislação em vigor. É necessário que as verduras e legumes sejam higienizados e que os polímeros utilizados nos vasilhames possuam determinada composição para que não ocorra contaminação cruzada dos alimentos. Também o transporte das refeições produzidas na sede da empresa, que são, depois de prontas, distribuídas em embalagens de marmitex, dependem de transporte adequado conforme previsto na Portaria CVS 15/91. Também estas embalagens precisam ser devidamente acondicionadas para um transporte seguro, embaladas em marmitex de alumínio e Fl. 6962DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.963 8 ensacadas para que um possível vazamento não suje outras embalagens, é necessário o uso de sacolas, o fechamento com fitas, a marcação das embalagens e a vedação com papel manilha ou filme. Inegável, pois, que tais insumos são essenciais ao processo produtivo da ora Autuada e de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. 3.64. Manutenção de veículos, pneus, combustíveis e lubrificantes Nutricionalmente balanceada, as refeições possuem em sua composição verduras e legumes que são adquiridos com constância e habitualidade para que sejam servidos sempre produtos frescos e de qualidade aos comensais. Para atendimento desta necessidade peculiar de uma empresa que produz refeições diariamente para consumo imediato, os hortifrutis são adquiridos diretamente nos Ceasas Centro de Abastecimento, da localidade. Essa compra e transporte para a unidade produtiva da empresa são realizados em veículos próprios e, posteriormente, em alguns casos, distribuídos entre as unidades para serem processados diretamente no local de preparação. Os alimentos são preparados e acondicionados em embalagens próprias para serem entregues nestas unidades, que consistem em hospitais, presídios, delegacias e obras. A compra da matéria prima, seu transporte e distribuição para as unidades produtivas, bem como a distribuição das refeições prontas para os clientes é totalmente feita com veículos da empresa autuada, sendo desta todo o custo de manutenção dos veículos que fazem parte do processo produtivo da Autuada que somente se encerra com a entrega das refeições ao consumidor final. Para garantir a qualidade dos insumos e o correto transporte do produto final a Impugnante se utiliza de transporte próprio na aquisição de mercadorias e entrega das refeições, fazendo parte essencial, assim, do seu processo produtivo e do seu custo de produção. Desta sorte, demonstrado que dentre o processo produtivo da impugnante se destaca a compra e distribuição de matéria prima em carro próprio da empresa, bem como a entrega de refeições transportadas para o consumidor final, a de ser desconsiderada a glosa realizada, autorizandose o aproveitamento do crédito decorrente dos custos de manutenção de veículos, pneus, combustíveis e lubrificantes. 3.65. Uniformes e EPIS Uma das características essências para garantir a qualidade das refeições e impedir a contaminação por meio de contato físico entre os colaboradores e os alimentos preparados é a higiene. Fl. 6963DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.964 9 Para se garantir essa assepsia, além dos produtos de limpeza e higiene, é indispensável o asseio pessoal, que inclui o uso de EPI's para prevenir a contaminação como luvas, botas, mascaras, além de um uniforme limpo composto de jaleco, avental e quepe. O uniforme é obrigatório para que o empregado não utilize dentro do ambiente de produção roupas que tiveram contato com poluição e sujeira trazidos de fora. Para isso são utilizadas, além de quepe, calça, e jaleco, avental de napa e botas plásticas. Os trabalhadores utilizam luvas descartáveis, luvas de borracha e de aço, não só para a proteção pessoal do contato com agentes químicos, como, especialmente, para garantir a higiene no preparo dos alimentos que compõem as refeições. O uso destes equipamentos de proteção individual é exigência da Vigilância Sanitária, no intuito de determinar a forma de produção dos alimentos. 3.66. Dos créditos referente ao estoque de abertura. A autoridade fazendária glosou os créditos decorrentes do estoque de abertura da Impugnante. Ocorre que a empresa de alimentação industrial faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos de produção. Não houve apropriação de crédito indevido em inobservância ao regime diferenciado do RECAP bem como em inobservância à periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis ao caso. Outrossim, mesmo se não houvesse respeitado à periodicidade legal, não haveria de ter sido glosado todo o crédito das matérias primas que compõem o estoque da empresa, sob pena de se onerar demasiadamente a Impugnante e descaracterizar o principio da não cumulatividade do PIS e COFINS, como acima amplamente demonstrado. Verificase que todos os itens glosados provenientes do estoque de abertura, conforme descritos no anexo V, fazem parte da cadeia produtiva da empresa. São insumos que dão o direito ao crédito no cálculo do PIS e COFINS. 3.67. Dos créditos referentes à despesas financeiras. Conforme exposto no item 5.4, a Impugnante faz uso do frete próprio na aquisição de mercadorias e entrega das refeições. Além do uso de veículos próprios a empresa também utiliza para este processo o aluguel de veículos por meio do sistema de leasing. Atualmente com unidades produtivas e de consumo espalhadas pelo Brasil a empresa autuada usa do serviço de locação de veículos para que a frota esteja sempre com automóveis que atendam às exigências da Vigilância Sanitária no transporte de mercadorias e refeições. Apesar de ser considerado contabilmente uma despesa financeira, o leasing de veículos é na verdade um arrendamento mercantil, sem a cobrança de IOF e com longo prazo de pagamento, com opção de compra do veículo ao final do contrato. Fl. 6964DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.965 10 A possibilidade de creditamento de PIS e COFINS do valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil está prevista na sistemática nãocumulativa de cálculo do PIS e da COFINS, cuja legislação dispõe que do débito de PIS e COFINS, a pessoa jurídica poderá calcular e descontar como créditos, dentre outros, o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica. Considerando que os veículos provenientes de arrendamento mercantil são utilizados no serviço de compra de mercadorias e entrega de produtos ao consumidor, caracterizado está que o uso dos bens é destinado à produção e venda das refeições, de tal modo que esta despesa deve ser declarada legítima para obtenção de crédito no cálculo de PIS e COFINS. 3.68. DA MULTA Fora aplicada multa no importe de 75% sobre o crédito glosado aplicada pelo crédito considerado indevido de PIS e COFINS aplicado sobre o valor supostamente não pago. Tal multa é confiscatória e inconstitucional, violando o princípio da proibição do confisco descrita no art. 150, inc. IV da CR/88. O impugnante agiu de boa fé aproveitando os créditos devidos em sua atividade, considerados os insumos de produção. A multa simplesmente moratória mostrase excessivamente onerosa, desproporcional e abusiva, assumindo inadmissível caráter confiscatório, violando o direito de propriedade do contribuinte ao ofender abusivamente o seu patrimônio sem razão suficiente para tanto. A gradação da multa imposta não guarda coerência com o fato supostamente ocorrido, podendo ensejar, inclusive, na extinção a empresa que sempre atuou de forma honrosa e honesta, atendendo a todas as demandas do fisco e em conformidade com a legislação pátria. Desta forma, certo que na eventualidade de, após julgada a presente demanda, persistindo qualquer valor a ser restituído ao fisco, requer seja a multa arbitrada em conformidade com o princípio da razoabilidade, guardando relação com o fato ocorrido, pelo que se requer seja arbitrada no importe máximo de 10%. Por fim, requer: a) procedência de sua impugnação; b) produção de prova pericial. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 6965DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.966 11 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. COFINS. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. O não recolhimento ou recolhimento a menor da contribuição, detectado em procedimento de fiscalização, obriga o contribuinte ao pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA. Na sistemática de tributação pela forma de incidência nãocumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto ao crédito presumido sobre o estoque de abertura de bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, no montante equivalente a aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque, desde que os bens constantes do mesmo sejam considerados insumos na forma prevista na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. Fl. 6966DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.967 12 A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Ementa: CRÉDITO. AQUISIÇÃO COM ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO. É vedada a utilização de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. PIS. NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR. O não recolhimento ou recolhimento a menor da contribuição, detectado em procedimento de fiscalização, obriga o contribuinte ao pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. ESTOQUE DE ABERTURA. Na sistemática de tributação pela forma de incidência nãocumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto ao crédito presumido sobre o estoque de abertura de bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, no montante equivalente a aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque, desde que os bens constantes do mesmo sejam considerados insumos na forma prevista na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.968 13 A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão em 29/06/2018, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente em 30/07/2018, conforme Termo de solicitação de juntada, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância vai de encontro aos princípios fundamentais que regem o Estado Democrático de Direito. Em preliminar, a recorrente diz que o procedimento fiscal deve ser anulado, posto que desprovido de fundamentos que autorizem a glosa dos créditos dos tributos auditados, bem com a aplicação da multa. Relativamente ao creditamento de insumos, afirma que no caso da alimentação industrial, os insumos que a compõem vão desde a matéria prima destinada a preparação das refeições, até os utensílios e equipamentos essenciais à atividade, bem como os produtos e serviços de limpeza obrigatórios para resguardar a higiene dos alimentos e a segurança no transporte até o destinatário final. Nesse sentido, requer perícia para ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, e indica perito e quesitos. É o relatório. Fl. 6968DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.969 14 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO AUTO DE INFRAÇÃO Quanto à nulidade do auto de infração, a recorrente diz que o procedimento fiscal deve ser anulado, posto que desprovido de fundamentos que autorizem a glosa dos créditos dos tributos auditados, bem com a aplicação da multa, porém não indica propriamente uma causa de nulidade, sendo que a preliminar, nesse contexto, se confunde com o mérito, e merece ser rejeitada neste momento. DO CREDITAMENTO DE INSUMOS Sem embargo, quando se adentra no mérito da matéria referente às glosas dos insumos de que se creditou a recorrente, ao meu ver, não se tem como bem solucionar a lide nas condições em que se encontra o processo. Explico. As premissas usadas pela auditoria fiscal para efetuar as glosas dos créditos ficaram anacrônicas, especialmente depois que o STJ julgou a matéria em sede de recurso repetitivo. Por outro giro, a forma pela qual a recorrente se utilizou dos créditos das contribuições não cumulativas também não se coaduna com o formato preconizado por este CARF, que obedece obrigatoriamente a jurisprudência consolidada dos tribunais superiores. Nesse diapasão, vale trazer o pronunciamento do conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator do voto vencedor no acórdão 9303007.535 3ª Turma, de 17/10/2018: (...) Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria recorrente, Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.970 15 importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da nãocumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução Fl. 6970DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.971 16 dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividade fim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiu se uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 10680.723742/201381 Resolução nº 3302000.959 S3C3T2 Fl. 6.972 17 contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Forte nas lições do acórdão da CSRF supra, que tem por base o acórdão do STJ e Nota da PGFN mencionados, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a nova análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração contábil digital da contribuinte em que ocorreram as glosas constantes do item "2.3 Compra de insumos" do Termo de verificação fiscal (2.3.1 a 2.3.5), e com base nos critérios descritos na fundamentação desta Resolução, pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo, quais deles não atendem aos requisitos da essencialidade ou relevância estabelecidos anteriormente. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 6972DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901239/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.610
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10825.901239/2017-13
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981586
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.610
nome_arquivo_s : Decisao_10825901239201713.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10825901239201713_5981586.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7678257
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660025069568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.901239/201713 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.610 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 23 9/ 20 17 -1 3 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901239/201713 Resolução nº 3201001.610 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901239/201713 Resolução nº 3201001.610 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901239/201713 Resolução nº 3201001.610 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720046/2014-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. TITULAR DA UNIDADE RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO POR AUDITOR FISCAL.
Segundo o disposto no art. 65, §1º, inciso V do RICARF tem nesta hipótese legitimidade exclusiva para a interposição de embargos de declaração o titular da unidade responsável pelo cumprimento do julgado, o que implica a inadmissibilidade deste recurso quando interposto por auditor fiscal vinculado a tal unidade.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTEMPESTIVIDADE.
Os embargos de declaração devem ser interpostos em até 05 dias da cientificação do legitimado, sob pena de intempestividade.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESE DE INTERPOSIÇÃO PELO TITULAR DA UNIDADE RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. CABIMENTO LIMITADO.
Só são admissíveis embargos de declaração pelo titular da unidade encarregada do cumprimento do acórdão na estreita hipótese de haver uma omissão, contradição ou obscuridade que efetivamente redunde na dificuldade de cumprimento da decisão embargada.
Numero da decisão: 3402-006.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração interpostos pela autoridade preparadora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. TITULAR DA UNIDADE RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO POR AUDITOR FISCAL. Segundo o disposto no art. 65, §1º, inciso V do RICARF tem nesta hipótese legitimidade exclusiva para a interposição de embargos de declaração o titular da unidade responsável pelo cumprimento do julgado, o que implica a inadmissibilidade deste recurso quando interposto por auditor fiscal vinculado a tal unidade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTEMPESTIVIDADE. Os embargos de declaração devem ser interpostos em até 05 dias da cientificação do legitimado, sob pena de intempestividade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESE DE INTERPOSIÇÃO PELO TITULAR DA UNIDADE RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. CABIMENTO LIMITADO. Só são admissíveis embargos de declaração pelo titular da unidade encarregada do cumprimento do acórdão na estreita hipótese de haver uma omissão, contradição ou obscuridade que efetivamente redunde na dificuldade de cumprimento da decisão embargada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11762.720046/2014-57
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988142
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.316
nome_arquivo_s : Decisao_11762720046201457.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 11762720046201457_5988142.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração interpostos pela autoridade preparadora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Conselheiro Marcos Antonio Borges.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7697214
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660052332544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 7.316 1 7.315 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720046/201457 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402006.316 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2019 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BRAM OFFSHORE TRANSPORTES MARÍTIMOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. TITULAR DA UNIDADE RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO POR AUDITOR FISCAL. Segundo o disposto no art. 65, §1º, inciso V do RICARF tem nesta hipótese legitimidade exclusiva para a interposição de embargos de declaração o titular da unidade responsável pelo cumprimento do julgado, o que implica a inadmissibilidade deste recurso quando interposto por auditor fiscal vinculado a tal unidade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTEMPESTIVIDADE. Os embargos de declaração devem ser interpostos em até 05 dias da cientificação do legitimado, sob pena de intempestividade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESE DE INTERPOSIÇÃO PELO TITULAR DA UNIDADE RESPONSÁVEL PELO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO. CABIMENTO LIMITADO. Só são admissíveis embargos de declaração pelo titular da unidade encarregada do cumprimento do acórdão na estreita hipótese de haver uma omissão, contradição ou obscuridade que efetivamente redunde na dificuldade de cumprimento da decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração interpostos pela autoridade preparadora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 46 /2 01 4- 57 Fl. 7316DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração para exigência de Imposto de Importação, PISImportação e CofinsImportação, acrescidos dos juros e multa, totalizando um crédito tributário exigível no valor originário de R$ 11.028.955,47. Referida exigência decorre de fiscalização que teve por escopo averiguar em concreto se a recorrente tinha cumprido os requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais (isenção e redução de alíquotas) em operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de embarcações. 2. Segundo a fiscalização, nas operações perpetradas pela Recorrente os correlatos benefícios fiscais1 só seriam válidos na hipótese dos bens importados não apresentarem similar nacional, nos termos do art. 17 do Decretolei n. 37/662, o que deveria ser constatado previamente à importação. Ademais, ainda de acordo com a fiscalização, não haveria prova de que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei para fins do aproveitamento do benefício fiscal em apreço, uma vez que, segundo a fiscalização, o recorrente não teria comprovado que utilizou tais bens importados para fins de "revisão e manutenção de embarcações". 3. Por entender que a recorrente não cumpriu com os requisitos estabelecidos na legislação que julgou pertinente, a fiscalização lavrou o sobredito Auto de Infração, promovendo a notificação do contribuinte que, em sede de Impugnação, alegou o que segue sumarizado abaixo: (i) decadência ; (ii) inexigibilidade da prova da não similaridade na importação dos produtos beneficiados pelas leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97; e (iii) que os bens importados de fato tiveram a destinação exigida em lei, o que estaria demonstrado por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DI's fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída), bem como pela escrituração dos livros fiscais de saída apresentados pelo contribuinte (fls. 3.439/3.628) e referentes ao período em debate, no qual não consta o registro de qualquer operação com CFOP diverso da destinação exigida em lei ("revisão e manutenção de embarcações"). 1 Isenção do Imposto de Importação e alíquota zero para o PIS e COFINS incidentes na operação de importação. 2 "Art. 17 A isenção do impôsto de importação sòmente beneficia produto sem similar nacional, em condições de substituir o importado." Fl. 7317DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402006.316 S3C4T2 Fl. 7.317 3 4. Devidamente processada, a impugnação apresentada foi julgada parcialmente procedente pela DRJ Florianópolis (Acórdão n. 0736.113 fls. 5.045/5.067), o qual apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria específica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. EXAME DE SIMILARIDADE. EXIGÊNCIA. Como regra geral, a isenção ou a redução de imposto de importação somente beneficiará mercadoria sem similar nacional e transportada em navio de bandeira brasileira. Excetuamse da regra geral os casos previstos em lei específica ou no Regulamento Aduaneiro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA DE PAGAMENTO. O prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, para formalizar a exigência do imposto relativo ao lançamento considerado por homologação (§ 4o do art. 150 do CTN) somente se opera na hipótese de diferença de tributos na importação. No caso em que se apurar a inexistência de qualquer pagamento de imposto, como no despacho aduaneiro com isenção, o prazo para formalizar o crédito tributário passa a ser o previsto no art. 173, inciso I, do CTN, e no caput do art. 138 do Decretolei no 37/1966, cuja contagem é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 5. Em suma, a DRJ de Florianópolis afastou totalmente um dos fundamentos da autuação, qual seja, a pretensa necessidade de que os bens importados não apresentassem similar nacional, haja vista o disposto nas leis n.s 8.032/90 e 9.493/97, bem como reconheceu que para parte das DI's fiscalizadas o recorrente teria feito prova suficiente de que os bens importados de fato foram empregados na "revisão e manutenção de embarcações", o que implicou a exoneração do importe de R$ 1.923.814,86. Fl. 7318DF CARF MF 4 6. Diante deste quadro, a sobredita decisão foi subjulgada ao recurso de ofício, bem como também foi atacada pelo contribuinte por intermédio do recurso voluntário de fls. 5.072/5.093, oportunidade em que o recorrente insistiu ter feito prova hábil da destinação dos produtos importados. 7. Uma vez pautado para julgamento, esta turma julgadora, em sua antiga composição, resolveu converter o feito em diligência (resolução n. 3402000.800 fls. 5.873/5.876), o que se deu nos seguintes termos: (...). 7. Conforme se depreende dos autos, a discussão posta pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário gravita em torno de saber se os documentos por ele colacionados (livros contábeis de saída para o período fiscalizado), combinado com os documentos apresentados por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DIs fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída) e seu objeto social seriam ou não suficientes para demonstrar a destinação dos produtos importados e aqui debatidos. (...). 10. Assim, em tese, parece ser crível a prova apresentada pelo contribuinte, especialmente aquela consistente em seus livros de saída. Todavia, para a devida comprovação da assertiva do Recorrente, mister se faz detalhar os CFOP's indicados em tais livros contábeis, de modo a permitir que este Tribunal constate se, de fato, todas as saídas ali indicadas representam códigos fiscais de operações que têm por finalidade a revisão e manutenção de embarcações. 11. Neste sentido, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização promova: (i) a análise dos livros de saída de fls. 3.439/3.628, detalhando quais são os códigos fiscais ali apontados e as correlatas descrições das operações perpetradas, criando uma tabela analítica para separar as operações afetadas pelo benefício fiscal aqui tratado daquelas que não gozam de tal benesse. (...). 8. Referida diligência foi cumprida pela unidade julgadora, redundando no relatório fiscal de fls. 5.896/5.897. A respeito deste relatório fiscal o contribuinte se manifestou por intermédio da petição de fls. 5.903/5.910. 9. Ato contínuo, o processo foi pautado para julgamento, oportunidade em que esta Turma julgadora, por unanimidade de votos, não conheceu o recurso de ofício interposto e, em relação ao recurso voluntário, deulhe provimento por maioria de votos, o que está devidamente retratado no acórdão n. 3402004.192, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/2009 a 12/06/2012 Ementa: Fl. 7319DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402006.316 S3C4T2 Fl. 7.318 5 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE UMA FORMA ESPECÍFICA PARA A COMPROVAÇÃO DA UTILIZAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS COM BENEFÍCIOS. As leis n.° 8.032/90 e n.° 9.493/97 não estabelecem quais são os documentos fiscais indispensáveis para atestar que uma mercadoria importada com benefício de fato foi empregada na revisão e manutenção de embarcações. Assim, é indevida a exigência de um controle de estoque se o contribuinte consegue, por outros meios, provar que de fato empregou as mercadorias importadas de acordo com a destinação exigida legalmente. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado. 10. Uma vez cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional expressamente afirmou não ter interesse recursal na demanda (fl. 6.059). 11. Uma vez devolvido o processo à unidade encarregada pela execução do julgado, em 15 de janeiro de 2018 a d. Auditora Fiscal Priscila L. da Silva (AFRFB – mat. 1.293.676), apresentou a manifestação de fls. 7.147/7.154, apontando suposta dificuldade no cumprimento do aludido julgado. 12. Tal manifestação, por sua vez, foi recebida como embargos de declaração, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 7.157/7.159. 13. Diante do potencial efeito infringente do referido recurso, foi aberto vista ao contribuinte, o qual se manifestou por meio da petição de fls. 7.302/7.312. 14. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 15. O recurso interposto não preenche um dos seus pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual não merece conhecimento, o que será melhor explicitado nos parágrafos seguintes. I. Da inexistência de dificuldade no cumprimento do julgado 16. De forma muito objetiva, o presente recurso não pode ser admitido, uma vez que inexiste subsunção do fato concreto à hipótese regimental para a interposição dos embargos de declaração ou mesmo de embargos inominados3. 3 Assim previsto no art. 66 do RICARF: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." Fl. 7320DF CARF MF 6 17. Quanto aos embargos inominados, não há hipótese para a sua interposição no caso concreto, uma vez que inexiste erro material ou lapso manifesto. Em verdade, alega a Embargante dificuldade no cumprimento do julgado, o que também não condiz com a realidade dos autos. 18. Neste sentido, insta destacar que a hipótese de interposição de embargos de declaração capitulada no art. 65, §1º, inciso V do RICARF é demasiadamente estreita, quer dizer, só é cabível em uma única situação: na dificuldade da unidade preparadora cumprir com o acórdão proferido nos autos na fase procedimental subsequente, i.e., de execução do julgado. Acontece que, não se vislumbra tal fato no presente caso. 19. Para alcançar a conclusão alhures, mister se faz, neste momento, retomar algumas considerações acerca do mérito da presente demanda. Nesse sentido, como destacado no voto "embargado": 1. Tratase de Auto de Infração para exigência de Imposto de Importação, PISImportação e CofinsImportação, acrescidos dos juros de mora e multa de mora, totalizando um crédito tributário exigível no valor de R$ 11.028.955,47. Referida exigência decorre de fiscalização que teve por escopo averiguar em concreto se a Recorrente tinha cumprido os requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais (isenção e redução de alíquotas) em operações de importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações. 2. Segundo a fiscalização, nas operações perpetradas pela Recorrente a isenção do II só seria válida na hipótese dos bens importados não apresentarem similar nacional, nos termos do art. 17 do Decretolei n. 37/661, o que deveria ser constatado previamente à importação. Ademais, ainda de acordo com a fiscalização, o benefício fiscal só seria válido se os bens importados fossem empregados em navios de bandeira estrangeira. (...). 20. Para constatar se de fato os bens importados foram ou não empregados em navios de bandeira estrangeira, o presente caso foi convertido em diligência por este Colegiado por meio da resolução n. 3402000.800 (fls. 5.873/5.876), de minha lavra, que assim determinou: (...). 7. Conforme se depreende dos autos, a discussão posta pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário gravita em torno de saber se os documentos por ele colacionados (livros contábeis de saída para o período fiscalizado), combinado com os documentos apresentados por amostragem (cruzamento das mercadorias apontadas em parcela das DIs fiscalizadas com as correlatas notas fiscais de saída) e seu objeto social seriam ou não suficientes para demonstrar a destinação dos produtos importados e aqui debatidos. (...). Fl. 7321DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402006.316 S3C4T2 Fl. 7.319 7 10. Assim, em tese, parece ser crível a prova apresentada pelo contribuinte, especialmente aquela consistente em seus livros de saída. Todavia, para a devida comprovação da assertiva do Recorrente, mister se faz detalhar os CFOP's indicados em tais livros contábeis, de modo a permitir que este Tribunal constate se, de fato, todas as saídas ali indicadas representam códigos fiscais de operações que têm por finalidade a revisão e manutenção de embarcações. 11. Neste sentido, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização promova: (i) a análise dos livros de saída de fls. 3.439/3.628, detalhando quais são os códigos fiscais ali apontados e as correlatas descrições das operações perpetradas, criando uma tabela analítica para separar as operações afetadas pelo benefício fiscal aqui tratado daquelas que não gozam de tal benesse. (...) (grifos nosso). 21. A referida diligência foi cumprida pela unidade julgadora, redundando no relatório fiscal de fls. 5.896/5.897, oportunidade em que, de todos os bens fiscalizados e indicados na autuação, a fiscalização não teve qualquer dificuldade em precisar quais seriam os correlatos CFOP's. 22. Analisando as planilhas não pagináveis desenvolvidas pela unidade preparadora em resposta a sobredita diligência (termos de anexação de fls. 5.887/5.892), constatouse, preponderantemente, as seguintes descrições para os itens fiscalizados: 5.949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado; 5.915 Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo; 6.915 Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo; 6.949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado; e 7.949 Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado. 28. Diante deste quadro, este Colegiado assim se manifestou: ... resta claro que todas as operações realizadas com as peças importadas durante o período aqui fiscalizado ocorreram sem a incidência do ICMS, motivo pelo qual receberam o "código de valor 3" em tais planilhas, o que quer significar operação sem crédito de ICMS. 25. Diante deste cenário, resta claro que as operações perpetradas pela recorrente em relação as peças importadas com benefício fiscal não tiveram por finalidade venda, tanto que tais operações não eram aptas a gerar crédito de ICMS. Inclusive, as operações desoneradas pela DRJ Florianópolis tinham exatamente os CFOP's 5.949, 6.949 e 7.949, constatados em diligência para grande parte das demais operações que foram objeto de manutenção da exigência fiscal. Fl. 7322DF CARF MF 8 26. Sendo assim, penso que o trabalho fiscal não foi suficiente para desnaturar as operações perpetradas pela recorrente, ou seja, não foi bastante para demonstrar que as operações beneficiadas no período fiscalizado não tiveram por escopo a revisão e a manutenção de embarcações. (...). 23. Em suma, o que este colegiado decidiu foi que, confrontando as provas apresentadas nos autos, as contraprovas indicadas pelo contribuinte e, ainda, o resultado da mencionada diligência, restou demonstrado que todos os itens com os CFOP's 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949 foram indevidamente glosados pela fiscalização, o que, por sua vez, implicou o provimento do recurso voluntário para afastar a presente exigência fiscal para tais itens. Esta, inclusive, é a parte dispositiva do voto: (...). 27. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, afastando as exigências dos tributos em comento em relação as operações com códigos CFOP's números 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949. (...). 24. Aliás, os pretensos exemplos de dificuldade vislumbrada pela unidade preparadora foram bem rechaçadas pelo contribuinte por intermédio da petição de fls. 7302/7.312, uma vez que, dentre os critérios aplicados para os bens ali indicados, o contribuinte fez exatamente aquilo que a decisão embargada determinou: filtrou tais bens pelos CFOP's (5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949) indicados no voto e cuja glosa foi afastada. Nesse sentido é o teor da citada manifestação: Fl. 7323DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402006.316 S3C4T2 Fl. 7.320 9 Fl. 7324DF CARF MF 10 Fl. 7325DF CARF MF Processo nº 11762.720046/201457 Acórdão n.º 3402006.316 S3C4T2 Fl. 7.321 11 25. Em síntese, o que este colegiado decidiu é que todos os itens com os CFOP's 5.915, 5.949, 6.915, 6.949 e 7.949 (já apurados pela fiscalização quando da resposta à resolução n. 3402000.800 fls. 5.873/5.876) foram indevidamente glosados e que, por conseguinte, a parcela da autuação referente a tais itens deve ser afastada. Logo, não há dúvida na execução do julgado, o que afasta também a hipótese de cabimento do presente recurso. Dispositivo 26. Ante o exposto, voto por não conhecer os embargos de declaração interpostos. 27. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 7326DF CARF MF 12 Fl. 7327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720027/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO.
A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração.
No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado.
Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3402-006.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)".
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração. No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado. Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12585.720027/2012-10
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974119
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.206
nome_arquivo_s : Decisao_12585720027201210.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 12585720027201210_5974119.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7658818
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660087984128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.723 1 1.722 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720027/201210 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402006.206 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRADIÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TAM LINHAS AÉREAS S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração. No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado. Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 27 /2 01 2- 10 Fl. 1723DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face de contradição/obscuridade identificada entre o dispositivo do acórdão e a sua fundamentação nos Votos Vencido e Vencedor relativamente à reversão da glosa de créditos das contribuições relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Os Embargos foram admitidos mediante despacho do Presidente do Colegiado, nos seguintes termos: Tratase de embargos de declaração manejados em desfavor do Acórdão 3402 005.329, de 20/06/2018, alegadamente maculado de contradição/obscuridade em relação à reversão da glosa de dispêndios contabilizados na conta “Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", consignada na parte dispositiva do aresto, mas que não teria sido tratada no voto da relatora ou no voto da redatora designada. Os embargos são tempestivos: os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 30/07/2018 (doc. à efl. 1685 e devolvidos em 03/09/2018, conforme doc. à efl. 1692. Lembrar que de acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados ao término do prazo de 30 (trinta) dias, contados da entrega dos autos à PFN. No caso dos autos, portanto, a ciência aperfeiçoouse 29/08/2018 e o agravo foi apresentado no prazo regimental de cinco dias. Importa consignar que o contribuinte obteve cópia dos autos por meio do “Portal ECAC” e igualmente apresentou seus embargos de declaração. Entretanto, considerando que, conforme será melhor esclarecido adiante, o aresto embargado será novamente submetido ao Colegiado, não é possível conhecer dos embargos do contribuinte antes da decisão que enfrentará os embargos da Fazenda Nacional, pois ainda não se sabe qual será a versão definitiva do aresto. Igualmente não cabe tomar conhecimento, no presente exame de admissibilidade, da petição apresentada pelo contribuinte por meio da qual apresenta contrarrazões aos embargos da Fazenda, embora não nomine sua petição nesses termos. Como é cediço, o direito processual pátrio adota a taxatividade quando disciplina as hipóteses de intervenção das partes e, na ausência de norma regimental que a preveja, a manifestação do contribuinte não pode ser enfrentada no presente despacho. (...) Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que os embargos devem ser admitidos, pois, de fato, não é possível extrair dos votos da relatora (vencida exclusivamente no que se refere à glosa dos dispêndios com uniformes) ou da redatora designada quais seriam as razões para reversão da glosa dos créditos Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 12585.720027/201210 Acórdão n.º 3402006.206 S3C4T2 Fl. 1.724 3 apurados a partir dos dispêndios contabilizados na conta intitulada “Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa”, exposta na parte dispositiva nos seguintes termos: (...) Consta também nos autos a interposição de Embargos de Declaração pela contribuinte, os quais não foram objeto de despacho de admissibilidade. Os autos foram devolvidos a esta Conselheira Relatora para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte não foram submetidos a despacho de admissibilidade e, portanto, não podem ser incluídos nesta oportunidade em pauta de julgamento, nos termos do art. 65, §7º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e apontam, em verdade, o vício de "contradição entre a decisão e os seus fundamentos", razão pela qual devem ser conhecidos nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Alega a embargante que: (...) Ante a leitura da parte dispositiva, depreendese que o colegiado teria dado parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Entretanto, esta decisão não coincide com o disposto nos votos da relatora e da conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, designada para subscrever a tese vencedora, conforme se confere nos trechos a seguir transcritos, extraídos de ambos os votos: (...) Enquanto o dispositivo da decisão expressa a conclusão pelo provimento parcial para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", os votos vencido e vencedor não conferem o creditamento em relação à aludida rubrica. Verificase, portanto, descompasso entre a decisão e sua fundamentação. (...) Verificase que, de fato, ocorreu a contradição interna no acórdão embargado apontada pela embargante, como abaixo se demonstrará. No dispositivo do Acórdão, extraído da Ata de Julgamento, assim constou: Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado Fl. 1725DF CARF MF 4 novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (...) (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (...) Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. [negritei e grifei] Como se observa acima, o dispositivo do Acórdão embargado foi redigido de forma a separar o resultado da votação do Colegiado em: a) unanimidade, b) maioria e c) voto de qualidade. Constatase também que: i) na parte do julgado em que houve votação por unanimidade, certamente que o resultado do julgamento deve equivaler à fundamentação dada pela Conselheira Relatora; ii) também no que concerne à votação por voto de qualidade, para a qual não consta a Relatora como vencida, não deve haver divergência entre o resultado final do julgamento e a fundamentação do Voto da Conselheira Relatora; e iii) relativamente à matéria julgada que saiu vencedora por maioria, a divergência da Conselheira Relatora em relação ao resultado final do julgamento deuse apenas em relação ao item (b.4) (despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros), matéria que foi fundamentada no "Voto Vencedor" da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; Em síntese, prevaleceu no resultado do julgamento do Acórdão embargado o provimento parcial do recurso voluntário em maior extensão do que aquele concedido no voto da Conselheira Relatora. Mais precisamente, o resultado final do julgamento equivale ao provimento parcial constante no "Voto Vencido" adicionado da reversão da glosa relativa ao item (b.4), cuja fundamentação constou no "Voto Vencedor". Dessa forma, a fundamentação da decisão final do julgamento deve ser encontrada em sua maior parte no "Voto Vencido", à exceção somente da glosa relativa ao item (b.4) do dispositivo do Acórdão, devidamente motivada no "Voto Vencedor". Com efeito, a parte controversa nos presentes Embargos de Declaração diz respeito somente à reversão da glosa sobre as despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas (item (a.3) no dispositivo acima), com indicação de votação unânime do Colegiado e, portanto, como dito, deveria encontrar fundamentação no Voto da Conselheira Relatora ("Voto Vencido"). Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 12585.720027/201210 Acórdão n.º 3402006.206 S3C4T2 Fl. 1.725 5 No que concerne às "aquisições de bens patrimoniais", o "Voto Vencido" foi assim redigido: 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim se pronunciou a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2009, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Comissaria”, “Despesas com veículos”, “Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Relativamente às despesas com “Comissaria”, conforme já explicado no tópico anterior, não são insumos passíveis de crédito no sistema da não cumulatividade do PIS/Cofins. Igualmente, as “despesas com veículos” não podem ser creditadas, porque não são despesas vinculadas ao transporte internacional de cargas. No que tange às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente: i) manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos"; ii) não se contrapôs ao óbice de creditamento colocado pela DRJ quanto aos bens e serviços de manutenção; bem como iii) Nada acrescentou acerca das contas “Comissaria” e “Despesas com veículos”; razão pela qual a decisão recorrida deve ser mantida nesta parte por seus próprios fundamentos. Como se vê acima, especificamente no presente processo, dentro da rubrica "aquisições de bens patrimoniais" não houve sequer glosa da conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", razão pela qual, obviamente, não poderia haver reversão de tal despesa no Acórdão embargado. Fl. 1727DF CARF MF 6 Revendo os votos relativos aos 24 processos da mesma interessada julgados em sessão de junho de 2018, observase que o único processo em que foi tratada a glosa relativa à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" foi o de número 16692.720038/201314, no qual foi, inclusive, revertida essa glosa conforme Voto da Conselheira Relatora1. Assim, ao que parece, o equívoco na redação do dispositivo final do Acórdão ora embargado, deveuse à manutenção no texto de parte do resultado do outro processo julgado conjuntamente. O equívoco no resultado do julgamento não se restringe à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", mas a toda rubrica relativa às "aquisições de bens patrimoniais", para a qual não houve, no presente processo, qualquer reversão de glosa, como se observa na redação do "Voto Vencido" do Acórdão embargado. Embora o equívoco em toda a rubrica "aquisições de bens patrimoniais" do resultado do Acórdão embargado não tenha sido apontado propriamente pela Embargante, que se restringiu ao vício em relação à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" dessa rubrica, entendo que o saneamento deve ser feito de forma completa, ou seja, também em relação também às contas não embargadas da rubrica. Tratase de inexatidão material, devida a lapso manifesto na proclamação do resultado do julgamento pelo Colegiado, reparável pelos embargos inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O saneamento em toda rubrica "aquisições de bens patrimoniais" é decorrente do correção do próprio erro apontado pela embargante. Ademais, o Colegiado não poderia manter formalmente a parte da decisão embargada que, de forma bem clara, não está de acordo com o que foi efetivamente decidido pelo Colegiado em junho de 2018. Assim, em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer desde já o saneamento completo do feito. Portanto, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido pelo Colegiado em junho de 2018, deve ser retificado o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto todo o item (a.3), que tratava da reversão da glosa relativa à rubrica "aquisições de bens patrimoniais", sem que o Colegiado tivesse decidido nesse sentido. 1 Processo nº 16692.720038/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.323 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 (...) VOTO VENCIDO (...) 3. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais (...) Com relação "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" alega a recorrente que "é impossível a acessibilidade à aeronave sem a utilização de equipamentos de rampa, visto que este é o meio utilizado para o deslocamento da carga até o compartimento do avião e, consequentemente, esse equipamento depende de abastecimento (combustível) para seu funcionamento", o que se adequa ao conceito de insumo adotado neste voto. (...) Assim, em resumo, revertese neste tópico a glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais relativamente: i) à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de cargas; e ii) às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos” no montante pertinente ao transporte internacional de passageiros. (...) Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 12585.720027/201210 Acórdão n.º 3402006.206 S3C4T2 Fl. 1.726 7 Assim, pelo exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, determinando a retificação do dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)", como especificado acima. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1729DF CARF MF 8 Fl. 1730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.009195/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/04/2006
TRÂNSITO ADUANEIRO. MERCADORIA EXTRAVIADA. IMPORTADOR. DISPENSA DE VISTORIA. RESPONSABILIDADE DE QUEM LHE DEU CAUSA.
A responsabilidade pelo ressarcimento à União pelo não recolhimento do imposto de importação incidente sobre mercadoria extraviada será de quem lhe deu causa. Constatado que o extravio da mercadoria sujeita ao regime de trânsito aduaneiro se deu sob a responsabilidade do importador, o qual dispensou a vistoria aduaneira (artigo 300 do Decreto 4.543/2002), incabível o lançamento do imposto incidente sobre os bens extraviados contra o transportador, por força do artigo 591 do Decreto 4.543/2002, o qual vincula a responsabilidade pelo extravio de mercadorias àquele que lhe deu causa.
Numero da decisão: 3402-006.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/04/2006 TRÂNSITO ADUANEIRO. MERCADORIA EXTRAVIADA. IMPORTADOR. DISPENSA DE VISTORIA. RESPONSABILIDADE DE QUEM LHE DEU CAUSA. A responsabilidade pelo ressarcimento à União pelo não recolhimento do imposto de importação incidente sobre mercadoria extraviada será de quem lhe deu causa. Constatado que o extravio da mercadoria sujeita ao regime de trânsito aduaneiro se deu sob a responsabilidade do importador, o qual dispensou a vistoria aduaneira (artigo 300 do Decreto 4.543/2002), incabível o lançamento do imposto incidente sobre os bens extraviados contra o transportador, por força do artigo 591 do Decreto 4.543/2002, o qual vincula a responsabilidade pelo extravio de mercadorias àquele que lhe deu causa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10814.009195/2007-17
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5973515
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.219
nome_arquivo_s : Decisao_10814009195200717.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 10814009195200717_5973515.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7657074
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660095324160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 250 1 249 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.009195/200717 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.219 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente HIPERION LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/04/2006 TRÂNSITO ADUANEIRO. MERCADORIA EXTRAVIADA. IMPORTADOR. DISPENSA DE VISTORIA. RESPONSABILIDADE DE QUEM LHE DEU CAUSA. A responsabilidade pelo ressarcimento à União pelo não recolhimento do imposto de importação incidente sobre mercadoria extraviada será de quem lhe deu causa. Constatado que o extravio da mercadoria sujeita ao regime de trânsito aduaneiro se deu sob a responsabilidade do importador, o qual dispensou a vistoria aduaneira (artigo 300 do Decreto 4.543/2002), incabível o lançamento do imposto incidente sobre os bens extraviados contra o transportador, por força do artigo 591 do Decreto 4.543/2002, o qual vincula a responsabilidade pelo extravio de mercadorias àquele que lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 91 95 /2 00 7- 17 Fl. 306DF CARF MF 2 Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto inicialmente da Resolução n. 3803000.444 (fls 284 a 291) depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Corintho Oliveira Machado, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhuma das Turmas Ordinárias de julgamento da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Adoto o relato do acórdão de primeira instância até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 13/04/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto de Produtos Industrializados e contribuição PIS/COFINS, acrescidos de multa de ofício, juros de mora, no valor de R$ 223.243,02 em face dos fatos a seguir descritos. A ação fiscal decorre da não conclusão de operação de transito aduaneiro, iniciado pela Alfândega do Porto de Santos, com destino a esta Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, ao recinto alfandegado "Depósito de Loja Franca — Brasif Duty Free Shop Ltda — Guarulhos'', ao amparo DTA — Entrada Comum n.° 06/01426878, registrada pelo transportador em 19/04/2006 e desembaraçada automaticamente (canal verde") em 03/05/2006. O trânsito aduaneiro referiase a produtos eletrônicos, descritos em fatura comercial — invoice n.° 102805, emitida por EUROTRADE LTD., com valor FOB de US$ 109,781.44, acrescido das despesas relativas a frete e seguros (US$ 2.449,00) e capatazia (11$ 340,00) conforme documentos apresentados pelo transportador, por ocasião do despacho aduaneiro para trânsito, transportados no conteiner n.° SUDU1729146. Ao procederse às verificações previstas no Art. 62 da Instrução Normativa SRF n.° 248/2002, constatouse que os elementos de segurança aplicados ao referido conteiner encontravamse intactos (fotografia 01 — fl. 29). Todavia, ao efetuarse sua abertura, verificouse o extravio total das mercadorias que nele deveriam se encontrar, que foram substituídas por sacos de areia (fotografias 02, 03, 04 e 05 — fls. 29, 30 e 31). As fotografias 06 e 07 (fls. 31 e 32) comprovam a identificação do conteiner, enquanto as fotografias 08, 09 e 10 (fls. 32 e 33) demonstram a inexistência de indícios de violação nas travas de segurança das portas do referido dispositivo de carga. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10814.009195/200717 Acórdão n.º 3402006.219 S3C4T2 Fl. 251 3 Também não se observou indícios de violação na parte superior do conteiner (foto 11 fl. 34), ou internamente, nos pontos de fixação das travas das portas (fotos 12, 13, 14 e 15 fls. 34,35 e 36). Caracterizada a hipótese prevista no Art. 64 da citada INSRF n.° 248/2002, procedese à cobrança dos tributos devidos em decorrência do extravio total das mercadorias transportadas em trânsito aduaneiro, nos termos dos Artigos 65 e 66 da mesma Instrução Normativa. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 23/04/2007 (fls.49), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 23/05/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 118 à 139, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: PRELIMINARMENTE, alega a ilegitimidade passiva da impugnante transportadora em relação aos impostos e contribuições lançados nos Autos de Infração. A luz do Código Tributário Nacional (arts. 121, parágrafo único, e 124,I) a transportadora não se reveste da qualidade de contribuinte e nem de responsável solidário , eis que não teve relação pessoal e direta com a situação e constitua os respectivos fatos geradores desses tributos, nem interesse comum com o importador na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Também, não é contribuinte à luz do Decretolei n°37 (art. 31) e do Regulamento Aduaneiro (art. 103), pois, não é o importador, não tendo promovido a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional. Também não preenche as condições de responsável tributário solidário e de responsável pelas infrações. Da impossibilidade física e jurídica do cometimento das infrações cominadas nos Autos de Infração à Impugnante. Conforme exposto no relatório dos fatos, a situação fática revela a impossibilidade absoluta de ser atribuída à transportadora a responsabilidade pelos atos infracionais descritos nos Autos de Infração contra ela lavrados. A Impugnante não importou nem é consignatária das mercadorias constantes do conhecimento marítimo e fatura comercial mencionadas e que teriam sido extraviadas, bem como não participou da lacração do contêiner no exterior e no Brasil. O acima exposto consubstancia a verdade material cristalina e transparente. Fl. 308DF CARF MF 4 Quanto à verdade formal ela se reveste das formalidades necessárias impostas pela legislação que disciplina o regime de trânsito aduaneiro, ou seja, deve figurar como transportadora na DTA e deve firmar conjuntamente com a beneficiária do regime identificada no mesmo documento como sendo a importadora Brasif Duty Free Shop Ltda., permissionária do Depósito de Loja Franca no Aeroporto Internacional de Guarulhos SP. Essa cautela imposta pela legislação é necessária uma vez que, a carga sendo confiada à empresa de transporte, desde o seu desembaraço, durante o percurso, até sua entrega no destino pode, em tese, sofrer eventos eivados de irregularidades, tais como desvio de rota, atrasos injustificados, violação de lacres, retirada ou substituição de mercadorias, roubo de carga não chegada ao destino, interrupção no trânsito, etc., aptos a caracterizar a eventual responsabilidade do transportador. Os fatos demonstram que tal não ocorreu no caso concreto. Assim, a verdade formal não prevalece sobre a verdade material, conforme farta jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. A figura do consignatário no regime de trânsito aduaneiro como fator eximente da responsabilidade do transportador É aplicável ao caso concreto, “in totum” o prescrito no Ato Declaratório Executivo COANA n° 13, de 14/03/2001. Ademais, tratandose de mercadoria destinada a armazenagem em depósito de loja franca e considerandose que as mercadorias nesse regime são importadas em consignação no mesmo regime que caracteriza as importações para entreposto aduaneiro, é também aplicável ao caso o prescrito no Ato Declaratório (Normativo) COANA n°12, de 13/02/98. Face à legislação citada, o consignatário da loja franca, ou seja, o importador das mercadorias — BRASIF Duty Free Shop Ltda é, nas condições do caso concreto, o beneficiário do regime de trânsito aduaneiro, e não o Impugnante, transportador, objeto da ação fiscal ora impugnada. Ademais, outras razões jurídicas, à luz da legislação que rege a matéria, conduzem à atribuição da responsabilidade tributária à empresa importadora/depositária/beneficiária/consignatária das mercadorias cuja falta foi constatada pela fiscalização. São tais razões referentes às normas que dispõem sobre a realização da vistoria aduaneira no local de origem do trânsito aduaneiro, no caso, o Terminal de Contêineresmargem direita, Porto de Santos. Confirmase o acima, através do Aviso de Recebimento de Carga emitido na origem pelo TECONDI Terminal para Contêineres da Margem Direita S/A (doc n° ) onde se consigna: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10814.009195/200717 Acórdão n.º 3402006.219 S3C4T2 Fl. 252 5 Termo de Avaria: 12414/02006 Data:01/05/2006hora 11:03 A vista do exposto, diante da desistência da vistoria na origem e do rastreamento, constatase que em nenhuma das hipóteses do art. 592 supra se enquadra a Impugnante /Transportadora, visto que os lacres não foram violados e foi demonstrada a impossibilidade da ocorrência de retirada das portas do contêiner, no tempo de percurso, rastreado, bem como o não desvio da rota predeterminada e do intenso tráfego naquele horário do percurso, o que seria fácil e fatalmente notado por centenas de pessoas. Tendo havido a desistência da vistoria na origem conforme consta na DTA, o importador/depositário/consignatário assumiu a responsabilidade pelo pagamento do imposto de importação e das penalidades cabíveis. É nesse sentido o brilhante Acórdão da 1 0 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, n° 3915 de 02 de abril de 2004. Quanto à realização ou não da vistoria aduaneira após a abertura contêiner no destino, tal fato não é do conhecimento da Impugnante, que a parte obrigatória no processo, conforme prescreve o art. 587, além do que nada esclarecem a respeito os Autos de Infração ora atacados. Mesmo porque, a IN SRF n° 26/76 acima citada, em relação à loja franca é taxativa em seu item 4.1, a seguir transcrito: “4.1. A entrada de mercadorias no depósito a que se refere o item 1.3 e no recinto da loja somente poderá ser realizada com a presença da fiscalização. 4.1.1.0 dano, avaria, falta ou extravio de mercadoria constatada no momento da admissão no depósito será objeto de vistoria aduaneira, observadas, no que couber, as normas estabelecidas com o Decreto n° 63.431, de 16 de outubro de 1968, para apuração da responsabilidade, cobrança dos tributos e aplicação das sanções legais cabíveis.” Da inaplicabilidade do princípio da responsabilidade objetiva ao caso concreto A despeito de a responsabilidade por infração à legislação tributária ser objetiva, uma interpretação lógico/sistemática dos Fl. 310DF CARF MF 6 seus dispositivos faz entrever o elemento dolo ou culpa em seu cometimento, como se pode ver dos artigos 465 do RIPI/02 e artigo 94 do DecretoLei n° 37/66, quando mencionam a ação ou omissão voluntária ou involuntária dos agentes da infração. Não se concebe alguém praticar um ato (agir) involuntariamente, salvo fora de suas faculdades mentais e em razão disso sofrer a mesma punição daquele que premeditadamente infringiu a lei. Ao admitir que sejam prescritas sanções (penas) baseadas na responsabilidade objetiva, isto é, sem levar em consideração as circunstâncias materiais e os motivos da falta e sem levar em consideração a situação pessoal dos agentes, o artigo 136 do CTN contraria a norma que tem por plano de expressão o enunciado do inciso XLV1 da C.F., o qual consagra o mandamento da "individualização da pena". No presente caso a transportadora /impugnante está sendo penalizada por fatos comprovadamente por ela não praticados, pelo simples fato de ter sido interveniente, no transporte de mercadorias em regime de trânsito aduaneiro e ter firmado termo de responsabilidade. Ocorre que o outro contêiner identificado como SUDU1729059, coberto pelo BL n°AMRMN 64613379001 e pela fatura comercial n° 102806, também procedente da China, transportado pelo mesmo navio, foi objeto de outra DTA, de n°06/01426770, ainda se encontrava no pátio do Terminal de Contêineres TECONDI no porto de Santos lacrado, aguardando o desembaraço para o trânsito aduaneiro ao mesmo destino. Diferentemente da DTA n° 06/01426878 (objeto deste processo) onde consta “Esta Declaração já tem veículo informado”, a DTA n° 06/01426770 relativa à carga que ainda se encontra no Porto de Santos consignava “Esta declaração ainda não tem veículo informado.” Face ao evento ocorrido com a primeira das DTAs, a fiscalização no Porto de Santos foi informada e, procedendo ao rompimento dos lacres constatou a mesma situação infracional no contêiner que ainda não desembaraçado permanecia no pátio do terminal de contêineres. Tais fatos levam a uma única conclusão plausível: As cargas dos dois contêineres foram retiradas e substituídas por sacos de areia durante o período que permaneceram no pátio do terminal de contêineres no porto de Santos, ou, durante o período que permaneceram na origem (China) no pátio aguardando praça para carregamento no navio IWASHIRO. Como pode ser responsabilizada a transportadora por procedimento irregular em carga ainda não disponibilizada para trânsito, não sendo ela responsável pela sua custódia nem pelo seu controle aduaneiro? O transportador foi contratado para o transporte, após a ocorrência dos fatos delituosos. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10814.009195/200717 Acórdão n.º 3402006.219 S3C4T2 Fl. 253 7 O disposto no Art. 72,§1° do Regulamento aduaneiro retrata uma entrada ficta, fato gerador presumido, não aplicável à Impugnante face às circunstâncias peculiares ao fato concreto exaustivamente expostas nas preliminares. O caso concreto, em relação à Impugnante encontra símile nas situações de caso fortuito ou força maior. Sintomático é o acórdão do 3°CC n°30231728 (DOU 23/12/92) Assim, apenas em relação ao transportador não é aplicável este artigo, pois, ele não poderia prever o conteúdo do contêiner lacrado, no momento de receber a carga desembaraçada para trânsito. A solidariedade, apontada no artigo 290, face às circunstâncias no caso concreto não atinge a situação do transportador, ora Impugnante. Ademais, este dispositivo pressupõe a responsabilidade tributária também para o beneficiário/ importador em que a solidariedade o vincula ao transportador. E não consta ter havido autuação para o importador / consignatário / depositário / beneficiário, no caso, a BRASIF. As hipóteses de responsabilidade previstas no artigo 592, não são aplicáveis ao transportador, visto que elas ocorreram conforme já exposto, anteriormente ao desembaraço e entrega do contêiner ao transportador para realizar a operação de trânsito. Ademais, o inciso VI, apontado pelo D. Auditor Fiscal referese ao extravio de mercadoria descarregada da embarcação marítima, constante do manifesto de carga. Protesta pela exigência dos tributos e imposição de penalidades, pois o fato gerador dos impostos conforme previsto na legislação superveniente carece de rigor jurídico. Face ao exposto, a Impugnante requer seja decretada a improcedência dos Autos de Infração lavrados cancelandose os créditos tributários neles constantes. A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou improcedente a impugnação, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 19/04/2006 Não conclusão de operação de transito aduaneiro, iniciado pela Alfândega do Porto de Santos, com destino a Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. O autuado é contratado do beneficiário. De acordo com a lógica arquitetada pelo legislador para apurar a responsabilidade pela avaria da mercadoria cada qual dos intervenientes TRANSPORTADOR OPERADOR DEPOSITÁRIO usou das salvaguardas para eximir sua responsabilidade em face do próximo elo da corrente. Fl. 312DF CARF MF 8 Prova disso é o que a DTA indica que o container já estaria com a falta das mercadorias antes do início do Transporte Aduaneiro e a desistência da vistoria na origem. Ao proceder assim o beneficiário do regime assumiu todo o ônus quanto à avaria e a eventual falta de mercadoria, que acabou acontecendo. O autuado é contratado do beneficiário do regime. O ônus deve ser suportado por ambos, devendo eventuais diferenças ser resolvidas por comum acordo ou na Justiça Comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. Em julgamento datado de 27 de março de 2014 (Resolução n. 3803000.444), a Turma 3803 determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes moldes: Em preliminar, penso que o expediente carece de saneamento a fim de poder ser bem julgado. E tal necessidade decorre de que há informação na DTA acerca da existência de Termo de Avaria, por parte do transportador, e desistência de vistoria aduaneira, de parte do beneficiário do regime o importador. Entretanto, tais documentos não vieram a lume para que se pudesse verificar cabalmente as responsabilidades das partes envolvidas. Ante o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora neste expediente junte aos autos os dois documentos necessários: Termo de Avaria, a cargo do transportador; e desistência de vistoria aduaneira, de parte do importador. Foram anexadas às fls. 297 às fls. 300 as cópias dos documentos solicitados apresentados pela beneficiária do Regime Aduaneiro de Lojas Francas, Dufry do Brasil Duty Free Shop Ltda – Dufry. Por fim, a Recorrente, cientificada do resultado da diligência (fls 302 e 303), nos termos do art. 28 da Lei nº. 9.784/1999, regulamentado pelo art. 35 do Decreto nº. 7.574/2011, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme AR de fls 239, o Sujeito Passivo tomou ciência da decisão da DRJ em 16/05/2012, tendo apresentado o recurso voluntário em 14/06/2012 (fls 240). Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele tomo conhecimento. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10814.009195/200717 Acórdão n.º 3402006.219 S3C4T2 Fl. 254 9 A solução do presente litígio consiste em examinar se cabe ao transportador a responsabilidade pelo ressarcimento à União, em razão do não recolhimento do imposto de importação incidente sobre mercadoria extraviada Sobre as responsabilidades do transportador, os artigos 291 e 292 do Decreto nº 4.543/2002, vigente à época do fato, dispunham que: Art. 291. O transportador de mercadoria submetida ao regime de trânsito aduaneiro responde pelo conteúdo dos volumes, nos casos previstos no art. 592. Art. 292. O transportador deverá apresentar a mercadoria submetida ao regime de trânsito aduaneiro na unidade de destino, dentro do prazo fixado, na forma estabelecida na Subseção II da Seção VI deste Capítulo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Enquanto isso, os artigos 591 e 592 do mesmo diploma regulamentar determinavam: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): [...] VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Assim, a Recorrente centra sua defesa no argumento de que os atos infracionais não lhe podem ser imputados (impossibilidade formal e material de qualquer atitude sua ter dado causa à avaria) e que houve caso fortuito, pelos seguintes elementos de fato, devidamente comprovados nestes autos e sistematizados pela decisão recorrida: 1. O transporte foi contratado em regime de trânsito aduaneiro do Terminal de Contêineres TECONDI Santos para o recinto Alfandegado Depósito de Loja Franca da importadora BRASIF Duty Free Shop Ltda.; 2. Transporte do contêiner identificado nos documentos (BL, DTA, etc) como SUDU 1729145; 3. A Declaração de Trânsito Aduaneiro DTA 06/01426878 requerida e providenciada pela importadora, informa a aposição do lacre n° H332336 pela Receita Federal em Santos afora a manutenção do lacre da origem no exterior, de n° 0589440; Fl. 314DF CARF MF 10 4. Tais lacres de segurança chegaram intactos ao destino, conforme constatado pela Fiscalização que procedeu a abertura do contêiner e também pelo Auditor Fiscal autuante. 5. A Impugnante recebeu o contêiner para o transporte após o desembaraço ocorrido a 03/05/2006 às 16h 35 min 55 seg e o entregou no recinto alfandegado de destino no mesmo dia, às 20h e 0 min, tendo gasto no percurso 3h 29 min 05 seg, metade do tempo previsto pela Receita Federal que era de 6 horas. 6. Pela análise do tempo gasto (horário de “rush”), pela distância percorrida e através do rastreamento observase que efetivamente não houve tempo material para a ocorrência de qualquer evento que redundasse na paralisação do deslocamento apto a propiciar qualquer procedimento em relação à carga transportada, mesmo porque, requererseia tempo razoável para substituir a carga de 4.434 Kg por igual quantidade de sacos de areia, além do tempo para abrir o Container sem violação dos lacres. 7. Ressaltese que conforme informado, no percurso do trânsito aduaneiro o veículo com a unidade de carga estiveram sob escolta armada permanente contratada pela Beneficiária / Importadora BRASIF desde a origem do trânsito até a sua entrega no Órgão de destino. 8. A carga permaneceu sob controle aduaneiro da Receita Federal em Guarulhos desde a sua chegada às 20hs 05 min do dia 03/05/2006 até a abertura do contêiner a 04/05/2006 em que se constatou a integridade dos elementos de segurança apostos; 9. Tendo havido a desistência da vistoria na origem conforme consta na DTA, o importador/depositário/consignatário assumiu a responsabilidade pelo pagamento do imposto de importação e das penalidades cabíveis. Foi esse último argumento da Recorrente que levou o antigo relator do processo a requisitar a diligência contida na Resolução n. 3803000.444 (fls 284 a 291). Isto porque, uma vez efetivamente comprovado que o importador (beneficiário do regime de trânsito aduaneiro) desistiu da vistoria, assumindo os ônus daí decorrentes, não há mais que se falar em responsabilidade do transportador, já que será o importador quem deu causa ao extravio ou avaria da mercadoria importada. Tal conclusão decorre da leitura dos dispositivos do Decreto 4.543/2002 a respeito do tema, colacionados abaixo: Art. 581. A vistoria aduaneira destinase a verificar a ocorrência de avaria ou de extravio de mercadoria estrangeira entrada no território aduaneiro, a identificar o responsável e a apurar o crédito tributário dele exigível (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 583. Cabe ao depositário, logo após a descarga de volume avariado, ou a constatação de extravio, registrar a ocorrência em termo próprio, disponibilizado para manifestação do transportador, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10814.009195/200717 Acórdão n.º 3402006.219 S3C4T2 Fl. 255 11 Art. 300. Quando a avaria ou o extravio for constatado no local de origem, a autoridade aduaneira poderá, não havendo inconveniente, permitir o trânsito aduaneiro da mercadoria avariada ou da partida com extravio: I depois de proferida a decisão no processo de vistoria aduaneira; ou II em face de desistência da vistoria aduaneira por parte do transportador que efetuou o transporte da mercadoria até o local de origem, ou do beneficiário do regime, desde que o desistente assuma, por escrito, os ônus daí decorrentes. "Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586.(grifos nossos) Por todos os elementos constantes nos autos, está claro que enquanto permaneceu sob a guarda e responsabilidade do transportador, não houve extravio das mercadorias. Ademais, tendo havido a desistência da vistoria na origem conforme consta na DTA (fls 300), o importador/depositário/consignatário (Brasif Duty Free Shop Ltda., permissionária do Depósito de Loja Franca no aeroporto Internacional de Guarulhos —SP) foi aquele que deu causa aos atos infracionais apurados pela autoridade fiscal. Afinal, ao assim proceder, o importador assumiu a responsabilidade pelo pagamento do imposto de importação e das penalidades cabíveis (artigo 300 do Decreto 4.543/2002), não havendo espaço para a aplicação do artigo 592 do Decreto 4.543/2002 (causas de responsabilidade do transportador), uma vez que este não pode ser lido com a desconsideração do dispositivo que lhe precede, o artigo 591, o qual, regulando de forma geral a responsabilidade pelo extravio ou avaria da mercadorias, expressamente vinculaa àquele que lhe deu causa. Em conclusão, a ora Recorrente não é o sujeito passivo legítimo a ser cobrado pelos tributos decorrentes dos fatos apurados pela Fiscalização, mas sim o importador das mesmas, devendo o presente auto de infração lavrado contra o transportador ser cancelado. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 316DF CARF MF 12 Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720749/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
DIREITO CREDITÓRIO. ATUALIZAÇÃO.
Para fins de atualização de valor a ser restituído ou compensado, o regime a ser aplicado sobre o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é o de capitalização simples.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 2201-005.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DIREITO CREDITÓRIO. ATUALIZAÇÃO. Para fins de atualização de valor a ser restituído ou compensado, o regime a ser aplicado sobre o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é o de capitalização simples. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10140.720749/2011-97
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5979160
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.035
nome_arquivo_s : Decisao_10140720749201197.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10140720749201197_5979160.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7673049
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051660100567040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1608; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 253 1 252 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720749/201197 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201005.035 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE TERENOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DIREITO CREDITÓRIO. ATUALIZAÇÃO. Para fins de atualização de valor a ser restituído ou compensado, o regime a ser aplicado sobre o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior é o de capitalização simples. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A comprovação do direito creditório compete a quem dele se aproveita, sendo dever do contribuinte apresentar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito de constituição do crédito tributário devidamente exercido pelo Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 07 49 /2 01 1- 97 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 254 2 O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 12 80.779 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, fl. 199 a 211, que assim relatou a lide administrativa: De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 23/28), tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a sociedade empresária identificada, consolidado em 26/06/2011, referente ao período de 01/2007 a 12/2010, inclusive 13º Salário, detalhados a seguir: Debcad nº 37.321.3620, valor original de R$ 330.491,32; acrescido de juros e multa de mora; que trata de GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA, pela utilização de juros compostos; relativa às contribuições previdenciárias, parte patronal, e as destinadas à Previdência Social, para o financiamento do benefício previsto nos artigos 57 e 58 da Lei nº 8.213/1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados. Debcad nº 37.321.3638, valor original de R$ 42.396,27; acrescido de juros e multa de mora; que trata de GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA, por erro na apuração do valor a ser compensado; relativa às contribuições previdenciárias, parte patronal, e as destinadas à Previdência Social, para o financiamento do benefício previsto nos art. 57 e 58 da Lei nº 8.213/1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados. 2. Informa o Auditor Fiscal que: 2.1. Informou ao Contribuinte o período da auditoria fiscal, para o qual foram solicitados, além de outros documentos, as folhas de pagamento relativas às contribuições compensadas e as planilhas explicativas onde estivessem demonstrados os valores originais, as taxas de juros aplicadas, os valores reajustados e as competências onde estes valores foram compensados. 2.2. Destaca que a compensação de contribuição previdenciária efetivada pelo Contribuinte, Município de Terenos – Prefeitura Municipal, CNPJ: 03.501.582/000188, diz respeito àquelas incidentes sobre os salários de contribuição dos ocupantes de cargo eletivo, vereadores, da Câmara Municipal de Terenos, CNPJ: 15.570.096/000109, no período em que estas contribuições foram consideradas inconstitucionais, isto é, de 01/02/1998 a 19/09/2004. A Resolução do Senado Federal nº 26 de 21/06/2005, suspendeu a execução da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 255 3 Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 – Paraná. 2.3. Após análise criteriosa da documentação solicitada constatou que três erros foram cometidos pelo Município de Terenos, no processo do cálculo do valor a ser compensado. 2.4. Primeiramente utilizouse de capitalização composta, chamada de “juros sobre juros”, em cima dos valores originais para obter o valor compensável. Tratase de um erro de fato, pois é sabido que para a tributação federal aplicase juros simples. 2.5. Os valores lançados, relativos ao equívoco no cálculo dos juros, estão lançados na coluna “K”, do “Anexo 01 Glosa da Compensação Indevida – Demonstrativo”. 2.6. O segundo equívoco, ocorreu quando da apuração dos valores originais, isto é, ao apresentar as bases escolhidas como valores originais, utilizou em algumas competências valores diversos, não justificados, dos apurados junto as folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIPs. 2.7. Os valores, relativos aos erros cometidos na apuração do valor original a ser compensado, estão lançados na coluna “L”, do “Anexo 01 Glosa da Compensação Indevida – Demonstrativo”. 2.8. Por fim, o Contribuinte não respeitou a prescrição prevista no art. 168 do Código Tributário Nacional – CTN, o qual diz que o direito de pleitear restituição prescreve em 5 (cinco) anos da data da extinção do referido crédito. Este débito foi lavrado no Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP Debcad nº 37.318.2473, sendo parte integrante do processo nº 10140 720.748/201142. 2.9. Objetivando a melhor compreensão dos fatos, elaborou de forma detalhada a planilha “Anexo 01 Glosa da Compensação Indevida – Demonstrativo” (fls. 29/33), demonstrando os equívocos cometidos pelo sujeito passivo, informando os valores corretos que poderiam ter sido compensados e explicando a metodologia aplicada. 2.10. Na planilha “Anexo 02 Relação das GFIP com Valores Compensados” (fls. 34/35) está a relação das GFIPs utilizadas na compensação. DA IMPUGNAÇÃO 3. O contribuinte cientificado pessoalmente, em 04/07/2011, da lavratura dos autos de infração, apresenta impugnações distintas para os dois Autos de Infração, em 04/08/2011(fls. 151/160 e 169/183), alegando, em síntese, que: 3.1. A compensação fundamentouse nos créditos surgidos do período de fevereiro de 1998 a setembro de 2004, e iniciouse em Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 256 4 janeiro de 2007, estendendose até o mês de dezembro de 2010 e décimo terceiro, período da presente auditoria. Do erro na aplicação da taxa de juros. 3.2. A Receita Federal do Brasil alega que o percentual de juros Selic aplicado pelo Município difere do valor correto, conforme transcreve no anexo 01, porém não demonstra onde estaria o erro, e qual mandamento legal o fundamenta. Apenas "alegar", conforme se observa no item 3.5.1, do relatório, sem demonstrar a infração, macula o auto de infração, tornandoo imprestável, para a finalidade de impor qualquer sanção ao contribuinte. 3.3. Junta por amostragem planilhas com cálculos realizados na forma prevista pelo Banco Central do Brasil, demonstrando que a metodologia de cálculo esta correta, (anexos 1 a 4 fls. 161/164). 3.4. Destaca que é incontroversa, entre a RFB e o Município de Terenos MS, a forma de cálculo da atualização, existindo divergência apenas no cálculo da Selic. 3.5. Conforme acertadamente observado no AI, ao valor original pago indevidamente somase 1% (um por cento), após somamse as taxas de juros Selic do período e 1% (um por cento) no mês da compensação, conforme preceitua o artigo 89 §4° da Lei n° 8.212/91. 3.6. O Município não distorceu os valores a serem aplicados de Selic, pelo contrário aplicoua nos ditames do Banco Central do Brasil; logo, a afirmação do Auditor Fiscal de que o Município utilizou cálculo de juros sobre juros, com objetivo de auferir vantagem, não é verdadeira. 3.7. O Município, recorreu ao Banco Central do Brasil para apuração do quantum devido, e obteve o valor que fora compensado. 3.8. A realização do cálculo se deu no "site" do Banco Central, por meio da ferramenta " Calculadora do Cidadão", desenvolvida para realizar os cálculos e dirimir qualquer tipo de divergência no que se refere à taxa de juros (https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirForm CorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&a ba=4). 3.9. O órgão que dita com maior propriedade qual o valor correto de aplicação de juros é o Banco Central do Brasil, logo, o cálculo apresentado pelo Município está correto, conforme se depreende dos documentos anexos. Do erro na apuração dos valores originais a compensar. 3.10. A alegação de erro na tomada de valores iniciais dos créditos compensados não procede por inteiro, admitindoa apenas em parte. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 257 5 3.11. Devese observar que recolhimentos eventualmente não efetuados em um dos meses, foram feitos cumulativamente em meses posteriores. Como se sabe a remuneração de prefeito, viceprefeito e vereadores é uniforme, e não se altera durante o período de mandato, assim, podese ver com clareza, períodos em que os recolhimentos são bem maiores que os relativos à remuneração. 3.12. As notificações havidas no período e os parcelamentos celebrados não foram levados em conta pelo Auditor Fiscal, e precisam ser analisados. Da prescrição quinquenal. 3.13. As contribuições sociais integrantes do presente AI estão sujeitas ao lançamento por homologação, aquele no qual o contribuinte informa e recolhe o tributo devido, sem prévio exame por parte do ente arrecadador/fiscalizador. 3.14. Ora, se a Fazenda Pública, titular da competência tributária, dispõe de 5 (cinco) anos para realizar a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, por certo que o prazo para a realização da compensação fluirá a partir da homologação. 3.15. A prescrição tem como característica principal a inércia da parte, que deixa de realizar ato necessário à segurança de seu interesse. Não existe inércia do Contribuinte quando está em curso o prazo prescricional para a Fazenda Pública homologar o crédito tributário lançado. Assim, entende que o prazo para compensação de tributos lançados por homologação é de 10 (dez) anos, resultado dos 5 (cinco) anos para homologação e mais 5 (cinco) anos após esta data. 3.16. Diante de tal assertiva é certo que os créditos compensados não estavam prescritos já que em 2006, primeiro ano de compensação, realizouse o encontro de valores com os créditos relativos ao ano de 1998, e assim sucessivamente. Da interrupção da prescrição. 3.17. O Município de Terenos, buscando resguardar seus interesses, ajuizou em 08 junho de 2004, ação competente de repetição de indébito, feito distribuído ao Juízo da 1a Vara da Justiça Federal de Campo Grande, autos n° 2004.60.00.004275 8/MS, tendo portanto o prazo prescricional interrompido, a partir desta data, não cabendo as glosas sob alegação de prescrição, como consta dos autos. 3.18. Informação do feito, bem como cópia da sentença à época já prolatada em primeiro grau, foram encaminhados ao órgão fiscalizador, juntamente com os demais documentos solicitados para a realização da auditoria em questão, porém, parece que o Auditor Fiscal não chegou a examinar tal documento, ou desconhece que o ajuizamento do feito, interrompe a prescrição. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 258 6 3.19. Portanto, não podem ser declaradas decadentes as parcelas que são objeto do feito noticiado. 3.20. Face ao exposto, requer sejam julgados improcedentes os Autos de Infração no 37.321.3620 e no 37.321.3638, observados sucessivamente os seguintes pedidos: Seja julgado nulo o AI, no tocante a falha na discriminação clara e precisa do não pagamento das referências indicadas, do débito imputado, não observando o período prescricional previsto em lei, que é de cinco anos após a homologação, deixando também de observar a interrupção do prazo prescricional, em junho de 2004, data da propositura de ação no Judiciário. Sejam considerados os valores compensados, corrigidos pela taxa SELIC, nos moldes do que determina o Banco Central do Brasil. 3.21. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em Direito. 4. É o Relatório. Debruçada sobre as razões expressas na Impugnação, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgoua improcedente, em razão das conclusões abaixo resumidas: 5. O tema da prescrição e da interrupção desta, ainda que abordados na peça de defesa, são objetos do Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP Debcad nº 37.318.2473, integrante do processo nº 10140720.748/201142, DISTINTO DO PRESENTE PROCESSO, portanto, não serão apreciadas no neste decisum. 6. Os Autos de Infração integrantes deste processo são os de Debcad nº 37.321.3620 e Debcad nº 37.321.3638, que versam EXCLUSIVAMENTE sobre glosa de compensação, realizada a maior, por conta da utilização de juros compostos e por erro na apuração do valor a ser compensado, respectivamente. (...) 8. Não será discutido no presente processo o pretenso direito de a Impugnante compensarse de valores pagos indevidamente, tão pouco a quantificação deste montante; esta tarefa está sendo discutida no Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP Debcad nº 37.318.2473, integrante do processo nº 10140 720.748/201142. No tocante à aplicação da Taxa Selic. (...) 10. De modo diverso do alegado pelo Contribuinte que afirma que o Auditor Fiscal “não demonstra onde estaria o erro, e qual normativo, ou melhor onde no mandamento legal, caracteriza que o cálculo realizado não esta correto, apenas "alegar", conforme se observa no item 3.5.1, do relatório, sem demonstrar a infração, macula o auto de infração...” (sic) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 259 7 (fls. 154 e 171), o Auditor Fiscal não “alega” que o cálculo efetuado pelo Contribuinte está errado, este DEMONSTRA que o cálculo está em desconformidade com a legislação aplicável, e explicita os mandamentos descumpridos nos itens 16 do Relatório Fiscal (fl. 25) e 1, 2 e 3 do “Anexo 4 – Detalhamento do Cálculo da Taxa de Juros” (fl. 93). (...) 13. Os percentuais acumulados, apresentados pelo Auditor Fiscal, representam a soma dos valores da Taxa Selic, apurados mês a mês, para cada intervalo calculado, acrescidos de 1% de juros no mês do pagamento indevido, e 1% no mês do pagamento em que foi feita a compensação, em consonância com a legislação pertinente. 15. De fato, o que se vê na peça defensiva é que o Contribuinte ao utilizar o mecanismo disponível no sítio eletrônico do Banco Central, incorreu no erro da atualização com capitalização composta de juros, não aplicável a tributos federais. Do erro na apuração dos valores originais a compensar e do ônus probatório. ... o Contribuinte não fundamenta suas alegações em nenhum elemento probatório novo, e tampouco aponta nos relatórios e anexos da ação fiscal, onde está o pretenso erro que deseja corrigido. (...) 25. Quanto ao pedido de produção de provas, esclarecese que o momento para a sua produção, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa em 11 de maio de 2016, conforme AR de fl. 234, o contribuinte, ainda inconformado, em 07 de junho de 2016, apresentou o Recurso Voluntário de fl. 236 a 241, no qual, elenca as razões de seu descontentamento. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator |Por ser tempestivo e por preencher os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve histórico dos fatos, o recorrente avança nos temas e argumentos que entende relevantes para o deslinde da celeuma administrativa. Da alegação de juros sobre juros Afirma a defesa que não distorceu os valores de Selic a serem aplicados sobre o seu crédito, mas tão só aplicoua nos ditames definidos pelo Banco Central do Brasil, Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 260 8 utilizando ferramenta disponível para cálculos no sítio da referida instituição na rede mundial de computadores. Sustenta que o Banco central é o órgão que dita, no país, com maior propriedade, o valor correto de aplicação de juros. Não tem razão a defesa e o tema não merece maiores considerações. Como é de elementar sabença, os regimes de capitalização podem ser simples ou compostas, estando a diferença restrita à apuração do principal que será atualizado em período consecutivos. Enquanto na capitalização simples o capital é sempre o mesmo, no regime de capitalização composto os juros observados em um período passam a integrar o capital que será atualizado no período seguinte, é o que se conhece como juros sobre juros. Embora o regime de capitalização composto seja o mais comum nas operações identificadas no cotidiano de qualquer cidadão, o regime de capitalização simples é uma forma regular de atualização de valores. É certo que o Banco Central do Brasil é uma instituição oficial que tem toda a legitimidade para tratar de temas financeiros, mas o serviço que disponibiliza em seu sítio na Internet, conhecido como Calculadora do Cidadão, como bem destacado no próprio site, "simula operações do cotidiano financeiro a partir de informações fornecidas pelo usuário. O cálculo deve ser considerado apenas como referência para as situações reais e não como valores oficiais. Neste sentido, cada caso concreto deve ser avaliado para se identificar se a ferramenta disponibilizada pelo BACEN é ou não útil. O próprio contribuinte traz em seu recurso a informação de que entende acertada a conclusão da autoridade lançadora acerca da aplicação do preceito contido no art. 89, § 4º, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Como se vê, a indicação legal de que o valor a ser compensado é obtido pela aplicação da taxa Selic acumulada mensalmente a partir do mês seguinte ao do pagamento indevido e de 1% no mês em que efetuada a compensação demonstra, inequivocamente, que, para este fim, estamos diante de um regime de capitalização simples, em que basta somar todos os índices aplicáveis no período, aplicando o resultado sobre o capital inicial. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 261 9 Ora, estamos falando de créditos que podem ser restituídos ou compensados por serem decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, assim, plenamente aplicável o que prevê o Código Tributário Nacional: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Portanto, neste tema, não identifico correções a serem feitas no lançamento ou na decisão recorrida, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. Dos valores tomados como base para a compensação Alega a defesa que os valores tomados para cálculo da compensação foram sempre apurados levandose em conta as GFIPs, em cada competência paga e nas competências em que não ocorreram recolhimentos mas estes foram efetuados posteriormente. Assim, certo de que não restou competências sem os devidos recolhimentos, afirma que não há de se falar em valores não recolhidos. Resumidas as razões da defesa, temos que o Anexo I do Relatório Fiscal, inserido nos autos a partir de fl. 30, aponta com clareza, em sua coluna "G", os erros identificados pela Autoridade Fiscal, que estariam relacionados a inconsistências na apuração de valores originais, em algumas competências, em que foram acrescidos valores diversos, não justificados. O contribuinte insurgiuse contra tal imputação fiscal, seja na impugnação, seja no recurso voluntário, mas apenas trazendo alegações desacompanhadas de elementos probatórios de sua tese. Não basta alegar a inexistência de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, caberia ao contribuinte demonstrar documentalmente que seus números estão corretos. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, não tendo o contribuinte apresentado elementos inequívocos que pudessem apontar para o direito creditório alegado, há de se manter o lançamento e a decisão recorrida. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10140.720749/201197 Acórdão n.º 2201005.035 S2C2T1 Fl. 262 10 Quanto ao pedido genérico de produção de provas documental e pericial, não há nos autos nenhuma formulação efetiva de pedido de perícia a que alude o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Quanto à apresentação de provas, estas já deveriam estar contidas nos autos, a teor do que prevê o inciso III do mesmo artigo. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
