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Numero do processo: 14774.000047/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Henrique Heiji Erbano e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento, em parte, ao recurso voluntário, para exonerar a multa de ofício isolada em razão da concomitância com a multa de ofício proporcional.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÕES. NÃO EXTERIORIZAÇÃO AO FISCO. NÃO ACATAMENTO. Não tendo sido as alegadas compensações validamente exteriorizadas ao Fisco seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) , não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA. ABRANGÊNCIA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: (I) a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; (II) o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia requerido. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 77 4. 00 00 47 /2 00 9- 73 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.036 2 Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Henrique Heiji Erbano e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento, em parte, ao recurso voluntário, para exonerar a multa de ofício isolada em razão da concomitância com a multa de ofício proporcional. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Antônio Marcos Serravalle Santos e Henrique Heiji Erbano. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.037 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 469 a 472): # DO AUTO DE INFRAÇÃO Contra a empresa supra qualificada foram lavrados, em 15/04/2009, os autos de infração a seguir relacionados1, para exigência de crédito tributário de R$ 257.431,95 (duzentos e cinquenta e sete mil, quatrocentos e trinta e um reais e noventa e cinco centavos), referentes aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. [...]. De acordo com a descrição dos fatos (fls. 22 e 23) do auto de IRPJ, foram apuradas as seguintes infrações: a) OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA PELA OCORRÊNCIA DE SALDO CREDOR DA CONTA CAIXA EM 04/01/2005; b) FALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO IRPJ E DA CSLL INCIDENTES SOBRE A BASE DE CÁLCULO ANUAL; E c) FALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO DÉBITO DE IRPJ E DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. O Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 06/15), parte integrante do auto e infração, assim descreveu as infrações. a) O saldo credor da conta caixa (conta 0005 – DINHEIRO EM ESPÉCIE no livro razão) decorreu de “f) Com base nos demonstrativos e documentos apresentados pelo contribuinte, procedeuse à correção dos saldos diários da conta caixa, registrandose ainda a ocorrência de saldo credor em vários dias do ano calendário de 2005, conforme demonstrativo da conta caixa corrigida, cujo saldo credor máximo, no valor de R$ 51.425,87 ocorreu em 04/01/2005;”, consistindo infração à legislação tributária do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada referente ao mês de janeiro/2005, refletindo também na apuração do PIS/Pasep e COFINS. b) A infração falta de pagamento e declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL determinados anualmente sobre o lucro líquido ajustado resultou de apuração de IRPJ e CSLL no ajuste em 31/12/2005, quando também ficou constatado o não registro de pagamento ou débito em DCTF desses tributos, como também a não entrega de correlata Declaração de Compensação – DCOMP. [...]. c) Já a infração falta de pagamento ou declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL determinados mensalmente sobre base de cálculo estimada resultou da constatação, na escrituração fiscal, de auferimentos mensais de receitas para os quais 1 IRPJ (fls. 20/25), CSLL (30/35), PIS/Pasep (fls. 38/40) e COFINS (fls. 43/45) Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.038 4 não há registro de pagamentos ou débitos declarados em DCTF de IRPJ e CSLL por estimativa. # DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte foi cientificada dos autos em 23/04/2009 e, inconformada, apresentou, por meio de seu procurador, a impugnação de fls. 291 a 303, em 25/05/2009, com as seguintes alegações: i – QUANTO À OMISSÃO DE RECEITASSALDO CREDOR DE CAIXA. i.a) Inconsistências na contabilidade (data de registro dos fatos contábeis) durante o mês, mas que não o saldo final da conta caixa no final do mês, que é sempre devedora; i.b) Relativamente aos fornecedores cujos títulos são pagos em carteira com cheque, que o lançamento contábil do pagamento da duplicata acontece na data do cheque, porém o lançamento contábil do cheque só acontece na data de sua compensação, o que só acontece alguns dias depois. Dessa forma, a conta caixa é primeiramente creditada pelo pagamento do título e, posteriormente, debitada pela compensação do cheque. i.c) Que o suposto saldo credor aconteceu no mês de maior venda, em janeiro de 2005, bastando uma análise na movimentação das compras e vendas de mercadorias durante todo o ano de 2005, para ficar claro que não há omissão de receitas; i.d) Que, em nenhum dos 365 dias do ano de 2005, a conta Caixa apresentou saldo credor no valor de R$ 51.425,87. De onde vem tal valor?; i.e) Que as contas bancárias possuem disponibilidade financeira para suprir a conta Caixa. Que as contas Caixa e Bancos são subcontas do Disponível, que é conta do Ativo Circulante, não havendo que se falar em omissão de receitas, quando há disponibilidade para os pagamentos realizados pelo contribuinte. O saldo devedor da conta bancos demonstra o que já foi explanado, sobre os pagamentos de duplicatas em carteira com cheques. O pagamento foi creditado à conta Caixa, porém o cheque, ainda não compensado, não foi lançado a débito da referida conta. Em face do desencontro dos lançamentos a crédito e a débito de caixa, esta conta pode apresentar saldo supostamente credor, enquanto a conta bancária apresenta um saldo a maior, pela não compensação do cheque emitido; i.f) Que os recebimentos de cartões de crédito transitam pela conta Caixa, debitada como vendas à vista e creditada como depósitos bancários. (Que todos os depósitos bancários passam pela conta Caixa); e i.g) Que, sendo o saldo credor de caixa referente a mais de um período, há de se computar a receita omitida para fechamento do saldo do respectivo período e início do período seguinte, segundo entendimento do CARF transcrito. ii – QUANTO À FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDAFALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO IRPJ SOBRE A BASE ANUAL: ii.a) Que, realmente, em 31/12/2005, a impugnante apurou o IRPJ e a CSLL nos valores de R$ 26.159,94 e R$ 15.695,96, respectivamente. Contudo, nos livros Diário e Razão constam os lançamentos de compensação dos tributos apurados no final do ano com os tributos constantes do Ativo Circulante, na conta Impostos e Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.039 5 Contribuições pagos por Estimativa, saldo de pagamentos a maior atualizados pela Selic até 31/12/2005, nos valores de IRPJ Pago por estimativa – R$ 145.079,81 e Contribuição Social por Estimativa – R$ 110.031,38, sendo que esses mesmos livros contábeis serviram como base para autuação, não servindo, porém, para análise dos lançamentos de compensação dos valores devidos na apuração do resultado do exercício com os saldos dos pagamentos a maior nos exercícios anteriores, sendo, portanto, improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, já que devidamente regularizados, em face da compensação legal; e iii – QUANTO À MULTA ISOLADA – FALTA DE PAGAMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF DO DÉBITO SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. iii.a) Que encerrado o p.a., a exigência do recolhimento por estimativa deixa de ter efeito, prevalecendo a exigência do imposto e da contribuição efetivamente devidos, apurados com base no lucro real anual; e iiib) Que, até 31/12/2004, havia saldo de pagamentos a maior de IRPJ (R$ 123.904,53) e CSLL (R$ 93.971,63) a serem compensados no ano de 2005, o que feito, consoante planilha de COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS A MAIOR EM EXERCÍCIOS ANTERIORES (anexada), requerendo, portanto, a improcedência da aplicação da multa isolada pela falta de pagamento e de declaração em DCTF do débito do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, nos valores de R$ 87.135,41 e R$ 43.559,59. iv – REQUER, AINDA, PERÍCIA CONTÁBIL, NOS TERMOS DO ART. 16, IV, DO DECRETO Nº 70.235/72, PARA QUE SE PROVE QUE NÃO HOUVE OMISSÃO DE RECEITAS, ATRAVÉS DA ANÁLISE DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO; E v – Requer, por fim: va) que seja julgada PROCEDENTE a presente impugnação, devendo ser decretada a improcedência da autuação, ou sucessivamente; vb) que seja determinada a compensação dos créditos tributários recolhidos a maior nos períodos anteriores a 2005; vc) que tais créditos sejam devidamente atualizados pela taxa Selic; e vd) a aplicação retroativa da multa menos gravosa – A multa por falta de recolhimento da estimativa mensal, no percentual de 50%, de que trata o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo artigo 14 da MP 351/2007. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 467 e 468): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Constatada a omissão de receita, impõese a lavratura do auto de infração. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.040 6 OMISSÃO DE RECEITAS LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) Aplicase às exigências ditas reflexas o decidido em relação à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de recolhimento ou declaração em DCTF do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa exigida isoladamente de 50% sobre os valores de IRPJ apurados mensalmente que deixaram de ser recolhidos/declarados em DCTF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta de recolhimento ou declaração em DCTF da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa exigida isoladamente de 50% sobre os valores de CSLL apurados mensalmente que deixaram de ser recolhidos/declarados em DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais necessárias e suficientes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia e diligência que não atende aos requisitos legais estabelecidos para sua formalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 01/04/2013 (fls. 498 ND), a tempo, em 02/05/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 500 a 519 ND, instruído com os documentos de fls. 520 a 1.028 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. 4. Requer, ao final, seja efetuada perícia, com o objetivo de esclarecimentos de fatos, indicando, para tanto, o seu perito e os quesitos a serem respondidos. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.041 7 Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Conforme se verifica da análise dos autos, para diversos lançamentos contábeis relativos a futuros recebimentos em conta de Bancos, a Recorrente efetua, primeiramente, o seu lançamento a débito da Conta Caixa e, posteriormente, quando do efetivo recebimento do depósito bancário, esse lançamento, a débito de Caixa, é anulado por um lançamento a crédito da mesma conta. 6. Assim, a conta Caixa acaba por ser empregada para controlar créditos a receber em conta Bancos, funcionando como uma espécie de conta transitória. 7. Esse fato é reconhecido pela fiscalização (Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 7): c) De fato, os lançamentos a crédito da conta caixa das transferências efetuadas pelas administradoras de cartão de crédito/débito são indevidos, pois os valores não passaram pelo caixa efetivamente, o que resultou em erro no saldo apresentado, mais credor; d) No entanto, este erro, na verdade, está corrigindo o saldo da conta caixa com relação a erro cometido anteriormente, quando o lançamento das vendas através de cartão foi feito indevidamente a débito da conta caixa, como demonstra a escrituração contábil — todos os lançamentos de venda de mercadoria foram lançados como venda à vista, debitando a conta caixa, independentemente de as vendas terem sido através de pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito/débito; 8. Esse procedimento, porém, por corresponder a um débito e posterior crédito à conta Caixa, não resulta em estouros fictícios dessa conta. 9. Fato semelhante ocorre na situação inversa futuros pagamentos em conta de Bancos –, como quando do pagamento de fornecedores e outras despesas por meio de cheques. Aqui, a Recorrente efetua lançamento a crédito da Conta Caixa, quando da emissão do cheque, e lançamento a débito, quando de sua compensação (resposta a intimação fiscal, fls. 69): 2. Pagamentos a Fornecedores em Carteira: Os pagamentos a fornecedores com cobrança em carteira são pagos com cheques. A maioria desses cheques demora alguns dias para serem compensados, uma vez que os fornecedores não efetuam os depósitos deles na data em que recebem o valor das duplicatas. Contudo, o lançamento contábil acontece na data do Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.042 8 efetivo pagamento, debitando a conta do fornecedor e creditando a Conta Caixa. Só quando o cheque é debitado na conta corrente da farmácia, é que acontece o lançamento a débito da Conta Caixa e a crédito da Conta Bancária. 10. Assim, “a falta de sincronia entre a saída de numerário da Conta Caixa, pelo pagamento, e a entrada da compensação do cheque, provoca, erroneamente, supostos saldos credores na Conta Caixa” (fls. 70). 11. Ou seja, “os saldos credores apresentados em determinados dias, na Conta Caixa, são consequência da forma de contabilização adotada no exercício de 2005 pela empresa” (fls. 70). 12. Esse procedimento, sim, por corresponder a um crédito e posterior débito à conta Caixa, pode resultar em estouros fictícios dessa conta. 13. Porém, com base em planilha apresentada pela própria empresa, a fiscalização efetuou ajustes na conta Caixa, considerando esse último fato. 14. Vejase, comparativamente, fls. 90, 157 e 166verso. 15. Vejase que, exemplificativamente, lançamentos contábeis inicialmente efetuados no dia 14/01/2005, data do pagamento em cheque, pela empresa (fls. 90), foram deslocados para o dia 17/01/2005, data da compensação do cheque, pela fiscalização, quando da reconstituição da conta Caixa (fls. 166verso), com base em planilha apresentada pela Recorrente (fls. 157). 16. A própria fiscalização frisou bem esse ponto (Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 7, grifouse): e) Quanto à ocorrência de pagamentos em datas diversas das registradas nos lançamentos contábeis, intimouse o contribuinte a apresentar demonstrativo discriminando estes pagamentos e suas respectivas datas de ocorrência, acompanhado de documentos hábeis e idôneos que comprovassem estes fatos; f) Com base nos demonstrativos e documentos apresentados pelo contribuinte, procedeuse à correção dos saldos diários da conta caixa, registrandose, ainda, a ocorrência de saldo credor em vários dias do anocalendário de 2005, conforme demonstrativo da conta caixa corrigida, cujo saldo credor máximo no valor de R$ 51.425,87 ocorreu em 04/01/2005; 17. Dessa forma, não procede a irresignação da Recorrente quanto a esse ponto. 18. Com relação à assertiva da Recorrente de que, em nenhum dos 365 dias do ano de 2005, a conta Caixa apresentou saldo credor no valor de R$ 51.425,87, esse valor foi obtido quando da reconstituição da conta, escoimandose os erros de contabilização por ela mesma apontados. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.043 9 19. Por outro lado, observou a fiscalização, rigorosamente, que, existindo saldo credor de caixa referente a mais de um período, devese computar a receita omitida para fechamento do saldo do respectivo período e início do período seguinte, como reclama a Recorrente (Termo de Verificação de Infração e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 7): g) Os demais saldos credores apresentados ao longo do ano, sendo menores do que o valor de R$ 51.425,87, foram desconsiderados, por serem efeitos do saldo credor apresentado em 04/01/2009; 20. No que se refere à alegação de que teria efetuado compensações em sua escrita contábil, relativas aos valores devidos e não recolhidos nem declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), cumpre ressaltar que, não tendo sido essas alegadas compensações validamente exteriorizadas ao Fisco – seja por Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), seja por Pedido de Compensação ou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) –, não produzem quaisquer efeitos, não podendo, pois, ser acatadas. 21. Além disso, devem essas compensações ser procedidas pela própria Recorrente, na forma da Lei, não sendo de se admitir a sua efetivação de ofício. 22. Já quanto à multa isolada analisada no tópico seguinte , já foi, ela, aplicada no percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o tributo/contribuição devido, conforme se verifica das tabelas de fls. 14 e 20. Multa isolada 23. Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. 24. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.044 10 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; 25. Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é, ela, exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.045 11 (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (portanto, após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.046 12 cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A eventual concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). 26. Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao possível montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 27. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. 28. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14774.000047/200973 Acórdão n.º 1803002.366 S1TE03 Fl. 1.047 13 equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. Pedido de perícia 29. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefiro, por prescindível, o pedido da interessada, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993. 30. Há que se observar que, por um lado, tendo sido acatados os dados constantes das planilhas apresentadas pela Recorrente, e, por outro, não sendo admitidas compensações não exteriorizadas ao Fisco, não se justificaria, de qualquer modo, a realização de perícia para tanto. Demais exigências 31. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10825.900590/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DCOMP. CREDITO. DEFERIMENTO
Presente nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu deferimento.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Os crédito líquidos e certos são passíveis de compensação, conforme disposto no art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1201-000.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 14/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (atuando como Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Andre Almeida Blanco (Suplente) , Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituindo Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz), Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO - Presidente. LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 14/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (atuando como Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Andre Almeida Blanco (Suplente) , Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituindo Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz), Luis Fabiano Alves Penteado
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CREDITO. INDEFERIMENTO Recorrente COOPERATIVA DE TRANSPORTADORES AUTONOMOS DE BARRA BONITA,IG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CREDITO. DEFERIMENTO Presente nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu deferimento. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Os crédito líquidos e certos são passíveis de compensação, conforme disposto no art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO Presidente. LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 14/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (atuando como Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Andre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 05 90 /2 00 8- 98 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 Almeida Blanco (Suplente) , Maria Elisa Bruzzi Boechat (substituindo Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz), Luis Fabiano Alves Penteado Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de n.º 27894.72460.031005.1.7.040552, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRRF, código de arrecadação 0588), concernente ao período de apuração 09/2003. Por despacho decisório (fls. 06 a 10), foi reconhecido em parte direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram parcialmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, restando crédito disponível inferior ao pretendido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “COOPERATIVA DE TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS DE BARRA BONITA, IGARAÇÚ DO TIETÊ E REGIÃO COOPERBIG, [...] vem por meio desta solicitar a Impugnação do Despacho Decisório Nº Rastreamento: 757841130 de 24.04.2008, em virtude do recolhimento através do Código da Receita 0588, tratarse de recolhimento do IRRF sob folha de pagamento e tudo ter ocorrido no período de apuração de 30.09.2003, aonde ocorreu o recolhimento a maior de R$ 139,08 (cento e trinta e nove reais e oito centavos) utilizando este valor para compensar o IRRF (0588) na competência 30.11.2003 e ter o ocorrido o que segue abaixo explicado: PA Valor Devido Valores Pagos 30.09.2003 6.672,74 6.811,82 30.11.2003 5.372,70 4.034,37 30.11.2003 1.110,83 227,50 Compensação Per/Dcomp Pode ter ocorrido que houve um pedido de retificação de Per/Dcomp e neste momento a informações terem entrado em conflito, dessa forma estamos encaminhando todos os Darf s recolhidos na época e folhas de pagamentos para que possamos assim estar regularizando as pendências que possam estar gerando estes conflitos, e o conseqüente CANCELAMENTO do Despacho Decisório.” A DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação inconformidade e não reconheceu o direito creditório em decisão de fls. 32 a 37, devido a ausência de comprovação do crédito pela Contribuinte. Como efeito da negativa da DRJ, o ora Recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 47 a 48, através do qual requer o cancelamento do despacho decisório em Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10825.900590/200898 Acórdão n.º 1201000.903 S1C2T1 Fl. 86 3 questão e juntamente a este recurso efetuou a comprovação da origem do crédito, baseandose na apresentação de folha de pagamento aos cooperados e também, nas guias de recolhimento do IRRF do período de 09/2003 e 11/2003 e DCTF do período, conforme documentação acostada às fls. 49 a 76. Sendo tempestivo o Recurso, passo à sua apreciação. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O recurso interposto encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Tratase declaração de compensação de pagamento indevido referente ao Imposto de Renda retido na fonte sobre os pagamentos realizados aos cooperados, no código 0588 em 07/10/2003. De acordo com documentação adicionada ao recurso voluntário em questão, ficou evidenciado que o valor devido a título de imposto de renda retido na fonte referente à competência 09/2003 foi de R$ 6.672,74. No entanto, em 07/10/2003, foi realizado pagamento no valor de R$ 6.811,82, gerando assim um crédito decorrente de pagamento a maior no montante de R$ 139,08. Contudo, restou claro nos autos que, a declaração de compensação (PER/DCOMP de n.º 27894.72460.031005.1.7.040552) foi preenchida incorretamente, uma vez que informado débito no valor de R$ 6.672,74 referente à competência 10/2003, ao passo que, na realidade, o débito se refere à competência de 09/2003 e já havia sido quitado através do recolhimento de DARF no dia 07/10/2003, no valor de R$ 6.811,82, valor este equivocadamente informado como crédito na declaração de compensação. De fato, para liquidação do débito de IRRF da competência 09/2003, não havia necessidade de envio de declaração de compensação, pois, o débito fora liquidado por pagamento de DARF. Assim, o debito de IRRF da competência 09/2013 encontrase claramente liquidado. Além disso, conforme demonstra o ora Recorrente através da juntada da DCTF do período, na competência de 10/2003, foi apurado débito de IRRF no valor de R$ 6.132,26, liquidado com recolhimento de mesmo valor. Já em relação à competência de 11/2003, foi apurado débito no valor de R$ 5.372,70, liquidado através do pagamento de DARFs no valor de R$ 1.110,83 e R$ 4.034,37 e compensação do saldo a pagar de R$ 227,50 com o mencionado crédito de R$ 139,08. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 Ao final do ciclo de utilização do crédito gerado em 09/2003, o que se tem é a compensação de débito de R$ 227,50 (competência 11/2003) com crédito R$ 139,08 (competência 09/2003), sendo a diferença entre este dois valores, o possível saldo a pagar. Contudo, o presente processo não trata de débitos referente ao período de 11/2003. Assim, em homenagem ao principio da verdade material, ainda que a Contribuinte não tenha comprovado desde o inicio a existência do crédito, mas por têlo feito durante o processo, através da apresentação de Folha de Pagamento, DARFs e DCTF (fls. 49 a 76), inevitável a conclusão de que o crédito exigido não existe. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOULHE INTEGRAL PROVIMENTO. É o meu voto. Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 10580.720557/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI..
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 57 /2 00 9- 87 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 159.924,21, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720557/200987 Acórdão n.º 2201001.745 S2C2T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento relativo ao período base de 2004 é decadente, nos termos do art. 150 do CTN; b) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, conforme legislação instituidora da referida verba. Tais valores não se enquadram nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; c) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; d) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Ângelo Jerônimo e Silva Vita apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720557/200987 Acórdão n.º 2201001.745 S2C2T1 Fl. 4 5 Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Quanto ao mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Importa também acrescer que este Órgão Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluise, portanto, que a tese suscitada não merece acolhimento. Sobre a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, em verdade, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720557/200987 Acórdão n.º 2201001.745 S2C2T1 Fl. 5 7 Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Ora, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, no caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Deste modo, inaplicável à espécie o recurso especial repetitivo. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.720557/200987 Recurso nº: 920.960 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.745. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720311/2013-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
Ementa:
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 1802-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreria.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONTRIBUINTES DOMICILIADOS NA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 03 11 /2 01 3- 20 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720311/201320 Acórdão n.º 1802002.197 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Da Notificação de Lançamento Trata o processo de notificação de lançamento lavrada pela DRF Nova Iguaçu (RJ), referente a multa por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF, correspondente ao mês de ABRIL/2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). A autoridade fiscal alega que o prazo final da entrega era 21/06/2011 e o contribuinte fez a entrega em 30/6/2011. Da Impugnação Cientificado da notificação de forma eletrônica, quando da transmissão da DCTF em 30/6/2011, o interessado apresentou impugnação em 05/04/2013, na qual alegou, em síntese, que: Não existe prazo peremptório para apresentação da impugnação; A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento dos tributos federais e suspendeu o prazo dos respectivos atos processuais em determinadas cidades localizadas na região de Petrópolis, RJ, que sofreu terrível enchente em janeiro de 2011; A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou até o dia 31/7/2011 os prazos de entrega das declarações dos contribuintes domiciliados em Petrópolis; O Ato Declaratório Executivo (ADE) RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, referentes às omissões das declarações DIRF, DIPJ e DCTF; Por ser domiciliado em Petrópolis, faz jus aos benefícios concedidos; A DCTF apresentada é tempestiva. Do Acórdão da DRJ Em 14 de maio de 2013. a 2ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu Acórdão 1255.823 e, apesar de considerar intempestiva a impugnação, examinou seus argumentos e declaroua improcedente, mantendo o crédito tributário, sob o argumento de que, nos termos da Portaria MF nº 23/2011, os atos processuais que se iniciaram em 11 de janeiro de 2011 ficaram suspensos até 31 de julho de 2011. Portanto, segundo a DRJ, para impugnar as notificações cientificadas neste período, o prazo terseia iniciado em 1 de agosto de 2011 e o prazo terseia encerrado em 30 de agosto de 2011. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720311/201320 Acórdão n.º 1802002.197 S1TE02 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário Inconformado, o interessado apresentou Recurso Voluntário em 21/06/2013, reiterando, em síntese, os argumentos invocados na impugnação que, repitase, foi considerada intempestiva. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720311/201320 Acórdão n.º 1802002.197 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 29/05/13 e o Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, em 21/6/13, portanto, dele tomo conhecimento. Ressalvo que o faço na esteira do quanto decidido pela DRJ que, apesar de considerar intempestiva a defesa, examinou seus argumentos e manteve a multa. Do Mérito A Portaria MF nº 23, de 18/1/2011, prorrogou o prazo de pagamento de tributos federais, no âmbito da Receita Federal do Brasil – RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, na situação em que os vencimentos dos tributos estavam previstos para o período de 11 de janeiro a 31 de março de 2011. Também suspendeu os atos processuais com termo inicial em 11 de janeiro de 2011, até o dia 31 de julho de 2011. A IN RFB nº 1.122, de 18/1/2011, prorrogou para 31 de julho de 2011, os prazos antes previstos para janeiro a março de 2011, das entregas das declarações à RFB, dos contribuintes domiciliados na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Já o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 10/8/2011, cancelou as intimações lavradas em 30/6/2011, quando não respeitadas as disposições da IN RFB nº 1.122/2011. É meu entendimento que a IN RFB nº 1.222/2011 não alterou o prazo previsto para entregas de declarações que venciam em 20/5/2011, mas sim para aqueles prazos previstos originalmente para janeiro a março de 2011. Em consequência, não se aplica ao caso presente o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10/2011. Ademais, a Portaria MF nº 23/2011 determinou que os atos processuais que se iniciaram em 11 de janeiro de 2011 ficariam suspensos até 31 de julho de 2011. Portanto, o prazo de 30 dias para impugnação da notificação cientificada em 30/6/2011, iniciouse em 1/8/2011 e encerrouse em 30/8/2011. Diante do exposto, concluise que a impugnação apresentada em 27/3/2013 é intempestiva. Conclusão Face a todo o exposto, voto pelo NÃO PROVIMENTO DO RECURSO e por MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da declaração de débitos e créditos tributários federais – DCTF, correspondente ao mês de ABRIL/2011, no valor de R$ 500,00 (multa mínima). É o meu VOTO (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13748.720311/201320 Acórdão n.º 1802002.197 S1TE02 Fl. 6 5 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 20/10/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11051.720257/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/03/2011
OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. DANO AO ERÁRIO NÃO COMPROVADO
Afasta-se a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada e a multa por cessão de nome na importação quando não comprovada a ocultação do sujeito passivo na importação.
Recurso voluntário provido
Credito tributário exonerado
Numero da decisão: 3101-001.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a Dra. Marina Vieira de Figueiredo, OAB/SP 257.056, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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NÃO COMPROVAÇÃO. DANO AO ERÁRIO NÃO COMPROVADO Afastase a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada e a multa por cessão de nome na importação quando não comprovada a ocultação do sujeito passivo na importação. Recurso voluntário provido Credito tributário exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a Dra. Marina Vieira de Figueiredo, OAB/SP 257.056, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 72 02 57 /2 01 1- 63 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para cobrança da penalidade pela prática de infração configurada como dano ao erário, e pela prática da infração de cessão de nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários em operação de importação. A infração 001, apontada no Auto de Infração (fls.5 a 97), referese a “Cessão do nome da pessoa jurídica com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários”, com fundamento no artigo 33, da Lei 11.488/2007. Tratase da aplicação de multa equivalente a 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio da Declaração de Importação 11/04002746, em virtude da cessão de nome pela empresa JBS S/A (CNPJ 02.916.265/000402), para a realização de operação de comércio exterior da empresa S/A FÁBRICA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS VIGOR (CNPJ 61.116.331/000186), considerada pela fiscalização como a real interveniente da operação de importação, visando seu encobertamento. A infração 002, apontada pela fiscalização, referese a “Conversão do perdimento em multa – impossibilidade de apreensão da mercadoria”. A fiscalização alega a ocorrência de dano ao erário pela ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, na importação objeto da Declaração de Importação 11/04002746. O lançamento da multa substitutiva do perdimento deuse pela impossibilidade de apreensão das mercadorias, face sua revenda ou transferência para empresa diversa. Foi autuada a empresa JBS S/A, na condição de contribuinte, e a empresa S/A Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor, na condição de responsável solidária, com fundamento no artigo 23, inciso V, c/c com o parágrafo 3º do mesmo artigo, do DecretoLei 1.455/1976. A fiscalização apontou que, durante análise documental da declaração de importação 11/04002746, constatouse que as mercadorias objetos da importação ficariam armazenadas no depósito da empresa S/A Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor. Foi apresentada cópia do Pedido Comercial n. 144564911 (fls.150), que comprova a negociação, ocorrida anteriormente ao registro da Declaração de Importação relativa aos produtos importados. Como nos documentos instrutivos do Despacho Aduaneiro não constavam qualquer referência à empresa Vigor, possuindo, somente, a indicação da empresa JBS, a autoridade fiscal concluir que restou caracterizada a ocultação do sujeito passivo, do real comprador e responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta de terceiros, com emprego de fraude e simulação, ocasionando o lançamento das penalidades relatadas. Cientificado do lançamento a empresa JBS S/A apresentou sua impugnação, na qual alega, em síntese: (a) que houve excesso de poder pelo fiscal autuante, ao utilizar dados sigilosos de pessoa física, uma vez que utilizados dados de fontes de renda de Otacílio Belmiro de Assunção, CPF 483.515.20591, configurando quebra de sigilo fiscal de terceiros sem Mandado de Procedimento Fiscal específico ou prévia decisão judicial que a permitisse; (b) que inexiste fundamentação legal nos termos de intimação, carência que torna viciado o ato administrativo; (c) que a empresa Vigor é subsidiária integral da impugnante, motivo que desqualifica a imputação de ocultação do real comprador, pois a referida empresa além de existir de fato e de direito, e de ter capacidade econômica, é subsidiária integral da impugnante, isto é, pertence 100% à JBS S/A; (d) que a Vigor também poderia ter importado as mercadorias, todavia a JBS S/A importou por ter maior poder de barganha, possuindo, ambas, capacidade financeira de realizar operações como as sob análise e ambas são habilitadas perante o Siscomex; (e) que a JBS S/A realizou a operação sem que a Vigor decidisse quem Fl. 472DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11051.720257/201163 Acórdão n.º 3101001.702 S3C1T1 Fl. 4 3 seria o fornecedor, os valores, entre outros aspectos, ou seja, tratase de uma importação direta realizada pela JBS S/A, que assumiu os riscos da operação, negociou e fez vir a mercadoria para revenda, sem decisão de terceiros, com seus próprios recursos e por seu próprio risco; (f) que não houve tentativa da impugnante em ocultar a transação, tanto é que respondeu completamente a todas as intimações que lhe foram dirigidas; (g) que não haveria de falarse em fraude, uma vez que não houve ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, e tampouco de reduzir ou afastar a incidência de tributos, posto que todos foram pagos em quantia conforme às operações, não havendo diferenças se a obrigação seria cumprida pela Vigor ou pela JBS S/A; (h) incabível aplicação concomitante de multa por suposta fraude com multa de cessão de nome, sendo que uma penalidade deveria ser absorvida pela outra, mas jamais cobradas simultaneamente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, em sessão realizada em 30 de setembro de 2013, acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento efetuado. O Acórdão 08027.086 foi assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 03/03/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V). CESSÃO DE NOME. OCORRÊNCIA. A defendente não comprovou a importação por conta própria, mantendose a caracterização da ‘Cessão de Nome’ na operação de importação objeto de autuação, devendo ser mantida a referida multa estabelecida na legislação de regência. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. É revel o sujeito passivo que não se apresentou tempestivamente ao processo e não impugnou sua nomeação como responsável solidário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Fortaleza, interpôs o Recurso Voluntário, onde reprisa as alegações trazidas na impugnação. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Conforme relatado, trata a presente lide de configuração de dano ao erário, pela ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável, mediante fraude ou simulação, relativa à operação de importação objeto da declaração de importação nº 11/04002746. Foram lançadas as multas substitutiva de perdimento e multa por cessão de nome, com vistas ao acobertamento do real interveniente. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade do lançamento, por utilização de dados de pessoa física não constante do Mandado de Procedimento Fiscal, ou seja, de terceiros não relacionados ao objeto da fiscalização. Não assiste razão a recorrente. As informações utilizadas no procedimento fiscal, e exclusivamente no procedimento fiscal, referemse a dados que se encontram à disposição da RFB exatamente para proceder ao controle fiscal e aduaneiro, suas competências legais e constitucionais, o que em hipótese alguma configurariam violação ao sigilo fiscal. Tratase do poder de polícia da Administração Tributária e Aduaneira. As informações mencionadas, quanto à fonte pagadora do Sr. Otacílio Belmiro de Assunção, são encontravamse desvinculadas dos fatos apurados, pois através delas, foi feito uma correlação entre a empresa alegadamente oculta e a operação de importação em questão. Destacase ainda que a não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal específico não vicia o ato fiscal, posto ser este documento tão somente um mecanismo de controle de gestão tributária, uma vez que a competência para fiscalizar e lançar tributos é conferida em sede de lei, que possui hierarquia superior a qualquer ato de controle ou instrução administrativa. Também preliminarmente a recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal pela ausência de fundamentação legal nos termos de intimação. Não assiste razão a recorrente. A simples leitura dos autos nos revela a existência de diversas intimações fiscais, prévias ao lançamento, constante às fls. 156, 158, 160, 185, 195, 198, 199, 201 e 209, nas quais constam expressamente a fundamentação legal que permite à autoridade, em nome da administração tributária, requisitar informações no interesse e a serviço do procedimento fiscal. Também não configura o cerceamento do direito de defesa, visto que as intimações foram respondidas, o que caracteriza o perfeito entendimento de seus termos e os poderes da autoridade que as expediu. No mérito, a recorrente alega que não configurou o dano ao erário, por não ter configurado ocultação do real comprador, tendo em vista que a empresa Vigor é sua subsidiária integral. Alega ainda que a JBS S/A realizou a operação sem que a Vigor decidisse Fl. 474DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11051.720257/201163 Acórdão n.º 3101001.702 S3C1T1 Fl. 5 5 quem seria o fornecedor, os valores, entre outros aspectos, ou seja, trataria de uma importação direta realizada pela JBS S/A, que assumiu os riscos da operação, negociou e fez vir a mercadoria para revenda, sem decisão de terceiros, com seus próprios recursos e por seu próprio risco; que não houve tentativa da recorrente em ocultar a transação, tanto é que respondeu completamente a todas as intimações que lhe foram dirigidas. Inicialmente vamos aos fatos: A Declaração de importação nº 11/04002746, foi registrada em 03/03/2011, pelo importador declarado JBS S/A – CNPJ 02.916.265/000402, com a indicação do exportador estrangeiro COOPERATIVA NACIONAL DE PRODUCTORES DE LECHE – CONAPROLE, sem a indicação de adquirente ou encomendante prédeterminado. Foram importados 24 toneladas de queijo tipo Sbrinz, em caixas, com teor de umidade inferior a 36% (massa dura) envasado em caixas de papelão ondulado, NCM 0406.90.10, com valor declarado USD 132.000,00, correspondendo a R$ 220.421,84. A Fatura Comercial 5110011433 indicava os mesmos dados da DI, com a indicação da JBS como importadora. O contrato de câmbio nº 11/056599, correspondente à operação de importação, foi liquidado em 05/04/2011 pela empresa JBS S/A. A Licença de Importação nº 10/35543316 vinculada a operação indicou como local de armazenamento SIF 0978, de responsabilidade da empresa S/A FÁBRICA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS VIGOR. Regularmente intimada a justificar tal fato, a recorrente asseverou que, após promover a nacionalização das mercadorias, as mesmas seriam integralmente revendidas para a empresa VIGOR. Apresentou uma cópia da Confirmação de Pedido nº 144564911, de 17/03/2011, na qual a empresa VIGOR encomenda 24 toneladas de queijo parmesão terceiro, no valor de R$ 314.304,00. A fiscalização alega que a negociação, de fato, ocorreu anteriormente ao registro da Declaração de Importação em questão, com base no referido pedido (fls. 150). Não assiste razão a fiscalização. A declaração de importação foi registrada em 03/03/2011, portanto, em data anterior ao pedido datado de 17/03/2011. Apenas por esse elemento de prova não fica caracterizado a encomenda prévia por parte da VIGOR à JBS. A mercadoria importada foi destinada à S/A FÁBRICA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS VIGOR, conforme DANFE 1115, em 04/05/2011. A fiscalização alega também que as mensagens eletrônicas (fls.166 a 167), trocadas entre a empresa JBS e a empresa uruguaia CONAPROLE, comprovariam a negociação existente entre ambos, com a participação na empresa VIGOR na decisão do importador JBS. Também nesse ponto não assiste razão a fiscalização. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A inclusão de um funcionário ou representante da empresa VIGOR nas mensagens trocadas, no caso o Sr. Otacílio Belmiro, por si só, não caracteriza a participação efetiva dessa empresa na compra da mercadoria importada. Não ficou comprovado a efetiva participação ativa dessa pessoa na negociação, e tampouco a participação da empresa VIGOR na negociação. Para tanto, outros elementos seriam necessários. Também não poderia ser caracterizada a operação como sendo por conta e ordem de terceiros, por estar ausente, nos autos, quaisquer elementos de prova acerca da origem dos recursos utilizados, tanto na parte da empresa JBS quanto na empresa VIGOR. Dessa forma, não restou caracterizada a ocultação do sujeito passivo (VIGOR) nas operações registradas pela importadora (JBS), inexistindo a comprovação de dano ao erário e cessão de nomes com vistas ao acobertamento do real interveniente. No presente caso, não foi comprovada a ocultação mediante fraude ou simulação, das operações vinculadas à DI nº 11/04002746, que configurouse como uma importação direta realizada pela JBS. A fiscalização não logrou êxito em descaracterizar a operação como sendo por conta própria da JBS. Dessa forma, procede a alegação da recorrente de que assumiu os riscos da operação, negociou e fez vir a mercadoria para revenda, sem decisão de terceiros, com seus próprios recursos e por seu próprio risco; que não houve tentativa da impugnante em ocultar a transação, tanto é que respondeu completamente a todas as intimações que lhe foram dirigidas. Como não restou caracterizada a infração, as penalidades decorrentes devem ser afastadas, por não configurarem os tipos infracionais previstos nas normas legais: multa de valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, de que trata o artigo 23, inciso V, c/c com o parágrafo 3º do mesmo artigo, do DecretoLei 1.455/1976; multa de 10% do valor da operação acobertada, de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10660.900088/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiu a turma converter o julgamento em diligência para que sejam apensados aos autos os outros processos da interessada sobre a matéria.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Acompanhamento, pela recorrente, adv. Lívia Marques Melo. OAB/DF 333.534.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiu a turma converter o julgamento em diligência para que sejam apensados aos autos os outros processos da interessada sobre a matéria. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Acompanhamento, pela recorrente, adv. Lívia Marques Melo. OAB/DF 333.534. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiu a turma converter o julgamento em diligência para que sejam apensados aos autos os outros processos da interessada sobre a matéria. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Acompanhamento, pela recorrente, adv. Lívia Marques Melo. OAB/DF 333.534. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 00 08 8/ 20 09 -9 8 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900088/200998 Resolução nº 3802000.274 S3TE02 Fl. 288 2 Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 00708.69342.100106.1.3.044652, transmitida em 10/01/2006, fls. 123 a 127, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 35.341,38, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 31/10/2005, no valor de R$ 186.950,97. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 34.489,49. A DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 128, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 10), na qual alega, em síntese: que vendeu peças automotivas denominadas “chicote” à empresa International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda, a qual obteve da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, por meio do ADE 52, de 29/12/2004, o reconhecimento de que fazia juz à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com suspensão da incidência do PIS/Pasep e da Cofins; que, nos termos do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, as receitas auferidas pelo interessado pelas vendas efetuadas ao cliente acima mencionado não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e da Cofins; que declarou e recolheu a Cofins, PA 10/2005, considerando equivocadamente em sua base de cálculo o valor de R$ 465.018,15 oriundo de operações amparadas pela suspensão da contribuição, tendo recolhido um valor a maior de R$ 35.341,38 (correspondente a 7,6% da receita); que já retificou a DCTF relativa ao 4º Trimestre de 2005 e o DACON informando o efetivo valor devido a título de Cofins; que, além disso, o débito objeto da compensação (Cofins – PA 12/2005) é inexistente; que o pedido de compensação apresentado deve ser considerado com simples pedido de restituição; É o relatório. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0938.168, de 08/12/2011, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. Comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900088/200998 Resolução nº 3802000.274 S3TE02 Fl. 289 3 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o Pedido de Restituição efetuado em desacordo com as disposições normativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2005 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Segundo os arts. 15 e 18 do Decreto n.º 70.235/72, é na fase impugnatória o momento processual próprio para que o sujeito passivo apresente as provas que respaldam seus argumentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER e cancelar a exigência do débito da Dcomp nº 00708.69342.100106.1.3.04 4652.. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer em sede de preliminar, a necessidade de apensamento e julgamento com os processos de restituição, pois o que é tratado neste processo (compensação) está sendo tratado de forma reflexa nos pedidos de restituição de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 62, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015, os quais se encontram (`pelo menos, à época do pedido) na Delegacia de Varginha/MG. O pedido tem como fundamento o art. 1° da Portaria RFB n° 666/2008, com alteração pela Portaria RFB n° 2.324, de 03/12/2010, que dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900088/200998 Resolução nº 3802000.274 S3TE02 Fl. 290 4 e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º daP RFB nº 2.324/2010) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; (grifos não são do original) O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, observei que num trecho do voto da primeira instância dispõe: Dessa forma, o simples pedido na manifestação de inconformidade de converter a declaração de compensação em pedido de restituição não encontra respaldo legal e não tem o condão de substituir o Pedido de Restituição. Assim, nos termos do art. 28 do Decreto nº 70.235/72, deixo de analisar o mérito relativo ao reconhecimento do crédito, por ser incompatível com a preliminar acima. Como o pleito da recorrente é pelo apensamento e julgamento com os processos de restituição, nos termos da Portaria aludida. Dessa forma, entendo, mas levo a plenário para análise, que antes de qualquer apreciação, prudente é o apensamento dos processos de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900088/200998 Resolução nº 3802000.274 S3TE02 Fl. 291 5 62, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015 a este para julgamento em conjunto, pois se referem ao mesmo crédito e ao mesmo período, como alega a recorrente. Em assim sendo, após providência realizada, retornem os autos a esta Turma para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004984/2001-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 14/08/1994 a 04/08/1995
Ementa:EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA.
Não há se falar em contradição, quando entre o acórdão combatido e o voto condutor da decisão embargada não houve ausência de fundamentação necessária a inocorrência da contradição.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDOS
Numero da decisão: 3101-001.398
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/08/1994 a 04/08/1995 Ementa:EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA. Não há se falar em contradição, quando entre o acórdão combatido e o voto condutor da decisão embargada não houve ausência de fundamentação necessária a inocorrência da contradição. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDOS
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CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA. Não há se falar em contradição, quando entre o acórdão combatido e o voto condutor da decisão embargada não houve ausência de fundamentação necessária a inocorrência da contradição. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESPROVIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto da Relatora. HENRIQUE PINHEIROS TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 49 84 /2 00 1- 90 Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.004984/200190 Acórdão n.º 3101001.398 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatório Tratam os autos de embargos de declaração manejados pela Fazenda Nacional, em face do acórdão 310100.130 de 05 de junho de 2009 da lavra da então Conselheira relatora Suzy Gomes Hoffmann que supostamente ter apresentado contradição nos seguintes termos: Da contradição constatada no acórdão O acórdão nº 310100.130, que enfrentou o Recurso Voluntário, assim decidiu: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a preliminar de nulidade do AI. Vencidos Os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Joao Luiz Fregonazzi c Henrique Pinheiro Torres." A Relatora, entretanto, conforme se depreende de fls. 1.739v, deu provimento integral ao recurso por entender que a farta documentação apresentada indica que a recorrente cumpriu o regime de drawback de modo que não se pode admitir a perda dos benefícios inerentes ao regime apenas pelo descumprimento de deveres instrumentais. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdãos, conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo tem por objetivo combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades na decisão do colegiado. Portanto, o acórdão atacado nos presentes embargos, para ter sido viciado pela contradição deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificandose a sua desintoxicação. De fato o que ocorreu é que o voto vencedor da relatora já citada ao julgar a “Preliminar de Ausência de MPF” no início do procedimento de fiscalização concluiu em fls. 1.736: “Assim, entendo que de acordo com a legislação de regência, em obediência ao Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e em vista da complexidade da ação Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.004984/200190 Acórdão n.º 3101001.398 S3C1T1 Fl. 5 3 fiscalizadora que o procedimento tinha de ter sido iniciado na forma correta, desta forma, entendo que efetivamente houve a nulidade, conforme toda a argumentação acima. Entretanto, como no mérito, darei provimento ao recurso, nos termos do parágrafo 3° do artigo 59 do Decreto 70.235/72, ao determinar que 'quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta." Passo então ao mérito.” E quanto a Preliminar de Mérito – Decadência, o voto vencedor não conheceu da ocorrência da Decadência e no mérito propriamente dito deu Provimento ao recurso Voluntário Assim, não vejo presente no acórdão combatido e o voto condutor da decisão desse colegiado a ocorrência da contradição, pois, o voto condutor efetivamente fundamentou os motivos que a levou a afastar a preliminar de nulidade do AI que em tese poderia ser declarado nulo. Isto posto, conheço dos embargos declaratórios, mas negolhe provimento. Esse é meu voto. VALDETE APARECIDA MARINHEIRO – Relatora. Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /05/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002163/2007-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA
Realidade em que a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi glosada unicamente por suposta insubsistência de créditos do IPI em vista de aduzida não comprovação das transações comerciais realizadas com outra pessoa jurídica.
Confirmadas as transações comerciais mediante procedimento de fiscalização específico, e, assim, corroborado o crédito reclamado pela recorrente, deverá ser homologada a compensação vislumbrada pela mesma.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-003.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral, pela recorrente, Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC 33.181.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA Realidade em que a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi glosada unicamente por suposta insubsistência de créditos do IPI em vista de aduzida não comprovação das transações comerciais realizadas com outra pessoa jurídica. Confirmadas as transações comerciais mediante procedimento de fiscalização específico, e, assim, corroborado o crédito reclamado pela recorrente, deverá ser homologada a compensação vislumbrada pela mesma. Recurso ao qual se dá provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 461 1 460 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002163/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.687 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria Declaração de compensação DCOMP Assuntos tributários diversos Recorrente Arteplas Artefatos de Plásticos Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO IPI CUMULADO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA Realidade em que a compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi glosada unicamente por suposta insubsistência de créditos do IPI em vista de aduzida não comprovação das transações comerciais realizadas com outra pessoa jurídica. Confirmadas as transações comerciais mediante procedimento de fiscalização específico, e, assim, corroborado o crédito reclamado pela recorrente, deverá ser homologada a compensação vislumbrada pela mesma. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela recorrente, Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC 33.181. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 21 63 /2 00 7- 31 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 286/292), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do IPI, no valor de 97.774,02, correspondente ao segundo trimestre de 2006. O pleito se alicerçou no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. Segundo relatório que subsidiou a decisão de primeira instância, a contribuinte, em 14/08/2006, apresentou o pedido de ressarcimento/declaração de compensação PER/DCOMP n 13371.57555.140806.1.3.017014, no valor de R$ 64.166,41, relativo ao mesmo período de apuração. As compensações efetuadas encontramse discriminadas às fls. 204. Em exame do pedido, a DRF Itajaí glosou totalmente o crédito do IPI correspondente às notas fiscais de emissão da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ 65.727.711/000108, correspondente ao montante de R$ 149.154,86. A glosa foi motivada em decorrência das seguintes constatações relatadas pela autoridade fiscal (ver Parecer SARAC de fls. 184/190): a) a interessada não comprovou os pagamentos em favor da empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda.; b) também não apresentou os conhecimentos de transporte das compras efetuadas à Petropolímeros (apenas informou que o fornecedor seria o responsável pelo transporte); c) nas notas fiscais emitidas pela Petropolímeros não foi identificado o transportador (embora na maioria das notas tenham sido registradas as placas dos veículos, estas, contudo, mediante consulta ao RENAVAM, correspondiam a placas inexistentes ou a veículos que “não poderiam ter transportado as cargas”); e, d) ausência de carimbo da fiscalização estadual na transposição da fronteira. Inconformada com o indeferimento de seu pleito, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou o seguinte: a) que a maioria das transações que ocorrem no mercado atual são extintas por meio de pagamento em espécie e que tal constitui uso e costume; b) que a empresa dispunha de caixa excedente e que por muito tempo trabalhou adequando seu capital para que ficasse o mesmo consigo, não inserindo boa parte de seus recursos no sistema bancário objetivando economia com a contribuição provisória sobre movimentações financeiras; c) que em 2006 passou a efetuar seus pagamentos por boletos bancários e/ou TED´s, anexando notas fiscais de 2006; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10909.002163/200731 Acórdão n.º 3802003.687 S3TE02 Fl. 462 3 d) que o despacho decisório se assenta em presunção; e) que o transporte das mercadorias e o preenchimento das notas fiscais não são de sua responsabilidade; f) que a movimentação de seu estoque demonstra que adquiriu o produto PET virgem, código 678; e, g) que a legislação lhe dá direito à compensação tributária. A primeira instância, todavia, não acolheu os argumentos aduzidas pela reclamante em vista das “provas indiretas de inexistência das operações da Manifestante com a empresa PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA.”. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 04/06/2012 (fls. 296 do processo eletrônico). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/07/2012, o recurso voluntário de fls. 297/320, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda: a) que o transporte foi feito mediante modalidade CIF, de forma que ao emitente incorrem as responsabilidade do transporte, bem como inerentes ao preenchimento das notas fiscais, na forma do Regulamento do ICMS; b) que a empresa não tem por hábito a recusa da entrega de mercadorias pela incompatibilidade de placas entre a nota fiscal e o veículo; c) quanto à falta de carimbo da fiscalização estadual ressalta que em nenhuma das notas fiscais emitidas pela Petropolímeros existe identificação do transportador e que o trajeto feito pelo veículo não é de sua responsabilidade; e, d) que, após o início deste processo administrativo, a empresa fora fiscalizada (processo no 10909.004957/200900), não tendo correspondente ação fiscal detectado nenhuma irregularidade nas transações entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007; sobre a questão, apresenta documentação que, pede, seja aceita como prova suficiente para desconstituir o lançamento. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso com a correspondente homologação da compensação pleiteada. Em sessão realizada em 19 de março de 2013 esta Segunda Turma Especial converteu o julgamento do feito em diligência, a fim de que fossem juntados aos autos a cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/200900 e eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987 e 10909.720238/200921. Os documentos em tela foram acostados, respectivamente, às fls. 355/358, 434/436, 429/431, 425/427 e 420/422. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Cientificada do resultado da diligência, a interessada, mediante expediente de fls. 438/440, assevera que os documentos acostados aos autos comprovariam a inexistência de irregularidades nas transações realizadas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., não havendo, portanto, razão para se negar a homologação da compensação objeto dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A diligência que propusemos foi baseada nos seguintes termos: O relatório da SARAC da DRF Itajaí, bem como o voto que direcionou a decisão de primeira instância apontam para a inexistência das transações comerciais que a recorrente diz ter celebrado com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. Em contrapartida, a recorrente afirma que, após o início deste processo administrativo, foi fiscalizada pela Receita Federal, ocasião em que não teria sido detectado nenhum problema nas transações realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros nos anos de 2004 a 2007. A reclamante acosta aos autos cópia do relatório de fiscalização inerente à ação fiscal/MPFF no 0920600/2009/000203 (fls. 336/339 do processo eletrônico), objeto do processo administrativo no 10909.004957/200900. [...] Segundo cópia do relatório fiscal acostada aos autos, consta que a recorrente, nos anos de 2004 a 2007, efetuou pagamentos através de cheques (sacados/compensados) nas contas de depósito mantidas em seu nome nos bancos do Brasil, Sudameris e Safra. A contabilização de tais pagamentos no livro Razão se deu a débito da conta Caixa e a crédito das respectivas contas bancárias, o que redundou em elevados saldos devedores diários na conta Caixa. Todavia, a inexistência de saídas diárias desses recursos demonstrou que a empresa “não necessitava de suprimentos diários para a realização de pagamentos no dia”. Não obstante, o item 3 do relatório fiscal em comento trata da “APURAÇÃO DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA FISCALIZADA NOS ANOS DE 2004, 2005, 2006 E 2007 COM A EMPRESA PETROPOLÍMEROS DISTRIBUIDORA DE PLÁSTICOS LTDA. – CNPJ no 65.727.711/000108”. Consta do relatório fiscal referenciado que a motivação para o exame em questão decorreu dos despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí em resposta aos pedidos de ressarcimento do IPI conjugados com pedidos de compensação formalizados pela interessada. Na lista dos processos objeto do exame consta o presente processo. Segundo o relatório fiscal em evidência, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10909.002163/200731 Acórdão n.º 3802003.687 S3TE02 Fl. 463 5 Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) [...] Os procedimentos fiscais realizados e análise fiscal dos fatos verificados nos PERDCOMP’s abaixo relacionados, além de estarem descritas detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização, também estão descritos detalhadamente na Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC, para fins de apoio aos despachos decisórios que posteriormente proferirá e dará a devida ciência à FISCALIZADA. [segue quadro demonstrativo que discrimina quatro PERDCOMP, com os respectivos processos (10909.720235/200998, 10909.720236/2009 32, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921), todos, como se vê, formalizados em 2009, e, conforme mesma planilha, correspondentes ao anobase de 2007] Consta do relatório fiscal em tela que a contribuinte foi cientificada do mesmo em 21/12/2009. Por sua vez, o processo que ora se examina foi formalizado em 2007 e corresponde ao período de apuração de 01/04/2006 a 30/06/2006. Portanto, quando do exame do presente processo, a correspondente ação fiscal reportada pela recorrente não tinha como ter sido considerada nos exames feitos pela SARAC da DRF Itajaí. Assim como ocorreu em relação ao processo no 10909.004957/2009 00 (referenciado no relatório de fiscalização acima citado), também não localizei no eprocesso nenhum dos processos administrativos discriminados no relatório fiscal em evidência (pesquisa realizada em 06/03/2012, às 11:00 hs). Logo, não se conseguiu ter acesso ao “Relatório Interno de Fiscalização”, muito menos à “Informação Fiscal prestada à Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajaí – SARAC”, os quais, conforme trecho acima reproduzido, devem ter instruído os processos de compensação formalizados em 2009. Diante do exposto, e considerando que a cópia do relatório fiscal juntado pela reclamante procura comprovar a regularidade das transações comerciais realizadas entre esta e a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., e ainda, diante da indisponibilidade no eprocesso dos processos de compensação referenciados no sobredito relatório fiscal – que, possivelmente, poderiam trazer mais subsídios para o julgamento da presente lide – voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência a fim de que sejam juntados aos autos: a) cópia do relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/200900 e seus correspondentes anexos; b) eventuais pareceres e despachos decisórios proferidos pela SARAC da DRF Itajaí nos autos dos processos nos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/2009 21; e, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 c) demais informações que a unidade preparadora considerar como relevantes para o julgamento do presente feito. [...] Conforme disposto acima, o motivo da glosa da compensação vislumbrada pelo sujeito passivo foi a aduzida não comprovação das transações realizadas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda. O período de apuração objeto da lide é relativo ao segundo trimestre de 2006. Não obstante, segundo o relatório de fiscalização objeto do processo no 10909.004957/200900 (fls. 355/358), à exceção de algumas discrepâncias de percentuais nas alíquotas do IPI, não foi identificada nenhuma irregularidade nas transações comerciais realizadas entre a recorrente e a empresa Petropolímeros, conforme trecho que reproduzimos abaixo, novamente: Os procedimentos fiscais realizados e a análise fiscal estão descritos detalhadamente no Relatório Interno de Fiscalização e seus Anexos, não tendo sido verificadas irregularidades nas operações comerciais realizadas pela FISCALIZADA com a empresa Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., CNPJ no 65.727.711/000108, nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, salvo os percentuais das alíquotas do IPI, constantes das notas fiscais abaixo relacionadas [...] (grifos do original) Em função disso foram homologadas as compensações correspondentes ao anobase de 2007, objeto dos processos 10909.720235/200998, 10909.720236/200932, 10909.720237/200987, 10909.720238/200921, cujos despachos decisórios foram acostados, respectivamente, às fls. 434/436, 429/431, 425/427 e 420/422 dos autos do presente processo. Assim, considerando que a fiscalização referenciada, também no período de que trata a presente contenda, examinou e afastou qualquer problema relacionado às transações perpetradas com a pessoa jurídica Petropolímeros Distribuidora de Plásticos Ltda., único motivo alegado para a glosa dos créditos do IPI e, por conseguinte, da compensação objeto dos autos, entendo que deverá ser dado provimento ao recurso e reconhecido o direito à compensação tributária guerreada pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário formalizado pela interessada. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10909.002163/200731 Acórdão n.º 3802003.687 S3TE02 Fl. 464 7 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10850.907409/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 05/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, e Mônica Elisa de Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko Araújo.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 05/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, e Mônica Elisa de Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Ana Clarissa Masuko Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 40 9/ 20 09 -4 8 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 305 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido, seguido da sua ementa e das razões recursais: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), de no 33463.60557.280709.1.3.042820, cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) nãocumulativa referente a junho de 2009. A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fl. 22, não homologou a compensação, porquanto o crédito indicado no PER/DCOMP já teria sido utilizado integralmente para liquidar a própria contribuição, não restando crédito para compensação. Inconformada com a nãohomologação da compensação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 1 a 17, onde alega, preliminarmente, em resumo, que houve cerceamento do direito de defesa, porquanto ela não foi intimada para prestar esclarecimentos previamente ao despacho decisório, indo de encontro ao art. 65 da Instrução Normativa (IN) RFB no 900, de 2008, que prevê que a autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) poderá condicionar o deferimento do direito creditório a prestação de esclarecimentos por parte do contribuinte e à realização de diligências. Alega que o vocábulo “poderá” não induz a uma discricionariedade por parte da autoridade administrativa, pois este normativo deve ser interpretado juntamente com o art. 195 do Código Tributário Nacional (CTN), que dispõe que a lei não pode estabelecer limitações ao poder dever da Administração de examinar os documentos do contribuinte. Quanto ao mérito, alega, em síntese, que o valor do débito referente ao pagamento objeto do PER/DCOMP em questão é R$ 1.549.804,49 e não R$ 1.633.403,26, como ela informou equivocadamente na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), conforme demonstrativo e cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) anexados. Assim, o pagamento no valor de R$ 1.633.403,26 teria gerado um crédito de R$ 83.598,77, suficiente para compensar o débito declarado no PER/DCOMP. Esclarece que após a ciência do despacho decisório retificou a DCTF apresentada, conforme cópia anexa. Aduz ainda que o crédito informado é lastreado na contabilidade da impugnante e é suportado por farta documentação contábil e fiscal e que a verdade material deve prevalecer nesses casos, conforme entendem a doutrina e a jurisprudência, inclusive os órgãos julgadores da RFB já teriam reconhecido que a DCTF pode ser retificada após a Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10850.907409/200948 Resolução nº 3201000.491 S3C2T1 Fl. 306 3 transmissão da Declaração de Compensação, conforme julgados que transcreve. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14 32.656, de 24/02/2011, que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/07/2009 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. ANÁLISE DO MÉRITO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que não homologou a compensação, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Novamente inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme se depreende do relatório, o núcleo do presente contencioso cingese aos efeitos do procedimento adotado pela Recorrente no sentido de retificar a sua DCTF para legitimar o crédito informado em DCOMP pretérita. A instância a quo, sem entrar no mérito da existência do crédito, entendeu que a compensação é indevida, pois o crédito utilizado pela Recorrente somente passou a existir formalmente após a retificação da DCTF. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10850.907409/200948 Resolução nº 3201000.491 S3C2T1 Fl. 307 4 Por outro lado, a Recorrente alega que o direito creditório sempre existiu, tendo havido apenas um erro formal na DCTF original, o que pode ser verificado pela fiscalização em seus registros contábeis e na própria DACON original. É certo que o contencioso administrativo fiscal deve ser guiado pelo princípio da verdade material, segundo o qual os formalismos exacerbados devem ser afastados para que prevaleça a realidade dos fatos. Os fatos relacionados ao caso concreto sucederamse da seguinte forma: os DARF que originaram o crédito em discussão foram pagos em 24/07/2009, a DCOMP foi transmitida em 24/07/2009, o despacho decisório foi proferido em 07/10/2009, a retificação da DCTF ocorreu em 12/11/2009. A partir da análise dos fatos, percebese que, ao tempo em que a DCOMP foi transmitida, a informação de que a Receita Federal dispunha era o pagamento do DARF para a quitação do débito de Cofins apurada segundo o regime não cumulativo, referente à competência 06/2009, no valor de R$ 1.633.403,26, sendo que a Recorrente alega que o valor devido era R$ 1.549.804,49. Ou seja, até a emissão do despacho decisório, não havia qualquer informação de que o referido débito não era devido integralmente. Por essa razão, o despacho decisório não mereceria reparos. A questão que se coloca aqui é outra. Tendo verificado o suposto erro na informação prestada em sua DCTF, quando da ciência do despacho decisório, a Recorrente procedeu à retificação imediata e apresentou manifestação de inconformidade reconhecendo o equívoco cometido. Prestou informações sobre a origem do erro e provas. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF tem sido flexível acerca do assunto, admitindo a retificação extemporânea da DCTF, desde que o interessado prove o equívoco cometido, ou seja, a existência do crédito à época em que a DCOMP foi transmitida. Confirase: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10850.907409/200948 Resolução nº 3201000.491 S3C2T1 Fl. 308 5 consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão nº 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) ......................................................................................................... DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) A Recorrente fez prova dos fatos narrados acima não apenas em sua manifestação de inconformidade como também em sede recursal. Logo, em homenagem ao princípio da verdade material, as provas devem ser admitidas no julgamento deste CARF. Nesse particular, transcrevese a ementa de um interessante julgado, a saber: ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE CRÉDITO EXISTENTE HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O PIS apurado e recolhido sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de PIS a pagar, segundo esta sistemática, foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. (Acórdão nº 3302001.212, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, Sessão de 01/09/2011) Superado, então, o entendimento de que a Recorrente não poderia juntar provas em fase recursal nem retificar a sua DCTF em momento posterior ao despacho decisório, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de São José do Rio Preto/SP para que confirme, ou não, se as alegações da Recorrente estão lastreadas em sua escrita contábil e fiscal, considerando todo o suporte documental constante dos autos. Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse acerca do termo de conclusão de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Em Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10850.907409/200948 Resolução nº 3201000.491 S3C2T1 Fl. 309 6 seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada para os mesmos fins no mesmo prazo. Após o decurso desses prazos, o processo deverá retornar para o CARF para que o julgamento seja retomado por este Conselheiro ou quem lhe fizer as vezes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 15586.001357/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
SEGURADOS EMPREGADOS -CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA - ÔNUS DO EMPREGADOR
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
DIFERENÇA DE FÉRIAS - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - . 1/3 DE FÉRIAS - RECURSO REPETITIVO STJ
Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória.
A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento.
A alegação de tratar-se genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizam-se, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição.
1/3 DE FÉRIAS - INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT;
Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 - que alterou a 10.522 - nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO - ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011
Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastando-se, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO - CURSO SUPERIOR - MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO
Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do Decreto-Lei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrar-se na exclusão legal. Vejamos dispositivos:
O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência extensível a todos os empregados e dirigentes, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu-se por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximir-se, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho.
ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES
Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valer-se da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES
Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR.
O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontra-se consubstanciado em acordo coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos acordos não foram apresentados).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento: a) diferenças de SAT; b) seguro de vida em grupo; e c) levantamento CS6 - Curso Superior. Os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim excluíam, também, o levantamento PS6 e PS7 assistência médica e odontológica para dependentes. Os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, excluíam, também, os pagamentos feitos à título de (1/3 de férias) conta G62.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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DIFERENÇA DE FÉRIAS - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - . 1/3 DE FÉRIAS - RECURSO REPETITIVO STJ Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento. A alegação de tratar-se genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizam-se, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. 1/3 DE FÉRIAS - INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 - que alterou a 10.522 - nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. SEGURO DE VIDA EM GRUPO - ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011 Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastando-se, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. AUXÍLIO EDUCAÇÃO - CURSO SUPERIOR - MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do Decreto-Lei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrar-se na exclusão legal. Vejamos dispositivos: O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência extensível a todos os empregados e dirigentes, tendo em vista que a exclusividade da concessão deu-se por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximir-se, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valer-se da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO - EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindo-se natureza salarial a verba PLR. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontra-se consubstanciado em acordo coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos acordos não foram apresentados). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. DIFERENÇA DE FÉRIAS AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EXPRESSA . 1/3 DE FÉRIAS RECURSO REPETITIVO STJ Os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável se realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. A ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), razão pela qual correto o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 57 /2 00 9- 95 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizamse, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. 1/3 DE FÉRIAS INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nos termos do art. 28, § 9ºda lei 8212/90, não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. SEGURO DE VIDA EM GRUPO ATO DECLARATÓRIO 12/2011, DE 20/12/2011 Conforme previsto no Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011, o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. AUXÍLIO EDUCAÇÃO CURSO SUPERIOR MANUTENÇÃO DE BENEFÍCIO CONCEDIDO ANTES DE INCORPORAÇÃO Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: O fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. ASSISTÊNCIA MÉDICA DEPENDENTES Para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista (art. 458, para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 3 3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Não demonstrou o recorrente que os acordos realizados com as comissões possuíam assinatura do respectivo sindicato, o que fere dispositivo da legislação que regula a matéria, atribuindose natureza salarial a verba PLR. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remuneração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (todavia, o auditor ressalva por escrito que os referidos acordos não foram apresentados). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; e II) no mérito, dar provimento parcial para excluir do lançamento: a) diferenças de SAT; b) seguro de vida em grupo; e c) levantamento CS6 Curso Superior. Os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim excluíam, também, o levantamento PS6 e PS7 assistência médica e odontológica para dependentes. Os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, excluíam, também, os pagamentos feitos à título de (1/3 de férias) conta G62. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.230.1681, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não recolhida em época própria, no período compreendido entre 01/2005 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 100 a 118, os fatos geradores encontramse assim descritos: DIFERENÇAS DE FÉRIAS 2.2. As diferenças foram apuradas com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por meio das verbas G60 (férias normais), G62 (férias 1/3 constitucional) e 440 (complemento de férias acordo coletivo). Os valores mensais considerados como base de cálculo encontramse discriminados por estabelecimento e por competência no DD — Discriminativo de Débito nos levantamentos DF6 e DF7, sendo que as diferenças por empregado encontramse no anexo I. SEGURO DE VIDA EM GRUPO 2.3. Em 2005, a empresa contratou seguro de vida em grupo com a Seguradora Itati Seguros S/A para os seus empregados e dirigentes, arcando com o custo total do beneficio, não estando o mesmo, segundo informação da própria empresa, previsto no acordo coletivo, pois tal direito incorporouse definitivamente ao contrato de trabalho. 2.4. Os valores foram apurados com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por meio da verba 885 (Premio Total — Svg), em conjunto com as informações constantes nos relatórios anexos As apólices, os quais foram fornecidos pela empresa. Os valores mensais considerados como base de cálculo encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos SG6 e SG7, sendo que os valores discriminados por segurado encontramse no anexo I. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO 2.5. No exame da escrituração contábil foram encontrados pagamentos feitos aos empregados referentes A educação superior, não estando estes pagamentos abrangidos pela exclusão prevista na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, se enquadrando como valor pago, devido ou creditado a "qualquer titulo", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n°8.212/91. 2.6. Além disso, a empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaiba, pois faz parte da política de beneficios adotada pela fábrica de Guaiba, antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose, que configura uma restrição à extensão a todos os segurados da empresa, contrariando outro requisito da citada alínea "t". Fl. 974DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 4 5 2.7. Os valores foram apurados com base na escrituração contábil na conta 321314 — Bolsa de Estudo e sua totalização mensal, discriminada por estabelecimento, encontrase no DD no levantamento CS6, sendo que os valores por empregado encontramse no anexo I. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES 2.8. A empresa disponibiliza aos seus empregados e dirigentes, extensivo aos dependentes, plano de saúde, de assistência médica e odontológica, através de contrato firmado com a operadora de plano de saúde MEDISERVICE, sendo extensivo a toda empresa, com exceção da filial Guaiba, cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e com a UNIODONTO Porto Alegre. 2.9. Os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9°, "q", integram o salário decontribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III da Lei n°8.212/91. 2.10. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos baseiamse nas informações, prestadas pela própria empresa, dos valores mensais por ela suportados com os dependentes que usufruiram dos beneficios ofertados pelo plano de saúde, e encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos PS6 e PS7, estando os valores discriminados por segurado no anexo I.2.11. As despesas com o plano de saúde dos dependentes, custeadas pelos empregados e dirigentes, não foram objeto de levantamento. GESTÃO POR RESULTADOS (GPR) PAGA AOS EMPREGADOS OCUPANTES DE CARGOS EXECUTIVOS 2.12. A empresa adota dois programas de participação nos lucros ou resultados para seus empregados. Um para o nível operacional e administrativo (PLR) e outro para o nível executivo (GPR). 2.13. Pela análise dos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados, cujas cópias estão no anexo III As fls. 522 a 603, foi verificado que em todos os acordos consta cláusula de exclusão de gerentes, coordenadores e Fl. 975DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 similares (cargos executivos), por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.14. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Gestão por Resultados para os empregados ocupantes de cargos executivos. 2.15. A empresa informou que a exclusão do Termo do Acordo da PLR dos empregados que ocupam cargos executivos, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais, permite maior liberdade para tratar da questão, cujos esclarecimentos constam no anexo IV as fls. 605 a 610, não apresentando nenhum documento comprovando que as regras contidas no Programa de Resultados com Metas Individuais foram objeto de negociação, mediante um dos procedimentos definidos no art. 2°, I e II da Lei n° 10.101/2000. 2.16. Foi analisado o manual do programa GPR 2004, que originou o pagamento da GPR em 2005, verificandose tratar de um programa híbrido, composto de metas individuais e metas corporativas, sendo extensivo a todos os ocupantes de cargos executivos,., sendo os mesmos divididos em três níveis. 2.17. Para avaliação de desempenho individual o programa estabelece uma escala de avaliação contendo 5 níveis de desempenho, para os quais não existem regras claras quanto ao valor a ser recebido pelos empregados que obtiveram classificação entre os níveis de desempenho 1 a 4. 2.18. As metas corporativas também não possuem regras claras quanto ao valor a ser recebido de GPR, no caso das metas corporativas não terem sido atingidas ou terem sido atingidas proporcionalmente, tendo o programa apenas definido o valor máximo de salários a ser pago aos empregados executivos. No programa também não existem mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento das metas corporativas. 2.19. Foi constatado, ainda, que vários empregados receberam valores expressivos e aleatórios muito superiores aos 8,5 salários estabelecidos no manual como valor máximo a ser pago a titulo de remuneração variável (GPR), o que demonstra mais uma vez a ausência de critérios claros e objetivos pré determinados exigidos pelo art. 2°, § 1° da Lei n° 10.101/2000. 2.20. Analisando a folha de pagamento foi encontrada a rubrica Bônus Espontâneo (verba 134), nas competência 08 e 09/2005. Intimada, a empresa informou que se trata de nome tecnicamente equivocado, dado h antecipação da GPR, das pessoas que participaram do Projeto Veracel, cujos esclarecimentos seguem no anexo VI, de fls. 680 a 687. 2.21. Com base nos documentos apresentados, foi constatado que o Bônus Espontâneo não se trata de uma antecipação de GPR e sim do pagamento final da GPR referente ao Projeto Veracel, já que o adiantamento ocorreu em 27/06/2005. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 5 7 2.22. Foi constatado ainda que diversos empregados receberam GPR mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que é vedado pelo art. 3, § 2°, da Lei n° 10.101/2000, sendo que os referidos funcionários constam no anexo VIII de fls. 702. 2.23. Os dados relativos aos fatos geradores foram apurados com base na escrituração contábil e nas informações constantes das folhas de pagamento, por meio das verbas 277 (Part. Lucros Resultados/GPR) e 134 (Bônus Espontâneo) e estão discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos GR6 e GR7, sendo que os valores discriminados por empregado encontramse no anexo I. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 10/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 14/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 123 a 170. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 396 a 406: Assunto: Contribuições Sociais Previdencidrias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FÉRIAS. ESCRITURAÇÃO CONTABIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PREVISÃO EM ACORDO COLETIVO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA DEPENDENTES DE EMPREGADOS E DIRIGENTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Para que determinadas rubricas sejam consideradas como de natureza indenizatória, fazse necessária a escrituração das mesmas em títulos próprios na contabilidade. 0 seguro de vida em grupo, para ser excluído do saláriode contribuição, deve estar previsto em acordo ou convenção coletiva. A bolsa auxilio educação, para ser excluída do saláriode contribuição, deve ser fornecida para custear ensino básico ou profissionalizante e abranger a totalidade dos empregados da empresa. A assistência médica e odontológica dos dependentes dos empregados e dirigentes integra o salário decontribuição por expressa falta de previsão legal para sua exclusão, dado que a interpretação para outorga de isenção deve ser literal. A participação nos lucros e resultados, para ser excluída do salário decontribuição, deve ser prevista em instrumento de negociação com a participação do sindicato, deve possuir regras Fl. 977DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 claras e não pode ser pago mais do que duas vezes no mesmo ano civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 417 a 470 , contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Para fins de cobrança do SAT, devese considerar a atividade desempenhada pelo contribuinte através de cada estabelecimento, individualizado através de seu CNPJ, o que, em razão de reiteradas manifestações do STJ, culminou com a edição da súmula n°351. (INAPLICÁVEL) 2. A contribuição ao INCRA foi extinta pela Lei n° 7.787/89 e não ha previsão da contribuição ao INCRA nas Leis re's 8.212/91 e 8.213/91. (INAPLICÁVEL) 3. A discriminação dos débitos exigidos por meio da autuação mostrase sobejamente confusa, não sendo possível ao recorrente verificar individualmente quais eventos específicos geraram tais autuações, que poderiam ser separadas por assuntos, mas que tratam de assuntos em comum, variando tão somente quanto a referências em que se mostra ser praticamente impossível identificar o período, a forma como o cálculo foi encontrado e os empregados relacionados a determinado valor cobrado. 4. Verificouse que significativa parte, sendo a integralidade, das verbas relativas a férias, se referem a pagamentos efetuados a titulo de terço constitucional de férias e outros adicionais de caráter indenizatório e não integram o saláriodecontribuição, nos termos do art. 28, § 9°, "d" da Lei n° 8.212/91. 5. Os valores pagos a titulo de seguro de vida em grupo estão expressamente desvinculados dos salários dos segurados, na forma do disposto no art. 458, § 2°, V da CLT, não podendo o Regulamento da Previdência Social dispor de forma diferente, dado que haveria grave lesão h. hierarquia entre as normas. As verbas pagas quanto aos seguros de vida sequer podem ser individualizadas por empregado, o que, naturalmente, impede que possam integrar o salário de contribuição. 6. O valor da bolsa de educação pago pelo recorrente não possui natureza jurídica de remuneração pelos serviços prestados, tendo em vista que, no período em que está estudando, o trabalhador sequer está à disposição da empresa. 7. O art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, ao excluir do salário de contribuição os valores destinados a "cursos de capacitação e qualificação profissionais", se conclui com nítida tranqüilidade que os cursos superiores também estariam compreendidos por tal categoria, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário. 8. No que tange ao fato de que os beneficios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da recorrente, impõese registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto da autuação. Todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente à tal incorporação, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, não podendo as referidas bolsas serem simplesmente Fl. 978DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 6 9 cassadas, pois os funcionários agraciados não poderiam arcar com o pagamento dos respectivos cursos, sob pena de terem que desistir de continuálos, o que revela com clareza a correção da opção do recorrente em manter os benefícios anteriores, caracterizando o conceito de ato jurídico perfeito. 9. A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de beneficio concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. 10. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contra prestação dos serviços do empregado. O fato de tal beneficio ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranqüilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxilio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. 11. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. 12. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. 13. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. 14. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. 15. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresa, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdencidria em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. 16. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, As fls. 1.199 a 1.221. 17. No que se refere à pretensa inexistência de regras claras quanto aos valores a serem pagos aos empregados na hipótese de as metas não serem atingidas ou serem atingidas parcialmente, importa recordar que, ao revés, tal argumentação é demasiadamente clara, pois os percentuais e pesos traçados pelas tabelas apostas no instrumento que regulamentou o GPR e, sem prejuízo, as diretrizes especificas de cada área, delimitam com precisão a aludida remuneração em quaisquer casos, exemplificando através de casos concretos de calculo, conforme fls. 1.223 a 1.274. 18. Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito A periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados As fls. 1.276 a 1.321. 19. Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1442. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Alega o recorrente nulidade do acórdão recorrido, que resultaria na nulidade do próprio lançamento consubstanciado em síntese: Nesse sentido, antes de adentrar na discussão quanto observância, ou não, da legislação previdenciária por parte da Recorrente, importa, desde já, registrar que a cobrança perpetrada pela fiscalização e, reiterese, considerada procedente pelo Acórdão recorrido, compreende verbas cujo cálculo não foi procedido corretamente ou, até, cuja exigência não mais se encontra respaldada pelo ordenamento jurídico vigente, tal como se verifica, respectivamente, quanto às contribuições destinadas ao SAT e ao INCRA. 11. Demais disso, a confusa e imprecisa discriminação dos débitos exigidos por meio das referidas autuações originarias, confirmadas pela autoridade julgadora revisora, impedem o devido e inafastável exercício do direito A ampla defesa, constitucionalmente garantido A Recorrente, conforme sera devidamente demonstrado posteriormente. 12. Portanto, com base no ordenamento jurídico vigente e nas manifestações da doutrina e das próprias autoridades administrativas, tais vícios certamente ensejarão,como abaixo demonstrado, a anulação do Acórdão ora recorrido. Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou seja por erro nos cálculo, ou relatório fiscal confuso ou impreciso na discriminação dos débitos ou mesmo dos fatos geradores. Destacase que todos os passos necessários a realização do procedimento: encontramse devidamente descritos no processo, inclusive encontramse anexados os respectivos termos que não apenas demonstram a regularidade do procedimento, como as devidas intimações, Quando do encerramento do procedimento, foram entregues ao recorrentes os relatórios e documentos descrevendo os fatos geradores, digase de forma individualizada e fundamentação legal que constituíram a lavratura do AI ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD – Discriminativo analítico de débito, que descreve mensalmente, a base de cálculo apuradas, as contribuições e respectivas alíquotas. Inclusive ressaltese a elaboração de planilha individualizada, (ANEXO I)contendo nominalmente o salário de contribuição apurado em relação a cada rubrica (levantamento), o que permitiria ao recorrente conferir as bases de cálculo ali apuradas com os documentos apresentados durante o procedimento e aqueles descritos na contabilidade do autuado. Ao contrário do que alega o recorrente a fiscalização não precisa separar em AI cada uma das rubricas apuradas durante o procedimento fiscal para que se tornasse claro e preciso o lançamento. A obrigação da autoridade fiscal é lavrar o AI na forma prevista na lei e atos normativos, deixando claro ao autuado os fatos geradores e períodos a que se refere. Analisando o auto de infração, entendo restar evidenciado cada um dos fatos geradores apurados, no relatório DAD encontramos por competência cada um dos fatos geradores, como nome do lançamento e competência a que se refere. Já no anexo I, digase citado no relatório fiscal, o auditor detalha cada fato gerador, razão pela qual entendo infundados os argumentos de nulidade do lançamento. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, afastando a pretensa nulidade argüida pelo recorrente, seja em relação a decisão proferida, ou ao próprio auto de infração. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Quanto a alegação de ausência de averiguação por parte da autoridade de primeira instância dos requisitos de validade do AI, entendo que razão não assiste ao recorrente. Bastanos ler a Decisão de primeira instância, para observar ter o julgador cumprido seu papel em apreciar os argumentos trazidos pelo recorrente, frente ao relatório fiscal apresentado. A interpretação dada pelo julgador ou mesmo pelo auditor fiscal, nem sempre se coaduna com o entendimento esboçado pelo impugnante, até porquê, se fosse o mesmo, não haveria litígio. Contudo, cabe a autoridade julgadora enfrentar as questões trazidas pelo impugnante, mas sem a necessidade de apreciálas, ponto a ponto, desde que a teses trazidas pela defesa seja no todo ou afastadas ou mesmo acatadas parcialmente. O julgador não tem, assim como este colegiado, acesso a todos os documentos e provas apresentados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, é consubstanciado no relatório fiscal, e nos documentos e argumentos trazidos na defesa e recurso é que será possível estabelecer um juízo de valor, para identificar se os fatos descritos pelo auditor realmente caracterizam como fato gerador de contribuição previdenciária. Conforme dito acima, a discordância do julgador com as argumentações trazidas aos autos pelo recorrente, de forma alguma demonstram qualquer vício. Este vício estaria presente se não fosse apreciada matéria trazida na impugnação, nem mesmo tendo a mesma sido averiguada em conjunto com as demais. Todavia, o próprio recorrente transcreve parte da decisão, no qual demonstrase a apreciação da nulidade. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA e SAT Em relação aos argumentos acerca do INCRA, destaco, assim como já abordado pelo julgador de primeira instância, que essa contribuição não encontrase abrangida Fl. 982DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 8 13 no presente lançamento, razão pela qual abstenhome de apreciar a questão.No mesmo sentidonão há o que ser apreciado acerca do SAT. DIFERENÇA DE FÉRIAS Quanto ao levantamento férias, primeiro convém destacar os aspectos trazidos pelo auditor para fundamentar o lançamento, fls. 204 do REFISC: DIFERENÇAS DE FÉRIAS 4.1.1. Neste levantamento encontramse as diferenças de férias pagas aos empregados por ocasião da sua concessão, não oferecidas à tributação. 4.1.2. As diferenças foram apuradas com base nas informações constantes nas folhas de pagamento, por ,. meio das verbas G60 (Férias Normais), G62 (Férias 1/3 Constitucional) e 440 (Complemento de Férias Acordo Coletivo). 4.1.3. Os valores mensais considerados como basedecálculo, encontramse discriminados por estabelecimento e por competência no DD — Discriminativo do Débito (anexo ao presente Al), nos levantamentos "DF6" e "DF7". As diferenças discriminadas por empregado encontramse no anexo I. Por outro lado, o recorrente em seu recurso alega a impossibilidade de identificar os fatos geradores, face a imprecisão do relatório fiscal, bem como a vinculação do conceito de salário de contribuição a efetiva retribuição pelo trabalho, sendo que não devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária a verbas com caráter eminentemente indenizatório. Assim, argumenta: Portanto, as verbas adicionais referentes a férias que possuam tal caráter indenizatório não podem justificar a cobrança de contribuições previdenciárias, tal como pretendido pela fiscalização através das autuações originárias, o que enseja, evidentemente, a declaração de sua manifesta improcedência, reformandose, deste modo, Acórdão recorrido. Por outro lado o julgador ao apreciar a questão, afastou prontamente os argumentos do recorrente descrevendo que a própria nomenclatura adotada no relatório fiscal, baseada na própria folha de pagamento do recorrente demonstra, que o lançamento não envolve apenas pagamento de 1/3 de férias trazido pelo recorrente em seu recurso. Notese, que após a referida decisão o recorrente traz a mesma argumentação sem especificar suas alegações em relação aos valores apurados em sua própria contabilidade quanto a contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo). Observase às fls. 860, que os valores foram apurados no próprio resumo de férias, sendo perfeitamente possível a empresa identificar as origens dos valores, demonstrando, face a legislação aplicável que realmente se tratavam de verbas com natureza indenizatória. Assim, de início entendo que a ausência de impugnação expressa, acaba por impossibilitar a esse colegiado a apreciação dos valores lançados por meio das contas G60 (férias normais) e 440 (complemento de férias acordo coletivo), restando apenas a apreciação do lançamento em relação ao 1/3 férias. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 A alegação de tratarse genericamente de verbas indenizatórias não pode ser acatado, quando não demonstra especificamente o recorrente que a verbas pagas caracterizam se, por exemplo como férias pagas na rescisão, essas sim, excluídas do conceito de salário de contribuição. Contudo, antes de seguir com a apreciação da natureza da verba, entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) No caso do 1/3 pago à titulo de adicional de férias, embora o pagamento das verbas seja compulsório, dáse simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral, o qual o pagamento não se coaduna com verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada mais é do que um ganho, não uma despesas com destinação certa e provável. Esse ganho também não apenas será usufruído pelo empregado, como poderá fazer uso da maneira que achar convenientes Conforme descrito anteriormente o alegado afastamento da incidência de contribuição sobre essa parcela com base no disposto na alínea “d” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não se sustenta. Vejamos o que dispõe a norma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (...) Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, a lei 12844/2013 – que alterou a 10.522 nos casos do recursos repetitivos transitados em julgados, deve a receita observar a norma (adequando suas decisões), exceto no caso de existência de recurso extraordinário discutindo a mesma matéria, o que se observa no presente caso. Assim, não há como afastar a incidência da contribuição até a decisão final a respeito do tema. Assim, consistindo em um ganho para o trabalhador, nítida a sua feição salarial, razão pela qual compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias., sendo Fl. 984DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 9 15 novamente descabida a compensação realizada. Notese que o valor em questão sendo computado como salário de contribuição, será incluído no cálculo do salário de benefício do empregado, quando do cálculo dos benefícios a ele devidos. CONCLUSÃO: não assiste razão ao recorrente em relação a exclusão da incidência de contribuições sobre os pagamentos feitos à título de (1/3 de férias) – conta G62, bem como, mantendose o lançamento, pela não impugnação expressa em relação aos demais contas G60 e 440. SEGURO DE VIDA EM GRUPO Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites para que o seguro de vida em grupo esteja desvinculado do conceito de salário de contribuição, (indicando na lei a necessidade de previsão em acordo ou convenção coletiva) convém analisar a questão de forma um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional. Foram fundamentos para o presente lançamento, conforme podemos extrair do relatório fiscal: Em 2005, a Aracruz contratou Seguro de Vida em Grupo para os seus empregados e dirigentes, arcando com o custo integral do beneficio. 0 Seguro de Vida foi contratado com a Seguradora IWO Seguros S/A. 4.2.3. 0 artigo 28 da Lei n° 8.212 de 24/07/91, define claramente o salário de contribuição. E o artigo 214, parágrafo 9 0 , inciso XXV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06 de maio de 1999, .abaixo transcrito, estabelece que o valor das contribuições efetivamente pagas pela pessoa jurídica, relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, somente não é saláriode contribuição se estiver previsto em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho e disponível totalidade de seus empregados e dirigentes. Portanto, para que a referida parcela não integre o saláriode contribuição, é necessário que a mesma esteja prevista em Acordo ou Convenção Coletivo de Trabalho e disponível a totalidade de seus empregados e dirigentes. 4.2.5. Neste sentido, a empresa foi intimada a apresentar o Acordo ou Convenção Coletiva do Trabalho, contendo a previsão para fornecimento do Seguro de Vida em Grupo para seus empregados e dirigentes. Em atendimento a intimação, a empresa informou que "Inexiste previsão no acordo coletivo, pois tal direito incorporouse definitivamente ao contrato de trabalho". (esclarecimentos encontramse no anexo II) 4.2.6. Diante desta constatação, os recursos destinados pela empresa para cobertura do prêmio de Seguro de Vida em Grupo para seus empregados e dirigentes, integram o saláriode contribuição, nos termos do artigo 28, incisos I e Ill, da Lei 8.212, de 24/07/1991 e §§ 9°, XXV e 10°, do artigo 214, do Fl. 985DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Regulamento da Previdência Social— RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme identificamos nos normativos da própria empresa, o benefício concedido está assim definido: 4.44 Seguro de Vida em Grupo SVG E o pagamento de indenizaçõess na ocorrência de morte ou invalidez permanente, total ou parcial do empregado. Ele cobre ainda morte do cônjuge e dependentes. 0 empregado, seu cônjuge e dependentes estão cobertos por este seguro a partir de sua admissão. 0 custo do seguro é totalmente coberto pela Aracruz. Na data de admissão, o empregado assina um cartão proposta que garante a cobertura a partir daquele instante como segurado principal. As coberturas estão definidas na apólice. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes de apreciar os argumentos da autoridade fiscal em relação ao lançamento. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº2119 /2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda: Contribuição Previdenciária. Seguro de Vida em Grupo. O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. Analisando a apólice colacionada aos autos, fls. 733, volume 4, identificase que não se trata de seguro individual, mas um seguro único que atende a todos os empregados na empresa, estabelecendo valor máximo de seguro: GRUPO SEGURÁVEL Constituem grupo segurável desta apólice todos os diretores, funcionários e estagiários da Estipulante, denominados componentes principais, e os seus respectivos cônjuges e filhos, denominados componentes dependentes. 7. CAPITAL SEGURADO • O capital segurado da garantia Básica de cada componente principal corresponde a 25 (vinte e cinco) vezes seu salário do mês da cobertura, observado limite e máximo de R$ 430.000,00 (quatrocentos e trinta mil reais) 7.1. Os cônjuges participam automática 50% (cinquenta por cento) do capital da do respectivo segurado principal. 7.2. 0 capital segurado dos filhos corresponde a 10% (dez por cento) do capital da garantia Básica do respectivo segurado principal, observado o disposto no item 6 da Cláusula Suplementar de Inclusão de Filhos. Fl. 986DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 10 17 O referido parecer ensejou a publicação do Ato Declaratório 12/2011, de 20/12/2011 o qual no meu entender, atribui razão ao recorrente, posto que o “seguro de vida” fornecido pela empresa se coaduna, com o benefício mencionado no descrito parecer.Transcrevo abaixo, o ato declaratória para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 12 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2119 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.”(grifo nosso) JURISPRUDÊNCIA: REsp 759.266/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 13/11/2009; REsp 839.153/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/12/2008, DJe 18/02/2009; REsp 701.802 / RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA julgado em 06/02/2007, DJ 22/02/2007 p. 166; REsp 1121853 / RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 14/10/2009; AgRg no REsp 720.021/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 26/08/2009; AgRg no Ag 903.243/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.11.2007, DJe 31.10.2008; REsp 794.754/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.03.2006, DJ 27.03.2006; e REsp 441.096/RS, Rel.Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 03.08.2004, DJ 04.10.2004. CONCLUSÃO: Neste ponto, entendo que assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “seguro de vida em grupo” do lançamento em questão, face a aplicação do ato declaratório n. 12/2011. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO (EDUCAÇÃO SUPERIOR) Conforme descrito pela autoridade fiscal, a verba paga em função da bolsa auxílio educação e pósgraduação , não se enquadra nas exclusão prevista no art. 28, § 9, “t” da lei 8212/91, razão pela qual constitui salário de contribuição. Vejamos trecho do relatório fiscal: 0 artigo 28, § 9°, "V', da Lei n°. 8.212/91, estabelece que não integra o saláriodecontribuição: "0 valor relativo a plano educacional que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela Fl. 987DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada. pela Lei n°9.711, de 20.11.98)" (grifo nosso) • • 4.3.4. 0 artigo 21 da ,Lei n°. 9.394/96, divide: .a educação escolar em: básica (formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e educação superior. 4.3.5. De acordo com o dispositivo legal, para que não haja incidência das contribuições previdenciárias, os valores devem ser gastos apenas com educação básica e com cursos de capacitação e qualificação profissionais, vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, não englobando educação superior, de que trata os arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394/96. Analisando a cartilha de benefícios da empresa, verificamos também que não existe previsão para fornecimento desse beneficio aos empregados e dirigentes. 4.3.8. A empresa informou que o beneficio foi pago apenas para os funcionários da filial Guaíba, pois faz parte da política de benefícios adotada pela fábrica de Guaíba, • antes de sua aquisição pela Aracruz Celulose. 4.3.9. A empresa ao disponibilizar o beneficio apenas para os funcionários da filial Guaiba, está impondo um óbice à extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, contrariando o disposto na alínea § 9°, artigo 28, da Lei n°. 8.212/91. 4.3.10. Diante do exposto, os recursos destinados pela empresa para fornecimento de Bolsa Auxilio Graduação e Pós Graduação para os empregados da filial Guaiba, integram o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. • Assim, podemos destacar que dois são os fundamentos da autoridade fiscal, o primeiro por simplesmente tratarse de educação superior e o segundo por não ser extensível a todos os empregados. Quanto a questão da educação superior valhome de trecho da decisão de primeira instância para fundamentar minha decisão. Vejamos o trecho pertinente: 19. Sobre o argumento de que os cursos de capacitação e qualificação profissionais abrangem os cursos superiores, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário, o art. 39, abaixo transcrito, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei n° 9.394/96, seja em sua redação original, vigente à época dos fatos geradores, como na dada pela Lei n° 11.741/2008, vigente época da lavratura do Auto de Infração, de fato estabelece a possibilidade de os cursos superiores abrangerem os cursos profissionais: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, a ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. (redação original). Parágrafo único. 0 aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em Fl. 988DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 11 19 geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso a educação profissional. (redação original) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei n° 11.741, de 2008) (..) § 29 A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos:(incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) III — de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (incluído pela Lei n° 11.741, de 2008) 20. Ocorre que a empresa não logrou êxito em comprovar que tais cursos eram, de fato, capacitações e qualificações PROFISSIONAIS, ligadas ás atividades desenvolvidas pelos empregados na empresa, ou se eram cursos do interesse pessoal de cada trabalhador. No mais, nunca é demais relembrar a previsão do CIN acerca de interpretação no que concerne h. outorga de isenção: É nesse ponto que entendo assistir razão ao recorrente, o fundamento para não exclusão da verba como base de cálculo de contribuição é que o recorrente não comprovou a correlação entre o curso de graduação e pósgraduação e a atividade desenvolvida por cada empregado. Porém não foi esse o fundamento para o lançamento, e sim o simples fato de tratar se de curso superior. Contudo, entendo que o órgão julgador só poderia utilizarse desse argumento se a imputação fiscal fosse a não comprovação por parte da empresa de que os cursos oferecidos possuíam relação com as atividades desenvolvidas. Não estou com isso afirmando que os cursos oferecidos enquadravam na exclusão prevista na alínea “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, que assim, descreve: “t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011)”. O que entendo é que a imputação fiscal não se mostrou clara ao descrever esse fundamento como lançamento, e não acato a argumentação do julgador que competiria a empresa o ônus de provar que o seu benefício enquadravase na exigência legal. O outro fundamento para o lançamento, é que não preenchido o requisito de extensão a todos os empregados, nos termos da antiga redação do “t” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Quanto a este ponto, devemos identificar os argumentos do recorrente para justificar a concessão do benefício a apenas parte de seus empregados: No que se refere ao fato de que tais benefícios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da Recorrente, imp8e Fl. 989DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 se registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto de autuação (doc. 04 da Impugnação). 86. Tal informação se mostra essencial na medida em que todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente a tal incorporação, e não a novas solicitaq8es posteriores a este evento societário, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, estando os valores respectivamente quitados a titulo de financiamento de cursos de graduação e pósgraduação plenamente de acordo com o cogitado dispositivo previdenciário A época das correspondentes concessões. Significa dizer que, a despeito de não ter o costume de financiar tais cursos a seus funcionários e dirigentes, a ora Recorrente, ao incorporar estabelecimento que assim procedia (registrese, de forma plenamente regular com os requisitos legalmente tragados), optou por manter os benefícios que já haviam sido concedidos antes da incorporação. Novamente entendo que o argumento trazido pelo julgador não se mostra o mais acertado, para que a empresa pudesse usufruir do benefício: “22. Na situação ocorrida, a empresa tinha duas alternativas para tal importância não integrar o saláriodecontribuição, no que tange a este aspecto, totalidade de acesso: estender à outras filiais o que já era praxe em Guaiba ou encerrar tais pagamentos para os funcionários de tal unidade.”. Realmente, a época do lançamento (2009), o exclusão descrita na alínea “t” do § 9. do art. 28, determinava a extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa, porém entendo que os argumentos do recorrente são pertinentes a que se diga que nesse ponto também o lançamento não se aperfeiçoou para que se possa afirmar que o recorrente descumpriu os preceitos legais para usufruir do benefício de exclusão da base de cálculo. Nesse ponto, a primeira questão a ser respondida é: “A empresa Aracruz institui plano para fornecer o benefício de educação superior e pósgraduação a apenas parte dos seus empregados? Entendo que não. A mesma descreveu que o fornecimento deuse face a incorporação de empresa da cidade de Guaíba (empresa essa que sim, possuía plano de educação extensível a todos os empregados). Ao contrário do que entendeu o julgador, a legislação trabalhista é clara ao descrever nos seus art. 10 e 448 do DecretoLei 5452/1943 que instituiu a CLT, que alterações na estrutura jurídica (como é o caso da incorporação) ou mesmo alterações na propriedade não afetam os contratos de trabalhos. Ou seja, nos termos da legislação trabalhista não poderia a empresa simplesmente cessar a concessão do benefício, como entendeu o julgador para enquadrarse na exclusão legal. Vejamos dispositivos: Art. 10 Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. (...) Art. 448 A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Dessa forma, entendo que o fato de dar continuidade ao plano de fornecimento de educação aos empregados de empresa incorporada não é capaz de determinar o descumprimento da exigência “extensível a todos os empregados e dirigentes”, tendo em Fl. 990DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 12 21 vista que a exclusividade da concessão deuse por força legal e contratual, a qual o autuado não poderia eximirse, considerando até mesmo a possibilidade do empregado exigir a permanência do benefício face a justiça do trabalho. Apenas para esclarecer não estou me valendo do disposto no art. 458 § 2 da CLT para determinar a exclusão da base de cálculo (conforme argumentado pelo recorrente), posto que entendo que a legislação previdência, por ser norma específica, sobrepõemse a legislação trabalhista quando define os critérios de isenção. Contudo, não podendo o empregador (autuado) cumprir exigência legal por não ter sido ele instituidor do benefício, não cabe a fiscalização simplesmente penalizálo sem verificar se a empresa incorporada isoladamente (em período anterior), preenchia os requisitos legais. CONCLUSÃO: face as ponderações acima, entendo que deve ser excluído do lançamento, o levantamento CS6 – Curso Superior. ASSISTÊNCIA MÉDICA AOS DEPENDENTES Quanto a assistência médica e odontológica fornecida ao dependentes dos empregados e dirigentes constituírem base de cálculo de contribuições os fundamentos apontados pela autoridade fiscal para o lançamento foi que a legislação apenas exclui da base de cálcuco da contribuição a assistência fornecida ao próprio empregado e não aos dependentes deste. Vejamos o relatório fiscal: 2.8. A empresa disponibiliza aos seus empregados e dirigentes, extensivo aos dependentes, plano de saúde, de assistência médica e odontológica, através de contrato firmado com a operadora de plano de saúde MEDISERVICE, sendo extensivo a toda empresa, com exceção da filial Guaiba, cujo contrato foi realizado com a UNIMED Centro Sul e com a UNIODONTO Porto Alegre. 2.9. Os recursos destinados A cobertura da assistência médica, hospitalar e odontológica dos dependentes dos segurados empregados e dirigentes, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9°, "q", integram o salário decontribuição, nos termos do art. 28, incisos I e III da Lei n°8.212/91. 2.10. Os dados relativos aos fatos geradores ocorridos baseiamse nas informações, prestadas pela própria empresa, dos valores mensais por ela suportados com os dependentes que usufruiram dos beneficios ofertados pelo plano de saúde, e encontramse discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos PS6 e PS7, estando os valores discriminados por segurado no anexo I.2.11. As despesas com o plano de saúde dos dependentes, custeadas pelos empregados e dirigentes, não foram objeto de levantamento. Por outro lado, o recorrente entende que a legislação trabalhista não restrige a concessão apenas aos empregados, mas descreve que a assistência medica não é considerado salário in natura.. Nesse sentido afirma o recorrente: Fl. 991DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de beneficio concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contraprestação dos serviços do empregado. O fato de tal beneficio ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranqüilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxilio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. Analisando os dispositivos legais, entendo que razão não assiste ao recorrente, sendo que a extensão do benefício aos seus dependentes não encontrase no rol de exclusão previsto na alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei 8212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Ao contrário do que entende o recorrente para que os benefícios concedidos aos empregados não constituam salário de contribuição devem constar do rol de exclusão do art. 28, § 9 da lei 8212/91, não podendo valerse da legislação trabalhista para definir o conceito de salário de contribuição de contribuições previdenciárias. Da mesma forma, o conceito de salário de contribuição abarca todos os pagamentos feitos aos empregados, conforme previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos Fl. 992DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 13 23 decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Observase, ainda que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. CONCLUSÃO: Face os fatos descritos acima, entendo que deva ser mantido o lançamento em relação ao levantamento PS6 e PS7. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Quanto a este ponto, entendo que a base para o lançamento descrita pela autoridade fiscal é a ausência de acordo que respalde o pagamento de participação nos lucros ou resultados aos empregados de nível gerencial e executivo. a chamada GPR. QUANTO A EXISTÊNCIA DE ACORDO PARA O PAGAMENTO AOS DIRIGENTES Vejamos as questões colocadas pela autoridade fiscal: GESTÃO POR RESULTADOS (GPR) PAGA AOS EMPREGADOS OCUPANTES DE CARGOS EXECUTIVOS Fl. 993DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 2.12. A empresa adota dois programas de participação nos lucros ou resultados para seus empregados. Um para o nível operacional e administrativo (PLR) e outro para o nível executivo (GPR). 2.13. Pela análise dos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados, cujas cópias estão no anexo III As fls. 522 a 603, foi verificado que em todos os acordos consta cláusula de exclusão de gerentes, coordenadores e similares (cargos executivos), por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.14. A empresa foi intimada a apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Gestão por Resultados para os empregados ocupantes de cargos executivos. 2.15. A empresa informou que a exclusão do Termo do Acordo da PLR dos empregados que ocupam cargos executivos, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais, permite maior liberdade para tratar da questão, cujos esclarecimentos constam no anexo IV as fls. 605 a 610, não apresentando nenhum documento comprovando que as regras contidas no Programa de Resultados com Metas Individuais foram objeto de negociação, mediante um dos procedimentos definidos no art. 2°, I e II da Lei n° 10.101/2000. Quanto a existência de acordo que ampare o pagamento de PLR aos executivos, assim indicou o recorrente. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, As fls. 1.199 a 1.221. Considerando, as colocações do recorrente de existência de acordo que ampare o pagamento, não tenho como lhe atribuir razão. O item 4.5.4 do relatório fiscal, assim, descreve o descumprimento da lei. Pela análise dos. Acordos de Participação nos. lucros e Resultados, celebrados entre a Aracruz, e a Comissão de Representantes dos Empregados (no caso da filial Guaiba) e com os demais Sindicatos Representantes da Categoria dos Empregados (cópias anexo Ill). Verificamos que em todos os Acordos constam a seguinte cláusula: "2.2. Estio excluídos deste acordo: a — Os Gerentes, Coordenadores e similares (cargos executivos) por já possuírem um programa de resultados com Fl. 994DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 14 25 metas individuals e os casos não previstos no item 2.1."(grifo nosso) OU seja, fato é que o citado acordo coletivo não alcança os cargos executivos, tendo o auditor no item seguinte (4.5.5) intimado a empresa “apresentar o Termo de Acordo celebrado com o Sindicato ou Comissão escolhida entre as partes, contendo regras claras e objetivas estabelecidas para pagamento da Ge do por Resultados (GPR) em 2005, para os empregados ocupantes de cargos executivos. O programa Gerir Desempenho fl. 1201 (1181), não demonstra a existência de acordo com a participação do sindicato para sua elaboração, nem tampouco prova o recorrente que o mesmo faz parte de acordo coletivo. A fl. 606, em resposta ao termo de intimação n. 5, no item 2.2, a empresa informa que a remunueração variável encontrase consubstanciado em acordo coletivo (TODAVIA, O AUDITOR RESSALVA POR ESCRITO QUE OS REFERIDOS ACORDOS NÃO FORAM APRESENTADOS). CONCLUSÃO: descumprimento do art. 2 da lei 10.101/2000, posto que o plano GPR não cumpriu o rito legal, para que os valores pagos fossem excluídos do conceito de salário de contribuição. QUANTO A NEGOCIAÇÃO DO PLANO DIRETAMENTE COM A EMPRESA Segue o recorrente ainda destacando após citar o item 2.1, acima transcrito, que exclui os cargos executivos. Assim, claro está que houve, inequivocamente, negociação sindical e concedida liberdade para a Empresa e seu nível executivo tratarem diretamente da questão, não cabendo ao próprio sindicato ou a quem quer que seja, estabelecer juizo de valor em relação à forma como a Empresa deve implementar essa gestão, posto que esse nível de empregado nada mais é do que a exteriorização e representação da própria Empresa. Além disso, a parcela individual GPR está instrumentalizada através de acordo escrito celebrado entre o executivo e a Companhia, representada por seu chefe imediato, contendo todos os requisitos formais exigidos por lei, e que caracterizam um verdadeiro e legal programa de remuneração variável, sem qualquer mácula ou burla à lei, prestigiando o esforço e a contribuição individual dos empregados mais decisivos para o sucesso do negócio. Quanto a este ponto, concordo com o recorrente que nada impede que seja feito em documento apartado, desde que cumpra o mesmo rito do acordo principal. Senão vejamos: DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Fl. 995DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 26 II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Da leitura do § 1º do art. 2 da lei 10.101/2000, podemos extrair claramente a necessidade de constar dos instrumentos (seja realizada a negociação em documentos apartados ou no mesmo documentos) as regras, metas ou critérios que ensejarão ao pagamento. Neste caso, a exigência legal é que se negocie com os sindicatos, ou mesmo com a comissão de empregados, assistida por representante do sindicato, o “pretendido”, o que se deseja alcançar e o que isso representará de retorno para os empregados. Qualquer estabelecimento de planos diretamente pelo empregador, ou até mesmo sua negociação direta com os empregados (sem a participação do sindicato), adquire verdadeiro caráter de “acordo por adesão”, posto que a hipossuficiência do empregado frente ao empregador detentor do poder econômico”, não permite que sejam verdadeiramente negociadas as cláusulas (coerção presumida). O sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador; dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que não reflete nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, !3 salário etc.). CONCLUSÃO: entendo que a fixação de metas pela própria empresa posteriormente, não se amolda a pretensão constitucional de negociação de PLR, muito menos a exigência da lei que rege a matéria. FUNDAMENTAÇÃO: Descumprimento do § 1º do art. 2 da lei 10.101/2000. QUANTO A EXISTÊNCIA DE METAS Fl. 996DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 15 27 Embora entenda que a inexistência de acordo com a participação do sindicato já seja suficiente para manutenção do lançamento, passa a apreciar os demais itens apresentados pelo recorrente. Assim, descreveu o auditor: 2.16. Foi analisado o manual do programa GPR 2004, que originou o pagamento da GPR em 2005, verificandose tratar de um programa híbrido, composto de metas individuais e metas corporativas, sendo extensivo a todos os ocupantes de cargos executivos,., sendo os mesmos divididos em três níveis. 2.17. Para avaliação de desempenho individual o programa estabelece uma escala de avaliação contendo 5 níveis de desempenho, para os quais não existem regras claras quanto ao valor a ser recebido pelos empregados que obtiveram classificação entre os níveis de desempenho 1 a 4. 2.18. As metas corporativas também não possuem regras claras quanto ao valor a ser recebido de GPR, no caso das metas corporativas não terem sido atingidas ou terem sido atingidas proporcionalmente, tendo o programa apenas definido o valor máximo de salários a ser pago aos empregados executivos. No programa também não existem mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento das metas corporativas. Quanto a alegação de que o GPR da empresa não possua critérios para pagamento, discordo do posicionamento do auditor. Observando os termos do GPR entendo terem sim estipulado cirtérios para pagamento fixando inclusive os limites para os pagamento de acordo com os resultados. CONTUDO, DESTACO QUE ESSE ACORDO NÃO CUMPRIU O REQUISITO DE NEGOCIAÇÃO. QUANTO AO PAGAMENTO EM VALORES SUPERIORES AO ACORDADO – PR e PR1 Descrição fiscal do descumprimento: 2.19. Foi constatado, ainda, que vários empregados receberam valores expressivos e aleatórios muito superiores aos 8,5 salários estabelecidos no manual como valor máximo a ser pago a titulo de remuneração variável (GPR), o que demonstra mais uma vez a ausência de critérios claros e objetivos pré determinados exigidos pelo art. 2°, § 1° da Lei n° 10.101/2000. Quanto a este ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente. A lei 10.101/2000, estabelece a necessária negociação da participação dos lucros ou resultados, sendo livre as partes para pactuar as regras, metas e critérios para o pagamento, contudo ao pactuálos deverá obedecer os termos do acordo, sendo que ao pagar acima dos limites convencionados, afastase da exclusão da base de cálculo prevista no art. 28, §9 da lei 8212/91. No meu entender, tendo o recorrente descumprindo os limites do acordo, passa a conceder à título de parcela excedente uma mera gratificação (ou mesmo prêmio descrito pelo auditor), ou seja, sob essa acaba por incidir contribuição previdenciária. Não é a nomenclatura “participação nos lucros” que define, por si só, a natureza da verba, mas sua finalidade e características. Se os valores pagos ultrapassam aqueles previstos no instrumento que autorizam o pagamento, não há que se falar em previsão dos mesmos no acordo, razão pela qual correto o procedimento adotado. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 28 Vejamos trecho de decisão dos tribunais acerca dessa questão: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS X PRÊMIO – DENOMINAÇÃO DA PARCELA E SUA NATUREZA – PREVALÊNCIA. Verificandose que, embora denominada “participação noslucros”, a parcela paga ao trabalhador tinha natureza de “prêmio”, assim considerada a promessa de vantagem caso o empregado atinja certo nível de produção ou observe determinada conduta, temse como inaplicável o disposto no art. 10, XI da Constituição Federal e na lei 10.101/00, devendo ser reconhecida a natureza remunueratória dos valores pagos e eferidos os respectivos reflexos, não sendo admissível a prevalência do rótulo em relação ao conteúdo.” TRT – 24 Reg – Proc 00556200103124002 – RO Rel: Juiz Amaury Rodrigues Pinto Junior – DJMS 22.1.2003. CONCLUSÃO: Independente de não te cumprido o rito para formalização do acordo, ao pagar valores acima dos estipulados no acordo diretamente como empregador, não há que se falar em pagamento à titulo de PLR, assemelhandose a um mero bônus. PAGAMENTO DE BÔNUS – EMPRESA VERACEL. Por fim, quanto a este item, assim, argumenta a autoridade fiscal. 2.20. Analisando a folha de pagamento foi encontrada a rubrica Bônus Espontâneo (verba 134), nas competência 08 e 09/2005. Intimada, a empresa informou que se trata de nome tecnicamente equivocado, dado h antecipação da GPR, das pessoas que participaram do Projeto Veracel, cujos esclarecimentos seguem no anexo VI, de fls. 680 a 687. 2.21. Com base nos documentos apresentados, foi constatado que o Bônus Espontâneo não se trata de uma antecipação de GPR e sim do pagamento final da GPR referente ao Projeto Veracel, já que o adiantamento ocorreu em 27/06/2005. 2.22. Foi constatado ainda que diversos empregados receberam GPR mais de duas vezes no mesmo ano civil, o que é vedado pelo art. 3, § 2°, da Lei n° 10.101/2000, sendo que os referidos funcionários constam no anexo VIII de fls. 702. 2.23. Os dados relativos aos fatos geradores foram apurados com base na escrituração contábil e nas informações constantes das folhas de pagamento, por meio das verbas 277 (Part. Lucros Resultados/GPR) e 134 (Bônus Espontâneo) e estão discriminados por estabelecimento e competência no DD nos levantamentos GR6 e GR7, sendo que os valores discriminados por empregado encontramse no anexo I. Por outro lado argumenta o recorrente, sinteticamente em seu recurso Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito A periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados As fls. 1.276 a 1.321. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 16 29 Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. Quanto a este item na verdade, alega o recorrente que a periodicidade restou descumprida, mas não em relação ao PLR norma, ajustado originalmente no GPR, mas originouse do projeto de alcance de metas na construção da unidade VERACEL. Quanto a este ponto, também não acato os argumentos do recorrente. Ora, se a empresa estabelece vários planos de pagamento de lucros pelo alcance de metas, seja em relação a uma nova meta, acaba por se distanciar do conceito de PLR, passando, conforme descrito anteriormente a efetivar pagamentos pelo alcance de metas, mas não na concepção de PLR, mas sim de um mero prêmio, ou bônus. Em ambos os casos, evidente a sua natureza salarial. Por outro lado,mesmo que se acatasse o argumento de pagamento na modalidade de PLR, descumprido estaria de qualquer forma a periodicidade prevista em lei. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. CONCLUSÃO: independente de já descumprido o requisito da negociação, também entendo descumprido o requisito da periodicidade. APLICAÇÃO IRRESTRITA DO TEXTO CONSTITUCIONAL Independente dos apontamentos quanto a regularidade do PLR, assim, argumentou o recorrente O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores Fl. 999DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 30 na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresa, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdencidria em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte ds argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 17 31 os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 32 ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. CONCLUSÃO: o disposto no texto constitucional, não confere imunidade absoluta aos valores pagos a título de PLR, devendo, obedecer os preceitos da lei 10101/2000. QUANTO A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS Sendo válida a base de cálculo dos segurados, surge a obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001357/200995 Acórdão n.º 2401003.640 S2C4T1 Fl. 18 33 seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos do voto acima, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente notificação em sua totalidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância, rejeitar a nulidade do lançamento e no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para: I) excluir do lançamento o levantamento “seguro de vida em grupo”, levantamentos SG6 e SG7; II) excluir do lançamento o levantamento CS6 – Curso Superior. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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