Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.720799/2018-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.720799/2018-52
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020271
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.106
nome_arquivo_s : Decisao_10166720799201852.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
nome_arquivo_pdf_s : 10166720799201852_6020271.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7780079
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120469471232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 109 1 108 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720799/201852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.106 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente HELENICE ROCHA DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 99 /2 01 8- 52 Fl. 114DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 51/55) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014 (efls. 39/50), onde se apurou Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 03, 09/12), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 67): o valor contestado referese a pagamentos de pensão alimentícia em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual; a contribuinte declarou os valores pagos a título de pensão alimentícia descontados diretamente no seu contracheque no importe de 20% dos seus rendimentos para sua genitora, nos termos de decisão judicial; a pensão alimentícia existente entre a declarante e sua genitora foi estabelecida nos autos do processo que tramitou na 4ª Vara de Família de Brasília/DF, com sentença proferida em 2009, transitada em julgado em 2012; a Receita Federal não pode afastar aplicação de lei ou ato normativo no todo ou em parte em desobediência ao Princípio da Legalidade, tampouco rechaçar decisão judicialmente homologada; e a contribuinte jamais declarou a dedução do imposto de renda com o escopo de prejudicar o Fisco, somente praticou o que a legislação lhe assegura para fins de dedução do imposto de renda, sendo a quantia declarada plenamente capaz de ensejar o abatimento devido no imposto de renda da declarante. A Impugnação foi julgada improcedente pela 19ª Turma da DRJ/RJO (efls. 66/72). Cientificada do acórdão de primeira instância em 26/07/2018 (efls. 75), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 21/08/2018 (efls. 78/82) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta síntese dos fatos processuais. Sobre a fixação da pensão alimentícia paga a sua genitora, esclarece que o acordo de prestação de alimentos foi firmado via homologação judicial através do processo n° 12397/89, o qual tramitou na 4ª Vara de Família da Circunscrição Judiciária de BrasíliaDF. Expõe que a pensão foi inicialmente fixada em 30% e desde então ela é descontada diretamente Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10166.720799/201852 Acórdão n.º 2002001.106 S2C0T2 Fl. 110 3 na fonte pagadora da autora pelo órgão público ao qual é vinculada. Acrescenta que, por necessidade financeira, pleiteou a homologação da redução dos alimentos para 20% em 2001 e para 15% em 2015. Alega que anualmente faz a declaração de seu imposto de renda deduzindo o valor pago a título de alimentos para sua genitora respaldada pelo art. 1.694 do Código Civil combinado com os art. 3º e 11° da Lei 10.701/03 e amparada nos artigo 4º, inciso II da Lei n° 9.250/95, art. 10, inciso II da Lei 8.383/91 e art. 12A, §3° da Lei 7.713/88. Aduz que é perfeitamente cabível, legal e legítimo o desconto efetuado, sendo este o entendimento consolidado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme Súmula nº 98. Destaca que Zilda Oliveira Rocha, sua mãe, hoje encontrase com 93 anos e há 10 anos reside no endereço SHA, Chácara 26, casa 13, Arniqueiras, Brasília DF, CEP: 71.994503. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõese observar, inicialmente, que o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família somente pode ser deduzido na Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A do Código de Processo Civil, nos termos do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Extraise dos documentos juntados aos autos que a recorrente estava obrigada ao pagamento de alimentos para sua mãe no valor de 20% de seus rendimentos líquidos, conforme acordo homologado judicialmente em 2001 (efls. 19/24). Cumpre esclarecer, contudo, que a origem judicial da pensão alimentícia não é suficiente para que esta seja dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda, ao contrário do que entende a interessada. Para que possam ser deduzidos, os alimentos precisam ser pagos conforme as normas do Direito de Família, o que não resta comprovado no presente caso. Sobre o assunto, cabe transcrever o disposto nos arts. 1.694 e 1.695 do Código Civil: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. §1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. Fl. 116DF CARF MF 4 §2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Concluise da leitura desses dispositivos que, de acordo com as normas do Direito de Família, a prestação de alimentos pelos parentes decorre do dever de sustento de quem não possui recursos para suprir as suas necessidades. Ocorre, contudo, que no caso em tela não se pode extrair dos documentos acostados aos autos quais foram as condições determinantes do pagamento da pensão alimentícia em exame, não sendo possível verificar, por conseguinte, se a destinatária dos alimentos era, fato, incapaz de prover o próprio sustento. Cabe ressaltar que não se está negando validade ao acordo homologado judicialmente para pagamento de pensão alimentícia. A questão em análise é tão somente quanto à produção de efeitos no âmbito do Direito Tributário, particularmente na Declaração de Ajuste Anual da recorrente. Assim, não restando comprovado que o pagamento da pensão alimentícia foi realizado de acordo com as normas do Direito de Família, tal como determina a legislação do Imposto de Renda, mantémse a glosa da dedução correspondente. Vale mencionar, por fim, que a Súmula CARF nº 98 aludida pela recorrente encontrase revogada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900647/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.900647/2014-32
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020338
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.256
nome_arquivo_s : Decisao_10880900647201432.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10880900647201432_6020338.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7780953
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120471568384
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-12T12:59:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-12T12:59:42Z; Last-Modified: 2019-06-12T12:59:42Z; dcterms:modified: 2019-06-12T12:59:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-12T12:59:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-12T12:59:42Z; meta:save-date: 2019-06-12T12:59:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-12T12:59:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-12T12:59:42Z; created: 2019-06-12T12:59:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-12T12:59:42Z; pdf:charsPerPage: 2221; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-12T12:59:42Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.900647/2014-32 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.256 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900562/2014-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schluckin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 47 /2 01 4- 32 Fl. 70DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.256 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900647/2014-32 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 71DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.256 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900647/2014-32 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900562/2014-54, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.246, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.246 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 72DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.256 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900647/2014-32 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 73DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.256 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900647/2014-32 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 74DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.256 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900647/2014-32 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.013231/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL DE PROFESSOR. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. RELAÇÃO CONTRATUAL FORMALIZADA COMO PESSOA JURÍDICA. IRRELEVÂNCIA.
Incabível a tributação como pessoa jurídica em relação aos rendimentos obtidos pela pessoa física que, individualmente, exerça a atividade de professor, cuja retribuição é decorrente de natureza eminentemente pessoal do trabalho, em caráter personalíssimo. A formalização da relação contratual em nome de pessoa jurídica, da qual o professor é sócio, não altera as características dos rendimentos percebidos, mantendo-se a pessoa física como sujeito passivo da obrigação tributária.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ART. 129 DA LEI Nº 11.196, DE 2005. NORMA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, que disciplina o regime de tributação na prestação de serviços intelectuais, não configura norma de caráter interpretativo, por inovar o ordenamento jurídico, razão pela qual é inaplicável a fatos pretéritos a sua entrada em vigor.
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE.
Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixe a multa de ofício no patamar de 75% sobre o tributo.
(Súmula CARF nº 2)
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).
(Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2401-006.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL DE PROFESSOR. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. RELAÇÃO CONTRATUAL FORMALIZADA COMO PESSOA JURÍDICA. IRRELEVÂNCIA. Incabível a tributação como pessoa jurídica em relação aos rendimentos obtidos pela pessoa física que, individualmente, exerça a atividade de professor, cuja retribuição é decorrente de natureza eminentemente pessoal do trabalho, em caráter personalíssimo. A formalização da relação contratual em nome de pessoa jurídica, da qual o professor é sócio, não altera as características dos rendimentos percebidos, mantendo-se a pessoa física como sujeito passivo da obrigação tributária. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ART. 129 DA LEI Nº 11.196, DE 2005. NORMA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, que disciplina o regime de tributação na prestação de serviços intelectuais, não configura norma de caráter interpretativo, por inovar o ordenamento jurídico, razão pela qual é inaplicável a fatos pretéritos a sua entrada em vigor. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixe a multa de ofício no patamar de 75% sobre o tributo. (Súmula CARF nº 2) JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula CARF nº 4)
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.013231/2009-19
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029142
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.225
nome_arquivo_s : Decisao_10830013231200919.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830013231200919_6029142.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7814898
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120474714112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.013231/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.225 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria IRPF Recorrente EDUARDO TINOIS DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PROFISSIONAL DE PROFESSOR. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. RELAÇÃO CONTRATUAL FORMALIZADA COMO PESSOA JURÍDICA. IRRELEVÂNCIA. Incabível a tributação como pessoa jurídica em relação aos rendimentos obtidos pela pessoa física que, individualmente, exerça a atividade de professor, cuja retribuição é decorrente de natureza eminentemente pessoal do trabalho, em caráter personalíssimo. A formalização da relação contratual em nome de pessoa jurídica, da qual o professor é sócio, não altera as características dos rendimentos percebidos, mantendose a pessoa física como sujeito passivo da obrigação tributária. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ART. 129 DA LEI Nº 11.196, DE 2005. NORMA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, que disciplina o regime de tributação na prestação de serviços intelectuais, não configura norma de caráter interpretativo, por inovar o ordenamento jurídico, razão pela qual é inaplicável a fatos pretéritos a sua entrada em vigor. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 32 31 /2 00 9- 19 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 3 2 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixe a multa de ofício no patamar de 75% sobre o tributo. (Súmula CARF nº 2) JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. É válida a incidência sobre débitos tributários de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido a título de pessoa jurídica sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório EDUARDO TINOIS DA SILVA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1260.479/2013, às efls. 225/240, que julgou procedente em parte o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação aos anoscalendário 2004 a 2006, conforme peça inaugural do feito, às efls. 04/13, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 01/10/2009, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vinculo empregaticio, conforme Termo de Verificação em anexo, que ora fasz parte integrante deste Auto de Fato Gerador Infração. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de efls. 14/19, a autoridade fiscal assim se manifesta: a ação fiscal é decorrente de demanda do Ministério Público da UniãoMinistério Público do Trabalho da 15ª Região Coordenadoria de Defesa de Interesses Difusos e Coletivos CODIN, comunicada através do Oficio n°85.767CODIN, referente ao processo IC 20364/200604, no qual foram constatadas as irregularidades praticadas pela FACAMP — Faculdade de Campinas, cuja razão social é "PROMOÇÃO DO ENSINO DE QUALIDADE S/A", CNPJ 03.377.471/000101, quanto à falta de registro de professores, contratação de professores mediante contratos de prestação de serviços de pessoas jurídicas, e pagamento de salário "por fora"; com a finalidade de executar os procedimentos previstos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.04.002009000276, o exame fiscal foi direcionado única e exclusivamente ao Imposto de Renda Pessoa Física declarado em DIRPF, correspondente aos rendimentos tributáveis dos Exercícios 2005 a 2007; em 04/02/2009, (AR fl. 28) o interessado foi cientificado do início da ação fiscal, que se fez acompanhar do MPF, e intimado a apresentar documentos e esclarecimentos quanto aos rendimentos recebidos e constantes das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) apresentadas nos Exercícios de 2005 a 2007, em especial os comprovantes de pagamentos (documentação hábil e idônea) dos valores recebidos da Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 5 4 PROMOÇÃO DO ENSINO DE QUALIDADE S/A (FACAMP), conforme registros contábeis da fonte pagadora (fls. 26/27); em 20/02/2009, em atendimento ao Termo de Início de fl. 26/27, o interessado apresentou documentos e asseverou que durante o período citado recebeu através da empresa Amorimtinois Computação Gráfica Ltda ME pelos serviços prestados à instituição FACAMP, conforme Notas Fiscais sempre emitidas no final do mês e anexadas aos autos (fls. 29/32); acrescentou o interessado que os valores recebidos variavam de acordo com a carga de trabalho de professor estipulada para o semestre, detalhando que apenas nos meses de março, maio e setembro de 2004 houve equívocos nos valores elencados; haja vista a afirmação do interessado de que fazia parte do quadro docente da entidade FACAMP, a documentação apresentada sem qualquer divergência quanto ao período de prestação do serviço (janeiro de 2004 a dezembro de 2006) e a informação da fonte pagadora no sentido de identificar a natureza dos serviços prestados como sendo científica e em caráter personalíssimo, a autoridade autuante concluiu que houve omissão de rendimentos tributáveis sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, conforme legislação tributária, conforme demonstrado a seguir: (...) foi destacado, ainda, que, embora os pagamentos efetuados fossem pagos a Amorimtinois Computação Gráfica LtdaME, por serem referentes a serviços prestados na condição personalíssima de profissional liberal, têm a natureza de rendimentos tributáveis auferidos a título de docência. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, cancelando a exigência fiscal em relação ao exercício de 2007, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 247/271, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após extenso relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão de piso, senão vejamos: Preliminarmente 1. Da multa confiscatória – 75% Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 6 5 Se é exato que somente uma situação que reflita alguma capacidade contributiva pode ser objeto de tributação, não é menos correto que a pessoa que nela se encontre não pode, em razão disto, ser tributada num tal nível que a impeça de continuar a exercer atividade lícita, ou que lhe retire o indispensável ou que reduza o padrão de contribuinte capacidade contributiva como limite de tributação, conforme art. 150, IV da Constituição da República, doutrina e jurisprudência colacionadas. A sanção tributária tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, não podendo ser usada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. Não é qualquer atraso no pagamento de tributos, ou suposta alegação de débito deste, que deve legitimar a previsão da multa exacerbada no patamar de 75% quando a inflação anual gira em torno de 12%. Nem mesmo a sonegação de determinado tributo justificaria apenação de uma multa que exproprie desarrazoadamente o sujeito passivo de parcela de seu patrimônio desproporcional à hipotética infração alegada. 2. Da ilegalidade da Selic A taxa Selic é calculada diariamente pelo Banco Central a partir das negociações dos títulos públicos e das variações de seus valores de mercado, se revestindo da característica de juro remuneratório e não moratório e, como tal, sua aplicação como encargo tributário da União malfere o disposto no § 1º do art. 161, do Código Tributário Nacional e o § 3º do art. 192, da Constituição da República. Tratase, então, não somente de inconstitucionalidade manifesta como também de quebra de hierarquia das leis, vez que as Leis ordinárias nº 9.065/95 e 9.430/96 não poderiam ter alterado o Código Tributário Nacional (CTN), que tem status de lei complementar. 3. Da falta de pedido de esclarecimento Reza o § 1º do art. 845, RIR/99 que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elementos seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão e o interessado recebeu o Termo de Início da Ação Fiscal tão somente para apresentar os comprovantes de pagamento (documentação idônea) dos valores recebidos pela fonte pagadora PROMOÇÃO DO ENSINO DE QUALIDADE S/A (FACAMP). Então, não entende o interessado a autuação, pois cumpriu fielmente os pedidos ofertados, recolhendo devidamente seu imposto de renda de pessoa física e jurídica em todo o período. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 7 6 Os autos de infração são emitidos em descumprimento aos preceitos do Processo Administrativo FiscalPAF, Decreto nº 70.235/72, conforme doutrina reproduzida. Não pode emergir o auto de infração em epígrafe, ignorando atos e termos processuais previstos na legislação processual que rege a espécie e à qual está plenamente vinculada – art. 142, § único do CTN. Do mérito É afirmado que o interessado é sócio diretor da empresa limitada Amorimtinois Computação Gráfica LtdaME, sempre recolhendo o tributo conforme o regime tributário cabível. Fora contratada a referida empresa, na pessoa de seu sócio, a fim de prestar serviços de professor de informática, sendo certo que fora informado pela instituição PROMOÇÃO DO ENSINO DE QUALIDADE S/A (FACAMP) que não existia exigência do MEC quanto ao contrato de professores de informática. Ainda, a fonte pagadora iria contratar sua empresa para que desempenhasse a profissão em tela e que poderia emitir notas fiscais, deduzindoas e recolhendo o tributo devido sobre a pessoa jurídica. Ocorre que foi surpreendido pelo auto de infração, entendendo descaber tal pretensão, pois recolheu o Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica, por considerar que esta era sua obrigação. Caso fossem verdadeiras as mencionadas irregularidades apontadas no presente auto de infração, na pior das hipóteses, houve erro na arrecadação e declaração do referido imposto, estando o Poder Público, na melhor forma de direito, mais precisamente o art. 890 do Decreto nº 3.000/99, obrigado a compensar o interessado nos casos de pagamento indevido ou maior de imposto de renda. Adiante, o art. 891 do referido Decreto estabelece que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, atendendo a requerimento do contribuinte, pode autorizar a compensação de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos ou contribuições sob sua administração, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Então, requer desde já que sejam apurados os créditos existentes na empresa Amorimtinois Computação Gráfica LtdaME para efeitos de abatimentos de impostos supostamente não pagos pelo interessado, não precisando, talvez estar aqui, debatendo e se defendendo de fatos trazidos pela autoridade autuante, conforme reza o art. 892 do Decreto de Imposto de Renda. Repete que o imposto cobrado é indevido, pois entende que honrou com todas as obrigações tributárias, sempre pagando seus impostos, tanto na pessoa física quanto na jurídica. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 8 7 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS Quanto à falta de intimação do contribuinte para manifestação prévia, esta é desnecessária quando a autoridade fiscal dispuser de elementos suficientes para caracterizar a infração tributária e formalizar o lançamento, como é o presente caso e como ocorre no caso das chamadas “malhas” de pessoa física, em que o crédito tributário é constituído a partir das informações acerca do contribuinte constantes dos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, o auto de infração pode ser lavrado independentemente de intimação prévia ao sujeito passivo, o que não constitui irregularidade. O artigo 3°, da Instrução Normativa SRF nº 579/2005, expressamente, valida estes procedimentos, conforme reproduzido abaixo: Art. 3º O sujeito passivo será intimado a apresentar, no prazo fixado na intimação, esclarecimentos ou documentos sobre a irregularidade fiscal detectada, salvo se a infração estiver claramente demonstrada, com os elementos probatórios necessários ao lançamento Cumpre ressaltar que a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência, independentemente da participação do contribuinte. Somente a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, com a instauração do litígio e formalização do processo administrativo, é assegurado ao contribuinte o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Logo, antes da impugnação, não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de ofício pelo Fisco. Sendo assim, são vazios de sentido os questionamentos do autuado acerca da validade do procedimento prévio à lavratura do auto de infração, inexistindo qualquer embaraço ao exercício de seu direito de defesa. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 9 8 Já em relação ao questionamento acerca da multa e da taxa selic, essas matérias serão tratadas no mérito. MÉRITO Em apertada síntese, vêse que a autoridade autuante apurou a omissão de rendimentos tributáveis sem vínculo empregatício recebidos pelo interessado da pessoa jurídica PROMOÇÃO DO ENSINO DE QUALIDADE S/A (FACAMP), na qual exercia a função de professor, nos exercícios de 2005, 2006 e 2007. Irresignado, o interessado afirma, conforme transcrição a seguir, que é sócio diretor da empresa limitada empresa Amorimtinois Computação Gráfica LtdaME, e que fora contratada a referida empresa pela pessoa jurídica PROMOÇÃO DO ENSINO DE QUALIDADE S/A (FACAMP), para que prestasse serviços de professor de informática, sendo informado de que poderia emitir notas fiscais, recolhendo o tributo devido como pessoa jurídica, e desta forma procedeu. Fora contratada a referida empresa, na pessoa de seu sócio, a fim prestar serviços de Professor de Informática, sendo certo que à época fora informado pela FACAMP que não existia exigência do MEC quanto ao contrato de professores de informática, e que sendo assim, que a mesma fonte pagadora iria contratar sua empresa, para desempenhar a profissão em tela, e que este poderia emitir notas fiscais, deduzindoas e recolhendo seu Imposto der Renda sobre a Pessoa Jurídica. Relativamente à matéria, entendo assistir razão ao Recorrente. Isso porque o não há impedimento na legislação para a prestação de serviços do caso em tela pela pessoa jurídica legalmente constituída. Dessa forma, merece guarida a pretensão do contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 2202001.496, o qual me filio, da lavra do Conselheiro Pedro Anan Junior, exarado pela 2a Turma Ordinária da 2° Câmara nos autos do processo n° 18471.001252/200598, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: O primeiro ponto que gostaria de destacar é em relação a possibilidade ou não por parte do Recorrente da prestação de serviço ser explorado por uma pessoa jurídica. Entendo que não há em nosso sistema de direito positivo, qualquer espécie de vedação ou proibição de que uma pessoa física possa prestar serviço através de uma pessoa jurídica. Esta conclusão se mostra imperativa quando da análise das normas de natureza tributária: não há norma prescrevendo que os rendimentos advindos da exploração de direitos de personalidade sejam tributados, necessariamente, pelo IRPF, tendo em vista suposta vedação de seu licenciamento a terceiros (que se classifiquem como pessoas jurídicas). A mesma exegese aplicase à prestação de serviços personalíssimos (de natureza intelectual), que pode perfeitamente ser exercida mediante constituição de pessoa Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 10 9 jurídica: isso tanto sob a forma de sociedades simples como empresárias1. O fundamento jurídicoeconômico para a adoção desta estrutura (constituição de pessoa jurídica), in casu, foi: a) promover a distinção entre o patrimônio, renda e despesas da empresa e de seus sócios; b) limitar a responsabilidade da atividade empresarial ao capital social da respectiva pessoa jurídica. Nos casos já julgados sobre essa matéria por esse tribunal administrativo (recursos 164.608, 154.280, 141.697, 144.929, 127.793, 146.398), os relatores trazem, como razões de decidir, que a legislação tributária adota o critério de identificação do contribuinte, no que se refere ser ele pessoa física ou jurídica titular e da natureza da renda para definir que no caso em concreto os rendimentos auferidos pela sociedades em que o Recorrente era sócio só poderiam ser atribuídos a pessoa física e nunca a pessoa jurídica. Deste entendimento, eu não posso partilhar, pois: (a) as sociedades são, atualmente, divididas em sociedades simples (que exercem atividades acoimadas de “natureza civil”2) e empresárias (atividades tidas como de índole “comercial”3); (b) como reconhecido pela própria decisão da DRJ que a empresa autuada apurou lucro em suas atividades, e, inclusive, recolheu a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL devida na espécie (o que comprova que a mesma tem finalidade lucrativa!); (c) o fato do Recorrente prestar os serviços no lugar da pessoa jurídica constituída não desqualifica a atividade exercida por esta última, sendo que toda pessoa jurídica presta seus serviços através de seus sócios, empregados ou terceiros (sub contratação). Isso, aliás, é expressamente autorizado pelos artigos 966, 981 e 997 da Lei n.º 10.406/02 (Código Civil de 2002); (d) o fato dos serviços serem, necessariamente, prestados por um de seus sócios não desqualifica sua atividade como uma prestação de serviços: esta assertiva parte de um conceito ontológico e não positivo de “prestação de serviços”, ao passo que tanto os artigos 5944 e 6075 da Lei n.º 10.406/02 (Código Civil de 2002), como o artigo 156, inciso III, da Constituição Federal de 1988, não fazem esta limitação. Este entendimento é coadunado pelo C. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA que, em várias julgados, reconheceu não apenas a validade da cessão ou licenciamento do direito de uso de marca, como também a possibilidade de tributação, pelo Imposto sobre Serviços – ISS, desta atividade. Eilo: Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 11 10 “Tributário Imposto sobre Serviços (ISS) Utilização de marca Exploração de modelos e desenhos artísticos Del 406/1968 Precedentes STJ. Os contratos de licença para utilização e uso de marca são considerados bens incorpóreos, passíveis de locação, sujeitando se a tributação regulada pelo ISS. Recurso não conhecido”. (STJ, 2ª T., REsp n.º 63.847/RJ, Rel. Min. PEÇANHA MARTINS, D.J.U. 19.05.1997, pg. 20.603 – destaques são meus) Independentemente da análise quanto à validade ou não da tributação destas atividades pelo Imposto sobre Serviços (por consubstanciarem verdadeira locação de bens móveis), uma conclusão é inconteste à luz da legislação pátria e da jurisprudência do C. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: estas atividades podem ser exercidas por pessoa jurídica, inclusive para fins tributários. Além do mais, nosso ordenamento jurídico já previa, expressamente, hipóteses de tributação, como pessoas jurídicas, de sociedades unipessoais e pluripessoais. Tratase do artigo 9º, §1º, do Decretolei n.º 406, de 31.12.19687, que regulamenta a tributação, pelo Imposto sobre Serviços, de sociedades prestadoras de serviços de natureza “pessoal”. A diferença destas atividades para com as sociedades de profissão legalmente regulamentada reside em que estas últimas, quando preenchidos os pressupostos elencados no §3º8 do artigo 9º do Decretolei n.º 406/68, poderiam calcular o Imposto sobre Serviços por elas devido “em relação a cada profissional habilitado, sócio, empregado ou não, que preste serviços em nome da sociedade, embora assumindo responsabilidade pessoal, nos termos da lei aplicável”. A validade desta forma de tributação, adiantese, foi confirmada pelo E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL em mais de uma oportunidade. Isso tanto à luz da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional n.º 01/69, como sob a égide da Constituição Federal de 1988. Confirase: (...) Sem mais delongas, o tema da desconsideração da personalidade jurídica já foi objeto de analise por parte deste Relator, em 06 de novembro de 2018, ensejando o Acórdão n° 2401005.827, o qual transcrevo em parte os fundamentos ali exarados e os adoto como razão de decidir: (...) Pois bem! Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 12 11 A personalidade jurídica pode ser definida como a aptidão para aquisição de direitos e deveres na ordem civil. Noutras palavras, em regra, a pessoa jurídica é criada para que seus sócios não respondam com seus bens pessoais, uma vez que esta possui personalidade distinta da de seus membros. Há, contudo, algumas hipóteses excepcionais por meio das quais o legislador admite uma exceção a essa regra para responsabilizar os sócios, desde que comprovada existência de abuso da personalidade, o qual é caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Esta é a redação do art. 50 do Código Civil: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Especificamente na seara tributária, o sujeito passivo da relação jurídica tributária é aquele de quem se exige o cumprimento da obrigação, geralmente sendo aquele sujeito que produz o fato gerador: o contribuinte. Ocorre, no entanto, que outra pessoa, que não aquela que praticou o fato gerador, pode também ser alçada à posição de sujeito passivo da obrigação tributária. A esta pessoa dáse o nome de responsável tributário. A responsabilidade pode ser imputada ao terceiro de três formas diferentes: pessoalmente, subsidiariamente ou solidariamente. A responsabilidade será pessoal quando competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação desde o nascimento desta. Ou seja, o responsável figurará como único sujeito passivo da obrigação e o contribuinte será, por conseguinte, afastado da obrigação de pagar o tributo. Com relação à responsabilidade subsidiária, nesta o terceiro será chamado para o pagamento somente se restar constatado a impossibilidade de pagamento pelo contribuinte, devedor originário/principal. Ou seja, se determinada responsabilidade for subsidiária, primeiro se cobrará do contribuinte e, somente no caso deste não cumprir com a obrigação tributária devida, se chamará o responsável subsidiário para efetuar o respectivo pagamento. Por fim, a responsabilidade será solidária quando mais de uma pessoa integra o polo passivo da obrigação tributária, sendo todos responsáveis ao mesmo tempo pela integralidade da dívida tributária. O Código Tributário Nacional trata da responsabilidade tributária por meio dos seguintes dispositivos: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 13 12 Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tratandose, portanto, de atos praticados por pessoas jurídicas, a responsabilidade recairá sobre o patrimônio do sócio e/ou administrador apenas quando se verificar a ocorrência das condições previstas no art. 50 do Código Civil ou daquelas inscritas nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional. No presente caso, embora não tenha apontado a ocorrência de nenhum dos requisitos acima previstos, o Fiscal Autuante responsabiliza o recorrente pelo pagamento de impostos incidente sobre receitas inegavelmente recebidas pela pessoa jurídica. Tal fato é afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal: (...) Ocorre, contudo, que essa conduta não encontra amparo na legislação brasileira. As únicas formas de se imputar Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 14 13 responsabilidade aos sócios seriam em decorrência do cumprimento dos requisitos do Código Civil ou do CTN. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre fiscal autuante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços advocatícios, cujo autuado é sócio. Como se sabe, a livre iniciativa, a liberdade negocial e de contratação são direitos do contribuinte, não cabendo à autoridade fiscal rechaçála tão somente porque considera (entende) fora de propósito às contratações. Tratandose de procedimento excepcional, a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que não concorda com as condutas do contribuinte, imputando crimes a partir de uma operação da polícia federal, e por conta disso desconsiderálas, sem o devido fundamento legal (tributário). Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante demonstrar que a contribuinte praticou atos simulados objetivando suprimir e/ou diminuir a CARGA TRIBUTÁRIA, ou mesmo suprimir ou maquiar a ocorrência do fato gerador do tributo. Impõese alegar e comprovar qual fora o benefício atingido pelo contribuinte nos seus atos praticados, bem como a conduta dolosa em simular contratações, para se esquivar da tributação. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da personalidade jurídica de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação TRIBUTÁRIOS), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. (...) Aliás, tratandose de prestação de serviços de natureza personalíssima, a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, em verdade, é conduzida pelo sócio pessoa física, havendo uma verdadeira “confusão” de pessoas, razão pela qual dizer que não houve a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica implica concluir que a pessoa física, igualmente, não comprovou a sua realização, o que rechaça de pronto a própria ocorrência do fato gerador do tributo. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 15 14 Em outras palavras se não há, eventualmente, a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica, igualmente, não ocorre aludida demonstração por parte do sócio pessoa física, fatos que não tem o condão de justificar, motivar e/ou fundamentar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços e, conseqüentemente, a própria tributação ora contestada. Com todo respeito ao nobre fiscal autuante, não há sentido lógico nesta desconsideração. (...) Traçando um paralelo com as contribuições previdenciárias, nas hipóteses de desconsideração de personalidade jurídica (PJtização), o ônus tributário de tal procedimento excepcional recai, via de regra, sobre a empresa contratante de serviços, a qual se beneficiou com a contratação de pessoas físicas, por meio de jurídicas, simplesmente para não pagar as contribuições devidas. No caso dos autos, repitase, não conseguimos vislumbrar qual teria sido o benefício tributário, causando supressão de tributos indevidamente, com a conduta do contribuinte de receber as importâncias sob análise em sua pessoa jurídica, independentemente da questão criminal, que está sendo analisada em autos judiciais próprios. Em tese, em nosso entendimento, o ônus de tal conduta do contribuinte, especialmente o fato de não comprovar a prestação de serviços, na forma que o fiscal propôs e fundamentou a presente autuação, deveria dar margem à tributação da empresa contratante sob a roupagem de “IRF Pagamento sem Causa”, com tributação, inclusive, mais elevada que a presente. Ou seja, tal qual na desconsideração da personalidade jurídica no âmbito das contribuições previdenciárias, nos casos de “PJtização”, o ônus tributário do procedimento engendrado pelas partes seria da empresa contratante, por existir fundamento legal próprio ao efetuar despesas sem a comprovação da prestação de serviços, qual seja, IRF – Pagamento sem causa. Destarte, a prevalecer a conduta do Fiscal, chegarseia ao cenário de se imputar responsabilidade às pessoas físicas sempre que a Receita Federal do Brasil entender, sem respaldo judicial pelo Juízo Criminal competente, que houve ilícitos praticados por pessoas jurídicas – o que não é o caso. A meu ver, incabível tal entendimento. DA RETROATIVIDADE DO ARTIGO 129 DA LEI N° 11.196/2005 Antes mesmo de se adentrar às questões de mérito propriamente ditas, impende transcrever a norma legal posta em debate, indispensável ao deslinde da controvérsia, senão vejamos: LEI N° 11.196/2005 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 16 15 Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Extraise do dispositivo legal supra a grande celeuma que envolve a questão. Com efeito, em confrontação com a competência do fisco de desconsiderar a personalidade jurídica de empresas cujos sócios desenvolvem serviços nos moldes da relação empregatícia, o legislador ordinário achou por bem possibilitar a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, se submetem exclusivamente à legislação pertinente às pessoas jurídicas. Possibilitouse, assim, que os serviços objeto do presente lançamento (de natureza artística e personalíssima) fossem prestados por pessoas jurídicas, tal qual ocorrera na hipótese dos autos, legitimando, portanto, o procedimento eleito pela contribuinte, a partir da publicação de referida lei, em 21 de novembro de 2005. Chegamos agora ao imbróglio travado no presente caso. Destarte, o lançamento sub examine exige contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos às empresas prestadores de serviços artísticos, as quais foram desconsideradas pela fiscalização, relativamente ao período de 01/1997 a 12/2002, ou seja, antes da edição da Lei n° 11.196/2005. Nessa toada, quanto ao período pretérito à alteração introduzida pelo da Lei n° 11.196/2005, defendem alguns nobres Conselheiros ser defeso à aplicação retroativa da determinação legal contida na norma supracitada, entendimento não compartilhado por este Conselheiro, por entender ser plenamente legal a retroatividade dos efeitos de aludida lei para alcançar serviços prestados anteriormente à sua edição. Em que pese respeitarmos a tese dos ilustres Conselheiros que defendem a irretroatividade dos preceitos da Lei n° 11.196/2005, não podemos compartilhar com suas razões de decidir, por entender, com a devida vênia, não espelhar a melhor interpretação da legislação tributária, motivo pelo qual nosso posicionamento se mostra em defesa da não sujeição dos serviços de natureza artística ou personalíssima à relação empregatícia, em observância aos preceitos de aludida lei ordinária. Ora, qual foi a alteração no serviço intelectual, inclusive de natureza científica, artística e cultural durante referido período, capaz de suportar essa nova interpretação? Inexiste, a toda evidência, qualquer modificação na natureza destes serviços que justificasse aludida modificação na legislação de regência, confirmando, assim, que a intenção do legislador foi sanear erro incorrido anteriormente, possibilitando a prestação de referidos serviços por pessoas jurídicas, tal qual ocorrera no caso sob análise. Entender o contrário nos leva a conclusão, no mínimo interessante, de que a prestação de serviços artísticos no mês de outubro de 2005 não poderia ser executada por pessoas jurídicas, enquanto a partir de novembro assim já seria possível, o que reforça a tese da Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 17 16 natureza meramente interpretativa de aludido dispositivo legal, capaz, portanto, de retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos A fazer prevalecer este entendimento, impõe transcrever excerto das exposições de motivos do Projeto de Lei de Conversão – PLV n° 23/2005, que deu ensejo a inclusão do artigo 129 na Lei n° 11.196/2005, de onde se extrai literalmente a natureza interpretativa de referida norma, eis que se presta a elucidar questão pretérita controvertida, rechaçando, assim, qualquer dúvida em relação a sua retroatividade, senão vejamos: Os princípios da valorização do trabalho humano e da livre iniciativa previstos no art. 170 da Constituição Federal asseguram a todos os cidadãos o poder de empreender e organizar seus próprios negócios. O crescimento da demanda por serviços de natureza intelectual em nossa economia requer a edição de norma interpretativa que norteie a atuação dos agentes da Administração e as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, esclarecendo eventuais controvérsias sobre a matéria. Assim, a interpretação contida no artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, por tão somente aclarar situação jurídica preexistente, não estabelecendo, portanto, novo regime jurídico, se apresenta como norma evidentemente interpretativa, podendo e devendo retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos à sua edição. É o que determina o artigo 106, inciso I, do CTN, com a seguinte redação: Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Diante dos argumentos encimados, não resta dúvida em relação à natureza interpretativa do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, atribuída desde a sua criação, corroborada pela sua finalidade de explicitar relação jurídica preexistente, sobretudo no âmbito previdenciário e trabalhista, impondo seja acolhida a pretensão do contribuinte de maneira a julgar improcedente o lançamento, eis que a hipótese dos autos se amolda perfeitamente ao disposto na norma legal sob análise. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao I. Relator para divergir do seu voto que deu provimento integral ao recurso voluntário. Cuidase de rendimentos do trabalho obtidos por pessoa física em decorrência da atividade de professor, resultado do seu desempenho pessoal, mediante obrigações em caráter personalíssimo (insubstituível). Os rendimentos do produto do trabalho são tributados pelo imposto de renda em nome da pessoa física que experimenta o acréscimo patrimonial, à medida que forem percebidos, independentemente da denominação dos rendimentos e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte, por qualquer forma e qualquer título (art. 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 7.713, de 1988). De maneira inequívoca, a legislação tributária sempre estipulou que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem a prestação de serviços personalíssimos não podem tributar os seus rendimentos do trabalho na condição de pessoa jurídica. São rendimentos típicos de pessoas físicas. Nessa hipótese, em que ocorre a prestação de serviço de caráter pessoal, o sujeito passivo é a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador, tendo em conta a materialidade do fato, devendo os valores ser oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual da pessoa física. Para melhor clareza na análise da legislação tributária, confirase a redação do art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), vigente à época da percepção dos rendimentos nos anoscalendário de 2004 e 2005: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 19 18 III as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"); (...) VII exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). (DESTAQUEI) A equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, para fins de tributação, dá se quando há exploração de forma habitual e profissional de atividade econômica com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens e/ou serviços, a despeito de inscrição nos órgãos competentes. Por outro lado, não haverá equiparação em relação às pessoas físicas que, individualmente, explorem profissões ou realizam atividades prestando serviços profissionais, ainda que desenvolvam as suas tarefas com auxílio de colaboradores. A formalização da relação contratual em nome de pessoa jurídica, da qual o professor é sócio, não altera as características dos rendimentos percebidos, mantendose a pessoa física como sujeito passivo da obrigação tributária. Nem poderia ser de outra forma, senão haveria a possibilidade de interposição de pessoa jurídica na relação contratual entre prestador e tomador de serviços, por convenção entre os particulares, com o propósito exclusivo de conferir legitimidade à tributação na pessoa jurídica dos rendimentos provenientes da prestação individual de serviços, e não na pessoa fisica do sócio que executa, realmente, os serviços como docente na área de informática (art. 123, do Código Tributário Nacional CTN). Ressalvo, porque importante, que a empresa Amorimtinois Computação Gráfica Ltda, da qual o recorrente é sócio administrador, não constitui uma sociedade de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 20 19 regulamentada, onde as atividades são indistintamente prestadas pelos sócios habilitados, ou seja, quando as receitas das atividades da sociedade proveem do trabalho profissional de todos os sócios legalmente qualificados. O procedimento fiscal não resultou na desconsideração da personalidade jurídica da Amorimtinois Computação Gráfica Ltda, na medida em que tão somente declarou como ineficaz, para efeitos do direito tributário, a interposição da pessoa jurídica na determinação do sujeito passivo da obrigação tributária vinculada às importâncias recebidas da fonte pagadora Promoção do Ensino de Qualidade S/A. Sob a ótica da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, segundo sua natureza jurídica. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo sucedese no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. Daí porque a autoridade fiscal requalificou os fatos, para a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Os rendimentos auferidos pela prestação de serviços de professor de informática pertencem efetivamente à pessoa física do recorrente, cabendo a reclassificação da receita tributada na pessoa jurídica para rendimentos do trabalho da pessoa física (fls. 14/19). Vale recordar que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (art. 144, "caput", do CTN). Levandose em consideração essa linha de raciocínio, podese afirmar que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, não se reveste da condição de norma interpretativa da legislação, com aplicação a fatos geradores pretéritos, eis que acabou inovando o ordenamento jurídico ao estabelecer um novo regime jurídico de tributação para o trabalho em caráter personalíssimo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 21 20 De fato, até a produção de efeitos do dispositivo de lei, os rendimentos provenientes de serviço prestado individualmente deveria ser tributado na pessoa física prestadora, mesmo que contratado e ajustado por intermédio de pessoa jurídica. Após o advento do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, a prestação de serviços intelectuais por sociedade, mesmo que contratado um serviço individual, com designação de obrigações de caráter personalíssimo a um determinado sócio, submetese à tributação aplicável às pessoas jurídicas. É verdade que mesmo com o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, as sociedades prestadoras de serviços de natureza intelectual não estão livre de procedimento investigatório para verificação do cumprimento das obrigações tributárias e, sendo o caso, procederse ao lançamento de ofício. Todavia, o redirecionamento da tributação constitui uma medida excepcional, cabível em determinadas situações específicas, entre outras, na simulação da prestação de serviços pela pessoa jurídica ou pela demonstração da artificialidade da interposição da pessoa jurídica para fins de ocultar a contratação de serviços de segurados empregados. Reclama o sujeito passivo, em pedido subsidiário, o aproveitamento dos tributos recolhidos em nome da pessoa jurídica, incidentes sobre os valores considerados rendimentos tributáveis da pessoa física, com a finalidade de compensação ou abatimento do devido no auto de infração. Para negar o direito pleiteado, a decisão de piso alegou, em síntese, que não detinha competência legal e/ou regimental para análise da compensação de tributos recolhidos pela pessoa jurídica. Nada obstante, é cabível a dedução do lançamento fiscal em relação aos valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. De fato, afigurase plenamente razoável a dedução dos eventuais recolhimentos de mesma natureza a título de imposto sobre a renda em nome de Amorimtinois Computação Gráfica Ltda, a qual faturou os valores contratados pelos serviços de professor de informática, tendo em vista, nessa linha de raciocínio, o tributo exigido da pessoa física no presente auto de infração, reconhecendose que parte dele foi efetivamente pago, ainda que por outrem. O aproveitamento do imposto de renda comprovadamente recolhido no ajuste, pela pessoa jurídica Amorimtinois Computação Gráfica Ltda, ou retido pela fonte pagadora, no caso Promoção do Ensino de Qualidade S/A, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. Quanto aos demais tributos pagos, distintos do imposto de renda, o aproveitamento entre pessoas distintas, em qualquer hipótese, dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170, do CTN). Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 22 21 Não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, a restituição, sem prejuízo da observância do prazo para repetição do indébito e do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Particularmente, acredito que no presente caso o início do prazo para repetição do indébito apenas ocorre a partir da decisão definitiva contrária ao sujeito passivo, quando a reclassificação da receita para rendimentos da pessoa física se torna imutável no âmbito administrativo. Até então, a manifestação de vontade pela compensação ou pedido de restituição pela pessoa jurídica é medida impraticável, porque não conciliável com o exercício do direito de defesa no contencioso administrativo fiscal. De fato, a espinha dorsal da linha argumentativa do recorrente, na condição de pessoa física, assentase na legitimidade de uma situação préexistente ao lançamento fiscal, isto é, a possibilidade de utilização da pessoa jurídica Amorimtinois Computação Gráfica Ltda, do qual é sócio, para a prestação de serviços de professor de informática à instituição de ensino Promoção do Ensino de Qualidade S/A. Por fim, examino as demais alegações de defesa. A multa de ofício, no importe de 75%, é devida e está prevista na lei tributária (art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A penalidade incide de maneira proporcional sobre o tributo não declarado/recolhido espontaneamente. O patamar mínimo da penalidade em 75% é fixo e definido objetivamente pela lei, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, o que impossibilita o julgador administrativo afastar ou reduzir o percentual no caso concreto. Por sua vez, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a análise de questões que digam respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício prevista na legislação, tendo em conta que demandaria o exame da incompatibilidade da lei aplicável com preceitos de ordem constitucional. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Inviável também o debate na seara administrativa a respeito da incidência dos juros de mora sobre o valor principal com suporte na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). A jurisprudência do CARF reconhece a validade da utilização da Selic para fins tributários, nos termos do verbete nº 4, a seguir reproduzido: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10830.013231/200919 Acórdão n.º 2401006.225 S2C4T1 Fl. 23 22 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726226/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Exercício: 2008, 2009
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija.
Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
As alegações devem ser comprovadas com documentos dentro das formalidades legais ou por outra forma prevista em lei que não deixe dúvida da fidedignidade dos fatos.
Numero da decisão: 1301-003.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Exercício: 2008, 2009 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. As alegações devem ser comprovadas com documentos dentro das formalidades legais ou por outra forma prevista em lei que não deixe dúvida da fidedignidade dos fatos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.726226/2012-11
anomes_publicacao_s : 201908
conteudo_id_s : 6042430
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.941
nome_arquivo_s : Decisao_10380726226201211.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
nome_arquivo_pdf_s : 10380726226201211_6042430.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
id : 7843113
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:50:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120482054144
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-26T21:53:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-26T21:53:12Z; Last-Modified: 2019-07-26T21:53:12Z; dcterms:modified: 2019-07-26T21:53:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-26T21:53:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-26T21:53:12Z; meta:save-date: 2019-07-26T21:53:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-26T21:53:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-26T21:53:12Z; created: 2019-07-26T21:53:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-07-26T21:53:12Z; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-26T21:53:12Z | Conteúdo => S1-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10380.726226/2012-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 1301-003.941 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2019 Recorrente WALTER MARINHO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Exercício: 2008, 2009 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. As alegações devem ser comprovadas com documentos dentro das formalidades legais ou por outra forma prevista em lei que não deixe dúvida da fidedignidade dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 62 26 /2 01 2- 11 Fl. 182DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-003.941 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726226/2012-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o processo de Auto de Infração (fls. 02/10) lavrado em face do Interessado acima identificado, relativo ao IPI exercícios 2008 e 2009, diante da constatação da prática de omissão de registro de receitas. Nesse período verificou-se a existência de passivo fictício na escrituração contábil da empresa. A multa aplicada (150%), foi qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/07, c/c o art. 71 da Lei 4.502/64. O Interessado tomou ciência, em 31/05/2012 (flS. 96/97), e apresentou impugnação (fls. 108/145), em 02/07/2012, na qual, em síntese: a) embora tenha havido equívoco contábil na escrituração da impugnante, ao intitular várias rubricas como se fossem receitas omitidas pela contribuinte, os agentes do fisco desconsideraram totalmente os custos de venda e as quebras de estoque dentre outros, para fins de aferição das receitas passíveis de tributação; b) os auditores fiscais glosaram diversas rubricas da contabilidade da impugnante, não tendo permitido que as explicações e os levantamentos pertinentes pudessem ser produzidos e disponibilizado oportunamente; c) na direção contrária ao aduzido pelos agentes fiscais e consoante o demonstrativo anexo, não houve omissão de receitas da Impugnante no período compreendido entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009; o que houve foi um prejuízo de R$ 3.154.372,03; d) os auditores fiscais que lançaram o auto de infração não elaboraram um demonstrativo de cálculo de forma a dar o correto conhecimento da imputação feita a impugnante e, por conseguinte, impossibilitando o exercício do direito de defesa; e) os auditores fiscais desconsideraram a escrita fiscal da Impugnante, intitulando como receita tudo o quanto reputaram possível; f) se a Impugnante possui livros contábeis regularmente escritos e laudos técnicos indicando as perdas ordinárias de produção, não há razão que justifique a utilização do arbitramento, restando maculada de nulidade a base de cálculo utilizada pela fiscalização; g) em matéria de nulidade deve ser observada a regra do dispositivo inserto no art. 59, § 3°, do Decreto 70.235/72, segundo o qual a nulidade não será declarada quando autoridade julgadora puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo. Ao final requer o recebimento de sua Impugnação e a improcedência do auto de infração, protesta pela realização de perícia. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja ementa encontra-se abaixo transcrita: Fl. 183DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-003.941 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726226/2012-11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008, 2009 EMENTA CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. As alegações devem ser comprovadas com documentos dentro das formalidades legais ou por outra forma prevista em lei que não deixe dúvida da fidedignidade dos fatos. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão recorrida. Em despacho datado de 20 de julho de 2014, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara a 3a Seção de Julgamento deste Conselho - posteriormente reafirmado em 29 de agosto de 2016 pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 3a Seção de Julgamento deste Conselho - decidiu por declinar sua competência de julgamento à 1a Seção de Julgamento conforme previsto art. 2º, inciso IV do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Bianca Felicia Rothschild, Relator. Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Trata o presente processo de Auto de Infração relativo ao IPI, exercícios 2008 e 2009, diante da constatação da prática de omissão de registro de receitas. Nesse período verificou-se a existência de passivo fictício na escrituração contábil da empresa. A multa aplicada (150%), foi qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/07, c/c o art. 71 da Lei 4.502/64. Fl. 184DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-003.941 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726226/2012-11 A recorrente interpôs recurso voluntário no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que não adotou artifício contábil na escrituração, mas que houve equívoco contábil; b) que os agentes desconsideraram totalmente os custos de venda e as quebras de estoque; c) que os autos de infração são nulos, por cerceamento do direito de defesa, pois os autuantes não elaboraram um demonstrativo de cálculo de forma a dar o correto conhecimento da imputação feita à recorrente; d) que, se a recorrente possui livros e informações contábeis regularmente escritos e registrados, bem como laudos técnicos indicando as perdas ordinárias de produção, não há razão que justifique a utilização do arbitramento por presunção legal, restando maculada de nulidade a base de cálculo utilizada pela fiscalização; Processo conexo de IRPJ - 10380.726225/201268 A título de informação, vale comentar que o processo administrativo relacionado ao IRPJ - Proc. 10380.726225/201268 - foi julgado por este colegiado de forma desfavorável ao contribuinte, conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou cuja exigibilidade o contribuinte não logre comprovar, autoriza o lançamento do IRPJ sobre a receita presumidamente omitida, nos termos do art. 12, § 3º, do DL 1598/77 e do art. 40 da Lei 9.430/96, os quais são a base legal do art. 281, III, do RIR/99. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL, COFINS E PIS. Preliminares Falta de Demonstrativo de cálculo e Desconsideração da Escrita Fiscal - Nulidade. A recorrente suscita cerceamento do direito de defesa pelo fato de o Auditor- Fiscal não elaborar um demonstrativo de cálculo de forma a dar o correto conhecimento da imputação feita, bem assim que o fiscal glosou diversas rubricas da contabilidade da impugnante, não tendo permitido que as explicações e os levantamentos pertinentes pudessem ser produzidos e disponibilizado oportunamente. Tais alegações não cabem, uma vez que a própria Recorrente admite que recebeu os demonstrativos, no entanto sua elaboração impossibilitava sua defesa. Tal não ocorreu, haja vista ter apresentado suas peças de defesa rebatendo as infrações a ela imputadas. Fl. 185DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-003.941 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726226/2012-11 Ressalte-se ainda que o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, na fase litigiosa do procedimento fiscal, que se inicia, nos ternos do art. 14 do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972, com a impugnação da exigência fiscal. Desta forma, o procedimento de fiscalização, que antecede a fase litigiosa, é um procedimento inquisitório, cuja participação do contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal. A contestação das informações contidas no auto de infração, dos documentos juntados ou até mesmo de eventuais irregularidades somente pode ser realizada em momento posterior, com a apresentação da impugnação, iniciando o devido processo administrativo. No caso concreto, a descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is) do Auto de Infração, juntamente com os fatos narrados no Relatório de Fiscalização, descrevem de maneira inequívoca as infrações cometidas pela recorrente, além de citar as disposições legais infligidas e aplicáveis ao caso. A intimação do Auto de Infração, por sua vez, convoca o sujeito passivo pagar ou impugnar o débito constituído para com a Fazenda Nacional, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do lançamento. Argumenta ainda que "se a Impugnante possui livros contábeis regularmente escritos e laudos técnicos indicando as perdas ordinárias de produção, não há razão que justifique a utilização do arbitramento, restando maculada de nulidade a base de cálculo utilizada pela fiscalização". A isso, informa-se que no presente caso não houve arbitramento de valores e sim a presunção legal de omissão de receitas, que são institutos distintos. Pelo, afastam-se as preliminares de cerceamento do direito de defesa. Mérito Omissão de receitas x Equívoco contábil De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11 e segs), o lançamento de IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, foi efetuado diante da constatação da prática, por parte da empresa fiscalizada, de omissão no registro de receitas no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. No período do lançamento a empresa atuou no ramo industrial, na produção, principalmente, de vidros temperados e laminados (Capítulo 70 da TIPI). A tributação do lucro, nos anos calendário de 2008 e 2009, foi feita pelo Lucro Real Anual. Como argumento de defesa, a Recorrente alega que, em direção diametralmente oposta às premissas aduzidas pelos auditores fiscais responsáveis pela autuação, não adotou artifício contábil ou fiscal algum com o intuito de omitir receitas e suprimir o recolhimento de tributos. Embora tenha havido equívoco contábil na escrituração da Recorrente, ao intitular várias rubricas como se fossem receitas omitidas pela contribuinte, os agentes do Fisco desconsideraram totalmente os custos de venda e, sobretudo, as quebras de estoque, dentre outros, para fins de aferição das receitas passíveis de tributação, conforme demonstrativo simplificado em anexo. Sem embargo, os auditores fiscais glosaram diversas rubricas da contabilidade da Recorrente, não tendo permitido que as explicações e os levantamentos pertinentes pudessem ser Fl. 186DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-003.941 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726226/2012-11 produzidos e disponibilizados oportunamente. Com a convicção formada previamente, os agentes do Fisco somente deram importância e consideraram válidas as informações que convergiam para o enquadramento mais desfavorável possível à Recorrente, transformando erros contábeis identificados posteriormente em ardis destinados a omitir faturamento e, por conseguinte, a reduzir todos os recolhimentos fiscais incidentes na atividade empresária. Na direção contrária ao aduzido pelos agentes fiscais reafirma a Recorrente que não houve omissão de receitas da Recorrente no período compreendido entre janeiro de 2008 e dezembro 2009. De fato, para uma receita estimada em R$ 6.425.277,16 têm-se custos de vendas e quebra de estoques da ordem de R$ 9.579.649,19, resultando prejuízos nos períodos da ordem de R$ 3.154.372,03 (Três milhões, cento e cinqüenta e quatro mil, trezentos e setenta e dois reais e três centavos). Tabela anexada à impugnação (fls. 143) e não anexada ao recurso voluntário: *** No mérito, observo que a presunção de omissão de receita quando constatado o passivo fictício encontra amparo no art. 12 do DL 1598/77 e no art. 40 da Lei 9.430/96, os quais são a base legal do art. 281, III, do RIR/99 que está expressamente citado na parte do auto de infração denominada "Enquadramento Legal" (doc. a fls. 5). Além disso, a resposta da recorrente ao Termo de Intimação n° 3, durante o processo de fiscalização, deixa claro que havia manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou inexistentes, se não vejamos o preciso relato feito no Termo de Constatação e Intimação a fls. 126, in verbis: "1. O contribuinte foi regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal N° 3, transcorrido o prazo fixado apresentou resposta, sem adição de quaisquer documentos, que passaremos a analisar nos tópicos seguintes: 2. Quanto ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal ni 3, o contribuinte reconhece que utilizou indevidamente a conta Ajuste de Exercícios Anteriores, porém não comprova a quitação das obrigações baixadas; 3. Quanto ao item 4 o contribuinte afirma não se tratar de obrigações para a com a empresa ANCAR, diz ter utilizado esta conta para operação de baixa de saldos remanescentes de exercícios passados de clientes diversos. Afirma ainda que se trata de obrigações já liquidadas e não baixadas por falta de parâmetro em seu sistema contábil; 4. Em relação aos itens 5 e 6, afirma ser fornecedor exclusivo das empresas MARGLASS MONTESE e MARGLASS BELEM e que é feito um encontro de contas e lançado o saldo nas contas adiantamento a clientes ou a fornecedores, porém não comprova as obrigações registradas nestas contas: (...) 6. Diante da resposta do contribuinte resta claro o enquadramento no art. 40 da Lei 9.430/96, caracterizando o passivo fictício através da manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada;". Além do acima mencionado, a tabela apresentada pela Recorrente em sede de impugnação não se veste das formalidades necessárias para que tenha força de elidir duvidas a respeito da fidedignidade dos fatos. Fl. 187DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-003.941 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.726226/2012-11 Diante de tão robusta prova e da ausência de argumentos de defesa e de contraprovas que pudessem ilidi-la, resta completamente demonstrada a procedência dos lançamentos ora sub examine. DA MULTA - Matéria não impugnada A contribuinte não impugnou a multa aplicada (150%), qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 1° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/07, c/c o art. 71 da Lei 4.502/64. Conclusão Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720955/2016-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, à Unidade de origem, para que esta confira a correção dos valores e a autenticidade dos comprovantes de arrecadação de fls. 101/118, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que rejeitou a diligência.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 17284.720955/2016-16
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020954
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.101
nome_arquivo_s : Decisao_17284720955201616.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 17284720955201616_6020954.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, à Unidade de origem, para que esta confira a correção dos valores e a autenticidade dos comprovantes de arrecadação de fls. 101/118, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que rejeitou a diligência. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7786463
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120484151296
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-14T12:19:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-14T12:19:07Z; Last-Modified: 2019-06-14T12:19:07Z; dcterms:modified: 2019-06-14T12:19:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-14T12:19:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-14T12:19:07Z; meta:save-date: 2019-06-14T12:19:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-14T12:19:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-14T12:19:07Z; created: 2019-06-14T12:19:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-06-14T12:19:07Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-14T12:19:07Z | Conteúdo => 0 S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 17284.720955/2016-16 Recurso Voluntário Resolução nº 2002-000.101 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 23 de maio de 2019 Assunto IRPF Recorrente MARIETA CARVALHO DE ALMEIDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, à Unidade de origem, para que esta confira a correção dos valores e a autenticidade dos comprovantes de arrecadação de fls. 101/118, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que rejeitou a diligência. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Conselheiro Virgílio Cansino Gil - Relator Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 69/70) contra decisão de primeira instância (fls. 61/64), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Em nome da contribuinte acima identificado foi lavrada em 10/10/2016 a Notificação de Lançamento de fls. 08/12, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física-IRPF, exercício 2014, ano-calendário 2013, que resultou em valor total do crédito tributário apurado de R$ 18.385,47, sendo R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 72 84 .7 20 95 5/ 20 16 -1 6 Fl. 132DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2002-000.101 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17284.720955/2016-16 12.200,05 de imposto de renda, R$ 2.440,01 de multa de mora e R$ 3.745,41 de juros de mora, calculados até 31/10/2016. O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2014, apresentada à RFB pela contribuinte, cujo resultado havia sido de imposto a pagar no valor de R$ 1.327,46 – fls. 47/55. Motivou o lançamento de ofício a constatação pela Fiscalização de compensação indevida de imposto de renda na fonte - IRRF no valor de R$ 12.200,05, declarado pela contribuinte como retido pela fonte pagadora de aluguéis D & L Bijouterias e Presentes Ltda, por não ter a interessada comprovado a propriedade do bem locado e apresentado o comprovante de rendimentos emitido pela locadora, apenas o fornecido pela administradora do imóvel, informando ainda a autoridade lançadora que a fonte pagadora não apresentou Dirf. Cientificada do lançamento em 20/10/2016 (fls. 44), a contribuinte apresentou em 07/11/2016 a impugnação de fls. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/42, alegando que comprova a retenção sofrida sobre seus rendimentos declarados, acrescentando que a não entrega da Dirf por parte do locatário não pode prejudicar o locador. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Correta a glosa do IRRF declarado pelo contribuinte, quando comprovado que esse não possui o Informe Anual de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora, aliado ao fato de não constar nos sistemas da RFB a DIRF - Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento do crédito tributário, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil - Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 20/06/2017 (fl. 124); Recurso Voluntário protocolado em 14/07/2017 (fl. 69), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 82). Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Fl. 133DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2002-000.101 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17284.720955/2016-16 Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio. Juntou documentos às fls. 101/118 (Comprovantes de Arrecadação), juntou também a Declaração do imposto de renda retido na fonte “retificadora”, fornecida pela locatária (fl. 121). Em razão dos comprovantes de arrecadação juntados e, tendo em vista que os mesmos necessitam de conferência de valores e autenticidade, proponho a meus pares, que os autos sejam encaminhados à Unidade de Origem. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem confira a correção dos valores e a autenticidade dos comprovantes de arrecadação de fls. 101/118. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001308/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2006
JUROS E MULTA MORATÓRIA.
1 - São devidos juros moratórios no percentual de um por cento para os recolhimentos de contribuições sociais em atraso relativos ao mês de vencimento.
II - É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, na forma dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. MULTA. IMPROCEDÊNCIA.
Uma vez efetivado o lançamento fiscal, descabe a exigência de multa e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral da contribuição previdenciária para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
Numero da decisão: 2301-006.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2006 JUROS E MULTA MORATÓRIA. 1 - São devidos juros moratórios no percentual de um por cento para os recolhimentos de contribuições sociais em atraso relativos ao mês de vencimento. II - É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, na forma dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez efetivado o lançamento fiscal, descabe a exigência de multa e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral da contribuição previdenciária para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11330.001308/2007-31
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023335
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.102
nome_arquivo_s : Decisao_11330001308200731.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 11330001308200731_6023335.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. . (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
id : 7794908
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120491491328
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-24T14:08:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-24T14:08:04Z; Last-Modified: 2019-06-24T14:08:04Z; dcterms:modified: 2019-06-24T14:08:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-24T14:08:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-24T14:08:04Z; meta:save-date: 2019-06-24T14:08:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-24T14:08:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-24T14:08:04Z; created: 2019-06-24T14:08:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-06-24T14:08:04Z; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-24T14:08:04Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11330.001308/2007-31 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.102 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2019 Recorrente XEROX COMERCIO E INDÚSTRIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/10/2006 JUROS E MULTA MORATÓRIA. 1 - São devidos juros moratórios no percentual de um por cento para os recolhimentos de contribuições sociais em atraso relativos ao mês de vencimento. II - É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, na forma dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. MULTA. IMPROCEDÊNCIA. Uma vez efetivado o lançamento fiscal, descabe a exigência de multa e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral da contribuição previdenciária para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. . (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 08 /2 00 7- 31 Fl. 419DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.102 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11330.001308/2007-31 Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, referente a acréscimos legais sobre contribuições sociais depositadas em juízo em atraso, Ressalte-se que a autuada vem efetuando o depósito em juízo dos valores, conforme autorização judicial no processo nº 2005.50.01.005274-9 em curso perante a 1ª” Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Espírito Santo.. Após a impugnação a decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento e o contribuinte apresentou recurso alegando em síntese: Inicialmente destaca que faz jus ao beneficio da denúncia espontânea, uma vez que realizou o depósito judicial do valor integral devido a titulo de contribuição ao SAT, nas competências abrangidas na NFLD, antes de iniciado o procedimento fiscal, pelo que não há que se falar em aplicação de multa, sob pena de se violar a determinação do art. 138, do CTN e desrespeitar o entendimento doutrinário, jurisprudencial e do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda;. Aduz que tampouco é exigível o cômputo de juros de mora em acréscimo ao valor principal, eis que a impugnante depositou os valores correspondentes às competências do débito, deixando passar apenas poucos dias da data do vencimento, não cabendo, portanto a aplicação da taxa Selic para atualização monetária dos valores; Esclarece que não se discute nestes autos a questão relativa à possibilidade de fixação das alíquotas do SAT de acordo com os riscos existentes em cada estabelecimento da empresa, posto que tal matéria está sendo tratada nos autos da Ação Ordinária, porém insurge-se a Recorrente, contra o cômputo dos juros e da multa no lançamento efetuado pelo Fiscal, haja vista que a exigibilidade da contribuição previdenciária em foco está suspensa em decorrência dos sucessivos depósitos judiciais dos respectivos valores integrais devidos em cada competência. Que não obstante a Recorrente ter depositado em atraso as parcelas devidas referentes às competências de 09/2005, 11/2005, 02/2006, 03/2006, 05/2006 e 10/2006, os dispositivos legais acima mencionados não se aplicam à hipótese em tela, tendo em vista a ocorrência da denúncia espontânea, prevista de forma específica no art. 138 do Código Tributário Nacional; Ao fim requer que seja julgado procedente o presente recurso pelos fundamentos expostos alhures, julgando-se insubsistente o débito consubstanciado na NFLD n° 37.105.572-5 relativamente à cobrança de juros e multa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Fl. 420DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.102 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11330.001308/2007-31 Dos Juros de mora e multa A lide trazida nos autos consiste na incidência ou não de juros de mora e multa contida no lançamento. Em sede recursal, a Recorrente afirma que recolheu judicialmente os valores a título de SAT de forma espontânea, antes de qualquer manifestação do Fisco. Segundo ela, a espontaneidade enseja a exclusão de qualquer penalidade. Para corroborar sua alegação, apresenta jurisprudência judicial e doutrina. O depósito no montante integral até a data do vencimento da contribuição previdenciária impede não só a cobrança de penalidade, seja multa de mora ou de ofício, como também a exigência de juros moratórios. Nessa linha de entendimento, o enunciado da Súmula nº 5, do CARF: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, os valores depositados tempestivamente em juízo pela recorrente representam o montante integral do débito, não cabendo a exigência de multa, nem a cobrança dos juros de mora. Por outro lado, há a informação de que os depósitos referentes às competências 08/2005, 10/2005, 01/2006, 02/2006, 04/2006 e 09/2006 foram efetuados em atraso. Desta forma, sobre estes depósitos não foram calculados os juros e a multa pelo atraso no recolhimento, devem incidir tais penalidades. Vale lembrar que o instituto da denúncia espontânea foi altamente debatido por este E. CARF e, inclusive, é objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A partir da edição da referida Súmula, não há que se aplicar o benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, para afastar penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Esse entendimento deve ser estendido também para o caso de recolhimento em atraso sem a incidência de juros e multa. Assim, como situação fática apresentada nos presentes autos configura a hipótese tratada pela Súmula CARF nº 49, a multa exigida no lançamento deve ser mantida. Da mesma forma há que se manter os juros, já que estes incidiram de forma proporcional aos dias de atraso dos depósitos efetuados. Ora, o próprio recorrente reconhece ter depositado em atraso as parcelas devidas referentes às competências de 09/2005, 11/2005, 02/2006, 03/2006, 05/2006 e 10/2006, objeto da presente autuação. Ademais, a taxa Selic contestada pela recorrente sequer foi aplicada no presente débito. É que como os recolhimentos em atraso se deram ainda nos meses dos vencimentos, o percentual de juros devido (e corretamente aplicado pela autoridade lançadora) é o previsto no art. 34, parágrafo único, da Lei 8.212/ 1991 in verbis: Fl. 421DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.102 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11330.001308/2007-31 “Art. 34. (...) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) " Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e Negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 44000.001629/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1986 a 31/10/1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO ACOLHIMENTO
Não sendo constatada omissão, contradição ou obscuridade no Acórdão guerreado, devem ser rejeitados os embargos opostos
Numero da decisão: 2301-006.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1986 a 31/10/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO ACOLHIMENTO Não sendo constatada omissão, contradição ou obscuridade no Acórdão guerreado, devem ser rejeitados os embargos opostos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 44000.001629/2005-65
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023327
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.191
nome_arquivo_s : Decisao_44000001629200565.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 44000001629200565_6023327.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7794900
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120496734208
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-21T17:36:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-21T17:36:02Z; Last-Modified: 2019-06-21T17:36:02Z; dcterms:modified: 2019-06-21T17:36:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-21T17:36:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-21T17:36:02Z; meta:save-date: 2019-06-21T17:36:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-21T17:36:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-21T17:36:02Z; created: 2019-06-21T17:36:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-06-21T17:36:02Z; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-21T17:36:02Z | Conteúdo => SS22--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 44000.001629/2005-65 RReeccuurrssoo Embargos AAccóórrddããoo nº 2301-006.191 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 04 de junho de 2019 Embargante PRESIDENTE DA 1ª TURMA DA 3ª CÂMARA Interessado PROLÓGICA IND E COM DE MICROCOMPUTADORES E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1986 a 31/10/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO ACOLHIMENTO Não sendo constatada omissão, contradição ou obscuridade no Acórdão guerreado, devem ser rejeitados os embargos opostos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Trata-se de Embargos Inominados opostos pelo Ilustre Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em face do Acórdão nº 2301-001.390 de 28/04/2010 (e-fls. 437 a 447), que naquela ocasião acordou: a) por maioria de votos, em declarar a decadência de parte do período pela regra do artigo 150, §4° do CTN, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros. Os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Leonardo Henrique Pires Lopes e o relator, ressalvando seus entendimentos pessoais, inclinaram-se à jurisprudência da CSRF no AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 00 0. 00 16 29 /2 00 5- 65 Fl. 899DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.191 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 44000.001629/2005-65 sentido de considerar a existência de pagamento parcial pelo total da folha de salários e não por parcela; b) por maioria de votos, com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material, vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros que entendia se tratar de vício formal. Cumpre esclarecer que inicialmente foram opostos dois pedidos, um em 11/04/2011 (e-fl. 462) e outro em 12/04/2011 (e-fls. 463 e 466) e definidos como embargos inominados ou embargos de declaração, ambos do órgão preparador, porém não foram recebidos por; um ser intempestivo e o outro por ilegitimidade, tendo o ilustre presidente deste colegiado chamado o feito para si e Embargado de Ofício. Ao analisar a admissibilidade assim relatou o então Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara 2ª Seção: " Da admissibilidade dos embargos TEMPESTIVIDADE Ambos os embargos, opostos, respectivamente, em 11/04/2011 (e-fl. 462) e 12/04/2011 (e-fls. 463 e 466) foram definidos como embargos inominados ou embargos de declaração. Tratando-se de embargos de declaração, o prazo para a interposição determinado pelo art. 65, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2010 (Ricarf vigente à época) é de cinco dias contado da ciência do acórdão. Nos autos, não está definida a data de ciência do acórdão recorrido pela unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; porém, os embargos citam uma providência que fora realizada, qual seja, a juntada da “tela CCREDEXT” (item 3, já transcrito), a qual emitida em 06/04/2011 (e-fls. 451/456), a qual pode ser considerada como data da ciência. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º, “os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento”. Tendo em vista que a ciência da decisão a ser considerada é 06/04/2011, quarta feira, o termo inicial para a apresentação de embargos de declaração é 07/04/2011 e o termo final é 11/04/2011. Assim, os embargos apresentados em 12/11/2011 não podem ser recebidos como embargos de declaração, por serem intempestivos; já os embargos apresentados em 11/04/2011 cumprem o requisito de tempestividade dos embargos de declaração. Tratando-se de embargos inominados, não há prazo regimental a obstar a sua interposição, pelo que ambos os embargos podem ser acolhidos como tal. LEGITIMAÇÃO Quanto aos legitimados para opor embargos de declaração e embargos inominados, rezam os arts. 65 e 66 do Ricarf vigente à época de sua oposição: Art. 65. (...) §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado; Fl. 900DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.191 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 44000.001629/2005-65 II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.(Grifou-se.) Verifico que os ambos os embargos não foram opostos pelo titular do órgão preparador (unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão). Desse modo, não podem ser admitidos. Porém, o Ricarf permite que qualquer outro legitimado oponha embargos inominados, inclusive este Presidente, quando se verifique a existência de “inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão”. Passo a analisar os fatos. Como já mencionado, o acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário em duas questões: (a) “decadência de parte do período” e (b) “com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material”. A existência de vício material foi postulada no voto condutor no título “DA NULIDADE DE PARTE DO LANÇAMENTO FISCAL – REFISCALIZAÇÃO”, questão conhecida de ofício: “Embora ausente das razões recursais a tese de nulidade de parte do lançamento por ausência de fundamentação-fática.e jurídica para a refiscalização da empresa no período de 01/1986 a 12/1993, conheço de ofício da matéria” (e-fl. 441). São os seguintes os fundamentos do acórdão: 11. Tenho como certo que houve refiscalização da empresa no período acima citado, tanto que a própria informação fiscal de fls. 177/178 confirma que o contribuinte já teria sido submetido anteriormente à fiscalização total: "2. A Seção de Análise de Defesa e Recursos encaminhou os autos a Seção de Fiscalização para que fosse cumprido o acórdão 02/000884/2003, que concluiu que o lançamento da presente NFLD nasceu eivado do vício de nulidade, em razão da excessiva disparidade entre os valores lançados e os valores contidos no sistema RAIS/CNIS, além do que o fiscal notificante lançou período já submetido à auditoria, que teria verificado toda a documentação da empresa acima citada no período de 01/86 a 12/93, sendo que o parcelamento pleiteado e obtido pela Notificada, fls. 109, referente a 06/87 a 07/91, não foi abatido na NFLD n"31.741.135-7" 12. Assim, para validar a nova fiscalização, se fazia necessário a presença nos autos de fundamentação capaz de justificar o procedimento de revisão da fiscalização realizada anteriormente. Não estou aqui a dizer que o fisco está proibido de refazer o lançamento, mas entendo que as razões devem ser expressas no sentido de justificálo, sob pena de incorrer em ilegalidade. 13. O art 149 do CTN autoriza a revisão ou refiscalização, mas não consta dos autos uma única linha)que fundamente as razões utilizadas para que se adotasse o procedimento extremo-contra o contribuinte. O dispositivo citado é categórico em alinhavar as hipóteses autorizativas, as quais não foram observadas: (...) Fl. 901DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.191 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 44000.001629/2005-65 14. Com esses argumentos e considerando que o vício continua de pé, visto que o Discriminativo Analítico de Débito Retificado, apresentado após o cumprimento da diligência, aponta a manutenção de débitos no período de 01/86 a 12/93, voto por anular o lançamento fiscal, por vício material, nessa parte. 15. Entretanto, a análise do lançamento fiscal deve prosseguir, pois encontrei causa suficiente para dar provimento ao recurso do contribuinte em sua totalidade, qual seja a ausência de prova suficiente para corroborar o débito. 16. Disto isso e embasado no art. 59, §3°, do Decreto n.° 70.235, passo a enfrentar o mérito recursal. O acórdão passa a discorrer então da questão “DO DÉBITO LANÇADO - AUSÊNCIA DE PROVAS” (e-fls. 443 a 445), introduzindo a abordagem com as seguintes palavras: 17. Conforme consta do precário relatório fiscal original produzido pela fiscalização, o débito foi levantado pelo procedimento de aferição indireta, nos termos do então vigente §3°, do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Ainda segundo historia o relato fiscal, "os parâmetros utilizados para o presente levantamento, foram as RAIS (Relação anual de Informação Social) emitidas pela DATAPREV, no respectivo período".(fl. 25) 18. A informação fiscal complementar justifica a aferição indireta por considerar impossível a obtenção dos documentos contábeis da empresa, haja vista tratar-se de débito levantado contra a "massa falida". 19. Não obstante o arrazoado trazido pelo fisco, considero que o débito não prevalece incólume diante de uma avaliação criteriosa do lançamento, pois tem razão o contribuinte ao afirmar que o surgimento do fato gerador da obrigação tributária não teve a sua materialidade devidamente comprovada. O relator finaliza sua análise argüindo o seguinte: 29. É bem verdade que o relatório fiscal complementar tentou retificar a falha, entretanto, no meu entender, sem sucesso. 30. Por último, deixo registrado que sequer consta dos autos qualquer informação substancial sobre o auto de infração referido no relato fiscal, de maneira que resta enfraquecida a tese fiscalista no sentido de que o contribuinte tenha omitido qualquer documentação. 31. Com esses argumentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Assim, na primeira matéria, a proposta do relator foi “anular o lançamento fiscal, por vício material” e na segunda matéria “dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte”. Como restou decidido “com relação ao período não decadente, reconhecer a existência de vício material”, a conclusão é que o provimento ao recurso voluntário deveu-se à análise da primeira matéria, “DA NULIDADE DE PARTE DO LANÇAMENTO FISCAL – REFISCALIZAÇÃO”. Pois bem, em relação a essa matéria os embargos apontam, como visto, que não houve refiscalização total, mas parcial; vejamos seus argumentos: (a) “na verdade consta no TEAF fl. 35 os dados da fiscalização parcial, sendo assinalados na descrição da ação fiscal como os itens examinados: folha de pagamento e comprovante:" de recolhimentos, situação que é notória face o intervalo previsto no TIAF - Termo de Início da Ação Fiscal, fl 34, entre a data marcada na intimação para apresentação dos documentos e o término da ação fiscal, do dia 07/01/1994 ao dia 31/01/1994, não sendo assinalado como item examinado o livro Diário (embora citado o número do livro diário, Fl. 902DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.191 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 44000.001629/2005-65 constatada apenas a sua existência, que era informação de praxe nestes procedimentos) e outros documentos contábeis”. À fl. 35 não consta o mencionado TEAF, mas tabela de folha de pagamentos de serviços prestados por meio de empreitada parcial da Construtora Marimbondo; à fl. 34 não consta Termo de Início da Ação Fiscal, mas a folha 8 de uma tabela de 8 folhas, referentes ao cálculo do salário de contribuição da Construtora Marimbondo, não podendo ser verificadas as alegações dos embargantes. (b) “3. Juntamos tela CCREDEXT com extrato dos débitos do contribuinte é elemento de comprovação do erro no acórdão, demonstrando que o débito anterior foi somente um LDC - Lançamento de Débito Confessado (LDC 311394566 de 06/87 a 07/91) constituído para ser incluído em parcelamento, fruto da chamada fiscalização parcial para cobrar apenas os valores apurados pela própria empresa que apresentava inadimplência e também comprova o seguimento da cobrança do auto de infração vinculado ao presente lançamento informado no relatório fiscal, DEBCAD 31.830.532-1 de 14/11/94, informação que o Relator do acórdão em referência deveria ter solicitada, antes de sua conclusão equivocada de que "resta enfraquecida a tese fiscalista no sentido de que o contribuinte tenha omitido qualquer documentação", uma informação fora da realidade, em se tratando de débito que tem base na RAIS, praticamente um débito que tem a força de verdadeira confissão (com dados no sistema que o Relator poderia ter solicitado).” De fato, o débito 311394566 corresponde a “confissão de dívida fiscal”, cujos períodos de apuração são de 06/1987 a 07/1991 (e-fl. 452); esse débito é mencionado pela informação fiscal das e-fls. 413/414 como o “(...) parcelamento pleiteado e obtido pela Notificada, fls. 109, referente a 06/87 a 07/91, não foi abatido na NFLD nº 31.741.135-7”; O exame dos demais débitos constantes na relação da e-fls. 451 a 456 demonstra que efetivamente não há coincidência entre os períodos julgados no presente lançamento com os constituídos nas Debcad listadas na referida relação. Considerando que a análise da nulidade da autuação pela existência refiscalização total foi feita de ofício, baseada em fato inexistente – a refiscalização total –, entendo que resta configurada inexatidão material devida a lapso manifesto, que é a própria consideração da existência de um fato inexistente, que deve ser esclarecido e corrigido por meio de novo acórdão, em sede de embargos. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO dos embargos inominados e os embargos de declaração do órgão preparador e EMBARGO DE OFÍCIO o Acórdão 2301-01.390 em face da existência de inexatidão material devida a lapso manifesto. Considerando que o conselheiro relator Damião Cordeiro de Moraes não mais pertence a colegiados no âmbito da 2a Seção do CARF, encaminhe-se o processo à Secretaria da Turma, para novo sorteio, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento. O processo foi então à mim distribuído para a análise dos embargos. É o relatório Voto Fl. 903DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.191 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 44000.001629/2005-65 Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. Os Embargos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. Com relação ao suposto lapso manifesto entendo não ter havido a inexatidão apontada. Quando foi proferido o acórdão embargado, entendeu aquele colegiado, foram levadas em consideração as informações contidas nos autos de que o contribuinte apresentou recolhimentos considerados bons pela fiscalização e pleiteou parcelamento com relação a débitos, tudo dentro de período contido na presente autuação. Estas informações podem ser observadas em diversos documentos presentes nos autos, senão vejamos: Às e-folhas 635 dos autos a então Procuradoria Estadual em São Paulo, convergindo com o entendimento da Coordenação Geral de Cobrança/ Divisão de Orientação e Recursos entende pela "anulação ab initio" do lançamento em face da ocorrência de diversas irregularidades, dentre elas a enorme disparidade verificada entre os valores constantes do relatório Massa Salarial em Moeda da Época, extrato do Sistema Atare, tela CNIS e os constantes do Discriminativo do Débito Originário. Além disso, acrescentou que a empresa alegou desde o início da fiscalização que, "na Ação Fiscal que antecedeu a esta havia apresentado recolhimentos, considerados bons pela fiscalização, bem como pleiteado parcelamento, além de ter efetuado recolhimento do período de 08/91 a 12/93, de forma espontânea em 12/94 e 01/94......" . A cópia daquele Pedido de Parcelamento foi juntada aos autos. Mais adiante, às fls. 653, o CRPS procedeu a revisão do Acórdão 8ª CaJ nº 3.021/96 anulando este, com a seguinte conclusão: Diante de tais documentos, também entendo como o Acórdão ora Embargado de que se trata de uma refiscalização e há sim há coincidência entre os períodos julgados no presente lançamento com os constituídos nas Debcad listadas na referida relação. A bem da verdade, fosse eu o relator originário do Acórdão, teria Anulado totalmente a autuação, por vício material em face do erro na base de cálculo, evidenciado na disparidade verificada entre os valores constantes do relatório Massa Salarial em Moeda da Época, extrato do Sistema Atare, tela CNIS e os constantes do Discriminativo do Débito Originário, já mencionada em várias oportunidades e por diversas autoridades nos presentes autos. Porém, como os Embargos não tratam desta matéria, não será objeto aqui de maiores considerações. Fl. 904DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.191 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 44000.001629/2005-65 Ante ao exposto, Voto no Sentido de Rejeitar os Embargos Inominados. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 905DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723863/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento efetuado.
Numero da decisão: 2301-006.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
João Mauricio Vital - Presidente.
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (presidente), Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento efetuado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.723863/2010-81
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023901
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.181
nome_arquivo_s : Decisao_10680723863201081.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10680723863201081_6023901.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Mauricio Vital - Presidente. Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (presidente), Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7798544
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120535531520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 307 1 306 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723863/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301006.181 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDÊNCIÁRIAS Recorrente FUNDAÇÃO SANTA CASA DE MISERICORDIA DE BELO HORIZONTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.21291, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Mauricio Vital Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 38 63 /2 01 0- 81 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10680.723863/201081 Acórdão n.º 2301006.181 S2C3T1 Fl. 308 2 Cleber Ferreira Nunes Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital (presidente), Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza, Cleber Ferreira Nunes Leite, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 08/2006 a 12/2007, todos os valores pagos às cooperativas médicas e odontológicas. A empresa apresenta recurso contra o acórdão de julgamento n.º 0237.663, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) (8ª Turma da DRJ/BHE), no qual os membros daquele colegiado julgaram improcedente a impugnação apresentada, referente ao auto de infração Nº 37.297.1440. Conforme se constata dos documentos de fiscalização, das descrições dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre da seguinte infração: A empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, a base de cálculo dos valores pagos a diversas cooperativas de trabalho médico e odontológico, no período de 08 de 2006 a 12 de 2007. Conforme Acórdão recorrido e do Relatório Fiscal do Auto de Infração fls. 16 a 29, verificase as seguintes circunstâncias: O contribuinte deixou de declarar , por meio da GFIP, fatos geradores de contribuição previdenciária, no caso, os valores pagos a cooperativas de trabalho médico e odontológico no período de 08/2006 a 12/2007 Em decorrência da infração cometida foram aplicadas multas calculadas na forma prevista ,na época da ocorrência das faltas, pela Lei 8.212/91, artigo 32, §5° e no RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, artigo 284, inciso II e artigo 273 Cientificado do auto de infração em 03/11/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 02/12/2010, contestando o lançamento. No mérito alega que os pagamentos a cooperativas considerados pela fiscalização, não são fatos geradores de contribuições previdenciárias, portanto não devem ser declarados em GFIP. Sustenta que se constitui como operadora de plano de saúde, composta por profissionais liberais, cooperativas de trabalho e pessoas juridicas e que os contratos celebrados com as cooperativas deixam claro que os beneficiários dos serviços são seus clientes. Cita legislação e conclui que Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10680.723863/201081 Acórdão n.º 2301006.181 S2C3T1 Fl. 309 3 o serviço é prestado pelo médico,diretemante ao cliente do plano de saúde, que remunera tais médicos tendo em vista a natureza securitária daquela prestação.. Portanto, alega, não ocorreu o fato gerador da contribuição previdenciária, tendo em vista que os pagamentos efetuados correspondem a serviços prestados a terceiros, que são usuários do plano de saúde. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho para, no mérito, ratificar em essência as razões expedidas na Manifestação de Inconformidade. Posteriormente, faz juntar petição, na qual informa do julgamento, em sede de repercussão geral, o qual considerou inconstitucional o artigo 22, inciso IV da Lei 8.212/91, que era o fundamento da autuação recorrida. Junta também Nota da PGFN acerca da matéria e Ato Declaratório Executivo emitido pelo Secretário da Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite Relator Do Mérito Tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória por ter a empresa deixado de informar em GFIP, exclusivamente, os fatos geradores relativos a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme disposto no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016). Ocorre que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, conforme se destaca da ementa da decisão proferida no RE nº 595838/SP: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10680.723863/201081 Acórdão n.º 2301006.181 S2C3T1 Fl. 310 4 tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08102014) Em conseqüência, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, que suspendeu a execução do dispositivo inconstitucional. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código vigente deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, deve ser aplicado o art. 62, § 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, que estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do antigo CPC, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código Processual vigente deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento efetuado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. Cleber Ferreira Nunes Leite Relator Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10680.723863/201081 Acórdão n.º 2301006.181 S2C3T1 Fl. 311 5 Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904695/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
Numero da decisão: 3402-006.602
Decisão: .
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.904695/2012-03
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020070
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.602
nome_arquivo_s : Decisao_13603904695201203.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13603904695201203_6020070.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7778667
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120561745920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.904695/201203 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.602 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente ALUMIPACK INDUSTRIA DE EMBALAGENS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. DCTF/DACON RETIFICADORES APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF e o DACON retificadores apresentados após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Conhecido em Parte e, na Parte Conhecida, Negado. . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 46 95 /2 01 2- 03 Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que procedeu com a retificação dos DACONs e das DCTFs, tendo apresentado ainda os documentos contábeis que respaldariam as retificações. Sustenta, subsidiariamente, a impossibilidade de utilização da SELIC para atualização dos valores devidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.593, de 21de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904686/201212. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.593): "Com efeito, pela leitura da Manifestação de Inconformidade (e fls. 3/6) e da r. decisão recorrida, possível confirmar que não foram aventados em primeira instância argumentos subsidiários pela empresa. Com efeito, aquela defesa administrativa se pautou a desenvolver a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo e o erro material no preenchimento da PER/DCOMP, Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 4 3 afastando a exigência de multa e juros em razão da necessidade de se homologar a compensação pleiteada. Como indicado no relatório da r. decisão recorrida, ao tratar especificamente dos argumentos aventados na Manifestação de Inconformidade: "Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que ocorreu erro material no procedimento de compensação realizado. Informa que deveria enviar um PerDcomp solicitando o total do crédito pago a maior e gerar um débito na mesma declaração de valor inferior e informar o número do PerDcomp enviado anteriormente. Entretanto, enviou um PerDcomp solicitando crédito parcial, gerou débito de valor igual ao crédito e gerou uma nova declaração com novo número de PerDcomp solicitando crédito parcial referente ao pagamento a maior da mesma guia já enviada anteriormente. Portanto, seu erro foi enviar duas declarações solicitando o crédito duas vezes para uma só guia. Acrescenta que não consegue enviar declaração retificadora, pois o sistema não permite a retificação para processo que já foi objeto de decisão administrativa. Para comprovar suas alegações, apresenta planilha de apuração da Cofins e PIS. Requer a reavaliação do Despacho Decisório." (e fl. 33) Desta forma, a Recorrente não instaurou discussão administrativa neste processo quanto ao tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (e fls. 115/117). Com isso, esta matéria trazida no Recurso Voluntário, por não ter sido trazida em sede de Manifestação de Inconformidade, restou preclusa na forma do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. E, não se tratando de matéria passível de ser conhecida de ofício por este colegiado, por não constar do rol do art. 342 do CPC/20152, aplicável de forma subsidiária ao presente processo, dela não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." 2 "Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I relativas a direito ou a fato superveniente; II competir ao juiz conhecer delas de ofício; III por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição." Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 5 4 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Nesse sentido, não tomo conhecimento do tópico "IV Dos acréscimos e a consequente lesão aos princípios constitucionais da cumulação de juros e taxa SELIC" do Recurso Voluntário (e fls. 115/117), passando à análise do mérito quanto à validade do crédito pleiteado. I DO CRÉDITO PLEITEADO Atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente não consegue demonstrar, com clareza, a origem e validade do crédito pleiteado. Primeiramente, essencial novamente3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de restituição, ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19724. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 6 5 composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, não se vislumbra um fundamento fático ou jurídico concreto trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. Com efeito, em sua Manifestação de Inconformidade, a empresa afirma que seu crédito teria origem em vendas de sucata (CFOP 5.102) e vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus (CFOP 6.109), tendo cometido erro no preenchimento do PER/DCOMP que impediria a visualização do crédito. Para respaldar sua alegação, acosta aos autos planilhas com uma relação de notas fiscais envolvidas nestas operações: Planilha "Relação pagamentos indevido PIS/COFINS Sucata ano 2010" efl. 08 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 7 6 Planilha "Valores de Crédito Pagamento indevido Zona Franca" efl. 09 Contudo, observase que em qualquer momento nestes autos foi apresentado sequer um levantamento exemplificativo das referidas notas fiscais que respaldariam o crédito. Acrescese que a empresa não esclarece o que seriam essas operações e quais as razões jurídicas para gerarem créditos, além de não demonstrar como esses valores teriam refletido em sua apuração do PIS do período. Ainda que a apuração do PIS seja centralizada, a simples análise da planilha não demonstra qual estabelecimento da empresa teria realizado as operações que supostamente dariam direito a crédito e quais os fundamentos jurídicos que respaldariam o crédito. Em seu Recurso Voluntário, a empresa apresentou um livro auxiliar de apuração do PIS e da COFINS de distintos períodos, acompanhados de declarações DCTF e DACON retificadoras. Contudo, esses documentos não confirmam a validade do crédito pleiteado pelo contribuinte, não servindo sequer como indício de sua existência. Atentandose primeiramente para os livros contábeis de apuração do PIS do período envolvido no presente pedido (março/2010 efls. 509/510), observase que (i) as operações identificadas com o CFOP 5.102, incorridas apenas no estabelecimento matriz (R$ 474.410,58) alcançaram montante inferior àquele identificado na planilha apresentada originariamente pela empresa (R$ 513.674,58); (ii) os valores correspondentes às operações identificadas com o CFOP 6.109 (R$ 122.779,70) superam o valor identificado na planilha de composição do crédito apresentado pela empresa na manifestação de inconformidade (R$ 35.289,74): Apuração matriz (CNPJ 07.770.721/000120 efl. 509) Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 8 7 Apuração filial (CNPJ 07.770.721/000200 efl. 510) Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 9 8 Vislumbrase, portanto, que este livro de apuração do PIS apresentado pelo contribuinte não confirma os dados do crédito informado nas planilhas anexadas à manifestação de inconformidade, não sendo possível confirmar com clareza a efetiva origem do crédito. Acrescese que o livro de apuração de PIS anexado aos autos alcança um valor devido de PIS que distingue daquele que foi declarado no DACON e na DCTF retificadores apresentados. Com efeito, considerando os valores indicados no resumo final dos livros, alcançase um montante de PIS a pagar de R$ 39.410,53 considerando o saldo credor apurado pela matriz (R$ 81.007,04) e o saldo devedor apurado na filial (R$ 120.417,57). Contudo, no DACON e na DCTF retificadoras apresentadas no Recurso Voluntário, a empresa indica um valor de PIS devido distinto, inicialmente de R$ 38.998,20 (DCTF transmitida em 19/07/2013 efl. 172 e DACON transmitido em 18/07/2013 e fl. 434) e depois de R$ 38.108,31 (DACON transmitido em 19/07/2013 efl. 431). Ademais, em qualquer momento o contribuinte esclarece a razão pela qual este valor diferente daquele originariamente declarado em seu DACON e em sua DCTF (de R$ 40.217,66). Assim, nos presentes autos a Recorrente traz um conjunto de provas contraditórias, que além de não identificarem um valor único de PIS devido no período, não corroboram as alegações trazidas pela Recorrente de existência de pagamento indevido. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 10 9 Não é possível confirmar sequer qual apuração está correta, aquela originariamente apresentada pelo contribuinte, aquela apresentada nos livros de apuração contábeis ou aquela apresentada por meio de retificadoras posteriores. As planilhas, livros e DACON e DCTF retificadores, portanto, não conseguem demonstrar, com clareza, a origem do crédito como pretendido pela Recorrente. Uma vez que os documentos apresentados não trazem um indício do crédito entendido como devido pelo sujeito, não trazendo uma aproximação uníssona quanto à apuração do PIS devido no período e quanto ao crédito que seria eventualmente passível de compensação, entendo ser prescindível a realização de diligência no presente caso. Inclusive, como visto, os documentos apresentados não respaldam o valor trazido no DACON e na DCTF retificadores, como exigido por este Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034: "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos [redação semelhante ao do art. 11, da Instrução Normativa n.º 590/2005, vigente à época dos fatos do presente processo5], estabelece que: 5 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 11 10 Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. § 5º A retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 12 11 Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 13 12 Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente trouxe elementos de prova contraditórios, que não infirmam a existência de crédito no presente caso. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. II DISPOSITIVO Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13603.904695/201203 Acórdão n.º 3402006.602 S3C4T2 Fl. 14 13 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912381/2016-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.961
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.912381/2016-25
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037860
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.961
nome_arquivo_s : Decisao_11020912381201625.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11020912381201625_6037860.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7832418
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120568037376
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-24T17:05:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-24T17:05:46Z; Last-Modified: 2019-07-24T17:05:46Z; dcterms:modified: 2019-07-24T17:05:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-24T17:05:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-24T17:05:46Z; meta:save-date: 2019-07-24T17:05:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-24T17:05:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-24T17:05:46Z; created: 2019-07-24T17:05:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-07-24T17:05:46Z; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-24T17:05:46Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11020.912381/2016-25 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-006.961 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente MAGAZINE MODA VIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 81 /2 01 6- 25 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912381/2016-25 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912381/2016-25 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912381/2016-25 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-006.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912381/2016-25 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-006.961 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912381/2016-25 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
