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Numero do processo: 15868.720194/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 94 /2 01 2- 82 Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas lançadas, compondo o valor do crédito tributário constituído, que acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Entendimento do STJ reproduzido por determinação do art. 62A do RICARF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo. Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 4 3 Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em nome da empresa JBS S/A, em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 01/10/2008 a 31/12/2008, com o lançamento das contribuições, da multa de ofício e juros de mora. Conforme consta do competente Termo de Verificação de Infração Fiscal, o procedimento fiscal iniciouse com a análise dos pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e declarações de compensações, efetuados pela empresa Bertin S/A, CNPJ 09.112.489/000168, que foi incorporada pela empresa JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160, relativos ao período de apuração de outubro de 2007 a dezembro de 2008, e posteriormente estendido ao ano de 2009. A análise dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, relativos ao quarto trimestre de 2008, estão consubstanciadas nos processos administrativos 12585.000033/201095 (Ressarcimento de COFINS – 4º trimestre de 2008) e 12585.000038/201018 (Ressarcimento de PIS – 4º trimestre de 2008). 15868.720194/201282 De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou nenhuma planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. A autoridade fiscal elaborou planilhas com a discriminação das aquisições de gado bovino de pessoas físicas e jurídicas, bem como de demais insumos que dariam direito à apuração de crédito presumido da agroindústria, e procederam à apuração dos créditos a que teria direito o contribuinte com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e também nos Dacon apresentados. Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Inconformada, a interessada apresentou a impugnação, na qual argumenta, em síntese: a) nulidade em razão da ilegitimidade da d. Autoridade Fiscal (DRF Araçatuba) para promover a fiscalização dos pedidos de ressarcimento da Recorrente, determinando a realização de nova fiscalização, pela Delegacia da Receita Federal competente para tanto, localizada no Município de São Paulo, seja em razão da incompetência da Autoridade de Araçatuba, seja em razão do cerceamento de defesa; b) nulidade em razão de não existir responsabilidade da Recorrente pelos débitos compensados, atrelados ao presente pedido de ressarcimento, haja vista a responsabilidade pessoal dos administradores da época; c) nulidade em razão do descumprimento do “múnus” atribuído à autoridade fiscal, que deveria exaustivamente obter informações perante os administradores da Bertin S/A à época dos fatos, em busca da efetivação do princípio da verdade material; d) direito ao reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado pela Bertin S/A(incorporada pela Recorrente), vez que: (i) a glosa dos créditos não deve prosperar, vez que a fiscalização não conseguiu afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A; (ii) A Recorrente faz jus ao crédito presumido, à ordem de 60% (sessenta por cento) sob as aquisições de gado, nos moldes do artigo 8º da Lei 10.925/2004; (iii) As demais "glosas" são ilegais, vez que ausente qualquer justificativa, limitandose a autoridade fiscal a elaborar meras planilhas para justificar a glosa; e) subsidiariamente, determinar a realização de diligência pela unidade fiscal situada em São Paulo, seja em razão da incompetência da Delegacia fiscal de Araçatuba, seja em razão da imparcialidade de seus Auditores Fiscais. f) subsidiariamente, caso todos os argumentos anteriores sejam afastados, seja acatada, ao menos, a impossibilidade da Impugnante responder pelas multas e juros moratórios, pois, nos moldes do art. 132 do CTN, somente há responsabilidade por eventuais “tributos”, ou, ainda, resta indevida a responsabilidade pela multa e juros em razão do despacho decisório ter sido proferido em data posterior à incorporação, conforme amplamente exposto. A 4ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1442.451, referente a sessão de julgamento ocorrida em 13 de junho de 2013, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 5 5 intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora integram a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário. SUCESSÃO DE EMPRESAS. GUARDA DE DOCUMENTOS E LIVROS DAS EMPRESAS SUCEDIDAS. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Caracterizada a sucessão de empresas, na forma do art. 133 do CTN, a guarda de todos os documentos e livros pertencentes às empresas Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 sucedidas para futura exibição ao Fisco é de responsabilidade da empresa sucessora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 6 7 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Das preliminares Da nulidade em razão da incompetência do Auditor Fiscal A Recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal ante a incompetência do AuditorFiscal lotado na Delegacia da Receita Federal de Araçatuba, sendo que a sede da empresa era na cidade de São Paulo. Também alega que inexistia autorização para emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em jurisdição diversa da originária. Não assiste razão a Recorrente. Não há que se falar em nulidade no procedimento fiscal, pela sua execução por AuditorFiscal lotado em outra delegacia fiscal. A matéria encontrase sumulada neste órgão julgador: Súmula CARF nº 27 É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A ação fiscal, que resultou na lavratura dos autos de infração em questão, encontravase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002011034024 emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo. As questões acerca de possíveis irregularidades na emissão do MPF também não tornam nulo o procedimento fiscal em questão, por se tratar o Mandado de Procedimento Fiscal de um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não mais do que isso. A jurisprudência deste Conselho pacificou entendimento segundo o qual eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem à nulidade, vez que o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. A autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme definido pelo art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002 (com redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), e o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por AuditorFiscal de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade em razão da incompetência do AuditorFiscal. Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Do cerceamento do direito de defesa em razão da localização da unidade da RFB que executou o procedimento fiscal A Recorrente alega também o cerceamento de seu direito de defesa em razão da localização da unidade da Receita Federal que executou o procedimento fiscal, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araçatuba. Não assiste razão a Recorrente. Nenhum prejuízo foi causado pela execução regular do procedimento fiscal em Araçatuba, e não na cidade de São Paulo. Todas as formalidades legais essenciais previstas em lei e regulamento foram cumpridas, inclusive a lavratura de atos, identificação da autoridade competente, prazos, motivação No Termo de Verificação de Infração Fiscal encontrase detalhado todo o procedimento fiscal realizado, com a descrição dos fatos e apurações feitas pela fiscalização, bem como ao contribuinte foram entregues os demonstrativos de apuração dos créditos e dos saldos remanescentes das contribuições para o Pis e da Cofins. Inclusive a interessada foi intimada em várias oportunidades durante o procedimento fiscal e não apresentou todos os esclarecimentos necessários ou as comprovações requeridas. Posteriormente, na ciência dos Autos de Infração, a interessada teve acesso aos documentos constantes dos autos, não se constatando qualquer empecilho relativo à produção de provas, caracterizando cerceamento de seu direito de defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade em razão do cerceamento do direito de defesa. Do Mérito Da apuração e glosa dos créditos A Recorrente alega a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela empresa sucedida Bertin S/A, e que a fiscalização não logrou êxito em desqualificálos, sem a devida comprovação. Não assiste razão a Recorrente. Não foram apresentados, nem durante o procedimento fiscal, nem no curso do julgamento administrativo, planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não foram apresentados os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. De acordo com o relatado no Termo de Verificação de Infração Fiscal, não restam dúvidas que a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, e coube à fiscalização, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo, elaborar as planilhas juntadas no processo, com as notas explicativas constantes no final das referidas planilhas, apurar os valores dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 7 9 Conforme exposto no acórdão recorrido, as reiteradas intimações comprovam o esforço da autoridade fiscal em coletar informações e cotejar os fatos com a norma, para então concluir pelo acerto nos lançamentos e pagamentos dos tributos pelo contribuinte ou proceder à exigência fiscal de ofício. Caberia à Recorrente apresentar prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, através da juntada aos autos de demonstrativos dos valores pleiteados juntamente com os lastros documentais, o que não ocorreu. De outro lado, a Fazenda apresentou seus demonstrativos, lastreados nos registros fiscais da empresa, que dão suporte ao lançamento efetuado. Desta forma, como a Recorrente não trouxe qualquer documento contábil ou fiscal anexo à peça recursal para desconstituir o lançamento do crédito tributário, o mesmo deverá ser mantido. Do crédito presumido da agroindústria Outra questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, §3º da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. No caso, a empresa sucedida deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão a Recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O artigo 33 da Lei nº 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8° da Lei nº 10.925/04, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ........................................................................ § 1º ............................................................................... I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do parágrafo 10 incluído pela Lei nº 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Da responsabilidade pelas multas e juros A Recorrente alega que, na hipótese de manterse o indeferimento do pedido de ressarcimento, não deverá ser responsabilizada pelas multas e juros aplicáveis aos débitos compensados, porquanto a responsabilidade estabelecida no art. 132 do CTN não abrangeria multas decorrentes de infração. Alega também a responsabilidade pessoal dos diretores, gerente e representantes da empresa sucedida, com base no art. 135, III do CTN. Inicialmente, cabenos destacar que, nos lançamentos de ofício, é devida a multa de ofício, pois tal multa integra o lançamento. O valor total lançado, composto do principal, multa e juros, corresponde ao valor do crédito tributário constituído. O artigo 129 do CTN trata da responsabilidade dos sucessores, aplicável ao presente caso, que transcrevemos abaixo: Art. 129 – O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Depreendese da redação do artigo e de seu posicionamento dentro do CTN, ou seja, de uma interpretação sistemática, que a responsabilidade dos sucessores referese aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. O STJ, em decisão sob o regime do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que a pessoa incorporadora é responsável não só pelo tributo devido pela incorporada, como também, pela multa moratória e outros encargos. Reproduzimos abaixo trecho da ementa do REsp 923.012/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, cujo entendimento reproduzimos no presente voto, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 8 11 MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, Dje 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) ... 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 923.012/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Com relação à incidência dos juros moratórios, de acordo com o artigo 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Desta forma, encontrase amparo legal a incidência de juros moratórios, inclusive nas sucessões. Portanto, a Recorrente responde pela totalidade do crédito tributário, inclusive a multa de ofício lançada e os juros moratórios incidentes. Do pedido de diligência Também não assiste razão a Recorrente na necessidade de diligência para a apuração dos valores dos créditos. As provas porventura existentes, deveriam ter sido apresentadas durante o procedimento fiscal ou mesmo na fase recursal. Nenhum elemento foi apresentado. Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Portanto, não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas mesmo em face dos documentos trazidas pela interessada, o que não foi o caso. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11516.003294/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TERMINAL INTELIGENTE. UNIDADE FUNCIONAL.
Os terminais inteligentes são projetados para melhorar o funcionamento das centrais PABX (maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela) e foram desenvolvidos para serem utilizados somente com esses aparelhos de comutação para telefonia, formando com estes uma unidade funcional, devendo, assim, serem classificados na posição 8517.30.13 ou 8517.30.14, conforme concluiu o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT nº 239/99, emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Somente depois do Decreto nº 3.801, de 2001, é que os terminais inteligentes passaram a se enquadrar como uma espécie de aparelho elétrico para telefonia, previsto no código 8517.19.99.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TELEFONE COM IDENTIFICADOR DE CHAMADAS. BENEFÍCIO FISCAL HABILITADO.
O Processo nº MCT 01200.004567/2001, da Portaria Interministerial nº 816/2001, emitido pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, habilitou telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 no regime do benefício fiscal de redução do IPI.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Natanael Martins, OAB/SP nº. 60.723.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Relator
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Recorrente INTELBRAS S/A INDÚSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TERMINAL INTELIGENTE. UNIDADE FUNCIONAL. Os terminais inteligentes são projetados para melhorar o funcionamento das centrais PABX (maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela) e foram desenvolvidos para serem utilizados somente com esses aparelhos de comutação para telefonia, formando com estes uma unidade funcional, devendo, assim, serem classificados na posição 8517.30.13 ou 8517.30.14, conforme concluiu o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT nº 239/99, emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Somente depois do Decreto nº 3.801, de 2001, é que os terminais inteligentes passaram a se enquadrar como uma espécie de aparelho elétrico para telefonia, previsto no código 8517.19.99. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TELEFONE COM IDENTIFICADOR DE CHAMADAS. BENEFÍCIO FISCAL HABILITADO. O Processo nº MCT 01200.004567/2001, da Portaria Interministerial nº 816/2001, emitido pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, habilitou telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 no regime do benefício fiscal de redução do IPI. Recurso voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 94 /2 00 4- 70 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Natanael Martins, OAB/SP nº. 60.723. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Auto de Infração, contendo lançamento de IPI, no valor de R$ 5.006.525,81, lavrado em decorrência de a autoridade fiscal entender que, em 2001, a empresa cometeu erro de classificação fiscal em relação a dois de seus produtos: i) terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes), classificados pela contribuinte nas posições 8517.30.13, 8517.30.14, com alíquota de 2%; e ii) aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, classificados pela contribuinte na posição 8517.80.90, com alíquota de 2%. Para a fiscalização, todos os referidos produtos deveriam estar classificados no código 8517.19.99, tributados a alíquota de 10%. Confirase o teor da autuação: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produto(s) tributado(s), com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação ao(s) produto(s) TERMINAIS TELEFÔNICOS PARA CENTRAIS DE COMUTAÇÃO RARA TELEFONIA PRIVADA e APARELHOS TELEFÔNICOS COM IDENTIFICADOR DE CHAMADAS, classificados no código da TIPI 8517.19.99, tributados a alíquota de 10%, conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e no Relatório de Diferenças de IPI Apuradas Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada Classificação Fiscal 8517.19.99 e Relatório de Diferenças de IPI Apuradas Aparelhos Telefônicos com Identificador de Chamadas – Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 906 3 Classificação Fiscal 8517.19.99, que fazem parte integrante deste Auto de Infração. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 576/ss.), a autoridade fiscal expôs que os terminais inteligentes são classificados no código 8517.19.99, na forma da Portaria nº 816/2001 e da resposta dada pela Receita Federal à contribuinte ora autuada, em relação ao modelo TERMINAL ADVANCED TI 400, no Processo de Consulta n° 10983.003439/9600, às fls. 155 a 172. A autoridade fiscal acrescentou, ainda, que a própria empresa, a partir de 2002, havia alterado a classificação fiscal dos terminais inteligentes para o mesmo código 8517.19.99, indicado como correto pelo auto de infração. Confirase (fls. 576/ss.): Em 2001, quando a empresa não usufruiu o incentivo da Lei de Informática, a classificação adotada foi, para todos os produtos acima mencionados, nos códigos 8517.30.13, 8517.30.14, ou 8517.80.90, tributados a alíquota de 2%, prevista no Decreto n° 3.686, de 13/12/2000. A partir de 05/02/2002, até a presente data, a classificação adotada pela empresa para todos os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada foi e está sendo no código 8517.19.99, tributados a alíquota de 10%, com as reduções da Lei n° 10.176/2001 e não mais nos códigos 8517.30.13, 8517.30.14, ou 8517.30.90, cujas alíquotas a partir de janeiro de 2002 passaram a ser de 15%. Na verdade, esta é a classificação que também consta na Portaria n° 816/2001, para os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada. Em resposta ao Termo de Intimação, datado de 10/12/2004 (fls. 116 a 118), a empresa justifica que, em 2001, exercício no qual não usufruiu do incentivo à Lei de Informática, manteve a classificação fiscal 8517.30.13, para os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes, mesas operadoras e telefone premium 30 digital), pois a referida classificação estava de acordo com o Parecer Técnico n° MCT/SEPIN/CGIM/DAT 239/99 e Portaria Interministerial n° 108/2000. Justifica que adotou este procedimento na vigência do Decreto 3.686/2000, que foi editado exclusivamente para dar guarida às empresas até então beneficiadas com a Lei de informática. Esclarece, ainda, que a mudança de classificação fiscal para os exercícios de 2002, 2003 e 2004 do código 8517.30.13 para 8517.19.99, foi efetuada, pois pela primeira vez um documento legal (Decreto 3.801/2001) passou a vincular os terminais inteligentes a uma classificação fiscal, que ocorreu ao excetuar os terminais dedicados a centrais privadas de comutação do item 8517.19.9, desta forma, acolheu estes terminais nesta classificação (8517.19.9). Na verdade, a classificação fiscal de um produto na TIPI é determinada em função das disposições legais e o órgão Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 competente para dirimir dúvidas quanto à classificação fiscal dos produtos sujeitos ao IPI é a Secretaria da Receita Federal (parágrafo 1° do artigo 48 e artigo 50, da Lei n° 9.430/96). Abaixo, transcrevemos os artigos do Decreto n° 2.637, de 25/06/98, que definem as regras para fins de classificação fiscal: [...] Assim, independente da justificativa apresentada e do procedimento adotado pela empresa, ou de constar na Portaria n° 816/2001, o entendimento da Receita Federal, já foi externado, em consulta formulada pelo próprio contribuinte em relação ao modelo TERMINAL ADVANCED TI 400, (cópia do processo n° 10983.003439/9600 fls. 155 a 172), onde a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a classificação pretendida pela empresa como centrais telefônicas, e sim como aparelhos telefônicos. O referido processo foi arquivado sem julgamento do recurso interposto pela interessada, tendo em vista o disposto no art. 48, parágrafo 1°, inciso II e parágrafo 13, c/c art. 50 da Lei n° 9.430/1996. Não houve a renovação da consulta, conforme lhe facultou a Lei n° 9.430/1996. [...] Como podemos observar, hoje a empresa não mais discute quanto ao enquadramento dos terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada no código da TIPI 8517.19.99. Tanto é verdade que vem adotando a referida classificação, para todos os produtos descritos no quadro acima, a partir de 05/02/2002, sendo que para alguns modelos da tabela acima, adota a referida classificação desde 03/01/2002. No entanto, para o exercício de 2001, a classificação para todos os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada também, continuou seguindo os mesmos dispositivos legais acima mencionados, ou seja, continuou sendo classificado no código 8517.19.99 e não na classificação adotada pela empresa (8517.30.13, 8517.30.14 ou 8517.30.90). E, para a referida posição à alíquota correta é de 10% (extrato do sistema SISCOMEX — LEGISLAÇÃO CONSULTA fls. 149 a 151). Logo, esta fiscalização está lançando através de auto de infração a diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota adotada pela empresa (2%), conforme Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada — Classificação Fiscal 8517.19.99 (fls. 173 a 334), por infração ao disposto nos artigos 15, 16 e 17 e 117 do Decreto n° 2.637, de 26/06/98, que Regulamenta a Cobrança do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIPI/98). Quanto aos telefones com identificador de chamadas, a fiscalização aduziu que a função principal do aparelho telefônico identificador de chamadas é a de servir como telefone, devendo, assim, ser classificados no código 8517.19.99, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI); RGI6 (texto da subposição 8517.19); e RGI 3 b, NESH (Notas Explicativas da posição 85.17). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 907 5 No mesmo sentido, de acordo com a autuação, foi proferida a Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n° 100, de 20 de abril de 2004, formulada pela própria empresa, no Processo de Consulta nº 1654.000019/200409 (fls. 168 a 172). Eis suas palavras (fls. 576/ss.): Os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas vinham sendo classificados, pela fiscalizada, no ano de 2000, na posição 8517.19.99, cuja alíquota na TIPI era de 10%, os quais gozavam da isenção do IPI até 31/12/2000 (Lei n° 10.176/2001 e Portaria n° 108/2000). Em 2001, quando a empresa não usufruiu o incentivo da Lei de Informática, a classificação adotada foi a mesma até 19/04/2001 (8517.19.99), porém, com a alíquota incorreta de 2%, para todos os produtos acima mencionados e a partir de 20/04/2001, no código 8517.80.90, tributados a alíquota de 2%. Em resposta ao Termo de Intimação, datado de 10/12/2004, a empresa justifica que, em 2001, exercício no qual não usufruiu o incentivo à Lei de Informática, mudou sua classificação fiscal para os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, que na Portaria Interministerial n° 108/2000 (Parecer Técnico n° MCT/SEPIN/CGIM/DAT 239/99) era 8517.19.99, para a classificação 8517.80.00, pois constatou que na NVE NCM 8517.80.00 consta nas especificações identificador de chamada telefônica sem sinalização MFC (fls. 120), bem como nas Normas Gerais de Classificação, posicionamento este posteriormente ratificado no Laudo Técnico elaborado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da UFSC(fls. 119), com base em solicitação realizada pela Inspetoria da Receita Federal de Itajaí. Observese que a empresa não manteve a mesma coerência para justificar a manutenção da classificação fiscal com base no Parecer Técnico n° MCT/SEPIN/CGIM/DAT 239/99 e Portaria Interministerial n° 108/2000. Assim, para terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes, mesas operadoras e telefone premium 30 digital); o Parecer Técnico se prestou para dar validade ao procedimento adotado pela empresa e, para os aparelhos telefônicos com identificar de chamadas, não. Ademais, o Laudo Técnico (fls. 119) além de não trazer maiores detalhes sobre o produto, não é instrumento hábil para definir a classificação fiscal ou validar o procedimento adotado 2 anos antes de sua emissão, em relação a outros produtos fabricados pelo contribuinte. E ainda, na Portaria n° 816, de 14/12/2001, os produtos acima mencionados estão descritos apenas como identificadores de chamadas classificados na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) no código 8517.80.00, sendo especificados os vários modelos. O contribuinte informou que descreveu assim os referidos produtos, inclusos os aparelhos telefônicos com Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 identificador de chamadas, pois entende que a característica principal dos produtos é de identificador de chamadas. Em consulta sobre classificação fiscal de mercadoria formulada pela própria empresa, processo 1654.000019/200409 — Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n° 100, de 20 de abril de 2004 (fls. 168 a 172), o produto denominado pela fiscalizada de "Aparelho Identificador de Chamadas Telefônicas ISF 900ID", cuja pretensa classificação fiscal era no código da TIPI 8517.80.00, foi dado como solução no código da TIPI 8517.11.00 (Aparelho telefônico por fio, conjugado com aparelho telefônico portátil sem fio, apresentando funções acessória como identificador de chamadas no aparelho portátil). Abaixo, transcrevemos os fundamentos legais da referida solução de consulta: "2.0 aparelho em questão apresenta uma série de funções, podendose citar a função de telefone, de identificador de chamadas, de agenda de telefones e de discagem rápida. 3.A Nota 3 da Seção XVI estabelece o critério para a classificação das máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes: [...] 4. No caso em tela, a questão é definir a função principal da máquina. O interessado afirma que o aparelho seria um identificador de chamadas telefônicas sem fio, sugerindo que a função de telefone seria meramente auxiliar. Sustentando essa posição, ele anexa ao processo dois laudos técnicos. No primeiro deles, à fl. 25 do processo, a CRP Telecom & IT Solutions conclui que "o Identificador de Chamada Telefônica — modelo ISF900ID tratase, inequivocamente, de um bem de informática, pois utiliza dispositivos eletrônicos essencialmente digitais e programas computacionais residentes". No segundo laudo, à fl.35 do processo, a Imatel Competence Center declara que "o produto ensaiado tem como circuitos principais a parte identificação de chamadas e o circuito de RF, sendo acrescido alguns circuitos adicionais para a função de telefone". 5. Há que se esclarecer, no entanto, que, pelo fato de os circuitos referentes ao identificador de chamadas serem a parte principal em termos de complexidade e de desenvolvimento tecnológico, eles não necessariamente irão representar a principal função que o aparelho executa. Como exemplo de que complexidade não é fator decisivo à classificação temse a Solução de Consulta da Coordenação de Administração Aduaneira referente ao sensor de presença acompanhado do interruptor para lâmpadas que, apesar deste constituir elemento mais simples e tecnologicamente menos sofisticado, a classificação é realizada de acordo com a sua função, ou seja, a de interruptor, in verbis: [...] 6. Quanto ao fato de tratarse de bem de informática, conforme declarado pelo laudo, isso não significa que a classificação deva ser realizada em um código ou outro, pois uma série de Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 908 7 aparelhos incorporam dispositivos de processamento de dados, inclusive máquinas automáticas de processamento de dados (computadores). Define a Nota 5.E) do Capitulo 84 que as máquinas com função própria e que incorporem uma máquina automática de processamento de dados devem ser classificadas na posição correspondente à sua função, in extenso: [...] 7. Examinandose as funções desempenhadas pelo aparelho, observase que, apesar de o identificador de chamada e a agenda serem tecnologicamente mais complexos, a função principal é claramente desempenhada claramente pelo telefone, pois é ele que cumpre a principal atividade para quem utiliza o aparelho. O identificador de chamada e a agenda fornecem funções complementares ao uso do aparelho, ou seja, identificam quem liga para essa linha e facilitam a discagem a partir dele. Essas mesmas funções são igualmente desempenhadas por grande parte dos aparelhos para telefonia celular que, apesar disso, não deixam de ser aparelhos transmissores e receptores de telefonia celular (telefones celulares). Além disso, o "design" do aparelho, conforme se pode visualizar na imagem obtida na "Internet", lembra em muito um aparelho telefônico sem fio. 8. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, e alteradas pela Instrução Normativa SRF n° 157, de 10 de maio de 2002, que se constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do Sistema Harmonizado, referentes à posição 85.17, citam a possibilidade de os aparelhos telefônicos poderem incorporar alguns dispositivos, senão vejamos: [...] 9. Assim, como as Notas Explicativas admitem a possibilidade da classificação na posição 85.17 dos aparelhos telefônicos de qualquer tipo, citando, inclusive, aqueles que incorporam um dispositivo que assegura a transmissão de uma mensagem gravada e a gravação de chamada, podese concluir que o identificador de chamadas também não impede a classificação desses aparelhos como aparelho telefônico, confirmando a sua classificação na posição 85.17, mais especificamente na subposição de 10 nível 8517.1 "Aparelhos telefônicos; videofones:". [...] 11.Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH 1 (textos da Nota 3 da Seção XVI e da posição 85.17) e 6 (textos das subposições 8517.1 e 8517.11), da Tabela de Incidência do IPI/T'ipi, aprovada pelo Decreto n° 4.542/2002 e alterações posteriores, e em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, aprovadas pelo Decreto n° 435/1992 e atualizadas pela Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Instrução Normativa SRF n° 157/2002, CONCLUO que a mercadoria consultada é classificada no código 8517.11.00." Na Solução de Consulta SRRF/6° RF/DIANA n° 1, de 08 de janeiro de 2001, processo 10660.001076/9919, transcrevemos abaixo parte dos fundamentos legais que entendemos aplicáveis aos produtos listados no subitem 5.2.1.2: [...] Assim, os aparelhos telefônicos com identificador de chamados fabricados pelo contribuinte, listados no subitem 5.2.1.2, por não serem aparelhos telefônicos com fio conjugado com um aparelho telefônico portátil sem fio, estão abrangidos na subposição 8517.19 "outros", que é a adequada por se tratar de aparelhos telefônicos diversos daqueles descritos pela subposição de 2° nível 8517.11. Os referidos aparelhos telefônicos têm acoplado, no mesmo corpo, o identificador de chamadas, portanto, o correto é classificar no código 8517.19.99, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI). RGI6 (texto da subposição 8517.19). RGI 3 b, NESH (Notas Explicativas da posição 85.17), tributados à aliquota de 10%. Logo, esta fiscalização está lançando através de auto de infração a diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota adotada pela empresa (2%), conforme Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Aparelhos Telefônicos com Identificador de Chamadas — Classificação Fiscal 8517.19.99 (fls. 335 a 541), por erro de classificação fiscal, infringindo ao disposto nos artigos 15, 16 e 17 e 117 do Decreto n° 2.637, de 26/06/98, que Regulamenta a Cobrança do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RI P1/98). Os valores do IPI a serem lançados, por decêndio, do Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada — Classificação Fiscal 8517.19.99 e Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Aparelhos Telefônicos com Identificador de Chamadas — Classificação Fiscal 8517.19.99, estão consolidados, conforme quadro abaixo, sendo discriminado na coluna "A", o decêndio; na coluna "B", os totais de IPI a serem lançados dos Aparelhos telefônicos com Identificador de Chamadas; na coluna "C", os totais de IPI a serem lançados dos Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada e na coluna "D", o totais de IPI a serem lançados por decêndio: [...] Contra a referida autuação, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração (fls. 592/ss.). A contribuinte defende, em síntese, que sua classificação fiscal, dada aos terminais inteligentes, no ano de 2001, estava lastreada no Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT nº 239, de 1999; e na Portaria nº 108, de 2000 (fls. 645/ss.), a qual isentou tal produto do pagamento do IPI, conforme previsto do art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 909 9 Narra, ainda, a empresa, que, em virtude da suspensão dos efeitos da referida isenção do IPI pelo Supremo Tribunal Federal, o Poder Executivo editou o Decreto nº 3.686, de 2000, estabelecendo a alíquota de 2% de IPI para os mesmos produtos outrora isentos. Para a autuada, essa classificação foi mantida até a publicação do Decreto nº 3.801, de 2001, a partir do qual passou a ser correta a classificação das mercadorias no código 8517.19.99, defendida pelo Fisco. Com respeito aos telefones com identificador de chamadas, a impugnante esclarece que mudou sua classificação na TIPI, que, na Portaria nº 108, de 2000, era 8517.19.99, para a última posição do código 8517.80. Segundo a empresa, essa classificação era a mais correta, pois se aplicava aos produtos com as seguintes especificações: identificador de chamada telefônica incluindo sinalização MFC; identificador de chamada telefônica sem sinalização MFC; outros. Ressaltou que a DRJ de Florianópolis já teria julgado um caso da empresa nessa mesma linha, no Proc. nº 10921.00.0648/200307 (fls. 773/ss). Na ótica da autuada, outro aspecto importante a ser ressaltado e levado em consideração é a sistemática utilizada para a classificação de produtos, onde a regra que se tem por máxima é a que determina que as mercadorias devem ser classificadas por sua característica principal, que nesse caso, sem sombra de dúvidas, é a identificação de chamadas. A par disso, o interessado diz que a multa de ofício é inexigível, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997, porque a mercadoria foi corretamente descrita. A DRJ, porém, julgou improcedente a impugnação, ratificando as razões da fiscalização, nas palavras abaixo transcritas (fl. 751): Terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada Sobre a classificação fiscal dos "terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada", no código 8517.19.99 da TIPI, devese ter presente a já mencionada solução dada em consulta formulada pelo próprio contribuinte, em relação ao modelo "Terminal Advanced TI 400", no Processo ri' 10983.003439/9600, segundo os documentos reproduzidos nas fls. 155 a 172 (vol. 1) deste processo. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a classificação pretendida pela empresa, como "centrais telefônicas", determinando a classificação fiscal, no caso da consulta, como "aparelhos telefônicos", próprios para serem conectados a uma central automática de comutação do tipo PABX (Private Automatic Branch Exchange). Tais aparelhos telefônicos foram classificados no código 8517.10.0200, vigente na época da Orientação NBM/DISIT 9 RF 51/96, das fls. 159 a 161 (vol. 1). Na fundamentação do referido ato, foi dito que o aparelho objeto da consulta não executa a conexão entre as linhas telefônicas, função que é realizada por aparelho distinto, de comutação automática, comumente denominado PABX, ao qual o terminal telefônico se encontra interligado por fios, raciocínio aplicável aos terminais fabricados pelo impugnante, motivo pelo qual não podem ser considerados centrais telefônicas. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 À vista disso, está correta a autuação, no sentido de que, em 2001, classificação dos "terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada" se dá no código 8517.19.99 da TIPI, e não na classificação adotada pela empresa (8517.30.13, 8517.30.14 ou 8517.30.90). E, para o referido código, a alíquota correta é de 10%, conforme consta nas fls. 149 a 151 (vol. 1). Deve, portanto, ser mantida a exigência da diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota indevidamente aplicada pelo contribuinte (2%). Aparelhos telefônicos com identificador de chamadas Quanto à classificação fiscal dos "aparelhos telefônicos com identificador de chamadas" no código 8517.19.99 da TIPI, a controvérsia pode ser solucionada nos moldes do que ficou resolvido na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/Diana nº 100, de 20 de abril de 2004, reproduzida nas fls. 168 a 172 (vol. 1), mencionada no TVEAF. Os aparelhos em questão apresentam uma série de funções, em especial, as funções de telefone e de identificador de chamadas. A Nota 3 da Seção XVI da TIPI, a seguir transcrita, estabelece o critério para a classificação das máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes: "3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto." (sublinhado na transcrição) No caso em tela, a questão é definir a função principal da máquina. O interessado afirma que o aparelho seria um identificador de chamadas telefônicas, sugerindo que a função de telefone seria meramente auxiliar. Ficou esclarecido na mencionada solução de consulta que, pelo fato de os circuitos referentes ao identificador de chamadas serem a parte principal em termos de complexidade e de desenvolvimento tecnológico, eles não necessariamente irão representar a principal função que o aparelho executa. Como exemplo de que complexidade não é fator decisivo à classificação o mesmo ato cita uma solução de consulta da Coordenação de Administração Aduaneira, referente ao sensor de presença acompanhado do interruptor para lâmpadas que, apesar deste último dispositivo constituir elemento mais simples e tecnologicamente menos sofisticado, a classificação é realizada de acordo com a sua função, ou seja, a de interruptor. Quanto ao fato de se alegar que o identificador de chamadas é um bem de informática, a Solução de Consulta SRRF/9 RF/Diana nº 100 explica que isso não significa que a classificação deva ser realizada em um código ou outro, pois uma série de aparelhos incorporam dispositivos de processamento de dados, inclusive máquinas automáticas de Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 910 11 processamento de dados (computadores). Define a Nota 5, "E", do Capítulo 84 da TIPI, transcrita abaixo, que as máquinas com função própria e que incorporem uma máquina automática de processamento de dados devem ser classificadas na posição correspondente à sua função: "E) As máquinas que exerçam uma função própria que não seja, processamento de dados, incorporando uma máquina automática para processamento de dados ou trabalhando em ligação com ela, classificamse na posição correspondente à sua função ou, caso não exista, em uma posição residual." Das funções desempenhadas pelo aparelho em causa, observa se que, apesar de o identificador de chamadas ser tecnologicamente mais complexo, a função principal é claramente desempenhada pelo telefone, pois é ele que cumpre a principal atividade para quem utiliza o aparelho. O identificador de chamada fornece função complementar ao uso do aparelho, ou seja, identifica quem liga para essa linha. A solução de consulta em comento ressalta que essa mesma função é igualmente desempenhada pelos aparelhos para telefonia celular que, apesar disso, não deixam de ser aparelhos transmissores e receptores de telefonia celular (telefones celulares). As Nesh, aprovadas pelo Decreto n' 435, de 28 de janeiro de 1992, e alteradas pela Instrução Normativa SRF 157, de 10 de maio de 2002, que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do Sistema Harmonizado, referentes à posição 8517, citam a possibilidade de os aparelhos telefônicos poderem incorporar alguns dispositivos, conforme transcrição que segue: "Entre os outros dispositivos que às vezes fazem parte dos aparelhos telefônicos, podem citarse os que permitem guardar em memória um número de chamada, interromper uma conversação sem cortar a linha, para estabelecer comunicação com uma outra linha, ou ainda os que permitem ligar com outras linhas pq escutar conversações, e tomar parte nelas ou se . (r o caso interrompêlas, etc. Classificamse aqui os aparelhos telefônicos de qualquer tipo, incluídos aqueles aos quais se incorporam um aparelho telefônico (que possui um seletor e um transmissorreceptor) e um dispositivo que assegura a transmissão de uma mensagem gravada e, às vezes, a gravação de uma chamada." (sublinhado na transcrição). Assim, como as Notas Explicativas admitem a possibilidade da classificação na posição 8517 dos aparelhos telefônicos de qualquer tipo, citando, inclusive, aqueles que incorporam um dispositivo que assegura a transmissão de uma mensagem gravada e a gravação de chamada, podese concluir que o identificador de chamadas também não impede a classificação desses aparelhos, como aparelho telefônico, confirmando a sua classificação no código 8517.19.99, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI), RGI 6 (texto da Fl. 903DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 subposição 8517.19), RGI 3h e Nesh da posição 8517, produtos esses tributados à alíquota de 10%. Deve, portanto, ser mantida a exigência da diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota indevidamente aplicada pelo contribuinte (2%). Multa de ofício Sobre a alegação do impugnante, de que a multa de ofício seria inexigível, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n' 10, de 1997, porque a mercadoria foi corretamente descrita, cabe dizer que o referido ato, conforme transcrição que segue, é especifico para o despacho aduaneiro de importação, hipótese completamente distinta verificada no presente caso, motivo pelo qual esse argumento é ineficaz, para refutar a multa de ofício, que resta mantida: "(.) não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei n' 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, para manter integralmente a exigência formalizada no Auto de Infração, das fls. 559 a 563 (vol. 3). Não resignada com o acórdão acima transcrito, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando suas razões de defesa quanto à classificação fiscal; não houve recurso quanto à inaplicabilidade da multa de ofício (fls. 767/ss.). Iniciada a apreciação do recurso voluntário, a Turma julgadora do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Ilmo. Relator MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA (fl. 809 e ss.): Entendo que não há nos autos provas suficientes e clareza da matéria em exame que autorize o correto e justo julgamento da lide, portanto, VOTO, por converter o julgamento em diligência para que a delegacia a que está submetido o recorrente, obtenha laudo técnico oficial que responda aos seguintes quesitos: 1) Favor informar a correta descrição dos produtos objeto do presente recurso, informando se são (i) partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição, no caso, de uma central telefônica; ou (ii) se são aparelhos, instrumentos ou dispositivos auxiliares de controle, comando, medida, regulagem Fl. 904DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 911 13 ou verificação apresentados com as máquinas em que são normalmente utilizados; ou (iii) se são aparelhos, instrumentos ou dispositivos auxiliares destinados à medida, controle, comando ou regulação de várias máquinas (incluído o caso de máquinas idênticas); ou (iv) se constituem uma máquina ou combinação de máquinas de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada; ou ainda, (v) alguma outra descrição não enumerada acima. 2) Favor informar se os produtos em questão são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificando, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. 3) Favor informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. 4) Favor informar se os produtos funcionam como telefones ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. 5) Favor acrescentar os comentários e informações que no entender do técnico responsável são importantes para a correta classificação fiscal do produto ou sua identificação não abrangidas nos quesitos anteriores. Juntado aos autos a resposta aos quesitos acima, a autoridade preparadora deverá intimar o recorrente a se manifestar sobre o resultado da diligência, no prazo de 15 (quinze). Após, retornem os autos a este Conselho, que deverá providenciar a intimação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para manifestação, no prazo de 15 (quinze) dias e, por fim, retornem a este relator para continuidade do julgamento. É como voto. Em resposta à diligência solicitada pelo CARF, foi produzido o laudo pelo Laboratório de Estatística, Engenharia e Gestão da Informação/Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), nos seguintes termos (fls. 825/ss.): CodProd: 4030044 Descrição: TERM ADVANCED TI 400 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no Fl. 905DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 150, 210 (ambos PABX permitem a conexão de até 5 terminais inteligentes TI 400) e 416 (PABX que permitem a conexão de até 16 terminais inteligentes TI 400). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O terminal inteligente TI 400 tem como função ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX ao qual está ligado tornando mais fácil a operacionalização do equipamento. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o atendimento de chamada dirigida a outro ramal, habilitação do modo conferência entre ramais, sinalização através de led quando terminal ligado ou quando há problemas referentes a bilhetagem/tarifação, permissão de acesso a linha externa, utilização de rediscagem do último número e uso da agenda, interrupção da transmissão de voz através de tecla especifica, permissão do atendimento simultâneo de duas chamadas, possibilidade de abertura de porteiro eletrônico, acesso direto ao ramal desejado, rechamada do ramal, retorno a ligação solicitada para o ramal e função sigame para transferência automática de chamadas dirigidas entre ramais programados. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado para funcionamento com as centrais 150, 210 e 416 Intelbras. ****** CodProd: 4030060 Descrição: TERM ADVANCED TI 1610 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 1040 Scope ou 1664 Lithe (capacidade máxima de 24 Terminais para cada PABX). Fl. 906DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 912 15 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O Terminal 1610 é um aparelho microprocessado que tem como função principal permitir agregar à função normal de um telefone a uma série de facilidades que tornam mais confortável e prática a operação das diversas funções disponíveis nos PABX 1040 e 1664. Como funções secundárias ou acessórias podemos dizer o display de cristal líquido, 20 teclas programáveis com sinalização de estado, tecla para acesso à memória, para programação de cadeado eletrônico, para programação de rechamada, para utilização do serviço chefesecretária, para pêndulo, para captura de chamada, para retorno de chamada: flash, mute, alta voz para monitoração de chamada, volume do alta voz, discagem MF, troca de mensagens entre Terminais 1610, monitoração do número discado, calendário, hora, informação do número interno que chamou mesmo antes do atendimento, monitoração do tempo da ligação em curso, mensagens de advertência, programação de ramal com auxílio do display e sinalização de estado de todas as linhas ou de até 16 ramais. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado exclusivamente para os PABX 1040 Scope e 1664 Lithe. **** CodProd: 4030206 Descrição: TERN/ ADVANCED TI 630 II 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais Modulare (PABX com capacidade de até 4 linhas e 12 ramais), 4015 (PABX com capacidade de até 4 linhas e 15 ramais), 6020 (PABX com capacidade de até 6 linhas e 20 ramais), 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). Fl. 907DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 16 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. . O terminal advanced TI 630 tem como função principal ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX a que está conectado garantindo mais agilidade, conforto, praticidade e economia no diaadia. Como funções secundárias 'e acessórios podemos dizer que o terminal possui display de cristal liquido informando as tarefas em execução, viva voz para monitoração de chamadas, teclas para navegação no display, leds para sinalização do estado das teclas, agenda telefônica (interna e externa), página para anotação, lembrete para compromissos, identificador de chamadas (requer placa de identificador na central), discagem MF, monitoração do número discado, calendário e hora, monitoração do tempo de chamada em curso, mensagens de advertência, bloqueio de teclado para limpeza, funcionamento na falta de energia elétrica se for ramal com acoplamento direto, ajuste do volume de bips e envio de mensagens personalizadas para outros terminais. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às Micro Centrais Modulare, 4015, 6020 e às Centrais 10040 e 16064. **** CodProd: 4030400 Descrição: TERM ADVANCED TI 530 CodProd: 4039424 Descrição: TERM ADVANCED TI 530 TELEFONICA 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais Modulare i (PABX com capacidade de até 4 linhas e 12 ramais), 4015 (PABX com capacidade de até 4 linhas e 15 ramais), 6020 (PABX com capacidade de até 6 linhas e 20 ramais), 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). Fl. 908DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 913 17 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O terminal inteligente 530 tem como função principal ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a Uma série de facilidades operacionais do PABX ao qual está ligado. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer as teclas para operação e programação, led para sinalização do estado das teclas, discagem MF, opção de operação com fone de cabeça, funcionamento como telefone comum na falta de energia elétrica se for ramal com acoplamento direto, tecla de conferência, tecla chefesecretária, 25 teclas programáveis com sinalização de estado, teclas para pêndulo e captura, flash, mute, retenção de chamada e correio de voz, alta voz para monitoração de chamada e volume do alta voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede publica na falta de energia elétrica se for ramal com acoplamento direto, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às Micro Centrais Modulare i, 4015, 6020 e às Centrais 10040 e 16064. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. **** CodProd: 4031008 CodProd: 4039076 CodProd: 4039181 CodProd: 4039220 CodProd: 4039297 Descrição: TERN/ INTELIGENTE 3130 DIGITAL Descrição: TERM ADVANCED TI 3130 DIG MATEC Descrição: TERN/ INTEL BR 3130 DIG Descrição: TERM ADVANCED BR TI 3130 MATEC Descrição: TERM TI 3130 BR TELEFONICA 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para ser utilizado com a central Intelbras 95 digital (PABX com capacidade 45 troncos digitais, 1 tronco analógico e 48 ramais analógicos e/ou digitais) e 141 digital (PABX com Fl. 909DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 18 capacidade de até 45 troncos digitais e 96 ramais analógicos e/ou digitais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O Terminal Inteligente 3130 Digital é um aparelho desenvolvido para agregar à função normal de um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX ao qual está ligado. Desta forma, através do terminal é mais fácil e prática a operação das diversas funções do PABX. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o terminal possui teclas com indicação luminosa configuráveis as necessidades do diaadia, agenda para 254 números externos e 100 internos, monitoração de ambiente, teclas de discagem rápida e correio de voz, podendo o operador visualizar no visor de cristal líquido a identificação da chamada. Além destes, o terminal tem teclas de navegação que facilitam a programação e operação e permite utilizar fone de cabeça. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado para ser utilizado com a central Intelbras 95 e 141 digital. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. ***** CodProd: 4033000 Descrição: TERM INTEL ONE TOUCH INTELBRAS 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para ser utilizado com as centrais Intelbras 4015 (PABX com capacidade para até 4 linhas e 15 ramais) e 6020 (PABX com capacidade para até 6 linhas e 20 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O Terminal ONE TOUCH é um aparelho desenvolvido para agregar à função normal de um aparelho telefônico a uma série Fl. 910DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 914 19 de facilidades operacionais do PABX a qual está ligado. Desta forma, através do terminal é mais fácil e prática a operação das diversas funções do PABX. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o terminal possui oito teclas para gravação de números telefônicos ou facilidades do PABX na memória, teclas de função mute, vivavoz, programa, flash, pêndulo, linha, rechamada, monitoração de ambiente, porteiro, principal, chefesecretária, correio de voz, retenção, sinalização luminosa, volume de campainha ajustável em 3 níveis, três tipos de sons de campainhas e ajuste do volume do vivavoz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado para ser utilizado com as centrais Intelbras 4015 e 6020. **** CodProd: 4039149 CodProd: 4039254 CodProd: 4039289 Descrição: TERM TI 630i INTELBRAS Descrição: TERM ADVANCED TI 630i MATEC Descrição: TERM TI 630i BR TELEFONICA 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais Modulare/Modulare i (PABX com capacidade de até 4 linhas e 12 ramais), Conecta (PABX com capacidade para até 3 linhas e 8 ramais), 4015 (PABX com capacidade de até 4 linhas e 15 ramais), 6020 (PABX com capacidade de até 6 linhas e 20 ramais), 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais), Lobby 640i (PABX com capacidade de até 4 linhas e 64 ramais) e Lobby 200i (PABX com capacidade de até 2 linhas e 20 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 20 O terminal inteligente 630i tem como função principal ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a urna série de facilidades operacionais que garantem mais agilidade, conforto, praticidade e economia no diaadia, pois conta com agenda telefônica, página para anotação e lembrete para compromissos, além da segurança do identificador de chamadas (requer placa de identificador na central). Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o terminal possui display informando as tarefas em execução, vivavoz, teclas para navegação no display, 25 teclas programáveis com sinalização através de leds, tecla com sinalização (led) para vivavoz, tecla com sinalização (led) para correio de voz, tecla com sinalização (led) para sigilo/mute, tecla flash, tecla ligou/alterar, tecla prog/desligar, tecla anotar/gravar, tecla apagar/ag. interna, tecla limpar/ag. externa, tecla ajuda/reter, tecla #/rechama, ajuste do volume do vivavoz, ajuste do volume do ring (2 níveis), chave para seleção de discagem (pulso / tom), trava de teclado para limpeza do terminal, operação com fone de cabeça, avisos sonoros (bips) de alerta, agenda de ramais, agenda de números telefônicos, consulta a ligações não atendidas e atendidas, lembrete, correio de mensagens, mensagens padrão e programação das facilidades do PABX. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às Micro Centrais Modulare/ Modulare Conecta, 4015, 6020 e às Centrais 10040 e 16064, Lobby 640i e Lobby 200i. Observação: Os modelos aciffla possuem as mesmas funcionalidades *** CodProd: 4060016 Descrição: TELEFONE Premium 30 DIGITAL INTELBRAS CodProd: 4060032 Descrição: Premium 30 DIGITAL MATEC 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com a central Intelbras 126 digital (PABX com capacidade de 30 linhas, 96 ramais Fl. 912DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 915 21 utilizando tronco El ou de até 32 linhas, 48 ramais utilizando tronco analógico). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Premium 30 digital tem como função principal agregar a função normal de ser um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX a qual está conectado. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o Premium 30 possui teclas flash, mute, controle de volume de áudio, rediscagem do último número discado, controle de intensidade da campainha, tecla de acesso direto ao correio de voz e indicação de mensagem no correio de voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado somente com a central 126 digital. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. *** CodProd: 4300017 Descrição: MESA OPERADORA 0P1610 PLUS INTELBRA CodProd: 4302010 Descrição: MESA OPERADORA T01610 PLUS MATEC 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora 0P1610 plus é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais Fl. 913DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 22 comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o display de cristal líquido, teclas para operação e programação através do display, indicação luminosa para sinalização do estado das teclas, calendário, horário, módulo de ramais para acesso direto, tempo da chamada, envio de mensagens de advertência, agenda telefônica para facilitar as ligações, página para anotação, lembrete para compromissos e identificador de chamadas mediante aquisição de placa de identificador vendido como opcional. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais 10040 e 16064. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. *** CodProd: 4303008, CodProd: 4303024, CodProd: 4303075 CodProd: 4303083, Descrição: MESA OPERADORA 0P3610 DIGITAL, Descrição: MESA OPERADORA T03610 DIGITAL MATEC, Descrição: MESA OPERADORA 0P3610 BR INTELBRAS, Descrição: MESA OPERADORA BROP3610 DIG MATEC 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com a central Intelbras 80 digital (PABX com capacidade de atender até 16 linhas e 48 ramais) e 126 digital (PABX com capacidade de atender até 32 linhas e 96 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora 0P3610 Digital é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar além do melhor desempenho para a telefonista, a visualização de comandos e situação dos ramais, Fl. 914DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 916 23 acompanhamento de todo o tráfego das ligações, teclas de navegação para facilitar a programação e operação, controle de volume das ligações, luminosidade do visor, identificação de chamadas (opcional), permite utilizar o fone de cabeça (opcional) e conexão com computador pessoal permitindo utilizar aplicativos para CTI (Computer & Telephony Integration) e serviços de Call Center. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais Intelbras 80 digital e Intelbras 126 digital. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. *** CodProd: 4303202 Descrição: MESA OPERADORA BRINT OP1610i 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora OP1610i é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o display de cristal líquido, teclas para operação e programação através do display, indicação luminosa para sinalização do estado das teclas, calendário e horário, módulo de ramais para acesso direto, tempo da chamada, envio de mensagens de advertência, agenda telefônica para facilitar as ligações, página para anotação, lembrete para compromissos, identificador de chamadas mediante aquisição de placa de Fl. 915DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 24 identificador (opcional) e software versão 8.1 ou revisão superior para compatibilidade com outros produtos Intelbras. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais 10040 e 16064. *** CodProd: 4039033 Descrição: TELEFONE BINA DTMF SMD INTELBRAS 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Bina DTMF SMD tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia com sistema DTMF. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui capacidade para armazenar 1.500 ligações (750 recebidas e 750 originadas), memória para números telefônicos, chave para ajuste do volume da campainha com indicações de volume máximo e volume mínimo, chave de seleção para o modo de discagem PULSE e TONE, chave de seleção com dois diferentes sons de campainha: F 1 e F2, rediscagem para o último número discado pelo telefone, compatibiliade com companhias telefônicas e centrais do tipo CPA, teclas: FLASH, STORE, MEMO, LND/P, El, E2, E3 e ANULA, identifica o número telefônico antes que a ligação seja atendida, registra o horário, dia e duração das ligações recebidas e originadas, indicação luminosa para ligações recebidas que não foram atendidas, indicação luminosa sinalizando que o aparelho está sendo usado ou que uma extensão está ocupando a linha telefônica, utilização de alimentação de 9V através do adaptador 110/220V, possui compartimento para bateria 9V (não • acompanha o equipamento) para permitir que o telefone armazene os números das ligações recebidas e originadas durante a falta de energia elétrica, além de identificador de chamadas operando no sistema DTMF segundo norma Telebrás SDT 220250713. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 917 25 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4039050 Descrição: TELEFONE BINA DUAL II INTELBRAS 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Bina Dual II tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia com sistema DTMF ou MFP. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui capacidade para armazenar 1.500 ligações (750 recebidas e 750 originadas), pode ser ligado a extensão telefônica, possui chave para ajuste do volume da campainha localizada na lateral esquerda com indicações de volume máximo e volume mínimo, chave de seleção para o modo de discagem PULSE e TONE , chave de seleção com dois diferentes sons de campainha: F 1 e F2, rediscagem para o último número discado pelo telefone, compatibiliade com Companhias Telefônicas e centrais do tipo CPA, teclas: FLASH, STORE, MEMO, LND/P, El, E2, E3 e ANULA, identifica o número telefônico antes que a ligação seja atendida, registra o horário, dia e duração das ligações recebidas e originadas, indicação luminosa para ligações recebidas que não foram atendidas, indicação luminosa sinalizando que o aparelho está sendo usado ou que uma extensão está ocupando a linha telefônica, utilização de alimentação de 9V através do adaptador 110/220V, possui compartimento para bateria 9V (não acompanha o equipamento) para permitir que o telefone armazene os números das ligações recebidas e originadas durante a falta de energia elétrica, além de identificador de chamadas operando no sistema MFP e DTMF segundo norma Telebrás SDT 220250713. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 26 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4032004 Descrição: TERM ELET VOZ CALLER ID PR 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo CALLER ID PR tem como função principal ser um aparelho telefônico normal com identificador e bloqueador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas no sistema MFP e DTMF, registro de 100 ligações recebidas, bloqueio de ligações a cobrar, bloqueio de ligações originadas com capacidade de até 20 números/prefixos, controle de data e horário, senha corri até quatro dígitos para segurança das informações registradas, bateria recarregável de 9V para armazenamento de dados e funcionamento do equipamento, circuito de alta voz alimentado pela energia elétrica, display LCD para visualização de informações, templo de flash programável pelo teclado, funções controladas por processador digital de sinais e adaptador externo de alimentação de energia. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4032012 Descrição: TERM ELET VOZ CALLER ID MF PR Fl. 918DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 918 27 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo CALLER ID MF PR tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia com sistema DTMF. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui capacidade para armazenar 1.500 ligações (750 recebidas e 750 originadas), memória para números telefônicos, chave para ajuste do volume da campainha, localizada na lateral esquerda com indicações de volume máximo e volume mínimo, chave de seleção para o modo de discagem PULSE e TONE , chave de seleção com dois diferentes sons de campainha: F1 e F2, rediscagem para o último número discado pelo telefone, compatibiliade com Companhias Telefônicas e centrais do tipo CPA, teclas: FLASH, STORE, MEMO, LND/P, El, E2, E3 e ANULA, identifica o número telefônico antes que a ligação seja atendida, registra o horário, dia e duração das ligações recebidas e originadas, indicação luminosa para ligações recebidas que não foram atendidas, indicação luminosa sinalizando que o aparelho está sendo usado ou que uma extensão está ocupando a linha telefônica, utilização de alimentação de 9V através do adaptador 110/220V, possui compartimento para bateria 9V (não acompanha o equipamento) para permitir que o telefone armazene os números das ligações recebidas e originadas durante a falta de energia elétrica, além de identificador de chamadas operando no sistema DTMF segundo norma Telebrás SDT 220250713. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4039114 CodProd: 4039130 CodProd: 4039319 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 28 Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDBR, Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDAZ e Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDGF 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Intelbras ID tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas DTMF, registro de 90 ligações recebidas e 60 originadas com data, hora e duração, função discar (discagem automática para os números registrados chamadas recebidas/originadas), led indicativo de novas chamadas, 2 volumes de campainha, visor com as informações das operações solicitadas/realizadas, tecla `,`#" (configuração das funções "sigame", "chamada em espera" e "conferência") se a linha a qual o aparelho está conectado for multifreqüencial e tecla mute para interrupção na transmissão de voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. A sigla após o hífen representa a cor do aparelho (BR de branco, AZ de azul e GF de grafite). Intimada, a recorrente manifestouse sobre as conclusões do Laudo, reafirmando que a classificação fiscal defendida por ela seria a mais correta (fls. 857/ss.). Em duas novas petições, a empresa pediu a juntada de procuração e da cópia do Parecer Técnico n.° MCT/SEPIN/CGIM/DAT/239/99, de 23 de novembro de 1999. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 919 29 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne da controvérsia é saber a correta classificação fiscal dos terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes) e dos aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, para, então, decidir se foi correta ou não a exigência do IPI, inserta no auto de infração. Terminais telefônicos inteligentes Os terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes) foram classificados pela contribuinte nas posições 8517.30.13 ou 8517.30.14, cuja descrição segue abaixo: Ao seu turno, para o acórdão recorrido, todos os referidos produtos deveriam estar classificados no código 8517.19.99, cuja descrição é importante transcrever: CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517.30 Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia 8517.30.1 Centrais automáticas para comutação de linhas telefônicas, exceto de videotexto 8517.30.13 Privadas, de capacidade inferior ou igual a 25 ramais Alíquota dada pelo Decreto n° 4.056/01, vigorando a partir de 1°/01/2002 Alíquota anterior era de 2%, de acordo com o Decreto nº 3.686/2000. 15 8517.30.14 Privadas, de capacidade superior a 25 ramais e inferior ou igual a 200 ramais Alíquota dada pelo Decreto n° 4.056/01, vigorando a partir de 1°/01/2002 Alíquota anterior era de 2% de acordo com o Decreto nº 3.686/2000. 15 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 30 CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia, por fio, incluídos os aparelhos telefônicos por fio conjugado com um aparelho telefônico portátil sem fio e os aparelhos de telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital; videofones 8517.1 Aparelhos telefônicos; videofones: 8517.11.00 Aparelhos telefônicos por fio conjugado com um aparelho telefônico portátil sem fio 10 8517.19 Outros 8517.19.10 Interfones 10 8517.19.20 Públicos Alíquota dada pelo Decreto n° 4.056/01, vigorando a partir de 1°/01/2002 Alíquota anterior era de 2%, de acordo com o Decreto nº 3.686/2000. 15 8517.19.9 Outros 8517.19.91 Não combinados com outros aparelhos 10 8517.19.99 Outros 10 Como se percebe dos autos, a autoridade fiscal e a DRJ aplicaram para os terminais inteligentes, objeto do presente processo, o mesmo raciocínio acerca da classificação do produto da recorrente, Terminal Advanced TI 400, proferido pela SRRF da 9ª Região Fiscal, Proc. nº 10983.003439/9600 (fls. 164/ss.). De acordo com a citada solução de consulta, o terminal inteligente “não executa a conexão entre linhas telefônicas. Essa função é realizada por um tipo de aparelho de comutação automático, comumente denominado PABX, ao qual se encontra interligada através de fios” (fl. 166). Assim, os terminais inteligentes não se enquadrariam como aparelhos de comutação para telefonia (8517.30.13 ou 8517.30.14), porque não executam conexão entre linhas telefônicas, sendo esse o motivo essencial da classificação fiscal encartada no auto de infração, mantido pela DRJ, que classificou o terminal inteligente como sendo outros aparelhos elétricos para telefonia (8517.19.99). Entretanto, interpreto diversamente os fatos apurados, tanto na solução de consulta da SRRF da 9ª Região Fiscal quanto no Laudo Técnico de fls. 825/840, elaborado a pedido do CARF. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 920 31 É que, embora os mencionados produtos não sirvam para conexão de linhas telefônicas, restou também comprovado que os terminais inteligentes são projetados para melhorar o funcionamento das centrais PABX (maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela) e foram desenvolvidos para serem utilizados somente com esses aparelhos de comutação para telefonia. É que se verifica da Resposta do Perito aos quesitos formulados pelo CARF: CodProd: 4303202 Descrição: MESA OPERADORA BRINT OP1610i 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora OP1610i é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o display de cristal líquido, teclas para operação e programação através do display, indicação luminosa para sinalização do estado das teclas, calendário e horário, módulo de ramais para acesso direto, tempo da chamada, envio de mensagens de advertência, agenda telefônica para facilitar as ligações, página para anotação, lembrete para compromissos, identificador de chamadas mediante aquisição de placa de identificador (opcional) e software versão 8.1 ou revisão superior para compatibilidade com outros produtos Intelbras. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais 10040 e 16064. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 32 A meu ver, pois, os terminais inteligentes constituem uma unidade funcional com os aparelhos de comutação para telefonia (centrais PABX), devendo seguir a classificação destes, tal como fez o contribuinte. Unidade funcional, na classificação de mercadoria, é entendida como um conjunto de máquinas que operam com um único objetivo definido. O exato conceito de unidade funcional vamos encontrar na Nota 4 da Seção XVI, do Sistema Harmonizado, nestes termos: 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Sendo incontroverso que os terminais inteligentes maximizam as utilidades dos aparelhos de comutação para telefonia, não vejo como deixar de reconhecer a unidade funcional entre ambas as máquinas. No mesmo sentido ora articulado, há precedente oriundo do CARF, em caso semelhante, no qual foi mantido acórdão da DRJ. Com base no conceito de unidade funcional, julgouse improcedente autuação, que exigia diferença do II e do IPI (fruto da reclassificação para o código 8517.80.90), pois se constatou que a mercadoria era parte de uma central automática de comutação, e, como tal, constituía uma unidade funcional com esta. Confirase as ementas do CARF e da DRJ, respectivamente: Processo nº 10314 003418/200188 Recurso nº 138,955 De Oficio Acórdão nº 310200227 — 1° Câmara / 2º Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 Relator: Ricardo Paulo Rosa ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/07/2001 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. UNIDADE FUNCIONAL, CENTRAL AUTOMÁTICA DE COMUTAÇÃO DE PACOTES. Ponto de Transferência de Sinalização de alta performance STP Signalling Transfer Point, identificado como Central de Comutação de Pacotes, classificase no código NCM 8517.30.41, Recurso de Oficio Negado. **** CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA, UNIDADE FUNCIONAL. CENTRAL AUTOMÁTICA DE COMUTAÇÃO DE PACOTES Fl. 924DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 921 33 Restando demonstrado nos autos que os aparelhos importados se enquadram no conceito de unidade funcional correspondendo a uma central automática de comutação de pacotes, com velocidade de tronco superior a 72 Kbits/segundo e de comutação superior a 3,600 pacotes/segundo, sem multiplexação determinística, é correta a classificação tarifária pleiteada pela contribuinte, no código NCM 8517.30.41. Corroborando o mesmo entendimento ora propalado, o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT/239/99 (fls. 873), emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, classificou os terminais inteligentes da recorrente nos códigos 8517.30.13 e 8517.30.14 para fins de isenção do IPI. Leiase: 1.PROCESSOMCT/SEPIN.nº: 067370/997, de 31.68.99 Desmembramento nº:.80177/999 [...] 3.ASSUNTO: O interessado requer a isenção do IPI, de acordo com o que estabelece o art. 4º da Lei 8.248/91. [...] 6. CONSIDERAÇÕES As tarifas aplicadas para os produtos aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, terminal inteligente híbrido, mesa operadora, micro PABX, no Brasil, são as seguintes: NCM II IPI 8517.19.99 23 10 8517.30.13 31 10 8517.30.14 31 10 8517.90.10 20 10 Efetivamente, observo que somente depois da publicação do Decreto nº 3.801, de 2001, é que houve uma inequívoca mudança na classificação dos terminais inteligentes, os quais, a partir daí, foram enquadrados como uma espécie do item 8517.19.9. In verbis: CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia, por fios e os aparelhos de telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital; exceto os aparelhos classificados na subposição 8517.11, no subitem 8517.19.10 e no item 8517.19.9, salvo os terminais dedicados de centrais privadas de comutação. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 34 Por tudo isso, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido, julgando improcedente o auto de infração, uma vez a recorrente não cometeu equívoco quanto à classificação fiscal dos terminais inteligentes. Aparelhos telefônicos com identificador de chamadas Quanto aos telefones com identificador de chamadas, a fiscalização aduziu que a função principal do aparelho telefônico identificador de chamadas é a de servir como telefone, devendo, assim, ser classificados também no código 8517.19.99, seguindo sua função principal, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI); RGI6 (texto da subposição 8517.19); e RGI 3.b, NESH (Notas Explicativas da posição 85.17). Ipsis litteris: 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a. A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b. Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c. Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Para a empresa, entretanto, os telefones com identificador de chamadas ou possuem função predominante a identificação de chamada ou não possuem uma função predominante, razão pela qual defende que essa mercadoria classificase, nos termos da RGI 3.c, NESH, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, isto é, na última posição do código 8517.80. Eis os seus termos: CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia, por fios e os aparelhos de telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital; exceto os aparelhos classificados na subposição 8517.11, no subitem 8517.19.10 e no item 8517.19.9, salvo os terminais dedicados de centrais privadas de comutação. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 922 35 8517.80 Outros aparelhos 8517.80.90 Outros. Destaca, ainda, a recorrente, que tal entendimento teria sido corroborado pela publicação da IN SRF nº 98, de 24 de outubro de 2000, que, no seu Anexo, classificou o “identificador de chamada telefônica”, no Subitem 8517.80.90. Observese: Subposição 2 8517.80 Outros aparelhos Subitem 8517.80.90 Outros Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo AA ITEM Especificações: 0001 Identificador de chamada telefônica incluindo sinalização MFC 0002 Identificador de chamada telefônica sem sinalização MFC 9999 Outros Outrossim, o recorrente defende que a Portaria Interministerial nº 816, emitidas pelos Ministros da Ciência e Tecnologia e da Fazenda teria classificado o aparelho telefônico com identificador de chamadas na mesma posição da contribuinte. Ao seu turno, no Laudo elaborado pela Universidade Federal de Santa Catarina, foi apresentada a seguinte resposta ao questionamento do CARF sobre qual seria a função principal dos aparelhos com identificador de chamadas (resposta essencialmente a mesma para todos os aparelhos desse tipo): CodProd: 4039114 CodProd: 4039130 CodProd: 4039319 Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDBR, Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDAZ e Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDGF 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso Fl. 927DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 36 afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Intelbras ID tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas DTMF, registro de 90 ligações recebidas e 60 originadas com data, hora e duração, função discar (discagem automática para os números registrados chamadas recebidas/originadas), led indicativo de novas chamadas, 2 volumes de campainha, visor com as informações das operações solicitadas/realizadas, tecla `,`#" (configuração das funções "sigame", "chamada em espera" e "conferência") se a linha a qual o aparelho está conectado for multifreqüencial e tecla mute para interrupção na transmissão de voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. A sigla após o hífen representa a cor do aparelho (BR de branco, AZ de azul e GF de grafite). Como se verifica da resposta apresentada pelo Sr. Perito, afirmase que “como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas DTMF...”. Todavia, em posterior petição, a Recorrente juntou esclarecimento realizado pelo assinalado Perito, de que houve erro na confecção da resposta, contida no Laudo, e que, na verdade, o identificador de chamadas seria a função principal do aparelho. Leiase: com relação ao "item 3", todos os produtos abaixo identificados, Por seus códigos e *descrições, possuem como função principal ser um identificador de chamadas e aparelho telefônico no mesmo produto, sendo que dentre as , duas, a que confere a característica principal ao produto 6 • IDENTIFICAÇÃO DE CHAMADAS. Portanto, as referências realizadas a identificação de chamadas como uma função secundária ou acessória, não estão corretas e decorreram da cópia equivocada e integral das funções do produto, retiradas há época de um material de apoio utilizado para a realização do Laudo, já que os produtos não foram apresentados pela Receita Federal do Brasil para a sua elaboração. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 923 37 Não obstante a excelência técnica do Experto, entendo que seu laudo não procede nessa parte, sendo possível não seguir suas conclusões, como autoriza o art. 30 do Decreto nº 70.235/1972: “os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres”. A meu ver, a autoridade se desincumbiu de demonstrar a improcedência da classificação adotada pela contribuinte, pois resta claro que a existência de identificador de chamadas no telefone não pode ser considerada característica essencial desse aparelho, uma vez que a identificação de chamadas se dá em função da sua operação como telefone, sendo certo que a RGI 3.b, NESH, estabelece que o produto se classifica pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial Destaco, ainda, que o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT/239/99 (fls. 873), emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, também classificou os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas da recorrente no código 8517.19.99 para fins de isenção do IPI. Quanto ao Anexo da IN SRF nº 98, de 24 de outubro de 2000, que alterou o Anexo do art. 3º da IN nº 80/1996, houve classificação para o identificador de chamada telefônica, no Subitem 8517.80.90, e não do aparelho telefônico com identificador de chamadas. Porém, a despeito de tudo isso, não posso deixar de verificar o teor do Processo nº MCT: 01200.004567/2001, da Portaria Interministerial nº 816/2001, dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, que habilitou o telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 no regime de benefício fiscal. Confirase (Fl. 662): CNPJ da Empresa lncentivada: 82.901.000/000127 Processo MCT: 01200.004567/2001 Portaria: 816, de 14/12/2001 DOU 17/12/2001 NCM: 8517.80.00 Produto: Identificadores de Chamadas Modelos: Identificador de Chamadas intelbras ID, Identificador de Chamadas Intelbras 1D com Agenda, Identificador de Chamadas sem Fio ISF490 ID, Identificador de Chamadas Mini ID com Agenda, Identificador sem fio digital, Identificador, sem fio digital para extensão e Mini IDQuem é. Consultando a internet, verifico também que o aparelho em questão é telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 (http://www.americanas.com.br/produto/288084/telefonesfio25canaisisf490intelbras): Fl. 929DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 38 Assim, é inegável que, independente da classificação que se queira atribuir, é inequívoco que os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, objeto do Processo nº MCT nº 01200.004567/2001 (fl. 662), foram beneficiados pela redução de alíquota do IPI, não sendo correta ipso jure a autuação. Forte nessas razões, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 930DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.730122/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial..
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO.
Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostra-se correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-004.161
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanharam a votação por suas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Pires, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostra-se correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanharam a votação por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Pires, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
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CONHECIMENTO PARCIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostrase correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 01 22 /2 01 2- 37 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 recurso, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanharam a votação por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Pires, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de processo administrativo o qual congrega dois Autos de Infração, a saber: AI DEBCAD 51.025.1544 – valor de R$ 4.967.921,42, referente às glosas de compensação indevidamente declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informaçöes à Previdência Social GFIP pelo contribuinte no período de 01/2010 a 02/2012; e AI DEBCAD 51.025.1552 – valor de R$ 5.380.863,63 referente à multa isolada pelas compensações indevidas declaradas em GFIP no período de 01/2010 a 02/2012. Segundo o relatório fiscal a autuada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2009.34.00.0403258 (anexo ao relatório fiscal) por meio do qual discute a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre os 15 primeiros dias pagos pela empresa a título de auxílio doença; saláriomaternidade; férias e 1/3 constitucional de férias. Ainda, segundo o Fisco, foram proferidas decisões judiciais as quais determinaram a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias sobre os 15 primeiros dias pagos pela e 1/3 constitucional de férias (em sede de liminar) e, posteriormente, reconheceram o direito à compensação, respeitado o artigo 170A do CTN, dos valores pagos indevidamente a esse título. Logo, na visão do Fisco a compensação é indevida eis que realizada antes mesmo do trânsito em julgado e, portanto, em desrespeito às decisões judiciais, o que ensejou a aplicação da multa isolada prevista no artigo 89 da Lei 8.212/91. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando, em breve síntese, o direito à compensação, bem como a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre as rubricas ora em comento. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.730122/201237 Acórdão n.º 2301004.161 S2C3T1 Fl. 547 3 A DRJ manteve integralmente o auto de infração, o que motivou a interposição de recurso voluntário, o qual repisa os argumentos suscitados anteriormente, bem como a ilegitimidade da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Conhecimento Conheço parcialmente o recurso voluntário apresentado pela recorrente apenas no que diz respeito à multa isolada, uma vez que as demais matérias, tais como aplicação ou não do artigo 170A na compensação e a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre os 15 primeiros dias pagos pela empresa a título de auxíliodoença; saláriomaternidade; férias e 1/3 constitucional de férias estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário, fazendo incidir a Sumula CARF 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Mérito A questão a ser dirimida no caso concreto diz respeito apenas no que diz respeito aos fundamentos para aplicar a multa agravada de 150%, decorrente da glosa de compensação, a qual, exige a presença de atitude dolosa para sua configuração, isto é, a inserção de informação conhecidamente falsa em declaração objetivando reduzir ônus fiscal. No mérito, insurgese o recorrente contra a aplicação da multa no percentual de 150%, por entender que a D. fiscalização não teria logrado em provar a falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcrevese a redação original do invocado dispositivo: “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Da leitura do artigo supramencionado, não há qualquer dúvida de que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração. Analisando a função social dessa norma, verificase que ela tem por finalidade inibir, aplicando multa elevada, a prática infracional de prestação de informações falsas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta lesão direta aos cofres públicos. Pois, especificamente no caso de compensação, o contribuinte deixa de desembolsar valores a título de pagamento do tributo, por possuir créditos contra a Fazenda Pública. Assim, se na GFIP, o sujeito passivo insere na declaração ser possuidor de direito creditório sabendo que tal fato não corresponde à realidade, sem dúvida, constitui clara hipótese do artigo supra. A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada à ideia de que a informação prestada na declaração deve necessariamente não corresponder à verdade dos fatos. No caso concreto essa conduta restou evidenciada pelo Fisco, pois conforme as decisões judiciais proferidas nos autos do Mandado de Segurança movido pela recorrente, a compensação só poderia ser realizada após o trânsito em julgado da ação. Isto é, a norma individual e concreta dirigida ao recorrente foi desrespeitada na medida em que foi inserida em GFIP crédito cuja exigibilidade somente seria alcançada com a coisa julgada. Logo, o sujeito passivo estava ciente de que o crédito objeto de compensação não gozava de exigibilidade, liquidez e certeza à época do encontro de contas e, ainda assim, de forma deliberada, lançouo na declaração competente, diminuindo o valor das contribuições a recolher em época própria, o que faz incidir a penalidade agravada do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.730122/201237 Acórdão n.º 2301004.161 S2C3T1 Fl. 548 5 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.724474/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA GRATUITA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
A compensação fiscal em virtude da transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita pelas emissoras de rádio e televisão é feita sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1401-001.147
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA GRATUITA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A compensação fiscal em virtude da transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita pelas emissoras de rádio e televisão é feita sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
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PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA GRATUITA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A compensação fiscal em virtude da transmissão de propaganda eleitoral e partidária gratuita pelas emissoras de rádio e televisão é feita sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 44 74 /2 01 1- 11 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724474/201111 Acórdão n.º 1401001.147 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de negativa de reconhecimento do direito creditório decorrente da apropriação de crédito em razão de exibição de propaganda partidária e eleitoral, ocorrida no anocalendário 2006. Conforme se extrai do relatório da decisão recorrida, in verbis: A DRF/NiteróiRJ, conforme Despacho Decisório de fls.50/58, indeferiu o citado pedido, sob os seguintes fundamentos: a) inexiste previsão legal atribuindo às emissoras de rádio e televisão o direito à restituição pela cedência de horário gratuito destinado à divulgação das propagandas partidária e eleitoral; b) o direito creditório pleiteado no pedido de restituição não se refere a pagamento indevido ou a maior de valores recolhidos por meio de Darf ou Gps, tratandose de crédito decorrente de supostas despesas com veiculação obrigatória de propagandas eleitoral e partidária gratuitas ocorridas no anocalendário de 2006; c) o crédito pleiteado não se refere a tributo ou contribuição administrado pela RFB e não é passível de restituição; d) na forma da legislação de regência, as compensações não referidas a tributos ou contribuições administradas pela RFB estão expressamente vedadas e, caso formalizadas, serão consideradas não declaradas, sendo hipótese de multa de ofício isolada, prevista no art.18, da Lei nº 10.833, de 2003. (...) Em Manifestação de Inconformidade às fls.65/81, a interessada afirma: a) que está “obrigada, em face do código brasileiro de telecomunicações, a exibir gratuitamente propagandas partidárias e eleitorais, deixando de difundir anúncios publicitários pagos, conforme as Leis nº 8.713/93, nº 9.096/95 e nº 9.054/97, que instituíram o direito à compensação fiscal pela cessão do horário gratuito”; b) que, “não obstante a clareza da legislação em determinar o ressarcimento através da compensação fiscal, dos custos e da perda da receita” (art.80 da Lei nº 9.713/93; parágrafo único do art.52, da Lei nº 9.096/95; art.99 da Lei nº 9.504/97), o Decreto nº 5.331, de 2005, “veio impedir, na prática, a compensação integral da perda de receita das empresas de rádio e TV”; c) que “o Decreto nº 5.331/2005 e os Decretos nºs 1.976/1996, 2.814/1998 e 3.786/2001 (por aquele primeiro revogados), a pretexto de regulamentar o ressarcimento ou compensação fiscal devido às emissoras pela veiculação da propaganda eleitoral gratuita, estabeleceram graves limitações não previstas na lei, chegando mesmo a quase esvaziar o seu conteúdo”; d) os decretos em questão permitem apenas a exclusão do lucro líquido do valor correspondente a oito décimos do produto do preço do espaço comercializável, pelo tempo efetivamente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 utilizado em publicidade comercial, e, “dessa forma, as emissoras não estariam sendo ressarcidas do prejuízo com a veiculação da propaganda eleitoral e partidária gratuita, mas sim recebendo uma bonificação quase inexistente”; e) “não se trata, pois, de um benefício, dado graciosamente pelo Poder Público, mas de uma indenização – de modo que deve ser integral”; f) os “decretos extrapolaram seu poder estritamente regulamentar”, e, “reduzem tanto o ressarcimento, que esvaziam a provisão de ressarcimento contida na lei”; g) “que a natureza da compensação fiscal decorrente da transmissão de propaganda eleitoral e partidária, segundo o Conselho de Contribuintes é indenizatória, ou seja, é devido às emissoras de rádio e televisão o ressarcimento integral das despesas, diferentemente do que preconizam os Decretos nºs 1.976/96, 2.814/98, 3.786/2001 e 5.331/2005”; h) “ademais, as empresas que estiverem em situação negativa (não obtiverem lucro) terão que arcar totalmente com os custos da propaganda eleitoral e partidária, vez que não terão de onde deduzir as despesas, sendo impedidas de aproveitar a compensação fiscal”; i) “verificase claramente que, da mesma forma que a IN 23/97 não poderia exceder os limites estabelecidos na Lei nº 9.363/96, também os Decretos nº 1.976/96, nº 2.814/98, nº 3.786/2001 e nº 5.331/2005 não poderiam jamais reduzir o alcance das Leis nº 8.713/1993, nº 9.096/1995 e nº 9.504/97, visto que tais normas asseguraram o direito ao ressarcimento às emissoras através de compensação fiscal da totalidade da perda de suas receitas e não uma dedução de parte dos prejuízos”; j) “devem ser considerados inaplicáveis os decretos citados no Despacho Decisório, deferindose a restituição integral dos gastos com a propaganda eleitoral, na forma prevista em lei”; k) “as restrições contidas nos Decretos em questão foram editadas em leis apenas em 2009 (Lei nº 12.034/2009) e em 2010 (Lei nº 12.350), o que confirma a necessidade de lei em sentido estrito para impor as restrições antes contidas apenas em atos infralegais”, que “vieram, na verdade, inovar no ordenamento jurídico (algo que o decreto não pode), não podendo ser aplicada a situações anteriores a suas edições”; l) “como a lei prevê compensação fiscal, isto é, com tributos federais, deve ser considerada competente a Secretaria da Receita Federal para analisar o pedido, ao contrário do que expõe a decisão atacada”; m) “considerandose que a compensação deve ser fiscal, isto é, com tributos (...), concluise que é razoável a aplicação, como forma adequada de cumprir a legislação que dá direito à compensação fiscal, o art.74 da Lei nº 9.430/1996”; n) “afora o art.74 da Lei nº 9.430, não há outro procedimento legal específico para compensar os créditos decorrentes da propaganda eleitoral gratuita, limitandose a lei a dizer que a restituição se dará por ‘COMPENSAÇÃO FISCAL”. Em julgamento perante a DRJ do Rio de Janeiro, a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724474/201111 Acórdão n.º 1401001.147 S1C4T1 Fl. 4 5 EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO. HORÁRIO GRATUITO. PROPAGANDA ELEITORAL E PARTIDÁRIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor da compensação fiscal em decorrência de transmissão obrigatória e gratuita de propaganda eleitoral ou partidária pode ser deduzido da base de cálculo do IRPJ, inexistindo previsão legal para sua restituição, ressarcimento ou compensação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em sede de recurso, a Contribuinte alegou o seguinte: a) ilegalidade dos decretos nº 1.976/1996, 2.817/1998, 3.786/2001 em face das leis 8.713/93, 9.095.95 e 9.504/97, por impor restrições no recebimentos dos créditos decorrentes da exibição das propagandas eleitoral e partidária; b) que referida restrição acaba por limitar o montante da restituição a 20% do valor total do crédito; c) possibilidade de utilização da PER/DCOMP para recebimento de referidos créditos. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator: Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade. A Recorrente pretende demonstrar, valendose, para tanto, do PER/DCOMP, que as emissoras de rádio e televisão têm direito ao ressarcimento integral das despesas incorridas em face da transmissão gratuita de propaganda eleitoral e partidária, o que deveria ocorrer mediante a aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Ocorre, no entanto, que, conforme já detalhadamente elucidado pelo despacho decisório bem como pelo acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ, a legislação eleitoral e partidária não ampara a pretensão da Recorrente, de forma que bem andou a Fiscalização ao negar o reconhecimento do suposto direito creditório. De fato, conforme descrição do voto recorrido, in verbis: 11.A Lei nº 8.713, de 30 de setembro de 1993, que estabeleceu n ormas para as eleições de 03.10.1994, dispôs sobre propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão: Art. 65. A propaganda eleitoral no rádio e televisão é restrita ao horário gratuito definido nesta lei, vedada a veiculação de propa ganda paga. (grifos nossos) 12.A mesma lei previu que o Poder Executivo regulamentaria o modo e a forma de ressarcimento fiscal da gratuidade instituída: Art. 80. O Poder Executivo editará normas regulamentando o m odo e a forma de ressarcimento fiscal às emissoras de rádio e tel evisão, pelos espaços dedicados ao horário de propaganda eleito ral gratuita. (grifos/sublinhas nossos) 13 O Decreto nº 1.976, de 6 de agosto de 1996, que regulamento u o sobretranscrito art.80, já dispunha que o dito ressarcimento seria sob a forma de exclusão do lucro líquido/dedução de base de cálculo: Art. 1º As emissoras de rádio e televisão, obrigadas à divulg ação gratuita de propaganda eleitoral, nos termos da Lei n 8.713, de 1993, poderão excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço c omercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado p ela emissora em programação destinada a publicidade com ercial, no período de duração daquela propaganda. (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724474/201111 Acórdão n.º 1401001.147 S1C4T1 Fl. 5 7 § 3º O valor apurado poderá ser deduzido da base de cálcul o dos recolhimentos mensais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, tornandose definitivo ca so o contribuinte opte pelo regime de tributação com base n o lucro presumido. 14 A Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, que “dispõe sobre partidos políticos e regulamenta os arts. 17 e 14, § 3º, inciso V, d a Constituição Federal”, dispôs sobre a correspondente compen sação fiscal em face da obrigatoriedade de transmissões gratuita s partidárias: Art. 46. As emissoras de rádio e de televisão ficam obrigada s a realizar, para os partidos políticos, na forma desta Lei, t ransmissões gratuitas em âmbito nacional e estadual, por in iciativa e sob a responsabilidade dos respectivos órgãos de direção. Art. 52. (...) Parágrafo único. As emissoras de rádio e televi são terão direito a compensação fiscal pela cedência do hor ário gratuito previsto nesta Lei. (grifos nossos) 15 A Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, que “estabeleceu normas para as eleições”, também dispôs sobre a compensação f iscal por cessão de horário gratuito: Art. 99. As emissoras de rádio e televisão terão direito a co mpensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta Lei. § 1o O direito à compensação fiscal das emissoras de rádio e televisão previsto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e neste artigo, pela cedên cia do horário gratuito destinado à divulgação das propaga ndas partidárias e eleitoral, estendese à veiculação de prop aganda gratuita de plebiscitos e referendos de que dispõe o art. 8o da Lei no 9.709, de 18 de novembro de 1998, mantid o também, a esse efeito, o entendimento de que: (Incluído pe la Lei nº 12.034, de 2009) (grifos/sublinhas nossos) 16 A citada Lei nº 9.504, de 1997, definiu em que consiste a “co mpensação fiscal”: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Art.99. (...) II a compensação fiscal consiste na apuração do valor corre spondente a 0,8 (oito décimos) do resultado da multiplicaçã o de 100% (cem por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cen to) do tempo, respectivamente, das inserções e das transmis sões em bloco, pelo preço do espaço comercializável compr ovadamente vigente, assim considerado aquele divulgado pe las emissoras de rádio e televisão por intermédio de tabela pública de preços de veiculação de publicidade, atendidas a s disposições regulamentares e as condições de que trata o § 2oA; 17 O Decreto nº 2.814, de 22 de outubro de 1998, que “regulame nta o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, para efe ito de ressarcimento fiscal pela propaganda gratuita ...”, ratifico u as regras do citado Decreto nº 1.976, de 1996: Art 1º Aplicamse às eleições de 4 de outubro de 1998 as no rmas constantes do Decreto nº 1.976, de 6 de agosto de 199 6, com as seguintes alterações: I o preço do espaço comercializável é o preço de propagan da da emissora comprovadamente vigente em 18 de agosto de 1998, que deverá guardar proporcionalidade com os prat icados trinta dias antes e trinta dias após essa data; II o valor apurado de conformidade com o Decreto nº 1.97 6, de 1996, com as alterações deste Decreto, poderá ser ded uzido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que t rata o art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, b em assim da base de cálculo do Lucro Presumido. (grifos no ssos) 18 Já o parágrafo único do art.52 da Lei nº 9.096, de 19.09.1996 , antes reproduzido, foi regulamentado pelo Decreto nº 3.516, de 20.06.2000, que também reza que, a partir do anocalendário de 2000, a forma de ressarcimento fiscal da propaganda partidária gratuita se dá sob a forma de exclusão/dedução da base de cálc ulo do lucro: Art. 1o A partir do anocalendário de 2000, as emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação da propaganda pa rtidária gratuita, nos termos da Lei no 9.096, de 19 de sete mbro de 1995, poderão excluir do lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real, valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço c omercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado p ela emissora em programação destinada à publicidade com ercial, no período de duração daquela propaganda. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724474/201111 Acórdão n.º 1401001.147 S1C4T1 Fl. 6 9 § 1o O preço do espaço comercializável é o preço de propa ganda da emissora comprovadamente vigente no mês corren te em que tenha realizado a propaganda partidária. § 2o O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela em issora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do t empo destinado à propaganda partidária gratuita, relativo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, bem assim aos comunicados, instruções e a outras requisições d a Justiça Eleitoral, conforme estabelece a Lei no 9.096, de 1 995. § 3o Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras § 4o O valor apurado poderá ser deduzido da base de cálcul o dos recolhimentos mensais de que trata o art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1995, bem como da base de cá lculo do lucro presumido. § 5o As empresas concessionárias de serviços públicos de te lecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de t elevisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste art igo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à propa ganda partidária gratuita e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça Eleitoral, nos termos da Lei n o 9.096, de 1995. (grifos nossos) 19 O Decreto nº 3.786, de 10 de abril de 2001, que “regulament a o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, para os ef eitos de ressarcimento fiscal pela propaganda eleitoral gratuita.. ..”, também dispôs que a compensação fiscal se dá sob a forma d e deduçã: Art. 1o A partir do anocalendário de 2000, as emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulgação gratuita da propa ganda eleitoral, nos termos da Lei no 9.504, de 30 de setem bro de 1997, poderão excluir do lucro líquido, para efeito d e determinação do lucro real, valor correspondente a oito d écimos do resultado da multiplicação do preço do espaço co mercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pe la emissora em programação destinada à publicidade comer cial, no período de duração da propaganda eleitoral gratuit a. (grifos nossos) 20 Em 4 de janeiro de 2005, foi editado o Decreto nº 5.331 (que revogou, expressamente, os Decretos nºs 3.516, de 2000, e 3.786, de 2001), que, “para os efeitos de compensação fiscal pela divul gação gratuita da propaganda partidária ou da propaganda eleit Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 oral”, regulamentou o já citado art.52 da Lei nº 9.096, de 1996, e o também citado art. 99 da Lei nº 9.504, de 1997. 21 No citado Decreto nº 5.331, de 2005, da mesma forma que no s diplomas legais e regulamentares anteriores, a compensação fi scal foi tratada como faculdade de dedução da base de cálculo d o IRPJ: Art. 1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divulg ação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral poderã o, na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídic a (IRPJ), excluir do lucro líquido, para efeito de determinaç ão do lucro real, valor correspondente a oito décimos do res ultado da multiplicação do preço do espaço comercializável pelo tempo que seria efetivamente utilizado pela emissora e m programação destinada à publicidade comercial, no perí odo de duração da propaganda eleitoral ou partidária gratu ita. § 1o O preço do espaço comercializável é o preço de propa ganda da emissora, comprovadamente vigente no dia anteri or à data de início da propaganda partidária ou eleitoral, o qual deverá guardar proporcionalidade com os praticados t rinta dias antes e trinta dias depois dessa data. § 2o O disposto no § 1o aplicase à propaganda eleitoral rel ativa às eleições municipais de 2004. § 3o O tempo efetivamente utilizado em publicidade pela em issora não poderá ser superior a vinte e cinco por cento do t empo destinado à propaganda partidária ou eleitoral, relati vo às transmissões em bloco, em rede nacional e estadual, b em assim aos comunicados, instruções e a outras requisiçõe s da Justiça Eleitoral, relativos aos programas partidários d e que trata a Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e às eleições de que trata a Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1 997. § 4o Considerase efetivamente utilizado em cem por cento o tempo destinado às inserções de trinta segundos e de um minuto, transmitidas nos intervalos da programação normal das emissoras. § 5o Na hipótese do § 4o, o preço do espaço comercializáve l é o preço de propaganda da emissora, comprovadamente v igente na data e no horário imediatamente anterior ao das i nserções da propaganda partidária ou eleitoral. § 6o O valor apurado na forma deste artigo poderá ser dedu zido da base de cálculo dos recolhimentos mensais de que tr ata o art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, b em como da base de cálculo do lucro presumido. § 7o As empresas concessionárias de serviços públicos de te lecomunicações, obrigadas ao tráfego gratuito de sinais de t elevisão e rádio, poderão fazer a exclusão prevista neste art igo, limitada a oito décimos do valor que seria cobrado das Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724474/201111 Acórdão n.º 1401001.147 S1C4T1 Fl. 7 11 emissoras de rádio e televisão pelo tempo destinado à divul gação gratuita da propaganda partidária ou eleitoral e aos comunicados, instruções e a outras requisições da Justiça E leitoral, relativos aos programas partidários de que trata a Lei no 9.096, de 1995, e às eleições de que trata a Lei no 9. 504, de 1997. (grifos/sublinhas nossos) 22 A Lei nº 12.304, de 29 de setembro de 2009, que altera as Lei s nº 9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei dos Partidos Políticos ), nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (que estabelece normas p ara as eleições) e nº 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleit oral), alterou o art.99 da Lei nº 9.504, de 1997, mantendo, expre ssamente, porém, o entendimento de que a compensação fiscal é valor a ser deduzido da base de cálculo, senão vejamos: Art. 3o A Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 99. ......................................................................... § 1o O direito à compensação fiscal das emissoras de rádio e televisão previsto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e neste artigo, pela cedên cia do horário gratuito destinado à divulgação das propaga ndas partidárias e eleitoral, estendese à veiculação de prop aganda gratuita de plebiscitos e referendos de que dispõe o art. 8o da Lei no 9.709, de 18 de novembro de 1998, mantid o também, a esse efeito, o entendimento de que: I (VETADO); II o valor apurado na forma do inciso I poderá ser deduzid o do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real , na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, inclusive da base de cálculo dos recolhimentos men sais previstos na legislação fiscal (art. 2o da Lei no 9.430, d e 27 de dezembro de 1996), bem como da base de cálculo do lucro presumido. § 2o (VETADO) § 3o No caso de microempresas e empresas de pequeno port e optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições (Simples Nacional), o valor inte gral da compensação fiscal apurado na forma do inciso I do § 1o será deduzido da base de cálculo de imposto e contrib uições federais devidos pela emissora, seguindo os critérios definidos pelo Comitê Gestor do Simples Nacional CGSN. ” (NR) (grifos/sublinhas nossos) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 23 A Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, que dispôs sobre medidas tributárias para a Copa das Confederações Fifa 2013 e da Copa do Mundo Fifa 2014, e alterou diversos diplomas legai, deu nova redação ao mencionado art.99 da Lei nº 9.504, de 199 7. 24 Todavia, como abaixo se vê, a dita lei não introduziu qualque r alteração na regra de que a dita compensação fiscal equivale à dedução da base de cálculo (lucro real, estimativas mensais, luc ro presumido e Simples Nacional): Art. 58. O art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 199 7, alterado pelo art. 3o da Lei no 12.034, de 29 de setembro de 2009, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 99. .................................................................................. . § 1o ......................................................................................... . II a compensação fiscal consiste na apuração do valor corresp ondente a 0,8 (oito décimos) do resultado da multiplicação de 100% (cem por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento ) do tempo, respectivamente, das inserções e das transmissõ es em bloco, pelo preço do espaço comercializável comprov adamente vigente, assim considerado aquele divulgado pela s emissoras de rádio e televisão por intermédio de tabela pú blica de preços de veiculação de publicidade, atendidas as d isposições regulamentares e as condições de que trata o § 2 oA; III o valor apurado na forma do inciso II poderá ser deduzido d o lucro líquido para efeito de determinação do lucro real, n a apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (I RPJ), inclusive da base de cálculo dos recolhimentos mensa is previstos na legislação fiscal (art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996), bem como da base de cálculo do l ucro presumido.(...) § 2oA. A aplicação das tabelas públicas de preços de veicul ação de publicidade, para fins de compensação fiscal, dever á atender ao seguinte:(...) § 3o No caso de microempresas e empresas de pequeno port e optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições (Simples Nacional), o valor inte gral da compensação fiscal apurado na forma do inciso II d o § 1o será deduzido da base de cálculo de imposto e contri buições federais devidos pela emissora, seguindo os critério Fl. 133DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10730.724474/201111 Acórdão n.º 1401001.147 S1C4T1 Fl. 8 13 s definidos pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN ).” (NR) (grifos/sublinhas nossos) 25 Mais recentemente o Decreto nº 7.791, de 17 de agosto de 20 12, que regulamenta “a compensação fiscal na apuração do IRP J pela divulgação gratuita de propaganda partidária e eleitoral, de plebiscitos e referendos”, ratifica que a dita compensação fisc al, de que tratam os art.52 da Lei nº 9.096, de 1995, e o art.99 da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, se dá sob a forma de d edução da base de cálculo, senão vejamos: A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV, da Constituição, e te ndo em vista o disposto no parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995, e no art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, DECRETA Art. 1o As emissoras de rádio e televisão obrigadas à divul gação gratuita da propaganda partidária e eleitoral, de ple biscitos e referendos poderão efetuar a compensação fiscal de que trata o parágrafo único do art. 52 da Lei no 9.096, d e 19 de setembro de 1995, e o art. 99 da Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997, na apuração do Imposto sobre a Rend a da Pessoa Jurídica IRPJ, inclusive da base de cálculo do s recolhimentos mensais previstos na legislação fiscal, e da base de cálculo do lucro presumido. Art. 2o A apuração do valor da compensação fiscal de que t rata o art. 1o se dará mensalmente, de acordo com o seguint e procedimento I partese do preço dos serviços de divulgação de mensag ens de propaganda comercial, fixados em tabela pública pel o veículo de divulgação, conforme previsto no art. 14 do De creto no 57.690, de 1o de fevereiro de 1966, para o mês de v eiculação da propaganda partidária e eleitoral, do plebiscit o ou referendo; II apurase o “valor do faturamento” com base na tabela a que se refere o inciso anterior, de acordo com o seguinte p rocedimento: (...) III apurase o “valor efetivamente faturado” no mês de vei culação da propaganda partidária ou eleitoral com base no s documentos fiscais emitidos pelos serviços de divulgação de mensagens de propaganda comercial local efetivamente prestados; IV calculase o coeficiente percentual entre os valores apu rados conforme previsto nos incisos II e III do caput , de ac ordo com a seguinte fórmula: (...) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 V para cada espaço de serviço de divulgação de mensagen s de propaganda cedido para o horário eleitoral e partidári o gratuito VI apurase o somatório dos valores decorrentes da opera ção de que trata a alínea “c” do inciso V do caput. Art. 3o O valor apurado na forma do inciso VI do caput do art. 2o poderá ser excluído: I do lucro líquido para determinação do lucro real; II da base de cálculo dos recolhimentos mensais previstos no art. 2o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e III da base de cálculo do IRPJ incidente sobre o lucro pres umido. (grifos sublinhas nossos) Da leitura da legislação pertinente, constatase que não se trata de formação de crédito tributário passível de ressarcimento, restituição ou compensação tributária nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mas, tão somente, de compensação fiscal sob a forma de dedução da base de cálculo do IRPJ, independentemente de aferição de resultado positivo ou negativo da pessoa jurídica no período de apuração. Resta claro, pois, que a pretensão da Recorrente em constituir crédito tributário equivalente à despesa incorrida com transmissão gratuita de propaganda eleitoral e partidária não encontra guarida legal. Diante do exposto, voto pela improcedência do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10935.902444/2012-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 44 /2 01 2- 36 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.749, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 36345.67268.161107.1.2.045218, rastreamento nº 029224755, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.336,87, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/06/2005, efetuado em 15/07/2005, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902444/201236 Acórdão n.º 3802002.599 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/07/2005 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902444/201236 Acórdão n.º 3802002.599 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902444/201236 Acórdão n.º 3802002.599 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902444/201236 Acórdão n.º 3802002.599 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12466.723675/2012-84
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 04/10/2010, 07/01/2011, 02/05/2011, 19/05/2011, 20/05/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. ART. 23 DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI Nº 11.488/2007. OBJETIVIDADE JURÍDICA. INFRAÇÕES DISTINTAS. AUSÊNCIA DE BIS-IN-IDEM. APLICAÇÃO CUMULATIVA. POSSIBILIDADE.
O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não afastou a possibilidade da cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva ao importador ostensivo. A objetividade jurídica dos preceitos é distinta. A multa do art. 33, correspondente a 10% do valor da operação, é imposta em função do uso abusivo da personalidade jurídica, quando empregada como simples anteparo para a ocultação dos reais envolvidos na operação de comércio exterior. A pena de perdimento e a multa substitutiva do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, por sua vez, têm como pressuposto o dano ao erário decorrente da interposição fraudulenta. As infrações, portanto, não podem ser consideradas idênticas, o que afasta a caracterização do bis-in-idem. As multas, por conseguinte, devem ser aplicadas de forma cumulativa, nos termos do art. 99 do Decreto-Lei nº 37/1966, mesmo quando a caracterização da interposição fraudulenta ocorre de forma presumida.
INFRAÇÃO. MATERIALIDADE. PROVA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ AFASTADA.
Não há que se falar em boa-fé do adquirente quando demonstrado pela fiscalização que as partes - além de estreitamente relacionadas, inclusive com vínculos comerciais e de parentesco entre os sócios - agiram em conluio para a ocultação do real adquirente e da origem dos recursos empregados na operação.
SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS.
Tendo sido demonstrada a impossibilidade de cominação da pena de perdimento, a importadora ostensiva responde pela multa de 10% da operação acobertada (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e pela multa substitutiva do perdimento (Decreto-Lei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Respondem solidariamente pelo pagamento da multa substitutiva, o importador oculto - na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do Decreto-Lei nº 37/1966 - e qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95, quando aplicáveis.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI Nº 11.488/2007. OBJETIVIDADE JURÍDICA. INFRAÇÕES DISTINTAS. AUSÊNCIA DE BISINIDEM. APLICAÇÃO CUMULATIVA. POSSIBILIDADE. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não afastou a possibilidade da cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva ao importador ostensivo. A objetividade jurídica dos preceitos é distinta. A multa do art. 33, correspondente a 10% do valor da operação, é imposta em função do uso abusivo da personalidade jurídica, quando empregada como simples anteparo para a ocultação dos reais envolvidos na operação de comércio exterior. A pena de perdimento e a multa substitutiva do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por sua vez, têm como pressuposto o dano ao erário decorrente da interposição fraudulenta. As infrações, portanto, não podem ser consideradas idênticas, o que afasta a caracterização do bisinidem. As multas, por conseguinte, devem ser aplicadas de forma cumulativa, nos termos do art. 99 do DecretoLei nº 37/1966, mesmo quando a caracterização da interposição fraudulenta ocorre de forma presumida. INFRAÇÃO. MATERIALIDADE. PROVA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. ALEGAÇÃO DE BOAFÉ AFASTADA. Não há que se falar em boafé do adquirente quando demonstrado pela fiscalização que as partes além de estreitamente relacionadas, inclusive com vínculos comerciais e de parentesco entre os sócios agiram em conluio para a ocultação do real adquirente e da origem dos recursos empregados na operação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 36 75 /2 01 2- 84 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Tendo sido demonstrada a impossibilidade de cominação da pena de perdimento, a importadora ostensiva responde pela multa de 10% da operação acobertada (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e pela multa substitutiva do perdimento (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Respondem solidariamente pelo pagamento da multa substitutiva, o importador oculto na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966 e qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95, quando aplicáveis. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 479 e ss.): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/10/2010, 07/01/2011, 02/05/2011, 19/05/2011, 20/05/2011 Ementa INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Fl. 523DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12466.723675/201284 Acórdão n.º 3802003.669 S3TE02 Fl. 523 3 São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal artigo 124 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. O auto de infração impugnado cominou à HD Importação e Exportação Ltda. (que não apresentou impugnação) a multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, em solidariedade com o Sr. Allyson Fontes Simões, AV2 Peças e Acessórios Automotivo Ltda. EPP (que não apresentaram recurso, apesar de devidamente intimados, conforme termo de perempção às fls. 519 e 520) e a Recorrente MSV Acessórios Automotivos Ltda. Do relatório da decisão Recorrida, colhese: “O presente processo é fundamentado no PAF o de nº 12466.722498/201219, Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal, lavrado em 12/07/2012, que tratou de mercadorias importadas através da DI 11/10651750, pela empresa HD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, doravante denominada HD IMPORTAÇÃO. Dando seqüência aos procedimentos fiscais, a fiscalização identificou que referida empresa, sediada em Vitória/ES, em diversos processos de importação, já desembaraçados, adotou os mesmos procedimentos irregulares apurados no procedimento fiscal que motivou a autuação descrita no processo nº 12466.722498/201219 acima citado. Tal infração motivou, também, a proposição da pena de perdimento das mercadorias envolvidas no presente processo e, uma vez que as mercadorias já haviam sido consumidas, a penalidade foi convertida em multa de 100% do valor aduaneiro das mesmas.” A autuação foi fundamentada na alegada comprovação da prática de interposição fraudulenta (art. 23, V do referido Decreto), após fiscalização nos moldes do procedimento especial previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, conforme conclusão juntada ao auto de infração (fls. 4546): “Por todos os fatos demonstrados fica configurada a infração interposição fraudulenta de terceiros, a legislação é muito clara, cabendo a pena de perdimento das mercadorias envolvidas. Essa infração como demonstramos a seguir, esta sempre seguida da infração de apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias, porque já ao apresentar nome diferente do real importador, esta configurada a falsidade ideológica. [...] Esse tipo de infração, como já esclarecido, é difícil prova cabal, pois, como vemos neste caso, todos os documentos e declarações foram preparados de forma a manter oculta a real importadora, declarando a interposta pessoa jurídica HD IMPORTAÇÃO como importadora, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 mantendo ocultos o Sr. ALLYSON e as empresas AV2 PEÇAS e MSV ACESSORIOS, reais interessados nas operações. Na importação de mercadorias, conforme é sabido, não está em jogo unicamente as relações comerciais privadas, apenas comércio, há o envolvimento do estado, existem declarações e documentos apresentados a SRFB, que servem de embasamento para a tomada de decisão fiscal e calculo de impostos, isso muda o ambiente, exigindo absoluta boa fé, não há espaço para a esperteza, muitas vezes aceita como razoável nas relações comerciais. A infração tratada neste tópico, configurada, pelos atos praticados pelos contribuintes, como INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente”. Ainda do referido anexo ao auto de infração, que descreve os fatos e enquadramento legal do ato fiscal (fls. 07 e ss.): “A ação fiscal, inicialmente tratou da verificação dos documentos apresentados pela HD IMPORTAÇÃO em diligência e atendimento às intimações, ainda que de forma parcial, dos registros existentes nos sistemas administrados pela SRFB e Sistema Público de Escrituração Digital, documentos apresentados pelas empresas adquirentes, além de sites livres e páginas da internet que dizem respeito às empresas envolvidas. Os débitos dos impostos, referentes à DI 11/10651750 tratada no Auto de infração formalizado pelo Processo Administrativo Fiscal 12466.722498/201219, aconteceram em 09/06/2011 no registro da declaração de importação, em conta corrente da HD IMPORTAÇÂO do Banco do Brasil, esse débito foi sustentado por crédito recebido através de transferência bancária no valor de R$ 10.000,00 (fl. 160), na mesma data. A origem dessa transferência bancária não foi identificada. Verificando os saldos apresentados na conta corrente da HD IMPORTAÇÃO no Banco do Brasil, notamos que os saldos devedores não ultrapassam o limite de R$ 10.000,00, o que nos permite entender que esse é o limite garantido da conta. Assim caso não tivesse existido a transferência bancária, nessa mesma data de 09/06/2011, o débito dos impostos não teria acontecido, e as mercadorias não seriam nacionalizadas, como pode ser notado pela movimentação bancária desse banco, nessa mesma data: Destacamos ainda os esclarecimentos do despachante aduaneiro (fls. 184 a 186), que deixa evidente as dificuldades financeiras da HD IMPORTAÇÃO, que é bem claro quando afirma que em alguns casos os adquirentes das mercadorias Fl. 525DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12466.723675/201284 Acórdão n.º 3802003.669 S3TE02 Fl. 524 5 nacionalizadas pela HD IMPORTAÇÃO, adiantam os valores na conta da empresa de despacho, para que seja honrado o débito dos impostos e demais despesas aduaneiras. Esta declaração “os adiantamentos feitos pela SQUITTER logo após o descontrole financeiro da HD, eram feitos diretamente na conta da PROCEX”, deixa evidente que o débito na conta corrente da empresa somente aconteceu porque os valores foram adiantados pelos adquirentes. Enumeramos a seguir as constatações que, além de demonstrar os demais indícios e provas, sustentam os entendimentos fiscais e justificam a presente autuação, tanto no que refere à prática da infração identificada como Interposição Fraudulenta como da infração identificada na utilização de documento ao menos ideologicamente falso: a. As mercadorias envolvidas, nos processos em comento, têm nicho de mercado muito específico e, seu comércio, necessita de boa estrutura comercial e de distribuição voltada para peças e acessórios automotivos, o que é incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, indício forte de que atua por conta e ordem de terceiros. b. Assim, considerando a especialidade das mercadorias envolvidas, se torna evidente que a compra no exterior não foi feita pela HD IMPORTAÇÃO, que atua basicamente na prestação de serviços e nacionalização de mercadorias não demonstrando estrutura suficiente para administrar essas compras. Já as empresas AV2 PEÇAS e MSV ACESSÓRIOS que atuam na comercialização desses bens, demonstram ser empresas robustas em condição tanto para comprar como para vender as mercadorias envolvidas. c. Em ato de verificação física, no processo tratado anteriormente, foi encontrado documento emitido pela MercedesBens USA, LLC, tendo como comprador (“customer”) de uma estrutura de porta (“door Shell”) o Sr. ALLYSON SIMÕES – foi constatado, posteriormente, que tal porta não veio nesse embarque (fl. 286); d. Para esclarecer as duvidas fiscais inicialmente no processo anterior, e que demonstraram forma de agir entendida como sendo na mesma forma dos processos em questão, o importador foi intimado para que, através do responsável pela operação comercial, prestasse esclarecimentos sobre a importação ali tratada; e. Em 30/06/2011 foi lavrado o Termo de Declaração nº 05/2011, onde foram registradas as informações prestadas pelo Sr. CARLOS ALBERTO, sócio e administrador da empresa HD IMPORTAÇÃO, que compareceu acompanhado pelo Sr. ALLYSON. O Sr. ALLYSON se apresentou como “consultor” da HD IMPORTAÇÃO (fls. 282 a 285); f. Nesse termo de declaração, além da constatação de que o Sr. CARLOS ALBERTO não participou de qualquer ato da importação, destacamos as informações que demonstram que o Sr. ALLYSON foi quem fez todos os contatos para a aquisição das mercadorias, podendo ser entendido, pelo registrado no Item 2), que as mercadorias foram adquiridas diretamente dos concessionários e como esses concessionários não poderiam fazer a exportação foi necessária a participação de um segundo exportador, ou seja uma interposta pessoa jurídica; g. As importações tratadas neste procedimento, com esse mesmo tipo de mercadoria registram como exportadora a mesma DPLC LLC e foram registradas pela HD IMPORTAÇÃO na sistemática de por conta e risco próprio, já as notas fiscais de venda registraram como adquirentes a AV2 PEÇAS e MSV ACESSÓRIOS, as datas registradas nessas notas fiscais demonstram que foram emitidas praticamente no mesmo dia. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 h. Outro ponto importante trata do local da entrega das mercadorias, isso foi identificado nas notas fiscal de venda dos quatro últimos processos, onde para cada DI as mercadorias foram entregues no mesmo lugar, ao passo que nas notas fiscais de venda, estas mesmas mercadorias ficaram distribuídas entre as empresas AV2 PEÇAS e MSV ACESSÓRIOS, na forma registrada no quadro anterior. i. A empresa ALPINE indicada como Fabricante / Produtor nos três primeiro processos (DI’s 10/19541263, 11/00422872 e 11/07906727), é representada no Brasil pela empresa AV2 PEÇAS, pelo que consta no seu site (fls. 218), assim não se justifica uma terceira empresa constar como exportadora conforme foi declarada a DPLC, LLC. Assim, ante os fatos, só podemos entender de que a DPLC, LLC foi interposta de modo a manter oculta a verdadeira exportadora ALPINE; j. Nos demais casos, inclusive na DI 11/10651750 objeto deste procedimento, a DPLC, LLC foi indicada como exportadora, fabricante e produtora dos bens envolvidos, e, como esta evidente que não fabrica nada, resta o entendimento da simulação em todos os procedimentos; k. Para a análise e verificação da origem dos valores aplicados nessas importações, os documentos apresentados foram insuficientes, haja vista o atendimento das intimações apenas de forma parcial. Em apenas um caso (DI 10/19541263), conseguimos identificar a contratação do câmbio e, conforme constou, os valores foram adiantados pela AV2 PEÇAS (fl. 315). Notese que as mercadorias, nesse processo, foram importadas pela HD IMPORTAÇÂO como sendo por conta e risco próprio e tiveram como adquirentes em território nacional as duas empresas envolvidas AV2 PEÇAS e MSV ACESSORIOS (fls. 298 a 315); l. No atendimento à intimação para comprovar e esclarecer entre outras coisas o pagamento das notas fiscais de vendas emitidas pela HD IMPORTAÇÃO, as duas adquirentes nada apresentaram; m. Também foram constatadas diversas incongruências nos endereços da empresa declarada como EXPORTADORA – DPLC, LLC., indicio claro de esse documento foi emitido a partir de impresso antigo, em tese, aqui mesmo no Brasil. [...] Assim demonstrada a pratica da Interposição Fraudulenta, com a ocultação do Sr. ALLYSON e as empresas AV2 PEÇAS e MSV ACESSÓRIOS compradoras e responsáveis pelas operações de importação das mercadorias em questão (deu origem à internação das mercadorias em território nacional), cabe a proposição da pena de perdimento das mercadorias, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009). Para essa infração, considerada dano ao Erário, nos termos do Art. 23 do Decreto Lei nº 1455/76, e de acordo com o mesmo Art. § 3º, como os bens foram remetidos a consumo, aplicamos a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias”. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12466.723675/201284 Acórdão n.º 3802003.669 S3TE02 Fl. 525 7 A Recorrente, nas razões de fls. 499514, alega que não há provas concretas da sua participação nos atos praticados pela HD Importação e Exportação Ltda, e que foram caracterizadores da pena de perdimento, convertida em multa, já que apenas adquiriu a mercadoria quando a mesma já estaria internalizada. Sustenta que a Fiscalização teria citado vagamente a Recorrente MSV Acessórios, atribuindo as condutas ilícitas quase que exclusivamente a HD Importação e Exportação e à AV2 Peças, que nada teriam a ver com a Recorrente. Aduz que estaria de boafé, já que apenas adquiriu os produtos importados de forma direta pela HD Importação e Exportação, o que supostamente afastaria a sua responsabilização. Por fim, alega que, em se tratando de importação direta, não há como se aplicar a responsabilidade solidária, que somente teria cabimento na importação por conta e ordem. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A Recorrente foi intimada em 05/04/2014 (fls. 495), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, 05/05/2014 (fls. 517)), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. De acordo com o art. 23, V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, na redação da Lei nº 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” Inicialmente, a fim de evitar equívocos de ordem semântica, cumpre verificar o sentido em que os termos simulação, fraude e interposição fraudulenta são empregados no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/1976. Nesse sentido, importa destacar que, segundo ensina 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 528DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 a doutrina civilista, simulação constitui um defeito do negócio jurídico (vício social) no qual as partes, agindo em conluio, emitem declaração de vontade enganosa no intuito produzir efeitos jurídicos diversos dos ostensivamente indicados2. Se a simulação visa prejudicar terceiros, no que também está compreendida a intenção de lesar o fisco, será denominada maliciosa ou fraudulenta3. A interposição de pessoas, por sua vez, nada mais é do que uma espécie de simulação, caracterizada pela presença de um testadeferro denominado prestanome ou homem de palha ou, em linguagem mais atual, laranja que adquire, extingue ou modifica direitos para um terceiro oculto4. Ambas não se confundem com a fraude, porque nesta o negócio jurídico praticado é real, e não simulado. As partes pretendem o que declararam, cumprindo a lei em sua literalidade, porém, violandoa finalisticamente5. A partir dessa diferenciação, notase que a parte final inciso V do art. 23, quando faz referência aos meios de ocultação (“mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”) não está tratando propriamente da fraude no sentido empregado pela doutrina civilista. Mas da simulação fraudulenta ou, mais precisamente, da simulação fraudulenta por interposição de pessoas, uma vez que, na fraude, não há uma ocultação, mas um negócio jurídico real. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificados na Lei nº 9.613/1998. Além disso, ao dificultar o controle da valoração aduaneira e do preço de transferência praticado entre partes relacionadas, a ocultação proporciona a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, Icms), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do Irpj e da Csll. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Logo, nas operações de importação, a infração é caracterizada sempre que um determinado sujeito passivo denominado importador oculto , visando a evasão dos órgãos de fiscalização, age em conluio com outrem importador ostensivo para que este figure formalmente como importador e omita a identificação do real adquirente perante as autoridades competentes. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação: “Art. 23. [...] 2 “Como o erro, a simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz CLOVIS, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostentivamente indicado.” (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: parte geral. 31. ed. São Paulo: Saraiva, v.1, 1993, p. 207). Na mesma linha, cf.: VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 5. ed. São Paulo: Atlas, v. 1, 2005, p. 547 e ss.; RODRIGUES, Silvio. Direito civil: parte geral. 27. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1997, p. 220; DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria geral do direito civil. 14. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1998, p. 288. 3 RODRIGUES, op. cit. p. 225: "Se as partes, todavia, foram conduzidas à simulação com o propósito de prejudicar terceiros, ou de burlar o fisco, ou de ilidir a incidência de lei cogente, surge a figura da simulação maliciosa ou culpada, também chamada fraudulenta". 4 VENOSA, op. cit., p. 552. 5 RODRIGUES, op. cit., p. 226; VENOSA, op. cit., p. 559. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12466.723675/201284 Acórdão n.º 3802003.669 S3TE02 Fl. 526 9 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” Com base nesse dispositivo, alguns julgados do Carf têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida (cf. nesse sentido, Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589 3ª S. 1ª C. 2ª TO). Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, a multa substitutiva ao importador ostensivo. Por outro lado, sendo identificado o real adquirente (importador oculto), este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966: “Art.95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;” Também respondem solidariamente pelo pagamento da multa qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, quando aplicáveis. Nessa linha, destacase o seguinte julgado da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do Carf: “[...] INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA INFRAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 320100.168. 3ª S. 2ª C. 1ª TO. Rel. Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto. S. 30/08/2011. gn.) Além da pena substitutiva, o importador ostensivo está sujeito à multa de 10% da operação acobertada, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 530DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”6. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007, em razão da diversidade de objetividade jurídica das infrações, ao contrário do que foi alegado pelo Recorrente, não afastou a possibilidade da cominação cumulativa da multa substitutiva, na linha do seguinte precedente dessa 2ª Turma Especial, de nossa relatoria: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRELIMINAR REJEITADA. A autoridade julgadora não está obrigada a contraditar todos os argumentos de defesa aduzidos na peça impugnatória, sendo suficiente que os fundamentos jurídicos apresentados sejam claros e congruentes no sentido de justificar a decisão proferida. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI Nº 11.488/2007. OBJETIVIDADE JURÍDICA. INFRAÇÕES DISTINTAS. AUSÊNCIA DE BISINIDEM. APLICAÇÃO COMULATIVA. POSSIBILIDADE. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não afastou a possibilidade da cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva ao importador ostensivo. A objetividade jurídica dos preceitos é complemente distinta. A multa do art. 33, correspondente a 10% do valor da operação, é imposta em função do uso abusivo da personalidade jurídica, quando empregada como simples anteparo para a ocultação dos reais envolvidos na operação de comércio exterior. A pena de perdimento e a multa substitutiva do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por sua vez, têm como pressuposto o dano ao erário decorrente da interposição fraudulenta. As infrações, portanto, não podem ser consideradas idênticas, o que afasta a caracterização do bisin idem. As multas, por conseguinte, devem ser aplicadas de forma cumulativa, nos termos do art. 99 do DecretoLei nº 37/1966, mesmo quando a caracterização da interposição fraudulenta ocorre de forma presumida. Precedentes do Carf. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.” 6 "Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato . § 1º Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior." Fl. 531DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12466.723675/201284 Acórdão n.º 3802003.669 S3TE02 Fl. 527 11 (Acórdão 380200.667. 3ª S. 2ª C. 2ª TE. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 30/08/2011. gn.) Ambas, portanto, aplicamse cumulativamente, consoante interpretação igualmente adotada nos seguintes julgados da 1ª e 2ª Turmas Ordinárias da 1ª Câmara: “[...] ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Descabida, por outro lado, a pretensão de condicionar a caracterização da inflação à conclusão do processo administrativo de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica apontada como responsável pela ocultação. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado.” (Acórdão nº 310200.662 3ª S. 1ª C. 2ª TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. 24/05/2010): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Período de apuração: 10/09/2003 a 08/06/2005 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS, DANO AO ERÁRIO, CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007, substitutiva da inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas. Recurso de Oficio Provido.” (Acórdão 310100.431. 3ª S. 1ª C. 1ª TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campeio Borges. S. 25/05/2010). Desse modo, não sendo possível a cominação da pena de perdimento da mercadoria, em razão da mesma já ter sido consumida, sendo identificado o importador oculto, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. O mesmo se aplica na hipótese de não identificação do importador oculto, quando a interposição fraudulenta for caracterizada em decorrência da aplicação da regra de presunção de prevista no § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976. A única diferença é que ficará prejudicada a aplicação da responsabilidade solidária ao coautor da infração (Decreto Lei nº 37/1966, art. 95). No presente caso, diante das provas produzidas no curso da fiscalização e da fundamentação contida na “descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is)” do auto de infração (fls. 7 e ss.), não há dúvidas de que houve ocultação dos reais adquirentes. Com efeito, o exame dos autos mostra que a empresa HD Importação e Exportação Ltda, ao figurar formalmente na documentação de importação, agiu como importadora ostensiva de mercadorias destinadas à Recorrente MSV Acessórios Automotivos Ltda e AV2 Peças e Acessórios Automotivo Ltda (importadores ocultos). O Sr. Alysson Fontes Symões, por sua vez, coordenava a operação e se utilizava da importadora ostensiva (HD) para internalizar mercadorias destinadas à MSV Acessórios Automotivos e a AV2 Peças, sendo sócio desta última e administrador da primeira (além de já ter participado de seus quadros societários por ocasião de sua criação). Ambas as empresas foram criadas com apenas um mês de diferença, ocupando ao tempo da Fiscalização duas salas diversas no mesmo edifício na cidade de São Paulo/SP (Rua Domingos Rodrigues 341 – Conjunto 39 (AV2 Peças) e conjunto para 69 (MSV Acessórios Automotivos). Essa particularidade encontrase evidenciada em depoimento (fls. 282285) prestado pelo Sr. Carlos, sócio da HD, acompanhado do Sr. Alysson Fontes Symões, indicado como sendo consultor da referida empresa, quando do procedimento para averiguação da importação realizada por meio da DI n° 11/10651750. Na mesma oportunidade, foi esclarecido pelo Sr. Alysson que realizava viagens periódicas aos Estados Unidos, onde tem contato com fornecedores; que estas concessionárias não tem feito a exportação direta ao cliente, razão pela é necessário a empresa intermediadora. O Sr. Alysson informou ainda que Fl. 533DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 12466.723675/201284 Acórdão n.º 3802003.669 S3TE02 Fl. 528 13 que não administra a empresa AV2 Peças, sendo esta a atribuição de seu sócio (Sr. Vinicius Tadeu Palma). Destacou ainda que é administrador da empresa Recorrente, MSV Acessórios Automotivos Ltda, do qual a sua mãe é sócia. Todas essas circunstâncias mostram que as partes, além de serem estreitamente relacionadas, inclusive com vínculos comerciais e de parentesco entre os sócios agiram em conluio para a ocultação do real adquirente e da origem dos recursos empregados na operação. Afinal, um artifício astucioso dessa natureza é insusceptível de ser levado a efeito sem a aquiescência de todos os implicados. Assim, não há que se falar em boafé do Recorrente, sob o argumento de que só veio a adquirir a mercadoria quando a mesma já havia sido internalizada, pois, conforme extensamente demonstrado pela fiscalização, houve participação efetiva, em especial por meio de seu administrador, na operação de importação. Diante disso, constatada a impossibilidade de cominação da pena de perdimento, a fiscalização, à luz da legislação aplicável e dos precedentes do CARF acerca da interposição fraudulenta, deve cominar à importadora ostensiva (HD Importação e Exportação) a multa de 10% da operação acobertada (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e a multa substitutiva do perdimento (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º); esta última, em solidariedade com os importadores ocultos (AV2 Peças e MSV Acessórios Automotivos) e com o Sr. Alysson Fontes Symões, que, no caso, coordenou e auferiu vantagem financeira com a operação, concorrendo e se beneficiando com a prática do ato (DL nº 37/1996, art. 95, I). Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e pelo seu integral desprovimento, mantendose o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 534DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10970.000918/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
OMISSÃO DO CONTRIBUINTE EM PRESTAR ESCLARECIMENTOS À FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE AFERIÇÃO DIRETA DO FATO GERADOR. LEGALIDADE DO ARBITRAMENTO.
A omissão do contribuinte em apresentar os beneficiários dos prêmios de incentivo profissional e o não suprimento dessa informação pelas folhas de pagamento e pela contabilidade inviabilizam a apuração direta do fato gerador e autorizam a adoção da técnica do arbitramento.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de contraprestação de serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. OMISSÃO DO CONTRIBUINTE EM PRESTAR ESCLARECIMENTOS À FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE AFERIÇÃO DIRETA DO FATO GERADOR. LEGALIDADE DO ARBITRAMENTO. A omissão do contribuinte em apresentar os beneficiários dos prêmios de incentivo profissional e o não suprimento dessa informação pelas folhas de pagamento e pela contabilidade inviabilizam a apuração direta do fato gerador e autorizam a adoção da técnica do arbitramento. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de contraprestação de serviço prestado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 18 /2 01 0- 15 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000918/201015 Acórdão n.º 2402004.436 S2C4T2 Fl. 168 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0934.258 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), fl. 129138, com ciência ao sujeito passivo em 20/04/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.308.3181, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 10/12/2010, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 6567, o lançamento trata de exigência de contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados a título de incentivo e premiação, apuradas pela técnica do arbitramento no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Ficou consignado no relatório fiscal que o fato gerador foi identificado pela análise do contrato firmado entre a autuada, na condição de contratante, e a empresa Expertise Comunicação Total SC Ltda, contratada para conduzir programa de gerenciamento de premiação. Com base no contrato, a autoridade lançadora constatou que a autuada definia os beneficiários dos prêmios e esses eram pagos pela contratante mediante crédito através do cartão eletrônico “exchange card” que a contratada disponibilizava aos beneficiários. Por este serviço a contratante era remunerada com comissão de 4% sobre o valor total dos prêmios. Ainda de acordo com o relatório fiscal, a autuada, apesar de intimada, deixou de apresentar à fiscalização a relação dos beneficiários das premiações, motivo pelo qual o lançamento foi feito com base na técnica do arbitramento, considerandose como base de cálculo o valor total das notas fiscais deduzida a comissão da empresa contratada. O contrato de prestação de serviços foi juntado às fl. 7579, além de planilha contendo a relação das notas fiscais, data e valor do pagamento, fl. 7374, e cópias das notas fiscais de serviços, juntadas por amostragem, fl. 8185. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, falta de clareza quanto à distinção da aplicação dos percentuais de multa e quanto ao critério de arbitramento, e, no mérito, a inexistência de contraprestação no serviço de marketing promocional prestado pela empresa contratada. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 DEBCAD 37.308.3149 PEDIDO DE NULIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ausente a demonstração de omissão de elemento ou requisito essencial à formação jurídica do ato, seja referente à sua forma ou a sua substância, não há que se proclamar a nulidade do Auto de Infração. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa quando os fatos geradores das contribuições e os dispositivos legais que amparam o lançamento encontramse discriminados no Relatório Fiscal e seus Anexos, possibilitando ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e. assim, permitindolhe o exercício do pleno direito de defesa. DILAÇÃO DE PRAZO DE DEFESA. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. Por carência de fundamentação legal, devem ser indeferidos os pedidos de dilação de prazo para aditamento à impugnação e juntada de novos documentos aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2006 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. PRÊMIO PRODUTIVIDADE. Compete à empresa a obrigação de arrecadar a contribuição do segurado empregado e contribuinte individual, a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Integra o salário de contribuição a premiação de produtividade creditada pela empresa aos seus segurados empregados, mediante cartões emitidos e administrados por empresa interposta. Em 24/05/2011, a autuada, por meio de seus representantes legais e de advogado, interpôs recurso, fl. 143151, repetido às f. 152160, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa diante da falta de clareza quanto à distinção da aplicação dos percentuais de multa e quanto ao critério de arbitramento. Sustenta que a multa foi aplicada ora no percentual de 24% ora de 75%, mas não foram apresentados os critérios de incidência desses percentuais. Alega que o lançamento foi feito com base em presunção desprovida de base jurídica, pois não ocorreu recusa da empresa em fornecer as informações solicitadas pelo fisco, sendo que toda a documentação obrigatória foilhe apresentada. Explica que, conforme consignado em sua resposta ao termo de intimação nº 02, deixou de apresentar a “relação de beneficiários” porque, além de não se tratar de documento inserido no contexto das obrigações fiscais acessórias, não dispunha dessa Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000918/201015 Acórdão n.º 2402004.436 S2C4T2 Fl. 169 5 informação, que pertence à empresa contratada, considerando que a recorrente não interfere nem controla diretamente as campanhas promocionais. Argumenta também ser inviável a presunção do fato gerador a partir de cláusulas contratuais genéricas e que o contrato e demais documentos e registros formais da empresa, relacionados à contratação de campanhas promocionais pela recorrente, foram ilegalmente desconsiderados pela fiscalização. No mérito, alega que o fato tributado se refere a serviço de marketing promocional e que sobre esse serviço não há incidência de contribuição previdenciária, pois não há contraprestação por parte de empregados ou de profissionais autônomos contratados pela recorrente. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de invalidade do lançamento. Demonstração dos Critérios de Aplicação da Multa. Arbitramento. Os fundamentos legais de incidência e de percentuais de multa constam do relatório de fundamentos legais do débito, anexo ao auto de infração, o qual permite ao contribuinte conhecer os fundamentos da multa aplicada, que é o subsídio da defesa. Da análise deste relatório verificase que não foram aplicados os mesmos percentuais de multa para todo o período do lançamento, sendo que os motivos da falta de uniformidade não foram mencionados no relatório fiscal. Entretanto, conforme bem observado no voto condutor do acórdão recorrido, a recorrente tomou conhecimento dos critérios adotados no cálculo da multa por meio do relatório fiscal juntado ao processo nº 10970.000909/201024, do qual ela foi cientificada pessoalmente na mesma data desse processo, 10 de dezembro de 2010, bem como do motivo da ausência de uniformidade, que decorre do cálculo da multa mais benéfica em cada competência em razão da alteração da legislação que rege o assunto. Quanto ao uso da técnica do arbitramento, consta do relatório fiscal e do relatório de fundamentos legais do débito os motivos de fato e de direito que levaram a sua adoção, qual seja, a omissão do sujeito passivo em informar os beneficiários dos prêmios, bem como os critérios adotados para aferição da base de cálculo, a qual foi apurada com base no valor das notas fiscais emitidas pela empresa contratada após a dedução do valor pago a título de comissão. A apreciação dos aspectos materiais do arbitramento é questão de mérito que será tratada em tópico específico. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede exercitar amplamente a sua defesa, ou quando contrariar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Não ficou demonstrado prejuízo à defesa ou ao interesse público, não havendo motivo para invalidação do ato administrativo do lançamento, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade invocada. Mérito Prêmio de Incentivo. Arbitramento Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000918/201015 Acórdão n.º 2402004.436 S2C4T2 Fl. 170 7 O lançamento foi feito com base na técnica do arbitramento, autorizada quando há omissão do sujeito passivo ou quando suas informações não mereçam fé, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. A fiscalização, com base em contrato firmado entre a recorrente e a empresa Expertise Comunicação Total SC Ltda, identificou que a primeira, por intermédio da empresa contratada, efetuou pagamentos de prêmios a título de incentivo profissional, conforme cláusula 1.b do contrato1: b) a disponibilização do uso do cartão Exchange Card para pagamento e recebimento da premiação, com créditos predefinidos a serem fornecidos pela CONTRATANTE para os indicados como recebedores dos prêmios, a titulo de incentivo profissional e como meio de publicidade interna da CONTRATANTE.(g.n.) A recorrente, devidamente intimada, deixou de apresentar à fiscalização a relação dos beneficiários dos prêmios por ela pagos através da contratada, impossibilitando a identificação do fato gerador e da base de cálculo pelos meios diretos. Além disso, nos relatórios fiscais que acompanham os autos de infração nº 10970.0000910/201059 e 10970.0000912/201048, a fiscalização consignou que os valores pagos a título de prêmios não foram informados pela recorrente em suas folhas de pagamento e também não foram contabilizados em títulos próprios da sua contabilidade, com exceção da nota fiscal nº 95091, lançada na conta “prêmios e gratificação”. As demais notas fiscais foram lançadas na conta contábil “serviços de terceiros pessoa jurídica”, tendo como contrapartida “fornecedores de bens e serviços”. Diante desse quadro e ao contrário do alegado pela recorrente, a relação dos beneficiários dos prêmios e dos valores pagos tornouse imprescindível para apuração da base de cálculo do lançamento, revelandose informação de interesse do Fisco, exigível da recorrente com base em seu dever de investigação, consubstanciado nos §§ 1o e 2o do artigo 33 da Lei 8.212/91, abaixo transcrito, e de produção obrigatória da empresa, com base no dever de colaboração com a fiscalização, sob pena de sanção. Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo 1 Contrato juntado às fl. 7579 do Processo 10970.000918/201015. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). A alegação da recorrente de que não tem controle direto sobre as atividades da contratada, e, por conseguinte, não dispõe das informações solicitadas pelo fisco, contraria o contrato pactuado, segundo o qual é da contratante a obrigação de produzir os dados necessários para o pagamento dos prêmios, cabendolhe informar à contratada o nome dos beneficiários, o valor e a data do pagamento, conforme dispõe a cláusula 5 “a” do contrato. Também não encontra respaldo no contrato, nem em outros elementos de prova, a afirmação da recorrente de que a avença se refere à prestação de serviço de marketing promocional sem contraprestação por parte de trabalhadores contratados pela recorrente. Como visto, o contrato prevê o pagamento de prêmios, pela recorrente, a título de incentivo profissional, por meio de empresa interposta, sendo que, por conceito, os prêmios são parcelas contraprestativas, conforme leciona Delgado2: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstancia tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. A natureza salarial dos prêmios é reconhecida pelo STF, conforme enunciado da súmula n° 209: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salárioprodução. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. Tendo natureza remuneratória, os prêmios integram o salário de contribuição, nos termos do art. 28 da Lei n° 8.212/1991. De todo o exposto, constato que estão presentes os pressupostos legais autorizadores para a adoção da técnica do arbitramento: configurouse omissão da recorrente em prestar as informações necessárias à perfeita identificação do fato gerador e da base de 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: LTR, 2012, p. 771. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000918/201015 Acórdão n.º 2402004.436 S2C4T2 Fl. 171 9 cálculo e demonstrouse que o resultado da omissão, juntamente com o vício da contabilidade e da folha de pagamento, implicaram na impossibilidade da descoberta direta da grandeza manifestada pelo fato jurídico. O arbitramento, por sua vez, foi feito de acordo com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade: a contraprestação é inerente ao instituto jurídico da premiação e as notas fiscais emitidas pela empresa contratada são expressões monetárias dos valores pagos aos beneficiários dos prêmios. A lisura do arbitramento gera o efeito da inversão do ônus da prova, que passa a ser do contribuinte, o qual não logrou êxito em afastar os fundamentos do lançamento. Conclusão Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720070/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando o acórdão paradigma não trata da matéria suscitada, tampouco referenda exigência genérica, preconizada no apelo e que aproveitaria à Recorrente.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 11/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 70 /2 00 7- 23 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 11/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire Relatório Tratase de exigência de ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa ao imóvel rural denominado “Fazenda Ressaca”, no Município de Manga/MG, com área total de 6.722,8 hectares. No presente caso, promoveuse a glosa das Áreas de Preservação Permanente de 4.255,00 hectares e de Utilização Limitada de 1.347,9 hectares, por falta de protocolo do ADA – Ato Declaratório Ambiental junto ao Ibama. Na impugnação, a Contribuinte pleiteou o reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural – ARPPN de 4.055,0 hectares (averbação às fls. 35 e ato específico do Ibama às fls. 46/47). A DRJ manteve a exigência em sua integralidade, pela falta do ADA – Ato Declaratório Ambiental. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte apresentou ADA – Ato Declaratório Ambiental protocolado em 17/09/1998 (fls. 173) e ADA Retificador, protocolado em 12/03/2002 (fls. 174), com o seguinte registro: Área total – 6.739,50 hectares Área de Preservação Permanente – 200,00 hectares Área de Reserva Legal – 1.347,90 ARPPN – 4.055,00 Total da área florestal – 5.602,90 A Contribuinte esclareceu que a área de 4.255,0 hectares, declarada como APP, na verdade compreenderia uma ARPPN de 4.055,0 hectares e uma APP de 200,00 hectares. Ademais, asseverou que a área de 1.197,30 hectares fora declarada de Interesse Ecológico pelo Decreto 41.479, de 2000, e que 1.119,90 hectares desta área foram indevidamente declarados como tributáveis na DITR/2005, já que transferidos ao Instituto Estadual de Florestas — IEF, por meio de Escritura Pública de Desapropriação Administrativa (fls. 26 a 31). Em sessão plenária de 1º/12/2011, foi julgado o Recurso Voluntário nº 509.590, prolatandose o Acórdão nº 220101.397 (fls. 199 a 208), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR Exercício: 2005 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10670.720070/200723 Acórdão n.º 9202003.432 CSRFT2 Fl. 7 3 Ementa: RESERVA LEGAL E RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. Estando a área de reserva legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural comprovadamente registradas à margem da matrícula do registro de imóveis, durante a fase processual administrativa, devem as mesmas serem excluídas da base de cálculo do ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. IMPRESCINDIBILIDADE DE ATO DO ÓRGÃO COMPETENTE. Para efeitos de sua exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico têm de ser assim declaradas, mediante ato do órgão competente federal ou estadual, em caráter específico, para determinada área da propriedade particular, não sendo aceita a área declarada em caráter geral. (Inteligência do artigo 10, § 1º, II, letra b, da Lei nº 9.393, de 1996). DIVERGÊNCIA NA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a área declarada de preservação permanente, efetivamente é de Reserva Particular do Patrimônio Natural, devidamente averbada, e sendo ambas não sujeitas ao ITR, não deve prosperar o lançamento. Recurso Voluntário Provido.” O processo foi encaminhado à PGFN em 17/02/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 209). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a data de intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 18/03/2012; portanto o Recurso Especial teria como termo final 02/04/2012, tendo sido tempestivamente interposto em 27/03/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 226). O Recurso Especial, fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visa rediscutir a exclusão, da tributação do ITR, da Área de Interesse Ecológico. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho s/n de 28/03/2013 (fls. 227/229). No apelo, a Fazenda Nacional alega a impossibilidade de acatamento da Área de Interesse Ecológico, por não constar do ADA – Ato Declaratório Ambiental. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 23/08/2013 (fls. 237/238), a Contribuinte ofereceu, em 09/09/2013 (fls. 278), as Contrarrazões de fls. 239 a 277, em que pede o não conhecimento do apelo, alegando que os paradigmas tratam de matéria diversa daquela abordada no recorrido. No mérito, pede a manutenção da decisão recorrida. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando que os paradigmas tratariam de matéria diversa daquela abordada no recorrido. O acórdão recorrido trata de diversas matérias, dentre as quais a exclusão, da tributação do ITR/2005, de Área de Interesse Ecológico, e o Recurso Especial da Fazenda Nacional é no sentido de que tal exclusão estaria condicionada à apresentação de ADA – Ato Declaratório Ambiental. Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão nº 30239.244 – a análise de seu inteiro teor permite constatar que não se trata de Área de Interesse Ecológico, e sim de Área de Reserva Legal, cujo reconhecimento da exclusão está centrado na averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, e não no protocolo do ADA. Confirase: “De pronto, esclareço que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, e a averbação das áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente, são coisas absolutamente distintas. Entendo que esta averbação deve ser providenciada em data anterior à da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou, se for realizada posteriormente, deve se reportar àquela data anterior. A supracitada averbação está taxativamente determinada pela legislação de regência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, ou seja, a mesma é objeto tanto da Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), quanto da Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989 (que altera a redação da Lei n° 4.771/65), estando também prevista implicitamente na Lei n° 9.393/1996. Estabelece o Código Florestal, em seu art. 6°, que "0 proprietário da floresta não preservada l , nos termos desta Lei, poderá gravála com perpetuidade desde que verificada a existência de interesse público pela autoridade florestal. O vínculo constará de termo assinado perante a autoridade florestal e será averbado à margem da inscrição no Registro Público." (grifei) (...) Ou seja, a Lei n° 8.847/94 cita expressamente a Lei que criou o Código Florestal, bem como a Lei que o alterou. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10670.720070/200723 Acórdão n.º 9202003.432 CSRFT2 Fl. 8 5 É evidente ainda que os 20% de que trata a legislação citada, destinados à reserva legal, devem estar perfeitamente localizados, assim constando na averbação feita à margem da inscrição de matricula do imóvel rural, para que não seja alterada "sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área". Por outro lado, a Lei n° 9.343, de 1996, em seu art. 10, inciso II, alínea ‘b’, prevê que as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas assim devem ser ‘declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas’ para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Em seqüência, na alínea ‘c’ trata das áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiícola ou florestal, também ressalvando que sejam ‘declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual’. Claro está que a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal e a necessidade de reconhecimento, em ato individual e específico, das áreas de interesse ecológico, como condição para excluir a tributação, estão expressamente previstas na legislação de regência do ITR. Examinando a Certidão de fls. 13/47, do Cartório de Registro de Imóveis de Jussara — GO, verificase a averbação, em 05 de setembro de 2005, de uma área reservada de 531,4 ha — portanto, até maior do que a área de utilização limitada originariamente declarada (430,0 ha) , à margem da referida matricula (AV19M09). Portanto, essa providência foi intempestiva para fins de exclusão dessa área do ITR/2002. Vejase que a providência seria intempestiva, mesmo se considerada a data em que foi assinado o respectivo ‘Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal’, que ocorreu em 29/08/2005, conforme consta registrado nessa mesma Certidão. Concluise, portanto que, para as áreas de reserva legal serem excluídas da área tributada e aproveitável do imóvel rural, as mesmas precisam estar devidamente averbadas junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorreu na hipótese destes autos.” (grifei) Como se pode constatar, em nenhum momento o voto condutor do paradigma vaza entendimento no sentido da imprescindibilidade do ADA, restando claro que naquele caso se tratava de Área de Reserva Legal, e não de Interesse Ecológico. Aliás, a única referência genérica a esta espécie de área ambiental é no sentido da exigência de ato específico que reconheça as restrições de uso, que devem ser mais amplas que aquelas referentes às Áreas de Reserva Legal. Com efeito, não há qualquer referência à imprescindibilidade de ADA para exclusão de Reserva Legal, muito menos para as Áreas de Interesse Ecológico, portanto efetivamente não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 A Fazenda Nacional cita ainda trecho do Acórdão nº 9202001.910, conforme a seguir: “Cabe aqui esclarecer a definição de área de utilização limitada. São áreas de utilização limitada: 1. Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas, de domínio privado, declaradas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, mediante requerimento do proprietário, conforme previsto no Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996; 2. Áreas imprestáveis para a atividade produtiva, declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsto no art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c", da Lei nº. 9.393, de 1996; e 3. Áreas de reserva legal, onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam.” (destaques da Recorrente) Com efeito, o trecho acima só permite concluir que as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, de Interesse Ecológico e de Reserva Legal são espécies do gênero “Áreas de Utilização Limitada”, porém não autoriza a conclusão no sentido da imprescindibilidade do ADA, de forma genérica, para a exclusão de todas elas. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 37027.002568/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 26 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2402-000.063
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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Numero do processo: 13731.000283/99-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. POSSIBILIDADE.
É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. Exceção admitida para os pedidos de compensação formulados antes da vigência da Lei Complementar nº 104/2001, conforme jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 1.164.452/MG), nos termos do art. 62-A do Anexo II da norma regimental vigente.
COISA JULGADA. JURISDIÇÃO UNA.
A verificação de coisa julgada desfavorável ao contribuinte sobre questão discutida no âmbito do processo administrativo fiscal obriga os membros deste CARF a aplicarem a decisão judicial em respeito ao princípio da jurisdição una,
Numero da decisão: 3201-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. POSSIBILIDADE. É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. Exceção admitida para os pedidos de compensação formulados antes da vigência da Lei Complementar nº 104/2001, conforme jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 1.164.452/MG), nos termos do art. 62A do Anexo II da norma regimental vigente. COISA JULGADA. JURISDIÇÃO UNA. A verificação de coisa julgada desfavorável ao contribuinte sobre questão discutida no âmbito do processo administrativo fiscal obriga os membros deste CARF a aplicarem a decisão judicial em respeito ao princípio da jurisdição una, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 1. 00 02 83 /9 9- 81 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 28/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo, Adriene Maria de Miranda Veras, Daniel Mariz Gudiño, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva. Relatório O relatório da Resolução nº 320100059, de 17/06/2009, proferida pelo colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sintetiza bem os fatos ocorridos até o presente momento processual, razão pela qual convém transcrevêlo abaixo: Por bem retratar os fatos do presente processo administrativo, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento (fls.324), que passo a transcrever: "Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (f1.01), oriundo de recolhimento de tributo a titulo de Finsocial, no período de julho de 1988 a março de 1992, para fins de compensação com débitos de CSLL (cód 2484) listados as fls. 75, 84 e 85, com fundamento em decisão judicial favorável, não transitada em julgado, proferida nos autos de Ação Ordinária n° 96.000368201 (fls.07/09), iniciada perante a Justiça Federal em Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fl. 297), com base no Parecer Saort/DRF/CGZ n° 248/03, às fls. 291/296, sob o fundamento de que é vedada a compensação, mediante aproveitamento de crédito, antes do trânsito em julgado, da respectiva decisão judicial favorável ao sujeito passivo, conforme artigo 170A da Lei n°. 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN). Cientificada da decisão em 21/10/2004 (fl. 300), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/11/2004 (f1. 301) e ainda, em 18/11/2004 (fls.312), alegando, em síntese, que: É inaplicável o art. 170A do CTN, pois, o fato gerador, com os seus consectários, regese pela lei vigente à época de sua ocorrência; A prescrição do direito de compensar a CSLL é de 10 anos, 5 anos para homologação do lançamento, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, contados daquela data em que se deu a homologação tácita. Em apoio as alegações expendidas, a impugnante cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais e do E. STJ; pede, ao final, reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Campos (DRF/CGZ/RJ), para o fim de Fl. 752DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13731.000283/9981 Acórdão n.º 3201001.621 S3C2T1 Fl. 752 3 conceder o direito do impugnante compensar os valores referentes ao CSLL." Na decisão de primeira instância, a DRJ Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento do tributo, indeferiu a solicitação da Contribuinte. Citemse os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, consubstanciados na ementa abaixo transcrita: "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de Apuração: 01/07/1988 a 31/03/1992 Ementa: Compensação. Crédito sub judice. É vedado, para fins de compensa cão, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. Solicitação Indeferida" Inconformada com a decisão do Acórdão originário da DRJ Rio de Janeiro/RJ, interpôs a Interessada o presente recurso voluntário (fls.334/343). Na oportunidade, reiterou as alegações coligidas em sua defesa inaugural. Em seguida, foi o processo distribuído ao Primeiro Conselho de Contribuintes, onde no acórdão n° 10809.542 de 24 de janeiro de 2008 (fls.358/361) declinouse a competência ao Terceiro Conselho. Passo seguinte, foi o processo distribuído a este Conselheiro, para análise e parecer. A resolução em comento teve por escopo verificar o andamento mais atualizado da Ação Ordinária nº 96.00368201, razão pela qual a diligência foi requerida no sentido de intimar o contribuinte a apresentar certidão de objeto e pé do referido processo judicial. Após a intimação (fl. 370), a Recorrente atravessou uma petição esclarecendo que não teria tempo hábil para fornecer a certidão de objeto e pé no prazo concedido, requerendo, portanto, prorrogação de prazo (fls. 372/374). A despeito disso, a autoridade preparadora limitouse a noticiar o descumprimento da intimação por parte da Recorrente (fl. 375). O processo retornou ao CARF, e, não estando mais entre os seus membros o relator da Resolução nº 320100059, de 17/06/2009, foi sorteado e distribuído a este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade de que trata o Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da divergência existente nos autos consiste em saber se crédito pendente de decisão judicial favorável definitiva, ou seja, sem trânsito em julgado, pode ser objeto de compensação tributária. A resposta a essa celeuma depende da data em que foi protocolizado o pedido de compensação. Explicase: o Superior Tribunal de Justiça teve a oportunidade julgar um caso análogo ao ora analisado, proferindo um acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, o qual restou assim ementado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Esse julgado passou a ser aplicado no CARF, em linha com o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterações posteriores. Atualmente há jurisprudência consolidada neste Tribunal, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: NORMAS TRIBUTÁRIAS. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO QUE RECONHECE A EXISTÊNCIA DE INDÉBITO PROFERIDA EM RELAÇÃO A AÇÕES AJUIZADAS ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 104. ENTENDIMENTO REITERADO DO STJ. Na forma do art.62A do Regimento Interno, reproduzo a seguir ementa da decisão do STJ, aplicável na forma do art. 543 do CPC: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.452 MG (2009/02107136) RELATOR: MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA Fl. 754DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13731.000283/9981 Acórdão n.º 3201001.621 S3C2T1 Fl. 753 5 ANTERIOR À LC 104/2001. 1.A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Acórdão nº 9303002.328, Rel. Cons. Julio César Alves Ramos, Sessão de 20/06/2013) No caso concreto, o pedido de compensação foi protocolizado em 09/08/1999, ou seja, antes da edição da Lei Complementar nº 104, de 2001, que incluiu o art. 170A do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, o caso vivido pela Recorrente se amolda perfeitamente aos precedentes judicial e administrativo ora trazidos à baila, de modo que o desfecho equivalente é imperativo, sob pena de ser violada norma regimental. Por outro lado, compulsando o deslinde da Ação Ordinária nº 96.00368201, verificase que o Recurso Especial nº 446.046/RJ, interposto pela Fazenda Nacional, foi julgado de forma parcialmente favorável, ou seja, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, sob a relatoria do Min. Castro Meira, decidiu que a empresa não poderia ter pleiteado a compensação de créditos de Finsocial com débitos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, eis que, ao tempo em que ação foi ajuizada, a legislação amparava apenas a compensação de créditos e débitos referentes a tributos da mesma espécie. A decisão ora comentada transitou em julgado em 17/10/2005. Considerando que a jurisdição é una, com prevalência da solução judicial do litígio, a celeuma antes enfrentada tornase inócua, devendo ser observada a coisa julgada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário para dar efetividade plena à coisa julgada formada no julgamento da Ação Ordinária nº 96.00368201. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 755DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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