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Numero do processo: 10935.001499/2011-46
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Versam os presentes autos sobre Auto de Infração lavrado por omissão de Rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal – no valor de R$ 58.916,52, relativos a ação judicial de revisão de aposentadoria por tempo de contribuição, na qual houve a retenção de IRRF no valor de R$ 1.7667,50; omissão de rendimentos recebidos pelo seu filho, João Eduardo Pescara, da fonte pagadora GLG Comércio de Veículos Ltda., no valor de R$ 9.313,32, com IRRF relativo a tais rendimentos no valor de R$ 164,13. O Recorrente apresentou Impugnação alegando que o valor dos rendimentos de R$ 9.313,32, não guarda relação com seu CPF. Afirma que tais rendimentos pertencem ao seu filho João Eduardo Pescara. Aduz que não informou o valor de R$ 58.916,58, recebido via precatório, por entender se tratar de rendimento isento. Argumenta que é pessoa idosa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 01 49 9/ 20 11 -4 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.001499/201146 Resolução nº 2802000.150 S2TE02 Fl. 76 2 portadora de diabetes e pressão alta, além de ser ostomizado e portador de seqüelas por fratura na coluna lombar crônica, conforme atestam os documentos em anexo. Informa que recebe auxílio acidente como indenização pelas seqüelas, com isenção do IR, portanto, é doente crônico. Alega que se aposentou por tempo de contribuição, porém, em 1998 sofreu acidente que lhe deixou seqüelas, as quais nos últimos anos o tornou pessoa inválida. Afirma que deve ser aplicado ao contribuinte a previsão contida no art. 6º, inciso XIV, da Lei n.º 7.713/88, que concede isenção do imposto de renda aos proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por pessoa física acometida de invalidez permanente. Ressalta que caso não lhe seja apreciado a isenção dos rendimentos, solicita que o valor de R$ 58.916,58 seja calculado como recebido em 60 meses, por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente. Cita jurisprudência que vem dando ganho causa aos aposentados cujos rendimentos são tributados pelos valores acumulados. Informa que a SRF editou a IN nº 1.127/2001 a fim de por fim a esta discussão. Requer a aplicação retroativa, com base no inciso II do art. 106 do CTN, por ser mais benéfica ao Recorrente, calculando o imposto de forma parcelada, considerandose, ainda, a prescrição qüinqüenal do crédito. Afirma que se procedendo aos cálculos de forma parcelada, com os abatimentos permitidos, resultaria num imposto a pagar de R$ 10.314,43, valor muito menor dos R$ 15.708,21 calculados no lançamento de ofício. Solicita que o percentual da multa aplicada deve ser o previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96, limitado a 20%, por ser mais benéfico ao contribuinte, com fulcro no art. 106, inciso II, “c” do CTN. Neste sentido é o Parecer n.º 2.144, PGFN/CRJ. Por fim, requer a exoneração total do lançamento suplementar, por ser pessoa idosa e doente ou que lhe seja retificado o lançamento com a diluição do precatório de aposentadoria por decisão da Justiça Federal (RRA), aplicandose retroativamente a hipótese prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN. A DRFBJ acolheu parcialmente a Impugnação para excluir os rendimentos do seu filho, João Eduardo Pescara, da fonte pagadora GLG Comércio de Veículos Ltda., por este apresentar declaração em apartado e se tratar de erro na identificação do CPF do beneficiário. É o relatório. Os presentes autos tratam da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme trecho da decisão recorrida, a seguir: Quanto à forma de tributação dos rendimentos acumulados recebidos na ação judicial, devese esclarecer que o artigo 43 do Código Tributário Nacional (que tem status de lei complementar) traça regras gerais relativas ao fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer da natureza: Por se tratar de matéria sob Repercussão Geral no STF (Tema 368 leading case RE 614466), portanto, submetida ao rito a que se refere o artigo 543B do CPC, proponho o sobrestamento do feito, com fulcro no art. 62A, §1º do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10935.001499/201146 Resolução nº 2802000.150 S2TE02 Fl. 77 3 German Alejandro San Martín Fernández Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/07/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13983.000111/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
PIS. RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE. LC 7/70.
A aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS está intrínseca à aplicação da Lei Complementar 7/70, independendo, portanto, de requerimento expresso do contribuinte. Cabe ao julgador aplicar a lei cabível, em sua totalidade, para cada caso concreto.
O silêncio sobre sua observância não pode ser interpretado como não acolhido eis que a sua previsão encontra-se no texto da lei. Todavia, clarear o dever de sua aplicação de acordo com a lei não constitui qualquer violação a ordem jurídica.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjdo Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 PIS. RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE. LC 7/70. A aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS está intrínseca à aplicação da Lei Complementar 7/70, independendo, portanto, de requerimento expresso do contribuinte. Cabe ao julgador aplicar a lei cabível, em sua totalidade, para cada caso concreto. O silêncio sobre sua observância não pode ser interpretado como não acolhido eis que a sua previsão encontra-se no texto da lei. Todavia, clarear o dever de sua aplicação de acordo com a lei não constitui qualquer violação a ordem jurídica. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjdo Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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RESTITUIÇÃO. SEMESTRALIDADE. LC 7/70. A aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS está intrínseca à aplicação da Lei Complementar 7/70, independendo, portanto, de requerimento expresso do contribuinte. Cabe ao julgador aplicar a lei cabível, em sua totalidade, para cada caso concreto. O silêncio sobre sua observância não pode ser interpretado como não acolhido eis que a sua previsão encontrase no texto da lei. Todavia, clarear o dever de sua aplicação de acordo com a lei não constitui qualquer violação a ordem jurídica. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 01 11 /2 00 2- 11 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13983.000111/200211 Acórdão n.º 9303002.755 CSRFT3 Fl. 459 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjdo Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 5º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente a época de sua interposição, em face ao acórdão de n.º 20310.422, que reratificando o acórdão nº 20309.629, por maioria de votos, conheceu e acolheu os embargos de declaração do contribuinte para “ I – reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS; II – admitir a suspensão do crédito tributário por força do processo judicial e, III – excluir a multa de ofício do lançamento.” Inconformada com a decisão de aludido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, por entender ter sido violado os artigos 27 do Regimento Interno dos Conselhos Contribuintes; 535 e 536 do Código de Processo Civil, eis que ao reconhecer a semestralidade da base de cálculo do PIS a decisão teria suprimido eventual omissão da “autoridade judicial”, bem como restariam violados os artigos 1º, § 2º, do DecretoLei 1.737/79, 38, § único, da Lei 6.830/80, por intromissão, nas palavras da recorrente, da autoridade administrativa em decisão judicial. A Procuradoria da Fazenda Nacional em seu recurso especial requer ao final que seja dado provimento ao seu recurso para que sejam indeferidos os pedidos formulados nos embargos de declaração de fls. ou seja determinado o retorno dos autos à Câmara “a quo” para que esta, reconhecida a impossibilidade de se suprimir omissão de decisão judicial, dê seguimento ao julgamento dos referidos embargos.” O ilustre presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em despacho de fls. 302/304, admitiu o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por entender que a Fazenda Nacional “protestou contra a decisão do Colegiado em conhecer da matéria da semestralidade da base de cálculo do PIS e dar provimento ao recurso da contribuinte, alegando ser juridicamente impossível suprimir na esfera administrativa omissão contida em decisão judicial, e analisando os pressupostos formais e materiais o recurso é cabível. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões suscitando o não reconhecimento do recurso da Fazenda por falta de interesse de agir, bem assim requerendo seja negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13983.000111/200211 Acórdão n.º 9303002.755 CSRFT3 Fl. 460 3 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, ao meu ver, encontramse reunidas as condições de admissibilidade, especialmente por suscitar eventual violação as normas processuais pelo acórdão recorrido ao acolher e dar provimento aos embargos de declaração do contribuinte. No entanto, quanto ao mérito, o recurso não merece provimento Vejase o trecho do acórdão dos embargos de declaração, que suscitou o presente recurso, da lavra da ilustre Conselheira desta Turma Julgadora, Dra. Maria Teresa Martínez López: “Compulsando os autos, e especificamente a ação judicial, verificase que a contribuinte (sic) pleiteia a compensação do que pagou a título de contribuição ao PIS, calculada sob a égide dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, com essa mesma contribuição, porém calculada de acordo com o disposto na Lei Complementar n° 7/70. Consta do voto da ilustre relatora que “realmente a ordem judicial é omissa quanto à questão da semestralidade”. Ouso dela discordar. Muito embora não tenha constado expressamente do pedido judicial 1 que o juiz declare a semestralidade, o que se verifica é que a autora da ação judicial faz menção à matéria na petição. Na verdade, temse que a contribuinte argumenta possuir créditos do PIS, quando calculado pela LC n° 7/70 e, portanto, sob à égide da semestralidade. Já, a sentença judicial, julgou procedente o pedido, reconhecendo o direito à compensação dos valores recolhidos a maior, com contribuições da mesma espécie, sob à égide da LC 7/70. Resta a este Conselho, esclarecer o que a administração não reconhece. Isto para extinguir conflito na execução da decisão, eis que, repitase, a fiscalização não reconhece o alcance da semestralidade. Assim, se a sentença judicial, julgou procedente o pedido, reconhecendo o direito à compensação dos valores recolhidos a maior, com contribuições da mesma espécie, sob à égide da LC 7/70, entendo que, reconhecido está o direito à semestralidade, eis que, impossível extrair a semestralidade da 1 Nesse sentido, pede a interessada (sic) que lhe seja reconhecido o direito à compensação ora postulada, consubstanciada no encontro de contas entre os valores recolhidos indevidamente a titulo de PIS (sob a égide dos malsinados DLs 2445 e 2448 de 1988) com os valores devidos a titulo da mesma contribuição, sob a luz da sistemática trazida à lume pela LC 7/70, considerandose, na correção monetária das parcelas objeto de compensação, os efeitos da modificação do poder de compra da moeda nacional, a partir dos pagamentos indevidos (...). Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13983.000111/200211 Acórdão n.º 9303002.755 CSRFT3 Fl. 461 4 norma jurídica. Ou se aplica a LC n° 7/70 no seu todo, com a semestralidade embutida, ou então não se aplica a LC n° 7/70.” Resta para mim mais que justificado o cabimento dos embargos de declaração e seu acolhimento. Como visto o que motivou o cabimento dos embargos pelo contribuinte, quanto à parte aqui objeto de recurso pela Fazenda Nacional, foi a afirmação no acórdão da relatora que a decisão judicial não foi expressa quanto a chamada semestralidade da base de cálculo do PIS. Por essa razão, e como não podia deixar de ser, a ilustre Conselheira Maria Tereza, entendeu em conhecer os embargos e dar –lhe provimento para sanar o acórdão quanto a obscuridade de referida afirmação. Explico: a omissão da decisão judicial acerca de semestralidade afirmada no acórdão poderia ensejar a interpretação que a mesma foi rejeitada e esse possível questionamento podia e devia ser sanado por intermédio de embargos de declaração, como assim corretamente foi feito não representando, ao contrário do alegado pela recorrente, qualquer ofensa as regras processuais, ao menos no que respeita a parte objeto de seu recurso. O fato de o contribuinte ter deixado de suscitar expressamente em sua ação judicial a semestralidade da base de cálculo do PIS, não impossibilita que esta seja reconhecida, eis que compreendida na Lei Complementar 7/70, esta devidamente acolhida pelo Poder Judiciário. E o silêncio sobre a semestralidade não pode ser interpretado como não acolhida eis que a sua previsão encontrase no texto da lei, Quanto aos embargos, clarear o dever de sua aplicação de acordo com a lei não constitui qualquer violação a ordem jurídica. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo os efeitos do acórdão recorrido, reconhecendo a semestralidade da base de cálculo do PIS. Nanci Gama Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917789/2011-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 89 /2 01 1- 81 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917789/201181 Acórdão n.º 3801004.433 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917789/201181, contra o acórdão nº 0948.365, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917789/201181 Acórdão n.º 3801004.433 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917789/201181 Acórdão n.º 3801004.433 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002121/2001-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto e a sua conclusão, bem assim, a própria redação da ementa e do dispositivo, exigindo o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto e a sua conclusão, bem assim, a própria redação da ementa e do dispositivo, exigindo o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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CONTRADIÇÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto e a sua conclusão, bem assim, a própria redação da ementa e do dispositivo, exigindo o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 21 21 /2 00 1- 04Fl. 523DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Tratavase, originariamente, de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, referente ao 1º trimestre/2001. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL, através do acórdão 340100.770, de 25/05/2010, negou provimento ao recurso voluntário em decisão assim ementada: “CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS As aquisições de insumos a pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitindose, no entanto, as aquisições de insumos a cooperativas adquiridas após novembro de 1999.” O contribuinte apontou contradição entre o voto, a conclusão, a ementa e o dispositivo, ao passo que a fundamentação do voto e a ementa indicam a admissibilidade do cômputo das aquisições de cooperativas a partir de 01/11/1999, enquanto a conclusão do voto e o dispositivo registram que o recurso voluntário foi negado. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O presente embargo de declaração foi distribuído com fulcro nos arts. 49, § 7º e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09. Neste passo, a peça recursal é tempestiva e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando as alegações do embargante e confrontandoas com a decisão indagada é possível concluir pela sua procedência, sendo patente a contradição assinalada. O voto vencedor, nada obstante rechaçar a possibilidade de apropriação de crédito pelas compras de pessoas físicas, na apuração do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, é categórico em ressalvar a admissibilidade das aquisições de cooperativas, desde que realizadas a partir de 01/11/1999, verbis: “Também assim as aquisições a cooperativas, quando realizadas até 30/10/99. É que a partir de 01/11/99 cessou a isenção ampla da Cofins e do PIS Faturamento sobre os atos cooperativos. Nos termos do art. 15 da MP no 2.15835, de 24/08/2001, e do Ato Declaratório SRF nº 88, de 17/11/99, a partir de 01/11/99 as duas Contribuições passaram a incidir sobre a receita bruta das cooperativas, com exclusões específicas na base de cálculo.” Integrando o raciocínio do excerto transcrito à fundamentação integral do voto, considerando que o período de apuração do direito creditório é o 1º trimestre/2001, inferese sem grande dificuldade que a vedação se restringiu às aquisições de pessoas físicas, de modo que o resultado geral do julgamento foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10675.002121/200104 Acórdão n.º 3401002.736 S3C4T1 Fl. 11 3 Assim, proponho que a ementa passe a ostentar a seguinte redação: “CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS As aquisições de insumos a pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitindose, no entanto, as aquisições de insumos a cooperativas adquiridas após novembro de 1999. Recurso voluntário provido em parte.” O dispositivo do aresto, por seu turno, deverá ostentar os seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para admitir as aquisições de cooperativas, a partir de novembro/1999. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Fernando Marques Cleto, que davam provimento parcial ao recurso para admitir também as aquisições de pessoas físicas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.” Em face de todo o exposto, voto por acolher o embargo de declaração interposto e promover os ajustes necessários no acórdão 340100770, de 25/05/2010. Robson José Bayerl Fl. 525DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 19311.720418/2012-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/2011 a 31/10/2012
SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO.
A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplica-se no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (relator), Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Leonardo Pimentel Bueno, OAB/DF no 22.403.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Ivan Allegretti (relator), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (relator), Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Leonardo Pimentel Bueno, OAB/DF no 22.403. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Ivan Allegretti (relator), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti (relator), Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Leonardo Pimentel Bueno, OAB/DF no 22.403. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 18 /2 01 2- 01 Fl. 31175DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (presidente), Ivan Allegretti (relator), Rosaldo Trevisan (redator designado), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Trata o presente processo de lançamento de multa (fls. 31.049/31.054) decorrente de prática prejudicial ao normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas SICOBE, em relação a fatos ocorridos entre 11/2011 e 10/2012, com fundamento no art. 30 da Lei no 11.488/2007 e no art. 58T da Lei no 10.833/2003. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 31.055/31.060) apresentase a seguinte motivação para o lançamento: Fl. 31176DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.176 3 O mesmo Termo de Verificação Fiscal também esclarece o seguinte: A contribuinte apresentou impugnação (fls. 31.063/31.087), alegando, em síntese, o seguinte: 1. O valor cobrado a título de manutenção do Sistema é inconstitucional, visto que sua natureza jurídica não é de tributo e nem taxa, uma vez que sua base de cálculo, alíquota e fato gerador não estão definidos em lei. Em decorrência, a multa arbitrada é inconstitucional, com adendo no fato que essa nem ao menos possui mesma base de cálculo do ressarcimento; Fl. 31177DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 2. A Lei que instituiu o valor de ressarcimento, no caso do setor de bebidas (Leis 10833/2003 e 11488/2007), não estabeleceu nem a base de cálculo e nem a alíquota, delegando tal função à Receita Federal do Brasil. A definição da base de cálculo e alíquota do “ressarcimento” ficou a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a qual arbitrou o quantum em R$ 0,03 (três centavos) por unidade engarrafada, por meio do Ato Declaratório Executivo RFB n° 61/2008. Ocorre que tal valor, bem como a multa arbitrada, não possui qualquer respaldo legal, tendo sido arbitradas livremente pela SRF em razão de delegação estabelecida na Lei n° 11.488/2007, o que as torna inconstitucional e inexigível; 3. A previsão legal da multa é para os casos em que o contribuinte obstrua, dificulte, ou seja, cause impedimentos à instalação ou manutenção do sistema. Fato este que não ocorreu no caso da Autuada. O sistema somente não está operante porque fora desligado diante da falta de repasse dos valores de “ressarcimento” à Casa da Moeda, fundamento este que não resguarda validade jurídica na legislação supracitada; 4. A Instrução Normativa RFB nº 869/2008 elencou novo critério material para a incidência da multa, extrapolando os limites de sua competência. A função primordial da instrução normativa é regulamentar como serão efetivadas as disposições impostas pela lei, não podendo restringir e nem ampliar seu conteúdo legal. Desta forma, a referida Instrução Normativa, com o objetivo de complementar e regular a disposição legal acabou por extrapolar o poder regulamentatório que lhe é inerente incluindo nova hipótese para aplicação de multa, fere claramente os princípios da legalidade e da reserva legal da Lei; 5. Mesmo que a cobrança da taxa de “ressarcimento” pudesse ser considerada constitucional, o valor do tributo (R$ 0,03 por embalagem) e as suas respectivas multas violam a proporcionalidade exigida pela Lei n. 11.488/2007, o que gera verdadeiro confisco e corrobora a invalidade da exação; 6. A multa debatida no presente auto de infração é descabida, ferindo princípios constitucionais básicos (legalidade, não confisco, capacidade contributiva e razoabilidade), inviabilizando as condições comerciais da empresa, além de ser inconstitucional; 7. Ao final, requer que o presente auto de infração seja julgado totalmente improcedente e que as intimações sejam em nome do patrono, sob pena de nulidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ), por meio do Acórdão no 1440.198, de 19 de fevereiro de 2013 (fls. 31.116/31.122), concluiu pela improcedência da impugnação, resumindo tal entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/2011 a 31/10/2012 Fl. 31178DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.177 5 SICOBE. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. MULTA. Nos termos do § 1º do art. 30 da Lei nº 11.488/2007, a ação ou omissão do fabricante que venha a prejudicar o normal funcionamento dos equipamentos contadores de produção que compõem o Sistema de Controle de Produção de Bebidas Sicobe, enseja a aplicação da multa de cem por cento do valor comercial da mercadoria produzida no respectivo período. ILEGALIDADES. SUPOSTAS OFENSAS AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis, não comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 31.141/31.170), reiterando os mesmos fundamentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 17/12/2012 (fl. 31.063), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 19/11/2012 (fl 31.061). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Em preliminar, afasto a alegação de nulidade e rejeito o pedido de intimação diretamente ao advogado, em razão de que o art. 23, II, § 4o, I, do Decreto no 70.235/72 estabelece que a correspondência deve ser endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Fl. 31179DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Quanto ao mérito, não se conhece dos fundamentos do recorrente que dependem da declaração de inconstitucionalidade, pelo óbice da Súmula CARF no 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). No que se refere à aplicação do art. 30 da Lei no 11.488/2007, confiro de início o texto de tal dispositivo: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. A meu sentir, não se pode tomar a inadimplência do pagamento da referida remuneração e tipificála na conduta de impedir a instalação do equipamento ou “prejudicar o seu normal funcionamento”, para os efeitos do art. 30 da Lei no 11.488/2007. A mesma discussão já foi objeto de julgamento anterior desta Turma (Acórdão no 3403002.799, PA no 10932.720004/201373, j. 26/02/2014), oportunidade na qual acompanhei o entendimento do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, cujo voto, no entanto, foi vencido. É importante reiterar os fundamentos daquele voto, que reflete também a convicção deste Relator: Segundo infiro do detalhado relatório, a ora recorrente, uma indústria de bebidas, teve auto de infração lavrado contra si para imposição da multa estabelecida pelo artigo30,da Lei nº 11.488/07. É que as indústrias do segmento em que atua a recorrente estão obrigadas a manter em funcionamento, em suas plantas fabris, equipamento medidor da produção e, por conseguinte, a custearlhe a instalação e as manutenções preventiva e corretiva, mediante pagamentos periódicos à Casa da Moeda do Brasil (Lei nº 10.833/03, artigo 58T e Lei nº 11.488/07, artigo 28 ,§§2º e3º). Confirase: Fl. 31180DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.178 7 “§ 2º Fica atribuída à Casa da Moeda do Brasil a responsabilidade pela integração, instalação e manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos de que trata o art.27 desta Lei nos estabelecimentos industriais fabricantes de cigarros, sob supervisão e acompanhamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil e observância aos requisitos de segurança e controle fiscal por ela estabelecidos. § 3º Fica a cargo do estabelecimento industrial fabricante de cigarros o ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela execução dos procedimentos de que trata o §2º deste artigo,bem como pela adequação necessária à instalação dos equipamentos de que trata o art.27 desta Lei em cada linha de produção.” Ocorreu que, embora tenha tido o equipamento medidor de produção instalado em sua unidade industrial, a recorrente deixou de efetuar o recolhimento dos valores arrecadados pela Casa da Moeda em conexão com as atividades de manutenção, o que, no entender da fiscalização tributária, consubstanciou uma forma de interferência no normal funcionamento da máquina. Daí a imposição da pena pecuniária. Em linha com a orientação jurisprudencial prevalecente no E. Superior Tribunal de Justiça, sobretudo do decidido nos REsp nos 836.277 e 732.617 nenhum dos quais, todavia, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC o ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, encaminhou seu voto no sentido de atribuir ao“ressarcimento”exigível pela Casa da Moeda a natureza de uma obrigação tributária acessória. De minha parte, tenho alguma resistência em aceitar que seja essa a sua natureza jurídica, embora reconheça certa dificuldade em adequála a quaisquer outras categorias. Aliás, justamente porque é pecuniária e compulsória, a prestação em cogitação reveste melhor as características de obrigação tributária principal. Nesse sentido, pareceme que a figura mais se assemelha à de uma taxa pelo exercício do poder de polícia, cujo fundamento estaria no artigo 78, do CTN. Poderseia objetar essa proposta é claro ao argumento de que, enquanto o poder de polícia voltase à fiscalização de um direito atribuído ao administrado, a fim de garantir que seja exercido em conformidade com o interesse coletivo, a instalação e a conservação do medidor de produção se presta à fiscalização de uma obrigação (concernente ao IPI) imposta ao fabricante. Ainda assim, penso eu, é a figura que mais se aproxima daquela descrita pelo artigo 28, da Lei nº 11.488/07. Fato é que, tratandose de taxa, o inadimplemento do obrigado deixa de ser causa juridicamente relevante para a interrupção da atividade administrativa correlata. Como o poder de polícia se desenvolve a bem do interesse público e não do interesse particular de quem é sujeito passivo da exação a supressão do Fl. 31181DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 pagamento não interfere na continuidade daquela função. Não fosse assim, estaria ao alcance do administrado furtarse à fiscalização, bastando que deixasse de adimplir a obrigação pecuniária que a remunera. Nisso reside, aliás, a diferença marcante entre a taxa e o preço público .Os negócios jurídicos bilaterais caracterizamse por serem sinalagmáticos. Noutras palavras, a obrigação contraída por um dos contratantes tem causa na obrigação de seu consorte. Por isso que, nos contratos, nenhuma das partes pode exigir o cumprimento da prestação a cargo da outra enquanto não se desincumbir da sua própria prestação. Com os tributos, mesmo os chamados “vinculados”, não é assim. Embora a taxa seja devida em razão do exercício do poder de polícia, o inverso não é verdadeiro, na medida em que a administração não o desempenha em razão do pagamento da taxa. No caso concreto, a supressão do pagamento do devido à Casa da Moeda em razão da manutenção preventiva e corretiva do medidor de produção não autoriza a interrupção destas atividades por parte da administração, simplesmente porque o Poder Público as desenvolve em atenção ao interesse público e não em atenção ao interesse da ora recorrente. Se o particular não satisfaz a exação, cumpre à administração executar o crédito tão somente. É por estes motivos que, respeitosamente dissentindo do entendimento externado pelo Conselheiro Relator, entendo que a conduta perpetrada pela recorrente não se submete à hipótese sancionatória descrita pelo artigo 30, da Lei nº 11.488/07. Após ter sido proferido o voto acima, foi editada a Lei no 12.995/2014 que, afinal, institui, sob a forma de taxa, a mesma remuneração destinada à manutenção do equipamento (art. 13, II). Continua, no entanto, sem definição expressa a natureza da mesma exigência em relação ao período anterior, que é o objeto da autuação debatida neste caso. Ocorre que, independente da definição da natureza, é certo que a falta de pagamento apenas caracteriza imediatamente sua inadimplência, não se configurando nenhuma violação ao normal funcionamento do equipamento, cuja manutenção enquanto instrumento de aferição e fiscalização deve ser realizada pela Administração, por se tratar de interesse da própria Fiscalização. Ora, estáse diante de situação em que o Estado cria uma sistemática obrigatória de apuração e fiscalização que funciona por meio de um equipamento medidor de vazão e, além disso, obriga o contribuinte a promover e suportar o ônus da instalação deste equipamento e, ainda mais, estabelece uma remuneração compulsória destinada à manutenção de tal equipamento. Neste contexto, se o contribuinte não cumpre com o dever de pagar a remuneração para a manutenção deste equipamento que é instrumento fiscal de apuração e fiscalização do tributo cabe então que se promova a cobrança do referido valor inadimplido e que se apliquem as penalidades consentâneas de uma inadimplência. Fl. 31182DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.179 9 Reitero, pois, o entendimento de que não se pode tomar a inadimplência do pagamento da referida remuneração e tipificála na conduta de impedir a instalação do equipamento ou “prejudicar o seu normal funcionamento”, para os efeitos do art. 30 da Lei no 11.488/2007. A recente Lei no 12.995/2014 passou a dispor que a falta de pagamento desta taxa por três meses acarretará a “interrupção pela Casa da Moeda do Brasil da manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos contadores de produção, caracterizando prática prejudicial ao seu normal funcionamento, sem prejuízo da aplicação da penalidade de que trata o art. 30 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007” (art. 13, § 6o, II). Entendo, pois, que apenas a partir desta Lei a falta de pagamento (por 3 meses) passa a caracterizar prática prejudicial ao seu normal funcionamento, por força de expressa previsão legal neste sentido. No período anterior a esta equiparação por força da Lei, a simples inadimplência do contribuinte não tipifica a conduta descrita no art. 30 da Lei no 11.488/2007. Por tais razões, voto pelo provimento do recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 31183DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Incumbe de início esclarecer que se acorda com o relator no que se refere ao afastamento da preliminar de nulidade e à rejeição ao pedido de intimação diretamente ao advogado, em função de disposição expressa de norma com estatura de lei: o art. 23, II, § 4o, I, do Decreto no 70.235/72. Também acordo com o relator quando este não conhece quaisquer fundamentos alegados pela recorrente que dependam de declaração de inconstitucionalidade, em atendimento às disposições da Súmula no 2 deste CARF. Assim, com a devida vênia, nossa discordância centrase na discussão de mérito, e a motivação da divergência é óbvia. Como descrito ao início do voto do relator, o posicionamento do relator corresponde àquele externado (e vencido, por qualidade) em julgamento anterior da matéria (26.fev.2014) efetuado por esta turma, e que resultou no Acórdão no 3403002.799: SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento que compõe o SICOBE (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E passo, a seguir, a recordar os principais fundamentos que me levaram, como relator daquele processo, a entender pela conclusão aqui mantida de cabimento da exigência da multa lançada: “A autuação foi lavrada para exigência da multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007: “Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10o (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; Fl. 31184DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.180 11 II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1o Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2o A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial.” (grifo nosso) É relevante, de início, destacar que os equipamentos referidos no art. 28 da lei são contadores de produção, inicialmente concebidos para a indústria de cigarros, mas estendidos às empresas fabricantes de determinadas bebidas pelos arts. 58A, 58T e 58V da Lei no 10.833/2003, respectivamente, nas redações dadas pelas Leis no 11.727/2008, no 11.727/2008 e no 11.945/2009. A recorrente não impediu ou retardou a instalação dos equipamentos, tendo sido a conduta imputada a de prejudicar o normal funcionamento após a instalação, por omissão. Ou, nos dizeres do Relatório de Ocorrências que figura no Termo de Verificação Fiscal (fl. 57), “prejuízos ao normal funcionamento dos equipamentos que integram o SICOBE por falta de manutenção preventiva/corretiva, com reflexo na integridade das informações de produção controladas pelo sistema e gerenciadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”. E a falta de manutenção decorre de omissão da empresa, conforme se transcreve do mesmo Relatório: “ausência de ressarcimento devido pelo fabricante, em virtude de realização dos procedimentos de manutenção preventiva/corretiva efetuados no SICOBE pela Casa da Moeda do Brasil”. Assim, desnecessário descer a normas infralegais para questionar a exigibilidade da multa, que encontra expresso amparo em lei (exatamente com a fundamentação trazida na autuação). E, estando a penalidade expressa em lei, incabível o afastamento por este tribunal administrativo, seja em virtude expressas disposições constitucionais ou princípios de alguma forma vinculados ao texto constitucional, como o da isonomia, da livre iniciativa, da razoabilidade, da proporcionalidade, da vedação ao confisco, ou da capacidade contributiva. A matéria já está inclusive sumulada neste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” É importante aclarar que não se está afirmando que a multa é constitucional, nem que é inconstitucional. Estáse somente Fl. 31185DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 informando que este tribunal não tem competência para apreciação de constitucionalidade. Afastada a discussão sobre a constitucionalidade da multa aplicada (assim como sobre a constitucionalidade do ressarcimento à Casa da Moeda, igualmente inviável diante da Súmula CARF no 2), resta pouco a analisar no presente processo. Aliás, as discussões sobre a constitucionalidade de diversos dispositivos aqui referidos serão travadas oportunamente pelo STF na ADI no 4.407, com a qual ingressou o Partido Trabalhista Brasileiro (tendo havido ainda a inclusão de diversos “amicus curiae”). A Instrução Normativa (IN) RFB no 869, de 12/08/2008 (já alterada por diversas outras IN) não cria penalidade, nem institui ou majora tributo, pelo que se afasta ainda a acusada violação à legalidade, ou mesmo à legalidade estrita tributária. O que faz a referida Instrução Normativa é disciplinar tanto a multa quanto o ressarcimento estabelecidos em lei, com a permissão desta (art. 58T, § 1o da Lei no 10.833/2003, na redação dada pela Lei no 11.827/2008), sem extrapolar os seus limites. Vejase o art. 13 da referida Instrução Normativa (na redação vigente à época da autuação): “Art. 13 . A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deverá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), se: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) I a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado de acordo com o disposto no art. 8º, o Sicobe não tiver sido instalado em virtude de impedimento criado pelo estabelecimento industrial; II o estabelecimento industrial não prestar as informações sobre os volumes de produção a que se refere o § 6º do art. 7º .(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo estabelecimento industrial tendente a impedir ou retardar a instalação do Sicobe ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2º A falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela CMB à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 ou pela negativa de acesso dos técnicos da CMB ao estabelecimento industrial, caracteriza se como prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe, sem prejuízo de outras que venham a ser constatadas durante a sua operação. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) (...)” (grifo nosso) Fl. 31186DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.181 13 Vejase que o caput e o § 1o constituem reprodução das disposições legais. E o § 2o (considerado ilegal pela recorrente) não extrapola em nada o conceito legal de impedimento (“qualquer ação ou omissão praticada pelo estabelecimento industrial tendente a ... prejudicar o seu normal funcionamento”). A falta de manutenção (em virtude da ausência de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, que efetua a manutenção) é sem dúvida uma omissão praticada pelo estabelecimento industrial tendente a prejudicar o funcionamento do SICOBE. Perfeitamente configurada, assim, a materialidade da conduta. É de se destacar que o § 2o foi recentemente alterado pela IN RFB no 1.390, de 04/09/2013 (com efeitos a partir de 01/10/2013), que acresceu ainda um § 5o, explicativo, ao artigo 13: “§ 2º A interrupção da manutenção preventiva e corretiva do Sicobe pela CMB em virtude da prática reiterada de ausência de ressarcimento de que trata o art. 11 ou pela negativa de acesso dos técnicos da CMB ao estabelecimento industrial caracteriza anormalidade no funcionamento do Sicobe. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.390, de 4 de setembro de 2013) (...) § 5º Para fins do disposto no § 2º considerase prática reiterada o não recolhimento dos valores devidos a título de ressarcimento por 3 (três) meses ou mais, consecutivos ou alternados, por parte do estabelecimento industrial envasador de bebidas. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.390, de 4 de setembro de 2013) (grifo nosso) Vejase que a RFB passou a entender que um simples atraso no ressarcimento, de um mês (ou dois), não caracterizaria o prejuízo ao funcionamento a que se refere a lei, visto que os equipamentos poderiam continuar operando normalmente. Isso endossa parcialmente a tese da recorrente de que, por algum tempo, os equipamentos continuaram a funcionar/operar. O que a RFB fez na norma infralegal foi estabelecer esse tempo durante o qual os equipamentos, ainda que não haja o ressarcimento, continuem a operar sem o “prejuízo de normal funcionamento” a que se refere a lei. Novamente, a IN não extrapola o comando legal, e desta vez favorece as empresas que, por alguma dificuldade financeira temporária, deixem de ressarcir à Casa da Moeda. Já de plano, contudo, afastase a aplicação retroativa da norma ao caso em análise nos presentes autos, em benefício da recorrente, seja porque a IN RFB no 1.390/2013 expressamente estabeleceu a data de produção de efeitos em seu art 3o (01/10/2013), seja porque a autuação se refere a falta de ressarcimento em três meses (abril, maio e junho de 2012). (...)” (grifos no original) Fl. 31187DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Vejase que a discussão de direito travada no processo já julgado por esta turma é a basicamente mesma de que trata o presente processo, o que permite que mantenhamos, da mesma forma que o relator, os mesmos posicionamentos, lamentavelmente ainda não coincidentes. Em adição, trazemos ainda elemento novo, posterior àquele julgamento (e praticamente simultâneo à apreciação da matéria no STJ, ainda não concluída), no qual a lei expressamente aclara o cabimento da multa, agora tendo assumido a natureza (ou ao menos a denominação) de “taxa” (no art. 13 da Lei no 12.995, de 18/06/2014): “Art. 13. Fica instituída taxa pela utilização: I do selo de controle de que trata o art. 46 da Lei nº4.502, de 30 de novembro de 1964; II dos equipamentos contadores de produção de que tratam os arts. 27 a 30 da Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007, e o art. 58T da Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 1º São contribuintes da taxa as pessoas jurídicas obrigadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil à utilização dos instrumentos de controle fiscal relacionados nos incisos I e II do caput, nos termos da legislação em vigor. § 2º Os valores devidos pela cobrança da taxa são estabelecidos em: I R$ 0,01 (um centavo de real) por selo de controle fornecido para utilização nas carteiras de cigarros; II R$ 0,03 (três centavos de real) por selo de controle fornecido para utilização nas embalagens de bebidas e demais produtos; III R$ 0,05 (cinco centavos de real) por carteira de cigarros controlada pelos equipamentos contadores de produção de que tratam os arts. 27 a 30 da Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007; IV R$ 0,03 (três centavos de real) por unidade de embalagem de bebidas controladas pelos equipamentos contadores de produção de que trata o art. 58T da Lei nº10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º As pessoas jurídicas referidas no § 1º poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido correspondente à taxa efetivamente paga no mesmo período. § 4º A taxa deverá ser recolhida mensalmente pelos contribuintes a ela obrigados, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF em estabelecimento bancário integrante da rede arrecadadora de receitas federais, até o 25º(vigésimo quinto) dia do mês subsequente em relação aos selos de controle fornecidos ou aos produtos controlados pelos equipamentos contadores de produção no mês anterior. § 5º O produto da arrecadação da taxa será destinado à Casa da Moeda do Brasil, considerando a competência atribuída pelo Fl. 31188DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19311.720418/201201 Acórdão n.º 3403003.307 S3C4T3 Fl. 31.182 15 art. 2ºda Lei nº5.895, de 19 de junho de 1973, e pelo § 2ºdo art. 28 da Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007. § 6º O não recolhimento dos valores devidos da taxa por 3 (três) meses ou mais, consecutivos ou alternados, no período de 12 (doze) meses, implica: I suspensão do fornecimento dos selos de controle ao contribuinte devedor; II interrupção pela Casa da Moeda do Brasil da manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos contadores de produção, caracterizando prática prejudicial ao seu normal funcionamento, sem prejuízo da aplicação da penalidade de que trata o art. 30 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. § 7º A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá expedir normas complementares para a aplicação do disposto neste artigo.” (grifo nosso) Contudo, não se entende que a publicação da lei altere o resultado julgamento anterior, pois ambas as leis (antiganão revogada e nova) prevêem expressamente o cabimento da multa, não podendo ser afastadas sob pretexto de inconstitucionalidade (conforme a já citada Súmula CARF no 2). Assim, registro a divergência, no mérito, que me conduz a votar pela improcedência do recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 31189DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13709.001613/95-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício:1994
Ementa:
IRPJ. CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. SALDO DEVEDOR. EXCLUSÃO INTEGRAL.
O índice legalmente admitido, para efeito da correção monetária das demonstrações financeiras, encerradas em 1990, incorporava a variação do IPC no período, sendo, por via de conseqüência, legítima a apropriação, a partir do ano-calendário de 1991, do saldo devedor da correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF, reconhecida que foi, expressamente, pela Lei n° 8.200, de 1991.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-001.544
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado) e Marcos Vinicius Barros Oítoni (suplente convocado) que deram provimento parcial ao recurso. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso do contribuinte. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado) que deram provimento parcial ao recurso. Declararam-se impedidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. SALDO DEVEDOR. EXCLUSÃO INTEGRAL. O índice legalmente admitido, para efeito da correção monetária das demonstrações financeiras, encerradas em 1990, incorporava a variação do IPC no período, sendo, por via de conseqüência, legítima a apropriação, a partir do anocalendário de 1991, do saldo devedor da correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF, reconhecida que foi, expressamente, pela Lei n° 8.200, de 1991. Recurso Especial do Procurador Negado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado) e Marcos Vinicius Barros Oítoni (suplente convocado) que deram provimento parcial ao recurso. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso do contribuinte. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (suplente convocado) que deram provimento parcial ao recurso. Declararamse impedidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 16 13 /9 5- 64 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 08/10/2008 (fls. 550), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, seu Recurso Especial, datado de 09/10/2008 (fls. 552/559), para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10195.715, de 18/08/2006 (fls. 519/532) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, em 30/06/2004, pela contribuinte (fls. 473/499). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo legal no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Da mesma forma, a contribuinte SOCIEDADE TÉCNICA E INDUSTRIAL E LUBRIFICANTES SOLUTEC, inconformada com a decisão de Segunda Instância prolatada pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10195715, de 18/08/2006 (fls. 519/532) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, recorre, tempestivamente (24/09/2009), a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do seu Recurso Especial de fls. 613/619. O pleito da contribuinte busca amparo legal no art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra a contribuinte da foi lavrado, em 14/07/1995, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Programa de Integração Social – PIS; Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e Contribuição Social (fls. 02/17), com ciência, em 26/11/1999 (fls. 07) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.856.103,73, a título de IRPJ, PIS, IRRF e CSLL, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 100% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos referentes aos exercício de 1991 a 1994, correspondentes aos anoscalendário de 1991 a 1993, respectivamente. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 3 3 A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE DESPESAS: Despesa indevida, referente ao saldo devedor de correção monetária, relativo a diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31/12/90 e deduzido integralmente no mês de janeiro, do exercício financeiro de 1994, anocalendário de 1993. Infração capitulada nos arts. 157, e § lº, 191, 192, 197 e 387, inciso I do RIR/80; art. 3º da Lei nº 8.200, de 1991, art. 32 a 39 do Decreto nº 332, de 1991. (Valor deduzido 100% Cr$ 29.528.364,00 Valor permitido 25% Cr$ 7.382.091,00 Valor a tributar Cr$ 22.146.273,00). 2 OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS – MUTUO PJ LIGADAS CONTRATADAS: A empresa apurou, registrou contabilmente e ofereceu como Variação Monetária Ativa, correção monetária a menor sobre empréstimos a empresas ligadas/coligadas, uma vez que corrigiu o saldo médio mensal, quando deveria ter corrigido o saldo diário. Infração capitulada nos arts. 157 e parágrafo lº, 175, 254, inciso I; e 387, inciso II do RIR/80; art. 21 do Decreto Lei nº 2.065, de 1983 e art. 5º e parágrafo único do Decreto Lei nº 2.072, de 1983. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 14/08/1995 (fls. 244/267) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ decide julgar parcialmente procedente o lançamento, mantendo, em parte, o crédito tributário lançado (fls. 433/467), com base, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infra legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional; que o Controle da Constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal. Tendo sido declarados o DecretoLei nº 2.445, de 1988 e o DecretoLei n 2.449, de 1988 inconstitucionais pelo STF, tal decisão há de ser acolhida na esfera administrativa; que o fato de a matéria estar sendo discutida na esfera judicial, não impede o fisco de constituir o crédito pelo lançamento, para evitar a decadência, mas impede a mesma análise na esfera administrativa; que a concessão de medida liminar em mandado de segurança, anterior à ação fiscal, bem como a interposição de ação ordinária quanto ao mesmo objeto, importa em renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial, na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandatal; que os Autos de Infração só seriam considerados nulos na hipótese de conterem elementos que implicassem preterição do direito de defesa do sujeito passivo, ou, ainda, se ausentes os requisitos mínimos necessários à sua feitura em boa forma, de modo a, igualmente, impedir o exercício desse direito, em sua amplitude; Fl. 722DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos; que é cabível a multa de oficio nos casos de cassação de medida liminar em mandado de segurança, anterior ao lançamento, por fazer desaparecer os efeitos daquela medida judicial; que a nova lei se aplica a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática; que é defeso ao contribuinte utilizar índices de correção monetária diversos daquele previsto em lei. A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, decorrente da diferença entre a variação ocorrida entre o IPC e o BTN Fiscal, deve ser deduzida na determinação do lucro real, no percentual de 25 %, no exercício de 1994; que o reconhecimento da receita de correção monetária decorrente de contratos de mútuo firmado entre pessoas jurídicas coligadas, interligadas, controladoras e controladas, deve ser feito com base na variação diária dos índices utilizados para a correção monetária das demonstrações financeiras; que sendo decorrente das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica , deverá ser aplicada idêntica solução, em face da sua estreita relação de causa e efeito; que com a suspensão das disposições contidas no DecretoLei n ° 2.445, de 1988 e DecretoLei n ° 2.449, de 1988, pela Resolução n ° 49, de 09 de outubro de 1995, do Presidente do Senado Federal (DOU de 10 de outubro de 1995), não subsiste o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social calculada com base naqueles diplomas legais; que a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n.° 2.445, de • 1988 e 2.449, de 1988, retirados do ordenamento jurídico nacional pela Resolução do Senado n.° 49, de 1995, produziu efeitos ex tunc, em nada alterando a vigência dos dispositivos das leis complementares que pretenderam alterar; que tendo sido vedada a constituição de créditos tributários, nos termos do Art. 35 da Lei n ° 7.713, de 1988, em relação às sociedades por ações e, autorizadas as Delegacias de Julgamento a reformularem os créditos pendentes, efetuados em desacordo com o disposto no Art. 10 da IN/SRF n ° 63, de 1997, há de ser cancelado o lançamento quanto a este imposto; que em face do princípio da irretroatividade das normas, somente será admitida a aplicação da TRD como juros de mora a partir de 30 de julho de 1991, quando da vigência da Lei n° 8.218, de 991, em razão da Instrução Normativa SRF n° 32, de1997, que homologou este entendimento. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 02/06/2004, conforme Termo constante às fls. 466/467, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, tempestivamente, em 30/06/2004, o seu Recurso Voluntário (fls. 473/499), o qual, ao ser apreciado pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Fl. 723DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 4 5 Acórdão nº 10195.715, de 18/08/2006 (fls. 519/532), cuja decisão foi, por maioria de votos, pelo provimento parcial, conforme se verifica de sua ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTROS — AC. 1990 a 1994 DIFERENÇA IPC/BTNF — DIFERIMENTO — APROPRIAÇÃO DE PARCELA — É indevida a dedução integral de despesa referente ao saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 1990, no mês de janeiro de 1994. Sendo cabível a dedução do percentual de 15%, relativo ao anocalendário de 1994, respectivamente, posto que a autuação se deu em 1995. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE MESMA MATÉRIA — RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA — SÚMULA n° 01 DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. MÚTUOS VARIAÇÕES .MONETÁRIAS ATIVAS CORREÇÃO MONETÁRIA DIÁRIA — As variações monetárias ativas de mútuos entre pessoas jurídicas ligadas deveriam ter seus saldos corrigidos diariamente e não pelo saldo médio mensal. A descaracterização das operações como não sendo de mútuo dependem de prova, as quais não foram produzidas pela recorrente nos presentes autos. LANÇAMENTO REFLEXOS O decidido em relação ao tributo principal aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Recurso voluntário provido em parte. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 08/10/2008, conforme Termo constante às fls. 550, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (09/10/2008), o seu Recurso Especial do Divergência (fls. 552/559), com amparo no art. 7º, inciso II, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, no qual demonstra irresignação contra a decisão da diferença IPC/BTNF, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a e. Câmara a quo, no mérito, julgou que o Recorrido poderia aproveitar a diferença de correção monetária IPC/BTNF, disposto pela Lei n.° 8.200/91, sem que fosse necessário observar o art. 30 da própria Lei, que previa o aproveitamento parcelado dessa mesma quantia, tendo em vista a suposta postergação no pagamento do tributo; que o entendimento esposado pela e. Câmara a quo não esta corroborado pela jurisprudência dominante neste e. Conselho de Contribuintes. Com efeito, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já decidiu que a diferença de correção monetária, decorrente da aplicação dos índices IPC e BTNF, deve ser aproveitada de acordo com o disposto pela Lei 8.200/91 (e também, evidentemente, com as alterações posteriores); que, nestes termos, demonstrada a divergência jurisprudencial, diante do acórdão paradigma em anexo, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente Recurso Especial, consoante o disposto no artigo 15, § 2° do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 147/07; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em acórdão recente (RE n.° 201.4656, MG), que o art. 30, I, da Lei 8.200/91, ao dispor um prazo para que os contribuintes pudessem aproveitar a despesa decorrente da diferença de correção monetária IPC/BTNF, não ofende a Constituição Federal de 1988; que, desse modo, face ao pronunciamento do e. STF sobre o tema, não resta mais nenhuma dúvida que o aproveitamento integral da diferença de correção monetária IPC/BTNF, consoante requerido pelo Recorrido, não está acobertado por nenhum dispositivo constitucional, devendo ser aplicado o disposto no art. 30, I da Lei 8.200/91. Prova disso é que, nos caso dos autos, tanto a sentença como o acórdão indeferiram a pretensão do Banco; que relativamente ao argumento que o aproveitamento integral dos prejuízos, sem a observância da limitação de 30%, configuraria postergação da CSLL, não se trata de fundamento para anular a cobrança. Mesmo que a autoridade autuante não tenha apurado a suposta postergação, o Recorrido, além de não alegar a suposta postergação em nenhum momento no presente processo administrativo, por seu turno, também não provou que recolheu, posteriormente, o tributo ora exigido; que, entretanto, e aqui está o erro cometido pela e. Câmara de origem, data venha, o lançamento que não considera uma possível postergação do tributo, como no presente caso em que o aproveitamento integral dos prejuízos pode realmente ter resultado no diferimento da CSLL devida, somente pode ser anulado quando o contribuinte demonstra a postergação, provando o pagamento a posterior do tributo; que é evidente que, demonstrada a postergação, estará provado o vício formal no lançamento, sendo justa a sua anulação. Sem que exista a prova da postergação, resta apenas uma simples alegação da insubsistência do auto de infração, alegação que não pode anular a cobrança. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado, pela Fazenda Nacional, do qual transcrevo a sua respectiva ementa (fls. 560): Acórdão 10513708: :PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — NEGATIVA DE EFEITOS DA LEI VIGENTE — COMPETÊNCIA PARA EXAME Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE — A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e o contencioso administrativo não é o foro ip próprio para discussões dessa natureza, haja vista que a apreciação e a decisão de questões que versarem sobre inconstitucionalidade dos atos legais é de competência do Supremo Tribunal Federal. IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA DO BALANÇO — DIFERENÇA IPC/BTNF NO PERIODOBASE DE 1990 O contribuinte deve submeterse à legislação tributária vigente e sua respectiva regulamentação. A diferença verificada no períodobase de 1.990 entre a variação do índice do IPC e do Fl. 725DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 5 7 BTNF, somente poderá refletir na determinação do lucro real em seis anoscalendários a partir de 1.993, como determina a Lei no 8.682/93. Recurso não provido. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da então Primeira do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 422, de 24/11/2008 (fls. 562/563) dando seguimento ao Recurso Especial do Procurador, no que diz respeito da diferença IPC/BTNF, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para a repartição de origem o contribuinte foi cientificado, nos termos regimentais, em 04/09/2009, do Acórdão prolatado e do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, apresentando, em 24/09/2009, as suas contrarrazões (fls. 569/675), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que a União Federal, por intermédio da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs o presente Recurso Especial objetivando alterar o Acórdão n° 10195.715 relativamente a questão do Saldo Devedor de Correção Monetária apurado entre a diferença de índices IPC/BTNF inerente ao balanço levantado em 31/12/90; que do auto de infração, que dá conta de que a recorrente efetuou a dedução indevida da despesa referente ao saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31 de Dezembro de 1990, integralmente no mês de janeiro do exercício financeiro de 1994, anocalendário de 1993, não procedendo ao diferimento determinado pela legislação de regência da matéria; que, de acordo com o voto do relator, observase que o provimento parcial, nesta parte, está fundamentado nos seguintes argumentos (1) que artigo 3°, I, da Lei n° 8.200/91, regulamentado pelo Decreto n° 332/1991 estabeleceu que a dedução das despesas decorrentes do saldo devedor da correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF poderia ser realizada em quatro anos consecutivos a partir do ano calendário de 1993, em percentuais uniformes de 25% ao ano; (2) – que a Lei n° 8.682/1993 alterou os prazos e percentuais de diferimento indicando para 25% no ano calendário de 1993 e de 15% para os cinco anos subseqüentes a partir de 1994; (3) que ocorre que, corretamente, o lançamento original, excluiu na operação do valor da dedução indevida o percentual de 25%, correspondente à parcela prevista de dedução relativa ao ano Calendário de 1993; (4) que não obstante equivocouse ao deixar de excluir da autuação a parcela correspondente a 15% relativa ao ano calendário de 1994, tendo em vista que na data da lavratura do lançamento (14 de julho de 1995) já se encontrava encerrado o citado ano calendário, o que autorizava a dedução referida; que em sua peça recursal alega basicamente o nobre representante da Fazenda Nacional que a matéria em apreço já se encontra pacificada no âmbito judicial, que não corrobora as conclusões adotadas pela e. Câmara a quo, comprovase que o r. acórdão recorrido interpretou erroneamente o art. 42 da Lei n° 8.981/95, portanto, ser integralmente reformado. Conclui requerendo o conhecimento e provimento do presente recurso, afim de que seja reformada a decisão recorrida, e mantida integralmente a r. decisão proferida pela d autoridade de primeira instância; que, data máxima vênia, mas o nobre Procurador ao requerer a reforma do Acórdão, fazendo com que prevaleça a decisão de 1ª instância, deixa de observar que o mérito Fl. 726DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 envolve um aspecto temporal ou seja, se o saldo devedor de correção monetária apurado através da diferença entre os índices IPC/BTNF deveria ou não ser diferido a razão de 15% ao ano; que, portanto, é por esta razão que o v. Acórdão, neste particular, não deve ser reformado, pois o voto do eminente Relator foi no sentido de que a Recorrida poderia ter deduzido 40% do saldo devedor em 1994 (25% referente ao ano de 1993 e 15% s ao de 1994) em virtude da autuação ter sido lavrada em 1995, logo houve o direito adquirido de se deduzir o saldo devedor no percentual acima. Cientificado, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 04/09/2009, conforme Termo constante às fls. 603, a Contribuinte interpôs, de forma tempestiva (24/09/2009), o seu Recurso Especial do Divergência (fls. 613/619), com amparo no art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão prolatada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que o mérito está segregado em três blocos, a saber: (A) Diferença IPC/BTNF — DIFERIMENTO APROPRIAÇÃO DE PARCELA; (B) CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DA MESMA MATÉRIA — RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA — SÚMULA N° DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; (C) MÚTUOS — VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS — CORREÇÃO MONETÁRIA DIÁRIA; que em relação ao item "A" a decisão recorrida admitiu em parte o Recurso Voluntário, na medida em que reconheceu devida a dedução de 40% do saldo devedor de correção monetária inerente a diferença IPC/BTNF em Janeiro de 1994 sob a premissa de que a lavratura do auto de infração ocorreu em 1995, logo a Recorrente faz jus a dedução de 40% do saldo devedor, sendo 25% pertencente ao ano calendário de 1993 e 15% ao de 1994; que como se pode observar a matéria em apreço envolve questão de cunho TEMPORAL ou seja saber se a dedução na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do saldo devedor de Correção Monetária está ou não diferido até 1998; que, portanto, não está aqui se discutindo se a despesa é ou não dedutível, mas quando a mesma poderá ser deduzida; que ocorre que já estamos em 2009 e o direito da Recorrente em deduzir 100% do saldo devedor já ocorreu, logo há direito adquirido, razão pela qual este quesito da autuação deve ser extinto. Segue abaixo os acórdãos paradigmas apresentados, pela Contribuinte, do qual transcrevo as suas respectivas ementas (fls. 560): Acórdão 10320835: IRPJ — CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF — SALDO DEVEDOR — EXCLUSÃO INTEGRAL — O índice legalmente admitido, para efeito da correção monetária das demonstrações financeiras, encerradas em 1990, incorporava a variação do IPC no período, sendo, por via de conseqüência, legítima a apropriação integral, a partir do ano calendário de 1991, do Fl. 727DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 6 9 saldo devedor da correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF, reconhecida que foi, expressamente, pela Lei n° 8.200/91. Acórdão 10319843: IRPJ — EXERCÍCIO DE 1992 — SALDO DEVEDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA — UTILIZAÇÃO DO IPC ACUMULADO AO INVÉS DO BTNF NO ANO DE 1990 — Improcedência parcial do lançamento — É legítima a correção monetária das demonstrações financeiras do período base de 1990, pelo índice determinado pela variação do IPC, em vez do BTNF, conforme reconhecido pela Lei n° 8.200/91. A postergação do lançamento do saldo devedor de correção monetária efetivamente admitido em diploma legal para períodos subseqüentes ao de sua apropriação na contabilidade afronta o regime de competência a que se subordina a escrita fiscal da pessoa jurídica. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sucessora da Primeira do Primeiro Conselho de Contribuinte exarou o Despacho nº 110000.302/2010, de 18/12/2009 (fls. 638/640) dando seguimento ao Recurso Especial da Contribuinte Procurador, no que diz respeito da diferença IPC/BTNF, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para a ciência da Fazenda Nacional, o representante legal tomou ciência, em 23/04/2010 (fls. 642), apresentando, em 23/04/2010, as suas contrarrazões (fls. 644/645), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o Contribuinte se insurge contra o Acórdão de n° 10195.715, proferido pela 1ª Câmara do antigo 1° Conselho de Contribuintes, que não admitiu a dedução integral, em janeiro do anocalendário de 1994, do saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BNTF apurado no balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro 1990; que a norma foi bastante clara em determinar que a dedução da correção monetária decorrente da diferença IPC/BNTF deveria se dar parceladamente, à razão de 25% (vinte e cinco por cento) ao ano, a partir de 1993; que, posteriormente, com o advento da Lei n° 8.682, de 1993, o procedimento de dedução mudou. Com tal alteração, a dedução in foco deixou de ser realizada em quatro parcelas de 25% (vinte e cinco por cento), e passou a ser feita em seis parcelas, sendo a primeira de 25% (vinte e cinco por cento), e as cinco restantes de 15% (quinze por cento); que, de um modo ou de outro, a legislação de regência jamais previu a possibilidade de dedução integral, isto é, em parcela única, como o fez o Contribuinte. Sendo assim, a pretensão do Contribuinte de ver legitimada a sua dedução, em uma única parcela, do saldo devedor decorrente da correção monetária referente à diferença IPC/BNT, é absolutamente infundada, pois não tem o mínimo respaldo legal. É o relatório. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no Acórdão nº 9101001.544, de 22 de janeiro de 2013, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 08/10/2008 (fls. 550) e protocolizado o seu Recurso Especial de Divergência, em 09/10/2008 (fls. 552/559), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Fazenda Nacional, cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a dedução de despesas referente ao saldo credor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que é indevida a dedução integral de despesa referente ao saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 1990, no mês de janeiro de 1994. Já, por sua vez, o acórdão paradigma entende que o contribuinte deve submeterse à legislação tributária vigente e sua respectiva regulamentação. A diferença verificada no períodobase de 1.990 entre a variação do índice do IPC e do BTNF, somente poderá refletir na determinação do lucro real em seis anoscalendários a partir de 1.993, como determina a Lei nº 8.682, de 1993. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreendese do relatado que a Fazenda Nacional ingressou com Recurso Especial do Procurador, com amparo no art. 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 insurgindose contra decisão da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 10195.715, de 18/08/2006, que, por maioria de votos, deu provimento Fl. 729DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 7 11 parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, baseado nos seguintes argumentos básicos: que é indevida a dedução integral de despesa referente ao saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 1990, no mês de janeiro de 1994. Sendo cabível a dedução do percentual de 15%, relativo ao anocalendário de 1994, respectivamente, posto que a autuação se deu em 1995; que quanto a concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria — renúncia à esfera administrativa — Súmula n° 01 do Primeiro Conselho de Contribuintes; que as variações monetárias ativas de mútuos entre pessoas jurídicas ligadas deveriam ter seus saldos corrigidos diariamente e não pelo saldo médio mensal. A descaracterização das operações como não sendo de mútuo dependem de prova, as quais não foram produzidas pela recorrente nos presentes autos; que o decidido em relação ao tributo principal aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Por outro lado, a Contribuinte, após ter tomado ciência do decisório recorrido, em 09/09/2009 (fls. 603), protocolizou o seu Recurso Especial, em 24/09/2009 (fls. 613/619), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da mesma forma, a Contribuinte, cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a dedução de despesas referente ao saldo credor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que é indevida a dedução integral de despesa referente ao saldo devedor de correção monetária relativa à diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro de 1990, no mês de janeiro de 1994. Já, por sua vez, o acórdão paradigma entende que o índice legalmente admitido, para efeito da correção monetária das demonstrações financeiras, encerradas em 1990, incorporava a variação do IPC no período, sendo, por via de conseqüência, legítima a apropriação integral, a partir do ano calendário de 1991, do saldo devedor da correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF, reconhecida que foi, expressamente, pela Lei n° 8.200, de 1991. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pela Contribuinte preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Depreendese do relatado que a Contribuinte interpôs, de forma tempestiva (24/09/2009), o seu Recurso Especial do Divergência (fls. 613/619), com amparo no art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, insurgindo se contra decisão da então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, exarado pelo Acórdão 10195.715, de 18/08/2006, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto. Como visto do relatório, tanto o Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional como o da Contribuinte, está restrito as interpretações divergentes da dedução da diferença IPC/BTNF, da base de cálculo do IRPJ, já que as demais questões não foram acolhidas no Exame de Admissibilidade de Recurso Especial. Resta claro nos autos, de que a autoridade fiscal lançadora promoveu a glosa do excesso das exclusões, na parte B do LALUR, da diferença IPC/BTNF no anocalendário 1993, matéria impugnada pelo sujeito passivo. Ou seja, glosou como sendo despesa indevida, referente ao saldo devedor de correção monetária, relativo a diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31/12/90 e deduzido integralmente no mês de janeiro do anocalendário de 1993. (Valor deduzido 100% Cr$ 29.528.364,00 Valor permitido 25% Cr$ 7.382.091,00 Valor a tributar Cr$ 22.146.273,00). Por sua vez, o acórdão recorrido admitiu em parte o Recurso Voluntário da Contribuinte, na medida em que reconheceu devida a dedução de 40% do saldo devedor de correção monetária inerente a diferença IPC/BTNF, sob a premissa de que a lavratura do auto de infração ocorreu em 1995, logo a Recorrente faz jus a dedução de 40% do saldo devedor, sendo 25% pertencente ao ano calendário de 1993 e 15% ao de 1994. Com visto, a autoridade fiscal lançadora aceitou que fosse deduzido, somente, a parcela de 25% no anocalendário de 1993. Posição com a qual concorda a Fazenda Nacional, sob o argumento de que o contribuinte deve submeterse à legislação tributária vigente e sua respectiva regulamentação. Entende, que a diferença verificada no períodobase de 1.990 entre a variação do índice do IPC e do BTNF, somente poderá refletir na determinação do lucro real em seis anoscalendários a partir de 1.993, como determina a Lei nº 8.682, 1993. (25% no anocalendário de 1993 e 15%., nos cinco anos subseqüentes). Por outro lado, a Contribuinte tem um entendimento mais abrangente, já que entende que se faz necessário a dedução total da variação da diferença IPC/BTNF. Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber qual a conduta estaria mais correta para resolver a questão da exclusão do saldo devedor da correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF, de que trata o art. 3°, da Lei nº 8.200, de 1991, na determinação do lucro real. Assim, a matéria em apreço envolve questão de cunho temporal, ou seja, saber se a dedução na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do saldo devedor de Correção Monetária está ou não diferido até 1998. Portanto não está aqui se discutindo se a despesa é ou não dedutível, mas quando a mesma poderá ser deduzida. Qual seria a conduta mais apropriada para resolver a presente lide? Seria a conduta da Contribuinte, que deduziu integralmente a diferença IPC/BTNF, apurada no balanço patrimonial levantado em 31/12/1990, no mês de janeiro do anocalendário de 1993? Ou seria a conduta da autoridade fiscal lançadora que aplicou a letra fria das normas Fl. 731DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 8 13 reguladoras, permitindo, tãosomente, a dedução de 25%, posição adotada pela Fazenda Nacional? Ou seria a conduta do acórdão recorrido que permitiu que fosse deduzido o percentual de 40% (25% + 15%)? Firmo a minha convicção de que a solução mais correta é a que adotou a decisão recorrida, ou seja a de permitir que o contribuinte deduza de forma parcial como despesa o saldo devedor da diferença da correção monetária entre o IPC e o BTNF. A matéria em foco já tem posicionamento justo nas diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes e na própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio de diversos julgados que reconheceram e vêm reconhecendo o direito do contribuinte de apropriar, integralmente, como despesa, o saldo devedor da diferença da correção monetária entre o IPC e o BTNF. Isto porque a correção monetária teve por objetivo expressar, em valor real, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda em cada períodobase. Ora, ao tempo, a correção monetária deveria ser efetuada com base na variação diária do BTN Fiscal, que por força do § 2°, do artigo 5°, da Lei 7.799/89, seria atualizado mensalmente com base na variação do IPC, decorre, por via de simples lógica, que a adoção desse critério não poderia ser penalizada. Não fosse assim, de notarse que a correção monetária, por expressa determinação legal, deve refletir a real desvalorização da moeda, caso contrário, estada sendo tributada uma renda inexistente. Tal fato ocorre quando uma empresa detém patrimônio líquido maior que o seu ativo permanente e demais contas do ativo sujeitas à correção monetária. Daí que, se a inflação não é plenamente reconhecida, verificarseá resultado menor, devedor, na conta de correção monetária, que é dedutível para fins de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda, majorando, por conseguinte e indevidamente, o tributo devido. A Lei nº 8.200, de 1991, por sua vez, não poderia eleger critério de indexação, para o anobase de 1990, sob pena de ofender os critérios da irretroatividade e da anterioridade. De fato, a Lei nº 8.200, de 1991, regulamentada pelo Decreto nº 332, de 1991 — artigos 32 a 43 não poderia ter aplicação retroativa, pena de afronta aos mais elementares princípios jurídicos, dentre os quais o que garante o direito adquirido, capitulado no art. 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal, a teor de que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.” e o princípio da irretroatividade capitulado nas letras "a" e "b”, do inciso III, do artigo 150, da Constituição Federal, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...). III. Cobrar Tributos: Fl. 732DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; Além do que, ao estarem assim redigidos, os artigos 2° e 3° da Lei nº 8.200, de 1991, temos que: Art. 2° As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de preços. Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I poderá ser deduzida na determinação do lucro real, em quatro períodosbase, a partir de 1993, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, quando se tratar de saldo devedor; II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. A Lei nº 8.200, de 1991, veio para reconhecer a existência da diferença efetivamente ocorrida entre o BTN e o IPC, deixou, todavia, ao critério das pessoas jurídicas o reconhecimento ou não daquela diferença. Essa vontade pode ser claramente constatada quando o legislador utiliza a palavra "poderão", no artigo 2° e quando, no artigo 3° não determina a apuração compulsória daquele resultado. A determinação de se reconhecer tal diferença somente se configurou com a edição do Decreto n° 332, de 1991 que, a pretexto de regulamentar a lei, dela extrapolou, ao obrigar que se procedesse a correção monetária das demonstrações financeiras desse período com base no índice de Preços ao Consumidor (art. 32), verbis: Art. 32. As pessoas jurídicas que, no exercício financeiro de 1991, períodobase de 1990, tenham determinado o imposto de renda com base no lucro real deverão proceder a correção monetária das demonstrações financeiras desse período com base no índice de Preços ao Consumidor (IPC). Assim sendo, deve ser mantida, para janeiro de 1994, a dedução, somente, de 40% do saldo devedor (25% referente a 1993 e 15% referente a 1994) cuja legalidade foi reconhecida no acórdão recorrido. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço dos recursos especiais interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, por tempestivo e, no mérito, negolhes provimento. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13709.001613/9564 Acórdão n.º 9101001.544 CSRFT1 Fl. 9 15 É como voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006271/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE DECLARAÇÃO QUE COMPLETA AS INFORMAÇÕES DAS NOTAS FISCAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Completadas as informações constantes nas notas fiscais voltadas à comprovação de despesas médicas, mediante declaração do profissional de saúde no sentido de ter prestado o serviço, deve ser restabelecida a correspondente dedução na Declaração de Ajuste.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE DECLARAÇÃO QUE COMPLETA AS INFORMAÇÕES DAS NOTAS FISCAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Completadas as informações constantes nas notas fiscais voltadas à comprovação de despesas médicas, mediante declaração do profissional de saúde no sentido de ter prestado o serviço, deve ser restabelecida a correspondente dedução na Declaração de Ajuste. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 62 71 /2 00 9- 82 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), a qual reajustou para o valor de R$ 952,17 o saldo de imposto a restituir relativo ao anocalendário 2006. A autuação decorreu da glosa de R$ 1.440,00 deduzidos a título de despesas com instrução e da glosa de R$ 7.373,27 deduzidos a título de despesas médicas, ambas por falta de comprovação e/ou ausência de previsão legal. A instância recorrida assim descreveu as razões de impugnação: Cientificada, em 25/05/2009 (fl. 51), a contribuinte apresentou, em 24/06/2009, a impugnação de fls. 08 a 15, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 50), contestando a solicitação de esclarecimentos pela intimação prévia e alegando o atendimento com a apresentação de todos os documentos solicitados. Esclarece que os tratamentos a laser se fizeram necessários em decorrência de problemas causados por acidente automobilístico que atingiu a impugnante, e insurgese contra a justificativa da glosa de que se trataria de gasto com finalidade puramente estética, ressaltando que foram acatadas as despesas de locação da clínica a laser, R$ 700,00, e de honorários de médicos auxiliares, R$ 160,00, mas, estranhamente, não foram aceitos os honorários do cirurgião, Paulo Tadeu Cachuba, R$ 1.640,00. Buscando comprovar esses gastos, junta o documento de fl. 26 e a cópia do cheque nominal, fls. 27 a 30. Traz, também, comprovação de pagamentos a Cláudio Cunha, R$ 1.735,00 (fls. 34 a 41), e a Marcos Gumy Silva, R$ 850,00 (fls. 42 a 45). Apresenta, ainda, notas fiscais da Clínica Dr. Eliseu Portugal Ltda., no montante de R$ 4.100,00 (fls. 31 a 33), para restabelecer a dedução correspondente. Ao todo, requer seja restabelecida a dedução de despesas médicas de R$ 8.325,00, conforme comprovação juntada à petição, acrescentando que a busca das demais comprovações ocasionaria um desgaste pessoal não compensatório no momento. No julgamento, a DRJ/CTA esclareceu, inicialmente, não terem sido impugnadas as despesas com instrução e parte das despesas médicas. Também observou que vários dos pagamentos a que alude a contribuinte já haviam sido considerados pela autoridade lançadora, na apuração da infração. Por fim, no que restou controverso, ou seja, as despesas junto à Clínica Dr. Eliseu Portugal Ltda., considerou que as notas fiscais por ela emitidas eram insuficientes para restabelecer a correspondente parcela de dedução na Declaração de Ajuste Anual (DAA), mantendo, dessa maneira, o lançamento. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/9/2012, trazendo declaração do médico Eliseu José Portugal que considera apta a atestar que os serviços discriminados, nas notas fiscais sob análise, foram prestados por esse profissional. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.006271/200982 Acórdão n.º 2802003.190 S2TE02 Fl. 75 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Cabe esclarecer que no âmbito da própria administração tributária, já está sedimentado o entendimento de que são dedutíveis as despesas médicas independentemente da especialidade, desde que realizadas com vistas a proporcionar benefício à saúde do paciente, seja física, psicológica ou social. Amparase tal conclusão no conceito de saúde tal como definido pela Organização Mundial de Saúde: "Saúde é um estado de completo bemestar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença". A autuada apresentou cinco notas fiscais emitidas pela Clínica Dr. Eliseu Portugal Ltda., que descrevem os seguintes serviços: laser rosto + mãos (fl. 31), procedimento estético (Laser) (fl. 31), Laser (fl. 32), Preenchimento (fl. 32) e Procedimento ... (fl. 33). Tais documentos não foram aceitos para fins de comprovação de despesas médicas, no julgamento de primeiro grau, dado serem provenientes de clínica com atividade médica ambulatorial restrita a consultas, e por não haver sido esclarecido se os procedimentos nelas descritos foram realizados por profissionais da área médica devidamente habilitados. Muito embora tais considerações, destaquese que quando da interposição do recurso voluntário, a contribuinte apresentou declaração do médico Eliseu José Portugal no sentido de que os procedimentos estéticos nela efetuados foram por ele realizados, em consonância com as notas fiscais ao norte mencionadas. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativotributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boafé. “Como técnica que é, a preclusão deve ser pensada e aplicada em função dos valores a que busca proteger”, conforme já alertou o processualista Fredie Didier Jr. 1. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizandose assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários. 1 JR., Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil, vol. 1, p. 317. Salvador: Jus Podium, 2014. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.006271/200982 Acórdão n.º 2802003.190 S2TE02 Fl. 76 5 Na espécie, reconhecese que a declaração firmada por Eliseu José Portugal preenche tais requisitos, ao esclarecer que os serviços referidos nas notas fiscais sob exame foram realizados por profissional médico, não havendo motivos a ensejar dúvidas acerca do teor da declaração em comento. Quanto ao fato de estar registrado perante os sistemas cadastrais da Receita Federal do Brasil que a atividade da clínica está restrita a consultas, não tem essa informação o condão, por si só, de ilidir os documentos em evidência. Por conseguinte, a declaração apresentada completa suficientemente as informações constantes nas notas fiscais, restando comprovadas as despesas médicas a elas vinculadas, razão pela qual deve ser cancelada a exigência fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721668/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATOS DESCRITOS. IMPUTAÇÃO EQUIVOCADA NO ASCPETO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Ao verificar-se clara e evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal e a imputação temporal constante do auto de infração, configura-se vício material insanável do lançamento de ofício.
Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do auto de infração por vício material, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Ricardo Dienfenthaeler, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATOS DESCRITOS. IMPUTAÇÃO EQUIVOCADA NO ASCPETO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Ao verificar-se clara e evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal e a imputação temporal constante do auto de infração, configura-se vício material insanável do lançamento de ofício. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.004 1 1.003 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721668/201273 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202001.200 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL Recorrente TJ ADMINISTRADORA DE BENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 30/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATOS DESCRITOS. IMPUTAÇÃO EQUIVOCADA NO ASCPETO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Ao verificarse clara e evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal e a imputação temporal constante do auto de infração, configurase vício material insanável do lançamento de ofício. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade do auto de infração por vício material, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires, Ricardo Dienfenthaeler, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 16 68 /2 01 2- 73 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.005 2 Relatório TJ ADMINISTRADORA DE BENS LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a Turma Julgadora também recorre de ofício tendo em vista a exoneração do sujeito passivo do pagamento de encargo de multa em montante superior ao limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, do Ministro de Estado da Fazenda. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Por meio do Auto de Infração às folhas 795 a 810, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 16.331.750,65, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, acrescida de multa de ofício de 150% e encargos legais devidos à época do pagamento, referente a fato gerador ocorrido em 30/09/2007. Foi também exigida, por Auto de Infração, como lançamento decorrente, a importância de R$ 5.875.260,57, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, acrescida de multa de ofício de 150% e encargos legais devidos à época do pagamento. Do Relatório da Atividade Fiscal (fls.743 a 794), temse que a Fiscalizada utilizou bens (reavaliados) de sua propriedade (terrenos) para integralização de capital na empresa Teporti Investimentos e Participações S/A. (empresa ligada), sendo esta transferência de imóveis caracterizada como alienação, sujeita à tributação em face do ganho de capital originado da diferença entre o custo de aquisição e o valor transferido, então reavaliado. Verificaram as autoridades fiscais que as transferências constam em alterações contratuais e informam que, pela escrituração contábil da Fiscalizada, a transferência dos valores da reavaliação dos terrenos foi contabilizada em 30 de setembro de 2007 (v. item Prova 2: Escrituração contábil, fl.26 do Relatório). Ainda segundo o Relatório (item Prova 3: Registros nas matrículas dos imóveis, fl.28) constataram os autuantes que “A alienação desses bens imóveis é efetivamente comprovada pela apresentação das cópias de suas matrículas no Registro de Imóveis (fls.577 a 716). Estas matrículas confirmam a transferência da propriedade da TJ Administradora de Bens para a Teporti Investimentos e Participações S/A [...]”. O Quadro 4 do Relatório da Atividade Fiscal (fl.30, deste) demonstra os valores de aquisição e alienação dos 21 lotes transferidos pela Fiscalizada para a Teporti Investimentos e Participações S/A, valores estes que constam nas correspondentes matrículas no Registro de Imóveis, então efetivada em 04 de setembro de 2007 e considerada como a data da alienação (data do fato gerador). Informam os autuantes, ainda, no item Prova 4: Ato societário de constituição da Investida (fl.30 do Relatório) que: “Alinhados com os demais instrumentos probatórios estão os registros ocorridos no ato societário de constituição da investida. De maneira que, na Ata de Constituição da Teporti Investimentos e Participações S/A de 28/04/2007 (fls. 482 a 495), mais uma vez, fica patenteada a efetivação da operação de participação societária mediante transferência da propriedade (alienação) dos terrenos para Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.006 3 integralização de Capital Social em valor correspondente ao preço de mercado dos bens transmitidos. O registro nos atos societários expõe de forma explícita os objetivos buscados naquele instrumento.” Ainda segundo os autuantes, acrescentam que a Fiscalizada realizou AGE em 1º de julho de 2011 com o intuito de revogar/modificar a operação de integralização de capital (investimento) alegando tratarse de “erro material”, eis que deveria, segundo a Fiscalizada, ter sido feita uma cisão parcial com versão do patrimônio cindido para a Teporti Investimentos e Participações Ltda. Entendem os autuantes que os documentos examinados não conduzem para tal conclusão e que”[...] pretendida revogação de deliberações formalizada na ata da AGE de 1º/07/2011 não tem o condão de descaracterizar a ocorrência do fato gerador que, pela presença de todos os seus elementos essenciais formadores, ocorrera ao final no 3º trimestre de 2007”. Do Auto de Infração De se esclarecer que a única infração apontada no auto de infração de IRPJ e de CSLL decorre dos fatos que resumimos acima, que culminaram na apuração e tributação de ganho de capital. Esta ressalva merece destaque porque no Relatório Fiscal são feitas várias remissões/considerações/afirmações a infrações outras que não fazem parte deste processo, de modo que não serão aqui relatoriadas e nem comentadas, uma vez que não fazem parte do presente litígio. Quanto à penalidade aplicada (multa de ofício qualificada, de 150%), de se reproduzir a motivação do autuante, naquilo que se refere à única infração do presente processo e a seguir, as colocações fiscais apresentadas no sentido de atribuir responsabilidade solidária à Teporti Investimentos e Participações S/A : Omissão de ganhos de capital – tentativa de descaracterização do fato gerador [...] Conforme demonstrado no Capítulo 2, o sujeito passivo no curso de ação fiscal procedeu alterações estatutárias que visavam descaracterizar elementos constituintes do fato gerador. Essa conduta, apesar de ser totalmente ineficaz no sentido de “desconstituir” a obrigação tributária original ou “desfazer” o fato gerador, evidencia o comprometimento do sujeito passivo com a intenção de suprimir tributos. [...] 4. Da Responsabilidade Passiva Solidária Os fatos descritos no Capítulo 2 do presente Relatório tornaram evidente a ocorrência dos fatos geradores dos tributos objeto desta fiscalização. Conforme destacamos ao longo da discussão, os acontecimentos que culminaram com a ocorrência do fato gerador de ganho de capital na alienação de bens imóveis envolveram duas pessoas jurídicas ligadas: a empresa ora fiscalizada (TJ Administradora de Bens) e a sua controlada (Teporti Investimentos e Participações). Identificamos, no envolvimento dessas duas empresas, o padrão de relacionamento que caracteriza o interesse comum no negócio jurídico que deu origem ao fato gerador, ou seja, tanto a relação direta de controle de uma sobre a outra13, quanto a relação indireta baseada no fato de que ambas as empresas direta ou indiretamente pertencem exclusivamente ao Sr. Júlio C. D´Ávila e à sua família (esposa e dois filhos). De outro modo, é dizer, as decisões administrativas que envolvem patrimônio e tributação são tomadas por partes relacionadas considerando um fim único. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.007 4 Portanto, não há como não enxergar numa situação como esta o interesse comum presente na operação. Ocorre que o art. 124 da Lei nº 5.172/66 (CTN), dispondo sobre a responsabilidade solidária, estabelece que são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Em vista deste dispositivo legal, considerando todo o relatado até o presente, estes AuditoresFiscais entenderam que os negócios jurídicos ocorridos que fizeram gerar a tributação ora aplicada, considerados em seu conteúdo e forma, amoldaramse à hipótese jurídica de ocorrência de interesse comum capaz de ensejar a solidariedade passiva tributária. Dessarte, uma vez constatada tal relação obrigacional pela fiscalização, nada mais resta a esta senão declarála mediante cientificação do sujeito passivo solidarizado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o que foi feito de acordo com o que pode ser lido mais adiante neste processo. Da Impugnação da Fiscalizada Inicialmente pugna a Contribuinte pela decadência do lançamento, pois em seu entendimento, a constituição da TEPORTI INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, tendo a formação de seu capital a propriedade de imóveis transferidos da Fiscalizada, se deu em 24 de abril de 2007, conforme contrato social (que esta seria a data do fato gerador e não a que o auditor considerou), daí que “[...] a transferência do respectivo conjunto patrimonial (“alienação”) se deu há mais de 5 (cinco) anos da data de ciência dos autos de infração aqui impugnados, ocorrida em 17/09/2012 (Anexo II – Termo de Ciência), ficando plenamente configurada a decadência de qualquer pretensão tributária no que se diz respeito ao ato de transmissão dos referidos bens imóveis da Primeira (a Fiscalizada) para a Segunda Empresa (a Teporti), nos termos do Artigo 150, §4º do CTN”. Segundo a Impugnante, após a constituição da Teporti, perceberam que se equivocaram no instrumento jurídico adotado, ou seja, a subscrição e integralização de capital com imóveis, quando o que queriam era realizar uma cisão parcial com versão de patrimônio para a criação da Teporti. Então, no sentido de refletir o que se queria, fezse uma retificação do ato de constituição da empresa, por meio de ata extraordinária em 01/07/2011, registrada na JUCESC. Entendem que, seja qual for o instrumento jurídico, que não restaria caracterizada a ocorrência de fato gerador de IRPJ e de CSLL sobre ganho de capital. Ainda, a autoridade fiscal caracterizou de inidôneo este ato retificador, mas, para isto, ela teria que “[...]provar de forma clara e inquestionável, nos termos da lei, que identificou fraude, dolo ou simulação a partir do respectivo ato jurídico, o que evidentemente não foi feito ao longo do relatório da Atividade Fiscal, limitandose o Agente a tentar desqualificar a validade do ato de rerratificação de forma meramente retórica e sem a apresentação de qualquer fundamento jurídico.” Continuando, alegou também, em prol da validade do ato retificador, que teria readquirido a espontaneidade sobre todos os atos praticados antes de 01/12/2011, uma vez que houve um lapso temporal superior a sessenta dias entre o Termo de Início de Ação Fiscal lavrado em 02/09/2011 e o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 01/12/2011. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.008 5 Contesta o fato de o agente fiscal referirse à situações litigiosas em outro processo, em que a Impugnante é parte, para referendar o que chamou aqui neste processo de “condutas tributárias delituosas” e, assim, querer justificar “o agravamento da multa penal.” No mais, segue defendendo sua tese de que não haveria ocorrência de fato gerador na subscrição de capital em outra empresa com bens reavaliados (mero fato permutativo) e nem em operação de cisão parcial, esta indicada em ata retificadora. Da Impugnação da Sujeição Passiva Solidária atribuída a Teporti Investimentos e Participações S/A que o auditor fez uma leitura equivocada do art.124, I do CTN, que a Impugnante traz os fundamentos jurídicos que demonstram o equívoco interpretativo que se estabeleceu sobre o conceito de “interesse comum capaz de ensejar a solidariedade passiva tributária.”; que não houve, por parte da Impugnante, qualquer prova ou indício de conduta que ensejasse a caracterização de dolo, fraude ou simulação ao longo do procedimento fiscal; o fato de as duas empresas possuírem os mesmos sócios não é razão para a configuração da solidariedade pretendida (menciona decisão do STJ e doutrina neste sentido); não se pode confundir interesse comum no negócio em si (vendedor e comprador), com interesse comum na inadimplência tributária; aqui reside o equívoco do auditor fiscal, pois, por certo que a Teporti tem “interesse” no negócio, mas esse “interesse” não pode ser confundido com o interesse comum do art.124, I do CTN; todos os atos jurídicos relevantes que foram praticados pela Teporti e pela TJ Adm. se deram em cumprimento da lei, com os devidos registros em órgãos competentes (Junta e Registro de Imóveis), voluntariamente apresentados; o fato de a TJ Adm. deixar de recolher o suposto tributo por entender que não houve ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, poderia ensejar, quando muito, a caracterização de uma situação de inadimplência tributária e não de uma conduta “criminosa”, como tentou fazer parecer o auditor fiscal; que o art.64 da Lei nº 9.532/97 permite apenas o “arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo”, o qual é definido expressamente pelo art.121 do CTN, incluindo as figuras do “contribuinte” e do “responsável”, ambos a serem definidos (obrigatoriamente) por lei para cada tipo de tributo específico; requer o cancelamento do Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária e o conseqüente Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão resumidos nas seguintes ementas: “INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL EM OUTRA EMPRESA. BENS REAVALIADOS. CARACTERIZAÇÃO DE ALIENAÇÃO. FATO GERADOR. GANHO DE CAPITAL. Constatado que os bens do ativo imobilizado, incorporados Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.009 6 ao patrimônio de outra pessoa jurídica na integralização de capital social, eram bens reavaliados, caracterizada a sua alienação devendo ser observado a existência de eventual ganho de capital. Considerase ocorrido o fato gerador no momento em que se efetivou a transferência dos bens reavaliados, legitimada pelo competente registro no Registro de Imóveis. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. IMÓVEIS TRANSFERIDOS EM INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL EM OUTRA EMPRESA. LUCRO PRESUMIDO. TRIBUTAÇÃO. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar (o que não ocorreu) que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda, inclusive no caso de bens originados de cisão. IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, se ausente a hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se os lançamentos efetuados foram cientificados antes desta data, não há que se cogitar da existência de decadência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Constatado que na conduta da fiscalizada não se verificaram as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. EMPRESA LIGADA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É solidária a pessoa que atua de forma direta, realiza individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Afastase da responsabilidade solidária a pessoa jurídica ligada que, a despeito de possuir interesse nas atividades da Fiscalizada, não praticou atos que a vinculasse diretamente à situação que fez surgir o fato gerador. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL. No mérito, tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte’ Cientificada eletronicamente da aludida decisão de primeira instância em 24/04/2013 (Termo de fl. 931), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/05/2013, às fls. 932970, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, Aduzindo em síntese que: a) a hipótese de incidência do Imposto de Renda é "a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda" (artigo 43 do CTN), respeitandose Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.010 7 obrigatoriamente as limitações constitucionais impostas pela capacidade econômica do contribuinte (artigo 145, § 1º da CRFB/88) e pela proibição de utilização do tributo com efeito de confisco (artigo 150, IV da CRFB/88); b) nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.959/2000, "A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado [...] quando ocorrer a EFETIVA REALIZAÇÃO do bem reavaliado", sendo que a efetiva realização pressupõe a ocorrência da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda", pois, sem aquisição de renda efetivamente disponível não há realização, sem realização não há fato gerador de imposto de renda sobre ganho de capital; c) Com base no disposto pelo artigo 32, § 32 da Lei nº 7.713/88, o fato gerador do IR sobre o ganho de capital ocorre no exato instante em que as partes formalizam sua manifestação de vontade no sentido de firmar um negócio jurídico do qual surgirá renda disponível para uma delas, e não por ocasião do arquivamento do ato na Junta Comercial ou do assentamento do mesmo no Registro de Imóveis; d) no âmbito do regime de apuração pelo Lucro Presumido, onde "as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios" (artigo 116, I do CTN) se verificam no momento da ocorrência do ganho de capital (na data do evento) e não no final do período de apuração, não há como se falar em "deslocamento" do fato gerador do IR sobre o ganho de capital da pessoa jurídica, quando submetida ao regime do Lucro Presumido; e) equívoco na indicação do momento de ocorrência do fato gerador implica nulidade do lançamento e cancelamento da exigência respectiva por ofensa ao disposto pelo artigo 142 do CTN; f) havendo pagamento antecipado dos tributos e inexistindo qualquer indício de fraude, dolo ou simulação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia após a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 42 do CTN e da inteligência do REsp 973.733 do STJ; g) entrega de bens para integralização de quotas subscritas por pessoa jurídica, fato permutativo que é, não implica na realização da reserva de reavaliação, o que significa que não há ocorrência de fato gerador de IR sobre ganho de capital; h) Nos termos da Súmula CARF nº 75, "A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo"; i) A transferência patrimonial motivada por cisão parcial não implica na realização de ganho de capital em razão da total inexistência de qualquer tipo de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Ao final, a recorrente conclui e pleiteia (verbis): "(...) com base em tudo o que foi exposto pelo extenso conteúdo desta peça recursal, voltamos ao trecho introdutório para lembrar que, no exercício profissional do direito, "não se pode dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa", sob pena de estarmos permitindo/fomentando uma "tradição inautêntica do direito" que, em Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.011 8 médio e longo prazo, provocará (como de fato provoca) danos irreparáveis à integridade das garantias fundamentais pretendidas pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 3. PEDIDO Por todos os motivos apresentados neste texto, bem como por todas as razões formuladas na Impugnação, a Recorrente requer respeitosamente a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que receba o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, dando lhe total provimento para reformar o Acórdão a quo, no sentido de declarar insubsistente os respectivos Autos de Infração e, consequentemente, os créditos tributários deles decorrentes, tendo em vista o seguinte: 1) Nulidade do lançamento por erro na indicação do momento correto de ocorrência do fato gerador (aspecto temporal); 2) Decadência da pretensão tributária sobre o ato que motivou a transferência patrimonial entre as empresas; 3) Inocorrência de fato gerador de obrigação tributária por realização de ganho de capital, tanto no caso de cisão, quanto por integralização de quotas subscritas.” É o relatório. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.012 9 Voto Conselheiro, Orlando José Gonçalves Bueno, Relator. Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. No que tange ao Recurso de Oficio, cumpre negarlhe provimento. Isso porque o provimento do recurso voluntário implica no cancelamento integral da exigência, alcançando também aquele recurso. Além disso, a aplicação da multa qualificada se deu pela produção da Ata Retificadora que foi um procedimento transparente e corretamente efetuado pela Contribuinte para adequar as questões formais à realidade dos fatos, visando manter o diferimento contábil da reserva de reavaliação dos imóveis até uma efetiva realização. Precisa a decisão recorrida ao concluir que esse procedimento “não tem o caráter fraudulento atribuído pela Fiscalização”. A exclusão da responsabilidade solidária à atribuída à empresa TEPORTI também não merece reparos pelo que se pede vênia para adotar aqui os acertados fundamentos do voto condutor do ilustre julgador Cláudio de Andrade Camerano, às fls. 924 a 926 dos autos. O fato de a Contribuinte e a TEPORTI apresentarem os mesmos sócios revela o interesse comum dessas pessoas e não das empresas. Assim o entendimento de que ocorreu eventual beneficio tributário nos atos perpetrados, fatos que efetivamente não se verificou, seriam motivadores da responsabilização desses sócios e não da empresa TEPORTI que em nada se beneficiou das operações sob aspecto tributário. Assim, é de se negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por preencher os requisitos de sua admissibilidade, dele se toma conhecimento. Conforme relatado, tratase de exigência do IRPJ e CSLL, fato gerador de 30/09/2007, pela imputação à contribuinte da prática de omissão receitas, em face de ganho de capital, originado da diferença entre o custo de aquisição e o valor transferido, então reavaliado, obtido na integralização de bens de sua propriedade na empresa ligada Teporti Investimentos e Participações S/A. (TEPORTI), sendo esta transferência de imóveis caracterizada como alienação. Também foi aplicada a multa de oficio proporcional de 150% sob a acusação de prática de fraude fiscal, bem como arrolada a TEPORTI como responsável solidária. A decisão de 1a instância manteve a tributação do ganho de capital, porém excluiu a multa qualificada, reduzindo a penalidade para 75% e afastou a responsabilidade solidária da TEPORTI. Passase a apreciar as alegações do recurso voluntário. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.013 10 DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL A Recorrente alegou em preliminar erro quanto a indicação do momento da efetiva caracterização da ocorrência do fato gerador relativamente ao ganho de capital, ou seja, dissonância entre o conteúdo probatório dos autos e a data apontada pela autoridade fiscal no corpo do auto de infração, como sendo ao 3º trimestre (30/09/2007). Assim, vejase, que o auditor fiscal aponta em seu relatório que a 6ª Alteração do contrato social da contribuinte é o documento mais relevante e definitivo para a realização do fato gerador, como asseverou a fls. 757/759 e 764/765 do referido relatório, a saber: “ De todos esses arquivamentos o mais importante e definitivo para a configuração da realização do fato gerador concernente à realização da reserva de reavaliação é a 6ª Alteração Contratual [..] (fls. 759) [...] a 6ª Alteração Contratual da Sociedade Limitada TJ Administradora de Bens, assinada em 20/10/2007 e arquivada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina – Jucesc em 29/01/2008 [...] (fls. 757/758) [...] na 6ª Alteração Contratual ocorreram, de fato, o aumento de Capital Social pela incorporação da reserva de reavaliação de imóveis [...] (fls. 759). Mencionamos que as principais provas da ocorrência do fato gerador em questão são a 6ª Alteração Contratual e a escrituração contábil do sujeito passivo (fls. 764/765).” De outro lado, no corpo do auto de infração a autoridade lançadora indica como sendo o momento da ocorrência do fato gerador a data de 30/09/2007, denotando, assim, evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal e a imputação temporal constante do auto de infração. De outra feita, como bem aponta, a Recorrente em seu memorial neste propósito, é de se ressaltar que não ocorre um mero vício formal de erro quanto a essa circunstância temporal fática relevante, eis que a fls. 777/779 a mesma autoridade fiscal, em seu relatório, assevera: [...] a ocorrência do fato gerador, pela presença de todos os seus elementos eessenciais formadores, ocorrera ao final no 3º trimestre de 2007. (fls. 777) [...] Constatamos a ocorrência de omissão de ganhos de capital na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL relativa ao 3º trimestre de 2007[...] [...] foram indevidamente reduzidas as bases de cálculo do IRPJ e da CSSL no 3º trimestre de 2007 (fls. 779). Como igualmente bem aduz a Recorrente, a autoridade fiscal poderia ter eliminada tal grave contradição se se referisse ao artigo 36, parágrafo único do Decretolei nº 1.598/77 no intuito de caracterizar a “ efetiva realização” da reserva de reavaliação no caso de aumento de capital, a fim de fundamentar corretamente a subsunção do fato à hipótese de incidência descrita no art. 4º da Lei nº 9.959/2000, contudo assim seja, o fundamento legal do auto de infração faz referência expressa somente ao art. 3º da Lei nº 9.249/2005 (fls. 798), em Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.014 11 dispositivo genérico, inclusive quando se refere ao RIR, igualmente genérico, sem fundamentar com necessária tipicidade o enquadramento do fato à regra legal que prevê a tributação em comento. A corroborar que se configurou erro material acarretando nulidade insanável, citase decisão desta E. Turma, no Acórdão 1202000.874, da sessão de 02/10/2012 que, por unanimidade decidiu: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATO GERADOR.ASPECTO.TEMPORAL.ERRO.LANÇAMENTO.IMP ROCEDÊNCIA. Improcede o lançamento em que verificada a dissociação entre a descrição da infração imputada, bem como a existência de erro na identificação do momento da ocorrência do fato gerador. Como afirma a Recorrente, a qual adotase suas razões para firmar o convencimento, quando alude a pertinência do entendimento externado, no presente caso, posto que os arts. 521, 522 e 528 do RIR/99, os quais foram utilizados no auto de infração como fundamento legal, evidenciam apenas regras gerais, não se prestando, para o caso concreto, a motivar, legalmente, a situação fática típica exigível à subsunção da obrigação tributária examinada. Nesse sentido destacase a decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº 9202002.604, sessão de 23/04/2013), que aduziu o seguinte: AUTO DE INFRAÇÃO – AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS FATOS NARRADOS PELA FISCALIZAÇÃO E O DISPOSITIVO LEGAL INDICADO COMO INFRINGIDO – NULIDADE – VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CTN. De acordo com o artigo 10, inciso IV, do Decretolei nº 70.235/72, o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a disposição legal infringida. O descumprimento dessa regra, como ocorre no caso em apreço, ofende os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, além de violar o artigo 142 do CTN, sendo causa de nulidade do lançamento. Ademais, a falta de correlação entre a conduta praticada pelo contribuinte e a norma legal indicada como infringida desrespeita, ainda, o princípio da motivação. O prejuízo à parte, inclusive pela impossibilidade de compreensão da controvérsia, é evidente. NATUREZA DO VÍCIO – MATERIAL X FORMAL A nulidade existente neste feito não diz respeito à forma do auto de infração, mas ao seu conteúdo, à sua materialidade, pois os fatos supostamente ocorridos não se enquadram na norma indicada pela fiscalização como infringida. O VÍCIO, PORTANTO, É MATERIAL. Diante a preliminar suscitada, evidenciado o vício material que maculou irremediavelmente o lançamento de ofício, forçoso é reconhecer sua procedência, cabendo seu acolhimento, pelo que, admitido o vício material por clara a contradição entre os fundamentos fáticos por ela descritos e invocados e a fundamentação legal motivada pela autoridade fiscal, é se dar provimento ao recurso voluntário. Uma vez acolhida a prelminar de nulidade de lançamento de ofício, se torna desnecessária a apreciação do mérito da questão processual. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10983.721668/201273 Acórdão n.º 1202001.200 S1C2T2 Fl. 1.015 12 Em face ao exposto, é de se negar provimento ao recurso de ofício e acolher a preliminar de vício material do auto de infração, com provimento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 26 /11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000183/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 83 /2 00 9- 38 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000183/200938 Acórdão n.º 2402004.417 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.006064/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE APLICÁVEL. MODULAÇÃO DO PERCENTUAL. IMPOSSIBILIDADE.
A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário, e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, quanto à possibilidade de dedução da CIDE-Combustíveis compensada da base de cálculo das contribuições. O Conselheiro Ivan Allegretti fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE APLICÁVEL. MODULAÇÃO DO PERCENTUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário, e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, quanto à possibilidade de dedução da CIDE-Combustíveis compensada da base de cálculo das contribuições. O Conselheiro Ivan Allegretti fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 859 1 858 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.006064/200721 Recurso nº 10.410.006064200721 Voluntário Acórdão nº 3402003.259 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria PIS COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INDUSTRIAL PORTO RICO S/A Recorrida FAZEND NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE. LANÇAMENTO. VALIDADE. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausência ou defeito em sua emissão/prorrogação não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento correspondente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004 CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONFIGURAÇÃO. A propositura por associação da qua o contribuinte é associado de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004 DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. CIDECOMBUSTÍVEIS. VALOR PAGO. Somente o valor da Cide Combustíveis pago na importação ou na comercialização no mercado interno pode ser deduzido do valor devido da Contribuição. Não existe autorização legal para deduzir o valor da Cide Combustíveis compensado pelo contribuinte e declarado à RFB. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 60 64 /2 00 7- 21 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Na apuração da base de cálculo da Contribuição, não se pode excluir o valor do ICMS pago pela contribuinte. O valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito à incidência de contribuição social, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda e, conseqüentemente, do faturamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE APLICÁVEL. MODULAÇÃO DO PERCENTUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário, e, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, quanto à possibilidade de dedução da CIDECombustíveis compensada da base de cálculo das contribuições. O Conselheiro Ivan Allegretti fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente convocado), Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Industrial Porto Rico teve lavrados contra si os Autos de Infração, de fls. 10 a 14 e 34 a 36, para formalização da constituição e exigência de créditos tributários relativos à Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2003 a julho de 2004, no valor total de R$ 925.653,08. De acordo com o Termo de Encerramento (fls. 24 a 30 e 42 a 48), o lançamento decorreu das diferenças constatadas em função de o contribuinte ter tributado as receitas de venda de álcool para fins carburante, no período de dezembro de 2002 a julho de 2004 para o PIS e de fevereiro a julho de 2004 para a Cofins, de forma não cumulativa e, ainda, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 860 3 ter deduzido os valores da CIDE sobre combustíveis, compensada com créditos de IPI, dos valores a recolher a titulo de PIS e Cofins. A Fiscalização ainda dá conta de que o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas, do qual o contribuinte é associado, no processo AGTR68538PE, 2006.05.00.0248543 (processo originário 2006.83.00.0039034) obteve em 07/11/06, medida liminar em mandado de segurança, junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que autorizou que as contribuições sociais incidentes sobre as receitas de álcool para fins carburante fossem tributadas de forma não cumulativa, no período de dez/02 a abr/04 para o PIS e fev/04 a abr/04 para a Cofins; em 20/10/2006, o Juízo da 6° Vara da Justiça Federal de Pernambuco, proferiu sentença julgando improcedente o pedido e denegando a segurança. Em 19/03/07, inadmitiu os embargos apresentados pelo Impetrante, e; em 27/04/07, o Agravo de Instrumento AGTR 68538PE foi julgado perda de objeto pelo Tribunal Regional Federal da 5° região, por perda de objeto em função da sentença existente. A Apelação em Mandado de Segurança AMS 98901PE, junto ao TRF da 5ª Região, pendia de apreciação na data do lançamento. Em impugnação de fls. 665 a 706, o autuado requer que se julguem improcedentes os lançamentos e anulados os autos de infração, porque violam: a) o art. 10, III, do PAF, ao não individualizar o montante do suposto crédito tributário de acordo com os dois fundamentos trazidos pela fiscalização, preterindo, assim, o direito de defesa da contribuinte ora Recorrente; b) o art. 59, I, do PAF, ao não fazer prova da intimação da Recorrente da prorrogação do MPF, retirando a legitimidade da auditoria fiscal; c) os arts. 21, 37, 46, I e IV, da Lei n° 10.865, de 30.04.2004, que alteraram a redação do art. 1° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, ao dizer que antes de sua vigência o álcool para fins carburantes fabricado pela destilaria recorrida já seria cumulativo; d) o art. 8° da Lei 10.336 de 2001, ao não permitir a dedução da CIDE, adimplida por meio de compensação, na apuração do PIS e da COFINS; e) o conceito de faturamento, ao incluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; f) a alíquota aplicável ao caso, ao fazer incidir o percentual de 3% sobre base de cálculo julgada inconstitucional pelo STF; g) o art. 44, I, da Lei 9.430 de 1996, com redação dada pela Lei 11.488 de 2007, ao fazer incidir a multa de oficio de 75%, apesar não existir declaração inexata quanto aos elementos fáticos necessários à apuração da contribuição exigida; h) o art. 2°, parágrafo único, VI, da Lei n° 9.784 de 1999 e os princípios do não confisco, proporcionalidade e razoabilidade, ao não modular o percentual da multa de oficio nas circunstâncias dos autos. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 A 2ª Turma da DRJ/REC julgou o lançamento procedente. O Acórdão nº 11 25.203, de 4 de fevereiro de 2009, fls 772 a 798, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. DESISTÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Para o procedimento fiscal, consta nos autos emissão e ciência de MPFF e MPFC, além de que a autorização especifica por MPF para a fiscalização não é razão suficiente para a declaração de nulidade do lançamento. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS E DA COFINS A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. CIDE. DEDUÇÃO. A dedução da CIDE, para apurar a COFINS e o PIS devidos, só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. TRIBUTOS e MULTA CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não ás multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/07/2004 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 861 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E AO CONTRADITÓRIO Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, quando o contribuinte tem acesso detalhada descrição dos fatos e a todos os elementos e provas que embasaram o Auto de Infração. DESISTÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Para o procedimento fiscal, consta nos autos emissão e ciência de MPFF e MPFC, além de que a autorização especifica por MPF para a fiscalização não é razão suficiente para a declaração de nulidade do lançamento. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS E DA COFINS A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. CIDE. DEDUÇÃO. A dedução da CIDE, para apurar a COFINS e o PIS devidos, só é possível no caso de efetivo pagamento daquela contribuição. TRIBUTOS e MULTA CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Lançamento Procedente Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 812 a 856, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, rechaça a ocorrência de concomitância entre processos administrativo e judicial e, por conseguinte, de desistência do primeiro, e retoma todas as arguições já manifestadas na impugnação. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 812 a 856 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC2ª Turma nº 1125.203, de 4 de fevereiro de 2009. PRELIMINARES Nulidade por cerceamento do direito de defesa A recorrente infirma o procedimento, alegando que, apesar de a Fiscalização ter sido clara quanto às duas pretensas infrações cometidas, os autos de infração não destacaram separadamente quanto representava cada um dos assuntos tratados e o método de cálculo, impedindo o exame da correção da apuração realizada pela auditoria fiscal. Nos termos da Fiscalização, a partir do razão contábil e informações obtidas junto a Cooperativa Regional de Açúcar e Álcool de Alagoas, pessoa jurídica que comercializa os produtos do contribuinte, elaborouse o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PIS/COFINS SOBRE O ÁLCOOL RARA FINS CARBURANTE, de fls. 50, que evidenciam suficientemente as receitas de venda de álcool, bem como os valores das Contribuições apuradas segundo o regime cumulativo. O fato de o referido demonstrativo não discriminar o valor da CIDE indevidamente deduzido não implica cerceamento de defesa, haja vista que a possibilidade de dedução é matéria exclusivamente de direito. Portanto, a demonstração em separado do valor de cada infração é desnecessária até porque a planilha de fls. 50 apura o valor das exações a que se refere à primeira infração e do valor apurado a Fiscalização não excluiu o valor da Cide compensada, qualquer que seja ele, a que se refere a segunda infração. Portanto, estão perfeitamente demonstrados os efeitos fiscais das infrações cometidas pela recorrente. Ratifico e adoto os fundamentos da decisão recorrida porque também entendo que não há necessidade dessa segregação expressa, até porque os valores das bases de cálculo das exações estão perfeitamente demonstrados na planilha de fl. 50 e do valor apurado pela Fiscalização não foi deduzido o valor da Cide que a própria recorrente deduziu. Rejeito a preliminar Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 862 7 Nulidade do procedimento por falta de intimação das prorrogações do MPF É entendimento consolidado neste Colegiado o de que o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão nº 340300.380, de 25 de maio de 2010, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime). Aliás, tratase de entendimento pacificado na instância recursal administrativa federal, como se pode observar no ementário dos seguintes julgados: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade ,fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. Recurso de oficio provido." (Acórdão 10246676, Rel. Cons. JOSÉ OLESKOVICZ, j. 16/03/2005) "NULIDADE, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Recurso de oficio provido," (Acórdão 20179.617, Rel. Cons. WALBER JOSE DA SILVA, 21/09/2006) "(.)MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo .fiscal, mormente quando .foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração, („)":(Acórdão 302 36264, Rel Cons. MARIA HELENA COTTA CARDOZO, j. 08/07/2004) Rejeito a preliminar. Desistência do processo administrativo: concomitância entre os processos administrativo e judicial Conforme relatado, discutese na esfera judicial, em Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas, o regime de tributação pelas contribuições sociais das receitas de venda de álcool carburante. Na data do lançamento, em 05/10/2007, o impetrante SINDAÇÚCAR/AL e, por conseguinte, o seu associado, ora recorrente, não dispunham de qualquer medida judicial que autorizasse a tributação das contribuições pelo regime não cumulativo. A AMS 98901PE 2006.83.00.0039034 foi julgada em 16/09/2010, e obteve provimento. Transcrevo a respectiva ementa: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 AMS 98901PE 2006.83.00.0039034 Des. Fed. Rogério Fialho Moreira APTE : SINDICATO DA INDUSTRIA DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL DE ALAGOAS ADV/PROC : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES E OUTROS APDO : FAZENDA NACIONAL RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO FIALHO MOREIRA ORIGEM: 6ª VARA FEDERAL DE PERNAMBUCO JUIZ FEDERAL HELIO SILVIO OUREM CAMPOS EMENTA TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SINDICATO DA INDÚSTRIA DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL DE ALAGOAS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. EXCLUSÃO DA NÃO CUMULATIVIDADE DA RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES TÃOSÓ NOS TERMOS DA LEI 9.990/00 SOB REGIME MONOFÁSICO DE TRIBUTAÇÃO. CONSULTA QUE CONCLUIU PELA NÃO SUJEIÇÃO DAS USINAS AO REGIME MONOFÁSICO. MODIFICAÇÃO PELA LEI 10.865/2004. RECONHECIMENTO DO DIREITO DAS USINAS AO REGIME NÃOCUMULATIVO ATÉ A VIGÊNCIA DA LEI 10.865/2004 CONFORME SEU ART. 46. APELAÇÃO PROVIDA. 1 Mandado de segurança coletivo impetrado pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas que visa o reconhecimento do direito líquido e certo das Usinas do Estado de Alagoas ao recolhimento do PIS e da COFINS sobre as vendas de álcool para fins carburantes sob regime não cumulativo no período de vigência das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 até a edição da Lei 10.865/2004 (1º.08.2004). 2 A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, trata do PIS à luz do regime nãocumulativo de incidência, e a Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, trata da COFINS quanto ao mesmo aspecto. 3 A redação original dos art. 1º, §3º, IV da Lei 10.637/2002, reproduzido na Lei 10.833/2003, dispõe que somente as pessoas jurídicas que auferiam receita nos moldes das Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e nº 10.485, de 3 de julho de 2002 todos estes produtos submetidos ao regime monofásico, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição, estavam excluídas do regime nãocumulativo do PIS e COFINS. 4 Ressaltese que a Lei 9.990/2000 alterou, dentre outros, dispositivos da Lei 9.718/98 e a redação atual de seu art. 3º trata especificamente da tributação monofásica do PIS e da COFINS, estabelecendo que devem se submeter àquela sistemática de cobrança as refinarias de petróleo, as distribuidoras de álcool para fins carburantes, os importadores de álcool carburante e os importadores ou produtores de gasolina, óleo diesel e gás liquefeito. 5 No tocante à Lei 9.990/00, que trata da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda de álcool para fins carburantes, havia controvérsias, no âmbito da Administração Fiscal, no tocante às Usinas que vendiam álcool para fins carburantes. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 863 9 6 Em face da consulta realizada a Administração Fiscal, restou esclarecido pelo Fisco que as empresas produtoras de álcool para fins carburantes não estavam sob o regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS e que as receitas auferidas pelas Usinas provenientes das vendas do álcool para fins carburante nunca estiveram sujeitas ao regime monofásico. 7 Observese que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 excluem da incidência do PIS e da COFINS, de forma expressa, às receitas provenientes da venda de álcool para fins carburantes. 8 É necessária uma interpretação combinada entre os artigos 1º, 3º, IV com o art. 8º da Lei 10.637/2002 e dos artigos 1º, 3º, IV com o art. 10º da Lei 10.833/2003, para concluir que as receitas provenientes de vendas de álcool, para fins carburantes, que ensejam a exclusão do regime da nãocumulatividade do e da COFINS são aquelas provenientes das vendas de álcool, para fins carburantes, mas desde que sujeitas à tributação monofásica, e repitase que a própria Consulta feita à Administração reconheceu que as receitas auferidas pelas Usinas provenientes das vendas do álcool para fins carburante nunca estiveram sujeitas ao regime monofásico. 9 Somente a partir da vigência da Lei 10.865/2004, conforme prevê seu art. 53, a partir de 1º de maio de 2004 é que foi excluída, expressamente, a receita de venda de álcool para fins carburantes do regime nãocumulativo de incidência do PIS e da COFINS. 10 Tendo em vista que a legislação aplicável à obrigação tributária é aquela vigente à época da ocorrência do fato gerador, as receitas obtidas pelas Usinas, ora substituídas, provenientes da venda de álcool para fins carburantes no período entre 1º.12.2002 até 30.04.2004 estavam sujeitas ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, no período entre 1º.12.2002 e 31.07.2004, em observância ao art. 46 da Lei 10.865/2004. 11 Apelação provida. ACÓRDÃO Vistos, etc. Decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, à unanimidade, dar provimento à apelação, nos termos do voto do relator, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Recife, 16.09.2010 Des. Federal ROGÉRIO FIALHO MOREIRA Relator O processo pende de julgamento do Recurso Especial interposto pela União desde 23022012. Embora o recorrente discorde, o fato é que, em face dos princípios da unidade da jurisdição e da economia processual, o provimento judicial que transitar em julgado nesse processo é hegemônico e sobreporseía sobre qualquer decisão administrativa que viesse a ser prolatada no curso do presente processo administrativo, pró ou contra o interesse do contribuinte. Consequência disso é a inutilidade do processo administrativo, pois ao final prevalecerá a decisão judicial. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 10 Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, deixo de conhecer a discussão a respeito do regime de tributação das receitas provenientes da venda de álcool carburante, devendose observar neste processo a decisão que transitar em julgado nos autos do MS nº 2006.83.00.0039034. MÉRITO Dedução do valor da contribuição devida do valor da CIDE compensada Quanto à possibilidade de dedução do valor da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico do valor das contribuições devidas no mês, o art. 8° da Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, assim dispôs: "Art. 8° O contribuinte pode, ainda, deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 5°, até o limite de, respectivamente: (...)" A pretensão recursal é a de poder utilizar a CIDE devida na comercialização de álcool, extinta por compensação tributária, na dedução dos valores devidos a titulo de contribuição para o PIS e de COFINS, nos termos do art. 8° da Lei nº 10.336, de 2001. Subscrevo integralmente o entendimento da autoridade lançadora e da decisão recorrida de que o art. 8º da Lei nº 10.336, de 2001, autoriza somente a dedução dos valores da CIDE pagos e não dos valores compensados (homologados ou não). Pagamento e compensação são institutos completamente diferentes, embora sejam meios de extinção do crédito tributário. Quando a referida norma fala em valores pagos, obviamente não está se referindo a valores compensados ou a valores transacionados ou a valores remidos ou a valores prescritos ou decadentes, todos eventos extintivos do crédito tributário, previstos no art. 156 do CTN. Quisesse o legislador estender a dedução a outras formas de extinção, além da por pagamento, têloia feito expressamente. Restringindo a possibilidade de dedução à CIDE paga, não pode o aplicador, irresponsavelmente, estendêla a valores compensados. Inclusão de "álcool outros fins" na cumulatividade da Lei nº 9.718, de 1998 Sobre a alegação de inclusão, na base de cálculo do PIS lançado, da receita de venda de “álcool outros fins”, enganase a recorrente. Tal inclusão não aconteceu, conforme se constata na base de cálculo apurada na planilha de fls. 50. Portanto, infundada a alegação da recorrente, nesta parte. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 864 11 Inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais A propósito da impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, em sessão de julgamento realizada em 27/11/2013, em que se analisou caso idêntico, relatado pelo ínclito Conselheiro Ivan Allegretti, este Colegiado defendeu entendimento diametralmente oposto, isto é, não se pode excluir o valor do ICMS pago pelo contribuinte. Assim disse o Conselheiro Ivan no voto condutor dos acórdãos nºs 3403 002.651 e 3403002.653 (com os grifos do original): O recorrente sustenta a impossibilidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS, por violação ao conceito de faturamento contido no art. 195, I, da Constituição e ao art. 2º da Lei Complementar nº 70/91. No plano em que o enfrentamento das razões de recurso impõe o pronunciamento sobre a constitucionalidade de dispositivos das leis, cumpre esclarecer que refoge à competência deste órgão julgador administrativo pronunciar se a este respeito, conforme disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Com efeito, dispõe o art. 62 do RICARF que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Sob o aspecto da interpretação da lei, este Conselho já se manifestou reiteradamente no sentido da impossibilidade de exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se verifica, exemplificativamente, nas seguintes ementas: COFINS INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO Irreparável a exigência fiscal, cuja base de cálculo guarda conformidade com as determinações contidas nos artigos 2º e 7º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20308745, Relatora Maria Teresa Martínez López, j. 18/03/2003 – grifo editado) COFINS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL É vedado aos tribunais administrativos apreciar a constitucionalidade ou legalidade dos atos legais regularmente editados pelo Poder Legislativo. ENCARGOS LEGAIS Não há como contestar sua cobrança, quando constituídos de acordo com as normas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 20309618, Relator Valdemar Ludvig, j. 15/06/2004 – grifo editado) COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. O ICMS compõe o faturamento da empresa, não existindo previsão legal que possibilite sua exclusão legal da base de cálculo para a Cofins, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº REsp 152.736/SP, com acórdão publicado no DJU, Seção I, de 16/02/98. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 12 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Não há previsão legal para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela do ICMS cobrada pelo intermediário (contribuinte substituído) da cadeia de substituição tributária do comerciante varejista. O ICMS integra o preço da venda da mercadoria, e, estando agregado ao mesmo, incluise na receita bruta ou faturamento. Recurso negado.(Acórdão nº 20216994, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, j. 28/03/2006) COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS O ICMS integra a base de cálculo da COFINS por compor o preço do produto e não se incluir nas hipóteses elencadas no parágrafo único do art. 2 da Lei Complementar nr. 07/70. MULTA Reduzse a penalidade aplicada, por força do art. 106, inciso II, do CTN, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nr. 9.430/96. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 20171269, Relator Expedito Terceiro Jorge Filho, j. 09/12/1997) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. A parcela referente ao ICMS, por ser cobrada por dentro, incluise na base de cálculo da Cofins. Precedentes jurisprudenciais. Recurso negado. (Acórdão nº 20401837, Relator Jorge Freire, j. 18/10/2006) Também no âmbito do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, exercendo seu papel de uniformização da jurisprudência, consolidou o seu entendimento no mesmo sentido, de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins, conforme se confere, exemplificativamente, nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. 3. Recurso especial improvido. (REsp 501626/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2003, DJ 15.09.2003 p. 301) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MP Nº 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97, IV, DO CTN. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SÚMULAS NºS 68 E 94, DO STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento em face de acórdão a quo segundo o qual não são possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas. Asseverou, também, com base nas Súmulas nºs 68 e 94 do STJ, estar pacificado o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) 4. Pacífico o entendimento nesta Corte de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL (e, conseqüentemente, da COFINS, tributo da mesma espécie) e também do PIS. Súmulas nºs 68 e 94/STJ, respectivamente: “a parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS” e “a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial.” 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 750.493/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.05.2006, DJ 08.06.2006) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 865 13 TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI nº 9.718/98. MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. REVOGAÇÃO. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência firmada na 1ª Seção desta Corte é a de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Súmulas 68 e 94/STJ (AG 520431, Rel. Ministro João Otávio Noronha, 2ª Turma, DJ 24.05.04; AGREsp 463.629/RS, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, 1ª Turma, DJ 06/01/03). 2. "A exclusão prevista no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 não chegou a produzir efeitos no mundo jurídico, visto que condicionada a regulamento do Poder Executivo, o qual não veio a ser editado até o advento da Medida Provisória n.º 1.991 18/2000, que, por sua vez, a revogou (cf. REsp 502.263/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 13.10.03; REsp 512.232/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 20.10.03)". (RESP 641377, Rel Min. Franciulli Neto, 29/11/2004) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 667.170/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.08.2005, DJ 12.09.2005 p. 224) Sabese que a pretensão de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins ganhou novo fôlego com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785, ainda em andamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. E ficou ainda mais aquecida com a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18. Ocorre que ainda não houve desfecho do julgamento de nenhuma destas ações, não se podendo ainda dizer que exista decisão final do STF quanto à inconstitucionalidade do cômputo do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS. De outro lado, conforme ilustrado acima, é entendimento consolidado das Câmaras deste Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça que não há respaldo legal para a exclusão do ICMS. Somese a isto, conforme esclarecido no início do voto, que este tribunal administrativo não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei. Deve, por tais razões, prevalecer o entendimento sedimentado na jurisprudência, de que o ICMS integra o preço do produto, de sorte que o valor total da nota fiscal deve ser tomado como faturamento, sofrendo a incidência de PIS/Cofins. Nada obstante o ICMS componha parte do valor que se recebe pela venda do produto, isto não implica em redução do preço de venda, e é este preço de venda que compõe o faturamento sobre o qual incide PIS/Cofins. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Reiterando, a base de cálculo da CS é o faturamento, compreendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta de prestação de serviços de transporte de cargas e todas as demais receitas auferidas pela PJ. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 14 Não estando abrangidos pelos numerus clausus do § 3º do art. 1° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, os valores correspondentes ao ICMS ou ao ISSQN não podem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição. Inclusão, na base de cálculo das Contribuições, do valor das vendas canceladas Nas razões do recurso a interessada alega que a Fiscalização incluiu na base de cálculo das exações o valor das vendas cancelas, sem que para isso apresentasse justificativa. Aqui também a recorrente está completamente equivocada porque, como disse a decisão recorrida, todos os valores de vendas canceladas, apurados pela Fiscalização, foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins lançados, conforme demonstrativo de fls. 50. Se há valores de vendas canceladas incluídos na base de cálculo, a recorrente sequer apontou a sua existência, nem na impugnação, nem no recurso voluntário . Modulação do percentual da multa de lançamento de ofício Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a cominada no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face da apuração, de ofício, de diferença de contribuições não pagas. Não foi a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata que ensejou o lançamento, como quer entender a recorrente. Se o fosse, também, incidiria a multa de ofício. Portanto, tendo a Administração Tributária observado os estritos ditames legais não há que se falar em violação dos critérios relacionados no art. 2 , parágrafo único, inciso VI, da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, a que se refere a recorrente. Conclusões No mais, com fulcro no art. 50, 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância, para rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Sala de sessões, em 17 de setembro de 2014 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10410.006064/200721 Acórdão n.º 3402003.259 S3C4T2 Fl. 866 15 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti Divirgo especificamente quanto à questão da “Dedução do valor da contribuição devida do valor da CIDE compensada”. Dispõe o art. 8° da Lei nº 10.336/2001 que “O contribuinte pode, ainda, deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização, no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos no art. 5°, até o limite de, respectivamente: (...)". O texto da lei não permite fazer a distinção entre recolhimento e compensação para o efeito da configuração do “valor pago” da CIDE. Se a legislação permite a utilização do instrumento da compensação para realizar o pagamento de tributos, não pode recusarlhe o efeito legal que lhe é próprio, de extinção do crédito tributário, que lhe é expressamente atribuído pelo mesmo dispositivo do CTN que reconhece o mesmo efeito ao pagamento por meio de recolhimento. Ora, a compensação surte o mesmo efeito prático e jurídico do recolhimento: ambos surtem o efeito imediato de extinção do crédito tributário e estão sujeitos, igualmente, à homologação pela autoridade fiscal. Para o Superior Tribunal de Justiça é indiferente o fato de o pagamento acontecer por meio de recolhimento por guia DARF ou por compensação via DCOMP para a caraterização da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, cofnorme se pode extrair do seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010) Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI 16 E não poderia ser diferente, pois a única diferença entre o recolhimento e a compensação está em que, na compensação, o contribuinte usa um excesso de um recolhimento que realizou anteriormente em valor maior que o devido, ou seja, utiliza parte de um recolhimento que já existe, mas que fez indevidamente ou em valor maior do que deveria. Ora, isto significa que, nesta situação, o Fisco detém em seus cofres valores que foram recolhidos a maior pelo contribuinte. O contribuinte, portanto, por meio da compensação, utiliza valores que lhe pertencem, mas que já estão nos cofres públicos, em poder do Fisco, sendo por isso de rigor que se prestigie a possibilidade de utilizálos para o pagamento, não havendo qualquer razão para que se impeça tal possibilidade, condicionando obtusamente o direito do contribuinte ao recolhimento por meio de guia DARF! Devese aplicar, pois, o brocardo de que onde o legislador não criou a distinçào, não pode o intérprete criála. Ademais, cumpre observar que no caso de a compensaçào apresentada vir a ser negada, o Fisco diligentemente cobrará do contribuinte o pagamento do débito confessado, e asssim o fará por valores atualizados, de maneira que, ao fim e ao cabo, ficará suprido o pagamento do valor compensado, sem qualquer prejuízo para o Fisco. Voto, por esta razão, por divergir do relator para reconhecer o direito do contribuinte à dedução do art. 8º da Lei nº 10.336/2001, independente de a Cide ter sido paga por recolhimento via DARF ou por compensação via DCOMP. Ivan Allegretti Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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