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Numero do processo: 11516.723105/2016-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Não há de se falar em nulidade da ação fiscal e do lançamento, se não restaram violados quaisquer incisos do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO OU ACIONISTA EXCEDENTE AO VALOR ESCRITURADO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE LUCROS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. Verificado que a empresa distribuidora possuía lucros a serem distribuídos aos sócios de exercícios superiores, que suportaram os lucros recebidos pelo contribuinte, cabe a revisão do lançamento, para excluir o imposto de renda lançado sobre referidos lucros, uma vez que não se sujeita à incidência do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos. Os rendimentos tributáveis informados pela fonte pagadora na DIRF devem ser declarados pelo contribuinte no ajuste anual. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimos (contrato de mutuo) está condicionada a comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da operação alegada, que deve ainda ser acompanhada da prova da transferência dos recursos mutuados e da capacidade financeira do mutuante. LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. Deve ser revisto de ofício o lançamento, quando verificado o erro na apuração da base de cálculo do imposto lançado, fulcro no art. 149 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2202-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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2202­005.064  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de abril de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Recorrida  ADALBERTO SEDLACEK    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2011, 2012, 2013  NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL.  Não  há  de  se  falar  em  nulidade  da  ação  fiscal  e  do  lançamento,  se  não  restaram  violados  quaisquer  incisos  do  artigo  59  do Decreto  n.º  70.235/72  que regula o processo administrativo fiscal.  PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR.  O  prazo  para  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal  coincide  com  o  prazo  de  que  o  contribuinte  dispõe  para  impugnar  o  lançamento,  salvo  se  comprovada  alguma  das  hipóteses  autorizadoras  para  juntada de documentos após esse prazo.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LUCRO DISTRIBUÍDO AO SÓCIO OU  ACIONISTA  EXCEDENTE  AO  VALOR  ESCRITURADO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DE  LUCROS  DE  EXERCÍCIOS  ANTERIORES.  Verificado  que  a  empresa  distribuidora  possuía  lucros  a  serem  distribuídos  aos sócios de exercícios superiores, que suportaram os lucros recebidos pelo  contribuinte, cabe a revisão do lançamento, para excluir o imposto de renda  lançado  sobre  referidos  lucros,  uma  vez  que  não  se  sujeita  à  incidência  do  imposto de renda.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.  São  tributáveis  os  rendimentos  provenientes  do  trabalho  assalariado,  as  remunerações  por  trabalho  prestado  no  exercício  de  empregos,  cargos  e  funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos.  Os rendimentos tributáveis  informados pela fonte pagadora na DIRF devem  ser declarados pelo contribuinte no ajuste anual.  CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 31 05 /2 01 6- 12 Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.344          2 A  alegação  da  existência  de  empréstimos  (contrato  de  mutuo)  está  condicionada a comprovação, por meio de documentos hábeis e  idôneos, da  operação alegada, que deve ainda ser acompanhada da prova da transferência  dos recursos mutuados e da capacidade financeira do mutuante.  LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO.  Deve  ser  revisto  de  ofício  o  lançamento,  quando  verificado  o  erro  na  apuração da base de cálculo do imposto lançado, fulcro no art. 149 do Código  Tributário Nacional.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Marcelo  de  Sousa  Sateles,  Martin  da  Silva  Gesto,  Ricardo  Chiavegatto  de  Lima,  Ludmila Mara Monteiro  de  Oliveira,  Rorildo  Barbosa  Correia,  Thiago  Duca  Amoni  (Suplente  convocado),  Leonam  Rocha  de  Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.  Relatório   Trata­se  de  Recurso  de  Ofício  interposto  nos  autos  do  processo  nº  11516.723105/2016­12, em face do acórdão nº 07­41.477, julgado pela 5ª Turma da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), em sessão realizada  em  20  de  março  de  2018,  no  qual  os  membros  daquele  colegiado  entenderam  por  julgar  parcialmente procedente a impugnação.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os  relatou:  “I. DA EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA  Contra  o  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrado  Auto  de  Infração – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 156/162,  relativo  aos  anos­calendário  de  2011,  2012  e  2013  (exercícios  2012,  2013  e  2014),  para  formalização  do  crédito  tributário  abaixo indicado:  Imposto 6.359.774,38  Juros de Mora (calculados até 10/2016) 2.597.779,52  Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.345          3 Multa de Ofício (passível de redução) 4.769.830,78  Valor do Crédito Tributário Apurado 13.727.384,68  No  Relatório  Fiscal  (RF),  constante  às  fls.  2781­2800,  a  autoridade  lançadora  expõe  que  o  procedimento  fiscal  foi  autorizado  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  ­  MPF  nº  0920100.2015.00816­8,  e  teve  início  em  16/11/20159,  com  a  cientificação  do  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  no  qual  o  contribuinte  foi  instado  a  apresentar  documentos  relacionados no item 2.1 do RF.  1  ­  Composição  detalhada  dos  valores  lançados  na  DIRPF  a  título de dívidas e ônus reais, no período a seguir indicado;  2  ­.  Composição  detalhada  dos  valores  lançados  na  DIRPF  a  título de rendimentos isentos e não tributáveis;  3.  Composição  detalhada  dos  valores  lançados  na  DIRPF  a  título de rendimentos tributados exclusivamente na fonte;  4.  Comprovantes  de  contribuições  e  doações  dedutíveis  do  imposto de renda;  5. Comprovantes de despesas médicas;  6. Comprovantes do IRRF s/ aplicação financeira;  7. Comprovantes de despesas com instrução;  8. Comprovantes do IRRF s/ rend. da atividade;  9.  Comprovantes  originais  de  todos  os  rendimentos  mensais  recebidos  de  pessoa  física,  bem  como  apresentação  do  Livro  Caixa, com documentação comprobatória de receita e despesa;  10. Comprovantes originais de todos os rendimentos tributáveis  recebidos de pessoas jurídicas e de retenção de imposto de renda  na fonte, do contribuinte e de todos os dependentes, informados  nas declarações acima especificadas;  11.  Contrato  Social  (ou  de  Atas  de  Assembléia)  e  Alterações  Posteriores referentes às empresas na qual seja titular ou tenha  participação como sócio ou acionista (cópias);  12.  Declaração  de  Importação,  guia  do  ICMS  e  contrato  de  fechamento de câmbio, concernente a todos os bens importados,  no período a seguir indicado (cópias autenticadas;  13. Documentação contábil e fiscal em relação a todos os saldos  credores  declarados  na(s)  empresa(s)  de  sua  titularidade,  respaldados  em  cópias  de  documentos  bancários  (extratos,  cópias de cheque ou recibos de depósito);  14. Documentação original comprobatória de todas as deduções  pleiteadas para os anos calendários acima especificados;  Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.346          4 15. Documento  de  aquisição  e/ou  alienação  (original  e  cópia),  de todos os bens móveis  (incluindo  veículos)  e  bens  imóveis,  efetuadas  em  nome  do  contribuinte,  cônjuge  ou  dependentes,  referente  às  alienações  ocorridas;  16.  Documentos  públicos  ou  particulares  que  lastrearam  a  aquisição e alienação de bens móveis e imóveis, títulos e valores  mobiliários, no período a seguir indicado;  17. Extratos bancários de conta­corrente, aplicações financeiras  e cadernetas de poupança, referente a todas as contas mantidas,  inclusive  de  titularidade  do  cônjuge  e  outros  dependentes,  mantidas  em  instituições  financeiras  situadas  no  Brasil  e  no  exterior;  18. Razão do conta corrente em seu nome, na(s) empresa(s) de  que  seja  titular,  ou  que  tenha  participação  como  sócio  ou  acionista;  19. Apresentar Demonstrativo de Variação Patrimonial  ­ Fluxo  Financeiro  Mensal,  referente  aos  anos­calendários  sob  fiscalização,  devendo  as  informações  prestadas  serem  acompanhadas de documentos hábeis e idôneos que comprovem  os valores ali lançados. Segue anexo modelo de planilha de fluxo  financeiro mensal (anexo I)  Consta  que  o  contribuinte  apresentou  comprovantes  de  rendimentos,  contratos  de  mútuo,  atas  e  contrato  sociais  das  empresas nas quais possui quotas/ações, seus extratos bancários  e o Demonstrativo de Variação Patrimonial com as explicações  relativas  aos  lançamentos  contidos  no  demonstrativo  apresentado.  A  autoridade  fiscal  também  analisou  informações  relacionadas  aos fatos geradores, disponíveis nos sistemas informatizados da  Secretaria da Receita Federal  (DIRF – Declaração de  Imposto  de Renda Retido na Fonte e DIPJ – Declaração do Imposto de  Renda da Pessoa Jurídica).  Analisados referidos documentos, foi lavrado o presente Auto de  infração,  que,  de  acordo  com  a  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento Legal, fls. 2722­2766, onde também constam os  dispositivos legais das infrações, e o Relatório Fiscal, onde estão  detalhados  os  fatos  apurados  pela  fiscalização,  decorre  da  apuração das infrações abaixo descritas:  1)  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  COM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA  Na  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  ­  Dirf,  constante do  sistema da Secretaria da Receita Federal,  que  foi  apresentada  pela  empresa  GIAD  Administradora  de  Imóveis  Ltda, CNPJ 10.362.569/0001­50, da qual o contribuinte é sócio,  Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.347          5 foi  informado  que  este  recebeu  rendimentos  do  trabalho  assalariado, código de arrecadação 0561, no valor de R$ 540,00  para  o  mês  de  janeiro  de  2011  e  de  R$  545,00  para  demais  meses do ano. A soma dos rendimentos (R$ 6.535,00) não foram  incluídos  pelo  contribuinte  na  declaração  de  ajuste  anual  de  2012 (AC 2011), ensejando o lançamento. (doc. Declarações Pj ­  Outras ­ DIRF 2011 ­ GIAD).  Sobre o valor do imposto apurado, foi exigida multa de 75%.  2)  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  (JUROS  E  OUTROS  ACRÉSCIMOS)  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA,  acima  do  valor  estipulado  em  contrato  de  mútuo,  no  valor  de  R$  2.882.405,02 (fato gerador ocorrido em 12/08/2011).  A  fiscalização  apurou  que  o  valor  de  R$  2.882,405,02  foi  recebido  pelo  contribuinte  como  parcela  excedente  ao  empréstimo  por  ele  concedido  para  a  empresa  Poly  Terminais  Portuários SA, CNPJ 10.341.742/0001­34.  De acordo com o REFISC, o contribuinte informou, em resposta  ao Termo de Início de Fiscalização, que recebeu o valor de R$  6.761.183,14 referente ao principal do empréstimo concedido, a  partir do ano de 2009, à empresa Poly Terminais Portuários SA,  acrescido de juros de 2% (dois por cento) ao mês, no total de R$  5.392.183,14,  nos  termos  do  artigo  591  do  Código  Civil,  conforme consta do "CONTRATO DE EMPRÉSTIMO (MÚTUO)  nº 05.2011", valor esse informado na relação de bens e direitos  da DIRPF do ano de 2012.  Foi  apurado  que  o  valor  devido  pela  mutuaria,  incluindo  o  capital emprestado mais os juros calculados na fórmula de juros  compostos,  correspondente  a  R$9.528.534,12,  enquanto  que  a  empresa Poly  Terminais  Portuários  devolveu  ao  contribuinte  a  importância  de  R$  12.154.162,64.  O  valor  excedente,  de  R$  2.882.405,02,  foi  classificado  como  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica,  visto  não  ter  sido  oriundo  de  empréstimo,  e,  também,  não  foi  tributado  na  fonte,  conforme  verificado  na  DIRF apresentada pela empresa.  Sobre o valor do imposto apurado, foi exigida multa de 75%.  3)  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  A  TÍTULO  DE  LUCRO  DISTRIBUÍDO  (PRESUMIDO  /  REAL)  EXCEDENTE  AO  ESCRITURADO:  Tratam­se de rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa  jurídica submetida ao regime de  tributação com base no Lucro  Real  ou  Presumido,  excedente  ao  valor  escriturado,  recebidos  das  empresas  GIAD  Administradora  de  Bens  Ltda,  CNPJ  10.362.569/0001­50;  da  empresa  AMERICANPET  Ind.  Com.  Imp.  e  Exp.  Ltda,  CNPJ  85.150.613/0001­68  e  DISPET  Ind.  Com.  e Exp.  Ltda, CNPJ 05.826.289/0001­16.  Sobre  o  imposto  apurado, incidiu multa de ofício de 75%.  Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.348          6 Relata  a  autoridade  lançadora  que  o  contribuinte  informou  em  sua declaração de ajuste anual de 2012, ano­calendário 2011, nº  09/23.722.612,  o  recebimento  de  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis ­ "Lucros e dividendos recebidos pelo titular e pelos  dependentes"  das  empresas  GIAD  ADMINISTRADORA  DE  BENS  LTDA,  CNPJ  10.362.569/0001­50,  tributada  pelo  lucro  presumido, o valor de R$ 1.200.000,00 e AMERICANPET IND.  COM.  IMP.  EXP.  LTDA,  CNPJ  85.150.613/0001­68,  tributada  pelo  lucro  real,  o  valor de R$ 5.119.000,00.  (doc. Declarações  Pf ­ Outras ­ DIRPF 2012).  Na declaração de ajuste anual de 2013, ano­calendário 2012, nº  09/24.026.904, informou o recebimento de rendimentos isentos e  não  tributáveis  ­  "Lucros  e  dividendos  recebidos  pelo  titular  e  pelos dependentes",  das  empresas DISPET  IND. COM. E EXP.  LTDA, CNPJ 05.826.289/0001  ­16,  tributada pelo  lucro real,  o  valor de R$ 6.880.753,74;  GIAD  ADMINISTRADORA  DE  BENS  LTDA,  CNPJ  10.362.569/0001­50, tributada pelo lucro presumido, no valor de  R$ 3.341.804,13 e AMERICANPET IND. COM. IMP. EXP.  LTDA, CNPJ 85.150.613/0001  ­68,  tributada pelo  lucro real,  o  valor  de  R$  2.389.775,00.  (doc.  Declarações  Pf  ­  Outras  ­  DIRPF 2013).  Na declaração de ajuste anual de 2014, ano­calendário 2013, nº  09/42.286.800, informou o recebimento de rendimentos isentos e  não  tributáveis  ­  "Lucros  e  dividendos  recebidos  pelo  titular  e  pelos  dependentes",  das  empresas  GIAD  ADMINISTRADORA  DE  BENS  LTDA,  CNPJ  10.362.569/0001­50,  tributada  pelo  lucro  presumido,  o  valor  de R$  1.334.868,58  e  da POLY LOG  TRANSPORTES  LTDA,  CNPJ  13.040.061/0001­24,  tributada  pelo lucro presumido, o valor de R$ 4.425.000,00. No tópico, a  fiscalização registra que o contribuinte informou na declaração  de  ajuste  o  CNPJ  85.150.613/0001­68  que  pertence  a  AMERICANPET  IND.  COM.  IMP.  EXP.  LTDA,  contudo,  descreveu como razão social o da outra empresa. Na planilha e  nos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  este  informou  que  a  distribuição  de  lucro  é  da  empresa  POLYLOG  TRANSPORTES,  concluindo­se,  portanto,  correto  o  CNPJ  correto  é  o  de  nº  13.040.061/0001­  24.  (doc. Declarações  Pf  ­  Outras ­ DIRPF 2014, Documentos Diversos – Outros ­ ITEM 2  DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO P ADALBERTO POLY LOG).  Parte dos  lucros  informados  como  rendimentos  informados nas  DIRPF dos exercícios 2012, 2013 e 2014 como recebidos a título  de  distribuição  de  lucros  não  foi  aceita  como  rendimentos  isentos e não tributáveis. No caso do contribuinte em epígrafe, a  fiscalização  apurou  que  inexistiam  nas  pessoas  jurídicas  distribuidoras,  lucros  acumulados  ou  reservas  de  lucros  em  montante  suficiente  para  suportar  as  distribuições. As  parcelas  excedentes foram submetidas à tributação nos termos do art. 3º,  § 4º, da Lei nº. 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a  Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.349          7 que  se  refere  o  art.  3º  da  Lei  nº.  9.250,  de  1995,  com  as  alterações posteriores (art. 48, § 4º da IN nº. 93/97).  Encerrando  os  trabalhos  fiscais,  a  autoridade  lançadora  elaborou Representação Fiscal Para Fins.  II. DA IMPUGNAÇÃO  O  contribuinte  apresentou  impugnação,  na  qual  após  breve  relato dos gatos que ensejaram a autuação, expõe suas razões de  contestação, abaixo sintetizadas.  Do mérito  a.  Da  imperiosa  necessidade  da  aplicação  do  princípio  da  verdade material  Alega que a fiscalização se deu de forma superficial e precária,  desconsiderando  fatos  que  comprovam  a  inexistência  de  qualquer  omissão  de  rendimentos  do  trabalho  com  vínculo  empregatício recebidos de pessoa jurídica, a existência de lucros  pelas pessoas  jurídicas das quais o  impugnante é sócio e o seu  efetivo  recebimento,  e a  inexistência de omissão de  rendimento  (juros  e  outros  acréscimos)  recebido  de  pessoa  jurídica  vinculado a devolução de empréstimo efetuado pelo Impugnante  à  pessoa  jurídica  da  qual  é  sócio.  Entende  que  o  crédito  tributário deve ser cancelado em sua  integralidade, em  face do  Princípio da Verdade Material,  conforme  razões que apresenta  nos tópicos que seguem.  b. Falta de liquidez e certeza tributária sobre os rendimentos do  trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica  (Infração 001):  Alude que a imputação de omissão de  rendimentos do  trabalho  se  mostra  absolutamente  indevida  em  face  da  incerteza  do  efetivo  recebimento  da  verba  junto  à  empresa  Giad  Administradora de Bens durante o ano­calendário de 2011, pois  a  DIRF  que  serviu  de  base  para  o  lançamento  fiscal,  apresentada pela empresa GIAD, menciona apenas a existência  rendimentos  do  trabalho,  porém  não  informa  que  houve  pagamentos por  conta de salário ou pró­labore ao  Impugnante  no ano de 2011.  c. Deficiências  do  auto  de  infração  decorrente  da  rejeição  dos  rendimentos  de  lucros  declarados  isentos  ou  não  tributáveis  (Infração 002):  Menciona que restará demonstrado que além do cerceamento ao  direito de defesa, resta evidente o equívoco quanto do critério da  apuração das bases tributáveis, bem como a falha do Fisco, que  não  conseguiu  visualizar  que  as  empresas  das  quais  o  Impugnante  é  sócio  possuíam  lucros  que  deram  suporte  às  distribuições ocorridas.  d. Do erro no enquadramento legal ­ Cerceamento ao Direito de  Defesa quanto a Infração 002:  Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.350          8 Argumenta  que  há  erro  de  enquadramento  legal,  que  leva  ao  cerceamento  ao  direito  de  defesa,  porquanto  a  Instrução  Normativa SRF nº 93, de 1997, mencionada no RF, seja em sua  redação  originária  ou  nas  outras  Instruções  Normativa  que  a  sucederam,  em  nenhum  momento  disciplinou  a  tributação  do  IRPF, disciplinando a tributação da pessoa jurídica.  Ainda, os dispositivos legais contidos na “descrição dos fatos e  enquadramento legal” do AI se repontam à condição de isenção  dos  lucros  percebidos,  mas  nenhum  dispositivo  legal  citado  prevê  a  possibilidade  da  tributação  dos  lucros  percebidos  por  pessoas físicas.  Discorre  que  a  auditoria  fiscal  deslocou  os  rendimentos  de  isentos  para  tributáveis,  todavia  não  apontou  a  origem  e  a  natureza  dos  rendimentos  e  também  não  informou  qual  o  enquadramento  legal para a  tributação. Que não  se preocupou  em dizer qual então seria a origem e a natureza dos rendimentos  que alega não serem verdadeiros, porém passível de tributação,  cerceando o direito de defesa do contribuinte.  Alude  que  não  houve  perfeita  subsunção  entre  a  norma  e  os  fatos,  no  caso  os  arts.  37,  38,  83,  654,  662  e  666  do  RIR/99,  utilizados como fundamento legal e que a indicação lançada no  auto  de  infração  é  totalmente  genérica  para  as  situações  que  definem  a  isenção  dos  lucros,  inexistindo  a  indicação  do  enquadramento  legal que possibilite a transmutação de “lucros  inexistentes”  para  “lucros  inexistentes  tributáveis”  como  se  busca  na  presente  autuação,  que  se  verifica  a  violação  ao  art.  142 do CTN.  Requer seja cancelado o auto de infração, tendo em vista o erro  no enquadramento  legal que  leva ao cerceamento de direito de  defesa  do  Impugnante,  bem  como diante  da  falta de motivação  que incide sobre o lançamento.  e.  Do  erro  material  do  lançamento  caracterizado  pela  impossibilidade  de  converter  em  rendimentos  tributáveis,  de  forma  automática,  os  rendimentos  declarados  isentos  ou  não  tributáveis rejeitados pela autoridade fiscal (Infração 002):  Menciona que a Fiscalização se iniciou com o objetivo de apurar  possível  variação  patrimonial  a  descoberto  para  o  ano­ calendário de 2011 a 2013, conforme consta do Relatório Fiscal  e do Termo de Início da Fiscalização (TIFF), como também no  conjunto de documentos e formulários que o acompanharam, os  quais foram entregues ao contribuinte quando do início da ação  fiscal.  Relata  que  ao  verificar  no  demonstrativo  da  variação  patrimonial preenchido pelo contribuinte, que os lucros advindos  de  suas  empresas  haviam  sido  declarados  como  rendimentos  isentos  do  imposto  de  renda,  a  autoridade  fiscal  passou  a  examinar a validade dos lucros declarados, sem qualquer pedido  de esclarecimento ao contribuinte.  Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.351          9 Entende  que  essa  análise  deu­se  de  forma  superficial,  com  o  confronto  precário  entre  as  suas  Declarações  de  Imposto  de  Renda Pessoa Física  (DIRPF) e as Declarações de  Imposto de  Renda Retido na Fonte (DIRF) e as Declarações de Informações  Econômico­Fiscais  das Pessoas  Jurídicas  (DIPJ)  das  empresas  em  que  é  sócio,  e,  ao  final,  a  fiscalização  entendeu  que  a  distribuição dos  lucros seria impossível, posto que as empresas  elencadas  na  autuação  fiscal  operaram  nos  referidos  períodos  com  prejuízos  ou  com  lucros  insuficientes  para  serem  distribuídos.  Defende que o procedimento de fiscalização está maculado pela  nulidade,  porquanto  a  legislação  tributária  não  respalda  a  transmutação automática de rendimento isento para tributável, e  porque o Auditor Fiscal se afastou da finalidade da ação fiscal,  que sempre esteve voltada para o exame da variação patrimonial  do contribuinte.  f. Da existência de lucros apurados pelas pessoas jurídicas que o  Impugnante é sócio e do efetivo recebimento (Infração 002):  Justificativas gerais dos  lucros distribuídos pelas  empresas nos  anos­calendário de 2011 a 2013:  Relata  que  a  suspeita  do  Fisco  sobre  a  efetiva  existência  dos  lucros  distribuídos  nos  anos­calendário  de  2011 a  2013  recaiu  sobre quatro empresas nas quais o  Impugnante é  sócio: GIAD,  AMERICANPET,  DISPET  e  POLYLOG  e  reforça  que  teve  apenas uma única oportunidade de se manifestar sobre os lucros  recebidos  das  suas  empresas,  isso  quando  preencheu  o  demonstrativo da variação patrimonial em atendimento ao TIF,  mas que não  lhe foi oportunizado dar esclarecimentos sobre os  lucros recebidos.  Justificativas  dos  lucros  distribuídos  pela  AMERICANPET  em  2011 e 2012.  Assevera  que  a  fiscalização  fez  uma  análise  parcial  das  informações constantes das DIPJ entregues pela empresa.  Com relação ao exercício 2012, ano­calendário 2011, alega que  a  análise  da  folha  37A  da DIPJ  número  0001598220  de  2012  ficou  restrita  ao  saldo  da  reserva  de  lucros  e  ao  valor  do  prejuízo ocorrido em 2011,  sem atentar a  fiscalização que esse  mesmo  documento  continha  também  a  informação  de  lucros  a  pagar (passivo circulante) de R$ 8.426.278,54 advindos de 2010,  o  qual  foi  reduzido  para  R$  2.180.439,54  no  final  de  2011.  Observa  que  na DIPJ  2011,  ano­calendário  2010,  apresentada  em  tempo  hábil,  continha  também  a  informação  dos  lucros  a  pagar no final de 2010 no montante de R$ 8.426.278,54.  Desse modo,  diz  que  fica  claro  que  durante  ano­calendário  de  2011 a empresa AMERICANPET tinha plenas condições de fazer  distribuição  de  lucros,  sendo  certo  que  o  montante  dos  lucros  distribuídos de R$ 6.245.839,00 [8.426.278,54 ­ 2.180.439,54] é  Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.352          10 mais  que  o  suficiente  para  cobrir  os  lucros  declarados  isentos  pelo Impugnante em 2011.  O exame parcial  também se  seu na DIPJ 2013, ano­calendário  2012, tendo em vista que a referida declaração continha também  a informação de lucros a pagar no final de 2011 no montante de  R$  2.180.439,54,  o  qual  foi  reduzido  para  R$  1.385.154,08  no  final de 2012.  Assim,  dos  lucros  advindos  de  2010  de  R$  2.180.439,54,  conforme já mencionado, deve­se considerar que era possível a  empresa  AMERICANPET  distribuir  lucros  em  no montante  R$  795.285,46  [2.180.439,54  –  1.385.154,08],  o  qual,  adicionado  ao lucro gerado e distribuído em 2012 de R$ 658.226,10, perfaz  o  montante  de  R$  1.453.511,66  [795.285,46  +  658.226,10],  valor  esse  que  chega  bem  próximo  do  valor  do  rendimento  de  lucros declarados pelo Impugnante.  Diz que ainda que o valor de R$ 1.453.511,66, que apura, seja  inferir  aos  lucros  isentos  declarados  em  2012,  essa  diferença  pode ser perfeitamente justificada através dos lucros tributados  via  auto  de  infração  do  processo  fiscal  de  número  11516.720104/2014­54 que consta em nome da AMERICANPET.  Justificativa dos lucros distribuídos pela Dispet em 2012:  O  Fisco  deixou  de  fazer  o  exame  completo  das  informações  constantes  da  DIPJ  2013  (ano­calendário  2012),  deixando  de  observar que esta consignava, em seu passivo, lucros a pagar de  R$ 10.784.159,48 no final de 2011, valor este reduzido para R$  4.227.651,07, no final de 2012, restando legítima a distribuição  de lucros no montante de R$ 6.556.508,41.  Justificativa dos lucros distribuídos pela POLYLOG em 2013  Afirma  que  os  lucros  distribuídos  pela  empresa  POLYLOG  em  2013 contemplam não apenas os lucros de 2013, mas também os  gerados em 2012.  Que  a  autoridade  fiscal  aceitou  como  possível  de  distribuição,  em  2013,  apenas  o  valor  de  R$  1.824.211,98,  que  se  refere  exclusivamente ao lucro gerado em 2013, deixando de observar,  porém, que havia lucro de 2012 de R$ 1.326.492,86, que consta  da DIPJ 2013 número 0001633748 apresentada pela empresa.  Justificativa dos lucros distribuídos pela GIAD em 2011, 2012 e  2013.  Afirma  que  o  balanço  patrimonial  da  referida  empresa,  encerrado em dezembro de 2009, já registrava R$ 13.394.760,35  de  lucros  a  distribuir,  valor  esse  suficiente  para  respaldar  os  lucros declarados pelo Impugnante nos anos­calendário de 2011  a 2013.  Que ao analisar unicamente as DIPJ apresentadas pela GIAD, a  autoridade fiscal deixou de examinar a contabilidade da referida  pessoa  jurídica,  pela  qual  é  possível  verificar  que  nos  anos  de  Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.353          11 2011 e 2013, em que pese constarem zerados os dados nas DIPJ,  a  empresa  obteve  faturamento  referente  a  venda  parcelada  de  imóvel  que  para  integralização  do  seu  capital  social  e  que  constava em conta contábil de estoque ocorrida no ano de 2009,  conforme registrado em Ata de Assembléia Geral Extraordinária  de 15/07/2009 (fls. 2388/2390).  Que  nos  anos  de  2011  e  2013,  o  faturamento  da  GIAD  foi  o  mesmo  apurado  pela  fiscalização  no  ano  de  2012,  destacando  que  houve  o  recolhimento  dos  tributos  incidentes,  devidamente  registrados em contabilidade. Estes valores, em conjunto com os  lucros  acumulados  ao  final  de  2009,  reforçam  quanto  mais  a  existência dos  lucros declarados nos anos de 2011 a 2013, nos  valores indicados pelo Impugnante, razão pela qual não há como  prosperar  o  argumento  do  Fisco  de  que  os  lucros  são  inexistentes.  g. Da Inexistência de Omissão de Rendimentos (Juros e Outros  Acréscimos Legais) Recebidos  de Pessoa  Jurídica  (INFRAÇÃO  003)  Afirma  que  a  exigência  fiscal  do  imposto  de  renda  sobre  a  suposta omissão de rendimentos não procede, tendo em vista que  a  tomadora  do  empréstimo  Poly  Terminais  Portuários  Ltda.  (mutuária)  procedeu  à  retenção  na  fonte  do  imposto  de  renda  sobre  todo  o montante  dos  juros  pagos,  conforme  determina  a  legislação tributária.  Da Legislação Tributária Aplicável aos Contratos de Mútuo  Nesse item, o contribuinte discorre sobre a legislação tributária  pertinente  a  matéria  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  Decreto nº 3.000/1999, arts. 734, parágrafos 1º e 2º, e art. 1º da  Lei  nº  11.033,  de  2004),  aduzindo  que  esse  regramento  foi  inteiramente  observado  pela  Poly  Terminais  Portuários  Ltda  (mutuária),  de  maneira  que  os  juros  efetivamente  pagos  pelo  impugnante sofreram a incidência de imposto de renda na fonte.  Esclarece,  ainda,  que  a mutuária  calculou  os  juros  devidos  ao  mutuante mediante a contagem do prazo em dia de permanência  do  empréstimo,  sob  pena de  tornar  inaplicável  a  legislação  de  regência,  que  determina  alíquotas  percentuais  para  o  IRRF,  conforme  a  quantidade  de  dias,  e  não  em  mês  como  foi  conduzido o cálculo pelo Auditor Fiscal.  Do Cálculo dos Juros e do Imposto de Renda Retido na Fonte  Após  descrever  a  forma  de  apuração  dos  juros  aplicados  ao  contrato de mútuo pela fiscalização, o contribuinte alega que a  divergência  entre  os  juros  apurados  pela  fiscalização,  de  R$  2.017.263,21 não correspondem ao efetivamente pagos pela Poly  Terminais  Portuários  Ltda.  ao  Impugnante,  que  foi  de  R$2.766.557,62,  tal  qual  comprovam  as  DIRF  apresentadas  à  Receita  Federal  pela  mutuária  e  acolhidos  pela  própria  fiscalização.  Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.354          12 Menciona  que  a  divergência  entre  os  valores  decorre,  dentre  outros  motivos,  do  prazo  de  permanência  do  empréstimo,  que  segundo  a  legislação  de  regência,  é  contado  em  dia  e  não  em  mês, como calculado pela fiscalização.  Com  relação ao montante  de R$  2.882.405,02,  que consiste  na  divergência entre o total depositado pela mutuaria na conta do  contribuinte,  de  R$  12.154.162,64  diminuído  de  R$  9.528.5378,12  –  valor  correspondente  ao  principal  e  ao  juros  declarados na DIRF pela mutuaria, acrescidos do empréstimo de  R$ 256.779,50 em 31/12/2010 (fl. 2794), o contribuinte justifica  que  não  se  trata  de  omissão  de  rendimentos  da  tributação  do  imposto de renda, mas que corresponde à devolução de capital  emprestado no ano­calendário 2011.  Diz  que  nem  todos  os  depósitos  bancários  realizados  em  25/03/2011, 11/08/2011 e 12/08/2011 se referem ao empréstimo  de R$ 6.761.979,50, como demonstra a tabela com a composição  dos  valores  depositados  em  favor  do  impugnante  na  mesma  ordem  dos  demonstrados  pela  autoridade  fiscal,  relativos  relativos  aos  empréstimos,  prazo  de  permanência,  juros  pagos  do  período,  IRRF  apurado  e  recolhido,  e  os  totais  pagos  ao  mutuante,  coincidentes  em  data  e  valor  com  os  extratos  bancários,  com  a  escrituração  contábil  da mutuária,  e  com  as  DIRF apresentadas:  ­  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  25/03/2011,  Banco  Bradesco  conta  513­4,  ao  Impugnante(mutuante),  correspondente  ao  valor  emprestado  e  aos  juros do período, descontado o  imposto de  renda retido na  fonte:  [...]  ­  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  11/08/2011,  Banco  do  Brasil  conta  76803­0,  ao  Impugnante  (mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos  juros do  período, descontado o imposto de renda retido na fonte:  [...]  ­  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  12/08/2011,  Banco  do  Brasil  conta  76803­0,  ao  Impugnante  (mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos  juros do  período, descontado o imposto de renda retido na fonte:  [...]  Defende,  com  base  nos  depósitos  bancários  (fls.  689/713,  716/741, 749 e 750), e pela composição dos valores acima, que  recebeu  no  ano­calendário  2011,  a  título  de  juros,  o  total  de  R$2.766.558,24,  correspondente  à  remuneração  do  capital  emprestado,  com  retenção de R$491.595,60  a  título de  IR  pela  Poly Terminais Portuários Ltda. (mutuária).  Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.355          13 Que  esse  quadro  confirma  que  é  equivocada  a  informação  prestada pelo  impugnante em sua DIRPF, exercício 2012, ano­ calendário 2011, de que recebeu “RENDIMENTOS SUJEITOS À  TRIBUTAÇÃO  EXCLUSIVA/  DEFINITIVA”,  o  valor  de  R$5.392.183,12,  situação  constatada  pela  autoridade  fiscal  no  procedimento  de  fiscalização  de  que  de  fato  não  se  trata  de  rendimentos com tributação definitiva.  Afirma  que  na  verdade,  a  diferença  de  R$2.625.624,88  (R$5.392.183,12  –  R$2.766.558,24)  se  refere  a  devolução  de  outros  empréstimos  ao  Impugnante,  além do que  foi  registrado  na  Declaração  de  Bens  e  Direitos  da  DIRPF,  exercício  2012,  ano­calendário  2011,  na  importância  deR$6.761.979,50.  O  respectivo  Contrato  de  Mútuo  nº  0005.2011  foi  acostado  ao  processo pela fiscalização (fls. 630/633), onde está especificado  o  prazo  para  a  devolução  do  capital  emprestado,  que  comprovadamente  ocorreu  em  25/03/2011,  11/08/2011  e  12/08/2011,  acrescido  do  pagamento  de  juros  e  descontado  o  IRRF, conforme já demonstrado.  Que os outros empréstimos antes mencionados, correspondem a  mútuos  contratados  pelo  Impugnante  com  a  Poly  Terminais  Portuários Ltda. no ano­calendário 2010 e no curso do próprio  ano­calendário 2011, os quais não foram declarados na DIRPF  e  também  não  foram  examinados  pela  autoridade  fiscal,  que  ignorou que o Impugnante concedeu outros empréstimos para a  Poly  Terminais  Portuários  Ltda.,  nos  anos­calendário  2010  e  2011,  todos  devolvidos  ao  mutuante  por  meio  do  Banco  Bradesco  S/A.,  em  25/03/2011,  e  do  Banco  do  Brasil  S/A.,  em  11/08/2011 e 12/08/2011 (fls. 749/750, 689/713 e 716/741).  Explica  que  com  relação  ao  capital  emprestado  no  ano­ calendário  2010,  este  foi  igualmente  devolvido  ao  Impugnante  com  o  pagamento  de  juros  e  incidência  do  IRRF,  conforme  demonstra:  •  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  25/03/2011,  Banco  Bradesco  conta  513­4,  ao  Impugnante  (mutuante), correspondente ao valor emprestado e aos  juros do  período, descontado o imposto de renda retido na fonte:    •  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  12/08/2011,  Banco  do  Brasil  conta  76803­0,  ao  Impugnante(mutuante),  correspondente  ao  valor  emprestado  e  aos  juros do período, descontado o  imposto de  renda retido na  fonte:    Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.356          14 Também alega que parte dos valores depositados em suas contas  correntes são relativos a empréstimos contratados em 2011, mas  que  como as entradas  e  saídas de numerários para a mutuária  não ultrapassaram a data de 12/08/2011, os mútuos não  foram  declarados  na  DIRPF/2012,  examinada.  Aponta  que  os  empréstimos com prazo de permanência com a mutuária inferior  a 224 dias  foram feitos no curso do ano­calendário 2011, mais  precisamente até aquelas datas, a saber:  •  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  25/03/2011,  Banco  Bradesco  conta  513­4,  ao  Impugnante(mutuante),  correspondente  ao  valor  emprestado  e  aos  juros do período, descontado o  imposto de  renda retido na  fonte:  [...]  •  ­  Pagamentos  realizados  pela Poly  Terminais  (mutuária),  em  11/08/2011,  Banco  do  Brasil  conta  76803­0,  ao  Impugnante(mutuante),  correspondente  ao  valor  emprestado  e  aos  juros do período, descontado o  imposto de  renda retido na  fonte:  [...]  ­  Pagamentos  realizados  pela  Poly  Terminais  (mutuária),  em  12/08/2011,  Banco  do  Brasil  conta  76803­0,  ao  Impugnante(mutuante),  correspondente  ao  valor  emprestado  e  aos  juros do período, descontado o  imposto de  renda retido na  fonte:  [...]  Com  tais  informações,  o  contribuinte  aduz  que  restou  demonstrado  que  vinculado  ao  total  das  devoluções  do  capital  emprestado  de  R$9.879.200,00  foram  pagos  juros  de  R$2.766.558,24  com  a  incidência  do  IRRF  no  total  de  R$491.595,49  e  que  inexiste  fato  gerador  para  a  incidência do  imposto  de  renda  sobre  a  suposta  omissão  de  R$2.882.405,02,  posto  que  não  se  tratam  de  juros  pagos  acima  do  valor  estipulado em contrato de mútuo (fls. 2763), mas de pagamento  de empréstimo pela Poly Terminais Portuários Ltda.  No  tópico,  o  contribuinte  relaciona  os  documentos  comprobatórios dos fatos alegados.  E,  ao  final,  requer  a  improcedência  do  auto  de  infração,  protestando  pela  juntadas  de  outras  provas  que  se  fizerem  necessárias para o deslinde da questão.  III. DA DILIGÊNCIA FISCAL  Em  face  dos  argumentos  apresentados  pelo  contribuinte,  no  tocante a infração de RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO  DE  LUCRO  DISTRIBUÍDO,  o  processo  foi  diligenciado  à  fiscalização, nos termos do despacho de fls. 3110­3117, a fim de  que esta se manifestasse quanto às alegações do contribuinte, de  Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.357          15 que existiam  lucros de exercícios anteriores que suportaram as  distribuições de lucros informadas como recebidas das empresas  das  quais  o  contribuinte  era  sócio,  quer  com  base  nas  informações  das  DIPJ  das  empresas,  quer  com  base  na  escrituração contábil, procedendo as diligencias que se  fizerem  necessárias.  A  autoridade  lançadora  elaborou  o  Relatório  de  Diligência  Fiscal  de  fl.  3191,  no  qual  concorda  expressamente  com  os  argumentos apresentados pelo contribuinte:  Em  cumprimento  à  solicitação  de  diligência  exarada  pela  5ª  Turma  da DRJ/FNS,  foi  encaminhado  ao  contribuinte  o  Termo  de Início de Diligência pelo qual  foi solicitado Solicitamos que  sejam apresentados os comprovantes da EFETIVA transferência  dos  lucros  pagos/creditados  das  empresas  AMERICANPET  (2011  e  2012);  DISPET  (2012);  POLYLOG  (2013)  e  GIAD  (2011, 2012 e 2013).  Após a entrega dos comprovantes do efetivo pagamento e lendo  os  arrazoados  levantados  pelo  contribuinte,  entendemos  que  a  empresa realmente possuía lucros anteriores que suportariam a  distribuição nos anos subsequentes sob fiscalização.  Desta  forma  entendo  que  cabe  razão  ao  contribuinte  quanto  a  parte de distribuição de lucros.  Devidamente  cientificado despacho de diligência e do  relatório  da fiscalização (fl. 3194), o contribuinte não se manifestou.  Os autos retornaram para julgamento (fls. 3195)”  A  DRJ  de  origem  entendeu  pela  procedência  parcial  da  impugnação,  mantendo a cobrança de R$ 583.495,05, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora,  mas  exonerando  o  contribuinte  o  IRPF  no  valor  de  R$  5.776,279,33  (cinco  milhões  e  setecentos  e  setenta  e  seis mil  e duzentos  e  setenta  e nove  reais  e  trinta  e  três  centavos) e  a  multa ofício e juros de mora correspondentes.   Tendo em vista o valor exonerado, foi interposto Recurso de Ofício.    O contribuinte acessou o teor dos documentos (Acórdão de Impugnação) em  25/04/2018 conforme fl. 3229, não tendo apresentado recurso voluntário.  Não foram apresentadas razões pela PGFN ao Recurso de Ofício, consoante  despacho de encaminhamento de fl. 3234. Tampouco o contribuinte apresentou contrarrazões.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator  Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.358          16 O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele  conheço.  A  DRJ  de  origem  entendeu  por  dar  parcial  provimento  à  impugnação  apresentada mantendo a  exigência de R$ 583.495,05, acrescido da multa de ofício de 75% e  juros  de mora,  e  exonerou  o  valor  de R$ 5.776,279,33  (referente  ao  anos­calendário  2012  e  2013)  e  entendeu  devido  o  novo  cálculo  do  lançamento,  considerando  a  exclusão  de  R$  256.779,50 (ano­calendário 2011).  Considerando que houve tão somente Recurso de Ofício, decorrente do valor  exonerado e, ausente recurso voluntário sobre o valor que fora mantido a exigência, o presente  voto  tratará da matéria que se encontra na lide, qual seja, a atinente ao valor exonerado pela  DRJ.  Quanto a Infração 002.  No que tange à infração referente aos rendimentos (juros e outros acréscimos)  recebidos  de  pessoa  jurídica,  verifica­se  que,  nos  termos  do  relatório,  o  valor  de  R$  2.882.405,02  (fato  gerador  lançado  em  12/08/2011),  oriundo  de  depósitos  em  suas  contas  correntes pela pessoa  jurídica Poly Terminais Portuários SA, CNPJ 10.341.742/0001–34,  foi  considerado pela fiscalização como rendimento tributável sujeito ao ajuste anual, uma vez que  o contribuinte não comprovou que a importância se refere à juros e acréscimos decorrentes de  contrato de mútuo firmado com a referida empresa.  Consta  do  relatório  que  na  resposta  ao  termo  de  início  de  fiscalização,  o  contribuinte  alegou  que  recebeu  o  valor  de  R$  6.761.183,14  referente  ao  principal  do  empréstimo  concedido,  a  partir  do  ano  de  2009,  à  empresa  Poly  Terminais  Portuários  SA,  CNPJ 10.341.742/0001­34 acrescido de  juros de 2% (dois por cento) ao mês, no  total de R$  5.392.183,14, nos  termos do  artigo 591 do Código Civil,  conforme consta do  "CONTRATO  DE EMPRÉSTIMO (MÚTUO) nº 05.2011", valor esse informado na relação de bens e direitos  da DIRPF do ano de 2012 .  Em  sua  DIRPF  2012,  contudo,  não  estaria  informado  pelo  contribuinte  o  valor  total do contrato de mútuo. Assim, a diferença de R$ 256.779,50 entre o valor que  foi  declarado pelo contribuinte e o valor efetivo do contrato de mútuo foi considerada como um  empréstimo  do  contribuinte  por  duas  principais  razões: mais  benéfico  ao  contribuinte  e  por  ausente o lançamento desse valor no ano de 2011.  A  devolução  do  mútuo  ocorreu  por  meio  de  diversos  depósitos  bancários,  conforme  consta  em  anexo  “Recebimento  de  Empréstimo  Poly  Terminais”,  sendo  que  nos  termos da decisão recorrida, estes teriam sido os depósitos:  “[...] sendo os primeiros ocorridos no dia 25 de março de 2011,  no  montante  de  R$  8.309.789,64,  efetuados  através  do  banco  Bradesco  conta  513­4;  após  em  11  de  agosto  de  2011,  no  montante de R$ 2.506.463,38, e  finalmente em 12 de agosto de  2011, no montante de R$ 1.337.909,72, ambos pagos pelo Banco  do Brasil 76803­0, perfazendo um total de R$ 12.154.152,66. Os  depósitos estão listados à fl. 2795 do REFISC.  Adoto  como  voto  as  considerações  realizadas  pelas DRJ,  pois  entendo que  em consonância com o meu entendimento, in verbis:  Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.359          17 “No  Relatório,  a  fiscalização  simulou  a  dos  juros  devidos  em  face  do  contrato,  utilizando,  para  tanto,  a  fórmula  dos  juros  compostos M=P.(1 + i)), que resultou no total de devidos de R$  2.017.263,21.  Esses  valores  deveriam  ser  submetidos  a  tabela  regressiva de  imposto  sobre aplicação  financeira de  renda  fixa  retidos  pela  empresa  tomadora  do  empréstimo  e  informada  na  Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte ­ Dirf.  A  tabela  de  fls.  2796,  identifica  que  a  autoridade  lançadora  procedeu corretamente a apuração dos juros, observando a data  de  empréstimo  da  parcela,  apurando  o  tempo  em  meses  até  a  data  do  pagamento,  como  se  visualiza  na  tela  abaixo,  onde  se  compilam os cálculos de algumas competências:    Destarte,  consultada  a  Dirf  da  empresa  Poly  Terminais  Portuários  SA,  CNPJ  10.341.742/0001­34,  foi  verificado  que  esta reteve imposto sobre aplicações financeiras decorrentes do  empréstimo  obtido  junto  ao  contribuinte  no  valor  de  R$  361.581,10,  em abril  de 2011,  referente aos  juros pagos de R$  2.103.286,37  e  imposto  de  R$  130.014,39,  em  maio  de  2011,  referente aos  juros pagos de R$ 663.271,25.  (doc. Declarações  Pj ­ Outras ­ DIRF 2011 ­ POLY).  O  montante  de  juros  pagos  pela  empresa,  de  acordo  com  a  DIRF,  corresponde  a  R$  2.766.557,62  (2.103.286,37  +  663.271,25).  Com  base  nisso,  a  fiscalização  concluiu  que  o  valor  recebido  pelo  contribuinte,  a  título  de  devolução  do  valor  do  mútuo,  incluindo  o  capital  emprestado  mais  os  juros  decorrentes  do  empréstimo,  somam  R$  9.528.537,12,  que  correspondem  ao  valor  emprestado  de  R$  6.761.979,50,  constante  da DIRPF  do  contribuinte mais os juros informados na Dirf da empresa de R$  2.766.557,62 (2.103.286,37 + 663.271,25):  [...]  O  valor  excedente  de  R$  2.882.405,02  foi  classificado  pela  fiscalização  como  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica,  visto não ter sido oriundo do empréstimo, o qual também não foi  tributado  na  fonte,  conforme  verificado  na  DIRF  apresentada  pela empresa mutuária.  Neste  ponto,  antes  de  adentrar  na  análise  das  argüições  do  impugnante, cumpre retificar o valor lançado pela fiscalização  Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.360          18 de  R$  2.882.405,02  para R$  2.625.625,52,  que  corresponde  a  diferença  entre  os  valores  transferidos  pela  empresa  no  ano­ calendário  2011  e  os  valores  devidos  em  face  do  contrato  de  mútuo:  R$  12.154.162,64  –  R$  9.528.537,12.  Nesses  termos,  deve ser excluído, de ofício, o valor de R$ 256.779,50, da base  de cálculo do IRPF calculado para o ano­calendário 2011.”  Assim,  correta  a  exclusão  do  valor  de  R$  256.779,50  (referente  ao  ano­ calendário  2011),  devendo  a  fiscalização  promover  novo  cálculo,  considerando  a  exclusão  devida.   Portanto, correta a retificação procedida pela DRJ.  Quanto a Infração 003.  A DRJ de origem entendeu que o lançamento referente à infração 003 dever  ser afastado, uma vez que no tocante a matéria fática inexiste divergência nos autos.  Ocorre  que,  a  respeito  dos  anos­calendário  2012  e  2013  foi  determinada  corretamente  a  exclusão  na  totalidade  dos  valores  R$  2.907,657,48  e  R$  1.058.635,24,  respectivamente.   Entendeu a DRJ de origem que não houve divergência quanto ao ponto, pois  a autoridade lançadora no Relatório de Diligência Fiscal teria expressamente concordado com  os argumentos apresentados pelo contribuinte. Assim constou no referido Relatório (fl. 3191):      Assim,  as  empresas  AMERICANPET  (2011  e  2012);  DISPET  (2012);  POLYLOG (2013) e GIAD (2011, 2012 e 2013), possuíam lucros anteriores que suportariam a  distribuição nos anos subsequente sob fiscalização.  Dos Valores exonerados  Colaciona­se  os  quadros  demonstrativos  de  apuração  do  IRPF  elaborados  pela  DRJ  de  origem,  os  quais  entendo  como  corretos,  devendo  ser  mantida  a  exoneração  realizada:  A)  DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IRPF      Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 11516.723105/2016­12  Acórdão n.º 2202­005.064  S2­C2T2  Fl. 3.361          19 B)  DEMONSTRATIVO DE MULTA E  JUROS DE MORA – VALORES  MANTIDOS E EXCLUÍDOS    C)  DEMONSTRATIVO DO PRINCIPAL EXCLUÍDO    Nesse  sentido,  verifica­se  que  relativamente  ao  ano­calendário  de  2011  é  devida  a  exclusão  do  valor  de  R$  256.779,50  (diferença  entre  os  valores  transferidos  pela  empresa no  ano­calendário 2011 e os valores  devidos  em  face do  contrato de mútuo),  assim  como correta a exclusão da quantia de R$ 5.779.279,33 referente ao anos­calendário de 2012 e  2013, referente a infração apontada por lucro distribuído excedente ao escriturado.  Conclusão  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator                            Fl. 3261DF CARF MF

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7804701 #
Numero do processo: 16004.000722/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE PESSOA JURÍDICA É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção.
Numero da decisão: 9202-007.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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9202­007.841  –  2ª Turma   Sessão de  21 de maio de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  AGRO CARNES ALIMENTOS AT.C. LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  DEVIDAS  PELO  PRODUTOR  RURAL PESSOA FÍSICA ­ SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE PESSOA  JURÍDICA  É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador  rural  pessoa  física,  instituída  pela  Lei  10.256/01,  incidente  sobre  a  receita  bruta obtida com a comercialização de sua produção.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  e,  no  mérito,  em  dar­lhe  provimento.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  Miriam  Denise  Xavier (suplente convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo.    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho  Filho,  Patrícia  da Silva,  Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 07 22 /2 00 9- 19 Fl. 16901DF CARF MF     2 Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,  Maria Helena Cotta Cardozo.  Relatório  Trata­se Auto de Infração (Debcad 37.180.558­9) que nos termos do relatório  fiscal de e­fls. 1.522 e seguintes foi assim resumido:  2.1  Este  Relatório  Fiscal  visa  prestar  os  esclarecimentos  necessários acerca do Auto de Infração acima, o qual se refere  às  contribuições  incidentes  sobre  o  valor  de  produto  rural  adquirido não recolhidas pela empresa no período de 12/2003 á  12/2006.  2.2  A  autuada,  ao  adquirir  os  produtos  rurais  diretamente  de  Produtor  rural  "pessoa  Física",  conforme  Notas  Fiscais  de  Entrada  de  Mercadorias,  Notas  Fiscais  de  Produtores  Rurais  Pessoas Físicas, passou a ser responsável pelo recolhimento das  contribuições do produtor por força de sub­rogação legal, vindo  a incidir na hipótese figurada no artigo 30, da Lei n.8.212/91.  2.2.1 A prova documental que ampara o fato gerador descrito, se  encontra no registro e nas cópias das notas fiscais de entrada de  mercadorias, de aquisição de gado e suínos para abate e pelos  documentos  (ANEXO  V,  item  16.69)  e  nas  informações  prestadas  por  produtores  rurais  pessoas  físicas,  após  serem  regularmente  intimados,  através  dos  respectivos  Mandados  de  Procedimento Fiscal, Circularização, (ANEXO IV, Item 16.68),  os quais são partes integrantes do presente relatório fiscal, com  numeração independente, conforme legislação específica abaixo,  item 2.3 e no Relatório FLD — Fundamentos Legais do Débito,  enumerados no item 16.6, às fls. 26 e 27:.  O auto se fundamentou nos artigos 25 e 30, III e IV da Lei nº 8.212/91, já na  vigência da Lei nº 10.256/2001 (e­fls. 39). Período de autuação 01/12/2003 á 31/12/2006.  A  mesma  ação  fiscal  motivou  ainda  a  lavratura  de  outros  lançamentos  os  quais fundamentaram os seguintes processos administrativos (e­fls. 1551):  Processo: 16004.000719/2009­97  Processo: 16004.000720/2009­11  Processo: 16004.000721/2009­66  Processo: 16004.000723/2009­55  Processo: 16004.000724/2009­08  Processo: 16004.000725/2009­11  Processo: 16004.000726/2009­99  Processo: 16004.000756/2009­03  Processo: 16004.000757/2009­40  Processo: 16004.000758/2009­94  Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento  ao Recurso Voluntário  para  afastar  as  preliminares  de decadência  e  de  ilegitimidade  passiva  dos  responsáveis  solidários  e  no  mérito  reconhecer  a  inconstitucionalidade  da  exigência  da  contribuição  previdência  com  base  na  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  no  RE  n.º  363.852/MG. O acórdão recebeu a seguinte ementa:  Fl. 16902DF CARF MF Processo nº 16004.000722/2009­19  Acórdão n.º 9202­007.841  CSRF­T2  Fl. 3          3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006  GESTÃO  DE  EMPRESAS  POR  INTERPOSTAS  PESSOAS.  INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que  sendo  titular  de  fato,  exerce  a  gestão  empresarial  mediante  a  interposição  de  sócios  fictícios,  posto  que  possui  interesse  comum  na  situação  que  configura  o  fato  gerador  de  contribuições sociais.  COMPROVAÇÃO  DA  OCORRÊNCIA  DE  GRUPO  ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS  DAS  EMPRESAS  INTEGRANTES  PELAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS.  Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de  comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional  entre  as  empresas  integrantes,  respondem  estas  solidariamente  pelas contribuições sociais não recolhidas.  PREVIDENCIÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL.  OCORRÊNCIA  DE  FRAUDE,  DOLO  OU  SIMULAÇÃO.  CONTAGEM  A  PARTIR  DO  PRIMEIRO  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE  AQUELE  EM  QUE  O  LANÇAMENTO  PODERIA  SER  EFETUADO.  Verificando­se  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  aplica­se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério  previsto  no  inciso  I  do  art.  173  do  CTN,  ou  seja,  cinco  anos  contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006  SUBROGAÇÃO  NA  PESSOA  DO  ADQUIRENTE  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS  FÍSICAS.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  PELO STF. IMPROCEDÊNCIA  Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária  (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei  n.  8.540/1992  e  as  atualizações  posteriores  até  a  Lei  n.  9.528/1997, as  quais,  dentre outras,  deram redação ao art.  30,  IV,  da  Lei  n.  8.212/1991,  são  improcedentes  as  contribuições  sociais  exigidas  dos  adquirentes  da  produção  rural  da  pessoa  física na condição de subrogado.  Recurso Voluntário Provido  Fl. 16903DF CARF MF     4 Intimada  a  Fazenda  Nacional  interpôs,  tempestivamente,  recurso  especial.  Citando  como  paradigmas  os  acórdãos  2402­001.724  e  2402­001.955,  a  Recorrente  assim  resumiu a divergência:  Observa­se  que  nos  paradigmas,  assim  como  no  acórdão  recorrido, discutia­se, sobretudo à luz da decisão proferida pelo  Plenário do Supremo Tribunal Federal em 03/02/2010, sobre a  (in)constitucionalidade do instituto da sub­rogação, em feitos no  qual  o  fato  gerador  do  crédito  tributário  teve  como  origem  a  comercialização  do  produto  rural  adquirida  de  pessoa  física  empregador  e  segurado  especial.  Cabe  observar  que  todos  os  lançamentos foram efetuados com lastro na Lei nº 10.256/2001.  Contudo,  enquanto  na  decisão  hostilizada  concluiu­se  pela  sua  inconstitucionalidade,  nos  acórdãos  paradigmas,  refutou­se  tal  argumentação, mantendo­se o lançamento.  Como  se  vê,  os  acórdãos  paradigmas  acima  transcritos,  ao  tratarem  de  casos  idênticos  ao  dos  autos,  adotaram  entendimento  diametralmente  oposto  ao  firmado  no  acórdão  recorrido.  Foram  apresentadas  contrarrazões  pelos  devedores  solidários  Ari  Félix  Altomari,  João  do  Carmo  Lisboa  Filho,  João  Carlos  Altomari,  Itarumã  S/A,  Unidos  Agroindustrial  Ltda,  J  &  T  Administração  e  Participação  Ltda,  JL  Administração  e  Participação Ltda e AFA Administração e Participação Ltda. Com argumentações semelhantes,  defendem  os  recorridos  a  manutenção  do  acórdão  reiterando  o  entendimento  pela  inconstitucionalidade da subrrogação fixada pelo inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91.  É o relatório.    Voto             Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  O  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade  razão  pela  qual  dele  conheço.   Trata­se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão  proferida  pela  Turma  a  quo  que  entendeu  pelo  cancelamento  do  lançamento  cujo  objeto  é  exigência de  contribuições  sociais destinados à Seguridade Social e devidas por subrrogação  referentes a produtos rurais adquiridos de pessoas físicas. No entendimento do Colegiado a quo  a subrrogação prevista no art. 30, IV da Lei 8.212/91 foi declarada inconstitucional pelo STF  no recurso extraordinário nº 363.852/MG.  O acórdão recorrido assim discorreu sobre o tema, após se manifestar acerca  do RE 363.852 e da Lei nº 10.256/2001:  Respeitada  a  anterioridade  nonagesimal,  as  contribuições  incidentes  sobre  a  receita  da  comercialização  efetuada  pelo  produtor pessoa natural passaram, então, a ser exigíveis a partir  de  09/10/2001.  Assim,  a  decisão  do  STF  não  atinge  período  relativo ao presente lançamento (01/2003 a 10/2006), posto que  Fl. 16904DF CARF MF Processo nº 16004.000722/2009­19  Acórdão n.º 9202­007.841  CSRF­T2  Fl. 4          5 a norma que dá guarida à exação, art. 25 da Lei n.º 8.212/1991,  na  redação  dada  pela  Lei  n.º  10.256/2001,  não  sofreu  declaração de inconstitucionalidade.  O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente  dos  produtos  rurais  de  pessoa  física  na  obrigação  de  pagar  o  tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica  de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991,  na  redação dada pela Lei  n.º  9.528/1997,  o  qual  foi  declarado  inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva  do  acórdão  exarado  no  bojo  do  RE  n.º  363.852,  conforme  se  extrai do texto:  “...declarando  a  inconstitucionalidade  do  artigo  1º  da  Lei  nº  8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII,  25,  incisos  I  e  II,  e  30,  inciso  IV,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...”  ...  Perceba­se  que  quando  a  decisão  faz  menção  ao  dispositivo  declarado  inconstitucional  ela  reporta­se  também  às  atualizações  legais  trazidas  ao  ordenamento  pela  Lei  n.º  9.598/1997,  posto  que  essas  são  anteriores  a  edição  da EC n.º  20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei  n.º 8.212/1991, nas  redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e  n.º  9.548/1997,  foram  declarados  inconstitucionais,  não  pode  subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos.  Embora compartilhe do entendimento do acórdão recorrido, de que por meio  do RE 363.852/MG,  o Supremo Tribunal  Federal  declarou  a  inconstitucionalidade  do  citado  inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, vício que ainda subsistiria mesmo após a edição da Lei  nº 10.256/2001, o  acórdão  recorrido parte da premissa  equivocada de que o  lançamento  está  fundamentado  exclusivamente  no  mencionado  inciso.  Conforme  'Fundamentos  Legais  do  Débito' de e­fls. 39, a exigência ora discutida tem como fundamento o inciso III do mesmo art.  30  e  ainda  o  art.  216  do  Decreto  nº  3048/99,  o  que  por  si  só  afastaria  a  argumentação  de  inconstitucionalidade do acórdão recorrido, uma vez que sobre este dispositivo o STF não faz  qualquer  consideração. Vale  destacar  que  o  entendimento  da  maioria  do  Colegiado  vai  além, entendendo pela inexistência de qualquer vício/inconstitucionalidade também sobre  o art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91.  Como dito, o  lançamento ora discutido abrange fatos geradores ocorridos já  na  vigência  da  nova  redação  dada,  pela  Lei  nº  10.526/2001  e  sobre  esta  lei  há  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal,  sob  a  sistemática  da  Repercussão  Geral,  no  RE  nº  718.874/RS  concluindo no sentido de ser constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do  empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta  obtida com a comercialização de sua produção.  O julgado recebeu a seguinte ementa:  Ementa:  TRIBUTÁRIO.  EC  20/98.  NOVA  REDAÇÃO  AO  ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI  ORDINÁRIA  PARA  INSTITUIÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÃO  DE  EMPREGADORES  RURAIS  PESSOAS  FÍSICAS  INCIDENTE  Fl. 16905DF CARF MF     6 SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO  DA  PRODUÇÃO  RURAL.  CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001.   1.A  declaração  incidental  de  inconstitucionalidade  no  julgamento  do  RE  596.177  aplica­se,  por  força  do  regime  de  repercussão  geral,  a  todos  os  casos  idênticos  para  aquela  determinada  situação,  não  retirando  do  ordenamento  jurídico,  entretanto,  o  texto  legal  do  artigo  25,  que, manteve  vigência  e  eficácia para as demais hipóteses.   2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei  8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo  da  contribuição,  com  a  alíquota  de  2%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção;  espécie  da  base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98.  3.  Recurso  extraordinário  provido,  com  afirmação  de  tese  segundo  a  qual  É  constitucional  formal  e  materialmente  a  contribuição  social  do  empregador  rural  pessoa  física,  instituída  pela  Lei  10.256/01,  incidente  sobre  a  receita  bruta  obtida com a comercialização de sua produção.  Neste cenário, e considerando que as contribuições do art. 25 são recolhidas  pelo adquirente por  força do mesmo art. 30,  III da Lei nº 8.212/91, dispositivo cuja validade  nunca fora questionada, deve­se afastar a inconstitucionalidade argüida.  Diante do exposto, dou provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri                            Fl. 16906DF CARF MF

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7780058 #
Numero do processo: 10510.003607/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DIRF. ÔNUS DA PROVA. Não havendo comprovação quanto à incorreção das informações declaradas pela fonte pagadora em DIRF, com base nas quais apurou-se a ocorrência da omissão de rendimentos, há de ser mantido o lançamento.
Numero da decisão: 2202-005.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Rorildo Barbosa Correia, que a encaminhou. Acordam, ainda, quanto ao mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA

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2202­005.175  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de maio de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA (IRPF)  Recorrente  ESERLEA ROCHA BESSA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  INFORMAÇÕES  CONSTANTES  EM  DIRF. ÔNUS DA PROVA.   Não havendo comprovação quanto à  incorreção das  informações declaradas  pela fonte pagadora em DIRF, com base nas quais apurou­se a ocorrência da  omissão de rendimentos, há de ser mantido o lançamento.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  proposta de realização de diligência, vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e  Rorildo  Barbosa  Correia,  que  a  encaminhou.  Acordam,  ainda,  quanto  ao  mérito,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Ludmila  Mara  Monteiro  de  Oliveira  (Relatora),  Leonam  Rocha  de  Medeiros,  Marcelo  de  Sousa  Sáteles,  Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares  Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).   Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 36 07 /2 00 6- 49 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10510.003607/2006­49  Acórdão n.º 2202­005.175  S2­C2T2  Fl. 46          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  ESERLÉA  ROCHA  BESSA  contra  acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Salvador (DRJ/SDR), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança do IRPF,  relativa ao ano­calendário de 2003, por motivo de “omissão de rendimentos do trabalho com  e/ou  sem  vínculo  empregatício”  –  “vide”  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal  da  autuação às f. 4/7.   Em virtude da constatação da omissão, o imposto a restituir foi minorado de  R$ 3.505,11 (três mil, quinhentos e cinco reais e onze centavos) para R$ 2.411,53 (dois mil,  quatrocentos e onze reais e cinquenta e  três centavos), conforme consta do demonstrativo de  apuração do imposto devido à f. 6.      Replico brevíssimo excerto extraído do acórdão proferido pela DRJ, que bem  sintetiza o motivo pelo qual fora tido como procedente o lançamento:   A  prefeitura  de  Mata  de  São  João  informa  haver  pago  rendimentos  em  abril,  maio,  junho  e  julho  (fls.  21).  Os  documentos apresentados pela impugnante não são suficientes  para  demonstrar  estas  informações. O  fato  de  haver  recebido  rendimentos  da  Prefeitura  de  Tucano  não  exclui  a  possibilidade  de  haver  prestado  serviços  também  em Mata  de  São João. Não apresenta, por exemplo, contrato de prestação de  serviços ou outro documento que exclua a possibilidade de haver  recebido rendimentos  também em junho e  julho de 2003  (f. 32;  sublinhas deste voto).   Intimada  do  acórdão,  a  recorrente  apresentou,  em  06/11/2008,  recurso  voluntário (f. 32), reiterando as alegações declinadas em sua peça impugnatória. Reafirmou só  ter prestado serviço em Mata de São João (BA) nos meses de abril e maio de 2003 e que, nos  demais  meses  daquele  ano,  teria  laborado  na  Prefeitura  de  Tucano  (BA).  Afirmou  que,  em  ambos os municípios,  prestava serviços  como médica no  “Programa de Saúde da Família”  e  esclareceu que o cadastro feito a nível estadual e federal só permitiria trabalhar em um único  programa.  Malgrado  o  lançamento  tenha  sido  julgado  procedente,  principalmente,  por  carência de prova,  limita­se  a novamente  acostar  cópia do  “Demonstrativo de pagamento de  salário” emitido pela Prefeitura Municipal de Mata de São João, referente às competências de  04/2003 e 05/2003 (f. 10/11; replicado às f. 43).  É o relatório.   Voto             Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira ­ Relatora  Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade.  Ausentes questões preliminares, passo à análise do mérito.   De  início,  registro  que,  apesar  de  afirmar  que,  por  prestar  serviços  como  médica em “Programa de Saúde da Família”, não seria possível laborar concomitantemente nos  Municípios de Mata de São João e Tucano, sequer acosta aos autos prova de estar cadastrada  no  aludido  programa  em  ambos  os  Municípios  –  apenas  no  demonstrativo  de  pagamento  Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10510.003607/2006­49  Acórdão n.º 2202­005.175  S2­C2T2  Fl. 47          3 emitido pelo Município de Mata de São João consta ser vinculada ao PSF (f. 10/11; replicado  às f. 43).   Ainda  que  tivesse  logrado  êxito  em  demonstrar  indigitada  vinculação  ao  “Programa de Saúde da Família” em ambos os entes, falhou em comprovar a dita vedação de  prestar  serviços  médicos  de  forma  concomitante  em  programas  instituídos  pela  Municipalidade.  Isto  porque,  nos  termos  da  al.  “c”  do  inc.  XVI  do  art.  37  da  CRFB/88,  admitida a cumulação de cargos públicos na área da saúde, desde que haja compatibilidade de  horários.   O  fato  de  os municípios  serem  relativamente  distantes  –  aproximadamente  300 (trezentos) km – não exclui “prima facie” a possibilidade de cumulação, uma vez que os  comprovantes  de  pagamento  acostados  aos  autos  não  indicam  qual  era  a  carga  horária  da  recorrente  em  cada  cargo,  quantos  dias  por  semana  laborava,  dentre  outras  informações  relevantes.   De mais a mais, confrontando o “Comprovante de Rendimentos Pagos e de  Retenção de  Imposto de Renda”, emitido pela Prefeitura Municipal de Tucano (f. 12), com a  “Declaração do  Imposto de Renda Retido na Fonte”, apresentada pela Prefeitura da Mata de  São  João  (f.  25),  resta  inexoravelmente  fragilizada  a  tese  da  recorrente  quanto  à  impossibilidade  de  cumulação,  eis  que  referidos  documentos  atestam  concomitância  na  prestação de serviços médicos nos meses de junho e julho do ano­calendário de 2003.   Fundada nessas razões, nego provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Ludmila Mara Monteiro de Oliveira                                  Fl. 47DF CARF MF

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7842089 #
Numero do processo: 10494.000101/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Assunto: Classificação Fiscal SOLUÇÃO DE CONSULTA Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada a mercadoria importada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHO DE RAIOS X PARA DIAGNOSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. CÓDIGO NCM 9022.14.11. Está correta a classificação fiscal para a importação de aparelho de raios X para diagnóstico de patologias da mama adotada no lançamento, no código NCM 9022.14.11. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. A exoneração da multa de ofício ocorre com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, que vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. A penalidade de ofício só vale para as importações registradas a partir de 11/09/2002. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE APARELHO DE EXAMES PARA CLÍNICA MÉDICA. Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Ver RE nº 723.651/PR.
Numero da decisão: 3201-005.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APÓS O ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada a mercadoria importada. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APARELHO DE RAIOS X PARA DIAGNOSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. CÓDIGO NCM 9022.14.11. Está correta a classificação fiscal para a importação de aparelho de raios X para diagnóstico de patologias da mama adotada no lançamento, no código NCM 9022.14.11. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. A exoneração da multa de ofício ocorre com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, que vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002. A penalidade de ofício só vale para as importações registradas a partir de 11/09/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 01 01 /2 00 7- 12 Fl. 153DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE APARELHO DE EXAMES PARA CLÍNICA MÉDICA. Incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Ver RE nº 723.651/PR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 103/132, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 07-21.278 - 1ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 82/91, que julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 313.330,36 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados. multas de oficio sobre eles incidentes, multa por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul e juros de mora. Depreende-se do relatório de fiscalização. anexo e parte integrante dos autos de infração, que: A interessada registrou em 21/03/2002 a Declaração de Importação n° 02/0249129-8. para importar, mercadoria descrita como “Sistema GE digital modelo Senographe 2000D, constituído de gerador; tubo de raios-X; detector digital; grade removível; programas aplicativos; estação de aquisição; estação de revisão; pedais de compressão: fantoma; manuais; cabos de interconexão; controle remoto”, classificando-a no código NCM 9022.14.90. Em data anterior ao registro da Declaração de Importação, em 05/03/2002. a interessada protocolou processo de consulta sobre a classificação fiscal de mercadoria de idêntica denominação: “Sistema de raios-x Senographe 2000D”. Em 16/07/2002 a Divisão de Fl. 154DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Administração Aduaneira da 10" Região Fiscal expediu a Solução de Consulta. cientificando a interessada em 04/09/2002. na qual concluiu que a mercadoria se classifica no código NCM 9022.14.1 1. Mesmo cientificada da correta classificação fiscal da mercadoria importada, de acordo com a Solução de Consulta, a interessada não providenciou a retificação da Declaração de Importação n° 02/0249129-8 e/ou o recolhimento da diferença de tributos incidentes em razão da reclassificação fiscal devida. Assim, foi realizada a revisão aduaneira em relação à Declaração de Importação em tela e lavrados os autos de infração de folhas 02 a 14 para exigência das diferenças de impostos (de importação e sobre produtos industrializados), multas de oficio sobre eles incidentes, multa prevista no inciso 1 do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158- '35/200l e juros de mora. Cientificada regularmente dos autos de infração pela via pessoal (ciência 11s. 03. 09 e 13). a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 44 a 63, anexando os documentos de folhas 64 a 75. A impugnante alega. resumidamente. que: A reclassificação fiscal é extemporânea, conforme o disposto nos artigos 48 e 50 do Decreto-lei n° 37/66. A solução de consulta concluiu equivocadamente em relação à classificação fiscal da mercadoria. pois a classificação adotada está correta frente às características do equipamento e das regras de classificação fiscal de mercadorias. Existe ex-tarifário que ampara a mercadoria. de acordo com a Resolução Camex 41 de 02/12/2005 que detemiinou a classificação no código NCM 90.22.11-1.90 ex 001. E que. inclusive. não possui similar nacional. A classificação fiscal pretendida pelo Fisco refere-se a equipamento que possui similar nacional, “mamógrafo”. ao qual não pode ser comparado. As multas são inaplicáveis, pois não há diferenças de impostos. e conforme se depreende dos Atos Declaratórios Normativos n° 10/97 e 12/97. O produto foi corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua identificação e não ocorreu nenhum intuito de dolo ou ma-fé. O Regulamento Aduaneiro foi omisso em relação ao procedimento a ser adotado para aplicação da multa prevista em seu artigo 636, fato que justifica a impugnação. Assim. entendendo que a classificação fiscal da mercadoria está incorreta. a autoridade administrativa deveria oportunizar à interessada a apresentação de defesa e somente com a deliberação final da instância administrativa haveria que se consolidar a classificação. Portanto. a multa exigida. sobre a classificação fiscal, não deve prosperar. A aplicação da taxa Selic de juros é indevida. pelas diversas razões que expõe. como a ilegalidade e inconstitucionalidade. O imposto sobre produtos industrializados é indevido pois a impugnante não é contribuinte desse imposto. conforme doutrina e decisão do STF cujo excerto transcreve. Deve-se aplicar o disposto no inciso II do artigo 1 12 do Código Tributário Nacional. Lei n° 5.172/1966. Requer o cancelamento do auto de infração É o relatório O Acórdão n.º 07-21.278 - 1ª Turma da DRJ/FNS está assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2002 Fl. 155DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA. A competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas é de ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, atribuição de caráter privativo. INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO Dos FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com consequente aplicação da penalidade prevista. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 2 - Da Extemporânea Classificação Tarifária A Recorrente alega que a classificação tarifária indicada pela fiscalização é extemporânea. Reitera a Recorrente a sua estranheza visto que foram passados vários anos da “ciência” da resposta da consulta formulada, cuja resposta "concessa vaenia" discorda a Impugnante, considerando que a classificação adotada pelo Importador reputa-se correta e adequada, consoante às características do equipamento sob análise, que possui Ex Tarifário, não tendo, nem à época da importação, tampouco nos dias atuais, qualquer similar nacional, portanto, impossível ser enquadro e tributado conforme pretendera o nobre Fisco e ratificado indevidamente pela Colenda Delegacia a quo. (e-fl. 105) Nesse linha de argumentação cita o art. 50 do Decreto Lei 37/66 defendendo que o prazo para a fiscalização verificar a classificação tarifária seria de 5 (cinco) dias depois de ultimada a conferência aduaneira. 3 - Da Mudança de Critério Jurídico - Impossibilidade A Recorrente argumenta que houve mudança de critério jurídico, sendo tal prática vedada em lei. Reforça tal argumento citando jurisprudência. 4 - Da Classificação Fiscal Adotada pela Recorrente A Recorrente defende a classificação adotada quando da importação do equipamento objeto da lide. Sobre o assunto menciona a interpretação do Sistema Harmonizado para concluir que o código da NCM correto seria a 9022.14.90 em oposição ao 9022.14.11 indicado pela fiscalização. O Sistema Digital GE Senographe ZOOOD, cuja função está claramente descrita "visualização de patologias mamárias, com produção de imagens digitais em tela, dispensando filmes radiográficos e possibilitando a impressão de imagens, sua transmissão por rede e seu arquivamento em meio magnético.”, não possuindo similar nacional, justificando-se integralmente a diferenciação “ad valorem" e item tarifário adotado pela Impugnante. (e-fl. 110) Fl. 156DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Sustenta que a classificação adotada pela fiscalização seria para um equipamento de geração ultrapassada, enquanto o equipamento importado seria moderno. 5 – Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005 - Classificação A Recorrente afirma que a Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005, determinou que o aludido equipamento objeto do contencioso possuísse a classificação 90.22.14.90 EX 001, com alíquota do imposto de importação de 0% (zero por cento). 6 – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Incidência – Precedentes – Supremo Tribunal Federal A Recorrente acredita serem indevidos os valores cobrados a título de IPI na importação, levando-se em conta a não-cumulatividade e o entendimento de que o importador não estaria enquadrado na categoria de contribuinte. Nesse ponto, explica que se trata de um prestador de serviços, que não tem como realizar a regra da não-cumulatividade. Cita jurisprudência relativa a importação de veículo por pessoa física. 7 – Da Não Aplicação de Penalidades (Multa de 75%) A Recorrente acredita ser descabida a exigência da multa de 75% sobre a cobrança dos tributos. Alega a seu favor o Ato Declaratório nº 10/97 afirmando que descreveu corretamente o produto importado. 7.1 – Multa de 1% - divergência de classificação A Recorrente se insurge contra a cobrança da multa de 1% instituída pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, por classificação incorreta. Alega que houve omissão quanto ao procedimento a ser adotado para apuração da classificação fiscal. É que a atividade funcional administrativa é plenamente vinculada, de sorte que, entendendo a Autoridade Administrativa Aduaneira que a classificação da mercadoria apresentada é incorreta, caberia a ela a aplicação da multa. Todavia, a Autoridade Administrativa também está sujeita a equívocos e, desse modo, não pode a Recorrente ser compelida ao pagamento de multas, sujeitas unicamente ao entendimento da referida Autoridade, sem que lhe seja dada oportunidade de apresentar sua defesa, aduzindo suas razões na busca pela correta classificação, que somente após deliberação final da instância administrativa, haverá de se consolidar. (e-fl. 119) 8 – Correção Monetária de Crédito Tributário - Selic A Recorrente combate a incidência de correção monetária e juros com a utilização da Taxa Selic sobre os débitos apurados. A taxa selic é um referencial fornecido pelo Banco Central do Brasil objetivando controlar o fluxo comercial da moeda nacional, ora favorecendo, ora restringindo a circulação do dinheiro. Assim, juntamente com as taxas de juros (de alteração mais restrita) a taxa Selic serve para o Banco Central balizar a atividade das instituições financeiras de acordo com interesses políticos e financeiros da União. Neste diapasão, em hipótese alguma a taxa Selic pode ser utilizada, seja como índice de correção monetária, seja como taxa de juros, principalmente de débitos tributários. (e-fl. 121) 9 – Da Interpretação da Legislação Tributária A Recorrente alega que a decisão recorrida contraria princípios elementares de Direito Tributário, consoante dispõe o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. 10 – Do Pedido Fl. 157DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Tendo a Recorrente se insurgido contra a decisão de primeira instância, ao final do seu recurso voluntário requer o cancelamento do auto de infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, trata-se de processo relativo à classificação fiscal de mercadorias. 2 - Da Extemporânea Classificação Tarifária A Recorrente alega que a classificação tarifária indicada pela fiscalização é extemporânea. Não assiste razão a Recorrente. Conforme disposto pela decisão de primeira instância, o art. 50 do Decreto-lei n° 37/1966, teve sua redação alterada pelo Decreto-lei n° 2.472/1988 passando a viger com a seguinte redação. in verbis: Art. 50. A verificação da mercadoria. no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada por Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional, na presença do importador ou de seu representante, e se estenderá sobre toda a mercadoria importada, ou parte dela, conforme critérios fixados em regulamento. Ainda na linha de esclarecer a legislação em vigência, cabe citar o disposto no art. 54 do Decreto-lei n° 37/1966, com redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/1988 que trata do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação (DI), para apurar a regularidade do pagamento do imposto ou do benefício fiscal aplicado. Art.54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Sendo assim, verifica-se que o trabalho de verificação da classificação fiscal da mercadoria importada não foi extemporâneo, conforme afirmado pela Recorrente. Nega-se provimento. 3 - Da Mudança de Critério Jurídico - Impossibilidade A Recorrente argumenta que houve mudança de critério jurídico. Não assiste razão a Recorrente. Inicialmente compete esclarecer que não há mudança de critério jurídico se nada foi determinado ou decidido em relação ao período anterior não autuado. Fl. 158DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o ato de desembaraço aduaneiro da mercadoria encerra a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria importada, dando início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei, em que, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário e na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Nessa linha, de forma resumida, a revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a arguição de mudança de critério jurídico. Nega-se provimento. 4 - Da Classificação Fiscal Adotada pela Recorrente A Recorrente defende sua classificação fiscal. Não assiste razão a Recorrente. Inicialmente compete esclarecer que a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do disposto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6/03/1972, no art. 1º do Decreto nº 97.409, de 22/12/1988, no art. 2º do Decreto nº 766, de 3/03/1993, nos arts. 88 a 102 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, e nos arts. 2º a 4º do Decreto nº 7.660, de 23/12/2011. A NCM toma por base a Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Convenção do SH) administrado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA), também conhecido como Organização Mundial de Aduanas (OMA), cuja sede fica em Bruxelas. A Convenção do SH é a base de todos os Acordos de comércio negociados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros organismos internacionais. Tal instrumento possui atualmente 157 partes contratantes dentre países territórios e uniões econômicas. O Brasil é signatário da referida Convenção desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. A promulgação da Convenção do SH foi feita por meio do Decreto n° 97.409, de 22/12/1988. De forma resumida, a Convenção do SH possui seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) que servem de pilares para o sistema de codificação de mercadorias. Dentre as seis RGI, a mais importante é a RGI 1 que determina a força legal dos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas. REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura rege-se pelas seguintes Regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. A RGI 1 atesta que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Fl. 159DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 Nesse sentido, cabe esclarecer que a Recorrente realizou consulta e obteve resposta quanto ao correto código de classificação fiscal NCM 9022.14.11 a ser adotado quando da importação do equipamento por meio da Solução de Consulta SRRF/l0°RF/Diana n° 59/2002 (e-fls. 18 a 19). A referida Solução de Consulta está assim ementada: Código TEC 9022.14.11 Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: Mercadoria Aparelho de raios X, -para diagnóstico de patologias da mama, comercialmente denominado “Sistema de Raios X Senographe 2000D”, apresentado sob a forma de unidade funcional constituída pelos seguintes elementos: - unidade de aquisição de imagens (gerador de raios X com detector digital) - anteparo de proteção com painel de controle -cabine do gerador, com sistema de fornecimento de energia para a unidade de aquisição de imagens e para o carro AWS, componentes eletrônicos de gerenciamento e sistema de refrigeração/secagem do detector digital - carro AWS, com máquina automática para processamento de dados (console de operação e unidade de processamento, diagnóstico e arquivamento de imagens, com unidades de entrada e saída) - cabos de conexão Dispositivos Legais: RGI 1 (Notas 4 da Seção XVI e 3 do Capítulo 90 e texto da posição 9022) e 6 (texto da subposição 9022.14), e RGC-1 (textos do item 9022.14.1 e do subitem 9022.14.11), da TEC aprovada pela Resolução Camex n° 42, de 2001 Conforme consta da Solução de Consulta, a classificação do equipamento no código NCM 9022.14.11 está vinculado ao diagnóstico de enfermidades da mama da mulher e não, conforme imagina a Recorrente ao grau de modernidade tecnológico do equipamento. Os aparelhos de raios X, para usos médicos, classificam-se na posição 9022 e, mais especificamente, na subposição 9022.14; o sistema objeto da consulta tem por função, de acordo com sua especificação, o diagnóstico de enfermidades da mama da mulher, e, portanto, enquadra-se no item 9022.l4.1, e não no item 9022.14.90, como quer o consulente. Enfim, por se tratar de aparelho de raios X para mamografia, classifica-se no subitem 9022.14.11. (e-fl. 18) Sobre os efeitos da solução de consulta eficaz, cabe cito exemplos de jurisprudência deste CARF. UNIDADES EVAPORADORAS - SOLUÇÃO DE CONSULTA. Havendo classificação fiscal determinada em consulta formulada pelo contribuinte, deve ela ser aplicada, mesmo que posteriormente tenha havido edição de nova TIPI, porém não alterando, em essência, os termos da Solução de Consulta. (CARF, Acórdão nº 9303-007.029 do Processo 11065.005554/2008-21) CONSULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SOLUÇÃO. APLICAÇÃO. A solução de consulta eficaz sobre classificação fiscal de mercadoria aplica-se a todas as declarações de importação apresentadas pelo consulente. No prazo de trinta dias da ciência do resultado da consulta, a administração aduaneira está impedida de instaurar procedimento fiscal contra o consulente versando sobre a matéria objeto da consulta. (CARF, Acórdão nº 3302-001.926 do Processo 19647.002997/2005-88) Fl. 160DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 No presente caso, a Solução de Consulta foi realizada para o equipamento em questão e a Recorrente tomou ciência da resposta tendo direito garantido seu direito de corrigir a classificação sem a incidência de multa. Não obstante, preferiu manter a classificação equivocada e incorrer nos riscos da revisão aduaneira. Assim, engana-se a Recorrente no tocante a classificação fiscal e nego provimento. 5 – Resolução CAMEX 41, de 02/12/2005 - Classificação Conforme esclarecido em tópico anterior, a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e não da CAMEX. Nego provimento. 6 – IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – Não Incidência – Precedentes – Supremo Tribunal Federal O mérito cinge-se à sujeição passiva da empresa Recorrente (prestadora de serviço médico) ao pagamento do IPI vinculado a importação, de bem importado para compor seu ativo fixo. Sobre essa alegação, cabe esclarecer que a incidência do IPI ocorre no momento do registro da DI, conforme previsão do art. 110, I, do Decreto 2.637/1998 (Regulamento do IPI). Considera-se irrelevante “a finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º, § 2º)" (Decreto 2.637/1998, art. 36). Dessa forma, e ainda de forma análoga ao julgamento firmado no RE nº 723.651/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, restou definido que "incide, na importação de bens para uso próprio, o Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo neutro o fato de tratar-se de consumidor final", não havendo violação ao princípio da não-cumulatividade, mas sim prestígio e garantia de isonomia entre os produtores nacionais e estrangeiros. Não assiste razão a Recorrente e nego provimento. 7 – Da Não Aplicação de Penalidades (Multa de 75%) A Recorrente acredita ser descabida a exigência da multa de 75% sobre a cobrança dos tributos. Alega a seu favor o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997 afirmando que descreveu corretamente o produto importado. O argumento foi analisado pelo juízo a quo conforme abaixo com a conclusão de que o ADI 13/2002 revogou o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/1997. A tese da impugnante de que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/1997 ampara sua alegação de que a multa em referência é indevida e' improcedente. O Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10/l997. assim dispunha. in verbis: O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições (___) Declara. (...). que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4° da Lei n° 8.218. de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação. feita no despacho aduaneiro. de reconhecimento de imunidade tributária. isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional. quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex). desde que o produto esteja corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua Fl. 161DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. e que não se constate. em qualquer dos casos. intuito doloso ou ma fé por parte do declarante. Todavia referido Ato foi revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 13/2002. que dispôs nos seguintes termos, in verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL. no uso da atribuição (..) declara: Art. 1 Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996. a solicitação. feita no despacho de importação. de reconhecimento de imunidade tributária. isenção ou redução do imposto de importação e preferencia percentual negociada em acordo internacional. quando incabíveis. bem assim a indicação indevida de destaque ex. desde que o produto esteja corretamente descrito. com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. e que não se constate. em qualquer dos casos. intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2° Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit n 10, de 16 de janeiro. de 1997. De se notar do teor do ADI n° 13/2002 que, dentre as hipóteses de não caracterização da infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, não consta a classificação fiscal incorreta da mercadoria importada. Essa, inclusive, é a diferença fundamental entre o aludido ADI SRF n° 13/2002 e o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997, por ele revogado. A edição do ADI SRF n° 13/2002 se fez necessária em razão da previsão do inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001. que passou a caracterizar como infração a incorreta classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul. Portanto, desde a publicação da Medida Provisória n° 2.l58-35/2001 o entendimento do ADN Cosit n° l0/1997 deixou de prevalecer. Ademais, ainda que assim não fosse, a descrição da mercadoria na Declaração de Importação em tela é insuficiente para se permitir à correta identificação e ao enquadramento tarifário dessa mercadoria. Portanto, as multas de oficio, previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, não podem ser excluídas. Ocorre todavia, que o fato gerador é de 21/03/2002 e o ADI 13/2002 é de 10/09/2002, ou seja, posterior a data do fato gerador. Assim, a época do fato gerador ainda vigia o Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. O CARF tem jurisprudência sobre o tema. MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO PARCIAL. Uma vez que a exoneração da multa de ofício ocorreu com base no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10/97, e esse vigorou até a edição Ato Declaratório Interpretativo nº 13 de 10.09.2002, as importações registradas partir de 11/09/2002 não mais estão guarnecidas pela exclusão da penalidade de ofício. (CARF, Acórdão nº 3101-001.208 do Processo 12466.004376/2006-07, de 22/08/2012) IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI – VINCULADO. MULTAS DE OFÍCIO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL – A correta descrição do produto por meio do nome comercial que consta em repositórios técnicos afasta a aplicação das penalidades de ofício, por erro de classificação fiscal, em face da aplicação do Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 12/97 e Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº. 10/97. (CARF, Acórdão nº 3101-000.572 do Processo 11128.004058/2002-82, de 08/12/2010) Sendo assim, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997, não procede a multa de ofício, se a descrição da mercadoria se revela suficiente para a classificação tarifária. Dessa forma, voto por dar provimento nesse ponto. 7.1 – Multa de 1% - divergência de classificação Fl. 162DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.474 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10494.000101/2007-12 A Recorrente se insurge contra a cobrança da multa de 1% instituída pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, por classificação incorreta. Não assisti razão a Recorrente. Os autos fazem prova de que a Recorrente, mesmo recebendo o resultado do processo de consulta, permaneceu no erro, classificando incorretamente a mercadoria. Dessa forma, nego provimento. 8 – Correção Monetária de Crédito Tributário - Selic A discussão quanto a correção monetária por meio da taxa Selic foi sumulada neste CARF. Nesse ponto reproduzo a Súmula CARF nº 108. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, nego provimento. 9 – Da Interpretação da Legislação Tributária O CARF não tem competência para analisar a alegação de interpretação da legislação tributária contrária a princípios elementares de Direito Tributário, consoante dispõe o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, nego provimento. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário apenas para excluir a multa de ofício com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n° l0/l997. É como voto. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 163DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.903743/2012-59
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de PIS e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Numero da decisão: 3003-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges - Presidente. Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA

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CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de PIS e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges - Presidente. Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar os autos replico o relatório utilizado pela DRJ: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 01207.59201.100809.1.7.049060, transmitida em 10 de agosto de 2009, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 25.980,30, que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), mediante Darf código 6912, em 24 de abril de 2009, no valor de R$ 144.780,56, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 37 43 /2 01 2- 59 Fl. 202DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.303 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.903743/2012-59 Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre RS pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 142, emitido em 03 de abril de 2012, fazendo-o com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que, revisando a apuração do PIS/Pasep, referente ao período de apuração de março de 2009, constatou que o débito original correto era R$ 118.800,26, o que resultou no pagamento a maior de R$ 25.980,30, uma vez que o pagamento correspondente foi de R$ 144.780,56. A contribuinte explica que, quando constatou que procedeu ao recolhimento a maior, deveria ter promovido a retificação da DCTF, porém não o fez antes da transmissão da Dcomp. Argumenta a interessada que a retificação transmitida em 13 de novembro de 2009 corrigiu o valor do débito de PIS/Pasep de março de 2009, que passou a ser R$ 118.800,26, valor este que repetiu na retificação efetuada em 08 de abril de 2010. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 07-34.467 com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual sustenta que a apresentação prévia de DCTF retificadora não é requisito para verificação da liquidez e certeza de direito creditório. É o Relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. A controvérsia pode ser resumida em saber se após a retificação da DCTF havia saldo credor suficiente a ser compensado pois é fato incontroverso que a retificação somente foi realizada após a transmissão do DCOMP que deu ensejo ao Despacho Decisório que o deixou de homologar. Fl. 203DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.303 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.903743/2012-59 Por uma questão de ordem lógica dos acontecimentos a Receita Federal agiu corretamente em deixar de homologar o pedido de compensação fundamentado na ausência de saldo suficiente, posto que nos sistemas, de fato, não havia saldo suficiente, já que o pedido de compensação foi realizado antes que a Recorrente retificasse a DCTF. Nesse sentido, após o despacho decisório foi protocolada a manifestação de inconformidade com a juntada de alguns documentos comprobatórios. Contudo, no entendimento da DRJ a retificação da DCTF após pedido de compensação não produz efeitos em relação a Dcomp anteriormente apresentada .Vejamos: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houvesse retificação da DCTF, estar-se-ia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Ao meu ver o entendimento acima não condiz com a prática habitual, sendo contrário as conclusões propostas pela solução de COSIT 02 de 2015, que confirma a possibilidade de retificação da DCTF após transmissão da DECOMP: 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dá- se quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 20.2. Portanto, a princípio, não há impedimento para que o indeferimento do PER ou a não homologação da DCOMP possa ser desfeita na hipótese de o sujeito passivo comprovar que de fato tinha o direito ao crédito informado, ainda que para isso tenha sido necessário retificar a DCTF depois de analisado o PER/DCOMP. Tem-se aqui que o erro, o esquecimento de praticar um ato que lhe era necessário para confirmar formalmente um direito que ele já tinha desde a apresentação da DCOMP. 20.3. Assim, certamente não é o desejável nem deve ser o corriqueiro, mas uma exceção, a possibilidade de retificação da DCTF depois de não homologada a DCOMP ou de indeferido o PER, desde que confirmada a disponibilidade do crédito. Essa retificação é suficiente para suscitar a revisão pela autoridade administrativa do despacho decisório, conforme seja objeto de pedido de revisão de ofício ou de manifestação de inconformidade, e esta ou a retificadora ocorra antes ou depois de decorridos 30 dias da não homologação, e desde que as informações prestadas à RFB não sejam diferentes de outras declarações tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010. Ocorre, porém, que embora a retificação posterior da DCTF seja chancelada pela Receita Federal, a análise da possibilidade de verificação do crédito tributário esbarra na necessidade de comprovação da liquidez e certeza. Fl. 204DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.303 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.903743/2012-59 Prosseguindo na análise da atual problemática proposta, concluo que o cerne da questão não se esgota na possibilidade ou não de retificação da DCTF para revisão de despacho decisório que deixou de homologar pedido de compensação, mas sim na comprovação de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente alegações, pedido de compensação e retificação da DCTF. Faz-se necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie, pertinente ao tributo gerador do crédito alegado. Nesse sentir, considerando que o código 6912 de recolhimento do DARF (e-fls 25) trata de PIS no regime não-cumulativo (lei n.º10.637/02), para comprovação da certeza e liquidez faz-se necessário a juntada de notas fiscais para comprovar as tomadas de crédito. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo,os documentos juntados e as alegações da requerente deveriam estar acompanhadas dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados, considerando o regime não cumulativo declarado na arrecadação, necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. Em que pese a recorrente tenha juntado o livro diário e o livro razão, estes por si só não são suficientes para comprovar os créditos oriundos do PIS no regime não cumulativo e por essa razão, no meu entendimento, as alegações recursais carecem de provas. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a Fl. 205DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.303 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.903743/2012-59 organização e vinculação dos documentos (hábeis e idôneos) com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil-fiscal, pertinentes ao tributo em análise, seria indispensável para um convencimento. Modernamente defende-se a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito 1 , assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda 2 : São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, após, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte comprovação adequada da certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. É o meu entendimento Márcio Robson Costa - Relator 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 206DF CARF MF

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Numero do processo: 10850.909184/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases - RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Numero da decisão: 3201-005.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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3201­005.327  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de abril de 2019  Matéria  Compensação  Recorrente  BRQUALY ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  3.º,  §1.º  DA  LEI  9.718/98.  MATÉRIA  RECONHECIDA  NO  RE  357.0509  EM  REPERCUSSÃO  GERAL.  APLICAÇÃO  OBRIGATÓRIA.  ANÁLISE  DE  MÉRITO.  ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.  A  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  alargou  o  conceito  de  faturamento  para  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS,  foi  reconhecida pelo STF no  julgamento dos RE nº 585.235, na  sistemática da  repercussão  geral  (leading  cases  ­  RE  n.º  357.9509/  RS,  390.8405/  MG,  358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas  não  operacionais  da  Contribuinte  não  integram  a  base  de  cálculo  da  contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável  e vigente de faturamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições  para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando­se a informação  da  diligência  fiscal,  e  (ii)  as  receitas  relativas  às  contas  "7193000602",  "7193000606",  e  "7193000603";  e  b)  incluir  na  base  de  cálculo  das  referidas  Contribuições  as  receitas  decorrentes  de  taxa  de  administração,  inscrição  e  manutenção  ainda  que  contabilizadas  na  conta 7399900705.  (assinatura digital)  Paulo Roberto Duarte Moreira ­ Presidente em Exercício.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 84 /2 01 1- 89 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 331          2 (assinatura digital)  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Giovani  Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi  de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário,  Laércio  Cruz  Uliana  Junior  e  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira  (Presidente  em  Exercício).  Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.,  substituído pelo conselheiro Marcos  Roberto da Silva.  Relatório  O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls.  114,  apresentado  em  face  da  decisão  proferida  pela  DRJ/SP  de  fls.  69,  que  julgou  a  Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório  do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  transcrevo  o  relatório  da  decisão de primeira instância administrativa, in verbis:  "O presente processo administrativo foi materializado na forma  eletrônica,  razão  pela  qual  todas  as  referências  a  folhas  dos  autos  pautar­se­ão  na  numeração  estabelecida  no  processo  eletrônico.  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  pela  contribuinte  por  meio  de  seus  representantes  legais,  conforme  instrumento  de  mandato  a  fls.  039/040,  em  face  do  Despacho  Decisório  eletrônico  resultante  da  apreciação  do  documento  Pedido de Restituição eletrônico nº 21049.98277.140606.1.2.04­ 4081  (fls.  002/004),  protocolado  em  14/06/2006,  e  dos  demais  documentos  associados,  por  meio  dos  quais  a  contribuinte  pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 3.062,48.  Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição,  o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos  autos (fl. 004) com as seguintes características:    A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada  pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio  Preto,  que,  em  03/01/2012,  emitiu  Despacho  Decisório  eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o  Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 332          3 Pedido  de  Restituição,  com  base  no  seguinte  fundamento:  o  pagamento  foi  integralmente utilizado para quitação de débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição..  Cientificada do Despacho Decisório, em 17/01/2012 (fl. 006), a  contribuinte  ingressou,  em  15/02/2012,  com  a manifestação  de  inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se  manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir.  1.  Solicita  a  reunião  dos  processos  administrativos  nº  10850.909184/2011­89,  nº  10850.909185/2011­23,  nº  10850.909186/2011­78  e  nº  10850.909187/2011­12,  sob  o  argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de  crédito  decorrente  de  recolhimento  indevido  de  contribuição  social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n°  9.718/1998.  Invoca  para  tanto  os  princípios  da  economia  processual  e os dele decorrentes. Cita doutrina que  respalda a  reunião  de  processos  com mesmo  fundamento  fático  e  define  a  conexão  entre  ações  e  aponta  que  os  processos  teriam  as  mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz  decisão administrativa.  2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos  fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos  a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no  art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o  art.  142,  do  Código  Tributário  Nacional,  o  que  teria  permitido  à  requerente demonstrar seu direito ao crédito.  3.  Quanto  ao  mérito,  sustenta  que  o  art.  3º,  §1º,  da  Lei  nº  9.718/1998,  ampliou  significativamente  a  base  de  cálculo  da  contribuição  de  forma  inconstitucional,  ao  prescrever  que  nela  fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa  jurídica,  e  não  simplesmente  seu  faturamento,  ofendendo  frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se  restringia  somente  ao  faturamento,  e  o  art.  110,  do  Código  Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária,  da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e  formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente,  pela Constituição Federal para definir ou  limitar competências  tributárias.  Nesse  sentido,  refere­se  à  jurisprudência  do  STF,  citando  julgados, e argumenta, ainda, que a matéria  já foi considerada  pelo  STF  de  repercussão  geral  e  será  objeto  de  sumula  vinculante,  conforme  voto  que  transcreve.  Reforça  apontando  que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º,  da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria  reconhecido  a  inconstitucionalidade  já  pacificada  na  jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa,  traz  exemplos  de  decisões  dessa  instância,  ressaltando  em  especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF  nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve  Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 333          4 ser  aplicada  pelas  autoridades  fazendárias  em  suas  decisões.  Reforça  sua  posição  invocando  o  art.  26­A,  §6º,  inciso  I,  do  Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61­A e 62, §1º, inciso I, do  Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256,  de  22/06/2009,  disposição  que  já  constava  no  regimento  do  órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo  da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes  ao  faturamento.  Portanto,  no  caso  específico  do  presente  processo,  seria  indevido  o  valor  de  R$  3.062,48,  que  corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas  que  não  integram  o  faturamento,  conforme  comprovado  por  documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito  pleiteado, o qual deve ser restituído.  Conclui  requerendo  o  acolhimento  e  provimento  da  presente  manifestação  de  inconformidade,  com  o  reconhecimento  do  direito  da  requerente  à  restituição  da  contribuição  calculada  sobre  receitas  estranhas  ao  conceito  de  faturamento,  informa  que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi  submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por  todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de  perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos.  É o relatório."  A  10ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Ribeirão  Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS.  Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001.  PAF.  REUNIÃO  DE  PROCESSOS.  NECESSIDADE  DE  PREVISÃO NORMATIVA.  A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve  seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem  a  consolidação  de  matérias  em  um  único  processo  e  o  apensamento  de  processos,  conforme  a  hipótese,  inexistindo  previsão de julgamento conjunto.  RESTITUIÇÃO  E  COMPENSAÇÃO.  PROFUNDIDADE  DA  APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO.  Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da  compensação  no  limite  do  teor  do  pedido  apresentado,  não  podendo  ser  caracterizado  como  falta  de  aprofundamento  da  análise  a  não  apreciação  de  fundamento  não  registrado  no  corpo do pedido e trazido somente na contestação.  CONSTITUCIONALIDADE.  VINCULAÇÃO  DO  JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO.  PREVISÃO  EXPRESSA  EM ATO NORMATIVO.  CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE.  Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 334          5 A  instância  administrativa  é  incompetente  para  se  manifestar  sobre  constitucionalidade  e  o  afastamento  de  normas  sob  fundamento  dessa  natureza  depende  da  correspondente  declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de  vinculação  obrigatória  expressamente  previsto  no  ordenamento  jurídico.  RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR.  Verificado  que  o  crédito  pleiteado  tem  seu  valor  totalmente  vinculado  à  quitação  de  débitos  declarados  em  DCTF,  resta  impossibilitada, por falta de saldo, a restituição.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  da  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.   Direito Creditório Não Reconhecido."  Os  autos  foram  distribuídos  e  pautados  nos  moldes  do  regimento  interno  deste Conselho.  Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, esta Turma decidiu converter  o  julgamento  em  diligência  (fls.  215)  para  que  a  autoridade  de  origem  considerasse  a  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo.  A  diligência  foi  atendida,  conforme  pode  ser  verificado  nas  fls.  304  (informação fiscal) e fls. 314 (manifestação do contribuinte à informação fiscal).  Em  resumo,  após  a  diligência,  a  fiscalização  considerou  as  receitas  financeiras  e  concordou  com sua exclusão da base de  cálculo da  contribuições  e  reconheceu  parcialmente o crédito solicitado.  O  contribuinte  se  manifestou  sobre  as  linhas  contábeis  que  não  foram  reconhecidas  pela  fiscalização:  ressarcimento  de  despesas  legais  judiciais,  multas  e  recuperação de despesas.  Relatório proferido.  Voto             Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ­ Relator.  Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos  e  petições  apresentados  aos  autos  deste  procedimento  administrativo  e,  no  exercício  dos  trabalhos  e  atribuições  profissionais  concedidas  aos  Conselheiros,  conforme  Portaria  de  condução e Regimento Interno, apresenta­se este voto.  Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 335          6 Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e  presentes  os  requisitos  de  admissibilidade,  o  tempestivo  Recurso  Voluntário  deve  ser  conhecido.  Em  fls.  304,  a  fiscalização  reconheceu  a maioria  do  crédito  solicitado  pelo  contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir:  "Conclusão  18. Por conseguinte, devem ser incluídas na base de cálculo da  Cofins  do  contribuinte  as  receitas  operacionais  registras  nas  seguintes contas do plano de contas do contribuinte no periodo  em análise:  7193000602 RESSARCIMENTO DESP LEGAIS JUDICIAIS  7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS  7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTAS  19. Refazendo a apuração do PIS e da COFINS dos períodos de  apuração de nov/2000 a abr/2001 e de jun/2001 a set/2001, com  base nos demonstrativos  e  registros  contábeis que  constam dos  autos,  incluindo  na  base  de  cálculo  todas  as  receitas  operacionais  e  excluindo  as  receitas  financeiras,  estranhas  ao  conceito de faturamento, temos a seguinte apuração:            20. Comparando a COFINS apurada na diligência com o valor  do  DARF  apontado  no  PER  nº  21049.98277.140606.1.2.04­ 4081, aqui em análise, e tendo em vista que o reconhecimento do  crédito se limita ao valor pedido pelo contribuinte, concluo pelo  RECONHECIMENTO  PARCIAL  do  direito  creditório  no  valor  de R$ 2.895,92, referente à COFINS do período de apuração de  Jun/01.  21.  Para  constar  e  surtir  os  efeitos  legais,  lavro  o  presente  termo, assinado por Auditor­ Fiscal da Receita Federal do Brasil  e  enviado  para  ciência  ao  Domicílio  Tributário  Eletrônico  do  Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 336          7 contribuinte,  em  conformidade  com  o  disposto  no  artigo  23,  inciso III, do Decreto nº 70.235/72.  22.  É  facultado  ao  interessado  manifestar­se  quanto  esta  Informação Fiscal, no prazo de 30  (trinta) dias de sua ciência,  nos  termos do art.  18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972."  Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do  §1,  do Art.  3.º,  da  Lei  9.718/98,  que  alargou  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  conforme  julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min.  Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), o  conceito de receita bruta não tem mais valia., foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento  interno  deste  Conselho,  o  reconhecimento  (e  não  decretação)  de  sua  inconstitucionalidade  é  obrigatório neste Conselho.   Portanto, receitas financeiras realmente não configuram faturamento e todos  os pagamentos indevidos sobre tais receitas devem ser reconhecidos como tais.  A  presente  lide,  contudo,  permaneceu  sobre  algumas  linhas  contábeis,  conforme trecho da Informação Fiscal reproduzido acima.  Em Manifestação  à  Informação  Fiscal  o  contribuinte  alegou  que  as  linhas  contábeis, objeto de resolução (ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação  de despesas), não configuram faturamento.  O contribuinte juntou documentos e registros contábeis de fls 237 e seguintes  (memória  de  cálculo,  balancete,  contrato  de  consórcios  e  apuração),  o  que  é  suficiente  para  concluir que não são receitas operacionais.  Como  já  mencionado,  a  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  alargou  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  COFINS,  foi  reconhecida  pelo  STF  no  julgamento  dos RE  nº  585.235,  na  sistemática  da  repercussão  geral  (leading  cases  ­  RE  n.º  357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que  as  receitas não operacionais da Contribuinte não  integram a base de cálculo da contribuição,  pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.  Como  registrado nos  leading cases,  "faturamento  corresponde à  receita das  vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços".  Faturamento  tem  conceito  definido  pelo  STF  e,  no  caso  em  concreto,  "receitas"  não  operacionais  não  são  receitas  ligadas  ao  faturamento  advindo da prestação  de  serviços ou venda de bens, conforme definido no STF.  Desse modo, o recurso merece provimento parcial, nos moldes da informação  fiscal  de  fls.  1973,  assim  como  merece  provimento  nas  demais  linhas  contábeis,  exceto  as  seguintes:  "7173500501  TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502  TAXA  DE  INSCRIÇÃO  7173500502  TAXA  DE  ADMINISTRAÇÃO  ­  LEI  10.8337173500505  TAXA  DE  ADMINISTRAÇÃO  ­  LEI  10.833."  Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10850.909184/2011­89  Acórdão n.º 3201­005.327  S3­C2T1  Fl. 337          8 Em  observação  ao  princípio  da  verdade  material,  que  tem  aplicação  no  processo  administrativo  fiscal,  é  igualmente  importante  observar  que  estas  taxas  de  administração e inscrição devem ser cobradas inclusive se estiverem incluídas dentro da conta  7399900705 ­ “outras resultados financeiros”.  Tais  taxas  representam  receitas  operacionais  e,  além  disto,  não  foram  suficientemente rebatidas pelo contribuinte em suas argumentações.  Diante do exposto, vota­se para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL  ao Recurso Voluntário para:  a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas  estranhas  ao conceito de  faturamento,  acatando­se a  informação da diligência  fiscal,  e  (ii)  as  receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603";   b)  incluir  na  base  de  cálculo  das  referidas  Contribuições  as  receitas  decorrentes  de  taxa  de  administração,  inscrição  e  manutenção  ainda  que  contabilizadas  na  conta 7399900705.  Voto proferido.  (assinatura digital)  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.                                Fl. 337DF CARF MF

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Numero do processo: 16004.000342/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ARTIGOS 25 E 30, III, DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO. Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.
Numero da decisão: 2401-004.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, no mérito, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, devendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGFN/RFB 14/2009. Vencido também o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, que votou pela inconstitucionalidade da exação declarada pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº. 363.852/MG. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente da 4ª Câmara e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente à época do julgamento), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva (Relator).
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva

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nome_relator_s : Arlindo da Costa e Silva

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secao_s : Segunda Seção de Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, no mérito, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, devendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGFN/RFB 14/2009. Vencido também o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, que votou pela inconstitucionalidade da exação declarada pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº. 363.852/MG. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente da 4ª Câmara e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente à época do julgamento), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva (Relator).

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ARTIGOS 25 E 30, III, DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO. Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.

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2401­004.164  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOP  Recorrente  FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA.  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  ADQUIRENTE.  ARTIGOS  25  E  30,  III,  DA  LEI  Nº  8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.  12  desta  Lei,  destinada  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  é  de  2%  e  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  respectivamente,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001.   A  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  são  obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91,  no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de  essas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.   No  Processo  Administrativo  Fiscal,  dada  à  observância  aos  princípios  processuais da  impugnação específica e da preclusão,  todas as alegações de  defesa  devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  AUTO DE  INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  INEXISTÊNCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 42 /2 00 9- 76 Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.155          2 Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento  tributário  cujo  Relatório  Fiscal  e  demais  relatórios  complementares  descrevem,  de  maneira  clara  e  precisa,  os  fatos  jurídicos  apurados,  os  procedimentos  de  Fiscalização,  a motivação  do  lançamento,  os  dispositivos  legais violados, a matéria  tributável e  seus acréscimos  legais, bem como os  fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  FASE  PREPARATÓRIA  DO  LANÇAMENTO.  NATUREZA  INQUISITIVA.  CONTRADITÓRIO  INEXISTENTE.  O  procedimento  administrativo  do  lançamento  é  inaugurado  por  uma  fase  preliminar,  oficiosa,  de  natureza  eminentemente  inquisitiva,  na  qual  a  autoridade  fiscal  promove  a  coleta  de  dados  e  informações,  examina  documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a  ocorrência  ou  não  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária  aplicando­lhe  a  legislação tributária.   Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao  crivo  do  contraditório  nem  da  ampla  defesa,  direito  reservados  ao  sujeito  passivo  somente  após  a  ciência  do  lançamento,  com  o  oferecimento  de  impugnação,  quando  então  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  procedimento  fiscal.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.  São  solidárias  as  pessoas  físicas  e/ou  jurídicas  que  realizam  conjuntamente  com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação  principal objeto do  lançamento, a  teor do  inciso  I do art. 124 do CTN, não  comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem.  FRAUDE.  Configura­se  fraude  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  SONEGAÇÃO.  Qualifica­se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  a  respeito  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições  pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal  ou o crédito tributário correspondente.   LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE.  INVERSÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.156          3 notificado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento  ora  em  consumação.  Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte  contrária, o desfecho há de ser em favor  desta presunção.  DIREITO  PREVIDENCIÁRIO.  PRINCÍPIO  DA  PRIMAZIA  DA  REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.  Vigora  no Direito Previdenciário  o Princípio  da Primazia  da Realidade  dos  fatos  sobre  a  Forma  jurídica  dos  atos,  o  qual  propugna  que,  havendo  divergência  entre  a  realidade  das  condições  efetivamente  ajustadas  numa  determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a  realidade dos fatos.  AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.   A  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade  da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a  seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem­se motivo justo, bastante,  suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição  indireta  de  sua  base  de  cálculo,  a  contribuição  previdenciária  que  reputar  devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.   AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE  PELO  DESCUMPRIMENTO.  PRINCÍPIO  TEMPUS REGIT ACTUM.  As multas  decorrentes  do  descumprimento  de obrigação  tributária  principal  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação  ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35­A à Lei nº 8.212/91.   Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  por  representar  a  novel  legislação  encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um  tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento  da  respectiva  execução  fiscal,  hipótese de  a  legislação  superveniente  impor  multa  mais  branda  que  aquela  então  revogada,  sempre  incidirá  ao  caso  o  princípio  tempus  regit  actum,  devendo  ser  aplicada em cada  competência a  legislação  pertinente  à  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal  vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  conhecer  parcialmente  do  recurso  voluntário  para,  no mérito,  na  parte  conhecida,  dar­lhe  provimento  parcial, devendo a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  ser  calculada  conforme  a  memória  de  cálculo  exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em  atenção  ao  princípio  tempus  regit  actum.  Vencidos  os  Conselheiros  André  Luís  Mársico  Lombardi, Carlos Henrique de Oliveira e Cleberson Alex Friess, que negavam provimento ao  Recurso  Voluntário  por  entenderem  correto  o  critério  de  aplicação  da  multa  estipulado  na  Portaria PGFN/RFB 14/2009. Vencido  também o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, que  Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.157          4 votou pela inconstitucionalidade da exação declarada pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº.  363.852/MG. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente da 4ª Câmara e Redator ad hoc  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi (Presidente à época do julgamento), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex  Friess,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Carlos  Henrique  de  Oliveira  e  Arlindo da Costa e Silva (Relator).  Relatório  Como  Redator  ad  hoc,  sirvo­me  da  minuta  de  relatório  inserida  pelo  Relator no repositório oficial do CARF:  Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007  Data da lavratura do AIOP: 26/06/2009.  Data da Ciência do AIOP: 06/07/2009.  Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  de  Primeira  Instância Administrativa que  julgou  improcedente a  impugnação ofertada  pelos Sujeitos Passivo do crédito tributário objeto do Auto de Infração de Obrigação  Principal nº 37.229.644­0, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da  empresa,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a comercialização da  produção  rural,  representada  pela  aquisição  de  gado  bovino  de  produtores  rurais  pessoas físicas, devidas por responsabilidade tributária, conforme descrito no Termo  de Constatação de Infração Fiscal a fls. 110/290 e anexos.  No  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  são  transcritos  trechos  do  relatório da Polícia Federal, onde são expendidas considerações detalhadas sobre a  operacionalização  dos  procedimentos  efetuados,  discorrendo  sobre  a  operação  "Grandes Lagos" e a existência de uma organização criminosa criada para fraudar a  administração tributária mediante a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para  eximir os verdadeiros titulares do pagamento de tributos, sendo apresentadas, dentre  tantas outras, as seguintes informações:  · A partir  de  denúncias  e  informações  de  órgãos  fiscalizadores  foi  deflagrada  a  operação  “Grandes  Lagos”,  identificando­se  situações  que,  em  tese,  são  caracterizadoras  de  crimes  de  sonegação,  tendo  sido  expedidos  pelo  Poder  Judiciário  mandados  de  busca  e  apreensão  e  de  prisão  preventiva,  sendo  determinada a instauração de inúmeras ações fiscais, dentre elas junto à autuada,  pelo fato de adquirir notas fiscais “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam  a venda de tais documentos fiscais visando a fraudar a administração tributária.   · A fraude à administração tributária consistia na interposição de pessoas físicas e  jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o  propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos.  Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.158          5 · O gado era  comprado,  abatido  e vendido pelo  frigorífico cliente das  empresas  “noteiras”. No entanto, aparentemente a compra do gado e comercialização dos  produtos  do  abate  eram  feitos  pelas  “noteiras”  de  acordo  com  o  seguinte  procedimento: as “noteiras” emitiam notas fiscais “frias” relativas à compra do  gado  e  notas  também  “frias”  de  remessa  desse  gado  ao  frigorífico  (cliente  da  “noteira”)  para  abate,  seguindo­se  a  emissão  de  notas  “frias”  de  retorno  do  produto do abate à “noteira” que, finalmente, emitia notas “frias” de venda dos  produtos.  · Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras” foram  constituídas  com  o  único  propósito  de  emitir  notas  fiscais  ‘frias”  para  calçar  operações  de  terceiros,  com  o  intuito  de  ocultar  valores  junto  ao  fisco  e  não  despertar  suspeitas  sobre  o  verdadeiro  faturamento  desses  “clientes”:  (a)  o  patrimônio  declarado  das  “noteiras”  é  insuficiente  para  suportar  as  operações  realizadas;  (b)  as  discrepâncias  entre  os  rendimentos  declarados  do  sócio  majoritário  da  “noteira”  e  as  receitas  declaradas  da  empresa  no  período;  (c)  a  movimentação financeira desse sócio majoritário em valores muito superiores a  seus rendimentos declarados; (d) a movimentação de contas bancárias da citada  empresa por procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de  notas – “clientes”); (e) transcrição de declarações de inúmeros produtores rurais  no  sentido  de  que  comercializavam  sua  produção  não  com  as  “noteiras”, mas  com seus “clientes”.  O  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  prossegue  informando  que  as  empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  compõem  o  "Núcleo  Ouroeste", estando todas constituídas em nome de "laranjas". Consta consignado no  Termo de Constatação de Infração Fiscal que:  · Na Continental Ouroeste,  três  dos  sócios  não  têm  histórico  de  vínculos  empregatícios compatíveis com a condição de empresários.  · O  Frigorífico  Ouroeste  foi  iniciado  pelo  Sr.  José  Cabral  Muniz  e  seus  filhos,  e  posteriormente  foi  vendido  para  o  Sr.  José  Ribeiro  Junqueira  Neto, representado por seu procurador ­ Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira  ­ e para o Sr. Dorvalino Francisco de Souza.  · A Continental Ouroeste foi constituída quando o Frigorífico Ouroeste teve  problemas  com  sua  inscrição  estadual.  Compõem  seu  quadro  societário  Antonio Martucci  e Edson Garcia  de Lima. O primeiro  recebeu  o  valor  para integralização de sua parcela no capital social da empresa Produtos  da  Fazenda  Ltda,  que  formalmente  pertence  a  Manoel  dos  Reis  de  Oliveira e Sandra Amara Reis de Oliveira, mas de fato, pertence a Edson  Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Lima.  · É feita a análise dos depoimentos prestados pelos envolvidos; do contrato  de arrendamento pela Continental Ouroeste das instalações do Frigorífico  Ouroeste  em  10/09/2002,  e  da  utilização  de  créditos  do  ICMS  pela  Continental Ouroeste.  · Discorre­se novamente sobre depoimentos pessoais acerca dos rótulos dos  produtos  comercializados  (os  produtos  da  Continental  Ouroeste  saíam  com  o  rótulo  do  Frigorífico  Ouroeste)  e  das  informações  prestadas  por  clientes  e  fornecedores,  que  indicam  os  verdadeiros  responsáveis  pela  empresa e a realização de operações fictícias para gerar créditos do ICMS.  Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.159          6 · Constatou­se  a  existência  de  inúmeros  benefícios  diretos  e  indiretos  concedidos  aos  verdadeiros  sócios  do  empreendimento,  como  títulos  de  capitalização,  transferências  de  valores mensais,  tendo  referidas  pessoas  recebido  o  tratamento  por  instituições  financeiras  como  sócios  dessas  empresas.  · Verificou­se  que  a  empresa  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  dívidas  da  Continental Ouroeste, sendo que esta nunca entregou DCTF, mas apenas  as DIPJ de 2002 e 2003, recolhendo os tributos por substituição tributária  no  período,  além  de  recolhimentos  parciais  de  contribuições  previdenciárias.  · Concluiu­se que a Continental Ouroeste inexiste de fato, constituída com  fins  fraudulentos,  tendo  como  beneficiários  destas  operações  os  Srs.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson Garcia  de Lima,  José Roberto  de  Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto.  · A Continental  Ouroeste  foi  criada  para  que  estas  pessoas  ­  verdadeiros  sócios do Frigorífico Ouroeste  ­ não tivessem seus nomes vinculados ao  patrimônio da empresa.  · A SP Guarulhos sucedeu a Continental Ouroeste na fraude praticada.  · Consta  no TCF  relato  pormenorizado  de  operações  bancárias  praticadas  pelos envolvidos, com o intuito de demonstrar­se a ligação entre eles, e da  situação de cada uma das pessoas físicas mencionadas e também daqueles  que se caracterizaram como colaboradores do esquema.  · Discorre­se  acerca dos depoimentos  das pessoas envolvidas no  esquema  de  venda  de  notas  fiscais  e  informações  prestadas  por  clientes  e  fornecedores  que  atestam que  as  operações  de  compra  do  gado  e  venda  dos produtos resultantes do abate, embora lastreadas com notas fiscais de  empresas  diversas  ("noteiras"),  eram  realizadas  com  pessoas  que  integravam  o  Núcleo  Ouroeste,  citando­se  ainda  que  os  próprios  Dorvalino e Edson admitiram a compra de notas de empresas "noteiras".  · A fiscalização,  a partir  de documentos  aos quais  teve  acesso durante os  trabalhos  fiscais,  apurou  que  as  notas  vendidas  pelas  "noteiras"  traziam  um  código  de  identificação  de  seu  comprador,  o  qual  possibilitou  a  apuração dos valores relativos a operações dessa natureza.  · Que a empresa BR Fronteira também foi criada com o intuito de assumir a  responsabilidade pelas obrigações trabalhistas do grupo. A análise pessoal  das  pessoas  que  integram  seu  quadro  societário  demonstra  a  flagrante  incompatibilidade  de  sua  situação  econômica  e  a  condição  de  sócias  da  citada  empresa,  concluindo­se  tratarem­se  de  interpostas  pessoas  ("laranjas").  · Foram  encontrados  documentos  no  endereço  do  Frigorífico  Ouroeste  (cartões  de  ponto,  holerites,  PPRA  da  Continental  Ouroeste  e  da  BR  Fronteira),  que  comprovam  que  o  seu  controle  sobre  a  mão­de­obra,  assumindo os riscos da atividade econômica praticada, havendo também a  comprovação  de  que  os  trabalhadores  se  confundiam  em  relação  à  definição  da  empresa  para  a  qual  prestavam  serviços.  Existiam  trabalhadores  com  vínculos  formais  estabelecidos  com  as  diversas  Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.160          7 empresas  envolvidas,  discorrendo­se  acerca  do  rodízio  dos  vínculos  empregatícios entre as empresas.  · A  utilização  de  documentos  fiscais  adquiridos  de  outras  empresas  para  ocultar  os  verdadeiros  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  caracteriza o dolo. São citados dispositivos do Código Civil e do Código  Tributário Nacional ­ CTN.  · Os  fatos  geradores  foram  considerados  como  do  Frigorífico  Ouroeste,  inclusive aqueles relacionados a documentos fiscais adquiridos de outras  empresas  ("noteiras");  aos  pagamentos  efetuados  aos  contribuintes  individuais, inclusive sócios de fato da autuada; e à interposição de mão­ de­obra em outras empresas.  · São descritos os valores tomados como base de cálculo das contribuições  lançadas,  com  o  detalhamento  das  aferições  indiretas  realizadas,  indicando­se  ainda  que  todos  os  levantamentos  foram  considerados  não  declarados em GFIP, pois os fatos geradores não constaram na GFIP do  real empregador, o Frigorífico Ouroeste.  · Foram examinados documentos apresentados pelo Frigorífico Ouroeste.   · A  empresa  Continental  Ouroeste  não  atendeu  à  intimação  fiscal  para  apresentação de documentos, sendo a análise dos vínculos empregatícios  realizada  com  base  em  elementos  apreendidos  ­  Livros  de  Registro  de  Empregados  ­  confrontados  com  informações  do  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  ­  CNIS.  Foram  apreendidos  documentos  junto  às  empresas SP Guarulhos e BR Fronteira.  · A fiscalização arrolou como devedores solidários do Frigorífico Ouroeste  as  empresas  interpostas  Continental  Ouroeste,  SP  Guarulhos  e  BR  Fronteira,  bem  como  os  beneficiários  pessoas  físicas  das  fraudes  perpetradas,  eis  que  presente  o  interesse  comum  nas  situações  que  constituíram  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  ora  lançadas.  Assim,  foram  lavrados  e  encaminhados  os  respectivos  Termos  de  Sujeição Passiva lavrados, juntamente com cópias do Auto de Infração e  seu  Termo  de  Constatação  e  Infração  Fiscal,  expondo  que  os  demais  elementos  de  prova  ficam  franqueados  aos  devedores  solidários,  em  atendimento à ampla defesa e ao contraditório.  São fatos geradores do presente lançamento:  · Levantamento PR1 ­ Valores das compras de bovinos para abate, apurado  através  de  Notas  inidôneas  da  emitidas  pela  empresa  “noteira”  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda  ­  CNPJ  68.195.072/0001­75, tornada inapta, vinculadas ao código 36 ­ Dorvalino,  no  período  de  Novembro  a  Dezembro  de  2005,  bases  de  cálculo  conhecidas, inclusas nos RL ­ Relatórios de Lançamentos;  · Levantamentos  PR2  ­  Valores  das  compras  de  bovinos  para  abate,  efetuadas  pelo  Frigorífico  Ouroeste  através  da  empresa  interposta  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  apuradas  conforme  LRE  ­  Livro Registro  de  Entradas  e  notas  fiscais  de  entrada,  período de Maio de 2005 a Agosto de 2006; bases de cálculo conhecidas,  inclusas no RL ­ Relatório de Lançamentos;  Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.161          8 · Levantamento  PR3  e  Z7  ­  Valores  de  aquisição  de  produtos  rurais  (bovinos para abate) de produtores rurais Pessoas Físicas, na condição de  responsável  tributário,  com  notas  fiscais  próprias,  não  declaradas  em  GFIP,  sendo  a  diferença  entre  o  valor  declarado  na  GFIP  e  o  apurado  conforme  notas  fiscais,  GIA  ICMS,  Livro  de  Entrada  de Mercadoria  e  Livros  Conta  Corrente  e  Diário,  período  de  Outubro/2006  a  Fevereiro/2007,  descontínuos,  bases  de  cálculo  conhecidas,  inclusas  no  RL – Relatório de Lançamentos;   · Levantamento PR4 e Z8 – Valores de aquisição de produto rural “Lenha',  de produtores rurais pessoas físicas, na condição de responsável tributário,  aquisição  relativa  ao  período  de  Maio  a  Outubro  /2006,  descontínuos,  conforme livro 7.3 ­ cc. n° 00393 ­ ag. 535­B. Nossa Caixa, da interposta  SP  GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados  Ltda;  bases  de  cálculo conhecidas, inclusas nos RL ­ Relatórios de Lançamentos;  · Levantamento PR5 ­ Valores das compras de bovinos para abate, através  das Notas  Inidôneas  emitidas  pela  empresa “noteiras”  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda  ­  NOTEIRA  ­  CNPJ  68.195.072/0001­75, tornada inapta, vinculadas ao código 36 – Dorvalino,  no  período  de  Fevereiro  a  Agosto  de  2006,  descontínuos,  no  próprio  Frigorífico Ouroeste Ltda, bases de cálculo conhecidas, inclusas no RL ­  Relatório de Lançamentos;   Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  Br  Fronteira,  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo Frigorífico Ouroeste,  nas competências 11/2005 a 13/2006, pois  conforme  declaração da sócia Maria Aparecida na Vara de Fernandópolis, de que os encargos  previdenciários foram recolhidos pelo Frigorífico Ouroeste, a GPS com código 2003  (SIMPLES)  foi  considerada  como 2100  (empresas  em geral)  (fls.  333, 337 e 340­ Volume 2 / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19).  Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  SP  Guarulhos  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico  Ouroeste,  lançadas  como  CRED  (créditos),  nas  competências  03/2006 e 13/2006.  Conforme  discriminado  nos Relatório  RADA  – Relação  de  Apropriação  de  Documentos  Apresentados  e  RDA  –  Relação  de  Documentos  Apresentados,  os  créditos  de  titularidade  da  empresa,  decorrentes  de  recolhimentos  à  Seguridade  Social,  foram  utilizados  para  abater,  prioritariamente,  as  Contribuições  Sociais  devidas  pelos  segurados  empregados  e  pelos  Segurados Contribuintes  Individuais,  incidentes  sobre  seus  respectivos  Salários  de  Contribuição  ­  itens  11  e  1F  ­  SEGURADO,  do  anexo  DAD  ­  Discriminativo  Analítico  do  Débito.  Eventuais  saldos foram utilizados para abater as Contribuições Sociais devidas pela empresa –  Itens 12, 13, 14 e 15 do Discriminativo Analítico de Débito.  Em razão da existência de interesse comum na situação constitutiva dos fatos  geradores  objeto  do  presente  lançamento,  o  vertente Crédito Tributário  houve  por  lançado,  por  solidariedade  passiva,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  124  do  CTN,  também  em  face  das  seguintes  pessoas  adiante  arroladas,  conforme  Termos  de  Sujeição Passiva Solidária a fls. 292/322:  · Antonio Martucci;  · Edson Garcia de Lima;  Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.162          9 · Dorvalino Francisco de Souza;  · José Roberto de Souza;  · Oswaldo Antonio Arantes;  · Luiz Ronaldo Costa Junqueira;  · João Francisco Naves Junqueira;  · José Ribeiro Junqueira Neto;  Houve­se  também  por  formalizada  a  competente  Representação  Fiscal  para  Fins Penais.   Irresignado com a autuação, o Autuado apresentou impugnação administrativa  em face do lançamento, a fls. 369/458.  Os  devedores  Solidários  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  e  João  Francisco  Naves Junqueira ofereceram impugnação, em petição conjunta a fls. 462/570.  O devedor Solidário  José Ribeiro  Junqueira Neto  ofereceu  impugnação,  em  petição a fls. 576/684.  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza e Oswaldo Antonio Arantes ofereceram impugnação  em petição conjunta a fls. 688/770.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  lavrou  decisão  administrativa  textualizada no Acórdão  nº  14­32.937  –  9ª  Turma  da  DRJ/RPO,  a  fls.  805/818,  julgando  improcedentes  as  impugnações  ofertadas e mantendo o crédito tributário em sua integralidade.   O Autuado e os demais Sujeitos Passivos foram cientificados da decisão de 1ª  Instância no dia 13/06/2011, conforme Cartas de Ciência e Avisos de Recebimento a  fls. 837/868.  O  devedor  Principal  Frigorífico  Ouroeste  ltda  interpôs  Recurso  Voluntário,  em petição a fls. 869/923.  O  devedor  Solidário  José  Ribeiro  Junqueira  Neto  ofereceu  Recurso  Voluntário, em petição a fls. 934/1001.  O  devedor  Solidário  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  interpôs  Recurso  Voluntário, em petição a fls. 1004/1073.  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  interpuseram Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 1074/1127.  Os Recorrentes alegam, em resumo:  · Nulidade por falta de clareza na autuação;   · Cerceamento do direito de defesa, por não ter tido acesso aos documentos  das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação;   Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.163          10 · Que é indevido o lançamento a partir da desconsideração da personalidade  de outras empresas;   · Que a Fiscalização não logrou comprovar a existência dos requisitos dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda. e  a Autuada;   · Que a Fiscalização promoveu o arbitramento dos valores ora lançados, a  partir  dos  valores  consignados  na  escrituração  contábil  de  terceira  empresa,  cuja  personalidade  jurídica  fora  desconsiderada,  olvidando­se,  porém,  que  a  recorrente  não  pode  suportar  o  ônus  do  lançamento  de  tributos  de  interesse  de  outra  pessoa  jurídica,  sobretudo  por  não  ter  direito/dever de manter e apresentar contabilidade de outrem;   · Inconstitucionalidade  da  Contribuição  Previdenciária  incidente  sobre  a  comercialização da produção rural;   · Que  as  multas  de  mora  foram  legalmente  canceladas,  porque  o  seu  fundamento legal foi revogado;   · Que a autoridade lançadora imputou responsabilidade solidária às pessoas  de Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio Martucci  com  o  exclusivo  fundamento de que os mesmos seriam, em  tese, procuradores,  sócios ou  administradores de outra firma;   · Que  a  autoridade  lançadora  imputou  a  responsabilidade  solidária  ora  atacada  aos  Srs.  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  João  Francisco  Naves  Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto, com o exclusivo fundamento de  que  os  mesmos  têm  procuração  outorgando  poderes  de  gestão  e  administração  da  referida  empresa,  e  assim,  seriam  responsáveis  pelas  supostas dívidas da empresa com o Fisco. Aduz­se que tais pessoas sequer  figuram  como  sócios  das  empresas  Frigorífico  Ouroeste,  Continental  Ouroeste, SP Guarulhos e BR Fronteira;   · Que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço  só  poderia  ocorrer  ante  a  verificação da  insuficiência do patrimônio da pessoa  jurídica e mediante  prévio  procedimento  judicial  de  cognição  com  decisão  transitada  em  julgado;   · Ainda que as Pessoas Físicas arroladas como devedoras solidárias fossem  sócias  das  empresas  autuadas,  não  seria  o  caso  da  pretendida  responsabilização,  pois  ausentes  os  requisitos  indispensáveis  a  tanto,  sendo  a  mesma  de  natureza  subsidiária  (artigos  134  e  135  do  CTN)  e  quanto  à  responsabilidade  pessoal,  limita­se  aos  atos  praticados  comprovadamente pelos sócios, com excesso de poderes, infração de lei,  contrato social ou estatutos.   Ao fim, requerem o provimento do Recurso Voluntário.  Relatados sumariamente os fatos relevantes.    Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.164          11 Voto             Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Redator ad hoc  Como Redator ad hoc, sirvo­me da minuta de voto inserida pelo Relator  no  repositório  oficial  do  CARF,  de  sorte  que  o  posicionamento  adotado  não  necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro:  1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  Os Recursos Voluntários interpostos são tempestivos.   1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO.  Alega  o  Recorrente  a  Inconstitucionalidade  da  Contribuição  Previdenciária  incidente sobre a comercialização da produção rural.  Alega também que as multas de mora foram legalmente canceladas, porque o  seu fundamento legal foi revogado.  Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte  Administrativa  eis  que  as  matérias  nelas  aventadas  não  foram  oferecidas  à  apreciação  do  Órgão  Julgador  de  1ª  Instância,  não  integrando,  por  tal  motivo,  a  decisão ora guerreada.  Com  efeito,  compulsando  a  Peça  Impugnatória  ao  Auto  de  Infração  em  julgamento,  verificamos  que  as  alegações  acima  postadas  inovam  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ora  em  apreciação.  Tais  matérias  não  foram,  nem  mesmo  indiretamente, abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face  do  lançamento  tributário  que  ora  se  discute,  não  se  instaurando  em  relação  a  elas  qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532/97)  Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta  a  defesa,  os  pontos  de  discordância  e as  razões  e provas que possuir. Em plena  sintonia com  tal  preceito  normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha  sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como  não impugnada.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.165          12 III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93)  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei  nº 9.532/97)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  o  princípio  processual  da  impugnação  específica  retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Código de Processo Civil  Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.  Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto  nº  70.235/72  e  no  Código  de  Processo  Civil,  na  interpretação  conjunta  autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o  ônus  da  impugnação  específica,  a  ser  levada  a  efeito  no  momento  processual  apropriado,  in  casu,  no  prazo  de  defesa  assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC  – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede  de  defesa  administrativa  será  considerada  como  verdadeira,  precluindo  processualmente  a  oportunidade  de  impugnação  ulterior,  não  podendo  ser  alegada  originariamente em grau de Recurso Voluntário.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo  Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.166          13 tributário,  a  qual  exclui  das  partes  a  faculdade  discutir,  no  curso  do  processo,  as  questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão.   De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário  consubstancia­se num  instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador  a  quo  que  lhe  tenha  sido  desfavorável,  buscando  reformá­la.  Não  exige  o  dispêndio  de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe  a  existência  de  uma  decisão  precedente,  dimanada por um órgão  julgador postado em posição processual hierarquicamente  inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento,  de maneira que não contemple os interesses do Recorrente.  Não  se  mostra  despiciendo  frisar  que  o  efeito  devolutivo  do  recurso  não  implica  a  revisão  integral do  lançamento  à  instância  revisora, mas,  tão  somente,  a  devolução  da  decisão  proferida  pelo  órgão  a  quo,  a  qual  será  revisada  pelo  Colegiado ad quem.  Com  efeito,  o  objeto  imediato  do Recurso Voluntário  é  a  decisão  proferida  pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado  figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência.  Assim,  não  havendo  a  decisão  vergastada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo,  não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a  respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo,  permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e  da  preclusão,  que  todas  as  alegações  de  defesa  devem  ser  concentradas  na  impugnação, não podendo o órgão ad quem  se pronunciar sobre matéria antes não  questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.  Além disso, nos  termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de  defesa  ao  lançamento  tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando  qualquer  litígio  em  relação  a  elas,  sendo  processualmente  inaceitável  que  o  Recorrente  as  resgate  das  cinzas  para  inaugurar,  em  segunda  instância,  um  novo  front de inconformismo em face do lançamento que se opera.  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este  que somente poderia emergir do Poder Judiciário.  Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico,  além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas  não contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão  ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal.  Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recursos,  deles  conheço parcialmente.  2.  DAS PRELIMINARES  2.1.  DA NULIDADE  Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.167          14 Alega o Recorrente nulidade por falta de clareza na autuação.  Não !  Merece ser destacado, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído  por  uma  diversidade  de  Termos,  Relatórios  e  Discriminativos,  sendo  certo  que  a  captação e compreensão das condições de contorno que individualizam e modelam a  exação  exigida  decorrem  não  de  um  único  relatório,  mas,  sim,  da  interpretação  conjunta,  sistemática  e  teleológica  de  todos  os  documentos  que  integram  o  lançamento de ofício, apreciados à luz da legislação de regência, atividade essa que  exige profissionais capacitados e com conhecimento específico sobre o tema, como  assim sói ocorrer em toda e qualquer área da atividade governamental, econômica ou  intelectual da era pós­moderna. A complexidade e o sinergismo dos diversos ramos  do conhecimento assim o exigem.  Dessarte, dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo  do  lançamento  há  que  ser  interpretado  e  digerido  com  o  olhar  clínico  que  o  seu  propósito finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade  assim exige, para que não se cometa o despropósito de  se atribuir à administração  tributária uma deficiência que, muita vez, não é da parte que formaliza e redige os  elementos  constitutivos  do  lançamento,  mas,  sim,  da  capacidade  de  cognição  de  quem os analisa e interpreta.  Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de  cunho  eminentemente  jurídico,  nada mais  natural  e  exigível  que  os  termos  que  o  compõem  obedeçam  à  lógica  e  ao  jargão  jurídico. Tal  característica,  logicamente,  não o  invalida. Ao contrário,  lhe  confere  a precisão  terminológica  adequada  à  sua  perfeita compreensão e alcance. Fosse um documento médico, de informática, ou de  engenharia,  exigíveis  seriam  os  jargões  médico,  de  TI  ou  de  engenharia,  respectivamente, não o jurídico.   Ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, avulta dos autos que o  Auto de  Infração em relevo houve­se por  lavrado em perfeita consonância com os  dispositivos  legais  e  normativos  que  disciplinam  a  matéria,  tendo  a  Autoridade  Lançadora demonstrado, de forma clara e precisa, as circunstâncias do caso concreto  a evidenciar a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, bem  como a motivação da lavratura do Auto de Infração em apreço.  Logo  de  plano  o  Termo  de  Constatação  de  Infração  Fiscal  traz  a  lume  as  circunstâncias motivadoras da deflagração da Ação Fiscal da qual resultou o Auto de  Infração em debate, sendo abordados o núcleo Ouroeste, a existência de interpostas  pessoas, as infrações a obrigações tributárias, a constituição de empresas em nome  de “laranjas”, as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, e a descrição detalhada de  todas as demais constatações que desaguaram na percepção da efetiva existência de  uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária mediante a  interposição de pessoas,  físicas e  jurídicas,  para  eximir os verdadeiros  titulares do  pagamento de tributos:  Mais  adiante,  no  item  2.11.  do Termo  de Constatação  de  Infração  Fiscal,  a  Autoridade  Lançadora  elenca  todos  os  levantamentos  que  constituem  o  vertente  lançamento,  procedendo  a  uma  descrição  detalhada  dos  fatos  geradores  que  os  compõem,  indicando a natureza do  fato gerador e,  inclusive, a  fonte de origem de  apuração:   · Levantamento PR1 ­ Valores das compras de bovinos para abate, apurado  através  de  Notas  inidôneas  da  emitidas  pela  empresa  “noteira”  Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.168          15 Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda  ­  CNPJ  68.195.072/0001­75, tornada inapta, vinculadas ao código 36 ­ Dorvalino,  no  período  de  Novembro  a  Dezembro  de  2005,  bases  de  cálculo  conhecidas, inclusas nos RL ­ Relatórios de Lançamentos;  · Levantamentos  PR2  ­  Valores  das  compras  de  bovinos  para  abate,  efetuadas  pelo  Frigorífico  Ouroeste  através  da  empresa  interposta  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  apuradas  conforme  LRE  ­  Livro Registro  de  Entradas  e  notas  fiscais  de  entrada,  período de Maio de 2005 a Agosto de 2006; bases de cálculo conhecidas,  inclusas no RL ­ Relatório de Lançamentos;  · Levantamento  PR3  e  Z7  ­  Valores  de  aquisição  de  produtos  rurais  (bovinos para abate) de produtores rurais Pessoas Físicas, na condição de  responsável  tributário,  com  notas  fiscais  próprias,  não  declaradas  em  GFIP,  sendo  a  diferença  entre  o  valor  declarado  na  GFIP  e  o  apurado  conforme  notas  fiscais,  GIA  ICMS,  Livro  de  Entrada  de Mercadoria  e  Livros  Conta  Corrente  e  Diário,  período  de  Outubro/2006  a  Fevereiro/2007,  descontínuos,  bases  de  cálculo  conhecidas,  inclusas  no  RL – Relatório de Lançamentos;   · Levantamento PR4 e Z8– Valores de aquisição de produto rural “Lenha',  de produtores rurais pessoas físicas, na condição de responsável tributário,  aquisição  relativa  ao  período  de  Maio  a  Outubro  /2006,  descontínuos,  conforme livro 7.3 ­ cc. n° 00393 ­ ag. 535­B. Nossa Caixa, da interposta  SP  GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados  Ltda;  bases  de  cálculo conhecidas, inclusas nos RL ­ Relatórios de Lançamentos;  · Levantamento PR5 ­ Valores das compras de bovinos para abate, através  das Notas  Inidôneas  emitidas  pela  empresa “noteiras”  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda  ­  NOTEIRA  ­  CNPJ  68.195.072/0001­75, tornada inapta, vinculadas ao código 36 – Dorvalino,  no  período  de  Fevereiro  a  Agosto  de  2006,  descontínuos,  no  próprio  Frigorífico Ouroeste Ltda, bases de cálculo conhecidas, inclusas no RL ­  Relatório de Lançamentos;   Tais  informações  são  complementadas  pela  descrição  dos  fatos  geradores  e  das  fontes  de  origem  informadas  no  campo  “observação”  do  Relatório  de  Lançamentos, a fls. 26/88, o qual detalha, para cada fato gerador lançado, o código e  a descrição do levantamento a que se refere, o valor lançado individualizadamente, o  valor apropriado no lançamento, bem como a natureza/origem do fato gerador.  O  RL  ­  Relatório  de  Lançamentos  relaciona  os  lançamentos  efetuados  nos  sistemas  específicos  para  apuração  dos  valores  devidos  pelo  sujeito  passivo,  com  observações  precisas  sobre  sua  natureza,  fonte  documental,  etc. O RL  registra  de  forma discriminada por estabelecimento, competência e levantamento, dentre outras  informações, a natureza jurídica e o montante absoluto da base de cálculo do tributo  lançado,  assim  como  o  código  e  natureza  da  contribuição,  de  molde  que  sua  correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo  sujeito passivo, favorecendo assim o contraditório e a ampla defesa.  De  outro  eito,  as  informações  pertinentes  às  contribuições  sociais  objeto  do  presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, de  forma  discriminada  por  levantamento,  rubrica,  alíquota,  valor  absoluto,  base  de  cálculo, competência e estabelecimento. Tal documento informa também, de forma  individualizada  por  rubrica  lançada,  os  valores  dos  créditos  de  titularidade  do  Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.169          16 contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os  valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada  levantamento  que  integra  a  presente  notificação  fiscal  e  os  códigos  do  Fundo  de  Previdência  e  Assistência  Social,  de  terceiros  e  a  Classificação  Nacional  de  Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente.  O Relatório de Documentos Apresentados – RDA,  por  seu  turno,  relaciona,  por  estabelecimento  e  por  competência,  as  parcelas  que  foram  deduzidas  das  contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos efetuados mediante Guia da  Previdência  Social  –  GPS  e  seu  respectivo  código  de  recolhimento,  valores  espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores  que tenham sido objeto de lançamentos fiscais anteriores.  O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA realiza a  exposição  de  como  os  créditos  em  favor  do  contribuinte,  constituídos  segundo  os  seguintes documentos: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores  destacados  em  nota  fiscal  ainda  não  recolhidos),  foram  apropriados  (pelo  sistema  informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil) pelos diversos documentos  de constituição de crédito  tributário  lavrados pela fiscalização (autos de infração e  notificações de lançamento).   De  forma  idêntica,  guardadas  as  devidas  particularidades,  os  preceitos  normativos que  fornecem sustentação  jurídica  ao  lançamento  então operado foram  devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim  como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD.  Há que se registrar que o relatório Fundamentos Legais do Débito é elaborado  de  maneira  extremamente  individualizada  por  lançamento,  sendo  estruturado  de  forma  atomizada  por  tópicos  específicos  condizentes  com  os  mais  diversos  e  variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em  apreciação,  descrevendo,  pormenorizadamente,  em  cada  horizonte  temporal,  todos  os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor  fiscal,  às  contribuições  sociais  lançadas  e  seus  acessórios  pecuniários,  às  substituições  tributárias,  aos  prazos  e  obrigações  de  recolhimento,  às  obrigações  acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o  Diploma  Legal  invocado,  mas,  igualmente,  os  dispositivos  normativos  correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos  e razões da autuação, sendo­lhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da  ampla defesa.  Os Relatórios  Fiscais  suso  referidos  informam  de maneira  clara  e  precisa  a  matéria  tributável  e  as  bases  de  cálculo  da  exação  em  apreço,  assim  como  os  procedimentos  adotados  pela  Autoridade  Lançadora  na  condução  da  ação  fiscal.  Informam  igualmente  os  documentos  analisados  e  os  fatos  geradores  apurados,  as  bases de cálculo e as alíquotas correspondentes a cada uma das contribuições sociais  ora  lançadas,  destacando,  ainda,  os  valores  de  dedução  legal  considerados,  assim  como os códigos de levantamento associados.  No caso em apreço, os relatórios fiscais que integram o presente lançamento  foram  elaborados  dentro  do  escopo  especificamente  desenhado  adrede  para  cada  deles,  não  se  afastando  nem  omitindo  as  informações  que  deles  se  esperam,  permitindo  ao  Autuado  a  perfeita  compreensão  dos  fundamentos  e  razões  da  autuação,  sendo­lhe  dessarte  garantido  o  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa.  Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.170          17 Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o  agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  tipificação  da  obrigação  tributária  principal  violada,  os  fatos  jurígenos  não  adimplidos,  a  composição  pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de  forma  bem  detalhada  e  discriminada  em  seus  elementos  de  constituição,  nos  relatórios específicos.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele  constando,  além  dos  relatórios  já  citados,  o MPF, TIPF,  TIF  e TEPF,  dentre  outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de  todas  as decisões de  relevo  exaradas no curso do presente feito, favorecendo, assim, a contradita dos termos do  lançamento e o devido processo legal.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de  prejuízo  à  defesa  erguida  pelo  sujeito  passivo,  razão  pela qual  impende  repelir  peremptoriamente  a  preliminar  de  nulidade  tão  veementemente  sustentada  pelo  Recorrente.  2.2.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O  Recorrente  alega  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  por  não  ter  tido  acesso  aos  documentos  das  empresas  que  se  apresentavam  como  instrumento  de  sonegação.  Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos  de  ofício  de  sua  competência,  aplicando  a  legislação  tributária  à  situação  de  fato,  cujo  resultado  pode  ou  não  desaguar  na  formalização  de  lançamento  tributário.  Nessa  fase  preliminar,  conhecida  como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados  e  elementos  de  prova,  à  audita  de  testemunhas,  ao  exame  de  documentos,  à  auditagem  dos  registros  contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de  obrigação tributária principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  àquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares  de  investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório  e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a  notificação  do  lançamento,  momento  processual  próprio  em  que  o  Notificado,  desejando,  pode  impugnar  os  termos  do  lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14  do Decreto  nº 70.235/72, quando então  o  contribuinte  tem  ao  seu  inteiro  dispor  o  pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.171          18 Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar  em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez  que,  ao  tomar  ciência  de  eventual  lançamento  tributário,  o  notificado  tem  a  faculdade  de  nada  contestar,  anuindo  com  a  exigência  fiscal,  vindo  a  pagar  ou  a  parcelar  o  que  lhe  está  sendo  exigido  (caso  em  que  não  é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento  fiscal.  Constituição Federal de 1988  Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)   Assim, ao ser dada a ciência do lançamento tributário ao Recorrente, também  lhe  são  fornecidos  todos  os  relatórios  integrantes  do  lançamento,  assim  como  o  conjunto  probatório,  que  demonstram  os  fatos  geradores  apurados,  os  tributos  devidos,  as  infrações  perpetradas,  os  fundamentos  legais  que  fornecem  esteio  jurídico  à  Autuação,  os  procedimentos  levados  a  efeito  pela  Fiscalização,  as  circunstâncias  e  motivação  do  lançamento,  bem  como  as  demais  condições  de  contorno atávicas à atuação fiscal.   Não se deve olvidar, outrossim, que, ao tomar ciência de eventual lançamento  tributário, o Autuado  tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência  fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido, hipótese em que não  é  instaurada  a  fase  contraditória.  Ao  revés,  pode  ele,  também,  exercendo  o  seu  direito  de  defesa,  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o  agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  devidas  e  os  períodos  a  que  se  referem,  constando  ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local,  a  data  e  a  hora  da  sua  lavratura,  a  descrição  do  fato  jurígeno  tributário,  as  disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e  a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la  no  prazo  de  trinta  dias,  bem  como  a  assinatura  da  Autoridade  Lançadora  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Não  se  pode  perder  de  vista,  igualmente,  que  os  procedimentos  de  investigação  levados  a  efeito  na  operação  Grandes  Lagos  foram  conduzidos  em  conjunto  pela  Polícia  Federal,  pela  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  e  pela  Secretaria  da  Fazenda  Estadual  em  São  José  do  Rio  Preto/SP,  sob  os  olhares  da  Justiça Federal  – 1ª Vara Federal  de  Jales  ­  24ª  subseção Judiciária de São Paulo,  Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.172          19 que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no  período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de documentos e  expediu  ofícios  requisitórios  à  Secretaria  da  Receita  Federal  e  à  Secretaria  da  Receita Previdenciária para fiscalizar os contribuintes ­ as pessoas jurídicas e físicas  ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e  retenção de documentos e arquivos magnéticos com informações contábeis e fiscais,  trabalhistas  e previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos  créditos,  tudo em  fiel  consonância com as disposições inscritas no art. 198 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN  Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de cerceamento de defesa tão veementemente erguida pelo Recorrente.  Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.  3.  DO MÉRITO  Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.173          20 Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas  como  verdadeiras,  assim  como  as  matérias  já  decididas  pelo  Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo  em  seu  instrumento  de Recurso Voluntário,  as  quais  se  presumirão  como  anuídas  pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se  houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como  as questões arguidas exclusivamente nesta  instância recursal, antes não oferecida à  apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art.  17 do Decreto nº 70.235/72.  Antes de adentrarmos a cognição meritória, deve ser destacado e alertado que  as  provas  citadas  no  presente  voto  encontram­se  acostadas  nos  sete  anexos  que  complementam o Auto de Infração Debcad n° 37.201.576­0 ­ parte patronal, objeto  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.000336/2009­19,  constituindo­se  no  processo principal, ao qual este processo encontra­se apensado.  Por  tal  razão,  as  referências  a  folhas,  volumes  e  anexos,  para  fins  de  localização  de  provas,  presentes  neste  voto,  quando  não  expressas  de  maneira  diversa, referem­se a folhas, volumes e anexos do PAF nº 16004.000336/2009­19.  3.1.  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL  PARA  APURAÇÃO  DOS  FATOS  GERADORES   Em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos  fatos  que  chegaram  ao  seu  conhecimento  sobre  organizações  criminosas  estabelecidas  na  região  de  Jales  ­  SP  para  a  prática  de  crimes  contra  a  ordem  tributária, apropriação indébita e sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra  a Fazenda Pública.   Após  exaustiva  investigação,  houve­se  por  constituído  o  processo  judicial,  procedendo­se à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados  de busca e apreensão em locais suspeitos com o intuito de obter provas dos ilícitos  praticados,  deflagrando­se  a  operação  denominada  "GRANDES  LAGOS",  executada  pela  autoridade  policial  federal,  que  apurou  a  existência  de  núcleos  de  empresa  e pessoas  físicas constituídos  com o objetivo de  sonegar  tributos  e  evitar  demanda judicial de natureza fiscal e trabalhista mediante a criação de empresas "de  fachada”,  cujos  sócios  eram  arregimentados  para  serem,  no  jargão  policial,  "laranjas”, de modo a proteger de sequestros nas execuções fiscais o patrimônio dos  verdadeiros  sócios  e  das  empresas  lícitas  em  seu  nome  (plantas  e  instalações  frigoríficas  em  São  José  do  Rio  Preto,  Fernandópolis­SP  e  Campina Verde­MG),  com uso de dissimulados e precários contratos de arrendamento.   Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios  ao Fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes ­  as pessoas jurídicas e físicas ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem  aos procedimentos de busca e retenção de documentos e arquivos magnéticos com  informações  contábeis  e  fiscais;  trabalhistas  e  previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos créditos.   A  fiscalização  previdenciária,  à  época,  ligada  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária,  procedeu  à  retenção  dos  elementos  colhidos  na  sede  das  empresas  Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.174          21 fiscalizadas,  através  da  lavratura  de  Auto  de  Apreensão,  Guarda  e  Devolução  de  Documentos ­ AGD.   Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal, a Justiça Federal em  Jales expediu novos mandados de busca e apreensão, os quais foram executados em  2007. Na sequência, a Justiça Federal – 24ª Subseção Judiciária do Estado de São  Paulo ­ deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas, do período  de  2002  a  2006,  determinando  às  instituições  financeiras  o  fornecimento  de  documentos  e  informações  solicitados  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  em  São  José do Rio Preto.   Os  procedimentos  de  investigação  levados  a  efeito  na  operação  Grandes  Lagos  foram  conduzidos  em  conjunto  pela  Polícia  Federal,  pela  Secretaria  da  Receita Previdenciária  e  pela Secretaria da Fazenda Estadual  em São  José do Rio  Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales ­ 24ª subseção  Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e  jurídicas  envolvidas,  no  período  de  2002  a  2006,  expediu  mandados  de  busca  e  apreensão  de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à  Secretaria  da  Receita  Federal e à Secretaria da Receita Previdenciária para fiscalizar os contribuintes ­ as  pessoas jurídicas e físicas ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos  procedimentos  de  busca  e  retenção  de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e  previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no  art. 198 do CTN.  Assim,  a  denominada  "Operação  Grandes  Lagos",  deflagrada  pela  polícia  federal,  por  solicitação da Receita Federal,  desbaratou uma organização criminosa  criada para  fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São  José  do  Rio  Preto  havia  muitos  anos,  tendo  em  vista  que  seria  praticamente  impossível  para  a  Receita  Federal  identificar  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas,  sem  um  trabalho  de  inteligência  da  Polícia  Federal,  inclusive  com  interceptações telefônicas. Decorridos meses de investigação, a Polícia Federal, com  autorização da Justiça Federal, efetuou mais de uma centena de prisões e procedeu à  busca  e  apreensão  de  documentos  nas  empresas  envolvidas  na  fraude,  conforme  excerto do relatório da Polícia Federal adiante transcrito:  “Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS  vêm  recebendo  denúncias  de  um  mega­esquema  de  sonegação  fiscal  envolvendo  frigoríficos  estabelecidos  na  região  dos  Grandes Lagos, no  interior do Estado de São Paulo,  sobretudo  nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias,  o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos.   A partir destas denúncias,  a Receita e o  INSS  iniciaram vários  procedimentos  fiscais  contra  várias  empresas  e  pessoas  físicas  ligadas  ao  esquema.  Finalizadas  as  fiscalizações,  foram  lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais.  No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava  cobrar  os  tributos  devidos,  verificava  quem  nem  as  empresas,  nem  seus  sócios,  possuíam  qualquer  patrimônio  em  seu  nome  para honrá­las. No curso dos  trabalhos de fiscalização,  tanto a  Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de  que  as  pessoas  que  constavam  do  quadro  societário  destas  empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível  hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas  Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.175          22 fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de  sonegar tributos.   Diante  da  dificuldade  de  comprovar  o  vínculo  entre  os  verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas"  para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as  evidências  da  existência  de  uma  verdadeira  organização  criminosa por  trás destas empresas,  no  final do ano de 2005 a  Receita  Federal  solicitou  formalmente  o  apoio  da  Polícia  Federal  em  Jales/SP,  para  que  as  investigações  fossem  aprofundadas,  de  modo  a  se  identificar  com  precisão  todo  o  esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à  julgamento pela Justiça”.  Após a deflagração da operação Grandes Lagos, houve determinação judicial  para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas no caso fossem fiscalizadas  pela Receita Federal do Brasil, motivo pelo qual houve­se por instituída uma equipe  especial  de  fiscalização  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  8ª  Região Fiscal para conduzir os trabalhos relativos à citada operação.  Por  isso,  houve­se  por  expedido  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  N°  08.1.07.00­2009­0034­0, determinando à equipe fiscal nele assinalada a verificação  do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas  pela RFB, conforme determina o art. 2º da Lei n° 11.457/2007, e àquelas relativas a  terceiros,  conforme  determina  o  artigo  3°  da  mesma  lei;  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados empregados; A verificação do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes individuais; A  verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e  fundos  ­  conciliação  GFIP;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ comercialização de produtos rurais  ­ contribuições devidas por adquirente na condição de sub­rogado; A verificação do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  comercialização de produção ­ contribuições próprias e a verificação de informações  econômico­fiscais  do  contribuinte,  por  determinação  Judicial  através  do  Ofício  076/2006­GAB­JCS­Processo 2006.61.24.001666­2 da 1ª Vara Federal de Jales.  Da  investigação  procedida  pela  Policia  federal,  em  conjunto  com  as  Secretarias da Receita Federal e de Fazenda Estadual restou configurada a existência  de  uma  grande  organização  criminosa,  criada  com  o  objetivo  de  fraudar  a  administração  tributária, cujo modus operandi  consistia na interposição de pessoas  físicas  e  jurídicas,  com o  objetivo  de  eximir  os  titulares de  fato  do  pagamento  de  tributos  e  contribuições  sociais.  As  pessoas  interpostas  movimentaram  grande  quantia  de  recursos  por meio  da  rede  bancária, mediante  a  abertura  de  contas  em  seus nomes, mas movimentando  recursos pertencentes a  terceiros,  titulares de  fato  desses recursos.  Foram,  então,  determinadas  e  abertas  fiscalizações  nos  contribuintes:  FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA. e CONTINENTAL OUROESTE CARNES E  FRIO  LTDA,  assim  como  diligências  fiscais  nas  empresas  SP  GUARULHOS  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS  LTDA  e  COMERCIO  DE  CARNES  E  REPRESENTAÇÃO  BR  DE  FRONTEIRA  LTDA.  E,  também,  diligências  fiscais  nas Pessoas Físicas  relacionadas  com  as  suso  citadas  empresas:  Srs.  Oswaldo  Antonio  Arantes,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.176          23 Souza, Edson Garcia de Lima, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira,  ,  João  Francisco  Naves  Junqueira,  e  José  Ribeiro  Junqueira  Neto  e  na  Vara  do  Trabalho de Fernandópolis/SP.  Foram  arroladas  nos  fatos  geradores  lançados  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste Ltda, a  interposta empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e a  interposta/noteira Distribuidora de Carnes e Derivados S. Paulo Ltda.   Durante os trabalhos de auditoria foram detectadas como interposta empresa  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  além  das  empresas  citadas  acima,  as  empresas  SP  GUARULHOS (aquisição de produtos rurais como sub­rogado e mão­de­obra) e a  BR  FRONTEIRA  (fornecedora  de  mão­de­obra  na  atividade  fim,  a  partir  de  Novembro de 2005).  A Fiscalização apurou que as empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados Ltda compõem o Núcleo Ouroeste.   Todas essas empresas estão registradas em nome de "laranjas".   Formalmente,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  estava  em  nome  de  Maria  de  Lourdes Bazeia de Souza e Ana Maria Cecília Podboy Costa Junqueira, com 50% de  participação  cada  uma  no  quadro  societário  da  empresa;  são  "laranjas"  do  empreendimento.   A  contribuinte  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  é  mãe  do  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  José  Roberto  de  Souza.  Em  seu  esclarecimento  a  Polícia  Federal de Jales informa que assinou uma procuração para seu Dorvalino, para que o  mesmo  pudesse  trabalhar.  Informa,  ainda  que  nunca  participou  da  empresa  Frigorífico Ouroeste  Ltda  e  que  pertence  de  fato  aos  Srs. Dorvalino  Francisco  de  Souza e Edson Garcia de Lima (fls. 684 ­ Volume IV / Anexo 1). No período declara  apenas  rendimento  recebido  do  INSS.  É  conhecida  na  cidade  de  Bálsamo  como  "Maria da Pamonha", pois possui uma pequena barraca na feira livre da cidade que  vende  doces  derivados  de  milho.  Portanto,  a  contribuinte  é  mais  uma  interposta  pessoa, “laranja”, do núcleo dos envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda.  A  contribuinte  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira  constou  nos  quadros  societários  da  empresa  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  de  2003  até  2007.  É  esposa  do  Sr.  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira.  Em  seu  esclarecimento  a  Polícia  Federal de Jales disse que, a pedido de seu cônjuge, por volta de 2003, assinou uma  procuração  para  que  o  mesmo  pudesse  investir  na  compra  de  um  frigorífico  em  Ouroeste­SP. Que desconhece  completamente qualquer  assunto  relacionado com a  empresa Frigorífico Ouroeste Ltda, e que constou como sócio a pedido do cônjuge  (fls. 685 ­ Volume IV/Anexo 1).   Declara,  no  período,  somente  rendimento  recebido  de  seu  sogro  João  Francisco Naves  Junqueira  (fls.  2137 a  2155  ­ Volume XI  / Anexo 1). Consta no  sistema  CNIS  ­  Fonte  GFIP  vínculo  para  a  matrícula  11.528.00886/81  do  empregador supra citado com admissão em 03/11/1998 (fls. 59 ­ Volume I / Anexo  2).   Portanto,  a  contribuinte  é  mais  uma  interposta  pessoa  do  núcleo  dos  envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda.  A empresa Frigorífico Ouroeste Ltda foi iniciada pelo Srs. José Cabral Muniz  e Filhos em 26.01.1999,  fls. 33 a 38 – Volume  I  / Anexo 1. Em 13.02.2002,  teria  Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.177          24 sido vendido o estabelecimento para o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto, representado  pelo  seu  procurador  Sr.  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  e  para  o  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  conforme  cópia  autenticada  do  Instrumento  Particular  de  Compra  e Venda  de  Imóvel  (terreno  e  prédio),  Instalações  Industriais,  Utensílios,  Máquinas  e  Ferramentas  entregues  pela  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda,  ao Posto Fiscal da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, em  Fernandópolis (fls. 91 a 98 – Volume I/Anexo 1).  Em resposta a  intimação  fiscal de 13.11.2005, o Sr. Dorvalino Francisco de  Souza confirmou que emitiu 06 cheques de R$ 30.000,00 informando que para fazer  frente a  tal despesa teria  tomado empréstimo com os Srs. Edson Garcia de Lima e  Antonio Martucci (fls. 1754 / 1759 – Volume IX/ Anexo1).  Em  seu  depoimento  a Polícia Federal  de  Jales,  em 05.10.2006,  o Sr. Edson  Garcia  de  Lima  declarou  que  "16%  do  Frigorífico  Ouroeste  lhe  pertence,  34%  pertencem  ao  Sr.  Dorvalino  e  os  outros  50%  ao  Sr.  Luiz  Ronaldo"  (fls.  646  –  Volume IV/Anexo 1).  Dorvalino Francisco de Souza, em seu depoimento à Polícias Federal de Jales,  declarou (fls. 677 – Volume IV/Anexo 1):  "...assim  como  já  afirmado  acima,  a  empresa  pertence  à  genitora,  sendo que há cerca de 2 anos  recebeu procuração de  sua genitora para gerir o Frigorífico. Que cerca de uma ano e  meio, o interrogado esteve a frente dos negócios juntamente com  o  seu  irmão  José  Roberto  de  Souza  e  Edson  Garcia  de  Lima.  Explicando,  50%  da  empresa  pertencia  a  sua  genitora  e  50%  pertence  a Luiz  Ronaldo Junqueira. Havia  uma  sociedade civil  entre o interrogado, seu irmão José Roberto e Edson Garcia de  Lima "   Conforme cláusula terceira do Instrumento Particular de Compra e Venda de  Imóveis  (terreno  e  prédio),  Instalações  industriais,  Utensílios,  Máquina  e  Ferramentas,  verifica­se  que  os  compradores  tomaram  posse  do  imóvel  imediatamente.  A  Fiscalização  apurou  que  nenhum  dos  envolvidos,  compradores  e  vendedores, declaram tal situação ao Fisco Federal.   Em 08.04.2003, fizeram uma alteração contratual  falsa, onde os vendedores,  José Cabral Muniz, Elisabete Rascado Matos Muniz, Flavia Rascado Matos Muniz,  Camila  Matos  Muniz  e  José  Cabral  Muniz  Júnior,  teriam  cedido  suas  cotas  no  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  (mãe  do  Dorvalino)  e  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira  (esposa  do  Sr.  Luiz  Ronaldo), pelo valor de R$ 50.000,00 (fls. 27 a 32 – Volume I/Anexo 1).  Em suas declarações à Polícia Federal de Jales, as duas senhoras declararam  que  assinaram  procurações,  com  amplos  poderes,  para  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  respectivamente,  baseado  em  confiança  familiar (fls. 684/685 – Volume III/Anexo 1).  Em  18.05.2007,  foi  feita  outra  alteração  contratual  fraudulenta  onde  a  empresa  tem  como  novos  sócios  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  (99%)  e  Edson  Garcia de Lima (1%). No mesmo instrumento, o capital social foi alterado para R$  300.000,00 (fls. 2229/2232 – Volume XII / Anexo1). Tal alteração contratual não foi  aceita pelo Fisco estadual como alteração válida, já que os sócios não comprovaram  Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.178          25 condições financeiras para tal ato. Esta alteração também não foi realizada junto ao  CNPJ. Aliás, a Fiscalização apurou que uma das marcas das empresas envolvidas na  operação é o total descompasso entre as alterações contratuais na Junta Comercial,  no Fisco Estadual e no CNPJ.  Com  base  nas  informações  colhidas,  a  Fiscalização  concluiu,  conforme  raciocínio desenvolvido no  item 2.1. do Termo de Constatação de  Infração Fiscal,  que o quadro societário verdadeiro da Frigorífico Ouroeste Ltda é o seguinte:  1­ José Ribeiro Junqueira Neto e/ou João Francisco Naves Junqueira ­ 50%  2­ José Roberto de Souza ­ 7,85 %   3­ Dorvalino Francisco de Souza ­ 16,44%   4­ Edson Garcia de Lima ­ 16,00%   5­ Antonio Martucci ­ 9,71 %    3.1.1. DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   A Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda  foi  constituída  em 10.09.2002,  tendo  como  sócios  os  Srs.  Antonio  Martucci  e  Edson  Garcia  de  Lima,  com  um  capital de R$ 70.000,00. Dos quais 99% foi integralizado pelo Sr. Antonio Martucci  (R$ 69.300,00) e 1 % pelo Sr. Edson Garcia de Lima (R$ 700,00).  Analisando  os  extratos  bancários  da  conta  do  Sr.  Antonio  Martucci,  a  Fiscalização apurou o  recebimento de um TED enviado pela empresa Produtos da  Fazenda, no valor de R$ 69.370,00, no dia 13.09.2002. A integralização das cotas da  empresa,  acima  citada,  feita  pelo  Sr.  Antonio  Martucci  deu­se,  também,  no  dia  13.09.2002, através do cheque nº 001606, no valor de R$ 69.300,00. Note­se que o  valor recebido é exatamente o valor da integralização, acrescido da CPMF R$ 70,00  (R$ 69.300,00 x 0,038%).  A empresa Produtos da Fazenda Ltda tem como sócios o Sr. MANOEL DOS  REIS DE OLIVEIRA e a Sra. SANDRA AMARA REIS DE OLIVEIRA, estando  inativa desde 2003. O sócio Manoel dos Reis de Oliveira é conhecido na cidade de  Bálsamo  como  "DEDÉ  Carrinheiro",  pessoa  de  pouca  posse,  morador  em  casa  simples da COHAB de Bálsamo. Atualmente é sócio da empresa De Souza e Lima  Ltda, junto com a Mãe do Sr. Edson Garcia de Lima. A empresa pertence de fato ao  Sr. Edson Garcia de Lima e ao Sr. Dorvalino Francisco de Lima, conforme consta  em seus depoimentos à Polícia Federal de Jales.   O  Sr.  Manoel  dos  Reis  de  Oliveira  é  interposta  pessoa  dos  citados  contribuintes.  Em  seu  depoimento  em  26.03.2008,  a  secretária  da  empresa,  Sra.  Angela Cristina Veigas Longo, confirma que a empresa De Souza e Lima Ltda tem  como objeto social a venda de Carne desossada no atacado e pertence ao Sr. Edson  Garcia de Lima e ao Sr. Dorvalino Francisco de Lima.  Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por  volta  de  2002,  Dorvalino  foi  até  a  residência  do  interrogado  e  o  informou  que  havia  comprado  do  Frigorífico  Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado  para  ser  um  dos  sócios  "de  Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.179          26 direito"  ao  lado  de  Edson  Garcia  de  Lima.  Efetivamente  a  empresa pertencia ao interrogado com 12,5%, a José Roberto de  Souza  com  12,5%,  a  Edson  Garcia  de  Lima  com  12,5%,  a  Dorvalino  com  12,5%  e  Luis  Ronaldo  com  50%".  Que  o  interrogado  efetivamente  pagou  sua  parte  do  capital  social  a  Dorvalino que era quem havia negociado a compra. No contrato  social, porém, constava o interrogado com 99% do capital social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto de Souza tinham como função comprar o gado em pé, o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor rural era orientado a fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".   Entretanto em seu depoimento ao Juízo da 3ª Vara de São José do Rio Preto,  em 05.12.2006, o Sr. Antonio Martucci afirmou:   "....Eu  não  recebi  nada  para  emprestar  o  nome,  eu  só  fiz  isso  porque eu era amigo do Dorvalino na época. Quando eu abatia  gado  no  Frigorífico  Ouroeste  a  nota  saia  do  produtor  para  o  Pereira e Pereira, para a Basco, para onde eles determinassem,  era  o  frigorífico  quem  determinava  em  nome  de  quem  sairia  a  nota,  mas  eu  não  mexia  com  isso.  As  vezes  podia  ser  a  Distribuidora São Paulo ".   Em outro trecho diz:   "... O Frigorífico Ouroeste e a Continental Ouroeste ficavam no  mesmo prédio, mas eu não sei a diferença entre elas. Eu sabia  que  tinha  emprestado  o  nome  para  a Continental,  mas  eu  não  sabia  que  também  figurava  como  sócio  do  Frigorífico  Ouroeste...".   Analisando os depoimentos acima, verifica­se que o contribuinte faltou com a  verdade  em  vários  trechos,  tendo  em  vista  sua  participação  efetiva  nas  empresas  envolvidas.   Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, o Sr, Edson Garcia de Lima,  quando perguntado a respeito de quais as empresas que lhe pertenciam, respondeu:  "1) "De direito" H4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De  Souza & Lima Ltda. 2) "De fato" 16% do Frigorífico Ouroeste.  Também  são  proprietários  "de  fato"  desta,  Dorvalino  (34%)  e  Luis Ronaldo (50%). Esta empresa está "de direito" em nome da  genitora  do  Dorvalino  e  da  esposa  do  Luiz  Ronaldo,  senhora  Maria  Cecília.  È  a  pessoa  que  efetivamente  administra  a  empresa  era Oswaldo Antonio Arantes,  porém compra de gado  quem fazia era o interrogado...."   Em seu interrogatório ao Juízo da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, o  Sr. Edson Garcia de Lima, declarou:   "...  A  Continental  foi  criada  para  abater  gado,  antes  de  nós  comprarmos o Frigorífico Ouroeste, nós a utilizamos entre 2002  e  2003,  embora  tenha  sido  utilizada  também  depois,  mas  em  Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.180          27 menor  escala,  pois  nós  adquirimos  o  Frigorífico  Ouroeste.  A  Continental  foi  criada  para  ser  utilizada  como  Distribuidora  para abater gado, antes de nós fecharmos ela, nós levantamos os  tributos devidos e fizemos o parcelamento, nós estamos pagando  o parcelamento...."   Analisando os dados acima, a Fiscalização constatou que o contribuinte Edson  Garcia de Lima faltou com a verdade, invertendo a ordem de abertura das empresas  e dizendo que teria fechado a empresa e estaria pagando os tributos devidos.   Não foram localizadas opções válidas pelos parcelamentos REFIS ou PAES,  apesar de constar pagamento de R$ 4.000,00 (R$ 2.000,00 no mês e novembro/2006  e R$ 2.000,00 em Dezembro/2006) e R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 em janeiro/2007 e  R$  1.000,00  em  fevereiro/2007),  com  código  de  recolhimento  do  PAES.  Tais  recolhimentos ocorreram após a ação da Polícia Federal de Jales­SP. Não antes.  O contribuinte Dorvalino Francisco de Souza, em seu interrogatório ao juízo  da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, declarou:   "  ...Eu  e  o  Edson  Garcia  de  Lima  abrimos  uma  empresa  chamada  Continental,  mas  como  eu  tinha  restrição  em  meu  nome, a empresa  ficou em nome do Edson  (1%) e do Martucci  (99%),  mas  o Martucci  ficou  poucos  meses.  O  Edson  ia  até  o  campo,  compra  gado  em  nome  da  Continental  e  o  frigorífico  apenas abatia o gado, o Luiz Ronaldo tinha 50% do frigorífico e  não queria participar do negócio..." em outro trecho diz " ...Eu e  o Edson exercíamos a administração do Frigorífico Ouroeste e  da Continental. O Martucci praticamente só cedeu o nome dele  mesma para a empresa...."  Analisando as informações acima, a Fiscalização concluiu que o contribuinte  faltou com a verdade,  informando que o Sr. Antonio Martucci  teria  ficado poucos  meses e que o Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira não participava dos negócios.  Tais  fatos  demonstram  quem,  de  fato,  são  os  proprietários  da  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco  de Lima.  Em setembro/2002, o Frigorífico Ouroeste teria supostamente arrendado para  a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda teria as instalações industriais,  utensílios,  máquinas  e  ferramentas.  A  cláusula  quinta  estatui  que  todas  as  benfeitorias  que  a  arrendatária  fizesse  ficariam  incorporada  ao  imóvel,  não  sendo  devida  nenhuma  indenização.  Esta  cláusula  é  comum  em  todas  as  empresas  envolvidas  na  operação,  quando  a  arrendatária  é  uma  empresa  inexistente  de  fato  (empresa  de  papel),  criada  com objetivo  fraudar  as  administrações  tributárias,  e  o  verdadeiro “dono do negócio” é o arrendador, de maneira que todas as benfeitorias  permanecem dom o dono do negócio, o Arrendador.  Nesta  data,  a  Continental  além  das  instalações  físicas,  assumiu  todos  os  empregados do Frigorífico Ouroeste, conforme assim revela a consulta de vínculos  empregatícios do  trabalhador do CNIS,  iniciando o "esquema de sonegação"  (  fls.  01/405 ­ Vol. I a III do Anexo 6).   Em  janeiro de 2003,  foi  realizada uma ampliação das  instalações  industriais  (acréscimo  de  418 m2  no  prédio,  acréscimo  de  448 m2  nos  currais,  construção  de  câmara  fria  e  aquisição  de  diversas  máquinas  e  utensílios),  tendo  despendido  um  Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.181          28 valor  superior  a  R$  10  milhões  de  reais,  tudo  pago  com  créditos  acumulados  de  ICMS, muitos dos quais frios (fls. 1725/1747 ­ Volume IX / Anexo 1) Todas estas  benfeitorias foram acrescidas ao patrimônio do Frigorífico Ouroeste sem custo.   Consta,  também,  que  a  empresa  adquiriu  "Óleo  Diesel"  da  Petrobrás  Distribuidora S/A, no período de 09/2003 a 01/2005, no valor de R$ 3.412.568,00  ou 2.970.000 litros (fl. 1724 ­ Volume IX/Anexo 1). Considerando o período de 17  meses ou 510 dias; o fato de o frigorífico ter consumo deste combustível apenas para  o  gerador  (que  é  usado  somente  nas  horas  de  picos  e  quando  há  falta  de  energia  elétrica); o  consumo do motor do gerador de mais ou menos 80  litros por hora,  o  diesel adquirido seria suficiente para produzir energia, 24 horas por dia, por 1.546  dias ou 51 meses (80 litros/h x 24hs = 1.920 litros ao dia), o que demonstra que tal  combustível houve­se por utilizado por outras empresas do esquema.  De tal exposição avulta que o crédito de ICMS foi utilizado em proveito do  Frigorífico Ouroeste Ltda e/ou seus sócios como benefício indireto.  Em 11.03.2003,  retira­se  da  sociedade  o Sr. Antonio Martucci  e  entra  o  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes,  que  adquire  as  cotas  daquele  pelo  mesmo  valor  da  constituição,  R$  69.300,00  ,  pago  através  de  cheque  n°  000465,  emitido  pelo  Sr.  Oswaldo Antonio Arantes em 03.04.2003, Banco Bradesco,  agência Ouroeste/SP,(  fls. 102  ­ Volume  I  / Anexo 1). Em sua declaração a Polícia Federal de Jales,  em  17.10.2006, o contribuinte Sr. Oswaldo Antonio Arantes declarou:  "  ....salvo  engano,  no  ano  de  2003  o  declarante  foi  admitido  como empregado da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda, sediada  na  cidade  de  Ouroeste/SP,  como  gerente  administrativo,  tendo  como  função precípua a manutenção do  frigorífico, admissão e  demissão de funcionários, etc, sendo certo que quem o contratou  fora os senhores Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco  de  Souza,  os  quais  são  proprietários  da mencionada  empresa;  QUE percebia  uma  salário  de R$ 2.800,00; QUE,  após  quatro  meses,  aproximadamente,  o  declarante  fora  demitido  da  ora  citada  empresa,  porém  lá  permaneceu,  no  mesmo  cargo  e  funções, sem registro em sua CTPS...."   Em outro trecho diz:   "...QUE, o declarante no ano de 2003 para 2004, adquiriu parte  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  salvo  engano 70%, esta sediada na época na cidade de Ouroeste/SP,  porém  por  não  ter  sido  aceito  pela  Secretária  da  Fazenda  do  Estado de São Paulo, sob alegação de que não dispunha de bens,  teve de  devolver  essa  parte  para  o  seu  originário  proprietário,  Antonio  Martucci;  QUE  esclarece  o  declarante  que  somente  permaneceu  como  sócio  proprietário  da  empresa  Continental  Ouroeste,  que  tinha  como  ramo  o  comércio  de  carne,  por  um  período de no máximo um mês Que, o dinheiro que o interrogado  usou para adquirir parte da  sociedade da empresa Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  o  obteve  da  venda  de  terra  no  Estado do Mato Grosso, de propriedade de seu sogro Sebastião  Luiz Arantes, o qual reside com o declarante...."  Analisando  o  extrato  do  contribuinte  Oswaldo  Antonio  Arantes,  a  fl.  141,  verifica­se  que  em  14.03.2003  ele  recebeu  uma TED de  uma  empresa  sediada  no  Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.182          29 Estado  do  Paraná  chamada  Taurus  Comércio  de  Bovinos  Ltda,  no  valor  de  R$  101.608,00.   Em  26.03.2003,  adquiriu  um  veículo  Renaut/Clio  RT  1.0  16V,  ano  de  fabricação e modelo 2001, branco, placa DFH­0542, no valor de R$ 20.500,00 da  empresa Andrade & Ortolan Ltda,  veículo  este  registrado em nome de  sua  esposa  (fls. 965/966 ­ Volume V/Anexo 1 e 1748/1753 ­ Volume IX/Anexo 1).   Finalmente,  em  03.04.2003,  emite  o  cheque  nº  000465,  no  valor  de  R$  69.300,00  ,  para  custear  a  suposta  compra  das  cotas  da  empresa  Continental  Ouroeste do Sr. Antonio Martucci.   Em  resposta  a  intimação  para  comprovar  a  entrada  e  saída  de  valores  relevante em sua conta, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes, explica a fls. 1760 a 1766 ­  Volume IX/Anexo 1:   a)  "Que o  depósito  de R$ 101.608,00  refere­se  ao  recebimento  da venda da pequena propriedade rural de meu sogro, Sebastião  Luiz Arantes, CPF n° 288.476.288­49, sediada no município de  Gloria D'Oeste ­ MT; b) Que o valor de R$ 20.500,00 refere­se  ao levantamento de numerário a pedido de meu sogro; c) Que o  valor de R$ 69.300,00 refere­se ao levantamento de numerário a  pedido de meu sogro."   Como se pode observar, o contribuinte não consegue explicar a origem e/ou  aplicação  dos  recursos  em  sua  conta,  ainda  se  atrapalha  com  relação  ao  valor  utilizado  para  suposta  compra  das  cotas  da  empresa  Continental  Ouroeste  do  Sr.  Antonio Martucci.   Na Junta comercial,  o Sr. Oswaldo Antonio Arantes  ingressou na  sociedade  em 20.03.2003 e se retirou em 26.08.2004.   Analisando  os  vínculos  empregatícios,  a  Fiscalização  apurou  que  o  Sr.  Oswaldo Antonio Arantes foi funcionário do Frigorífico Ouroeste de 01.08.2002 até  14.09.2002;  Da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  de  15.09.2002  até  12.01.2003,  como  segurado  empregado;  De  06/2003  até  10/2005  constou  como  contribuinte  individual  na  Continental  Ouroeste,  como  sócio  gerente,  conforme  GFIP  ­  Base  CNIS,  com  remuneração  de  R$  1.500,00  mensais  ­  Categoria  11,  portanto  em  descompasso  com  o  que  consta  na  Junta  Comercial,  com  saída  em  26.08.2004; De 01/11/2005 a 01/01/2007 foi registrado na função de gerente geral,  com  salário  de  R$  2.800,00  na  empresa  Comércio  de  Carnes  e  Representação  Rodrigues e Bastos Ltda, atual BR Fronteira.  A Fiscalização  apurou  que  a BR Fronteira  assumiu  formalmente  a  partir  de  Novembro  de  2005  todo  o  passivo  trabalhista  da Continental Ouroeste,  conforme  transferência no Livro Registro de Empregados de n° 05, fls. 303 ­ Vol. II / Anexo 2,  e que no período de novembro/2005 a dezembro/2006  toda  a mão de obra da BR  Fronteira trabalhou, com exclusividade, para o núcleo Ouroeste.  Após  a  operação  de  Policia  Federal,  ou  seja,  a  partir  de  Janeiro/2007,  o  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  novamente  todos  esses  empregados  e  o  passivo  trabalhista decorrente, conforme Fichas Registro de Empregados, tanto que a data de  admissão,  seja  no  Frigorífico  Ouroeste,  seja  na  Continental  Ouroeste,  é  a  data  retroativa quando  foram admitidos  na primeira vez,  fato que pode ser  confrontada  com a GFIP de Janeiro de 2007, a fls. 805/820, e nos contratos de trabalho.   Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.183          30 Em  seu  interrogatório  na  Polícia  Federal  o  Sr.  Oswaldo  também  disse  também:   "QUE,  salvo  engano  no  mês  de  março  do  corrente  ano  o  declarante  foi  admitido  pela  empresa  COMÉRCIO  E  REPRESENTAÇÕES BR DE FRONTEIRA, como gerente, tendo  as mesmas funções que na empresa FRIGORIFICO OUROESTE  LTDA,  esclarece  o  declarante  que  continua  trabalhando  no  FRIGORIFICO  OUROESTE  LTDA,  porém  registrado  na  empresa  COMÉRCIO  E  REPRESENTAÇÕES  BR  DE  FRONTEIRA,  esta  prestadora  de  serviços  à  empresa  FRIGORIFICO  OUROESTE;  QUE,  o  declarante  não  sabe  informar quem possa ser seus patrões, porém sabe informar que  continua  recebendo  ordens  dos  senhores  EDSON GARCIA DE  LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.”   De toda essa exposição dessai que os verdadeiros donos da BR Fronteira são,  também, os Srs. EDSON GARCIA DE LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE  SOUZA.  Em  20.03.2003,  foi  feita  uma  nova  alteração  contratual  na  empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, retirando da sociedade Edson Garcia de  Lima e admitindo a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo, CPF n° 274.259.978­94. Em  seu Termo de declaração à Polícia Federal de Jales, em 18.10.20006, (fls. 644/645 ­  Volume III/Anexo 1), a Sra. Angela Cristina Viegas Longo declarou:  "...  A  declarante  trabalhava  na  empresa  De  Souza  e  Lima  em  São  José  do  Rio  Preto,  exercendo  a  função  de  secretária,  no  período de 1997 a 2005. A declarante afirma que essa empresa  era  uma  distribuidora  de  carnes  de  propriedade  de  Edson  Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza. A declarante  afirma  que  Edson  Garcia  de  Lima,  vulgo  "Edão",  pediu  seus  documentos  pessoais,  RG,  CPF,  comprovante  de  residência,  para  constar  como  sócia  na  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  no  ano  de  2003.  A  declarante afirma  que  Edson Garcia de Lima, vulgo "Édão" fez esse pedido explicando  que  estava  com  problemas  no  nome  dele  e  não  poderia  mais  constar  como  sócio  dessa  empresa.  A  declarante  aceitou  as  explicações  de  Edson  Garcia  de  Lima  e  entregou  seus  documentos pessoais para constar como sócia desse frigorífico,  apenas para ajudar Edson Garcia de Lima. A declarante afirma  que Durvalino Francisco de Souza levou a alteração contratual  do frigorífico Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda para ser  assinada  no  escritório,  sendo  de  fato  a  alteração  contratual  assinada  pela  declarante.  A  declarante  afirma  que  os  verdadeiros  proprietários  do  frigorífico  de  Ouroeste,  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  na  época  eram  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luis  Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci..."   Em  declaração  prestada  na Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  em  São  José do Rio Preto/SP, em 26.03.2008 (fls. 702 a 704 ­ Volume III/Anexo 1), a Sra.  Ângela Cristina Viegas Longo confirmou que, para ela, as empresas se confundiam,  ou seja, uma existia somente no papel, e as citadas pessoas Dorvalino Francisco de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Roberto  de  Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.184          31 Souza e Antonio Martucci eram os verdadeiros proprietários. Declarou ainda que as  alterações contratuais com relação ao objeto social, abertura de filial de 31.05.2004 e  retirada  da  sociedade  de  26.08.2004  não  foi  assinada  pela  declarante,  sendo  as  assinaturas possivelmente falsificadas.   Na alteração contratual de 26.08.2004, retirou­se da sociedade o Sr. Oswaldo  Antonio  Arantes  e  a  Sra.  Angela  Cristina  Veigas  Longo,  retornando  os  sócios  originais, Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  (fls.  84/86  ­ Volume  I  /  Anexo 1).   Em  05.01.2005,  retira­se  da  sociedade  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima  e  Antonio Martucci  e  são  admitidos  os  Srs.  Claudir  Brusnello  e Mauricio  de  Lima  Borges ( fls. 87 ­ Volume I / Anexo 1).   No Dossiê da empresa existente no Posto Fiscal da Secretária de Fazenda do  Estado  de  São  Paulo,  em  Fernandópolis,  consta  um  contrato  da  suposta  venda  da  empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (Os Srs. Edson Garcia de Lima e  Antonio  Martucci  vendendo  para  os  Srs.  Claudir  Brusnello  e  Mauricio  de  Lima  Borges), datado de 20.08.2004, pelo preço de R$ 25.000,00 a ser pago em 5 (cinco)  parcelas mensais e sucessivas de R$ 5.000,00 a partir de 20.09.2004, e 5 recibos de  recebimento dos citados valores, fls. 110 a 117 ­ Volume I / Anexo 1.   Verdadeiro  “Negócio  da  China”,  pois  na  época  da  venda,  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  apresentava  um  faturamento  mensal  superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) (fls. 109 ­ Volume I / Anexo 1)  Como  já  era  de  se  esperar,  Diligência  Fiscal  realizada  na  cidade  de  Uberlândia­MG, os contribuintes Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges não  foram  localizados  nos  endereços  declarados  a  SRF,  muito  menos  as  supostas  empresas dos citados contribuintes, muitas inclusive, com endereços inexistentes.  Apurou­se,  igualmente,  que  os  citados  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio  de  Lima  Borges  não  possuem  capacidade  financeira  para  tal  empreendimento e não apresentaram movimentação financeira no período (fls. 126 a  129 ­ Volume I / Anexo 1)  Em  10.05.2005,  foi  promovida  uma  alteração  do  endereço  da  empresa  de  Ouroeste­SP  para  Jundiaí/SP,  e  em  19.10.2005,  de  Jundiaí­SP  para  zona  rural  de  Angico/TO.  Em  diligência  aos  citados  endereços,  verificou­se  a  inexistência  de  ambos,  sendo  considerado  como  alteração  ilegal  com  objetivo  de  dificultar  a  fiscalização  nos  termos  do  Artigo  127,  §2°  do  CTN  (fls.  130/138  ­  Volume  I  /  Anexo 1)  A  propriedade  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  pela  Frigorífico Ouroeste encontra­se plasmada até na  rotulagem dos produtos daquela,  eis  que  os  rótulos  dos  produtos  comercializados  pela  empresa  apresentavam  com  destaque (em letras maiores) a palavra "Frigorífico Ouroeste " e em letras menores o  nome  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda.  (fls.  1593/1596  ­  Volume VIII / Anexo 1).  Até  o  Médico  Veterinário  responsável,  Sr.  Cledson  Luis  Furtado,  era  empregado do Núcleo Ouroeste desde 30/08/2001(fls. 404 ­ Volume III/Anexo 6)   Circularizando  alguns  clientes  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda foram obtidos informações que as pessoas que negociavam pela empresa  eram os funcionários do Sr. José Roberto de Souza, e ainda os Srs. Oswaldo Antonio  Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.185          32 Arantes,  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Luiz  Ronaldo.  Destaque­se que o Sr. Edson Garcia de Lima era o mais conhecido pelos pecuaristas  da  região.  (fls.  208/642  ­ Volumes  I  a  III  / Anexo 1,  e  fls.  01/329  ­ Vols.  I  e  II  /  Anexo 7).   A  Fiscalização  apurou  que  o  Núcleo  Ouroeste  também,  praticou  outras  fraudes,  já  que  as  respostas  de  vários  supostos  fornecedores  de  gado  de  outros  estados  foram no sentido de que não comercializavam com o  frigorífico em  tela e  muitos nem se dedicavam à pecuária de corte. Tal fato demonstra que as respectivas  notas  de  entrada não  refletiam  a  realidade  dos  fatos,  tendo  sido  usadas  para  gerar  créditos fictícios de ICMS (fls. 1167/1309­ Volumes VI e VII / Anexo 1).   Do  exame  das  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  a  Fiscalização  se  deparou  com  vários  títulos  de  capitalização,  com  pagamento até o final do ano de 2005, cujos beneficiários eram os Srs. Luiz Ronaldo  Costa  Junqueira,  Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  demonstrando que o núcleo Ouroeste mantinha o controle da empresa , mesmo após  a  suposta  transferência  da  empresa  para  os  Srs.  Claudir  Brusnello  e Mauricio  de  Lima Borges ocorrida em 08/2004 (fls. 1151/1166 ­ Volume VI/Anexo 1).   O  cruzamento  de  informações  entre  as  contas  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  as  pessoas  envolvidas  (Dorvalino  Francisco  de  Souza, Edson Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo  Antonio  Arantes)  revelou  uma  grande  quantidade  de  transferências  de  valores  mensais,  cujo valor médio era de R$ 5.000,00 cada. Em vários meses, há mais de  uma transferência para mesma pessoa, conforme abaixo demonstrado no item 2.4.1.  a fls. 157/159.  Os  estabelecimentos  bancários  onde  os  envolvidos  acima  citados  possuíam  contas,  também  reconheciam  que  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  era  deles.  Em  uma  análise  interna  sobre  a  liberação  de  empréstimo  ao  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  em  16.02.2005,  o  gerente  do Banco Nossa Caixa,  agência de Bálsamo, declarou: (fls. 893/894 ­ Volume V / Anexo 1)   "...trata­se  de  um  cliente  c/exp.  Positiva  de  crédito,  c/c  desde  06/2003, eh sócio prop. do Frigorifico Continental, De Souza e  Lima (Distr. de Carnes)..".   Em outra analise, agora para o Sr. Edson Garcia de Lima, em 14.03.2005, o  mesmo gerente disse: (fls. 902/904 ­ Volume V / Anexo 1)  "...Cujo  tomador  eh  sócio  prop.  do  Frigorífico  Continental  de  Ouroeste desta ag...”.  A Fiscalização apurou  que  a  empresa Frigorífico Ouroeste Ltda  assumiu  ao  menos duas dívidas da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, uma no valor de  R$ 736.290,13, perante o Banco Bradesco S.A e  a outra,  da  empresa de  factoring  New  Suport  Factoring  Ltda,  decorrente  de  desconto  de  duplicatas,  dando  como  garantia,  hipoteca  do  imóvel  da  empresa  situado  em  Ouroeste/SP,  tendo  como  solidários  fiadores  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  José Roberto de Souza e Edson Garcia de Uma (fls. 1597/1723 ­ Volumes VIII e I X  / Anexo 1).   No caso da escritura pública de confissão de dívida com garantia de hipoteca  e outras avenças, data de 26.08.2005, consta como devedora a empresa Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, representada pelos sócios, Oswaldo Antonio Arantes e  Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.186          33 a Ângela Cristina Viegas Longo, com menção do contrato social com as alterações  somente até 13.03.2003 (fls. 1606 a 1608 ­ Volume IX/Anexo I).   Verifica­se  no  caso,  um  claro  ato  doloso  e  fraudulento,  já  que  nesta  data  a  empresa  já  pertencia,  de  direito,  aos  Srs.  Claudir  Brusnello  e Mauricio  de  Lima  Borges.  Embora a devedora fosse a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, quem  liquidou  o  débito  junto  ao  Banco  Bradesco  e  da  empresa  de  factoring  foi  a  Frigorífico Ouroeste Ltda.  A Fiscalização também verificou que a empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda nunca entregou DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos Tributários  Federais  à  SRF,  tendo  apresentado  apenas  as  DIPJ  ­  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica nos anos calendários 2002 e 2003 e, mesmo  assim, só recolheu os tributos por substituição tributária do período (fls. 1828/1942 ­  Volume X / Anexo 1).  Com relação às contribuições previdenciárias foram efetuados recolhimentos  parciais,  sendo  que  as  diferenças  a  recolher  encontram­se  inclusas  no  presente  lançamento.  Com  base  no  acima  relatado,  fica  evidente  que  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  nada  mais  é  do  que  uma  “empresa  de  fachada”,  inexistente de fato, aberta e utilizada exclusivamente para fraudar as Administrações  Tributárias  Federal,  Estadual  e  Trabalhista,  com  atos  constitutivos  eivados  de  falsidade ideológica, sendo que os contribuintes envolvidos Sr. Dorvalino Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Oswaldo  Antonio  Arantes,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  João  Francisco  Naves  Junqueira  e  José Ribeiro  Junqueira Neto  foram beneficiários  diretos/indiretamente  da fraude.   Conclui­se,  portanto,  que  a  referida  empresa  foi  criada  para  existir  tão  somente  no  papel.  Os  seus  verdadeiros  donos  (os  reais  sócios  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda acima citados) não  figuravam em seu quadro  societário não porque  apresentavam supostas restrições de créditos (conforme declarações expressas a fls.  646/683  ­  Volume  IV/Anexo  1),  mas  porque  apresentavam DIRPF  incompatíveis  com  nível  de  vida  e  renda  e,  principalmente,  porque  queriam  permanecer  ocultos  perante os fiscos Federal e estadual.  Dessarte,  como não desejavam  ter  seus nomes vinculados  ao Patrimônio do  frigorífico,  criaram  uma  ficção  jurídica  consubstanciada  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  em  nome  de  “laranjas”,  para  realizar  o  objeto  social  do  frigorífico.   Merece  se  destacado  que  o  ADE  ­  Ato  Declaratório  Executivo  nº  66,  de  29.07.2008, a fls. 41/43 ­ Volume 1 / Anexo 2, publicado no DOU ­ Diário Oficial  da  União  n°  149,  de  05.08.2008,  declarou  a  INAPTIDÃO  da  pessoa  jurídica  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, com efeitos desde sua constituição.  3.1.2. DA  SP  GUARULHOS  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS  LTDA   Em relação à SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda o  quadro  não  é  diferente,  mudando­se  apenas  o  figurante,  mas  mantendo­se  inalterados os cenários e os protagonistas.   Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.187          34 A  empresa  foi  constituída  em  01  de  Março  de  2004  em  nomes  de  sócios  "laranja" Sérgio Aparecido da Fonseca Alves, Claudir Luis de Siqueira  e Rodrigo  Daniel  Andrade,  em  funcionamento  a  partir  de Maio/2005  para  a  continuação  da  fraude até então praticada pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, sendo que  as  cópias  dos  referidos  contratos  constitutivos  foram  apreendidos  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste ltda.   Visando  a  conferir  ares  de  legalidade  em  seus  negócios,  simulou­se  um  Contrato  de  Locação  Comercial  com  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  em  setembro/2005,  abarcando,  inclusive,  todos  os  equipamentos  e  ferramentas  para  funcionamento de um frigorífico, pagando­se um valor  fixo,  somado a outro valor  por  cabeça  de  gado  abatido  no  local,  tendo  por  fiador  o  próprio  sócio  Sérgio  Aparecido da Fonseca Alves.  A  partir  de  seu  funcionamento,  o  esquema  fraudulento  se  valeu  do mesmo  "modus  operandi"  já  utilizado  pela  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  utilizando­se de empresa vendedora de notas  fiscais – a “NOTEIRA” Distribuidora  S. Paulo, para fazer crer real as atividades realizadas.   Com receitas em torno de R$ 18.300.000,00 em 2005, e de R$ 11.615.000,00  em  2006  (Fonte DIPJ),  a  SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e Derivados  Ltda contava com apenas um empregado formalizado.   Convenhamos  que  com  apenas  um  único  empregado  revela­se  inverossímil  que uma empresa possa ter uma movimentação financeira de 43 milhões de reais até  2006.  Tal  inverossimilhança  é  corroborada  pelo  fato  de  tal  empresa,  após  a  deflagração  da  operação  da  Polícia  Federal  no  final  de  2006,  ter  faturado,  tão  somente, R$ 21.695,00 em 2007, quando, então, paralisou suas atividades.   A SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda não entregou  DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em 2005, sendo que  em  2006  entregou  somente  os  dados  cadastrais,  sem  declarar  tributos; A  empresa  entregou DIPJ de 2005 e 2006,   A  Fiscalização  apurou  que  tal  "modus  operandi"  era  utilizado  por  todas  as  empresas envolvidas na fraude ­ operação grandes lagos.   Os  agentes  fiscais  constataram  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda mantinha relacionamento com diversos bancos, quase uma  dezena, conforme relação das contas correntes apresentada a fl. 153.  Nos  livros  contas  correntes  apreendidos  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste  Ltda  (itens  7.1,  7.2  e  7.3  do  Termo  de  Busca  e  Apreensão  da  Policia  Federal)  constam diversos pagamentos a  fornecedores de gado,  assim como os pagamentos  de despesas pessoais e retiradas de pro labore dos sócios de fato Edson Garcia de  Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, e Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  bem  como  salários,  férias,  13º  salário  e  salário  maternidade  dos  empregados  assalariados  e  dirigidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  mão­de­obra  com  vínculos formais registrados na empresa interposta BR Fronteira.  Circularizando em diversos  fornecedores de gado a Fiscalização comprovou  que os verdadeiros donos de  fato da SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e  Derivados  Ltda  são  os  mesmo  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  ou  seja,  Sr.  Edson,  Dorvalino,  conforme  respostas  aos Termos  de  Intimação Fiscal  a  fls.  1150/1280  ­  Volumes VI e VII/Anexo 3.   Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.188          35 Na  resposta  do  fornecedor  Marcos  Bassan  Gonçalves,  este  informa  que  o  recebimento da venda de bovinos efetuada a SP Guarulhos, com emissão da NF n°  1680,  foi  pago  pelo  cheque  n°  10494  no  valor  de  R$  7.627,00,  datado  de  31  de  Agosto de 2005, emitido pela Continental Ouroeste — Banco Real — Ag. Mirassol,  que  pode  ser  confrontado  com  as  fls.  07­verso  do  Livro  conta  corrente  7.4  (apreendido), o que comprova a  ligação entre as citadas empresas. (documentos às  fls. 1190/1199 e 1202­Volumes VI e VII/Anexo 3).   O  fornecedor  Luiz  C.  H.  Teles  remeteu,  juntamente  com  sua  resposta  referente à NF 2628, de 11/10/2005, da SP Guarulhos, as notas fiscais de produtor  onde  consta  como  local  de  abate  o Frigorífico Ouroeste,  bem como o  controle de  pesagem  e  do  transportador,  onde  consta  o  logotipo  e  o  nome  do  Frigorífico  Ouroeste,  o  que  mais  uma  vez  comprova  quem  detinha  o  controle  do  empreendimento (fls. 1203/1217­Volume VII/Anexo 3).   No Auto de Qualificação e Interrogatório de Dorival Pedro Belini na Policia  Federal de Jales/SP (fls. 667­ Volume III/Anexo 1), quando questionado sobre quais  as  empresas  de  Dorvalino  são  sediadas  em  São  Paulo  Capital,  o  interrogando  respondeu:   “... é o dono as SP Guarulhos”.  No mesmo Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão efetuado pela Policia  Federal  no  interior  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  foram  apreendidos  outros  documentos  da  SP  Guarulhos,  tais  como  2  cartões  magnéticos,  sendo  um  Empresarial  da  Nossa  Caixa  ag.  535  e  outro  do  Bradesco  Ag.  1760­4;  contratos  sociais; talões de cheques de vários bancos e agências, tais como ag. 0540­1 ­ Nossa  Caixa  ­ Vila Maceno em S.  J. R. Preto,  conta  corrente 04.001570­6  e  ag.  535­5  ­  conta 04.000393­3 ­ Ag. Ouroeste­SP.   Analisando  os  documentos  solicitados  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação  Financeira,  a  Fiscalização  constatou  que  quem  movimentava  as  contas eram os verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste ltda, fato que corrobora a  compreensão de que SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda  figurava  como  mais  uma  empresa  de  fachada,  utilizada  para  a  execução  dos  interesses empresariais da Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos.  Na data de 27 de Novembro de 2007, em diligência na Cidade de Guarulhos,  foram apreendidos diversos documentos da empresa, conforme Termo de Retenção a  fl. 715­ Volume IV/Anexo 3.   No interrogatório na Polícia Federal o sócio de fato do Frigorífico Ouroeste,  Sr. Edson Garcia de Lima (fls. 646/648­Volume IV/Anexo 1), quando questionado  acerca das negociações envolvendo notas fiscais frias, esclarece o seguinte:   "eventualmente,  o  interrogado  comprava  gado  de  produtores  com  notas  fiscais  do  MACAÚBA.  O  interrogado  nunca  conversou  com Macaúba,  pois  quem  efetivamente  comprava  as  notas  fiscais era DAVID APARECIDO BEZERRA,  a mando da  empresa SP GUARULHOS".   Questionado  acerca  desta  compra  de  notas  fiscais,  ele  afirma  que  a  SP  GUARULHOS pagava R$  3,00  ou R$ 4,00  por  cada  cabeça  de  gado  lançado  em  nota fiscal. A despesa era por conta da SP GUARULHOS. David era quem ia até a  empresa de MACAUBA buscar as notas frias.   Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.189          36 Como  amplamente  comprovado  a  SP  Guarulhos  pertence  de  fato  aos  verdadeiros  donos  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  David  Aparecido  Bezerra  é  funcionário  da  EMPRESA  De  Souza  Lima,  também  de  propriedade  de  Edson  e  Dorvalino.  Macaúba,  ou  VALDER  ANTONIO  ALVES,  é  o  proprietário  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  com  quem  Edson  Garcia  de  Lima  mantinha  contato  diariamente, adquirindo notas frias, conforme comprovado pela Policia Federal.  O  Sr.  Edson  faltou  com  a  verdade,  portanto,  ao  afirmar  que  nunca  havia  conversado com o Macaúba.  Constata­se mais  uma  vez  que  os  verdadeiros  donos  tentam  se  esquivar  da  responsabilidade, tentando transferir para terceiros o ônus do empreendimento, seja  para  David  Aparecido  Bezerra,  seu  empregado  na  empresa  "De  Souza  Lima"  (propriedade  sua  e  Dorvalino),  ou  com  relação  ao  'laranja'  Sérgio  Aparecido  da  Fonseca Alves da SP Guarulhos.   Os boletins de abate eram emitidos em nome da SP Guarulhos, contudo nas  notas  fiscais  de  produtor  constam  como  local  de  abate  o  Frigorífico Ouroeste  e  a  Continental Ouroeste, documentos a fls. 857/1057 ­ Volumes V e VI / Anexo 3, fato  este  confirmado  no  relato  do  Sr.  Edson Garcia  de Lima  na  Policia  Federal,  a  fls.  647­Volume IV­Anexo 1.   “O gado era retirado do FRIGORÍFICO OUROESTE com uma  nota  fiscal  do  MACAUBA,  em  nome  da  empresa  DISTRIBUIDORA SAO PAULO, e como destinatária a empresa  SP  GUARULHOS.  Afirma  o  seguinte:  "eu  comprava  notas  de  MACAUBA,  porque  do  Oiapoque  ao  Chui  todos  compravam  notas dele. A melhor coisa que poderia acontecer seria se todos  começassem a pagar os impostos".  Diante  da  quebra  do  sigilo  bancário  procedida  pela  Justiça  Federal de Jales/SP, foi requisitado ao Banco Nossa Caixa S/A,  através  da  RMF Nº  08.1.07.00­2008­00147­5,  a  movimentação  das contas 04.001.570­6 ­ ag. 0540­1 e 04.000.393­3 ­ag. 535.5,  da  empresa  SP  Guarulhos,  onde  se  verificam  que  os  reais  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  pela  SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são os  verdadeiros  donos  do  Frigorífico  Ouroeste  ltda,  Edson Garcia  de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, conforme ilustrado na  tabela a 157/159, elaborada por amostragem.  Na  mesma  toada,  da  analise  das  fitas­detalhe  enviadas  pelo  Banco  Nossa  Caixa­  conta  nº  04­000393­3­  Ag.  535­5/Ouroeste­SP,  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  a  Fiscalização  apurou  diversos pagamentos debitados nessa conta, relativos aos meses Janeiro, Fevereiro e  Abril  de  2006,  representativas  de  despesas  pessoais  dos  sócios  Edson  Garcia  de  Lima e Dorvalino Francisco de Souza, ou de empresas do núcleo Ouroeste ligadas a  tais pessoas, conforme ilustrado a fls. 161/163.   · Boletos  bancário  ­  cedente  Elétrica  Noroeste  Ltda  EPP,  tendo  como  sacado a S P Guarulhos, mas o endereço é do Frigorífico Ouroeste Ltda:  Rua Jose Maticoli CP 35 ­ Ouroeste ­SP, idem para o cedente Hermann  Ind. Maq. Equipamentos.  Idem para R$  263,69  vencimento  20/04/2006,  idem para o cedente Friomat valor R$ 1.300,10 vencimento 20/04/2006,  Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.190          37 valor de R$ 3.466,75 vencimento e m 2 1 / 0 4 / 2 0 0 6 / Comosquímica,  Sandet Química cedente valor R$ 960,73 vencimento 24/04/2006; vide fls.  621 , 622, 661 , 675, 676, 685, 704, 706 ­ Volume IV/Anexo 3.   · Boleto bancário de pagto de assinatura do Jornal Estadão,  tendo como  sacado o sócio de fato Dorvalino Francisco de Souza ­ Rua Boa Vista 666  ­  S.  J.R.Preto,  local  onde  funcionava  um  escritório  do  Frigorífico  Ouroeste,  fato este confirmado por produtores rurais,  idem boleto Abril  S/A no valor de R$ 49,03, fls. 623 e 652;   · Fatura de energia elétrica da CPFL, e da Telefônica fones 3264­1366 e  3564­1354,  sendo  estes  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  fls.  624  a  626;  Boleto bancário valor R$ 372,00­ cedente H4 Fomento Comercial Ltda,  como sacado a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, fls. 627;   · Boleto  bancário  no  valor  de  R$  157,00  ­  cedente  Tracker  do  Brasil  e  sacado  a  empresa  De  Souza  Lima,  pertencente  aos  sócios  Dorvalino  e  Edson; idem para outro boleto com vencimento em 24/04/2006, fls. 630 e  672;   · Boleto  bancário  valor  R$  2.065,67  ­  cedente  Frigoestrela  e  sacado  a  empresa a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, idem para o boleto  de  R$  2.748,58  ­  cedente  Lopesco  Ltda,  boleto  valor  R$  3.947,22  ­  cedente  Viaplastic;  boleto  R$  620,00  vencimento  09/02/2006,  boleto  cedente  Desinsetizadora  Multipragas  valor  R$  450,00,  Cosmoquimíca  valor  R$  1.155,59  vencimento  14/02/2006,  Oxijales  valor  de  R$  35,00  vencimento 20/04/2006, Arnaldo Passo NF 2180 no valor de R$ 360,00  vencimento em 24/04/2006;  · Boleto bancário  valor R$ 238,58  ­  cedente Cirasa Riop Aut e  sacado a  empresa De Souza Lima, pertencente aos sócios Durvalino e Edson, idem  boleto R$ 77,12  ­  cedente Pelatti,  vencimento 09/02/2006,  idem cedente  Pirelli  valor  de  R$  660,00,  cedente  Facchini  valor  R$  5.190,00  vencimento  14/02/2006,  valor  R$  596,70  vencimento  20/04/2006,  Propaga  valor  de  R$  113,32  e  Cirasa  Riop  Aut  valor  de  R$  311,50,  vencimento  20/04/2006;  Riocap  valor  R$  563,50  vencimento  em  24/04/2006, fls. 632, 646, 650, 662, 674, 702 e 707;   · Boleto bancário de R$ 693,43, tendo como cedente o Itaú Seguros S/A e  sacado  o  sócio  de  fato  João  Francisco  Naves  Junqueira.  Idem  BV  Financeira no valor de R$ 2.566,42 , vencimento em 16/02/2006, fls. 634  e 683;   · Boleto  bancário  valor  R$  81,50  ­  cedente  Cirasa  Riop  Aut  e  sacado  a  empresa Transportadora Sulera Ltda, pertencente ao sócio José Roberto  e  do  irmão  do  Dorvalino,  idem  cedente  Cirasa  Auto  Riop  valor  de  R$  396,50 vencimento em 21/04/2006, 648 e 703;   · Boleto  bancário  de  R$  452,21,  tendo  como  cedente  o  Posto  de  Modo  Trevo e sacado o sócio de fato Edson Garcia de Lima, fls. 664;   · Fatura  de  energia  Elektro  vencimento  14/02/2006  no  valor  de  R$  33.470,53, tendo como sacado a Continental Ouroeste, fls. 665;   No Livro Conta Corrente n° 7.1 ­ Banco Bradesco Ag. 1760­Ouroeste­SP c/c  nº 108904, movimentação bancária da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de  Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.191          38 Carnes e Derivados Ltda período de Outubro/2005 a Fevereiro/2006, solicitados via  RMF n ° 2008­149­1, constam pagamentos de salários, férias e rescisões de contrato  de  trabalho  de  empregados  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  porém  com  registro  formalizado  na  interposta  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda,  inclusive  pagamento  dos  encargos  sociais  como  INSS  e  FGTS,  conforme  ilustrado por amostragem, na tabela a fls. 163/165.  Com  relação  ao  cheque  n°  176,  no  valor  de  R$  27.953,96  ,  datado  de  05/12/2005,  relativo  ao  pagamento  do  13°  salário  –  1ª  parcela,  foi  solicitado  ao  Banco Bradesco a  relação dos beneficiários de  tais pagamentos, sendo confirmado  tratar­se  dos  empregados  do  Frigorífico  Ouroeste,  com  vínculos  trabalhistas  registrados  na  interposta  BR  Fronteira.  Tal  relação  dos  beneficiários  pode  ser  confrontada com a Folha de Pagamento em nome da interposta pessoa.  No Livro Conta Corrente N° 72 ­ Banco Nossa Caixa ­ Ag. 0540­Rio Preto­ SP, CC 001570­6, movimentação bancária da empresa SP Guarulhos no período de  setembro/2005 a agosto/2006, constam diversos pagamentos de comissões e fretes a  contribuintes  individuais,  inclusive  retiradas  de  Pró­labore  dos  sócios  de  fato  do  Frigorífico  Ouroeste,  Srs.  Luis  Ronaldo,  Jose  Roberto,  Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino Francisco de Souza (fls. 260/353 ­ Volume II / Anexo 3).   No Livro Conta Corrente N°  7.3  ­ Banco Nossa Caixa  ­ Ag. Ouroeste, CC  000393­3,  movimentação  bancária  da  empresa  SP  Guarulhos  no  período  de  dezembro/2005  a  Setembro/2006  (fls.  354/395­Volume  II  /  Anexo  3),  constam  pagamentos de salários, férias e rescisões contratuais dos empregados que estavam  trabalhando  para  o  Frigorífico Ouroeste  Ltda,  porém  com  registro  formalizado  na  interposta Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, e a diversos  contribuintes  individuais,  inclusive  retirada  de  pro  labore  dos  sócios  de  fato  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  conforme  ilustrado,  por  amostragem,  na  tabela  a  fls.  165/167.  Constam, também, pagamentos dos encargos FGTS ­ Fundo de Garantia por  Tempo de Serviços/GFIP e recolhimentos da retenção da contribuição dos segurados  empregados  ao  INSS,  através  da GPS,  conforme  tabela  exemplificativa  a  fl.  167,  assim  como  pagamentos  ao  contador  Wanderley  Graidzinski,  responsável  pela  remessa dos arquivos ao Fisco Estadual das movimentações de mercadorias ­ ICMS,  o qual assina, ainda, como testemunha à alteração contratual de 25 de Julho de 2005,  e os Boletins de Abate como procurador.  De  todo  o  exposto,  conclui­se  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda é uma empresa inexistente de fato, tratam­se, nada mais, do  que  uma  empresa  “de  fachada”,  Pessoa  Jurídica  de  "papel",  e  comprovadamente  interposta pessoa do Grupo Ouroeste.  ISTO JÁ ESTÁ FICANDO MONÓTONO !!!  3.1.3. DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA FRAUDE  O  trabalho  da  Fiscalização  foi  complementado  pela  intimação  pessoal  de  todos os contribuintes envolvidos no esquema fraudulento desbaratado pela Policia  Federal,  sejam  aqueles  que  efetivamente  atuaram  no  grupo,  sejam  os  que  contribuíram com trabalho e/ou capital.  De acordo com o relato fiscal, todos os envolvidos sempre estiveram ligados,  de  alguma  maneira,  ao  ramo  de  abate  de  bovinos  e/ou  comércio  de  carnes  e  Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.192          39 subprodutos,  sendo  também  os  mesmos,  de  fato,  donos  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.   Todos  os  contribuintes  ora  em  apreço  foram  intimados  para  prestar  esclarecimento  pessoal  sobre  sua  atuação  no  esquema  fraudulento,  mas  nenhum  deles compareceu, justificando que não eram obrigados a produzir provas contra si e  que todos os esclarecimentos foram dados a Polícia Federal e a Justiça Federal.  3.1.3.1. Dorvalino Francisco de Souza;   Participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas  empresas acima citadas.  Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admitiu  que  administrava  efetivamente o Frigorífico Ouroeste Ltda  com procuração Outorgada por  sua Mãe  em conjunto com José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima.   Possui  participações  nas  empresas:  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza & Lima Ltda, H4 Comercial De Carnes e  Derivados Ltda.   Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas não chegaram a R$ 155.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro  a fl. 171, declarando apenas, sua participação na empresa De Souza Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se transferências de valores para as contas  correntes do contribuinte Dorvalino Francisco de Souza que ultrapassam a cifra de  R$ 260.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 171/173.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido  Bezerra,  funcionário  de  Dorvalino,  documento  intitulado  "RETIRADA  DORVALINO", no qual constam despesas do contribuinte do período de 16.01.2004  a 26.01.2005 (fls. 718 a 724 ­ Volume IV/Anexo 1).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados com cheques da conta da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios  Ltda,  no Banco Nossa Caixa S/A, demonstrando claramente que  além dos valores  acima recebidos, a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas  pessoais do contribuinte, tais como despesas de Condomínio, IPVA, Plano de Saúde  e outros (fls. 719 a 724 ­ Volume IV/Anexo 1).   Nos livros conta corrente (numerados n° 7.1 a 7.4) apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de  Pro  labore  do  citado  sócio  gerente,  através  da  empresa Continental Ouroeste  ltda,  movimentação bancária na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No  mesmo  livro  conta  corrente  –  7.4  ­  a  fl.  450,  consta  pagamento  de  "Condomínio  Panorama",  através  do  cheque  11282  nominal,  imóvel  cujo  proprietário é o Sr. Dorvalino.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores recebidos pelo Sr. Dorvalino Francisco de Souza, no período de janeiro/2004  a julho/2005, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem  de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos,  complementado por histórico resumida da transferência.  Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.193          40 Conforme RMF 2008.147­5 ao B. Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos  documentos solicitados relativo a agência 0540 ­ Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta  corrente 04.001.570­6 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes  e Derivados Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a Continental Ouroeste,  onde se verifica através do cheque nº 686, de 29 de Setembro de 2005, pagamento  de  Pró­labore  ao  Sr.  Dorvalino  F.  de  Souza,  além  de  transferências  de  quase  R$  20.000,00 para sua conta pessoal.  Em  Diligência  na  empresa  Viagem.com  foram  constatadas  dezenas  de  passagem  aérea  em  nome  de  Dorvalino  Francisco  de  Souza  ­  ida  e  volta  S.J.R.  PRETO ­ S. PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos, bem como pagamento de  passagem também para seu irmão Odécio (sócio da Transportadora Sulera Ltda).  No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1.  Que  foi  contratado  por  Luis  Ronaldo  Junqueira  Franco  (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada), Jose Roberto de Souza  (filho de Maria de Lourdes  Bazeia  de  Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco de Souza (também filho de Maria de Lourdes Bazeia  de Souza­ proprietária da ora reclamada)';   2. Que foi contrato em Maio de 2004 tendo trabalhado até 31 de  Janeiro de 2006';  3.  que  o  depoente  era  gerente  "olhando  as  firmas  que  eles  tinham" em Guarulhos, Ouroeste, Fronteira, cuidando da parte  de funcionário e andamento geral; que ia para todos os lugares  que eles mandassem”.   Não  restam dúvidas,  portanto,  que Dorvalino Francisco de Souza participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de  carne  e  produtos  derivados,  e  a  BR  Fronteira  com  relação  à  mão­de­obra,  sem  pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr. Dorvalino  Francisco  de  Souza  tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações  que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN  Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  3.1.3.2. Edson Garcia de Lima:  Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.194          41 O  contribuinte  Edson  Garcia  de  Lima  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda, H­4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De Souza &  Lima Ltda.  Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admitiu que possui de direito as  empresas H­4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e a empresa De Souza & Lima  Ltda  e  de  fato  16  %  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  Participou  efetivamente  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tendo  inclusive  controle  e  gerência da mesma.   Apresentou DIRPF  com  rendas  pouco  expressivas  nos  exercícios de  2002  a  2007, que somadas não chegaram a R$ 168.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado  no quadro a fl. 179, declarando apenas, sua participação na empresa De Souza Lima  ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se transferências de valores para as contas  correntes  do  contribuinte  Edson  Garcia  de  Lima  que  ultrapassam  a  cifra  de  R$  248.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 179.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido  Bezerra,  funcionário  de  Dorvalino,  documento  intitulado  "RETIRADA  EDÃO",  no  qual  constam  despesas  do  contribuinte  do  período  de  16.01.2004  a  26.01.2005 (fls. 725/729 ­ Volume IV/Anexo 1).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados com cheques da conta da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios  Ltda,  no Banco Nossa Caixa S/A, demonstrando claramente que  além dos valores  acima recebidos, a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas  pessoais do contribuinte, tais como faculdade das filhas Tatiana e Martina, plano de  saúde, além de outras (fls. 726/729 ­ Volume IV/Anexo 1).   Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de  Pro  labore  do  citado  sócio  gerente,  através  da  empresa Continental Ouroeste  ltda,  movimentação bancária na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No mesmo livro conta corrente – 7.4 ­ a fl. 450, consta pagamento cheque n°  10996, o Imposto Sobre Serviço ­ ISS da De Souza & Lima Ltda, outra empresa de  sua propriedade.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem  de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos,  complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa,  foi encaminhada cópias  dos documentos solicitados relativo a agência 0540 ­ Vila Maceno em S.J.R.Preto,  conta corrente 04.001.570­6 pertencente a  empresa SP Guarulhos Distribuidora de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se verifica através do  cheque nº 683, de 29 de Setembro de 2005,  pagamento  de  Pró­labore  ao  Sr.  Edson Garcia  de  Lima,  depositado  em  sua  conta  pessoal.  Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.195          42 Conforme B. Bradesco ­ ag. 0063 ­ conta corrente 64228,  titularidade da SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, verifica­se  transferência  do valor de R$ 10.000,00 em 01/03/2006, ch. 975, para sua conta pessoal no Banco  Nossa Caixa ­ AG. 434 ­ c/c 010039797.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  Edson  Garcia  de  Lima  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de  carne  e  produtos  derivados,  e  a  BR  Fronteira  com  relação  à  mão­de­obra,  sem  pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  3.1.3.3. José Roberto de Souza  O  contribuinte  José  Roberto  de  Souza,  irmão  de  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas empresas acima.   Não  foi  ouvido  na  Polícia  Federal  de  Jales,  tendo  em  vista  não  estar  diretamente  ligado  às  empresas  investigadas  na  Operação  Grandes  Lagos.  Entretanto,  foi  localizado  cheque  pagando  a  sua  parte  da  aquisição  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda em 2002.  Segundo  depoimento  dos  demais  contribuintes  envolvidos,  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  Antonio  Martucci,  José  Roberto  de  Souza  efetivamente  contribuiu  com  trabalho  e  capital  nos  objetos  sociais  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, e do Frigorífico Ouroeste  Ltda.   Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por  volta  de  2002,  Dorvalino  foi  até  a  residência  do  interrogado  e  o  informou  que  havia  comprado  do  Frigorífico  Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado  para  ser  um  dos  sócios  "de  direito"  ao  lado  de  Edson  Garcia  de  Lima.  Efetivamente  a  empresa pertencia ao interrogado com 12,5%, a José Roberto de  Souza  com  12,5%,  a  Edson  Garcia  de  Lima  com  12,5%,  a  Dorvalino  com  12,5%  e  Luis  Ronaldo  com  50%".  Que  o  interrogado  efetivamente  pagou  sua  parte  do  capital  social  a  Dorvalino que era quem havia negociado a compra. No contrato  social, porém, constava o interrogado com 99% do capital social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto de Souza tinham como função comprar o gado em pé, o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor rural era orientado a fazer a nota de venda em nome da  Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.196          43 empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".   No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1.  Que  foi  contratado  por  Luis  Ronaldo  Junqueira  Franco  (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada), Jose Roberto de Souza  (filho de Maria de Lourdes  Bazeia  de  Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco de Souza (também filho de Maria de Lourdes Bazeia  de Souza­ proprietária da ora reclamada);   2. Que foi contrato em Maio de 2004 tendo trabalhado até 31 de  Janeiro de 2006';  3.  Que  o  depoente  era  gerente  "olhando  as  firmas  que  eles  tinham" em Guarulhos, Ouroeste, Fronteira, cuidando da parte  de funcionário e andamento geral; que ia para todos os lugares  que eles mandassem”.   Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas não chegaram a R$ 115.500,00 , conforme ilustrado no quadro a fl. 185.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se transferências de valores para as contas  correntes  do  contribuinte  José  Roberto  de  Souza  que  ultrapassam  a  cifra  de  R$  282.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 185/186.  Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de  Pro  labore  do  citado  sócio  gerente,  através  da  empresa Continental Ouroeste  ltda,  movimentação bancária na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem  de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos,  complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa,  foi encaminhada cópias  dos documentos solicitados relativo a agência 0540 ­ Vila Maceno em S.J.R.Preto,  conta corrente 04.001.570­6 pertencente a  empresa SP Guarulhos Distribuidora de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste, onde se verifica através do cheque nº 918, de 08/05/2006, pagamento de  Pró­labore ao Sr. José Roberto de Souza, depositado em sua conta pessoal.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  José  Roberto  de  Souza  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de  carne  e  produtos  derivados,  e  a  BR  Fronteira  com  relação  à  mão­de­obra,  sem  pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  José  Roberto  de  Souza  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.197          44 Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  3.1.3.4. Luiz Ronaldo Costa Junqueira  O  contribuinte  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  participou  efetivamente  da  fraude,  estando a  frente da  administração das  empresas Frigorífico Ouroeste Ltda,  SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e Continental Ouroeste  Carnes e Frios Ltda.   Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal em Jales, disse que comprou  50% do Frigorífico Ouroeste, mas por ter problema no "CPF" registrou em nome de  sua esposa e que não administrava o frigorífico e que raramente fazia retiradas.  Todavia,  a  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  retiradas  mensais  em  seu  nome  através  do  Livro  Conta  Corrente­7.4,  apreendido  no  interior  do  Frigorífico  Ouroeste,  fls.  426  a  460  ­Volume  III/ Anexo 2, mediante  cheques  de  pagamentos  nominais a  sua esposa Maria Cecília Podboy e/ou a seu pai João Francisco Naves  Ribeiro (cheque n° 10607, fls. 479 confrontada com fls. 438­verso do Livro n° 7.4  supra, e fls. 497/498­ Volume III/Anexo 2)  A Fiscalização apurou que o citado contribuinte não possui conta bancária em  nome  próprio,  o  que  explica  os  cheques  nominais  a  seus  familiares,  e  apresenta  DIRF com patrimônio de R$ 4.000,00 e rendimento exclusivamente pago pelo seu  pai Sr. João Francisco Naves Junqueira, conforme extrato a fl. 189 (fls. 2122/2136 ­  Volume XI/Anexo 1), somando nos seis exercícios de 2002 a 2007 pouco mais de  R$ 70 mil.  Em seu  interrogatório na Justiça Federal,  afirmou que  fez  retiradas  algumas  vezes devido ao prejuízo da empresa, contudo no livro conta corrente apreendido no  interior do Frigorífico Ouroeste em outubro de 2006,   Verificam­se  retiradas mensais, no ano de 2005, do contribuinte na empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, cheques 10606, 10607 e 10784.   Conforme  documentos  às  fls.  1154  a  1155  ­  Volume  VI  /  Anexo  1,  Luis  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  benefício  no  período  de  Novembro  de  2003  a  Julho de 2005, a título de Capitalização, valores debitados no Banco Bradesco ­ Ag.  Ouroeste  ­  conta corrente 10770, da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios  Ltda.  Em diligência na empresa Viagem.com foi constatado passagem aérea em seu  nome ­  ida e volta S.J.R. PRETO ­ S. PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos,  recibo "TAM" emissão em 06 de Março de 2006.  Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina  Viegas  Longo,  a  declarante  afirma  "que  os  verdadeiros  proprietários  do  frigorífico de Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luis  Ronaldo,  Roberto  e  Antonio Martucci".   No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1.  Que  foi  contratado  por  Luis  Ronaldo  Junqueira  Franco  (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada), Jose Roberto de Souza  (filho de Maria de Lourdes  Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.198          45 Bazeia  de  Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco de Souza (também filho de Maria de Lourdes Bazeia  de Souza­ proprietária da ora reclamada);   2. Que foi contrato em Maio de 2004 tendo trabalhado até 31 de  Janeiro de 2006';  3.  Que  o  depoente  era  gerente  "olhando  as  firmas  que  eles  tinham" em Guarulhos, Ouroeste, Fronteira, cuidando da parte  de funcionário e andamento geral; que ia para todos os lugares  que eles mandassem”.   Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  pro  labore  através  da  empresa  interposta  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  com  cheques  nominais  a  esposa  Maria  Cecília  P.  Junqueira  e  seu  pai  João  Francisco  Naves  Junqueira,  conforme  consta  no  Livro  controle  conta  corrente  item  7.2  ,  apreendido no Frigorífico Ouroeste Ltda, Ag. Nossa Caixa SJRPreto 0540­1, CC 04­ 001570­6, fis. 260 a 353­ Volume II/ Anexo 3, como exemplo as fis. 271 ch. 953,  fis. 276 ch. 1305, fls. 287­verso ch. 1822, fis. 294­verso ch. 1827, fis. 301 ch. 2569,  fis. 305 ch. 2570 e 2844, fis. 313­verso ch. 2 5 7 1 , fis. 322 chs. 3252 e 3255, fis.  324­verso ch. 3253, fis. 329­verso ch. 3254, fis. 342 chs. 4382 e 4383, fis. 346 ch.  4385,  onde  aparece  anotado  o  nome  do  contribuinte  constando  a  retirada  de  Pró­ labore.   Idem  para  o  livro  item  7.3  ­  Ag.  Nossa  Caixa  Ouroeste  535­5  conta  04­ 000393­3,  fls.  329  a  370­Volume  II  /  Anexo  4,  fls.  337,  fls.  339­verso,  fls.  340­ verso, fls. 343, fls. 344, fls. 351 e fls. 357, onde também aparece anotado o nome do  contribuinte constando a retirada de Pró­labore e pagamento de despesa.   Regularmente  intimado  na  pessoa  de  seu  procurador  em  26.03.2008,  não  respondeu a citada intimação.  Não  restam dúvidas, portanto, que Luiz Ronaldo Costa Junqueira participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de  carne  e  produtos  derivados,  e  a  BR  Fronteira  com  relação  à  mão­de­obra,  sem  pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Luiz Ronaldo Costa  Junqueira  tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações  que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  3.1.3.5. Antonio Martucci  O  contribuinte  Antonio  Martucci  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo o nome e trabalho nas empresas acima, entretanto com uma participação  menor da administração dos negócios.   Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite que possuir participação  tanto no Frigorífico Ouroeste Ltda quanto na empresa Continental Ouroeste Ltda, na  razão de 12,5%.   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  não chegaram a R$ 92.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 195.  Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.199          46 Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se transferências de valores para as contas  correntes do contribuinte Antonio Martucci que ultrapassam a cifra de R$ 41.000,00  nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 185.  Conforme RMF 2007.283­4 e 284­2, Banco Nossa Caixa e Bradesco,  foram  solicitados  e  remetidos  documentos  relativos  à  movimentação  bancária,  onde  se  comprova os valores vindos da conta da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda.  Apesar  de  poucas  transferências,  o  Sr. Antonio Martucci  admite  que  junto  com  o  contribuinte  José  Roberto  de  Souza  adquiria  de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana e que os mesmo eram abatidos e comercializados pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda,. (fls. 655 ­ Volume I V / Anexo 1).   Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo,  a  declarante  afirma:  "que  os  verdadeiros  proprietários  do  frigorífico de Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luis  Ronaldo,  Roberto  e  Antonio Martucci".  Portanto,  está  demonstrado  que  o  contribuinte Antonio Martucci,  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e  produtos derivados sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Antonio  Martucci  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  3.1.3.6. Oswaldo Antonio Arantes  O  contribuinte  Oswaldo  Antonio  Arantes  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas  empresas  acima.  Era  pessoa  de  confiança  do  grupo  e  exercia  efetivamente  administração  dos  negócios,  como  gerente geral. Sua participação vai além de um simples empregado, mesmo que no  cargo de gerente administrativo.   Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite ter comprado a parte da  empresa Continental Ouroeste Ltda (99%) pertencente ao Sr. Antonio Martucci em  2003, pelo mesmo valor da constituição, mas como não conseguiu alterar o quadro  social junto ao Fisco Estadual, foi devolvido pelo mesmo valor investido.   Ressalte­se  que  o  contribuinte,  mesmo  após  seu  desligamento  dos  quadros  sociais  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  continuou  se  apresentando e agindo como sócio da empresa, chegando a firmar Procuração "AD  JUDICIA" para os advogados representarem a Continental Ouroeste Carnes e Frios  Ltda, no processo trabalhista 989/2004­8 na Vara do Trabalho de Fernandópolis­SP,  reclamante  Élcio  Benato,  procuração  com  data  de  28  de  Novembro  de  2004,  portanto posterior a sua saída conforme alteração contratual em Agosto de 2004 (fls.  84/88 ­ Volume 1/ Anexo 2).   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  ultrapassaram a cifra de R$ 167.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro  a fl. 197.  Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.200          47 Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se transferências de valores para as contas  correntes do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes que ultrapassam a cifra de R$  425.000,00 nos anos de 2003 a 2006, conforme exposto na tabela a fls. 197/203.  Conforme  RMF  n°  2007.282­6  e  284­2,  285­0  e  286­9,  Bancos  Brasil  e  Bradesco, verifica­se os valores recebidos pelo contribuinte em tela são oriundos das  contas da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda.  Conforme RMF n° 2008­149­1 (Banco Bradesco), fls. 116 a 119 ­ Volume I /  Anexo 3, verifica­se valores recebidos pelo contribuinte oriundos das contas da SP  Guarulhos  (de  novembro/2005  a março/2006),  livro  conta  corrente  7.1,  7.2  e  7.3,  onde  constam  pagamento  de  salário,  férias  e  13°  salário,  através  de  cheques  nominais,  que  somam  mais  de  R$  300  mil,  valores  considerados  como  "plus  salarial", pois na folha de pagamento da BR Fronteira, está formalmente registrado  como gerente como salário de R$ 2.800,00.   Na  planilha  a  fls.  675/678  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  estão  relacionados  os  valores recebidos pelo Sr. Oswaldo Antonio Arantes, no período de fevereiro/2003 a  outubro/2005, totalizando mais de R$ 400 mil, informando o valor e a data de cada  transferência, bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico  resumida da transferência.  Com base no acima exposto, fica claro que o contribuinte em tela tinha uma  participação maior  do  que  a  de  um  simples  empregado.  Tinha  poder  de  decisão,  agindo  e  obtendo vantagens  financeiras  com  sua  conduta  em benefício  do Núcleo  Ouroeste e em detrimento a Fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. Oswaldo Antonio Arantes tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  3.1.3.7. João Francisco Naves Junqueira  O  contribuinte  João  Francisco Naves  Junqueira  é  pai  do  Srs.  Luiz Ronaldo  Costa Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto. Possui conta corrente em conjunto  com  o  Sr.  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  conta  esta  que  foi  utilizada  para  pagamento de parte do valor pago pelo Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Foi  beneficiário  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  constando  diversas  transferências  de  valores  para  suas  contas  correntes,  documentos  requisitados via RMF ­ Requisição de Movimentação Financeira nº 148­3 de 2008,  fls.  461  a  466,  ao  Banco  ABN  AMRO  REAL  S/A  ­  Ag.  Mirassol  783  ­  conta  97073252,  pelos  cheques  nominais  depositados  em  sua  conta  pessoal,  cuja  soma  ultrapassa  a  cifra  de  R$  46  mil,  em  setembro  e  outubro  de  2005,  conforme  discriminativo a fl. 205.  Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288  ­ Banco HSBC, n° 289  ­ Banco Santander Brasil  e n° 290  ­  Banco  do  Brasil  (fls.  44  a  50  ­  Vol.  1/Anexo  2),  restaram  confirmados  outros  recebimento pelo contribuinte vindos da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda,  que somados ultrapassam R$ 420 mil, conforme planilha complementar dos valores  recebidos, a fls. 697/698 do Volume IV/Anexo 2.   Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.201          48 Foi  beneficiário  da  interposta  SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados  Ltda,  conforme  se  comprova  através  dos  cheques  n.  1822  e  1825  da  Nossa Caixa S.  J. R.  Preto  / Ag.  540­1  ­  c/c  04.001570­6,  ambos  no  valor  de R$  5.000,00 e datados de Dezembro de 2005, cheques 2570 e 2844 de Janeiro de 2006,  cheque n.  3254 em Fevereiro,  cheques n.  4383 e 4385 em Março de 2006,  às  fls.  493, 499, 528, 610 e 616 Volumes IV e V/Anexo 3, sendo parte atribuído ao filho  Luis  Ronaldo,  conforme  constam  no  livro  item  7.2,  fls.  260  a  353  ­ Volume  II  /  Anexo 3.   Planilha a fls. 2161/2163 informa, igualmente, os valores recebidos por João  Francisco Naves Junqueira, mediante  transferências bancarias  / TED das empresas  do núcleo Ouroeste totalizando em 2006 cerca de R$ 53.500,00.  De todo o exposto, resta evidente que o contribuinte participou diretamente na  fraude,  fornecendo capital  e  recebendo vantagens  financeiras  com sua conduta em  benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.   As provas dos autos deixam claro que o Sr. João Francisco Naves Junqueira  tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações  que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  3.1.3.8. José Ribeiro Junqueira Neto  O contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto adquiriu 50% das instalações do  Frigorífico Ouroeste Ltda e m 2002, através de seu procurador Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  Procuração  esta  outorgada  em  30  de  Janeiro  de  2001,  com  poderes  amplos e Ilimitados.  Na  citada  aquisição,  os  cheques  discriminados  são  de  emissão  do  Luiz  Ronaldo  da  Costa  Junqueira  de  uma  conta  conjunta  com  João  Francisco  Naves  Junqueira, pai de ambos.  Intimado e reintimado para esclarecer tal situação, respondeu, em 18.04.2008,  que em 2002 outorgou procuração para seu irmão Luiz Ronaldo Costa Junqueira a  fim de que adquirisse as  instalações industriais do Frigorífico Ouroeste Ltda, visto  que  o  mesmo  teria  problema  com  seu  CPF  na  época  (fls.  2234/2243­  Volume  XII/Anexo  1).  Contudo  a  procuração  apresentada  pelo  Sr.  Luis  Ronaldo  Costa  Junqueira em 2002, fls. 207 ­ Volume I / Anexo 1, é datada de 30 Janeiro de 2001,  um ano antes da operação de compra das instalações, ocorrida em 2002.   Quanto à assinatura no contrato pelo Luis Ronaldo Costa Junqueira, o mesmo  o fez como procurador do contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto, assumindo este  todos os encargos decorrentes do negócio jurídico.   Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288­9 (fls. 46 ­ Volume I/Anexo 2) ­ Banco HSBC Bank Brasil S/A  verificamos o recebimento através da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda de  mais de R$ 106 mil, conforme planilhas valores recebidos, fls. 699/700 do Volume  IV/Anexo  2,  assim  como  a  origem  de  qual  agencia  bancaria  vieram  os  valores  creditados ao contribuinte.  No banco Nossa Caixa (RMF nº 147) verificamos a transferência via TED de  R$ 25.000,00 da conta corrente 04.001600 ­ ag. n° 540, de titularidade da empresa  SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda para a conta pessoal do  Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.202          49 Sr. José Ribeiro Junqueira Neto ­ ag. 824 ­ conta corrente 646598, conforme exposto  a fls. 1081/1082.   Com  base  no  acima  exposto,  fica  claro  que  o  contribuinte  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  capital  e  recebendo  vantagens  financeiras  com  sua conduta em benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das  contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  Conforme  demonstrado,  as  pessoas  ora  abordadas  utilizaram  de  meio  fraudulento  para  se  ocultar  aos  olhos  do  Fisco,  simulando  uma  “inexistência”  de  relação jurídica com as empresas autuadas. Tal “inexistência” de relação jurídica era  apenas  aparente,  eis  que  a  relação  jurídica  de  fato  existente  encontrava­se  dissimulada pela  criação de Pessoas Jurídicas existentes  somente no plano  formal,  presentes apenas no papel, que tudo aceita.  Ocorre, todavia, que a fraude e a simulação deixam sempre rastros e vestígios  que as denunciam. Produzem fatos, atos e sintomas que, quando conjugados aos fins  pretendidos, e as circunstâncias do caso, revelam o caráter fictício ou imaginário de  um ato jurídico fraudulento ou simulado.  Em razão de tal acobertamento, tais defeitos da vontade declarada têm que ser  provados através do conjunto de indícios e evidências que as operações realizadas na  execução  de  tais  esquemas  vão  deixando  pelo  seu  caminho.  Assim,  pelos  meios  admissíveis  em  direito,  nomeadamente,  através  de  testemunhas,  documentos,  a  experiência, os  resultados alcançados, etc., a Fiscalização reúne os meios de prova  relativos  a  esses  fatos,  indícios  ou  circunstâncias,  e  o  Julgador,  apreciando­os  segundo o seu livre convencimento e prudente critério, conjugando­os com os fins  pretendidos pelo Increpado, forma o seu juízo de convicção.  As  provas  constantes  dos  autos  são  eloquentes,  precisas  e  convergentes.  Eloquentes,  porque  revelam,  de maneira  detalhada,  todo  o mecanismo  arquitetado  pelos  seus  idealizadores para  a consecução dos  fins pretendidos, consubstanciados  na utilização de interpostas pessoas, constituídas em nome de “laranjas”, visando a  encobrir  os  verdadeiros  donos  do  empreendimento  increpado,  em  detrimento  da  arrecadação  tributária;  Precisas,  porque  delas  avulta,  de  maneira  inequívoca,  a  participação  intensiva  e  essencial  dessas  pessoas  na  condução  dos  negócios  das  empresas interpostas, na condução das operações representativas de fatos geradores  de  contribuições previdenciárias  e na direção das  empresas  interpostas,  como  seus  verdadeiros  donos  e  controladores,  acobertados  por  “laranjas”,  bem  como  o  recebimento  dos  benefícios  decorrentes  do  empreendimento  pesquisado.  E  são  convergentes  porque  todas  as  provas  documentais,  depoimentos,  indícios  e  rastros  conduzem a essa mesma ilação.  Em  resumo,  restou  demonstrado  que  a Continental Ouroeste Carnes  e Frios  Ltda e a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são empresas  interpostas, existentes  tão somente no papel, e pertencem DE FATO ao Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  tendo  como  proprietários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco  Naves Junqueira, não obstante o fato de a referida empresa ter sido aberta em nome  de terceiras pessoas (interpostas/laranjas).   Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.203          50 Também a empresa Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  foi utilizada no esquema fraudulento para intermediar a contratação irregular da mão  de obra empregada na atividade fim do Frigorífico Ouroeste Ltda.  Restou  cabalmente  demonstrado,  igualmente,  que  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio Martucci,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Ribeiro  Junqueira  Neto,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  João  Francisco  Naves  Junqueira  foram  os  principais  beneficiários  das  fraudes  perpetradas  pela  fiscalizada,  fraude  essa  que  tinha  por  objetivo  a  transferência  de  responsabilidade  tributária  para  terceiros  que  não  tinham  relação  pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação  tributária,  sendo o  Frigorífico Ouroeste Ltda e os seus reais proprietários os verdadeiros beneficiários  econômicos da atividade empresarial empreendida pelo grupo,  já que o produto da  sonegação  de  tributos  foi  utilizado  por  eles  para  a  aquisição  de  patrimônio,  bem  como para pagamento de despesas pessoais.   Do exame da documentação coligida aos autos pela fiscalização, ante todos os  elementos  de  prova  então  presentes,  avulta  existir  entre  as  empresas  autuadas,  as  interpostas  empresas  e  as  demais  pessoas  arroladas  pela  Fiscalização  –  Os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Ribeiro  Junqueira  Neto,  Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira ­ não apenas um mero  interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico ostensivo, haja vista  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  arroladas  pela  fiscalização  envidaram  esforços significativos na atividade empresarial comum do grupo e na realização da  situação  jurídica  que  constitui  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  objeto  deste  lançamento, e deles auferiram benefícios econômicos de diversas espécies, de onde  se extrai a solidariedade entre eles por força do preceito inscrito no inciso I do art.  124 do CTN.  Nessas circunstâncias, são solidárias as pessoas que realizaram conjuntamente  a situação que constitui o fato gerador, ou as que, em comum com outras pessoas,  possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação,  a teor do inciso I do art. 124 do CTN.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Não procede, portanto,  a  alegação de que  a  autoridade  lançadora  imputou a  responsabilidade  solidária  com  o  exclusivo  fundamento  de  que  os  Responsáveis  Solidários  em  apreço  tinham  procuração  lhes  outorgando  poderes  de  gestão  e  administração das empresas Autuadas.  Restou  demonstrado  que  os  devedores  solidários  tinham  verdadeiros  interesses  jurídicos  comuns  na  situação  constitutiva  do  fato  gerador  das  Contribuições Previdenciárias ora lançadas.   Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.204          51 Tal  fundamentação  jurídica  encontra­se  expressamente  consignada  no  item  “2.18 – Da Sujeição Passiva Solidária” do Relatório Fiscal, a fls. 289/295.  Não  procede  também  a  alegação  de  que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço  só  poderia  ocorrer  ante  a  verificação  da  insuficiência  do  patrimônio  da  pessoa  jurídica  e mediante  prévio  procedimento  judicial  de  cognição  com decisão  transitada em julgado.  Conforme  assinalado,  a  Responsabilidade  Solidária  consignada  no  presente  lançamento tem por fundamento jurídico de validade o preceito inscrito no inciso I  do  art.  124  do  CTN.  Nessa  prumada,  nos  termos  do  Parágrafo  Único  do  citado  dispositivo  legal,  tal  solidariedade  tributária  não  comporta  benefício  de  ordem,  podendo  o  tributo  devido  ser  exigido  de  um,  de  alguns  ou  de  todos  os  devedores  solidários em conjunto.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Registre­se  que  a  eleição  do  Sujeito  Passivo  a  figurar  no  polo  devedor  da  relação  jurídico­tributária  é  prerrogativa  privativa  da  Autoridade  Administrativa  Fiscal, a teor do art. 142 do CTN.  Código Tributário Nacional   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  Conforme  expressamente  consignado  no  art.  121,  I,  do  Código  Tributário  Nacional, considera­se Contribuinte a pessoa obrigada ao pagamento do tributo que  tenha relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação.  Código Tributário Nacional   Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.205          52 II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  No  caso  presente,  a  pletora  documental  presente  nos  autos  demonstra  que  quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador  do  tributo  ora  lançado  não  eram  as  empresas  “noteiras”,  notadamente  a  Distribuidora de Carnes  e Derivados São Paulo Ltda, mas,  sim, os  clientes dessa  empresa  “noteira”,  in  casu,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  os  seus  verdadeiros  donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar do  recolhimento de tributos.  Da mesma  forma,  as  provas  aviadas nos  autos  revelam que  quem detinha a  relação pessoal e direta com a  situação que constitui o  fato gerador do  tributo ora  lançado  não  eram  as  interpostas  empresas  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  existentes  tão  somente  no  papel,  notadamente  a  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  a  Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, mas, sim, as pessoas que  administravam, dirigiam e controlavam todas as operações dessas empresas, in casu,  o Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema  fraudulento acima descrito para se esquivar do recolhimento de tributos.  Revela­se  improcedente,  igualmente,  a  alegação  de  que  “Ainda  que  as  Pessoas Físicas arroladas como devedoras  solidárias  fossem sócias das empresas  autuadas,  não  seria  o  caso  da  pretendida  responsabilização,  pois  ausentes  os  requisitos  indispensáveis a  tanto,  sendo a mesma de natureza  subsidiária  (artigos  134  e  135  do  CTN)  e  quanto  à  responsabilidade  pessoal,  limita­se  aos  atos  praticados comprovadamente pelos sócios, com excesso de poderes, infração de lei,  contrato social ou estatutos”.   Conforme  exaustivamente  demonstrado,  a  responsabilidade  dos  devedores  solidários  no  caso  em  apreço  não  se  fundamenta  em  suposta  responsabilidade  pessoal  dos  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  por  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social ou estatutos, nos termos assentados nos artigos 134 e 135 do CTN, mas, sim,  pelo interesse comum na situação constitutiva dos fatos geradores das Contribuições  Previdenciárias ora lançadas, consoante inciso I do art. 124 do CTN.  Não  se  trata,  pois,  de  hipótese  de  responsabilidade  subsidiária,  como  assim  quer  fazer  crer  o Recorrente, mas,  sim,  de Responsabilidade Solidária,  a  qual não  admite qualquer benefício de ordem.  3.1.4. DAS  RECEITAS  DA  CONTINENTAL  OUROESTE  CARNES  E  FRIOS  LTDA   Do Relatório Eletrônico da Polícia Federal extrai­se que a Distribuidora São  Paulo é a principal empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para emissão de notas  fiscais  "frias"  para  acobertar  operações  de  compra  de  gado  e  venda  de  carne  realizadas  por  terceiros  ­  frigoríficos  e  "taxistas"  ­  que  desejam  ocultar  estas  operações do fisco para não despertar suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento.   Valder Antônio Alves (Macaúba) é o "cabeça" do esquema e o proprietário de  fato  e  de  direito  da Distribuidora São  Paulo,  com 99% de  participação  no  quadro  societário,  tendo  amplo  poder  de  decisão  na  empresa,  contando  com  Maria  dos  Anjos de Medeiros como seu braço­direito.   Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.206          53 A  folha  de  antecedentes  criminais  de  Valder  Antônio  Alves  é  extensa:  foi  indiciado  em  oito  inquéritos  policiais  e  denunciado  em  dezesseis  processos  criminais, respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de  fogo, crime contra a saúde pública, perigo para a vida ou saúde de outrem, além de  cinco processos por sonegação fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde  pública e três vezes por crimes contra a ordem tributária.   Luzia de Jesus Gonçalves: "Laranja" com participação mínima de apenas R$  10,00 na  empresa,  que permaneceu apenas  cerca de um mês no quadro  societário.  Sua função era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a  empresa como firma individual.   Cláudia  Regina  Barra  Moreno:  "Laranja"  que  substituiu  Luzia  de  Jesus  Gonçalves na Distribuidora São Paulo, de modo que permanecesse viável o registro  da  distribuidora  como  uma  sociedade  limitada  e  não  como  uma  firma  individual.  Cláudia chegou a ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para  os  atuais R$ 500,00. No  curso  das  investigações  uma  funcionária  da distribuidora  chegou a telefonar para Cláudia dizendo que se seu nome permanecesse inscrito nos  serviços  de  proteção  de  crédito,  Valder  iria  retirá­la  da  sociedade,  colocando  Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar.   Maria dos Anjos de Medeiros (Nina), "Gerente" do esquema, é o braço­direito  de Valder Antônio Alves na Distribuidora São Paulo,  gozando de  ascendência em  relação  aos  demais  funcionários.  Flagrada  em  vários  diálogos  negociando  notas  fiscais  "frias"  e  notas  fiscais  em  branco  da  distribuidora  para  vários  clientes  da  empresa. Cuida da movimentação de valores da organização em contas bancárias de  "laranjas".   Ana  Cláudia  Valente  Fioravante  é  "gerente"  da  organização  criminosa,  embora subordinada a Maria dos Anjos de Medeiros. Flagrada em vários diálogos  em que vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo.   Monique de Medeiros Venda: Também atua como "gerente", ocupando uma  posição  subalterna  em  relação  a Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  e  a  Ana  Cláudia  Valente Fioravante. Na verdade executa tarefas de execução e não de gerenciamento  propriamente dito, pois comanda os negócios, apenas anota pedidos de notas fiscais  "frias" dos clientes do esquema.   Em  seu  depoimento  a  Polícia  Federal  de  Jales,  a  Ana  Claudia  Valente  Fioravante diz:   "...  QUE  perguntada  qual  é  a  atividade  da  distribuidora  São  Paulo  informou  ser  tirar  nota';  QUE  perguntada  se  esta  atividade  é  licita  informou  que  achava  que  sim;  QUE  perguntada porque achava e não acha mais,  respondeu que no  sábado  da  semana  passada  a  gerente  da  distribuidora,  NINA,  determinou que  a  interroganda  levasse  para  sua  casa  as  notas  fiscais  em  branco  que  costumeiramente  são  preenchidas  a  posteriori  por  determinação  de  VALDER;  QUE  perguntada  a  razão  pela  qual  deveria  levar  tais  documentos  para  sua  residência  informou  ao  que  sabe  seu  patrão,  VALDER  obteve  informação de que haveria uma fiscalização na distribuidora.."   Em  suas  declarações  dadas  na Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  ,  em  05.02.2007, a Ana Claudia Valente Fioravante disse ainda:   Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.207          54 "...Ainda  com  relação  aos  códigos  utilizados  pela  referida  empresa, foi apresentada uma relação à declarante, extraída dos  arquivos  magnéticos  apreendidos  na  Distribuidora  São  Paulo,  na  qual  constam  os  códigos  dos  "clientes"  (compradores  de  notas) da Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram  realizados os abates. A declarante afirma, categoricamente, que  a  listagem  corresponde  com  a  situação  de  fato,  ou  seja,  os  códigos constantes da  lista apresentada são os mesmos que ela  utilizava  na  confecção  das  notas  fiscais  na  Distribuidora  São  Paulo, (grifo nosso)..."   Em outro trecho afirma:   "....Com  relação  ao  Código  36  (Dorvalino),  o  cliente  era  o  Frigorífico  Ouroeste,  de  propriedade  do  Sr.  Dorvalino.  Neste  caso,  a  declarante  afirma  que  confeccionava  todas  as  notas  fiscais  (entrada, saídas e remessa para abate) na Distribuidora  São Paulo. Recebia as informações do Frigorífico Ouroeste por  fax....."   Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  COMPRAS de R$ 7.358.757,00 no Ano Calendário de 2003 e R$ 22.056.508,02 no  Ano Calendário de 2004, de R$ 25.373.884,00 no ano calendário de 2005, e de R$  3.893.255,00 em 2006.   Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  VENDAS de R$ 10.224.336,85 no Ano Calendário de 2003, de R$ 21.607.292,85  no Ano Calendário de 2004, continuando essas vendas até Março de 2006.   Após  isso,  foram  intimados  alguns  clientes  e  fornecedores,  no  sentido  de  confirmar de quem realmente eles  tinham comprado ou vendido produtos, e quem  era a pessoa de contato.   No  tocante  aos  fornecedores  (pecuaristas),  a  maioria  indica  como  compradores os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, sendo  que alguns, ainda, indicaram o Sr. Antonio Martucci e o Sr. José Roberto de Souza  (fls. 1310 a 1488 ­ Volumes VII e VIII/ Anexo 1).  Quanto aos clientes, as pessoas responsáveis, apontadas, são os Srs. Dorvalino  Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira  e  José  Roberto de Souza (fls. 1489 a 1543 ­ Volumes VII e VIII/Anexo 1).   Os  próprios  envolvidos,  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  Edson  Garcia  de  Lima, admitiram que compravam notas da Distribuidora São Paulo,  sendo que um  dos trechos do seu depoimento à Polícia Federal de Jales, o Sr. Edson, admite (fls.  647 ­ Volume IV/Anexo 1):   "...  eu  comprava  notas  do  Macaúba  (Valder  Antonio  Alves),  porque do Oiapoque ao Chuí todos compravam notas dele..."   No Termo de Interrogatório no Juízo Federal da 3ª Vara de São José do Rio  Preto, as perguntas formuladas pelo MM. Juiz ao Sr. EDSON GARCIA DE LIMA,  ele respondeu (fls. 652 ­ Volume IV/Anexo 1):   "que  eu  me  recorde,  o  frigorífico  Ouroeste  passou  a  abater  carnes para a SP Guarulhos o  início de 2005; usando nota da  Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.208          55 São  Paulo Distribuidora  foi  depois  em  2006,  para  levar  carne  para Guarulhos”.   A Fiscalização  apurou,  todavia,  que,  em  2005  era  a Continental Ouroeste  e  não o Frigorífico Ouroeste que abatia gado para a SP Guarulhos. Ou seja, o próprio  dono se confunde quando fala das suas empresas, pois conforme Boletim de Abate  n°  001/2006,  datado  de  03  de Março  de  2006  (assinado  pelo  sócio  Luis  Ronaldo  como procurador), partir de então o Frigorífico Ouroeste começou abater; com a SP  Guarulhos usando as notas frias da São Paulo Distribuidora a partir do ano de 2006.   O Sr. Antonio Martucci, em seu depoimento à Polícia Federal de Jales afirma  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1):   "... O interrogado e José Roberto de Souza tinham como função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado em Ouroeste­SP. O produtor rural era orientado a fazer  a nota de venda em nome da empresa de Macaúba denominada  Norte Riopretense e Distribuidora São Paulo, porém como local  de abate Frigorífico Ouroeste. Em seguida, a carne era vendida  para o comércio da região com nota fiscal da Distribuidora São  Paulo  e  Norte  Riopretense.  Quem  ligava  pedindo  as  notas  a  Macaúba  era  a  secretária  da  empresa  Gislaine.  A  Ouroeste  informava Macaúba acerca do comprador final, para fins de que  este  fizesse  a  respectiva  nota  fiscal  de  venda  em  nome  do  mesmo..."  Quando questionado acerca da frequência de compra de notas venda disse (fls.  655 ­ Volume IV/Anexo 1):   "...Toda  a  produção  seguia  este  procedimento,  sendo  que  o  interrogado negociava uma média de 150 a 200 cabeças de gado  por  semana.  Questionado  acerca  do  abate  feito  pelo  outros  sócios se utilizando do esquema, afirma que Dorvalino e Edson  Garcia  de  Lima  faziam  vendas  mais  especificamente  para  o  comércio  de  São  José  do  Rio  Preto,  Guarulhos,  Catanduva  e  Ourinhos.  Eles  abatiam  muito  mais  cabeça  que  o  interrogado  com  José  Roberto  de  Souza,  pois  abatiam  uma  média  de  450  cabeças de gado por semana..."   Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal de Jales, o Sr. Luiz Ronaldo  Costa Junqueira Declarou (fls. 670/671 ­ Volume IV/Anexo 1):   "...logo que  ficou sabendo dos  fatos em apuração procurou por  Edson,  vulgo  "EDÂO",  sendo  que  Dorvalino  estava  preso,  e  EDÃO  lhe  informou que realmente,  as  vezes,  compraram notas  fiscais  da  empresa  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO,  empresa  esta  de  propriedade  da  pessoa vulgo "Macaúba", agora sabendo chamar Valder Antonio  Alves;  Que  o  declarante  nunca  teve  qualquer  negócio  com  "Macaúba";  Que,  esclarece  o  declarante  que  questionou  "EDÃO"  porque  comprara  notas  fiscais  da  empresa  DISTRIBUIDORA DE  CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO,  quando  lhe  informou  que  "tudo mundo  faz  isso"  na  falta  notas  fiscais..."   Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.209          56 Com base  no  acima  exposto,  fica  evidenciado  que o  frigorífico Ouroeste  se  beneficiou do esquema fraudulento estruturado, com objetivo de comprar e vender  produtos sem pagamento de tributos, em prejuízo da Fazenda Nacional.   Merece ser destacado que no dia 15/05/2008 foi publicado no Diário Oficial  da União, em sua Seção 1, n° 92, página 58, o Ato Declaratório Executivo n° 53, de  15/05/2008, em que o Delegado da Receita Federal do Brasil  em São José do Rio  Preto  declara  INAPTA  a  inscrição  no  CNPJ  da  pessoa  jurídica  "Distribuidora  de  Carnes e Derivados S ã o Paulo Ltda.", CNPJ n° 68.195.072/0001­75, com efeitos  que valem a partir de 01/01/1999, o que torna INIDÔNEOS os documentos emitidos  pela empresa desde então. (fls. 04 e 05 ­ Volume I / Anexo 5).   Também  houve  o  cancelamento  da  Inscrição  Estadual  do  contribuinte  no  Estado  conforme processo  nº  1000326­358725/2007,  publicado  no D.O.E  ­ Diário  Oficial do Estado, de 20/10/2007 (fls. 118 a 211 ­ Vols. I e  II  / Anexo 5), onde o  Fisco  Estadual  faz  um Relatório minucioso  de  toda  fraude  realizada  e  as  pessoas  participante do esquema.   A partir dos documentos apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda,  pela  Policia  Federal  de  Jales  –  SP,  foi  possível  comprovar  como  se  operava  o  esquema  de  compras  de  notas  frias  pelo  núcleo  Ouroeste,  na  época  como  Continental  Ouroeste,  onde  se  pagava  a  TAXA  de  R$  4,00  reais  por  cabeça  de  bovino  abatido  e  faturado  pela  Noteira,  mais  um  valor  fixo  de  R$  3.000,00  pelo  custo operacional, a seguir demonstrado:   · Cotejando  as  Notas  Fiscais  de  Saída  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados São Paulo Ltda emitidas, vinculadas ao cliente CÓDIGO 36 ­  Dorvalino,  em  Setembro  e  Outubro  de  2005  (fls.  63  a  104 Volume  I  /  Anexo 5);   · Com a Relação de notas de saída Rem. p/ Abate – Vend. 36 (fls. 59 a 62 ­  Volume I / Anexo 5);   · Com o controle em nome do Dorvalino ( fls. 54/57 ­ Volume I / Anexo 5  ), comprova­se como operava o esquema de compras de notas, dos meses  Setembro e Outubro de 2005 (fls. 58 ­ Volume I / Anexo 5), a seguir:   Controle Setembro de 2005:   Foram abatidos 4730 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante de  R$ 18.920,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$  330,00 decorrente de agosto/2005, dá um total de R$ 22.250,00, conforme memoria  de cálculo a fl. 235.  Do total apurado no mês de Setembro foi pago com o cheque do Banco Nossa  Caixa nº  000068  ao  vulgo  "MACAUBA"/ Valder Antonio Alves,  dono da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  cheque  da  ag.  434  ­  1  ­  Bálsamo  c/c  04.000.460­2  da  empresa SP Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00, pré­datado para 13 de Novembro  de  2005,  restando  saldo  de R$  7.250,00  para Outubro  2005  (fls.  58  ­ Volume  I  /  Anexo  5).  O  Referido  cheque  foi  solicitado  ao  banco  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação Financeira nº 2008­0243­9, fls. 27 a 39 ­ Volume I / Anexo 5) onde  se  constata  que  foi  emitido  nominal  a  Leonardo  Joaquim Derau Alves,  irmão  do  MACAUBA (fls. 42/43 ­ Volume I/Anexo 5).   Controle de Outubro 2005:   Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.210          57 Foram abatidos 4170 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante de  R$ 16.752,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$  7.250,00  decorrente  de  setembro/2005,  dá  um  total  de  R$  27.002,00,  conforme  memória de cálculo a fl. 235.  Foi pago com o cheque nº 000069 nominal a Distribuidora S. Paulo, cheque  da ag. 434­1 ­ Balsano c/c 04.000.460­2 da empresa SP Guarulhos, no valor de R$  15.000,00, pré­datado para 13 de Dezembro (fls. 40 / 41 ­ Volume I / Anexo 5).   O 'código 36' vinculado nas notas, conforme declaração firmada na Delegacia  da Receita Federal do Brasil por Ana Claudia Valente Fioravante  ­  funcionária da  Distribuidora  S.  Paulo,  "trata­se  do  Cliente  Frigorífico  Ouroeste  ­  Dorvalino"  (rodapé das Notas Fiscais a fls. 07/26 e 63/104 ­ Volume I / Anexo 5).   Nas  circularizações  complementares  realizadas  nos  Produtores  Rurais,  confirma­se  o  vínculo  ao  "Código  36  ­  Dorvalino  /cliente  Frigorífico  Ouroeste",  conforme  respostas  dos  produtores  e  pelas  cópias  solicitadas  e  remetidas  por  diversos pecuaristas (fls. 31, 33, 38, 42, 44, 46, 59, 61, 64, 68, 75, 89, 91, 93, 95,  109, 112, 114, 117, 123, 125 e outras ­ Volume I / Anexo 7).   As  vendas  realizadas  eram  com  notas  frias  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda,  figurando  como  cliente  a  Continental  Ouroeste  (NF  32058) e demais notas a SP Guarulhos, esta, sucessora na fraude em continuação a  Continental Ouroeste, conforme controle a  fls. 59/62 ­ Volume I  / Anexo 5, o que  mais  uma  vez  comprova  a  interposição  dessas  empresas  com  o  real  beneficiário  Frigorífico Ouroeste Ltda.   Conforme cópias das notas  fiscais a fls. 1281/1288­ Volume VII  / Anexo 3,  em  nome  da  Distribuidora  São  Paulo  ­  CFOP  5101  ­  vendas,  destinadas  a  SP  Guarulhos,  verifica­se  no  centro  da  parte  de  baixo  das  notas  a  vinculação  para  o  Código  "36  ­  Dorvalino"  e  a  esquerda  SPGUAR,  relativas  ao  ano  de  2006,  com  Certificado Sanitário assinado pelo médico veterinário Cledson L.F. Rezende, com  registro formal na interposta empresa BR Fronteira.   Com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Distribuidora de Carnes e  Derivados  São  Paulo  Ltda,  notas  vinculadas  ao  cliente  "36",  e  somente  CFOP­  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações  de  compra,  a  Fiscalização  apurou  os  valores devidos, conforme RL Relatório de Lançamentos ­ levantamento PR1 e PR5.  A Fiscalização constatou que todas as empresas da Operação Grandes Lagos  que  utilizavam  notas  fiscais  de  terceiras  empresas,  o  local  de  abate  era  um  dos  "códigos" usados para identificar os frigoríficos usuários de tal documento.   O  esboço  a  fls.  133  ­  Volume  l/Anexo  5  delineia  o  modus  operandi  do  esquema fraudulento, revelando, com clareza, que a empresa “noteira” apenas emite  as notas  fiscais da  transação, mas o gado,  a  carne  e o dinheiro  são movimentados  pelo frigorífico que usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam pelas  notas fiscais "frias" emitidas a ordem de quatro reais por cabeça de gado bovino e  três reais por cabeça de gado suíno.   As interceptações telefônicas comprovam que, aos clientes mais fiéis, que tem  movimento  maior  e  gozam  de  maior  confiança  de  Valder  Antônio  Alves,  são  enviadas  caixas  de  formulários  contínuos  com  notas  fiscais  em  branco  de  suas  empresas, que são preenchidas nas dependências das empresas que as adquirem, as  quais acertam o pagamento pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo  do volume de gado negociado.   Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.211          58 Para  evitar  a  prisão  dos  sócios  por  sonegação  fiscal,  as  empresas do Grupo  dos  Noteiros  não  deixam  de  declarar  ao  fisco  os  tributos  incidentes  sobre  suas  operações simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual  ação do fisco ou da Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens  em seu nome.   Na verdade, este era o desejo de  todos os envolvidos neste esquema,  isto é,  que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e  Derivados  São  Paulo Ltda,  pois  esse  foi  o  objetivo  principal  da  sua  criação,  qual  seja, o de suportar o ônus advindo das operações fiscais de seus clientes.  Todavia,  graças  ao  trabalho  de  inteligência  da  Policia  Federal  e  ao  suporte  legal da Justiça Federal, que possibilitou a busca e apreensão de documentos, bem  como  a  quebra  de  sigilo  bancário,  e  consequentemente  gerou  a  deflagração  de  operações no âmbito dos órgãos fiscalizadores, tanto federal como estadual, tornou­ se  possível  estabelecer  a  cada  um  dos  sonegadores  a  sua  real  participação  no  esquema, de forma a permitir alcançar os valores­base relativos à aquisição de gado  de  produtores  rurais  pessoas  físicas,  e  consequentemente  as  respectivas  contribuições devidas à Seguridade Social.  3.1.5. DAS RECEITAS DA SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E  DERIVADOS LTDA   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  ­  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações  de  Saída­vendas  (fls.  26/45­Volume  I  /  Anexo  3)  a  Fiscalização apurou receitas no ano calendário de 2005 no valor R$ 18.300.000,00 e  de R$ 11.615.000,00 em 2006, também declaradas nas DIPJ 2005 e 2006 (fls. 67/72­ Volume I / Anexo 3).   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS, transmitidas pela empresa ao Fisco Estadual, CFOP de compra, consta no ano  calendário de 2005 o valor R$ 17.023.000,00, e de R$ 11.170.000,00 em 2006 (fls.  46 a 66­Volume I / Anexo 3).  3.1.6.  DA  COMÉRCIO  DE  CARNES  E  REPRESENTAÇÃO  BR  FRONTEIRA  LTDA   A Fiscalização que a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  se tratava de empresa interposta, constituída para fornecer somente mão­de­obra às  empresas  do  grupo  Ouroeste,  com  o  intuito  de  criar  uma  barreira  entre  os  trabalhadores e os Frigoríficos para fugir das obrigações trabalhistas e fiscais (fls. 01  a 328­Volumes I e II / Anexo 4).   Tal  empresa  funcionava,  anteriormente,  com  razão  social  de:  Comércio  de  Carnes e Derivados Rodrigues Bastos Ltda.  A Fiscalização promoveu Diligências Fiscais na Rua C ­ Treze nº 460 ­ Bairro  Cristiano  de  Carvalho  ­  endereço  original  da  empresa  Com.  Carnes  Rodrigues  Bastos Ltda, encontrando  funcionando no local um açougue, contudo,  sem relação  com a referida empresa.   Efetuou­se também diligência no endereço da sócia Sra. Aparecida Gonçalves  Bastos Rodrigues ­ Av. L 9 n° 493 ­ Fundos ­ Bairro Los Angeles, porém não existe  a  referida  numeração,  sendo  o  n°  379  o  último  numero  da  rua;  vizinhos  desconhecem a suposta sócia.  Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.212          59 Dentre os documentos  apreendidos na Norte Riopretense Distribuidora Ltda  (outra empresa que vende notas frias) constam extratos de pagamentos ­ cópias de  cheque para Maria Aparecida, a título de Honorários e Pró­labore, sendo procurador  da  conta  bancária  o  Sr.  Alberto  Pedro  da  Silva  Filho  ­  vulgo  "Beto  Beleza",  dono/controlador da  filial  em Sud Menucci da Norte Riopretense,  frigorífico onde  abatia  gados,  de  onde  avulta  uma  intensa  interligação  entre  os  grupos  que  se  beneficiavam do esquema  fraudulento,  eis que  ambos usaram a BR Fronteira para  fraudar o Fisco.  Explica­se  o  referido  pagamento  de  honorários,  pois  no  período  setembro/2004  a  março/2005,  todos  os  empregados  da  Rodrigues  e  Bastos  (BR  Fronteira)  estavam  trabalhando,  com  exclusividade,  para  o  tomador  Norte  Riopretense Distribuidora Ltda ­ frigorífico Sud Menucci ­ S P  , conforme GFIP e  Notas  Fiscais  de  Prestação  de  Serviço  n°  113  a  119  (fls.  139  a  146­Volume  I  /  Anexo  4),  que  apesar  de  constar  destaque  de  retenção  de  11  %  ,  não  houve  o  recolhimento respectivo.  Apurou­se,  também,  o  pagamento  de  aluguel  de  sala  em  Barretos  correspondente ao endereço da Rodrigues e Bastos (fls. 155 a 160­Volume I / Anexo  4).  Conclui­se que os valores declarados por Maria Aparecida como recebidos de  Pessoa Física, em sua declaração de Imposto de Renda, se referem a esses valores  das  cópias de cheques  citados  acima, pelo  "aluguel de  seu nome" na "empresa de  papel" ­ BR Fronteira.  Consta no relatório da Policia Federal que Alberto Pedro da Silva Filho (Beto  Beleza):  “E o dono da filial Norte Riopretense na cidade de Sud Menucci,  que opera de fato, sendo, portanto, o "cabeça" no esquema. Foi  indiciado em três  inquéritos e denunciado em quatro processos  criminais.  Respondeu  por  estelionato  e  perigo  para  a  vida  ou  saúde de outrem”  No depoimento de Maria Aparecida na Vara do Trabalho de Fernandópolis,  ela confirma que a empresa Br Fronteira, da qual é sócia, funciona unicamente como  interposta ­ 'empresa de aluguel' ­, para esconder os verdadeiros empregadores, com  intuito de fraudar direitos trabalhistas e sonegar impostos.   Conclui­se  que  a  sócia  não  possui  condições  financeiras  para  gerir  uma  empresa.  É  pessoa  interposta  do  Grupo  Ouroeste  com  relação  ao  período  de  Novembro de 2005 a Dezembro de 2006.   Aparecida  Gonçalves  Bastos  Rodrigues  é  irmã  da  outra  sócia  Roseli  Gonçalves Bastos.  Diligência  realizada  na  Rua  14  nº  4120  ­  Bairro  Ibirapuera,  endereço  constante dos dados da Declaração do DIRPF exercício de 2008 da outra  sócia da  empresa, Sra. Roseli Gonçalves Bastos, revelou que, no  local, reside sua mãe, que  nos informou que a Roseli reside atualmente na Rua 12 nº 4041 ­ Fundos no mesmo  bairro, e trabalha de empregada doméstica para Juliana ­ Fone 17 ­ 3325­1428 em  Barretos.  O  Bairro  Ibirapuera  trata­se  de  um  bairro  popular,  com  casas  bastante  modestas.  Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.213          60 No citado local não foi encontrada a Sra. Roseli, porém vizinhos confirmaram  que ela trabalha ali como empregada doméstica.   A  sócia  Roseli  apresentou  declaração  do  imposto  de  renda  de  2008  com  receita  de R$  6.970,00  recebidos  de  Pessoa  Física. A  sócia Aparecida  apresentou  declaração do  imposto de renda de 2008 com receita de R$ 4.470,00  recebidos de  Pessoa Física.   Não foi localizada qualquer remuneração a título de pro labore declarada em  GFIP vinculada a empresa BR Fronteira, desde sua constituição. Seus vínculos no  sistema CNIS  são  sempre  como  empregada,  sendo  o  último  em  uma  empresa  em  Barretos com rescisão em 24/03/2004, com salário em torno de R$ 500,00.  Assim  como  Aparecida,  sua  irmã  e  sócia,  deduz­se  que  os  rendimentos  declarados  como  recebidos  de  Pessoa  Física  no  Imposto  de  Renda,  se  referem  a  remuneração pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Conclui­se que as sócias não possuem condições financeiras para gerirem uma  empresa,  sendo pessoas  interpostas/colaboradoras  do Grupo Ouroeste  com  relação  ao período de Novembro de 2005 a Dezembro de 2006.   Diligência  Fiscal  realizada  na  Av.  Minas  Gerais  50  ­  A,  cidade  de  Fronteira/MG ­ local atual do domicilio fiscal da BR Fronteira, revelou que no local  funciona um Posto de Gasolina do Sr. Reinaldo Gonçalves Chaves.  De acordo com o relato da filha do Sr. Reinaldo, uma das salas no local foi  alugada  para  uma  pessoa  que  se  apresentou  como  proprietário  da  empresa  Br  Fronteira (não sabe o nome), sem contrato de locação, tendo sido depositado o valor  combinado na conta corrente do Sr. Reinaldo durante aproximadamente três meses,  e  que  no  local  nunca  funcionou  a  suposta  empresa,  sendo  que  essa  pessoa  nunca  mais  apareceu  no  local.  Ela  informou  que  foi  o  contador  Sr. Osvaldo  ­  escritório  contábil Contexp, quem apresentou no posto a referida pessoa.   No endereço do escritório contábil CONTEXP situado na Avenida da Matriz  n. 103 ­ Fronteira – MG, a Fiscalização foi atendida pelo Sr. Osvaldo que informou  que foi procurado por uma pessoa chamada "Júnior", com intenção de transferir uma  empresa para a cidade, e o contratou para efetuar o registro na Junta Comercial de  Minas Gerais e Prefeitura local. Apresentou uma pasta contendo alguns documentos  da referida empresa e que essa pessoa nunca mais retornou ao escritório.  Dentre tais documentos consta:   a)  3ª  alteração  do  contrato  social  da  empresa  Com.  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda  (fls.  105/106­Anexo  4),  onde  se  verifica  que  em  22/11/2005,  a  BR  Fronteira  alterou  seu  endereço  para  Fronteira­ MG à Av. Minas Gerais nº 50 ­ A e razão social para Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira,  com  CNAE:  10.11/01  ­  Frigorífico ­ abate de bovinos, local onde funciona um Posto de Gasolina.  A  Fiscalização  apurou  que  na  mesma  data  (novembro/2005)  todos  os  vínculos dos empregados da Continental Ouroeste foram transferidos para  a  BR  Fronteira.  Portanto  a  alteração  não  foi  mera  coincidência.  No  depoimento na Vara do Trabalho de Fernandópolis, como testemunha do  reclamante Sebastião G. Junior,  a  sócia Maria Aparecida declarou que a  mudança  do  endereço  para  Minas  Gerais  foi  a  pedido  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda.   Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.214          61 b)  Cópias autenticadas de documentos pessoais das sócias;   c)  Bilhete onde consta a pessoa de contato que alugou a sala da empresa em  Fronteira: Sebastião Gandolfi Jr ­ RG: 12.515.046 ­ CPF: 040.310.978­75  e endereço comercial a Rua Cel. Spinola de Castro 4900 ­ apto 152 ­ Ed.  Panorama Center ­ Centro em São José do Rio Preto – SP (fls. 109/Anexo  IV),  sendo que  este  apartamento  pertence  a Dorvalino,  sócio  de  fato  do  Frigorífico Ouroeste Ltda.   "Junior",  ou  Sebastião  Guandolfi  Junior,  gerente  de  compras  e  vendas  do  Frigorífico  Ouroeste,  trabalhou  até  31.12.2006,  com  vínculos  pela  BR  Fronteira  (registrado  em  01/10/2006).  Este  impetrou  na Vara  de Trabalho  de  Fernandópolis  ação  trabalhista,  Proc.  n°  380/2007  contra  o  Frigorífico  Ouroeste,  tendo  sentença  favorável, onde a justiça determinou anotação do vínculo no período de 01/11/2004  a 31/12/2006, pelo tomador de serviço.   O contador em Fronteira  ­ MG, Sr. Osvaldo,  informou ainda que Sebastião  Gandolfi  Jr.  teria  uma  casa  /rancho  na  margem  do  Rio  Grande  onde  se  situa  a  Cidade  de  Fronteira/MG,  na  divisa  entre  os  Estados  de  São  Paulo  de Minas  Gerais,  e  que  conhecia  o  local, pois abastecia seu veículo no referido Posto de Gasolina em Fronteira/MG, daí alugou a  referida sala.   Através do Ofício DRF/SJR/SAFIS/N.  168,  de 08 de Novembro  de  2007,  a  Receita Federal solicitou ao Posto de Fiscalização de Minas Gerais sobre a situação  da BR Fronteira, sendo respondido que em diligência na Av. Minas Gerais n. 50  ­  Fronteira ­ MG ­ NÃO foi encontrada a empresa. Em consulta ao Sistema, também  NÃO foi encontrada inscrição do contribuinte no estado de Minas Gerais (fls. 110 a  113/Anexo 4).   De  todo  o  exposto  avulta  que  a  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira Ltda nada mais era do que uma interposta empresa do Frigorífico Ouroeste  Ltda, integrada ao esquema fraudulento para intermediar a mão de obra utilizada na  execução da atividade fim da Autuada.  Senão, vejamos:  Em 01/09/2005 foi simulado um contrato de prestação de mão­de­obra entre a  Rodrigues  Bastos  (atual  Br  Fronteira)  e  para  a  SP Guarulhos,  a  fls.  681/683.  Na  mesma data, a SP Guarulhos firmou contrato de locação comercial, equipamentos e  ferramentas com o Frigorífico Ouroeste,  a  fls. 675/680, destinado à exploração do  ramo de frigorífico; Na sequência, em 30 de outubro de 2005, a Br Fronteira firmou  contrato de prestação de serviços gerais em frigorífico com a Continental Ouroeste,  para fornecimento de mão­de­obra, de no mínimo 120 trabalhadores, para o período  de 01/11/2005 a 31/12/2007, a fls. 684/688.   Conforme anotação no Livro Registro de Empregados de n° 05, a  fls. 303  ­  Volume  II  /  Anexo  2,  a  partir  de  01/11/2005  ocorreu  a  transferência  de  todos  os  empregados da Continental Ouroeste para a Br Fronteira, continuando a prestação de  serviço,  sem  interrupção,  assumindo  esta,  assim,  todo  o  passivo  trabalhista  da  Continental Ouroeste. Tal fato é confirmado também pelos Termos de Rescisão de  contrato de Trabalho, a fls. 114 a 138 ­ Volume I / Anexo 4).   Dessa "prestação de serviços" simulada e simultânea para a SP Guarulhos e  Continental  Ouroeste,  porém,  de  fato,  para  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  a  Br  Fronteira NÃO emitiu  qualquer  nota  fiscal, pois  conforme  talões  retidos,  a  última  nota emitida foi a de nº 119, a fls. 145 ­ Volume I/Anexo 4, para uma outra empresa  Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.215          62 envolvida nas  fraudes detectadas pela operação  'Grandes Lagos',  a “noteira” Norte  Riopretense,  nota  fiscal  datada  de  31  de  Março  de  2005,  o  que  comprova  a  simulação contratual.   A declaração prestada por Maria Aparecida, sócia da Br Fronteira, na Vara de  Fernandópolis, confirma a fraude:   “Que  os  empregados  contratados  eram  selecionados  pelo  Frigorífico Ouroeste;   Que  os  pagamentos  da  depoente  eram  realizados  pelo  gerente  Sr. Osvaldo Arantes;   Que  todas  as  obrigações  trabalhistas  e  previdenciárias  eram  pagas pelo Frigorífico Ouroeste;   Que não conhece Fronteira e nem o Frigorífico Ouroeste;  Que  o  aluguel  da  sede  da  empresa  em  Fronteira  também  era  pago pelo Frigorífico;   O Sr. Osvaldo Arantes trazia todos os documentos em Barretos  para serem por ela assinados;   Que o Sr. Sebastião Gandolfi Júnior, apesar de estar registrado  na  Br  Fronteira,  era  empregado  como  gerente  geral  do  Frigorífico Ouroeste Ltda; o contrato teve vigência ate  final de  2006;   Que o Frigorífico Ouroeste não honrou o compromisso mensal  assumido,  pelo  "aluguel  do  nome"  ,  não  efetuando  todos  os  pagamentos  combinados,  pagou  somente  os  três  primeiros  meses.   Conclui­se  que  a  Comércio  e  Representações  BR  de  Fronteira  Ltda  é mais  uma  Pessoa  Jurídica  INTERPOSTA  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  para  fornecimento irregular de mão de obra empregada na sua atividade fim, formando­se  o vínculo diretamente com o tomador do serviço, conforme Súmula nº 331, do TST.  3.1.7. DOS TRANSPORTADORES RODOVIÁRIOS AUTÔNOMOS   A partir do exame dos livros conta corrente 7.1 a 7.3 da interposta empresa SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e do livro conta corrente  7.4 da interposta empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (apreendidos) a  Fiscalização apurou o pagamento a diversos transportadores rodoviários autônomos  –  Segurados  Contribuintes  Individuais  ­,  pelos  fretes  prestados  às  empresas  interpostas acima citadas, os quais houveram­se por comprovados através cheques e  depósitos bancários,  requisitados  através das RMF  ­ Requisição de Movimentação  Financeiras.  Os  segurados  contribuintes  individuais  ­  transportadores  rodoviários  autônomos ­, assim como suas respectivas remunerações auferidas das empresas do  “Núcleo  Ouroeste”,  encontram­se  discriminados  nominalmente  no  Relatório  de  Lançamentos,  Levantamento  FRE  –  FRETE  TRANSP ROD AUTONOMO,  onde  consta o indicativo do segurado, os valores do frete e da base de cálculo, bem como  a  referencia  ao  número  do  cheque  mediante  o  qual  se  concretizou  o  pagamento.  Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.216          63 Tratam­se, portanto, de bases de cálculo conhecidas,  inclusas no RL ­ Relatório de  Lançamentos.  Visando  a  se  verificar,  nos  bancos  de  dados  da  Administração  Tributária  Federal,  se  os  trabalhadores  que  prestaram  serviços  sem  vínculo  empregatício  às  empresas  do  Núcleo  Ouroeste”  estavam  inscritos  como  Segurados  Contribuintes  Individuais  na  Autarquia  Previdenciária  Federal,  a  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  foi  formalmente  intimada,  mediante  Termo  Próprio,  a  prestar  esclarecimentos  à  Fiscalização,  acerca  dos  nomes  naturais  dos  prestadores  de  serviço  sem  vínculo  empregatício,  eis  que  estes  estavam  registrados  nos  documentos  das  empresas  do  grupo apenas pelos seus apelidos, por exemplo, Milin, CVL, Beto Caetano, Paulão,  Zequinha, Wando e outros.  Todavia, apesar de formalmente intimada mediante Termo próprio, a empresa  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  deixou  de  prestar  informações  cadastrais  e  esclarecimentos necessários a Fiscalização, ou seja, deixou de prestar declaração por  escrito  dos  nomes  naturais  completos  dos  contribuintes  individuais  constantes  dos  livros  conta  correntes,  onde  constam  apenas  os  'apelidos',  impossibilitando  assim  identificar se os segurados contribuintes individuais prestadores de serviço estavam  inscritos ou não na Previdência Social.  Tal omissão motivou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória  nº  37.201.578­6,  CFL  35,  objeto  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.000338/2009­16,  lavrado na mesma ação fiscal, por  infração ao disposto no  Art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o Art. 225, inciso I e §9°,  do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99.   3.1.8. DO FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA   Mediante Diligência Fiscal realizada no endereço onde funciona o Frigorífico  Ouroeste Ltda, a Fiscalização obteve diversos documentos das empresas interpostas  envolvidas no esquema em debate, comprovando, uma vez mais, que o Frigorífico  Ouroeste detinha todo o controle da mão­de­obra utilizada nas empresas do grupo e  que assumia integralmente os riscos da atividade econômica praticada:   · Cartões de ponto da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda período de  Julho de 2003 a Abril de 2005;   · Holerites de Janeiro a Outubro de 2005 da Continental Ouroeste;   · PPRA datado de 01/09/2003 e 06/2005 da Continental Ouroeste;   · Holerites  de Novembro  de  2005  a  13º  salário  de  2006  da Comercio  de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda;   · Cartões de ponto de Maio de 2005 a Dezembro de 2006 da Comercio de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda e 45 Termos de Rescisão  de Contrato de Trabalho;   · Cartões de ponto e rescisões do próprio Frigorífico Ouroeste Ltda.   Constata­se  que  os  Cartões  de  Pontos  estão  todos  em  nome  do  Frigorífico  Ouroeste,  constando  o CNPJ 05.270.758/0001­63  da Continental Ouroeste,  porém  os  empregados  estão  com  vínculos  na BR  Fronteira  conforme  se  comprova  pelos  recibos de pagamentos arrolados, por amostragem, a fls. 257/259.  Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.217          64 A Fiscalização  constatou  que  os  empregados,  e  até  outros  profissionais  que  trabalhavam no esquema se confundiam para qual empresa prestavam serviço, sendo  emblemáticos  os  Atestados  de  Saúde  Ocupacional,  assinados  pelo  Médico  do  Trabalho,  datados  de  2006,  nos  quais  consta  como  empregadora  a  Continental  Ouroeste,  porém  já os  empregados  estavam  registrados na BR Fronteira. Também  comunicação do Técnico de Segurança do Trabalho, datada de 22 de 20 de Janeiro  de 2006.  No Livro 7.1, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, que controla a  conta corrente n° 0890­4, do Banco Bradesco Ag. 1760­4 ­ Ouroeste, a Fiscalização  apurou  o  registro  de  pagamento  de  férias  e  rescisões  de  contrato  de  trabalho  nas  competências  outubro  e  novembro/2005  a  funcionários  registrados  na Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda (até competência outubro/2005), e a  trabalhadores já  registrados  na  Br  Fronteira  (desde  Novembro/2005)  conforme  ilustrado  a  fls.  109/113­Volume I / Anexo 3.  O mesmo ocorre em relação ao Livro 7.3, controle da conta corrente n° 04­ 000393­3, do Banco Nossa Caixa Ag. 535­5, pertencente  à  interposta  empresa SP  Guarulhos,  a Fiscalização apurou o  registro de pagamento de  férias  e  rescisões  de  contrato de trabalho nas competências dezembro/2005 a junho/2006 a funcionários  já registrados na Br Fronteira, conforme exposto a fls. 329/370 ­ Volume II / Anexo  4.  A  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  um  frenético  rodízio  dos  vínculos  trabalhistas, conforme extraído do banco de dados corporativo ­ telas RAIS e CNIS  – Fonte GFIP  / Dados  do Trabalhador: Diversos  trabalhadores  foram  inicialmente  contratados  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  em  Agosto/2002  e  desligados  em  Setembro/2002.  Na  sequência,  foram  recontratados  pela  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda (LRE a fls. 93/313 ­ Vols. I e II / Anexo 2) no dia posterior ao  desligamento  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  permanecendo  com  vínculos  no  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda até Outubro/2005.   Em  Novembro/2005  os  mesmos  empregados  foram  transferidos  para  a  empresa  Rodrigues  Bastos,  atual  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira Ltda, permanecendo nesta empresa interposta até Dezembro/2006.   Merece  ser  citado  que,  nos  vínculos  com  a  empresa  Rodrigues  Bastos/Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, constam como  data de admissão a mesma que consta na Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda,  confirmando, portanto, que a BR Fronteira assumiu todo o passivo trabalhista desses  empregados,  conforme  consta  no  Livro  Registro  de  Empregados  nº  05  da  Continental Ouroeste, a fls. 303 ­ Vol. I / Anexo 2.   “Coincidentemente”,  após a deflagração ação da Polícia Federal  os vínculos  desses empregados retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando nas FRE  ­ Fichas Registro de Empregados a assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo  o  passivo  trabalhista,  desde  suas  admissões  no  Frigorífico  Ouroeste  em  2002,  na  Continental Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781­ Volume IV/Anexo 2).  Adite­se  que  em  2007  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  solicitou  à  Caixa  Econômica  Federal  a  UNICIDADE  DO  FGTS  de  todos  os  empregados  que  prestaram  serviços  ao  Grupo  Ouroeste  desde  2002,  fato  este  que  pode  ser  comprovado pela GFIP da competência Janeiro/2007, a fls. 805 a 820, onde constam  as  reais datas de  admissão dos empregados pelo Frigorífico Ouroeste,  confrontada  com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804.  Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.218          65 Tais fatos demonstram, cabalmente, que os trabalhadores em questão sempre  estiveram  na  órbita  de  subordinação  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  de  seus  verdadeiros  donos,  sendo  por  estes  remunerados,  mesmo  que  por  intermédio  das  interpostas  pessoas  acima  citadas,  estando  todos  empenhados  na  execução  da  atividade fim da Autuada.   Tais  empregados  estão  todos  nominalmente  identificados  conforme  Livros  Registros de Empregados n° 01 a 05 da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a  fls.  90  a  314  do  Anexo  2,  assim  como  na  Folha  de  Pagamento  da  Comércio  de  Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, de Junho a Dezembro/2006 ­ Anexo 4,  fls. 163 a 328, e no Anexo 6 ­ Vínculos dos Trabalhadores, a fls. 01 a 405 ­ Vol. I a  III.   Presentes, portanto, todos os requisitos essenciais caracterizadores da relação  de segurado empregado assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91.   Resta  comprovada,  portanto,  toda  a  simulação  empreendida  pelas  empresas  integrantes  do  grupo  Ouroeste  nos  negócios  por  ela  praticados,  uma  vez  que  a  Continental  Ouroeste,  a  SP  Guarulhos  e  a  BR  Fronteira  apenas  aparentemente  figuravam como contribuinte, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação  tributária o 'Frigorífico Ouroeste Ltda', o qual, assumindo de fato todos os riscos da  atividade econômica com finalidade lucrativa, dirigia, ordenava e administrava toda  a  prestação  de  serviço  de maneira  não  eventual,  assalariava  os  empregados  a  seu  serviço, chegando a assumir, com a deflagração da ação pela Policia Federal, todo o  passivo  trabalhista,  previdenciário  e  fiscal  referente  a  tais  trabalhadores,  estando  presentes  os  requisitos  que  os  qualificam  como  seus  empregados  –  subordinação  jurídica,  não  eventualidade,  onerosidade  e  pessoalidade  ­,  conforme  disposições  inscritas no art. 12 da Lei n° 8.212/91 e art. 3º da CLT, sendo nulo o vínculo fixado  através das  interpostas empresas Br Fronteira e SP Guarulhos, conforme art. 9º da  CLT.  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  a  Fiscalização  não  teria  logrado  comprovar  a  existência  dos  requisitos  dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários das empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos  Ltda. e BR Fronteira Ltda. e a Autuada.  A existência do vínculo laboral de empregado e do vínculo previdenciário de  segurado empregado houve por  reconhecida  e  consignada pelas próprias  empresas  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda e Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  ao registrarem  tais  trabalhadores em seus Livros de Registro de Empregados e em  suas  Folhas  de  Pagamento,  da  mesma  forma,  pela  declaração  espontânea  de  tais  segurados em suas GFIP.  A declaração em GFIP e o registro nos LRE e nas Folhas de Pagamento fazem  prova  de  per  se  da  efetiva  existência  das  relações  de  emprego  e  do  vínculo  de  segurado empregado, circunstância que torna despicienda a demonstração por parte  do Fisco.  De  outro  eito,  demonstrado  e  comprovado  que  tais  empresas  existiam  tão  somente no papel, constituídas em nome de “laranjas”, se configurando, nada mais,  do  que meras  empresas  interpostas  pelo  Frigorífico Ouroeste  Ltda  com  o  sinistro  intuito  de  ocultar,  perante  o  Fisco,  os  verdadeiros  beneficiários  da  atividade  econômica praticada, com a intenção de eximir­se dos pagamentos de tributos pelos  quais seriam responsáveis, tais vínculos trabalhistas e previdenciários se consolidam  na  responsabilidade  do  verdadeiro  empregador,  eis  que,  em  realidade,  todos  esses  Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.219          66 trabalhadores  envidam seus  esforços na  realização da  atividade  fim da Autuada,  a  qual detém todo o poder de chefia e de comando de acerca do que fazer, quem fazer,  como  fazer,  onde  fazer,  quanto  fazer  e  quando  fazer,  além  do  poder  de  controle  sobre o serviço realizado, da admissão e da dispensa dos trabalhadores, mesmo sem  justa causa.  Todos  trabalham,  efetivamente,  objetivando  atingir  as  metas  determinadas  pelos  verdadeiros  donos  do  empreendimento,  ordenados  pelas  normas  de  conduta  por eles impostas.  As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias  assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na  contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do  obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços.  Enunciado nº 331 do TST  Contrato de Prestação de Serviços ­ Legalidade  I  ­ A  contratação  de  trabalhadores  por  empresa  interposta  é  ilegal,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com o  tomador  dos  serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de  03.01.1974). (grifos nossos)   II  ­  A  contratação  irregular  de  trabalhador, mediante  empresa  interposta,  não  gera  vínculo  de  emprego  com  os  órgãos  da  administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II,  da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 ­ TST)  III  ­  Não  forma  vínculo  de  emprego  com  o  tomador  a  contratação  de  serviços  de  vigilância  (Lei  nº  7.102,  de  20­06­ 1983),  de  conservação  e  limpeza,  bem  como  a  de  serviços  especializados  ligados  à  atividade­meio  do  tomador,  desde que  inexistente a pessoalidade e a subordinação direta.  IV ­ O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do  empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador  dos  serviços,  quanto  àquelas  obrigações,  inclusive  quanto  aos  órgãos  da  administração direta,  das  autarquias,  das  fundações  públicas,  das empresas  públicas  e  das  sociedades  de  economia  mista,  desde  que  hajam  participado  da  relação  processual  e  constem  também  do  título  executivo  judicial  (art.  71  da  Lei  nº  8.666/93).   Na realidade nua dos fatos, todos trabalham efetivamente buscando atingir os  objetivos traçados pelo Frigorífico Ouroeste Ltda e pelos seus verdadeiros donos, de  acordo  com  as  diretrizes,  normas  de  conduta  e  controles  por  eles  idealizados,  de  onde dessai a essência da subordinação jurídica.  Existindo  tais  empresas  interpostas  apenas  no  papel,  sendo  constituídas  em  nome de “laranjas”, deflui que toda a remuneração dos trabalhadores em apreço é  debitada do patrimônio dos verdadeiros donos do empreendimento ora em foco, de  onde avulta a onerosidade na prestação dos serviços à responsabilidade da Autuada.  Tais  trabalhadores  encontram­se  nominalmente  registrados  nas  Folhas  de  Pagamento e nos Livros de Registro de Empregados, além de terem sido declarados  em GFIP,  inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção  Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.220          67 que  possa  desaguar  na  ilação  de  que  tais  trabalhadores,  ao  seu  alvedrio  único,  exclusivo  e  próprio,  e  sem qualquer  ingerência da  empresa Autuada,  pudessem  se  fazer  substituir,  na  execução  do  serviço  para  o  qual  fora  contratado,  por  outro  trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação, circunstância que denota a  natureza  intuitu  personae  da  relação  jurídica  materialmente  celebrada  entre  a  Autuada e o trabalhador.  Avulta  das  circunstâncias  do  caso  que  o  risco  da  atividade  econômica  é  integral do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos os quais, além do  encargo de adquirir animais de corte, de proceder ao abate e processamento de tais  semoventes,  captar  clientes  no  mercado  para  a  comercialização  de  sua  produção,  contratar  a  emissão  fraudulenta  de  notas  fiscais  frias,  ainda  admite  e  remunera os  trabalhadores  responsáveis  pela  execução  de  tais  serviços,  e  assume  em  seu  patrimônio inercial os eventuais prejuízos decorrentes da atividade econômica.  Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Autuada se  revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa  individual  ou  coletiva  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite,  assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.  Também não procede a alegação de que seria indevido o lançamento a partir  da desconsideração da personalidade de outras empresas.   Em  primeiro  lugar,  registre­se  que  no  presente  caso,  o  lançamento  não  se  fundamentou em suposta desconsideração de personalidade jurídica das  interpostas  pessoas, mas,  tão somente, no princípio da realidade dos fatos sobre a formalidade  dos atos.  Com  efeito,  a  atuação  fiscal  empreendida  no  presente  caso  encontra  lastro  jurídico  nas  disposições  encaixadas  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  Código  Tributário  Nacional,  que  confere  à  Autoridade  Notificante  a  competência  para  desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar  a ocorrência do fato gerador tributário.   Código Tributário Nacional   Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  I ­ tratando­se de situação de fato, desde o momento em que o  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  a  que  produza  os  efeitos  que  normalmente  lhe  são  próprios;  (grifos  nossos)   II  ­  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito  aplicável.  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária. (grifos nossos)   Nesse  panorama, muito  embora  os  assentamentos  contratuais  formais  sejam  representativos de constituição de pessoas jurídicas em nome de sócios distintos do  Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.221          68 quadro societário da Autuada, as provas dos autos revelam que tais sócios figuram,  tão  somente,  como  “laranjas”  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  fraudulento, os quais detém todo o poder de comando, ordenamento e controle das  atividades  praticadas  em  cada  empresa,  e  no  âmbito  geral  do  grupo  por  elas  constituído.   Muito  embora  os  assentamentos  contratuais  formais  apontem  para  a  celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições  em  que  os  serviços  contratados  foram  prestados  ao  Recorrente  subsumem­se  à  hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do  art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita  típica de segurado empregado.  Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa  da  autoridade  administrativa  a  desconsideração  de  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou  a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte  aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do Decreto­Lei nº 5.452, de 1º de maio de  1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o  objetivo  de  desvirtuar,  impedir  ou  fraudar  a  aplicação  dos  preceitos  contidos  na  presente  Consolidação”. Tratam­se  de  normas  antielisivas,  visando  ao  combate  à  fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma.  A  desconsideração  do  ato  ou  do  negócio  jurídico  praticado  visa  apenas  a  reaproximar  a  qualificação  jurídica  do  verdadeiro  conteúdo  material  do  ato  decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a  administração  tributária  com  o  poder/dever  de  proceder  à  requalificação  jurídica  formal da relação, fazendo­a coincidir com a realidade substancial.  Investido  em  tal  poder,  o  Fisco  pode  prescindir  das  aparências  do  ato  simulado  e  determinar  a  obrigação  tributária  segundo  a  realidade  oculta,  sem  necessidade  de  declarar  a nulidade  do  ato  jurídico  aparente  ou de  desconsiderar  a  personalidade jurídica das empresas envolvidas.  Merece  ser  destacado  que  a  jurisprudência  do  STJ  não  nega  auto  aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN,  conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os  excertos a seguir:  “AREsp 323.808­SC  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 27/05/2013  EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  ART.  116,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DO  CTN.  INEXISTÊNCIA  DE  REGULAMENTAÇÃO.  AUTO­APLICABILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  211/STJ.  NÃO­ ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO  CONHECIDO.  RECURSO  ESPECIAL  A  QUE  SE  NEGA  SEGUIMENTO.  [...]  Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.222          69 O  caso  da  empresa  de  vigilância  é  perfeitamente  análogo:  as  câmaras  são  parte  do  equipamento  que  é  utilizado  pela  sociedade  Patrimonial  Segurança  Ltda.  para  a  prestação  do  serviço de  segurança, que  é a  sua atividade  fim. As  filmadoras  ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do  contratante  ­  sem  que  este  as  adquira  ­  integram  o  custo  do  serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens,  caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a  incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso).  Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a  aluguel  dos  bens  utilizados,  a  apelada  incorreu  em  prática  coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário  Nacional, que dispõe:  A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos em lei ordinária.  Com  razão,  assim,  a  Procuradoria  do  Município,  ao  afirmar  que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de  vigilância,  uma  obrigação  de  fazer  portanto,  sendo  a  denominação de  'locação de equipamento eletrônico' dada pela  apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador,  que é a prestação do serviço" (fl. 217).  Nesse  contexto,  merece  acolhida  o  recurso  para  se  julgar  improcedente a demanda.  [...]"  No  mesmo  sentido,  o  Agravo  Regimental  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins:   AgRg no REsp 1.070.292 ­ RS  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 23/11/2010  EMENTA:   TRIBUTÁRIO.  COMPLEMENTAÇÃO  DE  APOSENTADORIA  VINCENDA.  PERCEPÇÃO  PAGA  MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA.  VERBA  DE  NATUREZA  NÃO  INDENIZATÓRIA.  INCIDÊNCIA DE  IMPOSTO DE RENDA.  POSSIBILIDADE.  AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.  [...]  Note­se  que  o  montante  pago  teve  por  fim  o  cumprimento  de  prestações  vincendas,  ou  seja,  a  partir  de agosto  de 1996.  Isto  deve  ser  frisado  para  que  não  se  invoque  a  isenção  Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.223          70 anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi  revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico  do  acordo,  afirmando  a  natureza  indenizatória  do  montante  pago,  nenhum efeito  opera  para  o  fisco. O reconhecimento  da  natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando  for  possível  constatar  que  aquela  visava  à  recomposição  de  uma  perda  patrimonial,  e  não  pela  mera  denominação  de  indenizatória  (parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária).   Trata­se,  no  caso,  de  aplicação  da  Teoria  da  Interpretação  Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  assim  entendido  o  produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem  por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda.   [...]  Ainda,  nesse  sentido, REsp  nº  1.363.920  ­  SC  ­  Rel. Min. Og Fernandes,  DJe: 24/10/2013.  Por  outro  viés,  ainda  que  se  admita  que  o  preceito  instalado  no  Parágrafo  Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária,  nada  impede  que  se  recorra  a  procedimentos  já  previstos  em  leis  ordinárias  já  integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Trata­se da realização de um princípio  jurídico consistente na recepção de  leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado  no Ordenamento  Pátrio,  máxime  no  ramo  do Direito  Tributário,  que  permite  que  uma  lei  ordinária  em  sua  origem  seja  recepcionada  com  status  de  Lei  Complementar,  uma  vez  que  suas  normas,  por  força  da  CF/88,  só  podem  ser  revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza.  A  realização  do  princípio  da  Recepção  das  Leis  permite  a  convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o  Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este  princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual  são  por  este  Direito  recepcionadas,  eliminando­se,  assim,  a  necessidade  de  se  regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis  anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica,  tivessem  que  ser  recriadas  para  continuarem  a  estabelecer  normas  jurídicas  de  conduta da Sociedade.  Pela  ótica  de  tal  princípio,  quando  se  cria  uma  nova  estrutura  normativa,  o  conjunto de normas jurídicas pré­existente, no que não conflite materialmente com o  Direito Anterior,  permanece  em vigor  e produzindo os  efeitos que  lhe  são  típicos,  sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o  processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de  sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita  desde o seu nascedouro.   A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na  Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça,  conforme se depreende dos seguintes julgados:  Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.224          71 REsp nº 1.427.949 ­ SC   Rel. Min. Mauro Campbell Marques  DJe: 02/04/2014  EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA  N.  284/STF.  PARCELAMENTO.  REFIS.  EXCLUSÃO.  SIMULAÇÃO.  EMPRESA  INATIVA.  PARCELA  ÍNFIMA.  ART.  5º,  II  E  XI,  DA  LEI  N.  9.964/2000.  FUNDAMENTO  SUFICIENTE  INATACADO  (SÚMULA  Nº  283/STF).  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO  (SÚMULA  N.  282/STF).  IMPOSSIBILIDADE  DE  REVISÃO  DE  MATÉRIA  FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE  NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC.  DECISÃO   [...]  Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi  ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais  os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI,  da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996.  Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por  força  do  art.  81  da  Lei  nº  9.964/2000,  in  verbis  (e­STJ  fls.9734/9739):  Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão  do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de  1996,  diante  de  inexistência  de  fato,  e  não  no  artigo  116,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Além  de  diversos  aspectos  fáticos  e  concretos  a  seguir  analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão  também na existência de  simulação  (art.  167 do Código Civil),  mas, destaco:  não somente na simulação.  [...]  Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo  116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por  sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária,  tais  procedimentos  (relativos  à  declaração  de  inaptidão)  já  se  encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei  nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de  1970,  e  a  Instrução  Normativa  nº  568,  de  8  de  setembro  de  2005.  [...]   (grifos nossos)  Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.225          72 No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014.  No  caso  em  estudo,  mediante  os  procedimentos  estabelecidos  na  Lei  Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios  jurídicos  praticados  pelos  atores  do  esquema  fraudulento  acima  descortinado,  praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  mas  não  da  personalidade jurídica das empresas prestadoras.   Anote­se que na formalização do presente lançamento, houve­se por operada,  tão  somente,  a  desconsideração  substancial  dos  atos  simulados,  mas  não  a  desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do  art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de  constituição  do  crédito  previdenciário,  os  efeitos  jurídicos  dos  atos  simulados,  na  seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituí­los.   Reitere­se  que  a  administração  tributária  federal  não  se  encontra  jungida  à  obtenção  prévia  de  declaração  administrativa  ou  judicial  definitiva  de  nulidade  de  atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real  operação  ocorrida,  visto  que  os  atos  simulados  são  ineficazes  perante  o  Fisco,  conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN:  Código Tributário Nacional   Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  I  – da  validade  jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;   II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.    Por  tais  razões,  para  os  fins  exclusivos  do  presente  lançamento,  revela­se  desnecessária  a  declaração  judicial  de  nulidade  dos  atos  simulados,  assim  como  a  desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas.  No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91  deflui  que  a  relação  jurídica  real  existente  entre  a Autuada  e  os  segurados  apurados  pela  fiscalização  é  a  de  segurado  empregado,  circunstância  que  impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias  estabelecidas no diploma legal acima citado.  Não procede, portanto, a alegação de que a Fiscalização  teria promovido “o  arbitramento  dos  valores  ora  lançados,  a  partir  dos  valores  consignados  na  escrituração  contábil  de  terceira  empresa,  cuja  personalidade  jurídica  fora  desconsiderada, olvidando­se, porém, que a recorrente não pode suportar o ônus do  lançamento de tributos de interesse de outra pessoa jurídica, sobretudo por não ter  direito/dever de manter e apresentar contabilidade de outrem”.  Conforme acima demonstrado, o Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros  donos  detinham  todo  o  poder  de  organização,  administração,  direção  e  controle  sobre todas as operações e negócios realizados pelas empresas interpostas, as quais  foram constituídas em nome de “laranjas”, e existentes tão somente no papel, para  acobertar  os  verdadeiros  responsáveis  tributários  pelas  obrigações  decorrentes  das  Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.226          73 operações praticadas no âmbito dos negócios pelo grupo econômico de fato ora em  foco.  Tanto é assim que, após a deflagração da ação da Polícia Federal, os vínculos  dos segurados empregados em questão retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda,  constando  nas  FRE  ­  Fichas  Registro  de  Empregados  a  assunção  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  de  todo  o  passivo  trabalhista,  desde  suas  admissões  no  Frigorífico  Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira  Ltda. (fls. 703 a 781­Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19).  Corrobora tal entendimento o fato de, em 2007, o Frigorífico Ouroeste Ltda  ter  solicitado  à  Caixa  Econômica  Federal  a  UNICIDADE DO  FGTS  de  todos  os  empregados  que  prestaram  serviços  ao Grupo Ouroeste  desde  2002,  fato  este  que  pode ser comprovado pela GFIP da competência Janeiro/2007, a fls. 805 a 820 do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  constam  as  reais  datas  de  admissão  dos  empregados pelo Frigorífico Ouroeste, confrontada com os contratos de trabalho, a  fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/2009­19.  Assim, com espeque no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, os efeitos dos  atos jurídicos simulados, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do  fato  gerador  do  tributo,  houveram­se  por  desconsiderados  pela  Autoridade  Administrativa responsável pelo lançamento, restabelecendo­se assim a conexão do  fato  gerador  da  Contribuição  Previdenciária  ao  seu  verdadeiro  responsável  tributário, in casu, a Autuada.  Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, o Frigorífico Ouroeste  Ltda foi a titular de fato de todas as operações de aquisição de gado de produtores  rurais  pessoas  físicas,  realizadas  pelo  cliente  n°  36  da  lista  de  "vendedores"  da  Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, como também por intermédio  das interpostas pessoas SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  assim  bem  como  a  verdadeira  empregadora  dos  trabalhadores  registrados,  formalmente,  nos  LRE  das  empresas  interpostas  acima  citadas  e  na Comércio  de Carnes  e Representação BR Fronteira  Ltda, configurando­se o Frigorífico Ouroeste Ltda como a Contribuinte de fato dos  tributos incidentes sobre tais fatos geradores.  Acontece  que  a  Fiscalização  apurou  que  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  não  declarou  em  suas  GFIP  os  valores  referentes  à  aquisição  de  produtos  rurais  correspondentes  àqueles  acobertados  pelas  empresas  “noteiras”,  muito  menos  os  segurados empregados formalmente registrados em empresas  interpostas existentes  só  no  papel,  no  período  compreendido  no  presente  lançamento. Na mesma  toada,  também  a  sua  escrita  fiscal  não  registra  tais  operações  comerciais  e  demais  fatos  geradores.  Nessas  circunstâncias,  a  apresentação  deficiente  de  qualquer  documento  ou  informação  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do  lucro,  é motivo  justo,  bastante,  suficiente  e  determinante  para  que  a  Fiscalização  inscreva  de  ofício  a  importância  reputada  como  devida,  mesmo  que  mediante  a  apuração,  por  aferição  indireta,  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da  Lei nº 8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.227          74 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘a’,  ‘b’  e  ‘c’  do  parágrafo  único  do  art.  11,  bem  como  as  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição;  e  à  Secretaria  da  Receita  Federal  –  SRF  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas alíneas  ‘d’  e  ‘e’ do parágrafo único do art.  11,  cabendo a  ambos  os  órgãos,  na  esfera  de  sua  competência,  promover  a  respectiva  cobrança  e  aplicar  as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001).  §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS  e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade da  empresa, não prevalecendo para esse  efeito o  disposto  nos  arts.  17  e  18  do  Código  Comercial,  ficando  obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos e informações solicitados.  (...)  §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS  e  o Departamento  da  Receita  Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado  o  ônus  da  prova  em  contrário.  (grifos nossos)   (...)  §6º Se,  no  exame da escrituração contábil  e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  (grifos nossos)  Assim,  considerando  todo  o  conjunto  probatório  carreado  ao  presente  processo,  restou  demonstrado  que  o  vertente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  não  se  houve  por  lavrado  apenas  com  base  em  indícios,  suposições  ou  presunções.  A  fiscalização  demonstrou,  mediante  minucioso  procedimento  investigativo,  em  conjunto  com  a  Policia  Federal,  e  sob  os  olhares  da  Justiça  Federal, a ocorrência material dos fatos jurígenos tributários que integram o vertente  lançamento,  não  logrando  o  Recorrente  produzir  os  meios  de  prova  hábeis  a  desconstituí­lo.  Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária.  A  fraude  se  manifesta  na  volitiva  e  consciente  utilização  de  empresas  “noteiras”, que realizavam em seu nome e sob sua responsabilidade tributária, sob o  falso  manto  de  legalidade,  e  mediante  uma  taxa  proporcional  à  operação  dissimulada,  as  operações  de  terceiros  de  compra  e  venda  de  produção  rural,  e  movimentavam  em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  impedir, total ou parcialmente, na seara da responsabilidade dos titulares de fato das  Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.228          75 citadas  operações  comerciais  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  tributo  devido  ou  a  evitar  o  seu  pagamento.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   A  fraude  tributária  se  consuma,  portanto,  com  o  emprego  de  ardis  e  estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto  devido, a evitar ou diferir o seu pagamento.   Fossem  tais  operações  formalmente  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta  teria que arcar com  os  encargos  previdenciários  incidentes  sobre  a  comercialização  da  produção  rural.  De outro canto, sendo tais operações registradas sob a responsabilidade tributária de  empresas  noteiras,  as  quais  foram  constituídas  como  sociedades  por  cotas  de  responsabilidade limitada, com capital  social  irrisório, e cujos sócios nenhum bem  possuíam  em  seus  nomes,  a  execução  fiscal  do  crédito  correspondente  mostra­se  improfícua,  como  por  diversas  vezes  assim  se  mostrou,  resultando  em  flagrante  prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por  inúmeras vezes,  realizar o  seu crédito tributário.  Reforça  a  compreensão  acerca  da  existência  de  fraude  o  fato  de  a  empresa  “noteira”  cobrar  uma  taxa  pela  emissão  da  nota  fiscal  “fria”,  proporcional  à  operação  dissimulada,  e  ser  constituída  sob  a  forma  de  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada,  mediante  a  utilização  de  sócio  “laranja”  com  participação  ínfima  no  capital  social,  o  qual,  por  sua  vez,  também  se  revelava  irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e que tais sócios não  possuíam  qualquer  bem  patrimonial  em  seus  nomes,  de  maneira  que  qualquer  execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de  patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado.  A  fraude  se  encontra  presente,  igualmente,  no  ato  de  criação  de  Pessoas  Jurídicas  fictícias,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  objetivando  ocultar  dos  olhares do Fisco as pessoas efetivamente responsáveis pelas operações empresariais  realizadas  pelo  empreendimento  fraudulento  ora  em  tela,  frustrando,  assim,  o  adimplemento das Contribuições Previdenciárias devidas à Seguridade Social.  Tal  conduta  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  movimentavam  em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  eximir os titulares de fato do pagamento de tributos.  Mediante  tais  condutas,  a  Autuada  e  seus  verdadeiros  donos  ardilosamente  omitiram  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  da  contabilidade  e  das  GFIP  de  sua  responsabilidade  tributária,  ao  mesmo  tempo  em  que  promoveram  prejuízo patrimonial ao erário, que não conseguiu realizar o seu crédito.  Nestes  casos,  apenas  mediante  a  deflagração  de  procedimento  formal  de  investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram  condições a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da  Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.229          76 ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  de  apurar  a  sua  matéria tributável.  A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das  empresas noteiras para assumir, aparentemente, a titularidade e responsabilidade das  suas  operações  de  comercialização  de  produção  rural,  e  ao  atribuir  às  empresas  interpostas, constituídas em nome de “laranjas”, a responsabilidade pelas operações  atávicas  à  sua  atividade  empresarial,  a  Autuada  não  efetuou  qualquer  declaração  desses  Fatos  Jurígenos  Tributários  nos  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  tampouco  em  suas  GFIP,  excluindo  dessarte  da  Administração  Fazendária  o  conhecimento  a  respeito  da  ocorrência  desses  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.   Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.   Assim, estando as empresas “noteiras” e os seus “clientes”, dentre as quais, a  Autuada,  assim  como  as  interpostas  Pessoas  Jurídicas,  mancomunadas  no  fim  específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada  também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64.  Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os  elementos  objetivos  e  subjetivos  qualificadores  da  fraude,  da  sonegação  e  do  conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.   Mas não é só. Há mais !!!  O  caso  em  tela  também é  representativo  de  simulação. Aqui,  o  ato  jurídico  real  é  deliberadamente  dissimulado,  recebendo  a  maquiagem  de  um  ato  aparente  legal,  a  fim  de  representar  externamente  perante  terceiros,  in  casu,  o  Fisco,  uma  outra  realidade  que  não  aquela  pretendida  volitivamente  pelo  Praticante  do  ato  simulado, e que enseje para este algum resultado econômico favorável.   Na  definição  de  Clóvis  Beviláqua,  citado  por  Silvio  Rodrigues  (in Direito  Civil  ­  Parte  Geral,  vol.  1,  15ª  edição,  São  Paulo  :  Saraiva,  1985,  p.  218),  “a  simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso  do ostensivamente indicado”. Segundo Orlando Gomes (in Introdução ao Estudo do  Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.230          77 Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro : Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando  "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a  vontade declarada, com o fim de enganar terceiros".   A  simulação,  em  resumo,  consubstancia­se  numa  deformação  voluntária  do  ato  jurídico com o  intuito de fugir à disciplina normal prevista em  lei,  consistente  num  desacordo  intencional  entre  a  vontade  interna  das  partes,  efetivamente  pretendida, e a formalmente declarada no ato simulado.  O ato jurídico simulado ostenta formalmente uma aparência diversa do efetivo  querer  das  partes,  pois  simulam  pretender  um  efeito  jurídico  que  as  partes,  na  realidade, não intencionam nem desejam.   A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico,  considera  serem simulados  e passíveis de desconsideração pelo Fisco os  atos  e os  negócios jurídicos praticados pelas partes com a intenção de enganar, ocultar, iludir,  dificultar ou até mesmo tornar impossível a atuação fiscal.  A  simulação,  portanto,  traduz­se  pela  falta  de  correspondência  entre  o  ato  praticado e o formalizado, encerrando uma declaração enganosa visando a produzir  efeito diverso do fato ocorrido.  No  caso  presente,  a  empresa  “noteira”  emitia,  em  seu  nome,  notas  fiscais  “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade,  encobrindo dissimuladamente os reais titulares da operação mercantil realizada, com  o  sinistro  intuito  de  excluir  destes  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  das  contribuições previdenciárias decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um  prejuízo  patrimonial  correspondente  às  contribuições  devidas,  eis  que  o  esquema  fraudulento  houve­se  por  idealizado  e  concebido  com  a  constituição  de  empresas  noteiras  sob  a  forma  de  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada,  com  capital social  irrisório, e com nenhum bem em nome dos sócios, circunstância que  implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido.   O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira  assumir em seu nome e responsabilidade a titularidade das operações de terceiros e  estes  terceiros,  além  de  pagarem  uma  taxa  pela  emissão  das  notas  “frias”  proporcional à operação dissimulada, também não registrarem tais operações em sua  contabilidade, tampouco em suas GFIP.  A  simulação  também  está  presente  na  criação  de  Pessoas  Jurídicas  constituídas em nome de “laranjas”, pessoas que não ostentavam qualquer relação  com  a  atividade  desenvolvida  pela  empresa,  tampouco  possuíam  conhecimento  técnico para tanto, sendo certo que tais empresas interpostas existiam, tão somente,  no  papel,  uma  vez  que  as  operações  supostamente  por  elas  praticadas  eram  realizadas, de fato, pelos verdadeiros donos da Autuada e de todo o empreendimento  fraudulento.  Às  empresas  interpostas  era  atribuída,  tão  apenas,  a  responsabilidade  tributária  pelos  atos  jurídicos  praticados  em  seu  nome,  por  terceiras  pessoas,  no  interesse exclusivo destas.  Tais  empresas  interpostas  nada  mais  eram  do  que  meras  marionetes,  sem  animus  próprio  e  sem  existência  de  fato,  controladas  exclusivamente  pelas  mãos  habilidosas dos verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste Ltda, que dirigiam todas  as operações por elas simuladamente realizadas, administravam o empreendimento,  assalariavam  os  trabalhadores  envolvidos  nas  atividades  empresariais  do  “Núcleo  Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.231          78 Ouroeste”,  e  auferiam  os  lucros  provenientes  do  esquema  fraudulento  ora  desfraldado.  Nesse contexto, sendo na realidade nua dos fatos o Frigorífico Ouroeste Ltda  a pessoa que efetivamente tinha relação direta e pessoal com a situação constitutiva  do fato gerador ora em apreciação, ele se configura como o Contribuinte da relação  Jurídico­tributária ora em debate.  3.2.  DA  PENALIDADE  PECUNIÁRIA  PELO  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO  DE OFÍCIO.  Malgrado  não  haja  sido  suscitada  pelo Recorrente,  a  condição  intrínseca  de  matéria de  ordem pública nos  autoriza  a  examinar,  ex  officio,  a  questão  relativa à  penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser  aplicada mediante lançamento de ofício.   Para  fincar os alicerces  sobre os quais será erigida a opinio juris que ora  se  escultura, atine­se que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão  de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica.  JULIET:  ”Tis but thy name that is my enemy;  Thou art thyself, though not a Montague.  What's Montague? it is nor hand, nor foot,  Nor arm, nor face, nor any other part  Belonging to a man. O, be some other name!  What's in a name? that which we call a rose  By any other name would smell as sweet;  So Romeo would, were he not Romeo call'd,  Retain that dear perfection which he owes  Without that title. Romeo, doff thy name,  And for that name which is no part of thee  Take all myself”.  William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600.  O  caso  ora  em  apreciação  trata  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício.  Urge,  de  plano,  ser  destacado  que  no  Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus  regit  actum,  conforme  expressamente  estatuído  pelo  art.  144  do  CTN,  de  modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do  fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada.  Código Tributário Nacional   Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.232          79 Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.  Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do  fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se  desconstituir o crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado pela  superveniência de  lei  nova, nas  estritas hipóteses  em que o  ato  jurídico  tributário,  ainda não definitivamente julgado, deixar de  ser definido como  infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação  ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de  pagamento de  tributo, ou ainda, quando a novel  legislação  lhe cominar penalidade  menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  O  regramento  legislativo  relativo  à  aplicação  de  aplicação  de  penalidade  pecuniária  em  decorrência  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal,  vigente  à  data  inicial  do  período  de  apuração  em  realce,  encontrava­se  sujeito  ao  regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei  nº 9.876/99.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  II­  Para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.233          80 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876/99).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um  acréscimo  de  vinte  por  cento  sobre  a multa  de mora  a  que  se  refere o caput e seus incisos.   §2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.   §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor  de  parcelamento  ou  do  reparcelamento  somente  poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo a que se refere o §1º deste artigo.   §4º  Na  hipótese  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta  por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).  No  caso  vertente,  o  lançamento  tributário  sobre  o  qual  nos  debruçamos  promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício  consubstanciado  em  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  referente  a  fatos  geradores ocorridos nas competências de maio/2005 a fevereiro/2007.  Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.234          81 Nessa perspectiva, tratando­se de lançamento de ofício formalizado mediante  Auto de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária  decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada,  no  período  anterior  à  vigência  da MP  nº  449/2008,  de  acordo  com  o  critério  de  cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência  de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se  paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o  décimo quinto  dia  da  ciência da decisão  do Conselho  de Recursos  da Previdência  Social ­ CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.  Por outro viés, em se  tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias não  incluídas  em  lançamentos Fiscais de ofício,  ou  seja,  quando o  recolhimento  não  for  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  há  que  ser  dimensionalizado,  no  horizonte  temporal  em  relevo,  em  conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo  legal  acima  mencionado,  que  estatui  multa,  aqui  também  denominada  “multa  de  mora”,  variando  de  oito  por  cento,  se  paga  dentro  do  mês  de  vencimento  da  obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento  da exação.  Tal  discrimen  encontra­se  tão  claramente  consignado  na  legislação  previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN –  ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a  cada hipótese de incidência:  IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91   ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91.  Traduzindo­se do “computês” para o “juridiquês”, tratando­se de lançamento  de  ofício,  incide  o  regime  jurídico  consignado  no  inciso  II  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91.  Ao  revés,  nas  demais  situações,  tal  como  na  hipótese  de  recolhimento  espontâneo  de  contribuições  previdenciárias  em  atraso,  aplica­se  o  regramento  assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal.  Com  efeito,  as  normas  jurídicas  que  disciplinavam  a  cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições previdenciárias  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  Tais  modificações  legislativas  resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no  caso  do  recolhimento  espontâneo  a  destempo pelo Obrigado,  porém, mais  severas  para  o  sujeito  passivo,  no  caso  de  lançamento  de  ofício,  do  que  aquelas  então  derrogadas.   Nesse  panorama,  a  supracitada  Medida  Provisória,  ratificada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  revogou  o  art.  34  e  deu  nova  redação  ao  art.  35,  ambos  da  Lei  nº  8.212/91,  estatuindo  que  os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº  8.212/91,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora  nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Mas  não  parou  por  aí. Na  sequência  da  lapidação  legislativa,  a mencionada  Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de  Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.235          82 Custeio  da  Seguridade  Social  o  art.  35­A  que  fixou,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à  razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora  e  juros de mora, nos  termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de  dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.236          83 IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  V  ­  (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488/2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.   Como  visto,  o  regramento  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  a  ser  aplicada  nos  casos  de  recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de  lançamento de ofício  de  contribuições  previdenciárias  que,  antes  da metamorfose  legislativa  promovida  pela MP nº 449/2008, encontravam­se acomodados em um mesmo dispositivo legal,  cite­se, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontram­se  Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.237          84 dispostos  em  separado,  diga­se,  nos  artigos  61  e  44  da  Lei  nº  9.430/96,  respectivamente,  por  força  dos  preceitos  inscritos  nos  art.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  Nesse  novo  regime  legislativo,  a  instrução  de  seletividade  invocada  anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando:  IF lançamento de ofício THEN art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009.   ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.   Diante  de  tal  cenário,  a  contar  da  vigência  da MP  nº  449/2008,  a  parcela  referente  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de  acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído  pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de  penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de  “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de  27 de dezembro de 1996.   Por outro viés, em se  tratando de recolhimento a destempo de contribuições  previdenciárias  não  resultante  de  lançamento  de  ofício,  o  montante  relativo  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas  no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  que  estatui  multa,  aqui  também  denominada  “multa  de  mora”,  calculada  de  acordo  com  o  disposto  no  art.  61  da Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996.  Não  demanda  áurea  mestria  perceber  que  o  nomem  iuris  consignado  na  legislação  previdenciária  para  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício,  que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica  de  “multa  de  mora”,  art.  35,  II  da  Lei  nº  8.212/91,  no  âmbito  do  Ministério  da  Fazenda houve­se por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art.  44  da  Lei  no  9.430/96  c.c.  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  MP  nº  449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as  suas  naturezas  jurídicas  são  idênticas:  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício.  No  que  pertine  à  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  não  incluída  em  lançamento  de  ofício,  o  título  designativo  adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”.  Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime  jurídico  instaurado  pela  MP  nº  449/2008,  e  convertido  na  Lei  nº  11.941/2009,  instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal  formalizada  mediante  lançamento  de  ofício  (75%)  do  que  o  regramento  anterior  previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99  (de 24% a 50%), não havendo que se  falar, portanto, de hipótese de incidência da  retroatividade  benigna  prevista  no  art.  106,  II,  ‘c’  do  CTN,  durante  a  fase  do  contencioso administrativo.  Código Tributário Nacional   Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.238          85 Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria,  o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências  anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º  do  art.  61  da Lei  nº  9.430/96,  por  entender  tratar­se  de  hipótese  de  retroatividade  benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN.  No  caso,  considerou  o  preclaro Relator  que  a  comparação  das  normas  deve  ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora  (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35­A da Lei nº 8.212/91), por  considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP  449/2008.  Sendo  assim,  a multa  de mora  aplicada  em  face  dos  autos  de  infração  relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de  20%  até  novembro/2008,  permanecendo  o  percentual  de  75%  a  partir  de  dezembro/2008.  Se  nos  antolha  não  proceder  o  argumento  de  que  a  penalidade  referente  à  multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008.  Conforme  acima  demonstrado,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício,  antes do advento da MP nº 449/2008, encontrava­se disciplinada no inciso II do art.  35  da  Lei  nº  8.212/91.  De  outro  eito,  após  o  advento  da  MP  nº  449/2008,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art.  35­A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008.  Ocorre  que  ao  efetuar  o  cotejo  de  “multa  de  mora”  (art.  35,  II,  da  Lei  nº  8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35  da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveu­se data  venia  a  comparação  de  nomem  iuris  com nomem  iuris  (multa  de mora)  e  não  de  institutos  de  mesma  natureza  jurídica  (penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício).  De  tal  equívoco,  no  entendimento  deste  Subscritor,  resultou  no  voto  de  relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda  (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para  uma  infração  tributária  mais  severa  (descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com  a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades  aplicáveis  a  infrações  tributárias  de  idêntica  natureza  jurídica,  in  casu,  penalidade  Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.239          86 pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada  mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves,  1967).   Reitere­se que não  se presta o preceito  inscrito no  art.  106,  II,  ‘c’, do CTN  para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração  mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em  lei,  especificamente,  castigo  mais  hostil,  só  pelo  fato  de  possuir  a  mesma  denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas.  Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a  redação dada pela MP nº 449/2008 c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para  punir  o  descumprimento  de  obrigação  principal  não  formalizada  mediante  lançamento de ofício.  Nos  casos  de  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício,  tanto  a  legislação  revogada  (art.  35,  II,  da Lei  nº  8.212/91,  com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35­ A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96)  preveem  uma  penalidade  pecuniária  específica,  a  qual  deve  ser  aplicada  em  detrimento  da  regra  geral,  em  atenção  ao  princípio  jurídico  lex  specialis  derogat  generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas.  Nessa  perspectiva,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  o  cotejamento  de  normas  tributárias  para  fins  específicos  de  incidência  da  retroatividade  benigna  prevista  no  art.  106,  II,  ‘c’  do CTN  somente  pode  ser  efetivado,  exclusivamente,  entre  a  norma  assentada  no  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  MP  nº  449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei  nº  8.212/91,  com a  redação  dada  pela Lei  nº  9.876/99,  uma  vez  que  estas  tratam,  especificamente,  de  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades  de idêntica natureza jurídica.  Nesse  contexto,  vencidos  tais  prolegômenos,  tratando­se  o  vertente  caso  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias,  o  atraso  objetivo  no  recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber:  a)  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  nº  449/2008:  De  acordo  com  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  circunstância que  implica  a  incidência  de multa  de mora  nos  termos  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  na  razão  variável  de  24%  a  50%,  enquanto  não  inscrito  em  dívida ativa.  b)  Tratando­se  de  fatos  geradores  ocorridos  após  a  vigência  da  MP  nº  449/2008:  De  acordo  com  a  MP  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35­A na Lei de Custeio da  Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício  de 75%.  Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela  que a multa de mora aplicada nos  termos do art. 35,  II da Lei nº 8.212/91, com a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  sempre  se  mostrará  menos  gravoso  ao  contribuinte  do  que  a  multa  de  ofício  prevista  no  art.  35­A  do  mesmo  Diploma  Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade  Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.240          87 da Lei  nº  11.941/2009,  uma  vez  que  a  penalidade  por  ela  imposta  se  revela mais  ofensiva ao infrator.  Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008,  inclusive,  o  cálculo  da  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  efetuado  com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91,  com a redação dada pela lei nº 9.876/99.  Na mesma hipótese  especifica,  para os  fatos geradores ocorridos  a partir  da  competência  dezembro/2008,  inclusive,  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício  deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, com  a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.  O  raciocínio  acima  delineado  é  válido  enquanto  não  for  ajuizada  a  correspondente  ação  de  execução  fiscal.  Como  se  depreende  do  art.  35  da Lei  n°  8.212/91,  na  redação  da Lei  nº  9.876/99,  o  valor  da multa  de mora  decorrente  de  lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual  em  que  se  encontre  o  Processo  Administrativo  Fiscal  de  constituição  do  crédito  tributário.   De  fato,  encerrado  o  Processo  Administrativo  Fiscal  e  restando  definitivamente  constituído,  no  âmbito  administrativo,  o  crédito  tributário,  não  sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal  crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial.  Ocorre  que,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a multa  pelo  atraso  no  recolhimento de obrigação principal  é majorada para 80% ou 100%,  circunstância  que  torna  a multa de  ofício  (75%) menos  ferina,  operando­se,  a  partir  de  então,  a  retroatividade  da  lei  mais  benéfica  ao  infrator,  desde  que  não  tenha  havido  sonegação, fraude ou conluio.   Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores  a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito  insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo  mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento  de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP  n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa  poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de  execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em  que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio.  Da  conjugação  das  normas  tributárias  acima  revisitadas  conclui­se  que,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias,  a  penalidade  pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo  com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se  vos segue:  a)  Para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro/2008,  inclusive:  A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela Lei  nº  9.876/99,  observado  o  limite  máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação,  Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 16004.000342/2009­76  Acórdão n.º 2401­004.164  S2­C4T1  Fl. 1.241          88 fraude  ou  conluio,  em  atenção  à  retroatividade  da  lei  tributária  mais  benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN.  b)  Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A  penalidade  pecuniária  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  principal  formalizada mediante  lançamento  de  ofício  deve  ser  calculada  de acordo com o critério fixado no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, incluído  pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.  No  caso  dos  autos,  considerando  que  o  horizonte  temporal  do  lançamento  compreende  o  período  de  apuração  de  01/05/2005  a  28/02/2007,  e  considerando  haver  sido verificada  a presença dos elementos  objetivos  e  subjetivos de condutas  que,  em  tese,  qualificam­se  como  fraude,  sonegação  e  conluio,  tipificadas  nos  artigos  71,  72  e  73  da Lei  nº  4.502/64,  respectivamente,  resulta  que  a  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  formalizada  mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35,  II,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  em  atenção  ao  princípio tempus regit actum.  4.  CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  recurso  voluntário  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  para  que  o  regramento  a  ser  dispensado  à  aplicação  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício  obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, in casu, art. 35, II, da Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  9.876/99,  em  atenção  ao  princípio  tempus regit actum.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho (voto de Arlindo da Costa e Silva)                Declaração de Voto  Embora o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato tenha manifestado interesse  em  apresentar  declaração  de  voto,  a minuta  de  acórdão  inserida  pelo Relator  no  repositório  oficial do CARF não a contempla, sendo que o prazo para envio pelo declarante é de quinze  dias a partir da data do julgamento.   Fl. 1241DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.720657/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2009, 01/11/2009, 01/02/2010, 01/08/2010, 01/11/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constata a existência da omissão verificada no acórdão embargado, é de rigor o acolhimento dos embargos de declaração para a correção da falha.
Numero da decisão: 2201-005.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados pelo contribuinte, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201-003.723, de 04 de julho de 2017, reescrevendo sua ementa nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

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OMISSÃO. Constata a existência da omissão verificada no acórdão embargado, é de rigor o acolhimento dos embargos de declaração para a correção da falha. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados pelo contribuinte, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201-003.723, de 04 de julho de 2017, reescrevendo sua ementa nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de Embargos de Declaração de fls. 1747/1759 opostos pelo Contribuinte BV FINANCEIRA SA CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO em razão de omissão existente no Acórdão nº 2201-003.723 (fls. 1382/1418), de 04 de julho de 2017, o qual deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, com a seguinte ementa e decisão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/08/2009, 01/11/2009, 01/02/2010, 01/08/2010, 01/11/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 57 /2 01 4- 58 Fl. 1826DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atraí a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS EM VALORES NÃO EQUÂNIMES. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei nº 10.101/2000, impedimento para que se estabeleçam metas e critérios diferenciados entre os empregados, nem necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para possibilitar a isenção da verba. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.” Referido acórdão foi complementado pelo acórdão de fls. 1435/1443, oportunidade em que o Redator designado (acompanhado pela unanimidade da Turma) acolheu os embargos opostos naquela ocasião pela DEINF/SPO para sanar omissão constante do Acórdão 2201-003.723 e alterar seu dispositivo para: “dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que se excluam do lançamento os valores pagos a título de PLR com base nas disposições das Convenções Coletivas de Trabalho dos anos de 2009 e 2010”. Posteriormente, o contribuinte opôs os embargos de declaração alegando a existência de omissões no julgado quanto à análise dos seguintes argumentos trazidos em seu recurso voluntário: a) omissões na ementa e no decisum quanto à: (i) data de formalização dos ACT; (ii) possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CCT; e (iii) ausência de prejuízo à natureza de PLR pela mera discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados; b) omissão no Voto Vencedor quanto à análise da existência de regras claras e objetivas; c) omissão no Voto Vencedor, quanto à análise do argumento relativo ao reconhecimento da higidez da PLR paga pela Embargante pelo CARF; e d) omissão, no Voto Vencedor, quanto à apreciação do descabimento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Quando da análise de admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 1816/1824), após constatar a sua tempestividade, o Presidente desta Colenda 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF os admitiu parcialmente, apenas para Fl. 1827DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 saneamento de omissão constante na ementa do acórdão “quanto à possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CC (Concomitância de planos)”, e determinou a apreciação dos autos por este Conselheiro, Relator originário do caso, para inclusão em pauta de julgamento, tendo em vista que o Conselheiro Redator do acórdão não mais compõe esta Turma julgadora. Neste ponto, considerando a clareza e didática do despacho de admissibilidade dos embargos, passo a adotar seus trechos no presente relatório, na forma abaixo: “- Das omissões na ementa e no decisum quanto à: (i) data de formalização dos ACT; (ii) possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CCT; e (iii) ausência de prejuízo à natureza de PLR pela mera discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados;; Entende o Embargante que não consta na ementa " informação de que os membros do Colegiado deram provimento ao Recurso Voluntário quanto à (i) data de formalização dos ACT; e (ii) possibilidade de pagamento de PLR com base em ACT e CCT". Além disso, defende que restou omisso o decisum devido à ausência da " informação de que os membros do Colegiado deram provimento ao Recurso Voluntário quanto à (i) data de formalização dos ACT; e (ii) possibilidade de discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados". Reproduz os trechos do Voto Vencedor os quais interpreta pertinentes ao ponto (fls. 1.752/1.753). Requer o conhecimento e acolhimento dos aclaratórios "para que se registre, expressamente, tanto na ementa, como no decisum do v. Acórdão Embargado, o provimento do Recurso Voluntário" em relação as matérias apresentadas neste tópico, "mormente para fins de liquidação do referido julgado, quando o encerramento da lide administrativa". - Da omissão no decisum O decisum, ou conclusão, é um dos elementos estruturais do acórdão, conforme Manual de elaboração de atos administrativos do CARF. Ele contém o preceito concreto e imperativo da decisão (em dar provimento, em negar provimento, em dar provimento parcial, não conhecer do recurso, anular o processo etc), com informações sobre o qualitativo da votação (unânime ou majoritária - maioria de votos ou voto de qualidade). Ademais, pode agregar registro sucinto a respeito de alguma divergência. A conclusão deve ser sintética cabendo ao dispositivo do voto, no caso o vencedor, abarcar os assuntos tidos por omissos pelo Embargante, e isto foi feito para a questões levantadas: i) data de formalização dos ACT (ajuste prévio), fls. 1.415; ii) possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CCT (Concomitância de planos), fls. ; e iii) ausência de prejuízo à natureza de PLR pela mera discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados (Discrepância de valores pagos a título de PLR), fls 1.418; Assim, em relação as apontadas omissões no decisum, não se verificou na decisão embargada silêncio sobre a matéria suscitada nos aclaratórios. Ao contrário do alegado pela embargante, foram inseridas nos locais adequados do Acórdão, ou seja, nos respectivos dispositivos do voto. Logo, não prospera a alegada omissão. -Da omissão na ementa Verifica-se que o Redator designado para fins de elaboração da ementa adotou - dada o aspecto restritivo da interpretação das isenções - como critério pontos de fato e direto que interessam e os que não interessam para aplicação dos requisitos da Lei n° 10.101/2000. Fl. 1828DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 Assim, entendeu o Redator do Voto vencedor que interessam à Lei n° 10.101/2000 os seguintes pontos (fls. 1.414/ 1.416) por serem requisitos desta: Falta de ajuste prévio. (...) Quanto ao ponto, não se pode concordar com a posição adotada pelo Agente Fiscal. Não há determinação na Lei 10.101/00 sobre quão prévio deve ser o ajuste e principalmente, prévio a quê. (...) Ressalto que não há na Lei da PLR nenhuma determinação que tal ajuste deva ser realizado no ano anterior àquele em que se vai buscar as metas pactuadas, posto que tal exigência, por óbvio inimaginável em empresas dinâmicas e de atividades complexas, não consta da Lei n° 10.101/00, nem permite tal inferência ao intérprete em norma de caráter isentivo, onde, bem se sabe, é vedada a interpretação analógica. Questiono, em que norma garantidora de direito social se encontra uma disposição literal, ou interpretação com o mínimo de razoabilidade, de que um ajuste prévio é aquele realizado no ano anterior? (...) Nesse sentido, entendo cumpridos os ditames da Lei n° 10.101/00 quanto à existência de ajuste prévio. A ausência de regras claras e objetivas. Segundo a imputação fiscal, dos programas celebrados nos anos de 2008 a 2010, não constavam regras claras e objetivas, posto que as metas estabelecidas eram complexas e voltadas a própria gestão da empresa, o que, segundo a Fiscalização, ofende a Lei da PLR que determina que o programa deva ser um instrumento de integração entre capital e trabalho. (...) Patente que as metas constantes dos acordos coletivos analisados são subjetivas (fls. 662), e, portanto, contrariam a Lei da PLR. (Sublinhou-se) E para estes temas reservou o seguinte trecho da ementa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atraí a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR (Sublinhou-se) Também, manifestou-se, fls 1.416/1.418, o Redator do Voto vencedor para a matéria a qual entendeu não interessar para fins de aplicação da Lei n° 10.101/2000: Concomitância de planos Fl. 1829DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 Por fim, mister considerarmos a ausência de vedação na Lei n° 10.101/00 sobre a existência de planos simultâneos que versem sobre o pagamento de valores a título de participação nos lucros ou resultados, como quer fazer crer a Fiscalização. (...) Não há nenhum disposição na Lei sobre tal questão. Ao reverso, o que se pode inferir, com segurança, é o incentivo do legislador para que as partes negociem e firmem ajustes que resultem na participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresas, posto que assim desejou o Constituinte, ao erigir a PLR ao nível de direito dos trabalhadores, direito social, portanto. (Grifos do Original) Discrepância de valores pagos a título de PLR (...) Perquirindo a Lei n° 10.101, de 2000, não verifico tal exigência de pagamento igual a todos os trabalhadores, aliás, nem há exigência de que a PLR seja paga a todos os trabalhadores da empresa. Cabe às partes, seja por meio da comissão paritária, seja por meio do contrato coletivo de trabalho, definir para quem, quanto e como será pago os valores a título de PLR. (Sublinhou-se) Ocorre que para estes pontos somente reservou trecho da ementa para tratar da "Discrepância de valores pagos a título de PLR", vide abaixo (fls. 1.382). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS EM VALORES NÃO EQUÂNIMES. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei n° 10.101/2000, impedimento para que se estabeleçam metas e critérios diferenciados entre os empregados, nem necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para possibilitar a isenção da verba. (Sublinhou-se) Em análise na lógica de elaboração da ementa (a qual representa síntese da fundamentação das decisões tomadas) adotada pelo Redator designado, verifica-se que silenciou sobre o ponto relativo "à possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CC (Concomitância de planos)". Destarte, procede parcialmente a alegação de omissão no tange à ementa. - Da omissão no Voto Vencedor quanto à análise da existência de regras claras e objetivas; Menciona o Embargante que o Voto vencedor negou provimento ao Recurso Voluntário "sob o fundamento de que a Avaliação de Desempenho constante do ACT seria composta por parâmetros subjetivos", cita trecho da decisão de fls. 1.416. Alega que o Conselheiro Redator "se pautou, exclusivamente, na afirmação feita pela D. Autoridade Fiscal em tal sentido, mas olvidou de analisar as provas carreadas aos autos que demonstram a clareza e objetividade das regras"(negritou-se). Reafirma que as regras dos ACTs foram claras e objetivas, a análise das "cópia dos ACT, bem como exemplos de cálculo da PLR autuada (vide Docs. 03 e 06 do Recurso Voluntário)" corrobora a afirmação. Reproduz trecho do Anexo III dos ACT o qual considera detalhar "minuciosamente, como ocorrerá a Avaliação de Desempenho". Transcreve passagem da análise do Anexo III, feita no Voto Vencido que deu "provimento ao Fl. 1830DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 Recurso Voluntário quanto à existência de regras claras e objetivas nos ACT". A título de exemplo apresenta a avaliação da funcionária feita por seus superiores hierárquicos com seu respectivo cálculo. Reclama, também "que a fórmula final que determina o valor da PLR a ser distribuída aos empregados da Recorrente é composta por diversos fatores, não sendo razoável a alegação segundo a qual um único destes componentes seria suficiente para macular todo o Programa de PLR da empresa". Requer, pelo fato de crer existir regras claras e objetivas nos ACTs, que o Colegiado "analise as provas juntadas pela Embargante, inclusive a cópia dos ACT em tela". Ou seja, a mácula reside na alegação do embargante de omissão do Colegiado diante de fatos que trouxe em seu Recurso Voluntário, os quais caso fossem enfrentados demonstrariam haver regras claras e objetivas nos ACTs. Todavia, não prospera tal alegação, o Redator designado tratou da matéria no trecho abaixo transcrito (fls. 1.415/1.416): (...) Após contextualização teórica onde definiu clareza e objetividade, fica evidente que o Conselheiro para sua fundamentação acerca da matéria enfrentou os fatos analisando o citado Anexo III e os documentos de "Avaliação de Desempenho", inclusive faz menção expressa a aquele no dispositivo de sua decisão quando cita a fl. 662. Reproduziu excerto do relatório fiscal (e tal segmento da imputação fiscal está inserido no contexto de análise do indigitado Anexo III e documentos da "Avaliação de desempenho", fls. 668 e ss) por esta corroborar sua análise que o conduziu a concluir pela subjetividade das metas. Destarte, não restou demonstrado o vício apontado pela Embargante, mas sim a intenção de rediscutir os próprios fundamentos do Acórdão embargado, o que é incabível em sede de Embargos de Declaração. Com efeito, este ponto trazido nos aclaratórios constitui, na verdade, contrariedade da Contribuinte em relação à decisão embargada e não omissões. - Da omissão no Voto Vencedor, quanto à análise do argumento relativo ao reconhecimento da higidez da PLR paga pela Embargante pelo CARF; e Aduz o Embargante que o CARF, "em diversas oportunidades, reconheceu a higidez da PLR paga pela Embargante", porém o Voto vencedor não apreciou o tema. Cita como precedentes os Acórdãos nº 2401-01.902, de 08/07/2011, e nº 2301-003.755, de 15/10/2013. Não prospera tal alegação de omissão, pois a higidez da PLR foi enfrentada em todos seus aspectos tidos por controversos para fins do gozo da isenção previdenciária (Falta de ajuste prévio, A ausência de regras claras e objetivas, Concomitância de planos e Discrepância de valores pagos a título de PLR). Frisa-se que, como se trata de via estreita dos embargos, tal inconformismo de mérito não encontra guarida, a não ser na via do recurso especial, se também atendidos os seus pressupostos. Assim, não há necessidade de que o Acórdão seja exaustivo respondendo a todo tipo de questionamento. Isso porque o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pedidos e argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão, como foi o caso. - Da omissão, no Voto Vencedor, quanto à apreciação do descabimento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Menciona o Embargante que o Voto vencedor não se pronunciou "sobre o descabimento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, o que apenas fora apreciado pelo I. Conselheiro Relator"(negritou-se), o qual restou vencido em todas as matérias. Fl. 1831DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 No Voto do Vencido (fls. 1.394/1.408) o Relator, em resumo, apresentou considerações acerca das "Contribuições Previdenciárias sobre PLR" e expôs os fundamentos do seu voto em relação ao caso concreto, são eles: "Acordo prévio ao pagamento da PLR. Exigência", "Previsão de pagamento de PLR em valores fixos", "Possibilidade de adoção de planos de PLR distintos", "PLR. Possibilidade de pagamento de valores não equânimes", "Regras claras" e " Juros sobre multa de ofício". O Voto vencedor inicia nos termos abaixo ( fls. 1.409): (...) Do trecho acima pode-se extrair as seguintes informações: (i) houve divergência na Turma (e esta por maioria seguiu o voto do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira), (ii) a divergência gravitou em torno das determinações da Lei n° 10.101/2000 e (iii) que o conselheiro analisou pontualmente as alegações recursais. Diante disto, é possível concluir que o Colegiado julgou não haver divergência sobre os fundamentos do voto do Relator originário acerca dos " Juros sobre multa de ofício", ou seja, são pertinentes ao Acórdão. Ademais, importa destacar que a matéria em apreço - a qual à época da decisão já era assunto de robusta jurisprudência no CARF - foi objeto da Súmula CARF n° 108, e estas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF). Assim, sem razão o embargante, a questão consta nos argumentos recursais (fls. 1.010/1.013) e foi enfrentada no Voto vencido (fls. 1.406/1.408) e não consta dentre as matérias objeto de divergência, apreciadas no Voto vencedor (fls 1.409/1.418). Logo, conclui-se que neste ponto não haver omissão, pois o Colegiado decidiu ser improcedente "as alegações da RECORRENTE acerca da suposta ausência de previsão legal para a cobrança de juros sobre a multa de ofício"(fls. 1.408). Conclusão Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas no que tange ao item: "a. ii" - omissão na ementa quanto à possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CC (Concomitância de planos). Encaminhem-se os presentes Embargos ao Relator originário Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, para inclusão em pauta de julgamento.” É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. Os embargos de declaração são tempestivos. Conforme fundamentos expostos na decisão de admissibilidade de fls. 1816/1824, houve omissão no acórdão embargado pois a ementa deste foi omissa em relação à possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CCT (concomitância de planos). Fl. 1832DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 Além do mencionado ponto, seguindo a mesma lógica interpretativa exposta no despacho de admissibilidade dos embargos, pode-se constatar que a ementa do acórdão também restou omissa em relação ao tema envolvendo o ajuste prévio dos ACT. Sendo assim, a omissão da ementa também deve ser suprida. Quanto aos outros questionamentos apresentados nos embargos (“a) omissões no decisum quanto à: (i) data de formalização dos ACT; (ii) possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CCT; e (iii) ausência de prejuízo à natureza de PLR pela mera discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados; b) omissão no Voto Vencedor quanto à análise da existência de regras claras e objetivas; c) omissão no Voto Vencedor, quanto à análise do argumento relativo ao reconhecimento da higidez da PLR paga pela Embargante pelo CARF; e d) omissão, no Voto Vencedor, quanto à apreciação do descabimento da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício”), reputo como correta a decisão de admissibilidade que apontou a inexistência de omissão no julgado quanto aos mencionados tópicos. Feitos estes esclarecimentos, passamos à análise da questão omissa no acórdão embargado. a.i) omissão na ementa quanto à data de formalização dos ACT (ajuste prévio) Sobre este tema, na qualidade de conselheiro Relator do caso naquela ocasião, proferi voto vencido no sentido de que o ACT 2009 e as CCT de 2009/2010 e 2010/2011 não se encontram em conformidade com a legislação de regência sobre a PLR, pois não foram firmadas previamente. Contudo, o voto vencedor (proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira), seguido pela maioria da Turma, decidiu que “não há determinação na Lei 10.101/00 sobre quão prévio deve ser o ajuste e principalmente, prévio a quê” (fl. 1415). Assim, restou vencedora a tese de que, no caso concreto, foram cumpridos os ditames da Lei nº 10.101/00 quanto à existência de ajuste prévio. Neste sentido, em relação à omissão de tal tema na ementa do acórdão embargado, deve a mesma ser ajustada para a inclusão do seguinte trecho: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE. ANÁLISE DO CASO CONCRETO Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto o ajuste entre as partes deve ser firmado antes do pagamento da primeira parcela da PLR, com a antecedência que demonstre que os trabalhadores tinham ciência dos resultados a serem alcançados e que permita que se infira que o ajuste entre as partes foi construído com a devida discussão e busca dos interesses comuns que culminaram no acordo coletivo firmado. a.ii) omissão na ementa quanto à possibilidade de pagamento de PLR com base no ACT e CC (concomitância de planos) Fl. 1833DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 Neste ponto, esclareço que o voto vencido por mim proferido foi no sentido de ser “plenamente possível a utilização simultânea de planos previstos em acordos próprios e outros previstos em convenção ou do acordo coletivo” (fl. 1402). O voto vencedor também foi neste mesmo sentido (fls. 1416/1417). Sendo assim, em relação à omissão de tal tema na ementa do acórdão embargado, deve a mesma ser ajustada para a inclusão do seguinte trecho: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei nº 10.101/00, vedação acerca da existência de planos simultâneos que versem sobre o pagamento de valores a título de participação nos lucros ou resultados. Ao determinar que a PLR será firmada por meio de um dos procedimentos previstos, quis o legislador facilitar o ajuste, permitindo que este se desse por meio do instrumento consagrado como meio de negociação entre patrões e trabalhadores, o contrato coletivo de trabalho (convenção ou o acordo coletivo), ou ainda através do mecanismo de ajuste de interesses entre uma comissão paritária integrada também por um representante da categoria sindical (planos mantidos espontaneamente pela empresa). Por óbvio que tal disposição da lei não pode ser interpretada como excludente. CONCLUSÃO Em razão do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para sanar as omissões apontadas pelo contribuinte na ementa do acórdão embargado de nº 2201-003.723, datado de 04/07/2017 (fl. 1382), conforme razões acima, devendo a mesma ser substituída pela seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/08/2009, 01/11/2009, 01/02/2010, 01/08/2010, 01/11/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atraí a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS EM VALORES NÃO EQUÂNIMES. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei nº 10.101/2000, impedimento para que se estabeleçam metas e critérios diferenciados entre os empregados, nem necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para possibilitar a isenção da verba. Fl. 1834DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.161 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720657/2014-58 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR). AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE. ANÁLISE DO CASO CONCRETO Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto o ajuste entre as partes deve ser firmado antes do pagamento da primeira parcela da PLR, com a antecedência que demonstre que os trabalhadores tinham ciência dos resultados a serem alcançados e que permita que se infira que o ajuste entre as partes foi construído com a devida discussão e busca dos interesses comuns que culminaram no acordo coletivo firmado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PAGAMENTOS COM BASE EM MAIS DE UM INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA. POSSIBILIDADE. Não há, na Lei nº 10.101/00, vedação acerca da existência de planos simultâneos que versem sobre o pagamento de valores a título de participação nos lucros ou resultados. Ao determinar que a PLR será firmada por meio de um dos procedimentos previstos, quis o legislador facilitar o ajuste, permitindo que este se desse por meio do instrumento consagrado como meio de negociação entre patrões e trabalhadores, o contrato coletivo de trabalho (convenção ou o acordo coletivo), ou ainda através do mecanismo de ajuste de interesses entre uma comissão paritária integrada também por um representante da categoria sindical (planos mantidos espontaneamente pela empresa). Por óbvio que tal disposição da lei não pode ser interpretada como excludente. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 1835DF CARF MF

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Numero do processo: 10976.000684/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. EMPREGADOS E DIRIGENTES. CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. A qualificação e capacitação profissional não se restringem a cursos oferecidos em nível de educação básica, podendo estender-se a cursos de graduação ou pós-graduação.
Numero da decisão: 9202-007.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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9202­007.675  –  2ª Turma   Sessão de  26 de março de 2019  Matéria  CSP ­ SALÁRIO INDIRETO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  GOOD LIFE SAÚDE S/A    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AUXÍLIO  EDUCAÇÃO.  EMPREGADOS  E  DIRIGENTES.  CURSOS  DE  NÍVEL  SUPERIOR.  ISENÇÃO. POSSIBILIDADE.  A  qualificação  e  capacitação  profissional  não  se  restringem  a  cursos  oferecidos  em  nível  de  educação  básica,  podendo  estender­se  a  cursos  de  graduação ou pós­graduação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencida a  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira  (relatora),  que  lhe  deu  provimento.  Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício  (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Redator Designado  Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva,  Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília  Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 06 84 /2 00 9- 12 Fl. 1173DF CARF MF   2   Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração,  DEBCAD  37.218.487­1,  totalizando  R$  742.193,63  e  consolidado  em  11/11/2009,  referentes  ao  período  de  apuração  de  01/2005  a  12/2005, referente às seguintes contribuições:  ­  Contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição da empresa, de 15% incidente sobre serviços contidos em notas  fiscais,  faturas  e  recibos  de  prestação  de  serviços  de  cooperados  por  intermédio  de  cooperativas  de  trabalho,  não  declarada  em  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e  Informações à  Previdência Social – GFIP – levantamento FP1;  ­  Contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição  da  empresa,  incidente  sobre  valores  pagos  a  segurados  contribuintes  individuais,  não  declarada  em  GFIP,  apuradas  por  meio  da  DIRF – levantamento FP2;  ­  Contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição  da  empresa,  incidente  sobre  valores  pagos  a  segurados  contribuintes  individuais,  não  declarada  em  GFIP,  apuradas  por  meio  da  contabilidade – levantamento FP3;  ­  Contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição  da  empresa,  incidente  sobre  valores  pagos  a  segurado  contribuinte  individual,  não  declarada  em  GFIP,  apuradas  por  meio  da  contabilidade,  referente  ao  pagamento  do  condomínio  e  cursos  de  Sávio  Martins de Castro – levantamento FP4; e  ­  Contribuição  social  destinada  à  seguridade  social  correspondente  à  contribuição  da  empresa,  inclusive  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (GILRAT),  incidente  sobre  valores pagos  a  segurados empregados, não declarada em GFIP, a  título de  “despesas com faculdades” – levantamento FP7.  Ressalte­se que a este processo estão apensados os: 10976.000670/2009­07,  10976.000676/2009­76 e 10976.000677/2009­11.   A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o  crédito tributário.  Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 24/01/2013, foi dado provimento  parcial  ao Recurso Voluntário,  prolatando­se  o Acórdão  nº  2803­002.015  (efls.  1.087/1.097)  com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do(a)  relator(a),  para  que  sejam  excluídos do presente lançamento os valores referentes a despesas com educação.” O acórdão  encontra se assim ementado:  Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10976.000684/2009­12  Acórdão n.º 9202­007.675  CSRF­T2  Fl. 3          3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS    Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005    BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓS­GRADUAÇÃO. BASE  DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE  O  pagamento  de  bolsas  de  estudo  de  graduação  e  pós­graduação  a  todos  os  empregados e dirigentes, enquadra­se na exceção legal prevista na alínea “t”do §  9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição.    CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  A  empresa  é  obriga  a  reter  e  recolher  as  contribuições  devidas  em  razão  dos  pagamentos a segurados contribuintes individuais a seu serviço, ex vi art. 4º da lei  10.666/03.    CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO  A contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas  de  trabalho determina o  recolhimento de quinze por cento sobre o valor bruto da  nota fiscal ou fatura, ex vi art. 22, IV da lei 8.212/91    Recurso Voluntário Provido em Parte    O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  24/07/2013  (fl.  1.108)  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional  interpôs  tempestivamente,  em  03/09/2013,  Recurso  Especial  (efls. 1.109/1.117).   Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação à incidência  de contribuições previdenciárias sobre valores pagos em forma de bolsa de estudos em curso  superior aos empregados, a recorrente defende que tais valores deveriam integrar o salário­de­ contribuição.  Alega  o  previsto  no  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  onde  para  o  segurado  empregado, todos os rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluso os ganhos habituais  sob a forma de utilidades, devem ser entendidos como salário­de­contribuição.  Traz ainda a exceção a compor o salário­de­contribuição, expressa no § 9º, do  mesmo art. 28 da Lei nº 8.212/91:  §  9º  Não  integram  o  salário‑ de‑ contribuição  para  os  fins  desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de  10.12.97)  (...)  t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do  art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao mesmo;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.711, de 1998).”  (Com os grifos do original.)  Fl. 1175DF CARF MF   4 Alega  ainda  que  cursos  de  graduação  e  de  pós­graduação  não  estariam  elencados  no  disposto  no  parágrafo  9º  acima  e  que,  assim,  deveriam  compor  o  salário­de­ contribuição, por se constituírem em ganhos habituais ofertados sob a forma de utilidades.  Finaliza sua argumentação, alegando pela literalidade dos dispositivos legais  que caracterizam os ganhos em tela como integrantes do salário­de­contribuição, citando o art.  195, parágrafo 11 da Constituição Federal, vejamos:    A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a  verba  para  incidência  de  direitos  trabalhistas,  é  fornecida  pela  própria  Constituição  Federal.  Conforme  o  art.  195,  §  11  da  Carta  Magna,  os  ganhos  habituais  do  empregado,  a  qualquer  título,  serão  incorporados  ao  salário  para  efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos  casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é  possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário.    Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª  Câmara,  de  30/11/2016  (efls.  1.150/1.152),  levando­se  em  consideração  como  paradigma  o  Acórdão nº 2302­01.177.  A recorrente, em suas alegações finais, requer que o recurso seja conhecido e  provido, reformando­se o acórdão recorrido, para a manutenção integral do lançamento.  Cientificado do Acórdão nº 2803­002.015, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o RESP da PGFN, em 18/01/2017 (efl.  1.159), o contribuinte apresentou, em 06/02/2017, conforme carimbo de protocolo (efl. 1.163),  portanto, intempestivamente, contrarrazões (efls. 1.163/1.172).  É o relatório.      Voto Vencido  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora.  Pressupostos de Admissibilidade  O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos  de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade,  fls. 1150. Não havendo qualquer  questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido,  passo  a  apreciar  o  mérito  da  questão.  Destaca­se,  apenas  que,  por  serem  intempestivas  as  contrarrazões, as mesmas não serão apreciadas.  Do mérito  A  questão  objeto  do  recurso  visa,  resumidamente,  a  reforma  do  acórdão  recorrido  em  relação  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  valores  pagos  em  forma de bolsa de estudos em curso superior aos empregados.  Contudo, antes de apreciarmos o mérito da matéria, entendo pertinente trazer  a legislação que trata da questão, para que se identifique a correta forma de interpretá­la.  Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10976.000684/2009­12  Acórdão n.º 9202­007.675  CSRF­T2  Fl. 4          5 De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas palavras:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou  tomador de serviços nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela  Lei nº 9.528, de 10/12/97)  Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias,  seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da  Lei n° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo:  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não  seja  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham  acesso  ao  mesmo;  (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)  No caso, quanto  a verba BOLSA DE ESTUDOS,  é necessário uma análise  dos termos em que foi concedida, a fim de verificar a procedência ou não do lançamento nessa  questão.  Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora  sob análise, resumidos no Relatório Fiscal às folhas 61/70:  1.  O  presente  Auto  de  Infração  ­  AI  destina­se  a  informar  ao  sujeito  passivo  ­  (SP)  a  constituição  do crédito  da Previdência  Social,  referene  a:  .......II)  contribuição  patronal  (empresa)  e  a  de  Seguro  de  Acidentes  do  Trabalho  relativas  a  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  a  contribuintes  individuais,  não  declaradas  em  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social ­ GFIP e apuradas no período de janeiro a dezembro de  2005, conforme demonstrado nas planilhas anexadas ao presente  relatório  fiscal  e  a  seguir  discriminadas:......f)  planilha  10,  Fl. 1177DF CARF MF   6 denominada  "FACULDADE  PARA  EMPREGADOS",  inserida  no levantamento FP7;.......A planilha 10 também foi extraída da  contabilidade  ­  conta  nº  4297,  contém  pagamentos  totais  ou  parciais de despesas com faculdades para parte dos segurados  empregados;  na  mesma  a  fiscalização  considerou  os  valores  líquidos,  conforme  o  caso,  para  cálculo  das  remunerações,  ou  seja,  foram deduzidos quando ocorreram, dos valores  totais, os  referentes aos reembolsos de responsabilidade dos empregados.  Para que esse benefício não integre o salário­de­contribuição, é  necessária a observação dos seguintes requisitos: que os valores  não sejam pagos em substituição à parcela salarial, que sejam  extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa e que  digam respeito  somente a despesas com educação que estejam  amparadas  pela  legislação.  O  custo  relativo  à  educação  superior  (graduação  e  pós­graduação) de  que  trata o Capítulo  IV, artigos 43 a 57 da Lei nº 9.394, de 1996,i ntegra o salário de  contribuição  para  efeito  de  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Vale  dizer,  o  valor  não  está  alcançado  pela  exclusão prevista na alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212, de  1991,  pelo  que  se  enquadra  como  valor  pago,  devido  ou  creditado a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art.  28 da Lei nº 8.212, de 1991....  (g.n.)  Embora tenha me filiado à tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de  que  a  educação  superior  não  estaria  abrangida  no  dispositivo  acima  transcrito,  revisitando  o  texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996 e analisando o texto original do  art.  28,  §  9º  da Lei  n  °  8.212/1991,  não  vejo  a  impossibilidade  de  se  interpretar  a  educação  superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional.   No  caso,  desde  que  a  educação  proporcionada  seja  vinculada  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  possível  a  sua  exclusão  do  conceito  de  salário  de  contribuição,  desde  que  cumpridos  os  demais  requisitos  legais,  quais  sejam:  extensível  a  todos  os  empregados.  Note­se que não estou  com  isso  afastando  toda e qualquer  fornecimento de  auxílio  educação de curso  superior do  conceito de  salário de contribuição, mas  tão  somente,  abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na  exclusão  prevista  no  art.  28,  §  9º,  “t”  da  lei  8.212/90  desde  que  cumprido  os  requisitos  ali  expostos,  mas  precisamente:  “e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  não  sejam  utilizado  em  substituição  de  parcela  salarial  e  que  todos  os  empregados  e  dirigentes  tenham acesso  ao  mesmo”.  No caso, pode o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas deve  a autoridade fiscal ou identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as  atividades  desenvolvidas  na  empresa,  ou  tão  somente,  não  era  extensível  a  todos  os  dirigentes e empregados, caso entendo ser aplícavel ao presente lançamento.  Pela  transcrição  dos  trechos  do  relatório  fiscal,  é  possível  vislumbrar  que  além  de  se  tratar  de  curso  superior,  o  benefício  era  concedido  a  apenas  uma  parte  dos  empregados,  violando o  requisito de que deveria  alcançar  todos  os  empregados  e dirigentes;  razão pela qual,  deve­se dar  razão à da Fazenda Nacional,  dando provimento  ao  seu  recurso  especial.  Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10976.000684/2009­12  Acórdão n.º 9202­007.675  CSRF­T2  Fl. 5          7 Conclusão   Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA  FAZENDA  NACIONAL,  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO,  para  restabelecer  o  lançamento  das  contribuições  incidentes  sobre  os  valores  de  bolsas  de  estudos  de  cursos  superiores por não serem extensivas a todos os empregados e dirigentes.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira    Voto Vencedor  Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho ­ Redator.  De início, importa esclarecer que meu entendimento acerca da incidência de  contribuições  previdenciárias  sobre  valores  relativos  a  planos  educacionais  coincide  com  o  esposado  no  voto  da  Ilustre  Relatora.  Contudo,  analisando­se  as  especificidades  do  caso  concreto, a minha compreensão é de que o trabalho fiscal pautou­se tão­somente na hipótese de  a  isenção  prevista  na  legislação  previdenciária  não  alcançar  planos  que  visem  a  educação  superior nas modalidades de graduação e pós­graduação.  De acordo com o Relatório Fiscal  (fls. 61/70),  constam da contabilidade da  empresa  pagamento  de  despesas  com  faculdade  para  parte  dos  segurados  empregados.  Prossegue a autoridade autuante:  Para que esse benefício não integre o salário­de­contribuição, é  necessária a observação dos seguintes requisitos: que os valores  não  sejam pagos  em  substituição a parcela  salarial;  que  sejam  extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa e que  digam  respeito  somente  a  despesas  com  educação  que  estejam  amparadas pela legislação. O custo relativo a educação superior  (graduação e pós­graduação) de que trata o Capítulo IV, artigos  43 a 57 da Lei nº 9.394/1996, integra o salário de contribuição  para  efeito  de  incidência  de  contribuição  previdenciária.  Vale  dizer,  o  valor  não  está  alcançado  pela  exclusão  prevista  na  alínea “t”,  §  9º,  art.  28  da Lei  nº  8.212,  de  1991,  pelo  que  se  enquadra  como  valor  pago,  devido  ou  creditado  a  “qualquer  título”, conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8.212, de  1991. (Grifou­se)  Convém  mencionar  que  asserção  trazida  no  Relatório  Fiscal,  quanto  ao  pagamento de despesas com faculdade a parte dos segurados da Previdência Social, por si só,  não conduz à conclusão de que o benefício não estaria acessível à totalidade de empregados e  dirigentes da empresa. Quisesse a Fiscalização utilizar também esse fundamento como suporte  Fl. 1179DF CARF MF   8 para a autuação, deveria aprofundar seu trabalho investigativo e comprovar o não atendimento  de tal requisito, o que não foi feito.  Ademais,  os  trechos  do  Relatório  Fiscal,  destacados  acima,  corroboram  a  percepção de que a tese do Fisco foi no sentido de que a isenção prevista na alínea “t” do § 9º  do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 não abarca planos educacionais relacionados a graduação e pós­ graduação e, em virtude disso, os benefícios oferecidos pela empresa não estariam enquadrados  na regra isentiva.  Há  de  se  ressaltar  ainda  que  a  decisão  de  primeira  instância  administrativa  manteve  o  lançamento  das  contribuições  sobre  o  plano  educacional  custeado  pelo  Sujeito  Passivo  somente  em  razão  do  entendimento  de  que  o  custeio  de  despesas  com  educação  de  nível superior de empregados não estaria abrangida pela favor legal previsto na Lei de Custeio  Previdenciário,  tendo  sido  silente  quanto  a  eventual  não  extensão  à  todos  os  empregados  e  dirigentes da empresa ou mesmo a desvinculação dos cursos às atividades desenvolvidas pela  empresa.  Desse  modo,  considerando  que,  com  relação  à  matéria  em  debate,  o  lançamento  pautou­se  exclusivamente  no  fato  de  o  plano  educacional  referir­se  a  educação  superior, mantenho entendimento manifestado, dentre outros, no Acórdão nº 9202­007.686, de  26 de março de 2019, de que a isenção aqui discutida compreende a qualificação e capacitação  profissional, ainda que realizada por meio de cursos de graduação ou pós­graduação.  Conclusão  Em virtude disso,  conheço do Recurso Especial  da Fazenda Nacional  e,  no  mérito, nego­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho.                  Fl. 1180DF CARF MF

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Numero do processo: 10783.917605/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas de incidência de PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos de PIS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado.
Numero da decisão: 3301-006.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que as vendas dos produtos da recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente às despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas de incidência de PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de geração de créditos de PIS no regime da não cumulatividade caracteriza-se como insumo toda a aquisição de bens ou serviços necessários à percepção de receitas vinculadas à prestação de serviços ou a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Excluem-se deste conceito as aquisições que, mesmo referentes à prestação de serviços ou produção de bens, não se mostrem necessárias a estas atividades, adquiridas por mera liberalidade ou para serem utilizadas em outras atividades do contribuinte, assim como aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que as vendas dos produtos da recorrente tiveram como destino a exportação, e afastar a glosa referente às despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 76 05 /2 01 1- 96 Fl. 852DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 Relatório Trata o presente processo pedido de ressarcimento de PIS não-cumulativo exportação, formulada por meio de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação Eletrônica (PER/DCOMP). Todavia, a DRF jurisdicionante, após analisar o direito creditório do contribuinte, no entanto, deferiu apenas parte do montante pleiteado. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual inicialmente, pleiteia a impugnação total do Despacho Decisório por vício formal de falta de motivação (não explicitação da narrativa dos fatos constantes no processo de nº 15586.001626/2010-57). Por outro lado alega imunidade das contribuições sociais nas operações de vendas de pelotas de minério de ferro para o exterior; não-incidência das contribuições sociais nas operações de vendas para o exterior; isenção do PIS nas operações de vendas de pelotas para o exterior; remessa direta para exportação – passagem do produto por pátio pertencente ao próprio remetente não pode ser considerada circulação ou remessa. Em sua defesa, destaca ainda a existência de recente decisão administrativa federal (processo administrativo nº 15586.001586/2010-43) para caso idêntico, com acolhimento da defesa aqui apresentada no sentido de isenção das vendas com fins específicos de exportação. Adicionalmente, aduz a ocorrência de equívoco no preenchimento do CFOP das notas fiscais que retratavam as operações de vendas com fim de exportação (irrelevância para descaracterizar a real natureza da operação ante a observância do princípio da verdade material e da prevalência da substância); e indevida desconsideração do crédito decorrente de serviços que teriam sido usados indiretamente no processo produtivo do requerente. Requereu, ainda, a realização de perícia, apresentando quesitos. Por seu turno, a DRJ decidiu, iniciamente, pela realização de diligência, tendo por objetivo: i) a juntada de elementos probatórios aos autos, incluindo termos, intimações, planilhas, demonstrativos, notas fiscais, informação fiscal, detalhamento das compensações; ii) a verificação das vendas consideradas como realizadas no mercado interno pela fiscalização, face à alegação da contribuinte de que teriam tido destino específico de exportação, tendo em vista os documentos juntados na impugnação. Como resultado, foram juntados aos autos os documentos expressamente solicitados e informação fiscal detalhando as razões das glosas efetuadas. Instada a manifestar-se sobre o resultado da diligência, a autuada voltou a defender-se, alegando que o aglomerado de minério de ferro seria remetido diretamente do estabelecimento industrial do requerente para embarque com destino ao exterior ou para recintos alfandegados da VALE S/A, sendo que a tradição da mercadoria ocorreria no momento do embarque, não havendo transmissão jurídica. Sustenta que somente poderia emitir a nota fiscal/fatura quando a mercadoria possuísse destino certo ao exterior, isto é, após o embarque da mercadoria para exportação. Observa que o pátio da VALE S/A seria área alfandegada desde 2002, conforme o Ato Declaratório nº 132, e que seria através dos memorandos de exportação que o requerente registraria os dados de exportação da mercadoria. Acrescenta que nas notas fiscais de venda haveria indicação expressa do “fim específico de exportação” a demonstrar a veracidade dos negócios jurídicos entabulados. Defende, outrossim, que teria havido apenas um equívoco cometido tanto pelo requerente, quanto pela VALE S/A, no registro do CFOP. E que a VALE S/A teria confeccionado cartas Fl. 853DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 declarando que não se creditou de PIS/Cofins nas aquisições da ITABRASCO das mercadorias de minério de ferro aglomerado (pelotas). Ao final, requer que seja reconhecido o seu direito creditório nos exatos termos da decisão proferida pela 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, da 3ª Seção do CARF, no bojo do processo administrativo nº 15586.001626/2010-57, uma vez que o processo cuida das mesmas partes, mesmos fatos, abarcando o mesmo período, e, principalmente, tratando do mesmo crédito utilizado no PER/DCOMP sub examine, com o sentido de dar provimento integral à manifestação de inconformidade apresentada, homologando o PER/DCOMP e, de conseguinte, anulando os supostos débitos em virtude de seu não acolhimento pela unidade de origem. Diante das conclusões e alegações apresentadas ao final da diligência, a DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade. No acórdão prolatado, manifestou-se o entendimento de que existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade. Registrou-se, igualmente, que a base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. Por outro lado, no que tange aos elementos apresentados pelo contribuinte como comprobatórios de vendas realizadas para exportação, analisados em diligência juntada aos autos, entendeu-se que restou constatado não serem suficientes para a devida comprovação do alegado e do direito creditório requerido. Por fim, concluiu-se que a alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, certeza e liquidez, não é suficiente para reformar o montante apurado no Despacho Decisório. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando equívoco nas glosas referentes as operações de devolução de venda. No restante do recurso, repisou os argumentos já apresentadas na manifestação de inconformidade quanto à isenção das contribuições nas operações de vendas realizadas para a companhia vale do Rio Doce e quanto ao direito ao crédito das contribuições referentes a despesas administrativas, eventos, publicidade, despesas advocatícias, alimentação, assessoria tributária e financeira, gastos com seguros, serviços de topografia e projetos de controle ambiental, e refrigeração de equipamentos utilizados no processo produtivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.184, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.900907/2011-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.184): Fl. 854DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 Inicialmente é necessário analisar a admissibilidade do recurso. Quanto a alegação que as glosas realizadas nas operações de venda que não atenderam os requisitos legais, é mister ressaltar que a matéria não foi trazida em sede de manifestação de inconformidade, estando preclusa, impedindo a manifestação deste colegiado. Portanto não conheço do recurso no que concerne a esta matéria. Quanto as demais matérias referentes a alegação de isenção do PIS e da COFINS nas operações de exportação de pelotas de ferro e a legalidade no credito de insumos glosados pela auditoria fiscal, por atenderem as exigências de admissibilidade, devem ser conhecidas apreciadas pelo colegiado. No presente processo discute-se a isenção para a venda de produtos ao exterior em que a Fiscalização entende não estar comprovada a exportação. A discussão presente no processo trata de identificar se as operações da Recorrente configuram exportação que estariam isentas do PIS e da COFINS e glosas realizadas pela Fiscalização referente a serviços prestados à Recorrente. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II - incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III - poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.158- 35, de 24 de agosto de 2001. “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I - dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; Fl. 855DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc41.htm#art149%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc41.htm#art149%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art149%C2%A72 Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 II - da exportação de mercadorias para o exterior; III - dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV - do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V - do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI - auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro - REB, instituído pela Lei n o 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII - de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei n o 9.432, de 1997; VIII - de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei n o 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) X - relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1 o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2 o As isenções previstas no caput e no § 1 o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I - a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II - a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III - a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3 o da Lei n o 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Verifica-se que a informação da remessa das mercadorias para recinto não alfandegado estão dentre os motivos da exigência fiscal. Dai conclui-se que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, posição que é sustentada pela Recorrente. A matéria já é conhecida deste Conselho e já foi enfrentada em outros julgamentos tanto da Recorrente como de outras empresas que atuam na mesma forma e no mesmo local produzindo pelotas de ferro vendidas a CVRD. Em diversos outros processos este conselho tem firmado o entendimento da comprovação da remessa das pelotas de ferro para o exterior e aplicando a isenção do PIS e da COFINS para estas operações. O julgado a seguir, traz decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de matéria semelhante que decidiu por considerar comprovadas as operações de exportação de pelotas de ferro. Processo nº 15586.001586/2010-43 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.233 – 3ª Turma Sessão de 11 de agosto de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Fl. 856DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9432.htm#art11 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1248.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11508.htm#art28 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8402.htm#art3 Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 Recorrente CIA NIPO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO NIBRASCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008 VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. Na auditoria realizada na Recorrente, referente ao mesmo período considerado no presente processo, foi lavrado auto de infração para exigências do PIS e da COFINS, sobre as mesmas alegações constantes do presente recurso, o auto de infração, controlado no Processo Administrativo 15586.001626/2010-57 foi objeto de impugnação que julgado pela primeira instância concordou com as alegações da Recorrente e confirmou a destinação das pelotas de ferro para o exterior. A decisão da DRJ foi objeto de recurso de ofício que foi negado por este Conselho. Processo nº 15586.001626/2010-57 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3403003.299 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria PIS E COFINS Recorrentes CIA ITALO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO ITABRASCO - FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VENDAS NO MERCADO INTERNO. TRIBUTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Exclui-se do lançamento o crédito tributário relativo às contribuições ao PIS e COFINS apurado sobre receitas comprovadamente oferecidas à tributação pelo contribuinte nos DACON. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. MEMORANDOS DE EXPORTAÇÃO. São isentas das contribuições ao PIS e COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação, devidamente comprovadas por meio de memorandos de exportação. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE OFÍCIO. A diferença a maior entre as bases de cálculo apuradas de ofício aquelas informadas nos DACON, sujeita-se à exigência por meio de lançamento de ofício. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Exclui-se da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS os valores recebidos a título de transferência onerosa de créditos do ICMS. Precedentes do STF, RE 606.107. Repercussão geral. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Por concordar com a posição adotada no voto vencedor da decisão da Delegacia de Julgamento, peço vênia, para incluir o trecho do acórdão que trata a matéria e fazer dele também as minhas razões de decidir. Fl. 857DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 Receita decorrente das vendas de produtos à Vale S/A - fim específico de exportação: Passemos então ao exame das demais operações, representadas pelas notas fiscais de vendas de minério de ferro aglomerado (pelotas), que segundo alega a impugnante correspondem a vendas realizadas com fim específico de exportação. Inicialmente cumpre registrar que a questão levantada já foi analisada por esta Turma em outros processos em nome da Itabrasco, relativos a pedido de ressarcimento/declaração de compensação referentes a períodos de apuração diversos. No julgamento destes processos, esta Turma entendeu que as alegações da empresa interessada não haviam sido devidamente comprovadas e, em conseqüência, firmou o entendimento de que as vendas efetuadas pelo contribuinte à CVRD não se caracterizavam como operações de venda com fim específico de exportação, nos termos definidos pela legislação que rege a matéria. No entanto, nos presentes autos, novos elementos foram apresentados, capazes de levar à conclusão diversa, como veremos a seguir. O entendimento da autoridade autuante, exposto no Termo de Verificação de Infração se baseou resumidamente em três pontos: a) o CFOP utilizado nas notas fiscais de venda emitidas pelo contribuinte e no registro das entradas de produtos pela Vale S/A caracterizam operações de venda no mercado interno; b) as vendas efetuadas à Vale S/A são registradas na contabilidade da empresa vendedora em conta correspondente à venda no mercado interno; e c) os produtos vendidos foram entregues, segundo declaração da Vale S/A, no pátio da Itabrasco (área não alfandegada), não se enquadrando, portanto, na definição de venda com fim específico de exportação dada pela IN SRF 247/2002, Lei 9.532/1997 e Decreto 1.248/72. Note-se que não há nos autos qualquer controvérsia quanto/a nao incidência das contribuições em tela sobre as receitas de venda efetuada com fim específico de exportação, uma vez que os lançamentos de ofício não se fundamentaram na negativa de reconhecimento pela autoridade autuante, da hipótese de exclusão do campo de incidência tributária expressamente prevista na legislação que rege o PIS e a Cofins, mas sim na falta de comprovação de que as operação realizadas pudessem ser consideradas como venda com fim específico de exportação. Isto porque o fim específico de exportação não é caracterizado pela simples intenção das partes (vendedor e comprador), mas sim pela observância de determinados requisitos que, em conjunto, comprovem a natureza da operação realizada. Ou seja, para fazer jus ao benefício fiscal o contribuinte deve manter escrituração fiscal capaz de espelhar devidamente a operação realizada, as notas fiscais emitidas não devem conter informações contraditórias que gerem dúvidas sobre a operação de fato ocorrida, os produtos vendidos devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora e deve haver a comprovação da efetiva exportação, pela comercial exportadora adquirente. No caso em análise, o contribuinte trás em sua defesa, entre outros, os seguintes documentos: contrato de venda de pelotas; memorandos de exportação emitidos pela Vale S/A; cartas de correção das notas fiscais de venda; declarações da Vale S/A atestando que as pelotas adquiridas da Itabrasco foram todas exportadas e que não se creditou do PIS e da Cofins sobre estas aquisições. Com relação ao uso de código de classificação fiscal indevido nas notas fiscais de venda, a impugnante supre a falha ocorrida juntando aos autos em fls. 930 a 966, cartas de correção para cada nota fiscal referente a venda de minério de Fl. 858DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 ferro aglomerado (pelota) emitidas com a informação complementar referente à remessa com fim específico de exportação e sem destaque de ICMS. Referidas cartas de correção foram encaminhadas e recebidas pela Vale S/A, e nelas a empresa emissora comunica a alteração do CFOP anteriormente utilizado para o código 5.501 (remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação). Vale mencionar que a regularização de erro na emissão de nota fiscal mediante utilização de carta de correção é procedimento previsto no Regulamento do ICMS no Estado do Espírito Santo, no artigo 635-A. Ainda com relação ao uso indevido de CFOP, afirma a autoridade autuante no Termo de Verificação de Infração que em diligência realizada junto à Vale S/A, verificou que em muitos casos, as compras junto à Itabrasco foram escrituradas nos Livros Registro de Entradas do estabelecimento adquirente como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.102. No entanto, a constatação da situação descrita anteriormente neste voto, qual seja, a existência de notas fiscais tratadas pela autuada como venda com fim específico de exportação (com informação complementar de remessa com fim de exportação e sem incidência de ICMS) e de notas fiscais tratadas como venda no mercado interno (sem informação complementar e com destaque de ICMS) explica, ao menos em parte, o fato apontado. É que confrontando as cópias dos Livros Registrq de Entradas da Vale S/A (fls. 317/412) com as cópias das notas fiscais de venda emitidas pela Itabrasco (fls. 170/308) observa-se que de todas as operações alegadas pela autuada como de venda com fim específico de exportação, realizadas no período de três anos (janeiro de 2006 a dezembro de 2008), apenas três encontram-se na situação descrita pela fiscalização. São elas as notas fiscais de n°s 0604, 0671 e 0707, emitidas, respectivamente em 31/10/2006, 31/01/2007 e 27/03/2007 (fls. 195, 209 e 2016 e registro em fls. 336, 344 e 346). Todos os demais registros com CFOP 1.102, assinalados nos livros da Vale, se referem às operações assumidas pela empresa como de venda no mercado interno e, portanto, em relação a estas, os registros de entrada dos produtos na Vale foram efetuados com o código correto. Relativamente às aquisições de minério de ferro aglomerado (pelotas) decorrentes de operações alegadas pela autuada como de venda com fim específico de exportação, com exceção das três notas fiscais citadas, todas foram escrituradas corretamente pela Vale S/A com o código 1.501, correspondente à entrada de mercadoria recebida com o fim específico de exportação, apesar do uso indevido do código CFOPjias notas fiscais de venda emitidas pelo contribuinte. O contribuinte também apresenta com a impugnação os Memorandos de Exportação emitidos pela Vale S/A (fls. 671 a 692) demonstrando a vinculação das notas fiscais de venda da Itabrasco com a posterior exportação dos produtos pela Vale. Memorando de exportação é documento exigido pela legislação estadual, criado com o objetivo de estabelecer controle das operações com mercadorias contempladas com a desoneração do ICMS nas vendas de mercado interno com o fim específico de exportação. Esse documento deve ser emitido pelo exportador e entregue ao fabricante/fornecedor acompanhado de uma cópia do Conhecimento de Embarque e do Comprovante de Exportação, do extrato completo do RE (com todos os campos devidamente preenchidos) e da Declaração de Exportação, de acordo com o Convênio ICMS n° 113, de 13/12/96 e alterações. (O referido Convênio foi revogado pelo Convênio ICMS n° 84, de 25/09/09, que entrou em vigor em 29/09/09 com efeitos a partir de 01/11/09). Nos Memorandos de Exportação apresentados pela autuada constam todos os dados relativos à exportação efetuada, destacando-se o número e data do Conhecimento de Embarque, o país de destino da mercadoria, dados referentes à nota fiscal emitida pela empresa exportadora, número, data de registro e data de averbação do Registro de Exportação, bem como número e data do Despacho Fl. 859DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 de Exportação. Verifica-se, ainda, que a empresa autuada figura nos Memorandos de Exportação na qualidade de remetente com o fim específico de exportação, sendo possível identificar o número e data das notas fiscais emitidas pela Itabrasco, quantidade da mercadoria adquirida, valor e quantidade exportada no mês. Os memorandos apresentados, portanto, confirmam a vinculação das notas fiscais ali relacionadas com a exportação das mercadorias promovida pela Vale S/A. Constata-se, assim, que todas as vendas contestadas pela autuada como de operação com fim específico de exportação representadas pelas notas fiscais de venda e notas fiscais complementares constam dos Memorandos de Exportação apresentados, comprovando-se, desta forma, a efetiva exportação. Outra irregularidade apontada pela fiscalização se refere ao local de entrega das pelotas de minério de ferro, que, segundo informação fornecida pela Vale S/A por ocasião da diligência realizada, ocorreu no pátio da Itabrasco, local não alfandegado. Para contestar este ponto, a impugnante junta aos autos o Contrato de Venda de Pelotas entre a Itabrasco e a CVRD e aditivos (fls. 644/663). Verifica-se em todos os aditivos firmados a partir de junho de 2002 que a cláusula que estabelece a entrada em vigor e a duração do contrato está sempre vinculada ao embarque dos produtos. Abaixo transcreve-se a cláusula do aditivo n° 4 (fl. 649), referente ao período de janeiro a setembro de 2002, cujos termos se repetem nos posteriores aditivos anexados aos autos: ENTRADA EM VIGOR E DURAÇÃO "5.1 - O presente contrato é válido de 24 de fevereiro de 2000 até 30 de setembro de 2002 e as condições definidas no presente Aditivo retroagem os seus efeitos a Io de janeiro de 2002 e são válidas até o pagamento do último embarque relacionado ao período acima. Por força disso, o presente aditivo substitui e prevalece sobre os termos e condições previamente acordados çntrjé as PARTES através do Aditivo n" 3, datado de 28 de fevereiro de 2002. " Entendo, assim, que os termos do contrato demonstram que o compromisso assumido pelas partes de compra e venda de minério de ferro está condicionado ao embarque dos produtos para o exterior. Ainda que se considere a possibilidade de ocorrência da situação descrita pela autuada na qual as pelotas vendidas transitam pelo estabelecimento da Vale S/A antes de serem encaminhadas para embarque nos navios, tal hipótese não é suficiente para descaracterizar a venda com fim específico de exportação, uma vez que os pátios para estocagem de minério de ferro e pelotas administrados pela Vale S/A é recinto alfandegado, de acordo com o ADE/SRRF07 n" 320 de 14/09/2006. Dessa forma, entendo que as cartas de correção das notas fiscais em conjunto com os Memorandos de Exportação são elementos suficientes para comprovar que as vendas foram efetuadas com o fim específico de exportação. Por esta razão, devem ser excluídos dos lançamentos os valores abaixo relacionados, correspondentes às vendas efetuadas com o fim específico de exportação: Quanto aos créditos referentes aos insumos alegados pela Recorrente, considerando a decisão do STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, que confirmou a aplicação dos critérios de essencialidade e relevância para apuração dos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, conforme a sua ementa transcrita abaixo. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos Fl. 860DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.190 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10783.917605/2011-96 critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; Com estas premissas as despesas administrativas e eventos, publicidade, despesas advocatícias, alimentação, assessoria tributária e financeira e gastos com seguros não estão associados ao processo produtivo da Recorrente e portanto, não podem gerar créditos das contribuições. As despesas referentes a serviços de topografia e projetos de controle ambiental são exigências legais e dentro da visão de essencialidade e relevância para o processo produtivo. Quanto as despesas de refrigeração de equipamentos utilizados no processo produtivo por estarem vinculadas ao processo produtivo, estão aptas a auferir créditos das contribuições não cumulativas. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que a venda das produtos da Recorrente tiveram como destino a exportação e afastar a glosa referente as despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer que a venda dos produtos da recorrente teve como destino a exportação, e afastar a glosa referente às despesas de contratação de serviços técnicos de engenharia de projetos ambientais e serviços de refrigeração vinculadas a equipamentos do processo produtivo. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 861DF CARF MF

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