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Numero do processo: 10783.720363/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES.
Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 63 /2 01 2- 09 Fl. 17461DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.428 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito: Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de Cofins do 2° trimestre de 2009, no valor de R$1.549.087,38 (um milhão, quinhentos e quarenta e nove mil,oitenta e sete reais e trinta e oito centavos), oriundo do sistema de nãocumulatividade (fls. 2/74). A autoridade fiscal decidiu pela improcedência do pedido, conforme Despacho Decisório de fl. 80, com fundamento na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 10/2012, às fls. 75/79, onde alega que: 1. NICCHIO SOBRINHO CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.2.01.00002011014792 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos principalmente da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; 2. a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a Empresa autuada apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, razão pela qual foram objeto de glosas; 3. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo e de Minas Gerais, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando créditos ilícitos; 4. as investigações originadas na operação fiscal "TEMPO DE COLHEITA", deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, resultaram na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; 5. em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ; 6. a criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando torrefadoras e grandes exportadoras; 7. na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada "laranjas" ultrapassou o valor de R$256 MILHÕES; Fl. 17462DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.429 3 8. provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais constam do processo fiscal n° 10783.720371/201247, desse modo, a Informação Fiscal e Despacho Decisório, bem como o aludido processo serão cientificados simultaneamente à Empresa, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 102), a interessada apresentou, às fls. 109 e seguintes, em 11/04/2012, a correspondente Manifestação de Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n° 10783.720371/201247, em resumo, que: 1. se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; 2. a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; 3. o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; 4. o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; 5. as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; 6. não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; 7. as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; 8. ao adquirir 'café cru em grão' o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; 9. o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; 10. a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; 11. na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; Fl. 17463DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.430 4 12. o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; 13. em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão"; 14. a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1a etapa, agora, fornecedora, vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; 15. nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; 16. se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; 17. a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa; 18. somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; 19. se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; 20. responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; 21. a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de CNPJ e Sintegra a respeito dos seus fornecedores, e, ainda, notas fiscais e comprovantes de pagamento; 22. a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; 23. não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. A inconformada cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: 1. produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; Fl. 17464DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.431 5 2. deferimento da juntada de documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade; 3. reforma da decisão exarada e reconhecimento integral do crédito de ressarcimento pleiteado, visando homologação da compensação declarada; 4. reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 1255023, de 18/04/2013, com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Cooperativa. Regime de Suspensão da exigibilidade. Obrigatoriedade. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o Fl. 17465DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.432 6 contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 17.205 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos colocados em sua manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidos. nulidade do auto de infração e processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Afirma que a fiscalização parte "de constatações fáticas particulares, pontuais e unilaterais para, com isso, construir uma 'conclusão generalizada' sobre o mercado e a empresa fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões; nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha; que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte; Fl. 17466DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.433 7 afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor; sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com que o recorrente repare o erário por obrigações tributárias que seriam de responsabilidade de suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do lançamento e também a improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº 70.235/72; que enquanto a Receita Federal não declarar a inidoneidade, ou inaptidão, das pessoas jurídicas, atribuição que lhe é exclusiva, não há que falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ; não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco; cita a legislação de regência no sentido de garantir o direito ao aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo ele seriam as três etapas de beneficiamento do café, para concluir que na aquisição das cooperativas ele não atua na 2ª etapa, que seria o beneficiamento propriamente dito, e nesta condição a aquisição do café das cooperativas seria integralmente tributada gerando por consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins; insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". É o relatório. Fl. 17467DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.434 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme o que tudo dos autos consta, a glosa de créditos de Cofins realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/201247, no qual houve toda a glosa dos créditos e recomposição de toda a apuração do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, gerando os correspondentes autos de infração. De forma que o destino do julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº 10783.720371/201247. Mantido os lançamentos naquele processo, forçoso é manter o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes do presente processo. Da mesma forma a anulação de glosas constantes naquele processo gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a que se refere. Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no processo nº 10783.720371/201247, são idênticos aos utilizados no presente processo. De forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual peço vênia para transcrevêlo abaixo, utilizandoo como razão para negar provimento ao presente recurso voluntário. (...) Nulidade do Lançamento O recorrente solicita a nulidade dos autos de infração e do processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Esclareço que não vislumbrei nos autos de infração constantes do presente processo, qualquer mácula que pudessem tornálos nulos. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 17468DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.435 9 Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Vejamos o que dispõe estes dispositivos constitucionais e legais. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 17469DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.436 10 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 17470DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.437 11 Vêse que a Constituição Federal garante no processo administrativo o contraditório e ampla defesa e que ninguém seja privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo tributário, garante duas instâncias administrativas para apresentação da defesa ao lançamento fiscal. Para tanto foi apresentada impugnação ao lançamento e agora, diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário. E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua liberdade, sem o devido processo legal, pois o objeto do presente processo é a exigência de crédito tributário e seus consectários legais, cuja exigibilidade está suspensa até a trânsito em julgado do presente processo. Não foi negado acesso ao contribuinte de nenhum elemento de prova constante do presente processo. Tanto é que ele faz referência aos depoimentos pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a lei não determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais diligências realizadas previamente ao lançamento fiscal. Ficaria até impraticável a realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente estar presentes em todos os atos fiscalizatórios. Não houve qualquer afronta aos dispositivos legais da Lei nº 9.784/99, acima citados. No presente caso, o contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena. O fato de os autos de infração terem sido lavrados após colhidos os depoimentos de terceiros e coleta de provas e informações diversas, mas sem intimação prévia do contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. O contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Nulidade de Decisão Recorrida O contribuinte pede a nulidade da decisão recorrida por ela ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 17471DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.438 12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Quanto a afirmativa de que a decisão teria sido embasada em elementos de prova declarados ilícitos pelo TRF da 2ª Região no HC nº 2012.02.01.0143115, concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o trecho do recurso voluntário: (...) "Não obstante tais transcrições serem um absurdo por si só, é imperioso registrar que esses elementos probatórios encaixamse no conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada (autos nº 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC n. 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. (Doc 02). No referido habeas corpus, a egrégia Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região afirmou categoricamente a inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto a existência de crime de quadrilha. Eis a ementa do acórdão, cuja relatoria foi confiada ao eminente e culto Des. ANTÔNIO IVAN ATHIE (doc. 02): EMENTA: Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. (...) Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as provas obtidas e disponibilizadas à Receita Federal sejam ilícitas. A conclusão é evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que Fl. 17472DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.439 13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo Atacadistas. O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor. Toda esta argumentação já havia sido apresentada na sua impugnação e foi rebatida de forma didática pela decisão recorrida. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte em sua defesa constato que o conjunto de provas trazidos pela fiscalização são contundentes no sentido de que a recorrente efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a legislação tributária, sobretudo o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de maneira indevida. As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte e sua escrituração contábil e fiscal não afasta a acusação fiscal, ao contrário, o aproveitamento dos créditos depende efetivamente de todo os elementos apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão de nota fiscal de venda por parte do vendedor e seu registro na contabilidade do adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente. Ora, a acusação fiscal não nega estes fatos, ao contrário concorda que foram realizados, mas relata com detalhes impressionantes, que tudo isto foi orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do produto, empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins. Fl. 17473DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.440 14 Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Por economia processual e considerando que o contribuinte não rebateu especificamente as conclusões decorrentes do acórdão recorrido, transcrevo abaixo parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, utilizo partes da própria decisão recorrida como razões de decidir. (...) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador; porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos... (...) No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins, no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total recolhido de tributos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada inapta, nula, baixada ou suspensa , junta Fl. 17474DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.441 15 se mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675). A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das instalações, com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda (fl. 1678), onde o mesmo quadro de exiguidade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas se repete, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: duas mesas, duas cadeiras, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. A Empresa, dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a agosto de 2009 (fl. 1679). Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. A impugnante alega que se o esquema ocorreu, não foi com sua conivência, que procurava tão somente adquirir café de pessoas jurídicas, afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; Fl. 17475DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.442 16 O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais.(destaquei) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Indagado pela fiscalização, ALEXANDRE PANCIERI confirmou figurar no quadro societário da DO GRAO como interposta pessoa e revelou que, na verdade, é classificador de café na FONTE RICA, corretora de seu irmão Paulo Pancieri Júnior. Assegurou que DO GRAO foi constituída a pedido de LUIZ FERNANDO MATTEDE. (fl. 1687) Destacamos a afirmação do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringese a uma pequena sala em Colatina. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, citado no depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009. Luiz Fernando Mattede Tomazi é ainda um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fl. 1688), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio (Av. Silvio Ávidos, Ed. Silver Center) , e ainda têm a Fl. 17476DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.443 17 companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi ME, no depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves. O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ME, embora figurasse o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam se alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia "comissão", conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Fl. 17477DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.444 18 Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 289, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara: "(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica" (item 2) "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex Fl. 17478DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.445 19 funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo" (item 3) "pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café " (item 4).(gn) O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 441 e seguintes, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se "prostituiu"porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 529/534), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar "orientações", entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor Fl. 17479DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.446 20 recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem "empresas" para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras "empresas"; (gn) (... ) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308): (...) 4)(...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5)Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as 'empresas' Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) Fl. 17480DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.447 21 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde "atacadistas", corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; Fl. 17481DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.448 22 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). E, finalmente, o depoimento do produtor rural Américo Barbosa Martins (fls. 295/296): (...) após concretizar a negociação, o café negociado por Junior Pretti é guiado por meio de nota fiscal de produtor do declarante em nome da COLUMBIA, e poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR DA SILVA LTDA ME e WG DE AZEVEDO BRASIL COFFEE, (...); (...) após a descarga do café o corretor Junior Pretti informa ao declarante que o café foi descarregado/armazenado nos armazéns do (...), NICCHIO SOBRINHO e (...), em Colatina, e (...), em Vitória; O produtor rural (Américo Barbosa Martins) afirma que "do total dos recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de venda de café é descontado o valor de R$1,00 por saca;que o declarante afirma queopróprio Junior Pretti dizia que esta quantia seria destinada à própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e Fl. 17482DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.449 23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...), ou seus sócios, sendo que o único contato do declarante na negociação do café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as 'pseudoempresas' que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo fl. 258, item 2). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fls. 259/260, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não Fl. 17483DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.450 24 operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) " nunca comprou nem vendeu um grão de café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: "que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)" Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas" (fl. 423, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas". A face financeira da simulação consistiu, conforme demonstrou a Fiscalização, quase sempre na abertura de contascorrentes pela real compradora (Indústria ou exportadora, por exemplo, Nicchio Sobrinho) em nome de uma "atacadista" (por exemplo, V. Munaldi), mas para ser movimentada por um procurador, corretor ou pelo próprio produtor rural (exemplo, Fernando Plantikow Neto): Por exemplo, a conta n° 52.1914 aberta em nome da V. MUNALDI no SICOOB unidade de BAIXO GUANDÚ ES, era movimentada pelo produtor/maquinista FERNANDO PLATIKOW NETO. Indagada sobre a origem dos depósitos na citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal Cól Soares, então tesoureira da unidade do SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn) Fl. 17484DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.451 25 Às fls. 1723/1724, no Termo de Encerramento Fiscal, há uma lista fornecida pela própria Colúmbia de contascorrentes abertas em seu nome, mas movimentadas por outras pessoas. Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa "atacadista" contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1731, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do n° 999 (pedido) e da abreviação "Col" de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo "Edinho" da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e depois, mas diretamente, com "e se espalhar já sabe que acontece". Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 904/908 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário de compras", que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 17485DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.452 26 Também a planilha de fl. 1594 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registrase o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar" o café. As notas fiscais citadas na planilha (2a coluna) simulam a venda de "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 304/305). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 1765/1766). Comparar a planilha de fl. 1764 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e Fl. 17486DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.453 27 lhe mandavam posteriormente uma relação dos produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. Do Ministério Público do Espírito Santo Grupo GETPOT a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que detalha ganhos das 'pseudoempresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O documento reproduzido (fl. 1866) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). Documento ainda mais conclusivo se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um dos diálogos é travado entre funcionário do setor financeiro da Nicchio Sobrinho e o corretor Edson Pancieri Filho da Clonal Corretora, que confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl. 435). Ali são tratados pagamentos da Nicchio Sobrinho a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença devese a quebra de peso (fl. 1719). Examinese o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA): Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$0,30 (trinta centavos) a R$0,50 (cinqüenta centavos)por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais frequentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; O papel fictício das "atacadistas" na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Fl. 17487DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.454 28 Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Minas Gerais, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas "atacadistas" são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10). Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para a Nicchio Sobrinho. Uma vez confessado pelas próprias "atacadistas", fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria", o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei n° 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos autos direcionam para a resposta de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar "empresas" sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de Fl. 17488DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.455 29 mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores não prevalece diante dos depoimentos e da prova robusta reunida pela Autoridade Fiscal. Da mesma forma, a alegação de que responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo, decorre de lei e não pode ser presumida é irrelevante, pois não há imputação de solidariedade. Nem a Fiscalização está responsabilizando a autuada por tributos que não foram pagos por seus fornecedores, nem está aplicando penalidade por infração cometida por terceiros, mas essencialmente glosou créditos da nãocumulatividade, que entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente simulados, enfim, imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria autuada. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra de café diretamente de pessoa física dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito que seria devido se o negócio fosse realizado com pessoa jurídica. (...) O contribuinte, em seu recurso voluntário, não contestou especificamente nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que não teria provas no processo de sua participação. A única questão específica que argumentou nesta parte, em relação à decisão recorrida, é que ela teria utilizado provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Mérito Direito à Manutenção do Crédito na Aquisição de Café das Cooperativas. Após fazer um diagnóstico bem detalhado das aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido do PIS e Cofins nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nestas aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas, a adquirente beneficia este café in natura para venda no mercado externo. Concluise assim que o contribuinte exerce a produção agroindustrial, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006). A partir daí, ao analisar os créditos decorrentes das aquisições de café oriundos de cooperativas de produção rural, a fiscalização conclui que as vendas deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o contribuinte somente teria direito ao crédito presumido, efetuando a glosa dos créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização: (...) Fl. 17489DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.456 30 Desse modo, a NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. (...) Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6): (...) Item 2.7 Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10 (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e separar por densidades de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. O ônus da prova, na caso é do contribuinte, primeiro porquê ele altera uma realidade antes por ele afirmada e confirmada pela fiscalização. Segundo porque estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170 do CTN: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 17490DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.457 31 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei) Quanto ao que ele diz ser as três etapas do processo produtivo do café, não vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do café, realize as três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da legislação tributária. Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a legislação a respeito da suspensão do PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido. Lei nº 10.925/04 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do Fl. 17491DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.458 32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Destaquei) Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção dos contribuintes, ao contrário, estando atendidas as condicionantes impostas pela lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a Secretaria da Receita Federal estabeleça termos e condições para aplicação da suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa: DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. Fl. 17492DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.459 33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos Fl. 17493DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.460 34 agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; Fl. 17494DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.461 35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original) e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09 e 2209.00.00; f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90. g) no capítulo 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; h) no capítulo 16; II classificados no código 22.04, da NCM. § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. DOS INSUMOS QUE GERAM CRÉDITO PRESUMIDO Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; Fl. 17495DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.462 36 II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (...) Verificase que a Instrução Normativa editada pela Receita Federal, em atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns regramentos para o cumprimento da suspensão nas aquisições de café para beneficiamento e fica evidente que a suspensão na aquisição era obrigatória da simples leitura do seu art. 4º acima transcrito, pois a recorrente preenche todas as suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" em algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o produto não foi adquirido com suspensão. Pode ter havido somente um descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido a sua correção no momento do recebimento da mercadoria. Em seu recurso o contribuinte afirma "da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do café do produtor rural este crédito só pode ser aproveitado uma vez, cabendo o crédito integral para a recorrente que adquiriu o café da cooperativa. Correta a primeira afirmação de que não há previsão legal para aproveitamento do crédito presumido em duplicidade. Isto decorre da própria sistemática do sistema de créditos. No caso o § 2º do art. 3º da IN nº 660/2006, acima transcrito, prevê que nestas situações, quando a cooperativa utilizouse do crédito presumido na aquisição do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar estes créditos apropriados na aquisição. Portanto a segunda afirmação não é verdadeira de que a recorrente poderia apropriarse integralmente do crédito de PIS e Cofins. Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização. Mérito Multa Qualificada de 150% Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Penso que a questão da existência de fraude ou dolo já foi enfrentada na questão de mérito inicial, pois a exigência do presente lançamento só se sustenta ante a comprovação da prática simulatória de adquirir o produto diretamente de produtores rurais com a inserção fictícia do pseudoatacadista. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 17496DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.463 37 inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do suposto caráter confiscatório da multa aplicada, é necessário lembrar que este Conselho não é competente para se pronunciar a este respeito, conforme Súmula CARF nº 2: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 17497DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.464 38 Pedido de Diligência O contribuinte insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento as questões que o contribuinte colocam para ser diligenciadas não são pertinentes, pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. A fiscalização reconhece a sua existência tendo sido elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos sendo que o contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas Receitas Federal e Estadual. De igual forma a fiscalização não negou a existência dos pagamentos, depósitos bancários e as situações cadastrais. Assim também a fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer. Em conclusão nego o pedido de diligência por entender que constam dos autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento. Multas Isoladas Observase que não houve impugnação específica quanto à aplicação das multas isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento destas multas, o que não é o caso. Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte das multas isoladas foram aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estes dispositivos legais foram revogados pelo art. 27, inc. II da Lei nº 13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 17498DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720363/201209 Acórdão n.º 3301002.783 S3C3T1 Fl. 17.465 39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito tributário exigido no presente processo. (...) (Fim da transcrição do voto) Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento fiscal nº 10783.720371/201247, acima transcrito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das compensações correspondentes. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 17499DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10882.000681/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004
PRAZO RECURSAL - RECURSO INTEMPESTIVO - NÃO CONHECIDO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 06 81 /2 00 5- 02 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Relatório José Henrique Mauri Relator Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 11/17, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar, aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória, no período compreendido entre o terceiro trimestre de 2002 e o segundo trimestre de 2004, prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). Cientificado, o sujeito passivo apresentou impugnação, às fls. 23/35 e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: (nessa parte reproduzse teor do relatório recorrido por bem representar os fatos) a) que, “conforme documentação anexa, sofreu alteração em sua composição societária, bem como passou a girar sob a denominação de Gabigraf Gráfica e Editora Ltda, com sede social na Avenida Robert Kennedy, n° 731 conj. 05, Sto. Amaro”; b) que “a obrigação acessória aqui comentada surge como explicitamente abusiva, desprovida de qualquer parâmetro legal para a sua cobrança”. As obrigações acessórias só são válidas se forem instauradas por lei em sentido estrito, e nunca por mera iniciativa do Executivo; c) que o art. 16 da Lei n° 9.779/99, em que se pautou a Administração Tributária para a instituição da obrigatoriedade de entrega da DIFPapel Imune, “traz em sua redação um exemplo clássico da delegação repelida no sistema jurídico”. “A delegação exposta no artigo citado não se revelou uma carta em branco à Administração Pública, para fazer e desfazer o que tiver em mente”, d) que, conforme ementas de decisões citadas em sua peça impugnatória, a jurisprudência judicial tem se posicionado pela necessidade de observância do princípio da reserva legal para a instituição de obrigações acessórias. Na mesma toada tem se' posicionado “a mais sábia doutrina”; e) que a multa aplicada é desproporcional e confiscatória, “desprovida de qualquer análise quanto à gravidade do ato praticado pela impugnante”. Neste sentido, “a aplicação de lei genérica, prevendo valor fixo para qualquer tipo de ação equivocada por parte do contribuinte, sem uma prévia mensuração do dano que causou ao erário, ou mesmo uma análise da intenção do contribuinte, contraria qualquer senso de justiça e a própria moralidade pública, que deve reger os atos administrativos”; Í) que, tratandose de imposição de penalidades, há que se traçar “um paralelo da situação presente com um ilícito penal”, no qual se analisa a gravidade do crime, a ocorrência de culpa ou dolo; g) que “no caso da Impugnante o abuso ainda é pior quando se constata que na época objeto da autuação ora contestada, não houve qualquer trato da impugnante com papel imune. Nem compra, nem venda de papel beneficiado. Na verdade., o valor da multa supera em muito o próprio faturamento do mesmo período”; (grifos originais); h) que “a aplicação desta penalidade às empresa que lidam com papel imune simplesmente esvazia o favor constitucional que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10882.000681/200502 Acórdão n.º 3301002.685 S3C3T1 Fl. 8 3 visa prorrogar a cultura no país, colocando na parede e punindo indistintamente de sua capacidade e de sua situação, empresas totalmente regulares”; i) que a jurisprudência judicial é firme no sentido de rechaçar a aplicação de multas desproporcionais e confiscatórias. Conclui a impugnante pedindo pela anulação do auto de infração, “vez que i) a multa cobrada não tem abrigo em nossa legislação, que exige que a obrigação tributária seja instituída por lei e não por norma infralegal, bem como pela ii) desproporcionalidade, falta de razoabilidade e pelo caráter confiscatório da multa”. Na seqüência, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 1419.823, decidem por manter íntegro o lançamento, mantendose o crédito exigido, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/ 10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 3 1/ 10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/04/2004, 30/07/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Lançamento procedente. A Unidade da RFB preparadora, visando cientificar o sujeito passivo do Acórdão supra identificado, emitiu notificação para entrega pelos Correio, contudo AR (Aviso de Recebimento) retornou em 10/11/08, fls. 102/103, sem que se lograsse êxito a tentativa de entrega da correspondênica. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Ato seguinte foi expedido Edital nº 308/2008, fl. 104, afixado em 24/11/2008 e desafixado em 10/12/2008, cujo objeto foi cientificar o autuado acerca do Acórdão 14 19.823, exarado pela DRJ. Em 16/7/2009 houve vistas dos autos à representante da empresa autuada, extraindose cópia de parte dos autos, especificamente do Acórdão da DRJ. Em 21/8/2009 foi formalizado o Recurso Voluntário, que ora se aprecia, alegando, com maior robustez e abrangência, as linhas argumentativas da impugnação. Colaciono a seguir alguns tópicos argumentativos constantes do Recurso Voluntário que permitirão darnos a conhecer, genericamente, os pontos questionados pela recorrente. Deixo de detalhálos, posto que, como se verá, não surtirão efeitos no presente voto. · Preliminar de cosntitucionalidade de Leis na esfera adminsitrativa. · Improcedência da ação fiscalizadora. · Princípios que regem o processo adminsitrativo fiscal. · A obrigação tributária e os deveres instrumentais ou formais. · Falta de previsão legal para a exigência da DIFPapel Imune. · Multa confiscatória. · Redução da multa e do cumprimento da obrigação acessória. · Impossibilidade de aplicação de taxa Selic como taxa de juros moratórios. · Afronta ao Princípio da Legalidade na cobrança da taxa Selic. Por derradeiro a recorrente requer seja acatado o Recurso, com a anulação do Processo Administrativo Fiscal. O processo foi a mim distribuído, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10882.000681/200502 Acórdão n.º 3301002.685 S3C3T1 Fl. 9 5 Pressupostos de admissibilidade Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Quanto ao processamento e aos meios disponíveis para a efetivação da intimação, assim dispõe os art. 23 do Dec. 70235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [grifei] I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL 6 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [grifei] III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [grifei] § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) No presente caso, conforme consta dos autos, o recurso é intempestivo. Vejamos. Depois de frustrada tentativa de intimar por via postal, fls. 102/103, a autoridade preparadora exarou o Edital nº 308/2008, fl. 104, afixandoo em 24/11/2008. Equivale a dizer que o sujeito passivo foi formalmente cientificado no dia 10/12/2008, em conformidade com o inciso IV do § 2º do art.23, antes transcrito. Assim o prazo para apresentação de Recurso Voluntário expirouse em 09/01/2009, trinta dias após a ciência. O Recurso foi apresentado em 21/8/2009, portanto intempestivo. Por tudo, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. É como voto. (Assinado digitalmente) José Henrique Mauri relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10882.000681/200502 Acórdão n.º 3301002.685 S3C3T1 Fl. 10 7 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10410.000338/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/01/2005
MULTA. EMBARAÇO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO
Configura-se embaraço à ação da fiscalização quando o sujeito passivo, por meio de ações ou omissões, vier a embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento de um procedimento fiscal por falha da autoridade responsável.
O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde devam transitar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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EMBARAÇO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO OPERADOR PORTUÁRIO Configurase embaraço à ação da fiscalização quando o sujeito passivo, por meio de ações ou omissões, vier a embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento de um procedimento fiscal por falha da autoridade responsável. O operador portuário tem a responsabilidade, perante as autoridades aduaneiras, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas, ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde devam transitar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 03 38 /2 00 5- 14 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1131.391, da 5ª Turma da DRJ/REC (DRJ em Recife PE fls. 37/43, do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou conhecer da impugnação formalizada pela recorrente, para julgar improcedente, em face do Auto de Infração lavrado pelo Fisco, em 25/01/2005, referente à aplicação de multa por embaraço à ação da fiscalização, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O presente processo trata de Auto de Infração para a aplicação de multa por embaraço à ação da fiscalização, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). DO LANÇAMENTO A descrição dos fatos constantes do Auto de Infração, às fls. 01 a 06, em síntese, é a seguinte: A guarda portuária do Porto de Maceió, em 28.12.2004, não tomou conhecimento do desembarque de três botes salvavidas, de procedência estrangeira, do Navio “Maritime Pacific”, de bandeira estrangeira, atracado nesse Porto, pem1itindo que os mesmos fossem retirados (transportados por veículo), da zona primaria do Porto para a zona secundária, sem prévia autorização da fiscalização aduaneira, que só tomou conhecimento da operação irregular, através de denuncia telefônica, quando as mercadorias já estavam a caminho de Natal (RN). O comandante do navio informou à fiscalização aduaneira que os botes retornariam à embarcação após reparos a serem feitos em Natal. Foi lavrado, em 28.12.2004, o competente Termo de Ocorrência pelo Auditor Fiscal da Receita Federal da DRFMaceió, à fl. 09 dos autos, assinado pelos representantes legais da Agência de Navegação (Williams Serviços Marítimos Ltda.) e da Administração do Porto de Maceió, em 29.12 e 30.12.2004, respectivamente. A fiscalização aduaneira exigiu, então, à Administração do Porto de Maceió, a identificação dos responsáveis pela operação irregular de saída do Porto das mercadorias estrangeiras, sem prévia autorização da Receita, e advertiu a guarda portuária que, quando do retorno dos botes, detivesse o veículo que os transportasse, comunicando o fato imediatamente à Receita Federal, uma vez que os bens obrigatoriamente deveriam ser alvo de fiscalização e acompanhamento fiscal até o navio. A guarda portuária mais uma vez descumpriu as ordens da Receita Federal, e não a comunicou do retorno dos botes, permitindo que o veículo transportador que os conduzia ingressasse na área portuária, sem previa autorização das autoridades aduaneiras. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10410.000338/200514 Acórdão n.º 3402002.798 S3C4T2 Fl. 109 3 O agente marítimo, Williams Serviços Marítimos Ltda., consignatário do navio, na pessoa de seu gerente, é que, avisado pelo comandante do navio do iminente retorno dos botes, comunicou o fato à equipe de fiscalização da Receita, que conseguiu, então, deter o veículo e o seu condutor no cais, no costado do navio, para a devida fiscalização da mercadoria. A Administração do Porto de Maceió descumpriu, pois, o seu dever, por duas vezes, na saída da mercadoria e no seu retorno, sem prévia autorização da autoridade aduaneira, razão pela qual embaraçou a ação da fiscalização, incidindo na infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “c” do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, combinados com os artigos 15, 18 a 22, 493, 503 e 510 do Decreto n° 4.543, de 2002, punível com a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Ao Auto de Infração foram acostados os seguintes documentos: Termo de Ocorrência, à fl. 09, e a petição que acompanhou a sua ` protocolização, às fls. 07 e 08; “Removal Report”(cópia) (Relatório da embarcação sobre a retirada dos Í botes do navio), às fls. 18; Termo de Retenção, quando do retorno das mercadorias, à fl. 11, para a. devida fiscalização da Receita Federal; Termo de Declaração do funcionário da empresa Natal Safety Comércio e Manutenção de Equipamentos Salva Vidas Ltda., responsável pela retirada e transporte dos botes para a empresa de manutenção em Natal e, também, pela devolução dos mesmos ao porto de Maceió, às fls. 12 e 13; e, finalmente, o Registro de Procedimentos Fiscal, à fl.14. DA IMPUGNAÇÃO Na impugnação tempestiva, às fls. 18 e 19, à qual foi juntada a documentação de fls. 21 a 27, as alegações da defendente, em síntese, foram: a) 0 art. 15 do Regulamento Aduaneiro prevê que o exercício da administração aduaneira compreende a fiscalização e o controle sobre 1 o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários . nacionais, em todo o território aduaneiro; b) todavia, essa disposição não se aplica ao caso sob análise, uma vez que a guarda portuária do Porto de Maceió não solicitou a prévia autorização da Receita Federal para movimentação da mercadoria, ` porque os botes foram retirados do navio e do Porto apenas para a realização de alguns reparos e não para a comercialização; c) a simples saída da área portuária de botes salvavidas para a realização de reparos não se configura como ato de comércio; d) o setor de operações do Porto não foi informado pelo agente de navegação acerca do desembarque dos botes, negligenciando suas obrigações junto à Administração do Porto de Maceió. Por todo o exposto, requer seja acolhida a presente impugnação e julgado improcedente o feito. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/01/2005 EMBARAÇO À AÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. Configurase embaraço à ação da fiscalização quando o sujeito passivo, por meio de ações ou omissões, vier a embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento de um procedimento fiscal por pane da autoridade responsável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 1A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 29/12/2010 (fl. 46). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2011, Recurso Voluntário (fls. 47/53), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando integralmente os seguintes argumentos: a) do objeto da Fiscalização: alega que não existiu prejuízo algum da autoridade aduaneira, pois a fiscalização foi devidamente realizada sem apresentação de irregularidades. Primeiro porque, consoante prova dos autos e observado no acórdão recorrido, o agente marítimo, Williams Serviços Marítimos Ltda, comunicou à equipe de fiscalização da Receita Federal o retorno dos botes, sendo possível a realização da fiscalização pela autoridade fazendária. Segundo, pois, mesmo realizada a fiscalização pretendida pelo Fisco, esta não lavrou nenhum Auto de Infração ou outro ato que instituísse aos responsáveis pelos botes, obrigação de pagamento dos tributos de importação decorrentes da suposta transação comercial objeto de fiscalização, fato que confirma o desembarque dos botes somente para reparo, sem infringir as normas de importação; b) por não tratarse de operação comercial, uma vez que os botes salvavidas (itens de segurança do navio) desembarcaram no Porto de Maceió somente para reparos, visando a segurança dos seus tripulantes; c) da ausência de Responsabilidade da Autuada: por inexistir responsabilidade da Recorrente em prestar tais informações, visto que não se enquadra na categoria de operador portuário, tampouco agente marítimo. Em certo ponto, reconheçase no acórdão recorrido a inexistência de operação comercial na presente lide, entendeu o eminente órgão julgador que a responsabilidade da Administração do Porto de Maceió permaneceria intacta, haja vista que por força do artigo 37, §§ 1° e 2° do Decretolei n°. 37/66, deve o operador portuário prestar informações sobre as operações que execute e as respectivas cargas; d) cabe esclarecer que a Administração do Porto de Maceió não se enquadra nem na categoria de operador portuário, tampouco na função de agente de carga. O artigo 1°, parágrafo 1°, inciso III da Lei n°. 8.630/93, define que operador portuário é a pessoa jurídica préqualificada para a execução de operação portuária na área do porto organizado. Assim, percebese que a atividade é regida por uma legislação federal, a qual determina que o Porto organizado autorize através do seu Conselho de Autoridade Portuária CAP, que empresas privadas desenvolvam suas atividades de agenciamento de cargas e descargas nas instalações portuárias, as quais são denominadas operadores portuários. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10410.000338/200514 Acórdão n.º 3402002.798 S3C4T2 Fl. 110 5 Diante dos motivos acima expostos, requer a reforma do acórdão recorrido, julgando o auto de infração improcedente, no sentido de afastar a aplicação da multa imposta a Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente. Apensação de PAF Foi apensado a este, o PAF nº 10410.000814/200599, conforme Termo de fl. 107, que se refere a Impugnação protocolada à fl. 21 e Termo de Juntada à fl. 35. Análise do Recurso Voluntário Como asseverado nos autos, trata o presente de Auto de Infração lavrado em 25/01/2005, pela fiscalização da DRF em Maceió (AL), em desfavor da Administração do Porto de Maceió/APMC, tendo como fundamento o fato daquela Administração ter permitido o desembarque e a saída de 03 (três) botes salvavidas, de procedência estrangeira, das instalações do Porto de Maceió, bem como o retorno dessas embarcações ao navio de origem, sem notificar a Fiscalização Aduaneira, o que teria acarretado o “embaraço a ação de fiscalização”, encontrandose tal conduta tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “c” do Decretolei nº 37/66. Verificase na descrição dos fatos constantes do Auto de Infração, às fls. 02/07, em síntese, que a guarda portuária do Porto de Maceió, em 28.12.2004, não tomou conhecimento do desembarque de três botes salvavidas, de procedência estrangeira, do Navio “Maritime Pacific”, de bandeira estrangeira, atracado naquele Porto, permitindo que os mesmos fossem retirados (transportados por veículo), da zona primária do Porto para a zona secundária, sem prévia autorização da fiscalização aduaneira, que só tomou conhecimento da operação irregular, através de denuncia telefônica. O comandante do navio informou à fiscalização aduaneira que os botes retornariam à embarcação após reparos a serem feitos na cidade de Natal (RN). Consta dos autos que o agente marítimo, Williams Serviços Marítimos Ltda., consignatário do navio, na pessoa de seu gerente, é que, avisado pelo comandante do navio do iminente retorno dos botes, comunicou o fato a Fiscalização Aduaneira, que conseguiu, então, deter o veículo e o seu condutor no cais, para a devida fiscalização da mercadoria. Por sua vez a recorrente aduz que não cometeu infração à legislação aduaneira, uma vez que considera que a movimentação de mercadorias da zona portuária para a zona secundária, com a finalidade de realização de reparos, não configura comercialização, e Fl. 112DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 que como tal não necessita de autorização prévia da autoridade aduaneira. Alega que houve falha do agente de navegação que não informou à Administração do Porto a respeito da descarga dos botes. Pois bem. Como veremos a seguir, os argumento da recorrente não pode prosperar. O art. 5º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), vigente à época dos fatos, desta forma determinava: Art. 5º Os portos, aeroportos e pontos de fronteira serão alfandegados por ato declaratório da autoridade aduaneira competente, para que neles possam, sob controle aduaneiro: I estacionar ou transitar veículos procedentes do exterior ou a ele destinados; II ser efetuadas operações de carga, descarga, armazenagem ou passagem de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas; e III embarcar, desembarcar ou transitar viajantes procedentes do exterior ou a ele destinados (grifei). Já o artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, alterou diversos artigos do Decreto lei n° 37, de 1966, dentre eles o artigo 37, §§ 1° e 2°, determinando que o operador portuário deve, obrigatoriamente, prestar informações sobre as operações que execute e as respectivas cargas, ressaltando que nenhuma operação de carga/descarga poderá ser efetivada sem o cumprimento dessa exigência: "Art 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. § l° O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que. em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos e o operador portuário. também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. §2° Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo” (grifei). Como bem colocado pelo decisão a quo, o recorrente ao assumir a administração portuária assume todas as obrigações a ela inerentes e, dentre elas, obviamente, a de cumprir os preceitos normativos, conforme consta expressamente no artigo 33, § l° e incisos, da Lei n° 8.630, de 1993, a saber: “Art. 33 A Administração do Porto é exercida diretamente pela União ou pela entidade concessionária do porto organizado. § 1° Compete à Administração do Porto, dentro dos limites da área do porto: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10410.000338/200514 Acórdão n.º 3402002.798 S3C4T2 Fl. 111 7 I cumprir e fazer cumprir as leis. os regulamentos do serviço e as cláusulas do contrato de concessão; (...) VII fiscalizar as operações portuárias, zelando para que os serviços se realizem com regularidade, eficiência, segurança e respeito ao meio ambiente; (...) Xl – autorizar, previamente ouvidas as demais autoridades do porto, a entrada e a saída, inclusive a atracação e desatracação, o fundeio e o tráfego de embarcação na área do porto, bem assim a movimentação de carga da referida embarcação, ressalvada a intervenção da autoridade marítima na movimentação considerada prioritária em situações de assistência e salvamento de embarcação” (...) grifei. Da Responsabilidade da Recorrente Alega em seu recurso, a ausência de responsabilidade da Recorrente, por inexistir a responsabilidade em prestar as informações descritas pela fiscalização aduaneira, visto que não se enquadra na categoria de operador portuário, tampouco agente marítimo. Na citada Lei n.° 8.630/1993 (Lei dos Portos), que também dispõe sobre o regime jurídico da exploração dos portos organizados e das instalações portuárias, prevê, em seu art. 33, § 1°, inciso III, que compete à Administração do Porto, dentro dos limites da área do porto, préqualificar os operadores portuários. A autuada, Administração do Porto de Maceió, exerce as funções de autoridade portuária e tem, portanto, a competência para préqualificar os operadores portuários, sendo a própria Administração do Porto considerada desde sua constituição, pré qualificada como operador, vejase: "Lei n." 8.630/1993 Art. 9º A préqualificação do operador portuário será efetuada junto à Administração do Porto, na forma de norma publicada pelo Conselho de Autoridade Portuária com exigências claras e objetivas. § 1º. As normas de préqualificação referidas no caput deste artigo devem obedecer aos princípios da legalidade, moralidade e igualdade de oportunidade. § 2º. (...). § 3º. Considerase préqualificada como operador a Administração do Porto. "(grifei). Como se vê, o operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. E mais, quando estiverem em área controlada pela Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Administração do Porto, a responsabilidade pela movimentação das mesmas cabe à Administração do Porto, conforme disposto nos arts. 12 e 13, da mencionada Lei n.° 8.630/1993, verbis: Art. 12. O operador portuário é responsável, perante a autoridade aduaneira, pelas mercadorias sujeitas a controle aduaneiro, no período em que essas lhe estejam confiadas ou quando tenha controle ou uso exclusivo de área do porto onde se acham depositadas ou devam transitar. Art. 13. Quando as mercadorias a que se referem o inciso II do art. 11 e do artigo anterior desta lei estiverem em área controlada pela Administração do Porto e após o seu recebimento, conforme definido pelo regulamento de exploração do porto, a responsabilidade cabe à Administração do Porto. (grifei) Ainda conforme a IN da SRF nº 37, de 1996, que e disciplinava termos e condições para o alfandegamento de portos organizados e instalações portuárias de uso público ou de uso privativo, nos quais se inserem o Recorrente, à época do fato gerador, as concessionárias ou permissionárias desse tipo de serviço obrigamse aos seguintes termos: Art. 1º As operações de comércio exterior em portos organizados e instalações portuárias de uso público ou de uso privativo, somente poderão ser realizadas após prévio alfandegamento por Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal. Art. 2º A solicitação de alfandegamento de portos organizados e instalações portuárias de uso público ou de uso privativo será protocolizada pela empresa interessada, na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF com jurisdição sobre o local, instruída com os seguintes documentos: (...) . III prova de préqualificação como operador portuário, no caso de exploração de instalação portuária de uso público; (...) . VIII declaração firmada pelo representante legal da interessada, de que assume a condição de fiel depositário das mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, carregadas, descarregadas, movimentadas, armazenadas ou de passagem pela instalação, conforme o modelo constante do Anexo Único a esta Instrução Normativa; Portanto, o fato do Recorrente haver permitido o desembarque e a saída da área portuária e, posteriormente, a entrada de mercadoria sem a devida manifestação por parte da autoridade aduaneira, impossibilitou que esta exercesse atividades essenciais ao controle administrativo e fiscal das mercadorias em comento, nos termos da legislação aduaneira. Em outras palavras, o prejuízo à Recorrente, retratado pelo Auto de Infração, decorre exclusivamente de sua incapacidade em cumprir a função que deveria desempenhar. Nesse sentido, entendo correto que a Recorrente arque com a multa aduaneira referente à infração que acometeu, qual seja, haver permitido o desembarque e a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10410.000338/200514 Acórdão n.º 3402002.798 S3C4T2 Fl. 112 9 saída da área portuária e, posteriormente, a entrada de mercadoria sem a devida manifestação por parte da autoridade aduaneira. O Recorrente considera em seu recurso que “(...) a movimentação de mercadorias da zona portuária para a zona secundária, com a finalidade de realização de reparos, não configura comercialização, e que como tal não necessita de autorização prévia da autoridade aduaneira”, argumentando ainda que “(...) houve falha do agente de navegação que não informou à Administração do Porto a respeito da descarga dos botes”. Como é cediço, o artigo 136 do Código Tributário Nacional (CTN), atribui, como regra, a responsabilidade do agente quando do cometimento de infrações tributárias, independentemente de dolo ou máfé. E a chamada responsabilidade objetiva: “Art. 136 Salvo disposição de lei em contrario. a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Desta forma, assiste razão à autoridade lançadora ao asseverar que o fato sob julgamento subsumese ao previsto na alínea “c” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n° 37, de l966, com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003; "Art. l07 Aplicamse ainda as seguintes multas (redação dada pela Lei n"10.833, de 29, 12, 2003): (...) IV de RS 5.000,00 (cinco mil reais) (redação dada pela Lei n” 10.833, de 29.12.2003): a) (...), b) (...); c) a quem. por qualquer meio ou forma,omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Do objeto da Fiscalização Aduaneira O recorrente alega que não existiu prejuízo algum à autoridade aduaneira, pois a fiscalização foi devidamente realizada sem apresentação de irregularidades. E que, após realizada a fiscalização pretendida, esta não lavrou Auto de Infração ou outro ato que Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 instituísse aos responsáveis pelos botes, obrigação de pagamento dos tributos de importação decorrentes da suposta transação comercial, fato que confirma o desembarque dos botes somente para reparo, sem infringir as normas de importação. Ressaltese que também não assiste razão a Recorrente neste ponto, uma vez que nos autos em discussão não se trata de lançamento de tributos e sim de multa (penalidade) aplicada pelo descumprimento de obrigações legais atribuídas a Administração do Porto de Maceió. Consta do relatório da fiscalização às fl. 08, onde fica bem caracterizado a situação do descumprimento de obrigações e a tipificação do embaraço a ação do Fisco. Veja se trechos abaixo transcritos: “(...) a fiscalização aduaneira ... que só veio a tomar conhecimento da operação irregular através de denúncia anônima por telefone, e quando os botes salvavidas já haviam sido retirados do navio e estavam a caminho da cidade de Natal/RN. (...) Vale salientar, ainda, que após tomar conhecimento da operação irregular e tendo obtido a informação do comandante do navio de que os botes salvavidas deveriam retomar, pois tinham saído do navio apenas para serem submetidos a reparos, a fiscalização aduaneira desta Delegacia dirigiuse até o posto da guarda portuária e solicitou aos guardas que lá se encontravam que, quando do retomo dos botes, detivessem o veículo que os transportasse e comunicassem imediatamente à Receita Federal, pois os botes deveriam retomar para bordo sob acompanhamento fiscal, e os responsáveis pela operação irregular deveriam ser identificados para serem responsabilizados na forma da lei. Para isso, foram deixados com os guardas todos os nomes e números de telefones da equipe de fiscalização aduaneira em serviço na ocasião para que fosse avisada logo que o veiculo chegasse. Infelizmente, mais uma vez a guarda portuária da Administração do Porto de Maceió não colaborou com a fiscalização aduaneira e não atendeu a nossa solicitação, permitindo que o veiculo adentrasse o porto e os botes fossem devolvidos a bordo sem acompanhamento fiscal, obstruindo e embaraçando, pela segunda vez, num mesmo evento, ação de fiscalização aduaneira, que somente não foi totalmente frustrada graças a pronta intervenção do agente marítimo (...)” (grifei). Posto isto e após análise da presente lide, concluise que revelase incontroverso o fato de a guarda portuária da Administração do Porto de Maceió, não ter colaborado com o controle aduaneiro e tomado nenhuma providência para impedir que fossem retirados de bordo do navio de bandeira estrangeira, atracado no porto e levados para fora da zona primária, 03 (três) botes salvavidas de procedência estrangeira, sem a prévia autorização da fiscalização aduaneira e sem as cautelas fiscais legais, obstruindo e embaraçando, desta forma, a ação do Fisco. Conclusão Nesse sentido, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE provimento, mantendose integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10410.000338/200514 Acórdão n.º 3402002.798 S3C4T2 Fl. 113 11 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11971.000129/00-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1989 a 31/01/1995
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Provido em Parte
Numero da decisão: 9900-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1989 a 31/01/1995 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Provido em Parte
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1989 a 31/01/1995 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 1. 00 01 29 /0 0- 11 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11971.000129/0011 Acórdão n.º 9900000.902 CSRFPL Fl. 475 2 Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Manoel Coelho Arruda Júnior, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0203.283, proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de PIS, referente ao período de apuração compreendido entre agosto de 1989 e janeiro de 1995, sob o argumento de que o termo a quo do prazo decadencial é a data da publicação da Resolução nº 49, do Senado Federal (10/10/1995) e não a data da extinção do crédito pelo pagamento. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 464/465. Regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11971.000129/0011 Acórdão n.º 9900000.902 CSRFPL Fl. 476 3 O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo inicial para restituição do PIS, no caso de pagamento a maior referente à declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88, seria a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, enquanto que a Fazenda Nacional em seu extraordinário defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN c/c os arts. 3º e 4º da LC 118/05. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre agosto de 1989 e janeiro de 1995, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 12 de junho de 2000. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11971.000129/0011 Acórdão n.º 9900000.902 CSRFPL Fl. 477 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11971.000129/0011 Acórdão n.º 9900000.902 CSRFPL Fl. 478 5 Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, na data em que protocolado o pedido de repetição (12/06/2000), encontravamse alcançados pela prescrição, apenas os créditos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a junho de 1990. Os indébitos referentes a fatos geradores ocorridos em períodos de apuração compreendidos a partir daquele mês (junho de 1990), não estavam prescritos. Com base nesses fundamentos, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito à repetição dos indébitos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente ao período de apuração referente a junho de 1990. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.001308/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Tendo havido omissão de questão suscitada pela contribuinte e não trata nas razões de voto, devem ser conhecidos os embargos de declaração para que a questão omissa seja debatida e julgada pelo colegiado.
Numero da decisão: 1401-001.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos em relação à decadência e ao critério da forma de tributação, e pelo voto de qualidade, ACOLHER em parte os embargos para lhes dar efeitos infringentes em relação ao último ponto, para então converter o Julgamento em diligência no que diz respeito a verificação de custos/despesas adicionais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que davam efeitos infringentes aos embargos em maior extensão, para cancelar os autos de infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Redator Designado
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre Mendes de Moura (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Tendo havido omissão de questão suscitada pela contribuinte e não trata nas razões de voto, devem ser conhecidos os embargos de declaração para que a questão omissa seja debatida e julgada pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos em relação à decadência e ao critério da forma de tributação, e pelo voto de qualidade, ACOLHER em parte os embargos para lhes dar efeitos infringentes em relação ao último ponto, para então converter o Julgamento em diligência no que diz respeito a verificação de custos/despesas adicionais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que davam efeitos infringentes aos embargos em maior extensão, para cancelar os autos de infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 08 /2 01 0- 81 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 3 2 que, na data da formalização da decisão, o relator ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre Mendes de Moura (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de embargos de declaração por meio do qual a Embargante Contribuinte alega a existência de omissão e contradição no acórdão embargado, bem como aponta questão a ser conhecida como sendo de ordem pública, requerendo, assim, sejam dados efeitos infringentes ao recurso. Alega, a Embargante, que são dois os pontos em discussão: a) Depósitos bancários considerados como receita, por meio da presunção do art. 42 da lei nº 9.430/96; b) Omissão de receitas decorrente de “numerários auferidos, mesmo comprovados, mas não contabilizados, os quais foram tributados, na forma da lei”. Apontam, os embargos que a omissão se referiria ao segundo item, que não teria sido objeto de tratamento por parte do acórdão embargado. Alega, ainda, contradição no acórdão embargado para o agravamento da multa, uma que “as intimações mencionadas não se destinava a prestação de esclarecimentos, mas sim apresentação de documentação tendente a afastar a presunção de omissão de receitas”, o que estaria excluído da previsão do §2º do art. 44 da lei nº 9.430/96. Ainda, aduz a Embargante a existência de questão de ordem pública, que deve ser conhecida por este Órgão Julgador, referente ao erro no lançamento por ausência de arbitramento na apuração do lucro tributável. Isso porque, tendo havido enorme disparidade entre os valores tidos por omitidos e a receita considerada para fins de tributação, o lançamento deveria terse dado por arbitramento, afastandose a tributação pelo lucro real. Por fim, aduz ter havida decadência de parte do crédito tributário de PIS e COFINS, também matéria de ordem pública a ser conhecida por esta Corte. A decisão embargada encontrase assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 INTIMAÇÃO FEITA NO ENDEREÇO DA EMPRESA. VALIDADE. As intimações realizadas, no curso da fiscalização, assinadas por pessoas presentes no endereço da empresa são válidas, ainda que não comprovado o vínculo empregatício com as Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 4 3 mesmas. Na hipótese, a pessoa que assinou pela empresa foi por ela reconhecida como sua preposta, não havendo razões para se postular a nulidade das intimações. PRESUNÇÃO DE RECEITA. FICÇÃO LEGAL. ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO PROVA. Segundo o art. 42 da lei nº 9.430/96 presumese receita da contribuinte os valores entrantes nas contas correntes que não forem devidamente identificados como sendo de terceiros. Se a contribuinte alega que os valores que transitaram por sua conta corrente pertence a terceiros, deve comprovar referida situação por meio de uma escrituração contábil escorreita, demonstrando, por meio de contratos e transações financeiras coincidentes em datas e valores, a regularidade das transações realizadas. MULTA QUALIFICADA A multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de dolo ou fraude, devendo a autuação especificamente apontar quais fatos caracterizam o pressuposto necessário à aplicação da dobra da multa punitiva. Se a aplicação da multa qualificada vem desacompanhada da descrição de fato típico, a mesma deve ser afastada. MULTA AGRAVADA. Aplicase a multa agravada, mediante o aumento de metade da multa de ofício aplicada, ao contribuinte que deixa de atender sucessivas intimações da Autoridade Fiscalizadora, ignorando por completo a fiscalização a que está sendo submetido. Recurso voluntário provido em parte." É o relatório, no necessário. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 5 4 Antes de se proceder o julgamento dos presentes embargos, entendo necessário delimitar as matérias de seu conhecimento. Inicialmente, com relação à alegação de omissão do item ‘b’ supra descrito, “omissão de receitas decorrente de “numerários auferidos, mesmo comprovados, mas não contabilizados, os quais foram tributados, na forma da lei”, entendo que falta razão à Embargante. Do voto embargado, extraise o seguinte: "São dois momentos a serem considerados: PRIMEIRO: durante o procedimento de fiscalização, verificou se que as entradas financeiras constantes dos extratos bancários não estavam devidamente escrituradas nos livros fiscais e, ante a ausência de elementos acerca da sua origem, foram consideradas como omissão de receita, nos termos do art. 42 da lei nº 9.430/96; SEGUNDO: em sede de impugnação, a Recorrente deveria comprovar que as entradas financeiras apontadas nos extratos bancários não constituem receitas para fins de tributação. Todavia, como visto, a documentação apresentada não se presta a este fim, pelo que se nega à possibilidade de afastamento da presunção legal que fundamenta o auto de infração. Vejase que a Recorrente alega que era mera repassadora de valores entre a venda de ingressos e os executores dos espetáculos, para os quais realizava venda futura. Ou seja, receberia agora, em nome de terceiros, para lhes repassar os valores no futuro. No entanto, essa versão dos fatos é de diferença tênue com outra mais consistente com as provas dos autos, de que a Recorrente recebia as receitas em nome próprio e incorria em despesas para realização dos shows. Para sustentar a sua versão, deveria, a Recorrente, demonstrar por meio de sua contabilidade, por meio de contratos individualizados por espetáculo, a sua real função de intermediadora ou de mera locadora dos espaços artísticos, o que não o fez. Longe disso, a Recorrente atevese a apresentar recibos e notas fiscais de despesas, desvinculadas da indicação de receitas, impossibilitando a identificação e confirmação de que os valores recebidos em sua conta corrente não lhe pertencia." Salvo melhor Juízo, a matéria considerada como sendo omissão de receita da atividade da contribuinte referese justamente à presunção de omissão de receitas decorrentes da movimentação bancária não escriturada e demonstrada. Tratase, pois, de questão probatória que, segundo a decisão deste Colegiado, não restou devidamente demonstrado pelo contribuinte por meio de documentação hábil e idônea. Não existe, assim, a omissão pretendida, pelo que os embargos não merecem conhecimento neste particular. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 6 5 Com relação às causas de agravamento da multa por não atendimento da fiscalização, não vejo nenhuma contradição a ensejar análise dos embargos. De fato, da decisão embargada, extraise o seguinte: "A qualificação da multa, aplicada exclusivamente no omissão das receitas consideradas operacionais (planilha 01) não foi devidamente enquadrada no termo de verificação fiscal. De fato, às fls. 372/373, não diz, o Termo de Verificação Fiscal, quais foram as condutas que sustentam a aplicação da multa dobrada, no percentual de 150%, razão pela qual eu a exonero. No que toca à multa agravada, no entanto, entendo estar perfeitamente discriminada a sua aplicação. Vejase o que fiz o TVF às fls. 372 e 373, in verbis: O sujeito passivo, embora regularmente intimado, não prestou os necessários esclarecimentos solicitados pela fiscalização, sujeitandose ao agravamento das penalidades a que está sujeito em decorrência do lançamento de oficio, nos termos do artigo 959, inciso I do RIR/99, "in verbis": "Art. 959. As multas a que se referem os incisos Xe lido art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei no 9.430, de 1996, art. 44, § 2º , e Lei n°9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; De fato, inúmeras são as intimações que simplesmente foram ignoradas pela Recorrente no curso da Fiscalização. E nem se diga que a culpa foi do Sr. Milton Mangini, como alegado em sede de recurso. Ao contrário, as intimações assinadas por referida pessoa foram, de certa forma, respondidas como pedido de prorrogação de prazos. O descaso para com a fiscalização deuse em outros momentos, tais como das intimações realizadas em 02/12/2009, 21/12/2009, 12/02/2010. 20/03/2010 e 29/03/2010, todas elas simplesmente ignoradas por parte da Recorrente. Com estes fundamentos, mantenho o agravamento da multa, unificandoa, para todo o auto de infração, no percentual de 112,5%." Tendo a matéria sido devidamente enfrentada na decisão embargada, não há que se conhecer dos embargos nesse particular. Com relação ao erro no lançamento, por ter sido feito sob o pálio do lucro real, e não do lucro arbitrado, houve, de fato, insuficiência do julgado. A embargante, em recurso, alegou o seguinte (fls. 1054/1055e): Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 7 6 A decisão embargada afastou referidos argumentos, nos seguintes termos: "CÁLCULO DO ARBITRAMENTO A Recorrente invoca os arts. 284, 285 e 286 do RIR/99, para dizer sobre uma formula ininteligível de arbitramento de sua receita. No entanto, nada daquilo é necessário. O art. 42 da lei nº 9.430 permite a presunção da omissão de receita os depósitos de origem não identificada, de forma a que, com base em referida presunção, lavrouse o auto de infração." Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 8 7 Olvidouse, no entanto, a análise da alegação entre a composição de custos relativos a receitas tidas por omitidas. Se, de um lado, a decisão apontouse a desnecessidade de maiores considerações com relação ao arbitramento da receita em decorrência da presunção legal, deixou de se pronunciar sobre a alegação de que “tudo que havia de movimento foi tido como receita tributável e os custos foram desconstituídos da categoria de custos e passaram a ser lucro da empresa”. Conheço, assim, dos embargos neste ponto, por ter havido omissão do julgado com relação a essa matéria. Por fim, no que toca à decadência, tendo havido a desqualificação da multa de ofício, de 150% para 75% (ainda que sobre esse índice tenha incidido a multa agravada), entendo que se trata de matéria de ordem pública, a ser conhecida em qualquer momento do julgamento. Assim, conheço dos embargos com relação ao (i) critério de lançamento (por omissão) e (ii) decadência (matéria de ordem pública). CRITÉRIO DE LANÇAMENTO Aduz, a Embargante, em seu recurso, que da forma como o lançamento foi realizado, foram desconsiderados os custos referentes à receitas tidas por omitidas, o que constitui nulidade insanável do lançamento. Passo à análise do argumento. Como narrado nos fatos, tratase de lançamento de IRPJ com fundamento na presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, em razão da omissão de receitas oriundas de vultosas movimentações bancárias de origem não comprovada pela Recorrente. Em decorrência, declarouse também a insuficiência na determinação da base de cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS. A questão já foi objeto de análise em processo similar por essa turma (15758.000605/201003). A base de cálculo do IRPJ é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decretolei 1.598/72, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercia1. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Em vista desse pano de fundo, concluise que o art. 42 não pode ser visto de forma isolada, aplicado às cegas pelo Fisco, de modo a tributar depósitos bancários vultosos que certamente não refletem os lucros auferidos com a atividade. Esse dispositivo deve ser interpretado dentro do contexto normativo no qual está inserido, nunca se esquecendo de que o fato gerador do IRPJ é a própria renda e não meras receitas/faturamento. Assim, estando comprovado que a omissão de receitas efetivamente ocorreu e está inequivocamente comprovada nos autos, tenho que o caminho que deveria ter sido adotado pela Autoridade Fiscal seria o arbitramento do lucro, diante da sua impossibilidade de aceitar ou de apurar o lucro real da pessoa jurídica. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 9 8 O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita e não sobre o lucro. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumese as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. Inclusive, é interessante destacar que, embora o arbitramento seja uma modalidade mais gravosa de apuração do lucro, o que se pretende, na verdade, é identificar com razoabilidade o lucro tributável, sobre o qual irá incidir o IRPJ e a CSLL. É importante frisar que não se está afastando a possibilidade de aplicação da presunção de omissão de receitas estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. O que se defende é, no caso de se evidenciar a total incoerência e discrepância entre a base de cálculo declarada e a base de cálculo apurada pela Fiscalização, estarseia diante da desconsideração da escrituração contábil do contribuinte, devendo, portanto, calcular o lucro na modalidade de arbitramento. Assim, caso a Autoridade Fiscal se depare com tamanha divergência, deve apurar o lucro arbitrado e verificar se este é superior ou inferior à base de cálculo calculada considerando as receitas omitidas. Caso o arbitramento seja inferior à base de cálculo encontrada com o acréscimo das receitas omitidas, aplicase o lucro arbitrado, pelo fundamento de que estarseia diante da desconsideração da escrituração fiscal do contribuinte, vez que os valores apurados evidenciariam tamanha divergência que aplicar cegamente a presunção de omissão de receitas, descontextualizandoa do sistema tributário, implicaria tributação de algo divergente da renda e, conseqüentemente, fora do alcance da tributação. Assim, verificada a omissão de receitas pela Autoridade Fiscal e evidenciada a imprestabilidade da escrituração contábil, resta como única opção para a fiscalização o arbitramento do lucro tributável nos períodos auditados. No mesmo sentido, seguem os precedentes deste E. Conselho: "Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA JURÍDICA – IRPJ. ANOCALENDÁRIO 2000. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receitas os valores dos depósitos em conta bancária cuja origem não restar comprovada mediante documentação idônea, por contribuinte intimada a fazêlo, inclusive com relação a alegação de que a conta bancária pertence a terceiro. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO ART. 42 DA LEI 9430/96 – DESPROPORCIONALIDADE. Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 10 9 jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b"). PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins o que restar decidido no lançamento do IRPJ. (Processo nº 10980.010629/200548. Acórdão nº 1301000.425. 3ª Câmara / 1ª Turma. Sessão de 11 de Novembro de 2010) IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO ART. 42 DA LEI 9430/96 DESPROPORCIONALIDADE Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei 9430/96, e sendo tal omissão de receita em montante vultoso e que não seja proporcional para cômputo como lucro da pessoa jurídica, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado (RIR/99, art. 530, II, "a" e "b"). (Processo n°.: 16327.001706/200488. Recurso n°. :146.488. Sessão de 16 de agosto de 2006. Acórdão n°. :10808.953)" O posicionamento ora difundido decorre da mesma lógica de se aplicar o lucro arbitrado quando a autoridade fiscal se depara com a glosa quase total de custos ou despesas. Da mesma forma que a comprovação da necessidade e usualidade dos custos/despesas é do contribuinte, não se admite que se utilize da inversão do ônus da prova de forma cega que acarrete a tributação das próprias receitas, uma vez que os custos e despesas foram amplamente glosados. A lógica acima exposta resolveria também os casos de glosa excessiva de custos e/ou despesas. Caso a glosa seja de tal montante que a aplicação do arbitramento resultaria em uma base de cálculo menor, a Autoridade Fiscal deverá desconsiderar a escrituração contábil do contribuinte, aplicandolhe o arbitramento. Diante dessas situações, este Conselho se posiciona no sentido de aplicar o lucro arbitrado, uma vez que a glosa de tamanha desproporção acaba por evidenciar o desprezo da escrituração contábil do contribuinte. A este respeito, confirase o posicionamento deste órgão: "IRPJ GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS Incabível a preservação da tributação pelo mal, quando a autoridade fiscal procede à glosa de 100% dos custos e 99,97% das despesas operacionais da pessoa jurídica, em razão da não apresentação dos documentos comprobatórios reiteradamente solicitados. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida, aquela que tem seus lançamentos lastreados em documentos hábeis e idôneos.Recurso voluntário provido (Acórdão n ° CSRF/0102.554, sessão de 07.12.1998) IRPJ GLOSA DE CUSTOS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 11 10 pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade dos custos dos serviços vendidos. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. (Acórdão nº 10808.823, sessão de 24.05.2006) IRPJ GLOSA DE DESPESAS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade das despesas operacionais lançadas. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro líquido, que é a soma algébrica de receitas, custos e despesas. (Acórdão nº 10808.184, sessão de 13.02.2005)." No caso em apreço, foram imputadas à Contribuinte as seguintes omissões de receita: Imputase, à Contribuinte, omissão de receita (art. 42 da lei nº 9.430) de R$11.474.293,02 e R$5.932.9764,99 (receita operacional omitida), contra R$2.290.577,10 de receita de prestação de serviço declarada. Nessa situação, a contabilidade da empresa mostrase imprestável para a apuração do lucro real, pelo eu deveria, necessariamente, terse procedido o arbitramento do lucro, sob pena de se tributar a receita como se lucro fosse, uma vez que os custos diretamente relacionados a essa receita tida por omitida não foram considerados na apuração do lucro, dada que os mesmos não foram aceitos pela fiscalização. De fato, a própria decisão recorrida reconhece as deficiências da escrituração da Embargante: "Em primeiro lugar, os montantes, a qual a impugnante deseja comprovar como dispêndios e/ou repasses, os quais não são receitas tributáveis, devem estar escriturados e demonstrados Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 12 11 com documentação complementar, entre elas, os contratos celebrados entre as partes, pois os documentos acostados são insuficientes para a comprovação de que os referidos valores, de fato, não são receitas. Deveria a pleiteante ter apresentado demonstrativo conciliando os montante apurados pela autoridade fiscal e os que pretende demonstrar como despesas e/ou dispêndios afastando a presunção de receitas omitidas, o que não foi feito. Por exemplo, na documentação de fls.835/854 não há comprovação das operações realizadas, as quais geraram as alegadas despesas, ou sej a, apenas um demonstrativo de composição de dispêndios, recibos emitidos pelos prestadores de serviços e recibo de depósitos bancários não possibilitam identificar, de fato, qual gasto ocorreu no período. Os recibos de depósitos e os comprovantes de entrega, por si sós, nada indicam a quais despesas estão relacionadas, pois desprovidos de escrita fiscal (Livros Diário e Razão). Sem a documentação, a qual lastreie as operações, nem sequer é factível o reconhecimento como despesas. Quanto as notas fiscais de serviços emitidas pelos cliente da impugnante, os montantes não estão acompanhados da escrita fiscal bem como não há provas de que as referidas receitas foram oferecidas à tributação não afastando, portanto, a caracterização de omissão de receitas. Quanto as notas fiscais de serviços emitidas pelos cliente da impugnante, os montantes não estão acompanhados da escrita fiscal bem como não há provas de que as referidas receitas foram oferecidas à tributação não afastando, portanto, a caracterização de omissão de receitas." Se a escrituração reconhecidamente não reflete segurança para apuração das receitas, os custos e despesas incorridos, não pode a mesma ser validada para fins de lançamento do imposto de renda no lucro real. Nesse sentido, acolho os embargos de declaração, em seus efeitos infringentes, para considerar nulo o presente lançamento, por erro no critério de lançamento, tendo em vista a não adoção do lucro arbitrado. Em decorrência, devem ser também cancelados os autos de infração de CSLL e de PIS/COFINS, estes últimos indevidamente lançados no regime não cumulativo. DECADÊNCIA Tendo em vista a desqualificação da multa pelo julgamento da decisão embargada e dos pagamentos parciais, e em considerando que o lançamento foi notificado ao contribuinte em 29/05/2010, deve ser reconhecida a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS de janeiro a abril de 2005. DISPOSITIVO: Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência dos lançamentos de PIS e COFINS dos meses de janeiro a abril de 2005 e, no mérito, acolher os embargos para Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 19515.001308/201081 Acórdão n.º 1401001.412 S1C4T1 Fl. 13 12 suprir a omissão e, com efeitos infringentes, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Redator Designado Conforme relatado, tratase de embargos declaratórios manejados pela contribuinte, em face de Acórdão unânime proferido por esta Turma. Este colegiado, acompanhando o voto do ilustre Conselheiro Relator, decidiu por unanimidade conhecer dos embargos declaratórios em relação à decadência e ao critério da forma de tributação, conferindo efeitos infringentes em relação ao último ponto (forma de tributação). No entanto, na sequência do julgamento surgiram opiniões divergentes, sendo que pelo voto de qualidade o julgamento foi convertido em diligência, no que diz respeito à verificação de custos/despesas adicionais, conforme alegado pela ora embargante. Assim sendo, deve o presente processo retornar à unidade de origem, para que a contribuinte seja intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, provas hábeis e idôneas referentes aos custos e despesas adicionais nas quais alega ter incorrido. Devem as autoridades autuantes analisar os documentos eventualmente juntados pelo contribuinte, elaborando relatório fundamentado, acerca dos custos e despesas que poderão ser aceitos. Por fim, o citado relatório deve ser cientificado ao contribuinte, para simples manifestação (sem o direito de juntar novas provas), no prazo de 20 dias. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13819.000810/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003
NULIDADES.
Estando o ato administrativo motivado com base em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e segundo a interpretação oficial da lei estabelecida pela Administração Tributária, rejeita-se a preliminar de nulidade.
PRECLUSÃO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação. Se o contribuinte solicitou em impugnação que a CIDE TECNOLOGIA fosse calculada sobre o valor da remessa adicionado do IRRF calculado com alíquota de 15%, ocorreu a preclusão de discutir no recurso voluntário a ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE.
CIDE TECNOLOGIA. INCIDÊNCIA.
A contribuição instituída pela Lei nº 10.168/2000 incide sobre o valor das remessas efetuadas ao exterior a título de remuneração pelas obrigações contraídas nos contratos especificados na lei, não sendo requisito essencial para a incidência que haja transferência de tecnologia.
CIDE. BASE DE CÁLCULO.
Verificado nos elementos carreados aos autos na diligência que o fisco calculou a CIDE sobre o valor de algumas remessas reajustado pelo valor do IRRF calculado com alíquota de 25%, dá-se provimento ao recurso para determinar a retificação dos cálculos, a fim que a referida contribuição incida sobre o valor da remessa reajustado pela adição do IRRF apurado com alíquota de 15%.
MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Restando incontroverso nos autos que o crédito tributário relativo ao mês de abril de 2003 está com sua exigibilidade suspensa, exclui-se a multa de ofício em relação a esse período de apuração, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança de juros de mora com base na taxa selic, a teor da Súmula CARF nº 4.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a) o auto de infração seja recalculado em relação aos períodos de apuração em que houve incidência da CIDE sobre o valor da remessa reajustado em 25%, devendo a fiscalização refazer as contas reajustando o valor de cada remessa em 15%: b) seja excluída a multa de ofício lançada em relação ao período de apuração de abril de 2003, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente do depósito judicial; e c) seja excluído da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Estando o ato administrativo motivado com base em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e segundo a interpretação oficial da lei estabelecida pela Administração Tributária, rejeitase a preliminar de nulidade. PRECLUSÃO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação. Se o contribuinte solicitou em impugnação que a CIDE TECNOLOGIA fosse calculada sobre o valor da remessa adicionado do IRRF calculado com alíquota de 15%, ocorreu a preclusão de discutir no recurso voluntário a ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. CIDE TECNOLOGIA. INCIDÊNCIA. A contribuição instituída pela Lei nº 10.168/2000 incide sobre o valor das remessas efetuadas ao exterior a título de remuneração pelas obrigações contraídas nos contratos especificados na lei, não sendo requisito essencial para a incidência que haja transferência de tecnologia. CIDE. BASE DE CÁLCULO. Verificado nos elementos carreados aos autos na diligência que o fisco calculou a CIDE sobre o valor de algumas remessas reajustado pelo valor do IRRF calculado com alíquota de 25%, dáse provimento ao recurso para determinar a retificação dos cálculos, a fim que a referida contribuição incida sobre o valor da remessa reajustado pela adição do IRRF apurado com alíquota de 15%. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 08 10 /2 00 4- 25 Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Restando incontroverso nos autos que o crédito tributário relativo ao mês de abril de 2003 está com sua exigibilidade suspensa, excluise a multa de ofício em relação a esse período de apuração, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na taxa selic, a teor da Súmula CARF nº 4. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a) o auto de infração seja recalculado em relação aos períodos de apuração em que houve incidência da CIDE sobre o valor da remessa reajustado em 25%, devendo a fiscalização refazer as contas reajustando o valor de cada remessa em 15%: b) seja excluída a multa de ofício lançada em relação ao período de apuração de abril de 2003, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente do depósito judicial; e c) seja excluído da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula, quanto à exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 06/05/2004 lavrado para exigir o crédito tributário relativo à CIDE TECNOLOGIA (Lei nº 10.168/2000), multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2002 e abril de 2003. Segundo nos dá conta o termo de verificação fiscal de fls. 54/62: 1) O contribuinte deixou de recolher a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico referente a pagamentos de contratos que tiveram por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes prestados por residentes ou domiciliados no exterior ou pagamento de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior; Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 3 3 2) O contribuinte teve indeferido o pedido de liminar no processo 2003.61.14.0003905SP, que visou suspender a exigibilidade da CIDE, assim como teve negado o efeito suspensivo ao Agravo de Instrumento, impetrado através do processo 2003.03.00.0043459 (cópias fls. 30 a 32); 3) O contribuinte recolheu o valor de R$ 2.290.587,87 referente aos fatos geradores ocorridos em março de 2003 (DARF fl. 48), e efetuou o depósito judicial do valor de R$ 2.126.388,61 referente aos fatos geradores do mês de abril de 2003 (fl. 47). Entretanto este depósito não foi considerado na apuração do auto de infração porque não existe ordem judicial determinando ou autorizando o depósito ou impedindo a autoridade tributária de fazer o lançamento de ofício; 4) Os valores foram remetidos integralmente, portanto, para a apuração dos valores devidos foi efetuado o reajustamento da base de cálculo da CIDE. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Nulidade do auto de infração, pois a fiscalização teria deixado de verificar adequadamente a ocorrência da hipótese de incidência da CIDE, uma vez que exigiu a contribuição sobre as mais variadas remessas de recursos ao exterior, sem comprovar — e mais que isso, sem sequer verificar — se elas seriam efetivamente a realização da hipótese de incidência do tributo; 2) As remessas ao exterior que deverão ser tomadas como base de cálculo da CIDE são somente aquelas relativas às previsões legais de sua incidência, quais sejam (i) deter licença de uso; (ii) adquirir conhecimentos tecnológicos; e, por fim, (iii) ser signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia; 4) A Fiscalização computou todos os valores remetidos ao exterior durante o período de janeiro de 2002 a abril de 2003 para o cálculo da CIDE supostamente devida, sem levar em consideração a natureza da remessa; procedimento este que estaria incorreto, uma vez que a hipótese de incidência da CIDE da Lei n° 10.168/2000 requer, em qualquer caso, a realização de uma transferência de tecnologia; 5) Não pode ser exigida a CIDE relativamente às remessas internacionais de divisas para pagamentos de direitos autorais sobre software diretamente aos autores, pois estes não podem ser confundidos com o pagamento de royalties; 6) A CIDE tem como hipótese de incidência negócios jurídicos e apenas incide sobre aqueles realizados após o início de vigência da Lei n° 10.168/00, e portanto seria ilegal a incidência da CIDE sobre as remessas internacionais realizadas para pagamentos relativos a contratos celebrados antes da vigência da Lei n° 10.168, de 29 de dezembro de 2000, relativamente às hipóteses de incidência previstas no caput de seu artigo 2o , bem como antes da vigência da Lei n° 10.332, de 19 de dezembro de 2001, relativamente às hipóteses de incidência previstas no § 2º do mesmo artigo; 7) Teria ocorrido erro na determinação da base de cálculo da contribuição, que teria sido adotada como sendo a mesma do Imposto de Renda na Fonte inclusive nos casos em que a contribuinte, entendendo não serem fatos geradores da CIDE, informou como base de cálculo do IRF valores considerando tal imposto com a alíquota de 25%, e não de 15%, alíquota que incide nas remessas que configuram fato gerador da CIDE; Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 8) Impugnou os consectários do lançamento de ofício. A multa de 75% em relação ao período de apuração abril/2003 seria indevida, pois o tributo estaria com a exigibilidade suspensa, devido à existência de ordem e de depósito judicial. Já a exigência de juros calculados com base na taxa Selic seria ilegal e inconstitucional. A 5ª Turma da DRJ Campinas, por meio do Acórdão nº 7.604, de 29 de setembro de 2004, julgou o lançamento procedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LICENÇA DE USO DE SOFTWARE. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. São tributadas como royalties as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior com vista à aquisição de programas de computador (software), para distribuição e comercialização no Brasil ou para uso próprio. A partir de 1º de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por pessoa jurídica sediada no País a residentes ou domiciliados no exterior a título de remuneração de serviços de assistência administrativa e semelhantes estão sujeitos à incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, à alíquota de 10% (dez por cento). CIDE. FATO GERADOR. REMESSA DE DIVISAS. O fato gerador da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, é a remessa de divisas para o exterior para pagamentos relativos aos Contratos a que se refere a Lei n° 10.168, de 2000, e não a celebração de tais contratos, sendo irrelevantes, para sua ocorrência, as datas em que os contratos tenham sido formalizados. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO. INSUFICIÊNCIA. Depósito de valor inferior ao montante integral do crédito tributário não suspende sua exigibilidade. A multa de ofício é devida se o crédito tributário não está com a exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, calculados por meio da taxa Selic, conforme expressa previsão legal. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no S T F . Lançamento Procedente Regularmente notificado daquele Acórdão em 08/12/2004 (fl. 803), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 816/845, em 04/01/2005, no qual reprisou as alegações de impugnação e contestou a decisão da DRJ quanto aos seguintes pontos: a) A preliminar de nulidade foi rejeitada sob o argumento de que se confunde com o mérito. Não há confusão entre a preliminar e o mérito, pois o lançamento fiscal sem a verificação da ocorrência do fato gerador, sem os elementos de prova e sem descrição de fato deve ser cancelado por nulidade; Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 4 5 b) A DRJ não entendeu o pedido da recorrente quanto ao equívoco cometido pela fiscalização na apuração da base de cálculo da CIDE. Se nas remessas ao exterior em que é devida a CIDE a alíquota do IRRF é reduzida para 15%, a fiscalização tem que respeitar o reajustamento da base de cálculo nesse percentual e não no percentual original de 25%. A defesa não está pleiteando a restituição do IRRF, está pleiteando que o reajustamento da base de calculo da CIDE seja efetuado com base na mesma alíquota do IRRF, pois a fiscalização não pode usar como base de cálculo da CIDE um valor que foi apurado de forma errônea pelo contribuinte; c) Além disso, a base de cálculo da CIDE é o valor líquido remetido ao exterior sem qualquer reajustamento pela inclusão do valor do IRRF, pois o valor do IRRF não foi remetido ao exterior, mas sim recolhido aos cofres públicos. A inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE viola o art. 2º, § 3º, da Lei nº 0.168/2000; d) É indevida a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 61, da Lei nº 9.430/96 não autoriza essa cobrança, pois o § 3º desse artigo determina a incidência de juros com base na taxa selic "sobre os débitos a que se refere este artigo". Tais débitos são os constantes do caput do art. 61, isto é, "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Ou seja, os juros são acrescidos aos tributos e contribuições, mas não às penalidades eventualmente aplicadas. Por meio da Resolução nº 3021.400 (fls. 908/904) o julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização: "(...) a) Analise parcela por parcela, dos valores remetidos ao exterior, no período de janeiro de 2002 a abril de 2003; tendo em vista argumento da empresa que constam todos 'os valores por ela remetidos ao exterior, como: remessa referente à aquisição de peças ' aplicadas em veículos exportados, ' de material promocional, pagamento de cursos e congressos a funcionários, multas de trânsito, despesas com telefonia, aluguel de carros, pagamento efetuados a título de aquisição e manutenção de softwares e outros; se seriam efetivamente hipótese de incidência do tributo; conforme pleito da recorrente; b) Averigúe se essas remessas, objeto deste litígio são classificadas na abrangência do art. 2º da Lei n° 10.168/00; c) Se a alíquota aplicada do imposto de renda na fonteIRF foi de 25% ou 15%, tendo em vista argumento da empresa de que não há previsão de incidência da CIDE concomitante com uma alíquota de 25% de IRF; ou seja, em caso de incidência da CIDE, exigila, mas sob uma base de cálculo que adotasse a alíquota de 15% de IRF. A empresa exemplifica, inclusive, às fls. 816 e 817 cálculos que a mesma entende serem equivocados; d) Verificar se a base de cálculo da CIDE foi diminuída do IRF; e) Observar o mês de competência de abril/2003, pois, alega a recorrente que foi indevida a aplicação da multa em relação à parcela dos débitos, que se encontra com a exigibilidade suspensa; e Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 f) Por final, se teve crédito da CIDE sobre parcelas desta contribuição pagas no mercado interno? Após a diligência solicitada e conclusão da mesma, abrirseá vista dos autos à interessada para manifestação sobre o resultado, se for de seu interesse." O processo retornou com os documentos de fls. 917 a 980, entre os quais encontramse o Termo de Constatação e Esclarecimento elaborado pelo fisco (fls. 954/959) e a manifestação do contribuinte em relação ao quanto apurado na diligência (fls. 960/963). Na fl. 960 o contribuinte, por meio dos funcionários do setor tributário, manifestou sua concordância quanto aos termos e conclusões da diligência. Entretanto, nas fls. 961/963, o patrono do contribuinte contestou a diligência alegando, em síntese, que a diferença a maior verificada não poderia ser exigida porque não foi lançada e o fisco já teria decaído do direito de lançála; reafirmou que fez as remessas do IRRF reajustando sua base de cálculo em 25% porque entendeu que não havia incidência da CIDE e se o fisco discorda desse entendimento caberia a ele apurar a base de cálculo correta da CIDE com reajuste de 15% e não tomar a base de cálculo acrescida em 25%, adotada pelo contribuinte; a base de cálculo da CIDE não corresponde à base de cálculo do IRRF, mas sim ao montante efetivamente recebido pelo residente no exterior; concordou com a diligência na parte em que houve a exclusão da multa de ofício sobre o débito lançado em abril de 2003, em face do depósito judicial efetuado. Por meio da Resolução 320100.177 o julgamento foi convertido em diligência pela segunda vez, pois a relatora original entendeu que a primeira diligência não havia sido cumprida integralmente. O processo foi devolvido à origem nos seguintes termos: O processo retornou com os documentos de fls. 993/1075, nos quais a fiscalização elaborou as planilhas denominadas "Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda e Cide" (fls. 995/1004) e "Demonstrativo Mensal do IR Fonte e Cide" (fls. 1005/1015). Em sua manifestação sobre essas planilhas (fls. 1017/1074) o contribuinte reafirmou seu entendimento quanto aos questionamentos das bases de cálculo e contestou alguns valores por meio do demonstrativo denominado "COMPARATIVO ENTRE A RECEITA FEDERAL DO BRASIL vs VOLKSWAGEN DO BRASIL (fls. 1074). Por meio da Resolução 3201000.372 houve nova conversão do julgamento em diligência, desta vez para que fosse dada ciência dos termos da diligência à Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 5 7 A PFN apresentou manifestação sobre a diligência às fls. 1091/1106, pugnando pela manutenção do lançamento. Alegou, em síntese, o seguinte: a) não há mais controvérsia quanto à ocorrência do fato gerador da CIDE em relação a todos os contratos albergados pelo lançamento, em virtude da concordância expressa da empresa com o resultado da diligência e da falta de contestação desse resultado por parte do patrono; b) ocorreu preclusão do direito do contribuinte contestar o reajustamento da base de cálculo da CIDE por meio da inclusão do valor do IRRF, pois a defesa apresentou teses opostas na impugnação e no recurso voluntário; c) foram contestadas todas as alegações de direito formuladas no recurso. Tendo em vista a designação da Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim para exercer a presidência de uma das turmas especiais do CARF, o processo teve que ser redistribuído por sorteio, em face da competência das antigas turmas especiais estar limitada a processos de no máximo R$ 1 milhão. No sorteio foi contemplado o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri, que por meio da Resolução nº 3202000.351 baixou novamente o processo em diligência, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar manifestação sobre a Informação Fiscal Complementar (fl. 1075). Em sua manifestação de fls. 1118 a defesa reafirmou suas alegações quanto à incidência concomitante da CIDE e do IRRF com alíquotas de 10% e de 15% e quanto à impossibilidade da CIDE incidir sobre o IRRF. Tendo em vista que com a reestruturação do CARF, ocorrida durante o ano de 2015, o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri passou a integrar o quadro de especialistas do CARF, o processo foi novamente redistribuído por sorteio, tendo sido contemplado este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Muito embora a Conselheira Mércia Helena, relatora originária deste processo, tenha retornado ao exercício de seu mandato em uma turma ordinária do CARF, entendo que as sucessivas redistribuições por sorteio foram corretas, conforme dispunham as regras dos Regimentos Internos de 2009 e de 2015. Sendo assim, este processo não pode retornar automaticamente à referida conselheira, em virtude do sorteio que foi realizado ao exConselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri. DDAA PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE NNUULLIIDDAADDEE A defesa alegou a nulidade do lançamento por falta de cumprimento do art. 142 do CTN e dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, pois no seu entender a fiscalização Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 não aprofundou o trabalho para investigar a natureza dos contratos e deixou de apresentar a motivação para sustentar a incidência da CIDE sobre os valores remetidos ao exterior. Não houve a nulidade alegada, pois o próprio contribuinte mediante intimação, informou os valores e as datas das remessas, bem como a natureza dos contratos aos quais se referiam as remessas, conforme se pode verificar no demonstrativo de fls. 11/15. A última coluna do demonstrativo fornecido pela Volkwagen indica o "Motivo a Remessa" e nessa coluna, para cada remessa, a empresa indicou os mais variados tipos de contrato. E como o entendimento oficial da Administração Tributária é no sentido de que a CIDE TECNOLOGIA incide independentemente da ocorrência de transferência de tecnologia, a fiscalização tributou as remessas efetuadas em relação a todos os contratos informados. Não houve falta de aprofundamento do trabalho e nem falta de motivação do ato administrativo, tanto que a defesa apresentou impugnação e recurso voluntário contendo argumentações robustas, que atacaram os fundamentos da autuação e mostraram a interpretação da empresa sobre a incidência e a quantificação da CIDE. Se no entender a recorrente existem contratos incluídos naquele demonstrativo que não rendem ensejo à incidência da CIDE sobre a remessa ao exterior, essa questão versa sobre o mérito do lançamento e não sobre sua nulidade. Foi isso que a DRJ quis dizer quando negou a preliminar por considerar que ela se confundia com o mérito. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, pois sob na interpretação adotada pela Administração Tributária, todos contratos relacionados no demonstrativo de fls. 11/15 rendem ensejo à cobrança da CIDE TECNOLOGIA sobre os respectivos pagamentos. MMÉÉRRIITTOO No mérito as alegações da defesa se resumem a três vertentes: a) negar a ocorrência do fato gerador em relação aos contratos em que não houve transferência de tecnologia; b) atacar a quantificação da base de cálculo da CIDE; e c) atacar os consectários do lançamento de oficio. Da incidência. O art. 149 da CF/88 atribuiu à União a competência para instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais, observadas as limitações contidas no art. 146, III, e 150, I e III, quanto às duas últimas espécies. No julgamento do RE nº 451.915, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento segundo o qual as contribuições de intervenção no domínio econômico podem ser instituídas por lei ordinária. A menção à observância do art. 146, III pelo art. 149 da Constituição significa apenas que as contribuições de intervenção no domínio econômico estão sujeitas à lei complementar de normas gerais e não que a União deva lançar mão dessa espécie normativa para instituílas. Sendo assim, é perfeitamente válida a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), que para maior comodidade transcrevese a seguir: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 6 9 “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (introduzido pela Lei nº 10.332/2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” (incluído pela Lei nº 10.332/2001) Conforme se pode verificar no dispositivo legal acima, a redação original da Lei nº 10.168/2000 realmente previa a incidência da contribuição apenas sobre pagamentos de obrigações estipuladas em contratos que envolvessem a transferência de tecnologia (§ 1º). Entretanto, com o advento da Lei nº 10.332/2001, foi incluído o § 2º que ampliou a hipótese de incidência para outros pagamentos efetuados em contratos que não necessariamente envolvam a transferência de tecnologia, como os contratos de assistência administrativa e os royalties remetidos "a qualquer título". Na regulamentação, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 estabeleceu o seguinte: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. A redação do § 2º da Lei e a redação do art. 10 do Regulamento autorizam a interpretação oficial da Administração Tributária no sentido de que a hipótese de incidência da CIDE TECNOLOGIA abrange pagamentos relativos a contratos que não envolvam a transferência de tecnologia. Isso porque no art. 10 do Regulamento o Poder Executivo discriminou cinco categorias de contratos, sendo que os contratos incluídos nos incisos III, IV e V não envolvem a obrigatoriedade de transferência de tecnologia. Reforça este entendimento a inclusão do § 1ºA pela Lei nº 11.452/2007, posteriormente ao advento do Regulamento, por meio do qual o legislador ressalvou da incidência a remuneração pela licença ou direitos de comercialização e uso de programas de computador, quando o contrato não envolva a transferência de tecnologia. Em outras palavras, até a inclusão do referido § 1ºA qualquer remuneração relativa a contrato relativo a licença ou direito de comercialização de software deveria ser tributado pela CIDE, situação que só se alterou com a ressalva introduzida pelo § 1º A . A partir da inclusão desse parágrafo, somente haverá incidência da CIDE sobre a remuneração decorrente desses contratos, se houver transferência de tecnologia. Isso significa que o legislador, por meio da introdução do § 2º, realmente quis ampliar a incidência da CIDE TECNOLOGIA para contratos que não envolvam a transferência de tecnologia. A tese da defesa não pode ser acolhida em sede de julgamento administrativo, por duas razões. A uma porque envolve o confronto das leis ordinárias com o art. 149 da Constituição, pois para que a Administração possa restringir o alcance da redação do § 2º aos contratos e royalties que envolvam a transferência de tecnologia é preciso invocar o desvio de finalidade em relação ao disposto no art. 149 da Constituição. E a duas, porque o CARF está vinculado ao que dispõe o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, que impede este colegiado de negar vigência a norma jurídica de hierarquia igual ou superior a decreto. Desse modo, só caberia a este colegiado confrontar a situação fática com o disposto no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 a fim de verificar quais contratos não se enquadram na prescrição regulamentar. Entretanto, com a diligência efetuada isso não é mais necessário, pois o contribuinte reconheceu que todas as remessas tributadas pela fiscalização se referem a contratos albergados pelo art. 2º da Lei nº 10.168/2000. O excerto a seguir (fl. 958) resume o Termo de Constatação e Esclarecimento, in verbis: Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 7 11 O contribuinte tomou ciência formal do Termo de Constatação e Esclarecimento em 09/10/2009, conforme se constata no seguinte excerto extraído da fl. 959, in verbis: E na fl. 960 os prepostos da Volkswagen do Brasil concordaram expressamente com o quanto foi constatado: Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Na manifestação apresentada às fls. 961/963 pelos patronos da recorrente quanto ao conteúdo do Termo de Verificação e Esclarecimento, a defesa não contestou e nem se insurgiu contra as respostas contidas nos itens a) e b) do referido termo, o que significa anuência tácita quanto à constatação de que todos os contratos considerados pelo fisco estão albergados no art. 2º da Lei nº 10.168/2000. Só houve contestação no que diz respeito à quantificação do lançamento, o que será analisado no tópico a seguir. A defesa alegou, ainda, que a CIDE não poderia ser exigida sobre contratos celebrados antes da publicação das Leis nº 10.168/2000 e 10.332/2001, sob pena de atingir atos jurídicos praticados antes da sua vigência. Não tem razão a recorrente, pois o fato gerador da CIDE ocorre a cada remessa de recursos para o exterior e não pela assinatura do contrato por meio do qual a obrigação de pagar foi contraída. Sendo assim, embora possam existir obrigações contraídas antes da vigência das referidas leis, as remessas ao exterior (pagamentos) que ocorreram após a publicação dos referidos diplomas legais estão sujeitas à incidência da contribuição. Da base de cálculo da CIDE. Segundo o art. 2º da Lei nº 10.168/2000 com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.332/2001, o valor dessa contribuição corresponde a 10% (dez por cento) do valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, a cada mês, a residentes domiciliados no exterior, a título de remuneração em contrapartida de: (i) licenciamento de uso ou aquisição de Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 8 13 conhecimentos tecnológicos; (ii) obrigações assumidas em contratos que impliquem transferência de tecnologia; e (iii) obrigações assumidas em contratos que tenham por objeto serviços técnicos, serviços de assistência administrativa e semelhantes . A partir da cobrança dessa contribuição, foi reduzida de 25% para 15% a alíquota do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ("IRRF") sobre as remessas ao exterior correspondentes à remuneração dos serviços especificados na Lei nº 10.168/2000, na forma do art. 3º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001 e do art. 2º A da Lei nº 10.168/2000, incluído pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001 . Diante da incidência de dois tributos sobre a mesma remessa, não tardaram as controvérsias quanto à interpretação do dispositivo legal que veicula a base de cálculo da CIDETECNOLOGIA. Apegandose ao termo "remetidos" presente no dispositivo legal que definiu a base de cálculo da contribuição, os contribuintes da CIDETECNOLOGIA, que também são obrigados por lei a efetuarem a retenção e o recolhimento do IRRF sobre o pagamento do serviço remetido ao exterior, passaram a pleitear a exclusão dessa retenção da base de cálculo da CIDETECNOLOGIA, ao argumento de que o IRRF não integra o valor que efetivamente deixa o país, uma vez que deve ser recolhido aos cofres da União. Por outro lado, a fiscalização, apegandose ao termo "remuneração", que também integra o dispositivo que veicula a base de cálculo da CIDETECNOLOGIA, entende que o contribuinte não pode excluir o IRRF da base de cálculo da contribuição e que, além disso, deve reajustar a base de cálculo da CIDETECNOLOGIA mediante a adição do valor do IRRF, nos casos em que a fonte pagadora, localizada no Brasil, assume o ônus pelo pagamento do IRRF, cujo contribuinte é o beneficiário da remessa no exterior. O entendimento pelo reajustamento da base de cálculo da CIDE está escorado no mesmo raciocínio que motivou a edição do art. 5º da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de 1962 , que determina o reajustamento da base de cálculo do IRRF, quando a fonte pagadora assume o ônus pelo pagamento do imposto em lugar do beneficiário. Essa questão não é nova no CARF. Já foi decidida favoravelmente tanto ao fisco quanto ao contribuinte. E está longe, muito longe, de ser pacificada, conforme se pode conferir nos seguintes julgados: 3201000.415; 3403001.732; 3101002.141; 3401002.539; 3403003.029; e 3802003.383. Entretanto, no caso deste processo essa questão não poderá ser objeto de análise e de decisão, pois conforme bem apontou a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional em sua manifestação quanto à diligência, ocorreu a preclusão do direito de o contribuinte discutir essa matéria, uma vez que em sede de impugnação nada foi alegado em relação à ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. O art. 17 do Decreto nº 70.235/72 estabelece o seguinte: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ora, no caso concreto, além de não ter se insurgido contra o reajustamento da base de cálculo da CIDE por meio da inclusão do valor do IRRF devido sobre a mesma Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 remessa, o contribuinte concordou com esse reajustamento desde que ficasse limitado à alíquota de 15%, tendo formulado pedido expresso no sentido de que a impugnação fosse provida para o fim de que fosse considerado o reajustamento com alíquota de 15%, conforme se pode conferir no seguinte excerto da impugnação (fl. 109), in verbis: "(...) (...)" Sendo assim, o pedido de exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE, formulado apenas em sede de recurso, não pode ser conhecido por este colegiado, por configurar inovação e estar precluso, a teor do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Resta analisar a alegação da defesa, no sentido de que a fiscalização teria incluído indevidamente os 25% de IRRF nas bases de cálculo da CIDE. No item "c)" das respostas aos quesitos da diligência a fiscalização disse que aplicou as alíquotas de 15% e de 25% ao IRRF e que não houve nenhum equívoco do fisco, pois caberia à recorrente ter utilizado a alíquota correta de 15% e também que não cabe ao fisco fazer a compensação de ofício. Posteriormente, a fiscalização apresentou a planilha de fls. 1005/1015 na qual totalizou por períodos de apuração os valores do IRRF e da CIDE indicando as alíquotas aplicadas. Aparentemente a fiscalização não entendeu a alegação da defesa. A reclamação é que a fiscalização tomou como base de cálculo da CIDE o valor de cada remessa reajustado em 25%, quando na verdade, se a fiscalização acha que a CIDE incide, deveria ter reajustado o valor da remessa em 15%, pois quando os dois tributos incidem sobre a mesma remessa a alíquota do IRRF é de 15% e não de 25%. O exame da planilha de fls. 1005/1015 confirma que ora a fiscalização reajustou o valor da remessa em 15% e ora em 25%. Nos dois casos cobrou a CIDE com alíquota de 10% sobre o valor da base de cálculo reajustada. Só que a fiscalização não pode reajustar o valor da remessa com os 25% de IRRF e sobre essa soma cobrar os 10% da CIDE porque desde a criação da CIDE a alíquota do IRRF sobre o valor da remessa foi reduzido para 15%, a teor do art. 3º da Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001, eternizada pelo art. 2º da EC nº 32/2001, e também do art. 2ºA da Lei 10.168/2000, incluído pela Lei nº 10.332/2001. Tomemos como exemplo o seguinte excerto da tabela apresentada pela fiscalização (fl. 1006): Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 9 15 Esse excerto da planilha se refere ao primeiro período de apuração lançado no auto de infração e ao examinar alguns lançamentos este relator constatou o seguinte: a) Na Seq. 4 o valor da remessa foi de R$ 263.908,73. A base de cálculo do IRRF foi reajustada em 15%, totalizando R$ 310.480,85. Assim estão corretos os valores de R$ 46.572,13 de IRRF e de R$ 31.048,09 de CIDE. O mesmo procedimento pode ser constatado nas Seq. 6, 8, 9 e 10. b) Na Seq. 1 o valor da remessa foi de R$ 2.870,40. A base de cálculo do IRRF foi reajustada em 25% totalizando R$ 3.827,20. Assim, estão incorretos os valores do IRRF de R$ 956,80 e de CIDE de R$ 382,72, pois o IRRF foi cobrado com alíquota de 25% e a CIDE foi cobrada sobre uma base de cálculo reajustada em 25%, quando o correto seria reajustar o valor da remessa em 15%, cobrar o IRRF com alíquota de 15% e cobrar 10% de CIDE sobre o valor da remessa reajustado em 15%, conforme o fisco fez com a Seq. 4. Não se sabe a razão dessa discrepância de critérios, em algumas remessas o ilustre exator calculou os tributos levando em conta o disposto no art. 3º da MP nº 2.159 70/2002 e no art. 2ºA da Lei nº 10.168/2000 e em outros casos não observou que o IRRF deveria incidir com alíquota de 15%. Portanto, este relator não pode aceitar a afirmação feita no Termo de Constatação e Informação em diligência, no sentido de que o fisco não cometeu equívocos na apuração da CIDE. Existem outros equívocos demonstrados pelo contribuinte na planilha de fls. 1074, que foi apresentada como contestação aos valores das planilhas do fisco de fls. 1005/1015. Entretanto, essa planilha de contestação do contribuinte não pode ser adotada como base dos valores da CIDE, pois em vez de demonstrar diferenças relativas à CIDE o contribuinte demonstrou diferenças no IRRF. Essa planilha, quando muito serve de indício para que sejam encontrados as Seq. nas quais houve incidência da CIDE sobre a remessa reajustada em 25%. Existem outros equívocos no referido demonstrativo da fiscalização. Aparentemente, se referem a erros de cálculo cometidos no momento em que foi efetuado o reajustamento da base de cálculo do IRRF, uma vez que em diversos lançamentos o valor Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 reajustado da base de cálculo do IRRF é menor do que o valor original da remessa, como por exemplo nas Seq. 11 a 19 do excerto da planilha acima colacionado. Nesses casos em que o erro de cálculo diminuiu a base de cálculo dos tributos não há mais como corrigir, em razão da decadência. A correção do lançamento nesses casos vai provocar uma exigência complementar aumentando o valor lançado no período de apuração em que o equívoco ocorreu, o que não pode mais ser feito pela Administração em razão da decadência. Entretanto, nos períodos de apuração em que a CIDE foi cobrada sobre o valor da remessa reajustado em 25% o recurso do contribuinte merece ser provido para que o auto de infração seja recalculado a fim de que a CIDE só incida sobre o valor da remessa reajustado em 15%. Portanto, deve ser julgado procedente o pedido do contribuinte, formulado em impugnação e reeditado no recurso, para que o auto de infração seja recalculado na parte em que a CIDE foi cobrada sobre o valor da remessa reajustado pelo IRRF calculado com alíquota de 25%. A fiscalização só pode cobrar a CIDE sobre o valor da remessa reajustado pelo IRRF calculado com alíquota de 15%. DDOOSS CCOONNSSEECCTTÁÁRRIIOOSS DDOO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO DDEE OOFFÍÍCCIIOO No que concerne à multa de ofício, restou incontroverso que o depósito judicial efetuado quanto ao valor devido no mês de abril de 2003 foi apto a suspender a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual devem ser excluída multa de ofício com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96. No que concerne à cobrança de juros de mora sobre a taxa selic, a exigência deve ser mantida com base no enunciado da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que concerne à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, embora a alegação também só tenha sido formulada em sede de recurso voluntário, entendo que não houve a preclusão, pois essa incidência somente ocorre no demonstrativo do crédito tributário que acompanha a notificação da decisão da DRJ ao contribuinte. Sendo assim, a primeira oportunidade que o contribuinte tem para contestar essa incidência é no recurso voluntário, o que afasta a possibilidade de se arguir a preclusão da matéria. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 10 17 “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.929 S3C4T2 Fl. 11 19 Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que: a) o auto de infração seja recalculado em relação aos períodos de apuração em que houve incidência da CIDE sobre o valor da remessa reajustado em 25%, devendo a fiscalização refazer as contas reajustando o valor de cada remessa em 15%: b) seja excluída a multa de ofício lançada em relação ao período de apuração de abril de 2003, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributária decorrente do depósito judicial; c) excluir da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Antonio Carlos Atulim Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/02/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.009156/2003-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
LIVRO-CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. REQUISITOS.
Os requisitos legais para que uma despesa de custeio seja dedutível a título de Livro-Caixa é que ela seja paga e necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devendo haver correspondência com o rendimento tributável declarado. Não comprovado o liame entre os valores pleiteados de despesas de custeio e os rendimentos tributáveis declarados, descabe a dedução a título de Livro-Caixa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesa deduzida a título de Livro-Caixa no valor de R$ 6.000,00, relativa ao ano-calendário de 2001. Votou pelas conclusões o Conselheiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO DE DESPESAS. REQUISITOS. Os requisitos legais para que uma despesa de custeio seja dedutível a título de LivroCaixa é que ela seja paga e necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devendo haver correspondência com o rendimento tributável declarado. Não comprovado o liame entre os valores pleiteados de despesas de custeio e os rendimentos tributáveis declarados, descabe a dedução a título de LivroCaixa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesa deduzida a título de LivroCaixa no valor de R$ 6.000,00, relativa ao anocalendário de 2001. Votou pelas conclusões o Conselheiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 91 56 /2 00 3- 59 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 145 2 (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adotase excertos do Relatório da decisão de 1ª instância administrativa (fls. 116/117 do processo físico), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração, fls. 03/11, com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 255.919,66 a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, com a incidência de juros de mora e a aplicação da multa de oficio proporcional, referente aos anos calendário de 1998, 1999, 2000 e 2001. (...) Inconformado com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 21/07/2003 fl. 102, o autuado, em 19/08/2003, apresentou a impugnação, fls. 105/110, com as alegações abaixo sintetizadas. (...) Como foi constatado pela própria autoridade fiscal lançadora e comprovado através da farta documentação anexada ao processo, o Impugnante, como cooperado da UNIMED – BH recebe os valores devidos aos Hospitais Felício Rocho e Hospital Vera Cruz, pelos serviços que os referidos hospitais prestaram em atendimentos aos conveniados da referida cooperativa de trabalhos médicos. Os valores cobrem as despesas de consumo de materiais de radiologia, diretos e indiretos; despesas de manutenção, conservação e limpeza; despesas administrativas, compreendendo suporte técnico de informática no controle, encaminhamento e expediente todos gastos de responsabilidade do hospital e a remuneração pela prestação de serviços médicos profissionais. Uma vez que a UNIMED BH não distingue, em seus pagamentos, as parcelas relativas a gastos com materiais das parcelas relativas à prestação de serviços médicos, teve, como conseqüência, que o Impugnante recebeu parcelas que não eram nada mais que reembolso de despesas do hospital. Considerando que os pagamentos foram feitos de forma integral, o Impugnante reconhece, agora, que o fez de forma imprópria registrou o montante dos recebimentos excetuada a parcela de imposto retido em regime de fonte como receita, ou melhor, como rendimentos percebidos e, como despesas, os valores transferidos para o hospital não resultando, contudo, em redução do tributo devido. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 146 3 Na realidade, ocorreu uma forma imprópria a declarar os rendimentos, sem conseqüência na apuração do montante do tributo. No Auto de Infração, contudo, se introduz elemento de distorção que resulta na cobrança indevida de imposto porque, ao glosar as despesas registradas no livro Caixa a autoridade fiscal deveria levar em conta que caberia reduzir em igual montante, os rendimentos declarados, o que não foi feito, apesar de conhecer o funcionamento do fluxo de liquidação dos serviços entre a UNIMED BH e os hospitais. No processo folhas 15 a 33 fica bem evidenciada a operação envolvendo o Impugnante, a UNIMED e o Hospital Felício Rocho. Com pequenas variações, o texto dos recibos firmados pelo Impugnante a favor do Hospital Felício Rocho (Fundação Felice Rosso) é bastante claro de que se trata de "reembolso", de "repasse", de "devolução" de recursos e não de despesas, constando, mesmo, o desdobramento das parcelas nos recibos 015266 (fl. 17) e 15770 (fl. 19). Destaquese que todos os repasses de rendimentos ao Hospital Felício Rocho foram feitos através de cheques, como atestam as cópias de recibos firmados pelo hospital e anexados ao processo pela fiscalização, às fls. 15 a 33. (...) Do montante recebido excetuase a parte relativa ao imposto de renda retido em regime de fonte, pois, esta sim, constitui rendimento sujeito ao tributo e foi submetida à exigência na declaração apresentada em tempo. 3.2 Das despesas O Impugnante reconhece que adotou uma forma imprópria para apresentar sua declaração e que as parcelas transferidas para os hospitais não se constituem em despesas dedutíveis em sua declaração de rendimentos. Os valores são rendimentos dos hospitais, razão porque devem ser excluídos da soma dos rendimentos declarados pelo impugnante, pois não são rendimentos seus. Os equipamentos utilizados em suas atividades profissionais são de propriedade indireta do Impugnante, apesar de instalados em dependências dos hospitais. (...) Apesar da autorização legislativa a autoridade fiscal lançadora glosou as despesas pagas na transferência de instalação, montagem e calibragem de um aparelho de raiosx a que se refere a Nota Fiscal n° 74, de 15.02.2001, emitida por RCL Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 147 4 Medical Service e Vídeo Locadora Ltda., no valor de R$ 6.000,00, cuja cópia se encontra à fl. 45 do processo. Foram glosadas, ainda, despesas necessárias ao exercício profissional como anuidades de conselho de fiscalização profissional, mensalidades de associações de classe – Associação Médica, Colégio Brasileiro de Radiologia e Centro de Estudos do Hospital Felício Rocho além de imposto sindical, pagamento de aluguel por uso do estacionamento do Hospital Felício Rocho e assinatura e uso de telefone, todas despesas indispensáveis, normais e usuais ao desenvolvimento profissional e obtenção dos rendimentos. 4. DAS CONCLUSÕES (...) Considerando tudo o mais que consta do processo, o Impugnante, pelas razões expendidas, requer dessa autoridade julgadora de primeira instância, seja declarada a improcedência da exigência fiscal e determinado o arquivamento do processo, uma vez que o signatário não cometeu as infrações à legislação fiscal alegadas no Auto de Infração ora impugnado. Nestes Termos, Pede Deferimento. O lançamento foi julgado procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 114/123 do processo físico. Entenderam os julgadores da instância de piso que deveriam ser restabelecidas as seguintes despesas: Prestação de serviços de telefonia celular: dedução da quinta parte do valor total do gasto, já que não se pode identificar a parcela do dispêndio relativa à atividade profissional (Parecer Normativo CST n° 60/1978). Despesa de ISS, por ser necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134/1990). Despesa de anuidade do SINMED, por ser necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134/1990). Despesa da mensalidade da AMMG, por ser necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134/1990). Despesa da mensalidade da CBR, por ser necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (inciso III do art. 6° da Lei nº 8.134/1990). Despesa da mensalidade da CEHFR, por ser necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (inciso III do art. 6° da Lei n° 8.134/ l990). Cientificado da decisão de primeira instância em 05/09/2008 (fl. 126), o Interessado interpôs, em 23/09/2008, o recurso de fls. 127/137. Na peça recursal reitera os argumentos expendidos na peça impugnatória e aduz, em síntese, que: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 148 5 É responsável pela Clínica de Radiologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte MG, como confirma a entidade Fundação Felice Rosso, mantenedora do referido Hospital (documento de fl. 60). No documento citado, em resposta à Intimação Fiscal (fl. 58), a referida entidade esclarece que o Recorrente “é o responsável pela Clínica de Radiologia que presta serviços ao Hospital Felício Rocho" e que a “documentação encaminhada junto à intimação” (...) “diz respeito ao repasse feito pelo dr. Cecil, do recebimento que faz em nome da Fundação Felice Rosso das faturas emitidas contra a UNIMED – BH”. A empresa Prontolab Laboratório de Patologia Clínica Ltda. recebeu Intimação Fiscal (fl. 61/62) solicitando "esclarecimentos sobre a receita auferida de Cecil Bruno Buldrini Filogonio – CPF 371.756.09591". A empresa respondeu dizendo que “para recebimento dos seus serviços junto à Unimed o faz através de seu sócio Cecil Bruno Buldrini Filogonio” (fl. 63). O Interessado, por sua vez, informou à Fiscalização: 1. Que é médico na especialidade de radiologia; 2. Que é credenciado da UNIMEDBH, na condição de cooperado; 3. Que presta serviços profissionais, como profissional autônomo, aos hospitais Felício Rocho e Vera Cruz, dos quais é membro do corpo clínico. Informou ainda que: a) a empresa Prontolab Laboratório de Patologia Clinica Ltda., da qual é sócio, presta serviços de radiologia e patologia clínica ao Hospital Vera Cruz e que a empresa Radiologia SC Ltda. presta serviços de radiologia ao Hospital Felício Rocho; e b) a UNIMED, como cooperativa de trabalho médico não pode ter em seu quadro de cooperados pessoas jurídicas, como o Hospital Felício Rocho, o Hospital Vera Cruz, a Prontolab e a Radiologia, por força da legislação. Assim, os serviços de patologia clínica e radiologia prestados pelas empresas Prontolab e Radiologia a pacientes associados da UNIMEDBH, bem assim os serviços de suporte prestados pelo Hospital Felício Rocho, não podiam ser cobrados diretamente da UNIMEDBH porque não eram cooperados, nem estavam credenciados a prestar serviços aos associados daquela cooperativa. O pagamento dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas era feitos através da pessoa física do médico cooperado que prestou os serviços profissionais. Posteriormente, a parcela recebida pelo Recorrente, como médico cooperado, eram repassados às pessoas jurídicas, conforme recibos firmados pelo Hospital Felício Rocho (fls. 15 a 33) e Nota Fiscal de Serviços 000204, emitida pela Prontolab Laboratório de Patologia Clínica Ltda. (fl. 34 e 64). Desde a época da ação fiscal ficou bem claro que os valores recebidos pelo Recorrente por conta de serviços prestados pelo Hospital Felício Rocho não poderiam ser considerados como parcelas sujeitas a tributação da pessoa física, porque o signatário não tinha o beneficio econômico delas: era um simples intermediário no recebimento dos valores. A UNIMEDBH informava à Receita Federal o valor total pago ao Recorrente, indiferente ao fato de uma parcela não lhe pertencer. A solução deveria contemplar, ainda, os aspectos relacionados ao imposto de renda descontado na fonte pela UNIMEDBH, em nome do Recorrente. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 149 6 A solução adotada pelo Recorrente seria acatar o valor integral recebido sua parte e a do Hospital Felício Rocho e do Prontolab e considerar como despesas as parcelas repassadas. A solução atende à realidade das coisas: o Recorrente tributa somente as parcelas referentes à sua prestação de serviços profissionais e compensa, em sua declaração, integralmente, o imposto de renda retido em regime de fonte, por ser de seu direito, uma vez que o imposto retido na fonte não poderia ser transferido para outro contribuinte, como, de fato, não o foi. Em resumo: os valores declarados como rendimentos do Recorrente, mas não sendo, de fato e de direito, rendimentos seus, demandaram uma solução que os anulasse para efeito de tributação: essa solução só poderia se dar, por falta de outra opção, através do reconhecimento do valor como “despesa”, única forma disponível e aceitável. A parcela transferida ao hospital não se constituía em rendimentos do Recorrente e como tal não poderia ser considerada para fins de base de cálculo de tributo mas, se devesse ser acolhida como elemento para cálculo da base tributável, deveria ser na condição de despesa necessária pela utilização dos equipamentos do hospital. A autoridade julgadora de primeira instância não acatou, nem mesmo, despesas de manutenção e recuperação de equipamentos. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e o provimento do recurso voluntário, declarando insubsistente a exigência consubstanciada no Auto de Infração. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo físico. O Interessado é médico na especialidade de radiologia, credenciado da UNIMEDBH, na condição de cooperado, e presta serviços, como profissional autônomo, aos hospitais Felício Rocho e Vera Cruz; Também é sócio da empresa Prontolab Laboratório de Patologia Clinica Ltda., que presta serviços de radiologia e patologia clínica ao Hospital Vera Cruz, e da empresa Radiologia SC Ltda., que presta serviços de radiologia ao Hospital Felício Rocho; A UNIMED, em regra, não pode ter em seu quadro de cooperados pessoas jurídicas. Por isso mesmo, os serviços de patologia clínica e radiologia prestados pelas empresas nos hospitais, aos associados da UNIMEDBH, não poderiam ser cobrados diretamente desta, porquanto as empresas não eram cooperadas e nem estavam credenciadas junto à cooperativa. Os pagamentos dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas eram feitos, então, por intermédio da pessoa física do médico cooperado, ora Recorrente. O Interessado entende que sua conduta era a única forma “disponível e aceitável” de se proceder, acatando os valores integrais recebidos sua parte e a parte das Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 150 7 pessoas jurídicas envolvidas e considerando como despesas, em sua declaração de ajuste anual, as parcelas repassadas às empresas. Observo, no entanto, que as empresas eram tributadas pelo lucro presumido, o que significa dizer que a base de cálculo dos tributos por elas devidos era apurada mediante a aplicação de um percentual sobre as receitas auferidas. Por outro lado, as receitas das empresas Prontolab e Radiologia S/C eram consideradas como despesas na pessoa física do sócio, mediante a dedução em LivroCaixa, ou seja, a pessoa física deduzia as despesas que eram consideradas receitas nas pessoas jurídicas. À evidência, a conseqüência do procedimento levado a cabo pelo Interessado era que a receita da pessoa jurídica era anulada pela despesa da pessoa física, alterando, por via oblíqua, os valores que deveriam ser carreados aos cofres públicos, uma vez que apenas um percentual das receitas auferidas comporia a base de cálculo das empresas (lucro presumido), ao passo que, na pessoa física, as supostas despesas seriam deduzidas integralmente. Isso sem contar as diferenças de alíquotas incidentes para pessoas jurídicas e pessoas físicas. Acrescento, por oportuno, que o imposto de renda retido na fonte pela UNIMEDBH era compensado, em sua integralidade, na declaração de ajuste anual do Recorrente. Indagase: como compensar a totalidade do imposto de renda retido na fonte se os valores recebidos não pertenciam, integralmente, à pessoa física do Interessado? Registro, ainda, por importante, que os recibos do Hospital Felício Rocho (fls. 15/33) foram emitidos globalmente, como se fossem reembolsos, repasses, pagamentos ou devoluções pelos serviços prestados aos associados da UNIMEDBH. Os requisitos legais para que uma despesa de custeio seja dedutível a título de LivroCaixa é que ela seja paga e necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devendo haver correspondência com o rendimento tributável declarado. Logo, não restando comprovado o liame entre os valores pleiteados de despesas de custeio repassados ao Hospital Felício Rocho e os rendimentos tributáveis declarados, descabe a dedução a título de LivroCaixa nos anoscalendário respectivos. Pelo mesmo motivo também são indedutíveis os valores repassados às demais pessoas jurídicas, a exemplo do “repasse de honorários” feitos à Prontolab Laboratório de Patologia Clínica Ltda., no valor de R$ 30.000,00 (fl. 34). Anoto, por fim, que o Recorrente prestava serviços de radiologia como profissional autônomo. Assim, as despesas com os serviços de “transferência, montagem e calibragem de aparelho de raio x” que lhe foram prestados pela RCL Medical Service e Vídeo Locadora Ltda., no valor de R$ 6.000,00 (NF emitida em 15/02/2001, à fl. 45), são, em meu entendimento, despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, sendo, portanto, dedutíveis. Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesa deduzida a título de LivroCaixa no valor de R$ 6.000,00, relativa ao anocalendário de 2001. Assinado digitalmente Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.009156/200359 Acórdão n.º 2201002.874 S2C2T1 Fl. 151 8 Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12686.000006/2006-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 20/06/1997
ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO DE MACAPÁ E SANTANA. ALCMS. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES BÁSICAS. APLICAÇÃO DO REGIME. DST. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO
A utilização comercial, fora da área da ALCMS, de bem importado com suspensão de impostos enseja a cobrança de tributos suspensos em razão da concessão de regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais, bem como aplicação da multa de ofício qualificada em razão da fraude, decorrente da análise dos documentos e da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALCMS. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES BÁSICAS. APLICAÇÃO DO REGIME. DST. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO A utilização comercial, fora da área da ALCMS, de bem importado com suspensão de impostos enseja a cobrança de tributos suspensos em razão da concessão de regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais, bem como aplicação da multa de ofício qualificada em razão da fraude, decorrente da análise dos documentos e da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 6. 00 00 06 /2 00 6- 06 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1657.365, da 11ª Turma da DRJ em São PauloSP (fls. 269/277, do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação formalizada pela recorrente, em face do Auto de Infração lavrado pelo Fisco, pelo descumprimento de condições básicas na aplicação do Regime Especial de Declaração de Saída Temporária (DST) de bens da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana – ALCMS. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Conforme relatado no auto de infração, a companhia Docas do Pará CDP (administradora do Porto de Macapá anteriormente à administração da Companhia Docas de Santana CDSA) importou uma empilhadeira de containers (marca BELOTTI, dotada de lança telescópica e separador, chassi n° 49731) com SUSPENSÃO dos impostos de importação e de produtos industrializados vinculados, declaração de importação n° 97/05227110, de 20.06.1997 e desembaraçada em 27.06.1997, no valor de US$ 386.365,91 (trezentos e oitenta e seis mil, trezentos e sessenta e cinco dólares americanos e noventa e um cents) classificação NCM 84.27.20.90 . Em 16.07.2004 a Companhia Docas de Santana (atual administradora do Porto) solicitou uma saída temporária do equipamento pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, (de 16.07.2004 a 16.01.2005) sob a alegação de "REPAROS/MANUTENÇÃO", conforme Declaração de Saída Temporária n° 007/2004. Em 21.02.2005 uma prorrogação foi concedida (com data retroativa a 16.01.2005), quando a CDSA, por intermédio do oficio n ° 037/2005, comunicou a ocorrência de um sinistro (incêndio) no equipamento em 10.12.2004, no Porto de Belém (PA). A ocorrência do sinistro demandou melhores esclarecimentos à Receita Federal por parte dos responsáveis pelo equipamento: Companhia Docas de Santana (CDSA), proprietária do bem, B F Fortship Agência Marítima, empresa contratada para manutenção e a Nilport Operadores Portuários por ter sido informado no laudo de corpo de bombeiros o nome de um funcionário desta empresa como operador da máquina no momento do sinistro, sr. Francisco Ronaldo de Oliveira. Na verificação da documentação encaminhada pela empresa de manutenção do equipamento, a B F Fortship constatouse que o equipamento fora locado diretamente da Cia. Docas de Santana (COSA), conforme contrato de locação anexo, com finalidade especifica de movimentação de cargas em terminal de containers Fl. 367DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12686.000006/200606 Acórdão n.º 3402002.797 S3C4T2 Fl. 367 3 no Porto de Belém (PA), com aluguel mensal de R$25.000,00 (vinte e cinco mil reais) pelo prazo de cinco meses (15.07.2004 a 15.12.2004), com possibilidade de prorrogação. No vencimento da DST, que também poderia ser prorrogada por período igual à contratação inicial, o bem retornaria à ALCMS sem que a Receita Federal tomasse conhecimento da real finalidade da saída do bem (atividade econômica), caso não houvesse ocorrido o incêndio. Diante dos fatos, a fiscalização lavrou o presente auto de infração, cobrando o imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado, acréscimos legais devidos, e ainda, o agravamento da multa de oficio pelo evidente intuito de fraude, conforme o art. 44, inciso II da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, no valor de R$ 535.780,55. Cientificada da autuação (fls.202) em 01/02/2006, a interessada apresentou impugnação tempestiva em (fls. 215 e ss), onde alega em síntese que: Em preliminar, a não ocorrência do fato gerador, uma vez que na declaração de saída temporária, 007/2004, que autorizou a remessa da empilhadeira Belotti para Belém/PA, consta declaração na parte final, no sentido de apenas ser devido aos cofres públicos, o valor dos impostos, com os acréscimos legais, caso os bens não retomem a ZFM/ALC no prazo estipulado. Alega que o respectivo equipamento, mesmo sinistrado, retornou no prazo concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF, não havendo que se falar em pagamento de valores dos impostos com os devidos acréscimos. No mérito, alega ilegitimidade passiva, afirmando que se se restar comprovada a ocorrência do fato gerador dos tributos, os Autos deverão ser lavrados contra os antigos diretores da COSA (Rodolfo dos Santos Juarez, Carlos Magno de Sousa Correa, Carlos Roberto Borges de Araújo e Josias Dias Fonseca), que são os responsáveis tributários, e não a Companhia Docas, que é vitima da conduta praticada pelos ex Diretores, informa que inclusive ajuizou ação de indenização e representou criminalmente junto ao Ministério Público Estadual, contra seus ex diretores, em virtude do sinistro. A ação cível tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Santana, Processo n° 12.000/05. Também, alega ilegitimidade passiva, uma vez que o equipamento, objeto deste processo, foi importado pela Companhia Docas de Santana, proprietária do bem. No mérito, reclama da base de cálculo adotada. Afirma a taxa de câmbio a ser utilizada deve ser no valor de R$ 1,0122, o que reduz significativamente a credito tributário. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2004 EXTRAVIO DE MERCADORIAS. DEPOSITÁRIO. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/06/1997 ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO DE MACAPÁ E SANTANA. ALCMS. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES BÁSICAS A APLICAÇÃO DO REGIME. A utilização comercial, fora da área da ALCMS, de bem importado com suspensão de impostos enseja a cobrança de tributos suspensos em razão da concessão de regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais, bem como aplicação da multa de ofício agravada em razão da fraude. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA. Para efeito de cálculo, considerase ocorrido o fato gerador na data do registro da declaração de importação de mercadoria sob regime suspensivo de tributação, no caso de inadimplemento de condição do regime. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 19/08/2014 (fl. 280). Inconformada, a mesma apresentou, em 02/09/2014, Recurso Voluntário (fls. 284/289), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) os presentes autos versam acerca do envio de uma empilhadeira marca Belotti, modelo 0202BO86, motor IVECO 4 tempos, ao Estado do Pará para realizar os serviços de manutenção pela empresa BF Fortship Agência Marítima Ltda; b) para tanto, a CDSA formalizou junto à Receita Federal (RFB) a saída temporária n° 007/2004, a qual autorizou a remessa do referido equipamento. Entretanto, sem a anuência da CDSA, foi entabulado um Contrato de Locação por funcionário desta, cujo objeto foi a locação do referido equipamento para a empresa BF Fortship Agência Marítima Ltda; c) portanto, assiste razão à Receita Federal quando detectou a situação de irregularidade na saída da máquina para a cidade de BelémPA, já que constava na autorização daquele órgão apenas os serviços de manutenção do bem, quando, posteriormente, foi comprovado que o mesmo havia sido transferido para outro Estado e para locação. Em conseqüência de tal fato, foram aplicadas contra a CDSA, multas que perfazem o valor de R$ 710.706,38; d) preliminar de ilegitimidade passiva – alega que CDSA é parte ilegítima para figurar no pólo passivo dos presentes autos de infração, senão vejamos: compulsando detidamente os autos, verificase, claramente, que o contrato de Locação da máquina foi assinado por pessoa que não dispunha de autorização para fazêlo, conforme o disposto no Regimento Interno da CDSA, cita o mesmo; Fl. 369DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12686.000006/200606 Acórdão n.º 3402002.797 S3C4T2 Fl. 368 5 e) no presente caso, o signatário do citado Contrato de Locação, senhor Carlos Magno de Souza Corrêa, ocupava à época o cargo de Coordenador Financeiro e Orçamento, o qual não tinha, entre as suas atribuições, poderes para realizar contratos em nome da CDSA. Outro fator através do qual se infere que o citado contrato foi efetivado por conta e responsabilidade do referido servidor é que recebeu pagamentos efetuados diretamente em sua conta bancária, deixando evidente que agia por sua conta e risco; d) em virtude de tal fato, tramita na 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amapá a Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa Processo n° 2007.31.00.000714 7, em desfavor de Carlos Magno de Sousa Corrêa e Outros, conforme documentos, em anexo; e) no MÉRITO, informa que assiste razão à Receita Federal quando detecta a ocorrência do fato gerador dos impostos sobre importação e sobre produtos industrializados, em virtude do envio do equipamento Belotti ao Estado do Pará, com a conseqüente a lavratura do auto de infração, porém, discorda a CDSA quanto a sua colocação no polo passivo dos citados autos, tendo em vista o disposto no art. 137 do Código Tributário Nacional; f) de outra parte, vale ressaltar o disposto na Lei n° 6.404/1976 Lei das Sociedades Anônimas, em seu art. 158, a saber: "Art. 158. O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato irregular de gestão; responde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II – com violação da lei ou do estatuto, (grifamos). Diante do exposto, requer o cancelamento do crédito tributário, tendo em vista que o fato gerador dos impostos ora cobrados não são de responsabilidade da CDSA, o direcionamento da presente cobrança para Carlos Magno de Sousa Corrêa (CPF 208.784.602 25). Caso não entendam desta forma, a Recorrente requer que seja retirada a qualificação da multa aplicada, tendo em vista que não restou comprovado nos autos o intuito de fraude pela CDSA. Pelo contrário, resta demonstrado que a mesma fora vítima de locupletamento de um de seus agentes. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pela Recorrente. Dos fatos analisados Fl. 370DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Trata o presente de auto de infração lavrado contra a interessada por descumprimento de condições de regime especial da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana – ALCMS (Estado do Amapá). Importante salientar que a legislação que rege a matéria sobre as ALCMS são as seguintes: LEI N° 8.387, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1991. Art. 11. É criada, nos Municípios da Macapá e Santana, no Estado do Amapá, Área de livre comercio de importação e exportação, sob regime fiscal especial, estabelecida com a finalidade de promover o desenvolvimento das regiões fronteiriças do extremo norte daquele Estado e de incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos, segundo a política de integração Latino americana.(Regulamento) DECRETO nº 517, DE 8 de maio de 1992 Regulamenta o art. 11 da Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991, regula a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana ALCMS. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 300, de 14/02/03 " Disciplina a saída temporária de mercadorias da Zona Franca de Manaus, das Áreas de Livre Comércio e da Amazônia Ocidental”. São fatos incontroversos neste processo que houve registro de Declaração de Saída Temporária DST nº 007/2004, pela interessada Companhia Docas de Santana (fls. 2), pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, (de 16.07.2004 a 16.01.2005) sob a alegação de "REPAROS/MANUTENCAO", e que na realidade tratavase de uma locação comercial (contrato fls.21 e ss) e que tais fatos só veio ao conhecimento do Fisco em razão da ocorrência e da comunicação de um sinistro – incêndio no equipamento (fls. 14). Da alegada ilegitimidade passiva Ressalta a recorrente em seu recurso que sem procuração, somente o Diretor Presidente da CDSA, mediante apresentação do seu Decreto de nomeação, poderia formalizar o contrato de locação em análise e assim sendo, a CDSA é parte ilegítima para figurar no polo passivo dos presentes autos de infração, pois verificase, claramente, que o Contrato de Locação da referida máquina foi assinado por pessoa que não dispunha de autorização para fazêlo, isto tudo conforme o disposto no Regimento Interno da CDSA. Alega ainda que o signatário do citado Contrato de Locação, senhor Carlos Magno de Souza Corrêa, ocupava à época o cargo de Coordenador Financeiro e Orçamento, o qual não tinha, entre as suas atribuições, poderes para realizar contratos em nome da CDSA. Pois bem. Entendo que não assiste razão a Recorrente, uma vez que nos termos da Declaração de Saída Temporária nº 007/2004, foi devidamente registrada e assinada pelo representante legal da Recorrente, conforme se verifica na cópia do documento de fls. 2/4. A responsabilidade dos diretores, que não é objeto deste auto, é sempre solidária, vez que estes sempre agem em nome da pessoa jurídica, que representam, no caso Companhia Docas de Santana. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12686.000006/200606 Acórdão n.º 3402002.797 S3C4T2 Fl. 369 7 Em relação ao fato de ter ou não autorização (dispositivo legal interno da Cia) por parte da pessoa que assinou o contrato de locação, tal situação consta que está sendo apurada nos autos que tramita na 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amapá a Ação Civil Pública de Improbidade Administrativa Processo n° 2007.31.00.0007147, em desfavor de Carlos Magno de Sousa Corrêa e outros, conforme documentos que anexa. Neste processo, o que de fato ocorreu e se encontra bem explicitado no Auto de Infração, a Companhia Docas de Santana efetuou uma operação irregular (utilização comercial do bem fora da ALCMS), utilizandose de um artifício legal, qual seja, autorização da Receita Federal do Brasil através da DST 007/2004, porém, com falsa declaração da finalidade da remessa, que seria para reparos/manutenção. No entanto, ficou comprovado nos autos que o real motivo foi para locação (fins econômicos) e não se enquadraria em nenhuma das situações previstas na legislação para a saída temporária dos bens importados com beneficio fiscal. Como se vê, restou caracterizado o desvio de finalidade, que em nenhum momento foi contestado pela Recorrente, pelo contrário, admitindo que a Diretoria anterior é quem deveria ser responsabilizada, alegando que o funcionário não tinham atribuição para efetuar e assinar o contrato de locação da referida empeilhadeira. Verificase nos autos que a situação vislumbrada era de conhecimento da nova diretoria, conforme registro em documento encaminhado ao Fisco em 2005 (fl. 158/165) e que o fato do equipamento ter sido importado pela Companhia Docas do Pará – CDP (administradora do Porto de Macapá anteriormente à administração da Companhia Docas de Santana – CDSA), também não elide a responsabilidade da Recorrente. Repisando e como foi muito bem asseverado na decisão recorrida, “(...) quando da verificação da documentação encaminhada pela empresa de manutenção do equipamento, a B F Fortship constatouse que o equipamento fora locado diretamente da Cia. Docas de Santana (COSA), conforme contrato de locação anexo, com finalidade especifica de movimentação de cargas em terminal de containers no Porto de Belém (PA), com aluguel mensal de R$25.000,00 (vinte e cinco mil reais) pelo prazo de cinco meses (15.07.2004 a 15.12.2004), com possibilidade de prorrogação”. É importante ressaltar que o bem importado com suspensão de tributos foi consumido por dois motivos: (i) ao ser explorado economicamente (locação) fora da ALCMS e (ii) ao sofrer sinistro, uma vez que o retorno do bem, a que se refere a Declaração de Saída Temporária, deve ser no estado em que foi importado, e não sinistrado. Por fim, quanto a responsabilidade legal da pessoa jurídica Companhia Docas de Santana, transcrevo abaixo trechos das considerações contida na decisão a quo, a qual me filio e adoto como fundamentos de decidir: “(...) Foi a Cia Docas de Santana que promoveu a saída temporária do bem que estava sob sua custódia, e quem celebrou o contrato de locação do equipamento, inclusive com recibo de pagamentos das operações (fls. 64 e ss) em seu nome. Novamente nos valemos do disposto no Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, que diz: DOS CONTRIBUINTES E DOS RESPONSÁVEIS Fl. 372DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Art. 103. É contribuinte do imposto (Decretolei nº 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1º): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; (...) Art. 104. É responsável pelo imposto: (...) III qualquer outra pessoa que a lei assim designar. Art. 105. É responsável solidário: I o adquirente ou o cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto (Decretolei no 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, inciso I, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 77); (...) V qualquer outra pessoa que a lei assim designar. Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; (...) IV a pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, de qualquer mercadoria; A interessada, na condição de cessionária de mercadoria beneficiada com suspensão de impostos, está perfeitamente enquadrada como responsável pelos tributos suspensos, em face de descumprimento de condição de regime especial. E a responsabilidade pela infração fica também evidenciada pelo fato de ter a mesma promovido o despacho da mercadoria (DST). A alegação de que o auto de infração deveria ser lavrado apenas contra os antigos diretores não elide a exigência em face da interessada. No caso em tela a responsabilidade é da pessoa jurídica, ou seja, a Companhia Docas de Santana, que registrou a Declaração de Saída Temporária”. Concluindo, fica mantida, portanto, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos pela Cia Docas de Santana (CDSA). Da qualificação da multa Aduz a recorrente em seu recurso que “(...) caso não entendam desta forma, a Recorrente requer que seja retirada o agravamento da multa aplicada, tendo em vista que não restou comprovado nos autos o intuito de fraude pela CDSA. Pelo contrário, resta demonstrado que a mesma fora vítima de locupletamento de um de seus agentes”. O fisco impôs a qualificação da multa de oficio pelo evidente intuito de fraude, conforme o art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96, que diz (à época dos fatos): Fl. 373DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12686.000006/200606 Acórdão n.º 3402002.797 S3C4T2 Fl. 370 9 Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributos ou contribuição: II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos "artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/1964: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente á impedir ou retardar total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Como é cediço, a fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Dessa forma, o intuito doloso ficou plenamente demonstrado nos autos, mediante a apresentação da Declaração de Saída Temporária – DST nº 007/2004 ao Fisco (fl. 02), cuja autorização foi como sendo para reparos e manutenção do equipamento (empilhadeira); no entanto restou claro e comprovado nos autos que o referido bem foi transferido para outro Estado e sendo utilizado para fins econômicos, através do contrato de locação firmado entre as partes, conforme documentos às fls. 21/29, elementos mais que suficientes para ensejar e manter o lançamento da multa qualificada. Conclusão Nesse sentido, voto para conhecer do recurso voluntário para NEGARLHE provimento, mantendose integralmente os termos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 374DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 24/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11080.726028/2012-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.091
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.838/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral, com trânsito em julgado em 09.03.2015. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, §1º, I e 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 28 /2 01 2- 96 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726028/201296 Acórdão n.º 2202003.091 S2C2T2 Fl. 198 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – ITS TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO LTDA contra Acórdão nº 1041.542 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 51.014.4187 e Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 34) AIOA nº. 51.014.4195. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: a) AI n.º DEBCAD 51.014.4187, no valor de R$ 468.322,19 (quatrocentos e sessenta e oito mil, trezentos e vinte e dois reais e dezenove centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos relativos a serviços que lhe foram prestados, nas competências janeiro de 2009 a setembro de 2009, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, a Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviços, CNPJ n.º 04.913.285/000102; e b) AI n.º DEBCAD 51.014.4195, no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de multa por haver deixado, no período de janeiro de 2009 a setembro de 2009, de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (Código de Fundamento Legal CFL 34). O Relatório da decisão de primeira instância também informa que: No Relatório Fiscal (fls. 05/11), a autoridade lançadora informa que a empresa presta serviços aos seus clientes, utilizando mão deobra terceirizada, de contribuintes individuais, contratados por meio de cooperativa de trabalho, nada declarando nas GFIPs correspondentes. No que pertine às despesas de mãodeobra com cooperativa de trabalho, esclarece, a um, que, confrontados os dados da contabilidade da empresa com as informações constantes de suas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRFs, restou constatado que nem todos os valores das notas fiscais referentes aos serviços prestados pela Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviços “estão Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 lançados na contabilidade, corretamente nas contas de despesas, conforme determina a Lei n.º 8.212/91 e também não batem totalmente com as informações declaradas nas DIRF (...), código [de receita] 1708”, correspondente à remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica; a dois, que, nos meses em que houve divergências, verificouse que parte das notas fiscais dos serviços da cooperativa foram lançadas “na conta de despesa SERVIÇOS TERC. P. JURIDICA CSP, código 330102010033129, e parte na conta do Ativo Circulante, ADIANTAMENTO DE VIAGENS, código 110211010011636”; a três, que, nas notas fiscais emitidas pela cooperativa, não consta qualquer discriminação, mas tão somente serviços prestados; a quatro, que, quanto ao fornecimento, pela contratada, de alimentação “in natura” ou valetransporte aos cooperados, estes benefícios constam discriminados em documentos (nota fiscal, fatura ou recibo) emitidos especificamente para este fim; a cinco, que não se verificou, no contrato de prestação de serviços com a cooperativa, a existência de previsão contratual para o fornecimento de materiais ou de equipamentos próprios ou de terceiros. Além disso, uma vez que, confrontada a contabilidade da empresa com a DIRF, verificouse que os valores declarados pela empresa, “nas DIRF com o código 1708, não estão em igualdade, todos os meses, com o montante das despesas lançadas, referentes aos serviços de cooperativa”. Em assim sendo, foram solicitados os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis, escolhidos aleatoriamente, com valores lançados a crédito da conta ADIANTAMENTO DE VIAGENS código 110211010011636 e a débito de bancos, conta BANCO ITAÚ S/A código 110102010011112 – constatandose, ao final, que tais diferenças se referem a despesas de hotéis, táxi, refeições, passagens, etc., de trabalhadores da empresa que prestaram serviços para o cliente Marcopolo S.A., “na modalidade de terceirização de mão de obra”. A autoridade lançadora verificou, ainda, com base na “Nota de Débito n.º 1010/07” (fl. 85), relativa à Marcopolo S.A., “onde constam discriminados todos os profissionais que prestaram serviços, bem como as respectivas despesas de refeições, hospedagens, combustíveis, quilometragens e passagens aéreas, referentes ao mês de 03/2007”, que na GFIP da cooperativa “nenhum dos profissionais relacionados foi declarado como cooperado”, tampouco, na GFIP da empresa, nesta mesma competência, constou informação de qualquer dos trabalhadores relacionados na referida nota de débito – a empresa teve apenas dois segurados empregados informados na GFIP da competência março de 2007, perfazendo uma “média de dois segurados em 2007, sete em 2008 e quatorze em 2009.” Em assim sendo, considerando as discrepâncias verificadas no montante dos valores das notas fiscais referentes à cooperativa de trabalho, nos valores lançados na contabilidade e nos valores declarados nas DIRFs, a Fiscalização apurou a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes as remunerações pagas à Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726028/201296 Acórdão n.º 2202003.091 S2C2T2 Fl. 199 5 Negócios e Serviços, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009, por aferição indireta (arbitramento), com base nas DIRFs declaradas pela empresa com o código de receita 1708. Finalmente, quanto à obrigação tributária acessória de a empresa lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, a autoridade lançadora informa que a empresa efetuou pagamentos a contribuintes individuais da Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviço, não havendo efetuado os lançamentos contábeis, corretamente, “nas contas de despesas, conforme determina a Lei n.º 8.212/91.” Esclarece, a um, que parte das notas fiscais dos serviços da cooperativa foram lançadas “na conta de despesa SERVIÇOS TERC. P. JURIDICA CSP, código 330102010033129, e parte na conta do Ativo Circulante, ADIANTAMENTO DE VIAGENS, código 110211010011636”; a dois, que os serviços prestados por cooperativa de trabalho são despesas da empresa, devendo, por sua natureza, integrar o resultado do exercício e, para tanto, é imprescindível que sejam lançadas no grupo da despesa; e, a três, que o princípio contábil da competência “deve ser, na prática, estendido a qualquer alteração patrimonial, independentemente de sua natureza e origem”, de sorte que as receitas e as despesas sejam “incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento.” Em relação aos acréscimos legais, o Relatório Fiscal informa não ter sido realizado o quadro comparativo de multas, pois o período de apuração encontrase todo na abrangência da lei 11.941/2009, nestes termos: 6. A edição da Medida Provisória 449, de 03/12/2008, publicada no Diário Oficial da União de 04/12/2008, convertida na Lei no. 11.941 de 27/05/2009, publicada no DOU de 28/05/2009, provocou efeitos tributários a todos os fatos geradores ocorridos imediatamente após a sua vigência. 7. Entretanto, o Código Tributário Nacional CTN prevê, em seu artigo 106, inciso I, 'c", que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 8. Assim, não sendo o período de apuração ora auditado anterior à data da edição da Lei 11941/2009, não há a retroatividade prevista no CTN. 9.1 Cálculo a partir da Lei 11941, de 27/05/2009. 9.1.1 Multa de ofício de 75% incidente sobre o valor originário, estabelecido pelo art. 44, inciso I, da Lei 9430/96. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 O período da autuação, conforme o Relatório Discriminativo de Débitos DD, às fls. 91, é de 01/2009 a 09/2009. A Recorrente teve ciência das autuações em 06.07.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 94. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 96/108. A ciência dos autos de infração ocorreu em 05 de julho de 2012, por via postal, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 02 de agosto de 2012. Afirma, inicialmente, que “a contribuição exigida sobre cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91), objeto do DEBCAD n.º 51.014.4187, não encontra sustentação de validade na Constituição Federal (violação ao art. 195, § 4.º), o que fulmina igualmente as respectivas sanções constantes no DEBCAD n.º 51.014.4195” – inexistindo óbice que impeça a apreciação de temas constitucionais no âmbito da presente instância, de forma a garantir a hierarquia das diversas espécies de normas, sob pena de se estar “diante do absurdo em aceitar que a Administração Pública, plenamente vinculada à Constituição Federal, ignore tais disposições, em prol de regulamentos, portarias e outros atos de menor hierarquia.” Observa, ainda quanto a este aspecto, que a inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, atualmente é foco de cognição pelo Supremo Tribunal Federal STF, por meio da ADI n.º 25945, na qual o ProcuradorGeral da República, na condição de responsável pela defesa da ordem jurídica, proferiu parecer pela inconstitucionalidade da contribuição social objeto do lançamento ora impugnado. Aponta, em seqüência, a indevida incidência da contribuição previdenciária do artigo 22, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, sobre valores pagos como reembolsos de despesas (adiantamentos de viagens), na medida em que, “como não se tratam de remuneração pelos serviços prestados pelos cooperados, mas de despesas não diretamente relacionadas com a execução desses serviços (refeições, viagens, etc.) que são indenizadas por força de contrato, esses montantes devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária do art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/91, por ausência de conformação do fato gerador do tributo.” Ao final, a empresa requer seja provida totalmente a impugnação, diante da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos para cooperativas de trabalho, “cuja obrigação principal e acessória são cobradas pelos Autos de Infração, aplicandose o entendimento do Parecer da Procuradoria da República proferido nos Autos da ADIN n.º 25945.” Sucessivamente, requer seja provida a impugnação para o efeito de determinar sejam excluídos do lançamento os valores pagos para cooperativa de trabalho, a Fl. 201DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726028/201296 Acórdão n.º 2202003.091 S2C2T2 Fl. 200 7 título de reembolso de despesas de viagens, combustível, alimentação, etc. Anexa os documentos de fls. 109/154, correspondentes à representação da empresa, no presente processo, além de cópias de peças dos autos de infração impugnados. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1041.542 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: Acórdão 1041.542 7ª Turma da DRJ/POÁ Sessão de 28 de novembro de 2012 Processo 11080.726028/201296 Interessado ITS TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO LTDA. CNPJ/CPF 94.914.694/000116 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009 COOPERATIVAS DE TRABALHO. A empresa, na condição de tomadora dos serviços de trabalhadores cooperados, contratados por intermédio de cooperativa de trabalho, está obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre o valor bruto da respectiva nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, emitida pela cooperativa de trabalho. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2009 CONTABILIDADE. TÍTULOS PRÓPRIOS. Estando a empresa obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal incidente sobre pagamentos relativos a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, está ela igualmente obrigada a lançar esses mesmos pagamentos em títulos próprios (contas de despesas) de sua contabilidade. Impugnação Improcedente Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7.ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos. Intimese para pagamento dos créditos mantidos no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo artigo 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recursos Voluntários, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Do mérito possibilidade de exame de matéria constitucional pelos Órgãos Administrativos de Julgamento. 3. Muito embora se saiba, até mesmo pelas regras que norteiam o processo administrativo', da vedação imposta aos órgãos administrativos de julgamento acerca da argüição da inconstitucionalidade da regra utilizada como supedâneo legal da exigência fiscal, entende a Recorrente que, dentre as características da atividade que o Estado exerce no desempenho da "função administrativa judicante ", inexiste óbice a impedir a apreciação de temas constitucionais no âmbito da presente instância. 4. Inicialmente, é de frisarse que a atividade de remover do sistema jurídico, em caráter definitivo, a eficácia de regras contrárias aos preceitos da Constituição Federal é vinculada ao Poder Judiciário. 5. Contudo, nenhum óbice existe que, em âmbito administrativo, a aplicação de determinada regra seja afastada na apreciação do caso concreto, sob a fundamentação de sua incompatibilidade com os preceitos constitucionais. (ii) Da inconstitucionalidade material do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Da incidência da contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho. Expressa violação ao art. 195, I, a, da Constituição Federal. (iii) Da inconstitucionalidade formal do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Alteração de matéria reservada à Lei Complementar por Lei Ordinária. Violação ao art. 146, III, a e ao art. 195, § 4º da Constituição Federal. (iv) Da indevida incidência da contribuição previdenciária do art. 22, IV, Lei 8212/1991 sobre valores pagos como reembolsos de despesas ("adiantamentos de viagens"). (v) Da necessidade de sobrestamento da matéria que trata da inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, Lei Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726028/201296 Acórdão n.º 2202003.091 S2C2T2 Fl. 201 9 8212/1991 aplicação do artigo §1°, do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 1. No caso tratado nos autos, inconstitucionalidade da contribuição previdenciária de 15% incidentes na fatura ou nota fiscal de serviços prestados por cooperativas, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pelo reconhecimento da repercussão geral do caso, nos termos do artigo 543B, do CPC: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXIGIBILIDADE. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI N° 8.212/91. REDAÇÃO CONFERIDA PELA LEI N° 9.876/99. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 595838 RG, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 14/05/2009, DJe027 D1VULG 11022010 PUBLIC 1202 2010 EMENT VOL0238904 PP00844 ) 2. E reconhecida a repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, a aplicação do §1°, do artigo 543B é medida que se impõe, devendo Ficarem sobrestados todos os demais recursos que tratam da mesma matérias. 3. Portanto, o caso dos autos comporta a aplicação do artigo §1°, do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devendo a matéria relativa a inconstitucionalidade da exação discutida ficar sobrestada até o pronunciamento final do STF. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, não havendo questões preliminares a serem debatidas, passo para o Mérito. DO MÉRITO. (i) Do mérito possibilidade de exame de matéria constitucional pelos Órgãos Administrativos de Julgamento. (ii) Da inconstitucionalidade material do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Da incidência da contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho. Expressa violação ao art. 195, I, a, da Constituição Federal. (iii) Da inconstitucionalidade formal do art. 22, IV, Lei 8212/1991. Alteração de matéria reservada à Lei Complementar por Lei Ordinária. Violação ao art. 146, III, a e ao art. 195, § 4º da Constituição Federal. (iv) Da indevida incidência da contribuição previdenciária do art. 22, IV, Lei 8212/1991 sobre valores pagos como reembolsos de despesas ("adiantamentos de viagens"). (v) Da necessidade de sobrestamento da matéria que trata da inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, Lei 8212/1991 aplicação do artigo §1°, do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Analisemos conjuntamente os itens (i) a (v). Segundo o Relatório Fiscal, o lançamento referese às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte devida pela Empresa, no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV, referente ao período 01/2009 a 09/2009: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726028/201296 Acórdão n.º 2202003.091 S2C2T2 Fl. 202 11 a) AI n.º DEBCAD 51.014.4187, no valor de R$ 468.322,19 (quatrocentos e sessenta e oito mil, trezentos e vinte e dois reais e dezenove centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos relativos a serviços que lhe foram prestados, nas competências janeiro de 2009 a setembro de 2009, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, no caso, a Cooperativa de Trabalho em Gestão Integrada de Negócios e Serviços, CNPJ n.º 04.913.285/000102; e b) AI n.º DEBCAD 51.014.4195, no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos), consolidado em 25 de junho de 2012, relativo ao lançamento de multa por haver deixado, no período de janeiro de 2009 a setembro de 2009, de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (Código de Fundamento Legal CFL 34). Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário RE 595.838/SP com Repercussão Geral, art. 543B, CPC, impetrado por Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Observase que esta decisão foi publicada na Ata nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Em consulta ao sítio do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2651722) temse Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 a movimentação processual indicando a rejeição por unanimidade dos Embargos de Declaração, além do trânsito em julgado em 09.03.2015: Em 11.03.2015 Transitado(a) em julgado em 09/03/2015. Em 08/01/2015 Conclusos ao(à) Relator(a) Em 08/01/2015Juntada a petição nº58621/2014.58621/2014 Em 19/12/2014 Juntada da certidão de julgamento referente à sessão Plenária de 18/12/2014. Em 18/12/2014Embargos rejeitados TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014. Ainda assim, segue trecho do voto do Ministro Relator (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação a seguir: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 343/2015, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.726028/201296 Acórdão n.º 2202003.091 S2C2T2 Fl. 203 13 Porém, o art. 62, parágrafo primeiro, inciso I, do RICARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo primeiro. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62, §2º, do RICARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543 B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, parágrafo primeiro, inciso I, e . 62, §2º, do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à tributação no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. Neste sentido, como conseqüência lógica do afastamento da tributação da autuação principal, AIOP n.º 51.014.4187, também deve ser afastada a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória Auto de Infração AIOA (CFL 34) nº 51.014.419 5 posto que a multa foi devida a não informar, relativamente às competências janeiro de 2009 a setembro de 2009, as bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os valores pagos a cooperativa de trabalho. Demais argumentos. Em função do decidido nos tópicos acima, pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do Recurso Voluntário. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente tanto sobre o Auto de Infração de Obrigação Principal quanto sobre o Auto de Infração de Obrigação Acessória, em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF no RE no. 595.838/SP, na sistemática do art. 543B, CPC, em relação à incidência de tributação de contribuição social previdenciária sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 15504.012877/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS COM INSTRUÇÃO PAGAS AO ALIMENTANDO. NECESSIDADE DE RESPEITO AOS LIMITES REFERIDOS NO § 3º DO ART. 8º DA LEI Nº 9.250/95 PARA FINS DE DEDUÇÃO NA DIRPF DO ALIMENTANTE.
Os valores pagos a título de despesas com instrução ao alimentando, por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, devem respeitar os limites referidos no § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, para fins de sua dedução na Declaração de Ajuste Anual do alimentante.
DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL. ALIMENTOS. INDEXAÇÃO DOS VALORES NÃO PREVISTA NA DECISÃO JUDICIAL.
Na ausência de menção expressa na decisão judicial, não se pode presumir a correção monetária dos valores pagos a título de alimentos, deduzidos a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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NECESSIDADE DE RESPEITO AOS LIMITES REFERIDOS NO § 3º DO ART. 8º DA LEI Nº 9.250/95 PARA FINS DE DEDUÇÃO NA DIRPF DO ALIMENTANTE. Os valores pagos a título de despesas com instrução ao alimentando, por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, devem respeitar os limites referidos no § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, para fins de sua dedução na Declaração de Ajuste Anual do alimentante. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL. ALIMENTOS. INDEXAÇÃO DOS VALORES NÃO PREVISTA NA DECISÃO JUDICIAL. Na ausência de menção expressa na decisão judicial, não se pode presumir a correção monetária dos valores pagos a título de alimentos, deduzidos a título de pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 28 77 /2 01 0- 20 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.012877/201020 Acórdão n.º 2402004.708 S2C4T2 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) reajustando o imposto a restituir do valor declarado de R$ 5.475,46 para R$ 3.827,39, relativamente ao anocalendário 2007. O lançamento (fls. 8/12) decorreu da constatação das seguintes infrações: dedução indevida de despesas com instrução, face à superação do limite anual individual de R$ 2.480,66; dedução indevida de pensão alimentícia judicial, em montante maior que o estabelecido na sentença. As razões da impugnação do contribuinte (fls. 2/7) foram assim bem sumarizadas pela DRJ/BHE em seu relatório: Salienta que na sentença que homologou o acordo feito no processo de divórcio foi estabelecido pagamento de pensão em duas parcelas: uma paga em dinheiro corrigida mensalmente pelo IGPM e outra paga em forma de material escolar, mensalidades escolares, taxa de matrícula, assistência médica, assistência odontológica e vestuário. Inconformado com a negativa da SRF em acatar esta dedução requereu o desarquivamento de seu processo de divórcio e solicitou uma certidão para certificar sobre a forma do pagamento de pensão alimentícia em duas parcelas. A Certidão expedida pela 3ª Vara de Família da Comarca de Belo Horizonte segue anexa a impugnação. Sobre a dedução de despesas com educação entende que não está sujeito ao limite anual individual de R$ 2.480,66, uma vez que este valor não deve ser analisado como gasto com educação separado do valor da pensão. No tocante a pensão alimentícia salienta que o valor fixo foi inicialmente fixado em Cr$ 4.000.000,00 e depois revisto para R$ 2.250,00 sujeito a correção mensal pelo IGPM, conforme foi requerido e decretado na Ação de Separação. Conclui que a dedução com pensão alimentícia não estava limitada a R$ 27.000,00, pois corrigido o valor de R$ 2.250,00 pelo IGPM atinge a soma de R$ 31.287,61. Como deduziu apenas R$ 30.512,33 não há qualquer valor a ser glosado a este título. Pede o acolhimento da defesa e o cancelamento do lançamento. A instância administrativa de primeiro grau manteve a exigência, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Pode ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 DESPESA COM INSTRUÇÃO. ALIMENTANDO. LIMITE ANUAL. As despesas com instrução pagas pelo alimentante, em nome do alimentando e em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas na declaração de rendimentos em seu campo próprio, observado o limite anual. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/2/2012, repisando as razões e os pedidos da impugnação. Na data de 30/9/2014 o notificado formulou petição informando que aderiu ao parcelamento regrado pela Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, entendendo que com tal adesão o recurso perdera o objeto, devendo ser suspensa a cobrança do crédito tributário (fls. 58/63). No entanto, a repartição fazendária de origem esclareceu que a adesão ao parcelamento especial não afetara o presente processo, pois a Notificação de Lançamento não constituíra crédito tributário, mas sim reajustara o saldo de imposto a restituir (fls. 66). Por consequência, os autos retornaram para este CARF, para fins de julgamento do recurso interposto. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.012877/201020 Acórdão n.º 2402004.708 S2C4T2 Fl. 70 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Dispõe o inciso II do art. 4º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, conforme a redação vigente à época dos fatos (reproduzido no art. 78 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Esse dispositivo deve ser lido em conjunto a regra contida no § 3º do art. 8º dessa mesma lei, que trata das informações prestadas na Declaração de Ajuste Anual (DAA): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: 1. R$ 2.480,66 (dois mil, quatrocentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos) para o anocalendário de 2007; (...) § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo.(...)( negritei) O § 3º destacado não traz ressalva relativa às decisões judiciais que estabelecem pensão alimentícia, ou seja, ainda que nestas sejam incluídos os valores atinentes às despesas médicas e com educação, estas submetemse às regras gerais relativas às deduções de despesas do gênero. Mister frisar que esse preceito visa, em última análise, evitar que por via transversa seja violado o princípio da isonomia. Explico, ilustrando: se o responsável por um dado dependente tem a dedução de despesas de instrução realizadas no ano limitada a um determinado valor por opção do legislador, não houvesse o precitado dispositivo legal poderia verse ele prejudicado relativamente àquele contribuinte que, com base em decisão judicial exarada por Juízo de Família, tivesse as despesas de educação acatadas como parte da pensão devida ao alimentando, sem quaisquer restrições. Tal quebra de igualdade, vejase, se verificaria sem qualquer justificativa face às normas constitucionais. Nesse contexto, o mesmo diploma que confere ampla dedutibilidade aos valores pagos a título de pensão alimentícia, traz atenta e cautelosa observação quanto à necessidade de que as despesas com educação, ainda que pagas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente versando sobre alimentos, se atenham aos limites estabelecidos nessa lei, no inciso II, alínea 'b' do mesmo artigo. Dessa feita, mesmo que no caso concreto tenha sido decidido, conforme certifica o documento de fl. 23, que a pensão alimentícia fosse composta por uma quantia fixa paga à representante legal dos menores, e pelo valor gasto com educação, saúde e vestuário de seus filhos, é certo que a extensão deste último montante, para fins de dedutibilidade na DAA, está submetido aos ditames do § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250/95. Alcançando as despesas com instrução deduzidas na DIRPF/2008 a cifra de R$ 7.441,98 (fl. 38), e sendo elas relativas aos dois alimentandos, não poderia ela ultrapassar o limite legal de R$ 4.961,32 (2 x R$ 2.480,66). De rigor, assim, manter a glosa da diferença de R$ 2.480,66 (R$ 7.441,98 4.961,32), realizada pela fiscalização. Também não tem razão a irresignação do recorrente quanto à possibilidade de atualização da parcela da pensão paga em dinheiro. Consoante o referido esclarece, esse valor fixo foi inicialmente fixado em Cr$ 4.000.000,00 mensais, corrigidos pelo IGP/M Índice Geral de Preços Médios, em sentença homologada em 14/1/1993 (fls. 17 e 21). Como é cediço, à época o Brasil padecia de surto inflacionário, que grassava minando as relações econômicas e sociais; daí, ser então procedimento padrão nos negócios jurídicos, e acordos em geral, o estabelecimento de cláusulas ou determinações para que os deveres e obrigações de cunho patrimonial fossem corrigidos pelos índices de preço. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.012877/201020 Acórdão n.º 2402004.708 S2C4T2 Fl. 71 7 No ano de 2004, quando foi homologado o acordo da ação revisional de alimentos fixandoos em R$ 2.250,00 (fl. 22), o ambiente econômico era deveras diverso, com a inflação assentada em patamares muito inferiores. Desse modo, se era possível, quando do período inflacionário, inferirse que em um determinado acordo revisional de alimentos a falta de menção ao índice de correção dos valores devidos indicava a manutenção do anteriormente fixado, tal presunção não prospera com a estabilização da economia a partir do advento do Plano Real, em 1994. Doravante, a indexação deve ser expressa e cabalmente consignada nas avenças, considerandose o fim da correção monetária oficial e a desindexação generalizada das relações econômicas. Inexistindo menção no acordo revisional homologado da correção dos alimentos pelo IGPM, procedeu desse modo com acerto a fiscalização ao glosar o montante deduzido a título de pensão judicial que extrapolou o valor de R$ 27.000,00 (12 x R$ 2.250,00), R$ 3.512,33. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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