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Numero do processo: 10580.724883/2011-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/06/2006 a 31/12/2010
COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO COOPERATIVO AUXILIAR. DESPESA. FALTA DE PERTINÊNCIA COM O FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA.
Ato cooperativo é aquele especificamente praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. A contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, não configura ato cooperativo. Ainda que conceituado como ato cooperativo auxiliar, não configura ato cooperativo em sentido estrito, por não se tratar de ato praticado entre a cooperativa e o médico cooperado.
O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere ao ingresso de recursos na entidade e não à saída de recursos.
COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, I, II e III, DA LEI 9.718/98. CO-RESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS.
As deduções da base de cálculo previstas em relação às operadoras de planos de saúde também se aplicam às cooperativas de serviço médico que desenvolvem esta mesma atividade.
Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras.
Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as indenizações dos eventos ocorridos e efetivamente pagos, nos termos do voto do Relator.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO COOPERATIVO AUXILIAR. DESPESA. FALTA DE PERTINÊNCIA COM O FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. Ato cooperativo é aquele especificamente praticado entre a cooperativa e seus cooperados, destinado à consecução dos objetivos sociais da entidade. A contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, não configura ato cooperativo. Ainda que conceituado como ato cooperativo auxiliar, não configura ato cooperativo em sentido estrito, por não se tratar de ato praticado entre a cooperativa e o médico cooperado. O fato de os pagamentos realizados pela cooperativa configurarem ou não um ato cooperativo é indiferente para a apuração da Cofins, pois se trata de uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, ou seja, que se refere ao ingresso de recursos na entidade e não à saída de recursos. COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, § 9º, I, II e III, DA LEI 9.718/98. CORESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. As deduções da base de cálculo previstas em relação às operadoras de planos de saúde também se aplicam às cooperativas de serviço médico que desenvolvem esta mesma atividade. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 48 83 /2 01 1- 88 Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde, independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as indenizações dos eventos ocorridos e efetivamente pagos, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/23 eprocesso) lavrado para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos entre junho de 2006 a dezembro de 2010. A notificação do contribuinte aconteceu em 29/04/2011 (fl. 4e). A descrição dos fatos que deram causa ao lançamento é a seguinte: “Tratase de cooperativa de prestação de serviços médicos que no decorrer dos meses de junho de 2006 a dezembro de 2010 deixou de declarar em DACON e DCTF ou declarou a menor, a contribuição para a COFINS, no sistema cumulativo a que estão sujeitas de acordo com Instrução Normativa 635/2006, nos seus artigos 5º inciso I, 6º a 8º e 9º a 17. Pelo exposto, estamos procedendo ao lançamento de ofício da contribuição em comento durante o referido período. Para tanto, com base na escrituração contábil do contribuinte, elaboramos planilha anexa, onde foram levantadas mensalmente as receitas brutas auferidas e delas subtraído as vendas canceladas alcançandose dessa maneira a base de cálculo sobre a qual aplicamos a alíquota de 3%. Assim, apurados os legítimos valores das contribuições, foram eles deduzidos daqueles valores informados em DCTF, quando existentes.” (fl. 5e) O contribuinte apresentou impugnação (fls. 2002/2008e), alegando, em síntese, que “a Impugnante, na condição de cooperativa, pratica atos cooperados, sendo que Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.233 3 tais atos, além de não terem sido desenquadrados desta condição, são insusceptíveis da incidência da COFINS ou do PIS, haja vista não se refletirem em atos de mercancia” (fl.2003 e). Argumenta que, por força do parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764/71, todos os atos que guardam pertinência com a atividade da cooperativa não implicam em operação de mercado, nem compra e venda de produto ou serviço, de maneira que não configuram receita sujeita a Cofins. Cita precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em caso que envolvia cooperativa médica, no qual se entendeu que são atos cooperativos os praticados com vista à sua finalidade, e que “a prestação de serviços pelos cooperados a terceiros que se enquadra no objeto social da cooperativa e, por isso, caracterizase como ato cooperativo, estando isento do PIS e da COFINS” (Recurso Especial nº 903.699, DJe 08/05/2008) Alega, por fim, que ainda que se considerasse que os atos praticados não seriam atos cooperativos, houve erro na determinação da base de cálculo, em razão de que a Autoridade Fiscal considerou todos os ingressos da impugnante para a composição do faturamento, abatendo apenas e tão somente as vendas canceladas, sem considerar as demais deduções previstas em lei. Dentre as deduções que o contribuinte acusa a autuação de ter descurado, cita (i) as vendas de bens do ativo permanente, (ii) os resultados positivos de avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e de lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição e que tenham sido computados como receita, (iii) reversões de provisões operacionais e recuperação de créditos baixados como perda, (iv) receitas financeiras e (v) as sobras destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates (art. 28 da Lei 5.764/71), além (vi) daquelas especificamente previstas em relação às operadoras de plano de saúde, contidas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. Alega trazer com a impugnação o demonstrativo de cálculo por meio do qual se apuraria corretamente a base de cálculo e o recolhimentos dos tributos no período em discussão. Depois de converter o julgamento em diligência (fls. 2053/2055), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/BA (DRJ), por meio do Acórdão nº 1529.942, de 29 de fevereiro de 2012 (fls. 2161/2171), julgou parcialmente procedente a impugnação, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2006 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADES COOPERATIVAS As sociedades cooperativas estão sujeitas à Cofins incidente sobre a receita bruta independentemente de ela resultar de atos cooperativos ou de atos nãocooperativos. Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. As sociedades cooperativas de trabalho médico, atuando como operadoras de plano de assistência à saúde, podem se beneficiar das exclusões e deduções previstas no art. 17 da IN SRF nº 635, de 2006, desde que devidamente comprovadas. Inexiste previsão legal para exclusão da base de cálculo da Cofins das despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), visto que tal contribuição incide sobre o faturamento (receita bruta) mensal, e não sobre o resultado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O voto proferido pelo Relator do julgamento da DRJ promove o seguinte detalhamento (fls. 2167/2168): De pronto, verificase que nas bases de cálculo do Auto de Infração não foram incluídas as receitas decorrentes das vendas do ativo permanente, que compõem o grupo de contas 3.5 – “Receitas Patrimoniais” dos balancetes. Da mesma forma, foram excluídos os valores das receitas financeiras, escriturados a crédito no grupo de contas 3.4. (...) Verificase que na planilha apresentada pela própria impugnante após a realização da diligência inexistem valores a título de resultados positivos de avaliação de investimentos e de lucros e dividendos, reversões de provisões operacionais e recuperação de créditos baixados como perda e valores relativos a sobras destinadas à constituição do Fundo de Reserva e do Fates, confirmandose, portanto, que, tais parcelas não foram incluídas nas bases de cálculo do Auto de Infração. Desta forma, neste voto serão adotadas as bases de cálculo da Cofins levantadas quando da realização da diligência, considerandose que nelas já foram excluídas as variações das provisões, e, também, excluídas as receitas de co responsabilidades. Contudo, equivocase a impugnante ao pretender a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores escriturados em contas de despesas, as quais, conforme balancetes anexados ao processo, referemse a consultas médicas, exames, terapias, internações e outros atendimentos ambulatoriais. O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Cofins as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio, pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, ou ainda por Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.234 5 hospitais, ambulatórios e laboratórios de análises não conveniados/credenciados (terceiros), visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. Se tal dedução fosse possível, teria o legislador ordinário redigido o aludido dispositivo contemplando explicitamente a dedução de todos os gastos efetivados pelas operadoras com o atendimento médico/odontológico contratado pelos beneficiários dos planos de assistência à saúde, o que não fez. Portanto, as cooperativas de trabalho médico estão impedidas de excluir da base de cálculo da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título, incidindose a tributação sobre toda a receita auferida pela cooperativa, independentemente se advinda de ato cooperado ou não. (...) No que tange aos pagamentos efetuados pela autuada, destaque se que, a partir das bases de cálculo levantadas pelo autuante, inexistem os saldos positivos alegados pela impugnante, que não indicou um único recolhimento não considerado no Auto de Infração, sendo que os valores declarados em DCTF foram devidamente deduzidos da Cofins apurada pela fiscalização. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 2181/2190e) alegando o seguinte: (1) que a Fiscalização não poderia ter incluído todos os ingressos da cooperativa como receita sujeita a Cofins, na medida em que estavam classificados contabilmente como atos cooperativos e a sua contabilidade não foi desqualificada nem a contribuinte foi desenquadrada da condição do cooperativa, e que não se pode concordar com a postura dos Julgadores, pois simplesmente não consideraram relevante saber se foi praticado ou não um ato cooperado, de modo que teriam ignorado solenemente o art. 79, p.u., da Lei nº 5.764/71, segundo o qual os atos cooperativos não configuram atos de mercado, não se inserindo no conceito de faturamento. Ilustra com o seguinte exemplo: “(…) os ingressos decorrentes de operações de intercâmbio, na qual a Recorrente presta atendimento a usuários de UNIMED’s de outras localidades e cobra a conta destas (ex.: atendimento na circunscrição de Salvador a usuários da UNIMED GOIÂNIA ou da UNIMED RIO), são relações travadas entre cooperativas, constituindose, pois, em atos cooperativos TÍPICOS” (fls. 2185/2186); (2) que o julgamento deixou de reconhecer o abatimento previsto no art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/98 (“o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”), por entender de que o legislador não teria tido a intenção de deduzir todos os gastos com o tratamento dos seus beneficiários, ou seja, que não poderiam ser deduzidos os custos operacionais realizados aos seus próprios clientes, com o que teria incorrido nos seguintes três vícios: Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O primeiro é o de que os dispositivos legais em testilha não fazem essa restrição tampouco qualquer distinção entre despesas realizadas com beneficiários próprios ou de beneficiários de terceiros. E se não há norma imputando vedações, não poderia a DRJ legislar, criando restrições. O segundo é desconsiderar que o Direito Tributário é um direito de superposição, isto é, vai buscar conceitos em outros ramos do Direito. No caso concreto o legislador ordinário (para a Lei 9718) e para a RFB (para a IN 635) foram encontrar o conceito de “indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, junto à ANS. Por esta razão, é relevante informar que a UNIMED BRASIL, que representa todas as cooperativas regionais, consultou a ANS a respeito de tais conceitos, tendo esta Agência respondido o seguinte (DOC. 01 – Carta Resposta da ANS): Eventos Ocorridos: são os custos assistências decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência. (…) Valor dos Eventos Efetivamente Pagos: são os eventos conhecidos, ocorridos, líquidos das recuperações por glosas, ressarcimentos ou outras deduções, como descontos obtidos, classificados nas contas 4121, 4122, 4128, 4129, 4131 e 4132, ou seja, é o que efetivamente a operadora saldou, pagou no mês. (…) Importâncias Recebidas a Título de Transferência de Responsabilidades: são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidade, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco, (…) Ora, também a ANS, em seus conceitos técnicos, NÃO FEZ QUALQUER RESTRIÇÃO ACERCA DA ORIGEM SUBJETIVA DA DESPESA, se decorrente de gastos com clientes da própria cooperativa ou não! (…) E o terceiro vício, por fim, decorre do fato de que, ainda que as despesas contratadas na prestação de serviços aos próprios beneficiários não possa ser abatida da base de cálculo (…) deveria (…) ter admitido o abatimento das despesas incorridas na prestação de serviços a clientes das outras cooperativas, e tal não foi feito. (…) COM EFEITO, CONSIDERANDO QUE ESTES GASTOS NÃO FORAM FEITOS COM BENEFICIÁRIOS DA PRÓPRIA RECORRENTE, AS DESPESAS INCORRIDAS NESTA Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.235 7 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, A RIGOR, DEVERIAM SER ABATIDAS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS!” É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Tratase de julgar tanto (1) o recurso de ofício interposto pela DRJ como (2) o recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 1) O recurso de ofício. O recurso de ofício foi regularmente interposto pelo Presidente de Turma da DRJ, em razão de ter sido excluídos do lançamento uma valor de tributo que ultrapassa o limite previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, razão pela qual tomo conhecimento do recurso. No mérito, entendo que deve ser mantido o entendimento do acórdão da DRJ, no sentido de excluir da base de cálculo da contribuição os valores correspondentes às variações das provisões e às receitas de coresponsabilidade. Com efeito, as cooperativas médicas também são destinatárias das deduções previstas em relação às operadoras de plano de saúde, contidas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Medida Provisória nº 215835/2001: § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. O resultado da diligência fiscal realizada neste caso concreto identificou valores que se enquadram como coresponsabilidades cedidas e como valores destinados à constituição das provisões, configurando as hipóteses de dedução previstas nos incisos I e II acima citados, de maneira que esta conclusão da diligência foi, então, acolhida pela DRJ, para o efeito de excluir tais valores do lançamento. Não há reparo a fazer, portanto, em relação ao que foi decidido pela DRJ, pois aplicou as referidas deduções legais ao caso concreto, conforme os valores determinados na diligência fiscal. Por tal razão, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 2) O recurso voluntário. O recurso do contribuinte foi protocolado em 01/06/2012 (fl. 2181e), dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência, ocorrida em 02/05/2012 (fl. 2179e). O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A fundamentação do recurso pode ser dividida em 3 partes: · que seria condição para o lançamento fiscal que a Fiscalização desqualificasse a contabilidade da entidade e a desenquadrasse da qualidade de cooperativa, o que não teria ocorrido, de maneira que deveriam prevalecer os seus registros contábeis, como prova dos atos cooperativos praticados e a sua qualidade de cooperativa; · que teria sido ignorada pela Fiscalização e pela DRJ a necessária qualificação dos atos praticados pela contribuinte entre atos cooperativos e atos não cooperativos, e que, em razão do art. 79, p.u., da Lei nº 5.764/71 – o qual diz que os atos cooperativos não são atos de mercado –, deveria ser reconhecido que os atos cooperativos não se inserem no conceito de faturamento e, por conseqüência, não se sujeitam à incidência de Cofins; e · que não teria sido respeitado o direito de dedução da base cálculo previsto no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/2006 e reiterado pelo art. 17, IV, da IN RFB nº 635/2006. 2.1) O lançamento não se condiciona à desqualificação da contabilidade nem ao desenquadramento como cooperativa. O recorrente protesta pelo fato de que a Fiscalização não teria desqualificado a sua contabilidade, nem teria desenquadrado o contribuinte da sua qualidade de cooperativa, o que constituiria razão suficiente para que prevalecessem as informações constantes no seu registro contábil, enquanto prova dos atos cooperativos que pratica e da sua qualidade de cooperativa. Ou seja, o recorrente sustenta que, para haver o lançamento fiscal, seria necessário que antes houvesse o desenquadramento do contribuinte como cooperativa ou a desqualificação da sua contabilidade, que registraria a divisão entre atos cooperativos e não cooperativos. Entendo que não assiste razão ao recorrente, pois, para que seja realizado o lançamento fiscal, cuja finalidade é a constituição do crédito tributário, basta a verificação da ocorrência do fato gerador do tributo. Isto, aliás, em respeito ao que determina o art. 142 do CTN. A legislação não condiciona a atividade de lançamento, em relação às cooperativas, a nenhum ato prévio de desenquadramento ou de desqualificação da contabilidade. Assim, para aferir se houve receita sujeita à incidência de PIS/Cofins não é preciso nenhum ato de desqualificação da contabilidade ou de desenquadramento da entidade como cooperativa, bastando que a Autoridade Fiscal apresente na motivação os fatos que Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.236 9 revelam a configuração de receita ou faturamento que devam ser submetidas à incidência das referidas contribuições. 2.2) O ato cooperativo praticado pelas cooperativas de médicos não se refere à sua receita bruta ou faturamento. A Lei nº 5.764/71 (Lei das Cooperativas) assim dispõe a respeito dos atos cooperativos: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (grifo nosso) Talvez a única conclusão incontroversa que pode ser extraída destes dispositivos seja a de que se deve tratar com normalidade o fato de as cooperativas praticarem atos cooperativos e atos nãocooperativos, ou seja, que a prática de atos nãocooperativos não implica na perda da qualidade de cooperativa. A discussão entre o contribuinte e o Fisco referese ao alcance do conceito de ato cooperativo. Para o contribuinte, todo ato que seja destinado, direta ou indiretamente, para a consecução dos objetivos da entidade, servindo de suporte para a atuação de seus cooperados, deveria ser qualificado como ato cooperativo. Para o Fisco, apenas os atos praticados especificamente entre cooperativas ou entre a cooperativa e seus cooperados poderiam ser qualificados como ato cooperativo. Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A contribuinte argumenta que a sua atividade não configuraria atividade mercantil, de maneira que os ingressos na entidade não configurariam receita ou faturamento, não se submetendo à incidência de PIS/Cofins. O Fisco, de outro lado, entende que a atividade da entidade consiste na venda de planos de saúde, cuja receita configuraria ato típico de mercado, pois é realizada entre a cooperativa e o público em geral, atuando abertamente no mercado, como mais um agente econômico prestador de serviços de saúde, de maneira que estas receitas estaria regularmente sujeitas à incidência de PIS/Cofins. Vale lembrar que o Parecer Normativo CST nº 38, de 30 de outubro de 1980, manifesta o seguinte entendimento a respeito do regime tributário das cooperativas: 2.3.1 Atos Cooperativos. A primeira delas abrange os negócios jurídicos internos, negóciosfim, com caracteres próprios em relação aos atos civis, mercantis ou trabalhistas, que a lei denomina atos cooperativos e define como: "os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais" (art. 79) (...)2.3.2 Atos NãoCooperativos Legalmente Permitidos. A segunda categoria corresponde a alguns atos não cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por servirem ao propósito de pleno preenchimento dos objetivos sociais, mas sujeitaos, por isso mesmo, à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. São estas as operações admitidas: ............... II — fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim entendidos estes bens e serviços como sendo os mesmos que a cooperativa, em obediência ao seu objetivo social e estejam de conformidade com a lei, oferecer aos próprios associados. (art. 86) ............... 3 DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS 3.1 — Atos Cooperativos As cooperativas singulares de médicos, ao executarem as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços associados; a cobrança e o recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.237 11 supletivamente, mediante rateio entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). 3.2 — Atos NãoCooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos. Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associado pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 — Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objetivo social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 — Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para esse tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve (1) atividade econômica (2) fins lucrativos (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados; percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade que tivesse como único objetivo a revenda de bens e serviços." O entendimento deste Parecer, adotado pela Fiscalização e pela DRJ, é de que apenas os atos praticados especificamente entre a cooperativa e o cooperado é que poderiam ser qualificados como atos cooperativos. De acordo com essa interpretação, portanto, a contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, não configura ato cooperativo. Por isso, ainda que venham a ser conceituados como atos cooperativos auxiliares, não configurariam ato cooperativo em sentido estrito, por não se tratar de ato praticado entre a cooperativa e o médico cooperado. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Percebese, ainda, que a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos é tarefa que apenas toma lugar em relação aos pagamentos realizados por uma cooperativa médica. Ocorre que a Cofins é uma contribuição que incide sobre o faturamento ou receita bruta, de maneira que apenas se o ato cooperativo se referisse a uma receita é que haveria implicação direta em relação à incidência da Cofins. As entradas de recursos nas cooperativas médicas correspondem, basicamente, aos pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam a cooperativa e em relação a este tipo de receita, considerada a interpretação restritiva acima explicada, não seria possível a configuração como ato cooperativo, visto tratarse de ato praticado entre a cooperativa médica e os usuários/contratantes da cobertura médica. Ou seja, os ingressos de valores nas cooperativas médicas referemse basicamente a receitas decorrentes da venda de planos de saúde ao público em geral, não havendo que se cogitar na configuração de em ato cooperado em relação a estas receitas. As receitas correspondem aos pagamentos realizados pelo usuários dos planos de saúde, portanto, devem ser submetidas à regular incidência da Cofins, por não se tratarem de atos cooperados, mas de atos de cunho mercantil. Também vale a pena conferir o seguinte raciocínio da Conselheira Fabíola Keramidas em caso semelhante ao presente, também tratando de cooperativas de médicos: No presente caso não há controvérsia sobre o fato de que a Recorrente fatura, contra terceiros não cooperados, os valores correspondentes a servic os prestados diretamente por seus cooperados. O valor que a Recorrente arrecada e ́repassado aos cooperados por meio de atos cooperados (não tributáveis), mas sofre a incide ncia tributária, quando recebido pela Recorrente – sob pena de, sobre tais valores, não ocorrer incide ncia tributária alguma. Ora, se o cooperado recebesse os valores diretamente do terceiro (para quem presta seus servic os) tais valores também seriam tributados, quando do recebimento pelo cooperado. Caso admitíssemos a não incide ncia no recebimento do valor pela cooperativa e no repasse ao cooperado, estaríamos admitindo que servic os prestados através de cooperativas jamais seriam tributados – o que não me parece lógico, ou legal (em especial considerando o princípio da isonomia). Assim, o cooperado pode escolher o modelo que melhor lhe convém para receber os valores correspondentes à sua prestac ão de servic os: (i) prestar os servic os e receber diretamente do terceiro contratante, tributando os valores quando deste recebimento, ou;; (ii) receber os valores atraveś da cooperativa, sem submete los à tributac ão nesta etapa do fluxo financeiro (pois estarseá diante de ato cooperado), mas ciente de que na remessa dos valores do terceiro (tomador de seus servic os), para a cooperativa (que fatura o valor Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.238 13 diretamente ao tomador) esta deverá oferecer a quantia à tributac ão. Importante ressaltar que não há prejuízo para os cooperados, porque eles já pagariam uma vez a tributac ão. Uma incide ncia é devida e garantida pela própria legislac ão que trata do ato cooperado. O que a legislac ão garante é que os cooperados, que ao meu ver são considerados uma espécie de “hipossuficientes”, utilizem do mecanismo do agrupamento para prestar seu servic o e fazer frente aos grandes concorrentes sem que, para isso, sofram o nus, majorac ões do custo operacional. (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Por tais razões, este relator alterou seu entendimento anterior (Acórdão 3403 00.932, PA 10410.004376/200376, j. 05/05/2011), em razão da peculiaridade de que, em relação às cooperativas médicas, a discussão a propósito da classificação como ato cooperativo gira em torno das despesas, ou seja, dos pagamentos realizados pela cooperativas, e não em relação às receitas, pois são originadas de terceiros não associados, não configurando ato cooperativo, e por isso submetendose à incidência da Cofins. 2.3) A dedução prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei 9.718/98; O Recorrente alega que não lhe foi corretamente aplicada a hipótese de dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98, que autoriza a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Para a DRJ, as indenizações de eventos ocorridos apenas poderiam ser interpretadas como os pagamentos realizados pela operadora em favor de outra operadora. Para o contribuinte, as indenizações de eventos ocorridos referemse aos pagamentos que a operadora realiza aos médicos e prestadores de serviço em cumprimento à cobertura do amparo médico contratado, independente de se referir a usuários da própria ou de outra operadora. Entendo que assiste razão ao contribuinte, primeiro porque fica claro que o legislador transportou para as operadoras de planos de saúde o mesmo método e racionalidade da apuração da receita que é aplicada às seguradoras. Não há como ignorar a identidade entre a sistemática de apuração prevista em relação às sociedades seguradoras, prevista no § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e a sistemática introduzida em relação às operadoras de planos de saúde no § 9º do mesmo dispositivo de Lei. No caso das empresas de seguros privados, a Lei assegura a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos” (§ 6º, II). Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 No caso das operadoras de plano de saúde, a Lei assegura a dedução do “valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. Como visto, em ambos os casos permitese que, em relação ao total das receitas auferidas, sejam deduzidos os pagamentos realizados pelos contribuintes para suportar os sinistros, no caso das seguradoras, e os eventos, no caso das operadoras de planos de saúde. Podese criticar o legislador por ter adotado os termos “indenização” e “eventos” em relação às operadoras de planos de saúde, por não ser a terminologia mais adequada para esta atividade. Mas a falta de precisão terminológica, como se percebe, decorre justamente de se ter transportado para as operadoras de planos de saúde a mesma racionalidade da apuração aplicada às seguradoras, o que induziu à repetição de termos nativos da experiência com as seguradoras. Pareceu suficiente ao legislador manter o termo “indenização”, aplicandoo tanto para as seguradoras como para as operadoras de planos de saúde, e apenas adaptar o termo “sinistros” para “eventos”, da mesma forma como adaptou o termo “cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos” para “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”. É certo, portanto, que o significado do termo “sinistros” para as seguradoras é o mesmo que o termo “eventos” quer significar para as operadoras de plano de saúde, e que ambos se referem aos pagamentos realizados por estas entidades para o amparo de seus contratantes, concretizando a cobertura de risco ou a cobertura de eventos de assistência médica. Isto porque, a grosso modo, em ambos os casos as entidades proporcionam uma proteção aos seus contratantes em relação a fatos que podem ou não ocorrer. É neste sentido a manifestação da Agência Nacional de Saúde, conforme consta de Ofício juntado aos autos (fls. 2191/2193e), quando conceitua como “eventos ocorridos”, para o efeito do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, “os custos assistências decorrentes da utilização, pelos beneficiários, da cobertura oferecida pelos planos de saúde, ou seja, são os custos com os atendimentos feitos aos beneficiários do plano de saúde da operadora, tais como consultas médicas/odontológicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc, que estejam diretamente ligados ao ato assistencial, os quais a operadora reconhecerá contabilmente na data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, em atenção ao regime de competência” (fl. 2192e; grifos editados). Ou seja, as indenizações por eventos ocorridos são os pagamentos realizados pela operadora de planos de saúde para dar amparo à cobertura médica contratada, em razão dos atendimentos incorridos em favor dos usuários de planos de saúde. Quis o legislador que tais pagamentos (que tratou de maneira uniforme sob o nome de “indenização”), os quais são destinados a suportar a cobertura de risco em razão de sinistros/eventos concretamente ocorridos, fossem excluídos da base de cálculo. Não se descuida de que os dispositivos em questão, na parte final de seu texto, ressalvam que, de tais valores de deduções (pagamentos para a indenização de sinistros e eventos), devem ser deduzidas as importâncias que o contribuinte receber de outro contribuinte “a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos’, no caso das seguradoras, Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.239 15 e de “importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades”, no caso das operadoras de planos de saúde. Embora esta parte final se refira a atos praticados com terceiros – ou seja, com outros contribuintes, que podem ser outras seguradoras, outras operadoras de planos de saúde, ou mesmo os usuários/contratantes –, isto não surte o efeito de restringir a interpretação da primeira parte do texto dos mesmos dispositivos, para que apenas alcancem pagamentos realizados para cobertura de sinistros/eventos suportados em favor de usuários de outras seguradoras ou operadoras de planos de saúde. Conforme conceitua a ANS, as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades “são os valores de repasse recebidos a título de transferência de responsabilidade, ou seja, os valores recuperados de eventos em decorrência do compartilhamento de risco” (fl. 2193e; grifo editado). Isto quer significar que, se de uma lado a dedução prevista no inciso III corresponde ao valor de todos os pagamentos realizados para suportar os eventos cobertos pelo plano de saúde em relação a usuários da própria operadora como em relação a outras operadoras, de outro lado, os valores recuperados (recebidos pela operadora A de uma operadora B, em decorrência da operadora A ter suportado o atendimento de usuário da operadora B) devem ser excluídos do valor da dedução legal. Isto impede que seja utilizado como dedução um valor que a operadora A suportou em favor de usuário da operadora B, mas que foi recuperado, em razão da operadora B ter transferido para a operadora A o valor desta indenização pelo evento ocorrido. Mas se não ocorre esta recuperação, a operadora deduz integralmente as indenizações que suportou, seja em relação a usuários próprios, seja em relação a usuários de outras operadoras. Não procede o raciocínio da Fiscalização de que a dedução prevista no inciso III se resumiria ao confronto entre (a) o valor que pago pela operadora para proporcionar o atendimento de usuários de outras operadoras e (b) o valor que foi recebido pela operadora, transferido por outras operadoras, em caráter de ressarcimento. Tal raciocínio faz confusão entre as deduções previstas nos incisos I e III, pretendendo que o primeiro surta um efeito de restrição em relação a este último. Ocorre que as duas deduções tratam de situações diferentes. A este propósito, confira mais uma vez a explicação da Conselheira Fabíola Keramidas, no julgamento já mencionado: Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem faze lo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seu consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas dispendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERE NCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERE NCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do servic o é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente, apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma seŕie de documentos/informações. A substituição de prestadores de serviços na rede credenciada – principalmente congêneres é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPS, justamente pela necessidade de manutenção da capacidade e da qualidade de atendimento aos usuários dos planos de saúde. Em termos tećnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espećie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado §9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.240 17 base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. No Plano de Contas adotado pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costuma gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e 3.1.1.8. São os CUSTOS COM CONGÊNERES e estão classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS. (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Assim, a dedução prevista no inciso I, de “coresponsabilidades cedidas”, referese a valores mensais transferidos entre entidades congêneres como forma de estruturação do sistema de atendimento e do compartilhamento de risco, ou responsabilidade. Já a dedução prevista no inciso III, referese a valores que são pagos pela operadora de saúde para seus credenciados, médicos cooperados ou estabelecimentos hospitalares, clínicas, laboratórios, para a indenização de eventos ocorridos, na eventualidade e na medida em que estes aconteçam. A dedução do inciso I, portanto, não influi nem restringe a interpretação da dedução do inciso III de nenhuma forma. O inciso III assegura que a dedução incluirá os pagamentos de eventos que envolvem usuários da própria operadora e também de outras operadoras, salvo, conforme prev6e a parte final do mesmo inciso, em relação aos valores que a outra operadora tenha ressarcido à operadora que prestou o atendimento. Não impressiona o argumento da DRJ de que este dispositivo “não autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Cofins as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio, pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, ou ainda por hospitais, ambulatórios e laboratórios de análises não conveniados/credenciados (terceiros), visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado” (grifo editado). Isto porque não se trata de fazer, como alega a DRJ, com que as contribuições incidam sobre o resultado, mas de que a própria legislação permitiu de maneira objetiva e expressa tal possibilidade de dedução da base de cálculo. É por força de Lei que se permite deduzir da receita tributável da entidade, um valor que se refere a um pagamento realizado pela entidade, em caráter de indenização pelos eventos gerados pelos usuários dos planos de saúde que é obrigada a suportar. Tal sistemática legal significa que os recursos que apenas transitam na operadora – ingressos que são destinados à cobertura dos atendimentos previstos no plano de Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 saúde (ou, nos termos da Lei, as indenizações por eventos ocorridos e as coresponsabilidades cedidas) – não agregam o patrimônio da operadora, não configurando faturamento ou receita bruta. E assim o é, como visto, por expresso reconhecimento e qualificação legal. Entendo, pois, que a indenização de eventos ocorridos prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 corresponde a todos os pagamentos que a operadora realiza a terceiros, sejam cooperados ou não, para dar assistência aos usuários, sejam da própria operadora ou de outra operadora de saúde. Apenas não configuram indenizações aquelas despesas suportadas diretamente pela própria operadora de saúde, em razão de atendimentos realizados por seus funcionários ou hospitais próprios – os quais podem ser denominados de “rede própria”. Mas se os pagamentos são realizados pelas operadoras a terceiros – assim considerados os médicos, cooperados ou não, e os laboratórios, clínicas ou hospitais, credenciados ou não –, estes pagamentos devem ser considerados abrangidos pelo conceito de indenização. É neste mesmo sentido o seguinte julgado de relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: “(...) COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISOŔIA Nº 2.158/35 POSSIBILIDADES DE EXCLUSAÕ INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 21/08/2012) Em seu voto, a Conselheira Fabíola explica inicialmente a distinção entre planos e seguros de saúde, detalhando em relação aos primeiros a diferença entre rede própria e credenciados: As operadoras de medicina de grupo oferecem basicamente dois tipos de coberturas assistenciais na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. Os planos de saúde oferecem aos seus usuários, o direito de usufruir da assistência médica em caso de necessidade, com serviços prestados nas instalações próprias da operadora, por Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.241 19 profissionais por ela empregados (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede referenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde”. Não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não do reembolso das despesas médicas aos associados e da existência de rede própria da OPS. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de terceiros (credenciados), mas apenas algumas possuem o custo de uma rede própria. (Acórdão nº 3302001.765, fls. 15/16) Ao final, a Conselheira assim delimita o alcance da dedução prevista no inciso III: Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTE NCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que e ́ uma espećie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Ate ́ o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10580.724883/201188 Acórdão n.º 3403001.986 S3C4T3 Fl. 2.242 21 pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espećie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramed́icos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmac ão para ser “efetivamente paga”, e ́ simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. (Acórdão nº 3302001.765, fls. 22/24) Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 Conforme bem destaca a Conselheira Fabíola, a dedução em questão se refere aos valores efetivamente pagos, não alcançando os valores a liquidar. Enfim: deve ser reconhecido que a dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98 referese aos pagamentos realizados pelas operadoras de planos de saúde aos terceiros credenciados – tais como médicos, laboratórios, clínicas e hospitais – em razão dos atendimentos realizados para a cobertura dos planos de saúde, limitandose aos valores efetivamente pagos, reduzidos, ainda, dos valores que sejam recuperados de outras operadoras de saúde. 3) Conclusão. Voto pelo provimento parcial do recurso, para reconhecer que, na apuração da base de cálculo da Cofins, a dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98 referese aos pagamentos realizados pelas operadoras de planos de saúde aos terceiros credenciados – tais como médicos, laboratórios, clínicas e hospitais – em razão dos atendimentos realizados para a cobertura dos planos de saúde – tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc –, independente de se referirem a contratantes/associados da própria operadora ou de outra operadora de saúde, limitandose aos valores efetivamente pagos, reduzidos, ainda, dos valores que sejam recuperados de outras operadoras de saúde. Ivan Allegretti Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 14367.000020/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.549
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 20 /2 00 9- 82 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000020/200982 Acórdão n.º 2402003.549 S2C4T2 Fl. 209 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento para constituição de crédito tributário sobre valores repassados a atletas, na condição de contribuintes individuais, pela recorrente. O lançamento foi realizado em 12/03/2009 e se refere à contribuição patronal, tendo sido excluídas por decadência as contribuições relativas aos meses de 01 e 02/2009. Seguem transcrições do relatório fiscal e da decisão recorrida: Relatório Fiscal O sujeito passivo é uma associação de fins não econômico e não lucrativos, de caráter desportivo, que tem como fim, dentre outras, o seguinte: a) administrar, dirigir, controlar, difundir e incentivar, no país a pratica do atletismo, em todos os níveis; b) representar o atletismo brasileiro no exterior, em competições amistosas ou oficiais, observada a competência do COB; c) promover ou permitir a realização de competições interestaduais, regionais, nacionais e internacionais no país. ... BASE DE CÁLCULO/SALÁRIODECONTRIBUIÇAO 2.1 Por questões técnicas e didáticas foram criados dois códigos de levantamentos para centralizarem todos os lançamentos de débito e crédito com relação às rubricas incluídas nesses códigos, que a seguir relatamos cada um deles. 2.2. "AJL AJUDA DE CUSTO A ATLETAS" 2.2.1. Neste levantamento constam os lançamentos das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos atletas que participam de competições, em forma de ajuda de custo, no período fiscalizado. Essas contribuições não foram descontadas das remunerações pagas ou creditadas, não foram declaradas nas GFIP's, como também não foram recolhidas, nas épocas próprias, à seguridade social. 2.2.2. As contribuições apuradas neste levantamento foram calculadas através da aplicação do percentual de 11% (onze por cento) sobre as vantagens pagas aos atletas que participam de competições, sob a forma de ajuda de custo em treinamento ou participação em campeonato. Essas vantagens foram pesquisadas em planilhas apresentadas pelo sujeito passivo, bem como nos lançamentos nas contas que identificam tais registros, nos livros contábeis "Diário" e "Razão". 2.3. "ATL ATLETAS PROGRAMAS DE NIVELAMENTO" 2.3.1. No presente levantamento constam os lançamentos das Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuições dos segurados contribuintes individuais incidentes sobre as vantagens pagas aos atletas que participaram de competições, no período fiscalizado. Essas contribuições não foram descontadas das remunerações pagas ou creditadas aos segurados, não foram declaradas nas GFIP's, bem como não foram recolhidas, nas épocas próprias, à¿ seguridade social. 2.2.2. As contribuições apuradas neste levantamento foram apuradas através da aplicação do percentual de 11% (onze por cento) sobre as vantagens pagas aos atletas que disputaram competições nacional e internacional, denominada "programa de nivelamento". Essas vantagens foram pesquisadas em planilhas apresentadas pelo sujeito passivo, bem como nos lançamentos, nas contas que identificam tais registros, nos livros contábeis "Diário" e "Razão". (crifo não existe no original) Decisão recorrida Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Súmula Vinculante n° 08 de 12/06/2008, publicada no DJ de 20/06/2008, de observância obrigatória por força do disposto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo art. 2o da Lei n° 11.417/2006, extinguese em 5 (cinco) anos. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. Constitui base de cálculo da contribuição social da empresa, o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços (art. 22, inciso III da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... 1.6 AJC AJUDA DE CUSTO A ATLETAS: referente aos lançamentos das remunerações pagas ou creditadas aos atletas que participaram de competições, em treinamento ou participação em campeonato, sob a forma de ajuda de custo, os quais foram considerados como segurados contribuintes individuais, onde seus dados cadastrais, remunerações, contribuições e outras informações de interesse da RFB não foram declarados nas GFIP's. 1.7 ATL ATLETAS PROGRAMAS DE NIVELAMENTO: referente aos lançamentos das remunerações pagas ou creditadas aos atletas, em programa de nivelamento, que Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000020/200982 Acórdão n.º 2402003.549 S2C4T2 Fl. 210 5 disputam competições nacionais e internacionais, os quais foram considerados como segurados contribuintes individuais e seus dados cadastrais, remunerações e contribuições não foram declarados nas GFIP's. O processo foi baixado em diligência para que a fiscalização explicasse se os atletas seriam profissionais ou não, para fins do artigo 6º, §8º da IN SRP nº 03/2005: Toda a análise efetuada se prestou para demonstrar a importância da distinção, entre o atleta considerado profissional e o nãoprofissional quanto ao seu correto enquadramento como segurado da Previdência Social. Para formação de convicção desta julgadora quanto a procedência ou não do presente lançamento, necessário se faz que a Autoridade Fiscal se pronuncie quanto à formação profissional ou não dos atletas discriminados no Relatório de Lançamentos RL. Em resposta, assim se pronunciou a fiscalização: 1.1. Ao analisarmos os documentos que nos foram apresentados durante a auditoria fiscal concluímos que os atletas que constam nominalmente do Relatório de Lançamentos RL dos processos em epígrafe têm a formação profissional; 1.2. Tivemos esse entendimento através de uma conclusão obvia, uma vez que como brasileiro não poderíamos desconhecer os nomes que constam do RL que são conhecidos na história do esporte brasileiro e porque não dizer na história do mundo dos esportes. Os nomes a qual me refiro são, por exemplo: Claudinei Quirino da Silva, Joaquim Carvalho Cruz, Robson Caetano da Silva, Jadel Gregório, Vanderlei Cordeiro de Lima, etc; Contra a decisão, a recorrente reitera suas alegações iniciais, ora transcritas: 1 O termo do presente auto de infração é insubsistente, pois não incide a contribuição para terceiros exigida sobre valores repassados e autorizados por lei, a título de incentivo material", a atletas nãoprofissionais, de resto sendo indevido, portanto, o valor do principal e acréscimos perseguidos nestes autos; 2 A visão estreita e fiscalista denotada pela estrutura do presente auto de infração não se conforma com o standard ou o modelo de política pública adotado para o desporto nacional, por imposição constitucional (art. 217), a partir da compreensão de que é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um; 3 A Carta Política do país, como sabido, deve ser entendida de acordo com a mensagem ideológica que a envolve, que não se confunde com a vontade do legislador e muito menos com a vontade ou interpretação do agente público. 4 De todos os modos, a interpretação da Primeira Norma Posta e da legislação que a ela está subordinada há de ser, por óbvio, Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 dinâmica, para que possa adaptarse à realidade social vivenciada no momento da aplicação dos princípios e comandos estabelecidos pelo ordenamento jurídico do qual elas fazem parte. 5 Dai a necessária adesão a ideologia dinâmica da interpretação e a visualização do direito como instrumento de mudança social, até o ponto em que o direito passa, ele próprio, a ser concebido como uma política pública. 6 Nessa perspectiva, não há o beneficio da dúvida, que deve ser compreendida, em toda a sua multifacetada histórica forma, a política pública voltada particularmente para o desporto nacional não profissional. 7 Compreendido no conceito determinado e finalístico de política pública, vale dizer, sem fim econômico ou lucrativo, senão com largo alcance sóciocultural integrativo educacional, é que a Constitucional aponta o "tratamento diferenciado" como instrumento e força matriz e motriz necessários ao desenvolvimento do desporto nacional, fomentado e praticado de modo não profissional. 8 Para a adequada interpretação deontológica da legislação reguladora do desporto, com as vênias de estilo, se mostra irrelevante a fiscalização "codificar" ou conferir conceitos indeterminados para tentar transmudar a natureza jurídica, para fins de incidência da contribuição previdenciária, do incentivo material outorgado, por força de lei, a atleta não profissional. 9 De efeito, entende a impugnante que, independentemente do nomen júris que se empreste ao incentivo material conferido ao atleta não profissional, o valor financeiro repassado pela Confederação Brasileira de Atletismo não poderá ser considerado legitimamente como fato gerador e base de calculo da contribuição previdenciária. 10 Salta aos olhos o tratamento diferenciado, fundado no discrímem positivo contido no inciso III do art. 217 da Constituiçãocidadã, que a Lei n° 9.615/98 conferiu ao desporto praticado de modo profissional e o exercitado de modo não profissional, a exemplo do atletismo na lei não se contém palavras ou expressões inúteis, e que se não a cumpre reverenciandolhe a forma senão atendendo a finalidade para a qual fora promulgada: ... 11 No contexto da autuação impugnada, não há pagamento de remuneração ou salário que dê nascimento a obrigação e recolhimento de contribuição previdenciária e, por via de efeito, de preenchimento de GFIP e recolhimento de FGTS. 12 O que, no fundo há, entre a CBAt e os atletas não profissionais, é um termo de compromisso por meio do qual a entidade desportiva que administra o desporto não profissional e os atletas nãoprofissionais somam esforços e se comprometem mutuamente a preparar atletas para participar de disputas olímpicas e nãoolímpicas em sede nacional e internacional. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000020/200982 Acórdão n.º 2402003.549 S2C4T2 Fl. 211 7 Aliás, como previsto estatutariamente e com o seu caráter público e notório a independer de prova (CPC art. 334,1). 13 Na hipótese em debate, sequer existe a figura do contrato de prestação de serviços regulado pelo Novo Código Civil, de resto a não poder o valor dos incentivos materiais, por lei, repassado a atleta não profissional, constituir legítimo fato gerador da debatida contribuição previdenciária. 14 Ora, se é elemento essencial do fato gerador da contribuição social em discussão, que o serviço seja prestado, mediante pagamento, ao sujeito passivo da obrigação "incidentes sobre remunerações pagas creditadas aos atletas que participam de competições...", indevida é a exação porque, no caso, não há obrigação recíproca de prestação de serviço e da consequente contraprestação financeira. 15 0 que há é um recíproco compromissoesforço maior, impessoal e republicano, todo voltado para, superadas as dificuldades ainda presentes no desporto nacional não profissional, sem investimentos privados e parcos incentivos governamentais, aumentar a autoestima nacional com a busca de resultados especialmente olímpicos. 16 Nesse contexto, o propósito fiscalista de tentar caracterizar o incentivo financeiro como "remuneração paga" pela CBAt, ora impugnante, por serviços a ela prestados pelos atletas que exercitam livre prática desportiva de modo nãoprofissional, mais do que ofender o comando da finalidade ínsito e expresso no texto constitucional que autoriza a destinação de recursos públicos para fomentar o desporto realizado de modo não profissional, frustra a possibilidade de se conferir, também como ordena a Lei Maior, "tratamento diferenciado para o desporto profissional e o nãoprofissional". 17 Sob a perspectiva da leitura estritamente técnica do Direito Tributário, data vênia, também agredido restaria o princípio da tipicidade fechada, pois pretender dar ao atleta nãoprofissional incentivado por lei, e sem relação de trabalho ou emprego, o mesmo tratamento jurídico dado ao atleta profissional regulado por relação formal de contrato de trabalho, além de ofender o princípio da razoabilidade/proporcionalidade afasta a possibilidade concreta de se dar efetividade ao tratamento jurídico diferenciado ditado pela CF entre o desporto praticado de modo profissional, caracterizado pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática desportiva, e o exercitado de modo não profissional, identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de contrato de trabalho, sendo permitido o recebimento de incentivos materiais e de patrocínio (redação dada pela Lei n° 9.981, de 2000). 18 A evidência, por isso, que a pretensão de atribuir a incidência da contribuição previdenciária na hipótese dos autos decerto constituiria inaceitável anomalia injusta, porque se estaria criando um tributo por analogia, o que é inadmissível na Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 seara do Direito Tributário. Seria o mesmo que invadir a tipicidade fechada do Direito Penal. 19 De fato, na medida em que a fiscalização equipara por analogia "incentivo material" outorgado por lei a atleta que pratica o atletismo de modo não profissional, sem relação de contrato formal e sem contraprestação financeira correspondente, está a exercitar mais do que equivocada interpretação, pois assume imprópria função de legislador positivo porque estaria criando hipótese de incidência tributária inexistente no sistema jurídico posto. 20 Diante de eventual antinomia jurídica, a aplicação de regra de lei especial, no particular a Lei 9.615,98 (art. 3o , com a redação dada pela Lei n° 9.981, de 2000), bloqueia a incidência de regra disposta em lei geral (Lei n° 8212/91), tanto mais porque, no caso estudado, aquela (lei especial) expressamente excepciona esta (a lei geral) com fundamento no art. 217, III, da CF), a outra conclusão lógicojurídica não se pode chegar senão a de que a insubsistência do auto de infração impugnado deve ser decretada. 21 Sobre não haver contrato formal de trabalho ou relação de emprego entre a CBAt e o atleta nãoprofissional, na forma da legislação de regência, o atleta de que se trata não pode ser considerado trabalhador autônomo, temporário ou avulso (i) porque não presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, (ii) porque não exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, (iii) porque não tem vínculo de trabalho temporário regulado em lei especifica. 22 Na linha de coerência exposta, digase, ainda, que o atleta não profissional em debate e muito menos a CBAt estariam enquadrados no regime jurídico prescrito no art. 28, c/c os artigos 41 e 94 da Lei n° 9.615/98, posto como regime jurídico reservado e aplicável apenas a atletas profissionais, assim entendidos aqueles que possuem contrato de trabalho a prazo determinado com entidade de prática desportiva profissional (v.g., clube de futebol), nunca com entidade de administração do desporto não profissional sem fim econômico ou sem fim lucrativo. 23 O incentivo material repassado pela CBAt como natureza de estímulo a atleta nãoprofissional está afastado do conceito técnicojurídicoeconômico de caráter remuneratório, para fins de incidência, também, de contribuição previdenciária. 24 E que, como sabido, cada espécie de obrigação (principal ou acessória) identifica um fato gerador, apontando o momento de sua ocorrência. Expressa ou representa a subsunção da norma legal ao fato empiricamente implementado, que reflete a hipótese de incidência prevista na norma. Por isso que todos os direitos e deveres jurídicos são conseqüência da incidência de uma determinada norma, que atua quando ocorre concretamente a situação que descreve. Decorre do principio constitucional Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000020/200982 Acórdão n.º 2402003.549 S2C4T2 Fl. 212 9 inscrito no art. 5o , II: "ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". 25 Decorre disso, como corolário da legalidade, que o principio da tipicidade, especialmente da tipicidade fechada ínsita ao Direito Tributário, demanda a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair o vincula jurídico, exigindo a previsão de cada um de seus elementos configuradores, tais como o próprio fato gerador, o momento em que se considera implementado, o lugar de sua ocorrência, entre outros. No caso, como já demonstrado, pretender equiparar o atleta que, estimulado e incentivado por lei à prática do desporto de modo nãoprofissional, a trabalhador autônomo, temporário ou avulso, leva a inevitabilidade de duas conclusões, ambas ao desamparado do modelo normativo posto, pois, data venia, cuidase de interpretação forçada ou forma obliqua e imprópria de instituir tributação com flagrante ofensa ao princípio da reserva legal. 26 Decerto, porque como ensinam os doutos, só é típico o fato que se ajusta rigorosamente a hipótese descrita, com todos os seus elementos, pelo legislador, que desenganadamente não é a hipótese dos autos. 27 Em razão de cada um e por todos as argumentos juntos, evidenciados os fatos e fundamentos que sustentam a presente defesa, requer se digne Vossa Senhoria de determinar o recebimento e seu respectivo processamento, para efeito de reconhecer a insubsistência do termo do Auto de Infração impugnado, porque não incide a contribuição para terceiros exigida sobre valores repassados e autorizados por lei, a titulo de "incentivo material", a atletas nãoprofissionais, de resto sendo indevido, portanto, a valor do principal e acréscimos perseguidos nestes autos. É o Relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, dele conheço e passo ao seu exame. Pagamentos a atletas Examinando as provas trazidas aos autos pela fiscalização, em especial o relatório fiscal, e as alegações da recorrente, não é possível, independentemente do nome atribuído pela fiscalização aos valores pagos, compreenderse a natureza jurídica desses pagamentos. Embora não tenha a fiscalização considerado esses pagamentos como salários, já que não caracterizou os atletas como segurados empregados mas como contribuintes individuais, é importante que se não ignore a finalidade da recorrente como entidade responsável pelo desenvolvimento do atletismo no país, o que para tanto é necessária a realização de competições em todas as regiões do país e no exterior. A entidade arrecada recursos para o custeio dessas competições, sem fins lucrativos. Dentre essas despesas, também são necessários pagamentos para atender às viagens dos atletas, treinamento, alimentação especial e tudo mais que torna o atletismo brasileiro um esporte reconhecido nacional e internacionalmente. Independentemente do exame da relação jurídica dos atletas com o Confederação Brasileira de Atletismo, ora recorrente, devem ser examinadas as finalidades dessas despesas. A fiscalização inclusive as denomina de AJUDA DE CUSTO A ATLETAS e ATLETAS PROGRAMAS DE NIVELAMENTO. De qualquer forma, não trouxe no relatório explicações sobre esses pagamentos, de forma que se constate uma remuneração pelo exercício das atividades desportivas ou para participação nas competições, viabilizandoa. Daí, entendo que o lançamento contém vício insanável de nulidade em seus fundamentos que culmina na exclusão dos levantamentos que o integram. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000020/200982 Acórdão n.º 2402003.549 S2C4T2 Fl. 213 11 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14367.000020/200982 Acórdão n.º 2402003.549 S2C4T2 Fl. 214 13 elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.918673/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 18 67 3/ 20 09 -4 5 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 6 ___________ A contribuinte alegou que no exercício de 2003 apurou e recolheu valores atinentes a contribuições sociais de PIS e Cofins sobre outras receitas, que não o faturamento, com base na Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do seu artigo 3º foi declarado inconstitucional pelo STF, quando do julgamento do RE 346.084/PR, em 09/11/95. Em face desse fato deduziu pelos recolhimentos de valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, buscando então a sua compensação perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 848671506, de 07/10/09 (fls. 49), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 40233.60917.160707.1.3.042380, transmitida em 16/07/07, constatou que o referido crédito foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp, pois de acordo com o detalhamento da compensação, os valores devedores e emissão de DARF assinala que o valor declarado na DComp é o mesmo que o saldo devedor apurado para compensação de R$ 76.556,80. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, cujo crédito originouse a partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que propiciou o alargamento da base de cálculo do PIS e Cofins, defendendo inclusive pela atualização dos valores indevidamente recolhidos, nos moldes previstos no artigo 39, § 4o, da Lei nº 9.250/95, ou seja, mediante incidência da taxa Selic para requerer pela insubsistência do despacho guerreado e o seu posterior arquivamento. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 8ª Turma da DRJ/CPS, quando em sessão realizada em 08/02/12, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 05 36.831, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Compensação. Créditos. Comprovação. É requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do credito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão partiu do pressuposto de que a DComp tem a finalidade de formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, cabendo àquela a responsabilidade pelas informações acerca dos créditos e os débitos, e à Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918673/200945 Resolução nº 3803000.288 S3TE03 Fl. 7 3 autoridade administrativa a necessária verificação e validação/homologação, se for o caso, confirmando a extinção do crédito, ou invalidando as informações prestadas. Ou seja, o reconhecimento do direito creditório oponível à Fazenda Nacional depende de prova, a ser produzida pelo interessado. Assinalou o referido acórdão que a contribuinte, a título de elemento probante do alegado, fez colação aos autos da DComp, da DCTF e de DARF, bem assim que o exame realizado acerca dos débitos e créditos por ela informados à Administração, revelou como causa da não homologação, a utilização integral do crédito original para a extinção anterior de outros débitos, ou seja, não existia o crédito utilizado para a compensação não existia. A decisão de primeira instância reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, a partir do julgamento dos RE nos 390.840, 346.084 e 358.273, bem assim do RE 585.2351, quando decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE no 227 de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008. Isto tudo com base no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, c/c o art. 26 A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, na alteração promovida pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como de acordo com a edição pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, do Parecer PGFN/CRJ/N° 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN n° 294, de 2010, que veio a prever a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, em determinados casos dentre os quais se incluiu o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3°, §1° da Lei n. 9.718/98. Concluiu que o reconhecimento da não incidência não implica, necessariamente, o reconhecimento de direito creditório, pois tal fato exige do pleiteante que demonstre a existência e a magnitude de parcelas indevidas nos recolhimentos que fez. Nenhum elemento nesse sentido existe nos autos e a contribuinte não logrou comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado, condição para a homologação da compensação declarada. A ciência eletrônica por decurso de prazo/disponibilização do teor da decisão de primeira instância na caixa postal da contribuinte ocorreu em 16/04/12, com previsão para o vencimento dessa ciência em 01/06/12. Ocorre que a data de emissão do despacho de encaminhamento pela repartição preparadora dos autos do processo em sede de recurso voluntário para o CARF ocorreu em 22/05/12. A recorrente reafirmou minudentemente os argumentos expendidos na exordial para requerer: (i) a reforma da decisão hostilizada; (ii) o reconhecimento da legitimidade do crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic até a data da efetiva homologação; (iii) a anuência para a juntada dos documentos em anexo (DCTF, DIPJ/2004, Razão analítico – de 01 a 28/02/03, Planilha de Cálculo do PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão do STF de 09/11/05, DARF – Cód. receita 2172 e PA 01/03), em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918673/200945 Resolução nº 3803000.288 S3TE03 Fl. 8 4 Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração do 1º trimestre/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 49), bem assim na listagem de créditos e saldos remanescentes e no Demonstrativo Analítico de Compensação, ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão também reconheceu a origem do crédito apresentado pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia instituído o conceito que culminou alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há o pleito para o acolhimento de documentos acostados aos autos inoportunamente. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Em relação ao pleito formulado pela contribuinte para o acolhimento de documentos colacionados aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, a título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, temse a observar. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918673/200945 Resolução nº 3803000.288 S3TE03 Fl. 9 5 A dinamicidade do Direito possibilitou a aplicação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do processo administrativo tributário, como subsídio na busca e para a formação da convicção do juízo do julgador por ocasião de seu pronunciamento, tendo em vista o deslinde da querela. Consubstanciado no conjunto de provas que lhe são apresentadas, inclusive aquelas entregues a extemporaneamente, este princípio também permite ao julgador ir para além da formalidade processual, pontuada por alguns limites temporais ou materiais, para lhe propiciar a busca pela verossimilhança, por uma ordem de maior aproximação da verdade, em tempo razoável. A complexidade das matérias e o dever de decidir nos processos administrativos vinculado à força probante, tornou possível a interação entre a verdade formal e a material, bem assim a prevalência desta sobre aquela, suplantando a dicotomia de prevalência da forma sobre o conteúdo, eis que a verdade absoluta ainda reside na utopia, no ideal. Com isso, na busca de seu convencimento a autoridade julgadora pode e deve se utilizar de ferramentas que confiram segurança jurídica naquilo que lhe é ambíguo, inclusive do instituto da diligência. Inobstante a legitimidade do lançamento e das provas acostadas aos autos sob exame, oportunamente, a juntada de novas provas ainda que extemporâneas, não compromete o devido processo legal, impossibilitará a alegação de cerceamento de defesa, não trará prejuízo às litigantes, e dará mais elementos com vistas ao fortalecimento da convicção do julgador. Com estas observações acolho o pleito da recorrente para anuir afirmativamente à juntada da documentação trazida aos autos juntamente com o recurso voluntário e, para que não se venha porventura a alegar a supressão de instância, proponho pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa competente se certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900998/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 14/11/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo,
condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170,
do CTN, é de se não homologar a compensação declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-000.993
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o
presente julgado.
Nome do relator: Tatiana Midori Migiyama
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 88 1 87 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900998/200951 Recurso nº Acórdão nº 3802000.993 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria PISFaturamento Recorrente CEB Lajeado S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento os Conselheiros RÉGIS XAVIER HOLANDA (Presidente), FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO, CLÁUDIO AUGUSTO GONÇALVES, SOLON SEHN e TATIANA MIDORI MIGIYAMA (Relatora). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900998/200951 Acórdão n.º 3802000.993 S3TE02 Fl. 89 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CEB Lajeado S.A. contra Acórdão nº 0340.443, de 22 de novembro de 2010 (de fls. 69 a 73), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto parte do relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Tratam os autos de declaração de compensação, transmitida em 07.03.2005, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 93.738,27, relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de PIS (código 8109), arrecadado em 14.11.2003, no valor de R$76.916,61. Em despacho decisório (fls. 25) emitido em 18.02.2009, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 41132.46457.070305.1.3.040091, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada da decisão em 05.03.2009, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 06.04.2009 (fls. 01. a 04), alegando, em síntese, que: ü O crédito de PISFaturamento recolhido a maior e;ou indevidamente referese a valores apurados equivocadamente através do regime Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900998/200951 Acórdão n.º 3802000.993 S3TE02 Fl. 90 3 cumulativo de apuração, quando deveriam ter sido apurados pelo regime nãocumulativo; ü A Solução de Consulta nº 201;2006 (fls. 34 a 40), exarada pela Superintendência Regional da Receita Federal da 1ª Região Fiscal – SRRF 1ª RF, corrobora tal entendimento; ü Não forma efetuadas as correções no DACON e na DIPJ do período em questão; ü Apresentase cópia da memória de calculo dos valores apurados em 2003 (fls. 52 a 54) e o comparativo do que foi recolhido a maior indevidamente pela contribuinte em função da solução citada; ü A Administração deve fundamentase na busca da verdade real e não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação. Por fim, requer seja estabelecido o crédito utilizado pela contribuinte e que seja homologada a compensação pleiteada, extinguindose definitivamente a cobrança do suposto débito quitado com o crédito respectivo a que se refere o despacho decisório. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade – com a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2003 RETROATIVIDADE DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS. ART. 10, INCISO XI, ALÍNEA “C”, DA LEI Nº 10.833, DE 2003. VERDADE MATERIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Estão sujeitos à cumulatividade os débitos de PIS, decorrentes de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nº 10.833, de 2003, com vencimento até 31 de janeiro de 2004. A litigante não traz aos autos prova que dê suporte à alegação de que o direito creditório declarado é decorrente de receitas que se enquadram naquelas descritas no art. 10, inciso XI, alínea “c”, da Lei nª 10.833, de 2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900998/200951 Acórdão n.º 3802000.993 S3TE02 Fl. 91 4 Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16 de fevereiro de 2011, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 18 de março de 2011. Do mérito Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de Inconformidade contra despacho decisório de nº de rastreamento 820976587 emitido pela DRF Brasília e assinado pelo Delegado da Receita Federal em Brasília no dia 18.02.2009 e recebido com ciência, em 5 de março de 2009, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada, com créditos de pagamento indevido ou a maior de PISFaturamento no anocalendário de 2003. Insurge a recorrente que o acórdão da Delegacia de Julgamento reconhece que juridicamente há o crédito compensável, contudo indefere o PER/DCOMP sob o único fundamento de que os documentos juntados aos autos não seriam suficientes para comprovação. O que, alega ser obrigação da autoridade administrativa verificar tais fatos em seus arquivos, justificando que todos os documentos referentes ao lançamento equivocado e ao seu pagamento, bem como a retificação do lançamento e conseqüente nascimento do crédito estão de posse da Receita Federal. Traz a argumentação de que o ato de lançamento é um ato legalmente vinculado conforme expressa dicção do art. 142 do CTN, e por determinação do referido dispositivo deve a autoridade administrativa cobrar tributos não lançados, bem como reconhecer pagamentos indevidos ou a maior. A função da Receita Federal é a administração legal dos tributos e que isto inclui cobrar o que é devido e devolver o pagamento indevido, como no caso em tela. Conclui que entende a Delegacia de Julgamento que os documentos não foram suficientes para provar a quantia do credito existente, ao verificar que juridicamente existe, deveria ter baixado o feito em diligência para a certificação da existência ou não do crédito e posterior adequada análise sobre a compensação pleiteada. De fato, a DRJ verificouse que a contribuinte tem razão em sua argumentação de direito – qual seja, de que as receitas auferidas de contratos firmados até 31 de outubro de 2003, e com cláusula de reajuste de preços, também estão sujeitos à sistemática da cumulatividade, aplicandose tal entendimentos retroativamente a fevereiro de 2004. Tal interpretação tem suporte expresso na IN SRF nº 658, de 2006 que, por sua vez, está em consonância com a Lei 11.196, de 2005. No entanto, a DRJ, quanto a questão da verdade material, clarifica que a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, quando deveria instruir a manifestação de inconformidade com demonstrativo de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900998/200951 Acórdão n.º 3802000.993 S3TE02 Fl. 92 5 apuração e documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para deixar o julgador convicto de que efetivamente os contratos de fornecimento de energia foram efetuados a preço determinado, firmados até 31 de outubro de 2003 e respeitadas todas as condicionantes que a lei determina que não tendo a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito trazido qualquer prova documental que dê respaldo às suas alegações e comprove a verdade material dos fatos concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório da contribuinte. Eis que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, o que podemos aplicar por analogia à manifestação de inconformidade, a prova documental quando da impugnação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a ato ou a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou posteriormente trazidas aos autos. Em continuação às alegações trazidas pela recorrente, contempla nova informação de que, ademais, não bastasse o crédito de PIS, de fato possui outro crédito decorrente da antecipação mensal do imposto de renda e da base de cálculo negativa de IR e CSLL em face do prejuízo no período em questão. E que as antecipações mensais por estimativa, foram realizadas, conforme determina o art. 2ª da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” Sendo assim, esclarece que durante todo o ano de 2002 e 2004 a recorrente realizou diversos pagamentos de imposto de renda por estimativa considerando o seu faturamento anual realizando o ajuste na DIPJ dos exercícios de 2003 e 2005 respectivamente, verificando no período que a empresa apresentou um resultado final menor do que o valor pago por estimativa, havendo inclusive registro de prejuízo no exercício de 20022003. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900998/200951 Acórdão n.º 3802000.993 S3TE02 Fl. 93 6 O que, traz a conclusão de que os valores pagos antecipadamente no regime por estimativa poderiam ser compensados nos tributos devidos no exercício seguintes, nos termos do art. 6º da Lei 9.430/96: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente Assim sendo, alega que acumulou elevados créditos, decorrentes do recolhimento a maior do imposto de renda sobre estimativa no período de 2002 e 2004, que seriam compensáveis com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, direito este consagrado em diversos dispositivos legais, destacandose o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O que, segundo a recorrente, houve indiscutível pagamento em excesso de Imposto de Renda e consequentemente o crédito compensável, inferindo que o fato de ter existido um erro de preenchimento da DIRPJ não tem o condão de eliminar o crédito da recorrente, já informado nas declarações retificadoras a seguir: Isso posto, requer a contribuinte que seja conhecida e provido o pedido do presente recurso voluntário para homologar a compensação realizada e sucessivamente, determinar que o feito seja baixado em diligência para análise das DIPJ´s apresentadas pela recorrente. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.900998/200951 Acórdão n.º 3802000.993 S3TE02 Fl. 94 7 Ora, notase que essas novas argumentações não foram aduzidas na instância originária, motivo pelo qual não pode o CARF apreciarlhe sob pena de supressão de instância, além de restar malferido os arts. 16, III, e 17, do RPAF, que exigem sejam explicitadas na impugnação – o que aplico por analogia à manifestação de inconformidade, todos os argumentos de defesa do sujeito passivo. E ainda assim, vêse que apesar das argumentações trazidas pela contribuinte expondo novas informações de créditos que entende que deveriam ser apreciados, a contribuinte não apresentou nenhuma prova documental que dê suporte à alegação em que se funda, tampouco documentário contábil e fiscal necessário e suficiente para suportar a liquidez do crédito a que se refere. Da conclusão Ante todo o exposto, por conseguinte, voto no mérito por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2012. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/05/2 012 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10820.000282/2004-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que não se verifica a existência da omissão e/ou da contradição suscitadas.
Numero da decisão: 3402-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente-substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Embargante CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração em que não se verifica a existência da omissão e/ou da contradição suscitadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos declaratórios. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidentesubstituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 02 82 /2 00 4- 87 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte qualificada nestes autos ao Acórdão n° 3402001.689, de 20 de março de 2012, por meio do qual, não se conheceu da matéria ventilada no recurso e objeto de ação judicial proposta pela recorrente e, na parte conhecida, deuse parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) os ingressos decorrentes do ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Alegou a embargante que o voto condutor do referido Acórdão incorreu em oscuridade e contradição, sendo necessário esclarecer, no ponto relativo à contabilização de recuperação de despesas os valores proveniente de indenização de seguro pelo sinistro de um gerador elétrico, se o ônus da prova seria do Fisco e, não sendo esse o entendimento, se não seria o caso de conversão do julgamento em diligência. Outro ponto objeto dos Embargos de Declaração foi assim exposto pela embargante: 5 – Os “combustíveis e lubrificantes” demonstrados na planilha 1, linha 4, não é o ÁLCOOL produzido pela embargante, o que evidencia ser o levantamento fiscal incompreensível até para o julgador, razão pela qual necessário esclarecimento se todos ali constantes não são sujeitos à incidência monofásica, como quer fazer crer o acórdão publicado???? 5.1 – No mais, necessário esclarecer ainda se os produtos sujeitos à incidência monofásica constantes da planilha há tributação do PIS/COFINS nas demais fazes (sic) da cadeia produtiva???? Ao final, a contribuinte solicitou que seus embargos sejam acolhidos para esclarecer os pontos suscitados. É o relatório. Voto Conselheiro Sílvia de Brito Oliveira O Termo de Ciência por Decurso de Prazo, à fl. 456, conjugado com o Despacho de Encaminhamento, à fl. 470, permite concluir que os Embargos Declaratórios são tempestivos. Tais Embargos foram propostos por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera das competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso devem ser conhecidos. Inicialmente, notese que a embargante não logrou demonstrar a existência de obscuridade, contradição ou mesmo omissão no aresto embargado. A questão da incidência monofásica está suficientemente esclarecida no trrecho do Acórdão embargado, que transcrevese: (...) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10820.000282/200487 Acórdão n.º 3402002.074 S3C4T2 Fl. 473 3 Sobre a alegada incidência monofásica da Cofins sobre a receita de vendas de combustíveis e lubrificantes, registrese que, para os fatos geradores objeto do lançamento em exame, apenas em relação à receita de vendas de álcool para fins carburantes, vigorava o art. 5º Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000, que prescrevia: Art. 5oAs contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I –um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina;" (AC) "II –sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. "Parágrafo único.Revogado." Não se tratava, portanto, de incidência monofásica da contribuição, mas de incidência com alíquota majorada sobre a receita obtida com a venda do referido produto pelas distribuidoras, sem nenhuma desoneração tributária das etapas anteriores da venda do álcool para fins carburantes. A recorrente, segundo consta do seu estatuto social, à fl. 192, tem por objetivo a industrialização de canadeaçúcar, para a produção de álcool, açúcar e outros derivados, importação, exportação e participação em outras empresas, sendo, pois, caracterizada como produtora de álcool e, como tal, na comercialização do álcool, situase em fase anterior à das distribuidoras. Destarte, para os fatos geradores em questão, não há nenhum regime especial de tributação da receita obtida pelos produtores com a venda de álcool para fins carburantes. (...) (grifouse) Quanto às alegações relativas à indenização de seguro pelo sinistro de um gerador elétrico, observese que, já na decisão recorrida, opõese à alegação da então impugnante o fato de não haver prova de inclusão do valor de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais) na base de cálculo da Cofins lançada em julho de 2003 e, em sede de recurso, a contribuinte também não trouxe a prova de suas alegações. É verdade que, após diligência determinada em grau recursal, passouse a ter nos autos a discriminação das receitas que compõem a rubrica receitas eventuais e, no mês de julho de 2003, consta o valor de R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais) como Fl. 474DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 indenização de seguro. Contudo, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento fiscal que ampare esse registro contábil e, como já afirmado na decisão de piso, a prova cabe a quem alega o fato. Ademais, na hipótese de se comprovar essa receita, tratando de receita tributável em virtude do alargamento da base de cálculo promovido pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, sua inclusão ou não na base de cálculo da Cofins será resolvida nos termos da decisão transitada em julgado nos autos da ação ordinária nº 1999.61.07.0009748. Por fim, registrese que as diligências e perícias destinamse à formação da convicção do julgador e não à produção de provas pelas partes. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos declaratórios apresentados. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 10880.679868/2009-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 14/10/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado.
JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO.
A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72).
ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.
A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificá-lo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa).
Numero da decisão: 3803-004.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento parcial para que a declaração retificadora fosse apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O conselheiro Jorge Victor Rodrigues apresentou declaração de voto.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A presença de motivação no despacho decisório, de maneira sucinta porém clara, afasta a preliminar de nulidade do ato administrativo guerreado. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). ESTRITA LEGALIDADE. VERDADE MATERIAL. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório; por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues, que dava provimento parcial para que a declaração retificadora fosse apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O conselheiro Jorge Victor Rodrigues apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 68 /2 00 9- 79 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: TIM CELULAR S/A, manifesta inconformidade com Despacho Decisório eletrônico , emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo – DERAT 03 que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 14/11/2006. O citado despacho informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 06 a 20, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: Faz breve relato dos fatos. Alega possuir “elevada quantia creditícia” perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios , todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679868/200979 Acórdão n.º 3803004.227 S3TE03 Fl. 86 3 CIDE, Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que “ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.” (sic). Alega que qualquer agente fiscal que “ ...”analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.” (sic). Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao principio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular (nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação e violação dos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade) e diz aduzir documentos que não teria juntado antes em virtude do prazo exíguo até a manifestação de inconformidade. Ao final requer a nulidade do despacho decisório ou o acolhimento do pedido de diligência, para exame da escrita fiscal da recorrente, com o fito de confirmar a compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679868/200979 Acórdão n.º 3803004.227 S3TE03 Fl. 87 5 DO DESPACHO DECISÓRIO A preliminar de nulidade do despacho decisório, por alegada carência de fundamentação não merece guarida. Consta do ato administrativo guerreado, de maneira sucinta porém clara, o motivo pelo qual não foi homologada a compensação pleiteada: utilização do DARF discriminado no PER/DCOMP para quitação de outro débito do contribuinte, o qual é apontado em detalhes logo abaixo do campo CARACTERÍSTICAS DO DARF, sob a rubrica UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. Vale referir, outrossim, que a análise feita pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a questão, ao contrário do que manifesta a recorrente, me parece extremamente digna: Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse débito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. DA PRECLUSÃO A pretensão de análise de documentação a ser juntada aos autos, em virtude de prazo exíguo até a manifestação de inconformidade, não pode ser acolhida nesta fase processual, uma vez que a lei é peremptória no sentido de que as provas devem acompanhar a primeira impugnação (ou manifestação de inconformidade), sob pena de preclusão do respectivo direito (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, se me afigura legítima a resistência já manifestada pelo órgão judicante de primeiro grau, e que nem de longe consubstancia supressão de instância: Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 apresentação de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto nº 70.235/1972 que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” Já os §§ 4º e 5º do mesmo artigo determinam que: “§ 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)” Conforme expressamente previsto no Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4º, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade, nenhuma documentação foi apresentada pela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679868/200979 Acórdão n.º 3803004.227 S3TE03 Fl. 88 7 elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A alegação de vulneração dos princípios constitucionais supramencionados não fazem o menor sentido na conjuntura deste expediente, em que a recorrente confessa ter se equivocado ao declarar seu débito, porém só veio envidar esforços no sentido de retificálo após a extinção desse débito (pelo pagamento e respectiva homologação expressa). Por outra vertente, o contribuinte alegou erro formal na sua declaração, entretanto não trouxe aos autos sua escrituração contábil e fiscal, para fins de prova do alegado. O princípio da verdade material no processo administrativo fiscal não é um dogma que está acima de todas as normas; ao revés, é mitigado pelo sistema, ao privilegiar a preclusão de juntar provas no processo (art. 16 e §§ do Decreto nº 70.235/72). Nessa toada, o pedido de diligência também não merece agasalho, uma vez que não se encontram nos autos qualquer indício de verossimilhança de erro formal. Posto isso, voto por REJEITAR a preliminar e DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 25 de junho de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Declaração de Voto Conselheiro Jorge Victor Peço vênia aos pares para ousar divergir do entendimento esposado pelo i. Relator no voto condutor da matéria sob exame, o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, notadamente no que atine à questão que trata da possibilidade de alteração da DCTF originária, pela via da DCTF retificadora, depois da ciência pela contribuinte do teor do contido em despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação por ela transmitida; bem assim da questão que trata da alteração de DCTF não comprovada mediante a apresentação de documentação idônea, juntamente com a manifestação de inconformidade. A decisão recorrida, em relação ao tema “alteração de DCTF depois da ciência de decisão que não homologou a compensação”, pronunciouse sucintamente por meio da ementa, cujos excertos naquilo que interessa à ilustração pretendida, se transcreve: ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. (...). CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. O entendimento expressado nos excertos acima transcritos se sustentam segundo os termos do voto condutor da decisão sob exame, a seguir: A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679868/200979 Acórdão n.º 3803004.227 S3TE03 Fl. 89 9 tais como DIPJ, DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório.(Grifei). Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. O ponto de divergência suscitado entre o entendimento esposado pelo e. Relator e o julgador que ora se pronuncia, se corporifica com a afirmação de que a DCTF retificada não pode ser acolhida como argumento de defesa, após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, apenas sob a justificativa de que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na data da emissão do despacho decisório, notoriamente porque, considerando a realidade dos fatos direcionados aos processos similares que tramitam nesta Corte, tais erros apenas são verificados pela contribuinte quando da ciência do despacho decisório. Mesmo porque o referido despacho reflete a realidade constatada no Per/Dcomp transmitido eletronicamente, e não pelo processo de investigação realizado na DCTF, DACON, etc, que também pode conter imprecisões, que tornam relevantes e justificam a elaboração de DCTF retificadora. Por força da jurisprudência firmada pelos Tribunais Superiores passouse a admitir a possibilidade de o sujeito passivo apurar os tributos devidos e antecipar o seu pagamento, consolidando a tese pela ausência de lançamento tributário (autolançamento), a partir do disposto no artigo 150 do CTN, instituindose, portanto, uma nova situação jurídica. Por decorrência dessa inovação surgiu a necessidade de criação de um instrumento para formalizar e institucionalizar tal situação jurídica. Deuse, então, o advento da DCTF. Diante da complexidade da legislação fiscal e do exíguo prazo concedido para a apuração e adimplemento das obrigações pelo sujeito passivo, veio a MP nº 1.990 26/1999, por seu art. 19 a regular o instituto da retificação da DCTF, senão vejamos: Art. 19. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização apela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. (Grifei). Posteriormente a IN RFB nº 903/2008, por meio do seu artigo 11 sinalizou com as hipóteses em que não é admitida a transmissão de DCTF – retificadora, notadamente para os casos em que já se suplantou o âmbito de ação por parte da RFB,ou seja, após a ida do processo administrativo para a PFN. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Hodiernamente a Instrução Normativa nº 1.110/2010, que dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, nos seus artigos 2o, 5o e 7o, estabelece quem deverá apresentar esse documento, o momento em que deve fazêlo e a penalidade para quem deixar de apresentálo no prazo fixado, ou o fizer com incorreções/omissões. Em ocorrendo esta hipótese será a contribuinte intimada para apresentação da declaração original, e/ou a prestar esclarecimentos, porventura solicitados pela autoridade administrativa, assertivas estas corroboradas pelo contido no artigo 8o desse normativo, que determina que os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. A decisão a quo esteve silente quanto à apreciação deste tema. Certamente a realização de auditoria interna na DCTF retificadora, que não dependeria de audiência da contribuinte, impactaria nos efeitos projetados pela decisão de primeira instância, como se depreenderá oportunamente. Para disciplinar a matéria em pauta veio a IN nº 1.110/2010 dispor em seu artigo 9o, caput e § 1o, que a alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante a apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada, que terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, como também tratar das situações em que a retificação não produzirá efeitos jurídicos, supondose que a contribuinte não se enquadra em nenhum deles, mormente por não constar dos autos esta constatação. O entendimento profligado no Acórdão nº 330201.406, em decisão proferida pelo colegiado da 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARFMF, em sessão realizada em 26 de janeiro de 2012, mencionado a título de exemplificação, consubstancia a afirmação das assertivas aqui formuladas, conforme demonstra a ementa a seguir: CIDE. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo conseqüência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Grifei). Mencionase, ainda, outros excertos dessa decisão, com vistas a uma melhor compreensão do tema acerca do qual versa o debate, confirase: O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria desnecessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679868/200979 Acórdão n.º 3803004.227 S3TE03 Fl. 90 11 É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9o, I, da IN RFB nº 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas pra reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus da prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. (Grifei). Nesta ponto tornase possível inferir, conforme o cenário acima transcrito e descrito, que a DCTF retificadora, por possuir a mesma natureza da original, a substitui integralmente e, autonomamente, produz efeitos jurídicos que lhe são peculiares, notadamente quanto à alteração da situação material anteriormente constatada pelo despacho decisório, sendo certo que essa DCTF será objeto de procedimento de auditoria interna (IN RFB nº 1.110/2010, art. 8o). Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Outra inferência, vislumbrável a partir da realização da auditoria interna, é a relevância deste procedimento a conferir a existência de liquidez, certeza e da disponibilidade de crédito alegado pela contribuinte em relação à compensação declarada, com vistas à homologação ou não pela autoridade administrativa, o que não mais é possível de se fazer pela via do despacho decisório, eis que a falha detectada pela interessada em relação à DCTF originariamente apresentada, apenas se tornou perceptível após a ciência do despacho decisório. Ressaltase que é precisamente a partir da ciência do despacho decisório que o sujeito passivo á chamado a comparecer aos autos em formação, inaugurando, assim, o contencioso, mediante a apresentação da manifestação de inconformidade, ocasião em que se torna possível alegar a existência de erro em relação à DCTF original e a sua correção por meio de DCTF, que possivelmente irá retratar uma realidade fiscal distinta daquela contida na original. Isto posto concluise que: somente após a realização deste procedimento é que se poderia decidir pela não homologação da compensação declarada pela contribuinte, bem assim que o ônus probante da liquidez e certeza do indébito é de responsabilidade da autoridade fiscal, eis que as informações necessárias às constatações pertinentes estão disponíveis nos bancos de dados da RFB, anteriormente alimentadas pelas declarações regularmente apresentadas pela contribuinte, ou mesmo pela solicitação de documentos e de esclarecimentos, quando se fizer necessário. No mais, assentase o litígio na alegação de erro material quanto ao preenchimento de DCTF que ensejou a não homologação de Per/DComp transmitido eletronicamente ao Fisco, cujo erro foi corrigido mediante DCTF retificadora, transmitida em 03/03/2010 (doc. 04), que segundo alega a recorrente, põe em terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada. Não obstante o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, na ocasião em que manifestou o seu inconformismo contra o despacho decisório eletrônico, a ora recorrente justificou a impossibilidade de proceder à retificação e apresentação de 147 outras DCTF, oportunamente, mormente por conta da quantidade de documentos a serem manipulados e da elaboração de peças impugnatórias em trinta dias, surgindo, com isso, razões de superveniência, situação esta admitida no § 4o deste artigo, a possibilitar a apresentação a posteriori de tais documentos. Os princípios da informalidade em favor do administrado e da verdade material são baluartes no campo do Direito Administrativo Tributário, devendo os julgamentos de processos fiscais serem pautados por tais orientações, principalmente por não trazer prejuízo ao erário e nem para as partes litigantes, não prejudicar o devido processo legal e, porventura, impossibilitar a alegação de cerceamento de defesa, ou mesmo de supressão de instância. Ademais disso a conversão de julgamento diligência, ato discricionário do julgador, resulta de dúvida acerca de matéria de fato, cujos elementos de prova com potencial de deslinde da lide, não se encontram nos autos. Daí, para auxiliar na formação da convicção do juiz realizase este procedimento, oportunamente, sendo este o caso de que se cuida. Por todo o exposto, ante a necessidade de ver sanada pelo juízo de primeira instância a falha constatada, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para exame da DCTF retificadora e apuração da situação real acerca da existência de créditos e de débitos a ele vinculados, eis que a liquidez e certeza da pretensão da contribuinte nesta nova situação, como visto, é de responsabilidade do Fisco, com isso Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679868/200979 Acórdão n.º 3803004.227 S3TE03 Fl. 91 13 possibilitando a instância a quo pronunciarse sobre a não homologação ou não da DComp aviada. (Assinado digitalmente) Conselheiro Jorge Victor Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/07 /2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13896.000815/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RESSARCIMENTO DE DESPESAS PELO USO DE VEÍCULO DE EMPREGADO. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado, quando devidamente comprovadas, está isento da contribuição, nos moldes do art. 28, §9º, alíneas da lei .8.212/91.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA.
Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS QUE EXCEDEM AO PREVISTO NO ACORDO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
A imunidade em relação aos pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados só beneficia os valores até o limite previsto no Acordo.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão dos pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Marcelo Oliveira; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir dos lançamentos os valores relacionados ao uso de veículos pelos funcionários, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO DE DESPESAS PELO USO DE VEÍCULO DE EMPREGADO. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado, quando devidamente comprovadas, está isento da contribuição, nos moldes do art. 28, §9º, alíneas da lei .8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS QUE EXCEDEM AO PREVISTO NO ACORDO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A imunidade em relação aos pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados só beneficia os valores até o limite previsto no Acordo. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão dos pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Marcelo Oliveira; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir dos lançamentos os valores relacionados ao uso de veículos pelos funcionários, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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PREV PLR Recorrente FUCHS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO DE DESPESAS PELO USO DE VEÍCULO DE EMPREGADO. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado, quando devidamente comprovadas, está isento da contribuição, nos moldes do art. 28, §9º, alínea”s” da lei .8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 08 15 /2 01 0- 83 Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.501 2 empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS QUE EXCEDEM AO PREVISTO NO ACORDO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. A imunidade em relação aos pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados só beneficia os valores até o limite previsto no Acordo. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão dos pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Marcelo Oliveira; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir dos lançamentos os valores relacionados ao uso de veículos pelos funcionários, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.502 3 e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.503 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.243.9225, lavrado em 26/04/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como contribuição para o financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT – SAT/RAT), incidentes sobre remunerações pagas aos empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamentos e nas informações prestadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), no período de 01/2006 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 710.016,47, fls. 01. Os levantamentos incluídos no lançamento com respectivas motivações resumidas são os seguintes: PL – Valores relativos a Participação nos Lucros sem observar a lei de regência. A empresa optou pelo Acordo por meio de comissão escolhida entre as partes, tendo ocorrida a eleição dos representantes em 18/08/2006, com a primeira e única reunião em 22/08/2006. Havia a previsão de reuniões mensais no item IX.2 do Acordo, mas a fiscalizada não apresentou as atas e admitiu que houve apenas uma reunião. A autoridade fiscal apontou que houve pagamentos a título de PLR absolutamente superiores ao que foi acordado. A parcela PLRAdicional representou 73,82% dos pagamentos de PLR apenas para alguns trabalhadores, fls. 75/76. Assinalou que foi descumprido o art. 2º, §2º, inciso II da Lei 10.101/200, pois o plano estabelecido em 28/08/2006 deixou de representar uma pactuação prévia das metas, tendo em conta que os pagamentos foram feitos ainda dentro do ano de 2006. Insistiu a fiscalização que de 01/01/2006 a 27/08/2006 não houve meta, tendo apenas sido ratificado o que já havia sido produzido. DV e DV1 – Valores representativos de reembolso de quilometragem. Havia um controle de quilometragem por meio de relatórios e era reembolsado um percentual fixo de quilômetros tomando por base a quilometragem percorrida. Foram adotados os percentuais de 10% e 5%, respectivamente, para diretores e demais empregados, com,o parcela de uso pessoal do veículo. Para a fiscalização, isso desfiguraria o conceito de reembolso de quilometragem, pois não se levava em conta o que efetivamente era necessário para execução do trabalho. Assim, estaria configurado o salário indireto. SG e SG1 – referente a reembolso de seguro de veículos. Pelos mesmos motivos do levantamento anterior, tais despesas foram incluídas no lançamento. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.504 5 PD e PD1 – Reembolso de pedágio “sem parar”. Pelos mesmos motivos dos levantamentos DV e DV1 , tais despesas foram incluídas no lançamento. Nesse caso, adicionalmente, a fiscalização observou que, embora não reembolsasse os pedágios de dias não úteis, a empresa pagava pedágios para uso particular, pois não controlava o efetivo uso do veículo. Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/04/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 151/166, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 1420/1428, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 02/08/2011, fls. 1439. O recurso voluntário, apresentado em 26/08/2011, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que o fato de o Programa de Participação de Lucros e Resultados do ano base 2006 ter sido apresentado em 28/08/2006 não invalida o acordo, pois as metas foram estabelecidas para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Entende que o confronto do programa de PLR com documentos que comprovam o cumprimento das metas consegue demonstrar que o resultado positivo decorrente da “integração entre capital e trabalho” ao longo do ano base de 2006, acabou atendendo as metas estabelecidas pela empresa e propiciando o pagamento como incentivo à produtividade. Nunca pretendeu distribuir algo que já produziu, conforme assinalado no Acórdão a quo, pois, ao contrário, realizou a distribuição de lucros no final de 2006 diante dos esforços despendidos nesse período. Protesta, subsidiariamente, pela descaracterização apenas do PLRAdicional do Anexo I do Auto de Infração. Argumenta que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestou entendimento que somente se houver descumprimento da legislação específica regulamentadora é que as verbas pagas a título de PLR podem ser incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária. Quanto aos reembolsos de despesas, assevera que todas estão relacionadas aos veículos dos funcionários utilizados em atividades profissionais. Havia um Manual de Procedimentos para Reembolso de Quilometragem que previa um Relatório de Despesas de Viagens/Veículo – RDV que detalhava as viagens e as despesas relativas a esta. Entende que o RDV serve para comprovar as despesas e não entende desnecessário a existência de relatórios circunstanciados com origem e destino do deslocamento, data de saída, de chegada e de retorno, clientes visitados e finalidade da viagem, como sugeriu o Acórdão a quo. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.505 6 Destaca que poderia, a qualquer momento, checar o hodômetro dos funcionários, pois havia um relatório apropriado para isso. Esses argumentos são aplicáveis ao reembolso de quilometragem, reembolso de pedágio e reembolso de seguro de automóveis. É o relatório. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.506 7 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Participação nos resultados. Requisitos. Inicio a análise do litígio sobre a participação nos resultados posicionando me sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a esse título. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.507 8 de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.508 9 cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.509 10 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.510 11 “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.511 12 Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.512 13 de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.513 14 Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.514 15 um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. No caso em análise, considerando que o período dos resultados era 01/01/2006 a 31/12/2006, a assinatura do acordo em 22/08/2006 não violaria tal requisito, porém não poderia haver pagamento a título de PLR antes de encerrado o período, pois não haveria como saber se as metas foram atingidas até que o período estivesse encerrado. Os pagamentos feitos ainda em 2006 são antecipações vedadas pelo §2º, art. 3º da Lei 10.101/2000, além de caracterizarem ofensa ao art. 2º, §1º, inciso II da mesma lei. Com relação ao pagamento de PLRAdicional para alguns empregados, tais valores estão totalmente fora do que havia sido acordado, sendo ausente de dúvidas sua característica remuneratória, uma vez que são valores pagos em contraprestação ao trabalho. Ressarcimento de despesas pelo uso de veículo de empregado. Requisitos para a isenção. A isenção para valores pagos a título de ressarcimento de despesas pelo uso de veículo de empregado tem a seguinte previsão da Lei 8.212/91: Art. 28 (...) §1º(...) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluí da pela Lei nº 9. 528, de 10. 12. 97) (...) A lei, portanto, exige que as despesas estejam devidamente comprovadas. Porém, o que seriam despesas devidamente comprovadas? A fiscalização e o Acórdão a quo entenderam, que os relatórios e manuais da recorrente não garantiam que as despesas estavam comprovadas. Porém, divergimos de tais posicionamentos, pois observamos que a empresa mantinha um controle estrito sobre o uso dos veículos por meio de manuais e relatórios Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.515 16 apropriados e arquivados para eventuais conferências, o que, entendemos, supre o requisito para desfrutar da isenção prevista na alínea “s”, §9º do art. 28 da Lei 8.2121/91. A fiscalização não demonstrou que os critérios para determinar a utilização para o trabalho não eram razoáveis, apesar de dispor de inúmeros relatórios de empregados que estavam disponíveis para crítica. A exigência de relatórios com outras informações, conforme consta do Acórdão a quo, não possui previsão na legislação e só seria aceitável se existisse algum indício de que os relatórios fornecidos não eram confiáveis, mas nenhum deles teve o conteúdo combatido pela autoridade fiscal. O que destacamos é a existência de preocupação da empresa com critérios para o ressarcimento de despesas, por meio de manuais e relatórios detalhados que podem ser objeto de auditoria a qualquer tempo. Houve uma preocupação em externar critérios para o ressarcimento de um custo do empregado em benefício do trabalho, afastando a possibilidade de considerarmos que o objetivo era pagar um adicional a todos os empregados. A diferença de valor pelo quilometro rodado foi explicada pela recorrente como decorrente do custo do veículo que, normalmente, cada categoria de trabalhador possui. Novamente, nesse aspecto a fiscalização não fez prova de que se tratavam de valores irrazoáveis. Assim, o conjunto probatório que dos autos consta é suficiente para formar nosso convencimento de que as despesas com ressarcimento pelo uso de veículo de empregado foram devidamente comprovadas, o que resulta no reconhecimento da isenção para tais reembolsos. Tal conclusão se aplica a todos os levantamentos relacionados com o ressarcimento de despesas com veículo do empregado: RV, RV1, SG, SG1, PD e PD1. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.516 17 temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.517 18 (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.518 19 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.519 20 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.520 21 lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.000815/201083 Acórdão n.º 2301003.244 S2C3T1 Fl. 1.521 22 · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) excluir do lançamento os levantamentos DV, DV1, SG, SG1, PD e PD1; (b) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, limitar esta a 20%; (c) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10215.720006/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62-A do RICARF, inclui-se na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3403-001.589
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de a recorrente incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, incluise na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. As aquisições de energia elétrica estão excluídas do cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, uma vez que tal insumo não é considerado produto intermediário à luz da legislação do IPI. Súmula CARF nº 19. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de a recorrente incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Fl. 4490DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descreve os fatos que versa a lide, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, fls.2925/2927: A empresa acima identificada transmitiu em 13/05/2005 a declaração de compensação de fls. 02/97 (final 5627) onde promovia a extinção de débitos próprios com a utilização de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, dos períodos de apuração 2000 a 2003, no valor de R$ 1.149.482,68. Em 30/04/2007 foi transmitido o PER (residual) de final 5820 (fls. 511/514) indicando crédito residual naquela data. Apontando o mesmo crédito, apresentou também eletronicamente declarações de compensação as quais encontramse relacionadas na tabela 1 (fl. 537 anverso e verso). Após diligência foi expedido pelo Serviço de Fiscalização o Termo de Diligência Fiscal de fls. 422/438, no qual se baseou o Parecer e Despacho Decisório de fls. 537/539, que reconheceu o direito ao crédito no valor de R$ 230.918,50, homologou parcialmente o PER/DCOMP nº 35962.43811.130505.1.3.01 5625 e não homologou os demais PER/DCOMP vinculados ao crédito. Segundo o Termo de Diligência Fiscal, foram glosados: a) Valores referentes à matériaprima adquirida de pessoa física, por não serem tais pessoas contribuintes de PIS e COFINS, além de não haver previsão legal para que tais valores sejam incluídos no cômputo do crédito presumido; b) Valores referentes à matériaprima própria, por não referirem se a aquisição e não ter havido incidência de PIS e COFINS, então não há o que ressarcir; c) Valores referentes à aquisição de matériaprima sem o documento fiscal hábil, por falta de comprovação com documentação hábil, no caso, a nota fiscal; d) Valores referentes à matériaprima adquirida de pessoa jurídica, porém sem nota fiscal de venda emitida pelo vendedor, dessa forma, para essas aquisições não há previsão legal de conceder crédito presumido; e) Valores referentes a aquisição de matériaprima na condição de comercial exportadora, com o fim específico de exportação, por ser o crédito presumido do contribuinte que vendeu para a comercial exportadora e não para esta. Ainda as aquisições com o fim específico de exportação, na condição de comercial exportadora, não sofrem incidência por parte da empresa que Fl. 4491DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.491 3 vendeu, dessa forma esses produtos já estão desonerados dessas contribuições e, portanto, não há nada a ser ressarcido; f) Valores referentes a aquisição de material de embalagem sem o documento fiscal hábil, por falta de comprovação com documentação hábil, no caso, a nota fiscal; g) Valores referentes a combustível e energia elétrica utilizados para os anos de 1999, último trimestre, 2000 e 2001, por não haver previsão legal para inclusão de tais valores no cômputo do cálculo do crédito presumido com base na Lei 9.363/96. Além disso, foram glosados valores referentes às aquisições de combustível relativos aos anos de 2002 e 2003, pois embora a Lei nº 10.276/2001 tenha possibilitado a inclusão de tal insumo no cômputo do cálculo do crédito presumido, pois foi verificado que parte das aquisições de combustível não possuem documentos fiscais que os amparem (tabela VII – fl. 456). Cientificada em 25/10/2010 (AR fl. 540) a interessada apresentou, tempestivamente, em 24/11/2010, manifestação de inconformidade na qual, em síntese, alega que: a) O artigo 2º da IN 103/97, determina que o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições de PIS e COFINS, isto é, não pode incluir no cálculo do ressarcimento, as aquisições de produtor rural pessoa física ou cooperativa de produtor. Contudo as Leis 9.363/96 e 10.276/01, não fazem nenhuma restrição ao ressarcimento, ficando a cargo tãosomente das Instruções Normativas que são hierarquicamente de força inferior, o fazêlo. Citou decisão administrativa e decisão judicial. b) Reforçase na lei, que o crédito presumido será calculado sobre o valor total das aquisições dos insumos, assim entendidos, como matériaprima, produto intermediário e embalagem; c) A entrada de madeira não constitui, de forma alguma, matéria prima própria, que existe todo um processo de tratamento desse produto para posterior exportação, situação que, nos termos da legislação, permite o direito ao crédito presumido; d) Considerou a fiscalização que foram adquiridas matérias primas sem notas fiscais. Entretanto, conforme demonstram os documentos em anexo, todas as notas fiscais estão disponíveis na contabilidade da empresa; e) Considerou a fiscalização que a aquisição de matériaprima na condição de comercial exportadora não daria direito ao crédito. No entanto, em que pese a empresa de forma alguma agir como uma comercial exportadora, mas sim como uma empresa exportadora, mesmo se assim fosse, não poderia a fiscalização Fl. 4492DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 desconsiderar o direito a utilização do crédito presumido. Citou decisão judicial; f) Considerou a fiscalização que a aquisição de combustível e energia elétrica não tem previsão legal que por isso não daria direito ao crédito. No entanto, tanto a energia elétrica como os combustíveis, assim como os demais insumos não sujeitos ao IPI, quando utilizados na produção de produtos exportados, devem compor a base de cálculo do crédito presumido do imposto, pois o incentivo deve ser calculado sobre o custo de produção dos bens exportados, não importando quais os impostos incidentes. Citou decisão judicial. A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, mediante Acórdão nº 0121.805, de 24 de maio de 2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E INSUMOS DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E COFINS. RESSARCIMENTO. Somente as aquisições de MP, PI e ME, que tenham sofrido a incidência do PIS/Pasep e da COFINS, podem ser incluídos no cálculo do benefício, como se observa pela redação do art. 1o da Lei no 9.363, de 1996. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Nas vendas com o fim específico de exportação, conforme legislação que rega a matéria, não há incidência de PIS e COFINS, portanto, nada há o que ser ressarcido ao adquirente a título de crédito presumido de IPI. Caso os insumos utilizados na fabricação dos produtos vendidos tenham sido gravados com PIS e COFINS o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI é da pessoa jurídica que vendeu o produto e não da pessoa jurídica que adquiriu. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A partir da edição da Lei nº 10.276/2001 é que passou a ser permitido a inclusão das despesas com combustíveis e energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido de IPI. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Cientificada da decisão em 16/09/2011, fls. 4444/4445, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2011, fls. 4446/4465, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 4493DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.492 5 Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora Das Preliminares O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cabe esclarecer que a realização de diligência não tem por objetivo suprir procedimentos que deveriam ser realizados pelas partes, mas elucidar fatos que venham corroborar para convicção dos julgadores encarregados de dar solução ao litígio,. Entendo que não cabe diligência e ao negar não vejo que isso caracterize cerceamento do direito de defesa, porque a prerrogativa de conceder ou não a diligência cabe ao julgador. De acordo com o previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993) Ademais, o procedimento administrativo fiscal tem rito próprio que deve ser observado por ambos sujeitos da relação tributária. Ao apresentar a Manifestação de Inconformidade deveria o contribuinte cumprir o que diz o art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto ao princípio da verdade material, sem dúvida, é de grande relevância no Processo Administrativo Fiscal. Entrementes outros princípios também norteiam e obrigam a sua observância no processo administrativo fiscal. Temos também sempre que observar o princípio da legalidade. É preciso observância à norma de regência sobre a matéria que se discute. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Contudo, não tendo trazido por algum motivo na fase inicial, poderia ter aproveitado essa face recursal para apresentálas, ou pelo menos demonstrar interesse de comprovar o crédito pretendido. Já venho em outros julgados me manifestando que não acolho o argumento de que as provas ou documentos se encontram na empresa e que a autoridade fiscal realize a diligência para atestar o crédito que o contribuinte alega ter. Para mim, é preciso uma Fl. 4494DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 demonstração, por mínima que seja, de comprovação por parte de quem alega o direito pretendido. Entendo que é preciso que a recorrente manifeste o interesse de agir, e esse interesse de agir, é um pressuposto das condições da ação. Ora, ação foi de iniciativa da recorrente, é dela a iniciativa de provar o que vem alegando. Não pode simplesmente dizer que as notas fiscais estão disponíveis na contabilidade da empresa. Porque no mínimo deve estar sob a guarda da empresa, os documentos que lastreiam sua contabilidade. Mas é preciso saber quais são essas notas fiscais, onde estão registradas contabilmente, se as mesmas preenchem os requisitos necessários para que possam dar sustentação ao crédito pretendido. Fazendo um paralelo com a constituição do auto de infração, é dever da autoridade fiscal comprovar as infrações que aponta, sob pena de não prevalecer o lançamento constituído. Da mesma forma, é dever da recorrente comprovar que faz jus ao crédito pretendido. Veja, é preciso demonstrar que o crédito a compensar é líquido e certo. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência/perícia. Do mérito Depreendese da leitura do voto condutor da decisão recorrida, que ora não foi concedido o crédito por falta de previsão legal, ora por falta de apresentação das notas fiscais que respaldariam o crédito pleiteado. Segundo a legislação que trata da matéria sob exame, o crédito que a contribuinte pode solicitar está restrito a requisitos legais e comprovação documental. No caso concreto,tratase de crédito presumido de IPI, com base na Lei nº 9.363, de 1996, e no regime alternativo, Lei. 10.276, de 2001, que nada mais é que o ressarcimento das contribuições para o PIS e para a Cofins pagas pelos produtores e exportadores quando da aquisição de insumos aplicados no processo produtivo. Evidentemente, é essencial que seja comprovada a aquisição desses insumos. Sobre o direito a crédito presumido de IPI aplicamse os dispositivos legais transcritos a seguir: Lei nº 9.363, de 1996 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 4495DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.493 7 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Lei nº 10.276, de 2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. (grifei) Fl. 4496DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 (...) Agora, passaremos a apreciação dos itens controversos seguindo a mesma sequência apresentada pela recorrente. Das aquisições de insumos de pessoas físicas Quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas, autoridade julgadora a quo assim conduziu seu voto (transcrevo apenas parte): A empresa afirma que as Leis 9.363 e 10.276/01, não fazem nenhuma restrição ao ressarcimento e que a fiscalização baseada em Instruções Normativas, que frisase, é de hierarquia inferior, excluiu os valores da matériaprima própria, matériaprima adquirida de pessoa física. Reforçase na Lei, que o crédito presumido será calculado sobre o valor total das aquisições dos insumos. Analisando as alegações acima inferese que a empresa quer que sejam considerados na base de cálculo do crédito presumido os insumos que não sofreram incidência do PIS e da COFINS (matériaprima própria e matériaprima adquirida de pessoa física) Relativamente à incidência de PIS e COFINS nos insumos, a legislação que rege a matéria, definiu de modo exatamente contrário à alegação da reclamante, pois, somente as aquisições de MP, PI e ME, que tenham sofrido a incidência do PIS/Pasep e da COFINS, podem ser incluídos no cálculo do benefício, como se observa pela redação do art. 1o da Lei no 9.363, de 1996, transcrito aqui, para maior clareza: Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (negrito acrescido) De acordo com art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF1. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 4497DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.494 9 Pois bem. A questão acerca das aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas para as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais foi tratada no Recurso Especial nº 993.164, representativo da controvérsia. A seguir reproduzo a ementa da decisão proferida pelo STJ, sob a sistemática do art. 543C do CPC, Recurso Especial nº 993.164, verbis: RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: EXPORTADORA PRINCESA DO SUL LTDA ADVOGADO: ADRIANO FERREIRA SODRÉ E OUTRO(S) RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADORES: CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO EVERTON LOPES NUNES E OUTRO(S) RECORRIDO: OS MESMOS EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes Fl. 4498DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 10 sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se Fl. 4499DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.495 11 subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição”; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI Fl. 4500DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 12 (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciou se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, com base nesta decisão do STJ, extraída da página de jurisprudência do Tribunal, e no art. 62A do RICARF, adotase o entendimento do REsp ao caso concreto. Assim, não pode persistir a glosa sobre essas aquisições no cálculo do crédito presumido de IPI, devendo ser refeito a apuração desse benefício fiscal. Da matériaprima própria, matéria prima PJ e material de embalagem sem nota fiscal Trago a colação trecho do voto condutor da decisão recorrida: Relativamente as glosas dos valores não comprovados com documento fiscal hábil (nota fiscal emitida pelo fornecedor dos produtos), o sujeito passivo limitouse a argumentar que “conforme demonstram os documentos em anexo a presente manifestação de inconformidade, todas as notas fiscais estão disponíveis na contabilidade da empresa, sendo que não qualquer motivo para a fiscalização não considerar legítimos os aproveitamentos do crédito. Entretanto, compulsando os autos constatase que o sujeito passivo juntou os mesmos documentos apresentados na fase de investigação, ou seja, apenas recibos e comprovantes de depósitos bancários. Segundo dispõe o artigo 190, inciso I, do RIPI/02 os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à Fl. 4501DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.496 13 vista do documento que lhes confira legitimidade, nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial . É pacífico que, no sistema de controle do IPI, a escrituração do crédito fiscal tem como documentobase, salvo exceções expressas no Regulamento, a Nota Fiscal, emitida em nome do adquirente dos insumos creditáveis. Portanto, a Nota Fiscal é o documento que confere legitimidade ao crédito. Neste passo, observese que em se tratando de pedido de ressarcimento o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua manifestação de inconformidade, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Não tendo o sujeito passivo trazidos aos autos as notas fiscais emitidas pelos fornecedores dos produtos mantémse a glosa dos valores por falta comprovação. Na peça recursal, limitase a recorrente a apresentar os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. No Capítulo IX do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI 2002, Decreto nº 4.544, 26 de dezembro de 2002, encontramse as normas que tratam do documentário fiscal que servem de base à escrituração dos estabelecimentos. O art. 320 do RIPI/02, dispõe que os estabelecimentos emitirão o seguintes documentos, conforme a natureza de suas atividades: I – Nota Fiscal, modelo 1 ou 1A Fl. 4502DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 14 Como se vê, no ordenamento jurídico brasileiro, a nota fiscal é o documento que confere legitimidade a essas aquisições. Pois, nela consta o identificação do fornecedor e comprador, natureza da operação (venda, compra, transferência, devolução, importação, consignação, remessa (para fins de demonstração, de industrialização ou outra), dados dos produtos (descrição dos produtos, classificação fiscal, etc) , valor do preço, destino, data efetiva da saída ou entrada da mercadoria no estabelecimento, forma de pagamento, valor do IPI destacado. Ademais a própria norma que institui o crédito presumido de IPI, a Lei nº 9.363, de 1996 em seu artigo 3°, diz expressamente que a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Ora, a nota fiscal é imprescindível para a escrituração dos créditos e, por conseqüência, o seu aproveitamento por parte da recorrente. Sem sua apresentação não há como reconhecer o direito ao crédito pretendido. Assim sendo, não cabe reparo a decisão recorrida. Da matéria prima comercial exportadora De acordo com o voto condutor da decisão recorrida: Com referência à manifestação contrária da impugnante no que tange às glosas aquisições de produtos com o fim específico de exportação, aquisição de matériaprima na condição de comercial exportadora, com o fim específico de exportação, por ser o crédito presumido do contribuinte que vendeu para a comercial exportadora e não para esta. Ainda as aquisições com o fim específico de exportação, na condição de comercial exportadora, não sofrem incidência por parte da empresa que vendeu, dessa forma esses produtos já estão desonerados dessas contribuições e, portanto, não há nada a ser ressarcido;... A recorrente insiste que não agiu como comercial exportadora, como entendeu a fiscalização, mas como empresa exportadora, mesmo que assim fosse, não poderia ser desconsiderado o direito a utilização do crédito presumido, por conta de decisões do STJ. Importa ressaltar que as decisões citadas nos autos pela recorrente trata de crédito presumido de IPI, com base na Lei nº 9.363, de 1996, submetida a matéria prima empregada no produto para exportação a beneficiamento. Se houve beneficiamento dos insumos, e caso este tenha sido realizado por terceiros, deveria a recorrente ter comprovado que a situação apontada no despacho decisório da unidade de origem não correspondia a realidade dos fatos. Veja, pelo que consta dos autos o procedimento fiscal desenvolvido pela autoridade fiscal teve como base a documentação fornecida pela recorrente, vindo a glosar os valores de aquisição de matériaprima na condição de comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Contrário ao entendimento da recorrente, para fazer jus ao credito presumido de IPI previsto no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre a matéria prima, é essencial que esta Fl. 4503DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10215.720006/200710 Acórdão n.º 3403001.589 S3C4T3 Fl. 4.497 15 tenha sido utilizado no processo produtivo. O incentivo instituído é direcionada para a empresa produtora e exportadora. Caberia ter a recorrente logrado comprovar que essas aquisições foram utilizadas no processo produtivo. Não tendo comprovado, não assiste razão a recorrente. Da aquisição de energia elétrica e combustíveis Para a recorrente: ...tanto a energia elétrica como os combustíveis, assim como os demais insumos não sujeitos aos IPI, quando utilizados na produção de produtos exportados, devem compor a base de cálculo do crédito presumido do imposto, pois o incentivo deve ser calculado sobre o custo de produção dos bens exportados, não importando quais os impostos incidentes. A recorrente vem argumentando, que faz jus as despesas com energia elétrica e combustíveis pois sem eles a produção não se concretizaria, sendo imprescindíveis para o processo produtivo. Cita decisões administrativas, do antigo Conselho de Contribuintes, que trata de crédito presumido de IPI, aquisições de energia elétrica, e decisões judiciais sobre o ICMS que tratam também de aquisição de combustíveis e de energia elétrica. De acordo com o voto condutor da decisão recorrida, a autoridade julgadora a quo não reconheceu o direito ao crédito as aquisições de energia elétrica e combustíveis, referentes aos anos de 2000 e 2001, por não se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos fixados pela legislação. No tocante às aquisições de energia elétrica e combustíveis, nessa instância incide a Súmula CARF nº 19, na consolidação efetuada por meio da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, in verbis: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Tratandose de matéria sumulada, deve ser aplicado obrigatoriamente o entendimento consolidado no âmbito administrativo, em razão de disposição regimental. Assim, mantémse a exclusão das aquisições desses insumos uma vez que não são considerados produtos intermediários à luz da legislação do IPI. Como é sabido a Lei nº 10.276, de 2001, introduziu o regime alternativo ao disposto na Lei nº 9.363, de 1996, passando a admitir na base de cálculo do crédito presumido além das aquisições de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, o custo com energia elétrica e combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Daí, para os anos de 2002 e 2003, vem a autoridade julgadora esclarecendo que a exclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI de parte dos valores relativos às Fl. 4504DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 16 despesas com energia elétrica e combustíveis não foi motivada por falta de previsão legal, mas sim por não ter o contribuinte logrado comprovar adequadamente essas despesas. Por essa razão manteve as glosas. Entretanto, a recorrente nessa fase recursal não trouxe elementos que possam alterar a decisão recorrida. Dessa forma, não cabe reparos a decisão recorrida. Da conclusão: Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a recorrente o direito do crédito presumido de IPI sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 4505DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 3 1/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007027/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004 IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.
Numero da decisão: 2102-001.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/04/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 09/10 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela no ano de 2003. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/03, por meio da qual requereu o seu cancelamento em razão da comprovação das despesas que foram objeto de glosa. Alegou que as mesmas teriam sido pagas em espécie e foram demonstradas através de saques em datas próximas e de valores coincidentes com as despesas. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento, com base no seguinte entendimento: Rejeitase os recibos pela falta do endereço do profissional e porque elementos adicionais para provar a efetiva prestação de serviços e o efetivo pagamento não resultaram satisfatórios. 9. Os recibos de Maria José Baldassim e Célia Regina Cunha, embora estejam regulares, não havendo demonstração dos saques que correspondam a um determinado pagamento, mas apenas uma relação dos saques efetuados, cujas datas e valores não se identificam com os pagamentos efetuados, ocorrendo saques muito distantes das datas dos recibos e em valores diversos, não se acata o argumento de que restou demonstrado que os valores pagos e valores sacados guardam relação entre si. Mesmo que presentes todas as formalidades descritas na norma legal, se recibo e declaração do profissional não têm valor probante absoluto. A apresentação de recibos com nome e assinatura do emitente tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os outros elementos de convicção coletados pelo auditor no decorrer da ação fiscal. Vejamos o disposto no Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas e da dedução de despesas médicas: A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 102/103, por meio do qual reiterou que os recibos seriam prova suficiente da efetividade dos serviços tomados, e que a lei não instituía a obrigação de comprovação do pagamento, sendo certo que eventual falha nas informações constantes do recibo deveria ser imputada ao profissional emitente, e não ao paciente. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007027/200870 Acórdão n.º 210201.962 S2C1T2 Fl. 108 3 Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 11.05.2010, como atesta o AR de fls. 101. O Recurso Voluntário foi interposto em 17.05.2012 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo no qual se discute lançamento motivado pela glosa das seguintes despesas médicas declaradas originalmente pela Recorrente: Da análise dos extratos bancários apresentados sob o protocolo no 2820 de 28/03/08, verificouse que os saques assinalados não foram efetuados em datas e valores compatíveis para comprovar os valores expressos nos recibos médicos apresentados. Regularmente intimada, a contribuinte não logrou êxito em comprovar o efetivo pagamento, nos termos da Intimação Fiscal n° 122/2008, das despesas médicas relacionadas aos seguintes profissionais: Maria Jose Baldassim (Psicóloga R$ 10.200,00) Celia Regina Cunha (Fisioterapeuta R$ 5.800,00) Moema Andrade Monetta (Fonoaudiáloga R$ 4.550,00) Robson S. Martins (Dentista R$ 1.650,00). A decisão recorrida manteve o lançamento, justamente em razão da falta de comprovação do pagamento das despesas glosadas. A legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos os recibos emitidos pelos profissionais em comento, que constam às fls. 51/70. Trouxe ainda cópias de seus extratos bancários no intuito de demonstrar que efetuara saques em dinheiro para acobertar as despesas médicas constantes dos recibos. Pelo fato de todos os seus tratamentos médicos e odontológicos terem sido pagos em moeda corrente (de forma que o pagamento dos serviços não pode ser comprovado, já que os saques não correspondem aos pagamentos), caberia à Recorrente ter trazidos aos autos outras provas conclusivas no sentido de que o serviço fora prestado. Não cabe a esta Turma – pela falta de conhecimento técnico para tal – indicar que outros documentos seriam estes; porém, ciente a Recorrente de que seu pleito vem sendo negado desde a época da fiscalização, caberia a ela ter diligenciado perante os profissionais emitente dos recibos para que estes fizessem o que estivesse ao seu alcance no intuito de comprovar que os serviços foram prestados. Tal prova, porém, não foi feita; a Recorrente sequer descreveu, ainda que de maneira simples e leiga, quais teriam sido os serviços prestados por tais profissionais. Além disso, uma análise da DIRPF de fls. 11 e seguintes demonstra que a Recorrente auferiu rendimentos totais de R$ 64.913,23 (sendo R$ 62.165,75 tributáveis, mais R$ 1.361,64 de tributação exclusiva e outros R$ 1.385,84 isentos). Assim, as despesas que foram glosadas pela autoridade lançadora correspondem a aproximadamente um terço de seu rendimento bruto anual. Considerando a natureza destas despesas (com serviços de fonoaudiologia, psicologia, fisioterapia e dentista) – que não são, em princípio, essenciais e sem a comprovação de que as mesmas eram imprescindíveis, não há como acolher a documentação trazida aos autos como suficiente a demonstrar a efetividade destas despesas. Pelos motivos expostos, estão corretas as conclusões tomadas pela autoridade fiscal e também pela decisão recorrida, que devem ser privilegiadas. Em outras oportunidades, ao apreciar casos semelhantes, esta Turma julgadora vem assim decidindo, como se depreende do julgado a seguir transcrito, no qual são expostas, de maneira clara e precisa, as razões para a manutenção de lançamentos semelhantes ao que ora se analisa, inclusive com a qualificação da multa, verbis: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007027/200870 Acórdão n.º 210201.962 S2C1T2 Fl. 109 5 DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; ou houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Recurso negado. (Acórdão nº 210201632, julgado em 26.10.2011) Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10630.902947/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/07/2002
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO.
Em qualquer fase processual, o pedido de parcelamento implica desistência do recurso interposto pelo contribuinte perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3802-001.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/07/2002 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO INTERPOSTO. Em qualquer fase processual, o pedido de parcelamento implica desistência do recurso interposto pelo contribuinte perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 29 47 /2 00 9- 31 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Tratase de Declaração de Compensação (DComp), transmitida em 14/9/2006, em que informada a compensação do crédito decorrente de pagamento indevido da Cofins do mês de março de 2002, no valor de R$ 716,21, realizado em 11/7/2002, com débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e do IRPJ. Segundo o Despacho Decisório eletrônico de fls. 7/9, a compensação não foi homologada porque o pagamento, embora confirmado, estava alocado para a quitação de débito devido do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que: a) a decisão emanada da Delegacia da Receita Federal de origem era contrária à legislação, em face da inexistência de instância intermediária; b) o pagamento era indevido, pois o débito quitado estava alcançado pela isenção das sociedade de profissão regulamentada, instituída na Lei Complementar nº 70, de 1991, e reconhecida administrativa e judicialmente; c) a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal era direito inarredável; d) como a compensação foi protocalada antes da publicação da Lei Complementar 118/2005, fazia jus à restituição da Cofins recolhida indevidamente nos últimos dez anos; e e) o débito compensado era inexigível, logo, seria ilegal qualquer atitude do Fisco no sentido de cobrar tais valores ou impedir a expedição de CND. Sobreveio o acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões de decidir: a) falecia competência à autoridade julgadora de instância administrativa, para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário; b) a isenção da Cofins, que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar nº 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996; c) não se homologavam as compensações declaradas, pois restou comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação fora integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos. Em 4/6/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Em 25/6/2012, protocolou o Recurso Voluntário, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que os valores dos débitos compensados foram incluídos no parcelamento, instituído pela Lei 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, no entanto, não deve ser conhecido, pois, o pedido de parcelamento dos débitos compensados, implica desistência do recurso interposto, nos termos do § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações posteriores, a seguir transcrito: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10630.902947/200931 Acórdão n.º 3802001.513 S3TE02 Fl. 21 3 § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. [...] Com respaldo no referido preceito regimental, NÃO CONHEÇO do Recurso interposto, devendo ser mantido na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13 /02/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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