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Numero do processo: 15374.724301/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS.
PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS - Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizam-se como perdas efetivas, não procede sua adição para apuração do lucro real.
PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO - Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real.
PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES - Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição.
PERDAS DE INSS - Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. VALOR DAS RETENÇÕES. A glosa de valores de retenção de IRRF deve ser mantida se não elidida por prova em contrário.
Numero da decisão: 1301-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o crédito adicional nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues de Lima
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS - Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizam-se como perdas efetivas, não procede sua adição para apuração do lucro real. PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO - Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real. PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES - Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição. PERDAS DE INSS - Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. VALOR DAS RETENÇÕES. A glosa de valores de retenção de IRRF deve ser mantida se não elidida por prova em contrário.
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Recorrida 3ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LUCRO REAL. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. PROVISÃO PARA PERDAS DE ISS Se a conta assim denominada registra valores que, na realidade, caracterizamse como perdas efetivas, não procede sua adição para apuração do lucro real. PROVISÃO PARA LICENÇA PRÊMIO Não constando entre as provisões expressamente autorizadas conforme inciso I do art. 13 da lei nº 9.249/95, cabe proceder à adição dos respectivos valores na determinação do lucro real. PROVISÃO DE CUSTO DE FORNECEDORES Conta destinada a receber valores de custos incorridos num ano e faturados pelos fornecedores no ano seguinte não tem a natureza de provisão. Se no curso do procedimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, o contribuinte dá essa informação ao auditor e ele não a contesta, descabe exigir a adição. PERDAS DE INSS Valores retidos e contabilizados como perdas em razão da impossibilidade de sua recuperação através da escrita fiscal não têm a natureza de provisão, descabendo promover sua adição com base no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. VALOR DAS RETENÇÕES. A glosa de valores de retenção de IRRF deve ser mantida se não elidida por prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 01 /2 00 9- 06 Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 3 2 recurso para reconhecer o crédito adicional nos termos do Relatório e Voto proferidos pelo Relator. Fez sustentação o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP n° 83.755. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues de Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso voluntário impetrado pelo contribuinte Cobra Tecnologia S/A., em face da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) que, por unanimidade de votos, reformou o Despacho Decisório da autoridade administrativa da DERAT/RJ, e reconheceu ao interessado o direito creditório adicional de R$ 1.404.550,11. O Despacho Decisório relacionase com Pedido de Restituição Eletrônico referente a saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2006, no valor de R$ 16.549.492,07. A autoridade administrativa reconhecera o direito creditório apenas de R$ 6.068.847,01, e a decisão ora recorrida o retificou para R$ 7.473.397,12. Como a Derat já reconhecera e restituíra o valor de R$ 6.068.847,01, a DRJ reconheceu direito creditório relativo à diferença, no montante de R$ 1.404.550,11. O processo se desenvolveu da seguinte forma: Para a verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado no PER, o processo foi encaminhado ao Grupo Especial de Trabalho da DERAT/RJO, para, em diligência no estabelecimento do contribuinte, verificar: 1 A composição da linha 37 da Ficha 04A, fl. 20 (outros custos); 2 A composição da linha 31 da Ficha 05A, fl. 21 (outras despesas operacionais); 3 A composição da linha 33 da Ficha 06A, fl. 22 (outras despesas financeiras); Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 4 3 4 A composição da linha 24 da Ficha 09A, fl. 23 (reversão dos saldos das provisões não dedutíveis)), sobretudo a data de constituição da provisão ora informada como dedução; 5 Os valores apurados de ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, informados nas linhas 09 a 12 da Ficha 06A, fl. 22; 6 Se os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, dedução informada na linha 13 da Ficha 12A, fl.28, foram oferecidos à tributação; 7 Demais verificações que se fizerem necessárias a fim de que se verifique o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário 2006. O Relatório de Diligência encontrase às fls. 107/117, cujas conclusões, em síntese, foram as seguintes: 1. A composição da linha 37 da Ficha 04A, fl. 20 (outros custos): O valor constante da linha 37 (Outros Custos), R$ 282.486.988,21 e R$ 1.940.252,34 — parcela não dedutível, da Ficha 04A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) "confere com o total do grupo contábil 33 — Custo PD/Mer/Serviços Prest. (fls. 55)." Ressaltando que "o total informado em algumas linhas da Ficha 04A não confere com as respectivas rubricas contábeis, embora os totais gerais de custos sejam idênticos." 2. A composição da linha 31 da Ficha 05A, fls. 21 (outras despesas operacionais). A Ficha 05A (Despesas Operacionais) não foi preenchida corretamente, dificultando a análise. Dessa maneira, objetivando o melhor entendimento foi subdividida nos grupos 341 a 344, 346, 347 e 349, conforme descrito na fl. 109. Relevante destacar que o saldo da conta 347101 (Provisões para Contingências Passivas) é divergente do resultado obtido entre a exclusão e a adição constante no LALUR, consoante explicação contida na fl. 111; 3. A composição da linha 33 da Ficha 06A, fl. 22 (outras despesas financeiras). O valor de R$ 27.969.835,83 constante da linha 33 (Outras Despesas Financeiras) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) encontrase escriturado nas contas descritas na fl. 113, que refletem a escrituração contábil da interessada, cópias de fls. 72 e 73; 4. A composição da linha 24 da Ficha 09A, fl. 23 (reversão dos saldos das provisões não dedutíveis), sobretudo a data de constituição da provisão ora informada como dedução. O valor da reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, linha 24 da Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real), totalizando R$ 50.313.478,36, encontrase discriminado na fl. 114. Vale ressaltar que a interessada adicionou em 2005, no LALUR, o valor de R$ 63.500.162,70, conforme consta à fl. 75 e DIPJ/2006 de fl. 121; 5. Os valores apurados de ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, informados nas linhas 09 a 12 da Ficha 06A, fl. 22. Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 5 4 Os valores do ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, informados nas linhas 09 a 12 da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) "correspondem àqueles registrados no grupo de contas 321 — Impostos Incidentes sobre Vendas e Serviços (fls. 55) consoante descrição de fls. 114 e 115”; 6. Se os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, dedução informada na linha 13 da Ficha 12A, fl. 28, foram oferecidos à tributação. Do cotejo entre a planilha fornecida pela interessada, fl. 77, e as informações constantes do somatório das duplicatas em aberto, fl. 78, com as informações constantes da DIRF, ano calendário 2006, fls. 79 a 100, foi possível afirmar que “os valores dos rendimentos tributáveis” informados pelas fontes pagadoras nas DIRF (fls. 79 a 100) são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31/12/2005, com exceção do cliente Sun Microsystem do Brasil Indústria e Comércio Ltda. que informou o pagamento de R$ 4.967 mil sob o código 5952. O valor contabilizado dos rendimentos auferidos difere de R$ 460.000,00 da informação apresentada pela fonte pagadora (fl. 115). O IRRF apresentado nas DIRF é coerente com o contabilizado pela interessada à exceção do IRRF (código de receita 6190) retido pela fonte pagadora (CNPJ n° 00.000.000/000191), que declarou valor a menor de R$ 795.000,00, cuja diferença para o IRPJ é de R$ 404.000,00; 7. Demais verificações que se fizerem necessárias no decorrer da presente diligência, a fim de que se verifique o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2006. Relativamente às demais verificações empreendidas, a diligência relatou que foram constatadas, no balancete de dezembro de 2006, algumas contas de provisões cujo efeito no resultado não foi adicionado ao LALUR, o que poderia estar afrontando o artigo 299 do RIR/99 e o artigo 13 da Lei 9.249/95, que determina que, neste caso, somente são dedutíveis as provisões para férias/décimo terceiro salário de empregados e devedores duvidosos. Sobre as provisões constatadas, esclarece o auditor: Conta 11440405 Provisão para Perdas com ISS (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de ISS pelos clientes, decorrente de serviços prestados em municípios onde a Cobra Tecnologia S/A. não possui filiais, não sendo possível compensar esta retenção. Conta 11440701 INSS a Recuperar (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de INSS pelos clientes, que o contribuinte alega a impossibilidade de compensação. Neste caso, não há a constituição de uma provisão, tal qual na conta de Perdas com ISS, sendo as perdas registradas em contrapartida à conta de resultado 334199 Perdas INSS (fls. 56). Conta 21219901 Provisão de Custos de Fornecedores (passivo circulante fls. 50): referese a serviços prestados em 2006, com faturamento pelos fornecedores em 2007. 0 contribuinte alega que as receitas correspondentes foram reconhecidas em 2006 e utiliza este critério em obediência ao princípio contábil da competência. Ao constituir esta provisão, o contribuinte alega já conhecer o valor exato das exigibilidades, ao contrário dos valores registrados na conta de passivo circulante 21219905 Estimativas de Custos de Fornecedores, Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 6 5 cujo valor da provisão é adicionado ao LALUR (fls. 50 e 76). Conta 218105 Provisão para Licença Prêmio de Empregados (passivo circulante f1s. 51). Conta 218105 Provisão para Licença Prêmio de Empregados (passivo circulante f1s. 51). O efeito dessas contas no resultado, conforme esclarece a autoridade executora da diligência, foi de R$ 31.982.769,22. Despacho decisório. Tendo em vista as informações advindas da diligência, a autoridade administrativa analisou o saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2006 constante da DIPJ, extrato de fl. 28, sintetizado na planilha abaixo: Ficha 12A cálculo Imp. de Renda s/ Lucro Real: 1. Alíquota de 15% 1.804.060,34 2. Adicional 1.178.706,90 04. PAT 72.162,41 13. – IRRF org públicos 19.469.096,90 18. IR a pagar 16.549.492,07 (*) Valores em R$ O resultado dessa análise fica resumido no quadro abaixo: Ficha 09A Rubrica Valores em DIPJ (fl. 23) Valores alterados pela DERAT Descrição a) lucro líquido 3.473.829,56 3.751.329,58 Aumentado em R$ 277.500,02 [diferença entre os valores de PIS e Cofins informados na DIPJ (fl. 22) e em Dacon (fls 123/146)] b) adições ao lucro líquido 64.021.175,88 64.021.175,88 Mantido (fl. 23) c) exclusões ao lucro líquido (50.3131.478,36) (50.3131.478,36) Mantido (fl. 23) d) receita + 460.000,00 Em diligência (fl. 115) a Derat apurou que, na Dirf, os rendimentos de Sun Microsystem do Brasil Ind. E Com. S/A eram superiores em R$ 460.000,00 aos valores registrados na contabilidade do interessado. e) provisões não dedutíveis + 31.982.769,22 Em diligência (fl. 116/117) a Derat apurou que os efeitos de contas de provisão não foram adicionados. f) Provisões para contingências + 5.618.200,44 Em diligência (fl. 111/112) a Derat apurou que este valor deveria ter sido adicionado no Lalur. g) Lucro real 17.181.527,08 55.519.996,76 h) (5.154.458,12) (5.154.458,12) Mantido (fl. 23) Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 7 6 Compensação de prejuízos i) Lucro real 12.027.068,96 50.365.538,64 O valor de R$ 31.982.769,22, referente a provisões indedutíveis (linha “e” na planilha supra) e os efeitos correspondentes no resultado estão assim discriminados no Relatório de Diligência (fls.116/117): conta Saldo em 31/12/2006 Efeito no resultado Provisão para Perdas ISS 4.418.689,31 3.327.191,32 Provisão para custo dos fornecedores 27.151.1467,13 27.151.1467,13 Provisão para licença prêmio 1.069.655,65 70.379,66 INSS a Recuperar Zero 1.434.052,11 A Derat alterou, também, o valor do imposto de renda retido na fonte por órgãos públicos (linha 13 da ficha 12A), que a interessada informara ter sido de R$ 19.460.096,90, para R$ 18.564.069,26. O fundamento dessa alteração foi que os extratos do sistema DIRF (fls. 79 a 100) demonstram retenção na fonte de IRRF, concernentes aos códigos 6147 e 6190, nos valores totais de R$ 3.717.226,26 e R$ 35.046.823,82, e a aplicação dos percentuais previstos na IN SRF 480/2004 produz os seguintes resultados: Código 6147 762.507,95; Código 6190 17.801.561,31. TOTAL 18.564.069,26 Com isso, o saldo negativo informado na DIPJ restou assim alterado: DIPJ (fl. 28) Derat (fl. 153) Linha 01 alíquota 15% 1.804.060,34 7.554.830,80 Linha 02 Adicional 10% 1.178.706,90 5,012.553,86 Linha 04 ( ) PAT (72.162,41) Linha 12 ( ) IRRF órg. públicos (19.460.096,90) (18.564.069,26) Linha 18 – IR a pagar (16.549.492,07) (6.068.847,01) A autoridade administrativa, então, reconheceu o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 no montante de R$ 6.068.847,01, restituído ao interessado após atualização. Manifestação de inconformidade Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 208/214, na qual trouxe as seguintes ponderações sobre itens da diligência efetuada, a seguir referenciados: Item "Demais Verificações que se fizerem necessárias": Menciona que houve uma Adição no LALUR de 2005, no valor de R$ 18.361.554,31, montante no qual incluiu provisão de Auto de Infração, de R$ 5.201.749,21, que, pago em setembro de 2006, pelo valor de R$ 3.099.026,01, "foi baixado diretamente da contingência, sem transitar por resultado, reduzindo a dita provisão para R$ 13.809.969,82". Informa que a diferença de R$ 2.102.723,20, entre os sobreditos "valor provisionado" e ‘valor pago', foi debitada à "Provisão para Contingência" e creditada em conta de resultado — "Provisão para Contingências Passivas" em agosto de 2006. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 8 7 Item da "IRPJ retido por órgão público”: Pondera que a comparação direta entre receita de vendas e retenção de IRPJ não é possível porque a receita é contabilizada pelo regime de competência, enquanto que a retenção, pelo de caixa. Ainda assim, diz que há coerência entre os valores dos rendimentos tributáveis informados em DIRF pelas fontes pagadoras, de um lado, e a soma entre aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005, bem como, entre o retido pelas fontes pagadoras em 2006 e os registrados em seus livros contábeis. No que tange ao cliente Sun Microsystem, alega que, em análise do registro de "Contas a Receber", verificouse que algumas notas fiscais (122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041) foram baixadas do sistema em dezembro de 2005, enquanto que os respectivos impostos só o foram entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor em "Contas a Receber", porém, sem divergência no pagamento de impostos, já que em momento algum deixou de cumprir com suas obrigações fiscais". Com relação às contas de provisão cujo efetivo resultado, de acordo com a diligência, não teria sido adicionado ao Lalur, afirma: a) conta 11440405 — Provisão para Perdas com ISS: tratase de retenções de ISSQN efetuadas pelo Banco do Brasil em municípios nos quais não possui estabelecimentos, e, portanto, de perdas efetivas; b) conta 11440701 — INSS a Recuperar: referemse a retenções de INSS efetuadas pelos clientes, e, em face da impossibilidade de compensálas, reconheceas como perda efetiva; c) conta 21219901 — Provisão de Custos de Fornecedores: “trata”se de provisão constituída em dezembro de 2006, com base em serviços prestados e cujas notas fiscais foram registradas em 2007, e, por força do regime de competência, a provisão de custos, no valor de R$ 27.151.146,13, foi constituída no mês de dezembro de 2006 e o faturamento foi efetuado em dezembro de 2006, reconhecendose a receita, tendo sido constituída provisão com base nas notas fiscais dos fornecedores "que entraram no mês seguinte"; d) conta 218105 — Provisão para Licença Prêmio de Empregados — tratase de provisão constituída e prevista em Acordo Coletivo, segundo o qual, a cada período de cinco anos de vigência do contrato de trabalho, concedese ao empregado licença prêmio de 30 dias consecutivos, conversíveis em pecúnia, razão por que representa provisão de despesa certa, com a mesma natureza do 13° salário. Decisão de 1ª Instância Na análise da manifestação de inconformidade, o relator apreciou as retificações procedidas pela autoridade administrativa da DERAT nas parcelas que integram a apuração do lucro real, como a seguir: a) lucro líquido ajustado: Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 9 8 A alteração promovida pela DERAT, aumentando em R$ 277.500,02 em razão de diferença entre os valores de PIS e Cofins informados na DIPJ e em Dacon , não foi contestada, consolidandose na esfera administrativa. b) receita: A DERAT aumentou a receita em R$ 460.000,00 por ter apurado, em diligência, (fl. 115) que na Dirf, os rendimentos de Sun Microsystem do Brasil Ind. e Com. S/A. eram superiores em R$ 460.000,00 aos valores registrados na contabilidade. Em sua defesa, o contribuinte diz que verificou que "algumas notas fiscais foram baixadas do sistema em dezembro de 2005, sendo que os respectivos impostos foram baixados posteriormente entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor nas Contas a Receber do cliente em questão, tanto que não há divergência no pagamento dos impostos, conforme confronto entre o contábil da recorrente e a DIRF da fonte pagadora, informações estas constantes às f1s. 115 do referido Relatório de Diligência". Aduz que, "como complemento, e para auxílio na consulta à Dirf da fonte pagadora, segue a relação das referidas notas fiscais: n°s 122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041.” A DRJ não acolheu as alegações do interessado, porque desacompanhadas das provas. c) Provisões não dedutíveis A Derat detectou a falta de adição ao lucro líquido dos efeitos de provisões indedutíveis, no montante de R$ 31.982.769,22, composto das rubricas (i) Provisão para Perdas INSS (R$ 3.327.191,32), (ii) Provisão para custo dos fornecedores (R$ 27.151.1467,13), (iii) Provisão para licença prêmio (R$ 70.379,66) e INSS a Recuperar (R$ 1.434.052,11). Sobre a Provisão para Perdas INSS, em sua defesa o interessado aduziu que se trata de retenções de ISSQN efetuadas pelo Banco do Brasil em Municípios nos quais não possui estabelecimento, tratandose de perdas efetivas, uma vez que a Recorrente não tem condições de compensar, conforme documentos emitidos pelo próprio Banco do Brasil e pela Cobra acerca da Retenção e Recolhimento do ISSQN na prestação de Serviços da Cobra Tecnologia para o Banco do Brasil, que anexa. Juntou correspondência que encaminhou ao Banco do Brasil, em 22.11.2007, bem como a resposta deste, sendo que, nesta última, o Banco do Brasil S/A., controladora do interessado, responde ao interessado acerca do local do recolhimento do ISS e dos comprovantes correspondentes (fls.249/252). O julgador manteve o Despacho Decisório considerando que a provisão não se encontra entre as mencionadas no art. 13 da Lei nº 9.240/95 como dedutíveis. Argumentou, em síntese, que provisão, conceitualmente, não é sinônimo de despesa/perda consumada, e que se o interessado contabilizou o fato como provisão, não há que se dar a ele outro tratamento que não o de provisão. Acrescentou que as correspondências juntadas pelo interessado não operam o efeito de afastar a vedação da lei à dedutibilidade da dita provisão, ressaltando que o interessado também não trouxe provas de que tais valores foram pagos. Sobre a Provisão para custo dos Fornecedores, o interessado defendeu que o valor de R$ 27.151.146,13, registrado na conta de Provisão de Custos, é a expressão do regime de competência. Explicou que a provisão foi constituída em dezembro de 2006 com base em Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 10 9 serviços prestados em dezembro, e, que as notas fiscais foram registradas em janeiro de 2007. Disse que efetuou o faturamento e reconheceu a receita em dezembro de 2006, e constituiu uma provisão de custos com base nas notas fiscais dos fornecedores, que entraram no mês seguinte, mas que representavam os serviços prestados no mês de dezembro de 2006. Alegou que tal procedimento atenderia os princípios contábeis da realização da receita e do confronto de custos e despesas com as receitas e períodos contábeis, conhecidos como regime de competência. A decisão de primeira instância argumenta que não há previsão legal autorizando a dedutibilidade de provisão para custos, bem como inexiste prova inequívoca de que a contabilização como provisão se deu em atendimento ao regime de competência (ou até de que se tratou de gasto indevidamente classificado como provisão). Ponderou o Relator que: (i) O art. 170 do CTN condiciona o reconhecimento do direito creditório à prova de sua liquidez e certeza; (ii) é ônus de o interessado trazer, sob pena de preclusão, os registros contábeis e os documentos com os quais pretende fazer prova de que tem direito líquido e certo à restituição em matéria tributária; (iii) o interessado não ofereceu à tributação os gastos provisionados, e a Lei n° 9.249, de 1995, é taxativa, ao não incluir dita provisão no rol das provisões dedutíveis; (iv) embora tenha juntado dezenas de cópias de notas fiscais, de vários fornecedores emitidas em diversos meses dos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007 , o interessado não trouxe provas nem demonstrou que, independentemente da data de emissão das notas fiscais juntadas, as receitas correspondentes a tais custos foram auferidas em 2006; (v) Não é possível concluir que o procedimento adotado visou atender o regime de competência e contraposição da receita auferida com o respectivo custo, porque as notas fiscais juntadas não vieram instruídas com relatório discriminativo, nem com a composição dos custos, nem correlacionadas aos serviços prestados; (vi) conforme art. 274 do RIR/99, a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de custo constitui fundamento para lançamento de oficio, se dela resultar postergação de pagamento ou redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração, e, como se vê às fls.917, no período de apuração seguinte (ano calendário de 2007), o interessado apurou prejuízo fiscal, o que afasta a hipótese de postergação. Quanto à Provisão para Licença Prêmio, o interessado alegou que está em conformidade com o Acordo Coletivo, que prevê o pagamento, a cada período de 5 (cinco) anos de vigência do contrato de trabalho, de uma licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, que pode ser convertida em pecúnia. Junta cópia de Acordo Coletivo de Trabalho (fls.255/268). A decisão de primeira instância não acatou os argumentos do contribuinte sob alegação de que referida provisão não se encontra entre as cuja dedutibilidade é permitida pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95, destacando, ainda, que o interessado também não traz provas de que o dito valor teria sido efetivamente pago. Quanto às Perdas INSS o interessado disse tratarse de valor referente às retenções de INSS efetuadas pelos clientes, e que em seu balanço registrou tais retenções como uma perda efetiva, uma vez que não conseguiria compensálos. A decisão de primeira instância menciona que a parcela “Perdas INSS”, no valor de R$ 1.434.052,11 está incluída no custo dos serviços revendidos (no “Custos de Serviços Prestados no País” Assistência Técnica, Hardware). Aduz que no balancete de dezembro de 2006 a conta de Ativo "INSS a Recuperar" está com saldo zero, e que a Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 11 10 contrapartida do crédito foi débito de custo (Perdas INSS). Argumenta que, além de o interessado não juntar prova da irrecuperabilidade, inexiste previsão legal para que tais perdas integrem o custo dos serviços vendidos, e que impostos recuperáveis não integram custos de produção e serviços. d) Provisões para contingências A alteração promovida pela DERAT baseouse no relatório de diligência, que apontou diferença entre o saldo inicial (R$ 18.361.554,31) e o saldo final (R$ 13.809.969,82) da conta patrimonial de Provisão para Contingência, totalizando R$ 4.551.584,49, e afirmou que a diferença final é, de fato, R$ 5.618.200,44, porque, além dos mencionados R$ 4.551.584,49, que foram excluídos do cálculo do lucro real (despesa efetivada), a conta de resultado/ajuste da dita provisão também apresentava saldo devedor (despesa efetivada) de R$ 1.066.615,95 (4.551.584,49 + 1.066.615,95 = R$ 5.618.200,44). A decisão de primeira instância retificou a alteração promovida pela DERAT, excluindo o valor de R$ 5.618.200,44, uma vez que as informações contidas no próprio relatório de diligência esclarecem a diferença apontada entre as contas patrimonial e de resultado, relativas à provisão para contingência. e) Dedução de IRRF por órgãos públicos A Derat alterou o valor do IRRF retido por órgãos públicos, ajustando os valores a partir das retenções informadas nos códigos 6147 (R$ 3.717.226,26) 6190 (R$ 35.046.823,82), de acordo com os percentuais fixados na Instrução Normativa SRF n° 539, de 25 de abril de 2005. As retenções de IRRF informadas em DIPJ (R$ 19.460.096,90) foram reduzidas a R$ 18.564.069,26. Na manifestação de Inconformidade o interessado alegou: 10. Cumpre registrar que a Receita de Vendas e Serviços é contabilizada pelo regime de competência e a retenção do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas, ou seja, pelo regime de caixa. Desta forma, não é possível efetuar uma comparação direta entre a Receita de Vendas e Serviços e os valores do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas pelos clientes. 11. No entanto, pela análise documental (especificamente do demonstrativo analítico), constatamse os valores de IRPJ, CSLL, PASEP e COFINS retidos no ano de 2006, onde se pode visualizar que os valores dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas DIRF são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005. 12. Conclusão semelhante se aplica aos impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006, os quais são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis a Recorrente, ora contribuinte. A DRJ não acolheu a argumentação do contribuinte, sob a seguinte fundamentação: Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 12 11 112 De fato, em sede de Diligência, foi reconhecido que, com exceção de IRRF de R$ 801.000,00 (R$ 795.000,00 do Banco do Brasil + R$ 6.000,00, da Prefeitura de Jacareí, conforme fls.118/119), "os valores tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas DIRF (f1s. 79 a 100) são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005". 113 A sobredita conclusão, no entanto, não se opõe aos cálculos de retenção, por tributo (porque as retenções efetuadas pelos órgãos públicos se referem a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), de que trata a IN SRF n° 539, de 2005, porque deles a diligência não tratou. 114 Não são demais observar que o meio previsto em lei para a comprovação das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras é o "comprovante de rendimentos pagos ou creditados", tal como previsto no art. 943, § 2° do RIR/1999, e com os quais a Manifestação de Inconformidade não veio instruída (...). Afinal, as alterações promovidas pela DERAT restaram assim ajustadas pela decisão da DRJ: Ficha 09A Rubrica Valores em DIPJ (fl. 23) Valores alterados pela DERAT Valores segundo o resultado do julgamento DRJ lucro líquido 3.473.829,56 3.751.329,58 3.751.329,58 receita + 460.000,00 . + 460.000,00 provisões não dedutíveis + 31.982.769,22 . + 31.982.769,22 Provisões para contingências + 5.618.200,44 0,00 Lucro real antes compensação 17.181.527,08 55.519.996,76 49.901.796,32 Lucro real após compensação 12.027.068,96 50.365.538,64 44.747.338,20 Cálculo do Imposto DIPJ (fl. 28) Derat (fl. 153) DRJ Linha 01 alíquota 15% 1.804.060,34 7.554.830,80 6.712.100,73 Linha 02 Adicional 10% 1.178.706,90 5.012.553,86 4.450.733,82 Linha 04 ( ) PAT (72.162,41) (72.162,41) (72.162,41) Linha 12 ( ) IRRF órg. públicos (19.460.096,90) (18.564.069,26) (18.564.069,26) Linha 18 – IR a pagar (16.549.492,07) (6.068.847,01) (7.473.397,12) Recurso Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 13 12 Ciente da decisão em 11 de novembro de 2010, o contribuinte ingressou com recurso em 10 de dezembro, cujas razões, em apertada síntese, são as seguintes: Lucro líquido: O lucro líquido do recorrente em 2006 foi de R$ 3.473.829,56, conforme informado em sua DIPJ, e a DERAT o alterou, acrescentando o montante de R$ 277.500,02, equivalente à soma das diferenças entre o montante de PIS e COFINS informados em DIPJ e o montante informado no DACON sob a mesma referência. A Recorrente reitera os valores por ela informados na DIPJ, destacando que todas as receitas foram devidamente informadas ao fisco e submetidas à tributação. Receita: Atribui a divergência entre os rendimentos informados pela fonte e os registrados em sua contabilidade ao fato de, em sua contabilidade, nos registros de Contas a Receber, algumas Notas Fiscais de Faturamento terem sido baixadas do sistema em dezembro de 2005, sendo que os respectivos impostos foram baixados posteriormente entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor nas Contas a Receber do cliente em questão, tanto que não há divergência no pagamento dos impostos, conforme confronto entre o contábil da Recorrente e a DIRF da Fonte Pagadora (cf. fl. 115, do referido Relatório de Diligência). Ressalta que a Receita de Vendas e Serviços é contabilizada pelo regime de competência e a retenção do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas, ou seja, pelo regime de caixa. Desta forma, não é possível efetuar uma comparação direta entre a Receita de Vendas e Serviços e os valores do IRPJ por ocasião do pagamento das duplicatas pelos clientes. Aduz que pela análise do demonstrativo analítico verificase os valores de IRPJ, CSLL, PASEP e COFINS retidos em 2006, e comprovase que os valores dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadores nas respectivas DIRF”s são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31.12.2005, da mesma forma que os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006, os quais são coerentes com aqueles registrados nos seus livros contábeis”. Provisões não dedutíveis Inicialmente, destaca que a essência econômica de um fato deve prevalecer sobre sua forma, e que o modo utilizado pela Recorrente para registrar as operações, mesmo que seja considerado inadequado, em nenhum momento provocou a ocultação da realidade. Sobre a Provisão Para Perdas de ISS, diz tratarse de perdas efetivas, por se referirem a retenções feitas pelo Banco do Brasil em localidades onde o contribuinte não possui estabelecimento, razão pela qual, conforme determinado pela lei, não pode, ou não consegue, compensar o tributo. Aduz que não se trata de uma convenção particular que dispôs sobre a forma mais benéfica para o recolhimento do tributo, inclusive, porque esta não é uma questão negocial. Naquela ocasião não havia consenso entre as partes. 0 Banco do Brasil retinha o ISS, pois, na condição de instituição financeira é obrigada a fazêlo como substituto tributário; e a Cobra Tecnologia, por sua vez, pagava o tributo diretamente aos Municípios, pois estes assim determinavam. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 14 13 Sobre a Provisão de Custos de Fornecedores (passivo circulante), explica que foi constituída em dezembro de 2006 com base em serviços prestados durante este mesmo período, cujas Notas Fiscais foram registradas em janeiro de 2007. Explica que a provisão de custos foi constituída no balanço de dezembro de 2006 com base nos princípios contábeis da realização da receita e do confronto de custos e despesas com as receitas e períodos contábeis. Afirma que o faturamento e dos serviços prestados aos clientes e reconhecimento da respectiva receita deuse me 2006, e, foi constituída uma provisão de custos com base nas notas fiscais dos fornecedores que entraram no mês seguinte, mas que representavam os serviços prestados no mês de dezembro de 2006. Destaca que o Relatório de Diligência, que deu origem a esta sucessão de equívocos por parte do Fisco Federal, foi lavrado pelo Auditor Fiscal que compareceu à empresa e teve acesso a toda documentação necessária, o que inclui os livros fiscais, notas fiscais, comprovantes de pagamento, etc., e que nenhuma informação lhe foi sonegada. Indaga, como argumentação, como é possível não reconhecer os custos se reconhecer as receitas deles provenientes. Sobre a Provisão para Licença Prêmio, diz ter sido constituída com base em previsão em Acordo Coletivo, que estabelece que a Recorrente pagará, a cada período de 05 (cinco) anos de vigência do contrato de trabalho, ao empregado admitido até 03 de outubro de 1996, uma licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, a ser gozada no período mais conveniente para o empregado e para a empresa, podendo esta, a seu critério, conceder a conversão em pecúnia, mediante a solicitação do empregado. Argumenta que a licença prêmio representa uma provisão de despesa certa a ser despendida pela Recorrente, possuindo a mesma natureza do 13° salário. Destaca a não incidência do imposto de renda sobre seu pagamento em pecúnia, conforme entendimento pacificado pelo STJ e atos da Receita Federal, razão pela qual a provisão de parte do valor a ser utilizado para o pagamento deste benefício também deve ser autorizada. No que toca às Perdas com INSS, diz referirse às retenções de INSS efetuadas pelos seus clientes e que, em decorrência da impossibilidade de compensação dos mesmos, reconhece que se trata de uma perda efetiva — e assim foi registrado em seu balanço — pois não há possibilidade de efetuar a compensação da referida contribuição. Aduz que a impossibilidade de compensação é fato incontestável, e que há alguns anos tenta reverter esta situação, para que lhe seja reconhecido o direito à compensação das contribuições previdenciárias. Inclusive, foi ajuizada Ação Ordinária em face do INSS pleiteando a restituirão de valores recolhidos indevidamente a título de retenção de 11% ao INSS sobre faturas de prestação de serviços de cessão de mão de obra. Este processo foi autuado sob o n° 2008.51.01.0136390 e distribuído ao MM. Juízo da 30ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (RJ) e, atualmente, encontrase em fase de produção de provas. No que diz respeito à dedução de IRRF por órgãos públicos, contesta o ajuste feito pela DERAT, a afirmar que todos os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006, são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis da Recorrente, ora contribuinte. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 15 14 Acrescenta haver erro grosseiro nos cálculos, uma vez que se reajustou o lucro real, mas não se reajustou a compensação de prejuízos, cujo limite restou aumentado. Conclui pedindo a nulidade do. Despacho Decisório e do Acórdão por conterem vícios insanáveis, requer a realização de prova pericial contábil para indicar o verdadeiro montante do lucro real, e a reforma da decisão para que: (i) seja reconhecido o direito creditório em favor do Recorrente no valor de 16.549.492,07, concernente ao saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2006, solicitado por meio da PER n° 02506.70276.120209.1.6.025644; (ii) ou, ainda, seja o julgamento do presente recurso convertido em diligência para que sejam refeitos os cálculos, com objetivo de se apurar o valor correto do saldo negativo de IRPJ do ano 2007, computandose a compensação de prejuízos fiscais na forma prevista em lei; (iii) seja deferida a realização de prova pericial contábil, conforme acima requerido; por tudo isto ser medida de inteira e necessária Justiça! É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Diversamente do suscitado pelo Recorrente, o Despacho Decisório e o Acórdão recorrido não padecem de nulidade “por conterem vícios insanáveis”. Os erros e equívocos apontados pelo interessado, se confirmados, levam à reforma do decidido, mas não à nulidade dos atos. O processo administrativo representa uma revisão interna do ato administrativo, visando exatamente a sanar os erros e ilegalidades nele cometidas. O ato administrativo subsiste, com as revisões nele procedidas, desde que não apontado cerceamento de defesa ou incompetência do agente. Também, o pedido de perícia, em desacordo com as regras do artigo 16, inciso IV, e § 1º, do Dec. nº 70.235, de 1972, considerase não formulado. Isto posto, afasto as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Passo ao mérito. A solução do presente litígio cingese em aferir a procedência dos ajustes efetuados pela autoridade fiscal, e confirmados pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, nos valores informados na DIPJ da Recorrente, que resultaram em redução do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2006, pleiteado em restituição. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 16 15 Inicialmente, destaco que a autoridade administrativa competente para reconhecer o direito creditório determinou a execução de diligência fiscal para verificar sua certeza e liquidez, amparada no art. 65 da Instrução Normativa nº 900 de 2008, que prevê: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (destaquei) Por se tratar de crédito representado por saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, foi expressamente determinada a confirmação de valores informados na referida declaração (outros custos, linha 37 da Ficha 04A; outras despesas operacionais, linha 31 da Ficha 05A; outras despesas financeiras, linha 33 da Ficha 06A; reversão dos saldos das provisões não dedutíveis, linha 24 da Ficha 09A; valores apurados de ICMS, COFINS, PIS/PASEP e ISS, linhas 09 a 12 da Ficha 06A); bem como se foram oferecidos à tributação os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, cuja dedução foi informada na linha 13 da Ficha 12A, fl.28. Foi também determinado que fossem efetuadas as “demais verificações que se fizerem necessárias a fim de que se verifique o efetivo valor do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário 2006. originado no saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2006”. Passo a examinar cada ajuste contestado. 1Ajuste no lucro líquido informado. A autoridade administrativa determinou que, em diligência fiscal, fossem verificados entre outros, os valores apurados de Cofins e PIS PASEP, informados nas linhas 10 e 11 da Ficha 06A da DIPJ nos montantes de, respectivamente, R$ 38.529.958,51 e R$ 8.365.958,51 (fls. 114 e 115). A autoridade fiscal diligenciante informou que os valores indicados nessas linhas correspondem aos registrados nos grupos de contas 321 – Impostos Incidentes sobre Vendas e Serviços, assim demonstrados: Conta Denominação Valor 321103 Impostos Incidentes sobre Vendas COFINS 2.711.967,83 321103 Impostos Incidentes sobre Serviços COFINS 35.817.990,98 TOTAL 38.529.958,51 321103 Impostos Incidentes sobre Vendas – PIS/PASEP 588.782,49 321103 Impostos Incidentes sobre Serviços – PIS/PASEP 7.776.724,30 TOTAL 8.365.056,79 No demonstrativo da apuração do lucro real, constante às fls. 6 do Despacho Decisório (fls. 152 do processo), o lucro líquido antes do IRPJ encontrase informado pelo valor ajustado de R$ 3.751.329,58, superior ao consignado na DIPJ em R$ 277.500,02. Essa alteração está assim motivada pela autoridade competente da DERAT: Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 17 16 “Não obstante a interessada ter deduzido nas linhas 11 (Cofins) e 12 (PIS) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) os mesmos valores constantes da sua contabilidade, apresentou Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) informando valores divergentes, conforme demonstram os extratos de fls. 123 a 146. Dessa maneira, para efeito de apuração do Lucro Líquido será considerado os valores informados no DACON, que totalizam R$ 38.301.958,50 (Cofins) e R$ 8.315.556,78 (PIS).” A decisão recorrida assim tratou esse ajuste: “20. (...) o lucro líquido antes do IRPJ foi informado em DIPJ pelo valor de R$ 3.473.829,56 (linha 50 da ficha 6A, às fls.22, e linha 1 da ficha 9A, às fls.23). No Despacho Decisório, no entanto, a Derat faz constar, na demonstração do lucro real que elabora (fls.152), o lucro líquido ajustado de R$ 3.751.329,58, aumentandoo, portanto, em R$ 277.500,02. 21 O valor acrescido pela DeratRJO corresponde à soma das diferenças, respectivamente, entre o Pis e a Cofins informados em DIPJ (fls.22) e informados no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais — Dacon (fls.123/146), a saber: 49.500,01 (8.365.056,79 — 8.315.556,78 = 49.500,01) + (38.529.958,51 — 38.301.958,50 = 228.000,01) + 228.000,01 = 277.500,02.” Em seu recurso a Recorrente insiste em que os valores informados em sua DIPJ estão corretos. Entendo não haver como ratificar o ajuste procedido pela DERAT e confirmado pela DRJ. Se a autoridade fiscal que realizou a diligência no estabelecimento do sujeito passivo atestou, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações relativas à PIS e Cofins prestadas na DIPJ, não poderia a autoridade, sem maior aprofundamento, e sem, pelo menos, pedir esclarecimento ao contribuinte a respeito da divergência, concluir que o valor informado na DIPJ está errado, e que o correto é o valor informado na DACON. Vejase que o valor das Receitas de Bens e Serviços informado na DIPJ (portanto, oferecidas à tributação) totaliza R$ 506.973.138,28 (35.683.787,23 + 471.289.351,05), enquanto que o valor informado em DACON totaliza R$ 503.972.928,28. Qual seria, nesse caso, a receita correta? Podese afirmar que a receita oferecida à tributação na DIPJ foi maior que a efetiva, simplesmente porque ela é superior à informada em DACON? Dessa forma, entendo não estar suficientemente fundamentado o ajuste procedido pela DERAT. 2Ajuste na receita. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 18 17 Esse ajuste está relacionado com o item da diligência que determinou fosse verificado “Se os rendimentos correspondentes ao IRRF retido por órgão público, dedução informada na linha 13 da Ficha 12A, fl. 28, foram oferecidos à tributação”. Constou do Relatório de Diligência: Inicialmente cabe esclarecer que a Receita de Vendas e Serviços é contabilizada pelo regime de competência e a retenção do IRRF por ocasião do pagamento das duplicatas, ou seja, pelo regime de caixa. Ou seja, não é possível efetuar uma comparação direta entre a Receita de Vendas e Serviços e os valores do IRRF por ocasião do pagamento das duplicatas pelos clientes. Desta forma, os exames foram iniciados pela análise de um demonstrativo analítico preparado pelo contribuinte, no qual constam os valores de IRPJ, CSLL, PASEP e COFINS retidos no ano de 2006 (fls. 77). Com base nele, selecionei os clientes com valor de retenção total acima de R$ 20 mil (99,89% do total) e efetuei um comparativo entre o somatório das duplicatas em aberto em 31/12/2005 (obtidas em listagem do setor de contas a receber) e os valores faturados em 2006 (fls. 78) com aqueles recebidos em 2006 constantes nas DIRF das fontes pagadoras. Procedimento semelhante foi adotado em relação aos impostos retidos, onde comparei os valores constantes nos livros contábeis com aqueles constantes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (fls.79 a 100). 0 resultado desta análise encontrase no Anexo a este Termo de Diligência (devese atentar que os valores estão expressos em milhares de reais e que as colunas do Imposto Retido englobam não apenas o IRPJ, mas também CSLL, PASEP e COFINS). Com base neste Anexo, concluo que os valores dos rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras nas DIRF (fls. 79 a 100) são coerentes se comparados com aqueles faturados em 2006 e somados às duplicatas em aberto em 31/1212005, com exceção do cliente Sun Microsystem do Brasil Indústria e Comércio Ltda. –CNPJ 65,497.745/00153, que informou o pagamento de R$ 4.967 mil sob Contribuições Pagamento de PJ a PJ de Direito Privado CSLL/PIS/COFINS). A informação da fonte pagadora difere a maior em R$ 460 mil das informações constantes na contabilidade da Cobra Tecnologia S/A.” Em relação ao cliente Sun Microsystems, o Anexo ao Termo de Diligência (fl. 118) consigna (valores em milhares de cruzeiros): Duplicatas a receber em 31/12/2005 25 Faturamento em 2006 (contábil) 4.482 Total 4.507 Recebimento em 2006 (DIRF) 4.967 Diferenças (460) Impostos retidos em 2006 (Contábil) 295 Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 19 18 Impostos retidos em 2006 (DIRF) 295 Diferenças de Impostos Retidos (Contábil x DIRF) O Despacho Decisório acolheu a informação da autoridade fiscal, no Relatório de Diligência, no sentido de que: “(...) verificouse que a interessada não ofereceu à tributação o valor de R$ 460.000,00, correspondente à diferença apurada entre as informações fornecidas pela fonte pagadora (fl. 94) e a respectiva contabilização, planilha de fl. 78. Portanto, devese adicionar à base de cálculo do IRPJ o valor de R$ 460.000,00, tendo em vista que a dedução do IRRF encontrarse condicionada às receitas que compuseram a determinação do lucro real, conforme preceitua o inciso III do § 4° do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996 (...)”. Na Manifestação de Inconformidade a interessada esclareceu: 13. Com relação ao cliente Sun Microsystem do Brasil Indústria e Comércio Ltda. CNPJ 65.497.7451000153, este informou o pagamento de R$ 4.967.000,00 (quatro milhões, novecentos e sessenta e sete mil reais) sob o código 5952 (Retenção de Contribuições Pagamento de PJ a PJ de Direito Privado — CSLPIS/COFINS), sendo que esta informação diferiu a maior em R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais) das informações constantes na contabilidade da Recorrente, ora Cobra Tecnologia. 14. Em análise aos registros de Contas a Receber, verificouse que algumas Notas Fiscais de Faturamento foram baixadas do sistema em dezembro de 2005, sendo que os respectivos impostos foram baixados posteriormente entre os meses de janeiro e março de 2006, ocasionando um saldo a menor nas Contas a Receber do cliente em questão, tanto que não há divergência no pagamento dos impostos, conforme confronto entre o contábil da Recorrente e a DIRF da Fonte Pagadora, informações estas constantes às fls. 115 do referido Relatório de Diligência. 15. Apenas como complemento e para auxílio na consulta à DIRF da Fonte Pagadora, segue a relação das referidas Notas Fiscais: n°s 122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041 em comento.” A decisão recorrida confirmou o Despacho Decisório, com seguinte motivação: “ 32 (...). Salvo disposição de lei em contrário, na apuração do lucro real, a totalidade das receitas e rendimentos auferidos deve ser oferecida à tributação. 33 Em sede de Manifestação de Inconformidade, as alegações devem ser instruídas com a documentação correspondente (art.16 do Decreto n° 70.235, de 1972). 34 As alegações do interessado não podem ser opostas ao apurado em sede de procedimento fiscal (nosso item 28), porque Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 20 19 não vieram instruídas com a documentação correspondente. Aliás, o interessado não informa se juntou aos autos as notas fiscais que expressamente relaciona (nosso item 31). 35 Ante a isso, o Despacho Decisório deve ser mantido. A diferença apurada pela autoridade diligenciante encontrase adequadamente fundamentada, e corresponde à diferença entre os valores dos pagamentos feitos em 2006 pela Sun Microsystems, declarados na DIRF, e o somatório das duplicatas em aberto em 31/12/2005 (obtidas em listagem do setor de contas a receber) com os valores que o contribuinte informou ter faturado em 2006 (planilha de fl. 78). A interessada não logrou invalidar a conclusão (fundamentada) da autoridade fiscal, expressa no relatório de diligência e confirmada pelo Despacho Decisório. Embora tenha alegado que a divergência devesse ser atribuída a equívoco no saldo de “contas a receber” em 31/12/2005, nada trouxe para comprovar esse equívoco. Observese que na Manifestação de Inconformidade a interessada menciona que “Apenas como complemento e para auxílio na consulta à DIRF da Fonte Pagadora, segue a relação das referidas Notas Fiscais em comento: 122987, 122988, 123007, 123008, 123011, 123033, 123034, 123035 e 123041” (negritos apostos). E, não obstante a Decisão de Primeira Instância tenha registrado que as alegações da interessada não poderiam ser acolhidas porque não vieram instruída com a documentação correspondente, em sede de recurso a Recorrente repete as alegações, e continua não trazendo as referidas notas fiscais. É de ser mantido o ajuste efetuado 3 Provisões não dedutíveis. No Relatório de Diligência, às fls. 116, lêse que "foram constatadas no balancete de dezembro de 2006 algumas contas de provisões cujo efeito no resultado não foi adicionado ao LALUR, o que poderia estar afrontando o artigo 299 e o art. 13 da Lei 9.249/95, que determina que, neste caso, somente são dedutíveis as provisões para férias/décimo terceiro de empregados e devedores duvidosos". (destaquei). Ressalto que a autoridade fiscal não se manifestou conclusivamente sobre o efeito dessas provisões na apuração do lucro real, mas apenas mencionou a possibilidade de afronta ao art. 13 da Lei nº 9.249/95. O Despacho Decisório assenta que “a diligência constatou que a interessada deixou de adicionar ao LALUR o montante de (...) correspondente às provisões indedutíveis, conforme explicitado às fls. 116 e 117.”, e promove o ajuste mediante adição. A Decisão de Primeira Instância confirmou o despacho decisório, que considerou indedutíveis os valores mencionados no Relatório de Diligência como “efeito no resultado” dos valores contabilizados como “Provisão para Perdas INSS”, “Provisão para custo dos fornecedores”, “Provisão para licença prêmio” e “INSS a Recuperar”. Antes de analisar cada uma das provisões adicionadas, individualmente, destaco que não é determinante na dedutibilidade a designação (título) da conta que recebeu o registro contábil do fato, mas sim sua natureza. Assim, se o encargo foi registrado como provisão, mas de fato não tem essa natureza, não se pode taxálo de indedutível por não Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 21 20 constar, referido título, entre as provisões expressamente autorizadas pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95. 3.1) Provisão para Perdas de ISS A diligência aponta que a conta se refere "a retenções de ISS pelos clientes, decorrente de serviços prestados em municípios onde a Cobra Tecnologia S/A. não possui filiais, não sendo possível compensar esta retenção”. Alega o Recorrente tratarse de perdas efetivas, uma vez que na conta Provisão para Perdas com ISS registrou as retenções de ISS efetuadas pelo Banco do Brasil “em municípios nos quais a Cobra Tecnologia S.A. não possui estabelecimentos e, por esta razão, não pode, ou não consegue, compensar o tributo, uma vez que, conforme determinado em lei, somente há a possibilidade de se efetuar a compensação nas localidades onde o Contribuinte possuir estabelecimento, o que não ocorreu no caso em questão”. Diferentemente do que entendeu o julgador a quo, reputo que a correspondência anexada pelo contribuinte são indicativos de que estava ocorrendo duplicidade de recolhimento do ISS, com impossibilidade de compensação, caracterizando perda efetiva. A conferir: Ofício da Cobra ao Banco do Brasil datado de 22/11/2007. Senhor Presidente: Por intermédio do relatório de auditoria Interna do Banco do Brasil no. BB 2005/0000117856, de 24.09.2005, foi constatada a duplicidade de recolhimento do ISSQN sobre os serviços prestados pela Cobra Tecnologia ao Banco do Brasil S.A. Evidencia se a duplicidade de recolhimento do ISSQN acima mencionada, em razão da seguinte situação fática: a) A Cobra Tecnologia recolhe o ISSQN aos Municípios onde estão localizados os seus Centros de Atendimento Técnico, estabelecimentos que emitem as notas fiscais de serviço. b) 0 Banco do Brasil S.A. retém e recolhe o ISSQN aos Municípios onde o serviço é prestado, sob alegação de responsável tributário e onde alegadamente a legislação permite; c) Os comprovantes de retenção remetidos pelo Banco do Brasil S.A à Cobra Tecnologia S.A., não comprovam o Município para o qual o tributo foi recolhido. . d) A falta de comprovação aludida na alínea "c" supra, inviabiliza que a Cobra Tecnologia compense os valores recolhidos. (...) Assim, face às razões ora expendidas; solicitamos: Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 22 21 a) Revisar a prática de retenção do ISS na fonte, aplicada sobre as faturas da Cobra; b) Estudar em conjunto com a Cobra a forma de recuperação dos valores retidos e recolhidos para municípios onde a Cobra não possui estabelecimentos, e, c) Apresentar todas as guias, de recolhimento de ISSQN nos municípios em que a Cobra possui estabelecimentos, priorizando os municípios de Natal e Maceió, visando suportar defesa da Cobra que compensou os valores retidos com base em planilhas eletrônicas fornecidas pelo BB. Resposta do Banco do Brasil: Em resposta ao Ofício CE PRESI 08112007, e 22.11.2007, questionando a prática de retenção e recolhimento do ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) na fonte, esclarecemos: O Banco do Brasil retém e recolhe ISSQN sobre os serviços prestados pela Cobra Tecnologia S.A, em razão de o Município atribuirlhe a responsabilidade, por substituição tributária, conforme determinado pelas legislações municipais. (...) Em relação ao item "b" do Ofício, entendemos que a questão do recolhimento em duplicidade, no local do domicílio do prestador e na localidade onde o serviço é prestado, é recorrente para diversos prestadores de serviços que a enfrentam nos tribunais e na esfera administrativa, e somente essa Controlada tem legitimidade de pleitear a compensação/restituição do imposto recolhido a maior junto aos entes municipais. Quanto ao item "c", a Diretoria de Logística do Banco manifestou que, desde o final do ano de 2005, é enviado a essa empresa, mensalmente, um relatório detalhado contendo os prefixos das agências e os valores de ISS retidos pelo Banco nos pagamentos efetuados, (arquivo BBM.CDA.9912 .D8613.data.ISS Cobra). Os valores especificados no referido arquivo são recolhidos, de forma manual, aos municípios pelas dependências usuárias dos serviços ou pelos Centros de Suporte Logístico (CSL), no caso de procedimento efetuado centralizadamente. Para que sejam fornecidos os comprovantes de recolhimento do ISSQN ou Declaração informando a conta da Prefeitura e a data que foram realizados os respectivos recolhimentos, a Diretoria de Logística solicita a essa empresa o envio de cópia dos arquivos "BBM.CDA.9912.D8613.data.ISS Cobra", relativo ao período questionado. Esse pedido é motivado pelo fato desses arquivos serem "murchados" dos módulos de consulta de nosso sistema após 15 dias; sendo então necessária a recuperação pela área tecnológica do Banco, cuja estimativa de atendimento mínimo é de 30 dias. Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 23 22 Informa, também, que como a localização dos comprovantes é efetuada nas dependências de forma manual, não tem como estimar o prazo para entrega. Se a autoridade fiscal, que compareceu ao estabelecimento do sujeito passivo e procedeu à diligência mediante exame da escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, informou (fls. 116) que a “Provisão para Perdas com ISS (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de ISS pelos clientes, decorrente de serviços prestados em municípios onde a Cobra Tecnologia S/A não possui filiais, não sendo possível compensar esta retenção”, entendo ser inegável a natureza dos valores registrados como “perda efetiva”. Logo, entendo que não procede o ajuste o ajuste efetuado pela DERAT. 3.2) Provisão de Custo de Fornecedores Esse seria um caso típico de equívoco na denominação da conta. Conforme consigna o Relatório de Diligência, o contribuinte registra na conta de passivo circulante 21219905 – Estimativas de Custos de Fornecedores, as exigibilidades cujos valores exatos não são conhecidos (provisão que adiciona no LALUR), e na conta de passivo circulante 21219901 os valores dos serviços prestados num ano com faturamento pelos fornecedores para o ano seguinte. Eis o que consta do Relatório de Diligência: “Conta 21219901 Provisão de Custos de Fornecedores (passivo circulante fls. 50): referese a serviços prestados em 2006, com faturamento pelos fornecedores em 2007. O contribuinte alega que as receitas correspondentes foram reconhecidas em 2006 e utiliza este critério em obediência ao princípio contábil da competência. Ao constituir esta provisão, o contribuinte alega já conhecer o valor exato das exigibilidades, ao contrário dos valores registrados na conta de passivo circulante 21219905 Estimativas de Custos de Fornecedores, cujo valor da provisão é adicionado ao LALUR (fls. 50 e 76).” Temse, pois, que a Conta 21219901 não tem a natureza de provisão, tratandose de conta destinada a registrar custos a pagar. A decisão de primeira instância argumenta que não há prova inequívoca de que a contabilização como provisão se deu em atendimento ao regime de competência, ou de que se tratou de gasto indevidamente classificado como provisão. Ponderou o Relator ser ônus do interessado, sob pena de preclusão, instruir a impugnação/manifestação de inconformidade com os registros contábeis e os documentos com os quais pretende fazer prova de que tem direito líquido e certo à restituição. É fato que é ônus do contribuinte provar que tem direito líquido e certo ao crédito pleiteado. Contudo, não é possível desconsiderar princípios inderrogáveis que devem orientar a atividade da Administração Pública. A Lei nº 9.784, de janeiro de 1999, que rege o processo administrativo federal estabelece. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 24 23 “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, entre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. (...) Art. 29 As atividades de instrução destinadas a averiguar comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. (...)§ 2o Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para eles. (...) Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A Instrução Normativa 900/2008 prestigia esses princípios e regras ao prever a possibilidade de realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. De fato, em se tratando de comprovar a legitimidade do saldo negativo informado na DIPJ, não é razoável pretender a juntada aos autos da escrituração contábil e fiscal e documentos que o comprovam. Por isso ha previsão na legislação para que “as atividades de instrução destinadas a averiguar comprovar os dados necessários à tomada de decisão” sejam realizadas de ofício. Se no cumprimento da diligência para averiguar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, a exatidão do saldo negativo informado, a autoridade fiscal aponta a existência das duas contas acima referidas (Provisão de Custos de Fornecedores e Estimativas de Custos de Fornecedores), e registra que o contribuinte informou que a primeira recebe os valores dos custos incorridos cujo valor exato já é conhecido, faturados pelos Fl. 2548DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 25 24 fornecedores no ano seguinte, sem refutar essa informação, é de se presumir que a confirmou. De fato, em se tratando de dado importante para verificação da exatidão do saldo negativo (objetivo da diligência), não se concebe que a autoridade fiscal, que teve acesso às escriturações contábil e fiscal do contribuinte e aos documentos que as respaldam, não fizesse constar no Relatório que a informação prestada pelo contribuinte não encontra respaldo na documentação. Se não o fez, é porque confirma a destinação da conta. Sendo assim, não é de ser mantido o ajuste efetuado. c.3 ) Provisão para Licença Prêmio Tratase de provisão constituída com base em Acordo Coletivo de Trabalho, que prevê o pagamento, a cada período de 5 (cinco) anos de vigência do contrato de trabalho, de uma licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, que pode ser convertida em pecúnia. Junta cópia de Acordo Coletivo de Trabalho, cuja cláusula 5ª dispõe: A Cobra pagará, a cada cinco anos de vigência do contrato de trabalho, ao empregado admitido até 03 de outubro de 1996, licença prêmio de 30 (trinta) dias consecutivos, a ser gozada no período mais conveniente para o Empregado e para a empresa, podendo esta, a seu critério, converter a concessão em pecúnia, mediante solicitação do empregado. Parágrafo Único Em caso de desligamento do empregado, seja por iniciativa própria, por dispensa sem justa causa, ou por aposentadoria, a licença prêmio dos períodos a que faça jus será covertida em pecúnia, garantido a proporcionalidade à razão de 1/5 do valor da licença, por ano trabalhado, após cinco anos do efetivo exercício na empresa. A Recorrente argumenta que a licença prêmio representa uma provisão de despesa certa a ser por ela despendida, possuindo a mesma natureza do 13º salário. Traz jurisprudência a atos administrativos no sentido da não incidência do imposto de renda sobre o pagamento de licença prêmio convertida em pecúnia (para justificar a dedutibilidade da provisão pelo valor integral da provisão). A conta em comento tem por objetivo apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provavelmente ocorrerão no futuro (na hipótese de conversão da licença em pecúnia, admitida na Convenção). Sua natureza, efetivamente, é de provisão, pois representa expectativa de obrigação. A base de cálculo do imposto de renda tem como ponto de partida o resultado apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404/76 (DL 1.598/77art. 6º e art. 67, inciso XI). Nesse passo, deve estar respaldada por uma escrituração mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (Lei 6.404/76, art. 177). Fl. 2549DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 26 25 O resultado contábil é o ponto de partida, e ele deverá sofrer os ajustes decorrentes da legislação tributária. Como regra geral, a legislação do imposto de renda admite a dedução das despesas operacionais no período. Contudo, para as provisões, essa dedução de acordo com o regime de competência é exceção, eis que o art. 3º do Decretolei nº 1.730/79 condicionou a dedutibilidade à previsão expressa na legislação tributária. A Exposição de Motivos relativa a essa norma justifica: "21 O artigo 3° do projeto define que, para efeitos fiscais, somente serão dedutíveis as provisões expressamente admitidas pela legislação tributária. É que, com a adoção generalizada do regime de competência para apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, algumas provisões passaram a ser necessárias do ponto de vista contábil, não devendo, todavia, ser admitidas para efeitos fiscais, visto como, muitas vezes, são constituídas por valores apenas estimados. Estando o contribuinte obrigado a adotar o regime de competência na apuração do lucro líquido, certamente contabilizará algumas provisões fundamentadas em simples estimativas. A ausência de uma disposição legal, no sentido de serem dedutíveis as provisões expressamente autorizadas, provoca inevitáveis controvérsias entre o fisco e o contribuinte. Para os feitos do artigo 3°, o livro de apuração do lucro real será usado para serem feitos os necessários ajustamentos no lucro líquido de cada período.” Até 31/12/95 a provisão para pagamento de licença prêmio a empregado tinha sua dedutibilidade assegurada pela Portaria MF nº 434/1987, editada com base no art. 31 do Decretolei nº 2.341/87, que permitiu ao Ministro da Fazenda autorizar a dedutibilidade, para efeito de apuração do lucro real, de outras provisões, além das expressamente admitidas. Contudo, a Lei nº 9.249, de 1995, vedou a dedução de qualquer provisão que não estivesse expressamente prevista no seu inciso I, in verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) Ao argumentar que se trata de “provisão de despesa certa” pretende, o Recorrente, atribuir aos valores de que se trata a natureza de “despesa incorrida”, e não de “provisão”, o que justificaria sua não submissão à vedação do inciso I do art. 13. Fl. 2550DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 27 26 Ocorre que as despesas somente são consideradas como incorridas quando forem definitivamente devidas, livres de toda e qualquer condição que lhes modifique o caráter definitivo, assim como após estarem devidamente quantificadas. E esse não é o caso da provisão para licença prêmio, que embora seja uma despesa certa, no sentido de que efetivamente será paga, ela só será devida após decurso de cada período aquisitivo (cinco anos), que é a condição prevista no Acordo Coletivo de Trabalho. Correto, pois, o ajuste efetuado. c.3 ) Perdas de INSS. O Relatório de Diligência aponta: Conta 11440701 INSS a Recuperar (ativo circulante fls. 45): referese a retenções de INSS pelos clientes, que o contribuinte alega a impossibilidade de compensação. Neste caso, não há a constituição de uma provisão, tal qual na conta de Perdas com ISS, sendo as perdas registradas em contrapartida à conta de resultado 334199 Perdas INSS (fls. 56). (destaquei) Como visto, inobstante a autoridade fiscal tenha mencionado que “foram constatadas, no balancete de dezembro de 2006, algumas contas de provisões cujo efeito no resultado não foi adicionado ao LALUR, o que poderia estar afrontando o artigo 299 do RIR/99 e o artigo 13 da Lei 9.249/95”, e incluído, entre as “provisões constatadas”, a Conta 11440701 INSS a Recuperar, a mesma autoridade diz, literalmente, que nesse caso não há constituição de provisão, sendo as perdas registradas diretamente à conta de resultado. Impertinente, pois, vincular a adição a descumprimento do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Por outro lado, não houve nenhuma manifestação (ou questionamento), por parte da fiscalização, a respeito efetividade da perda (impossibilidade de compensação). A decisão de primeira instância menciona que a parcela "Perdas INSS", no valor de R$ 1.434.052,11 está incluída no custo dos serviços revendidos (no “Custos de Serviços Prestados no País” Assistência Técnica, Hardware). Aduz que no balancete de dezembro de 2006 a conta de Ativo "INSS a Recuperar" está com saldo zero, e que a contrapartida do crédito foi débito de custo ("Perdas INSS"). Argumenta que, além de o interessado não juntar prova da irrecuperabilidade, inexiste previsão legal para que tais perdas integrem o custo dos serviços vendidos, e que impostos recuperáveis não integram custos de produção e serviços. No recurso a interessada reafirma tratarse de valores retidos por seus clientes a título de INSS, que ficou impossibilitada de compensar, e acrescenta: “Há alguns anos a Recorrente tenta reverter esta situação, para que lhe seja reconhecido o direito à compensação das contribuições previdenciárias. Inclusive, foi ajuizada Ação Ordinária em face do INSS pleiteando a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de retenção de 11% ao INSS sobre faturas de prestação de serviços de cessão de mãodeobra . Este processo foi autuado sob o n° 2008.51.01.0136390 e distribuído ao MM. Juízo da 30a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (RJ) e, atualmente, encontrase em fase de produção de provas (doc. 6, anexo).” Fl. 2551DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 28 27 Reportandose ao art. 289 do RIR/99, a decisão recorrida afirma que “impostos recuperáveis não integram custos de produção e serviços”, O § 3º do art. 289 do RIR/99 prevê que “não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal”. Não é possível saber se a origem das perdas contabilizadas foi explicada ao auditor fiscal que procedeu à diligência, pois nada ficou registrado no respectivo Relatório. A autoridade fiscal não questiona a contabilização, nem explica sua motivação para sugerir a adição, limitandose a mencionar que sua não adição pode representar infração ao art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95. A cópia da exordial da ação judicial juntada ilustrativamente com o recurso, às fls. 1837 e seguintes, embora possa nem ter conexão direta com este processo, é indicativa de que as perdas referemse a tributos retidos (INSS) não recuperáveis através de crédito na escrita fiscal pelo fato de sempre superarem os débitos. Exemplificando: O contribuinte auferiu receita de 1000 unidades monetárias, tendo recebido do cliente 890 u.m, por ter sido retido INSS no valor de 110 u.m. (11%). A contabilização seria 1000 a crédito de receita de prestação de serviço, tendo como contrapartida 890 a débito de caixa/banco e 110 a débito de INSS a Recuperar. Essa conta INSS a Recuperar receberia os créditos de INSS a recolher, relativo às contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. O saldo não compensado (por superar o total das contribuições devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados), representa tributo não recuperável através de crédito na escrita fiscal”, integrando, sim, o custo do serviço vendido. Esse parece ter sido o procedimento adotado pelo contribuinte, pelo que se infere do balancete de dezembro de 2006 (fls. fls.45), em que a conta “INSS a Recuperar tinha um saldo inicial de R$ 1.124.611,81, recebeu um débito no mês de R$ 136.166,98, sendo o saldo (R$ 1.260.778,79) zerado em contrapartida de resultado (custo dos serviços vendidos) como perda de INSS. Se a conta de ativo (INSS a Recuperar) aparece “zerada”, não há que se falar em possibilidade de recuperação. Na eventualidade de um pedido restituição (administrativo ou judicial) e posterior sucesso, o valor recebido deverá ser contabilizado como “recuperação de custos”, sujeito à incidência de IRPJ e CSLL, conforme entendimento expresso no art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 24 de dezembro de 2003, in verbis; “Art.1° Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL.” Assim, além de não se justificar a adição a título de ofensa ao art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, como entendeu o Despacho Decisório da DERAT, por não se tratar de Fl. 2552DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 29 28 provisão, também não restou demonstrada a improcedência da contabilização como perda, como entendeu a decisão recorrida. Portanto, ao meu sentir, não procede o ajuste efetuado. 4 Dedução do IRF retido por órgãos públicos. A autoridade administrativa da DERAT calculou as retenções de IRF sofridas pelo interessado, aplicando, sobre os valores informados nas DIRFs, os percentuais fixados na Instrução Normativa SRF n° 539, de 25 de abril de 2005, e, a partir desse resultado, ajustou os valores informados pelo contribuinte em sua DIPJ. O contribuinte nada trouxe para desconstituir os valores apurados pela autoridade administrativa, limitandose a afirmar, tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso, que os impostos retidos pelas fontes pagadoras em 2006 são coerentes com aqueles registrados nos livros contábeis, e sendo assim, não há como acolher seu inconformismo tão somente com base em meras alegações. 5Erro no cálculo Como último ponto, alega o contribuinte erro cometido pela fiscalização, e confirmado pela decisão recorrida, de não ter considerado o aumento do limite para compensação de prejuízos, em função do aumento do lucro real antes da compensação. De fato, a alteração para maior da base de cálculo possibilita um maior aproveitamento de prejuízos a compensar, que é suportado pelo saldo de prejuízos operacionais a compensar evidenciado no demonstrativo de fls. 29 (R$ 21.137.481,58). Assim, os ajustes ficam assim definidos: FICHA 9A Rubrica Valores em DIPJ (fl. 23) Valores alterados pela DERAT Valores segundo o resultado do julgamento DRJ Valores segundo o presente julgamento lucro líquido 3.473.829,56 3.751.329,58 3.751.329,58 3.473.829,56 receita + 460.000,00 . + 460.000,00 460.000,00 provisões não dedutíveis + 31.982.769,22 . + 31.982.769,22 70.379,60 Provisões para contingências + 5.618.200,44 0,00 0,00 Lucro real antes compensação 17.181.527,08 55.519.996,76 49.901.796,32 17.711.906,68 Compensação de prejuízo (5.154.458,12) (5.154.458,12) (5.154.458,12) 5.313.572,00 Lucro real após compensação 12.027.068,96 50.365.538,64 44.747.338,20 12.498.334,68 Cálculo do imposto DIPJ (fl. 28) Derat (fl. 153) DRJ CARF Fl. 2553DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 15374.724301/200906 Acórdão n.º 1301001.194 S1C3T1 Fl. 30 29 Linha 01 alíquota 15% 1.804.060,34 7.554.830,80 6.712.100,73 1.874.750,20 Linha 02 Adicional 10% 1.178.706,90 5.012.553,86 4.450.733,82 1.225.583,34 Linha 04 ( ) PAT (72.162,41) (72.162,41) (72.162,41) (72.162,41) Linha 12 ( ) IRRF órg. públicos (19.460.096,90) (18.564.069,26) (18.564.069,26) (18.564.069,26) Linha 18 – IR a pagar (16.549.492,07) (6.068.847,01) (7.473.397,12) (15.535.898,13) Conforme exposto, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 fica retificado para R$ 15.535.898,13. Considerando que, desse valor, a DERAT já reconheceu e restituiu ao interessado o valor de R$ 6.068.847,01, e a DRJ já reconheceu o montante de R$ 1.404.550,11, DOU provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 8.062.501,01. É como voto. Sala das Sessões, em 07 07 de maio de 2013 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2554DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PL INIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923791/2009-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 91 /2 00 9- 80 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923791/200980 Acórdão n.º 3801001.974 S3TE01 Fl. 108 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa às fls. 1/2, transmitida eletronicamente pela empresa Santos Brasil S/A com o propósito de compensar débito próprio com suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior que teria realizado em 14/11/2000. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 3, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Inconformada, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade anexa às fls. 7/19, na qual alega em síntese que: a.a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b.a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora (vejase cópia em anexo); c.não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d.além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que — em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública — afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e.em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f.a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea — situação que, nos termos do art. 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923791/200980 Acórdão n.º 3801001.974 S3TE01 Fl. 109 3 consoante atestam a jurisprudência e a doutrina que ora traz à colação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 73/77, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS' Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 98 a 118, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923791/200980 Acórdão n.º 3801001.974 S3TE01 Fl. 110 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de outubro/2000, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre/2000, conforme cópia às fls. 68/69. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, ressalvada a uma planilha demonstrativa à fl 70. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923791/200980 Acórdão n.º 3801001.974 S3TE01 Fl. 111 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN SRF 460/2005, vigente à época, que disciplina o procedimento de compensação, previa no seu art. 30 que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela tratamse de débitos já declarados pelo contribuinte, e não recolhidos, ou seja, o Fisco já tinha conhecimento do fato gerador, por intermédio da declaração efetuada pelo sujeito passivo, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Esse entendimento que é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive, deu ensejo à publicação da Súmula STJ 360: Súmula 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923791/200980 Acórdão n.º 3801001.974 S3TE01 Fl. 112 6 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10665.001243/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/04/2006
COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. STF/RE 566.621.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário.
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO AO FISCO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme Súmula n° 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição, conforme entendimento consolidado no STJ até o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, de que o prazo para a repetição do indébito era de 10 (dez) anos a contar do seu fato gerador, considerando a aplicação combinada dos arts. 150 §4º , 156 inciso VII, e 168 inciso I, do Código Tributário Nacional. A compensação, no período de obrigatoriedade de entrega da GFIP, somente será homologada se as GFIP's originárias tiverem sido retificadas até a data do início do procedimento fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que as GFIPs podem ser retificadas até o fim do prazo prescricional. Os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini e Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiram quanto ao mérito,concedendo provimento ao recurso.
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta.
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 30/04/2006 COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. STF/RE 566.621. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO AO FISCO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Conforme Súmula n° 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição, conforme entendimento consolidado no STJ até o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, de que o prazo para a repetição do indébito era de 10 (dez) anos a contar do seu fato gerador, considerando a aplicação combinada dos arts. 150 §4º , 156 inciso VII, e 168 inciso I, do Código Tributário Nacional. A compensação, no período de obrigatoriedade de entrega da GFIP, somente será homologada se as GFIP's originárias tiverem sido retificadas até a data do início do procedimento fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que as GFIPs podem ser retificadas até o fim do prazo prescricional. Os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini e Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiram quanto ao mérito,concedendo provimento ao recurso. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta. ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
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PRAZO PRESCRICIONAL. STF/RE 566.621. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário. COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO AO FISCO APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Conforme Súmula n° 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição, conforme entendimento consolidado no STJ até o advento da Lei Complementar n.º 118/2005, de que o prazo para a repetição do indébito era de 10 (dez) anos a contar do seu fato gerador, considerando a aplicação combinada dos arts. 150 §4º , 156 inciso VII, e 168 inciso I, do Código Tributário Nacional. A compensação, no período AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 12 43 /2 00 9- 41 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 de obrigatoriedade de entrega da GFIP, somente será homologada se as GFIP's originárias tiverem sido retificadas até a data do início do procedimento fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que as GFIP’s podem ser retificadas até o fim do prazo prescricional. Os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini e Juliana Campos de Carvalho Cruz divergiram quanto ao mérito,concedendo provimento ao recurso. LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta. ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 185 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário. O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.024.1827, lavrada em 31/08/2009, que constituiu crédito tributário relativo à glosa de compensação efetuada em desacordo com a legislação vigente, no período de 02/2005 a 04/2006. De acordo com Relatório Fiscal e planilhas de fls. 19/31, houve compensação da contribuição patronal na alíquota de 21% incidente sobre os valores pagos a título de subsídios aos agentes políticos (prefeito, viceprefeito e vereadores), recolhida nas competências 02/1998 a 04/2004. As compensações foram realizadas pelo Município nas competências 10/2004 a 04/2006. A própria fiscalização indicou os valores que entende que o município teria direito de compensar e que são relativas às competências 09/1999 a 10/2002 (não prescritas). Todavia, observa que o exercício do direito deveria ter ocorrido dentro do prazo prescricional de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive com a retificação das GFIP´s, o que nem sempre ocorreu. Assim, os fundamentos da glosa foram (1) que parte dos valores compensados pelo município a partir de 10/2004 teriam sido alcançados pela prescrição (referentes a 02/1998 a 08/1999) e; (2) que parte dos valores recolhidos e depois compensados pelo município, declarados em GFIP, não foram excluídos das GFIP´s da competência do recolhimento pelo Município. Assim, as compensações feitas pelo Município somente foram acolhidas pela Fiscalização para os valores recolhidos no período de 09/1999 a 10/2002, não abrangidos pela prescrição, e cujas remunerações não estavam declaradas em GFIP, conforme planilha dos autos. Após tomar ciência do Auto de Infração, a recorrente apresentou impugnação, fls. 34/41, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Foi determinada diligência fiscal pelo Despacho da DRJ de fls. 122 para esclarecer: * se as GFIP´s retificadoras excluíram todas as remunerações do período considerado para ter direito às compensações realizadas de 02/2005 a 04/2006; * se as GFIP´s retificadoras apresentadas em 04/2010 validam a compensação feita anteriormente pelo município nas competências 02/2005 a 04/2006; * se na constituição do crédito já foi considerado o parcelamento alegado pelo município, que teria período coincidente com do presente lançamento; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 A resposta aos quesitos supra mencionados está às fls. 125 e confirma, em síntese: que as GFIP´s foram retificadas, excluindose todas as remunerações dos agente políticos no período do Auto de Infração; nas GFIP´s de 02/2001 a 09/2004 consta a remuneração de Lécio Rodrigues de Souza, servidor efetivo e não agente político; as retificadoras foram transmitidas após as compensações efetuadas, contrariando a IN n° 15/2006, de sorte que não validariam as compensações efetuadas pelo município; o parcelamento já havia sido considerado no cálculo do Auto de Infração, constando do Discriminativo Analítico do Débito de fls. 05/06; Conclui, assim, que não caberia nenhuma retificação a ser feita no lançamento. A prefeitura foi cientificada da diligência e do seu resultado, sendo reaberto prazo para manifestação, conforme AR de fls. 126, que indica o recebimento em 28/09/2010. Em 22/11/2010, foi apresentado aditamento à defesa, quando foram repetidos os mesmos argumentos da impugnação anterior, acrescentando a crítica às conclusões da informação fiscal. A 7ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, no Acórdão de fls. 145/154, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito constituído. Em suma, o órgão a quo decidiu que o prazo prescricional para a compensação contase em cinco anos do pagamento, sendo a compensação condicionada à retificação das GFIP´s, para excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados nas competências de janeiro de 1999 a agosto de 2004, bem como a remuneração proporcional ao período de 1° a 18 de setembro de 2004. Considerou ainda que não poderia haver compensação antes da edição da Resolução n° 26 do Senado Federal, de 21 de junho de 2005 (DOU de 22 de junho de 2005). Assim, de forma alguma, poderiam ser aceitas as compensações realizadas entre as competências 10/2004 e 06/2005. Considera que a decisão no Recurso Extraordinário n° 351.7171, que ensejou a já aludida Resolução, somente produziu efeito entre as partes do respectivo processo. Informa que a ADIn invocada como razão da compensação (ADIn n° 3.073/2003) pelo município encontrase “aguardando julgamento”, de sorte que não há que se falar em ADIn que tenha declarado inconstitucional a contribuição previdenciária dos agentes políticos. Outrossim, importa destacar que ficou firmado que as GFIP´s retificadoras não amparariam o pleito da recorrente, visto que, ao tempo das compensações as GFIP`´s não espelhavam a realidade fática do órgão público e, conforme Súmula n° 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Quanto à ausência de determinação legal, à época das compensações realizadas, para a retificação das GFIP´s, decidiuse que os contribuintes sempre foram obrigados a declarar corretamente todos os fatos geradores de contribuição em GFIP, sendo que a Instrução Normativa MPS/SRF n° 15, de 12/19/2006, foi editada em caráter interpretativo às disposições legais já há muito vigentes, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 186 5 no caso específico da devolução dos valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea h do inciso I do art. 12 Lei n° 8.212/91. Assim, considerando que as retificações somente foram feitas posteriormente às compensações, não haveria como validar a compensação realizada anteriormente. A recorrente foi intimada do Acórdão em 04/03/2011 (fls. 159), tendo apresentado Recurso Voluntário em 25/03/2011 (fls. 160/172), no qual: * Afirma que a glosa baseouse na Instrução Normativa MPS/SRF n° 15, de 12 de setembro de 2006, que foi editada posteriormente à compensação realizada pela recorrente, a qual teria atendido às disposições vigentes, em especial o que determinava o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 (artigos 247/254). Ressalta que o parágrafo 1° do artigo 251 do RPS/99 não previa a obrigatoriedade de prévia retificação da GFIP. Destarte, inaplicável a Súmula n° 33 do CARF (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício), até porque não se trata de declaração, mas de retificação de declaração anterior. Ademais, o município teria começado a realizar compensações a partir da competência 10/2004, época anterior à edição da Resolução do Senado n° 26, que é de 21 de junho de 2005 (DOU de 22 de junho de 2005). Esclarece que o que motivou suas compensações foi a decisão proferida na ADIn n° 3.073/2003 e que não concorda com o argumento estampado no acórdão a quo de que as empresas sempre estiveram obrigadas a declarar corretamente sua situação em GFIP; * Mostrase ainda irresignada, pois, em seu entender, se DRJ afirma que o município deveria retificar suas GFIP´s após a edição da Resolução do Senado e reconhece, por conseqüência, seu direito à compensação, não haveria nenhuma irregularidade no procedimento adotado pela recorrente, que retificou as GFIP´s após a Resolução. Afirma que há contradição no julgado, pois, teria havido reconhecimento do direito à compensação mesmo se exercido em período anterior à Resolução do Senado; * Assevera que cumpre as determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal e que as determinações dessa lei devem ser levadas em consideração, por tratarem de responsabilidade pelo patrimônio público, gestão fiscal e planejamento, sendo que o valor do crédito constituído afetaria o equilíbrio das contas públicas; * Aduz que já retificou as GFIP´s, excluindo todas as remunerações recebidas pelos agentes políticos dos referidos períodos em que ocorreram as compensações e, nos termos da informação fiscal que resultou de diligência determinada pelo órgão a quo, tais retificações já constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil – GFIPWEB. Assim, a sua conduta não poderia ser equiparada à de contribuintes que se omitem ou distorcem a verdade dos fatos por intermédio de declarações. A final, requer seja acolhido e julgado procedente o recurso. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Pressupostos Decisórios. De acordo com os elementos constantes dos autos, a compensação efetuada pela recorrente foi considerada indevida por dois motivos. (1) que os valores compensados pelo município a partir de 10/2004 teriam sido alcançados pela prescrição (referentes a 02/1998 a 08/1999); e (2) que os valores recolhidos e depois compensados pelo município, declarados em GFIP, não foram excluídos das GFIP´s da competência do recolhimento pelo Município. Assim, as compensações feitas pelo Município somente foram acolhidas pela Fiscalização para os valores recolhidos no período de 09/1999 a 10/2002, não abrangidos pela prescrição, e cujas remunerações não estavam declaradas em GFIP, conforme planilha dos autos. Todas as outras razões recursais estão afetas a esses dois pontos. Vejamos, primeiramente, o prazo prescricional: Prescrição. O direito à restituição de créditos tributários pagos indevidamente ou a maior foi regulamentado no Código Tributário Nacional, artigos 165 a 169, sendo que, se por algum motivo o imposto pago for superior ao previsto na lei, haverá indébito a repetir. No artigo 165 do CTN constam as hipóteses de restituição, sendo devida a devolução do tributo pago em desconformidade com as circunstâncias materiais ou em duplicidade, ou quando houver erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito. A restituição pode ser feita diretamente em moeda ou por compensação com tributos de mesma espécie, vencidos ou vincendos, que é o caso dos autos. Portanto, podese afirmar que a compensação é uma modalidade de restituição, aplicandoselhe, as mesmas regras relativas àquela. Fixou o artigo 168 do CTN o prazo de 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário, para a apresentação de requerimento de restituição de tributos que tenham sido pagos indevidamente ou a maior. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 inseriu no ordenamento jurídico norma tributária de natureza interpretativa, dispondo que a extinção do crédito tributário ocorrerá no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. Lei Complementar nº 118/2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 187 7 tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. Portanto, a princípio, a compensação de contribuições previdenciárias deve obedecer ao do prazo prescricional de cinco anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. Esse foi o entendimento adotado pela autoridade fiscal lançadora e chancelado pela DRJ. Ocorre que, mesmo tendo a Lei Complementar no 118/2005 se a auto proclamado interpretativa e, portanto, aplicável a ato ou fato pretérito (art. 106, I, do CTN), restou a discussão quanto à aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência. Essa aplicação da norma a fatos anteriores foi questionada judicialmente e gerou manifestação do STJ no sentido da irretroatividade do dispositivo. Após o STF manifestar entendimento de que a decisão do STJ violaria cláusula de reserva de Plenário, caberia então o aguardo da decisão do Pretório Excelso quanto ao tema, o que ocorreu também já ocorreu: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Fl. 190DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (destaques nossos) Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC, o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Sob esse prisma, a decisão deixa claro que a regra a ser utilizada é definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo (compensação efetuada). Aos pleitos formalizados a partir de 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Caso contrário, o prazo prescricional deve seguir a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, nos termos definidos pelo STJ. No caso em comento, a fiscalização considerou prescritos os créditos referentes às contribuições recolhidas entre 02/1998 e 08/1999, as quais foram compensadas a a partir de 10/2004, época em que aplicável o entendimento consolidado no STJ até o advento da Lei Complementar n° 118/2005, de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. Cumpre esclarecer, por fim, que não há que se cogitar da contagem do prazo prescricional a partir da publicação da Resolução do Senado Federal que reconheceu a inconstitucionalidade da incidência de contribuições sobre o subsídio de agentes políticos. Tal entendimento, fundamentado no artigo 168, II, do CTN, e que já encontrou amparo nos Tribunais Superiores (AgRg no Recurso Especial n° 506.127 PR, publicado em 01/03/04), hoje encontrase superado, conforme Resp 1.110.578SP. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é Fl. 191DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 188 9 contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques nossos) Assim, do quanto exposto até aqui, podemos afirmar que, as compensações, na época em que efetuadas pelo sujeito passivo, não se encontravam vitimadas pela prescrição, mesmo aquelas não consideradas pela fiscalização e que foram recolhidas entre 02/1998 e 08/1999, em razão da aplicação, no período em comento, do entendimento consolidado no STJ até o advento da Lei Complementar n° 118/2005, de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4°, 156, VII, e 168, I, do CTN (Recurso Extraordinário n° 566.621 e Recurso Especial n° 1.110.578SP). Exclusão da GFIP. Pressupotos da Compensação. Como afirmado de início, a compensação efetuada pela recorrente foi considerada indevida não só com fundamento na prescrição do direito, mas também pelo fato de parte dos fatos geradores Fl. 192DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 referentes aos valores recolhidos e depois compensados pelo município, declarados em GFIP, não foram excluídos pelo Município das GFIP´s da competência do recolhimento. Antes de avançarmos para as especificidades do caso em questão, cumpre observar ainda que a Constituição Federal, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) (destaques nossos) Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei nº 8.383/91, cujo art. 66, assim dispôs: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 189 11 LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei n° 9.069/95) (destaques nossos) E, especificamente quanto às contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, ainda acima da disciplina infralegal, está o artigo 89 da Lei nº 8.212/91, que estabeleceu alguns pressupostos da compensação. Do que se expôs até aqui, mister se faz ressaltar que o exercício do direito à compensação, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos e ao ônus do interessado. Ademais, como se viu, não só pelo artigo 170 do CTN, mas também pelo que estabeleceu a Lei n° 8.383/91, foi atribuída competência à RFB para expedir as instruções necessárias ao exercício do direito de o contribuinte efetuar a compensação desses valores com importâncias devidas em períodos subsequentes. Especificamente quanto às compensações em comento, cumpre relembrar que, após o Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, assentar o entendimento de que a instituição de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos titulares de mandato eletivo, antes da vigência da Emenda Constitucional nº 20/1998, mostravase desarmônica com a Carta Federal, o Senado Federal, exercendo a competência prevista no artigo 52, X, da CF (suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal), editou a Resolução n° 26/2005, suspendendo a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. E, para regulamentar e uniformizar a situação específica da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a Secretaria da Receita Previdenciária publicou, em 18/09/2006, a Instrução Normativa SRP nº 15/2006 dispondo sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, nela estatuindo a obrigatoriedade, a condição de o ente federativo preceder eventual compensação com a indispensável retificação das GFIP correspondentes, para destas excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, sendo certo que tal retificação deve ser levada a efeito mesmo que o sujeito passivo não opte pela compensação. Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006 Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo. (...) Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 190 13 VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. §2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no §1º, os valores compensados serão glosados. §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à multa prevista no §6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. (destaques nossos) Portanto, mostrase indispensável que as GFIP originárias em que figuravam os nomes dos agentes políticos em apreço tenham sido efetivamente retificadas, de molde a se excluir os exercentes de mandato eletivo, cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais. Tal exclusão decorre da mais perfunctória lógica do pedido de restituição/compensação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, proferiu decisão definitiva declarando a inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital e municipal, ao fundamento de que tais trabalhadores não se configuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. Por tal motivo, não se enquadrando os agentes políticos em foco como segurados do RGPS, indevida era, por consequência inafastável, a contribuição previdenciária, instituída por mera lei ordinária, Lei nº Fl. 196DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 9.506/97, sendo demandado para tanto, um instrumento legislativo do status de Lei Complementar. Assim, enquanto não for promovida a exclusão dos agentes políticos da base de dados da Seguridade Social, mediante a entrega das respectivas GFIP retificadoras, obstada se manterá a constituição do respectivo crédito em favor do contribuinte. No caso em tela, indica a diligência fiscal que houve exclusões, mas parte delas ocorreu somente após o início do procedimento fiscal. Acrescentese também que a autoridade fiscal já havia considerado como legítima a compensação dos “valores recolhidos para as competências abrangidas pelo período de 09/1999 a 10/2002 – recolhidos em 10/1999 a 11/2002 e que não estão relacionados em GFIP” (destaques nossos ao Relatório Fiscal). Entendemos que, se até o início do procedimento fical, o contribuinte não exerce a faculdade de compensar créditos líquidos e certos ou exerce esse direito de forma irregular, essa compensação realmente não poder ser homologada pela autoridade lançadora. No caso em comento, como visto, o contribuinte não havia cumprido os requisitos para efetuar a compensação (retificação da GFIP), o que retira de seu crédito a liquidez e a certeza, além de incorrer em irregularidade procedimental. Em tese, o crédito até poderia existir, mas o exercício do direito de compensação deste crédito pressupõe o atendimento dos requisitos legais (liquidez e certeza, em especial) e da forma e condições estabelecidas pelo órgão administrativo. E nem se diga que se tratam de determinações infralegais, pois a normatização pelo órgão administrativo está determinada pelo próprio artigo 170 do CTN e também pela Lei n° 8.383/91, como visto alhures. Ademais, como veremos, a obrigação de declarar, com correção, os fatos geradores em GFIP, tem fundamento na Lei n° 8.212/91. Realmente, não há qualquer viso de lógica ou juridicidade em se permitir que, após o início do procedimento fiscal, o contribuinte, que não ostentava crédito líquido e certo, pretenda desfazer o lançamento legítimo, diante dos fatos apurados no procedimento fiscal, mediante o pleito de aproveitamento de créditos que só se mostraram líquidos e certos em momento subseqüente, com a apresentação de GFIP’s retificadoras. A compensação posterior ao lançamento comporta não a retificação do lançamento, como pretende a recorrente, mas, quando muito, o pagamento de crédito constituído, legitimamente, pelo fisco. Nesse sentido: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Atentese que não se trata de negar o direito de crédito ao contribuinte, mas de se exigir que a compensação seja exercida com atendimento dos pressupostos legais e às determinações emanadas das autoridades administrativas. Portanto, se houve glosa da compensação, mas o contribuinte torna líquido e certo aquele crédito glosado, respeitado o prazo prescricional para o exercício do direito, conforme visto anteriormente, poderá valerse da compensação, mas não no período fiscalizado, que já foi objeto de homologação e apuração pela autoridade fiscal. Destarte, por tudo que se expôs, não merece reparo o lançamento em razão de retificações de GFIP efetuadas posteriormente ao procedimento fiscal. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10665.001243/200941 Acórdão n.º 2302002.471 S2C3T2 Fl. 191 15 A recorrente afirmou que a glosa não poderia ter por base a Instrução Normativa MPS/SRF n° 15, de 12 de setembro de 2006, que, exigiu a retificação da GFIP, pois este ato normativo foi editado posteriormente à compensação realizada. Cumpre esclarecer que, como bem ressaltado no acórdão da DRJ, embora a IN não tivesse vigência ao tempo das compensações realizadas pelo Município, sempre houve a obrigatoriedade de declarar corretamente todos os fatos geradores de contribuição em GFIP (artigo 32, IV, da Lei n° 8.212/91). Portanto, a legislação previdenciária há muito considera indispensável a declaração em GFIP para a liquidação dos créditos previdenciários. A GFIP é o instrumento primordial de comunicação da ocorrência de fatos geradores (e suas exclusões), sendo que o comando da IN veio apenas para expressar e consolidar aquilo que já se extraia do ordenamento jurídico quanto à forma de apuração de créditos líquidos e certos. Destarte, de nada vale a alegação da recorrente de que teria cumprido o disposto no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 (artigos 247/254). Quanto ao argumento de que cumpre as determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal e que as determinações dessa lei devem ser levadas em consideração, por tratarem de responsabilidade pelo patrimônio público, gestão fiscal e planejamento, sendo que o valor do crédito constituído prejudicaria o equilíbrio das contas públicas, cumpre relembrar que a atividade administrativa orientase pelo princípio da legalidade, não havendo qualquer possibilidade de afastamento do crédito constituído pelo fato deste afetar o equilíbrio das contas públicas. Outrossim, as determinações da Lei de Responsabilidade Fiscal não se direcionam ao fisco, mas aos gestores e administradores públicos, bem como aos chefes de Poder. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer que as compensações, na época em que efetuadas pelo sujeito passivo, não se encontravam vitimadas pela prescrição, mesmo aquelas não consideradas pela fiscalização e que foram recolhidas entre 02/1998 e 08/1999, em razão da aplicação, no período em comento, do entendimento consolidado no STJ até o advento da Lei Complementar n° 118/2005, de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4°, 156, VII, e 168, I, do CTN (Recurso Extraordinário n° 566.621 e Recurso Especial n° 1.110.578SP), sem embargo de que a compensação, no período de obrigatoriedade de entrega da GFIP (a partir da competência 01/1999), somente deve ser aceita se as GFIP originárias tiverem sido retificadas até a data do início do procedimento fiscal (Súmula CARF n. 33), de molde a se excluir os exercentes de mandato eletivo, cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais. É como voto. André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 07/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11065.001450/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE.
Consideram-se preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de pré-questionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar SantAnna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarou-se impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar SantAnna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS OPORTUNAMENTE. Consideramse preclusas as matérias não questionadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão de primeira instância. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento das matérias. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Participou do julgamento o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède em substituição ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, que declarouse impedido por ter participado do julgamento em primeira instância. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Oscar Sant’Anna Freitas e Castro, OAB/RJ 32.641. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 50 /2 00 9- 28 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de PER/DCOMP (pedido de ressarcimento e declarações de compensação) de créditos de Cofins nãocumulativa protocolados pela empresa Unileite Laticínios Ltda, atualmente denominada Avipal S/A Alimentos, tendo em vista incorporação daquela empresa. De acordo com o Relatório denominado Auto de Infração, verificou a fiscalização as seguintes irregularidades: a) crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas de lenha (produto com origem vegetal) com utilização do percentual de 60%; b) crédito integral do frete sobre aquisições de leite de pessoas físicas; c) crédito sobre o valor do frete efetuado entre estabelecimentos da empresa O direito creditório foi parcialmente reconhecido, sendo homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde alega preliminarmente ausência de motivação do Despacho Decisório, afirmando que esse não conteria as razões que levaram ao indeferimento parcial do direito creditório. Acredita que o crédito pleiteado teria sido devidamente comprovado. A DRJ em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. Incabível alegação de ausência de motivação quando o contribuinte foi cientificado de relatório elaborado pela Fiscalização com análise específica dos documentos, dos fatos ocorridos e da legislação aplicável, na mesma data do Despacho Decisório atacado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que deve ser reformada a decisão recorrida a fim de que seja dada vista à recorrente do “relatório fiscal Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 12 3 intitulado Auto de Infração”, com a consequente reabertura do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade. Outrossim, alega que faz jus ao valor integral do direito creditório pleiteado. Quanto ao crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, a recorrente, com fundamento no parágrafo 3º do artigo 8º da Lei nº 10.925/04, discorda do entendimento literal da fiscalização de que o insumo objeto da glosa em questão é a lenha, produto de origem vegetal, portanto o percentual a ser utilizado é de 35%. Defende a tese de que na definição da alíquota aplicável – 60%, 50% ou 35% deve ser considerada a origem do produto fabricado e não a origem dos produtos/insumos adquiridos. Destaca que sua atividade principal é a produção de leite e de seus derivados, ou seja, é produtora de mercadoria de origem animal, portanto faz jus ao crédito presumido de 60% sobre o valor dos insumos adquiridos, quer seja de origem animal ou vegetal. No que se refere ao direito ao crédito integral do frete nas aquisições de leite de pessoas físicas, a interessada traz como suporte legal ao seu direito o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 para a contribuição para o PIS e da Lei 10.833/03 para a Cofins. Alega que todo e qualquer serviço contratado, para utilização como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições PIS e Cofins nãocumulativas. Insiste, que embora os fretes tenham sido contratados para o transporte do leite adquirido de pessoas físicas, eles se classificam como insumos necessários à industrialização de produtos destinados à venda. Em relação ao direito ao crédito dos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos, reafirma a tese de que com fundamento no inciso do II do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 para a contribuição para o PIS e da Lei 10.833/03 para a contribuição para a Cofins todo e qualquer serviço contratado, para utilização como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, gera direito ao crédito das contribuições PIS e Cofins nãocumulativas. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa. Ressalta que os fretes contratados para o transporte entre o estabelecimento da recorrente e o estabelecimento da empresa contratada para a realização de parte do processo industrial, e os fretes contratados para o transporte entre o estabelecimento da empresa contratada e o estabelecimento da recorrente caracterizam custo do bem, a ensejar o direito ao crédito. Por fim, requer que seu recurso seja recebido, julgado e provido com o consequente reconhecimento do direto da recorrente aos crédito pleiteados. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo, todavia não atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento, conforme será demonstrado. De imediato não se conhece da assertiva de que deve ser reformada a decisão recorrida a fim de que seja dada vista à recorrente “relatório fiscal intitulado Auto de Infração”, com a consequente reabertura do prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, visto que a recorrente não apresentou no recurso voluntário as razões e fundamentos que sustentariam o seu pedido. Por outro lado, a interessada sustenta que faz jus ao valor integral do direito creditório pleiteado. Quanto as alegações da recorrente em relação ao mérito; crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas, crédito integral do frete nas aquisições de leite de pessoas físicas e direito ao crédito dos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos, é importante consignar que tais teses não podem ser apreciadas, sob pena de supressão de instância, por constituírem matérias novas não abrangidas pelo litígio. De fato, em sua manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou uma preliminar referente a ausência de motivação do despacho decisório e no mérito limitouse a alegar que os pedidos de ressarcimento são originários de créditos de contribuições não cumulativas e que e que seus pedidos de ressarcimento foram acompanhados dos documentos comprobatórios, portanto faz jus a todo o saldo pleiteado. Do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias acima citadas não foram enfrentadas. A decisão de primeira instância apenas apreciou a preliminar de ausência de motivação. Destarte, na apreciação do recurso voluntário não se toma conhecimento das teses por falta de préquestionamento no momento oportuno. Como visto, a recorrente não apresentou suas razões na manifestação de inconformidade em relação ao mérito do direito creditório, assim consideramse preclusas as matérias não contestadas na fase impugnatória, e que, consequentemente, não foram apreciadas na decisão recorrida. A falta de préquestionamento no momento processual adequado implica em não conhecimento da matéria na fase recursal. Neste sentido dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/92, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, tornandose preclusa. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer das razões do recurso voluntário por preclusão. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.001450/200928 Acórdão n.º 3801001.874 S3TE01 Fl. 14 5 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.721859/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 21 85 9/ 20 11 -9 9 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 814 2 Relatório PRETEC PRECISÃO E TECNOLOGIA EM USINAGEM LTDA. EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0728.724/2012, às fls. 455/472, que julgou procedentes em parte os lançamentos fiscais, lavrados em 12/09/2011, referentes às contribuições sociais devidas ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, em relação ao período de 01/2007 a 06/2007, conforme Relatório Fiscal, às fls. 08/21, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) AIOP n° 37.354.3050 – Contribuições Sociais relativas à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE); 2) AIOA n° 37.354.3042 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados; De conformidade com o Relatório Fiscal, as autuações consubstanciadas nos lançamentos em epígrafe decorrem de Representação Fiscal – Processo n° 10920.721358/2011 11, em que a contribuinte fora excluída do regime de tributação do SIMPLES, com a emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 167, de 23 de agosto de 2011, pela Delegacia da Receita Federal em Joinville, em face da constatação de que o sujeito passivo fora constituído por interposta pessoa que não o verdadeiro sócio, nos termos do artigo 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. Ressalta, ainda, que os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES se operam a partir de 20/12/2001, com fulcro no artigo 15 da Lei n° 9.317/1996. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 478/497, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo, suscita a ilegalidade do procedimento eleito pela autoridade lançadora no sentido de promover o presente lançamento com base em ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES sem que tenha havido julgamento definitivo da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 10920.721358/201111. Em defesa de sua pretensão, traz à colação jurisprudência judicial e administrativa, bem como doutrina, reconhecendo que a interposição de manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do regime de tributação do SIMPLES suspende os seus efeitos, impedindo, assim, a lavratura de auto de infração. Pugna, ainda, pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no Fl. 503DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 815 3 artigo 37 da Lei n° 8.212/91, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções obscuras e imprecisas. Traz à colação histórico da empresa e, bem assim, as atividades desenvolvidas desde a sua constituição, opondose à exclusão do regime de tributação do SIMPLES, mormente quando sempre observou a legislação de regência. Contrapõese ao lançamento consubstanciado na peça vestibular do feito, lançando assertivas a propósito da irregular exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, sobretudo no que tange a inexistência de interposta pessoa de maneira a justificar a conduta fiscal. Opõese à caracterização de grupo econômico de fato entre as empresas elencadas nos autos, argumentando que não se fizeram presentes os pressupostos legais para tanto, razão pela qual inexiste Grupo Econômico sob qualquer enfoque que se analise a questão, de maneira a autorizar a coresponsabilização pretendida pela autoridade lançadora. Nesse sentido, defende que não se faz presente qualquer premissa fática capaz de suportar referida capitulação, mormente quando as normas legais que tratam da matéria não autorizam a conclusão de existência de Grupo Econômico entre duas ou mais empresas pelo simples fato de possuírem os mesmos sócios, sendo necessário, dentre outros requisitos, a convergência dos objetos das pessoas jurídicas com atividades e empreendimentos comuns, sob o controle de uma ou mais empresas. Assevera que a configuração de grupo econômico não pode se levada a efeito a partir de meras presunções, impondo à fiscalização a comprovação das alegações utilizadas como esteio ao lançamento fiscal, o que não se verifica na hipótese dos autos. Pretende seja recalculada a multa aplicada, com a redução contemplada pela edição da Medida Provisória n° 449, convertida na Lei n° 11.941, devendo ser adotado o cálculo inscrito no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, na esteira da jurisprudência administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 816 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, os lançamentos inscritos nos autos de infração sob análise decorrem de procedimento de exclusão da empresa do regime de tributação do SIMPLES, consubstanciado no processo administrativo n° 10920.721358/201111 onde fora emitido ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 167, de 23 de agosto de 2011, pela Delegacia da Receita Federal em Joinville, em face da constatação de que o sujeito passivo fora constituído por interposta pessoa que não o verdadeiro sócio, nos termos do artigo 14, inciso IV, da Lei n° 9.317/96. Em que pese a autoridade julgadora de primeira instância haver reconhecido o nexo causal dos presentes lançamentos com o processo que trata da exclusão do SIMPLES, achou por bem dar seguimento ao feito, inferindo que: “[...] Saliento que como a decisão referente ao processo de exclusão do Simples é prejudicial ao processo em epígrafe, os autos foram reunidos para evitar julgamento contraditórios. Assim, se ao final, a interessada for vencedora na tese de permanência no Simples, por consequência, o presente AI será cancelado. [...]” Extraise daí inexistir dúvida de que o processo sob análise encontrase atrelado ao resultado final a ser levado a efeito nos autos do processo de exclusão do SIMPLES, em evidente prejudicial do exame da demanda, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Neste sentido, somente após a decisão administrativa definitiva exarada em face da manifestação de inconformidade oposta nos autos do processo n° 10920.721358/201111, é que se poderá adentrar a análise da regularidade deste feito. Dessa forma, existindo referido processo de exclusão do SIMPLES, esse, por guardar íntima relação de causa e efeito com as autuações sub examine, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante destes lançamentos. Ocorre que, em consulta formulada no site do CARF (www.carf.fazenda.gov.br), constatamos que o processo n° 10920.721358/201111 encontrase pendente de julgamento, mais precisamente aguardando distribuição de Câmara/Turma da Primeira Seção de Julgamento do Conselho, competente para julgamento de processos Fl. 505DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10920.721859/201199 Resolução nº 2401000.304 S2C4T1 Fl. 817 5 pertinentes ao regime de tributação do SIMPLES, o que impõe o sobrestamento deste feito até seja proferida decisão definitiva nos autos daquele processo. Assim, ao contrário do entendimento encampado pelo julgador de primeira instância, em face do caráter de prejudicialidade do mencionado processo frente os Autos de Infração em epígrafe, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente venham para apreciação por esse Colegiado após o trânsito em julgado do processo n° 10920.721358/201111, onde se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, sobrestando o exame meritório dos presentes Autos de Infração, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo n° 10920.721358/201111, devendo estes autos ser encaminhado para a DRF de origem para as providências cabíveis. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.918913/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO.
1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele.
2. As brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadram-se no conceito de insumos (matérias-primas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO. 1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. 2. As “brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis”, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadramse no conceito de insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 89 13 /2 00 9- 17 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), transmitido em 16/11/2007, acompanhado de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 16/1/2008, na qual foi informada a compensação de parte do saldo credor do IPI do 3º trimestrecalendário de 2006, no valor de R$ 33.531,22, com débitos da interessada. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fls. 4/10, (i) foi reconhecido parte do crédito informado no PER, no valor de R$ 29.695,91, e (ii) homologada parcialmente a compensação declarada, por insuficiência de crédito. De acordo com a Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos, anexada ao Despacho Decisório (fls. 7/10), o reconhecimento parcial do crédito pleiteado foi motivado pela glosa dos créditos indevidos, registrados no 2º trimestre de 2006, relativos a (i) mercadorias que não admite a apropriação de crédito do IPI (motivo 1) e (ii) insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes do Simples (motivo 7). Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte insurgiuse contra a glosa apenas dos créditos referentes às notas fiscais de compra de brocas, lixas e pastilhas, lançadas no Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP 1556 (compra de material para uso ou consumo), sob o argumento de que, embora não estivessem incorporados ao produto final, tais materiais eram considerados insumos imprescindíveis para processo produtivo, uma vez que conferiam funcionalidade às peças que compunham os produtos industrializados. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Porto Alegre/RS declarou definitiva a glosa dos créditos referente às aquisições de mercadorias de pessoa jurídica optantes do SIMPLES e, quanto à parte litigiosa, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob fundamento de que as compras de material para uso ou consumo não davam direito ao crédito do IPI. Em 23/4/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 22/5/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 94/102, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade. Em aditamento, invocou a aplicação do princípio do formalismo moderado, sob a alegação de que as notas fiscais lançadas no CFOP 1556 referiamse a compras de insumos utilizados no processo de industrialização, portanto, passíveis de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11020.918913/200917 Acórdão n.º 3102001.867 S3C1T2 Fl. 21 3 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa dos créditos que foram vinculados ao CFOP 1556 (compra de material para uso ou consumo) no demonstrativo “Livro Registro de Apuração do IPI – Entradas” dos meses de abril a junho de 2006, integrante do PER nº 28225.51166.161107.1.1.019586 (2/3), conforme discriminado na Relação de Notas Fiscais com Créditos Indevidos de fls. 7/10 (motivo 1), encartada no Despacho Decisório. No recurso colacionado aos autos, a recorrente reafirmou a alegação aduzida na fase de manifestação de inconformidade, no sentido de que, embora não estivessem incorporados ao produto final, os materiais vinculados ao CFOP 1556 eram imprescindíveis para processo produtivo, uma vez que conferiam funcionalidade às peças que compunham os produtos industrializados. Em aditamento, suscitou uma nova razão de defesa, baseada no argumento de que as citadas notas fiscais referiamse a aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização e passíveis de crédito, embora, por equívoco, tenham sido lançados na DComp como material de consumo ou uso (CFOP 1556). Em relação a esse novo argumento, a recorrente invocou a aplicação do princípio do formalismo moderado. No âmbito do processo administrativo, a aplicação do princípio da verdade material, mais do que o princípio do formalismo moderado, mostrase mais adequada aos casos em que há mero equívoco de informação. Em situações desse tipo, orienta o princípio da verdade material que a substância do ato deve prevalecer sobre a sua versão, especialmente, quando demonstrada que esta foi formalizada com equívoco. No caso em tela, alegou a recorrente que, ao invés de material de consumo ou uso, as brocas, lixas, pastilhas e demais materiais, discriminados nas notas fiscais de compra de fls. 25/82, caracterizamse como insumos utilizados no seu processo de industrialização, portanto, asseguravamlhe o direito ao crédito do IPI. Com essas breves considerações, resta evidenciado que o cerne da controvérsia cingese a questão atinente à natureza dos referidos materiais, ou seja, se eles são materiais de uso ou consumo, como entendeu o titular da Unidade da Receita Federal de origem e a Turma de Julgamento a quo, ou insumo industrial, conforme defendido pela recorrente. Em consonância com o princípio da verdade material, a presente análise levará em conta as características intrínsecas dos materiais e não apenas a questão meramente formal, atinente ao seu enquadramento no CFOP. Assim, para o deslinde da lide, é relevante saber se tais materiais enquadram se ou não no conceito de insumo industrial e como tal gera direito ao crédito básico do IPI, em conformidade com o princípio da não cumulatividade, veiculado no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988, que assegura ao produtor o direito ao crédito do Imposto em relação aos produtos entrados no seu estabelecimento, para ser compensado com o IPI devido na saída dos produtos fabricados, num determinado período fixado na legislação. A matéria encontrase definida no inciso I do art. 164 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002), vigente no final do trimestre de apuração do saldo credor pleiteado, a seguir transcrito: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] (grifos não originais) Da leitura do referido dispositivo, verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e o produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o novo produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Na primeira modalidade, a matériaprima e o produto intermediário são considerados insumos industriais stricto sensu, enquanto na segunda são insumos industriais em sentido lato, neste caso, compreendendo quaisquer bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os contabilizados no ativo permanente. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a definição da segunda modalidade de insumo foi abordada no item 10 do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, a seguir transcrito: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão “consumidos”, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 11020.918913/200917 Acórdão n.º 3102001.867 S3C1T2 Fl. 22 5 suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4. Notese, ainda, que a expressão “compreendidos no ativo permanente” deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser juris tantum aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. (grifos não originais) Assim, de acordo com o entendimento exarado no citado Parecer, para que o insumo seja considerado matériaprima e produto intermediário, lato sensu, gerador de crédito básico do IPI, ele deve atender, cumulativamente, as seguintes condições: a) ser consumido normalmente no processo de produção, ou mediante o “desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas”, em decorrência de uma ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; e b) não ser “partes nem peças de máquinas” nem estar contabilizado no ativo permanente. Ainda com base no referido Parecer, geram direito ao crédito básico do IPI as ferramentas manuais e as intermutáveis1, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, são consumidas em decorrência de um contato físico, ou seja, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquelas. No caso em tela, a meu ver, os produtos discriminados nas notas fiscais de fls. 25/82 são considerados ferramentas intermutáveis que, pela suas características, são normalmente consumidas no contato físico, exercido sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquelas, portanto, enquadramse no conceito de matériaprima e produto intermediário em sentido lato, definido na segunda parte do inciso do I do art. 164 do RIPI/2002. No mesmo sentido, o entendimento explicitado na Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 7, de 14 de janeiro de 2004, a seguir transcrita: Assunto: Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI MatériasPrimas e Produtos Intermediários Créditos. As “lixas, serras circulares, serra fita, brocas” utilizadas na fabricação de móveis enquadramse, para efeito da legislação do IPI, como insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo), gerando direito a crédito desse imposto, desde que não devam ser classificadas no ativo permanente. Dispositivos legais: Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para (i) restabelecer os créditos relativos às notas fiscais de compra, discriminadas na Relação de 1 Segundo Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, intermutáveis são os “instrumentos mecânicos que podem substituirse reciprocamente”. Disponível em: <http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=intermutavel>. Acesso em: 18 mai 2013. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 Notas Fiscais com Créditos Indevidos, anexada ao Despacho Decisório (fls. 7/10), glosados pelo motivo 1, e (ii) homologar a compensação declarada até o limite do crédito restabelecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 13896.902360/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS, ASSIM COMO COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep, a Lei no 10.637 de 2002 autoriza o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência.
Realidade em que a documentação acostada aos autos alicerçou o reconhecimento apenas em parte do direito de crédito relativo aos custos e despesas tipificados nas hipóteses legais autorizativas do desconto, notadamente prescritas nos incisos II, IV, V, VI e IX do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, bem como no artigo 3o, § 1o, inciso III da mesma Lei, e ainda, no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 da Lei no 10.833/2003.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-001.802
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS, ASSIM COMO COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep, a Lei no 10.637 de 2002 autoriza o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. Realidade em que a documentação acostada aos autos alicerçou o reconhecimento apenas em parte do direito de crédito relativo aos custos e despesas tipificados nas hipóteses legais autorizativas do desconto, notadamente prescritas nos incisos II, IV, V, VI e IX do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, bem como no artigo 3o, § 1o, inciso III da mesma Lei, e ainda, no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 da Lei no 10.833/2003. Recurso ao qual se dá parcial provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 173 1 172 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.902360/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.802 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Laser Systems Serviços de Informática e Microfilmagem Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS, ASSIM COMO COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep, a Lei no 10.637 de 2002 autoriza o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. Realidade em que a documentação acostada aos autos alicerçou o reconhecimento apenas em parte do direito de crédito relativo aos custos e despesas tipificados nas hipóteses legais autorizativas do desconto, notadamente prescritas nos incisos II, IV, V, VI e IX do artigo 3o da Lei no 10.637/2002, bem como no artigo 3o, § 1o, inciso III da mesma Lei, e ainda, no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 da Lei no 10.833/2003. Recurso ao qual se dá parcial provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 23 60 /2 00 8- 18 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 25/29 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS referente ao período de apuração de agosto de 2003. A negativa de homologação da compensação foi fundamentada na integral utilização do pagamento, alegado como superior ao devido, para a quitação do débito declarado pelo contribuinte na DCTF do terceiro trimestre de 2003, não restando, portanto, saldo creditório disponível passível de ser utilizado para a compensação desejada. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que equivocouse quando do preenchimento da DCTF e da DACON do período, mas que tais declarações foram posteriormente retificadas e entregues, tornandoas compatíveis com os fatos e com a DIPJ 2003/2004. Contudo, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância sob o argumento de que a recorrente apresentou a retificação dos débitos quando já não mais beneficiada pela espontaneidade – já que a retificadora foi apresentada depois do decisório –, e ainda, por não ter comprovado o erro e, portanto, a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado, a teor do disposto nos artigos 147 e 170 do CTN. Cientificada da referida decisão em 08/12/2011 (vide AR de fls.32), a interessada, em 09/01/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 37/41, onde admite ter se equivocado quando da apuração do PIS no período. Ressalta que calculou a contribuição aplicando simplesmente a alíquota de 1,65% sobre a receita bruta, mas sem deduzir desse valor os descontos a que tinha direito por conta do regime da nãocumulatividade. Aduz, ainda, que quando da formalização da manifestação de inconformidade, acreditava ser suficiente a retificação das declarações DCTF e DACON, não sendo de seu conhecimento que a apresentação das retificadoras após o decisório não produziriam o efeito desejado. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.902360/200818 Acórdão n.º 3802001.802 S3TE02 Fl. 174 3 Agora, ciente da necessidade de fazer prova de seu direito, apresenta demonstrativo de apuração do PIS onde considera o desconto de créditos em vista da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme resumido na tabela abaixo: A Valor da contribuição apurada sobre a receita bruta 3.984,70 B Valor do crédito a descontar (regime da nãocumulatividade) 2.072,98 C Valor devido no período (= A – B) 1.911,72 D Valor recolhido 3.984,70 E Valor do crédito solicitado para compensação 2.072,98 A título de comprovação do direito reclamado, acosta aos autos planilha de apuração do crédito (fls. 43), DACON retificadora (fls. 44/53) e DCTF retificadora (54/69) do terceiro trimestre de 2003, planilha onde são relacionados os documentos que segundo a recorrente dão direito a crédito do PIS (fls. 70/72) e cópias de notas fiscais, faturas, recibos de bens e serviços utilizados como insumos, de energia elétrica, de locação de equipamentos, extratos bancários com lançamentos de juros, demonstrativos de depreciações e de amortizações, etc., utilizados como base para apuração dos descontos segundo o regime não cumulativo (ver fls. 73 e ss.). Requer, finalmente, seja reformado o acórdão de primeira instância em vista da documentação apresentada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, a lide envolve aduzido direito creditório de R$ 2.072,98 relativamente à retificação do valor do PIS efetivamente devido no mês de agosto de 2003, uma vez que a recorrente deixou de deduzir os descontos a que tinha direito por conta do regime da nãocumulatividade. Com efeito, o regime da incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep foi instituído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep (bem como da COFINS) as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real, como, aliás, está declarado na DCTF retificadora (fls. 54/69). A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. Para comprovar o direito creditório reclamado a recorrente acosta aos autos planilha de apuração do crédito (fls. 43), cujos valores inerentes à contribuição sobre a receita bruta (aplicação da alíquota de 1,65 %) (R$ 3.984,70), crédito a descontar segundo regime da nãocumulatividade (R$ 2.072,98) e PIS efetivamente devido (R$ 1.911,72) correspondem aos montantes declarados na DACON retificadora (fls. 44/53) e na DCTF retificadora (54/69) do período (terceiro trimestre de 2003). Tais declarações, decerto, por terem sido apresentadas somente depois do indeferimento da compensação vislumbrada, deverão vir acompanhadas de documentos que alicercem as informações ali consignadas. Nesse sentido, a recorrente apresenta cópias de notas fiscais, cupons e recibos de bens e de serviços considerados como insumos, faturas de energia elétrica, de locação de equipamentos, extratos bancários (juros passivos), demonstrativos de depreciações e de amortizações, etc., os quais foram utilizados como base para apuração dos descontos segundo o regime nãocumulativo (ver fls. 73 e ss.). A suplicante tem como objeto social a “prestação de serviços de microfilmagem, processamento de dados, organização e administração de arquivos de documentos e almoxarifado”, conforme contrato social acostado aos autos. A natureza das atividades exercidas pela interessada, diante dos custos e despesas retratados nos documentos anexados, revela, desde já, que existe, ao menos em parte, direito a desconto de créditos do PIS em vista do regime da nãocumulatividade, e, portanto, na mesma proporção, direito ao reconhecimento do crédito pelo pagamento a maior, já que o recolhimento da contribuição foi efetuado sem a utilização de nenhum desconto. Antes, porém, de passar para o exame mais pontual das questões relevantes para a solução da contenda, ressalto que referida análise restringirseá aos aspectos normativos da lide, ou seja, à natureza das rubricas aduzidas como legítimas para fins de desconto da contribuição calculada sobre a receita bruta. Assim, deixo a parte relacionada à conferência documental e ao levantamento do crédito para a fase de execução do que ficar acordado por esta Turma, segundo os critérios de razoabilidade a serem adotados pela unidade responsável, ciente de que o montante total do crédito reclamado é de R$ 2.072,98. Feita a devida ressalva, passo a analisar as questões de direito necessárias para a solução do litígio. Em exame da tabela de apuração do crédito (fls. 70/72), bem como dos documentos anexados aos autos (fls. 73 e ss.), vêse, de início, que o direito ao desconto dos créditos do PIS de fato existe, mas apenas parcialmente. A atividade exercida pelo sujeito passivo, como já ressaltado, é a de “prestação de serviços de microfilmagem, processamento de dados, organização e administração de arquivos de documentos e almoxarifado”. Assim, com base na citada 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13896.902360/200818 Acórdão n.º 3802001.802 S3TE02 Fl. 175 5 natureza empresarial, poderão ser admitidos como insumos, custos e despesas passíveis de creditamento/desconto do PIS os correspondentes dispêndios com bens e serviços diretamente relacionados à sua atividade, ou seja, correspondentes a tonner, reveladores, filmes, prestação de serviços de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos, embalagens, iluminação, solventes, serviços de microfilmagem, serviços de desenho gráfico, material para impressão, produtos de informática, serviços de informática, etc.. Tais bens e serviços foram adquiridos de fornecedores cujos produtos/serviços vendidos guardam harmonia com as despesas e os custos necessários ao exercício da atividade empresarial da recorrente (Kodak, indústria de fitas para impressora, empresa de locação e manutenção de equipamentos, empresas de microfilmagem, de suprimento de informática, etc.). Portanto, em vista do regime da nãocumulatividade do PIS, tais custos e despesas poderão ser consideradas para fins de dedução da contribuição calculada sobre a receita bruta, conforme autoriza o artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, notadamente o disposto em seus incisos II, IV e VI. O mesmo se pode afirmar em relação às despesas com energia elétrica, uma vez que o desconto de créditos calculados sobre a energia consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica é autorizado pelo inciso IX do artigo 3o da mesma lei. Também, os fretes nas operações de venda poderão ser admitidos para fins de desconto/creditamento do PIS, por força do disposto no inciso IX do artigo 3o, combinado com o artigo 15 (redação anterior à conferida pela Lei no 10.865/2004) da Lei no 10.833/2003. Todavia, há alguns itens elencados na tabela de fls. 70/72 que não poderiam ter sido considerados para fins de desconto de créditos do PIS, por falta de comprovação ou de previsão legal nesse sentido. São eles: a) despesas com alimentos e refeições; b) contribuição institucional destinada à manutenção do CIEE; c) consultoria contábil; d) material de escritório; e) provedor de internet; e, f) despesas cujos documentos não foram acostados aos autos (informado na tabela de apuração de cálculo do contribuinte como "s/ docto") ou que não tenham validade fiscal (meros recibos). Também não podem ser deduzidas as despesas com combustíveis, pedágios e estacionamentos, por falta de previsão legal. Especificamente em relação aos combustíveis – adquiridos junto a postos de abastecimento de veículos – a atividade exercida pela recorrente, associada à inexistência de prova capaz de demonstrar que os mesmos teriam a natureza de insumo, não permitem que como insumos tais produtos sejam assim considerados, única forma que autorizaria o correspondente desconto, como disposto no inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637/2002. Quanto aos juros passivos, o inciso V do artigo 3o da Lei no 10.637, de 2002, na redação à época dos fatos vigente, também autorizava o desconto de créditos calculados sobre “despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES” (redação dada pela Lei no 10.684/2003, posteriormente modificada pela Lei no 10.865/20042). 2 A redação atual do inciso permanece segundo alteração dada pela Lei no 10.865/2004, que é a seguinte: “V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Finalmente, relativamente a depreciação e amortização, a Lei no 10.637/2002, em seu artigo 3o, § 1o, inciso III, admite o cálculo do crédito sobre encargos de depreciação e amortização “[...] dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput [...]”, ou seja, sobre VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; Os demonstrativos de depreciação e de amortização acostados pela recorrente (fls. 169/170) dizem respeito a veículos, móveis e utensílios, computadores e periféricos, máquinas, equipamentos e instalações. Tais encargos, à exclusão dos veículos (uma vez não demonstrada sua utilização na atividade fim da empresa), poderão ser utilizados para fins de desconto, posto que autorizado pela norma acima citada. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos do PIS calculados sobre os seguintes custos e despesas com: a) bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade, conforme detalhes no corpo do voto; b) energia elétrica; c) juros passivos; e, d) depreciação e amortização, nos termos acima exarados. Por falta de comprovação documental ou de previsão legal autorizativa, não poderão ser acatados para fins de desconto do PIS os pagamentos relativos a: a) despesas com alimentos e refeições; b) contribuição institucional destinada à manutenção do CIEE; c) consultoria contábil; d) material de escritório; e) provedor de internet; e, f) despesas cujos documentos não foram acostados aos autos (informado na tabela de apuração de cálculo do contribuinte como "s/ docto") ou que não tenham validade fiscal (meros recibos). Fica ressalvado o direito de a autoridade administrativa, quando da execução deste acórdão, e a seu critério, examinar a autenticidade da documentação juntada aos autos, a escrituração da recorrente, bem como os cálculos apresentados pela mesma. Sala de Sessões, em 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900460/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA.
Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra.
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 947 1 946 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.900460/200806 Recurso nº 206.981 Voluntário Acórdão nº 1801001.471 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente CAMF ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 60 /2 00 8- 06 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 948 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 05843.63369.130204.1.3.048105 em 13.02.2004, fls. 0608, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$680,00 do DARF no valor de R$1.768,29 relativo ao recolhimento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 30.10.2000, para compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 09, acompanhado da Planilha de fl. 10, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 680,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizadas um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 30.04.2008, fl. 11, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 27.05.2008, fls. 1215, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Aduz que exerce a atividade econômica de prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais próprios e mãodeobra e está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, conforme a solução no processo de consulta. Suscita que equivocadamente calculou o lucro presumido adotando um coeficiente de 32% sobre a receita bruta. Defende que entregou a Per/DComp utilizando o crédito decorrente. Explica que à época apresentou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e a Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com dados incorretos, e por esta razão o crédito tributário não foi reconhecido automaticamente. Acrescenta que não agiu com dolo. Conclui Ante o exposto, requer seja dado provimento a presente manifestação de inconformidade, para homologar a compensação efetuada e anular o débito. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 949 3 Para evitar decisões divergentes sobre fatos idênticos, requer o apensamento deste processo ao processo de crédito nº 10855900.739/200881. Requer ainda, prazo de 10 dias para juntada de cópia autenticada do contrato social, caso julgue necessário. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Termos em que, e. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1426.497, de 22.10.2009, fls. 215220:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/10/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Notificada em 02.12.2009, fl. 223, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.12.2009, fls. 225229, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Explica A Recorrente é uma pessoa jurídica que tem como objeto social a exploração da construção civil destacando a prestação de serviços de: a) saneamento urbano e rural; b) pavimentação em todos seus tipos e modalidades; c) terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento e sua reposição; f) construção civil em geral, por empreitada ou administração, por conta própria ou de terceiros; g) serviços técnicos de engenharia civil; h) serviços especializados de impermeabilização e vedação na construção civil; i) administração de obras de construção civil; j) incorporação imobiliária em geral; k) compra e venda de imóveis e a promoção e venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; l) administração de bens imóveis próprios; m) representação por conta própria e de terceiros no seu ramo de negócio; n) qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social; conforme disposto na cláusula terceira do seu contrato social. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 950 4 Em 23/01/2003, a Recorrente formulou Consulta Fiscal processo nº 10855.000267/200351, esclarecendo que possuía contratos de execução de obras e/ou serviços de engenharia com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP, firmados por meio de procedimento licitatório, para execução de obras de instalação e prolongamento de rede de água e esgoto, construção de estação elevatória de esgoto e outras, em diversos municípios do Estado de São Paulo, que exigiam o emprego de materiais. Nela perguntou qual o percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido, obtendo como resposta o percentual de 8%. Vejamos a conclusão da Solução de Consulta: "Diante do exposto, solucionase a presente consulta informando a consulente que o percentual a ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços na área de construção civil será de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido quando houver emprego de material em qualquer quantidade. Por outra lado, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil mediante emprego unicamente de mãodeobra o referido percentual será de 32%, ou seja, aquele aplicado à prestação de serviço em geral". Diante desta solução, a Recorrente constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu o IRPJ à maior, pelo quádruplo do valor devido. A Recorrente procedeu, então, a apuração do IRPJ recolhido à maior e compensou o crédito com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) por meio do programa PER/DCOMP. No entanto, deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ, de modo que o sistema não constatou o pagamento à maior do imposto, gerando a não homologação da compensação por ausência de crédito. [...] Contra o despacho decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, narrando todos esses acontecimentos e comprovando que as suas receitas foram todas provenientes da prestação de serviços na construção civil, com emprego de materiais. Juntou as notas fiscais que emitiu e os contratos que as originaram, bem como, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Contudo, a decisão recorrida entendeu que o crédito não foi devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ. É importante esclarecer que embora o período de apuração do IRPJ seja trimestral (lucro presumido), a Recorrente sempre o apurou e o recolheu mensalmente, para evitar que suas disponibilidades financeiras fossem destinadas a outras despesas e não restassem recursos para o pagamento do imposto no final do trimestre. Essa medida sempre implicou em antecipação parcial do pagamento do IRPJ devido no trimestre. Assim, para comprovar seu crédito, a Recorrente anexou na Manifestação de Inconformidade cópias das notas fiscais emitidas no mês correspondente ao DARF pago e os contratos de prestação de serviços com emprego de materiais que as originaram. Juntou também, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 951 5 Verificase, portanto, que os documentos apresentados eram suficientes a comprovação do crédito, não tendo a Recorrente anexado cópia dos livros fiscais porque já havia apresentado os documentos que deram suporte à escrituração. Contudo, para atender a exigência do órgão recorrido, a Recorrente anexou ao presente recurso, todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos dos demais meses que compõem o trimestre e que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Referidos documentos estão sendo anexados ao recurso em respeito ao princípio da verdade material, para comprovar definitivamente que a Recorrente sempre prestou serviços de construção civil com emprego de materiais, recolhendo indevidamente o IRPJ pelo quádruplo do valor devido. Conclui Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida e homologar a compensação. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Termos em que, e. deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.046, de 14.12.2010, fls. 223226 para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime a) a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP a informar se a Recorrente utiliza materiais próprios na execução dos contratos de prestação de serviços de construção civil, realizados nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001; b) a Recorrente a apresentar: b.1) demonstrativo analítico dos materiais adquiridos com seus recursos e utilizados nos contratos de prestação de serviços que anexa aos autos; b.2) cópias das folhas do Livro Razão da conta nas quais escritura as referidas compras de materiais; b.3) cópia das folhas do Livro Razão das contas das receitas obtidas no curso dos anoscalendário em questão; b.4) demonstrativo analítico que evidencie a determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido, bem como a existência de pagamento maior que o devido no período referente ao crédito pleiteado, acompanhado das cópias dos registros contábeis pertinentes. Foi proferida Informação Fiscal, fls. 938942, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 15.06.2012, fl. 942 e permaneceu silente. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 952 6 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita que os presentes autos sejam apensados ao processo nº 10855.900739/200881. Nos processos administrativos serão observadas, dentre outras, a adequação entre meios e fins, a adoção de formalidades essenciais suficientes para garantir e propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados. Por esta razão, os litígios instaurados em relação aos Per/Dcomp que tenham por base o mesmo crédito, em relação ao mesmo sujeito passivo, devem ser juntados por anexação, uma vez que a comprovação dos pleitos depende dos mesmos elementos de prova1. Cabe ressaltar que o processo nº 10855.900739/200881 se encontra findo na esfera administrativa2 e ali a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 02315.26374.121203.1.3.048840 em 12.12.2003, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor de R$255,46 do DARF no valor de R$1.058,78 relativo ao recolhimento de IRPJ determinado sobre o lucro presumido, código nº 2089, efetuado em 30.12.1998, para compensação do débito ali confessado. Resta comprovado que não se tratando do mesmo crédito, os presentes autos não podem juntados por anexação àquele, por falta de previsão legal. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que está amparada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 52, de 07.03.2005 formalizada no processo nº10855.000267/200351. A solução de consulta pode ser formulada pelo sujeito passivo sobre a aplicação da legislação tributária em relação a fato determinado e não suspende o prazo para o recolhimento de tributo3. Cabe ressaltar que o processo de consulta em referência somente elucidou o teor do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, matéria posteriormente disciplinada no Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, fls. 2629: 1 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 2 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp> . Acesso em: 28 mai.2013. 3 Fundamentação Legal: art. 46 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 48, art. 49 e art. 50 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 953 7 I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão deobra, ou seja, sem o emprego de materiais. [...] Diante do exposto, solucionase a presente consulta informando à consulente que o percentual a ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços na área de construção civil será de 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido, quando houver emprego de material em qualquer quantidade. Por outro lado, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil mediante emprego unicamente de mãodeobra o referido percentual será de 32%, ou seja, aquele aplicado à prestação de serviço em geral Nesse sentido, mediante esse procedimento fiscal a Recorrente obteve esclarecimentos sobre a questão, oportunidade em que não lhe foi reconhecido qualquer direito creditório, por falta de análise da liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/DComp devem ser homologadas, pois está sujeita ao lucro presumido calculado pelo coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 954 8 natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 5. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de 5 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 955 9 obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais 6. O pedido de reconhecimento do direito creditório de IRPJ se fundamenta na aplicação incorreta do coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) ao invés de 8% (oito por cento), tendo em vista que no período exerceu a atividade de construção por empreitada e o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de 8% (oito por cento), uma vez que houve emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executálo, ou de fiscalizarlhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presumese verificado. O que se mediu presumese verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebêla. Poderá, porém, rejeitála, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza 7. No presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar8. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior9. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Contrato Social como objeto, fl. 1924: Construção civil e as seguintes prestações de serviços: a) Saneamento urbano e civil; b) Pavimentação em todos seus tipos e modalidades; 6 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. 7 Fundamento legal: arts. 610 a 626 do Código Civil. 8 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 956 10 c) Terraplenagem e remoção de terra; d) Drenagem, e) Calçamento e sua reposição; f) Construção Civil e Geral, por empreitadas ou administração por conta própria ou de terceiros; g) Serviços técnicos de engenharia; h) Serviços especializados de impermeabilização, vedação na construção civil; i) Administração de obras na construção civil; j ) Incorporação imobiliária em geral; k) Compra e venda de imóveis e a promoção e venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; 1) Administração de bens imóveis próprios; m) Qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social. Constam nos autos I) Termo de Contrato (IG) nº 15.076/99 I. 1) Termo de Contrato (IG) nº 15.076/99 com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Termo de Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, fls. 3797: 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato o Sistema de Abastecimento de Água do Jardim do Salto e Redes Distribuidoras e Ligações de Água em Diversas Ruas do Município de Serra Negra, de acordo com o Projeto, Edital do Convite (IG) n.° 15.076/99, Proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 99/073.288, Volume I, Tomo(s) III, as especificações técnicas, regulamentação de preços e critérios de medição Volumes 1 e 2 Revisão 1 e o Procedimento Sabesp 050/03 Segurança, Medicina e Meio Ambiente do Trabalho em Obras e Serviços Contratados de pleno conhecimento das partes. 1.2 As demais cláusulas que constituem o presente instrumento são: 2ª Preços, 3ª Serviços Extracontratuais, 4ª Reajustamento de Preços, 5ª Prazo, 6ª Medições e Pagamentos, 7ª Sustação de Pagamentos, 8ª Fiscalização, 9ª Garantia Contratual, 10ª Obrigações e Responsabilidade da Contratada, 11ª Obrigações da SABESP, 12ª Responsabilidade Civil e Seguro, 13ª Sinistros, 14ª Materiais/Equipamentos, 15ª Recebimento das Obras e/ou Serviços, 16ª Transferência, 17ª Valor, 18ª Sanções Administrativas, 19ª Responsabilidade Técnica, 20ª Rescisão, 21ª Força Maior, 22ª Documentos, 23ª Anexos, 24ª Disposições Complementares e 25ª Foro. 1.3 O objeto contratual executado deverá atingir o fim a que se destina, com eficácia e qualidade requerida. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 957 11 1.4 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. 1.5 A CONTRATADA se obriga a manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, todas as condições que culminaram em sua habilitação e qualificação na fase da licitação. I.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 98160: [...] tijolos, areia, brita, cimento, pedra número 1, tinta acrílica, verniz, lixa, porta, piso, prego, arame cozido, serra, arco de serra, ferro, bloco de cimento, mourão curvo de cimento, mourão reto de cimento, cerâmica, luva, cola, prego, torquês, caneleta de cimento, zarcão, pincel, rolo para pintura, tubo [...]. I.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fls. 232237: [...] Contrato nº 15.076/99 – Objeto: Sistema de Abastecimento de água do Jardim do Salto e Redes distribuidoras e ligações de água em diversas ruas no município de Serra Negra/SP [...] Contrato nº 15.076/99 – Objeto: Execução de rede de distribuição de água, rede coletora de esgotos e ligações domiciliares de água e esgoto [...] II) Termo de Contrato (IG) nº 4456/99 II. 1) Termo de Contrato (IG) nº 4456/99 com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP denominado Termo de Contrato de Execução de Obras e/ou Serviços de Engenharia, com o seguinte objeto, fls. 162201: 1.1 Constitui o objeto do presente termo de contrato a Execução de rede de distribuição e ligações prediais de água, rede coletora e ligações prediais de esgoto, do crescimento vegetativo, no município de Elias Fausto, de acordo com o Projeto, Edital do Convite 4456/99IM, Proposta da CONTRATADA e demais documentos constantes do Dossiê SABESP 99/013.058, Volume I, Tomos I e II e as especificações técnicas, regulamentação de preços e critérios de medição Volumes 1 e 2 Revisão 1 e o Procedimento Sabesp 050/03 Segurança, Medicina e Meio Ambiente do Trabalho em Obras e Serviços Contratados de pleno conhecimento das partes. 1.2 As demais cláusulas que constituem o presente instrumento são: 2ª Preços, 3ª Serviços Extracontratuais, 4ª Reajustamento de Preços, 5ª Prazo, 6ª Medições e Pagamentos, 7ª Sustação de Pagamentos, 8ª Fiscalização, 9ª Garantia Contratual, 10ª Obrigações e Responsabilidade da Contratada, 11ª Obrigações da SABESP, 12a Responsabilidade Civil e Seguro, 13a Sinistros, 14a Materiais / Equipamentos, 15ª Recebimento das Obras e/ou Serviços, 16ª Transferência. 17ª Valor, 18ª Sanções Administrativas, 19ª Responsabilidade Técnica, 20ª Rescisão, 21ª Força Maior, 22ª Documentos, 23ª Anexos, 24ª Disposições Complementares e 25ª Foro. 1.3 O objeto contratual executado deverá atingir o fim a que se destina, com eficácia e qualidade requerida. 1.4 O regime de execução deste contrato é o de empreitada por preço unitário. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 958 12 1.5 A CONTRATADA se obriga a manter, durante toda a execução de contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, todas as condições que culminaram em sua habilitação e qualificação na fase da licitação. II.2) Notas Fiscais de Saída de fornecedores de materiais para a Recorrente estão incluídos, entre outros, os seguintes produtos fls. 202212: [...] cimento, tomada, tubo cerâmico, conexões cerâmicas [...] II.3) Notas Faturas de Serviços emitidas pela Recorrente em nome SABESP está evidenciado como discriminação dos serviços, fls. 161 e, 230231: [...] Contrato nº 4456/99 – Objeto: Execução de rede de distribuição de água, ligações domiciliares de água, rede coletora de esgoto e ligações domiciliares de esgoto [...], Referente à 3ª Medição [...] Por seu turno, a autoridade de primeira instância de julgamento diz que Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 3º trimestre de 2000 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Remanesce, ainda, que há na DCTF declaração da existência de débito de IRPJ, código de receita: 2089 do 3º trimestre de 2000, no valor de R$5.011,00, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5o , § 1º). Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Tem cabimento insistir que são condições cumulativamente imprescindíveis para ser aplicado pela pessoa jurídica prestadora de serviços de empreitada na área de construção civil de o coeficiente 8% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido, a efetiva comprovação regularmente escriturada de emprego de material em qualquer quantidade e de mãodeobra. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, houve realização de diligência para esclarecer a situação fática (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972) em que a Autoridade Fiscalizadora constatou efetivamente, fls. 938943: Anocalendário – 3º Trimestre de 2000 Processo Administrativo n° 10855.900460/200806. 1) Com relação à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, em sua correspondência (vide documento anexo às folhas n° 338 e 339) nada nos informou ou ajudou a esclarecer, se a recorrente utilizou material em suas obras. 2) Com relação a CAMF Engenharia e Construções Ltda objeto desta diligência, temos a informar que: 21) Referente ao item "a" acima citado, a recorrente juntou o demonstrativo de fls. 324 a 328 do presente processo, onde relacionou as notas fiscais de sua Fl. 959DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 959 13 emissão, vinculou as notas aos contratos prestados e com as notas fiscais de aquisição de materiais aplicados, mas não comprovou no demonstrativo que foram pagos com recursos da recorrente e se foram pagos não foram contabilizados em sua escrita contábil. 22) Referente ao item "b" a recorrente simplesmente juntou cópias do Livro Diário e do Livro Razão (vide fls. 410 a 925 deste processo administrativo 10855.900460/200806), mas não indicou as folhas onde comprovassem as efetividades das aquisições dos materiais. 23) Referente, ao item "c" acima citado foram entregues cópias do Livro Diário e Livro Razão, os quais foram juntados as folhas 410 a 925, das quais as receitas obtidas no curso do anocalendário foram contabilizadas nas folhas n° 173 a 176, do Livro Razão, (anexas as fls. 901 e 904) do presente processo administrativo 10855.900460/200806. 24) Finalmente, em resposta ao item "d" acima, foi apresentado uma planilha anexada a folha 341 , onde fica, demonstrada, sob a ótica, da recorrente, a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido. [...] Concluímos que a recorrente não escriturou boa parte das notas fiscais dos fornecedores de materiais. Em se aceitando as razões da recorrente o instrumento em que solicita à compensação (PERDCOMP Pagamento indevido ou a maior) está inadequado. Haja, visto ser um crédito de Saldo Negativo de Lucro Presumido que deveria ser apurado na declaração retificadora, coisa que a contribuinte não o fez. Fica a CAMF Engenharia e Construções Ltda cientificada dos procedimentos desta diligência e desta Informação Fiscal para que, no prazo de 30 (trinta) dias, desejando se manifestar a respeito, com objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerente (inciso LV do art. 5° da Constituição da República). O conjunto probatório decorrente do processo investigativo realizado pela Autoridade Fiscal demonstra de forma motivadamente explícita, clara e congruente que os autos não estão instruídos com a totalidade das provas, entre outras, com os registros contábeis e os documentos que comprobatórios pertinentes, em especial, as cópias das folhas do Livro Diário e do Livro Razão das contas nas quais são escrituradas as aquisição e emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra modo a comprovar o direito à fruição do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo mensal de 8% (oito por cento) para fins de determinação base de cálculo do IRPJ do 3º trimestre do ano calendário de 2000, referente aos dados informados para a RFB. Por seu turno, a Recorrente, embora ciente de todas as discrepâncias quantitativas, não juntou aos autos os outros elementos de prova respectivos, pois nesse caso, cabelhe produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior10. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca dos registros contábeis e documentos hábeis de que suas alegações estão corretas. Não foram produzidos nos 10 Fundamentação legal: art. 147 e art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900460/200806 Acórdão n.º 1801001.471 S1TE01 Fl. 960 14 autos elementos de prova que comprovem a correção das informações indicadas na peça de defesa. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não está comprovada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13502.901071/2008-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Cuida-se de Recurso Voluntário em face da decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 01.07.2003 a 30.09.2003.
A distorção do resultado do valor do crédito presumido constatado entre o montante apresentado em DCP e o apurado pela fiscalização decorre de metodologia utilizada conforme sustenta a Interessada.
A fiscalização teria considerado para o cálculo o custo dos produtos vendidos CPV constantes dos balancetes mensais e não a referente aquisição de insumos, motivo pela qual o valor do crédito encontrado apresentou-se inferior ao pleiteado.
Outro ponto de divergência se refere ao cálculo do crédito presumido das vendas com fim específico de exportação. Alega-se que teria sido deixado de incluir no cálculo algumas vendas, a título de exemplo menciona a nota fiscal de número 10851.
Também aponta como defeito ausência de especificação das glosas procedidas pela fiscalização. Além disso, afirma que apurou crédito presumido inferior ao apurado pela Delegacia da Receita Federal nos autos do processo de número 13502.000385-2003-37. Por derradeiro pede atualização pela Taxa Selic.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário em face da decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 01.07.2003 a 30.09.2003. A distorção do resultado do valor do crédito presumido constatado entre o montante apresentado em DCP e o apurado pela fiscalização decorre de metodologia utilizada conforme sustenta a Interessada. A fiscalização teria considerado para o cálculo o custo dos produtos vendidos CPV constantes dos balancetes mensais e não a referente aquisição de insumos, motivo pela qual o valor do crédito encontrado apresentou-se inferior ao pleiteado. Outro ponto de divergência se refere ao cálculo do crédito presumido das vendas com fim específico de exportação. Alega-se que teria sido deixado de incluir no cálculo algumas vendas, a título de exemplo menciona a nota fiscal de número 10851. Também aponta como defeito ausência de especificação das glosas procedidas pela fiscalização. Além disso, afirma que apurou crédito presumido inferior ao apurado pela Delegacia da Receita Federal nos autos do processo de número 13502.000385-2003-37. Por derradeiro pede atualização pela Taxa Selic. É o relatório. Voto
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em face da decisão de piso que manteve o deferimento parcial de crédito presumido de IPI relativo ao período de apuração de 01.07.2003 a 30.09.2003. A distorção do resultado do valor do crédito presumido constatado entre o montante apresentado em DCP e o apurado pela fiscalização decorre de metodologia utilizada conforme sustenta a Interessada. A fiscalização teria considerado para o cálculo o “custo dos produtos vendidos – CPV” constantes dos balancetes mensais e não a referente aquisição de insumos, motivo pela qual o valor do crédito encontrado apresentouse inferior ao pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 01 07 1/ 20 08 -8 8 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13502.901071/200888 Resolução nº 3403000.452 S3C4T3 Fl. 4 2 Outro ponto de divergência se refere ao cálculo do crédito presumido das vendas com fim específico de exportação. Alegase que teria sido deixado de incluir no cálculo algumas vendas, a título de exemplo menciona a nota fiscal de número 10851. Também aponta como defeito ausência de especificação das glosas procedidas pela fiscalização. Além disso, afirma que apurou crédito presumido inferior ao apurado pela Delegacia da Receita Federal nos autos do processo de número 13502.000385200337. Por derradeiro pede atualização pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Considerando que as alegações aduzidas concentram em apontar como divergência o aproveitamento do custo dos produtos vendidos e não os das aquisições de insumos que integra o ICMS por se tratar de imposto não cumulativo, e, não integraria o custo dos produtos vendidos, bem como, ausência de especificação das glosas procedidas e de inclusão de algumas vendas com fim especifico de exportação, impõe transformar o julgamento em diligência para se proceder a novo cálculo do crédito presumido de IPI em conformidade com a legislação vigente e Instruções Internas da Receita Federal do Brasil Vigente no período de apuração, havendo modificação seja demonstrado separado. Assim, voto no sentido de baixar o feito em diligência no sentido de que seja apurado o crédito presumido de IPI em conformidade com a legislação aplicada ao tempo dos fatos com observância das Instruções Normativas da RFB, demonstrado de modo específico as glosas, e, seja incluído no computo do cálculo as vendas efetivadas com fim específico de exportação. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 17546.000327/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2001
DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos
do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado
antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores
efetuouse
antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do
art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT).
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento
da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento.
INCRA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES
PREVISTAS EM LEI.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e
legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: SalárioEducação/
FNDE e INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas,
sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou
seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na
taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados
pela Secretaria da Receita Federal.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador,
cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos
moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150,
§4° do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. INCRA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE e INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 150, §4° do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela desses segurados e à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE e INCRA), para as competências 01/1996 a 13/2001. O Relatório Fiscal (fls. 100/110) informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. E a base de cálculo decorre dos valores referentes às diferença constatadas entre aqueles declarados em folha de pagamento, nas Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s) e os registros contábeis disponibilizados durante a ação fiscal pelo contribuinte, bem como os valores aferidos em 40% do faturamento da empresa, nos termos do § 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91, tendo em vista que no exame da escrituração contábil e de outros documentos da empresa, o Fisco constatou que a contabilidade não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, conforme se depreende do “item 7” e “subitens” do Relatório Fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/07/2006 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 115/128), alegando, em síntese, que: 1. Da Decadência. Os autos de infração devem ser anulados, uma vez que a Previdência Social tem o prazo de cinco anos para apurar e constituir seus créditos. A seguir transcreve ementas de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais Federais; 2. Da Contribuição de Autônomos Folha de Rendimentos incluindo pessoas físicas sem vínculo empregatício. O Auto de Infração não deve prosperar mesmo não sendo esse o entendimento desta Delegacia de Julgamento, posto que, as contribuições sociais exigidas nos autos são anteriores a EC 20/98, não sendo portanto considerados segurados obrigatórios os administradores e autônomos. Continua discutindo sobre a citada Emenda Constitucional sob o argumento de que a mesma não revigora a constitucionalidade dos termos administradores e autônomos, permanecendo a inconstitucionalidade até a atualidade. Termina o argumento referindo que a contribuição sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais é ilegal e inconstitucional à medida que amplia a base de cálculo sem a devida Lei Complementar; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. Da contribuição destinada a Terceiros e SAT. Não há que se falar em recolhimento das contribuições destinadas ao INCRA e ao SalárioEducação, pois a atividade empresarial da contestante não estar ligada ao “Sistema S” nem ao sistema agrário do país. Com relação à contribuição destinada ao SAT, transcreve ementa do TRT da quarta região que entende como de risco leve a atividade desenvolvida pela administradoras de consórcio, sujeitandose assim à alíquota de 1% a título de SAT; 4. Do Vínculo Trabalhista. A fiscalização previdenciária não possui poderes para investigar a situação fática caracterizadora da relação empregatícia. Que no Relatório Fiscal não há qualquer prova ou elementos capazes de comprovar a existência do vínculo empregatício entre o suposto empregado e a empresa de modo a tornar legitima a imposição fiscal. Que as contribuições decorrentes desse ato devem ser cobradas na justiça do trabalho; 5. Das Multas. Existe verdadeira acumulação de multa, o que é proibido pelo direito, nem se diga que se trata de multas diferentes uma pela falta de recolhimento outra pela falta de declaração em documentos. Que a multa não pode ser cumulativa nem em duplicidade; 6. Dos documentos faltantes. Foi lavrado um auto de infração por não apresentação de folhas de pagamento, no entanto explica que as mesmas estavam em poder do antigo contador e estão sendo apresentadas em anexo, devendo dessa forma ser anulado o auto de infração n° 35.835.2630, anexa ainda a relação dos trabalhadores do arquivo SEFIP das competências 09/2000 a 04/2001; 7. Do Pedido. Pelas razões expostas requer a improcedência dos referidos autos de infração e os respectivos cancelamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0518.028 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 345/348) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 354/375), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Jundiaí/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 393/395). É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 350/374). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que seja declarada a extinção do crédito tributário, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização estariam fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Pelos motivos a seguir delineados, tal alegação será acatada em parte. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (g.n.) II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por consequência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 411DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 4 7 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. (...) 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 01/1996 a 12/2001 e foi efetuado em 28/07/2006, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores a Recorrente efetuou antecipação de pagamento, eis que os valores apurados decorrem de diferenças de contribuições não recolhidas, conforme Relatório Fiscal de fls. 100/110 e Discriminativo Analítico de Débito (DAD) de fls. 04/51. Nesse sentido, aplicase o Fl. 412DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 art. 150, § 4º, do CTN, para considerar que os valores apurados até a competência 06/2001, inclusive, foram abrangidos pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência será acatada para os valores apurados até a competência 06/2001, inclusive, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/1996 a 12/2001 e as competências posteriores a 06/2001 não foram abarcadas pela decadência tributária. Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência tributária, excluindo as contribuições apuradas até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. E, após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação à argumentação de inconstitucionalidade/ilegalidade da contribuição social destinada ao SalárioEducação/FNDE, registramos que o Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à CF/1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Inicialmente, a contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE, por força do Decreto 87.043/1982, foi fixada a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei 9.424/1996 também disciplinou a matéria no art. 15, in verbis: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à Constituição Federal de 1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Diante disso, vejamos o teor do enunciado da Súmula 732 do STF: Súmula 732 STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Por sua vez, a Lei 9.766/1998 estabeleceu que a contribuição social destinada ao SalárioEducação deverá obedecer os mesmos prazos e condições estipulados para as contribuições sociais devidas Seguridade Social. Lei 9.766/1998 Art. 1o. A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá ás mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (g.n.) Fl. 413DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 5 9 Com isso, afasto a alegação de ilegalidade da contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. Nesse sentido, há precedentes judiciais no Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF4), a saber: TRIBUTÁRIO. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO SAT. CONSTITUCIONALIDADE. GRAU DE RISCO. REGULAMENTO. 1. Não há qualquer vício no se atribuir ao Executivo, ou a um órgão do Executivo, a determinação dos graus de risco das empresas, para o enquadramento destas nos correspondentes graus de risco. 2. Em muitas situações o legislador é obrigado a editar normas "em branco", cujo conteúdo final é deixado a outro foco de poder, sem que nisso se entreveja a vedada delegação legislativa. As circunstâncias dirão a quem deferir a competência. 3. Não se confunde a delegação legislativa com a suplementação técnica da norma por autoridade administrativa. O que se tem, no caso dos autos, é típica suplementação técnica da lei, atribuída à autoridade administrativa, que não estará exercendo qualquer função normativa e nem mesmo regulamentar. Via de conseqüência, não há qualquer vício de inconstitucionalidade na fixação, pelo Ministério da Previdência Social, dos critérios de enquadramento das empresas nos diversos graus de risco de acidentes do trabalho. 4. Recurso de apelação improvido.(TRF 4a Região, Recurso de Apelação nº 1999.72.01.0062983/SC, Relator Antonio Albino Ramos de Oliveira). (g.n.) Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro Fl. 415DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 6 11 de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. Quanto à alegação de inconstitucionalidade/ilegalidade das contribuições destinadas ao INCRA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os preceitos regulados na Lei 8.212/1991 e demais disposições das legislações vigentes que embasaram o lançamento fiscal ora analisado. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições destinadas ao INCRA, não há razão para a Recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou debitada aos segurados empregados. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF : “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por outro lado, esclarecemos que a matéria já se encontra pacificada no âmbito do poder Judiciário, firmando entendimento de que é devida a contribuição social destinada ao INCRA, conforme se percebe do recente precedente do Superior Tribunal de Justiça, sob a égide da nova Lei de Recursos Repetitivos, confirase: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89 OU 8.212/91.NÃO OCORRÊNCIA. EXAÇÃO EXIGÍVEL DAS EMPRESAS URBANAS. ACÓRDÃO EMBARGADO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente os embargos de divergência (art. 266, § 3º, do RISTJ). 2. A jurisprudência da Primeira Seção, consolidada inclusive em sede de recurso especial repetitivo (REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 10/11/2008), firmou o entendimento de que a contribuição para o Incra (0,2%) não foi revogada pelas Leis 7.787/89 e 8.213/91, sendo exigível, também, das empresas urbanas. 3. Incidência da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 803.780/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 30/11/2009)”. Logo, são devidas as contribuições destinadas ao INCRA, afastando assim as alegações de ilegalidade dessa contribuição. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 417DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 7 13 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 418DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 82/90), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000327/200700 Acórdão n.º 2402002.594 S2C4T2 Fl. 8 15 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 06/2001, inclusive, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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