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Numero do processo: 10950.003480/2002-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 04/05/1998 a 18/02/1999
PIS. O auto de infração deve conter a correta descrição dos fatos, de forma que se tenha certeza dos débitos que estão sendo exigidos. A fiscalização, ao proceder o lançamento em causa, se baseou em aspectos outros que sequer levavam em consideração a existência de ação judicial que reconheceu direito creditório de PIS ao contribuinte, razão que compromete o “motivo” do lançamento em causa.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.286
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nanci Gama
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 04/05/1998 a 18/02/1999 PIS. O auto de infração deve conter a correta descrição dos fatos, de forma que se tenha certeza dos débitos que estão sendo exigidos. A fiscalização, ao proceder o lançamento em causa, se baseou em aspectos outros que sequer levavam em consideração a existência de ação judicial que reconheceu direito creditório de PIS ao contribuinte, razão que compromete o “motivo” do lançamento em causa. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 04/05/1998 a 18/02/1999 PIS. O auto de infração deve conter a correta descrição dos fatos, de forma que se tenha certeza dos débitos que estão sendo exigidos. A fiscalização, ao proceder o lançamento em causa, se baseou em aspectos outros que sequer levavam em consideração a existência de ação judicial que reconheceu direito creditório de PIS ao contribuinte, razão que compromete o “motivo” do lançamento em causa. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Susy Gomes Hoffmann Vice Presidente no exercício da Presidência Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no inciso II, do artigo 56, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, e no inciso I, do artigo 7º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face ao acórdão de n.º 20179.483, proferido pela Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por entender que os valores de PIS apurados foram devidamente compensados com créditos, desse mesmo tributo, advindos de pagamentos indevidos, realizados pelo contribuinte quando da vigência dos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, os quais, posteriormente, foram declarados inconstitucionais por Resolução do Senado Federal, conforme ementa a seguir: “PIS. COMPENSAÇÃO. DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO DO SEXTO MÊS ANTERIOR À HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Com a suspensão da execução dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 (e havendo decisão judicial transitada em julgado a favor do recorrente), voltou a reger o PIS, desde a publicação das normas declaradas inconstitucionais até a entrada em vigor dos ditames da MP nº 1.212/1995, a Lei Complementar nº 7/70, e assim, a base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência da hipótese de incidência, em seu valor histórico, não corrigido monetariamente. NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. INSUBSISTÊNCIA. Quando apresentada prova de compensação por meio de DCTFs e Darfs de recolhimento, insubsistente o lançamento de ofício decorrente de auditoria interna de DCTF que desconsidera decisão em lide transitada em julgado. Recurso provido.” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, aduzindo a omissão e contradição de aludido acórdão, eis que este teria desconsiderado o fato de que os créditos, supostamente obtidos nos autos da ação ordinária no 95.301.02771, seriam insuficientes para quitar o tributo lançado no presente auto de infração, o qual fora totalmente cancelado. No despacho de fls. 399/400, a ilustre Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em conformidade à informação de fls. 393/394, entendeu por rejeitar os Embargos Declaratórios, nos termos do artigo 58, do Anexo I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF no 147/2007. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por contrariedade à evidencia das provas e à legislação tributária federal, reiterando seus Embargos de Declaração e aduzindo que pelo fato de haver incerteza e iliquidez quanto à existência dos créditos de PIS, consubstanciados em decisão judicial, a compensar o débito objeto do presente auto de infração, o acórdão recorrido deveria ser reformado in totum. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10950.003480/200255 Acórdão n.º 930301.286 CSRFT3 Fl. 454 3 Em despacho de fls. 431/433, a ilustre Presidente da Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte, devidamente intimado, apresentou suas contrarazões às fls. 437/446, requerendo pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional eis que tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidos todos os pressupostos de admissibilidade previstos no artigo 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O cerne da questão, a ser tratada nos presentes autos, se resume em verificar se os pressupostos de validade do auto de infração, previstos no Decreto nº 70.235/78 e nas Leis nos 4.717/95 e 9.784/99, referentes à competência do agente, ao objeto, à forma, ao motivo e à finalidade, foram devidamente observados pela Administração Pública. A autoridade fiscal, ao proceder o lançamento em causa, se baseou em aspectos outros que sequer levaram em consideração a existência de ação judicial que reconheceu o direito creditório de PIS ao contribuinte, a qual, inclusive, só veio a ser considerada nos presentes autos quando o contribuinte apresentou a sua impugnação, fato esse que evidencia a inexatidão do “motivo” que ensejou a autuação. Em caso semelhante ao tratado nos presentes autos, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já manifestou seu entendimento, conforme muito bem esclarecido no voto proferido pela i. Conselheira, Dra. Maria Tereza Martínez López, quando do julgamento do Recurso Especial nº 201130981, motivo pelo qual faço de suas palavras as minhas: “(...) a questão relevante neste processo, seria, no entender desta Conselheira, verificar se todos os pressupostos de validade do ato administrativo, consubstanciado no auto de infração, foram observados pela Administração Pública. O auto de infração, como todo e qualquer ato administrativo, deve preencher os requisitos legais relativos à competência do agente, ao objeto, à forma, “ao motivo” e à finalidade, sob pena de nulidade (Lei nº 4.717/95; Lei nº 9.784/99 Decreto nº 70.235/72). Constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 4 Leciona o doutrinador Hely Lopes Meirelles que: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). Ora, tendo o Fisco motivado seu ato na não comprovação do processo judicial e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, claro está que o auto de infração deve ser anulado pela própria Administração, a teor do que determina o art. 53 da Lei nº 9.784/99, combinado com o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, como exposto na decisão recorrida, o lançamento de ofício deveria ter considerado decisão transitada em julgado favorável ao contribuinte. No mais, o recurso interposto, deveria trazer contestação a todos os itens expostos na decisão guerreada, e não somente quanto à liquidez dos créditos utilizados pela contribuinte na compensação, matéria, inclusive afeta à fiscalização, se tivessem sido observados todos os requisitos legais do lançamento. (...)” Além disso, para corroborar ainda mais esse entendimento, vale transcrever trecho da declaração de voto, realizada pelo i. Sr. Jorge Francisco Menezes, a qual foi utilizada como referência no voto proferido pela i. Maria Tereza Martínez López, supra mencionado, in literis: “Não há como esquecer que o auto de infração foi lavrado em virtude de não ter sido comprovada a existência de ação judicial que, informada pelo contribuinte na DCTF, teria lhe reconhecido direito creditório relativo ao PIS. (...), o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer se baseou em aspectos outros que só foram carreados para os autos após a impugnação e que não corroboram, pois, bem ao contrário, até evidenciam a inexatidão do motivo que ensejou a autuação em exame, eis que, em razão da existência da ação judicial que reconheceu haver direito creditório devido ao contribuinte, outros passaram a ser os pressupostos que, em tese, autorizariam a lavratura do feito, além do que, na mesma esteira, a autoridade lançadora tampouco cientifico o contribuinte desses novos pressupostos (...)” Assim, sendo evidente que o auto de infração em epígrafe foi lavrado sem que sequer fosse mencionada a existência da ação judicial que reconhece o direito creditório do contribuinte, restase concluir que o requisito de validade do auto de infração, referente ao “motivo”, não fora devidamente preenchido pela autoridade fiscal. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10950.003480/200255 Acórdão n.º 930301.286 CSRFT3 Fl. 455 5 Face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento, mantendo os efeitos da decisão recorrida. Nanci Gama Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004979/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA DO PAÍS, CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR.
Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$165,74.
O imposto devido é a diferença entre a soma de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação.
Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar.
MULTA POR ATRASO, CARÁTER CONFISCATÓRIO.
INOCORRÊNCIA
A multa por atraso na entrega de declaração está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
Ademais, apenas os tributos são informados pelo princípio constitucional do não confisco e multa pecuniária não é tributo,
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.779
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA DO PAÍS, CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR. Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$165,74. O imposto devido é a diferença entre a soma de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação. Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar. MULTA POR ATRASO, CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA A multa por atraso na entrega de declaração está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Ademais, apenas os tributos são informados pelo princípio constitucional do não confisco e multa pecuniária não é tributo, Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T19:19:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T19:19:10Z; Last-Modified: 2010-11-18T19:19:11Z; dcterms:modified: 2010-11-18T19:19:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:82194227-7b45-42e9-b65d-fa8cb56a7d13; Last-Save-Date: 2010-11-18T19:19:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T19:19:11Z; meta:save-date: 2010-11-18T19:19:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T19:19:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T19:19:10Z; created: 2010-11-18T19:19:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-11-18T19:19:10Z; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T19:19:10Z | Conteúdo => 1: 1 S2-C111 Fl 85 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19647.004979/2006-11 Recurso n" 516_579 Voluntário Acórdão n" 2101-00.779 --- 1" Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente JORGE CARLOS CORREIA DIAS CESAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 IRPF, MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA DO PAÍS, CÁLCULO SOBRE O IMPOSTO DEVIDO E NÃO A PAGAR. Estando o contribuinte obrigado à entrega da declaração de rendimentos, sua não apresentação no prazo estabelecido impõe a aplicação da multa por atraso na entrega correspondente a 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com multa de no mínimo R$165,74.. O imposto devido é a diferença entre a soma de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, e a soma das deduções autorizadas pela legislação.. Impossível se igualar os conceitos de imposto devido e de imposto a pagar. MULTA POR ATRASO, CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA A multa por atraso na entrega de declaração está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Ademais, apenas os tributos são informados pelo princípio constitucional do não confisco e multa pecuniária não é tributo, Recurso Voluntário Negado_ Vistos, 'datados e discutidos os presentes autos. CAP.I"tviI Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido - President (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relator. EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, °durá Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de 11. 06, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de saída definitiva do país, formalizando a exigência de multa no valor de R$6,136,63. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fis 12 a 18), acatada como tempestiva, onde alegou, em síntese, que o cálculo da multa por atraso na entrega da declaração deve se dar sobre o saldo de imposto a pagar, aplicando-se a multa mínima quando este não existir ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A I" Turma da DRJ/Recife/PE .julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (fis. 52 a 58): Versam os autos sobre multa por atraso na entrega da Declaração de Saída Definitiva do Pais referente ao Ano-Calendário de 2001, encaminhada em 15/08/2003, com caracterização da condição de não-residente em 31/05/2001 (fls. 26), recibo de entrega da referida declaração. Fundamentação Inicialmente, destacamos que a Declaração de Saída Definitiva do País não se confunde com a Declaração de Ajuste Anual - DIRPF A DIRPE destina-se principalmente à informação à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB dos rendimentos recebidos por residentes no Brasil no curso do ano-calendário e do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser restituído A Declaração de Salda Definitiva cio , lais ,, possui finalidade diversa, vez que objetiva informar ,a RFB que o 2 1 i (..) 0 Processo n" I 9647 004979/7006-i ,S2 -CM Acórdão n " 2101-00.779 Fl 89 contribuinte passa a ostentar a condição de não-residente no Brasil, apurando-se imediatamente o saldo do imposto de renda a pagar ou a ser restituído, com os conseqüentes reflexos na tributação dos futuros rendimentos recebidos em território nacional, que se sujeitarão unicamente à tributação exclusiva do Imposto sobre a Renda na fonte ( Do exposto, resta evidente que a entrega da DIRPF não supre a entrega a destempo da Declaração de Saída Definitiva do País, vez que ambas declarações possuem previsões legais específicas, finalidades diversas e prazos diferenciados de entrega. ( ) Assim, correta a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração nos valores definidos pelo artigo 88 da L ei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, convertido para Reais de acordo com o disposto no artigo 30 da Lei 9 249/1995, conforme determinava o art. 13 da Instrução Normativa SRF n". 073198, que tratava sobre a tributação das pessoas físicas, pelo imposto de renda, dos rendimentos e ganhos de capital auferidos, por residente no País, de fontes situadas no exterior, e sobre os rendimentos e ganhos de capital auferidos no Brasil por não-residente no Pais, in ve, bis: ( ) Prazo de entrega hnediato Quanto ao prazo de entrega da Declaração de Saída Definitiva do Pais, conforme preceitua o art. 17 da Lei n°. 3 470/58, regulamentado pelo art. 16 do Decreto n". 3.000/99, já mencionado anteriormente, temos que a apresentação da declaração de saída definitiva do País é imediata e correspondente aos rendimentos e ganhos de capital percebidos no período de 1 2 de janeiro até a data em que for requerida a certidão de quitação de tributos federais. Assim, o termo imediata utilizado, refere-se à data do requerimento de Certidão de Quitação de Tributos Federais que também foi normalizado pela Instrução Normativa n" 73/98, em seu art. 9', na redação dada pela IN SRF n° 167/99, in verbis: ( ) Tipificação da multa O Impugnante alega equivoco da tipificação conjunta dos arts. 16 e 964 do RIR já que a multa de mora prevista no inciso I, deste artigo, refere-se exclusivamente a entrega intempestiva da Declaração Anual de Rendimentos e não à Declaração de Saída Definitiva, tratando-se de inobservância da subsunção. ( ) Pela simples leitura da legislação citada, vê-se que a penalidade está prevista na mesma norma, qual seja, lei 0 8.981/95, art. 88, com as alterações do art. 27 da Lei n" 9,532/97. Assim, não há que se alegar equívoco da fundamentação do presente lançamento Multa 3 E . 4 D F. L AR F N. if O Impugnante alega que o cumprimento da obrigação principal efetivou-se com a entrega da Declaração de Saída Definitiva e que a multa não seria devida Ora, a lei existe e deve ser cumprida Assim, excluir a multa pela apresentação intempestiva da declaração equivale a admitir que esta se faça a qualquer tempo, sem qualquer penalidade, o que desconstituiria a obrigatoriedade de fazê-lo dentro do prazo legalmente estabelecido no interesse da arrecadação e da fiscalização do tributo ) De acordo com o demonstrativo da DIRF o imposto devido é o valor do imposto apurado na tabela menos eventual deduções previstas em lei, efetuadas pelo contribuinte, naquele ano-calendário No presente caso não há informação sobre dedução de incentivo, portanto o valo do imposto devido item 17 é o mesmo r apurado no item 15 do ficha da DIRPF/2001, portanto, a multa foi aplicada corretamente, de conformidade com a legislação supra mencionada RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 06/04/2009 (fl. 65), o contribuinte apresentou, em 06/05/2009 67), por meio de seu representante legal, o recurso de fls. 67 a 74, onde repisou os argumentos da impugnação, em especial que a multa por atraso na entrega da declaração deve ser calculada sobre o saldo de imposto a pagar, aplicando-se a multa mínima quando este não existir, transcrevendo jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, e defendeu o caráter confiscatório da penalidade aplicada. Ao final, pugnou pelo cancelamento da multa, ou pela redução da penalidade aplicada para o valor da multa mínima de R$165,74. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 87, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 15 de agosto de 2003, Declaração de Saída Definitiva do País, com caracterização de não-residente em 31 de maio de 2001 (ti, 26). A Instrução Normativa SRF n" 073, de 23 de julho de 1998, era o ato legal que regulamentava essa declaração naquele exercício, e determinava, em seu art 9 0, que ela deveria ser entregue na data em que fosse requerida a Certidão Negativa de Débitos de 'Tributos e Contribuições Federais, Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração de saída definitiva e por fazê- lo em atraso, recebeu a multa no valor de R.$6. 136,63, correspondente a 20% sobre o imposto devido, percentual correspondente a 1% vezes o número de meses de atraso, limitado a 20%. • H T' Processo n" 19647.004979/2006-11 S2-CITI Acórdão n '21(11-0(1179 Fi 90 A exigência da multa por atraso na entrega da declaração, nos termos em que foi exigida no lançamento em exame, está devidamente alicerçada na legislação tributária. Conlira-se: Lei n" 3.470, de 28 de novembro de 1958. .Art 17 Os residentes eu domiciliados no Brasil que se retirarem em cai áter definitivo do terr itório nacional no correr de um exercício . firranceir o, além do impôsto calculado na declaração correspondente aos rendimentos do ano civil anediatamente anterior; ficam sujeitas à apresentação imediata da nova declaração dos rendimentos do período de 1 de janeiro até a data em que .fõr requerida às repartições do impásto de renda a certidão para visto no passaporte, .ficando, ainda, obrigados ao pagamento, no ato da entrega dessa declaração, do impósto que nela fôr• ama ado ) Lei n" 8.981, de 20 dejaneiro de 1995. Art. 88. A filha de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa .fisica ou jurídica 1 - à multa de mora de um por cento ao mês ou fiação sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago, (Vide Lei n" 9 532, de 1997) 11 - à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1" O valor mínimo a ser aplicado será; a) de duzentas Ufirs, para as pessoa.s.fisicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. ) Lei il" 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Ar! 27 A multa a que se refere o inciso I do are 88 da Lei n" 8 981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1" do referido ar! 88, convertido em reais de acordo com o disposto no ar! 30 da Lei n"9.249, de 26 de dezembro de 1995. ) Lei a"9.779. de 19 dejanerro de 1999. Ari 16 Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, .forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 5 6 (,,J\ Como se vê, de acordo com a legislação acima transcrita, resta claro que a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo enseja o lançamento da multa por atraso correspondente a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor minimo previsto no §1 0, alínea "a", do artigo 88 da Lei n" 8.981, de 1995, quantia que, convertida pata reais, resulta em R$ 165,74. A interpretação de que a multa por atraso deveria ser aplicada sobre o imposto a pagar teve algum sucesso no âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, como comprovam os acórdãos citados pelo recorrente. Afirmava-se, por meio de uma interpretação gramatical, que devido seria o tributo que sobrasse a ser pago depois da dedução do imposto já retido na fonte, Contudo, essa tese teve pequena acolhida, sendo rapidamente superada, na medida em que contraria frontalmente o que determina a lei Veja-se que o art. 88, inciso 1, da Lei IV 8,981, de 1995, define que a multa por atraso se aplica sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago. Ora, como afirmar que a lei dizia que o imposto devido seria o tributo a pagar, se o próprio texto legal determinava a penalidade no caso de imposto integralmente pago? Mais ainda, O art. 12 da referida lei define explicitamente o que vem a ser imposto devido: Art. 12. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas 1- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-blindáveis, os triblitávais exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, 11 - das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeuta.s ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; b) as despesas realizadas com instrução regular do contribuinte e seus dependentes até o limite anual individual de R$ [.500,00; c) as contribuições e doações efetuadas a entidades de que trata o cri 1" da Lei n" 3.830, de 25 de novembro de 1960, observadas as condições estabelecidas no art 2" da mesma lei; d) as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Dl/ eitos da C, lança e do Adolescente; e) a soma dos valores rafe] idos no art. 9" desta lei Já os arts, 15, 16 e 17 da mesma lei determinam, para se chegar ao valor do imposto a pagar, a aplicação da tabela progressiva sobre o imposto devido e a subtração dos incentivos permitidos em lei, do imposto retido na fonte á pago, e do imposto pago no exterior, ri 'H Processo n" 19647 004979/2006-11 S2-CI1 1 Acórdão n " 2101-00.779 Fl 91 Assim, insustentáveis os argumentos no sentido de se aplicar a multa mínima no caso em que não for apurado tributo a pagar, pois a própria lei que instituiu a penalidade faz diferença expressa entre os conceitos de imposto devido e a pagar. A título de complementação, verifico que duas das decisões do Conselho de Contribuintes, apresentadas no recurso como exemplo da jurisprudência administrativa, foram reformadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, Assim, o Acórdão n° 104-20.261 foi reformado pelo Acórdão n° CSRF/04- 00.569, de 19 de junho de 2007, e o Acórdão n° 104-20..746 foi reformado pelo Acórdão n° CSRF/04-00,401, de 12 de dezembro de 2006. Transcrevo a ementa do Acórdão n° CSRF/04-00.569 para demonstrar o pensamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA POR ATRASO - BASE DE CÁLCULO — VALOR APURADO NA DECLARAÇÃO - O conceito de imposto devido, como base de cálculo pata a multa por atraso, dever ser entendido como o valor do Imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que, sendo penalidade por desciam!» intento de obrigação acessória, a base de cálculo da referida multa independe do cumprimento ou não da obrigação tributária principal O pagamento da obrigação tributária pi incipai, além de não poder excluir a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, não pode reduzir o seu Recurso especial p, ovido. Para reforçar que é esse o entendimento pacificado da CSRF, acrescento as seguintes decisões: Acórdão n° CSRF/04-00 268, de 12 de junho de .2006, Acórdão n° CSRF/04-00.432, de 12 de dezembro de 2006, Acórdão n° CSRF/04-00.646, de 18 de setembro de 2007, Acórdão n° CSRF/04-00.729, de 12 de dezembro de 2007, e Acórdão n° CSRF/04-01.069, de 07 de outubro de 2008. Quanto ao argumento de que a multa aplicada possui caráter confiscatório, este também não merece prosperar. A uma, porque se trata de cominação prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF n° 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). E a duas, porque é entendimento pacificado do CARF que o princípio do não confisco não se aplica às penalidades. De fato, esse princípio está estampado no art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, sendo vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federai e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco. E o conceito de tributo é extraído do art. 3 0 do Código Tributário Nacional, que o define como "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir ., que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Como a multa consiste irx) 8 DF. CARA Nfi 1. justamente em sanção por ato ilícito, infere-se que multa não é tributo, e a ela não se aplica o refeádo principio constitucional.. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. José Evande Carvalho Araujo
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907080/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
Numero da decisão: 1402-003.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.907079/2009-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10480.907079/2009-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10480.907079/200946, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 70 80 /2 00 9- 71 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10480.907080/200971 Acórdão n.º 1402003.838 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife que decidiu por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Adoto o relatório da r. DRJ em sua integralidade, complementandoo ao final no que entender necessário. A contribuinte acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação DCOMP de fls. [...], por meio da qual compensou crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, apurada por estimativa em [...], com débito da contribuição apurada por estimativa em [...]. O crédito pleiteado importa em [...]. Através do Despacho Decisório eletrônico de fl. [...], a Delegacia da Receita Federal do Recife – DRF/Recife não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor a maior pago por estimativa ao final do período de apuração. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. [...]), alegando, em síntese: preliminar de prescrição do direito de cobrança do crédito tributário indevidamente compensado com base no art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN); apura seus resultados com base em balancetes mensais de suspensão e tendo verificado recolhimento de estimativa indevido entregou PER/DCOMP para compensação com base no art. 74 da Lei nº 9430/1996; não concorda com a decisão prolatada porque a compensação foi elaborada com base no seu balanço anual e nas disposições normativas tributárias vigentes. A r. DRJ em São Paulo proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. IN RFB N° 900/2008. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 19/2011. CARÁTER INTERPRETATIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19, de 05/12/2011, a revogação da vedação do uso de estimativa de IRPJ/CSLL como crédito, instituída pela IN RFB n° 900/2008, tem caráter interpretativo, sendo tal tipo de crédito permitido, mesmo para fatos geradores anteriores à publicação daquela instrução normativa. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE CSLL. TOTAL DEDUZIDO AO FINAL DO PERÍODO. DIVERGÊNCIA COM VALORES DECLARADOS EM DCTF. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe reconhecimento de direito creditório relativo à Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10480.907080/200971 Acórdão n.º 1402003.838 S1C4T2 Fl. 4 3 estimativa da CSLL quando, ainda que o contribuinte tenha recolhido valor a maior que o apurado em determinado mês, o valor total deduzido ao final do ano calendário, a título de pagamento de estimativas, é maior que a soma de estimativas declaradas em DCTF, sendo que tal diferença é superior ao crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário alegando preliminarmente a prescrição do débito pretendido. No mérito, sustenta que utilizou crédito de CSLL recolhido, incluindo juros e multa, para compensar com débito o mesmo imposto vencido posteriormente, através de PER/DCOMP. Afirma que a compensação carreada está em linha com a legislação tributária vigente. É o relatório. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.836, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10480.907079/200946, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.836): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. – PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A Recorrente alega que teria prescrito o direito de a Fiscalização cobrar o crédito definitivamente constituído. Ocorre que, in casu, a prescrição é instituto que visa a preservação da segurança jurídica, impedindo que o fisco exerça sua pretensão de cobrança após se manter inerte pelo prazo de 5 anos. No caso em análise, o contribuinte pleiteou a compensação, cujo prazo para homologação é de 5 anos contados da data da entrega da declaração, nos termos do §5 do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Além disso, o próprio art. 174 do CTN em seu Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10480.907080/200971 Acórdão n.º 1402003.838 S1C4T2 Fl. 5 4 inciso IV determina que interrompe a prescrição qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Nessa senda, ante o reconhecimento do débito, nos termos nos termos o § 6 do art. 74 da Lei 9.430/96, não há como se aplicar o instituto da prescrição ao caso em espécie, como bem observou a r. DRJ. Por esse motivo, afasto a preliminar suscitada. 3. DO MÉRITO Em que pese o inconformismo da Recorrente, razão não lhe assiste. O levantamento realizado pela DRJ em sua fundamentação de decidir mostram tanto a ausência de liquidez e certeza do crédito quanto a ausência do próprio crédito. Por essa razão, adoto os fundamentos da r. DRJ como razão de decidir: Assente a possibilidade, em tese, de promoverse a compensação na forma dos autos, cumpre averiguarse os requisitos de liquidez e certeza previstos no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Conforme consta do Despacho Decisório, fl. [...], foi recolhido em [...], CSLL relativa à estimativa apurada em [...], no valor total de [...], pagamento confirmado no sistema SIEF, encontrando¬se disponível, sem alocações, reservas ou bloqueio. Também no sistema IRPJConsulta, se verifica que a contribuinte, em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais– DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005, não apurou CSLL por estimativa em [...], nada declarando a tal título na DCTF, conforme consulta no sistema DCTF (DCTF retificadora ativa entregue em [...]). No entanto, a contribuinte declarou em DCTF o valor total de CSLL por estimativa código 2484 de R$ 362.224,15 enquanto que para apuração da CSLL no ajuste anual (DIPJ retificadora entregue em 15/09/2005) deduziu CSLL mensal paga por estimativa na Ficha 17 linha 43 no valor de R$ 492.466,92, portanto, valor superior em R$ 130.242,77 à soma dos valores efetivamente declarados em DCTF o que conduziria, caso homologada a compensação em análise, ao duplo aproveitamento do crédito. Logo, se utilizou de R$ 130.242.77 maior do que declarado em DCTF, conforme se demonstra. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10480.907080/200971 Acórdão n.º 1402003.838 S1C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, constatase que o valor das estimativas deduzidas no ajuste anual é superior à soma das estimativas declaradas mensalmente em DCTF, o que leva à conclusão de que o excesso de estimativa no montante de R$ 130.242,77 já foi utilizado ao final do anocalendário. Essa diferença é superior ao pagamento de estimativa feito a maior (ou indevidamente) relativo ao período de apuração [...], crédito oferecido na presente compensação, [...]. Isto posto, voto por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, por afastar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao recurso aduzido. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10480.907080/200971 Acórdão n.º 1402003.838 S1C4T2 Fl. 7 6 Fl. 289DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721349/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO TEMPESTIVAMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO.
Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS COM VÍNCULO DE EMPREGO NÃO COMPROVADO APÓS INTIMAÇÕES FISCAIS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) concedida pela empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, é regida com especialidade pela Lei 10.101, sendo esta a utilizada para fundamentar a não inclusão no salário-de-contribuição dos pagamentos realizados a tal título, afastando a incidência previdenciária, deste modo os valores pagos aos diretores estatutários, sem comprovação de vínculo de emprego, especialmente após intimação fiscal e resposta de inexistência de registro, caracterizando distinguishing em relação ao diretor empregado registrado e declarado nos documentos fiscais e sociais, sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, por não restar demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego.
Os valores pagos aos diretores com base na Lei 6.404, ainda que à título de participação nos lucros, sujeita-se a incidência de contribuições previdenciárias, pois, neste caso, não se fundamenta na Lei 10.101 e não provem do capital investido na sociedade, baseando-se no efetivo trabalho executado na administração da Companhia possuindo natureza remuneratória. A Lei 6.404 não regula a participação nos lucros e resultados para fins de exclusão de tal título do conceito de salário-de-contribuição. A natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na forma da Lei 10.101, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer dos Stakeholders.
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO REFLEXO AO AVISO-PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA.
Apesar de não incidir contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial, relativamente à incidência da exação sobre o décimo terceiro salário proporcional no aviso prévio indenizado, integra o salário-de-contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária o reflexo do décimo terceiro salário sobre o aviso prévio, por possuir natureza remuneratória.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2202-005.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso para excluir o lançamento relativamente ao PLR.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO TEMPESTIVAMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, devese conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, não se cogitando de preclusão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AOS DIRETORES ESTATUTÁRIOS COM VÍNCULO DE EMPREGO NÃO COMPROVADO APÓS INTIMAÇÕES FISCAIS NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) concedida pela empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, é regida com especialidade pela Lei 10.101, sendo esta a utilizada para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 49 /2 01 2- 88 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 337 2 fundamentar a não inclusão no saláriodecontribuição dos pagamentos realizados a tal título, afastando a incidência previdenciária, deste modo os valores pagos aos diretores estatutários, sem comprovação de vínculo de emprego, especialmente após intimação fiscal e resposta de inexistência de registro, caracterizando distinguishing em relação ao diretor empregado registrado e declarado nos documentos fiscais e sociais, sujeitamse a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, por não restar demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego. Os valores pagos aos diretores com base na Lei 6.404, ainda que à título de participação nos lucros, sujeitase a incidência de contribuições previdenciárias, pois, neste caso, não se fundamenta na Lei 10.101 e não provem do capital investido na sociedade, baseandose no efetivo trabalho executado na administração da Companhia possuindo natureza remuneratória. A Lei 6.404 não regula a participação nos lucros e resultados para fins de exclusão de tal título do conceito de saláriodecontribuição. A natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) na forma da Lei 10.101, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer dos Stakeholders. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO REFLEXO AO AVISOPRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA. Apesar de não incidir contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial, relativamente à incidência da exação sobre o décimo terceiro salário proporcional no aviso prévio indenizado, integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária o reflexo do décimo terceiro salário sobre o aviso prévio, por possuir natureza remuneratória. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial ao recurso para excluir o lançamento relativamente ao PLR. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 338 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 310/322), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 232/249), proferida em sessão de 31/10/2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1680.621, da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente à impugnação (efls. 99/109), mantendo parcialmente os créditos tributários exigido através dos autos de infração DEBCAD's 51.032.8881 e 51.032.8890, cujos valores originários antes do provimento parcial eram de R$ 1.146.780,93 (efls. 22, tendo sido excluído R$ 41.906,19) e de R$ 10.817,04 (efls. 30, tendo sido excluído R$ 4.814,67), respectivamente, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de documentos, solicitação de diligência e/ou perícia, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, com observância das determinações previsto no Decreto n.º 7.574/2011. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA PAGA A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃOEMPREGADO. Integra a remuneração a parcela recebida a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada a administradores não empregados. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 339 4 Nos termos da Nota PGFN/CRJ n.º 485/2016 e item 1.8, “p”, da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (art. 2.º, V, VII e §§ 3.º a 8.º, da Portaria PGFN N.º 502/2016), cumpre reconhecer a vinculação da RFB quanto ao entendimento pela não incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, mantendose, entretanto, a parte reflexa do 13.º Salário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2009 a 30/09/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DESTINA AOS TERCEIROS. Nos termos da Nota PGFN/CRJ n.º 485/2016 e item 1.8, “p”, da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (art. 2.º, V, VII e §§ 3.º a 8.º, da Portaria PGFN N.º 502/2016), cumpre reconhecer a vinculação da RFB quanto ao entendimento pela não incidência de contribuição social destinada aos Terceiros sobre o aviso prévio indenizado, mantendose, entretanto, a parte reflexa do 13.º Salário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 0816600.2011.00427, para os fatos geradores ocorridos entre 01/02/2009 a 30/09/2009, com auto de infração lavrado em 22/11/2012, DEBCAD's 51.032.8881 (efls. 2, 22/29), 51.032.8890 (efls. 2, 30/36), notificado o contribuinte em 29/11/2012 (efl. 93), cujo Termo de Verificação Fiscal TVF consta dos autos (efls. 07/21), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Trata o presente processo de autos de infrações, lavrados pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe pelo descumprimento de duas obrigações principais, a saber: DEBCAD n.º 51.032.8881: referese contribuição devida à Seguridade Social, parte da empresa, incidente sobre verbas pagas à titulo de Participação nos Lucros aos segurados contribuintes individuais e diretores estatutários (Lev. PA Participação dos Administradores), e ainda, sobre o Aviso Prévio Indenizado pago aos segurados empregados (AP – Aviso Prévio Indenizado) não declarados em GFIP, no montante de R$ 1.146.780,93 (um milhão, cento e quarenta e seis mil, setecentos e oitenta reais e noventa e três centavos), abrangendo o período 02/2009 a 09/2009, lavrado em 22/11/2012; e DEBCAD n.º 51.032.8890: referese contribuição devida a outros fundos e entidades (Terceiros), incidente sobre verbas pagas à titulo de Aviso Prévio Indenizado pago aos segurados empregados (AP – Aviso Prévio Indenizado), não declarados em GFIP, no montante de R$ 10.817,04 (dez mil, oitocentos e dezessete reais e quatro centavos), abrangendo o período 02/2009 a 09/2009, lavrado em 22/11/2012. Às fls. 07/21, o Termo de Verificação Fiscal, apresenta as informações que seguem adiante. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 340 5 Com relação ao levantamento Participação nos Lucros, a Fiscalização observou no estatuto social da empresa que, esta era administrada por uma Diretoria a qual competia, entre outras funções, administrar e gerir amplamente os negócios e atividades da Companhia, cabendo a Assembléia Geral a eleição da diretoria e a fixação da remuneração dos administradores (Doc. 1 Estatutos Sociais), entretanto, no curso da fiscalização, observou a Auditoria duas situações com relação aos únicos diretores que receberam participações nos Lucros no ano calendário 2009: diretor estatutário Antonio Eduardo M. F. Trindade: eleição e destituição do cargo pela Assembléia da CIA, atribuição de gerir e administrar amplamente os negócios da empresa, contrair obrigações etc., porém, nas GFIP’s é declarado na categoria 1 – Empregado, entretanto, figura como administrador desde 2005 – Doc. atas de eleição da diretoria; e contribuinte individual Luiz Fernando Butori Reis Santos: exercendo cargo de diretor conforme informações do contribuinte, folhas de pagamento de salário e folhas de PLR, começou a receber sua remuneração na empresa na competência 11/2008, entretanto, não possuía vínculo empregatício com o contribuinte nem tampouco foi eleito diretor pela assembléia da CIA, apesar de constar na GFIP como segurado empregado. Destaca a Fiscalização que do ponto de vista trabalhista não, haveria relevância a esta fiscalização questionar a empresa o motivo de considerar administrador ou contribuinte individual como empregado, o mesmo não ocorre do ponto de vista fiscal, logo, sobre os pagamentos da participação do administrador e do contribuinte individual não houve incidência de contribuições previdenciárias, pois a empresa deduziuse destas despesas; Diante da constatação verificada no item anterior, a Fiscalização intimou a empresa a apresentar a relação dos diretores eleitos pela Assembléia da Cia e ficha de registro de empregados dos mesmos, entretanto, em resposta informaram o seguinte: "Todos os diretores que trabalham e trabalharam na Itaú Vida e Previdência, foram admitidos inicialmente em outra empresa do conglomerado e posteriormente transferidos em 2007 a 2009" (Doc. 3 resposta do contribuinte e relação dos diretores da CIA); Posteriormente, a empresa foi intimada novamente para informar se tais diretores após transferidos, não foram registrados na empresa, e em resposta, informou a Autuada: "Ratificando a resposta efetuada através da carta CRTUAF 170/2012, não houveram diretores empregados registrados pela empresa Itaú vida e Previdência. (Doc. 4 resposta do contribuinte); Verificou a Fiscalização que o diretor Fernando B. Reis, além de diretor da Autuada, foi eleito diretor estatutário em outras empresas do grupo: Itauseg. Seguros, Unibanco Saúde Seguradora S/A; A empresa foi intimada em 25/09/2012, a informar os anos calendários em que as despesas dos Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 341 6 pagamentos a título de participação nos lucros atribuídos aos diretores estatutários, nos meses de fevereiro de 2007; 2008; 2009, tiveram efeito dedutível, a empresa em resposta datada de 04/10/2012 informou: "Cabe esclarecer que os diretores Alexandre Gonçalves de Vasconselos, Antonio Eduardo M. F. Trindade e Luiz Fernando Butori Reis Santos não eram diretores estatutários no período de 2007 a 2009, nem mesmo foram efetivados (registrados) por essa empresa, porém no 'decorrer das funções ambos eram remunerados como diretores empregados"; Enfatizou a Fiscalização que o simples fato do contribuinte declarar na GFIP esses segurados como empregados quando de fato e de direito são contribuintes individuais não concede a empresa o direito de usufruir da não incidência previdenciária prevista na lei somente a empregados. Ao final da ação fiscal, constatou a Fiscalização mediante folhas de pagamento e demonstrativos de pagamento Participações nos Resultados pagamentos aos dois contribuintes individuais nas situações descritas acima, no ano calendário 2009, que compuseram a base de cálculo; e No que toca o levantamento aviso prévio foi constatado pela Fiscalização que o contribuinte efetuou pagamentos a segurados empregados a título de Aviso Prévio Indenizado e 13.º salário do Aviso Prévio Indenizado, tais valores. Os valores não foram informados em GFIP, bem com não foram recolhidas as respectivas contribuições previdenciárias e as contribuições sociais destinadas as outras entidades ou fundos (Terceiros Salário Educação e INCRA) incidentes sobre esses valores, caracterizandose assim o descumprimento da legislação vigente à época. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 28/12/2012 (efls. 99/109), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: Em 28/12/2012 a empresa apresentou impugnação tempestiva (fls. 93 e 99/109), na qual sustenta os argumentos que seguem abaixo. I Mérito A) Participação nos Lucros aos Diretores Empregados – Não Incidência A empresa alega que o entendimento da Fiscalização é equivocado quando considera que apenas a Lei 10.101/2000 regularia a Participação nos Lucros e Resultados, nos termos do art. 28, § 9.º, da Lei 8.212/91. Entretanto, o fato de um diretor empregado ter sido eleito em assembléia não retira deste a condição de empregado, sujeito ao recebimento da PLR, nos termos da Lei n.º 10.101/2000, conforme acertadamente efetuou a Impugnante (Súmula 269 do TST). No caso em tela, tanto restou configurada essa situação, que os contratos de trabalho dos diretores não foram Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 342 7 suspensos, conforme restou consignado na Ata Sumária de Assembléia Geral, realizada em 30 de março de 2007 (doc. 3). Ademais, para reforçar a comprovação do vínculo empregatício dos diretores citados pela Fiscalização, juntamos aos autos, cópia dos comunicados de dispensa, pedido de demissão e Termos de Rescisão dos contratos de trabalhos dos diretores com a Impugnante (doc 4). Por fim, ainda que se admita que os diretores, mesmo que empregados, se sujeitariam as disposições da Lei n.º 6.404/76 e não da Lei n.º 10.101/2000, para fins de pagamento da PLR, é de se salientar que, de igual forma, a presente cobrança não poderá prosseguir, isso porque, o pagamento da PLR foi expressamente excluído da relação de verbas sujeitas ao recolhimento da contribuição previdenciária, nos termos da alínea "j" do § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. A mesma legislação (artigo 22, § 2.º) determina que as parcelas pagas a título de PLR não integram a remuneração, e a Lei n.º 10.101/2000 não é a única legislação que regula o pagamento de PLR, haja vista a existência de previsão expressa na Lei n.º 6.404/76, que disciplina o pagamento aos administradores e diretores. Sendo assim, o levantamento Participação nos Lucros deve ser cancelado. B) Pagamento de Aviso Prévio Indenizado e 13.º Salário Aviso Prévio Indenizado. Não Incidência. A Fiscalização consignou que os valores pagos a título de Aviso Prévio Indenizado e a sua declaração em GFIP seriam obrigatórias a partir de janeiro de 2009, tendo em vista a revogação da alínea "f, do inciso V, § 9.º do art. 24, do Decreto n.º 3.048/1999, o qual previa o Aviso Prévio Indenizado nas parcelas excluídas do salário de contribuição, contudo, tal entendimento não poderá prevalecer, uma vez que, o Aviso Prévio Indenizado, não possui natureza salarial, restando patente o seu caráter indenizatório. Nesse sentido, vale esclarecer que as contribuições para o custeio da seguridade social só poderão incidir sobre as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, conforme dispõe o artigo 195, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal, bem como pelo artigo 22, inciso I, da Lei n.º 8.212/913, logo, o Aviso Prévio Indenizado está fora do seu campo de incidência, uma vez que não compõe a remuneração. De igual forma, é importante frisar que, diante da alteração legislativa que retirou do ordenamento jurídico a expressa previsão de não tributação dessas verbas e tendo em vista o cenário de insegurança jurídica que essa mudança poderia causar, a Federação Brasileira de Bancos FEBRABAN, em nome próprio e representando os seus associados, impetrou o Mandado de Segurança n.º 2009.34.00.0099989 (doc. 05), com o escopo de não se sujeitar ao recolhimento das Contribuições Previdenciárias, bem como as destinadas a terceiros, concernentes aos valores pagos a titulo de Aviso Prévio Indenizado. Atualmente o feito aguarda julgamento dos Recursos Especial e Extraordinário interpostos Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 343 8 pela Impetrante, conforme Certidão de Inteiro Teor ora juntada (doc. 06). Não pode prosperar, portanto, a incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros sobre os pagamentos de aviso prévio indenizado e 13.º aviso prévio indenizado, pelo que se impõe que esta C. Turma Julgadora determine o cancelamento da exigência fiscal ora impugnada, o que, desde já, se requer. C) Não Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício A Lei 9.430/96 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit., § 3.º). Ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. O artigo 164 do CTN confirma essa conclusão quando, ao tratar de crédito tributário, separa claramente os conceitos de crédito, juros de mora e penalidades. A mesma clara distinção ocorre no art. 161, caput, do CTN. Por consequência, também não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1.º do art. 161 do CTN. Portanto, não cabem juros sobre a multa. Se, para argumentar, fossem cabíveis, seriam aplicáveis apenas juros moratórios à taxa Selic, limitados a 1%. II – Do Pedido Diante do exposto, requer que seja julgado totalmente improcedente o lançamento, cancelando os autos de infração. Protesta, ainda, pela juntada dos documentos anexados e produção de todas as provas admitidas em direito. Em 24/08/2016 os autos foram enviados à SERETDRJ SPOSP para apreciação. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa foi acolhida em parte pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram abordados os seguintes capítulos: a) Participação nos Lucros aos Diretores Empregados – Não Incidência; b) Pagamento de Aviso Prévio Indenizado e 13.º Salário do Aviso Prévio Indenizado. Não Incidência; c) Não Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício; d) Da Jurisprudência Colacionada; e) Dos Pedidos. Ao final, consignouse o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, mantendo o crédito tributário em parte, retificando parcialmente o lançamento no que toca o levantamento AP – Aviso Prévio Indenizado, conforme os itens 12 a 13, deste voto." A procedência parcial foi relativa ao aviso prévio indenizado, mantendose, porém, os valores reflexos relativos ao 13.º salário, por entender a decisão de piso que essa última rubrica possui natureza salarial. A parcela excluída foi de R$ 41.906,19 (referente ao DEBCAD 51.032.8881) e de R$ 4.814,67 (referente ao DEBCAD 51.032.8890). Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 31/01/2018 (efls. 256/257 e 310/322), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula o provimento do recurso com o consequente cancelamento dos autos de infração DEBCAD's 51.032.8881 e 51.032.8890, Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 344 9 bem como protesta pela juntada dos documentos anexos, especialmente (efls. 281/309) e produção de todas as provas admitidas em direito. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Da não incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos diretores empregados; b) Da não incidência da contribuição previdenciária sobre 13.º salário reflexo do aviso prévio indenizado; c) Da não incidência de juros sobre multa de ofício. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/03/2019. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecêlo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 02/01/2018, efls. 254/255, protocolo recursal em 31/01/2018, efls. 256/257, e despacho de encaminhamento, efl. 334), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de requerimento antecedente a análise do mérito Requerimento para apreciação de documentos novos O recorrente requer o deferimento da prova documental (efls. 281/309) juntada com o recurso voluntário. Pois bem. De início, comparando os documentos novos com os já juntados aos autos observo que a maior parte deles já constava no processo, não se cuidando de verdadeira inovação documental (por exemplo, efl. 291 corresponde ao e fl. 140; efl. 292 corresponde ao efl. 138; efl. 293 corresponde ao efl. 137; efl. 301 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 345 10 corresponde ao efl. 82; efl. 302 corresponde ao efl. 84; efl. 308 corresponde ao efl. 85; efl. 309 corresponde ao efl. 81). Outros são atas e documentação de representação para legitimar a postulação e representatividade, bem como cópia da decisão recorrida. Mas, alguns poucos documentos são efetivamente novos (efls. 294/300 e 303/307), porém não observo preclusão no caso em comento e explico os motivos a seguir. O caso dos autos trata de lançamento de ofício com lavratura de auto de infração, tendo a fiscalização, após averiguações, entendido que alguns lançamentos contábeis e declarações fiscais não se revestiam do correto enquadramento tributário, haja vista que, para a auditoria fiscal, foram efetivados pagamentos sujeitos a contribuições previdenciárias, embora o contribuinte tenha escriturado como não constitutivos de fatos geradores das referidas contribuições e, por conta disso, omitido o informe em GFIP. O contribuinte, tempestivamente, apresentou impugnação e juntou os documentos com os quais pretendia demonstrar o seu alegado direito de não ser tributado, prova esta que entendia ser suficiente para demonstrar o seu arrazoado, no entanto foi vencido na primeira instância, a qual expôs firmes razões para infirmar a tese jurídica do sujeito passivo. Neste diapasão, inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, observando o prazo legal. Nesta ocasião, apresentou inovação documental, porém vinculada a matéria já controvertida e focada em contrapor fundamentos da decisão de piso e reafirmar sua tese de defesa, não inovando quanto as suas teses de defesa. Este é o cerne da apreciação neste capítulo. Disciplinando o processo administrativo fiscal, o Decreto n.º 70.235, de 1972, traz regramento específico quanto a apresentação da prova documental. Lá temos normatizado que, em regra, a prova documental será apresentada com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual (art. 16, § 4.º, caput). Porém, há ressalvas, isto porque resta previsto que não ocorre a preclusão quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior (art. 16, § 4.º, alínea "a"); b) refirase a fato ou a direito superveniente (art. 16, § 4.º, alínea "b"); ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4.º, alínea "c"). A juntada dos novos documentos, com supedâneo em quaisquer das ressalvas, deve ser formulada pelo contribuinte à autoridade julgadora (art. 16, § 5.º). Dito isto, tenho que na resolução da lide, sempre que possível, devese buscar a revelação da verdade material, especialmente na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade ao administrado, objetivando efetiva pacificação do litígio. Em outras palavras, buscase, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas do Decreto n.º 70.235, de 1972, mas também, de modo complementar, pela Lei n.º 9.784, de 1999, e, de forma suplementar, pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria, inclusive observando o dever de agir da Administração Pública conforme a boafé objetiva, dentro do âmbito da tutela da confiança na relação fiscocontribuinte, pautandose na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. A disciplina legal posta no Decreto n.º 70.235, de 1972, permite, inclusive de ofício, que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, determine a realização de diligência, quando entender necessária para formação da sua livre convicção (arts. 29 e 18), sendo regido pelo princípio do formalismo moderado. A Lei n.º 13.105, de Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 346 11 2015, impõe as partes o dever de cooperar para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6.º). Por sua vez, a Lei n.º 9.784, de 1999, prevê que o administrado tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão (art. 38, caput), os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente (art. 3.º, III), sendolhe facilitado o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art. 3.º, I). Por último, este Conselho tem entendido que é possível a apresentação de novos documentos quando da interposição do Recurso Voluntário (Acórdão n.º 2202005.0981, 9303005.065, 9202001.634, 9101002.781, 9101002.871, 9303007.555, 9303007.855 e 1002000.4602). Especialmente, tenho em mente que o documento novo, juntado com a interposição do recurso voluntário, quando vinculado a matéria controvertida objeto do litígio instaurado a tempo e modo com a impugnação, que, portanto, é relativo a questão controversa previamente delimitada no início da lide, não objetivando trazer aos autos discussão jurídica nova, mas tãosomente pretendendo aclarar matéria fática importante para o âmbito da quaestio iuris, deve ser apreciada regularmente, inclusive para os fins da busca da verdade material, da observância do princípio do formalismo moderado, bem como com base na esperada normatividade que deve ser dada para a alínea "c" do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, ao dispor que o documento novo pode ser apreciado quando se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado. De mais a mais, o contribuinte requereu a juntada dos novos documentos, na forma do art. 16, § 5.º, do Decreto n.º 70.235, de 1972, na forma como a legislação lhe impõe proceder. Sendo assim, os documentos juntados com o recurso voluntário serão apreciados (efls. 281/309) quando da análise do mérito. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciálo. Da Participação nos Lucros e Resultados PLR (Diretores Empregados) Alega a defesa que não incide contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos diretores estatutários indicados pela fiscalização, pois estes seriam Empregados, sendo os pagamentos efetivados a título de Participação nos Lucros, ademais existem duas leis a afastar a tributação, quais sejam, a Lei n.º 10.101, que trata de "trabalhadores", incluindose, então, todos os que laboram na empresa, e a Lei n.º 6.404, que também cuida da participação nos lucros, neste caso da participação dos administradores no lucro, ex vi do art. 152, § 1.º, do mencionado diploma legal. Invoca, igualmente, a aplicação da alínea "j" do § 9.º do art. 28 e o art. 22, § 2.º, da Lei n.º 8.212. Outrossim, argumenta que o fato de um diretor empregado ter sido eleito em assembleia, não retira deste a condição de empregado, sujeito ao recebimento da PLR, 1 Acórdão de minha relatoria nessa Turma, julgado em 10/04/2019, por unanimidade. 2 Acórdão de minha relatoria ao integrar a Primeira Seção de Julgamentos do CARF, julgado em 04/10/2018. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 347 12 nos termos da Lei n.º 10.101. Informa que a fiscalização não descaracterizou o vínculo de emprego. Cita a Súmula 269 do TST, dispositivos legais e entendimentos colegiados. Colaciona cópia dos comunicados de dispensa, pedido de demissão e Termos de Rescisão dos contratos de trabalhos dos diretores (efls. 70, 290/293). Junta contratos de metas dos diretores, a fim de demonstrar o reporte, a subordinação e a vinculação do pagamento da PLR à obtenção de resultados contratados previamente, como qualquer outro empregado e cópia da CTPS para comprovar o vínculo trabalhista celetista e os demonstrativos da folha de pagamento da PLR (efls. 294/309). Pois bem. Em primeiro momento, analisando os argumentos de defesa, os elementos da autuação e confrontando as provas colacionadas neste específico processo constato que é incontroverso que foram efetuados pagamentos aos Senhores Antonio Eduardo M. F. Trindade e Luiz Fernando Butori R. Santos. Não há controvérsia neste ponto. Em continuidade na análise observo que a recorrente alega o vínculo empregatício, todavia os informes dos autos não são transparentes para essa comprovação, especialmente após intimações fiscais. As respostas dadas no curso da fiscalização, na minha leitura, são, até mesmo, com o devido respeito, confusas. Vejase as seguintes respostas em torno do alegado vínculo de emprego: Na página efl. 67 consta a seguinte resposta: "Todos os diretores que trabalham e trabalharam na Itaú Vida e Previdência, foram admitidos inicialmente em outra empresa do conglomerado e posteriormente transferidos em 2007 a 2009". Por sua vez, na página efl. 71 consta: "Ratificando a resposta efetuada através da carta CRTUAF 170/2012, não houveram diretores empregados registrado pela empresa Itaú Vida e Previdência." Na página efl. 79 consta que: "Cabe esclarecer que os diretores Alexandre Gonçalves de Vasconcelos, Antonio Eduardo M. F. Trindade e Luiz Fernando Butori Reis Santos não eram diretores estatutários no período de 2007 a 2009, nem mesmo foram efetivados (registrados) por essa empresa, porém no decorrer das funções ambos eram remunerados como diretores empregados." É fato que a defesa apresenta documentos de rescisão contratual e pedido de dispensa e alega o vínculo de emprego. Porém, o que extraio dos autos, especialmente a partir das respostas vindas da própria recorrente, a qual assumiu o pressuposto de fato, é o seguinte: As referidas pessoas trabalharam dentro do conglomerado econômico da qual a recorrente faz parte, no entanto não estiveram registradas como empregados na recorrente, ao menos na época dos recebimentos da PLR questionadas, porém desempenharam funções por lá e, por isso, receberam PLR. Posteriormente, foram transferidas e isso teria ocorrido sem nunca terem sido registradas na recorrente, no entanto consta dos documentos com os quais pretende a recorrente provar o vínculo de emprego que o desligamento se efetivara na recorrente, de toda sorte, não resta claro o momento do registro e se efetivamente existiu a manutenção do vínculo de emprego nas competências da controvérsia. Sobre o assunto, o Termo de Verificação Fiscal consigna, sendo, em parte, transcrita na decisão hostilizada, ipsis verbis: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 348 13 Assim, no Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de 23/12/2011 e no Termo de Intimação Fiscal datado de 16/03/2012 a empresa foi intimada a apresentar relação dos diretores eleitos pela assembléia da CIA e ficha de Registro de Empregados dos mesmos. Em resposta datada de 29/03/2012 a empresa informa que "Todos os diretores que trabalham e trabalharam na Itaú Vida e Previdência, foram admitidos inicialmente em outra empresa do conglomerado e posteriormente transferidos em 2007 a 2009." (Doc. 3 resposta do contribuinte e relação dos diretores da CIA). No Termo de Intimação Fiscal datado de 24/04/2012 o contribuinte foi intimado a esclarecer se estes diretores, depois de transferidos, não foram registrados na empresa ora fiscalizada. Em 02/05/2012 a empresa responde: "Ratificando a resposta efetuada através da carta CRTUAF 170/2012, não houve diretores empregados registrados pela empresa Itaú vida e Previdência." (Doc. 4 resposta do contribuinte). No Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 a empresa foi intimada a informar os anos calendários em que as despesas dos pagamentos a título de participação nos lucros atribuídos aos diretores estatutários, nos meses de fevereiro de 2007; 2008; 2009, tiveram efeito dedutível. Em resposta datada de 04/10/2012 o contribuinte no item 2 da resposta afirma: "Cabe esclarecer que os diretores Alexandre Gonçalves de Vasconselos, Antonio Eduardo M. F. Trindade e Luiz Fernando Butori Reis Santos não eram diretores estatutários no período de 2007 a 2009, nem mesmo foram efetivados (registrados) por essa empresa, porém no decorrer das funções ambos eram remunerados como diretores empregados." Mais adiante prossegue a resposta: "Antonio Eduardo M. F. Trindade se tornou diretor estatutário apenas em 03/2009, porém na empresa Itaú Seguros CNPJ 61.557.039/000107. No entanto, não procede a afirmação do contribuinte pois, conforme 'Atas' da Assembléia da CIA anexadas ao Processo (doc. 2), Antonio Eduardo M. F. Trindade era diretor estatutário da CIA no período fiscalizado. (Doc. 6 — resposta do contribuinte) Nesse sentido , tanto o diretor eleito pela assembléia da CIA, com poderes amplos de gerência e administração da sociedade, como o diretor de outras empresas do Grupo Econômico, porém prestando serviços no contribuinte ora fiscalizado, não sendo registrados na empresa Itaú Vida e Previdência S/A como empregados: não mantendo, portanto, vínculo empregatício com a empresa, são tanto na essência quanto na forma verdadeiramente administradores/Contribuintes Individuais. (...). Na leitura do último trecho acima transcrito e aferindo a prova dos autos, tenho que não assiste razão a defesa, por ponto de vista especialmente probatório e demarcatório das respostas da recorrente no fluxo da fiscalização. Não tenho como de clareza solar o alegado vínculo de emprego que teria sido mantido nas competências controvertidas. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 349 14 O só fato de terem sido juntados, em sede de recurso voluntário, os denominados "contrato de metas individuais" (efls. 294/295, 296/297 e 303) também não são suficientes para demonstrar a efetividade da PLR paga, pois dois dos três instrumentos constam como "cancelado" e nenhum dos três apresenta uma avaliação concreta demonstrando o atendimento de metas. A planilha de número de metas atendidas (efls. 83) também não é suficiente. Não visualizo, de forma cristalina, o suposto vínculo de emprego. Entendo por bem destacar que o Termo de Verificação Fiscal TVF (e fls. 07/21) esclarece aspectos pertinentes da autuação e questiona o próprio vínculo empregatício alegado. Neste diapasão, tenho que afirmar que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) concedida pela empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, é regida com especialidade pela Lei 10.101, sendo esta a utilizada para fundamentar a não inclusão no saláriodecontribuição dos pagamentos realizados a tal título, afastandose a incidência previdenciária, deste modo os valores pagos aos diretores estatutários, sem comprovação de vínculo de emprego, especialmente após intimações fiscais e resposta de inexistência de registro, caracterizando distinguishing em relação ao diretor empregado registrado e declarado nos documentos fiscais e sociais, sujeitamse a incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros, por não restar demonstrado que mantenha as características inerentes a relação de emprego. De mais a mais, para o argumento subsidiário, quanto a alegada legitimação da desoneração da participação nos lucros com base na Lei 6.404, entendo que a lei específica mencionada na Constituição e na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212 é unicamente a Lei 10.101, que tratou, efetivamente, com especialidade própria acerca da participação nos lucros e resultados, exigindo prévia negociação, não podendo ser invocar o art. 152, § 1.º, da Lei das S/A. Aliás, a Lei 6.404 trata com especialidade acerca das Sociedades por Ações não tendo viés previdenciário ou trabalhista. Deveras, pareceme intelectivo que a natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, da Lei 6.404, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos trabalhadores, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses que poderiam ser conflitantes dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer dos Stakeholders. A título ilustrativo vejase o seguinte posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao interpretar o direito infraconstitucional, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. LEI 10.101/2000. 1. A jurisprudência do STJ é de que a parcela que não sofre a incidência de contribuição previdenciária, no que se refere aos valores pagos a título de participação nos lucros, é aquela paga nos moldes da Lei 10.101/2000. Nesse sentido: REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 19/12/2011. 2. Na jurisprudência invocada para rejeitar a pretensão da empresa, o voto condutor do acórdão hostilizado afirma que o simples pagamento de parcela remuneratória, em favor de diretores estatutários, de parcela denominada "participação Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 350 15 nos lucros", feito nos termos do art. 152 da Lei 6.404/1976, é insuficiente para comprovar que a empresa tenha adotado uma política efetiva de implantação de participação nos lucros por parte de todos os seus empregados, o que somente poderia ser feito mediante o regime instituído pela Lei 10.101/2000. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1.650.783/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 19/12/2017) Em mais um título ilustrativo, no mesmo sentido, cito a compreensão dada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, nestes termos: "Os dispositivos da Lei das Sociedades Anônimas (Lei n.º 6.404/76) tratam de normas de contabilização, não possuindo o condão de afastar as normas de Direito Tributário." (TRF 3.ª Região, Terceira Turma, Ap Apelação Cível 1955377 000403993.2010.4.03.6103, julgado em 13/03/2019, eDJF3 Judicial 1 em 20/03/2019) Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Da não incidência da contribuição previdenciária sobre o 13.º salário reflexo do aviso prévio indenizado O recorrente relata que na primeira instância afastouse o aviso prévio indenizado, porém foi mantido o reflexo deste no 13.º salário. Neste sentido, advoga a defesa que a decisão do STJ no REsp n.º 1.230.957/RS não traz qualquer ressalva quanto ao reflexo, não devendo se aplicar o entendimento da Nota PGFN n.º 640/2014. Sustenta que o referido REsp é repetitivo e cuidase de "decisão definitiva", não prevalecendo o sobrestamento por Recurso Extraordinário, vez que o Excelso STF já enfrentou a questão nos autos do ARE n.º 745.9019 entendendo que o "Aviso Prévio Indenizado" está destituído de Repercussão Geral. Por fim, aduz que, caso a turma entenda que a natureza do reflexo é diversa do pagamento do Aviso Prévio Indenizado, deve, ao menos, aguardar o desfecho da Repercussão Geral que trata do tema "gratificação natalina/13.º", que ocorrerá nos autos do RE n.º 593.068. Pois bem. De início, afirmo que o alegado Recurso Especial representativo de controvérsia, tido como definitivo pelo contribuinte, em realidade, ainda não fez coisa julgada, prescindindo de atos finais, inclusive, em 03/04/2019, a Insigne VicePresidência do STJ proferiu nova decisão no REsp n.º 1.230.957 mantendo o seu sobrestamento. Agora, invocouse o Recurso Extraordinário n.º 1.072.485 (Tema 985/STF), nestes termos: "Ante o exposto, com fundamento no artigo 1.030, inciso III, do Código de Processo Civil, determino a manutenção do sobrestamento deste recurso extraordinário até a publicação da decisão de mérito a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal a respeito do Tema 985/STF (Recurso Extraordinário 1.072.485/PR) da sistemática da repercussão geral." Por outro lado, o RE n.º 593.068 não tratava do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). No mais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), quanto ao Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 351 16 entendimento relacionado ao citado REsp n.º 1.230.957, vem entendendo que incide, sim, a contribuição previdenciária relativo ao reflexo do 13.º salário, vejase a seguinte ementa de decisão publicada em 18/12/2018: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAIS DE HORAS EXTRAS, PERICULOSIDADE, INSALUBRIDADE, NOTURNO E TRANSFERÊNCIA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. PRECEDENTES. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO PROPORCIONAL AO AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO ÀS DEMANDAS AJUIZADAS NA SUA VIGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL 1. As Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ sedimentaram a orientação de que, "embora o Superior Tribunal de Justiça tenha consolidado jurisprudência no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial, relativamente à incidência da exação sobre o décimo terceiro salário proporcional no aviso prévio indenizado, prevalece o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo, de que o décimo terceiro salário (gratificação natalina) integra o salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária" (AgRg nos EDcl nos EDcl no REsp 1.379.550/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 13/4/2015). No mesmo sentido: AgInt no REsp 1.420.490/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 16/11/2016; REsp 1.657.164/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/5/2017; AgInt no REsp 1.379.545/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 9/3/2017; AgRg no REsp 1.569.576/RN, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1.º/3/2016; REsp 1.531.412/PE, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 17/12/2015; AgRg no AREsp 744.933/RN, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13/10/2015. (...) CONCLUSÃO 5. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido para reconhecer a incidência da contribuição previdenciária sobre o décimo terceiro salário proporcional ao aviso prévio indenizado, e Agravo em Recurso Especial de Viterbino e Irmãos Ltda. não provido. (REsp 1.703.714/AP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/12/2018, DJe 18/12/2018) Tratase da aplicação de outro representativo de controvérsia, Recurso Especial n.º 1.066.682, este, sim, definitivo, transitado em julgado em 08/03/2010, de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 352 17 aplicação obrigatória (RICARF, art. 62, § 2.º, do Anexo II, com redação dada pela Portaria MF n.º 152, de 2016)3, verbo ad verbum: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. DECRETO N.º 612/92. LEI FEDERAL N.º 8.212/91. CÁLCULO EM SEPARADO. LEGALIDADE APÓS EDIÇÃO DA LEI FEDERAL N.º 8.620/93. 1. A Lei n.º 8.620/93, em seu art. 7.º, § 2.º, autorizou expressamente a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor bruto do 13.º salário, cuja base de cálculo deve ser calculada em separado do salárioderemuneração do respectivo mês de dezembro (Precedentes: REsp 868.242/RN, DJe 12/06/2008; EREsp 442.781/PR, DJ 10/12/2007; REsp n.º 853.409/PE, DJU de 29.08.2006; REsp n.º 788.479/SC, DJU de 06.02.2006; REsp n.º 813.215/SC, DJU de 17.08.2006). 2. Sob a égide da Lei n.º 8.212/91, o E. STJ firmou o entendimento de ser ilegal o cálculo, em separado, da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina em relação ao salário do mês de dezembro, tese que restou superada com a edição da Lei n.º 8.620/93, que estabeleceu expressamente essa forma de cálculo em separado. 3. In casu, a discussão cingese à pretensão da repetição do indébito dos valores pagos separadamente a partir de 1994, quando vigente norma legal a respaldar a tributação em separado da gratificação natalina. 4. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.066.682/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Dos juros de mora sobre a multa de ofício A defesa sustenta a não incidência de juros sobre multa de ofício. Pois bem. A matéria há muito foi superada pelo STJ ao uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional, conforme segue: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 3 Em ato normativo interno, a Administração do CARF aprovou o denominado "Manual do Conselheiro", o qual objetiva consolidar orientações gerais para o exercício das atividades desenvolvidas pelos integrantes dos colegiados de julgamento, nele constando quanto a obrigação do art. 62, § 2.º: "Essa obrigatoriedade somente se aplica após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Assim, enquanto o STJ e/ou o STF não proferirem a respectiva decisão, os recursos administrativos que tramitam no CARF cujas matérias foram afetadas para julgamento, na forma dos artigos 543B e 543C do antigo CPC, ou arts. 1.036 a 1.041, do novo CPC, não sofrem qualquer repercussão, tampouco são objeto de sobrestamento" (página 20, versão 1.0). Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16327.721349/201288 Acórdão n.º 2202005.194 S2C2T2 Fl. 353 18 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/12/2012) As razões, com as quais concordo, são que o crédito tributário (prestação pecuniária devida ao ente tributante) tem concepção mais ampla do que o conceito de tributo, inclusive a disciplina do art. 113, caput e parágrafos, do CTN, enuncia prescritivamente um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias fiscais, o que é extremamente necessário para a arrecadação e administração fiscal, deste modo a multa, por constituir crédito tributário, sendo dotada dos mesmos mecanismos e procedimentos aplicados aos tributos, inclusive quanto aos consectários legais, sujeitase à incidência de juros de mora. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3.º, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a penalidade imposta devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. Por fim, este Colendo Conselho já sumulou o assunto, nestes termos: Súmula CARF n.º 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME n.º 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, considerando o até aqui esposado, entendo por manter íntegra a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e NEGOLHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 353DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902393/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 93 /2 01 4- 71 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.501. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902393/201471 Acórdão n.º 3401005.827 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901958/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 58 /2 01 4- 44 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.901958/201444 Acórdão n.º 1201002.754 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.037, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 87,74 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2012 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10675.901958/201444 Acórdão n.º 1201002.754 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10675.901958/201444 Acórdão n.º 1201002.754 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.900109/2008-36
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
PER/DCOMP. PRESCRIÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À DATA DE 09/06/2005. PRAZO DECENAL. SÚMULA CARF Nº 91.
Tratando-se de pedido de restituição (PER/DCOMP) protocolado antes de 09/06/2005, em relação a tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 anos, sendo cinco anos para a homologação tácita e cinco para a prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador (SÚMULA CARF Nº 91). A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF. que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 PER/DCOMP. PRESCRIÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À DATA DE 09/06/2005. PRAZO DECENAL. SÚMULA CARF Nº 91. Tratando-se de pedido de restituição (PER/DCOMP) protocolado antes de 09/06/2005, em relação a tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 anos, sendo cinco anos para a homologação tácita e cinco para a prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador (SÚMULA CARF Nº 91). A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 PER/DCOMP. PRESCRIÇÃO. PEDIDO ANTERIOR À DATA DE 09/06/2005. PRAZO DECENAL. SÚMULA CARF Nº 91. Tratandose de pedido de restituição (PER/DCOMP) protocolado antes de 09/06/2005, em relação a tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, sendo cinco anos para a homologação tácita e cinco para a prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador (SÚMULA CARF Nº 91). A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF. que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 01 09 /2 00 8- 36 Fl. 127DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de nº 0728.589, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever, com a devida complementação adiante: "Por meio do Despacho Decisório de f. 7, emitido em 24/04/2008, foi indeferido o Pedido de Restituição de saldo negativo de IRPJ, do 2º trimestre de 1998, constante do PER/DCOMP nº 27811.84742.011203.1.2.021205. No Despacho Decisório constam as seguintes informações: Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 30/06/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 01/12/2003 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 13.687,10 Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Irresignada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de f. 1 a 6, na qual sustenta que o prazo decadencial para repetição de indébito, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é de 10 anos. Fundamenta com os seguintes argumentos: DO PRAZO DECADENCIAL DE 10 ANOS NOS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO [...] Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10925.900109/200836 Acórdão n.º 1003000.626 S1C0T3 Fl. 3 3 5. Como é sabido, a apuração dos créditos fiscais decorrentes do IRPJ se enquadra na definição de lançamento por homologação, já que cabe ao contribuinte oferecer à autoridade administrativa as informações quanto ao fato gerador do tributo, apurando o seu valor e efetuando desde logo o pagamento de seu montante. Nesse caso, o lançamento só se completa com a homologação feita pela autoridade administrativa. [...] 7. Assim, segundo os dizeres do artigo 168 do CTN, o prazo de cinco anos para se pleitear a restituição dos valores pagos indevidamente, nos casos, como o presente, de lançamento por homologação, devem ser contados da data da EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CREDITO TRIBUTÁRIO, que, por sua vez só ocorrerá, nos termos do parágrafo 4° do artigo 150, com a homologação expressa ou tácita do lançamento pela autoridade administrativa e não do pagamento do tributo. 8. Portanto, o prazo para se pleitear a restituição de valores pagos indevidamente iniciase depois de decorridos cinco anos que a União Federal dispõe para a homologação do lançamento, pois esse é o ato que efetivamente extingue o crédito tributário. Se a homologação for tácita o contribuinte tem o prazo de 10 anos, contados a partir do pagamento indevido do tributo para ajuizar o pedido de restituição. 9. O entendimento acima exposto está pacificado no Superior Tribunal de Justiça, conforme acórdão abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. 1. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar os EREsp 435.835/SC, adotou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição do que foi indevidamente pago somente se opera quando decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, computados desde o termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação tese dos "cinco mais cinco". 2. ... 3. Recurso especial provido. REsp 751162 / DF RECURSO ESPECIAL 2005/00817803. Relatora Ministra DENISE ARRUDA (1126). T1 PRIMEIRA TURMA DO STJ. DJ 22.11.2007 p. 191 [...]DA INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 A CASOS PRETÉRITOS 11. Conforme entendimento do STJ, os tributos pagos após a edição da Lei Complementar 118/2005 de 09/06/2005, devem obedecer ao prazo prescricional de cinco anos contados da data do pagamento. Já, os tributos recolhidos antes da lei estão Fl. 129DF CARF MF 4 sujeitos ao prazo prescricional de 10 anos, nos moldes previstos pelo Código Tributário Nacional. 12. Portanto, não cabe aqui a alegação de que com a edição da Lei Complementar n° 118/2005, o prazo para a Recorrente pedir a restituição seria de cinco anos contados a partir da data do pagamento, pois o artigo 3° desta Lei não pode ser aplicado ao caso vertente uma vez que a Recorrente já incorporou a seu patrimônio o direito de pleitear restituição com o prazo de cinco anos contados da data de homologação. Além disso, como tal dispositivo legal prevê um prazo mais curto de prescrição, essa nova prescrição (cinco anos) começará a correr da data da lei nova, como podemos verificar no Informativo nº 0322 do STJ, abaixo transcrito: Informativo n° 0322 Período: 4 a 8 de junho de 2007. Corte Especial PRESCRIÇÃO. PRAZO. CINCO ANOS. REPETIÇÃO. INDÉBITO. O STF, julgando acórdão deste Superior Tribunal sobre a questão do art. 4°, segunda parte, da LC n. 118/2006, que determina a aplicação imediata do critério de prescrição na repetição de indébito tributário, entendeu que um acórdão, indiretamente, acabou afastando a aplicação da norma sem declarar a sua inconstitucionalidade. Determinou, portanto, dar provimento ao recurso extraordinário para reformar o acórdão recorrido e determinar a remessa dos autos ao STJ a fim de que se proceda a novo julgamento da questão no respectivo órgão especial, nos termos do art. 97 da CF/1988. Assim, o Min. Relator propôs, em questão de ordem, a instauração do incidente perante a Corte Especial. Esclareceu o Min. Relator que, com o advento da mencionada lei complementar, o prazo é de cinco anos do pagamento, e não de dez anos do fato gerador. Isso posto, a Corte Especial acolheu a argüição de inconstitucionalidade da expressão "observado quanto ao art. 3° o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172/1966 do Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da LC n. 118/2006. O Min. Ari Pargendler observou que seria interessante, para prevenir eventuais divergências dentro da Primeira Seção, esclarecer a partir de quando se aplicaria, então, a nova interpretação ditada pela lei complementar. O Min. Relator esclareceu que, "estabelecendo a lei nova um prazo mais curto de prescrição que é o caso, bem ou mal diziase que eram dez anos e, agora, a lei dispõe que são cinco essa prescrição começará a correr da data da lei nova, salvo se a prescrição iniciada na vigência da lei antiga viesse a se completar em menos tempo". O Min. Carlos Alberto Menezes Direito fez ressalva quanto ao exame futuro da aplicação do prazo de prescrição, considerando a interpretação que venha a ser dada ao art. 2.028 do CC/2002. EREsp 644.736PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgados em 6/6/2007. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10925.900109/200836 Acórdão n.º 1003000.626 S1C0T3 Fl. 4 5 13. Continuamos, com a transcrição de um Acórdão do STJ no mesmo sentido: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. 1NCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3° da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem inicio, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3° da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP N° 644.736 PE (2005/00551121). RELATOR :MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Brasília, 28 de novembro de 2007. 14. Portanto, podemos concluir que a Recorrente é titular do crédito declarado e tem direito à restituição do Imposto de Renda pago a maior, uma vez que o mesmo, à luz de nosso ordenamento jurídico, e conforme demonstrado, não estava prescrito na data de transmissão do PER/DCOMP informado no item "1" acima". [...] Por sua vez, a DRJ, ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu por julgála improcedente, referendando o Despacho Decisório recorrido, e concluiu: (...) "Assim, tendo o contribuinte apurado saldo negativo de IRPJ trimestral, somente ao final deste período é que se caracterizou o pagamento a maior de IRPJ a partir do confronto entre o imposto devido, de um lado, e as deduções, de outro. Depreendese então que o pedido de restituição sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido ou a maior (CTN, arts. 165, I, e 168, I) e que o pagamento indevido ou a maior, no caso do IRPJ apurado Fl. 131DF CARF MF 6 trimestralmente, considerase ocorrido no encerramento de cada trimestrecalendário. No caso do 2º trimestre de 1998, o encerramento do período de apuração ocorreu em 36/06/1998. Deste modo, o saldo negativo referente a este período teria que ser objeto de pleito repetitório até 30/06/2003. Como a interessada só transmitiu o PER/DCOMP em 01/12/2003, o seu direito ao indébito pereceu, impossibilitando a restituição.(...) Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, reproduzindo os argumentos elencados em sua manifestação de inconformidade, requereu a reforma da decisão e, alegou, em síntese, que: (...) (...) (...) É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Conforme já relatado, a Recorrente apresentou pedido de compensação, via PER/DCOMP nº PER/DCOMP nº 27811.84742.011203.1.2.021205, transmitido em 01/12/2003, relativamente a saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1998. Ocorre que, analisadas as Informações, a DRJ (confirmando Despacho Decisório exarado pela DRF), concluiu que na data de transmissão do PER/DCOMP, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo, em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Isso Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10925.900109/200836 Acórdão n.º 1003000.626 S1C0T3 Fl. 5 7 porque a DRJ baseou sua decisão na norma legal de aplicação retroativa do artigo 3º da Lei Complementar nº118/05. Vêse, portanto, que o fundamento exclusivo para o indeferimento das homologações foi a extinção do direito de utilização do saldo negativo de IRPJ em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da apuração do saldo negativo e as datas de transmissão dos PER/Dcomp. Irresignada, a Recorrente, baseada em reiteradas decisões judiciais, fundamenta suas alegações na teoria dos cinco mais cinco, que resulta em prazo decenal para o aproveitamento do crédito, e na impossibilidade de aplicação retroativa do disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05. Assim sendo, a controvérsia reside em matéria de direito, qual seja, o prazo prescricional para o exercício do direito de repetição, no caso do IRPJ, que se submete à sistemática do lançamento por homologação de que cuida o artigo 150 do Código Tributário Nacional. Impende registrar que o contexto jurídico foi substancialmente alterado desde a decisão da DRJ, levando esta relatora a acolher as alegações da Recorrente, como passo a expor. A mudança do critério jurídico por meio da Lei Complementar nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões Fl. 133DF CARF MF 8 deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso em tela, todos os PER/Dcomp são anteriores a essa data e, portanto, a eles devese aplicar a teoria dos cinco mais cinco. Considerandose como dies a quo a data de apuração do saldo negativo, ou seja, 30/06/1998 (segundo trimestre), na qual se configurou o saldo negativo de IRPJ, o PER/Dcomp foi tempestivamente transmitido (01/12/2003). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10925.900109/200836 Acórdão n.º 1003000.626 S1C0T3 Fl. 6 9 restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2/2016. Em assim sucedendo, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000192/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
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DE EMPREENDIMENTOS SABE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 92 /2 00 8- 04 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10970.000192/200804 Acórdão n.º 2402007.073 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10970.000192/200804 Acórdão n.º 2402007.073 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10970.000192/200804 Acórdão n.º 2402007.073 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10970.000192/200804 Acórdão n.º 2402007.073 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013694/2008-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Deve ser sanado o erro material quando, em confronto com a prova dos autos, mostra-se equívoco o valor apontado na parte dispositiva do acórdão recorrido. Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-001.946
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 2101-01.342, alterando-lhe o resultado, apenas, para indicar que o valor restabelecido das deduções de despesas médicas, referente ao AC 2004, é de R$ 4.100,00.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ERRO MATERIAL. Deve ser sanado o erro material quando, em confronto com a prova dos autos, mostrase equívoco o valor apontado na parte dispositiva do acórdão recorrido. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.342, alterandolhe o resultado, apenas, para indicar que o valor restabelecido das deduções de despesas médicas, referente ao AC 2004, é de R$ 4.100,00. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 36 94 /2 00 8- 78 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.013694/200878 Acórdão n.º 2101001.946 S2C1T1 Fl. 726 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (fl. 723) interposto contra o acórdão de fls. 676/705, que, por voto de qualidade, deu provimento em parte ao recurso, para restabelecer as deduções com despesas médicas nos valores de R$ 5.270,00 (AC 2003), R$ 4.106,00 (AC 2004), R$ 8.000,00 (AC 2005) e R$ 7.000,00 (AC 2006). O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas em parte. IRPF. DESPESAS DE LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro e os leiloeiros, poderá deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Hipótese em que a Recorrente não comprovou referidas despesas. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Recurso provido em parte.” Não se conformando, a União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração, pedindo seja sanada suposta contradição de valores, constante da parte dispositiva do julgado e manifestação sobre possível readequação dos valores constantes na Declaração emitida por Marycléris P. Hummel. É o relatório. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.013694/200878 Acórdão n.º 2101001.946 S2C1T1 Fl. 727 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O presente recurso, apresentado pela União (Fazenda Nacional) com fundamento no disposto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. No presente caso, a Embargante pede (i) seja sanada a contradição na parte dispositiva do julgado que fez constar o restabelecimento de dedução no valor de R$ 4.106,00, relativo ao anocalendário de 2004, quando o valor correto seria R$ 4.100,00; e (ii) a manifestação da Turma sobre possível readequação dos valores constantes na Declaração emitida por Marycléris P. Hummel (fl. 632), eis que possivelmente poderiam ser glosadas as despesas com Caroline Schmitz Rathunde, que pela sua idade pode não ser mais dependente da autuada. Com efeito, cumpre ser sanado o erro material relativo às deduções das despesas médicas efetuadas com a cirurgiãdentista Marycléris Hummel que, no anocalendário de 2004, somaram R$ 4.100,00, e não R$ 4.106,00, conforme declaração de fl. 632. Com relação ao segundo argumento levantado pela União em seus embargos de declaração, qual seja, de que as despesas efetuadas com Caroline Schmitz Rathunde deveriam ser glosadas, eis que, pela idade, não poderia ser considerada dependente da Recorrente, temse que o auto de infração (fls. 591/599 e 602/607) foi lavrado unicamente em razão de (i) dedução indevida de despesas médicas e (ii) dedução indevida de despesas de livro caixa. Desse modo, temse que a autuação não abrangeu a dedução indevida de despesas com dependente. Considerando o caráter vinculado do lançamento, ex vi do art. 142 do CTN, assim como a incompetência deste CARF para proceder à sua retificação, haja vista a competência precípua da autoridade lançadora, e não julgadora, desde que respeitado o prazo decadencial, não deve prosperar a alegação da Embargante. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão 210101.342, alterandolhe o resultado, apenas, para indicar que o valor restabelecido das deduções de despesas médicas, referente ao AC 2004, é de R$ 4.100,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 727DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.013694/200878 Acórdão n.º 2101001.946 S2C1T1 Fl. 728 4 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10580.002416/2003-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei n° 9.363/1996 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria, como a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI.
Recurso especial da Fazenda provido.
Numero da decisão: 9303-008.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n° 9.363/1996 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria, como a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI. Recurso especial da Fazenda provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 24 16 /2 00 3- 93 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10580.002416/200393 Acórdão n.º 9303008.510 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda em (fls. 562/566), admitido pelo despacho de fls. 568/570, contra o Acórdão 3102001.057 (fls. 542/547), de 02/06/2011, o qual, por maioria de votos, proveu o recurso voluntário, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Antes de expressamente determinado na legislação de regência a obrigatoriedade de estorno dos créditos já no pedido de ressarcimento, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido do IPI quando comprovado pelo contribuinte que o estorno dos valores correspondentes em sua escrita fiscal é feito no momento do pedido de compensação. Recurso Voluntário Provido A Fazenda postula a reforma do recorrido ao fundamento de que "a ausência de estorno provoca a nova e indevida utilização do valor pleiteado no abatimento de débitos escriturais do IPI, podendo ainda compor o montante de outro pleito de ressarcimento", consoante atos normativos que menciona. Pede o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida. Intimado do recurso fazendário, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso da Fazenda nos termos em que foi admitido. O núcleo da lide consiste no questionamento acerca da obrigatoriedade ou não de escrituração do crédito presumido do IPI como pressuposto para o respectivo pedido de ressarcimento. O benefício fiscal em análise foi veiculado pela Lei 9.363/96, fruto da conversão da MP 148427, de 1996. O art. 6º da referida Lei estipulou o seguinte: Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10580.002416/200393 Acórdão n.º 9303008.510 CSRFT3 Fl. 4 3 Art.6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador A Portaria MF 38, de 27/02/1997, ao regulamentar o crédito presumido, estipulou, dentre outras questões, em seu art. 12, o seguinte: Art. 12. A Secretaria da Receita Federal fica autorizada a expedir normas complementares, necessárias à implementação do disposto nesta Portaria. A Instrução Normativa SRF n° 21/1997, editada em função da delegação ministerial acima transcrita1, em vigor na época do ingresso do protocolo do pedido (13/08/2001), em seus artigos 9°, § 1°, e 11, prescrevia: "Art. 9° A apuração do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para PIS/PASEP e COFINS, será efetuada pelo contribuinte, observadas as normas do art. 30 da Portaria MF n°, de 038 de 27 de fevereiro de 1997. § 1º O pedido de ressarcimento em espécie será instruído com cópias das folhas do livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, correspondentes ao período de apuração. ... Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro 'Demonstrativo de Créditos', do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro 'Observações'." À época dos fatos vigia a IN SRF 69/2001, que prescrevia na cabeça de seu art. 20 o seguinte: “Art. 20. O estabelecimento matriz da pessoa jurídica que apurar crédito presumido de IPI deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos" do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". 1 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 163, 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), no art. 66 da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no inciso II do § 1º do art. 6º e no art. 73 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, e no art. 12 da Portaria MF nº 038, de 27 de fevereiro de 1997, resolve: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10580.002416/200393 Acórdão n.º 9303008.510 CSRFT3 Fl. 5 4 Da leitura das norma acima transcritas, temse que a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI é pressuposto do pedido de ressarcimento. Tal escrituração possui caráter constitutivo (e não apenas declaratório). Ou seja, a escrita do crédito presumido de IPI aperfeiçoa o pleito de ressarcimento. Com efeito, o estorno é um requisito formal previsto na legislação de regência, e a sua falta implica no indeferimento do direito creditório, como bem colocado pela autoridade fiscal. Não há previsão legal para que o estorno seja efetuado de maneira diversa da preconizada na aludida instrução normativa. O estorno, além de evitar uma duplicidade de ressarcimentos de créditos do IPI, tem por escopo o controle do saldo credor acumulado de créditos decorrentes das aquisições de insumos. Por isso, afastase a conclusão do recorrido de que o momento da escrituração é o momento do envio das DCOMP. As Instruções Normativas nº 210/2002 e 460/2004 continuaram a exigir a escrituração no livro Registro de Apuração do IPI como premissa para o pedido de ressarcimento. Para tanto, basta verificar o que preceitua o artigo 14, caput e §§ 1° e 2° da IN SRF n° 210/2002, o artigo 16, caput, §§ 1°, 2° e 4°, inciso I, da IN SRF n° 460/2004. Assim, deve ser restaurada a decisão recorrida. CONCLUSÃO Forte no exposto, conheço do recurso especial fazendário e doulhe provimento, desta forma revigorando a decisão da DRJ Salvador (fls. 502/507). É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10580.002416/200393 Acórdão n.º 9303008.510 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 580DF CARF MF
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