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Numero do processo: 13805.013964/96-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração se prestam a sanar omissão existente no Acórdão, que deixou de analisar parte dos argumentos trazidos nos dois Recursos Voluntários interpostos pela empresa.
SÚMULA CARF 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
PAGAMENTO PARCIAL. ART. 17 DA LEI N.º 9.779/99.
O pagamento estabelecido pelo art. 17 da Lei nº 9.779/99 exige, dentre outros requisitos, o pagamento integral da exação discutida judicialmente, sendo indeferida na situação em que o pagamento foi parcial.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Numero da decisão: 3402-006.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar as omissões apontadas, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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OBSCURIDADE. Embargante BANCO LOSANGO S.A BANCO MÚLTIPLO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração se prestam a sanar omissão existente no Acórdão, que deixou de analisar parte dos argumentos trazidos nos dois Recursos Voluntários interpostos pela empresa. SÚMULA CARF 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 17 DA LEI N.º 9.779/99. O pagamento estabelecido pelo art. 17 da Lei nº 9.779/99 exige, dentre outros requisitos, o pagamento integral da exação discutida judicialmente, sendo indeferida na situação em que o pagamento foi parcial. Embargos de Declaração Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos para sanar as omissões apontadas, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 39 64 /9 6- 74 Fl. 421DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte visando sanar omissões incorridas no Acórdão n.º 3402005.555, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1996 a 31/07/1996 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N.º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado". No entender do contribuinte, teriam deixado de ser analisadas as razões do primeiro Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo nos autos às efls. 139153. As razões para a interposição dos aclaratórios foram elucidadas no despacho de admissibilidade das efls. 415420: "EXAME DOS VÍCIOS ALEGADOS Em seu arrazoado de fls. 386 a 394, o embargante assevera inicialmente que a decisão embargada teria incorrido em omissão. Sustenta nesse sentido que "há uma peculiaridade basilar atinente aos autos: foram apresentados dois Recursos Voluntários pelo Embargante contra decisões diferentes proferidas por Turmas distintas da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo" (grifei), mas o Acórdão embargado teria deixado de analisar o primeiro Recurso Voluntário apresentado pelo Banco, o qual "possui tópicos e argumentos específicos que não foram apresentados no Segundo Recurso Voluntário". O embargante explica o inusitado ocorrido argumentando que (fls. 391 grifos no original): "Como exposto, a 6ª Turma da antiga Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, julgou (fls. 113 a 119 dos presentes autos) improcedente a Impugnação apresentada pelo Embargante, a qual foi objeto de Recurso Voluntário protocolado em 09/12/2003. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 371 3 Anteriormente à ciência do Embargante do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/São Paulo, o processo foi encaminhado à Divisão de Fiscalização da DEINF, para a verificação de pagamento efetuado nos termos da Lei nº 9.779/99 (e que abarca parcialmente os valores objeto da presente autuação fiscal). Em despacho proferido pelo Ilmo. Sr. Delegado Substituto da DEINF foi denegado o direito à fruição dos benefícios concedidos pela Lei nº 9.779/99, relativamente ao PIS do período discutido nos presentes autos, sob o fundamento de que para a fruição da anistia o Embargante deveria ter recolhido a totalidade dos débitos relativos a todos os fatos geradores discutidos na ação judicial. Contra referido despacho foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 154 dos autos). Antes do encaminhamento do Primeiro Recurso Voluntário a este E. CARF, decidiuse na Delegacia de origem pelo encaminhamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Embargante para análise e julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que se manifestou pelo indeferimento da manifestação sob alegação de concomitância. Contra referida decisão proferida pela 8ª Turma Julgadora, o Embargante apresentou o novo Recurso Voluntário em 24/01/2008 (“Segundo Recurso Voluntário” – fls.253 e seguintes destes autos). Contudo, conforme se depreende do voto proferido pela Il. Conselheira Relatora, o Acórdão embargado deixou de analisar o citado Primeiro Recurso Voluntário apresentado pelo Embargante. Esse ponto resta claro quando da menção expressa às razões do Recurso, que citam expressamente apenas as fls. provenientes do “Segundo Recurso Voluntário” apresentado, (...)" Dando continuidade a seu apelo, o embargante defende que seja então examinado e sanado vício de obscuridade. Sustenta que, caso a c. Turma entenda que "ambos Recursos Voluntários apresentados foram efetivamente apreciados e julgados pelo Acórdão embargado, há de se reconhecer que a terminologia adotada pelo voto proferido, bem como pelo dispositivo da ementa, deixa obscuro referido ponto". Complementa justificando (fls. 392): "Isso porque, conforme se depreende do dispositivo da ementa, as palavras utilizadas pela E. Turma referemse tão somente e utilizam o modo singular, senão vejamos: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento.” (fl. 1 do Acórdão Embargado). (...) A referida obscuridade, devese pontuar, prejudica sobremaneira o direito regimental do Embargante apresentar Recurso Especial, haja vista que não terão sido prequestionadas as matérias objeto do Primeiro Recurso Voluntário, impedindo o Embargante de exercer plenamente seu direito à ampla defesa e contraditório. Além disso, frisase que o pagamento parcial do tributo em discussão nos autos de processo administrativo deve ser analisado pelo Órgão Julgador Administrativo em qualquer momento processual." E mais. Sustenta às fls. 393 e 394 que, "caso não se entenda pela existência dos equívocos cometidos pelo Acórdão embargado destacados acima, ao menos devese compreender a defesa do Embargante, apresentada nos presentes autos, como um “todo” em relação aos argumentos presentes tanto no Primeiro Recurso Voluntário Fl. 423DF CARF MF 4 quanto no Segundo Recurso Voluntário que foram devidamente apresentados e fazem parte do presente processo administrativo". Com esses argumentos, aponta omissão quanto aos seguintes tópicos constantes de sua peça recursal: (i) “1 DO PAGAMENTO PARCIAL EFETUADO NOS MOLDES DA LEI 9.779/99”; e (ii) “III. 3 – Dos Juros de Mora". Diante de todo o exposto, o embargante requer o acolhimento e saneamento dos vícios de omissão e obscuridade, com a conseqüente reforma da decisão embargada. Mas (fls. 394): "Ad argumentandum, caso assim não se decida, requerse, ao menos, seja recebida a alegada omissão pelo não julgamento do Primeiro Recurso Voluntário interposto pelo Embargante, como ocorrência de lapso manifesto, prolatandose novo Acórdão, com a devida análise do recurso por esta E. Turma." (...) Com o norte desses ensinamentos, passo a examinar os vícios apontados: Examinando os elementos do processo e a decisão embargada e confrontandoos com o que alega o embargante, verifico que consta dos autos um Recurso Voluntário (doc. fls. 139 a 153), datado de 09/12/2003, tratando de questões relativas a exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1996 a julho de 1996. Consta ainda um segundo Recurso Voluntário (doc. fls. 253 a 274), de 24/01/2008. Neste, o recorrente afirma às fls. 256 que (grifei): "Cumpre mencionar que (1) face ao despacho que denegou o direito à fruição da anistia fiscal, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, com fundamento no artigo 56, da Lei no 9.784/99; bem como (ii) em face ao acórdão proferido pela 6a Turma da DRJ/São Paulo o Recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário, o qual se encontra pendente de julgamento. De fato, antes de encaminhar o processo a este E. Conselho para análise e julgamento do Recurso Voluntário interposto em 09/12/2003, a C. 8a Turma Julgadora houve por bem julgar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendendo que, tendo em vista o ajuizamento da Ação Ordinária no 2003.61.00.0130761, "a determinação do débito relativo ao período autuado, seja ele apurado nos termos da EC no.10/96, seja ele calculado com base na EC no. 7/70, é matéria sub judice, (..) e, conseqüentemente, não há de ser apreciada na instância• administrativa em razão da concomitância de ação judicial'". A leitura de todo o Acórdão embargado nos faz crer que este somente analisa o que consta do Recurso Voluntário de fls. 253 a 274. A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subseqüentemente pelo Colegiado. CONCLUSÕES Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." (efls. 417419 grifei) Em seguida, os autos foram direcionados para esta Relatora para julgamento. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 372 5 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Atentandose para as razões trazidas pela Embargante, observase que, de fato, as razões recursais autônomas trazidas no Primeiro Recurso Voluntário interposto pela empresa às efls. 139/153 deixaram de ser analisadas pelo acórdão embargado, razão pela qual merece ser conhecido e acolhido os Embargos interpostos. Para melhor compreensão da extensão das omissões verificadas, importante trazer breves considerações quanto aos fatos que envolvem o presente processo. Como relatado no acórdão embargado, o presente processo se refere a Auto de Infração de PIS referente ao período de janeiro/1996 a julho/1996. Após a lavratura da autuação, o contribuinte interpôs Impugnação Administrativa (efls. 16/32) indicando que o direito de proceder com o recolhimento do PIS com fulcro na emenda constitucional n.º 10/1996, sem observar a Medida Provisória n.º 517/94, teria sido reconhecido por liminar deferida nos Mandados de Segurança n.º 94.03.0852658 (efl. 50) e n.º 94.00204329 (efl. 84). Antes da prolação de acórdão, a empresa apresentou nos autos a petição de desistência daquela ação judicial para proceder com o pagamento da discussão relacionada a tese com os benefícios da Lei n.º 9.779/99 (efl. 95), oportunidade na qual apresentou planilhas que indicariam o pagamento de parcela do débito atuado, referente às competências de junho e julho/1996 (efl. 86/101). Em seguida, foi proferido Acórdão n.º 1.395/2002 pela 6ª turma da DRJ de São Paulo julgando parcialmente procedente a Impugnação apresentada para excluir a incidência da multa de ofício autuada, face a existência do provimento liminar à época da lavratura da autuação (efls. 113/119). Antes mesmo do contribuinte ser cientificado deste acórdão, foi proferido despacho para verificar o pagamento parcial informado nos autos (efl. 120), sendo proferido o relatório fiscal das efls. 129131 entendendo pelo não cumprimento dos requisitos da Lei n.º 9.779/99: "O pagamento efetuado pelo contribuinte ocorreu em 26/02/99, ou seja sob a égide da Lei 9.779/99 e MP 1.807/99. A MP 1.807/99 é clara no sentido de que, para usufruir a anistia, contribuinte teria que pagar os débitos relativos à todos os fatos geradores discutidos na ação judicial. Conforme se verifica o contribuinte sob o pretenso direito de recolher o PIS com base na LC 07/70, não recolheu os débitos relativos aos períodos de janeiro a maio de 1996, o que por si só desqualifica o suposto direito do mesmo à anistia. Com relação à imputação dos pagamentos efetuados, a matéria ainda se encontra em discussão administrativa uma vez que o contribuinte quando for cientificado da decisão da DRJ/SP poderá apresentar recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes contra a mesma." (efl. 130) Após tomar ciência do acórdão e deste relatório, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 139153) discutindo: Fl. 425DF CARF MF 6 (I.a) o pagamento parcial efetuado nos moldes da Lei n.º 9.779/99, vez que inexistia exigência legal específica no sentido de pagar todos os débitos relativos aos fatos geradores discutidos na ação judicial; (I.b) o direito do contribuinte de proceder com o recolhimento do PIS com base na Emenda Constitucional n.º 10/1996, sendo que no mandado de segurança somente discutia a constitucionalidade da Medida Provisória n.º 517/1994; (I.c) a inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora. Contudo, antes do processo ser remetido ao Conselho, foi noticiado nos autos a interposição de nova ação judicial n.º 2003.61.00.0130761/SP exatamente sobre a Emenda Constitucional n.º 10/1996 (efls. 222/240), o que ensejou a lavratura de novo acórdão n.º 16 15.561 da 8ª turma da DRJ de São Paulo (efls. 241/247) reconhecendo a concomitância em face da nova ação judicial e tratando especificamente da Anistia da Lei n.º 9.779/99, indica a necessidade de pagamento integral para que o benefício fosse admitido. Em face deste segundo acórdão, foi apresentado o Segundo Recurso Voluntário interposto pela empresa às efls. 253274, oportunidade na qual reiterou parte da discussão que havia travado no primeiro Recurso Voluntário, sem, contudo, fazer novas considerações quanto ao pagamento parcial da Lei n.º 9.779/99. Foi discutido neste recurso: (II.a) inexistência de renúncia na esfera administrativa e tópicos de mérito quanto ao cabimento do recolhimento do PIS com base na Emenda Constitucional n.º 10/1996 (itens III.1 e III.2, indicados no acórdão embargado); e (II.b) a impossibilidade de cobrar juros de mora sobre débitos com exigibilidade suspensa e não aplicação da SELIC (itens III.3 e III.4). Observese, portanto, que o segundo Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo optouse por reiterar parte da discussão administrativa que tinha sido levantada no primeiro Recurso Voluntário, sendo certo que as alegações trazidas no item (I.b) acima se coincidem com o mérito desenvolvido no item (II.a). Da mesma forma, o contribuinte reiterou a discussão quanto aos juros, indicada no item (I.c), trazendo algumas considerações adicionais no item (II.b). Todas essas questões foram enfrentadas no acórdão recorrido. Naquele acórdão ora embargado, foi evidenciada a concomitância entre a discussão de mérito travada no processo com a discussão de mérito travada na ação judicial n.º 2003.61.00.0130761/SP (Súmula CARF n.º 1), sendo inclusive reproduzido o pedido veiculado naquela ação judicial, conforme inicial acostada às efls. 357/358 destes autos: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 373 7 Foi igualmente afastada as alegações concernentes à suposta inaplicabilidade da taxa SELIC aos débitos (itens I.c e II.b acima), discussão essa já sedimentada na Súmula CARF n.º 4. Contudo, observase que, por lapso, não foram analisados dois pontos que merecem saneamento por meio deste acórdão, à luz do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Primeiramente, observase que nos dois recursos voluntários o contribuinte trouxe a discussão da não incidência de taxa SELIC, em discussão resolvida pela transcrição da súmula CARF 4 no acórdão embargado. Contudo, não foi analisada a questão dos juros de mora especificamente quando há hipótese de suspensão da exigibilidade, trazida somente no Fl. 427DF CARF MF 8 segundo recurso voluntário. Com isso, mostrase necessário integrar o acórdão para igualmente trazer a baila a expressão da súmula CARF n.º 5, que garante a exigência de juros de mora mesmo quando suspensa a exigibilidade à época da lavratura: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Ademais, mostrase igualmente necessário analisar o ponto (I.a) acima, trazido no primeiro recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo, quanto ao pagamento parcial efetuado nos moldes da Lei n.º 9.779/99. Como visto, em conformidade com a fiscalização, "a MP 1.807/99 é clara no sentido de que, para usufruir a anistia, contribuinte teria que pagar os débitos relativos à todos os fatos geradores discutidos na ação judicial." (efl. 130) Isso porque o contribuinte procedeu com o pagamento parcial de parcelas, mesmo que inexistente uma segregação de objetos dos Mandados de Segurança n.º 94.03.0852658 e n.º 94.00204329. Por sua vez, para a Recorrente, inexistia exigência legal específica no sentido de pagar todos os débitos relativos aos fatos geradores discutidos na ação judicial. Uma vez que procedeu com o pagamento parcial, das competências de junho/1996 e julho/1996, os valores poderiam ser beneficiados com a anistia do art. 17 da Lei n.º 9.779/99. Vejamos primeiramente o teor do dispositivo, na redação dada pela Medida Provisória n.º 1.807/1999, vigente à época do pagamento realizado nestes autos: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1o O disposto neste artigo estendese: I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2o O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: I ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o; II ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o; III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o. § 3o O pagamento referido neste artigo: I importa em confissão irretratável da dívida; II constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil; Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 374 9 III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendose a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes; IV relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. § 4o As prestações do parcelamento referido no inciso III do § 3o serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento." (grifei) Observase que a disciplina normativa vigente à época admitia o pagamento da "exação alcançada pela decisão declaratória", admitindo como "exação" todos os fatos geradores alcançados pelo pedido dos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998 (§§1º, III e 2º, III). Nesse sentido, a aproximação era feita com todo o processo judicial, de uma forma global a depender do pedido formulado, inexistindo uma previsão específica para o pagamento parcial como incluído pela MP 215835/2001, por meio do acréscimo dos §§ 6º e 7º ao dispositivo: "§ 6o O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais de um objeto. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 7o No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3o alcança exclusivamente os valores pagos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" (grifei) A Instrução Normativa n.º 26/1999 igualmente não trazia previsão específica de pagamento parcial. Assim, antes da alteração promovida pela MP 215835/2001, descabia se falar em pagamento parcial da exação para fins do benefício da Lei n.º 9.779/99, sendo necessário o pagamento da exação como um todo, assim entendido todos os fatos geradores alcançados pelo pedido dos processos judiciais. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 LEI N° 9.779/99. BENEFÍCIO FISCAL CONDICIONADO. O gozo do benefício da anistia é ao pagamento integral do tributo devido dentro do prazo previsto em lei. Revisão de Ofício promovida pela DICAT, efetuou a alocação de pagamentos aos meses 04 a 06/1997. Os períodos assinalados nos DARFs colacionados pelo Recorrente são outros, referentes ao ano de 1996. Tabela colacionada não faz prova da extinção do crédito tributário via pagamento, não atendendo assim as condições prescritas pela norma concessora do benefício." (Número do Processo 10880.004602/200200 Data da Sessão 25/02/2019 Relator Jorge Lima Abud Nº Acórdão 3302006.538 grifei) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999 INSTITUIÇÃO FINANCEIRA:BENEFÍCIO FISCAL DO ARTIGO 17 DA LEI N° 9.779/99. AÇÃO JUDICIAL. REGRAS DE ANISTIA. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Fl. 429DF CARF MF 10 Nos termos do art. 111, I, do Código Tributário Nacional, impõese a interpretação restritiva na legislação que disponha sobre exclusão do crédito tributário. Assim, a anistia estabelecida pelo art. 17 da Lei nº 9.779/99, no que exige, dentre outros requisitos, o pagamento integral da exação discutida judicialmente, é indeferida na situação em que o pagamento foi parcial." (Número do Processo 16327.000137/200453 Data da Sessão 12/06/2018 Relator Demes Brito Nº Acórdão 9303006.881 grifei) Em sua petição de desistência dos Mandados de Segurança, o contribuinte igualmente não deixa clara a razão para a parcialidade do pagamento, vez que indica que estaria procedendo com o pagamento do PIS com fulcro nas Emendas Constitucionais 1/1994, 10/1996 e 17/1997, abrangendo, portanto, todos os fatos geradores autuados no presente processo (inclusive janeiro a maio/1996): · Petição Processo n.º 94.00204329 (efl 86) · Petição Processo n.º 94.03.0852658 (efl. 95) Contudo, essa afirmação mostrouse contraditória com a própria afirmação trazida no Recurso Voluntário. Isso porque, ao elucidar qual seria o objeto dos Mandados de Segurança interpostos, afirma a Recorrente que elas se referem apenas à inconstitucionalidade da Medida Provisória n.º 517/1994, não se referindo à Emenda Constitucional n.º 10/1996: "Notese que nos Mandados de Segurança n° 94.00204329 e n° 94.03.0852658, o Recorrente discutiu tão somente a inconstitucionalidade a Medida Provisória n° 517/1994. Nos referidos processos judiciais nada se alegou relativamente à Emenda 10/96, mesmo porque estes Mandados de Segurança foram impetrados em 1994, ou seja, anteriormente à edição da malfadada Emenda Constitucional n° 10, de 1996." (efl. 145 grifei) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13805.013964/9674 Acórdão n.º 3402006.611 S3C4T2 Fl. 375 11 Ora, como apontado pela própria Recorrente, os processos judiciais que teriam sido objeto de pagamento com fulcro na Lei n.º 9.779/99 sequer abrangem as exações pagas em junho e julho/1996, vez que não fazem parte do pedido dos Mandados de Segurança. Ademais, o contribuinte aduz ainda que não teria procedido com o pagamento em razão do efeito de confissão irretratável da dívida, sendo que permaneceria com o questionamento por fundamentos distintos dos débitos que não foram pagos. Contudo, como se vislumbra do pedido formulado na ação judicial 2003.61.00.0130761/SP, o contribuinte propôs ação judicial discutindo inclusive períodos que teriam sido objeto de pagamento pela Lei n.º 9.779/99. Assim, não se vislumbram na hipótese os requisitos normativos para o gozo do benefício previsto na Lei n.º 9.779/99, devendo ser negado provimento ao Recurso nesse ponto. De toda forma, ao final do presente processo administrativo, caberá a imputação dos pagamentos realizados via DARF das competências de junho e julho/1996, considerando o correspondente acréscimo dos juros de mora. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração opostos para, sanando as omissões indicadas, integralizar o Acórdão proferido e negar provimento aos Recursos Voluntários interpostos pela empresa nos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901008/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/09/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO.
O crédito de CIDE conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação.
PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR.
As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que determina se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
Numero da decisão: 3301-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: Relator
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.15970/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que determina se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 10 08 /2 00 9- 66 Fl. 157DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP , de nº 15971.39338.150406.1.3.040975, onde se declara a compensação de pagamento indevido ou maior de CIDE, no valor de R$ 58.564,12, referente ao fato gerador ocorrido em 13/09/2005, com débito da própria CIDE, referente ao fato gerador ocorrido em 13/04/2006. 2 Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/MANAUS/AM) emitiu o Despacho Decisório nº de rastreamento 820962455 (fls. 6 dos autos digitais), não homologando a compensação, contra o qual a recorrente apresenta suas razões de irresignação, chegando até este CARF.. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/BELÉM : Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 15971.39338.150406.1.3.040975 (fls.1/5) em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE, 8741, no valor de R$ 58.564,12 para compensar débito de CIDE, 8741, PA março/2006, vencimento 13/04/2006, R$ 59.395,73. Ainda segundo consta da declaração de compensação, o crédito teria sido constituído via recolhimento de CIDE efetuado em 14/10/2005 no valor de R$ 83.663,03. Através do Despacho Decisório e anexos de 18/02/2009, nº 820962455 (fls.6/8), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “.. foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 05/03/2009 (fl.9), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/04/2009 (fls.10/16) via representantes legais (fls.17/33), alegando em síntese que: 1) Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ao amparo do art.151, II do CTN; 2) O equívoco decorre do fato de que a manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 158 3 3) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultará no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto; 4) Inadvertidamente, não houve retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do débito a ser compensado; 5) O valor pago a maior é decorrente de saldo negativo CSLL; 6) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório nº 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei nº 756/69, sendo o Ato Declaratório expedido com efeito retroativo ao ano de 2004; (transcreve o teor do Ato Declaratório) 7) No ano de 2004 houve pagamento do imposto de renda, nascendo o crédito objeto de restituição e, portanto, informado no PER/DCOMP; 8) O ato da autoridade administrativa implica não reconhecer o ato declaratório e apresentase totalmente contrário ao artigo 178 do Código Tributário Nacional; 9) É indiscutível que o direito à compensação, na modalidade requerida pela manifestante, está previsto no caput do art.74 da Lei 9.430/96 bem como nos termos da Instrução Normativa 600/2005; 10) Requer a realização de diligência para aferição do crédito e, até mesmo, do débito; 11) O Decreto nº 70.235/72, art.16, IV, ampara o direito do contribuinte em pedir a realização de diligências para fazer prevalecer seus direitos obedientes ao contraditório e à ampla defesa na forma preconizada no art.5º, LV da CF/88; 12) Todos os valores objeto de pedido de restituição/compensação dizem respeito ao exercício 2005, anocalendário 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito; 13) É inquestionável a ocorrência do pagamento a maior, seja decorrente do saldo negativo CSLL e ainda do IRPJ pago; 14) Requer o reconhecimento do crédito e autorização para juntada de documentos antes da decisão. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cálculo dos impostos mensais (fl.34), Ficha 11 da DIPJ/2005 (fls.35/38), cálculo dos benefícios fiscais (fl.39), ADE nº 58/2005 (fl.40), Laudo Constitutivo e Parecer (fls.42/49), Aprovação de Projeto de Modernização (fl.50), balancete analítico (fls.51/59), Planilha de Cálculo para compensação CIDE (fls.64 e 74), contratos de câmbio (fls.75, 78/80, 85/86 e 95), composição do valor de uso de marca (fl.77), cópia de DARF`s (fls.82/84 e 94) e despacho (fl.96). É o relatório. 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/BELÉM exarou o Acórdão de nº 01.22.654 – 1ª Turma, aqui combatido, que assim restou ementado: Fl. 159DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/09/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CIDE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tendo o próprio contribuinte juntados aos autos planilhas referentes à apuração da CIDE com a dedução do crédito referente a setenta por cento do valor pago em período anterior, não restou comprovada a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Sem o reconhecimento do direito creditório, a compensação resulta não homologada. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Nos termos da legislação de regência, a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos compensados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa, os seguintes argumentos : o Acórdão negou á recorrente o direito de demonstrar a existência do direito reclamada, pois indeferiu pedido de diligência. Contrariando o princípio da verdade material e, mesmo sendo competência da autoridade deferir ou não tal pedido, tratase de direito do litigante em processo administrativo ou judicial, merecendo ser melhor analisado o pedido; ´e direito do contribuinte ter seu direito reconhecido desde que possua os documentos comprobatórios, o que está fartamente comprovado nestes autos, não sendo prudente que a administração negue ao contribuinte o exame de seus documentos para demonstrar a existência do direito que, caso lhe seja negado, estarseá agredindo o direito á produção de provas e ampla defesa previstos no texto constitucional; Basicamente o acórdão está fundamento no único argumento da com o pagamento a maior do IRPJ e da CSLL, o mesmo acontecendo em relação ao saldo negativo da CSLL e IRPJ, Realmente o tributo federal a ser compensado é a CIDE, mas o crédito para essa compensação diz respeito ao IRPJ e CSLL pagos a maior e, ainda, com saldo negativo da CSSLL e do IRPJ. Para complementar o seu crédito, a Recorrente tinha e tem a pretensão de demonstrar que até a expedição do ATO DECLARATÓRIO n° 58/2005 efetuara o pagamento de IRPJ e da CSSLL, sem considerar a redução. Verificase que o ato declaratório passou a viger com efeito retroativo. Dessa forma, todos os valores pagos durante o ano de 2004 são considerados como pagamento indevido e se converteram em crédito para a Recorrente. Ao negar o pedido de diligência formulado na manifestação de inconformidade, o Sr. Auditor Julgador castrou o direito da Recorrente de demonstrar a existência do crédito reclamado Salientese que o Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004,A autoridade competente, portanto, após examinar a documentação Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 159 5 apresentada pelo contribuinte, acatou o pedido de redução do imposto de renda, determinando que o ato fosse publicado no Diário Oficial da União, edição n° 67, de 08 de abril de 2005. Enquanto aguardava a expedição do ATO DECLARATÓRIO, a Requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. No ano de 2004, portanto houve pagamento do imposto de renda, nascendo o crédito objeto de restituição e informado no PER/DCOMP. O ato da nobre autoridade em afirmar que Ato Declaratório n° 58/2005 não faz prova em favor da Recorrente implica e afastar o reconhecido da redução do Imposto de Renda, O recente Decreto n° 7.574/2011, que incorporou diversas legislações sobre o procedimento administrativo, endossou o direito do contribuinte em se ressarcir do valor pago, enquanto aguardava a expedição do ato declaratório concessivo do beneficio. se o fisco tem o direito de exigir que o contribuinte efetue o pagamento do valor do tributo na hipótese de ser indeferido o pedido de redução mesmo modo o contribuinte possui o pleno direito de reaver os valores pagos durante esse período, ao ser acatado o seu pleito. Foi exatamente o que aconteceu em relação à Requerente que efetuara no ano de 2004 o pagamento do IRPJ sem considerar o beneficio albergado no Decreto n° 756/69, já que o Ato Declaratório n° 58/2005 foi expedido em 2005, com efeitos retroativos. Todas as afirmativas da Recorrente convergem para a análise de seus documentos através da diligência solicitada. Sem o exame apurado dos livros e documentos fiscais e contábeis, tornase difícil decidir pela existência do crédito reclamado, tornandose mais fácil negar esse direito ao contribuinte, sendo esse o ato praticado pelo Julgador monocrático que, por medida de justiça fiscal, será reparado por esse nobre Conselho Administrativo. requer que a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0122.8541a Turma da DRJ/BEL, proferido no Processo Administrativo n° 10283.901008/200966, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo. 6. Em julgamento deste recurso voluntário, a Primeira Seção de Julgamento deste CARF expediu o Acórdão nº 10031.987, onde declarou sua incompetência para apreciação da matéria, diante do Regimento Interno do CARF. O Acórdão restou assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Exercício: 2005 COMPETENCIA Não se conhece de recurso cuja matéria trata de diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE no período de setembro de 2005, é de competência da Egrégia 3a Seção deste Conselho Administrativo de Fl. 161DF CARF MF 6 Recursos Fiscais (CARF), a teor da norma contida no artigo 4o , do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF COMPETENCIA DECLINADA 7. Relevante destacar o voto do ilustre Conselheiro Relator : Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, tenho que me furtar em adentrar no mérito da questão, tendo em vista a determinação expressa do artigo 4o, do Anexo II, Título I, Capítulo I do Regimento Interno do CARF que outorga à 3a Seção deste Conselho Administrativo a competência absoluta para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação referente à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, tendo em vista que as DCOMP´s, fls. 02 e seguintes, tratam da compensação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE com parcelas vincendas da mesma contribuição sob o código de receita nº 8741(CIDE REMESSAS AO EXTERIOR). Assim, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de a Egrégia 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para análise do recurso voluntário. 8. Assim os autos vieram para julgamento por esta 3ª Seção. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 9. A discussão nos presentes autos cingese ao direito a compensar crédito de CIDEROYALTIES, oriundo de alegado pagamento a maior, com débito da própria CIDE. 10. A solução da questão está na própria legislação do tributo. 11. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE foi instituída pelo artigo 2º da Lei 10.168, DOU 30/12/2000, como forma de atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (art.1º da mesma lei). O referido art.2º, em sua redação atual, estabelece: “Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 160 7 § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. “(Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) 12. A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa aos autos (Contratos de Câmbio, planilhas e DARFs), verificase que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior em dois períodos no anocalendário de 2005 (de janeiro a junho e de julho a dezembro), recolhendo valor via DARF correspondente á CIDE devida no período com a redução de 70%, tendo como base de cálculo recolhimento do período anterior. 13. A redução se deu em decorrência do aproveitamento de crédito de parte da CIDE recolhida em período anterior. O §1º , Inciso I, letra b) do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2000, com a ressalva contida no Inciso II, assim estabelece : “Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei no 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: Fl. 163DF CARF MF 8 I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.” 14. Verificase na legislação transcrita que o artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2000, concedeu crédito incidente sobre a CIDEROYALTIES, aplicável á importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de patentes e de uso de marcas. O crédito seria determinado com base na CIDEROYALTIES devida pela utilização do percentual de 70% (setenta por cento) relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º/01/2004 a 31/12/2008, e será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da CIDEROYALTIES incidente em operações posteriores, relativas a royalties descritos no caput do mesmo artigo. 15. Percebese, dessa maneira, que a CIDE tem como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. As quantias a serem remetidas são apuradas nos termos de contrato de tecnologia estabelecido entre as partes. 16. Quanto ao crédito concedido pelo artigo 4º da MP 2.15970/2000, este deve ser utilizado, exclusivamente, para dedução da CIDE incidente em operações posteriores, ou seja, não há previsão legal para utilização deste crédito para compensação, como pretende a recorrente. 17. Ademais, a decisão de piso já demonstrou de forma clara a utilização do crédito para dedução da própria CIDE devida, não restando crédito : A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa à manifestação de inconformidade, é possível identificar que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior em dois períodos no anocalendário 2005: 1. Janeiro a Junho/2005: segundo a planilha de cálculo (fl.74) e o contrato de câmbio (fl.75), houve a remessa de R$ 1.171.577,72 com apuração de CIDE no valor de R$ 117.157,77. Por outro lado, o DARF de fl.83 revela que houve recolhimento da contribuição, código 8741, PA 13/09/2005, vencimento 14/10/2005, R$ 83.663,03. A arrecadação ocorreu no vencimento. Na DCTF consta débito de CIDE no valor de R$ 83.663,03 (fl.97). Nesse período, então, houve o aproveitamento de crédito do período anterior no montante de R$ 34.385,70 (valor corrigido) – vide fl.74. Nos termos da legislação aplicável relativamente ao crédito (§1º, I, “b” do art.4º da Medida Provisória nº 2.15970, DOU 27/08/2001), 70% do valor pago (R$ Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10283.901008/200966 Acórdão n.º 3301006.110 S3C3T1 Fl. 161 9 83.663,03) nesse período corresponde a crédito a ser utilizado no período subseqüente. 2. Julho a dezembro/2005: segundo a planilha de cálculo (fl.64) e o contrato de câmbio (fl.95), houve a remessa de R$ 1.233.072,12 com apuração de CIDE no valor de R$ 123.307,21. Por outro lado, o DARF de fl.94 revela que houve recolhimento da contribuição, código 8741, PA 31/03/2006, vencimento 13/04/2006, R$ 63.911,48. A arrecadação ocorreu no vencimento. A planilha de cálculo mostra claramente que, mais uma vez, houve o aproveitamento do crédito gerado por ocasião do recolhimento anterior (pagamento de R$ 83.663,03 e crédito de R$ 58.564,12. Dessa maneira, nos dois períodos em que houve apuração de CIDE – Royalties, houve o aproveitamento do crédito correspondente a 70% do valor recolhido, não restando configurado o pagamento indevido ou a maior pleiteado. 18. Como bem destacado pela decisão de piso, a recorrente não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento da CIDE foi indevido, muito menos anexou aos autos o contrato exigido pela legislação para qualificarse como pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. 18. Quanto ao crédito de IRPJ e CSSL mencionado nas argumentações, não devem ser conhecidos, pois não integram a lide, a Declaração de Compensação trata de compensação entre débito de CIDE e crédito oriundo de pagamento indevido da própria CIDE. 19. Por derradeiro, quanto ao pedido de realização de diligência, esta deve ser realizada quando existem fatos a serem esclarecidos, diante de documentos apresentados, ou de alegações imprecisas, que necessitam de esclarecimentos, sempre a critério do julgador que decidirá se tais diligências são necessárias ou imprescindíveis para formação de sua convicção. 20. No caso em exame nos presentes autos, diante das provas juntadas pela recorrente nos autos, não há necessidade de diligências para que se esclareça o direito guerreado, por tal motivo, indefiro o pedido de diligência. Conclusão 21. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, não havendo, portanto, crédito disponível para compensação. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 165DF CARF MF 10 Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000905/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento.
DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
Numero da decisão: 2401-006.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 36,40. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a dedução a título de despesas médicas o valor de R$ 11.000,00 pago para psicóloga.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
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DEDUTIBILIDADE. DO RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR/99, é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente e de seu efetivo pagamento. DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 36,40. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento parcial em maior extensão para restabelecer a dedução a título de despesas médicas o valor de R$ 11.000,00 pago para psicóloga. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 09 05 /2 00 7- 14 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 81 2 Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 67/71). Pois bem. Tratase de Auto de Infração lavrado contra LUIZ CARLOS DINIZ, fls. 6/11, referente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002. Está sendo exigido imposto sobre a renda de pessoa física, código 2904, no valor de R$ 8.525,39, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Foi constatado pela fiscalização dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 31.001,40. Esclarece que o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas, no entanto, compareceu na Delegacia da Receita Federal do Brasil justificando não mais possuir os documentos. Cientificado da notificação em 21/12/2006, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 30, o contribuinte apresentou impugnação em 04/01/2007, AR de fl. 04, alegando, em síntese: (a) Que prestou os esclarecimentos solicitados e apresentou os documentos que tinha disponível. (b) Pagou o tratamento médico em parcelas com cheques de pequeno valor ou em dinheiro e recebeu os recibos ao final do período. (c) Não percebeu nas instruções da Receita que deveria guardar cópias de cheques ou de extratos bancários para comprovar pagamentos em dinheiro, somente de guardar cópias dos recibos. (d) Pede a revisão e cancelamento do auto de infração, pois apresentou os recibos das despesas médicas, quando solicitado, conforme cópias autenticadas em anexo. E, ainda, que não se pode dizer que o contribuinte não possuía os comprovantes, haja vista que existentes e colocados à disposição da fiscalização. De acordo com comunicado de fls. 32, a impugnação foi considerada intempestiva. Inconformado com o comunicado de que a impugnação estava intempestiva, apresentou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fls. 35/36, alegando os Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 82 3 mesmos motivos relatados na impugnação e dispondo que a impugnação foi apresentada no prazo legal, pedindo a desconsideração da intempestividade da defesa. Faz juntada dos recibos já apresentados anteriormente. Posteriormente, sobreveio despacho, que reanalisou os documentos juntados ao processo, considerando, diferentemente da classificação anteriormente feita, tempestiva a impugnação. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0244.638 (fls. 67/71), de 14/05/2013, cujo dispositivo considerou a impugnação procedente em parte, com a manutenção parcial do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. EFETIVO PAGAMENTO. Mantémse a glosa de despesas médicas por falta de comprovação do seu efetivo pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. De acordo com a Intimação Fiscal, fls. 4, foi solicitado ao contribuinte a apresentação de cópias e originais dos recibos, notas fiscais e extratos de planos de saúde de todas as despesas médicas declaradas. E, ainda, os documentos que comprovassem o efetivo pagamento realizado a Creuza da Conceição R de Sena e Rodrigo Eduardo de Sena. O efetivo pagamento deveria ser comprovado por meio de documentos tais como cópias de cheques nominais e, se pago em espécie, através de extratos bancários. 2. O contribuinte alega que somente possuía os recibos dos pagamentos realizados e que não sabia de instrução da Receita para guardar cópias de cheques ou extratos bancários. 3. De acordo com a Lei nº 9.250/95, artigo 8º, II, “a”, §2º, II e III, para se encontrar a base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física na Declaração de Ajuste Anual é admitida a dedução relativa às despesas médicas. 4. A dedução está condicionada à comprovação dos pagamentos, tal como disposto no Decreto nº 3.000/99, artigo 73. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 83 4 5. Para que se aceite a dedução não é suficiente a apresentação dos recibos de despesas médicas, pois a legislação permite que a autoridade tributária solicite elementos adicionais que comprovem a veracidade das despesas declaradas. 6. Os recibos juntados nos autos provam a declaração do fato aqui invocado, mas não o fato em si, pois a presunção da veracidade, como estatui o artigo 219 do Código Civil Brasileiro, operase em relação às pessoas envolvidas, mas não alcança terceiros. 7. A comprovação da efetividade dos pagamentos, conforme art. 73 do Decreto nº 3.000/99, pode ocorrer, por exemplo, por meio de cópias de cheques microfilmados, transferência eletrônica de fundos ou ordem bancária em favor do prestador de serviços. 8. No presente caso, foi solicitado ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento realizado a Creuza da Conceição R de Sena e Rodrigo Eduardo de Sena, no entanto, não houve a apresentação de tais documentos (somente dos recibos), nem durante o procedimento de malha fiscal, tampouco na fase de impugnação. 9. Desse modo, com fundamento no raciocínio desenvolvido e considerando a formação da livre convicção da autoridade julgadora, nos termos do Decreto nº 70.235/72, artigo 29, mantémse as glosas de despesas médicas apuradas pela autoridade lançadora em que não houve a comprovação do efetivo pagamento referente aos prestadores de serviços Creuza da Conceição R de Sena e Rodrigo Eduardo de Sena no total de R$ 26.500,00. 10. As despesas as quais não houve a identificação do beneficiário do tratamento médico também não podem ser acolhidas, com fundamento na Lei nº 9.250/95, artigo 8º, II, “a”, §2º, II. A dedução somente é admitida para pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, no caso da despesa do Laboratório Humberto Abrão R$ 36,40 não há identificação do beneficiário do serviço. 11. Acolhemse as despesas cujos recibos identificam o beneficiário do tratamento e que não foi solicitado a comprovação do efetivo pagamento da despesa. 12. Refazendose os cálculos o valor do imposto suplementar a pagar passa a ser de R$ 7.297,51. 13. Voto pela procedência em parte da impugnação e manutenção parcial do crédito tributário, no valor de R$ 7.297,51, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 77/78), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 84 5 a. Sem outro fundamento que não de seu próprio juízo, fundamentandose em normas que não se aplicam à matéria tributária, a Autoridade Lançadora exige a prova material da prestação de serviços, bem como a comprovação do pagamento através de cheques presumindo que o pagamento de despesas médicas teria que obrigatoriamente transitar pela conta bancária do contribuinte e estar necessariamente acompanhada de provas materiais de sua ocorrência, provas estas cuja forma de comprovação não consta em nenhuma norma. b. Em contrário, o comprovante hábil para permitir a dedução é o recibo passado e assinado pelo profissional/beneficiário, conforme expressamente enuncia o artigo 80, do Decreto n° 3.000/99 – RIR “Art. 80” – Na declaração de rendimentos, poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses dentárias. c. Não se exige ou se fala em comprovação material da prestação dos serviços; não se fala em comprovação de pagamento somente por via bancária sem recibo, com a prova feita somente através de cheque nominativo, nada como exige o fisco. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. A acusação fiscal consiste na dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação. A decisão de piso (fls. 67/71), votou pela procedência em parte da impugnação, com a manutenção parcial do crédito tributário, acatando as despesas médicas cujos recibos identificariam o beneficiário do pagamento e, para as quais, a fiscalização não solicitou a comprovação do efetivo pagamento. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 85 6 Assim, é objeto do presente recurso as despesas para as quais a fiscalização exigiu a prova do efetivo pagamento, bem como as despesas, cujos documentos, não indicariam o beneficiário do serviço (é de se ver o quadro de fl. 69 elaborado pela decisão de piso). Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 86 7 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 87 8 § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebese que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. Para a melhor avaliação do caso, cumpre pontuar que as informações prestadas a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual, encontramse anexadas às fls. 59/61, e os recibos médicos apresentados pelo contribuinte, encontramse às fls. 12/23. No caso concreto, e ao que interessa ao debate recursal, para as despesas cujo prestador do serviço foi o Sr. Rodrigo Eduardo de Sena, na qualidade de dentista, não houve a identificação do beneficiário do serviço e nem mesmo a comprovação da materialidade da despesa, ora exigida. Para a despesa cujo prestador de serviço foi o Laboratório Humberto Abraão, apesar de não ter sido exigida a prova do efetivo pagamento, a decisão de piso manteve a glosa, tendo em vista que não estava identificado o beneficiário do serviço. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 88 9 Para as despesas cuja prestadora de serviço foi a Sra. Creuza da Conceição R. Sena, na qualidade de psicóloga, em relação aos dois valores de R$ 4.000,00, houve a identificação do beneficiário do serviço, mas não a comprovação da materialidade da despesa, ora exigida. Para a despesa com valor de R$ 3.000,00, não houve a identificação do beneficiário do serviço, e nem mesmo a comprovação da materialidade de despesa, ora exigida. Entendo que a decisão de piso merece ser parcialmente reformada, senão vejamos. Cabe destacar que os recibos cujo prestador do serviço foi o Sr. Rodrigo Eduardo de Sena, na qualidade de dentista, foram preenchidos a mão, seguindo os modelos que são oferecidos em gráficas, e possuem descrição genérica dos serviços prestados (“tratamento odontológico”). Assim, entendo que agiu com acerto a decisão de piso ao não legitimar a dedução das referidas despesas. Em relação aos recibos cuja prestadora de serviço foi a Sra. Creuza da Conceição R. Sena, na qualidade de psicóloga, a descrição dos serviços prestados é genérica (“tratamento clínico em psicoterapia de base analítica no período de 14 de janeiro a 16 de dezembro de 2002”), não sendo o referido documento, ao meu ver, isoladamente, o suficiente para convencer este julgador acerca da efetiva prestação dos serviços. Assim, entendo que agiu com acerto a decisão de piso ao não legitimar a dedução das referidas despesas. Por fim, no tocante à despesa cujo prestador do serviço foi o Laboratório Humberto Abraão, tenho percepção distinta da DRJ, acerca da prova acostada aos autos. Isso porque, na hipótese, entendo perfeitamente cabível a interpretação preconizada na Solução de Consulta Interna n° 23 – Cosit, no sentido de presumir que o beneficiário do serviço, cujo recibo foi emitido em seu nome, foi o próprio contribuinte. É de se ver: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.000905/200714 Acórdão n.º 2401006.505 S2C4T1 Fl. 89 10 nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Dessa forma, não tendo sido constatados razoáveis indícios de irregularidades no documento apresentado pelo recorrente, entendo que cabe presumir que o beneficiário do serviço, foi o próprio contribuinte, sendo, portanto, legítima a dedução da despesa com Laboratório Humberto Abraão, no valor de R$ 36,40 (art. 80, § 1º, inciso I, do RIR/99). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer a dedução a título de despesas médicas, com Laboratório Humberto Abraão, no valor de R$ 36,40. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720915/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.462
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 15 /2 01 3- 90 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa vinculada às receitas de exportação, transmitido através do PER/Dcomp, pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.907. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 4 3 Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: i) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. ii) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.455, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720279/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.455): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outra matéria objeto do Despacho Decisório que não constou na sua primeira defesa, qual seja, a realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 5 4 informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa à realocação de crédito relativo a bens para revenda. De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida no tópico da peça recursal relativo à realocação de crédito relativo a bens para revenda. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 7 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 8 7 art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10925.720915/201390 Acórdão n.º 3402006.462 S3C4T2 Fl. 9 8 b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904451/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/09/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904451/200831 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2201004.872 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOB SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 03/09/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 51 /2 00 8- 31 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.904451/200831 Acórdão n.º 2201004.872 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.904451/200831 Acórdão n.º 2201004.872 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.904451/200831 Acórdão n.º 2201004.872 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731977/2013-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REGRAMENTO ESTADUAL. NORMAS FEDERAIS.
A interpretação, pelos acórdãos paradigmas, de benefício de outro Estado da Federação não impede o conhecimento do recurso especial, quando os acórdãos aplicam a legislação federal de forma divergente da orientação do acórdão recorrido. Recurso especial conhecido.
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. RIO GRANDE DO SUL. CONFAZ. SINCRONIA ENTRE INVESTIMENTO E SUBVENÇÃO.
A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30.
Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Rio Grande do Sul em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30. A sincronia entre investimento e subvenção não é exigida por lei.
TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se aos tributos reflexos a conclusão quanto ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de preclusão do lançamento do PIS/COFINS, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento quanto à primeira matéria "subvenção para investimento". Por unanimidade, julgaram prejudicada a análise da segunda matéria do recurso "decadência de PIS e COFINS". Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REGRAMENTO ESTADUAL. NORMAS FEDERAIS. A interpretação, pelos acórdãos paradigmas, de benefício de outro Estado da Federação não impede o conhecimento do recurso especial, quando os acórdãos aplicam a legislação federal de forma divergente da orientação do acórdão recorrido. Recurso especial conhecido. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. RIO GRANDE DO SUL. CONFAZ. SINCRONIA ENTRE INVESTIMENTO E SUBVENÇÃO. A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30. Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Rio Grande do Sul em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30. A sincronia entre investimento e subvenção não é exigida por lei. TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se aos tributos reflexos a conclusão quanto ao IRPJ.
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PERIFÉRICOS PARA AUTOMAÇÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REGRAMENTO ESTADUAL. NORMAS FEDERAIS. A interpretação, pelos acórdãos paradigmas, de benefício de outro Estado da Federação não impede o conhecimento do recurso especial, quando os acórdãos aplicam a legislação federal de forma divergente da orientação do acórdão recorrido. Recurso especial conhecido. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. RIO GRANDE DO SUL. CONFAZ. SINCRONIA ENTRE INVESTIMENTO E SUBVENÇÃO. A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30. Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Rio Grande do Sul em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30. A sincronia entre investimento e subvenção não é exigida por lei. TRIBUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase aos tributos reflexos a conclusão quanto ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 77 /2 01 3- 79 Fl. 3842DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de preclusão do lançamento do PIS/COFINS, vencida a conselheira Lívia De Carli Germano. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento quanto à primeira matéria "subvenção para investimento". Por unanimidade, julgaram prejudicada a análise da segunda matéria do recurso "decadência de PIS e COFINS". Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de auto de infração de IRPJ,, CSLL, PIS e COFINS, com imposição de multa de 75%, além de multa isolada sobre estimativas mensais. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3253): 3.1. CARACTERÍSTICAS E NATUREZA JURÍDICA DAS SUBVENÇÕES Em 1978 a Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo CST 112, de 29 121978, que teve por objetivo consolidar o tratamento a ser dado às subvenções recebidas por pessoas jurídicas para fins de tributação do imposto sobre a renda.(...) 3.2. TRATAMENTO FISCAL DAS SUBVENÇÕES A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2008 – IRPJ E CSLL Isto posto, cabe observar eu as disposições dos incisos do artigo 443 do RIR/1999 foram derrogadas em razão das alterações na Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por Ações). A alínea ‘d’ do §1º do art. 182 desta Lei, que determinava a classificação das contas que registrassem as doações e as subvenções para investimentos como reservas de capital, foi expressamente Fl. 3843DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.843 3 revogada pelo artigo 10 da Lei 11.638/2007, que entrou em vigor em 01012008. Em razão disso, a Lei 11.941/2009, que por meio do artigo 15 instituiu o Regime Transitório de Tributação – RTT, estabeleceu também no seu artigo 18 um outro método de escrituração contábil aplicável às subvenções para investimento, inclusive para aquelas decorrentes de isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, feitas pelo Poder Público, a que se refere o artigo 38 do DecretoLei 1.598. (...) Tudo considerado, para que a subvenção seja tida como de investimento em face da legislação que regula o imposto de renda da pessoa jurídica, é imprescindível ostentar as características elencadas no Parecer Normativo CST 112/1978. E para que essa subvenção de investimento deixe de ser computada na base de cálculo do IRPJ apurado pelo lucro real o beneficiário (...) 4. DAS INFRAÇÕES FISCAIS 4.1. EXCESSO DE EXCLUSÃO DE SUBVENÇÃO GOVERNAMENTAL (...) Conforme referido no item 3.1, dentre as características imprescindíveis da subvenção para investimento está a necessidade de que o montante da subvenção seja aplicado especificamente em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimento econômico previamente definido, de modo que a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos aleatoriamente escolhidos pelo subvencionado não autoriza a classificação como efetiva subvenção para investimento. Além disso, deve haver sincronia entre a intenção do ente subvencionador e a ação da pessoa jurídica subvencionada. Os investimentos efetuados pelo fiscalizado e vinculados a cada um dos atos concessórios de subvenção governamental foram comprovados por meio da apresentação de seis volumes encadernados contendo as respectivas notas fiscais. Além disso, também foram apresentados quadros demonstrativos contendo a relação e valores das notas comprobatórias dos investimentos efetuados (fls. 1356/1379). (...) Como resultado desta análise, foi apurada a seguinte situação: Demonstrativo relativo ao 4º Termo aditivo de Rerratificação do Protocolo 080/97 (fls. 3243) (...) neste caso, a totalidade dos valores subvencionados, realmente, constitui subvenção para investimento. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 001/2005 (fls. 3244): O ato que concedeu a subvenção governamental estabeleceu a necessidade de realização de investimentos fixos no valor de R$ 2.520.000,00. No anocalendário de 2005, o Fl. 3844DF CARF MF 4 contribuinte efetuou investimentos no montante de R$ 2.771.244,56, cumprindo integralmente a obrigação prevista no ato de concessão da subvenção. Desde janeiro/2005, o montante de receitas de subvenção reconhecidas pelo fiscalizado atingiu R$ 32.169.529,34. Tendo em vista que, para ser considerada subvenção para investimento, existe a necessidade de que o montante subvencionado seja aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos na concessão do benefício, e que a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos aleatoriamente escolhidos pelo subvencionado não autoriza a classificação como efetiva subvenção para investimento, todos os valores de receitas reconhecidas no ano calendário de 2008 (período abrangido na ação fiscal), cujo montante atingiu R$ 11.062.171,94, constituiu, em verdade, subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluído na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 002/2009 (fls. 3245): (...) A subvenção governamental estava vinculada à realização de investimentos fixos no valor de R$ 3.280.000,00 No anocalendário de 2009, o contribuinte efetuou investimentos no valor de R$ 6.580.317,05, e reconheceu receitas de subvenção que atingiram R$ 26.837.609,05. Assim como na situação anterior, para ser considerada subvenção para investimento, o montante subvencionado deve ser aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos no ato concessório(...). Neste caso, toda a receita excedente ao valor do investimento estabelecido no ato concessório, no valor de R$ 23.557.609,05, constitui subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluída na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto por julgála improcedente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, quando ausente imputação de dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pela regra geral contida no art. 173 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 3845DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.844 5 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. BENEFÍCIO FISCAL. ICMS. EXCESSO DE VALOR. As subvenções para investimentos passíveis de exclusão da apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL, da contribuição ao PIS e da Cofins são aquelas que, recebidas do Poder Público com este objetivo, ainda que em função de redução de impostos, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos e valorados pelo ente governamental concedente. Não havendo esta comprovação, a subvenção é tida como de custeio e, como tal, tributada. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. PEDIDO POR JUNTADA DE PROVAS. Indeferese o pedido para juntada de provas após o oferecimento da impugnação, em observância ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, principalmente se a impugnante não informou quais elementos almeja apresentar e o que pretende especificamente provar com eles. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. fls. 3.471/3.506), ao qual a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento decidiu por dar provimento ao recurso, além de acolher a decadência do PIS e da COFINS, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, quando ausente imputação de dolo, fraude ou simulação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DECADÊNCIA. Fl. 3846DF CARF MF 6 As estimativas mensais representam uma obrigação autônoma e de natureza diversa daquela prevista no caput do art. 150 do CTN, cujo surgimento, inclusive, independente da ocorrência do fato gerador do tributo (lucro real), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. REDUTOR DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO FEDERAL. DESCABIMENTO. Os créditos presumidos de ICMS são, financeiramente, renúncia de receita dos estados e, contabilmente, redutores de custos tributários para os contribuintes, não configurando renda ou receita deles, não cabendo, portanto, a tributação pelo IRPJ, pela CSLL, pelo PIS ou pela COFINS. Em 06/12/2016, os autos foram remetidos à Procuradoria, que interpôs recurso especial em 13/01/2017. Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) natureza do benefício estadual, que entende seja subvenção para custeio, indicando os acórdãos paradigmas nº: (i.a) 910101.239 (processo administrativo nº 13502.000928/200689), no qual se decidiu: “A inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento.” (i.b) 1101001.228 (processo administrativo nº 10380.720566/201319), constando desta decisão: “Parcela de receita tributária dispensada de recolhimento pelo governo estadual a contribuinte de ICMS, a título de crédito presumido, vinculada apenas a elevação do nível de recolhimento do imposto, configura receita de subvenção para custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica.” (ii) decadência do PIS e da COFINS, sustentando que na hipótese de compensação em DCTF, a decadência estaria submetida ao artigo 173, I, do CTN, tendo apresentado os seguintes acórdãos paradigmas: (ii.a) 9303002.384 (processo administrativo nº 13816.000854/200302), verbis: “entendo que compensação e pagamento não se confundem, embora ambas sejam formas de extinção do crédito tributário, assim como a prescrição e a decadência, todas modalidades de extinção previstas respectivamente nos §§ 2º, 1º. e 5º. do art. 156 do CTN.” (ii.b) 230201871(processo administrativo nº 37311.012465/200611), “não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.” O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), nos seguintes termos: Fl. 3847DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.845 7 a) Subvenção de Investimento Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que a inexistência, na lei concessiva do benefício fiscal, de elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, impede a qualificação do incentivo como subvenção para investimento. Ademais, a parcela de receita tributária dispensada de recolhimento pelo governo estadual a contribuinte de ICMS, a título de crédito presumido, vinculada apenas a elevação do nível de recolhimento do imposto, configura receita de subvenção para custeio e integra o resultado operacional da pessoa jurídica. (...) O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que os créditos presumidos de ICMS são, financeiramente, renúncia de receita dos estados e, contabilmente, redutores de custos tributários para os contribuintes, não configurando renda ou receita deles, não cabendo, portanto, a tributação pelo IRPJ, pela CSLL, pelo PIS ou pela COFINS. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. b) Decadência (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que os tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, § 4º do CTN. Havendo então o pagamento antecipado, haverá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN; deve, assim, ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Ocorre que a compensação e pagamento não se confundem, embora ambas sejam formas de extinção do crédito tributário. (...) O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que o lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente mediante compensação, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN.(...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo, II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU Fl. 3848DF CARF MF 8 SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela PGFN, admitindo a rediscussão das matérias relativas à (a) subvenção de investimento e (b) decadência. O contribuinte foi intimado em 10/03/2017 (fls. 3645), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 27/03/2017. Alega, em síntese, que: (i) Haveria preclusão quanto à discussão de decadência do PIS e COFINS sobre valores dos créditos presumidos de ICMS apropriados entre 2008 e 2009, eis que o recurso especial teria limitado a discussão ao período de janeiro a outubro de 2008; (ii) Ausência de divergência na interpretação da lei tributária com relação à subvenção para investimento, considerando que os acórdãos paradigmas (acórdãos 910101.239 e 110101.228) tratariam de benefícios de outros Estados, com outras condições; (iii) O próprio auditor fiscal, no caso dos autos, não teria negado a existência de investimentos em 2008 e 2009, em contrapartida ao crédito presumido apropriado, enquanto nos paradigmas não havia a necessidade de qualquer contrapartida; (iv) O voto vencedor do acórdão recorrido teve por fundamento afastar a qualificação dos créditos presumidos como subvenções, para investimento ou custeio (identificandoos como “renúncia fiscal”), sem que haja similaridade com acórdãos paradigmas; (v) No mérito, reitera as razões de manutenção do acórdão recorrido, sustentando que haveria decadência de PIS e COFINS também quanto ao período de janeiro a outubro de 2008; (vi) Pede também seja mantido afastamento, no mérito – se vencido quanto à alegação de preclusão , quanto aos créditos presumidos de ICMS apropriados em 2008 e 2009; (vii) Sustenta, ainda, deve ser mantido o acórdão recorrido relativamente ao IRPJ e CSLL Em memoriais apresentados na sessão de março de 2018, o contribuinte informou que o Estado do RS publicou Decreto (nº 58.898, de 29 de janeiro de 2018), retificando o benefício fiscal em análise nestes autos. Além disso, informou de decisão judicial favorável nos autos de processo judicial. Nesse contexto, esta Turma da CSRF resolveu sobrestar o processo até 29/12/2018 (fls. 3.705, Resolução nº 9101000.053). O contribuinte, assim, foi intimado para comprovar o cumprimento dos requisitos das cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190/2017 (fls. 3.729). Assim, apresentou em 28/12/2018 petição na qual alega, em síntese, que teriam sido cumpridos os requisitos do Convênio ICMS 190/2017. Nesta petição anexa inúmeros documentos para comprovar suas alegações. (fls. 3.735). Em 21/01/2019, o contribuinte apresentou “Atestado de Registro e Depósito, emitida pela Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul” (fls. 3.828). Fl. 3849DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.846 9 Para evitar prejuízo à Procuradoria, foi oportunizada a sua manifestação, conforme despacho às fls. 3.834. Nesse sentido, a Procuradoria manifestou que caberia “à UNIDADE DE ORIGEM examinar os certificados, e verificar se contemplam todos os atos normativos de benefícios fiscais, e se estes estão acompanhados da correspondente documentação comprobatória, incluindose, nesse rol, o benefício discutido nos presentes autos.” É o relatório. Voto Em que pese tenhamos mencionado o conhecimento do recurso especial em Resolução anteriormente proferida, entendemos pela necessária apreciação do conhecimento no presente momento, em respeito ao artigo 63, §5º, do RICARF (Portaria MF 343/2015). Diante disso, passo à análise dos requisitos de conhecimento do recurso da Procuradoria, questionados pelo contribuinte em suas contrarrazões: Conhecimento: Divergência na Interpretação da Lei Tributária quanto à Subvenção para Investimento O recurso especial é tempestivo, tendo sido admitido pelo Presidente de Câmara relativamente às duas matérias recorridas. O Recorrido pleitea não seja conhecido o recurso, em síntese, pelas seguintes razões: a) Ausência de divergência na interpretação da lei tributária com relação à subvenção para investimento, considerando que os acórdãos paradigmas (acórdãos 910101.239 e 110101.228) tratariam de benefícios de outros Estados, com outras condições; b) O próprio auditor fiscal, no caso dos autos, não teria negado a existência de investimentos em 2008 e 2009, em contrapartida ao crédito presumido apropriado, enquanto nos paradigmas não havia a necessidade de qualquer contrapartida; c) O voto vencedor do acórdão recorrido teve por fundamento afastar a qualificação dos créditos presumidos como subvenções, para investimento ou custeio (identificandoos como “renúncia fiscal”), sem que haja similaridade com acórdãos paradigmas; O tratamento, pelos acórdãos paradigmas, de benefício de outro Estado da Federação não impede o conhecimento do recurso especial, quando os acórdãos interpretaram a legislação federal de forma divergente. Fl. 3850DF CARF MF 10 Lembro que o primeiro acórdão paradigma (910101.239) tem o seguinte contexto fático descrito em seu relatório: A matéria objeto do recurso referese à redução ou a concessão de crédito presumido referente ao ICMS devido aos Estados da Bahia e de Pernambuco, por força de Programas de Desenvolvimento firmados entre as unidades federadas e a contribuinte, tendo o Acórdão recorrido entendido que não seriam hipóteses de subvenção para custeio concedido pelo poder público. Nesse diapasão, não se lhes aplicaria a norma prevista no art. 392 do RIR/1999, assim como, a interpretação do Parecer Normativo CST n° 112/78 estaria equivocada. Na sua peça recursal, o Representante da Fazenda Nacional afirma que o incentivo em questão representa subvenção de custeio e, portanto, passível de incidência do IRPJ e de toda a tributação constante no lançamento fiscal, tendo havido, no Acórdão recorrido, mácula ao art. 44, IV, da Lei n° 4.506/64 e ao art. 392 do RIR/1999, cuja interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n° 112/78 merece aplausos. Diante desse panorama fático, decidiu esta Turma da CSRF no primeiro acórdão paradigma (910101239), conforme voto vencedor elaborado pelo exConselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias: Com bem assinalado no voto do i. Relator, para serem caracterizados como subvenção para investimento, os benefícios fiscais, devem ser submetidos a cuidadoso exame jurídico do ato concessivo e das respectivas disposições regulamentares. O fato da lei que institui o benefício revelar a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público de transferir capital para a iniciativa privada, é apenas indicativo de tratarse de subvenção para investimento, pois sua correta qualificação, inequivocamente, depende dos requisitos e exigências estipuladas para a fruição do benefício, cujas características permitem assegurar o efetivo cumprimento dos objetivos da norma concessiva. Assim, verificar se tal benefício pode ser considerado, para fins fiscais, como subvenção para investimento, ou para custeio, implica investigar a natureza jurídica do benefício, com destaque para os pontos da lei concessiva que estabelecem os critérios quantitativos e qualitativos, bem como os requisitos e mecanismos que assegurem a efetiva “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, tal como preconizado pelo DecretoLei nº 1.598/77. Pois bem, no caso do Prodepe, a subvenção governamental está prevista na Lei Estadual nº 11.675, de 1999, que foi regulamentada pelo Decreto nº 21.959, de 1999. O art. 1º da Lei, cujos excertos principais foram acima transcritos, dispõe sobre as características do benefício fiscal. Ao apreciar seus elementos caracterizadores, firmei convicção no sentido de que, a despeito da intenção governamental em conceder o incentivo com “a finalidade de atrair e fomentar investimentos na atividade industrial e no comércio atacadista Fl. 3851DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.847 11 de Pernambuco”, efetivamente não foi assegurada a destinação dos recursos na “implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos”. Conforme entendimento que já manifestei neste Colegiado, é condição legal para que as subvenções sejam qualificadas como de “investimento”, além da manifestação do ente subvencionador dispondo que os recursos devem ser aplicados na implantação ou expansão de empreendimento, que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, conforme os critérios quantitativos e qualitativos fixados no ato concessivo. Se a norma que institui o benefício estabelece determinadas exigências documentais, mas não fixa de modo taxativo tais critérios, os requisitos estipulados para fruição do benefício passam a representar mera formalidade, que se descumprida por parte do beneficiário, não acarreta nenhum tipo de sanção. In casu, o benefício concedido pelo Estado de Pernambuco não obriga a destinação dos valores subvencionados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Como se verifica pelo teor ato concessivo, o auxílio obtido por meio de crédito presumido do ICMS evidencia uma redução do desembolso financeiro, podendo ser utilizado pela empresa na forma que lhe for mais conveniente. Neste mesmo sentido, observase pela análise do atos regulamentares, que existem algumas exigências, porém nenhuma delas fixa a destinação do valor correspondente à subvenção ou o montante equivalente, na aplicação específica do projeto apresentado para habilitação no programa. Assim, não vislumbro respaldo jurídico para enquadrar tal benefício como subvenção para investimento, cujos requisitos devem estar prescritos na lei concessiva e estritamente observados pelo contribuinte. Ademais, conforme o disposto na própria lei instituidora do programa, a sociedade beneficiária pode, ao pleitear sua habilitação, optar em destinar os recursos para investimento fixo ou capital de giro, verbis: (...) Diante de tal faculdade, me parece que, apesar das exigências regulamentares fixadas para a concessão do benefício à Recorrida, não há um efetivo mecanismo de fiscalização e controle que possibilite o ente subvencionador assegurar que a parcela correspondente à renúncia fiscal, ou seu equivalente, tenha sido destinada à implantação ou expansão do empreendimento econômico. Seria de se admitir que tal direcionamento se desse em momento não coincidente com a utilização do crédito presumido decorrente do incentivo, porém, nem isso foi possível aferir com base nos elementos caracterizadores do benefício do Prodepe. Assim, ante a inexistência destes elementos que permitem garantir que os recursos vertidos pelo ente subvencionador, ou próprios em montante equivalente, foram efetivamente destinados à implantação ou expansão do empreendimento, é Fl. 3852DF CARF MF 12 forçoso reconhecer que o benefício fiscal, caracterizado pela redução do valor a ser arrecadado pelo contribuinte, não pode ser qualificado como subvenção para investimento, mas para custeio, devendo seus valores serem computados na determinação do lucro operacional, conforme o art. 44, inciso IV, da Lei nº 4.506, de 1964, na forma determinada pela autoridade fiscal nos presentes autos. (grifamos) O primeiro acórdão paradigma (910101239), portanto, interpreta a legislação federal, tratando da exigência de aplicação efetiva dos recursos correspondentes à subvenção. A similitude fática com o caso dos autos é evidente, eis que a autuação fiscal fundamentouse na “necessidade de que o montante subvencionado seja aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos na concessão do benefício” (trecho do TVF). Quanto à divergência na interpretação da lei tributária, também entendo existente quanto ao primeiro paradigma, eis que sob o mesmo contexto fático (créditos presumidos de estaduais concedidos por legislação federal), houve decisão administrativa em sentido diametralmente oposto. Enquanto o primeiro acórdão paradigma (910101239) revela a manutenção de auto de infração, o acórdão recorrido afasta a exigência tributária. Assim, vislumbro divergência na interpretação da lei tributária com relação ao primeiro paradigma (910101239), razão pela qual conheço do recurso especial com relação a este acórdão. Lembro que no caso destes autos o auditor fiscal reconheceu a existência de investimento, em valores bastante inferiores aos valores de receitas de subvenção. O que suplantou o investimento exigido em ato concessório estadual, foi identificado como subvenção para custeio: Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 001/2005 (fls. 3244): O ato que concedeu a subvenção governamental estabeleceu a necessidade de realização de investimentos fixos no valor de R$ 2.520.000,00. No anocalendário de 2005, o contribuinte efetuou investimentos no montante de R$ 2.771.244,56, cumprindo integralmente a obrigação prevista no ato de concessão da subvenção. Desde janeiro/2005, o montante de receitas de subvenção reconhecidas pelo fiscalizado atingiu R$ 32.169.529,34. Tendo em vista que, para ser considerada subvenção para investimento, existe a necessidade de que o montante subvencionado seja aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos na concessão do benefício, e que a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos aleatoriamente escolhidos pelo subvencionado não autoriza a classificação como efetiva subvenção para investimento, todos os valores de receitas reconhecidas no ano calendário de 2008 (período abrangido na ação fiscal), cujo montante atingiu R$ 11.062.171,94, constituiu, em verdade, subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluído na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 002/2009 (fls. 3245): (...) A subvenção governamental estava vinculada à realização de investimentos fixos no valor de R$ 3.280.000,00 Fl. 3853DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.848 13 No anocalendário de 2009, o contribuinte efetuou investimentos no valor de R$ 6.580.317,05, e reconheceu receitas de subvenção que atingiram R$ 26.837.609,05. Assim como na situação anterior, para ser considerada subvenção para investimento, o montante subvencionado deve ser aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos no ato concessório(...). Neste caso, toda a receita excedente ao valor do investimento estabelecido no ato concessório, no valor de R$ 23.557.609,05, constitui subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluída na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. No caso do primeiro acórdão paradigma (910101239) a legislação sequer obriga a contrapartida em investimento, como explicita o voto vencedor: In casu, o benefício concedido pelo Estado de Pernambuco não obriga a destinação dos valores subvencionados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Este fato não prejudica o conhecimento do recurso especial. Afinal, ambos os casos tratam de benefício fiscal estadual sem investimento com valor equivalente aos créditos concedidos, seja porque a lei estadual sequer exigia investimento (como descreve o primeiro acórdão paradigma), seja porque a lei estadual exigia investimento em valor baixo, comparado com o crédito concedido (acórdão recorrido). Em ambos os casos, a pacificação da interpretação da lei tributária, para saber se necessária a equivalência entre investimento e crédito concedido, caberá a esta Turma da CSRF, exatamente porque os acórdãos – analisando casos similares (não idênticos) concluíram pela interpretação da lei federal de forma distinta. Por fim, entendo que a distinção da tese jurídica vencedora também não prejudica o conhecimento do recurso especial. O contribuinte sustenta que o voto vencedor do acórdão recorrido teve por fundamento afastar a qualificação dos créditos presumidos como subvenções, para investimento ou custeio (identificandoos como “renúncia fiscal”), sem que haja similaridade com acórdãos paradigmas. No entanto tal fato reforça a necessidade de julgamento do recurso especial e interpretação da legislação federal, para conclusão sobre a natureza jurídica de créditos presumidos concedidos por Estados, para fins de enquadramento – ou não – como subvenção para investimento. Diante destas razões, entendo pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria com fundamento no primeiro acórdão paradigma (910101239). De toda forma, analiso também o segundo acórdão paradigma, para confirmar o conhecimento do recurso especial. O segundo acórdão paradigma (110101228) tem descrito o contexto fático em seu relatório, como se reproduz a seguir: A autoridade lançadora constatou que a contribuinte deixou de contabilizar três pagamentos efetuados pelo Banco Bradesco S/A, que totalizaram R$ 280.000,00, a título de “Prêmio de Performance”, bem como promoveu indevidamente ajuste negativo do Regime Tributário de Transição, no valor de R$ 32.672.426,29, por classificar como subvenção para Fl. 3854DF CARF MF 14 investimentos créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Governo do Estado do Ceará, conforme Termo de Acordo nº 917/2006, valor este reconhecido na apuração do resultado do exercício como redutor do Custo de Mercadoria Vendida (CMV). Os pagamentos recebidos do Banco Bradesco S/A foram classificados como receitas omitidas, e o ajuste em razão de subvenções foi glosado como exclusão indevida. O mérito foi julgado da forma seguinte pela Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (110101228): Nestes autos, a Fiscalização observa que a contribuinte afirmou ser beneficiária de subvenção para investimentos, relativa a créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Governo do Estado do Ceará por meio do Termo de Acordo nº 917/2006, assim descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12/52: (...) Depois de discorrer sobre a disciplina das subvenções para investimento a partir da Lei nº 11.638/2007 e no âmbito do Regime Tributário de Transição – RTT, a autoridade lançadora reportouse ao art. 38, §2o do Decretolei nº 1.598/77 e ao art. 443 do RIR/99, ao conceito e à classificação de subvenções nos termos dos Pareceres Normativos CST nº 2/78 e 143/73, para então consignar que: (...) Como esclarecido no Parecer Normativo CST nº 107/75, em situações semelhantes à presente, o sujeito passivo deduz, como despesa incorrida, o ICMS incidente sobre suas operações tributáveis. Aqui questionase se a dispensa de recolhimento deste valor – efetivada mediante crédito decorrente de nota fiscal emitida para compensação do ICMS relativo aos repasses concedidos, calculados segundo a cláusula quinta do Termo de Acordo nº 917/2006 (fl. 239/249) – deve ser reconhecida como receita tributável, ou pode deixar de integrar o lucro tributável. Temse, em tais circunstâncias, um crédito presumido de ICMS, que não corresponde aos créditos reais, verificados em operações anteriores e abatidos do imposto devido nas saídas promovidas pelo sujeito passivo, de modo a implementar a nãocumulatividade. Tratase de benefício fiscal dissociado de qualquer operação antecedente sujeita à incidência de ICMS e é contabilizado a débito da conta representativa de ICMS a pagar, de modo a reduzir seu saldo e, por conseqüência, o pagamento do tributo. Cabe aqui definir se a contrapartida credora deste valor deve integrar o lucro tributável, no caso mediante reversão do ajuste negativo promovido pela contribuinte em razão do Regime Tributário de Transição (...) A recorrente discorda da exigência de que a subvenção para investimento esteja atrelada à estrita aplicação em ativos ou outros investimentos explicitamente mensuráveis, expondo o significado do substantivo subvenção, traçando comparativo com o benefício “BolsaFamília” e abordando outras hipóteses de subsídio, para classificálos como subvenção de custeio ou de investimento, distinguindo esta como subsídio com destinação específica ou difusa, para então afirmar que a Fiscalização Fl. 3855DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.849 15 classificou o benefício fiscal em discussão nesta segunda hipótese, e defender sua vinculação a objetivos econômicos, sociais e de desenvolvimento, consoante exposto no Termo de Acordo nº 917/2006. Contudo, a única contrapartida exigida no acordo em referência é a mencionada elevação do nível de recolhimento do imposto, sem qualquer menção aos objetivos econômicos, sociais e de desenvolvimento citados pela recorrente. (...) Impróprio, assim, discutir a necessidade de aplicações em bens de ativo, máquinas e equipamentos para caracterização de uma subvenção como de investimento. Por certo, como alega a recorrente, uma patente, nos dias atuais, pode valer muito mais do que inúmeras fábricas. Contudo, no caso presente não foi exigida contrapartida em qualquer tipo de investimento, e nem mesmo se vislumbra, nos termos acordados, qualquer compromisso direto com a produção e o emprego, justamente porque não houve fixação de metas de desempenho real: incremento das receitas e do emprego e da conseqüente arrecadação. Neste contexto, a alegada distinção entre expansão de empreendimentos econômicos, mencionada no art. 38, §2o do Decretolei nº 1.598/77, e expansão de empreendimentos industriais, como exigida pela Fiscalização, em nada afeta a presente exigência, porque nenhuma delas é exigida no acordo que pretendeu configurar uma subvenção para investimento. (...) O Decretolei nº 1.598/77 especifica quais são as isenções ou reduções de impostos que podem ser caracterizadas como subvenções para investimento e, assim, não computadas no lucro tributável: Admitir, como pretende a recorrente, que a pessoa jurídica de direito público, ao conceder isenção ou redução de impostos em favor de uma empresa pode definir se a subvenção é para investimento ou custeio dispensaria a análise dos atos concessivos do benefício, e exigiria, tão só, a prova de que a beneficiária cumpriu as obrigações acessórias ali definidas. Em verdade, desvincular o investimento realizado da exigência do subvencionador simplesmente anula a possibilidade de se cogitar de outro tipo de subvenção que não para investimento, pois basta qualquer ação ou intenção do subvencionado, independentemente de sua motivação, evidenciando que investimento houve, para se afirmar que o benefício fiscal teria a natureza de subvenção para investimento, e assim afastar sua tributação. (...) Impróprio, também, classificar o benefício concedido pelo Estado do Ceará como “adiantamento de recursos para ser utilizado numa atividade específica”, o incremento da arrecadação tributária e do emprego. Consoante exposto no Parecer Normativo CST nº 142/73, a atividade estatal de carrear para a empresa recursos financeiros para custeio ou operação identificase, sem dúvida, no plano orçamentário, com a ajuda Fl. 3856DF CARF MF 16 financeira do poder público às empresas privadas com autorização de lei especial, conceituada e classificada na Lei de Orçamento, como subvenção (Lei nº 4.320/64, art. 12, §§ 2º e 3º, item II, combinados com o art. 19). A entrega de recursos por parte do Poder Público, ou sua renúncia a recebêlos, não pode ser, assim, rotulada como adiantamento ou empréstimo sujeitos a termo, mas sim como receita efetiva, ainda que passível de reversão futura, o que evidencia a inadequação das referências feitas pela recorrente ao art. 116, inciso II do CTN, bem como ao seu art. 117. Na forma em que concedido o benefício, nada impede que a contribuinte destine livremente, em suas atividades, os valores que deixaram de ser recolhidos ao Estado do Ceará. Em verdade, nos termos do acordo em referência, somente se exigiu que a contribuinte transportasse os valores correspondentes para reserva de capital, e como nenhuma contrapartida específica foi exigida, não há como assegurar que tais montantes permaneçam capitalizados na beneficiária. A longa transcrição é para demonstrar o enfoque do tema pela Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (110101228). A turma analisou o artigo 392, do RIR/99, como também o artigo 38, do Decretolei nº 1.598, para concluir que no caso do benefício estadual em análise (Pague Menos – Ceará) não havia previsão – na legislação estadual de contrapartida específica que caracterizasse o benefício como subvenção para investimento. Adoto as razões tratadas quanto ao primeiro paradigma para reafirmar o conhecimento do recurso especial. Diante disso, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria quanto ao segundo paradigma. Assim, conheço do recurso especial da Procuradoria. Preclusão O contribuinte sustenta em suas contrarrazões que “não teria havido qualquer irresignação recursal, quanto à decisão do acórdão recorrido que afastou a cobrança de PIS e COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS apropriados pela Recorrida entre 2008 e 2009, em função da impossibilidade de se considerar tais créditos como espécie de receita para fins de PIS e COFINS, nos termos da fundamentação do acórdão recorrido”. Ocorre que consta do acórdão recorrido o enfretamento do PIS e da COFINS conjuntamente com o IRPJ e CSLL, sendo a tributação reflexa. Destaco trecho da ementa nesse sentido: CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. REDUTOR DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO FEDERAL. DESCABIMENTO. Os créditos presumidos de ICMS são, financeiramente, renúncia de receita dos estados e, contabilmente, redutores de custos tributários para os contribuintes, não configurando renda ou Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.850 17 receita deles, não cabendo, portanto, a tributação pelo IRPJ, pela CSLL, pelo PIS ou pela COFINS. O recurso especial da Procuradoria questiona o acórdão recorrido, sustentando que “tratase aqui de examinar se é possível classificar uma dotação como “subvenção para investimento”, ainda que não tenha sido indicada a assunção de qualquer compromisso de investimento específico por parte do contribuinte” (trecho do recurso, fls. 3.615). Ao final, a Procuradoria pede a reforma do acórdão recorrido “restabelecendose o lançamento em sua integralidade” (trecho do pedido, fls. 3.622). Diante disso, entendo que há questionamento da integralidade dos autos de infração, inclusive dos reflexos PIS e COFINS. Portanto, rejeito o pedido do contribuinte para declaração de preclusão quanto ao PIS e COFINS. Mérito – Subvenção para Investimento: O recurso especial do contribuinte trata dos incentivo fiscal (Rio Grande do Sul) como subvenção para investimento, como relatado no acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 02053.779, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Define como objeto da Verificação Fiscal IRPJ e CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009, nos quais foi constatado que o fiscalizado percebeu subvenções governamentais para investimento sob a forma de crédito presumido de ICMS, que foram contabilizadas como receitas não operacionais e, posteriormente, excluídas na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, com fundamento no artigo 18 da Lei 11.941/2009. Contudo, após análise da documentação apresentada pelo contribuinte, verificamos que parte dos valores considerados como sendo subvenção para investimento, materialmente, constituía subvenção para custeio, que integra o grupo das receitas operacionais, e deve ser considerada na base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro, da contribuição para o PIS e da Cofins. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), aplicável ao caso dos autos: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): Fl. 3858DF CARF MF 18 I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício estadual, referido em Termo de Verificação Fiscal (fls. 3.251): Como resultado desta análise, foi apurada a seguinte situação: Demonstrativo relativo ao 4º Termo aditivo de Rerratificação do Protocolo 080/97 (fls. 3243) (...) neste caso, a totalidade dos valores subvencionados, realmente, constitui subvenção para investimento. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 001/2005 (fls. 3244): O ato que concedeu a subvenção governamental estabeleceu a necessidade de realização de investimentos fixos no valor de R$ 2.520.000,00. No anocalendário de 2005, o contribuinte efetuou investimentos no montante de R$ 2.771.244,56, cumprindo integralmente a obrigação prevista no ato de concessão da subvenção. Desde janeiro/2005, o montante de receitas de subvenção reconhecidas pelo fiscalizado atingiu R$ 32.169.529,34. Tendo em vista que, para ser considerada subvenção para investimento, existe a necessidade de que o montante subvencionado seja aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos na concessão do benefício, e que a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos aleatoriamente escolhidos pelo subvencionado não autoriza a classificação como efetiva subvenção para investimento, todos os valores de receitas reconhecidas no ano calendário de 2008 (período abrangido na ação fiscal), cujo montante atingiu R$ 11.062.171,94, constituiu, em verdade, subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluído na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 002/2009 (fls. 3245): (...) A subvenção governamental estava vinculada à realização de investimentos fixos no valor de R$ 3.280.000,00 No anocalendário de 2009, o contribuinte efetuou investimentos no valor de R$ 6.580.317,05, e reconheceu receitas de subvenção que atingiram R$ 26.837.609,05. Assim como na situação anterior, para ser considerada subvenção para investimento, o montante subvencionado deve ser aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos no ato concessório(...). Neste caso, toda a receita excedente ao valor do investimento estabelecido no ato concessório, no valor de R$ 23.557.609,05, constitui subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluída na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. Houve, assim, 3 atos concessórios de subvenção governamental que originaram a autuação fiscal, discriminados em planilha às fls. 3264 do TVF, com cópia às fls. 99/101, 102/105 e 106/109 dos autos. Como o primeiro destes atos concessórios (Quarto Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.851 19 Termo Aditivo de Rerratificação do Protocolo nº 80/97) não fundamentou autuação fiscal, passo à análise dos demais. Com efeito, consta do Termo de Acordo ACP 001/05 é também referido o fundamento no regramento estadual para o benefício então firmado (fls. 102): Cláusula primeira – Nos termos dos arts. 32, Nota 03, “a” e Nota 04, do Livro I, do Regulamento do ICMS (RICMS), aprovado pelo Decreto 37.699, de 26/08/97, a EMPRESA fica autorizada a apropriar valores a título de créditos fiscais presumidos previstos no inciso VIII, do mencionado artigo, sem a restrição prevista na Nota 02 do mesmo artigo 32. (...) Cláusula segunda – A EMPRESA poderá, concomitantemente e no mesmo exercício financeiro a que se referir, se adjudicar do crédito fiscal presumido previsto no inciso XIII, do artigo 32, do Livro do RICMS, desde que para tanto atenda os requisitos previstos na legislação para apropriação deste incentivo. Ademais, o Termo de Acordo ACP 02/09 (fls. 106) explicita seu fundamento na legislação estadual do Rio Grande do Sul: Cláusula primeira – Nos termos dos arts. 32, Nota 03, “a” e Nota 04, do Livro I, do Regulamento do ICMS (RICMS), aprovado pelo Decreto 37.699, de 26/08/97, a EMPRESA fica autorizada a apropriar valores a título de créditos fiscais presumidos previstos no inciso VIII, do mencionado artigo, sem a restrição prevista na Nota 02 do mesmo artigo 32. (...) Cláusula terceiera – A EMPRESA poderá, concomitantemente e no mesmo exercício financeiro a que se referir, se adjudicar do crédito fiscal presumido previsto no inciso XIII, do artigo 32, do Livro do RICMS, desde que para tanto atenda os requisitos previstos na legislação para apropriação deste incentivo Portanto, os benefício tratados nestes autos estão fundamentados no artigo 32, VIII e XIII do RICMS (Decreto Estadual n. 37.699/97). Diante da constatação de que é claro nos autos o regramento estadual que embasou os benefícios fiscais em discussão, rejeito o pedido da Procuradoria para baixa dos autos à unidade de origem para “examinar os certificados, e verificar se contemplam todos os atos normativos de benefícios fiscais, e se estes estão acompanhados da correspondente documentação comprobatória, incluindose, nesse rol, o benefício discutido nos presentes autos.” Com efeito, basta a análise dos documentos dos autos, o que está na competência deste Colegiado, sendo dispensável a baixa à unidade de origem se é clara a disposição estadual utilizada como fundamento para o Ato Concessivo que originou a autuação fiscal. Pois bem. Fl. 3860DF CARF MF 20 Como já analisamos em oportunidades anteriores, foi aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.852 21 § 5 º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) XII cabe à lei complementar: (...) g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. Remanesce, de toda forma, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, Fl. 3862DF CARF MF 22 aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.853 23 § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para reconhecimento dos benefícios fiscais: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Fl. 3864DF CARF MF 24 Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.854 25 Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. O contribuinte apresentou às fls. 3.828 “Atestado de Registro e Depósito 001/2019” no qual o Subsecretário da Receita Estadual do Rio Grande do Sul certifica que os atos concessórios analisados nestes autos foram objeto de publicação dos Decretos 53.909/2019 e 53.919/2018. Lembro quais são os atos concessórios que ocasionaram a imposição tributária: (i) Termo de Acordo ACP 001/05 (fls. 102) (ii) Termo de Acordo ACP 02/09 (fls. 106) Em consulta ao sítio do CONFAZ (https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodepositocvicms190171/rio grandedosul/2018/certificadoderegistroedepositors1.pdf), constatei Certificado de Registro de Depósito – SE / CONFAZ 02/2018/2018, do qual se extrai: O Secretário Executivo do CONFAZ, no uso de suas atribuições previstas nos art. 5º, incisos I, II, e XIV do Regimento do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ, aprovado pelo Convênio ICMS 133/97, de 02 de janeiro de 1998; bem como no inciso II do art. 3º da Portaria nº 525, de 7de dezembro de 2017, que aprovou o regimento interno da Secretaria Executiva do CONFAZ, para os fins do disposto na Lei Complementar nº 160, de 07 de agosto de 2017, e nos termos do §3º da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, de 15 de dezembro de 2017, torna público e certifica o seguinte: Que o Estado do Rio Grande do Sul, representado pelo seu Secretário de Fazenda Luiz Antônio Bins, efetuou o depósito nesta Secretaria Executiva do CONFAZ, nos termos do inciso II da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, da planilha dos atos normativos e concessivos dos benefícios fiscais e da correspondente documentação comprobatória, cujos atos normativos foram publicados no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Decreto nº 53.898, de 29 de janeiro de 2018, publicado no dia 30 de janeiro de 2018, e suas alterações posteriores, e do Decreto nº 53.912, de 7 de fevereiro de 2018, publicado em 8 de fevereiro de 2018, e suas alterações posteriores. O depósito foi efetuado por meio de correio eletrônico na forma do Despacho nº 39/18, de 12de março de 2018. Fl. 3866DF CARF MF 26 O Estado do Rio Grande do Sul declarou que a documentação incluída pela Secretaria Executiva do CONFAZ no processo específico no Sistema Eletrônico de Informação SEInº 12004.100374/201819, possui o mesmo teor da documentação depositada nesta Secretaria Executiva, por meio de correio eletrônico. O depósito efetuado foi registrado sob nº 002/2018. Ademais, verifico a publicação no sítio da Fazenda do Rio Grande do Sul dos citados Decreto 53.898 e 53.912/2018 (www.legislacao.sefaz.rs.gov.br). O Decreto 53.912/2018 tem o seguinte teor, confirmandose a documentação trazida aos autos pelo contribuinte: Art. 1º Com fundamento no disposto no inciso I do art. 3º da Lei Complementar Federal nº 160, de 7 de agosto de 2017, e no inciso I da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, ratificado nos termos da Lei Complementar Federal nº 24, de 7 de janeiro 1975, conforme Ato Declaratório CONFAZ nº 28, publicado no Diário Oficial da União de 26 de dezembro de 2017, fica publicada no Anexo Único deste Decreto relação com identificação de atos normativos não vigentes em 8 de agosto de 2017, relativos aos benefícios fiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea "g" do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal. Parágrafo único A relação de que trata este artigo inclui atos normativos não relativos a benefícios fiscais instituídos em desacordo com a Constituição Federal objetivando facilitar a compreensão sistemática dos atos cuja publicação é exigida pela Lei Complementar Federal nº 160, de 7 de agosto de 2017. (Acrescentado pelo Decreto 53.952, de 07/03/18. (DOE 08/03/18) Efeitos a partir de 08/03/18.) Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Destaco trecho do Anexo ao Decreto Estadual 53.912/2018, referindose ao benefício fiscal em discussão nestes autos: ITEM (2) ATOS (3) NÚMERO (4) EMENTA OU ASSUNTO (5) DISPOSITIVO ESPECÍFICO (6) DATA DE PUBLICAÇÃO NO DOE (7) TERMO INICIAL (8) TERMO FINAL (9) OBSERVAÇÕES (10) 38.5 Decreto 37.699, de 26/08/199 7 Crédito presumido aos estabelecimentos fabricantes nas saídas para o território nacional de produtos de informática de fabricação própria RICMS, Livro I, Art. 32, Inciso VIII e Apêndice XIII 27/08/1997 01/09/1997 28/12/2010 Retificado em 08/09/1997 e 18/09/1997 Tais fatos atestam o cumprimento dos requisitos tratados pelos artigos 2º e 3º, da Lei Complementar nº 160 e, assim, a aplicabilidade do artigo 10, da mesma Lei Complementar ao caso dos autos. Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.855 27 Lembro que a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 15, XII, §2º, verbis: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Nesse contexto, cumpridos os requisitos tratados pelo artigo 3º referido expressamente ao final do artigo 10 há que se observar apenas os requisitos tratados pelo artigo 30, da Lei nº 12.973/2014: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Fl. 3868DF CARF MF 28 § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017 grifamos) A exigência legal, após a Lei Complementar, portanto é de que haja subvenção como estímulo para implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, o que se verifica no caso dos autos – como inclusive reconhecido pelo auditor fiscal autuante. Ademais, exigese o registro em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404 – requisito não constestado pelo auditor fiscal autuante. Lembro novamente a razão do lançamento tributário, extraindose do Termo de Verificação Fiscal que o acompanha: Além disso, deve haver sincronia entre a intenção do ente subvencionador e a ação da pessoa jurídica subvencionada. Os investimentos efetuados pelo fiscalizado e vinculados a cada um dos atos concessórios de subvenção governamental foram comprovados por meio da apresentação de seis volumes encadernados contendo as respectivas notas fiscais. Além disso, também foram apresentados quadros demonstrativos contendo a relação e valores das notas comprobatórias dos investimentos efetuados (fls. 1356/1379). (...) Como resultado desta análise, foi apurada a seguinte situação: Demonstrativo relativo ao 4º Termo aditivo de Rerratificação do Protocolo 080/97 (fls. 3243) (...) neste caso, a totalidade dos valores subvencionados, realmente, constitui subvenção para investimento. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 001/2005 (fls. 3244): O ato que concedeu a subvenção governamental estabeleceu a necessidade de realização de investimentos fixos no valor de R$ 2.520.000,00. No anocalendário de 2005, o contribuinte efetuou investimentos no montante de R$ 2.771.244,56, cumprindo integralmente a obrigação prevista no ato de concessão da subvenção. Desde janeiro/2005, o montante de receitas de subvenção reconhecidas pelo fiscalizado atingiu R$ 32.169.529,34. Tendo em vista que, para ser considerada subvenção para investimento, existe a necessidade de que o montante subvencionado seja aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos na concessão do benefício, e que a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos aleatoriamente escolhidos pelo subvencionado não autoriza a classificação como efetiva subvenção para investimento, todos os valores de receitas reconhecidas no ano Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.856 29 calendário de 2008 (período abrangido na ação fiscal), cujo montante atingiu R$ 11.062.171,94, constituiu, em verdade, subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluído na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. Demonstrativo relativo ao Termo de Acordo ACP 002/2009 (fls. 3245): (...) A subvenção governamental estava vinculada à realização de investimentos fixos no valor de R$ 3.280.000,00 No anocalendário de 2009, o contribuinte efetuou investimentos no valor de R$ 6.580.317,05, e reconheceu receitas de subvenção que atingiram R$ 26.837.609,05. Assim como na situação anterior, para ser considerada subvenção para investimento, o montante subvencionado deve ser aplicado especificamente em bens ou direitos previamente definidos no ato concessório(...). Neste caso, toda a receita excedente ao valor do investimento estabelecido no ato concessório, no valor de R$ 23.557.609,05, constitui subvenção para custeio ou operação, que foi indevidamente excluída na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da contribuição social. A sincronia entre investimento e subvenção não é exigida pela lei, assim, não se sustenta o lançamento. Diante de tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, aplicando o regramento da Lei Complementar nº 160. Considerando que nego provimento quanto à discussão de ser o benefício subvenção para investimento, julgo prejudicada a análise do recurso quanto à discussão de decadência de PIS e COFINS, tributos lançados de forma reflexa. Conclusão Portanto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, aplicando o regramento da Lei Complementar nº 160. A conclusão quanto ao IRPJ aplicase aos tributos reflexos. Diante disso, julgo prejudicada a análise do recurso quanto à discussão de decadência de PIS e COFINS. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 3870DF CARF MF 30 Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano Optei por apresentar a presente declaração de voto a fim de esclarecer as razões pelas quais divergi da Relatora quanto à preclusão do PIS e COFINS, bem como porque, no mérito, acompanhei a Relatora pelas conclusões. Quanto à questão da preclusão, considero que a PFN não trouxe razões recursais específicas para as contribuições ao PIS e à COFINS. Nesse ponto, observo que o recurso especial apresentado não menciona tais tributos em nenhuma de suas passagens, nem faz referência a qualquer base legal a eles aplicável. Na verdade, toda a fundamentação exposta no recurso é exclusiva para o IRPJ e CSLL, sendo válido destacar o trecho final, em que se lê: De todo o exposto, concluise que a dotação recebida pelo contribuinte não pode ser classificada como subvenção para investimento, devendo ser considerada como subvenção para custeio. Consequentemente, os valores correspondentes ao benefício fiscal devem integrar o lucro operacional, nos termos do art. 392 do RIR/99 e do art. 44, IV da Lei nº 4.506/64. Logo, merece ser restabelecido o auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ e CSLL, bem como da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. É verdade que consta do acórdão recorrido o tratamento conjunto, mas o acórdão é a decisão recorrida, e é no recurso que devem ser postas as razões pelas quais o recorrente entende que a decisão deve ser reformada. No caso, o recurso da Fazenda Nacional se limita a sustentar a tese de que o crédito presumido de ICMS deve ser tratado como subvenção, mas não se diz a razão pela qual, sendo subvenção, o valor deveria ser tributado por PIS e COFINS. Não sendo tal conclusão automática, nem uma decorrência lógica da tributação pelo IRPJ e CSLL, entendo que a discussão quanto às contribuições PIS e COFINS restou prejudicada. Em síntese, portanto, compreendo que a discussão quanto ao PIS e COFINS não foi devolvida à análise deste colegiado conclusão que, observo, não prevaleceu na Turma após a sessão de julgamento. No mérito, com a devida vênia, divergi das razões expostas pela Relatora para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, basicamente por concordar com o acórdão recorrido, ou seja, por entender que o crédito presumido de ICMS sequer pode ser entendido como subvenção seja para custeio seja para investimento. Nas palavras do voto condutor do acórdão recorrido: "Os créditos presumidos de ICMS não são, a rigor, subvenções, daí porque não cabe aqui a discussão sobre classificar o benefício fiscal como subvenções para investimento ou subvenções para custeio, para efeito de definir a tributação." De fato, o crédito presumido de ICMS é uma renúncia de receita estatal a qual, exclusivamente para fins de registro contábil, recebe o mesmo tratamento de subvenção Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.857 31 para investimento, nos termos do artigo 443 do RIR/99 (§ 2º do art. 38 do DecretoLei 1.598/1977) e artigo 18 da Lei 11.941/2009. Dito de outra forma, o benefício é tratado, pela legislação acima citada, como subvenção, mas isso não significa dizer que se trata de subvenção, no sentido estrito do termo. Por analogia, é o mesmo que dizer que, para determinados fins, o morango será tratado como de fato é como uma fruta, mas tal tratamento não muda a sua natureza (que é de flor1). É que para que algo possa ser considerado subvenção é necessário que haja uma efetiva transferência de recursos, o que em regra não ocorre com incentivos fiscais tais como o crédito presumido de ICMS. É neste sentido que Bulhões Pedreira conceitua as subvenções para custeio como “transferências de renda” e as subvenções para investimento como “transferências de capital” (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. “Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas”, Vol. I, Rio de Janeiro: Justec, 1979, pág. 551 e Vol II p. 685). Ambas pressupondo a necessária "transferência", portanto. Nessa linha, o Parecer Normativo CST 112/1979, tanto ao conceituar subvenção para custeio quanto para investimento, faz menção à transferência de recursos, veja se (grifamos): "(...) SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO ou SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO são expressões sinônimas. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas. SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução de seus objetivos sociais." "(...) SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38. do D. L. 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO." Ressaltese que este mesmo diploma, ao tratar especificamente das isenções e reduções de impostos, já esclarece que, "Tecnicamente, na linguagem orçamentária, a isenção ou redução de impostos jamais poderiam ser intituladas de subvenção.". E, mais adiante, ressalta: "o auxílio obtido pelo comprador com a isenção, evidenciado pelo não desembolso 1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Morango, acesso em 11 de abril de 2019. Fl. 3872DF CARF MF 32 financeiro, integra o giro do negócio e dele dispõe o beneficiário como lhe aprouver. A rigor, sequer são SUBVENÇÕES as isenções desse tipo, representado efetivamente uma redução no custo do bem adquirido" (grifamos). O PN CST 112/1979 continua, ressaltando que, em alguns casos específicos, a redução ou isenção de impostos pode ser enquadrada como subvenção para investimento. Cita então alguns exemplos todos eles, destaquese, envolvendo a efetiva transferência de recursos ao beneficiário valendo destacar o seguinte: "Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico." (grifamos) O próprio PN CST 112/1979 alerta para o risco das generalizações e para a importância do exame específico do benefício: "É oportuna a advertência para o risco de generalizar as conclusões do item anterior para todos os casos de retorno do ICM. O contribuinte deverá ter cuidado de examinar caso por caso e verificar se estão presentes, todos os requisitos exigidos. Um retorno de ICM, por exemplo, como prêmio ao incremento das vendas, em relação às de período anterior, acima de determinado percentual, não será uma subvenção para investimento." Daí a conclusão deste diploma de que "As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características (...)". Percebese que o PN CST 112/1979 é claro em conceituar as subvenções como "transferência de recursos", bem como em afirmar que a rigor, isenções e reduções de tributos não são subvenções, não obstante possam ser tratadas como subvenções, se e quando se revestirem das características destas. Ora, se é verdade que, estando presentes as características das subvenções para investimento2, a isenção ou redução de impostos poderá ser considerada como tal, isso não autoriza concluir que, quando não estão presentes tais características, o benefício será considerado subvenção para custeio. Como visto, existe a terceira via, que é a hipótese de não se tratar de uma subvenção, sendo que é isso o que ocorre, por exemplo, quando o beneficiário não recebe diretamente quaisquer recursos do poder público o que, por sua vez, é o caso, em regra, do crédito presumido de ICMS. 2 Quais sejam: (i) intenção do subvencionador de destinálas para investimentos; (ii) efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.858 33 A distinção é importante sobretudo em termos orçamentários porque, nos termos da Lei 4.320/1964, a transferência de recursos está na esfera da despesa pública, de forma que depende de dotação orçamentária. O crédito presumido de ICMS, por outro lado, não importa transferência de recursos, tratandose de benefício fiscal que não exige dotação orçamentária e que é caracterizado como renúncia de receita por parte do governo, nos exatos termos do artigo 14, §1o da Lei de Responsabilidade Fiscal LC 101/2000 (grifamos): Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: (...) §1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Vemos, portanto, que em linguagem orçamentária as subvenções não se confundem com o crédito presumido de ICMS, sendo este uma forma de renúncia de receita que independe de dotação orçamentária, ao contrário das primeiras, que são despesas públicas caracterizadas pelas transferência de recursos. Acontece que a legislação tributária tratou de forma equivalente, inclusive no mesmo dispositivo legal, tanto as subvenções para investimento em sentido estrito (i.e., transferências de recursos por parte do poder público revestidas das características mencionadas no PN CST 112/1979) quanto as renúncias de receita concedidas sob a forma de reduções e isenções de tributos e, ainda, as doações feitas pelo poder público. O artigo 443 do RIR/99 (§ 2º do art. 38 do DecretoLei 1.598/1977) denomina tanto as primeiras quanto as últimas de "subvenções" seriam, no caso, subvenções em sentido amplo, isto é, não técnico. Vejase (grifamos): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Mas o fato de o art. 443 do RIR/99 ter dado o mesmo tratamento fiscal e ter denominado como "subvenção para investimento" tanto as subvenções em sentido estrito (i.e., transferências de recursos por parte do poder público revestidas das características das Fl. 3874DF CARF MF 34 subvenções para investimento mencionadas no PN CST 112/1979) quanto recursos que não são tecnicamente subvenções (i.e., as reduções e isenções e tributos) não faz com que estes últimos, apenas por tal razão, passem a ter a natureza de subvenções. Por tal motivo, no caso de isenções e reduções de tributos, o tratamento tributário previsto no artigo 443 do RIR/99 é aplicável independentemente do preenchimento das condições previstas no PN CST 112/1979 eis que estas são aplicáveis exclusivamente às subvenções stricto sensu, ou seja, às transferências de recursos por parte do poder público (despesa pública). Pretender o contrário poderia resultar em impor condição impossível ao contribuinte, eis que, em não havendo a transferência de valores por parte do poder público, o beneficiário do incentivo sequer recebe recursos subvencionados passíveis de serem assim aplicados. Vale notar que, de acordo com as regras contábeis em vigor antes das modificações promovidas pela adoção dos padrões contábeis internacionais, a subvenção para investimento e as reduções e isenções de tributos (ou seja, as "subvenções em sentido amplo", nos termos do art. 443 do RIR/99) podiam ser contabilizadas de duas maneiras: a contrapartida do aumento do ativo ou redução do passivo podia ser registrada (i) como receita, ou (ii) como reserva de capital. No entanto, com as modificações providas pela Lei nº 11.638/2007 no artigo 182 da Lei nº 6.404/1976, a possibilidade de se contabilizar esse valor em conta de reserva de capital deixou de existir, fazendo com que o referido montante passasse a ser contabilizado apenas contra resultado. Porém, objetivando a manutenção do tratamento tributário anteriormente dispensado aos valores que eram contabilizados como reserva de capital, o artigo 18 da Lei nº 11.941/2009 estabeleceu que, após a apuração do lucro, os valores correspondentes às subvenções para investimento e às reduções e isenções de tributos seriam destinados à conta de reserva de incentivos fiscais, até o limite do lucro líquido do exercício. Logo, mesmo após a extinção da possibilidade de se registrar a subvenção para investimento e as reduções e isenções de tributos em conta patrimonial (como reserva de capital), ainda assim esses valores não compunham a base tributária do IRPJ e da CSLL, em conformidade com o supracitado artigo 18. Em síntese, portanto, compreendo que o crédito presumido de ICMS consiste em redução de tributo que apenas pode ser considerado subvenção para investimento na acepção ampla deste termo, de acordo com art. 443, I do RIR/99 (§ 2º do art. 38 do Decreto Lei 1.598/1977). Neste sentido, para o crédito presumido de ICMS não se exige a vinculação, isto é, aplicação direta e exclusiva dos recursos a projetos determinados, requisito aplicável apenas às subvenções para investimento em sentido estrito (transferência de recursos). Basta, para este, o preenchimento das condições constantes do próprio artigo 443 do RIR/99 (§ 2º do art. 38 do DecretoLei 1.598/1977). Interessantes, neste ponto, as observações do então Conselheiro Marcos Shigueo Takata em seu voto vencedor no acórdão 110300.555, de 20 de outubro de 2011, as quais por oportuno reproduzo: (...) E, do que já foi deduzido até aqui, fácil constatar que o termo subvenções para investimento foi utilizado em seu sentido Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 11080.731977/201379 Acórdão n.º 9101004.108 CSRFT1 Fl. 3.859 35 econômico pelo art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A., conforme sua lógica e teleologia. (...) Atentese, por sua importância: à luz das normas contábeis (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.), mesmo sem se fazer remissão à lei do IRPJ (art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77), vêse que a subvenção para investimentos não é receita, mas reservas de capital (patrimônio líquido). (...) Vale dizer, como a subvenção para investimento não é receita, à luz do direito contábil, como o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 é regra específica para lucro real, e não há regra que afaste o direito contábil para o lucro presumido, também não compõe a base de cálculo desse a subvenção para investimento. A bem ver, no que concerne a subvenção para investimento, o que o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 trouxe de diverso ao que prevê o direito contábil, para fins de IRPJ sob o regime do lucro real, foi colocar os seguintes requisitos para não tributar aquilo que não é receita (= não adição ao lucro líquido). Que “as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos” sejam: necessariamente registradas como reservas de capital somente utilizáveis para absorver prejuízos ou serem incorporadas ao capital social, e que não haja redução de capital no montante capitalizado. Ou seja, o que a referida norma legal fez foi somente estabelecer dois requisitos, para fins do IRPJ sob o regime do lucro real, para que a subvenção para investimento não seja adicionável ao lucro líquido (= o que não é receita não precisar compor a base de cálculo do IRPJ sob regime do lucro real). E isso é confirmável inclusive pela interpretação lógica do art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77. Os pressupostos de fato previstos nos incisos do caput do art. 38, bem como o de seu § 1º, são todos hipóteses que também não são receita nem são despesa pelas normas contábeis (art. 182, § 1º, “a” a “c” e § 5º c/c o art. 30, § 1º, “b” e “c”, da Lei de S.A.) – tal como o do art. 38, § 2º, no caso, subvenção para investimento. Quer dizer, em relação àqueles pressuposto de fato, o art. 38 não colocou requisito para que não sejam tributáveis (adição ao lucro; e, claro, para não se poder excluir o débito, em patrimônio líquido, do lucro). E por que a necessidade de dizer que não são tributáveis os referidos pressupostos de fato (art. 38, caput e incisos e § 1º)? É necessário se lembrar que, à época, acabara de ser editado o novo regramento contábil (na nova Lei de S.A.). Por isso, houve por bem o legislador esclarecer que aquilo que não é receita, conforme o direito contábil, não é tributável para o IRPJ sob o regime do lucro real. Tanto que a Lei 7.689/88, ao instituir a Fl. 3876DF CARF MF 36 CSL, não entrou nesses detalhes, justamente porque já não se fazia mais necessário. Em suma, conforme o direito contábil, a subvenção para investimento não é receita, sendo registrável em reservas de capital. Para efeitos de IRPJ sob o regime do lucro real, o que não é receita continua não compondo o lucro real, desde que atendidos os dois requisitos suprarreferidos; se não atendidos a tributação se dá (por adição ao lucro) só quanto ao IRPJ e sob o regime de lucro real. Registro aqui uma observação. Somente a partir do advento da Lei 11.638/07, que trouxe alterações no Capítulo das Demonstrações Financeiras da Lei de S.A., as subvenções para investimentos passaram a ser registráveis como receita9. Ainda assim, elas permanecem não sendo tributáveis, e não só para fins de IRPJ, conforme os arts. 15, caput e § 4º, 16, 18 e 21, da Lei 11.941/09 (instituição do RTT Regime Tributário de Transição). (...) Estas são, assim, as razões do meu voto no presente caso. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 3877DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13017.720124/2016-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95.
A oferta de alimentos à ex-esposa, a qual convive com o contribuinte sob o mesmo teto (não havendo separação de corpos do casal, portanto) e, sendo a alimentada detentora de patrimônio, não se ajusta à hipótese de dedutibilidade prevista na legislação.
Numero da decisão: 2202-004.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (relatora) e Virgílio Cansino Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A oferta de alimentos à ex-esposa, a qual convive com o contribuinte sob o mesmo teto (não havendo separação de corpos do casal, portanto) e, sendo a alimentada detentora de patrimônio, não se ajusta à hipótese de dedutibilidade prevista na legislação.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade fiscalizadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto 70.235/72, reputadas ausentes as causas previstas no art. 59 do mesmo diploma. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A oferta de alimentos à exesposa, a qual convive com o contribuinte sob o mesmo teto (não havendo separação de corpos do casal, portanto) e, sendo a alimentada detentora de patrimônio, não se ajusta à hipótese de dedutibilidade prevista na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (relatora) e Virgílio Cansino Gil. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 72 01 24 /2 01 6- 43 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13017.720124/201643 Acórdão n.º 2202004.929 S2C2T2 Fl. 92 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por JOSÉ ARNILDO BORTOLAN contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança tributária por dedução indevida de pensão alimentícia e/ou por escritura pública – “vide” descrição dos fatos e enquadramento legal às f. 25. Transcrevo, no que importa, trechos do retromencionado, para melhor compreensão da controvérsia devolvida a esta instância revisora: “Glosa do valor de R$ 93.715,56, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução.” (fl. 25) (...) [O] interessado, em sua impugnação (fl. 03) afirmou que ele e sua excônjuge: “Residem no mesmo endereço pois embora dissolvida a sociedade conjugal, o impugnante presta assistência pessoal a exesposa que sofre de doença cardíaca. Separados ou não, o que é de esperar entre as duas partes é o respeito, assistência mútua... há a preocupação com eventuais dificuldades de qualquer espécie da outra parte, e não o descaso, o abandono à própria sorte. Acrescentese o medo da solidão agravado após uma cirurgia cardíaca.” (...) Face ao exposto, restou clara a vontade do contribuinte de continuar a residir com sua excônjuge mantendo todo o suporte afetivo e financeiro, com respeito e assistência mútua, face aos quase 50 anos de união existente entre ambos. Com base na legislação acima exposta [art. 4º da Lei 9.250/95 c/c arts. 1.575 e 1.576, ambos do CC/02], bem como pelo contido na impugnação em análise, restou comprovado que o contribuinte e sua excônjuge residem no mesmo endereço, ou seja não ocorreu a separação de corpos, tendo ocorrido somente a separação dos bens. Que ambos sobrevivem com a mesma renda originária do contribuinte e como ambos residem juntos, não há como considerar os alegados repasses como sendo Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13017.720124/201643 Acórdão n.º 2202004.929 S2C2T2 Fl. 93 3 Pensão para efeitos tributários pretendidos, como bem apontou a Autoridade Lançadora na Notificação de Lançamento em análise. Logo, assiste razão à Fiscalização ao glosar a Dedução a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública (f. 7375; sublinhas deste voto). Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 03/03/2017, recurso voluntário (f. 8188), alegando, preliminarmente, a nulidade do lançamento, ao argumento que o embasamento legal não se coadunaria com a situação fática. Quanto ao mérito, afirma, em apertadíssima síntese, inexistir qualquer dispositivo que vede a coabitação entre separados. Narra que repassa mensalmente a importância estipulada à excônjuge, motivo pelo qual pode deduzir esse valor do imposto a pagar, em conformidade com o art. 4º da Lei 9.250/95. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Preliminar O recorrente, em suas razões, afirma que o lançamento (...) não foi efetuado com o devido embasamento legal, ou melhor, o embasamento legal não se coaduna com a situação de fato existente. (...) Logo, o embasamento legal para o lançamento está equivocado, devendo, portanto, o mesmo (sic) ser anulado (f. 82 e 84, passim). Em primeiro lugar, o recorrente se furta a apontar, de forma concreta, de qual nulidade padeceria o auto de infração. Falhou, portanto, em demonstrar que o lançamento foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenha ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma. Rejeito, com essas considerações, a preliminar suscitada. Mérito Cingese a controvérsia na (im)possibilidade de abater do IRPF os valores pagos a título de pensão alimentícia quando, apesar de separados, permanecem os excônjuges em coabitação. Registro ainda, antes de adentrar ao cerne da questão, que tanto o fato de estarem separados – “vide” escritura pública de separação consensual e partilha amigável de bens às f. 7/19 – quanto a efetividade do pagamento não foram questionados. Confirase a sintética descrição dos fatos ultimada pela autoridade fazendária (f. 25): (1)Conforme consta nas DAAs apresentadas pelo contribuinte e pela alimentanda, ambos residem no mesmo endereço, apesar de serem proprietários de inúmeros imóveis. (2) Na escritura de separação consensual foi fixada uma pensão à separanda no percentual de 50%. Escritura de Separação foi Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13017.720124/201643 Acórdão n.º 2202004.929 S2C2T2 Fl. 94 4 realizada no ano de 2010. À época, residiam em Sarandi, mudandose posteriormente para Canela. (3)Ocorre que o objetivo da prestação de alimentos é propiciar ao outro cônjuge a quantia necessária à sua manutenção. Como ambos residem juntos, não há como considerar os alegados repasses como sendo pensão para os efeitos tributários pretendidos. É que ambos sobrevivem com a mesma renda originária do Sr. José Arnildo Bortolan. Entendeu a fiscalização que a dedução ocorreu ao arrepio da al. “f” do inc. II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, que autoriza a dedução da base de cálculo do IRPF das (...) importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (Sublinhas deste voto). Com base nos arts. 1.575 e 1.576, ambos do CC/02, entendeu a DRJ que a glosa deveria ser mantida, eis que a sentença de separação judicial implicaria na separação de corpos e partilha de bens, além de colocar termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens. Contudo, não vislumbro qualquer óbice nas normas do Direito de Família para a coabitação de cônjuges separados. Há alguns anos, o exc. Supremo Tribunal Federal foi instado a se manifestar sobre a constitucionalidade da exigência de ausência de coabitação para transformar a separação judicial em divórcio. Por carência de repercussão geral, o tema de nº 560 (Ausência de coabitação dos cônjuges como prova da separação de fato – RE nº 633981) foi recusado, mas no relatório fica implicitamente demonstrada a possibilidade de “(...) cônjuges resid[irem] sob o mesmo teto e est[arem] separados de fato” (f. 4). Ao tratar das causas que ensejariam a exoneração do dever de arcar com a prestação alimentar, estipulada quando da separação consensual, o col. Superior Tribunal de Justiça asseverou que (...) somente se mostra possível em uma das seguintes situações: a) convolação de novas núpcias ou estabelecimento de relação concubinária pelo excônjuge pensionado, não se caracterizando como tal o simples envolvimento afetivo, mesmo abrangendo relações sexuais; b) adoção de comportamento indigno; c) alteração das condições econômicas dos excônjuges em relação às existentes ao tempo da dissolução da sociedade conjugal (STJ. REsp nº 111.476/MG, Rel. MIN. SALVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, julgado em 25/03/1999, DJ 10/05/1999, p. 177). Ademais, como o caso em tela não se trata de separação judicial, nos termos da al. “f” do inc. II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, bastaria, a meu aviso, a apresentação “de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil” para o processamento da dedução na base de cálculo do IRPF. Transcrevo a cláusula nona da Escritura Pública de separação consensual com partilha amigável de bens, firmada em 04 de fevereiro de 2010: O primeiro outorgante e reciprocamente outorgado, JOSÉ ARNILDO BORTOLAN, a título de pensão alimentícia vitalícia, Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13017.720124/201643 Acórdão n.º 2202004.929 S2C2T2 Fl. 95 5 desde já autoriza a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a pagar em favor da segunda outorgante e reciprocamente outorgada, MARLI TEREZINHA IOPPI BORTOLAN, cinquenta por cento (50%) de seus rendimentos brutos recebidos mensalmente (...) – f. 9, sublinhas desta decisão. Este Conselho já se debruçou sobre matéria idêntica a ora tratada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA. COABITAÇÃO. O valor pago a título de Pensão Alimentícia, decorrente de fixação por escritura pública, pode ser dedutível para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda. A continuidade da coabitação não impede o direito à dedução (CARF. Processo nº 10166.725012/201768, Acórdão nº 2002000.250 – Turma Extraordinária / 2ª Turma, Sessão de 26 de julho de 2018; sublinhas desta decisão). Sendo inquestionável a separação, bem como o pagamento da pensão alimentícia, não se pode proceder à glosa da dedução ante a mera constatação de coabitação. Registro, por derradeiro, ser cônscia de que, em certos casos, a separação é levada a cabo com a finalidade de deduzir da base de cálculo do imposto os valores pagos a título de pensão alimentícia. Entretanto, para que o ato fosse desconsiderado, deveria a autoridade fiscalizadora trazido elementos robustos para efetuar a glosa. Ao meu aviso, o fato de não ter cessado a coabitação não se mostra suficiente, mormente considerandose a idade avançada do recorrente e sua excônjuge que, conforme relatado, padece de suposta moléstia cardiopática. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia à ilustre Relatora a divergir em parte com seu voto, porém ocorre que meu entendimento é contrário ao seu em relação as dedução de pensão alimentícia judicial. Conforme relatado pela Conselheira relatora, restou comprovado que o contribuinte e sua excônjuge residem no mesmo endereço, ou seja não ocorreu a separação de corpos, tendo ocorrido somente a separação dos bens. Cabe salientar o constante dos artigos 1.575 e 1.576 da Lei nº 10.406 de 16/02/2002 (Código Civil) abaixo transcrito: Art. 1.575. A sentença de separação judicial importa a separação de corpos e partilha de bens. Parágrafo único. A partilha de bens poderá ser feita mediante proposta do cônjuges e homologada pelo juiz ou por este decidida. Art. 1.576. A separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca e ao regime de bens. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13017.720124/201643 Acórdão n.º 2202004.929 S2C2T2 Fl. 96 6 Parágrafo único. O procedimento judicial da separação caberá somente aos cônjuges, e, no caso de incapacidade, serão representados pelo curador, pelo ascendente ou pelo irmão. (grifouse) Portanto, nos caso dos autos, verificase que inexistindo separação de corpos, contribuinte e sua excônjuge sobrevivem com a mesma renda originária do contribuinte. Assim, não há como considerar os alegados repasses como sendo pensão para efeitos tributários pretendidos, como bem apontou a Autoridade Lançadora na Notificação de Lançamento em análise. Logo, assiste razão à Fiscalização ao glosar a Dedução a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Ainda, importante apontar a jurisprudência em casos semelhantes ao ora em análise, cujas ementas já integraram o acórdão recorrido: “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA. A convivência harmoniosa da família, sob o mesmo teto, com a regular prestação do dever de assistência e de sustento, desautoriza a homologação de acordo de alimentos, máxime quando as circunstâncias narradas levam à conclusão de que, antes de qualquer outra pretensão, visase à obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora do cônjuge varão, com evidente prejuízo ao erário (APC 20040110640184, Relatora Desa. Carmelita Brasil, 2ª Turma Cível, julgado em 14/11/2005, DJ 24/01/2006, pág. 93).” (grifouse) “CIVIL. ACORDO DE ALIMENTOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO. 1. Restando patenteado nos autos que o objetivo da alimentante se reveste do nítido desejo de benefício tributário, não deve o Judiciário homologar acordo de alimentos. 2. As acordantes informam que a filha cuida há vários anos da mãe, com quem gasta quase metade de seus rendimentos. Tal fato, mesmo que verídico, não enseja isenção do Imposto de Renda, mas, tãosomente, as reduções asseguradas a todos os contribuintes. 3. Recurso conhecido e improvido. (20050110996055APC, Relator SANDOVAL OLIVEIRA, 4ª Turma Cível, julgado em 22/11/2006, DJ 17/04/2007, pág. 124)”. (grifouse) “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. PAI E FILHA QUE VIVEM SOB O MESMO TETO. INTENÇÃO DE REGULARIZAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO MENSAL VOLUNTARIAMENTE DEFERIDA POR MEIO DE DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO PARA OBTENÇÃO Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13017.720124/201643 Acórdão n.º 2202004.929 S2C2T2 Fl. 97 7 DE DESCONTO NO IMPOSTO DE RENDA. HOMOLOGAÇÃO NEGADA. Não se vislumbrando as necessidades do alimentando, cuja filha, voluntariamente, paga alimentos ao pai, que com ela reside sob o mesmo teto, mas tãosomente a obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora, com evidente prejuízo ao erário, indeferese o pedido homologatório do acordo de alimentos. (20060111308808APC, Relator CARMELITA BRASIL, 2ª Turma Cível, julgado em 18/07/2007, DJ 14/08/2007, pág. 101)” (grifouse) “DIREITO CIVIL. EXCÔNJUGES. ACORDO DE ALIMENTOS. IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme a jurisprudência no sentido de que tendo o acordo de alimentos objetivos meramente fiscais, não deve ser homologado, pois implicaria indevida dedução no cálculo do Imposto de Renda. 2. Subjacente à homologação, está o acordo de vontades que haveria de servir à prevenção ou terminação de litígio (CC, art. 840), de modo que assim a transação somente pode referirse a direitos substanciais que admitam conflito de interesses. 3. Simples questões advindas de liberalidade não são passíveis de homologação judicial, até mesmo por falta de interesse jurídico dos interessados. 4. Recurso conhecido e improvido. (Processo: APC 20060111339348 DF, Relator(a): CARLOS RODRIGUES, Julgamento: 28/11/2007, Órgão Julgador: 2ª Turma Cível, Publicação: DJU 21/02/2008, pág. 1475)” (grifouse) Portanto, deve ser mantida a glosa da dedução de pagamento a título de pensão alimentícia. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901006/2009-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008.
Numero da decisão: 9101-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008.
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RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 10 06 /2 00 9- 22 Fl. 381DF CARF MF 2 Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de declaração de compensação (PER/DCOMP) de indébito de CSLL (DARF de estimativa arrecadada em 30/11/2005) com débito do contribuinte de estimativa mensal de CSLL, de janeiro de 2005, transmitida em 26/09/2006 (fls. 33) Tendo sido indeferida a compensação pela DRF (fls. 32), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2), julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (fls. 87): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. O MPF não é exigível em análise de Dcomp, só o sendo quando se tratar de ação fiscal. ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a titulo de estimativa de CSLL, ainda que indevido, não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 96) ao qual a 2ª Turma da 4ª Câmara da Primeira Seção negou provimento. O acórdão restou assim ementado (acórdão 140200.718, fls. 130): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. O MPF não é exigível em análise de Dcomp, só o sendo quando se tratar de ação fiscal. ESTIMATIVA CSLL. COMPENSAÇÃO. O pagamento efetuado a título de estimativa de CSLL não pode ser objeto de compensação antes do final do anocalendário, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo de recolhimentos do período, a ser utilizado a partir de janeiro do anocalendário seguinte. Intimado desta decisão em 06/02/2012 (fls. 141), o contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 142) em 10/02/2012. Os embargos foram rejeitados pelo Presidente de Turma (fls. 146). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10660.901006/200922 Acórdão n.º 9101004.176 CSRFT1 Fl. 382 3 O contribuinte foi intimado em 09/10/2012, por acesso à caixa postal, apresentando recurso especial em 16/10/2012 (fls. 157). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da possibilidade de restituição de indébito de estimativas mensais, identificando como paradigmas os acórdãos 180100.484 e 180100.481. Mencionou outros acórdãos do CARF. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara (fls. 345), Conselheiro André Mendes Moura. A Procuradoria foi intimada quanto ao recurso e despacho que o admitiu, sem que tenha apresentado contrarrazões (fls. 351). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial. Passo à apreciação do mérito. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (grifo nosso) Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar, transmitindo a PER/DCOMP em 26/09/2006, quando estava em vigor a IN acima reproduzida. Nestes autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação, identificando recolhimentos a maior de estimativas mensais. A compensação foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal em Varginha, em decisão proferida em 18/02/2009 (fls. 32), pautada em interpretação da IN STF 600, acima citada. Reproduzse trecho desta decisão: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito Fl. 383DF CARF MF 4 informado no PER/DCOWP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O julgamento da DRJ foi no mesmo sentido, como se observa do acórdão às fls. 89: Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74, da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto a fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 460/2004, cujo artigo 10 estabelece que "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período". Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 600/2005, que manteve a mesma disposição. Como se vê, se a empresa efetuou pagamento indevido relativo estimativa de CSLL (código 2484), ela deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução da CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. (...) No mesmo sentido, decidiu a Turma Ordinária em julgamento do recurso voluntário: Frise que, no que tange ao aproveitamento dos recolhimentos a maior por estimativa, a base legal da Instrução Normativa SRF 600/2005 está no art. 6o da Lei 9.430/1996, que estabelece: (...) Portanto, antes de encerrado o anocalendário, o contribuinte não poderia mesmo pleitear a compensação de recolhimentos por estimativa, por se tratar de antecipação do imposto devido ao final do período de apuração, devendo ser usado para dedução do tributo devido no ajuste anual ou na composição do saldo negativo de recolhimentos do período, a ser utilizado a partir de janeiro do anocalendário seguinte. Ressaltese que a opção pelo pagamento de estimativas mensais é manifestada com o pagamento correspondente ao mês de janeiro, nos termos do parágrafo único artigo 222, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10660.901006/200922 Acórdão n.º 9101004.176 CSRFT1 Fl. 383 5 em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). Ocorre que o recolhimento em valor superior ao devido, constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação, na forma legitimada pelo artigo 165, I e II, do Código Tributário Nacional. Acrescento que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal – coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais impedida a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O caso destes autos é de aplicação da Súmula CARF 84, assegurandose a análise dos créditos do contribuinte pleiteados nestes autos. Por tais razões, dou provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos à DRF para análise do crédito pleiteado. Conclusões: Fl. 385DF CARF MF 6 Assim, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos à DRF para análise do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 13154.720457/2012-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDOS.
São dedutíveis as despesas médicas dos alimentandos, quando esses pagamentos estão previstos na decisão judicial ou no acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para considerar no cálculo do imposto devido a dedução de despesa médica no valor de R$422,39. Vencidos os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Virgílio Cansino Gil que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente JOSE EUSTAQUIO DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ALIMENTANDOS. São dedutíveis as despesas médicas dos alimentandos, quando esses pagamentos estão previstos na decisão judicial ou no acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para considerar no cálculo do imposto devido a dedução de despesa médica no valor de R$422,39. Vencidos os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Virgílio Cansino Gil que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 72 04 57 /2 01 2- 74 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13154.720457/201274 Acórdão n.º 2002000.935 S2C0T2 Fl. 324 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$8.599,94 para saldo de imposto a pagar de R$7.868,91. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$72.058,18, consignando que o contribuinte não juntou cópia dos comprovantes de pagamento. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 14/6/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 12/7/2012, às fls. 2/93 dos autos, na qual o contribuinte alegou que faria jus a deduzir o valor declarado, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 114/119): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Somente os valores pagos como pensão alimentícia e as quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas médicas e com instrução dos alimentandos, obedecidos os requisitos e limites legais, são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, sendo os demais valores estipulados na sentença não dedutíveis, por falta de previsão legal. O colegiado de primeira instância decidiu por acatar a dedução de despesas com instrução no montante de R$5.661,68, uma vez que previstas no acordo homologado judicialmente e realizadas em favor dos alimentandos. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 25/6/2015 (fl. 125), o contribuinte, em 24/7/2015 (fl. 129), apresentou recurso voluntário, às fls. 129/320, alegando, em síntese: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13154.720457/201274 Acórdão n.º 2002000.935 S2C0T2 Fl. 325 3 teria sido mal orientado na elaboração de sua declaração de ajuste, o que teria ocasionado as glosas de pensão judicial, instrução e dependentes. após cair na malha fina, teria tentado retificar sua declaração de ajuste, mas não teria conseguido, porque os dependentes teriam apresentado declarações em seus próprios nomes. estaria juntando ao seu recurso o esboço da declaração retificadora que queria ver processada, além dos documentos comprobatórios dos dependentes, da pensão judicial e das despesas com instrução. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de pensão alimentícia, informada pelo sujeito passivo da seguinte forma (fls. 14/15): George Julio R$22.730,74 Graziela Christina R$22.807,44 Jozenita R$26.520,00 A regra é que valores pagos a título de pensão alimentícia judicial podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Como explicitado na decisão recorrida, também são dedutíveis as despesas médicas e com instrução realizadas com os alimentandos, desde que o pagamento seja devidamente comprovado e esteja previsto na decisão judicial ou no acordo homologado judicialmente. Como destacado naquela decisão, despesas dessa natureza devem ser declaradas em seus campos próprios, estando sujeitas às normas e aos limites legais atinentes a essas deduções. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13154.720457/201274 Acórdão n.º 2002000.935 S2C0T2 Fl. 326 4 Do exame da documentação apresentada, a decisão de piso entendeu por acatar despesas com instrução realizadas com os alimentandos Graziela e George, mantendo a glosa das pensões declaradas por falta de previsão legal, no caso da pensão declarada com Jozenita, e pela falta de comprovação do efetivo pagamento, no caso dos valores declarados com George e Graziela. Seguem trechos da decisão: 8. Da análise do acordo homologado judicialmente em 30/8/2000, firmado entre o impugnante e Jozenita nos autos da Ação de Divórcio Direto Consensual (fls. 3851), extraise que o contribuinte: a) pagará aos filhos George e Graziela a importância mensal correspondente a 30% de seu salário bruto recebido da Caixa Econômica Federal, a ser depositado na conta corrente de Jozenita (c/c nº 1308.001.6414); b) foi isentado de pagamento de pensão alimentícia à Jozenita; c) se comprometeu a depositar 50% do aluguel mensal correspondente à locação de um apartamento o qual foi objeto de partilha entre os então cônjuges, na proporção de 50% para cada um deles; d) arcará com as despesas decorrentes de assistência médico hospitalar, odontológica e educacional dos filhos do casal. 9. Cabe primeiramente observar que os valores eventualmente depositados na conta bancária de Jozenita referente ao repasse de aluguel do apartamento não seria dedutível da base de cálculo do IRPF, pois se trata de rendimento próprio de Jozenita e não do impugnante, eis que 50% do referido apartamento foi a ela destinado quando da partilha dos bens, e, ainda, se assim não fosse, pagamento de aluguéis a alimentados, ainda que estipulado em sentença, não é dedutível, por falta de previsão legal. 10. Quanto à pensão alimentícia que deveria ser paga aos filhos na proporção de 30% do salário do impugnante, os documentos apresentados não demonstram satisfatoriamente o efetivo repasse dos valores, eis que o contribuinte não apresentou comprovantes de depósitos ou transferências bancárias para a conta corrente de titularidade de Jozenita, nos termos acordados na Ação de Divórcio. 11. Por fim, quanto ao pagamento de despesas médicas e com instrução de alimentandos, assim dispõe a legislação: ... 12. Como destacado, é possível deduzir pagamento de despesas médicas e de educação dos alimentandos, em virtude de cumprimento de decisão judicial, entretanto, tais valores devem ser declarados como pagamento de despesa médica ou pagamento de despesa com instrução, e não como pagamento de pensão alimentícia, e, no caso de despesa com instrução, deve obedecer ao limite anual da dedução, conforme dispõe o Manual Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13154.720457/201274 Acórdão n.º 2002000.935 S2C0T2 Fl. 327 5 de Perguntas e Respostas referente ao IRPF Exercício 2011 – Anocalendário 2010: ... 13. No anocalendário de 2010, a dedução de despesas com instrução está sujeita ao limite anual individual de R$ 2.830,84, de forma que eventuais valores pagos além desse limite, a este título, não é passível de dedução na DAA. 14. No caso concreto, o contribuinte não informou despesas com instrução (fl. 19), entretanto alega que pagou as despesas de educação de seus filhos e anexa diversos documentos (extratos bancários, boletos e histórico financeiro emitidos pela instituição de ensino) os quais comprovam pagamento de despesas com instrução dos filhos George e Graziela em valores superiores ao limite estipulado, de forma que o valor de R$ 5.661,68 (2 x R$ 2.830,84) pode ser deduzido da base de cálculo. (destaques acrescidos) Em seu recurso voluntário, o recorrente não rebate pontualmente a decisão recorrida, limitandose a indicar a juntada de esboço de declaração retificadora e de documentos comprobatórios. A teor dos documentos juntados, quanto à pensão declarada, não há reparos a se fazer na decisão recorrida, visto que, de fato, não são dedutíveis valores pagos a Jozenita e, quanto aos valores informados com George e Graziela, não foram juntadas provas do seu efetivo pagamento. Os extratos bancários não indicam os destinatários de débitos nas contas do contribuinte, não servindo a fazer a prova exigida. Destaco ainda que a pensão acordada foi de 30% calculados sobre o valor de seus salário padrão bruto, o que daria, no anocalendário sob exame (fl.19), um montante de cerca de R$27.300,00, bem abaixo do total declarado pelo recorrente, de R$72.058,18. Não obstante, como destacado na decisão recorrida, o acordo homologado judicialmente prevê o pagamento das despesas médicas e com instrução dos alimentandos. As despesas com instrução dos dois alimentandos já foram acatadas pela decisão recorrida, até o limite legal a que estão sujeitas essas despesas. Em seu recurso, o recorrente junta o comprovante de fl.133, que comprova o pagamento da despesa médica com Graziela, no valor de R$422,39, a qual deve ser acatada. Acerca do esboço da declaração de ajuste (fls. 139/145), com as informações que o recorrente entende corretas, verifico que ele inclui dependentes, despesas médicas e com instrução e altera a pensão judicial declarada, mantendo somente aquela informada na declaração original com Jozenita. Nesse esboço, o recorrente informa os alimentandos como seus dependentes. Tal esboço, configurase num pedido de retificação da Declaração de Ajuste, cuja competência para análise não é das instâncias de julgamento. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13154.720457/201274 Acórdão n.º 2002000.935 S2C0T2 Fl. 328 6 Não obstante, venho manifestando entendimento de que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação/recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. No caso desses autos, as deduções pleiteadas não estão devidamente comprovadas, não sendo certo que o contribuinte faz jus aos valores informados nesse esboço. Vejamos. Quanto à pensão informada com Jozenita, repisese que não pode ser acatada, visto que no acordo homologado não ficou acordado o pagamento de pensão ao excônjuge, como bem destacado na decisão recorrida. Quanto aos dependentes, destaco que, sendo George e Graziela seus alimentandos, não poderiam figurar como seus dependentes. Além disso, eles apresentaram declaração em separado, não podendo figurar como dependente em outra declaração. Quanto aos demais dependentes e às correspondentes despesas médicas e com instrução, seria necessário verificar se eles não figuraram como dependentes de outro contribuinte. Assim, no tocante ao processamento dessas alterações, é de se negar provimento ao recurso. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que seja considerada no cálculo do imposto a dedução de despesa médica no valor de R$422,39. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 328DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722027/2014-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO.
Mantém-se a qualificação da multa de ofício quando comprovado nos autos o dolo do sujeito passivo ao praticar qualquer das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 9101-004.105
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do parágrafo 7o., do art. 63, do anexo II, da Portaria MF nr. 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente)
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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DOLO. FRAUDE. CONFIGURAÇÃO. Mantémse a qualificação da multa de ofício quando comprovado nos autos o dolo do sujeito passivo ao praticar qualquer das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do parágrafo 7o., do art. 63, do anexo II, da Portaria MF nr. 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 20 27 /2 01 4- 77 Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.349 2 Demetrius Nichele Macei Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente) Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.350 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 9971.007) em face do acórdão n. 1401001.718, proferido pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção em 14 de setembro de 2016, integrado pelo acórdão de embargos 1401001.867, de 12 de abril de 2017 (acolhido parcialmente sem efeitos infringentes). Referidos acórdãos receberam as seguintes ementas e decisões: Acórdão recorrido: 1401001.718 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 DESPESAS. NECESSIDADE. São admissíveis as como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e que sejam usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividade da empresa. DESPESAS DE DEBÊNTURES. INDEDUTIBILIDADE. A falta de comprovação de que os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstrarem não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados (emissão de debêntures) tais atos não são oponíveis ao fisco. Nesse contexto se insere a indedutibilidade das despesas decorrentes das obrigações relativas a debêntures entre partes ligadas sem captação alguma de novos recursos, demonstrando apenas a artificialidade da operação. MULTA QUALIFICADA Aspecto relevante que deve ser considerado na aplicação da multa qualificada aos planejamentos diz respeito aos atos que constituem a conduta evasiva. Se nenhum desses atos foi falso, se tudo estava às claras para a fiscalização e não exigiu qualquer esforço para a aplicação dos efeitos tributários, não há razão para se qualificar a multa. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo os lançamentos. A conselheira Lívia votou pelas conclusões; e II) Por maioria de votos, DAR provimento para desqualificar a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto(Relator) e Julio Lima Souza Martins. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor. Acórdão de embargos n. 1401001.867, de 12 de abril de 2017 Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.351 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013, 2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração se prestam à complementação da decisão embargada, mas não alteram o seu resultado quando mantidos os fundamentos originalmente adotados como razão de decidir. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher em parte os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificando o acórdão embargado e integrando o voto apenas para consignar a ocorrência das tempestivas defesas dos solidários. A Recorrente se insurge quanto à qualificação da multa, alegando divergência em relação ao conteúdo do acórdão n. 120200.728, de 16 de março de 2012, cuja ementa é a seguinte: Acórdão paradigma: 120200.728, de 16 de março de 2012 Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2007, 2008 MPF. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. A ciência do MPF e de suas prorrogações é feita por intermédio do acesso à internet, garantido ao contribuinte através de senha sigilosa. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE. As despesas que se revelarem desnecessárias ou não usuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. DESPESAS OPERACIONAIS. CONDIÇÕES PARA DEDUTIBILIDADE. A qualificação dos dispêndios da pessoa jurídica como despesas dedutíveis na determinação do lucro real, está subordinada a normas específicas da legislação do imposto de renda, que fixam o conceito próprio de despesas operacionais e estabelecem condições objetivas norteadoras da imputabilidade, ou não, das cifras correspondentes para aquele efeito. DESPESAS FINANCEIRAS COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. As despesas com remuneração aos sócios da autuada, correspondentes à operação com debêntures, a pretexto de captar recursos para dotar a companhia de um novo sistema de gestão, não podem ser deduzidas do lucro liquido, na medida em que se comprova nos autos que deixaram de reunir as condições necessárias estabelecidas pela legislação fiscal. MULTA QUALIFICADA. A constatação de conduta fraudulenta praticada com intuito de reduzir a base imponível enseja a aplicação de multa qualificada. Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.352 5 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual. Em resumo, sustenta a Recorrente que o acórdão recorrido, apesar de reconhecer o artificialismo da operação em que, como no paradigma, houve emissão de debêntures adquiridas pelos acionistas, afastou a qualificação da multa, enquanto o paradigma a manteve. O despacho de admissibilidade de fls. 1.0101.016, do Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção, de 8 de dezembro de 2016, deu seguimento ao recurso especial do Procurador, admitindo a rediscussão da matéria em relação a multa de ofício qualificada. Os sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis) apresentaram contrarrazões (fls. 1.0411.050), defendendo a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, seu não provimento. Contexto fático dos autos Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL em virtude da glosa de despesas com o pagamento de prêmio de resgate de debêntures, consideradas desnecessárias (base legal: artigo 299 do RIR/99), com multa de 150%. A autoridade autuante resume o fluxo de caixa da operação salientando que houve: (a) uma saída de recursos de R$ 1.000.000,00 em junho de 2011, a título de adiantamento sobre lucros; (b) um aporte de R$ 1.000.000,00 no princípio de dezembro de 2011, dado pela integralização das debêntures; (c) a remuneração destes papéis no final de dezembro de 2011, no valor de R$ 7.044.706,50; e (d) pagamento de juros sobre o capital próprio no montante de R$ 2.107.206,22 entre janeiro e abril de 2012, sendo R$ 1.400.000,00 já no início de 2012. E observa (grifos do original): 8.6 O total do desembolso financeiro (considerando antecipação de lucros, juros do capital próprio e participação das debêntures) destinados aos sócios entre 2011 e 2013 atingiu a importância de R$ 13.079.463,88 o que é surpreendente se a intenção fosse realmente capitalizar a empresa. Assim, conclui a autoridade autuante (fls. 5152): "10.1 Não ocorreu uma operação de debêntures visando capitalizar a empresa e sim, um perverso planejamento tributário com vistas a reduzir a base da tributação, para efeito do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, considerando todos os fatos expostos ocorridos entre a AGE de 01/07/2011 e o real desdobramento financeiro e Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.353 6 contábil, notadamente a desproporcionalidade nas taxas de juros pagas e nas retiradas de recursos da VENTISOL seja a título de juros sobre o capital próprio e prêmio pela remuneração das debêntures." (...) 10.5 – Simulouse uma operação financeira, através de emissão de debêntures, com vistas a reduzir a base de cálculo do IR e da CSLL. (...) (fl. 52) Especificamente no trecho do relatório fiscal dedicado à qualificação da multa, a autoridade autuante considera que houve a prática de fraude, conduta conceituada no artigo 72 da Lei 4.502/1964, "diante da criação de uma falsa despesa" (fl. 55) É o relatório do essencial a ser decidido nesta fase processual. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.354 7 Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do Procurador é tempestivo e atendeu aos requisitos para a sua admissibilidade, tendo recebido seguimento nos termos do despacho de fls. fls. 1.010 1.016. Passo a apreciar a admissibilidade recursal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destacase, de início, que o recurso especial tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as turmas que compõem o CARF, não se prestando, em regra, como instância recursal no reexame de material probatório. Assim, a divergência jurisprudencial se estabelece não em matéria de prova, mas na interpretação das normas. Acrescentese, também, que, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há falarse em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada deve dizer respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Assim, o alegado dissenso jurisprudencial deve se dar em relação a questões de direito, tratando os precedentes em confronto da mesma legislação aplicável a uma mesma situação fática. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.355 8 Isso porque os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações fáticas essencialmente semelhantes (qual seja, a emissão de debêntures participativas cujas despesas fora consideradas indedutíveis), sendo a autuação baseada nos mesmos dispositivos legais (essencialmente, a glosa das despesas no artigo 299 do RIR/99 e a qualificação da multa no artigo 44 da Lei 9.430/1996). Ao contrário do que sustentam os sujeitos passivos em suas contrarrazões, no caso não é aplicável a Súmula CARF n. 25, na medida em que esta trata de lançamento por omissão de receitas, o que definitivamente não é o caso dos autos. Da mesma forma, também não se pode negar seguimento em virtude de, supostamente, a CSRF possuir entendimento no mesmo sentido do acórdão combatido, seja porque tal hipótese não está prevista no RICARF como causa para não admitir o recurso especial, seja porque o fato de haver um julgado no mesmo sentido do acórdão recorrido não indica necessariamente que este é o entendimento da CSRF sobre a matéria. Diante do exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Mérito Superada a questão do conhecimento, a discussão meritória diz respeito às circunstâncias que autorizam a exasperação da multa de ofício ao percentual de 150%. No caso, a autoridade autuante entendeu que, com a operação, "Simulouse uma operação financeira, através de emissão de debêntures, com vistas a reduzir a base de cálculo do IR e da CSLL." (fl. 52). Nesse contexto, considerou que o contribuinte teria criado uma falsa despesa, o que qualificou com fraude. Vejase por oportuno o trecho do Termo de Verificação Fiscal dedicado à qualificação da multa (fl. 55): XII – DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 12.1 – Cabe destacar que para a infração descrita no presente Termo deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, encontrando amparo no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.356 9 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (grifouse) 12.2 – Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, são os de sonegação, fraude e conluio, respectivamente. Na situação em análise, a multa foi duplicada em virtude da prática de fraude, conduta conceituada no artigo 72, diante da criação de uma falsa despesa: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Com a devida vênia, entendo que o raciocínio da autoridade fiscal autuante confunde simulação com fraude, quando na verdade tratase de institutos jurídicos substancialmente diversos. Para entender a diferença é importante compreender o conceito de dolo. Inicio pela doutrina penalista: "Dolo é a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal, ou, na expressão de Wetzel, dolo, em sentido técnico penal, é somente a vontade de ação orientada à realização do tipo de um delito" (BITENCOURT, Cezar Roberto. e CONDE, Francisco Muñoz. Teoria Geral de Delito. São Paulo: Saraiva: 2000, p. 149). No mesmo sentido, ensina Brandão Machado que, na noção de dolo, se insere a idéia de contrariedade ao direito, ou seja, da prática de um ilícito ("Um caso de elusão de imposto de renda". In: Direito Tributário Atual, vol. 9, São Paulo: Resenha Tributária, 1989, p. 2209). E, da mesma forma, Marco Aurélio Greco observa: "Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei n°9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. (...) Se não houve intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido — que levava ao enquadramento em regime ou previsão legal tributariamente mais favorável — não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir, etc." ("Planejamento Tributário", São Paulo: Dialética, 2004, grifos nossos) Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.357 10 Para que se possa falar em dolo, portanto, além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito (dolo normativo). Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, que contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ilícito típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. Dito de outra forma, se a pessoa deve agir de determinada forma e não o faz, e/ou se não pode agir de determinada maneira e o faz, aí sim estamos diante de atitudes que afrontam regras imperativas e que, portanto, podem ser tidas como dolosas (i.e., intencionais para a prática de um ilícito). Por outro lado, não é possível falar em dolo se a conduta que se adota está na esfera da facultatividade, ou seja, se a pessoa pode ou não praticar determinado ato, qualquer atitude que ela tome estará, a princípio, em conformidade com o direito, não havendo aí qualquer ilícito. E dizemos a princípio porque, de fato, a depender do resultado obtido, é possível que a conduta adotada, muito embora não contrarie regra imperativa, revelese, naquele caso concreto, contrária ao ordenamento jurídico. Em um tal caso, nem por isso a conduta poderá ser tida por dolosa (porque, reiterase, ela não afronta diretamente nenhuma regra do ordenamento) não obstante também não possa mais ser qualificada como legítima (porque o resultado obtido se revelou contrário ao ordenamento jurídico). Temse, aí, o conceito de ilícito atípico (ATIENZA, Manuel. e MANERO, Juan Luiz. Ilícitos Atípicos. 2 ed. Madrid: Trotta, 2006). No caso em questão, todavia, não se verifica norma imperativa que tenha sido infringida. Na verdade, o que temos é a prática de condutas facultadas ou mesmo expressamente permitidas, tanto é que a própria fiscalização pauta a glosa das despesas exclusivamente no fato de que elas seriam anormais e desnecessárias, questionando sempre o resultado obtido pelo contribuinte (economia de tributos) e não propriamente a prática de algum ato expressamente proibido pelo ordenamento. Tal circunstância fica clara tanto da leitura do Termo de Verificação Fiscal quanto dos autos de infração, vejase: Termo de Verificação Fiscal, fl. 51: 10.1 – Não ocorreu uma operação de debêntures visando capitalizar a empresa e sim, um perverso planejamento tributário com vistas a reduzir a base da tributação, para efeito do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, considerando todos os fatos expostos ocorridos entre a AGE de 01/07/2011 e o real desdobramento financeiro e contábil, notadamente a desproporcionalidade nas taxas de juros pagas e nas retiradas de recursos da VENTISOL seja a título de Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.358 11 juros sobre o capital próprio e prêmio pela remuneração das debêntures. 10.2 – Pelo exposto, consideramos as despesas financeiras a título de “prêmio de resgate de título de debêntures” como despesas indedutíveis e as adicionamos no lucro líquido, visto os acionistas da VENTISOL terem tido a clara intenção de reduzir indevidamente o lucro líquido, utilizandose de despesas anormais e desnecessárias, relativo a remuneração de debêntures emitidas única e exclusivamente em favor dos dois únicos acionistas e diretores da empresa, com o único intuito de eximirse do pagamento de tributos. (grifamos) Auto de infração de IRPJ (fl. 6): Auto de Infração de CSLL (fl. 21): Resta claro que não há , no caso, a imputação da prática de qualquer ilícito, é dizer, não se verifica qualquer conduta diretamente contrária ao direito. No máximo, o resultado obtido é que pode ser considerado contrário ao direito, mas isso, vale reiterar, não significa que houve dolo mas, quando muito, que os efeitos ilegítimos (e não o ato em si) devem ser anulados. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.359 12 Na verdade, todos os elementos referidos como caracterizadores do "ilícito" ou do "dolo" no caso concreto apontam para a prática de simulação. Diferentemente da autoridade autuante, compreendo que simular é diferente de fraudar ou sonegar atos, estes sim, ilícitos. No caso dos autos, a acusação é de criar uma falsa despesa por meio da emissão de debêntures e, por consequência, adotar todas as condutas como se tal emissão e tal despesa efetivamente ocorressem: assinando escrituras de emissão, enviando declarações fiscais e preenchendo livros contábeis. Acontece que as atitudes consideradas pelas autoridade fiscal como reveladoras da suposta fraude são ínsitas à simulação: quem simula tem intenção de praticar atos, ou seja, a pessoa acredita na "situação simulada" e adota todas as condutas condizentes com tal circunstância, mas não necessariamente tem "dolo" porque sua intenção não necessariamente é direcionada a praticar um ato ilícito, diretamente contrário ao ordenamento. Na verdade, na maioria dos casos de planejamento tributário considerado "abusivo" (porque simulado), quem simula acredita piamente que a situação jurídica simulada é, na verdade, lícita e legítima, e muitas vezes até possui pareceres jurídicos e contábeis que assim o afirmem e respaldem. É uma situação bem diferente de alguém que pratica um ilícito e confia apenas na impunidade ou em eventuais isenções de pena e excludentes de ilicitude, eis que, neste caso, e apenas aqui, a pessoa sabe que praticou um ilícito, enquanto que, na simulação, não necessariamente. A intenção de quem simula é meramente criar uma situação que, materialmente (isto é, na prática) não existe seja simplesmente por simular (simulação absoluta), seja para ocultar uma outra situação (simulação relativa). Isso não é, no ordenamento jurídico brasileiro, um ilícito, já que não há norma que proíba simular uma situação, nem norma que obrigue não simular. O que há, sim, são apenas consequências para o ato simulado. Por exemplo, no âmbito civil, o art. 167 do Código Civil prevê a nulidade do ato simulado, subsistindo o dissimulado se válido na substância e na forma. Já no âmbito tributário, artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional estabelece a possibilidade de o fisco rever o lançamento, vejase. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Assim, no âmbito tributário, a simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional, e não o passo além que é a exasperação da multa de ofício. É dizer, a autoridade fiscal poderá, uma vez identificada a simulação, requalificar os atos jurídicos para aqueles que entenda ser os atos materialmente praticados e, por consequência, lançar eventual diferença de tributos. E, vale observar, a simulação é um dos casos aí sim juntamente com o dolo e a fraude que autorizam o deslocamento da decadência do prazo previsto no artigo 150, par. 4o do CTN, para aquele do artigo 173, I (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado). Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.360 13 Ao assim fazêlo, a autoridade fiscal anula os efeitos nocivos de um ato que, em si, não é, nem passou a ser, ilícito, fazendo com que aquele resultado fiscal obtido pelo contribuinte, contrário ao ordenamento, deixe de existir. Com isso, o ato, que permanece lícito como sempre foi, deixa de ser ilegítimo, passando a estar plenamente de acordo com o ordenamento jurídico. A autoridade fiscal não anula, e nem poderia1, o ato jurídico como um todo. De fato, não vemos na prática nenhum auto de infração pretendendo dizer que a compra e venda não ocorreu, ou que a reorganização societária deve ser desfeita porque nula. O que a autoridade fiscal faz é requalificar o ato, isto é, confere a ele outro efeito tributário, anulando aquele resultado que o contribuinte pretendeu obter mas que se revelou, nas circunstâncias do caso, contrário ao ordenamento jurídico. Nesse ponto, observo que dizer que um ato será nulo ou que ele autorizará a revisão do lançamento de tributos é algo muito menor do que dizer que esse ato é um ilícito. De fato, a depender da linha que se adote e não cabe aqui discorrer sobre todas possíveis acepções a simulação é, no máximo, um ilícito atípico, o qual, por tal natureza, não pode ensejar o agravamento da multa, por ser esta uma penalidade aplicável apenas a ilícitos tipificados (GERMANO, Livia De Carli. "Planejamento tributário e limites para a desconsideração dos negócios jurídicos". São Paulo: Saraiva, 2013, pgs. 83 e 127). Diferentemente, para que se possa cogitar a qualificação da multa, é necessário identificar especificamente qual(is) das ações ou omissões previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/1964 foram praticadas, sendo indispensável, ainda, a comprovação do dolo e, portanto, e necessariamente, do ilícito praticado. No caso, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, agindo na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido o que, não por acaso, encaixase textualmente na definição de "divergência de qualificação jurídica dos fatos" conceituada por Marco Aurélio Greco, conforme trecho de doutrina citado acima. Em síntese, compreendo que o caso em questão não envolve a prática de um ilícito, mas apenas conflito entre diferentes possíveis qualificações dadas a um mesmo fato isto é: para a contribuinte, a emissão de debêntures seria suficiente para permitir a produção dos respectivos efeitos tributários (no caso, a dedução das respectivas despesas) enquanto que, para a autoridade autuante, não. Em tal circunstância, muito embora presente o intuito de simulação, não resta comprovado o dolo do sujeito passivo (entendido como consciência da prática de um ilícito) e, sendo este imprescindível à caracterização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio, é o caso de se cancelar a qualificação da multa de ofício, mantendoa no patamar de 75%. Assim, compreendo que a conclusão da decisão recorrida deve ser mantida, aplicandose ao caso a multa de ofício no percentual de 75%. 1 Código Civil Lei 10.406/2002 "Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir. Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido suprilas, ainda que a requerimento das partes." Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.361 14 Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.362 15 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei Redator Designado Com o devido respeito ao posicionamento exarado pela i.Conselheira Relatora, apresento o seguinte voto no sentido de restaurar a multa qualificada no presente caso. A multa qualificada, prevista no artigo 44, §1º da lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da lei º 11.488/2007 incidirá quando os casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/64 se configurarem, ou seja, quando ocorrer a prática da sonegação, fraude e/ou conluio, respectivamente, por parte do contribuinte. Na efl. 55, item 12.2 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal entendeu que pelo fato de a contribuinte ter criado uma falsa despesa, teria praticado fraude contra o Fisco. Tal conduta é assim definida pela lei nº 4.502/64: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Compulsando os autos, entendo como correta a imputação da penalidade mais gravosa no presente caso, pois a prova maior de que a recorrida procurou se eximir de sua obrigação tributária é o resultado, ou melhor, a falta dele no tocante à operação de debêntures. Vejase que quando a empresa resolve emitir debêntures, há um propósito, uma finalidade para adoção de tal procedimento. Via de regra, querse captar recursos externos, contornandose alguma burocracia maior, como ocorreria nos casos em que se faz um empréstimo convencional com instituição financeira. Ou seja, ao escolher capitalizar sua empresa pelo regime das debêntures, pressupõese que os acionistas preferem a liberdade que tal procedimento lhes proporciona. E até aí, nenhum problema. A questão, é que o que se espera, principalmente por parte dos titulares, é que a empresa que oferece as debêntures, obtenha o lucro almejado, para quitar suas dívidas com os debenturistas e estes terem finalmente seu ganho. No caso concreto, a finalidade para a emissão de debêntures não se materializou. Veja que na efl. 36, do Termo de Verificação Fiscal, item 6.1, a autoridade fiscal ao descrever o procedimento da empresa, demonstra a finalidade da emissão de debêntures; vejase: Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.363 16 a) “Análise dos Demonstrativos Financeiros e Contábeis da empresa, assim como as perspectivas para os próximos 5 (cinco) anos dentro do plano estratégico definido”. Em síntese os acionistas concluem que a empresa encontrase “numa situação de consolidado crescimento” no segmento que atuam, necessitando concentrar esforços na inovação, o que demanda investimentos relevantes de recursos. Afirmam da necessidade de ampliar seu parque fabril e/ou adquirir outras empresas e apesar das linhas de crédito externas serem atrativas haveria o risco cambial, o que os acionistas preferiram não assumir, sendo imperioso a ampliação do parque fabril e a aquisição de outras empresas do mesmo segmento. Após discorrerem sobre diversas alternativas estratégicas para os anos vindouros concluem: “Ponto fundamental para os dois caminhos é que a companhia esteja numa situação financeira equilibrada, comum fluxo de caixa saudável, baixo nível de endividamento especialmente com instituições financeiras e mantenha ao longo do período os níveis de crescimento que vem apurando nos últimos exercícios”. (Grifos meus) O movimento natural e esperado, portanto, é que ao adotar tal medida – a emissão de debêntures – para atingir a finalidade de ampliar o parque fabril e adquirir outras empresas do mesmo seguimento, o capital adquirido fique com a empresa emissora para executar tais empreendimentos. Porém, não é o que se visualizou na prática. Como constatou a autoridade autuante, o único resultado/finalidade atingido foi o da redução da carga tributária por uma despesa forçadamente criada, que nem se demonstra como necessária, usual ou normal para empresa que tem como objeto social a indústria, comércio, importação e exportação de ventiladores, exaustores, motores elétricos, extrator de sucos, liquidificadores, aquecedores, fornos elétricos, entre outros. Não bastasse o observado, temos o incontestável fato de o capital que deveria ser aproveitado para a empresa ter terminado nas mãos dos acionistas, o que significa que o “objetivo”, a “finalidade” para a emissão das debêntures foi fictício, a ampliação do parque fabril e aquisição de novas empresas não ocorreu, pelo menos, não com o capital advindo das debêntures, porque este ficou com os acionistas que, como bem apontou a Fiscalização (efls. 45 a 46): VII – A DESCAPITALIZAÇÃO DA EMPRESA 8.1 – A conduta dos acionistas da empresa não se coaduna com a decisão tomada na AGE de 01/07/2011 que tinha por finalidade a “ampliação da capacidade de produção” e notadamente uma “situação financeira equilibrada” e “alavancagem financeira” (Item 6.1) pelas razões a seguir: 8.2 – A decisão dos acionistas foi “capitalizar” a empresa com a emissão de debêntures no total de R$ 1.000.000,00, entretanto, esses mesmos acionistas, promoveram a “descapitalização” da empresa ao longo do período. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.364 17 8.3 – Em junho de 2011 os acionistas receberam recursos financeiros da VENTISOL oriundos de “antecipação de lucros”, no montante de R$ 1.000.000,00, cujos valores são coincidentes com os que posteriormente foram utilizados na aquisição das debêntures. (…) 8.3 – Em 30/12/2011 a VENTISOL (mesmo mês da integralização das debêntures) a VENTISOL reconheceu como despesas a quantia bruta de R$ 2.559.063,04, a título de “Juros sobre o Capital Próprio”, conforme demonstrado no QUADRO abaixo. (…) 8.4 – Entre janeiro e abril de 2012 os acionistas Aléxis e Anair retiram da VENTISOL o montante de R$ 2.107.206,22 a título de Juros sobre o Capital Próprio da VENTISOL. Resumindo, no inicio de dezembro/2011 há um aporte de R$ 1.000.000,00 pelos acionistas e estes mesmos promovem um desencaixe financeiro entre janeiro e abril de 2012 de R$ 2.107.206,22 (sendo R$ 1.400.000,00 no inicio de 2012). (…) 8.5 – A retirada de recursos financeiros da VENTISOL, já a título de remuneração das debêntures emitidas, ocorreu em 2012 e 2013 conforme pode ser constatado no Razão Contábil – Debêntures a Pagar (Doc. 19 e 20), totalizando nesses dois exercícios o montante de R$ 9.972.257,66. (...) 8.6 O total do desembolso financeiro (considerando antecipação de lucros, juros do capital próprio e participação das debêntures) destinados aos sócios entre 2011 e 2013 atingiu a importância de R$ 13.079.463,88 o que é surpreendente se a intenção fosse realmente capitalizar a empresa. 8.7 – A descapitalização da VENTISOL pode ser constatada através dos índices de liquidez e/ou endividamento, onde caracterizaremos que, ao contrário das premissas constantes da AGE de julho/2011, a companhia se endividou de forma surpreendente. 8.8 – Os índices de liquidez e endividamento que foram considerados na presente análise foram os seguintes: (…) 8.15 – Os índices de endividamento total (capital de terceiros) sobre o ativo total, indica que de R$ 0,52 em junho de 2011 a VENTISOL passou para R$ 0,77 em dezembro de 2012, representando um acréscimo de 48% no endividamento total da sociedade. 8.16 – As retiradas de numerários realizadas pelos sócios de R$ 13.079.463,88, o aumento do Passivo a título das obrigações reconhecidas como remuneração das debêntures devidas de R$ 59.665.898,81 (R$ 69.638.156,47 () R$ 9.972.257,66) e o empréstimo de R$ 9.000.000,00, foram determinantes para a descapitalização, medida pela queda da liquidez geral em 33% e o endividamento da empresa em 48% medido pelo índice do endividamento total. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 11516.722027/201477 Acórdão n.º 9101004.105 CSRFT1 Fl. 1.365 18 Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial, restabelecendo a multa de ofício para o patamar de 150%. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1365DF CARF MF
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